UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS
DEPARTAMENTO DE FÍSICA

FÍSICA EXPERIMENTAL
João Gonçalves Marques Filho
Silvio Luiz Rutz da Silva



I


Apresentação

Dentro do quadro atual de desenvolvimento Científico e Tecnológico de nosso país cada vez mais
ganha ênfase a necessidade de formação de mão de obra com capacidade de adaptação às
crescentes evoluções tecnológicas, que pressupõe em relação à Ciência e a Tecnologia a
interrelação entre teoria a prática experimental.

Atualmente no Brasil as características do Ensino de Física são ainda bastante tradicionais,
apresentando como um dos principais reflexos o pequeno número e até mesmo raras, obras
bibliográficas onde os conhecimentos da Física sejam tratados pela utilização de recursos e
procedimentos experimentais.

Na tentativa de elaborar instrumentos que permitam cristalizar estas novas expectativas da
Sociedade com relação à contribuição possíveis da Física é que desenvolvemos o Projeto
intitulado: Produção de Material Bibliográfico: Física Geral Experimental.

O Projeto Produção de Material Bibliográfico: Física Geral Experimental tem como objetivo
principal a melhoria do Ensino de Física para os cursos das diversas Áreas em nossa instituição,
através da difusão de conhecimentos e metodologias da Física, de modo a realizar-se um Ensino
compatível com as exigências atuais, levando o aluno a assimilar o Conhecimento Científico,
tornando a Aprendizagem significativa e motivadora e por conseqüência refletindo em sua
formação intelectual e social.

Devemos ainda considerar que o material bibliográfico resultante que agora apresentamos
constitui-se em elemento de:

i. Geração de Conhecimento Científico - constitui excepcional instrumento de apoio à
formação de recursos humanos que desenvolvam ou venham a desenvolver projetos de
pesquisa com base em metodologias que possibilitam a qualificação de profissionais
capazes de conhecer e dominar as aplicações da Física às mais diversas Äreas de modo
integrado.
II

ii. Desenvolvimento de Tecnologia – instrumento de apoio ao desenvolvimento de projetos
interdisciplinares de pesquisa, em âmbito intra ou interinstitucional, que possibilitem a
compreensão de fenômenos da Física, possibilitando a geração de competência nessa área.

iii. Apoio ao estudo, à pesquisa e ao desenvolvimento de métodos, processos, técnicas e
produtos para a plena utilização das aplicações da Física existentes, bem como da geração
de novas técnicas, que visem a obtenção de soluções para problemas já identificados.

Dessa forma a ação proposta deve ser entendida como consolidadora da competência Científica e
Tecnológica necessária para o desenvolvimento de um instrumental agregador dos produtos e
demandas geradas por essas e outras ações setoriais. Neste sentido, a filosofia deste Projeto
pressupõe trabalhos multidisciplinares que, por meio de atividades interdisciplinares, possam
alcançar competência e total integração no trato dos assuntos relacionados à aplicação da Física às
Ciências Biológicas e da Saúde.



















III


Sumário

I – Instrumentos de medidas .................................................................................
1
Barômetro de quadrante .................................................................................... 3
01 Paquímetro ................................................................................................... 5
02 Palmer .......................................................................................................... 9
03 Esferômetro .................................................................................................. 12
04 Barômetro ..................................................................................................... 16

II – Mecânica dos sólidos ......................................................................................
23
Aparelho para o estudo das forças centrais ....................................................... 25
01 Sistema de forças ......................................................................................... 27
02 Momento de uma força em relação a um ponto (torque) ............................. 31
03 Equilíbrio de uma partícula no plano ........................................................... 34
04 Equilíbrio de um corpo ................................................................................ 36

III - Movimento unidimensional ..........................................................................
39
Aparelho destinado a comparar o movimento dos corpos em diferentes
trajetórias ...........................................................................................................

41
01 Movimento retilíneo uniformemente variado .............................................. 43
02 Queda livre ................................................................................................... 46

IV – Movimento bidimensional ...........................................................................
49
Aparelho para ilustrar a trajetória de um projétil .............................................. 51
01 Lançamento horizontal ................................................................................. 53
02 Lançamento oblíquo ..................................................................................... 55
IV
V – Dinâmica ............................................................................................................
57
Máquina de Atwood .......................................................................................... 59
01 Leis de Newton ............................................................................................ 61
02 Momento linear ............................................................................................ 64
03 Conservação de energia ............................................................................... 67
04 Colisões ........................................................................................................ 69
05 Momento de inércia ..................................................................................... 72
06 Atrito ............................................................................................................ 76
07 Máquina de Atwood ..................................................................................... 80

VI – Movimento oscilatório ..................................................................................
83
Pêndula .............................................................................................................. 85
01 Movimento harmônico simples .................................................................... 87
02 Pêndulo simples ........................................................................................... 89
03 Pêndulo composto ........................................................................................ 92

VII – Elasticidade ....................................................................................................
95
Balança romana com peso cursor ...................................................................... 97
01 Lei de Hooke ................................................................................................ 99
02 Módulo de Young ........................................................................................ 101
03 Flexão ........................................................................................................... 103
04 Torção .......................................................................................................... 107
05 Módulo de cisalhamento – balança de torção .............................................. 109
06 Módulo de rigidez ........................................................................................ 111

VIII – Mecânica dos fluidos ..................................................................................
115
Aparelho de vasos comunicantes ...................................................................... 117
01 Massa específica .......................................................................................... 119
02 Tensão superficial ........................................................................................ 123
03 Viscosidade – método de Poiseuille ............................................................. 125
04 Viscosidade – método de Newton ................................................................ 127
05 Equação de Bernoulli ................................................................................... 129
V
IX – Termologia .......................................................................................................
133
Pirômetro de Nollet ........................................................................................... 135
01 Termômetros – termopar .............................................................................. 137
02 Termômetro a gás ......................................................................................... 143
03 Dilatação de sólidos ..................................................................................... 147
04 Dilatação de líquidos .................................................................................... 149
05 Capacidade térmica ...................................................................................... 151
06 Calor específico ............................................................................................ 153
07 Condução térmica ........................................................................................ 157
08 Calor latente de fusão ................................................................................... 161
09 Calor latente de vaporização ........................................................................ 163
10 Lei de Boyle Mariotte .................................................................................. 165
11 Lei de Charles - primeira lei de Gay-Lussac ................................................ 167
12 Lei de Gay-Lussac - segunda lei .................................................................. 169





























VI

I

INSTRUMENTOS DE MEDIDAS







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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
















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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Barômetro de quadrante

Este barômetro de quadrante, construído em Lisboa por J. B. Haas, é constituído por um
reservatório de mercúrio que comunica com dois tubos cilíndricos de vidro. Um dos tubos tem
cerca de 80 cm de altura, encontrando-se envolvido por três varas de madeira enroladas
helicoidalmente. O segundo tubo, com cerca de 7 cm, encontra-se no interior da caixa do aparelho.
A sua extremidade superior é aberta, podendo mover-se no seu interior um pequeno cilindro de
vidro como se tratasse de um êmbolo. Este cilindro está suspenso por um fio enrolado numa
pequena roda solidária com um eixo horizontal. Numa segunda roda montada neste eixo está
enrolado outro fio que atua sobre o ponteiro do instrumento, fazendo-o mover sempre que o nível
de mercúrio sobe ou desce. Obtém-se assim alguma informação, embora imprecisa, acerca da
pressão atmosférica. Para manter sob tensão o fio que atua sobre o ponteiro, encontram-se
suspensos das suas extremidades dois pequenos pesos de latão.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm












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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
































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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
I - 01 Paquímetro

Objetivos
• Familiarização com o uso do aparelho
• Determinação da sensibilidade do aparelho
• Medidas comparativas

Fundamento teórico

O paquímetro é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas,
externas e de profundidade de uma peça. Consiste em uma régua graduada, com encosto
fixo, sobre a qual desliza um cursor.

Elementos de um paquímetro:



1 orelha fixa 8 encosto fixo
2 orelha móvel 9 encosto móvel
3 nônio ou vernier (polegada) 10 bico móvel
4 parafuso de trava 11 nônio ou vernier (milímetro)
5 cursor 12 impulsor
6 escala fixa de polegadas 13 escala fixa de milímetros
7 bico fixo 14 haste de profundidade


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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Características:

O cursor ajusta-se à régua e permite sua livre movimentação, com um mínimo de
folga. Ele é dotado de uma escala auxiliar, chamada nônio ou vernier. Essa escala permite
a leitura de frações da menor divisão da escala fixa.
O paquímetro é usado quando a quantidade de peças que se quer medir é pequena.
Os instrumentos mais utilizados apresentam uma resolução de: 0,05 mm, 0,02 mm,
1/128" ou 0,001".
As superfícies do paquímetro são planas e polidas, e o instrumento geralmente é
feito de aço inoxidável.
Suas graduações são calibradas a 20ºC.

Tipos:

Há vários tipos de paquímetros para possibilitar medidas em peças de
características diferentes. Alguns exemplos são:
Paquímetro universal: é utilizado em medições internas, externas, de profundidade e de
ressaltos. Trata-se do tipo mais usado.
Paquímetro universal com relógio: O relógio acoplado ao cursor facilita a leitura,
agilizando a medição.
Paquímetro com bico móvel (basculante): empregado para medir peças cônicas ou peças
com rebaixos de diâmetros diferentes.
Paquímetro de profundidade: serve para medir a profundidade de furos não vazados,
rasgos, rebaixos etc. Esse tipo de paquímetro pode apresentar haste simples ou haste com
gancho.
Paquímetro duplo: serve para medir dentes de engrenagens.
Paquímetro digital: utilizado para leitura rápida, livre de erro de paralaxe, e ideal para
controle estatístico.

Nônio:

O nônio é a parte do paquímetro cuja finalidade é proporcionar uma medida com
uma resolução menor (mais precisa) do que a feita somente com a escala fixa. A escala do
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
cursor é chamada de nônio ou vernier, em homenagem ao português Pedro Nunes e ao
francês Pierre Vernier, considerados seus inventores. O nônio possui uma escala com n
divisões para X mm da escala fixa. No caso da figura ao lado, o nônio está dividido em 10
partes iguais para 9 mm. Cada divisão do nônio possui 9/10 mm, portanto o 1º traço do
nônio está a 1/10 mm do próximo traço na escala fixa (comprimento esse que é a resolução
do paquímetro), o 2º traço do nônio está a 2/10 mm do seu próximo traço na escala fixa e
assim sucessivamente.



Cálculo de resolução:

A resolução de um paquímetro é a distância compreendida entre a 1ª subdivisão do
nônio e a subdivisão subseqüente na escala fixa.
Se o nônio mede X mm, e é dividido em n partes iguais, o comprimento
compreendido entre duas subdivisões consecutivas do nônio é X/n.
Este valor tem o seguinte formato em notação decimal: I,D. I representa a parte
inteira do número decimal e D representa a parte fracionária.
Por exemplo: X=39 mm e n = 20, X/n = 1,95. I=1. Resolução = (I+1)-X/n
Exemplos:
Nônio de 9 mm com 10 divisões
X/n = 0,9
Resolução = 1 – 0,9 = 0,1 mm
Nônio de 39 mm com 20 divisões
X/n = 1,95
Resolução = 2 - 1,95 = 0,05 mm
Nônio de 49 mm com 50 divisões
X/n = 0,98
Resolução = 1 - 0,98 = 0,02 mm

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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Procedimento experimental:

Leitura da medida:

Posicione o bico móvel de forma tal que a peça a ser medida se adapte com folga
entre os bicos fixo e móvel (medida externa) ou entre as orelhas (medida interna) ou entre
a haste de profundidade e a escala fixa (medida de profundidade).
Mova as partes móveis com o polegar atuando no impulsor até que a parte móvel
(bico, orelha ou haste) encoste suavemente na peça.
Leia na escala fixa o número de milímetros inteiros (à esquerda do zero do nônio).
Leia a parte fracionária da medida observando qual traço do nônio coincide com
algum traço da escala fixa e calcule o valor da fração multiplicando o número desse traço
pela resolução.




















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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
I - 02 Palmer

Objetivos
• Familiarização com o uso do aparelho
• Determinação da sensibilidade do aparelho
• Medidas comparativas
• Construção de gráficos
• Ajuste de curvas

Fundamento Teórico

A – Introdução:

De modo geral, o instrumento é conhecido como micrômetro. Na França,
entretanto, em homenagem ao seu inventor, o micrômetro é denominado Palmer.
É um instrumento de precisão que consta de um parafuso micrométrico capaz de se
mover ao longo do próprio eixo. É formado por uma peça em forma de “U” ou “estribo”;
contém uma porca fixa na qual se desloca um parafuso micrométrico.
A cabeça do parafuso é constituída por um tambor (T), normalmente dividida em
50 ou 100 partes.

O micrômetro é um instrumento de medição de medidas lineares utilizado quanto a
medição requer uma precisão acima da possibilitada com um paquímetro e é fabricado com
resolução entre 0,01 mm e 0,001mm.
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Foi inventado por Jean Louis Palmer que, apresentou, pela primeira vez, o
instrumento para requerer sua patente, o qual permitia a leitura de centésimos de
milímetro, de maneira simples. Com o decorrer do tempo, o micrômetro foi aperfeiçoado e
possibilitou medições mais rigorosas e exatas do que o paquímetro.
O Princípio de medição do micrômetro baseia-se no sistema porca-parafuso, no
qual, o parafuso avança ou retrocede na porca na medida em que o parafuso é girado em
um sentido ou noutro em relação à porca.

Se fizermos n divisões iguais na "cabeça" do parafuso, ao provocarmos uma rotação menor
que uma volta, portanto menor que o passo do parafuso, poderemos, baseados nas divisões
feitas, saber Qual a fração de uma volta que foi dada e, portanto, medir comprimentos
menores que o passo.

B – Estudo do aparelho:

- Verificar qual o valor de cada uma das divisões da escala principal
- Determinar o número de divisões do tambor (n)
- Determinar o passo do palmer (p); para isso, dá-se uma rotação completa ao parafuso
- Determinar a natureza do aparelho (N):
n
p
N = , onde N corresponde a cada rotação de
uma divisão do tambor
- Leitura: N i L L
0
× + =

Trabalho experimental:

- Efetuar a medida da espessura de uma folha de caderno = ___________
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Efetuar a medida da espessura de grupos de 3 folhas num total de dez medidas
completando a tabela abaixo:
número de folhas espessura número de folhas espessura






- Com os dados tabelados construir o gráfico: n° de folhas = f (espessura)

Ajuste de curvas

Método dos mínimos quadrados:
Consiste em obter a equação da reta y = ax + b pela determinação de “a”
(coeficiente angular) e de “b” (coeficiente linear) a partir da resolução do sistema:
∑ ∑ + = x a bN y
∑ ∑ ∑ + = ×
2
x a x b ) y x (
onde N é número de medidas
com os dados tabelados (acima) utilizar o método dos mínimos quadrados e proceder o
ajuste da curva:
N ___________
Σ y ___________
Σ x ___________
Σ ( y x × ) ___________
Σ x
2
___________
a = _________ b = ___________
como: b ax y + =
y = ____ x + ____
- A partir da equação obtida traçar a reta no gráfico





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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
I - 03 Esferômetro

Objetivos
• Manuseio do aparelho
• Determinação da sensibilidade do aparelho
• Determinação do raio de curvatura de uma esfera

Fundamento teórico

Descrição do aparelho

O esferômetro é uma outra aplicação do parafuso micrométrico. A porca do
parafuso micrométrico (P) é a parte central do tripé rígido, cujas pontas P1, P2 e P3 são os
vértices de um triângulo eqüilátero de lado
1 3 3 2 2 1
P P P P P P L = = = e cujo eixo é
perpendicular ao plano definido pelas pontas. A ponta do parafuso micrométrico (P),
projeta-se no centro do triângulo.

Ligado ao parafuso e, perpendicular a ele, existe um disco (D), dividido em partes
iguais (geralmente 100 ou 500) cujo bordo quase toca numa escala metálica (E), dividida
em unidades de comprimento (0,5 ou 1,0 mm).
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
A escala retilínea ou principal (E) serve simultaneamente para a avaliação do
número de voltas que dá o parafuso e do índice para a graduação do disco (D), onde se
lêem as frações de volta.
Para a aferição do instrumento, colocá-lo sobre uma placa de vidro, perfeitamente
plana e bem polida. O nível da face superior do disco (D) deverá indicar "0" na escala (E) e
o "0" do disco deve defrontar o "0" da escala.

Trabalho experimental

Estudo do aparelho

- Verificar o valor de cada uma das divisões da escala principal.
- Determinar o passo (p) do parafuso micrométrico, dando uma rotação completa no
parafuso; verificar então de quantas divisões da escala principal E, subiu ou desceu o
índice do disco D.
- Verificar o número de divisões da escala principal (n)
- Calcular a natureza N do esferômetro:
n
p
N = , onde P é o passo do parafuso
micrométrico e n é o número de divisões da escala circular.

Leitura do aparelho
Para ler a escala E, fazer com que o raio visual seja rasante à superfície da escala D.
A leitura será dada por: N 1 f f
o
⋅ + = , onde f
o
é o número de divisões da escala principal
compreendido entre o zero e o limbo do disco (D), i é a divisão da escala circular que
coincide com a “aresta” da escala retilínea E.

Determinação do raio de curvatura de uma esfera, calota, lente ou espelho esférico
Constitui-se na principal aplicação do esferômetro.

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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Figura 2.A Figura 2.B

Figura 2.C

Assentá-lo primeiramente sobre a superfície esférica cujo raio (R) pretende-se
determinar.
O plano formado pelas três pontas (P1, P2 e P3) (Figura 2.A) determina sobre a
superfície esférica uma calota de flecha f = PP’ (Figura 2.B), cuja base é uma
circunferência de raio r, na qual está inscrito o triângulo eqüilátero definido pelas pontas
do tripé (Figura 2.C).
Consideremos o triângulo retângulo P’BC. De acordo com um conhecido teorema
de geometria, teremos:
PC P ' P PB
2
× =
onde
f R 2 PC
f P ' P
r PB
− =
=
=

daí
2 2
f Rf 2 ) f R 2 ( f r − = − ⋅ =
e que resulta
F 2
f r
R
2 2
+
=
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
sendo o triângulo P
1
P
2
P
3
eqüilátero, podemos exprimir seu lado L, em função de r
3 r L = ou
3
3 L
r =
portanto
f 6
f 3 L
R
2 2
+
=
Determinação de f
Assentar o esferômetro sobre uma lâmina de vidro perfeitamente polida e fazer a leitura do
limbo (equivale a zerar o aparelho). Colocá-lo a seguir sobre a calota de raio de curvatura a
determinar, girando o parafuso até sua ponta tocar levemente a superfície da calota. A
diferença entre esse resultado e o anterior dá o valor procurado (f).
Determinação de L
Para medir L, assentar o esferômetro sobre cartolina e exercer sobre ele, pressão suficiente
para que fiquem marcadas as três pontas do tripé. Medem-se as distâncias entre as três
pontas do triângulo, e, assume-se a “média” para a medida de L.
Trabalho prático
Determinar o raio de curvatura (R) de uma lente.


















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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
I - 04 Barômetro

Objetivo
• Medir a pressão atmosférica ambiente

Fundamento teórico

Pressão Atmosférica e a Experiência de Torricelli

A atmosfera terrestre é composta por vários gases, que exercem uma pressão sobre
a superfície da Terra. Essa pressão, denominada pressão atmosférica, depende da altitude
do local, pois à medida que nos afastamos da superfície do planeta, o ar se torna cada vez
mais rarefeito, e, portanto, exercendo uma pressão cada vez menor.

Evangelista Torricelli (1608-1647) Físico e matemático italiano que foi discípulo de Galileu

O físico italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) realizou uma experiência para
determinar a pressão atmosférica ao nível do mar. Ele usou um tubo de aproximadamente
1,0 m de comprimento, cheio de mercúrio (Hg) e com a extremidade tampada. Depois,
colocou o tubo, em pé e com a boca tampada para baixo, dentro de um recipiente que
também continha mercúrio. Torricelli observou que, após destampar o tubo, o nível do
mercúrio desceu e estabilizou-se na posição correspondente a 76 cm, restando o vácuo na
parte vazia do tubo.
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva

Barômetro de mercúrio. Experimento realizado por Torricelli em 1643.

Na figura, as pressões nos pontos A e B são iguais (pontos na mesma horizontal e
no mesmo líquido). A pressão no ponto A corresponde à pressão da coluna de mercúrio
dentro do tubo, e a pressão no ponto B corresponde à pressão atmosférica ao nível do mar:
A B
p p = e
Hg de coluna atm
p p =
Como a coluna de mercúrio que equilibra a pressão atmosférica é de 76 cm,
dizemos que a pressão atmosférica ao nível do mar equivale à pressão de uma coluna de
mercúrio de 76 cm. Lembrando que a pressão de uma coluna de líquido é dada por µgh (g
= 9,8 m/s
2
), temos no SI:
Pa 10 1,01 Hg de mm 760 Hg de cm 76 p
5
atm
× = = =
A maior pressão atmosférica é obtida ao nível do mar (altitude nula). Para qualquer
outro ponto acima do nível do mar, a pressão atmosférica é menor. A tabela a seguir
apresenta a variação da pressão atmosférica de acordo com a altitude.

Altitude
(m)
Pressão atmosférica
(mmHg)
Altitude
(m)
Pressão atmosférica
(mmHg)
0 760 1200 658
200 742 1400 642
400 724 1600 627
600 707 1800 612
800 690 2000 598
1000 674 3000 527

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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Medidores de pressão

Os manômetros (medidores de pressão) utilizam a pressão atmosférica como
referência, medindo a diferença entre a pressão do sistema e a pressão atmosférica. Tais
pressões chamam-se pressões manométricas. A pressão manométrica de um sistema pode
ser positiva ou negativa, dependendo de estar acima ou abaixo da pressão atmosférica.
Quando o manômetro mede uma pressão manométrica negativa, ele é chamado de
manômetro de vácuo.
Manômetro utilizado em postos de gasolina (Figura A) (os médicos usam um
sistema semelhante) para calibração de pneus. A unidade de medida psi (libra por polegada
ao quadrado) corresponde a, aproximadamente, 0,07 atm. Assim, a pressão lida no
mostrador, 26 psi, é igual a aproximadamente, 1,8 atm.

A B

A figura B representa um manômetro de tubo aberto. Pela diferença de níveis do
líquido nos dois ramos do tubo em U, mede-se a pressão manométrica do sistema contido
no reservatório. Escolhendo os dois pontos A e B mostrados na figura, temos:
p
A
= p
B
p
SISTEMA
= p
ATM
+ p
LÍQUIDO
p
SISTEMA
= p
ATM
= dgh
p
MANOMÉTRICA
= dgh



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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Barômetro de Fortin

O barômetro de Fortin é um barômetro de mercúrio e consiste de um tubo de vidro
fechado numa extremidade e cheio de mercúrio. Este tubo é invertido, de forma que a
extremidade aberta fique submersa em mercúrio. O tubo de vidro possui uma escala, de
forma que pode ser determinada a altura da coluna. O espaço acima da coluna de mercúrio
contém vapor do mesmo. O barômetro é dotado de nônio o que possibilita maior precisão
na medida da altura da coluna de mercúrio. A pressão barométrica varia com o local, isto é,
com a altitude e com as condições atmosféricas (temperatura). A pressão é expressa em
unidades de comprimento do mercúrio (da coluna) do recipiente, relativa a distância
vertical H entre o menisco (superfície livre do mercúrio) e o ponto onde a pressão está
sendo medida.

Trabalho experimental

Estudo do aparelho

- Verificar o valor da escala principal que corresponde ao nônio (n)
- Determinar o número de divisões do nônio (n +1)
- Cálculo da precisão do barômetro:
1 n
d
N
+
= onde d é a unidade da escala principal
(tamanho da menor divisão da escala)

Leitura:

- Ler a temperatura ambiente (termômetro anexo ao barômetro) t = _____
- Para verificar a altura da coluna de mercúrio girar o parafuso da parte superior da cuba de
mercúrio até que a superfície livre do mercúrio encoste na ponta do cone H = _________
- Com o auxílio de o nônio determinar o valor fracionário da altura (i.N), onde i é o
número de divisões do nônio que coincide perfeitamente com qualquer divisão da escala
principal: N i H H
t
⋅ + =

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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Correções

- Correção da temperatura (P
atm
normal = 76 cm de Hg à temperatura de 0
o
C)
- Qualquer leitura deve ser corrigida à altura correspondente a 0
o
C H
0
= _________
( ) [ ] α − β + = 1 H H
t 0

onde: H0 – altura da coluna corrigida para 0oC
Ht – altura da coluna à temperatura ambiente
β - coeficiente de dilatação do material da escala (latão -
1 o 6
C 10 7 , 18
− −
× = β )
α - coeficiente de dilatação do mercúrio (
1 o 5
C 10 18
− −
× = α )

H
t
(mm de Hg) H
t
(cm de Hg) t (
o
C) H
0
(cm de Hg)



correção em função da aceleração da gravidade (
-1
s cm 665 , 980 g ⋅ = - nível do mar e
latitude 45
o
)
- Transformar as leituras em função do valor local da aceleração
- Calcular a aceleração da gravidade local
2 2
l
s cm ) A 000009 , 0 B sen 17 , 5 04 , 978 ( g

⋅ − + =
onde B – latitude local B = 25
o
05’58” = 25,0994
o

A – altitude de Ponta Grossa A = ________
- Cálculo da altitude de Ponta Grossa
metros ) H log H log ( 18400 A
0 CN
′ − = ′
onde H
CN
= 76 cmHg (pressão nas condições normais)
H
0
= ________ cmHg (pressão corrigida para 0
o
C)
- Cálculo da correção da pressão em função da aceleração da gravidade
0
l
0
N
0 CN
g
g
H
H
P P = ⇒ =
onde H
N
– altura da coluna de mercúrio nas condições normais (corrigida)
H
0
– altura da coluna de mercúrio nas condições locais (corrigida para 0
o
C)
g
l
– gravidade local
g – gravidade normal
_________________________________________________________________________ 21
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
A
(m)
A’
(m)
B
(
o
)
g
l
(cm.s
-2
)
g
(cm.s
-2
)
H
0

(cm de Hg)
H
N
(cm de Hg)
25,0994 980,665

Cálculo da pressão atmosférica (lei hidrostática da variação da pressão)
Hg l N atm
g H p µ ⋅ ⋅ =
onde H
N
– altura da coluna de mercúrio nas condições normais (corrigida)
g
l
– gravidade local
µ
Hg
– massa específica do mercúrio (
-3
Hg
cm g 6 , 13 ⋅ = µ )

P (cm de Hg) P (mm de Hg) P (bária) P (pascal) P (atm)


































_________________________________________________________________________ 22
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II

MECÂNICA DOS SÓLIDOS

ESTÁTICA







_________________________________________________________________________ 24
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_________________________________________________________________________ 25
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Aparelho para o estudo das forças centrais
Com este dispositivo, podiam estudar-se as características da força central que deve atuar num
corpo para que este descreva um movimento circular. É constituído por uma prancha horizontal de
madeira, perpendicularmente à qual se fixaram duas colunas também de madeira. Estas colunas
encontram-se sobre a linha média da prancha, ficando o conjunto com a forma de T invertido.
Existe uma roldana na parte superior das colunas e outra junto ao vértice do conjunto formado pela
prancha horizontal e pelas duas colunas.
Dois cilindros ocos de latão, tendo nas faces superiores uma tampa, encontram-se ligados entre si
por um fio flexível e inextensível. Um dos cilindros pode mover-se verticalmente entre as duas
colunas, enquanto o outro se encontra assente sobre uma pequena plataforma de latão. Este pode
deslocar-se ao longo da prancha horizontal guiado por duas varetas de latão montadas sobre a
prancha. O fio que liga entre si os cilindros passa pelas duas roldanas montadas no conjunto.
Na prancha horizontal existem dois orifícios, que se destinavam a adaptar este sistema a uma
máquina de rotação. Esta atuava sobre o conjunto, fazendo-o descrever um movimento de rotação
em torno dum eixo vertical que passa pelo seu ponto médio. A velocidade de rotação do conjunto
podia ser controlada pelo utilizador, através da referida máquina.
Com o conjunto em repouso, os cilindros deviam posicionar-se de tal forma que o cilindro
suspenso entre as duas colunas verticais ficasse junto à base destas e o outro se encontrasse junto à
intersecção das colunas com a prancha, isto é, na zona média da prancha.
Quando o sistema era posto em movimento o cilindro localizado entre as duas colunas efetuava um
movimento de rotação solidário com o eixo de rotação do conjunto. O outro cilindro descrevia uma
trajetória circular em torno deste eixo. Para o manter neste estado de movimento, era necessário
que o fio ao qual se encontrava ligado exercesse sobre ele uma força centrípeta de intensidade F =
mw2r, sendo m a massa do cilindro, r o raio da sua trajetória e w a velocidade angular do conjunto.
Assim, à medida que se aumentava a velocidade de rotação, era necessário que a tensão no fio
aumentasse. Para um determinado valor da velocidade angular, a tensão no fio tornava-se superior
ao peso do cilindro suspenso entre as colunas, e, por conseguinte, este subia com movimento
acelerado, o que acarretava o afastamento do segundo cilindro em direção à periferia. Para se
manter numa nova trajetória circular, este cilindro necessitava de novo aumento da tensão no fio, o
que levaria a novo incremento na aceleração do primeiro cilindro e, por sua vez, a um novo
afastamento do segundo para a periferia. Observe-se que, uma vez rompida a situação inicial de
equilíbrio dinâmico, seria impossível encontrar novo equilíbrio, mesmo que a velocidade de
rotação do conjunto não aumentasse. A menos, é claro, que um dos cilindros encontrasse um
obstáculo (que impedisse a subida do cilindro entre as colunas ou o afastamento para a periferia do
cilindro sobre a prancha), ou que se diminuísse a velocidade angular.
O fato de os cilindros serem ocos e possuírem uma tampa que permitia fechá-los, tornava possível
colocar pesos no interior de qualquer um deles, fazendo com que as suas massas tivessem diversos
valores, em diferentes experiências. Assim, era possível avaliar a influência das massas dos
_________________________________________________________________________ 26
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
cilindros sobre o comportamento do sistema. O equilíbrio dinâmico deveria manter-se, para uma
velocidade angular maior, quando se diminuísse a massa do cilindro que descreve a trajectória
circular. O mesmo se verificaria quando se aumentasse a massa do cilindro suspenso entre as
colunas.
A prancha horizontal possui uma seqüência de pequenas cunhas orientadas de modo a permitir que,
no início da experiência, o raio de curvatura da trajetória circular descrita pelo cilindro tenha
diferentes valores. Quanto mais afastado das colunas este fosse colocado, mais intensa seria a força
necessária para o manter numa dada trajetória circular. Por conseguinte, o afastamento da situação
de equilíbrio dinâmico verificar-se-ia para uma velocidade angular menor.
A máquina de rotação, que se destinava a várias experiências do movimento circular, já não existe.
Segundo o Index Instrumentorum, o modelo de máquina que existia no Gabinete de Física de
Coimbra correspondia ao que 's Gravesande apresenta no seu livro Physices Elementa. Seria,
concerteza, uma das mais notáveis máquinas da colecção. Era feita de excelente madeira do Brasil,
apresentando variadas peças de ferro e latão.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm
























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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
II – 01 Sistema de forças

Objetivo
• Determinação gráfica e analítica da resultante de um sistema de duas ou mais
forças coplanares e concorrentes.

Fundamento teórico

Sempre que várias forças simultaneamente atuam, sobre um corpo dizemos que elas
constituem um sistema de forças. Os sistemas de forças podem ser classificados quanto à
disposição das forças em:
Forças aplicadas num ponto, estas podem estar no mesmo plano ou não;
Forças concorrentes aplicadas num sólido;
Forças paralelas aplicadas num sólido;
Forças em qualquer disposição no espaço

Reduzir um sistema de forças é substituí-lo por outro mais simples que produza o
mesmo efeito. Na redução de alguns sistemas de forças chegamos a uma única força
denominada resultante do sistema, que é a força capaz de substituir o sistema acarretando o
mesmo efeito.
A obtenção da resultante é possível considerando-se a adição vetorial das forças do
sistema. Para tal basta escrever a equação cartesiana de cada força a partir de seu módulo e
de sua direção através de adição vetorial.
Opõe-se à resultante a força equilibrante, que possui mesmo módulo e direçäo, e
sentido oposto aos da resultante.

Composição de forças concorrentes.

Se as forças são concorrentes a resultante é dada pela soma vetorial, obtida de
acordo com o método de adição de vetores. Portanto a resultante R de várias forças
concorrentes
1
F ,
2
F , ... ,
n
F é: ∑ = + + + =
n n 2 1
F F ... F F R
Se as forças são coplanares, digamos no plano XY, teremos que:
_________________________________________________________________________ 28
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
j R i R R
2
y
2
x
2
+ = , onde





α = =
α = =
∑ ∑
∑ ∑
j sen F j F j R
i cos F i F i R
y y
x x

o módulo de R é:
2
y
2
x
R R R + = e sua direção e sentido são dados pelo ângulo α tal que:
x
y
R
R
tg = α
Outro método de resolução é gráfico pela aplicação da regra do paralelogramo. O
módulo da resultante é obtido por: α + + = cos F F 2 F F R
2 1
2
2
2
1
2


Trabalho experimental

- Nivelar a mesa de forças com o auxílio de um nível de bolha.
- Distribuir várias forças sobre a mesa conforme o esquema na figura abaixo, colocando o
equipamento no eixo y no sentido negativo.

- Anote os valores das forças e dos respectivos ângulos, após certificar-se de que as forças
são concorrentes;
- Varie o valor das forças e respectivos ângulos e proceda como no item anterior.
OBS.: todos os ângulos devem ser medidos a partir do eixo X (positivo).

Tabelas, cálculos e gráficos
Processo gráfico - Método dos paralelogramos
F
1
(gf) α (°) F
2
(gf) β (°) F
3
(gf) γ (°) Eq(gf) R
G
(gf) R
P
(gf) %E
1
%E
2




_________________________________________________________________________ 29
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Construir a figura equivalente: usar escala para o desenho dos vetores. Na figura medir o
vetor resultante
G
R

- Cálculos
) cos( F F 2 F F R
2 1
2
2
2
1
2
1
α − β + + =
Ω + + = cos F R 2 F R R
3 1
2
3
2
1 P

) ( 180
o
µ + γ + α − = Ω
) cos( F F
) sen( F
tg
2 1
2
α − β +
α − β
= µ
- Calcular o erro por:
100
Eq
R Eq
E %
G
1
×

= e 100
Eq
R Eq
E %
P
2
×

=

Processo analítico – adição de vetores

F
1
(gf) F
2
(gf) F
3
(gf) Eq(gf) R
V
(gf) θ(°) %E
3
%E
4




j sen F i cos F F
1 1 1
α + α =
j sen F i cos F F
2 2 2
β + β =
j sen F i cos F F
3 3 3
δ + δ =





δ + β + α = =
δ + β + α = =


j sen F j sen F j sen F j F j R
i cos F i cos F i cos F i F i R
3 2 1 y y
3 2 1 x x

_________________________________________________________________________ 30
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
j R i R R
2
y
2
x
2
+ =
2
y
2
x
R R R + = e
x
y
R
R
tg = α
- Calcular o erro por:
100
Eq
R Eq
E %
V
3
×

= e 100
90
90
E %
o
o
4
×
θ −
=



























_________________________________________________________________________ 31
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
II - 02 Momento de uma força em relação a um ponto
(torque)

Objetivos
• Determinar o momento de uma força em relação a um ponto;
• Calcular o ponto de aplicação da resultante pelo método de Varignon

Fundamento teórico

Seja uma força F
r
atuando sobre um corpo C capaz de girá-lo em torno do ponto O
(figura) quando sua linha de ação não passa por O. Por definição o momento da força é
expresso pelo produto de uma unidade de força por unidade de comprimento.

b F M × =
r r

a partir da figura tem-se que: θ ⋅ = sen r b
r
, logo: θ ⋅ × = sen r F M
r
r r

O momento de uma força pode ser considerado como uma grandeza vetorial dado
pelo produto: F r M
r
r
r
∧ = , onde r
r
é o vetor posição, relativo à distância entre o ponto O e o
ponto A (ponto de aplicação da força F
r
) de acordo com as propriedades do produto
vetorial, o momento de uma força é representado por um vetor perpendicular, tanto a r
r

como a F
r
; isto é, o momento é um vetor perpendicular a um plano paralelo a r
r
e a F
r
,
cujo sentido é dado pela regra da mão direita.

Componentes cartesianas do momento de uma força





+ + =
+ + =
k F j F i F F
k z j y i x r
Z Y X
r r r r
r r r
r

_________________________________________________________________________ 32
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva





− =
− =
− =
∴ = ∧ =
X Y Z
Z X Y
Y Z X
Z Y X
yF xF M
xF zF M
zF yF M
F F F
z y x
k j i
F r M
r r r
r
r
r

k M j M i M M
Z Y X
r r r r
+ + =
“ O momento da resultante de duas forças concorrentes, em relação a um ponto de seu
plano é igual à soma algébrica dos momentos das componentes em relação a este mesmo
ponto. “
∑ =
N R
M M
r r
Teorema de Varignon

Trabalho experimental

I – Momento de uma força em relação a um ponto
- Colocar a haste na posição horizontal
- Prender uma força e determinar a posição r
r
;
- Calcular o momento por: F r M
r
r
r
∧ =

II – Momento – estudo em função do equilíbrio
- Colocar a haste na horizontal
- Prender as forcas
1
F
r
,
2
F
r
e
3
F
r
na esquerda da haste (ponto de rotação)
- Determinar os vetores posição
1
r
r
,
2
r
r
e
3
r
r

- Prender as forças
4
F
r
e
5
F
r
na porção direita da haste até que a mesma fique na horizontal
- Determinar os vetores posição
4
r
r
e
5
r
r


- Calcular os momentos da forças
1
F
r
,
2
F
r
,
3
F
r
,
4
F
r
e
5
F
r
por:
_________________________________________________________________________ 33
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Z Y X
F F F
z y x
k j i
F r M
r r r
r
r
r
= ∧ =
- Calcular o momento resultante à esquerda ) M (
E
r
e o momento resultante à direita ) M (
D
r




+ =
+ + =
5 F 4 F D
3 F 2 F 1 F E
M M M
M M M M
r r r
r r r r

- Calcule o erro percentual por: 100
M
M M
E %
D
E D
×

= r
r r


III - Cálculo do ponto de aplicação da resultante – Teorema de Varignon

- Retire uma das forças que atua a esquerda do ponto de rotação
- Calcule a soma dos momentos das forças:
4 F 3 F 2 F 1 F
M M M M M
r r r r r
+ + + = ∑
- Calcule o módulo do momento: ( )
2
M M ∑ =
r r

- Calcule a resultante:
4 3 2 1
F F F F R
r r r r r
+ + + =
- Calcule o ponto de aplicação da força resultante: d R M ⋅ =
r v
















_________________________________________________________________________ 34
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
II - 03 Equilíbrio de uma partícula no plano

Objetivo
• Determinar o peso de um corpo, com base nas condições de equilíbrio.

Fundamento teórico

A Estática é o ramo da mecânica que trata do equilíbrio dos corpos. Uma partícula
está em equilíbrio se a soma de todas as forças que atuam sobre ela é zero, isto é:
0 F e 0 F , 0 F
y x
∑ ∑ ∑ = = =
r r r

Basicamente o equilíbrio de um corpo está relacionado com o princípio da ação e
reação, isto porque ambos se anulam.

Trabalho experimental

- Montar a mesa de forças segundo orientação
- Colocar as forças F
1
, F
2
e F
3
sob os ângulos: α, β e γ, respectivamente, até equilibrar o
sistema com o peso do corpo (P
C
)

- A partir do princípio do equilíbrio de uma partícula deduzir a equação que determina o
peso do corpo e a direção da equilibrante (P
E
).



_________________________________________________________________________ 35
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Tabela
F
1
(gf) F
2
(gf) F
3
(gf)


F
1
(N) α(°) F
2
(N) β(°) F
3
(N) γ(°)


P
C
(gf)


P
C
(N) P
E
(N) %E
1 θ
T
(°) θ
C
(°) %E
1


- Cálculos
100
P
P P
E %
C
E C
1
×

= e 100 E %
T
C T
2
×
θ
θ − θ
=























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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
II - 04 Equilíbrio de um corpo

Objetivo
• Determinar o peso de uma barra segundo as condições de equilíbrio de um corpo
rígido.

Fundamento teórico

Temos como equações do movimento de um corpo rígido: ( ) ( ) ext F ext F
N
1 i
i
r r
= ∑
=
e
( ) ( ) ext ext
N
1 i
i
τ = τ ∑
=
r r
onde a primeira descreve a translação do centro de massa e a segunda a
rotação em torno do centro de massa. Um caso particular de equilíbrio é definido pelo
anulamento do primeiro membro de ambas as equações.
Temos, portanto como condições necessárias e suficientes de equilíbrio de um
corpo rígido que a resultante das forças externas se anule e que a resultante dos torques
externos em relação ao centro de massa se anule.
Mas quando a resultante das forças externas é nula, o torque resultante é
independente do ponto em relação ao qual é calculado logo podemos reformular as
condições de equilíbrio como: 0 F F
i
i
= = ∑
r r
e 0
i
i
= τ = τ ∑
r r
, onde suprime-se a notação
(ext), entendendo-se que as forças consideradas são externas. Assim para o equilíbrio de
um corpo rígido, é necessário e suficiente que se anulem a resultante das forças externas e
o torque resultante em relação a um dado ponto, que pode ser escolhido arbitrariamente.
Se todas as forças estão no mesmo plano, as condições se reduzem para: ∑ =
i
ix
0 F ,
∑ =
i
iy
0 F e ∑ = τ
i
i
0




_________________________________________________________________________ 37
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

I – Método das forças paralelas

- Suspender nas extremidades da barra as forças
1
F
r
e
2
F
r
de modo que estas coloquem a
barra em equilíbrio horizontal
- Determinar o valor das distâncias d
1
, d
2
e d
c
em relação ao ponto de apoio O
- Aplicar a condição de equilíbrio 0 R =
r
e determinar P
C1

- Aplicar a condição de equilíbrio 0 = τ ∑
v
e determinar P
C2

- Calcular o erro por: 100
P
P P
E %
T
1 C T
×

= e 100
P
P P
E %
T
2 C T
×

=

II– Método de análise vetorial

- Montar o dispositivo segundo o esquema da figura acima;
- Com a barra em equilíbrio medir as forças
1
F
r
,
2
F
r
e
3
F
r
e os respectivos ângulos α, β e γ;
- Obter os valores dos vetores posição em relação ao ponto O escolhido,
1
r
r
,
2
r
r
,
3
r
r
e
p
r
r
:
- Deduzir e calcular as equações cartesianas de
1
F
r
,
2
F
r
,
3
F
r
e
C
P
r
:
- Aplicando as condições de equilíbrio calcular o peso da barra
C
P
r
;
- Calcular o erro por: 100
P
P P
E %
T
C T
×

=

_________________________________________________________________________ 38
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva



III

CINEMÁTICA

MOVIMENTO UNIDIMENSIONAL







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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva























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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Aparelho destinado a comparar o movimento de corpos em
diferentes trajetórias

Este aparelho é destinado ao estudo comparativo do movimento de três esferas, que se deslocam ao
longo de três calhas de latão montadas numa armação de madeira. As três trajetórias têm
configurações diferentes, sendo a da calha superior uma reta com uma determinada inclinação, a do
meio uma ciclóide e a terceira um arco de circunferência.
As esferas são largadas do ponto mais alto de cada uma das trajetórias, para o que existe uma peça
de madeira que gira em torno de um eixo horizontal. Esta peça dispõe de três garras,
correspondendo cada uma delas a uma das calhas, que se destinam a manter as esferas na posição
inicial. Quando esta peça roda em torno do seu eixo, liberta as esferas que iniciam simultaneamente
o seu movimento, partindo do repouso. O momento da chegada das esferas é assinalado pela
pancada de um badalo contra uma campainha.
A ordem de chegada é a seguinte: em primeiro lugar, a esfera que se move ao longo da ciclóide, em
segundo lugar, a esfera que se move ao longo do arco de circunferência e em terceiro lugar a esfera
que se move ao longo do plano inclinado. Este resultado afigura-se algo paradoxal e a justificação
para esta seqüência não reside no maior ou menor espaço que cada esfera tem de percorrer durante
o movimento. Pelo fato de todos os pontos de partida, tal como os pontos de chegada, se
encontrarem, respectivamente, à mesma altura, as velocidades das esferas, no instante em que
chocam contra o badalo da campainha, são iguais entre si. No entanto, este acontecimento dá-se em
instantes diferentes.
A justificação para a seqüência de chegada das esferas reside na diferença de características das
forças exercidas pelas três calhas, durante o movimento. Para a ciclóide, o valor médio da
componente horizontal desta força é maior do que nos outros casos, de onde resulta uma
componente horizontal da aceleração de valor médio maior.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm



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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
































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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
III – 01 Movimento retilíneo uniformemente variado

Objetivos
• Visualizar o movimento de um móvel sobre um plano inclinado sem atrito
• Determinar e comprovar a aceleração do móvel
• Estabelecer as leis do movimento usando gráficos cartesianos

Fundamento teórico

Um móvel está em movimento retilíneo uniformemente variado, quando se desloca
em linha reta e sua velocidade varia de quantidades iguais em tempos iguais.
A partir desta definição pode-se afirmar que neste tipo de movimento a velocidade
é função do tempo ( ) t ( f v = ).



Consideremos na figura acima, que no instante t
A
o móvel tem a velocidade v
A
e no
instante t
B
a velocidade v
B
teremos que:
A B
x x x − = ∆ ,
A B
t t t − = ∆ e
A B
v v v − = ∆ .
Como a velocidade média é a razão entre o deslocamento ∆x e o intervalo de tempo
∆t temos:
A B
A B
t t
x x
t
x
v


=


= ∆ .
Define-se velocidade instantânea de um móvel em um ponto, por exemplo, A,
fazendo-se o intervalo de tempo tão pequeno quanto possível, para que não ocorram
variações essenciais no estado de movimento durante esse intervalo de tempo. Em
linguagem matemática isso equivale a calcular o limite de um ∆t tendendo para zero. Logo:
t
x
lim v lim v
0 t 0 t ∆

= =
→ ∆ → ∆
que por definição é a derivada temporal de x, isto é:
dt
dx
v = 1
_________________________________________________________________________ 44
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Conhecendo ) t ( f v = , a posição x pode ser obtida por integração da equação da
velocidade instantânea. Da equação 1 temos que:
∫ ∫ ∫
= − ∴ = ∴ =
tB
tA
A B
XB
XA
tB
tA
vdt x x vdt dx vdt dx 2.
Como a velocidade desse tipo de movimento é função do tempo, e varia em função
desse elemento, podemos escrever:










+ = ∴


+ = ∴


=

=
A B
A B
A B A B
A B
t t
x x
2 v v
t
x
2 v v
t
x
2
v v
v .
A aceleração média do movimento é definida como sendo razão entre a variação da
velocidade e a variação do tempo:
A B
A B
t t
v v
a
t
v
a


= ∴


= e a aceleração instantânea pode
ser obtida pela derivação temporal da velocidade, logo:
dt
dv
a
t
v
lim a lim a
0 t 0 t
= ∴


= =
→ ∆ → ∆
.
Conhecida a aceleração podemos calcular a velocidade. Por integração instantânea,
que é constante: ∫ ∫ ∫ = − ∴ = ∴ =
tB
tA
A B
VB
VA
tB
tA
adt v v adt dv adt dv , que resulta:
) t t ( a v v
A B A B
− = − . Para
A B
t t t − = teremos: at v v
A B
+ = 3.
Substituindo 3em 2 teremos:
∫ ∫ ∫
+ + = ∴ + + =
tB
tA
tB
tA
A A
tB
tA
A A
atdt dt v x x dt ) at v ( x x
que resulta em:
2
at
t v x x
2
A A B
+ + = .
Observação: das suposições anteriores temos que:
a
dv
dt
dt
dv
a = ∴ = e
v
dx
dt
dt
dx
v = ∴ = . Igualando estas relações resulta que: adx vdv
v
dx
a
dv
= ∴ = . Integrando
esta relação obtemos: ∫ ∫
=
XB
XA
VB
VA
adx vdv , que resolvida da: ) x x ( a
2
v v
A B
2
A
2
B
− =

ou
) x x ( a 2 v v
A B
2
A
2
B
− + =
Generalizando teremos: x a 2 v v
2
0
2
∆ + = ou x a 2 v v
2
0
∆ + = ′ .



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Trabalho experimental

- Nivelar o trilho de ar
- Dar uma ligeira inclinação no trilho (α)
- Soltar o móvel com 0 v v
0 A
= =
- Determinar o tempo gasto para o móvel percorrer um determinado espaço
- Construir o gráfico ) t ( f x = e a respectiva anamorfose ) t ( f x
2
=
- Construir os gráficos ) t ( f v = e ) x ( f v =
- Determinar a aceleração do movimento e comprovar seu valor em função da componente
da aceleração da gravidade: α = ′ sen g a
- Completar a tabela:

x(cm) t(s) ∆x(cm) ∆t(s) v (cm/s) v(cm/s) v’(cm/s) a(cm/s
2
) a’(cm/s
2
)






















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III – 02 Queda livre

Objetivos
• Observar o fenômeno da queda de um corpo
• Determinar a aceleração da gravidade
• Comprovar a leis da queda livre

Fundamento teórico

A queda de um corpo é livre quando nela não intervém outra força senão a atração
terrestre.
Um corpo que cai no ar experimenta, da parte deste, um empuxo, segundo o
princípio de Arquimedes e uma resistência que retarda a queda livre; entretanto, quando se
trata de corpos densos e de pequenas dimensões, caindo de pequenas alturas, sua queda se
realiza no ar sensivelmente como no vácuo.
A gravidade é força constante, pois atua em cada momento durante a queda; logo, a
queda é um movimento acelerado, ao qual se podem aplicar as leis gerais da mecânica.

Leis da queda livre

Lei das acelerações - todos os corpos caem (no vácuo) com aceleração igual. Com efeito,
sendo os pesos proporcionais às massas, a um aumento de massa corresponde um aumento
de peso, mas a razão P/M ou g é constante; se dois corpos caem da mesma altura no vácuo,
terão a mesma aceleração e, portanto, a mesma velocidade.
Lei dos espaços – na fórmula geral:
2
t
t v x
2
o
γ
± = , faz-se h x = e g = γ e sai:
2
gt
t v h
2
o
± = que se torna, segundo o caso:
2
gt
h
2
= - corpo que parte do repouso;
2
gt
t v h
2
o
+ = - corpo lançado de cima para baixo e
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2
gt
t v h
2
o
− = - corpo lançado de baixo para cima.
Lei das velocidades – a formula geral: t v v
o
γ ± = ou e 2 v v
2
o
γ ± = torna-se: gt v v
o
± =
ou gh 2 v v
2
o
± = . Segundo o caso, temos:
gt v = ou gh 2 v = - corpo que parte do repouso,
gt v v
o
+ = ou gh 2 v v
2
o
+ = - corpo lançado para baixo
gt v v
o
− = ou gh 2 v v
2
o
− = - corpo lançado de baixo para cima.

Trabalho experimental

- Montar o dispositivo conforme orientação
- Energizar a bobina de modo que a esfera fique fixa ao núcleo
- Medir a altura de queda
- Desligar a fonte e acionar o sistema de medida de tempo
- Variar a altura repetindo os procedimentos anteriores
- Calcular a gravidade por:
2
gt
h
2
=
- Construir os gráficos: h = f(t
2
) e v = f(t)













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IV

CINEMÁTICA

MOVIMENTO BIDIMENSIONAL









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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Aparelho para ilustrar a trajetória de um projétil

Para ilustrar a trajetória parabólica descrita por um projétil, utilizava-se esta máquina constituída
por duas pranchas de madeira fixas numa base horizontal. A periferia superior de uma das pranchas
tem a forma de um arco de circunferência e serve de suporte a uma calha limitada lateralmente por
duas lâminas de latão. Na outra prancha existem cinco anéis com seis centímetros de diâmetro
cada, colocados ao longo de um arco de parábola.
Uma esfera, largada do ponto mais alto da trajetória circular, continua o seu percurso até ao fim da
calha, descrevendo depois, no espaço, uma trajetória parabólica que passa pelo interior dos anéis
circulares. Dava-se início ao movimento da esfera acionando uma pequena peça de latão articulada,
instalada na extremidade superior da calha.
Para a correta instalação dos anéis circulares sobre a parábola descrita pela esfera, devia
determinar-se previamente a posição do seu ponto de impacto numa caixa de latão, colocada na
base do aparelho. Em seguida, media-se o comprimento do segmento de reta horizontal definido
por esse ponto e pelo ponto da base obtido pela intersecção da vertical que passa pela extremidade
inferior do arco de circunferência que constitui a calha. Dividia-se esta distância em n + 1 partes
iguais, sendo n o número de anéis que se pretendia instalar. Pelos pontos desta divisão faziam-se
passar linhas verticais e marcavam-se nelas, de cima para baixo, comprimentos definidos pela
sucessão de termo geral (n + 1)2, desde n = 0, a partir do nível onde a esfera iniciara o seu
movimento como projétil.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm








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IV – 01 Lançamento horizontal

Objetivo
• Estudar o mo movimento de um projétil lançado horizontalmente

Fundamento teórico

Chama-se projétil qualquer objeto que, recebendo uma velocidade inicial, segue
uma trajetória determinada pela ação da força gravitacional e pela resistência do ar. O
caminho seguido por um projétil é denominado trajetória.
A chave para a análise do movimento de um projétil está no fato de que todas as
relações vetoriais desejadas podem ser expressas em termos de equações separadas para as
componentes x e y.
Uma vez que a única força atuando é o peso do projétil, que é considerado
constante em módulo e direção, o movimento refere-se a um sistema de eixos retangulares,
com o eixo X horizontal e o eixo Y vertical e a origem do sistema situada no ponto onde o
projétil começa seu livre percurso.
A componente x da força que atua no projétil é, então, nula, sendo a componente y
o peso do projétil.


Segundo as condições descritas temos que na figura acima aa direção X:
te tan cons v v
x ox
= = e t v x
x
= ; na direção Y: gh 2 gt v
y
= = e
2
gt
h
2
=
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Pela composição do movimento nas duas direções temos:
2
y
2
x
v v v + = , que
corresponde ao módulo da velocidade num instante qualquer e
x
y
y
y
v
v
arctg
v
v
tg = θ ∴ = θ
que é a direção do vetor velocidade.

Trabalho experimental

- Realizar lançamentos verticais para seis posições, variando a altura de lançamento de 5
em 5 cm.
- Registrar para cada lançamento os valores de h e x
- Determinar os valores da velocidade inicial (v
0
) e final (v)
- Determinar a direção da velocidade final

Estudo da trajetória do projétil

- Fixar em um anteparo um conjunto papel+carbono
- Repetir lançamentos sucessivos procedendo o afastamento do anteparo a cada lançamento
- Medir as respectivas alturas (h) e deslocamentos (x)
- Construir o gráfico da trajetória do projétil




















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IV – 02 Lançamento obliquo

Objetivos
• Observar a trajetória de projétil lançado obliquamente
• Comprovar a aceleração do
• Determinar a aceleração da gravidade

Fundamento teórico


O projétil ao descer o plano inclinado o faz em MRUV, com aceleração da
gravidade na direção Y. Ao final do plano inclinado o projétil é lançado com velocidade v
dada por:
AB
1 1
1
1
t
B A 2
v
t
x 2
v
t
v
2
v 0
v = ∴

= ∴

=
+
= .
O alcance é dado por: t v x
x 1
= , sendo v
1X
a componente horizontal de v
1
e t o
tempo que o projétil leva para atingir o solo, a partir do ponto B:
BC
t t = , temos que:
BC 1
t cos v x α = , logo:
α
=
cos v
x
t
1
BC
c.
A altura h é dada por:
2
gt
t v h
2
BC
BC y 1
+ = e a velocidade por: α = sen v v
1 y 1
,
portanto teremos que:
2
gt
t sen v h
2
BC
BC 1
+ α = d.
Substituindo c em d, temos:
( )
2 2
1
2
cos v 2
gx
tg x h
α
+ α = que equivale a gh 2 v = ′
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Anamorfose da curva:
( )
2 2
1
cos v 2
gx
tg
x
h
α
+ α =

Trabalho experimental

- Medir o espaço B A a ser percorrido pelo móvel
- Medir a altura h
P
do plano inclinado
- Determinar a inclinação do plano inclinado (α)
- Medir os tempo t
AB
e t
AC

- Traçar os gráficos y = f(v) e ) v ( f
v
y
=







- Aplicar o método de regressão linear para obter as constantes (coeficientes angular e
linear)
- Completar a tabela:

x
(cm)
h
(cm)
t
AB

(s)
t
AC

(s)
t
(s)
v
(cm/s)
v’
(cm/s)
%E
1
a
(cm/s
2
)
a'
(cm/s
2
)
%E
2

















V

DINÂMICA







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Máquina de Atwood
Inúmeros foram os métodos desenvolvidos para a obtenção da relação entre o espaço percorrido
por um móvel e o tempo necessário para o percorrer. A máquina de Atwood assume um lugar de
destaque neste estudo. Com efeito ela foi, durante quase dois séculos, até muito recentemente, o
melhor instrumento que se inventou para esse estudo.
A máquina de Atwood do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra é, sem dúvida, uma das
suas mais valiosas peças, não pela qualidade do seu material ou pela beleza das suas linhas, mas
por ser um dos primeiros exemplares da famosa máquina de Atwood, da própria época do seu
inventor, e também por ter feito parte do material científico enviado de Londres por João Jacinto de
Magalhães, cientista português mundialmente conhecido no seu tempo. Dalla Bella, no Index, cita
como referência bibliográfica o opúsculo que Magalhães publicou em Londres, em 1780, e que
consiste numa carta endereçada a Volta em que o nosso compatriota lhe descreve a máquina
inventada por Atwood. Dalla Bella sentia-se orgulhoso por o seu Gabinete de Física possuir tal
objeto e por isso agradecia a Deus o benefício. Assim se lhe refere no Physices Elementa (Tomo I,
p. 60): "eximia Machina Celeberrimi Atwoodi, quae, Deo dante, in Theatro Physices ostendemus".
Como é sabido a máquina de Atwood consiste essencialmente numa roldana de eixo horizontal em
cuja gola passa um fio comprido, o qual sustenta dois corpos de massas iguais, um em cada
extremidade. Colocando um dos corpos a nível bastante superior ao do outro, e sobrecarregando
aquele com outro corpo de muito menor massa, o sistema move-se na vertical, com movimento
uniformemente acelerado cuja aceleração, maior ou menor, depende dos valores das massas iguais
dos corpos que estão suspensos e da massa do corpo que se adicionou.
Para minimizar o efeito do atrito sobre o eixo da roldana, esta apoia-se sobre a periferia de outras
quatro roldanas o que permite grande mobilidade da primeira. O conjunto está instalado no alto da
máquina, sobre duas colunas paralelas de madeira, sendo suportado por uma coluna cilíndrica
também de madeira que se eleva sobre uma base em forma de cruz. Nos extremos de cada braço da
base existe um parafuso de madeira, de grandes dimensões, que serve para nivelar a máquina. As
duas colunas (réguas), ao longo das quais correm as duas partes do fio de suspensão das massas,
estão graduadas em polegadas, de 0 a 72, com cada polegada subdividida em 10 partes iguais. Estas
réguas permitem medir os espaços percorridos pelos corpos suspensos do fio. Nelas podem ainda
ser instalados acessórios para a realização das experiências. Assim, ao longo delas podem mover-
se, e fixarem-se nelas, 3 cursores, dos quais um cheio e dois anulares. O cursor cheio permite
definir a posição final do movimento e os outros dois servem para reter as sobrecargas que, em
algumas experiências, são colocadas sobre os corpos. Cada um dos corpos suspensos é um pequeno
disco de latão, de 4,4 cm de diâmetro, de cujo centro se eleva uma haste metálica de 8 cm.
Numa outra coluna, está instalado um relógio de pesos com sua pêndula, a qual, ao mover-se, fazia
soar, de segundo em segundo, uma campainha montada no alto do mostrador. No centro deste, bem
como na superfície da pêndula, lê-se a seguinte inscrição: J. H. Magellan Lusitanus invenit atque
fieri Curavit Londini. João Jacinto de Magalhães não só nos informa que acompanhou a
construção, em Londres, deste exemplar da máquina de Atwood, como nos declara que o pêndulo
que ali se encontra é de sua invenção. Nos vários trabalhos publicados por esse compatriota insigne
apontamos, a propósito, a Notice des instrumens d'Astronomie, de Geodesie, de Physique, etc. faits
dernierement à Londres par ordre de la Cour d'Espagne: aves le précis de leur construction,
_________________________________________________________________________ 60
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
qualités et Perfectionnements nouveaux, par J. H. de Magellan gentilhomme portuguais, etc. A
Londres, etc. MDCCLXXX. É neste trabalho que Magalhães se refere ao pêndulo de sua invenção.

Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm


















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V – 01 Leis de Newton

Objetivos
• Comprovar as leis de Newton
• Determinar a relação força x massa
• Determinar a relação massa x aceleração

Fundamento teórico

Em seu tratado “Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, publicado em
1687, Newton formulou três axiomas ou leis do movimento.
A primeira é a lei da inércia: todo corpo persiste em seu estado de repouso, ou de
movimento, a menos que seja compelido a modificar esse estado pela ação de forças sobre
ele.
A segunda lei é enunciada como segue: se a força resultante que atua num ponto
material é diferente de zero, o ponto terá uma aceleração proporcional ao módulo da
resultante e na direção e sentido da resultante.
Esta lei pode ser melhor compreendida se imaginarmos um ponto material sujeito a
uma força F
r
de direção e sentido constantes e módulo constante F. Sob a ação esta força, o
ponto material será observado deslocando-se em linha reta e na direção e sentido da força.
Determinando a posição do ponto de material para vários instantes, encontramos que a
aceleração possui módulo constante. Se o procedimento se repete com forças
2
F
r
,
3
F
r
, ..., de
diferentes módulos e direção, encontramos para cada instante que o ponto material se
desloca na direção e sentido da força que atua sobre ele e que os módulos a
1
, a
2
, a
3
, ... das
acelerações são proporcionais aos módulos F
1
, F
2
, F
3
, ... , das forças correspondentes.
O valor obtido das relações é uma característica do ponto material em consideração.
É chamado de massa do ponto material e denominado m. Quando sobre um ponto material
de massa m atua uma força F
r
, esta a aceleração a do ponto material devem satisfazer a
relação a m F
r
r
= .
Tal como qualquer outra força, o peso P
r
, de um corpo pode ser obtido pela
segunda lei, já que o módulo de P do peso do corpo de massa m é: g m P
r
r
= .
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
A terceira lei é o chamado princípio da ação e reação, cujo enunciado é: a toda
força de ação corresponde uma força de reação de mesmo módulo e direção, mas de
sentido oposto.

Trabalho experimental

Aplicar as leis de Newton sobre o sistema da figura:



No corpo A temos:



=
= −
a m T
0 N P
A A
A A
, o que dá



=
= =
A A
A A A
m T
g m N P

No corpo B temos:



=
− =
a m R
T P R
B
B B
onde a m T T T
A B A
= = = , o que resulta em:
A B
B
m m
g m
a
+
=
No sistema temos que:
2
t a
t v x x
2
o o

+ + = que dá:
2
t
x 2
a = ′
Como: a m P T
B B
′ − = ′ ou ) a g ( m T
B
′ − = ′

- Montar o dispositivo conforme orientação
- Anotar o espaço desenvolvido pelo móvel
- Medir a massas m
A

- Colocar um corpo B (m
B
) que puxará o corpo A
- Determinar o tempo gasto para percorrer o espaço x
- Alterar por quatro vezes o valor da massa de B (m
B
)
- Completar a tabela
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
m
A
(g)
m
B
(g)
g
(cms
-2
)
a
(cms
-2
)
a’
(cms
-2
)
%E
1
x
(cm)
t
(s)
T
(dina)
T’
(dina)
%E
1






- Construir o gráfico T’= f (a’) explicando o que representa o coeficiente angular da reta
- Com o mesmo dispositivo fixar a massa de B (m
B
) e variar a massa de A (m
A
)
- Completar a tabela
m
A
(g)
m
B
(g)
g
(cms
-2
)
a
(cms
-2
)
a’
(cms
-2
)
%E
1
x
(cm)
t
(s)
T
(dina)
T’
(dina)
%E
1






- Construir o gráfico m
A
= f (a)













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V- 02 Momento linear

Objetivo
• Verificar a conservação da quantidade de movimento

Fundamento teórico

A quantidade de movimento, também denominada movimento cinético ou
momento simplesmente, de uma partícula é definida como o produto de sua massa por sua
velocidade. Designando-se por Q escrevemos: mv Q =
A quantidade de movimento é uma grandeza vetorial e tem a mesma direção que a
velocidade. A quantidade de movimento é um conceito físico muito importante porquanto
ela combina os dois elementos que caracterizam o estado dinâmico de uma partícula: sua
massa e sua velocidade. A quantidade de movimento é expressa em m.kg.s
-1
.
Pode-se agora dar outro enunciado à lei da inércia dizendo-se que uma partícula
livre move-se sempre com quantidade de movimento constante.
Princípio da conservação da quantidade de movimento
Como conseqüência imediata da lei da inércia, podemos dizer que um observador
inercial reconhece que uma partícula não é livre (isto é, que ela interage com outras).
Quando ela observa que a velocidade ou a quantidade de movimento da partícula deixa de
permanecer constante; ou em outras palavras, quando a partícula sofre uma aceleração.
Consideremos agora uma situação ideal. Suponhamos que em lugar de observarmos
uma partícula isolada no universo, como se admitiu na lei da inércia, observarmos duas
partículas sujeitas somente às suas interações mútuas e isoladas do resto do universo.
Como resultado das interações, suas velocidades individuais variam com o tempo e suas
trajetórias são de modo geral curvas, como indica a figura pelas curvas 1 e 2. Num certo
instante t, a partícula 1 está em A com velocidade v
1
e a partícula 2 está em B com
velocidade v
2
. Num instante posterior t’, as partículas estarão em A’e B’ com velocidades
v
1
’e v
2
’, respectivamente. Chamando de m
1
e m
2
as massas das partículas, dizemos que a
quantidade de movimento total do sistema, no instante t é:
2 2 1 1 2 1
v m v m Q Q Q + = ′ + ′ = ′ .
Ao escrevermos essa equação mantivemos a afirmação de que as massas das
partículas independem de seus estados de movimento, e assim utilizamos as mesmas
_________________________________________________________________________ 65
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massas que aparecem na equação. Caso contrário, deveríamos escrever:
2 2 1 1
v m v m Q ′ ′ + ′ ′ = ′ .
O resultado importante do nosso experimento, é que não importa quais sejam os
instantes t e t’, encontramos sempre como resultado de nossa observação que Q Q ′ = . Em
outras palavras: a quantidade de movimento total de um sistema composto de duas
partículas sujeitas somente às sus interações mútuas permanece constante.
Esse resultado constitui o princípio da conservação da quantidade de movimento. Um dos
princípios mais fundamentais e universais da física.
Embora o princípio enunciado acima considere somente duas partículas ele vale
também para um número qualquer de partículas constituindo um sistema isolado, isto é,
vale para partículas sujeitas somente a suas interações mútuas, sem interações como outras
partes do universo. Portanto na sua forma mais geral o princípio da conservação da
quantidade de movimento tem o seguinte enunciado: a quantidade de movimento total de
um sistema isolado de partículas é constante.
A conservação da quantidade pode ser expressa matematicamente pela seguinte
equação: ∑ = =
i
i
te tan cons Q Q , a qual implica que para um sistema solado a variação de
movimento de uma partícula durante um certo intervalo de tempo é igual em módulo e de
sinal contrário à variação da quantidade de movimento do resto do sistema no mesmo
intervalo de tempo.
Para o caso particular de duas partículas: te tan cons Q Q
2 1
= + ou
2 1 2 1
Q Q Q Q ′ + ′ = + . Ocorre que: ) Q Q ( Q Q Q Q
2 2 2 2 1 1
+ ′ − = ′ + = + ′ ou chamando de
Q Q Q ∆ = + ′ , a variação de quantidade de movimento entre os instantes t e t’, podemos
escrever:
2 1
Q Q ∆ − = ∆ .
Esse resultado indica que, para duas partículas em interação a quantidade de
movimento de uma partícula durante um certo intervalo de tempo é igual em módulo, e de
sinal contrário à variação da quantidade de movimento da outra durante o mesmo intervalo
de tempo. Assim o resultado acima pode ser expresso dizendo-se que: uma interação
acarreta uma troca de quantidade de movimento, de modo que a quantidade de movimento
perdida por uma das partículas em interação é igual à quantidade de movimento ganha pela
outra partícula.
A lei da inércia, é justamente um caso particular do princípio da conservação da
quantidade de movimento, isso porque, se tivermos somente uma partícula isolada, existirá
_________________________________________________________________________ 66
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
somente um termo, tornando-se assim te tan cons Q = , ou de modo equivalente v =
constante, o que é a lei da inércia.

Trabalho experimental

- Determinar a massa m
1
do móvel
- Marcar no trilho os pontos correspondentes aos espaços x
AB
e x
BC

- Impulsionar o móvel e quando o mesmo passar por B, abandonar sobre ele uma massa m
- Determinar o tempo necessário para o móvel percorrer os espaços x
AB
e x
BC

- Calcular a velocidade do corpo no espaço x
AB

- Determinar a massa:
1 2
m m m + =
- Calcular a velocidade do móvel no espaço x
BC

- Calcular a quantidade de movimento:
AB 1 AB
v m Q =
- Calcular a quantidade de movimento:
BC 2 BC
v m Q =
- Calcular a variação da quantidade de movimento:
AB BC
Q Q Q − = ∆
- Variar a massa m por pelo menos cinco vezes
- Construir o gráfico Q
BC
= f(m
2
)
- Completar a tabela
m
1

(g)
m
(g)
m
2

(g)
x
AB

(cm)
x
BC

(cm)
t
AB

(s)
t
BC

(s)
v
AB

(cm/s)
v
BC

(cm/s)
Q
AB

(gcm/s)
Q
BC

(gcm/s)
∆Q
(gcm/s)











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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
V – 03 Conservação de energia

Objetivo
• Verificar o princípio de conservação de energia

Fundamento teórico

Um sistema mecânico, no qual atuem apenas forças conservativas, tem sua energia
mecânica (E) conservada. Associa-se uma energia potencial (E
P
) a cada força conservativa,
de modo que a soma de suas variações seja igual a uma variação oposta da energia cinética
(E
C
).
Havendo forças dissipativas, o trabalho (W) realizado por elas é igual à variação da
energia mecânica. Tem-se então, o princípio físico da conservação da energia, expresso
pelas equações: ∑∆ + ∆ = ∆
P C
E E E e W E = ∆
Para um sistema conservativo tem-se: 0 E = ∆ e ∑∆ − = ∆
P C
E E , ou seja, qualquer
aumento da energia cinética corresponde a uma igual diminuição da energia potencial e
vice-versa.

Trabalho experimental


para a figura temos:
na direção X: te tan cons v v
X X 1
= = e t v x
X
=
na direção Y: 0 v
Y 1
= , gt v
Y
= , gh 2 v
Y
= e
2
gt
h
2
=
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
pela composição do movimento nas direções X e Y temos que o módulo da velocidade
num instante t qualquer é
2
Y
2
X
v v v + = e a sua direção
X
Y
v
v
arctg = θ
- Determinar a massa da esfera
- Determinar as alturas h e H
- Soltar a esfera e cronometrar o tempo que a mesma leva pra percorrer a canaleta
- Calcular a velocidade v
1

- Repetir o procedimento determinando o tempo do percurso total de queda da esfera bem -
como o espaço atingido (x)
- Calcular a velocidade com que a esfera atinge o solo
- Verificar o princípio de conservação de energia:
2 1
E E = , onde
C P 1
E E E + = e
C P 2
E E E + =





























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V – 04 Colisões

Objetivos
• Analisar os efeitos da colisão de dois corpos que permanecem unidos após a colisão
• Reconhecer se a colisão elástica ou inelástica
• Verificar o princípio da quantidade de movimento

Fundamento teórico

Quando dois corpos colidem, a quantidade total de movimento permanece
constante; esta proposição, denominada lei da conservação da quantidade de movimento é
análoga à da conservação da energia; é uma conseqüência do princípio de ação e de reação
(Newton). Com efeito, consideremos dois corpos que colidem; sejam m e m´ suas massas;
v
1
e v
2
suas velocidades respectivas antes da colisão; v´
1
e v´
2
suas velocidades depois da
colisão.
Escrevamos que as variações de quantidade de movimento, para cada um, iguala a
impulsão, durante o tempo da colisão: Ft mv v m
1 2
= − ′ e t F v m v m
1 2
′ = ′ − ′ ′ .
Pois que a ação é igual e contrária à reação, temos: F F ′ − = e t F Ft ′ − = , portanto,
) v m v m ( ) mv v m (
1 2 1 2
′ − ′ ′ − = − ′ , donde ) v m v m ( ) v m mv (
2 2 1 1
′ ′ + ′ = ′ + .
O primeiro membro da última equação é a quantidade de movimento antes do choque e o
segundo membro é a quantidade total depois do choque.
Apenas considerações sobre momento linear não são suficientes para determinar
completamente as velocidades finais.
Quando os corpos aderem um ao outro e se movem juntos após a colisão esta é
chamada perfeitamente inelástica.
Se as forças de interação entre os corpos forem conservativas, a energia total será a
mesma antes e depois da colisão que será chamada perfeitamente elástica.




_________________________________________________________________________ 70
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Colisões inelásticas

No caso de uma colisão perfeitamente inelástica entre os corpos 1 e 2, tem-se por
definição que: v v v
2 1
′ = ′ = ′ , que combinada com a relação da quantidade de movimento
dá:
) m m (
v m mv
v
2 1
′ +
′ +
= ′ .
A energia cinética dos sistema, antes da colisão é:
2
v m
2
mv
E
2
2
2
1

+ = e após a
colisão é:
2
v ) m m (
E
2
′ ′ +
= ′ .
A razão entre as energias final e inicial resulta em:
) m m (
v m mv
v
2 1
′ +
′ +
= ′ .
Numa colisão inelástica a energia total decresce.

Colisões elásticas

A energia e a quantidade de movimento são conservadas:
2
v m
2
v m
2
v m
2
mv
2
2
2
1
2
2
2
1
′ ′
+

=

+
2 1 2 1
v m v m v m mv ′ ′ + ′ = ′ +
Se as massas e as velocidades forem conhecidas, haverá duas equações
independentes por meio das quais as velocidades podem ser determinadas; a solução
simultânea destas fornece:
m m
) m m ( v v m 2
v
1 2
1
′ +
′ − + ′
= ′ ,
m m
) m m ( v mv 2
v
2 1
2
′ +
′ − −
= ′ e
) v v ( ) v v (
1 2 1 2
− − = ′ − ′ , que é a velocidade relativa de um corpo em relação ao outro,
sendo o primeiro termo depois da colisão e no segundo membro antes da colisão. A
velocidade relativa de duas partículas após uma colisão central perfeitamente elástica muda
de sentido, mas não se altera em módulo.





_________________________________________________________________________ 71
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

- Determinar as massas dos carros m
A
e m
B

- Nivelar o trilho e colocar os carros A no início da trajetória e B alguns centímetros à
frente
- Imprimir movimentos nos carros a e B, simultaneamente, sendo que por sua vez a
velocidade de a deve ser maior que a de B
- Anotar o tempo gasto pelo carro a para percorrer o espaço x
A
e o tempo gasto pelo carro
B para percorrer o espaço x
B
; anotar ainda o tempo gasto para percorrer o espaço x
- Calcular as velocidades v
A
e v
B
, lembrando que a velocidade do sistema após a colisão
por:
t
x
v = e
B A
B B A A
m m
v m v m
v
+
+
= ′
- Calcular a energia cinética dos dois corpos antes do choque:
2
v m
E
2
A A
CA
= e
2
v m
E
2
B B
CB
= o que resulta
CB CA 1 C
E E E + = .
- Calcular a energia cinética após o choque:
2
v ) m (m
E
2
A B A
2 C
′ +
=
- Calcular a energia cinética dissipada sob a forma de calor:
2 C 1 C C
E E E − = ∆
- Calcular o coeficiente de restituição para o sistema em estudo:
B A
A B
v v
v v
e

′ − ′
=
- Completar a tabela
m
A

(g)
m
B

(g)
m
(g)
x
A

(cm)
x
B

(cm)
x
(cm)
t
A

(s)
t
B

(s)
t
(s)



v
A

(cm/s)
v
B

(cm/s)
v
(cm/s)

(cm/s)
E
CA

(erg)
E
CB

(erg)
E
C1

(erg)
E
C2

(erg)
∆E
C

(erg)








_________________________________________________________________________ 72
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
V – 05 Momento de inércia

Objetivos
• Determinar o momento de inércia
• Verificar a conservação de energia

Fundamento teórico

Momento de inércia é o produto de uma unidade de massas por uma unidade de
distância ao quadrado:
2
r M I × = .
O momento de inércia de um corpo rígido em relação a um eixo., para rotações em
torno desse eixo, representa a inércia de rotação.

Momento de inércia para corpos homogêneos

Aqueles cuja densidade de massa é constante, ou seja, que a massa dM de um
elemento de volume dV é dV dM µ = , onde µ é constante.
Anel circular delgado em torno do centro – sendo r, o raio médio do anel, para todos os
elementos de massas dM: ∫
= dM r I
2
⇒ M r I
2
= , onde M é a massas do anel
Disco circular em torno do centro – podemos imaginar o disco decomposto em anéis de
raio ρ e largura infinitésima d, onde ρ varia de 0 r. A massa dM de um desses anéis está
para a massas M do disco assim como o volume do anel está para o volume do disco
temos:
2
r
d 2 M
dM
π
ρ πρ
= de modo que
∫ = ρ =
2
M r
dM I
2
2
.
Note-se que a dedução independe da espessura do disco, de modo que o resultado
dá o momento de inércia de um cilindro circular de massa M, raio r e altura L em torno do
eixo do cilindro qualquer que seja L.
Barra delgada em torno do centro – a massa dM de uma porção dρ da barra é:
L
Md
dM
ρ
= ,
onde L comprimento total da barra. Assim:
∫ = ρ =
12
M L
dM I
2
2
.
_________________________________________________________________________ 73
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Novamente independente da altura da barra, de modo que também se obtém o
momento de inércia de uma placa retangular delgada de comprimento L em torno de um
eixo central perpendicular à direção de L, qualquer que seja a altura H.
Esfera em torno de um diâmetro – podemos considerar uma esfera com uma pilha de
discos circulares perpendiculares ao diâmetro considerado. Esses discos de espessura dZ e
raio r, situado à altura Z do plano equatorial. A massa dM do disco está para a massa M da
esfera na mesma proporção dos volumes respectivos:
3
2
R 4
dZ Mr 3
dM =
Para obtermos o momento de inércia total, integramos sobre um hemisfério e
multiplicamos por dois o resultado: ∫ = =
5
M R 2
dM r I
2
2
, onde
2 2 2
Z R r − =
Barra delgada em torno de uma extremidade:
3
ML
I
3
=
Fazer girar uma vareta em torno de uma extremidade é mais difícil do que em torno do seu
centro (a inércia é quatro vezes maior)
Cilindro em torno de uma geratriz:
2
Mr 3
I
2
= , isto se aplica, em, particular, ao rolamento
de uma roda sobre um plano

Raio de giração

Por razões dimensionais, o momento de inércia é sempre igual à massa do objeto
multiplicada pelo quadrado de um comprimento. Esse comprimento k chama-se raio de
giração do objeto em relação ao eixo considerado assim:
2
Mk I =
Os resultados precedentes correspondem aos seguintes raios de giração
Anel circular em torno do centro: r k =
Disco circular em torno do centro:
2
r
k =
Barra delgada em torno do centro:
3 2
L
k =
Esfera em torno de um diâmetro: 5 2 r k =


_________________________________________________________________________ 74
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

I - momento de inércia de um disco

- Determinar a massa do disco (M)
- Determinar o raio do disco (R)
- Medir o raio do disco de fibra (r)
- Enrolar o fio no disco de fibra
- Medir a altura de queda (h)
- Acionar o cronômetro quando o corpo de massa m iniciar o movimento e desligar quando
tocar o solo
- Variar a massa m e a altura h
- Calcular o momento de inércia:
CR CT P
E E E + =
2
Iw
2
mv
mgh
2 2
+ = 1
onde
t
h 2
v = e
tr
h 2
w = que resulta em:
2
MR
I
2
= ′
- Completar a tabela
M
(g)
m
(g)
R
(cm)
r
(cm)
h
(cm)
t
(s)
I
(gcm
-2
)
%E
1
E
P

(ergs)
E
CT

(ergs)
E
CR

(ergs)
%E
2




II - Momento de inércia de uma esfera

- Medir a massa da esfera (M)
- Determinar o raio da esfera (r)
- Medir a altura de queda (h)
- Medir o espaço percorrido plea esfera (x)
- Calculo da velocidade:
t
x 2
v = e gh 195 , 1 v = ′
- Calcular o momento de inércia pela equação 1 e por:
5
Mr 2
I
2
= ′
_________________________________________________________________________ 75
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Completar a tabela:
m
(g)
r
(cm)
h
(cm)
x
(cm)
t
(s)
I
(gcm
-2
)
%E
1
v
(cm/s)
v’
(cm/s)
E
P

(ergs)
E
CT

(ergs)
E
CR

(ergs)





III - Momento de inércia de um cilindro

- Seguir procedimento da esfera
- Calcular o momento de inércia pela equação 1 e por:
2
Mr
I
2
= ′
- Completar a tabela
m
(g)
r
(cm)
h
(cm)
x
(cm)
t
(s)
I
(gcm
-2
)
%E
1
v
(cm/s)
v’
(cm/s)
E
P

(ergs)
E
CT

(ergs)
E
CR

(ergs)
















_________________________________________________________________________ 76
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
V – 06 Atrito

Objetivos
• Determinar os coeficientes de atrito estático e dinâmico em um plano vertical
• Determinar os coeficientes de atrito estático e dinâmico em um plano horizontal

Fundamento teórico

O atrito é um fenômeno físico presente nas diversas atividades do cotidiano. É
percebido como uma dificuldade ao movimento relativo de duas superfícies em contato,
cujas rugosidades produzem pontos de encaixe e soldas entre ambas. Essa dificuldade
significa que o atrito pode impedir ou reduzir o movimento, desgastando as superfícies e
liberando energia sob as formas de som, luz e calor.
Para se estudar esse fenômeno é preciso medir alguma grandeza física associada.
Na área de contato de duas superfícies age uma força oposta e com mesma intensidade da
força resultante responsável pelo contato. Na decomposição dessa força nas direções
perpendicular ou normal e paralela à área de contato, tem-se nessa última, a que se opõe ao
movimento ou à tendência deste. Medir o atrito é então, medir o componente da força de
contato entre duas superfícies, paralela às mesmas.
Quando há movimento relativo a força de atrito pode variar com a velocidade ou
devido a outros fatores tal como o desgaste das superfícies. Por outro lado, não havendo o
deslocamento relativo das superfícies, a força de atrito é obtida da condição de repouso.
O componente normal da força de contato é responsável pelo encaixe das
rugosidades das superfícies. Quanto maior sua intensidade maior a resistência ao
movimento. Um aspecto interessante para investigação é a relação existente entre a
intensidade máxima da força de atrito e do componente normal da força de contato.
Podemos verificar experimentalmente que o módulo da força de atrito, para a
maioria dos casos práticos, pode ser considerado como proporcional à força normal que
pressiona um corpo ao outro. A constante de proporcionalidade é chamada coeficiente de
atrito, e é designada por µ, isto é, em módulo: N f µ =
_________________________________________________________________________ 77
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva

A força de atrito de deslizamento opõe-se sempre ao movimento do corpo tendo
assim direção oposta à velocidade. Podemos escrever a equação em forma vetorial
observando que um vetor unitário no sentido do movimento é obtido pela divisão do vetor
velocidade pelo módulo da velocidade,
v
v
i
r
r
= . Isso permite escrever a equação na forma
vetorial: N i f µ − =
r
.
Por exemplo, se F é a força aplicada movendo o corpo para a direita a força
horizontal resultante para a direita é: i N F
r
µ − = e a equação do movimento do corpo é:
i N F ma
r
µ − =
Há em geral duas espécies de coeficientes de atrito: o estático µ
S
, quando
multiplicado pela força normal, da a força mínima necessária para iniciar o movimento
relativo dos dois corpos inicialmente em contato e em repouso relativo. O coeficiente de
atrito cinético, µ
C
, quando multiplicado pela força normal, dá a força necessária para
manter os dois corpos em movimento relativo uniforme. Para todos os materiais já testados
experimentalmente, verifica-se que µ
S
> µ
C
.
O atrito é um conceito estatístico, porquanto f representa a soma de um grande
número de interações entre as moléculas dos dois corpos em contato, sendo, naturalmente,
impossível levar em conta as interações moleculares individuais; elas são determinadas de
modo coletivo por métodos experimentais e representadas aproximadamente pelo
coeficiente de atrito.





_________________________________________________________________________ 78
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

I – Determinação do coeficiente de atrito estático no plano inclinado

- Colocar o bloco de madeira no plano inclinado de modo que o mesmo não deslize.
- Variar a inclinação do plano de modo que o bloco comece a deslizar
- Medir o ângulo de inclinação: θ = ________


- Como o bloco está começando a deslizar:
(1) P P
P N
N f
P f
T N S
N
S
T
r r
r r
r r
r r
= µ





=
µ =
=
, sendo





θ = ⇒ = θ
θ = ⇒ = θ
(3) P cos P
P
P
sen
) 2 ( P sen P
P
P
sen
N
T
T
T

substituindo (2) e (3) em (1) teremos:
P sen P cos
S
θ = θ µ
θ = θ µ sen cos
S

θ
θ
= µ
cos
sen
S

θ = µ tg
S


II – Determinar o coeficiente de atrito dinâmico no plano inclinado

- Colocar o bloco de modo a faze-lo deslizar suavemente
- Diminua a inclinação do plano que o bloco pare
- Medir o ângulo de inclinação: θ = ________
- Nestas condições: θ = µ tg
D

_________________________________________________________________________ 79
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
III – Determinar o coeficiente de atrito estático num plano horizontal

- Seja um corpo de massa m sobre um plano horizontal, preso a um dinamômetro.

- Puxe o corpo pelo dinamômetro, com a menor força que o coloque em movimento e de
modo que a leitura seja constante. Nessas condições o valor da força lida no dinamômetro
é igual à força de atrito estático: ________ f F
S
= =
r r

- Determine o peso do bloco através do dinamômetro: _________ P
N
=
r

- Desse modo o coeficiente de atrito estático é dado por:
N
S
S
P
f
r
r
= µ
- Repetir o experimento para as várias faces do corpo:
Conclusões:
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
- Colocar sobre o corpo pesos diferentes e repetir o procedimento
P
N
(gf) P
A
(gf) P= P
N
+P
A
(gf) F
S
µ
S





- Construir o gráfico ) P ( f f
S
r r
=
- Determinar µ
S
através do gráfico:
P
f
S
S
r
r


= µ





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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
V- 07 Máquina de Atwood

Objetivo
• Determinar a aceleração da gravidade

Fundamento teórico

A máquina de Atwood é composta, basicamente, de uma polia fixa na qual se
colocam através de um fio dois pesos como mostra a figura.



Podemos verificar através deste equipamento o princípio da inércia, a lei
fundamental da dinâmica ( ma F = ) e determinar aproximadamente o valor de g.
Quando M m = o sistema permanecerá em repouso. Movimentando uma das
massas, o movimento do sistema será uniforme (lei da inércia).
Quando m M > o movimento é uniformemente acelerado. Considerando-se as
forças que interagem no conjunto temos para o corpo de massa m que sobe: ma p T = − ;
para o corpo de massa M que desce: Ma T P = − .
Da consideração simultânea das equações acima teremos:
) m M (
a ) M m (
g

+
= .
_________________________________________________________________________ 81
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

- Colocar na máquina de Atwood duas massas M e m iguais; deixar o conjunto em
repouso. Observe.
- Colocar o conjunto acima em movimento. Observe.
- Explique as diferenças observadas.
- Colocar na máquina de Atwood duas massas M e m diferentes
- Marcar o espaço a ser percorrido
- Anotar o tempo para percorrer este espaço
- Calcular o valor da aceleração por:
2
at
t v x x
2
o o
+ + =
- Determinar o valor de g através da expressão:
) m M (
a ) M m (
g

+
=
- Variar as massas m e M e repetir os cálculos
- Determinar os valores médios de a e de g
- Calcular o erro

















_________________________________________________________________________ 82
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva

VI

MOVIMENTO OSCILATÓRIO






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Pêndula
O relógio de pêndulo aqui apresentado tem no mostrador a assinatura de João Jacinto de
Magalhães. Este físico português, natural de Aveiro, viveu a fase mais produtiva da sua existência
em Londres, onde veio a falecer.
Magalhães foi membro ou correspondente das seguintes sociedades científicas: Academia das
Ciências de Lisboa, Académie Royal des Sciences de Bruxelas, Académie des Sciences de Paris,
Academia Imperial de Ciências de S. Petersburgo, Akademie der Wissenschaften de Berlim,
American Philosophical Society de Filadélfia, Hollandsche Maatschappij der Wetenschappen de
Haarlem, Real Academia de las Ciencias de Madrid, Literary and Phylosophical Society de
Manchester e Royal Society de Londres.
Em Londres, Magalhães colaborou com a Coroa espanhola e portuguesa, enviando para os
respectivos países coleções de instrumentos de Astronomia, Física, Náutica, etc., tendo
supervisionado a sua construção na capital inglesa. Desta coleção faziam parte alguns relógios de
pêndulo, tendo o Gabinete de Física o privilégio de ver um deles integrado na sua coleção.
O mostrador deste relógio apresenta dois ponteiros, sendo um deles maior do que o outro. O
ponteiro maior roda em torno do eixo central do mostrador, assinalando os minutos através duma
escala dividida em 60 partes iguais e marcada de 5 em 5. Sobre uma segunda escala, de menores
dimensões e localizada na parte superior do mostrador, move-se o ponteiro menor. Esta escala
encontra-se também dividida em 60 partes, assinaladas de 10 em 10, indicando os segundos. Na
parte inferior do mostrador encontra-se uma pequena janela através da qual se pode observar uma
escala em numeração romana. Esta escala está gravada num disco, localizado na parte posterior do
mostrador principal do relógio, e serve para indicar as horas.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm






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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VI – 01 Movimento harmônico simples

Objetivo
• Estudar o movimento harmônico simples através da oscilação de um objeto
suspenso por uma mola

Fundamento teórico

Considera-se, aqui, um sistema composto por um corpo de massa (m) pendurado à
extremidade de uma mola, presa por sua outra extremidade a uma suporte, conforme
mostrado na figura. Atuam sobre o corpo as forças conservativas peso (mg) e elástica da
mola (-k∆y). As energias potenciais associadas a essas forças são escritas como:
mgy E E
0 P PY
+ = e
2
y k
E
2
EY

=
A energia cinética do corpo é dada pela equação:
2
mv
E
2
P
= , onde v é a sua
velocidade.
Calculando-se essas energias, o princípio da conservação da energia pode ser
verificado para as posições onde v se anula ou assume o valor máximo v
m
.



Se o corpo for abandonado a partir do repouso, na posição y = y
m
em que a mola
não está deformada (nem esticada, nem comprimida), o sistema inicia um movimento
oscilatório, em torno da posição y = 0, com amplitude igual a y
m
. Esse movimento é
denominado movimento harmônico simples (MHS). Assim como o movimento de um
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
pêndulo, esse também é caracterizado por um período (T) de oscilação dado por:
m
k
2 T π = .
O MHS pode ser descrito como a projeção de um movimento circular uniforme
(MCU) com velocidade de módulo v
m
. Uma oscilação completa do MHS corresponde
portanto a uma volta no MCU associado. Desse modo, a amplitude (y
m
) do MHS é igual ao
raio da trajetória do MCU. Medindo-se y
m
e T, o valor de v
m
é calculado por:
T
y 2
v
m
m
π
= .
A constante elástica da mola pode ser obtida da situação estática de equilíbrio entre
a força elástica e o peso ou da situação dinâmica por meio da medida do período. Ou seja,
m
y
mg
k = ou
2
2
T
m 4
k
π
= .
Substituindo-se as expressões de v
m
e k nas definições das energias cinética e
potencial elástica obtém-se as fórmulas:
2
m 2
m
T
y
m 2 k 





π = e
2
2
m
2
EY
T
y
m 2
y 2
y mg
E 




 ∆
π =

= , onde k
m
é o valor máximo da energia cinética.

Trabalho experimental

- Identifique os valores de y para os quais a velocidade do corpo se anula ou é máxima.
- Meça m, y
m
e T.
- Calcule a constante elástica da mola pelo método estático.
- Compare o valor medido de T com o previsto para esse sistema.
- Tomando-se 0 ) y ( E
m PG
= − , calcule os valores de E
P
(y) para as posições do item a.
- Calcule os valores da energia cinética para as posições do item a.
- Calcule os valores da energia potencial elástica para as posições do item a.
- Organize numa tabela os valores de y, E
P
, E
E
e k.
- Construa o gráfico (energia x posição) dos pontos correspondentes aos valores da tabela.
- Esboce as curvas dessas energias.
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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VI – 02 Pêndulo simples

Objetivos
• Determinar a aceleração local da gravidade
• Comprovar as leis do pêndulo simples

Fundamento teórico

O pêndulo simples é um sistema mecânico ideal constituído de uma partícula de
massa m suspensa por um fio inextensível e sem massa de comprimento L, conforme
mostrado na figura.


Quando o pêndulo está em repouso, as forças que agem sobre a partícula, o seu
peso (mg) e a tensão aplicada pelo fio, se equilibram. Porém, se o pêndulo for afastado de
sua posição de equilíbrio, de modo que a direção do fio faça um ângulo θ com a vertical, o
componente do peso perpendicular ao fio, de intensidade θ sen mg , agirá no sentido de
restaurar o equilíbrio, fazendo o pêndulo oscilar.
Uma vez que o pêndulo simples é um sistema mecânico caracterizado apenas pelos
parâmetros L e m, pode-se investigar como eles afetam o período (T) de oscilação do
pêndulo. Além disso, outro fator que pode afetar o período do pêndulo é a amplitude (θ) de
sua oscilação.
Esse último fator determina a condição inicial imposta à dinâmica do sistema
mecânico, não sendo uma de suas características intrínsecas. Para pequenas amplitudes,
_________________________________________________________________________ 90
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
tais que senθ≈θ (<5
o
), a dependência do período com o comprimento do pêndulo é:
g
L
2 T π = .

Trabalho experimental

- Montar o equipamento conforme indicação;
- Fazer o pêndulo oscilar, de tal forma que a amplitude não ultrapasse 5°;
- Determinar o período de oscilação do pêndulo, cronometrando o tempo para que o
mesmo efetue 10 oscilações. (repetir 6 vezes, obtendo o período médio):
n
t
T =
t (s) n T (s) t (s) n T (s)




- Variar o comprimento do fio (repetir o procedimento para pelo menos cinco
comprimentos). Não alterar a massa ou amplitude de oscilação.
- Calcular a aceleração da gravidade por:
T
L
4 g
2
π =
L (cm) t (s) n T (s) T
2
(s) g (cm/s
2
) g
T
(cm/s
2
) %E






- Construir o gráfico ) L ( f T
2
= e determinar a aceleração da gravidade

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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Para um determinado comprimento repetir o procedimento fixando a amplitude, porém
utilizando massas diferentes;
m (g) n (osc) t (s) T (s) m (g) n (osc) t (s) T (s)




- Fixando a massa e o comprimento, repetir o procedimento para amplitudes diferentes (lei
do isocronismo);
A (cm) n (osc) t (s) T (s) A (cm) n (osc) t (s) T (s)


























_________________________________________________________________________ 92
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VI – 03 Pêndulo físico

Objetivos
• Determinar o centro de gravidade da barra
• Determinar a aceleração da gravidade
• Determinar o raio de giração
• Determinar o momento de inércia

Fundamento teórico

Qualquer corpo rígido suspenso de um ponto O de tal forma que possa girar
livremente (sem atrito) em torno de um eixo horizontal passando pelo ponto de suspensão
O constitui um pêndulo físico, também chamado pêndulo composto.


seja ZZ’o eixo principal e C o centro de massa do corpo, quando alinha OC faz um ângulo
θ com a vertical, a componente Z do torque que age sobre o corpo é: θ − = Γ sen mgb , onde
b é a distância OC entre o eixo Z e o centro de massa C.
Se I é o momento de inércia do corpo, em relação ao eixo Z, e
2
2
dt
d θ
= α é a
aceleração angular a equação,
Z
I Γ = α dá θ − =
θ
sen mgb
dt
d
I
2
2
.
_________________________________________________________________________ 93
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Supondo que as oscilações tenham pequenas amplitudes, podemos considerar
θ ≈ θ sen , de modo que: θ − =
θ
I
mgb
dt
d
2
2
.
Como
2
mk I = , onde k é o raio de giração, teremos: 0
k
gb
dt
d
2 2
2
= θ +
θ
.
A equação acima mostra que o movimento angular oscilatório é harmônico simples,
com
2
2
k
gb
= ω . Assim o período de oscilação é:
gb
k
2 T
2
π = , onde L
b
k
2
= , isto é o
comprimento do pêndulo.
Um pêndulo simples com esse comprimento tem o mesmo período do pêndulo
físico.
Note-se que o período de um pêndulo físico é independente de sua massa e d forma
geométrica, desde que o raio de giração k e a posição do centro de massa, dada por b,
permaneçam constante.

Trabalho experimental

- Determinar a massa m da barra que constitui o pêndulo
- Dividir a barra em partes iguais
- Suspender a barra por cada parte e determinar o tempo o tempo para dar 10 oscilações
- Calcular o período:
n
t
T =
- Construir o gráfico T = f(L)


- Extrair do gráfico os valores de L
1
e L
2
e calcular a aceleração da gravidade por:
_________________________________________________________________________ 94
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
g
L L
2 T
2 1
+
π =
- Determinar no gráfico o valor do centro de gravidade
- Através do gráfico determinar o valor de km (raio de giração)
- Calcular o raio de giração por:
gb
b k
2 T
2 2
+
π =
- Calcular o momento de inércia por:
mgb
I
2 T π = , por
2 2
m
Mb Mk I + = ′ e por
12
d x
I
3
= ′ ′ onde x é o comprimento e d a
espessura da barra.
- Completar a tabela
g
T

(cm/s
2
)
g
T

(cm/s
2
)
%E
1
CG
G

(cm)
CG
M

(cm)
%E
1
k
M
k
C
%E
1
I
(gcm
3
)
I’
(gcm
3
)
I”
(gcm
3
)
%E
1






VII

ELASTICIDADE





_________________________________________________________________________ 96























_________________________________________________________________________ 97


Balança romana com peso cursor

Este exemplar de balança romana mede 1,56 m de comprimento total, medindo o braço maior 1,45
m e o menor 3 cm. O braço maior tem marcadas 60 divisões, subdivididas em quatro. As divisões
não são numeradas, excetuando as das extremidades: 40 na mais afastada do fulcro e 12 na mais
próxima. O peso cursor da balança, em forma de cabaça, pesa aproximadamente 9 kg e o gancho
donde está suspenso apresenta a marca do fabricante: RF LXA. C. PIETRA. Segundo as indicações
do Index Instrumentorum a balança pode suportar um peso de 920 libras (450 kg).
Peter van Musschenbroek, no seu livro intitulado Physicae Experimentalis et Geometricae,
apresenta, no capítulo Introductio ad Cohaerentiam Corporum Firmorum, um estudo experimental
onde é utilizada uma balança com características semelhantes às da balança do Gabinete de Física
de Coimbra. Musschenbroek utilizava a balança para a determinação da tensão de ruptura de peças
com diferente geometria e construídas de materiais distintos. A balança está montada num suporte
adequado, suspensa de uma trave horizontal de secção quadrangular e de grande espessura. Esta
trave apoia-se sobre duas robustas colunas verticais que se elevam de uma plataforma horizontal
cujo comprimento é superior ao da balança. A peça da qual se pretende determinar a tensão de
ruptura é colocada entre o gancho da balança e a plataforma. A intensidade da força de tração a que
a peça fica sujeita varia consoante a posição do peso cursor da balança. Para evitar um grande
impacto entre a balança e a plataforma da estrutura de apoio, quando se dá a ruptura da peça, existe
uma corda entre as duas colunas destinada a segurar o braço da balança. No livro acima referido,
Musschenbroek apresenta os desenhos de várias peças fraturadas, que teriam sido objeto de estudo,
bem como de pormenores respeitantes à fixação destas peças entre o gancho da balança e o estrado.



Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm






_________________________________________________________________________ 98


















































_________________________________________________________________________ 99
VII - 01 Lei de Hooke

Objetivos
• Comprovar a lei de Hooke
• Determinar a constante elástica da mola

Fundamento teórico


Nas figuras a e c, x representa o deslocamento a partir da posição de equilíbrio da
mola, mostrada em b. Em a temos x < 0 (compressão); em c, x > 0 (distensão).
Se representarmos a força por
^
~
x F F ⋅ =
r
, onde x
^
~
é um vetor unitário ao longo de
OX (direção da mola), temos F > 0 (repulsiva) em a e F < 0 (atrativa) em c, ou seja, a força
tende a fazer a mola voltar à posição de equilíbrio. Para x suficientemente pequeno,
verifica-se experimentalmente que:
^
~
x x k F ⋅ ⋅ − =
r

ou seja, a força restauradora é proporcional ao deslocamento da posição de equilíbrio
(linear). A constante de proporcionalidade k é característica da mola (constante da mola).
Deformação é a quantidade de mudança na forma de um corpo sob a ação de forças
externas. Deformação unitária é a deformação por unidade de comprimento, calculada
como a razão da deformação total ao comprimento original do corpo. A deformação pode
ser devido à tensão, à compressão ou ao corte. Elasticidade é a propriedade de um corpo
que lhe permite sofrer uma deformação e regressar à sua forma original, uma vez que se
eliminaram as forças externas.
A lei de Hooke, que relaciona o esforço e a deformação dentro do limite
proporcional, estabelece que um corpo sobre o qual atuam forças externas se deformará em
>0
_________________________________________________________________________ 100
proporção ao esforço desenvolvido. As figura a e c ilustram a origem do sinal (-) na
equação da lei: x k ) x ( F ⋅ − =
A força F tende a se opor ao deslocamento da partícula, trazendo-a de volta à
situação de equilíbrio, ou seja, F > 0 para x < 0 (compressão da mola), e F < 0 para x > 0
(distensão da mola). Diz-se por isto que F é uma força restauradora. A constante da mola k
mede-se em N/m.

Trabalho experimental

I – Método estático

- Montar o aparelho segundo orientação
- Determine o valor referencial da mola L
O

- Colocar cargas sucessivas na mola
- Medir a nova posição da mola , após receber cada carga
- Calcular as deformações:
O
L L L − = ∆
- Calcular a constante para cada deformação:
L
F
k

=
- Construir o gráfico F = f(∆L) e determinar a constante da mola a partir do coeficiente
angular da reta k
C
(aplicar o método dos mínimos quadrados)
- Calcular o erro: 100
k
k k
E %
T
T
×

= e 100
k
k k
E %
T
C T
×

=

II – Método dinâmico

- Determinar a massa da mola (m)
- Colocar um corpo de massa (M) a oscilar verticalmente na mola
- Determine o tempo (t) gasto para o corpo dar 20 oscilações
- Calcular o período do movimento por:
n
t
T = , onde n – número de oscilações
- Determinar a constante da mola pela fórmula:
k
3
m
M
2 T
+
π =
_________________________________________________________________________ 101
VII - 02 Módulo de Young

Objetivo
• Determinar o módulo de Young, utilizando-se um fio de seção circular.

Fundamento teórico

Quando um material se comporta elasticamente e apresenta, também uma relação
linear entre a tensão e a deformação, diz-se que é linearmente elástico. A relação linear
entre a tensão e a deformação, pode ser expressa por: δ ⋅ = E T
onde E é uma constante de proporcionalidade conhecida como módulo de elasticidade do
material (que é o coeficiente angular da parte linear do diagrama tensão x deformação
sendo diferente para cada material) e δ a deformação.
O módulo de elasticidade é conhecido também como módulo de Young, por
referência a Thomas Young. A fórmula é conhecida como lei de Hooke.
Quando uma barra é carregada por tração simples a tensão é:
A
P
T = e a
deformação (alongamento relativo) é:
L
L ∆
= δ ,
L
L
A
P
E
L
L
E
A
P

= ∴

= .
A relação mostra que o alongamento de uma barra linearmente elástica é
inversamente proporcional à carga e ao comprimento e inversamente proporcional ao
módulo de elasticidade e à área de seção transversal.

Trabalho experimental

- Montar o aparelho conforme explicação
- Determinar o comprimento L
o
do fio
- Determinar o diâmetro d do fio
- Colocar cargas de 100g em 100g e a cada carga determinar a deformação ∆L
- Calcular o módulo de Young por:
L r
L F
E
2
O
c
∆ ⋅ ⋅ π

=
_________________________________________________________________________ 102
- Calcular a tensão por:
O
T
L
L E
T
∆ ⋅
=

- Construir o gráfico: T = f(∆L)
- Fazer a correção da curva pelo método dos mínimos quadrados
- Obter o módulo de Young E
G
a partir do coeficiente angular da reta corrigida


- Calcular o erro por: 100
E
E E
E %
T
C T
1
×

= e 100
E
E E
E %
T
G T
2
×

=



















_________________________________________________________________________ 103
VII – 03 Flexão

Objetivo
• Determinar o módulo de Young (E) por flexão.

Fundamento teórico

Deformação que uma barra sofre devido ã aplicação de uma força ao seu eixo
longitudinal. A fim de introduzir o conceito de tensões exercidas nas vigas, considere-se
uma que suporte duas cargas P (figura 1). Sua parte central não tem força cortante e está
sujeita a um momento fletor igual a P
a
. Esta condição de momento fletor constante
caracteriza a flexão pura.

A ação dos momentos fletores M faz com que o eixo da viga se curve como um
arco circular. Este fato pode ser verificado em laboratório.
Considere-se, a viga simplesmente apoiada, AB (figura 2). Antes da aplicação da
carga P, o eixo longitudinal é reto. Depois da flexão o eixo torna-se curvo, como se vê na
figura: linha ACB.

Supor que XY seja o plano de simetria e que todas as cargas estejam neste plano. A
curva ACB, denominada linha elástica, situa-se nele também. Para deduzir a equação
_________________________________________________________________________ 104
diferencial da linha elástica, utiliza-se a relação entre a curvatura k e o momento fletor M
dada pela equação:
EI
M 1
K − =
ρ
= 1
Para estabelecer a relação entre a curvatura K e a equação da linha elástica,
consideram-se dois pontos M
1
e M
2
, distantes ds um do outro (figura 3).


Das figuras 2 e 3 tem-se que: θ ρ = d ds e
ds
d 1 θ
=
ρ
então a curvatura K é igual à taxa
de variação do ângulo θ, em relação à distância s medida ao longo da linha elástica
ds
d 1
K
θ
=
ρ
= 2
Na maioria das aplicações práticas ocorrem apenas deflexões nas vigas, logo as
linhas elásticas são muito achatadas e tanto o ângulo θ quanto a inclinação são quantidades
muito pequenas podendo-se admitir que:
dx ds ≈ 3
dx
d
tg
ν
≈ θ ≈ θ 4, onde ν é a deflexão da viga.
Substituindo 3 e 4 em 2 teremos
2
2
dx
d
dx
d 1
K
ν
=
θ
=
ρ
= 5
que combinando com 1 resulta em:
EI
M
dx
d
2
2
− =
ν
6
Esta é a equação diferencial básica para a linha elástica de uma viga que deve ser
integrada para cada caso particular para se obter a flexão ν.
Considerando-se uma viga simplesmente apoiada com carga concentrada P, cuja
posição é definida pelas distâncias a e b das extremidades (figura 4).
_________________________________________________________________________ 105
Para a situação em que a carga P se localiza no meio do vão:
2
L
b a = =
Após a integração da equação 6 obtém –se a equação:
EI 48
PL
3
= ν
Quando a viga tem secção transversal retangular, largura c e altura h o momento de
inércia é:
12
ch
I
3
= , daí vem que:
3
3
ch 4 E
PL
= ν ∆
Quando a viga tem secção transversal circular, de raio r. tem-se para o momento de
inércia:
4
r
I
4
π
= , daí vem que:
4
3
r 12 E
PL
π
= ν ∆

Trabalho experimental

I – Barra cilíndrica

- Montar o flexômetro segundo orientação
- Medir o raio (r) da barra com o palmer
- Medir o comprimento útil (l) da barra
- Colocar o porta pesos no ponto médio da barra
- Ajustar o paquímetro
- Adicionar pesos (P) no porta pesos
- Medir as respectivas deformações (ν)
- Calcular o módulo de Young (E)
- Construir o gráfico Px∆ν. O que representa o coeficiente angular da reta obtida?
- Completar a tabela:
l
(cm)
r
(cm)
ν
o

(cm)
ν’
(cm)
∆ν
(cm)
P
(gf)
P
(dina)
E
C

(dina/cm
2
)
E
T

(dina/cm
2
)
%E K
(dina/cm)
20
40
50
60
80

100





_________________________________________________________________________ 106
II – Barra retangular

- Medir a largura (c) da haste
- Medir a espessura (h) da haste
- Medir o comprimento útil (l) da haste
- Colocar o porta pesos no ponto médio da barra
- Ajustar o paquímetro
- Adicionar pesos (P) no porta pesos
- Medir as respectivas deformações (ν)
- Calcular o módulo de Young (E)
- Construir o gráfico Px∆ν. O que representa o coeficiente angular da reta obtida?
- Completar a tabela:

l
(cm)
c
(cm
h
(cm)
ν
o

(cm)
ν’
(cm)
∆ν
(cm)
P
(gf)
P
(dina)
E
C

(dina/cm
2
)
E
T

(dina/cm
2
)
%E K
(dina/cm)
10
20
40
60
80
100



















_________________________________________________________________________ 107
VII – 04 Torção

Objetivos
• Verificar a lei de Hooke aplicada à torção de um cabo metálico
• Determinar o seu módulo de rigidez à torção

Fundamento teórico

Uma haste de metal é fixa em uma de suas extremidades e a outra, livre é
submetida a um conjugado de torção, cujo ângulo é medido em um circulo graduado.
A lei de Hooke afirma, neste caso que as deformações são proporcionais aos
momentos aplicados: θ ∆ ⋅ = k M onde k é o coeficiente de elasticidade e θ a deformação
angular conseguida. Portanto:
θ ∆
×
=
θ ∆
=
R F M
K , sendo R o raio da polia, o valor do módulo
de rigidez à torção vem dado pela expressão:
θ ∆ π
=
4
r
FRL 2
G , onde F é a força aplicada ao
extremo do raio da polia, L o comprimento da haste e r o raio da haste.
OBS.: o ângulo θ deve ser expresso em radianos. Pra tal multiplicar o valor em graus por
0,01745

Esquema da montagem do aparelho





_________________________________________________________________________ 108
Trabalho experimental

- Determinar o comprimento (L) e o raio (r) da haste metálica
- Medir o raio da roldana (R)
- Tomar um valor de referência no disco graduado
- Colocar no porta pesos, cargas sucessivas, determinando seus respectivos ângulos de
torção
- Repetir a operação na ordem inversa, retirando as cargas até a carga inicial. Se não
houver coincidência com as posições anteriores acha uma justificativa para esse fato
- Verificar a lei de Hooke, através do gráfico Mxθ. Determinar o coeficiente de
elasticidade k
- Calcular o módulo de rigidez à torção G
- Completar a tabela
L
(cm)
r
(cm)
R
(cm)
F
(gf)
F
(dina)
∆θ
(°)
∆θ
(rad)
M
(dina/cm)
K
(dina/cm)
G
(dina/cm
2
)
%E





















_________________________________________________________________________ 109
VII – 05 Módulo de cisalhamento – balança de torção

Objetivos
• Determinar o módulo de cisalhamento com o aparelho de Noack

Fundamento teórico

Considerando a torção de uma barra cilíndrica de raio R e comprimento l. sendo
uma das extremidades presa, enquanto na outra é aplicado um momento, que torce a secção
circular superior de um ângulo θ e outras secções de ângulos proporcionais a suas
distâncias da extremidade presa.
O problema é determinar as relações entre o ângulo de torção θ e o momento
aplicado, o módulo de rigidez e as dimensões da barra.
A deformação de cisalhamento, é relacionada com o ângulo de torção por:

θ
=
l
r
onde rθ é a distância da qual o segmento superior moveu-se relativamente ao
inferior e l o comprimento da barra
Considere uma força atuando sobre a área plana do anel cilíndrico de raio r e
espessura dr. Sendo a área rdr 2 A π = , o momento associado ao longo do eixo do cilindro é
dado por:
r A dM Γ =
para

θ
= = Γ
l
Gr
G e
l
dr r G 2
dM
3
θ π
= , integrando a equação a fim de obter o momento
total:

θ π
=
R
0
3
l
dr r G 2
M
l 2
Gr
M
4
πθ
=
como Fd M = , tem-se que:
l 2
Gr
Fd
4
πθ
= ou
4
r
Fdl 2
G
πθ
=

_________________________________________________________________________ 110
Trabalho experimental

- Medir o diâmetro da roldana (d) com o paquímetro
- Medir o diâmetro do fio em estudo, com o Palmer, calculando o raio (r)
- Determinar o comprimento do fio em estudo (l)
- Colocar um índice em frente a uma indicação no disco graduado
- Colocar pesos sucessivos nas extremidades dos fios de nylon
- Medir as deformações (θ) produzidas no fio
- Construir o gráfico Fxθ. O que representas o coeficiente angular da reta encontrda?
- Completar a tabela
d
(cm)
r
(cm)
l
(cm)
F
(gf)
F
(dina)
θ
(°)
θ
(rad)
G
C

(dina/cm
2
)
G
T

(dina/cm
2
)
%E























_________________________________________________________________________ 111
VII – 06 Módulo de rigidez

Objetivo
• Determinar o módulo de rigidez

Fundamento teórico

O módulo e rigidez ou cisalhamento resulta sempre que duas camadas próximas
deslocam-se uma em relação à outra e numa direção paralela às suas superfícies de contato.
De um modo geral as tensões de cisalhamento que agem em um elemento do
material ocorrem aos pares, iguais e opostos e as tensões de cisalhamento existem sempre
em planos perpendiculares entre si.

As tensões de cisalhamento (Γ), causam distorção no quadrado ABCD
transformando-o num paralelogramo. O ângulo no vértice C, que media
2
π
antes da
deformação, fica reduzido a γ −
π
2
, sendo γ o pequeno ângulo visto na figura. Ao mesmo
tempo o vértice A ficará com o ângulo aumentado para γ +
π
2
.
O ângulo γ é a medida da distorção do elemento como conseqüência do
cisalhamento, e é denominado deformação do cisalhamento, sendo igual ao deslizamento
horizontal da aresta superior em relação à aresta inferior, dividido pela distância entre essas
duas arestas (altura do elemento). Se o material tiver uma zona elástica linear, o diagrama
tensão deformação será uma reta e as tensões de cisalhamento serão proporcionais às
deformações de cisalhamento. Assim, a equação da lei de Hooke para o cisalhamento é:
γ = Γ G
onde G é o módulo de cisalhamento
_________________________________________________________________________ 112
Quando uma mola helicoidal é submetida a uma força de tração ou compressão vale
a lei de Hooke, sendo que K a constante elástica da mola está em função do material e das
características geométricas da mola, assim:
3
4
NR 4
Gr
K =
onde r é o raio do fio da mola, R é o raio da espira da mola e N o número de espiras.

Trabalho experimental

- Medir o diâmetro da mola (D→R)
- Medir o diâmetro do fio da mola (d→r)
- Contar o número de espiras (N)
- Montar o dispositivo conforme orientação
- Determinar a leitura inicial (L
o
)
- Adicionar pesos variados na mola (F)
- Medir a posição a cada carga (L)
- Calcular as respectivas deformações (
o
L L L − = ∆ )
- Calcular o módulo de rigidez(G):
4
3
r
NR 4
L
F
G ×

=
- Completar a tabela

D
(cm)
R
(cm)
d
(cm)
r
(cm)
N
(esp)
F
(gf)
F
(dina)
L
o

(cm)
L
(cm)
∆L
(cm)
GC

(dina/cm
2
)
G
T

(dina/cm
2
)
%E





Método dinâmico

- Proceder como nos três primeiros itens do método estático
- Colocar um corpo de massa M na extremidade da mola cuja massa m deve ser
determinada
- Provocar um movimento periódico verticalmente
- Marcar o tempo t para n oscilações
_________________________________________________________________________ 113
- Calcular o período da cada oscilação:
n
t
T =
- Calcular o módulo de rigidez da mola:
4
3
2
2
r
NR 4
3
m
M
T
4
G ×






+ ×
π
=
- Completar a tabela

D
(cm)
R
(cm)
d
(cm)
r
(cm)
N
(esp)
t
(s)
n
(osc)
M
(g)
m
(g)
GC

(dina/cm
2
)
G
T

(dina/cm
2
)
%E




























_________________________________________________________________________ 114


VIII

MECÂNICA DOS FLUIDOS








_________________________________________________________________________ 116
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
















_________________________________________________________________________ 117
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Aparelho de vasos comunicante

Este aparelho tem por finalidade ilustrar o princípio dos vasos comunicantes.
É constituído por três peças de vidro, sendo duas delas tubos cilíndricos com diâmetros interiores
diferentes, montados com inclinações diferentes. Estes tubos comunicam entre si através de um
tubo de latão assente sobre uma base de madeira. Entre os dois tubos, e comunicando com estes
através do mesmo tubo de latão, existe um recipiente com a forma de uma garrafa sem fundo,
invertida. Qualquer destas peças de vidro encaixa nas três aberturas do tubo de latão, sendo as
junções vedadas com lacre e cera. Na parte superior do vaso central está fixo um anel de latão.


Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm














_________________________________________________________________________ 118
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva






























_________________________________________________________________________ 119
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VIII – 01 Massa específica

Objetivos
• Medir a massa específica de corpos sólidos
• Medir a massa específica de corpos líquidos
• Calcular o peso específico destas substâncias

Fundamento teórico

Massa específica ou densidade absoluta de um corpo é a razão da massa desse
corpo para seu volume. É portanto, a massa da unidade de volume. Designa-se pela letra
grega µ. Tomando-se como unidade de volume o centímetro cúbico, podemos dizer que a
densidade absoluta de um corpo é a massa por cm
3
deste corpo. Como exemplo
consideremos um cubo de 2 cm de aresta, feito de alumínio o qual tem a massa de 21,6 g e
o volume de 8 cm
3
então:
3
cm . g 7 , 2
8
6 , 21
v
m

= = = µ
A massa específica da água destilada e isenta de ar, na temperatura de 4°C é
considerada como valendo 1 g.cm
-3
. Para definir massa específica num ponto a massa ∆m
de um fluido num volume ∆V circundando o ponto é dividida por ∆V e toma-se o limite
para ∆V tendendo a E
3
onde e é ainda grande quando comparada com a distância média
entre as moléculas:
V
m
lim
3
E V


= µ
→ ∆


Trabalho experimental

I – Corpos sólidos

Corpos com forma regular - Cilindro
- Medir com paquímetro a altura e o diâmetro do cilindro
- Determinar a massa do cilindro
- Anotar os valores no quadro de trabalho

_________________________________________________________________________ 120
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
d
(cm)
h
(cm)
V
(cm
3
)
m
(g)
µ
(g.cm
-3
)
µ
T

(g.cm
-3
)
ρ
(g.cm
-2
.s
-2
)
ρ
T

(g.cm
-2
.s
-2
)
%E
1
%E
2




- Calcular o volume:
2
h d
V
2
⋅ ⋅ π
=
- Calcular a densidade:
V
m
= µ
- Calcular o peso específico: g
OBJETO
⋅ µ = ρ
- Calcular os erros: 100 E % e 100 E %
T
T
2
T
T
1
×
ρ
ρ − ρ
= ×
µ
µ − µ
=

Corpos com forma irregular – método do picnômetro
- Determinar a massa do objeto imerso no ar (m
O-AR
)
- Medir a massa do picnômetro cheio de água (m
CA
)
- Colocar o objeto no interior do picnômetro. Água irá transbordar. Secar o picnômetro
externamente pesando o sistema a seguir, de modo a determinar a massa do conjunto (m
O-
AGUA
)
- Calcular a massa do objeto imerso na água por:
CA AGUA O IMERSO O
m m m − =
− −

- Aplicar o teorema de Arquimedes para calcular a massa específica do objeto
ÁGUA
ÁGUA
AR
AR
OBJETO
AR
OBJETO
ÁGUA
ÁGUA
AR
OBJETO
ÁGUA
AR OBJETO
ÁGUA
ÁGUA
AR
m m
m
V
m
m m
V
g m g m g V .
P P E
µ ⋅

= = µ
µ

=
⋅ − ⋅ = ⋅ µ
− =

- Calcular o peso específico: g
OBJETO
⋅ µ = ρ
- Anotar os valores no quadro de trabalho
µ
(g.cm
-3
)
µ
T

(g.cm
-3
)
ρ
(g.cm
-2
.s
-2
)
ρ
T

(g.cm
-2
.s
-2
)
%E
1
%E
2




- Calcular os erros: 100 E % e 100 E %
T
T
2
T
T
1
×
ρ
ρ − ρ
= ×
µ
µ − µ
=
_________________________________________________________________________ 121
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
II – Líquidos

- Medir a massa do picnômetro vazio e seco (m
PVS
)
- Medir a massa do picnômetro cheio de água (m
PCA
)
- Medir a massa do picnômetro cheio com o líquido problema (m
PCL
)
- Calcular o volume do picnômetro:
ÁGUA
PVS PCA
PICN
m m
V
µ

=
- Calcular a massa específica do líquido:
PICN
PCL
LIQ
V
m
= µ
- Calcular o peso específico do líquido: g
LIQ LIQ
⋅ µ = ρ
- Anotar os valores no quadro de trabalho
µ
LIQ

(g.cm
-3
)
µ
T

(g.cm
-3
)
ρ
LIQ

(g.cm
-2
.s
-2
)
ρ
T

(g.cm
-2
.s
-2
)
%E
1
%E
2





- Calcular os erros: 100 E % e 100 E %
T
LIQ T
2
T
LIQ T
1
×
ρ
ρ − ρ
= ×
µ
µ − µ
=

Dados tabelados
Densidade relativa (em relação à água a 4°C)
Alumínio 2,6 a 2,7 Níquel 8,4 a 9,0
Chumbo 11,3 a 11,4 Mercúrio 13,6
Cobre 8,3 a 8,9 Glicerina 1,23
Ferro – aços 7,1 a 7,9 Álcool etílico 0,79
Latão 8,1 a 8,6








_________________________________________________________________________ 122
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


































_________________________________________________________________________ 123
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VIII – 02 Tensão superficial

Objetivos
• Observar o fenômeno da capilaridade
• Determinar a tensão superficial de líquidos

Fundamento teórico

De acordo com o princípio de Arquimedes, uma agulha de aço afunda na água.
Porém, se colocarmos uma agulha cuidadosamente sobre a superfície da água, ela pode
flutuar devido à tensão superficial - o líquido reage como se fosse uma membrana.
Uma maneira de se pensar na tensão superficial é em termos de energia. Quanto
maior for a superfície, maior será a energia que está acumulada nela. Para minimizar a
energia a maioria dos fluidos assume formas com a menor área de superfície. Esta é a
razão pela qual pequenas gotas de água são redondas. Uma esfera tem a superfície de
menor área possível para um dado volume. Bolhas de sabão também tendem a se formar
com áreas de menor superfície (esferas).
Precisa-se de trabalho para aumentar a área de um líquido. A tensão de superfície
pode ser definida como sendo esse trabalho: tensão de superfície = Y = W/A , onde A é a
área da superfície.
Se tivermos um filme fino, e tentarmos esticá-lo, o filme resiste. A tensão de
superfície também pode ser definida como a força F por unidade de comprimento L que
resiste ao estiramento: tensão de superfície = Y = F/L
A água é usualmente utilizada para limpeza, mas a tensão de superfície dificulta a
penetração da água em pequenos orifícios, como os encontrados em roupas. Quando se
adiciona sabão a água, a tensão superficial é diminuída, e as roupas (ou qualquer outra
coisa) são muito mais facilmente limpas.




_________________________________________________________________________ 124
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho Experimental

I – Determinar o raio do tubo

- Medir com o paquímetro a altura do tubo. H = ______
- Medir a massa do tubo vazio e seco. M
1
= ______
- Encher o tubo capilar completamente com água e determinar a massa. M
2
= ______
- Calcular o raio do tubo por:
O 2 H
1 2
O 2 H
2
h
M M
r
m
h r ' V V
µ ⋅ ⋅ π

= ∴
µ
= ⋅ ⋅ π ∴ =

II - Determinar a ascensão capilar

- Secar o tubo capilar internamente e externamente.
- Mergulhar o tubo verticalmente no líquido problema sem tapar sua abertura
- Observar a ascensão do líquido no tubo capilar até o equilíbrio (figura)
- Retirar o tubo cuidadosamente e medir com o paquímetro a altura. H
a
= ______
- Calcular a tensão superficial aplicando a condição de equilíbrio:

TS
F P =
L T g m
s
⋅ = ⋅
r 2 T g V
S O 2 H
⋅ π ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ µ
r 2 T g H r
S a
2
O 2 H
⋅ π ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ π ⋅ µ
2
g H r
T
O 2 H a
S
µ ⋅ ⋅ ⋅
=
- Calcular o erro para o valor tabelado por: 100
T
T T
E %
ST
SC ST
×

=
- Secar o tubo e repetir o procedimento para os outros líquidos.
_________________________________________________________________________ 125
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VIII – 03 Viscosidade – método de Poiseuille

Objetivo
• Medir o coeficiente de viscosidade de líquidos pelo método dos tubos capilares.

Fundamento teórico

É o método mais prático para medir grandezas pertinentes a líquidos fisiológicos,
sendo o único absoluto. Pode-se utilizar o viscosímetro de Ostwald ou tubos capilares. O
método consiste em medir o intervalo de tempo necessário para que um volume conhecido
do líquido escoe através de um capilar de comprimento e raio conhecidos, sob a ação da
gravidade. Mediante procedimentos teóricos, Poiseuille determinou que a viscosidade do
líquido é dada por: h g p onde
l V 8
t p r
4
⋅ ⋅ µ =
⋅ ⋅
π ⋅ ⋅ ⋅
= η

Trabalho experimental

- Medir o raio capilar e a altura do capilar: r = _________ h = _________
- Calcular o volume do capilar: h r V
2
⋅ ⋅ π = , V = _________
- Medir a temperatura do líquido: θ (°C) = _________
- Aspirar, com a ajuda de uma seringa, o líquido enchendo completamente o capilar.
- Deixar escoar o líquido através do capilar, cronometrando o tempo de queda (repetir o
procedimento por cinco vezes):
t
1
= _______, t
2
= _______ t
3
= _______ t
4
= _______ t
5
= _______
- Calcular o coeficiente de viscosidade por:
l V 8
t h g r
L
4
⋅ ⋅
π ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ µ ⋅
= η
η → Viscosidade r → raio do capilar
µ
L
→ massa específica h → comprimento do tubo
g → aceleração gravidade V → volume da coluna de líquido
t → tempo de escoamento h → altura da coluna líquida
- Calcular o valor médio:
5
N
η Σ
= η , η = _______
_________________________________________________________________________ 126
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Calcular o erro %E por: 100 E %
T
T
×
η
η − η
=
valores tabelados → µ
L
(g.cm
- 3
) η
T
(poise)
água → 1 0,01
álcool → 0,79 0,012
glicerina → 1,23 10,9

- Repetir o procedimento de 3 a 8 para os outros líquidos.

























_________________________________________________________________________ 127
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VIII – 04 Viscosidade – método de Newton

Objetivo
• Medir o coeficiente de viscosidade de líquidos pelo método dos tubos capilares.

Fundamento teórico

Consiste em determinar o tempo necessário para que uma esfera de raio e peso
conhecidos caia através de uma coluna de líquido de altura vertical conhecida. As forças
que atuam sobre a esfera são: P
r
, peso da esfera; E
r
, empuxo de líquido sobre a esfera; F
r
,
força de atrito viscoso opondo-se ao movimento. A resultante das força s que atuam sobre
a esfera em equilíbrio é: E P F 0 P E F R
r r r r r r r
− = ∴ = + − − = (1)
A resultante é nula porque a esfera cai com velocidade constante (v), a partir de um
determinado instante. A força F
r
devido à resistência oferecida pelo líquido é definida por
Stokes como: v r 6 F ⋅ ⋅ η ⋅ π ⋅ =
r
(2) onde: η é viscosidade, r o raio da esfera e v a
velocidade da esfera em relação ao fluido.
O corre que o peso da esfera pode ser obtido por: g V g m P
E E E
⋅ ⋅ µ = ⋅ =
r
, onde m
E

é a massa da esfera, µ
E
a densidade da esfera e V
E
o volume da esfera. Como o volume da
esfera pode ser obtido por:
3
r 4
V
3
E
⋅ π ⋅
= temos que seu peso é dado por:
g r P
3
3
4
E
⋅ ⋅ π ⋅ ⋅ µ =
r
(3).
O empuxo por definição é dado como: g m E
L
⋅ =
r
, onde m
L
é a massa de líquido
deslocado. Fazendo o empuxo em função da massa específica do líquido, g V E
L L
⋅ ⋅ µ =
r
.
Como:
3
r 4
V
3
L
⋅ π ⋅
= , teremos: g r E
3
3
4
L
⋅ ⋅ π ⋅ ⋅ µ =
r
(4).
Substituindo (4), (3) e (2) em (1) teremos: ( )
v 9
g r 2
2
L E

⋅ ⋅
µ − µ = η , como:
t
h
v = ,
podemos escrever: ( )
h 9
t g r 2
2
L E

⋅ ⋅ ⋅
⋅ µ − µ = η

_________________________________________________________________________ 128
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

- Verificar se o tubo está na vertical
- Tomar um referencial inicial e outro final (espaço h)
- Largar as esferas na mesma posição
- Determinar o tempo gasto pela esfera para percorrer o espaço h
- Determinar a temperatura (θ) do líquido
- Determinar o raio das esferas
- Traçar o gráfico v x r
2
e determinar o valor de K (coeficiente de condutividade):
2
r
v
K


=
- Calcular a viscosidade a partir do valor de K: ( )
L E
K 9
g 2
µ − µ ⋅


= η
- Comparar os valores obtidos determinando o erro relativo.




















_________________________________________________________________________ 129
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
VIII – 05 Equação de Bernoulli

Objetivo
• Verificar o teorema de Bernoulli
• Determinar a velocidade de escoamento do ar num tubo de Venturi

Fundamento teórico

Teorema de Bernoulli

A energia potencial de um fluido muda enquanto ele se move. Enquanto o fluido se
move, a mudança na energia potencial é a mesma que aquela de um volume V que se
movimentou da posição 1 para a posição 2. A energia potencial do fluido no resto do tubo
é a mesma que a energia potencial antes do movimento. Logo, temos que a mudança na
energia potencial é ) h h ( Vg
1 2
− µ . Portanto a energia cinética do fluido também muda.
Assim, só precisamos achar a mudança na energia cinética em um pequeno volume V,
como se o fluido na posição 1 fosse substituído pelo fluido na posição 2 (veja a figura
acima).


A energia cinética do fluido no resto do tubo é a mesma que a energia cinética antes
do movimento. Logo, temos que:
2
Vv
2
Vv
2
mv
2
mv
E
2
1
2
2
2
1
2
2
C
µ

µ
= − = ∆ .
Se a força sobre a água na posição 1 é diferente do que a força da água na posição
2, existe um trabalho sobre o fluido à medida que ele se move. A quantidade de trabalho é:
2 2 1 1
S F S F W − = . Mas,
A
p
F = , de modo que:
1 1 2 2 1 1 1 2 2 2
V p V p S A p S A p W − = − = .
_________________________________________________________________________ 130
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
O trabalho deve ser igual à mudança na energia. Logo:
2
Vv
2
Vv
) h h ( Vg V p V p
2
1
2
2
1 2 2 1
µ

µ
+ − µ = − , ou
2
Vv
Vgh V p
2
Vv
Vgh V p
2
2
2 2
2
1
1 1
µ
+ µ + =
µ
+ µ +
Dividindo por V, temos que: te tan cons
2
v
gh p
2
v
gh p
2
2
2 2
2
1
1 1
=
µ
+ µ + =
µ
+ µ + .
Esta é a Equação de Bernoulli. Ela implica que, se um fluido estiver escoando em
um estado de fluxo contínuo, então a pressão depende da velocidade do fluido. Quanto
mais rápido o fluido estiver se movimentando, tanto menor será a pressão à mesma altura
no fluido.

Tubo de Venturi

Dispositivo utilizado para medir a velocidade de escoamento de um fluido. Este
tubo esquematizado na figura, que consiste de uma tubulação de secção A
1
com um
estrangulamento no meio chamado garganta, de secção A
2
onde A
2
<< A
1
.
O tubo é colocado em posição horizontal de modo que a energia potencial do fluido
ideal de densidade µ, que escoa em regime permanente, é constante. Assim a equação de
Bernoulli aplicada aos pontos 1 e 2 pode ser escrita na seguinte forma:
2
v
p
2
v
p
2
2
2
2
1
1
µ
+ =
µ
+ ou
2
) v v (
p p
2
1
2
2
2 1
− µ
= −
Como o fluxo é constante, podemos expressar as velocidades em 1 e 2 pela equação
da continuidade:
2
1
2
2
1 2
2
v
A
A
v








= .
Logo a variação de pressão pode ser escrita como:









µ
= − 1
A
A
2
v
p p
2
2
2
1
2
1
2 1
. Como
A
1
>> A
2
, então o lado direito da igualdade é positivo, o que significa que a diferença de
pressão também é positiva, isto é, p
1
> p
2
. Isso mostra que a pressão na garganta do tubo é
menor que na parte de maior secção.
Se um manômetro for colocado com uma extremidade na parte mais larga e a outra
na garganta, como na figura, o nível H estará relacionado com essa diferença de pressão
pela relação: gH p p
2 1
ρ = − , onde ρ é a densidade do líquido contido no manômetro.
_________________________________________________________________________ 131
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Assim a equação de Bernoulli para a diferença de pressão toma a forma:









µ
= ρ 1
A
A
2
v
gH
2
2
2
1
2
1
.
Conseqüentemente, a velocidade v1 do fluido, ao passar pela parte de maior secção,
será dada por:
) A A (
) p p ( 2
A
) A A (
gH 2
A v
2
2
2
1
2 1
2
2
2
2
1
2 1
− µ

=
− µ
ρ
= e a velocidade v
2
por:
) A A (
) p p ( 2
A
) A A (
gH 2
A v
2
2
2
1
2 1
1
2
2
2
1
1 2
− µ

=
− µ
ρ
= .
Pelo exposto, pode-se concluir que num escoamento em regime permanente de um
fluido ideal, a pressão num dado ponto diminuirá se a velocidade de escoamento nesse
ponto aumentar.

Trabalho experimental

- Determinar as áreas A
1
e A
2

- Posicionar o tubo na saída de ar
- Medir a altura da coluna de líquido
- Calcular as velocidades v
1
e v
2

- Variar a velocidade de entrada de ar e proceder às respectivas medidas














_________________________________________________________________________ 132
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva




IX

TERMOLOGIA







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Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
















_________________________________________________________________________ 135
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


Pirômetro de Nollet

Este modelo de pirômetro, segundo o Catálogo de Instrumentos de Física com que tem sido
aumentado o Gabinete de Física da Universidade de Coimbra desde o ano de 1792 até ao presente
de 1824, elaborado pelo Professor J. H. Figueiredo Freire, foi concebido por Jean-Antoine Nollet.
O aparelho tem a particularidade de apresentar uma escala circular graduada, orientada num plano
vertical, sobre a qual se move o ponteiro, deixando visível todo o mecanismo das rodas dentadas e
os eixos de transmissão do movimento, o que torna possível a observação do seu funcionamento
durante a dilatação da barra, que é aquecida por quatro pequenas lamparinas. Trata-se, assim, de
um magnífico instrumento para fins didáticos. O seu mostrador está dividido em seis sectores,
sendo cada um destes subdividido em 50 partes iguais. Para além desta escala fixa, o aparelho
dispõe de uma segunda escala circular, móvel. Esta está dividida em catorze partes iguais,
marcadas junto da periferia de uma roda dentada que engrena nos dentes do eixo do mostrador
principal. Por intermédio deste mecanismo, esta escala móvel roda solidariamente com o ponteiro
do instrumento, permitindo contar o número de voltas por este descritas. Para isso, toma-se como
referência uma agulha vertical colocada em frente da escala móvel.
Este instrumento revela-se de uma extraordinária sensibilidade. Todo o mecanismo de rodas
dentadas, alavancas e eixos de transmissão permite detectar, através do ponteiro do aparelho, as
dilatações, imperceptíveis por observação direta, a que a barra é sujeita.
As barras utilizadas tinham todas o mesmo comprimento e as experiências realizadas procuravam
comparar a dilatação de barras de diferentes materiais num determinado intervalo de tempo.
Para além da sua utilização no estudo experimental da dilatação linear dos corpos, o instrumento
revela-se primoroso do ponto de vista mecânico.

Referência
Museu de Física da Universidade de Coimbra
http://www.fis.uc.pt/museu/index.htm






_________________________________________________________________________ 136
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva






























_________________________________________________________________________ 137
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 01 Termômetros - termopar

Objetivos
• Estudo da dependência do potencial termoelétrico com a temperatura

Fundamento teórico

Temperatura

Coordenada de estado de um sistema, ou quantidade que descreve o estado de
variação de energia térmica de um sistema. O estado conjunto de dois sistemas, que existe
quando cessam todas as mudanças nas coordenadas de estado, chama-se equilíbrio térmico.

Lei zero da termodinâmica

Dois sistemas em equilíbrio térmico com um terceiro também o estarão entre si
A temperatura de um sistema é a propriedade que determina se ele estará ou não em
equilíbrio térmico com outros sistemas.

Medição de temperatura

A medição de temperatura é muito difícil por ser facilmente influenciada por
fatores externos aos dispositivos de medida ou pela inércia térmica inerente ao sistema em
si.
Os medidores de temperatura podem ser divididos em dois grandes grupos: um é o
sistema físico, que se baseia na dilatação do material, e o outro é o sistema elétrico.

Sistema físico

O calor faz com que os corpos se dilatem e se contraiam. Aproveitando o efeito
dessa dilatação ou contração, que nada mais é do que uma força ou movimento, podemos
medir a temperatura. Seja a dilatação do comprimento de uma barra metálica, seja o
_________________________________________________________________________ 138
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
aumento de volume de um líquido dentro de um recipiente, têm-se os vários tipos de
tomadas de impulso de temperatura.
Os termômetros que funcionam baseando-se nesse sistema são classificados como
abaixo:
Sistema a volume
Termômetros de líquidos
Sistema a pressão
Termômetros a pressão de gás
Termômetros a tensão de vapor
Sistema a dilatação linear
Termômetros bimetálicos
Sistema elétrico
Dependendo dos seus princípios de funcionamento, os termômetros desse sistema
podem se classificar em:
Termopares
Termômetros de resistência
Termístores
Termômetros de radiação
Termômetros ópticos
Nesse curso iremos estudar em detalhes o termômetro a pressão de gás e o termopar.

Termômetro a pressão de gás

O princípio de funcionamento dos termômetros desse tipo é a conhecida Lei de
Boyle-Charles, isto é, a pressão de um gás é proporcional à temperatura, se mantivermos
constante o volume do gás. Devido a essa proporcionalidade pode-se obter uma escala
linear de temperatura. Na realidade constata-se pequeno erro nessa relação porque os gases
não são ideais. Esse erro é tão pequeno, porém, que se pode despreza-lo. Comercialmente o
nitrogênio é o gás mais empregado, por ser inerte. Além do nitrogênio empregam-se hélio,
neônio, criptônio, ar, dióxido de carbono, etc.
Sua construção é praticamente igual à de um termômetro de líquido, porém o bulbo
é geralmente grande, a fim de obter força suficiente para acionar o elemento, ou seja a
coluna de mercúrio, ou tubo de Bourbon espiral. A força obtida por expansão do gás com
_________________________________________________________________________ 139
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
determinada variação de temperatura é muito pequena em comparação com a força do
líquido para a mesma variação. A resposta deste tipo de termômetro é mais rápida que a de
todos os outros sistemas mecânicos.

Termopar

O termopar é, talvez, o mais usado de todos os tipos de termômetros para tomadas
de impulso de temperatura, especialmente quando se trata de altas temperaturas e quando
se quer resposta rápida.
Ele se baseia no princípio descoberto por Seebeck de que qualquer diferença de
temperatura entre as junções de dois metais diferentes gera uma diferença de potencial, isto
é, uma força eletromotriz, entre essas junções.
Esse efeito termoelétrico foi estudado por Peltier e Thomson. Descobriram que o
potencial é determinado pelos três fatores seguintes
- O potencial é proporcional à diferença de temperatura entre as junções
- O potencial depende da combinação de metais diferentes
- O potencial depende da homogeneidade do material
Como se vê uma grande vantagem do termopar é que o diâmetro e o comprimento
do fio não influenciam no potencial gerado
Utilizando-se deste princípio construi-se o termopar, que é constituído de dois
metais diferentes na sua extremidade. Estando uma das extremidades em contato com a
fonte de calor e a outra no meio ambiente haverá uma diferença de temperatura entre as
junções e, conseqüentemente, uma ddp, isto é voltagem em mV. Essa pequena tensão
formada pela diferença de temperatura é indicada diretamente em um milivoltímetro
convenientemente calibrado em escala de temperatura ou ampliada eletronicamente e
depois utilizada para acionar o mecanismo de registro.
A sensibilidade ou tempo de resposta e também o limite superior de temperatura de
utilização do termopar dependem do diâmetro do fio, da massa de junção e da massa do
tubo de proteção. Uma das desvantagens do termopar é que ele sofre corrosão,
especialmente quando exposto à temperatura próxima da temperatura limite superior
A figura abaixo mostra um exemplo de como é construído um par termoelétrico.
_________________________________________________________________________ 140
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva


TIPOS DE TERMOPARES COMUMENTE EMPREGADOS
PAR
+ -
CÓDIGO
ISA
fem/°C Observações. Identificação
Ferro Constantan (1) J 2° Uso geral, porém
fraco p/ oxidação
Fe mais duro e
magnético
Cromel
(2)
Alumel (3) K 3° Fraco p/ ambiente
redutor
Alumel é
ligeiramente
magnético
Cobre Constantan T maior Para T<25°C anti-
oxidante
Pelas cores
Platina Platina
+Rhódio
S menor 630°C < T< 1400°C;
fraco p/ ambiente
redutor


(1) liga de cobre (60%) e níquel (40%)
(2) liga de cromo (10%) e níquel (90%)
(3) liga de níquel (94%), manganês (3%) e silicone (1%)

A sensibilidade ou tempo de resposta e também o limite superior da temperatura de
utilização de um termopar dependem do diâmetro do fio, da massa de junção e da massa do
tubo de proteção.

Trabalho experimental



_________________________________________________________________________ 141
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Calibrar um termopar cobre constantan de 20°C a 95 °C.
- Montar o sistema segundo a figura
- Colocar gelo picado misturado com água em dois copos de bequer. Num outro colocar
água a temperatura ambiente.
- Colocar a junta de referência e a junta de medição nos copos de béquer com gelo e com
auxílio de um termômetro medir as temperaturas nas duas junções medindo também a
voltagem indicada no milivoltímetro
T
R
= T
M
= mV =

- Manter a junta de referência no copo de béquer com gelo e colocar a junta de medição no
copo de béquer com água. Medir as temperaturas nas duas junções medindo também a
voltagem indicada no milivoltímetro
T
R
= T
M
= mV =

- Aquecer a água, medindo a temperatura e a voltagem a cada 5°C
T
R
= T
M
= mV =
T
R
= T
M
= mV =
T
R
= T
M
= mV =
T
R
= T
M
= mV =
T
R
= T
M
= mV =

- Construir o gráfico de calibração do termômetro (T
M
X mV)















_________________________________________________________________________ 142
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva




















_________________________________________________________________________ 143
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 02 Termômetro a gás

Objetivo
• Calcular o coeficiente de dilatação dos gases
• Calibrar o termômetro a gás

Fundamento teórico

Termômetro

Aparelho que permite medir a temperatura dos corpos através da variação das
propriedades de certas substâncias ditas termométricas, tendo como base o conceito de
equilíbrio térmico. Estas substâncias são selecionadas em função de uma propriedade que
apresente variação bastante sensível com a mudança de temperatura, e que são possíveis de
ser manipuladas.


Usando como substância termométrica um gás, podemos tomar como propriedade a
pressão a volume constante. O gás enche um bulbo e um tubo capilar ligado a um
manômetro de mercúrio de tubo aberto. O tubo flexível permite suspender ou abaixar o
nível do mercúrio do ramo da direita de tal forma que o nível no ramo da esquerda
permaneça numa marca fixa N, definindo um volume constante ocupado pelo gás. O bulbo
é colocado em contato térmico com o sistema cuja temperatura se quer medir, e a seguir é
medida a pressão P do gás.
_________________________________________________________________________ 144
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

- Obter a pressão atmosférica com o auxílio de um barômetro, fazendo sua correção
em função da temperatura:
( ) | |
¹
´
¦
° = α
° = β
θ α − β + =
− −
− −
1 5
1 6
ATM
C 10 x 18
C 10 x 7 , 18
1 P P
onde θ = temperatura ambiente
- Ajustar o tubo flexível, de modo que o mercúrio no ramo da esquerda permaneça numa
marca fixa N. Anotar o valor da altura da coluna de mercúrio no ramo da direita (H)
- Colocar o balão numa mistura de água e gelo (zero grau – ponto de gelo) e fazer a leitura
da altura da coluna de mercúrio no ramo da direita (H
G
)
- Determinar a temperatura de ebulição da água pela equação empírica
) 760 P ( 0367 , 0 100 T
ATM EBUL
− ⋅ + =
- Colocar o balão em vapor de água fervente (ponto de vapor) e fazer a leitura da coluna de
mercúrio no ramo da direita (H
V
)
- Anotar os valores obtidos no quadro de trabalho
H
(mm)
h
G

(mm)
h
V
(mm)
θ
(°)
T
AMB
(°)
P
ATM

(mmHg)
P
100

(mmHg)
P
0

(mmHg)
α
(°C
-1
)
α
T
(°C
-1
)
1/273
3,662x10
-3


- Construir a relação entre as temperaturas e as respectivas alturas

- Calcular a constante k por:
AMB
ATM
T
P
k = onde θ + = 273 T
AMB

- Calcular a pressão a 100 °C: k T P
100 100
× =
- Calcular a pressão a 0 °C: k T P
0 0
× =
_________________________________________________________________________ 145
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Calcular o coeficiente de dilatação dos gases:
θ ∆ ×

= α
0
0 100
P
P P
onde ( )
0 100
T T − = θ ∆
- Construir o gráfico da pressão x temperatura



- Determinar a temperatura ambiente pelo gráfico: T
REFERÊNCIA
x T
MEDIDA






















_________________________________________________________________________ 146
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_________________________________________________________________________ 147
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 03 Dilatação de sólidos

Objetivo
• Determinar o coeficiente de dilatação linear dos corpos

Fundamento teórico

Dilatação térmica é a alteração de tamanho de um corpo produzida por uma
variação de temperatura. Corresponde a um aumento do espaçamento interatômico médio.
Assim, num corpo sólido, se dois de seus pontos estão inicialmente à distância L0, a
variação ∆L dessa distância é proporcional a Lo. Para uma variação de temperatura ∆T.
Logo: T L L
o
∆ α = ∆ , onde a constante de proporcionalidade α chama-se coeficiente de
dilatação linear

Trabalho experimental

Aparelhagem I

- Determinar o comprimento inicial da haste em estudo (Lo)
- Determinar a temperatura ambiente (To)
- Aquecer o sistema até transferir vapor d’`água para o interior do tubo. (ajustar o ponteiro
no zero da escala ao iniciar o aquecimento)
- Determinar a temperatura da ebulição (T)
- Aguardar o ponteiro indicador da dilatação cessar o movimento e medir o ângulo θ
- Calcular a dilatação ∆L do material:
φ ⋅ = ∆ R L onde
rd
rd 2 360
o
o
φ → θ
π →
que resulta
o
360
2πθ
= φ
o
360
2 R
L
πθ
= ∆ o que dá:
o
360
d
L
πθ
= ∆ ou
o
L L L − = ∆
- Calcular o coeficiente de dilatação linear:
T L
L
o


= α onde
o
T T T − = ∆
_________________________________________________________________________ 148
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Calcular o comprimento final da barra: L L L
o
∆ + = ou | | T 1 L L
o
∆ α + =
- Completar a tabela
material d
(cm)
L
o

(cm)
L
(cm)
∆L
(cm)
T
o

(°C)
T
(°C)
∆T
(°C)
θ
(°)
α
C

(°C)
α
T

(°C)
%E



Aparelhagem II

- Medir o comprimento inicial do corpo em estudo (Lo)
- Medir a temperatura inicial (To)
- Ajustar a haste ao extensômetro conforme orientação
- Transferir vapor para a haste em estudo
- Medir a temperatura (T)
- Anotar a dilatação da barra: 01 , 0 i L × = ∆ onde i é número de divisões
- Calcular o coeficiente de dilatação linear:
T L
L
o


= α onde
o
T T T − = ∆
- Calcular o comprimento final da barra: L L L
o
∆ + = ou | | T 1 L L
o
∆ α + =
- Completar a tabela
material i
(traços)
L
o

(cm)
∆L
(mm)
∆L
(cm)
L
(cm)
T
o

(°C)
T
(°C)
∆T
(°C)
α
C

(°C)
α
T

(°C)
%E



- Construir o gráfico (LxT)











_________________________________________________________________________ 149
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 04 Dilatação de líquidos

Objetivos
• Determinar o coeficiente de dilatação aparente do líquido
• Determinar o coeficiente de dilatação real do líquido

Fundamento teórico

Para um líquido que toma a forma do recipiente que o contém, só interessa o
coeficiente de dilatação volumétrica dado por:
T V
V
o


= γ
Ao se estudar a dilatação dos líquidos, tem-se de levar em conta a dilatação do
recipiente sólido que o contém. O líquido irá dilatar-se juntamente com o recipiente,
ocupando a dilatação sofrida pelo recipiente, além de mostrar dilatação própria, chamada
dilatação aparente. A dilatação real é obtida pela soma da dilatação volumétrica sofrida
pelo recipiente
REC AP REAL
V V V ∆ + ∆ = ∆
T V T V T V
REC o AP o REAL o
∆ γ + ∆ γ = ∆ γ
) ( T V T V
REC AP o REAL o
γ + γ ∆ = γ ∆
REC AP REAL
γ + γ = γ
Seja a massa m
o
, do líquido contido no frasco, com um volume V
o
a uma
temperatura T
o
. O volume ∆V que transborda devido à expansão está relacionado com sua
massa através da relação:
u

= ∆
m
V onde u é a densidade absoluta do líquido a 0 °C.

Trabalho experimental

- Medir a massa do picnômetro vazio, seco e com tampa (m
1
)
- Medir a massa do picnômetro cheio de líquido problema, seco externamente (m
2
)
- Calcular o volume inicial (V
o
) do líquido:
u

=
1 2
o
m m
V
_________________________________________________________________________ 150
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Colocar o picnômetro com líquido em banho Maria e anotar a temperatura inicial (T
o
)
- Aquecer o sistema até aproximadamente 50 °C. aguarda o equilíbrio térmico e anotar a
temperatura final (T)
- Retirar o picnômetro do banho Maria, e após enxuga-lo externamente, determinar a
massa final (m
3
) do conjunto picnômetro + líquido.
- Calcular a massa que transborda, devido à dilatação aparente:
3 2
m m m − = ∆
- Calcular a variação do volume do líquido:
L
m
V
u

= ∆
- Calcular o coeficiente de dilatação aparente:
T V
V
o
AP


= γ onde
o
T T T − = ∆
- Calcular o coeficiente de dilatação real:
REC AP REAL
γ + γ = γ onde
1 o 6
REC
C 10 6 , 9
− −
× = γ
- Calcular o erro
100 E %
T
C T
×
γ
γ − γ
=
- Completar a tabela
material m
1
(g) m
2
(g) m
3
(g) ∆m (g) T
o
(°C) T (°C) ∆T (°C)



u (g.cm
-3
) V
o
(cm
3
) ∆V (cm
3
) γ
REAL
(°C
-1
) γ
AP
(°C
-1
) γ
REC
(°C
-1
) γ
TAB
(°C
-1
) %E















_________________________________________________________________________ 151
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 05 Capacidade térmica

Objetivo
• Determinar a capacidade calorífica do calorímetro

Fundamento teórico

Equivalente em água de um corpo é a massa de água que, se substituísse o corpo,
sofreria a mesma variação de temperatura que o corpo ao receber ou ceder a mesma
quantidade de calor.
Suponhamos que um amostra A de massa m
A
de uma substância de calor específico
c
A
, aquecida a uma temperatura T
o
, é mergulhada dentro de uma massa m de água, de calor
específico c, contida num recipiente de paredes adiabáticas e de capacidade térmica C. a
água e o recipiente estão inicialmente à temperatura T
1
<T
o
. Após estabelecer-se o
equilíbrio térmico, o sistema atinge a temperatura T
F
. Como as paredes adiabáticas não
permitem trocas de calor com o exterior, a quantidade de calor Q
A
perdida pela amostra é
inteiramente cedida à água (Q
1
) e ao recipiente (Q
2
).
) T T ( c m Q
F o A A A
− =
) T T ( mc Q
1 F 1
− =
) T T ( C Q
1 F 2
− =
) T T ( C ) T T ( mc ) T T ( c m
1 F 1 F F o A A
− + − = −
Como a capacidade térmica do corpo é igual à massa da água, e é chamada de equivalente
em água do corpo, representado por E do exposto tem-se que:
) T T (
) T T ( mc ) T T ( c m
E
1 F
1 F F A A A

− − −
=
Calorímetro – qualquer dispositivo destinado a medir quantidade de calor

Trabalho experimental

- Introduzir no vaso do calorímetro uma certa massa (m
1
) de água a temperatura (T
o
)
abaixo da ambiente. Após equilíbrio lê-se a temperatura inicial do calorímetro (T
1
)
_________________________________________________________________________ 152
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- A seguir, outra quantidade de água de massa m2>m1 é introduzida rapidamente no
calorímetro a uma temperatura (T
2
) acima da temperatura ambiente.
- Estabelecido o equilíbrio térmico lê-se a nova temperatura de equilíbrio térmico (T
3
)
- Repetir o procedimento várias vezes, calculando o valor médio da capacidade calorífica
do calorímetro:
) T T ( c m Q
3 2 2 C
− =
) T T ( E ) T T ( c m Q
1 3 1 3 1 R
− + − =
R C
Q Q =
) T T ( E ) T T ( c m ) T T ( c m
1 3 1 3 1 3 2 2
− + − = −
) T T (
) T T ( c m ) T T ( c m
E
1 3
1 3 1 3 2 2

− − −
= , com c= 1 cal/g.°C
) T T (
) T T ( m ) T T ( m
E
1 3
1 3 1 3 2 2

− − −
=
- Completar a tabela
m
1
(g) m
2
(g) T
1
(°C) T
2
(°C) T
3
(°C) E (cal/°C)




- Determinar o equivalente e água do calorímetro por: c m E
C
=














_________________________________________________________________________ 153
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 06 Calor específico

Objetivos
• Observar o fenômeno de troca de calor
• Determinar o calor específico de um sólido
• Determinar o calor específico de um líquido

Fundamento teórico

A quantidade de calor necessária para elevar de 1 °C a temperatura de 1 g de uma
substância.
Representado por c é medido em cal/g.°C. varia geralmente com a temperatura
assim, no intervalo entre 0 °C e 1 °C o calor específico da água é 1,008 cal/g.°C. Na
prática tal variação de temperatura é desprezada.
Para que o calor específico esteja bem definido, é preciso especificar ainda em que
condição ocorre a variação de temperatura. Se a pressão é mantida constante, obtém-se um
valor diferente daquele que se obtém quando é mantido constante o volume da substância.
O calor específico a pressão constante (c
P
) e a volume constante (c
V
), são chamados
principais. Para os sólidos e líquidos é pequena a diferença entre c
P
e c
V
. Geralmente o
calor específico é medido a pressão atmosférica, ou seja, trata-se de c
P
.
Calcula-se o calor específico de um corpo pela razão entre a quantidade de calor
(Q) e o produto massa do corpo (m), variação de temperatura (∆T):
T m
Q
c

=
Um dos métodos mais simples para se determinar calor específico é o das misturas,
baseado no princípio do equilíbrio térmico:
R C
Q Q =
para ) T T ( c m Q
E C C C C
− = e ) T T ( E ) T T ( mc Q
0 E 0 E R
− + − =




_________________________________________________________________________ 154
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

Calor específico de sólidos

- Determinar a massa da cuba calorimétrica (m
o
)
- Calcular a capacidade térmica da cuba calorimétrica: 217 , 0 m E
C
=
- Medir na proveta certo volume de água e achar a massa correspondente (m
1
)
- Colocar a água no calorímetro e após o equilíbrio térmico determinar a temperatura
inicial (T
o
)
- Determinar a temperatura do corpo de prova que está em banho Maria no ebulidor (T
C
)
- Transferir rapidamente o corpo de prova para o calorímetro com água, aguardar o
equilíbrio térmico e medir a temperatura (T
E
)
- Determinar a massa do corpo de prova (m
2
)
- Determinar o calor específico
R C
Q Q =
para
) T T ( c m Q
E C 2 2 C
− = e
) T T ( E ) T T ( c m Q
0 E 0 E 1 1 R
− + − =
teremos
) T T ( E ) T T ( c m ) T T ( c m
0 E 0 E 1 1 E C 2 2
− + − = − , com c
1
= 1 cal/g°C
) T T ( m
) T T ( E ) T T ( m
c
E C 2
0 E 0 E 1
2

− + −
=
- Completar a tabela
material m
0

(g)
m
1

(g)
m
2

(g)
E
(cal/°C)
T
0

(°C)
T
C

(°C)
T
E

(°C)
Q
C

(cal)
Q
R

(cal)
c
C

(cal/g°C)
c
T

(cal/g°C)
%E









_________________________________________________________________________ 155
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Calor específico de líquidos

- Determinar a massa da cuba calorimétrica (m
o
) e calcular a capacidade térmica da cuba
calorimétrica: 217 , 0 m E
C
=
- Colocar uma massa do líquido problema (m
L
) no calorímetro a uma temperatura inferior
à ambiente determinando seu valor quando do equilíbrio térmico (T
o
)
- Aquecer um corpo de prova de calor específico conhecido (c
C
), determinando sua
temperatura (T
C
) no momento de transferi-lo ao calorímetro
- Aguardar o equilíbrio térmico e medir a temperatura (T
E
)
- Medir a massa do corpo de prova (m
C
)
- Calcular o calor específico do líquido
R C
Q Q =
para
) T T ( c m Q
E C C C C
− = e
) T T ( E ) T T ( c m Q
0 E 0 E L L R
− + − =
teremos
) T T ( E ) T T ( c m ) T T ( c m
0 E 0 E L L E C C C
− + − = − , com c
1
= 1 cal/g°C
) T T ( m
) T T ( E ) T T ( c m
c
0 E L
0 E E C C C
L

− − −
=
- Completar a tabela
Material m
L

(g)
m
C

(g)
E
(cal/°C)
T
0

(°C)
T
C

(°C)
T
E

(°C)
Q
C

(cal)
Q
R

(cal)
c
C

(cal/g°C)
c
L

(cal/g°C)
c
T

(cal/g°C)
%E













_________________________________________________________________________ 156
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva




















_________________________________________________________________________ 157
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 07 Condução térmica

Objetivo
• Determinar o coeficiente de condutividade térmica

Fundamento teórico

A transferência de calor de um ponto a outro de um meio se dá através de três
processos diferentes: convecção, radiação e condução.
A convecção ocorre tipicamente num fluido, e se caracteriza pelo fato de que o
calor é transferido pelo movimento do próprio fluido, que constitui uma corrente de
convecção. O efeito gravitacional gera naturalmente correntes de convecção, mas elas
podem se produzidas artificialmente, com o auxílio de bombas ou ventiladores. Os ventos,
as correntes marinhas, a circulação de água quente num sistema de aquecimento central são
exemplos de correntes de convecção.
A radiação transfere calor de um ponto a outro através de radiação eletromagnética,
que como a luz visível, propaga-se mesmo através do vácuo. A radiação térmica é emitida
por um corpo aquecido, e ao ser absorvida por outro corpo, pode aquece-lo, convertendo-se
em calor. A radiação solar, é uma forma de radiação térmica emitida por uma fonte (o sol)
a temperatura muito elevada.
A condução só pode ocorrer através de um meio material, sem que haja movimento
do próprio meio; ocorre tanto em fluidos como em sólidos, sob o efeito de diferenças de
temperatura.
Todas as leis básicas da condução de calor podem ser ilustradas neste exemplo familiar
i. O calor flui sempre de um ponto 1 a temperatura mais alta para um ponto 2 a
temperatura mais baixa. A quantidade de calor ∆Q transportada durante um
intervalo de tempo ∆T é;
ii. Proporcional à diferença de temperatura ∆T = T
2
–T
1

iii. É inversamente proporcional à espessura ∆x da chapa metálica. Combinando b e c
vemos que ∆Q é proporcional a ∆T/∆x, que é chamado gradiente de temperatura;
iv. Proporcional à área A através da qual o calor está fluindo
v. Proporcional ao intervalo de tempo ∆t
_________________________________________________________________________ 158
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Juntando estes resultados, vemos que ∆Q é proporcional a
|
.
|

\
|


⋅ ∆ ⋅
x
T
t A , ou seja, para
a condução de calor através de uma espessura infinitésima dx de um meio durante um
tempo dt:
dx
dt
kA
dt
dQ
− = , onde k é uma constante de proporcionalidade característica do
meio condutor, que se chama de condutividade térmica do material (k>0). O sinal (-)
exprime o fato de que o calor flui de temperaturas mais altas para temperaturas mais
baixas; assim se o gradiente de temperatura dT/dx é negativo, a corrente térmica dQ/dt é
positiva. Quanto maior a condutividade térmica k, melhor condutora de calor é a
substância, ou seja, maior a corrente térmica por unidade de área para um dado gradiente
de temperatura. Se medirmos dQ/dt em kcal/s, A em m
2
e dT/dx em °C/m as unidades de k
são kcal/s.m.°C, e valores típicos para alguns materiais são:
Cobre 9,2x10
-2
(kcal/s.m.°C) Vidro 2,0x10
-4
(kcal/s.m.°C)
Água 1,3x10
-4
(kcal/s.m.°C) Flanela 2,0x10
-5
(kcal/s.m.°C)
Madeira 2,0x10
-5
(kcal/s.m.°C) Ar 5,7x10
-6
(kcal/s.m.°C)


Trabalho experimental

- Determinar o comprimento da barra (L)
- Determinar a área de secção (
2
r S π = )
- Determinar o equivalente em água (capacidade calorífica) do calorímetro
) T T (
) T T ( m ) T T ( m
E
1 E
1 E 1 E 2 2

− − −
=
- Aquecer uma quantidade de água (± 500 ml) e colocar no calorímetro de modo que a
barra fique imersa uns 5 mm. (fonte quente)
- Colocar uma mistura de gelo + água no outro calorímetro (fonte fria)
- Aguardar 2 min e determinar a temperatura inicial T
0
correspondente a 0 °C.
- Determinar o tempo para uma variação de 3 °C.
- Agitar continuamente a água contida na fonte quente
- Após tomados os dados determinar a massa de água contida na fonte quente (M
A
)
- Calcular a capacidade térmica C do sistema por:
A
M E C + =
- Calcular o coeficiente de condutividade térmica k pela lei de Fourier:
_________________________________________________________________________ 159
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
CL
kSt
T T
T T
ln
0 1
0
− =



- Completar a tabela
L
(cm)
S
(cm
3
)
E
(cal/g)
M
A
(g)
C
(cal/g°C)
T
(°C)
t
(S)
k
(cal/cms°C)
k
T

(cal/cms°C)
%E






























_________________________________________________________________________ 160
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva




















_________________________________________________________________________ 161
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 08 Calor latente de fusão

Objetivos
• Observar o fenômeno da fusão
• Determinar o calor latente de fusão do gelo

Fundamento teórico

Durante uma transição de fase como a vaporização ou a fusão, a pressão e a
temperatura permanecem constantes até que toda a massa m da substância se tenha
vaporizado ou fundido.
Se T é a temperatura de transição (ponto de ebulição ou de fusão) à pressão
considerada, a transição pode ser efetuada como um processo isotérmico reversível, em
que o calor é transferido por um reservatório térmico à temperatura T, assim:


= ′ = − = ∆
L
0
R
R o F
T
Q
Q d
T
1
S S S
O calor latente L é a quantidade de calor por unidade de massa necessário para
efetuar a transição. Logo, paa uma massa m, temos: mL Q
R
= ∆ e assim
T
mL
S = ∆ .
Por exemplo, o calor latente de fusão do gelo à pressão de 1 atm (temperatura de
fusão 0 °C) é 79,6 cal.g
-1
, de modo que a fusão de 1 kg de gelo produz uma variação de
entropia.
1 1 1
3
GELO
ÁGUA
K . J 220 , 1 K . cal 292 K . cal
273
10 6 , 79
S S S
− − −
≈ ≅
×
= − = ∆

Trabalho experimental

- Determinar a massa da cuba calorimétrica (M
C
)
- Calcular a capacidade térmica da cuba: 217 , 0 M C
C
⋅ =
- Colocar na cuba certo volume de água aquecida (V
A
= M
A
)
- Medir a temperatura da água do calorímetro (θ
A
)
- Colocar no calorímetro certa massa de gelo moído (M
G
)
_________________________________________________________________________ 162
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Aguardar o equilíbrio térmico e medir a respectiva temperatura (θ
E
)
- Esquema das trocas de calor

∑ = 0 Q ou 0 Q Q Q Q
4 3 2 1
= + + + onde
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
θ − θ =
θ − θ =
θ − θ =
=
) ( c M Q
) ( C Q
) ( c M Q
L M Q
E A 4
E 3
G E G 2
G G 1

- Completar a tabela
M
C

(g)
M
A

(g)
M
G

(g)
C
(cal/°C)
θ
A

(°C)
θ
G

(°C)
θ
E

(°C)
L
G

(cal/g)
L
T

(cal/g)
%E




















_________________________________________________________________________ 163
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 09 Calor latente de vaporização

Objetivos
• Observar o fenômeno da vaporização
• Determinar o calor latente de vaporização

Fundamento teórico

Para vaporizar 1 g de água, é preciso fornecer-lhe uma quantidade de calor L
chamada de calor latente de vaporização.
Para a agu a P = 1 atm e T = 100 °C, tem-se L = 539 cal/g. Na caldeira de uma
máquina a vapor, em geral, a pressão e a temperatura são bem mais elevadas. Se o sistema
consiste em m g de água, temos portanto por definição:
V
mL Q =
A variação de energia interna necessária para levar o sistema do estado líquido ao
de vapor pode ser interpretada, do ponto de vista microscópico, como a energia necessária
para romper as forças de atração entre as moléculas de água no líquido.

Trabalho experimental

- Determinar a massa da cuba calorimétrica (M
C
)
- Calcular a capacidade térmica da cuba: 217 , 0 M C
C
⋅ =
- Colocar na cuba certo volume de água aquecida (V
A
= M
A
)
- Medir a temperatura da água do calorímetro (θ
A
)
- Transferir vapor d’água para o calorímetro, durante aproximadamente 1 minuto
- Medir a temperatura do vapor d’água (θ
V
)
- Aguardar o equilíbrio térmico e medir a respectiva temperatura (θ
E
)
- Medir a massa de vapor transferida para o calorímetro (M
V
)
) M M ( M M
C A F V
+ − = ou
A F V
M M M − =
- esquema das trocas de calor
_________________________________________________________________________ 164
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva

∑ = 0 Q ou 0 Q Q Q Q
4 3 2 1
= + + + onde
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
θ − θ =
θ − θ =
θ − θ =
=
) ( c M Q
) ( C Q
) ( c M Q
L M Q
A E A 4
A E 3
E V V 2
V V 1

- Completar a tabela
M
C

(g)
M
A

(g)
M
V

(g)
C
(cal/°C)
θ
A

(°C)
θ
V

(°C)
θ
E

(°C)
L
V

(cal/g)
L
T

(cal/g)
%E






















_________________________________________________________________________ 165
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 10 Lei de Boyle Mariotte

Objetivo
• Verificar experimentalmente a lei de Boyle Mariotte

Fundamento teórico

Em 1662, o físico inglês Robert Boyle publicou o livro “A mola do ar”, contendo
uma nova lei relativa a elasticidade do ar, ou seja, relacionando sua pressão com seu
volume. A experiência realizada por Boyle para obter a sua lei, ilustrada na figura, foi
usando um tubo manométrico em U aberto numa extremidade a pressão atmosférica P
o
e
fechado na outra, onde a coluna de mercúrio aprisiona um volume V de ar.

A pressão P exercida sobre o volume V é: gh P P
o
u + = , onde h é o desnível entre
os dois ramos do tubo e u a densidade do mercúrio.
A experiência era realizada a uma temperatura T constante (temperatura ambiente),
com uma quantidade fixa de gás (ar) aprisionado. A pressão P podia ser variada
despejando mais mercúrio no ramo aberto. O resultado foi que, nessas condições, o volume
V era inversamente proporcional a P
P
k
V = ou k PV =
esta é a lei de Boyle – o volume de uma dada quantidade de gás, a temperatura, varia
inversamente com a pressão.
_________________________________________________________________________ 166
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
A constante k, depende da temperatura e da quantidade de gás. No plano (P,V), a
equação acima, representa uma isoterma, é a equação de uma hipérbole

A lei de Boyle foi descoberta independentemente por Mariotte em 1776.

Trabalho experimental

- Determinar a pressão atmosférica e corrigir em função da temperatura por:
| | T ) ( 1 H P
o
α − β + = onde α = 18 x 10
-5
°C
-1
e β = 18,7 x 10
-6
°C
-1

- Fechar no aparelho um volume inicial de ar à pressão atmosférica
- Marcar a referência na coluna de mercúrio para P
o
e tomar a altura H
N

- Fazer variar o volume para menos de V
o
aumentando a pressão
- Calcular a pressão e o volume para cada variação por:
H P P
o
∆ + = , onde H H H
N
− = ∆ e V V V
o
∆ − =
- Calcular os produtos PV
- Completar a tabela
P
o

(cm de Hg)
H
N

(cm de Hg)
H
(cm de Hg)
∆H
(cm de Hg)
P
(cm de Hg)
V
O

(cm
3
)
∆V
(cm
3
)
V
(cm
3
)
PV






- Construir o gráfico P = f(V) e verificar a isoterma



_________________________________________________________________________ 167
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 11 Lei de Charles – primeira lei de Gay-Lussac

Objetivos
• Verificar experimentalmente a lei de Charles
• Determinar o coeficiente de dilatação dos gases

Fundamento teórico

Seja V
θ
o volume do gás à temperatura θ na escala Celsius e V
o
o volume
correspondente a 0 °C, ambos à pressão de 1 atm. Temos então pela definição de β que:
βθ =

=

θ
o
o
o
V
V V
V
V
para P = 1 atm
Em 1787, o físico francês Jacques Charles observou que todos os gases têm
aproximadamente o mesmo coeficiente de dilatação volumétrica,
273
1
≈ β . Isto foi
verificado experimentalmente com maior precisão em 1802 por Joseph Louis Gay-Lussac.
O valor atualmente aceito é
1 o
C
15 , 273
1

= β
Substituindo na primeira equação:
) 1 ( V V
o
βθ + =
θ

) 15 , 273 (
15 . 273
V
V
o
+ θ =
θ

com 15 , 273 T + θ = e C 0 15 , 273 T
o
o
≅ =
o o o o
T
T
V
V
) T ( V
) T ( V
= = para P = P
o
= constante
que é a lei de Charles: à pressão constante, o volume de um gás é diretamente proporcional
à temperatura absoluta.




_________________________________________________________________________ 168
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
Trabalho experimental

- Medir a altura H que vai do índice de Hg até o gargalo do frasco
- Calcular o volume de ar pela fórmula: H r V V
2
BALÃO AR
π + =
- Medir a temperatura inicial θ
o

- Aquecer o sistema e a cada 5 °C de variação na temperatura anotar a variação ∆H do
índice de Hg.
- Calcular os acréscimos de volume de ar por: H r V
2
AR
∆ π = ∆
- Calcular o volume total de ar por:
AR AR
V V V ∆ + =
- Calcular a constante k pela lei de Charles:
Kelvin
T
T
V
k =
- Calcular o volume a 0 °C por:
0 0
kT V = onde K 273 T
0
=
- Calcular o volume a 100 °C por:
100 100
kT V = onde K 373 T
100
=
- Calcular o coeficiente de dilatação do gás por:
θ ∆

= β
o
V
V
onde
0 100
T T − = θ ∆
- Completar a tabela
H
o

(cm)
∆H
(cm)
V
AR

(cm
3
)
∆V
AR

(cm
3
)
V
AR

(cm
3
)
θ
o

(°C)
θ
(°C)
T
(K)
k





- Construir o gráfico V = f(T)










_________________________________________________________________________ 169
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
IX – 12 Lei de Gay-Lussac - segunda lei

Objetivo
• Determinar o coeficiente de dilatação cúbica

Fundamento teórico

Diz respeito às transformações isocóricas ou isométricas de um gás perfeito, isto é,
aquelas que se processam a volume constante.
Suponha uma dada massa de gás à temperatura T e sob pressão P, contida num
recipiente rígido de volume V.
Aumentando a temperatura da massa gasosa para T’, a pressão também aumentará
passando a P’(devido à maior agitação das moléculas do gás), enquanto que o volume V
permanecerá constante, pois o recipiente é rígido.
Estes fatos são regidos pela segunda lei de Gasy-Lussac, cujo enunciado é: “em
uma transformação isocórica (volume constante), a pressão de uma dada massa de gás é
proporcional à temperatura”
T P γ = ou γ =


=
T
P
T
P

a constante depende da massa e da natureza do gás, do volume e das unidades usadas.

Trabalho experimental

- Fazer a leitura da pressão e corrigi-la em função da temperatura:
| | T ) ( 1 H P
A
α − β + = onde α = 18 x 10
–5
°C
-1
β = 18,7 x 10
–6
°C
-11

- Tomar um referencial H
o

- A cada 5 °C retornar ao valor inicial e marcar os desníveis H
N
e as temperaturas T
N

- Determinar a pressão inicial por:
A o o
P H P + =
- Determinar as pressões subseqüentes por:
A N N
P H P + =
- Determinar o coeficiente de dilatação cúbica por:
) T T ( P
P P
o N o
o N


= γ
_________________________________________________________________________ 170
Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva
- Completar a tabela
P
o

(cmdeHg)
H
o

(cmdeHg)
H
N

(cmdeHg)
P
N

(cmdeHg)
T
(°C)
T
(°C)
T
(K)
γ





- Construir o gráfico P = f(T)


















Apresentação
Dentro do quadro atual de desenvolvimento Científico e Tecnológico de nosso país cada vez mais ganha ênfase a necessidade de formação de mão de obra com capacidade de adaptação às crescentes evoluções tecnológicas, que pressupõe em relação à Ciência e a Tecnologia a interrelação entre teoria a prática experimental. Atualmente no Brasil as características do Ensino de Física são ainda bastante tradicionais, apresentando como um dos principais reflexos o pequeno número e até mesmo raras, obras bibliográficas onde os conhecimentos da Física sejam tratados pela utilização de recursos e procedimentos experimentais. Na tentativa de elaborar instrumentos que permitam cristalizar estas novas expectativas da Sociedade com relação à contribuição possíveis da Física é que desenvolvemos o Projeto intitulado: Produção de Material Bibliográfico: Física Geral Experimental. O Projeto Produção de Material Bibliográfico: Física Geral Experimental tem como objetivo principal a melhoria do Ensino de Física para os cursos das diversas Áreas em nossa instituição, através da difusão de conhecimentos e metodologias da Física, de modo a realizar-se um Ensino compatível com as exigências atuais, levando o aluno a assimilar o Conhecimento Científico, tornando a Aprendizagem significativa e motivadora e por conseqüência refletindo em sua formação intelectual e social. Devemos ainda considerar que o material bibliográfico resultante que agora apresentamos constitui-se em elemento de: i. Geração de Conhecimento Científico - constitui excepcional instrumento de apoio à formação de recursos humanos que desenvolvam ou venham a desenvolver projetos de pesquisa com base em metodologias que possibilitam a qualificação de profissionais capazes de conhecer e dominar as aplicações da Física às mais diversas Äreas de modo integrado.

I

processos. à pesquisa e ao desenvolvimento de métodos. possibilitando a geração de competência nessa área. bem como da geração de novas técnicas. em âmbito intra ou interinstitucional. Neste sentido. iii. II . por meio de atividades interdisciplinares. que possibilitem a compreensão de fenômenos da Física. Dessa forma a ação proposta deve ser entendida como consolidadora da competência Científica e Tecnológica necessária para o desenvolvimento de um instrumental agregador dos produtos e demandas geradas por essas e outras ações setoriais. a filosofia deste Projeto pressupõe trabalhos multidisciplinares que. técnicas e produtos para a plena utilização das aplicações da Física existentes. possam alcançar competência e total integração no trato dos assuntos relacionados à aplicação da Física às Ciências Biológicas e da Saúde. que visem a obtenção de soluções para problemas já identificados.ii. Desenvolvimento de Tecnologia – instrumento de apoio ao desenvolvimento de projetos interdisciplinares de pesquisa. Apoio ao estudo.

............... 46 IV – Movimento bidimensional ............................................................................................................. 12 04 Barômetro ...........................Movimento unidimensional ................................................................... 25 01 Sistema de forças ................................................................................. 5 02 Palmer ..................... 23 Aparelho para o estudo das forças centrais ..................................................................................................................................................................................... 53 02 Lançamento oblíquo ................................................ 27 02 Momento de uma força em relação a um ponto (torque) ....................................... 39 Aparelho destinado a comparar o movimento dos corpos em diferentes trajetórias ......................................................Sumário I – Instrumentos de medidas .......... 49 Aparelho para ilustrar a trajetória de um projétil ........... 41 01 Movimento retilíneo uniformemente variado ............................................................... 36 III .......................................................... 3 01 Paquímetro ..................................... 55 III ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 16 II – Mecânica dos sólidos ........................................................................................................................ 34 04 Equilíbrio de um corpo ............................................... 1 Barômetro de quadrante ................................................................................................................ 51 01 Lançamento horizontal ..................................................... 43 02 Queda livre ................. 9 03 Esferômetro ........................................................ 31 03 Equilíbrio de uma partícula no plano ...........

............................................. 119 02 Tensão superficial ................ 97 01 Lei de Hooke ......... 69 05 Momento de inércia .......................................................................................................................................................................................................................................................................................... 111 VIII – Mecânica dos fluidos ................................................................................. 107 05 Módulo de cisalhamento – balança de torção ............................................................................................................................................................ 109 06 Módulo de rigidez ....... 80 VI – Movimento oscilatório ........................................................... 101 03 Flexão ................................................................................................................................... 64 03 Conservação de energia .......................................................................................................................... 85 01 Movimento harmônico simples .............................................................................................. 59 01 Leis de Newton ............. 123 03 Viscosidade – método de Poiseuille .......................... 92 VII – Elasticidade .............................................................................................................................................................................................................................................................V – Dinâmica ........................................................................................................................................................... 89 03 Pêndulo composto ......................... 125 04 Viscosidade – método de Newton ... 95 Balança romana com peso cursor ......... 129 IV ................................................................................................................ 67 04 Colisões ..................................................................... 57 Máquina de Atwood ................... 76 07 Máquina de Atwood .................................... 61 02 Momento linear ......................................................................................................................... 83 Pêndula ........................................................................................................................... 103 04 Torção .............................................. 72 06 Atrito ......................................................... 87 02 Pêndulo simples ....... 127 05 Equação de Bernoulli .................................................................................................................... 115 Aparelho de vasos comunicantes ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 99 02 Módulo de Young .......................... 117 01 Massa específica ...........

IX – Termologia ....................................................................................................... 133
Pirômetro de Nollet ........................................................................................... 135 01 Termômetros – termopar .............................................................................. 137 02 Termômetro a gás ......................................................................................... 143 03 Dilatação de sólidos ..................................................................................... 147 04 Dilatação de líquidos .................................................................................... 149 05 Capacidade térmica ...................................................................................... 151 06 Calor específico ............................................................................................ 153 07 Condução térmica ........................................................................................ 157 08 Calor latente de fusão ................................................................................... 161 09 Calor latente de vaporização ........................................................................ 163 10 Lei de Boyle Mariotte .................................................................................. 165 11 Lei de Charles - primeira lei de Gay-Lussac ................................................ 167 12 Lei de Gay-Lussac - segunda lei .................................................................. 169

V

VI

I
INSTRUMENTOS DE MEDIDAS

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 2 .

fis. Para manter sob tensão o fio que atua sobre o ponteiro. A sua extremidade superior é aberta. O segundo tubo. Obtém-se assim alguma informação. B. embora imprecisa. é constituído por um reservatório de mercúrio que comunica com dois tubos cilíndricos de vidro.pt/museu/index. fazendo-o mover sempre que o nível de mercúrio sobe ou desce. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. encontrando-se envolvido por três varas de madeira enroladas helicoidalmente. Numa segunda roda montada neste eixo está enrolado outro fio que atua sobre o ponteiro do instrumento.uc. acerca da pressão atmosférica. Um dos tubos tem cerca de 80 cm de altura. encontra-se no interior da caixa do aparelho. encontram-se suspensos das suas extremidades dois pequenos pesos de latão.htm . construído em Lisboa por J. Este cilindro está suspenso por um fio enrolado numa pequena roda solidária com um eixo horizontal. Haas. podendo mover-se no seu interior um pequeno cilindro de vidro como se tratasse de um êmbolo.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 3 Barômetro de quadrante Este barômetro de quadrante. com cerca de 7 cm.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 4 .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 5

I - 01 Paquímetro
Objetivos
• • • Familiarização com o uso do aparelho Determinação da sensibilidade do aparelho Medidas comparativas

Fundamento teórico
O paquímetro é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas, externas e de profundidade de uma peça. Consiste em uma régua graduada, com encosto fixo, sobre a qual desliza um cursor.

Elementos de um paquímetro:

1 orelha fixa 2 orelha móvel 3 nônio ou vernier (polegada) 4 parafuso de trava 5 cursor 6 escala fixa de polegadas 7 bico fixo

8 encosto fixo 9 encosto móvel 10 bico móvel 11 nônio ou vernier (milímetro) 12 impulsor 13 escala fixa de milímetros 14 haste de profundidade

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 6

Características:
O cursor ajusta-se à régua e permite sua livre movimentação, com um mínimo de folga. Ele é dotado de uma escala auxiliar, chamada nônio ou vernier. Essa escala permite a leitura de frações da menor divisão da escala fixa. O paquímetro é usado quando a quantidade de peças que se quer medir é pequena. Os instrumentos mais utilizados apresentam uma resolução de: 0,05 mm, 0,02 mm, 1/128" ou 0,001". As superfícies do paquímetro são planas e polidas, e o instrumento geralmente é feito de aço inoxidável. Suas graduações são calibradas a 20ºC.

Tipos:
Há vários tipos de paquímetros para possibilitar medidas em peças de características diferentes. Alguns exemplos são: Paquímetro universal: é utilizado em medições internas, externas, de profundidade e de ressaltos. Trata-se do tipo mais usado. Paquímetro universal com relógio: agilizando a medição. Paquímetro com bico móvel (basculante): empregado para medir peças cônicas ou peças com rebaixos de diâmetros diferentes. Paquímetro de profundidade: serve para medir a profundidade de furos não vazados, rasgos, rebaixos etc. Esse tipo de paquímetro pode apresentar haste simples ou haste com gancho. Paquímetro duplo: serve para medir dentes de engrenagens. Paquímetro digital: utilizado para leitura rápida, livre de erro de paralaxe, e ideal para controle estatístico. O relógio acoplado ao cursor facilita a leitura,

Nônio:
O nônio é a parte do paquímetro cuja finalidade é proporcionar uma medida com uma resolução menor (mais precisa) do que a feita somente com a escala fixa. A escala do

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 7

cursor é chamada de nônio ou vernier, em homenagem ao português Pedro Nunes e ao francês Pierre Vernier, considerados seus inventores. O nônio possui uma escala com n divisões para X mm da escala fixa. No caso da figura ao lado, o nônio está dividido em 10 partes iguais para 9 mm. Cada divisão do nônio possui 9/10 mm, portanto o 1º traço do nônio está a 1/10 mm do próximo traço na escala fixa (comprimento esse que é a resolução do paquímetro), o 2º traço do nônio está a 2/10 mm do seu próximo traço na escala fixa e assim sucessivamente.

Cálculo de resolução:
A resolução de um paquímetro é a distância compreendida entre a 1ª subdivisão do nônio e a subdivisão subseqüente na escala fixa. Se o nônio mede X mm, e é dividido em n partes iguais, o comprimento compreendido entre duas subdivisões consecutivas do nônio é X/n. Este valor tem o seguinte formato em notação decimal: I,D. I representa a parte inteira do número decimal e D representa a parte fracionária. Por exemplo: X=39 mm e n = 20, X/n = 1,95. I=1. Resolução = (I+1)-X/n Exemplos: Nônio de 9 mm com 10 divisões X/n = 0,9 Resolução = 1 – 0,9 = 0,1 mm Nônio de 39 mm com 20 divisões X/n = 1,95 Resolução = 2 - 1,95 = 0,05 mm Nônio de 49 mm com 50 divisões X/n = 0,98 Resolução = 1 - 0,98 = 0,02 mm

Leia na escala fixa o número de milímetros inteiros (à esquerda do zero do nônio). .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 8 Procedimento experimental: Leitura da medida: Posicione o bico móvel de forma tal que a peça a ser medida se adapte com folga entre os bicos fixo e móvel (medida externa) ou entre as orelhas (medida interna) ou entre a haste de profundidade e a escala fixa (medida de profundidade). Mova as partes móveis com o polegar atuando no impulsor até que a parte móvel (bico. Leia a parte fracionária da medida observando qual traço do nônio coincide com algum traço da escala fixa e calcule o valor da fração multiplicando o número desse traço pela resolução. orelha ou haste) encoste suavemente na peça.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 9 I . O micrômetro é um instrumento de medição de medidas lineares utilizado quanto a medição requer uma precisão acima da possibilitada com um paquímetro e é fabricado com resolução entre 0. o micrômetro é denominado Palmer. contém uma porca fixa na qual se desloca um parafuso micrométrico. . É formado por uma peça em forma de “U” ou “estribo”. normalmente dividida em 50 ou 100 partes. em homenagem ao seu inventor.02 Palmer Objetivos • • • • • Familiarização com o uso do aparelho Determinação da sensibilidade do aparelho Medidas comparativas Construção de gráficos Ajuste de curvas Fundamento Teórico A – Introdução: De modo geral. Na França. entretanto.001mm. o instrumento é conhecido como micrômetro.01 mm e 0. É um instrumento de precisão que consta de um parafuso micrométrico capaz de se mover ao longo do próprio eixo. A cabeça do parafuso é constituída por um tambor (T).

de maneira simples. O Princípio de medição do micrômetro baseia-se no sistema porca-parafuso. apresentou. B – Estudo do aparelho: . o micrômetro foi aperfeiçoado e possibilitou medições mais rigorosas e exatas do que o paquímetro. dá-se uma rotação completa ao parafuso . medir comprimentos menores que o passo. no qual.Efetuar a medida da espessura de uma folha de caderno = ___________ . o instrumento para requerer sua patente. Se fizermos n divisões iguais na "cabeça" do parafuso. poderemos. ao provocarmos uma rotação menor que uma volta. para isso.Verificar qual o valor de cada uma das divisões da escala principal .Determinar a natureza do aparelho (N): N = uma divisão do tambor . Com o decorrer do tempo. baseados nas divisões feitas. portanto. o qual permitia a leitura de centésimos de milímetro. pela primeira vez. saber Qual a fração de uma volta que foi dada e. onde N corresponde a cada rotação de n Trabalho experimental: . o parafuso avança ou retrocede na porca na medida em que o parafuso é girado em um sentido ou noutro em relação à porca.Determinar o passo do palmer (p).Leitura: L = L 0 + i × N p .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 10 Foi inventado por Jean Louis Palmer que.Determinar o número de divisões do tambor (n) . portanto menor que o passo do parafuso.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 11

- Efetuar a medida da espessura de grupos de 3 folhas num total de dez medidas completando a tabela abaixo: número de folhas espessura número de folhas espessura

- Com os dados tabelados construir o gráfico: n° de folhas = f (espessura)

Ajuste de curvas
Método dos mínimos quadrados: Consiste em obter a equação da reta y = ax + b pela determinação de “a” (coeficiente angular) e de “b” (coeficiente linear) a partir da resolução do sistema:
∑y

= bN + a ∑ x
2

∑ ( x × y) = b∑ x + a ∑ x

onde N é número de medidas com os dados tabelados (acima) utilizar o método dos mínimos quadrados e proceder o ajuste da curva: N ___________ Σ y ___________ Σ x ___________ Σ ( x × y ) ___________ Σ x2 ___________ a = _________ como: y = ax + b y = ____ x + ____ - A partir da equação obtida traçar a reta no gráfico b = ___________

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 12

I - 03 Esferômetro
Objetivos
• • • Manuseio do aparelho Determinação da sensibilidade do aparelho Determinação do raio de curvatura de uma esfera

Fundamento teórico
Descrição do aparelho
O esferômetro é uma outra aplicação do parafuso micrométrico. A porca do parafuso micrométrico (P) é a parte central do tripé rígido, cujas pontas P1, P2 e P3 são os vértices de um triângulo eqüilátero de lado L = P1P2 = P2 P3 = P3 P1 e cujo eixo é perpendicular ao plano definido pelas pontas. A ponta do parafuso micrométrico (P), projeta-se no centro do triângulo.

Ligado ao parafuso e, perpendicular a ele, existe um disco (D), dividido em partes iguais (geralmente 100 ou 500) cujo bordo quase toca numa escala metálica (E), dividida em unidades de comprimento (0,5 ou 1,0 mm).

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 13

A escala retilínea ou principal (E) serve simultaneamente para a avaliação do número de voltas que dá o parafuso e do índice para a graduação do disco (D), onde se lêem as frações de volta. Para a aferição do instrumento, colocá-lo sobre uma placa de vidro, perfeitamente plana e bem polida. O nível da face superior do disco (D) deverá indicar "0" na escala (E) e o "0" do disco deve defrontar o "0" da escala.

Trabalho experimental
Estudo do aparelho
- Verificar o valor de cada uma das divisões da escala principal. - Determinar o passo (p) do parafuso micrométrico, dando uma rotação completa no parafuso; verificar então de quantas divisões da escala principal E, subiu ou desceu o índice do disco D. - Verificar o número de divisões da escala principal (n) - Calcular a natureza N do esferômetro: N =

p , onde P é o passo do parafuso n

micrométrico e n é o número de divisões da escala circular. Leitura do aparelho Para ler a escala E, fazer com que o raio visual seja rasante à superfície da escala D. A leitura será dada por: f = f o + 1 ⋅ N , onde fo é o número de divisões da escala principal compreendido entre o zero e o limbo do disco (D), i é a divisão da escala circular que coincide com a “aresta” da escala retilínea E. Determinação do raio de curvatura de uma esfera, calota, lente ou espelho esférico Constitui-se na principal aplicação do esferômetro.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 14 Figura 2.A) determina sobre a superfície esférica uma calota de flecha f = PP’ (Figura 2. cuja base é uma circunferência de raio r.A Figura 2.B Figura 2. De acordo com um conhecido teorema de geometria. teremos: PB = P' P × PC PB = r onde P' P = f PC = 2 R − f daí r 2 = f ⋅ ( 2 R − f ) = 2 Rf − f 2 r2 + f 2 2F 2 e que resulta R = . na qual está inscrito o triângulo eqüilátero definido pelas pontas do tripé (Figura 2. O plano formado pelas três pontas (P1.B). P2 e P3) (Figura 2.C). Consideremos o triângulo retângulo P’BC.C Assentá-lo primeiramente sobre a superfície esférica cujo raio (R) pretende-se determinar.

girando o parafuso até sua ponta tocar levemente a superfície da calota. podemos exprimir seu lado L. Colocá-lo a seguir sobre a calota de raio de curvatura a determinar. e.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 15 sendo o triângulo P1P2P3 eqüilátero. Determinação de L Para medir L. . assume-se a “média” para a medida de L. em função de r L = r 3 ou r = portanto R = L 3 3 L2 + 3f 2 6f Determinação de f Assentar o esferômetro sobre uma lâmina de vidro perfeitamente polida e fazer a leitura do limbo (equivale a zerar o aparelho). assentar o esferômetro sobre cartolina e exercer sobre ele. Medem-se as distâncias entre as três pontas do triângulo. Trabalho prático Determinar o raio de curvatura (R) de uma lente. A diferença entre esse resultado e o anterior dá o valor procurado (f). pressão suficiente para que fiquem marcadas as três pontas do tripé.

Torricelli observou que. denominada pressão atmosférica. depende da altitude do local. Ele usou um tubo de aproximadamente 1. cheio de mercúrio (Hg) e com a extremidade tampada. em pé e com a boca tampada para baixo. portanto. colocou o tubo. . Essa pressão. o ar se torna cada vez mais rarefeito. após destampar o tubo. dentro de um recipiente que também continha mercúrio. pois à medida que nos afastamos da superfície do planeta. Evangelista Torricelli (1608-1647) Físico e matemático italiano que foi discípulo de Galileu O físico italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) realizou uma experiência para determinar a pressão atmosférica ao nível do mar.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 16 I .04 Barômetro Objetivo • Medir a pressão atmosférica ambiente Fundamento teórico Pressão Atmosférica e a Experiência de Torricelli A atmosfera terrestre é composta por vários gases.0 m de comprimento. Depois. o nível do mercúrio desceu e estabilizou-se na posição correspondente a 76 cm. que exercem uma pressão sobre a superfície da Terra. e. restando o vácuo na parte vazia do tubo. exercendo uma pressão cada vez menor.

dizemos que a pressão atmosférica ao nível do mar equivale à pressão de uma coluna de mercúrio de 76 cm. Na figura. temos no SI: p atm = 76 cm de Hg = 760 mm de Hg = 1. e a pressão no ponto B corresponde à pressão atmosférica ao nível do mar: p B = p A e p atm = p coluna de Hg Como a coluna de mercúrio que equilibra a pressão atmosférica é de 76 cm. Experimento realizado por Torricelli em 1643. Altitude (m) 0 200 400 600 800 1000 Pressão atmosférica (mmHg) 760 742 724 707 690 674 Altitude (m) 1200 1400 1600 1800 2000 3000 Pressão atmosférica (mmHg) 658 642 627 612 598 527 . Para qualquer outro ponto acima do nível do mar. a pressão atmosférica é menor. A pressão no ponto A corresponde à pressão da coluna de mercúrio dentro do tubo.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 17 Barômetro de mercúrio.01 × 105 Pa A maior pressão atmosférica é obtida ao nível do mar (altitude nula). Lembrando que a pressão de uma coluna de líquido é dada por µgh (g = 9. A tabela a seguir apresenta a variação da pressão atmosférica de acordo com a altitude.8 m/s2). as pressões nos pontos A e B são iguais (pontos na mesma horizontal e no mesmo líquido).

A unidade de medida psi (libra por polegada ao quadrado) corresponde a. 26 psi. mede-se a pressão manométrica do sistema contido no reservatório. 1. ele é chamado de manômetro de vácuo. Manômetro utilizado em postos de gasolina (Figura A) (os médicos usam um sistema semelhante) para calibração de pneus. Quando o manômetro mede uma pressão manométrica negativa. é igual a aproximadamente. a pressão lida no mostrador. A B A figura B representa um manômetro de tubo aberto. aproximadamente.07 atm. 0. Pela diferença de níveis do líquido nos dois ramos do tubo em U.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 18 Medidores de pressão Os manômetros (medidores de pressão) utilizam a pressão atmosférica como referência.8 atm. Assim. A pressão manométrica de um sistema pode ser positiva ou negativa. dependendo de estar acima ou abaixo da pressão atmosférica. medindo a diferença entre a pressão do sistema e a pressão atmosférica. Tais pressões chamam-se pressões manométricas. Escolhendo os dois pontos A e B mostrados na figura. temos: pA = pB pSISTEMA = pATM + pLÍQUIDO pSISTEMA = pATM = dgh pMANOMÉTRICA = dgh .

A pressão é expressa em unidades de comprimento do mercúrio (da coluna) do recipiente. onde i é o número de divisões do nônio que coincide perfeitamente com qualquer divisão da escala principal: H t = H + i ⋅ N d onde d é a unidade da escala principal n +1 .Determinar o número de divisões do nônio (n +1) .N). de forma que a extremidade aberta fique submersa em mercúrio. Trabalho experimental Estudo do aparelho . O espaço acima da coluna de mercúrio contém vapor do mesmo.Com o auxílio de o nônio determinar o valor fracionário da altura (i. A pressão barométrica varia com o local. O barômetro é dotado de nônio o que possibilita maior precisão na medida da altura da coluna de mercúrio. isto é.Para verificar a altura da coluna de mercúrio girar o parafuso da parte superior da cuba de mercúrio até que a superfície livre do mercúrio encoste na ponta do cone H = _________ . O tubo de vidro possui uma escala. com a altitude e com as condições atmosféricas (temperatura). de forma que pode ser determinada a altura da coluna. Este tubo é invertido.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 19 Barômetro de Fortin O barômetro de Fortin é um barômetro de mercúrio e consiste de um tubo de vidro fechado numa extremidade e cheio de mercúrio. relativa a distância vertical H entre o menisco (superfície livre do mercúrio) e o ponto onde a pressão está sendo medida.Verificar o valor da escala principal que corresponde ao nônio (n) .Cálculo da precisão do barômetro: N = (tamanho da menor divisão da escala) Leitura: .Ler a temperatura ambiente (termômetro anexo ao barômetro) t = _____ .

7 × 10 −6 o C −1 ) α .04 + 5.0994o A – altitude de Ponta Grossa A = ________ .Qualquer leitura deve ser corrigida à altura correspondente a 0oC H0 = _________ H 0 = H t [1 + (β − α )] onde: H0 – altura da coluna corrigida para 0oC Ht – altura da coluna à temperatura ambiente β .nível do mar e latitude 45o) .665 cm ⋅ s -1 .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 20 Correções .17 sen 2 B − 0.coeficiente de dilatação do material da escala (latão β = 18.Cálculo da correção da pressão em função da aceleração da gravidade PCN = P0 ⇒ onde H N gl = H 0 g0 HN – altura da coluna de mercúrio nas condições normais (corrigida) H0 – altura da coluna de mercúrio nas condições locais (corrigida para 0oC) gl – gravidade local g – gravidade normal .Calcular a aceleração da gravidade local g l = ( 978.coeficiente de dilatação do mercúrio ( α = 18 × 10 −5 o C −1 ) Ht (mm de Hg) Ht (cm de Hg) t (oC) H0 (cm de Hg) correção em função da aceleração da gravidade ( g = 980.Correção da temperatura (Patm normal = 76 cm de Hg à temperatura de 0oC) .Cálculo da altitude de Ponta Grossa A ′ = 18400 ( log H CN − log H ′ ) metros 0 onde HCN = 76 cmHg (pressão nas condições normais) H0 = ________ cmHg (pressão corrigida para 0oC) .Transformar as leituras em função do valor local da aceleração .000009 A ) cm ⋅ s −2 onde B – latitude local B = 25o 05’58” = 25.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 21 A (m) A’ (m) B (o) 25.665 H0 (cm de Hg) HN (cm de Hg) Cálculo da pressão atmosférica (lei hidrostática da variação da pressão) p atm = H N ⋅ g l ⋅ µ Hg onde HN – altura da coluna de mercúrio nas condições normais (corrigida) gl – gravidade local µHg – massa específica do mercúrio ( µ Hg = 13.0994 gl (cm.s-2) g (cm.s-2) 980.6 g ⋅ cm -3 ) P (cm de Hg) P (mm de Hg) P (bária) P (pascal) P (atm) .

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II MECÂNICA DOS SÓLIDOS ESTÁTICA .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 24 .

encontram-se ligados entre si por um fio flexível e inextensível. Para se manter numa nova trajetória circular. que se destinavam a adaptar este sistema a uma máquina de rotação. na zona média da prancha. mesmo que a velocidade de rotação do conjunto não aumentasse. Assim. o que acarretava o afastamento do segundo cilindro em direção à periferia. Na prancha horizontal existem dois orifícios. por conseguinte. A menos. Para o manter neste estado de movimento. era necessário que a tensão no fio aumentasse. e. fazendo com que as suas massas tivessem diversos valores. O outro cilindro descrevia uma trajetória circular em torno deste eixo. Observe-se que. era necessário que o fio ao qual se encontrava ligado exercesse sobre ele uma força centrípeta de intensidade F = mw2r. Estas colunas encontram-se sobre a linha média da prancha. tendo nas faces superiores uma tampa. sendo m a massa do cilindro. Existe uma roldana na parte superior das colunas e outra junto ao vértice do conjunto formado pela prancha horizontal e pelas duas colunas. tornava possível colocar pesos no interior de qualquer um deles. este subia com movimento acelerado. que um dos cilindros encontrasse um obstáculo (que impedisse a subida do cilindro entre as colunas ou o afastamento para a periferia do cilindro sobre a prancha). Dois cilindros ocos de latão. Um dos cilindros pode mover-se verticalmente entre as duas colunas. ou que se diminuísse a velocidade angular. por sua vez. O fio que liga entre si os cilindros passa pelas duas roldanas montadas no conjunto. a um novo afastamento do segundo para a periferia. É constituído por uma prancha horizontal de madeira. Esta atuava sobre o conjunto.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 25 Aparelho para o estudo das forças centrais Com este dispositivo. era possível avaliar a influência das massas dos . podiam estudar-se as características da força central que deve atuar num corpo para que este descreva um movimento circular. uma vez rompida a situação inicial de equilíbrio dinâmico. Quando o sistema era posto em movimento o cilindro localizado entre as duas colunas efetuava um movimento de rotação solidário com o eixo de rotação do conjunto. à medida que se aumentava a velocidade de rotação. perpendicularmente à qual se fixaram duas colunas também de madeira. r o raio da sua trajetória e w a velocidade angular do conjunto. seria impossível encontrar novo equilíbrio. o que levaria a novo incremento na aceleração do primeiro cilindro e. enquanto o outro se encontra assente sobre uma pequena plataforma de latão. Com o conjunto em repouso. ficando o conjunto com a forma de T invertido. este cilindro necessitava de novo aumento da tensão no fio. Para um determinado valor da velocidade angular. os cilindros deviam posicionar-se de tal forma que o cilindro suspenso entre as duas colunas verticais ficasse junto à base destas e o outro se encontrasse junto à intersecção das colunas com a prancha. em diferentes experiências. fazendo-o descrever um movimento de rotação em torno dum eixo vertical que passa pelo seu ponto médio. é claro. O fato de os cilindros serem ocos e possuírem uma tampa que permitia fechá-los. a tensão no fio tornava-se superior ao peso do cilindro suspenso entre as colunas. Este pode deslocar-se ao longo da prancha horizontal guiado por duas varetas de latão montadas sobre a prancha. A velocidade de rotação do conjunto podia ser controlada pelo utilizador. através da referida máquina. isto é. Assim.

Seria. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. O equilíbrio dinâmico deveria manter-se. já não existe. apresentando variadas peças de ferro e latão. Quanto mais afastado das colunas este fosse colocado. que se destinava a várias experiências do movimento circular. A prancha horizontal possui uma seqüência de pequenas cunhas orientadas de modo a permitir que. O mesmo se verificaria quando se aumentasse a massa do cilindro suspenso entre as colunas. Segundo o Index Instrumentorum. mais intensa seria a força necessária para o manter numa dada trajetória circular. Era feita de excelente madeira do Brasil. para uma velocidade angular maior.fis. o afastamento da situação de equilíbrio dinâmico verificar-se-ia para uma velocidade angular menor. quando se diminuísse a massa do cilindro que descreve a trajectória circular.pt/museu/index. o modelo de máquina que existia no Gabinete de Física de Coimbra correspondia ao que 's Gravesande apresenta no seu livro Physices Elementa. uma das mais notáveis máquinas da colecção. Por conseguinte. no início da experiência. concerteza. A máquina de rotação.htm .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 26 cilindros sobre o comportamento do sistema. o raio de curvatura da trajetória circular descrita pelo cilindro tenha diferentes valores.uc.

Para tal basta escrever a equação cartesiana de cada força a partir de seu módulo e de sua direção através de adição vetorial. Forças em qualquer disposição no espaço Reduzir um sistema de forças é substituí-lo por outro mais simples que produza o mesmo efeito. Portanto a resultante R de várias forças concorrentes F1 . estas podem estar no mesmo plano ou não. F2 . + Fn = ∑ Fn Se as forças são coplanares. Se as forças são concorrentes a resultante é dada pela soma vetorial. sobre um corpo dizemos que elas constituem um sistema de forças. A obtenção da resultante é possível considerando-se a adição vetorial das forças do sistema. teremos que: . . Os sistemas de forças podem ser classificados quanto à disposição das forças em: Forças aplicadas num ponto. e sentido oposto aos da resultante. obtida de acordo com o método de adição de vetores.. Fundamento teórico Sempre que várias forças simultaneamente atuam. .. Forças paralelas aplicadas num sólido.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 27 II – 01 Sistema de forças Objetivo • Determinação gráfica e analítica da resultante de um sistema de duas ou mais forças coplanares e concorrentes. digamos no plano XY. Na redução de alguns sistemas de forças chegamos a uma única força denominada resultante do sistema. que possui mesmo módulo e direçäo. que é a força capaz de substituir o sistema acarretando o mesmo efeito. Composição de forças concorrentes.. Forças concorrentes aplicadas num sólido.. Opõe-se à resultante a força equilibrante. Fn é: R = F1 + F2 + .

Método dos paralelogramos F1(gf) α (°) F2(gf) β (°) F3(gf) γ (°) Eq(gf) RG(gf) RP(gf) %E1 %E2 . Tabelas. . OBS.Anote os valores das forças e dos respectivos ângulos. colocando o equipamento no eixo y no sentido negativo. .Distribuir várias forças sobre a mesa conforme o esquema na figura abaixo. após certificar-se de que as forças são concorrentes. O 2 módulo da resultante é obtido por: R 2 = F12 + F2 + 2 F1 F2 cos α Trabalho experimental . .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 28  R x i = ∑ Fx i = ∑ F cos αi  R 2 = R 2 i + R 2 j .Nivelar a mesa de forças com o auxílio de um nível de bolha. cálculos e gráficos Processo gráfico . onde  x y  R y j = ∑ Fy j = ∑ F sen α j  o módulo de R é: R = R 2 + R 2 e sua direção e sentido são dados pelo ângulo α tal que: x y tgα = Ry Rx Outro método de resolução é gráfico pela aplicação da regra do paralelogramo.Varie o valor das forças e respectivos ângulos e proceda como no item anterior.: todos os ângulos devem ser medidos a partir do eixo X (positivo).

Construir a figura equivalente: usar escala para o desenho dos vetores.Cálculos 2 2 R 1 = F12 + F2 + 2 F1 F2 cos(β − α) 2 2 R P = R 1 + F3 + 2 R 1 F3 cos Ω Ω = 180 o − ( α + γ + µ ) tgµ = F2 sen(β − α) F1 + F2 cos(β − α) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 29 . Na figura medir o vetor resultante R G .Calcular o erro por: % E1 = Eq − R G Eq × 100 e % E 2 = Eq − R P Eq × 100 Processo analítico – adição de vetores F1(gf) F2(gf) F3(gf) Eq(gf) RV(gf) θ(°) %E3 %E4 F1 = F1 cos αi + F1 sen α j F2 = F2 cos βi + F2 sen β j F3 = F3 cos δi + F3 sen δ j  R x i = ∑ Fx i = F1 cos αi + F2 cos βi + F3 cos δi    R y j = ∑ Fy j = F1 sen α j + F2 sen β j + F3 sen δ j  .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 30 R2 = R2 i + R2 j x y R = R 2 + R 2 e tgα = x y .Calcular o erro por: %E3 = Eq − R V Eq × 100 e % E 4 = 90 o − θ 90 o × 100 Ry Rx .

Componentes cartesianas do momento de uma força r r r r  r = x i + y j + zk  r r r r  F = FX i + FY j + FZ k  . r r r M = F×b r r r r a partir da figura tem-se que: b = r ⋅ senθ .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 31 II . o momento é um vetor perpendicular a um plano paralelo a r e a F . cujo sentido é dado pela regra da mão direita. logo: M = F × r ⋅ sen θ O momento de uma força pode ser considerado como uma grandeza vetorial dado r r r r pelo produto: M = r ∧ F . relativo à distância entre o ponto O e o r ponto A (ponto de aplicação da força F ) de acordo com as propriedades do produto r vetorial. Por definição o momento da força é expresso pelo produto de uma unidade de força por unidade de comprimento. o momento de uma força é representado por um vetor perpendicular. tanto a r r r r como a F .02 Momento de uma força em relação a um ponto (torque) Objetivos • • Determinar o momento de uma força em relação a um ponto. onde r é o vetor posição. Calcular o ponto de aplicação da resultante pelo método de Varignon Fundamento teórico Seja uma força F atuando sobre um corpo C capaz de girá-lo em torno do ponto O (figura) quando sua linha de ação não passa por O. isto é.

F2 .Colocar a haste na horizontal r r r .Calcular o momento por: M = r ∧ F II – Momento – estudo em função do equilíbrio .Determinar os vetores posição r1 . F2 e F3 na esquerda da haste (ponto de rotação) r r r . F3 . “ r r M R = ∑ M N Teorema de Varignon r i r r r M= r∧F= x r j y Trabalho experimental I – Momento de uma força em relação a um ponto .Colocar a haste na posição horizontal r . r r r .Prender uma força e determinar a posição r .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 32 r k  M X = yFZ − zFY  z ∴  M Y = zFX − xFZ FX FY FZ  M Z = xFY − yFX  r r r r M = M X i + M Y j + M Zk “ O momento da resultante de duas forças concorrentes. r2 e r3 r r .Determinar os vetores posição r4 e r5 r r r r r . em relação a um ponto de seu plano é igual à soma algébrica dos momentos das componentes em relação a este mesmo ponto.Prender as forcas F1 .Prender as forças F4 e F5 na porção direita da haste até que a mesma fique na horizontal r r .Calcular os momentos da forças F1 . F4 e F5 por: .

Calcule o ponto de aplicação da força resultante: M = R ⋅ d .Calcule a resultante: R = F1 + F2 + F3 + F4 ( )2 r v .Calcule a soma dos momentos das forças: ∑ M = M F1 + M F2 + M F3 + M F4 r r .Cálculo do ponto de aplicação da resultante – Teorema de Varignon .Calcule o módulo do momento: M = ∑ M r r r r r .Retire uma das forças que atua a esquerda do ponto de rotação r r r r r .Calcular o momento resultante à esquerda ( M E ) e o momento resultante à direita ( M D ) r r r r  M E = M F1 + M F2 + M F3 r r r   M D = M F 4 + M F5 r r MD − ME r .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 33 r i r r r M= r∧F= x FX r j y FY r k z FZ r r .Calcule o erro percentual por: % E = × 100 MD III .

.A partir do princípio do equilíbrio de uma partícula deduzir a equação que determina o peso do corpo e a direção da equilibrante (PE). com base nas condições de equilíbrio. ∑ Fx = 0 e ∑ Fy = 0 Basicamente o equilíbrio de um corpo está relacionado com o princípio da ação e reação.Montar a mesa de forças segundo orientação . respectivamente. Uma partícula está em equilíbrio se a soma de todas as forças que atuam sobre ela é zero. isto porque ambos se anulam.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 34 II .03 Equilíbrio de uma partícula no plano Objetivo • Determinar o peso de um corpo.Colocar as forças F1. Trabalho experimental . β e γ. Fundamento teórico A Estática é o ramo da mecânica que trata do equilíbrio dos corpos. isto é: r r r ∑ F = 0 . F2 e F3 sob os ângulos: α. até equilibrar o sistema com o peso do corpo (PC) .

Tabela F1(gf) F1(N) α(°) F2(gf) F2(N) β(°) F3(gf) F3(N) γ(°) PC(gf) PC(N) PE(N) %E1 θT(°) θC(°) %E1 .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 35 .Cálculos % E1 = PC − PE θ − θC × 100 e % E 2 = T × 100 PC θT .

que pode ser escolhido arbitrariamente. as condições se reduzem para: ∑ Fix = 0 . o torque resultante é independente do ponto em relação ao qual é calculado logo podemos reformular as r r r r condições de equilíbrio como: F = ∑ Fi = 0 e τ = ∑ τ i = 0 . i ∑ Fiy = 0 e ∑ τ i = 0 i i . Assim para o equilíbrio de um corpo rígido. é necessário e suficiente que se anulem a resultante das forças externas e o torque resultante em relação a um dado ponto. Fundamento teórico r Nr Temos como equações do movimento de um corpo rígido: ∑ Fi (ext ) = F(ext ) e i =1 i =1 ∑ τ i (ext ) = τ (ext ) onde a primeira descreve a translação do centro de massa e a segunda a Nr r rotação em torno do centro de massa.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 36 II . Temos. portanto como condições necessárias e suficientes de equilíbrio de um corpo rígido que a resultante das forças externas se anule e que a resultante dos torques externos em relação ao centro de massa se anule. entendendo-se que as forças consideradas são externas. Um caso particular de equilíbrio é definido pelo anulamento do primeiro membro de ambas as equações.04 Equilíbrio de um corpo Objetivo • Determinar o peso de uma barra segundo as condições de equilíbrio de um corpo rígido. onde suprime-se a notação i i (ext). Mas quando a resultante das forças externas é nula. Se todas as forças estão no mesmo plano.

r1 . r r r . d2 e dc em relação ao ponto de apoio O r .Montar o dispositivo segundo o esquema da figura acima. F2 e F3 e os respectivos ângulos α.Determinar o valor das distâncias d1. Calcular o erro por: % E = PT − PC PT × 100 . r2 .Aplicando as condições de equilíbrio calcular o peso da barra PC . F2 .Com a barra em equilíbrio medir as forças F1 . β e γ. r3 e rp : r r r r .Aplicar a condição de equilíbrio R = 0 e determinar PC1 v .Suspender nas extremidades da barra as forças F1 e F2 de modo que estas coloquem a barra em equilíbrio horizontal . r r r r .Deduzir e calcular as equações cartesianas de F1 .Obter os valores dos vetores posição em relação ao ponto O escolhido. F3 e PC : r .Calcular o erro por: % E = PT − PC1 PT × 100 e % E = PT − PC 2 PT × 100 II– Método de análise vetorial .Aplicar a condição de equilíbrio ∑ τ = 0 e determinar PC2 .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 37 Trabalho experimental I – Método das forças paralelas r r .

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III CINEMÁTICA MOVIMENTO UNIDIMENSIONAL .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 40 .

Esta peça dispõe de três garras.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 41 Aparelho destinado a comparar o movimento de corpos em diferentes trajetórias Este aparelho é destinado ao estudo comparativo do movimento de três esferas.htm . Pelo fato de todos os pontos de partida. de onde resulta uma componente horizontal da aceleração de valor médio maior. em segundo lugar. as velocidades das esferas. partindo do repouso. O momento da chegada das esferas é assinalado pela pancada de um badalo contra uma campainha. para o que existe uma peça de madeira que gira em torno de um eixo horizontal. respectivamente. tal como os pontos de chegada. que se deslocam ao longo de três calhas de latão montadas numa armação de madeira. As três trajetórias têm configurações diferentes. A ordem de chegada é a seguinte: em primeiro lugar. Quando esta peça roda em torno do seu eixo. este acontecimento dá-se em instantes diferentes. que se destinam a manter as esferas na posição inicial. sendo a da calha superior uma reta com uma determinada inclinação. se encontrarem. durante o movimento. no instante em que chocam contra o badalo da campainha. Para a ciclóide.pt/museu/index. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. a esfera que se move ao longo do arco de circunferência e em terceiro lugar a esfera que se move ao longo do plano inclinado. A justificação para a seqüência de chegada das esferas reside na diferença de características das forças exercidas pelas três calhas. são iguais entre si. à mesma altura. No entanto. As esferas são largadas do ponto mais alto de cada uma das trajetórias. Este resultado afigura-se algo paradoxal e a justificação para esta seqüência não reside no maior ou menor espaço que cada esfera tem de percorrer durante o movimento. correspondendo cada uma delas a uma das calhas. a do meio uma ciclóide e a terceira um arco de circunferência.uc.fis. a esfera que se move ao longo da ciclóide. o valor médio da componente horizontal desta força é maior do que nos outros casos. liberta as esferas que iniciam simultaneamente o seu movimento.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 42 .

fazendo-se o intervalo de tempo tão pequeno quanto possível. quando se desloca em linha reta e sua velocidade varia de quantidades iguais em tempos iguais. ∆t = t B − t A e ∆v = v B − v A . A partir desta definição pode-se afirmar que neste tipo de movimento a velocidade é função do tempo ( v = f ( t ) ). Consideremos na figura acima. por exemplo. Em linguagem matemática isso equivale a calcular o limite de um ∆t tendendo para zero. que no instante tA o móvel tem a velocidade vA e no instante tB a velocidade vB teremos que: ∆x = x B − x A . Logo: v = lim v = lim ∆t → 0 ∆x dx 1 que por definição é a derivada temporal de x. para que não ocorram variações essenciais no estado de movimento durante esse intervalo de tempo. A. isto é: v = ∆t → 0 ∆ t dt . Como a velocidade média é a razão entre o deslocamento ∆x e o intervalo de tempo ∆t temos: ∆v = ∆x x B − x A = .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 43 III – 01 Movimento retilíneo uniformemente variado Objetivos • • • Visualizar o movimento de um móvel sobre um plano inclinado sem atrito Determinar e comprovar a aceleração do móvel Estabelecer as leis do movimento usando gráficos cartesianos Fundamento teórico Um móvel está em movimento retilíneo uniformemente variado. ∆t tB − tA Define-se velocidade instantânea de um móvel em um ponto.

dt ∆t Conhecida a aceleração podemos calcular a velocidade. Igualando estas relações resulta que: = ∴ vdv = adx .  ∆t ∆t 2  B A  A aceleração média do movimento é definida como sendo razão entre a variação da velocidade e a variação do tempo: a = v − vA ∆v e a aceleração instantânea pode ∴a = B ∆t tB − tA ∆t → 0 ∆t → 0 ser obtida pela derivação temporal da velocidade. que é constante: dv = adt ∴ ∫ dv = ∫ adt ∴ v B − v A = ∫ adt . Integrando dt v a v VB esta relação obtemos: v 2 = v 2 + 2a ( x B − x A ) B A VA ∫ vdv = ∫ adx . logo: a = lim a = lim dv ∆v ∴a = . Por integração instantânea. Substituindo 3em 2 teremos: x = x A + ∫ ( v A + at )dt ∴ x = x A + ∫ v A dt + ∫ atdt tA tA tA tB tB tB que resulta em: x B = x A + v A t + Observação: v= das at 2 .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 44 Conhecendo v = f ( t ) . tB Da tB equação 1 temos que: dx = vdt ∴ ∫ dx = ∫ vdt ∴ x B − x A = ∫ vdt 2. podemos escrever:  x − xA  v B − v A ∆x ∆x = ∴vB = vA + 2 ∴ v B = v A + 2 B  t −t . VA tA tA VB tB tB que resulta: v B − v A = a ( t B − t A ) . Para t = t B − t A teremos: v B = v A + at 3. que resolvida da: XA XB v2 − v2 B A = a ( x B − x A ) ou 2 2 2 Generalizando teremos: v 2 = v 0 + 2a∆x ou v ′ = v 0 + 2a∆x . 2 anteriores temos que: suposições a= dv dv ∴ dt = dt a e dx dx dv dx ∴ dt = . e varia em função desse v= elemento. XA tA tA Como a velocidade desse tipo de movimento é função do tempo. . a posição x pode ser obtida por integração da equação da velocidade XB instantânea.

Soltar o móvel com v A = v 0 = 0 .Determinar a aceleração do movimento e comprovar seu valor em função da componente da aceleração da gravidade: a ′ = g sen α .Construir o gráfico x = f ( t ) e a respectiva anamorfose x = f ( t 2 ) .Dar uma ligeira inclinação no trilho (α) .Completar a tabela: x(cm) t(s) ∆x(cm) ∆t(s) v (cm/s) v(cm/s) v’(cm/s) a(cm/s2) a’(cm/s2) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 45 Trabalho experimental .Determinar o tempo gasto para o móvel percorrer um determinado espaço .Nivelar o trilho de ar .Construir os gráficos v = f ( t ) e v = f ( x ) .

corpo que parte do repouso. logo. a um aumento de massa corresponde um aumento de peso. sua queda se realiza no ar sensivelmente como no vácuo. ao qual se podem aplicar as leis gerais da mecânica.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 46 III – 02 Queda livre Objetivos • • • Observar o fenômeno da queda de um corpo Determinar a aceleração da gravidade Comprovar a leis da queda livre Fundamento teórico A queda de um corpo é livre quando nela não intervém outra força senão a atração terrestre. sendo os pesos proporcionais às massas.corpo lançado de cima para baixo e 2 h = vo t + . terão a mesma aceleração e. a mesma velocidade. um empuxo. segundo o caso: 2 γt 2 . Lei dos espaços – na fórmula geral: x = v o t ± h = vo t ± h= gt 2 que se torna. Um corpo que cai no ar experimenta. segundo o princípio de Arquimedes e uma resistência que retarda a queda livre. Com efeito. caindo de pequenas alturas. quando se trata de corpos densos e de pequenas dimensões. entretanto. portanto. mas a razão P/M ou g é constante. pois atua em cada momento durante a queda. faz-se x = h e γ = g e sai: 2 gt 2 .todos os corpos caem (no vácuo) com aceleração igual. Leis da queda livre Lei das acelerações . se dois corpos caem da mesma altura no vácuo. a queda é um movimento acelerado. A gravidade é força constante. da parte deste. 2 gt 2 .

temos: v = gt ou v = 2gh .corpo lançado de baixo para cima.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 47 h = vo t − gt 2 .Construir os gráficos: h = f(t2) e v = f(t) .corpo que parte do repouso. Trabalho experimental . Segundo o caso. 2 v = v o + gt ou v = v o + 2gh .Energizar a bobina de modo que a esfera fique fixa ao núcleo .Calcular a gravidade por: h = gt 2 2 .corpo lançado para baixo 2 v = v o − gt ou v = v o − 2gh .Desligar a fonte e acionar o sistema de medida de tempo .Medir a altura de queda .Montar o dispositivo conforme orientação .corpo lançado de baixo para cima. 2 2 Lei das velocidades – a formula geral: v = v o ± γt ou v = v o ± 2γe torna-se: v = v o ± gt 2 ou v = v o ± 2gh .Variar a altura repetindo os procedimentos anteriores .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 48 .

IV CINEMÁTICA MOVIMENTO BIDIMENSIONAL .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 50 .

uc.pt/museu/index. comprimentos definidos pela sucessão de termo geral (n + 1)2. colocados ao longo de um arco de parábola. Dava-se início ao movimento da esfera acionando uma pequena peça de latão articulada. instalada na extremidade superior da calha. media-se o comprimento do segmento de reta horizontal definido por esse ponto e pelo ponto da base obtido pela intersecção da vertical que passa pela extremidade inferior do arco de circunferência que constitui a calha. utilizava-se esta máquina constituída por duas pranchas de madeira fixas numa base horizontal. de cima para baixo. no espaço. uma trajetória parabólica que passa pelo interior dos anéis circulares.htm . a partir do nível onde a esfera iniciara o seu movimento como projétil. Uma esfera. Dividia-se esta distância em n + 1 partes iguais. sendo n o número de anéis que se pretendia instalar. Em seguida. colocada na base do aparelho. desde n = 0. A periferia superior de uma das pranchas tem a forma de um arco de circunferência e serve de suporte a uma calha limitada lateralmente por duas lâminas de latão. Para a correta instalação dos anéis circulares sobre a parábola descrita pela esfera. devia determinar-se previamente a posição do seu ponto de impacto numa caixa de latão. continua o seu percurso até ao fim da calha.fis. Pelos pontos desta divisão faziam-se passar linhas verticais e marcavam-se nelas. largada do ponto mais alto da trajetória circular. descrevendo depois.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 51 Aparelho para ilustrar a trajetória de um projétil Para ilustrar a trajetória parabólica descrita por um projétil. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. Na outra prancha existem cinco anéis com seis centímetros de diâmetro cada.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 52 .

o movimento refere-se a um sistema de eixos retangulares. nula. Uma vez que a única força atuando é o peso do projétil. na direção Y: v y = gt = 2gh e h = gt 2 2 . A chave para a análise do movimento de um projétil está no fato de que todas as relações vetoriais desejadas podem ser expressas em termos de equações separadas para as componentes x e y. A componente x da força que atua no projétil é. que é considerado constante em módulo e direção.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 53 IV – 01 Lançamento horizontal Objetivo • Estudar o mo movimento de um projétil lançado horizontalmente Fundamento teórico Chama-se projétil qualquer objeto que. Segundo as condições descritas temos que na figura acima aa direção X: v ox = v x = cons tan te e x = v x t . recebendo uma velocidade inicial. segue uma trajetória determinada pela ação da força gravitacional e pela resistência do ar. com o eixo X horizontal e o eixo Y vertical e a origem do sistema situada no ponto onde o projétil começa seu livre percurso. O caminho seguido por um projétil é denominado trajetória. sendo a componente y o peso do projétil. então.

que x y corresponde ao módulo da velocidade num instante qualquer e tgθ = que é a direção do vetor velocidade. variando a altura de lançamento de 5 em 5 cm.Realizar lançamentos verticais para seis posições.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 54 Pela composição do movimento nas duas direções temos: v = v 2 + v 2 . .Determinar os valores da velocidade inicial (v0) e final (v) .Fixar em um anteparo um conjunto papel+carbono .Registrar para cada lançamento os valores de h e x .Determinar a direção da velocidade final Estudo da trajetória do projétil .Medir as respectivas alturas (h) e deslocamentos (x) . vy vy ∴ θ = arctg vy vx Trabalho experimental .Repetir lançamentos sucessivos procedendo o afastamento do anteparo a cada lançamento .Construir o gráfico da trajetória do projétil .

temos que: x = v1 cos α t BC . sendo v1X a componente horizontal de v1 e t o tempo que o projétil leva para atingir o solo. 2 . logo: t BC = x v1 cos α .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 55 IV – 02 Lançamento obliquo Objetivos • • • Observar a trajetória de projétil lançado obliquamente Comprovar a aceleração do Determinar a aceleração da gravidade Fundamento teórico O projétil ao descer o plano inclinado o faz em MRUV. temos: h = x tgα + que equivale a v ′ = 2gh . gt 2 BC e a velocidade por: v1y = v1 sen α . a partir do ponto B: t = t BC . Ao final do plano inclinado o projétil é lançado com velocidade v dada por: v1 = 0 + v 1 ∆v 2 ∆x 2AB . gx 2 2 2 v1 (cos α )2 A altura h é dada por: h = v1y t BC + portanto teremos que: h = v1 sen α t BC + Substituindo em gt 2 BC 2 . com aceleração da gravidade na direção Y. = ∴ v1 = ∴ v1 = 2 t t t AB O alcance é dado por: x = v1x t .

Medir o espaço A B a ser percorrido pelo móvel .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 56 Anamorfose da curva: h gx = tgα + 2 x 2 v1 (cos α )2 Trabalho experimental .Traçar os gráficos y = f(v) e   = f ( v ) v .Medir os tempo tAB e tAC y .Determinar a inclinação do plano inclinado (α) .Completar a tabela: x (cm) h (cm) tAB (s) tAC (s) t (s) v (cm/s) v’ (cm/s) %E1 a' a (cm/s2) (cm/s2) %E2 .Aplicar o método de regressão linear para obter as constantes (coeficientes angular e linear) .Medir a altura hP do plano inclinado .

V DINÂMICA .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 58 .

o sistema move-se na vertical. está instalado um relógio de pesos com sua pêndula. Deo dante. e que consiste numa carta endereçada a Volta em que o nosso compatriota lhe descreve a máquina inventada por Atwood. e sobrecarregando aquele com outro corpo de muito menor massa. como nos declara que o pêndulo que ali se encontra é de sua invenção. Dalla Bella. ao longo das quais correm as duas partes do fio de suspensão das massas. O conjunto está instalado no alto da máquina. bem como na superfície da pêndula.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 59 Máquina de Atwood Inúmeros foram os métodos desenvolvidos para a obtenção da relação entre o espaço percorrido por um móvel e o tempo necessário para o percorrer. de segundo em segundo. A máquina de Atwood assume um lugar de destaque neste estudo. durante quase dois séculos. deste exemplar da máquina de Atwood. Magellan Lusitanus invenit atque fieri Curavit Londini. ao mover-se. em algumas experiências. com cada polegada subdividida em 10 partes iguais. Colocando um dos corpos a nível bastante superior ao do outro. a qual. sem dúvida. quae. sobre duas colunas paralelas de madeira.4 cm de diâmetro. estão graduadas em polegadas. não pela qualidade do seu material ou pela beleza das suas linhas. são colocadas sobre os corpos. de Geodesie. a Notice des instrumens d'Astronomie. faits dernierement à Londres par ordre de la Cour d'Espagne: aves le précis de leur construction. de grandes dimensões. depende dos valores das massas iguais dos corpos que estão suspensos e da massa do corpo que se adicionou. até muito recentemente. Assim. maior ou menor. Nos vários trabalhos publicados por esse compatriota insigne apontamos. com movimento uniformemente acelerado cuja aceleração. em 1780. que serve para nivelar a máquina. o melhor instrumento que se inventou para esse estudo. de 4. Numa outra coluna. e fixarem-se nelas. no Index. . o qual sustenta dois corpos de massas iguais. p. esta apoia-se sobre a periferia de outras quatro roldanas o que permite grande mobilidade da primeira. mas por ser um dos primeiros exemplares da famosa máquina de Atwood. No centro deste. Dalla Bella sentia-se orgulhoso por o seu Gabinete de Física possuir tal objeto e por isso agradecia a Deus o benefício. Como é sabido a máquina de Atwood consiste essencialmente numa roldana de eixo horizontal em cuja gola passa um fio comprido. in Theatro Physices ostendemus". H. João Jacinto de Magalhães não só nos informa que acompanhou a construção. a propósito. Cada um dos corpos suspensos é um pequeno disco de latão. ao longo delas podem moverse. Assim se lhe refere no Physices Elementa (Tomo I. da própria época do seu inventor. Estas réguas permitem medir os espaços percorridos pelos corpos suspensos do fio. Para minimizar o efeito do atrito sobre o eixo da roldana. Nos extremos de cada braço da base existe um parafuso de madeira. O cursor cheio permite definir a posição final do movimento e os outros dois servem para reter as sobrecargas que. cita como referência bibliográfica o opúsculo que Magalhães publicou em Londres. em Londres. Nelas podem ainda ser instalados acessórios para a realização das experiências. de 0 a 72. de Physique. uma das suas mais valiosas peças. 3 cursores. e também por ter feito parte do material científico enviado de Londres por João Jacinto de Magalhães. dos quais um cheio e dois anulares. Com efeito ela foi. de cujo centro se eleva uma haste metálica de 8 cm. lê-se a seguinte inscrição: J. cientista português mundialmente conhecido no seu tempo. etc. uma campainha montada no alto do mostrador. sendo suportado por uma coluna cilíndrica também de madeira que se eleva sobre uma base em forma de cruz. fazia soar. A máquina de Atwood do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra é. 60): "eximia Machina Celeberrimi Atwoodi. As duas colunas (réguas). um em cada extremidade.

de Magellan gentilhomme portuguais.htm . É neste trabalho que Magalhães se refere ao pêndulo de sua invenção.fis. MDCCLXXX. par J. etc. A Londres.pt/museu/index. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 60 qualités et Perfectionnements nouveaux.uc. etc. H.

ou de movimento. Sob a ação esta força. . A primeira é a lei da inércia: todo corpo persiste em seu estado de repouso.. das forças correspondentes... encontramos que a r r aceleração possui módulo constante. o ponto material será observado deslocando-se em linha reta e na direção e sentido da força. Quando sobre um ponto material r de massa m atua uma força F . a menos que seja compelido a modificar esse estado pela ação de forças sobre ele. já que o módulo de P do peso do corpo de massa m é: P = mg . Determinando a posição do ponto de material para vários instantes.. o peso P . o ponto terá uma aceleração proporcional ao módulo da resultante e na direção e sentido da resultante. . Newton formulou três axiomas ou leis do movimento. F2. publicado em 1687. . a3.. r Tal como qualquer outra força. O valor obtido das relações é uma característica do ponto material em consideração. F3 . de diferentes módulos e direção. É chamado de massa do ponto material e denominado m. A segunda lei é enunciada como segue: se a força resultante que atua num ponto material é diferente de zero. das acelerações são proporcionais aos módulos F1. F3. a2.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 61 V – 01 Leis de Newton Objetivos • • • Comprovar as leis de Newton Determinar a relação força x massa Determinar a relação massa x aceleração Fundamento teórico Em seu tratado “Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”. Se o procedimento se repete com forças F2 . . . Esta lei pode ser melhor compreendida se imaginarmos um ponto material sujeito a r uma força F de direção e sentido constantes e módulo constante F. esta a aceleração a do ponto material devem satisfazer a r r relação F = ma ... encontramos para cada instante que o ponto material se desloca na direção e sentido da força que atua sobre ele e que os módulos a1. de um corpo pode ser obtido pela r r segunda lei.

Anotar o espaço desenvolvido pelo móvel .Colocar um corpo B (mB) que puxará o corpo A . o que resulta em: a =  mB + mA  R = m Ba No sistema temos que: x = x o + v o t + a ′t 2 2x que dá: a ′ = 2 2 t Como: T ′ = PB − m Ba ′ ou T ′ = m B ( g − a ′) . Trabalho experimental Aplicar as leis de Newton sobre o sistema da figura: No corpo A temos:  PA − N A = 0 P = N A = m A g .Determinar o tempo gasto para percorrer o espaço x . cujo enunciado é: a toda força de ação corresponde uma força de reação de mesmo módulo e direção. o que dá  A   TA = m A a  TA = m A No corpo B temos:  R = PB − TB m Bg onde TA = TB = T = m A a . mas de sentido oposto.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 62 A terceira lei é o chamado princípio da ação e reação.Completar a tabela .Montar o dispositivo conforme orientação .Alterar por quatro vezes o valor da massa de B (mB) .Medir a massas mA .

Construir o gráfico mA = f (a) .Construir o gráfico T’= f (a’) explicando o que representa o coeficiente angular da reta .Com o mesmo dispositivo fixar a massa de B (mB) e variar a massa de A (mA) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 63 mA (g) mB (g) g a a’ (cms-2) (cms-2) (cms-2) %E1 x (cm) t (s) T (dina) T’ (dina) %E1 .Completar a tabela mA (g) mB (g) g a a’ (cms-2) (cms-2) (cms-2) %E1 x (cm) t (s) T (dina) T’ (dina) %E1 .

Designando-se por Q escrevemos: Q = mv A quantidade de movimento é uma grandeza vetorial e tem a mesma direção que a velocidade. Quando ela observa que a velocidade ou a quantidade de movimento da partícula deixa de permanecer constante. Princípio da conservação da quantidade de movimento Como conseqüência imediata da lei da inércia.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 64 V. que ela interage com outras). ou em outras palavras. suas velocidades individuais variam com o tempo e suas trajetórias são de modo geral curvas. as partículas estarão em A’e B’ com velocidades v1’e v2’. de uma partícula é definida como o produto de sua massa por sua velocidade.s-1. Consideremos agora uma situação ideal. Chamando de m1 e m2 as massas das partículas. respectivamente. A quantidade de movimento é um conceito físico muito importante porquanto ela combina os dois elementos que caracterizam o estado dinâmico de uma partícula: sua massa e sua velocidade. quando a partícula sofre uma aceleração. A quantidade de movimento é expressa em m. podemos dizer que um observador inercial reconhece que uma partícula não é livre (isto é.kg. 2 Ao escrevermos essa equação mantivemos a afirmação de que as massas das partículas independem de seus estados de movimento. Como resultado das interações. no instante t é: Q′ = Q1 + Q′ = m1v1 + m 2 v 2 . e assim utilizamos as mesmas . como indica a figura pelas curvas 1 e 2.02 Momento linear Objetivo • Verificar a conservação da quantidade de movimento Fundamento teórico A quantidade de movimento. como se admitiu na lei da inércia. Pode-se agora dar outro enunciado à lei da inércia dizendo-se que uma partícula livre move-se sempre com quantidade de movimento constante. Num instante posterior t’. dizemos que a ′ quantidade de movimento total do sistema. também denominada movimento cinético ou momento simplesmente. observarmos duas partículas sujeitas somente às suas interações mútuas e isoladas do resto do universo. Suponhamos que em lugar de observarmos uma partícula isolada no universo. a partícula 1 está em A com velocidade v1 e a partícula 2 está em B com velocidade v2. Num certo instante t.

Assim o resultado acima pode ser expresso dizendo-se que: uma interação acarreta uma troca de quantidade de movimento. A conservação da quantidade pode ser expressa matematicamente pela seguinte equação: Q = ∑ Q i = cons tan te . é justamente um caso particular do princípio da conservação da quantidade de movimento. Portanto na sua forma mais geral o princípio da conservação da quantidade de movimento tem o seguinte enunciado: a quantidade de movimento total de um sistema isolado de partículas é constante. é que não importa quais sejam os instantes t e t’. a variação de quantidade de movimento entre os instantes t e t’. Esse resultado constitui o princípio da conservação da quantidade de movimento. Embora o princípio enunciado acima considere somente duas partículas ele vale também para um número qualquer de partículas constituindo um sistema isolado. podemos escrever: ∆Q1 = − ∆Q2 . vale para partículas sujeitas somente a suas interações mútuas. de modo que a quantidade de movimento perdida por uma das partículas em interação é igual à quantidade de movimento ganha pela outra partícula. deveríamos escrever: ′ ′ Q′ = m1v1 + m ′ v ′ .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 65 massas que aparecem na equação. Ocorre que: Q1 + Q1 = Q 2 + Q′ = −(Q′ + Q 2 ) ou chamando de 2 2 2 Q′ + Q = ∆Q . encontramos sempre como resultado de nossa observação que Q = Q′ . sem interações como outras partes do universo. Um dos princípios mais fundamentais e universais da física. para duas partículas em interação a quantidade de movimento de uma partícula durante um certo intervalo de tempo é igual em módulo. Esse resultado indica que. isso porque. e de sinal contrário à variação da quantidade de movimento da outra durante o mesmo intervalo de tempo. a qual implica que para um sistema solado a variação de i movimento de uma partícula durante um certo intervalo de tempo é igual em módulo e de sinal contrário à variação da quantidade de movimento do resto do sistema no mesmo intervalo de tempo. isto é. Caso contrário. Para o caso particular de duas partículas: Q1 + Q 2 = cons tan te ou ′ ′ Q1 + Q 2 = Q1 + Q′ . Em outras palavras: a quantidade de movimento total de um sistema composto de duas partículas sujeitas somente às sus interações mútuas permanece constante. existirá . 2 2 O resultado importante do nosso experimento. A lei da inércia. se tivermos somente uma partícula isolada.

Determinar a massa: m 2 = m + m1 .Determinar a massa m1 do móvel . ou de modo equivalente v = constante.Construir o gráfico QBC = f(m2) .Variar a massa m por pelo menos cinco vezes .Marcar no trilho os pontos correspondentes aos espaços xAB e xBC .Calcular a variação da quantidade de movimento: ∆Q = Q BC − Q AB . Trabalho experimental . o que é a lei da inércia.Calcular a quantidade de movimento: Q AB = m1v AB . tornando-se assim Q = cons tan te .Calcular a quantidade de movimento: Q BC = m 2 v BC .Impulsionar o móvel e quando o mesmo passar por B.Calcular a velocidade do móvel no espaço xBC .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 66 somente um termo.Completar a tabela m1 (g) m (g) m2 (g) xAB (cm) xBC (cm) tAB (s) tBC (s) vAB vBC QAB QBC ∆Q (cm/s) (cm/s) (gcm/s) (gcm/s) (gcm/s) .Determinar o tempo necessário para o móvel percorrer os espaços xAB e xBC . abandonar sobre ele uma massa m .Calcular a velocidade do corpo no espaço xAB .

Trabalho experimental para a figura temos: na direção X: v1X = v X = cons tan te e x = v X t na direção Y: v1Y = 0 . o princípio físico da conservação da energia.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 67 V – 03 Conservação de energia Objetivo • Verificar o princípio de conservação de energia Fundamento teórico Um sistema mecânico. tem sua energia mecânica (E) conservada. expresso pelas equações: ∆E = ∆E C + ∑ ∆E P e ∆E = W Para um sistema conservativo tem-se: ∆E = 0 e ∆E C = − ∑ ∆E P . no qual atuem apenas forças conservativas. Tem-se então. ou seja. Associa-se uma energia potencial (EP) a cada força conservativa. o trabalho (W) realizado por elas é igual à variação da energia mecânica. v Y = 2gh e h = gt 2 2 . de modo que a soma de suas variações seja igual a uma variação oposta da energia cinética (EC). v Y = gt . qualquer aumento da energia cinética corresponde a uma igual diminuição da energia potencial e vice-versa. Havendo forças dissipativas.

onde E1 = E P + E C e E 2 = E P + E C vY vX .Calcular a velocidade com que a esfera atinge o solo .Determinar as alturas h e H .Soltar a esfera e cronometrar o tempo que a mesma leva pra percorrer a canaleta .Calcular a velocidade v1 .Verificar o princípio de conservação de energia: E1 = E 2 .Determinar a massa da esfera .Repetir o procedimento determinando o tempo do percurso total de queda da esfera bem como o espaço atingido (x) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 68 pela composição do movimento nas direções X e Y temos que o módulo da velocidade num instante t qualquer é v = v 2 + v 2 e a sua direção θ = arctg X Y .

Quando os corpos aderem um ao outro e se movem juntos após a colisão esta é chamada perfeitamente inelástica. Com efeito. sejam m e m´ suas massas. 2 Pois que a ação é igual e contrária à reação. portanto. a quantidade total de movimento permanece constante.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 69 V – 04 Colisões Objetivos • • • Analisar os efeitos da colisão de dois corpos que permanecem unidos após a colisão Reconhecer se a colisão elástica ou inelástica Verificar o princípio da quantidade de movimento Fundamento teórico Quando dois corpos colidem. v1 e v2 suas velocidades respectivas antes da colisão. 2 2 O primeiro membro da última equação é a quantidade de movimento antes do choque e o segundo membro é a quantidade total depois do choque. donde ( mv1 + mv1 ) = ( m′v 2 + m′v ′ ) . Se as forças de interação entre os corpos forem conservativas. temos: F = − F′ e Ft = − F′t . esta proposição. denominada lei da conservação da quantidade de movimento é análoga à da conservação da energia. iguala a ′ impulsão. é uma conseqüência do princípio de ação e de reação (Newton). para cada um. consideremos dois corpos que colidem. v´1 e v´2 suas velocidades depois da colisão. Escrevamos que as variações de quantidade de movimento. Apenas considerações sobre momento linear não são suficientes para determinar completamente as velocidades finais. a energia total será a mesma antes e depois da colisão que será chamada perfeitamente elástica. ′ ′ ( m′v 2 − mv1 ) = −( m′v ′ − mv1 ) . durante o tempo da colisão: m′v 2 − mv1 = Ft e m′v ′ − mv1 = F′t . .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 70 Colisões inelásticas No caso de uma colisão perfeitamente inelástica entre os corpos 1 e 2. tem-se por ′ definição que: v1 = v ′ = v ′ . haverá duas equações independentes por meio das quais as velocidades podem ser determinadas. mv1 + m′v 2 . ( m + m′) Colisões elásticas A energia e a quantidade de movimento são conservadas: 2 2 ′ mv1 m′v 2 mv12 m′v ′2 2 + = + 2 2 2 2 ′ mv1 + m′v 2 = mv1 + m′v ′ 2 Se as massas e as velocidades forem conhecidas. a solução simultânea destas fornece: ′ v1 = 2m′v 2 + v1 ( m − m′) . 2 sendo o primeiro termo depois da colisão e no segundo membro antes da colisão. 2 A razão entre as energias final e inicial resulta em: v ′ = Numa colisão inelástica a energia total decresce. ( m + m′) 2 mv1 m′v 2 2 e após a + 2 2 A energia cinética dos sistema. antes da colisão é: E = colisão é: E′ = ( m + m′) v ′2 . m + m′ v′ = 2 2mv1 − v 2 ( m − m′) m + m′ e ′ ( v ′ − v1 ) = −( v 2 − v1 ) . . mas não se altera em módulo. A velocidade relativa de duas partículas após uma colisão central perfeitamente elástica muda de sentido. que é a velocidade relativa de um corpo em relação ao outro. que combinada com a relação da quantidade de movimento 2 dá: v ′ = mv1 + m′v 2 .

Calcular a energia cinética dos dois corpos antes do choque: E CA = E CB = m Bv 2 B o que resulta E C1 = E CA + E CB . sendo que por sua vez a velocidade de a deve ser maior que a de B . simultaneamente. lembrando que a velocidade do sistema após a colisão por: v = m v + m Bv B x e v′ = A A t mA + mB mA v 2 A 2 e .Calcular as velocidades vA e vB.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 71 Trabalho experimental .Calcular a energia cinética dissipada sob a forma de calor: ∆E C = E C1 − E C2 .Calcular o coeficiente de restituição para o sistema em estudo: e = .Nivelar o trilho e colocar os carros A no início da trajetória e B alguns centímetros à frente .Imprimir movimentos nos carros a e B.Determinar as massas dos carros mA e mB . anotar ainda o tempo gasto para percorrer o espaço x .Completar a tabela mA (g) mB (g) m (g) xA (cm) xB (cm) x (cm) tA (s) tB (s) t (s) v ′B − v ′ A vA − vB vA (cm/s) vB (cm/s) v (cm/s) v´ (cm/s) ECA (erg) ECB (erg) EC1 (erg) EC2 (erg) ∆EC (erg) .Calcular a energia cinética após o choque: E C 2 = .Anotar o tempo gasto pelo carro a para percorrer o espaço xA e o tempo gasto pelo carro B para percorrer o espaço xB. 2 (m A + m B ) v ′2 A 2 .

representa a inércia de rotação. Barra delgada em torno do centro – a massa dM de uma porção dρ da barra é: dM = onde L comprimento total da barra. 2 Note-se que a dedução independe da espessura do disco. A massa dM de um desses anéis está para a massas M do disco assim como o volume do anel está para o volume do disco temos: dM = M 2 πρ dρ πr 2 de modo que I = ∫ ρ 2 dM = r2M . onde ρ varia de 0 r. raio r e altura L em torno do eixo do cilindro qualquer que seja L.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 72 V – 05 Momento de inércia Objetivos • • Determinar o momento de inércia Verificar a conservação de energia Fundamento teórico Momento de inércia é o produto de uma unidade de massas por uma unidade de distância ao quadrado: I = M × r 2 . para rotações em torno desse eixo. O momento de inércia de um corpo rígido em relação a um eixo. Momento de inércia para corpos homogêneos Aqueles cuja densidade de massa é constante. Anel circular delgado em torno do centro – sendo r. Assim: I = ∫ ρ 2 dM = L2 M . o raio médio do anel. de modo que o resultado dá o momento de inércia de um cilindro circular de massa M. ou seja.. para todos os elementos de massas dM: I = r 2 ∫ dM ⇒ I = r 2 M . L . 12 Mdρ . onde µ é constante. que a massa dM de um elemento de volume dV é dM = µdV . onde M é a massas do anel Disco circular em torno do centro – podemos imaginar o disco decomposto em anéis de raio ρ e largura infinitésima d.

ao rolamento 2 Raio de giração Por razões dimensionais. de modo que também se obtém o momento de inércia de uma placa retangular delgada de comprimento L em torno de um eixo central perpendicular à direção de L. onde r 2 = R 2 − Z 2 5 ML3 3 Fazer girar uma vareta em torno de uma extremidade é mais difícil do que em torno do seu centro (a inércia é quatro vezes maior) Cilindro em torno de uma geratriz: I = de uma roda sobre um plano 3Mr 2 . Esses discos de espessura dZ e raio r. Esse comprimento k chama-se raio de giração do objeto em relação ao eixo considerado assim: I = Mk 2 Os resultados precedentes correspondem aos seguintes raios de giração Anel circular em torno do centro: k = r Disco circular em torno do centro: k = Barra delgada em torno do centro: k = r 2 L 2 3 Esfera em torno de um diâmetro: k = r 2 5 . isto se aplica. particular. em. Esfera em torno de um diâmetro – podemos considerar uma esfera com uma pilha de discos circulares perpendiculares ao diâmetro considerado. o momento de inércia é sempre igual à massa do objeto multiplicada pelo quadrado de um comprimento. situado à altura Z do plano equatorial. qualquer que seja a altura H.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 73 Novamente independente da altura da barra. A massa dM do disco está para a massa M da esfera na mesma proporção dos volumes respectivos: dM = 3Mr 2 dZ 4R 3 Para obtermos o momento de inércia total. integramos sobre um hemisfério e multiplicamos por dois o resultado: I = ∫ r 2 dM = Barra delgada em torno de uma extremidade: I = 2R 2 M .

Medir o raio do disco de fibra (r) .Calculo da velocidade: v = 2x e v ′ = 1.Medir a massa da esfera (M) .Medir a altura de queda (h) .Determinar a massa do disco (M) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 74 Trabalho experimental I .Variar a massa m e a altura h .Medir a altura de queda (h) .momento de inércia de um disco .Calcular o momento de inércia pela equação 1 e por: I ′ = .Calcular o momento de inércia: E P = E CT + E CR mgh = mv 2 Iw 2 1 + 2 2 MR 2 2h 2h e w= que resulta em: I ′ = 2 t tr m (g) R (cm) r (cm) h (cm) t (s) I (gcm-2) %E1 EP (ergs) ECT (ergs) ECR (ergs) %E2 onde v = .Determinar o raio da esfera (r) .Determinar o raio do disco (R) .Medir o espaço percorrido plea esfera (x) .Enrolar o fio no disco de fibra .195 gh t 2 Mr 2 5 .Acionar o cronômetro quando o corpo de massa m iniciar o movimento e desligar quando tocar o solo .Completar a tabela M (g) II .Momento de inércia de uma esfera .

Seguir procedimento da esfera .Calcular o momento de inércia pela equação 1 e por: I ′ = .Completar a tabela: m (g) r (cm) h (cm) x (cm) t (s) I (gcm-2) %E1 v v’ EP (cm/s) (cm/s) (ergs) ECT (ergs) ECR (ergs) III .Momento de inércia de um cilindro .Completar a tabela m (g) r (cm) h (cm) x (cm) t (s) I (gcm-2) %E1 v v’ EP (cm/s) (cm/s) (ergs) ECT (ergs) ECR (ergs) Mr 2 2 .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 75 .

pode ser considerado como proporcional à força normal que pressiona um corpo ao outro. para a maioria dos casos práticos. Na decomposição dessa força nas direções perpendicular ou normal e paralela à área de contato. isto é.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 76 V – 06 Atrito Objetivos • • Determinar os coeficientes de atrito estático e dinâmico em um plano vertical Determinar os coeficientes de atrito estático e dinâmico em um plano horizontal Fundamento teórico O atrito é um fenômeno físico presente nas diversas atividades do cotidiano. medir o componente da força de contato entre duas superfícies. em módulo: f = µN . a que se opõe ao movimento ou à tendência deste. paralela às mesmas. É percebido como uma dificuldade ao movimento relativo de duas superfícies em contato. Medir o atrito é então. Na área de contato de duas superfícies age uma força oposta e com mesma intensidade da força resultante responsável pelo contato. Por outro lado. luz e calor. Quando há movimento relativo a força de atrito pode variar com a velocidade ou devido a outros fatores tal como o desgaste das superfícies. não havendo o deslocamento relativo das superfícies. e é designada por µ. A constante de proporcionalidade é chamada coeficiente de atrito. Para se estudar esse fenômeno é preciso medir alguma grandeza física associada. Quanto maior sua intensidade maior a resistência ao movimento. desgastando as superfícies e liberando energia sob as formas de som. Podemos verificar experimentalmente que o módulo da força de atrito. cujas rugosidades produzem pontos de encaixe e soldas entre ambas. a força de atrito é obtida da condição de repouso. O componente normal da força de contato é responsável pelo encaixe das rugosidades das superfícies. tem-se nessa última. Um aspecto interessante para investigação é a relação existente entre a intensidade máxima da força de atrito e do componente normal da força de contato. Essa dificuldade significa que o atrito pode impedir ou reduzir o movimento.

naturalmente. impossível levar em conta as interações moleculares individuais. Isso permite escrever a equação na forma v r vetorial: f = − i µN . elas são determinadas de modo coletivo por métodos experimentais e representadas aproximadamente pelo coeficiente de atrito. porquanto f representa a soma de um grande número de interações entre as moléculas dos dois corpos em contato. i = . verifica-se que µS > µC. quando multiplicado pela força normal. Para todos os materiais já testados experimentalmente. O coeficiente de atrito cinético. se F é a força aplicada movendo o corpo para a direita a força r horizontal resultante para a direita é: F = −µN i e a equação do movimento do corpo é: r ma = F − µN i Há em geral duas espécies de coeficientes de atrito: o estático µS. . da a força mínima necessária para iniciar o movimento relativo dos dois corpos inicialmente em contato e em repouso relativo. sendo. O atrito é um conceito estatístico. quando multiplicado pela força normal. Por exemplo.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 77 A força de atrito de deslizamento opõe-se sempre ao movimento do corpo tendo assim direção oposta à velocidade. µC. dá a força necessária para manter os dois corpos em movimento relativo uniforme. Podemos escrever a equação em forma vetorial observando que um vetor unitário no sentido do movimento é obtido pela divisão do vetor r r v velocidade pelo módulo da velocidade.

Colocar o bloco de madeira no plano inclinado de modo que o mesmo não deslize.Como o bloco está começando a deslizar: r r PT  f = PT  r r r r sen θ = P ⇒ PT = sen θP ( 2) f = µ S N µ S PN = PT (1) .Medir o ângulo de inclinação: θ = ________ .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 78 Trabalho experimental I – Determinação do coeficiente de atrito estático no plano inclinado . .Medir o ângulo de inclinação: θ = ________ . sendo  P r r sen θ = T ⇒ PN = cos θP (3) N = PN    P substituindo (2) e (3) em (1) teremos: µ S cos θP = sen θP µ S cos θ = sen θ µS = sen θ cos θ µ S = tgθ II – Determinar o coeficiente de atrito dinâmico no plano inclinado .Colocar o bloco de modo a faze-lo deslizar suavemente .Diminua a inclinação do plano que o bloco pare .Nestas condições: µ D = tgθ .Variar a inclinação do plano de modo que o bloco comece a deslizar .

Determine o peso do bloco através do dinamômetro: PN = _________ r fS .Repetir o experimento para as várias faces do corpo: Conclusões: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .Determinar µS através do gráfico: µ S = r ∆P . com a menor força que o coloque em movimento e de modo que a leitura seja constante. preso a um dinamômetro.Construir o gráfico f S = f ( P) r ∆f S .Colocar sobre o corpo pesos diferentes e repetir o procedimento PN (gf) PA (gf) P= PN +PA (gf) FS µS r r .Puxe o corpo pelo dinamômetro.Seja um corpo de massa m sobre um plano horizontal. . Nessas condições o valor da força lida no dinamômetro r r é igual à força de atrito estático: F = f S = ________ r .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 79 III – Determinar o coeficiente de atrito estático num plano horizontal .Desse modo o coeficiente de atrito estático é dado por: µ S = r PN .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 80 V. Quando M > m o movimento é uniformemente acelerado. Da consideração simultânea das equações acima teremos: g = ( m + M )a . basicamente. o movimento do sistema será uniforme (lei da inércia). de uma polia fixa na qual se colocam através de um fio dois pesos como mostra a figura. ( M − m) .07 Máquina de Atwood Objetivo • Determinar a aceleração da gravidade Fundamento teórico A máquina de Atwood é composta. Podemos verificar através deste equipamento o princípio da inércia. Quando m = M o sistema permanecerá em repouso. Movimentando uma das massas. para o corpo de massa M que desce: P − T = Ma . a lei fundamental da dinâmica ( F = ma ) e determinar aproximadamente o valor de g. Considerando-se as forças que interagem no conjunto temos para o corpo de massa m que sobe: T − p = ma .

Variar as massas m e M e repetir os cálculos .Anotar o tempo para percorrer este espaço . Observe.Determinar o valor de g através da expressão: g = .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 81 Trabalho experimental .Determinar os valores médios de a e de g .Calcular o valor da aceleração por: x = x o + v o t + .Colocar na máquina de Atwood duas massas M e m iguais.Explique as diferenças observadas.Colocar o conjunto acima em movimento. .Colocar na máquina de Atwood duas massas M e m diferentes .Marcar o espaço a ser percorrido . . . deixar o conjunto em repouso. Observe.Calcular o erro at 2 2 ( m + M )a ( M − m) .

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VI MOVIMENTO OSCILATÓRIO .

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pt/museu/index. O ponteiro maior roda em torno do eixo central do mostrador. Este físico português. Akademie der Wissenschaften de Berlim.uc. Petersburgo. indicando os segundos. e serve para indicar as horas. Hollandsche Maatschappij der Wetenschappen de Haarlem. etc. Magalhães foi membro ou correspondente das seguintes sociedades científicas: Academia das Ciências de Lisboa. Literary and Phylosophical Society de Manchester e Royal Society de Londres. Náutica. viveu a fase mais produtiva da sua existência em Londres.fis. Magalhães colaborou com a Coroa espanhola e portuguesa. Esta escala está gravada num disco. move-se o ponteiro menor. assinaladas de 10 em 10. tendo supervisionado a sua construção na capital inglesa. American Philosophical Society de Filadélfia. Académie des Sciences de Paris. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. Desta coleção faziam parte alguns relógios de pêndulo. localizado na parte posterior do mostrador principal do relógio.htm . Academia Imperial de Ciências de S. Em Londres. onde veio a falecer. natural de Aveiro. O mostrador deste relógio apresenta dois ponteiros. assinalando os minutos através duma escala dividida em 60 partes iguais e marcada de 5 em 5. de menores dimensões e localizada na parte superior do mostrador. Física. sendo um deles maior do que o outro. Sobre uma segunda escala. Real Academia de las Ciencias de Madrid. Académie Royal des Sciences de Bruxelas.. enviando para os respectivos países coleções de instrumentos de Astronomia. Esta escala encontra-se também dividida em 60 partes.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 85 Pêndula O relógio de pêndulo aqui apresentado tem no mostrador a assinatura de João Jacinto de Magalhães. tendo o Gabinete de Física o privilégio de ver um deles integrado na sua coleção. Na parte inferior do mostrador encontra-se uma pequena janela através da qual se pode observar uma escala em numeração romana.

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Assim como o movimento de um . em torno da posição y = 0. Calculando-se essas energias. Atuam sobre o corpo as forças conservativas peso (mg) e elástica da mola (-k∆y). na posição y = ym em que a mola não está deformada (nem esticada. As energias potenciais associadas a essas forças são escritas como: E PY = E P0 + mgy e E EY = k∆y 2 2 mv 2 . um sistema composto por um corpo de massa (m) pendurado à extremidade de uma mola. nem comprimida). Se o corpo for abandonado a partir do repouso. aqui. onde v é a sua 2 A energia cinética do corpo é dada pela equação: E P = velocidade. com amplitude igual a ym. presa por sua outra extremidade a uma suporte. o sistema inicia um movimento oscilatório. conforme mostrado na figura. Esse movimento é denominado movimento harmônico simples (MHS). o princípio da conservação da energia pode ser verificado para as posições onde v se anula ou assume o valor máximo vm.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 87 VI – 01 Movimento harmônico simples Objetivo • Estudar o movimento harmônico simples através da oscilação de um objeto suspenso por uma mola Fundamento teórico Considera-se.

.Calcule os valores da energia potencial elástica para as posições do item a. . o valor de vm é calculado por: vm = 2πy m . ym e T.Esboce as curvas dessas energias. m O MHS pode ser descrito como a projeção de um movimento circular uniforme (MCU) com velocidade de módulo vm. T A constante elástica da mola pode ser obtida da situação estática de equilíbrio entre a força elástica e o peso ou da situação dinâmica por meio da medida do período. Ou seja. . . Desse modo. EE e k.Construa o gráfico (energia x posição) dos pontos correspondentes aos valores da tabela. calcule os valores de EP(y) para as posições do item a. onde km é o valor máximo da energia cinética. . 2y m  T  Trabalho experimental . . ym T2 Substituindo-se as expressões de vm e k nas definições das energias cinética e potencial elástica obtém-se 2 2 as fórmulas: y  k m = 2 π 2 m m   T  e mg∆y 2  ∆y  = 2 π 2 m E EY =  .Identifique os valores de y para os quais a velocidade do corpo se anula ou é máxima.Calcule a constante elástica da mola pelo método estático.Meça m.Tomando-se E PG (− y m ) = 0 . EP.Calcule os valores da energia cinética para as posições do item a. Uma oscilação completa do MHS corresponde portanto a uma volta no MCU associado. .Compare o valor medido de T com o previsto para esse sistema.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 88 pêndulo. . esse também é caracterizado por um período (T) de oscilação dado por: T = 2π k . . Medindo-se ym e T. a amplitude (ym) do MHS é igual ao raio da trajetória do MCU. k= 4π 2 m mg ou k = .Organize numa tabela os valores de y. .

não sendo uma de suas características intrínsecas. as forças que agem sobre a partícula. fazendo o pêndulo oscilar. Para pequenas amplitudes. de intensidade mg sen θ . Uma vez que o pêndulo simples é um sistema mecânico caracterizado apenas pelos parâmetros L e m. conforme mostrado na figura. agirá no sentido de restaurar o equilíbrio. se equilibram. Porém. outro fator que pode afetar o período do pêndulo é a amplitude (θ) de sua oscilação. .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 89 VI – 02 Pêndulo simples Objetivos • • Determinar a aceleração local da gravidade Comprovar as leis do pêndulo simples Fundamento teórico O pêndulo simples é um sistema mecânico ideal constituído de uma partícula de massa m suspensa por um fio inextensível e sem massa de comprimento L. o seu peso (mg) e a tensão aplicada pelo fio. Esse último fator determina a condição inicial imposta à dinâmica do sistema mecânico. de modo que a direção do fio faça um ângulo θ com a vertical. Quando o pêndulo está em repouso. pode-se investigar como eles afetam o período (T) de oscilação do pêndulo. se o pêndulo for afastado de sua posição de equilíbrio. Além disso. o componente do peso perpendicular ao fio.

de tal forma que a amplitude não ultrapasse 5°. . Não alterar a massa ou amplitude de oscilação.Calcular a aceleração da gravidade por: g = 4π 2 L (cm) t (s) n T (s) T2 (s) L T g (cm/s2) gT (cm/s2) %E .Variar o comprimento do fio (repetir o procedimento para pelo menos cinco comprimentos).Montar o equipamento conforme indicação. . g Trabalho experimental . (repetir 6 vezes. obtendo o período médio): T = t (s) n T (s) t (s) n t n T (s) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 90 tais que senθ≈θ (<5o). .Construir o gráfico T 2 = f ( L) e determinar a aceleração da gravidade . a dependência do período com o comprimento do pêndulo é: T = 2π L . cronometrando o tempo para que o mesmo efetue 10 oscilações.Fazer o pêndulo oscilar.Determinar o período de oscilação do pêndulo.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 91 .Para um determinado comprimento repetir o procedimento fixando a amplitude. repetir o procedimento para amplitudes diferentes (lei do isocronismo). m (g) n (osc) t (s) T (s) m (g) n (osc) t (s) T (s) . porém utilizando massas diferentes. A (cm) n (osc) t (s) T (s) A (cm) n (osc) t (s) T (s) .Fixando a massa e o comprimento.

em relação ao eixo Z. d 2θ dt 2 é a . Iα = ΓZ dá I d 2θ dt 2 = − mgb sen θ . seja ZZ’o eixo principal e C o centro de massa do corpo. e α = aceleração angular a equação. também chamado pêndulo composto. Se I é o momento de inércia do corpo. quando alinha OC faz um ângulo θ com a vertical.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 92 VI – 03 Pêndulo físico Objetivos • • • • Determinar o centro de gravidade da barra Determinar a aceleração da gravidade Determinar o raio de giração Determinar o momento de inércia Fundamento teórico Qualquer corpo rígido suspenso de um ponto O de tal forma que possa girar livremente (sem atrito) em torno de um eixo horizontal passando pelo ponto de suspensão O constitui um pêndulo físico. a componente Z do torque que age sobre o corpo é: Γ = − mgb sen θ . onde b é a distância OC entre o eixo Z e o centro de massa C.

Um pêndulo simples com esse comprimento tem o mesmo período do pêndulo físico. Note-se que o período de um pêndulo físico é independente de sua massa e d forma geométrica. permaneçam constante.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 93 Supondo que as oscilações tenham pequenas amplitudes.Determinar a massa m da barra que constitui o pêndulo .Suspender a barra por cada parte e determinar o tempo o tempo para dar 10 oscilações .Construir o gráfico T = f(L) .Dividir a barra em partes iguais . onde gb b comprimento do pêndulo. Assim o período de oscilação é: T = 2 π k2 k2 = L . A equação acima mostra que o movimento angular oscilatório é harmônico simples.Calcular o período: T = t n . Trabalho experimental . teremos: + gb k2 θ = 0. I d 2θ dt 2 Como I = mk 2 . isto é o . desde que o raio de giração k e a posição do centro de massa. onde k é o raio de giração.Extrair do gráfico os valores de L1 e L2 e calcular a aceleração da gravidade por: . dada por b. podemos considerar sen θ ≈ θ . de modo que: d 2θ dt 2 =− mgb θ. com ω2 = gb k2 .

Calcular o raio de giração por: T = 2π .Através do gráfico determinar o valor de km (raio de giração) .Completar a tabela gT %E1 gT (cm/s2) (cm/s2) CGG (cm) CGM (cm) %E1 kM kC %E1 I’ I” %E1 I (gcm3) (gcm3) (gcm3) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 94 T = 2π L1 + L 2 g . por I ′ = Mk 2 + Mb 2 e por I ′′ = m mgb 12 k 2 + b2 gb espessura da barra.Calcular o momento de inércia por: T = 2π I x 3d onde x é o comprimento e d a .Determinar no gráfico o valor do centro de gravidade . .

VII ELASTICIDADE .

_________________________________________________________________________ 96 .

quando se dá a ruptura da peça. subdivididas em quatro. Esta trave apoia-se sobre duas robustas colunas verticais que se elevam de uma plataforma horizontal cujo comprimento é superior ao da balança. A peça da qual se pretende determinar a tensão de ruptura é colocada entre o gancho da balança e a plataforma. no capítulo Introductio ad Cohaerentiam Corporum Firmorum. em forma de cabaça._________________________________________________________________________ 97 Balança romana com peso cursor Este exemplar de balança romana mede 1.fis. PIETRA.pt/museu/index. O peso cursor da balança. Musschenbroek apresenta os desenhos de várias peças fraturadas. Segundo as indicações do Index Instrumentorum a balança pode suportar um peso de 920 libras (450 kg).uc. Musschenbroek utilizava a balança para a determinação da tensão de ruptura de peças com diferente geometria e construídas de materiais distintos.56 m de comprimento total. que teriam sido objeto de estudo.htm . As divisões não são numeradas. Peter van Musschenbroek. A balança está montada num suporte adequado. medindo o braço maior 1. C.45 m e o menor 3 cm. no seu livro intitulado Physicae Experimentalis et Geometricae. apresenta. bem como de pormenores respeitantes à fixação destas peças entre o gancho da balança e o estrado. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www. excetuando as das extremidades: 40 na mais afastada do fulcro e 12 na mais próxima. um estudo experimental onde é utilizada uma balança com características semelhantes às da balança do Gabinete de Física de Coimbra. suspensa de uma trave horizontal de secção quadrangular e de grande espessura. O braço maior tem marcadas 60 divisões. No livro acima referido. existe uma corda entre as duas colunas destinada a segurar o braço da balança. Para evitar um grande impacto entre a balança e a plataforma da estrutura de apoio. pesa aproximadamente 9 kg e o gancho donde está suspenso apresenta a marca do fabricante: RF LXA. A intensidade da força de tração a que a peça fica sujeita varia consoante a posição do peso cursor da balança.

_________________________________________________________________________ 98 .

Deformação unitária é a deformação por unidade de comprimento. A deformação pode ser devido à tensão. estabelece que um corpo sobre o qual atuam forças externas se deformará em . a força tende a fazer a mola voltar à posição de equilíbrio. em c. x representa o deslocamento a partir da posição de equilíbrio da mola. uma vez que se eliminaram as forças externas. que relaciona o esforço e a deformação dentro do limite proporcional.01 Lei de Hooke Objetivos • • Comprovar a lei de Hooke Determinar a constante elástica da mola Fundamento teórico >0 Nas figuras a e c. onde x é um vetor unitário ao longo de ~ ~ OX (direção da mola). ^ r verifica-se experimentalmente que: F = − k ⋅ x ⋅ x ~ ou seja. x > 0 (distensão). A lei de Hooke. temos F > 0 (repulsiva) em a e F < 0 (atrativa) em c. a força restauradora é proporcional ao deslocamento da posição de equilíbrio (linear). à compressão ou ao corte. Para x suficientemente pequeno. Deformação é a quantidade de mudança na forma de um corpo sob a ação de forças externas. calculada como a razão da deformação total ao comprimento original do corpo. mostrada em b._________________________________________________________________________ 99 VII . Elasticidade é a propriedade de um corpo que lhe permite sofrer uma deformação e regressar à sua forma original. A constante de proporcionalidade k é característica da mola (constante da mola). Em a temos x < 0 (compressão). ^ r ^ Se representarmos a força por F = F ⋅ x . ou seja.

Calcular a constante para cada deformação: k = F ∆L . As figura a e c ilustram a origem do sinal (-) na equação da lei: F( x ) = − k ⋅ x A força F tende a se opor ao deslocamento da partícula.Calcular as deformações: ∆L = L − L O . após receber cada carga . e F < 0 para x > 0 (distensão da mola). onde n – número de oscilações n M+ k m 3 .Determine o tempo (t) gasto para o corpo dar 20 oscilações .Construir o gráfico F = f(∆L) e determinar a constante da mola a partir do coeficiente angular da reta kC (aplicar o método dos mínimos quadrados) .Determinar a massa da mola (m) . F > 0 para x < 0 (compressão da mola). ou seja. trazendo-a de volta à situação de equilíbrio.Determine o valor referencial da mola LO .Calcular o período do movimento por: T = t .Determinar a constante da mola pela fórmula: T = 2 π .Montar o aparelho segundo orientação . Diz-se por isto que F é uma força restauradora.Calcular o erro: % E = kT − k kT × 100 e % E = kT − kC kT × 100 II – Método dinâmico . A constante da mola k mede-se em N/m. Trabalho experimental I – Método estático .Colocar cargas sucessivas na mola ._________________________________________________________________________ 100 proporção ao esforço desenvolvido.Colocar um corpo de massa (M) a oscilar verticalmente na mola .Medir a nova posição da mola .

diz-se que é linearmente elástico. A fórmula é conhecida como lei de Hooke.Montar o aparelho conforme explicação . A relação linear entre a tensão e a deformação.02 Módulo de Young Objetivo • Determinar o módulo de Young. Trabalho experimental . também uma relação linear entre a tensão e a deformação.Colocar cargas de 100g em 100g e a cada carga determinar a deformação ∆L .Determinar o diâmetro d do fio .Calcular o módulo de Young por: E c = F ⋅ LO π ⋅ r 2 ⋅ ∆L . utilizando-se um fio de seção circular. L A L A ∆L P e a A A relação mostra que o alongamento de uma barra linearmente elástica é inversamente proporcional à carga e ao comprimento e inversamente proporcional ao módulo de elasticidade e à área de seção transversal. pode ser expressa por: T = E ⋅ δ onde E é uma constante de proporcionalidade conhecida como módulo de elasticidade do material (que é o coeficiente angular da parte linear do diagrama tensão x deformação sendo diferente para cada material) e δ a deformação. =E ∴E = . Fundamento teórico Quando um material se comporta elasticamente e apresenta. por referência a Thomas Young. Quando uma barra é carregada por tração simples a tensão é: T = deformação (alongamento relativo) é: δ = ∆L P ∆L P L ._________________________________________________________________________ 101 VII .Determinar o comprimento Lo do fio . O módulo de elasticidade é conhecido também como módulo de Young.

_________________________________________________________________________ 102 .Fazer a correção da curva pelo método dos mínimos quadrados .Obter o módulo de Young EG a partir do coeficiente angular da reta corrigida .Construir o gráfico: T = f(∆L) .Calcular a tensão por: T = E T ⋅ ∆L LO .Calcular o erro por: % E1 = ET − EC ET × 100 e % E 2 = ET − EG ET × 100 .

Supor que XY seja o plano de simetria e que todas as cargas estejam neste plano. Esta condição de momento fletor constante caracteriza a flexão pura. A fim de introduzir o conceito de tensões exercidas nas vigas. AB (figura 2). Antes da aplicação da carga P. Fundamento teórico Deformação que uma barra sofre devido ã aplicação de uma força ao seu eixo longitudinal. A ação dos momentos fletores M faz com que o eixo da viga se curve como um arco circular. Este fato pode ser verificado em laboratório. Considere-se. considere-se uma que suporte duas cargas P (figura 1). situa-se nele também. Para deduzir a equação . Depois da flexão o eixo torna-se curvo. o eixo longitudinal é reto. Sua parte central não tem força cortante e está sujeita a um momento fletor igual a Pa. como se vê na figura: linha ACB. a viga simplesmente apoiada. denominada linha elástica. A curva ACB._________________________________________________________________________ 103 VII – 03 Flexão Objetivo • Determinar o módulo de Young (E) por flexão.

_________________________________________________________________________ 104 diferencial da linha elástica, utiliza-se a relação entre a curvatura k e o momento fletor M dada pela equação: K= 1 M =− 1 ρ EI Para estabelecer a relação entre a curvatura K e a equação da linha elástica, consideram-se dois pontos M1 e M2, distantes ds um do outro (figura 3).

Das figuras 2 e 3 tem-se que: ds = ρdθ e

1 dθ = então a curvatura K é igual à taxa ρ ds

de variação do ângulo θ, em relação à distância s medida ao longo da linha elástica K= 1 dθ = 2 ρ ds Na maioria das aplicações práticas ocorrem apenas deflexões nas vigas, logo as linhas elásticas são muito achatadas e tanto o ângulo θ quanto a inclinação são quantidades muito pequenas podendo-se admitir que: ds ≈ dx 3 θ ≈ tgθ ≈ dν 4, onde ν é a deflexão da viga. dx

Substituindo 3 e 4 em 2 teremos K= 1 dθ d 2 ν = = 5 ρ dx dx 2

que combinando com 1 resulta em: d2ν dx
2

=−

M 6 EI

Esta é a equação diferencial básica para a linha elástica de uma viga que deve ser integrada para cada caso particular para se obter a flexão ν. Considerando-se uma viga simplesmente apoiada com carga concentrada P, cuja posição é definida pelas distâncias a e b das extremidades (figura 4).

_________________________________________________________________________ 105 Para a situação em que a carga P se localiza no meio do vão: a = b = Após a integração da equação 6 obtém –se a equação: ν = PL3 48EI

L 2

Quando a viga tem secção transversal retangular, largura c e altura h o momento de inércia é: I = ch 3 PL3 , daí vem que: ∆ν = 12 E4ch 3

Quando a viga tem secção transversal circular, de raio r. tem-se para o momento de inércia: I = πr 4 PL3 , daí vem que: ∆ν = 4 E12πr 4

Trabalho experimental
I – Barra cilíndrica
- Montar o flexômetro segundo orientação - Medir o raio (r) da barra com o palmer - Medir o comprimento útil (l) da barra - Colocar o porta pesos no ponto médio da barra - Ajustar o paquímetro - Adicionar pesos (P) no porta pesos - Medir as respectivas deformações (ν) - Calcular o módulo de Young (E) - Construir o gráfico Px∆ν. O que representa o coeficiente angular da reta obtida? - Completar a tabela:
l (cm) r (cm) νo (cm) ν’ (cm) ∆ν (cm) P (gf) 20 40 50 60 80 100 ET P EC (dina) (dina/cm2) (dina/cm2) %E K (dina/cm)

_________________________________________________________________________ 106

II – Barra retangular
- Medir a largura (c) da haste - Medir a espessura (h) da haste - Medir o comprimento útil (l) da haste - Colocar o porta pesos no ponto médio da barra - Ajustar o paquímetro - Adicionar pesos (P) no porta pesos - Medir as respectivas deformações (ν) - Calcular o módulo de Young (E) - Construir o gráfico Px∆ν. O que representa o coeficiente angular da reta obtida? - Completar a tabela:
l (cm) c h (cm (cm) νo (cm) ν’ (cm) ∆ν (cm) P (gf) 10 20 40 60 80 100 ET %E P EC (dina) (dina/cm2) (dina/cm2) K (dina/cm)

sendo R o raio da polia. livre é submetida a um conjugado de torção._________________________________________________________________________ 107 VII – 04 Torção Objetivos • • Verificar a lei de Hooke aplicada à torção de um cabo metálico Determinar o seu módulo de rigidez à torção Fundamento teórico Uma haste de metal é fixa em uma de suas extremidades e a outra. L o comprimento da haste e r o raio da haste. onde F é a força aplicada ao de rigidez à torção vem dado pela expressão: G = extremo do raio da polia. neste caso que as deformações são proporcionais aos momentos aplicados: M = k ⋅ ∆θ onde k é o coeficiente de elasticidade e θ a deformação angular conseguida.: o ângulo θ deve ser expresso em radianos. OBS.01745 Esquema da montagem do aparelho . Portanto: K = M F× R . o valor do módulo = ∆θ ∆θ 2 FRL πr 4 ∆θ . Pra tal multiplicar o valor em graus por 0. cujo ângulo é medido em um circulo graduado. A lei de Hooke afirma.

Completar a tabela L (cm) r (cm) R (cm) F (gf) F (dina) ∆θ (°) ∆θ (rad) M K G (dina/cm) (dina/cm) (dina/cm2) %E .Calcular o módulo de rigidez à torção G ._________________________________________________________________________ 108 Trabalho experimental . Determinar o coeficiente de elasticidade k .Repetir a operação na ordem inversa.Colocar no porta pesos. Se não houver coincidência com as posições anteriores acha uma justificativa para esse fato .Determinar o comprimento (L) e o raio (r) da haste metálica . cargas sucessivas. retirando as cargas até a carga inicial. através do gráfico Mxθ.Medir o raio da roldana (R) . determinando seus respectivos ângulos de torção .Tomar um valor de referência no disco graduado .Verificar a lei de Hooke.

o módulo de rigidez e as dimensões da barra. A deformação de cisalhamento. tem-se que: Fd = . é relacionada com o ângulo de torção por: ∫= rθ onde rθ é a distância da qual o segmento superior moveu-se relativamente ao l Considere uma força atuando sobre a área plana do anel cilíndrico de raio r e inferior e l o comprimento da barra espessura dr. integrando a equação a fim de obter o momento l l l πθ Gr 4 2l 2 Fdl πθ Gr 4 ou G = 2l πθ r 4 como M = Fd . que torce a secção circular superior de um ângulo θ e outras secções de ângulos proporcionais a suas distâncias da extremidade presa._________________________________________________________________________ 109 VII – 05 Módulo de cisalhamento – balança de torção Objetivos • Determinar o módulo de cisalhamento com o aparelho de Noack Fundamento teórico Considerando a torção de uma barra cilíndrica de raio R e comprimento l. enquanto na outra é aplicado um momento. O problema é determinar as relações entre o ângulo de torção θ e o momento aplicado. sendo uma das extremidades presa. o momento associado ao longo do eixo do cilindro é dado por: dM = AΓr para Γ = G ∫ = total: M= ∫ M= R 2 πGθr 3dr 0 2 πGθr 3dr Grθ e dM = . Sendo a área A = 2πrdr .

Colocar um índice em frente a uma indicação no disco graduado .Medir o diâmetro do fio em estudo.Construir o gráfico Fxθ.Completar a tabela d (cm) r (cm) l (cm) F (gf) F (dina) θ (°) θ (rad) GT GC (dina/cm2) (dina/cm2) %E . calculando o raio (r) .Medir o diâmetro da roldana (d) com o paquímetro . O que representas o coeficiente angular da reta encontrda? .Medir as deformações (θ) produzidas no fio .Colocar pesos sucessivos nas extremidades dos fios de nylon .Determinar o comprimento do fio em estudo (l) ._________________________________________________________________________ 110 Trabalho experimental . com o Palmer.

O ângulo no vértice C. O ângulo γ é a medida da distorção do elemento como conseqüência do cisalhamento. iguais e opostos e as tensões de cisalhamento existem sempre em planos perpendiculares entre si. o diagrama tensão deformação será uma reta e as tensões de cisalhamento serão proporcionais às deformações de cisalhamento._________________________________________________________________________ 111 VII – 06 Módulo de rigidez Objetivo • Determinar o módulo de rigidez Fundamento teórico O módulo e rigidez ou cisalhamento resulta sempre que duas camadas próximas deslocam-se uma em relação à outra e numa direção paralela às suas superfícies de contato. Ao mesmo π 2 tempo o vértice A ficará com o ângulo aumentado para +γ. dividido pela distância entre essas duas arestas (altura do elemento). causam distorção no quadrado ABCD transformando-o num paralelogramo. As tensões de cisalhamento (Γ). Assim. sendo γ o pequeno ângulo visto na figura. Se o material tiver uma zona elástica linear. a equação da lei de Hooke para o cisalhamento é: Γ = Gγ onde G é o módulo de cisalhamento . e é denominado deformação do cisalhamento. De um modo geral as tensões de cisalhamento que agem em um elemento do material ocorrem aos pares. que media deformação. fica reduzido a π 2 π 2 antes da − γ . sendo igual ao deslizamento horizontal da aresta superior em relação à aresta inferior.

Colocar um corpo de massa M na extremidade da mola cuja massa m deve ser determinada . sendo que K a constante elástica da mola está em função do material e das características geométricas da mola. R é o raio da espira da mola e N o número de espiras.Medir o diâmetro do fio da mola (d→r) .Contar o número de espiras (N) . Trabalho experimental . assim: K = Gr 4 4 NR 3 onde r é o raio do fio da mola.Adicionar pesos variados na mola (F) .Proceder como nos três primeiros itens do método estático .Calcular as respectivas deformações ( ∆L = L − L o ) ._________________________________________________________________________ 112 Quando uma mola helicoidal é submetida a uma força de tração ou compressão vale a lei de Hooke.Medir a posição a cada carga (L) .Completar a tabela D R d r N (cm) (cm) (cm) (cm) (esp) GT %E F F Lo L GC ∆L (gf) (dina) (cm) (cm) (cm) (dina/cm2) (dina/cm2) F 4 NR 3 × 4 ∆L r Método dinâmico .Marcar o tempo t para n oscilações .Determinar a leitura inicial (Lo) .Calcular o módulo de rigidez(G): G = .Montar o dispositivo conforme orientação .Provocar um movimento periódico verticalmente .Medir o diâmetro da mola (D→R) .

Calcular o módulo de rigidez da mola: G = .Calcular o período da cada oscilação: T = t n 4π 2 T2 m  4 NR  ×M + × 4 3  r 3 ._________________________________________________________________________ 113 .Completar a tabela D (cm) R (cm) d (cm) r N (cm) (esp) t (s) n (osc) M (g) m (g) GT %E GC (dina/cm2) (dina/cm2) .

_________________________________________________________________________ 114 .

VIII MECÂNICA DOS FLUIDOS .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 116 .

invertida. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www.htm . montados com inclinações diferentes. Entre os dois tubos. Estes tubos comunicam entre si através de um tubo de latão assente sobre uma base de madeira. existe um recipiente com a forma de uma garrafa sem fundo. e comunicando com estes através do mesmo tubo de latão. É constituído por três peças de vidro.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 117 Aparelho de vasos comunicante Este aparelho tem por finalidade ilustrar o princípio dos vasos comunicantes. sendo as junções vedadas com lacre e cera. Qualquer destas peças de vidro encaixa nas três aberturas do tubo de latão.fis.uc. Na parte superior do vaso central está fixo um anel de latão. sendo duas delas tubos cilíndricos com diâmetros interiores diferentes.pt/museu/index.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 118 .

cm-3. Como exemplo consideremos um cubo de 2 cm de aresta.Medir com paquímetro a altura e o diâmetro do cilindro .Cilindro .Determinar a massa do cilindro .6 g e o volume de 8 cm3 então: µ = m 21. É portanto. a massa da unidade de volume. na temperatura de 4°C é considerada como valendo 1 g.6 = = 2.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 119 VIII – 01 Massa específica Objetivos • • • Medir a massa específica de corpos sólidos Medir a massa específica de corpos líquidos Calcular o peso específico destas substâncias Fundamento teórico Massa específica ou densidade absoluta de um corpo é a razão da massa desse corpo para seu volume. Para definir massa específica num ponto a massa ∆m de um fluido num volume ∆V circundando o ponto é dividida por ∆V e toma-se o limite para ∆V tendendo a E3 onde e é ainda grande quando comparada com a distância média entre as moléculas: µ = ∆V → E 3 lim ∆m ∆V Trabalho experimental I – Corpos sólidos Corpos com forma regular .cm − 3 v 8 A massa específica da água destilada e isenta de ar.Anotar os valores no quadro de trabalho .7g. Designa-se pela letra grega µ. feito de alumínio o qual tem a massa de 21. podemos dizer que a densidade absoluta de um corpo é a massa por cm3 deste corpo. Tomando-se como unidade de volume o centímetro cúbico.

Medir a massa do picnômetro cheio de água (mCA) .Aplicar o teorema de Arquimedes para calcular a massa específica do objeto E = PAR − PÁGUA µ ÁGUA .Determinar a massa do objeto imerso no ar (mO-AR) . Secar o picnômetro externamente pesando o sistema a seguir.s-2) %E1 %E2 . Água irá transbordar.Calcular o peso específico: ρ = µ OBJETO ⋅ g .cm-3) µT (g.s-2) ρT (g.Anotar os valores no quadro de trabalho µ (g.cm-3) ρ (g.Colocar o objeto no interior do picnômetro.cm-2.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 120 d (cm) h (cm) V (cm3) m (g) µ (g. de modo a determinar a massa do conjunto (mOAGUA) .Calcular a massa do objeto imerso na água por: m O − IMERSO = m O − AGUA − m CA .cm-2.Calcular o peso específico: ρ = µ OBJETO ⋅ g .cm-2.Calcular os erros: % E1 = µT − µ ρ −ρ × 100 e % E 2 = T × 100 ρT µT Corpos com forma irregular – método do picnômetro .cm-3) µT (g.Calcular o volume: V = π ⋅ d2 ⋅ h 2 m V .cm-3) ρ (g.VOBJETO ⋅ g = m AR ⋅ g − m ÁGUA ⋅ g VOBJETO = µ OBJETO = m AR − m ÁGUA µ ÁGUA = m AR VOBJETO m AR ⋅µ m AR − m ÁGUA ÁGUA .cm-2.Calcular os erros: % E1 = µT − µ ρ −ρ × 100 e % E 2 = T × 100 ρT µT .s-2) ρT (g.Calcular a densidade: µ = .s-2) %E1 %E2 .

23 0.Medir a massa do picnômetro vazio e seco (mPVS) .Calcular o volume do picnômetro: VPICN = m PCA − m PVS µ ÁGUA m PCL VPICN .cm-2.3 a 8.1 a 7.Medir a massa do picnômetro cheio com o líquido problema (mPCL) .Calcular a massa específica do líquido: µ LIQ = .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 121 II – Líquidos .Calcular o peso específico do líquido: ρ LIQ = µ LIQ ⋅ g .s-2) ρT (g.Calcular os erros: % E1 = µ T − µ LIQ µT × 100 e % E 2 = ρ T − ρ LIQ ρT × 100 Dados tabelados Densidade relativa (em relação à água a 4°C) Alumínio Chumbo Cobre Ferro – aços Latão 2.cm-3) ρLIQ (g.6 1.9 7.6 Níquel Mercúrio Glicerina Álcool etílico 8.3 a 11.cm-2.cm-3) µT (g.Medir a massa do picnômetro cheio de água (mPCA) .1 a 8.Anotar os valores no quadro de trabalho µLIQ (g.0 13.s-2) %E1 %E2 .9 8.7 11.4 a 9.79 .6 a 2.4 8.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 122 .

o líquido reage como se fosse uma membrana. Bolhas de sabão também tendem a se formar com áreas de menor superfície (esferas). uma agulha de aço afunda na água. e as roupas (ou qualquer outra coisa) são muito mais facilmente limpas. Quando se adiciona sabão a água. Uma maneira de se pensar na tensão superficial é em termos de energia. onde A é a área da superfície. A tensão de superfície pode ser definida como sendo esse trabalho: tensão de superfície = Y = W/A . Porém.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 123 VIII – 02 Tensão superficial Objetivos • • Observar o fenômeno da capilaridade Determinar a tensão superficial de líquidos Fundamento teórico De acordo com o princípio de Arquimedes. Se tivermos um filme fino. Esta é a razão pela qual pequenas gotas de água são redondas. A tensão de superfície também pode ser definida como a força F por unidade de comprimento L que resiste ao estiramento: tensão de superfície = Y = F/L A água é usualmente utilizada para limpeza. Para minimizar a energia a maioria dos fluidos assume formas com a menor área de superfície. e tentarmos esticá-lo. ela pode flutuar devido à tensão superficial . Uma esfera tem a superfície de menor área possível para um dado volume. mas a tensão de superfície dificulta a penetração da água em pequenos orifícios. Precisa-se de trabalho para aumentar a área de um líquido. a tensão superficial é diminuída. . como os encontrados em roupas. se colocarmos uma agulha cuidadosamente sobre a superfície da água. maior será a energia que está acumulada nela. Quanto maior for a superfície. o filme resiste.

Calcular a tensão superficial aplicando a condição de equilíbrio: P = FTS m ⋅ g = Ts ⋅ L µ H 2O ⋅ V ⋅ g = TS ⋅ 2 ⋅ π ⋅ r µ H 2O ⋅ π ⋅ r 2 ⋅ H a ⋅ g = TS ⋅ 2 ⋅ π ⋅ r TS = r ⋅ H a ⋅ g ⋅ µ H 2O 2 TST − TSC TST × 100 . . . H = ______ .Medir com o paquímetro a altura do tubo. M2 = ______ .Calcular o raio do tubo por: V = V' ∴ π ⋅ r 2 ⋅ h = m µH2O ∴ r= M2 − M1 π ⋅ h ⋅ µH2O II .Encher o tubo capilar completamente com água e determinar a massa.Retirar o tubo cuidadosamente e medir com o paquímetro a altura. M1 = ______ .Calcular o erro para o valor tabelado por: % E = .Secar o tubo e repetir o procedimento para os outros líquidos.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 124 Trabalho Experimental I – Determinar o raio do tubo . Ha = ______ .Medir a massa do tubo vazio e seco.Mergulhar o tubo verticalmente no líquido problema sem tapar sua abertura .Observar a ascensão do líquido no tubo capilar até o equilíbrio (figura) .Determinar a ascensão capilar .Secar o tubo capilar internamente e externamente.

Mediante procedimentos teóricos.Medir o raio capilar e a altura do capilar: r = _________ h = _________ . Pode-se utilizar o viscosímetro de Ostwald ou tubos capilares. O método consiste em medir o intervalo de tempo necessário para que um volume conhecido do líquido escoe através de um capilar de comprimento e raio conhecidos. cronometrando o tempo de queda (repetir o procedimento por cinco vezes): t1 = _______. o líquido enchendo completamente o capilar.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 125 VIII – 03 Viscosidade – método de Poiseuille Objetivo • Medir o coeficiente de viscosidade de líquidos pelo método dos tubos capilares.Medir a temperatura do líquido: θ (°C) = _________ . com a ajuda de uma seringa. Poiseuille determinou que a viscosidade do líquido é dada por: η = r4 ⋅ p ⋅ t ⋅ π onde p = µ ⋅ g ⋅ h 8⋅ V⋅l Trabalho experimental .Calcular o coeficiente de viscosidade por: η = η→ g→ t→ Viscosidade r→ h→ h→ r4 ⋅ µL ⋅ g ⋅ h ⋅ t ⋅ π 8⋅ V⋅l raio do capilar comprimento do tubo µL → massa específica aceleração gravidade tempo de escoamento V → volume da coluna de líquido altura da coluna líquida .Calcular o valor médio: η = Ση N . sendo o único absoluto. sob a ação da gravidade.Calcular o volume do capilar: V = π ⋅ r 2 ⋅ h .Aspirar.Deixar escoar o líquido através do capilar. t2 = _______ t3 = _______ t4 = _______ t5 = _______ . . Fundamento teórico É o método mais prático para medir grandezas pertinentes a líquidos fisiológicos. 5 η = _______ . V = _________ .

01 0.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 126 . .cm .Calcular o erro %E por: % E = ηT − η ηT × 100 ηT (poise) 0.Repetir o procedimento de 3 a 8 para os outros líquidos.9 valores tabelados → água → álcool → glicerina → µL (g.23 .012 10.79 1.3) 1 0.

r O corre que o peso da esfera pode ser obtido por: P = m E ⋅ g = µ E ⋅ VE ⋅ g . Fazendo o empuxo em função da massa específica do líquido. (3) e (2) em (1) teremos: η = (µ E − µ L ) podemos escrever: η = (µ E − µ L ) ⋅ 2 ⋅ r2 ⋅ g ⋅ t 9⋅h . onde mL é a massa de líquido r deslocado. força de atrito viscoso opondo-se ao movimento. Como: VL = r 4 ⋅ π ⋅ r3 . Fundamento teórico Consiste em determinar o tempo necessário para que uma esfera de raio e peso conhecidos caia através de uma coluna de líquido de altura vertical conhecida.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 127 VIII – 04 Viscosidade – método de Newton Objetivo • Medir o coeficiente de viscosidade de líquidos pelo método dos tubos capilares. E = µ L ⋅ VL ⋅ g . 9⋅v t 4 ⋅ π ⋅ r3 3 temos que seu peso é dado por: Substituindo (4). empuxo de líquido sobre a esfera. F . 3 3 2 ⋅ r2 ⋅ g h . a partir de um r determinado instante. A força F devido à resistência oferecida pelo líquido é definida por r Stokes como: F = 6 ⋅ π ⋅ η ⋅ r ⋅ v (2) onde: η é viscosidade. onde mE é a massa da esfera. 3 r O empuxo por definição é dado como: E = m L ⋅ g . E . teremos: E = µ L ⋅ 4 ⋅ π ⋅ r 3 ⋅ g (4). As forças r r r que atuam sobre a esfera são: P . µE a densidade da esfera e VE o volume da esfera. como: v = . A resultante das força s que atuam sobre r r r r r r r a esfera em equilíbrio é: R = − F − E + P = 0 ∴ F = P − E (1) A resultante é nula porque a esfera cai com velocidade constante (v). peso da esfera. r o raio da esfera e v a velocidade da esfera em relação ao fluido. Como o volume da esfera pode ser obtido por: VE = r P = µ E ⋅ 4 ⋅ π ⋅ r 3 ⋅ g (3).

Tomar um referencial inicial e outro final (espaço h) .Determinar o raio das esferas .Comparar os valores obtidos determinando o erro relativo.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 128 Trabalho experimental .Traçar o gráfico v x r2 e determinar o valor de K (coeficiente de condutividade): K= ∆v ∆r 2 2⋅g ⋅ (µ E − µ L ) 9⋅K .Verificar se o tubo está na vertical . .Calcular a viscosidade a partir do valor de K: η = .Determinar a temperatura (θ) do líquido .Determinar o tempo gasto pela esfera para percorrer o espaço h .Largar as esferas na mesma posição .

Portanto a energia cinética do fluido também muda. A energia potencial do fluido no resto do tubo é a mesma que a energia potencial antes do movimento. como se o fluido na posição 1 fosse substituído pelo fluido na posição 2 (veja a figura acima). Logo. Mas. Logo. Enquanto o fluido se move. temos que: ∆E C = 2 2 mv 2 mv1 µVv 2 µVv1 2 2 . de modo que: W = p 2 A 2S 2 − p1A1S1 = p 2 V2 − p1V1 . A quantidade de trabalho é: W = F1S1 − F2S 2 . F = p . − = − 2 2 2 2 Se a força sobre a água na posição 1 é diferente do que a força da água na posição 2. a mudança na energia potencial é a mesma que aquela de um volume V que se movimentou da posição 1 para a posição 2. temos que a mudança na energia potencial é µVg( h 2 − h1 ) . existe um trabalho sobre o fluido à medida que ele se move. Assim.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 129 VIII – 05 Equação de Bernoulli Objetivo • • Verificar o teorema de Bernoulli Determinar a velocidade de escoamento do ar num tubo de Venturi Fundamento teórico Teorema de Bernoulli A energia potencial de um fluido muda enquanto ele se move. só precisamos achar a mudança na energia cinética em um pequeno volume V. A . A energia cinética do fluido no resto do tubo é a mesma que a energia cinética antes do movimento.

de secção A2 onde A2 << A1. tanto menor será a pressão à mesma altura no fluido. A   2 2 2  µv1  A1  − 1 . 2 2 Dividindo por V. Logo: p1V − p 2 V = µVg( h 2 − h1 ) + p1V + µVgh1 + 2 µVv 2 µVv1 2 − . podemos expressar as velocidades em 1 e 2 pela equação da continuidade: v2 2 A  2 =  1  v1 . o nível H estará relacionado com essa diferença de pressão pela relação: p1 − p 2 = ρgH . Quanto mais rápido o fluido estiver se movimentando. Ela implica que. o que significa que a diferença de pressão também é positiva. ou 2 2 2 µVv1 µVv 2 2 = p 2 V + µVgh 2 + 2 2 2 µv1 µv 2 = p 2 + µgh 2 + 2 = cons tan te . . O tubo é colocado em posição horizontal de modo que a energia potencial do fluido ideal de densidade µ. p1 > p2. então o lado direito da igualdade é positivo. Este tubo esquematizado na figura. onde ρ é a densidade do líquido contido no manômetro. como na figura. que escoa em regime permanente. então a pressão depende da velocidade do fluido. Tubo de Venturi Dispositivo utilizado para medir a velocidade de escoamento de um fluido. que consiste de uma tubulação de secção A1 com um estrangulamento no meio chamado garganta. Como  2  A2  2  2 Logo a variação de pressão pode ser escrita como: p1 − p 2 = A1 >> A2. Se um manômetro for colocado com uma extremidade na parte mais larga e a outra na garganta.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 130 O trabalho deve ser igual à mudança na energia. Isso mostra que a pressão na garganta do tubo é menor que na parte de maior secção. isto é. Assim a equação de Bernoulli aplicada aos pontos 1 e 2 pode ser escrita na seguinte forma: p1 + 2 2 µv1 µv 2 µ( v 2 − v1 ) 2 = p 2 + 2 ou p1 − p 2 = 2 2 2 Como o fluxo é constante. temos que: p1 + µgh1 + Esta é a Equação de Bernoulli. é constante. se um fluido estiver escoando em um estado de fluxo contínuo.

ao passar pela parte de maior secção.  2  A2  2  Conseqüentemente. Pelo exposto.Calcular as velocidades v1 e v2 .Variar a velocidade de entrada de ar e proceder às respectivas medidas . Trabalho experimental . pode-se concluir que num escoamento em regime permanente de um fluido ideal. a velocidade v1 do fluido.Determinar as áreas A1 e A2 . será dada por: v1 = A 2 2ρgH 2 µ ( A1 − A2 ) 2 2ρgH = A2 2( p1 − p 2 ) 2 µ ( A1 − A 2 ) 2 e a velocidade v2 por: v 2 = A1 2 µ ( A1 − A2 ) 2 = A1 2( p1 − p 2 ) 2 µ ( A1 − A 2 ) 2 . a pressão num dado ponto diminuirá se a velocidade de escoamento nesse ponto aumentar.Posicionar o tubo na saída de ar .Medir a altura da coluna de líquido .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 131 Assim a equação de Bernoulli para a diferença de pressão toma a forma: ρgH = 2 2  µv1  A1  − 1 .

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IX TERMOLOGIA .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 134 .

sendo cada um destes subdividido em 50 partes iguais.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 135 Pirômetro de Nollet Este modelo de pirômetro. alavancas e eixos de transmissão permite detectar. toma-se como referência uma agulha vertical colocada em frente da escala móvel. H. esta escala móvel roda solidariamente com o ponteiro do instrumento. sobre a qual se move o ponteiro. Para além desta escala fixa. O seu mostrador está dividido em seis sectores. de um magnífico instrumento para fins didáticos. Por intermédio deste mecanismo. deixando visível todo o mecanismo das rodas dentadas e os eixos de transmissão do movimento. Trata-se. a que a barra é sujeita. marcadas junto da periferia de uma roda dentada que engrena nos dentes do eixo do mostrador principal. assim. elaborado pelo Professor J.htm .uc. orientada num plano vertical. Para isso. móvel. o aparelho dispõe de uma segunda escala circular. foi concebido por Jean-Antoine Nollet. as dilatações. o instrumento revela-se primoroso do ponto de vista mecânico. As barras utilizadas tinham todas o mesmo comprimento e as experiências realizadas procuravam comparar a dilatação de barras de diferentes materiais num determinado intervalo de tempo. Referência Museu de Física da Universidade de Coimbra http://www.pt/museu/index.fis. Figueiredo Freire. Para além da sua utilização no estudo experimental da dilatação linear dos corpos. que é aquecida por quatro pequenas lamparinas. através do ponteiro do aparelho. imperceptíveis por observação direta. segundo o Catálogo de Instrumentos de Física com que tem sido aumentado o Gabinete de Física da Universidade de Coimbra desde o ano de 1792 até ao presente de 1824. Este instrumento revela-se de uma extraordinária sensibilidade. o que torna possível a observação do seu funcionamento durante a dilatação da barra. Esta está dividida em catorze partes iguais. Todo o mecanismo de rodas dentadas. O aparelho tem a particularidade de apresentar uma escala circular graduada. permitindo contar o número de voltas por este descritas.

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podemos medir a temperatura. Os medidores de temperatura podem ser divididos em dois grandes grupos: um é o sistema físico. seja o . Sistema físico O calor faz com que os corpos se dilatem e se contraiam. O estado conjunto de dois sistemas. Lei zero da termodinâmica Dois sistemas em equilíbrio térmico com um terceiro também o estarão entre si A temperatura de um sistema é a propriedade que determina se ele estará ou não em equilíbrio térmico com outros sistemas. ou quantidade que descreve o estado de variação de energia térmica de um sistema. que existe quando cessam todas as mudanças nas coordenadas de estado.termopar Objetivos • Estudo da dependência do potencial termoelétrico com a temperatura Fundamento teórico Temperatura Coordenada de estado de um sistema. que se baseia na dilatação do material. que nada mais é do que uma força ou movimento. Seja a dilatação do comprimento de uma barra metálica. Aproveitando o efeito dessa dilatação ou contração. Medição de temperatura A medição de temperatura é muito difícil por ser facilmente influenciada por fatores externos aos dispositivos de medida ou pela inércia térmica inerente ao sistema em si. e o outro é o sistema elétrico. chama-se equilíbrio térmico.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 137 IX – 01 Termômetros .

ou tubo de Bourbon espiral. A força obtida por expansão do gás com . Comercialmente o nitrogênio é o gás mais empregado. ar. Devido a essa proporcionalidade pode-se obter uma escala linear de temperatura. Na realidade constata-se pequeno erro nessa relação porque os gases não são ideais. porém. ou seja a coluna de mercúrio. Sua construção é praticamente igual à de um termômetro de líquido. etc. criptônio. os termômetros desse sistema podem se classificar em: Termopares Termômetros de resistência Termístores Termômetros de radiação Termômetros ópticos Nesse curso iremos estudar em detalhes o termômetro a pressão de gás e o termopar. têm-se os vários tipos de tomadas de impulso de temperatura. a fim de obter força suficiente para acionar o elemento. que se pode despreza-lo. a pressão de um gás é proporcional à temperatura. por ser inerte. Esse erro é tão pequeno. isto é. porém o bulbo é geralmente grande. Além do nitrogênio empregam-se hélio. dióxido de carbono. neônio. Termômetro a pressão de gás O princípio de funcionamento dos termômetros desse tipo é a conhecida Lei de Boyle-Charles.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 138 aumento de volume de um líquido dentro de um recipiente. Os termômetros que funcionam baseando-se nesse sistema são classificados como abaixo: Sistema a volume Termômetros de líquidos Sistema a pressão Termômetros a pressão de gás Termômetros a tensão de vapor Sistema a dilatação linear Termômetros bimetálicos Sistema elétrico Dependendo dos seus princípios de funcionamento. se mantivermos constante o volume do gás.

que é constituído de dois metais diferentes na sua extremidade. Esse efeito termoelétrico foi estudado por Peltier e Thomson. especialmente quando exposto à temperatura próxima da temperatura limite superior A figura abaixo mostra um exemplo de como é construído um par termoelétrico. uma força eletromotriz.O potencial depende da homogeneidade do material Como se vê uma grande vantagem do termopar é que o diâmetro e o comprimento do fio não influenciam no potencial gerado Utilizando-se deste princípio construi-se o termopar. entre essas junções. Ele se baseia no princípio descoberto por Seebeck de que qualquer diferença de temperatura entre as junções de dois metais diferentes gera uma diferença de potencial. Uma das desvantagens do termopar é que ele sofre corrosão. uma ddp.O potencial é proporcional à diferença de temperatura entre as junções . Termopar O termopar é. Essa pequena tensão formada pela diferença de temperatura é indicada diretamente em um milivoltímetro convenientemente calibrado em escala de temperatura ou ampliada eletronicamente e depois utilizada para acionar o mecanismo de registro. especialmente quando se trata de altas temperaturas e quando se quer resposta rápida. A sensibilidade ou tempo de resposta e também o limite superior de temperatura de utilização do termopar dependem do diâmetro do fio. Estando uma das extremidades em contato com a fonte de calor e a outra no meio ambiente haverá uma diferença de temperatura entre as junções e. isto é voltagem em mV. isto é. Descobriram que o potencial é determinado pelos três fatores seguintes . . A resposta deste tipo de termômetro é mais rápida que a de todos os outros sistemas mecânicos.O potencial depende da combinação de metais diferentes . conseqüentemente.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 139 determinada variação de temperatura é muito pequena em comparação com a força do líquido para a mesma variação. o mais usado de todos os tipos de termômetros para tomadas de impulso de temperatura. da massa de junção e da massa do tubo de proteção. talvez.

+Rhódio fraco p/ ambiente redutor (1) liga de cobre (60%) e níquel (40%) (2) liga de cromo (10%) e níquel (90%) (3) liga de níquel (94%). porém Fe mais duro e fraco p/ oxidação magnético Alumel (3) K 3° Fraco p/ ambiente Alumel é redutor ligeiramente magnético Constantan T maior Para T<25°C antiPelas cores oxidante Platina S menor 630°C < T< 1400°C. Identificação PAR ISA Constantan (1) J 2° Uso geral. manganês (3%) e silicone (1%) A sensibilidade ou tempo de resposta e também o limite superior da temperatura de utilização de um termopar dependem do diâmetro do fio.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 140 + Ferro Cromel (2) Cobre Platina TIPOS DE TERMOPARES COMUMENTE EMPREGADOS CÓDIGO fem/°C Observações. Trabalho experimental . da massa de junção e da massa do tubo de proteção.

Aquecer a água.Colocar gelo picado misturado com água em dois copos de bequer. .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 141 .Calibrar um termopar cobre constantan de 20°C a 95 °C.Manter a junta de referência no copo de béquer com gelo e colocar a junta de medição no copo de béquer com água.Construir o gráfico de calibração do termômetro (TM X mV) . Num outro colocar água a temperatura ambiente. medindo a temperatura e a voltagem a cada 5°C TR = TR = TR = TR = TR = TM = TM = TM = TM = TM = mV = mV = mV = mV = mV = .Montar o sistema segundo a figura .Colocar a junta de referência e a junta de medição nos copos de béquer com gelo e com auxílio de um termômetro medir as temperaturas nas duas junções medindo também a voltagem indicada no milivoltímetro TR = TM = mV = . Medir as temperaturas nas duas junções medindo também a voltagem indicada no milivoltímetro TR = TM = mV = . .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 142 .

definindo um volume constante ocupado pelo gás. O gás enche um bulbo e um tubo capilar ligado a um manômetro de mercúrio de tubo aberto. Estas substâncias são selecionadas em função de uma propriedade que apresente variação bastante sensível com a mudança de temperatura. e que são possíveis de ser manipuladas. . e a seguir é medida a pressão P do gás. O tubo flexível permite suspender ou abaixar o nível do mercúrio do ramo da direita de tal forma que o nível no ramo da esquerda permaneça numa marca fixa N. podemos tomar como propriedade a pressão a volume constante. Usando como substância termométrica um gás. O bulbo é colocado em contato térmico com o sistema cuja temperatura se quer medir. tendo como base o conceito de equilíbrio térmico.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 143 IX – 02 Termômetro a gás Objetivo • • Calcular o coeficiente de dilatação dos gases Calibrar o termômetro a gás Fundamento teórico Termômetro Aparelho que permite medir a temperatura dos corpos através da variação das propriedades de certas substâncias ditas termométricas.

Calcular a pressão a 0 °C: P0 = T0 × k .Calcular a pressão a 100 °C: P100 = T100 × k . Anotar o valor da altura da coluna de mercúrio no ramo da direita (H) .Determinar a temperatura de ebulição da água pela equação empírica TEBUL = 100 + 0.Ajustar o tubo flexível.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 144 Trabalho experimental Obter a pressão atmosférica com o auxílio de um barômetro.0367 ⋅ ( PATM − 760 ) .662x10-3 .Calcular a constante k por: k = PATM onde TAMB = 273 + θ TAMB . fazendo sua correção em função da temperatura: PATM = P[1 + (β − α ) θ] β = 18. de modo que o mercúrio no ramo da esquerda permaneça numa marca fixa N.Construir a relação entre as temperaturas e as respectivas alturas .Colocar o balão numa mistura de água e gelo (zero grau – ponto de gelo) e fazer a leitura da altura da coluna de mercúrio no ramo da direita (HG) .Anotar os valores obtidos no quadro de trabalho H (mm) hG (mm) hV (mm) θ (°) TAMB (°) PATM P100 P0 (mmHg) (mmHg) (mmHg) α (°C-1) αT (°C-1) 1/273 3.7 x 10 − 6 °C −1 onde θ = temperatura ambiente  −5 −1  α = 18 x 10 °C .Colocar o balão em vapor de água fervente (ponto de vapor) e fazer a leitura da coluna de mercúrio no ramo da direita (HV) .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 145 .Construir o gráfico da pressão x temperatura P100 − P0 onde ∆θ = (T100 − T0 ) P0 × ∆θ .Determinar a temperatura ambiente pelo gráfico: TREFERÊNCIA x TMEDIDA .Calcular o coeficiente de dilatação dos gases: α = .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 146 .

Determinar o comprimento inicial da haste em estudo (Lo) . a variação ∆L dessa distância é proporcional a Lo. se dois de seus pontos estão inicialmente à distância L0. (ajustar o ponteiro no zero da escala ao iniciar o aquecimento) .Determinar a temperatura da ebulição (T) .Determinar a temperatura ambiente (To) . Assim.Calcular o coeficiente de dilatação linear: α = ∆L onde ∆T = T − To L o ∆T .Aguardar o ponteiro indicador da dilatação cessar o movimento e medir o ângulo θ . onde a constante de proporcionalidade α chama-se coeficiente de dilatação linear Trabalho experimental Aparelhagem I .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 147 IX – 03 Dilatação de sólidos Objetivo • Determinar o coeficiente de dilatação linear dos corpos Fundamento teórico Dilatação térmica é a alteração de tamanho de um corpo produzida por uma variação de temperatura. Corresponde a um aumento do espaçamento interatômico médio. Para uma variação de temperatura ∆T.Aquecer o sistema até transferir vapor d’`água para o interior do tubo. num corpo sólido. Logo: ∆L = αL o ∆T .Calcular a dilatação ∆L do material: ∆L = R ⋅ φ onde ∆L = R 2πθ 360 o 2πθ 360 o → 2 πrd que resulta φ = o θ → φrd 360 o dπθ 360 o ou ∆L = L − L o o que dá: ∆L = .

Calcular o comprimento final da barra: L = L o + ∆L ou L = L o [1 + α∆T ] .Completar a tabela material i (traços) Lo (cm) ∆L (mm) ∆L (cm) L (cm) To (°C) T (°C) ∆T (°C) αC (°C) αT (°C) %E .Transferir vapor para a haste em estudo .Completar a tabela material d (cm) Lo (cm) L (cm) ∆L (cm) To (°C) T (°C) ∆T (°C) θ (°) αC (°C) αT (°C) %E Aparelhagem II .Anotar a dilatação da barra: ∆L = i × 0.Construir o gráfico (LxT) .Calcular o coeficiente de dilatação linear: α = ∆L onde ∆T = T − To L o ∆T .Medir a temperatura inicial (To) .01 onde i é número de divisões .Medir a temperatura (T) .Calcular o comprimento final da barra: L = L o + ∆L ou L = L o [1 + α∆T ] .Medir o comprimento inicial do corpo em estudo (Lo) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 148 .Ajustar a haste ao extensômetro conforme orientação .

além de mostrar dilatação própria.Medir a massa do picnômetro vazio.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 149 IX – 04 Dilatação de líquidos Objetivos • • Determinar o coeficiente de dilatação aparente do líquido Determinar o coeficiente de dilatação real do líquido Fundamento teórico Para um líquido que toma a forma do recipiente que o contém. do líquido contido no frasco.Calcular o volume inicial (Vo) do líquido: Vo = m 2 − m1 µ .Medir a massa do picnômetro cheio de líquido problema. ocupando a dilatação sofrida pelo recipiente. chamada dilatação aparente. O líquido irá dilatar-se juntamente com o recipiente. A dilatação real é obtida pela soma da dilatação volumétrica sofrida pelo recipiente ∆VREAL = ∆VAP + ∆VREC Vo γ REAL ∆T = Vo γ AP ∆T + Vo γ REC ∆T Vo ∆Tγ REAL = Vo ∆T ( γ AP + γ REC ) γ REAL = γ AP + γ REC Seja a massa mo. seco e com tampa (m1) . µ Trabalho experimental . seco externamente (m2) . só interessa o coeficiente de dilatação volumétrica dado por: γ = ∆V Vo ∆T Ao se estudar a dilatação dos líquidos. tem-se de levar em conta a dilatação do recipiente sólido que o contém. com um volume Vo a uma temperatura To. O volume ∆V que transborda devido à expansão está relacionado com sua massa através da relação: ∆V = ∆m onde µ é a densidade absoluta do líquido a 0 °C.

Aquecer o sistema até aproximadamente 50 °C. .Calcular o erro %E = γT − γC γT × 100 . devido à dilatação aparente: ∆m = m 2 − m 3 .cm-3) Vo (cm3) ∆V (cm3) γREAL(°C-1) γAP(°C-1) γREC(°C-1) γTAB(°C-1) %E . determinar a massa final (m3) do conjunto picnômetro + líquido.Calcular a massa que transborda.6 × 10 −6 o C −1 .Colocar o picnômetro com líquido em banho Maria e anotar a temperatura inicial (To) . aguarda o equilíbrio térmico e anotar a temperatura final (T) .Completar a tabela material m1 (g) m2 (g) m3 (g) ∆m (g) To (°C) T (°C) ∆T (°C) µ (g. e após enxuga-lo externamente.Retirar o picnômetro do banho Maria.Calcular o coeficiente de dilatação aparente: γ AP = .Calcular a variação do volume do líquido: ∆V = ∆m µL ∆V onde ∆T = T − To Vo ∆T .Calcular o coeficiente de dilatação real: γ REAL = γ AP + γ REC onde γ REC = 9.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 150 .

Introduzir no vaso do calorímetro uma certa massa (m1) de água a temperatura (To) abaixo da ambiente. a quantidade de calor QA perdida pela amostra é inteiramente cedida à água (Q1) e ao recipiente (Q2). de calor específico c. Após estabelecer-se o equilíbrio térmico. Suponhamos que um amostra A de massa mA de uma substância de calor específico cA. Q A = m A c A (To − TF ) Q1 = mc(TF − T1 ) Q 2 = C(TF − T1 ) m A c A (To − TF ) = mc(TF − T1 ) + C(TF − T1 ) Como a capacidade térmica do corpo é igual à massa da água.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 151 IX – 05 Capacidade térmica Objetivo • Determinar a capacidade calorífica do calorímetro Fundamento teórico Equivalente em água de um corpo é a massa de água que. sofreria a mesma variação de temperatura que o corpo ao receber ou ceder a mesma quantidade de calor. Como as paredes adiabáticas não permitem trocas de calor com o exterior. é mergulhada dentro de uma massa m de água. se substituísse o corpo. a água e o recipiente estão inicialmente à temperatura T1<To. contida num recipiente de paredes adiabáticas e de capacidade térmica C. representado por E do exposto tem-se que: E= m A c A (TA − TF ) − mc(TF − T1 ) (TF − T1 ) Calorímetro – qualquer dispositivo destinado a medir quantidade de calor Trabalho experimental . Após equilíbrio lê-se a temperatura inicial do calorímetro (T1) . aquecida a uma temperatura To. o sistema atinge a temperatura TF. e é chamada de equivalente em água do corpo.

°C (T3 − T1 ) m 2 (T2 − T3 ) − m1 (T3 − T1 ) (T3 − T1 ) m1 (g) m2 (g) . com c= 1 cal/g.Completar a tabela T1 (°C) T2 (°C) T3 (°C) E (cal/°C) . .Repetir o procedimento várias vezes.Estabelecido o equilíbrio térmico lê-se a nova temperatura de equilíbrio térmico (T3) .Determinar o equivalente e água do calorímetro por: E = m C c . calculando o valor médio da capacidade calorífica do calorímetro: Q C = m 2 c(T2 − T3 ) Q R = m1c(T3 − T1 ) + E(T3 − T1 ) QC = Q R m 2 c(T2 − T3 ) = m1c(T3 − T1 ) + E(T3 − T1 ) E= E= m 2 c(T2 − T3 ) − m1c(T3 − T1 ) .A seguir.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 152 . outra quantidade de água de massa m2>m1 é introduzida rapidamente no calorímetro a uma temperatura (T2) acima da temperatura ambiente.

são chamados principais. trata-se de cP. Calcula-se o calor específico de um corpo pela razão entre a quantidade de calor (Q) e o produto massa do corpo (m). variação de temperatura (∆T): c = Q m∆T Um dos métodos mais simples para se determinar calor específico é o das misturas.008 cal/g. Se a pressão é mantida constante.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 153 IX – 06 Calor específico Objetivos • • • Observar o fenômeno de troca de calor Determinar o calor específico de um sólido Determinar o calor específico de um líquido Fundamento teórico A quantidade de calor necessária para elevar de 1 °C a temperatura de 1 g de uma substância.°C. é preciso especificar ainda em que condição ocorre a variação de temperatura. Para que o calor específico esteja bem definido.°C. no intervalo entre 0 °C e 1 °C o calor específico da água é 1. ou seja. Representado por c é medido em cal/g. obtém-se um valor diferente daquele que se obtém quando é mantido constante o volume da substância. baseado no princípio do equilíbrio térmico: Q C = Q R para Q C = m C c C (TC − TE ) e Q R = mc(TE − T0 ) + E(TE − T0 ) . varia geralmente com a temperatura assim. Geralmente o calor específico é medido a pressão atmosférica. Na prática tal variação de temperatura é desprezada. Para os sólidos e líquidos é pequena a diferença entre cP e cV. O calor específico a pressão constante (cP) e a volume constante (cV).

Determinar a temperatura do corpo de prova que está em banho Maria no ebulidor (TC) .Colocar a água no calorímetro e após o equilíbrio térmico determinar a temperatura inicial (To) .Determinar o calor específico QC = Q R para Q C = m 2 c 2 (TC − TE ) e Q R = m1c1 (TE − T0 ) + E(TE − T0 ) teremos m 2 c 2 (TC − TE ) = m1c1 (TE − T0 ) + E(TE − T0 ) .Calcular a capacidade térmica da cuba calorimétrica: E = m C 0.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 154 Trabalho experimental Calor específico de sólidos .Transferir rapidamente o corpo de prova para o calorímetro com água. com c1= 1 cal/g°C c2 = m1 (TE − T0 ) + E(TE − T0 ) m 2 (TC − TE ) m1 (g) m2 (g) E T0 (cal/°C) (°C) TC (°C) TE (°C) QC QR cC cT %E (cal) (cal) (cal/g°C) (cal/g°C) .Completar a tabela material m0 (g) .Determinar a massa da cuba calorimétrica (mo) .Medir na proveta certo volume de água e achar a massa correspondente (m1) .Determinar a massa do corpo de prova (m2) .217 . aguardar o equilíbrio térmico e medir a temperatura (TE) .

217 . com c1= 1 cal/g°C cL = m C c C (TC − TE ) − E(TE − T0 ) m L (TE − T0 ) .Colocar uma massa do líquido problema (mL) no calorímetro a uma temperatura inferior à ambiente determinando seu valor quando do equilíbrio térmico (To) .Determinar a massa da cuba calorimétrica (mo) e calcular a capacidade térmica da cuba calorimétrica: E = m C 0. determinando sua temperatura (TC) no momento de transferi-lo ao calorímetro .Medir a massa do corpo de prova (mC) .Aguardar o equilíbrio térmico e medir a temperatura (TE) .Calcular o calor específico do líquido QC = Q R para Q C = m C c C (TC − TE ) e Q R = m L c L (TE − T0 ) + E(TE − T0 ) teremos m C c C (TC − TE ) = m L c L (TE − T0 ) + E(TE − T0 ) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 155 Calor específico de líquidos .Completar a tabela Material mL mC E T0 TC TE QC QR cC cL cT %E (g) (g) (cal/°C) (°C) (°C) (°C) (cal) (cal) (cal/g°C) (cal/g°C) (cal/g°C) .Aquecer um corpo de prova de calor específico conhecido (cC).

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 156 .

Os ventos. Proporcional à área A através da qual o calor está fluindo Proporcional ao intervalo de tempo ∆t . sob o efeito de diferenças de temperatura. propaga-se mesmo através do vácuo. pode aquece-lo. que é chamado gradiente de temperatura. O calor flui sempre de um ponto 1 a temperatura mais alta para um ponto 2 a temperatura mais baixa. iv. A condução só pode ocorrer através de um meio material. sem que haja movimento do próprio meio. A convecção ocorre tipicamente num fluido. iii. e se caracteriza pelo fato de que o calor é transferido pelo movimento do próprio fluido. A radiação solar. O efeito gravitacional gera naturalmente correntes de convecção. que constitui uma corrente de convecção. com o auxílio de bombas ou ventiladores. Todas as leis básicas da condução de calor podem ser ilustradas neste exemplo familiar i. A radiação térmica é emitida por um corpo aquecido. A radiação transfere calor de um ponto a outro através de radiação eletromagnética. A quantidade de calor ∆Q transportada durante um intervalo de tempo ∆T é. e ao ser absorvida por outro corpo. ii. a circulação de água quente num sistema de aquecimento central são exemplos de correntes de convecção. as correntes marinhas. mas elas podem se produzidas artificialmente. v. radiação e condução. que como a luz visível. Combinando b e c vemos que ∆Q é proporcional a ∆T/∆x. Proporcional à diferença de temperatura ∆T = T2 –T1 É inversamente proporcional à espessura ∆x da chapa metálica. ocorre tanto em fluidos como em sólidos.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 157 IX – 07 Condução térmica Objetivo • Determinar o coeficiente de condutividade térmica Fundamento teórico A transferência de calor de um ponto a outro de um meio se dá através de três processos diferentes: convecção. convertendo-se em calor. é uma forma de radiação térmica emitida por uma fonte (o sol) a temperatura muito elevada.

a corrente térmica dQ/dt é positiva. e valores típicos para alguns materiais são: Cobre Água Madeira 9. melhor condutora de calor é a substância.m.°C) 2. Quanto maior a condutividade térmica k.2x10-2 (kcal/s.0x10-5 (kcal/s.Determinar o equivalente em água (capacidade calorífica) do calorímetro E= m 2 (T2 − TE ) − m1 (TE − T1 ) (TE − T1 ) .7x10-6 (kcal/s.Agitar continuamente a água contida na fonte quente . A em m2 e dT/dx em °C/m as unidades de k são kcal/s.m.Determinar a área de secção ( S = πr 2 ) . que se chama de condutividade térmica do material (k>0).Aguardar 2 min e determinar a temperatura inicial T0 correspondente a 0 °C.m.Aquecer uma quantidade de água (± 500 ml) e colocar no calorímetro de modo que a barra fique imersa uns 5 mm.Calcular a capacidade térmica C do sistema por: C = E + M A .0x10-4 (kcal/s.Determinar o tempo para uma variação de 3 °C.m.0x10-5 (kcal/s.Determinar o comprimento da barra (L) . maior a corrente térmica por unidade de área para um dado gradiente de temperatura.Calcular o coeficiente de condutividade térmica k pela lei de Fourier: . ou seja.m.°C) Trabalho experimental . O sinal (-) exprime o fato de que o calor flui de temperaturas mais altas para temperaturas mais baixas.3x10-4 (kcal/s.°C) Vidro Flanela Ar 2. onde k é uma constante de proporcionalidade característica do dt dx meio condutor.m. Se medirmos dQ/dt em kcal/s.Após tomados os dados determinar a massa de água contida na fonte quente (MA) .°C) 2. ou seja. .m.Colocar uma mistura de gelo + água no outro calorímetro (fonte fria) .°C.°C) 1. vemos que ∆Q é proporcional a A ⋅ ∆t ⋅   . (fonte quente) .°C) 5. . assim se o gradiente de temperatura dT/dx é negativo. para  ∆x  a condução de calor através de uma espessura infinitésima dx de um meio durante um tempo dt: dQ dt = − kA .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 158  ∆T  Juntando estes resultados.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 159 ln .Completar a tabela L (cm) S (cm3) E (cal/g) MA (g) T − T0 kSt =− T1 − T0 CL T (°C) t (S) k kT (cal/cms°C) (cal/cms°C) %E C (cal/g°C) .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 160 .

6 × 103 cal. assim: ∆S = S F − S o = ∆Q R 1L ∫ d ′Q R = T0 T mL . ∆S = S ÁGUA − SGELO = 79. T O calor latente L é a quantidade de calor por unidade de massa necessário para efetuar a transição. a pressão e a temperatura permanecem constantes até que toda a massa m da substância se tenha vaporizado ou fundido.220J.Calcular a capacidade térmica da cuba: C = M C ⋅ 0. a transição pode ser efetuada como um processo isotérmico reversível. em que o calor é transferido por um reservatório térmico à temperatura T. temos: ∆Q R = mL e assim ∆S = Por exemplo.g-1.Medir a temperatura da água do calorímetro (θA) .6 cal. de modo que a fusão de 1 kg de gelo produz uma variação de entropia. Logo.Colocar na cuba certo volume de água aquecida (VA = MA) .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 161 IX – 08 Calor latente de fusão Objetivos • • Observar o fenômeno da fusão Determinar o calor latente de fusão do gelo Fundamento teórico Durante uma transição de fase como a vaporização ou a fusão.217 .K −1 273 Trabalho experimental .Colocar no calorímetro certa massa de gelo moído (MG) . Se T é a temperatura de transição (ponto de ebulição ou de fusão) à pressão considerada. o calor latente de fusão do gelo à pressão de 1 atm (temperatura de fusão 0 °C) é 79. paa uma massa m.K −1 ≈ 1.K −1 ≅ 292cal.Determinar a massa da cuba calorimétrica (MC) .

Completar a tabela MC (g) MA (g) MG (g) C (cal/°C) θA (°C) θG (°C) θE (°C) LG (cal/g) LT (cal/g) %E .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 162 .Esquema das trocas de calor Q1 = M G L G   Q = M c( θ − θ )  2 G E G ∑ Q = 0 ou Q1 + Q 2 + Q 3 + Q 4 = 0 onde  Q 3 = C( θ − θ E )   Q 4 = M A c( θ − θ E )  .Aguardar o equilíbrio térmico e medir a respectiva temperatura (θE) .

Se o sistema consiste em m g de água. durante aproximadamente 1 minuto . Para a agu a P = 1 atm e T = 100 °C. é preciso fornecer-lhe uma quantidade de calor L chamada de calor latente de vaporização.Determinar a massa da cuba calorimétrica (MC) . Trabalho experimental .Medir a temperatura da água do calorímetro (θA) .Transferir vapor d’água para o calorímetro.Aguardar o equilíbrio térmico e medir a respectiva temperatura (θE) .Medir a temperatura do vapor d’água (θV) . em geral.Calcular a capacidade térmica da cuba: C = M C ⋅ 0. como a energia necessária para romper as forças de atração entre as moléculas de água no líquido.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 163 IX – 09 Calor latente de vaporização Objetivos • • Observar o fenômeno da vaporização Determinar o calor latente de vaporização Fundamento teórico Para vaporizar 1 g de água. a pressão e a temperatura são bem mais elevadas. tem-se L = 539 cal/g. temos portanto por definição: Q = mL V A variação de energia interna necessária para levar o sistema do estado líquido ao de vapor pode ser interpretada.esquema das trocas de calor . do ponto de vista microscópico.Medir a massa de vapor transferida para o calorímetro (MV) M V = M F − ( M A + M C ) ou M V = M F − M A .217 . Na caldeira de uma máquina a vapor.Colocar na cuba certo volume de água aquecida (VA = MA) .

Completar a tabela MC (g) MA (g) MV (g) C (cal/°C) θA (°C) θV (°C) θE (°C) LV (cal/g) LT (cal/g) %E .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 164 Q1 = M V L V   Q = M c( θ − θ )  2 V V E ∑ Q = 0 ou Q1 + Q 2 + Q 3 + Q 4 = 0 onde  Q 3 = C( θ E − θ A )   Q 4 = M A c( θ E − θ A )  .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 165 IX – 10 Lei de Boyle Mariotte Objetivo • Verificar experimentalmente a lei de Boyle Mariotte Fundamento teórico Em 1662. O resultado foi que. A experiência realizada por Boyle para obter a sua lei. com uma quantidade fixa de gás (ar) aprisionado. ilustrada na figura. A experiência era realizada a uma temperatura T constante (temperatura ambiente). o físico inglês Robert Boyle publicou o livro “A mola do ar”. relacionando sua pressão com seu volume. ou seja. contendo uma nova lei relativa a elasticidade do ar. a temperatura. onde a coluna de mercúrio aprisiona um volume V de ar. varia inversamente com a pressão. onde h é o desnível entre os dois ramos do tubo e µ a densidade do mercúrio. o volume V era inversamente proporcional a P V= k ou PV = k P esta é a lei de Boyle – o volume de uma dada quantidade de gás. A pressão P exercida sobre o volume V é: P = Po + µgh . . foi usando um tubo manométrico em U aberto numa extremidade a pressão atmosférica Po e fechado na outra. A pressão P podia ser variada despejando mais mercúrio no ramo aberto. nessas condições.

No plano (P. depende da temperatura e da quantidade de gás.Calcular a pressão e o volume para cada variação por: P = Po + ∆H .Determinar a pressão atmosférica e corrigir em função da temperatura por: Po = H[1 + (β − α)T ] onde α = 18 x 10-5 °C-1 e β = 18. onde ∆H = H N − H e V = Vo − ∆V .Calcular os produtos PV .V). representa uma isoterma. Trabalho experimental .Fechar no aparelho um volume inicial de ar à pressão atmosférica .Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 166 A constante k.Fazer variar o volume para menos de Vo aumentando a pressão .Completar a tabela (cm de Hg) (cm de Hg) (cm de Hg) (cm de Hg) (cm de Hg) Po HN H ∆H P VO (cm3) ∆V (cm3) V (cm3) PV .Construir o gráfico P = f(V) e verificar a isoterma . é a equação de uma hipérbole A lei de Boyle foi descoberta independentemente por Mariotte em 1776.Marcar a referência na coluna de mercúrio para Po e tomar a altura HN .7 x 10-6 °C-1 . a equação acima.

ambos à pressão de 1 atm. o volume de um gás é diretamente proporcional à temperatura absoluta. o físico francês Jacques Charles observou que todos os gases têm aproximadamente o mesmo coeficiente de dilatação volumétrica.15 e To = 273.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 167 IX – 11 Lei de Charles – primeira lei de Gay-Lussac Objetivos • • Verificar experimentalmente a lei de Charles Determinar o coeficiente de dilatação dos gases Fundamento teórico Seja Vθ o volume do gás à temperatura θ na escala Celsius e Vo o volume correspondente a 0 °C.15 ≅0 o C V( T ) V T = = para P = Po = constante Vo (T ) o Vo To que é a lei de Charles: à pressão constante. O valor atualmente aceito é β = 1 o −1 C 273. β ≈ 1 .15 Substituindo na primeira equação: Vθ = Vo (1 + βθ ) Vθ = Vo ( θ + 273. .15 com T = θ + 273. Temos então pela definição de β que: ∆V Vθ − Vo = = βθ para P = 1 atm Vo Vo Em 1787. Isto foi 273 verificado experimentalmente com maior precisão em 1802 por Joseph Louis Gay-Lussac.15) 273.

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 168 Trabalho experimental .Medir a altura H que vai do índice de Hg até o gargalo do frasco .Calcular os acréscimos de volume de ar por: ∆VAR = πr 2 ∆H .Calcular o volume a 100 °C por: V100 = kT100 onde T100 = 373K .Calcular o coeficiente de dilatação do gás por: β = .Calcular a constante k pela lei de Charles: k = VT TKelvin .Medir a temperatura inicial θo .Completar a tabela Ho (cm) ∆H (cm) VAR (cm3) ∆VAR (cm3) VAR (cm3) θo (°C) θ (°C) T (K) k ∆V onde ∆θ = T100 − T0 Vo ∆θ .Aquecer o sistema e a cada 5 °C de variação na temperatura anotar a variação ∆H do índice de Hg.Construir o gráfico V = f(T) .Calcular o volume de ar pela fórmula: V AR = VBALÃO + πr 2 H . .Calcular o volume a 0 °C por: V0 = kT0 onde T0 = 273K .Calcular o volume total de ar por: V = VAR + ∆VAR .

A cada 5 °C retornar ao valor inicial e marcar os desníveis HN e as temperaturas TN .7 x 10–6 °C-11 . aquelas que se processam a volume constante.Determinar a pressão inicial por: Po = H o + PA .segunda lei Objetivo • Determinar o coeficiente de dilatação cúbica Fundamento teórico Diz respeito às transformações isocóricas ou isométricas de um gás perfeito. do volume e das unidades usadas.Determinar as pressões subseqüentes por: PN = H N + PA .Tomar um referencial Ho . Aumentando a temperatura da massa gasosa para T’. contida num recipiente rígido de volume V.Fazer a leitura da pressão e corrigi-la em função da temperatura: PA = H[1 + (β − α)T ] onde α = 18 x 10–5 °C-1 β = 18. Estes fatos são regidos pela segunda lei de Gasy-Lussac. enquanto que o volume V permanecerá constante. cujo enunciado é: “em uma transformação isocórica (volume constante). Trabalho experimental . Suponha uma dada massa de gás à temperatura T e sob pressão P. pois o recipiente é rígido. isto é. a pressão também aumentará passando a P’(devido à maior agitação das moléculas do gás). a pressão de uma dada massa de gás é proporcional à temperatura” P = γT ou P P′ = =γ T T′ a constante depende da massa e da natureza do gás.Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 169 IX – 12 Lei de Gay-Lussac .Determinar o coeficiente de dilatação cúbica por: γ = PN − Po Po (TN − To ) .

Física Experimental – João Gonçalves Marques Filho e Silvio Luiz Rutz da Silva _________________________________________________________________________ 170 .Construir o gráfico P = f(T) .Completar a tabela Po (cmdeHg) Ho (cmdeHg) HN (cmdeHg) PN (cmdeHg) T (°C) T (°C) T (K) γ .

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