Colonização de rainhas de formigas cortadeiras Atta spp. (HYMENOPTERA: FORMICIDAE) em spp.

diferentes ambientes
PESQUERO, M.F.¹; PESQUERO, M.A.² 1- Aluno bolsista (PBIC-UEG) Universidade Estadual de Goiás UnUMorrinhos. 2- Prof. Dr. Orientador Universidade Estadual de Goiás UnU-Morrinhos.

Introdução
y

As formigas cortadeiras do gênero Atta Fabricius pertencem à tribo Attini, encontradas desde o sul dos EUA até o norte da Argentina com várias espécies distribuídas no Brasil. Elas utilizam substratos vegetais frescos para cultivar o fungo Leucoagaricus gongylophorus (Singer) que é utilizado para alimentar os imaturos. Esse hábito alimentar diferenciado dos outros grupos de formigas confere às cortadeiras um importante papel na reciclagem de nutrientes, na dispersão de sementes e no estabelecimento e regeneração de florestas tropicais, mas também como pragas de grande variedade de plantas cultiváveis.

. spp.Soldado de Atta spp.

.

.

2005) representando um custo adicional na produção devido ao controle predominantemente químico. A densidade de formigas cortadeiras em reflorestamentos de eucalipto não combatidos quimicamente pode chegar a 73.. 1983). .Introdução y A expansão das fronteiras agro-silvo-pastoris são responsáveis pela fragmentação da paisagem dos biomas ocasionando um acelerado crescimento populacional e dispersão destes insetos na América do Sul (FOWLER.9 colônias por hectare (CALDEIRA et al.

os reflorestamentos de eucaliptos são pobres em biodiversidade devido à ausência de estratificação vertical. (2003) discutem a importância da preservação de áreas de vegetação nativa junto aos sistemas de cultivo para o resgate dos processos ecológicos. ZANETTI et al. . caracteriza-se pela baixa heterogeneidade ambiental. Altieri et al. Majer & Recher (1999) discutem que além de favorecerem algumas espécies-praga. 2000). sistema de produção agrícola bastante difundido no Brasil. A importância de predadores e parasitóides no controle de formigas cortadeiras tem sido reportada em reflorestamentos de eucalipto (ALMEIDA et al. 2000) e vegetação nativa (RAO. que associada ao controle químico não seletivo de pragas. contribui para a redução na riqueza de espécies. 1983. tais como as relações predador-presa dentro das teias alimentares e o controle natural de pragas.Introdução y A monocultura. incluindo aquelas que são inimigos naturais de pragas. supressão do sub-bosque e baixa adaptabilidade de espécies herbívoras.

Objetivo y Testar a influência do tipo de ambiente sobre o sucesso de colonização de rainhas de saúva recém-fecundadas. .

de 0. ii. 49º06'03" W): i. iii.uma área de pastagem com capim Brachiaria sp.Material e Métodos y O estudo foi desenvolvido em três áreas de complexidade ambiental distintas na cidade de Morrinhos .um reflorestamento de Eucaliptus sp. de cinco anos.1ha. .uma área de floresta estacional semidecidual com área aproximada de 115ha. sem subbosque e com 46ha de área.GO (17º43'54" S.

Reflorestamento de Eucaliptus sp. . sp.

Parque Municipal Jatobá Centenário .

. sp.Área de pastagem com capim Brachiaria sp.

foi simulada uma colonização.Material e Métodos y Em cada um dos três ambientes. Frascos plásticos transparentes (12cm de diâmetro) aprisionaram as rainhas para assegurar que elas escavassem nos pontos preestabelecidos. marcados com uma haste e uma fita colorida (Figura 1). onde cada rainha foi depositada e. A distância entre os pontos nunca foi menor do que um metro. diferentes pontos sobre a superfície do solo para iniciarem a escavação do ninho. .

.. braquiária).Figura 1. . de braquiária). Método de fixação das rainhas e marcação dos pontos preestabelecidos de cada ambiente (reflorestamento de Eucalypto sp. floresta estacional semidecídua e pasto sp.

25 cm de altura) contendo terra até 20 cm de altura e mantidos à temperatura ambiente em laboratório para servirem como tratamento controle. .Material e Métodos y Após a fundação da colônia.Várias rainhas foram colocadas dentro de frascos plásticos (12 cm de diâmetro. o frasco plástico era retirado do local.

. . A identificação das espécies de saúvas foi obtida somente para as rainhas que produziram operárias (FOWLER et al. O efeito dos ambientes sobre o sucesso de colonização foi comparado pelo teste não paramétrico de qui-quadrado.Material e Métodos y O sucesso de colonização foi obtido através da proporção de colônias que apresentaram rainha. 1993).. operárias jovens e fungo simbionte após 100 dias de clausura da rainha (ARAÚJO et al. 2003).

o sucesso de colonização nesse ambiente não foi significativamente diferente dos observados nos ambientes de floresta e pastagem ( 2 0. P = 0. sexdens (L. Smith) e A.31.62. respectivamente).25. . ambiente controle onde 48% das rainhas tiveram sucesso de colonização (Tabela 1). Entretanto. P = 0. apenas o reflorestamento apresentou colônias com atividade (Tabela 1).0001). P= 0.Resultados e Discussão y As espécies de saúvas Atta laevigata (F. mas foi menor comparado com o observado em laboratório ( 2 = 14. Até os 100 de experimentação.38.57 e 2 = 0.) foram identificadas neste estudo.

Número de colônias iniciais. . em atividade de forrageio e que obtiveram sucesso no estabelecimento durante o experimento de colonização simulada nos quatro ambientes de estudo.Tabela 1.

esses fatores não puderam ser avaliados separadamente devido à não esterilização do solo no experimento controle. abrindo possibilidade de ação de microorganismos antagônicos e patogênicos. . Entretanto.Resultados e Discussão y Os resultados obtidos em laboratório indicam que aproximadamente metade das rainhas recém-fecundadas morre por causas intrínsecas. tais como doenças e má formação genética antes da abertura do primeiro olheiro.

95%) de rainhas de Atta durante o período de fundação colonial.) . sendo que a maior taxa de mortalidade (58.) e lagartos [Tropidurus torquatos (Wied)] (Figura 3.Resultados e Discussão y As baixas taxas de sucesso de colonização condizem com os resultados Augustin & Santos (2006) que obtiveram uma taxa de sobrevivência de 4.3% de colônias recém-fundadas mantidas em diferentes substratos.29%) ocorreu durante o período de préincubação. lagartos e outros insetos. sendo atribuído a esse controle natural a ação predatória de aves. foram observados ataques às rainhas por aves como anu-preto (Crotophaga ani L. Autuori (1950) estimou uma grande taxa de mortalidade (99. Durante nossas coletas em zona rural e urbana. sapos.

Resultados e Discussão .

n = 13) (Mann-Whitney. n=4) do que no laboratório (74. P < 0. É provável que esse animal seja o Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus L.iveis antagônicos ao fungo simbionte podem ter contribuído para a morte das rainhas neste ambiente.4 ± 5.2 dias. (ROCHA & DALPONTE. Essa atividade não foi observada no ambiente de floresta e.os um período de tempo ligeiramente maior no campo (pastagem e eucalipto 81± 7. a presença de entomopatógenos e poss.uma espécie comum no ambiente cerrado. 2006). . à predação por Dasypus sp.Resultados e Discussão y A atividade de forrageio ocorreu ap·.). em ambiente de floresta na Venezuela.3 dias. um dos fatores que pode ter contribuído para isso foi o grande número de rainhas predadas (25) por um vertebrado que escavou os locais onde elas estavam. U= 7.. Além da predação. Rao (2000) atribuiu a baixa taxa de sobrevivência de colônias jovens de Atta spp.05).

Considerações finais y O presente estudo permite concluir que dentre os fatores que reduzem o sucesso de colonização das formigas saúvas. principalmente vertebrados. Entretanto. as condições biológicas intrínsecas são preponderantes. além de microrganismos antagônicos presentes no solo contribuem com o restante da mortalidade das rainhas durante os primeiros momentos de vida da colônia. antes mesmo do início da atividade de forrageio. a predação por inimigos naturais. .

Variation in leaf-cutter ant (Atta sp. G. A. Entomol.T. Impacto da queima controlada da cana-deaçúcar na nidificação e estabelecimento de colônias de Atta biphaerica Forel (Hymenoptera: Formicidae).A influência da vegetação de entorno sobre as populações de inseto em áreas cultivadas.. p.A. T. I. Ribeiro. C. Alves. Journal ofTropical Ecology. 16: 209-225. T.. 1999. Revista Árvore. R. Zanetti. E. H. 226p.M. O. J. Pp 37-41 In: Semana de Biologia.C. Efeito da densidade e do tamanho de suveiros sobre a produção de madeira em eucaliptais. 28 (2): 185-200.. Composição e caracterização da fauna de mamíferos de médio e grande porte em uma pequena reserva de cerrado em Mato Grosso. Fowler. M. Laranjeiro. C. Soc. Kasuya.. 19: 325-331.M. Della Lúcia.. Juiz de Fora-MG. 2003. C. An. J. Sociometria de rainhas recém-fecundadas de Atta sexdens Linnaeus. N.. 1993. Leite. Bras. M. Silvicultura. Caldeira. Jaffé. Rocha. J. A. N. D.. J. Zanuncio. Distribuição espacial de sauveiros (Hymenoptera: Formicidae) em eucaliptais. C. Posição taxonômica das formigas cortadeiras..Referências Bibliográficas y y y y y y y y y y y y Almeida. Holos.Vilela. Fowler. C. Zanuncio. (ed. Della Lucia. Autuori. 1758 (Hymenoptera: Formicidae). Brasil. 2000. Entomol. 4-25. J. As formigas cortadeiras. Araújo. Santos. C. A. I. 2005. H. 2006. 2003. Majer. 32(4): 685-691.). Nicholls (eds). Arquivos do Instituto Biológico. C. Are eucalipts Brazil-s friend or foe? An entomological viewpoint. 1983. M. Recher. J. Rao.. Moreira. 2006. 18: 121-128. Augustin. J. A. H. Studies on Neotropical Fauna and Environment..) densities in forest isolates: the potential role of predation. F.S. A. A.Viçosa: Editora Folha de Viçosa. D. 8(28): 145-150. F. Altiere. Distribution patterns of paraguayan leaf-cutting ants (Atta and Acromyrmex) (Formicidae:Attini). E. C. 2000a. J. Número de formas aladas e redução dos sauveiros iniciais. M. Mendes Filho. Dalponte. C. Nicholls..V. M. 1983a. Contribuição para o conhecimento da saúva (Atta spp.. E. G. F. K. Entomol. Lavras 11(1): 34-39. Silva. H. M. G. E. C. J. E. . M. 29(1): 105-112. Moraes. L. In: Altiere. Soc. Zanetti. M.Avifauna e o sub-bosque como fatores auxiliares no controle biológico das saúvas em florestas implantadas. O Papel da Biodiversidade no manejo de pragas..A. Silva.O. J. R. In: Della Lucia. F. G. Neotrop. Cerne. D. M. . Brasil. Ribeirão Preto. 1950. An. 30(4): 669-677.Hymenoptera: Formicidae). M.