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lajes nervuradas

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ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 17

Libânio M. Pinheiro, Julio A. Razente
01 dez 2003

LAJES NERVURADAS
1. INTRODUÇÃO
Uma laje nervurada é constituída por um conjunto de vigas que se cruzam,
solidarizadas pela mesa. Esse elemento estrutural terá comportamento intermediário
entre o de laje maciça e o de grelha.
Segundo a NBR 6118:2003, lajes nervuradas são "lajes moldadas no local ou com
nervuras pré-moldadas, cuja zona de tração é constituída por nervuras entre as
quais pode ser colocado material inerte."
As evoluções arquitetônicas, que forçaram o aumento dos vãos, e o alto custo das
formas tornaram as lajes maciças desfavoráveis economicamente, na maioria dos
casos. Surgem, como uma das alternativas, as lajes nervuradas (ver figura 17.1).

Figura 17.1 – Laje nervurada bidirecional (FRANCA & FUSCO, 1997)
Resultantes da eliminação do concreto abaixo da linha neutra, elas propiciam uma
redução no peso próprio e um melhor aproveitamento do aço e do concreto. A
resistência à tração é concentrada nas nervuras, e os materiais de enchimento têm
como função única substituir o concreto, sem colaborar na resistência.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.2
Essas reduções propiciam uma economia de materiais, de mão-de-obra e de
fôrmas, aumentando assim a viabilidade do sistema construtivo. Além disso, o
emprego de lajes nervuradas simplifica a execução e permite a industrialização, com
redução de perdas e aumento da produtividade, racionalizando a construção.
2. FUNÇÕES ESTRUTURAIS DAS LAJES
As lajes recebem as ações verticais, perpendiculares à superfície média, e as
transmitem para os apoios. Essa situação confere à laje o comportamento de placa.
Outra função das lajes é atuar como diafragmas horizontais rígidos, distribuindo as
ações horizontais entre os diversos pilares da estrutura. Nessas circunstâncias, a
laje sofre ações ao longo de seu plano, comportando-se como chapa.
Conclui-se, portanto, que as lajes têm dupla função estrutural: de placa e de chapa.
O comportamento de chapa é fundamental para a estabilidade global da estrutura,
principalmente nos edifícios altos. É através das lajes que os pilares contraventados
se apóiam nos elementos de contraventamento, garantindo a segurança da estrutura
em relação às ações laterais.
Embora o arranjo de armaduras, em geral, seja determinado em função dos esforços
de flexão relativos ao comportamento de placa, a simples desconsideração de
outros esforços pode ser equivocada. Uma análise do efeito de chapa se faz
necessária, principalmente em lajes constituídas por elementos pré-moldados. Na
figura 17.2, é mostrado um exemplo de transferência de forças e de tensões em laje
formada por painéis pré-moldados, comportando-se como diafragma.
3. CARACTERÍSTICAS DAS LAJES NERVURADAS
Serão considerados os tipos de lajes nervuradas, a presença de capitéis e de vigas-
faixa e os materiais de enchimento.

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17.3

Figura 17.2 – Comportamento de laje como diafragma (EL DEBS, 2000)
3.1. Tipos de Lajes Nervuradas
As lajes nervuradas podem ser moldadas no local ou podem ser executadas com
nervuras pré-moldadas.
a) Laje moldada no local
Todas as etapas de execução são realizadas "in loco". Portanto, é necessário o uso
de fôrmas e de escoramentos, além do material de enchimento. Pode-se utilizar
fôrmas para substituir os materiais inertes. Essas fôrmas já são encontradas em
polipropileno ou em metal, com dimensões moduladas, sendo necessário utilizar
desmoldantes iguais aos empregados nas lajes maciças (Figura 17.3).
b) Laje com nervuras pré-moldadas
Nessa alternativa, as nervuras são compostas de vigotas pré-moldadas, que
dispensam o uso do tabuleiro da fôrma tradicional. Essas vigotas são capazes de
suportar seu peso próprio e as ações de construção, necessitando apenas de
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.4
cimbramentos intermediários. Além das vigotas, essas lajes são constituídas de
elementos de enchimento, que são colocados sobre os elementos pré-moldados, e
também de concreto moldado no local. Há três tipos de vigotas (Figura 17.4).

Figura 17.3 – Laje nervurada moldada no local

Figura 17.4 – Vigotas pré-moldadas (FRANCA & FUSCO,1997)
3.2. Lajes Nervuradas com Capitéis e com Vigas-faixa
Em regiões de apoio, tem-se uma concentração de tensões transversais, podendo
ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento. Por serem mais frágeis, esses tipos
de ruína devem ser evitados, garantindo-se que a ruína, caso ocorra, seja por flexão.
Além disso, de acordo com o esquema estático adotado, pode ser que apareçam
esforços solicitantes elevados, que necessitem de uma estrutura mais robusta.
Concreto armado Concreto protendido
Vigota treliçada
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.5
Nesses casos, entre as alternativas possíveis, pode-se adotar (Figura 17.5):
• região maciça em volta do pilar, formando um capitel;
• faixas maciças em uma ou em duas direções, constituindo vigas-faixa.
Figura 17.5 – Capitel e viga-faixa
3.3 Materiais de enchimento
Como foi visto, a principal característica das lajes nervuradas é a diminuição da
quantidade de concreto, na região tracionada, podendo-se usar um material de
enchimento. Além de reduzir o consumo de concreto, há um alívio do peso próprio.
Portanto, o material de enchimento deve ser o mais leve possível, mas com
resistência suficiente para suportar as operações de execução. Deve-se ressaltar
que a resistência do material de enchimento não é considerada no cálculo da laje.
Podem ser utilizados vários tipos de materiais de enchimento, entre os quais: blocos
cerâmicos, blocos vazados de concreto e blocos de EPS (poliestireno expandido),
também conhecido como isopor. Esses blocos podem ser substituídos por vazios,
obtidos com fôrmas constituídas por caixotes reaproveitáveis.

USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.6
a) Blocos cerâmicos ou de concreto
Em geral, esses blocos são usados nas lajes com vigotas pré-moldadas (Figura
17.6), devido à facilidade de execução. Eles são melhores isolantes térmicos do que
o concreto maciço. Uma de suas restrições é o peso específico elevado, para um
simples material de enchimento.


Figura 17.6 – Lajes com vigotas pré-moldadas (PEREIRA, 2001)
b) Blocos de EPS
Os blocos de EPS vêm ganhando espaço na execução de lajes nervuradas, sendo
utilizados principalmente junto com as vigotas treliçadas pré-moldadas (Figura 17.7).
As principais características desses blocos são:
• Permite execução de teto plano;
• Facilidade de corte com fio quente ou com serra;
• Resiste bem às operações de montagem das armaduras e de concretagem,
com vedação eficiente;
• Coeficiente de absorção muito baixo, o que favorece a cura do concreto
moldado no local;
• Baixo módulo de elasticidade, permitindo uma adequada distribuição das
cargas;
• Isolante termo-acústico.
c) Caixotes reaproveitáveis
A maioria dessas formas é de polipropileno ou de metal. Sua principal vantagem são
os vazios que resultam, diminuindo o peso próprio da laje (ver figura 17.5).
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.7
Após a execução, para retirar os caixotes, pode-se injetar ar comprimido. O número
de reutilizações dessas formas pode ultrapassar cem vezes.
As fôrmas reaproveitáveis dispensam o uso do tabuleiro tradicional, que pode ser
substituído por pranchas colocadas apenas na região das nervuras. As vigotas pré-
moldadas substituem com vantagens essas pranchas, simplificando a execução.

Figura 17.7 – Blocos de EPS com vigotas treliçadas (FRANCA & FUSCO, 1997)
4. CONSIDERAÇÕES DE PROJETO
A prática usual consiste em adotar painéis com vãos maiores que os das lajes
maciças, apoiados em vigas mais rígidas que as nervuras.
Apresentam-se a seguir as dimensões limites, segundo a NBR 6118: 2003, item
13.2.4.2. A vinculação será definida com base na resistência do concreto à
compressão.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.8
4.1 Dimensões mínimas
As prescrições quanto às dimensões mínimas da mesa e das nervuras são
indicadas na Figura 17.8.
a) Espessura da mesa
Quando não houver tubulações horizontais embutidas, a espessura da mesa deve
ser maior ou igual a 1/15 da distância entre nervuras e não menor que 3 cm;
A espessura da mesa deve ser maior ou igual a 4cm, quando existirem tubulações
embutidas de diâmetro máximo 12,5mm.
b) Largura das nervuras
A largura das nervuras não deve ser inferior a 5cm;
Se houver armaduras de compressão, a largura das nervuras não deve ser inferior a
8cm.
4.2 Critérios de projeto
Os critérios de projeto dependem do espaçamento e entre os eixos das nervuras.
Para e ≤ 65cm, pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa e, para a
verificação do cisalhamento da região das nervuras, permite-se a consideração dos
critérios de laje;
Para e entre 65 e 110cm, exige-se a verificação da flexão da mesa e as nervuras
devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas; permite-se essa verificação
como laje se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a largura média
das nervuras for maior que 12cm;
Para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos maior que 110cm, a mesa deve
ser projetada como laje maciça, apoiada na grelha de vigas, respeitando-se os seus
limites mínimos de espessura.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.9
Figura 17.8 – Seção típica e dimensões mínimas
4.3 Vinculação
Para as lajes nervuradas, procura-se evitar engastes e balanços, visto que, nesses
casos, têm-se esforços de compressão na face inferior, região em que a área de
concreto é reduzida. Nos casos em que o engastamento for necessário, duas
providências são possíveis:
• limitar o momento fletor ao valor correspondente à resistência da nervura à
compressão;
• utilizar mesa na parte inferior (Figura 17.9), situação conhecida como laje
dupla, ou região maciça de dimensão adequada.
5. AÇÕES E ESFORÇOS SOLICITANTES
As ações devem ser calculadas de acordo com a NBR 6120:1980 – Cargas para o
cálculo de estruturas de edificações.
A laje nervurada pode ser tratada como placa em regime elástico. Assim, o cálculo
dos esforços solicitantes em nada difere daquele realizado para lajes maciças.
Para cálculo dos momentos fletores e das reações de apoio, podem ser utilizadas as
tabelas de PINHEIRO (1993). Para obter os esforços nas nervuras, conhecidos os
esforços por unidade de largura, basta multiplicar esse valor pela distância entre
eixos das nervuras.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.10

Figura 17.9 – Diagrama de momentos para lajes nervuradas contínuas (engastadas)
Vale lembrar que, em lajes nervuradas de grandes dimensões em planta e
submetidas a cargas concentradas elevadas, o cálculo deve considerar a posição
dessas cargas, a localização e a rigidez das nervuras, as condições de apoio das
lajes, a posição dos pilares e a deformabilidade das vigas de sustentação. Para isso
podem ser utilizados programas computacionais adequados.
6. VERIFICAÇÕES
Podem ser necessárias as seguintes verificações: flexão nas nervuras, cisalhamento
nas nervuras, flexão na mesa, cisalhamento na mesa e flecha da laje.
6.1. Flexão nas nervuras
Obtidos os momentos fletores por nervura, o cálculo da armadura necessária deve
ter em vista:
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.11
• No caso de mesa comprimida, que é o usual, a seção a ser considerada é
uma seção T. Em geral a linha neutra encontra-se na mesa, e a seção
comporta-se como retangular com seção resistente b
f
.h;
• No caso de mesa tracionada, quando não se tem laje dupla, a seção
resistente é retangular b
w
.h (ver nomenclatura na figura 17.8).
Vale lembrar que outros aspectos devem ser considerados: ancoragens nos apoios,
deslocamentos dos diagramas, armaduras mínimas, fissuração etc.
No item 17.3.5.2.1 da NBR 6118:2003, as taxas mínimas de armadura variam em
função da forma da seção e do f
ck
do concreto (Tabela 17.1).
Nas seções tipo T, a área da seção a ser considerada deve ser caracterizada pela
alma acrescida da mesa colaborante.
Tabela 17.1 – Taxas mínimas de armadura de flexão para vigas (Tabela 17.3 da
NBR 6118:2003)
* Os valores de ρ
mín
estabelecidos nesta tabela pressupõem o uso de aço CA-50,
γ
c
= 1,4 e γ
s
= 1,15. Caso esses fatores sejam diferentes, ρ
mín
deve ser recalculado com
base no valor de ω
mín
dado.
6.2. Cisalhamento nas nervuras
De acordo com a NBR 6118:2003, itens 13.2.4.2 e 17.4.1.1.2-b, a verificação do
cisalhamento nas nervuras depende da distância entre elas:
20 25 30 35 40 45 50
0,035 0,150 0,150 0,173 0,201 0,230 0,259 0,288
0,024 0,150 0,150 0,150 0,150 0,158 0,177 0,197
0,031 0,150 0,150 0,153 0,178 0,204 0,229 0,255
0,070 0,230 0,288 0,345 0,403 0,518 0,518 0,575
Forma da seção
Valores de ρ
min
* % (A
s,min
/A
c
)
f
ck
ω
Retangular
T (mesa comprimida)
T (mesa tracionada)
Circular
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.12
a) Distância entre eixos das nervuras menor ou igual a 65cm
Para lajes com espaçamento entre eixos menor ou igual a 65cm, para a verificação
do cisalhamento da região das nervuras, permite-se considerar os critérios de laje.
A verificação da necessidade de armadura transversal nas lajes é dada pelo item
19.4.1 da NBR 6118:2003. As lajes podem prescindir de armadura transversal para
resistir aos esforços de tração oriundos da força cortante, quando a força cortante de
cálculo obedecer à expressão:
V
sd
≤ V
Rd1

A resistência de projeto ao cisalhamento, para lajes sem protensão, é dada por:
d b ) 40 2 , 1 ( k V
w 1 Rd 1 Rd
ρ + τ =
ctd Rd
f 25 , 0 = τ
c inf , ctk ctd
/ f f γ =
d b
A
w
1 s
1
= ρ , não maior que | 02 , 0 |
k é um coeficiente que tem os seguintes valores:
• para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio:
| 1 | k = ;
• para os demais casos: | d 6 , 1 | k − = , não menor que |1|, com d em metros.
f
ctd
é a resistência de cálculo do concreto ao cisalhamento;
A
s1
é a área da armadura de tração que se estende até não menos que
nec , b
d l + além da seção considerada, com
nec , b
l definido em 9.4.2.5 e figura
19.1 (NBR 6118:2003);
b
w
é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.13
De acordo com o item 8.2.5 da NBR 6118:2003:
MPa) (em f 21 , 0 f 0,3 0,7 f 0,7 f
3 / 2
ck
2/3
ck m ct, inf ck,
= ⋅ = =
Resulta:
MPa) (em f 0525 , 0
3 / 2
ck Rd
= τ
Em caso de necessidade de armadura transversal, ou seja, quando não se verifica a
condição estabelecida no início deste item, aplicam-se os critérios estabelecidos nos
itens 17.4.2 e 19.4.2 NBR 6118: 2003.
b) Distância entre eixos das nervuras de 65cm até 90cm
A verificação de cisalhamento pode ser como lajes, da maneira indicada no item
anterior, se a largura média das nervuras for maior que 12cm (NBR 6118:2003, item
13.2.4.2-b).
c) Distância entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm
Para lajes com espaçamento entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm, as
nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas. Deve ser colocada
armadura perpendicular à nervura, na mesa, por toda a sua largura útil, com área
mínima de 1,5cm
2
/m.
Como foi visto no item anterior, ainda se permite a consideração de laje se o
espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a espessura média das
nervuras for maior que 12cm.
6.3 Flexão na mesa
Para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 e 110cm, exige-se a
verificação da flexão da mesa (NBR 6118:2003, item 13.2.4.2-b). Essa verificação
também deve ser feita se existirem cargas concentradas entre nervuras.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.14
A mesa pode ser considerada como um painel de lajes maciças contínuas apoiadas
nas nervuras. Essa continuidade implica em momentos negativos nesses apoios,
devendo, portanto, ser disposta armadura para resistir a essa solicitação, além da
armadura positiva.
Outra possibilidade é considerar a mesa apoiada nas nervuras. Dessa forma, podem
ocorrer fissuras na ligação das mesas, sobre as nervuras.
6.4. Cisalhamento na mesa
O cisalhamento nos painéis é verificado utilizando-se os critérios de lajes maciças,
da mesma forma indicada no item 6.2-a deste texto.
Em geral, o cisalhamento somente terá importância na presença de cargas
concentradas de valor significativo. Recomenda-se, sempre que possível, que ações
concentradas atuem diretamente nas nervuras, de forma a evitar a necessidade de
armadura de cisalhamento na mesa.
6.5. Flecha
Na verificação da flecha em lajes, segundo a NBR 6118:2003, item 19.3.1, devem
ser usados os critérios estabelecidos no item 17.3.2 dessa Norma, considerando-se
a possibilidade de fissuração (estádio II).
O referido item 17.3.2 estabelece limites para flechas segundo a Tabela 13.2 da
Norma citada, levando-se em consideração combinações de ações conforme o item
11.8.3.1 dessa Norma.
O cálculo da flecha é feito utilizando-se processos analíticos estabelecidos pela
própria Norma (item 17.3.2), que divide o cálculo em duas parcelas: flecha imediata
e flecha diferida.
A determinação do valor de tais parcelas é apresentada a seguir e abordada pela
Norma, nos itens 17.3.2.1.1 e 17.3.2.1.2, respectivamente.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.15
De acordo com o item 11.8.3.1 da NBR 6118:2003, as combinações de serviço
classificadas como quase permanentes são aquelas que podem atuar durante
grande parte do período de vida da estrutura e sua consideração pode ser
necessária na verificação do estado limite de deformações excessivas. A tabela 11.4
do item 11.8.3.2 da Norma traz a seguinte expressão para combinações quase
permanentes:
F
d,ser
= Σ F
gi,k
+ Σ
ψ
2j
F
qj,k

onde:
F
d,ser
é o valor de cálculo das ações para combinações de serviço;
F
gi,k
são as ações devidas às cargas permanentes;
F
qj,k
são as ações devidas às cargas variáveis;
ψ
2j
é o coeficiente dado na tabela 11.2 do item 11.7.1, cujos valores podem ser
adotados de acordo com os valores da Tabela 17.2 deste texto.
Tabela 17.2 – Valores do coeficiente
ψ
2

Tipos de ações
ψ
2

Cargas acidentais em edifícios residenciais 0,3
Cargas acidentais em edifícios comerciais 0,4
Cargas acidentais em bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens 0,6
Pressão dinâmica do vento 0
Variações uniformes de temperatura 0,3
a) Flecha imediata
A parcela referente à flecha imediata, como o próprio nome já diz, refere-se ao
deslocamento imediatamente após a aplicação dos carregamentos, que pode ser
calculado com a utilização de tabelas, tais como as apresentadas em PINHEIRO
(1993), em função da vinculação das lajes.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.16
Vale salientar que a Norma estabelece uma expressão para o cálculo da rigidez
equivalente, considerando-se a possibilidade da laje estar fissurada. Essa rigidez
equivalente é dada por:
( )
3 3
r r
cs c II cs c
eq
a a
M M
EI E . .I 1 .I E .I
M M
¦ ¹
| | | |
¦ ¦
= + − ≤
´ ` | |

\ . \ .
¦ ¦
¹ )

c
I : é o momento de inércia da seção bruta de concreto;
II
I : é o momento de inércia da seção fissurada (estádio II);
a
M : é o momento fletor na seção crítica do vão considerado, momento máximo no
vão, para vigas biapoiadas ou contínuas, e momento no apoio para balanços,
para a combinação de ações considerada nessa avaliação;
r
M : momento de fissuração, que deve ser reduzido à metade, no caso de barras
lisas;
cs
E : módulo de elasticidade secante do concreto.
b) Flecha diferida
A parcela referente à flecha diferida, segundo a Norma, é decorrente das cargas de
longa duração, em função da fluência, e é calculada de maneira aproximada pela
multiplicação da flecha imediata pelo fator
f
α dado por:
f
1 50 '
∆ξ
α =
+ ρ

'
s
0
w
A
' e (t) (t )
b .d
ρ = ∆ξ = ξ − ξ
As' é a área de armadura de compressão (em geral As'=0)
ξ é um coeficiente em função do tempo, calculado pela expressão seguinte ou
obtido diretamente na Tabela 17.3, extraída da mesma Norma.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.17
t 0,32
(t) 0,68.(0,996 ).t para t 70 meses
(t) 2 para t > 70 meses
ξ = ≤
ξ =

t : é o tempo em meses, quando se deseja o valor da flecha diferida;
0
t : é a idade, em meses, relativa à data de aplicação da carga de longa duração.
Portanto, a flecha total é obtida multiplicando-se a flecha imediata por ( )
f
1+ α .
Tabela 17.3 – Valores do coeficiente ξ em função do tempo
Tempo (t)
meses
0 0,5 1 2 3 4 5 10 20 40 70 ≤
Coeficiente
(t) ξ
0 0,54 0,68 0,84 0,95 1,04 1,12 1,36 1,64 1,89 2
c) Flecha Limite
Segundo a NBR 6118:2003, os deslocamentos limites são valores práticos utilizados
para verificação em serviço do estado limite de deformações. São classificados em
quatro grupos: aceitabilidade sensorial, efeitos específicos, efeitos em elementos
não estruturais e efeitos em elementos estruturais. Devem obedecer aos limites
estabelecidos pela tabela 18, do item 13.3 dessa Norma.
d) Contraflecha
Segundo a NBR 6118:2003 os deslocamentos excessivos podem ser parcialmente
compensados por contraflechas. No caso de se adotar contraflecha de valor a
o
, a
flecha total a ser verificada passa a ser:
a
tot
– a
o
≤ a
lim

A contraflecha a
o
pode ser adotada como um múltiplo de 0,5cm, com valor estimado
pela soma da flecha imediata com metade da flecha diferida, ou seja:
a
o
≅ a
i
+ (a
f
/2)
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas
17.18
BIBLIOGRAFIA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 - Projeto e
execução de obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 1978.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 - Projeto de
estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120 - Cargas para o
cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, 1980.
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ATEX Brasil. Encarte técnico. Lagoa Santa (MG), 2002.
BOCCHI JÚNIOR, C.F. Lajes nervuradas de concreto armado. São Carlos. 183p.
Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de
São Paulo, 1995.
DROPPA JÚNIOR, A. Análise estrutural de lajes formadas por elementos pré-
moldados tipo vigota com armação treliçada. São Carlos. 177p. Dissertação
(Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo,
1999.
EL DEBS, M.K. Concreto pré-moldado: fundamentos e aplicações. São
Carlos. Projeto REENGE. Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo, 2000.
FERREIRA, L.M. PINHEIRO, L.M. Lajes nervuradas: notas de aula. São Carlos,
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FRANCA, A.B.M.; FUSCO, P.B. As lajes nervuradas na moderna construção de
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FUSCO, P.B. Técnicas de armar as estruturas de concreto. São Paulo, Pini,
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PEREIRA, V. Manual de projeto de lajes pré-moldadas treliçadas. São Paulo.
Associação dos fabricantes de lajes de São Paulo, 2000.
PINHEIRO, L.M. Concreto armado: tabelas e ábacos. São Carlos, Departamento
de Engenharia de Estruturas, EESC-USP, 1993.

FUNÇÕES ESTRUTURAIS DAS LAJES As lajes recebem as ações verticais. que as lajes têm dupla função estrutural: de placa e de chapa. Uma análise do efeito de chapa se faz necessária. distribuindo as ações horizontais entre os diversos pilares da estrutura. 17. o emprego de lajes nervuradas simplifica a execução e permite a industrialização. de mão-de-obra e de fôrmas. Além disso. Na figura 17. a simples desconsideração de outros esforços pode ser equivocada. CARACTERÍSTICAS DAS LAJES NERVURADAS Serão considerados os tipos de lajes nervuradas. principalmente nos edifícios altos. O comportamento de chapa é fundamental para a estabilidade global da estrutura. portanto. Essa situação confere à laje o comportamento de placa. principalmente em lajes constituídas por elementos pré-moldados. seja determinado em função dos esforços de flexão relativos ao comportamento de placa. aumentando assim a viabilidade do sistema construtivo. Conclui-se.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Essas reduções propiciam uma economia de materiais. É através das lajes que os pilares contraventados se apóiam nos elementos de contraventamento. com redução de perdas e aumento da produtividade. Outra função das lajes é atuar como diafragmas horizontais rígidos.2 . racionalizando a construção. comportando-se como diafragma. a presença de capitéis e de vigasfaixa e os materiais de enchimento. em geral. é mostrado um exemplo de transferência de forças e de tensões em laje formada por painéis pré-moldados. perpendiculares à superfície média. Embora o arranjo de armaduras. 3. 2. comportando-se como chapa. garantindo a segurança da estrutura em relação às ações laterais. Nessas circunstâncias.2. e as transmitem para os apoios. a laje sofre ações ao longo de seu plano.

com dimensões moduladas. b) Laje com nervuras pré-moldadas Nessa alternativa. as nervuras são compostas de vigotas pré-moldadas. Pode-se utilizar fôrmas para substituir os materiais inertes.3). Portanto.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Figura 17. necessitando apenas de 17. além do material de enchimento. Essas vigotas são capazes de suportar seu peso próprio e as ações de construção. sendo necessário utilizar desmoldantes iguais aos empregados nas lajes maciças (Figura 17.2 – Comportamento de laje como diafragma (EL DEBS. que dispensam o uso do tabuleiro da fôrma tradicional.1. Tipos de Lajes Nervuradas As lajes nervuradas podem ser moldadas no local ou podem ser executadas com nervuras pré-moldadas. 2000) 3.3 . é necessário o uso de fôrmas e de escoramentos. a) Laje moldada no local Todas as etapas de execução são realizadas "in loco". Essas fôrmas já são encontradas em polipropileno ou em metal.

garantindo-se que a ruína. essas lajes são constituídas de elementos de enchimento. de acordo com o esquema estático adotado. que são colocados sobre os elementos pré-moldados.4 .4 – Vigotas pré-moldadas (FRANCA & FUSCO. Figura 17.4).USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas cimbramentos intermediários. Além das vigotas. caso ocorra. podendo ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento. Por serem mais frágeis. esses tipos de ruína devem ser evitados. pode ser que apareçam esforços solicitantes elevados.3 – Laje nervurada moldada no local Concreto armado Concreto protendido Vigota treliçada Figura 17. e também de concreto moldado no local. tem-se uma concentração de tensões transversais. seja por flexão. Além disso. que necessitem de uma estrutura mais robusta. Lajes Nervuradas com Capitéis e com Vigas-faixa Em regiões de apoio. 17. Há três tipos de vigotas (Figura 17.2.1997) 3.

pode-se adotar (Figura 17. também conhecido como isopor. a principal característica das lajes nervuradas é a diminuição da quantidade de concreto. formando um capitel. há um alívio do peso próprio. constituindo vigas-faixa. Deve-se ressaltar que a resistência do material de enchimento não é considerada no cálculo da laje. obtidos com fôrmas constituídas por caixotes reaproveitáveis. Além de reduzir o consumo de concreto. o material de enchimento deve ser o mais leve possível.3 Materiais de enchimento Como foi visto. blocos vazados de concreto e blocos de EPS (poliestireno expandido). Podem ser utilizados vários tipos de materiais de enchimento. faixas maciças em uma ou em duas direções. mas com resistência suficiente para suportar as operações de execução. na região tracionada. 17. entre as alternativas possíveis.5): • • região maciça em volta do pilar.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Nesses casos.5 – Capitel e viga-faixa 3. entre os quais: blocos cerâmicos.5 . Portanto. Figura 17. Esses blocos podem ser substituídos por vazios. podendo-se usar um material de enchimento.

As principais características desses blocos são: • • • Permite execução de teto plano.6 . sendo utilizados principalmente junto com as vigotas treliçadas pré-moldadas (Figura 17. Figura 17. esses blocos são usados nas lajes com vigotas pré-moldadas (Figura 17. • Coeficiente de absorção muito baixo.6 – Lajes com vigotas pré-moldadas (PEREIRA. • Isolante termo-acústico.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas a) Blocos cerâmicos ou de concreto Em geral. c) Caixotes reaproveitáveis A maioria dessas formas é de polipropileno ou de metal. devido à facilidade de execução.7). Sua principal vantagem são os vazios que resultam. para um simples material de enchimento. permitindo uma adequada distribuição das cargas.6). diminuindo o peso próprio da laje (ver figura 17. 17. 2001) b) Blocos de EPS Os blocos de EPS vêm ganhando espaço na execução de lajes nervuradas. • Baixo módulo de elasticidade.5). com vedação eficiente. o que favorece a cura do concreto moldado no local. Resiste bem às operações de montagem das armaduras e de concretagem. Facilidade de corte com fio quente ou com serra. Uma de suas restrições é o peso específico elevado. Eles são melhores isolantes térmicos do que o concreto maciço.

O número de reutilizações dessas formas pode ultrapassar cem vezes. Figura 17. que pode ser substituído por pranchas colocadas apenas na região das nervuras. CONSIDERAÇÕES DE PROJETO A prática usual consiste em adotar painéis com vãos maiores que os das lajes maciças. 17. As fôrmas reaproveitáveis dispensam o uso do tabuleiro tradicional. item 13. segundo a NBR 6118: 2003.2.4. A vinculação será definida com base na resistência do concreto à compressão.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Após a execução. simplificando a execução.7 . pode-se injetar ar comprimido. 1997) 4. apoiados em vigas mais rígidas que as nervuras. para retirar os caixotes.7 – Blocos de EPS com vigotas treliçadas (FRANCA & FUSCO. As vigotas prémoldadas substituem com vantagens essas pranchas.2. Apresentam-se a seguir as dimensões limites.

a largura das nervuras não deve ser inferior a 8cm. Para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos maior que 110cm.8 . b) Largura das nervuras A largura das nervuras não deve ser inferior a 5cm. apoiada na grelha de vigas. exige-se a verificação da flexão da mesa e as nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas. Se houver armaduras de compressão. Para e entre 65 e 110cm. quando existirem tubulações embutidas de diâmetro máximo 12. respeitando-se os seus limites mínimos de espessura. 4. 17.2 Critérios de projeto Os critérios de projeto dependem do espaçamento e entre os eixos das nervuras. permite-se a consideração dos critérios de laje. a mesa deve ser projetada como laje maciça.8.5mm. a espessura da mesa deve ser maior ou igual a 1/15 da distância entre nervuras e não menor que 3 cm. Para e ≤ 65cm.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas 4. para a verificação do cisalhamento da região das nervuras. permite-se essa verificação como laje se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a largura média das nervuras for maior que 12cm. A espessura da mesa deve ser maior ou igual a 4cm. pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa e. a) Espessura da mesa Quando não houver tubulações horizontais embutidas.1 Dimensões mínimas As prescrições quanto às dimensões mínimas da mesa e das nervuras são indicadas na Figura 17.

5.9). o cálculo dos esforços solicitantes em nada difere daquele realizado para lajes maciças. duas providências são possíveis: • limitar o momento fletor ao valor correspondente à resistência da nervura à compressão. podem ser utilizadas as tabelas de PINHEIRO (1993).USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Figura 17. nesses casos. têm-se esforços de compressão na face inferior. AÇÕES E ESFORÇOS SOLICITANTES As ações devem ser calculadas de acordo com a NBR 6120:1980 – Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Nos casos em que o engastamento for necessário. conhecidos os esforços por unidade de largura. situação conhecida como laje dupla.3 Vinculação Para as lajes nervuradas. região em que a área de concreto é reduzida. • utilizar mesa na parte inferior (Figura 17. ou região maciça de dimensão adequada. A laje nervurada pode ser tratada como placa em regime elástico. Assim. procura-se evitar engastes e balanços. Para cálculo dos momentos fletores e das reações de apoio. visto que. Para obter os esforços nas nervuras. basta multiplicar esse valor pela distância entre eixos das nervuras. 17.8 – Seção típica e dimensões mínimas 4.9 .

9 – Diagrama de momentos para lajes nervuradas contínuas (engastadas) Vale lembrar que. cisalhamento na mesa e flecha da laje. cisalhamento nas nervuras. VERIFICAÇÕES Podem ser necessárias as seguintes verificações: flexão nas nervuras. o cálculo da armadura necessária deve ter em vista: 17.10 . a localização e a rigidez das nervuras. 6. flexão na mesa. Flexão nas nervuras Obtidos os momentos fletores por nervura. em lajes nervuradas de grandes dimensões em planta e submetidas a cargas concentradas elevadas. o cálculo deve considerar a posição dessas cargas. as condições de apoio das lajes.1.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Figura 17. a posição dos pilares e a deformabilidade das vigas de sustentação. 6. Para isso podem ser utilizados programas computacionais adequados.

153 0. Nas seções tipo T. Vale lembrar que outros aspectos devem ser considerados: ancoragens nos apoios. quando não se tem laje dupla.5.197 0. ρmín deve ser recalculado com base no valor de ωmín dado.173 0.403 40 0.1 – Taxas mínimas de armadura de flexão para vigas (Tabela 17. Cisalhamento nas nervuras De acordo com a NBR 6118:2003. • No caso de mesa tracionada.259 0.3.3 da NBR 6118:2003) Valores de ρmin* % (As.150 0.518 50 0. a seção resistente é retangular bw.4.2.177 0.288 30 0.150 0.345 35 0.2.230 0.4. Em geral a linha neutra encontra-se na mesa.8).031 0.h (ver nomenclatura na figura 17.150 0.204 0. que é o usual.1.11 .2 e 17.024 0.1 da NBR 6118:2003.178 0.min/Ac) Forma da seção ω 0. a seção a ser considerada é uma seção T. itens 13.518 45 0.4 e γs = 1. deslocamentos dos diagramas.15.150 0.150 0. a área da seção a ser considerada deve ser caracterizada pela alma acrescida da mesa colaborante. a verificação do cisalhamento nas nervuras depende da distância entre elas: 17. fissuração etc. γc = 1. as taxas mínimas de armadura variam em função da forma da seção e do fck do concreto (Tabela 17. e a seção comporta-se como retangular com seção resistente bf.150 0. Tabela 17.255 0.158 0.201 0.288 0. Caso esses fatores sejam diferentes.2.1.2-b. No item 17.070 fck 20 0. armaduras mínimas.230 25 0.229 0.150 0. 6.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas • No caso de mesa comprimida.1).h.575 Retangular T (mesa comprimida) T (mesa tracionada) Circular * Os valores de ρmín estabelecidos nesta tabela pressupõem o uso de aço CA-50.035 0.150 0.

25 fctd fctd = fctk. A verificação da necessidade de armadura transversal nas lajes é dada pelo item 19.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas a) Distância entre eixos das nervuras menor ou igual a 65cm Para lajes com espaçamento entre eixos menor ou igual a 65cm.4. permite-se considerar os critérios de laje.5 e figura 19. quando a força cortante de cálculo obedecer à expressão: Vsd ≤ VRd1 A resistência de projeto ao cisalhamento.nec definido em 9.12 .4. é dada por: VRd1 = τRd k (1.6 − d | . para a verificação do cisalhamento da região das nervuras. não maior que | 0. com lb.1 (NBR 6118:2003). 17.nec além da seção considerada. para lajes sem protensão.2. com d em metros.inf / γ c A s1 bw d ρ1 = .02 | k é um coeficiente que tem os seguintes valores: • para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: k = | 1| . bw é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d. • para os demais casos: k = | 1.2 + 40ρ1 ) b w d τRd = 0. As lajes podem prescindir de armadura transversal para resistir aos esforços de tração oriundos da força cortante. fctd é a resistência de cálculo do concreto ao cisalhamento. não menor que |1|.1 da NBR 6118:2003. As1 é a área da armadura de tração que se estende até não menos que d + lb.

5 da NBR 6118:2003: fck.7 ⋅ 0. Essa verificação também deve ser feita se existirem cargas concentradas entre nervuras. b) Distância entre eixos das nervuras de 65cm até 90cm A verificação de cisalhamento pode ser como lajes. por toda a sua largura útil. exige-se a verificação da flexão da mesa (NBR 6118:2003. as nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas.2-b). quando não se verifica a condição estabelecida no início deste item. ainda se permite a consideração de laje se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a espessura média das nervuras for maior que 12cm.4.2 e 19.m = 0. Como foi visto no item anterior.4.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas De acordo com o item 8. se a largura média das nervuras for maior que 12cm (NBR 6118:2003. Deve ser colocada armadura perpendicular à nervura. 6. 17.7 fct.13 . item 13.4.21 fck 2/3 2/3 (em MPa) Resulta: τRd = 0.inf = 0.2-b). com área mínima de 1.2. c) Distância entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm Para lajes com espaçamento entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm. da maneira indicada no item anterior.2. na mesa.2 NBR 6118: 2003.3 Flexão na mesa Para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 e 110cm.3 fck = 0.5cm2/m.4.2. item 13. aplicam-se os critérios estabelecidos nos itens 17.0525 fck 2/3 (em MPa) Em caso de necessidade de armadura transversal. ou seja.

1. ser disposta armadura para resistir a essa solicitação.5. Cisalhamento na mesa O cisalhamento nos painéis é verificado utilizando-se os critérios de lajes maciças. que ações concentradas atuem diretamente nas nervuras. Em geral. 17. devendo.1 e 17. nos itens 17.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas A mesa pode ser considerada como um painel de lajes maciças contínuas apoiadas nas nervuras. 6. respectivamente. segundo a NBR 6118:2003. o cisalhamento somente terá importância na presença de cargas concentradas de valor significativo. portanto.1.3.2. Flecha Na verificação da flecha em lajes. além da armadura positiva. considerando-se a possibilidade de fissuração (estádio II). podem ocorrer fissuras na ligação das mesas.2.2. Dessa forma.8.2).14 . 6.2 dessa Norma.2-a deste texto.1. A determinação do valor de tais parcelas é apresentada a seguir e abordada pela Norma. item 19.4.1 dessa Norma. que divide o cálculo em duas parcelas: flecha imediata e flecha diferida.2 da Norma citada. de forma a evitar a necessidade de armadura de cisalhamento na mesa. devem ser usados os critérios estabelecidos no item 17.3. da mesma forma indicada no item 6.3. O cálculo da flecha é feito utilizando-se processos analíticos estabelecidos pela própria Norma (item 17. levando-se em consideração combinações de ações conforme o item 11. Outra possibilidade é considerar a mesa apoiada nas nervuras. Recomenda-se.3. Essa continuidade implica em momentos negativos nesses apoios. sempre que possível.2 estabelece limites para flechas segundo a Tabela 13. O referido item 17.3.3. sobre as nervuras.3.

A tabela 11. como o próprio nome já diz.3. que pode ser calculado com a utilização de tabelas. 17. oficinas e garagens Pressão dinâmica do vento Variações uniformes de temperatura ψ2 0. arquivos.8.7.6 0 0.k são as ações devidas às cargas permanentes.k são as ações devidas às cargas variáveis.k + Σ ψ2j Fqj.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas De acordo com o item 11. tais como as apresentadas em PINHEIRO (1993). cujos valores podem ser adotados de acordo com os valores da Tabela 17.2 deste texto.1.k onde: Fd. refere-se ao deslocamento imediatamente após a aplicação dos carregamentos. ψ2j é o coeficiente dado na tabela 11.ser = Σ Fgi. Tabela 17.4 do item 11.1 da NBR 6118:2003.3 0.2 – Valores do coeficiente ψ2 Tipos de ações Cargas acidentais em edifícios residenciais Cargas acidentais em edifícios comerciais Cargas acidentais em bibliotecas.2 da Norma traz a seguinte expressão para combinações quase permanentes: Fd.2 do item 11.ser é o valor de cálculo das ações para combinações de serviço.3.4 0.8. Fgi. as combinações de serviço classificadas como quase permanentes são aquelas que podem atuar durante grande parte do período de vida da estrutura e sua consideração pode ser necessária na verificação do estado limite de deformações excessivas.3 a) Flecha imediata A parcela referente à flecha imediata.15 . em função da vinculação das lajes. Fqj.

Ecs : módulo de elasticidade secante do concreto.d ∆ξ = ξ(t) − ξ(t 0 ) ρ' = e As' é a área de armadura de compressão (em geral As'=0) ξ é um coeficiente em função do tempo. para vigas biapoiadas ou contínuas.Ic   Ma     Ma      é o momento de inércia da seção bruta de concreto. é decorrente das cargas de longa duração.III  ≤ Ecs . 17. Essa rigidez equivalente é dada por: (EI)eq Ic : III : 3    M 3    Mr   r = Ecs . momento máximo no vão. é o momento de inércia da seção fissurada (estádio II).USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas Vale salientar que a Norma estabelece uma expressão para o cálculo da rigidez equivalente. para a combinação de ações considerada nessa avaliação. no caso de barras lisas. e momento no apoio para balanços.3. b) Flecha diferida A parcela referente à flecha diferida.Ic + 1 −    . extraída da mesma Norma. e é calculada de maneira aproximada pela multiplicação da flecha imediata pelo fator α f dado por: αf = ∆ξ 1 + 50ρ ' A 's b w . calculado pela expressão seguinte ou obtido diretamente na Tabela 17.   . considerando-se a possibilidade da laje estar fissurada. que deve ser reduzido à metade. em função da fluência. Ma : é o momento fletor na seção crítica do vão considerado. Mr : momento de fissuração. segundo a Norma.16 .

efeitos específicos. relativa à data de aplicação da carga de longa duração. d) Contraflecha Segundo a NBR 6118:2003 os deslocamentos excessivos podem ser parcialmente compensados por contraflechas. a flecha total a ser verificada passa a ser: atot – ao ≤ alim A contraflecha ao pode ser adotada como um múltiplo de 0. São classificados em quatro grupos: aceitabilidade sensorial. em meses. ou seja: ao ≅ ai + (af /2) 17.996 t ).12 10 1.17 .5 0. com valor estimado pela soma da flecha imediata com metade da flecha diferida. a flecha total é obtida multiplicando-se a flecha imediata por (1+ α f ) .t 0.3 dessa Norma.84 3 0. do item 13.3 – Valores do coeficiente ξ em função do tempo Tempo (t) meses Coeficiente ξ(t) 0 0 0.(0. Tabela 17.32 para t ≤ 70 meses ξ(t) = 2 para t > 70 meses t: é o tempo em meses.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas ξ(t) = 0.68. No caso de se adotar contraflecha de valor ao.95 4 1.04 5 1.36 20 1.64 40 1. t 0 : é a idade.54 1 0.89 ≤ 70 2 c) Flecha Limite Segundo a NBR 6118:2003. Portanto. os deslocamentos limites são valores práticos utilizados para verificação em serviço do estado limite de deformações. quando se deseja o valor da flecha diferida.68 2 0.5cm. efeitos em elementos não estruturais e efeitos em elementos estruturais. Devem obedecer aos limites estabelecidos pela tabela 18.

Lagoa Santa (MG). ATEX Brasil.K. São Paulo. Rio de Janeiro. Pini. Manual de projeto de lajes pré-moldadas treliçadas. FUSCO. Concreto pré-moldado: fundamentos e aplicações. FUSCO.M. L. PINHEIRO. 2000. Concreto armado: tabelas e ábacos. 2002. NBR 6120 . 2001.18 . EL DEBS. A. DROPPA JÚNIOR. As lajes nervuradas na moderna construção de edifícios. Técnicas de armar as estruturas de concreto. Escola de Engenharia de São Carlos. P. São Carlos. 1999. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos..B. FERREIRA. São Paulo.M. São Carlos. Encarte técnico. EESC-USP. Michigan. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos. Departamento de Engenharia de Estruturas. PEREIRA. 1995. Projeto REENGE.B.Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. 177p.M.B. NBR 6118 . C. AMERICAN CONCRETE INSTITUTION. ACI 318: Building code requirements for reinforced concrete.USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. BOCCHI JÚNIOR. São Paulo. 1980.M. FRANCA. Detroit. Análise estrutural de lajes formadas por elementos prémoldados tipo vigota com armação treliçada. M. L. São Carlos. 1978. Rio de Janeiro. AFALA & ABRAPEX.Projeto e execução de obras de concreto armado. 2002. Lajes nervuradas de concreto armado. A. L. 17. 1994. Lajes nervuradas: notas de aula. 1997. Universidade de São Paulo. São Carlos. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Associação dos fabricantes de lajes de São Paulo. 1993. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. PINHEIRO. Universidade de São Paulo.Projeto de estruturas de concreto. São Carlos. V. Universidade de São Paulo. NBR 6118 . P.F. 1999. 2000. 183p. Rio de Janeiro.

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