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FENOMENOLOGIA

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Fenomenologia Edmund Husserl Franz Brentano Max Scheler René Descartes John Locke David Hume Immanuel Kant Hume Maurice Merleau-Ponty Jean-Paul Sartre William James Gestalt Karl Jaspers Ludwig Binswanger Gabriel Marcel Francis Bacon (filósofo) Redução fenomenológica 1 9 13 14 15 20 24 34 46 47 48 59 64 68 69 70 73 78

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Fenomenologia

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Fenomenologia
Fenomenologia (do grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra - e logos - explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência, os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação". Os objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema). Edmund Husserl (1859-1938) - filósofo, matemático e lógico – é o fundador da Fenomenologia como método de investigação filosófica e estabeleceu os principais conceitos e métodos que seriam amplamente usados pelos filósofos desta tradição. O filósofo mais influente do começo do século XX, influenciado por Franz Brentano- seu mestre Edmund Husserl: idealizador de uma filosofia lutou contra o historicismo e o psicologismo. Idealizou um recomeço descritiva da experiência subjetiva. para a filosofia como uma investigação subjetiva e rigorosa que se iniciaria com os estudos dos fenômenos como aparentam a mente para encontrar as verdades da razão. Suas investigações lógicas influenciaram até mesmo os filósofos e matemáticos da mais forte corrente oposta, o empirismo lógico. A Fenomenologia representou uma reação à eliminação da metafísica, pretensão de grande parte dos filósofos e cientistas do século XIX.

A Fenomenologia de Husserl
Husserl foi professor em Göttingen e Freiburg im Breisgau, e autor de “A ideia da Fenomenologia” – 1906. Contrariamente a todas as tendências no mundo intelectual de sua época, Husserl quis que a filosofia tivesse as bases e condições de uma ciência rigorosa. Porém, como dar rigor ao raciocínio filosófico em relação a coisas tão variáveis como as coisas do mundo real? O êxito do método científico está no estabelecimento de uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre outra realidade. Para evitar que a verdade filosófica também fosse provisória Husserl propõe que ela deveria referir-se às coisas como se apresentam na experiência de consciência, estudadas em suas essências, em seus verdadeiros significados, de um modo livre de teorias e pressuposições, despidas dos acidentes próprios do mundo real, do mundo empírico objeto da ciência. Buscando restaurar a "lógica pura" e dar rigor à filosofia, argumenta a respeito do principio da contradição na Lógica. No primeiro volume de “Investigações lógicas” -1900-01, sob o título Prolegomena, Husserl lança sua crítica contra o Psicologismo. Segundo os psicologistas, o princípio de contradição seria a impossibilidade de o sistema associativo estar a associar e dissociar ao mesmo tempo. Significaria que o homem não pode pensar que A é "A" e ao mesmo tempo pensar que A é "não A". Husserl opõe-se a isto e diz que o sentido do principio de contradição está em que, se A é "A", não pode ser "não A". Segundo ele, o princípio da contradição não se refere à possibilidade do pensar, mas à verdade daquilo que é pensado. Insistiu em que o principio da contradição, e assim os demais princípios lógicos, têm validez objetiva, isto é, referem-se a alguma coisa como verdadeira ou falsa, independentemente de como a mente pensa ou o pensamento funciona. Em seu artigo “Filosofia como ciência rigorosa" -1910-11- Husserl ataca o naturalismo e o historicismo. Objetou que o Historicismo implicava relativismo, e por esse motivo era incapaz de alcançar o rigor requerido por uma ciência

Fenomenologia genuína.

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A redução Fenomenológica
A fenomenologia é o estudo da consciência e dos objetos da consciência. A redução fenomenológica, "epoche", é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Coisas, imagens, fantasias, atos, relações, pensamentos eventos, memórias, sentimentos, etc. constituem nossas experiências de consciência. Husserl propôs que no estudo das nossas vivências, dos nossos estados de consciência, dos objetos ideais, desse fenômeno que é estar consciente de algo, não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não a objetos do mundo externo à nossa mente. O interesse para a Fenomenologia não é o mundo que existe, mas sim o modo como o conhecimento do mundo se realiza para cada pessoa. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes, crenças, teorias, e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco, porque esta é a realidade para ela. O Noesis é o ato de perceber e o Noema é o objeto da percepção – esses são os dois pólos da experiência. A coisa como fenômeno de consciência (noema) é a coisa que importa, e refere-se à conclamação "às coisas em si mesmas" que fizera Husserl. "Redução fenomenológica" significa, portanto, restringir o conhecimento ao fenômeno da experiência de consciência, desconsiderar o mundo real, colocá-lo "entre parênteses", o que no jargão fenomenológico não quer dizer que o filósofo deva duvidar da existência do mundo como os idealistas radicais duvidam, mas se preocupar com o conhecimento do mundo na forma que se realiza e na visão do mundo que o indivíduo tem.

Consciência e Intencionalidade
Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade, porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a essência da consciência que é representada pelo significado, o nome pelo qual a consciência se dirige a cada objeto. Em “A Psicologia de um ponto de vista empírico"- 1874 - Franz Brentano afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são aqueles fenômenos os quais, precisamente por serem intencionais, contêm neles próprios um objeto". Isto equivale afirmar, como Husserl, que os objetos dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim, envolve a descrição de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se aplicava apenas ao direcionamento da vontade.

Franz Brentano: mestre de Husserl

Fenomenologia

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A Redução Eidética
Reconhecido o objeto ideal, o noema, o passo seguinte é sua “redução eidética”, redução à ideia. Consiste na análise do noema para encontrar sua essência. Isto porque não podemos nos livrar da subjetividade e ver as coisas em si mesmas, pois em toda experiência de consciência estão envolvidos o que é informado pelos sentidos e o modo como a mente enfoca aquilo que é informado. Portanto, dando-se conta dos objetos ideais, uma realidade criada na consciência, não é suficiente - ao contrário: os vários atos da consciência precisam ser conhecidos nas suas essências, aquelas essências que a experiência de consciência de um indivíduo deverá ter em comum com experiências semelhantes nos outros. A redução eidética é necessária para que a filosofia preencha os requisitos de uma ciência genuinamente rigorosa de claridade apodítica, a certeza absolutamente transparente e sem ambigüidade - requisitos antes mencionados por Descartes. Os objetos da ciência rigorosa têm que ser essências atemporais, cuja atemporalidade é garantida por sua idealidade, fora do mundo cambiável e transiente da ciência empírica. Por exemplo, "um triângulo". Posso observar um triângulo maior, outro menor, outro de lados iguais, ou desiguais. Esses detalhes da observação - elementos empíricos - precisam ser deixados de lado a fim de encontrar a essência da ideia de triângulo - do objeto ideal que é o triângulo -, que é tratar-se de uma figura de três lados no mesmo plano. Essa redução à essência, ao triângulo como um objeto ideal, é a redução eidética.

A Intuição do Invariante
Não importa para a Fenomenologia como os sentidos são afetados pelo mundo real. Husserl distingue entre percepção e intuição. Alguém pode perceber e estar consciente de algo, porem sem intuir o seu significado. A intuição eidética é essencial para a redução eidética. Ela é o dar-se conta da essência, do significado do que foi percebido. O modo de apreender a essência, Wesensschau, é a intuição das essências e das estruturas essenciais. De comum, o homem forma uma multiplicidade de variações do que é dado. Porém, enquanto mantém a multiplicidade, o homem pode focalizar sua atenção naquilo que permanece imutável na multiplicidade, a essência - esse algo idêntico que continuamente se mantém durante o processo de variação, e que Husserl chamou "o Invariante". No exemplo do triângulo, o "Invariante" do triângulo é aquilo que estará em todos os triângulos, e não vai variar de um triângulo para outro. A figura que tiver unicamente três lados em um mesmo plano, não será outra coisa, será um triângulo. Não podemos acreditar cegamente naquilo que o mundo nos oferece. No mundo, as essências estão acrescidas de acidentes enganosos. Por isso, é preciso fazer variar imaginariamente os pontos de vista sobre a essência para fazer aparecer o invariante. O que importa não é a coisa existir ou não ou como ela existe no A Universidade de Freiburg, onde Husserl e mundo, mas a maneira pela qual o conhecimento do mundo acontece Heidegger ensinavam filosofia. como intuição, o ato pelo qual a pessoa apreende imediatamente o conhecimento de alguma coisa com que se depara – que também é um ato primordialmente dado sobre o qual todo o resto é para ser fundado. Husserl definiu a Fenomenologia em termos de um retorno à intuição, Anschauung, e a percepção da essência. Além do mais, a ênfase de Husserl sobre a intuição precisa ser entendida como uma refutação de qualquer abordagem meramente especulativa da filosofia. Sua abordagem é “concreta”, trata do fenômeno dos vários modos de consciência. A Fenomenologia não restringe seus dados à faixa das experiências sensíveis, pois admite dados não sensíveis (categoriais) como as relações de valor, desde que se apresentem intuitivamente.

Fenomenologia 4 Redução Transcendental Embora tenha trabalhado até o final de sua vida na definição do que chamou Redução Transcendental. Ampliou a idéia de intuição. fundamento da apreensão do valor.com poucas exceções como Descartes. uma tarefa indispensável. empírico. relacionamento e papeis sociais. Locke. a palavra "mesa" descreve todos os vários dados dos sentidos que nós consultamos normalmente quanto às aparências ou às sensações de "mesa". Ele tentou em “O ser e o tempo” descrever o que chamou de estrutura do cotidiano. O fenomenólogo. Husserl não chegou a uma conclusão clara. ao lado de uma intuição intelectual. Heidegger Discípulo de Husserl. a função das palavras não é nomear tudo que nós vemos ou ouvimos. outra de caráter emocional. Identificam nossos dados dos sentidos atuais como sendo do mesmo grupo que outros que já tenhamos registrado antes. ou "o estar no mundo". mas logo surgiram diferenças entre ele e o mestre. como tal. preocupado que a fenomenologia se dedicasse ao que está escondido na experiência do dia a dia. tudo que o homem pensa. Para o fenomenólogo. enquanto Husserl repetidamente enfatizou a importância de um começo radicalmente novo para a filosofia queria colocar "entre parênteses". foi Max Scheler (1874-1928). para Heidegger. são fenômenos da consciência). Basicamente seria a redução fenomenológica aplicada ao próprio sujeito. Uma palavra não descreve uma única experiência. Discutir e absorver os trabalhos de importantes filósofos na história da Metafísica era. que são o que ele chama fenômeno. o conjunto dos fenômenos. tudo que existe são as sensações ou possibilidades permanentes de sensações. Hume e Kant. mas salientar os padrões recorrentes em nossa experiência. quer. Fenomenologia e Fenomenalismo A fenomenologia não pode ser confundida com o Fenomenalismo. Max Scheler . Heidegger salientou que ser lançado no mundo entre coisas e na contingência de realizar projetos é um tipo de intencionalidade muito mais fundamental que a . transcendental. mas como consciência pura. Para o Fenomenalismo. é o que a palavra "Mundo" significa. tem um significado maior. geradora de todo significado. colocando. diferentemente do fenomenalista. que é aquilo a que chamam fenômeno. ama ou teme. Heidegger dedicou a ele sua obra fundamental "O Ser e o Tempo" -1927. isto é. Em sua crítica a Husserl. A Fenomenologia examina a relação entre a consciência e o Ser. E por sua vez. o conjunto das significações. é intencional. mas um grupo ou um tipo de experiências. pois este não leva em conta a complexidade da estrutura intencional da consciência que o homem tem dos fenômenos. que abrange todos os outros.um dos grandes expoentes da fenomenologia Heidegger tomou seu caminho próprio. Outros Pensadores Max Scheler O mais original e dinâmico dos primeiros associados de Husserl. que havia integrado o grupo de Munique quem realizou seu principal trabalho fenomenológico com respeito a problemas do valor e da obrigação. refere-se a um desses universais (que são significados e. com tudo que isto implica quanto a projetos pessoais. a história do pensamento filosófico . no entanto. pois que tudo isto também são objetos ideais. Assim. que então se vê não como um ser real. precisa prestar atenção cuidadosa ao que ocorre nos atos da consciência.

que o homem teria no espírito ao nascer -. recheada de termos que caíram no gosto dos acadêmicos. Suas obras. outro importante representante do Existencialismo na França. por exemplo. mas se tornaram um obstáculo ao entendimento da doutrina inclusive entre os próprios intelectuais. acusado de heresia. A negação de valores e o convite ao anarquismo implícitos na doutrina atraíram os pensadores de Esquerda e afastaram os conservadores de Direita. de dúvida e observação. A Fenomenologia e Outras Filosofias O Empirismo Galileu (1564-1642). com sua luneta. e criticou o pensamento de Descartes (1596-1650) de que existiriam algumas idéias que seriam inatas . 5 Merleau-Ponty Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). o tratamento científico de todos os fatos e fenômenos. alguma coisa é enviada pelos objetos e é captada por nossos sentidos e dão causa à formação das idéias. foi ao mesmo tempo o mais importante fenomenólogo francês. que haveria de afetar profundamente a filosofia e criar o Positivismo. E é aquela intencionalidade mais fundamental a causa e a razão desta última. Sartre declara que "a subjetividade deve ser o ponto de partida" do pensamento existencialista. como fez Heidegger. a idéia de perfeição. . tão certa para todos. de 1965. Este pensamento é a base da teoria corpuscular da luz. foram os mais originais desenvolvimentos e aplicações posteriores da Fenomenologia produzidos na França. o que levou rapidamente o homem a novos conhecimentos na astronomia. como. por pouco não foi condenado a morrer na fogueira. ou seja. nos quais faz a distinção entre a consciência perceptual e a consciência imaginativa aplicando o conceito de intencionalidade de Husserl. na química e na física. A nova atitude naturalista de Galileu. inspirou Francis Bacon (1561-1626) a criar tábuas para o controle da experimentação e o estabelecimento de leis científicas. descobre que as esferas celestes não existiam e porque contrariou essa idéia. “A Imaginação” (1936) e “O Imaginário: Psicologia fenomenológica da imaginação” (1940). deu origem à Corrente Empirista. No seu “A Filosofia do Existencialismo”. Segundo John Locke. Em sua tentativa de aplicar a Fenomenologia ao exame da existência humana. Sartre e outros autores franceses desenvolveram uma linguagem sofisticada.Fenomenologia intencionalidade de meramente contemplar ou pensar objetos. de associações entre essas idéias de origem sensível). o que mostra que o existencialista é primeiramente um fenomenólogo. A mesma atitude de observação e interpretação natural levada ao estudo da mente e do conhecimento. John Locke O maior dos filósofos empiristas procurou no seu Essay Concerning Human Understanding (1690) demonstrar que todas as idéias são registros de impressões sensíveis (ou são derivadas de combinações. “A Estrutura do comportamento” (1942) e “Fenomenologia da percepção” (1945). Sartre Jean-Paul Sartre (1905-1980) segue estritamente o pensamento de Husserl na análise da consciência em seus primeiros trabalhos. inclusive em Política.

retira do objeto a sua essência e a coloca na mente do homem. ou seja. podem ser solucionados por meio do estudo científico dos processos psicológicos. 6 Psicologismo e Historicismo À influência da psicologia associativa de Locke sobre a filosofia (ou teoria) do conhecimento se chamou Psicologismo. o fenômeno da representação da mesa na mente. contendo a mesma idéia. Idealismo A Fenomenologia de Husserl é uma forma de idealismo. havia algo que era sua essência. normativa. Hegel e outros. por influência dos sentidos (a construção das idéias que o homem tem em sua mente se faz por informação dos sentidos. terá sempre aqueles componentes básicos que garantirão a aquele objeto o significado de mesa. tal como os idealistas Platão. porque lida com objetos ideais. A filosofia ficou fora de moda. intelectual e moral do período histórico em que aconteciam. uma mesa maior. O objeto ideal mesa. não importa. por exemplo. para as coisas mesmas. fazia que fosse uma mesa e não outra coisa qualquer. estava no Mundo das Idéias que as almas humanas podiam vislumbrar antes da encarnação. com as idéias das coisas em sua essência. Seria apenas uma disciplina definidora. Os fatos históricos somente poderiam ser compreendidos e julgados se confrontados com a cultura estética. negou o valor do raciocínio lógico e denunciou que a relação de causa e efeito não é suficiente como verdade. O historicismo representava a mesma tendência empirista para uma interpretação científica da História. o que se chamou "universais". por sua vez. vista de cima ou de baixo. no mundo real. Aristóteles (384-322 AC) reconheceu de pronto a importância desse pensamento. porém trouxe a essência das coisas para o mundo real.Fenomenologia David Hume Ainda mais contundente que seu predecessor. pois nada encontramos entre causa e efeito senão que um acidente costumeiramente se segue a outro. todas referindo-se ao mesmo objeto ideal. religiosa. dos atos psíquicos. todas elas redutíveis ao mesmo significado. constituídas da mesma essência. como dito por Locke) existem várias imagens possíveis de um objeto. Locke. Platao Para Platão (428-347 AC). porque a essência de "mesa" está na própria mente. Estamos habituados a chamar o primeiro acidente de causa apenas porque ele sempre acontece antes do segundo que chamamos de efeito. . não importando quantas e quais fossem as variações acidentais. Os psicologistas entendiam a lógica . e não em relação a valores morais permanentes. por uma pessoa míope ou por outra daltônica. Todas as imagens de mesa (o exemplo mais freqüente nos textos) têm uns certos componentes que fazem com que cada uma das imagens signifique "mesa". A Psicologia deve ser tomada como base para a Lógica. É a teoria de que os problemas da epistemologia (a validade do conhecimento humano) e inclusive a questão da consciência. porém todas elas significando a mesma coisa. e que. Em uma mesa.domínio da filosofia como ciência. Husserl. menor. Desde os ensinamentos de Platão a filosofia nos diz que. independe de que haja qualquer mesa no mundo externo. e suas matérias apenas regras para pensar bem. alta ou baixa. e não fonte de verdade. essa essência de cada coisa. dos modos associativos do pensamento. "reduzida" a uma psicologia científica vinculada ao Positivismo.

Fenomenologia Immanuel Kant A afinidade entre Husserl e Kant está em ambos buscarem a condição de verdade do conhecimento. Husserl sustenta que a verdade está no conhecimento das essências, e Kant, que ela existe limitada às categorias do que é possível conhecer. Segundo a filosofia do conhecimento (Crítica) de Immanuel Kant (1724-1804), nós não podemos conhecer as coisas inteiramente, porque nem todos os sinais que recebemos das coisas são aceitos pela mente, e disto resulta que não podemos conhecer inteiramente o real. Conhecemos do real apenas aquilo que a mente pode assimilar, e que ele chamou fenômeno; ao que permanece incognoscível para nós ele chamou o noumeno. Então Kant tomou a série de conceitos que Aristóteles havia listado como o que podemos dizer das coisas, e transformou-a em uma série de categorias que são o que podemos conhecer das coisas. Para Kant o dado empírico tem validade, porém nunca validade absoluta ou apodítica. Husserl igualmente duvida do conhecimento científico dos fatos e, para ele, o que deve ser procurado é o conhecimento científico das essências.

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Fenomenologia e Psicologia
Foi de grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na psicologia, na qual Franz Brentano e o alemão Carl Stumpf haviam preparado o terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. Este método, e as adaptações desse método, tem sido usados para estudar diferentes emoções, patologias, coisas tais quais separação, solidão, solidariedade, as experiências artística e religiosa, o silêncio e a fala, percepção e o comportamento, e assim por diante. Karl Jaspers Mas a Fenomenologia deu provavelmente sua maior contribuição no campo da psiquiatria, no qual o alemão Karl Jaspers (1883-1969), um destacado existencialista contemporâneo, ressaltou a importância da investigação fenomenológica da experiência subjetiva de um paciente. O paciente psicológico é paciente em vista do objeto ideal que em sua Carl Stumpf mente corresponde à realidade, não importa qual a situação externa, e porque essa construção ideal difere do padrão comum dos objetos ideais na mente das demais pessoas com respeito aos mesmos estímulos dos sentidos. O psicólogo precisa encontrar o significado nos objetos do mundo ideal do seu paciente, a fim de poder lidar com sua situação psicologia. Jaspers foi seguido pelo suíço Ludwig Binswanger (1881-1966) e vários outros, inclusive Ronald David Laing (1927-1989) na Inglaterra, na psiquiatria existencial da linha filosófica ateia de Sartre; Viktor Frankl (1905-1997), com sua teoria da logotherapia, na Áustria e, pioneiramente, Halley Bessa (1915-1994), no Brasil, ambos da linha do existencialismo cristão de Gabriel Marcel (1889-1973).

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Críticas à Fenomenologia
Na psicologia, a objeção que se levanta é contra a possibilidade de se viver com o paciente sua própria visão do mundo, de sua situação e de si mesmo. Como a subjetividade deve estar também no psicólogo, é impossível ter o terapeuta uma intuição desses aspectos que seja inteiramente livre do seu próprio eu, do seu próprio pensar, de modo a evitar introduzirem-se em sua análise certas impressões pessoais que precisaria evitar. A Fenomenologia diz é que o terapeuta deve buscar compreender com a sua subjetividade a subjetividade alheia. Na verdade, necessita um grupo de psicólogos consultores de modo que as suas visões possam se somar para uma compreensão mais profunda de um fenômeno, "intersubjectividade". Porém deve lembrar-se de que, a rigor, ele não tem nenhum padrão absolutamente confiável para aprovar ou reprovar qualquer comportamento alheio, apesar de se encontrar confortável com a estatística da normalidade das atitudes e dos costumes. Na Política e no Direito, o modo de se lidar com a subjetividade é a Democracia, em que o problema da subjetividade é contornado por meio do consenso, pela coincidência estatística de opiniões, pelo voto de um conselho ou da população, de modo que, por assim dizer, a subjetividade de um único indivíduo, ou de uma minoria de intelectuais, não venha a prevalecer. Em Moral e Religião, a âncora são as escrituras, consideradas revelação divina.

Lista de Pensadores
• • • • • • • • • • • • • • • • • Edmund Husserl Max Scheler Franz Brentano Bernhard Bolzano Roman Ingarden Jean-Paul Sartre Michel Henry Ernesto Grassi Renaud Barbaras Bruce Begout Arnold Gehlen Ludwig Landgrebe Bernhard Waldenfels Rombach Heinrich Adolf Reinach Stanley Cavell • • • • • • • • • • • • • • • • Maurice Merleau-Ponty • Karl Jaspers Ludwig Binswanger Emmanuel Levinas Nicolai Hartmann Jan Patočka Oskar Becker Edith Stein Georges Gurvitch Eugen Fink Theodor Conrad Claude Romano Jean-Luc Marion Helmuth Plessner Amedeo Giorgi Mikel Dufrenne Shaun Gallagher • • • • • • • • • • • • • • • Martin Heidegger Hans-Georg Gadamer Carl Stumpf Gabriel Marcel Hannah Arendt Martin Buber Paul Ricoeur Alfred Schütz Friederich Perls Alexander Schnell Hans Köchler Françoise Dastur Joel Martins Ronald D. Laing Erazim Kohah Marc Richor

Dietrich von Hildebrand •

Links Externos
• • • • • Newsletter of Phenomenology. [1] (online-newsletter) Research in Phenomenology. [2] Duquesne Univ. Pr., Pittsburgh Pa 1.1971ff. ISSN 0085-5553 [3] Studia Phaenomenologica. [4] ISSN 1582-5647 [5] Center for Advanced Research in Phenomenology [6] Sociedade Brasileira de Psicologia Humanista Existencial [7]

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Referências
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] http:/ / www. phenomenology. ro/ newsletter/ newsletter_all. htm http:/ / www. brill. nl/ m_catalogue_sub6_id9390. htm http:/ / dispatch. opac. d-nb. de/ DB=1. 1/ LNG=EN/ CMD?ACT=SRCHA& IKT=8& TRM=0085-5553 http:/ / www. studia-phaenomenologica. com/ http:/ / dispatch. opac. d-nb. de/ DB=1. 1/ LNG=EN/ CMD?ACT=SRCHA& IKT=8& TRM=1582-5647 http:/ / www. phenomenologycenter. org http:/ / www. sobraphe. org. br

Edmund Husserl
Edmund Gustav Albrecht Husserl

Edmund Husserl Nascimento 8 de Abril de 1849 Proßnitz 26 de Abril de 1938 Friburgo Alemão Filósofo Fenomenologia

Morte

Nacionalidade Ocupação Escola/tradição

Principais interesses Epistemologia, Lógica, Ontologia, Matemática Ideias notáveis Influências Influenciados Epoché, Noema, Noesis, Redução eidética, Experiência antepredicativa, Lógica genética, fundador da Fenomenologia

Edmund Gustav Albrecht Husserl (Proßnitz, 8 de Abril de 1859 — Friburgo, 26 de Abril de 1938) foi um matemático e filósofo alemão, conhecido como o fundador da fenomenologia.

Edmund Husserl

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Biografia
Nascido numa família judaica numa pequena localidade da Morávia (região da actual República Checa). Aluno de Franz Brentano e Carl Stumpf, Husserl influenciou entre outros os alemães Edith Stein, Eugen Fink e Martin Heidegger, e os franceses Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Michel Henry e Jacques Derrida. O interesse do matemático Hermann Weyl pela lógica intuicionista e pela noção de impredicatividade teria resultado de contatos com Husserl. Na verdade, a impulsão primeira da lógica positivista, como seus desenvolvimentos mais recentes, seríam estreitamente tributários da crítica de certos aspectos da filosofia de Husserl pelas filosofias insulárias e americanas. Ao reverso, a obra do discípulo Heidegger foi considerada pelo mestre como resultando de graves desinterpretações de seus ensinos e métodos. Em 1887, Husserl converte-se ao cristianismo e junta-se à Igreja Luterana. Começa ensinando filosofia em Halle como tutor (Privatdozent) desde 1887, continua em Göttingen como professor em 1901 e mais tarde em Friburgo (Freiburg am Breisgau) a partir de 1916, até que se aposenta em 1928. Como aposentado, Husserl continua suas pesquisas e atividades nas instituições de Friburgo, até que seja definitivamente demitido por causa de sua ascendência judia, sob o reitorado de seu antigo aluno e protegé, Heidegger.

Vida e obra
Husserl estudou inicialmente matemática nas universidades de Leipzig (1876) e Berlin (1878), seguindo as lições de Karl Weierstrass e Leopold Kronecker. Em 1881, vai a Viena para estudar sob a direção de Leo Königsberger (antigo aluno de Weierstrass), obtendo seu doutorado em 1883, apresentando a tese Beiträge zur Variationsrechnung (« Contribuições ao calculo das variações »). Em 1884, em filosofía na Universidade de Viena. Brentano tanto impressionou Husserl que ele pretende então dedicar sua vida à filosofia. Em 1886 Husserl vai à Universidade de Halle, recomendado por Brentano para Carl Stumpf para sua habilitação. Sob sua direção, Husserl escreve Über den Begriff der Zahl (« Sobre o Conceito do Número », 1887) cujos arquivos fornecerão as bases de sua primeira obra importante, Philosophie der Arithmetik ("Filosofia da Aritmética", 1891). Nessas primeiras pesquisas, Husserl tenta combinar matemática com a filosofia empírica pela qual tinha sido iniciado em Viena. Seu objetivo central será contribuir no fornecimento de fundações sólidas para a ciência matemática. O tema de seu estudo será a análise dos processos mentais necessários para a formação do conceito de número; baseado em suas próprias análises, como nos métodos atípicos de seus professores, tentará projetar a possibilidade de uma teoria sistemática. Em relação ao ensino de Karl Weierstrass, Husserl tenta derivar a idéia de que o conceito de número se obtém por um "desconto" de certas coleções de objetos; em respeito a Brentano-Stumpf, Husserl desenvolve a distinção entre as noções de presentações próprias e impróprias. Temos uma presentação própria quando o objeto está "atualmente" presente (no campo de vista, contexto ou intuição). Imprópria (ou simbólica, como também é referida), se podemos indicá-lo somente através de signos, símbolos etc. Nas Investigações Lógicas, de 1901, a IIIª Investigação foi interpretada como o início da teoria simbólica dos todos e suas partes, também referida como mereologia (um ramo da Ontologia formal). Outro elemento importante herdado por Brentano foi a noção de intencionalidade, que define a forma essencial dos processos mentais. Uma definição simples dirá que a principal característica da consciência é de ser sempre intencional. A consciência sempre é consciência de alguma coisa : a análise intencional e descritiva da consciência definirá as relações essenciais entre atos mentais e mundo externo. Mas, para Brentano, o objetivo fora gerar com métodos empíricos (apoiando-se na introspecção pura) um critério-chave que possa caracterizar os fenômenos psíquicos por oposto aos fenômenos físicos, distinção cujo objetivo fora legitimar uma ciência psicológica nova, e livre de preconceitos (Psychologie vom empirischen Standpunkt, 1874). Para Brentano, todo ato mental tem seus conteúdos, caracterizados por sua direção a um objeto ("objeto intencional"). Toda crença, desejo, tem necessariamente seus objetos : o desejado, o acreditado, etc. Brentano usou da expressão “inexistência intencional” para indicar o status, na mente, dos objetos do pensamento. Com a noção de intencionalidade, o filósofo austríaco propôs um conjunto de traços que distinguiriam de maneira perfeitamente empírica os fenômenos psíquicos dos

aparece na crítica de seu modo in-existente ("inexistência" como existencia "interna"): a transcendência necessária da mente e do discurso. a objetividade radical. que jamais propôs a inexistência de objetos materiais reais). comunicou a Husserl sua demissão. quando este foi reeditado em 1941. Como resultado da legislação anti-semita aprovada pelos nazistas em abril de 1933. Este procedimento ele denominou epoché. as Logische Untersuchungen (Investigações Lógicas. da subjetividade formarão a marca do trabalho do primeiro fenomenologista.Edmund Husserl fenômenos físicos : para Brentano. primeira edição. caracterizado por uma crença de que os objetos existem materialmente e exibem propriedades que vemos como suas emanações. a Fenomenologia busca identificar os aspectos invariáveis da percepção dos objetos e empurra os atributos da realidade para o papel de atributo do que é percebido (ou um pressuposto que perpassa o modo como percebemos os objetos). Estes novos conceito provocaram a publicação de Ideen (Idéias) em 1913. constituidora. enfatizando os desafios apresentados pela sua crescente (unilateral) orientação empírica e naturalista. Husserl declara que a realidade mental e espiritual possui sua própria realidade independente de qualquer base física e que a ciência do espírito (Geisteswissenschaft) deve ser estabelecida sobre um fundamento tão científico como aquele alcançado pelas ciências naturais. a objetividade óbvia e no entanto contraditória do porvenir científico e histórico. Husserl pela primeira vez busca um panorama histórico do desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciência. A Crise das Ciências Européias é o trabalho inacabado de Husserl que lida mais diretamente com estas questões. Em um período posterior. essenciais da consciência. examinando de que forma nós. Husserl se concentrou nas estruturas ideais. e seus elementos próprios de fascinação. Husserl propôs que o mundo dos objetos e modos nos quais dirigimo-nos a eles e percebemos aqueles objetos é normalmente concebido dentro do que ele denominou “ponto de vista natural”. Husserl propôs um modo fenomenológico radicalmente novo de observar os objetos. A noção de objetos como real não é removida pela fenomenologia. fenômenos físicos não tem intencionalidade. O problema metafísico de estabelecer a realidade material daquilo que percebemos era de pequeno interesse para Husserl (diferentemente do que ocorria quando ele tinha que defender repetidamente sua posição a respeito do idealismo transcendental. transcendente à consciência). central. O conhecimento das essências seria possível apenas se “colocamos entre parênteses” todos os pressupostos relativos à existência de um mundo externo. 1900-1901). Para melhor entender o mundo das aparências e objetos. de fato os “constituimos” (para distinguir da criação material de objetos ou objetos que são mero fruto da imaginação). Nele. Martin Heidegger. como a comunicação sobre um objeto pode ser suposta como referindo-se à mesma entidade ideal) e experimenta novos métodos para fazer entender aos seus leitores a importância da Fenomenologia para a investigação científica (especificamente para a Psicologia) e o que significa “pôr entre parênteses” a atitude natural. e um plano para uma segunda edição das Logische Untersuchungen. A partir de Ideen. Husserl elaborou alguns conceitos-chave que o levaram a afirmar que para estudar a estrutura da consciência seria necessário distinguir entre o ato de consciência e o fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si. da obra de Edmund Husserl. Alguns anos após a publicação de sua principal obra. no qual eles foram pela primeira vez incorporados. 11 . Husserl começou a se debater com as complicadas questões da intersubjetividade (especificamente. e torna-se um agrupamento de aspectos perceptivos e funcionais que implicam um ao outro sob a idéia de um objeto particular ou “tipo”. Heidegger (cuja filosofia Husserl considerava ser o resultado de uma compreensão incorreta dos ensinamentos e dos métodos do próprio Husserl) retirou a dedicatória a Husserl de seu mais conhecido trabalho Ser e Tempo (Sein und Zeit). no ponto de vista Fenomenológico. o objeto deixa de ser algo simplesmente “externo” e deixa de ser visto como fonte de indicações sobre o que ele é (um olhar que é mais explicitamente delineado pelas ciências naturais). A principal diferença. em nossos diversos modos de ser intencionalmente dirigidos a eles. foi negado ao Professor Husserl o acesso à biblioteca de Freiburg. mas “posta entre parênteses” como um modo pelo qual levamos em consideração os objetos em vez de uma qualidade inerente à essência de um objeto fundada na relação entre o objeto e aquele que o percebe. Seu antigo pupilo e membro do partido nazista. em sua interpretação da noção de intencionalidade. O desenvolvimento e a crítica do conceito brentaniano aparece como o motivo permanente.

• Segunda Parte: “A origem do contraste moderno entre objetivismo fisicalista e subjetivismo transcendental”. Naturalismo. Philosophie als strenge Wissenschaft (1911).Einführung in die reine Phänomenologie (1913). os manuscritos de Husserl.000 páginas taquigrafadas de Gabelsberger e sua pesquisa bibliográfica completa foi clandestinamente transportada para a Bélgica e depositada em Leuven onde foram criados os Husserl-Archives. Formale und transzendentale Logik. . Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. correspondendo aos parágrafos 8 a 27. Vorlesungen zur Phänomenologie des inneren Zeitbewusstseins (1928). a qual inclui as subpartes “A” (A via de acesso à filosofia transcendental fenomenológica por meio da reconsideração do mundo-da-vida já dado) e “B” (A via de acesso à filosofia transcendenal fenomenológica a partir da psicologia).” • “A crise da humanidade européia e a filosofia. a qual se divide em três partes: • Primeira Parte: “A crise das ciências como expressão da crise radical da vida da humanidade européia”. dualismo e psicologia psicofísica. Psychologische und logische Untersuchungen (1891). que somavam aproximadamente 40. Zweite Teil: Untersuchungen zur Phänomenologie und Theorie der Erkenntnis (1901). • Terceira Parte: “Esclarecimento do problema transcendental e a inerente função da psicologia”. Erstes Buch: Allgemeine . Muito do material encontrado em suas pesquisas manuscritas foi publicado na série de edições críticas Husserliana. 12 A crise das ciências “A crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental”[1] foi a última obra de Husserl.1950). Méditations cartèsiennes (1931) (tradução francesa da obra póstuma Cartesianische Meditationen . incluem-se três conferências históricas de Husserl: • “Ciência da realidade e idealização.Edmund Husserl Em 1939. nos quais Husserl aprofunda os diversos argumentos tratados. aos parágrafos 28 a 55 e 56 a 73. Quanto aos textos agregados. Lista de obras Obras completas: • Husserliana Obras publicadas em vida: • • • • • • • • • Über den Begriff der Zahl.” • “A atitude das ciências naturais e a atitude das ciências do espírito. correspondendo. Psychologische Analysen (1887). A matematização da natureza. correspondendo aos parágrafos 1 a 7. Versuch einer Kritik der logischen Vernunft (1929). respectivamente. Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzentale Phänomenologie: Eine Einleitung in die phänomenologische Philosophie (1936). Philosophie der Arithmetik.” A obra também contém os Apêndices I a XXIX. Logische Untersuchungen.

Sua obra póstuma mais importante é Von Simmlichen um Poetishen Bewusstsein (Sobre a consciência sensorial e poética). o fenômeno psíquico distingue-se dos demais por sua propriedade de referir-se a um objeto. lecionou em Würzburgo e na Universidade de Viena. bem como a um conteúdo de consciência. abandonou a Igreja em 1873. À psicologia caberia. então. descrever a natureza desta relação. Em 1864 foi ordenado padre. Foi o mestre de filosofia de Edmund Husserl. Sobrinho do poeta alemão Clemens Brentano. porém. mas sim os atos e processos psíquicos. Segundo Brentano. Os objetos de seus estudos não foram. 17 de Março de 1917) foi um filósofo alemão. de 1874. por ele definida como ciência dos fenômenos psíquicos (ou. da consciência). através de mecanismos puramente mentais. julgamento e sentimento de amor (aprovação) ou sentimento de ódio (desaprovação). Sua filosofia evoluiu em direção de um aristotelismo moderno. os estados. d-nb. A segunda edição desta obra inclui ainda Von der Klassifikation der Psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos). estudar as diversas maneiras pelas quais a consciência institui suas relações para com os objetos existentes nela mesma. sendo a sua obra uma das origens da fenomenologia. Os trabalhos mais importantes de Brentano são no campo da psicologia. Brentano distingue três classes de fenômenos psíquicos fundamentais: a percepção. .edu/entries/husserl/ [1] Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzendentale Phänomenologie (https:/ / portal. Morreu em 1917. deixando uma obra volumosa. Seu trabalho mais importante publicado em vida foi Psychologie von Empirischem Standpunkt (Psicologia segundo o ponto de vista empírico). mas envolvendo-se em controvérsias sobre a doutrina da infalibilidade papal. o que para ele é sinônimo. htm?method=showFullRecord& currentResultId=husserl%2C+ edmund+ Die+ Krisis+ der+ europ%C3%A4ischen+ Wissenschaften+ und+ die+ transzendentale+ Ph%C3%A4nomenologie%26any& currentPosition=23) Franz Brentano Franz Clemens Honoratus Hermann Brentano (Marienberg am Rhein.Edmund Husserl 13 Referências plato. de/ opac. 16 de Janeiro de 1838 — Zurique. bem como o modo de existência deste objeto. de 1928. nitidamente empírico em seus métodos e princípios.stanford.

Epistemologia e Psicologia Max Scheler (22 de agosto de 1874. and antropologia filosófica. República Checa alemã Filósofo Fenomenologia Morte Nacionalidade Ocupação Escola/tradição Principais interesses Ontologia. ética. Edmund Husserl. Em 1954. Frankfurt am Main) foi um filósofo alemão conhecido por seu trabalho sobre fenomenologia. Contribuições filosóficas O centro do pensamento de Scheler era a sua teoria do valor. e era chamado por José Ortega y Gasset como o "o primeiro homem do paraíso filosófico". Alemanha 19 de maio de 1928 Frankfurt. posteriormente Papa João Paulo II. . Munique .19 de maio de 1928. defendeu sua tese sobre "Uma avaliação da possibilidade de construir uma Ética Cristã baseada do sistema de Max Scheller". Karol Wojtyla. Os valores e seus correspondentes opostos existem em uma ordem objetiva. Scheler desenvolveu o método do criador a da fenomenologia.Max Scheler 14 Max Scheler Max Scheler Max Scheler Nascimento 22 de agosto de 1874 Munique. o ser-valor de um objeto precede a percepção. A realidade axiológica dos valores é anterior à sua existência. De acordo com Scheler.

dúvida metódica. . de certa forma. Durante a Idade Moderna também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência. argumento ontológico para a existência de Deus. 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo. racionalismo. França 11 de fevereiro de 1650 (53 anos) Estocolmo.fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Décadas mais tarde. Indre-et-Loire. por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna". Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna. Ciência Cogito ergo sum. surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que. Suécia Francesa Filósofo. com John Locke e David Hume. Por fim. físico e matemático francês. mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria . ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica. Matemática. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores. seria o seu oposto .René Descartes 15 René Descartes René Descartes René Descartes em pintura de Frans Hals Nascimento 31 de março de 1596 La Haye en Touraine (atualmente Descartes). dualismo cartesiano. 31 de março de 1596 — Estocolmo. matemático. Epistemologia. boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. físico Discurso sobre o método Cartesianismo. é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental.o empirismo. fundacionalismo Metafísica. considerado o fundador da Filosofia Moderna Morte Nacionalidade Ocupação Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Ideias notáveis Influências Influenciados René Descartes (La Haye en Touraine. Descartes. sistema de coordenadas cartesiano.

No entanto. Thomas Hobbes. até a morte do filósofo. Em 1643. com a intenção de seguir carreira militar. Assim. mesmo nas escolas da Companhia de Jesus". onde viverá até 1649. o embaixador francês junto à corte sueca. que o consideravam deficiente filósofo". A correspondência deverá durar sete anos. marca uma estratégia de separação entre filosofia e teologia. tal qual uma batedeira. tendo Descartes sido aluno do Padre Estevão de Noel. Em 1641. Em 1642. Mersenne. e. sendo bom que fossem mais breves. seguida de uma Carta a Dinet. do quinto. segundo alguns. O éter também seria o meio pelo qual . Crítica. Em 1635 nasce Francine.[2] Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em Direito. in quo hactenus spectator exstiti. Os Meteoros e A Geometria. o que foi um grande baque para Descartes. que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae (Compêndio de Música). Descartes publica Os Princípios da Filosofia. Jean-Luc Marion. O curso em La Flèche durava três anos. Em 1637. filha mais velha de Frederico V e de Isabel da Boémia. do segundo. e do sexto conjunto. Mersenne. Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. o teólogo holandês Johan de Kater. aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira. Também é dessa época (1619-1620) o Larvatus prodeo (Ut comœdi. quando Galileu é condenado pela Inquisição. em 1633. que lia Pedro da Fonseca nas aulas de Lógica. através do éter. em seu artigo Larvatus pro Deo : Phénoménologie et théologie refere-se à abordagem dionisíaca do homem escondido diante de deus (larvatus pro Deo) como justificativa teológica do filósofo que avança mascarado (larvatus prodeo). no dia 10 de Novembro. começa a redigir o Tratado do Mundo. feita pelo jesuíta Pierre Bourdin. larvatus prodeo. filha de uma serviçal. Nesta ocasião. a rotação do Sol. como se sabe. Porém. viaja até a Alemanha. em 1650.René Descartes 16 Vida René Descartes nasceu no ano de 1596 em La Haye (hoje Descartes). a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção. a plena admiração dos escolares jesuítas. do terceiro. que o põe em contato com a rainha Cristina da Suécia. Em 1629. ingressou no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand. Conheceu então Isaac Beeckman. explicando o movimento dos planetas. a par dos Commentarii. cujos conteúdos considerava confusos. Em 1622. no entanto no seu Discurso sobre o método declara a sua decepção não com o ensino da escola em si mas com a tradição Escolástica. personam induunt. no departamento francês de Indre-et-Loire. o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht. Em carta a Mersenne. sic ego hoc mundi teatrum conscensurus. em La Flèche. criaria ondas ou redemoinhos. Os autores das objeções são: do primeiro conjunto. Gassendi. obscuros e nada práticos. Descartes nunca exerceu o Direito. uma obra de Física na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. publica três pequenos tratados científicos: A Dióptrica.[1] "Descartes não mereceu. Arnauld. Descartes abandona seus planos de publicá-lo. [3] Esta declaração do jovem Descartes no preâmbulo das Cogitationes Privatae (1619) é interpretada como uma confissão que introduz o tema da dissimulação. aliás. diz que "os Conimbres são longos. Também no ano de 1643. com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas. A criança é batizada no dia 7 de Agosto de 1635 mas morre precocemente em 1640. em 1616. pela Universidade de Poitiers. Com oito anos. e em 1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau. ele retorna à França passando os anos seguintes em Paris. onde resume seus princípios filosóficos que formariam "ciência". Descartes inicia a sua longa correspondência com a Princesa Isabel (1618 – 1680). já então corrente. faz uma visita rápida a França onde encontra Chanut. Descartes esteve em La Flèche por cerca de nove anos (1606-1615). Em 1644. onde. Descartes teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente. Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade. Em 1619. moniti ne in fronte appareat pudor. teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para os Países Baixos. mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. do quarto.

agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro. • analisar.ego cogito ergo sum. Como um católico num país protestante. a segunda escrita em latim. onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento". é sujeito de algo . que ele dedicou a sua amiga Isabel da Boêmia. A sua contribuição à epistemologia é essencial. a história de um povo. em suas obras Discurso sobre o método e Meditações . portanto. em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples. resultando na Conversa com Burman. considerado o pai do racionalismo. Baseado nisso. ou porque assim deve ser etc. assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento. sendo o ato de duvidar indubitável.eu que penso. é considerado ridículo. ou seja. . em Paris. dividir ao máximo as coisas. a convite da Rainha Cristina. Embora a Convenção. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro. Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Protestantes e Católicos na Europa .. em Estocolmo. Viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes. já no final do século XX.as bases da ciência contemporânea. desde o Sol até nós. Descartes. Acostumado a trabalhar na cama até meio-dia.a primeira escrita em francês. tenha projetado a transferência do seu túmulo para o Panthéon. O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico . Em 1667. língua tradicionalmente utilizada nos textos eruditos de sua época . 17 Pensamento O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que ele nasceu. Descartes busca provar a existência do próprio eu (que duvida.que nada tem a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta. disparatado e falso em outros lugares. Em 1649. em 1792. mesmo contraditórias. fora publicado. onde estava trabalhando como professor a convite da Rainha. Entrevista Frans Burman em Egmond-Binnen (1648). O primeiro pensador moderno Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno [4] . posteriormente. René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de Fevereiro de 1650. • sintetizar. Descartes criou. vai à Suécia. Descartes viu que os "costumes". Também consiste o método de quatro regras básicas: • verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada. Foi um dos precursores do movimento. ele foi enterrado num cemitério de crianças não batizadas. os restos de Descartes foram repatriados para a França e enterrados na Abadia de Sainte-Geneviève de Paris. há de ter sofrido com as demandas da Rainha Christina. Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar. e defendeu a tese de que a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento. em Estocolmo. Seu Tratado das Paixões. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos.a Guerra dos Trinta Anos. ao lado de outras grandes figuras da França. . que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir.René Descartes a luz se propaga. na Adolf Fredrikskyrkan. atravessando-o pelo espaço. seu túmulo está na Igreja de Saint-Germain-des-Prés. cujos estudos começavam às 5 da manhã. sua tradição "cultural" influenciam a forma como as pessoas pensam naquilo em que acreditam. desde 1819. A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes e. Em 1647 Descartes é premiado pelo Rei da França com uma pensão e começa a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca. ou seja. logo existo) e de Deus. Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado.

mas apenas qualidades primarias de extensão e movimento. escola do mais alto padrão. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método. as bases epistemológicas contrárias ao que seria denominado de princípio da ciência escolástica. Acreditava que a matéria não possuía qualidades secundárias inerentes. uma das poucas opções “dignas” que se ofereciam a um jovem como ele.obra da juventude inacabada na qual o método aparece em forma de numerosas regras. • O Mundo ou Tratado da Luz (1632-1633) . por exemplo. obra considerada o marco inicial da filosofia moderna. • Discurso sobre o método (1637). dirigida por jesuítas. no “College de la Flèche”. depois de frequentar rodas matemáticas em Paris (além de outras). Obras importantes • Regras para a direção do espírito (1628) . mente) e res extensa (matéria). a da refração da luz e. já graduado em Direito. Descartes defende o método matemático como modelo para a aquisição de conhecimentos em todos os campos. Aos vinte e um anos de idade. em resumo. abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas. Durante os quase nove anos que serviu em vários exércitos. Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então. até ser superada pela metodologia de Newton. Ele sustentava. principalmente. Mas por uma razão muito especial e que já revelava seus pendores filosóficos: a certeza que as demonstrações ou justificativas matemáticas proporcionam. a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática. A teoria de Descartes forneceu a base para o Cálculo de Newton e Leibniz.René Descartes • enumerar todas as conclusões e princípios utilizados. a fim de manter a ordem do pensamento. Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos. Em relação à Ciência. Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica. não se sabe de nenhuma proeza militar realizada por Descartes. 18 Geometria O interesse de Descartes pela matemática surgiu cedo. oriundo da nobreza menor da França. que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. • Meditações Metafísicas (1641). como um dos três apêndices do Discurso do Método. ingressa voluntariamente na carreira das armas. .obra contém algumas das conquistas definitivas da física clássica: a lei da inércia. Até Descartes. para muito da matemática moderna. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra. na qual ingressara aos oito anos de idade. A geometria analítica de Descartes apareceu em 1637 no pequeno texto chamado Geometria. • Geometria (1637). radicada no aristotelismo. Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência. e então. Nela.

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Para garantir esses direitos naturais. Locke dizia que todos os homens. à liberdade e à propriedade. contudo. 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo. onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. filosofia da mente. tinham direitos naturais: direito à vida. o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. Direito à vida. No Segundo tratado sobre o governo civil. educação Ideias notáveis Influências Influenciados Assinatura Tabula rasa. Filosofia política. Somerset. No Primeiro tratado sobre o governo civil. critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis. declarando que a vida política é uma invenção humana. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. completamente independente das questões divinas. ao nascer. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões. a liberdade e a propriedade. liberdade e propriedade John Locke (Wringtown. Epistemologia. expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade . Contrato social. 29 de agosto de 1632 — Harlow.John Locke 20 John Locke John Locke Nascimento 29 de agosto de 1632 Wrington. Inglaterra 28 de outubro de 1704 (72 anos) Essex. Lei natural. Se esses governos. os homens haviam criado governos. Dedicou-se também à filosofia política. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano. Inglaterra Empirismo britânico. não respeitassem a vida. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. Lei natural Morte Escola/tradição Principais interesses Metafísica.

Outra obra filosófica notável é Pensamentos sobre a Educação. a teoria denominada de Tabula rasa (do latim. Com este fundamento deu continuidade à justificação clássica da propriedade privada ao declarar que o mundo natural é a propriedade comum de todos. a obra mais influente foi o tratado em duas partes. Voltou à Inglaterra quando Guilherme de Orange subiu ao trono. Esta é considerada a fundação do "behaviorismo". Faleceu em 28 de outubro de 1704. pela tentativa e erro. que o indivíduo não pode simplesmente tomar aquilo que pretende. Influencia. por outras palavras. A filosofia política de Locke fundamenta-se na noção de governo consentido dos governados diante da autoridade constituída e o respeito ao direito natural do ser humano. ciências naturais e filosofia em Oxford. a tolerância é para os franceses um artigo de importação. o nome de John Locke está intimamente associado à tolerância. Revolução Americana e na fase inicial da Revolução Francesa. o empirismo inglês da época. costuma ser classificado na escola do direito natural ou jusnaturalismo. E ela é no final em especial a obra de um homem . Locke propõe que a experiência é a fonte do conhecimento. John Locke fugiu para Holanda. cujo centro era a Oxford. Locke nunca se casou ou teve filhos. Ou seja: a Inglaterra e a Holanda. contrastando com a história trágica da brutal repressão aos protestantes em França no século XVI. A primeira descreve a condição corrente do governo civil. isto é. "folha em branco"). Dois Tratados sobre o Governo (1689). no qual afirmava que o direito de tomar bens da área pública é limitado pela consideração de que "ainda havia suficientes. portanto. biógrafo de João Calvino.John Locke . Em ciência política. e tão bons. as modernas revoluções liberais: Revolução Inglesa. com 72 anos. Para fins didáticos. ao lado de David Hume e George Berkeley. oferecendo-lhes uma justificação da revolução e a forma de um novo governo. de vida. Obra Locke é considerado o protagonista do empirismo. Bernard Cottret afirma: "a tolerância é o produto de um espaço geográfico específico. liberdade e propriedade. 21 Biografia Estudou medicina.[1] Esta teoria afirma que todas as pessoas nascem sem saber absolutamente nada e que aprendem pela experiência. e mais dos ainda não fornecidos podem servir". As fontes principais do pensamento de Locke são: o nominalismo escolástico. publicado em 1693. Para Bernard Cottret. Locke costuma ser classificado entre os "Empiristas Britânicos". Este tratado também introduziu o "proviso de Locke". e a própria intolerância e zelo religioso radical de João Calvino em Genebra.John Locke privada. principalmente pela obra relativa à questões epistemológicas. também tem de tomar em consideração o bem comum.[2] Dentre os escritos políticos. Em Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690). nomeadamente o noroeste da Europa. o racionalismo defendido por René Descartes e a filosofia de Malebranche. a segunda parte descreve a Retrato de John Locke justificação para o governo e os ideais necessários à viabilização. . Segundo Locke todos são iguais e que a cada um deverá ser permitido agir livremente desde que não prejudique nenhum outro. quase às portas do Iluminismo. Uma tolerância que os franceses aprendem a valorizar apenas na década de 80 do século XVII. principalmente as obras de Bacon e Descartes. Em 1683.a quem o século XVII dedica um culto permanente". Como Voltaire afirmou. em 1688. que depois se desenvolve por esforço da razão. mas que qualquer indivíduo pode apropriar-se de uma parte dele ao misturar o trabalho com os recursos naturais.

" Seus críticos ainda afirmam que ele investiu no tráfico de escravos negros[14] . que quando se referia às populações extra-européias dizia que nelas não existia nada de bárbaro e selvagem. Locke somente sustenta a escravidão pelo contrato de servidão em proveito do vencido na guerra que poderia ser morto. Todavia. • Os que forem surpreendidos a pedir esmolas fora de sua própria paróquia e perto de um porto de mar devem ser embarcados coercitivamente na marinha militar. Locke contribuiu para a formalização jurídica da escravidão na Província da Carolina. nem aos papistas (católicos) que seriam como serpentes. tais como: • Direcionar para o trabalho as crianças a partir de três anos. costuma-se alegar que deve-se levar em conta o período histórico em que Locke se encontrava. para às quais Locke defendia algumas medidas severas. Eles são a base dos direitos humanos como até hoje previstos pelas cartas de direitos. considerando que estavamos diante do costume de chamar de bárbaro o que não existe em seus costumes[7] e Bartolomé de las Casas.. por meio de um corpo de espantadores de mendigos. das famílias que não têm condições para alimentá-las [8] . mas somente no contrato com o vencido na guerra. obviamente. Reassalte-se que tal intolerância em relação aos indígenas não era verificada em pensadores anteriores como Montaigne. na qual o diretor não terá outra remuneração além da renda decorrente do trabalho dos internados[11] . A tolerância não se aplicava tampouco as camadas que detinham menos recursos econômicos. Ou seja. revolucionárias para a época. Locke não defende a escravidão fundada em raça. da mesma forma que ocorre com outros grandes filósofos.) todo homem livre da Carolina deve ter absoluto poder e autoridade sobre os escravos negros seja qual for a opinião e religião. Entretanto tal tolerância não se aplica aos povos indígenas que por não estarem associados ao restante da humanidade no uso do dinheiro [4] poderiam ser equiparados a bestas de caça ou bestas selvagens [5] . . que foi o primeiro a fazer um tratado político defendendo a escravidão. O que estava em jogo era. devem ser punidos com um corte de orelhas. a tolerância religiosa. contra os abusos do absolutismo. para vigiá-los. e impedir que possam exercer sua atividade fora das áreas e horários permitidos[10] . e na hipótese de reincidência com a deportação para as plantações na condição de criminosos[12] . enquanto acionista da Royal African Company[15] . seu pensamento chega até hoje pelo sucesso das democracias liberais que se baseiam nos valores da liberdade e da tolerância. a questão da escravidão não é relevante no seu pensamento. • Os que falsificarem um salvo-conduto para fugir de uma casa de trabalho. A questão da defesa da escravidão Locke é considerado pelos seus críticos como sendo "o último grande filósofo que procura justificar a escravidão absoluta e perpétua"[13] . Ao mesmo tempo que dizia que todos os homens são iguais. logo este fato não diminuiria a enorme quantidade de ideias. mas assume o ônus de servir em troca de viver. Locke defendia a escravidão (sem distinguir que fosse a relativa aos negros). como Aristóteles. • Obrigar os mendigos a carregar um distintivo obrigatório. • Supressão das vendas de bebidas não estritamente indispensáveis e das tabernas não necessárias[9] .. [3] . Na época a escravidão seria prática comum. o que serviu de base ideológica para a tomada das terras e extermínio de populações indígenas. produzidas por ele. cuja norma constitucional dizia: "(. Por tudo isso se pode dizer que os valores defendidos por John Locke são até hoje a base da democracia moderna. Ao analisar essa questão.John Locke 22 A tolerância Locke pode ser considerado como o marco da democracia liberal com a importância dada pelo seu pensamento à ideia de tolerância. e isso o classificaria como um homem da época. dos quais nunca se conseguiria que abram mão de seu veneno com um tratamento gentil" [6] . outros pedintes abusivos devem ser internados em uma casa de trabalhos forçados.

45._Extent. 1993. e é notório que as ideologias sofrem adaptações com o tempo e com as gerações posteriores. 2006. Locke. Adelphi. The Problem of Slavery in the Age of Revolution. org/ wiki/ Two_Treatises_of_Government/ The_Second_Treatise_of_Government:_An_Essay_Concerning_the_True_Origin. ). Carta Acerca da Tolerância (Coleção Os Pensadores). Domenico in Contra-História do Liberalismo. Penguin Books. Locke. 1770-1823 (Ithaca. [3] John Locke. 1975). October 1697”. 0-8028-3159-1. p. Penguin Books. Penguin Books. 15. Proposet by Mr. p. in Political Writings. Domenico in Contra-História do Liberalismo. p. ). 84 [13] David B. Penguin Books. [1] Tabula se refere a uma superfície de pedra para se escrever. 2006. logo deve-se levar em conta que a defesa do escravismo não era o único pensamento em voga na época de Locke. 1993. Davis. 2006 [editado em italiano em 2005]). 16 e 181 em http:/ / en. Proposet by Mr. in Political Writings. já era crítico do escravismo.) David Wooton. Traduzido para o inglês do original Calvin: Biographie. (org. Locke. p 28. p. 460 apud Losurdo. google. 2006. Eerdmans. apud Domenico Losurdo. 2006. p.John Locke Por outro lado observa-se que Jean Bodin. com/ books?id=oDzeEavHUuMC). p. está óbvio que não é intrínseco ao liberalismo a defesa da escravidão. London-New York. defensor do absolutismo. Contra-História do Liberalismo (Aparecida. the 26. October 1697”. October 1697”. Também é necessário lembrar que a defesa da escravidão decorre da defesa do direito de propriedade que é uma das grandes ideais do liberalismo. Rasa. 447 apud Losurdo. 206.) David Wooton._and_End_of_Civil_Government [6] "An Essay Concerning Toleration" (1667). 45 [8] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. the 26. p. p. p. ). Entretanto pode-se perceber uma correlação entre aqueles que no passado defendiam a liberdade de possuir escravos contra a turbação do direito de propriedade decorrente da intervenção estatal por meio de leis abolicionistas e aqueles que hoje defendem a plena liberdade no contrato de trabalho contra o intervencionismo estatal das leis trabalhistas. wikisource. p. (org. Edição de Jean-Claude Lattès. 1580-88) trad. Calvin: A Biography (http:/ / books. B. 202 apud Losurdo. 2006. 449 apud Losurdo. 449 apud Losurdo. Proposet by Mr. A longa trajetória do liberalismo teve o exato início com John Locke.abril.Revista Nova Escola (http://revistaescola. 84 [12] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. Milano. Grand Rapids. Michigan: Wm. Proposet by Mr. significa apagado. org/ wiki/ Two_Treatises_of_Government/ The_Second_Treatise_of_Government:_An_Essay_Concerning_the_True_Origin. in Political Writings. 83 [10] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. p. Domenico in Contra-História do Liberalismo. SP: Idéias & Letras. (org. (org. de Fausta Garavini. 15. )._and_End_of_Civil_Government [5] vide itens 11. pensador francês. in Political Writings. 1996. p. feminino de Rasus. p. p. October 1697”.org/wiki/Author:John_Locke) (em inglês) • John Locke . pg. p. Locke. (org. [15] Ver Domenico Losurdo. (org.) David Wooton. 83 [11] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. Bernard. 15-16. 37 [7] Saggi (orig.e. wikisource.shtml) (em português) . 2000. pp.Um explorador do entendimento humano . the 26. br/historia/pratica-pedagogica/explorador-entendimento-humano-423338. London-New York. 1995. London-New York. London-New York. "em branco" [2] Cottret. 1993. Domenico in Contra-História do Liberalismo. in Political Writings.com. 83 [9] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. ). Contra-História do Liberalismo.) David Wooton. 1993. 1993. idem.) David Wooton. in Political Writings. Domenico in Contra-História do Liberalismo. the 26. 23 Ligações externas • Obras de Locke no Wikisource (http://en. [4] vide item 45 em http:/ / en. Domenico in Contra-História do Liberalismo. the 26. 2006. Locke. cap. [14] Ver Domenico Losurdo. livro I. London-New York. London-New York. 31 apud Losurdo. 454 apud Losurdo. e isso une ele aos outros liberais clássicos: O direito de propriedade como um dos Direitos Naturais do ser humano. Penguin Books._Extent. Penguin Books. 2006. 272. 1993. NY: Cornell University Press. i.) David Wooton. October 1697”.wikisource. p. Domenico in Contra-História do Liberalismo. Proposet by Mr. p.

Por muito tempo apenas se destacou em seu pensamento o ceticismo destrutivo. Stroud. Teve profunda influência sobre Kant.  Reino Unido 25 de agosto de 1776 (65 anos) Edimburgo.metafísico. Scottish National Portrait Gallery Nascimento 8 de Maio de 1711 Edimburgo. Hume opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico . utilitarismo moral. o mais radical entre os empiristas. Assim Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenômenos mentais. e Galen Strawson). empirismo Morte Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Teoria do conhecimento. 7 de Maio de 1711 — Edimburgo. Epistemologia. Somente no fim do século XX os comentadores se empenharam em mostrar o caráter positivo e construtivo do seu projeto filosófico. História. sendo frequentemente considerado como um dos maiores escritores e filósofos de língua inglesa.David Hume 24 David Hume David Hume David Hume.[3] . Ao lado de Adam Smith e Thomas Reid. Política. e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como Kemp Smith. refutação do princípio de causalidade e do livre-arbítrio David Hume (Edimburgo. Estética. Greene.[1] Segundo Bertrand Russell. 25 de Agosto de 1776) foi um filósofo e historiador britânico. sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia. retratado por Allan Ramsay (1713-1784) em 1766. é uma das figuras mais importantes do chamado iluminismo escocês. o problema da indução. Teologia. Edimburgo. Fundador do empirismo moderno (com Locke e Berkeley) e. por seu ceticismo. Ética.[2] Sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado cepticista (tais como Reid. Economia Ideias notáveis Influências Influenciados Ceticismo radical.  Reino Unido Tratado da Natureza Humana Iluminismo. Hume foi o maior dos filósofos britânicos.

Foi a leitura desta Investigação que teria feito Immanuel Kant . Foi um dos ilustres membros da Select Society de Edimburgo. Não se sabe se David Hume tinha alguma crença: segundo alguns. Para sua surpresa. e de Katherine Lady Falconer.Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. Berwickshire. Sua mãe. Frequentou a Universidade de Edimburgo. como auto-didata. embora melhor do que ocorrera com o Tratado. Embora escrevesse exemplarmente em língua inglesa. no século XIII. David Hume foi um filósofo empirista quanto ao problema da origem do conhecimento. incluem-se tanto a Filosofia antiga como o pensamento científico de sua época. um familiar e protetor de Hume. Seguindo atentamente os acontecimentos nas colónias americanas. que nunca se casou. filho de Joseph Home de Chirnside. agnóstico. como Samuel Clarke. e diversas figuras dos círculos intelectuais ingleses. ele disse a Benjamin Franklin: "eu sou um americano nos meus princípios". Entre suas fontes.David Hume Hume foi um leitor voraz. despertou Kant (1724-1804) de seu “sono dogmático” e o fez criar a filosofia crítica. Apesar de muitos acadêmicos considerarem hoje o Tratado sua maior obra e um dos livros mais importantes da história da filosofia. renovou algum do material para consumo mais popular: esforço que deu existência ao Investigação Sobre o Entendimento Humano. até sua formulação mais completa com John Locke. passava temporadas na casa de sua família em Ninewells perto de Chirnside. Mudou seu nome em 1734 porque os ingleses tinham dificuldade em pronunciar 'Home' da maneira escocesa. Fortemente influenciado por Locke e Berkeley mas também por vários filósofos franceses. [4] é entretanto a Newton que Hume deve seu método de análise. Tratado da Natureza Humana. Após ter concluído que o problema do Tratado era o estilo e não o conteúdo. chegou a uma "aversão intransponível a tudo. com apenas 26 anos. a partir da devastadora análise do conceito de causalidade. Inicialmente. Francis Hutcheson (seu professor) e Joseph Butler (a quem ele enviou seu primeiro trabalho para apreciação). ilustrado pela física e pela filosofia empirista. Dedicou-se aos estudos. Concebeu a filosofia como ciência indutiva da natureza humana e chegou à conclusão de que o homem é muito mais um ser prático e sensitivo do que racional. o público inglês não se entusiasmou imediatamente. em 1739. Em 1775. pensou em seguir a carreira jurídica mas. Desempenhou papel relevante dentro da história do pensamento ao levar á ultima conseqüência a tradição intelectual originada e desenvolvida principalmente na Inglaterra. cético em relação á metafísica e utilitário altruísta em assuntos morais e políticos. a publicação do livro passou despercebida. advogado. tomou partido pela independência americana. mas Lord Kames. No século XX. onde completou a sua obra-prima. tranquilizou-a. Hume. os positivistas lógicos devem muito aos fundamentos que Hume lançou para o desenvolvimento de um teoria da significação. falava inglês com um forte sotaque. para outros. Biografia David Hume. Hume era politicamente progressista.então um desconhecido . Hume tinha esperado um ataque à publicação e preparava uma defesa apaixonada. originalmente David Home. conforme assinalado no subtítulo do Tratado da Natureza Humana . Ao longo de sua vida. que enviuvara quando David era criança. ele encurtou o texto e deu-lhe um estilo mais ligeiro.[5] favorável ao Tratado de União de 1707 entre a Escócia e a Inglaterra. nasceu em 26 de Abril de 1711 (calendário juliano) na área do Lawnmarket. escreveu: "saiu da editora morto à nascença". como Pierre Bayle e Nicolas Malebranche. desde os nominalistas da escola de Oxford. passando por Francis Bacon (1561-1626). e sobre esta falta de reação do público. ficou assustada com a decisão. na França. exceto ao caminho da filosofia e a aprendizagem em geral". 25 A Importância do Filósofo na História • Em síntese. Também não foi muito bem sucedido com o público. • Como conseqüência. Sua língua materna era o escocês (scots). ele era ateu. em suas palavras. Foi fator essencial na formulação do positivismo de Auguste Comte (1798-1873). em Edimburgo.

Hume retornou a Escócia e morou dois anos na casa de seu irmão(sua mãe havia falecido) • 1751 .publicou "Investigação sobre os Princípios da Moral" • 1752 -Hume foi feito conservador da biblioteca dos Advogados de Edimburgo • 1754 . Hume viveu a última década da sua vida em Edimburgo. Hume participa de uma fracassada missão militar em território francês.1742 A publicação dos Ensaios Morais e Políticos traz algum renome a Hume.recebeu convite do conde de Hertford. o convite para importante cargo público. • 1767 . Hume retornou a Escócia para juntar-se à mãe e ao irmão na antiga propriedade rural da família.David Hume professor universitário em Königsberg.Hume ofereceu a Jean-Jacques Rousseau (filósofo francês) refúgio na Inglaterra • 1766 . Em 1744 foram recusadas a Hume as cadeiras nas Universidades de Edimburgo e Glasgow. seus conhecimentos por conta própria. escreverá o tratado sobre a Natureza Humana. espalhando um relatório de má fé de Hume. Deixou novamente Edimburgo • 1767 . para além dos seus trabalhos no âmbito da filosofia.recebeu de Mr.Rousseau. • 1749 . • 1748 . Voltaire publica as Cartas Inglesas. • Em 1741 .1740 publicou em duas etapas o "Tratado da Natureza Humana".1795 publicou em seis volumes "A história de Inglaterra" • 1757 . Thomas Reid. suspeitou de conspiração. Após estes insucessos. Conway.Roma colocou todos os seus escritos no Index. com o seu célebre História da Inglaterra. É recusado ao tentar obter a cátedra de Filosofia Moral da Universidade de Edimburgo • Em 1746. com 11 anos. Surge o Espírito das leis de Montesquieu. Hume trabalhou como curador de um doente psiquiátrico e posteriormente como secretário de um General. assessorando o general em sua embaixada militar as cortes de Viena e Turim. irmão de Lord Hertfor. Hume tornou-se amigo do conde de Hertford e de seu irmão o General Conway • 1765 . provavelmente devido a acusações de ateísmo e à oposição de um dos seus principais críticos. • 1769 . nos três anos seguintes. a lista dos livros proibidos na Igreja Católica Romana • 1763 . • 1739 . Hume viaja para a França onde. Em 1726. e retornou a França.1749 Hume vestiu o uniforme de oficial. como secretário do General Saint-Clair. • 1766 .atuou como encarregado de negócios da embaixada de Paris por quatro meses.afirmar que o fez acordar do seu "sono dogmático". lendo livros clássicos.serviu em Londres como Subsecretário de Estado para a região Norte. Em 1714 David Hume perdeu seu pai. como secretário da Embaixada.1768 . • 1748 . No entanto. por volta dos 15 anos. Entre 1729 e 1734 sofreu um sério esgotamento nervoso • Em 1734. entrou na Universidade de Edimburgo. 26 Cronologia • • • • • Nasceu na Escócia dia 7 de maio de 1711. com suas alucinações. Se estabeleceu novamente em Edimburgo. decidiu aprimorar. no novo aldeamento de New Town. Hume ascendeu à fama literária como ensaísta e historiador.publicou "História Natural da Religião" • 1761 . .Hume acompanha o General Saint-Clair em missão diplomática na corte de Viena e publica Três Ensaios sobre Moral e Política e Investigação Acerca do Entendimento Humano. Em 1722. já de idade avançada e sem qualquer obra relevante . • Em 1744. • Em 1737.retornou a Escócia dizendo cansado da vida pública e também da Inglaterra.

tendemos a criar uma expectativa de que quando o primeiro ocorre.David Hume • 1776 . com 65 anos. . mais submissamente. Esta conjunção constante e a expectativa dela são tudo o que podemos saber da causalidade. Edinburgh. E como havemos nós de nos aperceber desta misteriosa conexão senão através da nossa percepção ?? Hume negou que possamos fazer qualquer idéia de causalidade que não através do seguinte: Quando vemos que dois eventos sempre ocorrem conjuntamente. como Bertrand Russell. até que certo ponto as coisas mudam completamente. cujo título original é My Own Life (Minha Própria Vida). Uma crença que não pode ser eliminada mas que também não pode ser provada verdadeira por nenhum argumento. Desse modo presumimos que vão funcionar para a descrição no futuro também. mas já se encontrava doente desde o ano anterior. Hume nota que podemos conceber um mundo errático e caótico onde o futuro não tem nada que ver com o passado ou então. A primeira justificativa avançada por Hume é que por razões de necessidade lógica. A perspectiva de Hume parece ser que nós temos uma crença na causalidade semelhante a um instinto. não temos necessariamente de aperceber uma conexão entre os dois. Mas isto é uma violação do senso-comum. Mas como podemos justificar esta presunção. O problema da causalidade: O que justifica a nossa crença numa conexão causal? Que tipo de conexão podemos perceber? É um problema que não tem solução unânime. e tudo o que a nossa ideia de causalidade pode inferir.. • 1777 . O problema da indução Todos nós cremos que o passado é um guia confiável para o futuro. Hume questionou esta crença. 27 O legado de Hume O pensamento de Hume possui ainda relevância extraordinária na filosofia atual.escreveu sua autobigrafia. que se baseia no desenvolvimento dos hábitos na nossa mente. • 1776 . data de 18 de abril de 1776. Uma tal conceptualização rouba à causalidade a sua força e alguns Humeanos posteriores. notando que se é óbvio que nos apercebemos de dois eventos. um mundo tal como o nosso até ao presente. Porém. desmentiram a noção de causalidade no geral como algo de parecido com a David Hume. tal como na questão da nossa crença na realidade do mundo exterior. Por exemplo: as leis da física descrevem como as órbitas celestes funcionam para a descrição do comportamento planetário até aos dias de hoje.David Hume morreu em Edimburgo em 25 de agosto. Eis algumas das suas principais contribuições para a filosofia: O problema da causalidade Quando um evento provoca um outro evento. e foi enterrado em Waterloo Place.foi lançada sua autobiografia. o princípio da indução? Hume sugeriu duas justificações possíveis e rejeitou ambas. dedutivo ou indutivo. o futuro tem de ser semelhante ao passado. o segundo seguirá. superstição. "Vida de David Hume escrita por ele mesmo". com imensa influência. a maioria das pessoas pensa que estamos conscientes de uma conexão entre os dois que faz com que o segundo siga o primeiro.

A questão da identidade pessoal torna-se assim uma questão de caracterizar a coesão frouxa da experiência pessoal vivida. mas nunca condescendendo a dizer ao agente quais objetivos e desejos ele deverá ter. no entanto. e disse que não há nada de irracional em deliberadamente frustrar os seus próprios objetivos e desejos ("eu quero comer folha de alumínio. O que no fundo importa. por isso deixa-me selar a minha boca"). Hume compara a alma ao povo de uma nação (commonwealth). esta justificação apenas usa um raciocínio circular. Uma crença que não podemos eliminar mas que não podemos provar ser verdadeira por qualquer tipo de argumento. sentimentos e percepções. No fundo. A razão pode entrar neste esquema apenas como um servo. não há nada relativamente ao Eu que esteja acima de um grande feixe de percepções transitórias. Hume diz misteriosamente que ele estava insatisfeito com o seu julgamento do Eu. diz Hume. dedutivo ou indutivo. ver a compilação de Richard Swinburne: "The Justification of Induction". como Hume afirma. comer uma folha de alumínio. Mas Hume negou que a razão tivesse algum papel importante em motivar ou desencorajar o comportamento. A razão prática: Instrumentalismo e Niilismo A maioria de nós pensa que certos comportamentos são mais razoáveis do que outros. Podemos começar a pensar sobre os aspectos que se podem alterar sem que o próprio (indivíduo) subjacente mude. por exemplo. Por isso. Porque no fundo. No entanto. (Notar que no Apêndice do Tratado. mas nunca percebemos uma substância à qual possamos chamar de "o Eu". quando se começa a introspecção. Tal comportamento seria altamente irregular. sem no entanto ter regressado a esta questão). O problema da indução ainda permanece. A visão de Hume parece ser que nós (como outros animais) temos uma crença instintiva que o nosso futuro será semelhante ao passado. que é impotente em fazer julgamentos neste domínio. mais modestamente. se você quiser comer uma folha de alumínio. é como nos sentimos em relação a esse comportamento. com base no desenvolvimento de hábitos do nosso sistema nervoso. a mesma pessoa está essencialmente presente tal como estava no passado. conclui Hume. 28 A Teoria do Eu como feixe (The Bundle Theory of the Self) Costumamos pensar que somos as mesmas pessoas que éramos há tempos atrás. por isso é provável que continue a funcionar. não há nada a que estas percepções pertençam. justificando a indução por um apelo que requer a indução para ter efeito. Mas alguns comentadores argumentam que Hume foi mais além do niilismo. Pelo contrário. Para trabalho contemporâneo relevante. e não haverá nada de irracional em a comer ou em o desejar. ver "Reasons and Persons". informando o agente de fatos úteis relativos às ações que servem aos seus objetivos e desejos. mas que é composto de muitos elementos relacionados mas em permanente mutação. Para trabalho contemporâneo relevante. apela apenas para a segurança passada da indução: sempre funcionou assim. a razão é apenas uma espécie de calculador de conceitos e experiência. como Hume lembrou.David Hume A segunda justificação. que declara que uma ação é razoável se e somente se ela serve os objetivos e desejos do agente. mas não seria contrário à razão. De notar que. que retém a sua identidade não em virtude de uma substância básica permanente. Parece haver qualquer coisa de abstruso em. quaisquer que estes sejam. de Derek Parfit. tanto quanto podemos dizer. . O instrumentalismo passará a ser uma visão ortodoxa da razão prática em economia. teoria das escolhas racionais e algumas outras ciências sociais. tirando qualquer papel à razão. notamos grupos de pensamentos. nega que exista uma distinção entre os vários aspectos de uma pessoa e o indivíduo misterioso que supostamente transporta todas estas características. Apesar de termos mudado em muitos aspectos. Assim. tal como é o caso com respeito à nossa crença na realidade do mundo exterior. Hume. na perspectiva de Hume. O seu trabalho gerou a doutrina do instrumentalismo. a razão lhe dirá onde encontrar uma folha de alumínio.

Indeterminism) Todos nós já notamos o aparente conflito entre o livre-arbítrio e o determinismo: se as nossas acções foram determinadas há milhões de anos. Na visão de Hume. Imagine que as suas acções não são determinadas pelos eventos precedentes. Este argumento contra os fundamentos da moralidade na razão é hoje um dos argumentos pertencentes ao arsenal do anti-realismo moral. Ele primeiro defendeu que as crenças morais estão intrinsicamente motivantes: se você acredita que matar é errado. quase todos nós acreditamos no livre-arbítrio. como poderá ser que elas dependam de nós? Mas Hume notou um outro conflito. é causado (causal). de J. de Mackie. "Hume's Moral Theory". mas a livre-vontade parece requerer o determinismo. Em adição.L. Por isso mesmo. "Moral Realism and the Foundation of Ethics" de David Brink e "The Moral Problem" de Michael Smith. Consequentemente. se tomamos as pessoas como responsáveis pelas seus atos. como tudo o mais. mas ela depende dos nossos desejos e preferências quanto à percepção daquelas verdades e se isso nos motiva. o filósofo Humeano John Mackie argumentou que para os factos morais serem factos reais sobre o mundo e ao mesmo tempo. e muito importante para Hume. eles teriam de ser factos muito estranhos. ver: Inventing Right and Wrong. as suas preferências. os seus valores. indeterminismo (Free Will vs. que torna o problema da livre vontade num denso dilema: a livre-vontade é incompatível com o indeterminismo. as ações não são determinadas pelo seu carácter. Hume propôs que a moralidade depende ultimamente do sentimento. Como é que alguém pode ser sido por responsável pelo seu carácter? A livre-vontade parece requerer o determinismo. 29 Anti-realismo moral e motivação No seu ataque ao papel da razão no julgamento do comportamento. ver "The Authority of Reason" de Jean Hampton e "Rational Choice and Moral Agency" de David Schmidtz. porque senão o agente e a acção não estariam conectados do modo necessário por acções livremente escolhidas. Hume argumentou que o comportamento imoral não é imoral por ser contra a razão. etc. devemos focar a recompensa ou a punição de forma a que eles façam aquilo que é moralmente desejável e evitem aquilo que é moralmente repreensível. Nesse caso. Para trabalho contemporâneo relevante. Livre-arbítrio vs. Temos pois todos os motivos para desacreditá-los. Ele lembra-nos em seguida que a razão por si só não motiva ninguém: a razão descobre os factos e a lógica. a razão por si não produz crenças morais. você estará motivado "ipso facto" a não matar e em criticar a matança (internalismo moral). a livre vontade parece inconsistente com o determinismo.David Hume Para trabalho contemporâneo relevante. Mackie. o comportamento humano. as suas acções serão completamente aleatórias. Sendo assim. sendo o papel da razão apenas o de preparar o caminho para os nossos sensíveis julgamentos por análise da matéria moral em questão. intrinsicamente motivantes. .

achava que princípios morais não podem ser justificados intelectualmente. o "proto-utilitarismo" de Hume é muito peculiar. O problema do ser .David Hume 30 Razão e sentimento Segundo Hume. O papel de Hume não deverá ser descrito com exagero. menos irredutível.. colocada num pequeno parágrafo de Hume. Qualquer teórico ético que pretender dar à moralidade um fundamento objectivo em aspectos mais mundanos da vida real está a lutar por uma causa controversa. Nunca sem se dar uma explicação de como o enunciado. foi o seu compatriota Francis Hutcheson que cunhou o slogan utilitarista "a maior felicidade para o maior número". No entanto.E: Moore defendeu uma posição similar com a seu "argumento da questão aberta". Hume apela aos escritores que tomem muito cuidado na mudança do enunciado de um estado para o outro. que pretendia refutar qualquer identificação de propriedades morais com propriedades naturais: a chamada "falácia naturalista". Este ponto tem sido aplicado sobretudo na questão da ressurreição de Jesus. na base de enunciados acerca do que é. no mínimo. Ele não pensa que a agregação de unidades cardinais de utilidade será a fórmula para atingir a verdade moral. Mas foi através da leitura do "Tratado" de Hume que Jeremy Bentham sentiu pela primeira vez a força do sistema utilitário: ele "sentiu como se escamas tivessem caído dos seus olhos". Mas como exactamente é que se pode derivar o "deve" de um "é" ? Essa questão. claro. mas que se o pode fazer sem atender à natureza humana. desde instituições sociais e políticas governamentais até traços de carácter e talentos. sem prestar atenção aos sentimentos humanos)."é". avançou pela primeira vez a ideia de que a explicação dos princípios morais deverá ser procurada na utilidade que eles tendem a promover. a razão não é antagônica aos sentimentos do qual as duas são intimamente ligadas por associações. G. todos eles à volta do seu conceito de milagre: nomeadamente a violação por Deus das leis da Natureza. Os humanos são pouco flexíveis a aprovar coisas que ajudam a sociedade-utilidade pública. tornou-se uma das questões centrais da teoria da ética e costuma ser atribuída a Hume a opinião de que tal derivação é impossível. Alguns princípios simplesmente são-nos apelativos e outros não o são. Mas parece haver uma grande diferença entre enunciados descritivos (o que é) e enunciados prescritivos (o que deveria ser). Pelo contrário."deve ser" é suposto seguir ao enunciado. Há vários argumentos sugeridos pelo ensaio de Hume. como tal. Hume era um sentimentalista moral e. ligados por associações de causa e efeito só tomam sentido quanto estes são ligados pelas paixões. Hume usou este dado para explicar como ele avaliava um vasto campo de fenómenos. O problema dos milagres Uma forma de apoiar a religião é por apelo a milagres. mais defensável. Utilitarismo Foi provavelmente Hume quem. os milagres não poderiam conferir muito apoio à religião. é que devido à forte evidência que temos das leis da natureza. Outro argumento afirma que o testemunho humano nunca poderia ser suficientemente fiável para contra-ordenar a evidência que temos das leis da Natureza. qualquer pretensão de milagre está sobre pressão desde o início e precisa de provas fortes para derrotar as nossas expectativas iniciais. da nossa perspectiva. De tal maneira que a primeira. isto é.dever ser (The Is-Ought Problem) Hume notou que muitos escritores falam do que deve ser. juntamente com os seus colegas do Iluminismo escocês. E a razão porque princípios utilitaristas da moral são apelativos é que eles promovem os nossos interesses e os dos nossos companheiros com os quais simpatizamos. onde Hume sem dúvida perguntaria "o que é . Mas Hume argumentou que no mínimo. Outro argumento. (Outros interpretam Hume como dizendo que não se pode ir de uma constatação factual a um enunciado ético. Um argumento é o de que é impossível violar as leis da Natureza.

inexplicada.000 anos. . Pode falar-se de ideias pioneiras para a sociologia da religião.David Hume que é mais provável ? que um homem se erga dos mortos ou que este testemunho esteja incorrecto de uma forma ou de outra ?". Tudo o que se pode esperar é a conclusão de que a configuração do universo é o resultado de algum agente (ou agentes) moralmente ambíguo. Chama-lhe um "flux and reflux" (fluxo e refluxo. Para uma perspectiva de um filósofo da biologia. O argumento do desígnio. a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação. Mas não menos dignas de destaque são as observações na análise da religião. possivelmente não inteligente. é melhor explicado pelo processo da filtragem: ou seja.que toda a ordem e "objectivo" do mundo evidencia uma origem divina. Hume acredita que o que a história mostra é antes um oscilar irracional entre politeísmo e monoteísmo. Muitas vezes. que ficam patentes na obra de 1757. O desígnio (criação) diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de "ordem" e "objectivo". e apesar do assunto estar longe de estar esgotado. mesmo que funcionasse. cujos métodos possuam alguma semelhança com a criação humana. Ou mais suavemente. ver "Hume's Philosophy of Religion" de J. Para o argumento teleológico funcionar.jj Sociologia da Religião de Hume David Hume ficou conhecido sobretudo pelas contribuições na filosofia. Esta explicação mecânica da teleologia antecipou a selecção natural. muitos estão convencidos de que Hume resolveu a questão definitivamente. o objecto X não existiria se não possuisse o aspecto A. não poderia suportar uma robusta fé em Deus. da superioridade e inferioridade". Gaskin e "The Existence of God" de Richard Swinburne.C. esta oscilação não é o resultado de qualquer racionalidade. Teoria da Oscilação Hume rejeita a ideia de uma evolução linear desde o politeísmo para o monoteísmo como um sumário da evolução histórica dos últimos 2. podemos considerar a ordem do universo. Uma projecção humana de objectivos na natureza. 2. etc. "o que é mais provável ? que o Uri Geller pode realmente fazer dobrar colheres com a sua mente ou que isso seja algum tipo de truque ?". e é de se observar que um século antes de Darwin. seria necessário que só nos pudessemos aperceber de ordem quando essa ordem resulta do desígnio (criação). mas sim com os "mecanismos do medo. The Natural History of Religion. e o fim F é apenas interessante para nós. 4. ver "Hume's Abject Failure" de John Earman — o título é sugestivo 31 O argumento teleológico Um dos argumentos mais antigos e populares para a existência de Deus é o argumento teleológico . Senão. Pelos próprios princípios do argumento teleológico. Mas nós vemos "ordem" constantemente. Hume usou o criticismo clássico do argumento teleológico. Aqui alguns dos seus pontos: 1. Para uma análise crítica e técnica (Bayesiana) de Hume. o que parece ser objectivo. ver "Philosophy of Biology" de Elliot Sober. Na verdade. incerteza.A. como a geração e a vegetação. resultante de processos presumivelmente sem consciência. onde parece que o objecto X tem o aspecto A por forma a assegurar o fim F. um oscilar) entre as duas opções. Nas palavras de Hume: "a mente humana mostra uma tendência maravilhosa para oscilar entre diferentes tipos de religião: eleva-se do politeísmo para o monoteísmo para voltar a afundar-se na idolatria" Como Gellner afirma. Este argumento é a base do movimento céptico e um assunto fundamental aos históricos da religião. Para trabalho contemporâneo relevante. 3.

Torna-se necessária a figura de intermediários perante o comum dos mortais e o Deus todo poderoso. em breve.o clero. devido à sua diversidade geográfica e socio-económica. Moral. a partir do qual nenhum progresso é possível". é porém igualmente um Deus distante e de difícil acesso para o comum dos mortais (sobretudo se estes são analfabetos . Hume escreve: "Apesar de as pessoas como um órgão serem incapazes de governar. . Esse princípio psicológico é a ideia de que os homens vivem em busca da protecção. e ali tinha tomado contacto com a obra de Hume. ainda mais digno de veneração do que os outros." James Madison. que são vistos pelos homens como parentes e lhes parecem menos distantes. levá-las a tomar medidas contra o interesse público. do apoio. A maioria do povo comum. a idolatria está de volta…" Novamente de regresso ao monoteísmo Mas mais uma vez.e na Europa da Idade Média. Political and Literary" terá influenciado directamente James Madison na formulação da Constituição Americana. Hume: "À medida que estas diferentes formas de idolatria dia por dia descem às formas cada vez mais baixas e ordinárias. Como Gellner afirma. Hume refuta a ideia de Montesquieu de que uma grande nação está condenada a ser corrupta e ingovernável. "o Panteão torna a encher-se". Do monoteísmo para o politeísmo Esse Deus único. são objecto da adoração e assim. Uma função para os santos. o pêndulo tem de retornar. torna-se visível um princípio psicológico que caminha numa direcção contrária. Hume mostra exemplos desta evolução: É a luta de Jeová contra os Bealim de Canaã. O contacto directo com as escrituras sagradas na Idade Média permanecia um privilégio de uma casta limitada . da Reforma contra o Papado. 32 Influência de Hume na constituição americana Como Douglass Adair sugeriu. porque eles receiam que a carne seja fraca e que acabe por se deixar levar para a idolatria". os homens chegam ao estágio de um só Deus como ser infinito. sente-se impossibilitado de aceder a Deus por via "directa". as partes estão tão distantes e remotas que é muito difícil. todo poderoso. acabam por se auto-destruir e as horríveis formas de idolatria vão acabar por provocar um retorno e um desejo de regresso ao monoteísmo… Por isso (entre os judeus e os muçulmanos) é que há proibição de figuras humanas na pintura e mesmo na escultura. afirma Hume. bem mais estável do que nações pequenas. do que a planear o derrube. a esmagadora maioria da população era analfabeta). … "Estes semi-deuses e intermediários. que estudara em Princeton. Neste momento. e do Islão contra as tendências pluralistas (ver sufismo). A elite conspiradora necessitará de passar mais tempo a coordenar os movimentos das várias partes do todo. em grande medida. como parte dos "Federalist Papers". caso elas se dispersarem em pequenas unidades (tais como colónias individuais ou estados) elas são mais susceptíveis de se submeter à razão e à ordem. analfabeto. publicado em Abril de 1787. "Neste processo. No ensaio ali contido "Idea of a Perfect Commonwealth".David Hume Do politeísmo para o monoteísmo Os povos que adoram vários deuses com poderes limitados podem facilmente conceber um Deus com um poder mais extenso. relíquias. Pelo contrário. o livro de David Hume. quebrada". 8 meses antes dele ter escrito o ensaio defendendo a Constituição. "Ao mesmo tempo. a força das correntes populares (populismo) e marés é. seja por intriga ou paixão. incorporou esta visão no seu "Notes on the Confederacy". "Essays. uma nação extensa pode ser.

David Hume 33 Obra • Tratado da Natureza Humana (1739-1740) • Investigação sobre o Entendimento Humano (1748) Contém uma revisão dos pontos principais do tratado.. Apesar de haver alguma controvérsia. p. in important respects. the study of the mind is. tendo tido mais de 100 edições. Hume cita "Mr Locke. • História Natural da Religião (1757) Este livro é considerado por alguns como a primeira obra científica a debruçar-se sobre a sociologia da religião. and have engaged the attention.. livro 1. revistos várias vezes ao longo da sua vida. article « David Hume ». [4] Na introdução de A Treatise of Human Nature. "Do comércio". edu/ entries/ hume/ ). "Da densidade populacional de nações antigas". • Da imortalidade da alma e outros textos póstumos. para nomear apenas alguns. Foi também a obra melhor conhecida de Hume durante a sua vida. in Stanford Encyclopedia of Philosophy (http:/ / plato. C. • Investigação sobre os Princípios da Moral (1751) Outra revisão do material do tratado para apelar mais ao gosto popular. 179. An introduction to Hume's thought.but in recent decades commentators. "Da liberdade civil". quer quanto às ideias filosóficas como no seu estilo literário. [1] « The most important philosopher ever to write in English [. etc. e "Sobre o suicídio". even those who emphasize the sceptical aspects of his thought." [5] Mossner.) "who have begun to put the science of man on a new footing.. stanford.] ».. and excited the curiosity of the public.] there is a thread running from Hume's project of founding a science of the mind to that of the so-called cognitive sciences of the late twentieth century.in part as a reaction to his thoroughgoing religious scepticism . A obra é um forte ataque à tentativa de estabelecer a existência de Deus por processos racionais e tem servido de inspiração a muitos críticos modernos da religião. p. Oxford University Press. just like the study of any other natural phenomenon. Hume considerou esta como a melhor das suas obras filosóficas. "Sobre a estação média da vida". "Que a política possa ser reduzida a uma ciência". William Edward Morris. A história relativa a que ensaios foram adicionados ou removidos parece menos relevante. e Demea . Dr Butler. p.Cleantes. Dr Mandeville.. in The Cambridge Companion to Hume. • Ensaios: Morais.. Foi considerada por muitos como a referência essencial da História da Inglaterra até à publicação da monumental "História de Inglaterra" de Thomas Macaulay. Uma história monumental. "Da origem do governo". Lord Shaftesbury. For both. have recognized and begun to reconstruct Hume's positive philosophical positions. .acerca do argumento teleológico. Ernest Gellner diz que este livro permanece um dos melhores tratados deste tipo. The life of David Hume. (2001). Mr Hutcheson. o problema do mal e as relações entre a religião e a moral. Políticos e Literários (editados pela primeira vez em (1741-1742)) Uma série de ensaios. o argumento cosmológico. Fílon. a maioria dos académicos acredita que Fílon é a personagem que melhor reflecte as ideias de Hume. • A História da Grã-Bretanha (1754-1762) Esta é mais uma categoria de livros do que uma única obra. E." David Fate Norton. milagres e o argumento teleológico. "desde a invasão de Júlio César até à Revolução Gloriosa de 1688". 1. 33. [3] "For nearly two centuries the positive side of Hume's thought was routinely overlooked . [2] "[." (. com a adição de material sobre a livre vontade. • Diálogos sobre a Religião Natural (póstumo) Uma discussão entre três personagens ficcionais . talvez mesmo o melhor." The Cambridge Companion to Hume.

org/eLibris/ hume.unicamp.br/~chibeni/texdid/restr3. .com.br/~conte/hume.htm) Investigação acerca do entendimento humano de Hume online (e-book) (http://www. indiscutivelmente um dos pensadores mais influentes.br/arte/grupohume/) Quem foi David Hume (http://www. idéias (http://www. metafísica.David Hume 34 Ligações externas • • • • • • • • • Hume Studies (http://www.br/hume.mundodosfilosofos.consciencia. geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna.blogspot.ebooksbrasil.org/wiki/index.php/ Hume_My_Own_Life:pt) David Hume (http://www.com.com) Immanuel Kant Immanuel Kant Nascimento 22 de abril de 1724 Königsberg 12 de fevereiro de 1804 (79 anos) Königsberg Prússia Oriental Morte Nacionalidade Influências Influenciados Conhecido(a) por epistemologia. ética Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg. 22 de abril de 1724 — Königsberg.org/) (em inglês) The Hume Society (http://www.ufsc.terra.org/) (em inglês) Apontadores David Hume: biografia.humesociety.rgfive.html) Grupo Hume (http://paginas. 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano.html) Tratado da Natureza Humana de Hume online (e-book) (http://www.humestudies.htm) Minha Própria Vida: autobiografia de David Hume (http://www.cfh.

Kant define essa menoridade como a incapacidade do homem de fazer uso do seu próprio entendimento. sem deixar enganar pelas crenças. Os homens quando permanecem na menoridade. Para Kant. Aquele que tentar sozinho terá inúmeros impedimentos. tradições e opiniões alheias. pois já existem outros que podem fazer por mim. começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. de uma teoria da formação do sistema solar. cidade da qual nunca saiu. Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo. são incapazes de fazer uso das próprias pernas. que valoriza a indução). a primeira moderna. Um outro motivo é o comodismo. como uma criança que cresce e amadurece. física. uma síntese entre o Racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Leibniz. Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta. um momento em que o ser humano. No entanto. sem a doutrina ou tutela de outrem. onde impera a forma de raciocínio dedutivo). como por exemplo o Pós-modernismo. John Locke. É bastante cômodo permanecer na área de conforto. e a tradição empírica inglesa (de David Hume. É cômodo que existam pessoas e objetos que pensem e façam tudo e tomem decisões em nosso lugar. Segundo esse pensador. Kant afirma que é difícil para o homem sozinho livrar-se dessa menoridade. o homem é responsável por sua saída da menoridade. se torna consciente da força e inteligência para fundamentar a sua própria maneira de agir. conhecida como a hipótese Kant-Laplace. pois seus tutores sempre tentarão impedir que ele experimente tal liberdade. 35 A menoridade humana Kant define a palavra esclarecimento como a saída do homem de sua menoridade.são incapazes de tomar suas próprias decisões e fazer suas próprias escolhas. pois ela se apossou dele como uma segunda natureza. Kant operou. A covardia e a preguiça são as causas que levam os homens a permanecerem na menoridade. Em seu texto O que é o Iluminismo?. matemática. Nele. são poucos aqueles que conseguem pelo exercício do próprio espírito libertar-se da menoridade. Kant sintetiza seu otimismo iluminista em relação à possibilidade de o homem seguir por sua própria razão. É mais fácil que alguém o faça. . A permanência do homem na menoridade se deve ao fato de ele não ousar pensar. é muito provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas. levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. A filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. ou George Berkeley. ou seja. na epistemologia. os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência. do que fazer determinado esforço. etc.Immanuel Kant Depois de um longo período como professor secundário de geografia. descreve o processo de ilustração como sendo "a saída do homem de sua menoridade".

Ele próprio foi um cristão devoto por toda a sua vida. preferindo o bilhar ao estudo. mas as conclusões inaceitáveis. que frequentou graças à intervenção de um pastor.Immanuel Kant 36 Vida Kant nasceu. da física. Com essa idade. Hume é por muitos considerados um empirista ou um cético. Achava o argumento de Hume irrefutável. . teve uma educação austera numa escola pietista. ele desenvolveu a noção de um argumento transcendental para mostrar que. que cada evento estará causalmente conectado com outros. Pode argumentar-se que teve influência na posterior direcção. Por volta de 1770. Foi o quarto dos nove filhos de Johann Georg Kant. com 46 anos. mas foi então que uma breve crise existencial o assomou. Kant foi um respeitado e competente professor universitário durante quase toda a vida. que aparições no espaço e no tempo obedecem a leis da geometria. mas nada do que fez antes dos 50 anos lhe garantiria qualquer reputação histórica. Neste livro. Durante 10 anos não publicou nada e. Viveu uma vida extremamente regulada: o passeio que fazia às 15:30 todas as tardes era tão pontual que as mulheres domésticas das redondezas podiam acertar os relógios por ele. viveu e morreu em Königsberg (atual Kaliningrado). da aritmética. Túmulo de Immanuel Kant em Kaliningrado (antigo Königsberg) Kant nunca deixou a Prússia e raramente saiu da cidade natal. Kant sentiu-se profundamente inquietado. então. Apesar da reputação que ganhou. em 1781 publicou o massivo "Crítica da Razão Pura". muitos autores o consideram um naturalista. Kant leu a obra do filósofo escocês David Hume. Passou grande parte da juventude como estudante. um artesão fabricante de correias (componente das carroças de então) e da mulher Regina. era considerado uma pessoa muito sociável: recebia convidados para jantar com regularidade. em suma. etc. estamos forçados a percepcionar e a pensar acerca do mundo de certas formas: podemos saber com certeza um grande número de coisas sobre "o mundo como ele nos aparece". Nascido numa família protestante (Luterana). Por exemplo. era apenas um metafísico menor numa universidade prussiana. um dos livros mais importantes e influentes da moderna filosofia. apesar de não podermos saber necessariamente verdades sobre o mundo "como ele é em si". insistindo que a companhia era boa para a constituição física. na altura pertencente à Prússia. Tinha a convicção curiosa de que uma pessoa não podia ter uma direcção firme na vida enquanto não atingisse os 39 anos. sólido mas não espetacular.

[1] Kant escreveu alguns ensaios medianamente populares sobre história.. Uma das obras. Filosofia O trabalho filosófico de Kant está na confluência do racionalismo. Inscrições ao longo da tumba de Kant. Fichte. A Fundamentação da Metafísica dos Costumes é considerada por muitos filósofos a mais importante obra já escrita sobre a moral. e a Crítica do Julgamento. dentre elas (. inscrevem-se na linhagem desse pensamento que representa um etapa decisiva na história da filosofia e está longe de ter esgotado a sua fecundidade. a independência americana e a Revolução Francesa. Como Kant os entendeu. que lidava com a moralidade de forma similar ao modo como a primeira crítica lidava com o conhecimento. atinge hoje em dia grande destaque entre os estudiosos da filosofia moral. Morrera em 12 de fevereiro de 1804 na mesma cidade que nascera e permanecera durante toda sua vida.Immanuel Kant 37 Nos cerca de vinte anos seguintes. para indicar apenas os maiores. Schopenhauer. O seu edifício da filosofia crítica foi completado com a Crítica da Razão Prática. Seu caminho histórico está assinalado pelo governo de Frederico II. Nos primeiros (o quadrado tem quatro lados e quatro ângulos internos). Tais juízos independem da experiência. É nesta obra que o filósofo delimita as funções da ação moralmente fundamentada e apresenta conceitos como o "Imperativo categórico" e a "Boa vontade". Schelling. tal como existe. . unificando o seu sistema. Hegel. em particular. como diz Hegel. As questões de partida do Kantismo são o problema do conhecimento. e a ciência. política e a aplicação da filosofia à vida. a produção de Kant foi incessante. A ciência se arranja de juízos que podem ser analíticos e sintéticos. frutificou com força e riqueza só comparáveis à do socratismo na história da filosofia grega. até a morte em 1804. que não conferem conhecimento factual e nem nos obrigam a agir: o julgamento estético (do Belo e Sublime) e julgamento teleológico (Construção de Coisas Como Tendo "Fins"). fundados no princípio de identidade. estava a trabalhar numa projetada "quarta crítica". este manuscrito foi então publicado como Opus Postumum. o predicado aponta um atributo contido no sujeito. são universais e "Heróis da Paz" Kant esculpido na Estátua equestre. o julgamento estético e teleológico conectam os nossos julgamentos morais e empíricos um ao outro. por ter chegado à conclusão de que seu sistema estava incompleto. que lidava com os vários usos dos nossos poderes mentais. Quando morreu. do empirismo inglês (David Hume) e a ciência física-matemática de Isaac Newton.)"O céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de mim" (…) Os trabalhos de Kant são a sustentação e ponto de início da moderna filosofia alemã..

Kant volta a classificação aristotélica. Podemos concebê-lo sem acontecimentos. também. que as classifica de acordo com a quantidade. Só é possível conhecer coisas extensas no espaço e sucessivas no tempo. pode conhecer as coisas "em si". privados e incertos. o pressupõem. pois não podemos ter intuição do objeto de um conceito (pedra. Compreendemos que a natureza é regida por leis matemáticas que ordenam com rigor o comportamento das coisas (o que permite ciências como engenharia. e. A ciência da natureza postula a existência de objetos. intuições puras e não conceitos de coisas como objetos. em seguida. a relação e a modalidade. a priori. dando-lhe novo sentido. Os juízos da ciência devem ser. Tais categorias são as condições de possibilidade dos juízos sintéticos a priori em física. não pode ser conceito. etc. e nada se poderia dizer a seu respeito. sua consistência e as relações de causa e efeito. Assim. as condições prévias da objetividade.). a posteriori resultam da experiência e sobrepõem ao sujeito no predicado um atributo que nele não se acha previamente contido (o calor dilata os corpos ). mas não podemos conceber os acontecimentos fora do tempo. Se o conhecimento é relação. Forma vazia. Essa formas estão estudadas desde Aristóteles. impressões. mas não coisa sem espaço. como se acabe de ver. ao mesmo tempo. Esse privilégio explica a compenetração da geometria e da aritmética. a existência e a necessidade. Trata-se pois. carro. Ora. a ciência sempre diria o mesmo (e não é assim). se fossem sintéticos um hábito sem fundamento (o calor dilata os corpos porque costuma dilatá-los). o espaço não é nem uma coisa nem outra. universais e necessários. enfim. internos ou externos. portanto. a priori.). a causalidade e a ação recíproca. gênero ou espécie. determiná-la. A função principal dos juízos da natureza. torna possíveis por exemplo os juízos sintéticos a priori na aritmética. portanto. partes da Crítica da razão pura). Objeto de intuição. quando aplicada. Não existe a "coisa em si". referindo ao espaço). A geometria analítica (Descartes) permite reduzir as figuras a equações e vice-versa. as formas a priori da sensibilidade. a forma a priori da sensibilidade interna e externa. mas é sua condição de possibilidade. O cálculo infinitesimal (Leibniz) arremata essa compenetração definindo a lei de desenvolvimento de um ponto em qualquer direção do espaço. correspondem a unidade. e só há um espaço (o nada. não. porque o espaço é a forma a priori da sensibilidade externa. Podemos pensar o espaço sem coisas. por isso. colocar a realidade e. "fenômenos. O espaço é o objeto de intuição e não conceito. A geometria pura. serem possíveis o determinismo com certa regularidade). etc. mas "para nós". Os sintéticos. Para os juízos sintéticos a priori são admissíveis na matemática porque essa ciência se fundamenta no espaço e no tempo.Immanuel Kant necessários. Uma indagação eminente que o levara à sintetização do pensar: Que juízos constituem a ciência físico matemática? Caso fossem analíticos. cavalo. ou aparecem. Se existisse não se poderia a conhecer enquanto tal. As diversas formas do juízo deverão. Na apresentação "transcendental" do espaço. de saber como são possíveis os juízos sintéticos a priori na matemática e na física. intuição pura. ("Estética transcendental" e "Analítica transcendental").. etc. Não há como saber das coisas com apenas percepções sensíveis. Ora. O tempo é. quer dizer. a qualidade. a possibilidade. a pluralidade e a totalidade. não deriva da experiência. As condições do conhecimento são. cujas operações (soma. ou relacionamento (do sujeito com o objeto). à modalidade. à quantidade. ou seja. enquanto se manifestam. Kant analisa a possibilidade dos juízos sintéticos a priori na física. Se as categorias universais. A matemática é pois. subtração. particulares e 38 . coincide totalmente com a experiência. a relação a substância. que coincidem com a experiência e a tornam cognoscível. Na "analítica transcendental". e se são possíveis na metafísica ("Dialética transcendental". pois. conter as diversas formas da realidade. O tempo é. à qualidade a essência. sendo. Há um conhecimento a priori da natureza. As condições de possibilidade do conhecimento sensível são. fundados na experiência. Kant determina as condições subjetivas ou transcendentais da objetividade. Na "Dedução transcendental" das categorias. um conjunto de leis a priori. a negação e a limitação. e sintéticos objetivos. formas a priori da sensibilidade. ocorrendo sucessivamente. a função principal dos juízos é pôr. O espaço é a priori.

a partir da minha apreciação de uma forma bela da natureza ou da arte. 39 Juízo Estético de Kant O juízo estético é abordado no livro Crítica da Faculdade do Juízo. puros. pertencendo a todo sujeito. julga o belo como universal.Immanuel Kant contingentes. somada as diferentes opiniões que foram apresentadas pelos indivíduos. aplica arbitrariamente as categorias e pretende conhecer o incognoscível. a existência e a inexistência de Deus. devem proceder de nós mesmos. . De acordo com Kant para se ter uma investigação crítica a respeito do belo. Então chegaremos à conclusão de que a observação atenta e valorativa daquele objeto. Os sujeitos têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação estética e. o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito cognoscente o reveste das condições de cognoscibilidade. sem relação com qualquer conceito". Essa situação fica bem evidente quando visitamos um museu.[2] Na "dialética transcendental". A universalidade do juízo estético é detectada por envolver um exercício persuasivo de convencimento de outro sujeito que aquela determinada forma da natureza ou da arte é bela. finalmente Kant examina a possibilidade dos juízos sintéticos a priori na metafísica. Ultrapassando os limites da experiência. não nos é dada em experiência alguma. Se nos colocarmos como observador. Digamos que essa experiência fosse realizada no Museu do Louvre. ao incondicionado. "antinomias". ao passo que. Deus. especulativo e prático. é universal e congraça o julgamento estético. porque aspira ao infinito. com o quadro Monalisa. além disso. anteriores à experiência e que. E. Portanto a investigação crítica que Kant se refere diz respeito às possibilidades e limitações das faculdades subjetivas que agem sob princípios formulados e que pertencem à essência do pensamento. Para Kant apenas sobre gosto se discute. a liberdade e o determinismo. representa uma reivindicação para tornar universal um juízo subjetivo. a finitude e a infinitude do universo. Kant mostra que a razão pura demonstra. perceberemos que os mais diversos comentários serão tecidos a cerca dessa obra tão famosa. "indiferentemente". Em tal descoberta consiste a "inversão copernicana". todavia. Em suma. a tornam possível. observaremos que as impressões causadas serão as mais diversas. As categorias são conceitos. a priori. devemos estar orientados pelo poder de julgar. A metafísica é impossível como ciência. de nosso entendimento. essência do cosmos. Em suma. fazendo a síntese das sínteses. mas o sujeito que determina o objeto. A "coisa em si" (alma. torna aquele valor universal. Não é o objeto que determina o sujeito. como chega a razão a formar esses objetos? Sintetizando além da experiência. como se refere Kant. Nas célebres. portanto. Como podemos desnudar o fenômeno que explica o nosso gosto? Se fizermos uma experiência com vários indivíduos e o defrontarmos com um objeto de arte. por isso. confirmem essa posição? Ou então somos obrigados a admitir que todo objeto que julgamos como sendo belo é uma valoração subjetiva? O poder de julgar. dessa forma. em Paris. Ora. pois não se pode chegar mais. nos dá respaldo para afirmar que o gosto tem que ser discutido. ao absoluto. o belo "é o que agrada universalmente. o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito que determina o objeto. Retrato de Immanuel Kant. E a indagação básica que move essa investigação crítica a respeito do belo é: existe algum valor universal que conceitue o belo e que reivindique que outras pessoas. realizada por Kant. O juízo estético está relacionado ao prazer ou desprazer que o objeto analisado nos imprime e. etc.).

O direito de cada um na superfície terrestre pode ser limitada no sentido da superfície. Também. No entanto. o belo não está arraigado em nenhum conceito. caso o visitante mantenha-se pacifico. o fato de que existe um direito cosmopolitano relacionado com os diferentes modos do conflito dos indivíduos intervirem nas relações com outros indivíduos. levando a cabo a ideia de crítica nos seus estudos da metafísica.é um resumo dos seus esforços: ele pretendia explicar. que vão empregar cada qual um conceito. mas que são usadas para explicar o movimento de corpos físicos. Kant traz no terceiro artigo definitivo de um tratado de paz perpetua. O seu interesse na ciência também o levou a propor em 1755 que o sistema solar fora criado a partir de uma nuvem de gás na qual os objectos se condensaram devido à gravidade. visto que tal direito persiste a toda espécie humana. . Dessa forma. não seria possível hostiliza-lo. o direito da posse comunitária da superfície terrestre pertence a todos aqueles que gozam da condição humana. após a contemplação da Monalisa. o fanatismo e a superstição. como eu ou você. no seu domínio. Crítica da razão pura. Esta Hipótese Nebular é amplamente reconhecida como a primeira teoria moderna da formação do sistema solar e é precursora das actuais teorias da formação estelar. existindo uma tolerância de todos a fim de que se alcance uma convivência plena. Já o indivíduo deve tolerar a presença do outro. sem interferir nele. ética e estética. trata que o direito cosmopolítico deve circunscrever-se às condições de uma hospitalidade universal. Pois. por último. Kant foi um dos grandes construtores de sistemas. que se podem tornar nocivos a todos e. Isaac Newton tinha desenvolvido a teoria da física sob a qual Kant queria edificar a filosofia. B [3] XXXIV.Immanuel Kant Detendo-nos na análise dos comentários favoráveis notaremos que. encontraremos desde pessoas especializadas em arte até leigos. pode repelir o visitante se este interfere em seu domínio. Então. A pessoa que está em seu território. o do direito de apresentar-se na sociedade. a incredulidade dos espíritos fortes. aquelas duas áreas. Mesmo que o espaço seja limitado. Uma citação famosa . também o idealismo e o cepticismo. mas sim um sentimento que é universal e necessário. mas sim. de um direito que persiste em todos os homens. os indivíduos devem se comportar pacificamente com o intuito de se alcançar a paz de convívio mútuo. sendo indispensável para a compreensão do direito cosmopolítico de modo a garantir as condições necessárias para termos uma hospitalidade universal." Kant. não se trata de um direito que obrigatoriamente o visitante poderia exigir daquele que o tem assim. 40 A paz perpetua A paz perpetua. numa teoria sistemática. ratificando Kant. o fatalismo. que são sobretudo perigosos para as escolas e dificilmente se propagam no público. Filosofia de Kant em geral "Só a crítica pode cortar pela raiz o materialismo. dos vários indivíduos que vão apreciar a obra de Leonardo da Vinci. Veja que o ato de hostilidade está presente no ato do direito de hospitalidade. Por fim. Esta teoria envolvia a assunção de forças naturais de que os homens não se apercebem. o ateísmo. cujo objectivo primário era "criticar" as limitações das nossas capacidades intelectuais. a violação do direito cosmopolitano e o direito público da humanidade criará condições para o favorecimento da paz perpetua. proporcionando a esperança de uma possível aproximação do estado pacífico. O relacionamento entre as pessoas está na construção dos direitos de cada um. de acordo com a percepção. Apesar de ter adaptado a ideia de uma filosofia crítica."o céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de mim" . Então isso comprova que não existe uma definição exata a cerca do belo.

Contudo. que ver se temos ou não mais sucesso nas tarefas da metafísica. Apesar da interpretação exacta desta frase ser contenciosa. Kant denominou a filosofia crítica de "idealismo transcendental". Elas não podem ser empregadas fora do campo da experiência. Tal como Copérnico revolucionou a astronomia ao mudar o ponto de vista. por isso. Em segundo lugar. Até aqui. Na perspectiva de Kant. O entendimento nos fornece as categorias com as quais podemos operar as sínteses do diverso da experiência.o entendimento . Tente imaginar alguma coisa que existe fora do tempo e que não tem extensão no espaço. foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-se aos objectos.Immanuel Kant 41 Metafísica e epistemologia de Kant O livro mais lido e mais influente de Kant é a Crítica da Razão Pura (1781). De acordo com o próprio autor. Kant vai nos dizer que há também o entendimento. há. por falhar. de forma a poder compreender a massa sussurrante de experiência crua. Enquanto Kant acha que os fenómenos dependem das condições da sensibilidade. Kant escreveu esse livro portentoso. já vemos que não podemos conhecer fora do espaço e do tempo. . esta tese não é equivalente à dependência-mental no sentido do idealismo de Berkeley. as categorias são próprias do conhecimento da experiência. na filosofia crítica de Kant. Temos pois. no segundo prefácio à "Crítica da Razão Pura". uma vez que a mente tem que ter estas categorias. da filosofia crítica com a revolução copernicana na astronomia. ou aquilo que não está no campo fenomenológico da experiência. por tentativas. acabaram. Mas todas as nossas tentativas de estender o nosso conhecimento de objectos pelo estabelecer de qualquer coisa a priori a seu respeito. uma maneira de a compreender é através da comparação de Kant. o conhecimento a priori de algumas coisas. Assim. é resultado da leitura de Hume e do seu despertar do sono dogmático. Mas esse idealismo transcendental de Kant deverá ser distinguido de sistemas idealistas. de mais de 800 páginas. que seria uma faculdade da razão. não nos é possível conhecer a coisa em si. espaço e tempo. 1781. se supusermos que os objectos devem corresponder ao nosso conhecimento.que nos permitem emitir juízos sobre o mundo. Nada pode ser percebido excepto através destas formas. Daí porque.[2] A mente humana não pode produzir tal ideia.como causa e efeito . mas que só podem ser usadas na experiência. Kant vai mostrar que tempo e espaço são formas fundamentais de percepção (formas da sensibilidade) que existem como ferramentas da mente. também conhecida como "primeira crítica". não-interpretada que se apresenta às nossas consciências. como os de Berkeley. Mas além das formas da sensibilidade.que nos fornece categorias a priori . Capa da obra Crítica da Razão Pura. nesta suposição. por meios de conceitos. O idealismo transcendental descreve este método de procurar as condições da possibilidade do nosso conhecimento do mundo. Na primeira crítica. a obra. ela remove o mundo real (a que Kant chamou o mundo numenal ou númeno) da arena da percepção humana. diz Kant. Assim. e os limites da física são os limites da estrutura fundamental da mente. a filosofia crítica de Kant pergunta quais as condições a priori para que o nosso conhecimento do mundo se possa concretizar. a saber: Kant se perguntou como são possíveis juízos sintéticos a priori? Para responder a essa pergunta. como são possíveis juízos sintéticos a priori? São possíveis porque há uma faculdade da razão .

a percepção não é o critério da existência dos objectos. que não somos capazes de conhecer inteiramente os objetivos reais e que o nosso conhecimento sobre os objetos reais é apenas fruto do que somos capazes de pensar sobre eles. O imperativo categórico pode ser formulado em três formas. Para Kant. quer na tua pessoa como de qualquer outra. em termos gerais. § A segunda fórmula (a fórmula da humanidade) diz: "Age por forma a que uses a humanidade. requeridas para que conheçamos objectos no mundo dos fenómenos. sempre ao mesmo tempo como fim. O imperativo categórico. uma coisa é um objecto apenas se puder ser percepcionada. em síntese. Estátua de Immanuel Kant em Kaliningrado Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal. Kant é provavelmente mais bem conhecido pela teoria sobre uma obrigação moral única e geral. nunca meramente como meio".Immanuel Kant Para Berkeley.espaço e tempo . Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Julgamento (1790). que explica todas as outras obrigações morais que temos: o imperativo categórico. § A terceira fórmula (a fórmula da autonomia) é uma síntese das duas prévias.oferecem as "condições epistémicas". ou uma obrigação que temos independentemente da nossa vontade ou desejos (em contraste com o imperativo hipotético). para usar a frase de Henry Allison. As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico. é uma obrigação incondicional.. . no sentido de discussão do mundo perceptível. Antes. as condições de sensibilidade . que ele acreditava serem mais ou menos equivalentes (apesar de opinião contrária de muitos comentadores): § A primeira formulação (a fórmula da lei universal) diz: "Age somente em concordância com aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo querer que ela venha a se tornar uma lei universal". Diz que deveremos agir por forma a que possamos pensar de nós próprios como leis universais legislativas através das nossas máximas. Nesta área.física. Podemos pensar em nós como tais legisladores autônomos apenas se seguirmos as nossas próprias leis. 42 Filosofia Moral Immanuel Kant desenvolve a filosofia moral em três obras: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785). Kant afirma. Kant tinha querido discutir os sistemas metafísicos mas descobriu "o escândalo da filosofia": não se pode definir os termos correctos para um sistema metafísico até que se defina o campo. e não se pode definir o campo até que se tenha definido o limite do campo da física .

e o anticristo [. ou seja. então o pensamento dominante dos homens deveria tomar a forma de rejeição e de oposição contra ele.[4] Nessa obra. poderia verificar-se. se verifique também um fim contrário à natureza.] inauguraria o seu regime.. os cépticos que diziam que a crença em Deus." Em 1795.Immanuel Kant 43 Kant e a Revolução Francesa Em 1784. sob o aspecto moral..[6] . (baseado presumivelmente sobre o medo e o egoísmo). o fim (perverso) de todas as coisas. pela "mera fé racional. Em seguida. Kant vai também reflectir acerca dos seus conceitos políticos. a par do fim natural de todas as coisas. e ao novo tipo de autoritarismo que se firmava nas "Luzes" da razão. mesmo que breve. Kant mantinha-se no entanto optimista. de facto não teria sido ajudado pelo destino a sê-lo. na liberdade. o "reino de Deus" anunciado nos Evangelhos recebia como que uma nova definição e uma nova presença: a Revolução podia apressar a passagem da fé eclesiástica à fé racional. visto que o cristianismo. também na filosofia de Kant. A Revolução francesa vai no entanto ser um marco de viragem. a perspectiva é já completamente diferente. perverso: Se acontecesse um dia chegar o cristianismo a não ser mais digno de amor. eram irracionais. os cientistas que presumiam nos seus resultados a mais profunda e exacta descrição da natureza. começando por ver na Revolução Francesa uma tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade. No plano religioso. Kant. Toda a Europa do Iluminismo contemplava então fascinada os acontecimentos revolucionários em França.[5] Face à violência inaudita da Revolução Francesa. afirma ainda cheio de optimismo: "A passagem gradual da fé eclesiástica ao domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui a aproximação do reino de Deus". onde chegasse a Revolução a "fé eclesiástica" seria superada e substituída pela "fé religiosa". porém. Kant volta a reflectir sobre a prometida razão e liberdade. no seu ensaio "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo?". ao escrever a obra Der Sieg Estátua de Immanuel Kant na Faculdade de Filosofia des guten Prinzips über das böse und die Gründung eines Reichs e Ciências Humanas da UFMG. no livro Das Ende aller Dinge ("O fim de todas as coisas"). Kant visava vários grupos que tinham levado o racionalismo longe de mais: os metafísicos que pretendiam tudo compreender acerca de Deus e da imortalidade. Observando a evolução e as realizações práticas. Gottes auf Erden (A vitória do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra). e na imortalidade. em 1792. Kant toma agora em consideração a possibilidade de que. embora destinado a ser a religião universal.

Publicação do Livro "História natural genérica e teoria dos céus". 1748 . Kant lê por volta desta altura a obra de David Hume. Moses Mendelssohn e Johann Georg Hamann pronunciam-se com indecisão. que era uma nação célebre pela disciplina militar. Um anónimo tinha escrito que a cerimónia do casamento já não se conformava ao espírito dos tempos do iluminismo.Auge do movimento romântico chamado "Sturm-und-Drang". que era então o iluminismo.Com 80 anos de idade. Kant faleceu em Königsberg. . Trouxe iluministas (Voltaire. após prolongada doença que apresentava sintomas semelhantes à Doença de Alzheimer. 1774 . 1755 . Frederico II. Nesse ano. que o terá despertado do seu "sono dogmático". o mais famoso) para a corte e continuou a política de encorajamento à imigração que o pai tinha seguido.Neste ano. em Lisboa/Portugal. Já não reconhecia sequer os seus amigos íntimos. 1781 .Kant escreve um artigo intitulado "O que é o Iluminismo?" para a revista "Berlinischen Monatsschrift".Immanuel Kant 44 Marcos na vida de Kant 1724 .Início da Revolução Francesa. 1773 .Ironicamente. concede refúgio à Ordem dos Jesuítas.Falecimento do pai de Kant. 1762 . Não pago pela Universidade mas pelos próprios alunos. banidos pelo Papa. 1740 . como ele próprio disse. Kant respondeu com o seu artigo. Kant foi influenciado pelo desastre que foi o Terramoto de 1755. na qual surge a perspectiva de um cidadão do mundo esclarecido. Frederico II torna-se Rei da Prússia.Kant publica em Maio "Crítica da Razão Pura". Um pastor perguntou na resposta. 1795 . 1783 . Selo de 250 anos de nascimento de Immanuel Kant (1724-1804). e sobretudo à secularização resultante.1754 . Kant pronuncia-se inicialmente de forma favorável à Revolução. 1770 . Herder publica "Também uma filosofia da História para educação da Humanidade". publicou três textos distintos sobre o assunto. A reacção é pouco encorajadora. Kant consegue o título de Mestre e o direito a dar aulas na Universidade Alberto. Kant deixou de ter sustento. Daria aulas como docente privado. após o qual o Rei da Prússia Friedrich Wilhelm II proíbe Kant de se pronunciar sobre quaisquer temas religiosos.Publicação do tratado "Para a paz eterna". Morte do amigo Johann Georg Hamann. 1789 . Foi um rei que trouxe sinais de tolerância à Prússia.Kant dá aulas a crianças em pequenas vilas das redondezas. em parte pelo resultado de tentar entender a enormidade do sismo e as consequências.Kant nasce a 22 de abril.Kant lê as recentes publicações de Rousseau.Publicação de "Crítica da Razão Prática". Teria de encontrar trabalho como professor particular. após 14 anos como docente (pago pelos alunos). "Emile" (uma obra filosófica sobre a educação do indivíduo) e o ensaio "Contrato social". 1788 . 1746 . um protestante. como resposta a uma discussão na mesma.Kant torna-se professor de Lógica e Metafísica na Universidade. 1804 .

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Estudou na École normale supérieure de Paris. Contrário ao julgamento do terrorismo soviético. Porém a guerra da Coréia desiludiu-o e fê-lo romper com Sartre. De 1945 a 1952 foi co-editor (com Jean-Paul Sartre) da revista Les Temps Modernes.Maurice Merleau-Ponty 47 Maurice Merleau-Ponty Maurice Merleau-Ponty Nascimento 14 de Março de 1908 Rochefort-sur-Mer. França 4 de Maio de 1961 Paris. a mais elaborada defesa do comunismo soviético do final dos anos 1940. Em 1949 foi chamado a leccionar na Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Voltando sua atenção para a questões sociais e políticas. 14 de março de 1908 — Paris. França francesa Filósofo Fenomenologia e Existencialismo Morte Nacionalidade Ocupação Escola/tradição Principais interesses Ontologia e Epistemologia Maurice Merleau-Ponty (Rochefort-sur-Mer. . Apesar de grandemente influenciado pela obra de Edmund Husserl. Merleau-Ponty publicou em 1947 um conjunto de ensaios marxistas . Merleau-Ponty rejeitou sua teoria do conhecimento intencional. Leccionou em vários liceus antes da Segunda Guerra. Em 1952 ganhou a cadeira de filosofia no Collège de France.Humanisme et terreur ("Humanismo e Terror"). fundamentando sua própria teoria no comportamento corporal e na percepção. durante a qual serviu como oficial do exército francês. Em 1945 foi nomeado professor de filosofia da Universidade de Lyon. atacou o que considerava "hipocrisia ocidental". Suas obras mais importantes de Filosofia foram de cunho psicológico: La Structure du comportement (1942) e Phénoménologie de la perception (1945). Sustentava que é necessário considerar o organismo como um todo para se descobrir o que se seguirá a um dado conjunto de estímulos. que apoiava os comunistas da Coreia do Norte. graduando-se em filosofia em 1931. 4 de maio de 1961) foi um filósofo fenomenologista francês.

com. fae. edu/ entries/ merleau-ponty/ Jean-Paul Sartre Jean-Paul Sartre Simone de Beauvoir. o conhecimento do fenómeno é gerado em torno do próprio fenómeno. o ser humano intui algo sobre ele. primeiro nota e percebe esse objecto em total harmonia com a sua forma. Ética. o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. Segundo Merleau-Ponty. Política. a partir de sua consciência perceptiva. Sartre e Che Guevara Nascimento 21 de Junho de 1905 Paris 15 de abril de 1980 (74 anos) Paris Francês Filósofo. Para Merleau-Ponty. stanford. este entra em sua consciência e passa a ser um fenómeno. br/ website/ news. • Fenomenologia e Existência: Uma Leitura de Merleau-Ponty. html [3] http:/ / plato. O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade.Maurice Merleau-Ponty Em 1955. no entanto. por Newton Aquiles von Zuben [2] • Artigo da Enciclopédia de Filosofia de Stanford (em inglês) [3] Referências [1] http:/ / revistacult. Após perceber o objecto. indicava sua mudança de posição: o marxismo não aparece mais como a última palavra na História. unicamp. Les Aventures de la dialectique ("As Aventuras da Dialética"). por Marilena Chaui. escritor O ser e o nada Existencialismo. Merleau-Ponty publicou mais ensaios marxistas. uol. Marxismo Morte Nacionalidade Ocupação Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Epistemologia. Ontologia. e será capaz de descrever o que ele realmente é. imagina-o em toda sua plenitude. Com a intenção de percebê-lo. asp?edtCode=EF641083-3D32-4F8C-9C5D-30564DAAF6B4& nwsCode=94DC1935-FEEE-42BB-A74F-EBCB0FD15DED [2] http:/ / www. 48 Ligações externas • Merleau-Ponty: a obra fecunda [1]. Essa coleção. Dessa forma. quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência. Metafísica. br/ vonzuben/ fenom. Fenomenologia . mas apenas como uma metodologia heurística.

dividia o quarto com a mãe. que frequentava com sua mãe e que se tornaria mais tarde um de seus maiores interesses. que via nele a vocação de escritor profissional. Repeliu as distinções e as funções oficiais e. Passa a ter acesso à biblioteca de obras clássicas francesas e alemãs pertencente ao seu avô. pelo tio (que o presenteou com uma máquina de escrever) e por uma professora. Corneille. Em seu romance autobiográfico "As Palavras" (Les Mots) confessa que desde cedo a considerava mais como uma irmã mais velha do que como mãe. Sartre considerava serem essas suas "verdadeiras leituras".[5] De sua primeira infância ao fim da adolescência. Após aprender a ler. sem se definir. depois se define. Sartre vive uma vida tipicamente burguesa. sobrinho de Charles. os quatro viveram em Meudon até 1911. 21 de Junho de 1905 — Paris. muda-se para Meudon com sua mãe. Charles Schweitzer nasceu em uma tradicional família protestante alsaciana da qual faz parte. Émile e Anne-Marie. e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra. enquanto todas as outras coisas são o que são. onde morreu em 21 de setembro de 1906. Aos poucos. a sra. o menino tornou-se. e por isso sem ter uma "essência" posterior à existência. se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Com pouco contato com outras crianças. sua terra natal.. órfão de pai. um "Cabotino"[7] e aprendeu a usar a representação para atrair a atenção dos adultos com sua precocidade. por estes motivos.[1] Biografia 1905 a 1918: a formação do escritor Jean-Paul Sartre era filho de Jean-Baptiste Marie Eymard Sartre. uma vez que a leitura dos clássicos era feita por obrigação educacional. Mallarmé. Picard. a família Schweitzer mudou-se para Paris. Suas primeiras histórias eram cópias de romances de aventura. de origem católica. "A existência precede a essência" Nobel de Literatura (1964) Jean-Paul Charles Aymard Sartre (Paris. onde passam a viver na casa de seu avós maternos. George.[9] com os quadrinhos e romances de aventura que sua mãe comprava semanalmente às escondidas do avô. escritor e crítico francês. 15 de Abril de 1980) foi um filósofo. em que apenas alguns nomes eram alterados.[3] Jean-Paul. Flaubert.[10] A essas influências.[8] Em 1911. O pequeno "Poulou". Após o nascimento de Jean-Paul ele sofreu uma recaída e retirou-se com a família para Thiviers. com quem teve três filhos. em suas próprias palavras. o famoso missionário Albert Schweitzer. Maupassant e Goethe. Charles optou pela cidadania francesa e tornou-se professor de alemão em Mâcon onde conheceu e casou-se com Louise Guillemin. pois o homem primeiro existe.[4] Após o regresso de Anne-Marie.Jean-Paul Sartre 49 Ideias notáveis Prêmios Influências Influenciados "O Homem está condenado à liberdade". e então com 15 meses. Quando seu filho nasceu Jean-Baptiste tinha uma doença crônica adquirida em uma missão na Cochinchina. como Jean-Paul era chamado. entre outros.[12] . pela avó. conhecido representante do existencialismo. cercado de mimos e proteção. O avô de Sartre. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Sartre conta em "As Palavras" que escrevia histórias na infância também como uma forma de mostrar-se precoce. oficial da marinha francesa[2] e de Anne-Marie Sartre (Nascida Anne Marie Schweitzer). junta-se o cinema. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência.[11] Era incentivado pela mãe. Era um artista militante.[6] Até os 10 anos foi educado em casa por seu avô e por alguns preceptores contratados. Ao fim da guerra franco-prussiana. o jovem Sartre passou a encontrar sua verdadeira vocação na escrita. Jean-Paul alterna a leitura de Victor Hugo. mas ainda assim faziam sucesso entre os familiares.

No campo filosófico. Descartes e Spinoza. revisava seus livros e também se tornou uma das principais filósofas do movimento existencialista. e facções políticas: Socialistas. ambos estudam no curso preparatório do liceu Louis-le-Grand. Sem enxergar nele o talento que os demais viam. aceitei. eles tinham uma grande afinidade intelectual.[13] incentivou Sartre a tornar-se professor por profissão e escrever apenas como segunda atividade.[14] Assim. Durante o ano de preparação para a segunda tentativa.[28] Por sugestão de Aron.[17] 50 1921 a 1936: a formação do filósofo Em 1921 retorna ao Liceu Henri IV. De 1922 a 1924.Jean-Paul Sartre Apenas seu avô o desencorajava da escrita e o incentivava a seguir carreira de professor de letras. além de Bergson. da oposição entre os seres e a consciência. aprovado. Conhece a namorada de Maheu. Já na escola começa a desenvolver as primeiras ideias de uma filosofia da liberdade leiga. Mais tarde ele reconheceria esse período como a raiz de seu anticolonialismo e o início do abandono dos valores burgueses. reacionários. Encontra Paul Nizan e os dois tornam-se amigos inseparáveis. estuda com Nizan e René Maheu na Sorbonne. Percebendo a semelhança dessa corrente à sua própria teoria da contingência.[15] Em 14 de abril de 1917 sua mãe casa-se novamente. comunistas. Simone de Beauvoir que mais tarde se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim da vida. Sua primeira influência importante foi a obra de Henri Bergson. Em 1933.[21] Em 1928 presta o exame de mestrado e é reprovado. que passa a ser co-tutor de Sartre. ele é nomeado professor de filosofia de um liceu em Havre onde permanece até 1936. que havia retornado de um período como bolsista do Institut Français em Berlim. que frequentemente relatam o processo criativo de Sartre e dela mesma. Seu principal interesse filosófico é o indivíduo e a psicologia. que depois viria a se chamar "La Nausée" (A náusea). Sartre fica fascinado e imediatamente começa a estudar a fenomenologia através de uma obra introdutória.[22] [23] Sartre assume o apelido e passa a chamá-la de Castor pessoalmente e em todas as cartas que lhe escreveu. Sartre torna-se muito popular entre os colegas. devido à semelhança de seu nome com Beaver (Castor em inglês) e também "porque ela trabalhava como um castor". Em suma. ele me atirou na literatura pelo cuidado que desprendeu em desviar-me dela".[18] Músico e ator talentoso e sempre disposto a participar de brincadeiras e eventos sociais.[19] Os alunos da escola se dividem em grupos de afinidades religiosas ("ateus" e "carolas"). onde se preparam para o concurso da École Normale Superieure. para obedecer a Karl. Sartre mantém o individualismo e o desinteresse pela política que conservaria até o fim da Segunda Guerra. no mesmo ano em que Beauvoir obtém a segunda colocação. permanece em Berlim entre 1933 e . Sua correspondência é repleta de confidências sobre suas relações com outros parceiros. passou a ler Nietzsche. Nessa época despertou seu interesse pela filosofia. chineses e negros. Sua obra literária também inclui diversos volumes autobiográficos. candidata-se à mesma bolsa e. agora como interno. Sartre presta o serviço militar e torna-se soldado meteorologista. Livre da dependência dos pais. "Factum sur la contingeance" (Panfleto sobre a contingência).[24] [25] Sartre e Beauvoir nunca formaram um casal monogâmico. com Joseph Mancy. Sartre toma contato pela primeira vez com imigrantes árabes. quando abandonou definitivamente o magistério. Embora tenha se candidatado ao cargo de auxiliar de catedrático no Japão. ele é apresentado à fenomenologia de Husserl por Raymond Aron.[16] Nesta cidade litorânea.[26] Escreve alguns contos e começa a trabalhar em seu primeiro romance. do absurdo e da contingência que ele viria a desenvolver posteriormente em suas grandes obras filosóficas. Daniel Agache e Raymond Aron. pacifistas. mas conformado com o fato de que seu neto "tinha a bossa da literatura". Entre 1929 e 1931. Não se casaram e mantinham uma relação aberta. Sartre atribui ao avô a consolidação de sua vocação de escritor: "Perdido. Além da relação amorosa. Kant. Anne-Marie muda-se com Sartre para a casa de Mancy em La Rochelle. Sartre adere aos ateus e aos pacifistas[20] e enquanto Aron e Nizan aderem aos círculos socialistas e comunistas e começam a participar da vida política francesa. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure na mesma turma de Nizan. Sartre passa em primeiro lugar. Na segunda tentativa do mestrado. a carreira de escritor menor.[27] Sartre ainda seria professor em Laon e Paris até 1944. Beauvoir colaborou com a obra filosófica de Sartre. Maheu havia apelidado Simone de Beauvoir de "Castor".

Em Nancy é aprisionado no ano de 1940 pelos alemães. L'Être et le Néant (O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica). Mas até o final da vida Sartre admirará Camus. Publica em 1936 o artigo La Transcendence de l'Égo (A Transcendência do Ego). como ele mesmo expressa nas entrevistas que teve com Simone de Beauvoir em 1974 . Este é um dos primeiros passos para livrar a consciência de conteúdos e torná-la o "Nada" que mais tarde seria um dos conceitos-chave do existencialismo. quando os dois rompem a relação publicamente devido à publicação do livro do Camus O Homem Revoltado no qual Camus ataca criticamente o Stalinismo. e o filósofo Vladimir Jankélévitch o reprova por sua "falta de engajamento político" durante a ocupação alemã. . e vê em seus posteriores combates em prol da liberdade uma tentativa de se redimir por esta atitude. Em 1938 publica o romance La Nausée (A náusea) e a coletânea de contos Le mur (O muro). em forma de ficção. servindo na Segunda Guerra Mundial como meteorologista. Sartre desafia o conceito de que o ego é um conteúdo da consciência e afirma que ele está fora da consciência. o tema da contingência e torna-se seu primeiro sucesso literário. uma crítica à teoria do Ego Husserliana que por sua vez se baseava no Cogito cartesiano. o que contribui para o início da influência de Sartre na cultura francesa e no surgimento da moda existencialista que dominou Paris na década de 1940. Durante esta viagem. continua a trabalhar nas mesmas ideias e entre 1935 e 1939 escreve L'Imagination (A Imaginação). que condensa todos os conceitos importantes da primeira fase de seu sistema filosófico. Em 1943 publica seu mais famoso livro filosófico. De volta a Paris.e que ela publicou postumamente. no mundo e a consciência se dirige a ele como a qualquer outro objeto do mundo. alia-se à Resistência Francesa. onde conhece e se torna amigo de Albert Camus (do qual já conhecia a obra e sobre quem já havia escrito um ensaio elogioso a respeito do livro O Estrangeiro). 51 1939 a 1945: a gênese do intelectual engajado Parte da série sobre o Marxismo Portal do comunismo Em 1939 Sartre volta ao exército francês.Jean-Paul Sartre 1934. A amizade entre Sartre e Camus perdurará até 1952. De volta à França. e permanece na prisão até abril de 1941. Sua participação na Resistência não é aceita por todos. L'Imaginaire (O Imaginário) e Esquisse d'une théorie des émotions (Esboço de uma teoria das emoções). A náusea apresenta. Sartre defendia uma relação de colaboração critica com o regime da URSS e permitiu a publicação de uma crítica desastrosa sobre o livro do Camus em sua revista Les Temps Modernes (crítica esta que Camus respondeu de maneira extremamente dura) e que foi a gota d´água para o fim da relação de amizade). Volta então suas pesquisas para Heiddegger e começa a escrever L´Être et le néant (O ser e o nada). estuda a fundo a obra de Husserl e conhece também a filosofia de Martin Heidegger.

• 1970 . 1936 .Servindo na guerra. Em 1964 recebe o Nobel de Literatura. que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo. filosofia e política. e o fazia sempre como ato político.Sartre matricula-se na Escola Normal Superior. 1964 . Entre estas obras destacam-se a peça Huis Clos (Entre quatro paredes) (1945) e a trilogia Les Chemins de la liberté (Os caminhos da Liberdade) composta pelos romances L'age de raison (A idade da razão) (1945).Publica As Palavras. Seu funeral foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas.Morte de seu pai. escreve livros e peças teatrais que tratam das escolhas que os homens tomam frente às contingências às quais estão sujeitos. Le Sursis (Sursis) (1947) e Le mort dans l'âme (Com a morte na alma) (1949). Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado. Funda o movimento Socialismo e Liberdade. 1907 . em Paris. Conhece Simone de Beauvoir. Por exemplo. A aproximação do marxismo inaugura a segunda parte da sua carreira filosófica em que tenta conciliar as ideias existencialistas de autodeterminação aos princípios marxistas.Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple. • 1971 . e posiciona-se publicamente em defesa da libertação da Argélia do colonialismo francês. La Critique de la raison dialectique (A crítica da razão dialética) (1960). 1931 . em que defende os valores humanos presentes no marxismo. Morre em 15 de abril de 1980 no Hospital Broussais (em Paris). Sempre encarando a literatura como meio de expressão legítima de suas crenças filosóficas e políticas. têm o poder de modelar as nossas vidas. Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração. Sartre escreve neste período algumas de suas obras literárias mais importantes. Muda-se para a casa do avô materno. que estão acima do nosso controle individual. 1940 .Rompe com o Partido Comunista. Escreve então sua segunda obra filosófica de grande porte. Após dezenas de obras literárias. .Liberto. com Merleau-Ponty. em Meudon. em protesto à prisão de seus diretores. e abraça o comunismo. e apresenta uma versão alterada do existencialismo que ele julgava resolver as contradições entre as duas escolas. Na década de 1950 assume uma postura política mais atuante.É nomeado professor de filosofia no Havre. Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada. Além das contribuições para a revista. 52 Cronologia • • • • • • • • • • • • • 1905 .Publica O Idiota da Família. • 1973 . ele cria e passa a dirigir junto a Maurice Merleau-Ponty a revista Les Temps Modernes (Tempos Modernos). 1956 .Jean-Paul Sartre Em 1945. volta à França e entra para a Resistência. onde são tratados mensalmente os temas referentes à literatura.Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego. No período mais prolífico de sua carreira escreve ainda várias peças de teatro e ensaios. ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. 1941 . Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras. Está enterrado no Cemitério de Montparnasse em Paris. 1960 .Colabora na fundação do jornal libertário Libération. 1952 .Sartre nasce em Paris em 21 de junho. 1924 . Torna-se ativista.Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda.Sartre publica Crítica da Razão Dialética. 1943 . a ideia de que as forças sócio-econômicas. 1945 . Sartre adaptava sempre sua ação às suas ideias. Escreve O Fantasma de Stálin. No mesmo túmulo jaz Simone de Beauvoir. relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. Recusa o Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição" • 1968 .Publica O Ser e o Nada. a revista Les Temps Modernes. retorna a Paris quatro anos depois.Sartre ingressa no Partido Comunista Francês. lançado em 1964).

Sartre não nega por completo o determinismo. livres para não ser livres. constrói um sentido para o mundo em que vive. Por isso se diz no existencialismo que "a existência precede e governa a essência". Como o existencialismo sartriano é ateu. Assim. e durante essa existência ele define. Segundo o comentário de Artur Polônio. afinal. já não havia a existência de um Deus que pudesse justificar os acontecimentos. O Para-si A consciência humana é um tipo diferente de ser. Para Sartre. sendo então o homem o único responsável por seus atos e escolhas. para o autor. e sempre . Ela só existe no passado. ele não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. chamada Para-si. parte-se de uma ideia que é concretizada. a ideia de destino. como Nietzsche afirmava. Podemos entender um Em-si como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. Em outras palavras. bem como pelos atos que já realizei. a cada momento o que é sua essência. o existencialismo sartriano procura explicar todos os aspectos da experiência humana. que define o que somos por completo ou nossa conduta. um sentido determinado […]. Ele apenas é. Em Sartre. e ao fazer isso. possui uma essência conhecida. o homem é um ser que "projeta tornar-se Deus". por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo. temos a ideia de liberdade como uma pena. tampouco a sociedade que nos define. Assim. aquilo que já viveu. Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Afinal de contas. "a vida nos obriga a escolher entre vários caminhos possíveis [mas] nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra". à partida. É uma forma diferente de ser. A maior parte deste projeto está sistematizada em seus dois grandes livros filosóficos: O ser e o nada e Crítica da razão dialética. passava a ser inconcebível. por assim dizer.Jean-Paul Sartre • 1980 . O Em-si Segundo a fenomenologia e o existencialismo. o mundo é povoado de seres Em-si. Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas (fenômenos). não somos. mas tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante. Nada me compete a manter esta essência. "O homem está condenado a ser livre". É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si. Para criá-lo. não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida". Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser. nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos aparenta ser o bem. recorrer a uma suposta ordem divina representa apenas uma incapacidade de arcar com as próprias responsabilidades. Cada pessoa só tem como essência imutável. Se. 53 O existencialismo de Sartre Baseado principalmente na fenomenologia de Husserl e em 'Ser e Tempo' de Heidegger. por exemplo. não é Deus. Liberdade em Sartre Sartre defende que o homem é livre e responsável por tudo que está à sua volta. É preciso que o Para-si exista. "se a vida não tem. Somos inteiramente responsáveis por nosso passado. dentro dessa perspectiva. mas essa essência não é predeterminada. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades. O Para-si não tem uma essência definida.Morre em 15 de abril. que só é conhecida em retrospecto. mas determina o ser humano através da liberdade. Ele não é resultado de uma ideia pré-existente. mais especificamente por um engajamento naquilo que aparenta ser o bem e assim tendo consciência de si mesmo. nosso presente e nosso futuro. Podemos afirmar que meu ser passado é um Em-si. Somos o que queremos ser. é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. nem a natureza. Uma caneta. o que escolhemos ser. e o objeto construído enquadra-se nessa essência prévia.

ainda. seria o próprio homem o definidor de sua essência. um plano ou destino maior. Sartre desejava participar do movimento. mas também por toda a humanidade. Sartre não se restringe em "justificar" a angústia dos existencialistas. e caímos no erro de atribuir nossas escolhas a fatores externos. A existência. ele defende que há um ser onde essa situação se inverte. a má-fé é uma defesa contra a angústia criada pela consciência da liberdade. Para Sartre. Assim. 54 Limitação da liberdade A liberdade dá ao homem o poder de escolha. quando um objeto vai ser produzido (um martelo. e não Deus. Assim surgiu a primeira peça teatral de Sartre. Nesse sentido. Assim. Esse seria um dos preceitos básicos do Existencialismo. o autor nega a existência de uma suposta "essência humana" (pré-concebida). os astros. uma liberdade de eleição da qual não podemos escapar. não havendo. Teologia e História. na verdade. seja ela boa ou ruim. ou outro. Sartre considerava também a ideia freudiana de inconsciente como um exemplo de má-fé. Esta autonomia de escolha é limitada pelas capacidades físicas do ser. a própria liberdade. mas é uma defesa equivocada. Nesse sentido. em 1945 Sartre volta à cena com a peça Entre Quatro Paredes. portanto. nós existimos antes que nossa essência seja definida. como Deus. o teatro parecia-lhe o instrumento mais adequado para atingir o público e transmitir sua mensagem. a suposição de que haja um propósito universal. ele possui um propósito definido. pelo contrário. assim. estas limitações não diminuem a liberdade. uma máquina). porém.Jean-Paul Sartre poderemos mudar o que somos. Nesta circunstância. de que essas escolhas podem afetar. . uma essência que define sua forma e utilidade. Assim. Sartre pôde utilizar suas referências para a liberdade. que estabelece sua forma. Essa angústia decorre da consciência do homem de que são as suas escolhas que definirão a sua essência. pois através dela nos afastamos de nosso projeto pessoal. onde seríamos apenas atores de um roteiro definido. mas agindo a sua maneira. o destino. e a existência precede a essência: o ser humano. Em sua conferência "O existencialismo é um humanismo". são elas que tornam essa liberdade possível. a responsabilidade e a má-fé Segundo Raymond Plant. Não chegou a pegar no fuzil. sob o domínio alemão. Sartre afirma que o ser humano é o único nesta condição. Organizava-se a Resistência Francesa. fator externo que justifique nossas ações. As nossas escolhas cabem somente a nós mesmos. ou seja. o homem não apenas torna-se responsável por si. vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada. Os valores morais não são limites para a liberdade. Sendo Sartre um representante do existencialismo ateu. Sartre nega. E cada uma dessas escolhas provoca mudanças que não podem ser desfeitas. fruto da consciência de sua responsabilidade. em seu livro Política. o argumento de que a essência precede a existência implica a necessidade de um criador. Em Paris. Animado pelo êxito de sua primeira experiência. Essa responsabilidade é a causa da angústia dos existencialistas. mas vai além. e acusa como má-fé a atitude daqueles que não procedem de tal forma. perante suas escolhas. ele obedece a um plano pré-concebido. de forma irreversível. e impõem. Sua arma continuava sendo a palavra. De acordo com o autor. de forma a modelar o mundo de acordo com seu projeto pessoal. encenada em 1943. um encargo que torna o homem o único responsável pelas consequências de suas decisões. mas está sujeita às limitações do próprio homem. renunciando. A angústia. assim. porque determinam nossas possibilidades de escolha. Isto implica a constatação de que apenas nós mesmos definimos nosso futuro. assim. Porém. uma caneta. As Moscas. o próprio mundo. e precede a sua existência. o quem irá definir. o existencialismo sartriano concede importante relevo a responsabilidade: cada escolha carrega consigo a obrigação de responder pelos próprios atos. e mais. O responsável final pelas ações do homem é o próprio homem. cujos personagens vivem os grandes problemas existenciais que o autor aborda em sua filosofia. através de nossa liberdade de escolha. como advogava o existencialismo cristão. suas principais características e sua função.

55 O outro As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. a liberdade individual não poderia ser totalmente alcançada. então. Em resposta a esta crítica. Fritz Perls. mas a coloca em seu devido lugar: na responsabilidade individual de cada pessoa. cujos maiores expoentes foram Jack Kerouac. Críticas ao existencialismo sartriano O existencialismo ateu de Sartre. como muitos pensam. culturais e os movimentos históricos coletivos que. O existencialismo reconhece. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. Daí vem a ideia de que "o inferno são os outros". colocando-se sempre no meu caminho. O segundo tomo. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. segundo o marxismo e o estruturalismo. Seria uma filosofia contra a humanidade. Sem eles o próprio projeto fundamental não faria sentido. E cada um precisa desse reconhecimento. Burroughs. um "vir-a-ser" que nunca se completa. Dos dois tomos planejados. No meio acadêmico. foi publicado postumamente. não posso evitar sua convivência. ideia que Sartre herdou de Hegel. Sartre responde a isso na conferência "O existencialismo é um humanismo" em que afirma que o existencialismo não pode ser refúgio para os que procuram o escândalo. o existencialismo foi criticado por tratar exclusivamente de questões ontológicas.Jean-Paul Sartre Podemos dizer. que para os existencialistas a má-fé compreendia a mentira para si próprio. passando então a condição de ser consciente e responsável por suas escolhas. embora sejam eles que impossibilitem a concretização de meus projetos. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. ou seja. o existencialismo exerceu influência na psicologia de Carl Rogers. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência. a possibilidade de uma moral laica em que os valores humanos existem sem a necessidade da existência de Deus. Mas Sartre não defende. a viver num estado de angústia. o homem passa. embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas. pode reconhecer neles o que têm de igual. segundo este texto. por um erro na compreensão do que há de essencial na concepção de liberdade elaborada pelo filósofo francês. O movimento. não defende o abandono da moral. Esta é uma das razões porque toda a obra de Sartre foi incluída no Index de obras proibidas pela Igreja Católica. determinam as escolhas e diminuem a liberdade individual. por sua natureza avessa aos dogmas da igreja e da moral constituída. e escreveu "A crítica da razão dialética" como tentativa de compatibilizar o existencialismo ao marxismo. mas em compensação retoma a sua liberdade em seu sentido mais pleno. uma pessoa não pode se perceber por inteiro. D. além dos dramaturgos do . invariavelmente. Por razões semelhantes foi vista por muitos como uma filosofia nociva aos valores da sociedade e à manutenção da ordem. "O ser Para-si só é Para-si através do outro". sou um eterno "tornar-me". sem levar em conta os fatores sócio-econômicos. Ao fazer isso. atraiu muitos grupos que viam na defesa da liberdade e da vida autêntica um endosso à vida desregrada . apenas o primeiro foi publicado em vida em 1960. Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência. ainda que temporária.obviamente. Na literatura. sendo imprescindível para o homem abandonar a má-fé. o solipsismo. Sem a convivência. a inconsequência e a desordem. Sartre fez alterações ao seu sistema. e admite que enquanto a humanidade estiver limitada por leis de mercado e pela busca da sobrevivência imediata. O existencialismo seria uma filosofia excessivamente preocupada com o indivíduo. Mas cada pessoa tem um projeto diferente. Neste texto. e por sua defesa da auto-determinação. assim. O homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. Laing e Rollo May. Não se pode negar sua duradoura influência sobre os mais variados ramos do conhecimento humano. e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem. inacabado. A moral existencialista pretende que as escolhas morais não sejam determinadas pelo medo da punição divina. R. afirma que "o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo". influenciou a poesia da Geração Beat. pois deixa de se enganar. Cada pessoa. mas pela consciência da responsabilidade. Allen Ginsberg e William S. Por ser muito voltado à discussão de aspectos formadores da personalidade humana.

1945 • Les Chemins de la liberté (Os Caminhos da Liberdade) trilogia.Gustave Flaubert de 1821 à 1857 (O idiota de família). romance .1971 (Vol I) – 1972 (vol II) • • • • • • • • • • • • • • • • .1947 Situations.1947 a 1965 Les mains sales (As mãos sujas).1959 Critique de la raison dialectique . biografia inacabada de Gustave Flaubert. Sartre prova sua relevância até na TV contemporânea. Vários volumes que reúnem ensaios políticos literários e filosóficos . romance . através da repetição descontextualizada dos jargões existencialistas. teatro . Ensaio filosófico . tratado filosófico .1948 Orphée noir (Orfeu negro). ensaio político . Apenas dois dos quatro volumes planejados foram escritos .1938 Le mur (O muro). Sartre conseguiu inserir a filosofia na vida das pessoas comuns.o que. tratado filosófico .1944 • Huis-clos (Entre quatro paredes).1940 Les mouches (As moscas).1951 Saint Genet.Tome I: théorie des ensembles pratiques (Crítica da razão dialética. onde o cultuado produtor Joss Whedon costuma inserir o existencialismo em seus projetos Buffy.1943 L'être et le néant (O ser e o nada). ensaio filosófico . 56 Obras • • • • • • • • • • L'imagination (A imaginação). teatro . ensaio filosófico .1943 Les Lettres Nouvelles (A República da Silêncio).1949 Morts sans sépulture (Mortos sem sepultura). romance .Jean-Paul Sartre chamado Teatro do absurdo.1936 La transcendance de l'égo (A transcendência do ego). ensaio filosófico . contos . Angel e Firefly . teatro . teatro 1946 L'Existentialisme est un humanisme (O existencialismo é um humanismo). Autobiografia . teatro . biografia de Jean Genet .1960 Les mots (As palavras).1947 Les jeux sont faits (Os dados estão lançados).1948 L'Engrenage (A engrenagem). acaba por contribuir para a incompreensão e reforça preconceitos já existentes. teatro . ator e mártir).1952 Les séquestrés d'Altona (Os seqüestrados de Altona) . romance .1943 Réflexions sur la question juive (Reflexões sobre a questão judaica). teatro .1964 L'idiot de la famille . compreendendo: • L'age de raison (A idade da razão). Esta continua a ser sua maior contribuição à cultura mundial. ensaio .1945 • Le sursis (Sursis). La putain respectueuse (A prostituta respeitosa).1939 Esquisse d'une théorie des émotions (Esboço de uma teoria das emoções).Texto posteriormente rejeitado por Sartre.1947 • La mort dans l'Âme (Com a morte na alma). Através de suas contribuições à arte. romance .1948 Le diable et le bon dieu (O diabo e o bom Deus).1947 Baudelaire .1939 L'imaginaire(O imáginário).1937 La nausée (A náusea). comédien et martyr (Saint Genet. teatro . transcrição de uma conferência proferida em 1946 .1946 Qu'est ce que la littérature? (O que é a literatura?).ensaio filosófico . Tomo I). a Caça Vampiros.

50 Cohen-Solal (2008). 92. Edição bilíngue (português e francês) contendo a transcrição da conferência na Faculdade de Filosofia de Araraquara em 4 de setembro de 1960 . fragmentos de um ensaio filosófico escrito em 1948 . 118 [16] Cohen-Solal (2008). Organizado por Simone de Beauvoir -1983 • Le scènario Freud (Freud. pp. tinham se vendido? Se eu pretendia conservar minha independência. pp. 101-111. pp. Escrito em 1958 e publicado em 1985. de Emmanuel Lévinas. 36. pg. publicado em 1930. [24] Cohen-Solal (2008). 128) . além da alma). 46-57 [10] "Eu fazia entretanto verdadeiras leituras: fora do santuário. Dois volumes abarcando correspondência de 1926 a 1963. [26] Cohen-Solal (2008). pp. 107-108. [21] Cohen-Solal (2008). pg 113 [15] Sartre (1963).Tome II: l'inteligibilité de l'histoire (Crítica da razão dialética . Esboço inacabado de uma teoria moral existencialista preconizada em O ser e o nada. Sabia eu que escritores famosos haviam morrido de fome? Que outros. [12] "Eu escapava à comédia: não trabalhava ainda. pg. pg. pp. pg 111 [28] Este livro é "A Teoria da intuição na fenomenologia de Husserl". p. 30. 76 [18] Cohen-Solal (2008). 112 [14] "(…) a literatura não dava de comer. (Cohen-Solal (2008). (Cohen-Solal (2008). 21-27 Sartre (1963).1984 • Critique de la raison dialectique . 53-54 [11] Sartre (1963). "O Existencialismo É um Humanismo". 98-100. pp. 107. [13] Sartre (1963). pg 111. • Sartre no Brasil: a conferência de Araraquara.1990 • Le reine Albemarle ou le dernier touriste (A rainha Albemarle ou o último turista). pp 107-109 [27] Cohen-Solal (2008). pg. [19] Cohen-Solal (2008). convinha escolher uma segunda profissão. Reedição ampliada em 1995. pp. me falava delas. para comer." Sartre (1963). • Lettres au Castor et à quelques autres. Jean-Baptiste Satre atingiu o posto de segundo-tenente-de-mar-e-guerra. 51) Cohen-Solal (2008). os adultos esboçam o mesmo sorriso de degustação maliciosa e de conivência. • Cahiers pour une morale (Cadernos por uma moral). O magistério prometia lazeres. fragmentos inacabados escritos em 1951 e publicados em 2009 (no Brasil). 26. textos escritos entre 1922 e 1928 . 24. pg. porém não brincava mais. salvo minha mãe. daquelas eu não falava a ninguém e ninguém. Ensaio filosófico.1983. em nosso quarto ou debaixo da mesa da sala de jantar.Jean-Paul Sartre 57 Obras póstumas • Carnets de la drôle de guerre (Diário de uma guerra estranha). [22] Rowley (2006). p. o mentiroso encontrava sua verdade na elaboração de suas mentiras. pg. • Verité et Existence (Verdade e Existência). [23] Cohen-Solal (2008). pg 68 [17] Cohen-Solal (2008). Escrito em 1947 e 1948 . [9] Sartre (1963). 89. [20] Cohen-Solal (2008) pg.Tomo II: a inteligibilidade da história). [25] Rowley (2006). [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] Ver Sartre. Roteiro do filme de John Huston realizado por Sartre entre 1959 e 1960 e não utilizado integralmente devido a conflitos com o diretor . p.Sartre (1963)." Sartre (1963) pg. isso mostra o que sou no fundo: um bem cultural. Diário escrito entre setembro de 1939 e março de 1940 ." ." Sartre (1964). 17 Sartre (1963). "Felizmente os aplausos não me faltam: escutem eles minha tagarelice ou a Arte da Fuga.1989 • Écrits de jeunesse (Escritos da juventude). pp. pg. 43-44 Sartre (1963). pg. pg.1986.1983. 90-95.

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Carreira William James recebeu educação eclética. Ele interrompeu seus estudos durante parte de 1865 para se juntar a Louiss Agassiz numa expedição científica no Rio Amazonas. Charles Peirce. James foi um dos formuladores e defensores da filosofia do pragmatismo. e outros como Bertrand Russell. James decidiu ingressar o curso de medicina. James preferiu dedicar-se à ciência na Lawrence Scientific School (Universidade de Harvard). na Harvard Medical School. Ele viajou à Alemanha em busca de uma cura. James sofreu de uma série de problemas físicos. perspectiva influente nos Estados Unidos por boa parte do século XX. Teoria James-Lange da emoção. desenvolvendo fluência em francês e alemão e um caráter cosmopolita. Sua obra foi uma das grandes influências que embasam o movimento neo-pragmático de Nelson Goodman. com formação em medicina. Em 1861. No início de sua vida adulta. John Dewey. Foi nesse período que ele começou a estudar teologia. incluindo temas como a educação e a psicologia da experiência religiosa. seu afilhado William James Sidis. Ele também apresentou sintomas psicológicos. costas. estômago e pele. Em 1864. Seus estudos foram interrompidos mais uma vez devido a doenças em Abril de 1867. Ele escreveu livros influentes sobre a então jovem ciência da psicologia. Esse período marcou o início de . Ele era irmão de Henry James e Alice James. onde ficou até Novembro de 1868. Richard Rorty e Hilary Putnam. e que incluíram períodos durante os quais ele contemplou o suicídio por meses. Funcionalismo Willliam James (11 de janeiro de 1842 – 26 de agosto de 1910) foi um pioneiro psicólogo e filósofo estadunidense.William James 59 William James William James Nascimento 11 de janeiro de 1842 Nova Iorque 26 de agosto de 1910 (68 anos) Chocorua [{envenenamento}] Estados Unidos Estadunidense Universidade Harvard 1869 Morte Residência Nacionalidade Alma mater Tese Conhecido(a) por Pragmatismo. James interagiu com uma ampla gama de escritores e acadêmicos ao longo de sua vida. Mark Twain e Carl Jung. Sua inclinação artística precoce levou-o a trabalhar no ateliê de William Morris Hunt em Newport. incluindo seu padrinho Ralph Waldo Emerson. Psicologia da experiência religiosa. no entanto. tendo sentido forte enjôo e contraído varíola. diagnosticados na época como neurastenia. George Santayana. mas teve de interromper sua viagem após oito meses. envolvendo seus olhos.

das reações fisiológicas associadas a ela: “O senso comum diz. nós encontramos um urso. Nele. que nós nos sentimos tristes porque choramos. Em seus últimos anos. Em um estudo empírico por Haggbloom et al. Em 1902. como a atenção e a consciência.” James estudou medicina. 60 Obras Princípios de Psicologia Em 1878. James publicou clássicos como Princípios de Psicologia. especula que o Clube estabeleceu os fundamentos para o pensamento intelectual americano por décadas. James defendia que é conceitualmente impossível imaginar uma emoção como a culpa sem suas claras conseqüências fisiológicas. uma obra pioneira que combinava elementos de filosofia. Um dos capítulos mais influentes dessa obra diz respeito às emoções. ele escreveria: “Eu inicialmente estudei medicina para ser um fisiologista. e a primeira palestra sobre psicologia que escutei foi a que eu proferi. fisiologia e biologia. e com medo porque trememos”. O livro abordou temas diversos como o fluxo de consciência (conceito introduzido por James). Assim. área em que tornou-se professor emérito em 1907. Ele viajou para a Europa em 1910 para tentar tratamentos experimentais. Embora inclua diferentes abordagens e métodos. Ele foi nomeado instrutor em fisiologia e anatomia em 1873. Variedades da Experiência Religiosa. Durante seus anos em Harvard. A hipótese a ser defendida aqui é que essa sequência está incorreta. a vontade e as emoções. Pragmatismo e O Significado da Verdade. mas eu acabei direcionado à filosofia e à psicologia como que por fatalidade. Essa condição piorou em 1909. A diversidade de interesses de William James fez com que ocupasse diferentes postos durante sua carreira em Harvard. tornando-se professor titular em 1885.. em seu livro sobre o assunto. dores no peito e falta de ar. James se juntou a discussões filosóficas com Charles Sanders Peirce. James expõe sua teoria – também associada a Carl Lange – que as emoções são conseqüências. com alguns de seus artigos aparecendo em publicações especializadas. Mais tarde. como as lágrimas. quando ele trabalhava em um texto de filosofia (inacabado mas publicado de forma póstuma como Alguns Problemas em Filosofia).. Louis Menand. ficamos tristes e choramos. . James completou o curso de medicina em Junho de 1869. James faleceu em conseqüência de problemas cardíacos em 26 de Agosto de 1910. o autor utiliza diferentes experiências próprias para ilustrar conceitos psicológicos. Ele lecionou sua primeira disciplina em psicologia experimental em Harvard no ano acadêmico de 1875-1876. William James publicou o livro Princípios de Psicologia. A Vontade de Crer. assumiu o posto de professor-assistente de filosofia. somos insultados por um rival. após 12 anos de escrita.William James sua produção literária. em 1889. Oliver Wendell Holmes e Chauncey Wright. tendo como um de seus principais interesses o estudo científico da mente humana em um tempo em que a psicologia estava se constituindo como ciência. em 1872. voltando à filosofia em 1897. Em 1881. fisiologia e psicologia. foi acometido por problemas cardíacos. James (influenciado por contemporâneos como Wilhelm Wundt e Gustav Theodor Fechner) declarou que Princípios de Psicologia é uma obra derivada do método da introspecção. nós perdemos algo. Ele casou com Alice Gibbens em 1878.. mas nunca praticou essa profissáo. sem sucesso. que evoluíram em um animado grupo conhecido como o Clube Metafísico. Eu nunca havia tido instrução filosófica. retornando para os Estados Unidos a seguir. tornando-se professor-assistente de psicologia em 1876. Ao longo de sua carreira. usando critérios como o número de citações. ficamos bravos e atacamos. James foi considerado o 14° mais célebre psicólogo do século XX. retornou à psicologia como diretor. nos assustamos e corremos. A familiaridade de James com o trabalho de figuras como Hermann Helmholtz na Alemanha e Pierre Janet na França facilitou sua introdução de cursos de psicologia científica em Harvard. bravos porque atacamos. e não causas.

Por essa razão. que para James são idéias úteis. Para James. além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo e do futuro. Embora reconheça que a utilidade da religião não a torna verdadeira. o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais.William James 61 Variedades da Experiência Religiosa Uma compilação de palestras de James sobre “Teologia Natural” resultou no livro Variedades da Experiência Religiosa. para James. de 1907. James não acreditava que a religião fosse a fonte da moralidade e do sentido existencial. sendo mais uma dimensão da experiência humana. de acordo com esta teoria. embora pudesse exercer esse papel para alguns indivíduos. primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional. Uma das conseqüências dessa visão utilitária da verdade é que fenômenos como a religião. nós não sorrimos porque estamos alegres. os sentimentos. Pragmatismo A perspectiva filosófica exposta em Pragmatismo. James começou a desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em mais detalhes em Pragmatismo. Em outras palavras. conhecida por teoria emocional de James-Lange. mencionando que seu significado era pessoal e dificilmente transferível através de linguagem. Em contraponto.[1] De modo resumido. Assim. a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. A filosofia do pragmatismo é. Essa obra se ocupava de uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso. Ambos trabalharam independentemente e. desde que essa seja capaz de se mostrar concretamente útil. frente ao crescente materialismo científico de sua época. A perspectiva pragmatista de James teve grande influência para o movimento funcionalista da psicologia. sendo uma perspectiva aberta à investigação de qualquer hipótese. mas nos sentimentos e atos que cada um experienciava em sua relação com o que considerava divino. que não deveriam ser ignorados pela ciência. analisando os resultados produzidos por sua adoção. publicado em 1902. em que a busca de princípios e categorias platônicas se sobrepõe aos fatos e aos resultados. a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e contentamento. considerou que o sentimento religioso pode ser útil. postula que as teorias científicas e filosóficas devem ser usadas como instrumentos a serem julgados por seus resultados ou fins. A experiência religiosa ou mística seria verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. deveriam ser considerados verdadeiros se mostrassem bons resultados: “em princípios pragmáticos. James sugere que a veracidade de uma idéia deve ser considerada em um sentido instrumental. no sentido que seu simbolismo evoca sentimentos e ações concretas. o autor defende que a religião é um fenômeno real. mas estamos alegres porque sorrimos![2] . esta idéia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. O autor argumenta que essa busca por coerência seria a posição racionalista. se a hipótese de Deus funciona satisfatoriamente no sentido mais amplo da palavra. e que portanto seria um erro considerá-las apenas por sua própria coerência interna. as sensações subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por determinado evento ambiental (o estímulo emocional). Emoção Willian James propôs uma teoria das emoções ao mesmo tempo que o fisiologista dinamarquês Carl Lange. Assim. para James e Carl Lange. O interesse de James não estava em religiões organizadas ou instituições. A obra aborda a singularidade das experiências místicas. um meio-termo entre o racionalismo e o empiricismo. Ao contrário. isto é. James argumenta que todas as teorias são apenas aproximações da realidade. ela é verdadeira”.

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Em uma série de testes Wertheimer demonstrou que pode ser realizada uma ilusão visual de movimento de um determinado objeto estacionário se este for mostrado em uma sucessão rápida de imagens. O todo é maior do que a soma das partes que o constituem. a consciência não é uma substância. preenchimento. ao considerar que as pessoas não vêem os objetos como pacotes formados por sensações. A percepção do todo é maior que a soma das partes percebidas. foi um dos que influenciaram esta escola. organização e lei interna. 1992:226). simplicidade e figura/fundo. acima. mas uma atividade constituída por atos (percepção. A fenomenologia afirma que toda consciência é consciência de alguma coisa. Sendo assim o cérebro tem princípios operacionais próprios. criticaram fortemente as idéias de Wilhelm Wundt (1832-1920). especulação. um assento e um encosto. Assim se consegue uma impressão de continuidade e chamou este movimento percebido em sequência mais rápida de "fenômeno phi" (o . Por exemplo: uma cadeira é mais do que quatro pernas. Uma cadeira é tudo isso. Como pode ser visto nas figuras do Cubo de Necker e do Vaso de Rubin. Segundo a Gestalt. indivisível e articulado na sua configuração.Gestalt 64 Gestalt A Psicologia da forma. com tendências auto-organizacionais dos estímulos recebidos pelos sentidos. considerado o fundador da psicologia moderna e responsável pelo primeiro laboratório de psicologia experimental. Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940). imaginação. O filósofo norte-americano William James. Uma outra influência fundamental foi a fenomenologia de Edmund Husserl. com os quais visa algo. dois exemplos utilizados na Gestalt uma interacção entre os elementos. Assim sendo. mas como uma unidade. Origens Max Wertheimer (1880-1943). semelhança. continuidade. pois a percepção está além dos elementos fornecidos pelos orgãos sensoriais. que independem da percepção individual e que formulam leis próprias da percepção humana. através de princípios de organização perceptual como: proximidade. etc). Parte do princípio de que o objeto sensível não é apenas um pacote de sensações para o ser humano. mas é mais que isso: está presente na nossa mente como um símbolo de algo distinto de seus elementos particulares. na Universidade de Frankfurt. Os três são considerados iniciadores do movimento da Gestalt (Britannica 1992:227). paixão. depois de 1910. em determinado momento. Gestaltismo ou simplesmente Gestalt é uma teoria da psicologia iniciada no final do século XIX na Áustria e Alemanha que possibilitou o estudo da percepção (Britannica. Psicologia da Gestalt. Estes consideram os fenômenos psicológicos como um conjunto autônomo. num estudo sobre a percepção visual. Max Wertheimer (1880-1943) publica o primeiro trabalho considerado iniciador dos estudos da Gestalt em 1912. segregação. Surge como uma reação às teorias contemporâneas estabelecidas que se fundamentavam apenas na experiência individual e sensorial (Wundt). com seus colegas Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940). unidade. Fundamentam-se nas afirmações de Kant de que os elementos por nós percebidos são organizados de forma a fazerem sentido e não apenas através de associações com o que conhecemos anteriormente. volição. o cérebro é um sistema dinâmico no qual se produz Cubo de Necker e o Vaso de Rubin. Wertheimer pôde provar experimentalmente que diferentes formas de organização perceptiva são percebidas de forma organizada e com significado distinto por cada pessoa.

Suas pesquisas pioneiras com antropóides enfatizaram que não só a percepção humana. percepção sensorial e representativa vão se completando até finalizarem o processo de percepção visual. uma estação para estudo do comportamento do macaco. Medidas da estimulação elétrica cortical em gatos e os seus clássicos experimentos com chimpanzés (empilhando caixotes para alcançar alimentos) comprovaram que estes têm condições de resolver problemas relativamente mais complexos do que os experimentos de contornar um obstáculo e abrir fechaduras para fuga. a imagem percebida em movimento na realidade são conjuntos de 24 imagens fixas projetadas na tela durante 1 segundo). metal. aproximando-se da inteligência humana. A outra concepção. era a chamada “corrente monista” (de mono. existem quatro princípios a ter em conta para a percepção de objectos e formas: a tendência à estruturação. a sensação. a forma se sobressai. que seria um processo “extra-sensorial” através do qual os elementos. mas também nossas formas de pensar e agir funcionam. e não em separado. A forma. Esta identificou dois processos distintos na percepção sensorial: um. tanto sensação como representação se dariam simultaneamente. pois o todo é maior que a soma de suas partes: "(…) "A+B" não é simplesmente "(A+B)". Wolfgang Köhler foi nomeado. a percepção física pura dos elementos de uma configuração (o formato de uma imagem ou as notas de uma música).Gestalt cinema é baseado nessa ilusão de movimento. defendida pelos alemães. de acordo com os pressupostos da Gestalt da reorganização perceptiva. a pregnância ou boa forma e a constância perceptiva. a Academia Prussiana de Ciências instalou. a compreensão que os dualistas chamaram de “extra-sensorial”. não pode ser dissociada da sensação do objeto material. diretor da estação . único).ainda muito jovem e com quase nenhuma experiência em biologia e psicologia de animais. seja ela feita de plástico. e o outro. próprio ao objeto percebido. ou seja. na ilha de Tenerife. Observou-se que ato cognitivo corresponde a uma reestruturação do conhecimento anterior (informações disponíveis na memória) tal como posteriormente estudada pelos construtivistas a exemplo de Piaget. madeira ou qualquer outra matéria-prima. Por ocorrerem ao mesmo tempo. que possui características próprias". excitam a percepção e adquirem sentido (a forma visual ou a melodia da música)."[carece de fontes?] . Outros conceitos dessa teoria são supersoma e transponibilidade. Pelo ponto de vista monista. a segregação figura-fundo. então. independentemente dos elementos que compõem determinado objeto. agrupados.[1] Supersoma refere-se a idéia de que não se pode ter conhecimento de um todo por meio de suas partes. Só quando uma é concluída que a outra pode ser concluída também. Laboratório de 1913 Em 1913. Fundamentos teóricos Segundo a Gestalt. 65 Escola "dualista" de Graz A tentativa de visualização do movimento marca o início de outra escola da psicologia da Gestalt: a Escola de Graz ou “corrente dualista”. nas Canárias. mas sim um terceiro elemento "C".[carece de fontes?] Já segundo o conceito da transponibilidade. "(…) uma cadeira é uma cadeira. (Áustria). divergente do “dualismo”. que já é particular do trabalho mental do homem. com freqüência. a representação.

para poderem ultrapassar as suas dificuldades. a boa forma ou configuração ideal mais conhecida é a Proporção áurea dos arquitetos e geômetras gregos que explica muitas das formas que são agradáveis aos olhos humanos. A ilusão de perspectiva e proposição cubista de criação de uma cena com (sob) múltiplos pontos de vista também são explicados pela teoria da gestalt. referentes a teoria da psicologia das imagens.Gestalt 66 Sete fundamentos básicos Os sete fundamentos básicos da Gestalt . arquitetura.Compreender a construção de imagens é imprescindível para a elaboração e desenvolvimento de mensagens visuais. viabilizando a ampliação do acervo de soluções gráficas autoras de sentidos qualificados. realizada em grupo e ao longo das suas sessões destaca-se a realização de um conjunto de exercício sensório-motores (que trabalham as áreas sensoriais e motoras do nosso corpo) e meditativos (de relaxamento). principalmente. existindo envolvimento psicológico. Vários artistas se utilizaram das ilusões de óptica muitas delas explicadas pela lei da segregação da figura e fundo a exemplo de Escher e Salvador Dalí ou os discos ópticos de Marcel Duchamp. Gestalt-terapia A partir da teoria da Gestalt e da psicanálise. Estes exercícios pretendem. o médico alemão Fritz Perls (1893-1970) desenvolveu uma forma de psicoterapia de orientação gestáltica. que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. A gestaltoterapia ou terapia Gestalt orienta-se segundo o conceito que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo. é mais que a soma das suas partes.são: • • • • • • • Continuidade Segregação Semelhança Unidade Proximidade Pregnância Fechamento Aplicações Aplicações na arte A tendência à estruturação por exemplo explica a tendência dos diferentes povos a distinguir grupos de estrelas e reconhecer constelações no céu. normalmente.muito usado hoje em dia em profissões como design. As empresas de publicidade e criadores de signos visuais (marcas) parece que são os maiores usuários da descoberta dos símbolos que possuem alto poder de atração (pregnância). que os indivíduos descubram novas forças existentes em si. etc . Através dos estudos realizados e das teorias elaboradas na escola Gestalt.Reforça-se a idéia que o todo. foi possível criar condições favoráveis para a racionalização na construção de projetos gráficos. A prática psicoterapêutica é. . no início do século XX.

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o âmbito no qual se dá todo o saber e todo o descobrimento possível. deve basear-se numa elucidação. é precisamente o contrário de um "objeto". três anos depois. Autor do livro de dois volumes: "Psicopatologia Geral" [1]. 23 de fevereiro de 1883 . • 1953 Introdução à filosofia. da existência do homem real. Desligado de seu cargo pelo regime nazista em 1937. a mais completa possível. Sempre teve interesse em integrar a ciência ao pensamento filosófico na medida em que. O resultado das reflexões de Jaspers sobre o tema foi a primeira formulação de sua filosofia existêncial. • 1932 Filosofia. org/ wiki/ Benutzer:H. Para ele. depois de trabalhar no hospital psiquiátrico da Universidade de Heidelberg. as ciências são por si só insuficientes e necessitam do exame crítico que só pode ser dado pela filosofia. e não da humanidade abstrata. o que levou-o a investigar em profundidade o conceito de verdade. foi readmitido em 1945 e. A existência humana é entendida como intimamente vinculada à historicidade e à noção de situação: o existir é um transcender na liberdade. 26 de fevereiro de 1969) foi um filósofo e psiquiatra alemão. que abre o caminho em meio a um conjunto de situações históricas concretas. Referências [1] http:/ / de. Haack/ Entwicklung_der_Psychiatrie/ Jaspers_1913. em parte.Basiléia. Dentre suas obras. por sua vez. em qualquer de seus aspectos. -P. Jaspers preocupou-se em estabelecer as relações entre existência e razão. Por isso a filosofia da existência vem a constituir-se numa metafísica. grande marco em sua carreira e na evolução da psicopatologia. pelas doutrinas de Kierkegaard e Nietzsche. para Jaspers.Karl Jaspers 68 Karl Jaspers Karl Theodor Jaspers (Oldenburg. passou a lecionar filosofia na Universidade de Basel. O pensamento de Jaspers foi influenciado pelo seu conhecimento em psicopatologia e. O problema central é como pensar a existência sem torná-la objeto. pode-se destacar: • 1931 Situação espiritual da nossa época. wikiversity. O existencialismo (ou filosofia da existência) constitui. Esta. pois pode ser definida como "o que é para si encaminhada". . Estudou medicina e. a verdade não é entendida como característica de nenhum enunciado particular: é antes uma espécie de ambiente que envolve todo o conhecimento. segundo Jaspers. tornou-se professor de psicologia da Faculdade de Letras dessa instituição. A existência.

Obras • • • • • • • • • • • • • 1922: Einführung in die Probleme der allgemeinen Psychologie. É um dos criadores da Daseinsanalyse. Seu tio Otto Ludwig Binswanger (1852 . Eugen Bleuler e Sigmund Freud. De 1911 a 1956. Zürich 1946: Über Sprache und Denken. Phänomenologische Studien. Em 22 de setembro de 1950 apresentou esta proposta com o nome de Daseinsanalyse no Primeiro Congresso Internacional de Psiquiatria realizado em Paris Binswanger é considerado o primeiro médico a combinar psicoterapia com existencialismo. Apesar de suas discordâncias em relação às teorias psiquiátricas de Freud. Binswanger distanciou-se da psicanálise e deu início na década de 1930 a uma nova metodologia terapeutica. Basel 1949: Henrik Ibsen und das Problem der Selbstrealisation in der Kunst. Binswanger manteve sua amizade com ele até sua morte em 1939. Manieriertheit. 13 de Abril de 1881 — Kreuzlingen. Bern 1956: Drei Formen missglückten Daseins. Ludwig Binswanger der Ältere (1820 . Seu avô homônimo. Biografia Nasceu em uma família de médicos famosos. teoria que expôs em 1942 no livro Grundformen und Erkenntnis menschlichen Daseins. Pfullingen 1960: Melancholie und Manie.Ludwig Binswanger 69 Ludwig Binswanger Ludwig Binswanger (Kreuzlingen. Verschrobenheit.1880). Binswanger foi o diretor da área médica do Sanatório de Kreuzlingen. Em 1907 Binswanger formou-se em medicina pela Universidade de Zurich e ainda jovem trabalhou e estudou com alguns dos psicólogos mais destacados de sua época. Pfullingen 1965: Wahn. como Carl Jung. especialmente das obras dos filósofos Martin Heidegger e Edmund Husserl. Pfullingen 1957: Der Mensch in der Psychiatrie. Zürich 1942: Grundformen und Erkenntnis menschlichen Daseins. Verstiegenheit. Tübingen 1957: Schizophrenie. 5 de fevereiro de 1966) foi um psicólogo suíço pioneiro na área da psicologia existencial.1929) foi um famoso neurologista e psiquiatra suíço. Berlin 1928: Wandlungen in der Auffassung und Deutung des Traumes. foi o fundador do "Bellevue Sanatorium" em Kreuzlingen. professor de psiquiatria na Universidade de Jena. Pfullingen . Seu trabalho recebeu uma grande influência da filosofia existencial. Heidelberg 1956: Erinnerungen an Sigmund Freud. Berlin 1930: Traum und Existenz 1933: Über Ideenflucht. A partir de seus estudos sobre fenomenologia.

Foi criado com uma tia materna que se casou com seu pai. . parecem-lhe traição à realidade. de equilíbrio. Neste jornal Marcel descreve sua trajetória filosófica de 1913 a 1923. Obras Seu trabalho foi produzido em fragmentos. A mãe de ascendência israelita faleceu quando Marcel estava com quatro anos. html Gabriel Marcel Gabriel Marcel (7 de dezembro de 1889. edu/ ~cgboeree/ binswanger. asp?title=TP003333 http:/ / www. Morreu em 1973. Paris) foi um autor e crítico teatral além de filósofo e existencialista cristão. ship. que vive sua experiência. [3] (em inglês) "Existential Psychology". org/ dasein_historia_1. George Boeree [4] Referências [1] [2] [3] [4] http:/ / www. uk/ rights. de fé. era católico e possuía um conceito severo de vida. org/ main.. mas um sentimento de paz. pelo Dr. co. Seu pai. Teatrais • "Um Homem de Deus" (1922) • "Mundo Partido" (1932) • "Roma não está mais em Roma" (1951) Sua obra dramática assume o porte de obra filosófica. Ele próprio designa seu pensamento como neo-socrático ou socrático-cristão. Esta madrasta educou-o na severa disciplina do protestantismo como meio de garantir uma convivência feliz entre as pessoas. Paris – 8 de outubro de 1973. julgar. daseinsanalyse.” Em 1927. htm http:/ / www. de esperança. Sua melhor peça de 1932 foi “O Mundo Partido”. em seu "Diário Metafísico". “é no drama que o pensamento filosófico se apreende in concreto. Toma clara posição. o que realmente conta para ele é este indivíduo real que "eu sou". Abandonou os estudos e dedicou-se ao jornalismo e a produção e crítica teatral. nenhuma exaltação. com toda singularidade. Em 1929 converteu-se ao catolicismo e o testemunhou no baptismo. htm http:/ / www.Ludwig Binswanger 70 Ligações externas • • • • Como a Daseinsanalyse entrou na psiquiatria [1] Associação Brasileira de Daseinsanalyse [2] (em inglês) Correspondência entre Binswanger e Freud. pois. patersonmarsh. C. Marcel participou da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial quando conviveu com a triste realidade da desolação e isto o levou a valorizar a existência concreta: pensar. Aceitou certa feita ser chamado de existencialista cristão. daseinsanalyse.. segundo ele. notas de diário. ensaios. Carreira Formou-se em Filosofia aos vinte anos. funda em Paris o "Jornal Metafísico" onde expõe suas idéias e posições. "ele só" e nenhum outro. formular.”. contra o racionalismo rejeitando ao mesmo tempo o cientificismo que tenta explicar o homem como coisa e a teocracia que utiliza o homem como objeto. conselheiro de Estado e ministro da França em Estocolmo foi diretor de Belas Artes na Biblioteca Nacional. com as seguintes palavras: “.

• reconhecimento da inobjetividade fundamental do sentido corpóreo. segundo confessa. Ser é fonte de alheamento: os objetos que possuímos possuem significados que ameaçam tragar-nos. "Fé e Realidade" (1967). acentua ter vivido problemas filosóficos que o oprimiram e afirma: “a filosofia concreta nasce somente de uma tensão criadora. da mais estrita e rigorosa reflexão. "O Declínio da Sabedoria" (1954).Gabriel Marcel Filosóficas • • • • • • • • • • • “Ser e Ter” (1935) – aborda a diferença entre pesquisa científica e pesquisa filosófica (problema e mistério). fundada na experiência vivida até o limite de sua intensidade”. por isso passa de uma para outra. Corpo que não é só a matéria visível. a reflexão metafísica revela que esta proposição significa “eu sou o meu corpo”. de certo modo enlaçar-se com a tradicional. Os que estão apegados ao Ter estão prestes a sofrer de deficiência ontológica com a perda do Ser. 71 O Pensamento de Gabriel Marcel Partindo de sua própria existência. Sua ontologia é existencial e quer. Ter diz respeito a coisas que me são externas e que de mim não dependem. O homem é um ser encarnado. a esperança. a individualização do existir. Marcel está dentro da tradição francesa não cartesiana de Pascal a Bergson e Raja. continuamente renovada. a representação de uma cena passada ou de uma cena à distancia. Gabriel Marcel se aproxima de Kierkegaard e Jaspers mesmo sem ter lido algo deles anteriormente. . o qual é sempre o sentido da minha vida. “O homem problemático” (1955). O corpo é a primeira coisa possuída. é dissolver-se no Ter. Analisa a proposição “eu existo” e segundo ele. O Ter e o Ser Esta distinção é fundamental na ontologia de Marcel. Motivos fundamentais do pensamento filosófico • a defesa da singularidade irrepetível do existente e do mistério do ser. o corpo é mediador absoluto. contra o racionalismo que pretende reduzir a existência à experiência conhecida pelo método da verificação empírica. mas também a intimidade – concretização do eu. sem poder saciar-se com nenhuma. entre o eu e as profundezas do ser. embora eu seja proprietário e delas me disponho. Recusar-se a esclarecer o sentido da vida é renunciar a própria identidade profunda. "Para uma Sabedoria Trágica" (1969). isto é. Seu existencialismo é anterior ao alemão. O corpo e o Ter-típico: é a exterioridade em comunicação com o “eu” interior. Entre a realidade e mim. “Da recusa à invocação” (1939) – encontram-se aqui os trações fundamentais de sua “metafísica da interioridade”. “Homo Viator” (1944 ) – homem itinerante reflecte o sentido da vida. Para quem vive na dimensão do Ter todas as coisas são problemas. e faz das mesmas uma análise fenomenológica aprofundada. "Ensaios de Filosofia Concreta" (1967). Exemplo: Dom Juan vive na zona do Ter: vê a mulher do ponto de vista da posse e por sequência. A pesquisa do homem encarnado de Marcel orienta-se para a descoberta de um sentido para a vida. Gabriel procura dar à existência aquela prioridade metafísica que lhe havia tirado o idealismo. tomando situações concretas como as relações entre "mim e outro". “Os homens contra o humano” (1951) “O mistério do ser” – o mais denso e sistemático de seus livros. um mero problema. O método de Gabriel aproxima-se de Husserl. "A Dignidade Humana" (1964).

é disponibilidade. O indivíduo só se realiza quando reafirma a transcendência de Deus e sua própria condição de criatura de Deus. Desta maneira de ser. o seu vir para fora. com sua saúde. a relação Ser-Ter é uma relação de essencial tensão dialéctica na qual o Ser está sempre ligado ao Ter e deve purificá-lo. A fidelidade implica uma participação do Ser no que excede minha vida e suas situações. Não falamos de Deus. Está fechado por trás dos muros de si mesmo e não pode esperar de mais ninguém. O ser humano tem a faculdade de obrigar-se a si mesmo. esta passagem é impensável. não deixando-se absorver por ele. Todo sobrenatural é mistério mas nem todo mistério é sobrenatural. O Ter. Esta relação estaria contida em um ato de fé. fortuna. em suma. êxito. Todas elas implicam exceder-se rumo a um mais participado: Deus.Gabriel Marcel O Ser tem a primazia na pesquisa metafísica em relação ao pensamento e ao Ter. . Prometi ante mim mesmo. é estar fechado para os outros é só estar ocupado consigo mesmo. isso implica tratar Deus como objeto. que posso objetivamente delimitar e reduzir. indisponível. O pensamento está para o ser assim como os olhos para a luz. etc. mas tornando-se instrumento. júbilo. que ele é certa modalidade do ser. 72 O Ser e a Fidelidade O Ser é o lugar da fidelidade e se faz presente na fidelidade. Marcel afirma que só os mistérios interessam à filosofia e estão fora do alcance do conhecimento objetivo. pois trataria o crente como sujeito e a divindade como objeto. A fé se converte então no ato ontológico mais significativo. medo e cuidado. não pode fazer abstracção dele. acentuando a si mesmo anula o Ser. se compreende as raízes metafísicas do pessimismo. Diante do problema sou espectador. amor e fidelidade que são antídotos para o pessimismo e a indisponibilidade. como ausente. O Ser verdadeiro é participação. simplesmente um dado externo que me é proposto enquanto mistério não está inteiramente ante mim. ele é o coisificar-se do Ser. Mistério é algo em que meu próprio Ser está implicado e comprometido. é a exteriorização do Ser. Nietzsche diz que o homem é o único animal que faz promessas e que a fidelidade é a mais jovem das virtudes. Para Marcel crer é sentir-se como no interior de Deus. A fé “Toda fé autêntica está enraizada no ser e no mistério”. O Ter é aquilo que é objetivável. O Ser é disponibilidade Estar indisponível é estar ocupado de si mesmo. Não há e não pode haver passagem do pensamento ao ser. não pode ser pensada. O indisponível está sempre inquieto e isto o põe em insegurança. em espectáculo. Deus só me pode ser dado como presença absoluta na adoração. Se prometo algo sob certa situação de desejo e noutro momento mudo o meu desejo. Contudo a relação ao Eu Creio com a divindade. mas orientando-o para si. O pensar em Deus é encarado como uma relação absolutamente incluída no ato de fé. O Ser tem primazia sobre o Ter. no mistério eu mesmo sou ator. em objeto. o pensamento já está no ser e não pode sair dele. Não existe o problema de Deus. É necessário dizer que o pensamento é interno ao ser. Somente assim é que poderemos abordar o Ser sem transformá-lo em Ter. Marcel entrevê que a fidelidade não é fidelidade a si mesmo mas do Ser sobre os outros. me forço a cumprir a promessa apesar de. esperança. Ato que supõe mais do que a subjectividade. Na raiz da inquietude Marcel vê uma desesperança. Problema é. mas com Ele. Deus é presença absoluta. O problema e o mistério O problema é algo que encontro diante de mim. subirá ao plano do Ser.

A crença em Deus é um modo de ser e não opinião sobre a existência de uma pessoa”. entre o amor e o ódio e ao homem é dado o poder único de decidir. na qual exerceu posições elevadas. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns. Este ser fala a linguagem da intimidade. barão de Saint Alban. 9 de Abril de 1626) foi um político. Sucessivamente. Desde cedo. sua educação orientou-o para a vida política. desempenhou as funções de procurador-geral (1607). Esta transformação. durante o reinado de Jaime I.Gabriel Marcel Deus é o tu absoluto. O outro absoluto. É considerado como o fundador da ciência moderna. O Deus de Marcel não é objeto susceptível de demonstração objetiva (racionalismo) nem uma mera função (subjectivismo). 73 Francis Bacon (filósofo) Francis Bacon Nascimento 22 de Janeiro de 1561 Londres 9 de abril de 1626 (65 anos) Londres Ensaísta. mas o “Indemonstrável Absoluto”. vínculo. entre a fidelidade e a infidelidade. também referido como Bacon de Verulâmio (Londres. barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio). a minha realidade do sentir-me sendo no interior da divindade. Neste mesmo ano. fiscal-geral (1613). plenitude que sobrevem à invocação. eu construo a realidade do meu espírito. de ser possuído. E na fé. visconde de Saint Alban. foi também proibido de exercer cargos públicos. agora chamada invocação. filósofo e ensaísta inglês. foi nomeado barão de Verulam e em 1621. Também em 1621. Condenado ao pagamento de pesada multa. afirmar ou negar. esta participação no amor é o ser – a forma mais alta da realidade. O drama da existência humana é um encontro pessoal entre Deus e o eu e alterna entre o sim e o não. guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). 22 de Janeiro de 1561 — Londres. Empirismo Morte Ocupação Escola/tradição Influenciados Francis Bacon. Filósofo e Estadista. da saborosa ligação. . Diz Marcel: “Eu sou mais quanto mais Deus é para mim. Bacon foi acusado de corrupção. da plenitude. afeto e comunhão. O dilema sempre persiste como a essência de sua liberdade.

considerada estéril por não apresentar nenhum resultado prático para a vida do homem. também é criticada. Esses tratados deveriam apresentar um modo específico de investigação dos fatos. Bacon desejava uma reforma completa do conhecimento. sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista. era tido em alta conta por Bacon. para Bacon. acabaria por apresentar um novo método que deveria superar e substituir o de Aristóteles. que o considerava mais importante que Platão e Aristóteles. para a investigação das leis e retornavam para o mundo dos fatos para nele promover as ações que se revelassem possíveis. A história é subdividida em natural e civil e a filosofia é subdividida em filosofia da natureza e em antropologia. tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz. É também algo prático. a seguir. contudo. A realização desse plano compreendia uma série de tratados que. o de Imperator. A mentalidade científica somente será alcançada através do expurgo de uma série de preconceitos por Bacon chamados ídolos. Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos: • Poesia ou ciência da imaginação. O conhecimento. Frontispício da Instauratio magna. Saber é poder. o saber. . gigantesca e o filósofo produziu apenas certo número de tratados. Classificação das ciências Preliminarmente. partindo do estado em que se encontrava a ciência da época. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes. A ciência antiga. ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo. A filosofia verdadeira não é apenas a ciência das coisas divinas e humanas. • Filosofia ou ciência da razão. Fama Fraternitatis (1614). de origem aristotélica.Francis Bacon (filósofo) Como filósofo. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616). passando. A tarefa era. A reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia anterior (especialmente a Escolástica). Londres. é apenas um meio vigoroso e seguro de conquistar poder sobre a natureza. O conhecimento científico. a primeira parte da Instauratio foi concluída. • História ou ciência da memória. Em suas investigações. destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Demócrito. Não obstante. 1620 A ciência deve restabelecer o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas. tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. 74 Filosofia O pensamento filosófico de Bacon representa a tentativa de realizar aquilo que ele mesmo chamou de Instauratio magna (Grande restauração). obviamente.

se devidamente observados. possui pelo menos duas falhas importantes. a de Aristóteles). é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia. deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para. O método O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. 2) Idola Specus (ídolos da caverna). Em primeiro lugar. Isso. reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão. raramente ocorre. Os sistemas filosóficos careciam de demonstração.Francis Bacon (filósofo) 75 Ídolos No que se refere ao Novum Organum. eram pura invenção como as peças de teatro. Obras A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos: 1) Idola Tribus (ídolos da tribo). à própria tribo ou raça humana. Para isso. uma alusão à alegoria da caverna platônica. Para Bacon. Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis. obviamente. Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos. Com isso. confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam). em seguida. Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. no entanto. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que. Cases of treason (Casos de traição). Há. a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana. Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo. no entanto. foi o fato de ter estudado em Cambridge. Obras jurídicas Figuram entre seus principais trabalhos jurídicos os seguintes títulos: The Elements of the common lawes of England (Elementos das leis comuns da Inglaterra). talvez. 3) Idola Fori (ídolos da vida pública). Bacon não dá muito valor à hipótese. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. 4) Idola Theatri (ídolos da autoridade). Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. literária e filosófica. sendo que pertencem apenas ao homem e não ao universo. omitindo os desfavoráveis. a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). pode ser dividida em três partes: jurídica. Em segundo lugar. O homem é o padrão das coisas. apresentam a causa real dos fenômenos. . A origem para isso. De modo geral. Dizia que a mente se desfigura da realidade. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). O método. seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e. contudo. a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. The Learned reading of Sir Francis Bacon upon the statute os uses (Douta leitura do código de costumes por Sir Francis Bacon). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos. De acordo com seu método. faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade. Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências.

Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. (b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza). No âmbito histórico destaca-se History of Henry VII (História de Henrique VII) . sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa). 3) Instauratio magna. visando mostrar o avanço por ele permitido. seria o resultado final. onde faz considerações à margem do novo método. na chamada Questão da autoria de Shakespeare. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida). a moderna Sociologia do Conhecimento. pelo menos potencialmente. Há muitos que acreditam que tenha sido ele o verdadeiro autor das peças de Shakespeare. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem moderno. Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo: 1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado. tentando realizar na prática seu método. exposição do método indutivo. (e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda). sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto). (d) Scala intellectus. teoria surgida há séculos. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. De sapientia veterum (Da sabedoria dos antigos). Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento). . contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método. vítima de uma bronquite.Francis Bacon (filósofo) 76 Obras literárias Sua obra literária fundamental são os Essays (Ensaios). Além deste. 1612 e 1625 e cujo tema é familiar e prático. como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza). (c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia). Efetivamente. trabalho esse que reformula e repete o Novum organum. destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés). onde tenta aplicar seu método pela primeira vez. Obras filosóficas As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. 2) Escritos relacionados com a Instauratio magna. Morte e legado de Bacon Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida. Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. publicados em 1597. oragnizado em um sistema de axiomas. Sua teoria dos idola antecipa. Morreu em 9 de abril. Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. no âmbito literário: Colours of good and evil (Estandartes do bem e do mal). No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre o frio e a conservação. mas não incluídos em seu plano original. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. Historia naturalis (História natural). Seus Essays são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna. Ademais. de acordo com as faculdades que o produzem. Outros opúsculos. onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. sistematização do conjunto do saber humano. (f) Philosophia secunda. versa sobre a coleta de dados empíricos. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os Essays tornaram-se tão famosos quanto os de Montaigne. onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes: (a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências). Bacon foi um escritor notável. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico. Nesta última.

1618 — Bacon é Lorde Chanceler e barão de Verulam.Francis Bacon (filósofo) 77 Linha do tempo • • • • • • • • • • • 1558 — Morte de Maria I. com/ doc/ 40568978/ Bacon-Novum-Organum http:/ / www. luminarium. edu/ b/ bacon. Ligações externas • Novum Organum [1] (texto formato pdf. 1564 — Nasce Galileu Galilei 1576 — Bacon viaja para França. rosicrucian-order. 1588 — Derrota da Invencível Armada. html . 1561 — Nasce Francis Bacon. htm http:/ / www. htm http:/ / www. 1623 — Nasce Blaise Pascal. com/ libro3. crcsite. com/ alchemy/ bacongld. scribd. levity. 1582 — Giordano Bruno publica As sombras das ideias. org/ bacon. iep. utm. htm http:/ / www. em português) • Francis Bacon [2] • • • • Francis Bacon [3] Sir Francis Bacon and the Rose Cross [4] Francis Bacon Imperator of the Rosicrucian Order in the XVII Century [5] The Making of Gold (Francis Bacon) [6] Referências [1] [2] [3] [4] [5] [6] http:/ / www. 1596 — Nasce Descartes. org/ sevenlit/ bacon/ http:/ / www. que é sucedida por Elizabeth I. 1626 — Morte de Bacon. 1600 — Giordano Bruno é condenado e executado.

sentimentos. Coisas. imagens. crenças. porque esta é a realidade para ela. memórias. não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não objeto do mundo externo a nossa mente. relações. dos nossos estados de consciência. . tem lugar. fantasias. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes. em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. teorias. pensamentos. O interesse para a fenomenologia não é o mundo que existe. se realiza para cada pessoa. dos objetos ideais. desse fenômeno que é estar consciente de algo. eventos.Redução fenomenológica 78 Redução fenomenológica A redução fenomenológica é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência. no estudo das nossas vivências. Husserl propôs então que. etc constituem nossas experiências de consciência. mas sim o modo como o conhecimento do mundo se dá. e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco. atos.

Meneguce.ishida. Geraldo neto. ChristianH. RafaAzevedo. Phdefranceschi. Aldado. GRS73. Leandromartinez. LOoOl. Matheus-sma. Evieira.php?oldid=24395189  Contribuidores: Bemelmans. Mschlindwein. OS2Warp. Ziguratt. Vitor Mazuco. Paulo Sergio Duarte. Mcz. Spoladore. Epinheiro. Brunosl. Robson correa de camargo. JP Watrin. Juntas. Manuel Anastácio. Inimá Júnior. Kaktus Kid. Alexg. Rafaeljamelao. Christian Carlos. Heryk. Renatops. Carvalho. Jorge. Eugênioxx7. Yone Fernandes. Jsp722. Rememberant. LiaC. Faustino. Lijealso. Zeostrauch. Porantim. OS2Warp. Pietro Roveri.org/w/index. Jpsousadias. 21 edições anónimas Francis Bacon (filósofo)  Fonte: http://pt. Merrill. Luís Felipe Braga. Dexter 2053. OffsBlink. Xandi. Faustino. Stuckkey. 23 edições anónimas Gestalt  Fonte: http://pt. Rodrigo Diniz. Sturm.org/w/index. Eric Duff. Fernando S. Pipilegua. Murilo Campos.php?oldid=5587720  Contribuidores: João Sousa. OS2Warp. Matheusbonibittencourt. Bisbis. Reynaldo. Águia. Slomp. Gaf. Tiagored. 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Deusnaoexiste. Rei-artur. 8 edições anónimas Ludwig Binswanger  Fonte: http://pt. Cícero.org/w/index. LOoOl.wikipedia. Felippe Scheidt. Braswiki. Jonas Mur.php?oldid=24268539  Contribuidores: Alexg. PH. Snifh. Orelhas. Bresson. Furyo Mori. Kaique Camargo. Cralize. PatríciaR. Alexanderps. Alchimista. GRS73.php?oldid=24430535  Contribuidores: 555. Beria. Lépton. Mário e Dário. ABRAFP. Joaotg.org/w/index. Reynaldo. Simone forte. ChristianH. OS2Warp. Mammamia. Fernando S. Jo Lorib. Pilha. Rémih. Joao emiliano1978. Gabriel. Lusitana. Raoniteixeira. Brasil conhecimento. Yone Fernandes.F. Exutilizador. Jonny Screamer. Alvaro Azevedo Moura. CommonsDelinker. Simoes. Rodrigo Rodrigues da Silva. ChristianH. Contagemwiki. Abmac. Bisbis. Azai. Ericoazevedo. Yone Fernandes. DR. Danillocl. Aoaassis. OS2Warp. Lijealso. RafaAzevedo. Dantadd. Mrcl. Dantadd. Darwinius. Pietro Roveri. LiaC. Niva Neto.org/w/index. HélioVL. Phibsb. JoaoMiranda. Ilustrador. Edelson maia. SallesNeto BR. JoaoMiranda. Gaf. 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Yone Fernandes.org/w/index. Lucianopinheiro. Editor br. Principia14. Fasouzafreitas. Nice poa. Spots128. LeonardoRob0t. JP Watrin. Tilgon. Omfabio. LeonardoG. Hugo Abi Karam.F. Sturm Maurice Merleau-Ponty  Fonte: http://pt. Lucasnar. Fasouzafreitas. Mschlindwein. Gean. Joao AMA.org/w/index. Hvicoso. Manuel Anastácio. Arley. Nice poa. Dantadd. Lijealso. Jorge. João Carvalho. Salamat. Gabrielt4e. Bisbis. Spots128. João Carvalho. Alchimista. Kalash2. Agil. GRS73. GOE. Serginho01. OS2Warp. Maurício I. Giro720. Yura. Kroenen magnus.wikipedia. CommonsDelinker. Pikolas. Daimore. Bisbis. Direlli. Burmeister. Juntas. Delemon. João Carvalho. Juntas. Jack Bauer00. GOE2. Yanguas. Nice poa. Darwinius. Rklz. Gil mnogueira. Fasouzafreitas. Jonas AGX. Giro720. Nuno Tavares. Porto. Gullit Torres. 213 edições anónimas William James  Fonte: http://pt. Santista1982. Patrick. Cmorelli. Êtrenéant. Vin 2. Simoes. Auréola. Giro720. Falcettijr. Mschlindwein. Andrevruas. Bluverts. Jonathan Queiroz. Jbossco. 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SusanLesch.jpg  Licença: Creative Commons Attribution 3. Huerlisi. Sergejpinka. User:SKopp Ficheiro:JohnLocke.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Alonr.png  Fonte: http://pt. Itsmine.php?title=Ficheiro:Flag_of_Germany.wikipedia. Galaope.wikipedia. Infrogmation.jpeg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Cherry.org/w/index.wikipedia.org/w/index.org/w/index.svg  Fonte: http://pt. UV Ficheiro:Universität Freiburg Kollegiengebäude I (Altbau). User:SKopp. Kilom691.php?title=Ficheiro:Kant's_tombstone_Kaliningrad.php?title=Ficheiro:Portal. User:Pumbaa80.svg  Licença: Public Domain  Contribuidores: User:Madden. 2 edições anónimas Imagem:Wm james.svg  Fonte: http://pt.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Aristeas.php?title=Ficheiro:Beauvoir_Sartre_-_Che_Guevara_-1960_-_Cuba. Sendker Ficheiro:immanuelkant. 1 edições anónimas Ficheiro:Flag of France. Sir Gawain.org/w/index.0  Contribuidores: David M. 4 edições anónimas Ficheiro:Bacon Great Instauration frontispiece. 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