Economia e Sociologia do Trabalho

Economia do Trabalho: Conceitos básicos e Definições.............................................02 Mercado de trabalho formal e informal...........................................................................08 O mercado de trabalho.....................................................................................................11 Demanda por trabalho: o modelo competitivo e modelos não competitivos.............12 as decisões de emprego das empresas.........................................................................18 custos não salariais..........................................................................................................22 elasticidades da demanda...............................................................................................23 Oferta de trabalho: a decisão de trabalhar e a opção renda x lazer............................24 a curva de oferta de trabalho...........................................................................................27 elasticidades da oferta.....................................................................................................28 O equilíbrio no mercado de trabalho..............................................................................29 Os diferenciais de salário................................................................................................30 Diferenciação compensatória.........................................................................................31 Capital Humano: educação e treinamento.....................................................................32 Segmentação no mercado de trabalho...........................................................................43 Desemprego. A taxa natural de desemprego. Tipos de desemprego e suas causas................................................................................................................................46 Salário eficiência e modelos de procura de emprego...................................................48 Instituições e mercado de trabalho. A intervenção governamental: política salarial e políticas de emprego........................................................................................................49 Assistência ao desemprego............................................................................................59 Sindicato: monopólio bilateral e monopsônio...............................................................59 O mercado de trabalho no Brasil....................................................................................61 Sociologia do Trabalho....................................................................................................70 O Conceito de Trabalho...................................................................................................70 Trabalho: ação, necessidade e coerção.........................................................................72 Exploração e alienação....................................................................................................71 Trabalho e remuneração. O sistema de assalariamento..............................................77 Valores e atitudes. Os valores do Trabalho...................................................................78 A divisão social do trabalho............................................................................................80 População e Emprego. População, população ativa e população ocupada...............83 Trabalho e Progresso Técnico........................................................................................85 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. Processo de trabalho e organização de trabalho........................................................................................................................85 Trabalho parcial e integral...............................................................................................87 Trabalho artesanal, manufatura e grande indústria......................................................89 A crise da sociedade do trabalho...................................................................................92 O determinismo tecnológico...........................................................................................93 Trabalho e empresa. Poder e decisão na empresa.......................................................95 Estrutura e organização da empresa..............................................................................97 A classe dirigente...........................................................................................................100 A ação sindical e sua tipologia.....................................................................................100 Greves e conflitos trabalhistas.....................................................................................112

Economia do Trabalho Conceitos básicos e Definições A economia do trabalho procura entender o funcionamento do mercado e a sua dinâmica relacionada ao trabalho. Os mercados de trabalho funcionam através das interações entre trabalhadores e empregadores. A economia do trabalho observa os ofertantes de força-de-trabalho (trabalhadores), seus demandantes (empregadores) e tenta entender os padrões resultantes de salários e outras rendas do trabalho, de emprego e desemprego. Usos práticos incluem a assistência na formulação de políticas de pleno emprego. CONCEITOS BÁSICOS PEA ou Força de Trabalho – expressa a quantidade de pessoas que potencialmente colocam sua mão de obra para suprir as necessidades da empresa. Engloba as pessoas empregadas como as que estão disponíveis para trabalhar, mas não estão conseguindo emprego (denominadas desempregadas); PIA – população em idade ativa; PINA – população em idade não ativa. População economicamente ativa (PEA) Empregados a) plenamente ocupados: - em tempo integral - em tempo parcial b) subempregados: - visíveis - invisíveis Desempregados a) buscando trabalho: - já trabalharam - nunca trabalharam (1º emprego) b) não estão procurando trabalho, mas dispostos a trabalhar em condições específicas: - já trabalharam - nunca trabalharam População não economicamente ativa (PNEA) Capacitados para o trabalho a) trabalhadores desalentados ou desencorajados (dispostos a trabalhar, mas desestimulados a buscar emprego): - dedicando-se a afazeres domésticos - estudante - aposentado - pensionista - rentista e outros b) inativos (não buscam trabalho nem desejam trabalhar): - inválidos - idosos réus - outros Essa forma de apresentação da PEA é universal, contemplada pelas mais importantes instituições voltadas para questões do mercado de trabalho e 2

Como exemplo. e) o fato de o indivíduo estar em idade ativa não o caracteriza como economicamente ativo. ainda que representativas do volume de trabalho apto e imediatamente disponível. não revelam a total potencialidade da força de trabalho. No Brasil. Tais indicadores possibilitam tanto refletir sobre o desempenho quanto avaliar o comportamento da economia. que é composto também por indivíduos que trabalham. mas sim por meio de variáveis que se formam no mercado. e outros . para alguns (como o IBGE). variando entre países. desde que entre os empregados existam os subempregados. f) possuir capacidade para trabalhar também não assegura que o indivíduo seja economicamente ativo. INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO Vimos a composição da População Economicamente Ativa (PEA). Para avaliar o comportamento desse mercado. nas condições de emprego e trabalho e. principalmente. a PEA deve ser interpretada como um conceito parcial no que diz respeito à oferta do trabalho imediatamente utilizável no país. Dessa forma. c) o critério para definir idade ativa é arbitrário. devemos notar que as categorias classificadas como economicamente ativas da forma mencionada. horas trabalhadas. d) os desempregados autênticos representam um patamar mínimo de subutilização da mão-de-obra. enquanto para o Dieese é uma forma de desemprego. Servem ainda para refletir estados de pobreza ou miséria.adotada nos principais inquéritos. visando captar aspectos recativos à atividade econômica dos indivíduos. A força de trabalho não leva em consideração aspectos como nível educacional dos trabalhadores. Podem também ser utilizados como importantes fatores de orientação no processo de tomada de decisões (seja pelo governo ou pelas firmas). Finalmente. qualidade do trabalho. g) desemprego não significa inatividade. além de contribuir para a avaliação do nível de absorção de mão-de-obra e de seu grau de subutilização. é uma categoria entre os empregados. mas. b) o nível de participação na PEA pode alterar-se sem modificações originadas por aspectos demográficos. visando proporcionar melhorias no padrão de vida. 3 . em geral. na harmonização das relações entre capitalistas e trabalhadores. temos o subemprego que. adota-se o critério de 10 anos como limite mínimo para idade ativa. entre outras variáveis que são determinantes do trabalho potencial dos indivíduos componentes do mercado de trabalho. A principal polêmica ocorre em como enquadrar determinada categoria ocupacional com base numa situação observada. As seguintes observações merecem também destaque: a) alguns indivíduos que não trabalham fazem parte do mercado informal. contido no intervalo entre 10 e 15 anos de idade.com o índice de salário real – que não emergem diretamente do que foi descrito. experiência no trabalho. uma série de indicadores é construída: alguns diretamente das definições apresentadas.

Indicadores 1 – Taxa de participação na força de trabalho (tP) Reflete o nível de engajamento da população ativa nas atividades produtivas. taxa de participação (tP) como: tP = PEA / PIA Regra geral. Desde que o tamanho da população e da própria PEA tendem a diferir de país para país. sendo extremamente útil ao governo como indicador do impacto das políticas econômicas de curto prazo. Definese. ou entre regiões de um mesmo país. já que o subemprego existe no mercado de trabalho. o qual expressa um patamar mínimo de subutilização de mão-de-obra. A taxa de desemprego contabiliza aqueles indivíduos que estão aptos. b) a participação adulta é maior que a participação jovem ou idosa. observa-se que: a) a taxa de participação masculina é maior que a feminina. 4 . pela mensuração do tamanho relativo da força de trabalho. saudáveis e buscando trabalho. Essa taxa inclui o que se denomina desemprego aberto. então. c) a participação feminina tende a crescer com o desenvolvimento econômico. a taxa de desemprego é a relação entre o número de desempregados (D) e o total da força de trabalho (PEA). seja porque aumentam as oportunidades de emprego para as mulheres. fornecendo uma aproximação do volume de oferta de emprego imediatamente disponível na economia. Taxa de desemprego (tD) Figurando entre os mais conhecidos indicadores. esse índice tende a refletir desequilíbrios no mercado de trabalho. para qualquer país. A necessidade de educar e a aposentadoria são as explicações tradicionais para a menor participação desses dois últimos grupos. é necessário expressar percentualmente o volume de indivíduos em atividades voltadas para a produção social de bens e serviços em relação à População em Idade Ativa (PIA). ou seja: tD = D / PEA => tD = D / (E + D) Sua evolução demonstra as flutuações da atividade econômica. pois os afazeres domésticos não são considerados ocupações economicamente ativas e são exercidos majoritariamente pelas mulheres. seja porque o próprio papel delas com relação ao trabalho é visto de forma diferente. mas que não encontram ocupação à taxa de salários vigente no sistema econômico. Representa a falta de capacidade do sistema econômico em prover ocupação produtiva para todos aqueles que a desejam. Estatisticamente.

Desemprego friccional 5 . mas não encontra colocação.A taxa de desemprego pode aumentar sem que tenha havido demissão. segundo sua origem. É também denominado desemprego cíclico ou desemprego conjuntural. Ocorre devido à insuficiência de demanda agregada na economia (falaremos desse assunto mais adiante). que vão desde a total involuntariedade do trabalhador em se colocar nessa situação até a incapacidade do sistema em absorver o contingente de indivíduos que afluem às forças de trabalho periodicamente. aquele tipo de desocupação dos indivíduos que deve merecer maior atenção das autoridades governamentais. a taxa de desemprego será: tD = 20 / (20 + 60) = 0. existem diversas classificações de desemprego. Neste caso. temos a seguinte composição: tD = 21 / 81 = 0. Exemplos: 1) Supondo que o número de desempregados de um país é de 20 (D=20) e que o número de empregados seja 60 (E= 60) . é inegavelmente o principal indicador da ocorrência de recessão. esse tipo de desemprego é também conhecido como Keynesiano. Representa. Denomina-se também desemprego tecnológico e ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda por mão-de-obra de determinada qualificação. captadas pela taxa de desemprego. dessa forma. sem dúvida. NOTA . Em outras palavras. A taxa de desemprego capta aqueles indivíduos classificados como desempregados por diversas razões. pois incorpora tanto movimentos da força de trabalho quanto flutuações no plano das atividades produtivas.25 ou 25 % 2) Se um inativo se incorpora à PEA. Desde que Keynes se destacou como formalizador das idéias sobre o impacto da insuficiência de demanda sobre a economia e o mercado de trabalho.259 Pode-se perceber que a taxa de desemprego aumentou. tradicionalmente calculada por pesquisas primárias. As principais são: Desemprego involuntário Ocorre quando o indivíduo deseja trabalhar à taxa de salários vigentes no sistema econômico. Desemprego estrutural Acontece quando o padrão de desenvolvimento econômico exclui uma parcela dos trabalhadores do mercado de trabalho. apesar de não ter havido novas demissões. todas ocorrendo ao mesmo tempo e. porém não obtém emprego (fica desempregado).Do ponto de vista social.

Índice de emprego (tE) É usado para medir a proporção da população economicamente ativa que. RELAÇÃO IMPORTANTE ENTRE TAXA DE DESEMPREGO E DE EMPREGO Como tD = D / PEA e tE = E / PEA. o subemprego tem grande aceitação como conceito referente ao problema ocupacional no meio rural. num ambiente de constantes transformações tecnológicas que afetam o comportamento das firmas quanto ao nível de emprego por elas desejado. As causas e os efeitos do subemprego são múltiplos. Nesse ínterim. Desemprego sazonal Ocorre devido à sazonalidade de determinados tipos de atividade econômica. mas recentemente a definição de subemprego ganhou nova roupagem. onde reflete a porcentagem de ocupados em atividades de baixa produtividade agrícola.Surge em decorrência do processo dinâmico que caracteriza o mercado de trabalho. indica o contingente de trabalhadores disponíveis e utilizados pelas firmas. é empregada. Como é possível prever esse tipo de flutuações. tE = E / PEA = E / (E + D) Em última instância. Neste setor informal de trabalho. temos que: tD + tE = D/PEA + E/PEA = (D + E) / PEA = PEA / PEA = 1 => tE = 1 (ou 100%) tD + Subemprego É a própria subutilização da mão-de-obra. Em outras palavras. sob o título de mercado ou setor informal de trabalho. tal conceito é associado à questão de emprego na América Latina. Ásia e África. no qual o sistema de informações sobre a oferta de vagas disponíveis no sistema produtivo é imperfeito. se 6 . Historicamente. muito mais um problema conceitual ou de mensuração. após certa idade. Além disso. Existe um lapso de tempo entre a saída do indivíduo de um emprego e a obtenção de uma nova ocupação de acordo com suas características. o subemprego tende a representar a parcela da população subutilizada em decorrência do padrão de crescimento adotado. mas invariavelmente ele está relacionado com o desenvolvimento econômico insuficiente ou atrasado. Fornece também uma avaliação de capacidade da economia em absorver o crescimento da população. o qual exclui inúmeros segmentos da população de desempenho de atividades econômicas produtivas. relativamente a todos aqueles que potencialmente poderiam exercê-la. pode-se atribuir uma dose de voluntariedade dos indivíduos engajados em ocupações dessa natureza. Igual conceito também se aplica ao meio urbano. o índice de emprego busca refletir o número de indivíduos que estão realmente exercendo atividades econômicas. De modo geral. Busca refletir aqueles indivíduos absorvidos no mercado de trabalho na condição de empregados. ele é classificado como desempregado.

trabalhar. esse subemprego seria medido como: tSH = (Sh/ PEA) x100 em que Sh = número de indivíduos ocupados trabalhando menos que um determinado números de horas. Esse indicador merece algumas considerações. tSV = N / (d + 1) x100 / PEA onde N = número de pessoas pobres (população abaixo de uma linha de pobreza). Implica reduzir gradualmente a proporção de mão-de-obra ocupada em atividades de baixa produtividade. tsp = ( Sp/ PEA ) x 100 em que Sp = número de indivíduos em produtividade igual ou inferior a certo valor prefixado. o número de horas pode ser fixado em termos de dias. Ademais. semanas. Subemprego encoberto (tsp) – representa a quantidade de mão-de-obra que seria possível liberar melhorando-se a organização e a distribuição das tarefas de trabalho. n = número de indivíduos ativos incluídos na população pobre. por meio de mudanças nas condições de exploração dos recursos ou transformações nas indústrias ou agricultura. mês ou ano e varia de acordo com as características do país ou região em que se pretende medir o subemprego. será substituída. a dispensa do 7 . ou que voluntariamente se demite. O trabalho em tempo parcial não é uma aspiração do indivíduo. mantendo-se o nível de produção sem necessidade de novos investimentos em capital fixo e sem modificação das formas de utilização do trabalho assalariado ou estrutura social de produção. Subemprego visível (tSH) – é definido como a diferença entre o volume real de horas trabalhadas pelo indivíduo e o volume de horas que ele poderia.discute a importância do núcleo capitalista de produção no surgimento e no desenvolvimento de atividades econômicas marginais e/ou informais. Por sua vez. que não está trabalhando mais por insuficiência de demanda. dado um nível de produção. caracterizando uma involuntariedade do indivíduo. razão de dependência. a rotatividade implica idéia de que a mão-de-obra dispensada. de fato.Na economia. do ponto de vista das firmas. Subemprego potencial (tSV) – é definido como a quantidade da mão-de-obra que pode ser liberada. O subemprego deve-se dar por razões econômicas. elevando-a simultaneamente. Taxa de rotatividade da mão-de-obra (tr) Os movimentos referentes às demissões e rescisões de contrato de trabalho (sejam por iniciativa das firmas ou de empregados). O que diferencia essas duas situações é que. d = (N – n) / N. tanto podem representar desemprego da força de trabalho como também rotatividade da mão-de-obra.

D) x 100 / 0. no setor informal e. de segurança. Mercado Informal Existem empresas que não cumprem os itens citados no caso do mercado formal. Dessa forma. que é maior que o número de demissões (D). logo. Nestes casos. a venda de CDs piratas ou tráfico de drogas. Se tomássemos o maior valor entre admissões e demissões. Não há registro em carteira. retratando melhor a momento econômico. já que este valor seria grande. ou seja: não há grande rotatividade e sim crescimento econômico. seja porque são atividades condenadas. por conseqüência. São empresas do setor informal da economia e seus trabalhadores. sem que ocorra reposição. o que não é verdade (D>A).D) seria: a) Recessão na economia – ocorrendo uma recessão. estaríamos superestimando o índice de rotatividade. Logo. ou seja. se tomássemos o número de admissões (A). como por exemplo. e. este seria o número de demissões. induzindo ao erro de se pensar que estaria havendo rotatividade na economia.5(Fi + (Fi +A –D)) A = admissões da firma ou setor no período. seja por não ter condições de manter a empresa com o cumprimento da própria lei. não cumprem a legislação porque a própria continuidade da empresa seria colocada em xeque. Outras cumprem parcialmente os aspectos legais. não há direitos sociais garantidos em lei. sanitário. 8 .empregado por parte da firma ou seu pedido de rescisão do contrato de trabalho. mais próximos da realidade. o número de demissões é bem maior que o número de admissões. num momento posterior. Logo. MERCADO DE TRABALHO FORMAL E INFORMAL Mercado Formal Neste tipo de mercado de trabalho as empresas cumprem a legislação vigente nos âmbitos fiscal. Observe que muitos trabalhadores podem estar.A medida mais usual que preserva a idéia de substituição é a seguinte: tr = min (A. b) Crescimento econômico – num período de crescimento o número de admissões é bem maior que o número de demissões. em dado momento. Produz-se mercadorias tendo como objeto o lucro. Ao tomarmos o mínimo entre demissões e admissões. O princípio da substituição de mão-de-obra é de fácil compreensão. trabalhista. tomaríamos o valor correspondente ao número de demissões (que é menor). D = demissões. mas a mensuração da rotatividade é algo complexo. estaríamos . caracteriza um desemprego na forma tradicional do termo. ambiental etc. Com isso o índice seria menor. fazem parte do mercado de trabalho informal. tomando o valor mínimo do numerador. podem retornar ao setor formal de trabalho. o numerador seria grande. Fi = estoques de trabalhadores no início do período Uma explicação simples para o numerador da fração min (A. certamente.

Atualmente. Primeiro haveria a oferta dos bens e depois. mesmo nas mais desenvolvidas.Uma outra concepção clássica era a de que o governo não deveria interferir na economia. este se daria no denominado PLENO-EMPREGO. podem retornar ao setor formal de trabalho. Isto é. XIX e parte do século XX acreditava que. defesa nacional. acreditavam os clássicos que os empresários. passaram por um período de forte recessão. A razão desta crença. em palavras resumidas. Malthus e outros pensadores econômicos dos séculos XVII.Num período de retração econômica (recessão). os empresários ofertariam os diversos bens e estes seriam consumidos pelos empregados. E isso era um motivo para não haver demissões. para os clássicos. Aos governos caberia a função de fornecer os bens públicos. . o governo forneceria para a sociedade os serviços de segurança. o setor informal funciona na linha limítrofe da economia formal.recursos de origem doméstica. eles admitiam um só tipo de desemprego: o chamado DESEMPREGO FRICCIONAL ou TAXA NATURAL DE DESEMPREGO. As teorias clássicas da economia não conseguiam explicar. Para os clássicos. . em dado momento. antes de qualquer coisa. A Inglaterra. Vejamos algumas: . Ricardo. estava apoiada em algumas hipóteses. saúde pública etc.operam em escala reduzida. a de não haver desemprego em grande número. o equilíbrio se daria com pleno emprego (dos fatores de produção). mesmo no pleno emprego. em vez de demitir.facilidades à entrada de novas empresas. . num momento posterior. que é. acreditavam eles. É aquele desemprego que ocorre em qualquer momento e em qualquer economia. de forma que não fosse necessário demitir os empregados. um tipo de desemprego nada preocupante em relação a uma economia. a contento. Eis algumas características do setor informal: . que afirmava. Isto é. Neste período (de 1929 até 1936). se a economia de um país estivesse em equilíbrio. justiça. que: “A OFERTA CRIA A SUA PRÓPRIA DEMANDA”. As forças do mercado seriam suficientes para tornar o mercado eficiente. os bens seriam consumidos. abaixariam os salários nominais dos trabalhadores. o que estava realmente acontecendo. no setor informal e. .Observe que muitos trabalhadores podem estar. SALÁRIO REAL E NOMINAL – CLÁSSICOS X KEYNESIANOS A economia chamada clássica. Em 1929 houve a quebra da bolsa de Nova York e a crise econômica nos EUA causou uma alta taxa de desemprego. e o mundo como um todo. ou seja.os mercados em que atuam são competitivos. . E faria isso com recursos advindos da tributação. . John 9 . economista de renome francês.o processo produtivo é intensivo em trabalho e a eventual tecnologia é adaptada. XVIII.a propriedade é individual ou familiar. baseada nos postulados de Adam Smith. Ou seja. eles não admitiam a existência do desemprego como temos hoje.Era válida a chamada “Lei de Say”. . Mas.

o consumo de uma sociedade pode ser estimulado ou desestimulado (para conter a inflação. Seu pensamento se chocava diretamente com os pensamentos clássicos no tocante ao papel do governo. com a edição de seu livro “A teoria do Emprego.Plano Real). se o governo pretende diminuir o consumo das famílias. isto é. o trabalhador não aceita corte no seu salário nominal (aquele que consta do nosso contra-cheque). de 1936. da “Lei de Say” e da flexibilidade dos salários nominais. . que representa o investimento em empresas (não em títulos. Um dos fatores determinantes do investimento é a taxa de juros. É a soma de todas as demandas da sociedade. onde: C = consumo das famílias I = investimento privado (produtivo. compra de bens para escolas públicas. ele poderia aumentar a carga tributária (para conter um processo inflacionário.Ao contrário do que afirmavam os clássicos. indústrias de base etc) X = exportações do país M = importações do país Essa Demanda Agregada (DA) representou uma revolução no que se refere às funções do estado numa economia. haverá um grande estímulo para os detentores de capital a aplicarem seu dinheiro no mercado financeiro e não em empresas. hidrelétricas. saúde pública. Isto porque os termos da DA dependem do governo.Keynes inverteu os termos da “Lei de Say”.Keynes. gerando riquezas e um Produto Interno Bruto (PIB) maior. Ou seja. senão vejamos: . Demanda agregada é um termo que se usa para expressar a riqueza ou renda de um país. Se o mercado financeiro não estiver remunerando bem. por exemplo) através de um instrumento que o governo tem em seu poder: A TRIBUTAÇÃO. Mas isso não gera renda para o país. Se esta estiver alta. os empresários só ofertariam os bens se houvesse procura pelos mesmos. Não gera emprego. ao contrário do que acreditavam os clássicos. que “A DEMANDA AGREGADA CRIA A SUA OFERTA” . no mercado financeiro). em resumo. Ou seja. já que o risco de se abrir uma empresa é maior e os rendimentos das aplicações financeiras são maiores. estradas. Isso vai 10 . os detentores de capital irão aplicar seu dinheiro em empresas. Keynes enunciou: . as bases da moderna macroeconomia. Isto é. como aconteceu no passado recente no Brasil . economista inglês. . se o governo pretende o crescimento econômico. Caso contrário. em empresas) G = gastos do governo (gastos com funcionalismo. dos Juros e da Moeda”. Eis sua equação: Demanda Agregada (DA) = C + I + G + X – M. Isso seria um dos motivos do desemprego. é o investimento que gera riqueza e emprego para o país. ele deveria diminuir a carga tributária. colocou o pensamento clássico em xeque. inflexíveis. para Keynes os salários eram rígidos. Esse é o princípio da demanda efetiva . Basicamente.M. Aqueles três pilares do pensamento clássico foram reformulados por Keynes. dizendo. Se as taxas de juros diminuírem o contrário acontecerá.o termo investimento (I). que criou .

acarretar numa queda do desemprego. Finalmente, a taxa de juros básica de uma economia é estabelecida pelo governo. Daí a importância do mesmo na economia. - o termo G (gastos do governo) é uma variável que depende somente do próprio governo. É política econômica do governo. - os termos exportações (X) e importações (M) são variáveis que dependem, dentre outros fatores, da taxa de câmbio. Desta forma, se um país, em determinado momento, deseja estimular as exportações, ele deveria desvalorizar a taxa de câmbio. Assim, o preço da moeda estrangeira ficaria mais caro e exportar seria mais fácil do que importar. Exemplo: Dia 10/ 03/ 2006 – taxa de câmbio => 1 US$ = R$ 2,24 . Isso significa que, se um exportador brasileiro exportar uma mercadoria de 100.000 dólares, ele receberá o montante, em reais, de R$224.000,00. Supondo que no dia 10/04/2006, a taxa de câmbio seja: 1US$ = R$ 2,35; se o mesmo exportador exportasse a mesma mercadoria acima, ele receberia, em reais, R$235.000,00. Note que quando a taxa de câmbio é desvalorizada, há incentivo maior para se exportar. E quando acontecer uma valorização da taxa de câmbio acontecerá o contrário. Exportar não será mais tão estimulante como no caso acima e a valorização da taxa de câmbio estimulará as importações, pois a moeda estrangeira ficará mais barata em reais. Foi o que aconteceu em 1994/95, quando a taxa de câmbio estava valorizada na faixa de 1US$ = R$1,00. Isso favoreceu as importações, pois o dólar estava barato. Para comprar um carro americano de US$12.000,00 (doze mil dólares) seria preciso ter R$12.000,00 (doze mil reais). Daí o crescimento forte das importações naquele período em que a taxa de câmbio estava valorizada, ou seja, nossa moeda estava valorizada. Mas o regime cambial de um país é definido pela Autoridade Monetária do próprio país. Ou seja, é política cambial do governo. Essas variáveis da Demanda Agregada refletem as chamadas políticas fiscal, monetária e cambial, assunto dos domínios da Macroeconomia.

2. O mercado de trabalho Mercado de trabalho relaciona aqueles que procuram emprego e aqueles que oferecem emprego num sistema típico de mercado onde se negocia para determinar os preços e quantidades de um bem, o trabalho. O seu estudo procura perceber e prever os fenónemos de interação entre estes dois grupos tendo em conta a situação económica e social do país, região ou cidade.

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Demanda por trabalho: o modelo competitivo e modelos não competitivos O mercado de trabalho pode ser entendido como compra e venda de serviços de mão-de-obra, representando um ambiente, onde trabalhadores e empresários, se confrontam. Blanchard (2001, p. 116) faz uma analogia a respeito do fluxo de trabalhadores no mercado de trabalho. Ele imagina um aeroporto, onde há decolagens e pousos de aeronaves a todo instante. Neste contexto, muitos passageiros entram e saem constantemente devido aos processos de embarque e desembarque das aeronaves lá estacionadas. As causas desta movimentação podem ser: Ø Ø Os vôos que decolam e que chegam; O mau tempo, que causa o atraso destes vôos.

A quantidade de passageiros que se encontra no aeroporto, pode ser o mesmo em ambas as situações, mas em condições diferentes. No primeiro caso, há passageiros entrando para pegar o vôo para algum destino. Há ainda, passageiros que desembarcaram em algum vôo de chegada. Da mesma forma, a taxa de desemprego pode refletir esta movimentação, mas em um mercado aquecido economicamente. Existem trabalhadores que se demitem no mercado de trabalho, por questões pessoais, na procura de oportunidades melhores e há aqueles que são demitidos, por ações estratégicas das firmas. Neste contexto, o desemprego considerado é o friccional e tem relação com a taxa de rotatividade de mão-de-obra. Já no segundo caso, onde o mau tempo está presente, os passageiros que se encontram no aeroporto estão sem mobilidade. Analogicamente, pode-se dizer que é um mercado de trabalho esclerosado[1], com poucas contratações e poucos desligamentos, onde o reflexo mostra um contingente de trabalhadores estagnados.

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No mesmo sentido, o tipo de desemprego característico deste caso é o involuntário, pois não há intenção dos trabalhadores ficarem sem emprego, bem como não há intenção dos passageiros em ficarem estacionados no aeroporto. Há que considerar também que, dentro de um processo de negociações coletivas, pode ocorrer em alguns casos, uma interferência do Estado, que junto com as empresas e trabalhadores, determinam conjuntamente os níveis de salários, de emprego, as condições de trabalho e os demais aspectos relativos às relações entre capital e trabalho. Em sentido mais estrito, a ação conjunta da oferta e demanda de trabalho determinam o nível de salário e de emprego de equilíbrio, como representado na figura 2, mais à frente, no tópico Demanda de Trabalho. No exemplo, ao salário de R$ 4,00/hora, o mercado está em equilíbrio, pois a quantidade demandada coincide com a quantidade de pessoas interessadas a oferecer seu trabalho. Se para determinado grupo de trabalhadores a oferta é maior do que a demanda, haverá desemprego. Se a demanda for maior do que a oferta, haverá falta de mão-de-obra. Há que se fazer então, uma pequena diferenciação entre mercado formal de trabalho e mercado informal de trabalho. Ø Mercado formal de trabalho: contempla as relações contratuais de trabalho, em grande parte determinadas pelas forças de mercado, ao mesmo tempo em que são objeto de legislação específica que as regula; Ø Mercado informal de trabalho: é o mercado em que prevalecem regras de funcionamento com um mínimo de interferência governamental. O mercado de trabalho não pode ser analisado de forma independente do contexto da economia, os salários, emprego, desemprego, rotatividade e produtividade, são condicionados pelo nível e pela flutuação da atividade econômica, tanto no curto prazo como no longo prazo.

Demanda de Trabalho Modelo competitivo O mercado competitivo caracteriza-se pelo fato de todos os participantes (compradores e vendedores), comportam-se competitivamente, ou seja, estes tomam o preço de mercado como dado (price-takers), portanto, não tentam fixar o preço da mercadoria, não têm poder de mercado.

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Na linguagem econômica. Os produtos são homogêneos. poder de mercado = poder competitivo. Ø Os preços de mercado e quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação entre as curvas de oferta agregada e demanda agregada. portanto. o mercado organizado competitivamente assegura alocação eficiente (no sentido de Pareto). assim como a mão-de-obra. São conhecidos os fatores de produção. Ø Ø Ø Ø Ø Grande quantidade de compradores e vendedores. Há simetria de informações entre ofertantes e compradores. Ø Pela oferta. quando cada comprador responde por uma parcela ínfima da demanda total de mercado. Modelo de concorrência perfeita Ø Cada vendedor individual enfrenta uma curva de demanda perfeitamente elástica para o bem que oferta. no caso do vendedor (poder de monopólio). possuem poder de mercado. Na ausência de externalidades. A tecnologia é similar para os ofertantes. Já o mercado não competitivo caracteriza-se pelo fato de que compradores e/ou vendedores têm poder de mercado e reconhecem este poder. em outras palavras. quando cada vendedor responde por uma parcela ínfima da oferta total de mercado. o comportamento competitivo ocorre: Ø Pelo lado da demanda. Ø Cada comprador individual enfrenta uma curva de oferta perfeitamente elástica para o bem que demanda. no caso do comprador (poder de monopsônio) ou capacidade de determinar o preço de venda. 14 . O agente não competitivo tem apenas um grau de liberdade: fixa o preço ou quantidade. são fixadores de preço (price-settles).Na estrutura de mercado de concorrência perfeita. Poder de mercado é a capacidade de determinar o preço de compra. Desta forma. não se comportam competitivamente (racionalidade econômica).

as ferramentas. Envolve não somente a terra cultivável. estamos lidando com o grande capital. o trabalho e o capital. cuja curva é positivamente inclinada. Quanto maior a aptidão. dado o progresso da tecnologia e da ciência. onde os mais importantes são três: a terra. em um sentido social amplo. não constituem mais uma propriedade específica de alguém. Assim exposto. pertence às lembranças do passado. O capital. quanto todos os recursos que ela pode oferecer. as instalações. as máquinas. podemos conceituar que a demanda por um fator de produção é uma demanda derivada. o calcáreo. equipamentos e ferramentas. a argila. Contabilmente. mais eficientes são os resultados obtidos. as ferramentas. Compõem as edificações. o homem obtém a produção de mercadorias e serviços. Estes elementos materiais constituem os meios. o capital seria representado apenas pelo ativo permanente.O vendedor está restrito pela curva de demanda para o bem que oferta. Existem os proprietários e administradores do capital de um lado. Entre estes dois existem as máquinas. trata-se de um relacionamento social. Ø O capital. ou seja. para obter os bens e serviços há a necessidade de recursos à disposição para conseguir produzí-los. Sua importância repousa sobre a capacidade das pessoas em se organizarem e agirem socialmente em cooperação com o objetivo de produzir sua existência. os equipamentos. A propriedade particular. Por exemplo. a habilidade e a capacidade de produção desse trabalho. A designação fator se deve por se tratar de um elemento indispensável. as edificações. O homem produz cada vez mais com esforço menor. cuja curva é negativamente inclinada. isto é. conforme sua grandeza. em um sentido físico estreito. os empresários e executivos. a demanda da empresa deriva de sua decisão de oferecer um bem em outro mercado. a água… Ø O trabalho aciona estes recursos. e os proprietários da capacidade de trabalho de outro. Estes elementos. compreende os elementos materiais criados pelo homem para agir sobre o objeto a ser trabalhado. através das máquinas. através dos quais. neste caso. O trabalho funciona como mediador da ação do homem para transformar e dominar a natureza. Eles são chamados de fatores de produção. 15 . tais como os minérios: o ferro. as instalações. os equipamentos. a demanda de mão-de-obra. O comprador está restrito pela curva de oferta para o bem que demanda. as matas. Nesse caso. está intimamente ligada à oferta do bem que a empresa produz. Para atender este mercado. Ø A terra diz respeito à natureza. no caso deste grande capital. os trabalhadores. dando-lhes vida.

alcança o equilíbrio no nível de preços.Portanto. encontrase no mercado de fatores. P. a demanda por mão-de-obra que as firmas desejam comprar. temos a seguinte função: W. como com propriedade mais à frente. pois se o salário real estiver alto. A partir de uma determinada situação. as firmas desejarão contratar pouca mão-de-obra. A figura 2 mostra um equilíbrio (ponto E) a um salário de equilíbrio SE = R$ 4. Isto é fácil compreender. os empresários estarão dispostos a contratar uma quantidade maior de trabalho.00 e para uma oferta de trabalho de equilíbrio LE = 150.000 trabalhadores.L = 4 x 150. Analisando a oferta e demanda de trabalho no modelo neoclássico nãofriccional do mercado de trabalho. que representa nível de emprego de pleno emprego.L = P. O mercado de trabalho. como todo o mercado.Q. como mostra a figura 2. onde a quantidade oferecida é igual à quantidade demandada. Como vimos.Q = 600. Ø Demanda de trabalho: é o número de pessoas que estão dispostas a ser contratadas pelas empresas a cada nível de salário (QL = W/P).000 = 600.00 Portanto.000 16 . Utilizando a igualdade W. se os salários se reduzem. é lógico pensar que a curva de demanda de trabalho tenha inclinação negativa (decrescente). cujo relacionamento está ligado à função decrescente do salário real.

17 . Fazendo um retrospecto de quando começamos a lutar por melhor colocação no mercado de trabalho. a Revolução Industrial como marco deste processo. Desta forma. Para um melhor entender a demanda por mão-de-obra. que chegamos ao mercado competitivo de hoje. Neste momento. utilizaremos o exemplo de um pequeno produtor agrícola. Observando então. ela não está preocupada com o número de trabalhadores ou com o volume das vendas que irá contratar. através da concorrência iniciada no passado. Ela se interessa apenas pelo lucro. qualquer um que esteja trabalhando deseja aquele salário real e as firmas estão contratando o volume de trabalho que desejam no mesmo salário real. onde é comprador. o que significa que há sempre o pleno emprego. onde o feijão é o produto produzido. Os agentes tomam os preços do mercado como dados e apenas tomam a decisão. Esta concorrência não só foi relacionada ao produto e serviço comercializado e sim também em relação a uma mão de obra qualificada. entre contratar ou não. determinado produto ou serviço ao preço dado. para tratar da demanda por mão de obra no modelo competitivo. os agentes econômicos são tomadores de preços. principalmente relacionado ao mercado de serviços. No caso de uma empresa maximizadora de lucro (teoria da firma). Por outro lado. pois como visto no modelo de concorrência perfeita. não poderíamos deixar de relatar. a relação entre a demanda por trabalho e produção de bens.Neste modelo. Durante todo o período da Revolução Industrial. pois os empresários começaram a entender que o ritmo da eficácia alcançada estava intrinsecamente relacionado ao desenvolvimento que o colaborador tinha no ambiente de trabalho. vamos nos concentrar nas empresas que a contratam e a utilizam para produzir os bens que irão vender. muitos intelectuais buscaram alternativas para não fazer parte deste grande contingente de trabalhadores com serviços pesados e fatigantes. novos postos de trabalhos começaram a aparecer. são em grande número. podemos concluir. atingindo seu ápice no século XVIII. portanto. não conseguem individualmente influenciar nos preços do mercado. o equilíbrio no mercado de trabalho representado pelo ponto E (onde a receita marginal das empresas é igual ao custo marginal do trabalho). No mercado competitivo. onde a demanda por trabalho e a oferta de bens são em decorrência da maximização de lucros. chegaremos ao entendimento do salário e equilíbrio. era preciso buscar mão de obra capaz de suportar a grande jornada de trabalho. em que a produção crescia aceleradamente. Para exemplificar. tanto como vendedor como na contratação de colhedores.

o caminho para a empregabilidade em paises em desenvolvimento. Portanto. muitas empresas afirmam que emprego existe para profissionais capacitados e cabe a todos buscar a qualificação contínua. As empresas transformaramse em organizações cada vez mais complexas. agricultura e serviços e subtraímos da taxa de analfabetismo. quando fazemos uma analogia entre a oferta de emprego na indústria. marcados inicialmente pela produção manufatureira e. pós-graduação e experiência comprovada. pois hoje o profissional qualificado como mediano ainda possui oportunidades. comércio. Nas últimas décadas. responsabilidade.2%. devemos evoluir pois essa exigência de hoje será critério básico de escolha para os profissionais no futuro. pois segundo o IBGE. posteriormente. ficaremos com uma demanda positiva de oferta de emprego. a revolução provocada pela informática nos ambientes empresariais e até mesmo domésticos tem feito com que grande parte das pessoas altere seus hábitos. controle. em 2006 o Brasil fechou com uma taxa de analfabetismo para população maior de 15 anos. coordenação e relações no trabalho (Motta. a receita ainda é: conclusão do ensino superior. Novamente temos a constatação que existe emprego. chegamos a uma conclusão que mesmo que a oferta de emprego seja disponível. profissionais consagrados atualmente serão considerados medianos nos próximos anos. Por conseguinte. com 11.2%. isso porque nenhum desses setores não mais suporta trabalhadores sem a escolaridade mínima para alfabetização.Nos dias atuais.1% e a taxa de desemprego de 2007 ficou em 14. Portanto. mas o que falta são candidatos capacitados para o perfil determinado para o cargo. Com o avanço tecnológico. quando passamos pela internet e observamos que sites relacionados à headhunters disponibilizando milhares de vagas com salários acima de R$ 10 mil. pelo menos 2 idiomas estrangeiros. Desta forma. agora divulgado pelo IBGE em 08 de abril de 2008. mas com a evolução. mas para profissionais aptos aos cargos oferecidos. a preocupação passou a ser com a autoridade. especializadas e que demandavam supervisão e gerência. constatamos que foram fortemente influenciados pela incorporação tecnológica nos processos de produção e que causaram grandes mudanças na forma de vida das pessoas. Quando comparamos a taxa de desemprego com a taxa de analfabetismo. Tomando como base os períodos históricos da evolução da sociedade. 18 . Outro dado importante. hierarquizadas. planejamento. este processo tornou-se mais complexo. 1986). Portanto. saiba que não é um sonho. referese à taxa de crescimento de empregos até fevereiro de 2008 que chegou a 3. como é o caso do Brasil. demarcados pela produção industrial e pós-industrial. Decisões de emprego das empresas As mudanças no mundo contemporâneo têm gerado transformações radicais na forma de produção e de relação entre os indivíduos. não encontraremos mão de obra para ocupar.

Choo (1998) considera que a tomada de decisão formal é estruturada por regras e procedimentos que especificam papéis. Nos vários modelos de decisão estudados. Independentemente do aspecto da decisão. da comunicação informal. escolha da decisão. organizada. recuperar e disponibilizar as informações coletadas durante o processo de 19 . Em conseqüência. Mas é possível afirmar que a informação é um recurso primordial para a tomada de decisão e que. antes voltados para o controle da produção de bens e serviços. gravada. a automação tem ocupado papel fundamental. na tecnologia e no consumo. as informações requeridas para este tipo de decisão são mais objetivas e quantificáveis. estruturado e dirigido para uma única solução. como no caso dos modelos racional e de processo. da flexibilidade nos processos de produção. esta atitude deve ser fruto de um processo sistematizado. A combinação esperada entre cultura. No contexto organizacional. Nos ambientes empresariais. No processo de trabalho. recuperada e posteriormente utilizada permite ao gerente atuar com mais segurança. utilizando-se de seus recursos para o tratamento da informação necessária à tomada de decisão. mais indicado se faz o uso de sistemas de informação que possam responder às demandas e necessidades informacionais do decisor. viabilização e implementação da decisão e análise dos resultados obtidos.As transformações apontam para um redirecionamento dos objetivos da organização. quanto mais estruturado for este processo. aumentando a possibilidade de acerto na tomada de decisão. métodos e normas que. para outra baseada na informação. por sua vez. A maneira como a informação é obtida. estabelecimento de propostas de soluções. estabelecem valores que influenciam como a organização enfrenta a escolha e a incerteza. a gerência praticada nas organizações se volta para a valorização da descentralização administrativa. tornando mais indicada a utilização de recursos informacionais que possam organizar. assim como para o estímulo à iniciativa e criatividade dos indivíduos e grupos. produção de informação. Da mesma forma. que envolve o estudo do problema a partir de um levantamento de dados. é possível reconhecer que a decisão nem sempre é resultado de um processo seqüencial. comunicação e consenso melhora a eficiência e ajuda a alcançar um nível mais elevado de comportamento de escolha racional. a tomada de decisão é considerada a função que caracteriza o desempenho da gerência.

valores são agregados à informação. os sistemas de informação podem contribuir com dados que serão analisados e modificados para utilização na tomada de decisão. organização. concentrar-se na administração de tipos específicos de conteúdos da informação. No exercício da função gerencial. Diante destas estratégias. com as pessoas apropriadas. distribuição e disponibilização. dentre as quais se destacam tornar claros os objetivos e estratégias da organização. é possível constatar que a informação é mais um recurso para a gerência nos ambientes empresariais e que é de todos os atores envolvidos no processo de trabalho a responsabilidade pela sua coleta. transformando-a em matéria-prima para o desenvolvimento do produto da instituição. No contexto da tomada de decisão e considerando seu valor. A produção interna da informação e a utilização de fontes externas à organização suscitam a criação de sistemas de informação para sua identificação e organização. a ênfase deve ser dada à informação. no momento oportuno. propiciando condições mais adequadas para sua recuperação e utilização na tomada de decisão. criar uma rede de trabalho responsável pelo comportamento informacional e apresentar a todos os problemas do gerenciamento da informação. influenciado pelo “olhar” do decisor e por situações contingenciais. reconhecendo-o como meio pelo qual os indivíduos se relacionam dentro da organização e como é empregado para apoiar as decisões. com o menor custo possível.trabalho. a partir da informação adequada. Para os modelos de decisão em que a solução é resultado de um processo mais qualitativo. Seu objetivo principal é a busca da tomada de decisão certa. um sistema de informação que sirva ao processo de trabalho deve responder às demandas e necessidades dos diversos serviços e unidades da instituição. identificar competências informacionais. a informação tem sido empregada como mais um recurso para o desenvolvimento do processo de trabalho nas organizações. visando ao alcance dos objetivos institucionais. Algumas estratégias são citadas por Davenport (1998) para o gerenciamento do comportamento informacional nos ambientes empresariais. resguardadas suas 20 . Nestes ambientes. O estudo da estrutura da organização permite conhecer o processo de comunicação formal e informal. atribuir responsabilidades pelo comportamento informacional. Desta forma.

podendo ser únicos para a organização ou específicos para cada serviço. o que resulta em melhor atendimento aos pacientes. com o objetivo de atender à demanda e antecipar as necessidades dos usuários. ainda. É importante ressaltar que esses sistemas têm contribuído para o desenvolvimento do processo de produção nas instituições e que. O sistema opera por meio de softwares que permitem a disponibilização destas informações na forma de relatórios. Diante do exposto. entende-se por sistema de informação todo conjunto de dados e informações que são organizados de forma integrada. sistemas de informação para apoio à decisão são sistemas que coletam. 21 . a partir do levantamento das necessidades informacionais dos decisores. como cita Richieri (2001). finalmente.características e especificidades. nos ambientes hospitalares. os sistemas de apoio à decisão obtêm dados do ambiente interno e externo à organização e processam estes dados. da utilização das informações pela sua incorporação no processo de trabalho e. organizam. Portanto. Além disso. na análise dos dados transformando-os em informação. os softwares mais modernos permitem também a integração dos dados com resultados que refletem em maior rapidez na análise dos dados. Para efeito deste estudo. transformando-os em informações essenciais para a tomada de decisão. têm possibilitado maior segurança para a tomada de decisão. o objetivo desta pesquisa é analisar a utilização de sistemas de informação. Em geral. permite que se instale um encontro virtual entre vários indivíduos trabalhando como um grupo dentro da organização. de modelos matemáticos expressos em gráficos e tabelas e. da avaliação constante dos resultados obtidos e de redirecionamentos no sistema para atender às demandas e antecipar as necessidades dos decisores. na distribuição da informação de acordo com as necessidades do decisor. da coleta e obtenção dos dados. enquanto instrumento para a tomada de decisão no exercício da gerência de unidades funcionais do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. distribuem e disponibilizam a informação utilizada nesse processo. em especial. Os sistemas de informação nos ambientes empresariais são constituídos do gerenciamento da informação. transformando-os em informações.

FGTS e INSS. O total da folha de pagamento salarial no ano foi de R$ 1. então o índice de rotatividade/ano é 12/20 = 60%. A empresa teve 200 funcionários que trabalharam no mesmo ano (tanto admitidos quanto demitidos e aqueles que permaneceram na empresa). ESTATÍSTICAS POR EMPRESA O aviso prévio (indenizado) não está incluso nas planilhas de cálculo apresentadas. Quanto ao auxílio-doença. Assim sendo. FGTS normal e FGTS/Rescisão) e trabalhistas (Provisões de Férias. Para obter o valor real.800. é necessário se determinar quais as incidências sociais (INSS. porque para se calcular o valor exato (ou estimado) é necessário saber qual o "índice de rotatividade" da empresa. equivalente a 1/6 da remuneração para 52 semanas no ano. DSR e encargos sociais . para calcular. estatisticamente.000. 22 .530. nos cálculos apresentados estão apenas os quesitos básicos relativos às férias.00 no ano. ou seja. Exemplo: No ano a empresa pagou um total de 400 dias de atestados/auxílio doença/afastamentos. Então a "previsão de indenização" mensal seria de 60% dividido por 12 = 5% + encargos sociais e trabalhistas. 13º salário. A metodologia do cálculo do DSR é o padrão anualizado para jornada de trabalho de 44 horas semanais (1 dia por semana. 13º salário e Descanso Semanal Remunerado . acrescente-se o Vale Transporte e as médias de incidência de aviso prévio.Custos não salariais CÁLCULOS DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS Para o cálculo dos custos da mão-de-obra. a este título. num total desembolsado de R$ 14. Por exemplo: se a média dos empregados da empresa permanece 20 meses. é necessário que cada empresa saiba quantos dias/ano/empregado foram pagos. divididos por 12 meses). qual a sua previsão mensal. auxílio afastamento por doença ou acidente e indenização de aviso prévio. é a mesma sistemática.00.DSR) sobre os valores das remunerações pagas.

na procura de um bem inferior ou produtos de luxo (carros. Assim. Samuelson & William D. jóias. A elasticidade preço da procura mede a variação na quantidade procurada quando ocorre uma variação no preço. Paul A. etc.530. a reacção é semelhante mas referece a dois bens em simultanêo 23 . tais como os alimentos." Procura elástica e rígida (Procura Directa) Digamos que.00 dividido por R$ 1. o Quando a uma variação de 1% no preço corresponde uma variação inferior a 1% na quantidade procurada Quando a variação percentual da procura de um determinado produto é igual à variação percentual do seu preço então estamos perante uma procura com elasticidade unitária.Então o "índice" de atestados foi de R$ 14. Acrescer a este índice os respectivos encargos sociais e trabalhistas.00 igual a 0. Nordhaus (ISBN 0072872055) dizem-nos que: "A definição precisa de elasticidade é a variação percentual na quantidade procurada dividida pela variação percentual no preço. Quando falamos de bens essenciais.000.800. estas situações só se encontram em casos de Procura Directa. Encontraram-se assim duas categorias que classificam os produtos conforme a reacção da sua procura face a variações no preço: • • Bens elásticos – quando a sua quantidade procurada responde fortemente a variações no preço o Quando a uma variação de 1% no preço corresponde uma variação superior a 1% na quantidade procurada Bens rígidos (inelásticos) – quando a sua quantidade procurada responde de modo mais ligeiro a variações no preço. a sua procura não se altera significativamente quando ocorrem variações no preço. pois no caso de ser em Procura Cruzada.) a sensibilidade ao preço aumenta. Por outro lado. as pessoas reagem de modo diferente à variação no preço dos diferentes produtos.96732% sobre a folha. Elasticidades da demanda A lei da procura e da oferta mostra que existe uma tendência para uma relação inversa entre a quantidade procurada e o preço. a elasticidade é uma medida de sensibilidade dos consumidores a variações no preço dos produtos. viagens. Contudo.

seja ao LAZER. (a variação da Quantidade do Bem X varia no sentido contrario do Preço do Bem Y) estamos presentes de Bens Complementares . É mais conveniente analisar os incentivos ao trabalho no contexto de DEMANDA POR LAZER.Se a Elasticidade apresentar-se menor que 0. podemos trabalhar por REMUNERAÇÃO e utilizar nossos ganhos para adquirir comida. (a variação da Quantidade do Bem X varia no mesmo sentido do Preço do Bem Y) estamos presentes de Bens Substitutos . Podemos trabalhar em casa. define-se Elasticidade o grau de reacção da Quantidade procurada do Bem X.RENDA X LAZER A decisão de trabalhar constitui.Se a Elasticidade apresentar-se maior que 0. roupa e cuidados infantis. então o tempo de escolha que temos (16h. digamos) pode ser atribuído seja ao TRABALHO. caracterizamos a decisão de trabalhar como uma escolha entre o LAZER e o TRABALHO REMUNERADO. na produção doméstica (ex: costura). em última instância. já que podemos 24 . dormindo ou realizando outras atividades que nos mantém fixadas mais ou menos pelas leis naturais. Uma forma de utilizar nosso tempo disponível é gastá-lo em atividades de lazer agradáveis. plantar alimentos etc. Alternativamente. a DEMANDA PELO LAZER pode ser considerada o outro lado da moeda chamado OFERTA DA MÃO-DE-OBRA. Assim sendo. ( a Quantidade do Bem X mantemse constante perante a variação do Preço do Bem Y). abrigo. Se considerarmos o tempo gasto comendo.Se a Elasticidade apresentar-se igual a 0. Já que o volume de tempo DISCRICIONÁRIO gasto em lazer é um tempo que não é gasto em trabalho e vice-versa. perante a alteração do Preço de um Bem Y. numa decisão sobre como passar o tempo. A outra grande forma utilizada pelas pessoas para passar o tempo é TRABALHAR. Este tipo de estudo de Elasticidade premite sem estudo de resultados absolutos em que tipo de Bens estamos presentes: . estamos presentes de Bens Independentes Oferta de trabalho: a decisão de trabalhar e a opção renda x lazer DECISÃO DE TRABALHAR .Casos Extremos de Elasticidade • • Demanda Perfeitamente Inelástica Demanda Perfeitamente Elástica Elasticidade da Procura Cruzada No caso da Procura Cruzada.

se a taxa salarial aumenta. a renda diminui. Os economistas classificam as respostas das horas de lazer desejadas às mudanças na taxa salarial como efeito-renda. Ao contrário. A teoria sugere que. o efeito-renda será negativo. mantendo-se o custo de oportunidade do lazer constante. as pessoas irão querer demandar ou consumir mais lazer (o que significa trabalhar menos) Em termos matemáticos temos: EFEITO-RENDA = variação nas horas de trabalho/variação na taxa salarial. Da mesma forma. logicamente reduzindo as horas de trabalho. É o efeito-substituição. se a TAXA SALARIAL (salário por hora) aumentar. enquanto as preferências são mantidas constantes. isto servirá de estímulo ao trabalhador para ofertar mais horas de trabalho. E. Dito de outra forma. então. Assim. um declínio na taxa salarial reduzirá o custo de oportunidade do lazer e os incentivos ao trabalho. 25 . a teoria econômica também diz que se a taxa salarial aumentar. ter aumentado o valor do seu salário por hora ou taxa salarial.aplicar a análise padrão da demanda por qualquer produto à demanda pelo lazer e. quando aumentam as horas de trabalho. Note que o efeito-renda é sempre NEGATIVO. por exemplo.NOSSO CONJUNTO DE PREFERÊNCIAS Qual o CUSTO DE OPORTUNIDADE DO LAZER? O custo de oportunidade de passar uma hora assistindo TV é basicamente o que poderíamos ganhar se houvéssemos passado a hora trabalhando. à medida que as taxas salariais se elevam. professor. Já que optamos pela DEMANDA POR LAZER.NOSSO NÍVEL DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA( renda) 3. o número de horas de lazer aumentará. um aumento neste salário–hora poderá induzi-lo a demandar mais horas de lazer. Porém. onde ∆H é igual a variação das horas trabalhadas e ∆Y é igual à variação na taxa salarial. levando a um efeito-renda também negativo. Seria o caso de um indivíduo. EFEITO-RENDA = ∆H /∆Y . as horas desejadas de trabalho se elevarão. simplesmente subtrair as horas de lazer das horas discricionárias disponíveis totais para obter os efeitos na OFERTA DE TRABALHO. a renda aumenta. O efeito-renda é baseado na simples idéia de que. o CUSTO DE OPORTUNIDADE de uma hora de lazer é IGUAL à nossa TAXA SALARIAL (salário por hora). relembremos que qualquer demanda á função de 3 fatores: 1. Se ele estiver num patamar suficientemente alto de salário por hora. pois quando diminuem as horas de trabalho (∆H aumenta).CUSTO DE OPORTUNIDADE DO PRODUTO 2.

efeito-renda e efeito-substituição – são contrários. Se o efeito-substuição dominar. por exemplo. por exemplo. a resposta efetiva aos aumentos salariais será AUMENTAR a oferta da mão-deobra. quando o efeito RENDA domina. Se o efeito RENDA é dominante.TRABALHISTA.Isto quer dizer que. o EFEITO-SUBSTITUIÇÃO não é suficientemente grande para impedir que a força de trabalho DECLINE. porque o efeito substituição está presente e atua como uma influência moderadora.na verdade. A teoria econômica não pode dizer que efeito dominará e . sem estar em uma situação de equilíbrio. Este indivíduo está mais propenso a ofertar mais trabalho quando o salário por hora aumentar. Em resumo. Daí a curva de oferta de trabalho voltar-se para trás. concluímos que os dois efeitos . a curva de oferta de trabalho da pessoa (relativa. Isto é. a oferte de trabalho aumentará com a taxa de salário. as curvas da oferta de trabalho individual poderiam inclinar-se positivamente em algumas faixas de variações do salário e inclinar-se negativamente em outras. que o efeito-substuição venha a dominar. É o efeito-renda dominando o efeito-substituição. Se assim for. às horas desejadas) e aos salários será POSITIVAMENTE INCLINADA. as horas gastas em lazer aumentarão. é claro. É plausível. Se o efeito-substituição 26 . o efeito renda dominar. Se. reduzindo as horas de trabalho. podemos afirmar que o efeito-substituição é sempre positivo (ao contrário do efeito-renda). digamos. a partir de um nível suficientemente elevado de salário. Em termos matemáticos. Seria o indivíduo que. A salários mais altos. Entretanto. no entanto. a curva de oferta de trabalho será INCLINADA NEGATIVAMENTE. antagônicos. mais horas de trabalho são ofertadas. temos: EFEITO-SUBSTITUIÇÃO =variação nas horas de trabalho/variação na taxa salarial Como o trabalhador reage a um aumento na taxa de salário ofertando mais horas de trabalho (e menos horas de lazer). maiores aumentos resultam em horas reduzidas de trabalho (domina o efeito renda) . porém ocorrem simultaneamente. a pessoa responderá a um aumento salarial reduzindo sua oferta na força de trabalho. pague aluguel de sua moradia. Pelas hipóteses acima. como reação a este aumento na taxa salarial. à medida que as taxas salariais sobem. No gráfico abaixo. as horas desejadas de aumento de trabalho da pessoa aumentam (domina o efeito-substituição) quando os salários aumentam desde que sejam baixos (abaixo de W*). Esse declínio será MENOR do que se alguma mudança na disponibilidade financeira fosse devida a um aumento na riqueza NÃO. por outro lado. ainda jovem.

o que realmente conta para os não iniciados em derivadas. É importante entender que o valor do salário não altera o formato da curva. é que haja uma consciência por parte destes candidatos. Temos então. espero que não haja desespero e que este assunto seja MECANIZADO e não entendido. me lembro bem que no concurso que fiz e fui aprovado para Receita Federal (antigo AFTN). Como nosso interesse é concurso público. Porém. o trabalhador prefere não trabalhar. A medida que o salário aumenta o trabalhador prefere trocar seu tempo de folga por tempo de trabalho. E essa história tem se repetido nos diversos concursos da Receita. Até porque seria necessário um curso de Cálculo I para um entendimento deste assunto. neste momento de nosso curso. de Fiscal da Previdência e muitos outros. NOTA – Se faz necessária uma breve abordagem. Isso é representado na curva de oferta caminhando para cima a medida que o salário aumenta. Esta relação é tradicionalmente ilustrada em um gráfico com o salário no eixo vertical e a quantidade de trabalho no eixo horizontal. que nunca estudaram Cálculo em seus cursos de graduação. Por exemplo. ou seja. Então. A medida que o salário aumenta a oferta de trabalho aumenta. candidatos de áreas das ciências humanas e biomédicas. a curva de oferta de trabalho terá inclinação positiva. no caso Auditor-Fiscal do Trabalho. Outras variáveis podem causar uma mudança no formato desta curva. Essa tendência é baseada na premissa de que. os dois primeiros lugares eram formados em Letras e Educação Física. A curva de oferta de trabalho tem a tendência a aumentar em função dos dois. Só a título de observação. se o salário for suficientemente baixo. de um assunto muito comum aos estudantes oriundos de carreiras ligadas à matemática: DERIVADAS. com base sempre no que foi relatado acima. o indivíduo está disposto a reduzir bastante sua renda. que estes assuntos são cobrados em nível bastante básico nos concursos. gostaria de esclarecer alguns pontos para quem nunca estudou este assunto. Curva de oferta de trabalho O número de trabalhadores no mercado é normalmente considerado diretamente proporcional ao salário oferecido. O indivíduo só está disposto a reduzir pouco no salário para obter 1 hora a mais de lazer. Então ficamos assim: quem não é da área.dominar o efeito-renda. mecanize os métodos de cálculo de derivadas básicas. uma curva reversa Por 1 hora a mais de lazer. trabalhadores em todos os níveis de salário aceitariam salários menores 27 .

c) hipérbole. A descida de 0. verifica em qual das situações os consumidores se adaptariam melhor à redução da oferta.se houver uma queda no custo de vida. Justifica. sendo mais elucidativo saber as percentagens de variação dos preços dos vários artigos. que dependem da inclinação da curva da procura. 2. 6. a primeira com uma procura elástica. Isto pode ainda não ser suficiente para nos permitir compaarar os graus de sensibilidade de produtos diferentes. Apresenta a definição formal de elasticidade procura-preço.05 libras no preço provoca um grande aumento na procura de carne de vaca.05 libras no preço é muito grande para um artigo barato e será insignificante para um artigo de preço elevado. 28 . a segunda com uma procura rígida. Classifica a elasticidade procura-preço de curvas da procura com a configuração de uma: a) recta vertical. qual será o seu impacto sobre a procura no caso de a elasticidade procura-preço ser:a) Perfeitamente rígida (e=0). porque o grau em que o volume da procura e da oferta dependem de variações do preço. Se os preços subirem. Este excesso provoca uma subida de preço. Elasticidades da oferta 1. Devemos observar as mudanças rais do volume da procura em resposta a uma certa variação do preço. A redução de 0.”Observando as Figuras 10. Havendo uma deslocação da curva da oferta para a esquerda. Os consumidores se adaptariam melhor na situação da procura elástica. 4. 5. Observa as Figuras 10. A elasticidade é enganadora porque qualquer deslocação da curva da oferta tem efeitos muito diversos. ao passo que igual descida tem apenas efeito sobre a procura de rádios.b) Rígida (0 menor e="1). b) recta horizontal.1 I e II. 7.2. Explica porque razão a sensibilidade da oferta e da procura a variações de preços não se deve medir com valores numéricos absolutos. fica a existir um excesso do volume da procura sobre o da oferta. 3.d)" e="infinito). Justifique o valor negativo da elasticidade procura-preço recordando a relação da curva da procura. Isso é representado por uma translação da curva inteira de oferta de trabalho para esquerda. I e II. Explica porque razão será enganador abordar a questão das elasticidades a partir da representação gráfica das curvas. “Qualquer variação da curva da oferta tem efeitos muito diversos que dependem da inclinação da curva da procura.

para uma dada função de produção. O equilíbrio no mercado de trabalho Mercado de trabalho: Para uma dada tecnologia e um dado stock de capital. 10. portanto. 14. Y=F(N). isto é. w*. Interpreta o significado de a elasticidade procura-rendimento ser maior que zero e menor que um. caracteriza: a) bens substitutos (sucedâneos). a quantidade de trabalho que as empresas pretendem empregar é aquela para a qual a produtividade marginal do trabalho coincide com o salário real. Recorrendo à elasticidade cruzada. A procura de trabalho é. resulta das escolhas individuais entre consumo e lazer. O equilíbrio no mercado de trabalho determina imediatamente o salário real de equilíbrio. 11. NC. e o produto de equilíbrio ou produto natural. c) bens independentes. o emprego de equilíbrio. Distingue bens normais de bens inferiores utilizando a elasticidade procurarendimento. e também de fatores institucionais (influência dos sindicatos. b) bens complementares. No longo prazo. 12. N*. Que interesse terá para uma empresa monopolista conhecer a elasticidade procura-preço do seu mercado? 9. 13. a função inversa da produtividade marginal do trabalho. Apresenta a definição de elasticidade cruzada.8. Y*=F(N*). A oferta coletiva de trabalho. o produto depende apenas da tecnologia e da oferta de trabalho. Distinga bens de luxo de artigos de primeira necessidade recorrendo à elasticidade procura-preço. 29 . das associações empresariais e do governo). Define elasticidade procura-rendimento. Diz-se que depende apenas da oferta de bens e serviços (a curva AS de longo prazo é vertical).

após estas diferenças serem levadas em conta. em que medida é justo que as diferenças de experiência causem diferenças 30 . As duas explicações mais comuns para explicar estes diferenciais são: a existência de discriminação no mercado de trabalho e as diferenças de produtividade entre os grupos. as mulheres brancas deveriam ganhar mais do que os homens. é das mulheres negras e mulatas. os dados de 2007 mostram que as mulheres brancas que estão no mercado de trabalho têm quase 1 ano e meio a mais de estudo dos que os homens brancos (9. que recebem o maior salário. mulheres. por sua vez. A pior situação. O que pode explicar esta diferença? Parte dela decorre de diferenças de experiência no mercado de trabalho e parte das ocupações exercidas. Mas o que poderia explicar diferenças tão grandes de remuneração no mercado de trabalho? Esta é uma questão sempre delicada de ser abordada. podemos fazer uma atualização da situação dos diferentes grupos no mercado de trabalho e tentar entender melhor o que está por trás das diferenças de remuneração entre eles. Já a situação dos homens negros e mulatos pouco evoluiu neste período. mas que mostra a maior evolução ao longo do tempo. Mas é possível separar os efeitos da discriminação e das oportunidades? Sim. que ganhavam apenas 38% do salário dos homens brancos e hoje ganham 56%. por tratar-se de tema controverso e que desperta muitas emoções. que mostram que tanto as habilidades cognitivas como as nãocognitivas podem ser desenvolvidas ao longo da infância e que há mais diferenças genéticas entre pessoas de uma mesma raça do que entre diferentes raças. Interessante notar que houve uma piora da situação deste grupo entre 2002 e 2007.3). Mas vamos tentar analisá-la da forma mais objetiva possível.7 vs 8. Portanto. e não menos! Assim. decorrem de diferenças nas oportunidades de desenvolvimento ao longo da vida. se levarmos em conta estas diferenças de escolaridade. Possíveis diferenças de habilidade ao nascer foram sendo descartadas pelos estudos científicos mais recentes.Os diferenciais de salário e Discriminação no mercado de trabalho Um tema muito importante para quem está preocupado com a justiça social no Brasil é o que trata das diferenças de salário entre homens. utilizando dados e estudos recentes. Mas. A figura ao lado mostra a evolução do diferencial de cada grupo com relação aos homens brancos. Em termos educação. As diferenças de produtividade. pelo menos em parte. Nos Estados Unidos. Com a divulgação dos novos dados da PNAD 2007. Pode-se perceber que as mulheres brancas ganhavam o equivalente a 70% dos salários dos homens em 1987 e hoje ganham cerca de 84%. Eles ganhavam 58% do salário dos homens brancos em 1987 e hoje em dia ganham 62%. por exemplo. sobra apenas 6% de diferença salarial que poderia ser atribuída à discriminação. se as diferenças de salário refletissem somente as diferenças de anos de estudo. brancos e negros. as mulheres brancas estão na verdade ganhando somente 73% dos salários dos homens brancos.

inclusive experimentais. uma vez que somente as mulheres podem ter filhos e que culturalmente são elas as responsáveis por tomar conta deles na primeira infância? E em que medida as diferenças de acesso às ocupações “nobres” também não refletem uma forma de discriminação? São questões ainda em aberto. Melhorar a qualidade da educação na escola pública. Então quando você não ataca a causa e só tem a política compensatória. como diz o próprio nome. O grupo mais penalizado no mercado de trabalho é sem dúvida o das mulheres negras ou mulatas. que tem uma qualidade de ensino inferior à das escolas privadas. Grande parte da redução do diferencial de salários nos últimos 20 anos refletiu o avanço educacional das mulheres negras. ao invés de 62%. Somente 64% das crianças brancas estudam em escolas públicas. de resolver o problema da pessoa. resta um componente importante de discriminação no mercado de trabalho. como mostram muitos estudos recentes. aliviando a pobreza.salariais. mas recebe pouco mais da metade do salário daqueles. Diferenciação compensatória A política ou diferenciação compensatória. Mesmo após levarmos em conta as diferenças no acesso à educação. Após levarmos em conta esta diferença. Uma parcela adicional desta diferença pode ser explicada pela qualidade de educação recebida. uma vez que 80% das crianças negras e pardas estudam em escolas públicas na 4ª-série. é uma política que compensa o efeito de alguma outra coisa. Você está apenas compensando. Os homens negros ou pardos têm cerca de dois anos a menos de escolaridade que os homens brancos. Então essa é uma política que atua sobre o efeito do problema e não sobre a causa. 31 . atenuando. Mas ainda resta muito a ser feito para melhorar as expectativas e as oportunidades dessas pessoas. desde que isso seja uma política temporária e não como a única política. Este grupo tem quase a mesma escolaridade que os homens brancos. os homens negros deveriam ganhar cerca de 77% dos salários dos brancos. oferecer creche e pré-escola para as famílias menos favorecidas e conscientizar a sociedade contra a discriminação são passos importantes nesta direção. que sofre duplamente. você está na verdade aceitando o sistema e se omitindo de quebrar. Eu não sou contra que se dê sopa para quem está com fome. se quisermos que a sociedade brasileira seja mais justa. uma parcela substancial pode ser explicada por diferenças na escolaridade. Com relação às diferenças de salário entre brancos e negros. sou a favor.

a teoria do capital humano tem sido objeto de muitos criticas. a qual é considerada uma variável exogenamente determinada. 1971. o raciocínio da teoria do capital humano é o seguinte: a) as pessoas se educam. tanto da pobreza quanto dos grandes diferenciais de renda entre diferentes classes sociais.. c) quanto mais uma pessoa estuda. Assim. 32 . o aumento das habilitações (adquiridas por treinamento) muitas vezes de proporções crescentes da população e maior acumulação de conhecimento (sejam científicos. de outro. neste sentido. O pressuposto central dessa teoria é o de que capital humano é sempre algo produzido. Resumindo. isto é.) são reconhecidos como fatores importantíssimos para o crescimento econômico. Em todas as economias modernas. a distribuição da educação corresponde à distribuição das preferências. justificando-se o trata-mento analítico da educação como capital. posto que se torna parte da pessoa que a recebe. Neste artigo abordamos dois tipos de críticas feitas à teoria do capital humano: o primeiro.21). enquanto investimento. maior sua habilidade cognitiva e maior sua produtividade. De um lado. artísticos. Ademais. Logo. p. e d) maior produtividade permite que a pessoa perceba maiores rendas. se bem que de alguma maneira influenciada pelo progressivo melhoramento do padrão de vida. contempla aquelas relacionadas com os conceitos adotados por esta teoria. a melhoria do nível de especialização dos trabalhadores. no contexto mais amplo da maximização dos retornos individuais ou sociais. b) a educação tem como principal efeito mudar suas "habilidades" e conhecimentos. sem contudo. a aquisição de edu-cação é da natureza de um investimento privado em rendimentos futuros" (Blaug. A teoria do capital humano afirma que "uma educação adicional elevará os rendimentos futuros. a despeito de sua contribuição para a compreensão e desvendamento das causas do crescimento moderno e para a questão da distribuição de renda. obedece a uma opção racional entre custos atuais e renda futura. gerenciais. algo que é o produto de decisões deliberadas de investimento em educação ou em treinamento. e. A partir de meados da década de 70. isto é. o grau de educação possuído por um indivíduo correlaciona-se positivamente com os rendimentos pessoais. há uma nítida analogia entre a produtividade física do capital e a educação. etc.Capital Humano: educação e treinamento A teoria do capital humano ganhou força a partir da década de 60 em virtude da preocupação cada vez maior com os problemas de crescimento econômico e melhor distribuição de renda. a alteração da distribuição de capital humano parece ser o método preferido politicamente para a eliminação. capital humano. A principal hipótese que está subjacente a este tratamento da educação é a de que alguns aumentos importantes na renda nacional são uma conseqüência de adições a esta forma de capital. a educação.

1973. havendo. uma pessoa com toda a probabilidade a consumiria até que estivesse saciada e "investiria" nela até que não mais aumentasse os seus futuros ganhos. Shaffer (1961) sustenta que é em geral desaconselhável tratar o homem como capital humano. (Schultz. corroborando com aqueles que acreditam que é moralmente errado aplicar-se os conceitos de investimento e de capital às pessoas. o segundo. e afirmam que os custos educacionais são tão-somente despesas de consumo. I .Críticas pontuais Este bloco engloba críticas referentes ao conceito de capital humano e aos problemas de avaliação da educação. que postula que os salários são função da produtividade.. demonstra sua preocupação de utilização inadequada desse conceito nas decisões políticas para o setor educacional. p. rebate essa posição argumentando que estes fatos não são relevantes para distinguir a natureza das despesas com educação pois: (. embora reconheça a validade da tese defendida pela teoria do capital humano. Se uma parte das despesas educacionais fosse suportada pelos cofres públicos. mas o fato de haver tais despesas públicas não tem qualquer ressonância na questão de saber-se se a educação é consumo ou produção de capacitações. sua taxa privada de rendimento em relação ao que gastara com a educação seria mais alta do que a taxa de rendimento em relação aos gastos totais educacionais que entrassem nesta parte de sua educação.. Schultz. os custos privados diretos de educação seriam.a teoria neoclássica. O segundo. Além disso. Tal assertiva baseia-se em dois fatos: o primeiro é o de que a maioria dos estudantes freqüenta escolas públicas. Quando é que as despesas com educação se caracterizam como destinadas ao consumo e quando é que elas se classificam como destinadas à produção de capacitações (investimento)? Os críticos afirmam que é impossível proceder-se a tal distinção. e à medida que a educação incrementa os rendimentos futuros do estudante. os incentivos privados para consumir e para investir na educação são afetados pelas despesas públicas educacionais. que defende os custos educacionais enquanto investimento. sem dúvida. portanto. Desta forma. menos do que os custos totais com a educação. O conceito de educação como investimento. relaciona-se com a obrigatoriedade da educação até uma certa idade.questionar a sua estrutura e o seu arcabouço teórico . também é questionado.56) 33 . isto é. maior educação corresponde a maior renda.) se a educação fosse integralmente gratuita. comporta aquelas críticas referentes à estrutura teórica do capital humano. e têm como referencial a teoria marxista. relação direta entre educação (que contribui para o aumento da produtividade) e renda do trabalho. defendido pela teoria do capital humano.

negros. é afetada pela quantia e natureza dos gastos públicos efetuados com a educação. p. apresentam deficiências metodológicas . a perspectiva de rendimentos futuros de maior escala desempenha uma forte motivação nessas situações. em detrimento de importantes contribuições culturais da educação. em termos de rendimentos do trabalho.Embora Shaffer seja claro ao reconhecer os efeitos positivos da educação sobre os futuros rendimentos dos estudantes. Esta apreensão é rebatida pelos adeptos da teoria do capital humano com os seguintes argumentos : em primeiro lugar. como o caso de mulheres. 34 . a apreensão dos críticos do capital humano é a de que a sociedade acabasse por negar educação àqueles grupos sociais cujo investimento educacional apresentasse menor taxa de retorno. Shaffer argumenta que o conhecimento acerca dos efeitos da educação sobre os rendimentos futuros seria mal utilizado uma vez que as decisões políticas acerca da educação privilegiariam o aspecto econômico. Estes. para investirem em cada uma dessas capacitações particulares.57) . Em segundo lugar.baseiam-se em médias nacionais.. tipo de emprego e estrutura familiar. acredita que não existe motivação econômica dos estudantes e dos seus pais para investirem em educação. com vistas aos incrementos nos seus rendimentos futuros? Para os seguidores da teoria do capital humano. é maior para os brancos que para os negros. qualquer tentativa de explicar o comportamento dos agentes em relação a educação nos "leva para além da área convencional em que se realizam os cálculos econômicos privados por parte das pessoas". Especificamente. Ademais. de estudantes de medicina. por exemplo. etc. ao tomar sua decisão de investir na educação. Outro ponto relevante formulado por Shaffer diz respeito à dificuldade de identificar e medir o aumento dos rendimentos que se associam com educação. (Idem. posto que este é influenciado também pelas diferenças em capacidades inatas. direito. Mas será que não haverá motivações econômicas de nenhuma espécie no caso. seja na perspectiva de consumo seja de investimento. Schultz afirma que a decisão de estudar. segundo Shaffer. Portanto. os rendimentos futuros proporcionados pela educação não devem ser a base exclusiva para a alocação de recursos públicos. os estudos que mostram que o retorno da educação. levem em consideração suas contribuições culturais e seu impacto sobre os rendimentos futuros. não fazem quaisquer ajustamentos para os efeitos do tamanho da cidade. é absolutamente adequado que as pessoas. são fortemente motivados como consumidores habituais da educação e não tem motivação alguma como investidores na educação. entre outros. entre outros. Outra crítica refere-se à utilização política da teoria do capital humano. raça. quando a direção cor-reta seria a de aumentar os gastos de educação voltados para atender esses grupos. discriminação racial. para a qualidade da educação. Por fim. para as diferentes taxas de desemprego.

por outro. Portanto. Por exemplo. preliminarmente relegadas para a esfera cultural. Wiseman também afirma que as capacitações técnicas adquiridas que aumentam os futuros rendimentos pessoais não têm quaisquer significações financeiras à medida em que a educação muda as atitudes. Michael Lynch (1967) mostrou que o quantitativo financeiro legalmente adjudicado nos seguros de vida é ordenado em função dos rendimentos atuais do segurado e da perspectiva de elevação dos rendimentos pessoais. a assertiva de que maior nível educacional não tem significação financeira. II . não tomamos as nossas necessidades como algo final. por um lado. Em terceiro lugar.. ser valorada apenas a partir do binômio carência-satisfação. para os marxistas a teoria do capital humano é um passo certo para a eliminação de classe social como conceito econômico. retomou a tradição Ricardiana de tratar o trabalho como um produto do meio de produção. por exemplo: qual a importância de se transformar beatlemaníacos em amantes da música de Bach? Além disso. e trabalhadores braçais. não se sustenta quando colocada sob uma prova empírica. Assim. trouxe para o interior da análise econômica as instituições sociais básicas (como a educação e a família). Além disso.CRÍTICA MARXISTA A teoria do capital humano incorporou fundamentais insights não aproveitados pelas versões iniciais da teoria neoclássica. está ausente no ambiente analítico dos teóricos do capital humano. O homem. num sentido real. assim. sem qualificações com os seus empregos. Wisemam se preocupa fundamentalmente com o problema da avaliação implícita da educação e de suas conseqüências. advogados e engenheiros com boas situações de emprego. afirmam os marxistas. 35 . O tratamento dado por Wiseman ao problema da avaliação da educação é falho e não fornece qualquer elemento que demonstre o impacto da mudança de atitudes e hábitos gerados pela educação no bem-estar dos indivíduos.. Em primeiro lugar. "porque nós. o trabalho desaparece como categoria analítica fundamental.5). Em segundo lugar. na verdade. com baixa escolaridade.. rejeitou a simplista assunção de trabalho homogêneo e concentrou sua atenção na diferenciação da força de trabalho.As proposições em que Wiseman fundamenta sua critica baseiamse no corpo teórico tradicional da ciência econômica e na concepção humanista de que a economia não pode repousar-se na visão em que a vida é considerada como um balanço comercial e. quando o mercado de capitais fornece empréstimos pessoais faz nitidamente a distinção entre médicos. certamente. p. o que. e é absorvido no interior do conceito de capital. os padrões de expectativas e de preferências. o qual vem adornar o título da especial característica do trabalhador. cria os valores" (1965.

A teoria neoclássica tem-se movido no sentido de atribuir o controle dos fatores de produção para determinados grupos e de considerar a livre mobilidade dos fatores de produção e. ao restringir sua análise em preferências individuais definidas exogenamente. O tratamento neoclássico das alterações na remuneração do trabalho com base em mudanças no mercado. alterando habilidades e conhecimentos. as habilidades estão relacionadas e são determinadas pelas condições de existência humana. ainda que indireto. Ademais. Os marxistas rejeitam a noção neoclássica da firma como uma "caixa preta" em cujo interior o trabalho é o principal interesse. afirmam os marxistas. na produção e são essenciais para a perpetuação da ordem econômica e social. A abordagem falha das relações sociais impede um aprofundamento da teoria da reprodução. excluiu a relevância do conceito de classe social e de conflito de classe para explicar o fenômeno do mercado de trabalho. Para os marxistas. em habilidades individuais e em alternativas de produção tecnológica.política. conduz a um grave erro ao abstrair um elemento essencial da organização capitalista: o poder do capitalista sobre o trabalhador. tanto no que diz respeito à pesquisa empírica quanto como guia para as políticas públicas. Educação. da oferta de capital humano. uma adequada teoria de recursos humanos deveria abranger tanto a teoria de produção como a de reprodução social. por um lado temos a transformação de matérias primas em produtos e por outro a trans-missão de habilidades e tipos de conhecimento de um trabalhador para outro. posto que. 36 . formalmente. exógenas à firma. resultando em um tratamento deficiente da demanda por capital humano pelas firmas. Esse processo não pode ser compreendido sem a referência aos requerimentos sociais necessários para a reprodução da estrutura de classe vigente no capitalismo. Esses pressupostos neoclássicos. e da interpretação teórica das taxas de retorno do capital humano. Assim. A massa de indivíduos que não detém o controle dos recursos produtivos. ou seja. A firma tem uma dimensão sócio. As credenciais educacionais têm uma importante função. saúde. a teoria do capital humano. segundo Bowles e Gintis (1975). é forçada a vender sua força de trabalho para sobreviver. têm induzido a teoria do capital humano a erros substanciais. mas o sistema escolar não pode ser reduzido a uma atividade economicamente relevante para seleção e qualificação de mão-de-obra. treinamento profissional. desempenham duas funções econômicas: têm um papel importante. A teoria do capital humano não contempla uma teoria de reprodução e grande parte da teoria da produção apresentada abstrai-se da relação social de produção em favor da relação tecnológica. O capitalismo é um sistema no qual o meio de produção é propriedade de uma pequena minoria. que a remuneração é função da produtividade.

Nessa perspectiva. são. limitado apenas por algumas habilidades. a performance produtiva da força de trabalho não é decorrente do seu nível de escolaridade. e sim das condições tecnológicas e da organização do processo de produção. a decisão de investimento no desenvolvimento pessoal. por sua vez. a oferta de capital humano é a simples agregação de decisões racionais e a demanda por serviços educacionais é derivada da demanda individual por capital humano. as quais são utilizadas para fragmentar a força de trabalho e reduzir a formação de coalizão potencial entre trabalhadores. é descrita como produto de escolha individual ou familiar. etnia. e o fazem a partir de uma avaliação dos seus retornos pecuniários e dos requerimentos de escolarização. reflete em larga medida o interesse do capitalista em incentivar e controlar os mecanismos através dos quais extrai o máximo de trabalho dos trabalhadores com o mais baixo salário possível. sexo. Além disso. De acordo com a teoria do capital humano. e credenciais formais. como defendem os teóricos do capital humano. por sua vez. idade. freqüentemente considerados como irrelevantes pelos defensores do capital humano. Assim. os atributos dos trabalhadores que são avaliados pelo capitalista e que se constituem no seu "capital humano". A decisão de contratação de trabalhadores. 37 . derivadas da disputa de distribuição de poder entre as classes.Para os marxistas. de fato. tratam o trabalho como "produzido pelos meios de produção". a definição da estrutura de remuneração e de produtividade do trabalhador não podem ser derivadas do mercado mediante a combinação de habilidades no uso das técnicas definidas e requeridas pela produção. os atributos como raça. Os ser-viços educacionais. como o acesso ao ensino tecnológico e a disponibilidade de recursos financeiros. os indivíduos manifestam uma particular subjetividade para avaliar suas preferências no tocante a escolha de uma profissão. Os mecanismos naturalmente adotados pelo capitalista para incentivar o processo de produção e para controlar os tipos potenciais de organização dos trabalhadores dependem do seu domínio e controle da estrutura da empresa. São. as variáveis determinantes no processo de seleção de trabalhadores pelos capitalistas. não se restringem às suas habilidades técnicas e abstratas capacidades produtivas. as quais são influenciadas pela tecnologia de produção e pela oferta de recursos. Em particular. A organização social da produção. A partir dessa avaliação os indivíduos decidem se vão investir em seu desenvolvimento pessoal. e o estágio de desenvolvimento da educação é produto das escolhas individuais. segundo os marxistas. e em prevenir a formação de coalizões de trabalhadores que podem opor-se ao seu poder.

pode realizar muito mais que produzir capital humano. engloba dois aspectos: a exigência do futuro melhor e a propriedade e controle sobre os meios de produção. todo trabalhador é agora um capitalista. a justificativa para o uso da expressão "capital humano" está relacionado com o fato de que habilidade é um pré-requisito para um futuro melhor. os marxistas apresentam duas outras razões para a oferta educacional não se basear nos retornos e custos do capital humano. posto que não proporciona aos trabalhadores educados nenhum controle sobre os meios de produção. muito pelo contrário. De fato. Entretanto. sim pelo fato de este modelo ser superficial e insuficiente para responder à questão central que deve nortear a oferta dos serviços educacionais: Qual o tipo de escolas que queremos? E qual a quantidade de escolarização que queremos? Além dessas críticas. não podem ser tratadas a partir de um enfoque exclusivamente econômico. que impede o desenvolvimento de consciência de classe. A conclusão de diversos estudos realizados tanto por sociólogos. Portanto. tais como: a escolarização aumenta a produtividade do trabalhador ao incrementar suas capacidades natas e ao ensinar diferentes habilidades. Nesta perspectiva. Este conceito de capital. entre outros pesquisadores. Mas. do curriculum. pedagogos. e legitima a desigualdade econômica ao permitir e ter como objetivo o mecanismo meritocrático de referendar a posição ocupacional de um indivíduo. Em segundo lugar. As diferentes habilidades e heterogeneidade da força de trabalho decorrem dos traços familiares. da raça. segundo Bowles e Gintis (1975). os marxistas rejeitam a utilização do modelo de escolhas individuais como a base para a teoria da oferta de serviços educacionais. Educação. sexo. do processo de ensino. oriundo da tradição clássica. neste contexto. Na tentativa de aprofundar sua análise adota alguns pressupostos. o sistema educacional. estes são destituídos de qualquer propriedade. utilizando-se de aspectos da oferta e da demanda por mão-de-obra. é a de que a 38 . Em primeiro lugar. enfim das relações de produção nas quais o indivíduo está inserido. Não é adequado reduzi-las a uma simples mensuração de "capital humano". como por economistas. não pode ser chamada de capital. como afirma a teoria do capital humano. Por que a taxa de retorno do investimento em educação é positiva? Quais são as explicações do modelo de taxa de retorno? A teoria do capital humano fornece uma explicação superficial para estas questões. Não pelo fato de que os indivíduos e familiares não sabem fazer escolhas educacionais adequadas. que determinam a heterogeneidade da força de trabalho.Não há dúvidas que a educação é em parte organizada para produzir trabalhadores treinados para atender a demanda dos empregadores. as habilidades. há fortes evidências de que a escola produz os trabalhadores mais preparados para a estrutura de produção capitalista.

e deflagrado o debate entre os pesquisadores acerca do que as escolas produzem (além de habilidade cognitiva) que tende a influir positivamente nos rendimentos futuros dos estudantes. Além disso. Experiência e socialização seriam determinadas em função das características 39 . as escolas seriam mais uma espécie de agência de socialização – preparando as pessoas de diferentes origens para o desempenho de distintos papéis na vida – do que um lugar onde se desenvolveriam as habilidades cognitivas dos estudantes. defendido principalmente por sociólogos. b. que estejam dispostas a sempre aceitar e cumprir ordens. estaria quebrado o elo da cadeia de raciocínio da teoria do capital humano. que cheguem com pontualidade ao trabalho. para virem a ser trabalhadores que se comportem com um alto grau de conformismo. defende que as escolas oferecem credenciais que tornam mais simples a tarefa dos empregadores na seleção de seus empregados.. Esta posição. Outros afirmam que as escolas não só " selecionam" mas também socializam. Isso leva os adeptos da teoria da socialização a concluir que as variáveis não cognitivas associadas à experiência escolar de cada um são mais importantes que os fatores cognitivos. etc. a considerar rapidamente algumas dessas teorias.forte correlação positiva entre renda e educação independe do aumento de habilidade cognitiva dos estudantes. supostamente. Passamos. é o que as escolas produzem. afirma . sempre ponderar diferentes alternativas quando diante de um problema. que o sistema educacional supostamente teria a finalidade de produzir. Assim. e na escola adquiriria alguma experiência e seria socializado para certo tipo de atividade futura. características familiares. O estudante seria escolhido de acordo com seu background. outro ponto de vista. aqueles que dizem que a única função das escolas é "selecionar" estudantes de acordo com o background familiar. tornando a tarefa de estratificálos por grupos ainda mais fácil. etc. Daí surgem teorias que afirmam que as escolas produzem ou credenciais. status sócio-econômico e outras características individuais. sobretudo na escola. etc. ou ligados a " habilidade". sem que nenhuma socialização ocorra. que saibam quando falar e quando calar. rotulada de "credencialista". que. em seguida. Ainda.na sua versão mais radical – que as escolas não servem para nada além de fornecer credenciais. outras pessoas são educadas para tomar decisões. determinação.). ou um certo tipo de socialização ou uma espécie de sinal (de persistência. Em contraste. Vale a pena distinguir dois grupos principais dentro dessa corrente: a. etc. ser bastante independentes e criativas. Assim. A teoria da socialização afirma que algumas pessoas são socializadas. o sistema educacional reforçaria as características originais dos estudantes.

as pesquisas baseadas na teoria do capital humano defendem que é possível determinar a contribuição exata dos investimentos em recursos humanos para o crescimento. perseverança. 40 . ao receber melhor nível de remuneração. que tornam o indivíduo que estudou preparado para se submeter às normas de conduta e comportamento exigidos pela empresa capitalista. função de sua produtividade. isto é. A medida que o aumento da escolarização pode levar a maior consciência de classe e fortalecer a organização de trabalhadores. esta contribuição pode ser numericamente mensurada . 2. ou é a sua capacidade para alterar a taxa de acumulação de capital. cabe destacar o seguinte argumento dos marxistas: para a teoria do capital humano todos os fatores podem contribuir para o crescimento econômico. a escola molda o indivíduo para a disciplina. Assim. Em resumo. que impede a formação de coalizões de trabalhadores contra o poder do capitalista. mas sim devido ao fato de: 1. respeito à estrutura hierárquica. mas também como a estrutura de formação do capital humano afeta a relação social de produção e a evolução das relações de classe. Em relação à contabilização do desenvolvimento. 3. Os marxistas questionam este procedimento argumentando que é mister explicitar como as variações no nível de investimento afetam o nível de outputs e as taxas de crescimento. distribuição de renda e políticas públicas. a sua contribuição para o crescimento capitalista pode resultar em balanço negativo. a escolarização aumenta o leque de opções do empregador para a escolha de seus empregados. entre outros. uma vez superados os problemas tecnológicos. mas não pelo fato de proporcionar maior habilidade ao trabalhador. dependendo do que se considera como qualidade do trabalhador: se é uma função dependente da extensão e reprodução do sistema de remuneração do trabalho.Os marxistas reconhecem que o aumento da escolarização da força de trabalho contribui para aumentar a sua produtividade. as críticas dos marxistas à teoria do capital humano podem ser agrupadas em três áreas: contabilidade do desenvolvimento. o indivíduo com maior grau de escolaridade. A educação pode contribuir positiva ou negativamente para o crescimento econômico. fornecer credenciais que facilitam a supervisão autoritária. oportunizando a este (empregador) adotar critérios de seleção que leve em conta o aspecto motivacional que mais se aproxima da estrutura e mecanismos de incentivo da empresa. ou seja. e. acaba gerando uma segmentação de trabalhadores segundo renda e status.

é ilógico supor que redução nas desigualdades de distribuição de educação leve rapidamente à redução nas desigualdades de renda. um aspecto central relativo ao papel e função do sistema escolar na legitimação das desigualdades econômicas. e sim de forma indireta. Para os teóricos do capital humano a desigualdade de renda é decorrente das diferenças de recursos humanos Os marxistas contraargumentam afirmando que a diferença de recursos humanos facilita a escolha de indivíduos para assumirem determinadas posições de destaque econômico. os teóricos do capital humano não levaram em conta. impulsionando. e outros aspectos centrais para a compreensão da distribuição de renda. Mudanças na distribuição de recursos humanos certamente estão mais bem associadas com mudanças no processo de ensino. as condições da demanda são tratadas com elevado grau de abstração e de maneira imprópria.A análise da teoria do capital humano sobre a distribuição de renda tem como pressuposto que renda representa o retorno das habilidades que o indivíduo detém. é possível mensurar alteração na distribuição de renda. no seu modelo de relação entre educação e distribuição de renda. dualismo econômico. Os pressupostos da teoria do capital humano abarcam e reforçam um dos muitos defeitos do processo de análise dos gastos públicos: a análise custo/benefício. a partir de mudanças na dotação de educação. que é determinada pelas características estruturais da economia capitalista. mas. Por último. referentes à estrutura de mercado. que considera as preferências dos indivíduos como sendo 41 . mas. A desigualdade de renda pessoal ou familiar pode ser calculada a partir da decomposição dos retornos dos fatores. e não com relação entre anos de escolaridade e renda individual. Assim. dessa forma a reorganização econômica das empresas de modo a contemplar mecanismos voltados para administrar os conflitos de classe. quando aplicada à educação. não diretamente. não determina a estrutura da distribuição de renda. e o mais grave. particularmente. é o pressuposto ingênuo de que o processo de exploração é tratado como categoria regular e normal. por exemplo. ignora os aspectos macroeconômicos. os marxistas consideram a contribuição da teoria do capital humano extremamente perversa. Em primeiro lugar pelo fato de que os teóricos do capital humano tratam a distribuição de renda como sendo determinada apenas pelas condições da oferta de mão-de-obra. ou seja ganhar consciência de classe e se organizar. mudança tecnológica. Quanto à questão de alocação dos recursos públicos. ao contribuir para que os indivíduos passem a questionar a legitimidade da desigualdade. Sem dúvida. Os marxistas consideram esta metodologia bastante débil.. Assim. Além disso. Em segundo lugar. que melhor equalização da educação reduz a desigualdade econômica.

apontou-se o fato de que a interação entre educação e status sócio-econômico é muito grande. mostramos o caminho percorrido pelos marxistas na sua crítica à teoria do capital humano. tais como. etc. consciência de classe. também. a teoria do capital humano. A perpetuação do preconceito racial. Por exemplo. personalidade. Não o fize-mos. apresentamos um sumário do que se discutiu neste trabalho. e talvez principalmente. ao mesmo tempo. a literatura do capital humano. mas que preservam a estrutura neo-clássica sobre a qual a teoria do capital humano foi construída e. acaba por ser um forte defensora da manutenção do status quo e da exclusão social. de forma breve. mas que não se constituem necessariamente em conclusões deste artigo. status econômico e outras características pessoais. produtividade e rendimentos. posto que não considera impactos de outros aspectos relevantes da vida do indivíduo. mas antes com a intenção de alcançarmos um objetivo duplo: limitamo-nos àquelas relacionadas aos conceitos de capital humano e avaliação da decisão de investimento em educação. status familiar. com pouca contribuição para o desenvolvimento da consciência humana. Os retornos econômicos da educação com base na tradicional análise de custo/benefício possui pouca lógica e força convincente. porém. com a intenção de sermos exaustivos. "sinais" que são 42 . diferentes tipos de socialização e credenciais que influenciam decisivamente os rendimentos futuros dos estudantes.determinadas exogenamente e que o sistema educacional per si é a instituição aparelhada para alterar as preferências e o destino econômico dos indivíduos. Para os marxistas. ademais as escolas não só selecionam como também filtram estudantes de acordo com o seu background familiar. ao adotar como fatores explicativos da miséria e da pobreza as preferências e habilidades do indivíduo. Preocupamo-nos em resenhar. baseada no arcabouço teórico da economia neoclássica. O uso do conceito de capital humano propicia uma visão parcial da produção e reprodução social que ocorre no processo de educação. como também conferem. seja pela discutível relevância desse conceito para a tomada de decisões com relação a investimento em educação. listando várias objeções que se lhe fazem. sexual e o elitismo das escolas não podem ser considerados como uma condução exemplar ou neutra como afirmam os teóricos do capital humano. criticou-se o uso da taxa de retorno a investimentos em autovalorização do indivíduo. seja por falhas no modelo. para citarmos apenas alguns exemplos de crítica. a natureza repressiva da escola. mas. é parte integrante da produção de uma força de trabalho disciplinada e está diretamente relacionada com a reprodução social. acompanhado de alguns comentários relacionados ao assunto. Finalizando. Assim. atacou-se a suposta relação entre decisões deliberadas de investimento em capital humano. considerou-se os argumentos que mostram que a escola não gera meramente um produto cognitivo.

Por essa razão a segmentação de mercado pode ajudar as organizações a desenvolver e comercializar produtos que se aproximem a satisfação do mercado-alvo (target). ao contrario da concorrência que faz um produto para atender a todo o grupo. previdência social em geral. particularmente. pois o produto será adaptado a algumas necessidades especificas. para o fato de que os salários têm mais a ver com os tipos de empregos a que se tem acesso – e com as formas de organização do trabalho nas fábricas – que com as características do trabalhador. afirma que para satisfazer as necessidades de um individuo. mais programas de treinamento e aperfeiçoamento da mão-de-obra.úteis para a tarefa dos empregadores. participação nos lucros e na gestão das empresas. o trabalho é mais fácil. os "defeitos dos trabalhadores". desmistificam o poder das políticas parciais. Já Facape (2007). Já para a produção em massa que atingi milhões de consumidores o trabalho é mais difícil. credencialista. etc. às conquistas sociais do tipo habitação. no mercado de trabalho. normalmente sugere políticas que não exigem nem mudanças estruturais nem esforços de financiamento que recaiam com mais peso em algum dado segmento da sociedade. Daí. segmentação de mercado é a divisão do todo em pequenos grupos de mercado. A teoria do capital humano. as proposições de política dessa teoria terem que atacar as barreiras concretas à mobilidade ocupacional e as formas de organização do trabalho que separam. tais como: acesso diferenciado ao crédito. sinalização. Além disso. às vezes por mais de uma geração. estabilidade no trabalho. identificar e servir ao mercado 43 . aqueles que tem acesso aos bons e maus empregos. à educação de níveis mais altos. promoverem e despedirem empregados.) que apesar de não negar explicitamente a importância da educação como meio de ascender-se socialmente. especialmente. De outro lado. ao selecionarem. ao considerar apenas as características da oferta de mão-de-obra. Assim. A empresa poderá atender melhor uma fatia de mercado na qual possa oferecer um produto mais especifico e que se assemelhe a aquilo que o consumidor quer e deseja. Segmentar é dar enfoque. etc. contam com o apoio adicional devido ao fácil consenso que se pode conseguir em torno da idéia de que "educação é bom" e de que "educação é o mais eficaz instrumento de mobilidade social ascendente". que só afetam a oferta de vagas nas escolas e a quantidade de treinamento oferecido. mostrando a necessidade de se considerar todo o sistema econômico. tais como – mais educação. temos as teorias de base marxista (teoria da segmentação. as políticas derivadas da teoria marxista no âmbito da distribuição de renda afetam estruturas que as orientações da teoria do capital humano – baseadas na idéia da equalização das oportunidades educacionais – nem de longe arranham. mais escolas. seguro-desemprego. apontando. Segmentação no mercado de trabalho Las Casas (1993).

Facape (2007). praça. Segmentação Demográfica (idade. personalidade). Segmentação Psicográfica (classe social. Segmentação Por Volume (pequenos. Para o Professor e Doutor Dornelas (2007) do site Plano de Negócios. etilo de vida. costumes). A empresa de “guerrilha” (como define os autores). fica mais fácil satisfazer suas necessidades. explica que um segmento de mercado possui indivíduos que tem a mesma necessidade comum. “tenta tornar-se um peixe grande em um pequeno açude”. não modifica uma “guerra de marketing”. estados. como preço. estilo de vida. Para se conhecer o mercado em questão é preciso obter informações tanto qualitativas como quantitativas. tamanho da família). “o mercado-alvo não é aquele que você gostaria: é aquele que pode consumir o seu produto”. também explica que as empresa podem segmentar o mercado em relação ao o que seu cliente compra e depois modificar o MIX de Marketing do produto como a seguir: Características do Produto (tudo que envolve o produto. em volume ou outro aspecto difícil para uma grande empresa atacar. o que 44 . ruas). ou seja. economia. a habilidade do cliente em usar o produto. Segmentação Por Conduta (conhecimento. cidades. Todas essas questões servem para definir se esse determinado grupo de indivíduos poderá ser cliente da empresa. onde a empresa grande bate à pequena. QUEM ESTÁ COMPRANDO? Dornelas (2007) explica que é preciso conhecer os hábitos e como vivem os clientes que compram seu produto. bairros. porem reduz o campo de batalha para obter uma superioridade de forças. o que pensam sobre política.escolhido. a empresa deve encontrar um mercado bastante pequeno que possa defender. Isso pode ser geograficamente pequeno. ainda divide a segmentação de mercado em: Segmentação Geográfica (países. cidades. COMO DEFINIR O MERCADO Ries e Trout (1986). médios e grandes) e Segmentação Por MIX de Marketing (mercados que respondem aos diferentes fatores de marketing. sexo. bairros). Dornelas (2007). O QUE ESTÁ COMPRANDO? Dornelas (2007). Para um aprofundamento melhor é necessário responder a três perguntas: Quem está Comprando? O que está Comprando? e Porque está Comprando?. Ao agrupar esses indivíduos (clientes). Em que lugar eles vivem (estados. atitudes. qual o clima da região. se participam de clubes. ou a empresa adaptará seu produto e todo o MIX de Marketing ao estilo de vida desses consumidores para assim atendê-los. propaganda ou tipo de produto). suas idades. a freqüência que é comprado. seus pensamentos quanto ao meio ambiente e responsabilidade social.

alem de lojas on-line). determina que deva ser realizada uma análise do potencial e possibilidades de vendas (demanda). A partir de todos esses dados finalmente o departamento de Marketing poderá elabora uma previsão de vendas. o que os motiva a comprar determinadas marcas e outras não. Praça (onde e como o cliente encontrará o produto.fazem com o produto). principalmente em Propaganda. A empresa também deverá calcular a sua participação de mercado e a partir desse dado calcular o investimento que será realizado no MIX de Marketing. a empresa determinará seu potencial de produção. POTENCIAL E DEMANDA DE MERCADO Depois de determinado o segmento de mercado em que a empresa atuará Las Casas (1993). promoções e pós-venda). pode ser em grandes lojas atingindo grande quantidade de cliente ou em lojas de bairro com um publico mais restrito. no segmento escolhido. para evitar vender mais do que possa produzir. ou seja. o que eles consideram importante. onde o tempo se torna escasso e as pessoas estão cada vez mais individualistas. Levando em conta suas condições operacionais. 45 . trará bons resultados para a organização. Respondendo essas perguntas a empresa encontrará o melhor ponto de vista sobre o produto. esse potencial deverá ser determinado pela empresa. Embalagem (a embalagem vai alem das caixas de papel ou plástico. para a equipe de vendas. Traçar metas e previsões realistas e objetivas. que critérios usam na hora de escolher um produto. engloba também a propaganda. No mercado de consumo atual. Preço (diferentes segmentos estão dispostos a pagar preços diferentes por produtos e obter certo nível de qualidade. é todo o esforço da empresa para a venda dos produtos. procurando sempre produtos que satisfaçam suas necessidades. podendo realizar mudanças se necessário. outras vantagem como acordo de troca da mercadoria também influenciam na compra). POR QUE ESTÁ COMPRANDO? Dornelas (2007) conclui que para satisfazer plenamente seu cliente. O potencial de mercado é capacidade que o mercado tem para absorver o produto em uma situação econômica. levando em conta todo individualismo da segmentação. A demanda é o volume total de produto que o mercado está absorvendo. e a viabilidade e retorno da estratégia do MIX de Marketing. O profissional de marketing necessita de atenção na hora de desenvolver o Planejamento de Marketing (MIX de Marketing). a organização deve saber exatamente o que seu cliente está procurando. a Segmentação de Mercado torna-se mais necessária para o crescimento de qualquer organização.

acabam excluindo muitos trabalhadores do mercado. agora. Marx chamou-os de "Exército Industrial de Reserva". Neste caso existe um desequilíbrio permanente entre a oferta e a procura (de trabalhadores). é a taxa para a qual uma economia caminha no longo prazo.recebe o nome de desemprego tecnológico. Esse fenômeno social é observado principalmente em países subdesenvolvidos cujas economias não conseguem suprir o crescimento populacional. TAXA NATURAL DE DESEMPREGO: nome dado pelos monetaristas à parcela de trabalhadores permanentemente desempregados. e sim das novas formas de organização do trabalho e da produção. Desemprego é a medida da parcela da força de trabalho disponível que se encontra sem emprego. por questões de sobrevivência. Um agravante é a crescente mecanização e informatização dos processos de trabalho. acabando com cargos que antes eram desempenhados por pessoas sem instrução/qualificação e.como a robótica e a informática . A taxa natural de desemprego. Tipos de desemprego e suas causas. os quais. 46 . Esse tipo de desemprego é mais comum em países desenvolvidos devido à grande mecanização das indústrias. O desemprego natural. que é um dos mais graves problemas de nossos dias. assim como alterações na composição da economia associada ao desenvolvimento. A teoria econômica apresenta duas causas para este tipo de desemprego: insuficiência da procura de bens e de serviços e insuficiência de investimento em torno da combinação de factores produtivos desfavoravéis. Nessa situação. Como se constituem em uma oferta de mão-de-obra maior que a procura. por exigirem conhecimento e formação. Resulta das mudanças da estrutura da economia. acabam agindo no sentido de pressionar para baixo o salário dos que se encontram empregados.Desemprego. que sempre existiram nas sociedades capitalistas (no socialismo não há desemprego). sendo compativel com o estado de equilíbrio de pleno emprego e com a ausência de inflação. Desemprego estrutural O desemprego estrutural é uma forma de desemprego natural. Tanto os países ricos quanto os pobres são afetados pelo desemprego estrutural. que não é eliminado pela variação dos salários. Estas provocam desajustamentos no emprego da mão-de-obra. reduzindo os postos de trabalho. mas a oferta e a demanda por emprego estão em equilíbrio. O desemprego causado pelas novas tecnologias . Ele não é resultado de uma crise econômica. há um número de trabalhadores sem emprego. acabam por se transformar em marginais.

Este setor deixa mais evidente a perda de postos de trabalho para máquinas ou novos processos de produção. da máquina a vapor ou do arado de ferro foram marcos que resultaram em um aumento significativo da produtividade e conseqüente redução de custos. Ocorre durante o período de tempo em que um ou mais indivíduos se desempregam de um trabalho para procurar outro. Em muitos lugares. É comum associar o desemprego estrutural ao setor industrial. É aquele em que a demissão é ocasionada. tem sido apontado como o principal fator para os altos níveis de desemprego no Brasil. o emprego é novamente ofertado. se conseguíssemos manter altas taxas de crescimento econômico. dentro da mesma área. Da mesma forma que sentimos hoje. permitindo a entrada de um enorme contingente de excluídos no mercado consumidor. mas é um equívoco condená-la como a vilã do desemprego estrutural. Contudo. É claro que se a economia estiver aquecida será mais fácil para estes trabalhadores encontrarem outros postos de trabalho. Também poderá ocorrer quando se atravessa um período de transição. 47 . A invenção do tear mecânico. como acontece na construção civil. de um trabalho para outro. a tecnologia passou a ser um dos principais componentes causadores do desemprego friccional. o que forçou uma mudança na atividade produtiva do trabalhador. isto é. desemprego cíclico ou conjuntural. dezenas de empregos transformaram-se em apenas um. inclusive no Brasil. Naturalmente. Desemprego conjuntural Existem duas formas de designar o desemprego conjuntural. ou. Desemprego friccional O desemprego friccional resulta da mobilidade da mão-de-obra e pode ser componente do desemprego natural. das épocas de expansão e das épocas de recessão da economia. a ausência dele. o desemprego estrutural. Este resulta da variação cíclica da vida econômica. o emprego sofreu impacto destes inventos há 150 anos atrás. A partir da modernidade. não se resolve apenas pelo crescimento econômico. o país sanearia o problema do desemprego conjuntural. por crises passageiras.O crescimento econômico. que estaria roubando empregos e condenando os trabalhadores à indigência. em outras palavras. uma vez que. sendo que ambas estão conectas. ou melhor. Aquele trabalho executado por dezenas de trabalhadores até o início dos anos 80 agora só necessita de um operador. porém isto ocorre também na agricultura e no setor de prestação de serviços. culpa-se a tecnologia. Portanto a demissão é temporária. Não há dúvida de que a tecnologia participa do processo. pois máquinas passaram a realizar trabalhos antes feitos pelo homem. superada a crise. aquele em que a vaga do trabalhador foi substituída por máquinas ou processos produtivos mais modernos. Existe uma tendência secular de variações sazonais ou cíclicas que têm uma duração de 3 anos. na maioria das vezes.

onde a intensidade de esforço não seria objeto de especificação em suas cláusulas e. enquanto o produto da firma será de conhecimento de ambas as partes envolvidas. Um ponto em comum em todos estes artigos é o de formalizar as relações de trabalho entre empregados e empregadores como um problema de agente (empregados) e principal (empregadores). Neste artigo estaremos exclusivamente interessados na versão de salário eficiência cujo objetivo é a extração de maior intensidade de esforço dos trabalhadores. a elaboração de um contrato de emprego de compra e venda de intensidade de esforço de trabalho é inviabilizada. Bowles (1985) e Bulow e Summers (1986). No caso especıfico das relações de trabalho. Nestes modelos o empregador manipula incentivos e punições (carrots and sticks) com o objetivo de persuadir os trabalhadores a implementarem um nível elevado de esforço em suas tarefas. Neste sentido. Esta impossibilidade justifica-se.Salário eficiência e modelos de procura de emprego. O problema de agente-principal surge por conta de assimetria de informação entre as partes envolvidas. Tal versão de salário eficiência é conhecida na literatura como shirking model ou labor discipline model. a seus funcionários. Modelos de salário eficiência incorporam a idéia de que as empresas obteriam melhores resultados econômicos ao pagarem. o problema de informação assimétrica surge por conta da impossibilidade. incentivos na forma de prêmios salariais e punições na forma de demissões resultantes das atividades de monitoramento implicariam em maiores níveis de esforço despendidos pelos trabalhadores. dado o papel da intensidade de esforço nas funções de produção e lucro da firma. Dado o caráter incompleto do contrato de emprego. por sua vez. pela imperfeição de monitoramento do esforço despendido pelos empregados e os custos que esta atividade de supervisão requer. Vários são os argumentos teóricos que justificam o pagamento de salário eficiência. Os trabalhos teóricos mais importantes sobre a versão shirking da teoria de salário eficiência são Shapiro e Stiglitz (1984). salários superiores aos estabelecidos pelo mercado (market clearing wage). torna-se relevante a necessidade de monitoramento por parte da empresa com o objetivo de extrair valores positivos de intensidade de esforço dos trabalhadores. Neste sentido. restando assim a possibilidade alternativa de elaboração de um contrato incompleto de emprego onde as horas de trabalho e a remuneração são objetos de negociação. por parte do empregador. 48 . porém a intensidade de esforço despendida pelos empregados no período contratado não seria contemplada nas cláusulas contratuais. de obter informação completa sobre a decisão do empregado quanto ao nível de intensidade de esforço a ser despendido pelo mesmo.

A intervenção governamental: política salarial e políticas de emprego No transcurso dos anos 80 (na Europa) e na década posterior (no restante do mundo. O nível de emprego não podia ser mais recuperado mediante a utilização das ferramentas macroeconômicas identificadas por Keynes. de “Políticas de Emprego” ou “Políticas de Emprego e Renda” Esse tipo de estratégia tem seus fundamentos teóricos e suas diferenças com as ações que. No caso de estarem desempregados. Já os trabalhadores que optam pela estratégia e = 0 correm o risco de serem demitidos com uma probabilidade igual a q a cada período (ou unidade) de tempo. Para o modelo clássico. onde θ é fração de tempo no qual o trabalhador shirker permanece empregado. Políticas de aquecimento se traduziam em desequilíbrios internos (elevação nas taxas de inflação) e externos. A escolha dos trabalhadores em relação ao esforço é restrita a dois valores: e =0(shirker) e e > 0 (non-shirker). os trabalhadores gozam de um benefıcio igual a b. as possibilidades de intervenção no ciclo conjuntural mediante as clássicas ferramentas keynesianas ficaram esgotadas. Instituições e mercado de trabalho. a capacidade de utilizar as ferramentas monetário/fiscais para administrar a conjuntura se reduz dramaticamente. Trabalhadores com esforço e > 0 sempre estarão empregados ao salário w. estando esse privilégio restrito aos grandes centros da economia mundial (EUA. com w representando a taxa de salário e o esforço. 49 . o desafio que representava o crescente desemprego começou a ser combatido através de uma série de políticas públicas que passaram a denominar-se.O modelo assume uma quantidade fixa de trabalhadores idênticos cuja utilidade é U = (w − e). Alemanha e Japão). Resumindo. as atenções tinham que estar voltadas para o novo pensamento hegemônico. O trabalhador que escolhe a estratégia shirking alterna entre períodos de empregabilidade e de desemprego. aí incluído o Brasil). Os gastos públicos e seus déficits são permanentemente monitorados pelos agentes financeiros internacionais e constituem um motivo de desconfiança nas suas decisões sobre alocação de recursos financeiros. eram vistas como as mais eficazes para elevar as oportunidades de emprego. genericamente. Com a crescente abertura dos mercados (especialmente dos mercados financeiros). se o keynesianismo não era a alternativa. Um país não pode diminuir sua taxa de juros devido a que está em processo de desaquecimento porque uma medida como essa pode provocar uma fuga de capitais que acaba comprometendo seu equilíbrio externo e desacelerando ainda mais o ciclo conjuntural. Diante desse fato. anteriormente.

podemos diferenciar duas vertentes dentro do pensamento hegemônico. a elevação das taxas de desemprego no mundo a partir de meados dos anos 70 tinham que ser reduzidas por meio de medidas que tinham como espaço de atuação o próprio mercado de trabalho. etc. em geral. enfraquecer o WelfareState. A essência da argumentação coincidia com o modelo clássico: a intervenção para reduzir o desemprego tinha que se centrar no mercado de trabalho. etc. a)A Alternativa Liberal Radical O exemplo normalmente citado para ilustrar esta opção de política tem como referência os EUA de Reagam e a Inglaterra durante Tatcher. mediante movimentos nas quantidades oferecidas e demandadas. A queda nos preços (salários reais) deveria ser a resposta a excesso de oferta (desemprego) e. Em realidade. onde a alternativa liberal-radical foi implementada de forma mais rigorosa. o salário mínimo. Contudo. a criação de empregos foi particularmente dinâmica e as taxas de desemprego sempre estiveram entre as mais baixas dos países desenvolvidos. Sua intervenção consistia em 50 . Nos países anglo-saxãos. diminuir as ajudas financeiras aos desempregados ou. não obstante o processo de internacionalização. Lembremos que esta é uma diferença abismal com respeito ao modelo keynesiano. a autoregulação dos mercados deveria funcionar de forma mais rápida e eficiente. esta “estratégia” de combate ao desemprego funcionou. reduzir o valor do salário mínimo. o ponto de equilíbrio (oferta igual a demanda) deveria ser atingido. as políticas keynesianas eram alternativas que geravam poucos ganhos em termos de oferta de novos empregos e tinham elevados custos em termos de inflação e desequilíbrios.como já mencionamos. o Welfare-State. Aqui. não obstante compartilhar a essência do novo pensamento. Assim. os problemas do mercado de trabalho eram gerados por restrições oriundas desses próprios mercados. uma mais radical e outra mais moderada. Na ausência de sindicatos. A estratégia consistia em enfraquecer os sindicatos. b) A Alternativa Social-Democrata Uma versão mais “à esquerda” do novo paradigma foi adotado na Europa Continental e poderíamos denominar de versão “social-democrata” do pensamento hegemônico. de forma tal a tornar o mercado de trabalho o mais concorrencial possível ou o mais parecido a um mercado de alface. Por outra parte. que sustentava que as variáveis do mercado de trabalho tinham que ser administradas mediante instrumentos de política macroeconômica e não através de políticas direcionadas ao próprio mercado de trabalho. fato que possibilitava a intervenção estatal. salário mínimo. os mercados de trabalho continuavam sendo um espaço regulado dentro do antigo Estado-Nação. se distinguia dele dado que não propunha como eixo de sua estratégia uma ofensiva contra os sindicatos.

ainda que não exlcusivamente. reduzindo-a ou alterando seu bem-estar. a oferta e/ou demanda de trabalho. o termo de Políticas de Emprego parece muito abrangente e nele poderiam ser incluídas desde as políticas macroeconômicas do tipo keynesiano. Entre esses extremos caberiam as políticas de redução real do salário mínimo. Políticas de Emprego Definição Em princípio. Apesar da pertinência dessa visão. Também não estão incluídas aquelas medidas que tendem a afetar a demanda de forma indireta e incerta. Ou seja. Tanto no Brasil como nos países da OCDE. como o salário mínimo. as políticas de formação profissional. dentre outras) a) O Seguro-Desemprego A Política de Emprego Passiva mais importante é o seguro-desemprego. sobre a população (oferta de trabalho).uma série de medidas que se convencionou em denominar de Políticas de Emprego e que será o nosso tema de análise na próxima Seção. Dessa forma estão descartadas todas as políticas macroeconômicas e as alterações no marco legal/institucional que regula o mercado de trabalho. na literatura. toda política cujo objetivo fosse a geração de novos empregos pode ser definida como uma Política de Emprego. se esta for identificada como sendo um obstáculo para a abertura de novas vagas. etc. até mudanças na legislação trabalhista. Classificação As Políticas de Emprego se dividem entre as Políticas Passivas e as Ativas. Classificamos como mais importante em termos de recursos. Quando se fala em Políticas de Emprego devemos entender só aquelas medidas que tendem a afetar. vamos entender como Políticas de Emprego aquele conjunto de medidas que atua sobre a oferta de trabalho. o termo Políticas de Emprego circunscreve um leque bem menor de alternativas. visto que as mesmas objetivariam a elevação da oferta de empregos. Em ambos os casos se atua sobre o mercado de trabalho e preponderantemente. por exemplo) ou indireta (formação profissional). Políticas Passivas As Políticas de Emprego denominadas de passivas englobam aquelas ações que tendem a tornar mais “tolerável” a condição de desempregado (mediante uma transferência monetária a todo trabalhador desempregado. Assim. seguindo um certo consenso na literatura internacional sobre o tema. por exemplo) ou a reduzir a oferta de trabalho (mediante a aposentadoria precoce. ou sobre o nível de emprego alterando a demanda de forma direta (criação de emprego públicos. os benefícios financeiros aos assalariados desempregados são os que monopolizam a maior parte dos recursos destinados às Políticas de 51 . de forma mais ou menos direta.

no mercado de trabalho. por exemplo. induzir a permanência da população no sistema escolar poderia diminuir. direta ou indiretamente. Esta é uma típica herança das políticas que integraram o Welfare-State clássico e que se consolidou depois da Segunda Guerra nos países desenvolvidos. No fundo. nesse sentido. tendeu a reduzirse. no mínimo. Uma das alternativas para diminuir o desemprego consiste em postergar o início do ingresso no mercado de trabalho. como ocupado. foi uma das políticas que. nesse sentido. em realidade) é incapaz de oferecer-lhe um posto de trabalho. Nessas circunstâncias. Esta herança do Welfare-State pós-Segunda Guerra foi um dos alvos do novo pensamento econômico. A lógica é mais ou menos a seguinte. Ao permanecer por mais tempo no sistema escolar. por exemplo) ou era circunstancial. Nessas circunstâncias. imaginemos. o desemprego. para atenuar sua falta de renda. R$ 100. O seguro-desemprego não foi imaginado para sociedades nas quais o desemprego atingia grandes contingentes populacionais e era duradouro. adiantar sua aposentadoria pode ser 52 . se o seguro-desemprego é de. O desemprego ou era oriundo de um problema muito circunscrito (uma firma faliu. pode ter sérias dificuldades para reinserir-se. a sociedade deve outorgar-lhe um benefício no período de transição entre um emprego e outro. é intuitivo perceber que. Nesse sentido. b)Extensão dos Ciclos Escolares. Justamente. a reduzir o desemprego e. Ele foi criado e estendido em um contexto histórico no qual o pleno emprego era a norma. a pressão sobre a oferta de trabalho se reduz (em realidade. em certas ocasiões. tanto em termos do montante do benefício como em termos da abrangência temporal (número de prestações). em maior ou menor medida conforme os países. sempre segundo pensamento dominante. Em países como a Finlândia ou a Holanda.Emprego. o assalariado não aceitará um emprego por. pela sua idade e formação. a crítica consistia em identificar esse benefício como um dos elementos que ajudavam a elevar o desemprego e tornar mais inflexível o mercado de trabalho. junto com os sindicatos e o salário mínimo. reduzir as transferências sociais deveria ajudar. um indivíduo. as transferências aos trabalhadores desempregados chegam a superar 3% do PIB. c) Aposentadoria Precoce Esta possibilidade das Políticas de Emprego Passivas tem certa relação com as ativas e. Com efeito. essa quantidade. Contudo. queda no nível de atividade que os gestores de política econômica rapidamente iriam reverter. O desempregado não está nessa condição porque é seu desejo senão porque a economia (a sociedade. aqui está uma das fraquezas e limitações do seguro-desemprego. ficará mais clara quando analisarmos estas últimas. se posterga). Se a esse fato agregamos a idéia (não necessariamente certa) segundo a qual quanto maior a escolaridade maiores serão as chances de encontrar emprego.

passando por tarefas que os nacionais não estão dispostos a fazer. Logicamente. essa política vem. Os aspectos ligados à migração são extremamente complexos e vão desde a funcionalidade da migração nos casos de países com pirâmides etárias muito estreitas na base (muitos passivos por ativo). ganhou uma certa “popularidade” nos países centrais. a)Formação Profissional Esta talvez seja a Política Ativa mais popular. Esses políticos estariam propondo uma “típica Política de Emprego Passiva”: reduzir a oferta de trabalho para diminuir a taxa de desemprego. tanto no Brasil como nos países mais desenvolvidos. É comum que políticos populistas e demagogos ganhem votos entre eleitores ingênuos fazendo uma conta simples. geralmente atuando sobre o contingente de trabalhadores. d) Expulsão dos Imigrantes Esta “política” merece ser mencionada devido a que. permeada de proposições racistas. adiantar a aposentadoria podia ser uma medida eficaz para reduzir as despesas públicas e diminuir o desemprego. Ao reduzir os imigrantes ou elevar as exigências para o ingresso de trabalhadores estrangeiros. Comparam o número de trabalhadores estrangeiros com o contingente dos desempregados e sustentam que. se altera. na quase totalidade dos casos. culturais e econômicos. b)Intermediação 53 . realmente.menos oneroso que pagar o seguro-desemprego por longos períodos. de forma direta. a oferta de trabalho. uma vez que fogem aos objetivos que nos propusemos no presente texto. Políticas Ativas As Políticas Ativas englobam uma série de ações que tendem a elevar o nivel de emprego. não abordaremos os aspectos de migração. ainda que desempregados. a taxa de desemprego cairia de forma significativa. Vamos a analisar as principais. É uma Política Ativa dado que se parte da suposição que ao elevar a qualificação ou formação de um indivíduo aumentam suas chances de encontrar emprego (se estava desempregado) ou de não perder o que já possui (se estava empregado). expulsando os migrantes. um fator que deteriora o mercado de trabalho e cria conflitos sociais. Portanto. Em certas regiões dos países mais desenvolvidos. nos últimos anos. especialmente quando esse benefício está articulado com formação ou reciclagem. muito penalizadas pela reconversão produtiva que afetava parcelas importantes da população que por muitos anos tinham trabalhado em um setor agora em crise. até circunstâncias nas quais a migração é.

ainda que não unicamente. consolidação e sobrevivência das pequenas firmas não é um fato trivial e. como já mencionamos. seu acesso ao crédito estaria limitado devido aos pequenos fundos que demandam e a falta de garantias. etc. Contudo. As justificativas para este tipo de ações são de diversas ordens. Entre essas atividades podemos mencionar o levantamento das vagas oferecidas pelas firmas (faixa etária requerida. a geração de novos empregos. dado que torna mais rápida a compatibilização entre os recursos humanos requeridos pelas firmas e as aspirações e possibilidades dos indivíduos que procuram emprego. design. salário. perspectivas profissionais. indiretamente. Dessa forma. c)Apoio aos Micro e Pequenos Empreendimentos Esta é uma política extremamente popular.Este tipo de ação engloba uma série de atividades que visam um ajuste entre a oferta e demanda de trabalho mais fluido. etc. Vamos expor só as principais. dado o mencionado suposto potencial em termos da geração de empregos. perfil educacional e de qualificação. Poderíamos estender os exemplos. especialmente. maior apelo popular. mas fica mais ou menos evidente que o surgimento. Sustenta-se que as micro e pequenas empresas são as que mais empregam (quando comparadas com as grandes empresas) e. dessa forma. Gerenciar esse banco de dados e por em contato a oferta e demanda pode reduzir o desemprego. que vão desde crédito dirigido até ao apoio para o desenvolvimento tecnológico. O apoio ou ajuda aos pequenos empreendimentos podem abranger diversas ações. essas unidades de produção deveriam merecer a atenção das políticas públicas dado que contribuiriam para acelerar o desenvolvimento do país. e a que tem. as micro e pequenas firmas enfrentam uma série de restrições para sua consolidação e desenvolvimento que requeririam políticas públicas específicas. ajudar a seu desenvolvimento promove. identificação de novos canais de comercialização. A primeira. talvez. nesse sentido. qualificação. está vinculada à potencialidade em termos de geração de empregos. não obstante essa potencialidade.) e as características dos indivíduos que procuram emprego (também faixa etária.). à nova matriz tecnológica (novas tecnologias). nos países subdesenvolvidos. as micro e pequenas empresas seriam funcionais. Por exemplo. fato que requer disponibilizar tecnologia mediante o setor público (ou financiado por ele). etc. Paralelamente a esses dois fatores (potencialidade em termos de geração de empregos e múltiplas restrições que enfrentam). deveria merecer uma política específica. 54 . A pesquisa e desenvolvimento são impossíveis de ser financiadas por micro empresas.

ter salário mínimos específicos (menores que o normal) para certos segmentos da população. como eram. como nas catástrofes. essa estratégia de incentivo a certas contratações pode apelar a outras medidas. devido à nova hegemonia do pensamento clássico e todas suas restrições à elevação dos gastos públicos. Contudo. e) Criação Direta de Empregos pelo Setor Público Esta alternativa de elevar o nível de emprego hoje goza de pouco prestígio e é utilizada só em casos emergenciais. que o diagnóstico do mercado de trabalho de uma determinada região ou país estabeleceu que os jovens sem experiência nem qualificação têm sérias dificuldades em encontrar emprego.d)Subsídios à Contratação de uma Determinada População Alvo Uma medida muito utilizada em certos países Europeus e que é classificada como uma Política de Emprego Ativa tem como característica os subsídios (de forma direta ou indireta) à contratação de um grupo populacional com particulares problemas de desemprego. De qualquer maneira. essa forma de gerar empregos era indireta. ainda que em ocasiões muitos específicas. afirmou que o problema do desemprego no Brasil era de “empregabilidade”. Esse tipo de discussão ainda que possa ter um certo ranço academicista. Ou seja. que não os subsídios. Edward Amadeo. como as grandes crises de desemprego. No passado teve certo apelo em certos países desenvolvidos. esta forma de Política de Emprego é marginal e. certamente está estreitamente ligado ao desenho de políticas. Políticas de Emprego: Teoria. por exemplo. Nesse caso. as Políticas de Emprego certamente não ocuparão um lugar central na estratégia para reduzir o desemprego. Por exemplo. Nesse caso. os desocupados não 55 . A análise das Políticas de Emprego pode ser feita sob diversos ângulos. etc. o governo pode induzir às firmas a contratarem jovens sem experiência e com pouca escolaridade mediante a redução dos encargos sociais (o INSS. o então Ministro de Trabalho. Vamos explorar vários deles.. visa-se tornar mais “atraente” a contratação de indivíduos de um determinado grupo social. Em certa ocasião. Imaginemos. ou seja. mediante obras públicas e não mediante a contratação direta (elevar o número de funcionários públicos para reduzir o desemprego). voltamos a repetir. na maioria das ocasiões. Se o arcabouço teórico é keynesiano. já não existem mais. talvez a dimensão mais abstrata. por exemplo). Diagnósticos e Mimetismo. através do sistema tributário ou as contribuições sociais. o debate terá como eixo o crescimento econômico ou o desenvolvimento do país. O primeiro. as frente de trabalho na ocasião das secas no Nordeste. Em certos casos. utilizada só em casos verdadeiramente excepcionais. à presença do Estado na economia. está vinculado ao status que o marco analítico outorga ao mercado de trabalho.

Nesse caso a política a ser implementada deveria ter como eixo a educação e/ou formação e reciclagem.). inclusive dos jovens com formação universitária. instituições. é de imaginar que exista um estudo prévio no qual foi identificado que há desempregados e que. tradições. simultaneamente. cultura. Com o tempo. Podemos concordar com esse diagnóstico ou não. se singulariza por apresentar características próprias de regulação dos mercados de trabalho (legislação. Por que essa discussão é importante? Porque o funcionamento e os problemas dos mercados de trabalho tem tempo e espaço. Existem vagas mas simplesmente os desempregados não podem ocupá-las em função de seu perfil não é o requerido. mas o problema de desemprego continuaria intacto. formar e reciclar trabalhadores. nesse contexto. o problema é de crescimento e não faria sentido. O segundo aspecto que desejamos mencionar está vinculado ao caráter nacional do funcionamento do mercado de trabalho. Se o problema do desemprego é de “empregabilidade”. Nós consideramos que esse tipo de discussão é irrelevante. o tipo de mercado dos corriqueiros livros-texto de microeconomia. O único resultado seria que a fila de desempregados teria indivíduos mas educados e capacitados tecnicamente. mas certamente essa afirmação colocou o debate bem explícito. certamente não é de crescimento.encontravam emprego porque não tinham os requisitos. Nessa direção. Cada país. por outra parte. Ou seja. Não podemos fazer paralelos entre o mercado de trabalho na Suécia e o mercado de trabalho no Brasil. Para que uma política pública tenha alguma chance de ter alguma efetividade tem que estar fundamentada em diagnósticos. Não obstante a tendência à internacionalização dos mercados de bens e serviços. esses jovens (com formação superior completa) logravam uma 56 . para os quais a taxa de desocupação chegou a situar-se em patamares próximos de 40%. o mercado de trabalho funcionaria melhor se não existisse um marco regulatório e funcionasse como um mercado de tomates. Se o diagnóstico identifica a existência de desemprego paralelamente a vagas não preenchidas. o mínimo. O ponto é: as instituições existem e não se pode tratar o mercado de trabalho como um mercado de alface. temos que ser muito cuidadosos quando comparamos um mercado de trabalho de um mesmo país em dois momentos do tempo. Inclusive. O ponto que desejamos ressaltar é: a política pública surge (ou deveria surgir) de um diagnóstico. Aqui não queremos entrar no mérito da questão. é a resposta a um problema. muito oneroso encontrar candidatos que preencham os requisitos necessários para ocupá-las. a regulação dos mercados de trabalho continua operando-se no âmbito de cada Estado-Nação. etc. Um dos maiores problemas do mercado de trabalho Italiano é o desemprego dos jovens. em termos de educação e qualificação. para ocupar as vagas que estavam disponíveis na economia. Vamos dar um exemplo. quando se instrumentaliza uma política de formação profissional e se supõe que ele é um componente com certa relevância na redução do desemprego. existem vagas para as quais é.

O segundo ponto que desejamos mencionar vai além dessa falta de diagnóstico que fundamenta as políticas públicas. No Brasil. Os problemas são diferentes. sem citação. a política foi implementada no Brasil porque era popular nos países desenvolvidos. dos tradicionais argumentos que são anualmente reproduzidos nos OCDE Employment Outlook´s. tanto em termos intuitivos como de fundamentação teórica e histórica. por exemplo. Os resultados da maioria das avaliação realizadas em países da OCDE das políticas de formação profissional. Além de importar estratégias imaginadas em outros contextos. se aplicaram (e se aplicam) e se propõem políticas públicas que foram gerados em outros contextos. Nesse contexto. que nos parece tão natural. lamentavelmente. A conclusão óbvia é: não podemos aplicar a mesma política de emprego na Alemanha e na Itália. Tomemos o caso da formação profissional. em muitos deles as partes dedicadas à geração de emprego parecem um cópia. a transição entre o sistema escolar e o mercado de trabalho é muito menos onerosa em termos de desemprego juvenil. Resulta extremamente difícil entender como um Ministro do Trabalho do Brasil dos anos 90 possa ter afirmado que o problema do desemprego do país é de “empregabilidade”. devido à peculiar característica de seu sistema de ensino. Vamos analisar com certo cuidado este ponto. reduzindo-se significativamente sua desocupação e elevando-se os rendimentos. em uma atitude de mimetismo. Se nós lemos certos programas de governo de candidatos à eleição presidencial passada. a Itália enfrenta um problema de transição entre o sistema escolar e o mundo do trabalho. quando qualquer estudante de um curso de graduação de Economia do Trabalho sabe que a maior taxa de desemprego do Brasil está situada nos níveis de escolaridade médios (a curva de desemprego por nível de escolaridade é um U invertido). a imagem que se tem é que o Brasil centrou sua estratégia de geração de empregos nas Políticas de Emprego simplesmente porque essas eram as políticas adotadas nos países centrais. Em um mundo no qual os países periféricos importam as idéias prevalecentes nas regiões mais desenvolvidas sem nenhum crivo crítico ou processo adaptativo. Essa política tem um diagnóstico teórico e um marco histórico de referência (os países da OCDE) que deve merecer um exame particularmente cuidadoso quando se quer transpô-la a outro contexto. Uma Política de Emprego não é boa porque foi aplicada em um país e foi avaliada positivamente (que. não é tão direta. não seria temerário sustentar que não existe diagnóstico. Ou seja. não é o caso da formação profissional). que mistura a formação escolar com a formação no próprio “chão de fábrica”. mencionando três aspectos que nos parecem relevantes. deram como resultado 57 . Simplesmente. O problema do Brasil é a existência de vagas que não podem ser preenchidas por falta de indivíduos com o perfil educacional/técnico adequado ? Onde está a verificação empírica desse diagnóstico ? Em realidade. A Alemanha não enfrenta esse problema. uma tradição com raízes medievais. Essa argumentação. mas não foram levadas em consideração as avaliações. dado que foram importados os diagnósticos e as políticas. essa importação foi parcial.satisfatória inserção no mercado de trabalho.

capaz de ser desenhada segundo as necessidades locais. O Governador desse Estado vai incluir atividades vinculadas à formação profissional. caso contrário.) cruciais para entender o mercado de trabalho. Não seria ousado imaginar um Estado no qual todos os recursos das Políticas de Emprego devessem ser direcionados para a formação e reciclagem (um Estado que experimentou um choque setorial negativo. não chega ao fundo da questão. não obstante o caráter continental do Brasil. universaliza-se essa conduta para o conjunto do território nacional. Por último. execução e avaliação são descentralizadas. avaliação. tanto as direcionadas ao mercado de trabalho como as restantes. Assim. essa descentralização. o caso da formação profissional. a formulação. essa descentralização é parcial na medida em que não se descentraliza a Política de Emprego senão a Política de Formação Profissional. queremos chamar a atenção para um terceiro aspecto. Essa heterogeneidade permeia aspectos (econômicos. Assim.efeitos duvidosos. necessariamente heterogêneo do Brasil. Vamos apresentar uma possibilidade teórica. ainda que possua diagnósticos nos quais a principal restrição à geração de emprego não seja a formação profissional. parceria com a sociedade civil. depois. Vamos ilustrar esta afirmação. outra vez. Poder-se-ia argumentar que este ponto já foi incorporado nas políticas sociais no Brasil. Contudo. a mesma (a política de formação profissional) constituiu a principal política ativa no Brasil no transcurso dos anos 90. tendência que deveria gerar uma política flexível. muitas vezes.). os diagnósticos devem ser locais e as políticas. mesmo no contexto no qual foram geradas. Ou seja. Em realidade. 58 . culturais. a resposta a esse comentário pareceria ser afirmativa. Contudo. ecológicos. O país adotou certas singularidades das modernas políticas sociais (descentralização. também devem apresentar um marcado caráter local.) que hoje representam uma tendência mundial. por isso. em um país como o Brasil não se pode falar em “mercado de trabalho” senão em “mercados de trabalho”. etc. Não obstante esses resultados. etc. inclusive no caso do mercado de trabalho. Os pontos de contato entre os problemas do mercado de trabalho de Rio Grande do Sul e Roraima serão mínimos. esse tipo de intervenção pública mostrou pouca efetividade. por exemplo) e outro no qual o centro da estratégia de política fosse a ajuda creditícia às pequenas unidades de produção agrícolas locais. Suponhamos um Estado no qual a principal restrição à geração de postos de trabalho não seja a formação profissional. ele não vai se beneficiar dos recursos do PLANFOR. mas plausível. Tomemos. Em outros termos: importa-se um diagnóstico e a política a ele associado e. etc. que está vinculado ao caráter continental. A política nacional se formula a partir dos PEQ´s (Planos Estaduais de Qualificação). sociais. mas outra variável (crise na pequenas empresas. balizadas nesses diagnósticos. Em termos gerais.

Esse benefício permite uma assistência financeira temporária. encara os vendedores dos insumos que ele necessita como sendo competição perfeita. a partir deles. cujos casos são conhecidos normalmente como sendo um mercado que está em situação de monopólio bilateral. os monopsônios que dominam uma situação de compra de determinado insumo. O valor varia de acordo com a faixa salarial. Cada estado ou região deveria ter um diagnóstico sobre seu mercado de trabalho identificando seus problemas e. nos Correspondentes CAIXA AQUI ou nos terminais de auto-atendimento. Sindicato: monopólio bilateral e monopsônio. ou insumos e. pode ser requerido por todo trabalhador dispensado sem justa causa. As práticas internacionais deveriam ser levadas em consideração como experiências a serem utilizadas como referência e não como políticas a serem copiadas. Assistência ao desemprego O Seguro-Desemprego. por aqueles cujo contrato de trabalho foi suspenso em virtude de participação em curso ou programa de qualificação oferecido pelo empregador. por outro lado. Frente a isto. cujo preço entre os fatores é determinado pela 59 . as parcelas com centavos não são pagas. de um lado. produto. sendo pago em até cinco parcelas. nos Correspondentes CAIXA AQUI Lotéricos. desenhar a estratégia de intervenção pública. desde que atendidos os requisitos legais. No caso do auto-atendimento. ou grupos que individualmente dominam determinados produtos.Resumindo: a descentralização deveria ser na essência. conforme a situação do beneficiário. O dinheiro pode ser retirado em qualquer agência da CAIXA. por pescadores profissionais durante o período em que a pesca é proibida devido à procriação das espécies e por trabalhadores resgatados da condição análoga à de escravidão. numa indústria existem casos em que aparecem. os monopólios. O monopólio ao confeccionar o seu produto.

Já que se está utilizando somente um insumo produtivo nesta configuração. com uma quantidade de ( L1 ). numa situação negociada entre o monopsonista e o monopólio. Pela mesma ótica que um industrial vende seu produto determinando o seu preço monopolista de dominação e exploração mercadológica. tanto de um lado. o preço de (L) passa a ser ( W1 ). O monopsonista maximiza seus lucros quando a sua receita do produto marginal deve ser igual ao gasto marginal com o insumo. A reta (R) designa a demanda do monopsonista e (S) e (GMg). Assim sendo. ao invés de (L*). verificase que a condição de equilíbrio para o monopsonista é RMg = GMg. Numa situação de competição perfeita. isto significa dizer que ele sempre emprega um insumo (L) qualquer. Hoje. é muito comum o processo de barganha entre monopólio de um lado e monopsônio de um outro. correspondendo á quantidade de (L*). Daí. cuja negociação ambos abdicam de algo. caracterizado pelo ponto (A) neste quadro. até onde o produto da receita marginal for maior do que os gastos marginais com o insumo (L) utilizado. verifica-se que no eixo vertical ficam os valores denominados por ($) e no eixo horizontal as quantidades de insumo (L).lei da oferta e da procura. como de outro. 60 . favorecendo a todos. entretanto. ditando as suas normas nas compras de seus insumos para uma melhor viabilidade de seus produtos que utilizam tais insumos. o preço do insumo seria determinado em (W*). cuja solução econômica fica muito difícil de previsão de resultado. onde os acordos devem ser a tônica mais comum na dinâmica da sobrevivência mercadológica. aparecendo assim uma solução política. a oferta e os gastos ou despesas marginais com o insumo (L) em consideração. observe que o mesmo modo que uma estrutura de mercado que esteja em exploração monopolista obedece á mesma estrutura de metodologia de análise do monopolista e o princípio de exploração é e será sempre o mesmo. No gráfico a seguir. cujo preço de L em competição perfeita (A) é menor do que no monopsonismo. o monopsonista age da mesma maneira. Isto está demonstrado pela igualdade existente entre RMg = S.

maiores eram suas chances de ‘fazer carreira’ e menor a possibilidade de ser rompido o vínculo trabalhista. está mais escolarizado. para tentar dar solução a determinado problema. quando não antagônicos): os sindicatos tendiam a ser fortes e a defender os interesses dos seus associados. mudaram com o passar do tempo. as relações de trabalho eram caracterizadas por meio de contratos formais realizados entre ‘patrões’ e ‘empregados’. e. É desta forma que funciona a dinâmica da relação monopólio e monopsônio. cujo economista. Entre eles a globalização econômica e a disseminação das inovações tecnológicas e organizacionais. que negocia com o sindicato dos empresários tudo que diz respeito a sua categoria. interessase menos pela associação junto aos sindicatos tradicionais. Assim como mudaram as realidades que se escondem por trás dessas noções. em interação com a evolução da sociedade e das condições da produção.Como é bastante conhecido. que normalmente se colocavam em pólos opostos (com interesses divergentes. 61 . não existe monopólio e nem tão pouco monopsônio de forma pura. contribuíram para a construção desta nova realidade do trabalho. isto quando se fala de sindicatos se defrontando frente a frente. O único meio de pressão que os trabalhadores possuem é na criação de um sindicato que é uma forma de monopsônio. nem pelo outro. Hoje a situação é bem diferente. e o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. que trabalhava nas indústrias. não tem a garantia do emprego para toda a vida. com a sua eficiência não tem condições de opinar nem por um lado. corre mais riscos de se ver desempregado. nisto entram em cena os dois comerciantes um de compra e o outro de venda. tratadas quase como sinônimas. as transformações no papel dos estados. as noções de trabalho/emprego/segurança social. a disseminação do individualismo como valor nas sociedades contemporâneas. mas existe situação em que se pode caracterizar tal comportamento. está submetido a pressões crescentes para aumentar sua produtividade. tem maior possibilidade de negociar seus rendimentos em função do valor que agrega à produção. O trabalhador da indústria já não é mais dominante. Quanto mais tempo o trabalhador ficasse em uma empresa. formado ‘no chão de fábrica’. diretamente nas linhas de produção. conjuntamente e em interação. de baixa escolaridade. Em outras palavras. Vários são os fatores que. como o caso do sindicato dos trabalhadores frente ao dos patrões em suas negociações salariais. O perfil do trabalhador médio era constituído por indivíduos do sexo masculino. Até pouco tempo. compete com as trabalhadoras pelas vagas no mercado de trabalho. deixando o bom censo agir a quem tiver mais habilidade na técnica de negociar. O mercado de trabalho no Brasil.

EM) de gênero. bem atrás da Argentina (35). quais sejam: a mulher no mercado de trabalho. No índice EM. pode ser percebido na nova configuração do mercado de trabalho. Mas a nova dinâmica do trabalho também atinge a estruturação micro da vida cotidiana e coloca em discussão determinadas categorias de organização social. Uruguai (37) e México (50) e até de países islâmicos como a Malásia (57) e a Líbia (65). A Mulher no Mercado de Trabalho Nas últimas décadas. o crescimento da informalização nas relações trabalhistas. em boa parte terceirizáveis. Nas empresas observa-se. e repercute também na leitura e compreensão das fases humanas de juventude. o Brasil não se posiciona melhor (dados de 1998). por último. o trabalhador dos serviços e a nova economia e. em 1999 chegou a 26%). o número de famílias chefiadas por mulheres encontra-se em constante crescimento – em 1989 representavam 20. bem como da polivalência funcional. com o aumento do nível de desemprego. altamente capacitados e qualificados. idade adulta e velhice. a participação feminina aumentou expressivamente: em 1999 representavam 41. por sua vez. Esses avanços. Porém. o trabalhador industrial e a fábrica do futuro. tornam-se cada vez mais imbricados. o Brasil ocupa a 66ª posição. esta inserção ainda é preponderante nas ocupações e ofícios que 62 . facilmente substituíveis.4 No primeiro índice. e a transformação nos requisitos funcionais. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) elaborou dois índices para mensurar o avanço feminino na sociedade e no espaço de trabalho: o ‘índice de desenvolvimento relacionado ao gênero (GDI)’ e o ‘índice de poder (empowerment . de baixa qualificação. no entanto. A seguir serão abordados quatro aspectos centrais relativos a essas transformações bem como as perspectivas futuras do seu desenvolvimento. ainda. tais como a separação clássica do tempo de trabalho x tempo livre. o deslocamento setorial do emprego. com a exigência de novas habilidades e competências. acompanhado ainda de trabalhadores satélites. segue-se um estrato de trabalhadores ‘mais flexíveis’. as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho no país. o recurso ao desenvolvimento e manutenção de um núcleo sólido de trabalhadores.O impacto desses fatores. encobrem obstáculos importantes a serem superados no século XXI. Em outras palavras. No Brasil. as transformações no conteúdo do trabalho e nas formas de emprego.4% da PEA contra 31. que graças aos desenvolvimentos das tecnologias de informação e comunicação. as mulheres invadiram o mercado de trabalho.1%. com relações mais precárias e com menos garantias trabalhistas. que auferem maiores benefícios e salários e com os quais as relações tendem a ser mais estáveis.2 Esse ingresso veio associado a transformações nas relações familiares e conjugais (como exemplo.7% em 1979.

. dentro de casa e na empresa. visíveis e invisíveis. A briga que as mulheres precisarão enfrentar para conseguir uma maior igualdade envolve poder. a liderança e as iniciativas específicas partem da alta hierarquia da empresa e são depois difundidas por todo o corpo empresarial.guardam correlação direta com as funções que elas desempenham no espaço doméstico.implementação de políticas para equiparar salários e oportunidades. a falta de massa crítica de mulheres nas organizações. Projeções indicam que daqui a 30 anos não haverá mais discriminação salarial contra elas.diálogo extenso sobre as mudanças necessárias na cultura organizacional (workshops e reuniões dirigidas). a maternidade e a desigualdade na divisão das tarefas domésticas. . etc. apesar de estudarem por um período mais longo. as mulheres recebem. um ano a mais de escolaridade do que os homens. tendo menor status social e demandando menor qualificação formal. As barreiras. Algumas das mudanças implementadas: . por exemplo. para mulheres brancas. esta diferença em relação aos homens está caindo. maior a diferença salarial entre homens e mulheres na mesma ocupação. por hora. os seus direitos e conforme apontado em pesquisa da Harvard Business Review as empresas estão mudando as suas estratégias de forma a recrutar e reter mulheres qualificadas. Mas. As principais tendências associadas ao avanço das mulheres no mercado de trabalho são: 63 . E. . resistências sociais. 76% do rendimento obtido pelos homens e o desemprego feminino fica sempre acima do masculino. cada vez mais.avaliação (quantitativamente e qualitativamente) de progressos em áreas específicas. o diferencial de remuneração persiste elevado: em São Paulo. E quanto maior a escolaridade. obtendo no setor industrial. por exemplo. que mantêm as mulheres fora dos cargos mais qualificados e mais bem remunerados são inúmeras: a feminização de determinadas profissões e sua subseqüente desvalorização.designação de responsáveis pela implementação de mudanças. E será travada cada vez mais em todas as esferas: políticas. conseqüentemente auferindo menor renda. Como ocorre na grande maioria dos processos de mudança organizacional. Mas as mulheres reivindicam. Esse padrão se repete em muitos países.

por exemplo. Seus impactos são sentidos. resolvendo problemas que se apresentam. As Transformações no Conteúdo do Trabalho e nas Formas de Emprego A adoção de novos modelos produtivos baseados nos princípios da produção enxuta (lean production). o aumento da produtividade no trabalho e.penetração maior de mulheres em ocupações antes restritas aos homens (na indústria. maximizando os recursos. cujo componente de avaliação. Ao contrário. como raciocínio lógico-abstrato.crescente reivindicação por igualdade cívica e política. sobretudo no setor terciário. ao mesmo tempo em que criou novas oportunidades ocupacionais. para aqueles trabalhadores que logram manter-se ativos no mercado.maternidade adiada e menor número de filhos. consiste na capacidade de produzir mais. negociando junto a colegas.. as mulheres avançam em profissões como soldadores e operadores de máquinas). por outro. a esses papéis. até então relegadas a segundo plano e até mesmo negadas nas relações de trabalho anteriores. corrigindo erros. o perfil desse novo trabalhador passa a exigir novas habilidades. em menos tempo. passaram a ser demandadas.aumento do padrão de consumo familiar e do investimento em educação. responsabilidade. superiores. soma-se ainda a necessidade de lidar com as tecnologias de informação e de comunicação (presentes nos novos equipamentos e instrumentos) que demandam o domínio de códigos abstratos e novas linguagens. fornecedores e clientes. Acresce que. resultando no desaparecimento de postos de trabalho na indústria. disposição para correr riscos e espírito de liderança. habilidades sociocomunicativas. uma intensa substituição do trabalho vivo por trabalho acumulado nos sistemas e equipamentos. sua performance passa a ser associada ao cumprimento de ‘missões’. Outras competências. A destreza em outras línguas (como inglês) e linguagens (como informática) estão se tornando pré-requisito para o 64 . em última instância. nas transformações que se colocam ao conteúdo do trabalho e no uso das qualificações e nas formas de emprego. . há um incentivo crescente para que os trabalhadores passem a intervir no processo. associada à difusão das novas tecnologias nos processos produtivos propiciou. Em relação ao conteúdo do trabalho. Ocasionou também um forte deslocamento setorial do trabalho e do emprego. Traduzindo. espera-se cada vez menos que seu desempenho profissional paute-se pelo cumprimento de tarefas prescritas (tal como ocorria nas organizações tayloristas). . por um lado. principalmente. Para tanto. .

estaria sujeito a uma flexibilidade numérica. calcada na interminalidade. etc) e da informalidade. passando para 59.5%. formando a ‘periferia’: o primeiro. isso porque a lógica que rege as competências é. ou seja. por princípio. .5% dos empregos no país. o setor de serviços concentrava apenas 20. A nova dinâmica do mercado de trabalho nos modelos produtivos que se pautam pela acumulação flexível apresenta-se cristalizada em diferentes estratos: . estágios. ao longo da vida. Nos anos 90. trabalhadores temporários. menos segurança e menos oportunidade de carreira. e incluiria os empregados em tempo parcial. numa crescente individualização das relações de trabalho. etc. . essenciais para o futuro de longo prazo das organizações.ao redor destes haveria dois grupos distintos. também passou a fazer parte do portfólio mínimo para a empregabilidade. O Trabalhador dos Serviços e a Nova Economia A nova dinâmica do mercado de trabalho vem resultando em grandes deslocamentos setoriais. também. ainda. Deste modo. boas perspectivas de promoção e reciclagem. um forte apelo à aprendizagem ‘para o resto da vida’. e sob os quais a flexibilidade dar-se-á a partir do apelo à multifuncionalidade (e à mobilidade geográfica). como resultante da reestruturação e do crescimento das práticas de terceirização. 65 . Há.ingresso e manutenção em um mercado de trabalho estruturado. um constante vir-a-ser. nas quais cada profissional passa a ser remunerado pela quantidade de valor que agrega aos produtos e aos processos.o segundo grupo ofereceria possibilidades de flexibilidade numérica ainda maior. aposentadoria e outros benefícios. uma maior rotatividade. Para se ter uma idéia. esse número havia praticamente triplicado. observa-se o declínio do emprego formal e a ampliação dos contratos ‘atípicos’ (por tempo determinado. haveria um grupo composto por empregados ‘em tempo integral’. composto por trabalhadores de tempo integral mas com competências fartamente disponíveis no mercado. a finitude da educação é substituída pela educação permanente como estratégia de atualização e aquisição dos novos conhecimentos e atributos. Disposição para ‘aprender a aprender’ em temporalidade contínua. O exercício destas novas competências tem resultado. qualificados. na década de 40. casuais. na qual as capacidades humanas se constróem e reconstróem a cada dia em confronto com situações-problema concretas apresentadas pela realidade do trabalho. Gozariam de maior segurança no emprego. por prestação de serviços.no centro. Já em relação às formas de emprego.

o turismo repercute em 52 segmentos diferentes da economia e mantém cerca de 5 milhões de empregos.Comércio: as três categorias do setor (comércio de veículos.O dinamismo desse setor na criação de empregos no Brasil se explica por três razões principais: . projeta-se um crescimento para 19. . mas ainda confusos. Em sua ampla cadeia produtiva. em 2003. informais.3 milhões respectivamente. 66 .Setor Financeiro: o setor apresentou recuperação em 2000 após ser fortemente atingido pela crise de 1999. A expressão mais visível dessa mudança é a forte expansão das empresas virtuais. pequena e média empresas.5 milhões de pessoas.Telecomunicações e Informática: neste setor.a crescente participação feminina na força de trabalho. Os setores de serviços que mais tendem a crescer nos próximos anos são: . . ou pontocom. Com a demissão da mão-de-obra das indústrias. proliferam formas alternativas. perda de empregos em empresas de porte muito grande (mil empregados) e de crescimento do emprego nas categorias micro. Em um cenário otimista. a disseminação da rede tem provocado alterações tanto na forma de organização dos processos produtivos quanto na própria concepção de empresas e negócios. no final da década de 90. formais e informais. Na nova economia os sinais são promissores. Nas cadeias produtivas.Turismo: é um dos campos mais promissores para a geração de empregos e crescimento econômico do país.0 e 9. motocicletas e combustíveis. . de gerar renda. esses números cairiam para 12.5 milhões o fluxo de turistas internacionais e para 57 milhões o de turistas nacionais.38 milhões de usuários da Internet. Existe um grande movimento de concentração no setor associado à internacionalização do setor financeiro. como o pequeno comércio e vendas.77 milhões de computadores no Brasil. A expansão deste setor é fortemente ligada à atividade econômica do país.o fato de que o setor funciona como um amortecedor do desemprego gerado em outros ramos de atividade. O potencial de emprego é grande já que existem incentivos para a expansão do setor. A meta para o ano 2003 é aumentar para 6.aumento de sua participação na economia. com 15. atacadista e varejista) empregaram em 1998 um total de 4. . . a tendência é o aumento da exigência quanto à qualificação formal da mão-de-obra. Em um cenário menos positivo.

O Trabalhador Industrial e a Fábrica do Futuro Se o processo de reestruturação da indústria brasileira. o crescimento da nova economia deverá ser mantido. pela Alemanha. em menor grau. em menor grau. incluindo a elevação das competências dos trabalhadores industriais. com impactos negativos sobre o emprego no curto-prazo. Para Castells. Mas. que podem ser muito cambiantes. teve impactos negativos. no setor educacional. chamado de ‘modelo de economia de serviços’. portanto os seus impactos positivos. Os serviços relacionados à produção são mais importantes do que os serviços financeiros. representado pelos EUA. mas a maior parte do crescimento em serviços ocorre para empresas e serviços sociais. concentrando-se mais em um setor do que em outro. chamado de ‘modelo de produção industrial’. Os serviços que mais se destacam são aqueles voltados à administração do capital. se propagam pelo restante do globo mais lentamente. O mercado de trabalho. como assinala Malinvaud. dependem do seu posicionamento face à economia global. é caracterizado por uma rápida eliminação do emprego industrial e pelo crescimento nos setores ligados à informação. em detrimento dos serviços ligados à produção. Neste. iniciado em 1990 com a abertura externa. sim. Tais concentrações não são ‘destinos inexoráveis’. os efeitos das novas tecnologias sobre o trabalho e a produtividade são de lenta difusão. Para as regiões Norte e Centro-Oeste. dependendo do interesse dos agentes envolvidos. tomar rumos distintos. a taxa chega aos 100%). O primeiro.Assistimos atualmente a um processo bastante turbulento de ajuste desse novo setor. dois modelos distintos de ‘sociedade informacional’ parecem estar se configurando. expande-se o setor de serviços sociais com aumento de empregos na área da assistência médica e. Assim. é representado pelo Japão e. GB e Canadá. mesmo considerando as atuais turbulências. em cada um dos países analisados. por sua vez. Já a natureza da inserção de cada país nas relações globalizadas reflete as políticas governamentais adotadas e as diversas estratégias empresariais. produtos de estratégias e escolhas que podem. muito pelo contrário. Paralelamente. o emprego industrial é reduzido de forma bastante gradual e ainda se mantém em patamares bastante elevados. o que não quer dizer que as atividades financeiras não sejam relevantes. já fortemente sentidos nos EUA. mas. como a elevação do desemprego. teve também conseqüências positivas para a competitividade do país. As diferentes expressões destes modelos. A taxa de alfabetização dos trabalhadores empregados na indústria supera os 95% em todas as regiões do Brasil (com exceção da região Nordeste. independentemente do 67 . reflete estes movimentos. O segundo.

água canalizada (95. o auxílio alimentação ocupa posição de destaque (52. A maioria (59%) desfruta da vantagem de morar perto do local de trabalho e de ter apenas um trabalho (98. apenas 3. Vale destacar que a residência do trabalhador é bem equipada no que se refere a bens de consumo e eletro-eletrônicos: mais de 90% possui os seguintes bens: geladeira.deslocamento das atividades e da mão-de-obra da indústria para os serviços. no entanto. O trabalhador da indústria brasileira tem uma qualidade de vida média. como será a fábrica do futuro? Imagina-se que. A exigência quanto ao nível de escolaridade mais elevado atinge principalmente o trabalhador mais jovem: quanto mais jovem o trabalhador ingressando na indústria. fogão e rádio. . incluindo trabalhadores que recebem menos de três salários-mínimos. Para o futuro. coleta de lixo (93.6%) e extremamente precário no Norte (16. mais precário (66. é apenas um reflexo de conceitos e de crenças corporativas que devem marcar o terceiro século da industrialização. Diante deste quadro. Por último. alfabetização 99. maior a probabilidade de ser alfabetizado (idade de 10 a 19 anos. 68 . com a idéia tradicional de fábrica.poder no chão da fábrica – funcionários de todos os níveis hierárquicos desempenham múltiplas tarefas. as principais tendências são: .8%) e saúde (35.4% recebem este benefício. televisão. nesse campo. .6%).6%) e bom acesso à água da rede geral (88.2%). da idade e da faixa salarial.4%).crescente interdependência da força de trabalho em escala global. Os esforços na construção dessa nova visão de fábrica giram em torno de alguns grandes eixos: .5%).1%). uma grande parte dos trabalhadores reside em domicílio próprio (73%).9%). especialmente para os serviços de apoio às atividades industriais em função das terceirizações.sexo. Em relação aos benefícios concedidos. O acesso à rede coletora de esgoto é. já está rompendo e.4%).declínio estável do emprego industrial tradicional. com luz elétrica (99. A arquitetura.4%). irá se romper cada vez mais. que se redesenha. O auxílio educação ou creche é quase nulo.movimento contínuo em direção à elevação do perfil de escolaridade do trabalhador. . seguido pelo auxílio transporte (51.

- comunicação no centro – a informação deve fluir livremente pelo espaço de trabalho, essencial para a gestão do conhecimento; - desenvolvimento sustentável – o crescimento será apoiado em práticas ambientalmente corretas; - obsessão pela qualidade; - importância da logística; - foco no cliente. Finalmente, quanto à tecnologia, vale lembrar que a fabricação automatizada já contabiliza 45 anos de desenvolvimento, mas está apenas começando a desabrochar. É possível vislumbrar a longo prazo a tecnologia de fabricação se transformando, pela nanotecnologia, em uma máquina que pode fabricar objetos usando um átomo ou uma molécula de cada vez – tornando irrelevantes as matérias-primas utilizadas. Logicamente, isto terá desdobramentos sobre os processos de trabalho e os trabalhadores. Comentários Finais Em se tratando do mundo do trabalho, nada indica que o processo de transformações iniciado tenha chegado à maturidade. Muitos e surpreendentes eventos ainda virão, especialmente com os avanços da biotecnologia. Possivelmente, o processo de desemprego, exclusão social e de pauperização que vem atingindo as sociedades tornar-se-á ainda mais agudo, criando uma cisão maior entre os países do ‘norte’ e do ‘sul’. Mas permanece a esperança de que os atores sociais, organizados em instituições políticas e civis, busquem soluções para minimizar estes efeitos. O ano internacional do voluntariado traz, por um lado, a necessidade de abrir espaços de reflexão sobre ‘que trabalho’ e ‘para quem’, mas também traz, por outro lado, a esperança de que os homens, no exercício de sua racionalidade, encontrarão novas respostas para os problemas que criam. Afinal, deve haver sempre um momento em que uma porta se abre para deixar entrar o futuro.

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Sociologia do Trabalho: A Sociologia do trabalho é o ramo da Sociologia que procura estudar os sujeitos ocultos do ambiente de trabalho, principalmente as fábricas e os sindicatos estruturados, bem como os fenômenos que surgem das relações de trabalho. Durante a maior parte da História da Civilização o trabalho foi considerado como uma atividade depreciável. A palavra trabalho evoluiu da palavra "Tripalium", castigo que se dava aos escravos preguiçosos. Para o mundo protestante europeu não latino, o trabalho não é um castigo, e sim uma oferenda a Deus. Os gregos da Idade de Ouro pensavam que só o ócio criativo era digno do homem livre. A escravidão foi considerada pelas mais diversas civilizações como a forma natural e mais adequada de relação laboral. Desde os meados do século XIX, vinculado ao desenvolvimento da democracia e ao sindicalismo, a escravidão deixa de ser a forma predominante de trabalho, para ser substituída pelo trabalho assalariado. Com o surgimento de uma valorização social positiva do trabalho, pela primera vez na história da civilização. A partir da segunda guerra surgem conceitos da sociologia do trabalho: "divisão de trabalho", "classe social", "estratificação social", "conflito", "poder". A Sociologia presta atenção e estuda as implicâncias sociais da relação de trabalho com a ferramenta (técnica e tecnología). As profundas transformações que derivam do passo do trabalho com simples ferramentas individuais (artesanato), ao trabalho industrial com grandes máquinas (maquinismo), ao trabalho com computadores (sociedade de informação), constituem um permanente tema de estudo sociológico.

O Conceito de Trabalho. O Termo trabalho se refere a uma atividade própria do homem. Também outros seres atuam dirigindo suas energias coordenadamente e com uma finalidade determinada. Entretanto, o trabalho propriamente dito, entendido como um processo entre a natureza e o homem, é exclusivamente humano. Neste processo, o homem se enfrenta como um poder natural, em palavras de Karl Marx, com a matéria da natureza. A diferença entre a aranha que tece a sua teia e o homem é que este realiza o seu fim na matéria. Ao final do processo do trabalho humano surge um resultado que antes do início do processo já existia na mente do homem. Trabalho, em sentido amplo, é toda a atividade humana que transforma a natureza a partir de certa matéria dada. A palavra deriva do latim "tripaliare", que significa torturar; daí a passou a idéia de sofrer ou esforçar-se e, finalmente, de trabalhar ou agir. O trabalho, em sentido econômico, é toda a atividade desenvolvida pelo homem sobre uma matéria prima, geralmente com a ajuda de instrumentos, com a finalidade de produzir bens e serviços.

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Em resumo, o processo de qualquer trabalho inclui: 1 – atividade (a ação racional de concepção do próprio trabalho e sua execução); 2 - orientação para um objetivo (finalidade); 3 – o objeto (matéria onde será executado o trabalho, por exemplo, algodão); 4 – os meios (ferramentas, instrumentos, corpo, equipamentos, etc); 5 - o trabalho mesmo (resultado ou produto). No entanto, Marx não aceita, como Hegel, que todo trabalho é positivo. Só o trabalho útil é positivo, ou seja, aquele no qual existe um caráter social. Quando alguém é obrigado a vender sua força de trabalho (a capacidade de executar o trabalho), muda o sentido do trabalho. O trabalhador põe sua energia no trabalho, mas o produto de seu esforço passa a não lhe pertencer mais. Quem o fez não o reconhece, pois não o concebeu. O objeto se torna estranho como um feitiço. E isto faz com que se torne estranho o homem diante de si mesmo e do outro que comprou sua força de trabalho, pois sente-se rebaixado a simples meio. Ele não foi o dono da ação, que deveria ser uma atividade livre. Seu trabalho tornou-se um meio para uma produção, uma coisa, como se fosse uma mera ferramenta. Ao vender seu trabalho e a si mesmo, o homem torna-se mercadoria, assim como sua atividade de trabalho e o resultado dela. Eles tornam-se coisas. Cria-se a “ reificação” (coisificação) a desvalorização do ser humano e uma supervalorização da mercadoria - uma condição de alienação pelo trabalho.

A EXPLORAÇÃO E A ALIENAÇÃO PELO TRABALHO Você já deve conhecer a palavra alienação. No dia-a-dia, ela é bastante usada (“João é alienado, não presta atenção nos políticos”, “Maria é alienada, não se preocupa com nada”), mas nem sempre de maneira correta. Alienar significa separar-se de, ceder a outro um direito. O conceito de alienação surge na filosofia hegeliana e é reconfigurado em Marx. Para Marx, a alienação surge de relações entre os homens, em que o homem passa de uma vontade própria de agir e ser útil socialmente, à submissão de sua vontade. As relações de dominação transformam os homens em inimigos e estranhos. Do mesmo modo, o produto de seu trabalho, nestas condições, separa-se de quem as produziu. Então, o que aliena o homem e produz nele uma falsa consciência é o modo de produzir, de trabalhar. Quando vende sua força de trabalho a outro homem, aliena-se, separa-se a sua consciência, produz uma falsa consciência de si mesmo porque falseia as relações sociais. Um homem domina o outro, quando o que deveria ocorrer seria uma relação de igualdade, em que cada um se reconhece no outro. Só nesta relação de igualdade é possível produzir a consciência verdadeira.

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A alienação surge da vida alienada. nestas condições. Não possui acesso ao processo de criação. levam-nos a pensar e agir de determinados modos. Para este. neste tipo de sociedade. Daí. que deve ser comprometido com a produção de si mesmo e da história por meio de uma ação prática e concreta. a alienação não pode ser superada. da construção da sociedade. NECESSIDADE E COERÇÃO Como vimos. Das relações sociais desiguais surge a condição da alienação e de exploração do valor do trabalho. como veremos mais adiante. a reedificação e a alienação do poder. as condições de trabalho favorecem a exploração do trabalho. isto é. Diante da necessidade de trabalhar para viver. desde que não 72 . Estar alienado significa estar separado de si. Ele também é convertido em meio. Ele apenas realiza uma atividade imposta. o homem passa a se comportar e não a agir. Os seres humanos são levados a agir. estes conceitos não têm o significado que Marx lhe deu. transformando a ambos em mercadorias ou coisas. por uma prática social (práxis social). O homem não concebe ou planeja. Segundo Guerreiro Ramos. Condicionado por um sistema. geradas pelas relações de dominação. não cria ou determina os meios para as finalidades. como Guerreiro Ramos consideram 3 tipos de alienação: a auto-alienação. O trabalho modificou sua função social e sua função psicológica para o trabalhador. e está consciente de suas finalidades intrínsecas. É no tempo de trabalho que este valor se manifesta. vem a grande dificuldade no trabalho como ação humana. diante da necessidade de sobreviver. há uma discordância com Hegel. isto é. Contudo. O uso inadequado do conceito aborreceu tanto Marx que ele abandonou-o em escritos posteriores. Impelido pelas necessidades e pela coerção social. porque a própria sociedade cria uma consciência falsa no homem. que o considera como um meio ou recurso de produção. a alienação surge do homem despossuído da propriedade de seu trabalho e do produto dele. perdendo a capacidade de agir. a fazer escolhas de acordo com os fins e não com os meios. Alguns autores. da natureza e dos outros homens. Só se poderia superar esta alienação pelo trabalho intelectual. o homem se vê distante de uma ação ética e moral no trabalho. Para Marx. mas não sendo possível uma relação de igualdade entre o trabalhador e os outros homens. mas é obrigado a fazê-lo. torna-se utilitário e fluido em seus valores. que o tornam alienado. TRABALHO COMO AÇÃO. O próprio trabalhador transforma-se em um valor de troca. distante do ser humano natural. já que não há outro modo de produzir para viver. de sua consciência. A necessidade de sobrevivência pode favorecer a exploração. não um fim em si mesmo.Aqui. realizada com os outros homens. adota uma perspectiva relativista que aceita tudo. os fatos sociais são coercitivos. buscando a conveniência de seus interesses. a ação é própria do indivíduo que delibera e julga as coisas. Ação implica em uma forma ética de agir. A exploração pelo trabalho vem associada ao conceito de trabalho como valor de troca. No entanto.

comportando-se pelas aparências. Desse modo. 73 . no modo de produzir capitalista. existe a semente da superação e mudança. para a qual cada período histórico de uma sociedade é feito de contradições. em que tudo se convulsionava. Do mesmo modo que existem luz e sombra. Era preciso dar valor às coisas e quantificar este valor. compreender e tentar explicar. com o mínimo gasto de energia e sob condições dignas. Marx vê a emancipação do trabalhador apenas se o trabalho deixar de ser uma imposição de exigências das necessidades e finalidades externas. É provável que você já sentido alguma ansiedade diante das transformações atuais. subjugando-o: satisfazer suas necessidades com liberdade. A base da ação livre é a necessidade. Neste sentido. onde o controle coletivo toma o lugar da dominação e as atividades são realizadas. cedendo a sua vontade de forma mecânica e sem julgamento. Transformações semelhantes aqueles senhores observadores e estudiosos puderam ver. mas. criar empregos. uma relação de opostos e de negação. pela luta dos trabalhadores em busca de liberdade. por meio de cooperação com os outros. sob coerção. inovações científicas. O TRABALHO NO PENSAMENTO CLÁSSICO O pensamento clássico se refere àquelas primeiras teorias e idéias sobre determinado assunto. ao subjugar o trabalho e torná-lo mercadoria. A dialética caracteriza a filosofia de Hegel e tornou-se a base do humanismo marxista. podemos considerar os economistas Adam Smith. as ofertas e demandas de produtos novos e em grande quantidade. dando origem ao seu desdobramento teórico. calcular os preços das mercadorias. a dominação conduz à luta. operacionaliza suas ações. os primeiros economistas puderam contemplar melhor a paisagem e descobrir os fatos mais relevantes. Há uma grande incerteza sobre o futuro. dia e noite. nos séc. regulando coletivamente o uso da natureza. analisar. Vivemos. Vivendo em uma época de intensas transformações. cuja filosofia é chamada materialismo-histórico. Torna-se formalista e educado.se prejudique pessoalmente. como disse anteriormente. importavam as questões de como pagar os salários de tantos trabalhadores. XVIII e XIX. o preço do dinheiro investido e os juros dos capitais emprestados. fim e começo. Os efeitos da passagem de uma sociedade agrícola e artesanal para uma sociedade manufatureira e industrial eram também sentidos no pensamento. em que tudo parece estar mudando. Àquela época. de forma correta e educada. a ação se transforma em luta para a liberdade. uma fase de transição. etc. A ação livre e a necessidade têm uma relação dialética. idéias revolucionárias. Marx e Ricardo como representantes do pensamento clássico sobre o trabalho. porque para eles o trabalho constitui a base da produção econômica.

Enfim. Smith foi um liberal. assim todos precisam cooperar entre si para que a sociedade e a economia cresçam e se desenvolvam. Os primeiros associam-se para fazer aumentar os salários. em troca. caçar um coelho pode custar mais do que caçar um castor. Desta apropriação do trabalho. Smith introduz a idéia das classes sociais e sua relação conflituosa com a classe dos produtores que cede os meios de produção ao trabalhador e recebe o produto. que se baseia na propriedade privada. Mas como definir o valor de alguma coisa? É pela quantidade de trabalho gasto em sua produção. obtida pela divisão e especialização do trabalho. O valor não pode ser definido pela utilidade. é preciso haver liberdade econômica: a prática de uma doutrina liberal. solucionar os desafios da economia que surgia. A classe capitalista (donos dos meios de produção ou da terra) surge com a apropriação da terra ou acumulação privada de riqueza. Porém.” Segundo Paul Singer. Por exemplo. porque seu valor não é variável. livre concorrência nos mercados. Sendo assim. Adam Smith – considerado o pai do Liberalismo . hoje. Supunha existir uma acomodação natural (uma mão invisível) entre os interesses individuais na economia e na sociedade: todo indivíduo deseja progredir e melhorar de vida. no emprego e desemprego e sobre as modificações que se processam na economia globalizada. pensamos sobre o impacto das novas tecnologias de informação no trabalho. Suas idéias surgiram como respostas aos inúmeros problemas que se apresentavam à sociedade que mudava. na livre iniciativa e na livre concorrência. embora liberal. segundo a qual o valor de cada mercadoria deriva da quantidade de trabalho gasto em sua produção. pois se assim fosse. ele não tinha patrão. Desse modo. Do mesmo modo. Antes dessa relação. Um produto de dois dias de trabalho deve valer o dobro de outro que gasta um dia ou uma hora. além da terra e do capital. o capital. pois há mais trabalho. livre iniciativa. o preço das mercadorias deve ser baseado no trabalho. os patrões pagar o mínimo. os patrões fazem o mesmo para baixá-los. Posteriormente. o ar teria um valor incalculável. Seu livro “Uma investigação sobre a 74 .viu no trabalho e no tempo de trabalho a fonte de valor para a economia e a sociedade. A classe dos proprietários de terra cede ao trabalhador parte dela e. exige parte dos produtos ali produzidos. o trabalhador era o único dono do produto de seu trabalho. Smith observou que “os trabalhadores desejam ganhar o máximo. sendo objeto de muitos estudos e pesquisas. Ele acreditava na propriedade privada (mas não sem a vigilância das leis). do qual extraímos as citações acima. através do aumento de produtividade. é preciso que algo seja útil e escasso para ter valor de troca. em forma de renda da terra. Todas estas questões estão contidas em suas publicações. mas nem tanto. Foi o primeiro a formular uma teoria do valor. em Marx. surge a idéia de exploração. que vende com lucro. Somente ela possibilita a riqueza de uma sociedade. A verdadeira fonte de riqueza de uma sociedade é o trabalho.

mas ainda assim produzir mais mercadorias. Também o valor de um homem ou da força de trabalho é determinado pela quantidade de trabalho para produzir sua força de trabalho: produzir. que equivalem a R$ 12. só oito horas.00. só é uma fonte de lucro. Assim. O que vale mais: um tijolo ou um lenço de seda? O ponto em comum é o trabalho gasto para produzir estes objetos. O mesmo ocorre com o valor das mercadorias. encontrando-se um ponto de referência comum. seguindo as idéias de Smith. ele poderá gerar uma mais valia igual aos reais economizados com o pagamento de seu 75 . ele trabalha 18 horas em vez das 10 anteriores. Seu valor equivale aos artigos de subsistência. Como podemos comparar áreas de figuras geométricas diferentes. aí.valor que possibilita uma transação econômica. Seu pensamento sobre a teoria do valor-trabalho guarda grande semelhança ao deste autor: todo o valor criado na sociedade nasce do trabalho e é o tempo de trabalho a referência para se estabelecer os preços das mercadorias. A mais-valia é o tempo de trabalho que não é pago ao trabalhador e é a fonte de toda a riqueza na sociedade. Por exemplo. Mas. Assim. se ele trabalhar o dobro de horas. neste caso. Mas o produto de suas 18 horas de trabalho não tem mais valor que aquele produzido em 10. apesar de ser difícil. um dos melhores livros existentes. Com a invenção do tear a vapor. pois há outros custos a pagar.00 de mercadoria em seis horas e ainda produz mais R$ 12.00 de mercadoria nas outras seis horas. um lenço de seda pode valer o mesmo que um tijolo para o produtor capitalista. sím. é a sua utilidade que conta e ela não tem valor econômico. pois. Marx. além do trabalho). torna-se uma mercadoria que pode ser trocada por outra ou por dinheiro. Então. embora ele agora produza muito mais lenços. E se trabalhar menos. Vamos imaginar um pobre tecelão manual que antes produzia uma quantidade de lenços por dia. ele vende sua força de trabalho por este preço. um trabalhador precisa de seis horas de trabalho para comprar artigos de 1ª necessidade. ele produz um sobretrabalho. que nunca podem ser maiores que o preço da mercadoria. na minha opinião. manter-se vivo e perpetuar a força de trabalho. como retângulos e quadrados ou trapézios? Basta transformar as áreas em triângulos. por exemplo.natureza e as causas da riqueza das nações”. Se trabalha doze horas. Ela tem um valor de troca . pois. O valor de cada um é a quantidade de tempo de trabalho para transformá-lo em uma mercadoria com valor de troca. ele gera uma mais-valia equivalente ao dobro (é a mais-valia absoluta). É preciso saber o tempo de trabalho gasto para produzi-lo. mas para troca. que se reverterá em lucro para o capitalista (atenção: mais-valia não é sinônimo de lucro. mas podem ser sempre menores. em 10 horas de trabalho. O preço das mercadorias sofre influência da demanda de compradores e da oferta de outros fabricantes e dos salários pagos. produz R$ 12. a mais-valia. desenvolveu-as. não para o uso. de primeira necessidade. continua. publicado em 1776. Mas isto não é sinônimo de preço da mercadoria. mas criticou e se opôs ferozmente à idéia da propriedade privada e ao liberalismo econômico.

que são as formas de consciência social. dispõe também dos meios de produção intelectual e política. pois torna-se capaz de controlar.trabalho (é a mais-valia relativa). O trabalho convertido em uma força que pode ser comprada e vendida. como uma mercadoria em um mercado. Portanto. As ideologias . reduzindo o valor do trabalho e fazendo cair os salários. Reflete-se no preço dos produtos e serviços e 76 . Smith. nascem as relações de produção. O Estado é formado pelas instituições jurídicas e políticas. O ponto de partida para a economia é. Desse modo. da renda da terra e do juro. modifica todas as relações sociais. Ricardo diferencia o valor do trabalho. Ricardo e Malthus eram trágicos pessimistas. religião. Ricardo foi o sucessor de A. um programa econômico liberal é necessário àquelas sociedades estagnadas. para justificar as relações de produção. Daí. localizando no trabalho o valor na troca de mercadorias. o que possibilita mudar o modo de produção. Marx. pois refere-se à sua fonte de renda. Também passou a constituir-se em um símbolo de sua posição social e de seu valor como trabalhador. TRABALHO E REMUNERAÇÃO. a classe dominante. em função da habilidade e da dificuldade para realizá-lo. as idéias dominantes em todas as épocas da história são as idéias das classes dominantes. O SISTEMA DE ASSALARIAMENTO A importância do salário para o trabalhador passou a ser imensa.formam uma superestrutura. portanto. que dispõe dos meios de produção. sobre a qual se ergue o edificio de uma sociedade. O modo de produção capitalista surge quando transforma em valor o trabalho e possibilita que ele seja trocado. além da oferta de trabalho no mercado. Todo trabalho não pago é a fonte do lucro. com o capital acumulado. possibilitando-lhe a subsistência pessoal e familiar e um determinado padrão de vida. como costumes. Mas. por sua vez. Sempre que houver crescimento da produtividade do trabalho. poderá ocorrer o desemprego. Posteriormente. isto é. cultura . Deu grande contribuição à teoria do valor. os meios de produção. arte. que possibilita a acumulação do capital para seu dono. sem crescimento econômico (foi grande amigo de Malthus. Para ele. as idéias sobre o valor-trabalho foram criticadas e o trabalho passou a ser considerado não mais como a base da economia. Suas idéias dominaram a economia por mais de meio século. pelo uso das máquinas. Para a empresa e a sociedade não é menos importante. A luta de classes entre trabalhadores e os que controlam os meios de produção é o mecanismo ou motor da história. que confiava no desfacelamento da economia para uma mudança no modo de produção capitalista. As relações de produção (formas de propriedade dos meios de produção gerando as classes sociais e as relações entre essas classes) criam a economia. mas um dos fatores de produção. tão importante quanto o capital e os recursos naturais. a teoria do valortrabalho. era um revolucionário. outro economista de sua época). Enquanto Smith era bastante otimista quanto à economia no futuro.

etc. quando o trabalho se torna assalariado. Por exemplo. Há várias formas de salários: salários diretos ou indiretos. O salário-base traz a vantagem de reduzir os encargos trabalhistas. como a menor remuneração permitida por lei federal. Trabalhadores assalariados tornaram-se a maioria em todo o mundo. por peças. por força de contrato de trabalho. modifica todas as relações sociais. Pode receber também um salário indireto. vem de sal. segundo Braverman. salários-base. assistência médica. empregados horistas recebem em função das horas trabalhadas. O salário real equivale ao poder de compra em determinado momento e se relaciona com a taxa de inflação. sob o contrato de trabalho. O salário não é algo novo na sociedade. para os trabalhadores de um país. o conceito de salário não é imutável. Marx. recebendo adicionais em função das horas trabalhadas. diretamente. na prática. Ele pode ser mensal. sujeitas às flutuações e a influências do desemprego e ao desempenho da economia. sem haver negociação por parte da maioria dos trabalhadores. passou a incluir a participação nos lucros ou resultados como direitos possíveis dos trabalhadores. planos de aposentadoria. em 1970. normal ou hora-extra. semanal ou quinzenal. por empreitada. como alimentação. pelos serviços que presta” dá ênfase ao contrato de trabalho. Contudo. adicionais de insalubridade e periculosidade. assim como os salários indiretos. com suas leis próprias. Desse modo. por exemplo. enquanto a maior parte da população americana trabalhava por conta própria em 1900. os salários tornaram-se a principal forma de pagamento. Todavia. Já se pagavam salários aos soldados romanos. sobre o qual vão sendo acrescentadas gratificações por horas-extras. transporte. O salário geralmente envolve uma relação de tempo entre o empregado e o empregador. por meio de serviços oferecidos pela empresa. Os primeiros economistas falaram sobre várias formas de pagamento observadas na sua época: por hora. O salário toma a forma de mercadoria. seguro de vida. o contrato é uma mera formalidade. com o advento do capitalismo. quando houver lucro. Os valores econômicos sobre o trabalho buscam os fundamentos para atribuir quantidades aos pagamentos do trabalho e como pagá-los (a palavra salário. O sistema de assalariamento nasceu com o capitalismo. Se é muito alta. que aceita as condições impostas. por exemplo. A Constituição Brasileira de 88. Os 77 . por exemplo. que já foi utilizado como pagamento). O piso salarial é o mínimo salário para uma categoria profissional. o poder do salário real diminui. conta que as fiandeiras nas fábricas pagavam às crianças para fazer muitos serviços e as costureiras empregavam outras para pregarem botões. pois elas se transformam em relações de troca. A definição de salário como “a retribuição em dinheiro ou equivalente dos serviços prestados pelo empregado. Contudo. Um operário horista pode acumular horas em um banco de horas. Por exemplo. salário real. só um décimo da população o fazia. por subempreitada. O trabalhador submete-se ao mercado de trabalho.no poder de consumo. Falamos ainda em salário mínimo. O salário-base do empregado é o salário fixo. Ele sofre modificações entre os próprios trabalhadores e a sociedade. se é hora noturna ou diurna. pois pode ser trocado por força de trabalho. piso salarial. etc.

Várias pesquisas sobre os salários mostram que há grande desigualdade salarial: salários mais altos na indústria e mais baixos nos serviços. Outras denominações para o pagamento de trabalho podem incluir honorários (usada para profissões liberais) e soldo (para soldados e militares). Benefícios assistenciais e pagamentos indiretos . proteção. é preciso quantificar os valores.surgiram como formas de reduzir os encargos sociais. Os trabalhos mais bem pagos passaram a ser mais procurados. uma avaliação. tornando-os econômicos. eliminando-se os custos dos encargos trabalhistas. assistência e benefícios. quando criaram os escalonamentos de salários. o que leva ao trabalho feminino ou de jovens. criando um exército de reserva que faz baixar os salários. 78 . mais altos entre os homens que entre as mulheres. Surgiram várias formas de comparação de cargos e salários. Patrões e empregadores também criaram mais exigências para o ingresso no mercado de trabalho e uma maior cobrança em relação ao desempenho do trabalho. uma atribuição de qualidade ou quantidade. fiscalização. A remuneração constitui tudo quanto o trabalhador recebe direta ou indiretamente. os salários se tornaram atrelados às exigências. mais altos entre os que têm empregos estáveis. tempo de aprendizagem. a remuneração de um trabalhador pode incluir salários. fez crescer as oportunidades para o surgimento de inúmeras instituições ligadas ao trabalho. abandonam os estudos para trabalhar. com carteira. assim como seus salários. devido ao grande número de desempregados. para reduzir estes custos. para a segunda. VALORES SOCIAIS SOBRE O TRABALHO Valores são importantes para a Sociologia e a Economia. grau de instrução. Especializaram-se os trabalhos e os trabalhadores. desde o treinamento e educação da mão-de-obra. Em vez de serem pagos com base no tempo. alimentação. Atualmente. Em ambos. mas é também regida por contrato. benefícios. mais baixos entre os que têm empregos instáveis. Outras formas de redução dos custos de salários e das folhas de pagamentos incluem o trabalho em tempo parcial e temporário ou a terceirização de mão-deobra. Este fato fez surgir outras formas de remuneração. participação nos resultados da empresa e participação societária.transporte. criando uma competição entre os trabalhadores. etc. No entanto. A teoria do valor.salários tornaram-se tão importantes para a sociedade que criaram uma hierarquização nos trabalhos. O Estado viu nos salários uma fonte de impostos. O poder de negociação dos trabalhadores é baixo. que. habilidades necessários. os empregadores se viram com o problema dos elevados custos dos salários. Para a primeira. o significado básico é o mesmo. recrutamento. Há ainda inúmeros trabalhos que pagam salários incapazes de manter o trabalhador e sua família. A remuneração não é sinônimo de salários porque inclui salários e outros proventos. na medida que os salários passaram a ser considerados como referência do valor do trabalho. passando a incluir a descrição do trabalho. temporários e de meio expediente. Criando impostos sobre os salários. planos privados de aposentadoria . em geral. devido a esses impostos sempre crescentes e aos encargos sociais. interessam os valores sociais.

mas também de acordo com os valores e atitudes sociais. do controle de recompensas materiais ou simbólicas. pesquisas demonstram que são valorizados positivamente os trabalhos de ciclos longos.São menos valorizados ou valorizados negativamente os trabalhos que agregam pouco valor a outros produtos. 4º . mostrou que o trabalho pode ser visto sob a ótica de diferentes tipos de valor (valor de uso. mudando seu valor na medida em que passaram a incorporar outros valores (por exemplo. uma repetição. na Economia. Se alguém diz que um trabalho tem mais valor que outro. não deriva de sua utilidade. mas referem-se à discordância ou concordância com um juízo de valor. habilidades. 3º . serviços de saúde ou ligados ao conhecimento). Isto prejudica o trabalho feminino.é também um critério para escalonar os trabalhos.São pouco valorizados os trabalhos repetitivos. o valor do trabalho ou de qualquer outro bem. como é o papel feminino na sociedade. Um estereótipo é uma imagem cristalizada na sociedade. pois gera oportunidades de emprego apenas em atividades de assistência e cuidados aos outros ou semelhantes ao trabalho doméstico.São também pouco valorizados os trabalhos que exigem pouco tempo de aprendizagem e pouca educação formal. Vimos que. Este fato parece ocorrer também na sociedade. é visto como “inferior”. Por que o trabalho de uma dona de casa não é valorizado? Há um estereótipo com relação ao papel da mulher. Por outro lado. Valores são julgamentos e avaliações comparativos. nacionalidade) ou atributos adquiridos (educação.que é a capacidade de controlar as ações alheias . O poder pode vir da força física. em segundo lugar. Podemos observar que os trabalhos são hierarquizados. pois são comparados ao das máquinas ou animais. como a água. educação formal especializada. julga que um é melhor que outro. Podemos dizer que: 1º . que deve ser centrado no lar e na assistência aos mais fracos. bens). O principal critério utilizado para dizer se um trabalho é melhor que o outro é o status (ou prestígio). Por isto. de limpeza. E. dominante nas relações sociais. Por exemplo. A 79 . salvo nos esportes ou artes. isto é. julgado negativamente em relação ao masculino. valor de troca). que têm um ciclo curto (assim que terminados. devem ser reiniciados). como o trabalho doméstico. se muitas pessoas concordam que o trabalho de um operário tem menos valor que o de um professor.apresentada antes. além de habilidades mentais ou físicas elevadas. enquanto outro. família. podendo vir de atributos naturais (sexo.os “serviços” eram menos valorizados que os trabalhos ligados à indústria. não só em relação aos salários. onde a habilidade e o talento são raramente encontrados. de operários com baixa qualificação. casamento. que criam inovações e exigem longo tempo de aprendizagem. tendo menor prestígio social. 2º . idade. Valores e atitudes sociais podem ajudar a explicar as desigualdades encontradas na sociedade e a entender porque o trabalho de uma pessoa é considerado melhor ou “superior”. Também o poder . mostram uma atitude mais negativa com relação ao primeiro. O status é a posição socialmente identificada. em geral. baseada em atitudes e valores sociais. por exemplo. rotineiros. Atitudes são avaliações também. o poder relacionado com o trabalho.São pouco valorizados os trabalhos braçais. São trabalhos de baixo status e poder.

sob a ameaça de perda do emprego ou rebaixamento. renda e status. para obter favores sexuais. o trabalhador recebe os piores trabalhos ou é deixado sem atividades e “encostado”. conhecimento. idade) são atos criminosos no Brasil. pela possibilidade de controlar recursos. aparência. principalmente pela alta remuneração (salário mensal de 50 mil dólares) e ao poder associado ao dinheiro. O pré-conceito é um julgamento de valor. salários elevados possibilitando o lazer.sociedade moderna valoriza a educação formal. a inteligência. deficiência física ou mental. mas ainda acontecem. atualmente. ligados aos aspectos da ocupação e não ao trabalho. ao autoritarismo e à exclusão. As conseqüências dos valores e atitudes sociais nem sempre são positivas. acesso a oportunidades e pessoas. sexo. Além de manter as situações de desigualdades. a moradia. pessoas e atributos pessoais. é sutil e disfarçado. em si mesmo: qualificação. serviços ou bens não materiais. com altos salários e benefícios. Com a determinação de funções para as formas variadas e múltiplas do trabalho constituem-se grupos sociais que se diferenciam de acordo com a sua implantação no processo de produção. 80 . prematuro. o poder de consumo são importantes para definir o valor do trabalho e seu significado. tratada injustamente no trabalho ou submetida ao ridículo e ao constrangimento social. Um exemplo é o preconceito racial. sendo assim. como lazer. Leva ao menosprezo. os preconceitos podem impedir o conhecimento da realidade. conferindo-lhe grande status e poder. raça. portanto. Eles possibilitam o consumo de bens materiais. Ele produz e reproduz o baixo valor conferido a diferentes tipos de trabalho. a saúde. Para a maioria. Em síntese: Os valores sociais sobre o trabalho na sociedade industrial estão. feito sem cuidado. Neste último. DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO A divisão social do trabalho é o modo como se distribui o trabalho nas diferentes sociedades ou estruturas socioeconômicas e que surge quando grupos de produtores realizam atividade específicas em consequência do avanço dum certo grau de desenvolvimento das forças produtivas e de organização interna das comunidades. Tanto o assédio moral ou sexual são crimes. A discriminação é baseada no preconceito. a educação. ou seu corpo ou roupas são revistados. A principal é o preconceito. As discriminações de quaisquer formas (cor. no Brasil. as novidades. Tais grupos correspondem ao estatuto que adquirem dentro da sociedade e ao trabalho que executam. poder. que. pelo menos que ele ofereça algumas vantagens materiais. O mal-estar no trabalho ou assédio moral é também baseado no preconceito (ou crueldade) e acontece quando uma pessoa é perseguida. mas que mesmo assim subordina a outra pessoa. as pessoas atribuem um alto status ao trabalho de um jogador de futebol. Obter prestígio ou status social. Desse modo. o superior submete outra pessoa a obedecer-lhe. ou que se associam a poder elevado. o trabalho é um mal necessário. Os trabalhos mais valorizados são aqueles mais bem remunerados. Por exemplo. religião.

sem que tal conduzisse ao aparecimento de grupos especializados de pessoas com os seus próprios interesses ou características. A ocupação de todo o tempo de alguns indivíduos na atividade agrícola impede que se dediquem simultaneamente a produzir os instrumentos e os artefatos que lhes são necessários. indivíduos dedicados exclusivamente ao seu fabrico e manutenção. destacam-se as tribos com atividades exclusivamente pastoris. À medida que se desenvolve a atividade agrária. Os trabalhos domésticos foram-se transformando em ofícios especializados e as mulheres. originando a formação de comunidades nômades. em que as mulheres nada produziam e gozavam de condições materiais excelentes na sua vida quotidiana. Os arroteamentos florestais. em virtude da força física. Não gozavam de qualquer dos privilégios políticos conferidos pela cidadania. os grandes saneamentos de zonas pantanosas. terão deixado o trabalho agrícola mais pesado e dedicado mais à horticultura. É claro que havia diferenças entre as mulheres escravas. O desenvolvimento da agricultura originou profundas divisões sociais no trabalho. não originando portanto diferenças de natureza social. a introdução de pesados instrumentos agrícolas. a divisão do trabalho limitava-se a uma distribuição de tarefas entre homens e mulheres ou entre adultos. Esta separação contribuiu para elevar sensivelmente a produtividade do trabalho e criou as premissas materiais para o aparecimento da propriedade privada. tornaram-se trabalhos demasiado pesados que acentuaram uma separação de atividades entre homens e mulheres. tecelagem e olaria. que depois terão de trocar por 81 . Esta mudança abriu uma brecha na organização gentílica e refletiu-se na posse dos bens materiais. Mas. as mulheres de homens livres ou as de membros de nível elevado da sociedade. criação de animas domésticos. situação que ocorreu em todas as civilizações. não participando em assembléias. O uso de novos instrumentos de trabalho mais aperfeiçoados e complexos determina uma especialização que contribuiu para o aparecimento dos artesãos. A divisão social do trabalho entre os sexos tornou-se muito nítida. a sua existência desenrolava-se meramente num contexto dum sistema de vida patriarcal. à fiação. sobretudo a partir da introdução do arado. atividades concretizadas em áreas muito próximas dos próprios locais de residência. anciãos ou crianças. das necessidades ou do acaso.Numa fase inicial. mesmo nestes casos. á recolha de frutos e plantas comestíveis. As tribos que povoavam territórios dotados de ricas pastagens tendem a abandonar a agricultura e a dedicar-se à criação intensiva de animais. na magistratura ou em qualquer posição social comparável. As mulheres ficaram assim excluídas duma participação ativa na vida social e política. Surgem assim artífices independentes que ocupam a totalidade do seu tempo na criação desses meios de produção. com a concomitante passagem do matriarcado ao patriarcado. A família adquiriu a característica de uma unidade de produção e de transmissão hereditária de bens entretanto acumulados. a lavra da terra com a ajuda de animais de tração.

Sob o capitalismo. Na estrutura urbana observa-se uma distinção entre sectores comerciais. a formação de excedentes e a entrega de tributos em dinheiro às classes com um estatuto dominante. O desenvolvimento destas atividades especializadas culmina na separação entre o artesanato e a agricultura. A intensificação do intercâmbio entre estes grupos de produtores especializados. à oposição entre o campo e a cidade. quer na água doce. fenômeno com menor relevância nos meios rurais. O processo geral alcançado a nível bastante elevado de separação entre o trabalho intelectual e o trabalho físico. artesãos e mercadores. das trocas indiretas através do mercado e. que corresponde. além das individuais ou familiares. posteriormente. ampliou a necessidade de produzir artigos destinados à troca.gêneros alimentícios. A divisão social do trabalho manifesta-se também entre trabalho mental e material. dando lugar à produção com um propósito mercantil e à formação duma classe de mercadores. que conduziu à intensificação das trocas diretas internas e. Esta especialização do trabalho tende a alargar-se à pesca. da apropriação dos meios e dos produtos do trabalho. acontece que os indivíduos mais concentrados num determinado tipo de atividade têm de recorrer à troca daquilo que produzem pelos objetos que eles próprios não produzem. a produção especializa-se e tem como objetivo exclusivo a obtenção de lucro. circunstância que dá lugar a uma divisão internacional de trabalho. ligada à ampliação das atividades transformadoras e da navegação. transportadores. quer no mar. mas de que precisam a fim de satisfazer as suas necessidades profissionais. 82 . Os limites das economias nacionais são ultrapassados pelo desenvolvimento do comércio internacional. administrativos. A divisão do trabalho desencadeada pelo incremento da atividade comercial. Ao lado da divisão entre agricultores. artesanais e até agrícolas. com o avanço desigual dos diferentes ramos de produção. O papel dos agricultorespescadores tende a diminuir para aumentar o de profissionais voltados exclusivamente para esta faina. por fim. entre trabalhadores rurais e citadinos. ao aparecimento da atividade mercantil. levou ao surgimento duma elite que escapava ao quadro dos interesses dos diferentes estados. deslocou o centro dos interesses econômicos do interior para o litoral. culturais. passou a existir uma outra. total ou parcialmente. acompanhado duma luta constante competitiva e duma desordem e dissipação do trabalho social. À medida que aparecem profissões diversificadas. Contribuíram igualmente para tornar mais consistente a existência de sociedades baseadas na divisão entre classes dominantes e classes subordinadas. As distintas fases de desenvolvimento da divisão social do trabalho contribuíram para elevar sensivelmente a produtividade do trabalho e criar as premissas materiais para o aparecimento da propriedade do solo. A divisão social do trabalho desenvolve-se espontaneamente.

A relação de emprego. não só constitui o principal recurso com que conta a maioria das pessoas para suprir as suas necessidades materiais. Em Estatística chama-se população ao conjunto de todos os valores que descrevem o fenómeno que interessa ao investigador. pessoal. física ou jurídica (empregador ou empregadora). mas ao mesmo tempo duplicaremos o poder aquisitivo para esses bens. a PIA é composta por toda população com 10 ou mais anos de idade e subdivide-se em População Economicamente Ativa e a População não Economicamente Ativa. Em Biologia define-se como um grupo de indivíduos que acasalam uns com os outros. é um fato jurídico que se configura quando alguém (empregado ou empregada) presta serviço a uma outra pessoa. População. O ajustamento (ocupação da força de trabalho desempregada) ocorreria quando os trabalhadores decidissem aceitar voluntariamente os salários mais baixos oferecidos pelos empresários. de forma subordinada. consoante a disciplina a que se refere. remunerada ou não. 83 . Ter um emprego. como também lhes permite plena integração social. remunerada ou não. por determinado prazo. duplicaremos a oferta de bens em todos os mercados. distintas definições. que estejam. sem realizar trabalho em qualquer tipo de actividade económica. No Brasil. População em Idade Ativa (PIA) é uma classificação etária que compreende o conjunto de todas as pessoas teoricamente aptas a exercer uma atividade econômica. não-eventual e onerosa.População e Emprego. relacionam-se com a capacidade de produção da economia. John Stuart Mill dizia: "Se pudermos duplicar as forças produtoras de um país. Em Sociologia define-se como um conjunto de pessoas adscritas a um determinado espaço. produzindo descendência. em carácter temporário ou permanente. população ativa e população ocupada. Por isso. com as políticas de utilização dessa capacidade e com a tecnologia empregada na produção. As possibilidades de emprego que os sistemas económicos podem oferecer em certo período. Os economistas clássicos entendiam que o estado de pleno emprego dos factores de produção (entre eles o trabalho) era normal. O termo população tem. a maior parte dos países reconhece o direito ao trabalho como um dos direitos fundamentais dos cidadãos. ou o vínculo empregatício. estando a economia sempre em equilíbrio. Emprego é a função e a condição das pessoas que trabalham. Por desemprego entende-se a condição ou situação das pessoas incluídas na faixa das "idades activas" (em geral entre 18 e 65 anos). o aparecimento de desempregados em certas épocas era explicado como a resultante de um desajustamento temporário. em qualquer tipo de atividade económica. num dado tempo." Dentro dessa linha de ideias.

recebendo em contrapartida uma remuneração em dinheiro ou outra forma de pagamento (moradia. Inclui os incapacitados. alimentação. População não Economicamente Ativa (PNEA) ou População Economicamente Inativa (PEI): são as pessoas não classificadas como ocupadas ou desocupadas. Inclui também os "desalentados" .pessoas que exercem uma ocupação econômica. cumprindo uma jornada de trabalho.• População Economicamente Ativa (PEA): compreende o potencial de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo.). ou ajudando a instituições religiosas. o População Desocupada: pessoas que não têm trabalho.aqueles que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício. • O conjunto de pessoas com menos de 10 anos de idade corresponde à População em Idade Economicamente Não-Ativa (PINA). Incluem-se entre as pessoas empregadas aquelas que prestam serviço militar obrigatório e os clérigos. etc. beneficentes ou cooperativas. Apesar da proibição legal. como aprendiz ou estagiário. incluindo: Empregados . pelo menos 15 horas na semana. Conta Própria . e que. ajudando a um membro da unidade domiciliar em sua atividade econômica. a população ocupada e a população desocupada. o trabalho infantil é considerado pelo IBGE para o cálculo da PEA.pessoas em idade ativa que já não buscam trabalho. isto é. ainda. a partir de 10 anos de idade. Empregadores . Os empregados são classificados segundo a existência ou não de carteira de trabalho assinada. os estudantes e as pessoas que cuidam de afazeres domésticos. para isso. jornais. sem remuneração.aqueles que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício e não têm empregados. com um ou mais empregados.). etc. vestuário. O IBGE considera desalentado aquele que está desempregado e há mais de um mês não busca emprego. o População Ocupada: aquelas pessoas que trabalham. 84 . uma vez que já o fizeram e não obtiveram sucesso. pessoas incapacitadas para o trabalho ou que desistiram de buscar trabalho ou não querem mesmo trabalhar. por ser uma prática ainda explorada.pessoas que trabalham para um empregador ou mais. ou seja. ou. Não Remunerados . tomam alguma providência efetiva (consultando pessoas. mas estão dispostas a trabalhar.

Fragmentaram-se as tarefas produtivas e administrativas. professores ou empresários. adaptar-se rapidamente ao mercado incerto e variado. Para poder responder a estas exigências. as empresas têm de melhorar simultaneamente a produtividade e a qualidade dos seus produtos. políticas e culturais. Foi a partir da Revolução Industrial e do intenso desenvolvimento do modo de produção capitalista que se intensificou o processo diferenciador de funções. inovação e cooperação. A primeira divisão do trabalho deu-se entre a coleta e a caça. Uma abundante literatura amplamente divulgada pelos mas media. No âmbito das nações. caracterizada pela passagem da produção em massa de produtos e serviços estandardizados em quadros organizacionais rígidos para um novo sistema produtivo caracterizado pela diversidade. as empresas têm de renovar o seu modelo de produção. flexibilidade. outras na construção civil. A mesma distribuição de tarefas que ocorre em uma pequena empresa. responsabilidade e iniciativa. escritores. Num contexto de forte competição em mercados globais. Repartições essas que aumentaram a produtividade do trabalho. especializou-se o trabalho intelectual. Para uns estamos numa nova era. Processo de trabalho e organização de trabalho Não há consenso acerca da natureza e da direção da transformação do modo de produzir os bens e serviços. Neste processo as pessoas desempenham funções especializadas e complementares. correspondia à divisão de papeis entre os sexos: o homem caçava e a mulher coletava. bens de capital ou fornecem capital para outros. desenvolveram-se o artesanato e o comercio. Este novo modelo implica a valorização dos recursos humanos. são fornecedoras de matérias primas para o mercado internacional. As nações ricas produzem tecnologia sofisticada. médicos. mas trouxe graves conseqüências sociais para as classes. novas competências. ao mesmo tempo. Algumas pessoas trabalham na linha de montagem das fabricas.Trabalho e Progresso Técnico A divisão do trabalho ocorre em relação a tarefas econômicas. e com o surgimento das cidades no Oriente. que caracteriza a economia nacional. Posteriormente vieram o pastoreio e a agricultura. 85 . trabalho em equipa. As nações do passado colonial que foram até recentemente dominadas pelas grandes metrópoles capitalistas. amplia-se consideravelmente em uma grande industria. a divisão do trabalho ocorre na especialização da produção. reduzir os custos e. em revistas especializadas e livros bestseller anuncia a substituição do velho paradigma pelo novo paradigma e a chegada de uma nova era pós-taylorista/fordista. nomeadamente o aumento do nível de qualificações. bem como o abandono do clima de confronto a favor do diálogo e do envolvimento dos trabalhadores.

Por outras palavras. qualidade total. a abertura dos mercados e a intensificação da concorrência são encaradas como mecanismos poderosos de progresso econômico que “impele o desenvolvimento da competitividade geral das nossas economias. autonomia. econômicas e políticas. pessoas e organizações têm de se adaptar às mudanças produzidas pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) que são consideradas como as grandes forças que modelam as relações sociais. na importância dos conhecimentos e capacidades especificamente humanos. à generalização do trabalho inteligente realizado em estruturas organizacionais mais planas e descentralizadas. mais complexo. investimento subjetivo e a mobilização da inteligência. está enraizada nas experiências japonesa e americana. as novas tecnologias levam à era pós-taylorista. Ao mesmo tempo. a sociedade da informação. a ênfase está na perspectiva holista. tais como: justin-time. A perspectiva da inovação organizacional centrada na eficiência. Gurus de gestão e consultores exaltam os benefícios da mudança através da aplicação de novos métodos e técnicas de organização. Está subjacente a idéia que o caminho do futuro já está traçado pelas TIC. modelo antropocêntrico ou produção reflexiva). como 86 . dando origem a um novo tipo de sociedade. mas também altos salários. atualmente predominante. mas apenas sujeitos passivos que têm de se ajustar aos inevitáveis processos de transformação. iniciativa. na utilização da tecnologia como meio para melhorar as qualificações e as competências e na autonomia das equipas de trabalho e dos indivíduos. criatividade. responsabilidade. altos níveis de qualificação e alto nível de qualidade de vida no trabalho. na divisão das tarefas. por visar não apenas altos níveis de produtividade e altos níveis de qualidade dos produtos e dos serviços. Esta sociedade centra-se na produção de bens e serviços intensivos em alta tecnologia e em conhecimento/informação no seio de redes organizacionais caracterizadas pela flexibilidade. downsizing. autocontrole. exigindo conhecimentos mais amplos e de nível mais elevado. empowerment. Estudos de caso sobre experiências na Comunidade Européia indicam que é possível compatibilizar performances econômicas competitivas com a melhoria da qualidade de vida no trabalho e com a defesa do ambiente.O tecno-otimismo futurista postula uma marcha inevitável em direção “à sociedade da informação/conhecimento”. business process reengineering. Não há atores sociais. entendidas como forças atuantes e autônomas do contexto sociocultural. A década de 1990 foi marcada pela ressurgência da racionalização. nas quais o trabalho se torna imaterial. Porém. pelas relações de cooperação e pelas parcerias. isto é. Nesta óptica. A perspectiva centrada no fator humano pode ser encarada como a via alta (high road) da inovação da organização do trabalho. outsoursing. pós-burocrática. a larga aceitação da idéia da difusão de novos princípios de racionalização (lean production e business process reengineering). fez recuar as experiências européias inovadoras inspiradas na perspectiva centrada no fator humano (modelo sociotécnico. capacidade de aprendizagem contínua. aumenta o bem-estar geral tornando mais eficaz a distribuição mundial de recursos. Desta forma.

vale ressaltar que se existe um empregado que não exerce sua atividade em “Regime de Tempo Parcial”.). Trabalho parcial e integral TRABALHO EM REGIME DE TEMPO PARCIAL O trabalho em “Regime de Tempo Parcial”. terminou por incluir na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho o artigo 58-A que define como sendo o trabalho em “ Regime de Tempo Parcial”. etc. O salário que será pago ao empregado em “Regime de Tempo Parcial”. não pode ter um valor da hora inferior ao do empregado que trabalhe em “Regime de Tempo Integral”. mas sempre observando o valor da hora pago ao empregado que não exerce sua atividade em “Regime de Tempo Parcial”. este deverá ser o valor da hora do trabalhador em “Regime de Tempo Parcial”. aquele que: “Art. propondo para esse fim um conjunto de inovações radicais que arrasam as estruturas e os procedimentos existentes nas organizações e criam formas completamente novas de realizar o trabalho.00. A reengenharia promete alcançar saltos gigantes e drásticos nos resultados da organização. Para melhor entendimento. mas colocando-os numa nova embalagem. os seus críticos afirmam que se trata de retomar os princípios sociotécnicos antigos (trabalho de grupo centrado nos processos. Ainda que as teses em torno da reengenharia reivindiquem uma perspectiva inovadora.panacéias para os múltiplos problemas que as empresas têm de resolver. 58-A. O valor final do salário do trabalhador em “Regime de Tempo Parcial” será proporcional ao seu tempo de trabalho. também chamado de “Regime Normal”. e recebe por hora o valor R$ 10. introdução de feedbacks no processo de trabalho. deverá ser observado o disposto no parágrafo primeiro do artigo 58-A quando for calcular o salário a ser pago para este empregado. 58-A . 87 .Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda a vinte e cinco horas semanais. A título de exemplo. passo a transcrever o parágrafo primeiro do art. DO SALÁRIO DO TRABALHADOR EM REGIME DE TEMPO PARCIAL Para os trabalhadores que exercem suas atividades em “Regime de Tempo Parcial”.164-41 de 24-08-2001. também chamado de trabalho é aquele em que o trabalhador não trabalha mais de 25 horas semanais. A Medida Provisória 2.

§ 1º - O salário a ser pago aos empregados sob o regime de tempo parcial será proporcional à sua jornada, em relação aos empregados que cumprem, nas mesmas funções, tempo integral. DA MODIFICAÇÃO DO REGIME JÁ EXISTENTE Outro fato que merece destaque diz respeito a possibilidade de modificar o “Regime de Trabalho de Tempo Integral” dos atuais empregados em “Regime de Tempo Parcial”. O parágrafo segundo do mesmo artigo citado acima determina que para a modificação do “Regime de Tempo Integral” para o “Regime de Tempo Parcial”, o empregado deverá manifestar sua opção, e deverá ainda existir instrumento coletivo prevendo tal possibilidade. A empresa não pode por livre vontade transformar o “Regime de Trabalho de Tempo Integral” em “Regime de Tempo Parcial”. E mais uma vez para melhor entendimento, passo a transcrever o texto legal, inserido no art. 58-A, §2º da CLT. § 2º - Para os atuais empregados, a adoção do regime de tempo parcial ser á feita mediante opção manifestada perante a empresa, na forma prevista em instrumento decorrente de negociação coletiva.” DA IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR EM HORAS EXTRAS O trabalho em “Regime de Tempo Parcial” trás outras conseqüências como, por exemplo, a impossibilidade do exercício do trabalho em jornada extraordinária. Em outras palavras, o trabalhador que exerce suas atividades em regime de tempo parcial não pode fazer horas extras. Este impedimento está previsto no Art. 59, § 4º da CLT, que assim dispõe: “§ 4º - Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras.” DAS FÉRIAS

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Outra diferença entre o empregado em “Regime de Tempo Integral” e o empregado em “Regime de Tempo Parcial”, está no período de gozo de férias. A mesma Medida Provisória nº 2164-41 de 24/08/2001 acabou por inserir na CLT o artigo 130-A que trata das férias do trabalhador em “Regime de Tempo Parcial”, estabelecendo para estes trabalhadores períodos inferiores aos daqueles previstos para os trabalhadores que trabalham em “Regime de Tempo Integral”, para o gozo de suas férias DOS OUTROS BENEFÍCIOS É importante frisar que a CLT cria algumas diferenças para os trabalhadores que exercem suas atividades em regimes diferentes, no entanto, existem alguns direitos que a doutrina e a jurisprudência vêm entendendo que não podem ser diferenciados. Entre estes direitos estão aqueles benefícios fornecidos para o exercício do trabalho, ou também os relacionados ao contrato de emprego, como por exemplo, os previstos na Convenção Coletiva, tais como: diárias, vale-refeição, cesta Básica, etc. Estes benefícios não estão vinculados ao “Regime de Trabalho”, ou seja, se ele é de tempo parcial ou integral, mas sim ao contrato de emprego celebrado entre o empregado e o empregador, portanto, não podem ser diferenciados, sob pena de estar discriminando o empregado que trabalha em “Regime de Tempo Parcial”.

Trabalho artesanal, manufatura e grande indústria Artesanato é essencialmente o próprio trabalho manual ou produção de um artesão (de artesão + ato). Mas com a mecanização da indústria o artesão é identificado como aquele que produz objetos pertencentes à chamada cultura popular. O artesanato é tradicionalmente a produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possui os meios de produção (sendo o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalha com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja, não havendo divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante ou aprendiz.

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História

Loja de artesanato urbano, no Porto, em Portugal. Os primeiros objetos feitos pelo homem eram artesanais. Isso pode ser identificado no período neolítico (6.000 a.C.) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica como utensílio para armazenar e cozer alimentos, e descobriu a técnica de tecelagem das fibras animais e vegetais. O mesmo pode ser percebido no Brasil no mesmo período. Pesquisas permitiram identificar uma indústria lítica e fabricação de cerâmica por etnias de tradição nordestina que viveram no sudeste do Piauí em 6.000 a.C. Historicamente, o artesão, responde por todo o processo de transformação da matéria-prima em produto acabado. Mas antes da fase de transformação o artesão é responsável pela seleção da matéria-prima a ser utilizada e pela concepção, ou projeto do produto a ser executado. A partir do século XI, o artesanato ficou concentrado então em espaços conhecidos como oficinas, onde um pequeno grupo de aprendizes viviam com o mestre-artesão, detentor de todo o conhecimento técnico. Este oferecia, em troca de mão-de-obra barata e fiel, conhecimento, vestimentas e comida. Criaram-se as Corporações de Ofício, organizações que os mestres de cada cidade ou região formavam a fim de defender seus interesses. Revolução Industrial Com a Revolução Industrial, teóricos do século XIX, como Karl Marx e John Ruskin, e artistas (ver: Romantismo) criticavam a desvalorização do artesanato pela mecanização. Os intelectuais da época consideravam que o artesão tinha uma maior liberdade, por possuir os meios de produção e pelo alto grau de satisfação e identificação com o produto.

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porém com trabalho praticamente manual. na manufatura é iniciada a hierarquização das forças de trabalho em mais qualificadas e menos qualificadas. As manufaturas surgiram durante a Revolução industrial. Manufatura é um processo de produção de bens em série padronizada. ferramentas e trabalho. são produzidos muitos produtos iguais e em grande volume. a atividade industrial pode ser artesanal. que em seguida podem ser. o que vai conferir a maior velocidade de produção. Os trabalhadores com maior qualificação costumam ter mais necessidade de esforço mental do que os que ocupam cargos menos qualificados. por meio de máquinas. No contexto da economia. Indústria é toda atividade humana que. Eram pequenas oficinas já com produção em série. William Morris funda o grupo de Artes e Ofícios na segunda metade do século XIX. manufatureira ou fabril. através do trabalho. Para obter maior volume de produção é aplicada a técnica da divisão do trabalho. de acordo com a posição que cada atividade normalmente está na cadeia de produção e consumo. a diferenciação de cargos existe apenas na manufatura. onde cada trabalhador executa apenas uma pequena porção da tarefa. especializa-se e economiza movimentos. Nessa diferenciação qualitativa surge a diferenciação de salário a receber. Apesar de. De acordo com a tecnologia empregada na produção e a quantidade de capital necessária. 91 . O processo pode ser manual (origem do termo) ou com a utilização de máquinas.Na tentativa de lidar com as contradições da Revolução Industrial. Assim. transforma matériaprima em outros produtos. em oposição à agricultura (setor primário) e ao comércio e serviços (setor terciário). ou não. além de um conhecimento menor dos procedimentos de produção por parte dos que tem qualificação inferior. e o termo manufaturado é sinônimo de industrializado. As fábricas ou indústrias tinham porte e mecanização muito maior. tentando valorizar o trabalho artesanal e se opondo à mecanização. ser uma forma de produção não-industrial. O processo de produção industrial é também conhecido como setor secundário. Atualmente não existe mais esta distinção. Hoje em dia o processo industrial é capitaneado pelas multinacionais. comercializados. assim como o artesanato. ou seja.

A crise da sociedade do trabalho Essa crise consiste na desestruturação do mundo do trabalho cujos traços característicos. voltado ao grande mercado consumidor (população em geral). a precarização e a flexibilização das relações de trabalho. Reiventar a sociedade do trabalho. tais como a indústria bancária ou mesmo a agroindústria.: fábricas de tornos (Equipa indústrias mecânicas). a informalidade. Este é o desafio que emerge para a nossa sociedade. A indústria de bens de consumo aparece como indústria leve. para qualquer grupo de empresas que compartilham um método comum de gerar dividendos. da nossa e das futuras gerações. Indústria alimentar. genericamente. capazes de gerar solidariedade entre os seres humanos e desses com a natureza. Indústria de bens de produção ou indústria de base É toda indústria que trabalha com matéria-prima bruta transformando-a em matéria-prima para outras indústrias.: Indústria têxtil. o sobretrabalho. Isto significa ousar pensar uma sociedade na qual o trabalho não se defina e seja descrito unicamente como trabalho assalariado. entre outros. Elas apontam para a necessidade de novos paradigmas produtivos. são: o desemprego. Ex. o dessalariamento. o cosmos e o universo visando a fazer deste mundo um lugar em que todas as pessoas. 92 . Indústria de bens de consumo É aquela que produz produtos. É neste sentido que é importante acompanhar a emergência das experiências de socioeconomia solidária e de cooperativismo. Ex. possam viver bem e com segurança.Também se pode usar o termo indústria. embora não sejam necessariamente do segundo sector. Indústria de bens intermediários ou de bens de capital(tipo de indústria de base) Transforma matéria-prima bruta em outro tipo de matéria-prima e são aquelas que produzem máquinas para outras indústrias. Exemplo: indústria siderúrgica e petroquímica.

p. colocando obstáculos para a liberdade humana. inclusive institucional. Mas o mais curioso no ensaio foi a forma como Innis o concluiu. da Universidade de Chicago. social e individualmente. 1992. presente e até mesmo no futuro. as mudanças tecnológicas ultrapassam a habilidade das pessoas e das diversas sociedades para adaptar-se a elas. foi o pioneiro nessa nova corrente. cit. op. Seguidor das idéias de Innis. mas como uma série de curvas dependentes em parte dos avanços tecnológicos” (citado por Santos.O determinismo tecnológico Determinismo Tecnológico é atualmente a teoria mais popular sobre a relação entre tecnologia e sociedade. Desde a Segunda Guerra Mundial. Park declarou que os dispositivos tecnológicos estavam modificando a estrutura e as funções da sociedade. Daniel. Os deterministas tecnológicos interpretam a tecnologia como a base da sociedade no passado. (como Marshall McLuhan. Lynn White Jr. noção que serviu de ponto de partida para uma corrente teórica em todos os aspectos inovadora. 66). Para outras. McLuhan discorda com o comentário de alguns estudiosos que dizem que tecnologias são por si próprias neutras e que o uso que se faz delas é que é o ponto importante para discussão. Leslie White. “e são vistas como a condição fundamental de sustentação do padrão da organização social. Em 1940. Sigfried Giedion. Harold Innis. 2000). não importando o uso que se faz delas. O autor escreveu que pretendia com o estudo “sublinhar a importância de uma mudança no conceito da dimensão do tempo”. acrescentando que o tempo “não pode ser encarado como uma linha reta. O conceito de “determinismo tecnológico” foi criado pelo sociólogo americano Thorstein Veblen (1857-1929) e cultivado e aperfeiçoado por Robert Ezra Park. historiador e economista canadense. E Alvin Toffler). Os fatores humanos e sociais são vistos como secundários” (Chandler. Ela tenta explicar fenômenos sociais e históricos de acordo com um fator principal. ao exigir que as notícias fossem difundidas rapidamente. os cientistas têm considerado a tecnologia como um dilema moral e que seu uso pode causar conseqüências profundas na humanidade e no planeta. Neil Postman. O artigo defendia que os jornais. ainda. as tecnologias (particularmente as da comunicação ou mídias) são consideradas como a causa principal das mudanças na sociedade. analisando a importância da imprensa para o crescimento econômico. Segundo eles. De acordo com os deterministas tecnológicos. Harold Innis. a tecnologia é vista como uma força dominante na sociedade. que no caso é a tecnologia. Novas tecnologias transformam a sociedade em todos os níveis. Os sociólogos vêem o problema através do aumento da complexidade e da velocidade das mudanças que a tecnologia está trazendo para a sociedade. estavam alterando a concepção do tempo e do espaço. Jacques Ellul. “O efeito das máquinas tecnológicas foi reestruturar o trabalho 93 . O seu primeiro trabalho no campo da comunicação surgiu na forma de um artigo publicado em 1940. Ele sustenta que as máquinas a fundamentalmente as relações pessoais e interpessoais.

mesmo que tais modificações sejam invisíveis. A “substantive theory”. As pessoas tornam-se condicionadas por seus sistemas tecnológicos. o que verdadeiramente interessa não é o que a rádio ou televisão dizem. não importando como e para que são utilizadas. Por outro lado. modificando a organização social da vida diária. símbolos e mitos e outros ícones do mundo não. tudo parecem dados” (Postman. Para ele. No Determinismo Tecnológico. seguida por Ellul. mudando de acordo com seu próprio momento e moldando inconscientemente a sociedade. Segundo o autor canadense. “A mensagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala. para McLuhan. Não é apenas uma questão de intenções. auto-determináveis e auto-expandíveis.” Jacques Ellul também insiste que a tecnologia carrega consigo seus próprios efeitos. tudo parece uma imagem. 94 . Tecnologias são consideradas forças independentes.tecnológico renderam-se ao poder opressivo e à força da visão de um mundo tecnológico (Wilson/Postman 1997). Para um homem com uma câmera. As ferramentas que se usam determinam a visão de mundo. Aluno de McLuhan. Postman insiste que o uso que se faz da tecnologia é grandemente determinado pela estrutura da própria tecnologia. argumenta que as tecnologias constituem um novo tipo de sistema cultural que reestrutura inteiramente o mundo social como um objeto de controle. Dave. “o meio é a mensagem. 1993). regras morais e também uma oposição vital entre o velho e o novo. Independente de se acreditar que as tecnologias são boas ou más. mas ainda mantém suas tradições. tecnologias são apresentadas como autônomas. McLuhan chama de “sonâmbulos” os que dizem que é o uso que se faz das tecnologias que determina o seu valor. 2000). De acordo com Postman. nós vivemos hoje naquilo que ele chama uma tecnópole. uma sociedade que se rende completamente à primazia do desenvolvimento tecnológico e à inovação” (Anderson. Ele faz uma distinção bem definida entre este estado atual e a tecnocracia do século dezenove. Neil. trazendo transformações à sociedade. como algo fora da sociedade. o poder transformador da mídia é a própria mídia. a ‘Tecnópole’ caracteriza uma sociedade em que o velho mundo. “Para um homem com um lápis. auto-controláveis. A mídia afeta a maneira como os indivíduos agem e interagem na recepção de suas mensagens. as tecnologias carregam consigo um número de conseqüências positivas e negativas. ritmo ou padrão que introduz na vida humana” (McLuhan. Neil Postman também adota um ponto de vista fortemente determinista. elas continuarão seu curso fazendo o que sempre fazem: subjugando a humanidade. independentemente de como é usada. “‘Tecnocracia’ caracteriza uma sociedade que leva a tecnologia a sério. 1965). Para um homem com um computador. Portanto. tudo parece uma lista.humano e associação pela técnica da fragmentação”. mas sim o fato de existirem. Para Ellul. O desenvolvimento tecnológico não é bom ou mal ou neutro. São vistas como algo fora do controle humano. o homem é constantemente modificado pelas suas próprias invenções.

a socióloga Ruth Finnegan sugere que “há algo para ser dito sobre isto como um caminho para clarear a realidade para nós. Ele analisou questões como a liderança. típica do vocabulário da gestão pública. a adotar uma linha anti-tecnológica. historiadores e geógrafos) tenderam a negligenciar o significado da tecnologia e da comunicação. Criticar o Determinismo Tecnológico não é descartar a importância do fato de que aspectos tecnológicos de diferentes tecnologias de comunicação possibilitam diferentes tipos de uso. de economistas. é estimulante ter uma contra-visão eficaz. são capazes de aceitar que uma tecnologia pode ser vista como causadora de grandes conseqüências na sociedade. tornando-se mais tarde presidente. E algumas Transformações são muito difundidas. Embora concluindo que as evidências parecem não sustentar a hipótese radical do Determinismo Tecnológico. Talvez os sociólogos – de quem era esperado que estudassem sobre comunicação – tenderam. No passado.Poder e decisão na empresa “Não se vende sentado em um escritório. Até mesmo fortes críticos Do Determinismo Tecnológico. a cultura e os valores 30 anos antes do mundo empresarial se aperceber da sua existência. A hipótese radical do Determinismo Tecnológico é talvez extremista – mas o seu radicalismo ajuda a nos tirar da nossa complacência e dirige nossa atenção para um conjunto de fatos e possíveis conexões causais previamente negligenciadas. no passado. Como um modo sugestivo de olhar para o desenvolvimento social o determinismo deve ter seu valor. como a socióloga Ruth innegan. foi inserida no mundo dos negócios por Chester Barnard. Logicamente. Nesta atmosfera. Trabalho e empresa .Qualquer mudança tecnológica produz alguma transformação social. eles preferiram seguir Durkheim. As suas obras mantêm uma atualidade surpreendente. Foi um dos primeiros a estudar os processos de tomada de decisão. o tipo de relações entre as organizações formais e informais e o papel e as funções do executivo. Tecnologia é um dos numerosos fatores das mudanças sociais e do comportamento humano. numa sociedade onde o grau de interação com outros fatores está evidentemente presente. talvez. um dos fundadores da disciplina da sociologia que enfatiza ‘o social’ como algo autônomo e originalmente independente de todos os fatores mecânicos como a tecnologia. a pesar do seu factualismo inadequado”. autor de “As funções do executivo”. cientistas sociais (com exceção. 95 . Barnard foi gestor na companhia de telefones Bell durante 40 anos. ainda que as aplicações potenciais das tecnologias não sejam necessariamente realizadas. O tempo que rende é o que se gasta com o cliente”. Thomas John Watson (primeiro gerente-geral da IBM nos Estados Unidos) A expressão “tomada de decisão”. é difícil justificar uma insistência na tecnologia ou mídia como o fator fundamental das transformações sociais.

Ford e GE. denominação de Charan. Primeiro. segundo. e. Michael Porter. ou uma “guerra contra indecisão”. desenvolveram técnicas e metodologias para análises de mercados. psicólogos. entre outras denominações. é tomar decisões. para que essas decisões tenham impacto. do número de produtos e serviços. dadas de livre e espontânea vontade. Ou seja. ou SCIP.” Sabemos que não é só o presidente que toma decisões em uma empresa. com a seguinte abertura: “a função do presidente. também deve decidir executá-las. Quando isso não ocorre. em função da entrada das empresas e produtos japoneses naquela época no mercado americano. num piscar de olhos? Não é à toa que o poder de decisão e a tomada de decisão vem sendo cada vez mais discutidos por teóricos da administração. devem acolher uma ampla faixa de opiniões. a organização. Em 2001. cientistas. que clientes conquistar. Contudo. diretores e gestores de forma geral. quando Malcolm Gladwell vem pregar . Se a ação empresarial é fruto da decisão. entre outros fatores do ambiente externo à organização. consumidores. ao longo da carreira. escreveu um artigo para a Harvard Business Review. terceiro. inúmeras vezes. 96 . estamos observando um movimento crescente de busca e formação de profissionais de Inteligência no Brasil. tomada. a empresa é vítima da cultura da indecisão. professor e assessor de altos executivos de empresas como DuPont. devem indicar um curso de ação. E é isso o que a maioria faz.as virtudes da decisão instintiva. então onde começa este processo? A decisão passa pela análise de dados e informações. na melhor tomada de decisão. quais são as novas exigências e necessidades dos clientes e consumidores ou qual o número correto de profissionais para força de vendas. devem tolerar verdades desagradáveis. levou um grupo de profissionais americanos a criar uma associação nos Estados Unidos em 1986. inspirados pelos artigos e livros do Prof. análises de clientes. que leva da decisão à ação. que podem auxiliar seus presidentes. competidores. busca apresentar fatos sobre como uma empresa pode ganhar novos mercados. EDS. da Harvard Business School. A transformação destes é o trabalho de Inteligência. Passados 21 anos. quarto. Este recente campo de trabalho ora chamado de Inteligência Competitiva ora Inteligência de Mercado.Como então pensar. entre outros profissionais. devem envolver a busca sincera de respostas. em seu todo. assessorar gestores de áreas diversas. Estes profissionais. para o processo de quatro elementos. literalmente. todos sabem. a Society of Competitive Intelligence Professionals.apesar do crescente acesso à informação trazido pela tecnologia . nos Estados Unidos da América. Ram Charan. E neste contexto é importante pensar em “diálogos decisivos”. autor de livros. O aumento da competição entre países e empresas.

um estabelecimento. Será enfocado. sabem distinguir as situações empresariais que exigem cada vez mais. mas qualquer outro tipo de estabelecimento. A estrutura organizacional é de grande importância para empresas de pequeno. precisa ter pulso e coerência para dirigir uma empresa e alem disso. pois fazer uma distribuição de cargos para uma quantidade excessiva de funcionários é necessário ter critérios de avaliação para comandar um certo departamento e uma certa função. ou seja. exemplificando a distribuição de carga e sua respectiva função na administração da empresa. menor tempo de resposta. como uma grande empresa de operação rodoviária. de que adianta “poder” quando a decisão empresarial leva a perda de clientes. o sistema abaixo identifica muito bem essas funções básicas para o administrador: 97 . a estrutura organizacional é uma ferramenta básica para alcançar as situações almejadas pela empresa. ou seja. não só uma empresa. é o instrumento básico para concretização do processo organizacional. Para se organizar uma empresa. dirigir e controlar. quanto menos informação e análise. médio. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional deve ser delineada de acordo com os objetivos e estratégias estabelecidos. JUSTIFICATIVA Mostrar as varias divisões dentro de uma organização tendo como exemplo a empresa de transportes Flores. controlar a empresa. com olhar voltado ao mercado. mostrando formalidades e informalidades e até mesmo a interação entre ambas. um agrupamento de atividades e recursos. E ainda sabem que. organiza a distribuição das suas funcionalidades. não se torna uma tarefa fácil quando não existe uma certa estrutura organizacional. são necessárias algumas funções básicas. grande porte. O trabalho vem mostrar o que é essa estrutura organizacional dentro de um contexto geral. precisa sabem acompanhar. Afinal. mas buscando também tanto a aprovação dos usuários quanto o bem estar dos seus funcionários. buscando sempre maiores lucros. através do transporte de passageiro. e principalmente. maior o risco para a tomada de decisão. ou qualquer outra processo que inclua relações interpessoais. mercados e rentabilidade? Estrutura e organização da empresa A organização da empresa é uma ordenação.Estes profissionais. Planejar. um bom administrador precisa saber planejar sua empresa. e/ou instituição. que visam resultados positivos para a própria empresa.

PLANEJAMENTO CONTROLE ORGANIZAÇÃO DIREÇÃO Quando a estrutura organizacional é estabelecida de forma adequada. Vale lembrar que a estrutura informal é um bom lugar para lideres formais se desenvolverem. Estrutura Informal Esse tipo de estrutura se consiste numa rede de relações sociais e pessoais que não é estabelecida formalmente. desenvolvendo-se espontaneamente quando as pessoas se reúnem entre si. é geralmente.Conhecimento.⇒Localização no⇒Trabalho. o que ai sim.⇒Lideranças. É errado pensar na hipótese de que grupos informais apenas se formam dentro de um grupo religioso.⇒ Redução de comunicação entre chefe e⇒ empregado. ou até mesmo dentro de uma sala de aula. ela propicia para a empresa alguns aspectos: Responsabilidades. pois se trata de uma natureza mais subjetiva. Algumas vezes. muitas estruturas informais existem dentro de grandes empresas. como por exemplo: Idade.⇒Organização informações e recursos. das funções. porém se a administração conseguir conciliar e/ou integrar os grupos formais com os informais. porem nem sempre um grande líder informal será um grande líder formal.⇒Comunicação. a estrutura surge da interação entre as pessoas. existe as estruturas informais.⇒Personalidade.⇒Motivações. se subdivide em duas: Estrutura Informal e Formal. Os lideres dos grupos informais surgem por várias causas. ou seja. a estrutura informal se torna uma força negativa dentro da empresa.⇒Competência. A informalidade. mais instável .⇒ Dentre⇒ varias outras situações. em qualquer tipo de empresa. Hoje. A estrutura organizacional dentro de um contexto geral. ela não possui uma direção certa e obrigatória. 98 . se torna uma condição favorável de rendimento e produção. e apresentam diferentes níveis de atuação. pois está sujeita aos sentimentos pessoais. haverá uma harmonização nas tarefas. pois eles podem falhar com o medo da responsabilidade formal. Sendo assim a estrutura informal possui algumas vantagens como por exemplo: Rapidez no processo.

a Transportes Flores. a definição de suas atribuições se torna mais criteriosa. Uma estrutura organizacional se resume.⇒ ⇒ Distribuir as funções administrativas para cada funcionário desempenhar. Estrutura Formal Essa é a estrutura que a grande maioria das empresas adotam. que é um desenho gráfico onde mostra cada integrante de uma empresa se delegando a uma área especifíca. Nessa fase. a partir de uma estrutura bem implementada que uma empresa irá alcançar seus objetivos estabelecidos. em organogramas. especialização. Sistema de Comunicação – é a interação entre⇒ todas as unidades da empresa Sistema de Decisão – que é ato de poder⇒ entender. e poder definir e decidir uma ação solicitada. mostrando 99 . aqui a estrutura formal pode alcançar proporções imensas. se um executivo astuto sabe muito bem conciliar esse tipo de informalidade na sua estrutura organizacional.⇒ Contudo. Os principais fatores para a criação de uma estrutura formal empresarial são: Focar os objetivos estabelecidos⇒ pela empresa. e formalmente representada.⇒ Dificudade de⇒ controle. em alguns aspectos. Sistema de Autoridade – nada mais é⇒ que a distribuição de poder. daremos enfoque agora a uma empresa de tranporte de passageiros de grande porte no cenário nacional. em um organograma. possui suas desvantagens: Desconhecimento de chefia. Pois será. A estrutura é a representação de um pequeno organograma. ⇒ Levar em consideração habilidades e limitações tecnológicas. seus condicionantes e seus vários níveis de influência. Podemos identificar num organograma simples de uma pequena empresa por exemplo. podemos notar que . Diretoria Financeira e seus respectivos subordinados. E os componentes chaves para o bom funcionamento dessa formalidade são: Sistema de Responsabilidade – que é constituído pela⇒ departamentalização.Motiva e integra os grupos de trabalho. No desenvolvimento da estrutura formal deve-se considerar os seus componentes. simplesmente. Realizar atividades que podem chegar nesses objetivos.⇒ Com tudo isso. Diretoria Administrativa. Atrito entre pessoas. composta por: Presidência. mostrando a formalidade existente dentro de uma certa empresa. Contudo isso. ou seja. Tamanho da⇒ Empresa. é a estrutura deliberadamente planejada.

seria. A classe dirigente As posições de comando no espaço social – ao menos as posições políticas – estão repartidas entre as classes economicamente dominantes e as classes politicamente dirigentes. uma subespécie da classe dirigente: é a parte da classe dirigente que estaria incumbida da tarefa de governar (2) . Tal como eu penso que deva ser utilizada. a expressão ‘classe dirigente’ englobaria também. sem exercer diretamente. Esse grupo incluiria várias “minorias” (politicamente desiguais entre si. as intelectuais. Qual o papel dos sindicatos nas sociedades informacionais? Estaria essa instituição fadada ao desaparecimento ou. a noção de elite (política) não substitui o conceito de classe (dominante). mas que poderiam influenciar as decisões políticas. as sociais. A ação sindical e sua tipologia. note-se). relacionando com os tipos de estruturas já apresentadas. além da elite política. adquiriria nova identidade e potencialidades? Admitida a hipótese de sua permanência. Falar de sindicalismo hoje é falar da crise dessa instituição. Especialistas têm discutido a questão. como as econômicas. o poder. ou a “classe política” (tomadas aqui como sinônimos. apenas uma parte daquele conjunto designado comumente pelo nome “classe dirigente”. necessariamente. mais precisamente. A elite política. perguntando-se qual a possibilidade de o sindicalismo readquirir o papel influente que deteve no passado ou. são. uma adesão do analista a todos os pressupostos teóricos da “teoria das elites” (ou do autor aos princípios normativos dos elitistas). portanto). baseada predominantemente no conflito capital e trabalho poderia/deveria persistir ou seria necessário construir uma nova identidade. ao contrário. por sua vez. já que não são termos intercambiáveis (3) . A classe política. ou a elite política. uma nova lógica de ação? Como se caracterizariam essas 100 . conforme a distinção tradicional proposta por Gaetano Mosca em Sulla teorica dei governi e sul governo parlamentare. as religiosas. todos aqueles agentes que estão fora do Estado e fora do governo. nem o emprego da expressão “classe política” deve significar. que mudanças teria que promover para alcançar uma atuação eficaz diante da nova realidade de trabalho? A lógica de ação que presidiu sua existência até recentemente. Apesar do emprego ambíguo dos dois termos por Mosca. como James Burnham notou (1) . qual seria o futuro dessa instituição nas sociedades do século XXI. como a primeira.toda sua estrutura organizacional.

bem como questões relacionadas à relação partido-sindicato. Kochan et al. Locke & Thelen. como se inexistissem os demais sindicatos). a partir do exame de uma literatura expressiva por configurar o esforço teórico 101 . no Brasil. há tendência em considerar a globalização como fator fundamental para explicar os problemas atuais do sindicato. suas diferentes manifestações. são muitas vezes deixados de lado outros fatores. 2004). A ausência de reflexão teórica impede a discussão sobre questões como. crenças e valores da instituição e dos filiados). tanto de ordem estrutural ou conjuntural (como. quais os ganhos e potencialidades de uma mudança de identidade? Seria a evolução suficiente à transformação dos sindicatos ou teriam que experimentar uma revolução? As respostas a estas e outras questões são complexas e exigem sério esforço de pesquisa tanto ao nível teórico quanto empírico. Durand. 2001. a mesma tem-se fundamentado sobretudo em aspectos empíricos e descritivos. um viés no sentido de privilegiar a investigação sobre os sindicatos cutistas. francesa e britânica. Apesar do volume e riqueza da produção cientifica brasileira na área. despreparo dos sindicatos). que apresenta um notável esforço de teorização (entre outros. estabilidade da economia. em distintos períodos históricos (desde os movimentos anarquistas do início do século XX. Esta comunicação procura levantar aspectos relacionados a tais questões. há carência de reflexão teórica o que acaba por restringir a capacidade de um olhar mais abstrato e objetivo sobre o fenômeno. como de ordem subjetiva (questões de identidade. por exemplo. No Brasil. É necessário evidenciar a diversidade e a complexidade do fenômeno. Hyman. Por exemplo. não apenas em termos do espectro “direita”-“esquerda” (observa-se.novas identidade e lógica de ação? Quais os riscos. em diferentes regiões. Tal lacuna está a exigir necessidade urgente de complementar a pesquisa na área: há necessidade de investigar os diferentes tipos de sindicatos. em geral. 1998. taken for granted a partir do ponto de vista da análise marxista. Carecemos de ferramentas teóricas que nos habilite a pensar as questões que afetam o sindicalismo de forma mais objetiva e abrangente. entre outros aspectos. Os estudos sobre sindicalismo no Brasil têm produzido um vasto e profícuo conjunto de dados que se traduziram em análises que abordam diferentes aspectos do fenômeno sob perspectivas diversas (por exemplo. “interesse dos trabalhadores”. Por exemplo. há carência de teoria para explicar os diferentes ciclos na existência da instituição. Kelly. 1998.. ramos e setores econômicos. 1996. esgotamento do processo de substituição de importações. até o chamado novo sindicalismo e o sindicalismo dos anos 90). ao contrário do que ocorre. Nessa perspectiva. 1986 . o sindicato como instituição e como movimento social). com a produção norte-americana. mas também de tendências diferentes observadas em sindicatos pertencendo ao mesmo ramo e à mesma Federação. nos últimos vinte anos. Heckscher.

O estudo sobre os sindicatos tem sido desenvolvido a partir de diferentes abordagens. supõe-se que a configuração institucional (natureza do contexto organizacional. tende a homogeneizar os resultados. Tal abordagem suporia. das relações com o Estado e com os partidos políticos) contribuiriam para moldar atitudes e comportamentos. 2004). no mundo do trabalho. Sobre os interesses dos trabalhadores Ao analisar os problemas do sindicalismo atual. a especificidade e as contradições que estão presentes nos interesses dos 102 . Partindo-se das observações acima. valores subjetivos e apelos que compõem as ideologias. equivocadamente. na segunda. considera os “interesses” dos trabalhadores como sendo identificados com o desejo de derrotar o capitalismo. A perspectiva institucionalista tenderia a explicar os problemas atuais do sindicalismo como resultado de fatores estruturais (predominantemente. em conseqüência. Desde essa perspectiva. privilegia a dinâmica de estratégias dos agentes sociais. seria necessário conhecer o grau de conhecimento da situação por parte do agente. a escolha de uma dada perspectiva de análise condiciona a explicação do fenômeno estudado. o desenvolvimento de estratégias de conflito ou de cooperação obedeceria a um cálculo que avaliaria como obter o máximo de ganhos considerando um contexto particular que incluiria a estrutura de relações entre capital e trabalho. Bacon & Byton. já que as escolhas dos agentes se faria a partir de distintas conjugação de fatores. A perspectiva acionista. externos) ou seja. destacam-se a orientação institucional e a orientação que privilegia a ação dos atores sociais.realizado por estudiosos europeus e norte-americanos na tentativa de avançar no entendimento do problema de forma mais abrangente no sentido de ultrapassar os limites da análise empírico-descritiva. Nesse sentido. Kelly (1999) critica a tendência que. baseada na tese Marxista. em decorrência de mudanças ocorridas na realidade econômica e. que aqueles interesses seriam facilmente transformados em conflitos e que estes se constituiriam em traço permanente das relações de trabalho. Sobre as perspectivas de análise Como todos sabemos. concluir-se-ia de forma nãoproblemática que a conduta dos sindicatos deveria fundamentar-se no antagonismo e no conflito de classe. Esse pressuposto ignora. segundo Kelly. Dessa forma. Na primeira abordagem. do regime jurídico. as seções a seguir destacarão alguns aspectos que parecem relevantes na construção de um quadro de análise para exame do sindicalismo. o pressuposto é de ações são forjadas a partir de experiências dos agentes sociais que resultam em estratégias baseadas no exame dos limites e possibilidades que as situações apresentam àqueles agentes. Tal perspectiva tende a destacar as diferenças de resultados (Locke & Thelen. 1998. ou seja. dentre elas. Avaliar as escolhas e ações dos agentes exigiria do observador conhecer a forma como o primeiro “adequar” a escolha ao contexto em que se aplica. sem retirar a importância dos fatores institucionais.

classes and society (2001) parte do exame da diferença. coletivos. Understanding European trade unions. De um lado. a liberalização dos mercados que obriga à acirrada competição. From mobilization to revolution. antes demais nada. a reestruturação das empresas e transformações na organização do trabalho que altera de forma significativa as relações de trabalho. como o processo de globalização. o qual para se afirmar necessita do papel da ideologia para produzir emoções e identificações. New York: Mc Graw Hill. a oposição de interesses dos trabalhadores frente ao capital tem a ver não apenas com o sentimento de insatisfação. Há. A perspectiva acima deixa de abordar adequadamente pelo menos duas questões. Como afirma Kelly. a financeirização da economia que privilegia os acionistas em busca de lucros elevados em detrimento dos demais agentes econômicos e. O livro de Hyman. como a introdução de novas tecnologias que elimina postos de trabalho e altera o perfil dos novos empregados. enfatizando a importância apenas de fatores estruturais.trabalhadores. Between market. os aspectos subjetivos seriam fundamentais para compreender o fenomeno. o comportamento dos trabalhadores é complexo e a relação capital e trabalho necessariamente implica conflito e cooperação: ao mesmo tempo que “resiste” à “exploração”. ou de ambas as formas? Segundo Kelly. Kelly vale-se da teoria de Tilly (Tilly. em oposição a? Tais interesses seriam definidos em termos individuais. externos. mas com o sentimento de injustiça e ilegitimidade. Entre o mercado. que. explicando-os como conseqüências a) das mudanças ocorridas na economia. o trabalhador também coopera com o empregador para garantir o funcionamento da empresa e de sua sobrevivência. b) no mundo do trabalho. C. conflitantes. trata-se a questão de forma simplificada considerando-a como uma realidade homogênea. classe e sociedade Estudos atuais sobre a crise dos sindicatos tendem a evidenciar os impasses que se lhes apresentam. assume-se uma visão determinista. para explicar o debilitamento dos sindicatos. diferentes de. pois iguala-se o que é desigual e impede-se a percepção mais fina que permitiria visualizar causas mais pertinentes para a explicação do fenômeno. Portanto. ter claro que o termo sindicalismo supõe pluralidade de concepções de ação e orientações. muitas vezes. além de conceber de forma simplista a natureza complexa da relação entre conflito de interesses e comportamento conflitivo. portanto. De outro lado. utilizando-se da noção de 103 . Deixa-se assim de evidenciar a pluralidade de orientações e perspectivas que caracteriza a realidade concreta dos sindicatos e que se expressa em termos de valores e atitudes e que correspondem a situações histórico-político-sociais do ambiente em que atuam. 1978) sobre ação coletiva para formular algumas questões cruciais: de que forma os trabalhadores vivem seus interesses vis-à-vis os do capital – iguais a. enfatizando as convergências e minimizando as divergências. Ao obscurecer as diferenças chega-se a conclusões equivocadas.

entre mercado e sociedade e entre sociedade e classe. A organização e a negociação coletiva aumentaria o poder de barganha 104 . a divisão de interesses entre empregados e empregadores (a presença das classes sociais).mas em um dos lados do mesmo. na prática. que lhes imporia condicionamentos sociais. pautar-se-ia pela oposição anticapitalista priorizando a organização da militância e a mobilização política. definindo-se assim três tipos ideais de sindicalismo. a partir de uma visão organicista da sociedade. a sociedade. o modelo que emerge com as lutas de esquerda. cuja prioridade é a consecução de objetivos estritamente econômicos. rejeitando perspectivas revolucionárias ou reformistas e considerando-as como obstáculos às reais necessidades dos trabalhadores entendidas como busca de oportunidades de emprego. Em tempos de mudança. materiais quanto orientações subjetivas. concebidos como: a) veículo de mobilização anti-capitalista tendo em vista promover a luta de classes b) agente de integração social na busca de realização da justiça social através da melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores. Teríamos assim uma matriz complexa que definiria distintas estratégias e formas de ação. elementos básicos de saúde e segurança no trabalho. a identidade dos sindicatos seria definida por sua localização não nos ângulos do triângulo – o que definiria o tipo puro . em oposição ao modelo baseado no antagonismo de classes. no que se refere a aumento de salários. Considerando-se cada lado do triângulo como um contínuo. Na perspectiva do sindicalismo voltado ao mercado. tende a ocorrer reorientações de posições. O argumento de Hyman é de que os modelos acima devem ser compreendidos como tipos ideais e como tal não seriam encontrados na realidade. segundo Hyman. O terceiro modelo é o chamado sindicalismo de negócios com enraizamento maior nos Estados Unidos. uma de funções precípuas do sindicatos seria a de garantir padrões mínimos em termos de salários. em que cada um dos termos se localizaria em um dos ângulos. emerge ao final do século XIX. As localizações e o grau de inclinação refletiriam tanto circunstâncias objetivas. e c) agente de defesa do mercado de trabalho e representantes dos interesses das ocupações. teríamos assim uma pluralidade de orientações. Portanto. No primeiro caso.polarização triangular – mercado. os quais seriam preferentemente definidos através da negociação coletiva (outras formas: contrato individual. classe e sociedade – representados através da figura de um triângulo. jornada de trabalho. bem como a coexistência com um quadro social mais amplo. A construção desses tipos ideais associa-se a distintas identidades que definiriam modelos de sindicatos com diferentes objetivos. especialmente. a perspectiva de integração social pautada pelos princípios do catolicismo social. O sindicato é concebido a partir de uma perspectiva economicista cujo objetivo seria lutar para elevar o bemestar material de seus membros. ou seja. o mercado (a preocupação com os salários). não poderiam ignorar. seguro mútuo ou obrigação legal). ideológicas. inclinando-se de forma mais ou menos contraditória para dois dos modelos: entre classe e mercado. Os sindicatos viveriam a permanente tensão de ter de conduzir-se pelos três eixos acima referidos.

105 . Da mesma forma. observam-se concessões por parte dos trabalhadores preocupados em garantir a sobrevivência da empresa e dos próprios empregos. apóia-se em valores definidos por normas e obrigações sociais. Sendo assim. de uma forma ou de outra. a atos de subversão da ordem seguiram-se. já que os aspectos políticos e sociais estariam. Essa perspectiva baseia-se num pretenso equilíbrio da correlação de forças entre as partes em negociação. torna-se inevitável influenciar o Estado. Hyman corretamente pondera que a realidade não é linear. as regras de mercado originam-se na estrutura das relações sociais. tende a privilegiar os trabalhadores em vantagem no mercado de trabalho. por tipos de contrato de trabalho. a esquerda condenava a negociação coletiva e a burocracia sindical por julga-los responsáveis pela acomodação dos trabalhadores ao sistema. tanto porque geraria retaliação por parte dos empregadores. O conflito não pode ser utilizado de forma permanente. no lugar de radicalizações. até que ponto seria correta a idéia de sindicalismo de classe? Vários argumentos indicariam a inadequação dessa perspectiva: o sindicalismo careceria da possibilidade de promover a unidade de classe em razão da profunda divisão dos trabalhadores em ocupações. sempre presentes. por outro lado. Tais argumentos buscam demonstrar a impossibilidade de existência de um sindicalismo puramente de negócios. que se traduzem na idéia de uma “economia moral”. Além disso. a qual em termos dos trabalhadores é muito dependente das condições do mercado de trabalho. não revoluções. O sindicalismo revolucionário baseava-se no pressuposto de que a luta coletiva por melhores condições de trabalho tenderia a radicalizar-se. já que a lógica puramente de mercado não se sustenta sem regulação. a noção de “salário justo”. historicamente. Ademais. mesmo porque as reivindicações de melhores condições de vida e de trabalho seriam impossíveis de ocorrer nos limites do capitalismo. Nesse sentido. mas regimes autoritários que destruiram os direitos dos sindicatos autônomos. exceto em casos extremos. quanto porque os trabalhadores não estariam dispostos.dos trabalhadores permitindo a obtenção de vantagens acima das condições de mercado. já que contribuiria para formar entre os trabalhadores a percepção de interesses comuns e de desenvolvimento de um sentimento de antagonismo contra os patrões. portanto. Os pressupostos acima não se verificaram: o aumento da produtividade permitiu redistribuição de ganhos para determinados segmentos de trabalhadores. ao tentar impor-se no mercado. a assumir os custos de uma estratégia de antagonismo. constituindo-se também em sua limitação. por ocasião das crises. A subversão da ordem seria inevitável. por qualificação. Hyman argumenta que tal economicismo não pode deixar de ser político. por atributos demográficos que definem interesses distintos. Nesse sentido.

a agenda avança em favor dos trabalhadores. Hyman chama a atenção para o fato de que na primeira geração de pactos sociais vigora a lógica dos ganhos compartilhados com distribuição regulada do crescimento econômico. promove lutas. Nesse caso. portanto. como também não pode apelar à oposição de classe sob pena de ser deslegitimado. como bem salienta Hyman. Poderia também expressar a idéia de uma relação igualitária entre parceiros ou ainda uma relação entre instituições com recursos de poder que buscam uma situação de equilíbrio pragmática. síntese entre negociação coletiva pragmática e política pública de Estado. oportunidades de 106 . A expressão origina-se na doutrina católica e fundamenta-se na idéia de harmonia social e de reciprocidade funcional entre capital e trabalho. ao mesmo tempo em que regulamenta e normaliza as relações de emprego. Hyman destaca três desafios ao próprio conceito: o capitalismo não gerou a polarização de classes. Os sindicatos de classe transformaram-se. cooperação não significaria harmonia de classe ou subordinação. aceitando a defesa da ordem e da estabilidade econômica em detrimento da política de classe. a formulação puramente econômica de classe é inadequada. O sindicato. mas transformação do conflito em permanente “guerra de manobra”. incorporando questões como humanização das condições de trabalho. Os sindicatos aceitam restrições salariais em troca de funções consultivas na formulação e implementação de políticas econômicas e sociais. une e divide. Residiria aí o paradoxo. a realidade das classes manifesta-se pela percepção da exploração e da insegurança. na expressão gramsciana. continuaram com uma retórica política em contradição com a prática diária. A idéia de sindicalismo de classe.sem entrar em detalhes sobre o conceito marxista de classe. a definição “objetiva” da classe não garante a emergência da consciência de classe e ação coletiva. mas como relações institucionalizadas entre oponentes em igualdade de condições. da pressão econômica à influência política. Verifica-se assim mudança de arena . no interesse de ambos. expressaria um paradoxo: a representação do grupo não pode basear-se em unidade de interesses por sua profunda divisão. A partir do final dos anos 1960. Na Europa dos anos 60 e 70. desenvolve-se a noção de sindicalismo como ator de integração à sociedade civil e que no pós guerra expressa-se através da expressão “parceria social”. relativo pleno emprego e expansão do welfare state. autonomia no trabalho. em outros casos. O período entre as duas guerras mostrara que o radicalismo de classe poderia levar não à destruição do capitalismo. mas à emergência de regimes autoritários como o fascismo. Por outro lado. continua Hyman. orientada para a reforma econômico-social. Em oposição à concepção de sindicalismo de classe. o sindicalismo seria um agente de classe. Ainda que indiretamente. consolida-se a opção neo-corporativista ou social democrata. não como ideologia do consenso.da fábrica para a política. alteração da excessiva divisão de trabalho.

o esquema acima passa a ser desafiado por uma onda de greves espontâneas contra a política sindical de coalizão pela produtividade. 107 . De fato. a agenda das negociações coletivas fôra ampliada incluindo questões relativas às condições de trabalho e de vida (desafio à disciplina fabril. Tal modelo era garantido por um expressivo crescimento econômico com estabilidade. Nos anos 1980. Hyman traz os exemplos da Grã Bretanha. que tendia a excluir segmentos desfavorecidos da classe trabalhadora como. Expressava-se assim o modelo que tinha como eixos o mercado e a sociedade. Na Alemanha. ao intenso ritmo de trabalho e à fragmentação de tarefas. des-industrialização. do transporte e eletricidade e questionamento da desigualdade regional no País). o chamado capitalismo organizado estabelecia um certo equilíbrio entre as forças de mercado e a coordenação e regulação do Estado. corrupção. 2001:121). a nova estratégia sindical volta-se para a atuação na sociedade civil. Examinando empiricamente os três tipos ideais de sindicalismo. em razão de mudanças desfavoráveis na conjuntura econômica e política. afirmam os críticos que os sacrifícios foram maiores que os benefícios. demandas relativas ao custo da moradia. mulheres. mas respeitando os limites de regras definidas pela ordem social. da Alemanha e Itália do pós-guerra. na defesa de metas sociais partilhadas também por outros atores sociais. Os sindicatos constituíam-se em atores de conflito. o que garantiria lucro aos empresários e bem estar aos trabalhadores. fatores como crescimento do desemprego. má administração colocam os sindicatos na defensiva e contribuem para a perda do apoio público. Nesse sentido. Nos anos 1970. Na Itália do pós-guerra. que resultava em mercado de trabalho favorável aos trabalhadores. a opção noe-corporativista diferenciase nitidamente do sindicalismo de negócios. o mercado social (Hyman. já que as atividades sindicais não se restringiriam à agenda da negociação coletiva. No contexto de restrição das políticas keynesianas e de novas condições do mercado de trabalho. Nos anos 1970. os ganhos desaparecem com a perda de poder de barganha dos trabalhadores a partir do último quartel do século XX. como movimento social. Os ganhos dessa perspectiva estariam na possibilidade de construção de uma ordem social mais justa numa conjuntura de crescimento econômico expressivo e de mercado de trabalho favorável. Mesmo assim. os sindicatos adquirem influência como atores políticosociais pela ativa contribuição que tiveram na construção de uma estrutura social de bem-estar. cerca de 50% da força de trabalho era sindicalizada. ou seja. trabalhadores imigrantes e de baixa qualificação.desenvolvimento de carreira.

segundo Hyman. segundo Hyman. p. Princeton: Princeton UP. a aliança do PCI com outros partidos incluindo a democracia cristã. no entanto. Nesse sentido. p. o contrário ocorreria com os mais fracos. internos e externos. 1999. surge assim o chamado compromisso histórico. com o objetivo de lutar pela melhoria nas condições dos trabalhadores. Entretanto. como afirmam Hyman (1999) e Dumbois & Pries (1998). aproximar-se-ia da idéia de solidariedade mecânica formulada por Durkheim. 1998. A globalização. A alternativa. seria construir uma nova agenda de regulação supra nacional e as novas utopias deveriam igualmente pautar-se por essa dimensão (solidariedade transnacional). as novas tecnologias. Between Class and market: postwar unionization in the capitalist democracies.A experiência do fascismo levara a esquerda a compreender a impossibilidade da luta pela transformação socialista através da mobilização da classe trabalhadora. liberalização e de privatização. as ações sindicais deveriam substituir a conformidade organizacional pela coordenação da diversidade. as privatizações. mas a limitada capacidade das instituições nacionais para controlar os efeitos de um contexto institucional global. qualificados. podendo até sairem fortalecidos. as novas tecnologias. A literatura tende a explicar o declínio dos sindicatos por fatores externos como a globalização. constituir-se-ia em tarefa complexa: conjugar diferenças requereria negociação contínua. os impactos daqueles fenômenos sobre os sindicatos não são análogos: enquanto os sindicatos mais fortes e bem estruturados teriam melhores condições de enfrentar a nova situação. citado por Hyman. a reestruturação produtiva. Tal estratégia corresponderia. poder-se-ia concluir com Western que “os fatos recentes não indicam o triunfo dos mercados sobre as instituições. 127) 108 . predominantemente. correspondendo à disciplina e padronização do mundo Fordista. A atuação dos sindicatos no século XX. sociedade e classe que pautaram as ações sindicais. evidenciam a forte presença do mercado nos anos 1980 e 1990.195. B. Por outro lado.” (Western. já que tais fatores alteram significativamente os princípios que regeram o mundo do trabalho em boa parte do século XX. As novas tecnologias e seu uso inteligente constituiriam instrumentos valiosos no suporte de estratégias organizacionais. Os sindicatos perdem força e tanto os empregadores como os governos podem mais facilmente dispensá-los nas negociações . homens. O impasse atual residiria no fato de que os sindicatos devem atuar como mediadores de forças econômicas transnacionais. Tais resultados reforçariam a tese de que o declínio dos sindicatos não poderiam ser explicados diretamente pelos processos de globalização. ao modelo classe e sociedade. cujos beneficiários foram os trabalhadores core. Tal coordenação. os novos métodos de organização do trabalho. senão por uma série complexa de fatores estruturais e conjunturais. configuravam-se nos limites da nação. As concepções de mercado. O argumento de Hyman é de que os modelos que vigoraram no século XX tornam-se incapazes de operar com sucesso diante da nova configuração das forças econômico-político-sociais.

Os assalariados. mais recentemente. um movimento contra um sindicalismo voltado para trabalhadores qualificados. em busca de benefícios materiais (elevação dos salários) e simbólicos (dignidade e identidade ao trabalhador). já que os valores pagos pela PLR eram de interesse dos trabalhadores. os preferem para melhor conciliar a jornada de trabalho com a vida privada. Durand afirma que no caso da França. melhor comunicação com as chefias. de desenvolver “expertise 109 . regido por princípios hierárquicos e centralizadores. aspectos relacionados à qualidade de vida e à ampliação da participação. Durand critica igualmente os discursos sobre o sofrimento do trabalho que. houve sub utilização por parte dos sindicatos da possibilidade. Decorreria daí a necessidade de os sindicatos desenvolverem expertise de forma a alcançar o nível de conhecimento da gerência com quem devem negociar. no entanto. obtidos no local e através do trabalho e que invalidam as teses miserabilistas. O desenvolvimento do capitalismo e. o “individualismo do presente” representaria. ao preocupar-se em incorporar entre as demandas dos trabalhadores. redução do autoritarismo. de outro.. No Brasil.Hyman (1999) critica também a tese que atribui o declínio do sindicalismo a aspectos subjetivos baseados na idéia que opõe ao coletivismo do passado. o suposto “coletivismo solidário do passado” também representou “. teria trazido compensações como. da economia de serviços.” (Hyman..um veículo mais eficaz para apoiar as metas econômicas individuais. intensificação do ritmo de trabalho). muitas vezes. afirma ele. o surgimento dos sindicatos relacionava-se à luta contra as más condições de trabalho. é ilustrativo o ocorrido com o pagamento da chamada Participação nos Lucros e Resultados (PLR): rejeitada pelos sindicatos. segundo o autor.21) e. prazeres. ignoram as satisfações. do setor industrial. Nesse sentido. muitas vezes. p. o “novo individualismo” teria o mérito de ampliar o escopo do velho coletivismo economicista das negociações coletivas. passou a vigorar em muitas empresas por acordo entre estas e os trabalhadores. 1996. altera-se o papel dos sindicatos: a oposição entre “sindicalismo revolucionário” e “sindicalismo reformista” teria cedido lugar à oposição “sindicalismo reivindicativo” e “sindicalismo cooperativo”. Durand aponta também para os equívocos dos sindicatos ao interpretarem as opções dos trabalhadores: os sindicatos opuseram-se à adoção de horários flexíveis porque estes tenderiam a desestruturar os coletivos de trabalho. do sexo masculino. O autor argumenta que com a complexificação da estrutura do capitalismo e as transformações no mundo do trabalho. as quais tenderiam a substituir algumas das demandas sindicais. prevista em lei. Sindicato Competente Segundo Durand (2004). se não eliminou os problemas no trabalho (insegurança. De um lado. o individualismo do presente. elevação da qualificação. status.

Isso pode ocorrer quando a empresa exige muitas concessões dos sindicatos sem compensações aos trabalhadores. Nessa perspectiva. Baseiam-se na idéia de “batalha final”. a cooperação pode ocorrer sobre questões 110 . Portanto.prevê quatro possibilidades de respostas: a. participação e conflito não seriam termos excludentes. c. mas antecipar-se e intervir desde o início do processo. Oposição moderada: sindicatos moderados podem. torna-se necessário forçar a aceitação de reformas importantes. engajamento cooperativo: os sindicatos cooperam com a empresa sobre a questão das mudanças. a tendência seria haver uma distribuição dos ganhos ao final das negociações. Os autores buscam avaliar a natureza das respostas e o impacto das mesmas sobre a reestruturação no local de trabalho.tecnológica”. b. uma vez que esta não poderia desenvolver-se sob conflito permanente – a produção é sua condição de existência – e nem em cooperação total. A matriz construída a partir da combinação das duas dimensões – orientação ideológica e ação . Diante de tais situações. Sindicato como agente social Bacon & Blyton (2004) valem-se da perspectiva que privilegia a estratégia dos agentes sociais. os negociadores teriam dificuldades em definir o curso racional da ação e prever resultados. Dada a complexidade do contexto. d. os sindicatos não fugiriam à confrontação. recusar-se a cooperar e opor-se às mudanças. lutando para obter informações estratégicas. sempre que os interesses dos trabalhadores e da empresa coincidem. O modelo de cooperação. tendem a acreditar que a empresa agiria de forma justa. os negociadores tenderiam a empreender todos os esforços para alcançar resultados que mantivessem um certo equilíbrio entre objetivos conflitantes. pressionando as gerências para influenciar decisões. sob pena de eliminar a razão de ser dos sindicatos. mas incluiriam-se na política sindical. portanto. Importante seria também expertise na gestão econômica e financeira da empresa. mesmo assumindo uma posição cooperativa. Oposição militante: os sindicatos podem recusar-se a cooperar. às vezes. necessitam de uma liderança de esquerda bem organizada. não significaria apenas negociar sob o princípio de ganhos mútuos. os sindicatos não deveriam limitar-se a gerir ou reparar as conseqüências sociais dos processos de reestruturação. O risco dessa estratégia seria a adoção da agenda da empresa em detrimento dos interesses dos trabalhadores. Engajamento militante: sindicatos com orientação militante podem cooperar taticamente. Cooperação e confrontação. muitas vezes. utilizando-se de duas dimensões – orientação ideológica e ação para construir uma matriz de respostas dos sindicatos durante as negociações.

levar-nos-ia a concluir que a orientação militante seria a mais recomendável e que os moderados agiriam de forma irracional. concluiu que: Os sindicatos militantes que possuem organização no local de trabalho quando cooperam por razões táticas. Por outro lado. Ao contrário. assim como convencer os filiados de que cooperar não significa vender-se ao capital. em razão de poderem recorrer com a possibilidade/ameaça de oposição. Em outro exemplo. saúde e segurança. Os autores chamam a atenção para a importância de avaliar-se os resultados considerando a combinação entre ação na negociação e orientação ideológica. pareceria igualmente racional aos gerentes forçar os sindicatos moderados a fazer concessões. o sindicato 111 . a intensificação no ritmo do trabalho foi rejeitada e a satisfação no trabalho elevou-se. tais conclusões demonstrariam que explicar os resultados baseando-se apenas nas ações dos sindicatos durante as negociações. salários. Em outro caso. levaria a equívocos. um dos sindicatos investigados havia cooperado para a introdução de “trabalho em equipe”.especificas como. avaliar os resultados considerando apenas os resultados para os empregados (demissões. ainda que o resultado fosse maior intensificação no ritmo de trabalho e demissões. No caso de um sindicato de oposição militante. podem obter benefícios significativos. na expectativa de que essa forma de organização do trabalho contribuiria para o aumento de produtividade da planta. Segundo Bacon & Byton. segundo os autores. Na pesquisa realizada por Bacon & Byton. Entretanto. A pesquisa realizada pelos autores para analisar os resultados de negociações em que as posições acima foram adotadas. satisfação no trabalho e stress no trabalho). A ideologia dos sindicatos influenciaria também a estratégia da empresa: sindicatos com ideologias militantes inibiriam a empresa de impor mudanças uma vez que o risco de não chegar a um acordo seria maior. esses últimos resultados foram rejeitados. Esta influenciaria fortemente as escolhas e decisões de seus representantes no processo de negociação. ao mesmo tempo em que cooperam com a empresa para garantir a viabilidade dos empregos.esta apenas funcionaria quando detém a ameaça real de oposição – nem de rejeição a priori da cooperação. Terão dificuldades em convencer a empresa de que estão sendo sinceros. Os autores concordam com a afirmação de que Kelly de que o comportamento dos trabalhadores é complexo: resistem à “exploração”. tendo em vista que o aumento de produtividade seria pequeno. já que condicionaria os sindicatos para agir de acordo com a decisão de cooperar ou não. isso não deve ser um argumento nem a favor da cooperação por si mesma .

Os autores concluem que as escolhas nas negociações são complexas. vêem. já eram um fato na Roma antiga da era antes de Cristo. poderiam ser consideradas fontes primárias e inspiradoras da organização dos trabalhadores em entidades de classe.impediu mudanças no trabalho. de outro. mas com baixa elevação na satisfação no trabalho e impacto menor na produtividade do que no número de demissões. De modo que a organização dos trabalhadores em sindicatos de classe surge como a principal forma de minimizar o desequilíbrio existente entre as partes nas relações trabalhistas. em um dos casos estudados por Bacon e Byton. sobretudo. em plena vigência do regime escravista. na época submetido ao regime de escravidão. em busca do equilíbrio de forças nas relações de trabalho. colocando-se em uma situação privilegiada nas relações de trabalho. a conquista de uma vida mais digna e respeito ao ser humano trabalhador. única. representadas pelas organizações de trabalhadores. à ausência de alternativas de emprego no local. durante o Império Romano. o equívoco das análises marxistas. durante as disputas reivindicatórias. cada vez mais. o importante a reter seria que os atores agiriam racionalmente segundo os seus objetivos. a empresa em questão pagar percentual significativo de altos salários e. Por exemplo. cujo foco dirigindo-se apenas à ideologia e aos ganhos dos trabalhadores. de estabelecer a mediação dos conflitos entre trabalhadores e empregadores. Aquelas ações e lutas. O filme "Spartacus" retratou de maneira didática e épica os esforços dos trabalhadores. Decorreria daí. Greves e conflitos trabalhistas O melhor caminho para abordar o movimento sindical é lembrar que se trata de uma forma ímpar. avalia a moderação dos sindicatos como concessão. relacionava-se em parte ao fato de. segundo os autores. Não é difícil perceber que os empregadores. para se organizarem e reivindicarem melhores condições de trabalho e. aumentar seu poder. Os conflitos no mundo do trabalho vêm de longe e as tentativas de encontrar mecanismos que pudessem estabelecer o equilíbrio de forças entre as partes. ignorando que a estratégia dos mesmos obedece à uma lógica em busca de fins racionais. 112 . por um lado. que são os donos do capital e dos empregos. a tradição de moderação do sindicato.

começam a aparecer as formas manufatureiras de produção mercantil e a serem formados os Estados Nacionais e verificam-se processos de acelerada acumulação de capital que se expande por toda Europa. A reestruturação do sistema produtivo. com a criação dos turnos de trabalho. os quais impunham à sociedade de então o regime do trabalho servil. As máquinas cada vez mais modernas substituíam a produzir já não apresentavam a produtividade exigida pelos novos manufatureira. membro da mesma dinastia que governou Portugal e suas colônias de além mar. tivemos o início do processo de industrialização retardado pelas proibições impostas pelo governo colonial que dominou o nosso País até 1822.Com a queda do Império Romano e o fim do regime escravista na Europa. No início do século XIX. As primeiras indústrias foram aparecer na década de 50 do século XIX. a forma de organização dos trabalhadores em sindicatos de classe já estava reconhecida e consolidada para a intermediação e solução de conflitos trabalhistas. As formas artesanais de desenvolvimento tecnológico. Com isso. A saída para a classe trabalhadora era buscar sua unidade e formas de organização que possibilitassem enfrentar a exploração imposta pelo poderio do capital e garantir os empregos. incluindo a redução da jornada de trabalho. que produziam sem submissão aos senhores feudais. Com cartas. que resultou em maior oferta de empregos. levaria à transformação da produção no sistema produtivo. as restrições antes existentes permaneceram. além de leis reguladoras das relações trabalhistas. além da falta de capital que o regime escravista cultivava para manter privilégios dos senhores donos das terras e dos escravos. à revolução industrial. Os chamados profissionais de ofício tempos. Com a Independência. ou ainda por mulheres e eram substituídos por trabalhadores menos especializados e mão-de-obra tradicional. ameaçados pela mecanização e pelas linhas de produção. cresciam a insegurança dos trabalhadores e sujeitos a uma menor remuneração. Continuam os conflitos nas relações de trabalho e a busca de meios para fazer a mediação e a negociação visando à concretização de conquistas de direitos que atenuassem o regime de extremada exploração da classe operária nascente. As economias vão se refazendo e se recriando. com base no a sua insatisfação com o emprego de técnicas mais avançadas crianças. No Brasil. A partir dos anos 1500. constituídas por artesãos nas cidades e aldeias. Só no 113 . As ações dos trabalhadores não foram em vão. período em que surgiram as corporações de ofício. feita sob a liderança do príncipe Pedro I. manifestações de rua. a classe trabalhadora das fábricas e dos serviços impunha o diálogo e a negociação. tivemos a chamada Idade Média. Conquistas vão se sucedendo. greves e um crescente nível de organização. Essas lutas adquiriram grande amplitude e muitas vezes formas radicalizadas. que durou mais de mil anos. a ponto de levar os manifestantes a quebrarem máquinas.

greves memoráveis e novas conquistas.início do século XX começaria uma modesta industrialização no eixo Rio-São Paulo. o repouso semanal remunerado. São Paulo e Rio de Janeiro. sindicatos de grande número de categorias importantes conseguiram livrar-se dos "pelegos" e voltar à combatividade dos anos 10 e 20. Assembléias e passeatas eram proibidas. Mas. criando a famosa figura do "pelego".e também com o Poder Público . A partir daí. Durante o regime militar. que promovem assembléias. com a derrota do Nazifascismo. Na Velha República. a questão social era considerada um "caso de polícia". os sindicatos voltam a sofrer inter venção. segurança no emprego e outros direitos sociais. o papel de interlocutor representativo dos interesses coletivos das categorias de trabalhadores em seus embates com os empregadores . organizam-se os primeiros sindicatos no Brasil. Nos anos 10 e 20 do século XX. houve uma eleição na qual a ditadura sofreu uma histórica derrota. que vai até o golpe de 1964. com atribuições assistencialistas e de colaboração de classe. surgem as primeiras manifestações estudantis e operárias em São Paulo. passeatas. aparece um novo 114 . Em 1979. Era um movimento que reivindicava melhores salários. sob pressão da ditadura implantada. a ação sindical dos trabalhadores. férias de 30 dias e 13º salário. jornada de 8 horas diárias. é preciso dizer que o movimento sindical brasileiro sempre teve que enfrentar a repressão policial desde o seu nascimento. Na década de 80 do século passado. que implantou o regime militar. sempre apoiados em uma imprensa operária combativa. o general Ernesto Geisel. as primeiras greves. depois da proclamação da República. Durante a ditadura Vargas.no caso. Com o aparecimento de indústrias e o crescimento do número de operários. as suas manifestações já alcançavam um grande vigor em toda a região industrializada do País . pela falta de democracia no País ao longo de quase todo o século XX. depois da Segunda Guerra Mundial. com um novo ciclo de lutas sindicais. em sua plenitude. em um Estado de Direito democrático. e tutelar os sindicatos. greves e os mais diferentes tipos de manifestação. o Estado decidiu consolidar uma legislação para as relações de trabalho. Em 1917. Em 1978. entre as quais. em 1974. nem pensar.em um ambiente de vigência da democracia. Greve. começa uma "abertura lenta e gradual". era considerada subversão contra o regime e quem dela participasse estava sujeito aos rigores da Lei de Segurança Nacional. São Paulo foi palco da histórica greve geral dos operários da indústria. Neste período. congressos. É importante destacar que o movimento sindical só pode exercer. Neste particular. Apesar dessas dificuldades. os sindicatos continuavam sujeitos à legislação imposta pelo "Estado Novo" e à intervenção do Ministério do Trabalho. como diria o Presidente de então. No regime da Constituição de 1946. ocorreram grandes lutas. sinal de que estava sendo repudiada pela sociedade. criada e editada por trabalhadores imigrantes com experiência adquirida no movimento sindical europeu. a CLT. dos trabalhadores em transportes e dos empregados do comércio.

tenham levado à quebra da unidade da central sindical provisória organizada no início da década de 80 do século XX. tanto durante o período da Constituição de 46. estabelecendo todo um rito a que os sindicatos deviam obedecer para decretar uma greve. o 9. é livre a organização sindical no Brasil e o exercício pleno do direito de greve. Essa fragmentação em tantas centrais sindicais reduz o poder da pressão e de negociação dos trabalhadores frente às organizações patronais e frente aos governantes. cabe lembrar que. Com as ressalvas já feitas sobre as restrições ao direito de greve no século passado em nosso País. Atualmente. Força Sindical. uma limitação do direito de greve que quase a inviabilizava. Não obstante isso. No Brasil. O Brasil já viveu momentos de intensa mobilização dos trabalhadores e grandes movimentos grevistas. cabendo à Justiça decidir se e quando a greve é abusiva. no início da década de 40 do século passado. o trabalhador de determinado setor está se contrapondo a direitos das empresas e direitos de outros setores da sociedade. quanto após o regime ditatorial. legalmente. ou melhor. durante o primeiro governo de Getúlio Vargas. a Conclat (Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras). um certo refluxo dos movimentos grevistas. duas CGTs. coisas que eram proibidas até então. as primeiras referências ao direito de greve apareceram na Consolidação das Leis do Trabalho. o Lula. Hoje. Quando a intermediação feita pelos sindicatos. Talvez isso se deva ao 115 . Com a vigência da democracia em nosso País. A greve é um instrumento de força útil e necessário de que dispõe o trabalhador para compensar o poder do capital. os trabalhadores têm desenvolvido e aperfeiçoado as suas organizações de classe e utilizado esse poder que dispõem para garantir e ampliar conquistas nas disputas entre o capital e o trabalho. e Enilson Simões. sob a liderança de Luiz Inácio da Silva. desde a promulgação da Constituição de 1988. Pena que as diferenças de caráter político. nota-se um certo declínio. consagrado internacionalmente. conforme foi dito na época. o direito de greve acabou se consagrando em constituições e legislações específicas exatamente para dar equilíbrio às relações de trabalho. a CLT. saíram seis centrais sindicais: CUT. na verdade. o meio mais eficaz a seu dispor. essa forma de luta é plenamente reconhecida para todas as categorias de trabalhadores dos setores privado e público. O direito de greve é juridicamente um direito estranho. CAT e SDS. depois da Carta de 88 que está em vigor. Do racha havido na Conclat. inclusive no serviço público. Quando desencadeia uma greve.sindicalismo no ABC paulista. o próprio Vargas baixaria um decreto.070. os trabalhadores procuram romper o impasse com a greve. não resolve o conflito nas relações de trabalho e não apresenta resultados. o Alemão. para fazer o empregador pensar e negociar as reivindicações colocadas na mesa pelos sindicatos dos empregados. existentes no movimento sindical. Depois. através de negociações com os empregadores. tendo em vista que o seu uso pelo trabalhador contrapõe-se a outros direitos. Tratavase de uma regulamentação "para evitar abusos".

que temem o desemprego. porquanto. o desemprego provoca insegurança. basta dizer que o Bradesco. Além disso. hoje. mas pouco desemprego. O fechamento de postos de trabalho se deve ao fraco crescimento da economia e ao desenvolvimento tecnológico. A tecnologia. a Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. o problema é muito grave. O DESEMPREGO NO BRASIL E NO MUNDO O desemprego não é um problema só no Brasil. Mas. no início da década de 80 do século XX. e certamente é uma das principais causas do desemprego mundial. a informatização. na época. ele ocorre na Europa e em toda parte do mundo. empregava 160 mil funcionários. Excetuando-se os Estados Unidos. Na Europa. houve a redução da jornada de trabalho para 8 horas e a semana de 5 dias. hoje. Tudo é informatizado. Para simplificar. nós temos efetivamente um problema de desemprego estrutural. onde diminuem em menos da metade os postos de trabalho. com a metade do número de agências que possui hoje. 20. é grande a preocupação dos trabalhadores. atualmente está com 65 mil. Nos países subdesenvolvidos. para a família e para o Estado. No Brasil. das autoridades e dos estudiosos de problemas sociais. em qualquer família alguém desempregado. no Japão. Uma máquina substitui o trabalho de 10. à diminuição da oferta de postos de trabalho. a Fundação Seade/Dieese fala em 18% na região metropolitana da Grande São Paulo. não é só na indústria que diminui o emprego. Já foi dito que a revolução industrial provocou insatisfação dos trabalhadores. elas vão direto 116 . A verdade é que temos. aquela sensação de inutilidade para o mundo social. Para o cidadão desempregado e sua família. 40 ou mais pessoas. onde a questão está minimizada pelo longo período de crescimento da economia durante o governo de Bill Clinton. as vagas fechadas numa empresa eram supridas pela abertura de outras empresas. a indignidade. dos sindicatos. as novas tecnologias. atualmente observa-se a diminuição do número de vagas no mercado de trabalho. Esse fenômeno nas relações de trabalho vem enfraquecendo os movimentos e as organizações dos trabalhadores. Essa é uma realidade que está muito próxima de cada um de nós. as pessoas não precisam do caixa humano. O desemprego causa vários problemas: para o desempregado. enquanto o IBGE fala em taxa de 12%. Vejam o exemplo do banco já citado. que vem desde a revolução industrial na Inglaterra em 1750. a situação não é diferente. com a globalização. isto porque. Todavia.aumento do desemprego. particularmente na indústria. a despeito de não possuirmos dados precisos sobre o desemprego. nas demais partes do mundo o fenômeno é visto com preocupação. traz problemas.

Aquele que deseja voltar ao mercado de trabalho deve se reciclar. Ao contrário. agravando todos os problemas sociais. a principal preocupação do movimento sindical. Para se ter uma idéia do estrago ocorrido neste setor. porque têm o robô fazendo o trabalho de muitas pessoas. na década de 80 do século passado. através dos Fundos de Amparo ao Trabalhador. não só os bancos. Haja visto o que se passa no setor automobilístico. para uma capacidade de produção de um milhão e quinhentos mil veículos. por exemplo. mesmo porque aquela vaga. De modo que a questão do emprego é. 117 . Porém. são necessárias outras medidas para gerar mais empregos. mas não resolve o problema. buscando uma colocação em outra área ou ramo de atividade. a que mais sofre com a falta de trabalho e queda da renda. O governo. Esses funcionários perdem o emprego e não têm outra oportunidade. Essa iniciativa ajuda. cortando milhares de postos de trabalho. sistemas produtivos completos. hoje. as montadoras empregavam 140 mil empregados. da família. O desempregado não pode ficar esperando nova oportunidade para ocupar a mesma vaga que ocupava antes da demissão. Isso realmente gera desemprego e tanto o governo quanto a sociedade têm que contribuir para encontrar uma solução. para uma capacidade de produção de três milhões de veículos. ele deve estar preparado. ou melhor. essa não é a única saída para abrir postos de trabalho no mercado. do Estado e. pois o trabalhador. a reforma sindical e trabalhista tem que ter como prioridade a procura de caminhos para impor aos governantes a execução de programas de desenvolvimento que resultem em geração de empregos. Só este exemplo mostra que. tem oferecido recursos para treinamentos e reciclagens aos desempregados. para isso. mas as indústrias estão sendo robotizadas. Hoje. Sendo assim. onde investimentos maciços e duplicação da capacidade produtiva não resultaram em geração de novos empregos. porque todos os ramos de atividade estão se modernizando. com os investimentos feitos as empresas puseram em prática um amplo programa de modernização e automação. aquela função pode deixar de existir. Só assim poderão encontrar outra atividade e assumir uma nova vaga no concorrido mercado de trabalho moderno. sem essa reciclagem não vai conseguir uma recolocação no mercado de trabalho. Os profissionais que perdem seus postos de trabalho devem passar por treinamentos e reciclagens. Estão desaparecendo muitas profissões e atividades profissionais. Hoje temos linhas completas.ao caixa eletrônico. as montadoras empregam apenas 90 mil trabalhadores. além de investimentos e programas de crescimento econômico. basta dizer que. Talvez a solução momentânea seja a requalificação profissional. principalmente.

quebra do princípio da unicidade e adoção do princípio da pluralidade sindical. na visão do governo. previa as seguintes mudanças na atual legislação: . A pretensão é mudar a atual estrutura sindical a partir do consenso em torno do princípio geral da liberdade e autonomia sindicais e reconhecimento das centrais sindicais existentes. É possível que a pretendida atual reforma da estrutura sindical retome pontos da reforma proposta pelo governo anterior que. que se instala todos os anos no mês de setembro. Mas. O governo quer superar essa questão da legislação sindical para poder ratificar a Convenção 87 da OIT.operados por robôs. também. quando os sindicatos foram atrelados ao Ministério do Trabalho e era proibida a organização de centrais de trabalhadores representando diferentes categorias. a Organização Internacional do Trabalho. que só admite na Convenção países que consagram a liberdade e autonomia para os trabalhadores organizarem-se de maneira que acharem melhor. resumidamente. E. Organização Internacional do Trabalho. . a redução da jornada não pode ser um ato isolado e unilateral de um só país ou dois. a não obrigatoriedade da formação de sindicato por categoria profissional e permissão da organização de sindicatos por empresa. para dar emprego às centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro que precisam trabalhar. A idéia é que a atual estrutura sindical ainda padece de amarras criadas na Era Vargas. Os processos tecnológicos empregados na atualidade e mais a presença crescente da mulher no mercado de trabalho exigem uma redução drástica da jornada de trabalho. uma instância de negociação do chamado pacto social. pressupõem a quebra do princípio da unicidade. Aqui fica a sugestão para o governo brasileiro levar essa questão à Assembléia Geral da ONU. para que não haja redução de salários. envolvendo empresários. trabalhadores e representantes do governo federal. OS PONTOS POLÊMICOS DA REFORMA TRABALHISTA E SINDICAL O governo Lula pretende formatar a nova estrutura sindical do País no Fórum Nacional do Trabalho. ou seja. para que não haja um desequilíbrio nos custos de produção e quebra da eqüidade competitiva entre os países no mercado mundial. Liberdade e autonomia sindical.fim do imposto sindical. É preciso estabelecer uma nova jornada de trabalho de caráter universal. algo como uma resolução da Organização das Nações Unidas para ser cumprida por todos os países e para ser fiscalizada a sua aplicação por um órgão tipo OIT. aquela contribuição obrigatória de um dia de 118 .

individualmente ou em grupo. o que permitiria dispensar a organização de sindicatos patronais para realizar negociações e fazer acordos coletivos. os sindicatos deixam de representar os interesses da categoria como um todo de sua base perante a Justiça do Trabalho. . tais como o imposto sindical e outras que agora se pretende suprimir.fim da substituição processual. abolindo o sistema atual que prevê três contribuições: imposto sindical (um dia de salário por ano). Técnicos e consultores que prestam serviço de assessoria a sindicatos dizem que a quebra do princípio da unicidade levaria a organização sindical a tal grau de dispersão que. . com um alto poder de pressão sobre o patronato.limitar o valor da contribuição sindical. . . que a Constituição de 88 já desatrelou o sindicalismo do governo e do Ministério do Trabalho.condicionar o acesso à Justiça do Trabalho a chamada "conciliação prévia".uma conquista no terreno da organização dos trabalhadores que faz do sindicalismo brasileiro um dos mais poderosos do mundo. Já com os sindicatos e entidades de trabalhadores do setor público. ou seja. As centrais sindicais também divergem em vários desses pontos. A maioria desses pontos constantes da emenda constitucional proposta pelo governo de Fernando Henrique Cardoso é rejeitada pelas entidades sindicais.organização de sindicatos por empresa.salário do trabalhador com carteira assinada. descontada anualmente nos meses de março/abril. razão pela qual acabaram sendo retirados do Congresso ainda no governo anterior. teríamos não 15 mil mas 80 mil sindicatos em todo o País. A reforma da estrutura sindical como um todo encontra grande resistência das entidades de trabalhadores do setor privado. As três outras se estendem a toda categoria da base sindical. em poucos anos. . sem falar na mensalidade dos associados. o fim do imposto sindical e a redução do papel da Justiça do Trabalho para julgar litígios trabalhistas. . envolvendo as partes em litígios. razão pela qual não vêem motivos para a quebra da unicidade. é diferente. consagrou a liberdade e a autonomia sindical. Os sindicalistas que mais resistem às mudanças na estrutura sindical argumentam. porque são formados a partir da Constituição de 88 .eliminar o poder normativo da Justiça do Trabalho. enfraquecendo 119 . e com razão. por exemplo . .a representatividade do sindicato só alcançaria os seus associados.não incorporam questões da estrutura da era getulista.dar à Justiça do Trabalho atribuição de julgar apenas dissídios coletivos e não mais ações trabalhistas de cada trabalhador. contribuição confederativa e contribuição assistencial. Portanto. A maioria delas rejeita a quebra do princípio da unicidade.

CAT: é pela manutenção da unicidade. os sindicatos de pequenas categorias. . . 120 . terão que se submeter a perdas de direitos que levarão a uma redução dos rendimentos dos trabalhadores. a corrente Classista é pela manutenção. tais como redução das férias. A posição das centrais sobre as reformas e sobre a unicidade em especial: .Força Sindical: é pela extinção da unicidade passando por um período de transição. redução salarial por uma jornada menor de trabalho. Outro ponto que enfrenta resistência do movimento sindical é a chamada substituição processual. sem grande poder de pressão. nas negociações entre patrões e empregados. tratada como a troca do "julgado pelo negociado". . banco de horas e outras. Para as lideranças sindicais. colocar cláusulas nos contratos coletivos de trabalho que alterariam dispositivos da legislação trabalhista.a sua capacidade de lutar por melhorias nas condições de vida do trabalhador.CGTB: é pela manutenção da unicidade. se prosperar essa tendência de substituir a lei por acordos coletivos. .SDS: é pela extinção da unicidade. que permitiria.CUT: a corrente Articulação e a corrente Alternativa são contra a manutenção da unicidade. .CGT: é pela unicidade.

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