Você está na página 1de 28

LUIZ ANTONIO SCAVONE JUNIOR

JUROS
no Direito brasileiro

Atualizado com a Emenda


Constitucional n. 40, de 29.05.2003,
e com o Código Civil de 2002
JUROS
no Direito brasileiro

LUIZ ANTONIO SCAVONE JUNIOR

© desta edição: 2003

EDITORA REVISTA DOS TRIBUNAIS LTDA.


Diretor Responsável: CARLOS HENRIQUE DE CARVALHO FILHO

Visite o nosso site www.rt.com.br

CENTRO DE ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR: Tel. 0800-11-2433


e-mail do atendimento ao consumidor: sac@rt.com.br

Rua do Bosque, 820 • Barra Funda


Tel. (0xx11) 3613-8400 • Fax (0xx11) 3613-8450
CEP 01136-000 – São Paulo, SP, Brasil

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio
ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos,
fonográficos, videográficos. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou parcial, bem como
a inclusão de qualquer parte desta obra em qualquer sistema de processamento de dados. Essas
proibições aplicam-se também às características gráficas da obra e à sua editoração. A violação
dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos do Código Penal) com pena de
prisão e multa, busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a 110 da Lei 9.610, de
19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais).

Impresso no Brasil ( 07 - 2003 )

ISBN 85-203-2391-X
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO – ROBERTO SENISE LISBOA ............................................... 7


ABREVIATURAS ........................................................................................ 15
INTRODUÇÃO ............................................................................................. 17
1. ESCORÇO HISTÓRICO .......................................................................... 29
1.1 Os juros a partir da Idade Média e sua evolução ante o direito canônico 29
1.2 Os juros e o direito romano .............................................................. 35
1.3 A evolução da questão dos juros no direito brasileiro ..................... 37

2. LINEAMENTOS DOS JUROS ................................................................ 40


2.1 Conceito ........................................................................................... 40
2.2 Finalidades (remuneração do capital e neutralização do risco) ....... 45
2.3 Natureza jurídica .............................................................................. 48
2.4 Direito comparado ........................................................................... 50
2.4.1 Estados Unidos ..................................................................... 50
2.4.2 Inglaterra ............................................................................... 54
2.4.3 Argentina .............................................................................. 55
2.4.4 França ................................................................................... 59
2.4.5 Espanha ................................................................................. 62
2.4.6 Portugal ................................................................................. 65
2.4.7 Itália ...................................................................................... 67
2.4.8 Suíça ..................................................................................... 68
2.4.9 Alemanha .............................................................................. 69
2.4.10 Conclusões extraídas do direito estrangeiro ......................... 70
2.4.10.1 Limites das taxas de juros ...................................... 70
2.4.10.2 Anatocismo ............................................................. 71
2.4.10.3 Juros compensatórios e necessidade de pacto ex-
presso ..................................................................... 71
2.4.10.4 Juros moratórios ..................................................... 72
10 JUROS

3. CLASSIFICAÇÃO ................................................................................... 73
3.1 A questão metodológica ................................................................... 73
3.2 Proposta de classificação dos juros .................................................. 74
3.3 Juros quanto à origem ...................................................................... 76
3.3.1 Juros legais ........................................................................... 76
3.3.2 Juros convencionais .............................................................. 80
3.3.3 Distinção ............................................................................... 81
3.4 Juros quanto ao fundamento ............................................................ 83
3.4.1 Juros compensatórios ............................................................ 83
3.4.1.1 Juros convencionais compensatórios ..................... 84
3.4.1.2 Juros legais compensatórios ................................... 85
3.4.1.3 Obrigação natural de juros compensatórios ........... 94
3.4.2 Juros moratórios ................................................................... 95
3.4.2.1 Mora ....................................................................... 97
3.4.2.2 Juros legais moratórios ........................................... 105
3.4.2.3 Juros convencionais moratórios ............................. 107
3.4.2.4 Início da contagem dos juros moratórios ................ 108
3.4.2.5 Juros moratórios nas obrigações decorrentes de ato
ilícito ...................................................................... 116
3.4.2.6 Juros moratórios nas obrigações negativas ............ 118
3.4.2.7 Juros moratórios nas dívidas de dinheiro ............... 120
3.4.2.8 Juros moratórios nas obrigações convertidas em per-
das e danos – Inadimplemento absoluto ................ 126
3.4.2.9 Juros moratórios na mora do credor ....................... 127
3.4.2.10 Juros moratórios e mora simultânea ....................... 129
3.4.2.11 Juros moratórios nas moras ex persona especiais ... 130
3.4.2.12 Juros moratórios nos títulos de crédito ................... 131
3.4.2.13 Juros moratórios devidos pelo Estado .................... 135
3.4.2.14 Outros casos – Falência, concordata e administra-
ção de portos .......................................................... 142
3.4.2.15 Desnecessidade de pedido expresso de juros mora-
tórios ...................................................................... 143
3.4.2.16 Cumulação de juros moratórios com juros compen-
satórios ................................................................... 144
3.5 Juros quanto à capitalização ............................................................ 147
SUMÁRIO 11
3.5.1 Juros simples e compostos ................................................... 147
3.5.1.1 A taxa de juros nominal e efetiva como indicativo
de juros capitalizados de forma composta ............. 149
3.5.2 A proibição legal dos juros capitalizados de forma composta
inserta no Decreto 22.626/33 ................................................ 150
3.5.2.1 Anatocismo ............................................................. 150
3.5.2.2 O alcance do art. 4.º do Decreto 22.626/33 ............ 154
3.5.3 Exceções que possibilitam a aplicação de juros compostos .... 155
3.5.3.1 Os juros capitalizados de forma composta e as obri-
gações decorrentes de atos ilícitos ......................... 156
3.5.3.2 Os juros capitalizados nos débitos trabalhistas ...... 158
3.5.3.3 Os juros capitalizados de forma composta em nor-
mas especiais ......................................................... 159
4. SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO .......................................................... 160
4.1 Tabela price ..................................................................................... 160
4.1.1 Os fundamentos da tabela price ........................................... 163
4.1.2 A tabela price e o anatocismo frente à ciência matemática ... 164
4.1.3 A ilegalidade da tabela price tendo em vista o critério do art.
6.º do Decreto 22.626/33 ..................................................... 171
4.1.4 Argumentos a favor da legalidade da tabela price ............... 177
4.1.5 Exemplo prático de aplicação ilegal da tabela price ............ 181
4.1.6 A tabela price diante do Código de Defesa do Consumidor .. 183
4.2 Sistema de amortização constante (SAC) ........................................ 190
4.2.1 Legalidade do sistema de amortização constante ................. 191

5. A LIMITAÇÃO DA TAXA DE JUROS .................................................. 195


5.1 O limite dos juros no direito brasileiro ............................................ 195
5.2 Os juros convencionais moratórios .................................................. 197
5.3 Os juros convencionais compensatórios .......................................... 198
5.4 Limites decorrentes de leis especiais e conclusões ......................... 202

6. OS JUROS E AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ............................... 205


6.1 A liberação das taxas de juros para as instituições financeiras ....... 205
6.1.1 A Constituição Federal de 1988 e a limitação das taxas de
juros ..................................................................................... 213
6.1.2 Tese da competência constitucional exclusiva do Congresso
Nacional para legislar sobre matéria financeira ................... 221
12 JUROS

6.1.3 Tese da necessidade de demonstração da taxa liberada –


Tendência jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça
quanto à limitação das taxas de juros ................................... 225
6.2 Instituições financeiras e os juros capitalizados de forma composta 227
6.2.1 A Medida Provisória 1.963-17 e a questão da liberação do
anatocismo para as instituições financeiras .......................... 230
6.3 Cédulas e notas de crédito rural, industrial, comercial e à exportação 235
6.3.1 O limite da taxa de juros nas cédulas e notas de crédito ...... 236
6.3.2 A capitalização de juros nas cédulas e notas de crédito ....... 237
6.3.3 Juros moratórios nas cédulas de crédito ............................... 239
6.4 Cédula de Crédito Bancário ............................................................. 239
6.4.1 Características da Cédula de Crédito Bancário .................... 245
6.4.1.1 Garantias ................................................................. 245
6.4.1.2 Penhor de direitos ................................................... 245
6.4.1.3 Penhor e tradição do bem ....................................... 246
6.4.1.4 Seguro ..................................................................... 246
6.4.1.5 Registro .................................................................. 246
6.4.1.6 Deteriorações .......................................................... 247
6.4.1.7 Cessão ..................................................................... 247
6.4.2 A capitalização dos juros na Cédula de Crédito Bancário ... 248

7. SISTEMA FINANCEIRO IMOBILIÁRIO EM RAZÃO DOS JUROS


COMPOSTOS .......................................................................................... 251
7.1 Sistema Financeiro Imobiliário – Considerações gerais .................. 251
7.1.1 Conceito e natureza jurídica ................................................. 251
7.1.2 Objeto ................................................................................... 254
7.2 Os juros no Sistema Financeiro Imobiliário .................................... 254

8. USURA ..................................................................................................... 257


8.1 Usura pecuniária e usura real ........................................................... 257
8.1.1 A etimologia de “juros onzenários” ...................................... 261
8.2 A usura e as taxas de juros ............................................................... 262
8.2.1 Usura real – lesão – em razão das instituições financeiras ... 262
8.2.2 Usura pecuniária ................................................................... 265
8.3 Medida Provisória 1.820 – Repressão à usura ................................. 267
8.3.1 Usura pecuniária ................................................................... 268
SUMÁRIO 13
8.3.2 Usura real (lesão) .................................................................. 268
8.3.3 Garantia dissimulada nos negócios usurários ....................... 270
8.3.4 Inversão do ônus da prova .................................................... 271
8.3.5 Exclusão de incidência da norma ......................................... 271
8.4 A usura e o Código de Defesa do Consumidor ................................ 272
8.5 Títulos de crédito e usura ................................................................. 274
8.6 Vendas a prazo e usura disfarçada no preço .................................... 275
9. CORREÇÃO MONETÁRIA – DIFERENÇA ESPECÍFICA DE JURO 278
9.1 Conceito ........................................................................................... 278
9.2 Legislação vigente acerca de correção monetária ............................ 280
9.2.1 Periodicidade de correção monetária .................................... 280
9.2.2 Vedação da utilização de moeda estrangeira para correção
monetária .............................................................................. 285
9.3 Termo inicial da correção monetária ............................................... 286
9.3.1 Ilícitos contratuais ................................................................. 286
9.3.2 Débitos decorrentes de decisão judicial ............................... 289
9.3.3 Títulos de crédito .................................................................. 290
9.3.4 Ato ilícito .............................................................................. 291
9.4 Taxas de juros – Indevida utilização como mecanismo de correção
monetária .......................................................................................... 292
9.4.1 Taxa Referencial de Juros – TR ........................................... 293
9.4.1.1 Âmbito de abrangência da TR ................................ 300
9.4.1.2 Uso da TR nos contratos celebrados no âmbito do
SFH após a Lei 8.177/91 ........................................ 303
9.4.2 Taxa Selic ............................................................................. 310
9.4.2.1 Fixação da taxa Selic e os juros decorrentes de cré-
dito tributário .......................................................... 310
9.4.2.2 Natureza jurídica da taxa Selic ............................... 316
9.4.3 Comissão de permanência .................................................... 318
9.4.4 Outros mecanismos que não representam correção monetária 322
9.4.5 O uso indevido de taxa de juro como correção monetária cu-
mulada com taxa de juro ....................................................... 323

CONCLUSÃO ............................................................................................... 325

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................... 345


14 JUROS

1. Livros ................................................................................................... 345


2. Artigos ................................................................................................. 351
3. Dissertações e teses ............................................................................. 354
4. Internet ................................................................................................. 354
5. Periódicos, textos e compilações ......................................................... 355

APÊNDICE ................................................................................................... 357


1. Medida Provisória 2.170-36, de 23 de agosto de 2001 ....................... 357
2. Medida Provisória 2.172-32, de 23 de agosto de 2001 ....................... 359
3. Medida Provisória 2.183-56, de 24 de agosto de 2001 ....................... 360
4. Medida Provisória 2.160-25, de 23 de agosto de 2001 ....................... 363
5. Súmulas do STJ ................................................................................... 369
6. Emenda Constitucional n. 40, de 29 de maio de 2003 ........................ 370
ABREVIATURAS

AASP – Associação dos Advogados de São Paulo


a.C. – Antes de Cristo
ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
ADIn – Ação Direta de Inconstitucionalidade
Andib – Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desen-
volvimento
art. – Artigo
arts. – Artigos
CDB – Certificado de depósito bancário
Cetip – Central de Liquidação e Custódia de Títulos Privados
Cit. – Citada. Citadas
Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil
FRC – Fator de recuperação do capital
FVA – Fator de valor atual
ns. – Números
Ob. – Obra
ORTN – Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional
OSB – Ordem de São Bento
p. – Página
RDA – Revista de Direito Administrativo
RDB – Recibo de depósito bancário
REsp – Recurso especial
RJTJESP – Revista de Jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo, Editora Lex.
RT – Revista dos Tribunais
RTFR – Revista do Tribunal Federal de Recursos
5
A LIMITAÇÃO DA TAXA DE JUROS

SUMÁRIO: 5.1 O limite dos juros no direito brasileiro – 5.2 Os juros con-
vencionais moratórios – 5.3 Os juros convencionais compensatórios – 5.4
Limites decorrentes de leis especiais e conclusões.

5.1 O limite dos juros no direito brasileiro

Ao revés do que ocorre, em regra, no direito estrangeiro, no Brasil exis-


tem normas que limitam as taxas de juros que podem ser convencionadas
nos contratos (juros convencionais).
Nem sempre foi assim. Com efeito, impregnado por exacerbado libe-
ralismo e individualismo, o Código Civil de 1916 determinou a liberdade
de fixação das taxas de juros compensatórios decorrentes de mútuo
feneratício,1 obrigatoriamente previstos no contrato, na exata medida da
disposição insculpida no seu art. 1.262, nos seguintes termos: “é permiti-
do, mas só por cláusula expressa, fixar juros ao empréstimo de dinheiro ou
outras coisas fungíveis. Esses juros podem fixar-se abaixo ou acima da taxa
legal (art. 1.062), com ou sem capitalização”.
Somente nos casos em que, embora houvesse previsão de incidência
de juros, inexistisse pactuação da taxa a ser aplicada, como vimos, aplica-
va-se a taxa legal de juros, ou seja, de 6% ao ano, nos termos dos art. 1.063
do Código Civil de 1916.
Quanto aos juros moratórios, de acordo com os arts. 1.062 e 1.064, do
Código Civil de 1916, mesmo que as partes sequer tivessem convenciona-
do sua incidência, a taxa legal era de 6% ao ano.
No âmbito do Código Civil de 2002, conforme tratamos no capítulo 3
(3.3.1), na ausência de estipulação entre as partes, foi estabelecida uma taxa

(1)
O mútuo de dinheiro no qual se estipula a cobrança de juros compensatórios é
denominado mútuo feneratício.
A LIMITAÇÃO DA TAXA DE JUROS 197
Posta assim a questão, tirante as hipóteses de juros legais, convém verifi-
car as limitações incidentes à contratação da taxa de juros, ou seja, até que ponto
as partes podem, mediante manifestação volitiva elevar as taxas legais de juros.

5.2 Os juros convencionais moratórios

Os juros convencionais moratórios, ou seja, aqueles devidos em razão


da mora e da convenção entre as partes, estão limitados à taxa 12% ao ano.
O limite imposto aos juros convencionais moratórios decorre dos arts. 1.º
e 5.° do Decreto 22.626/33, este último determinando que é admitido, pela
mora dos juros contratados, “que estes sejam elevados de 1% e não mais”.
Essa é a mesma conclusão que se extrai do Código Civil de 2002, na
medida da interpretação do seu art. 406, cumulado com o art. 5.° do De-
creto 22.626/33 e art. 161, § 1.°, do Código Tributário Nacional.
Sendo assim, ainda que o art. 406 do Código Civil de 2002 tenha defi-
nido apenas a taxa legal de juros moratórios, aplicável quando não houver
convenção dessa espécie ou quando a lei determinar sua aplicação, certo é
que as partes não poderão convencionar livremente esses juros, ainda que
a Emenda Constitucional 40/2003 tenha suprimido o limite de 12% ao ano
do § 3.º do art. 192 da CF de 1988.
É cediço que lei geral posterior não revoga e tampouco altera lei espe-
cial anterior.
Nesse caso, o Código Civil de 2002, de caráter geral, como temos in-
sistido, não revoga ou altera o Decreto 22.626/33, que regula e limita os
juros nos contratos.
Como esse decreto, também denominado Lei de Usura, limita os juros
moratórios a 1% ao mês no seu art. 5.º, resta evidente que as partes não
podem convencionar juros superiores sob pena de nulidade do excesso. Em
outras palavras, convencionando ou não, as partes devem se submeter à taxa
de 1% ao mês para os juros moratórios.
Aliás, diga-se de passagem, o Código Civil de 2002 resgatou toda a
inspiração social que pautou diplomas legais da mesma época, como, por
exemplo, além da Lei de Usura, o Decreto-lei 58/37, que veio proteger o
promitente comprador, sem contar a Consolidação das Leis do Trabalho.
Nesse sentido, encontramos no atual Código Civil a função social, a
boa-fé, a probidade e a transparência como princípios contratuais expres-
sos (arts. 421 e 422).
Portanto, o Código Civil de 2002 está longe de liberar as taxas de juros
convencionais moratórios, como pode parecer diante de uma primeira e
desatenta leitura do seu art. 406.
200 JUROS

Sendo assim, em suma, para os juros moratórios, as partes estão limi-


tadas a convencioná-los à taxa de 1% ao mês, a teor do que dispõe o art. 5.º
do Decreto 22.626/338 (Código Civil de 2002, art. 406 c/c o art. 161, § 1.º,
do Código Tributário Nacional).
Essa taxa de juros de 1% ao mês passa a ser, portanto, a taxa legal de
juros moratórios e, por analogia, taxa de juros legais compensatórios.
Como a Lei de Usura, Decreto 22.626/33, limita o pacto de juros, ou seja,
limita os juros convencionais compensatórios ao dobro da taxa legal para to-
dos os contratos, com exceção do contrato de mútuo que está subsumido ao
art. 591, a taxa máxima de juros compensatórios que poderá ser pactuada nes-
ses outros contratos no âmbito do Código Civil de 2002 é de 2% ao mês.
Sendo assim, por exemplo, nos financiamentos imobiliários, com ex-
ceção daqueles regulados pelo Sistema Financeiro da Habitação que se
submetem a limites especiais, além dos financiamentos de bens móveis em
geral, as partes poderão prever taxa de juros compensatórios de 2% ao mês
(Código Civil de 2002, art. 406, Código Tributário Nacional, art. 161, §
1.º, e Decreto 22.626/33, art. 1.º).
Esse limite não se aplica ao contrato de mútuo, em razão da limitação
especial exsurgente do art. 591 do Código Civil de 2002.
Com efeito, no contrato de mútuo para fins econômicos, como o mú-
tuo feneratício, ou seja, o empréstimo de dinheiro com o pagamento de juros
compensatórios, a taxa não poderá exceder a taxa fixada no art. 406.
Em consonância com o acatado, o Código Civil de 2002 limitou a taxa
de juros no contrato de mútuo para fins econômicos a 1% ao mês, sem que

Factoring – Atividade não abrangida pelo Sistema Financeiro Nacional - Ina-


plicabilidade dos juros permitidos às instituições financeiras.
I – O factoring distancia-se de instituição financeira justamente porque seus
negócios não se abrigam no direito de regresso e nem na garantia representada
pelo aval ou endosso. Daí que nesse tipo de contrato não se aplicam os juros
permitidos as instituições financeiras. É que as empresas que operam com o
factoring não se incluem no âmbito do sistema financeiro nacional.
II – O empréstimo e o desconto de títulos, a teor de art. 17, da Lei 4.595/64, são
operações típicas, privativas das instituições financeiras, dependendo sua prá-
tica de autorização governamental.
III – Recurso não conhecido. Relator: Ministro Waldemar Zveiter”.
(8)
Os juros moratórios e compensatórios podem ser legais, cuja taxa é de 12% ao
ano no Código Civil de 2002: arts. 406 e 591, combinados com os art. 161, § 1.º,
do Código Tributário Nacional.
202 JUROS

De outro lado, o art. 184 do Código Civil de 2002 (art. 153 do Código
Civil de 1916), dispõe que a nulidade parcial de um ato não o prejudicará
na parte válida, se esta for separável.
De qualquer forma, a quantia deverá ser restituída em dobro, a teor do
que dispõe o art. 42 do Código de Defesa do Consumidor e o art. 1.º da
Medida Provisória 1.820, de 05.04.1999 (n. 2.172-32, de 23.08.2001) nas
relações civis.
Entretanto, segundo o verbete 159, da Súmula do Supremo Tribunal
Federal, não se aplica a regra da devolução em dobro no caso da cobrança
excessiva de boa-fé. Nesse caso a devolução se faz pelo excesso acrescido
de correção monetária e juros legais. De acordo com essa orientação, a mens
legis foi coibir práticas gravemente culposas ou dolosas.
Todavia, a orientação merece reparo. No âmbito da responsabilidade
contratual não há qualquer distinção entre culpa leve ou grave, de tal sorte
que a simples cobrança negligente, mesmo que de boa-fé, deve ensejar a
devolução dobrada.
Tratando-se de relação de consumo,12 a responsabilidade em regra é
objetiva. Portanto, de acordo com os arts. 42 e 51 do Código de Defesa do
Consumidor, o contratante lesado poderá ver-se ressarcido de valor equi-
valente ao dobro do que eventualmente tenha pago em excesso,13 vez que é
nula a parte da cláusula que estabelece juros excessivos, dando ensejo a
ação declaratória, de repetição de indébito ou até consignatória, entre ou-
tras, em virtude do disposto nos arts. 6.º, III e IV; 42 e 51, XV, da Lei 8.078/
90, além dos arts. 1.º, 4.º, 11 e 13 do Decreto 22.626/33.

5.4 Limites decorrentes de leis especiais e conclusões

Ainda que a Emenda Constitucional 40/2003 tenha suprimido o li-


mite de 12% ao ano imposto pelo § 3.º do art. 192 da CF, certo é que, a
par dos limites gerais impostos pela Lei de Usura e pelo Código Civil
de 2002 para os juros convencionais moratórios e compensatórios,
existem outros limites que devem ser respeitados, decorrentes de le-
gislação extravagante.

(12)
Para que se configure relação de consumo, mister se faz um consumidor e um
fornecedor, acorde com o critério objetivo adotado pelos arts. 2.° e 3.° da Lei
8.078/90.
(13)
Súmula 159 do STF. “Cobrança excessiva, mas de boa-fé, não dá lugar às san-
ções do art. 1.531 do Código Civil de 1916”.
204 JUROS

d) juros convencionais compensatórios nos contratos de mútuo: 1%


ao mês (Código Civil de 2002, arts. 406 e 591); e,
e) juros convencionais compensatórios nos demais contratos: 2% ao
mês, ou seja, o dobro da taxa legal de juros (Decreto 22.626/33, art. 1.º, Có-
digo Civil de 2002, art. 406, e Código Tributário Nacional, art. 161, § 1.º).
BIBLIOGRAFIA

1. Livros

ALMEIDA, Carlos Ferreira de. Os direitos dos consumidores. Coimbra: Almedina,


1982.
ALMEIDA, Roberto Fernandes de. A aplicação imediata do § 3.º do art. 192 da
Constituição Federal. In: GASPARIAN, Fernando (coordenador). A luta con-
tra a usura, [s.l.]: Graal, 1990.
ALTAVILA, Jayme de. Origem dos direitos dos povos. 2. ed. São Paulo: Melhora-
mentos, 1987.
ALVES, José Carlos Moreira. Direito Romano. Rio de Janeiro: Forense, 1978.
Vol. 1,
ALVIM, Agostinho. Da inexecução das obrigações e suas conseqüências. São Paulo:
Saraiva, 1980.
AMARAL JUNIOR, Alberto do. Comentários ao Código de Proteção do Consumi-
dor. São Paulo: Saraiva, 1991.
ARRUDA ALVIM; ALVIM, Thereza; ARRUDA ALVIM, Eduardo; MARINS,
James. Código do consumidor comentado. 2 ed. São Paulo: RT, 1995.
ASCENSÃO, José de Oliveira. Enciclopédia Saraiva do direito. São Paulo: Sarai-
va, 1977. Vol. 53.
ASSIS, Araken de. Manual do processo de execução. São Paulo: RT, 1998.
AZEVEDO, Álvaro Villaça. Curso de direito civil: teoria geral das obrigações. 3.
ed. São Paulo: RT, 1981.
———. Liquidação das obrigações. Enciclopédia Saraiva do direito. São Paulo:
Saraiva, 1977.
BARASSI, Lodovico. La teoria generale delle Obbligazioni. 2. ed. Milão: Giuffrè,
1948.
BARBOSA, Rui. Comentários à constituição federal. São Paulo: Saraiva, 1933.
BARIANO, N. De monte impietatis, Cremona: [s.e.], 1496.
BEVILÁQUA, Clóvis. Código civil dos Estados Unidos do Brasil comentado. Rio
de Janeiro: Francisco Alves, 1917.
BITTAR FILHO, Carlos Alberto. Os contratos de adesão e o controle de cláusulas
abusivas. São Paulo: Saraiva, 1991.
348 JUROS

FRANCISCO, Walter de. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1976.
FREITAS, Vladimir Passos de. Código Tributário Nacional comentado. São Paulo:
RT, 1999.
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 22. ed. São Paulo: Companhia
Nacional, 1987.
GARRONE, José Alberto; SAMMARTINO, Mario E. Castro. Manual de derecho
commercial. 2. ed. Buenos Aires: Abeledo-Perrot, 1996.
GASPARIAN, Fernando. A luta contra a usura. [s.l.]: Graal, 1990.
GIORGI, Giorgio. Teoria delle obbligazioni nel diritto moderno italiano. Florença:
Fratelli Cammelli, 1891. Vol. II.
GOBLOT, Edmond. Traité de logique. Paris: LGDJ, 1929.
GOMES, Orlando. Contratos. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994.
———. Obrigações. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito das obrigações. Parte geral. 2. ed. São Pau-
lo: Saraiva, 1999.
GOYET, Francisque. Précis de droit pénal spécial. 5. ed. atual. por Marcel Rousselet
e Maurice Platin. Paris: LGDJ, 1949.
HERRERA BRAVO, Ramón. “Usurae”, problemática jurídica de los intereses en
derecho romano. Jaen: Universidad de Jaen, 1997.
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. 20. ed. Rio de Janeiro: Zahar,
1985.
JOSSERAND, Louis. Derecho civil, teoria general de las obligaciones. Buenos
Aires: Bosch, 1950. Tomo II, vol. I.
KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
LACANTINERIE, Baudry; BARDE, L. Traité Théorique et pratique de droit civile.
3. ed. Paris: Sirey, 1907. Vol. VI.
LACERDA DE ALMEIDA, Francisco de Paula. Obrigações. 2. ed. Rio de Janeiro:
Jacinto Ribeiro dos Santos, 1916.
LARENZ, Karl. Derecho de obligaciones. Madri: Ed. Revista de Derecho Privado,
1958. Vol. I.
LEFTWICH, Richard H. The price system & resource allocation. Estados Unidos
da América: The Dryden Press, 1976, trad. de Maria Tereza de Oliveira Audi. 6.
ed. São Paulo: Pioneira, 1983.
LISBOA, Roberto Senise. Contratos difusos e coletivos. São Paulo: RT 1997.
———. Manual elementar de direito civil. Parte geral. São Paulo: Juarez de Olivei-
ra, 1999. Vol. 1.
LOPES, João Batista. A prova no direito processual civil. São Paulo: RT, 1999.
———. Tutela antecipada no processo civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2001.
354 JUROS

RIZZARDO, Arnaldo. Juros no mútuo bancário. RT 630, p. 43-46, São Paulo,


abr. 1988.
ROCHA, João Luiz Coelho da. Os juros no direito brasileiro. Revista de Direito
Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, n. 114, p. 73-81, São Paulo, abr.-
jun. 1999.
ROCHA, Keyler Carvalho. Impropriedade da TR e TRD como indexadores tributá-
veis trabalhistas falimentares etc. RT 667, p. 238-241, São Paulo, maio 1991.
SANTOS, Francisco Cláudio de Almeida. Os juros compensatórios no mútuo ban-
cário. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais, n. 2, p. 63-71, São
Paulo: RT, maio-ago. 1998.
SCAVONE JUNIOR, Luiz Antonio. Os Contratos Imobiliários e a previsão de apli-
cação da Tabela Price – Anatocismo. Revista de Direito do Consumidor, n. 28,
p. 129-145, São Paulo: RT, out.-dez. 1998.
SCHÜTZER, Erasmo de Camargo. Taxas de juros: valor nominal e valor real. Revis-
ta de Direito Público, n. 49-50, p. 294-302, São Paulo: RT, jan.-jun. 1979.
SILVA, Antônio Ferreira Alvares da. Juros: tabelamento geral, amplo e irrestrito.
Revista Jurídica Mineira, n. 106, p. 36-41, Belo Horizonte, mar.-abr. 1994.
VIEIRA, Antônio Cláudio de Lima. Os juros na nova Constituição. RT 635, n. 77, p.
156-160, São Paulo, set. 1988.
WALD, Arnoldo. A Patologia do direito bancário: causas e soluções, uma primeira
visão panorâmica. Revista de Direito Bancário do Mercado de Capitais e da
Arbitragem, n. 7, p. 36-52, São Paulo, jan.-mar. 2000.

3. Dissertações e teses

PEREIRA, Mário Geraldo. Plano básico de amortização pelo sistema francês


e respectivo fator de conversão. Tese de Doutorado. São Paulo: Faculdade
de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo,
1965, 176p.
SILVA, Luis Renato Ferreira da. Causas de revisão judicial dos contratos. Disser-
tação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1997. 325p.

4. Internet

Agência Estado/Broadcast. Disponível em: <http://www.estadao.com.br>. Acesso


em: 22.12.2000.
Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br>. Acesso em:
22.12.2000.
Federal Reserve. Disponível em: <http://www.fed.com>. Acesso em: 31.05.2001.
Ministério do Planejamento. Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br>.
Acesso em: 02.06.2001.
BIBLIOGRAFIA 355

Oziel Chaves. Há anatocismo na tabela price? Disponível em: <http://


www.jus.com.br>. Acesso em: 18.06.2000.

5. Periódicos, textos e compilações

Código Civil alemão. Trad. Souza Diniz, Rio de Janeiro: Record, 1960.
Código Civil de la Republica Argentina (con las notas de Vélez Sársfield). Concor-
dado por Hugo M. Pinto Bouquet. Buenos Aires: Editorial “Repertorio Jurídico
Mor” S.R.L., 1997.
Código Civil italiano. Trad. Souza Diniz, Rio de Janeiro: Record, 1961.
Código Civil português, aprovado pelo Decreto-lei 47.344, de 25 de novembro de
1966. Coimbra: Almedina, 1998.
Código federal suiço das obrigações. Trad. Souza Diniz, Rio de Janeiro: Record, 1961.
Código Napoleão ou código civil dos franceses. Trad. Souza Diniz, Rio de Janeiro:
Record, 1962.
Criminal law and its administration. Estados Unidos da América: Michael and
Wechsler, Columbia University, [s.d.].
Juis, Jurisprudência Informatizada Saraiva n. 17 (CD ROM Jurídico). São Paulo:
Saraiva: 1999.
LIS, Legislação Informatizada Saraiva (CD ROM Jurídico). São Paulo, Saraiva:
junho/julho de 2000.
Manual de controle operacional de sociedades de arrendamento mercantil. 2. ed.
Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras. São Paulo:
Atlas, 1995.
R. H. Tawney; E. Power. Tudor Economic Documents. Compilação. Londres:
Longmans, Green and Company, 1924. Vol. II.
Restatement of the law (22 vols), Estados Unidos da América: American Law Institute,
[s.d.]. Vol. 2.
Revista de Direito Administrativo (RDA), São Paulo: RT, ns. 69 e 97.
Revista de Jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (RJTJES),
São Paulo: Lex, ns. 91, 108, 116.
Revista do Tribunal Federal de Recursos (RTFR), n. 153.
Revista dos Tribunais (RT). São Paulo: RT, ns. 278, 347, 486, 545, 592, 607, 686,
649, 692, 698.
Revista Trimestral de Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RTJ), ns. 54,
72, 77, 107, 121, 143, 147.
Rulling Case Law. Estados Unidos da América: [s.e.], [s.d.]. Vol. 27.
Stephen’s commentaries on the laws of England, 21. ed. Inglaterra. Vol. II.
United States Supreme Court Digest. Estados Unidos da América, [s.d.]. Vol. 13.
APÊNDICE

1. MEDIDA PROVISÓRIA 2.170-36, DE 23 DE AGOSTO DE 2001

Originária: Medida Provisória 1.963-17, de 30 de março de 2000.

Dispõe sobre a administração dos recursos de caixa do


Tesouro Nacional, consolida e atualiza a legislação pertinente
ao assunto e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.


62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1.º Os recursos financeiros de todas as fontes de receitas da União e de suas
autarquias e fundações públicas, inclusive fundos por elas administrados, serão de-
positados e movimentados exclusivamente por intermédio dos mecanismos da con-
ta única do Tesouro Nacional, na forma regulamentada pelo Poder Executivo.
Parágrafo único. Nos casos em que características operacionais específicas não
permitam a movimentação financeira pelo sistema de caixa único do Tesouro Na-
cional, os recursos poderão, excepcionalmente, a critério do Ministro de Estado da
Fazenda, ser depositados no Banco do Brasil S.A. ou na Caixa Econômica Federal.
Art. 2.º A partir de 1.º de janeiro de 1999, os recursos dos fundos, das autarquias
e das fundações públicas federais não poderão ser aplicados no mercado financeiro.
§ 1.º O Ministro de Estado da Fazenda, em casos excepcionais, poderá autorizar
as entidades a que se refere o caput deste artigo a efetuar aplicações no mercado fi-
nanceiro, observado o disposto no parágrafo único do art.1.º.
§ 2.º Às entidades a que se refere o art. 1o que possuem, em 15 de dezembro de
1998, autorização legislativa para realizar aplicações financeiras de suas disponibi-
lidades é assegurada a remuneração de suas aplicações, que não poderá exceder à
incidente sobre a conta única.
§ 3.º Os recursos que se encontrarem aplicados no mercado financeiro em 31 de
dezembro de 1998 deverão ser transferidos para a conta única do Tesouro Nacional
no dia 4 de janeiro de 1999 ou, no caso de aplicação que exija o cumprimento de pra-
zo para resgate ou para obtenção de rendimentos, na data do vencimento respectivo
ou no dia imediatamente posterior ao do pagamento dos rendimentos.
APÊNDICE 359
2. MEDIDA PROVISÓRIA 2.172-32, DE 23 DE AGOSTO DE 2001

Originária: Medida Provisória 1.820, de 5 de abril de 1999.

Estabelece a nulidade das disposições contratuais que


menciona e inverte, nas hipóteses que prevê, o ônus da prova nas
ações intentadas para sua declaração.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.


62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1.º São nulas de pleno direito as estipulações usurárias, assim consideradas
as que estabeleçam:
I – nos contratos civis de mútuo, taxas de juros superiores às legalmente permi-
tidas, caso em que deverá o juiz, se requerido, ajustá-las à medida legal ou, na hipó-
tese de já terem sido cumpridas, ordenar a restituição, em dobro, da quantia paga em
excesso, com juros legais a contar da data do pagamento indevido;
II – nos negócios jurídicos não disciplinados pelas legislações comercial e de
defesa do consumidor, lucros ou vantagens patrimoniais excessivos, estipulados em
situação de vulnerabilidade da parte, caso em que deverá o juiz, se requerido, resta-
belecer o equilíbrio da relação contratual, ajustando-os ao valor corrente, ou, na hi-
pótese de cumprimento da obrigação, ordenar a restituição, em dobro, da quantia
recebida em excesso, com juros legais a contar da data do pagamento indevido.
Parágrafo único. Para a configuração do lucro ou vantagem excessivos, consi-
derar-se-ão a vontade das partes, as circunstâncias da celebração do contrato, o seu
conteúdo e natureza, a origem das correspondentes obrigações, as práticas de mer-
cado e as taxas de juros legalmente permitidas.
Art. 2.º São igualmente nulas de pleno direito as disposições contratuais que, com
o pretexto de conferir ou transmitir direitos, são celebradas para garantir, direta ou
indiretamente, contratos civis de mútuo com estipulações usurárias.
Art. 3.º Nas ações que visem à declaração de nulidade de estipulações com am-
paro no disposto nesta Medida Provisória, incumbirá ao credor ou beneficiário do
negócio o ônus de provar a regularidade jurídica das correspondentes obrigações,
sempre que demonstrada pelo prejudicado, ou pelas circunstâncias do caso, a veros-
similhança da alegação.
Art. 4.º As disposições desta Medida Provisória não se aplicam:
I – às instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo
Banco Central do Brasil, bem como às operações realizadas nos mercados financei-
ro, de capitais e de valores mobiliários, que continuam regidas pelas normas legais e
regulamentares que lhes são aplicáveis;
362 JUROS

§ 3.º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de


indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem as-
sim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder
Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo os juros
sobre o valor fixado na sentença.
§ 4.º Nas ações referidas no § 3.º, não será o Poder Público onerado por juros com-
pensatórios relativos a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada
pelo autor da ação.”
“Art. 15-B. Nas ações a que se refere o art. 15-A, os juros moratórios destinam-
se a recompor a perda decorrente do atraso no efetivo pagamento da indenização
fixada na decisão final de mérito, e somente serão devidos à razão de até seis por
cento ao ano, a partir de 1o de janeiro do exercício seguinte àquele em que o paga-
mento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição.”
“Art. 27. (...)
§ 1.º A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao pre-
ço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão
fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado o disposto no
§ 4.º do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar
R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais).
(...)
§ 3.º O disposto no § 1.º deste artigo se aplica:
I – ao procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo
de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma
agrária;
II – às ações de indenização por apossamento administrativo ou desapropria-
ção indireta.
§ 4.º O valor a que se refere o § 1.º será atualizado, a partir de maio de 2000, no dia
1.º de janeiro de cada ano, com base na variação acumulada do Índice de Preços ao
Consumidor Amplo – IPCA do respectivo período.”
(...)
Art. 8.º Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória
2.183-55, de 27 de julho de 2001.
Art. 9.º Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 24 de agosto de 2001; 180.º da Independência e 113.º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


APÊNDICE 363
4. MEDIDA PROVISÓRIA 2.160-25, DE 23 DE AGOSTO DE 2001

Originária: Medida Provisória 1.925, de 14 de outubro de 1999.

Dispõe sobre a Cédula de Crédito Bancário.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.


62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Capítulo I
DA CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO
Art. 1.º A Cédula de Crédito Bancário é título de crédito emitido, por pessoa fí-
sica ou jurídica, em favor de instituição financeira ou de entidade a esta equiparada,
representando promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de operação de cré-
dito, de qualquer modalidade.
§ 1.º A instituição credora deve integrar o Sistema Financeiro Nacional,
sendo admitida a emissão da Cédula de Crédito Bancário em favor de institui-
ção domiciliada no exterior, desde que a obrigação esteja sujeita exclusivamente
à lei e ao foro brasileiros.
§ 2.º A Cédula de Crédito Bancário em favor de instituição domiciliada no exte-
rior poderá ser emitida em moeda estrangeira.
Art. 2.º A Cédula de Crédito Bancário poderá ser emitida, com ou sem garantia,
real ou fidejussória, cedularmente constituída.
Parágrafo único. A garantia constituída será especificada na Cédula de
Crédito Bancário, observadas as disposições do Capítulo II desta Medida Pro-
visória e, no que não forem com estas conflitantes, as da legislação comum ou
especial aplicável.
Art. 3.º A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial e repre-
senta dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma nela indicada, seja
pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta-
corrente, elaborados conforme previsto no § 2.º.
§ 1.º Na Cédula de Crédito Bancário poderão ser pactuados:
I – os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios de sua incidência e,
se for o caso, a periodicidade de sua capitalização, bem como as despesas e os de-
mais encargos decorrentes da obrigação;
II – os critérios de atualização monetária ou de variação cambial como permiti-
do em lei;
III – os casos de ocorrência de mora e de incidência das multas e penalidades
contratuais, bem como as hipóteses de vencimento antecipado da dívida;
APÊNDICE 365
VI – a assinatura do emitente e, se for o caso, do terceiro garantidor da obriga-
ção, ou de seus respectivos mandatários.
§ 1.º A Cédula de Crédito Bancário será transferível mediante endosso em preto,
ao qual se aplicarão, no que couberem, as normas do direito cambiário, caso em que
o endossatário, mesmo não sendo instituição financeira ou entidade a ela equipara-
da, poderá exercer todos os direitos por ela conferidos, inclusive cobrar os juros e
demais encargos na forma pactuada na Cédula.
§ 2.º A Cédula de Crédito Bancário será emitida por escrito, em tantas vias
quantas forem as partes que nela intervierem, assinadas pelo emitente e pelo
terceiro garantidor, se houver, ou por seus respectivos mandatários, devendo cada
parte receber uma via.
§ 3.º Somente a via do credor será negociável, devendo constar nas demais vias
a expressão “não negociável”.
§ 4.º A Cédula de Crédito Bancário pode ser aditada, retificada e ratificada me-
diante documento escrito, datado, com os requisitos previstos no caput deste artigo,
passando esse documento a integrar a Cédula para todos os fins.
Capítulo II
DAS GARANTIAS CEDULARMENTE CONSTITUÍDAS
Art. 5.º A constituição de garantia da obrigação representada pela Cédula de
Crédito Bancário é disciplinada por esta Medida Provisória, sendo aplicáveis as dis-
posições da legislação comum ou especial que não forem com ela conflitantes.
Art. 6.º A garantia da Cédula de Crédito Bancário poderá ser fidejussória ou real,
neste último caso constituída por bem patrimonial de qualquer espécie, disponível e
alienável, móvel ou imóvel, material ou imaterial, presente ou futuro, fungível ou
infungível, consumível ou não, cuja titularidade pertença ao próprio emitente ou a
terceiro garantidor da obrigação principal.
Parágrafo único. O penhor de direitos constitui-se pela mera notificação ao
devedor do direito apenhado.
Art. 7.º A constituição da garantia poderá ser feita na própria Cédula de Crédito
Bancário ou em documento separado, neste caso fazendo-se, na Cédula, menção a
tal circunstância.
Art. 8.º O bem constitutivo da garantia deverá ser descrito e individualizado de
modo que permita sua fácil identificação.
Parágrafo único. A descrição e individualização do bem constitutivo da garan-
tia poderá ser substituída pela remissão a documento ou certidão expedida por enti-
dade competente, que integrará a Cédula de Crédito Bancário para todos os fins.
Art. 9.º A garantia da obrigação abrangerá, além do bem principal constitutivo
da garantia, todos os seus acessórios, benfeitorias de qualquer espécie, valorizações
a qualquer título, frutos e qualquer bem vinculado ao bem principal por acessão físi-
ca, intelectual, industrial ou natural.
368 JUROS

da pelo seu titular ou mandatário com poderes especiais e averbada junto à institui-
ção financeira emitente, no prazo máximo de dois dias.
§ 5.º As despesas e os encargos decorrentes da transferência e averbação do
certificado serão suportados pelo endossatário ou cessionário, salvo conven-
ção em contrário.
Capítulo IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 20. Aplica-se às Cédulas de Crédito Bancário, no que não contrariar o dis-
posto nesta Medida Provisória, a legislação cambial, dispensado o protesto para
garantir o direito de cobrança contra endossantes, seus avalistas e terceiros ga-
rantidores.
Art. 21. Os títulos de crédito e direitos creditórios, representados sob a forma
escritural ou física, que tenham sido objeto de desconto, poderão ser admitidos a
redesconto junto ao Banco Central do Brasil, observando-se as normas e instruções
baixadas pelo Conselho Monetário Nacional.
§ 1.º Os títulos de crédito e os direitos creditórios de que trata o caput considerar-
se-ão transferidos, para fins de redesconto, à propriedade do Banco Central do Bra-
sil, desde que inscritos em termo de tradição eletrônico constante do Sistema de In-
formações do Banco Central – SISBACEN, ou, ainda, no termo de tradição previsto
no § 1.º do art. 5.º do Decreto 21.499, de 9 de junho de 1932, com a redação dada pelo
art. 1.º do Decreto 21.928, de 10 de outubro de 1932.
§ 2.º Entendem-se inscritos nos termos de tradição referidos no § 1.º os títu-
los de crédito e direitos creditórios neles relacionados e descritos, observando-
se os requisitos, os critérios e as formas estabelecidas pelo Conselho Monetá-
rio Nacional.
§ 3.º A inscrição produzirá os mesmos efeitos jurídicos do endosso, somente se
aperfeiçoando com o recebimento, pela instituição financeira proponente do
redesconto, de mensagem de aceitação do Banco Central do Brasil, ou, não sendo
eletrônico o termo de tradição, após a assinatura das partes.
§ 4.º Os títulos de crédito e documentos representativos de direitos creditórios,
inscritos nos termos de tradição, poderão, a critério do Banco Central do Brasil, per-
manecer na posse direta da instituição financeira beneficiária do redesconto, que os
guardará e conservará em depósito, devendo proceder, como comissária del credere,
à sua cobrança judicial ou extrajudicial.
Art. 22. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória
2.160-24, de 2 de julho de 2001.
Art. 23. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 23 de agosto de 2001; 180.º da Independência e 113.º da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
APÊNDICE 369
5. SÚMULAS DO STJ

Súmula 12 — Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e


moratórios.
Súmula 29 — No pagamento em juízo para elidir falência, são devidos corre-
ção monetária, juros e honorários de advogado.
Súmula 54 — Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de
responsabilidade extracontratual.
Súmula 56 — Na desapropriação para instituir servidão administrativa são de-
vidos os juros compensatórios pela limitação de uso da propriedade.
Súmula 69 — Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos
desde a antecipada imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva
ocupação do imóvel.
Súmula 70 — Os juros moratórios, na desapropriação direta ou indireta,
contam-se desde o trânsito em julgado da sentença.
Súmula 93 — A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e indus-
trial admite o pacto de capitalização de juros.
Súmula 102 — A incidência dos juros moratórios sobre os compensatórios, nas
ações expropriatórias, não constitui anatocismo vedado em lei.
Súmula 113 — Os juros compensatórios, na desapropriação direta, incidem a
partir da imissão na posse, calculados sobre o valor da indenização, corrigido mone-
tariamente.
Súmula 114 — Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem
a partir da ocupação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetaria-
mente.
Súmula 131 — Nas ações de desapropriação incluem-se no cálculo da verba
advocatícia as parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios, devidamente
corrigidas.
Súmula 176 — É nula a cláusula contratual que sujeita o devedor a taxa de juros
divulgada pela Anbid/Cetip.
Súmula 186 — Nas indenizações por ato ilícito, os juros compostos somente
são devidos por aquele que praticou o crime.
Súmula 188 — Os juros moratórios, na repetição do indébito, são devidos a partir
do trânsito em julgado da sentença.
Súmula 204 — Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciá-
rios incidem a partir da citação válida.
370 JUROS

6. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 40, DE 29 DE MAIO DE 2003

Altera o inciso V do art. 163 e o art. 192 da Constituição


Federal, e o caput do art. 52 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3.º do


art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitu-
cional:
Art. 1.º O inciso V do art. 163 da Constituição Federal passa a vigorar com a
seguinte redação:
“Art. 163. [...]
“[...]
“V – fiscalização financeira da administração pública direta e indireta;
“[...]”
Art. 2.º O art. 192 da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o de-
senvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em to-
das as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado
por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital es-
trangeiro nas instituições que o integram.”
“I – (Revogado).
“II – (Revogado).
“III – (Revogado).
“a) (Revogada).
“b) (Revogada).
“IV – (Revogado).
“V – (Revogado).
“VI – (Revogado).
“VII – (Revogado).
“VIII – (Revogado).
“§ 1.º (Revogado).
“§ 2.º (Revogado).
“§ 3.º (Revogado).”
Art. 3.º O caput do art. 52 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 52. Até que sejam fixadas as condições do art. 192, são vedados:
APÊNDICE 371
“[...]”
Art. 4.º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, em 29 de maio de 2003.

Mesa da Câmara dos Deputados: Deputado JOÃO PAULO CUNHA, Presidente –


Deputado Inocêncio de Oliveira, 1.º Vice-Presidente – Deputado Luiz Piauhylino,
2.º Vice-Presidente – Deputado Geddel Vieira Lima, 1.º Secretário – Deputado Se-
verino Cavalcanti, 2.º Secretário – Deputado Nilton Capixaba, 3.º Secretário – De-
putado Ciro Nogueira, 4.º Secretário.
Mesa do Senado Federal: Senador JOSÉ SARNEY, Presidente – Senador Paulo Paim,
1.º Vice-Presidente – Senador Eduardo Siqueira Campos, 2.º Vice-Presidente – Se-
nador Romeu Tuma, 1.º Secretário – Senador Alberto Silva, 2.º Secretário – Senador
Heráclito Fortes, 3.º Secretário – Senador Sérgio Zambiasi, 4.º Secretário.
Revisão e diagramação eletrônica

Oficina das Letras Apoio Editorial S/C Ltda.


www.oficinadasletras.com.br
CNPJ 03.391.911/0001-85