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DIREITO É CIÊNCIA

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DIREITO É CIÊNCIA?

Francisco Hinselmann¹

RESUMO O Direito é um termo de varias conclusões e significados, tornando difícil sua compreensão. O Direito às vezes é associado à idéia de moral, já no positivismo entende-se como o ordenamento jurídico. Reale postula que o Direito deve ser analisado e conseqüentemente, entendido de forma tridimensional, postulando assim a maneira mais justa de interpretação. Kelsen cria uma teoria purificada da ideologia política de todos os elementos de ciência natural, uma teoria jurídica consciente da sua especificidade, consciente da legalidade específica do seu objeto. Kant designa o Direito como o livre arbítrio sem danos a outrem o distinguindo da moral. Os primeiros esclarecimentos sobre as coisas eram de certa forma relativas à fantasia, mas a ciência é questionável e aumenta o saber humano por percorrer vários métodos e técnicas, por conseguinte faz um refinamento de potenciais, a razão das ciências é conhecida como a priori que possibilita seu objeto de estudo para determinar o método a ser seguido.

Palavras-Chave: Direito, tridimensionalidade, ciência, método.

1 INTRODUÇÃO

O Direito é um termo amplo de vastas conclusões pessoais, entende-se como teoria, moral ou ciência, depende da forma de interpretação de cada um, muito se discute a conceituação
¹ Acadêmico do Curso de Direito do Primeiro Período Noturno da FAAr (Faculdades Associadas de Ariquemes).

de forma mais usual.. discutir sobre a justiça é tarefa da Ética. no entanto. Segundo a dialética de implicação-polaridade. dos hábitos. é entendido como a ordenação normativa de uma sociedade. o fato e o valor nesta se correlacionam de tal modo que cada um deles se mantém irredutível ao outro. Direito. das carências da sociedade – englobados no âmbito do Fato Social -. mas afinal. da cultura. discutir sobre o que é certo ou errado. mas se exigindo mutuamente (implicação) o que dá origem à estrutura normativa como momento de realização do Direito. 62) Reale postula que o fenômeno Direito se apresenta. em conseqüência deve ser analisado.]. São Paulo. mas também. Nessa última definição direito e moral são completamente distintos. Direito se caracteriza por sua estrutura tridimensional. independente dos eventos sociais. na qual fatos e valores se dialetizam. Assim. No âmbito do positivismo jurídico é entendido como o ordenamento jurídico. 2001. pode-se . ou de um conjunto de pessoas no tempo/espaço. esta não é uma discussão estéril. denominada também "dialética de complementaridade". Lições Preliminares de Direito. o conjunto de normas coesas.. por meio de três aspectos inseparáveis e distintos entre si: o axiológico.. o fático e o normativo. o Direito abrange um conjunto de disciplinas jurídicas. Mas do que se discute afinal? O que é o Direito? O que deve ser o Direito? Para Kelsen. p. 25° Ed. de correto simplesmente. que não se confunde com a dialética hegeliana ou marxista [. Miguel. que pretendeu afastar da teoria jurídica a preocupação com o que é justo e o que é injusto. obedecem a um processo dinâmico [. com o justo e o injusto. (REALE.].. Direito é ciência? 2 DESIGNAÇÃO DE DIREITO Não é possível ontologicamente prescrever o que significa Direito.2 do Direito e certamente nunca se chegará a um consenso definitivo. esse processo do Direito obedece a uma forma especial de dialética que denominamos "dialética de implicação-polaridade". porque dela depende a nossa própria sobrevivência. aplicada à experiência jurídica. a existência desses elementos é impossível sem se leve em conta seus valores. Miguel Reale pressupõe que não dá para imaginar a Norma. no sentido de que as normas de direito são distintas das morais por seu caráter coercivo e heterônomo principalmente. essa palavra muitas vezes vem associada à idéia de moralmente correto. integradas e sistemáticas que dão a base legal de uma organização social.

em termos gerais. Quando a si própria se designa como “pura” teoria do Direito. de acordo com essa constituição. em termos gerais. Direito entende-se como a totalização de valores e fatos em normas que obrigam os seus destinatários a determinadas condutas. isto significa que ela se propõe garantir um conhecimento apenas dirigido ao Direito e excluir deste conhecimento tudo quanto não pertença ao seu objeto. 01) Kelsen não reduz o Direito à ciência jurídica e. Esse é o seu princípio metodológico fundamental. "a que deve corresponder uma constituição efetivamente estabelecida e. possibilitando a convivência destes em sociedade. São Paulo. rigorosamente. eficaz. (reportada a uma) "norma fundamental". justiça e demais ciências. tudo quanto não se possa. disciplina -. garante o saber próprio e torna todo conhecimento alheio desprezível exaltando a jurisdição de teorias desconhecidas eliminando tudo à sua volta que não seja considerado Direito. Essa separação autônoma da ciência jurídica ante outras ciências é o princípio metodológico fundamental pelo qual a ciência jurídica. excluindo as demais ciências humanas. a norma jurídica. é a metodologia utilizada para designação pura de Direito. separando a ciência jurídica (e não o Direito) da moral. pela definição de seu objeto de estudo. foram efetivamente estabelecidas e são. p. sem considerar a finalidade das normas jurídicas. Teoria Pura do Direito. dessa forma. 1999. Hans. determinar como Direito.3 afirmar que os pontos de vista normativo – o Direito como ordem. 25) Kelsen desqualificando a importância do jusnaturalismo como teoria válida para o direito e pretendendo dar caráter definitivo ao monismo jurídico estatal. muito menos. Quer isto dizer que ela pretende libertar a ciência jurídica de todos os elementos que lhe são estranhos. fático – a concretização sócio-histórica do evento jurídico – e axiológico – a esfera do valor judicial – estão profundamente entrelaçados. São Paulo. O mérito desta definição vê-se de pronto o fato de uma visão holística ser a que se ajusta o melhor ao estudo do direito." É também uma "técnica específica de organização social". . com o objetivo de criar e desenvolver uma ciência jurídica distinta do Direito. à norma jurídica. 1999. como uma teoria pura. p. irá única e exclusivamente conhecer seu objeto: a norma jurídica. (KELSEN. Hans. Teoria Pura do Direito. separada e autônoma de outras áreas do conhecimento humano. eficazes. (KELSEN.i Em outros termos. quando pura. Kelsen afirma: (o direito é uma) "ordem normativa de coerção". bem como as normas que.

mas pode ser muito perigoso. p. essas justificativas foram questionadas uma vez que não esclareciam a realidade de forma clara e objetiva. A tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos [. [. como um elemento de justiça e delimitação dos arbítrios. Esse conhecimento é dado de forma empírica e formal.4 "Direito é o conjunto de condições pelas quais o arbítrio de um pode conciliar-se com o arbítrio do outro. Segundo Rubem Alves. mas uma distinção. segundo uma lei geral de liberdade” ii.. a ciência é uma especialização..] é a hipertrofia de capacidades que todos têm. conjunto de condições ou obrigações jurídicas de modo honesto. Os primeiros esclarecimentos sobre a origem das coisas eram narrativas fantasiosas revestidas de certa magia de personagens. compreende-se passar por uma busca de relações entre ética. O homem antes de se constituir como um ser de Direito é um ser moral. sem causar dano a ninguém assegurando-se daquilo que possui. 12).] a aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. 3 DESIGNAÇÃO DE CIÊNCIA Por muito tempo o homem iniciou uma busca pela verdade. para entender que não há uma separação. A ciência é critica e questionável. o segundo é sistemático por efeito de percorrer vários métodos. o primeiro comprova os dados científicos através de demonstrações de acontecimentos que ocorrem naturalmente no dia-a-dia sem que as pessoas percebam como os adquirem. um refinamento de potenciais comuns a todos. Com o passar do tempo. por conseguinte. Só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe. liberdade é a posse de um arbítrio próprio. pressuposto de uma convivência social e racional. explicadas por pessoas escolhidas pelos deuses conhecidos como “os poetas”. essas verdades eram inquestionáveis. Segundo Kant. então surge o senso crítico a fim de esclarecer tais verdades. é o esforço para descobrir e aumentar o saber humano de como a realidade funciona. Quanto maior a visão em profundidade. Assim compreende-se a legitimidade do exercício coercitivo do direito.. é o querer consciente de que uma ação pode produzir algo. Isto pode ser bom. (Rubem: 1981. normas e técnicas de pesquisa no intuito de justificar e comprovar algo por vários testes com efeito de atingir o mesmo resultado. menor a visão em extensão. . moral e direito..

pois ele existe apenas abstratamente que torna-se possível. portanto. ela não pode existir. 14). Rubem Alves considera a ciência como uma hipertrofia de capacidades que todos têm como uma especialização. é o que possibilita a razão se referir ao seu objeto de estudo através da determinação deste e do seu conceito ou então pela sua realização. Neste pensamento. Partindo da concepção que os cientistas só buscam fatos decisivos para a confirmação ou negação de suas teorias também é necessário saber que só os resultados destas teorias é que permite julgar se a elaboração dos conhecimentos produzidos segue ou não a via segura da ciência como ocorre com a lógica. uma teoria. enfim. mas uma teoria pura distinta das demais. Sem ele. uma razão de realizá-lo e. respeitada a hierarquia das leis. O que há de razão nas ciências é algo que é conhecido como a priori.. A forma concreta de estabelecer os parâmetros da convivência social se materializa no conjunto de leis e normativos. já existir um plano.” (Rubem: 1981. . em cada nação o direito é único.5 Assim. bem como um refinamento de potenciais comuns a todos no qual seu objetivo é a evolução do senso comum. 4 CONCLUSÃO Conclui-se que o Direito é aquilo que uma sociedade ou grupamento social compreende como ideal de retidão e correto para a sua coletividade.. Direito não é ciência. Esse termo a priori corresponde a aquele conhecimento que já possuímos sem tê-lo visto e representado. a matemática e a física. antes da realização de um experimento. conseqüentemente. ao contrario da ciência por efeito de ser universal. apesar dos métodos de Direito e Ciência parecerem semelhantes são aplicado de diferentes formas com resultados distintos. “Rubem Alves afirma: senso comum é aquilo que não é ciência [. Direito é um fato ou um fenômeno social. p. a ciência é a mutação do senso comum. exatamente para evitar que direitos de maior abrangência não sejam suplantados por direitos e regramentos inferiores. deixa de ser aquilo que conhecemos através do contato social para algo formal e sistemático seguindo normas e métodos.] a ciência é uma metamorfose do senso comum.

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