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RESUMO

O objetivo do presente estudo é analisar o significado da palavra líder e, em


seguida, analisar os tipos de líderes existentes na literatura sobre a temática
que possuímos. Para isso a metodologia utilizada foi o levantamento
bibliográfico com revisão crítica de literatura em administração, gestão,
liderança, organizações, psicologia. Pode-se concluir que existem, de maneira
prática seis tipos de líder: autoritário, indeciso, democrático, liberal, situacional
e emergente bem como os estilos de líder que são: carismático, executivo,
coercitivo, distributivo, educativo e inspirador.
Palavras-chave: líder, tipo, liderança.

INTRODUÇÃO

De maneira bastante interessante, nos dias atuais, é possível observar que


diversas organizações vêm modificando o “chefe”, seja no conteúdo ou apenas
na nomenclatura, demonstrando que aquela figura, relacionada a poder,
autoridade e, até mesmo, repressão, não está mais condizente com o caráter
contemporâneo que as organizações tomam atualmente.
Desse modo, podemos observar o surgimento de diversas nomenclaturas e
formatações desses “chefes” como, por exemplo, líder. No caso de um cargo
de chefia, no entanto, o conceito de líder é muito mais utilizado, sendo que o
mesmo além de reformular antigas tarefas inerentes a seu cargo, tem como
responsabilidade a gestão, ou seja, o líder também é gestor de seu setor e/ou
empresa.
Nesse ínterim, a liderança começa a ser tema de muitas discussões, pois trata
de relação de influência e poder entre indivíduos. A questão da liderança e sua
relação entre líder e liderado já vem sendo objeto de estudo na psicologia e na
administração. A liderança é um fenômeno social e como tal trata não somente
dos indivíduos, mas dos grupos e das equipes.
Estudos sobre liderança têm sido feitos não somente de cunho acadêmico,
mas também dentro das organizações com preocupações práticas a fim de
compreender, explicar e validar características que transformam homens em
líderes de sucesso. Desse modo, pode-se afirmar que estudar que o que vem a
ser um líder e quais seus tipos existentes é de suma importância para que
tanto o meio das organizações, quanto o acadêmico e o social estejam
inteirados com a nomenclatura e, assim, justificando este estudo.
Assim, o objetivo do presente estudo é analisar o significado da palavra líder e,
em seguida, analisar os tipos de líderes existentes na literatura sobre a
temática que possuímos. Para isso a metodologia utilizada foi o levantamento
bibliográfico com revisão crítica de literatura em administração, gestão,
liderança, organizações, psicologia.

1 CONSIDERAÇÕES ACERCA DO LÍDER: definições

De acordo com Lessa (1999, p. 1), “o exercício da liderança é a arte de usar o


poder que existe nas pessoas”. Assim, é possível compreender que a questão
de ser líder vai além da figura que manda, mas sim é a pessoa que utiliza as
pessoas para realizar as tarefas, atingir metas e alcançar objetivos, utilizando o
próprio poder das pessoas.
Almeida e Dias (2003), coloca que a cada momento os estudos relacionados às
questões de liderança tornam-se cada vez mais complexos, buscando
parâmetros como, por exemplo, traços, habilidades, comportamentos,
motivações, fontes de poder que possam determinar a liderança ou, então, seu
processo de criação. Bergamini (1994) coloca que o objetivo dos estudos
relacionados à questão é reconhecer quais características fazem um líder
eficaz em sua influência aos liderados.
Para definir o que vem a ser liderança - antes de entendermos o que vem a ser
líder - podemos recorrer à Selznick (1992, p. 22) que coloca que a “liderança é
o ato de liderar, é suprir necessidades em um contexto social”. Desse modo, é
possível afirmar que o processo ou ação de liderar não é, segundo o raciocínio
do autor, “tão somente ter controle ou autoridade, mas um papel assumido por
pessoas, seja esse papel consciente ou não” (p.23). O ser humano como um
ser social vem, ao longo de sua história, desenvolvendo, formando e
consolidando lideranças, que são bastante necessárias ao desenvolvimento
das organizações e das próprias sociedade em todo o mundo.
Para Sant´Anna (2010), 
liderar não é uma tarefa simples, pelo contrário, liderança exige paciência,
disciplina, humildade, respeito e compromisso, pois a organização é um
organismo vivo, dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos (SANT’
ANNA, 2010, p. 1).

Assim, o autor coloca que a liderança pode ser definida como um processo de
“dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas dos membros de um
grupo” (p. 2). Sant´anna (2010), ainda coloca que dentro desta definição
encontram-se três implicações que devem ser levadas em consideração nos
estudos e nas caracterizações sobre líderes: 
1. A liderança envolve outras pessoas, isto é, onde existir mais de uma pessoa,
haverá a necessidade de um líder, o que contribuirá na organização de um
trabalho, tarefa ou até mesmo no convívio familiar.
2. A liderança envolve uma distribuição desigual de poder entre os líderes e os
demais membros do grupo: A distribuição de poder dentro de uma empresa é
sem dúvidas sua ponte para crescimento.
3. A liderança é a capacidade de usar diferentes formas de poder para
influenciar de vários modos seus seguidores– Pode até faltar os recursos, só
não pode faltar a criatividade para criá-los (SANT’ANNA, 2010, p. 4).

Assim, pode-se perceber que a função adequada do líder não é mandar e sim
liderar, desenvolver a liderança, ou seja, é o indivíduo que exercita sua
capacidade de persuasão, argumentação e carisma. 

Mesmo não estando presente, ele é percebido como se estivesse, e sempre


lembrado pela inovação e liderança. Tendo sua maior função de gerar novas
idéias e colocá-las em prática. Ele deve liderar talvez ainda inspirar, ele não
pode deixar que as coisas se tornem rotineiras, e para ele, a prática de hoje
jamais será suficientemente boa para amanhã (SANT´ANNA, 2010, p. 5-6).
Conforme Almeida e Dias (2003, p. 14), o líder pode ter “autoridade delegada
ou autoridade natural”. No primeiro caso - da autoridade delegada - a liderança
vem de um cargo, da escolha de um superior e não necessariamente do grupo
de trabalho. No segundo caso, o líder aparece porque se destaca no grupo. E
ainda, as referidas autoras colocam que “esse líder exercerá atividades que
influenciarão as pessoas a cooperar na execução de um objetivo que considera
ideal”(p. 15)’.
É possível, no entanto, perceber a existência de diversos tipos de líderes na
sociedade, sejam eles dentro das organizações/empresas, seja, em
organizações sociais como associações de bairro, estudantis ou até mesmo
dentro do âmbito familiar. No próximo item apresentaremos os tipos de líderes
que a literatura do tema colocam em vista.

2 OS TIPOS DE LÍDER HOJE

Na literatura pesquisa percebeu-se a existência de tipos de líderes e estilos de


líderes que, ao serem analisados se complementam e, dessa forma
estudaremos ambas. O que percebeu-se, no entanto, é que os “tipos” são mais
práticos e os “estilos” mais teóricos. Entendendo a importância dessas duas
abordagens, este artigo apresentará primeiramente os tipos de líderes e, após,
como complementação, os estilos que um líder pode possuir. Deve-se ressaltar
que no entendimento desse estudo o estilo e o tipo de líder de complementam.
Sant’anna (2010), tipifica os líderes em seis categorias: autoritário, indeciso,
democrático, liberal, situacional e emergente. Dentre esses tipos de líderes se
poderá encontrar diferenciações fundamentais, de ordem prática,
principalmente dentro das organizações empresariais.
O líder autoritário é aquele que mais se assemelha ao antigo “chefe”, pois
determina as idéias e o que será executado pelo grupo, e isso implica na
obediência por parte dos demais, sem questionamentos por partes destes.
Segundo Sant’anna (2010), esse tipo de líder é “extremamente dominador e
pessoal nos elogios e nas criticas ao trabalho de cada membro do grupo” (p.6).
E ainda complemente dizendo que o líder autoritário é “uma pessoa ditadora e
soberana, o que comanda o grupo só pensando em si, não aceita as idéias de
outro membro do grupo” (p.5). Como conseqüência desse tipo de liderança,
pode-se observar, conforme o autor, que o grupo reage de modo hostil e acaba
se distanciando por medo.
O segundo tipo indicado por Sant’anaa (2010), é o líder indeciso. Esse tipo de
líder não assume responsabilidades, não toma direção efetiva das coisas, vive
no jargão “deixa como esta ,para ver como é que fica”(p.6). Assim, o grupo
liderado pelo “indeciso” fica desorganizado, é inseguro e gera atritos entre os
componentes do grupo. 
O terceiro tipo de líder é o “democrático”, ou seja, líder do povo, eleito pelo
povo e trabalha para o povo. Esse tipo de líder trabalha com a constante
preocupação de que o grupo participe das decisões, estimulando e orientando,
acatando e ouvindo opiniões e é ponderado antes de agir.

Aquele que determina, junto com o grupo, as diretrizes, permitindo o grupo


esboçar as técnicas para alcançar os objetivos desejados. É impessoal e
objetivo em suas críticas e elogios. Para ele, o grupo é o centro das decisões.
Acreditamos que a ação do líder democrático é de suma importância para o
progresso e sucesso de uma organização. Desse modo, observa-se que o
grupo interage melhor, participa, colabora e se entusiasma com o trabalho
desenvolvido ou a desenvolver.
O quarto tipo é o líder “liberal”. Sant’anna (2003), o define como um líder que
participa o mínimo possível do processo administrativo, dando total liberdade
de trabalho ao grupo no que concerne ao traçar diretrizes para o mesmo. Esse
tipo de líder, segundo o autor, apresenta apenas alternativas ao grupo quando
se faz necessário. O grupo, então, geralmente fica perdido nesse processo
com esse tipo de líder - dependendo da maturidade do grupo -, não se
tornando coeso.
Outro tipo - o quinto - de líder proposto por Sant’anna (2003) é o líder
situacional, que assume seu estilo de liderança dependendo mas da situação
na qual ele, ou o projeto, se encontra do que sua personalidade. A postura
deste líder brota ante as diferentes situações que ele detecta no dia-a-dia.
Possui um estilo adequado para cada situação. O grupo têm
segurança e motivação, mas por tempo determinado.
O sexto tipo de líder é o emergente. Esse líder, segundo Sant’anna (2010), é
aquele surge e assume o comando por reunir mais qualidades e habilidades no
que concerne à condução do grupo rumo aos objetivos diretamente
relacionados à uma situações específica. O grupo, nesse contexto, reage bem,
participa, colabora, pois sabem que quando houver necessidade o líder saberá
o que fazer.
Para Almeida e Dias (2003), existem diversas teorias para os estilos dos
líderes. Para as referidas autoras existem quatro abordagens principais que
merecem ser indicadas nos estudos acerca da liderança. A primeira dessas
abordagens é a da “teoria dos traços”. Essa teoria, de acordo com Bergamini
(1994), enfoca os estilos de liderança.
A teoria dos traços, segundo Almeida e Dias (2003), enfoca os estilos de
liderança a partir das qualidades pessoais do líder relacionadas a habilidades
ou aspectos da personalidade. Para Bergamini (1994)

As características dos líderes passam a ser estudadas dentro de uma


perspectiva universalista, como elementos em si mesmos, independentemente
da situação e demais variáveis em meio às quais estejam em ação
(BERGAMINI, 1994, p. 24).

Ainda de acordo com Bergamini (1994), logo após um outra teoria que
analisava o comportamento do líder - além das características individuais -
surgiu. Essa teoria ficou conhecida como a teoria do comportamento e tinha
influência da teoria behaviorista das décadas de 1950 e 1960. De acordo com
Almeida e Dias (2003, p. 22), essa teoria entendia que “ser líder não é uma
questão de se possuir uma combinação de características, mas uma questão
comportamental”. Nesse sentido, diferente da teoria dos traços, apresentada
anteriormente, essa teoria admitia que como algo relacionado ao
comportamento, a liderança poderia ser aprendida e aplicada.
A terceira teoria conhecida como teoria das trocas de autoria de Paul Hollander
(apud Bergamini, 1994, p. 37) foca a relação entre as expectativas dos
subordinados e as respostas que lhe oferece o líder. A liderança se define pela
relação dinâmica de ação e reação. Sobre o aparecimento do papel do
subordinado trata Bergamini:

É, portanto com essa nova perspectiva de caracterizar estilos que começa a


aparecer a figura do subordinado em meio ao processo de liderança e que
mais tarde passará a ser cada vez mais valorizada (BERGAMINI, 1994, 37).

A quarta teoria apresentada por Almeida e Dias (2003), é a teoria do enfoque


situacional onde a compreensão da liderança não se dará por traços de
personalidade, das características do subordinados, mas também conhecendo
e analisando o contexto interno e externo do local onde essa liderança é
atuante.

Assim, com base nos estudos de Bergamini, podemos dizer que o líder exerce
a liderança, abdicando da necessidade do controle e da ordem, para comungar
da plena liberdade entre os liderados. Em outras palavras, liderança é exercitar
e proporcionar a liberdade. A busca constante dos estudiosos sempre foi por
um líder ideal, um padrão mensurável e, sobretudo imitável (ALMEIDA e DIAS,
2003, p. 29).

Desse modo, Almeida e Dias (2003), resumem seus estilos de líder que podem
compor os tipos apresentados, aqui, por Sant’anna (2010):

• O líder carismático caracteriza-se quando é atribuída ao líder uma qualidade


extraterrena. Carisma é uma palavra grega que significa dom de inspiração
divina, tal como habilidade de realizar milagres ou predizer acontecimentos
futuros.
• O líder executivo aspira a ordem. Nasce da busca pelas organizações, pela
administração do caos. É o reflexo do esforço humano em tentar se organizar.
Para quem a ordem é a normalidade humana;
• O líder coercitivo ganha legitimidade na violência. Seja na imposição física ou
verbal. Líder e liderado se repelem. O medo é a palavra chave;
• O líder distributivo limita-se a distribuir tarefas, não vai além do que já existe.
• O líder educativo exerce a liderança pela troca, onde todos são professores e
alunos, é guiado pelo exemplo.
• O líder inspirador: Raramente precisa dar ordem, cada um sabe o que fazer e
aonde ir (ALMEIDA e DIAS, 2003, p. 33).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O que foi possível perceber nesse estudo é que existem diversos tipos e estilos
de liderança cada uma demonstrando características peculiares não somente
do líder e de sua atuação mas de seu grupo de comandados. Assim, pode-se
perceber que muitos dos líderes podem possuir estilos diferenciados
complementando os tipos nos quais eles são enquadrados.
O que na verdade chama a atenção é que mesmo a sociedade observando a
necessidade da mudança no que concerne a comando e comandante, ou seja,
mudar aquela figura de chefe que manda, desmanda, detém o poder, etc., se
faz necessário o líder que deve trabalha com o grupo, deve trabalhar o grupo,
para que este possa ser cada vez mais organizado e produtivo.
Porém, vemos que ainda existem “chefes” sob o nome de líder, demonstrando
total autoridade perante seus liderados - que ainda são subordinados - fazendo
com que o grupo de trabalho seja distante, desunido e desmotivado para o
desenvolvimento de qualquer tipo de trabalho conjunto.
Assim, pode-se concluir que existem, de maneira prática seis tipos de líder:
autoritário, indeciso, democrático, liberal, situacional e emergente bem como os
estilos de líder que são: carismático, executivo, coercitivo, distributivo,
educativo e inspirador.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, C. e DIAS, V. Tipos de liderança na relação gestor e assessor.


Monografia de Conclusão de Curso. UFBA: 2003.
BERGAMINI, Cecília W. Liderança: administração do sentido. São Paulo: Atlas,
1994.
LESSA, Jorge. Mandar é fácil, Liderar é difícil. 2ª ed. Salvador: Casa da
Qualidade, 1999.
SANT’ANNA, V. Liderança e seus tipos. Disponível em:
www.lidersantanna.com.br/tipos. Acesso em: 20/01/2010.
SELZNICK, Philip. A Liderança na Administração: uma interpretação
sociológica. Trad.: Arthur Pereira e Oliveira Filho. Rio de Janeiro: FGV, 1992.

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