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Pós graduação a distância SENAC: Artes Visuais, Cultura e Criação Atividade Prática : Intervenção Urbana

Aluna: Juliana Vieira de Lima

Tutora: Fernanda

PROJETO: ÁREA [IM]PRÓPRIA

Local: Praça Bento Silvério, ou a “Pracinha da Lagoa”, Lagoa da Conceição, Florianópolis.

A ideia veio a partir da intervenção do grupo Ipensa de Blumenau, que fez uma instalação no rio Itajaí-açu, chamada “Isto Não É um Cocô” que consistia na confecção de várias fezes em tamanho gigante, e depósito das mesmas no rio, para chamar a atenção sobre o esgoto doméstico que vai parar nele. Esta intervenção me remeteu ao trabalho do colega Gilberto Pereira, fotografia apresentada no último encontro presencial, e que retrata o meu bairro, a Lagoa da Conceição. Por toda a “praia” da Lagoa, desde o Canto até a Costa, passando pela Ponta do Pitoco, Avenida das Rendeiras, Canto dos Araçás, Ponta das Almas, existem diversas placas da prefeitura, para indicar se a área é Própria ou Imprópria para banho. Acontece que, todo ano, durante o verão, as placas dizem “própria”, e no inverno dizem “imprópria”. Não que todo ano a gente suje a Lagoa no inverno e deixe bem limpinha no verão. A Lagoa está sempre a mesma (cada vez pior). A foto do Gilberto refletia muito bem essa situação, pois nela estava uma dessas placas, com os dizeres “Água Insana para Banho”.

dessas placas, com os dizeres “Água Insana para Banho”. Sob esse contexto, o projeto de intervenção
dessas placas, com os dizeres “Água Insana para Banho”. Sob esse contexto, o projeto de intervenção
dessas placas, com os dizeres “Água Insana para Banho”. Sob esse contexto, o projeto de intervenção

Sob esse contexto, o projeto de intervenção urbana na pracinha da Lagoa, consiste na elaboração de placas, com a tipografia e estilo gráficos semelhantes às da prefeitura, que serão posicionadas: próxima ao banco da praça, com os dizeres “Área Imprópria para Descanso”, próxima ao parquinho, dizendo “Área Imprópria para Brincar”, perto da quadra da escola de Samba: Área Imprópria para Dançar”. Em alguns cantinhos, “Área Imprópria para Beijos”. Nas mesinhas que os velhinhos jogam dominó:

“Área Imprópria para Jogo”. “Área Imprópria para Feira”, Área Imprópria para Famílias”, etc. e nas latas de lixo: “Área Própria para Banho”.

A intenção com o trabalho, é que as pessoas

verifiquem que todas as placas, na verdade, estão trazendo uma informação que é mentirosa, assim como a “Área Própria para Banho” na lata de lixo, relacionem às placas

“verdadeiras” que constam na beira da Lagoa,

e que se reflita se elas são tão verdadeiras assim.

Lagoa, e que se reflita se elas são tão verdadeiras assim. O uso de placas semelhantes

O uso de placas semelhantes às que as autoridades disponibilizam, pode ser relacionado com

algumas obras do ready made, que constituíam em objetos que sofriam um desvio de função.

O curioso deste projeto é que as placas originais, que deveriam informar, acabam por causar

uma confusão nos usuários, efeito também pretendido por mim. Então, o desvio de função se torna algo às avessas, ela desinforma, mas a original também desinforma, então ambas não cumprem sua função principal, que é de orientar.

não cumprem sua função principal, que é de orientar. A confusão de palavras e sentidos, dos

A confusão de palavras e sentidos, dos textos nas placas, faz alusão à obra de Magritte, “Ceci n’est pas une pipe”, ou “Isto não é um cachimbo” (também influenciou o nome da obra do grupo Ipensa onde este texto está registrado abaixo da figura de um cachimbo, que por ser uma representação, não pode mesmo ser o objeto. Mas se mostram a reprodução de um cachimbo, e perguntam “o que é isso?”, será grande o número de respostas contrárias ao que consta naquela legenda. Responderíamos sem pensar: é um cachimbo.

),