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/As iniciativas d Santo na Republica Velha Rafael “ 4 Marcello Poggi Nogueira de Sa pela amizade agiio do Espirito Introdugio presente texto pretende tragar um panorama geral da izaciio capixaba, no periodo que vai de 1892.a 1912, no contextodo processo de industrializagaa vivido pelo pais. Objetiva- se, de um lado, dar destaque aos dois ntomentos industrializantes decisivos que ocorrem no periodo, sendo eles: a primeira tentativa de intervenglio do governo estadual com o intuito de incentivar a industrializagdo, que ocorre ainda fo sééulo passado no primeiro mandato de José de Mello Carvalho Moniz Freire como Presidente do estado (03/05/1892 a 23/05/1896); ¢ 0 projeto de criagio do it (0 Santo;no governode Jersnymo 12). De outro, levantar as raz6es das dificuldades enfrentadas pélo projeto de industri zag no periodo, Neste sentido prétendé-se avaliar a importincia {que teve o setor primario - em especial 6 café - nas oscilagdes do processo de industrializagao, O café foi fiindamental para sustentar os projetos infra-estruturais desses overnos, domesmomodo que + Texto feito a partir da pesquisa "Hist6ra da Industralizagto no Espirito Santo" sob a brientagio da professora Leonor Franco de Araijo com bolsa FINDES/SEBRAE. **Aluno do Dept. de Historia da UPES 137 crisesna receitapor ele gerada refletiam negativamente noproces- so indust ‘maior ou menor grau, em todo este processo. Breve panorama da indust foi prejudicado, entre outras coisas, iras fixadas no tratado assinado com a Grit ido Portugalem 1816¢asoutrasnagdes apésa independéncia, Esse quadro de falta de protegao tariféria & nascente indistr nal s6 se modificoua partirde 1844 coma aprovacao das “Tarifas Alves Branco”. E certo que nio se criam indistrias apenas com tarifas a ide mao-de- I para investimentos, ‘ {transportes, comunicagdes e energi interesse da classe dominante amplamente ligada aos interesses agro-exportadores, O crescimento da prodhigio cafeeira a partir da década de 1830, 0 fim do trifico nejrelré ¢ a intensificagaio dé capitais, um pequeno surto indus detransportes E a partir de meados do século XIX que ial eodesenvolvimentodo setor brasi processo foi a extingao do tréfico negreiro que colocou em dispo- lidade um capital de monta o qual, na impossibi 138 expansio da fronteira agricola, veio a ser aplicado de maneira urbanas, ou conforme afirmagio de a partir dai que aparecem na vida idade industrial, desenvolvendo-se, /o do simples artesanato. Ela se entrosa lades de maio-de-obracada brasileira os elementos da: vez maiores”. (Sodré, 1978, p. 42). ‘A segunda metade do século XIX serd um periodode acentu- adas mudangas nas areas de aparelhamento urbano, inovagdes técnicase primazia econémica. Desde a década de 1830, o café passoua suplantaros outros produtos na pauta de exportacdo brasileira, dando-se com isso 0 “deslocamento da primazia econdmicado norte para ocentro-sul.. (Prado Junior, 1980, ‘Asmudangas: porque passam as “pelo aparecimento, na vida br técnicas de navegagao,comonavio 1 vapor; técnicas de comunicagdes, com o telégrafo; técnicas de produgo, com as maquinas des A industria de transforma- ‘go que sai do seu desolador aparethamento bancério encontraas possibilidades ara funcionarefetivamente. A lade comercial amplia bastante, o tnercado de trabalho niio cessa de crescer ea funcdo da cidade comiega a se definir”. (Sodré, op. cit. p. 44). ‘Nadécada de 1850, ‘fundam-se nd pais 62 empresas indus- triais, 14 bancos, trés Caixas Econémicas, 20 companhias de navegagdo a vapor, 23 companhias de séguros, quatro de compa- nhias de colonizacaa, oito de mineragao, trés de transporte urbano, duas de gése oitoestradas de ferro”. (Prado Junior. op.cit.p. 192). Essas mudangas, entretanto, nao redundam em alteragao significativa da estrutura econdmica brasileira baseada na agro- exportacdo. Masécerto, também, que uma progressiva moderniza- gfiose verificacomoresultadodos sucessivos superdvits comerciais 139 denossabalangadecomércioexter | surto cafeeiro, pelaentrada do.ca te via o setor comercial -, pelos melhoramentos urbanos, ea forte corrente imigratéria que se estabelece. Em fins do século XIX, 0 paiscontacom 9.000 km de estradas de ferro,e outros 1.500km em construgo, enquanto a navegagdo a vapor somava ao redor de 50.000 km de linhas em trafego regular, e a rede telegrafica com 4quase 1.000 km de linhas, “articulando todas as capitais e cidades mais importantes do pais, ... sem contar os cabos submarinos transocednicos que ligavam a diferentes partes da Europa e Amé- nbém, um relativo progresso industrial, das manufaturas téxteis em particular, de que se contam no fim do Império cerca de cem estabelecimentos de certo vulto”. (Prado Junior, op. cit., pp. 196-197). Nao obstante esses progressos infra-estruturais realizados nna segunda metade do século XIX, a economia brasileira continu- ava a depender basicamente da exportagio de produtos agro- tropicais, em especial o café, apresentando ainda “uma precéria divisio social dotrabatho e uma circulago. as”. (Linhares, 1990, p. 134). Demoristram isso 0s dados de 1920, que indicam a gricultura octigando ainda 66,7% da populagio economicamente ecupando apenas 8.2%. hares, op. cit, p. 167) Os primérdios da i izagdo brasil rem do modelo europeu na medida tii que, aqui, a transigao levou a diferentes tipos de relagdes de producdonao capitalistasnio campo, como o colonato, a parceria, etc... que impodem uma velocidade na passagem para uma economia capitalista Em 1907, conforme nos informa o primeiro censo geral das indistrias brasilei empregando 150.841 opetérios e representando um capital de 665.000 contos. Esses fatores se encontravam concentrados principalmente no Distrito Federal (33%), Sao Paulo (16%), Rio Grandedo Sul(15%) eno estado do Riode Janeiro(7%). Enquanto .geradosa partirde 1860 pelo incipalmen- 140 ‘ial se mostra concentrada basicamente nos. rentacdo (75%). (Prado Junior, op. cit., p. 260). Jaéocenso industrial de 1920 mostraaexisténcia de um total de 13.336 estabelecimentos industriais, empregando 275.512 operdrios, representandoum capital de 1.815.156contos. Entretan- to,a produgao se mantinha concentrada nos mesmos ramos textile dealimentagao, inch ivecom um ligeiroacréscimodessataxaem relagHo a década anterior (79%). (Prado Junior, op. cit., p. 261). Proceso que sofreu com o fato de estar sempre dependente de fatores externos, a industri iu se manter nesse primei ‘ea constante depreciago cambial que, se por ‘aaexisténcia das indistrias é instaladas, por outro, ficulta a ampliago e moderni torna os pregos de novas Oppetiodo de 1924 a 1930 marca uma fase de depressio das indistrias brasileiras, gerado pelos créscentes saldos da balanca comercial que possibilitaram um expressivo aumento das importa- es de produtos industrializados. Com a crise de 1930, haveri um.brusco desequilibrio de nossa balanga comercial provocandé um déficit consideréveleuma rapida desvalotizacao da moeda, expondoa nossa dependéncia da agro-exportacdo cafeeira, Com isso, ocorisumo de produtosexter- nos sofre uma grande queda estimulands a produgio interna. Em consequéncia, nas décadas de 1930 ¢ 1940, a industri passa a ser vista como alternativa para 0 desenvolvimento, Nesse periodo se esboga um projeto de iiidustiializagiio pesada com o Estado brasileiro adotando um novo padrdo de comportamento. Este, face as dificuldades de financiamento do projeto industrializante, abandona sua posi¢do essencialmente pol processo de modenizacdo capitalista para transformar-se em investidor produtivo na diregao industrlalizante. Em especial, sio adotadas medidas na érea de politicas piblicas com vistasacriago de condigdes sociais para instalagio do setor de base na indtistria nacional. pais ingressa numa nova fase de desenvolvimento da economia industrial. Com ele ira se concretizar uma estrutura monopolista uearticula empresas multinacionais, empresas privadas nacionais empresas piblicas cabendo, viade regra, is primeirasa produgio no setor de bens de consumo durivel, As segundas o setor de bens de consumo nao durdvel, es iltimas o setor de bens de producao. 1+ Eno periodo entre 1950 e 1980 que “ocorre o mais intenso processo de modernizagao pelo qual o pais passou, alterando em profuundidadea fisionomia social. econdmicae p conforme remarca Yedda Linhares. (op. cit., p.273). Isso pode ser comprovado pelos seguintes dados abaixo:* Com 0 Plano de Metas no governo Juscelino Kubistchek, 0 a) A inversdo da relagao populacional campo-cidade: 1950 - 64% de populagao rural e 36% urbana 1980 - 33% de populacao rural e 67% urbana b) O crescimento da thao-de-obra operiria no total da populaggoeconomicamente ativa: 1950 - 16,5 % 1970 - 24,9 % 1980 - 32,7 % ©) E, ainda, a transformagdo da economia por setores: 1950 1980 Primar - 29,9 % Secundario - 244% Terci - 45.7% * Dados extraidos de Maria Yedda Linhares. Histéria Geral do Brasil, op.cit. pp. 274 ¢ 276. 142 A experiéneia eapixaba Ocrescimentoda cafeicultura capixaba no século XIX vai se dar principalmenteapartirda rise do caféno Vale do Paraiba (RJ) ea consequente implantagdo de um niicleo cafeeiro no Vale do Itapemirim, com notaveis prejuizos para a produgdo canavieira ai existente. “Por volta de 1840, sua cultura assumitt proporgées comerciais em torno dessa cidade (Vitdria), e se expandiu pelo litoral procurando morrose encostas. No sul penetrou nos vales do nessa regiioo povoamentoera feito por fluminenses e mineitos... Oestabelecimento domiiclea cafeeirono Valedo Itqpemirim resultou,entre outras coisas, noestimulo a ocupagtio de novas reas da regio por imigrantes europeus, principalmente ital alemiies. Ocorre, assim, o surgimento e/ou crescimento das ct asdo RioNovo, Santa Leopoldina e Santa Izabel (Nara Saletto, op. cit,,p.20). Naesteira desse movimento, desenvolvem-se os trans- portescom aaberturadeestradas, coma implantagaodanavegagao a vapor de forma regular, € com a construgao de ferrovias - a primeira, ligando Cachoeiro-Pombal-Castelo, com uma extensio total de 70,5 km, inaugurada em 1887. Domesmomodo, verificou-se um considerdvelcrescimento populacionalnaregidoem decorrénciadesse processo,conformese pode observar pela tabela abaixo: * ANO POPULACAO, 82.137 hab. 135.997 hab. 209.783 hab. 340.850 hab. ico do Brazil - Ariexo I - 1908-1912 143 ‘Apesar disso, o Espirito Santo contava com varios fatores vam o seu proceso de ndustrializagdo: a falta de um mercado internode porte, a inexisténcia de um sistemade transporte integrado, a falta de mao-de-obraespecializada,a pro: al juntamentecom So Paulo, e pequenacapacidade de investim: t0, tanto do setor estatal quanto de setores privados. ix Com 0 primeiro governo de José de Melo Carvall Freire- 1892. 1896 - sera feita a primeira t valorizagao do café ocorrida na altima década do século passado, bem como pela tomada de consciéncia dos setoresagro-exportado- ia da dependéncia da arrecadagao tributéria de apenas um produto - 0 café, sempre sujeito as variagdes de prego. no mereado internacional. Em periodos de baixa, provocando acentuada queda nas receitas tributarias bem como decréscimo nas rendas de grande parte da populacdo do estado envolvida direta ou indh ‘Ni obstante este entendimento, a industri vista como um projeto autdhoihd, e sim vinculada Adiversificagio da produgiio agricola e da exploragao dos recursos naturais. tiva do Presidente do estado, Moniz Freire, 0 Cor ivo Estadual aprdva, em 29 de novembro de 1892, a Leino. 34 que autoriza o Presidente a conceder garantia de juros de 5 % durante 15 ano: Oito dias antes, o Congreso Legislative aprovaraa Leino. 30, que criava 0 fundo especial para a tonstrugdo da tivo de Moniz Freire, ambos orlentados para uma indus baseada nadiversificagdo agricola eo direcionamentoda produgio 144 endiomaisdo Rio para comercializagao através do porto de Vit de Janeiro. Em uma Mensagem ao Congreso Legislativo Estadual, de 16 de setembro de 1893, Moniz Freire explica que “Continua a sera ipal preocupagiio do meu governo o programa que vos anun- ‘0 assumi-lo - a viagdo férrea e 0 povoamento do nosso continuoa pensar que devemos sacrificar outros de menor ou igual relevar Este mesmo teor pontuouo Relatérioapresentado por Moniz Freire por ocasido da passagem do governo ao seu sucessor, Graciano dos Santos Neves, em 23 de maiode 1896: “O processo antficial para desviaressa corrente natural, que procurajustamente ‘omercado mais abundante, mais rico e mais abastecido, é formar uma grande praca, ¢ isso s6 se conseguira quando por meio da viagdo férreanés tivermol-a posto a cinco ou seis horas de distancia dos centros mais importantes do estado, que sio ‘exactamente estes que atualmente|se servem daqueles outros por- papel do Estado como agente eténdmico era amplamente ainda que apenas em thoinéntos de crise dos capitais lustraisso amensagem citada Je Moniz Freire, de 1893, ‘Na mesma mensagem, fade doestado de transfor- tendendoaque oestado ..6 apenas de 283:500$000” ‘A Leino. 34,no entanto, foi modificada no momento de sua plementagio, passandoo governio do éstadoaconceder emprés- total gasté para a implantagio do 145 empreendimento,o que para Gabrie! Bittencourt “tornavaa fabrica inexequivel nos momentos de cambio baixo”. (Bittencourt, op.cit. +p. 122), Apés a aprovagao da Lei, 0 governo do estado firmou contratos com varios empresérios para instalago de fabricas no Espirito Santo, Esses contratos possufam trés exigéncias bisicas: “submeter em um prazo de 2.a 4 meses, da assinatura do contrato, 05 birojetos © orgamento das obras, desenho das maquinas ¢ descrigdo dos projetos de fabricagao; pagament importéncia destinadaa despesa de fiscalizagaoe ‘¢4odas fabricas em um prazo de 12 meses e conclui-las no prazo maximo de 2 anos a partir da data da assinatura do contrato, sob pena de récistio do mesmo”, (Bittencourt, 1982, p. 66). '" Sfo, entdo, assinados contratos com “Joao Chaves Ribeiro para construgio deum engenhocentral no Vale do Itapemirim.com Joo Chaves Ribeiro ¢ Maximiliano Nothmamm para construgo de uma fibrica de tecidos de algodio e uma fabrica de papel em Vi pio do Espirito Santo (como era oficialmen chamada Vila Velha), com Vietérino Garcia e Carlos Gentil Honiem para construgdo de urna fibrica de tecidos em Benevente construgo de uma fibrica de tecidos de meia no muni Espirito Santo”. (Moniz Freiré, 1893, p. 21). Esses empreendimentos, efttfetanto, com uma tnica exce- fo, nflo conseguem completar stid execugo. © préprio Moniz Freire afirma no seu Relatério de Governo de 1896 que “a tinica dessas empresas que vingou foi ade Wichelloe Ayres, transferida a Coakes ¢ C.; a sua fabrica indugurou-se m em 3 de maio do ano passado, é fuhcionou regularmente até o fim do ano, exportando grande quantidade de produt lém do fracasso i igfio, sendo um deles a falta de mao-de-obra, que o préprio Moniz Freire j ‘aem’sua Mensagem ao Congreso Legislativo de 1893: “um dos embaragos com que lutavamos para 146 ssas empresaseraa faltade brago operério” Entretanto, os principais fatores que retiraram o governo do caminho da industrializagao foram a queda do prego do.café no mercado internacional -que ocorrea partir de 1896e semantém até 1908, com asuaconsequente queda de receita paraogovernos-,as sucessivas quedas nas taxas de cimbio e os servicos de juros quadro a seguir nos dé uma idéia da importiincia do café para a arrecadagao do governo estadu RECEITA TRIBUTARIA DO ESPiRITO SANTO E PAR- TICIPAGAO DO CAFE NA RECEITA DE 1892 A 1908." ANO — RECEITA DOES. PARTICIPACAO DO CAFE ABSOLUTA —_RELATIVA 1892 181:458$896 —1.679:8668177 52,80% 1893 2.864:638$579 89.91% 1894 4.489:042$647 1895 4.669:41 78168 8031% 1896 3.875:021$491 76,60% 1897 4,170:3248733 1898 3.660:755$600 2.956: 168155 80,75% 1899 3.130:592$286 2.366:228879275,58% 1900 2.926:282$909 —2.084:327$653 —71,23% 1901 3.094:312$128 1,795:956$094 58.04% 1902 2.801:585$252 2.061 558935 73,59% 1903 3:083:061$882 — 2.106:326086 68,32% 1904 2,856:078$298 1.872:726$483 65,57% 1905 2.480:906$597 —_1.752:279$668 —70,63% 1906 ——-2.778:113$831__1.802:031$961 64,86% 1907 2.444:862$272 1,997:953$352 81,72% 1908 2.403:0538401 _1.773:S77$887 _73,80% sstrativos de éxportagdo de café da 10 Santo, e Mensagens e Relatérios 147 1 O Presidente do estado Gra coua questo nasua Mensagem ao Congresso Legislativo al em 189 i café, restri e fo de muito a receita do Estado e aumentando-Ihe excessiyamente a despesa, tem elevado dificuldades mui que sé sero dominadas por um economias.”” Contribuindo para agravar ainda mais esse quadro de penii- ia financeira do Espirito Santoestavao problemadopagamentoda divida externa, ¢ aqui novamente citamos Graciano Santos Neves ida intes termos: “devemosconsiderar que nos exerci ciosde 1896 ¢ 18970 servigo de juroseamortizagaodo empré: extemno custou respectivamente 1.161 e 1.300 contos, sobre receita que atingiua3.870 contos para oprimeirodesses exe € que talvez.nfio alcance a mesma cifra para o segundo.” Ja em 1898, 0 servigo da ida ultrapassa os 1.400 contos para uma receita pouco superior.a 3.500 ¢ontos. Asituagao se agravaria ainda mais com a seca que se abateu sobre 0 Espirito Santo em 1898 ¢ 1899: “para dar exata idéia do Prejuizo.que sofremos, melhor é exprimi-lo em algarismos, dos quais se verifica que a nossi expdrtagiio no ano passado montow apenas a 24.396.472 kilos, ... e que no primeiro semestre do correnteanoaexportacdo foide 9,689,333 kilos, devendoser ainda menor no segundo, pois a safra, lie esté agora sait antecedente. $40 denossa base econdmica, meds por consideragdes gerais sobre a importincia da diversificaiga0 do que por interesses pré conforme o prépri afirmava: “a bi e oportunidade da criagdo de novas fontes de renda” (Vasconcellos, Freire retoma o tema no seu segundo mandato: iros que tem sua fortuna piblica fundadaem um valor que de ano a ano mais se afunda, e para qual nenhuma salvagio parece préxima, como é atualmente a lavoura do café, continuam a debater-se nas suas assoberbantes provagdes, que se inconvenientes desse esforgos deveriam poisterem vistacort eis ..”(Moniz. Freire, excesso por todos os meios hibeis pos: 1903, p. 5) © Coronel Henrique da Silva Coutinho, presidente no ‘quatrignio de 1904 a 1908, reconheciaa deperidéncia da economia capixaba do caféeosmaleficiosdela decorrentes, aoafirmarnasua do sobre osnegéciosdoestadg no quatriéniode 1904a 1908 que “niio hé, como tenho mono has mensagens, exemplo de um quatriénio de to escas¥bs recursos, como 0 que encerra-se hoje, porque nunca o café, dortde haurimos os recursos financeiros de que precisamos, descéu a ptegos tao vis, como se pode bem evidenciar do que encontr Stando na praca quando assumi o governo - 8 mil e tanto e aquele a que desceu logo em - 3$300, quasea 3a, parte!...”.(Coutinho, 1908, p.5). Asua percepgio da _necessidade de industrializagao fica clara, ainda, quando reconhece, na sua Mensagem de 7/09/1904 ao Congreso Legislativo Estadual, que “as indisttias fabris podem contribuir também para o aumento dos rendimentos do estado. A isengao de direitos de importagao parao material aempregarnamontagem de fabricas, promovida pela nossa ilustre répresentagio federal, alguns favores que Ihe possa fazer o Estado, sio a medida econ6mica entendo que devein ser facilitados paracolher- mos em breve tempo os frutos inérentés a empreendimentos iodo de governo de Jerénymo Monteiro (23/05/1908 a 23/05/1912) foi marcado pelo mais iftents6 projeto de indust ago do Espirito Santo na Repiiblica Velha, favorecido que foi por 149 uma certa recuperago do prego do café e pela privatizagio das Estradas de Ferro Caravelas ¢ Sul do Espirito Santo, que geraram receitas adicionais de cerca de 4.500 contos, bem como por um empréstimode28,967.856,78 de francos franceses, conseguidono periodo do Coronel Henrique Coutinho. Esteempréstimo foi depo- sithdo nos cofres do estado, jdino periodo de Monteiro, com destino ‘20 pagamento doemprésti Jerénymo Monteiro para fins de instalagio do “Parque Industrial do Sul do estado e das methorias urbanas realizadas nacapital eno municipio de Vila Velha . ‘que incorporou todos os estabelecim is do sul do estado, a saber: fabrica de tecidos, usina a de cimento, fabrica de papel, fabrica de éleo vegetal, serraria industrial, ¢ a usin iras para supriresses estabelecimeittos com energia. Todos localizados no Vale do Itapemirim. tes ase econdmicas comio atesta o proprio Jerénymo Mon em sua Mensagem ao Congresso Espirito Santense de 24/09/1908, formar que “a estatistica da exportagdo nos atesta essa verdade, demonstrando que o grande crescimento da nossa produ- $80 € devido, somente, a0 café, t6m supressio quase total de todos utros géneros, que, aliés, s4o de facil cultura entre nés. No imo exereicio, enquanto © imposto sobre o café rendeu .997:9538352, iu 95:8468370¢ posto sobre os dem: tanto, permanecia orien- tado.com vistasa diversificagougricolado Espi pode notar na justificativa que Jerénymo Monteiro dew a criagio das fabricas no sul do esta i Itapemirim abrem campo va: imo ao sul do estado proporcio- 130 ‘nando ao lavrador campo para novas culturas de alta remuneragao "Monteiro, 1913, p. 407). Das unidades projetadas, apenas a “Usi serraria industrial comegaram a funcionar em 1912. A entrar em funcionamento foi a fabrica de cimento, que s6 foi jemagostode 1925 pela“Sociedadede Cimento Industrial Essanovatentativade industrializagio do Espirito Santo,no entanto, resultou também em fracasso. Apenas as indistrias de josconseguiram se estabelecernoestadodemaneira permanente, dadas as condig6es locais. As outras deveram o seu fracasso a fatores tais como custos altos, tecnologias obsoletas, dificuldades infra-estruturais ecompetigiodos produtos estrangei- ros. Essa situagio pode ser melhor visualizada quando se observaa tabelaa seguir, queapresentaas mercadorias exportadas, pelo Espirito Santo,com seus valores offtiaise impostos pagosem 1914 1915,constante da Mensagem aoCongresso Legislative do Estado do Espirito Santo apresentada em de outubro de 1916 por Bernardino de Souza Monteiro, entio Presidente do estado. A despeito dos esforgos acima observados, a economia capixaba atinge meados da década de 1910 exibindo ainda um nteestigio de industrializacac, cardcterizado pela predomi- nancia de indiistrias de transformagio priméria, que incluia as indistriasde beneficiamentode farinhade mandioca, deagticarede aguardente e élcool. Apenas as indiitrias téxteis podem ser apon- tadas como um resultado efetivo d industrializagao de cardter mais moderno. Conclusio A historia econémicado Espirito Santo foi, atérecentemente, marcada pelo café. Como que uma phlavra “magica” , 0 café pontua, e mesmo explica, boa parte dos fendmenos relacionados com odesenvolvimentoeconémico desta regitio. Desdeasrepresen- Ist