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DOENÇAS OCUPACIONAIS PAIR E OUTRAS

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  • 3.1 - CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
  • 3.2 –GRUPO PESQUISADO
  • 3.3.1 - ANAMNESE
  • 3.3.2 - OTOSCOPIA
  • 3.4 - TRIAGEM AUDIOMÉTRICA
  • 3.5 - CRITÉRIOS PARA ANÁLISE DOS AUDIOGRAMAS
  • 4 - DISCUSSÃO TEÓRICA
  • 4.1 - ANATOMIA E FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO
  • 4.2.1 - TIPOS DE RUÍDO
  • 4.2.2 - FAIXAS DE FREQÜÊNCIA DO RUÍDO
  • `4.2.3 - MEDIÇÃO E CONTROLE DO RUÍDO
  • 4.3 - SINTOMAS AUDITIVOS E NO ORGANISMO
  • 4.4 - PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR)
  • 4.4.2.2 - TRAUMA ACÚSTICO
  • 4.4.2.3 - PAIR
  • 4.4.2.4 - CAUSAS
  • 4.4.3 – CLASSIFICAÇÕES CLÍNICAS DA PAIR
  • 4.4.4 – PREVENINDO A PERDA AUDITIVA
  • 4.5 – PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO AUDITIVA ( PCA )
  • 4.5.1 - IMPLANTANDO O PCA
  • 5 - ANÁLISE DOS RESULTADOS
  • 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

CEFAC

CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

AUDIOLOGIA CLÍNICA

INCIDÊNCIA DE PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO EM TRABALHADORES DE UMA FÁBRICA

VIVIANE PACHECO SANTANA DE BRITO

GOIÂNIA 1999

CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

AUDIOLOGIA CLÍNICA

INCIDÊNCIA DE PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO EM TRABALHADORES DE UMA FÁBRICA

Monografia de conclusão do curso de especialização em Audiologia Clínica Orientadora: Mirian Goldenberg

VIVIANE PACHECO SANTANA DE BRITO

GOIÂNIA 1999

RESUMO

O mundo atualmente é um lugar extremamente ruidoso. Este ruído atua de forma indiscriminada no ser humano. As conseqüências no organismo são muitas, dentre elas, encontra-se a PAIR ( Perda Auditiva Induzida Por Ruído ). Este trabalho teórico-prático enfocou a PAIR, suas causas e conseqüências tanto físicas quanto psicológicas, em trabalhadores de uma fábrica de refrigerantes situada no estado de Goiás. Foi observado o resultado de 320 audiometrias, com intuito de estabelecer um parâmetro do quanto está presente a PAIR na realidade desta fábrica. Através dos resultados obtidos neste estudo, fica evidente que o ruído é um dos fatores que contribuem para que ocorram alterações e/ou perdas auditivas nos trabalhadores. A falta de informações, provavelmente, tem uma grande influência neste alto índice de alterações nos achados audiológicos. Não existe na fábrica um trabalho educativo eficaz que focalize as causas e conseqüências do ruído, e se verifica a presença de outros fatores que interferem na saúde do trabalhador, os quais poderiam ser quase que completamente evitados. Somente quando os responsáveis pelas fábricas começarem a se conscientizar que o trabalhador deve ser visto como um todo, poderão então, prevenir, evitar e tratar as possíveis alterações tanto físicas quanto psicológicas, permitindo então que os trabalhadores possam atuar de forma plena em sua função.

ABSTRACT

The world nowadays is an extreamely noisy place. This noise works in all shapes of human been.The consequences in the organism are plenty, between them, appears the NIHL ( Noise Induced Hearing Loss ). This theoretical-practician work focused the NIHL, the causes and consequences in the physical and psychological plans, on workers in a refreshment factory at Goiás state. It was observed the results of 320 audiometries, objecting to create a parameter of how much the NIHL is present inside this factory. According the results gained in this study, it is clear that the noise is one of others factors that provokes disorders and/or hearing loss on the labors. The absence of informations, probably has a huge influence on this high rate of disorders in the audiological cases. There is not na efficient educational program that objective the causes and the consequences about the noise. There is a certainty about the presence of anothers factors that interfere on the labor health, and among all of this factors could be almost completely avoided. Just when the responsables for the factories began to consciouness that the workers must be treat with all the basic condictions to work, they will be able to prevent, avoid and treat the possibles physical and psychological allowing the labors to work absolutely at their fuction.

Dedico este trabalho àquelas pessoas especiais que fazem parte de minha vida. .

A todos os trabalhadores da fábrica. À Miriam. A minha família. pela preciosa orientação. pela paciência e disposição. e a todos os professores que de uma forma ou de outra contribuíram significativamente para meu crescimento pessoal e profissional. .demais amigos e colegas pelo apoio e pela contribuição na realização do trabalho.AGRADECIMENTOS Meus sinceros agradecimentos : Às amigas Maione e Sumaya. E a Deus. por tudo. por terem me apresentado à audiologia e pela constante colaboração durante o desenvolvimento de todo o trabalho. Ao CEFAC. Gabriela .

“Somos feitos da matéria dos sonhos” Shakespeare .

................1 – ANATOMIA E FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO.....................MEDIÇÃO E CONTROLE DO RUÍDO.................................................................................4 ....1 .........PROCEDIMENTOS......6 3....2 ......................2 – GRUPO PESQUISADO.....................................3.......................................................................................................2.....FAIXAS DE FREQÜÊNCIA DO RUÍDO.........................13 4..................................7 3..........2....SINTOMAS AUDITIVOS E NO ORGANISMO.15 4................CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA.................................ANAMNESE...................4 – LIMITES DE TOLERÂNCIA À EXPOSIÇÃO DE RUÍDO....................................2..........................................................................................................................................11 4.....1 ..............................2 – SOM X RUÍDO......1 .....3 ...........CRITÉRIOS PARA ANÁLISE DOS AUDIOGRAMAS.................6 3..........................14 4...................................TRIAGEM AUDIOMÉTRICA.7 3...........5 ................17 ......2.......................................OTOSCOPIA..3 ......3 ...DISCUSSÃO TEÓRICA...9 4...................6 3........7 3.14 4.........3 3 –METODOLOGIA.................4 – PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR)............................................................SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO ..........................7 3.............................2 .............8 4 ............13 4.............1 2 – JUSTIFICATIVA.................................................3.......TIPOS DE RUÍDOS ..9 4..................

....................SINAIS DE ALERTA RELACIONADOS À PAIR..............1 .........REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....4...............20 4.........4..............FISIOLOGIA E ANATOMIA NA LESÕES DA ORELHA INTERNA......4........33 7 ........................CONSIDERAÇÕES FINAIS..................2..............2.....4....5 .....18 4.................1 ............4.....4 ..........PAIR...................5 ...3 .....................................IMPLANTANDO O PCA...36 ...............2........ALTERAÇÃO TEMPORÁRIA DE LIMIAR ( TTS).........PREVENINDO A PERDA AUDITIVA......................................2 .........PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO AUDITIVA ( PCA )...............1 ...........26 4....CAUSAS......4 ..........................................24 4.......................4........3 ...2 ..4......2...............CORRELAÇÕES ANATOMOPATOLÓGICAS DA PAIR..............25 4.....................................ANÁLISE DOS RESULTADOS..................CLASSIFICAÇÕES CLÍNICAS DA PAIR..................20 4...........4.......................31 6 ..........23 4.................5..TRAUMA ACÚSTICO........................2...4...........27 5 .....................21 4........................4...22 4.................21 4..

seja no trabalho. passando pela Revolução Industrial. afinal. até os dias atuais. Radiações ionizantes. O ruído será o agente ocupacional enfocado neste trabalho. Ele é freqüentemente apontado como causador de perdas auditivas. Através da conscientização dos trabalhadores das indústrias. Infelizmente não existe mais a possibilidade de deixar o mundo livre deste. tratamento acústico do ambiente de trabalho e o uso do EPI(s) adequado(s). As pessoas vi vem expostas a ruído. exames audiométricos. Acidentes de trabalho. No caso específico da fábrica de refrigerantes retratada neste trabalho. foram realizadas palestras que visavam esclarecer as dúvidas que os 1 . o ruído faz parte da história. então. vivemos em um mundo extremamente ruidoso. Barotrauma.1 . existem outros fatores que não podem ser ignorados. no entanto.INTRODUÇÃO Desde a antigüidade. em casa ou no lazer. é componente constante em nossa vida diária. reduzir os efeitos do ruído não só na audição como em todo o organismo. podemos. Da Roma Antiga. como: • • • • • Agentes químicos. mas existem meios de atenuálo. pois. Alérgenos.

em uma fábrica de refrigerantes. em 320 trabalhadores. O objetivo específico é relatar a incidência de PAIR e de outros achados audiológicos através do estudo dos audiogramas dos trabalhadores envolvidos. foi realizada uma triagem audiológica. suas causas. não venha a ser a alteração auditiva de maior freqüência entre os exames realizados. o ruído. conseqüências e prevenção que trataremos neste trabalho. com a implantação de um PCA (Programa de Conservação Auditiva ) efetivo. para que assim.trabalhadores porventura pudessem ter em relação ao ruído e seus efeitos. 2 . Este é um estudo da incidência de PAIR nos trabalhadores de uma empresa. O resultado da triagem deixou claro que se faz realmente necessário a intervenção o mais precocemente possível. Concomitantemente. O objetivo geral desta triagem estará voltado unicamente para o agente de possível dano a saúde. Essa triagem foi realizada no ano de 1997. para que fosse verificada a incidência de alterações auditivas presentes entre os trabalhadores. E é a respeito do ruído. mas que futuramente. o alto índice de PAIR (Perda Auditiva Induzida Por Ruído ) seja não só controlado.

muitas vezes. a sensação do som.diminuição da sensibilidade auditiva. funciona como um equalizador de impedâncias. que através da cadeia ossicular.JUSTIFICATIVA Nos dias de hoje. ouvindo uma música. Seja no trânsito. Este ruído. Geralmente são interferências desagradáveis e. também desvantagens. 3 . chegando à orelha média. seja um ruído ou não. é de conhecimento geral que o ruído está presente em nosso cotidiano. resultando. No aspecto da audição. em casa. se não é controlado. como a poluição do ar. é transportado até a membrana timpânica. e principalmente. Percebe-se que. Os efeitos do ruído na audição humana podem ser divididos em três grupos: • TTS ( Temporary Threshold Shift ) . irrecuperáveis.2 . então. todo som. com o passar do tempo. ocorre a transformação da energia elétrica em estímulo nervoso. fica evidente que o ruído interfere de uma forma ou de outra na saúde do homem. e transporta o som para a orelha interna. O progresso tem trazido para o dia-a-dia do homem grandes vantagens mas. da água e a poluição sonora. se divertindo ou no trabalho. Os termos saúde e ruído vêm sendo associados cada vez mais. danos irreparáveis na audição. o indivíduo está exposto direta ou indiretamente a níveis de ruído habitualmente bastante elevados. pode vir a causar danos no organismo. resultante de exposições a níveis de pressão sonora elevados. Na orelha interna. é captado pela orelha externa. que atua como um captador e transmissor do som.

Para que a audição seja considerada normal. uso de 4 . geralmente decorrente de exposição a ruídos de impacto.perda auditiva súbita. que visa a proporcionar ao trabalhador e à indústria formas de combater e melhorar os níveis de ruído considerados acima do limiar permitido. sem alteração. redução e controle do ruído. • Trauma acústico . assim. cujos sinais são extremamente sutis. que é recuperada após um período de repouso auditivo. média e interna estejam sem qualquer comprometimentos. No caso da não existência da perda auditiva fazer um monitoramento para que a audição do indivíduo seja preservada. • PAIR – perda auditiva conseqüente de exposições a ruídos de alta intensidade. O papel da audiometria ocupacional é avaliar quantitativamente a audição dos trabalhadores e. ou seja. Estes são realizados por meio de um PCA efetivo. mas existem meios de detectá-la e de estacioná-la. É difícil evitar o aparecimento da PAIR. É uma alteração irreversível. anos ). como: análise do ruído ambiental. Para que o PCA seja realmente efetivo é necessário a tomada de várias medidas. durante longos períodos ( meses. Neste trabalho o enfoque maior será dado à PAIR que é uma alteração auditiva irreversível. e que não é percebida no seu estágio inicial. fazer uma detecção das alterações auditivas. o indivíduo só vai ter conhecimento que é portador de PAIR quando submetido a uma audiometria ocupacional. é necessário que as orelhas externa.É uma alteração temporária. Geralmente.

O fato desta triagem ter sido realizada em uma fábrica de refrigerantes. mas com característica de PAIR ( entalhe). como: • • Se o indivíduo trabalhador é portador de PAIR. as quais muitas vezes desconhecemos ou ignoramos. foi constatado que não havia qualquer informação significativa junto aos trabalhadores que os fizessem perceber a importância quanto à preservação da audição. monitoramento audiológico. Se o audiograma está com limiares normais. Esta triagem pretende apresentar como o ruído atua de forma significativa na audição de trabalhadores quando não se tem um programa de controle e redução adequados. uso de EPI quando necessário e trabalho de conscientização junto aos trabalhadores. informando-os para o risco que o ruído representa. No caso específico da fábrica de refrigerantes avaliada. apesar do ambiente de trabalho. A poluição sonora é um dos grandes causadores de alterações no organismo. 5 . • • Se o indivíduo é portador de perdas auditivas associadas. • Se o audiograma está com limiares normais. levanta uma série de questionamentos. Se o uso do EPI é realmente efetivo na fábrica analisada.medidas de proteção. Analisando os resultados obtidos na triagem realizada. poderemos traçar um perfil audiológico dos trabalhadores desta empresa.

para que houvesse um perfil audiológico fidedigno com a realidade da fábrica. tarde e noite ). então.1 . 6 . Dos indivíduos avaliados.2 –GRUPO PESQUISADO Durante a triagem.CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA Esta triagem foi realizada em uma indústria de refrigerantes localizada no município de Goiânia. causa provável.3 .METODOLOGIA 3. Todos esses funcionários trabalhavam em regime de turno fixo (manhã. 320 trabalhadores foram submetidos a audiometria tonal por via aérea. do alto índice de indivíduos que nunca haviam sido avaliados audiologicamente. estado de Goiás. A faixa etária corresponde de 20 a 50 anos. 310 pertenciam ao do sexo masculino e 10 pertenciam ao sexo feminino. A empresa não possuía até o momento da triagem um PCA. Para a realização da triagem audiológica foi-se estabelecido período de repouso auditivo de 14 horas. 3.

Foi utilizado um otoscópio otoscopias. 7 . histórico otológico e exposições anteriores a ruído ocupacional.1 . Welch Allyn para realização das 3. era feito primeiramente uma otoscopia. A finalidade era verificar se havia algum impedimento para a realização do exame. Continha os seguintes dados: nome. foi utilizado o audiômetro portátil GSI 17 . Grason-Stadler com fone TDH 39 acoplado ao audio.3. 3. Para a realização dos 320 exames da triagem.2 . o médico da empresa realizava os procedimentos necessários. setor de trabalho.3.cup. Nas otoscopias alteradas.3.3 – PROCEDIMENTOS 3.ANAMNESE Uma anamnese breve e sucinta estava inserida na ficha audiométrica. idade.TRIAGEM AUDIOMÉTRICA Primeiramente foi dada a instrução ao trabalhador de como seria o exame e qual seria seu procedimento. função na fábrica.4 .OTOSCOPIA Para a realização de cada exame.

8 1 Entalhe : Rebaixamento dentro da normalidade.Os exames foram realizados em ambiente previamente avaliado. 3000. nas freqüências agudas de 3KHz.CRITÉRIOS PARA ANÁLISE DOS AUDIOGRAMAS Como o objetivo da triagem era o de traçar um perfil audiológico dos trabalhadores da fábrica. Audiogramas normais com entalhe 1 . 2000. Perda auditiva associada. 1000. PAIR. foi dividida para posterior avaliação da seguinte forma: • • • • Audiogramas normais. Todos os exames foram realizados em cabina acústica. Foi a maneira encontrada para dividir o grupo de trabalhadores com limiares auditivos normais e os com limiares auditivos alterados. Todos os exames foram realizados por fonoaudiólogas. 3. com níveis de ruído reduzidos.5 . para obtenção dos limiares auditivos bilateralmente. 4000. . A triagem abrangeu as freqüências de 250. 4KHz ou 6 KHZ. 6000 e 8000 Hz. 500.

é primordial que se entenda os agentes causadores de doenças ocupacionais. o ouvido está abrigado em sua maior parte no osso temporal. através do órgão auditivo.1 . Da mesma forma que os outros órgãos do sentido. 4.ANATOMIA E FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO A audição é uma atividade sensorial que nos permite perceber o som e. Sabendo que condições adequadas ao trabalho estão intimamente ligados à prevenção de doenças ocupacionais. e pode ser dividido em três partes : orelha externa. entendê-la e prevení-la. orelha média e orelha interna. a audição é constituída por um receptor externo. um transmissor e um receptor interno. No homem. recebe e identifica o som apresentado.DISCUSSÃO TEÓRICA Atualmente há uma grande preocupação com a saúde de trabalhadores expostos a agentes causadores de danos ao organismo. para que se possa assim.4 . O ouvido é o grande responsável pelo equilíbrio e pela percepção do som. 9 . e a maneira mais apropriada para evitá-los. Para que se consiga este resultado. existe uma mobilização significativa dos profissionais da área para que esta seja uma realidade em todos os estados brasileiros. A melhor forma de se compreender uma patologia é estudando a anatomofisiologia dos órgãos. pela qual o indivíduo .

A transmissão do som é feita de um meio aéreo ( orelha média ) para um meio líquido ( orelha interna ). modificando. Auxilia também na localização da fonte sonora e na proteção da orelha média e orelha interna. A cadeia ossicular atua como um transformador mecânico. O pavilhão auricular atende o propósito de dirigir as ondas sonoras ao conduto auditivo externo de maneira mais concentrada. equalizando as impedâncias. reproduzindo o estímulo sonoro proveniente do conduto auditivo externo. Cada uma dessas partes executa suas funções de forma a permitir que o indivíduo possua uma função mais geral: a orientação. que por sua vez. então. cóclea e canais semicirculares. 10 . A orelha interna em sua formação pode ser separada em três porções: vestíbulo. separa a orelha externa da orelha média. servem como uma ligação com a orelha interna. Este mecanismo faz com que ocorra a compensação de perda de energia. A orelha externa é constituída pelo pavilhão auricular. conduto auditivo externo e membrana timpânica. de forma pouco eficiente.cada qual com características funcionais e estruturais distintas. a inércia do meio líquido com relação ao ar. A membrana timpânica transmite de forma eficiente as ondas de pressão sonora à cadeia ossicular que. O conduto auditivo externo tem como função conduzir as ondas sonoras até a membrana timpânica . devido a grande diferença de mobilidade entre os dois meios. por sua vez.

A freqüência é a variação da pressão sonora e é medida em Hertz ( Hz ) ou ciclos por segundo ( c/s ). caracterizando uma perda auditiva neurossensorial. É composto de freqüência e intensidade.SOM X RUÍDO Som é um fenômeno acústico que compreende qualquer vibração em meio elástico. ocorrem na orelha interna. A faixa de audição humana é compreendida na área de freqüências de 20 a 20. Tonalidades : • • • Sons graves : faixa de 20 à 800 Hz. As alterações auditivas relacionadas a PAIR. a sensação sonora. Também conhecida como altura ou volume. Para que seja percebido. 4. assim. Intensidade é a quantidade de som que estamos recebendo.É justamente na orelha interna que a vibração mecânica se transforma em energia elétrica e em estímulo nervoso resultando. deve estar inserido dentro da faixa de freqüência captável pela orelha humana e deve haver uma variação de pressão para a percepção. é medida em deciBel ( dB ). Essas lesões são conseqüências de exposições a ruídos e a materiais que atuam de forma perniciosa no organismo humano. Sons médios : faixa de 800 à 3000 Hz. Os limiares de 11 . Sons agudos : faixa de 3000 à 20000 Hz.2 .000 Hz. de 0 a 120 dBNPS ( Nível de Pressão Sonora ).

por exemplo. A utilização do termo “ruído” tem gerado controvérsias. 12 .1993). até +/. Todos os sons que ouvimos podem ser classificados como ruído. • Intermitente : ruído cujo nível varia continuamente de um valor apreciável durante o período de observação. superior a +/. como. dependendo da intensidade que está sendo escutada. pode ser considerado como prejudicial à audição do homem. desde que sejam indesejados por outros indivíduos que os escutam. pode levar a danos auditivos irreversíveis. em forte intensidade e sendo ouvido regularmente. Mas deve-se ter em mente que sons “agradáveis” a nossos ouvidos. qualquer som.3 dB. os ruídos podem ser classificados em : • Contínuo : ruído com variações de níveis desprezíveis durante o período de observação. 1993).desconforto se encontra a 120 dBNPS e de dor a 140 dBNPS (Santos&Russo. uma música. pois é associado geralmente a sons indesejados ou desagradáveis. O ruído é basicamente todo som que não é desejado ou perturbador. Pode-se considerar ruído aquele sinal acústico que influencia o bem estar físico e mental do indivíduo (Russo . considerado ruído ou não.3 dB. Isto quer dizer que. De acordo com a norma ISO 2204/1973 ( “International Standard Organization” ).

• Ruído de impacto ou impulso : ruído que se apresenta em picos de energia acústica de duração inferior a um segundo. de alta freqüência. 13 .2. mas está próximo do obstáculo refletor.2 . e sim indiretamente.1 .FAIXAS DE FREQÜÊNCIA DO RUÍDO As faixas de freqüência do ruído dividem-se em: • Ruídos agudos : são ruídos finos.TIPOS DE RUÍDO Os tipos de ruídos existentes são classificados em: • Ruído direto : indivíduo diretamente em frente da fonte geradora do ruído. 4. Exemplo deste tipo de ruído é o trânsito. geralmente irritantes e de vibração pouco significativa. 4.2. • Ruído refletido : não está perto da fonte sonora. não está diretamente inserido no ambiente. • Ruído de fundo : como o próprio nome já diz.

e o 4. `4.4 . Esses medidores são dotados de um sistema onde microfone é peça essencial.MEDIÇÃO E CONTROLE DO RUÍDO Para realizar-se a medição do ruído. O circuito de medição deve ser específico. pouco irritantes e de grande poder de vibração.2. no caso de ruídos de impacto ou impulso. ou resposta RÁPIDA . são utilizados dois tipos de medidores de nível de pressão sonora . O circuito de medição desses instrumentos pode ter respostas LENTAS. o medidor de nível de pressão sonora dosímetro.3 . juntamente com um amplificador e um indicador de nível. que é empregada para ruído contínuo de nível constante ou para determinação de valores externos de ruído intermitente.2. de baixa freqüência. que são empregadas em medições de ruídos cujo nível varia excessivamente.LIMITES DE TOLERÂNCIA À EXPOSIÇÃO DE RUÍDO Com relação ao tempo de exposição permitido para ruídos contínuos ou intermitentes. os valores se encontram no quadro a seguir. obtendo-se um valor médio.• Ruídos graves : são ruídos grossos. 14 .

muitas empresas e empregados a ignoram. como em todo o organismo humano.SINTOMAS AUDITIVOS E NO ORGANISMO O indivíduo está constantemente exposto a ruídos . Adaptamo-nos a eles e sem que percebamos se tornam parte da nossa rotina diária. 4.3 .NR 15 Tempo de exposição permitido para ruídos contínuos ou intermitentes. ou seja. o que torna os trabalhadores muito mais susceptíveis aos efeitos. na rua ou mesmo em casa. 15 .Limites de Tolerância . danos causados não só na audição. Nível Sonoro (db ) 85 90 95 102 105 115 Máxima Exposição Diária Permitida 8 horas 4 horas 2 horas 45 minutos 30 minutos 7 minutos Apesar da existência desta norma. ou por desconhecimento ou por descuido. seja no trabalho.

baixo rendimento no trabalho. Dificuldade no entendimento da fala. Essa reação ao ruído. A vulnerabilidade da orelha humana à ação do ruído. surge a possibilidade de vários outros sintomas. acidentes e outros. pode desencadear uma perda auditiva. um aumento do número de acidentes de trabalho. Esta acontece principalmente nas freqüências de 500. contração dos vasos sangüíneos. aumento da pressão sangüínea. insônia. Outros ( algiacusia. impotência. os efeitos podem ser: 16 . ansiedade.O corpo humano começa a responder aos ruídos a partir de 85 dB. aumento de batimento cardíaco. irritabilidade. dificuldade de localização da fonte sonora ). alteração nos ciclos menstruais. Na audição. e este é emitido nas freqüências da voz. como por exemplo: dilatação da pupila. que é a interferência com a comunicação oral. Quando ocorre uma lesão auditiva neurossensorial. tensão. aumento da produção de hormônios da tireóide. Os efeitos do ruído são inúmeros. leva nosso organismo a ter diferentes respostas. baixa concentração. cansaço. entre eles: • • • Zumbidos. propiciando assim. aumento da produção de adrenalina. as denominadas bandas de oitava. nervosismo. Quando existe um som que possui níveis semelhantes aos da voz humana. sensação de plenitude auricular. 1000 e 2000 Hz. ocorre uma espécie de “mascaramento” que pode dificultar a comunicação oral. mas existe um facilmente demonstrável.

e faz com que o limiar auditivo sofra alteração. 4.PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR) “Os ouvidos não têm pálpebras” Décio Pignatari A frase acima é bastante significativa. quando ocorre uma única exposição de ruído de impacto como explosões. pois os níveis sonoros excedem os limites fisiológicos dessa estrutura. e a audição volta ao normal após um período de repouso auditivo. Essa redução é temporária. • Trauma Acústico – é considerado como uma perda auditiva repentina.4 . campainhas. assim. relógio e outros. pois os ouvidos não podem ser fechados de forma natural como fechamos nossos olhos e boca. 17 . • Perda Auditiva Permanente ( PAIR ) – é decorrente da exposição a ruídos de alta intensidade por longos períodos. A PAIR pode acarretar dificuldades para perceber sons agudos. É também irreversível. afetando. produzindo lesões irreversíveis na cóclea. Rapidamente a lesão também começa a comprometer as freqüências da áreas de conversação. o reconhecimento da fala. como telefone.• Perda Auditiva Temporária ( TTS ) – ocorre quando o indivíduo é exposto a ruído intenso mesmo que por pouco tempo. pois há destruição de células auditivas.

4. O resultado final pode levar à lesão das células sensoriais.1994). é uma patologia que aumenta ao longo de anos de exposição a ruído. Quando ocorre uma exposição a um determinado som de intensidade superior a 85 dB. A constante exposição a este barulho. Considerada a forma mais característica das lesões auditivas decorrentes da ação do ruído.1 . ruído intenso.4. metabólicas e mecânicas do órgão sensorial auditivo. é conseqüente à exaustão física e de alterações químicas. geralmente relacionadas ao ambiente de trabalho.FISIOLOGIA E ANATOMIA NAS LESÕES DA ORELHA INTERNA O mecanismo básico envolvido nas lesões da orelha interna decorrentes da exposição a ruído. com lesão parcial ou total do órgão de Corti e conseqüente deficiência auditiva ( SANTOS&MORATA. pode causar uma perda auditiva e alterações não auditivas. Vai depender não somente da intensidade do som.O barulho é considerado hoje a terceira causa de poluição do planeta. como já foi referido anteriormente. perdendo somente para o ar e a água. há o risco de se ter ou não a presença de uma perda auditiva. A perda auditiva causada pelo ruído intenso e constante é denominada PAIR. ou melhor. progressiva e irreversível das células 18 . mas também do tempo de exposição. Esse tipo de lesão é característico da PAIR. A exposição regular ao ruído de intensidade superior a 85 dB produz na orelha humana uma danificação lenta.

Seligman e Ibañez. A mudança dessa performance pode aumentar a suscetibilidade das células ciliadas internas e das estruturas que a cercam.1994). A localização da lesão. estará afetado. E pode ser decorrente de sobrecargas mecânica e funcional das células ciliadas. o feedback que elas realizam com o órgão de Corti. (SANTOS&MORATA. É muito provável que quando as células ciliadas externas são atingidas. As células ciliadas externas são as primeiras a sofrerem os danos por serem as mais vulneráveis estruturas do órgão de Corti.ciliadas. anatômicos e vasculares. nas células ciliadas externas e internas. alteração na rigidez e fusão dos cílios. duração média de exposição diária. a degeneração das células ciliadas é a característica principal da PAIR. tempo de repouso auditivo. a mais ou menos 8 a 10 mm da janela oval. por ser área mais sensível ao dano devido a fatores metabólicos. fibras do nervo coclear e estruturas do sistema nervoso central.Desta forma. ( Nudelmann. A lesão coclear ocorre primeiramente e principalmente na região basal. é no órgão de Corti. Costa. anos efetivos de exposição e possibilidade da existência de outros agentes que podem levar a uma perda auditiva. exaustão metabólicas decorrentes de sobrecarga. O maior dano inicial nesta patologia ocorre na região do primeiro terço da cóclea ou a 10 mm da base. então. alterações vasculares. gânglio espiral. no que se refere ao funcionamento na transmissão do som. gânglio espiral e lesões das fibras nervosas. lesões nas células. As alterações nessa patologia podem ser mecânicas e metabólicas.1997). 19 . Tudo depende da intensidade do ruído.

2 . decorrentes de exposições a sons de determinada intensidade. 20 . Danos estes que são irreversíveis e que podem vir a comprometer a vida do indivíduo tanto em casa como no trabalho. edema das terminações nervosas auditivas. há a recuperação do limiar auditivo. Todas essas alterações acarretam uma diminuição na capacidade das células auditivas em perceber a energia sonora ocorrendo então.4. é a curto prazo. Durante as alterações temporárias do limiar. discretas alterações nas células ciliadas. alterações vasculares.A exposição a sons intensos pode acarretar danos não somente nas células ciladas externas. temos as alterações temporárias de limiar . porém. exaustão metabólicas e químicas . mesmo com presença de células lesadas.CORRELAÇÕES ANATOMOPATOLÓGICAS DA PAIR 4. É uma alteração reversível e. uma alteração em sua sensibilidade. e é representado pela diminuição da sensibilidade auditiva. 4.2. mas em toda a cóclea.4. ocorrem: dificuldade auditiva acompanhada ou não de zumbido. O efeito. diminuição da rigidez dos estereocílios. É relacionada com a adaptação do reflexo acústico na presença de estimulação sonora e alteração da impedância da orelha média.1 – ALTERAÇÃO TEMPORÁRIA DE LIMIAR ( TTS ) Quando acontecem alterações temporárias nos limiares auditivos.

começa a ser detectado através da audiometria.4.PAIR A PAIR é uma patologia de caráter insidioso. cujos sinais e alertas são graduais. uma perda auditiva.2 . pode-se suspeitar de um trauma acústico. pode-se detectar precocemente um entalhe em indivíduos que são expostos a ruídos por um longo período de tempo.TRAUMA ACÚSTICO Quando há ruptura da membrana timpânica. conseqüente de exposição a um ruído muito intenso.3 .2. que vai progredindo no decorrer dos anos de exposição .4. dependendo da sobrecarga neurossensorial decorrente dos intensos níveis de pressão sonora. Característicamente é uma perda auditiva súbita. neurossensorial. meses ou poucos anos de exposição. não necessariamente simétrica.4. A PAIR é neurossensorial devido às lesões causadas às células ciliadas. 4.2. Bilateral. É uma alteração auditiva que pode ou não ser reversível. sangramento das orelhas média e interna e subluxação dos ossículos da orelha média. Uma vez instalada é irreversível. e é em geral associada ao ambiente de trabalho. Através da audiometria. na freqüência de 4000 Hz. Ao longo de semanas. Afeta freqüências altas e normalmente é unilateral. A faixa de freqüência abrange de 3 a 6 kHz. 21 .

CAUSAS Alguns fatores podem aumentar o risco de PAIR. 3000 Hz e 6000 Hz e posteriormente.2. Indivíduos portadores de PAIR apresentam muita dificuldade na adaptação do AASI ( Aparelho de Amplificação Sonora Individual ). 4. dificuldade na identificação têmporo-espacial do som.4.Inicialmente atinge as freqüências agudas de 4000 Hz. dificuldade na percepção e discriminação de sons na presença de ruído de fundo. não aumenta a sensibilidade da orelha para futuras exposições a ruído. não tomará conhecimento da perda auditiva. Devido a isso. duração da exposição ao ruído. não deve haver progressão da perda auditiva. raramente atinge o grau de perda auditiva profunda ( nas freqüências graves os limiares não ultrapassam 40 dB e nas agudas 75 dB ). influência dos ritmos do ruído. o indivíduo pode ter a PAIR e se não fizer uma audiometria. Dificilmente é detectado a PAIR sem um exame audiométrico.4 . pois esta perda auditiva não afeta de forma significativa a compreensão de fala. há presença de zumbido. Pode gerar intolerância a sons intensos. 500 Hz e 250 Hz. 2000 Hz. (recrutamento ). reflexo estapediano alterado ou ausente nas perdas auditivas acentuadas. com sua progressão. atinge as demais freqüências de 8000 Hz. como: intensidade do ruído. influência 22 . não impossibilita o indivíduo de trabalhar e uma vez interrompida a exposição a ruídos. 1000 Hz. Sua evolução ocorre em média nos primeiros dez anos de exposição.

notar a presença de zumbido. como. 1993). • Lesões no ouvido – alterações auditivas anteriores. 23 .5 . • Sensibilidade individual – cada indivíduo difere do outro em decorrência da idade e da resistência própria de cada organismo.4.2. maior o perigo. influência dos fatores individuais ( suscetibilidade individual ) ( PORTMANN. maior o risco de alterações no organismo.SINAIS DE ALERTA RELACIONADOS À PAIR • Quando indivíduo perceber que a comunicação falada é extremamente difícil ou impossível.das condições materiais de trabalho. idade. ou relatar sensação tátil na membrana timpânica. Mudança na sensibilidade auditiva após exposição a ruídos intensos. 4. • Distância da fonte – quanto mais próximo o indivíduo estiver da fonte. ingestão de medicamentos ototóxicos e outros. • • • Ao deixar um ambiente ruidoso. Se o indivíduo experenciar dor. São eles : • Tempo de exposição – quanto maior o tempo passado em ambiente ruidoso. podendo estas serem decorrentes de diversos fatores. Os fatores relacionados abaixo são os mais usualmente encontrados nos locais onde se implanta o PCA ( Programa de Conservação Auditiva ).

1000.3 – CLASSIFICAÇÕES CLÍNICAS DA PAIR Classificação clínica da PAIR – Goodman. • Tensão. 24 . ou ligeira tontura. procurando com isto. 4.90 dB Normal Leve Moderada Moderadamente Severa Profunda Classificação Para evitar a PAIR é necessário fazer um rastreamento detalhado das atividades do trabalhador. em sua propagação e durante o tempo de exposição do trabalhador. como instabilidade da marcha. mau humor irritação após ruído intenso. 1965 ( ASHA 7 . 262-263 ) Médias 500. reduzir e controlar o ruído na fonte emissora. 2000 Hz ( em dB ) 0 – 25 Db 26 – 40 dB 41 – 55 dB 56 – 70 dB 71 – 90 dB > .• Sensações vestibulares momentâneas.4.

deve-se tomar duas providências. Na escolha dos protetores auditivos devem ser considerados os seguintes pontos: • • • • • Vedação.4. A primeira é realizar a audiometria. e através dos resultados traçar um parâmetro comparando o resultado do audiograma com o de um audiograma de audição normal. para que se possa fazer um mapeamento da instalação e/ou evolução de possível perda auditiva.4 – PREVENINDO A PERDA AUDITIVA Para que o ruído não afete a audição. A segunda medida para se evitar que o ruído prejudique a audição.4. Estes agem na atenuação significativa na redução da energia sonora que atinge estruturas da cóclea. como capacete. Conforto. O protetor adequado depende do tipo de ruído e das condições de trabalho. Com os trabalhadores de área de risco esse exa me deve ser feito pelo menos uma vez ao ano. Compatibilidade com outros EPIs. 25 . Facilidade no uso. devendo ser indicado pelo técnico de segurança da empresa. Eficácia. óculos e outros. é o uso dos protetores auriculares.

que se faça a escolha acertada para o uso do EPI adequado. Para que o PCA tenha resultados satisfatórios. o protetor nunca atenua mais do que 40-50 dB para determinadas freqüências mais agudas.Existem os seguintes tipos de protetores: • • • Concha ou extra-auriculares. O trabalho em conjunto dos setores de engenharia. Inserção. então. 26 . fonoaudiologia. 4. medicina. garantirão com mais precisão o sucesso do PCA.5 – PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO AUDITIVA ( PCA ) O PCA pode ser definido como um conjunto de medidas que têm o objetivo de impedir e/ou prevenir a instalação ou evolução de uma perda auditiva em um determinado grupo de trabalhadores. É de extrema importância. Em condições ideais. é necessário um trabalho de uma equipe multidisciplinar. segurança do trabalhador e administrativo. Semi-inserção.

Atividade de monitorização Avaliar o ruído ambiental. Atividade de monitorização..).Diretrizes Escolher qual vai ser o objetivo do programa (ruído. as estratégias e a metodologia a serem utilizadas e finalmente. Atividade de controle. Atividade administrativas. avaliar e identificar as fontes produtoras de ruído. 2.IMPLANTANDO O PCA O primeiro passo para a implantação do PCA é o seguimento de etapas a serem seguidas. 1. indivíduos em áreas de risco.1 . Atividades educativas. assim. qual a população alvo a ser trabalhada. agentes ototóxicos. a controlá-lo. Avaliação da eficácia do programa. a divisão de responsabilidades entre os profissionais envolvidos. São elas: • • • • • • Diretrizes. ou seja. Cada etapa acima será descrita a seguir. alergenos. 27 .5.. visando. se este interfere na comunicação oral.4.

Limitação ao aumento do ruído ambiental e redução da exposição ao ruído. 28 . e também ligar determinadas máquinas muito ruidosas com menor número possível de indivíduos presentes. Alternar o trabalhador de função. a audição dos trabalhadores que estão figurando o quadro de risco. evitando dessa forma. obter um perfil audiológico dos trabalhadores para futuro monitoramento . devido à exposição a ruído. limitando o aumento desordenado de ruído. que através de mudanças ou modificações nos equipamentos e de alteração na fonte emissora de ruído. são medidas que visam a preservar a audição do trabalhador. através da audiometria. reduzem significativamente o nível de ruído que atinge o ouvido do trabalhador. Avaliar. 3. a instalação e/ou progressão de possível perda auditiva. Com o auxílio do exame. reduzindo sua jornada de trabalho. Uso de protetores auriculares que vão agir como atenuadores da energia sonora que é transmitida ao sistema auditivo no ambiente de trabalho.Fazer a avaliação de exposição ( audiodosimetria ) visando a identificar os grupos de trabalhadores submetidos a maior ou menor risco.Atividade de controle Redução do ruído ambiental utilizando medidas de engenharia.

Atividades administrativas São consideradas atividades administrativas todas as medidas efetivas a serem tomadas que resultem na diminuição da exposição ao ruído dos trabalhadores. acesso a áreas ruidosas expressamente restrita e dentro do limite necessário. Estes devem ser informados coletivamente a respeito dos resultados atualizados das avaliações ambientais. abrangendo os riscos e deveres dos trabalhadores. • mudança no horário de funcionamento de maquinário ou atividades ruidosas quando houver menor presença de pessoal. A melhor forma de divulgar as 29 . As medidas podem ser: • • • determinar grupos de revezamento nos turnos de trabalho. Devem ser bem planejadas. redução da jornada de trabalho.4. formas de proteção. efeitos do ruído no organismo. medidas usadas pelo PCA. Para que essas medidas sejam adotadas e respeitadas é necessário o apoio total dos gerentes das áreas de produção e dos membros superiores do estabelecimento.Atividades educativas Medidas educativas são de extrema importância para o andamento do programa porque visam a conscientização dos trabalhadores dos riscos e efeitos da exposição indiscriminada ao ruído. 5.

este deve ser avaliado sistemática e periodicamente. O trabalhador assim.1994 ): 1o Avaliação da perfeição e qualidade dos componentes do programa. A avaliação deve consistir de três aspectos básicos ( SANTOS. se sentirá parte útil e atuante do PCA.informações é através de palestras. Esta avaliação pode ser personalizada ou escolhida entre as existentes na literatura. vídeos educativos. participação e conhecimento das medidas implantadas são primordiais para o sucesso da prevenção à exposição a ruídos e seus efeitos. 6. 30 . devem ser especificados e desenvolvidos tantas metas quantas forem desejadas para atingir o objetivo proposto no PCA. O envolvimento.Avaliação da eficácia do programa Para se constatar a eficácia e atingir os objetivos do PCA. 2o Avaliação dos dados do exame audiológico. cartazes. 3o Opinião dos trabalhadores. manuais. Para cada aspecto. que é a avaliação de sua eficácia e eficiência.

uma triagem composta por audiometria tonal por via aérea e por via óssea. estavam menores ou iguais que 25 dBNA. • PAIR – exames que apresentaram todas as características da perda auditiva induzida por ruído. foi feita a seguinte classificação: • Normal – todos os limiares auditivos. provavelmente devido a existência de outras alterações. • Normal com característica de PAIR – limiares auditivos normais com presença de entalhe em freqüências agudas.5 . obtivemos os seguintes resultados em 31 . em conjunto com o ambulatório médico. Realizados porcentagens: os exames. bilateralmente.ANÁLISE DOS RESULTADOS Realizou-se. • Perdas associadas – exames que não se enquadraram nas características acima. Para a análise dos audiogramas. visando obter um perfil geral das possíveis alterações que poderiam surgir.

O gráfico a seguir demonstra os resultados percentuais dos exames realizados na fábrica de refrigerantes.normal . sendo então.Perdas associadas.• • • • 28% . 32 . 15% . 15% 28% 33% 24% Normal Normal com características de PAIR PAIR Perda Associada O trabalho foi feito com todos os trabalhadores da área de produção da fábrica. num total de 320 indivíduos. os resultados obtidos fidedignos com a realidade da fábrica.normal com características de PAIR ( presença de entalhe ). 33% .PAIR. Todos foram avaliados após um repouso auditivo de no mínimo 14 horas. 24% .

tem filho. para que pudéssemos traçar o perfil audiológico dos trabalhadores. Não agüento mais!” Eram muitos os relatos deste tipo. fazíamos uma simples pergunta: Por que? “Porque eu chego em casa depois do trabalho. ao contrário. tudo fazendo barulho. só aumentou: Será que essa perda auditiva estava realmente presente em nossas fábricas? Existia algum cuidado em relação à prevenção da PAIR? Os trabalhadores tinham noção do estrago causado pelo ruído? Os diretores e gerentes das fábricas percebiam o que o descuido a longo prazo causaria nos trabalhadores? Já formada. mulher. O que era uma PAIR realmente ? A resposta surgiu em uma palestra ministrada pela fonoaudióloga Ana Cláudia Fiorini. Percebemos que ao fazer a anamnese.CONSIDERAÇÕES FINAIS Desde a época em que estava na faculdade. todos com um fator em comum : o barulho! 33 . Ao invés de acharmos graça nas respostas. porém. demonstraram receio de colocar em risco o emprego por não ouvirem direito.. fui com uma equipe realizar uma triagem em uma fábrica. cachorro e T. Como a grande maioria destes nunca havia testado a audição. Depois que a resposta foi dada. Naquela época. devíamos deixá-los à vontade para que nos relatassem todos os problemas que julgavam importantes.V. me interessei pelo tema PAIR ( Perda Auditiva Induzida Por Ruído ). Ouvimos de problemas auditivos à crise no casamento. meu interesse não diminuiu. irritado. esta era uma sigla meio misteriosa.6 .

pelo menos. e hoje em dia está controlada. nós fonoaudiólogas. as respostas de muitas dúvidas seriam reveladas. no sentido de prevenir e/ou estacionar as alterações encontradas. Parecia que o mais importante é que. Pois.C.. porque essa necessidade agora? Como seria a reação dos sindicatos? Para a maioria dos donos era melhor deixar como estava. tirava o sono. 34 .Quando tomamos consciência deste fato. Não esperávamos a resistência dos donos da fábrica para um problema como esse. ( Programa de Conservação Auditiva ) que fosse eficaz. Porque lá os trabalhadores podiam nos relatar que o barulho irritava. quando expostos a ruído intenso sem proteção adequada. Durante a realização da triagem. prestávamos atenção em tudo o que era dito. Percebemos que se tem que modificar a visão do empregador e não só do empregado. Era preciso elaborar junto à empresa um P. Com isso. Após a realização de triagem. decidimos descobrir se a incidência de PAIR era realmente relevante nos trabalhadores desta fábrica. Se trabalharam a vida toda sem proteção obrigatória. É preciso uma política de conscientização em todo o estado. inquietava. Eram muitos os casos sugestivos de PAIR. Eles percebiam. diminuir. o posto médico tornou-se quase que uma parada obrigatória diária. se assim fosse. que era normal sentir aquilo. então. Já existem alguns locais em que a PAIR já foi um problema grave..A. o levantamento dos dados obtidos causou surpresa. certamente a incidência de alterações no organismo iriam.

com certeza. com uma frase da poesia de Décio Pignatari “Os ouvidos não têm pálpebras”. Termino assim. 35 . A proteção e a prevenção. o melhor tratamento. desde que todos colaborem para uma melhor condição de trabalho.Temos que conscientizar os empregadores de que isso é possível. são ainda. Esta idéia poética revela que sozinhas as orelhas pouco podem fazer na presença de ruído intenso e contínuo.

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