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termos médicos

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Expressões médicas: falhas e acertos
Medical Expressions: Shortcomings and suitability Simônides BACELAR1, Carmem Cecília GALVÃO2, Elaine ALVES3 , Paulo TUBINO4
“Deve-se empregar as palavras na linguagem científica, com o mesmo rigor com que se empregam os símbolos em matemática” (Plácido Barbosa, Dicionário de Terminologia Médica Portuguesa, 1917).

Continuing with a series of articles related to scientific research and the writing of scientific articles, this issue presents an excellent work entitled Medical Expressions: Shortcomings and suitability. It discusses the fact that, although medical doctors have an excellent general culture, there are frequently imperfections in respect to the language they use in scientific papers. Often obscure and ambiguous statements and other linguistic problems impair the comprehension of these reports. Considerations about the cases presented in this report are supported by what is recommended by the majority of experts in the Portuguese language and in medical terminology. According to these scholars the following principles, among others, are recommended: (1) In language there is not right and wrong as there are distinct levels of language. There is adequacy and inadequacy for each of these levels. (2) In language, it makes good sense to adopt flexibility. (3) The scientific language should be exact, so as not to have misunderstandings; simple, to be well comprehended and concise, to save the time of the reader and space in publications. (4) The normative grammar, owing to its formation based on the standard culture of the language, is adapted to the formal scientific language. (5) It is recommended to avoid terms criticized by good linguists and to use non-condemned synonyms. (6) In science, it is convenient to have only one name per item. (7) In general, follow rules, that is, proceed according to the majority of cases is preferable to the exceptions. (8) Medical slang should be avoided in formal reports. (9) Foreign words are welcome when there is a need and if there is no equivalent in Portuguese. (10) Very laconic or synthetic expressions, in which several terms are taken for granted, are often antiscientific and create misunderstandings. (11) Unnecessarily invented words (neologisms) that do not appear in dictionaries should be avoided. Although many of the principles mentioned above are pertinent to scientific reports written in English, the majority of the terms discussed in this article are specific to the Portuguese language. Many shortcomings have reference to grammatical structures, phrases or words which have been incorrectly translated into Portuguese or even to English words that have a Portuguese equivalence. Thus translation of this article to the English language seems unnecessary and will serve no purpose.

Os médicos dispõem de excelente cultura geral, adquirida desde os cursos escolares e universitários. Apesar disso, a linguagem médica apresenta muitas imperfeições, que requerem especial esforço para reconhecer e corrigir. Nas apresentações de artigos médicos feitas por acadêmicos de Medicina no Centro de Pediatria Cirúrgica do Hospital Universitário, Universidade de Brasília, os comentários dos membros docentes de Cirurgia Pediátrica sobre os temas relatados também abrangem

atitudes inadequadas na apresentação e defeitos de linguagem médica. Como forma de apoio, foram elaboradas apostilas sobre esses itens. Uma pequena lista de expressões médicas errôneas foi organizada inicialmente. Anotações subseqüentes demonstraram que expressões errôneas, na linguagem médica, constituem vastíssimo capítulo da Medicina, embora pobremente conhecido e divulgado. Por serem motivos de obscuridades, ambigüidades e de outros problemas de linguagem que dificultam a compreensão dos relatos, III

antifúngico. “hilo com dimensões anatômicas”. para que seja bem compreendida.org. As considerações sobre os casos apresentados neste relato apóiam-se no que recomenda a maioria dos conhecedores da língua portuguesa e da terminologia médica. divagações. Antibiótico. É das expressões mais condenadas por muitos estudiosos da língua portuguesa. Há vantagens compensadoras. Alternar significa mudar entre duas opções. Aspecto anatômico. bibliografias. profissionais da área de letras. é de bom senso adotar a flexibilidade. “antro gástrico de configuração anatômica”. Como veículo de expressão IV científica. (5) aprendizado metódico. cacoete. termos dispensáveis.”. pode-se dizer: dor no hipocôndrio direito. símbolos. disponível no endereço eletrônico http://www. Assim. modismos. isto é. em caso de dúvidas. meios de vida [6]. em lugar de “dor a nível de hipocôndrio direito”. antiparasitário. o Houaiss [2]. sempre que possível.br/ortogra. O Departamento de Lingüística da Universidade de Brasília (UnB) mantém o Serviço de Atendimento ao Leitor (SAL) para desfazer dúvidas de linguagem. antes de divulgar publicações médicas ou de fazer apresentações nos encontros científicos.academia. Significa opção entre duas coisas apenas. revisores de redação. por sua formação baseada no padrão culto da língua. estrangeirismos supérfluos. microbicida entre outros termos mais ajustados. palavras inventadas e neologismos desnecessários. visto que existem distintos níveis de linguagem. alter significa o outro.”. (2) concisão ao texto. A nível de. Só há uma alternativa. (4) a gramática normativa. equívocos. isto é. Do grego anti. Mas tal desvio semântico. muitas palavras longas. dentre outros. é a adequada à linguagem científica formal. Anátomo-patológico. contra. (3) entendimento fácil de um relato entre lusófonos de todo canto. o padrão culto permite: (1) enunciados claros. “Procurar outras alternativas. são aconselháveis. o Michaelis [3] e outros dicionários. porque habitualmente não traz gírias. regionalismos. Em latim. abreviações. por serem nominações mais precisas. é conveniente que haja um só nome para cada coisa. originário do desconhecimento do significado próprio da palavra. sem hífen. ou seja. porquanto não há prolixidades. alguns casos de defeitos habituais de linguagem médica e sugestões de correção. É necessário treino e dedicação para aprender a expressar-se em linguagem-padrão.é recomendável conhecer e corrigir esses desalinhos. elaborada pela Sociedade Brasileira de Anatomia com base na Nomina Anatômica. mas adquirida essa habilidade. é indispensável que o relator de trabalhos científicos também consulte: (1) o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) [4]. é recomendável usar antimicrobiano ou agente antimicrobiano. amparadas por lei – para aferição de medidas. enuncia-se mais com menos palavras e em menos espaço de publicação. (2) em linguagem. como “hilo pulmonar de aspecto anatômico”. em que se registram nomes das estruturas anatômicas humanas. Por exemplo. em que vários termos ficam subentendidos. uma vez que é linguagem formada dentro de preceitos organizados por profissionais e estudiosos de valor. autores de nota criticam expressões do tipo: “Há várias alternativas. Em seqüência. (4) fácil tradução para outras línguas. tal linguagem torna-se mais acessível e prática. visto que seus termos estão registrados em dicionários e gramáticas de uso corriqueiro. elaborado pela Academia Brasileira de Letras. termos rebuscados. não pode pertencer à linguagem de primeira linha apesar de não ser erro. (6) em ciência. (3) os cadernos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) – entidades oficiais. (9) estrangeirismos são bemvindos quando necessários e se não houver termos equivalentes em português. Há o adequado e o inadequado para cada um desses níveis. (10) expressões telegráficas ou sintéticas. Escreve-se anatomopatológico. seguir regras. Amiúde. por exemplo. Embora aceitas por bons lingüistas. francesismo. como em alter ego (o outro eu). não há o certo nem o errado. De acordo com esses estudiosos. para economizar tempo de leitura e espaço nas publicações. sem ambigüidades. é termo inútil. Além de consultar o Aurélio [1]. de acordo com a ortografia oficial. ao contrário de antimicrobiano.”. (3) a linguagem científica deve ser: exata. publicação internacional editada em latim. Atende pelos telefones (061) 340 6162 e (061) 307 2741. Nome criticável. Em razão da imperiosa Lei do Uso. em que se registra a ortografia oficial do Brasil. publicada no VOLP [4]. não estão exatas: . para não propiciar equívocos. *** Alternativas. (2) a Terminologia Anatômica [5]. Expressões encontradas nos laudos médicos. literalmente significa “contra a vida” e nada indica acerca da especificidade de seu uso. antiviral. normatização de publicações. os seguintes princípios: (1) em linguagem.htm. Configura-se como assimilar outra língua. (5) é recomendável evitar termos criticados por bons lingüistas e usar equivalentes não condenados. modismo. sobretudo. anti-helmíntico. que tem força de lei. “Testes de cinco alternativas. são freqüentemente anticientíficas por possibilitarem equívocos. e biotos. (7) em geral. desordens sintáticas. (8) gírias médicas devem ser evitadas em relatos formais. o termo alternativas tem sido usado como sinônimo de opções e assim está registrado na última edição do Aurélio [1]. obscuridades. designada como espanholismo. antibacteriano. É recomendável não usá-la. proceder de acordo com a maioria dos usos é preferível às exceções. tragédia lingüística e outras más qualificações. simples. concisa. (11) palavras inventadas (neologismos) desnecessariamente e inexistentes nos dicionários devem ser desconsideradas. e (4).

“Paciente apresenta balonamento do prepúcio à diurese”. então. hemograma. porquanto antes de verbo não há crase. Cabe acrescentar que bons anatomistas denominam bolsa testicular cada uma das duas divisões do escroto: bolsas testiculares. inicialmente. cirurgião-pediatra francês. Podemos. visto que não se adoece até bastar. Inexiste nos dicionários. Colhe-se material para realização dos exames. a sigla adequada é TC.”. por exemplo. Conceituados lingüistas repelem o uso de através como está nas seguintes frases: “Conheci-o através de um amigo. Cabe ressaltar que bons lingüistas condenam essa construção por ser francesismo. freqüência miccional ou volume urinário. fenômeno que se dá nos rins. Através. mas só a preposição a. ginecologista norte-americano. Gíria médica. atualmente a Classificação é expressa em sistema que inclui letras e números. e outras formas. Termo impróprio. não ao número da CID. Do grego stôma. Preferem dizer. Em linguagem culta. ou em lugar de volume urinário: “Anotar diurese”. Diurese é excreção de urina [8]. Bexigoma. Nomeado por meio de concurso. Podemos dizer urina abundante ou volume urinário abundante ou aumentado. Escroto é o nome recomendável por ser o que consta na Terminologia Anatômica [5]. É mais adequado dizer: corrigir os distúrbios gasosos. por exemplo: operação de Duhamel. Termos técnicos: estoma distal. “Soube através de um artigo”. “Fui nomeado através de concurso. por exemplo – diagnóstico para esclarecer. CT de crânio. nem sabemos de algo atravessando um artigo publicado. Redundância. Do latim scrotum. “diurese clara”. colostomia significa boca ou estoma do colo. Gíria médica para indicar repleção ou distensão vesical. Diagnosticar por meio de radiografias. não há artigo. causado por. colher gasometria. o que caracteriza código. Diagnóstico à esclarecer. É impróprio usar esse termo na acepção de urina. Não atravessamos uma radiografia para chegar a um diagnóstico. Bolsa escrotal. Através tem sentido de atravessar algo no espaço ou no tempo. boca. Diurese. A sigla significa Classificação Internacional de Doenças. evidentemente. Boca da colostomia – boca distal ou proximal da colostomia. inadequada para relatos científicos formais. diz-se tomografia computadorizada. em lugar de micção. Colostograma. Nesse caso. graças a. aí. Recomendável: brônquio primário ou principal. É como disséssemos “bolsa bolsal”. O aspecto anatômico pode ser normal ou anormal. graças a. bolsa. Termos adequados: escroto. “o número do CID”. o a não é craseado. Escroto é o mesmo que bolsa. é mais adequado referir-se ao código da CID. Inexiste nos dicionários. por causa de. Se classificação é do gênero feminino. estoma proximal. colostomia distal e colostomia proximal são termos aceitos por se referirem a uma parte específica da abertura. Colher gasometria. Correto: dreno de Penrose. Expressão excessivamente usada nos relatos médicos. Duhamel – operação de Duhamel. pode-se dizer distensão. cada testículo abriga-se em uma delas [7]. Adequadamente.: Foi curado por (ou com) quimioterapia. Epônimo em honra de Bernard Duhamel. bolsa testicular. em decorrência de. Gasometria é a aferição química da quantidade de gases existentes em uma mistura. ter diurese normal. Não é possível. este estudado como anatomia patológica. não durramél. sigla anglo-americana. por. Desse modo. Além disso. visto que. Um paciente com retenção urinária aguda pode. direita e esquerda. Em português.”. Pode denotar pobreza de vocabulário. não CT. com acerto.precisam ser complementadas. operação de Thal. “Diurese apresenta aspecto normal”. em resultado de. V . é impróprio dizer “torpedo” ou “balão” de oxigênio. não um distúrbio. É aconselhável deixar de parte as expressões “diurese abundante” ou “micção abundante” pelo seu sentido jocoso. Dreno de penrose – dreno de Pen Rose. “Paciente apresentou diurese à tarde”. com. Corretamente: diagnóstico a esclarecer. Entretanto. CID. Cirurgia. não número. “Paciente com diurese clara”. por meio de. refere-se à disciplina que trata das intervenções cirúrgicas ou operações. Brônquio fonte. Pronuncia-se diamél. a CID. duplo estoma ou dupla estomia. “O doente foi curado através de quimioterapia. Pleonasmos. Será cientificamente mais adequado dizer. micção. Hemogasometria é termo mais exato para indicar aferição de gases sangüíneos. ocasionado por e outros. logo. Bastante grave. Operado pela técnica de Thal. Corrigir a gasometria. operação de Peña. É errôneo citar diurese em lugar de urina. de uso recomendável nos relatos científicos formais. em vista de. Recomendável: colografia distal ou proximal (à colostomia). Há muitos termos equivalentes: pelo. Expressão coloquial sintética. Termo técnico: cilindro de oxigênio. globo ou repleção vesical. bolsa dos testículos. aspecto anatômico normal ou dimensões anatômicas normais (ou anormais). secundário a. De Charles Penrose (1862–1925). como está registrado na Terminologia Anatômica [5] e nos compêndios de anatomia. mercê de. O tamanho é expresso pela capacidade em metros cúbicos e varia entre fabricantes e distribuidores. em virtude de. leucograma. Bala de oxigênio. Ex.”. já que não se faz exame radiográfico contrastado de colostomia. É recomendável dizer que o paciente se apresenta em estado muito grave. como nas construções: “diurese com densidade de 1. porquanto esta é apenas a porção externada do colo.”.006”. É incorreto dizer “o CID da doença”. usar por intermédio de. diz-se. em conseqüência de. Pela mesma razão. em razão de. bolsa. pela. Devido a. “Fiz o diagnóstico através da radiografia. É recomendável dizer. não Código Internacional de Doenças.

”. pelo próprio nome. indicar. não de estérel. Assim: dor em joelhos e dor no joelho esquerdo. péssimo recurso. Endovenoso. (Foi) prescrita eritromicina. “amputação em perna esquerda”. O verbo deve concordar com o sujeito. “evoluir uma personagem”. Mas uma metástase não envolve um fígado. vê-se que já foi muito usada. paciente normal à ausculta. expor. Podemos dizer com exatidão: a metástase invadiu (ou comprometeu) o fígado. Feito radiografia. não se diz “evoluir uma paisagem”. no que tange a. ou pela expressão de idade. o verbo está depois do sujeito. especialmente quando existem outros termos bem formados que podem ser acolhidos. anatomopatológico. descobrir. que é paciente do verbo fazer (na voz passiva). e do latim. O seqüestro acomete a cabeça do fêmur. Assim. “Instituído terapia”. Provém de estéril. podemos dizer: categoria. ventilar o assunto. “Foi tentado punção venosa”. certificar. São discutíveis expressões como: “O paciente foi evoluído. A expressão “via crucis”. nos tempos compostos com verbo auxiliar (ter e haver) mais particípio. “Vou evoluir o paciente. Verbo desgastado pelo excesso de uso em medicina. Esterelizar. Envolver. laboratorial. foi observado pressão arterial alta. demonstrar. Expressões desgastadas. expressam-se corretamente: Foi feita fluoroscopia. Pode-se usar fazer a descrição.”. comprovar. evoluir com o sentido de fazer descrição ou anotações no prontuário sobre o estado de saúde do paciente. A tendência normal do português é usar artigo antes de substantivos especificados e omitilos antes dos que têm sentido generalizado. que não existe no léxico. não há. envolver significa rodear. Foram feitas duas nefrectomias. só o auxiliar varia: Temos preparado as mamadeiras.”. São criticáveis frases do tipo: “A lesão envolve o pâncreas e o duodeno. fase. período. sopro em carótidas. sopro nas carótidas. radiológico. Foi feita radiografia. dá-se o contrário. suma importância. “Mantido observação”. “Foi diagnosticado uma hipospádia”. seja clínico. “À tomografia. “fazer a evolução de uma viagem”. São criticáveis expressões do tipo: “dor em joelho direito”. O hibridismo é criticado por bons gramáticos. “No exame. É freqüente a expressão “metástase envolvendo fígado”. condição. Bons gramáticos e cultores do bom estilo de linguagem reprimem expressões surradas por denotarem pobreza vocabular. em termos de. ocorre inversão da ordem (verbo antes do sujeito). No sentido fazer descrição. Etária pode ser também adequadamente substituída por etática. Costumam chamar tais expressões de lugar-comum. já que todos os seus elementos são latinos.”. abranger em volta. “ausculta normal”. monstro sagrado. São exemplos a serem evitados: arsenal terapêutico. idade.”. Parece desvio semântico de uso impróprio e exclusivamente notado no jargão médico. leque de opções. escalão. isto é. “abscesso em região deltóide”. acertadamente. “Evoluir a dieta.”.: “O exame evidenciou (comprovou) anemia. sem anormalidades ao exame radiológico (ou com raios X). seguido de radioterapia”. intravenoso é o termo adequado. Evitar ditos do tipo: “Pela taxa encontrada. Termo defeituoso por ser híbrido. evidenciouse (verificou-se) aumento de partes moles. “Foi visto uma lesão”. Outros exemplos: A lesão atingiu pâncreas e o duodeno. Em lugar de evidenciar. O periósteo envolve o osso. “exame radiográfico normal” ou “exame de urina normal”. sem sombra de dúvidas e semelhantes. “Realizado ecografia”. O tumor envolvia a artéria renal. pulsos radiais fracos. Em rigor. Na frase “Foi feita radiografia”. situação. como ocorre no jargão médico. “dor em fossa ilíaca direita”. nos dicionários. Há também “fazer a evolução” do doente com a mesma acepção. forma consoante ao étimo latino ætate. Formam cacófatos obscenos. “Solicitado radiografias”. o sujeito é radiografia. “Foi incluído 38 crianças no trabalho”. revelar. Faixa etária. “Feito laparotomia”. O tumor afetou o rim direito. grupo. Havíamos feito radiografias. Evidenciar. São erros de concordância verbal sobremaneira comuns na linguagem médica. exame normal é o que se faz cumprindo-se as boas normas técnicas de um exame. podemos dizer acertadamente: O abscesso envolve o apêndice. “Foi feito duas nefrectomias”. todas no sentido de descrever o curso da doença no paciente ou dos procedimentos médicos realizados. Até o presente. endo. “Feito ressecção cirúrgica. Solecismo. “O seqüestro envolveu a cabeça do fêmur”. fugir à regra. O hábito de alguns em omitir os artigos que especificam nomes contribui para a desorganização da nossa língua. “Colhido amostras”. Foram observados pressão sangüínea elevada. “Feito radiografia”.Em. Na ordem normal. “Foi evidenciado uma estenose”. Pelo exposto. dar nome aos bois. Nessas frases. por exemplo. podemos. “Metástase envolvendo ossos. “Orientado a mãe a trazer a criança”. Foi de – Fui de. Ex. edema em membros e edema nos membros inferiores.”. progredir. patentear. devido a. Evoluir o paciente. “evoluir uma pintura”. Em rigor. “Evidenciada (constatada) peritonite à laparotomia. A meninge envolve o cérebro. Evoluir significa transformar-se. “Retirado os cálculos renais”. identificar. Expressão demasiadamente utilizada. Correto: esterilizar. pulsos radiais diminuídos”. “edema em membros inferiores”. cercar. que foi de 10% dos . Grupo parece termo mais condizente com determinada quantidade de indivíduos. confirmar. nível. seja de outra natureza. (Foi) prescrita medicação. Nesse caso. constatar. anotar a evolução (da doença). fazer as anotações. Em vez de faixa. Em lugar de “paciente com exame clínico normal”.”. urina normal ao exame de laboratório. VI Exame normal. São errôneas expressões ou frases como: “Em um caso foi feito fluoroscopia”. pode-se usar outros verbos: mostrar. formado com elementos de línguas diferentes (do grego. classe. dizer: paciente normal ou sem anormalidades ao exame clínico. mau-gosto. é preferível a abreviação IV (intravenoso) a EV (endovenoso). Na verdade. // Entretanto. (Foram) dados pontos. vena e -oso). verificar-se. // Outrossim. grau.

. conforme consta nos melhores jornais e revistas nacionais.. o que precisamente se lê é 8 dividido por 30 horas (dois pontos é sinal matemático de divisão).. imuno-histoquímica ou imunoistoquímica. sobretudo a cabeça..anteroposterior anti-inflamatório.. “estar em frente de um problema”. Hormonioterapia.. Há três pacientes para operar.. a taxa foi 10%.. Paciente refere que. O uso irregular do h mudo mediano. “em frente a” ou “em frente de”. O verbo já indica o passado... 10:40.. usualmente. Pode-se dizer “fazer frente às dificuldades”.. na verdade..... gramo não existe como sinônimo de grama..transoperatório tráqueo-brônquico. Pode-se também usar: ante... portanto. Ou: o valor porcentual foi 10%... 00:20. Horas. Recomendável: hidropisia (pronuncia-se hidropizía).8]... Sua elaboração foi autorizada por lei federal e.. prescrito 1. é de bom juízo adotá-lo. Ou: Entre os pacientes. há dois anos. teve icterícia. rehidratação... anorretal ântero-posterior. por exemplo. poliidrâmnio ou polidrâmnio. panhipopituitarismo... discutíveis termos como oncohematologia. escrevem-se: oxigenoterapia. senão como construção castelhana [9]. Em inglês.. cujo segundo termo inicia-se com h (intra-hepático. Assim.. água. “No curso.. . conforme consta nos dicionários de português. O VOLP [4] é a expressão da ortografia oficial brasileira.. “Utilizamos dois miligramos de soluto. constam sem este sinal nesse Vocabulário.... suprime-se o h: oncohematologia. A forma regular dos prefixos é. qualquer mecanismo biológico utilizado para multiplicação gênica é ineficiente tendo em vista os mecanismos de amplificação gênica..... por isso.. fui de estagiário. Eu me formei há dez anos. Grama é do gênero masculino.. fui estagiário (em “como estagiário” também cabe duplo sentido). por respeito aos notórios filólogos que o elaboraram e pela necessidade de haver um padrão ortográfico de valor em nossa língua.. tenda de oxigênio.. oxitenda.. Diz-se gramaticalmente: Havia vários pacientes.. preconizada pelos mais autorizados lingüistas...pacientes. imunohistoquímico. Houaiss [2]. É.” . hormonossexual.....: duzentos gramas. Preferir outros termos: Foi mudado o tratamento em face do (ou: em virtude do) novo diagnóstico. Recomendável: hormonoterapia.. devemos fazer estratégias diante das dificuldades. Não há frente a como locução prepositiva. unidade de peso... – 8h20..acidobásico anátomo-patológico...vesicorretal Hood – Recém-nascido no hood com FiO2 a 100%. assim como suas divisões...... No sentido de existir. Sabemos que haveria grandes contradições.traqueobrônquico vésico-retal.. Exemplos: ácido-básico.”. Hidropsia (ou hidrópsia) indica visão da água (do grego hýdor.. Na linguagem culta. Haviam pacientes.. Hidropsia – hidrópsia. Hifenizações impróprias. Hidropsia e hidrópsia. dois miligramas. exsangüinotransfusão.subagudo trans-operatório.5 grama..... “O primeiro caso foi de uma paciente de 15 anos”.. Ou: “Foram dadas trezentas miligramas de 6/6 horas..... apesar de errôneos. H mudo.5 gramos de antibiótico ao dia”..”.. Desse modo.. pan-hipopituitarismo.. exceto nos aportuguesamentos de nomes estrangeiros.. VII .. O símbolo de minutos (min.. 6h45. cientificamente irregular escrever 8:30.. não suturamos hérnias.. São também errôneas formas como hs e hrs. tem influência de línguas estrangeiras. Herniorrafia. hood significa qualquer coisa que cobre. Se houvesse muitas dúvidas...”..antiinflamatório crânio-encefálico.a taxa foi a de 10%. Recomendáveis: capacete.. No curso. O símbolo de hora(s) é só h. Com acerto.. não há h mudo no meio das palavras. Anglicismo inecessário..... que é sua acepção médica..... Existem “à frente de”. 15h30.. vista)..anatomopatológico ano-retal. Hérnia é a protrusão de elementos de uma cavidade através de um orifício.. mormente a inglesa. usase hífen ou.. Conforme as instruções 11.... Redundância... neuro-hipófise). em que frente tem função de substantivo [9]..... Não se deve dizer “capacete de Hood”. forma reduzida do substantivo ou adjetivo correspondentes.. haver é impessoal: não é usado no plural..Foi mudado o tratamento frente ao novo diagnóstico. Também: . não acúmulo de líquido... 12 e 42 do VOLP [4]... mas a julgar pelo sentido de necropsia e biopsia... Pode-se dizer: Encontrada a taxa de 10% dos pacientes. numerosos nomes encontrados com hífen na literatura médica. É suficiente dizer: Eu o vi há anos.. São.. “Prescritos 1. Daí. Ele me consultou tempos atrás.. “apresentar-se à frente do grupo”.. quinhentos decigramas..socioeconômico sub-agudo.) pode ser omitido.. diante.. pseudo-hermafroditismo. É errôneo dizer “recém-nascido de mil e quinhentas gramas”.. Não dizemos: São 8 e 30 horas. no topônimo Bahia e nos compostos com hífen. 12h. como é registrado nos dicionários [4.. pseudohermafroditismo. o que será lamentável. .. mas o orifício que as forma. hormonologia.. hormonoterápico. Há anos atrás. Assim. Suas normas são seguidas nos dicionários Aurélio [1]. A maneira regular de escrever as horas.. “tumor com duzentas gramas”.cranioencefálico sócio-econômico. Melhor: correção cirúrgica ou reparo de hérnia.. Exs. Grama – gramo. Significa sutura de hérnia. Mas: São oito horas e trinta minutos.. hormono ser forma prefixal regular: hormonogênese. na palavra. na escrita-padrão.. reidratação. polihidrâmnio.. // Diz-se também: Eu o examinei dias atrás. na maioria dos casos... Michaelis [3] e outros em suas edições mais atualizadas..... e ópsis. Esse é o modelo adotado na linguagem culta. é. Larousse [12]. capuz. perante... Na forma indevida 8:30h.. dá a entender exame da água.. Frente a . são termos amplamente usados no meio médico e poderão vir a ser registrados em algum dicionário futuramente. “Frente a” inexiste no português culto [911]....

produção de doença pelo médico. Recomendável orquiopexia. orkidos). grãos de areia no mar. Mas. copiosos. Iniciais maiúsculas inadequadas. nos impressos. nefrostomia e semelhantes. Redundância (manter a mesma). as palavras de sentido restritivo procedentes do grego originam-se do genitivo dessa língua. O uso de iniciais maiúsculas é regido por normas oficiais [4]. negrito. Estoma é nome regular. pois tem o elemento orquio procedente do genitivo grego orkeos ou orkios (e não. Essa forma não consta das normas contidas na instrução 49 do Formulário Ortográfico [4]. não existindo o ä (delta) no radical üñ÷éò (órkhis). ainda VIII que existente no VOLP [4] e no Houaiss [2]. “400 mls de sangue”. Ostomia – ostomisado – osteoma. Nesse caso. orkiós. que “o paciente sofreu inúmeras operações” ou que “podem ocorrer inúmeras complicações” e ditos semelhantes. o autor não mais citou as siglas substitutivas. uso de letras com outra cor. vasculite necrosante e similares. Orquio é o tema grego orki acrescido da vogal de ligação o. não há orquipexia. de facto. isto é. os símbolos científicos não têm flexão de número (plural). não há estomia nos dicionários como palavra independente. boca. orquiopexia é o vocábulo regular. Exs: 2l > 2L. e géneia. Os hibridismos são reprimidos por bons gramáticos. de acordo com os preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). um sem-número e inumeráveis por numerosos. formado de elementos latinos. podemos substituí-los por palavras mais bem formadas. Inúmeros. autônomo e existente no léxico [4]. Por serem elementos diferentes. Em português: orqui. é comum encontrar-se “paciente com Insuficiência Renal Aguda”. estomatomicose. mas. Não é adequado dizer ou escrever “dez mls de soro”. Afinal. Orquidopexia. Bons gramáticos contestam o uso de inicial maiúscula apenas como forma de destacar palavras. mas. Outrossim. orquineuralgia. Do mesmo modo. forma-se o tema orki.Iatrogenia. espaçamento maior entre as letras. podem ser também decompostos os vocábulos vesicostomia.: estoma distal (ou proximal) da colostomia. nascer [1]. procedente de necrotizar. mas freqüentemente é usado como tradução do termo inglês necrotizing. introduzidos na linguagem científica a partir do século XIX. assim como ostomia. traço subscrito. O termo colostomia. folhas nas florestas. Diz-se adequadamente: Manter a conduta. Os números são infinitos. significa apenas produção de médico. é melhor termo que neonato. Manter a mesma conduta. porquanto órkidos é forma errônea de genitivo grego [13]. do grego stóma. em que não consta a utilização supracitada. “Apresentou fratura da Apófise Espinhal“ e semelhantes. Iatropatogenia é expressão mais adequada. Neologismo desnecessário. qualquer quantidade é numerável. portanto. Outrossim. no decorrer do texto. não o. Podemos dizer: enterite necrosante. por exemplo. e formando-se os mais derivados congeneres com a flexão orkhio. composta de um termo de origem grega (neo) e outro originário do latim (nato). e -izado. quando inicia palavra: estoma. é composto de três elementos: colo+estoma+ia ou colo+stoma+ia. muitos. médico. mls. Necrotizante. por exemplo. claro é que em portuguez o vcb. elevado ou alto número de. Ex. 10 ml > 10 mL. como estrelas. Há orquiopexia e orquidopexia. Pela praxe. mas é cientificamente errôneo. sofrimento. nos dicionários. a segunda. é inexistente nos dicionários. do radical da verbo grego gignesthai. Prova de Laço (PL) e Contagem de Plaqueta (CP)”. Lavagem exaustiva. Expressão inexata e anticientífica. conquanto muitos estejam consagrados em nossa língua e não há como extinguilos. A primeira. Da raiz ork. neologismo mal formado e. Amiúde. prefixo de vários termos médicos em diversas línguas. Neonato. nem “ostomia”. inumeráveis). como este exemplo copiado de um periódico: “Os teste utilizados foram os seguintes: Tempo de Coagulação (TC). de Littré e outros trazem – orchidopexie – donde pareceria justificar-se a forma orchidopexia. grande número. literalmente. já que o cirurgião não fica exausto após lavagem de feridas contaminadas ou da cavidade peritoneal nas peritonites purulentas. “efluente líquido . Retração de Coágulo (RC). Correto seria estomizado. necrosante é termo mais curto e registrado em maior número de dicionários que necrotizante. Em alguns casos é nítida a influência das siglas. de génos. orquipausa). Daí. por iniciativa própria. recémnascido. Em português. GALVÃO [14] pondera que “o Dict. gônada masculina. Há elementos incontáveis (não. De regra. fascite necrosante. Apesar de orqui ser prefixo existente em diversos vocábulos (orquicoréa. São recursos adequados para destaque: letras itálicas. Não obstante. Pode-se dizer lavagem rigorosa ou completa. Entretanto. Geralmente é usado para compor vocábulos: estomalgia. Além disso. as formas derivadas de stoma fazem-se com e. Ostomisado é forma incorreta de “ostomizado”. ele precisará de energia para terminar a operação. Do grego iatrós. correcto e acceitavel é – orchiopexia–”. “O Hipotiroidismo Congênito é endocrinopatia comum”. o segundo termo é irregular. ileostomia. Orqui – orquio – orquid – orquido são prefixos provenientes do grego orkis. vários. estomatite. Nas redações médicas. Termo usado como reforço de expressão. versaletes (tudo em letra maiúscula). devemos escrever L (litro) e mL (mililitro) para não ocorrer confusão entre a letra ele (l) e o número um(1). Podemos substituir termos como inúmeros. num relato formal. “inúmeros” tem sido usado em referência a elementos contáveis. pathós. Tempo de Sangramento (TS). Logo. Palavra mal formada por ser hibridismo. Não há “ostoma”. “Houve benefícios com o uso de Metronidazol”. é nome encontrável na literatura médica: “O atrativo da técnica é a presença de única estomia” e “Verificou-se a ocorrência de dermatite periestomia”. aconselha-se a deixar espaço entre o número e o símbolo. estomódio [4]. É contestável citar. com valor restritivo.

de ordinário. Em geral. Os agentes causadores é que. “recreacional” (recreativo) e outros. não é estável. afecção. “obituar” (morrer. // É característica da linguagem não-literária dizer: “O paciente internou”.das estomias”. patologia não é sinônimo de doença. Frase defeituosa. Patologia rara. É mais adequado dizer que o paciente está com manifestações ou quadro de apendicite. Quem inicia. “seqüelado” (com seqüela). rinoscopia. escopia. epidemia. é erro grosseiro. É o ramo da medicina que se ocupa das alterações sofridas pelo organismo em decorrência de doenças. Apesar de ser expressão registrada no Aurélio [1]. Mais adequado: Paciente em condições estáveis. anomalia. Construção dúbia. Ostomia é erro gráfico indiscutível. desaparece ou leva o paciente ao óbito. desordem. Não é o paciente. osteopatia. enfermidade. e lógos. há grande número de termos ausentes dos dicionários. malformação. disfunção. não pelo doente. Neologismos são bem-vindos quando não há termos substitutos na linguagem corrente. Patologia significa o estudo das enfermidades. moléstia. Além disso. as manifestações são iniciadas pelas lesões. como: acometimento. a regência dos verbos é estabelecida por normas de uso culto. estomocéfalo. as iniciam. duodenoscopia. Na formação de palavras procedentes do grego ou latim. stoma>estoma. fígado ‘cirrotizado” (fígado com cirrose). defeito congênito. Tem sido adotado. na linguagem formal. Expressão extremamente desgastada. distúrbio. pneumopatia. seguido de outra consoante. seja o próprio enfermo causador de lesões. em geral. estomografia entre outros. VOLP [4] registra estômia. Em rigor. strategía>estratégia. Digamos mais adequadamente: Paciente apresenta (queixa-se de. concentrado de fator. é a doença (não o paciente) que evolui. otoscopia. spatium>espaço. enteropatia. em rigor. dermatose. O paciente é quem sofre as doenças.: Paciente evoluiu com (apresentou) dor e febre. tratado. lesão. como ensinam bons lingüistas. diversas manifestações. seqüência. Ex. Paciente evoluindo estável. Mas. rim “funcionante” (rim produtivo ou ativo). Um indivíduo pode iniciar envenenamento ao tomar substâncias tóxicas ou infecção intestinal se ingerir alimento infectado. e termos equivalentes registrados nos dicionários: reflexos “lentificados” (reflexos lentos). Palavras inventadas. Incluir patologia entre os sinônimos de doença é amplamente criticado no meio médico. desarranjo. defeito. alimento na linguagem infantil [1]. Ou: O quadro se iniciou com dor. caso cirúrgico. “cirrotização” hepática (cirrose hepática). caso. São invenções desnecessárias por haver equivalentes perfeitos no léxico. gastroscopia. “oportunizar” (tornar oportuno). defeito congênito. paciente “vitimizado” (paciente vitimado). Paciente e doença são entidades diferentes. Se está evoluindo. colonoscopia. entidade clínica ou cirúrgica. mal. sofrimento. patologia grave. Papa de hemácias. inicia algo. apresenta complicações. A acepção própria de papa é alimento em forma de mingau. isto é. indisposição. mas a doença é que evolui e transforma o paciente com sua evolução. Muitos são decorrentes do desenvolvimento científico. Nos dicionários. “Estomias e drenos veiculam secreções digestivas e secreções purulentas” [15]. perturbação. estomogástrico. transtorno. Expressão incorreta. desordem congênita. Denotam desconhecimento de linguagem e. stómachós>estômago. embora. especialmente farinha cozida no leite ou na água até adquirir consistência de pasta mais ou menos espessa. às vezes. Do latim pappa ou papa. Pode-se usar outros verbos ou mudar a construção da frase. máformação. Paciente evoluiu com. A criança evoluiu com (teve) melhora do quadro. porque há dezenas de nomes equivalentes mais adequados em nossa língua. tem. endemia. doente “analgesiado” (doente medicado com analgésico). “Ele formou em medicina”. há estomocefalia. deformidade. IX . morbo. Não é o paciente que está com suspeita. morbidade. tendo em vista os termos histeroscopia. “Ele levantou cedo”. concentrado de leucócitos. hipernatremia “dilucional” (hipernatremia por diluição). Faltalhe o complemento do verbo iniciar. O doente evoluiu bem no pós-operatório (O pós-operatório transcorreu bem). estado mórbido. Paciente iniciou com dor. Exemplos: species> espécie. É impropriedade desnecessária. “factibilidade” (exeqüibilidade). usa-se o e prostético (não “o”) antes de termos iniciados por s. Na literatura médica. “urgencializar” (tornar urgente). medida “paliativista” (medida paliativa). refere) dor. Paciente com suspeita de apendicite. “refluxante” (com refluxo). “tumefativo” (tumefacto). ir a óbito). Também: concentrado de plaquetas. o termo médico mais adequado é concentrado de hemácias (recomendável usar o plural. sofrimento. Alguns exemplos de nomes criticáveis. No VOLP [4]. se transforma. não o doente. em certos casos. combinação. O enfermo sofre a doença e toma providências contra a evolução dela. Dubiedade é vício de linguagem assaz criticado pelos cultores do bom estilo de linguagem. em lugar de estomia. hemácias). “perviedade” (permeável). Do grego pathós. stilus> estilo. doença. neologismo útil e bem formado. colhidos da literatura médica. déficit “atencional” (deficiência de atenção). “topicização” (tornar tópico). discurso. papa de hemácias equivale a mingau de hemácias. condição. É recomendável evitá-los até que sejam dicionarizados ou usados por alguma autoridade em gramática ou por médicos reconhecidamente conhecedores de gramática e de linguagem médica e científica. agravo. em medicina o termo estomoterapeuta. pernosticismo e podem estar mal formados. anormalidade. defeito. Osteoma. Ou: paciente sem alterações do quadro mórbido. Note-se que não se diz “fazer uma oscopia” mas. “medicalização’ eficiente (medicação ou medicamentação eficiente). caso clínico. mas o médico assistente é que tem a suspeita. criança “carenciada” (criança carente). Ou termos específicos: associação. processo.

artrose. Exs. mas um nome próprio. respiração controlada (com ritmo imposto pelo ventilador).”. que. É o paciente que se recupera. conforme estabelecem os estudiosos de Semiótica. díade. doença hepática. ou siglas de uso pessoal) e outras com muitas interpretações. ventilador mecânico. como consignam FORTES & PACHECO [19]. expressões como “alta após recuperação anestésica”. Muitos dicionários registram como respirador. “recuperação anestésica satisfatória”. Seria como escrever João Da Silva ou Pedro De Oliveira. micose. hepatopatia. Siglas. ventilador é termo mais exato. dor intensa. podese dizer. Por conseguinte.toxicose.”. Raio X do paciente. qdo. pode-se dizer: Paciente com dor leve no abdome. Mais adequado: doença de Recklinghausen. sinais e sintomas. produz fluxo de ar. “Acompanhar o raio X do paciente”. Por “anemia severa” imagina-se o mesmo ao se dizer “anemia austera” ou “anemia sisuda”. Dizer doença de von Recklinghausen equivale à repetição de de. síndrome. hepatite. Sintomatologia dolorosa. quadro clínico ou. Exceto reduções muito conhecidas. raio X não é sinônimo de radiografia. “baixa estatura severa”.”. Sintoma é manifestação subjetiva de alterações mórbidas no paciente.”. tríade. o Michaelis [3] e outros. em lugar de sintomatologia no sentido de sinais e sintomas. em relação a muitos leitores ou ouvintes. De Frederich von Recklinghausen (1833–1910). também se omite a preposição von.: severe pain. Recklinghausen – doença de Von Recklinghausen. Tais reduções são desconformes às normas gramaticais de abreviatura. explicitamente. o aparelho usado para respiração mecânica. aulas no âmbito universitário. é impróprio. infecção grave. respiração assistida (apenas auxiliada pelo ventilador). O termo cientificamente e gramaticalmente adequado é radiografia. podem ser cômicas frases como: “Tirar um raio X do paciente.”. Correto: reidratação. ou seja. sonda de Nélaton em lugar de sonda de nelaton. como IV. Sintomatologia é amplamente usada no meio médico como sinônimo de sinais e sintomas e devemos ter em consideração a Lei do Uso. distúrbio hepático. dn. Correto: sonda de Nelaton. grafar Von. Recuperação anestésica. sua explicação deverá ser feita em sua primeira referência no relato médico. desidratação (v. mas seu uso inadequado e abusivo prejudica a compreensão do texto. não sejam usadas na linguagem científica formal. grave ou intenso são os termos recomendáveis. encefalite. como o faz o paciente. Freqüentemente. São errôneas. Nos relatos científicos formais. infelizmente. discursos em congressos. Em lugar de patologia do fígado. Respirador – ventilador. Ambigüidade ou duplo sentido é vício de linguagem e deve ser evitado nos relatos científicos formais. por exemplo. justo constrangimento ou falsa compreensão. literalmente. Severo.: em lugar de “Paciente com sintomatologia dolorosa leve no abdome”. encontramos siglas de que não conhecemos o significado (regionalismos. afecção hepática. Recuperar a anestesia é o mesmo que reanestesiar o doente. é expressão prolixa e pode ser adequadamente substituída por dor: Ex. cirurgião francês que criou uma sonda de borracha para várias utilizações médicas [17]. a repetição prepositiva (of von) é evitada pelo uso do genitivo ou pelo uso do nome antes do substantivo como expressão adjetiva: von Willebrand’s disease. “anemia severa”. É comum o uso de siglas e abreviações em medicina. Raios X (usase no plural) são radiações eletromagnéticas. Na língua inglesa. Entretanto. Ex. Em apresentações formais. tb. “icterícia severa”. c/. AAS. É preciso cuidar para que expressões populares. Sintomatologia significa estudo dos sintomas. Assim. Rehidratação. Por sua dubiedade. Em bons dicionários como o Aulete [16]. Em outras línguas. é criticável escrever pcte. ou poderá ocorrer. A partícula von é preposição equivalente a de em português e escreve-se com inicial minúscula. são termos próprios: aparelho de ventilação. Escreve-se. É também reprovável escrever sinais desnecessariamente (mesmo em diapositivos) como substitutos de palavras. Referia dor abdominal havia ± (cerca de) 2 dias. Recklinghausen’s disease. “Pedir um raio X de abdome. estudo doloroso da dor. patologista alemão [17]. “Examinar o raio X do doente. DNA. São censuráveis expressões como: “Fazer raio X do paciente. Nelaton não é material de que é feita a sonda. do ponto de vista semântico. é recomendável usar nomes em sua acepção precisa como apregoam bons orientadores de mestrado e doutorado. Também se escrevem: hiperidratação. Stedman [17]. o Aurélio [1]. portanto.”. CARDENAL [13] registra enfermedad de Recklinghausen. Erro gráfico. Sonda de nelaton. por . ventilação mecânica. É justificável a inicial minúscula para se referir. mas não X respira. p/. “sala de recuperação anestésica”. não o anestésico ou a anestesia. próprias da linguagem coloquial. Sintomatologia dolorosa significa. por serem ambigüidades. “Ver um raio X. Assim. Pode-se dizer recuperação pós-anestésica ou pós-anestesia (do paciente). Criança com Blumberg+ (com sinal de Blumberg). como publicações médicas. Tradução incorreta do termo inglês severe em expressões como “alcoolismo severo”. Reklinghausen ou Rechlinghausen são erros gráficos. cça. cardite. podemos dizer manifestações. tto. h mudo). A mortalidade ↑ (aumentou) em 28%. severe infection. e não como ventilador. o Houaiss [2]. von Kossa stain. consagra termos mesmo inadequados. além dos nomes da própria doença.: Foi observado ↓ (decréscimo) do número de esplenectomias. Em português. apesar da indicação de nobreza da preposição von em alemão. “O paciente fez um raio X de tórax. dado que tal aparelho ventila. com inicial maiúscula. De Auguste Nélaton (1807–1873). Mas sinais e sintomas têm conceitos diferentes. Além disso. Isso comprova que raio X não tem esse significado na linguagem culta. nefrose.

de sentido mais traumático. A neoplasia originou uma tumoração de crescimento rápido. é mais adequado usar ultra-sonografia. neoplasia. “Foi vista tumoração na cavidade peritoneal. Assim. lesão ou formação expansiva. lambreta. Importa notar que os epônimos podem ser substituídos por nomes técnicos. cicatrização. Logo. “dor na topografia do rim esquerdo”. Regularmente.”. // Citar que um radiologista visualizou tumor numa radiografia. processo tumoral. // Outros porém são pronominais só quando usados em determinadas situações: Os pacientes submeteram-se aos exames (mas não. Exemplos: realização é o ato de realizar. o que se escreve sobre este. Trocater. suicidar-se: Paciente queixouse de dor (e não: queixou dor). que. infestação por vuqueréria (Wuchereria bancroft) incisão de vertaime-migs XI . como se vê nestes exemplos: O engenheiro deve visualizar bem seu projeto. angstrom e outros termos originários de nomes próprios.”. tumescência. Classificouse em primeiro lugar (e não. // A maioria dos dicionários não averba essa palavra. Ele se acalmou (não. região. sastifeito. Pelo exposto. ultra-som. e tumoração para exprimir formação ou desenvolvimento do tumor. São verbos impróprios na acepção de ver. Visualizar e visibilizar significam formar mentalmente. A tumoração distendeu a região epigástrica. Cráudio. abaulamento. Mas. como eufemismo. sanduíche. embora seja amplamente usado no âmbito médico. “crescimento mitótico”. reinfectou). Tumoração é palavra registrada no VOLP [4]. Excetuamse casos em que se pode ver crescimento rápido do tumor: em casos de hemorragia interna nesse tipo de lesão. SOS. tumoração é o ato de tumorar (formar tumor).. sutupack. pelo exposto e por amor à exatidão dos termos científicos. na presença do doente. Há verbos só usados com pronome reflexivo (se): arrepender-se. por exemplo. Ele se sentou na cadeira (e não.extensão. submeteram aos exames). Ultrasonografia e ultra sonografia são também formas errôneas. deitou no leito). afirma que “tumoração não é coisa nenhuma”. Em lugar de topografia. Eu não me atrasei hoje (não. mas um mecanismo esfincteriano semelhante ao piloro. R. Ultrassonografia. Evitar essa sigla em relatos científicos destinados à publicação. usa-se tumoração para afastar o termo tumor. dentre outras palavras. Deitou-se no leito (não.: O tumor localiza-se no epigástrio. indignar-se. Recomendáveis: ultra-sonografia. vocábulos terminados em -ão. A tumoração rápida pode causar necrose no tumor. neo. nos trabalhos científicos. local. deu bliciqueta. derivados de verbo. O cirurgião visibilizou bem a operação no dia anterior à intervenção. como estão nas frases: “Visualizada lesão à ecografia. é inadequado dizer: “na topografia do baço”. Embora umbelical tenha apoio etimológico. isolete. classificou em). cientificamente mais apropriados. ficam estranhas afirmações como: “Palpa-se uma tumoração. em referência às três facetas na ponta do instrumento de perfuração. Exs. São também criticáveis expressões do tipo: “examinar o ultrasom do paciente”. é recomendável usar tumor em referência à massa. volume. o prefixo ultra liga-se com hífen ao elemento seguinte iniciado por H. Mais adequado dizer junção ileocecal. A ferida reinfectou-se (e não. neoformação e há quem use.. Nesse particular. de Béniqué. De acordo com as gramáticas da língua portuguesa. O tumor está aderido. É a descrição detalhada de um local. endurecimento. observar. geralmente designam o ato indicado pelo verbo ou o efeito da ação verbal (o efeito é resultado do ato). intumescência. O mesmo se aplica às sondas de Malecot. “Pólipo visibilizado à coloscopia. crescimento. “fungos existentes em várias topografias do centro cirúrgico”. A comunicação entre o íleo e o ceco não apresenta propriamente uma válvula. Umbelical. Adequadamente. coloração é o ato de colorir. Não pertence ao léxico médico. mas. em seu artigo Expressões Médicas. pode-se usar: área. LIMA [19]. S e vogal. Verbos pronominais. Dor na topografia do baço significa que a descrição regional do baço está doendo. canal de virsung (Wirsung). cirurgião alemão. A neoplasia desenvolveu rapidamente um tumor. pode significar que o tumor foi “imaginado”. Válvula ileocecal. Recomendável: umbilical. como ocorre com gilete. Procede da expressão francesa trois cart. “fazer um ultra-som”. é redundância dizer: “formação de tumoração” ou “formar tumoração”. O paciente levantou-se cedo (e não.”. não aparece em nenhum dicionário de português. No dicionário Aurélio [1]. É sinal internacional de perigo. Houve uma tumoração da neoplasia. Topografia. eu não atrasei hoje). Melhor: valva ileocecal [5]. e não formas excepcionais e exceções às regras gramaticais. por exemplo. mertiolate. formou em medicina). ele acalmou). essa forma não é usada em nossa língua e. resignar-se. tornar visível mentalmente. pobrema. está definida como formação de tumor (de tumorar = formar tumor) e presença de tumor. “palpação da topografia da vesícula biliar”. ato de cicatrizar (não dizemos “cicatrização umbilical” em lugar de cicatriz umbilical).”. de Pezzer. levantou cedo). em lugar de trocarte. Nesses casos. ele sentou). Freqüentemente. nódulo. Tumoração – tumor. localização. amortização é o ato de amortizar. // Pela lógica. identificar. Wilms (tumor de). Vizualizar e vizualização são descuidos de grafia. De Max Wilms (1867–1918). é substancialmente essencial usar termos técnicos consoante ao português culto. Formouse em medicina (não. queixar-se. Visualizar – visibilizar. podemos dizer sonda uretral ou sonda uretral de cloreto de polivinila (PVC) siliconizada.”. “Tumor visualizado na radiografia. A mudança de fonemas é comum em nossa língua. a uma sonda nelaton ou apenas uma nelaton. Assim como também dizemos doença de vilebrand (Willebrand). pode-se dizer massa. Trocater. É difundido seu uso como sinônimo de tumor. Pronuncia-se vilms. modernamente. é recomendável dizer trocarte ou trocar. massa tumoral.

2 . Universidade de Brasília.com. Galvão R. 1999. 3a ed. 1 . 3a ed. 1999. São Paulo: Ática 2001 13. Academia Brasileira de Letras. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. 18. brasileira. Medeiros JB. A pronúncia uilms tem influência inglesa. 2 volumes.Médico Assistente. 1999. Gobbes A. Dicionário médico.632. raras publicações e vasto campo para estudos. Dicionário Contemporâneo da Língia Portuguesa.Professor Titular de Cirurgia Pediátrica. 3 . Pacheco G. Weiszflog W. 4. 1998. USA: R R Donnelley. 6.155. 16. Tolosa EMC. ainda desconhecido. Sociedade Brasileira de Anatomia. pontos criticáveis que podem levar um relator sério a situações desconfortáveis.(Wertheim-Meigs). 11. 12. Rio de Janeiro: Editor Fábio Mello. Brasília. Houaiss A. mas para essa língua a pronúncia é vernácula. 2001. Cardenal L. Rey L. Martins Filho EL. se um médico é cuidadoso em seus procedimentos. E-mail: simonides@uol. e elegante em seu desempenho profissional. 2001. Fortes H.Professora Adjunta de Cirurgia Pediátrica. Professor Voluntário. COMENTÁRIO FINAL Este modesto glossário é pequena amostra da ampla quantidade de defeitos existentes na linguagem médica. Universidade de Brasília. 2001. 10. 1996. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves. Dicionário de erros correntes da língua portuguesa. 1958. São Paulo: Atheneu. Aborda uma área em que há poucas pesquisas. 9. 1a ed. DF. Barcelona: Salvat Editores. 25a ed. 2. 6a ed. 1a ed. Haubrich WS. 1968. 3a ed. Stedman TL. Almeida NM. São Paulo: Póluss Editorial. 1996. 14. 5. Rio de Janeiro: Delta 1958 17. 19. Rio de Janeiro: Objetiva. Novo Aurélio século XXI. 1997. 1a ed. Lima M. não é errado usar as expressões correntes no âmbito médico se trazem comunicação clara.Bacharel em Língua Portuguesa e Mestranda em Lingüística pela Universidade de Brasília. Centro de Pediatria Cirúrgica do Hospital Universitário da Universidade de Brasília. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1998. Manual de redação e estilo. Medical meanings: a glossary of word origins. Tratado de anatomia aplicada. Aulete FC. São Paulo: Manole. Terminologia anatômica. p. Jornal Brasileiro de Medicina. Margarido NF. Diccionário terminológico de ciencias médicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 15. São Paulo: Ática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. tratamentos. p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Dicionário médico. Michaelis moderno dicionário da língua portuguesa. 1999. Indiana. Expressões médicas. 7. São Paulo: Moderna. Julho de 1967 Nota do Editor Este artigo está sendo publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Brasileira com permissão especial dos autores. UNB – Faculdade de Medicina – Hospital Universitário da Universidade de Brasília – Centro de Pediatria Cirúrgica. 1997. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (VOLP). 4 . diagnósticos. Vocabulario etymologico. Técnica cirúrgica prática. orthographico e prosódico. São Paulo: Melhoramentos. Mesmo se censuráveis. São Paulo: Atlas. 1909. é congruente que se expresse em português de primeiro time. Dicionário Larousse. 2a ed. Dicionário de questões vernáculas. 3a ed. 8. Ferreira ABH. 3.br XII . Di Dio LJA. Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde. Mas cabe ressaltar que.

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