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Carga e Descarga de Capacitor

Carga e Descarga de Capacitor

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1

Resumo —Este é um relatório de um experimento de Carga e
Descarga de Capacitor, realizado no laboratório de Física
Experimental II da Faculdade de Engenharia da UNESP –
Campus de Guaratinguetá. Tal disciplina é ministrada pelo
Prof. Milton E. Kayama, docente do Departamento de Física e
Química dessa faculdade. O experimento consiste num
levantamento de dados não muito complexo, porém a análise
destes exige o uso de ferramentas importantes dentro do
ambiente experimental, como o Método dos Mínimos Quadrados
e gráficos tipo monolog, para a interpretação de funções com
variação exponencial.

I. INTRODUÇÃO
STE procedimento consiste na verificação do
comportamento de uma corrente elétrica, ao longo do
tempo, em processos de carga e descarga de um capacitor,
objetivando a determinação da capacitância C do
componente.
Através das medições é obtida a constante de tempo do
circuito que, juntamente com o valor da resistência
equivalente, será utilizada na obtenção da capacitância.
O material e o método utilizados são bastante simples, o
que facilita a obtenção dos dados e posterior verificação dos
resultados onde essa simplicidade é determinante.
II. METODOLOGIA
O circuito utilizado é composto de uma fonte de tensão
constante V
0
, um resistor de resistência conhecida R, uma
chave S , um capacitor C, cuja capacitância será determinada,
e um microamperímetro, que mede a corrente através do
resistor e do capacitor.

Fig. 1. Esquema do circuito utilizado, a chave S é fixa em
B e alterna entre A e C.

Durante a fase de carga, a chave S liga os pontos A e B.
Nesse processo, assim que a ligação é fechada, o circuito
comporta-se como se não houvesse capacitor. À medida que
ele é carregado, a corrente diminui, sendo sua tensão e
corrente dadas por [1]:
) 1 ( ) (
0
t t
C
e t v
V
÷
÷ =
(1)
e
t t
e
R
t i
V ÷
=
0
) ( (2)
onde
RC = t (3)
é um parâmetro denominado constante de tempo do circuito
RC. Portanto, enquanto a tensão no capacitor cresce
exponencialmente até alcançar o módulo de V
0,
a corrente
decai semelhantemente, tendendo a zero.
Já no processo de descarga, a chave une os pontos C e B e o
capacitor carregado atua como fonte de tensão. Com sua
descarga, o módulo da corrente diminui, bem como da tensão
que apresenta.
e v
t
d
C
V t
t ÷
= ) ( (4)
e
e
V
t
d
R
t i
t ÷
= ) ( (5)
são a tensão e a corrente através do tempo no processo de
descarga [2], V
d
é a tensão com que o capacitor inicia o
processo e t é o mesmo que o apresentado na equação (3).
Fica evidente, através das equações (2) e (5), que durante
ambos os processos a corrente no capacitor apresenta a forma
t t
e I i
÷
=
0
. Aplicando logaritmo natural em toda a equação
obtém-se t t I i ÷ =
0
ln ln , o que em papel monolog pode
formar uma reta de coeficiente angular t 1 ÷ .

III. RESULTADOS
Utilizando o circuito esquematizado na figura 1, sendo a
resistência R de ( ) O ± M 1 , 0 2 , 1 e V
0
ajustado em
aproximadamente 30 V, foi acompanhada a evolução da
corrente com o auxílio do microamperímetro, que mede a
corrente em ambos os sentidos, os valores anotados
correspondem ao módulo do que o aparelho apresentou.
Foram arbitrados certos valores de corrente e utilizando um
cronômetro tomado o instante em que o capacitor apresentava
tais valores, três vezes para carga e descarga, obtendo os
seguintes resultados:


Carga e Descarga de Capacitor
Rafael da Silva Pascoal, aluno de Física Experimental II, UNESP-FEG
E
2
TABELA 1
CORRENTE EM FUNÇÃO DO TEMPO NO PROCESSO DE CARGA
i ( u A) t1 (s) t2 (s) t3 (s) tméd (s)
15 12 12 11 11,7
13 18 17 17 17,3
11 26 25 25 25,3
9 35 35 33 34,3
7 49 48 47 48

TABELA 2
CORRENTE EM FUNÇÃO DO TEMPO NO PROCESSO DE
DESCARGA
i ( u A) t1 (s) t2 (s) t3 (s) tméd (s)
12 5 6 6 5,7
10 12 12 11 11,7
8 18 20 20 19,3
6 29 29 32 30
4 45 47 50 47,3

Como mencionado anteriormente, esses dados podem ser
organizados em gráficos tipo monolog, de modo a facilitar
sua análise.


Fig. 2. Aspecto das curvas corrente versus tempo em um
gráfico tipo monolog para os processos de (a) carga e (b)
descarga do capacitor utilizado.

IV. DISCUSSÃO
A análise dos dados pode ser realizada através do Método
dos Mínimos Quadrados (Apêndice A). Para o processo de
carga, obtemos:
02 , 0
82 , 18
÷ =
=
b
a
(6)
Para a descarga:
03 , 0
60 , 13
÷ =
=
b
a
(7)
Sendo a os coeficientes lineares e b os coeficientes
angulares.
Como a capacitância está envolvida com os coeficientes
angulares, estabelecemos sua média:
025 , 0 ÷ = b (8)
Dado que o coeficiente angular é igual a t 1 ÷ e RC = t ,
temos:
025 , 0
1
÷ =
÷
RC
(9)
ou
R
C
40
= (10)
Sendo a resistência R equivalente ao valor apresentado
anteriormente e utilizando a propagação de incertezas:
( ) μF 3 33± = C (11)

V. CONCLUSÃO
O valor obtido para a capacitância apresenta certa
aproximação com relação ao esperado através dos tempos
obtidos para os processos de carga e descarga. É interessante
ponderar que a medição envolve determinadas dificuldades,
principalmente relacionadas à exatidão dos instantes anotados
nas tabelas 1 e 2, o que pode explicar eventuais desvios ao se
utilizar o valor obtido para realizar comparações.
Levando tudo isso em conta, é possível concluir que os
valores medidos, bem como a capacitância obtida através de
sua análise, são bastante aceitáveis didaticamente.

VI. APÊNDICE
A – Método dos Mínimos Quadrados [3]:
Este processo é utilizado para se obter uma regressão linear
de valores experimentais, ou seja, uma função que se
aproxime dos valores obtidos ao serem inseridos por meio de
n pares ordenados (x
i
, y
i
) num plano cartesiano. Suas
equações retornam os coeficientes dessa função.
Os coeficientes em uma função linear podem ser
determinados através das relações:
|
.
|

\
|
- ÷ -
|
.
|

\
|
- ÷ -
=
¯ ¯ ¯
¯ ¯ ¯ ¯
= = =
= = = =
n
i
i
n
i
i
n
i
n
i
n
i
i
n
i
i i
n
i
i
x x x
y x
x x
y
i
n
i
a
1 1 1
2
1 1 1
2
1
0

e
|
.
|

\
|
- ÷ -
|
.
|

\
|
- ÷ -
=
¯ ¯ ¯
¯ ¯ ¯
= = =
= = =
n
i
i
n
i
i
n
i
n
i
i
n
i
i
n
i
i
x x x
y
x
y x
i
n
i
n
b
1 1 1
2
1 1 1
0

onde
0
a é o coeficiente linear e
0
b o coeficiente angular da
reta.

VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1], [2] KAYAMA, M. E., Carga e Descarga de Capacitor. Roteiro para
laboratório de Eletricidade, Magnetismo e Ótica. UNESP – Faculdade de
Engenharia – Campus de Guaratinguetá.
3
[3] SODRÉ, U. Ensino Superior: Método dos Mínimos Quadrados, 2004.
Disponível em:
<http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior/algebra/mmq/mmq.htm>
Acesso em: 03 ago. 2009.

Sendo a os coeficientes lineares e b os coeficientes angulares. bem como a capacitância obtida através de sua análise. UNESP – Faculdade de Engenharia – Campus de Guaratinguetá.3 48 1  0.03 (7) reta. obtemos: e n n n    n   xi y   xi  y  i i i 1 i 1 i 1  b0   n n n 2    n   x i  xi  xi  i 1 i 1 i 1   a  18.82 b  0. principalmente relacionadas à exatidão dos instantes anotados nas tabelas 1 e 2. IV. VI. Levando tudo isso em conta. temos: 15 13 11 9 7 12 18 26 35 49 12 17 25 35 48 11 17 25 33 47 11. CONCLUSÃO O valor obtido para a capacitância apresenta certa aproximação com relação ao esperado através dos tempos obtidos para os processos de carga e descarga. de modo a facilitar sua análise.2 TABELA 1 CORRENTE EM FUNÇÃO DO TEMPO NO PROCESSO DE CARGA t1 (s) t2 (s) t3 (s) tméd (s) i( A)  Dado que o coeficiente angular é igual a  1  e   RC . Para o processo de carga.02 Para a descarga: (6) a  13. Roteiro para laboratório de Eletricidade. Suas equações retornam os coeficientes dessa função. estabelecemos sua média: onde a 0 é o coeficiente linear e b0 o coeficiente angular da b  0. é possível concluir que os valores medidos.3 Sendo a resistência R equivalente ao valor apresentado anteriormente e utilizando a propagação de incertezas: (11) C  33  3 μF 12 10 8 6 4 V. (8) . Os coeficientes em uma função linear podem ser determinados através das relações: n n n  n  2   y   xi   xi  xi y  i i i 1 i 1 i 1  a 0   i 1 n n n 2    n   x i  xi  xi  i 1 i 1 i 1   Fig. DISCUSSÃO A análise dos dados pode ser realizada através do Método dos Mínimos Quadrados (Apêndice A). ou seja. esses dados podem ser organizados em gráficos tipo monolog. yi ) num plano cartesiano. Aspecto das curvas corrente versus tempo em um gráfico tipo monolog para os processos de (a) carga e (b) descarga do capacitor utilizado.3 30 47..60 b  0.7 11.7 19. uma função que se aproxime dos valores obtidos ao serem inseridos por meio de n pares ordenados (xi . Como mencionado anteriormente. APÊNDICE A – Método dos Mínimos Quadrados [3]: Este processo é utilizado para se obter uma regressão linear de valores experimentais.3 25. É interessante ponderar que a medição envolve determinadas dificuldades. o que pode explicar eventuais desvios ao se utilizar o valor obtido para realizar comparações.025 VII. 2. M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1]. Magnetismo e Ótica. E.3 34.025 RC (9) ou C 40 R (10) i(  TABELA 2 CORRENTE EM FUNÇÃO DO TEMPO NO PROCESSO DE DESCARGA t1 (s) t2 (s) t3 (s) tméd (s) A) 5 12 18 29 45 6 12 20 29 47 6 11 20 32 50 5. [2] KAYAMA. Como a capacitância está envolvida com os coeficientes angulares. Carga e Descarga de Capacitor. são bastante aceitáveis didaticamente.7 17.

3 [3] SODRÉ. Disponível em: <http://pessoal.com.br/matematica/superior/algebra/mmq/mmq.htm> Acesso em: 03 ago. U. 2009. Ensino Superior: Método dos Mínimos Quadrados. .sercomtel. 2004.

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