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A REALIDADE DO SISTEMA PRISIONAL NO BRASIL

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A REALIDADE DO SISTEMA PRISIONAL NO BRASIL Virginia da Conceição Camargo 1 ± INTRODUÇÃO A função deste trabalho é mostrar a realidade vivida hoje

, no sistema prisional, onde quase diariamente a mídia publica matéria sobre rebeliões em presídios. Sentenciados que são mortos por seus próprios companheiros, funcionários e familiares de detentos transformados em reféns, resgates e fugas audaciosas e espetaculares praticadas por criminosos. As regras nem sempre são cumpridas e a aplicação penal nem sempre é imposta de maneira adequada, pois hoje em dia o preso é esquecido, a corrupção dentro das cadeias e penitenciarias cresce de maneira assustadora e ainda para piorar mais a situação, as facções se estendem dentro e fora dos presídios. Infelizmente estamos nos habituando num processo de caos, onde o que ocorre é a falência e desestruturação do sistema carcerário. O descaso dos governantes, a falta de estrutura, a superlotação, a inexistência de um trabalho para a recuperação do detento. Assim é nosso sistema, promessas e nada de recompensas. Mas também não devemos nos esquecer que o Congresso Nacional infelizmente tem aprovado, atendendo à pressão da área de direitos humanos do Governo Federal e das notórias organizações não-governamentais que atuam no País, leis que cada vez mais afrouxam o Código Penal, mas principalmente a Lei de Execuções Penais. Com isso, cada vez mais os privilégios foram pouco a pouco incorporados ao rol de direitos mínimos que todo recluso tem de ter, a ponto de banir do sistema penitenciário todo resquício de exercício da autoridade pública, seguido também pelo alto grau de corrupção existente no sistema. O excesso de direitos como o de ócio, o das visitas íntimas, o de receber alimentos para estocagem nas celas, o de não usar o indispensável uniforme distintivo dos reclusos, entre outros eliminou a disciplina presidiária. O sentido punitivo da pena foi completamente abolido, por considerar -se ³contrário aos direitos humanos dos internos´ e à evolução histórica do Direito Penal. FALÊNCIA DO SISTEMA PRISIONAL Sabemos que o sistema carcerário no Brasil está falido. A precariedade e as condições subumanas que os detentos vivem hoje, é de muita violência. Os presídios se tornaram depósitos humanos, onde a superlotação acarreta violência sexual entre presos, faz com que doenças graves se proliferem, as drogas cada vez mais são apreendidas dentro dos presídios, e o mais forte,

ampla assistência jurídica. separação entre presos primários e reincidentes. A falta de capacitação dos agentes. melhoria de assistência médica. A superlotação é inevitável. hoje é de 361. Segundo Mario Ottoboni. na prisão. criminosamente deixou de fazê-lo.483 encontram-se cumprindo penas na Secretaria Segurança Publica. Ocorre a necessidade urgente de modernização da arquitetura penitenciária.347. psicológica e social. prevê que ³é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral´. e de dentro das cadeias os presos continuam praticando crimes e comandando quadrilhas. a sua descentralização com a construção de novas cadeias pelos municípios. a falta de higiene e assistência ao condenado também são fatores que contribuem para a falência. acompanhamento na sua reintegração à vida social. Mas este mesmo Estado continua a praticar o crime.subordina o mais fraco. ampliação dos projetos visando o trab alho do preso e a ocupação. mas o Estado não garante a execução da lei. sendo que 64. em época oportuna e. A população carcerária A população carcerária no Brasil. muitos ali se encontram já com penas cumpridas e são esquecidos. uma bomba relógio que o judiciário brasileiro criou no passado a partir de uma legislação que hoje não pode mais ser vista como modelo primordial para a carceragem no país. pois além da falta de novos estabelecimentos. seja pela corrupção dentro dos presídios. Mudanças radicais neste sistema se fazem urgentes. ao passo que recuperá-lo é um imperativo de ordem moral. durante o cumprimento da pena. Entre 1995 a 2005. Por meio do aparelho os presidiários mantêm contato com o mundo externo e continuam a comandar o crime. A prisão existe por castigo e não para castigar. pois as penitenciárias se transformaram em verdadeiras "usinas de revolta humana". O Estado tenta realizar. a corrupção. O Estado não se julga responsável pela obrigação no que diz respeito ao condenado. A sociedade somente se sentirá protegida quando o preso for recuperado. tudo quanto deveria ter proporcionado ao cidadão. As vagas no sistema penitenciário é de 206. fazendo com que as prisões fabriquem delinqüentes mais perigosos. a população cresceu 94% de modo que a cadeia acaba sendo um espaço . O uso indiscriminado de celular dentro dos presídios. do qual ninguém deve se escusar.402 segundo informação do Depen. O artigo 5º. bem como oferecimento de garantias de seu retorno ao mercado de trabalho entre outras medidas. também é outro aspecto que relata a falência.2 o delin qüente é condenado e preso por imposição da sociedade. da Constituição Federal. pelo descaso da sociedade que muitas vezes se sente aprisionada pelo medo e insegurança. XLIX. jamais devemos nos esquecer disso. Seja por descaso do governo.

000 homens e mulheres já se e¶ncontravam confinados irregularmente em celas de delegacias e cadeias publicas. é talvez o mais grave problema envolvendo o sistema penal hoje. após libertado.5% da população carcerária. 50. reicidem no crime. o que faz com que as chances de obter apoio para colocar fim aos abusos se torne muito pequenas. pois a disparidade entre a capacidade instalada e o número atual de presos tem apenas piorado. é necessário mostrar como a exatamente a 10 anos se encontrava o sistema. Pesquisas feitas sobre o sistema prisional indicam que mais da metade dos presos tem menos de trinta anos. exclusão e materialização da criminalização da pobreza. pobres. demonstra que 90% dos ex-detentos pesquisados procuram emprego nos dois primeiros meses. Os homens já representavam 95. a realidade hoje ainda continua sendo esta. que embora este numero tenha sido apresentado em 1964. não fornecendo ao preso um mínimo de dignidade. Depois de encontrarem fechadas as portas. Uma pesquisa feita em 1964.4% analfabetos. Devido à pobreza. 48% dos seqüestradores presos se encontravam no Rio de Janeiro. 95% são pobres. e a maioria cumpre pena por assalto. Cerca de 10% a 20 % dos presos estão contaminados. O ultimo censo publicado em 23 de outubro de 1996. voltaram a praticar o crime. procurou esclarecer os problemas enfrentados pela atual realidade do sistema carcerário brasileiro. Superlotação gera rebelião A superlotação devido ao numero elevado de presos. o que no momento ainda ocorre no pais inteiro. O outro tipo de prisão irregular constatado naquele momento mas não divulgado o numero era o de pessoas que já haviam cumprido pena e não haviam sido li bertadas ainda. Devido a supe rlotação muitos dormem no chão de suas celas.000 presos. não chegaram a nenhum resultado positivo. homens com baixo nível de escolaridade. Como no resto do mundo é formada por jovens. Nos . feito pelo Ministério da Justiça. A massa carcerária cresce ao ritmo de um preso a cada 30 minutos. Estudos mostram que 70% daqueles que saem da cadeia. tendo cumprido pena. 95% são do sexo masculino e 2/3 não completaram o primeiro grau. Naquele ano o pais possuía 150. às vezes no banheiro. o que nos faz crer que hoje a realidade é ainda mais horrorizante. Mais uma vez é necessário lembrar. Todos os esforços feito para a diminuição do problema. As prisões encontram -se abarrotadas. pois a sociedade teme em ocupar dos serviços de uma pessoa que possui passagem pela policia. próximo a buraco de esgoto. sendo 10. Embora este números tenham aumento no momento e destacado logo no início.de punição. 15% a mais que em 1994. a AIDS prolifera entre detentos com rapidez de uma peste. furto ou trafico de drogas. esta população possuem pouca influ ência política. sob responsabidade de Paulo Tonet Camargo publicado pela revista Veja.

097. Os estabelecimentos penitenciário brasileiro. presídios. O problema é que assim como nos estabelecimento penais ou em celas de cadeias o numero de detentos que ocupam seus lugares chega a ser de cinco vezes mais a capacidade. sendo que a capacidade era de 500 detentos. Os objetivos que tinham. contra o isolamento. contra os guardas. e abriga 1. que terminou na morte de 111 detentos. contra os tranqüilizantes. não existem mais estabelecimentos prisionais destinados. penitenciárias. Nos últimos meses. delegacias.508 detentos em sete pavilhões diferentes. Eram revoltas contra toda miséria física que dura há mais de um século: contra o frio. contra a fome. todos foram transformados em depósito de pessoas. nos mostra que as causas das rebeliões. tratava-se realmente de corpos e de coisas materiais em todos esses movimentos: como se trata disso nos inúmeros discursos que a prisão tem produzido desde o começo do século XIX. Cadeias públicas. A reivindicação mais comum é a de melhores condições nos estabelecimentos prisionais. Mas também revoltas contra as prisões-modelos. Tamanha irresponsabilidade por parte dos governantes. as rebeliões são formadas para buscar no Estado a dignidade humana de que o preso tem direito. forma e desenho. As rebeliões que tem acontecido em todos os países. Na Penitenciaria de São Vicente a capacidade é de 750. contra a sufocação e o excesso de população. Segundo o jornal O Globo Online. Revoltas cujos objetivos eram só materiais? Revoltas contraditórias contra a decadência. a revolta dos detentos continuam a ser devido a superlotação. exclusivamente. Uma pesquisa feita no antigo complexo penitenciário do Carandiru. explodiu uma grande rebelião. e ao mesmo tempo contra o conforto. Conforme mencionado no titulo a realidade do sistema. presos dormem amarrados às grades das celas ou pendurados em rede. suas palavras de ordem. As prisões paulistas ainda continuam a demonstrar. que não são tratados como tais. aos presos que aguardam julgamento. varias rebeliões estouraram no estado. e muitos feridos. que as condições continuam as mesmas ou até piores. O que provocou esses . contra os golpes. contra as paredes velhas. contra o serviço médico ou educativo. variam quanto ao tamanho. seu desenrolar tinham certamente qualquer coisa paradoxal.419. e sua capacidade é de 60. mas o lugar abriga no momento mais de 1.estabelecimentos mais lotados. foi que em 1992. e ao mesmo tempo contra os psiquiatras? De fato. mostrava que a Casa de Detenção mantinha 6. com tamanha freqüência. já fazem parte do dia a dia e é o resultado da caótica realidade do sistema penitenciário. Com a lotação do sistema prisional. No Centro Provisório de Campinas-Hortolândia a lotação máxima é de 768 presos. FOCAUT. Na cadeia publica de São Sebastião estão presos 240 homens. que hoje se encontra falido. onde não existe nem lugar no chão. houve revoltas em prisões em muitos lugares do mundo. não difere das nossas atuais: Nos últimos anos. Todos os lugares mencionados foram alvo de rebeliões.

não havendo assistência específica para as mulheres grávidas. Assistência Médica e higiene Segundo a Lei de Execução Penal em seus artigos 12 e 14 o preso ou internado. ao nível dos corpos. a instalações higiênicas e acesso a atendimento medico. era toda essa tecnologia do poder sobre o corpo. Muitos dos presos estão submetidos a péssimas condições de higiene. principalmente com relação ao tratamento dispensado pelos funcionários do sistema penitenciário. apresentavam reivindicações dos presos não atendidas. dos psicólogos e dos psiquiatras ± não consegue mascarar nem compensar. ou revoltas. Mas a realidade hoje não é bem assim. levam à transmissão de AIDS entre os presos. muitos deles sem ao menos terem conhecimento de que estão . alem do que o acompanhamento médico inexiste em algumas delas. que a tecnologia da ³alma´ ± a dos educadores. essas lembranças e invectivas foram realmente essas pequenas. rudimentar demais ou aperfeiçoado demais da prisão. pela boa razão de que não passa de um de seus instrumentos. com todos os investimentos políticos do corpo que ela reúne em sua arquitetura fechada que eu gostaria de fazer a história. FOLCAULT ainda afirma que as rebeliões. Tratava-se bem de uma revolta. Por puro anacronismo? Não. piorando as questões de higiene. o livramento condicional de presos ou a privatização do sistema prisional que continua em excesso. que necessitam de assistência ginecológica. Quem mais sofre pela carência de assistência médica são as detentas. muitas penitenciárias não possuem sequer meios de transporte para levar as internas para uma visita ao médico ou a algum hospital. terá assistência material.discursos e essas revoltas. As condições higiênicas em muitos estabelecimentos são precárias e deficientes. A promiscuidade e a desinformação dos presos. se entendermos com isso fazer a história do presente As alternativas para solucionar o problema que se agrava. Sim. Além disso. O que estava em jogo não era o quadro rude demais ou ascético demais. essas ínfimas coisas materiais. Sanitários coletivos e precários são comuns. era sua materialidade medida em que ele é instrumento de vetor de poder. por exemplo.Os serviços penitenciários são geralmente pensados em relação aos homens. contra o próprio corpo da prisão. sem acompanhamento psico-social. em se tratando de higiene. como se vê a seguir: Quem quiser tem toda a liberdade de ver nisso apenas reivindicações cegas ou suspeitar que haja aí estratégias estranhas. seria a construção de novos presídios. se entendemos com isso fazer a história do passado nos termos do presente. É desta prisão. farmacêutico e odontológico.

Muitos chegam ao estado terminal sem qualquer assistência por parte da direção das penitenciárias. portanto. O desvio de comida é muito grande. os estabelecimentos penais do país não . causando doenças como gripes fortes e pneumonias. muitos presos se queixam de doenças gástricas. Alimentação Constitui também direito do preso à alimentação.tação e v estuário. No estado de Minas Gerais. Apesar das determinações legais. velhas e sem manutenção. muito guardas são "subornados" por parentes dos detentos que lhes providencia roupas em troca de dinheiro. pneumonias e ulcerações. sendo feita até mesmo pelos guardas ou pessoas subornadas a eles.contaminados. Segundo um relatório da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. sem as mínimas condições de higiene. Mas não somente a AIDS é negligenciada. muitos presos denunciavam policiais corruptos. sendo fora dos estabelecimentos penitenciário. dermatites. como as demais partes dos estabelecimentos. servindo como lugar de moradia de ratos e insetos. urológicas. fornecer aos detentos oportunidades de trabalho. espancamentos e outras violências contra os encarcerados ficassem sem a devida apuração e socorro. Trabalho De acordo com a LEP.A possibilidade fática de um acompanhamento médico adequado evitaria que certas situações de maus tratos. No mesmo relatório apresentado pela Comissão de Diretos Humanos. outros acabam se molhando em dias de chuva e permanecem com a roupa molhada no corpo. a parte a que toca em alimentação é feita através de processo licitatório. todos os presos condenados devem trabalhar. que apesar de muitas vezes não faltar. onde até as áreas destinadas ao estoque de mantimentos são geralmente sujas. pois quem possuía mais recurso recebia mais comida. entretanto. O mesmo relatório constata que muitos presos não recebem qualquer assistência visando prover suas necessidades básicas como vestuário. afirmando que muitas vezes nem sequer havia remédios básicos para tratar delas. Para diminuir esta escassez. mas não são atendidos adequadamente. porém. onde empresas conco rrem para a prestação do serviço de alimentação aos detentos. As instalações são próprias das empresas. A alimentação é fornecida pelas empresas sem que não há contato com os presos no processo de preparo. Nos presídios onde a cozinha ainda está em atividade. É preciso notar. Muitos sofrem com o frio. estas se apresentam. chega a ser desigual. que as obrigações legais com relação ao trabalho prisional são recíprocas: os detentos têm o direito de t rabalhar e as autoridades carcerárias devem.

é o incentivo criado pela própria lei para a redução de sentenças. quase todos os detentos estão dispostos a trabalhar. e não de falta de in teresse da parte dos detentos. trata-se de ocupar o tempo fazendo uma atividade profissional . limpeza e reparos. Deve-se ressaltar que o reduzido número de detentos empregados é resultado da escassez de oportunidades de trabalho. Poderão os detentos desenvolver atividades que varia da manutenção do presídio. A escassez de trabalho nas carceragens das delegacias é uma das muitas razões pelas quais os detentos se revoltam para serem transferidos para as prisões. O trabalho do condenado . para que a laborterapia possa ser aplicada de fato. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá remir. 126.28. Para começar. como dever social e condição de dignidade humana. oferecidos nas prisões. No relatório feito também pela Comissão de Direitos Humanos. Laborterapia. Embora a proporção de detentos que se dedicam a alguma forma de trabalho produtivo varie significativamente de prisão para prisão. para cada três dias de trabalho. apenas em algumas prisões femininas foram encontradas de fato oportunidades de trabalho abundantes. e não opcional. um dia deve ser debitado da sentença do detento. panificação. Mas ainda mais convincente. A única oportunidade de trabalho que elas oferecem é serviço de faxina. condenados ou não. os detentos reclamaram muitas vezes da falta de oportunidades de trabalho. Na verdade. dependendo do tamanho da delegacia. de acordo com a LEP o trabalho deveria ser obrigatório.oferecem oportunidades de trabalho suficientes para todos os presos. estes variam da manutenção. Os que possuem trabalho. que são contratos por . violando assim seus direitos e deveres. Art. terá finalidade educativa e produtiva. Todos os outros detentos. Apenas poucos detentos em cada carceragem trabalham nesse serviço. cozinha e faxina. pelo trabalho. De acordo com esse dispositivo legal. Art. geralmente de dois a seis detentos. 128. As prisões deves ser reformuladas com a criação de oficinas de trabalho. na prática. mesmo sem receber. caixões e outras tantas atividades mais que possam ser desenvolvidas dentro dos presídios. parte do tempo de execução da pena. ficam ociosos. Ansiosos para sair da prisão o mais rápido possível. pode comprovar que nem todos os estabelecimentos pena is oferecem trabalho aos detentos. dando oportunidade para que o condenado possa efetivamente ser recuperado para a vida em sociedade. O tempo remido será computado para a concessão de livramento condicional e induto. até atividades como a confecção de bolas . A situação é pior ainda nas delegacias policiais. Art.

Nessas oficinas os presos trabalham em serviços de costura e carpintaria. e conforme a LEP.empresas particulares. sendo que os serviços muitas vezes são prestados por voluntários como jovens. Mas. é determinado que os detentos recebam três quartos do salário mínimo por mês. tendo que esperar o serviço de assistência gratuita. a questão do duplo grau de culpa ou dolo nas condutas ilícitas. sendo que muitas prisões não pagam nada aos detentos. CONCLUSÃO Feito este estudo. No sentido da assistência social. e conforme a LEP. Nesse duplo grau. O s alário varia de prisão para prisão. . ate pelas tradições do direito. para instruí-lo como na conquista de um emprego. violando assim a lei. Além do mais. O processo criminal do réu pobre corre mais rápido que o do delinqüente ou inocente com poder econômico. religiosos e alguns outros que sente compaixão pelo detento. isso é considerado uma ofensa ao direito à vida e à honra das pessoas. sendo que muitas prisões não pagam nada aos detentos. mas parte destes são de classe baixa. encontra-se a figura do advogado. violando assim a lei. o povo tem clara consciência da aplicação discriminatória da lei. pude concluir que nosso país possui um sistema prisional falido e longe de poder adequar. o que não resta a estes esperar por uma oportunidade. Assistência jurídica e social Hoje. que possui um numero muito baixo de defensores públicos. o preso deve receber amparo para ser preparado para sua liberdade. Atualmente. tornam cada vez mais uma fabrica de delinqüentes. através de pesquisas e assim podendo criar meu trabalho acadêmico. e também colabora para a corrupção de nossos servidores. é determinado que os detentos recebam três quartos do salário mínimo por mês. Quem tem bom advogado tende a receber punição mais branda em relação a quem não dispõe de meios econômicos para sua defesa. O salário varia de prisão para prisão. na regularização de documentos e na sua socialização. o que ocorre é que inocentes se encontram juntos a criminosos. A assistência jurídica é de direito de todos os presos. de poder proporcionar segurança a nossa sociedade. o numero de assi stentes também é muito baixo. O artigo 5º da Constituição Federal em seu inciso LVII. Algumas prisões tem oficinas controladas pela Fundação Nacional Penitenciaria (FUNAP). O assistente social deverá realizar trabalhos. se lê ³ninguém será considerado culpado ate o transito em julgado da sentença penal condenatória´. órgão encarregado de gerir o trabalho profissional. As prisões que teriam por objetivo corrigir.

Jason. É uma vergonha. rev. consideradas de segurança máxima. assassinos e criminosos comandam o crime lá de dentro. Os presos cada vez mais comandam os presídios.Pude notar sim. pois de dentro das maiores penitenciarias. João Baptista. Este é o retrato do Brasil para mim. Pena Privativa de Liberdade. REFERENCIAS BIBLIOGRAFIA ALBERGARIA. BECCARIA. 28 ed. como um filho sem pai para educá-lo e corrigi-lo. com certeza no futuro muito próximo. Irene Batista. Cesare. MUAKAD. GALVÃO. 2004. Julio Fabbrini. 1997. Aplicação da Pena. a não ser o fato de não existir mais pena de morte. e se medidas não forem tomadas urgente. e não fiscaliza o poder por ele demandado. Mas o que de proveito ocorreu? Os poderosos continuam a mandar. Código Universitário Saraiva. Aparecida: Santuário. que muitas mudanças ocorreram da antiguidade para o presente. A sociedade não acredita mais que está segura. São Paulo: Saraiva. rev. Belo Horizonte: Del Rey. Fernando. sentindo -se que tudo podem. e atual. Mas mudanças não muito benéficas. Petrópolis. 1997.: Vozes. e o Estado somente dita regras. São Paulo. 2ª ed. Belo Horizonte: Del Rey. continuam a impor regras sobre os mais fracos. Das penas e da Execução Penal. 2005 FOLCAULT. São Paulo: Atlas. e requerem direitos e regalias. 2ª ed. Manual de Direito Penal. 2001. e atual. com o famoso Direito de Proteção Humana. 18 ed. Um país sem dono. estaremos vivendo uma possível guerra civil. Dos Delitos e das Penas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1995. MIRABETTI. HERKENHOFF. Direitos Humanos: a construção universal de uma utopia. 1996. Vigiar e Punir. Atlas. . o que violaria nossa Constituição. 1995. Michel.

Revista ISTO É. . 2º ed. 2º ed. 2001. Os dados foram obtidos em visitas a unidades prisionais do Paraná que resultaram em um relatório sobre a situação de presos provisórios e condenados no estado que revela uma realidade assustadora. Ninguém é irrecuperável. Mário. esta é a conclusão a que chegaram representantes da Comissão de Defesa de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). nº 1909 24 de junho de 2006. OTTOBONI. foto de Lineu Filho Cadeias superlotadas e interditadas. conta a presidente da comissão de direitos humanos da OAB/PR. Virginia da Conceição Camargo é acadêmica de direito curs ando o último ano na Faculdade de Direito do Sul de Minas Sistema prisional do Paraná está em situação caótica. São Paulo: Cidade Nova.OTTOBONI. Vamos matar o criminoso?. ³Encontramos presos com bolor e até bernes na pele por causa das péssimas situações das delegacias´. ver. segundo OAB De Daiane Rosa no Jornale. Alan. São Paulo. 2001. e atual. RODRIGUES. cruel e degradante. Mário. Sob o domínio do crime. presos em situação desumana. Priscilla Placha Sa. São Paulo: Paulinias.

A delegacia de Paranaguá tem capacidade para 27 pessoas. ³Se a construção das novas instalações ficar só na promessa vamos fechar Paranaguá com a parceria de sindicatos da região. ³Temos como urgências a delegacia da Lapa. que foi considerado a pior delegacia visitada pelos representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um buraco conhecido como ³boi´ é utilizado como vaso sanitário por mais de 50 encarcerados. disse. em Curitiba.5% é analfabeto e apenas 0. ³Há 20 anos denunciamos a situação precária de Paranaguá. ameaçou. lamenta o presidente da OAB/PR. que diz que a delegacia não tem ratos e baratas porque não cabe.577 presos no estado contra 37. ³Nas celas onde não bate sol a temperatura é 10º acima da temperatura do lado de fora. esta não é uma exceção mas uma regra geral em todo o estado´. Registramos casos de celas onde a temperatura chegou a 55º´. luminosidade e até de água.440 presos registrados no banco de dados do Infopen. O Paraná possui a maior população de presos provisórios do Brasil. Orlando Pessuti. mas até na morte do detento. Dora Maria Chüller. alguns mais de uma vez. para minimizar problema. ³Esta cadeia pública exemplifica o que não se deve fazer nunca. ³Para a OAB é inaceitável que presos sejam tratados dessa maneira´.Outros problemas nas carceragens são a ausência de ventilação. Em casos extremos. um canal de comunicação aberto entre as secretarias de segurança pública e da justiça e cidadania e a atuação conjunta do poder judiciário e do Ministério Público. Para Priscilla. Entre as medidas apontadas como alternativas. José Lucio Glomb. No Paraná. Daí ninguém vai entrar e ninguém vai sair da cidade até que se tome uma providencia de verdade´. Ponta Grossa. A situação é caótica em todo o estado. Pinhais. ³As autoridades só pensam em intensificar as penas. ficamos aguardando a construção. a situação precária não resultou em apenas lesões corporais. Esta unidade prisional está sofrendo a terceira interdição. estão a atuação efetiva do poder executivo e da defensoria pública. inclusive no interior. O governador do estado. a subdivisão de Londrina. revela. o 9º e o 12º distrito´. nenhuma delegacia ou DP do estado cumpre o que determina a legislação e a única unidade do sistema prisional que ³ensaia´ uma boa situação é o minipresídio de Ponta Grossa. Pinhais. reclama o membro da comissão de diretos humanos do conselho federal da OAB DálioZippin Filho. Lapa e o 9º. segundo a presidente da comissão de direitos humanos da OAB/PR. No 12º Distrito Policial.57% . com um corpo técnico trabalhando para a melhoria do sistema carcerário. 11º e 12º distrito já foram interditados. 75% dos detentos têm de 18 a 34 anos. mas não se preocupam com a condição em que se encontra o preso´. Arapongas. Infelizmente. afirma. a delegacia de Paranaguá. Entre as urgências está a retirada de presos provisórios de penitenciárias e de presos definitivos de delegacias. 50% trabalhava na construção civil ou prestação de serviços. O número da população carcerária não é exato e há conflitos de estatísticas por parte do relatório do Mutirão Carcerário que afirma que existem cerca de 29. acredita a presidente da subseção da OAB em Paranaguá. mas comporta atualmente cerca de 270 presos. que não saiu até hoje por razões de rivalidade política´. e muitos ainda continuam funcionando. 6. já assinou a ordem de construção da nova instalação da delegacia que vem sendo prometida há bastante tempo. os representantes até compraram um terreno.

no Palácio das Araucárias. Ministério Público e o Poder Judiciário para montar um banco de dados e um diagnóstico da situação nos distritos policiais e penitenciárias do estado. « Em Curitiba. afirmou Maria Tereza. a equipe poderá executar um projeto para a construção de galpões industriais e alojamentos para abrigar os presos em regime semi-aberto. Com esses números. Maria Tereza Uille Gomes. Atualmente. A secretária também listou medidas emergenciais para desafogar. De imediato. toda ação depende de um diagnóstico. . Lula propõe abrigar mulher iraniana condenada à morte Governo quer que presídios do Paraná tenham mais 6 mil vagas até 2014 QUI. o correspondente a 75 presos.têm o ensino superior completo. deverão ser entregues este ano e abrirão outras vagas para reduzir o número de presos nas delegacias do estado. a Secretaria de Segurança Pública. Domingo. ³Primeiramente. criando assim. ³Ou seja. três novas unidades penitenciárias estão em obras: em Maringá. Cruzeiro do Oeste e Piraquara. ALTERNATIVA .Com base no banco de dados. poderemos entender a situação e tomar as atitudes cabíveis´. a população carcerária é bastante jovem e pobre´. informou nesta quarta feira (12) a secretária de Estado da Justiça e Cidadania. informou a secretária. aproximadamente mil novas vagas. Alguns municípios mostrar m a interesse na instalação de unidades do regime´. conclui Priscilla. 13 DE JANEIRO DE 2011 11:17 Diagnóstico avalia atual situação do sistema penitenciário prisional do A criação de 6 mil vagas no sistema penitenciário é um dos objetivos do governo Beto Richa estabelecidos para o período 2011 a 2014. Elas estão sendo executadas com recursos do estado. 1 de Agosto de 2010 ± 10:40 hs. o sistema Estado do Paraná. de início. já no ano de 2011. foi criado um grupo de trabalho entre a Secretaria da Justiça (Seju). Deixe um comentário. ³A minha intenção é verificar a implantação de regime semi-aberto de maneira descentralizada no interior do estado.

500 servidores para 14 mil presos no sistema penitenciário. até porque existe um programa de valorização do servidor público para que eles ocupem seus espaços. antiga reivindicação da classe para a valorização do servidor. e levantou a questão da regulamentação da Defensoria Pública. para a execução de obras das Casas de Custódia. visando potencializar a estrutura. Ela será importante para oferecer um apoio jurídico adequado´. Maria Tereza destacou a necessidade de integração entre todos os responsáveis pela ação penal. Maria Tereza Uille Gomes acrescentou ainda a necessidade da realização de concursos públicos para a ampliação do quadro efetivo dos agentes e servidores administrativos. ³Dei prioridade para que todos os cargos fossem assumidos por funcionários da casa. Adiantou que o projeto está em análise para possíveis adequações. . O projeto arquitetônico será levado a Brasília nos próximos dias. VALORIZAÇÃO DO SERVIDOR ± Para todos os cargos de direção e chefia. precisamos da institucionalização da Defensoria Pública. que está em trâmite o repasse pelo Ministério da Justiça de R$ 79 milhões. Vou pedir à Escola Penitenciária cursos específicos para a formação de nossos agentes.A secretária informou ainda. ³Em caráter emergencial. hoje composta por 4. destacou a secretária. a secretária nomeou funcionários de carreira. e dos presos também´.

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