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Caio Prado Jr - História Econômica do Brasil (resumo)

Caio Prado Jr - História Econômica do Brasil (resumo)

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CAIO PRADO JR HISTÓRIA ECONÔMICA DO BRASIL 1.

PRELIMINARES (1500 a 1530) Prado no início do livro descreve o palco sobre o qual se desenrolou a história econômica brasileira, o seu meio geográfico. Quanto à fixação da população, Prado afirma que os terrenos semi-áridos do Nordeste mantiveram a população no litoral, dentro do possível. No Sudeste, o relevo impede e opõe a penetração, já na Amazônia, composta por florestas semi-aquáticas, o interior se abre para o mar pelos rios, com as povoações se fixando no leito dos rios. Já o planalto Centro-Meridional oferecia ótimas condições para a instalação do homem, a saber, solo fértil, clima temperado e rios normais. Acerca do centro-sul, Caio Prado o dividiu em três setores: 1) setentrional, de grande altitude e relevo acidentado (Minas Gerais); 2) meridional, de relevo uniforme, florestas e campos naturais (de São Paulo ao Rio Grande do Sul) e 3) ocidental, com planícies herbosas e terrenos alagadiços, sem grandes recursos naturais, onde no futuro se desenvolveria a pecuária. O caráter inicial da formação do Brasil foi ditado pelo contexto internacional. Com a revolução comercial na Europa deslocou-se a primazia comercial para os países litorâneos como a Inglaterra, Holanda, Espanha e Portugal. Ao invés de lançar-se à exploração comercial das oportunidades que se lhe abriam no continente, Portugal partiu para a conquista de áreas sem concorrência como a África e as Ilhas do Atlântico. Contornaria a África para alcançar as índias com o Périplo Africano, tentando superar os italianos, que possuíam o controle da rota das índias e abasteceu a Europa por muito tempo com pimenta. Ao mesmo tempo os espanhóis alcançavam a América e os ingleses povoavam a América do Norte. Aí, a colonização só ocorreu por conseqüência dos cercamentos, e a sociedade foi pouco mais do que um prolongamento da Inglaterra. Em toda a América por muito tempo ficou-se mais na exploração da madeira, peles e da pesca. Quanto ao Brasil, a princípio só se cogitou explorar produtos extrativos, a idéia de povoar não ocorre a nenhum. É o comércio que interessa. As índias eram muito mais atrativas do que uma terra deserta recém-descoberta sem perspectivas econômicas alentadoras. A idéia de povoas só surgiu quando por contingência precisaram criar um povoamento capaz de abastecer e manter feitorias e organizar a produção de gêneros de comércio para a exportação. O primeiro produto extrativo a ser explorado aqui foi o pau-brasil. Em 1501, Fernando de Noronha recebeu uma concessão de exploração, mas três anos depois passou a ser monopólio real. A indústria extrativa de pau-brasil tinha que ser nômade, dada a dispersão das árvores pela terra, e assim não tinha condições de fixar povoamento. Para a exploração, construíram-se fortins para se defender dos índios e dos exploradores estrangeiros, que eram abandonados logo em seguida.

Já os trabalhadores livres foram utilizados nas funções de chefia ou de especialidade. foi mais comum a utilização do trabalho indígena em regiões mais pobres. toda a costa de presta ao cultivo de cana.Eles serviam também para guardar as mercadorias enquanto não vinham os navios recolhê-las. o latifúndio. O Rio de Janeiro e São Paulo mantiveram-se apagados como produtores de açúcar até o século XVIII por causa da sua posição excêntrica. Foi marca do período colonial o fato de a sociedade viver num estado contínuo de subnutrição. sendo as verduras pouco consumidas dada a abundância das primeiras. em terrenos a parte e entremeados. Também foi plantado em maior escala em Sergipe e Alagoas. mas com a fixação deste na cidade e sua conseqüente sedentarização terminou por engrossar a classe intermediária entre a servil e a senhoril. O caráter inicial da nossa formação foi agrícola. Por isso. Valeramse da mão-de-obra servil pois não se podia empregar mão-de-obra inferior em culturas diversificadas e com alto teor técnico. Elas foram principalmente encontradas nos próprios domínios da lavoura açucareira. careceram dos gêneros básicos para a alimentação. Foi usado na troca por escravos africanos. OCUPAÇÃO EFETIVA (1530 a 1640) Descreve o período em que o Brasil começou a ser ocupado e povoado. Alguns proprietários foram inclusive. Ao lado da agricultura exportadora desenvolveram-se atividades subsidiárias para tornar possível a realização desse objetivo principal. com Pernambuco e Bahia prosperando. mas com a afluência dos colonos diminui a sua disposição para o trabalho. No início a agricultura valeu-se do índio para o trabalho servil. No início eles recorriam aos índios para o trabalho nessas plantações. Foram características da nossa agricultura: a escravidão. obrigados a plantar mandioca para atender as condições mínimas de alimentação. 2. a contragosto. Houve também várias fazendas obrigadas. Nem todos os senhores tinham engenhos próprios. em particular voltada para a produção do açúcar. Em 1570 uma carta régia limitou a escravidão aos prisioneiros apenas em “guerras justas”. a monocultura e a produção voltada para o mercado externo. em alguns lugares criaram-se plantações especializadas. ficando cada vez mais difícil vencer sua resistência. Visto sua inadaptação foi introduzido o negro. Depois disso. especialmente. que já era usado no reino. sofrendo apenas depois concorrência das Antilhas e da América Central. Os centros urbanos. Assim. principalmente na região de Cachoeira. O tabaco também foi importante. o que resolveria esse problema. em que não se podia pagar o preço dos escravos. Até 1650 fomos os maiores produtores mundiais. As fazendas pecuárias no período inicial da ocupação do Brasil multiplicaram-se rapidamente por dois motivos principais: o consumo crescente de . Entre os hábitos alimentares do povo estava largamente a fruta. A grande propriedade se explica pelo fato de o açúcar ser rendoso apenas em grandes quantidades.

mas que com a decadência das atividades mineradoras tornou-se cada vez mais espaçada a cobrança. foi empurrada ao interior pela cultura da cana. que também prejudicava o comércio de vinho do porto. nos últimos anos do século XVII. e sal. tanto de comércio quanto de moradia. Foram criadas Câmaras Municipais. No Nordeste o senhor era absentista e a fazenda era dirigida pelo vaqueiro. Na primeira fase de ocupação o Rio de Janeiro era abastecido pelo Campo dos Goitacases e São Paulo recebia dos Campos Gerais. Depois da União Ibérica no entanto passou-se a criar os monopólios e as companhias privilegiadas e a surgirem. Em 1682 criou-se a Companhia de Comércio do Maranhão e do Grão-Pará. canela. para não concorrer com o comércio português. Determinou-se a livre exploração do ouro com o pagamento do quinto. subordinado apenas à Coroa. Além do direito de vender vinho. Agora. azeite e bacalhau. que resultou na revolta do Beckmann. e foram enfraquecidas com a introdução de juizes-de-fora. partindo o governo então à construção de casas de fundição. com o monopólio sobre toda a costa. A Fazenda Real também recebia datas na repartição delas. . tendo durado as atividades de mineração aproximadamente três quartos de século.carne e a facilidade em se levantar uma fazenda. Foi decretado também o pagamento da derrama. Portugal só tinha o Brasil e a África. através do Conselho Ultramarino. Foi no início do século XVIII que se descobriram as primeiras jazidas de ouro. dada a sua baixa densidade de renda e o seu caráter subsidiário. Tentou-se em seguida instituir a capitação. Houve liberalismo com os estrangeiros. que resolveram importantes assuntos gerais. A atividade. seu órgão máximo. pimenta. EXPANSÃO DA COLONIZAÇÃO (1640 a 1770) O novo sistema político que se desenvolveu na época da expansão da colonização foi marcado pela instauração do aparato que tornava mais forte o controle sobre as atividades da colônia. Por isso. mas não funcionou. Além disso. 3. Portugal perdeu algumas de suas possessões para os Países Baixos e para a Inglaterra. atritos entre os locais e os imigrantes. O contexto que levou Portugal a tomar essas atitudes foi marcado pelo enfraquecimento de suas colônias no oriente. nesse período foi grande a emigração de portugueses do Reino para o Brasil. Proibiu-se a produção e venda de oliveira. com sua frota comercial arrasada. A primeira companhia privilegiada de comércio foi montada em 1647. caracterizada pelos violentos abusos na cobrança. mas não chegou a explorá-las. Para organizar a vida caótica que se desenvolvia na região das Minas e garantir o recolhimento dos devidos impostos pelo governo foi montado um forte aparato administrativo. O seu órgão máximo foi a Intendência das Minas. foram tomadas medidas contra a produção de aguardente. onde teria que apostar todas as suas fichas. bem como a situação de arraso em que Portugal ficou com o fim da União Ibérica. vinho. Portugal com o tempo foi resgatando as capitanias hereditárias e dando mais poder aos governadores reais.

O homem procurou sempre as margens do rio para fixar-se. A Coroa por sua vez. O Piauí nessa fase . OCUPAÇÃO DA AMAZONIA E DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA A ocupação da Amazônia iniciou-se com o objetivo de expulsar holandeses e ingleses com a fundação de Belém em 1616. mesmo com a depreciação das pedras pela concorrência dos diamantes descobertos em outras áreas. A pecuária nordestina desenvolveu-se às margens do São Francisco. que integrasse a população do país. principalmente no Sul de Minas. Quando começou em 1729. marcada pela ignorância e pela desorganização. A pesca foi sedentária. Sua economia se sustentou pela exploração desses produtos como a salsaparrilha. que aqui apenas se ensaiou. o cravo.A exploração dos diamantes pode ser dividida em três fases. pois eles lhes permitiam fácil deslocamento pela região na procura pelos produtos extrativos. Com o surgimento desses novos núcleos de povoamento surge a necessidade de abastecimento que estimulará as regiões de Minas Gerais. a tartaruga. comissões de limites e com os jesuítas. houve a livre exploração. preocupou-se apenas em garantir a arrecadação do impostos. Ao invés de enviar técnicos enviava fiscais. e depois o monopólio real. As conseqüências da era do ouro no Brasil foi o deslocamento da primazia econômica do nordeste para o centro-sul do país. ajudando a pacificar o índio na região. cacau. obtendo lucros bem menores do que teriam se houvessem aguardado um pouco mais ou regulado a quantidade que ofertavam. que desbravaram o território e fundaram suas missões. no Piauí e no Maranhão. canela. A região possuía condições naturais extremamente desfavoráveis à fixação do homem como a vegetação equatorial e as florestas semi-aquátivas que dificultavam a agricultura. nas perizes. na segunda o arrendamento aos exploradores. disputando a força de trabalho do índio com as obras do governo como fortes. Destacamos o papel de relevo desempenhado pelos jesuítas. confluindo no Ceará e no Maranhão. Os fazendeiros eram atraídos pelos olhos-d’água para montar suas fazendas. o peixe. essa constituição desordenada dificultou o estabelecimento de um sistema de transporte eficiente. cujo poder foi abolido em 1755. Os colonos aproveitavam as épocas de colheita para laçarem-se em expedições. culminando na sua expulsão em 1759. São Paulo e Rio de Janeiro a desenvolver a agricultura e a pecuária. a ocupação do centro do país e o surgimento de vários núcleos separados entre si por imensas áreas desertas. No entanto. Havia somente duas atividades que se podia desenvolver: pegar os produtos ou acompanhar as embarcações que os carregavam. A decadência do sistema se deu pelo esgotamento das jazidas (as rochas matrizes eram escassas) e pela técnica deficiente na mineração. castanha. a crise portuguesa os levou a ofertá-los em grande quantidade no mercado. surgindo alguns pesqueiros particulares e reais. Neste último período. 4. Outra conseqüência foi a transferência da capital do Brasil para o Rio de Janeiro em 1763 já que a comunicação das Minas com o exterior se faziam por lá.

o aumento da população européia e a conseqüente valorização dos produtos colônias por causa das guerras e do colapso das Antilhas em 1792. tomava força na Inglaterra a revolução industrial. em que abastecia sem concorrência do Maranhão até a Bahia. servindo-se do contexto externo favorável para tal. além de surgirem novos produtores. os processos eram altamente improdutivos. O açúcar. com o incremento do comércio e das atividades econômicas. fornecendo à Bahia. que entrou em queda livre com as secas. bem como e principalmente no seu planalto no final do século. como o uso indiscriminado da lenha. Analisemos as técnicas segundo as quais desenvolveram-se nossas atividades econômicas. mineiro e goiano. era isolado do mundo. Vejamos o desenvolvimento dos gêneros agrícolas mais comuns na época. pelo próprio sistema. Primeiro. As principais dificuldades enfrentadas pela pecuária nordestina foram as difíceis comunicações com os centros consumidores. que abasteceu os sertões baiano.tornou-se a mais importante região pecuarista do Nordeste. iniciando-se também na produção de queijo e desenvolvendo plantações de tabaco na região do Sul de Minas. A força hidráulica não era comum. no Pará e em menor escala no Rio de Janeiro e foi o segundo produto em importância. decaindo com as secas no final do século. já se sentiam os efeitos devastadores causados pelos processos bárbaros e destrutivos empregados até então no cultivo do solo. as queimadas. Internamente. o colono. contamos apenas com os solos férteis e com os recursos naturais abundantes para obtermos nossos produtos agrícolas. os Campos dos Goitacases e o litoral de São Paulo. Minas se tornou a melhor região pecuária. Assim. O Rio Grande do Sul superou o sertão nordestino. que havia privado o solo do adubo. Foi nessa época que Portugal coloca em prática plena o pacto colonial. Além disso. Portugal por ter ficado neutro nos conflitos que se desenrolaram na Europa durante o século XVIII pode concentrar-se mais em colocar em prática a política do pacto colonial do Brasil. o não-aproveitamento do bagaço da cana e a separação entre a agricultura e pecuária. e com a carne seca do Sul. . 5. cuja carne era de qualidade muito melhor e era mais próximo aos centros mineradores. não tinha oportunidade de conhecer novas tecnologias. dependendo-se da força do homem e dos animais. graças ao contexto externo fez reerguerem-se a Bahia e Pernambuco. O arroz foi plantado no Maranhão. as regiões mineradoras voltaram-se para a agricultura e para a pecuária. APOGEU DA COLÔNIA (1770 a 1808) O período que marca o apogeu da colônia foi ditado pelo contexto externo que se desenvolveu. No São Francisco também se explorou o sal. apesar de as índias ocidentais holandesas levarem vantagem sobre nós por serem mais recentes. Nessa época. O seu apogeu foi no meio do século XVIII. as secas constantes e a concorrência com o sul da Minas.

com o aumento das tensões entre portugueses e espanhóis.O algodão serviu também como moeda de troca. 7. inclusive do charque. Também. que foi extinta em 1777. provocando um colapso nas regiões produtoras. sendo a relação entre o estancieiro e os peões mais como de chefe militar e soldado. coincidindo com a decadência da pecuária nordestina. Era forte também o elemento militar na região. o agreste e a Bacia do Jaguaribe no Ceará. responsável por três quartos do volume de negócios. A produção algodoeira caiu com a concorrência internacional e a conseqüente queda no preço. Depois do Tratado de Santo Idelfonso em 1777. Em segundo plano estava o Pará e o Maranhão e São Paulo começava a se destacar na produção de açúcar. foi o tráfego negreiro. A primeira foi fundação da Colônia de Sacramento em 1680. O ramo mais importante. Pernambuco e Rio de Janeiro. SÚMULA DO FIM DA ERA COLONIAL Vimos no final da era colonial três núcleos de importância: Bahia. INCORPORAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL A região no extremo-sul do país apenas começará a contar economicamente a partir de 1750. procedeu à colonização por açorianos. cujos hábitos eram nômades dada a natureza dispersa dos animais. 6. Os transportes e as comunicações contribuíram para a sedimentação dos povoamentos interiores no momento em que lhes garantiam o consumo de bens . Com o desenvolvimento da navegação a vapor intensificou-se a cabotagem do comércio. levadas por capatazes e peões. como Caxias no Maranhão. e a venda de cavalos e muares. sob a forma de estâncias. O comércio entre o Brasil e os mercados de consumo foi intermediado sempre por Portugal. mas uma forte característica dessa atividade foi o contrabando. A pecuária sulina não tinha nada de cuidadosa. A propriedade fundiária assumiu gigantes latifúndios. que forneciam às Minas. que acertou as fronteiras nacionais a região se pacificou. Não exigia mão-de-obra abundante. que se iniciaram em 1780. tendo-a perdido de acordo com o Tratado de Madri em 1750. A partir de 1760 saiu do Maranhão passando a ser cultivado em várias outras regiões em menor escala. além da vinda de tropas de defesa. e preferiu o interior ao litoral. apesar de utilizarem os cavalos como bestas de carga. Deu-se inclusive a criação da Companhia de Comércio do Pará e Maranhão. A principal atividade econômica na região foi a pecuária em três segmentos: a exploração do couro. cuja carne era desprezada e que até o final do século seria a maior mercadoria de exportação e as charqueadas. Enviou também à região uma corrente migratória que veio de São Paulo. apenas desenvolveu-se graças às generosas condições naturais de que gozava. principalmente por ingleses. Para a integração dessa região no eixo colonial o governo tomou algumas ações depois do fim da União Ibérica.

As manufaturas têxteis tendiam a se tornarem autônomas no Rio e em Minas. A cerâmica foi mais comum nas regiões do gado. e a cordoaria na Amazônia. quando a conjuntura se tornou favorável preferiram não assumir os riscos de novas restrições do governo colonial. A pesca da baleia desenvolveu-se pela faixa litorânea que ia da Bahia até Santa Catarina. LIBERTAÇÃO ECONOMICA (1808) Quando da vinda da família real para o Brasil. Os dois principais setores foram a cerâmica e a têxtil e de ferro. apresentávamos-nos sob o seguinte contexto: a indústria portuguesa não havia se desenvolvido. que sofreriam no futuro com a exclusão econômica. As indústrias extrativas foram várias. decaindo futuramente com a concorrência americana e inglesa nas Ilhas Falkland. 8. levadas por homens livres. que encarecia os artigos volumosos e pesados. na Bahia e no norte de Minas. Essas comunicações tendiam a convergir no interior. O salitre foi explorado por iniciativa particular num afluente do São Francisco. Nos centros urbanos surgiram as corporações. O sal era monopólio da Coroa. Sua existência completava a autonomia dos grandes domínios rurais. Portugal tinha sua marinha arruinada desde o final da União Ibérica. principalmente no Nordeste. mas tornou-se mais intensa a sua exploração depois de 1810 com os ingleses. mas foram sufocadas pela Coroa sob Dona Maria em 1785. atuando como mero intermediário. mas foi mais apreciada em regiões platinas como Montevidéu e Buenos Aires. pois não era nem consumidor dos gêneros tropicais e nem fornecedor dos consumidos aqui. Assim. o que não nos permitiu aproveitar as jazidas de sal do Rio Grande do Norte. do Maranhão até o Rio. que eram em geral mulatos ou mestiços e eram auxiliados por escravos. As artes e manufaturas foram simples acessórios da mineração ou dos estabelecimentos agrícolas quando desenvolvidas longe dos centros urbanos. Portugal nos impedia com isso de garantirmos a nossa subsistência com recursos próprios. não desenvolvendo o potencial que tinha por conta das dificuldades impostas.importados e o escoamento de sua produção. fazendo desaparecer o artesão e requerendo o acesso aos mercados consumidores por parte . apenas o marinho. Isso dispensou a aprendizagem de meninos e adolescentes. quando mandou extinguir tal indústria. mas não foi aproveitado como deveria. A erva-mate foi produzida no Paraná e também por jesuítas nas missões. O aparecimento do capitalismo industrial causa a falência do pacto comercial e se volta contra os monopólios. Explorou-se a madeira para a construção naval com estaleiros na Bahia e no Maranhão. O ferro contava com matéria prima abundante a amplo mercado. O transporte de cargas se fazia principalmente no dorso de animais. Suas atividades giravam em torno do comércio colonial brasileiro. Além disso.

Em Minas Gerais surgiram várias manufaturas têxteis. Um dos principais efeitos no Brasil foi a criação de serviços como estradas. mas também ela foi perdendo a base moral até nos círculos mais conservadores através de um longo processo. como Bonifácio. e muitos dos seus membros criaram laços com a terra e passaram a investir aqui. Com o alto volume de importações o governo viu como fonte de renda mais fácil o imposto alfandegário. higiene. escolas. Portugal. segundo o qual os produtos ingleses concorriam com imensa vantagem até sobre os produtos portugueses. Argumentava-seque o maior perigo da independência eram os escravos pela contradição que cindia as classes em castas. o que os agravava ainda mais. causando graves animosidades contra os estrangeiros e graves conflitos sociais. Por isso. como a Inglaterra. exército.Vimos surgir um estímulo às necessidades de consumo que aqui cresceu em uma proporção vertiginosamente maior do que a nossa capacidade produtiva. pois o comércio português estava interrompido por Napoleão e a colônia estava desabastecida. construção de estradas e a imigração. por outro lado. surgiam correntes de pensamento que defenderam a homogeneidade e a liberdade do povo para que nos tornássemos uma nação una e forte. ninguém pensava na ilegitimidade da escravidão. além de possuírem variedade e qualidade muito acima daquela das mercadorias do reino e pela facilidade de transporte pela quantidade. desapareceu assim a classe dos artesãos. ABOLIÇÃO DO TRÁFICO (1808 a 1856) Antes e depois da independência a escravidão constituía mola mestra na economia. O Correio Brasiliense teve um importante papel na condenação do sistema. Para tornar as coisas piores. só tinha o nosso comércio para se sustentar economicamente. incentivando as importações a fazendo surgir um equilíbrio financeiro abalado. A corte fiou aqui por 13 anos. visto que os nossos déficits eram saldados por empréstimos internacionais. O Brasil passou a ser uma opção mais promissora depois disso. pois rompiam-se irrevogavelmente os laços que nos ligavam à metrópole. Porém. colocando-nos sob a dependência estrutural dos empréstimos internacionais. não conseguimos desenvolver uma produção nacional capaz de atender o nosso mercado interno. A abertura dos portos atendeu a circunstâncias do momento. Com a ascensão do proprietário rural como classe dominante reforçaramse as posições escravistas. a dissolução de uma implicaria no desmantelo do outro. saneamento. O escravo não teve um papel ativo na . Esta e o tráfico de escravos estavam visceralmente ligados. a grande precursora da independência do Brasil. Até a chegada da Corte ao Rio.dos países produtores de bens manufaturados. O Rio virou centro de atração e atenção. mas que com os tratados com a Inglaterra não nos permitiu por um tempo aumentá-los. Foi portanto. Outras conseqüências foram as melhorias nas estruturas portuárias. a abertura. A abertura dos portos às nações amigas cedeu à Inglaterra toda a liberdade de ação que Portugal tinha no Brasil com o Tratado de Comércio e Navegação. 9.

Esse fato era alimentado pela renovação de massas de escravos pelo tráfico. Com a Independência em 1822 ratificaram-se os acordos anteriores e em 1831 foi proibido o tráfico por D. só surgiu com a queda da mineração e foi estimulada pela abertura do mercado norte-americano. como ninguém por aqui parecia querer aplicar as proibições. Aqui. por ser indissolúvel o binômio tráfico-escravidão. Quem sofreu maiores impactos foi o Nordeste. agora desligado da Inglaterra. todas heterogêneas e hostis entre si. aumentando a demanda agregada por bens e serviços e fazendo-se sentir uma forte inflação. mas pouco se viu na prática. causando abusos por parte da Inglaterra. REVOLUÇÃO AGRÍCOLA A abolição do tráfico impôs um novo contexto geral à nação. que não queria mais . Por fim. Na Bahia. Assim. Como principal conseqüência vimos a ativação dos negócios de outros setores pela liberação de capital atrelado ao tráfico negreiro. Era uma planta delicada e permanente. que já vinha aumentando desde a abertura dos portos e do aumento das necessidades internas de consumo. Insulásia (Java e Sumatra). em 1850 foi decretada a expulsão dos traficantes e abolido o tráfico negreiro. tornando-nos um Estado soberano e aberto à livre concorrência. algumas manifestações foram comuns. Com o Tratado de Viena que reorganizou a Europa depois de Napoleão em 1815 instituiu-se o fim do tráfico ao norte da linha do Equador e a Inglaterra conseguiu o direito de visita em alto mar por 15 anos em 1817. aumentando os abusos e atacando até navios que não estavam envolvidos. De acordo com o Tratado de Aliança e Comércio assinado em 1810. enriquecendo a população. que representava um quarto do comércio. Pedro I. Restabeleceram-se as relações com a Inglaterra. O café foi introduzido no Brasil em 1727 no Pará.luta pela extinção da escravidão. o Rei se comprometia a combater o tráfico em territórios portugueses. 10. Como conseqüência. mais próspero com o café. no entanto. o Brasil sentiu a sua soberania ameaçada. Isso nos colocou sob um iminente estado de guerra. Uma outra conseqüência era o prenúncio do fim da escravatura. põe em xeque todo o conjunto daquela estrutura assente na produção extensiva. Nos anos de 1857 e 1864 enfrentaríamos sérias crises financeiras por causa disso. encerrava-se a fase de transição iniciada em 1808. Durante a Regência. Tornou-se o principal alimento de luxo no comércio internacional no correr do século XVIII. sentiu menores impactos pois aproveitou-se da crise no norte para comprar os escravos de lá. principalmente depois da Bill Aberdeen em 1845. pois desestruturou sua base. além de trazer imigrantes. que já sentia a decadência das lavouras tradicionais com a concorrência do açúcar da beterraba e do açúcar do sul. em que a Inglaterra se dava direito total de vigilância e apreensão. Seus maiores produtores haviam sido as colônias inglesas e neerlandesas – Índias Ocidentais. Além disso. O sul. a Inglaterra redobrava sua vigilância. demorava cerca de 4 anos para dar o fruto.

estendendo-se ao norte de São Paulo. Viu-se falhar essa primeira tentativa. As principais conseqüências da riqueza cafeeira foi o reforço da estrutura tradicional da economia brasileira. procedeu-se à mecanização da indústria rural. com sua economia ligada a interesses exógenos e alheios. Vimos depois de 1850 se intensificar a vinda de imigrantes. DECADÊNCIA E ABOLIÇÃO A oposição franca contra a abolição da escravatura só se inicia depois de 1850. Em 1844 o governo promoveu uma modificação na política tarifária. os solos de terra roxa deram vida a enormes superfícies uniformes. a aplicação do escravo era ineficiente. com uma ascensão do padrão de vida da população. e contou-se com uma boa rede de estradas. de sua condição de fornecedor de gêneros em alta para o consumo externo. Por isso. subindo depois para 50 por cento. Com a Lei . mais para obter uma renda maior com as tarifas alfandegárias do que para proteger a produção local. Contávamos com uma posição geográfica favorável para suprir o mercado americano. requerendo grandes investimentos.comprar dos fornecedores ingleses. e sempre em segredo. Sua exploração foi descuidada. A Guerra do Paraguai serviu como pretexto para adiar o debate franco sobre o tema. Lá condensou lavouras e povoamentos. Depois de 1865. que conviviam na lavoura junto com os escravos. sendo rapidamente levado ao Vale do Paraíba. o que se opunha ao seu desenvolvimento por falta de braços. sendo mais vantajoso pagar salário. sentimos um reajustamento da vida econômica do país. A produção passou a se orientar pelo porto de Santos. estruturando toda a sua força e meios produtivos em função disso. Com a cultura do café. foi menos acessível ao produtor modesto. onde teve as melhores condições e foi plantado em maior abundância. com a taxa de importação a 50 por cento. Lá. A partir de 1860. com o início da indústria manufatureira. abrindo precedente. havendo diversas tentativas de conciliação entre os interesses dos escravocratas e dos libertadores. os mares de café. com o fim do tráfico negreiro. começaram a surgir manufaturas de vulto. Outra foi o surgimento da última aristocracia do país. Esse aumento foi para 30 por cento para qualquer mercadoria estrangeira. mas com a organização de um ministério escravocrata dissolveu-se a Câmara e as forças conservadoras e reformistas se polarizaram. éramos o único país a manter a escravidão. Paralelamente. dependente de uma conjuntura internacional favorável. estradas de ferro. Instalaram-se manufaturas. Vimos seu desenvolvimento em três fases: a primeira foi no Rio de Janeiro. A partir de 1860 observamos em nosso comércio exterior crescentes superávits. esgotando rapidamente os solos e partindo para a região de Campinas. De Campinas o café prosseguiu sua marcha até a região de Ribeirão Preto. muitas delas com capital inglês (principalmente os de infra-estrutura). 11. tornando os fazendeiros de café a elite social. Na lavoura já se sentia a falta de braços – compravam-se escravos do norte para completar os quadros – e o sul se tornou um dos maiores freios do movimento libertador.

a indústria se apresentava ainda sem um mercado amplo. pois raramente se chegava a essa idade e mesmo se chegasse. Outra onda de imigração foi acentuada depois do fim do tráfico de escravos. através da imigração subvencionada. Durante os 13 anos de permanência da Corte foram instalados alguns núcleos de colonos alemães. cujo o objetivo era fortalecer a região devido às questões do Prata. devido às condições de imigração. fazendo o Europeu procurar o Brasil. suíços e açorianos no Espírito Santo. As dificuldades enfrentadas foram o clima desfavorável. 13.do Ventre Livre em 1871. SÍNTESE DA EVOLUÇÃO ECONÔMICA DO IMPÉRIO No final do Império. Pernambuco. as fazendas de café contarão quase que unicamente com trabalhadores livres. Minas. Rio de Janeiro e Santa Catarina. Isso foi favorecido pelas restrições à imigração nos EUA. pois se abriam perspectivas de produção aos senhores do café. se passou a estimular a imigração novamente. O governo procedeu a continuas . Bahia e Maranhão. o que era uma piada. pois Portugal precisava reformar seu exército. A partir de 1880 formam-se sociedade abolicionistas e os próprios escravos começam a tomar parte na luta. a organização social pouco atraente e as restrições religiosas. houve coincidência entre os déficits crônicos e os momentos de maior prosperidade econômica. passando a ser prioridade na política do governo. Por volta de 1870 quando a escravidão sofreu duros golpes. A situação econômica do país foi marcada pela inflação de crédito e pela inversão de capitais engessados anteriormente no tráfico para inúmeros novos empreendimentos. trazendo-os às fazendas em regime de parcerias. tentando deslocar os olhares sobre a escravidão. Permitiu-se com isso entrosar no trabalho uma camada da população que vivia à margem da sociedade. interrompendo a vinda de trabalhadores para cá. houve campanhas na Europa contra a emigração para o Brasil. o governo aplicava uma manobra de diversão. IMIGRAÇÃO Depois da transferência da Corte para o Rio é que a imigração e a colonização provocada tiveram finalidade demográfica. 12. O trabalho livre ajudou a enterrar de vez a escravidão. concentrando suas atividades principalmente nas manufaturas têxteis no Rio de Janeiro. só depois introduzindo o salário. Em 1876 a Itália entrou como grande fornecedora de braços para cá. A partir daí. Contudo. A partir de 1880. O sistema de colonização teve mais sucesso no Extremo-Sul do país. não teria condições de arrumar seu sustento se fosse livre. o que evidenciava o caráter especulativo dos investimentos internacionais aqui. pois essas regiões tinham uma maior densidade demográfica e melhor proximidade das fontes de matéria prima. A Lei de 28 de setembro de 1885 deu liberdade aos maiores de 60 anos.

importantes para o Mato Grosso do Sul. A isso somou-se uma maior autonomia dos Estados. REPÚBLICA BURGUESA (1889 a 1930) A introdução do trabalho livre proporcionou o desmantelamento do sistema antigo. em que a ambição ao lucro era um alto valor social. Tudo isso gerou um forte desequilíbrio das finanças. Isso gerou alta repercussão internacional dando nascimento na forma de um aparato judicial de vigilância sobre o tratamento dos senhores com os trabalhadores. O Brasil passava a ser o maior produtor mundial de matérias primas. entre 1865 e 1870. Esse enriquecimento causou a explosão de atividades econômicas e uma mudança de mentalidade. motivando o crescimento . que não teria sido possível sem tais inversões. sendo a mais séria da história a decorrente da Guerra do Paraguai. 14. a duras penas é verdade. com o acumulo de capital graças à agricultura. O homem de negócios era agora uma figura central na sociedade. e a política girava em torno de interesses particulares. fazendo surgir um surto de novos negócios. pois o senhor não estava acostumado com a condição livre do seu empregado. e na medida em que se investia mais para garanti-lo tornava os empresários ainda mais dependentes desse negócio. desbancando as comunicações terrestres e as estradas de ferro.emissões de moeda. Em nossas finanças vimos grandes inversões de capital internacional e o incremento da lavoura cafeeira. com os pagamentos ao exterior pela compra de gêneros alimentícios e pelo envio de dinheiro pelos imigrantes aos países de origem. Assim. que começaram a fazer empréstimos em nome próprio. esse desequilíbrio acabou por contribuir para a diversificação de atividades. Com isso. As novas condições de vida forçaram uma readaptação da estrutura agrária para atender o novo contexto demográfico do país. o alargamento dos mercados mundiais para os produtos tropicais e o forte desenvolvimento da população européia e americana. Passamos por sérias crises em 1857 e em 1864. A década entre 1870 e 1880 representou o momento de maior prosperidade nacional. Com o problema interno de mão-de-obra resolvido. condição que perdeu a importância com a estrada de ferro que o liga ao litoral Atlântico. proporcionou-se em algumas áreas o desmembramento dos latifúndios. A adaptação do trabalhador livre não foi fácil por causa da instabilidade e do estado permanente de atritos. Multiplicam-se as empresas financeiras para dar suporto ao novo sistema dependente do giro de capital. No entanto. O trabalho assalariado agora movimenta o capital e o investimento estrangeiro flui para cá. refletindo em oscilações no poder aquisitivo do povo. ao tempo em que se fomentava a produção gerava-se uma forte dependência em torno do negócio de uns poucos gêneros exportáveis. O progresso se mostrava com a navegação a vapor. elevando a dívida externa de 30 milhões para 250 milhões de libras em apenas 30 anos. trouxe um liberalismo geral. que garantiu a navegação nos rios Paraguai e Paraná. com o pagamento de juros de capital aos estrangeiros.

construíram-se usinas de energia. Essas constantes emissões de moeda geraram um estado geral de especulação. de solo e de transportes extremamente favoráveis. Vimos um grande número de falências e a retração do capital internacional. Houve então retração da moeda e o Brasil tornou-se um campo seguro para inversões estrangeiras. Assim. cresceram os encargos com as insurreições armadas. os altos lucros estimulavam maior investimento na produção. Em 1898 procedeu-se a uma moratória das dívidas. o que deixava a maior parte dos lucros com os intermediários. O Espírito Santo também desenvolveu sua lavoura mas esbarrou na escassez de terras. A imigração européia foi outro fator essencial para esse progresso. tendo resultado de um persistente esforço e organização do governo. o governo procedeu à emissão de moeda para atender à demanda por capital graças ao aumento do volume de negócios e para auxiliar com crédito os produtores afetados pela abolição. Assim. com a queda no preço do café devido à superprodução. teve lugar a penetração da finança internacional como intermediários entre os produtores e os consumidores. A crise cafeeira foi resultante especialmente da superprodução. e depois os produtores teriam que arcar com as dívidas contraídas através de um imposto sobre as sacas. que ajudaram a retirar do mercado . A partir de então a economia cafeeira foi marcada por crises sucessivas e grandes oscilações. CRISE DO CAFÉ O café havia progredido até então graças a uma série de fatores. com a desvalorização da moeda e a queda na taxa de câmbio. adiando o pagamento de juros aos franceses e ingleses pela construção de estradas. melhoraram-se os portos. mas a cultura cafeeira não acompanhou os progressos qualitativos que se impunham. Acumularam-se estoques invendáveis do produto e intensificou-se a especulação através dos intermediários. aumentaram-se as exportações. São Paulo encontrou vantagens topográficas. reforçando ainda mais nossa dependência ao capital externo. Ao mesmo tempo. aumentando o déficit público. 15. Diante desse novo contexto. com duas fortes crises em 1891 e 1898. Em 1891. o que tornava os investidores ainda mais dependentes do sistema. O London & River Plate Bank foi o intermediário entre o Brasil e os credores e saiu-se como maior beneficiado. Em 1906 com a queda nos preços e a valorização da moeda. Estes não percebiam nenhuma alteração de preços. os preços caem abaixo do custo de produção e o governo interveio com uma Política de Valorização. comprando a produção para forçar o preço a subir. com a produção de variados gêneros agrícolas. pois como foi dito anteriormente. Criou-se a Comissão do Café para gerir a valorização. entraram como financiadores vários grupos financeiros. A receita da União diminuiu com a descentralização do poder.da indústria manufatureira e alguns campos de experimentação em São Paulo.

sua produção se volta para o interno. Os donos dos engenhos centrais passaram a usar matéria prima própria. que moíam a cana de várias propriedades. Paralelamente. 16. e entre 1918 e 1924 aumentou-se mais uma vez a produção. que manteve a alta de preços.entre 1906 e 1910 cerca de 8 milhões e meio de sacas. apenas regulando as entregas. Alcançou-se uma certa estabilidade com a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool. suspendeuse o financiamento do café retido e procedeu-se à liquidação dos débitos. formavam-se grandes trustes que dominavam todo o mercado financeiro. principalmente as zonas cafeeiras. ajudado por uma grande geada. Uma região em que observamos um certo progresso depois da quebra geral foi a de Minas Gerais. Novamente. O açúcar enfrentava séria crise com o fim do tráfico de escravos e a queda de preços.. As conseqüências da crise foi a transformação dos engenhos e usinas. como a Lazard Bros. chegando a contribuir posteriormente com 90 por cento da . adiantavam recursos necessário para outros Estados para ajudar a regular as entregas. ao invés de diversificarem sua economia. A partir de 1926 já tínhamos um acúmulo de estoques retidos e mesmo assim. Esse processo ocorreu pois os engenhos que não tinham recursos recorriam aos engenhos centrais. tentou-se manobras para forçar alta dos preços. A produção de açúcar ainda representava a única atividade econômica de grandes regiões do país. que se passaram a plantar cana. Com o fim da guerra. OUTROS PRODUTOS (189 a 1930) Passemos a uma visão geral da agricultura. mas foi na Bahia em meados do século XVIII que encontrou ótimas condições naturais. com novo surto de negócios e de emissões de moeda. Eram eles que ganhariam mais com os lucros da revenda. além da ativação financeira da economia. O cacau representou durante o período colonial a maior riqueza para a Amazônia. passaram a adquirir os engenhos. e devido à irregularidade no fornecimento de cana. em especial a Colômbia. mas que não funcionou por causa do aumento da participação da concorrência. tornandose usineiros. Os produtores eram ajudados com um financiamento de até 50 por cento do valor da produção pelos bancos. Alcançou-se um certo equilíbrio de preço com a Primeira Guerra entre 1914 e 1918. Como o Brasil era responsável por 60 por cento da produção mundial. ainda sofria com a concorrência do café por mão-deobra. Como agravante. Insistia-se numa atividade que já havia perdido sentido. a alta nos preços estimulava novas dívidas para financiar a produção que não era vendida. houve um novo boom. a superprodução esboçava uma crise. Tendo perdido o mercado externo. Com o craque da bolsa de Nova Iorque em 1929 estancou-se o crédito externo. e criou-se o Instituto do Café em São Paulo. A crise aumentou com a concorrência das regiões arruinadas pelo café. que controlava a oferta e a demanda.

Ganhava força no Brasil o surgimento da pequena propriedade. a povoação se dissipa e a riqueza se desfaz. elétrico. que favorecia e exportação e encarecia a importação. Com a crise. A Amazônia teve mais caráter de povoamento do que de uma sociedade organizada. além de impulsionar o produção de carne . que estimulou a maquinofatura têxtil. resultando na questão do Acre. que era uma função da importação. A exploração da borracha foi ainda auxiliada com a vinda de nordestinos à região da Amazônia entre 1877 e 1880 por causa da seca e atingiu seu auge em 1912. A borracha decolou na pauta de exportação depois de 1880. as crises favoreciam a venda e o retalhamento de fazendas. que em 1907 se tornou o maior produtor de borracha do país. A Primeira Guerra também contribuiu para o crescimento da nossa indústria pois caía a concorrência estrangeira – crescia o número de subsidiárias estrangeiras depois da guerra. Garantiu-se a mão-de-obra através do endividamento do trabalhador ou até pela força. A pequena propriedade só se difundiu em São Paulo por causa das vicissitudes da lavoura do café. a crise da grande propriedade. 17. INDUSTRIALIZAÇÃO Os principais deflagradores da industrialização do Brasil foram o declínio do câmbio. Foi também um fator propulsor a crescente industrialização. São Tomé era o nosso principal concorrente. resolvendo o problema da carestia alimentar.produção mundial. Ela surgiu principalmente nas áreas onde o café não vingou ou onde faliu a sua produção. que deixava para trás terras cansadas. as altas tarifas alfandegárias a partir de 1844 com o objetivo principal de obter recursos para sanar o buraco do Tesouro Público. a disponibilidade de mão-de-obra barata e a produção do algodão. a partilha hereditária e o desmantelamento do sistema servil com o advento da imigração. sendo responsável por 40 por cento das exportações. Éramos apenas produtores de matéria prima mas todo o negócio era alheio a nós. coincidindo com o aparecimento da borracha em 1880. A crise da borracha se deu por causa da concorrência oriental no Ceilão e na Malásia. depois de ganhar importância com o desenvolvimento da vulcanização em 1842. Chegou o cacau a proporcionar novas perspectivas de retorno da riqueza que se havia perdido na Bahia. mas esbarrou mais uma vez na conjuntura externa. com o alargamento dos mercados mundiais no século XIX com o crescente consumo do chocolate. de veículos. mas foi quando a Costa do Ouro obteve 40 por cento do mercado mundial é que caímos em uma crise que nos colocou num inexpressivo segundo lugar. O avanço das frentes de exploração da borracha chocou-se com uma frente de militares bolivianos. que não sustentava mais aquela estrutura fundiária. estimulando-se a diversificação de gêneros alimentares para atender as necessidades das grandes aglomerações urbanas. Além disso. Suas causas principais foram o adensamento da população. atuando no setor químico. que são aproveitadas pelas comunidades modestas.

Com o tempo. vivemos um período sombrio. à imigração européia e à energia hidráulica em abundância. Era portanto uma indústria rotineira e sem progresso técnico sustentado. contávamos com poucas reservas de carvão de pedra. onerava-se a aquisição de modernos bens de capital importados. Depois da Guerra. Em São Paulo foi o Estado mais favorecido. A indústria brasileira viveu parasitariamente das altas tarifas alfandegárias e da depreciação cambial. A partir de 1907 as principais atividades industriais eram a de alimentos e têxtil. quando cresceu a importação de manufaturados. Outra característica foi sua dispersão. Ganhou ímpeto quando a Inglaterra deixou de se concentrar apenas no comercial para querer tirar proveito de todas as atividades através do capital financeiro. O crescimento da indústria teve o primeiro ímpeto em 1880 e 1889. 18. o que nos deixou sempre um passo atrás dos grandes concorrentes externos. Sua primeira participação foi nos empréstimos públicos. Além disso. As dificuldades encontradas no desenvolvimento da nossa indústria foram a falta de mercado consumidor. sustentou-se na desvalorização cambial e nas altas tarifas alfandegárias protecionistas. Nosso sistema dependia . e a concorrência das mercadorias estrangeiras antes de 1844. graças à riqueza criada pelo café. com o surto de novas de atividades no país. Isso foi facilitado pelo caráter da nossa formação. sua sorte estava ligada às vicissitudes de fatores que não dependem dela: o comércio externo e as emissões de moeda para cobrir os gastos do governo. Até então a exploração das jazidas de ferro tinha sido dificultada pelo controle das jazidas por empresas internacionais. vulneráveis à penetração do capital estrangeiro por ainda nos organizarmos em função do mercado externo. principalmente entre 1924 e 1930. não sendo as indústrias inseridas num sistema homogêneo que promovesse o desenvolvimento sustentável da atividade industrial.congelada no Rio Grande do Sul para exportação. de fonte de matéria prima para a indústria externa. que não permitiu um surgimento sustentável da nossa indústria. Como foi dito antes. Depois da Primeira Guerra a metalurgia se desenvolveu com a criação da Belco-Mineira em 1921. que não lutavam para conquistar novos mercados. além de impedir a entrada de novos concorrentes na nossa indústria por causa dos altos custos dos materiais importados. assim. passaram a utilizar os lucros obtidos com a indústria como reinvestimento. IMPERIALISMO O capital estrangeiro ocupa uma posição central na história da nossa economia. Os investimentos iniciais para o financiamento da indústria vieram principalmente dos fundos individuais dos fundadores e com a acumulação de capital graças ao café. Essa situação provocava uma inércia nas nossas indústrias. pois eram extremamente protegidas. dado o isolamento das regiões e as poucas linhas de comunicação.

com 60 por cento da nossa produção. matérias primas para a indústria.visceralmente do capital estrangeiro. não havendo mais história deste ou daquele país. 19. além do crescimento demográfico. A indústria nacional passaria então a substituir a importação de bens de consumo corrente. fazendo da Alemanha a maior compradora. com a situação financeira favorecendo a importação e fazendo-nos sentir o peso da concorrência . Apenas recentemente começamos a figurar como exportadores de minério de ferro. químicos e máquinas. Essa expansão a princípio teve que ser atendida por importações. fazendo surgir bancos estrangeiros aqui. que assumiram um papel de primeiro plano na nossa economia. Das grandes matérias primas industriais. gerando um desequilíbrio financeiro. sofremos uma crise passageira. 3) com os empreendimentos industriais. A importação caiu. As conseqüências do imperialismo no nosso país foram a introdução de novos padrões. Vimos com isso o surgimento de novas necessidades e exigências econômicas e algumas atividades que conseguiram manter a vitalidade. 2) com a especulação financeira devidos às oscilações cambiais e à carência de capital de giro. só fornecemos a borracha. CRISE DE UM SISTEMA (1930 a 1970) Vimos que o nosso sistema ia-se desenvolvendo oportunisticamente em torno de embaraços que iam surgindo. O imperialismo representa um sistema amplo e geral da organização econômica do mundo. A nossa evolução econômica sempre se deu em torno dos grandes acontecimentos mundiais. Depois Primeira Guerra os interesses se voltaram para a descentralização da produção de matéria prima. Ganhou ímpeto de várias formas: 1) quando foi empregado no financiamento da lavoura cafeeira. estimulando-se assim a produção interna de bens que depois de 1930 atendia a proporções cada vez maiores. e fazendo o Japão investir no negócio a partir de 1930. como os serviços públicos e a indústria manufatureira e 4) com a instalação dos grandes trustes desde antes da Primeira Guerra. que passa a abrir mercados para a indústria nacional em troca da exploração de sua mais valia e põe à disposição da indústria as matérias primas de que precisávamos. imigração e o progresso dos transportes e das comunicações. o que faz aumentar a nossa concorrência. graças ao surgimento do mercado interno com a abolição. um primeiro passo para uma economia nacional. exemplos e técnicas. trigo. que operavam com as disponibilidades do país no exterior. A partir de 1950 começou a crescer a importância do algodão graças à cisão dos blocos mundiais entre Estados Unidos e Grã-Bretanha de um lado e Alemanha e Japão do outro. que seriam aplicados no nosso modo de vida e o estímulo à vida econômica do país com a realização de inúmeros progressos. sendo seu papel inicial a participação em todas as nossas atividades econômicas. restringindo-se a combustíveis. Depois da Primeira Guerra. que a partir daí passou a se apropriar de todas as etapas do negócio.

que não nos dariam lucro pelo baixo valor agregado. Vimos com isso uma inflação no nosso meio circulante. inclusive fornecendo ao mercado externo. duas foram as marcas do nosso desenvolvimento: 1) Sempre estivemos à mercê do oportunismo para lucrar com a venda de gêneros exportáveis. Essa condição favorável no entanto não contrabalançou no pós-guerra o aumento das importações por causa da necessidade de repor o material desgastado e . América Latina e África do Sul. Caiu o preço do café.externa. a rede de transportes. bem como as de fornecedores de matéria prima e gêneros tropicais. Os Fomos privados de combustíveis com a redução do tráfego marinho. apenas o ferro e o manganês. o sistema comercial e financeiro estavam direcionados a um sistema. A CRISE EM MARCHA Até agora. Isso se evidenciou quando sentimos que a nossa estrutura agrária. aumentou a exportação de gêneros alimentícios e de matérias primas. 2) O nosso crescimento industrial se sustentou graças aos embaraços sofridos pela importação. levando à devastação das matas para extrair lenha e carvão. Caíram as importações e houve um aumento das atividades industriais no país. sendo sustentados por interesses fundados na ordem passada e afetados por influências políticas. Ao mesmo tempo ganhou força a produção interna agrícola e industrial. Insistíamos mesmo assim num sistema que estava falido e que não nos permitia um crescimento fundado em bases voltadas para os interesses próprios de sua população. 20. dando lugar à especulação e provocando o enriquecimento dos possuidores graças ao sobrelucro devido às defasagens entro o aumento de preços e o aumento de salários. depois a indústria sofre com uma conjuntura favorável à exportação de gêneros como o café. Fornecemos tecidos aos EUA. mesmo com o surgimento de diferentes formas de amparo e sua expansão desmensurada. A crise se anunciou quando se tornou evidente a incompatibilidade entre o novo ritmo de progresso material e a nossa mera condição de exportadores de matéria prima. algodão. banana. Durante a Segunda Guerra. Com o craque da bolsa de 1929 interrompeu-se o fluxo de capital estrangeiro para cá. a distribuição da população. fazendo declinarem as importações. Entrávamos numa estagnação permanente. minérios e alguns extrativos vegetais. refletindo-se no déficit e na desvalorização da moeda. Desaparece assim o desequilíbrio da balança comercial. a disposição dos centros urbanos. favorecido pela incapacidade dos Estados Unidos em suprir seus mercados externos. havendo até a tentativa de reintroduzir alguns produtos exportáveis como a laranja. mas sendo agora solicitado por outro. Como conseqüência vimos uma crise do imperialismo diante da nossa incapacidade de atender à remuneração deles. além de reduzirem-se as exportações dele. causando um desequilíbrio de contas externas do país. Nossas perspectivas de produção de café já estavam circunscritas devido à concorrência de outros países.

essa dependência externa e a penetração dos trustes internacionais não nos dava incentivos à pesquisa de base. recorre-se ao controle de importações com a distribuição de licenças de importação. Em 1950 melhora a conjuntura do café e na previsão de uma nova guerra se acumulam os estoques. encarecidos com a alta do câmbio. prejudicando a indústria local por causa do alto custo dos bens de capital importados. com as Promessas de Venda de Câmbio. No fim de 1953 o café tinha uma posição favorável graças à geada e ao acúmulo dos EUA. que trazia novas necessidades de consumo. Ao mesmo tempo. Os efeitos do pós-guerra foram um alto processo inflacionário em 1947 com emissões de moeda. A ação do Estado é um elemento essencial na nossa estruturação econômica. ignora-se a chance de se implantar um plano de desenvolvimento industrial concreto para valer-se de uma oportunidade incerta. mas a procura por moeda nacional aprecia o câmbio e estimula as importações. o que favorecia a especulação. Essas inversões constituíam antes um agravamento do desequilíbrio de nossas finanças do que a solução para elas. fazendo-nos receber sempre informação de segunda mão. sendo o nosso desenvolvimento econômico pautado por interesses dos trustes. Além disso. controle de importações e liberação do cambio. fazendo desaparecer uma perspectiva de aumento de nossas exportações e estimula a auto-alimentação desse sistema. Por isso. Recorreu-se ao capital externo para financiar a nossa industrialização. o que reduz o ritmo da produção aqui com a suspensão de remessas para cá. É o uso da técnica moderna que nos dará o aproveitamento da natureza. No fim do ano a situação se reverteu. Os problemas que a natureza do nosso processo de desenvolvimento causaram na estrutura da nossa economia foram 1) o fato de as inversões de capitais aqui não compensarem o que foi subtraído das finanças brasileiras na forma de royalties e lucros. Modificou-se o regime cambial com a Instrução nº 70 da SUMOC. no pós-guerra. . sendo importante com a fundação da Petrobrás e da Companhia Siderúrgica Nacional. o que atinge também setores essenciais para o país que dependiam delas. porém a vimos se colocar às ordens do imperialismo como na energia elétrica e nas petroquímicas. além de facilitar a remessa de divisas para fora.pelo aumento do poder aquisitivo do nosso povo. Mais uma vez. A Instrução nº 113 permitiu às multinacionais trazerem seus equipamentos para cá e facilitou a associação de empresas internacionais com empreendimentos nacionais. e com isso se estimula a alta de preços. que graças à corrupção na CEXIM deram altas margens de lucro. acumulam-se os atrasados comerciais.

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