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Direito Penal do Inimigo

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Uma percepção frente os Princípios Constitucionais e os Direitos Humanos
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MAYARA RAYSA FERREIRA DE MESSIAS

DIREITO PENAL DO INIMIGO: UMA PERCEPÇÃO FRENTE OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E OS DIREITOS HUMANOS

RECIFE NOVEMBRO DE 2010

RECIFE.2 MAYARA RAYSA FERREIRA DE MESSIAS DIREITO PENAL DO INIMIGO: UMA PERCEPÇÃO FRENTE OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E OS DIREITOS HUMANOS Projeto de pesquisa apresentado ao programa de graduação do curso de Direito da Faculdade Maurício de Nassau como requisito para obtenção do título de bacharel. .

CRONOGRAMA 9. TEMA 2. HIPÓTESES 6. JUSTIFICATIVA 3. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 7 9 13 14 15 . OBJETIVOS 5. METODOLOGIA 8.3 NOVEMBRO DE 2010 SUMÁRIO 1.

. No decorrer do trabalho daremos um especial enfoque na análise da incompatibilidade desta famigerada teoria com os Princípios Constitucionais.4 1. TEMA O presente trabalho busca explicitar a polêmica teoria do Direito Penal do Inimigo. os Direitos Humanos e o Estado Democrático de Direito.

mas também podem ser vislumbrados nas decisões judiciais que consideram legais a armazenagem de presos nos presídios. Enfim. principalmente daquelas que afirmam que determinados grupos de pessoas não são seres humanos. JUSTIFICATIVA Esse trabalho constitui um alerta para o perigo de certas teorias. ou seja. No Brasil.5 2. pode ser identificado direitamente no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Teorias que se forem aceitas formarão a base para a reinstalação e retorno da tragédia totalitária. O Direito Penal do Inimigo transforma as normas em um instrumento de banalização de seres humanos que passam a ser considerados coisas: inimigos. O Direito Penal do Inimigo tem sido aplicado dissimuladamente nas legislações democráticas. em uma cela que cabem 10 (dez) colocam 100 (cem). . as normas de proteção da pessoa humana estão sendo derrogadas por regras de Direito Penal do Inimigo.

se submeterem às leis. Desse modo. cria-se um verdadeiro estado de polícia que é totalmente incompatível com o estado de direito. suprimindo-lhe garantias como o contraditório. tanto os governantes como os governados. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Um Estado Democrático de Direito caracteriza-se principalmente pelo fato de. a ampla defesa e o devido processo legal. Dessa forma. Agindo dessa forma. a teoria conflita os princípios constitucionais estabelecidos na Constituição Federal. contudo. disciplinando as relações em sociedade. Diante do exposto fico a me questionar sobre a existência de fundamentos éticos. e não para servir de instrumento de guerra.6 3. a doutrina majoritária critica severamente a teoria do Direito Penal do Inimigo. . O legítimo Direito Penal deve existir para tutelar e preservar os bens jurídicos mais importantes. promovida e até melhorada pelo Estado. Cabe ao Estado a função de aplicar as leis. tratar um criminoso como inimigo. é totalmente inconstitucional. que deve ser protegida. passa a agir como verdadeiro terrorista. A partir do momento em que o Estado trata alguns criminosos como inimigos. mas sim buscar o equilíbrio social através da justiça. sociais ou legais nessa famigerada teoria autointitulada como um direito (quando na verdade não é). Os direitos fundamentais consistem uma conquista para a humanidade. morais. o direito de punir do Estado encontra limites nos direitos fundamentais do cidadão. Em um Estado Democrático de Direito não se pode vislumbrar a possibilidade de um indivíduo ser tratado como objeto de direito e não como um sujeito de direito. Seria um retrocesso a limitação de direitos fundamentais simplesmente com o objetivo de punir mais facilmente aqueles que violarem as leis. Segundo esse entendimento. Vale lembrar que a função do Direito Penal não é punir.

→Objetivo específico *Dar um especial enfoque na análise da incompatibilidade desta famigerada teoria com: -Os princípios constitucionais. -Tampouco legais. OBJETIVOS →Objetivo geral A meta desse trabalho. mas sim lançá-lo para uma reflexão.7 4. Assinalo ainda que este trabalho tem por base anotações de aulas e fichamentos de livros que constam na bibliografia consultada. -O Estado Democrático de Direito. -Os direitos humanos. principalmente daqueles que atuam na área política e estudam políticas criminais. . dado o tempo exíguo para a sua elaboração. -Lógicos. não é esgotar o tema. *Mostrar à sociedade que nessa teoria não há fundamentos: -Éticos.

utiliza Rousseau. E para dizer que quem ameaça constantemente a sociedade e o Estado. Em sua obra. utiliza Hobbes. nem tudo que é lógico e filosoficamente considerável pode ser aceito . Jakobs utiliza clássicos das Ciências Humanas. ao infringir o contrato social. Para dizer que quem abandona o contrato do cidadão perde todos os seus direitos. com toda certeza existem múltiplas formas intermediárias” (JAKOBS. HIPÓTESES Essa teoria do Direito Penal do Inimigo foi proposta por Günter Jakobs. o primeiro pode até infringir uma norma. o Direito Penal do Inimigo combate perigos. utiliza Fichte. traduzida para o português com o título de "DIREITO PENAL DO INIMIGO". um doutrinador alemão que a sustenta desde 1985. logo deve morrer como tal. é a única forma de combater a sua periculosidade. O "Direito" Penal aqui analisado (do inimigo) não se trata de um direito propriamente dito. segundo Jakobs. O Direito Penal destinado a tutelar a norma é o que Jakobs chama de Direito Penal do Cidadão. que não perde seu status de pessoa em face dos delitos que comete. como medida eficaz contra a criminalidade nacional e internacional. Por exemplo. esse autor promove uma separação entre o cidadão de bem e o inimigo. para dizer que o inimigo. pois está em guerra contra ele. quem não aceita o "estado comunitário-legal". Nas palavras de Jakobs. "Direito Penal do Cidadão mantém a vigência da norma. deixa de ser membro do Estado. mas de uma coação contra aquele que põe em perigo a paz e a segurança social persistindo na reiteração e quebra desses princípios. o criminoso não deve ser castigado como súdito.30). Já o inimigo não é vinculado às normas de direito. a teoria de Jakobs tem um lastro filosófico considerável. Para fundamentar a sua posição e dar autoridade aos seus argumentos. mas os seus direitos de cidadão-acusado serão preservados. e sim à coação que. é negada ao inimigo a sua condição como pessoa. utiliza Kant. deve ser tratado como inimigo. p. em que. contudo. senão como inimigo. Como se vê. Para dizer que em caso de alta traição do Estado.8 5. Portanto. 2007.

Direito Penal comum que. o ius puniendi do Estado não pode ser exercido de forma discricionária. . uma vez que. alegando que a adoção do Direito Penal do Inimigo causa menos dano à sociedade e à pessoa do que a aplicação do que a aplicação convencional do Direito Penal comum a todos. de acordo com ele. isso porque. configurando-se como um verdadeiro retrocesso para a sociedade. É essencial. Contudo. Prevendo uma série de ataques à teoria. podemos afirmar que o Direito Penal do Inimigo é totalmente incompatível com o Estado Democrático de Direito. Jakobs defende-a. assim como verificar se essa solução não representa um retrocesso na evolução da humanidade. extermina lentamente os seus inimigos. antecipadamente. preservando-se assim o princípio da dignidade da pessoa humana. observar as suas repercussões sociais. o Direito Penal do Inimigo transforma as normas penais em um instrumento de banalização de seres humanos que passam a ser considerados coisas: um inimigo. Devemos estar atentos e analisar todas as medidas e ações do Estado contra os seres humanos. encontrando seus limites nos direitos e garantias fundamentais consagrados na Constituição. pois a teoria do Direito Penal do Inimigo constitui um importante elemento dentro da estrutura de um sistema totalitário. antes de aplicar qualquer teoria na prática.9 como solução para os problemas da realidade. dissimuladamente e implicitamente.

p. não é possível dizer. a qual conforme a lição de Paulo Bonavides é vista como o: conjunto de normas que permite uma melhor e mais organizada convivência social e que cujo conteúdo básico se refere 'a composição e ao funcionamento da ordem política'. é evidente a incompatibilidade com o Estado Democrático de Direito. como fiéis ou não ao direito. objetos de direito. e o direito penal do inimigo. de modo que. assegurados os direitos inerentes a toda e qualquer pessoa humana. para não pessoas. há uma errada formulação de que. e sim apenas um objeto deste (FEIJOO. Assim.2008. se situam os direitos da pessoa humana. haja vista que. direitos do cidadão e direitos humanos fundamentais. Deve-se. dentro desse conteúdo básico. e o direito penal do inimigo para as não-pessoas. e. para as pessoas.63). a princípio. ou pessoa é aquela que se mostra fiel ao direito. os quais são assegurados a todos (BONAVIDES. Contudo. a conclusão de Jakobs é incompatível com o Estado Democrático de Direito atual. p. Ou seja. haja vista que isso equivaleria dizer: o inimigo não seria um sujeito de direito. não permite o Estado Democrático de Direito que existam indivíduos que não tenham. o direito penal moderno poderia ser dividido em dois ramos: o direito penal dos cidadãos. e direitos do cidadão e direitos humanos fundamentais são a mesma coisa.107). segundo sua . sujeitos de direito. Como bem destaca Bernardo Feijoo Sánchez. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O Estado Democrático de Direito funda suas bases no que se chama de chama de Constituição material. Pela formulação teórico-descritiva de Jakobs. cidadãos são pessoas e vice-versa. Portanto. como quer Jakobs. levar em conta que a doutrina mais recente considera não haver distinção entre cidadãos e pessoas. 1997. voltar-se-ia o direito penal do cidadão para as pessoas. para si. além de haver uma classificação entre as pessoas.10 6. que cidadão.

. Escreve Jakobs que. Isso se dá porque ao inimigo é negada a aplicação do postulado da proporcionalidade. por exemplo. sem qualquer análise para uma fundamentação. constituem ou não fonte presente e futura de perigo para a sociedade: as pessoas serão julgadas de acordo com leis diferentes. 2007. Admite. baseando-se na periculosidade instintiva do "inimigo". uma sanção imposta a priori que tampouco se reveste de um processo legitimador. objeto de direito. embora estejam sujeitas a um mesmo Estado Democrático de Direito. pois. O Direito Penal do Inimigo não se limita. além de muitas outras normas de ordem constitucional. ao direito substantivo. factível. Traduz um Direito Penal do Autor no qual. e não pelo que ele fez ou deixou de fazer. porém. Tal entendimento promove o que se pode chamar de exclusão do estado de pessoa. de modo que lhe é aplicado uma lei totalmente distinta daquela aplicada ao cidadão A própria "despersonalização" do indivíduo já nos parece. quer-se desconstituir a pessoa para afastá-la de suas garantias fundamentais. p. que o processado possa representar. assim. assim. mas por fazer parte de alguma maneira "ser um deles". que é constitucionalmente legitimado. em si mesma. sujeito de direitos. A ideia de inimigo segue o mesmo princípio do ostracismo: o inimigo é excluído da sociedade. e. Abarca também o direito processual. enquanto que o inimigo é nãopessoa. com o ponto de vista de que o cidadão é pessoa e. a prisão preventiva independentemente do perigo concreto. O Direito Penal do inimigo trabalha.206). Essa função punitivista foge de vários axiomas do Direito Penal. Isto é. "todo aquele que prometa de modo mais ou menos confiável fidelidade ao ordenamento jurídico tem o direito de ser tratado como pessoa de direito"(JAKOBS.11 fidelidade ao direito. O Direito Penal de Fato. não se pune por que se cometeu um delito. dá lugar a uma política repressiva que pune o indivíduo pelo o que ele é.

93). através das formas sua efetivação. devendo haver restrições temporais máximas quanto a sua punição. a fim de que se possa falar em respeito da dignidade da pessoa humana. de modo a efetivar a dignidade da pessoa humana. Os direitos da pessoa humana se encontram inseridos em todos os âmbitos da vida civil. nenhum cidadão pode ser sancionado desnecessária ou ilimitadamente.12 E mais: (a) não se fala em igualdade processual. é preciso que haja a efetivação desses direitos garantidos. Contudo. de maneira que ser núcleo essencial precisa ser realizado. deve ser sempre respeitada. respeitando-se o homem e seus atributos no instante da enunciação e aplicação dos preceitos primários bem como das sanções penais. p. Como destaca Jorge Miranda. podendo interrogá-lo inclusive. acredito que o Direito Penal do Inimigo é um instrumento de banalização e reprodução de banalidade do mal. de modo que precisam ser realizados. sob a possibilidade de que se o poder estatal não a respeitar seja nula qualquer condenação.que é totalmente contrário a famigerada teoria do Direito Penal do Inimigo. penso que deve haver o Direito Penal Amigo . respeitar os direitos humanos fundamentais tem um sentido muito importante na atualidade: proteger o ser humano enquanto sujeito de direitos. ou da perspectiva de seu conteúdo. e a primeira manifestação disso é o processo penal adequado. Assim. mas também dinamicamente. (d) a incomunicabilidade do imputado se legitima etc. (c) as interceptações das comunicações são ilimitadas. ou melhor. (b) o Poder Executivo pode intervir em desfavor do acusado. a dignidade da pessoa humana. De acordo com o princípio da dignidade da pessoa humana. Assim. a tomar por base o brocado: nulla poena sine humanitate. enquanto princípio máximo do Estado Democrático de Direito. não basta simplesmente dizer-se que os indivíduos possuem direitos. Segundo ele: . Em suma. os direitos fundamentais "não só estaticamente. assim como o ilustríssimo professor Roque de Brito Alves. 2000. Logo. através do procedimento” (MIRANDA. ou como se costumou dizer: o devido processo legal.

pois estão na lei e constituem a estrutura ou conteúdo da nossa teoria do "Direito Penal Amigo" do criminoso ou do já condenado.que tem-se claramente inúmeros textos que beneficiam ao autor de crime ou mesmo a alguém já condenado. Tais textos benéficos passam a ser "direitos". o qual continua como cidadão embora seja um delinquente ou um apenado. Também existe garantismo penal em vários textos da nossa vigente Constituição (ALVES. tendose em vista a nossa legislação penal (Código Penal e Legislação Extravagante) e também a Constituição de 1988 . em estrito aspecto técnico-jurídico.13 Ao contrário da lei anti-democrática e inaceitável. em um evidente garantismo penal. fazendo esta nossa teoria que o Direito Penal não exista. não seja aplicado ou compreendido unicamente em termos de repressão. . opondo-se a tal "Direito Penal do Inimigo". 2009). entendemos que existe e podemos expor. a nossa tese do "Direito Penal Amigo".

. -Fichamento dos livros que contam na bibliografia consultada. METODOLOGIA A confecção desse trabalho tem por base: -Anotações de aula.14 7. doutrina e jurisprudência. -Consulta de artigos científicos. -Consulta a legislação.

3 Revisão final Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 X X X X X X .2 Redação cap.15 8. CRONOGRAMA Mês 1 Leitura Redação cap. 1 Redação cap.

. Günther. A afirmação histórica dos direitos humanos. Nereu José Giacomolli. MELIÁ. MIRANDA. O inimigo no Direito Penal. ______. Coimbra: Coimbra. 2007. Direito Penal do Inimigo e o Estado Democrático de Direito.16 9. São Paulo: Max Limonad. 2000. FEIJOO. Porto Alegre: Livraria do Advogado. JAKOBS. 7ª ed. Manuel Cancio. GOMES. Fábio Konder. Curso de direito constitucional. 3ª ed. São Paulo: Saraiva. 2008.2006. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Livros: BONAVIDES. Flávia. Manual de Direitos Constitucionais: direitos fundamentais. Vitória: Panóptica. Rio de Janeiro: Reven. ZAFFARONI. Eugenio Raúl. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Revista dos Tribunais.ª ed. Jorge. 2. 2001. 2008. 2003. Tradução de André Luis Callegari. Direitos Humanos e Justiça Internacional. Luiz Flávio. COMPARATO. PIOVESAN.Volume I. Paulo. Tradução de Julio Pinheiro Faro Homem de Siqueira. Direito Penal do Inimigo: Noções e Críticas. Temas de Direitos Humanos. 1997. 2005. Bernardo Sánchez. Tradução de Sérgio Lamarão. Direito penal: Parte Geral. Igor Rodrigues Brito. São Paulo: Malheiros.

asp?id=7399>. GRECO. Direito Penal do Inimigo. Roque de Brito.htm>.17 Artigos ALVES.br/009/Materias/EspacoLivre/direitopenal. Revista eletrônica Nádia Timn. 2010. Muñoz Conde e o Direito Penal do Inimigo.br/doutrina/texto.PE. Disponível em: <http://www. jul. Teresina. Rogério. 2010. Luiz Flávio.com.nadiatimm. Disponível em: <http://jus2. 2009.org. Brasil.uol. Acesso em 23 out.jor. O “Direito Penal Amigo”. . Acesso em: 22 out.br/comunicacao/artigos/502-o-qdireito-penal-amigoq-roque-de-brito-alves-. Acesso em 22 out. 2010. 2009.html>. Jus navegandi. Recife. GOMES.oabpe. nov. Disponível em: <http://www. 13 mai. OAB. 2007.

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