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Apostila de Economia e Sociologia do trabalho

Apostila de Economia e Sociologia do trabalho

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Sections

  • 2. O mercado de trabalho
  • Demanda por trabalho: o modelo competitivo e modelos não competitivos
  • Decisões de emprego das empresas
  • Custos não salariais
  • Elasticidades da demanda
  • Oferta de trabalho: a decisão de trabalhar e a opção renda x lazer
  • Curva de oferta de trabalho
  • Elasticidades da oferta
  • O equilíbrio no mercado de trabalho
  • Diferenciação compensatória
  • Capital Humano: educação e treinamento
  • Segmentação no mercado de trabalho
  • Salário eficiência e modelos de procura de emprego
  • Assistência ao desemprego
  • Sindicato: monopólio bilateral e monopsônio
  • O mercado de trabalho no Brasil
  • Sociologia do Trabalho:
  • O Conceito de Trabalho
  • DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO
  • População e Emprego. População, população ativa e população ocupada
  • Trabalho e Progresso Técnico
  • Trabalho parcial e integral
  • Trabalho artesanal, manufatura e grande indústria
  • A crise da sociedade do trabalho
  • O determinismo tecnológico
  • Trabalho e empresa - Poder e decisão na empresa
  • Estrutura e organização da empresa
  • A classe dirigente
  • A ação sindical e sua tipologia
  • Greves e conflitos trabalhistas

Economia e Sociologia
do Trabalho

Economia do Trabalho: Conceitos básicos e Definições.............................................02
Mercado de trabalho formal e informal...........................................................................08
O mercado de trabalho.....................................................................................................11
Demanda por trabalho: o modelo competitivo e modelos não competitivos.............12
as decisões de emprego das empresas.........................................................................18
custos não salariais..........................................................................................................22
elasticidades da demanda...............................................................................................23
Oferta de trabalho: a decisão de trabalhar e a opção renda x lazer............................24
a curva de oferta de trabalho...........................................................................................27
elasticidades da oferta.....................................................................................................28
O equilíbrio no mercado de trabalho..............................................................................29
Os diferenciais de salário................................................................................................30
Diferenciação compensatória.........................................................................................31
Capital Humano: educação e treinamento.....................................................................32
Segmentação no mercado de trabalho...........................................................................43
Desemprego. A taxa natural de desemprego. Tipos de desemprego e suas
causas................................................................................................................................46
Salário eficiência e modelos de procura de emprego...................................................48
Instituições e mercado de trabalho. A intervenção governamental: política salarial e
políticas de emprego........................................................................................................49
Assistência ao desemprego............................................................................................59
Sindicato: monopólio bilateral e monopsônio...............................................................59
O mercado de trabalho no Brasil....................................................................................61

Sociologia do Trabalho....................................................................................................70
O Conceito de Trabalho...................................................................................................70
Trabalho: ação, necessidade e coerção.........................................................................72
Exploração e alienação....................................................................................................71
Trabalho e remuneração. O sistema de assalariamento..............................................77
Valores e atitudes. Os valores do Trabalho...................................................................78
A divisão social do trabalho............................................................................................80
População e Emprego. População, população ativa e população ocupada...............83
Trabalho e Progresso Técnico........................................................................................85
Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. Processo de trabalho e organização
de trabalho........................................................................................................................85
Trabalho parcial e integral...............................................................................................87
Trabalho artesanal, manufatura e grande indústria......................................................89
A crise da sociedade do trabalho...................................................................................92
O determinismo tecnológico...........................................................................................93
Trabalho e empresa. Poder e decisão na empresa.......................................................95
Estrutura e organização da empresa..............................................................................97
A classe dirigente...........................................................................................................100
A ação sindical e sua tipologia.....................................................................................100
Greves e conflitos trabalhistas.....................................................................................112

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Economia do Trabalho

Conceitos básicos e Definições

A economia do trabalho procura entender o funcionamento do mercado e a sua
dinâmica relacionada ao trabalho. Os mercados de trabalho funcionam através
das interações entre trabalhadores e empregadores. A economia do trabalho
observa os ofertantes de força-de-trabalho (trabalhadores), seus demandantes
(empregadores) e tenta entender os padrões resultantes de salários e outras
rendas do trabalho, de emprego e desemprego. Usos práticos incluem a
assistência na formulação de políticas de pleno emprego.

CONCEITOS BÁSICOS

PEA ou Força de Trabalho – expressa a quantidade de pessoas que
potencialmente colocam sua mão de obra para suprir as necessidades da
empresa. Engloba as pessoas empregadas como as que estão disponíveis para
trabalhar, mas não estão conseguindo emprego (denominadas desempregadas);
PIA – população em idade ativa;
PINA – população em idade não ativa.

População economicamente ativa (PEA)

Empregados
a) plenamente ocupados: - em tempo integral - em tempo parcial
b) subempregados: - visíveis - invisíveis

Desempregados
a) buscando trabalho: - já trabalharam - nunca trabalharam (1º emprego)
b) não estão procurando trabalho, mas dispostos a trabalhar em condições
específicas: - já trabalharam - nunca trabalharam
População não economicamente ativa (PNEA)

Capacitados para o trabalho
a) trabalhadores desalentados ou desencorajados (dispostos a trabalhar, mas
desestimulados a buscar emprego):
- dedicando-se a afazeres domésticos
- estudante
- aposentado
- pensionista
- rentista e outros

b) inativos (não buscam trabalho nem desejam trabalhar): - inválidos - idosos -
réus - outros Essa forma de apresentação da PEA é universal, contemplada pelas
mais importantes instituições voltadas para questões do mercado de trabalho e

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adotada nos principais inquéritos, visando captar aspectos recativos à atividade
econômica dos indivíduos. A principal polêmica ocorre em como enquadrar
determinada categoria ocupacional com base numa situação observada. Como
exemplo, temos o subemprego que, para alguns (como o IBGE), é uma categoria
entre os empregados, enquanto para o Dieese é uma forma de desemprego.

As seguintes observações merecem também destaque:
a) alguns indivíduos que não trabalham fazem parte do mercado informal, que é
composto também por indivíduos que trabalham;
b) o nível de participação na PEA pode alterar-se sem modificações originadas por
aspectos demográficos;
c) o critério para definir idade ativa é arbitrário, variando entre países, mas, em
geral, contido no intervalo entre 10 e 15 anos de idade. No Brasil, adota-se o
critério de 10 anos como limite mínimo para idade ativa;
d) os desempregados autênticos representam um patamar mínimo de
subutilização da mão-de-obra, desde que entre os empregados existam os
subempregados;
e) o fato de o indivíduo estar em idade ativa não o caracteriza como
economicamente ativo; f) possuir capacidade para trabalhar também não assegura
que o indivíduo seja economicamente ativo;
g) desemprego não significa inatividade.

Finalmente, devemos notar que as categorias classificadas como
economicamente ativas da forma mencionada, ainda que representativas do
volume de trabalho apto e imediatamente disponível, não revelam a total
potencialidade da força de trabalho. A força de trabalho não leva em consideração
aspectos como nível educacional dos trabalhadores, experiência no trabalho,
qualidade do trabalho, horas trabalhadas, entre outras variáveis que são
determinantes do trabalho potencial dos indivíduos componentes do mercado de
trabalho. Dessa forma, a PEA deve ser interpretada como um conceito parcial no
que diz respeito à oferta do trabalho imediatamente utilizável no país.

INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO

Vimos a composição da População Economicamente Ativa (PEA). Para avaliar o
comportamento desse mercado, uma série de indicadores é construída: alguns
diretamente das definições apresentadas, e outros - com o índice de salário real –
que não emergem diretamente do que foi descrito, mas sim por meio de variáveis
que se formam no mercado. Tais indicadores possibilitam tanto refletir sobre o
desempenho quanto avaliar o comportamento da economia. Podem também ser
utilizados como importantes fatores de orientação no processo de tomada de
decisões (seja pelo governo ou pelas firmas), visando proporcionar melhorias no
padrão de vida, nas condições de emprego e trabalho e, principalmente, na
harmonização das relações entre capitalistas e trabalhadores. Servem ainda para
refletir estados de pobreza ou miséria, além de contribuir para a avaliação do nível
de absorção de mão-de-obra e de seu grau de subutilização.

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Indicadores

1 – Taxa de participação na força de trabalho (tP)
Reflete o nível de engajamento da população ativa nas atividades produtivas, pela
mensuração do tamanho relativo da força de trabalho, fornecendo uma
aproximação do volume de oferta de emprego imediatamente disponível na
economia. Desde que o tamanho da população e da própria PEA tendem a diferir
de país para país, ou entre regiões de um mesmo país, é necessário expressar
percentualmente o volume de indivíduos em atividades voltadas para a produção
social de bens e serviços em relação à População em Idade Ativa (PIA). Define-
se, então, taxa de participação (tP) como:

tP = PEA / PIA

Regra geral, para qualquer país, observa-se que:

a) a taxa de participação masculina é maior que a feminina, pois os afazeres
domésticos não são considerados ocupações economicamente ativas e são
exercidos majoritariamente pelas mulheres;

b) a participação adulta é maior que a participação jovem ou idosa. A necessidade
de educar e a aposentadoria são as explicações tradicionais para a menor
participação desses dois últimos grupos;

c) a participação feminina tende a crescer com o desenvolvimento econômico,
seja porque aumentam as oportunidades de emprego para as mulheres, seja
porque o próprio papel delas com relação ao trabalho é visto de forma diferente.

Taxa de desemprego (tD)

Figurando entre os mais conhecidos indicadores, esse índice tende a refletir
desequilíbrios no mercado de trabalho. Representa a falta de capacidade do
sistema econômico em prover ocupação produtiva para todos aqueles que a
desejam.
A taxa de desemprego contabiliza aqueles indivíduos que estão aptos, saudáveis
e buscando trabalho, mas que não encontram ocupação à taxa de salários vigente
no sistema econômico.
Essa taxa inclui o que se denomina desemprego aberto, o qual expressa um
patamar mínimo de subutilização de mão-de-obra, já que o subemprego existe no
mercado de trabalho. Estatisticamente, a taxa de desemprego é a relação entre o
número de desempregados (D) e o total da força de trabalho (PEA), ou seja:

tD = D / PEA => tD = D / (E + D)

Sua evolução demonstra as flutuações da atividade econômica, sendo
extremamente útil ao governo como indicador do impacto das políticas
econômicas de curto prazo.

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Do ponto de vista social, é inegavelmente o principal indicador da ocorrência de
recessão, pois incorpora tanto movimentos da força de trabalho quanto flutuações
no plano das atividades produtivas.
NOTA - A taxa de desemprego pode aumentar sem que tenha havido demissão.
Exemplos:

1) Supondo que o número de desempregados de um país é de 20 (D=20) e que o
número de empregados seja 60 (E= 60) . Neste caso, a taxa de desemprego será:

tD = 20 / (20 + 60) = 0,25 ou 25 %

2) Se um inativo se incorpora à PEA, porém não obtém emprego (fica
desempregado), temos a seguinte composição:

tD = 21 / 81 = 0,259 Pode-se perceber que a taxa de desemprego aumentou,
apesar de não ter havido novas demissões.

A taxa de desemprego capta aqueles indivíduos classificados como
desempregados por diversas razões, que vão desde a total involuntariedade do
trabalhador em se colocar nessa situação até a incapacidade do sistema em
absorver o contingente de indivíduos que afluem às forças de trabalho
periodicamente. Em outras palavras, existem diversas classificações de
desemprego, segundo sua origem, todas ocorrendo ao mesmo tempo e, dessa
forma, captadas pela taxa de desemprego, tradicionalmente calculada por
pesquisas primárias. As principais são:

Desemprego involuntário

Ocorre quando o indivíduo deseja trabalhar à taxa de salários vigentes no sistema
econômico, mas não encontra colocação. É também denominado desemprego
cíclico ou desemprego conjuntural.
Ocorre devido à insuficiência de demanda agregada na economia (falaremos
desse assunto mais adiante). Desde que Keynes se destacou como formalizador
das idéias sobre o impacto da insuficiência de demanda sobre a economia e o
mercado de trabalho, esse tipo de desemprego é também conhecido como
Keynesiano.
Representa, sem dúvida, aquele tipo de desocupação dos indivíduos que deve
merecer maior atenção das autoridades governamentais.

Desemprego estrutural

Acontece quando o padrão de desenvolvimento econômico exclui uma parcela dos
trabalhadores do mercado de trabalho. Denomina-se também
desemprego tecnológico e ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a
demanda por mão-de-obra de determinada qualificação.

Desemprego friccional

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Surge em decorrência do processo dinâmico que caracteriza o mercado de
trabalho, no qual o sistema de informações sobre a oferta de vagas disponíveis no
sistema produtivo é imperfeito. Existe um lapso de tempo entre a saída do
indivíduo de um emprego e a obtenção de uma nova ocupação de acordo com
suas características. Nesse ínterim, ele é classificado como desempregado.

Desemprego sazonal

Ocorre devido à sazonalidade de determinados tipos de atividade econômica.
Como é possível prever esse tipo de flutuações, pode-se atribuir uma dose de
voluntariedade dos indivíduos engajados em ocupações dessa natureza.

Índice de emprego (tE)

É usado para medir a proporção da população economicamente ativa que, após
certa idade, é empregada. Busca refletir aqueles indivíduos absorvidos no
mercado de trabalho na condição de empregados. Em outras palavras, indica o
contingente de trabalhadores disponíveis e utilizados pelas firmas.
tE = E / PEA = E / (E + D)

Em última instância, o índice de emprego busca refletir o número de indivíduos
que estão realmente exercendo atividades econômicas, relativamente a todos
aqueles que potencialmente poderiam exercê-la. Fornece também uma avaliação
de capacidade da economia em absorver o crescimento da população, num
ambiente de constantes transformações tecnológicas que afetam o
comportamento das firmas quanto ao nível de emprego por elas desejado.

RELAÇÃO IMPORTANTE ENTRE TAXA DE DESEMPREGO E DE EMPREGO
Como tD = D / PEA e tE = E / PEA,

temos que: tD + tE = D/PEA + E/PEA = (D + E) / PEA = PEA / PEA = 1 => tD +
tE = 1 (ou 100%)

Subemprego

É a própria subutilização da mão-de-obra. As causas e os efeitos do subemprego
são múltiplos, mas invariavelmente ele está relacionado com o desenvolvimento
econômico insuficiente ou atrasado. De modo geral, tal conceito é associado à
questão de emprego na América Latina, Ásia e África. Historicamente, o
subemprego tende a representar a parcela da população subutilizada em
decorrência do padrão de crescimento adotado, o qual exclui inúmeros segmentos
da população de desempenho de atividades econômicas produtivas.
Além disso, o subemprego tem grande aceitação como conceito referente ao
problema ocupacional no meio rural, onde reflete a porcentagem de ocupados em
atividades de baixa produtividade agrícola. Igual conceito também se aplica ao
meio urbano, mas recentemente a definição de subemprego ganhou nova
roupagem, sob o título de mercado ou setor informal de trabalho. Neste setor
informal de trabalho, muito mais um problema conceitual ou de mensuração, se

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discute a importância do núcleo capitalista de produção no surgimento e no
desenvolvimento de atividades econômicas marginais e/ou informais.

Subemprego visível (tSH) – é definido como a diferença entre o volume real de
horas trabalhadas pelo indivíduo e o volume de horas que ele poderia, de fato,
trabalhar.Na economia, esse subemprego seria medido como:
tSH = (Sh/ PEA) x100

em que Sh = número de indivíduos ocupados trabalhando menos que um
determinado números de horas. Esse indicador merece algumas considerações.
O subemprego deve-se dar por razões econômicas, caracterizando uma
involuntariedade do indivíduo, que não está trabalhando mais por insuficiência de
demanda. O trabalho em tempo parcial não é uma aspiração do indivíduo.
Ademais, o número de horas pode ser fixado em termos de dias, semanas, mês
ou ano e varia de acordo com as características do país ou região em que se
pretende medir o subemprego.

Subemprego encoberto (tsp) – representa a quantidade de mão-de-obra que
seria possível liberar melhorando-se a organização e a distribuição das tarefas de
trabalho, mantendo-se o nível de produção sem necessidade de novos
investimentos em capital fixo e sem modificação das formas de utilização do
trabalho assalariado ou estrutura social de produção.
tsp = ( Sp/ PEA ) x 100

em que Sp = número de indivíduos em produtividade igual ou inferior a certo valor
prefixado.

Subemprego potencial (tSV) – é definido como a quantidade da mão-de-obra
que pode ser liberada, dado um nível de produção, por meio de mudanças nas
condições de exploração dos recursos ou transformações nas indústrias ou
agricultura. Implica reduzir gradualmente a proporção de mão-de-obra ocupada
em atividades de baixa produtividade, elevando-a simultaneamente.
tSV = N / (d + 1) x100 / PEA

onde N = número de pessoas pobres (população abaixo de uma linha de
pobreza);
d = (N – n) / N, razão de dependência;
n = número de indivíduos ativos incluídos na população pobre.

Taxa de rotatividade da mão-de-obra (tr)
Os movimentos referentes às demissões e rescisões de contrato de trabalho
(sejam por iniciativa das firmas ou de empregados), tanto podem representar
desemprego da força de trabalho como também rotatividade da mão-de-obra. O
que diferencia essas duas situações é que, do ponto de vista das firmas, a
rotatividade implica idéia de que a mão-de-obra dispensada, ou que
voluntariamente se demite, será substituída. Por sua vez, a dispensa do

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empregado por parte da firma ou seu pedido de rescisão do contrato de trabalho,
sem que ocorra reposição, caracteriza um desemprego na forma tradicional do
termo.
O princípio da substituição de mão-de-obra é de fácil compreensão, mas a
mensuração da rotatividade é algo complexo.A medida mais usual que preserva a
idéia de substituição é a seguinte:
tr = min (A, D) x 100 / 0,5(Fi + (Fi +A –D))

A = admissões da firma ou setor no período;
D = demissões;
Fi = estoques de trabalhadores no início do período

Uma explicação simples para o numerador da fração min (A,D) seria:
a) Recessão na economia – ocorrendo uma recessão, o número de demissões é
bem maior que o número de admissões. Se tomássemos o maior valor entre
admissões e demissões, este seria o número de demissões. Logo, o numerador
seria grande, induzindo ao erro de se pensar que estaria havendo rotatividade na
economia, o que não é verdade (D>A). Dessa forma, ou seja, tomando o valor
mínimo do numerador, estaríamos , certamente, mais próximos da realidade.
b) Crescimento econômico – num período de crescimento o número de admissões
é bem maior que o número de demissões. Logo, se tomássemos o número de
admissões (A), que é maior que o número de demissões (D), estaríamos
superestimando o índice de rotatividade, já que este valor seria grande. Ao
tomarmos o mínimo entre demissões e admissões, tomaríamos o valor
correspondente ao número de demissões (que é menor). Com isso o índice seria
menor, retratando melhor a momento econômico, ou seja: não há grande
rotatividade e sim crescimento econômico.

MERCADO DE TRABALHO FORMAL E INFORMAL

Mercado Formal

Neste tipo de mercado de trabalho as empresas cumprem a legislação vigente
nos âmbitos fiscal, sanitário, de segurança, trabalhista, ambiental etc. Produz-se
mercadorias tendo como objeto o lucro.

Mercado Informal

Existem empresas que não cumprem os itens citados no caso do mercado
formal. Outras cumprem parcialmente os aspectos legais, seja por não ter
condições de manter a empresa com o cumprimento da própria lei, seja porque
são atividades condenadas, como por exemplo, a venda de CDs piratas ou tráfico
de drogas. Nestes casos, não cumprem a legislação porque a própria
continuidade da empresa seria colocada em xeque. São empresas do setor
informal da economia e seus trabalhadores, por conseqüência, fazem parte do
mercado de trabalho informal. Não há registro em carteira, e, logo, não há direitos
sociais garantidos em lei. Observe que muitos trabalhadores podem estar, em
dado momento, no setor informal e, num momento posterior, podem retornar ao
setor formal de trabalho.

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Observe que muitos trabalhadores podem estar, em dado momento, no setor
informal e, num momento posterior, podem retornar ao setor formal de trabalho.
Atualmente, o setor informal funciona na linha limítrofe da economia formal. Eis
algumas características do setor informal:
- facilidades à entrada de novas empresas;
- recursos de origem doméstica;
- a propriedade é individual ou familiar;
- operam em escala reduzida;
- o processo produtivo é intensivo em trabalho e a eventual tecnologia é adaptada;
- os mercados em que atuam são competitivos.

SALÁRIO REAL E NOMINAL – CLÁSSICOS X KEYNESIANOS

A economia chamada clássica, baseada nos postulados de Adam Smith, Ricardo,
Malthus e outros pensadores econômicos dos séculos XVII, XVIII, XIX e parte do
século XX acreditava que, se a economia de um país estivesse em equilíbrio, este
se daria no denominado PLENO-EMPREGO. Ou seja, eles não admitiam a
existência do desemprego como temos hoje. Para os clássicos, o equilíbrio se
daria com pleno emprego (dos fatores de produção). Mas, mesmo no pleno
emprego, eles admitiam um só tipo de desemprego: o chamado DESEMPREGO
FRICCIONAL ou TAXA NATURAL DE DESEMPREGO, que é, antes de qualquer
coisa, um tipo de desemprego nada preocupante em relação a uma economia. É
aquele desemprego que ocorre em qualquer momento e em qualquer economia,
mesmo nas mais desenvolvidas. A razão desta crença, ou seja, a de não haver
desemprego em grande número, estava apoiada em algumas hipóteses.

Vejamos algumas:
- Num período de retração econômica (recessão), acreditavam os clássicos que os
empresários, em vez de demitir, abaixariam os salários nominais dos
trabalhadores, de forma que não fosse necessário demitir os empregados. E isso
era um motivo para não haver demissões;
- Era válida a chamada “Lei de Say”, economista de renome francês, que
afirmava, em palavras resumidas, que: “A OFERTA CRIA A SUA PRÓPRIA
DEMANDA”. Isto é, para os clássicos, os empresários ofertariam os diversos bens
e estes seriam consumidos pelos empregados. Primeiro haveria a oferta dos bens
e depois, acreditavam eles, os bens seriam consumidos.
- Uma outra concepção clássica era a de que o governo não deveria interferir na
economia. As forças do mercado seriam suficientes para tornar o mercado
eficiente. Aos governos caberia a função de fornecer os bens públicos.
Isto é, o governo forneceria para a sociedade os serviços de segurança, defesa
nacional, justiça, saúde pública etc. E faria isso com recursos advindos da
tributação. Em 1929 houve a quebra da bolsa de Nova York e a crise econômica
nos EUA causou uma alta taxa de desemprego. A Inglaterra, e o mundo como um
todo, passaram por um período de forte recessão.
As teorias clássicas da economia não conseguiam explicar, a contento, o que
estava realmente acontecendo. Neste período (de 1929 até 1936), John

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M.Keynes, economista inglês, colocou o pensamento clássico em xeque. Aqueles
três pilares do pensamento clássico foram reformulados por Keynes, que criou ,
com a edição de seu livro “A teoria do Emprego, dos Juros e da Moeda”, de 1936,
as bases da moderna macroeconomia. Seu pensamento se chocava diretamente
com os pensamentos clássicos no tocante ao papel do governo, da “Lei de Say” e
da flexibilidade dos salários nominais. Basicamente, Keynes enunciou:
- Ao contrário do que afirmavam os clássicos, para Keynes os salários eram
rígidos, inflexíveis. Ou seja, o trabalhador não aceita corte no seu salário nominal
(aquele que consta do nosso contra-cheque). Isso seria um dos motivos do
desemprego.
- Keynes inverteu os termos da “Lei de Say”, dizendo, em resumo, que “A
DEMANDA AGREGADA CRIA A SUA OFERTA”
. Esse é o princípio da demanda efetiva
. Isto é, ao contrário do que acreditavam os clássicos, os empresários só
ofertariam os bens se houvesse procura pelos mesmos. Demanda agregada é um
termo que se usa para expressar a riqueza ou renda de um país. É a soma de
todas as demandas da sociedade. Eis sua equação:

Demanda Agregada (DA) = C + I + G + X – M, onde:

C = consumo das famílias
I = investimento privado (produtivo, em empresas)
G = gastos do governo (gastos com funcionalismo, compra de bens para escolas
públicas, saúde pública, estradas, hidrelétricas, indústrias de base etc)
X = exportações do país
M = importações do país

Essa Demanda Agregada (DA) representou uma revolução no que se refere às
funções do estado numa economia. Isto porque os termos da DA dependem do
governo, senão vejamos: - o consumo de uma sociedade pode ser estimulado ou
desestimulado (para conter a inflação, por exemplo) através de um instrumento
que o governo tem em seu poder: A TRIBUTAÇÃO. Ou seja, se o governo
pretende o crescimento econômico, ele deveria diminuir a carga tributária. Caso
contrário, isto é, se o governo pretende diminuir o consumo das famílias, ele
poderia aumentar a carga tributária (para conter um processo inflacionário, como
aconteceu no passado recente no Brasil - Plano Real).
- o termo investimento (I), que representa o investimento em empresas (não em
títulos, no mercado financeiro), é o investimento que gera riqueza e emprego para
o país. Um dos fatores determinantes do investimento é a taxa de juros. Se esta
estiver alta, haverá um grande estímulo para os detentores de capital a aplicarem
seu dinheiro no mercado financeiro e não em empresas, já que o risco de se abrir
uma empresa é maior e os rendimentos das aplicações financeiras são maiores.
Mas isso não gera renda para o país. Não gera emprego. Se as taxas de juros
diminuírem o contrário acontecerá. Se o mercado financeiro não estiver
remunerando bem, os detentores de capital irão aplicar seu dinheiro em
empresas, gerando riquezas e um Produto Interno Bruto (PIB) maior. Isso vai

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acarretar numa queda do desemprego. Finalmente, a taxa de juros básica de uma
economia é estabelecida pelo governo. Daí a importância do mesmo na economia.
- o termo G (gastos do governo) é uma variável que depende somente do próprio
governo. É política econômica do governo.
- os termos exportações (X) e importações (M) são variáveis que dependem,
dentre outros fatores, da taxa de câmbio. Desta forma, se um país, em
determinado momento, deseja estimular as exportações, ele deveria desvalorizar
a taxa de câmbio. Assim, o preço da moeda estrangeira ficaria mais caro e
exportar seria mais fácil do que importar.

Exemplo:
Dia 10/ 03/ 2006 – taxa de câmbio => 1 US$ = R$ 2,24
. Isso significa que, se um exportador brasileiro exportar uma mercadoria de
100.000 dólares, ele receberá o montante, em reais, de R$224.000,00. Supondo
que no dia 10/04/2006, a taxa de câmbio seja: 1US$ = R$ 2,35;
se o mesmo exportador exportasse a mesma mercadoria acima, ele receberia,
em reais, R$235.000,00.

Note que quando a taxa de câmbio é desvalorizada, há incentivo maior para se
exportar. E quando acontecer uma valorização da taxa de câmbio acontecerá o
contrário. Exportar não será mais tão estimulante como no caso acima e a
valorização da taxa de câmbio estimulará as importações, pois a moeda
estrangeira ficará mais barata em reais.
Foi o que aconteceu em 1994/95, quando a taxa de câmbio estava valorizada na
faixa de 1US$ = R$1,00. Isso favoreceu as importações, pois o dólar estava
barato. Para comprar um carro americano de US$12.000,00 (doze mil dólares)
seria preciso ter R$12.000,00 (doze mil reais).

Daí o crescimento forte das importações naquele período em que a taxa de
câmbio estava valorizada, ou seja, nossa moeda estava valorizada.
Mas o regime cambial de um país é definido pela Autoridade Monetária do próprio
país. Ou seja, é política cambial do governo. Essas variáveis da Demanda
Agregada refletem as chamadas políticas fiscal, monetária e cambial, assunto dos
domínios da Macroeconomia.

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