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terça-feira, 22 de setembro de 2009

PERÍCIA CRIMINAL – MÓDULO 5

Dando continuidade ao estudo da Perícia Criminal, quanto aos impedimentos a que


estão sujeitos o perito estão os de que ele não pode atuar num determinado caso onde há
relação de parentesco com as partes ou influências com a pessoa examinada ou se for
parte interessada no resultado do exame pericial. Dentro do trabalho do perito, temos
que no inquérito policial atuará em todos os exames de corpo de delito; na fase de
sumário na justiça no exame de réus, de testemunhas, etc; e no julgamento sendo
convocado para estar em juízo tirando dúvidas existentes sobre o seu trabalho e na fase
de pós-julgamento , naquelas situações em que haja casos supervenientes de insanidades
mentais e nesse caso teremos um perito atuando, preferencialmente, na área de
Medicina Legal. A honestidade dos peritos já foi uma questão amplamente discutida nos
módulos anteriores, pois ela é obrigatória e enquanto perito você estará sendo
observado, cobrado, fiscalizado e denunciado pelas partes se não agir de forma
responsável e ética. Por isso, há um lema que diz que uma perícia bem feita fará justiça.
No entanto, quando mal elaborada, de forma parcial ou tendenciosa poderá colocar um
criminoso perigoso nas ruas, ou, então, colocar um inocente atrás das grades, por isso
muito cuidado com sua decisão de seguir ou não adiante. Abraham Lincoln já dizia que
“aquele que compreender que não poderá ser um perito honesto, seja honesto, não seja
um perito”.

Entre os seus deveres estão honestidade para com o juiz e as partes, conhecimento
técnico-científico sobre a matéria objeto de análise e consciência de que precisa
desempenhar o seu trabalho de forma séria, ética e com qualidade pois isso resultará
numa peça-chave, chamada de laudo pericial, que será fundamental para o deslinde da
causa seja ela no campo criminal quanto no cível. O art. 160, do Código de Processo
Penal (CPP), dispõe que os peritos vão elaborar o laudo onde vão descrever de maneira
minuciosa o que examinarem e responderão aos quesitos formulados (nesse caso podem
ser indagações feitas pelo delegado, presidente do inquérito; bem como dúvidas
levantadas pelo Ministério Público ou pelo Juiz). O parágrafo único do mencionado
dispositivo, por sua vez determina que o prazo para que o laudo fique pronto é de no
máximo DEZ DIAS, podendo esse prazo ser prorrogado, a requerimento do perito.
Dando seguimento, o art. 161, do CPP, estabelece que o exame de corpo de delito pode
ser realizado em qualquer dia e em qualquer hora, claro porque o crime não escolhe
hora para ocorrer. E, temos o art. 162, que fala que a autópsia (nesse caso, o termo
técnico mais apropriado seria necrópsia ou necropsia) será feita em pelo menos 6 horas
depois da morte, salvo (exceção) se os peritos pela evidência dos sinais de morte
chegarem a conclusão que o exame no cadáver pode ser feito antes do prazo, sendo que
isso precisa constar no laudo. Nos casos de morte violenta, como discplina o art. 162,
parágrafo único, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver
infração penal que apurar (são os casos de acidente ou de suicídio, de acordo com o que
a perícia levantar no local do crime), ou quando as lesões externas permitirem precisar a
causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de algum
a circunstância relevante. No art. 165, do CPP, está que para representar as lesões
encontradas no cadáver, os peritos vão juntar ao laudo provas fotográficas (importante),
além de esquemas ou desenhos (croquis com uma visão geral da cena do crime e dos
pontos onde foram encontrados os vestígios, sendo os laudos devidamente rubricados).

Vale ressaltar que nessa questão, as fotografias precisam ser tiradas com a máxima
naturalidade possível, de preferência sem uso de zoom ótico ou digital, que possam
reproduzir de maneira mais fidedigna possível os detalhes do local do crime. Nesse
ponto, é o estudo dos locais de crime, também chamados de “locais de sangue”, que tem
como finalidade dar subsídios à investigação e informar à Justiça sobre a dinâmica do
evento e, quando possível, oferecer elementos que possibilitem identificar o autor do
crime, através de levantamento papiloscópico, da coleta de estojos e projetis, que após
um confronto balístico possa identificar a arma e, consequentemente, apontar quem teria
sido o responsável pelo disparo e por aí vai. Um detalhe importante nesse exame de
local é que quanto mais bem feita a perícia, esse levantamento sendo feito de modo
completo e perfeito vai resultar na colheita e na análise de uma série de elementos que
permitirão, posteriormente, se for o caso se fazer a Reprodução Simulada dos Fatos (ou
como popularmente é chamada de Reconstituição). O art. 169, do CPP, determina que
para efeito de exame do local, a autoridade providenciará, imediatamente, para que não
se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos
com fotos, desenhos ou esquemas elucidativos. Não vou me deter nesse ponto, pois há
um outro artigo no blog “Importância do Isolamento e da Preservação do Local de
Crime”, bem afinado com a legislação atual que pode ser uma boa referência de
consulta. Um outro detalhe importante é que o perito não só pode como deve registrar
em seu laudo se o local de crime não estava preservado e sofreu alterações e discutirá,
no laudo, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. O exame de local
de morte suspeita (encontro de cadáver) tem como finalidade a DIAGNOSE diferencial
do fato, ou seja, tentar saber se foi HOMICÍDIO, AUTO-ELIMINAÇÃO
(SUICÍDIO) OU ACIDENTE.
PERINECROSCOPIA – estudo do local onde aconteceu a morte,que deverá ser a
analisado e pesquisado por peritos treinados, hábeis e capacitados em Criminalística.

NECRÓPSIA – é a descrição externa e interna (das lesões) do cadáver que é feita pelo
médico-legista do IML (Instituto Médico Legal).

IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER – será feita a pesquisa de nome, idade, cor, estado


civil, nacionalidade, naturalidade, endereço e motivos da morte. Esta identificação bem
sumária será obtida através de documentos e de informações obtidas com familiares e
amigos.

Muitas das informações contidas aqui podem ser vistas também nos vídeos postados no
sidebar (lado esquerdo da nossa página) e através dos sites de algumas instituições que
estão na nossa relação de “Sites & Blogs”. Para entender o universo da perícia e da
criminalística é preciso ler e ler muito e estudar de forma aprofundada esses temas; eu
mesmo já estudei a fundo alguns assuntos e sou muito sincero em dizer que não sei
quase nada diante da gama de conhecimentos que são produzidos diariamente nesses
campos. É preciso humildade e muito estudo. O trabalho de perícia é muito feito em
cima de confrontos e lembrando que que você é um técnico e que nas questões
subjetivas quando não houver possibilidade de responder, seja sincero e decline,
ressaltando que a indagação feita em determinados quesitos é subjetiva. O trabalho do
perito na fase de inquérito é de apoio à investigação e na fase do processo é para a
produção da prova técnica. Os vestígios (evidências) são elementos sensíveis do fato. O
vestígio propriamente dito pode ser a arma encontrada no local do crime ou o projetil,
material biológico (pelos, sangue, sêmen, fluídos corporais, etc.), pontas de cigarros
deixados na cena, objetos com digitais, enfim, tudo aquilo que represente uma prova
material que possa ser analisada. A evidência, por sua vez, pode ser entendida como
tudo aquilo que demonstre a veracidade de uma proposição ou a realidade de um fato.
Já me estendi muito por hoje. Até o próximo módulo.