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PSICOLOGIA

DO
DESENVOLVIMEN
TO
1º SEMESTRE 2011
11/02/10

APRENDENDO A OBSERVAR
Marilda Fernandes Danna

Maria Amélia Matos

A LINGUAGEM CIENTÍFICA
→ A maioria das pessoas costuma observar ocorrências e relatá-las a
outrem. Dependendo do objetivo a que se servem, observação e
relato de ocorrência podem ser feitos de diferentes maneiras.

→ Para a ciência, cujo objetivo é predizer e controlar os eventos da


natureza, um fato só adquire importância e significado se é
comunicado a outros fazendo uso de uma linguagem que obedece a
certas características.

→ A linguagem utilizada nos relatos observacionais difere da que


usamos em nossa vida diária, a linguagem coloquial, bem como a
usada na literatura.

→ Num relato literário o autor não pretende descrever apenas o


que aconteceu realmente. Também não necessita fazê-lo da maneira
mais fiel possível. O trabalho de um escritor não exige que o que ele
conta seja constatado da mesma maneira pelos outros. Ele não quer
demonstrar fatos, sua tarefa é mais comunicar e produzir impressões
sobre coisas que podem até não ter acontecido. O objetivo de um
escritor permite e até “exige” que ele “ de asas a imaginação”.

→ O relato aproximadamente científico não tem poesia. O relato


científico não usa o recurso da linguagem figurada, não recorre a
interpretações, nem impressões subjetivas.

A objetividade é uma característica fundamental da


linguagem cientifica
→ Num relato científico, na maioria das vezes, a apresentação dos
eventos, na ordem em que ocorrem, é da maior importância.

→ Em alguns casos, o cientista pode ter como objetivo descrever as


características das interações verbais entre pessoas. Poderá usar
então transcrições no seu relato.
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→ O que determina a adequação das características da linguagem é o
objetivo.

→ Um escritor, um cientista e uma pessoa comum, pretendem


influenciar seus ouvintes e leitores, de maneiras diferentes. Portanto,
usam linguagem com características diferentes.

Psicólogos e cientistas do comportamento são pessoas comuns


que usam linguagem coloquial no seu dia-a-dia; mas na sua
atividade profissional,quando estão interessados em descrever ,
explicar e alterar o comportamento, devem usar uma linguagem
científica.

A OBJETIVIDADE DA LINGUAGEM
→ Como já mencionado, a objetividade é a característica fundamental
da linguagem científica. Pela objetividade, o relato científico se
distingue dos demais. Sem objetividade não teríamos bases sólidas
para estudar um fenômeno; estaríamos estudando apenas a opinião
das pessoas que supostamente estão “descrevendo” o fenômeno.

→ A linguagem objetiva busca eliminar todas as impressões pessoais


e subjetivas que o observador possa ter, ou interpretações que ele
possa dar acerca dos fatos.

→ São dadas , a seguir, duas descrições dos comportamentos


apresentados por uma senhora dentro de um ônibus; a primeira é um
relato não objetivo e a segunda é feita em linguagem objetiva.

Relato não objetivo Linguagem Objetiva

1) S * anda à procura de um lugar 1) Ônibus com todos os assentos


para se sentar ocupados. S dentro do ônibus, de pé,
anda em direção à porta traseira do
ônibus.

2) Como não encontra, pára ao lado 2) Ônibus com todos os assentos


da oitava fileira de bancos, atrás do ocupados. S* parada, de pé, ao lado
motorista. Tenta pedir um lugar aos da oitava fileira de bancos, atrás do
passageiros que se encontram motorista. Vira a cabeça em direção
sentados naquele banco. aos passageiros que estão sentados
no banco.

3) Como ninguém se incomoda, 3) Ônibus com todos os assentos

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cansada, ela desiste. ocupados. S* parada, de pé, ao lado
da oitava fileira de bancos, atrás do
motorista. Passageiros do banco
olham em direção à rua, S expira
fundo e fecha os olhos.

→ Ao analisar os relatos verificamos que o termo “cansada” se refere


a uma impressão do observador acerca do estado do sujeito, e que o
mesmo foi eliminado e substituído, no segundo relato, pela descrição
dos comportamentos exibidos pelo sujeito naquele momento, “expira
fundo e fecha os olhos”. Foram também eliminadas, no segundo
relato, as interpretações: “ tenta pedir um lugar aos passageiros”;
“como ninguém se incomoda” e “ela desiste”.

→ A importância da objetividade na linguagem torna-se evidente


quando se comparam os dois relatos. No primeiro, as ações do sujeito
são descritas de acordo com um determinado ponto de vista, que
pode ou não estar correto. Possivelmente, se outro observador
estivesse presente na situação, interpretaria as ações do sujeito de
um modo diferente....