Você está na página 1de 6

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

Circuito de Disparo baseado no Integrado TCA 785

O Retificador Controlado pode ser subdividido em duas partes: potência, e controle. A parte de potência é
obtida através de um estrutura semelhante em retificadores não controlados, com a diferença de
substituirmos diodos da estrutura por tiristores. Esses por sua vez só permitem a condução quando
recebem um pulso oriundo do circuito de disparo. Já a parte de controle, que é a responsável pelo disparo
dos tiristores, é baseada no integrado TCA 785. Esse CI tem a finalidade de produzir um pulso de corrente
no Gatilho para que ocorra o acionamento dos tiristores. No caso de retificadores monofásicos
controlados (fig01) temos a seguinte topologia:

Fig01. Retificador Monofásico Controlado de Meia Onda com Diodo de Comutação

Representaremos agora a parte de potência de um circuito monofásico controlado de onda completa


(fig02).

Fig02. Retificador em Ponte Monofásico Totalmente Controlado

A ligação entre o circuito de disparo e os tiristores é basicamente representada pela estrutura da fig03:
Fig03. Terminais de Saída do Circuito de Disparo

O circuito integrado monolítico analógico TCA 785 com 16 pinos disponíveis é


fabricado pela Icotron S/A Indústria de Componentes Eletrônicos. Entre várias
aplicações gerais é dedicado à aplicação de controle de ângulo de disparo de tiristores
(triacs e tiristores) continuamente de 0o a 180o . Sua configuração interna possibilita
uma simplificada seleção de componentes externos para chaveamento, sem tornar muito
volumoso o circuito final. Devido a sua versatilidade, permite inúmeras aplicações
dentro da eletrônica, apesar de um componente dedicado à construção de circuitos de
disparos para tiristores em geral.

Descrição do seu Funcionamento

a) Características principais de uso:

• Compatível com LSI (imune a ruído);


• Consumo interno de corrente, apenas 5 miliampéres;
• Possibilidades de inibição simultânea de todas as saídas;
• Operação em circuitos polifásicos, utilizando, mais de um TCA ligados em paralelo,
ligação esta já prevista pelo fabricante;
• Duas saídas principais (corrente até 55 miliampéres) e duas em coletor aberto
(corrente até 1,5 miliampéres);
• Uma saída para controle de triacs;
• Duração dos pulsos de saída determinada pela colocação de um capacitor externo;
• Saída de tensão regulada em 3,1V.

b) Diagrama Interno

Na fig.4 têm-se desenhadas, em termos de diagrama de blocos, as principais funções


internas do integrado. Internamente, o integrado é alimentado por uma tensão
regulada de 3,1V, independente das variações possíveis em sua alimentação externa,
estimada entre 8 e 18V. Essa tensão de 3,1V pode ser obtida no pino 8. O
sincronismo é obtido através de um detetor de zero (pino 5), conectado a um
registrador de sincronismo. O gerador de rampa, cujo controle está na unidade lógica,
provém de uma fonte de corrente constante carregando o capacitor o C10, corrente
essa controlada pelo potenciômetro P9, cuja finalidade é ajustar a amplitude da
rampa, que vai a zero sempre que a tensão de sincronismo passa pôr zero, devido a
saturação de um transistor em paralelo com o capacitor. O comparador de controle
compara a tensão de rampa com a tensão de controle; quando essas forem iguais
envia pulsos nas saídas via unidade lógica. Obtêm-se, então, no pino 15, pulsos
positivos no semiciclo positivo de tensão de sincronismo, defasados entre si de 180o .
Esses pulsos têm suas larguras determinadas pela conexão de um capacitor externo,
C12, entre o pino 12 e o terra, de acordo com a Tabela 1 , e amplitudes iguais à tensão
de alimentação do pino 16. Nos pinos 2 e 4 obtêm-se saídas complementares dos
pinos 14 e 15, respectivamente, em coletor aberto, necessitando da ligação externa
de um resistor entre os pinos 2-16 e 4-16, proporcionando uma corrente máxima de
5mA. A largura dos pulsos podem ser controlada através da conexão de um resistor
entre os pinos 13 e 16. Para aplicação com triacs pode-se usar a saída 7, que fornece
um pulso correspondente à soma lógica nor dos pulsos nos pinos 14 e 15. O pino 6
quando aterrado pôr um relé ou um transistor PNP inibe todas as saídas do TCA 785,
servindo de proteção para o sistema.
Tabela 1
Capacitor (C12) em pF 100 220 330 680 1000
Duração dos Pulsos em ms 0.080 0.130 0.200 0.370 0.550

BLOCO 1 → Detetor de zero.


BLOCO 2 → Memória de Sincronismo.
BLOCO 3 → Unidade Lógica.
BLOCO 4 → Monitor de descarga de C10.
BLOCO 5 → Regulador de tensão (3,1V).
BLOCO 6 → Comparador de Controle.

Fig4. Diagrama de Blocos Interno


c) Funções resumidas pino a pino:

- PINO 01 → Terra.
- PINO 02 → Saída complementar do pino 15, em coletor aberto.
- PINO 03 → Saída de pulso positivo, em coletor aberto.
- PINO 04 → Saída complementar do pino 14, em coletor aberto.
- PINO 05 → Entrada de Sincronismo (diodos em antiparalelo).
- PINO 06 → Inibe todas as saídas (quando aterrado).
- PINO 07 → Saída em coletor aberto para acionar Triacs.
- PINO 08 → Fornece 3.1V estabilizado.
- PINO 09 → Potenciômetro de ajuste de rampa ( 20<R9>500K).
- PINO 10 → Capacitor de formação de rampa (C10 ≤ 0.5µF ).
- PINO 11 → Entrada de Tensão de controle (nível/CC).
- PINO 12 → Controla a largura dos pulsos de saídas 14 e 15.
- PINO 13 → Controla a largura dos pulsos de saídas 14 e 15.
- PINO 14 → Saída de pulso positivo no semiciclo positivo.
- PINO 15 → Saída de pulso positivo no semiciclo negativo.
- PINO 16 → Alimentação CC, não necessariamente estabilizada.

d) Dados técnicos de operação

- Tensão de Alimentação CC 08 a 18 V
- Freqüência de trabalho 10 a 50 Hz
- Temperatura ambiente 0o a 70o
- Tensão de controle (pino 11) 02 a 15 V
- Corrente de consumo (sem carga) 05 a 10mA
Corrente de carga I10 = (1,25Vef)/R9
Tensão de rampa V10 = (1,25tVef )/(R9C10)

A figura 5 mostra as formas de onda obtidas em alguns pinos do TCA.

Por se tratar de um circuito integrado, dedicado à construção de circuitos de disparo para


acionamento de tiristores em geral, a preocupação maior é a de fornecer os disparos nos
instantes desejados, e posteriormente ligar os circuitos de disparo e o de potência,
evitando curtos-circuitos fatais. Outra facilidade que o circuito integrado oferece é como
respeitar à polarização, pois esta é obtida a partir das características do integrado,
fornecidas pelo fabricante e uma vez polarizados, os componentes auxiliares se
manterão em quaisquer circuitos de disparo, modificando apenas o sincronismo e o
número de integrados necessários para obtenção do número de pulsos desejados.
Fig.5 Principais formas de onda do TCA 785

A fig.6 mostra um circuito de polarização para o TCA 785, sugerido pelo fabricante e
baseada nas características elétricas do componente.

Fig.6 circuito de polarização para o TCA 785


Para garantir a condução do tiristor, uma vez que, dada a natureza indutiva da carga o
tiristor não conduza no exato instante de disparo α, aplica-se um trem de pulso (e não
apenas um pulso) após o instante α. A figura 7 mostra a inclusão do oscilador 555 que gera
um trem de pulso a partir do ângulo de disparo α.

12V
g1
16 15 k1
5
12 5 g4
11 t 5
c k4
6 a
5
14
1 g3
k3
5
5
g2
5
k2
7812
12V
220ca

Fig.7 Circuito de disparo do TCA que gera trem de pulso a partir de α