P. 1
16843566 a Analise Economica Do Direito e a Repeticao de Credito rio

16843566 a Analise Economica Do Direito e a Repeticao de Credito rio

|Views: 8.811|Likes:
Publicado porNelsonkratsch

More info:

Published by: Nelsonkratsch on Apr 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/21/2013

pdf

text

original

Os autores costumam dividir a Análise Econômica do Direito com base em

dois diferentes enfoques: a análise positiva do direito e a análise normativa do

direito30

. Rodrigues, V., (2007, p. 34) trata da diferença entre as linhas de cognição:

30

“A análise econômica se divide em duas grandes abordagens: uma positiva e outra normativa.
Aplicada ao direito, a primeira prediz os efeitos das várias regras legais: por exemplo, sobre como os
agentes econômicos vão reagir a mudança nas leis e na sua aplicação. Uma análise econômica

35

as questões a que a Análise Económica do Direito tem dado mais atenção
são de dois tipos: Quais são os efeitos de um determinado enquadramento
jurídico? Qual o enquadramento jurídico que deveria existir? O primeiro
grupo de questões decorre directamente da definição da Economia como o
estudo da escolha racional: os economistas admitem que as escolhas que
as pessoas fazem são influenciadas pelos sistemas de incentivo a que
estão sujeitas, porque estes alteram os custos e benefícios das diversas
opções disponíveis. O comportamento individual é alterado pelo
enquadramento legislativo: se determinado comportamento é proibido, e
punido, a sua relação custo-benefício torna-se menos atractiva do que se
não o é. A lei pode, assim, ser pensada como um sistema de incentivos e
analisar os efeitos de diferentes sistemas de incentivos é uma das grandes
preocupações dos economistas. Este tipo de questões corresponde a uma
análise positiva do direito. Já o segundo tipo de questões corresponde a
uma análise normativa, que decorre da preocupação dos economistas com
a eficiência. Diferentes sistemas de incentivos, e portanto, diferentes
enquadramentos legais, não são igualmente eficientes: um economista
defenderia que se devem preferir enquadramentos legislativos mais
eficientes a enquadramentos legislativos menos eficientes.

Posner (2000, p. 69-70), que fundamenta sua Teoria da Eficiência da

Common Law com base na análise positiva, esclarece:

la distinción entre positivo y normativo, entre explicar el mundo como es y
tratar de cambiarlo para hacerlo mejor, es básica para enterder el
movimiento de AED. Sin embargo, es una distinción difícil para los
abogados porque son invariablemente normativos, y tal dificultad es una
fuente común de confusión, pues muchas de las críticas que son
propriamente señaladas como análisis económico normativo no se aplican
para el análisis económico positivo. Por ejemplo, que resulte difícil mostrar
que ‘eficiente’ es sinónimo de ‘bueno’ no se refiere, al menos
directamente, a la cuéstion de si la hipótesis de que el derecho
consuetudinario promueve la eficiencia está apoyada por la evidencia o no.
Otra distinción relacionada con el AED está entre el estudio del
comportamiento regulado y del comportamiento regulatorio. El economista
puede estudiar una actividad regulada por el sistema legal o puede estudiar
la actividad regulatoria del sistema. Un ejemplo del primer caso es el
estudio de la incidencia delictiva como función de la certeza o severidad de
las penas criminales, un ejemplo del segundo es el estudio de la estructura
del castigo penal.

Ocorre que, não raro, aqueles que tratam do tema acabam por fazer uma

análise parcial do movimento, atentando apenas para o enfoque positivista ou

positiva das regras de indenização, em matéria de responsabilidade civil, deve poder predizer os
efeitos das normas de responsabilidade objetiva e subjetiva sobre as condutas (ou comportamentos)
de negligência. Já a corrente normativa vai adiante e procura estabelecer recomendações de políticas
e de regras legais baseadas nas suas consequências econômicas, caso sejam adotadas. Não por
outra razão, esta corrente estabelece como princípio o uso da expressão ‘eficiência’ –
extensivamente usada neste livro -, possuidora de duas conotações importantes, também discutidas
adiante: a eficiência de Pareto, aquela na qual a posição de A melhora sem prejuízo da de B, e a
chamada eficiência de Kaldor-Hicks, na qual o produto da vitória de A excede os prejuízos da derrota
de B, aumentando, portanto, o excedente total” (PINHEIRO; SADDI, 2005, p. 88).

36

normativista. Veja-se a definição de Florenzano (2004, p.38), baseada em maior

grau no âmbito positivo:

Poderíamos dizer que a AED visa investigar a função da norma jurídica
como estrutura de incentivos para a atividade econômica. Em outras
palavras, visa explicitar os efeitos do direito, sobretudo o direito posto pelas
sentenças judiciais, sobre a economia. A AED é, pois, um instrumento
teórico que serve para auxiliar na análise, na crítica, na compreensão, na
interpretação e na aplicação do Direito, tendo em vista o aperfeiçoamento
do sistema jurídico composto de normas e instituições. Por intermédio do
sistema jurídico, tratam os homens de conseguir situações de certeza, de
segurança, de ordem e de paz em suas relações sociais. Mas, além disso,
deseja-se que essas situações ordenadas e pacíficas sejam justas.

Conclui o autor:

Para a AED a idéia de ordem justa se traduz pela idéia de ordem eficiente
que é dada pelo sistema jurídico que proporciona a estrutura de incentivos
mais adequada à realização do potencial produtivo da sociedade. Portanto,
os estudiosos que adotam a AED como instrumental teórico para a crítica
que visa ao aperfeiçoamento do Direito partem da seguinte indagação:
como o Direito posto indefere, influencia e determina o funcionamento da
economia? A partir das respostas encontradas nos vários estudos de casos
concretos, a AED vai sugerir como o Direito posto pode ser aperfeiçoado,
no sentido de proporcionar ou favorecer o melhor funcionamento possível
da economia, o que pressupõe uma economia funcionando com a máxima
eficiência possível.

Em contraposição, veja-se a definição de Silva, C., (2005, p. 161) atendo-se

ao aspecto normativista:

popularizado a partir da década de 60, tem como foco os comportamentos
humanos que resultam da influência de determinadas leis. Este campo é o
que tem mais se expandido, posto que prega que todo o direito positivo
pode se tornar mais ‘eficiente’ ao observarmos como este modifica o meio
social. Seus principais autores (Becker, Calabresi, Coase, Posner, etc) se
tornam ao mesmo tempo mais conhecidos e mais controvertidos, posto que
são acusados, por exemplo, por Ronald Dworkin e Frank Michelman, de
pôr o ideal de maximização das relações custo-benefício em detrimento do
caráter de Justiça do Direito.

Para finalizar, válida a citação de Sztajn (2005, p. 82) que, utilizando o

ensinamento de Ronald Coase, assim trata da Análise Econômica do Direito:

para Ronald Coase, Law and Economics demonstra a importância da
Economia no estudo do Direito, [...] centrada nas instituições sociais entre
as quais, empresas, mercados e normas, que facilitam compreender o
sistema econômico. Para Coase, quando os operadores do Direito
dominarem conceitos econômicos, suplantarão os economistas na

37

avaliação econômica dos efeitos das normas jurídicas, refinando o método
de estudo do Direito.

38

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->