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MONOGRAFIA%20JANAINA

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  • 2.1 Base Teórica e Conceitual
  • 2.2 Caracterização da Área Pesquisada e da Pesquisa
  • NACIONAL
  • TABELA 1 - Produção de petróleo (mil barris/d), 2000/2005
  • 3.1 A Produção de Álcool no Brasil por Regiões
  • TABELA 4 - Produção do Setor Sucroalcooleiro – Brasil 1994/95 a 2005/06
  • 3.2 A Produção de Álcool Anidro
  • 3.3 A Produção de Álcool Hidratado
  • 3.4 Álcool como “Commodity” Internacional (Questão Ambiental)
  • 3.5 O Brasil como Precursor e Difusor do Uso do Álcool Carburante
  • TABELA 6: Propriedades e características dos combustíveis
  • 3.6 Exportação de Álcool no Brasil
  • 3.9 Impacto da Queima da Cana na Poluição do Ar
  • 3.10 O Impacto dos Motores a Álcool na Poluição do Ar
  • CENÁRIO REGIONAL
  • 4.1 Visão Geral do Setor Sucroalcooleiro
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2000/2001
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2001/2002
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2002/2003
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2003/2004
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2004/2005
  • Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste, safra 2005/2006
  • 4.2 A Importância do Setor no Nordeste e as Características da Crise
  • TABELA 13 - Perfil da Atividade Canavieira no Nordeste do Brasil – 2000/2005
  • REFERÊNCIAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES À COMPETITIVIDADE DA PRODUÇÃO DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO BRASIL E NO NORDESTE.

JANAINA KEILLA CORDEIRO COSTA

João Pessoa – PB. 2006

JANAINA KEILLA CORDEIRO COSTA

OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES À COMPETITIVIDADE DA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO BRASIL E NO NORDESTE.

Monografia apresentada no Curso de Graduação de Ciências Econômicas, em cumprimento às exigências parciais para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas.

.

Orientador: Prof. Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti

João Pessoa – PB
2006

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AVALIAÇÃO DE MONOGRAFIA
Comunicamos à Coordenação de Monografia e à Coordenação do Curso de Ciências Econômicas (Bacharelado) que a monografia da aluna Janaína Keilla Cordeiro Costa, matrícula 19923675, intitulada Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool-Combustível no Brasil e no Nordeste, foi submetida a apreciação da Comissão Examinadora composta pelos seguintes professores: Profº. Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti (Orientador), Profª. Dr. Lúcia Maria Góes Moutinho (Examinadora) e Profº. Dr. Alexandre Lyra Martins (Examinador). No dia ___ de ______ de 2006, às _______ hrs. A monografia foi _____________________ pela comissão Examinadora e obteve nota __________ (____________). Reformulações sugeridas Atenciosamente, Sim ( ) Não ( )

______________________________________________ Profº Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti (Orientador) ______________________________________________ Profª Dr. Lúcia Maria Góes Moutinho (Examinadora) ____________________________________________ Profº Dr. Alexandre Lyra Martins (Examinador) Ciente, ______________________________________________ Profº Dr. Alexandre Lyra Martins Coordenador de Graduação ______________________________________________ Profº Dr. José Antônio Rodrigues da Silva Chefe do Departamento de Economia ______________________________________________ Janaína Keilla Cordeiro Costa Aluna

o compartilhar nos momentos difíceis e felizes. Paulo Carsio Lemos e Silva. por sua dedicação no início do trabalho.AGRADECIMENTOS A Deus por me abençoar e me manter firme nessa luta. Aos meus pais e familiares que tanto me ensinaram os caminhos da vida que ao longo de toda a minha vida acadêmica propiciaram condições para os meus estudos. Ao meu esposo. da ASPLAN.. Um caminhar de esperanças e desafios.. . por ser uma das razões de minha determinação na conclusão desse curso. Ao meu amado filho Arthur Guilherme. pelas informações e pesquisas cedidas. Ao Sr. Ao professor Guilherme de Albuquerque Cavalcanti. pela sua competência e amizade na orientação desse trabalho. um irmão. À professora Lúcia Maria Góes Moutinho. um amigo. me fortalecendo a cada desânimo. um companheiro.

... 57 Tabela 9 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste..........59 Tabela 11– Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. ..... ......................... 33 Tabela 6 ............... 23 Tabela 3 .............. safra 2000/2001...................... safra 2002/2003... 28 Tabela 4 – Produção do setor sucroalcooleiro no Brasil – 1994/95 a 2005/06 (m3) .............................................................. 22 Tabela 2 – Preços médios de referência do petróleo.. 58 Tabela 10 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste........ safra 2005/2006................. 29 Tabela 5 . 56 Tabela 8 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste..........61 Tabela 13 – Perfil da Atividade Canavieira no Nordeste do Brasil –2000/2005 (ton)... safra 2003/2004..................................5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Produção de Petróleo mil barris/d ........................................... segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação – 2000/2005 (m3) . safra 2004/2005..... 40 Tabela 7 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste...........Produção de álcool etílico anidro e hidratado..2000/ 2005 R$/b e US$/b . 67 ...2000/2005 ..Propriedades e características dos combustíveis ..Acompanhamento da produção sucroalcooleira por regiões do Brasil2005/2006..... safra 2001/2002................ segundo Unidades da Federação .................................................60 Tabela 12 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste....................................

...................6 LISTA DE QUADROS Quadro 1 .......................... e mil US$) ................................................ 42 Quadro 5 .Saldo da Balança Comercial de Álcool (ton.. 42 Quadro 4 ... 37 Quadro 2 .................Custo do Etanol (US$/litro) ........ ....................Exportações Brasileiras de Álcool – 2003/2005 (ton....... 38 Quadro 3 .....Vendas de Veículos a álcool no Brasil – 2000/2005 (unidades). e mil US$) ....................Importações Brasileiras de Álcool – 2003/2005 (ton.. 42 ............. e mil US$) ........

48 ....................... 39 Gráfico 6 ... 29 Gráfico 2 ....Evolução da produção de álcool anidro no Brasil – 1994/93 a 2005/06(m3).............................1994 a 2005 (m3) .............Produção Brasileira de álcool ....... 31 Gráfico 4 .........................7 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 ..............Evolução da produção de álcool no Brasil – 1994/93 a 2005/06 (m3) ....... 38 Gráfico 5 .............Vendas e participações no mercado de leves de veículos flex – 2003/2005 (unidades) .............Evolução da produção de álcool hidratado no Brasil – 1994/93 a 2005/06(m3)...................... 30 Gráfico 3 .................Evolução do consumo de álcool anidro e hidratado 1994/2004 (106 m3) ......

Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica SECEX – Secretaria de Comércio Exterior SINDÁLCOOL – Sindicato dos Produtores de Álcool do Estado da Paraíba ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira de São Paulo .Associação de Plantadores de Cana da Paraíba CBIE – Centro Brasileiro de Infra-Estrutura CIMA – Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool CINAL – Comissão Interministerial do Álcool FECOMBUSTÍVEIS – Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes FEPLANA – Federação de Plantadores de Cana do Brasil IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S/A PLANALSUCAR – Programa de Racionalização e Apoio à Indústria Açucareira PROALCOOL – Programa Nacional do Álcool PROINFRA .Álcool Etílico Anidro Carburante AEHC – Álcool Etílico Hidratado Carburante ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ANP – Agência Nacional do Petróleo ASPLAN .8 LISTA DE SIGLAS AEAC .

............................... 62 CAPÍTULO 5 CONCLUSÃO ...................................................................... 41 3...........1 Visão Geral do Setor Sucroalcooleiro .............................10 O Impacto dos Motores a Álcool na Poluição do Ar................................................6 Exportação de Álcool no Brasil ...........1 Base Teórica e Conceitual .................................................................................................................................................................. 14 2.............................................................................................................. 47 CAPÍTULO 4 OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO REGIONAL ...................................................................................................................2 Caracterização da Pesquisa e da Área Pesquisada............................. 70 ..........30 3...............................................................................................................................SUMÁRIO CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ..... 18 CAPÍTULO 3 A PROBLEMÁTICA DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO NACIONAL ......................2 A Importância do Setor no Nordeste e as Características da Crise ................................................................................................... 12 CAPÍTULO 2 ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS .... 14 2........4 Álcool como “Commodity” Internacional (Questão Ambiental) ........................................ 46 3. 29 3...... 68 REFERÊNCIAS ................................. 30 3......1 A Produção de Álcool no Brasil por Regiões ...........................................................................................................................................................................9 O Impacto da Queima da Cana na Poluição do Ar .......................... 35 3............. 38 3.....................2 A Produção de Álcool Anidro ................. 21 3..........7 Iniciativas do Setor Privado e do Governo Brasileiro para Incentivar o Uso do Álcool Carburante ........5 O Brasil como precursor e difusor do uso do Álcool Carburante ...............8 Alguns Obstáculos e Potencialidades à Produção de Álcool-Combustível no Cenário Nacional ......... 49 4................................................................................................................................................ 43 3.........3 A Produção de Álcool Hidratado ....... 51 4......................................................................................................................... 44 3..............

bem como a participação do estado na trajetória evolutiva de sua produção e da introdução de novas tecnologias. aumento da mecanização ocorrendo substituição de homens por máquinas. artigos fornecidos por instituições e/ou estudiosos do assunto. O estudo cobre o período de 2000 a 2005. tais como: ASPLAN. revistas. Trata-se de uma pesquisa descritiva que se baseou na literatura específica sobre o tema. 2006. periódicos. Os resultados apontam para os seguintes obstáculos: O impacto da queima da cana-de-açúcar na poluição do ar. Competitividade. livro textos. relatórios de pesquisas. também foram identificadas as seguintes potencialidades no segmento analisado: O impacto dos motores a álcool na qualidade do ar nas grandes cidades e a concorrência de preços com a gasolina. em larga escala do petróleo que é um poluente do meio ambiente. ocasionando o aumento do desemprego. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) – Universidade Federal da Paraíba.A escolha do estudo do setor sucroalcooleiro deveu-se a importância da fabricação do álcool-combustível como substituto. PB. . tais como: monografias. Complementarmente. 2006. Janaína Keilla Costa. João Pessoa. RESUMO Este trabalho surgiu do interesse em identificar os obstáculos e potencialidades à competitividade do álcool-combustível ao longo de sua história. Obstáculos e Potencialidades. 72 f. Palavras-Chave: Álcool-Combustível. SINDÁLCOOL e IBAMA. Os dados secundários foram obtidos junto aos órgãos. Foram utilizadas informações extraídas da internet e de outros trabalhos.10 CORDEIRO. Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool-Combustível no Brasil e no Nordeste.

I liberate texts. newspapers. Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool Combustível no Brasil e no Nordeste. in wide scale of the petroleum that is a pollutant of the environment. Competitiveness. were also identified the following potentialities in the analyzed segment: The impact of the motors to alcohol in the quality of the air in the great cities and the competition of prices with the gasoline. 2006. Janaína Keilla Costa. Key-Words: Alcohol-fuel. . Complementarmente. increase of the mechanization happening men's substitution for machines. magazines. Obstacles and Potentialities. as well as the participation of the state in the evolutionary path of your production and of the introduction of new technologies. It is a descriptive research that based on the literature it specifies on the theme. reports of researches. such as: ASPLAN.11 CORDEIRO. SINDÁLCOOL END IBAMA. The choice of the study of the section sucroalcooleiro was due the importance of the production of the alcohol-fuel as substitute. The results appear for the following obstacles: The impact of the it burns of the sugar-cane in the pollution of the air. 72 f. The study copper the period from 2000 to 2005. ABSTRACT This work appeared of the interest in identifying the obstacles and potentialities to the competitiveness of the alcohol-fuel along your history. The secondary data were obtained the organs close to. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) – Universidade Federal da Paraíba. such as: monographs. PB. João Pessoa. 2006. Extracted information of the internet were used and of other works. goods supplied by institutions studious e/ou of the subject. causing the increase of the unemployment.

adotou-se como método de investigação.12 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Esta pesquisa surgiu do interesse em estudar o álcool-combustível que foi o primeiro grande projeto para substituir. E. Tendo em vista o tema do trabalho formulou-se o seguinte problema de pesquisa: Quais os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcoolcombustível no Brasil e no Nordeste? . a pesquisa descritiva. ao contrário de outras formas de energia. Considerando a importância desta atividade econômica. Com o novo combustível. O Brasil conquistou a tecnologia que hoje muitos países estão buscando para resolver os problemas de poluição que os derivados do petróleo (gasolina e óleo diesel) provocam. é fonte de energia renovável. de auto-peças e atividades de serviços. em larga escala o petróleo que é um grande poluente do meio ambiente das grandes cidades. Para tanto. o País criou condições para se tornar menos dependente do petróleo importado. O resultado se ampliou para outros setores da economia. optou-se por estudá-la a partir de uma abordagem da competitividade no Brasil e no Nordeste. o estudo se definiu para identificar os obstáculos e potencialidades do álcool-combustível. O álcool abastece grande parte dos veículos brasileiros. Isto requer que sejam identificados obstáculos e potencialidades ao seu desenvolvimento. Optou-se também por ressaltar o papel regulador do governo que se tem mostrado muito presente na trajetória do segmento em foco quer a nível nacional como a nível regional. como a indústria automobilística. o álcool possui uma vantagem especial. Neste sentido. ajudando o País a importar menos petróleo e economizar divisas.

No quarto capítulo identificam-se e analisam-se os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível no cenário regional. o papel da intervenção do estado numa perspectiva de apresentação da problemática do álcool-combustível no cenário nacional. . o quinto capítulo apresenta a conclusão do estudo. o trabalho prossegue em busca dos objetivos acima descritos. O segundo capítulo apresenta os aspectos teóricos e metodológicos do estudo. Após este capítulo introdutório. e. Finalmente. examina-se desde sua origem histórica e em sua trajetória dinâmica. examinar o papel do estado na implantação e desenvolvimento desta atividade no Brasil. alguns objetivos específicos nortearam a realização deste estudo. estruturado em mais quatro capítulos. como: descrever a origem e evolução histórica da atividade produtora do álcool combustível no Brasil e no Nordeste.13 Ao lado do objetivo geral de identificar os obstáculos e potencialidades à competitividade do álcool-combustível no Brasil e no Nordeste. Adicionalmente.

. com o advento do neoliberalismo o estado passou a ser um instrumento estimulador da competitividade. Este processo é conhecido como desregulamentação. À atuação do estado na economia. procurando um ganho pessoal. a pessoa trabalha.1 Base Teórica e Conceitual À luz da teoria da regulação entende-se que a necessidade de um sistema regulador eficiente é fundamental à medida que o processo de privatização chega à prestação dos serviços de utilidade pública. a América Latina tem passado pelo processo de reestruturação. um conjunto de políticas que visam a introdução da concorrência. a desintegração vertical das indústrias e privatizações de empresas estatais. Na década de oitenta do século XX. como vive as empresas produtoras de álcool-combustível. Em uma situação de competição. a livre concorrência eliminou a si mesma. constituindo monopólios e oligopólios privados e.14 CAPÍTULO 2 ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS 2. através das agências reguladoras. O Estado sempre se apresentou como agente ativo em muitos países. sobretudo. nas conhecidas indústrias de rede. Segundo Adam Smith. existe o potencial de cada uma com os seus respectivos obstáculos. para elevar a renda anual na sociedade. isto é. Por uma mão invisível a pessoa estaria sendo levada a executar um objetivo que nunca fez parte das suas intenções. Um dos aspectos mais marcantes no contexto social é a competição que aparece nas relações humanas. tem-se reservado um importante papel por meio de medidas regulatórias. A competitividade ou livre concorrência é um dos princípios da economia liberal e teve como principais defensores Adam Smith e David Ricardo. Observando-se o conceito.

. a melhora da eficiência alocativa. garantindo uma rentabilidade razoável para as empresas. Referente às “falhas de mercado” um aspecto abordado é o problema das externalidades. Os avanços teóricos foram fundamentais para agregação da noção de “falhas do governo”. pelas políticas de defesa da concorrência. Pondé e Fagundes (1997) seria introduzir regras em contraponto aos mecanismos de mercado. nas economias atuais.) com o objetivo conflitante entre si ou com um terceiro agente no seio da sociedade. Rodrigues (2003) sintetiza que é toda a ação de cunho governamental que se concretize no estreitamento da liberdade dos agentes econômicos durante seu processo de escolha. desde a implantação do Proálcool. acompanhado de importantes ganhos de produtividade.15 No complexo alcooleiro é necessário a superação de alguns obstáculos existentes no setor. inibindo o abuso do poder de mercado. Alguns campos regulatórios merecem destaque: regulação de preços (tarifária). Ao comentar sobre regulação econômica. Também é utilizado com o objetivo da regulação do bem-estar do consumidor. manifesta-se por meio da regulação econômica. política industrial etc. A atuação do governo. como os provenientes do mercado de combustíveis. Diversos estudos mostram que o setor respondeu positivamente aos estímulos externos. Outra corrente destaca que a regulamentação surge como uma resposta política às pressões dos grupos de interesse (empresas. das quantidades de produção. mas também na produção de álcool-combustível apresenta-se bom desenvolvimento. consumidor etc. O objetivo da regulação segundo Possas. O papel dos órgãos reguladores seria manter a atividade econômica nos mercados regulados. propondo elevar o grau de eficiência econômica dos mesmos. concessão de atividades. a regulação da qualidade dos bens e serviços. fiscalização e externalidades.

c) Externalidade: ocorre quando alguma atividade econômica de um agente gerar custo ou beneficio. d) Mercados incompletos: são aqueles quando um bem/serviço não é ofertado. ou seja. . a fim de impedir que o forte poder de mercado detido pelas empresas monopolistas se reflita nas cobranças de preços abusivos ao consumidor. o consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo pelos demais integrantes da sociedade. porém. ou possa ser beneficiado. As falhas de mercados são representadas por: a) Existência de bens públicos: São aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou não “não-rival”. A introdução de pressões competitivas foi significativa em termos de regulação. ainda que o seu custo de produção esteja abaixo do preço que os consumidores estariam dispostos a pagar. Nos procedimentos de regulação. devem se buscar transparência e comprometimento. tendem a ser melhores que aqueles obtidos na falta da regulação em mercados com dificuldades. As pressões de governo junto à interação de empresas reguladas podem levar o órgão regulador a ações incompatíveis com o bem-estar econômico. sem que o agente em questão. b) Existência de monopólios naturais: O governo pode exercer apenas a regulação dos monopólios naturais. tenha que arcar com este custo.16 Existe outro problema identificado pela teoria quando as relações entre o regulador e a empresa regulada também estão sujeitas a restrições informacionais e a restrições transacionais (custo de transação). Os resultados da regulação não são os melhores.

matéria-prima para acetado de amila (essências). líquidos obtidos pela destilação de substâncias açucaradas. Por ter custo mais baixo é utilizado pelas indústrias de bebidas e cosméticos populares. Álcool Anidro: Usado como aditivo aos combustíveis.5% de álcool puro mais 0. Álcool Refinado e Neutro: Aplicam-se as mesmas finalidades do extraneutro. Tipos de Álcool: Álcool Extra Neutro: É o usado na elaboração de bebidas em geral. Na pesquisa referente ao tema foram identificados vários tipos de álcool. cosméticos e produtos farmacêuticos. Composto de 99. sabores. f) Ocorrência de desemprego e inflação: O Estado implementa políticas que visem à manutenção do funcionamento do sistema econômico o mais próximo do pleno emprego e da estabilidade de preços.17 e) Falhas de Informações: O Estado intervém justificando-se em razão de o mercado por si só não fornecer dados suficientes para que os consumidores tomem suas decisões racionalmente. fermentadas. Álcool Hidratado Carburante: É o álcool combustível a 96 GL (96% partes de álcool puro mais 4% de água). distinguindo-se deste pelo odor mais acentuado. Álcool Iso-Amílico: Subproduto. É adicionado à gasolina a 22% para substituir o chumbo . bebidas alcoólicas. É o mais puro álcool e não interfere em aromas.5% água. Álcool é a denominação genérica dos componentes orgânicos resultantes da substituição de um ou mais átomos de hidrogênio dos hidrocarbonetos por um ou mais oxidrílos. de odor acentuado usado como solvente na indústria em geral.

a parte mais atrativa da operação. 2. Este trabalho levanta elementos analítico-descritivos. Foram utilizados livros textos como fontes bibliográficas. revistas e outros documentos fornecidos por instituições e/ou estudiosos do assunto. . Os procedimentos metodológicos utilizados para a obtenção supra. que detinha o monopólio da produção da gasolina e da mistura. foram: Pesquisa documental – utilizando livros. adicionado na proporção correta. Esses contatos foram fundamentais para que todos os objetivos fossem alcançados. É menos poluente e. prejudicial à saúde e ao meio ambiente). misturado à gasolina como aditivo. até 30/04/1997 era vendido pelo produtor a um único comprador. e artigos.2 Caracterização da Área Pesquisada e da Pesquisa Para a realização do levantamento de dados decidiu-se pela pesquisa descritiva baseada na literatura específica sobre o tema. que problematizam os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível no Brasil e no Nordeste. a Petrobrás. não afeta o desempenho do motor. revistas. textos. SINDÁLCOOL e IBAMA. tais como: ASPLAN. bem como relatórios. Todo álcool anidro.18 tetraetila (venenoso. Os dados secundários foram obtidos junto aos órgãos. 2005). A partir de 01/05/1997 foi liberada a comercialização diretamente às distribuidoras de derivados de petróleo (SINDÁLCOOL.

A economia da região baseia-se nas atividades de extrativismo vegetal e mineral. a soja e a laranja. automobilística. procedeu-se uma pesquisa investigativa sobre os obstáculos e potencialidades no período de 2000/2005. Também são produtos de destaque na agricultura do Sudeste. As indústrias metal-mecânica. São Paulo é o estado mais rico da Federação. com destaque na cana-de-açúcar. apesar de ter PIB per capita inferior ao do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. que são as regiões Sudeste/Sul e Norte/Nordeste. Num segundo momento. No Brasil existe uma divisão no setor sucroalcooleiro. sendo caracterizado fisicamente pela existência de montanhas antigas e arredondadas pela erosão. entre outros. A região Norte é formada por setes estados. referentes à produção do álcool combustível ocorrida ao longo dos anos. o cultivo da cana-de-açúcar e outros formam a base de uma economia que chega a 30. o algodão. zona da mata. e o pólo econômico da América do Sul. A região Sudeste é composta por quatros estados. .6% do PIB brasileiro e cerca de US$ 225 bilhões. álcool e açúcar. O estado de São Paulo é um dos principais produtores da região na produção agrícola regional. a região encontra-se dividida em sub-regiões: meionorte. A região Nordeste é formada por noves estados. mais identificados em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. agreste e sertão. Em função das diferentes características físicas que apresenta. Está localizada na região geoeconômica da Amazônia. conhecidas como mares e morros. a maior parte desta região está em um extenso planalto e aplainado pela erosão. com o sentido de atender aos objetivos desta pesquisa. o milho. a mamona e o amendoim. têxtil.19 Pesquisa bibliográfica – Utilizando teses. monografias e artigos da internet. o arroz.

677 toneladas e nas indústrias de açúcar e álcool. (SITE GEOECONÔMICO.20 A agricultura centraliza-se no cultivo da cana-de-açúcar. peixes e crustáceos 10%. Com 18. O estado de Alagoas destaca-se na agricultura da cana-de-açúcar com 27. 2006) . petroquímicos 11%. com exportações de US$ 304.630.930 toneladas e nas indústrias químicas e metalúrgicas.392. com o estado de Alagoas respondendo por metade da produção do Nordeste. frutas 9% e materiais elétricos 9%. com exportações de US$ 335 milhões sendo que 40% é referente ao açúcar. O estado de Pernambuco também tem destaque na agricultura da cana-deaçúcar.4 milhões sendo açúcar de cana 89% e derivados do açúcar e alcoolquímica 7%.

Por isso o motivo do seu preço estar aumentando cada vez mais. Nigéria. Jamaica. Os principais destinos do álcool brasileiro são: Índia. Suécia. . Países Baixos (Holanda). Outro motivo que faz enaltecer o álcool é o preço do petróleo.21 CAPÍTULO 3 A PROBLEMÁTICA DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO NACIONAL Este capítulo contém alguns problemas do álcool-combustível no cenário nacional que servem de suporte para a compreensão da problemática do álcool combustível a nível regional. ao mostrar e ensinar para o mundo como produzir álcool de maneira eficiente e com baixos custos. que. Coréia do Sul. preocupados em reduzir as emissões de gases poluentes. Segundo especialista do setor o combustível fóssil já está chegando ao seu pico de produção e daqui para frente o consumo deverá ser igual ou até maior do que a produção. O Brasil é referência mundial no assunto. O uso do álcool como combustível ou adicionado à gasolina é visto como uma novidade para diversos países. Costa Rica. químico ou alimentício). O ponto principal do setor sucroalcooleiro tem sido a exportação crescente de álcool para vários países e o crescimento do consumo interno devido as grandes vendas de carros flexíveis (bi-combustíveis). procuram por alternativas limpas e renováveis. EUA. industrial. Japão. A qualidade do álcool tipo exportação normalmente segue uma especificação típica de cada país e que pode variar de acordo com sua aplicação (combustível. México e Canadá.

745 754 1.607 153 30.393 43. conforme o Decreto n.285 6. uma grande produção do petróleo no Brasil e na Venezuela no período de 2000/2005. Em outubro de 2005.41 -0.122 45. O crescimento da demanda na China e nos EUA esteve entre as principais razões para provocar esta alta.916 152 6.614 28.542 551 535 94 152 2.22 Conforme informações da OPEP (2006). (OPEP.96. excesso de demanda e riscos de escassez provocam oscilações acentuadas no preço do petróleo.367 806 1. o barril do petróleo cru para entrega estava cotado a US$ 69.972 144 6.91 11.499 601 401 98 155 2.813 819 1.25 -3.239 130 31.18 -1.736 74.836 47.964 725 1. para o Brasil.58 0.251 Fontes: BP Amoco Statistical Review of World Energy 2006. ANP/SDP.214 47.36 1.08 30.50 1.12 18.088 6. negociado na Bolsa Mercantil de Nova York. observa-se na tabela 1.640 818 1.382 80.941 2001 2002 2003 77.141 137 6.09 12.718 549 541 111 171 3. Dos países da América Central e do Sul. .337 627 416 98 135 3. alta de 0.198 81. exceto para o Brasil.721 830 1.882 44.268 711 409 100 138 3.36% em relação ao ano de 2004. TABELA 1 .501 32. º 2.555 564 427 92 164 2. O preço da commodity levou 17 meses para passar dos US$ 30 para os US$ 40. Produção de Petróleo Total Regiões geográficas.007 142 3. para os anos de 1999. atingidos em maio de 2004.806 46. oscila em torno dos US$ 70 por barril e não causa danos ao crescimento econômico mundial. países e blocos econômicos Américas Central e do Sul Argentina Brasil1 Colômbia Equador Peru Trinidad e Tobago Venezuela Outros Total OPEP Total não-OPEP 2000 74.985 33.548 6.Produção de petróleo (mil barris/d).11 74. 2005). 2000/2005. Fatores como crises geopolíticas.705/98.75 2. o nível atual de preços do petróleo.091 2004 2005 05/04 % 1.

14 25. 112. 112.705/98 e as Portarias ANP n.06 23.8 29.02 38 52.8 59.14 73.21 25.57 47.5 22.6 35. Preços em valores correntes.78 61.55 87. segundo Unidades da Federação – 2000/2005. 46.41 98.85 40.24 21.43 26.16 50.92 48.1 42.24 59.33 68.69 20.61 .54 .19 109. 2.96 98. 38.13 20. Amazonas e Alagoas.03 21. 3.1 .6 53.46 102..08 56.65 27.72 99.8 75. Unidade da Federação Brasil Amazonas Ceará Rio Grande do Norte Alagoas Sergipe Bahia Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Fonte: ANP/SPG.62 84. que passava por um período de crise de preços no mercado internacional.87 53.18 46. Notas: 1.41 81. O IAA passou a definir os critérios do planejamento.42 22.79 42.17 25.99 25.3 33..57 71.76 .73 63.8 25. O uso do álcool de cana como um combustível alternativo aos derivados do petróleo tem uma grande tradição no País.49 48. consolidando a regulação estatal do setor.37 39.31 28.1 22. fomentar e controlar a produção do açúcar e do álcool em todo o País. Preços médios de referência do petróleo R$/b US$/b 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2000 2001 2002 2003 2004 2005 40. na década de 30.2 115. a mistura de 5% do etanol à gasolina.5 28..8 .32 65.14 125.09 60. Os preços acima não servem de base para cálculo das participações governamentais.73 92.5 87.º 206/00.21 102.46 23.87 18. 28.76 103.55 47.74 23.5 88.36 23.7 26.65 75.79 28. 88. O governo decretou.21 42.º 9.96 73.26 51..99 28. em 1933.41 56.33 51.38 43.14 59. visto que são médias ponderadas apenas pelos volumes de produção por campo e não consideram as alíquotas de royalties e participação especial por campo produtor.87 24.23 A tabela 2 apresenta os preços médios do petróleo em alguns estados do Brasil.66 73. TABELA 2 .Preços médios de referência do petróleo.34 54.66 23.86 21.88 24.22 72.62 18.3 83.01 51..41 118.º 2.47 47.22 89. através da .88 49.62 114.36 66.57 .12 50..478/97.72 23..17 25.41 30.36 88.55 23.21 . no período de 2000/2005.7 20.07 21.4 40.91 19.88 23.41 69. o Decreto n.00 44.56 26. tendo como destaque os estados de São Paulo.46 25.05 . Somente estão listadas as Unidades da Federação que apresentaram produção de petróleo no período indicado.17 46.54 36.42 89.5 25.81 27. 28. A criação do Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA.52 28.78 35. conforme a Lei n.05 129.º 155/98 e n.14 115.76 75.96 21.85 30. numa tentativa de fortalecer a agroindústria canavieira.88 37.23 21. teve como objetivo.97 24.47 42..36 29.08 86.55 62.69 47.89 71.22 25.

O Pro-álcool que foi criado pelo governo . A partir daí. o preço do barril do petróleo.24 distribuição das cotas de produção entre os estados. 1994). a produção de petróleo cresceu constantemente e os preços. O conjunto das circunstâncias impôs a necessidade de transformações profundas do setor sucroalcooleiro do País. controlados pelas grandes multinacionais petrolíferas. No período de 1975/80. Em 1975. É o primeiro choque do petróleo. Por força da crise. melhoria da qualidade da matéria-prima. p. a primeira se define pelos grandes investimentos feitos na produção industrial do setor.18). através da modernização das destilarias existentes e implantação de novas unidades produtivas autônomas visando à ampliação da produção. No final da década de 70 e nos primeiros anos da década de 80. como tentativa de solução da crise do petróleo. fixação dos preços da cana. açúcar e álcool e a definição das políticas de subsídio à produção setorial (RICCI. que custava por volta de dois dólares. mas de dinâmicas distintas: Após o fim da Segunda Guerra. de acordo com Ricci (1994). o plano defendia aumentar a produção de álcool anidro a ser misturado à gasolina. a implementação de diversos programas estatais – o Programa de Racionalização e Apoio da Indústria Açucareira – PLANALSUCAR e o Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL levaram à reestruturação econômica do setor. aumentando sua capacidade de processamento mediante a modernização e expansão do parque industrial. No início da década de 70. 1994. o mundo se lança na busca de outras fontes de energia. Mas a partir de 1970. Em 1973. passa a valer onze dólares e sessenta e cinco cents. o governo lançou o Programa Nacional do Álcool – conhecido como Pro-álcool com o objetivo principal de reduzir a dependência externa de energia. ampliação do rendimento industrial e o aumento da produtividade de todo setor ( RICCI. como característica básica. A segunda etapa da modernização do setor se processou a partir do início da década de 80 e apresentou. passa a impor os preços no mercado. a cadeia sucroalcooleira passou por duas etapas complementares. O Pro-álcool foi implantado em duas etapas. já que as importações de petróleo agravavam fortemente a balança comercial do País. a Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP. a modernização parcial da agricultura. se mantêm estáveis.

é. desde o ano da criação.25 Geisel. adicionar álcool anidro à gasolina. no mundo. Para a economia brasileira. Porém. no final da década de 70. onerada com o aumento do preço do barril face a crise ocasionada pela OPEP. A finalidade era produzir álcool em alta escala para o processo de substituição de combustível. diminuindo a importação de petróleo e contendo os gastos com essa importação. . a partir de 1985. pois os usineiros redirecionaram a sua produção para o produto que oferecia maior lucratividade. reconhecidamente. para reduzir a importação de petróleo. está relacionado de forma significativa à indústria alcooleira. No início da década de 80 a produção de açúcar e álcool passou por uma fase de intensa mecanização que eleva o grau de desemprego. gerando uma grande expansão da produção brasileira de álcool sob os seus estímulos. Sua dinâmica é marcada pela intervenção do estado. A recuperação dos preços no mercado internacional de açúcar. com a gasolina. Esses estímulos fizeram com que os empréstimos ao setor fossem investidos em ampliação e modernização do parque produtor. responsável pelas maiores transformações relativas ao padrão tecnológico desta cadeia agroindustrial. uma importante iniciativa para substituir combustíveis fósseis por um combustível alternativo e renovável: o álcool carburante. Tinha como meta inicial produzir 3 milhões de m³ de álcool até 1980 – atingida em 1979. estabilizou a produção de álcool e ameaçou a continuidade do programa. cujo abastecimento nacional é fundamental para a indústria automobilística. O Pro-álcool tinha como objetivo. a atuação decorrente do Pro-álcool. de grande peso na determinação dos níveis de renda e emprego industriais do País. o Pro-álcool sofreu uma redução significativa nos investimentos destinados ao seu desenvolvimento. Ela recebeu investimentos em montante sempre crescente por parte do governo federal.

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Com a pouca oportunidade de absorção do álcool pelo mercado internacional, a saída para o problema de superprodução se fez pela ampliação do mercado interno, por meio do estímulo à produção e comercialização de automóveis movidos a álcool. A ampliação do mercado de veículos a álcool gerou novo ciclo de investimentos na indústria alcooleira, atraindo grandes grupos empresariais para o setor estendendo a produção para as demais regiões, além das tradicionais produtoras: Nordeste e Sudeste. A disseminação das novas variedades permitiu a incorporação de novas formas de gerenciamento e controle da produção canavieira nacional, bem como a mudança de novos critérios de determinação do preço da cana. O pagamento da cana por tonelagem foi substituído pela medição do rendimento industrial da matéria-prima através do teor de sacarose em 1983, estimulando mais ainda a modernização do sistema de produção do parque alcooleiro, com prejuízo para os usineiros que não modernizassem a sua produção. Para Ricci (1994), na primeira fase do Pro-álcool, a ampliação da produção de álcool decorreu da expansão nas zonas canavieiras tradicionais; São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais através da incorporação de novas áreas nas regiões produtoras; enquanto que, na segunda fase, ocorre a expansão da produção para outras regiões, algumas já dotadas de algum parque sucroalcooleiro: Paraná, Paraíba e Rio Grande do Norte, e outras sem qualquer tradição: Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Evidentemente, esta alteração na geografia da produção de álcool se reflete simultaneamente nas mudanças na distribuição do cultivo da cana-de-açúcar. Este processo se inicia em 1989, quando as exportações de açúcar deixaram de ser controladas pelo Governo Federal e passaram a ser realizadas diretamente pelos usineiros, ainda que permaneçam restrições relativas ao atendimento da demanda interna do País. Paralelamente, a demanda pelo álcool-combustível, artificialmente inflada pelo estímulo à

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produção e comercialização de veículos a álcool, foi se reduzindo e os subsídios para a produção alcooleira tornaram-se cada vez mais escassos. Em agosto de 1997, foi criado o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool – CIMA, que tem como prerrogativa, definir uma nova política pública de incentivo ao setor sucroalcooleiro. O CIMA é composto por sete ministérios e coordenado pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo que, a cada safra, vem fixando as quotas de produção e comercialização de açúcar e álcool das usinas e destilarias. O preço do álcool anidro foi liberado em 1997. O CIMA anunciou mais um corte de 65% no valor do subsídio pago pelo álcool hidratado aos produtores e a liberação dos preços do álcool e do açúcar. Mesmo assim, permanece autorizada a compra de 400 milhões de litros de álcool, a título de estocagem, um artifício para aquisição da produção excedente, e o pagamento de 25% da diferença sobre o preço da cana produzida no Nordeste. Atendendo a uma demanda do setor, o repasse de recursos, até então intermediados pelas distribuidoras, passou a ser feito diretamente do governo aos produtores (GAZETA MERCANTIL, 1999). Em conseqüência da escassez de recursos governamentais, a competição intrasetorial ampliou-se e os produtores ineficientes não vêm conseguindo manter a produção, enquanto os produtores modernizados permanecem buscando modos alternativos de operar eficientemente e reduzir os custos de produção. O movimento é de diversificação da produção, elevação da mecanização do cultivo, tanto no plantio como na colheita, e aproveitamento dos subprodutos da produção no processo produtivo. Ocorre também um novo processo de concentração no setor, com fusões, incorporações, aquisições e troca de terras entre empresas.

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Dentro das regiões brasileiras no período de 2000/2005, a região Sudeste toma destaque com uma grande produtora do álcool-combustível, saindo de 7.528,52 mil m3 no ano 2000 para 11.154,24 mil m3 no ano de 2005. Em segundo lugar fica a região CentroOeste com 1.104,12 mil m3 em 2000 para 2.146,91 mil m3 em 2005. A região Nordeste ficou como a terceira região mais produtora do período com 1.528,52 mil m3 no ano 2000 e passando no decorrer dos cinco anos para 1.695,56 mil m3, uma variação pequena mais positiva. (Ver tabela 3) TABELA 3 - Produção de álcool etílico anidro e hidratado, segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação – 2000/2005.
Produção de álcool etílico anidro e hidratado (mil m3) Grandes Regiões e Unidades da Federação Total Região Norte Amazonas Pará Tocantins Região Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Rio Grande do Sul 2000 2001 2002 2003 2004 2005 05/04 % 9.51 -0.04 28.64 -13.01 .. 1.20 -48.99 2.44 567.97 54.74 44.99 -4.24 -14.99 8.27 66.72 12.12 21.17 29.53 1.88 11.20 -15.50 -15.44 -30.79 19.44 49.88 -8.69 35.84

10.700.25 11.465.97 12.588.62 14.469.95 14.647.25 16.039.89 35.81 3.71 32.11 28.79 2.81 25.98 30.32 3.89 26.43 39.39 4.38 35.01 1.505.23 89.87 22.37 0.32 85.47 267.67 339.20 589.83 61.49 49.00 9.786.64 785.23 151.77 104.74 8.744.90 1.209.45 1.203.40 6.05 1.929.26 472.11 795.38 661.77 47.53 4.67 42.86 1.675.49 95.91 19.45 0.15 64.21 243.80 397.02 729.65 62.47 62.83 9.948.40 758.25 167.83 161.25 8.861.07 1.178.31 1.173.49 4.82 1.797.52 413.61 792.63 591.28 47.51 6.01 37.28 4.22 1.695.56 48.92 19.93 1.02 99.35 353.50 380.18 620.27 67.64 104.75 11.154.24 918.80 217.39 164.29 9.853.77 995.67 992.33 3.34 2.146.91 619.92 723.78 803.21

1.528.52 1.401.64 1.518.28 49.65 75.10 83.58 16.62 18.68 22.83 0.78 1.19 0.98 74.03 47.64 133.34 200.75 237.94 219.71 332.86 284.87 300.27 733.00 629.31 639.22 55.53 52.36 59.18 65.30 54.56 59.18 7.202.72 7.753.90 8.551.82 488.27 522.15 558.41 150.90 131.03 152.30 90.97 62.95 106.59 6.472.57 7.037.78 7.734.52 829.07 826.07 3.00 937.42 932.12 5.31 974.95 968.54 6.41

Região Centro-Oeste 1.104.12 1.344.21 1.513.27 Mato Grosso do Sul 320.81 384.65 422.64 Mato Grosso 466.38 580.13 657.82 Goiás 316.94 379.43 432.80 Fonte: MA/SPC/DAA, 2005.

Evolução da Produção do Álcool – Brasil 1994/95 a 2005/06.458 de m3. seja. com crescimento de 4.517. TABELA 4 . nos primeiros anos do século XXI. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 .635. que passou a produzir um total de 10. Isto corresponde a uma variação de 44 % no período 2000/2005.8 %a. uma taxa de 8.Produção do Setor Sucroalcooleiro – Brasil 1994/95 a 2005/06 Fonte: DCAA/SPAE/MAPA (*) Valores na posição de 01/05/05 GRÁFICO 1 .a.923 de m3.535 m3 no ano 2000 para 15. em 2005.29 3.1 A Produção de Álcool no Brasil por Regiões Apesar de a crise que se abateu sobre o mercado de álcool hidratado. os dados da Tabela 4 indicam crescimento da produção brasileira de álcool.153.

a produção de álcool hidratado foi sendo reduzida nos anos 90. GRÁFICO 2 . de 10. que teve evolução nos anos 2001/2002 até 2003/2004 e uma queda na produção nos anos 2004/2005. A queda da produção do álcool hidratado foi menos intensa na região Centro-Sul.3 A Produção de Álcool Hidratado Em conseqüência da diminuição do mercado de automóveis movidos a álcool. A evolução tem destaque para a safra 2003/2004. ou seja. e na maioria dos estados. a queda da produção de álcool hidratado atingiu 23%. Em 2000. num percentual de –7%. Dos anos 90.239 milhões de m3. chegando a produzir menos que 5.486 milhões de m3. tendo uma reação na evolução a partir dos anos . a produção total de álcool hidratado foi reduzida em cerca de um milhão de m3 caindo 9%.30 3.Evolução da Produção do Álcool Anidro – Brasil 1994/95 a 2005/06.5 milhões de m3 como mostra o gráfico 3.735 milhões de m3 para 9. Já na região Norte-Nordeste.124 milhões de m3 para 8.2 A Produção de Álcool Anidro O aumento da produção total de álcool no Brasil deve-se à produção de álcool anidro. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 3. iniciou-se uma fase deficitária. passando de 9. tanto no âmbito nacional quanto na esfera das regiões.610 milhões de m3 para 1.726 milhões de m3. entre as safras 91/92 e 97/98. passando de 1.

O preço do álcool hidratado na usina (sem impostos) havia subido 108. seguindo tendência inversa. Bahia e Sergipe. Em outros estados. a produção de álcool hidratado vem se elevando nos estados do Rio Grande do Norte. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificante – FECOMBUSTÍVEIS. No Ceará. Em 2005 a alta foi de 29. comparado com a média de 2001 a 2004. um taxa de 6.31 2003/2004 até a produção na safra 2004/2005. chegando a atingir aproximadamente 7.75%.8% a.70/litro e na região Sudeste R$ 1. a produção de álcool hidratado oscilou bastante e. do hidratado para o anidro. na região Centro-Oeste o preço do litro do álcool hidratado atingiu R$ 1. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 No final de 2005.4 milhões de m3.a . ocorreu redução da produção. que tem sido uma trilha traçada pelos .8%. GRÁFICO 3 .Evolução da Produção do Álcool Hidratado – Brasil 1994/95 A 2005/06. o consumo do álcool hidratado na região Centro-Sul no início de 2006 caiu 40%. Com isso.47/litro. os dados indicam claramente a tendência de conversão da produção de álcool-combustível. Isso corresponde a uma variação de 34% no período 2000/2005.

. A conversão do álcool hidratado para o anidro vem se dando nas diferentes regiões e na maioria dos estados.32 empresários da cadeia. Veja na Tabela 5 a evolução dos dados. referente à safra 05/ 06. na tentativa de aproveitar as melhores oportunidades que o mercado oferece.

.Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira por Regiões do Brasil – Safra 2005/2006 Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/05/2006. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .33 TABELA 5 .

0. o Brasil desenvolveu tecnologia de motores e logística de transporte e distribuição do produto único no mundo. e centrando-se as políticas econômicas internas na contenção de tarifas públicas. A partir de 1980.4% da produção das montadoras. que acompanha o crescimento da frota brasileira de veículos leves.09% em 98.02% em 2001. há determinação legal no .06% em 97. motores especialmente desenvolvidos para o álcool hidratado. afastada a crise do petróleo. Hoje. os carros a álcool respondiam por 94. 0. num percentual de 20%. Mesmo com a existência de álcool nas usinas. para estabilizar a inflação. com sucesso. após o segundo choque do petróleo. o governo – por omissão ou falha operacional – não foi capaz de resolver os problemas logísticos e provocou uma crise localizada de abastecimento em 89. passando depois a 22%. que reclamava de excedentes na produção de gasolina.69% em 2000 e 1. o governo contribuiu decisivamente para o início de uma curva descendente de produção de carros a álcool: o desestímulo à produção levou a relação muito justa entre oferta e demanda do produto no final dos anos 90. ainda adaptações dos modelos à gasolina. Em mais de 25 anos de história de utilização do álcool em larga escala. 10% em 90. para alívio da estatal brasileira de petróleo. Em 1984. 0. Desde 1986. A indústria automobilística começou a inverter a curva da produção de carros a álcool. no entanto. Segundo a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo – ÚNICA (2005) a queda da demanda de álcool hidratado foi compensada pelo maior uso do álcool anidro. 0. mas que.92% em 99.44% em 96. surgiu. como aditivo à gasolina (álcool anidro). o álcool passou a ser usado para mover veículos cujos motores o utilizavam como combustível puro (álcool hidratado). não tinham desempenho adequado.34 A utilização em grande escala do álcool no Brasil deu-se em duas etapas: inicialmente. 0. Com o desenvolvimento ativo da engenharia nacional. A participação anual caiu de 63% da produção total de veículos fabricados em 88 para 47% em 89.

entre outros. apenas a partir da década de 70. em todo o mundo. A definição pontual cabe ao CIMA. a redução de dependência externa de petróleo e melhoria da balança comercial. como a melhoria da renda rural. veio seguindo a lógica da substituição das fontes então utilizadas por outras mais práticas e rentáveis (da lenha ao carvão. o etanol provoca em países como o Brasil. Na prática. a reconhecida capacidade de distribuição desses efeitos na cadeia produtiva sucroalcooleira. com variação de mais ou menos 1%. Além do foco ambiental. A associação entre o meio ambiente e o desenvolvimento. 2005). 20% da frota nacional (ÚNICA. impactos econômico-sociais de primeira grandeza. do carvão ao petróleo).4 Álcool como “Commodity” Internacional (Questão Ambiental) A evolução da produção e uso dos combustíveis. um exemplo que vem sendo seguido e debatido em países e em reuniões internacionais. a geração de empregos em larga escala. com impacto global em termos ambientais. 3. para abastecer cerca de 3 milhões de veículos.35 sentido de que toda gasolina brasileira contenha de 20 % a 24% de álcool anidro. com bombas de álcool hidratado. até avançar na procura de caminhos onde o objetivo passou a ser a sustentabilidade do uso da energia. é que a questão do desenvolvimento sustentável veio sendo tratada em reuniões internacionais. A ação local. e é feita de modo a equilibrar a relação entre oferta e consumo. onde a produção e o uso de energia renovável têm importância fundamental. faz do álcool um produto de extrema importância para a rápida resposta que o mundo deve dar às reduções de emissões dos gases do efeito estufa. O Brasil desenvolveu infra-estrutura ímpar de distribuição do combustível e detém uma rede de mais de 25 mil postos. A experiência em larga escala da produção e uso do etanol no Brasil é. levou à valorização da biomassa para esse fim. sem dúvida alguma. .

o anseio ambiental do mundo e o protocolo de Kyoto são fontes de sustento para a expansão do consumo do álcool. e o etanol brasileiro é o mais barato do mundo e a produção é feita em larga escala. com isso. “Energia é essencial para o país ocupar um patamar de competitividade nas próximas décadas”. calcula que se o problema de escoamento fosse solucionado. Nesse contexto. Parceria no ano de 2006 entre o governo estadual de São Paulo e a Assembléia Legislativa e iniciativa privada juntaram-se para promover o álcool-combustível à condição de “commodity” internacional. o Brasil está numa posição privilegiada. valendo ressaltar a importância de se fazer. salutar caminho de desenvolvimento local e global. Dilma Rousseff. Segundo a ministra. o aumento da quantidade de países produzindo o álcool como combustível.36 A propagação da produção e do uso do etanol nos vários países é. oferece segurança para o mundo inteiro adotar e intensificar o uso de etanol nas frotas de veículos. Espera-se. geralmente agrícola ou mineral. Segundo o Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool. A ministra afirma que o Brasil está pronto para fornecer etanol para o mercado mundial e coloca que no início do Pro-álcool existiam algumas falhas como o alto custo do produto e a não garantia de abastecimento. A última ação dos poderes Legislativo e Executivo de São Paulo para facilitar a exportação é a redução de 25% para 12% da alíquota de ICMS incidente sobre o combustível. Luiz Carlos Carvalho. 1 . esses problemas estavam resolvidos. do álcool carburante. Existem bolsas de valores específicas para negociar commodities como café. Alguns pontos são essenciais para a consolidação desse objetivo. o país conseguiria oferecer preços entre US$ 40 a US$ 50 Commodity: palavra inglesa que significa mercadoria. uma “commodity”1 ambiental internacional. No final de 2005. de grande importância econômica internacional porque é amplamente negociado entre importadores e exportadores. um maior incentivo do governo estadual ao setor sucroalcooleiro. De acordo com a ministra-chefe da Casa Civil. Se tem custo de produção competitivo o Brasil peca pela falta de condições logísticas. de forma relevante. petróleo etc. soja. Mas no mercado financeiro é utilizado para indicar um tipo de produto. algodão.

31p. (2005) O número é superior ao ano anterior.31 0. em 2003.Custo do Etanol O custo de produção de etanol BRASIL (cana-de-açúcar) EUA (milho) FRANÇA (beterraba) Fonte: Revista ALCOOLbrás – Nov. US$/litro 0. Até 2008.23 0. . que prometem proteger os seus produtores de milho. QUADRO 1 . a frota nacional de flexíveis chegará a cinco milhões de unidades. Se o ritmo atual de vendas persistir nos próximos quatro anos.9% do mercado de veículos leves – no acumulado de 2005 o flex-fuel responde por 51./Dez. Em novembro de 2005. segundo o CBIE. Caso dos EUA. 84 mil.5 bilhões de litros – o consumo da gasolina deve cair 0. 2005. No ano de 2005.6% dos carros novos vendidos no Brasil. os bicombustíveis devem chegar a 100% do mercado nacional de veículos zero quilometro o que deve elevar o consumo de álcool no ambiente interno em 1. em 2003. estima Pires (2005).37 por metro cúbico.1% ao ano até 2010. Nos dados do quadro 1.50 A resistência da sociedade ao uso de combustíveis e tecnologias poluentes é um dos aspectos que reforça o processo de diversificação da matriz energética e a redução da importância do petróleo. mostra o caminho da exportação que também reserva ao Brasil obstáculos impostos por países desenvolvidos. as vendas de carros flex representaram 70. A venda de veículos flex-fuel registra crescente verticalização desde quando foi lançado pioneiramente pela Volkswagen no Brasil. quando foram vendidos 383 mil. as montadoras venderam mais de 1 milhão de unidades no mercado nacional – segundo a Anfavea. E. e da Europa – o continente favorecendo os produtores de beterraba.

2000/2005. mês de levantamento dos Veículos flex-fuel (FFV). 2003/2005.4% da produção interna total de automóveis movidos a álcool etílico hidratado carburante.38 GRÁFICO 4.883 % 49. 2001 18. Automóveis e comerciais leves a álcool (unidades vendidas) TOTAL 2000 10. ou como álcool anidro (AEAC).5 Em março 2003. . implementado em escala comercial no final dos anos 70. QUADRO 2 . Desde então. em carros a gasolina. com adição média variando de 20% a 25%. em carros 100% movidos a álcool.335 2002 55.Nov.Vendas de Veículos a Álcool no Brasil. Com a desaceleração do Pro-álcool durante os anos 90.3% Participação mercado de leves Fonte: Revista ALCOOLbrás . a produção de etanol se manteve graças à mistura do álcool etílico anidro carburante na gasolina. responsável por mais de 66. 2005. supremacia na geração e difusão de tecnologias da cadeia açúcar/álcool de cana. usa o álcool-combustível. Com o Pro-álcool. durante alguns anos. 2005. Os avanços tecnológicos continuaram e o Brasil detém.6% 21. Considerado um programa bastante eficaz e de grande sucesso mundial foi.292 Fonte: ANFAVEA. hoje.558 2004 379.5 O Brasil como Precursor e Difusor do Uso do Álcool Carburante Desde a década de 20.961 2003 84. Vendas (em unidades) 2006 2005 2004 2003 2002 1 milhão 383 mil 84 mil 2005 2004 2003 2006 2005 2004 2003 2002 51. Dados referentes até out. 3. cujo crescimento compensou a queda no consumo de álcool hidratado (Gráfico 5)./ Dez. Vendas e participação no mercado de leves de veículos flex. o Brasil. o álcool da cana é usado como combustível no país de duas maneiras: como álcool etílico hidratado carburante (AEHC).6% 0.328 2005 650. 2005. foi pioneiro na efetiva substituição da gasolina em meio à crise dos preços do petróleo.

o que exigia um complexo sistema de regulamentação para a garantia de sua estocagem e oferta. Fonte: DAA/SPC/MAPA (*) Valores na posição de 01/09/04. universidades. GRÁFICO 5 – Evolução do Consumo de álcool anidro e hidratado de 1994/2004 Unidade: bilhões de litros/ano. Nesse contexto. institutos de pesquisa e governo). a desaceleração do programa nos anos 90 representou a significativa diminuição da frota de carros 100% a álcool e a desestabilização conjuntural do modelo. A conservação dinâmica da oferta e o consumo brasileiro do álcool carburante viram-se sempre pressionados pela competição oscilante dos preços internacionais do petróleo e tendências de atratividade da “commodity” açúcar.39 São crescentes os esforços em pesquisa e desenvolvimento tecnológico em todos os elos da cadeia (empresas privadas. .

Para que o seu uso se faça em condições internacionais. é necessário não somente produzi-lo . em face dos impactos do aquecimento do planeta. inclusive já contando com interesses e experiências do uso do álcool em mistura. principalmente por essa queima.700 109/98 903 420 9 Fonte: Goldemberg e Macedo. gasolina. Os contratos futuros de álcool-combustível tiveram seu “début” em grande estilo na Nybot (New York Board of Trade). como ocorre entre outras “commodities” como petróleo. A importância do etanol na estrutura de produção e no consumo de combustíveis surge no cenário internacional.e ter a sua especificação para uso é fundamental -.40 As principais propriedades da gasolina e do álcool estão indicadas na Tabela 6: TABELA 6: Propriedades e características dos combustíveis GASOLINA Calor específico (kJ/kg) Número de octano (RON/MON)* Calor latente de vaporização (Kj/kg) Temperatura de ignição (ºC) Razão estequiométrica Ar/Combustível 34. Já existe uma mobilização para consolidar o álcool como primeira alternativa de combustível renovável limpo. Isto é. Uma caravana de . Essa proposição encontra-se na ordem do dia em vários países. pois os efeitos ambientais decorrentes da queima de hidrocarbonetos fósseis vêm criando uma série de externalidades negativas. é preciso haver mecanismos que assegurem a estabilidade de preços e a garantia de abastecimento. que é condição essencial para que se tenha uma referência de preços.5 ETANOL 26. açúcar etc. que ameaçam desestabilizar o meio ambiente. como também ter os mecanismos de mercado para tanto.1994.900 91/80 376 ~ 502 220 14. o Brasil foi o primeiro a ter uma Bolsa com contrato futuro do etanol (BM&F). no dia sete de maio de 2004. Dos vários países produtores.

5 bilhão de litros. que adquiriram cerca de 25% da produção brasileira com o objetivo de diminuir a pressão da alta dos combustíveis fósseis. Entre os principais clientes do álcool brasileiro até novembro de 2004 destacaram-se os EUA que.6 Exportação de Álcool no Brasil As exportações de álcool aumentaram 277% em 2004. com embarques adicionais no período de janeiro a abril de 2005 de 0. O principal mercado do álcool nacional foram os países asiáticos. com as exportações de açúcar e álcool chegando à cerca de US$ 3 bilhões. em cumprimento à exigências do Protocolo de Kyoto. Os negócios nesta bolsa são do tipo álcool anidro desnaturado. mostrando-se altamente poluente. As exportações de álcool na região Centro-Sul. Foram também significativas as vendas para o Estados Unidos. Segundo a ÚNICA(2005) no Brasil as exportações de álcool atingiram na safra de 04/05. No ano de 2003 predominou o embarque do etanol combustível.4 e 2.41 produtores brasileiros participou do evento. entre compras diretas e via Caribe – região beneficiada com tarifa zero até um determinado volume pela Caribbean Basin Iniciantive . 3. atingiram 1. que compraram cerca de 42% produzido a partir do metanol – que substitui. em muitos países. passando o álcool a ter uma cotação diária.146 bilhões de litros. totalizando 2.6% da produção de álcool no Brasil e foram motivadas pelas questões ambientais. As vendas para o mercado externo correspondem a 12.5 bilhões de litros. isso comparados ao ano anterior. foi exportado até dezembro de 2004 o volume recorde de 2.4 bilhões de litros de etanol. no período de maio/dezembro de 2004. Dados da balança comercial mostram o volume do produto embarcado em 2004. o chumbo tetraetila como antidetonante do combustível.25 bilhão de litros. De acordo com números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). um volume entre 2.

421 270 6. Levantamento Out/2005.491.052 4.502. Levantamento Out/2005.542) 376.703) JAN a SET/2005 ton mil U$$ 1.511. .964) 536. Produto Álcool Derivados 2003 ton mil U$$ 593.421 JAN a SET/2004 ton Mil U$$ 13.423 (2.518.262 504.052 (6. QUADRO 3 .958 536. além do imposto de importação de 2.321 milhões.486 540.926.348 milhões e 112. QUADRO 5 . 2003-2005.518.502.654 235 4.623 173 9.634 3.025 165.929.150 303 16.155 4. respectivamente.920 384 Álcool Carburante 600.496 2.746 1.419 FONTE: CONAB.151 JAN a SET/2005 ton mil U$$ 9.905 4. em expansão devido à forte demanda pelos veículos “flex fuel”. incidindo sobre o nosso produto a sobretaxa de US$ 0.202 (10.117 294 12.737 157.812 156.497 2.304 535.281 383.635 (1.584) 495.740 6.912.089 6.078) JAN a SET/2004 ton mil U$$ 1.925 4.932 378.Importações Brasileiras de Álcool.711 1.846 8.823 6.937 FONTE: CONAB.064) 158.5%.460 2004 Ton mil U$$ 17.465 5.963 11.448 JAN a SET/2005 ton mil U$$ 1.900 FONTE: CONAB.504.42 (CIB) um volume significativo para o Brasil.083 497. na Holanda.777 1. Produto Álcool Álcool Carburante Derivados 2003 Ton Mil U$$ 16. No ano de 2005.315 2004 Ton Mil U$$ 1. 2003-2005. o porto de Rotterdam.330 (13.738 317 8. O Japão ficou com 158. recebeu 207.451 4. Levantamento Out/2005.Saldo da Balança Comercial de Álcool.775 2004 Ton mil U$$ 1.936 milhões de litros.343 JAN a SET/2004 ton mil U$$ 1.54 por galão.925 1.520.224 2. enquanto a Nigéria e Coréia do Sul responderam por 126.962 7.660 1. A Índia adquiriu 400. Produto Álcool Derivados 2003 Ton mil U$$ 609.803 Álcool Carburante 605.152 milhões de litros.873 (7. o setor manteve as exportações de álcool nos mesmos patamares que no ano de 2004 e teve uma boa produção para abastecer o mercado interno. QUADRO 4 .353 378. 2003-2005.896 1.345 497.885 milhões de litros do produto para o uso industrial.926.Exportações Brasileiras de Álcool.087 1.

PROINFA. de 30 de agosto de 2002.353. Para consolidar o uso do álcool carburante no mercado interno o setor privado tem realizado maciços investimentos em atualização tecnológica nos processos de produção canavieira e na fabricação do álcool. o governo vem atuando em três frentes que considera prioritárias para consolidar e ampliar o consumo potencial do etanol no mercado interno. como se fossem movidos a álcool hidratado. cooperação internacional e identificação de oportunidades. É possível contar ainda com sólida estrutura empresarial na oferta de bens de capital para o setor e com o contínuo processo de aperfeiçoamento e desenvolvimento de novas máquinas e equipamentos. A Lei 4.438. de 26 de abril de 2002. A classificação para efeito do IPI. da energia elétrica obtida da co-geração a partir do bagaço da cana.43 3. e marcantes ganhos de eficiência no complexo da indústria sucroalcooleira a partir do uso da energia gerada pela queima do bagaço. iniciando a ampliação sustentada e abrangente do mercado internacional. que criou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica . sintetizadas em medidas de ampliação de consumo interno e garantia de abastecimento. A Lei 10. dos veículos com combustível flexível (álcool hidratado x gasolina em qualquer proporção). pelas concessionárias. . Em complemento ao esforço que vem sendo desenvolvido pelo setor privado. garantindo a compra. institui medidas que reforçam todo o processo de estocagem e aquisição de estoques reguladores do álcool combustível e os mecanismos de financiamento ao agro-negócio sucroalcooleiro.7 Iniciativas do Setor Privado e do Governo Brasileiro para Incentivar o Uso do Álcool Carburante.

8 Alguns Obstáculos e Potencialidades da Produção de Álcool-Combustível no Cenário Nacional Mesmo com o aumento da frota de automóveis. A burocracia colocada frente aos pedidos de exportação de álcool é motivada pelo crescimento das vendas externas do produto. 2000). para que os veículos novos pudessem ser otimizados para a mistura álcool-gasolina (MURTA VALLE. . O governo estabeleceu um forte controle do processo de desembaraço do produto para o exterior. um programa de pesquisas que tinha como objetivo avaliar o impacto do aumento do teor de AEAC de 13% para 22% v/v. A PETROBRÁS iniciou. O cumprimento deste último teor não era obrigatório. Seria uma forma de combater os reajustes no preço do combustível e evitar que haja desabastecimento no mercado interno.ANFAVEA. este desenvolvimento não era suficiente para consumir todo o álcool produzido neste período. 3. sem alterar as regras de comércio internacional. em 1984-1985. apenas uma sugestão como limite máximo aceitável. Também partiu do governo a idéia de segurar as exportações como uma espécie de intervenção branca. Em 22 fevereiro de 2006 foram adotadas pelo governo duas medidas: a queda de 25% para 20% da mistura de álcool anidro à gasolina e a redução de 20% para zero do imposto de importação de álcool. exigindo o estabelecimento de um teor fixo e constante em longo prazo. Provocou uma reação imediata da indústria automobilística representada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores .44 O Governo vem adotando uma ferramenta burocrática para segurar e desestimular as exportações de álcool-combustível. O valor exportado saltou de US$ 63 milhões no primeiro bimestre de 2005 para US$ 102 milhões nos dois primeiros meses de 2006. A demora na liberação das operações pelo Ministério do Desenvolvimento faz parte de um conjunto de medidas tomadas para aumentar a oferta do combustível no mercado interno.

o Brasil conta com algumas vantagens: como ampla mão-de-obra. todos os setores envolvidos (GIANNINI. em segundo lugar. estimando-se em 1. onde 60% da produção é consumida pelo mercado internacional. todos os envolvidos neste processo são unânimes em assumir que a adição de etanol nos combustíveis foi um avanço. descentralizando os investimentos dos grandes centros urbanos para o interior. Contudo. Bons exemplos deste movimento são algumas cidades do interior do estado de São Paulo. 2000). de soja. ainda é o segmento que mais empregos oferece. em primeiro lugar. Além de ajudar a fixar o trabalhador menos qualificado no campo. Apesar de a divergência de opiniões. mas também de frutas cítricas. 2005). o emprego de etanol como combustível está longe de ter uma política definida. a fatores como a capacidade de reduzir a importação de 200 mil barris de petróleo por dia. por ratificar a substituição do chumbo tetraetila da gasolina (em 1988). possui solo favorável e um menor custo de produção que os demais países exportadores.45 A seriedade deste Programa para o País deve-se. entre outras (GIANNINI. 2000). e os demais 40% são absorvidos pelo comércio interno (Cepea/Esalq/Usp. Embora haja um crescente aumento da mecanização das lavouras.2 milhões de veículos e contribuir com 16% da matriz energética renovável do país além de ter possibilitado o desenvolvimento de tecnologia nacional de carros movidos a álcool. movimentar uma frota de 4. 2000). altera a direção dos vetores de crescimento econômico. mesmo após mais de duas décadas. por sobrecarregar. CO e particulados e.04 milhão de trabalhadores ligados ao setor. não só sucroalcooleira. primeiro por promover a redução nas emissões automobilísticas de enxôfre. como Ribeirão Preto e Piracicaba. como “booster” de octanagem. Para manter a produção de álcool. devido a questões ambientais (MURTA VALLE. No ano de 2005. que cresceram movidas pela força de sua agroindústria. o setor alcooleiro do Brasil tornou-se o maior exportador de álcool. Com relação ao custo da . no interior do Brasil. de uma forma ou de outra.

. O problema pode ser reduzido selecionando-se horários otimizados para a queima e de acordo com direção dos ventos ocorrentes. a cana-de-açúcar é queimada em quase todos os países aonde ela é produzida. no mínimo. o desenvolvimento do mercado de energia para estes resíduos é. um incômodo às pessoas. Mesmo assim. como em outros países. é vista como. eliminando assim a necessidade da queimada.9 Impacto da Queima da Cana na Poluição do Ar Apesar de a preocupação generalizada. Um procedimento alternativo é colher os resíduos da cana-de-açúcar (folhas verdes e secas e os topos) para a geração de energia. elimina os resíduos e acelera o preparo do solo e o replante. e como tal. a queima da cana produz uma grande quantidade de fumaça. o segundo está no Centro-Sul. A queima antes da colheita (aonde as folhas secas são incineradas) é feita para garantir o controle de pestes e reduzir os custos da colheita. No Brasil. A queima após a colheita (o topo da cana e as folhas verdes remanescentes). e o terceiro está no Nordeste.46 produção brasileira. A análise da cana queimada no Havaí mostra que nenhum problema de saúde até agora pode ser imputado à prática da queima. provavelmente. as preocupações com a poluição do ar são estimuladas pelo grande número de áreas plantadas com cana-de-açúcar localizadas nas proximidades das áreas urbanas. Na realidade. que envolve uma quantidade menor de matéria. o primeiro menor custo encontra-se no estado de São Paulo. a melhor maneira de desenvolver as tecnologias que são necessárias para colher a cana verde e estes resíduos de forma mais eficiente. ela é feita apenas algumas horas antes da colheita. 3.

Além disso. aditivos como chumbo tiveram seu uso reduzido à medida que a quantidade de álcool na gasolina aumentava e eles foram totalmente eliminados em 1991. O Gráfico 6 mostra a produção total do álcool no Brasil desde a safra 94/95 a 2004/2005 a partir de dados visuais comparam a evolução do álcool anidro em relação à oscilação da produção do álcool hidratado. Em conseqüência. argumentar que o acetaldeído proveniente do uso do álcool é menos agressivo à saúde humana e ao meio ambiente que o formaldeído produzido quando da combustão de gasolina.47 3.07g/km em 2000. o uso de etanol viabilizou de uma forma indireta a introdução dos catalisadores no Brasil. as emissões de monóxido de carbono foram drasticamente reduzidas: antes de 1980. Pode-se. Sem essas ações. quando a gasolina era o único combustível em uso. entretanto. devido ao alto nível de enxofre na gasolina brasileira os catalisadores seriam contaminados rapidamente. em particular São Paulo. carros equipados com catalisadores teriam encontrado dificuldades. Uma das desvantagens do uso do etanol puro é o aumento na emissão de aldeídos quando comparado com a gasolina ou a mistura gasolina/etanol. Os hidrocarbonetos aromáticos (tais como benzeno) que são particularmente tóxicos foram também eliminados e o conteúdo de enxofre da gasolina foi também reduzido. as emissões de CO eram superiores a 50g/km. . Inicialmente. e elas foram reduzidas para menos de 0.10 O Impacto dos Motores a Álcool na Poluição do Ar A introdução da mistura gasolina/álcool teve um impacto imediato na qualidade do ar das grandes cidades. Nos automóveis a etanol puro a emissão de enxofre foi eliminada trazendo um dividendo duplo.

48 GRÁFICO 6 – Produção Brasileira de Álcool – 1994 a 2005. Unidade: m3 FONTE: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro. Maio/2005 .

Essa crise agravou-se recentemente por circunstâncias conjunturais adversas ao setor. Para uma melhor compreensão da atual situação da atividade canavieira no Nordeste no período de 2000/2005. e outros fatores. Com a extinção do IAA. direta e indiretamente vinculados à atividade.000 trabalhadores. faz-se necessário ter conhecimento panorâmico do desenvolvimento setorial nos últimos anos. Tais problemas acarretam desequilíbrios econômicos e sociais. os problemas da cadeia produtiva sucroalcooleira são questões relevantes não só pela participação da produção de açúcar e álcool no produto regional como. com uma completa desregulamentação. como: o fechamento de unidades industriais. queda da arrecadação de tributos nos estados e municípios. e. a irregularidade nos repasse de recursos do Programa de Equalização dos Custos de Produção da Cana-de-açúcar no Nordeste.500. conseqüentemente o aumento do desemprego e da pobreza na zona da mata canavieira. desprovida de um período de transição e adaptação.000 fornecedores de cana. cujo fenômeno vem se repetindo com maior freqüência e intensidade no Nordeste. para as mudanças ocorridas no modelo de gestão setorial. o setor agro-industrial canavieiro nordestino enfrentou uma crise econômico – financeira envolvendo cerca de 1.49 CAPÍTULO 4 OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO REGIONAL Para a região Nordeste. com destaque. também pelo impacto sobre o emprego. sem considerar as cinco capitais insuladas na região. 92 unidades industriais e aproximadamente 20. compatíveis com as modificações introduzidas: a seca. composta por 228 municípios com uma população superior a 10 milhões de habitantes. . processo que teve início no final da década de 80 e foi concluído no Governo Collor em 1990.

mas também um ambiente sócio-econômico pouco adaptado às regras do jogo capitalista. o álcool chega a ser vendido com preços de 40% a 45% menores.000 hectares. 2005). oscila em torno de US$ 70 o barril . e de 69% de usinas e 31% de fornecedores em 2004/05. 67% de usinas e 33% fornecedores de cana na safra 2003/2004.50 A área ocupada com a cana no Nordeste é de aproximadamente 1. em geral vêm aumentando os problemas de endividamento e de competitividade em cuja origem encontra-se o paternalismo e a política oficial.33 toneladas por hectares (3 últimas safras). em relação à gasolina. O motor a álcool tem um consumo maior por quilômetro rodado. Em algumas regiões brasileiras. além de enfrentar problemas específicos. Diante . Com o aumento do preço do petróleo – que segundo pesquisa o nível atual do preço do petróleo.000. podendo ser obtido de outros vegetais. As empresas produtoras de açúcar e álcool. O Álcool também tem suas desvantagens na região. como o vinhoto. o quadro de dificuldades econômicas vem sendo agravado. ao contrário do petróleo. No Nordeste o setor agroindustrial do açúcar e do álcool tem resistido historicamente a variados maus tempos e passado também por alguns períodos. correspondendo hoje a 50 milhões de toneladas de cana. O custo do álcool operacional é menor e menos poluente e é produzido a partir cana-deaçúcar. como na geração de dejetos poluentes utilizados na fertirrigação. mesmo que menos freqüentes. com as mudanças institucionais associadas à desregulamentação do setor. de prosperidade. o álcool tem um impacto benéfico em relação aos gazes do “efeito estufa” e quando adicionado à gasolina. mas comercializado até 30% abaixo do preço da gasolina. uma fonte renovável. Nos últimos anos.(OPEP. sendo. além de gerar sazonalmente empregos na região. é reduzida a emissão de CO (monóxido de carbono). sendo o rendimento agrícola médio de 53. por litro.

desde o início da colonização do País. ou seja. por outro lado. Ao longo de sua história esta atividade tem sido marcada por períodos de prosperidade. embora em menor grau. facilidades de crédito. Destaca-se que. sejam estas de ordem conjuntural ou mesmo estrutural. entremeados por fases de dificuldades. mesmo usufruindo tratamento diferenciado em seu favor.1 Visão Geral do Setor Sucroalcooleiro A atividade canavieira. até mesmo após a extinção do IAA. enquanto emperram as mudanças tecnológicas e gerenciais que poderiam contribuir para um equilíbrio sustentável no quadro evolutivo da mesma. reserva de mercado etc. A concentração. o conservadorismo e a lentidão de transformações tecnológicas e gerenciais têm também caracterizado a evolução do setor nesta Região. 4. exibidos pelo segmento localizado no Sul/Sudeste do país. na direção de padrões mais contemporâneos de eficiência do uso de recursos produtivos envolvidos. entre outros. principalmente no estado de São . Por outro lado. Resultou daí medidas que contribuíram para transferir para o setor recursos significativos em forma de subsídios. Em função desses fatores. e seu processamento industrial ocupam economicamente a Zona da Mata do Nordeste. o setor sucroalcooleiro nordestino vem perdendo posição a nível nacional. para o que concorreu sobremaneira o maior nível de eficiência e a maior proximidade do mercado consumidor. várias empresas já fecharam ou sobreviveram às duras penas e as perspectivas de reversão dessa cena mais recente não parecem muito prováveis.51 disso. é também marcante no mesmo a articulação de produtores (usineiros e fornecedores de cana) para reivindicar do Estado a adoção de medidas protetoras que lhes facilitasse a superação de dificuldades. vem sendo mantido o caráter concentrado da atividade.

operam fatores relevantes como melhores condições físicas. O ambiente econômico também pesa por ser mais estimulador de mudanças tecnológicas. planos e climas propícios. em geral é de estagnação e queda na maioria dos estados. de 2. Onde há maior pluviosidade observam-se solos mais íngremes.388. onde um círculo vicioso se instalou. A maior lucratividade do segmento. que é . para referir o comportamento médio do empresariado. Mesmo assim esses fatores não explicam tudo. tendo a produção de cana no ano 2000 crescido 22%. fechando o círculo virtuoso que leva ao crescimento. na safra 2004/2005. O conservadorismo e a menor preocupação com a adoção de avanços tecnológicos dirigidos à redução de custos.52 Paulo. mesmo que pouco expressiva. havendo nas regiões mais planas muitas deficiências pluviométricas. No Nordeste.677 mil t. que provocou inclusive uma mudança no perfil de uso da cana produzida. O maior dinamismo da produção no Centro/Sul tem raízes em fatores intrínsecos àquela região.270 mil t para 2. enquanto a estagnação do Norte/Nordeste também tem suas características especificas. as condições físicas apresentam-se menos favoráveis com solos diclinos e chuvosos às vezes insatisfatórios. comportamento que é ligeiramente destoante apenas no caso do Rio Grande do Norte onde ocorre alguma expansão. No Norte/Nordeste. No geral. ou seja. com maior esforço de pesquisas que se traduzem na adaptação e introdução das variedades de cana mais produtivas. no Centro/Sul. menores custos agrícolas etc.917. tem sido mantida e intensificada essa tendência de perda de posição. também fazem a sua parte nesse quadro de estagnação. encoraja mais investimentos em busca de maior eficiência. por sua vez. Nas últimas décadas do século XX. Alguns fatores ligados à política econômica também influenciaram essa dinâmica diferenciada. A favor. solos férteis. o crescimento do setor nas últimas décadas deveu-se ao Pro-álcool.

868 m3. sendo 317. contribuindo para rebaixar os índices regionais de produtividade.716 m3 de álcool . muitas dessas áreas continuam utilizadas com cana. mas também o mercado externo antes praticamente cativo ao produtor do Nordeste. substituindo-o por um regime de alíquotas diferenciadas do IPI (18. sendo 396.385 m3 de álcool hidratado.449 m3 de álcool anidro e 410.513 m3 de álcool anidro e 244. preços esses que admitiam uma diminuição dos diferenciais de produtividade no que tange à lucratividade da atividade. principalmente para o mercado norte-americano.579 m3 de álcool anidro e 437. inclusive quanto ao mercado externo de açúcar. A produção total do álcool no estado de Alagoas apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 712.820 m3 de álcool anidro e 253.964 m3. Tendo destaque os estados mais produtores do álcool.773 m3 de álcool hidratado. sendo 255. eliminou-se o subsídio de equalização de custos que compensava os custos maiores do Norte/Nordeste.665 m3 de álcool hidratado.719 m3. Os incentivos ao álcool fizeram crescer a área plantada com cana no Nordeste passando a cultura a ocupar áreas pouco propícias ao seu crescimento e menos adaptáveis à adoção de técnicas mais eficientes. Pernambuco e Paraíba.286 m3. sendo 265. Além da extinção do IAA. Conseqüentemente reduzse a lucratividade e reforça-se o quadro de estagnação e crise.53 hoje cerca de 2/3 do total produzido transformado em álcool. Na safra 04/05 foi de 687. observa-se o acompanhamento da produção do álcool nos estados de Alagoas. Ressaltando-se que esse mercado externo permitia preços mais elevados.854 m3 de álcool hidratado. Na safra 01/02 foi de 562.0% para o restante do C/Sul e 0% para o Nordeste) mais o pagamento de um adicional de 25% sobre o álcool produzido no Nordeste.165 m3. Na safra 02/03 foi de 567. sendo 276.835 m3 de álcool anidro e 315. Houve ainda a flexibilização do regime de quotas de produção. Com a estagnação do Pro-álcool. 9. Na safra 03/04 foi de 702. Com isso o açúcar do Centro/Sul passa a ocupar parte do mercado nordestino.0% em São Paulo.

sendo 154. .619 m3 de álcool hidratado.112 m3 de álcool hidratado.672 m3 de álcool anidro e 181. Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 8% na produção total de álcool no estado de Pernambuco em relação ao primeiro e o último período informado. Na safra 05/06 foi de 324. Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 30% na produção total de álcool no estado de Alagoas em relação ao primeiro e o último período informado.679 m3.245 m3 de álcool anidro e 119.135 m3 de álcool hidratado. sendo 213.392 m3 de álcool hidratado.743 m3 de álcool hidratado.606 m3.448 m3 de álcool anidro e 151.387 m3. sendo 120. sendo 156. sendo 126. sendo 114.516 m3 de álcool hidratado. Na safra 01/02 foi de 261. Na safra 04/05 foi de 415. Na safra 04/05 foi de 337.546 m3.924 m3 de álcool anidro e 136.613 m3 de álcool anidro e 133. A produção total do álcool no estado de Pernambuco apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 299.774 m3 de álcool hidratado. sendo 212.334 m3 de álcool anidro e 334. sendo 205.836 m3 de álcool anidro e 155.163 m3 de álcool hidratado.660 m3.754 m3 de álcool hidratado. sendo 111. Na safra 05/06 foi de 267. A produção total do álcool no estado da Paraíba apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 218.275 m3 de álcool hidratado. Na safra 01/02 foi de 226.974 m3. Na safra 05/06 foi de 546.316 m3.832 m3 de álcool anidro e 138. Na safra 03/04 foi de 381. sendo 163.235 m3 de álcool hidratado.301 m3 de álcool hidratado.297 m3 de álcool hidratado.933 m3.601 m3 de álcool anidro e 136. sendo 103.425 m3 de álcool anidro e 168.417 m3 de álcool anidro e 141. Na safra 03/04 foi de 277. Na safra 02/03 foi de 240.764 m3.54 hidratado.763 m3. sendo 278. sendo 87. Na safra 02/03 foi de 306.677 m3 de álcool anidro e 152.446 m3.602 m3 de álcool anidro e 103.221 m3.947 m3.

9.55 Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 22% na produção total de álcool no estado de Paraíba em relação ao primeiro e o último período informado. 8. das entradas e saídas do álcool anidro e hidratado em cada estado do Nordeste. 10. no período de 2000/2005: . Veja a evolução da moagem da cana-de-açúcar e observe nas tabelas 7. 11 e 12 a produção do álcool.

56 TABELA 7 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . safra 2000/2001. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/01 .

safra 2001/2002. .57 TABELA 8 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/02.

58 TABELA 9 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . safra 2002/2003. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/03. .

59 TABELA 10 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. . safra 2003/2004. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/04.

60 TABELA 11 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/05. . Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. safra 2004/2005.

safra 2005/2006.61 TABELA 12 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/05/06 .

000 empregos diretos e mais de 300. atingindo em 2003/2004. 2005) Diferentemente do que ocorre em São Paulo. o setor canavieiro continua a ter uma relevante função econômica e social na geração de emprego e renda. a atividade canavieira como importante e destacado pilar de sustentação econômica e social para o povo do Nordeste. sofreu uma redução na produção. Proporcionando no cenário nordestino 300. relevando. cenário que a despeito das dificuldades que ainda persistem vinha se recuperando. representa apenas 2% do PIB paulista.62 4. Segundo o Ministério do Trabalho. que entre 1986/87 e 2002/03. onde a atividade canavieira. já na região. (ASPLAN. o peso do setor(Cluster) no PIB é ainda de 10% e 20%. portanto.5 milhões indiretos. acompanhada de uma perda conseqüente estimada de 100. Também. e o não repasse dos recursos de equalização.000 postos diretos de trabalho e 1. dificuldade de acesso ao crédito agrícola. dos quais 80% no campo. em estados como Pernambuco e Alagoas. para mais uma vez despencar em virtude dos fatores. não há outras atividades agrícolas capazes de absorver os milhares de trabalhadores rurais que se vinculam ao setor no Nordeste.2 A Importância do Setor no Nordeste e as Características da Crise A situação diferenciada de níveis de eficiência da agroindústria canavieira nas duas regiões produtoras não implica necessariamente que uns estão salvos de dificuldades e outros condenados à falência. como a seca. saindo de 71 milhões para 50 milhões de toneladas de cana. apesar de a gigante escala de produção. . quando comparada a do Nordeste.000 indiretos. elevando o patamar para 60 milhões de toneladas de cana. não existe atividade agrícola que apresente relações trabalhistas formalizadas com tamanha intensidade quanto a exploração da cana. de 21 milhões de toneladas. haja vista. embora tenha perdido espaço no cenário Nordestino. vez que nas últimas safras houve incremento de quase 10 milhões de toneladas de cana. respectivamente.

63 Outros mecanismos potencializadores de resultados econômicos seriam elevar a produtividade regional. atualmente. clima e solo) da região e à maior acessibilidade à mecanização e insumos encontrada pelos A produção canavieira nordestina demanda mais mão-de-obra por usineiros no Centro-Sul. potencializar as vantagens comparativas. Para produzir uma tonelada de cana do Nordeste são necessários seis trabalhadores. agregar ganhos de escala à remuneração dos pequenos e médios produtores (fornecedores de cana). equacionar a questão do endividamento. conta das peculiaridades da topografia que apresenta terrenos mais acidentados. fortalecer as instituições de classe como imprescindível canais de interlocução e interação com o setor. restaurar o crédito agrícola. É responsável pela produção de metade do açúcar e 1/3 do álcool fabricado na região. que chegou a empregar 45 mil trabalhadores e. modernizar os instrumentos de equilíbrio inter regional. o poder público e com a sociedade. segundo o presidente da ASPLAN. para que possamos chegar a um modelo de gestão setorial. o Nordeste conta com 92 unidades industriais: Alagoas é o maior produtor regional contando com 29 unidades industriais que produzem álcool. que seja economicamente viável e socialmente justo para o Nordeste e o País. de 2000/2005. às dificuldades edafo-climáticas (topografia. Raimundo Nonato Siqueira. uma diminuição de cerca de 30% dos postos de trabalho gerados pela atividade. a falência ou transferência de unidades industriais ocasionou. No caso mais específico da Paraíba. as falências ou deslocamentos das plantas industriais do Nordeste para o Centro-Sul devem-se.Antônio Celso. Segundo o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil – FEPLANA . De acordo com dados da ASPLAN. enquanto no Centro-Sul precisa-se apenas de um. . oferece ocupação para um pouco mais de 30 mil pessoas. Mesmo com o problema das estiagens que castigou a safra 2004/2005.

O Nordeste verificou aumento na produção de álcool. Piauí com 1 unidade e o Rio Grande do Norte com 4 unidades industriais.4%) em condições econômicas favoráveis. na safra 2004/2005. A queda de produção foi compensada pelo bom rendimento industrial e os preços do mercado interno e no mercado externo para o álcool. Maranhão com 4 e Ceará com 2. Conta com 27 unidades produzindo álcool. trinta empresas (32. Ao mesmo tempo. De toda a cana colhida na Paraíba. A região Nordeste registrou embarques recordes do combustível. que terminou em 1. Pernambuco é o segundo maior produtor do Nordeste. 85% são destinadas ao álcool (anidro e hidratado) e 15% correspondem à produção de açúcar.6%) apresentavam-se inviabilizadas econômica e financeiramente. chegando a um crescimento de 10% em relação à safra anterior. 2005).8 bilhões de litros – 4. Entre estes casos extremos situavam-se as demais empresas representando (12%) com as várias combinações de rentabilidade e endividamento que podem encaminhá- . A Paraíba produz álcool com 9 unidades.64 em relação a safra anterior o setor sucroalcooleiro de Alagoas encerrou o período com uma evolução de 17%. com 3.000 toneladas de cana-de-açúcar. com boa rentabilidade e baixo endividamento. Sergipe com 2. com incremento de 72% sobre a safra anterior. As exportações chegaram a 720 milhões de litros. As usinas do Estado moeram. rapadura.6% superior a 2003/2004.400. fechando com R$ 2 bilhões de lucro (SINDÁLCOOL. As unidades produtoras de álcool distribuem-se da seguinte forma: o estado da Bahia. aguardente e outros derivados. com baixa rentabilidade e alto endividamento. O trabalho citado deriva algumas conclusões importantes como estarem cinqüenta e uma usinas/destilarias (55. de acordo com dados do SINDÁLCOOL. em torno de 5.

evitando generalizações às vezes indevidas e que não captam corretamente a diversidade de situações existentes. Outra conclusão importante emerge e deve ser destacada: há um número significativo de empresas em condições saudáveis de funcionamento. para o saneamento financeiro ou para inviabilidade. Em meio a índices médios deprimidos. ressalvando-se algumas empresas pelo baixo índice de aproveitamento de subprodutos da cana. em moldes rentáveis. é completamente diversa entre unidades fabris. em casos não raros. Não é diversa a situação da eficiência industrial. O aproveitamento de subprodutos poderia ampliar a rentabilidade e a competitividade do segmento nordestino.65 las. nas empresas mais bem geridas e com melhor situação financeira. índices semelhantes ao encontrados no Centro/Sul. Ou seja. mostrando que é possível o desenvolvimento. Os comentários acima ressaltam a importância do exame mais acurado da situação do setor no Nordeste. a produtividade agrícola nas canas própria das usinas atinge. ou seja. Ainda com relação aos índices de eficiência relativa. com maior ou menor probabilidade. A situação de eficiência entre várias empresas é também bastante diferenciada. Note-se. que a eficiência relativa observada no Nordeste mesmo em situações semelhantes de solo. cabe lembrar que o segmento nordestino caracteriza-se. além do açúcar e do álcool. topografia etc. para desativação. as estimativas de custos médios mais elevados no Norte/Nordeste não refletem com fidelidade uma realidade que é heterogênea e assim não autorizam certas conclusões gerais que muitas vezes são feitas em análises sobre o setor. podendo-se considerar alternativas como: . do setor no Norte/Nordeste. clima.

Trata-se do subproduto com maior expressão econômica e com aplicações várias: carvão. nitrogênio e oxigênio e selecionados de acordo com as características de ignição e escoamento adequado ao funcionamento de motores a diesel (PETROBRÁS. Pelo menos partes desses subprodutos já são aproveitadas integralmente no Centro/Sul. • Vinhaça. Trata-se de biomassa protéica. Os três foram formados há milhões de anos atrás na época dos dinossauros. Vem sendo utilizado como fertilizante e pode ainda gerar biogás e compor rações balanceadas. fertilizantes. ração animal. celulose e papel. No Nordeste o aproveitamento dos mesmos ainda apresenta-se de forma incipiente. um fertilizante potencial. também se põem como restrição ao maior aproveitamento de subprodutos. biogás. o petróleo e o gás natural. Resíduo do mosto esgotado da destilação de álcool. • Torta de Filtro. • Óleo Diesel. Resíduo do fundo da dorna após a fermentação do mosto.66 • Bagaço de Cana. Existem três grandes tipos de combustíveis fósseis: O carvão. É um resíduo da fabricação de açúcar com elevado teor de matéria orgânica. hidrogênio e em baixa concentração por enxofre. As dificuldades de financiamento em meio ao elevado nível de endividamento do setor vale acrescentar. principalmente por exigir alguns investimentos e desafiar a aversão ao risco predominante entre os empresários. ou seja. • Combustível Fóssil. daí o nome de combustíveis fósseis. . • Pé de Cuba. cogeração de energia elétrica. de elevado valor alimentício com aplicação na alimentação animal. 2006). É um composto formado principalmente de átomos de carbono. notadamente o bagaço para cogeração de energia.

820 59.0 67.0 32.900 52.000 Total 50. a produção da cana própria referente às empresas no qual obtém maior produção do que a cana através de fornecedor.5 Fornecedor 31.000 18.000 Fornecedor 15.5 64.3 35.240 38.350 49. hoje uma prática generalizada no setor.500 32.9 65.5 .000 ton Safra 00/01 01/02 02/03 03/04 04/05 Fonte: ASPLAN.640 49. a nível regional e nacional.000 Participação (%) Própria 69.67 Destaque-se apenas o uso da vinhaça na chamada fertirrigação.580 21.5 35. Observa-se na tabela 13.1 34. Própria 34. 2005. que inclusive tem contribuído para evitar o derramamento da mesma nos rios.7 64.620 16. o perfil da atividade canavieira no Nordeste do Brasil no período 2000/2005. TABELA 13 .Perfil da Atividade Canavieira no Nordeste do Brasil – 2000/2005 Produção em 1.730 33.140 17. portanto com efeitos externos bastantes vantajosos do ponto de vista ambiental.900 34.

quando no ano de 2005 as montadoras venderam mais de 1 milhão de unidades no mercado nacional. quando evidenciou a evolução da moagem da cana-de-açúcar e a produção do álcool-combustível no período 2000/2005.68 CAPÍTULO 5 CONCLUSÃO Este trabalho identificou alguns obstáculos e potencialidades do setor alcooleiro no cenário nacional e regional no período de 2000/2005. menos estiagem. devendo isso. com terrenos planos. do . A renegociação de dívidas. tem a poluição do ar com a queima da cana-de-açúcar antes da colheita e o problema do desemprego. que por outro lado. a mudanças institucionais associadas à desregulamentação governamental no setor. representando 70% do mercado de veículos leves. Também foram favoráveis as exportações e importações do álcool-combustível e o aumento das vendas de carros a álcool. De outro lado. Também no Nordeste existe o problema das condições físicas da região. Foi mostrada a evolução histórica da atividade produtora do álcool-combustível no cenário nacional e regional a partir da mistura gasolina/álcool no Brasil no qual tornou-se um ponto positivo referente à qualidade do ar nas grandes cidades. A pesquisa mostrou que existem obstáculos e potencial na competitividade da produção do álcool-combustível. no Brasil e no Nordeste. Destacam-se a modernização e reestruturação das empresas e o estímulo a mudanças tecnológicas e gerenciais. Na região Sudeste as condições físicas são melhores. é favorável pela empregabilidade por ter topografia desfavorável para o uso de máquinas agrícolas. O estudo se preocupou em apontar caminhos factíveis para evitar o acirramento das dificuldades enfrentadas pelo setor. Constatou-se que no Nordeste as empresas produtoras de álcool em geral vêm aumentando os problemas de endividamento e de dificuldade. o apoio estatal para pesquisa e o desenvolvimento tecnológico são pilares básicos dessa reestruturação.

527. Diante desse problema muitas empresas fecharam ou sobreviveram com dificuldades.040 m3. inovações para superar os obstáculos almejam-se ganhos ainda superiores em todos os seus segmentos. na safra 2000/2001.787. Em relação a produção total do álcool em todo o Brasil. A região Centro/Sul continua sendo a responsável pela maior produção de álcool com 14. arenosos e estiagem.535 m3 de álcool a região Nordeste teve participação com a produção de 1. Na safra 2005/2006 a produção total do álcool em todo o Brasil foi de 15.085 m3. por sua vez. os empregos são mais concorridos devido a substituição de homens/máquinas. garantindo a competitividade nacional e internacional. Isso.69 outro lado. foi de 10.701 m3 álcool anidro e 717. Em suma.279.394 m3 de álcool hidratado. No Nordeste as condições físicas também se apresentam desfavoráveis em relação ao Sudeste.218 m3. os obstáculos e as potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível trouxeram inúmeros benefícios para Brasil e para o Nordeste. por motivos dos solos irregulares.133 m3 álcool anidro e 709.317 m3. é favorável para a região pela empregabilidade de mais homens para regiões com topografia desfavorável. . implantação de novos projetos. sendo 818. e no decorrer do tempo com o seu aperfeiçoamento. A região Centro/Sul é responsável pela maior produção de álcool com 8.508.517.990. sendo 790.085 m3 de álcool hidratado.125 m3 de álcool a região Nordeste teve participação com a produção de 1.

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