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PCNs fácil de entender - Nova escola

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PCN

O desafio de alfabetizar

de 1ª a 4ª série

Parâmetros Curriculares Nacionais

Fáceis de entender
sO sO sO

que são eles que ensinar com eles que a turma deve ler, falar e escrever
Língua Portuguesa
izadas: vários Estados estão remodelando seus currículos e investe-se mais na atualização dos professores. Mas a verdade é que ainda há muito a fazer. O índice de repetência e de abandono no Brasil, um dos mais altos do mundo, é resultado, principalmente, da dificuldade que a escola tem em ensinar a ler e a escrever.

A dificuldade da escola em iniciar a criança no mundo das letras está na raíz da evasão e da repetência

E

nsinar as crianças a ler, a escrever e a se expressar de maneira competente na língua portuguesa é o grande desafio dos professores das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Existem mudanças importantes sendo real-

Os objetivos do Ensino Fundamental
Ao longo das oito séries do Ensino Fundamental, o aluno deve desenvolver as seguintes habilidades, segundo propõem os PCN: 1 - Expressar-se em diferentes situações. Em cablá, blá, blá... ráter privado, ou seja, com a família e os amigos, ou em público, na apresentação de um trabalho em classe ou numa solenidade escolar. 2 - Saber expressar-se de diferentes maneiras. Ou seja, usar a linguagem adequada a cada ambiente: a coloquial, em situações de intimidade; ou a formal, que utiliza a norma culta (valorizada socialmente), em situações cerimoniosas. Numa entrevista para obter emprego, as expressões usadas são diferentes das de um “papo de bar”. 3 - Conhecer e respeitar as variedades lingüísticas do português falado. O aluno deve entender que em um país grande e Oxente, de culturas varia- menino! das como o Brasil existem sotaques, expressões regionais e maneiras diferentes de falar – como o linguajar paulista, o carioca, o baiano e o gaúcho. Nenhum está certo ou errado. Eles são apenas diferentes. 4 - Saber distinguir e compreender o que dizem diferentes gêneros de texto. Uma bula de remédio, um bilhete da namorada ou um anúncio de carro têm intenções, estilos e vocabulários muito diferentes entre si. 5 - Entender que a leitura pode ser uma fonte de informação, de prazer e de conhecimento. Ela dá acesso às informações necessárias para Plebiscito... Plebiscito... o dia-a-dia e aos mundos criados pela literatura e pelas ciências. O aluno deve saber, ainda, como recorrer a diferentes materiais impressos para atender a necessidades específicas. Para obter informações sobre um filme, usa-se o jornal. Para achar o significado de uma palavra desconhecida, o indicaBah, guri! do é o dicionário. Para uma pesquisa de História, consultam-se enciclopédias. 6 - Ser capaz de identificar os pontos mais relevantes de um texto, organizar notas sobre esse texto, fazer roteiros, resumos, índices e esquemas. Com base em trechos extraídos de fontes diferentes, o aluno deve saber compor um novo texto coerente. Em resumo, transformar a linguagem em um instrumento de aprendizagem, que lhe dê acesso e meios para usar as informações contidas nos textos que lê. 7 - Expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opções individuais. E também ser capaz de ouvir, interpretar e refletir sobre as idéias de outros, sabendo contrapor-lhes as próprias idéias. Quando descreve, em classe, um fato ocorrido na rua, o aluno está treinando tal habilidade. 8 - Ser capaz de identificar e analisar criticamente os usos da língua como instrumento de divulgação de valores e preconceitos de raça, etnia, gênero, credo ou classe. É o que ocorre nas piadas consideradas “inocentes” sobre portugueses, judeus, baianos ou negros. No entanto, refletir sobre o real significado preconceituoso delas pode gerar uma interessante atividade em classe.
Ilustrações Vilmar de Oliveira

PCN 1ª a 4ª série -

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Um bate-papo entre amigos. “assim”. Nós nos comunicamos também usando diferentes registros. O que se quer ensinar para as quatro séries iniciais Os alunos devem terminar a 4a série do Ensino Fundamental dominando a linguagem de maneira eficaz. Dominar a linguagem é saber usá-la de maneira adequada a seus destinatários. se dará em dois registros diferentes. Muitas conseguirão dar a resposta certa. por exemplo. Em uma delas.A linguagem escrita Ler e escrever são atividades que se complementam. interrogação e reticências. s Os alunos devem conhecer as regularidades ortográficas (quando há regras) e as irregularidades (quando elas não estão presentes) das palavras. Aprende-se a falar fora dos bancos da escola. devem poder substituir o uso excessivo de “e”. Isso é possível realizar Geografia Educação Física Ciências Naturais Meio Ambiente Ética ? 6 . Saúde História Orientação Sexual s Os alunos devem. escrita ou falada. é muito mais do que isso. A comunicação. ler as instruções de uso de um eletrodoméstico – como para ter acesso aos bens culturais e à participação plena no mundo letrado. “daí” ou “então” por outros conectivo como. já que a leitura fornece a matéria-prima para a escrita.Pluralidade Língua Cultural Portuguesa Como podemos avaliar se alguém domina de maneira eficaz a linguagem? A linguagem. Peça às crianças que apontem a última palavra lida. uma carta ou uma lista de compras são manifestações da linguagem. tem um copo de veneno. são ações que permitem produzir e compreender textos. adaptando-se a diferentes registros e de forma coerente com seus objetivos e com o assunto tratado. É preciso ler. tanto para as necessidades do dia-a-dia – escrever um recado. “mas” etc. expressões e gestos diferentes dos que emprega quando cobra a lição de um aluno. ou seja. entender o que é dito num telejornal e ler um livro de poesias. Falar e escutar. no início. maior será a chance de elas se tornarem leitoras hábeis. certamente usará termos. devem ser capazes de produzir e interpretar textos. Se na sua sala só entrarem aqueles textos escritos explicitamente para ensinar a ler. s Nos textos que escreverem. pode apresentar-se de várias formas. mas na sala de aula é possível mostrar as falas mais adequadas e eficientes nas diferentes situações cotidianas. s Usar dicionários e outras fontes impressas para resolver dúvidas ortográficas. eles devem ser capazes de dividir o texto escrito em frases. É fácil entender: se você tiver de falar com o secretário de Educação de seu Estado.) Leia-o algumas vezes junto com a turma. Em outras palavras. Escreva no quadro-negro um versinho que eles saibam de cor. usando maiúsculas no início delas e os sinais de pontuação. como ponto final. interessantes e divertidos forem os textos que você apresentar às crianças. s Ao final do primeiro ciclo. Quem bebeu morreu. “aí”.PCN 1ª a 4ª série com crianças em processo de alfabetização. (Por exemplo: Lá em cima do piano. mesmo antes de dominar o alfabeto A tradição ensina: alfabetizar é tratar da linguagem escrita e lecionar Português é treinar os alunos a representar graficamente a fala pela combinação das letras do alfabeto. pare a leitura no meio. Arte Matemática Dica . nesses casos. Quanto mais variados. mesmo quando tiveram pouquíssimo contato com a linguagem escrita. exclamação. 1 . Veja o que se espera que os alunos aprendam na linguagem escrita e algumas sugestões para ajudar seu trabalho: No primeiro ciclo s Eles devem fazer a correspondência dos segmentos falados com os segmentos escritos da Língua Portuguesa. Quem lê mais dispõe de um vocabulário mais rico e compreende melhor a estrutura gramatical e as normas ortográficas da Língua Portuguesa. Na verdade. além de ler e escrever. dependendo de seus objetivos. eles se desinteressarão da leitura e terão dificuldade em aprender. que despertam pouca atenção nos alunos. Os bons leitores têm grandes chances de escrever bem. Cabe à escola desenvolver também a linguagem oral de seus alunos. aprender a escrever um texto separando as palavras.

No primeiro (o da alfabetização). travessão ou dois-pontos. Proponha aos alunos fazer uma revisão dos termos empregados como marcadores de tempo. Peça a elas que transcrevam os diálogos dos balõezinhos. ? 7 Dica Dica Dica . como ler para revisar. apresenta-se o sistema alfabético da escrita. s Acentuar palavras utilizando as regras relacionadas à tonicidade. Todo texto é provisório e sempre pode ser melhorado. Atualmente se percebe que o processo de ensino baseado na silabação é desnecessário e lento. para depois avançar no ensino da língua. s Fazer resumos. s Empregar as regências verbais e as concordâncias verbal e nominal. que podem ser uma combinação de produções escritas ou criadas oralmente. São termos como: “há muitos anos”. Uma regra de ouro: nunca deve ser dado um texto ao aluno sem explicar para que serve e o que se pode extrair dele. No segundo ciclo s Formar critérios para selecionar leituras e desenvolver padrões de gosto pessoal. s As crianças devem saber explorar diferentes modalidades de leitura. Além de aumentar o repertório da turma.“antes disso”. que repete as expressões “era uma vez” ou “antigamente”. que usam o método da silabação. Nem mesmo escritores experimentados produzem textos finais na primeira tentativa. o exercício permitirá situar os textos em épocas diferentes. o travessão ou as aspas. Nesse método tem-se por hábito ministrar o ensino da Língua Portuguesa em dois estágios. representando os sons das palavras graficamente. manter o tempo verbal e empregar expressões que marcam temporalidade e causalidade. no futuro ou no passado. s Eles devem saber separar o discurso direto do indireto e marcar turnos do diálogo utilizando aspas. “muito tempo depois” etc. PCN 1ª a 4ª série - Crianças adoram histórias em quadrinhos. Não é preciso dominar o bê-á-bá. Elas usarão os dois-pontos.Agora não se ensina mais o bê-á-bá? Não se deve mais usar a cartilha no processo de alfabetização? Não é isso. Uma boa atividade é distribuir a parte do jornal que traz o roteiro cultural e pedir aos alunos que localizem. ler para se divertir etc. presente nas cartilhas. com exercícios de redação e treinos ortográficos e gramaticais. o cinema mais próximo da escola ou o espetáculo de teatro mais barato. ler para obter informações. Na etapa seguinte é feito o estudo da língua propriamente dita. relêlos e cuidar da apresentação. redigir rascunhos. eles também modificam e aprimoram suas obras. s Desenvolver estratégias de escrita. por exemplo. como planejar o texto. Evidentemente é possível aprender a ler e a escrever com as tradicionais cartilhas. s Compor textos coerentes com base em trechos oriundos de fontes diversas. s Utilizar os recursos coesivos oferecidos pelo sistema de pontuação e pelo uso de conectivos adequados.

No segundo semestre. expressões faciais.Geografia Minha escola fica em um povoado no Maranhão. são alguns comentários. Você notará quanto seus alunos vão aprender e como seu trabalho ficará mais fácil. E perceber neles os elementos intencionais: o bom humor. s Descrever cenários.A linguagem oral À medida que a criança avança na escolarização. as histórias de que mais gostam. formular e responder a perguntas e manifestarse. em caixas Fotos Leonardo Carneiro Dica Arte Leitura dramatizada de texto no pátio (ao lado). Uma idéia é explorar e valorizar suas experiências e os conhecimentos que elas trazem de casa. além de acolher opiniões dos demais. s Manter um ponto de vista coerente ao longo de um debate ou uma apresentação. a professora dispõe. vários tipos de bruxa. Após o discurso. respeita individualidades e é capaz de superar as dificuldades e carências de uma escola. cada um lê seu texto em sala. Denise coloca imagens e desenhos nas caixas e estimula a turma a criar seus próprios textos para lê-los ou representá-los em forma de teatrinho. A linguagem oral apresenta dificuldades tanto para quem a produz (clareza) quanto para quem a recebe (compreensão). O que se espera que o aluno aprenda na linguagem oral: No primeiro ciclo s Em sala de aula. simulando os dos meios de comunicação: conversas por telefone. A narrativa da classe vai ficar mais rica. anúncios de rádio ou locuções dos apresentadores de TV. suas músicas preferidas. s Empregar a linguagem com maior nível de formalidade. poesias. principalmente na apresentação de trabalhos. s Relatar experiências. No primeiro semestre. Pluralidade Língua Cultural Portuguesa Crie com seus alunos uma galeria de personagens para ser usados nas histórias orais. idéias e opiniões de forma clara e ordenada. a turma vai pensando.PCN 1ª a 4ª série 2 . tornam-se comuns em sala de aula. As crianças devem subir nele para ler em voz alta para os colegas. mantendo-se próximo do texto original. fábulas e aventuras. registra e se corrige. por exemplo. As escolas deveriam tratar da expressão oral desde as séries iniciais. e em sala. Saúde No segundo ciclo s Produzir diferentes textos. Como posso melhorar o trabalho das turmas? ? O professor que quer acertar trata com carinho os alunos. de São Paulo. s Fazer uma exposição oral com ajuda de um texto escrito. s Narrar fatos respeitando a temporalidade e registrando as relações de causa e efeito. Estimule a discussão e a fala das crianças. Enquanto fala e escreve sobre sua vida. o tom catastrofista das más notícias ou uma inflexão de voz “garantindo a qualidade” de um produto. Denise monta um pequeno palanque enfeitado em um canto da sala. “Precisa gaguejar menos” ou “melhorar a pontuação”. s Contar histórias já conhecidas. Não deveria ser assim. Para tornar a experiência mais divertida. Ele combina a leitura silenciosa. adequar o discurso ao conhecimento prévio de quem o ouve e a situações formais de comunicação. mudanças no tom de voz – na comunicação. 8 . A turma escolhe o que quiser. Dos relatos pode surgir o material didático de que você sente falta. Peça às crianças que as desenhem e descreverem suas características. Por isso procure observar os hábitos dos alunos e faça com que contem e escrevam sobre suas brincadeiras mais comuns. a produção de textos e a leitura em voz alta. três alunos sorteados avaliam a apresentação. as exposições orais. textos infantis de gêneros diversos: contos de fadas. No dia seguinte. faz uma primeira leitura e leva para estudar melhor em casa. Mas são poucas as escolas que costumam ensinar como falar com fluência em situações públicas. Não temos livros didáticos nem outro material. Educação Física Ciências Naturais Meio Ambiente Orientação Sexual As crianças vão adorar ler em voz alta para os colegas Matemática História U m método para desenvolver o uso da linguagem oral com crianças de 2ª série foi criado pela professora Denise Santoleri Franque. Você pode fazer. s Identificar elementos não-verbais – como gestos. no palanque enfeitado coloridas. Ética . sentimentos. o aluno deve ser capaz de ouvir com atenção os professores e colegas e intervir sem fugir do assunto tratado. quando a situação social em que o aluno estiver assim o exigir. objetos e personagens.

como estava em um livro didático”. por pura obrigação. sem entusiasmo. palavra na qual o “s” tem som de “z”. criando suspense. ansiosos. Os alunos recebiam uma cópia dos textos e. Foi um sucesso. a professora Marisa foi trabalhar em uma escola de periferia na Ilha do Governador. Eles estão por toda parte: jornais. Pode-se. O importante é que o material escrito apresentado aos alunos seja interessante e desperte a curiosidade das crianças. um livro que falava da vida de meninos numa escola de muitos anos 2 . criada para unificála e facilitar o entendimento do que se lê. a turma passou de um texto lido por semana para um por dia. Inicialmente isso é aceitável. era sem vontade. as crianças tomam a iniciativa: trazem sugestões de casa. artigos de revistas. “cuanto” ou “muinto”.Usando textos diversificados Em muitas escolas a Língua Portuguesa ainda é ensinada de maneira formal. trabalhar o aluno para compreender que nem tudo o que se fala tem correspondência idêntica na escrita. 9 Dica . Cada vez mais o aluno terá de compreender e escrever textos diferenciados. Em pouco tempo. A garotada ia mal em Português e detestava a leitura. recortam as notícias que lhes interessam e melhoraram sensivelmente o desempenho escolar. No início de sua carreira. claros e criativos. Exemplo: “casa”. ou o professor lê um texto para a turma. Até algumas embalagens de produtos alimentícios trazem pequenos textos repletos de informações. Marisa escolheu. Agora. Ela lia em capítulos e parava no auge da narrativa. As variantes da língua falada precisam ser consideradas. “Uma criança da periferia não se identifica com a história de um executivo servido pela empregada. histórias em quadrinhos. pois retrata uma de suas hipóteses sobre o que a escrita representa. pela leitura do episódio seguinte. na época da palmatória – O Cazuza. em Campinas. então. em grupo ou individualmente. quando o faziam. folhetos de propaganda. Os alunos adoraram e passaram a esperar. ? PCN 1ª a 4ª série - A criança pensa que a escrita é a representação daquilo que fala.Como o professor pode desenvolver o hábito da leitura entre seus alunos 1 . mas deve-se ter cuidado ao escrever. Mas não era só isso. atrás. Não é preciso quebrar a cabeça para conseguir textos diversificados para utilizar em classe. A partir daí foi fácil apresentar outros livros. no Rio de Janeiro. Tais possibilidades devem ser escolhidas de acordo com a atividade que está sendo desenvolvida em classe. Como ajudá-los a falar e a escrever certo? A turma pode não gostar de leitura porque só recebe textos chatos O s alunos da 2ª série da Escola Municipal Padre Avelino Canazza. Textos literários e poesias também devem ser usados. a 98 quilômetros de São Paulo. diz a professora Cleuza Albertini. ele já escreve e estabelece uma correspondência entre o falado (fonema) e o escrito (grafema). As crianças pediam novas histórias e liam com prazer. Esse tipo de ensino não atende mais às necessidades da sociedade. A escrita depende de uma convenção. de Viriato Corrêa – e passou a lêlo em voz alta. A garotada não lia porque achava chatos os textos que recebia. Quando o aluno atinge a hipótese alfabética. debatiam o que haviam lido. chata. que é a ortografia. então. Leciono para a 2a série e muitos de meus alunos escrevem errado: “papeu”.Incentivando a leitura diária Não se formam bons leitores se eles não têm um contato íntimo com os textos. ou em voz alta. revistas. notícias sobre o cotidiano do Notícias recortadas: alunos bairro em que está a escolhem o que querem ler escola. Há inúmeras maneiras de fazer isso: os alunos podem ler em silêncio. Explicações para isso não faltavam: a escola fica na periferia e muitas crianças tinham pais analfabetos que não lhes Fotos Sidnei Pitoco Professora Cleuza em sala: notícias do cotidiano contavam histórias. não gostavam de ler e. A escolha de um bom livro para iniciar o processo de leitura é fundamental para cativar a turma. em seguida. Os livros didáticos foram substituídos por contos infantis.

A turma de Sheila era considerada a “pior” da escola. “Fatos assim sensibilizam as crianças e elas ficam ansiosas para se manifestar”. Eles cumprem um papel importantíssimo e combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação. textos de jornais. É importante. dezessete estavam alfabetizados. fez a turma ler e preparar uma receita de doce impressa em uma lata de leite em pó. Os alunos. Há situações em que a falta de espaço ou de recursos parece impedir a criação da bi-blioteca. A biblioteca deve estar permanentemente aberta aos alunos. São entraves que podem ser vencidos com criatividade. para divertir e que podem ser fonte de prazer. canções. usou embalagens de margarina para formar outras palavras. anúncios classificados. no zoológico de Belo Horizonte. trava-línguas. Para recuperar o tempo perdido. por exemplo. A bi- Educação Física Ciências Naturais blioteca de classe não precisa de um número muito grande de volumes. Quero sugestões para fazer com que as crianças tomem gosto pela leitura. uma sugestão de textos que você pode ter na biblioteca de classe: s Histórias em quadrinhos. gravadores. que a biblioteca possua livros e textos bem diversificados. como o “B” e o “P”. Quando a criança já lê textos simples por conta própria. 10 . Isso faz com que a criança compreenda que existem textos feitos para informar. que as crianças adoraram. de acordo com a série a que se destinavam. precisa tomar contato com leituras de diferentes níveis e assuntos. a classe também pode ter seu acervo. É preferível que ela disponha de 35 livros diferentes a 35 volumes do mesmo livro. quadrinhas. s Textos teatrais. Abaixo. também. revistas e livros infantis. Arte Matemática Crianças brincam com letras de borracha: tirando dúvidas sobre a forma do “B” e do “P” Os Mamonas Assassinas: emoção em classe com a tragédia do grupo . a escola nunca havia conseguido alfabetizar mais de oito alunos. pintados com cores diferentes.Ética ? Para que o aluno tenha condições de gostar de ler. O que se espera é que ela apresente mais variedade do que quantidade. Foi o que ela fez quando morreu o elefante Zoca. dois prestes a começar a ler e o restante abandonou a escola ou pouco avançou. A diretora de uma escola pública da periferia de São Paulo improvisou uma biblioteca em carrinhos de feira. não liam nem o próprio nome e quando lhes era pedido que escrevessem a palavra “bola”. slides. O aluno logo entenderá que vale a pena se esforçar. pois ele também poderá usufruir tais prazeres. a maioria de meus alunos não gosta de ler. dicionários e afins. transparências. Por exemplo. s Contos de fadas e de assombração. infelizmente. folhetos de cordel. mitos e lendas populares. principalmente. poesias. fotografias. ou com a tragédia da morte da banda Os Mamonas Assassinas. conseguiu carimbos César Alexandre do Nascimento Orientação Sexual Histórias do lobisomem e da mula-sem-cabeça: a turma adora Ricardo Corrêa História Aluna forma novas palavras com as sílabas de “Doriana”: uma escrita mais divertida e letras emborrachadas para ensiná-los a distinguir letras com forma parecida. Pluralidade Língua Cultural Portuguesa A biblioteca escolar Toda a proposta elaborada pelos PCN para o desenvolvimento da leitura nas quatro séries iniciais está apoiada na existência de uma biblioteca escolar. dos 26 alunos. muitos desenhavam uma bola. diz Sheila. lendo para a classe jornais. histórias folclóricas. Os resultados alcançados por ela foram bons. o leitor pode “viajar” para lugares diferentes. o professor deve ampliar seu repertório de conhecimentos mostrando-lhe outras leituras. Ela trouxe quadrinhas infantis. Vídeos. em uma classe como essa. a professora Sheila Alves de Almeida assustou-se. levou recortes de jornais e revistas com fatos que mexeram com as crianças. Em um ano. E. revistas e suplementos infantis. s Parlendas. o “O” e o “Q”.PCN 1ª a 4ª série Sou professora nas séries iniciais do Ensino Fundamental e percebo que. s Enciclopédias. Com eles. Sheila decidiu que deveria apresentar à turma textos e letras da maneira mais divertida possível. Mesmo que a escola possua uma biblioteca. Até então. Meio Ambiente Geografia Leitura de textos diversificados melhora a pior turma da escola Fotos Ronaldo Guimarães Saúde Q uando foi nomeada para a 1ª série de uma escola municipal de Belo Horizonte. fitas e CDs também devem freqüentar a biblioteca. ter regras de empréstimo e leitura bem liberais e ser agradável e atraente. de 7 anos. Os alunos se encarregavam de fazer o acervo circular pelos corredores.

os participantes poderiam decidir apresentar o trabalho em uma feira na escola. as leituras. A intenção era que os alunos entrevistassem os moradores do Morro Alto. Os projetos podem durar de uma semana a alguns meses. A grande vantagem é que eles obrigatoriamente exigem o envolvimento e o compromisso de todos os alunos. as lojas. O entusiasmo da turma fez crescer a atividade. os textos são revisados. claro. entrevistando os moradores sobre a história do bairro. Foi o que fez a professora Eneida Maria Ramos de Macedo Tito. A exigência de um texto correto é. no final. Fotos Edson Vara ? 11 Trabalho de campo: entrevistas com moradores . relativa. PCN 1ª a 4ª série - Alunos seguram mapa do Morro Alto: resultado final de um projeto didático A história e a geografia do bairro Morro Alto contadas pelas crianças E m um bom projeto didático. a classe produziu um texto coletivo sintetizando suas descobertas. as ferramentas poderão ser criadas: tiras de papel para ser coladas sobre o texto incorreto ou para mudar frases de lugar. eles saíram a campo. um livro. exigir ortografia impecável – tornam-se reais e necessárias. reescritos e debatidos em classe. de Porto Alegre (RS). Em nosso exemplo. com lápis e papel na mão. Com eles é possível associar os conteúdos de Português a todas as outras áreas e aos Temas Transversais. o bairro em que viviam. As principais vias. O propósito dos projetos não é só ensinar a Língua Portuguesa. Nele estavam descritas as melhorias do Morro Alto alcançadas por sua associação de bairro. e realizarem pesquisas para produzir um mapa gigante do lugar. se destinam a um fim combinado em conjunto entre a classe e a professora. Com isso. Depois da pesquisa de campo. A atividade começou com os alunos de 2a série redigindo um texto em que imaginavam como teria sido o Morro Alto no passado. O produto final de um projeto pode ser mudado em comum acordo com a turma. mesmo tarefas que em outro contexto pareceriam sem sentido – como copiar. O trajeto que elas percorriam para chegar à escola também seria assinalado.Organize projetos com sua classe Os projetos são uma ótima oportunidade para que seus alunos possam produzir textos com intenção clara. além de escrever corretamente. Os alunos escreveram um livro coletivo no qual contavam as próprias episódios. Em seguida. já que as crianças conhecem o objetivo de seu trabalho e sabem que ele será lido por leitores de fora da classe. ele devererá conhecer as ferramentas de correção. O que se propõe é que no Ensino Fundamental o aluno. em que foi realizada. o objetivo final do trabalho é definido junto com os alunos. As mães foram convidadas a vir à classe relatar histórias familiares. além do livro. Depende da função dessa produção (um texto que circula na classe e outro que terá leitores externos apresentam exigências de correção diferentes) e da série. Com as informações obtidas. no entanto. As crianças voltaram às pesquisas para mapear a vizinhança. ou ciclo. Um jornalzinho também foi organizado. Se houver um computador. Um exemplo de projeto: pesquisar contos de assombração conhecidos na comunidade para produzir. Até que ponto podemos corrigir a ortografia do texto de uma criança? Desde cedo as crianças devem entender que é preciso escrever corretamente. corrigir várias vezes o texto. os acidentes geográficos e as casas das crianças deveriam constar do mapa. aprenda também procedimentos de revisão. Se não. a boa e velha borracha. Flechinhas para indicar o lugar da correção e. a escola. as entrevistas. Os projetos devem ter um objetivo bem definido e as crianças precisam entender que as pesquisas.

feiticeira e atriz. habilitados a produzir textos coerentes. 3 . a professora paulista Maria Eugênia Leal lia descrições assim: “minha mãe é alta. de Ricardo Azevedo. Para enviar notícias à família. eles já são capazes de criar os mais variados discursos. é possível orientá-los para uma ajuda em casa. mesmo que não dominem a língua escrita de maneira convencional. podendo depois cumprir sozinhos todas essas etapas. detetive. Ética . morena. Narram histórias. Arte Matemática 4 . experiências ou opi- Orientação Sexual Ensine a turma a descrever personagens Dica N História as redações de sua turma de 2ª série. Por exemplo. a todo momento. tirar dúvidas em suas horas de trabalho pedagógico fora de sala ou dar recuperação paralelamente às aulas regulares. Um escritor competente – aqui se entende escritor como alguém capaz de escrever e não um romancista ou poeta – está apto a produzir um discurso apropriado ao objetivo a que se propõe. ele fará um texto argumentativo. propondo a um aluno que conte em voz alta uma história a outro colega. em alguns momentos do dia realizar atividades diferentes para os já alfabetizados e os demais alunos. Por estar ? Educação Física Ciências Naturais Meio Ambiente Saúde O escritor competente sabe expressar por escrito seus sentimentos. organizados e claros. então. Cabe à escola. Eles vão render muito mais se forem desafiados a escrever e se puderem dividir as dificuldades de coordenar a escrita. só olhando as figuras.Sem ler o texto. ele redigirá um ofício em linguagem formal e direta.” e só. inventam diálogos durante uma brincadeira ou contam um caso para alguém. deve explicar à turma qual é a linguagem adequada. no Portão daquela Casa?. mesmo se ainda não souberem escrever certo Os alunos devem ser solicitados a se expressar por escrito. a professora usou o livro Tá Vendo uma Velhota de Óculos. A dificuldade era a “descrição funcional”. 12 . 2 . Os três fortalecerão assim suas competências. são matriculadas numa classe com colegas que já lêem. por exemplo. defendem um ponto de vista. O texto será feito em conjunto pelas crianças. Chinelo e Vestido Azul de Bolinha Branca. enquanto um terceiro fará a revisão. falar mesmo quando ainda é bebê ou desenhar quando mal sabe pegar em um lápis. niões. Para mudar isso. Para isso. ainda. também.Cada aluno deve imaginar e desenhar uma quarta versão da velhota. pedir a colaboração de alunos mais adiantados. O professor pode sugerir a seus alunos que escrevam uma carta a um jornal pedindo informações sobre um tema em estudo na classe.PCN 1ª a 4ª série Pluralidade Língua Cultural Portuguesa O que você pode fazer para que seus alunos escrevam com competência O objetivo da escola deve ser o de formar escritores competentes. Peça que eles redijam. Hipóteses sobre a principal personagem e sua história são levantadas. ou seja. O que ocorre é que eles já estão aptos a produzir um texto.A professora lê as histórias em voz alta e pede aos alunos que as recontem. De resto. os alunos tentam contar as três histórias da velhota: no livro ela é escritora. Desde cedo.. e montou esta atividade: 1 . ele escreverá uma carta intimista. Existem opções para ajudar esses estudantes: se houver parentes com mais escolaridade. O professor pode. citar informações descritivas relevantes para o enredo. aos 7 anos.A classe examina a capa. a criança tenta andar mesmo antes de poder fazê-lo. que a escreverá. A pré-escola preocupa-se hoje em alfabetizar. bonita. se a intenção é convencer o leitor. o título e as ilustrações do livro. criar oportunidades para que os alunos escrevam textos diversificados e de aplicações práticas. Isso pode ser feito.Geografia Como avaliar o aprendizado de crianças que entram na escola na 1a série e vão estudar com outras que foram alfabetizadas na pré-escola? No Brasil existem milhares de crianças nessa situação. E. mas têm dificuldade para redigi-lo. Surgem inúmeras figuras: avó. doceira e outras personagens. Mas que outras razões teríamos para incentivar a escrita dos estudantes? O fato é que eles gostam de escrever. Eles podem. como são os que circulam na sociedade. Se o que se quer é solicitar algo a uma autoridade. consultar o livro. Mas há crianças que não têm essa oportunidade e. As diferenças individuais devem ser respeitadas..

7 . 4 . Alguns exemplos clássicos: “Havia uma vez um rei”. imprescindível. Por que a maioria das histórias infantis começa com “Era uma vez”? É muito difícil saber onde começou esse costume.Dar as primeiras frases de uma história para a classe desenvolver ou o final de uma história para que os alunos criem seu início. o aluno se sente desafiado a escrever. Mudar de gênero. os alunos criam uma história mais complexa. PCN 1ª a 4ª série - Dica 5 . que as crianças vão descobrir à medida que você contar a elas outras histórias. A maioria dos escritores de primeira viagem se dá por satisfeita com a primeira e única versão do texto produzido.Todos os textos. a expressão “Era uma vez” perde-se na memória. As idéias vão sendo escritas no quadro-negro.Fazê-los transformar um gênero em outro.Sugerir a produção de textos a partir de outros conhecidos: um bilhete que o personagem de um conto teria escrito a outro. corrigidos e passados a limpo. passar a limpo etc.. A professora corrige os trabalhos. “Faz muito tempo”. que influenciam a educação de crianças de 5 a 10 anos. “Há muitos anos”. A revisão deve ser ensinada de maneira a permitir a quem escreve. Há muitas alternativas para a expressão “Era uma vez”.Cada um escreve mais uma versão sobre a velhota. Pode haver um momento para escrever. escrever um conto de mistério a partir de uma notícia policial. outro para ler o que está no papel. são reunidos em um volume. coordenar os papéis de produtor. essa postura em nada contribui para o entendimento de que a produção da língua escrita é um processo que pode ser permanentemente desenvolvido e melhorado.. O professor pode ajudar propondo uma maneira organizada de executar essa tarefa. especialmente nos contos de fadas. 8 . “Era uma vez” imprime às narrativas uma indeterminação no tempo e. as crianças enxergam erros que não vêem na própria produção.. finalizar histórias. elas conhecem as idéias umas das outras. revisar e escrever de novo. Ao examinar o texto na lousa. Fazer rascunho. O trabalho com rascunhos é. Muitas escolas incentivam tal procedimento.Características da personagem imaginada pelas crianças são anotadas em cartolinas. “No tempo em que os bichos falavam”. leitor e avaliador do próprio texto. “Antigamente”. para que os alunos discorram sobre ela. O desconhecimento da origem da expressão combina com seu sentido vago. Todos passam os textos a limpo. quase sempre. Por exemplo. No entanto. cada aluno tem um novo livro sobre a velhota. no espaço.. 3 . Fazer a revisão coletiva de um texto produzido por um aluno que a classe não conheça costuma ser mais produtivo. reescrever textos. 6 . Alguns truques que podem fazer a turma evoluir no domínio da língua escrita e superar as dificuldades na criação de textos: 1 . ? 13 . individualmente ou em grupos.Deixando o livro de lado. “Num certo lugar”. aparece com freqüência na literatura infantil.Propor aos alunos que reescrevam ou se inspirem em um texto que eles já leram para produzir uma redação. Típica de lendas. ou nas cópias que recebem. 2 . Assim. portanto. No final. por exemplo.Planejar coletivamente o enredo de uma história. e outro ainda para fazer ajustes. Por essa razão. 5 . mitos e narrativas antigas.num mundo onde a linguagem escrita faz parte do cotidiano.

pois nesse instante são discutidas as preferências. Muitas normas ortográficas têm de ser mesmo decoradas. Ninguém é capaz de fazer surgir uma boa produção literária do nada. As possibilidades são quase infinitas. até um banco de personagens criados pelos próprios alunos. mas as crianças devem realizar outras atividades. É um dos momentos mais ricos nas oficinas. Muitos alunos decoram tais regras. Depois da explanação. A proposta das oficinas ou ateliês de criação de textos é fornecer às crianças material de consulta apropriado para a produção de textos. só então. E aí. A norma que determina o uso da letra “m” antes de “b” e “p” é um exemplo. jornais e revistas. os alunos produzirão textos cada vez melhores. que podem ser usados para reforçar as redações produzidas nas oficinas. As professoras corrigiam os textos enfatizando a ortografia. Mas isso não quer dizer que aprender a escrever certo seja um processo passivo. Tal conhecimento permite aos alunos grafar corretamente mesmo as palavras que eles nunca haviam escrito anteriormente. Marcos. autor do Meu Livro de Objetos. 14 Pluralidade Língua Cultural Portuguesa Ferramentas para um bom texto nas oficinas de criação Escritores competentes precisam dispor de um repertório amplo de modelos para criar seus textos. No fim. Os alunos que não escreviam sozinhos receberam ajuda. O professor pode avaliar junto com os alunos os caminhos percorridos por eles para criar suas redações. e pode até sugerir que o estudante copie várias vezes a versão correta das palavras escritas de maneira errada. É preciso ter boas referências. encontrou objetos para todas letras. principalmente as que as façam entender a real função das regras ortográficas ou gramaticais. o uso de maiúsculas e a redundância. essa habilidade será assimilada pela classe. enciclopédias. de São Paulo. As correções de texto e ditados continuam necessários. por exemplo. Acompanhe a experiência. O professor deve participar sempre dessa avaliação da estratégia de criação. atlas. mas na hora da redação continuam escrevendo errado. desde o material mais previsível. Cada aluno escolheu seu tema e partiu para a pesquisa. Ortografia precisa de compreensão e de decoreba Tradicionalmente. todos os alunos fizeram a capa e escolheram o título Matemática . O texto corrigido foi passado a limpo. Produtivo é o conhecimento explícito das regras ortográficas. ensina-se ortografia – a maneira correta de grafar as palavras – apresentando e repetindo as regras ortográficas para a classe. as dificuldades e as alternativas de que os jovens escritores lançaram mão (com sucesso ou não) para chegar ao enredo final. nossa língua possui regularidades. pode apostar. Você pode ensinar isso como regra acabada. Mas será mais produtivo e a memorização mais fácil se a criança primeiro observar essa regularidade e. o Bichionário é uma coleção de minipoesias com nomes de animais de A a Z e foi a inspiração para uma atividade feita na Escola de Aplicação. Um exemplo: nenhuma palavra da Língua Portuguesa começa com as letras “rr”. A pesquisa em dicionários foi bastante encorajado Arte Iolanda construiu o Meu Livro de Bichos com rimas. Apesar das muitas exceções. a clareza. Como trabalhar a ortografia? O que se critica é a prática de ensinar ortografia ou trabalhar os erros ortográficos usando somente os treinos e exercícios de memorização. A regra pode Geografia Saúde Ética ? . As professoras propuseram às crianças recémalfabetizadas que preparassem os próprios minidicionários temáticos.PCN 1ª a 4ª série Orientação Sexual Educação Física Ciências Naturais Meio Ambiente Vamos consultar um bichionário? Criado pelo escritor Nilson Machado. As crianças fizeram as ilustrações e diagramaram os livros Comidas e gulodices foi o tema escolhido por Soraya em seu Comidionário. como dicionários. Para escrever bem é preciso ler bem. os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem que a intervenção do professor se dê em dois níveis: no “produtivo” e no “reprodutivo”. Tudo se dá meio na base da decoreba. o professor corrige o erro. História O pequeno Fábio criou o Nominário.Muitos criticam hoje o uso das listas de palavras e ditados como treinos ortográficos. souber que existe uma regra para a questão. No capítulo dedicado à ortografia. Com o tempo. que registra nomes próprios de A a Z. se o aluno desobedece a tais regras em uma redação.

escrevendo cada palavra numa folha de papel. por conta própria. da Escola Matias de Albuquerque. podem organizar um dicionário.“A pontuação. Gêneros literários diferentes têm características de pontuação distintas. Com base nessas suposições. Tudo o mais são possibilidades. discutindo os “porquês”. que marcam a interrupção na fala ou na idéia exposta no texto. o que se faz é uma apresentação do tipo “serve para”. é só reunir as folhas em ordem alfabética e fazer uma capa. Cabe ao professor levantar com os alunos o porquê de terem usado determinados sinais de pontuação. a importância de consultar fontes autorizadas de registro ortográfico da língua portuguesa. marceneiro. entender que a ortografia de algumas palavras não é definida por regras faz com que os estudantes vejam. A pontuação deve ser analisada do ponto de vista do sentido que o autor pretende dar ao texto. O parágrafo e o travessão mostram a diferença entre o narrador e o personagem. como os dicionários ou manuais de redação. mas é comum vermos alunos das primeiras séries escreverem palavras como “rrato” ou “rroupa”. de maneira prática. na pontuação a fronteira entre o certo e o errado nem sempre é bem definida. Quando as palavras fazem parte do vocabulário médio dos alunos. Isso é algo que as crianças só aprenderão com a ajuda do professor. sem dar nomes. Como utilizar dicionários com turmas da préescola à 4a série? Os dicionários ampliam o vocabulário e melhoram a interpretação da leitura. ilustrando-a e acrescentando uma frase ou um pequeno texto em que apareça o termo em questão. “é usado para” e ponto final. Acompanhe: 3 . de Recife. Por outro lado.parecer banal..Detectadas as dificuldades. A principal dificuldade é que a maioria das palavras tem vários sentidos e é o leitor quem deve verificar qual deles cabe melhor no texto.A professora faz uma avaliação de um texto conhecido. Depois. “A vírgula é para respirar”. sabe que a pontuação dá sentido ao texto. Nele devem ser necessários vários tipos de pontuação. A difícil arte de pontuar corretamente É freqüente a confusão entre o ensino da pontuação e o ensino dos sinais de pontuação. Aprender a pontuar é agrupar as palavras do texto de forma a dar ritmo e ênfase à redação. a única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu complemento. Distinguindo palavras de uso mais e menos freqüente Tal distinção é fundamental para o trabalho do professor. Já o eixo reprodutivo é aquele em que o aluno memoriza a forma correta de grafar palavras que não têm regras específicas que expliquem a forma de escrevê-las. Cinara mostra. As próprias crianças. comparando-as com a escrita convencional. responde a turma. o significado da palavra desconhecida.Propor piadas e adivinhações garante aulas divertidas sobre o uso das reticências. Mas. 5 . Por isso ela propõe algumas atividades interessantes a seus a alunos de 3 série. Em geral. é mais produtivo que eles apresentem suas hipóteses de como devem ser escritas. não serve somente para respirar. eles poderão refletir sobre as possíveis alternativas de grafia e. ? 15 . Jornais abusam de apostos para condensar o texto. exclamar ou perguntar. Por exemplo: “Luís. em um novo texto. as funções sintáticas da vírgula. 4 . foi preso ontem”. e reconheçam a importância da memorização. 1 . indaga. para as crianças. ela divide a turma em duplas e pede que elas marquem. diz. Ao contrário da ortografia. 2 . Pernambuco.. como um parque. essa experiência pode ser um tanto complicada. “Não é bem assim”. terão progressivamente condições de tomar consciência do funcionamento da ortografia. como vírgula. do jardim-deinfância em diante. Uma boa maneira de preparar o aluno para essa consulta é incentivá-lo a descobrir. Espera-se que a partir daí o aluno seja capaz de incorporar a pontuação a seus textos.Os alunos criam diálogos ambientados em locais que freqüentam. para que serve?”. É um momento em que o “erro” deve ser encarado pelo professor como fundamental para a construção das hipóteses ortográficas desenvolvidas pelos alunos. os sinais de pontuação. travessão etc. PCN 1ª a 4ª série - Uma receita pernambucana de pontuação A professora Cinara Santana da Silva. No entanto.

ações. Feira de livros: com livros novos e usados. usando a pontuação e palavras de ligação para a coesão do texto. é necessário conhecer as funções sintáticas e morfológicas das palavras. fábulas. na medida em que os alunos. a turma escreve nomes. preocupar-se em segmentar o texto em palavras e frases e obedecer às convenções ortográficas. Claro. oralmente ou por escrito. s Quando escrevem seus textos. revistas. espera-se que o aluno se preocupe com a ortografia. ele está necessariamente aprendendo gramática. ou dito. como o significado de uma palavra em um dicionário ou o horário de um filme no jornal (inferências). No primeiro ciclo s O aluno deve ser capaz de narrar histórias sem perder o encadeamento e a seqüência cronológica. Na segunda. contos de fadas ou outros.PCN 1ª a 4ª série O que é preciso saber de gramática Saber o que é substantivo. Eles chegam à regra de que serão sempre acentuadas as palavras em que a sílaba tônica for a antepenúltima. Mesmo não sabendo utilizá-las adequadamente. as crianças devem usar a escrita alfabética. verbo e adjunto adverbial. O que se espera é que entenda a trama desenvolvida no texto – na história de Chapeuzinho Vermelho. sujeito ou predicado não garante a ninguém a aptidão para produzir bons textos. fitas cassete (com música popular brasileira) jornais e outros materiais. ainda. folclóricas. Círculo de leitores: empréstimo e troca de livros. Dobre uma folha de papel em três colunas verticais. Educação Física Ciências Naturais Geografia Orientação Sexual Saúde História Como avaliar o aproveitamento escolar É possível determinar alguns critérios de avaliação para o primeiro e segundo ciclos no estudo da Língua Portuguesa. 16 . os alunos devem ser capazes de escrever textos com pontuação ou ortografia convencional. Abra o papel e faça frases com os três elementos. depois comenta e discute o texto com os colegas que o ouviram. É uma forma divertida de ensinar o conceito de sujeito. o resumo de textos preservando suas idéias centrais. Em todas as situações em que o aluno estiver trabalhando com textos. O importante é que o estudo gramatical se dê com o objetivo de melhorar a produção escrita dos alunos e dentro da capacidade deles. Ao narrar uma festa à qual o leitor não foi. No segundo ciclo s Os alunos já devem ser capazes de resumir as idéias centrais de um texto que foi lido. adjetivo. Deve mostrar que compreendeu o sentido desse texto por meio Arte Matemática Dica . Na primeira. em voz alta. mas tal ensino deve ser feito a partir da produção de texto dos alunos. Roda de leitura: um aluno lê em voz alta uma crônica. s Nesse ciclo a criança deve estar apta a realizar a leitura de um texto com o objetivo de encontrar elementos determinados. s O estudante deve ser capaz de produzir textos respeitando as características próprias de cada gênero e as características gráfico-espaciais (o mesmo que paginação). s Predende-se que o estudante faça. Encontro com a poesia: leitura de poemas. lugares. utilizando os recursos do sistema de pontuação. s Mesmo com algumas falhas. o sentido global dos textos lidos em voz alta por ele ou por outra pessoa. respeitando a ordem temporal e obedecendo a uma ordenação lógica que torne o enredo compreensível. s Espera-se que o aluno esteja habilitado a conhecer as regularidades ortográficas e saiba usar o dicionário para sanar dúvidas quanto às palavras de grafia irregular. que serão lidos por quem não conhece o tema. Um exemplo: nas séries iniciais é necessário saber o que é “proparoxítona”. junto com o professor. o aluno poderá fazer um resumo do que ouviu para ser lido por outra pessoa. artigo. um conto ou o capítulo de um romance. verbo. Ética ? Meio Ambiente de uma conversa em classe ou por escrito. Hora do conto: o professor narra para os alunos histórias infantojuvenis. o escritor descreverá os personagens e o ambiente em que a história se passa. Na terceira. ou um fato que viveu. outros dão mais trabalho. preposição. s Ele deve escrever textos autoexplicativos. s O estudante deverá compreender.Pluralidade Língua Cultural Portuguesa Que atividades podem ser desenvolvidas no laboratório de Português? Alguns exercícios do laboratório são simples. Movimente aos poucos os alunos. O esperado é que ele narre uma história conhecida. devem analisar e estabelecer regularidades na acentuação de palavras. dicionários. por exemplo. os professores e a direção de sua escola para montar um acervo de livros. Veja algumas sugestões de atividades.

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