Você está na página 1de 27

SENTENÇA

Processo n.º 1999.016.00113-1

Vistos.

Maria Ana Lúcia de Menezes Almeida, devidamente qualificada na inicial, aforou a


presente AÇÃO DE COBRANÇA CUMULADA COM PERDAS E DANOS contra Sul
América Companhia Nacional de Seguros, igualmente qualificada, alegando, em
síntese:

a) que firmou contrato de seguro com a empresa ré, tendo por objeto o veículo marca GM
Vectra, de chassis 9BGJK19BVVB587796, de placas HVK 7095, em 12.08.98, com ampla
cobertura, inclusive para os casos de roubo, furto e de danos materiais.

b) que o referido veículo foi roubado da autora em datação de 09.12.98, vindo esta a
proceder, no dia seguinte, a "comunicação de ocorrência" junto à autoridade policial e a
"comunicação do sinistro" junto ao representante da empresa ré, para providenciar a
recuperação do automóvel ou pagar o valor do seguro, no prazo estipulado no contrato,
sub-rogando-se na propriedade do mesmo.

c) No mais, pede seja indenizada no valor do risco mais lucros cessantes e, ainda, em
danos morais por descumprimento do contrato.

Com inicial juntou os documentos de fls. 05 usque 14.

Regularmente citada, a empresa ré apresentou contestação (fls. 19/25), onde aduz,


preliminarmente, que há erro na forma processual, pois a autora elegeu o procedimento
ordinário para receber os valores pleiteados, quando deveria ter valido-se do processo de
execução, vez que as apólices são consideradas títulos executivos extrajudiciais.

No mérito, argumenta a contestante que a autora não providenciou a documentação exigia


no Manual do Segurado em tempo hábil. Ademais, afirma a seguradora ré que recuperou o
veículo antes de receber a referida documentação da autora, quando sequer havia iniciado
o prazo de 05 (cinco) dias para o pagamento do seguro, e que o dito veículo está apto a
ser devolvido à requerente.

Alega, ainda, a empresa ré, que os alegados lucros cessantes e danos morais não são
devidos, pois sua responsabilidade limita-se, no máximo, ao valor contratado na apólice.

Com inicial vieram os documentos dormentes às fls. 26 usque 38.

Instada a manifestar-se, a autora apresentou réplica às fls. 40, aduzindo preliminarmente a


intempestividade da contestação, e no mérito rechaçando as alegações da contestação.

É o relatório.

Decido.
Seguro na convicção de que a hipótese é de julgamento conforme o estado do processo,
antecipo a decisão do feito com esteio no art. 330, I, do Código de Processo Civil, já que a
matéria é unicamente de direito e não há a necessidade de prova em audiência.

Cabe em primeiro momento, rechaçar a preliminar arguida pela autora em sua réplica de
fls. 40, onde prega a intempestividade da contestação, pois citada a ré em dada de
09.03.99 somente veio a apresentar resposta em 25.03.99, um dia após o último dia para
fazê-lo.

Conforme se depreende pela certidão dormente às fls. 45 destes autos, constata-se que o
dia 24 de março do corrente, em princípio o dia final para entrega da peça contestatória,
caiu em feriado, estendendo-se o prazo derradeiro então para o dia seguinte, ou seja,
25.03.99, data em que efetivamente foi apresentada a resposta da ré. Tempestiva, pois, a
contestação.

Levantou a empresa-ré, em sua contestação, preliminar arguindo erro de forma


processual, por entender que a autora deveria ter-se valido de ação de execução para o
recebimento de seu crédito, vez que é portadora de apólice de seguro e, portanto, de titulo
executivo extrajudicial, ao invés de intentar a presente demanda com esteio nos arts. 159,
1452 e seguintes do CCB.

A questão prejudicial de mérito aventada não merece prosperar.

Com efeito, a autora pretende receber não apenas a importância pactuada no contrato de
seguro, mas, também, verbas outras oriundas do descumprimento das condições
contratadas, importâncias estas que não poderiam ser objeto da alegada ação executiva.

Ademais, mesmo que se admitisse, ad argumentandum, que o rito adequado às


pretensões autorais fosse aquele apontado pela ré, a adoção do procedimento ordinário
não lhe acarretaria (à ré) quaisquer prejuízos, ao revés, pois torna-lhe bem mais ampla a
oportunidade de defesa, vez que a via ordinária se traduz no procedimento onde a
cognição dos fatos e do direito se produz de maneira mais ampla e segura. Tal
entendimento emana invariavelmente de nossas Cortes:

2º TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL DE SÃO PAULO - MG 369/1.132PROCEDIMENTO ESPECIAL - OPÇÃO


PELO RITO ORDINÁRIO - AUSÊNCIA DE LESIVIDADE - ADMISSIBILIDADE - APLICAÇÃO DO ART. 250 DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

Adotado o procedimento ordinário que é o mais amplo possível e não causando nenhum prejuízo ao
réu, aplica-se o disposto no art. 250 do CPC, se coexistentes na propositura os requisitos de
procedimento adequado. Ap. c/ Rev. 273.470 - 1ª Câm. - Rel. Juiz ALBERTO TEDESCO (subst.) - J.
6.8.90, "in" JTA (RT) 129/277 Referências: HÉLIO TORNAGHI - "Comentários ao CPC", Ed. RT,
1975, vol. II, pág. 243. RT 494/99; JTA (RT) 88/138, 87/368; JTA (Saraiva) 81/189.

Em face dessas razões, não merece acolhida a preliminar.


Quanto ao mérito:

Alega a autora que teve o seu veículo roubado em datação de 09.12.1998, por volta das
20:45 horas e que, no dia seguinte, ou seja, em 10.12.98, providenciou a comunicação do
sinistro à autoridade policial, bem assim como ao representante e corretor local da ré, "a
fim de que a acionada pudesse adotar a providência para a recuperação do automóvel, ou
então, pagar o valor do seguro e sub-rogar-se na propriedade".

Insurgiu-se a demandada contra as alegações autorais, aduzindo que a comunicação


acerca do sinistro realmente fora feita na data apontada, vale dizer, em 10.12.98, e que,
através de seu escritório de corretagem, foi enviado memorando onde anexos estavam o
boletim de ocorrência policial, a RG e CNH da autora, recebidos estes pela ré em 14.12.98
. Entrementes, a documentação enviada era insuficiente, pelo que requisitou a ré à sua
corretora nesta urbe, que enviassem, ainda, procuração para a Sul América Cia Nacional
de Seguros, outorgando-lhe amplos poderes sobre o veículo, quando este fosse
recuperado; certidão de quitação do IPVA junto à SEFAZ; certidão policial da Delegacia
Especializada dando conta de que o veículo não tinha sido recuperado até a data de envio
daquela comunicação. Que a comunicação à delegacia de furtos e roubos de veículos foi
feita pela autora somente em 16.12.1998, tendo a ré logrado êxito em recuperar o veículo
antes de ter início o prazo de 05 (cinco) dias para pagamento do seguro.

Sobre o tema em comento a razão reside com a autora.

Por primeiro, a comunicação do sinistro foi feito ao representante da ré em menos de 24


horas do ocorrido. Se o dito representante (TJ Seguros) levou três dias para enviar-lhe o
memorando com a mencionada comunicação, conforme narra a própria requerida,
apontando ainda para a data constante no carimbo –14.12.1998- , tal desídia não pode ser
apontada à autora, que prontamente adotou a providência que lhe competia.

A empresa ré repristina a alegação de que o sinistro só foi comunicado após o prazo de


cinco dias. Não lhe assiste razão. A uma, houve a comunicação imediata à TJ Seguros,
credenciada, para tanto, pela própria suplicada. Por outro lado, a autora comunicou
imediatamente o fato à autoridade policial. Assim, se a sociedade anônima ré admitiu e
credenciou a corretora para intermediar suas relações com os segurados, não pode
desconsiderar o aviso formalizado àquela para eximir-se da obrigação de ressarcir os
prejuízos. O prazo contratual foi respeitado. O roubo foi imediatamente comunicado à
autoridade policial - e entendo que tal fato, por si só, é suficiente a afastar a pretensão da
ré.. Se a Sul América Companhia Nacional de Seguros entende que a comunicação
ocorreu a destempo, que responsabilize a corretora e não o segurado, que sempre
cumpriu suas obrigações e tem todo o direito à composição dos prejuízos. A pretensão da
ré é absurda e não pode ser agasalhada pela ordem jurídica.

É oportuno lembrar a lição de Pedro Alvim ("O Contrato de Seguro", nº 337, pp. 398/399,
2ª ed., Rio de Janeiro, 1986):

"O inadimplemento do segurado, omitindo o aviso do sinistro, e mesmo que fique


comprovada sua má-fé, não deve ser pretexto para que o segurador deixe de cumprir sua
obrigação.
"Se provar que avisado, oportunamente, teria tomado medidas que redundariam em prejuízos
menores, é justo que desconte esses prejuízos do que vai pagar ao segurado, como dispõem
algumas legislações.

"Deve-se entender como omissão injustificada, a que se refere nosso Código Civil, somente
aquela que denuncia a fraude ou a má-fé do segurado. A mesma interpretação deverá prevalecer
para os contratos que contenham cláusula de exoneração do segurador, para que não se torne uma
porta aberta para sua inadimplência."

Os nossos pretórios, por sua vez, pronunciam-se de maneira idêntica, senão vejamos:

"Apelação Cível nº 597197425 - 5ª Câmara Cível - Criciumal - TJRGS - 1997.

CIVIL. SEGURO DE DANO. FURTO DE TRATOR. AVISO INTEMPESTIVO. IRRELEVÂNCIA.

1. A finalidade do aviso à seguradora da ocorrência do sinistro, previsto nas cláusulas


contratuais e no art. 1.457, caput, do CC, relaciona-se com a possibilidade de esta evitar ou
atenuar suas conseqüências. A sanção da perda da indenização só ocorrerá mercê de prova de que
o aviso intempestivo impediu semelhante finalidade. Caso em que, furtado o trator, tocava à
autoridade policial proceder às investigações. 2. Apelação provida". (In RJTJRGS - Vol. 186 -
Fevereiro de 1998 - Ano XXXIII - p. 385).

E mais:

APC - Apelação Cível Nº 41.531/96 - Brasília - DF -Primeira Turma Cível - TJDF - 1997

EMENTA

CIVIL. CONTRATO SEGURO. COMUNICAÇÃO DO SINISTRO A AGENTE DA SEGURANÇA.

Tendo o segurado dado ciência do sinistro ao agente da própria seguradora no prazo legal não
pode ser penalizado por uma eventual desídia deste, ainda mais quando restou pacífica a
ocorrência da causa geradora do direito à indenização contratada e nenhum fato em seu desabono
foi demonstrado.

Apelo improvido. Unânime.

O contrato de seguro é, nitidamente, de adesão ("o que caracteriza o contrato de adesão


propriamente dito é a circunstância de que aquele a quem é proposto não pode deixar de
contratar, porque tem necessidade de satisfazer a um interesse que, por outro modo, não
pode ser atendido" - ORLANDO GOMES, "Contratos", Editora Forense, 11ª ed., 1986, pág.
131).

Ele tem peculiaridades, sendo que "a imposição da vontade de um dos contratantes à do
outro seria o traço distintivo do contrato de adesão, mas essa caracterização importa
reconhecer, na figura do contrato de adesão, uma deformação da estrutura do contrato"
(ORLANDO GOMES, op. cit., pág. 118).
Por isso, "é de se aceitar, como diretriz hermenêutica, a regra segundo a qual, em caso de
dúvida, as cláusulas do contrato de adesão devem ser interpretadas contra a parte que as
ditou" (ORLANDO GOMES, op. cit., pág. 138).

Por isso, a jurisprudência de nossos Tribunais vinha se posicionando no sentido de não


aceitar cláusulas, em contrato de adesão, que traziam benefícios apenas à parte
elaboradora de dito contrato.

Tal posicionamento foi fixado, agora legislativamente, pelo artigo 47 da Lei n. 8.078, de
11.9.90, que diz que "as cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais
favorável ao consumidor".

Note-se que, agora, não se fala em contrato de adesão, mas de qualquer contrato.

Corre em favor da autora a sistemática de direito público inserta no Código de Proteção ao


Consumidor, mormente a inversão do ônus da prova, sendo parte mais fraca na relação de
consumo, como sói acontecer nos ajustes de contrato de seguro facultativo de veículos.
Na verdade, culpa alguma pode ser atribuída à autora pela mora da corretora em
comunicar à seguradora o sinistro, máxime quando atende prontamente as determinações
do agente da seguradora, tendo comunicado o fato no dia seguinte após o roubo. Bem
assim culpa alguma pode ser imposta à requerente por não ter a representante da ré
indicado-lhe o completo rol de documentos exigidos pela requerida. A desídia da parceria
comercial é estranha ao consumidor. Demais, não bastasse, o prazo de 5 (cinco) dias
previsto no contrato para a comunicação do sinistro é aviltante e abusivo, ao favorecer a
seguradora, fazendo presunção de má-fé do segurado. Ao contrário, com evidente má-fé
age seguradora desta estirpe, com a conivência do Poder Público, ao estabelecer sérias
dificuldades ao segurado para haver o seu prêmio, restando por inviabilizá-lo, tanta a
burocracia e desigualdade contratual, fomentando enriquecimento ilícito abundante para
as seguradoras, em detrimento do patrimônio dos indefesos segurados. Numa relação
contratual fiscalizada, em princípio, pelo Poder Público, presumir-se de má-fé o
consumidor e, no mor das vezes, contribuinte do erário (...) é fazer tábula rasa ao direito
natural do dever-ser, invertendo-se os valores comuns da sociedade, privilegiando muito
poucos em detrimento da maioria desvalida.

O segurado providenciou a comunicação do sinistro tempestivamente ao agente da própria


seguradora. Fato este incontroverso. Não cabia ao consumidor, no caso, adotar medidas
outras senão aquelas que o agente da seguradora lhe indicou. Evidentemente que não
pode ser penalizado, ainda mais quando restou pacífica a ocorrência da causa geradora
do direito à indenização, como previsto no contrato, e nenhum fato em desabono da autora
foi demonstrado pela ré.

A seguradora ré, não obstante ter recuperado o veículo sinistrado, deixando-o em perfeitas
condições de uso, não pode querer obrigar ao segurado receber o dito veículo se tal
recuperação se deu após o prazo pactuado de 05 (cinco) dias, conforme estabelece o
manual do segurado, sendo considerada, nesta caso, hipótese de perda total do veículo,
pelo que deve a seguradora pagar o seguro estipulado, sub-rogando-se a ré na
propriedade automóvel.
A inadimplência da seguradora ré faz surgir obrigações outras, igualmente pactuadas, que
se traduzem em lucros cessantes devidos à autora, a teor do contido no Manual do
Segurado, pag. 12, sob o título de Garantia Adcional (25) – Carro Reserva, que dispõe:
"Garante ao segurado a locação de um veículo popular, modelo básico, com seguro e
quilometragem livre, em caso de sinistro decorrente de evento coberto pela(s) Garantia(s)
Básica(s) contratada(s), que coloque em indisponibilidade o veículo segurado...".

Desta forma, além do pagamento do seguro, impõe-se à empresa ré o pagamento à autora


do valor correspondente à locação de um veículo, conforme previsto no aludido Manual do
Segurado, a contar de 18.12.1998, data em que tornou-se inadimplente, devendo-se
acolher o valor diário apontado pela autora, vale dizer, R$ 120,00 (cento e vinte reais),
vez que este não foi contrariado pela empresa ré, exurgindo quanto ao mesmo os efeitos
do art. 302 do CPC.

Quanto aos danos morais alegados pela autora, entendo não serem cabíveis.

O que se busca com a indenização pelo dano moral, como alude Wilson Melo da Silva,
não é colocar-se o dinheiro ao lado da angústia e da dor, mas comente propiciar-se ao
lesado uma situação, positiva, de euforia e de prazer, capaz de amenizar, de atenuar ou
até mesmo, se possível, de extinguir nele, a negativa sensação da dor ("Da
Responsabilidade Civil Automobilística", ed. Saraiva, 1974, p. 306).

Não se trata, como diria Minozzi, "di riffare al danneggiato gli identici beni che ha perduti,
ma de far nascere in lui una nuova sorgente di felicità e di benesse, capace di alleviare le
conseguenze del dolore, de male, che ha ricevuto", isto é, o que se objetiva não é a
tarifação do preço da dor (ob. cit., p. 307).

Implica sua indenização, a privação da pessoa da plenitude do potencial de sua


capacidade ("Julgados do TARGS", 75/169), mas no plano moral não basta o fator em si
do acontecimento, mas, sim, a prova de sua repercussão, prejudicialmente moral (TJSP,
"Lex", 143/89), que exige que o dano moral esteja cumpridamente demonstrado ("Julgados
do TARGS", 79/318).

A peça inicial não identifica qual a espécie de dano moral sofrido (aflição, vergonha, dor?).
Não há demonstração de que a autora tenha passado por constrangimentos ou
vicissitudes maiores do que passam as pessoas que se envolvem em fatos semelhantes,
conseqüência normal da vida atribulada do mundo moderno, eis que nem tudo que causa
dissabor é indenizável.

Aponte-se, até, que não se vexou de movimentar o veículo recuperado, embora que ainda
em situação sub judice, mesmo que até outro pudesse locar, o que indica, além de forte
personalidade, que os danos não lhe causam transtornos, pois, como natural, ninguém se
submete, voluntariamente, a envergonhar-se.

Por todo o exposto, entendendo ser indevida a indenização por danos morais, julgo
parcialmente procedente o pedido, condenando a empresa ré a pagar o valor segurado
(CC, art. 1.462), com os devidos acréscimos, bem ainda lucros cessantes (CC, art. 1.060),
ambos nos valores e critérios apontados na inicial, posto que não contestados, e
honorários advocatícios que arbitro, frente a menor complexidade da matéria, em 10%
sobre o valor da condenação.

Condeno, ainda, a ré, a pagar as custas e despesas processuais.

P.R.I.

Juazeiro do Norte, 17 de junho de 1999

Juiz Francisco Jaime Medeiros Neto

MODELO DE PETIÇÃO

EXMO. SR. DR. JUIZ DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE


BLUMENAU - SC.

"E.L.F.S.", brasileiro, divorciado, vendedor autônomo, portador do


CPF.: ..... e da CI.: ......, residente e domiciliado na Rua ......., nº. ....
- Bairro ....., na cidade de Blumenau (SC), vem, com o devido
respeito e acatamento à presença de V. Exª., por intermédio de suas
advogadas infra-assinadas, ut instrumento procuratório incluso (doc.
01), requerer a presente AÇÃO DE COBRANÇA, com fundamento
nas legislações legais aplicáveis à espécie, contra "U. S. S/A",
instituição financeira, inscrita no CNPJ sob o nº. ..., com endereço na
Rua ..... - CEP.: ...., na cidade de São Paulo (SP), ante os motivos de
fato e de direito, que a seguir passa a expor e a final requerer:

I - DOS FATOS

1.1) Que, o Rqte. era proprietário de um veículo de passeio, tipo


PÁLIO ED 1.000 - 04 portas, de cor cinza, marca FIAT, ano/1997 e
modelo/1998, placas LZG 3781, conforme demonstra-se com os
documentos que ora se junta.

1.2) Referido veículo, foi segurado pela Empresa Rqda., pelo valor de
R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), em data de 09.02.1998, cuja
apólice teria validade até 31.01.1999, conforme comprova-se com a
referida APOLICE, ora em anexo.

1.3) No entanto Exª., em data de 06.08.1998, por volta das


23:45/24:00 horas, o Rqte. vinha em direção ao centro da cidade de
Blumenau, pela Rua 02 de setembro, quando recebeu luz alta de um
veículo não identificado em sua retaguarda, que veio a cegá-lo,
motivo pelo qual, bateu com seu veículo, na quina de um canteiro
daquela rua, danificando-o e em conseqüência, dando pelos
orçamentos em anexo, a perda total do veículo segurado pela Rqda.

1.4) O acidente, ocorreu pelo motivo de que, na época, havia


precária sinalização sobre as condições do canteiro, que em
determinado trecho é estreito e repentinamente alarga-se,
provocando inclusive, diversos acidentes naquele local, em virtude do
aqui noticiado.

1.5) No dia referido, a noite estava chuvosa (garoa) e o Rqte. em


virtude do acidente, bateu com a cebeça no pára-brisas dianteiro do
veículo, vindo a machucar-se, motivo pelo qual, foi socorrido por um
motociclista que passava pelo local e que, a polícia dispensou.

1.6) Sendo que, uma viatura da polícia, ao avistar o motociclista e o


Rqte. que estava sem capacete, em virtude de estar sendo socorrido
pelo referido motociclista, foram abalroados pela viatura e pelos
policiais militares, que levaram o Rqte. para o 2º. Distrito Policial,
para efetuar o teste do bafômetro, alegando que o mesmo estaria
embriagado.

1.7) O referido aparelho de bafômetro, em virtude de não estar


aferido pelo órgão competente (Contran) e o que é pior, por não
estar funcionando adequadamente, visto que, não acusava teor
alcóolico algum, foi sacudido pelos policiais e em seguida os mesmos,
bateram com o aparelho em uma mesa a fim de certificarem-se sobre
o funcionamento do mesmo.

Neste momento, quando os números (dígitos) apareceram no visor


do aparelho, este foi colocado bruscamente na boca do Rqte.
acusando deste modo, os dígitos de 10,0 decigramas de álcool.
Ressalte-se que, o grau de álcool acusado no aparelho, foi em
decorrência do defeito apresentado no mesmo e não em decorrência
da alegada alcoolização do Rqte., no momento.

1.8) Tanto é verdade que o Rqte. não estava alcoolizado, que foi
atendido pelo Médico Dr. G. O. G., às 00:15 horas, onde o mesmo
atestou que o Rqte. estava neurologicamente estável e sem
outros sinais de agravamento do quadro. Referido atestado,
segue em anexo aos presentes autos.

V. Exª., há de convir que se o Rqte. estivesse realmente embriadado,


como consta do Boletim de Acidente de Trânsito em anexo, o referido
médico, não haveria de atestar que o Rqte. estava neurologicamente
bem.

1.9) Em virtude de tal fato e de existir acusação de que estava o


Rqte. embriagado, a Empresa ora Rqda. negou-se a indenizá-lo no
valor da respectiva apólice de seguro, isentando-se desta forma, de
quaisquer obrigações contratadas na apólice de seguro.
1.10) Deste modo, faz-se necessário a presente demanda e a tutela
do Judiciário, a fim de que venha o Rqte. ver-se amparado nos seus
direitos de cidadão e ser ressarcido na quantia equivalente a apólice
de seguro contratada, ante os motivos acima elencados.

II - DO LAUDO PERICIAL DE ACIDENTE

2.1) Pelo referido LAUDO de ACIDENTE ora em anexo, verifica-se que


o mesmo, foi feito de forma unilateral e está coberto de
irregularidades, que o desnaturam como prova do acidente.

2.2) Da descrição, das condições e do horário à descrição do


acidente, algumas irregularidades há de serem evidenciadas, pelo
Rqte., para esclarecimentos dos fatos aqui narrados, senão vejamos:

a) a sinalização do local, não era boa como consta daquele boletim,


era por demais precária, visto que, não havia placas de sinalização
evidenciando o alargamento do canteiro, no sentido de direção do
Rqte.;

b) a visibilidade por ocasião do acidente era péssima, visto que, no


dia e horário, o tempo estava chuvoso, ou seja, estava garoando,
estando desta forma, a pista asfáltica molhada e não seca, conforme
consta do Laudo do Acidente. Inclusive, as condições do tempo, não
eram boas, pois a noite estava chuvosa, como já dito anteriormente.

2.3) Tais condições acima, aliadas ao fato de que, o Rqte. recebeu luz
alta em sua retaguarda, que veio a cegá-lo, ocasionaram o acidente,
do qual, a Empresa Rqda. nega-se a responsabilizar-se pela
indenização contratada anteriormente, alegando em suma, estar o
Rqte. embriagado.

2.4) Ademais Exª., o Rqte. não assinou e tampouco prestou


declarações no Departamento de Trânsito competente. Deste modo,
não há que ser levado em consideração o referido LAUDO PERICIAL,
mormente no que diz respeito a alegada embriaguez do Rqte.
A falta de anuência e respectiva assinatura do Rqte. no referido
LAUDO PERICIAL, por si só já o invalidam, eis que, feito de forma
unilateral pela Autoridade de Trânsito.

III - DO EXAME DE ALCOOLEMIA

3.1) Como já dito acima, e pelo LAUDO PERICIAL DO ACIDENTE,


constata-se pelo exame realizado, o Rqte. supostamente acusava na
ocasião do acidente, o equivalente a 10,0 decigramas de álcool em
seu organismo.

3.2) O exame realizado, foi efetuado por aparelho que não estava
aferido pelo CONTRAN e tampouco, estava funcionando
regularmente, pois os policiais, para fazê-lo funcionar, bateram com o
aparelho na mesa da DP, fazendo com que os índices equivalentes a
10,0 decigramas de álcool, aparecesse no aparelho e colocando-o
bruscamente na boca do Rqte.

3.3) Tal procedimento, foi totalmente irregular e prejudicaram


sobremaneira o Rqte., que agora v6e-se obrigado a ingressar com a
presente ação perante esse r. juízo, a fim de Ter seus direitos de
cidadão, juridicamente reconhecidos.

3.4) Sem contar Exª., com o despreparo e falta de conhecimento dos


policiais no uso do referido bafômetro, que por si só, vem de
encontro a ilegalidade cometida contra o Rqte.

3.5) Inclusive, o exame de alcoolemia através do bafômetro, somente


veio a ser regulamentado recentemente, através da RESOLUÇÃO nº.
81, de 19.11.1998, do CONTRAN, que institui em seu art. 1º., que
para comprovação que o indivíduo esteja realmente impedido de
dirigir e que esteja infringindo a lei, é necessário não só o teste do
bafômetro, mas também o exame clínico e laudo conclusivo firmado
pelo médico da polícia judiciária e exames realizados em laboratórios
da polícia judiciária.
3.6) O Rqte., no dia do acidente foi atendido por determinado médido
do Hospital Santa Isabel dessa cidade, e aquele, conforme documento
em anexo, atestou que o Rqte. estava "neurologicamente estável",
isto é, seu estado neurológico não estava afetado pelo álcool.

3.7) Em recente artigo, de autoria do renomado jurista ROLF


KOERNER JÚNIOR, sob o título - A Embriaguez: do Código Penal ao
Código de Trânsito Brasileiro, recentemente publicado na Internet, no
site da UFSC, nos ensina que: "... Na prática, pouco interessam os
vários períodos de embriaguez, atendendo-se a que cada indivíduo
reage de forma diversa à ingestão de álcool. O que, pois, se faz
necessário, é um exame minucioso do indigitado autor de um crime
ou de um acidente, ou da vítima de uma ação delituosa quando
incapaz de reagir ou defender-se. A PERÍCIA DEVE SER CONDUZIDA
PELAS NORMAS COMUNS, PORMENORIZANDO-SE O EXAME
SOMATOPSÍQUICO E FAZENDO-SE PRINCIPALMENTE, AS PROVAS DE
LABORATÓRIO REVELADORAS DO ÁLCOOL E DA QUANTIDADE DESTE
CIRCULANDO NO SANGUE ".

IV - O DIREITO

4.1) O Rqte. vê-se amparado no art. 1432, do Código Civil Brasileiro,


que assim preleciona:

"Considera-se contrato de seguro aquele pelo qual uma das partes


obriga para com a outra, mediante paga de um prêmio, a indenizá-la
do prejuízo resultante de riscos futuros, previstos no contrato".

4.2) Já, o art. 1462, também do Código Civil Brasileiro, diz o


seguinte:

"Quando o objeto do contrato se der valor determinado, e o seguro


se fizer por este valor, ficará o segurador obrigado, no caso de perda
total, a pagar pelo valor ajustado a importância da indenização, sem
perder por isso o direito, que lhe asseguram os arts. 1438 e 1439".
4.3) O art. 1438, nos ensina que:

"O segurador é obrigado a pagar em dinheiro o prejuízo resultante do


risco asumido e, conforme as circunstâncias, o valor total da coisa
segura".

4.4) Ademais, sobre a matéria encontramos in DJSC nº. 10.006, de


08.07.98, à p. 33, acórdão da lavra do Juiz Felício Soethe, da 2ª.
Turma de Recursos Cíveis de Blumenau, no seguinte sentido:

"Ação de Cobrança - furto de veículo - perda total - diferença no


pagamento do seguro - condenação da seguradora no valor que
apólice declarar - sentença confirmada. Se a perda é total e o seguro
se fizer por valor determinado, previamente fixado, a indenização
será a de que a apólice declarar. (Recurso Cível nº. 1555/98, de
Blumenau)".

4.5) Tendo o veículo segurado, objeto da presente ação, perda total


em decorrência do acidente sofrido, é dever da Empresa Rqda.
efetuar o pagamento do mesmo, no valor declarado na apólice, ou
seja, R$ 14.000,00 (quatorze mil reais).

4.6) Ademais Exª., a Empresa Rqda. sequer dignou-se a conceder ao


Rqte. o princípio do contraditório e tampouco efetuou as devidas
investigações em torno do acidente que o Rqte. sofreu, apenas
remeteu carta, comunicando-o do não pagamento do sinistro, em
razãoda alegada embriaguez, que diga-se restará descaracterizada no
decorrer dos presentes autos.

ANTE AO EXPOSTO, requer a V. Exª.:

a) seja recebida a presente ação, determinando a citação da Empresa


Rqda., pelo CORREIO, no endereço indicado preambularmente, para
contestar querendo a presente ação, sob pena de revelia e confissão
quanto a matéria de fato e comparecer na audiência a ser designada,
se lhe aprouver;
b) por todos os meios de prova em direito permitido, para o aqui
alegado, em especial o depoimento pessoal do Representante Legal
da Empresa Rqda., sob pena de confissão, oitiva de testemunhas,
cujo rol será oportunamente apresentado, perícia se necessário e
juntada novos documentos, que surgirem no decorrer do trâmite
processual;

c) a final, seja julgada procedente a presente ação, com a


condenação da Empresa Rqda., no pagamento do valor total da
apólice, ou seja, R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), equivalente ao
valor da apólice de seguro, cujo valor, deverá ser devidamente
atualizado e acrescido de juros legais desde o acidente ocorrido em
06.08.1998, até o efetivo pagamento, bem como, no pagamento das
custas processuais e honorários advocatícios equivalentes a 20%,
sobre o valor atualizado da condenação.

Dá-se à causa, o valor de R$ 14.000,00.

Termos em que pede e


Espera deferimento.

De Itajaí p/Blumenau, em 31 de julho de 1999.

SR. DR. JUIZ DO JUIZADO ESPECIAL DO FORUM DE


PINHEIROS, NESTA CAPITAL
_______________, brasileiro, solteiro, estagiário de
direito, inscrito na OAB/SP sob o nº _________, e no
CPF/MF sob o nº _______________, residente e
domiciliado na Rua ___________________________, São
Paulo, nesta Capital, por seu advogado infra-assinado, vem
a presença de V.Exa., com arrimo nas Leis Federais nºs
9.099/95 e 8.078/90, mais disposições legais atinentes à
espécie, ajuizar a presente AÇÃO DE RESSARCIMENTO DE
DANOS MATERIAIS, que move contra o
________________________, com sede na
Av._______________________, São Paulo, nesta Capital,
através de seu representante legal.

DOS FATOS

O Autor assinou contrato com o __________________, em


abril de __________ para segurar o veículo
___________________, com vigência de
_______________ até ________________ , nos termos da
Apólice nº ____________________ (docs. 01 e 02).

Ocorre que em __________, o autor teve seu veículo


furtado, conforme consta do Boletim de Ocorrência nº
___________ (doc. 03).

O Autor contratou o seguro com o valor de casco fixado em


R$ ____________________________- conforme Apólice e
por ocasião do pagamento do seguro pelo furto do veículo,
foi-lhe paga a quantia de R$ ___________________-.
(docs. 02 e 04)

DO DIREITO
Eis que o Autor quitou todas as parcelas calculadas sobre
um valor e quando o recebeu havia uma diferença de
_____________________________.

Não há de se caracterizar enriquecimento ilícito ou lucro do


Autor, visto que, o mesmo assinou o contrato de seguro,
cujo valor já foi apurado no ato da sua realização, ou seja,
_________________________.

Tenha-se ainda em conta que a estrita boa-fé deve existir


não somente no momento da celebração do contrato de
seguro, mas persistir também durante toda a sua execução
e liquidação. O Código do Consumidor, ex vi do disposto no
seu art. 3º, § 2º; inclui a atividade securitária entre as
relações de consumo,

Nesse Código, a boa-fé foi erigida em princípio cardeal,


conforme artigos 4º, III, in fine , 6º, III e IV, 54º, §§ 3º e
4º.

Se não bastasse, dentre as cláusulas reputadas abusivas


pelo inciso I do artigo 51 do Código do Consumidor, nulas
de pleno direito, estão aquelas que colocam o consumidor
em desvantagem exagerada, ou sejam, incompatíveis com
a boa-fé ou a equidade.

O Réu alegou ao Autor que o prêmio a ser pago


correspondia ao valor do veículo furtado, consoante
cláusula da apólice. Em face disso, admitindo como
verdadeira a afirmação, o Autor deu plena e geral quitação
ao Réu. Logo após, entretanto, apurou que a indenização
recebida estava muito abaixo do valor estipulado no ato do
contrato, ou seja, _______________________. Entende o
Autor que não houve transparência na conduta da
seguradora; fazendo, data venia, letra morta do princípio
da boa-fé, a própria alma do contrato de seguro.

Principalmente em casos como o dos presentes autos, em


que houve furto do veículo, o valor da indenização
constante da apólice, deve ser paga integralmente.

Corroborando tal entendimento, citamos a obra de Arnaldo


Marmit, em "Seguro de Automóvel", Aide Editora, 1987,
pág. 238 preleciona: "... no seguro material de veículo, o
valor do seguro somente representa o máximo da
indenização. Se o carro vier a perecer inteiramente, se for
furtado e conduzido para local ignorado, ou se destruído, a
soma constante na apólice deve ser satisfeita
integralmente. Nesse caso de perecimento total, quando o
seguro foi realizado por valor determinado, a indenização
será a constante na apólice, eis que se trata de prejuízo
prefixado. Nada haverá para ser avaliado, ou que exija
qualquer outra formalidade, vez que os próprios
contraentes definiram e convencionam vindo previamente o
valor da coisa e da indenização".

DO PEDIDO

Nestas condições, respeitosamente, o autor vem requerer a


V. Exa., se digne de determinar a citação do Réu, por seu
representante legal, para comparecer à audiência a ser
designada, a fim de que venha responder aos termos desta,
sob pena de confissão e revelia, até final sentença, quando
deverá o Réu ser condenado a pagar ao Autor a quantia de
_________________________________, acrescida de
juros moratórios e correção monetária, bem como,
condenando-a nas custas recursais e honorários
advocatícios, na forma da lei e demais cominações legais.
Isto posto, dá-se o valor da causa, a quantia de R$
______________________.

N. Termos,

P. Deferimento.

São Paulo, ______________________.

Inteiro Teor
Dados do acórdão
Classe: Apelação Cível
Processo: 2008.054499-1
Relator: Mazoni Ferreira
Data: 2009-08-11

Apelação Cível n. , de Balneário Camboriú

Relator: Des. Mazoni Ferreira

1. APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO - FURTO DE VEÍCULO -


NEGATIVA NO PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO PREVISTA NA APÓLICE -ALEGAÇÃO
DE FRAUDE E DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS PARA OBTENÇÃO DO CRÉDITO
SECURITÁRIO - MÁ-FÉ NÃO CONFIGURADA - DEVER DE INDENIZAR - INTELIGÊNCIA
DOS ARTIGOS 1.458 E 1.462 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916, ALIADOS AOS PRINCÍPIOS
ESTATUÍDOS NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - SENTENÇA MANTIDA.

Nos contratos de seguro de veículo, havendo perda total do bem segurado, a indenização
a ser paga deve corresponder à quantia previamente ajustada na apólice securitária (art.
1.462 do Código Civil de 1916), salvo transação hígida. (Ap. Cív. n. , de Blumenau, j. 8-2-
2007).

2. DANO MORAL CONFIGURADO - INDENIZAÇÃO MANTIDA.

3. RECURSO DESPROVIDO.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. , da comarca de Balneário


Camboriú (2ª Vara Cível), em que é apelante Hannover International Seguros S/A, e
apelado Celso Ribeiro Júnior:

ACORDAM, em Segunda Câmara de Direito Civil, por unanimidade de votos, negar


provimento ao recurso e, de ofício, reduzir os honorários advocatícios para 15% sobre o
valor da condenação. Custas na forma da lei.

RELATÓRIO

Celso Ribeiro Júnior ajuizou ação de cobrança c/c danos morais contra Hannover
International Seguros S/A, na qual alega haver firmado com a ré, em 10-12-2002, contrato
de seguro de automóvel, tendo por objeto um Fiat Siena EL 1.6 MPI 4P, ano 1997, placa
LZO-6251, com o fim de garantir o ressarcimento de eventuais prejuízos decorrentes de
furto, colisão, roubo, incêndio, responsabilidade civil e acidentes pessoais.

Assinalou que, em 26-7-2003, por volta das 23 horas, seu veículo foi furtado, quando se
encontrava estacionado em frente à sua residên- cia.

Alegou que registrou o sinistro na delegacia e depois procurou a seguradora, que exigiu
vasta documentação. Atendeu às exigências da ré e, em agosto de 2003 recebeu carta da
ré informado-lhe que prestou declarações falsas acerca do infortúnio a fim de provocá-la a
um pagamento indevido.

Diante de tais fatos ingressou com a presente ação, na qual pretende a condenação da
requerida ao pagamento de R$ 15.684,02 referente ao bem segurado, mais R$ 20.000,00
por danos morais, além dos demais consectários legais. Por fim, requereu a assistência
judiciária.

Foi deferida a gratuidade.

Citada, Hannover International Seguros S/A apresentou contestação, na qual defendeu a


negativa de cobertura securitária. Primeiro alegou que o autor comunicou o sinistro à
seguradora somente dez dias depois de ocorrido, infringindo o art. 771 do CC. Além disso,
afirmou que as informações prestadas no aviso de sinistro divergem daquelas constantes
no boletim deocorrência. Por fim, impugnou o valor postulado a título de dano material e
disse que não há dano moral passível de indenização.

Réplica às fls. 72-76.

Às fls. 158-159, a seguradora noticiou que o veículo objeto da presente demanda foi
localizado e recuperado pela autoridade policial de Ponta Porã-MS e que está em perfeito
estado de conservação.

Sentenciando o feito, o Magistrado a quo julgou procedentes os pedidos, consignando na


parte dispositiva:

"Ante ao exposto, com fundamento no art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil
JULGO PROCEDENTE o pedido deduzido na inicial para:

a) - condenar a ré a indenizar o autor pelo furto de seu veículo, no valor correspondente a


110%, da tabela FIPE vigente na data do sinistro, acrescido de correção monetária pelo
INPC a partir da data em que deveria ser pago (27/08/2003 - 30 dias após o sinistro) e
juros de mora, de 1% ao mês, a partir da citação.

b) - condenar a ré a pagar ao autor, o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), a título de


indenização pelos danos morais.

Registre-se que tal quantia encontra-se atualizada, ou seja, a indenização é quantificada


pelos parâmetros desta data, pelo que, quanto a esta verba, a futura atualização deverá
ser promovida com a aplicação da correção monetária pelo INPC e juros moratórios de 1%
ao mês, a partir da prolação desta sentença.

c) - condenar a ré ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios,


estes que fixo em 20% (vinte) por cento sobreo valor da condenação, a teor do que dispõe
o art. 20, § 3º, do Código de Processo Civil." (fls. 201-202).

Inconformada, Hannover International Seguros S/A interpôs recurso de apelação, na qual


busca a reforma da sentença para que sejam julgados improcedentes os pedidos. Em
preliminar, requer a extinção da ação, por falta de interesse processual, uma vez que o
bem objeto da demanda foi encontrado e abandonado pelo autor.
No mérito, repisou os argumentos expostos na contestação. Além disso, sustentou a
ausência de dano moral passível de indenização. Por fim prequestionou os artigos ...

DICAS

RESPONSABILIDADES DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO

Possuir um veículo automotor envolve várias responsabilidades ao seu


dono.

Na esfera cível, o proprietário responde de forma solidária pelos danos


causados pelo veículo a terceiros, não importa quem seja o condutor do
veículo.

Na esfera criminal, o proprietário tem culpa presumida por mortes ou


ferimentos causados a terceiros, caso não se consiga identificar o condutor
do veículo e o mesmo não tenha sido objeto de roubo ou furto.

Na esfera administrativa ou de trânsito, o proprietário é responsável pelo


pagamento de multas, de licenciamento e de IPVA. Se ele não comprovar
que uma infração de trânsito foi cometida por outra pessoa, é para a CNH
dele que vão os pontos.

Portanto, uma leitura obrigatória para todo proprietário de veículos é o


Código de Trânsito Brasileiro. Além disto, antes de entregar seu veículo a
um parente, amigo ou estranho, o proprietário deve estar ciente de que ele
é quem responde pelo veículo.

SEGURO OBRIGATÓRIO DPVAT

O DPVAT é o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores


de Vias Terrestres, é um seguro obrigatório e foi instituído pela Lei 6.194/74,
de 19/12/1974.

A finalidade do DPVAT é amparar as vitimas de acidentes envolvendo


veículos automotores em todo território nacional.

Seu objetivo é cobrir as vitimas de acidentes ou seus beneficiários, mas não


os danos materiais causados ao veículo. ~

As coberturas são: Morte; Invalidez Permanente Total ou Parcial; Reembolso


de Despesas de Assistência Médica e Suplementares - DAMS

Têm cobertura do DPVAT todas as pessoas, transportadas ou não, que


forem vitimas de acidentes causados por veículos automotores de vias
terrestres ou por sua carga.

Para solicitar indenização as vítimas devem fazer seus pedidos


individualmente. O pagamento independe também da apuração de culpa.

Para solicitar a indenização do DPVAT a vitima ou beneficiário pode


apresentar os documentos necessários em qualquer seguradora de sua
preferência. Não é necessário usar intermediários, despachantes ou
advogados. O próprio beneficiário ou vítima pode requerer a indenização.

Os valores atuais de indenização do DPVAT são R$ 13.500,00 para Morte;


R$ 13.500,00 para Invalidez Permanente; e, R$ 2.700,00 para Despesas
Hospitalares.

SEGUROS FACULTATIVOS

Os seguros facultativos são aqueles que os proprietários fazem a fim de se


proteger em caso de acidentes com o veículo. Pela violência atual do
trânsito e pela quantidade de veículos nas ruas, é muito arriscada a pessoa
possuir um veículo não segurado.

Os seguros cobrem o conserto do seu veículo, do veículo da outra pessoa e


ainda despesas com vítimas do acidente. Em geral as seguradoras cobram
preços em torno de 5% do veículo ao ano, mas este preço varia conforme o
modelo e o perfil do segurado.

Conforme o Guia de Orientação e Defesa do Segurado, editado pela SUSEP –


Superintendência de Seguros Privados em 2006, disponível no endereço
eletrônico http://www.susep.gov.br/download/cartilha/cartilha_susep2e.pdf,
são as seguintes as regras vigentes sobre os seguros de veículos:

As coberturas oferecidas em um seguro de automóvel têm como objetivo


atender às necessidades dos segurados diante da possibilidade desses
terem prejuízo em razão de danos causados acidentalmente pelo uso de
seus veículos ou resultante de ação de terceiros.

São seguráveis todos os veículos terrestres de propulsão a motor e seus


reboques, desde que não andem sobre trilhos. O valor da importância
segurada inscrita na apólice para cada cobertura representará o limite
máximo de responsabilidade da seguradora.

Quais são as modalidades possíveis para o seguro de automóvel?


Valor de Mercado Referenciado (VMR): modalidade que garante ao
segurado, no caso de indenização integral, o pagamento de quantia
variável, em moeda corrente nacional, determinada de acordo com a tabela
de referência, expressamente indicada na proposta do seguro, conjugada
com fator de ajuste, em percentual, a ser aplicado sobre o valor de cotação
do veículo, na data da liquidação do sinistro.

Valor Determinado (VD): modalidade que garante ao segurado, no caso de


indenização integral, o pagamento de quantia fixa, em moeda corrente
nacional, estipulada pelas partes no ato da contratação do seguro.

O que significa “valor de novo”?

Refere-se ao compromisso da seguradora, na modalidade de valor de


mercado referenciado (VMR), de indenizar o segurado pelo valor do veículo
zero quilômetro constante da tabela de referência na data de liquidação do
sinistro. A seguradora deverá definir expressamente os critérios necessários
para que tal condição seja aceita.

Esta cobertura vigorará durante prazo não inferior a 90 dias, contado a


partir da entrega do veículo ao segurado e fixado nas condições gerais do
seguro.

Quais são os tipos de coberturas oferecidas?

As coberturas oferecidas são: colisão, furto/ roubo e incêndio (perda parcial


e perda total). A cobertura compreensiva abrange colisão, incêndio e
roubo/furto.

A cobertura do seguro de automóvel pode, ainda, ser conjugada com


cobertura de responsabilidade civil, que incluem indenizações por danos
morais a terceiros.

Quais são os prejuízos não indenizáveis?

São os prejuízos decorrentes dos riscos excluídos, bem como, nos casos de
indenizações parciais, as avarias previamente constatadas pela seguradora.

Como é determinado o valor do prêmio de seguro?

O valor do prêmio será fixado pela seguradora a partir das informações que
lhe foram enviadas sobre o bem segurado (automóvel) e, em geral, sobre o
segurado e o condutor (questionário de avaliação de risco).

As seguradoras estão liberadas para fixar seus prêmios e a forma de


pagamento (se o prêmio será à vista ou parcelado), mas deverão
encaminhar o documento de cobrança em até 5 (cinco) dias úteis antes da
data do respectivo vencimento.

Qual é o início de vigência do seguro?

No caso de seguro em que a proposta foi recepcionada na seguradora sem


pagamento de prêmio, o início de vigência da cobertura será a data de
aceitação da proposta ou outra se expressamente acordarem segurado e
seguradora.

No caso de seguro de proposta recepcionada pela seguradora com


adiantamento para futuro pagamento de prêmio, o contrato terá início de
vigência a partir da realização da vistoria, exceto para veículos zero
quilômetro ou para os casos de renovação na mesma seguradora, hipóteses
em que o início de vigência ocorre na data em que a proposta foi recebida
na seguradora.

O que caracteriza a indenização integral em caso de ocorrência de sinistro?

A indenização integral é caracterizada quando os prejuízos resultantes de


um mesmo sinistro atingirem ou ultrapassarem 75% (ou percentual inferior
quando previsto na apólice) do valor contratado pelo segurado (valor
definido na apólice para a cobertura de RCF-V, por sua vez, pode ser
dividida em duas modalidades: a que cobre danos materiais causados a
terceiros (DM) e a que cobre danos corporais causados a terceiros (DC).

Podem ser contratadas coberturas adicionais?

Sim. São coberturas contratadas por cláusulas especiais que integram a


apólice. Como exemplo, temos as coberturas para: acessórios, rádios, ar
condicionado, antenas e outros equipamentos, guindastes, frigoríficos
(caminhões frigoríficos), aparelhos de raios-X (nos hospitais volantes), etc.,
Civil facultativa de veículos (RCF-V) e de acidentes pessoais para
passageiros (APP). Modalidade VD ou valor vigente na tabela de referência
na data do aviso do sinistro multiplicado pelo fator de ajuste acordado para
a modalidade VMR). Em caso de roubo ou furto do veículo sem que o
mesmo seja recuperado, há também a indenização integral.

Quanto vou receber no caso de ocorrência de sinistro que acarrete


indenização integral?

Nos casos de indenização integral, para a modalidade VD, o valor da


indenização corresponderá ao valor constante da apólice. Para a
modalidade VMR, o valor da indenização será determinado de acordo com a
tabela de referência, expressamente indicada na proposta do seguro,
conjugada com o percentual de fator de ajuste, a ser aplicado sobre o valor
de cotação do veículo, na data da liquidação do sinistro.
Como devo proceder para o recebimento de indenização integral?

No caso de indenização integral, o segurado deverá, ocorrendo sinistro,


avisar imediatamente a seguradora, preencher o formulário de aviso de
sinistro e apresentar a documentação necessária, definida nas condições
gerais do seguro.

Como devo proceder para o recebimento de indenização parcial?

Para a indenização parcial por avarias, ou seja, por danos materiais


causados ao veículo que não acarretem a indenização integral, o segurado
deverá, no caso de sinistro, avisar imediatamente a seguradora, preencher
o formulário de aviso de sinistro, levar o veículo a uma oficina de sua livre
escolha (é possível que a seguradora ofereça algumas vantagens para
utilização de rede credenciada, mas não pode impedir o segurado de
escolher determinada oficina) e aguardar autorização prévia da seguradora
para serem efetuados os consertos.

São também indenizáveis, até o limite máximo da indenização, os valores


referentes aos danos materiais comprovadamente causados pelo segurado
e/ou por terceiros na tentativa de evitar o sinistro, minorar o dano ou salvar
o bem.

O que é franquia?

É o valor, expresso na apólice, que representa a parte do prejuízo que


deverá ser arcada pelo segurado por sinistro.Assim, se o valor do prejuízo
de determinado sinistro não superar a franquia, a seguradora não
indenizará o segurado.

A franquia não poderá ser cobrada do segurado nos casos de sinistro com
indenização integral por qualquer causa, além dos sinistros que resultarem
de incêndio, queda de raio e/ou explosão, ainda que esses acarretem
indenizações parciais. Entretanto, se o veículo roubado/ furtado for
recuperado e necessitar de conserto, o segurado arcará com a franquia,
pois neste caso a indenização é parcial (desde que o prejuízo não ultrapasse
o percentual máximo previsto na apólice).

No caso de mais de um sinistro, o segurado arcará com tantas franquias


quantas forem os sinistros.

O que é bônus?

Trata-se de critério definido pela seguradora para permitir uma redução no


valor do prêmio quando o segurado apresentar um número de anos sem
sinistros. A SUSEP não define regras para a aplicação ou suspensão de
bônus.

CLÁUSULAS ABUSIVAS EM SEGUROS

O IBEDEC tem observado algumas condutas abusivas por parte das


seguradoras, às quais os consumidores não devem se submeter e podem
até questionar judicialmente.

Por exemplo, há seguradoras que estão negando vender seguros para quem
está negativado no SPC e SERASA. É um direito da seguradora negar esta
venda, se o pagamento for a prazo. Porém, se o pagamento for à vista, ela é
obrigada a aceitar a apólice, caso não haja outro motivo apto a justificar a
recusa.

Nestes casos, a postura da seguradora configura discriminação contra o


consumidor e caracteriza crime. O consumidor inclusive pode exigir
indenização por danos morais, além de compelir a seguradora a aceitar a
apólice.

Também já houve caso de acidente com motorista não habitual (mecânico,


pai, mãe, parente, etc), onde o veículo segurado envolveu-se em acidente e
a seguradora nega-se a fazer a cobertura. Tal situação não justifica negativa
de pagamento de seguro e a Justiça tem dado razão aos consumidores.

PARECER

Processo: 0274773-9 Apelação (Cv) Cível

Ano: 1999 -Comarca: Belo Horizonte/Siscon

Origem: Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais Órgão Julgador: Sétima Câmara Cível

Relator: Juiz Antônio Carlos Cruvinel

Data Julgamento: 04/03/1999

Decisão: Unânime Ementa:

"O atraso no pagamento de parcelas do prêmio autoriza o segurador a cobrá-las com juros da
mora, conforme dispõe o art. 1450 do C. Civil. Não faculta, porém, a unilateral rescisão do
contrato ou a suspensão de sua eficácia, pelo segurador, quanto ao direito do segurado ao
ressarcimento garantido pela apólice. É nula de pleno direito a cláusula que, por falta de
pagamento de parcelas do prêmio, autoriza a rescisão unilateral do contrato ou a suspensão da
sua eficácia quanto ao direito do segurado ao ressarcimento previsto na apólice. Tal cláusula é
abusiva, visto que deixa o segurado em desvantagem exagerada e rompe, assim, o equilíbrio
contratual em benefício da seguradora (CDC, art. 51, caput, e § 1º, inciso II). Decisão: NEGAR
PROVIMENTO.
Íntegra do Acórdão: EMENTA: CONTRATO DE SEGURO - PARCELAS DO PRÊMIO EM ATRASO -
CLÁUSULA QUE AUTORIZA A SEGURADORA A RECUSAR O PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO
PREVISTA NA APÓLICE E PLEITEADA PELO SEGURADO - NULIDADE DA CLÁUSULA - ART. 1.450 do
C. CIVIL E ART. 5I, CAPUT E § 1º DO CDC . O atraso no pagamento de parcelas do prêmio
autoriza o segurador a cobrá-las com juros da mora, conforme dispõe o art. 1450 do C. Civil. Não
faculta, porém, a unilateral rescisão do contrato ou a suspensão de sua eficácia, pelo segurador,
quanto ao direito do segurado ao ressarcimento garantido pela apólice. É nula de pleno direito a
cláusula que, por falta de pagamento de parcelas do prêmio, autoriza a rescisão unilateral do
contrato ou a suspensão da sua eficácia quanto ao direito do segurado ao ressarcimento previsto
na apólice. Tal cláusula é abusiva, visto que deixa o segurado em desvantagem exagerada e
rompe, assim, o equilíbrio contratual em benefício da seguradora (CDC, art. 51, caput, e § 1º,
inciso II). JUIZ ANTÔNIO CARLOS CRUVINEL APELAÇÃO CÍVEL Nº 274.773-9 - 04.03.99 - BELO
HORIZONTE

Acórdão Número: 22532 -Processo: 0271573-7 Apelação (Cv) Cível -Ano: 1999

Comarca: Alfena -Origem: Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais -Órgão Julgador: Terceira
Câmara Cível -Relator: Juiz Duarte de Paula

Data Julgamento: 10/02/1999 -Dados Publicados: RJTAMG 74/244 Decisão: Unânime Ementa:

E DEVIDA A INDENIZACAO DECORRENTE DE SINISTRO, MESMO NO CASO DE ESTAR O


SEGURADO EM ATRASO COM A PRESTACAO DO PREMIO, POIS SEGUNDO PREVISAO LEGAL DA
MATERIA CABE APENAS O PAGAMENTO DE ENCARGOS DECORRENTES DA MORA E NAO A
RESOLUCAO CONTRATUAL PELO INADIMPLEMENTO DO SEGURADO. INTERPRETAM-SE
RESTRITIVAMENTE EM RELACAO A COMPANHIA SEGURADORA, E BENEFICAMENTE AO
SEGURADO, AS CLAUSULAS CONSTANTES DE CONTRATO DE ADESAO, MORMENTE PORQUE NO
MOMENTO DA CELEBRACAO A PARTE ADERENTE E A MAIS FRACA E NAO DISPOE, MUITAS VEZES,
DE INTELECCAO SUFICIENTE PARA COMPREENDER O SENTIDO E AS CONSEQUENCIAS DA
ESTIPULACAO CONTRATUAL. Publicação: Fonte: RJTAMG - Nº: 74 - PG: 244 - Ano: 1999 Decisão:
NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E À APELAÇÃO

Íntegra do Acórdão:

EMENTA: SEGURO - PRÊMIO EM ATRASO - MORTE DO SEGURADO - RECUSA DA SEGURADORA NA


INDENIZAÇÃO A BENEFICIÁRIO - CONTRATO DE ADESÃO - CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR - PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. É devida a indenização decorrente do sinistro, mesmo
no caso de ter o segurado atrasado no pagamento da prestação do prêmio do seguro, pois a
previsão legal da matéria prevê apenas o pagamento de encargos decorrentes da mora, não se
referindo a resolução contratual pelo inadimplemento do segurado. Interpretam-se restritivamente
em relação à companhia seguradora, e beneficamente ao segurado, as cláusulas constantes em
contrato de adesão, mormente porque no momento da celebração a parte aderente não dispunha
de intelecção suficiente para compreender o sentido e as conseqüências da estipulação contratual.

Acórdão: Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 271.573-7, da Comarca
de ALFENAS, sendo Apelante (s): REAL SEGURADORA S.A. e Apelado (a) (os) (as): IRANI
TEIXEIRA DA SILVA, ACORDA, em Turma, a Terceira Câmara Civil do Tribunal de Alçada do Estado
de Minas Gerais, NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E À APELAÇÃO. Presidiu o julgamento
o Juiz DORIVAL GUIMARÃES PEREIRA e dele participaram os Juízes DUARTE DE PAULA (Relator),
KILDARE CARVALHO (1º Vogal) e EDILSON FERNANDES (2º Vogal). O voto proferido pelo Juiz
Relator foi acompanhado na íntegra pelos demais componentes da Turma Julgadora. Belo
Horizonte, 10 de fevereiro de 1999.

Relator JUIZ DUARTE DE PAULA -APELAÇÃO CÍVEL Nº 271.573-7 - ALFENAS - 10.02.99


Origem do Acórdão: TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO DO PARANÁ -Tipo do Processo: APELAÇÃO
CÍVEL Número do Processo: 129108500 Comarca de Origem: CURITIBA

Órgão Julgador: QUARTA CÂMARA CÍVEL

Data de Julgamento: 31/03/99 Decisão: Unânime

Parecer/Sessão de Julgamento: Por unanimidade de votos, negaram provimento Número de


Arquivo do Acórdão: 11055 Data de Publicação: 23/04/99

Ementa: SEGURO. NÃO PAGAMENTO DO PREMIO. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE SEGURO.


INVIABILIDADE. RESOLUÇÃO QUE DEPENDE DE PRONÚNCIAMENTO JUDICIAL. INDENIZAÇÃO
DEVIDA. RECURSO DESPROVIDO. - A RESOLUÇÃO DO CONTRATO DE SEGURO DEPENDE SEMPRE
DE PRONUCIAMENTO JUDICIAL, AINDA QUE O CONTRATO ESTABELEÇA A CLÁUSULA
RESOLUTORIA EXPRESSA. RECURSO DESPROVIDO. LEGISLAÇÃO: L 8078/90. DL 73/66 - ART 12.
CC - ART 1450. D 60459/67 - ART 6, PAR 5. DOUTRINA: FILOMENO, JOSÉ GERALDO BRITO -
CÓDIGO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, P 26 E 31. MENEZES, JOÃO CARLOS -
CÓDIGO DO CONSUMIDOR, 1996, 1 ED, P 67. MARQUES, CLAUDIA LIMA - CONTRATO NO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, 1998, 3 ED, ED RT, P 632. MIRANDA, PONTES DE -
TRATADO DE DIREITO PRIVADO, 1964, 2 ED, P 314. JURISPRUDENCIA: TAPR - AP CIV 126818-4,
4 CC, REL JUIZ RUY CUNHA SOBRINHO.

Número Acórdão: AC 97.002617-0 -Relator: Des.Trindade dos Santos -Câmara: 1ª C.C. Data: J.
27/05/1997-

"O simples não pagamento do prêmio no prazo estipulado contratualmente não é causa hábil à
extinção da relação de seguro, ainda que prevista contratualmente essa hipótese. A resolução da
celebração de seguro há que ser, sempre, promovida judicialmente, quando poderá, com a
necessária precisão, ser avaliada a importância da impontualidade em relação ao ajuste -....., não
lhe é dado, apenas no mês da ocorrência sinistral passível de cobertura, furtar-se aos efeitos
dessa situação, dando por rescindido o pacto, a fim de subtrair-se à cobertura necessária,....
(TJSC - AC 97.002617-0 - 1ª C.C. - Rel. Des. Trindade dos Santos - J. 27.05.1997)