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BIODIREITO

Professora Mestre: Eda Leci Honorato

Noções Gerais

É um campo da ciência jurídica nova, moderna.


Inicialmente, deve-se conceituar o que seja o objeto do presente estudo e, para se
conceituar Biodireito, deve-se, antes, dar uma idéia de que seja Bioética, o que por sua vez.
Exige um breve conceito de Ética.

Bio - é vida, logo bioética é ter uma vida boa, viver bem, é pautar as ações de
acordo com nossa vida.
Ética - pode-se afirmar, de forma simplificada, que seja um modelo de conduta
humana que guia o individuo no sentido de que paralelamente ele se harmoniza com a
sociedade. É um conjunto de valores que vai dirigir o indivíduo para o bem.

Bioética é um conjunto de reflexões filosóficas e morais sobre a vida em geral e


sobre as práticas médicas em particular.

Ética Profisisonal é o comportamento de acordo com o regramento exigido pela


respectiva profissão, isto é, para que os profissionais se comportem dentro dos padroões
exigidos, sob pena de responsabilização.

A Bioética se divide em dois grupos:

- Macro-bioética: trata de questões ecológicas, em busca da preservação da vida


humana e do meio ambiente. Seria um modelo de conduta que pudesse ser capaz de trazer o
bem ao meio ambiente.
- Micro-bioética: por sua vez, surgiria de uma restrição do objeto da Bioética. Seria
as relações entre médico, paciente, instituições de saúde pública ou privada e entre estas
instituições e os profissionais da saúde.

Neste contexto, a Bioética seria um modelo de conduta que procurasse trazer o bem
a humanidade como um todo, e ao mesmo tempo, a cada um dos indivíduos componentes
da humanidade.
É neste sentido que, perante os avanços médicos-científicos-tecnológicos, tem-se
utilizado os termos “Bioética” e “Biodireito”, no sentido de proteção da vida humana,
principalmente com o intuito de proteger todos os seres humanos que estejam direta, ou
indiretamente, envolvidos em experimentos científicos.

Biodireito

É desta forma, chega-se ao conceito de Biodireito, que seria, justamente, a


positivação, ou a tentativa de positivação das normas bioéticas.
É o conjunto de leis positivas que visam estabelecer a obrigatoriedade de
observância dos mandamentos bioéticos, e, ao mesmo tempo, é a discussão sobre a
adequação, sobre a necessidade de ampliação ou restrição, desta legislação.
O Biodireito surgiu para limitar o progresso científico, ou seja o desempenho das
atividades científicas. Exemplos: embriologia, morte terminal, alimentos transgênicos,
pesquisa com células tronco, métodos de concepção da gravidez, esterilização artificial,
entre outros.

Novidades (exemplificativo)

a) Progresso Científico

Anteriormente, quem poderia pensar ou falarm em: legalização da eutanásia?


deficiente mental ou criminoso, voltado a prática de delitos sexuais pudesse ser
compulsoriamente esterelizado? Inseminação artificial post mortem e a fertilização in vitro?
Conflito de maternidade ou paternidade sobre uma criança em razão da reprodução humana
assistida? Clonagem humana com a função de repor órgãos humanos? Clone do clone?
Gerar criar apenas para doar tecido medular? Fecundação de óvulo de macaco com sêmen
humana para produção de seres híbridos destinados a efetuar serviços repetitivos e
penosos?

b) Socialização de atendimento médico

Surgimento de novos padrões de conduta nas relações entre médico e paciente,


diante dos convênios médicos-hospitalares, da democratização da medicina e do
atendimento em massa. Exemplo: telemedicina – médicos estão salvando vidas a distância
atravpes dos meios de teleconferência – que efetua consultas a especialistas que se encontre
em outros países – fone-med – sistema fornecido pela CTBC Telecom, consistente num
aparelho que grava a frequência cardíaca do paciente e envia os dados, em forma de som,
ligando um call center de qualquer telefone, para que os ruídos se transformem em gráfico
(eletrocardiograma).

c) Progressiva medicalização de vida

Ofertas de serviços médicos especializados relativo às diferentes fases da vida


humana: embriologia, neonatologia, pediatria, clínica médica, obstetrícia, geriatria, entre
outros.

E mais:

- universalidade da saúde: aparecimento de entidades internacionais que buscam


solucionar os problemas éticos criados pela engenharia genética e pela embriologia.
Exemplo: Organização Panamericana da Saúde.
- emancipação do paciente: reconhecimento dos direitos do paciente, sua autonomia
e livre consentimento.
- criação e funcionamento dos comitês de ética hospitalar e dos comitês de ética
para pesquisas em seres humanos: função de orientação e tutela dos interesses dos
pacientes, sujeitos da pesquisa.
- adventos de vários institutos não governamentais: entidades que buscam
solucionar os problemas éticos criados pela reprodução assistina, pelas experiências
médicas e pelas novas descobertas das ciências biológicas. Exemplo: Sociedade para Saúde
e Valores Humanos, fundada em 1950.
- necessidade de um padrão moral: estabelecimento de princípios comuns que
possam solucionar questões oriundas do progresso das ciências biomédicas e da tecnologia
científica aplicada à saúde.
- crescimento do interesse da ética filosófica e telógica: atinentes à vida, reprodução
e morte de seres humanos.

Princípios da Bioética / Biodireito

• Princípio da Autonomia

O profissional da saúde deve respeitar a vontade do paciente, ou do seu


representante, levando em conta, seus valores morais e religiosos. Respeitar a autonomia
(capacidade de atuar com conhecimento de causa sem qualquer coação ou influência
externa) do paciente, seu consentimento livre e informado.
Conforme os autores Marcelo Dias Varella, Eliana Fontes r Fernando Galvão da
Rocha, este princípio [...] refere-se à capacidade de auto governo do homem, de tomar suas
próprias decisões, de o cientista saber ponderar, avaliar e decidir sobre qual método ou qual
rumo deve dar as suas pesquisas para atingir os fins desejados, sobre o delineamento dos
valores morais aceitos e de o paciente se sujeitar àquelas experiências, ser objeto de estudo,
utilizar uma nova drogas em fase de teste, por exemplo. O centro das decisões deve deixar
de ser apenas um médico, e passar a ser o médico em conjunto com o paciente,
relativisando as relações existentes entre os sujeitos participantes [...]

• Princípio da Benefiência
O profissional da saúde deverá sempre atender os interesses da pessoa envolvidas
em práticas biomédicas ou médicas, a fim de se atingir seu bem-estar, evitando, na medida
do possível, eventuais danos. Duas são as regras dos atos de beneficência: não causar dano
e maximizar os benefícios, minimizando os possíveis riscos.

• Princípio da Maleficência

O profissional da saúde tem a obrigação de não acarretar dano intencional.

• Princípio da Justiça

Requer a imparcialidade na distribuição dos riscos e benefícios, no que atina a


prática médica pelos profissionais da saúde, pois os iguais deverão ser tratados igualmente.
Esse princípio, expressão da justiça distributiva, exige um relação equânime nos benefícios,
riscos e encargos, proporcionados pelos serviços de saúde ao paciente.

• Princípio da Sacralidade e da Dignidade Humana

A vida humana e a sua dignidade é sagrada, inviolável, inalienável e indisponível;


está acima de tudo. Máxima do artigo 1º, inciso III da Constituição Federal Brasileira.
Este princípio envolve a questão vida humana em sendo um valor em si mesma. A
vida humana deve ser, sempre, respeitada e protegida contra agressões indevidas. Trata-se
de respeitar a vida, decorrência lógica do princípio da dignidade da Pessoa Humana, o qual
considera o ser humano como valor em si mesmo.

- Relação do Biodireito com outros ramos jurídicos

Biodireito e Direito Constitucional


O Biodireito é uma ciência autônoma que tem como espinha dorsal a Constituição
Federal (art. 5º, inciso IX). A própria Carta Magna impõe limites, protegendo a vida, a
integridade física, psíquica, entre outros.
Por ser o principal ramo do Direito, uma vês que fixa as diretrizes políticas e
jurídicas básicas de um Estado, o direito constitucional é o ponto de partida de todo e
qualquer ramo do Direito, assim também do Biodireito.
O Direito Constitucional ao positivar os Direitos Humanos, tranformando-os, assim,
em Direitos Fundamentais, cria limites ao Estado, principalmente enquanto Poder
Legislativo, aos quais devem ser respeitados quando da realização de pesquisas científicas.
Biodireito e Direito Civil

O regramento do Direito Civil influi no Biodireito no tocante à conceituação da


pessoa em relação a sua autonomia própria, sua capacidade, quanto a sua responsabilidade,
entre outros.
O Biodireito guarda estreitas relações com o Direito Civil, uma vez que este
estebelece o regramento de situações jurídicas que se espalham por todo o ordenamento
jurídico.

Biodireito e Direito Administrativo

Cabe ao Biodireito a autorização e regulamentação das pesquisas científicas em


todo território nacional enquanto que ao Direito Administrativo cabe a autorização para
funcionamento das empresas e clínicas voltadas ao exercício das atividades reguladas pelo
Biodireito, e principalmente, da fiscalização do adequado exercício dessas atividades, além,
também, das autorização da produção e comercialização de determinados produtos frutos
da engenharia genética.

Biodireito e Direito Penal

O Direito Penal é outro ramo jurídico ligado ao Biodireito, principalmente, quando


se estabelece a tipificação de condutas condenadas pelo Biodireito. Assim, é o caso da
tipificação do abortamento, excluindo-se desta tipificação os abortos terapêuticos e o
resultante de estupro.
O Direito Penal tipifica condutas recriminadas pela Bioética, punindo
criminalmente pela lesão ocasionada à integridade física do sujeito tutelado.

Biodireito e Direito Ambiental

Como visto anteriormente (macro-bioética), o Biodireito pode ser encarado como


um ramo jurídico intimamente ligado ao Direito Ambiental, uma vez que ambos derivam da
Bioética. Ambos os ramos jurídicos devem possuir vários princípios em comum.
Nesta área, o que mais aproxima ambas as matérias, é, a questão dos organismos
geneticamente modificados (OGMs).
Outro ponto comum de ambas matérias é o que diz respeito à manipulação genética
de células germinais humanas, uma vez que, a depender das conseqüências advindas destas
experimentações, isto poderia trazer um grande desequilíbrio para a vida do planeta; como
seria, por exemplo, o caso de uma experimentação que implicasse em longevidade
excessiva para a espécie humana uma vez que poderia não haver condições planetárias para
alimentação da superpopulação que poderia decorrer desta alteração genética.

Biodireito e Direito do Consumidor

O Biodireito também possui algumas relações com o Direito do Consumidor, uma


vez que o serviço de inseminação artificial e outros congêneres, podem ser enquadrados na
espécie de prestação de serviços regulada pelo Direito Consumerista, principalmente
quando estes serviços são prestados por clínicas especializadas na prestação de serviços de
inseminação artificial. Assim, em um primeiro momento, caberia ao Biodireito autorizar
determinadas atividades científicas que tenham implicações financeiras suficientes para
trair a atenção de empresas prestadoras de serviços médico-científicos; ao passo que, uma
vez efetivamente prestados estes serviços, as referidas empresas prestadoras deste tipo de
serviços estariam sujeitas, não só as normas do Biodireito, mas também as protetoras do
consumidor.
Biodireito e Filosofia

O Biodireito estaria de alguma forma ligado à filosofia uma vez que esta ciência
trata de questionamentos voltados à descoberta de significados de Bem, Justiça, Bondade,
etc.

Biodireito e Sociologia

A Sociologia busca examinar a realidade social, na tentativa de se explicar e


resolver fenômenos do mundo real. Assim, a Sociologia jurídica, ao examinar a sociedade
deve contribuir para o engrandecimento do Biodireito à medida que é capaz de informar,
sobretudo ao legislador, quais são os valores reinantes da sociedade, os quais deveriam
orientar a sua atuação na elaboração das normas do Biodireito.

Biodireito e Religião

Direito e religião são coisas distintas e assim devem continuar sendo, sob penas de
se repetir erros do passado (Santa Inquisição), porém , apesar de serem coisas distintas, pela
profundidade das questões que envolvem o estudo do Biodireito, a religião é capaz de
fornecer elementos que não podem, jamais, ser ignorados pelo Direito, como o caso, por
exemplo, da idéia de sacralidade da vida humana.

REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA

A Reprodução Humana Assistida é um tema polêmico e atual, que desencadeiam


debates Éticos e questionamentos jurídicos, visto que interfere no processo de procriação
natural do homem, fazendo surgir situações até pouco tempo inimagináveis que desafiam o
Direito.
Cabe ressaltar, que o Brasil ainda não possui legislação específica que regule a
Reprodução Humana Assistida e o julgados que tratam sobre o tema ainda são raros em
nosso país. Portanto, utiliza-se a doutrina, as regras éticas estabelecidas pelo Conselho
Federal da Medicina é o direito comparado para a solução dos problemas que surgem.
O Código civil de 2002, menciona algumas técnicas de Reprodução Assistida mas
não vai além, visto que a matéria deverá ser tratada futuramente por lei específica.

- Conceito

Reprodução Humana Assistida é, basicamente, interferência do homem no processo


de procriação natural, com objetivo de possiblitar que pessoas com problemas infertilidade
e esterilidade satisfaçam o desejo de alcançar a maternidade ou paternidade.
As principais técnicas de Reprodução Assistida são: inseminação artificial
homóloga, post mortem ou heteróloga e a fecundação in vitro (homóloga e heteróloga).
A Reprodução Humana Assistida é um conjunto de operações para unir,
artificialmente, os gametas feminino e masculino, dando origem a um ser humano. O
procedimento dar-se-à pelos métodos ZIFT ou GIFT.

Definição de Ectogênese ou fertilização in vitro – método ZIFT (Zibot Intra


Fallopian Transfer):

Consiste na retirada de óvulo da mulher para fecundá-lo na proveta, com sêmen do


marido ou do companheiro, para depois introduzí-lo no útero da mulher ou de outra.

Definição de Inseminação artificial – método GIFT (Gametha Intra Transfer):

É um conjunto de operações para unir artificialmente os gametas masculinos e


femininos dando origem a um ser humano. Existindo várias técnicas de reprodução, a in
vivo e a post mortem. Refere-se à fecundação in vivo, ou seja, à inoculação do sêmen na
mulher, sem que haja qualquer manipulação externa de óvulo ou de embrião.
Observação:

Essas técnicas de reprodução assistida têm o papel de auxiliar na resolução dos


problemas de infertilidade humana, facilitando o processo de procriação, quando outras
teratêuticas tenham sido ineficazes para a solução da situação atual da fertidilidade,
devolvendo ao homem e à mulher o dirieto à descendência.

Causas que dão origem à inseminação:

Ter-se-à a inseminação artificial quando o casal não puder procriar, por haver
obstáculo à ascensão dos elementos feertilizantes pelo ato sexual, como esterilidade,
dificiência na ejaculação, malformação congênita, pseudo-hermafroditismo, escassez de
espermatozóides, obstraução do colo uterino, doença hereditária entre outros.

Modalidades de Inseminação:

• Homólogas: quando o sêmen inoculado na mulher for do próprio marido ou


companheiro.
• Homólogas “post mortem”: inseminação homóloga com sêmen do marido
recolhido em vida, e inoculado na mulher após a morte do esposo
• Heterólogas: se o material fecundante for de terceiro, doador

DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HOMÓLOGA

Conceito

É aquela que o material genético utilizado no procedimento é fornecido pelo próprio


casal que se submete à Reprodução Assistida e que ficará com a criança. Portanto, haverá
uma conciliação entre a filiação biológica e a afetiva.
A Inseminação Artificial Homóloga não fere princípios jurídicos.

Pressupostos

A coleta do material e sua utilização dependerá da anuência expressa dos


interessados, ligados pelo patrimônio ou união estável;
Deverão estar vivos, por ocasião da inseminação, manifestando sua vontade.

Previsão legal

Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento


os filhos:

(...)

III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que


falecido o marido;

DA INSEMINAÇÃO ARTICIFIAL HOMÓLOGA (POST MORTEM)

Conceito

É aquele que o material genético utilizado no procedimento introduzido na mulher,


é fornecido pelo seu próprio marido ou companheiro, porém a inseminação ocorre a sua
morte.

Previsão legal e argumentos éticos-jurídicos em torno da inseminação


homóloga post mortem

a) Sucessão: Crítica Maria Helena Diniz. Com a solução dada pelo artigo 1597, III, ,
admitindo a presunção de filiação, será preciso não olvidar que o morto não mais
exerce direitos nem deveres a cumprir. Não como aplicar a presunção de
paternidade, uma vez que o casamento se extingue com a morte, nem como conferir
direitos sucessórios ao que nascer por insiminação post mortem, já que não estava
gerado por ocasião da morte de seu pai genético (art.1798 CC).
Segundo a autora poderia ser herdeiro por via testamentária, se inequívoca for a vontade do
doador de sêmen de transmitir herança ao filho ainda não concebido, manifestada em
testamento. Abrir-se-ia a sucessão à prole eventual do próprio testador, advinda de
inseminação homóloga post mortem (LICC art. 4º e 5º).
Entende assim, que só poderia ser possível essa inseminação se houvesse a anuência do
marido nesse sentido em isntrumento público ou testamento, como requer a legislação
esponhola. É, por isso, que a Alemanha e a Suécia vedam a inseminação post mortem. Na
Inglaterra a inseminação post mortem é permitida, mas não se garante o direito à sucessão,
exceto se houver documento expresso neste sentido.

Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento


os filhos:

(...)

III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que


falecido o marido; (Grifo nosso)

DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HETERÓLOGA

- Conceito

É aquele que o material genético utilizado no procedimento introduzido na mulher, é


fornecido por terceiro, e não pelo seu marido ou companheiro.

- Previsão Legal:

Artigo 1597, V do CC/02 –

- Problemas morais e jurídicos apontados:

• homossexual/ transexual – no Brasil, o Projeto de Lei 90/99 veda o direito à


reprodução assistida a mulheres solteiras e a casais homossexuais, admitindo-o
apenas a casados e a conviventes. A criança gerada artificialmente, deverá ter
direito a uma dupla “genetorial” e a uma convivência familiar, que lhe garanta um
desenvolvimento físico e psíquico sadio; logo, não se poderia admitir que casal
homossexuais venham a utilizar-se da reprodução assistida. A lei Sueca também
veda tal inseminação;
• Falsa inscrição do registro civil, ante a presunção legal de que é filho do marido ou
concebido por meio de inseminação artificial heteróloga, durante o casamento,
desde que haja prévia autorização do marido;
• Dúvida se o homem poderia livremente, dispor ou ceder seus componentes
genéticos, por, se tiver esposa ou companheira, e esta não anuir na doação do
material fertilizante. Não poderia ela pleitear separação judicial por injúria grave?
• Comprometimento da transcendência genética, já que 50% do patrimônio genético
não é do marido, embora tenha 50% da mãe;
• Arrependimento do marido após a realização da fecundação artificial, sugerindo
aborto, ou depois do nascimento, gerando infanticídio, rejeição, abandono, maus-
tratos, trazendo sérios problemas, pois poderá mover ação negatória de paternidade.
A vontade procriacional é do marido e não do doador. Doador é como doa sangue
de hospital, fim impessoal;
• Alegação de adultério;
• Rejeição do consorte em relação ao filho do doador e também recíproco;
• Coquetel de esperma;
• Negação ao filho do direito à identidade genética. Não teria o filho o direito de
conhecer sua origem? Saber quem é seu pai?
• Perigo resultante do encobrimento da descendência;
• Produção independente da mulher;
• Doador reclamar judicialmente;
• Interesse patrimonial do doador;
• Insistência da mãe em conhecer o doador;
• Criação de espermateca;
• Chantagem por parte dos partícipes do processo.

FERTILIZAÇÃO HUMANA ASSISTIDA


(Outra forma de reprodução humana assistida)
- Conceito

A fertilização in vitro concretiza-se pelo método ZIFT, que consiste na retirada de óvulo da
mulher para fecunda-lo na proveta, com sêmen do marido ou de outro homem, para depois
introduzir o embrião no seu útero ou no de outra. Como se vê, difere da inseminação
artificial, que se processo mediante do método GIFT, referindo-se a fecundação in vivo, ou
seja, a inoculação do sêmen na mulher sem que haja qualquer manipulação externa de
óvulo ou de embrião.
Essa fecundação pode ser homóloga, se feita com os componentes genéticos advindos do
casal, ou, heteróloga, se com o material fertilizante de terceiro (sêmen do marido e óvulo de
outra mulher; sêmen de terceiro e óvulo da esposa; sêmen e óvulo de estranho), cujo
embrião poderá ser implantado no útero da esposa ou de terceira pessoa. Urge evitar tal
fecundação, principalmente a heteróloga, pelos sérios problemas éticos que trazem.

Bebê de proveta – explicação:

- a fecundação humana da proveta operou-se por atividade científica pela


moderna embriologia médica, pela primeira vez, Royal Oldhan and District
General Hospital de Lancasshire, em 26 de julho de 1988, Inglaterra.
- No Brasil, a primeira criança a ser gerada por Ana Paula Caldeira, que
nasceu em 7 de outubro de 1984. O procedimento foi realizado pelo médico
Milton Nakamura em São Paulo, que faleceu em 1997, vítima de uma queda.
Ela é filha da administradora hospitalar Ilza Caldeira, e do urologista José
Antônio Caldeira. É formada e Nutrição pela Pontifícia Universidade
Católica do Paraná.

Fatos Éticos e jurídicos questionados

• Criança nascida de genitor morto, por ter sido utilizado na


fertilização, esperma congelado de pessoa já falecida, ainda que seja o marido de
sua mãe, ou por ter havido fecundação in vito, de óvulo de mulher morta, ou por ter
ocorrido o óbito de mãe ou pai genético antes que o embrião congelado seja
colocado no útero da mãe de substituição. É preciso evitar tais práticas, pois as
conseqüências éticos-jurídicos que delas advieram são muito graves;
• Riscos de saúde da doadora do óvulo, por submeter-se a
desgastantes técnicas para a obtenção do gameta feminino ou a um forte tratamento
hormonal para provocar super ovulação, e à do embrião, porque os hormônios pela
doadora poderão acarretar alterações cromossômicas nos óvulos, que constituíram,
por sua vez, causa de problemas congênitos ou de mal formação. Ex: Há um risco
muito grande, pois a mulher toma uma dose muito grande de hormônio e expeli 15
óvulos, podendo introduzir somente 4 embriões, conforme determina o Conselho
Federal de Medicina. Há um projeto de lei para que a mulher possa expelir somente
5 óvulos;
• Obtenção imoral do sêmen, subtrai o sêmen no ato sexual,
para que ele seja utilização na fertilização;
• Óbito do casal encomendante, por exemplo, desastre, após a
fecundação, mais antes da implantação do embrião, surgindo a questão: será ele
herdeiro do casal? Quem teria responsabilidade por sua implantação em útero
alheio? Em que útero deverá ser implantado? O Estado poderia decidir sobre o
destino desse embrião?
• Conflito de maternidade ou paternidade entre pais, uma vez
que na fecundação na proveta, a criança poderá ter: duas mães, uma instituição e
outra genética; dois pais, o institucional que será o marido de sua mãe, que anui na
fertilização in vitro e o genético, ou seja, o doador do elemento viril fertilizante, que
não terá responsabilidade jurídica pelo ser que gerou; três pais e três mães, ou
melhor, mãe e pai genéticos (os doadores dos óvulos e do sêmen), mãe e pai
biológicos (o que a encomendaram à clínica), sendo os responsáveis legalmente por
ela, por terem feito o projeto de seu nascimento.
Vale ressaltar, neste caso, algumas questões:
- Diante do problema da determinação da maternidade na fertilização in vitro, se, por
exemplo, o óvulo não for o da esposa, mas de uma doadora, quem será a mãe, a doadora ou
a esposa em cujo útero o óvulo foi implantado de outro fecundado pelo esperma do marido?
E se outra mulher vier a suportar a gestação, mediante doação, ou melhor, cessão
temporária de útero, de quem será o filho? Da mulher que cedeu o óvulo ou da mulher que
o gestou ao emprestar seu ventre, por ter suportado o parto? A quem o judiciário deverá
entregar a criança? Se o óvulo da esposa for fecundado na proveta, por esperma de terceiro,
quem será o pai, o marido ou o que concedeu o sêmen? Diverge neste respeito as
legislações? Lei espanhola, Código Civil Suíço, Búlgaro – entendem que é da mãe que deu
à luz. O código Civil de Portugal, considera que o filho será o casal encomendante, e a
legislação Sueca, requer que o casal que idealizou a fertilização in vitro venha adotar o
bebê.
No Estado Illinois dos Estados Unidos da América, em 1877 requer a entrega da criança à
doadora do óvulo. Nos EUA o juiz entregou a criança ao casal encomendante porque a mãe
substituta não tinha condições de cria-lo.

• Uso indiscriminado de material fertilizante congelado, sendo prudente limitar o


número de vezes em que será entregado para minimizar o risco de consaguinidade.
Pelo Projeto de Lei 90/99, apenas gametas congelados podem ser usados e só por
um casal até duas gerações;
• Uso de ratos para fecundação humana (ambiente bioquímico de seu aparato
reprodutor e similar do homem), essa técnica, que deu origem a 4 crianças na Itália,
requer o cultivo do espermatogone, obtido por meio de incisão testicular num
testículo de rato ou em tecido desse animal, porque o ambiente bioquímico do seu
aparato reprodutor é similar ao do homem;
• Estabelecimento de normas para exportação de material fertilizante. Por exemplo, a
Lei Sueca de 1984, que só permite a entrada de material fertilizando congelado no
país com a autorização do Conselho Superior de Seguridade Social;
• Propriedade de material fertilizante congelado e necessidade de normas em caso de
separação ou divórcio do casal;
• Determinação do começo da vida e da personalidade jurídica. Há divergências se a
vida se inicia com a nidação, logo, o embrião implantado não é pessoa. Outros
entendem que sua conversão em pessoa dá-se quando o sistema nervoso é ativado e
os órgãos começam a funcionar, o que ocorre após 14 dias após a fecundação.
• utilização de óvulo de embrião feminino morto para gerar vida humana em
laboratório. Como admitir juridicamente que quem não nasceu seja mãe? Como
permitir doação de óvulos sem a anuência da doadora?
• experimentação com embriões humanos para consecução de fins alheios à
procriação e a terapia, alterando seu caracteres genéticos para, por exemplo, obter-
lhe uma reprogramação celular pela engenharia genética, para modificar o limite
fixo para a sua vida recebido por herança de pais genéticos.
• possibilidade de gerar gêmeos com idade diferente, tal se dará se, dentre óvulos
fertilizados no mesmo dia, alguns forem implantados no útero e outros, para o
serem, ficarem esperando sua vez em bujões de nitrogênio, até que seus pais
genéticos decidam ter mais um filho ou doa-los a outros, hipótese em que terão pais
institucionais diferentes aos dos seus irmãos. Para serem considerados gêmeos, não
bastaria terem sido gerados a partir de óvulos de um único ciclo ou fecundados no
mesmo dia, e sim, nascer no mesmo momento.
• permissão jurídica para congelamento, pois se com o embrião já se tem vida
humana, diante de seu valor absoluto, como congela-lo? Como gerar a vida e
congela-lo?
• exames médicos em mãe substituta;
• locação de útero e ventre ou de ventres mercenários, pois há mulheres dispostas a
receber embrião alheio mediante o pagamento de altas somas, entregando o bebê
àqueles que concederam o óvulo e o sêmen, ou aos que efetivaram o contrato
locatício;
• formação de “órfão de ninguém”, se obtido de espermatozóide e óvulo de doadores
anônimos gestados por mãe substitutiva e rejeitada por ela e pelo casal
encomendante. Seria “filho do tubo de ensaio”?
• licitude de útero artificial, sem necessidade médica, para manter o feto no meio
líquido, similar ao natural, que se encarrega de retirar o dióxido de carbono e as
demais substancias não utilizadas pelo bebê, até que seus pulmões se desenvolvam e
permitam a respiração. Às vezes para salvar a vida do feto nascido no 4 a 6 mês de
gestação (placenta artificial);
• responsabilidade civil e penal médica e hospitalar, por danos morais e patrimoniais
na fertilização humana assistida, decorrentes de defeito apresentado pelo material
fertilizante utilizado; transmissão de AIDS;
• possibilidade de gravidez masculina, mediante o implante de embrião e placenta
num órgão interno do abdômen do homem, que por sua vez, receberia enorme carga
de hormônio feminino;
• técnica em mulher – menopausa, dever-se-ia impor, ou não, um limite etário para a
gravidez na menopausa?

- Projetos em curso
• Lei 809/91 – Barriga de Alugue
• Lei 3638/93 – exemplo: realça os aspectos civis e adminsitrativos e penais da
reprodução assistida
• Lei 2855/97 –
• Projeto 90/99 – exemplo: registro das informações sobre doador e sobre os casos em
que se emprega a técnica conceptiva, arquivando-as por 25 anos.

- Sugestões “de lege ferenda” para um anteprojeto sobre reprodução assistida segundo
Maria Helena Diniz

a)Coibir a inseminação heteróloga, a fertilização in vitro, a útero alheio (barriga de


aluguel);
b) proibir experiência que envolva eugenia (apuração de raça);
c) não inércia do legislador face a realidade que vivemos, ou seja, a necessidade
urgente de lei regulamentando o assunto;

- Condições psicosociais para doação do material fertilizante: exigindo que o doador ignore
a identidade do casal receptor e vice-versa, impondo segredo médico absoluto da doação,
expresso consenso irretratável dos esposos.

- Condições físicas, pois o doador deverá ter boa saúde física e mental, idade mínima de
35 anos, pois até esta idade pode surgir algum tipo de doença e aparência física similar do
doador com o casal receptor

- Condições jurídicas:

• Em relação a prática médica:


 regulamento de centros médicos com autorização e fiscalização devida
 código de ética médica para controlar o emprego de técnicas conceptivas na
coleta
 obrigatoriedade do registro de nome das partes, número de óvulos
fertilizados, número de óvulos implantados
 anuência por escrito dos envolvidos
 consenso escrito do doador e de sua consorte, se casado for, bem como de
quem ceder o útero
 não causar dano
 imposição de responsabilidade civil e penal
 sigilo profissional
 material genético de cada doador não poderá ser usado para mais de uma
inseminação artificial
 embriões de óvulos de mulheres diferentes serem implantados em uma
mulher
 embriões formados com esperma de diferentes homens
 proibição de transplante de embrião humano para útero de outra espécie
animal
 pesquisa com embrião morto para fins terapêuticos deverá ser autorizado
 somente admitir reprodução humana assistida de impossível a fecundação
 punição para quem manter por mais de 14 dias o embrião na proveta

• Relativamente ao doador:

 documento escrito
 punição na quebra de anonimato
 vedar o comércio do material fertilizante
 não reclamar paternidade ou maternidade
 respeito a privacidade

• Atinentes a mãe:

 anuência escrita
 assistência no parto por médico diferente do que realizou a reprodução
 proibição da reprodução independente da mulher (viúva, solteira,
desquitada)
 punição para quem utilizar métodos de coação

• Concernentes a gestação por terceiro:

 exigência de exames médicos


 estipular quem será a mãe
 vedar locação de útero
 obrigação da entrega do filho à mãe
 proibir recrutamento de mulheres para locação de útero

• Relativamente a prole:

 determinar início da personalidade


 vedar comércio de embriões
 proteger o embrião
 tutela jurídica desde a fertilização
 proibição de reimplantar o embrião descartado
 proibir fertilização post mortem e no caso de sua permissão estipular direitos
 prevalência da presunção da paternidade do casal institucional (que
encomendou o filho)
 proibir impugnação de paternidade e maternidade
 estipular direitos do nascituro
 determinação das relações de parentescos
 presenvação de valores ineretente à dingidade do embrião humano
 vedação da escolha de sexo e de caracteres de filho e de investigação
genética pré-ntal

• Condizentes ao judiciário:

 controle estatal sobre as técnicas de reprodução


 homologação judicial do contrato, do requerimento do casal, pleiteando a
reprodução artificial
 apresentação da certidão de nascimento
 incineração dos autos, cuja cópia deverá ser vedada, após o transcurso do prazo
legal para ajuizar a negatória, quando admissível.
 segredo de justiça: o processo deverá correr em processo de justiça

• Em relação ao Estado:

 controle por tratados entre nações


 preservação da saúde de futuras gerações
 controle de tratados internacionais dos interesses e das atividades
ligadas à reprodução humana assistida;
 preservação da saúda das futuras gerações

A AIDS E O DIREITO

- Conceito

SIDA ou AIDS é a síndrome da imunodeficiência adquirida, pela qual o sistema


imunológico do seu portador não consegue proteger seu corpo, facilitando o
desenvovimento de inúmeras moléstias, sendo causadas pelo vírus da imunodeficiência
(HIV).
- Responsabilidades Civis: Clínicas, Médicos Hemotologista e Estado (artigo 23,
inciso II e 197 da Constituição Federal e 22 do Código de Defesa do Consumidor).

- Doenças que necessitem de controle

- Questões éticas jurídicas suscitadas pela AIDS:

- Imagem sorológica do vírus de imunodeficiência (HIV);

- formas de transmissão;

O HIV pode ser transmitido por transfusão de sangue contaminado, prática de sexo
não seguro com pessoa infectada, uso de drogas endovenenosas com agulhas comunitárias,
via perinatal, a partir da mãe soropositiva para o filho (durante a gravidez, o parto ou a
amamentação), transplante de órgãos, acidente de trânsito em que uma das vítimas com
lacerações entra em contato com o sangue de outro ferido soropositivo, sangramento oral,
inseminação artificial com sêmen de doador infectado e amamentação de criança
soropositiva com estomatite, desde que a nutriz apresente fissuras mamilares.

- teste sorológico compulsório.

Teste realizado para averiguar quem são os indivíduos infectados; em algumas


hipóteses, torna-se imprescindível para a proteção da saúde e da vida da população.

- Quando é feita a triagem sorológica para a detecção do vírus HIV

A triagem sorológica para a detectação do vírus HIV é feita para:

• selecionar doadores de sangue;


Visa a responsabilidade civil pela segurança da qualidade do sangue e de seus
dervados a serem utilizados em tranfusões.

• proteger os pacientes e equipe hospitalar - Lei 1649/88 e Parecer 11/92;

Controlar a infecção, em internados em hospitais ou ambulatórios, desde que haja


consenco prévio e esclarecido, dotado de sigilo em relação ao resultado e de manutenação
de seus dirietos no que atina à qualidade do atendimento.

• evitar procedimento que possam emitir HIV a pacientes pelos professores da saúde;

Neste caso, os pacientes não podem obrigar os profissionais de saúde informá-los de


seu estado, pois têm o direito de manter o sigilo, desde que a doença não prejudique sua
competência profissional.

• terapia pré-natal e pré-nupcial;

O sigilo deve ser mantido quanto ao resultado e respeito à decisão de se submeter ao


teste.

• presidiários; esporte combativo;

É necessário proteger presidiários, antes as precárias condições sanitárias das


penitenciárias e a promiscuidade, evitando a disseminção incontrolável da AIDS, em face
de relacionamento hoossexual e bissexual, por haver direito a visitas íntimas.
Evitar contágio em esporte combativo que se caracterize por contato corporal direto
ou no qual possa haver sangramento ou lesão cutânea com exsurdação ou mucosa exposta.

• piloto de avião;
Neste caso, busca-se garantir a segurança dos passageiro de avião, pois, se um dos
pilotos forem HIV positivo, poderá apresentar disfunções neurológicas, lesão no sistema
nervoso centrou ou demência

- não exige? Instituição educacional - portaria interministerial 796/92, menor


interno; estagiários.

Não devem ser exigidos testes sorológicos em alunos, professores ou funcionários


de entidades educacionais. Se alguns deles forem soro positivos, não são obrigados a
informar sua condição. Mas, recomenda-se estipular sistema de atendimento médico
permanete, essencial e beféfico, com viabilidade ética de reconhecer os infectados à vista
de diagnósticos relevantes. Manter programa educativo informativo.

- Proteção jurídica de Dignidade dos Portadores do vírus imunodeficiência (HIV) e


dos doentes da síndrome da AIDS

Em caso de HIV/AIDS, por ser um estado de saúde com risco estigmatizante, deve
haver proteção jurídica dos direitos dos que se encontrarem nessa situação, estabelecendo-
se garantias contra limitação indevida daqueles direitos, tais quais

- livre escolha de emprego. Artigos 5º, XIII e XII; 3º IV, 6º; 7º e 8º, todos da
Constituição Federal. TJSP-AC 216.708, da Lei 1711/52 – artigo 104 e 105 – licenças,
saúde, aposentadoria por invalidez;

- assistência domiciliar terapêutica “STF-AGE 271.286, segunda turma – Celso


Melo” e Resolução 1401/93;

- ir e vir;

- educação – artigo 205 da Constituição Federal e Portaria 796/96;


- privacidade, intimidade e garantia de sigilo – artigo 5º, inciso X da Constituição
Federal (crimes 130 a 132, 213 do CP);

- prática desportiva;

- benefício auxílio doença e assistência social; PIS, FGTS;

- a vida, inviabilizando a interrupção da gravidez;

- alimentos – artigo 1696 do CC/02 e assistência a família – 244 do CP;

- concessão de indulto ou prisão domiciliar (RT 623.334);

- efetivar negócios;

- controlar núpcias (1557, inciso III do CC/02 e Lei 6515/77 – artigo 5º);

- guarda e visita de filhos;

- receber e transmitir herança;

- vida sexual ativa;

- indenização por dano moral e material;

- por contaminação por transfusão de sangue (TJSP AC 206.754.1);

- ou por perda de emprego para descriminação (artigo 165 da CLT);

- aumentar o filho;
- seguro saúde (Lei n. 9656/98).

ADEQUAÇÃO DO RISCO DO INTERTSEXUAL E DO TRANSEXUAL

Homosexual, Travestismo, transexual e intersexual

Intersexual: “É lícita a retificação no registro civil de hermafrodita,


definido o sexo predominante através de operação cirúrgica ou reparadora,
assumindo prenome compatível (RT 444: 912 e 672.102)
- Casamento?

Transexualismo: é a condição da pessoa que rejeita sua identidade


genética e a própria anatomia de seu gênero, identificando-se
psicologicamente com o gênero oposto.

Causas do transexual:
- Fatores hormonais;
- alterações cromossômicas.

1.4 dificuldades de ordem religiosa>


- Judaísmo;
- Rabínico;
- Catolicismo;
- Islamismo.

1.5 Conselho F.M Res. 1482/97 – Res. 1652/02


“Transexual é portador de desvio psicológico permanente de identidade sexual...”

1.6 Requisitos necessários para a cirurgia:


a) desconforto;
b) desejo compulsivo de eliminar;
c) distúrbio contínuo;
d) equipe médica.

1.7 Problemas questionados com operação

2 PROBLEMAS JURÍDICOS DECORRENTES DA MUDANÇA DE SEXO

2.1 Direito Comparado: Lei seca, alemã, italiana, holandesa, belga, suíça, turca,
peruana, portuguesa, dinamarquesa, estadunidense.

2.2 Prenome do transexual:


- art. 3º. IV e 5º, X, da CF/88 e art. 4º e 5º, da CC/02, da Lei n. 6015/73 – art. 58.
- casamento? Aposentadoria? Prestação de serviço militar? Adoção de filhos?
Direitos sucessórios.

- Art. 196, e art. 5º, LXXI, da CF/88?

- cirúrgica do transexual casado

- Quanto ao casamento: art. 155, I e III e 1560, III, do CC/02?

- artigo 13, do CC/02

Enunciado 276 do Conselho da Justiça Federal (autoriza a cirugica de


transgenitalização - “síndrome de disforia”).