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Texto Literário e Texto Não-Literário

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Published by: Luciano Baptista Domingos on Apr 11, 2011
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Texto literário e texto não-literário

É impossível tentar explicar esse assunto de forma autoritária sem levar e consideração os questionamentos capazes de por em dúvida alguns conceitos a respeito do tema proposto. De acordo com alguns estudos e segundo alguns livros didáticos apresentaremos os critérios mais adotados atualmente para caracterizar o texto literário. Antes de qualquer coisa, precisamos saber que o próprio conceito de LITERATURA sofreu mudanças ao longo do tempo. Isso aconteceu devido a diversos pontos de vista, diversas formas de analisá-la, ou seja, os vários olhares sobre ela, influenciados por cada momento histórico que, em literatura se costuma associar aos “Estilos de Época”. O termo literatura, além da simples designação da bibliografia ou texto escrito, denomina também um certo tipo de obras que teriam algo em comum com as plenamente aceitas como literárias, de caráter estritamente estético e ficcional. Por outro lado, a indústria cultural publica uma enorme quantidade de obras onde o “ficcional” predomina e que, no entanto, não são consideradas literárias. Autores há que preferem estabelecer como critério esse caráter ficcional e não-ficcional dos textos. Os autores que assim pensam não negam que o texto literário interprete aspectos da realidade afetiva, mas que o faz de maneira indireta, recriando o real num plano imaginário. Assim, Graciliano Ramos inventou um certo Fabiano e uma certa Sinhá Vitória para revelar uma verdade sobre tantos fabianos e tantas sinhás vitórias. Esse critério, apesar de por em evidência aspectos importantes da obra literária, esbarra num problema muito sério: a dificuldade em discernir o real do fictício em certas situações concretas.

Sou religioso, logo, tudo que está na Bíblia acredito ser real.

Eu não sou religioso, sou cético, ateu. Portanto, tudo na bíblia pra mim é ficção.

Modernamente, diz-se que a diferença está no fato de que o texto literário tem uma FUNÇÃO ESTÉTICA e de que o texto não-literário

tem uma FUNÇÃO UTILITÁRIA (informar, convencer, explicar, documentar, etc.). Trata-se de um estudo do pensador russo Roman Jakobson:

Roman Osipovich Jakobson (em russo: Роман Осипович Якобсон) (11 de outubro de 1896 - 18 de julho de 1982)
Vamos mostrar abaixo o diagrama das funções da linguagem juntas a cada elemento da comunicação para que possamos entender melhor:

Nota-se entre parênteses as seis funções da linguagem e suas relações com cada elemento da comunicação. Pois bem, a FUNÇÃO ESTÉTICA seria a (função poética) centrada na mensagem, enquanto a FUNÇÃO UTILITÁRIA seria as funções (função referencial e função conativa) centrada no destinatário, ou melhor, no leitor (já que busca convencer. Convencer quem?) e no referente, quer dizer, no contexto, na informação, uma vez que busca explicar, informar, conceituar.

Observação importante:

Lembre-se: o termo “POÉTICA” usado por Jakobson para a função inclui também os outros gêneros literários, tais como o romance, as crônica, os contos, as fábulas. Porém exclui, jornais, revistas, por serem estes pertencentes a função utilitária.

O problema é que num texto tanto literário quanto não-literário pode haver combinações de todas estas funções da linguagem. Isso que dizer que num poema, num romance ou numa notícia de jornal podem aparecer todas as funções, mas o que vai caracterizar o texto como sendo ou não literário será a predominância desta ou daquela função. É mais fácil explicar FUNÇÃO ESTÉTICA de FUNÇÃO UTILITÁRIA, por meio de notícias tiradas de jornais ou revista e de poemas. Mas como explicar, por exemplo, a função poética num romance, num conto ou em uma crônica? A Função Poética ou Função Estética possui elementos capazes de fazer um texto deixar de ser informativo, explicativo, e passar a ser ARTÍSTICO. Tal função se concentra na mensagem de tal forma que quem lê um texto nessas circunstâncias, mesmo sem entender o que está escrito, apreende-lhe o essencial, podendo sentir-se transportado para o desconhecido, porém Belo.

A esses elementos (podemos citar aqui, as figuras de linguagens, os recursos rítmicos, sonoros, métricos; as estruturas da narrativa, etc) capazes de estabelecer a

existência de uma função poética da linguagem, Jakobson denominou-os de LITERARIEDADE.
Portanto, podemos dizer que o que distingue um texto literário de um não-literário é a predominância ou não da Literariedade. Percebemos de imediato a literariedade em um texto quando este constitui uma linguagem de conotação, melhor dizendo, quando as palavras em um texto literário são conotativas e cria significados novos. Porém num texto cuja função é utilitária, as palavras possuem, geralmente, sentido conotativo e não criam significados novos.
DENOTAÇÃO – é a significação objetiva da palavra. Pode-se dizer que é a palavra em “estado de dicionário”. Exemplo: mar= massa de águas salgadas do globo terrestre, oceano

CONOTAÇÃO – é a significação subjetiva da palavra. Ocorre quando a palavra evoca outras realidades por associações que ela provoca: Exemplo: mar= imensidade, infinito, mistério, liberdade.

Por último, podemos falar do caráter intocável do texto literário. Quando se faz um resumo de um noticiário, de um texto informativo,

ganha-se o essencial, o mais importante. Já se se resume um texto literário, perde-se o mais importante dele. Não se pode tirar ou acrescentar nada num poema pronto. É diferente dizer que

O amor não pode durar a vida inteira, mas, enquanto durar deve ser muito intenso

E dizer os seguintes versos...

“Eu possa me dizer do amor (que tive) Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure” (Vinícius de Moraes)

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980

Soneto de fidelidade
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Capiba

De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure

Referências Bibliográficas:

Para Entender o Texto - Leitura e Redação. Autor: Savioli, Francisco Platão. Editora: Ática. Categoria: Linguística / Redação . Manual da teoria literária. Autor. Rogel Samuel. Editora / data. Vozes/1986 Literatura: textos & técnicas João Domingues Maia AGUIAR E SILVA, Vitor Manuel - Teoria da literatura. Coimbra
http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/86563/

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