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Poemas a Che Guevara

Poemas a Che Guevara

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Publicado porIsabel Cunha Lopes
Alguns Poemas de intervenção em homenagem a Che Guevara
Alguns Poemas de intervenção em homenagem a Che Guevara

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Published by: Isabel Cunha Lopes on Apr 16, 2011
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O nascedor Por que será que o Che Tem este perigoso costume De seguir sempre renascendo?

Quanto mais o insultam, O manipulam O atraiçoam Mais ele renasce. Ele é o mais renascedor de todos! Não será por que Che Dizia o que pensava e fazia o que dizia? Não será por isso que segue sendo tão extraordinário, Num mundo onde palavras e actos tão raramente se encontram? E quando se encontram raramente se saúdam Por que não se reconhecem? De Eduardo Galeno (Uruguai)

O Eterno! Venho trazer-te um recado do teu povo que é o meu povo: Diz o povo Che Guevara que é mentira, não estás morto. Tua presença firme e clara como estrela refulgente segue alerta e combatente comandante Che Guevara. Homens como tu não morrem Nem na história nem no tempo. como haveriam de morrer os homens que são eternos Tua presença firme e clara como estrela refulgente segue alerta e combatente comandante Che Guevara.

Diz o povo comandante que segue a voz de aço de tua espingarda acesa

pelo continente inteiro.

Tua presença firme e clara como estrela refulgente segue alerta e combatente comandante Che Guevara. Diz o povo comandante que está firme em seu posto teu coração legendário guerreou o guerrilheiro. Tua presença firme e clara como estrela refulgente segue alerta e combatente comandante Che Guevara.

Como foste mais que um homem como foste luz e exemplo viverás eternamente no coração do povo. De Carlos Publea

ATÉ SEMPRE “HASTA SIEMPRE" Aprendemos a querer-te desde a histórica altura onde o sol da tua bravura encurralou a morte. Aqui nos ficou a clara a profunda transparência, da tua querida presença Comandante Che Guevara. Tua mão gloriosa e forte sobre a história dispara quando toda Santa Clara se desperta para ver-te.

Aqui nos ficou a clara a profunda transparência, da tua querida presença Comandante Che Guevara Vens queimando a brisa com sóis de Primavera para plantar a bandeira com a luz do teu sorriso. Aqui nos ficou a clara a profunda transparência, da tua querida presença Comandante Che Guevara. Teu amor revolucionário te conduz a nova empresa onde esperam a firmeza de teu braço libertário. Aqui nos ficou a clara a profunda transparência, da tua querida presença Comandante Che Guevara. Seguiremos adiante como junto a ti seguimos e com Fidel te dizemos: "Até sempre, Comandante!" De Carlos Puebla

CHE GUEVARA O látego do carrasco Deixou a mostra as veias abertas De uma América sem líderes, Cheia de ditadores patéticos E de déspotas obtusos, Promíscuos em suas salas de mármore. Há os que iludem com discursos E os que mentem sem palavras – Apoderam-se de mecanismos de tortura Para espalhar o pânico e o terror. A América se ergue com a sua mão direita Que, ensanguentada, deixa-se extinguir, Cambaleante cai sobre a perna esquerda, Em repetidos golpes...

O guerrilheiro está morto! Seu idealismo se tornou sonho, O sonho transcreveu sua lenda, A lenda transformou-se em eternidade. A América de Guevara se perpetua, Em sua eterna busca Pelos verdadeiros líderes, Por sua total e plena liberdade Do livro (O Anjo e a Tempestade), de Agamenon Troyan Embalos Desperta meu menino, que vem Guevara os olhos ardentes, florida a barba. Desperta meu menino, que já chega o Che dizem é muito mau, eu não sei porquê. Desperta meu menino, que se aproxima Ernesto gritando para os pobres: este mundo é nosso. Desperta meu menino, que está connosco um pastor do povo que espanta os lobos. Dorme meu menino, que é melhor não ver o que aqueles lobos fizeram com ele. Letra: Víctor Manuel Arbeloa Música: Luís Pastor

Che Guevara Como se a mão pura de San Martín Tivesse se estendido para seu irmão, Martí, E o Prata, de margens verdejantes, corresse pelo mar Para se juntar à embocadura cheia de amor do Cauto. Assim Guevara, gaúcho de voz forte, agiu para dedicar Seu sangue guerrilheiro a Fidel, E sua mão larga teve mais espírito de camaradagem Quando nossa noite era mais negro, mais escura. A morte recuou. De suas sombras impuras, Do punhal, do veneno e das feras, Só restam lembranças selvagens. Fundida dos dois, uma única alma brilha, Como se a mão pura de San Martín Tivesse se estendido para seu irmão, Martí. (Poema de Nicolás Guillén, o mais destacado poeta cubano vivo na época da revolução)

OUTUBRO

Em Outubro se nasce e se morre Na senda da palavra Liberdade Em Outubro e em qualquer idade Não importa o mês, só que se morre… E era Outubro, era a hora certa Da sede de sangue, de vingança De acabar um sonho ‘inda criança: Era Outubro e era hora certa; E foi de morte o mês; Outubro dor E foi de dor o mês, Outubro morte E foi Outubro o tempo derradeiro… E dando ao mundo a vida e o amor Outubro selou a tua sorte E fez eterno o sonho guerrilheiro!…

Che Eu tive um irmão Não nos vimos nunca mas não importava. Eu tive um irmão que andava na selva enquanto eu dormia. O amei ao meu modo, lhe tomei a voz livre como a água, caminhei às vezes perto de sua sombra. meu irmão desperto enquanto eu dormia. Meu irmão mostrando-me por detrás da noite a sua estrela eleita. De Júlio Cortázar (Argentina)

Que pare o som Mataram a tua carne Com uma torrente de fogo Mas jamais a palavra E menos o pensamento. Que pare um momento o som que se calem as guitarras Em tributo de silencio por Che Guevara. Que siga o som. Talvez tua carne humana não resistisse ao aço mas nem sequer aço pode resistir ao teu exemplo. Que pare um momento o som. Que emudeça a palavra Para escutar o grito de Che Guevara. Que siga o som. Em Vallegrande nasceste ainda que te digam morto. Só assim nascem os homens para a história e o tempo. Que pare um momento o som para enxugar uma lágrima. Uma lágrima de pólvora por Che Guevara. Que pare o som. Letra e música: Carlos Puebla Um nome Quando se fale do valor estóico da vida cabal, profunda e clara sem mencionar o guerrilheiro heróico Estaremos dizendo Che Guevara.

Quando se fale da luz criadora cuja força imortal a noite aclara até torná-la numa nova aurora estaremos dizendo Che Guevara.

Quando se fale dos decididos dos que saem a mostrar a cara pela miséria dos oprimidos estaremos dizendo Che Guevara. Quando se fale do dever profundo da luta exemplar que nunca pára por conseguir o pão de toda gente estaremos dizendo Che Guevara. Quando se fale do grito maior da voz que mais alto se fez ouvir sem pronunciar o nome tão querido estaremos dizendo Che Guevara. Letra e música: Carlos Puebla

ZAMBA AO CHE Venho cantando esta zamba com um rufar libertário, mataram o guerrilheiro Che comandante Guevara. Selvas, pampas e montanhas pátria ou morte o seu destino.

Que os direitos humanos violam-nos em qualquer lado na América Latina desde domingo até sábado

Impõem-nos militares para subjugar os povos ditadores, assassinos, gorilas e generais.

Exploram o camponês o mineiro e o operário, quanta dor o seu destino, fome, miséria e dor. Bolívar lhe deu o caminho e Guevara o seguiu: libertar nosso povo do domínio explorador.

A Cuba lhe deu glória de ser nação libertada. Bolívia também chora sua vida sacrificada.

Santo Ernesto de La Higuera lhe chamam os camponeses, selvas, pampas e montanhas, pátria ou morte o seu destino. De Víctor Jara

Ai, Che caminho Eu sou um homem nascido Além na pampa longínqua Mas o meu sonho querido É a pátria americana Não tenho terra nem casa Não tenho nome nem idade Sou como o vento que passa Um vento de liberdade Ai Che caminho Pátria ou morte é o meu destino. Ai Che caminho Pátria ou morte é o meu destino. Amanhã quando eu morrer Ouçam-me queridos irmãos Quero uma América inteira Com a espingarda na mão. Não quero estátuas, nem honras Não quero versos, nem prantos Lancem as flores ao vento E Pátria ou morte é o meu canto. Ai Che caminho Pátria ou morte é o meu destino. Ai Che caminho Pátria ou morte é o meu destino. Letra e música: Alfredo de Robertis

Até à vitória Eu sou Ramón Aquele que rompe as cadeias. Escopro solar A fé Que acende as fogueiras. Clamor fundamental A voz da justiça o que à brisa suave transforma em vendaval. Eu sou Ramón aquele que vive mais além. Que trema o verdugo opressor, abutre insaciável do mal. Depois da morte eu sou Ramón até à vitória final. Eu sou Ramón, aquela luz do oprimido. A carne, o sangue e a pele do homem redimido. Eu sou o leão que vai passando na montanha, por montes e valados rugindo liberdade. Eu sou Ramón, aquele que nunca morrerá. Que trema o verdugo opressor, abutre insaciável do mal. Depois da morte eu sou Ramón até à vitória final. Letra e música: Aníbal Zampayo

Nada mais Em tendo rancho e cavalo é mais leve o meu penar Se tudo aquilo que tive só restam recordações. Nada mais… Nada mais… Não tenho contas com Deus. Minhas contas são com os homens. Eu rezo na planície aberta e me faço leão no monte Nada mais… Nada mais…

Gosto de olhar o homem plantado sobre a terra. Como uma pedra ao alto. Como um farol na ribeira. Nada mais… Nada mais… Alguma gente só morre para voltar a nascer. E quem disso duvidar que o pergunte ao Che. Nada mais… Nada mais… Letra e música: Atahualpa Yupanqui O homem novo Pelo caminho do homem novo Com passo firme e falar claro Soube manter a rota Dos homens do seu tempo. Ninguém poderá enterrar seu nome Sua voz será escudada para sempre Repetindo as palavras Que a história guardou Pelo caminho do homem novo Como estrela no alto brilha o seu nome Hoje que sua grandiosa e última façanha Guarda um diário de campanha. o gesto enorme que foi a sua vida Cheia de luta, de poesia É como luzes de auroras Que iluminam novos dias. Pelo caminho do homem novo Com passo firme e falar claro Souber manter a rota Dos homens do seu tempo. Letra e música: César Portilho de la Luz Canção ao homem novo Fá-lo-emos tu e eu nós dois o faremos tomemos a argila para o homem novo. Seu sangue virá de todos os sangues apagando os séculos do medo e da fome. Por braço um fuzil por luz o olhar e junto à ideia uma bala assomada. E onde está a voz um grito escondido milhões de ouvidos serão receptivos. Seu grito será

de guerra e vitória como um matraquear que anuncia a glória. E por coração a esse homem daremos o do guerrilheiro que todos sabemos. Fá-lo-emos tu e eu. Por braço um fuzil! Nós o faremos Por luz o olhar! Tomemos a argila é de madrugada. Letra e música: Daniel Viglietti Canção ao guerrilheiro heróico Meu comandante Guevara não há na tua cabeça uma flor mas estão as metralhadoras caules de sangue e de dor. Ouçam bem os assassinos não mataram mais um homem mataram aos que duvidam que é a hora de lutar. Ouçam bem os generais há uma bala se sol para a obscura mentira que têm por coração. No correr dos rios desde o dialecto aimará por altiplanos e selvas o guerrilheiro falará. E dirá as cem razões de vencer ou de morrer. E cada guerrilha nova Fá-lo-á sentir-se viver. Letra e música. Daniel Viglietti

Seu nome é povo A morte com a sua impecável função de artesã do sol, que faz heróis, que faz história e nos cede um lugar para morrer, nesta terra pelo futuro. Que exemplo se converteu em trincheira da vontade, da palavra amar, da consciência e da morte. Não há nomes dos que caem nas costas, dos que caem nos montes, do que caiu com o nachete, no mesmo lugar onde tempos atrás caíram outros outros sem nome. Os heróis recordam-se sem lágrimas recordam-se nos braços recordam-se na terra, e isso me faz pensar que afinal não o mataram e que vivem ali onde haja um homem, pronto a lutar, a continuar. Letra e música: Eduardo Ramos Che esperança (canção do índio livre) Dorme, dorme, meu menino índio, Aqui vem o Comandante. Com o fumo do seu puro Semeia estrelas na noite. Avozinha, avozinha Quem é? Dorme, dorme, índiozinho, Lembra-te do seu nome. Suas pegadas no caminho São uma flor que se abre! Avozinha, avozinha Quem é? É o canto do vento, A carícia da aurora. A esperança, meu menino Chama-se Che Guevara!

É um homem de luta e paixão, A alma da Revolução, O Homem Novo, O filho guerrilheiro Que sempre, sempre viverá na minha canção. Letra e música: Egon Kragel Com a adarga no braço Apareceste na mitologia do meu amor pela mão de minha mãe com um sotaque estranho e uma boina girrasol um dia me contou que já não estavas com comoção na voz. Aprendi o teu diário e teus dotes de orador como a bíblia moderna e com Che Comandante e a Suite de las Américas completei o rosário e a Avé-Maria da minha religião Guevara tu voltas ao caminho com a adarga no braço pintado nos pulôveres dos rapazes ou vigilante desde a parede por isso te levo na carteira como um amuleto ou como a pagela caseira de um santo para que me proteja e me puxe as orelhas se algum dia mau me esqueço do Che. Teus filhos comeram do mesmo pão que eu comi fomos à mesma escola viveste com o povo e nas mesmas condições por isso estás ao lado de Camilo e à esquerda de Xangô. E aos que te utilizam como tema de sermão e fazem tudo ao contrário não lhes permitiremos mais discursos em teu louvor nem que usem teu retrato se dizem o que não são. Letra e música: Fank Delgado

O aparecido Abre sendas pelos cerros, deixa as pegadas no vento, a águia lhe dá o voo e a cobiça o silêncio. Nunca se queixou do frio, nunca se queixou do sono, o pobre sente o seu passo e o segue como um cego. Corre, corre, corre por aqui, por ali, por acolá corre, corre, corre, corre que te vão matar, corre, corre, corre. Sua cabeça é rematada por corvos com garras de ouro como o crucificou a fúria do poderoso. Filho da rebeldia seguem-no dúzias e dúzias, porque oferece a sua vida eles querem dar-lhe a morte. Corre, corre, corre por aqui, por ali, por acolá corre, corre, corre, corre que te vão matar, corre, corre, corre. Letra e música: Víctor Jara São ainda os sonhos Tu surgias desde o hemisfério sul e vinhas desde antes, com o amor ao mundo bem dentro. Foi uma estrela que te pôs aqui e te fez deste povo. De gratidão nasceram muitos homens que como tu, não queriam que te fosses e são outros desde então. Depois de tanto tempo e tanta tempestade seguimos para sempre este caminho longo, longo, por onde vais. O fim do século anuncia uma velha verdade, os bons e maus tempos fazem parte da realidade. Eu bem sabia que ias voltar, que ias voltar de qualquer lugar, porque a dor não matou a utopia, porque o amor é eterno

e quem te ama não te esquece. Tu bem sabias desde aquela vez que ias crescer que ias ficar, porque a fé limpa as feridas, porque o teu espírito é humilde e reencarnas nos pobres e nas suas vidas. Depois de tanto tempo e tanta tempestade… São ainda os sonhos que atraem as pessoas como um íman que as une cada dia. Não se trata de moinhos, não se trata de um Quixote, algo suaviza a alma dos homens, uma virtude que se eleva por cima dos títulos e nomes. Depois de tanto tempo e tanta tempestade… Letra e música: Geraldo Alfonso

Guitarra em duelo maior Soldadinho da Bolívia Soldadinho boliviano Armado vais com teu rifle Que é um rifle americano. To entregou um assassino Soldadinho boliviano Oferta de Mister Dólar Para matar teu irmão Soldadinho da Bolívia Para matar teu irmão. Não sabes quem é o morto Soldadinho boliviano? O morto é Che Guevara E era argentino e cubano Soldadinho da Bolívia E era argentino e cubano.

Ele foi teu melhor amigo Soldadinho boliviano Ele foi teu amigo, do pobre Do oriente ao altiplano. Soldadinho da Bolívia Do oriente ao altiplano. Está minha guitarra inteira Soldadinho boliviano De luto, mas não chora Ainda que chorar seja humano Soldadinho da Bolívia Ainda que chorar seja humano. Não chora porque esta hora Soldadinho boliviano Não é de lágrimas e lencinho Mas sim de machete em punho. Soldadinho da Bolívia Mas sim de machete em punho. Com o Money que te paga Soldadinho boliviano Que te vendes, que te compra É o que pensa o tirano Soldadinho da Bolívia É o que pensa o tirano. Desperta, que já é dia Soldadinho boliviano Toda a gente se levanta Porque o sol nasceu bem cedo Soldadinho da Bolívia Porque o sol nasceu bem cedo. Mas decerto aprenderás Soldadinho boliviano Que um irmão não se vende Que não se mata um irmão Soldadinho da Bolívia Que não se mata um irmão. Letra: Nicolás Guillén Este poema foi musicado em pelo menos duas versões distintas, respectivamente por Paco Ibáñez e Angel Parra

Se o poeta és tu Se o poeta és tu como disse o poeta

e és tu quem derrubava estrelas em noites mil de chuvas coloridas. Que tenho que dizer-te comandante. Se o que mostrou seu perfil ao futuro e se fez íntimo com vozes de espingarda foste tu, guerreiro para sempre tempo eterno. Que posso eu cantar-te, comandante. Em vão procuro na guitarra a tua dor e no jardim já tudo é belo não há temor. Que posso eu deixar-te comandante, que não seja trocar minha guitarra p’la tua sorte, ou negar uma canção ao sol, ou morrer sem amor. Que tenho p’ra dizer-te comandante. Se o poeta és tu, como disse o poeta. E és tu quem derrubou estrelas em mil noites de chuvas coloridas. Que tenho p’ra dizer-te comandante. Letra e música: Pablo Milanés Seu nome ardeu como um palheiro Como a sombra da sombra Pela selva dentro entrou Dias inteiros caminhou Com a espingarda e a razão. Entra as lianas repousou, Por sobre as víboras andou, De clara pólvora se vestiu E aos pastores elucidou Buscando forças para achar A liberdade agonizante E foi assim que tombou Na serra O famoso comandante. Seu nome ardeu como um palheiro E a cinza se espalhou. (Um vento forte pegou nela E levou-a pelos caminhos). E em cada sítio da Terra Onde um pastor o velou,

Onde um operário o leu E um estudante o escutou E um camponês o seguiu Cresceu o silêncio ante o seu nome. E é assim que volta a combater O Che na luta dos homens. Ele é talvez um morto mais Mas o seu clarão brilhou Quando a rajada cortou O seu sangue em dois lagos iguais. O mês de Outubro despadaçou-se Como um vulcão ou um vidro azul, A inquieta América escondeu Sua fria fúria de metal, E desde a serra ao litotal, A dor abriu a flor amarga. E era um assombro o seu final E é a batalha que se estende. Pastor da serra: irei! Irei, Comandante, irei! Até à vitória, irei! Letra e música: Patrício Manns Ontem e hoje enamorado Vagueia redonda a noite vagueia vagabunda e muda e as pombas não se juntam e os pirilampos não falam. É triste o tempo dos nevões ainda que não caía nem uma geada tremendo vão os corações desamparados na fome as ruas são leões devorando portais desalojando o sonho expulsando-o do mundo. E aí está o enamorado pedindo à esperança que seu peito não se inunde com o pranto de seu tempo. Vagueiam as noites de Janeiro vagabundas e alegres juntam-se todas as pombas parecemos vagalumes. E aí está o enamorado com sua lua entre os braços pedindo a esperança para todos, para todos. E aqui está o enamorado. Letra e música: Santiago Feliú

América, falo-te de Ernesto Com uma mão comprida para tocar as estrelas e uma pressão de deus na pegada, passou por tua cintura, por teu avesso e direito o tutor dos acanhados. Preparando o milagre de caminhar sobre a água e o resto dos sonhos das dolências da alma, veio ao romper a noite um emissário da aurora. E com voz tão perfeita que não precisa de ouvido fez um cantar que soa a estampido. Em todos os idiomas o emissário vai ver-te: em todos os idiomas há morte. Ainda que o enterrem fundo, ainda que lhe mudem a cara, ainda que falem de esperança e brilhe a mascarada, chegará o seu fantasma bem retratado nas balas. Letra e música: Sílvio Rodrígues Fuzil contra fuzil O silêncio do monte vai preparando um adeus. A palavra que se dirá in memoriam será a explosão. Perdeu-se o homem deste século então, seu nome e apelido são: fuzil contra fuzil. Quebrou-se a casca do vento a sul e sobre a primeira cruz desperta a verdade. Todo o mundo terceiro vai enterrar a sua dor. Com granizo de chumbo fará a sua cova de honra, sua canção. Deixarão o corpo da vida ali, seu nome e apelido são: fuzil contra fuzil. Cantarão seu luto de homem e animal e em vez de deitar lágrimas, com chumbo chorarão. Levantarão o homem da tumba ao sol e seu nome repartirão: fuzil contra fuzil. Letra e música: Sílvio Rodríguez

Pelos Andes do mundo Cresces imensurável em teu sangue sinal da acção e do dever sobre os Andes do mundo avanças, Che, triunfal. Vences, comandante sem igual vencem, tua presença e vigor gritam com pulso de aço teu rumo, Che, tua voz. Agrupas frente a Lincoln os negros mãos, companheira no Vietname forja da nossa América mais pátrias livres teu andar. Lutas com os pobres do mundo lutas guerrilheiro imortal. Até à vitória sempre presente tu estarás! Letra e música: Tânia Castellanos Uma canção necessária Tua pele ligada ao osso perdeu-se na terra a lágrima, o poema e a lembrança estão lavrando sobre o fogo o canto da morte com metralhadoras douradas a partir de ti. E aqui, a cada noite se procura em teus livros o propósito justo de toda a acção e abre-se a tua memória a todo aquele que renasce mas nunca falta quem te eleve a um altar e faça lenda a tua imagem formadora e torne impossível o sonho de alcançar-te e aprenda algumas das tuas frases de memória para dizer “serei como ele” sem conhecer-te e o apregoe sem pudor, sem sonho, sem amor, sem fé e percam tuas palavras o sentido do respeito para o homem que nasce coberto da tua flor. Algum poeta disse e seria o mais justo: desde hoje o nosso dever é defender-te de ser Deus. Letra e música: Vicente Feliú

Che e Pablo Neruda

"NÃO EXISTE EXPERIÊNCIA MAIS PROFUNDA PARA O REVOLUCIONÁRIO DE QUE O ACTO DA GUERRA" Tristeza na morte de um herói * Por Pablo Neruda Nós que vivemos esta história esta morte e ressurreição de nossa esperança enlutada, os que escolhemos o combate e vimos crescer as bandeiras soubemos que os mais calados foram os nossos únicos heróis e que depois das vitórias chegaram vociferantes a boca cheia de jactância e de proezas salivares. O povo moveu a cabeça; e voltou o herói ao seu silêncio Mas o silêncio se cobriu de luto até afogar-nos nesse luto quando morria nas montanhas o fogo ilustre de Guevara O comandante terminou assassinado num barranco Ninguém abriu a boca. Ninguém chorou nos povoados índios. Ninguém subiu às torres das igrejas. Ninguém levantou fuzis, e cobraram a recompensa aqueles a quem veio salvar o comandante assassinado O que houve, medita o pesaroso, com estes acontecimentos? E não se diz a verdade

Porém se cobre com papel esta desgraça de metal. Mal se abrira o roteiro como um machado que caiu na cisterna do silêncio. Bolívia voltou ao seu rancor, a seus enferrujados gorilas, à sua miséria intransigente, e como bruxos assustados os sargentos da desonra, os generaizinhos do crime esconderam com eficiência o cadáver do guerrilheiro, como se o morto os queimasse. A selva amarga engoliu os movimentos, os caminhos, e onde passaram os pés da milícia exterminada hoje os cipós aconselharam uma voz verde de raízes e o veado selvagem voltou à folhagem sem estampidos

Poema de Nicolás Guillén Che Guevara Como se a mão pura de San Martín Tivesse se estendido para seu irmão, Martí, E o Prata, de margens verdejantes, corresse pelo mar Para se juntar à embocadura cheia de amor do Cauto. Assim Guevara, gaúcho de voz forte, agiu para dedicar Seu sangue guerrilheiro a Fidel, E sua mão larga teve mais espírito de camaradagem Quando nossa noite era mais negro, mais escura. A morte recuou. De suas sombras impuras, Do punhal, do veneno e das feras, Só restam lembranças selvagens. Fundida dos dois, uma única alma brilha, Como se a mão pura de San Martín Tivesse se estendido para seu irmão, Martí. (Poema de Nicolás Guillén, o mais destacado poeta cubano vivo na época da revolução)

Poema de Sophia Mello Che Guevara Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas A indecisão dos complicados e o primarismo Daqueles que confundem revolução com desforra De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo Como Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas Porém Em frente do teu rosto Medita o adolescente à noite no seu quarto Quando procura emergir de um mundo que apodrece

HOMENAGEM A CHE GUEVARA As palavras eram força justa seu vestido as árvores sua casa

constante sonda da miséria funda por não saber contar sua mudez.

Soletrou a tiros de espingarda vozes de milhões de voz logo amputada no berço alheio que os fez submissos ao nulo programa dos anos de não ter

senão os corpos morenos calibrados na medida inversa da esperança. Corpos de cumprir a morte arando pastos às feras iguais fardadas de comando.

Nada se perdeu no rosto que nos mostram derrubado ao peso de oito balas. ― Por cada voz de nítido protesto cada testemunho cada alarme

um grito medo ou fome de criança as palavras actos permanecem renovadas sempre necessárias:

QUEM PÁRA MORRE. EU RETOMO A ESTRADA.

Marta Cristina Araújo, in “10 Poemas para Che Guevara”(Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

A FACE SUBMERSA Gastaram-se as promessas da sempre morte viva Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem

Sob as palavras as sílabas se reúnem Outras palavras sob as palavras nascem

A face submersa ressurge das raízes Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre

Um rastro se propaga, rasga as superfícies

Um perfume silvestre desempesta as cidades

As sílabas reúnem-se Uma bondade antiga retempera a revolta

Gastaram-se as promessas A face submersa ressurge das raízes

Outras palavras sob as palavras nascem

Antônio Ramos Rosa, in “10 Poemas para Che Guevara”(Ed. O Oiro do Dia, 1980, Porto, Portugal)

UM MOMENTO DE TRANSIÇÃO

O tempo procede à gestação de um homem. Um chão para um povo. Um tecto para a solidão.

O povo alimenta-se de lendas. Um homem Lutou para sacudir o sono e é agora uma lenda. Nome a conservar, a tomar um eco, manancial.

A poesia serve os que não possuem armas. Este homem fica no gatilho dos poetas. Dispara uma presença incómoda. Solta cristais de gelo no júbilo dos poderosos.

Enfrentar o destino duas vezes! Ganhar, recomeçar. A dor rola os seus dados ao longo de sete vidas: “gastei quatro, restam-me três”.

Uma bala atravessou a crosta da terra, parou O coração, o sofrimento não cicatriza. “Mi patria es America” Nenhuma bala pode matar a lenda. A epopéia transfere-se. O rigor mortis é um momento de transição, espaço aberto para o nascer dos novos rostos.

Um milhão de silêncios ouve soprar o vento.

Ainda ignoramos o nome das sementes. A interrogação terá uma resposta. As nuvens acumulam-se. Uma nova manhã fornecerá a terra à tempestade.

Egito Gonçalves, in “10 Poemas para Che Guevara”, (Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

OS ASSASSÍNIOS, NA CAÇA

alegoria para Che Guevara

O cervo na cicatriz da árvore exerce a sua servidão; diz-se que o bosque o tem ou que a simbologia é de ambos.

De um e de outro a ferida é imprecisa ― uma pedra a absorve

e sangra logo, um rio a escoa e seca, um servo que surgiu, em sua mão metaboliza-a. Bosque de servos, inquietos, de sopros de instrumentos para a caça. Depois, um servo no exercício da falcoaria lapidou o seu ser mais real: rei no alasão.

Os servos sublevados gritarão: Floresta, a parte é o todo e

o todo é universal. Um rei a ocidente occiso é o princípio. Uma cidade é a zona mais dorida ― quem me coroa: servo capital ou homem vivo?

Fiama Hasse Pais Brandão, in “10 Poemas para Che Guevara” (Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

GUEVARA

Levaremos ainda as nossas roupas vossos idílios sobre os suíços vossos pães vossas sujas refeições pelas clareiras vossas tatuagens.

Levaremos as vossas agonias. Coisas. Vestígios ácidos da dor. Estilhaços. Matéria. Vossas fontes sugadas e musgosas. Vossas hostes elementares. O encolher dos dedos sob as mantas nas ciladas. Vigílias. Levaremos vosso cheiro a folhagens e a verão.

Levaremos na pele vossas cidades em sua inexistência. Vosso rijo manobrar dos fusis.

Recondução da história. O novo, o limpo acumular dos corpos para o cio.

Levaremos os climas. Mais cerrados, no lugar da memória, avançaremos com vossos restos de calcinação. Avançaremos todos com os ombros quase amorosamente protegidos por ombros paralelos. Seguiremos e de ecos indignados seguiremos por onde nos chamastes.

E ainda traremos certas águas tranquilamente sobre as tardes vilas onde o ciclo dos sangues se fundia das raparigas nunca virgens, e outro, o fértil, sobretudo, em vossas chagas.

Hélia Correia, in “10 Poemas para Che Guevara”(Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

PLAYA GIRÓN

a morte vai e vem desce as escadas do sol que a enviou

retratos são espalhados pelas águas do pai do irmão do filho que matou

é a flor de aço e gelatina que na pureza da terra semeou

os novos barcos de ódio e a vermina dos antigos cavalos que domou

mas homens estavam vivos nas esquinas bem colados ao fogo que os juntou

gritando em quanta força o pulmão tinha cantando em quanto ardor se libertou:

aqui es nuestra tierra tierra niña aquí los hombres si yanquis no!

João Rui de Sousa, in “10 Poemas para Che Guevara”(Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

NESTE VIL MUNDO
Neste vil mundo que nos coube em sorte
por culpa dos avós e de nós mesmos tão ocupados em desculpas de salva-lo, há uma diferença de revoluções.

Alguns sofrem do estômago, escrevem versos, outros reúnem-se à semana discutindo o evangelho da semana; outros agitam-se

na paz da consciência que adquirem com agitar-se em benefícios e protestos; outros param com as costas na cadeia, para que haja protestos. Há também revoluções, umas a sério, que se acabam em compromissos, e outras a fingir, que não acabam nem começam. Mas são raros os que não morrem de úlcera ou de pancada a mais, e contra quem agências e computadores se mobilizam de sabê-los numa selva tentando que os campónios se revoltem.

Os campónios não se revoltam. E eles são caçados, fuzilados, retratados em forma de cadáver semi-nu, a quem cortam depois cabeça, mãos, ou dedos só (numa ânsia de castra-los mesmo depois de mortos) e o comércio transforma-os logo num cartaz romântico para quarto de jovens que ainda sonhem com rebeldias antes de empregarem-se no assassinar pontual da sua humanidade e da dos outros, dia a dia, ao mês, com seguro social e descontando para a reforma na velhice idiota.

Ó mundo pulha e pilha que de mortos vive!

Jorge de Sena, in “10 Poemas para Che Guevara”(Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

GUEVARA Não choro, que não quero Manchar de pranto Um sudário de força combativa. Reteso a dor, e canto A tua morte viva.

A tua morte morta Pelo próprio terror em que ficaram À sua frente Aqueles que te mataram Sem poderem matar o combatente.

O combatente eterno que ficaste, Ressuscitado Na voluntária crucificação. Herói a conquistar o inconquistado, Já sem armas na mão.

Quem te abateu, perdeu a guerra santa Da liberdade. Fez brilhar na manhã do mundo inteiro Um sol de redentora claridade: O teu rosto de Cristo guerrilheiro. 11 de Outubro de 1967 in Diário, X volume

Miguel Torga, in “10 Poemas para Che Guevara” (Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

CÂMARA ESCURA

Decomposição. A tensa luz, legível sobre o rosto queimado, de película, a folha, débil, desprende-se do in-fólio.ou é o outono? o cavar do furor, em plena terra?

reabro o in-fólio. A cega luz da folhagem cresta, invade o rosto, as áreas tácteis, vocabulares ― a câmara escura, as tinas, negativos. folha

que se dissolve, rápida, do frágil diafragma até ao corpo, morto. Vallegrande. Agora a luz expande-se. Conduz o corpo, entre a folhagem, com as armas

de luz, sóbrias de fogo, ar, crepitam no espaço rigoroso ― rigor mortis ― as aves,sob a cinza. é o seu voo entre os sulcos e as rugas, a humidade

desfiada pelo tempo, na retina. e face a estas tábuas, húmus, chuva, que face ainda vive? cega, dorme, na rigidez da pele, outra película.

Recomposição. O rosto desce, deflagrando. o ângulo

raso, entre os retábulos e sombras, sustém que imagem, que retina violenta, entre escarpas e dureza?

a secura rural, a deste crâneo morto, rasado pelo vento. retiro-o, então, do banho. pouso-o no in-fólio, sob a tensa folhagem: fibras, nervos.

Nuno Guimarães, in “10 Poemas para Che Guevara” (Ed. O Oiro do Dia, 1.980, Porto, Portugal)

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