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Características

da ficção literária

 Conotação
 Novidade
 Estruturação
 Ficcionalidade
 Verossimilhança
1. Conotação
• O termo conotação deve ser reservado
para sentidos de uma palavra ou de uma
expressão que podem existir virtualmente
na experiência que temos da coisa
designada por essa palavra, ou nas
associações que nascem do uso que se faz
dessa palavra na linguagem em geral, mas
que só se atualizam por seu emprego
particular num certo discurso. A
conotação é um sentido que só advém à
palavra numa dada situação e por
referência a um certo contexto.
• Cf. Poemas “Satélite”e “Serenata Sintética”.
2. Novidade
• A novidade do significante lingüístico causa no
leitor um efeito de estranhamento, que o obriga
a refletir na formulação da mensagem. A
linguagem poética se caracteriza pelo poder de
singularização, pois usa o método da
representação insólita: os objetos são descritos
como se desconhecidos, como se vistos pela
primeira vez, deformados de suas proporções
habituais.
• A novidade do plano de expressão está quase
sempre relacionada com uma novidade
imaginada no plano do conteúdo. Se o material
do poeta é a palavra, é só através do uso
invulgar desta que ele pode chamar a atenção
dos destinatários para a realidade mais profunda
da condição humana.
3. Estruturação
• O poeta não cria a língua, pois esta é um
código comunitário, mas apenas dela se serve
de uma forma diferente. Ao desvio criado
pela função metafórica da linguagem literária
deve corresponder a possibilidade de correção
desse desvio, sob pena de o texto ser
incompreensível.
• A literariedade de um texto reside não no fato
de ser estruturado, mas na especificidade de
sua estrutura, ou no processo pelo qual os
materiais lingüísticos, culturais e ideológicos
são organizados e adquirem forma de arte.
• Cf. poema concreto, de Augusto de Campos.
4. Ficcionalidade
• A literatura cria o seu próprio universo,
semanticamente autônomo em relação ao
mundo em que vive o autor, com seus seres
ficcionais, seu ambiente imaginário, seu
código ideológico, sua própria verdade.
• Essa realidade nova não deixa de ter uma
relação significativa com o real objetivo.
Ninguém pode criar do nada: as estruturas
linguísticas, sociais e ideológicas fornecem
ao artista o material sobre o qual ele
constrói o seu mundo de imaginação.
4. Verossimilhança
• A obra de arte, por não ser relacionada
diretamente com um referente do mundo
exterior, não é verdadeira, mas possui a
equivalência da verdade, a
verossimilhança, que é a característica
indicadora do poder ser, do poder
acontecer.
• Verossimilhança Interna: refere-se à
coerência estrutural da obra.
• Verossimilhança Externa, que confere ao
imaginário a caução formal do real pelo
respeito às regras do bom senso e da
opinião comum.
Funções da Literatura
• Horácio indica duas funções possíveis para a arte: o útil
ou o agradável. Destas duas funções foram propostas duas
teorias: a formal (ou hedonista) e a teoria moral (ou
utilitarista).
• No primeiro caso, a arte não tem outra finalidade a não
ser o prazer estético, relacionado com a escolha e o modo
particular da organização do material linguístico e
ideológico; isto é, literatura como artefato.
• No segundo caso, a literatura possui uma finalidade
pedagógica e educativa; contribuir para a tomada de
consciência do homem perante seus problemas, quer
individuais, quer coletivos.
• As duas teorias são, no entanto, complementares. Já que o
signo literário é um compositum, em que não podemos
isolar o significante do significado, o plano da expressão
do plano do conteúdo.
• Cf. “erro de português”, de O. de Andrade.
Funções da Literatura
• Preocupar-se apenas com a significação da
obra literária, sem analisar-lhe a feição
artística, seria não considerar o objeto
artístico como tal e, portanto, negar a
especificidade de sua natureza.
• Além da função estética (arte da palavra e
expressão do belo), uma obra literária pode
possuir, concomitantemente, a função
lúdica (provocar prazer), a função
cognitiva (forma de conhecimento de uma
realidade objetiva ou psicológica), a função
catártica (purificadora dos sentimentos)
e função pragmática (pregação de uma
ideologia).

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