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CRIME

FORMAL É o fato descrito na lei penal como tal.


MATERIAL Conduta que lesa ou ameaça um bem juridicamente protegido.
FUNÇÃO Subsidiária, complementar aos outros direitos.
CONCEITO ANALÍTICO Crime = tipicidade + antijuridicidade + culpabilidade
• Conduta humana – ação ou omissão – dolosa ou culposa;
• Nexo causal – relação de causalidade;
FATO TÍPICO
• Resultado – salvo nos crimes de mera conduta;
• Tipicidade – previsto na lei penal.
• Excludentes de ilicitude art 23;
• Legitima defesa;
ILÍCITO • Estado de necessidade;
• Exercício regular de um direito;
• Estrito cumprimento do dever legal.
• Imputável;
CULPÁVEL • Potencial consciência da ilicitude;
• Exigibilidade de conduta diversa.
1.Menor de Idade; O menor emancipado não é culpável.
2.doença mental, desenv. Mental retardado ou incompleto;
EXCLUDENTES DE 3.embriaguez acidental completa;
CULPABILIDADE 4.erro de proibição;
5.coação moral irresistível;
6.obediencia hierarquica a uma ordem não manifestadamente ilegal;
• Excludentes de conduta
• Coação física irresistível
• Estados de inconsciencia;
• Atos reflexos.
EXCLUDENTES DE
TIPICIDADE • Erro de tipo vencível;
• Crime impossível
• Desistência voluntária e arrependimento eficaz.
SE HOUVER EXCLUDENTE DE TIPICIDADE O FATO NÃO É TÍPICO.

CÓDIGO PENAL
NORMAS Parte especial; arts. 121 a 359.
INCRIMINADORAS
EXPLICATIVAS Parte especial; arts. 121 a 359.
PERMISSIVAS Parte geral; arts. 1º aos 120.
RESPONSABILIDADE O direito penal não trata disso. É quando a ação ou omissão causa
OBJETIVA resultado e não precisa de prova. Ex. Queda de marquise.
RESPONSABILIDADE É quando a ação ou omissão causa resultado, a ação ou a omissão precisa
SUBJETIVA ter dolo ou culpa.

TEORIAS DA AÇÃO
Tem como seus grandes nomes VON LISZT e ERNST BELING. Não é
adotada atualmente pelo CP. Para esta teoria, conduta é a ação ou omissão
voluntária (ação do cérebro sobre os músculos) consistente então num
CAUSAL, NATURALISTA
fazer ou não, que causa um resultado no mundo exterior.
DA AÇÃO, CLASSICA OU
CRÍTICAS: Não leva em conta o conteúdo da vontade, que é de toda
TRADICIONAL.
importância, ou seja, o que a pessoas queria fazer.
Tem dificuldades para explicar a omissão. No caso de crime tentado, não
há como explicá-lo sem instigar a vontade.
WESSESLS e JESCHECK. Não é a teoria adotada pelo CP. Segundo esta
teoria a conduta criminosa é aquela socialmente relevante.
SOCIAL DA AÇÃO CRÍTICA: Não se nega ser o crime uma conduta socialmente relevante,
todavia, não só as criminosas. Ademais, quem define o que é socialmente
relevante? (falta de objetividade na definição da conduta típica).
FINALISTA DA AÇÃO HANS WELZEL. Esta é a teoria adotada pelo CP a partir da reforma penal
de 1984 (parte geral) teve como um dos seus principais méritos trazer o
exame do dolo e da culpa para a conduta humana, para o fato típico.

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Welzel juntou o que era inseparável, ou seja, a vontade do seu conteúdo, a
conduta da sua intenção, assim, conduta é a ação ou omissão dirigida a
uma determinada finalidade (que para o DP deve ser ou criminosa ou pelo
menos dirigida a prática de uma conduta descuidada que causa um
resultado previsível).
Se não tem dolo nem culpa é ATÍPICO.
• Principio da Consunção
• Principio da Especialidade
• Principio da Subsidiariedade
• Principio da Alternatividade.

CONDUTA
AÇÃO Comissivos.
Crimes Omissivos: são aqueles praticados por uma inação. Há duas formas de crimes
missivos:
• Crimes omissivos próprios ou puros: são aqueles em que a forma de praticá-los
prevista em lei é uma omissão.
Ex. 135 CP omissão de socorro, omissão de notificação de doença art.269. Para este crime
se consumar é necessário que o sujeito possa agir para evitar o resultado. Tais crimes de
regra não exigem resultado naturalístico para ser consumado. Então são crimes que se
consumam com a mera omissão. Também são crimes que não admitem tentativa, porque a
pessoa tenta se omitir e consuma o crime, ou tenta prestar socorro e não há crime.
• Crimes omissivos impróprios, impuros ou comissivos por omissão: São delitos
de ação praticados através de uma omissão por parte de quem tem o dever
específico (definido em lei penal) de evitar o resultado.
Tal dever previsto na lei penal encontra-se no art.13§ 2º a,b,c.
OMISSÃO Estas pessoas nas situações ali elencadas, se puderem evitar o resultado, mas se não o
fizerem, responderão pelo crime que não impediram de ocorrer.
As hipóteses do art.13§ 2º são as seguintes:
a. Dever legal – Ex: pais, policiais, tutores, bombeiros, curadores.
b. É a hipótese de contrato ou situação fática que coloca o sujeito na posição de
garantidor da não ocorrência do resultado.
c. Aquele que cria o risco, se torne responsável pelos demais.
CABE TENTATIVA NOS OMISSIVOS IMPRÓPRIOS.
Os crimes omissivos impróprios são crimes de resultado naturalístico, aliás, se consumam
com ele.
Em sendo crimes de resultado é relevante o exame do nexo causal, o qual não é físico, mas
NORMATIVO, pois quem o estabelece é a norma penal, art. 13 § 2º a,b,c.
O sujeito responde pelo resultado não porque o causou, mas porque não o evitou quando
tinha o dever específico de fazê-lo. Admite forma tentada, pois o resultado pode não ser
obtido, não ser contido por circunstancias alheias à vontade do sujeito que se omite.
MISTA Inicia com a ação e se consuma por omissão art. 169.

DO CRIME DOLOSO
O CP brasileiro prevê duas hipóteses equiparadas de dolo no art. 18 I:
DOLO Age com dolo quem quer o resultado.
DIRETO
Age com dolo quem, embora não queira diretamente o resultado, assume o risco de produzi-
DOLO
lo. Esta última expressão deve ser entendida como INDIFERENÇA do sujeito em relação ao
EVENTUAL
advento do resultado. Der no que der o sujeito age.

TEORIAS DO DOLO
Adotada em relação ao dolo direto. Para esta teoria, age com dolo quem tem a
DA VONTADE vontade de produzir o resultado e atua neste sentido. (DIRETO)
Ex. briga bar, tiro no peito.
Age com dolo que prevê o resultado e mesmo assim, pratica a conduta, portando-se
DO
de modo a demonstrar que a produção do resultado lhe é INDIFERENTE, que
CONSENTIMENTO
consente com sua produção. (EVENTUAL)

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DOLO

VONTADE CONSCIÊNCIA
Elemento volitivo Elemento cognitivo

ESPÉCIES DE DOLO
Age com dolo quem quer o resultado.
DIRETO
E Age com dolo quem, embora não queira diretamente o resultado, assume o risco de
EVENTUAL produzi-lo. Esta última expressão deve ser entendida como INDIFERENÇA do sujeito em
relação ao advento do resultado. Der no que der o sujeito age.
No primeiro caso, todos os elementos que compõem a figura típica devem estar
GENÉRICO
abrangidos pelo dolo.
E
No segundo, tem-se o denominado elemento subjetivo do injusto típico.
ESPECÍFICO
Ex: para fim libidinoso; para obter indevida vantagem econômica.
GERAL Espécie de “aberratio causae” (erro no nexo causal).
OU O sujeito tem dolo, obtém o resultado, ainda que o desdobramento dos fatos não tenha
ERRO sido como, por ele, planejado.
SUCESSIVO
No natural, dolo examinado no fato típico, a partir da teoria finalista da ação, basta que o
NATURAL agente tenha vontade de praticar a conduta e obter o resultado.
E O exame da consciência da ilicitude será feito a posteriori.
NORMATIVO Já no normativo, modalidade não mais adotada, o dolo será examinado na culpabilidade e
exigia o exame da consciência da ilicitude.
DE DANO Dolo de dano – o dolo do agente é de lesão ao bem jurídico (em crimes de dano).
OU No de perigo, basta a intenção do agente de colocar este bem jurídico em risco. (crimes de
DE PERIGO perigo, omissão de socorro).

DO CRIME CULPOSO
A culpa, a partir da teoria finalista da ação, passou a ser examinada no fato típico.
Ao contrário do dolo, que é um elemento psicológico (está na cabeça do agente), a culpa é um
elemento normativo que exige uma valoração por parte do juiz.
A previsão do crime culposo encontra-se no art. 18 II do CP. Pode-se denominar culpa como
conduta humana voluntária que causa um resultado lesivo, involuntário, por falta de cuidado objetivo
manifestado pó IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA.

ELEMENTOS DO FATO TÍPICO CULPOSO


1. Conduta humana voluntária;
2. Resultado lesivo involuntário;
3. Falta de cuidado objetivo (de todos exigido) por imprudência, negligência ou imperícia;
4. Ausência de previsão (salvo na culpa consciente);
5. Previsibilidade objetiva (em tese por qq um)
6. Tipicidade.

RESULTADO E NEXO CAUSAL

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CONDUTA RESULTADO
HUMANA LESIVO
VOLUNTÁRIA INVOLUNTÁRIO
NEXO
CAUSAL

CULPA Falta de cuidado; ausência de previsão. Ex: atropelamento.


Análise no caso concreto. Ex: na Duque de Caxias, saída do colégio, enxerga muitas
PREVISÃO crianças – há previsão. Pela Ipiranga sem enxergar, não sabemos se alguém vai
passar, mas é previsível.
FATOS Não há crime, pois não são previsíveis.
ATÍPICOS Ex: Cai uma árvore e atropela alguém.

ESPÉCIES DE CULPA
Ação; culpa “in agendo”. O sujeito age de maneira descuidada, é afoito. Ex: imprimir
IMPRUDÊNCIA
velocidade excessiva no veículo.
Culpa “in ommitendo”. O sujeito deixa de praticar uma conduta a que estava obrigado
por um dever geral de cautela.
NEGLIGÊNCIA
Ex: deixar de olhar em uma ultrapassagem; deixar medicamentos ou arma ao alcance de
crianças.
É denominada culpa técnica. O sujeito habilitado para uma determinada atividade não
demonstra tal habilitação quando vai exercê-la.
Ex: perfuração de órgão internos em lipoaspiração.
IMPERÍCIA Não se confunde imperícia como denominado ERRO PROFISSIONAL. A primeira é
típica. A segunda é atípica, pois se dá na esfera da imprevisibilidade, decorrente da
precariedade do conhecimento humano.
Ex: anestesia.

MODALIDADES DE CULPA
INCONSCIENTE É a firma mais comum de culpa em que inexiste previsão por parte do agente.
É a denominada culpa com previsão. O agente prevê o resultado mas acredita
sinceramente que poderá evitá-lo.

CONSCIENTE DOLO EVENTUAL CULPA CONSCIENTE


Previsão + indiferença em Previsão + acredita que
relação ao resultado poderá evitar o resultado

Culpa em sentido estrito, abrange tanto a culpa inconsciente quanto a consciente.


PRÓPRIA
Cuidado: culpa lato senso – dolo; culpa.
Trata-se de uma conduta dolosa para qual o legislador prevê a pena do crime culposo
IMPRÓPRIA
(art.23 § único, parte final e art.20 §1º segunda parte.)
O sujeito por culpa, ocasiona um resultado menos grave, mas que após acaba dando
um resultado mais grave.
Ex: atropelamento – lesão, o sujeito desmaiado no chão é atropelado e morto por outro,
MEDIATA então tem uma conseqüência pior, culpa direta pelo segundo resultado.
OU OBS: Não existe presunção nem compensação de culpas em DP.
INDIRETA Todavia, é possível a concorrência de culpas, ou seja, duas pessoas concorrendo com
culpa para o resultado.
Ex: dois operários atiram uma madeira para baixo e uma pessoa está passando.
O princípio da excepcionalidade do delito culposo está previsto no art.18 § único CP.

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TEORIA DO RISCO TOLERADO
Certas atividades por terem como pressuposto o risco inerente, no caso de eventual resultado lesivo, a
excepcionalidade em que se dá, afasta a tipicidade culposa.
Ex: disputas automobilísticas.

PRINCÍPIO DA CONFIANÇA
A vida em sociedade pressupõe que cada uma faça a sua parte de maneira cautelosa, de modo a não
causar prejuízos a terceiros.
Assim, a responsabilidade penal de cada um, bem como as cautelas que lhe são correspondentes, devem
ser limitadas a área de atuação.

PRETERDOLO
Lesão corporal seguida de morte.
Crimes agravados ou qualificados pelo resultado, art. 19.
CRIME ANTECEDENTE CRIME SUBSEQUENTE RESULTADO
DOLO DOLO DEPENDE
DOLO (Minus) CULPA (Majus) PRETERDOLO (previsão)
LESÃO CULPOSA + OMISSÃO
CULPA DOLO
DE SOCORRO
OBS: Não cabe tentativa em crime preterdoloso em razão da sua constituição (dolo+culpa).

DO CRIME CONSUMADO art.14 I


Conduta completa. O crime se consuma quando o agente realiza todos os elementos da sua definição
típica.

DO CRIME TENTADO art. 14 II § único


ITER CRIMINIS

COGITÁTIO – Ideação e resolução - IMPUNÍVEL

CONATOS REMOTUS – Preparação – IMPUNÍVEL – a não ser que configure crime autônomo

CONATUS PRÓXIMUS – Execução – PUNÍVEL

META OPTATA - CONSUMAÇÃO

EXAURIMENTO Terminou e foi além.


A é quando o sujeito inicia a execução do crime que não se consuma por circunstâncias
TENTATIVA alheias à vontade do agente. Ele quer prosseguir na execução mas não pode, ou porque é
impedido, ou porque pensa que o crime já foi consumado.
Trata-se de causa obrigatória de redução de pena de 1 a 2/3. Quanto mais próximo da
NATUREZA consumação chega o agente, menos a pena diminui. O § único do art. 14 quando trata da
JURÍDICA pena excepciona alguns casos em que não há tal redução.
São os crimes de atentado, ou seja, a tentativa é prevista como consumação. Ex: art. 352 CP.
• Crimes de atentado;
• Crimes omissivos próprios;
CRIMES QUE
• Crimes unissubsistentes – se consumam com um único ato ex: injúria;
NÃO ADMITEM
TENTATIVA • Contravenção penal art. 14 LCP;
• Preterdoloso;
• Crime habitual próprio, rufianismo art. 230.

• Tentativa branca ou incruenta: sem sangue.


• Tentativa qualificada: não há tentativa neste caso. É delito que sobra na
desistência voluntária e arrependimento eficaz. (lesão corporal)
CLASSIFICAÇÃO
• Tentativa perfeita e imperfeita: na perfeita (crime falho) o agente esgota os atos
executórios. Na imperfeita a execução é interrompida.
• Tentativa inidônea: crime impossível, ou seja, não há como consumá-lo.

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DISTINÇÃO ENTRE ATOS PREPARATÓRIOS E EXECUTÓRIOS
A teoria adotada pelo código penal é a teoria objetivo-formal, ou seja, a execução se inicia quando começa a
realização da figura típica, atacando o bem jurídico.
Há uma segunda teoria denominada de objetivo-individual, que considera ainda inicio de execução aqueles atos
imediatamente anteriores à realização do tipo penal a partir do exame do plano concreto do agente.
OBS: A tentativa é uma causa de ampliação da figura típica ou ainda é uma forma de adequação típica por
subordinação mediata ou de tipicidade indireta (não vai direto para o art. Do crime, combina com outro art. Ex:
121+14; 213+29).

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ Art. 15


Ocorrem quando o agente desiste voluntariamente de prosseguir na execução do crime ou impede que o resultado
se produza.
Se qualquer uma dessas hipóteses ocorrer, o sujeito só responde pelos atos até então praticados, afastada a
tentativa.
NATUREZA Trata-se de causa de exclusão da tipicidade da tentativa.
JURÍDICA Voluntariamente não significa espontaneamente, pois pode ser por sugestão de 3ºs.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR art. 16


Nos casos de crime cometidos sem (dolo) violência de grave ameaça à pessoa, desde que reparado o dano ou
restituída a coisa antes do recebimento da denúncia ou queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida
de 1 a 2/3 (em casos de culpa – homicídio culposo pode).
Em casos de violência presumida não pode aplicar o art. 16.
OBS: na forma da súmula 554STF o pagamento do cheque sem suficiente provisão de fundos extingue a
punibilidade, desde que antes do recebimento da denuncia na forma do art. 34 da lei 9249/95 extingue a
punibilidade.
A 5ª e 6ª câmaras do TJRS estendem o benefício da extinção da punibilidade pelo pagamento ou ressarcimento a
outros crimes patrimoniais.

CRIME IMPOSSÍVEL art. 17


É quando por ineficácia absoluta do meio ou impropriedade absoluta do objeto, a consumação do crime é impossível.
Na realidade seria uma tentativa, pois o sujeito tem o dolo do crime e pratica atos executórios, não atingindo o resultado por
alheias a sua vontade.
Todavia o legislador entendeu considerar inidoneidade absoluta, é crime impossível. Se relativa, haverá crime tentado.
CI= Tipicidade subjetiva + atipicidade objetiva.
OBS: costuma-se alegar crime impossível em casos de furtos a estabelecimentos comerciais em que o agente sempre esteve
sob permanente vigilância, não ocorrendo o crime. Também em casos de falsificação grosseira, desde logo verificáveis. Em se
tratando de carros blindados deverá ser examinado o calibre da arma, o nível de blindagem e a forma de execução.
Quanto às formas de flagrante há que se diferenciar o flagrante forjado, criminoso (enxertar droga) do flagrante esperado ( a
policia sabe onde o crime vai ocorrer e aguarda o seu cometimento). É flagrante aceito. E ainda do flagrante provocado. É por
obra do agente provocador. Este cria na cabeça do agente a idéia delituosa e ao mesmo tempo adota providencias que tornam
a consumação do crime impossível.
Pode ser definido a partir de duas concepções:
1. Concepção jurídica: É a lesão ou ameaça de lesão a um bem jurídico penalmente tutelado. Todo crime
tem, pois, todo o bem jurídico será de alguma forma atingido. Assim, no homicídio a lesão é ao bem
jurídico: vida.
2. Concepção naturalística: É a modificação do mundo exterior causada pela ação delituosa. Ex: morte no
homicídio. Este resultado nem todo crime tem ou exige, como é o caso dos crimes de mera conduta (ex:
omissão de socorro). Esta concepção foi adotada pelo CP art.13.
A partir da concepção jurídica de resultado os crimes podem ser classificados em:
a. DE DANO: o tipo penal exige lesão ao bem jurídico.Ex: homicídio.
RES b. DE PERIGO: o tipo penal prevê uma conduta perigosa ao bem jurídico que ocorrendo o crime se consuma.
ULT Ex: art. 269 omissão de notificação de doença.
Discute-se na doutrina e na jurisprudência, a existência, do perigo abstrato (praticada conduta se presume o perigo)
ADO
e perigo concreto (praticada a conduta deve ficar demonstrado que bem jurídico foi efetivamente colocada em
perigo).
A doutrina mais moderna tem-se inclinado a partir do princípio da lesividade, a exigir a demonstração do perigo
concreto.
Seguindo uma concepção naturalística de resultado, os crimes podem ser divididos em:
a. MATERIAIS: o tipo penal descreve uma conduta e um resultado, devendo ocorrer ambos para o crime ser
consumado. Ex: homicídio.
b. FORMAIS: o tipo penal descreve uma conduta e um resultado, mas basta a prática da conduta par o crime
ser consumado. Ex: art.158.
c. DE MERA CONDUTA: o tipo penal descreve uma conduta que ocorrendo o crime se consuma. Ex: art.330.

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NEXO CAUSAL
É o liame que une a conduta ao resultado. No tocante ao NC adotou-se a teoria da equivalência dos
antecedentes causais ou da “conditio sine qua non”, ou seja, tudo aquilo que contribui para o resultado é
causa. Para sabermos se estamos ou não diante de uma causa aplica-se um método de eliminação
hipotética de THYREN, vale dizer, basta que eliminemos na mente algum fato e verificar se sem aquele
fato o resultado teria ocorrido ou não. Se mesmo sem determinado fato o resultado ocorrer, ele não causa.
Para sabermos se o sujeito cuja conduta é examinada responderá ou não pelo resultado devemos
aplicar 3 regras:
a. PREEXISTENTES; CONCOMITANTES E SUPERVENIENTES: absolutamente independentes, o
agente NÃO RESONDE por ela, apenas pelo que fez.
b. PREEXISTENTES; CONCOMITANTES E SUPERVENIENTES: relativamente independentes, o
agente responde por elas quanto ao nexo causal.
c. Nas causas SUPERVENIENTES, relativamente independentes o art.13 § 1º exige que se faça o
seguinte questionamento: Essa casa SUPERVENIENTE, por si só, causou o resultado? Se a
resposta for positiva o agente não responde por ela, se negativa, responde.
Ex. de causas SUPERVENIENTE, RELATIVAMENTE INDEPENDENTES que NÃO por si só
ocasionaram o resultado (que o sujeito responde):
1. Infecção hospitalar, e/ou das meninges;
2. Choque anafilático;
3. Atraso ou demora no atendimento da vitima;
4. Pneumonia hemostática;
5. Imperícia do médico;
Todos esses exemplos acima, estão dentro de uma linha de desdobramento causal normal e
previsível.

Ex. de causas SUPERVENIENTE, RELATIVAMENTE INDEPENDENTES que por si só


ocasionaram o resultado (que o sujeito NÃO responde):
1. A enfermeira ministra substância tóxica no paciente ao invés do medicamento prescrito;
2. capotamento da ambulância e morte por traumatismo craniano;
3. Incêndio, desabamento, vingança, outras catástrofes no hospital;
4. Cirurgia estética depois da recuperação do sujeito;
5. Abertura da porta do ônibus e a pessoa desce, por conta própria, antes de o ônibus parar;
6. Passageiro que pisa no fio de eletricidade depois do acidente.
OBS: Se pela intervenção do agente o resultado não teria ocorrido da forma como ocorreu ele responde
pelo resultado. Ex: matar o inimigo prestes a ser executado pelo carrasco. Matar pessoa com doença
terminal.

TIPICIDADE “TATBESTAND” “FATTISPECIE”


Quando o agente pratica um fato descrito em um tipo penal ocorre o que se denomina tipicidade. Vale
dizer, é a subsunção de um fato a um tipo penal.
Neste particular foi adotada a concepção (teoria) de MAYER no sentido de que a tipicidade é indiciária da
ilicitude (é a sua “ratio cognoscendi”).
Para que haja tipicidade é necessário um tipo penal que pode ser composto dos seguintes elementos:
• Elementos Objetivos: São aqueles meramente descritivos, não denotando um maior juízo de
valor. Dizem respeito a tempo, lugar, sexo, mando de execução. Ex: Verbo núcleo do tipo.
• Elemento Subjetivo: é o antigo dolo específico. Diz respeito ao aspecto anímico ou psicológico do
agente. Ex: expressão para fim libidinoso, para obter indevida vantagem econômica, para
satisfazer a própria lascívia.
• Elemento Normativo: é o que exige especial valoração, esta que pode ser moral, social, jurídica
ou de outra natureza. Ex: antiga expressão “mulher honesta”. Sem justa causa. Indevidamente.
Assim, tipo penal é a descrição da conduta proibida, permitida ou explicada.
O tipo penal tem basicamente duas funções:
1. DE GARANTIA;
2. INDICIÁRIO DA ILICITUDE;
FO 1. Tipicidade direta ou forma de adequação típica por subordinação imediata: a tipicidade
R se dá sem a necessidade de um tipo penal de extensão ou complementar. Ex: homicídio
M consumado.
AS 2. Tipicidade indireta ou forma de adequação típica por subordinação mediata: para haver
DE tipicidade é necessário um tipo penal complementar ou de extensão. Ex: art. 14 II § único

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tentativa. Art. 29 concurso de pessoas.
TI
3. Tipicidade Conglobante: é igual à tipicidade formal + antinormativa: em primeiro lugar
PI devemos diferenciar tipicidade formal de tipicidade material. A primeira é o mero juízo ou
CI adequação do fato à norma. Já a segunda além da mera adequação do fato à norma, é
D necessário ainda, o exame da lesividade social e ao bem jurídico da norma penal.
A Vista essa diferença parte da doutrina fala em tipicidade conglobante, ou seja, além da tipicidade
DE formal, como a lei não tem contradições, deve ser examinado ainda, a antinormatividade da
conduta, vale dizer, se a conduta praticada não está prevista como dever em outra norma jurídica.
Ex: policial que cumpre mandado de prisão e causa lesões corporais.