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AQUECIMZENTO E DESAQUECIMENTO VOCAL

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CEFAC

CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

VOZ

AQUECIMENTO E DESAQUECIMENTO VOCAL

ANDRÉA COELHO GAGLIARDI MOTA

SÃO PAULO 1998

CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

VOZ

AQUECIMENTO E DESAQUECIMENTO VOCAL

Monografia de conclusão do curso de especialização em Voz Orientadora: Mirian Goldenberg

ANDRÉA COELHO GAGLIARDI MOTA

SÃO PAULO 1998

Resumo
Aquecimento e desaquecimento vocal são procedimentos que beneficiam os profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho. O aquecimento vocal tem como objetivo principal preservar a saúde do aparelho fonador, além de aumentar a temperatura muscular e o fluxo sangüíneo, favorecer a vibração adequada das pregas vocais, melhorar a produção vocal global, dentre outros benefícios. Em média, os exercícios de aquecimento devem durar de 10 a 15 minutos. O desaquecimento embora seja menos citado e descrito pelos autores, é tão importante quanto o aquecimento. O desaquecimento é o oposto do aquecimento, ou seja, seu objetivo é trazer a voz de volta ao ajuste fonorespiratório da voz coloquial. A duração média dessa atividade é de 5 minutos, e apesar de curta , é suficiente para o retorno à emissão coloquial. O cantor é o profissional da voz que mais utiliza essas atividades. Porém, nós fonoaudiólogos, devemos nos aprofundar no contexto e campo de atuação dos demais profissionais que se utilizam da voz como instrumento de trabalho, para que esses também se beneficiem das melhoras que o aquecimento e desaquecimento vocal possam trazer.

Summary
Warm-up and vocal cool-down are procedures that benefit the professionals that use the voice as instrument of work. The vocal warm-up has as main objective to preserve the health of the vocal apparel, besides increasing the muscular temperature and the blood flow, to favor the adapted vibration of the vocal folds, to improve the global vocal production, and other benefits. On the average, the warm-up exercises should last 10 to 15 minutes. The cool-down although it is less mentioned and described by the authors, it is as important as the warm-up. The vocal cool-down is the opposite of the warm-up, that is to say, its objective is to bring the turn voice to the vocalbreathing adjustment of the colloquial voice. The medium duration of this activity is about 5 minutes, and in spite of short, it is enough for the return to the colloquial emission. The singer is the professional of the voice that uses these activities. Even so us voice therapist should deepen us in the context and field of the others professionals’performance that use voice as work instrument, so that those also benefit themselves of the improvements that the warm-up and vocal cooldown can bring.

Agradecimentos
Sou grata pela ajuda direta ou indireta de todos os professores do curso de especialização do CEFAC, em especial a professora Silvia Pinho, pelo tempo e auxílio dispensados ao meu trabalho, e a professora Mirian Goldenberg, por ter me ensinado como construir um texto com arte e reflexão. Agradeço também os colegas do CEFAC pelas opiniões e correções que foram de muita valia.

Sumário
1. Introdução ...............................................................................................1 2. Discussão Teórica ..................................................................................3 2.1. Aquecimento Vocal ..............................................................................3 2.1.1. Objetivos do Aquecimento Vocal ......................................................3 2.1.2. Tempo de realização dos exercícios ................................................7 2.1.3. Exercícios realizados no Aquecimento Vocal ...................................7 2.2. Desaquecimento Vocal ......................................................................10 2.2.1. Objetivos do Desaquecimento Vocal ..............................................10 2.2.2. Tempo de realização dos exercícios ..............................................12 2.2.3. Exercícios realizados no Desaquecimento Vocal ...........................12 3. Conclusão ............................................................................................14 4. Referências Bibliográficas ....................................................................17

1. Introdução
Atualmente observa-se um número cada vez maior de pessoas que utilizam sua voz como instrumento de trabalho; dessa maneira a preocupação com a saúde vocal vem aumentando, assim como os cuidados específicos que esses profissionais devem ter. Segundo Ferreira (1998),”a partir da década de 90 com o contato cada vez mais intenso com os profissionais da voz, estamos vislumbrando a amplitude e complexidade da produção de voz, percebendo o quanto ainda temos que aprender sobre cada um desses profissionais e seu contexto de atuação, para poder dar conta de maneira adequada, de um trabalho terapêutico ou de assessoria vocal”(pg 14). Aquecimento e desaquecimento vocal é assunto ainda novo e escasso em pesquisas. O profissional que se beneficia com tal procedimento, é aquele que, segundo Ferreira (1995), ao produzir sua voz profissional, tem nela seu instrumento de trabalho. Seguindo este raciocínio, a autora subdivide esses profissionais em diversas categorias: • profissionais da arte: cantores (erudito, popular, coral e religioso), atores ( teatro, circo e televisão) e dubladores; • profissionais da comunicação: locutores e repórteres (televisão e rádio) e telefonistas; • profissionais da educação: professores de diferentes áreas e graus, padres, pastores e fonoaudiólogos; • profissionais de marketing: operadores, vendedores, leiloeiros, camelôs, políticos, entre outros;
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• profissionais do setor da indústria e comércio: diretores, gerentes, encarregados de sessão, supervisores, entre outros; • profissionais do judiciário: advogados, promotores e juízes. Andrada e Silva (1995), em sua tese cita a importância de se orientar os cantores quanto ao uso do aquecimento vocal. Refere também o desconhecimento desse assunto entre os profissionais da voz. A autora coloca que o aquecimento é essencial para qualquer cantor, que deve ter consciência que as pregas vocais são músculos, e como todo músculo precisam ser aquecidas antes de uma atividade mais intensa para evitar a sobrecarga, o uso inadequado ou um quadro de fadiga vocal (1998). O objetivo principal dessa pesquisa é investigar a efetividade dos exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal para os profissionais da voz. A investigação do tempo utilizado para a realização dos exercícios e quais exercícios podem ser feitos em cada atividade, também é meta desse trabalho. A pesquisa basear-se-á em levantamento bibliográfico para obtenção dos dados.

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2. Discussão Teórica
Com finalidades didáticas, irei abordar separadamente os dois tópicos principais, estudando em cada um, os seus objetivos, o tempo de realização das atividades e os principais exercícios a serem realizados.

2.1. Aquecimento Vocal Corresponde à realização de uma série de exercícios respiratórios e vocais, cuja finalidade é aquecer a musculatura das pregas vocais antes de uma atividade mais intensa para evitar sobrecarga, o uso inadequado ou um quadro de fadiga vocal ( Costa e Andrada e Silva, 1998).

2.1.1. Objetivos do Aquecimento Vocal O objetivo do aquecimento vocal é preservar a saúde do aparelho fonador. Além disso, este procedimento também permite a coaptação adequada de mucosa, maior flexibilidade das pregas vocais, aumento da habilidade ondulatória da mucosa, maior intensidade e projeção do som, bem como melhores condições gerais para a produção do som como um todo ( Francato e outros, 1996). Elliot, Sundberg e Gramming (1995) afirmam que o aquecimento vocal tem o mesmo efeito na musculatura da laringe como em outros músculos. Demonstram que após o aquecimento vocal, a temperatura muscular é aumentada e por essa razão, a viscosidade do tecido muscular é reduzida. Avaliaram um grupo de homens e mulheres cantores para que pudessem investigar o efeito do aquecimento no limiar de pressão de fonação. Observaram que todos os sujeitos foram beneficiados com o aquecimento
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vocal. Concluíram que houvera diminuição no limiar de pressão de fonação, porém, com variações individuais. Compartilham dessa idéia Saxon e Schneider (1995), quando afirmam que além de aumentar a temperatura do tecido muscular, o aquecimento dilata o leito capilar e aumenta o fluxo sangüíneo, diminuindo também o número de prejuízos para o trabalho muscular. Andrada e Silva (1998) concorda que o aquecimento é um fator relevante antes de atividades vocais, e explica que para que a energia produzida no fígado alcance os músculos vocais é necessário um aumento do fluxo sangüíneo na área. Quanto mais bem feito o aquecimento, maior a quantidade de sangue nas pregas vocais. Os objetivos dessa atividade de aquecimento podem ser mais amplos e diversos quando se analisa o profissional que a utilizará. Quinteiro (1989) mostra que atores de teatro, que têm como rotina esses exercícios, demonstram um aumento no potencial sonoro, apresentam melhor clareza na emissão do som, ataque vocal suave e firmeza na continuidade da emissão do som, favorecendo a propagação da onda sonora de uma maneira contínua e homogênea. Dentre os objetivos também se encontram os relaxamentos físico e mental, muito importantes para o ator que entrará em cena. Já com relação aos cantores, Benninger, Jacobson e Johnson (1994) referem que o aquecimento é crítico para manter a voz saudável para o canto. Descrevem também que os exercícios são designados para o fortalecimento de específicos músculos intrínsecos da laringe, e quando realizados regularmente podem trazer melhora na produção da voz.

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O programa de aquecimento vocal para cantores, segundo Pela, Rehder e Behlau (1998) visa não somente à saúde vocal, mas, indiretamente, oferece melhores condições para uma maior longevidade da voz. Pela (1996) realizou um estudo com crianças e adolescentes coralistas, com o objetivo de demonstrar o efeito da utilização de um programa de

aquecimento e desaquecimento vocal em alguns parâmetros vocais. As principais conclusões foram que o aquecimento e desaquecimento proporcionam melhoras significativas na produção vocal global dos coralistas; refletem positivamente em alguns parâmetros vocais, tais como: qualidade vocal, tempo máximo de fonação, frequência fundamental, proporção harmônico-ruído, jitter e shimmer ; beneficiam os coralistas com vozes

alteradas, apresentando redução significativa no grau de alteração vocal encontrada antes do programa desenvolvido, sem, no entanto, substituir o processo terapêutico. Facincani, Novaes e Ferretti (1998) realizaram a análise dos parâmetros vocais de cantores do coral da Universidade Federal de Uberlândia, antes e depois da realização do aquecimento vocal por eles proposto. A partir dessa análise e do exame de videolaringoscopia realizado nos cantores, foi possível concluir que o aquecimento vocal proporciona um maior tempo de fonação ao cantor ( o aquecimento favorece uma melhor coordenação pneumofônica); favorece a coaptação entre as pregas vocais reduzindo as fendas glóticas; provoca uma redução de edemas discretos das pregas vocais; melhora a lubrificação laríngea, reduzindo a viscosidade do muco; altera o padrão vocal habitual, ficando a voz, logo após o aquecimento, mais intensa e com freqüência mais aguda ( esse fato comprova a necessidade de um

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desaquecimento vocal para o retorno ao ajuste fonatório da voz coloquial); não tem ação sobre lesões organizadas. Sataloff (1985) sugere que o aquecimento previne a disfunção vocal, freqüentemente provocada por alterações musculares que compensam a insegurança quando se canta “frio” ( sem aquecimento). Pinho (1998) afirma que para o cantor lírico é útil realizar o aquecimento vocal logo pela manhã, para que já inicie sua fala espontânea com a musculatura previamente aquecida, previnindo tensões musculares

compensatórias do quadro hipocinético usual ao acordar. Sataloff (1991) mostra que cinco minutos de suaves escalas permitirão ao cantor analisar, projetar e controlar a voz antes de usá-la. Além de melhorar a qualidade vocal, os benefícios físicos de certos exercícios são comparados ao aquecimento físico de corredores e outros atletas. Andrada e Silva (1995) propõe que orientações quanto ao aquecimento vocal antes do uso da voz devem ser consideradas e dependem do local, tempo e repertório a ser utilizado pelo cantor. Para oradores que irão realizar uma apresentação, Sataloff (1991) aconselha a iniciar o preparo vocal aproximadamente um mês antes

daquela, para a obtenção de uma voz pronta para a performance. No programa de exercícios preparatórios, o aquecimento vocal é incluído.

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2.1.2. Tempo de realização dos exercícios O tempo de realização do aquecimento vocal é muito variável. Sataloff (1991) afirma que cantores não devem realizá-lo por mais de 30 minutos. Andrada e Silva (1998) concorda com o tempo de realização citado pelos demais autores, e faz um alerta: caso o cantor disponha de 30 minutos para o aquecimento, o fonoaudiólogo que o acompanha poderá sugerir uma programação mais ampla e com exercícios que poderão preencher necessidades pessoais. Em média, o aquecimento dura de 10 a 15 minutos (Benninger, Jacobson e Johnson,1994; Saxon e Schneider, 1995; Francato e outros, 1996; Pela, Rehder e Behlau, 1998; Pinho, 1998), podendo também ser realizado antes do início da apresentação ou espetáculo, variando de pessoa para pessoa. Muitos autores não especificam o tempo que deve durar o aquecimento.

2.1.3. Exercícios realizados no Aquecimento Vocal Existem muitas maneiras de se realizar o aquecimento vocal. Wilson (1993) demonstra que atores e profissionais de televisão utilizam o próprio material de leitura e o recitar de falas para se aquecerem. Exercícios específicos de vocalização podem ser utilizados, como são descritos por Francato e outros (1996): - sons nasais /m/ e /n/ associados a movimentos de língua e mastigação; - vibração de lábios e língua; - produção vocal no registro de falsete; - vocalizações com seqüência de vogais = i, ê, é, a, ó, ô, u; - exercícios articulatórios; - jogos musicais explorando a respiração; - trabalho com extensão vocal e controle de intensidade.

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Andrada e Silva (1998) acrescenta exercícios de respiração profunda, mesclando boca e nariz; alongamento da coluna, conciliando inspiração e expiração; movimentação dos músculos do pescoço( inclinação lateral, para frente e para trás e rotação); alongamento do músculo masséter( abertura ampla de boca); exercícios para abaixamento de laringe e para relaxamento da musculatura extrínseca( “varrer” palato e rotação da língua no vestíbulo, mantendo os lábios unidos). Alguns exercícios como vibração de lábios e de língua em escala ascendente e exercícios respiratórios são descritos por vários autores como Pinho(1998),que sugere também a realização de exercícios com sons nasais visando maior efetividade de adução glótica e glissando em boca chiusa . Behlau e Rehder (1997) orientam para que se aqueça a voz por meio de exercícios de flexibilidade muscular, realizando os vocalizes já descritos anteriormente. Sataloff (1991) descreve uma série de exercícios divididos em quatro partes: relaxamento geral e energização, respiração e alinhamento, parte mais alta do corpo e voz e fala; cada divisão com exercícios específicos. O aquecimento vocal para atores de teatro é descrito por Quinteiro (1989), e difere muito dos outros exercícios aqui demonstrados. A autora sugere a emissão de vogais considerando alguns pontos corporais. Deve-se unir as mãos, fechando assim um circuito energético em pontos determinados do corpo, nos quais o som melhor irá amplificar. A seqüência recomendada é a seguinte: vogal /u/ - dedos unidos no centro da testa; vogal /e/ - dedos unidos na altura da cartilagem tireóide;

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vogal /o/ - mãos unidas sobre o osso esterno; vogal /i/ - mãos unidas na região do estômago; vogal /a/ - dedos unidos na região pélvica. Pinho (1998) afirma que operadores de telemarketing também devem realizar exercícios de aquecimento vocal, como vibração de lábio e língua, exercícios respiratórios e articulatórios, humming, suspiro e bocejo. Alguns autores não descrevem o exercício propriamente dito, como é o caso de Saxon e Schneider (1995), apenas indicam que o aquecimento deve ser realizado com atividades de fraca intensidade, envolvendo a maioria dos grupos musculares que serão usados posteriormente.

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2.2. Desaquecimento Vocal O desaquecimento vocal é ainda menos citado e descrito pelos autores, porém, é tão importante quanto o aquecimento. A finalidade dessa atividade é fazer com que o profissional retorne ao ajuste fono-respiratório da voz coloquial, evitando o abuso decorrente da utilização prolongada dos ajustes do canto, quando já não são necessários (Pela, Rehder e Behlau, 1998).

2.2.1. Objetivos do Desaquecimento Vocal Benninger, Jacobson e Johnson (1994) referem que o desaquecimento é igualmente importante embora muito ignorado. Deve-se esfriar a voz, especialmente após grandes períodos cantando. Descrevem que o desaquecimento é simplesmente o oposto do aquecimento, trazendo a voz de volta ao estado relaxado, dentro de uma média confortável e de um nível dinâmico. A primeira forma de desaquecimento vocal descrita por Andrada e Silva (1998) é o silêncio total por 5 minutos no mínimo. A autora explica que após uma apresentação, o cantor normalmente produz a voz com pitch mais elevado e loudness muito forte. Quando o cantor permanece um tempo em silêncio, ele consegue quebrar esse padrão do canto e pode conversar no camarim com voz mais fraca e pitch habitual. Os cantores, que terminado o concerto param de falar ou cantar, são os que perdem a voz após a apresentação, constata Lavorato (1985). Pinho (1998) acredita que o desaquecimento vocal deve ser realizado com exercícios, facilitando ao cantor o retorno muscular à situação de fala habitual.

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Cantores e oradores devem realizar os exercícios após utilizarem prolongadamente a voz. Segundo Sataloff (1985), desta maneira pode-se identificar e corrigir qualquer desequilíbrio muscular por meio do

restabelecimento da tensão vocal. O desaquecimento vocal após o canto proporciona a retomada do ajuste fono-respiratório da voz coloquial, evitando o abuso decorrente da utilização prolongada dos ajustes do canto ( Francato e outros, 1996). Behlau e Rehder (1997) concordam com a afirmação citada e acreditam que um cantor que fale da mesma maneira que cante, submete seu aparelho vocal a um desgaste muito maior. Atividades de fraca intensidade reduzem o tempo para a voz voltar ao estado normal. Saxon e Schneider (1995) afirmam que o oxigênio utilizado durante o desaquecimento é necessário para criar homeostase, por meio do reabastecimento do estoque metabólico e do glicogênio muscular; reduzir a temperatura do tecido; equiparar a perturbação hormonal; e reduzir o ácido lácteo. Os autores constatam que com exercícios leves, o ácido lácteo é removido do sangue no prazo de 15 a 20 minutos; e com repouso completo há sobra do ácido por mais de uma hora após a utilização da voz.

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2.2.2. Tempo de realização dos exercícios Quanto ao tempo de realização do aquecimento, não há regra comum entre os autores pesquisados. Muitos não especificam o tempo de duração dos exercícios. Benninger, Jacobson e Johnson (1994) acreditam que o tempo pode variar, mas uma boa regra é, aproximadamente, metade do tempo do aquecimento realizado anteriormente. Já Francato e outros (1996) e Pela, Rehder e Behlau (1998) referem que a duração média do desaquecimento é de 5 minutos, e apesar de bastante curto, este tempo tem-se mostrado eficiente para o retorno à emissão coloquial. O tempo médio utilizado para o aquecimento vocal (10 minutos) pode ser o mesmo usado para os exercícios de desaquecimento ( Pinho ,1998) . Para Lavorato (1985), o desaquecimento é feito por 2 minutos em intervalos de 45 minutos durante muitas horas.

2.2.3. Exercícios realizados no Desaquecimento Vocal Há grande variação nos exercícios que podem ser feitos para o desaquecimento vocal. Lavorato (1985) sugere a realização de exercícios vocais vigorosos, ou apenas vocalizar, no caso de cantores. Segundo Behlau e Rehder (1997), após o término das apresentações ou dos ensaios, o cantor deve desaquecer a voz por meio de exercícios para retornar a voz falada, utilizando bocejos e fala mais grave e fraca. Os exercícios podem ser associados a movimentos corporais. Francato e outros (1996) descrevem os seguintes exercícios: - técnica do bocejo; -

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rotação de cabeça com vogais /a/, /o/ e /u/; - sons nasais e/ou vibrantes associados a glissandos descendentes; - voz salmodiada; - fala espontânea com depoimentos para discriminação dos ajustes fonatórios (canto e fala). Exercícios como relaxamento cervical e vocalizes em vibração nas escalas descendentes são descritos por vários autores , dentre eles Pinho (1998) e Andrada e Silva (1997). Podem ser realizadas massagens digitais no laringe com movimentos circulares em volta da cartilagem tireóide, movimentos verticais na frente do pescoço ( músculo cricotireoideo) e apertos na região da nuca e nos trapézios. A massagem auxilia a circulação local, levando a diminuição do edema nas pregas vocais e na musculatura do pescoço causado por um uso intenso ( Andrada e Silva ,1997). Atividades de fraca intensidade são referidas por Saxon e Schneider (1995) como ideais para a realização do desaquecimento vocal. Após a pesquisa realizada, observei a importância da realização tanto do aquecimento como do desaquecimento vocal para os profissionais da voz. No entanto são atividades pouco conhecidas e praticadas por esses profissionais, salvo o cantor que, segundo os autores aqui descritos, é quem mais se utiliza dos exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal.

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3. Conclusão
Após o estudo realizado, cheguei a conclusão de que a prática do aquecimento e desaquecimento vocal é essencial para os profissionais da voz que queiram manter a saúde vocal e se previnir do desgaste de seu aparelho fonador. Durante a revisão bibliográfica, constatei que essas atividades são pouco citadas pelos autores, porém, já existem pesquisas em campo realizadas com cantores, que comprovam a efetividade para esses profissionais. Um item a ser levado em consideração, é a importância dada ao cantor. Alguns dos autores pesquisados referem que os exercícios de aquecimento devem ser feitos por profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho, e como já foi descrito por Ferreira (1995), há várias categorias desses profissionais, não se resumindo somente aos cantores, sejam eles líricos, populares ou coralistas. Encontrei poucas referências citando outros profissionais como operadores de telemarketing, oradores, atores de teatro ou televisão, dentre outros. Quando o desaquecimento vocal foi discutido, houve uma restrição ainda maior, pois somente os cantores foram citados por todos os autores. Diante desse fato, surgiu-me uma dúvida: se todos os profissionais devem realizar o aquecimento, e segundo Facincani, Novais e Ferretti (1998) após essa atividade a voz fica mais intensa e com a freqüência mais aguda, necessitando do desaquecimento para o retorno ao ajuste fonatório da voz coloquial, por que nenhum autor refere a prática dos exercícios de desaquecimento para os demais profissionais? Um ator de teatro ou de televisão que muda seu padrão de ajuste muscular para realizar uma voz
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infantil ou uma voz senil, não necessita do desaquecimento para o retorno a sua voz coloquial? Os demais profissionais da voz não deveriam fazer alguma forma de desaquecimento vocal, como por exemplo, um período de silêncio? Aqui volto a apontar e concordar com Ferreira (1998), quando afirma o quanto ainda temos que aprender sobre cada um desses profissionais e seu contexto e campo de atuação. Houve concordância por todos os autores no que se refere a necessidade e efetividade tanto do aquecimento como do desaquecimento vocal. O tempo de realização dos exercícios é outro item em que os autores expõe a mesma opinião. Um fator relevante é que apenas 5 minutos do desaquecimento vocal já são suficientes para o retorno à emissão coloquial de uma maneira eficiente ( Francato e outros, 1996 e Pela, Rehder e Behlau, 1998). Os exercícios que devem ser realizados durante as atividades de aquecimento e desaquecimento vocal também foram pesquisados. No aquecimento, alguns exercícios foram mais citados e enfatizados, como os exercícios respiratórios e articulatórios, vibração de lábios e língua em escala ascendente, resultando em uma freqüência mais aguda, como afirma Facincani, Novais e Ferretti (1998), o que justifica a necessidade do desaquecimento vocal para o retorno muscular à situação de fala habitual. No desaquecimento, determinados exercícios foram mais descritos, como o relaxamento e massagens específicas na região da laringe, bocejo e vibrações em escala descendente.

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Após vislumbrar todos esses fatos, fica-me a certeza da necessidade de maior pesquisa e aprofundamento por parte do fonoaudiólogo nessa área relacionada aos profissionais da voz.

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4. Referências Bibliográficas
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