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A Redemocratização Brasileira e a Constituição de 1988

A Redemocratização Brasileira e a Constituição de 1988

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Projeto anual de História de 2010 do Colégio Pedro II - Unidade Escolar São Cristóvão III
-Amanda Mendonça de Oliveira
-Catarina Souza Gomes Loiola
-Danielle Rodrigues Siqueira
-Isabel de Queiroz Silva
-Raquel Pires Cruz Martins



Turma: 2304
Orientados pela Profª. Drª. Cláudia Affonso
Projeto anual de História de 2010 do Colégio Pedro II - Unidade Escolar São Cristóvão III
-Amanda Mendonça de Oliveira
-Catarina Souza Gomes Loiola
-Danielle Rodrigues Siqueira
-Isabel de Queiroz Silva
-Raquel Pires Cruz Martins



Turma: 2304
Orientados pela Profª. Drª. Cláudia Affonso

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Colégio Pedro II - Unidade São Cristóvão III Coordenação de História

A REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E A CONSTITUIÇÃO DE 1988

Amanda Mendonça de Oliveira Nº 03 Catarina Souza Gomes Loiola Nº 09 Danielle Rodrigues Siqueira Nº 10 Isabel de Queiroz Silva Nº 20 Raquel Pires Cruz Martins Nº 33

TURMA: 2304

2010

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1. Introdução Esse trabalho consiste em analisar os contextos históricos, sociais, políticos e econômicos da transição do Regime Militar repressor (1964-1985) caracterizado pela ausência total de direitos que perdurou por 21 anos para a democracia. Essa análise abordará o processo de abertura política iniciada no período de Ditadura até a consolidação dos direitos civis com a chegada da Constituição de 1988 de Ulisses Guimarães. Antecessor da ditadura militar que se iniciou com o Golpe de 1964. O movimento de redemocratização nacional tem grande importância para o país, pois foi um período transitório, para a democracia brasileira. Teve início no governo do general João Baptista Figueiredo, com a anistia aos acusados ou condenados por crimes político. Em 1983- 1984, o País mobilizou-se na campanha pelas “Diretas Já!”. Que tinha por proposta as eleições diretas para presidente e foi formalmente proposta com a emenda Dante de Oliveira em 25 de Abril de 1984, mas foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos. Apesar da rejeição na Câmara dos Deputados, o movimento pelas "Diretas Já" teve grande importância na redemocratização nacional. As lideranças do projeto passaram a formar a nova elite política brasileira. O processo de redemocratização terminou com a volta do poder civil em1985, com a aprovação de uma nova Constituição Federal em 1988, a constituição cidadã, e com a realização das eleições diretas para Presidente da República em 1989. A importância da voz e da participação política hoje não é muito valorizada. Poucos realmente se importam com o cenário político por considerarem “impuros” ou apenas não acreditam mais. Através de entrevistas, artigos e pesquisas aprofundadas, tem-se por objetivo, mostrar a participação política das pessoas nesse processo compreender e compará-lo com a atuação política de hoje ressaltando a importância do entrosamento entre individuo e política.

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2. Abertura Política ( 1978-79) O processo de abertura política iniciou-se durante o governo do General Ernesto Geisel. Segundo ele seria um processo “lento gradual e seguro”. Essa abertura política deu-se por diversos fatores: • Esgotamento do Milagre: não era mais possível sustentar as taxas de crescimento do PIB em 10% ao ano, comprometendo o sucesso dos governos militares na área econômica; • A grande crise do Petróleo: piorou a crise econômica que se anunciava, já que o Brasil era dependente de mais de 80% do Petróleo que consumia. • Insatisfação e desgaste dos governos militares: mais de 10 anos de governo militar e vitória do partido MDB. Em 1977, Geisel fez mudanças na legislação eleitoral. Lançou o “Pacote de Abril”: conjunto de leis que estabeleceu a nomeação de senadores biônicos para o congresso, ou seja, um terço dos senadores seriam nomeados pelo governo, garantindo assim a vitoria de João Baptista Figueiredo nas eleições seguintes. Contudo, a desmontagem do aparelho repressor foi iniciada. Em 1978, Geisel anistiou os exilados políticos, afrouxou a Lei de Segurança Nacional e em 1979 revogou o AI-5. Na classe operária as greves de 1978 e 1979 no ABC e em outros estados foram reprimidas com violência. As reivindicações dos trabalhadores partiam de além de questões salariais, direitos, alterações na legislação trabalhista e sindical e participação democrática na sociedade. “Quando foi em 1980, no começo do ano a gente intensificou o trabalho na porta de fábrica. Intensificou: era pau a pau. Eu ia para a porta de fábrica de manhã, de tarde e de noite. E aí, quando chegou a hora, nós fizemos uma greve ainda maior que a de 1979. Fui preso com 17 dias de greve. A greve continuou mais 25 e o pessoal voltou para trabalhar. Porque na cabeça dos companheiros, passava o seguinte: “Nós agüentamos 500 dias de greve...” Eles não tinham dimensão de que é muito difícil o trabalhador ficar 40 dias sem receber salário. Só quando ele está desempregado. Tem compromissos, conta de luz, conta de água, despesas. Então, foi importante a categoria ter feito os 41 dias de greve. Por quê? Por que ela aprendeu uma grande lição comparando com a experiência da greve de 79.”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do Partido dos Trabalhadores e conselheiro do Instituto Cidadania.

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2.1. João Baptista Figueiredo (1979 – 1985) Com o crescimento da oposição nas eleições de 1978, o processo de abertura política ganhou força. Em 15 de março de 1979, João Baptista Figueiredo assume a presidência e teve a difícil tarefa de garantir a transição do regime ditatorial para a democracia. Enviou em 27 de junho de 1979 um projeto de anistia ao Congresso Nacional, e foi aprovado. Porém esta anistia não era ampla, pois não beneficiava os acusados de haver participado de ações armadas contra o regime, isso provocou protestos de líderes da oposição e do Comitê Brasileiro pela Anistia (criado em 1978). Em novembro foi aprovado um projeto restituindo o pluripartidarismo. Seu objetivo era acabar com a oposição e evitar que as eleições tivessem caráter plebiscitário. A Arena se transformou em PDS (Partido Democrático Social) dirigido por Sarney, o MDB se transformou em PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) que foi presidido por Ulysses Guimarães e outros partidos também ressurgiram como o PDT, PT e PP. No final dos anos 70, o Brasil entrou numa recessão que teve como causa a inflação que subia cada vez mais e como conseqüência o desemprego, o aumento incontrolável dos preços dos gêneros alimentícios e a retração do consumo. Em agosto de 1981, havia 900 mil desempregados somente nas regiões metropolitanas e para agravar a situação, a economia mundial estava entrando contribuiu em declínio, para queda o que das

exportações brasileiras e o aumento da dívida externa. Os problemas econômicos do país, embora afetassem todos os setores da sociedade, atingiam mais os trabalhadores, cujos salários estavam sendo corroídos pela inflação. Os operários tinham consciência de seu poder de pressão, e em 1979 as greves mobilizaram cerca de 3 milhões de trabalhadores que lutavam por condições melhores,

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como o aumento de salário e a diminuição da jornada de trabalho. Essa iniciativa grevista partiu dos metalúrgicos do ABC. Em 1980 eclodiram em cidades do interior de São Paulo essas greves e o governo recorreu ao uso de violência para sufocar esses movimentos. Mas apesar de os trabalhadores não conseguirem o que queriam, adquiriram um elevado nível de consciência política. Em agosto de 1981 representantes dos sindicatos urbanos e rurais de todo o Brasil realizaram a 1ª Conferência das Classes Trabalhistas em São Paulo onde exigiram o direito à liberdade sindical e a organização política, o fim de todas as leis decretadas pelo regime militar, eleições para presidente da República e suspensão do FMI. Em 1984, a chamada “marcha dos desesperados” exigia medidas urgentes do governo federal. 2.2. O caso Riocentro Em 1981 um grupo de militares insatisfeitos com o processo de abertura política e de redemocratização pelo qual vinha passando o Brasil nos últimos anos, organizou um atentado que ficou conhecido como Atentado ao Riocentro. A intenção inicial era desacelerar o processo de abertura política, porém, não teve o efeito esperado e apenas serviu para intensificar a queda da ditadura no país e possibilitar ainda mais a conquista da democracia quatro anos mais tarde. No dia 30 de abril de 1981 ocorria no Riocentro um evento com shows de vários artistas da Música Popular Brasileira em comemoração ao Dia do Trabalhador, alguns militares da ala radical planejaram explodir bombas nos geradores de energia do evento almejando espalhar o pânico e a desordem entre o público. Entretanto uma das bombas explodiu antes da hora e resultou no fracasso de tais militares, causando a morte de um deles. Segundo consta, algumas ocorrências estranhas antes mesmo do show já apontavam para a organização do atentado planejado pelos militares. Tudo indica que muitas pessoas, incluindo militares e civis, participaram da organização do atentado

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que começou a ser elaborado pelo menos um mês antes do evento no Riocentro. A Polícia Militar, que sempre realizava a cobertura dos eventos no local, estranhamente suspendeu o policiamento naquele dia argumentando que, por ser um evento de natureza privada, os próprios organizadores deveriam se incumbir da segurança no local. Na noite do evento, dois militares, o sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Dias Machado, usavam um automóvel Puma metálico no qual transportavam os artefatos explosivos que seriam utilizados no atentado. Ambos os militares eram integrantes do Exército na cidade do Rio de Janeiro, sendo que o sargento Rosário era treinado em montagem de explosivos. Os militares pararam o carro no estacionamento do evento, onde provavelmente desenvolveram a montagem das bombas. O objetivo era explodi-las nos geradores de energia para acabar com os shows e espalhar o pânico entre os presentes. Contudo por volta das 21 horas, quando o Puma começava a sair da vaga onde tinha estacionado no Riocentro, provavelmente indo implantar as bombas, uma delas explodiu antes da hora e dentro do carro. A explosão inflou o teto e destruiu as portas do veículo, matando o sargento Rosário e ferindo gravemente o capitão Wilson Machado. Este, em atitude desesperada, se jogou para fora do carro clamando por ajuda e que o levassem para o hospital. Outra explosão ainda ocorreu de uma bomba que havia sido jogada na mini-estação elétrica que gerava a energia para o evento, mas, a bomba que havia sido jogada por cima do muro, explodiu no pátio e não interrompeu o evento. O exército declarou que radicais de esquerda teriam sido os responsáveis pelo atentado contra o governo, mas tal justificativa já não tinha mais força naquele momento. Com o fracasso desses militares, o Serviço Nacional de Informações realizaram um esforço conjunto para tentar encobrir o caso. Mesmo assim, um inquérito policial militar foi aberto sobre o caso, só que o fracasso nas investigações para provar a organização do atentado levou o ministro da Casa Civil Golbery de Couto e Silva a renunciar ao cargo e o caso foi arquivado.

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Em 1999 o caso do Atentado ao Riocentro foi reaberto quando o general Octávio de Medeiros, ex-chefe do SNI, declarou saber do mesmo uma hora antes de acontecer, pois o general Newton Cruz, que já sabia do plano um mês antes, havia lhe contado. Com novas provas surgindo, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados solicitou a reabertura do caso, que foi aceito pela procuradora da República Gilda Berger considerando que o caso não se enquadrava na Lei da Anistia, a qual envolvia crimes apenas entre 1961 e 1979. Passados três meses de investigação, o coronel Wilson Machado foi indiciado por homicídio qualificado, o general da reserva Newton Cruz foi indiciado por falso testemunho e desobediência, o sargento Guilherme do Rosário também seria condenado se estivesse vivo, assim como o coronel Freddie Perdigão, falecido em 1997, por ter-se descoberto que foi o organizador do atentado. Após todas as punições, o caso foi arquivado novamente em 1999 pelo ministro Carlos Alberto Marques Soares alegando que o Estado já não tinha mais como punir os envolvidos e a sentença dada já era definitiva.

3. “Diretas Já!” e a vitória de Tancredo Neves

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A campanha “Direta Já” que teve início em 1984 começou timidamente e ganhou força com o apoio dos partidos campanha PMDB tinha e PTD. Essa como objetivo

Charge do cartunista Henfil que virou slogan das “Diretas já!”

principal a aprovação da Emenda Dante de Oliveira que previa realizar uma eleição direta para eleger o sucessor de Figueiredo, o ultimo presidente militar.

Paulo Maluf disputava a presidência pelo PDS, partido que tinha o apoio do governo militar. Em oposição estava Tancredo Neves com seu vice-presidente José Sarney da Frente Liberal aproximando-se do PMDB. Apesar de toda a manifestação popular pela aprovação da emenda, a participação política da população foi vetada para a decepção de todos os envolvidos no movimento. O novo presidente seria eleito de forma indireta. – Havia uma dúvida naquele momento. Muitos não reconheciam o Colégio como legítimo. O povo queria votar para presidente. Inclusive na exposição reproduzimos em uma bandeira o grafismo com o lema “Queremos votar para presidente”, usado pelo povo nas ruas durante a campanha das Diretas Já! – destaca Vera. – Mesmo que o voto direto não fosse possível, Tancredo entendia que não poderíamos perder a oportunidade de eleger um presidente civil, mesmo de forma indireta. Sobre isso, o jornal reproduz a seguinte declaração dele: “É tapar o nariz com o lenço e ir ao Colégio, se isto for necessário. Pode ser ruim, mas não ir seria muito pior”. Vera Mangas - curadora da exposição “Tancredo Neves e a redemocratização brasileira” - em entrevista ao JB Online Em 15 de janeiro de 1985 reuniu-se o Colégio Eleitoral onde venceu Tancredo Neves (20/04/2010). dando fim a 21 anos de Governo Militar.

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Apesar de não ter sido eleito pelo povo, a vitória de Tancredo Neves representou um grande passo rumo à democracia. Antes mesmo de tomar posse, Tancredo foi internado para uma cirurgia de emergência e seu vice-presidente assumiu o poder. Em 21 de abril de 1985 morre Tancredo Neves com grande comoção popular.
“Se todos quisermos, dizia-nos a quase 200 anos Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, poderemos fazer deste país uma imensa nação. E vamos fazê-lo”. Tancredo Neves

Além das marcas de um regime repressor e autoritário, onde a ausência de direitos comprometia a liberdade dos indivíduos a ditadura militar deixou um grande desafio para o governo seguinte: uma economia em crise e estagnada. Apesar de passar a imagem de uma administração eficiente (“Milagre Econômico” e Desenvolvimento Tecnológico) o Governo Militar causou um grande desfalque na economia brasileira e fez uma péssima distribuição de renda. Administrar um país nessas condições seria, sem dúvida, um grande desafio.

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4. Constituição de 1988 No período da década de 1980. O Brasil passava por estagnação econômica, grande desemprego e altos índices de inflação, herdados do milagre brasileiro, e também de intensa participação popular, de fortalecimento dos movimentos sociais e de luta pela redemocratização do país, como o “Diretas Já!” que iniciou a década de 1980, sendo marcado pelas mobilizações reivindicatórias, para eleições diretas no país. A sociedade brasileira aspirava à restauração das liberdades individuais e à criação de um projeto democrático. O grande pacto político contra o regime militar culminou com a Constituição de 1988, com duas prioridades: a democracia e a diminuição da desigualdade social. De forma geral, a carta de 1988 foi descrita positivamente como “a melhor de todos os tempos, inclusive modelo mundial” Por assegurar importantes diretos, é considerada uma “Carta Magna avançada, cidadã e bem elaborada” e uma das mais evoluídas em todo mundo. Formada por nove títulos nomeados respectivamente: Princípios, Direitos e

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Garantias Fundamentais, Organização do Estado, Organização dos Poderes, Defesa do Estado e das Instituições, Tributação e Orçamento, Ordem Econômica e Financeira, Ordem Social e Disposições Gerais. A constituição possui importantes artigos, que distancia a nossa sociedade, das mais rústicas, são eles: o artigo 5º que tem por definição “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, garantindo assim, a paridade entre a sociedade, o artigo 6° “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” responsabilizando assim, o Estado com infra-estrutura para a população, o artigo 7º e todos seus incisos que protegem o direito do trabalhador, que era negado anteriormente. E muitos outros direitos, que a partir da conquista da democracia, foram adquiridos. Entretanto, para alguns, o que merece mais destaque em toda constituição, é o parágrafo único entre os dois primeiros artigos que diz: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Após o fim do regime militar era evidente a necessidade de uma nova carta já que a anterior, promulgada em 1967, não era mais suficiente. Nessas circunstâncias surgiu em 1° de fevereiro de 1987 a chamada Assembléia Constituinte. Esta era composta por 559 congressistas entre eles senadores e deputados federais eleitos no ano anterior, e presidida pelo deputado Ulisses Guimarães, membro do PMDB (partido do movimento democrático brasileiro). Esta representou um avanço significativo para a democracia. A sociedade foi, em diversos setores, estimulada a contribuir por meio de propostas que deveriam ser formuladas por cidadãos brasileiros. Estas só seriam válidas

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se representadas por entidades como: associações e sindicatos e se fosse assinada por, no mínimo, trinta mil pessoas. Os setores da sociedade, compostos por grupos que procuravam defender seus interesses, fizeram pressão para que tal não ocorresse. O processo de elaboração constitucional esteve condicionado pelas particularidades da transição política que se caracterizou por ser nem um simples continuísmo, nem uma efetiva ruptura, mas uma transição pelo alto, acordado inclusive com o Estado autoritário. Representa, em um primeiro instante, a racionalização jurídica de uma determinada ordem social, convertendo em instituições jurídicas os fatores reais de poder. A Constituição adequada seria então aquela que correspondesse no fundamental à Constituição real e efetiva. Por tudo isto, "os problemas constitucionais não são primariamente problemas de direito, mas de poder". Entretanto, a Constituição Jurídica não pode ser uma simples fotografia da realidade, traduzindo em disposições escritas os fatos, a reboque dos fatos. E sob o discurso “Essa será a Constituição cidadã, porque recuperará como cidadãos milhões de brasileiros, vítimas da pior das discriminações: a miséria (...) O povo nos mandou aqui para fazê-la, não para ter medo. Viva a Constituição de 1988! Viva a vida que ela vai defender e semear!” O deputado federal Ulysses Guimarães, em 27 de julho de 1988, instaurou uma nova era para a sociedade brasileira: a democracia!

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5. Entrevistas: O período que antecedeu a constituição cidadã de 1988 foi de grande mobilização social, as "Diretas Já!" como já apontado, é considerada por diversos historiadores uma das mais importantes manifestações de identidade nacional, afinal esse ativismo político, levou milhares de brasileiros para as ruas, aclamando por eleições diretas para a presidência, para assim, colocar um fim definitivo no regime ditatorial vivido entre 1964 e 1985. Como em todo processo transitório, divergências ideológicas surgem em alguns aspectos, como a apatia eleitoral dos filhos das décadas seguintes, pois o habitual seria que esses tivessem ainda mais fortes o espírito motivador de mudanças, que seria herança das décadas passadas. Com o intuito de exemplificar, e até mesmo entender melhor esse seguimento, uma entrevista foi realizada com o Coordenador dos Técnicos Administrativos do Colégio Pedro II – UESCIII, o engenheiro Murilo de Moura Santos e os professores: Eduardo Vicente, Silvia Maximiano, Margarida Ambrogi, Luiza Helena e Wolney Malafaia. E buscando o ponto de vista de um herdeiro dessa geração, o advogado Airton Braga, também foi entrevistado.

Coordenador dos Técnicos Administrativos do Colégio Pedro II 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

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“Não, havia muitas pessoas engajadas na luta contra a repressão, o fato é que os
artistas são mais notórios, e por isso às vezes pensamos que eram os únicos envolvidos na luta pela redemocratização.

2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“Ela foi um marco no processo de mudança e até mesmo muito bem vinda, pois
instituiu os direitos civis (principalmente em seu artigo V). Não trouxe estabilidade, porém trouxe um pouco mais de segurança . 3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“Foi um período de estagnação, de repressão, de falta de desenvolvimento, em
que os principais setores afetados foram: saúde, educação, transportes e tudo que envolvesse infra-estrutura . 4) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai

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sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“Significou uma abertura para o processo de redemocratização.”

Murilo de Moura Santos, Engenheiro e Professor da área técnica de Segurança do Trabalho entre outras. 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

“Em

parte, sim diversos intelectuais e artistas, participaram do Processo das

“Diretas Já” como Betinho, Barbosa Lima Sobrinho, Fafá de Belém, Gil e Caetano entre outros, mais principal, em minha opinião, é que naquela época havia uma efervescência com algo de novo, um maior engajamento da classe política em querer participar, velhos nomes voltavam como Brizola, Gabeira, novos surgiam como Lula, Jandira, e próprio Dantes de Oliveira (O senhor “Diretas Já”). Dando ares de

esperança na política enquanto hoje á uma grande movimento de despolitização
através da corrupção.

”.

2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição 15

brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“Se levarmos em conta a história apenas dos anos 80 concordo com o texto, mais
não posso esquecer-me das barbáries dos anos 60 e 70, a constituição pode ter trazido a estabilidade mais muitas conquistas ainda há de serem conquistadas.

3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“Posso falar por mim mesmo, pois sou formando em técnico do início desta década
e só consegui me firmar no mercado de trabalho a partir da segunda metade, vindo perder em termos de carreira profissional cerca de cinco anos.

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“Em 1978 ingressava no nível médio, vindo a se dar a abertura política em 1979, o
que influenciou no meu engajamento político podendo vir a participar de movimentos estudantis (ressurgimento da UNE), fundação do “Partido dos Trabalhadores”, enfim naquela época não conseguiram mais calar a nossa boca.

”.

5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo

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de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“O MDB se transformou no baluarte de todas as oposições, nele havia também
membros da ditadura, mais o que restou de oposição estava de certa forma vivo dentro deste partido forças como MR8, ALN entre outros, com essa vitória pode ser o ponto

de partida para diversas outras que se consolidariam nas décadas de 80 e 90,
possibilitando assim a redemocratização do país.

Eduardo Vicente, professor de Matemática do Colégio Pedro II 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

“Não.

A participação política da época se deu como um somatório das

mobilizações organizadas por vários setores da sociedade civil, principalmente, entidades estudantis, associações de moradores, sindicatos e partidos políticos. A desmobilização nos dias de hoje se deve, a meu ver, com a decepção da população

com as lideranças dessas entidades, além de uma campanha dos meios de
comunicação para desmoralizar o Congresso.


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2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“Em

parte. Como muitos artigos da Constituição dependiam de leis

complementares, muito se perdeu durantes este tempo.

3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“Desemprego

e estagnação da área tecnológica. Muitos engenheiros se

formavam e não tinham emprego, alguns inclusive, foram para o Magistério.

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“A volta das manifestações de rua como os atos de 1º de Maio com a presença
de ex-exilados como Luís Carlos Prestes.

5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo

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de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“O

MDB era uma espécie de oposição permitida. No Rio de Janeiro, o

“Chaguismo” comandava o MDB. A “esquerda” era minoritária. Talvez por isso se

abriu mão da luta pelas diretas para participar do colégio eleitoral.”.

Silvia Maximiano, professora de Língua Portuguesa do Colégio Pedro II 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

“Não. Nos anos posteriores aos da mobilização, houve uma onda neoliberal,
conservadora.”
2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

19

“A Constituição de 88 recuperou
época de ditadura.

direitos que tinham sido suspensos na

3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“O Brasil não avançou na distribuição de riquezas.”

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“A volta das próprias pessoas, a retomada do seu cotidiano.”
5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“A vontade popular: a mudança de regime.”

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Margarida Ambrogi, professora de Geografia do Colégio Pedro II. 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

“A meu ver não foi a repressão de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais
que levou a grande mobilização de milhares de brasileiros, em muitas de nossas cidades. O que,em 1984, motivou a grande participação popular foi o fato de que o movimento das “Diretas Já”!” era favorável a emenda do deputado Dante de Oliveira que restabeleceria as eleições diretas para presidente da República, uma vez que a última eleição direta para presidente havia sido em 1960. O regime militar estava cada vez mais deixando a sociedade insatisfeita. Era alta a inflação, grande a dívida externa,grande o desemprego. Enquanto os militares pretendiam uma transição democrática lenta a sociedade desejavam fim do regime rapidamente.

2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“A Constituição de 1988 foi aclamada como uma das mais modernas do mundo”.
Representou a consolidação da democracia, no Brasil, garantindo aos brasileiros direitos que não eram considerados durante o regime militar. Dentre eles pode-se citar: liberdade para trabalhar, expressar o pensamento, votar nas eleições públicas, participar de partidos políticos; acesso a educação, à assistência à saúde, à previdência social, a segurança pública.

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‘Segundo o ministro Gilmar Mendes (25/01/2010), o Brasil comemora 25 anos de estabilidade política, iniciada com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmada com a promulgação da atual Constituição Brasileira, em 1988, para o Presidente do Supremo Tribunal Federal, este é o mais longo período de

estabilidade institucional de nossa história republicana’.”.

3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Sr. descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“A industrialização do Brasil por substituição das importações esgotou-se nos anos
80. A causa principal disto foi a incapacidade do Estado de promover o crescimento econômico através de investimentos diretos na indústria ou na infra-estrutura de transporte, de energia e comunicações. Esgotara-se o modelo econômico que tinha por base os capitais estatais, transnacionais e privados nacionais. A emissão de dinheiro teve conseqüências inflacionárias. Houve retração da economia que repercutiu na capacidade de consumir na classe média urbana. Muitas indústrias faziam demissão

em massa e a taxa de desemprego cresceu. Na zona sul da cidade de São Paulo
ocorreram saques e depredações de supermercados. O PIB (Produto Interno Bruto) per capita brasileiro que apresentou crescimento importante na década de 60 e grande avanço nos anos 70, nos anos 80 cresceu menos que a população. Pode-se dizer que ocorreu empobrecimento do país.

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

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“O AI-5 foi extinto em outubro de 1978. No governo de Figueiredo (1979-1985)
vários segmentos da sociedade (sindicatos de trabalhadores, empresários, Igreja, universidades, por exemplo) exigiam a redemocratização do país. Surge um novo

sindicalismo e ocorreram greves de operários contra o achatamento salarial e autoritarismo do governo militar. Foram realizadas eleições diretas para
governador de estado. Era o caminho para a institucionalização de um regime democrático no país.

5) Para uma melhor analise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“O MDB era um partido político que se opunha ao Regime Militar de1964. A
vitória do MDB representou uma ameaça à hegemonia do governo militar. Em 1974, o MDB obteve 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e sai vitorioso, também, nas prefeituras de muitas grandes cidades. A vitória do MDB deu início à aceleração da redemocratização do país.

Luiza Helena Felipe, professora de História do Colégio Pedro II. 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política.

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Comparando os dias de hoje com essa grande mobilização, poderíamos dizer que a tão aclamada participação política deu-se apenas pela repressão de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais sofreram?

“Não, de forma alguma. Foi um movimento de luta contra a ditadura militar
que mobilizou todos os setores da sociedade, que foram para as ruas demonstrar sua insatisfação.

2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“Primeiro,

discordo da opinião do presidente do TSE sobre a transição

democrática. Independente de fazer parte do projeto de “abertura lenta, gradual e segura”, envolveu a mobilização da sociedade, com avanços e recuos. A promulgação da Constituição de 1988 representou a instauração do “Estado de direito”, onde foram suprimidas as arbitrariedades realizadas durante a ditadura, entretanto, representam um momento da história do país. Isto não significa que todos os problemas, sejam políticos, econômicos ou sociais, foram resolvidos, até porque muitas questões ficaram para ser melhor detalhadas em leis ordinárias, mas não podemos negar representou um avanço no processo de democratização desse país.

”.

3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Sr. descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

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“Vocês já descreveram: planos econômicos que pretendiam controlar a inflação,
mas depois de passada a euforia, tudo começava de novo. E a solução? Novo plano, nova moeda e assim foi cada vez mais aumentando a inflação, o custo de vida e a dívida externa, levando à recessão econômica. E quem pagava a conta era o trabalhador que via seu salário desvalorizado, quando não perdia o emprego, e suas condições de vida cada vez mais precárias.

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“A anistia política, pois foi um movimento que foi crescendo e mobilizando a
sociedade, ao mesmo tempo em que desmascarava os atos da ditadura, resgatando a memória de muitos brasileiros e brasileiras que foram presos, assassinados ou exilados.

5) Para uma melhor analise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“A vitória foi do MDB, mas significava a insatisfação da sociedade com a
ditadura que, para expressá-la, votava na “oposição” ao regime (bipartidarismo).

”.

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Wolney Malafaia, professor de História do Colégio Pedro II 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais?

“Não

concordo com a afirmação de que o Movimento pelas Diretas Já foi

grandioso devido à participação numerosa de artistas e intelectuais. Havia um grande anseio na sociedade pela eleição direta para Presidente. Havia um grande anseio

pela liberdade. Em minha opinião, que vivi intensamente esse momento e participei
da campanha pelas Diretas Já, este movimento foi o apogeu de todo um processo iniciado em 1974 com a vitória do MDB nas eleições para a Câmara e Senado. Depois de 1974, veio a reorganização de entidades representativas, o retorno do movimento estudantil (que se fortaleceu muito após 1977), as greves operárias (destacando-se as greves no ABC Paulista entre 1978 e 1980), as comunidades eclesiais de base (com a intensa participação de padres e lideranças católicas), a campanha pela Anistia, o retorno dos exilados e a libertação dos presos políticos, a reorganização partidária, as eleições de 1982 e outros fatos. Os artistas alinhavam-se ao movimento, mas não eram essenciais e nem participavam de sua organização que ficou a cargo das inúmeras comunidades eclesiais de base, sindicatos, associações de moradores e partidos políticos (inclusive aqueles na ilegalidade como o PCB e o PC do B). Aqui está a razão do sucesso do movimento.

2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

26

“A Constituição foi importantíssima pelo simples aspecto da garantia dos direitos
civis e avanço em algumas questões sociais (como a noção de propriedade privada condicionada ao interesse social). Concordo que ela trouxe certa estabilidade, fortalecendo os três poderes e o federalismo (e os municípios também). Mas, na realidade, o avanço principal, relacionado à organização da sociedade civil, já tinha se realizado. Este, em minha opinião, foi o que possibilitou termos uma Constituição um pouco mais avançada do que desejaria nossa elite política na época. A pressão da sociedade civil organizada e de alguns partidos políticos de esquerda fez com que alguns avanços sociais fossem consolidados na Constituição (muito embora, alguns tenham sido revogados nas infelizes reformas dos anos 90 promovidas pelo PSDB e PFL /DEM ). 3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população?

“Esta

“década perdida” diz respeito ao crescimento zero e até mesmo

negativo verificado na década de 80. Os vários planos econômicos adotados na época
não foram suficientes para conter a inflação (que chegava até 20% ao mês), nem para gerar emprego e renda (os índices de desemprego batiam na faixa dos 20% também). Não houve praticamente investimentos da parte do Estado e os serviços públicos se deterioraram rapidamente. Entretanto, foi uma década em que surgiu o MST (1984), tivemos a campanha pelas Diretas Já, inúmeras associações de moradores e movimentos sociais se organizaram, partidos políticos se estruturaram e sindicatos ganharam liberdade e se organizaram melhor. Logo, se a economia foi crítica, a sociedade avançou e muito.

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4)A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxeram ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“Não acredito nisso. A Anistia foi incompleta (nem todos os exilados puderam
voltar) e abrangeu setores que durante o Regime Militar participaram de seqüestros, tortura e assassinatos (atos praticados pelo sistema de segurança). A volta dos exilados foi emocionante, mas muitos deles (como Leonel Brizola) voltaram para um país que já não conheciam mais e mantendo os velhos hábitos dos anos cinqüenta e primeira metade dos sessenta. O mais marcante foi a libertação dos presos políticos que

estavam no Brasil, praticamente todos ingressaram no movimento político
imediatamente, ajudando a organizar partidos políticos e reorganizar sindicatos e movimentos sociais. Isso sim foi marcante. O contato com essas pessoas, que saíam da prisão e iam para a luta, foi emocionante, incentivador, muito bom.

5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“Essa

vitória representa duas coisas: primeiro, a reorganização da oposição

avançando na fraqueza do Regime Militar, que já começava a dar sinais de desintegração; segundo, a possibilidade da transição pacífica, da redemocratização pelo voto, pela reorganização da sociedade civil, pela rearticulação dos movimentos sociais, o que demorou dez anos, mas se fez com grandes vitórias e conquistas para a sociedade brasileira.


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Airton Gomes Braga, advogado formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um movimento revolucionário se instaurou em meio ao processo de redemocratização, o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais? A participação política para a sociedade brasileira nos dias atuais, de fato, está desvalorizada. Isso, no entanto, não se dá pela falta de artistas e intelectuais encabeçando a mobilização política, sendo, antes, reflexo do tempo em que vivemos. O povo, a cada dia que passa, vai se acomodando com a democracia brasileira, esquecendo o poder que a Constituição de 88 devolveu-lhe: o de mudar os rumos do país através do voto. Essa amnésia política se explica pelo fato de que os próprios agentes políticos estão desacreditados, o que não poderia ser diferente numa sociedade midiática como a nossa em que cada escândalo envolvendo políticos toma proporções gigantescas, afinal, é notícia que vende jornal. O efeito dessa exposição midiática sobre a população é o descrédito na instituição democrática e, por via de conseqüência, no voto, afinal, “político é tudo igual”. Infelizmente, o povo brasileiro hoje joga no lixo aquilo que se lutou tanto para conquistar: o direito de eleger diretamente o diretor da nação. Acredito que o movimento “Diretas Já” foi reflexo da sociedade em que se vivia, onde a liberdade de sufrágio era restrita ao máximo, enquanto nos dias de hoje se vive uma acomodação democrática, justamente porque alcançamos à plena liberdade de votar e ser votado. 2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a

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transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil?

“A

Constituição de 88 representa um marco para o povo brasileiro,

principalmente no que tange às liberdades, amplamente garantidas pelo texto constitucional. Embora seja um marco, a Constituição não resolveu todos os problemas da nação pelo simples fato de ter sido promulgada. No Brasil, a mentalidade é que tudo se resolve na canetada. Não é bem assim. O Ministro Lewandowski está corretíssimo quanto ao processo de transição, dado sem maiores problemas. Dizer que a Constituição trouxe estabilidade ao país é ingenuidade. Somos uma jovem nação, com pouco mais de 500 anos, saída de um período de ditadura, vivendo a democracia há apenas 22 anos. Obviamente, aquele pandemônio em que estava metido o país no fim dos anos 80 e início dos 90 não existe mais. A estabilidade vem aos poucos se consolidando. O respeito à Constituição, principalmente pelo próprio Estado, neste processo de estabilização política, econômica e social é de suma importância.

3) Desde 1964 o Brasil estava sob o Regime da Ditadura Militar, e desde 1967, dos Atos Institucionais. Sob uma Constituição imposta pelo governo. O regime de exceção, em que as garantias individuais e sociais eram diminuídas e cuja finalidade era garantir os interesses da ditadura fez crescer, durante o processo de abertura política, o anseio por dotar o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores democráticos. A Constituição Federal de 1988 assegurou diversas garantias constitucionais, com o objetivo de dar maior efetividade aos direitos fundamentais. O direito maior de um cidadão que vive em uma democracia foi conquistado: foi determinada a eleição direta, também previu uma maior responsabilidade fiscal. Desse modo, a nova Constituição mudou a vida de toda a sociedade da época. Para o Senhor (a), como foi vista essa mudança?

“Embora quando da promulgação da Constituição fosse apenas uma criança de
colo, cresci e amadureci junto com a Carta Política. A nova Constituição mudou, e

segue mudando, a vida de toda a sociedade brasileira, principalmente tendo
garantido as mais diversas liberdades aos cidadãos – voto, imprensa, religião etc. –, a fim de viabilizar a construção democrática do país, e trazendo ao plano

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constitucional muitos direitos trabalhistas, o direito à saúde e o direito à educação. Se o Estado tiver o respeito à Constituição como valor máximo, o Brasil avançará para um país menos desigual, que trata seus cidadãos sem qualquer distinção.

4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação?

“Principalmente o retorno dos exilados políticos à Pátria. Logo restabelecer-se-ia
a liberdade de opinião e seria novamente possível o diálogo, o que tornou possível a mobilização para a redemocratização.

5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitorias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura?

“Significa que mesmo naqueles anos de chumbo o povo não se conformava com o
regime de exceção. Significa que o povo, exercendo seu direito de voto, demonstrava seu descontentamento com a situação então vigente. Significa que o movimento de redemocratização começava ali, e que só poderia partir mesmo do povo, culminando na plena abertura política na década seguinte.

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Análise das entrevistas: 1) A participação política do brasileiro no processo eleitoral hoje é obrigatória e desvalorizada pela população. Entretanto, um dos movimentos revolucionários que se instauraram em meio ao processo de redemocratização foi o “Diretas Já!”. Esse movimento mobilizou grande parte da população para obter a participação política. Comparando os dias de hoje com esse grande ativismo político dos anos 80, poderíamos dizer que a tão aclamada mobilização deu-se apenas porque houve a participação de pessoas mais visíveis como artistas e intelectuais? A participação de artistas como fundamental, pois a participação popular foi a grande definidora das dimensões do movimento. 2) Nos anos 80, o Brasil vivia um clima de efervescência com a luta por eleições diretas, o processo de abertura política, o fim do regime militar e a transição para o regime democrático. O Brasil este ano comemora 25 anos, iniciado com o processo de redemocratização em 1985 e reafirmado com a promulgação da atual constituição brasileira, realizada em 1988. Segundo o presidente do TSE Ricardo Lewandowski a transição se deu sem problemas, sem convulsões políticas ou sociais. Contudo, o que de fato representou esta Constituição? Ela realmente trouxe estabilidade ao Brasil? A nova constituição trouxe não estabilidade, mas segurança aos brasileiros, pois representou a consolidação dos direitos civis no Brasil. 3) “(...) Já na década de 80, o governo brasileiro tinha desenvolvido vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso”. O resultado foi o não pagamento de dívidas a credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Como o Senhor (a) descreveria este período chamado de “década perdida” e quais foram os impactos diretos sofridos pela população? Foi uma década de grande desemprego, a população sofreu com a ausência de assistência do governo e formaram-se vários sindicatos.

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4) A revogação do AI-5 e a anistia dos exilados políticos trouxe ao povo brasileiro uma nova esperança na política. Um novo começo possível. Qual ocorrido o Senhor (a) destacaria como mais importante que evidencia esse sentimento para toda uma nação? A volta das manifestações de rua como os atos de 1º de Maio com a presença de exexilados como Luís Carlos Prestes; o retorno dos exilados políticos à Pátria; libertação dos presos políticos que estavam no Brasil. 5) Para uma melhor análise do processo de redemocratização, vamos colocar como ponto de partida a derrota massiva, sofrida pelo partido militar nas eleições de 1974, onde o partido de oposição, o MDB, dobrou seus representantes na câmara baixa (indo de 87 para 165 e, além ter, obtido uma esmagadora vitória nos votos para senador, onde conseguiu 14,6 milhões contra 10 milhões da ARENA). O MDB não encerrou por ai sua cadeia de vitórias, conseguindo também o controle de algumas das principais assembléias, como a de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo seu ponto de vista, o que significaria esta vitória do MDB nesses anos de ditadura? Essa vitoria evidenciava a fraqueza do regime militar, a desmontagem do mesmo e marcou o começo da transição da ditadura para a redemocratização.

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6. Conclusão Uma luta durante anos foi travada buscando direitos e garantias. A constituição de 1988, veio com o intuito de estabilizar o país. Mobilizações populares foram feitas, o povo saiu para as ruas, para reclamarem de seus diretos e talvez essa tenha sido, uma das maiores manifestações de identidade nacional. Brasileiros exilados, puderam voltar pra sua nação e suas famílias, o pluripartidarismo foi reconhecido e principalmente, assegurado por leis, no primeiro artigo da constituição exatamente. O Estado deixou de ser tão autoritário e o poder adquirido por ele, passou a ser emanado do povo e exercido para o povo. É claro que não é tudo o que é perfeito, pois a sociedade por si só é formada por pequenos períodos de transição, pequenas mudanças eventuais. Contudo, o que é visível é a atitude tomada por jovens brasileiros da época, o anseio por melhorias imediatas e o desejo de mudança. O processo pela democracia nacional, foi longo, e principalmente árduo. Entretanto, milhares de pessoas simplesmente não abriram mão de seus sonhos e objetivos, e por isso que atualmente, existem leis que protegem a cada brasileiro que nasce. Nossos pais, parentes e amigos, deixaram um legado de suma importância: o espírito motivador de mudanças. A probabilidade de realização de todo sonho, até mesmo, aquele mais oculto, ou talvez, mais improvável de acontecer, tudo é possível, se tentado com bastante a finco, pois isso é o que diferencia cada ser humano, a vontade. Nós somos filhos de uma revolução.

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7. Referências Bibliográficas Constituição de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em: 27 de agosto de 2010. FIGUEIREDO, João Baptista. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/governo-joao-baptista-figueiredo/governojoao-baptista-figueiredo.php JUNIOR, Antonio Gasparetto. Atentado ao Riocentro. Disponível em:http://hid0141.blogspot.com/2010/03/atentado-ao-riocentro.html. Acesso em: 27 de agosto de 2010. SILVA, Luiz Inácio Lula da. Episódios da greve de 80. Disponível em: http://www.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/memoria-e-historia/exposicoesvirtuais/episodios-da-greve-de-80. Acesso em: 27 de agosto 2010. SOUZA, Rainer. Ernesto Geisel. Disponivel em: http://www.brasilescola.com/historiab/ernesto-geisel.htm. Acesso em: 27 de agosto 2010. KUPPER, Agnaldo; CHENSO, Paulo André. Brasil História Crítica, ensino médio. Editora FTD S.A. CAMPOS, Flávio de; MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da História. São Paulo: Escala Educacional, 2006. VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. Historia para o Ensino Médio. São Paulo: Scipione, 2002.

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