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Apostila_alimentos

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  • ALIMENTAÇÃO: PRINCÍPIOS BÁSICOS
  • ALIMENTOS VOLUMOSOS
  • I - CAPINEIRA
  • Formação da Capineira
  • Manejo e Utilização da Capineira
  • II - CANA-DE-AÇÚCAR
  • Formação do Canavial
  • 1 - Escolha da área:
  • 2 - Escolha da variedade:
  • 3 - Plantio
  • Manejo da Cana-soca
  • Utilização da Cana
  • III - RESTOS CULTURAIS
  • Principais restos culturais
  • Tratamento de restos culturais
  • Procedimento:
  • Uso de uréia
  • Observação:
  • Uso de amônia anidra (gasosa):
  • Observações:
  • ALIMENTOS CONCENTRADOS
  • I - GRÃOS
  • 1 - Milho grão
  • 2 - Sorgo grão
  • 3 - Soja grão
  • II - SUBPRODUTOS INDUSTRIAIS
  • 1 - Algodão - farelo
  • 2 - Algodão - farelo com casca
  • 3 - Algodão - caroço
  • 4 - Amendoim-farelo (solvente)
  • 5 - Arroz - farelo integral (gordo ou cru)
  • 6 - Arroz - farelo desengordurado (solvente)
  • 8 - Milho - farelo de glúten - 21
  • 9 - Milho - farelo de glúten - 50/60
  • 10 - Soja - farelo (solvente)
  • 11 - Trigo - farelo
  • 12 - Melaço de cana
  • 13 - Melaço em pó
  • 14 - Polpa de cervejaria (seca)
  • 15 - Carne - farinha
  • 16 - Carne - farinha de carne e ossos
  • 17 - Peixe - farinha
  • 18 - Penas - farinha hidrolisada
  • 19 - Sangue - farinha
  • 20 - Ossos autoclavados - farinha
  • 21 - Ossos calcinados - farinha
  • III - RAÍZES E TUBÉRCULOS
  • 1 - Preparo das raízes e sua utilização na alimentação
  • 2 - Fresca
  • 3 - Raspa seca
  • 4 - Ensilada
  • IV - URÉIA
  • Fatores que influenciam a utilização da uréia
  • Carboidratos
  • Proteínas
  • Enxofre
  • Utilização da uréia
  • Cuidados no fornecimento de uréia
  • V - EXCREMENTOS DE AVES
  • Cama de frango
  • Aspectos de sanidade
  • Fezes secas de galinha criada em gaiola
  • MINERAIS
  • Macrominerais
  • 1 - Sódio (Na) e Cloro (Cl)
  • 2 - Cálcio (Ca)
  • 3 - Fósforo (P)
  • 4 - Potássio (K)
  • 5 - Magnésio (Mg)
  • 6 - Enxofre (S)
  • Microminerais
  • 1 - Zinco (Zn)
  • 2 - Ferro (Fe)
  • 3 - Cobre (Cu)
  • 4 - Iodo (I)
  • 5 - Cobalto (Co)
  • 6 - Selênio (Se)
  • 7 - Manganês (Mn)
  • 8 - Molibdênio (Mo)
  • Fornecimento das Misturas Minerais
  • Padrões de Misturas Minerais
  • Atenção:
  • VITAMINAS PARA BOVINOS
  • 1 - Vitaminas lipossolúveis
  • 2 - Vitaminas Hidrossolúveis
  • 3 - Outros comentários
  • ÁGUA PARA OS BOVINOS
  • PROMOTORES DE CRESCIMENTO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL CUNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CASSILÂNDIA CURSO DE AGRONOMIA

Alimentos para Bovinos
Prof. Dr. Elson Martins Coelho

Alimentos para bovinos

ALIMENTAÇÃO: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Prof. Dr. Elson Martins Coelho

As substâncias presentes nos alimentos ingeridos e que são importantes para a nutrição do organismo animal incluem os carboidratos (constituem cerca de 75% da matéria seca da forragens e são a principal fonte de energia para os ruminantes); as proteínas, os sais inorgânicos, as vitaminas e a água. Nos ruminantes o mecanismo de digestão dos alimentos é bastante peculiar pelo fato destes animais possuírem o estômago composto. O estômago dos ruminantes é dividido em quatro compartimentos que são o rúmen, o retículo, o omaso e o abomaso. Cada um possui uma função digestiva específica: o rúmenretículo funciona como uma câmara de fermentação, o omaso é o local de absorção e o abomaso tem uma função digestiva enzimática. Para que o rúmen-retículo funcione como câmara de fermentação, é necessário que determinadas condições sejam mantidas como: temperatura, pH e a presença de microorganismos. O aparelho digestivo tem como principal função digerir e absorver os alimentos e excretar os produtos não aproveitados pelo organismo. Consta de um conduto alimentar que compreende boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) e intestino grosso (ceco, colo e reto) e de glândulas acessórias que são as glândulas salivares, o pâncreas e o fígado (Leão, 1988). A fermentação microbiana ocorre no intestino grosso da maioria dos animais, principalmente no ceco e no colo, mas, nos ruminantes ocorre a fermentação prégástrica, ou seja, antes que o bolo alimentar passe para outras partes do aparelho digestivo. Observa-se (Quadro 1) as diferenças da capacidade do apare-lho digestivo entre várias espécies, destacando a grande capacidade volumétrica do estômago dos bovinos.

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aglandular e uma

Os ruminantes possuem o estômago composto que compreende uma parte parte glandular que corresponde ao estômago dos

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monogástricos. A parte aglandular compreende o rúmen, o retículo e o omaso, sendo que nos dois primeiros ocorre a fermentação microbiano, onde as bactérias e protozoários produzem enzimas capazes de hidrolizar proteínas, lipídios e carboidratos, inclusive a celulose. A parte glandular corresponde ao abomaso onde a digestão é feita através do suco gástrico (Silva e Leão, 1979). O fato dos ruminantes possuírem o estômago composto traz algumas vantagens com relação aos monogástricos tais como: a) utilização de alimentos fibrosos consideravelmente maior que em outro herbívoro, ou que nos suínos. b) síntese das vitaminas do complexo B e vitamina K o que torna os ruminantes independentes do fornecimento externo destas vitaminas e dificilmente sofrem carências delas; c) síntese de proteínas a partir de compostos nitrogenados não protéicos. Existem também algumas desvantagens: a) perda de energia na fermentação pré-gástrica; b) perda de nitrogênio, em forma de amônia; c) na hidrólise das proteínas no rúmen perdem-se alguns aminoácidos essenciais; d) a absorção de açucares no ruminante parece quase nula. Aproximadamente 70 a 85% de matéria seca digestível da ração é digerida pelos microorganismos do rúmen. Alguns compostos ou nutrientes merecem uma citação especial, e assim, os carboidratos constituem de um modo geral, cerca de 75% da matéria seca das forragens e consequentemente, a principal fonte de energia para os ruminantes. Dentre eles destaca-se a celulose que é um carboidrato estrutural básico das plantas e está presente em quase todas elas, e é um dos mais abundantes compostos orgânicos, útil aos ruminantes. A utilização desta grande fonte de energia é desejável e necessária para suprir essas espécies. A celulose é utilizada pelos ruminantes através de um processo indireto, qual seja, hospedando microorganismos no rúmen, capazes de hidrolizar a celulose, com fornecimento de energia. As partes lenhosas das plantas, isto é, os caules, as hastes de folhas, as cascas, os sabugos, contém uma substância indigesta chamada lignina, que ocorre intimamente associada com a celulose. Além de não digerida, a lignina interfere na digestibilidade dos outros nutrientes. Seu teor aumenta com o decorrer do ciclo

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vegetativo ou idade das plantas. Tem sido sugerido que a lignificação de forrageiras é o fator mais importante, que limita a produtividade animal. (Noller, 1997) Outro carboidrato importante, muito presente nos grãos dos cereais, é o amido que é praticamente todo digerido pelo ruminante, ou seja, apresenta um coeficiente de digestibilidade próxima a 100%, portanto muito importante à nutrição de bovinos. Quantidades razoáveis de carboidratos solúveis tais como glicose, frutose e sacarose (muito encontrado na cana-de-açúcar) estão presentes nas forragens e são completamente digeridos no apare-lho digestivo dos ruminantes. Outro aspecto importante da nutrição de ruminantes, que é oportuno mencionar se refere a degradação e síntese de proteína. Ocorre, devido à presença de microorganismo na rúmen, que são capazes de realizar a degradação de proteína e de outros compostos nitrogenados não protéicos e a subsequente síntese de proteína microbiana. Portanto, o sistema digestivo dos ruminantes permite uma menor dependência da qualidade da proteína da ração em comparação ao do monogástrico. Neste caso, pode até utilizar fonte de nitrogênio não protéico, como por exemplo a uréia. A proteína da dieta ingerida é degradada pelos microorganismos do rúmen, em uma proporção que dependerá das características da fonte protéica e da ração; os compostos nitrogenados liberados são utilizados na síntese de biomassa microbiana. Dessa forma, a proteína que atinge o abomaso e intestino do animal, para ser digerida e absorvida, é composta de duas frações: a proteína da dieta que não foi degradada no rúmen (PNDR) e a proteína microbiana (PM) que foi sintetizada no rúmen. A soma destas frações, corrigida pelo coeficiente de absorção da proteína no intestino delgado, representa a proteína disponível para o animal. (Silva, 1992) Pelo exposto pode-se tirar algumas conclusões de ordem prática: a) é importante manter a estabilidade das condições do rúmen, por conseqüência a da população microbiana. Portanto, mudanças bruscas e rápidas da dieta, são indesejáveis, pois, podem provocar distúrbios no rúmen, prejudicando o desempenho animal. Adaptação às mudanças alimentares devem ser realizadas; b) devido a presença dos microorganismos no rúmen, os bovinos podem ser alimentados de nitrogênio não protéico, como o da uréia, pois são capazes de utilizar esse nitrogênio para a produção de proteína; c) devido ao aumento do teor de lignina nas plantas, com o aumento da sua idade é absolutamente importante evitar que os bovinos sejam alimentados com forrageiras em estágio adiantado de maturação;

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Prof.Alimentos para bovinos d) para a devida nutrição dos microorganismos do rúmen e ou dos bovinos. minerais e vitaminas. o suprimento alimentar deve ser devidamente equilibrado em fontes de energia. Dr. Elson Martins Coelho 4 . proteína ou outros compostos nitrogenados.

normalmente são baixos em energia e contêm mais de 18% de fibra bruta na matéria seca.0 ha de capineira. Plantar mudas de 3 a 4 meses de idade. Consideram-se de 10 a 15 animais adultos/ha. o pioneiro. em sulcos de 15 a 20 cm de profundidade e espaçamento de 0. a dez. plana ou com declividade suave e próxima ao local de fornecimento aos animais. Schum).Alimentos para bovinos ALIMENTOS VOLUMOSOS Prof. o Taiwan. após a escolha adequada da área. para fornecer alimento verde ou na forma de silagem aos animais. A calagem deve ser realizada antes da aração em toda a área. Elson Martins Coelho Os alimentos volumosos constituem os produtos ou subprodutos utilizados na alimentação dos bovinos. uma vez que um hectare pode produzir grande quantidade de forragem.CAPINEIRA A capineira é uma pequena área cultivada com gramíneas de elevada capacidade de produção. na época de sua implantação ou formação e. de acordo com a análise do solo. O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa (nov. aração e gradagem. Formação da Capineira Alguns aspectos são de fundamental importância para se obter sucesso no uso do capim-elefante para corte. A capineira permite a utilização intensiva da terra. posteriormente. Portanto. o porto rico. que são cortadas e picadas. que deve ser bem drenada. Muitas espécies foram utilizadas para formação de capineira. 5 . na época de sua utilização. A capineira deve ser vista como uma cultura que exige correção da acidez e do alumínio tóxico do solo (calagem) e adubação adequadas. e o fertilizante fosfatado colocado no fundo do sulco de plantio. Nesse caso. Para plantio desta forrageira. o mineiro ou mineirão. entretanto atualmente a mais indicada é o capim-elefante (Pennisetum purpureum. deve-se ter a preocupação de cruzar pé com ponta. I . é preciso um bom preparo do solo com destoca (se necessária).80 a 1.0m. Dr. o vruckwona e o cameroon. a amostragem de solo é o primeiro passo a ser dado. Ao distribuir as mudas no sulco.). cujos os principais cultivares são o napier. serão necessárias 3 a 4 toneladas de mudas para formação de 1.

antes do 1º corte (quando as plantas estiverem ainda com pequeno porte . para não prolongar sua maturidade. sendo o primeiro em outubro/novembro. e. Após cada corte. o segundo em dezembro/janeiro e o terceiro em março/abril. o capim deve ser cortado e deixado no campo. que são as mais comuns. cortar o caule que restou.Alimentos para bovinos A utilização de mudas mais velhas. As mudas devem ter as pontas retiradas e. aplicar de 10 a 15 t de esterco/ha e realizar adubação nitrogenada em cobertura. Portanto. evitando. Aplicar 40 kg de N/ha 6 . serem cobertas com aproximadamente 10 cm de terra. pode-se realizar um pastejo leve na capineira. em seguida. O capim do 1º e 3º cortes deve ser fornecido aos animais em seu estado natural. depois de picado. enquanto o capim do 2º corte é destinado à produção de silagens. ou seja. é que o capim deve receber cortes em intervalos mais curtos. Todos os cortes também podem ser destinados à produção de silagem. no momento do plantio. perdas de seus valores nutricionais. rente ao solo. mesmo assim. implica dobrar a quantidade de mudas. plantar duas fileiras de mudas dentro do sulco. (Quadro 1) Prof. sendo uma forrageira tropical. Elson Martins Coelho A capineira deve receber pelo menos 3 cortes no período das 'águas'.40 cm) e 15 dias após o 1o e 2o cortes. é nesse período que deve ser manejado para produção de forragem. consequentemente. Caso não seja possível a realização de algum corte na capineira para fornecimento aos animais. para que os animais venham a consumir as folhas. O segundo. Dr. Nesse caso. possui seu maior potencial de crescimento no período das 'águas' ou de 'verão'. Manejo e Utilização da Capineira O primeiro ponto a se considerar é que o capim-elefante.

enxofre.produz grande quantidade de massa por área. a relação de 25 vacas/ha.baixo custo de produção.CANA-DE-AÇÚCAR A cana-de-açúcar constitui um recurso forrageiro muito importante para a alimentação dos bovinos. Apresenta uma série de vantagens. com o solo úmido.consumo da cana pelos animais não é alto (de 20 a 25 kg/vaca/dia com suplemento concentrado). entre elas: a . apresentando de 2 a 3% na matéria seca. e . c .está entre as primeiras plantas forrageiras na produção de energia/área. b . com topografia plana ou ligeiramente inclinada (até 20%).para fins forrageiros. alimentadas durante 150 dias. colheita e preparo. II . boa brotação de soqueira e bom perfilhamento e que sejam ricas em açúcar.maior acúmulo de açúcares com a maturação da planta.para altos níveis de produção (leite ou carne) deve ser evitada como único volumoso. magnésio.Escolha da área: A área deve ser próxima ao curral. Considera-se para o dimensionamento. Formação do Canavial 1 . resistentes Prof. Apresenta algumas desvantagens: a . h . c . d .pobre em alguns minerais como fósforo. um canavial pode ser utilizado até 8 anos.pobre em proteína.Escolha da variedade: Considerar para a escolha variedades que tenham alta produção.pronta para utilização no período seco. de preferência em solos mais férteis. Realizar anualmente análise de solo. Dr. f . tendo em vista a necessidade de calagem e os níveis de fósforo e potássio. b . na época seca do ano. d .Alimentos para bovinos para cada adubação. drenados.plantio e manutenção do canavial são simples. visando ao monitoramento da fertilidade do solo. zinco e manganês. g . Elson Martins Coelho 7 . chegando a 120 t/ha. 2 .fácil manejo.

utilizando-se de 10 a 15 t/ha de esterco. utilizando-se de sulcadores ou arados. A adubação orgânica é recomendada. Fazer sulcos profundos de 25 a 30 cm. realizar plantio em nível e construir carreadores ou estradas. numa proporção que garanta de 15 a 18 gemas/metro. duas variedades.Plantio Consideram-se duas épocas para plantio de cana: 'cana de ano'. Devem-se utilizar. Prof. e bem incorporado ao solo. para colheita após um ano. Características de variedades de cana aparecem no Quadro 1. para colheita após 16 a 22 meses após o plantio.30m. O espaçamento entre os sulcos deve ser de 1. Realizar calagem e adubação fosfatada e potássica. Utilizar mudas ou toletes com 8 a 12 meses de idade. cuja colheita começa a partir da metade do período seco. Tratos culturais 8 .Alimentos para bovinos ao tombamento. antes da aração. Os fertilizantes devem ser distribuídos no fundo do sulco de plantio. Cobrir as mudas dentro do sulco com aproximadamente 10 cm de terra. a pragas e doenças. Dr. para solos férteis.0m. distribuídas também nos sulcos. e de 1. O calcário deve ser distribuído em todo o terreno. Fazer aração e gradagem. 'cana de ano e meio'. com 3 a 4 gemas. de acordo com a análise do solo. Gastam-se em torno de 10 t de mudas/ha. pelo menos. para solos mais pobres e áreas em declive. sendo uma de ciclo de maturação precoce (corte no início do período seco) e outra de ciclo médio ou médio-tardia. para evitar trânsito nas áreas plantadas. plantar em janeiro a março.20 a 1. Elson Martins Coelho 3 . plantio em setembro/outubro.

antes desta operação. Uma das formas de se utilizar deste volumoso com sucesso é através da chamada cana + uréia. através da análise de solo. Para o preparo e fornecimento dessa mistura. em torno de 60 dias após o plantio. O monitoramento. A adubação química deve ser utilizada após o início das "águas". É recomendado a adubação nitrogenada a solos pobres em matéria orgânica. podendo ser deixada espalhada. deixando-as espalhadas sobre o solo. neste caso. objetivando reduzir capinas. Utilização da Cana A cana deve ser cortada rente ao solo.00. visando à descompactação do solo e à incorporação do calcário e fertilizante fosfatado quando aplicados. incorporado com arado ou escarificador. seguir o roteiro abaixo: a . A escarificação entre as fileiras do canavial é indicada. etc. visando aos ajustes da correção e adubação. Quando se deseja altos níveis de produção.Alimentos para bovinos Manter o canavial livre de ervas daninhas. Dr. com capinas feitas com enxada. aumentar teor de matéria orgânica e reduzir perdas de água do solo. preferencialmente. Do plantio ao Prof. se faz necessário. com podão ou enxada. Utilizar esterco na quantidade de 10 a 15 t/ha. deve ser sempre suplementada com algum alimento concentrado ou mistura deles. Devido a suas limitações nutricionais. a cana deve ser evitada. à base de 300 a 400 kg da fórmula 20. a uma distância de aproximadamente 40 cm de ambos os lados das fileiras. e. sulcador ou escarificador. realizar adubação de cobertura na base de 50 a 60 kg de N/ha. Manejo da Cana-soca A palhada do canavial não deve ser queimada. Podem-se utilizar o arado. visando à maior utilização desta forrageira pelos bovinos. silagens.Preparo da mistura uréia + fonte de enxofre: 9 .20. retirar suas folhas secas. 1º corte. Pode ser utilizada para os bovinos como único volumoso ou misturada a outros volumosos como capim. Elson Martins Coelho cultivador ou herbicida. o N pode ou não ser recomendado. dependendo das condições locais. A adubação nitrogenada interfere no teor de açúcar da planta.

. para 100 kg de cana.jogar fora a sobra no cocho do dia anterior. e . e distribuir uniformemente sobre a cana picada. . Elson Martins Coelho 10 .não fornecer cana + uréia para animais em jejum. e as bactérias do rúmen apresentam a capacidade de converter este nitrogênio em proteína microbiana.0 kg da mistura. Utilizar sulfato de amônio ou sulfato de cálcio (gesso agrícola). . em mistura com a cana/uréia (quadro 2). d .Colher a cana. . fornecer 1.Fornecimento aos animais: fazer adaptação dos animais. Misturar bem com auxílio de uma enxada.proporção da mistura: 9 partes de uréia + 1 parte de sulfato de amônio. para 100 kg de cana picada. . sorgo. .readaptar os animais no caso de interrupção do tratamento.é importante a inclusão de uma fonte de enxofre. etc. Do 8o dia em diante. . fornecendo na 1ª semana 0. pelo fato de a cana ser pobre neste mineral e ser importante para a síntese de proteína em nível de rúmen.observar os animais com regularidade. fora do alcance dos animais. recomenda-se o uso de alimentos energéticos e ou protéicos (milho. e picá-la integralmente (caule e folhas). eliminando as folhas secas. farelos.).fazer adaptação dos animais.fornecer a mistura em cocho coberto ou perfurado. ou 8 partes de uréia + 2 partes de sulfato de cálcio.permitir livre acesso dos animais à água e aos minerais. b .5 kg da mistura uréia + fonte de enxofre. usando um regador plástico. Prof. ensacar e guardar em local seco. Dr.a uréia constitui uma fonte de nitrogênio não-protéico.Alimentos para bovinos . Dissolver a mistura uréia + fonte de enxofre em 4 litros de água.Cuidados necessários: .Este sistema de arraçoamento permite mantença e ou pequenos desempenhos no ganho de peso e produção de leite. c . Misturar bem antes de fornecer aos animais. Para maiores produções. . utilizando a energia da cana.

Alimentos para bovinos Prof. Dr. Principais restos culturais a . devido às peculiaridades de seu aparelho digestivo. Devem ser utilizados para mantença ou pequenos desempenhos dos animais. são normalmente disponíveis em nível de propriedade.Palha de milho: constitui a palha da espiga do milho. Do total da planta colhida. a palha do sabugo. e sabe-se que aproximadamente 33% da espiga é constituída de palha e sabugo. Apesar de serem normalmente pobres na sua composição química.Palha de feijão: é constituída de hastes e folhas. Para seu melhor aproveitamento. à disponibilidade de mão-de-obra e de equipamentos. Deve ser fornecida inteira aos animais com livre acesso. O uso dos restos culturais deve estar relacionado à praticidade no seu manuseio. além dos grãos. 11 . tem valores nutritivos superiores às palhas de gramíneas e é tanto melhor quanto mais folhas possuir. devendo ter uma proteção (cerca de varas) em volta do material empilhado. b . inúteis a outros animais. os debulhadores de milho devem separar. podendo ser utilizados na alimentação dos bovinos. subprodutos ou restos culturais. com baixa digestibilidade da matéria seca. Elson Martins Coelho III . fibrosos. 53% correspondem às palhas e 47% às sementes. são capazes de utilizar uma série de resíduos. É aconselhado o fornecimento triturada em mistura com outros alimentos.RESTOS CULTURAIS Os ruminantes. para evitar pisoteio.

Para se ter uma melhor forragem. As pontas de cana de canaviais queimados também podem ser utilizadas. f .Alimentos para bovinos c . podendo ser fornecida picada diretamente aos animais ou na forma de silagem. para seu aproveitamento. recomenda-se a utilização apenas do terço superior. o que requer o uso de conjuntos apropriados.Palha de trigo: é o produto resultante após a colheita dos grãos e pode ser manuseada semelhante à palha de arroz. A quantidade produzida está em torno de 15 a 18 % da produção total do canavial. A rama de mandioca possui uma substância tóxica (ácido cianídrico).Rama de mandioca: a rama ou parte aérea da mandioca é um resto cultural com bom valor nutritivo. d .Palha de soja: as sobras da colheita de soja constituem alimentos grosseiros. Dr. para o enfardamento como feito para feno. devendo ser evitada para animais de alta produção. Deve ser picada em picadeiras estacionárias ou mesmo em picadeiras acopladas ao trator (com carretas). para transportar o material diretamente aos cochos. sendo bem aceita pelos animais.Bagaço de cana: é um volumoso de baixa qualidade. no caso de fornecimento direto aos animais. Elson Martins Coelho 12 . h . logo após a extração do caldo. Para que este princípio tóxico se torne inócuo. No caso de colheita mecânica. com alta porcentagem de fibra. recomenda-se deixar a rama "murchar" ao sol durante um dia. reservando-se as hastes mais grossas para o uso como muda. Deve ser picado em picadeiras.Ponta de cana: recomenda-se seu uso para praticamente todas as categorias de bovinos. presente na "mandioca-brava". limitando seu uso.Palha de arroz: é o produto resultante da bateção do arroz e é constituída da haste e do cacho com alguma semente. O processo de ensilagem diminui consideravelmente a toxidez. Prof. Quando a colheita do arroz é manual. haverá necessidade de ceifar a planta rente ao solo. e . como se faz para feno. portanto sem problemas para seu uso. seu uso deve ser restrito a animais de menor exigência ou de baixos desempenhos. a palha poderá ser armazenada em medas. A produção de rama pode chegar a 30 t/ha aos 16 a 18 meses de plantio. Seu aproveitamento pelos bovinos é muito baixo. g .

Uso do hidróxido de sódio (NaOH) 13 . deve-se picar o material em uma picadeira. entre eles podem-se citar: mecânico. Em conseqüência. pelos bovinos. deixar secar bem ao sol e depois passar em um desintegrador ou moinho. amônia gasosa e uréia. No Quadro 1 aparece a composição de alguns restos culturais. quando utilizado para silagem. Os tratamentos térmico e de pressão podem ser eficientes. O mecânico.Alimentos para bovinos A parte aérea da mandioca pode ser também transformada em farelo. térmico (vapor). Os principais produtos químicos utilizados são: hidróxido de sódio. Pode ser fornecido aos animais juntamente com outros alimentos ou misturado (5%) ao capim-elefante. O farelo assim produzido deve ser ensacado e armazenado em lugar arejado. torna limitados a digestibilidade e o consumo voluntário dos restos culturais. de cálcio. Dr. Elson Martins Coelho valor nutritivo é relativamente alto. representada pelos carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose). além da alta porcentagem de frações indigeríveis como lignina e sílica. Diversos tratamentos foram propostos. Devido a estes fatos. através da fragmentação ou moagem. muitos técnicos sugerem submeter estes materiais a um tratamento prévio por época de sua utilização. elevação de pressão e químico. Para tal. cujo Prof. de amônia. Tratamento de restos culturais O baixo valor nutritivo das palhas decorre do fato de apresentarem baixos teores de proteína e minerais e apresentarem elevados teores de fibra. mas são onerosos. pode aumentar o consumo mas não a digestibilidade. O tratamento químico tem sido o mais proposto.

Alimentos para bovinos . Prof.Visa ao aumento da digestibilidade do resto cultural. Dr. Elson Martins Coelho 14 .

aplicados através de solução com 200 l de água.esperar 40 a 50 dias para abrir e fornecer aos animais.Se.a amonização visa ao aumento da digestibilidade. . Procedimento: . além da solução acima. 15 . bem moído. Uso de uréia . . Dr.5% (base de matéria seca). na proporção de 3 kg para 100 kg de palha. Elson Martins Coelho . incorporada à palha.molhar uniformemente a palha. podendo ser utilizada em 4 semanas.tem sido obtido aumento de 30% na digestibilidade.cobrir com lona plástica e vedar bem. . for utilizado grão de soja cru.visa ao aumento da digestibilidade e à incorporação de nitrogênio na fração fibrosa.cobrir com lona plástica e vedar bem. Procedimento: . haverá aceleração e vantagem no processo de amonização. . . Uso de amônia anidra (gasosa): .melhores resultados foram obtidos com 5 kg em 100 kg de matéria seca de palha. . à incorporação de nitrogênio e à preservação (impede fungos e leveduras) do material. .5 a 3. .Alimentos para bovinos Procedimento: Prof.deixar em tratamento durante 15 dias.passar a palha numa picadeira. . Usar a soja. . misturando-a bem.injetar a amônia na proporção de 2. Observação: .preparar uma solução de uréia a 7% (7 kg em 100 l de água).passar a palha numa picadeira ou utilizar o material enfardado.distribuir a solução com regador sobre a palha previamente picada.deixar durante 20 a 24 horas. na proporção de 65 l de solução para 100 kg de palha.

Alimentos para bovinos Prof. Dr. Elson Martins Coelho 16 .

Incluem a maioria dos farelos de oleaginosas.Alimentos para bovinos Observações: Prof. 1991) I .a umidade ideal do material é em torno de 30% (umidecimento é aconselhável a materiais muito secos). (Nunes. o sorgo e a soja. Deve ser fornecido na forma de fubá. baixo teor de fibra. bem aceito pelos animais. ALIMENTOS CONCENTRADOS Constituem os produtos e subprodutos utilizados na alimentação dos bovinos.é aconselhado também o tratamento de fenos de baixa qualidade. 17 . normalmente são alimentos com alto teor de proteína e ou energia e que contêm baixos teores de fibra na matéria seca. 1 . com moagem de média a grossa. Os primeiros são altamente energéticos e apresentam menos de 20% de proteína bruta. Os protéicos são alimentos contendo teores elevados de proteína bruta (acima de 20%). subprodutos da indústria animal. . Elson Martins Coelho . Normalmente entra na proporção de 60% a 80% nas misturas concentradas. sempre em mistura com uma fonte protéica.quanto menor a temperatura mais tempo deve durar o tratamento. Classificam-se em concentrados energéticos e protéicos. estercos e camas de animais e as fontes de nitrogênio nãoprotéico. . rico em provitamina A (milho amarelo).GRÃOS Existem basicamente 3 grãos mais importantes na alimentação dos bovinos: o milho.Milho grão É considerado o mais importante alimento energético e possui as seguintes características principais: excelente fonte de energia. produz grande quantidade de energia por unidade de área. Incluem a maioria dos grãos alimentícios e seus subprodutos e as gorduras e óleos de origem animal e vegetal. Dr.

o mais rápido possível. Os dois ingredientes podem ser fornecidos separadamente. devido a sua riqueza em óleo.Soja grão O grão de soja possui altos teores de energia e de proteína. pois. no momento do tratamento. 3 . ocorrerá a hidrólise da uréia com desprendimento de amônia e gás carbônico. deve ser triturado e compor misturas com alimentos protéicos. Elson Martins Coelho O sorgo é bastante semelhante ao milho.Alimentos para bovinos 2 .SUBPRODUTOS INDUSTRIAIS Existe um considerável número de subprodutos industriais. um pouco mais de proteína e é menos palatável. Possui a enzima uréase. pois está sujeito à rancificação. Abaixo a descrição sucinta dos mais utilizados: 18 . entretanto. Deve ser fornecido triturado. II . Para fornecimento aos animais. É rico em extrato etéreo (gordura). mas apresenta-se com menor teor de energia. Não há necessidade de tostar os grãos de soja para fornecimento aos bovinos. portanto constitui um excelente alimento. Dr.5 kg para bovinos adultos (ação laxativa). este procedimento é necessário quando se tratar de fornecimento aos monogástricos (quadro 1). e por esse motivo deve ser evitada sua mistura com uréia. caso contrário. Pode substituir o milho nas rações para as diversas categorias de bovinos. devendo ser limitado seu uso em até 40% em misturas concentradas ou até 1.Sorgo grão Prof. utilizados na alimentação dos animais. É uma cultura muito indicada para regiões com restrição de chuva.

Arroz .Alimentos para bovinos 1 . Altamente energético e protéico.farelo Prof. Deve ter no mínimo 25% de PB. 3 . desde que não ultrapasse 25% de fibra bruta. para extração do seu óleo. película que cobre o grão. após processo industrial. Mínimo: 16% de PB.Arroz . para extração de seu óleo.farelo com casca Produto resultante do caroço de algodão moído. fragmentos de casca. 19 .caroço Produto proveniente da indústria de algodão. Constitui excelente alimento para os bovinos. após processo industrial.farelo desengordurado (solvente) Produto obtido do processo de extração do óleo do farelo de arroz integral. Dr. Elson Martins Coelho Produto resultante do caroço de algodão moído. após processo industrial.Amendoim-farelo (solvente) Produto resultante das sementes de amendoim moídas.Algodão .Algodão .farelo integral (gordo ou cru) Proveniente exclusivamente do processo normal de obtenção. gérmen. Deve ser fornecido inteiro aos animais. Mínimo: 45% de PB 5 . após retirada das plumas. Deve ter no mínimo 13% de PB e 14% de extrato etéreo. para extração do seu óleo. 4 . consistindo no pericarpo. Deve ter no mínimo 40% de proteína bruta (PB) 2 . com adição de casca. 6 .Algodão .

Dr.Trigo .Melaço em pó Produto obtido após processo industrial de desidratação do melaço xaroposo. no processo de produção de amido ou do xarope. farelo (solvente) Prof. 9 .Milho . devendo entrar nas misturas concentradas (até 5%) ou 20 .21 Parte do grão de milho que fica após extração da maior parte do amido. É um alimento energético. Mínimo: 44% de PB. Mínimo: 14% de PB 12 . 11 . Deve ter no máximo 26% de umidade.farelo Subproduto resultante da moagem do trigo.farelo de glúten .farelo (solvente) Produto resultante dos grãos de soja moídos. para extração do seu óleo. após processo industrial.50/60 Resíduo obtido após remoção da maior parte do amido.Melaço de cana Líquido xaroposo. na década de 60 e 70.Soja . após o processo industrial. para extração de seu óleo. 10 . Mínimo: 28% de PB. Mínimo: 50% ou 60% de PB.Milho . 13 . na proporção de 9:1. do gérmen e do farelo. após processo industrial. do glúten e do gérmen.Girassol. 8 . no processo de produção do amido ou do xarope.farelo de glúten . Mínimo: 21% de PB. Elson Martins Coelho Produto resultante das sementes de girassol moídas. obtido no processo de industrialização para produção de açúcar.Alimentos para bovinos 7. Foi muito utilizado em mistura com uréia. para obtenção da farinha de trigo.

18 .Polpa de cervejaria (seca) Subproduto obtido da fermentação da cerveja. O melaço em pó produzido no país (M. 17 . com 80% de PB. Mínimo: 55% de PB. Dr. Ca= 4. PB = 2%. obtido pela cocção do peixe integral. nãodecompostas obtidas do abate de aves. 14 .Sangue . 16 . objetivando aumentar a palatabilidade.Alimentos para bovinos adicionado ao volumoso.Carne . Gerais) possui a seguinte composição: MS = 97%. deve ser isenta de cascos e chifres. 15 . Mínimo: 40% de PB. Altamente protéica. Possui em torno de 20% de PB. depois de passar por processo de desidratação.14%. NDT = 70%.Carne . Prof. Pouco utilizada na alimentação de bovinos.farinha Produto oriundo do processamento industrial de tecidos animais.Peixe . Mínimo: 60% de PB. com 80% de PB. de seus cortes ou de ambos.Penas . Elson Martins Coelho 21 .farinha hidrolisada Subproduto resultante da cocção sob pressão de penas limpas. 19 .farinha Produto resultante do processamento do sangue fresco altamente protéico.farinha Produto seco e moído.5%.farinha de carne e ossos Constituída pela farinha de carne mais ossos. P = 0. com ou sem extração do óleo.

sem nenhum problema. ao se processar a desidratação da mandioca parcial ou total. III . variando de 10 a 35 t/ha de raízes e de 8 a 30 t/ha de parte aérea. da fertilidade do solo e do cultivar plantado.Ossos calcinados . o envenenamento dos animais pode ser evitado. 1992) 22 . Elson Martins Coelho Produto obtido pelo cozimento de ossos em vapor sob pressão. Deve apresentar no máximo 10% de PB e no mínimo 10 % de fósforo. Quando se trata de mandioca-brava. pode-se fornecê-la fresca aos animais. tornando-a inofensiva aos animais. Dr. Mínimo: 15% de fósforo.Alimentos para bovinos 20 . Consiste em picá-la e deixála bem espalhada ao ar livre.RAÍZES E TUBÉRCULOS Para fins práticos. por 24 horas. Isso basta para eliminar grande parte do princípio tóxico da mandioca-brava. sendo válido tanto para raiz como para a parte aérea. Dentre outros fatores.Ossos autoclavados .farinha Prof. Toda mandioca possui um princípio tóxico. sua produção depende de condições climáticas. a planta da mandioca é dividida em parte aérea (hastes e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas e feculentas). Quando se trata de mandiocamansa. 21 .farinha Produto obtido pela calcinação de ossos. (Carvalho. secados e triturados.

. em um terreiro cimentado. em uma máquina de fazer raspas ou numa picadeira de capim.picá-las em pedaços de mais ou menos 5 cm de comprimento por 1. as raízes devem ser trituradas ou picadas. e as experiências mostram que pode ser incluída na formulação de rações de todos os animais. Possui muito amido. porque não se conservam bem em estado fresco. a fim de retirar a terra aderida. . desmanchando-as periodicamente. as raízes devem ser lavadas. Um método prático é tomar um pedaço de raiz e riscar no piso como se fosse giz. ou.passar o rodo no sentido de maior comprimento do terreiro. três dias após a colheita. é porque está seco. Qualquer que seja sua destinação (fornecimento imediato aos animais ou conservação). é preciso observar os seguintes passos: . como se faz na secagem de café.Fresca É uma das formas que a raiz pode ser fornecida aos animais. Antes. Elson Martins Coelho A raiz de mandioca é rica em energia.se for mandioca-mansa. depois de seca. colher. as raízes tornam-se praticamente inutilizáveis. 3 . jogando jatos d’água.se a mandioca for brava. farelo ou silagem. ainda. . . . mas pobre em proteína. (Carvalho. seguida de fermentação.empilhar os sacos sobre estrado de madeira. 2 . se deixar risco. Eliminar as que tiverem coloração escura.colher e lavar as raízes em um tambor ou caixa.5 cm de largura. em local arejado. . Uma vez limpas. deve ser picada e parcialmente secada. Em clima quente.Preparo das raízes e sua utilização na alimentação Prof.Raspa seca Para desidratar as raízes ao sol. não convém fornecê-la em estado fresco. picar e fornecer imediatamente as raízes aos animais. lavar.espalhá-las sobre uma lona ou em um terreiro cimentado. . Alguns cuidados devem ser tomados: . pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise.Alimentos para bovinos 1 .verificar se o material está seco (14% de umidade). Dr. 1992) 23 .ensacá-la diretamente ou transformá-la em farelo. para fornecimento direto (fresca) ou para conservação sob a forma de raspa seca. formando pequenas leiras. de tal forma que se tenha 5 a 7 kg/m2.

).compactar bem o material a cada camada de 20 cm postas no silo. em misturas de concentrados (sem desvantagens). da Prof. 4 . . em mistura com outros alimentos volumosos e concentrados (quadro 1). (Carvalho. misturada a alimentos protéicos lactação.ao abrir o silo. Tem substituído o milho. . (farelo. tanto para engorda como para vacas em 24 . com no mínimo 10 cm. por isso aconselha-se a construção de silos pequenos. não expor muito a parte ensilada que não vai ser retirada logo. na rapidez das operações de colher. Elson Martins Coelho incidência de sol e do revolvimento do material no terreiro. picar.cobrir com lona plástica (vedando bem) e sobrepor uma camada de terra. uréia.fechar todo o espaço do silo e dar ao topo uma forma abaulada. no máximo.Alimentos para bovinos O tempo necessário para a secagem depende da umidade do ar. compactar. em geral. etc. . lavar. no processo de desidratação. 2 cm. . durando.encher o silo o mais rápido possível.colher. . 1992) A silagem deve ser fornecida aos bovinos. Dr.não abrir o silo antes de 30 dias. A raspa ou farelo deve ser fornecida aos bovinos. . O segredo da boa silagem está. como indicado anteriormente. . encher e fechar o silo. .amontoar as raízes limpas perto da picadeira e picá-las imediatamente em pedaços de.fazer canaleta para proteger o silo contra entrada de água.Ensilada Para obtenção de uma boa silagem os seguintes passos devem ser observados: . lavar e selecionar as raízes. de 2 a 3 dias. sobretudo.

permitindo a economia de outros alimentos. É calculada multiplicando-se o teor percentual de nitrogênio por um fator 6. daí ser considerada um composto nitrogenado não-protéico (NNP). branco.25. Elson Martins Coelho A uréia é um composto orgânico sólido. Os carboidratos. pelo fato de não possuir proteína. em cálculo de ração. É importante ressaltar que o uso da uréia apresenta-se como uma tecnologia poupadora. Denomina-se "equivalente protéico" a composição nutricional da uréia. através do fornecimento de energia e cadeias de carbono 25 . cristalizado e solúvel em água e álcool. devido à presença da enzima uréase normalmente presente no rúmen.Alimentos para bovinos IV .25 = 281%. Isto ocorre. Quimicamente. e passa a ser utilizada pelo organismo animal. este equivalente é somado à proteína bruta de outros alimentos. que. Utilizam o nitrogênio amoniacal para a síntese de proteína microbiana. o equivalente protéico da uréia é 45 x 6.4% de nitrogênio. Fatores que influenciam a utilização da uréia Carboidratos As fontes e a quantidade de carboidratos na ração são os fatores mais importantes para a síntese de proteína microbiana pelos microorganismos do rúmen. Daí. Portanto. através do processo normal da digestão (esquema 1). A uréia contém de 45% a 46. os microorganismos (microflora) presentes no rúmen passam a utilizar essa nova fonte de nitrogênio. Dr. a proteína microbiana ocorre em nível de rúmen. apesar de estar na forma de NNP.URÉIA Prof. é utilizado pelos ruminantes. Assim. que desdobra a uréia em amônia e gás carbônico. é classificada como amida. sem comprometer a produtividade dos animais. Para fins práticos.

provenientes da degradação da proteína. etc. Alguns pesquisadores chamam a atenção para o início da redução de utilização da uréia. Estes. quando o teor de proteína bruta da ração total (base MS) excede a 14%. juntamente com a amônia. Contudo. devido à menor formação de amônia. seja de origem vegetal ou animal. Outro fator importante é a qualidade da proteína da ração. Prof. Proteínas O nível de proteína na ração afeta a conversão de NNP em proteína microbiana. quando se fornece uma ração pobre em enxofre (como exemplo cana/uréia). Utilização da uréia A uréia pode ser utilizada na ração de todas as categorias de bovinos. a adição de enxofre resulta em maior aproveitamento de nitrogênio. As proteínas também fornecem energia ao sistema. raiz de mandioca. Os carboidratos diferem-se amplamente nesta função. é indispensável a presença de proteína verdadeira. além do seu alto valor energético. é importante a presença de enxofre(S) em nível de rúmen. são importantes para a utilização da amônia pelos microorganismos. O amido. Portanto. Por outro lado. Bezerros a partir de 2 meses de idade estão teoricamente aptos para utilizarem a uréia. sendo o menos efetivo de todos a celulose e o mais efetivo o amido (presente nos grãos dos cereais. A maior utilização da uréia ocorre com a presença de proteínas menos degradadas ou de baixa solubilidade. é hidrolisado em tempo mais hábil para o aproveitamento da amônia.Alimentos para bovinos ao sistema ruminal. quando comparados com aqueles que receberam proteína verdadeira. A relação comumente indicada é de 10 a 12 partes de nitrogênio para 1 parte de enxofre (N:S). devido a sua composição em aminoácidos.). Uma suplementação acima deste nível representa uma perda de nitrogênio. Enxofre Para a síntese de proteína microbiana. propiciam a síntese de proteína. pois certas proteínas são muito pouco degradadas no rúmen. muitos trabalhos mostram que animais jovens recebendo rações contendo uréia tiveram crescimentos menores. Dr. Elson Martins Coelho 26 . A sacarose (presente na cana-de-açúcar) e os açúcares do melaço apresentam valores intermediários.

Prof. principalmente considerando o aspecto econômico. No caso de intoxicação. Elson Martins Coelho pois. . para cada 100 kg de peso vivo do animal. podem ser reestudados. caso contrário. . poderá ocorrer intoxicação do animal. . Abaixo. merecem maior atenção no fornecimento por parte dos produtores.observar os animais com regularidade. forçar o animal à ingestão imediata de 10 litros de vinagre e repetir após 2 a 3 horas com mais 5 litros. a uréia não deve ultrapassar 3% numa mistura de concentrados.fornecer os alimentos com uréia em cocho coberto ou perfurado. . com possível morte.Alimentos para bovinos Há limites de utilização da uréia pelos ruminantes.de um modo geral. um ponto é de fundamental importância.a quantidade de uréia não deve ser superior a 1% da matéria seca total da ração.permitir livre acesso dos animais à água e aos minerais. Entretanto. dever-se-á realizar nova adaptação. . com aumento gradativo da uréia. em casos especiais. Deve ser sempre recomendado à alimentação dos bovinos. a adaptação dos animais ao uso da uréia. fazer adaptação pelo menos durante 2 semanas. . A uréia. qual seja. algumas regras práticas para a utilização da uréia: . 27 .realizar adaptação dos animais. Dr. . o que deve ser respeitado.até 40% de uréia numa mistura de sais minerais. como a utilização com minerais.o NNP proveniente da uréia não deve ser maior do que 33% do nitrogênio total da ração.5 kg de uréia por tonelada de material a ser ensilado. . quando devidamente utilizada. traz grandes vantagens. .fazer misturas bem homogêneas. .não fornecer concentrado com uréia em rações líquidas ('sopão'). Estes limites estabelecidos apresentam certa margem de segurança e. Misturas com altos teores de uréia. Cuidados no fornecimento de uréia . durante pelo menos uma semana.1% de uréia na cana-de-açúcar picada.considerar como limite máximo 40g de uréia por dia. .em mistura com minerais. . interrompendo o uso por mais de 3 dias. para evitar acúmulo de água.

sabugo e feno de capim triturado. Dr. após a engorda dos frangos. o que reduz a necessidade na suplementação. palhadas trituradas.4% de cálcio e 1. O restante está na forma protéica.Alimentos para bovinos V . Seus teores em cálcio e fósforo são consideráveis. 60% de NDT. Seu valor energético vai depender muito do tipo de material da cama. A proteína bruta da cama de frango normalmente está entre 18 a 22%. apesar de ser muito utilizada.EXCREMENTOS DE AVES Prof. o ácido úrico constitui uma fonte de NNP. com aproximadamente 60% do N total. constitui um material pobre. Utilização da cama de frango 28 . Dois materiais se destacam na alimentação dos bovinos: a cama de frango e as fezes secas de galinha. Elson Martins Coelho Os ruminantes possuem a capacidade de utilizar eficientemente o nitrogênio. sendo que a maior fração nitrogenada está na forma de ácido úrico. ainda com o risco de possuírem pregos. À semelhança da uréia. arames. Sua composição química varia de acordo com o tipo e quantidade de cama. uma vez que. Cama de frango A cama de frango é uma mistura. de um galpão com 10 mil aves. 21.8% de fósforo. rico em sílica e de baixa digestibilidade. excretada pelas aves. A serragem e o cepilho constituem também material inferior. etc. de fezes e de penas das aves e de restos de ração. se retira. A produção nas granjas avícolas é significativa. 16. em torno de 16 t de cama. serragem e cepilho de madeira.8% de fibra bruta. mas pode ser considerada uma fonte regular de energia. principal fração nitrogenada. Apresenta a seguinte composição química (base matéria seca): 85% de matéria seca. A casca de arroz. com aproximadamente 60% de NDT. proveniente do ácido úrico. O ideal seria o uso de sabugo ou feno de capim triturado. É recomendável a análise periódica das camas. manejo da cama e tempo de armazenagem. Os tipos de material de cama mais utilizados são: a casca de arroz (moída ou inteira). número de aves/m2. 2. constituída da cama propriamente dita (material distribuído no piso dos galpões).3% de proteína bruta. para uma maior segurança na formulação das rações.

quanto mais fresca for a cama. sendo que ocorre uma boa fermentação. Em misturas concentradas (com milho e farelos). determinado com novilhos em confinamento. 1977) (quadro 1) A cama de frango pode ser ensilada pura. quando possui em torno de 60% de matéria seca (40% de umidade). Outro aspecto da armazenagem é o tempo. da proteína bruta e da digestibilidade da matéria seca. no momento da ensilagem. Entretanto. recomendam-se até 50% para bois em engorda e animais em recria e no máximo 40% para vacas em lactação. Também não foi constatada doença como resultante do uso de cama de frango em gado de leite. ingerindo carne ou leite de animais alimentados com cama de frango. Aspectos de sanidade Não há indicações de que o homem. e ganho de peso ocorreram com 13. no processo de ensilagem. maior será o teor de N e por conseqüência de proteína bruta. tenha tido problemas de saúde. promove o aumento da matéria seca. Trabalho mostra que o aumento gradativo (até 25%) de cama de frango ao capim-elefante. é mais recomendada às silagens de capim. Prof. de 29 . Dr. categorias com baixo desempenho ou em mantença podem receber exclusivamente a cama misturada ou volumoso. Outra maneira de se utilizar da cama de frango é misturada à forragem. pois o valor do esterco de aves poderá ser alterado em alguns dias.Alimentos para bovinos A cama de frango pode ser utilizada em todas as categorias de bovinos. Entretanto. devido ao desprendimento de nitrogênio pela amonificação. deve ser evitada para bezerros de até 60 dias de idade e vacas de alta produção de leite. Assim. Na cama de frango úmida e armazenada a granel podem ocorrer alto aquecimento e risco de combustão espontânea. entretanto. Pode ser utilizada na produção de silagem de milho ou sorgo. o melhor consumo da silagem.7% de cama de frango. (Lavezzo. Elson Martins Coelho entretanto.

Elson Martins Coelho 30 . as camas de frango podem ser patogênicas. o que não ocorreu com os bovinos. Fezes secas de galinha criada em gaiola Esterco de galinha é uma mistura de excremento. que poderiam causar algum problema à saúde do animal. animais de corte recebendo cama de frango não mostraram na gordura sinais de drogas. na forma suplementar. temperaturas elevadas ocorrem no interior do material estocado.7% a 26. à base de 50% de cada.6% de fósforo (base matéria seca). contudo sempre observando o consumo ou aceitabilidade por parte dos animais. Contudo. apresentam teores de proteína bruta. o desempenho dos bovinos e. intoxicação pelo (alto nível) cobre foi observada em ovinos alimentados exclusivamente com cama. Sua produção anual está na faixa de 10 a 12 kg/poedeira.9% a 7. MINERAIS Os minerais constituem nutrientes de vital importância na nutrição dos bovinos. objetivando a manutenção. devido a sua menor aceitabilidade por parte dos animais. pois.6% de proteína bruta. de cálcio e de fósforo maiores do que a cama de frango. e sua utilização tem sido mais restrita. de 6. até mesmo. constituindo uma forma de inibir o desenvolvimento desses microorganismos. foram constatados bactérias e fungos.0 a 2. Têm sido encontrados valores de 22. em análises já realizadas. Durante a armazenagem ou ensilagem da cama.Alimentos para bovinos corte e caprinos. concluiu-se que não houve mudanças nas características do leite. penas das aves e restos de ração. Normalmente. É necessária sua presença na dieta de todas as categorias. A ensilagem também pode ser feita com fezes frescas. Sua utilização pode seguir basicamente as orientações para o uso de cama de frango. Por outro lado.8% de cálcio e de 2. Prof. a sobrevivência deles. juntamente com uma forrageira. As fezes devem ser fornecidas secas. Dr. o que sem dúvida constitui uma prática aconselhável. Potencialmente. Para vacas em lactação recebendo ração em que o farelo de algodão foi substituído pela cama. A acidez desenvolvida no material ensilado (fermentado) também contribui para esse fato.

pelo menos 27 elementos minerais Prof.Alimentos para bovinos Na constituição do organismo animal. possuem baixos níveis de sódio. A falta de sódio na dieta provoca vários sintomas: 31 . 15 são considerados como essenciais. magnésio e enxofre. fósforo. nenhuma ração comumente usada para bovinos fornece quantidade satisfatória deste mineral. Elson Martins Coelho participaram de maneira efetiva. ferro. em geral. Os macrominerais são: sódio. manganês e molibdênio. (Barcelos. Em função das necessidades quantitativas do animal. iodo. cloro. seu excesso pode apresentar toxidez nos bovinos. 1952) As pastagens. por outro lado. A deficiência dos minerais provoca as chamadas doenças carenciais (Quadro 1). Dr. Macrominerais 1 . sendo indispensável ao perfeito funcionamento do organismo animal. cálcio. uma vez que o organismo animal tem baixa capacidade de armazená-lo. não sendo capazes de atender às exigências dos bovinos.Sódio (Na) e Cloro (Cl) O sódio é elemento universalmente deficiente entre todos os minerais essenciais aos ruminantes. cobre. cobalto. os elementos minerais são classificados em macronutrientes ou macrominerais e micronutrientes ou microminerais. Além do mais. Destes. e. Os microminerais são: zinco. potássio. selênio.

o fósforo é o mineral mais encontrado no corpo animal (8 a 10 g/kg de peso vivo).Potássio (K) É um mineral essencial à vida e se encontra muito presente nos músculos e na pele. Prof. etc. que faz o animal chegar ao ponto de ingerir terra.2 g/kg. 4 .redução do apetite e apetite depravado (ingestão de pedra.Alimentos para bovinos para ingeri-lo. A carência destes minerais causa o raquitismo em animais jovens e osteomalácia (ossos fracos) em adultos. essencial para a digestão gástrica. . Os solos normalmente são pobres deste elemento. As necessidades dos animais são atendidas pelo fornecimento de cloreto de sódio (sal comum). A maior parte do cálcio do organismo se encontra nos ossos e dentes. . 3 . É importante a relação cálcio e fósforo (em geral 2:1) e níveis adequados de vitaminas D2 ou D3 para a melhor absorção e utilização do cálcio.depravação do apetite.baixo índice de fertilidade do rebanho. .apetite anormal pelo sal. . o cálcio se apresenta na proporção de 13 a 18 g/kg de peso vivo. enquanto o leite possui 1. O cloro é um dos principais elementos do fluido extracelular e possui uma função importante na formação do ácido clorídrico.baixa produção de leite e decréscimo no ganho de peso dos bezerros. É o terceiro elemento mais encontrado no corpo animal (4 g/kg de peso vivo).Fósforo (P) Depois do cálcio.perda de apetite e de peso. refletindo em pastagens sem condições de atender às exigências totais dos bovinos.enfraquecimento acentuado e decréscimo na produção de leite.Cálcio (Ca) No organismo animal. madeira. Elson Martins Coelho 32 . 2 . os animais são capazes de fazer grandes caminhadas . . pelo qual os bovinos têm grande avidez. Dr. Alguns sintomas de deficiência: .). ossos.

degeneração dos órgãos vitais e desordens nervosas. redução do apetite. 1988). rigidez e Prof. 33 . geralmente as forragens contêm consideravelmente mais potássio do que a exigida pelo gado de leite (NAS. (Barcelos 1992) Apesar de sua importância.Alimentos para bovinos Sua carência pode provocar: parada do crescimento. fraqueza. Elson Martins Coelho paralisia muscular. portanto sem necessidade de sua suplementação. Dr.

apesar de níveis normais de Ca e P. contudo é recomendável sua suplementação. devido a seu baixo teor no sangue. o que merece atenção especial. Microminerais 1 . Em dietas pobres desse mineral. em nível de rúmen. 2 .Zinco (Zn) Possui muitas funções. São raros os casos de deficiência em animais adultos. cisteína e cistina e nas vitaminas tiamina e biotina. Dr. A deficiência de magnésio causa uma doença denominada "tetania das pastagens". como cana/uréia. portanto com funções no desenvolvimento dos ossos e dentes. As pastagens em solo de cerrado são normalmente deficientes. entretanto pode ser freqüente em bezerros na fase de aleitamento. O sintoma mais característico é a anemia. e.Ferro (Fe) Presente na hemoglobina e apresenta importante função na respiração celular.Alimentos para bovinos 5 . não é comum a ocorrência de deficiência de magnésio. como a metionina. Possui uma importante função na síntese de proteínas. Elson Martins Coelho Está intimamente associado ao cálcio e fósforo. Incidência de endo e ectopa-rasitos e ocorrência de perda de sangue podem conduzir à deficiência. 6 . além do enxofre presente nas misturas minerais.Magnésio (Mg) Prof. Normalmente. um reforço à base de 10 a 12 partes de nitrogênio para uma parte de enxofre. entre os sintomas de deficiência. entre elas estar associado aos hormônios reprodutivos. recomenda-se.Enxofre (S) É um elemento presente nos aminoácidos sulfurosos. 34 . destacam-se o ressecamento e a escamação da pele. É um ativador de enzimas e importante na síntese de gordura do leite.

sendo importante para a reprodução e.Molibdênio (Mo) Estudado mais sobre sua toxidez. Sua deficiência causa anemia. com função primordial na síntese dos hormônios nesta glândula.Selênio (Se) Inicialmente. queda da fertilidade e da produção de leite.. durante a gestação. não tem ocorrido sua deficiência.Cobalto (Co) Faz parte da composição molecular da vitamina B12.Manganês (Mn) Sua absorção é baixa pelo organismo animal. 8 . Sem a sua presença na dieta. etc. "mal-defastio". papeira ou papo. Doença carencial de cobalto ocorre com vários nomes regionais. 7 . não há síntese desta vitamina em nível de rúmen. Elson Martins Coelho Presente nos glóbulos vermelhos do sangue. 35 . 6 . 4 . anemia. "peste de secar". Sintomas como falta de apetite. 5 . entretanto sua carência causa principalmente deficiência reprodutiva e retenção de placenta durante o parto. supressão do cio em vacas e queda do libido nos reprodutores. Sua deficiência causa o bócio. como: "mal-de-colete".Cobre (Cu) Prof. foi estudado como sendo um elemento tóxico. em casos extremos. perda de peso ocorrem devido a sua deficiência. Não é necessária sua inclusão nas misturas minerais. em termos práticos. Dr.Iodo (I) Presente na tireóide. para a sobrevivência das crias. pode resultar em morte dos animais. mantém estreita relação com o ferro e o molibdênio.Alimentos para bovinos 3 . e. que.

e uma outra mais concentrada. na qual estão presentes todos os ingredientes. É aconselhado que sua aquisição seja de empresas estabelecidas. evitando-se sua formulação e preparo em nível de propriedade rural. farelo. tem sido recomendado de 1 a 4%. farelos. e devem-se utilizar cochos cobertos e furados. 36 . chamadas misturas múltiplas. distribuídos nas pastagens e ou nos currais ou estábulos. etc. utilização de equipamentos específicos e pequenas quantificações de certos minerais. Os animais têm livre acesso às misturas e consumo à vontade. na proporção de 60 a 70 partes de sal mineral para 40 a 30 partes de uréia.).Alimentos para bovinos Fornecimento das Misturas Minerais Prof. de preferência cobertos. Dr.) preparados na propriedade. O Quadro 2 fornece as proporções recomendadas e o esquema de adaptação dos animais. O fornecimento das misturas minerais pode ser realizado das seguintes formas: a . Evitar "pacotinhos milagrosos" com prescrições para serem incluídos apenas no sal comun.Adicionadas à uréia e a alimentos "palatabilizantes" (fubá de milho. respectivamente. Neste caso. visando à melhor utilização do pasto seco (maior digestibilidade e consumo). c . Recomendadas para o período de inverno. pois isto implica conhecimento. basicamente. Elson Martins Coelho Recomendam-se que as misturas minerais sejam adquiridas de empresas especializadas. durante todo o ano. d . Permitem mantença de animais em recria (machos e fêmeas). em geral. A mistura mineral deve estar disponível a todas as categorias do rebanho. para evitar entrada e acúmulo de água no cocho. etc. dois tipos de misturas minerais disponíveis: uma mistura completa ou "pronta para uso". b . para que ocorra a real mineralização do rebanho.adicionadas aos concentrados (milho. Existem. dependendo da categoria e das quantidades de concentrado fornecido.adicionadas à uréia. registradas e idôneas. Merecem cuidados especiais de adaptação dos animais.fornecidas exclusivamente em cochos. para ser misturada ao cloreto de sódio (sal comum).

durante o período de inverno. Esta proposta é melhor do que a anterior (sal/uréia). visando à melhor utilização do pasto seco (maior digestibilidade e consumo). os padrões de registro das misturas minerais destinadas a bovinos. através da Portaria nº 33 de 22/04/91. aves e suínos. Elson Martins Coelho Fornecer à vontade em cochos cobertos e furados. pois os animais consomem mais a mistura e proporciona a ingestão de outros nutrientes. Dr. 37 . Existem misturas minerais/uréia/palatabilizantes já prontas e comercialmente disponíveis. mesmo que em pequenas proporções. O consumo voluntário esperado é da ordem de 300 g/animal adulto/dia.Alimentos para bovinos Prof. que devem ser respeitados pelos fabricantes (Quadro 3). Permite mantença ou pequenos ganhos de animais em recria (machos e fêmeas) e engorda. Padrões de Misturas Minerais A Secretária Nacional de Defesa Agropecuária do MAARA estabeleceu.

que o cálcio e fósforo tenham uma relação mínima de 1:1. diminuídos do percentual da uréia. . em sua forma definitiva ou como precursoras. VITAMINAS PARA BOVINOS As vitaminas são compostos orgânicos existentes nos alimentos.Alimentos para bovinos Prof. É oportuno esclarecer que o produtor deve observar os teores dos minerais explícitos na embalagem. Dr. . os minerais da formulação sejam aqueles determinados (Portaria 33).que o teor de flúor não pode exceder 0. Elson Martins Coelho Atenção: Além dos padrões mínimos. para gado de leite. a portaria estabelece: . e necessárias em quantidades mínimas ao 38 . definindo os procedimentos relativos a suplementos minerais. com inclusão de uréia para bovinos. Para gado de corte não é permitida a redução dos minerais com a inclusão da uréia. . a Secretaria de Desenvolvimento Rural baixou a Instrução Normativa no 2.2 %. comparando-os com os padrões legais. Em 30/06/95.que o teor de cloreto de sódio não ultrapasse a 60%. estabelece que o suplemento mineral contenha no mínimo 20% e no máximo 35% de uréia e que.que é proibido o uso de fosfato de rocha. Entre os procedimentos principais.

D. não constituindo. 39 . e aquelas outras solúveis em água. como há entre os carboidratos. ou seja. E. como. Elson Martins Coelho 1 . as vitaminas lipossolúveis somente são requeridas por organismos multicelulares complexos. com funções altamente especializadas. a função. à produção e reprodução dos animais. K) das vitaminas do grupo hidrossolúvel (complexo B e C). As vitaminas do complexo B possuem papel enzimático fundamental nas reações intermediárias do metabolismo comum a todos os organismos. as proteínas e os lipídios. à perfeita nutrição e As vitaminas até agora conhecidas são diferentes em estrutura química. incluindo os mais simples. excreção e armazenamento. Contudo. que diferem as vitaminas do grupo lipossolúvel (A. Existem algumas características básicas. as diversas vitaminas têm funções diferenciadas no organismo dos animais. As vitaminas são classificadas em dois grupos: aquelas solúveis em solventes de gordura e são grupadas sob a denominação de vitaminas lipossolúveis. portanto. local de absorção. um determinado grupo definido de substâncias. crescimento. que recebem a denominação de vitaminas hidrossolúveis. 1979) Quadro 1 Prof. Devido às suas diferentes estruturas químicas. como as bactérias.Vitaminas lipossolúveis Há uma correlação entre a absorção de vitaminas lipossolúveis e a digestão e absorção dos lipídios. cujo mecanismo e função são ainda desconhecidos. Não há relação de identificação química entre elas.Alimentos para bovinos saúde. (Vilela. Dr.

mas sob a forma do caroteno. Entretanto. uma vez que esse é destruído em grande parte. As forragens verdes. a carência dessa vitamina interfere no processo reprodutivo. que é o de suprir o recém-nascido desta vitamina. (Vilela. A eficiência da conversão de caroteno em vitamina A é bastante baixa. após 60 a 90 dias de idade. Dr. No entanto ela não ocorre como vitamina A propriamente dita em produtos vegetais. provocando ausência de cio ou cios irregulares. são desdobrados em vitamina A. mas suas necessidades são atendidas pelo leite. as respostas do animal ao caroteno são lentas. Neste último caso. Elson Martins Coelho Todos os animais requerem uma fonte dietética de vitamina A. principalmente na mucosa intestinal. no caso de deficiência protéica e mesmo quando há carência da própria vitamina. e é desta forma que as exigências de vitamina A dos animais podem ser supridas. para isso. são ricas em seus precursores (carotenos). No caso da desmama precoce ou redução no fornecimento de leite. Bezerros com deficiência de vitamina A apresentam aspecto doentio. o concentrado que recebem deve ser enriquecido com vitamina A. Esta conversão pode piorar mais ainda. Os animais jovens a requerem em níveis elevados. As silagens e os fenos não são fontes satisfatórias de caroteno. embora não sejam fornecedoras da vitamina. em quantidades necessárias. 40 . são susceptíveis a doenças do aparelho respiratório (pneumonia) e digestivo (diarréia). abortos e retenção de placenta. Esses. com elevado índice de mortalidade. visto que as rações são constituídas principal ou inteiramente de alimentos de origem vegetal. em menor escala. no caso dos bovinos.Alimentos para bovinos a . 1979) O organismo animal depois de transformar o caroteno em vitamina A. sendo recomendável a administração da própria vitamina. Em vacas. e. é preciso que os bezerros recebam esse alimento em quantidades apropriadas. que a encerra em teores adequados.Vitamina A e Caroteno Prof. Este composto é comumente designado de provitamina A. O milho amarelo (grão) é fonte abundante de caroteno e pode prestar razoável contribuição ao fornecimento da vitamina. armazena-o no fígado. durante o processo de fermentação ou de desidratação. É provável que os bezerros nasçam com reduzida reserva de vitamina A. porque o organismo pode transformá-lo na vitamina ativa. em outros tecidos. Daí vem uma das importantes funções do colostro.

Dr. Da mesma forma. Os fenos curados ao sol são fontes ricas dessa vitamina.Vitamina D É importante para o metabolismo do cálcio. pois o leite não é fonte suficiente. se bezerros são alojados em bezerreiros. sem receber sol. Por outro lado. Elson Martins Coelho possibilidade de carência da vitamina A. em quantidade suficiente para atender às necessidades do animal. b . é muito remota ou mesmo inexistente a Prof. Isso porque a luminosidade solar (raios ultravioletas) converte os esteróis cutâneos em vitamina D3. principalmente no caso de vacas boas produtoras de leite. é dispensável o fornecimento suplementar da vitamina. 41 . Entretanto. silagens. se o animal receber alimentos verdes de boa qualidade. fenos e palhadas. se o alimento básico provém de capineira. é improvável casos de deficiências. é indispensável que tenham essa vitamina em seu alimento. vacas em estabulação completa devem receber vitamina D adicional.Alimentos para bovinos No período de boas pastagens. Nas nossas condições usuais de manejo do rebanho. desempenhando papel relevante na formação do esqueleto e produção de leite. cuja forragem esteja madura (com poucas folhas). Mesmo na época de seca. há de ser prevista a possibilidade de deficiência.

ou seja. biotina. praticamente não existem possibilidades de deficiências dessa vitamina. Elson Martins Coelho A importância da vitamina E está no fato de atuar como antioxidante biológico. pois é abundante nas forragens e nos grãos das misturas de concentrados. ácido fólico. riboflavina. 2 . Dr. piridoxina. colina). ácido pantotênico. 42 . d . de um modo geral. pode ser avaliado que. e a vitamina C é sintetizada nos tecidos dos animais. e a vitamina K2 é sintetizada por bactérias do rúmen.Vitamina E Prof. niacina. Assim. Aparentemente. é necessária a presença desse micromineral no rúmen. os ruminantes têm as suas necessidades vitamínicas atendidas pelos alimentos naturais e pela síntese que ocorre no rúmen e nos tecidos. A necessidade de dietas ou fontes dietéticas de vitaminas do complexo B não tem sido estabelecida para os ruminantes em condições normais de alimentação. em condições normais de criação.Vitaminas Hidrossolúveis As vitaminas desse grupo. já que pode ser deficiente em determinadas situações (pastagem seca. são sintetizadas no rúmen.Outros comentários Com base nas pesquisas.Vitamina K A vitamina K está presente em grande quantidade nas forragens verdes. palhadas). como as do complexo B (tiamina. inositol. É oportuno observar que o cobalto faz parte da molécula da vitamina B12. volumoso de baixa qualidade.Alimentos para bovinos c . especialmente no caso de rebanho leiteiro. bem como de se encontrar fisiologicamente relacionada com o selênio (micromineral importante na reprodução). portanto. 3 . cianocabalanina. para a sua síntese. a vitamina que deveria merecer um pouco de atenção seria a vitamina A. Não chega a ser problema prático na criação. em condições normais. na dieta dos bovinos.

As vitaminas são ministradas aos bovinos. O consumo de água é altamente afetado pela composição da dieta. Há dados disponíveis que evidenciam o fato de que temperaturas extremas afetam o consumo de água. ÁGUA PARA OS BOVINOS A água é considerada um nutriente essencial para os bovinos. Assim. bem como a taxa respiratória e o desempenho do animal. 1988) A quantidade de água ingerida pelos bovinos é influenciada por vários fatores. entre eles o consumo de matéria seca. Elson Martins Coelho na alimentação dos rebanhos brasileiros. É oportuno mencionar que existem comercialmente disponíveis misturas minerais vitamínicas. quanto maior for a temperatura e menor a umidade do ar. para proporcionar um ambiente para o desenvolvimento do feto e para transporte de nutrientes aos tecidos do corpo. prontas para uso. É necessária para a manutenção dos fluidos corporais e promover o correto balanço dos íons. de um modo geral. com o uso de niacina. pois o problema praticamente restringe-se à vitamina A. altas concentrações de cloreto de sódio na água diminuem seu consumo e tornam-se tóxicas na concentração de 2%. (NRC. e. O consumo de água é positivamente correlacionado com o consumo de matéria seca. bicarbonato de sódio ou proteína também está associado com o maior consumo de água. denominadas "núcleos". A temperatura da água também afeta o consumo de água pelos bovinos e seus desempenhos.Alimentos para bovinos Conclui-se que não há necessidade de amplas suplementações vitamínicas Prof. as características da água e o estado fisiológico do animal. o consumo de água reduz- 43 . pois tem ocorrido resposta a certas vitaminas. os referidos dados mostram que. O consumo de dietas contendo substanciais teores de cloreto de sódio.3ºC. a ingestão de alimentos com alto teor de umidade diminui o consumo voluntário de água. Entretanto. resfriando-se a água de 31. absorção e metabolismo dos nutrientes. maior será o consumo de água. adicionadas à ração ou mesmo injetável em quantidades de acordo com as recomendações do fabricante. como por exemplo.1 para 18. (Vilela. mesmo assim em situações especiais. para a digestão. Sob altas temperaturas ambientais (acima de 30ºC). a composição da dieta. para eliminação dos excrementos e excesso do calor corporal. Dr. 1979) Nos casos especiais têm de se considerar as vacas leiteiras de alta produção. as condições climáticas (temperatura e umidade do ar).

O NRC(1988) propõe uma equação para estimar o consumo de água por vacas em lactação. (ARC. Elson Martins Coelho 44 . a estimativa de requerimento de água pelos bovinos é de 3.5 kg/dia.6 a 4. Esta diferença está principalmente relacionada com o hábito de alimentação do gado zebu. Dr. O zebu tem um hábito de pastejo com maior grau de seletividade do que o europeu e. Existem outras variáveis dentro da espécie que afetam o consumo de água: se o animal precisa de alimento somente para a mantença. Prof. A restrição natural. a taxa de respiração sofre redução de 10 a 12%. o gado zebu (Bos indicus) bebe menos água do que o gado europeu (Bos taurus).20 ± 0. assim: Consumo de água (kg/dia) = 15. contribui para baixar a produção de leite.5 kg de água/kg de matéria seca da dieta.023) x (consumo de sódio em g/dia)] + [(1. com isto. isto é. aguadas de difícil acesso e distantes.5 a 5. Os trabalhos concluem que os gastos com o aquecimento ou esfriamento da água são maiores do que a que se obtém de retorno financeiro. consome mais água via forragem.99 + [(1. ou para gestar e ou para lactação.271) x (consumo de matéria seca em kg/dia)] + [(0. especialmente durante os 3 últimos meses de gestação. ou para crescer.106) x (temperatura mínima diária em graus C)].5% mais leite do que vacas que recebem água duas vezes ao dia (quadro 1).05 ± 0. Outros trabalhos confirmam que aquecimento da água durante o inverno aumenta o seu consumo por vacas de leite.Alimentos para bovinos se de 3. o mesmo acontecendo com vacas não lactantes. ou para engordar.58 ± 0. 1980) Vacas gestantes consomem mais água do que as não gestantes. e ganho de peso em gado de corte (NRC. Com temperaturas variando de 17 a 27ºC. Vacas leiteiras com água à disposição bebem 18% mais e produzem 3. Por outro lado. e este aumento foi crescente quando a temperatura da água passou de 1 para 39ºC.90±0.157) x (produção de leite em kg/dia)] + [(0. 1988) aumenta em 36%.

Ainda. Dr.Alimentos para bovinos Prof. São divididos em dois grupos: aditivos e anabolizantes. Os bebedouros devem ser de fácil acesso e estar próximos aos animais. PROMOTORES DE CRESCIMENTO Os promotores de crescimento não são considerados alimentos. Aditivos 45 . O Quadro 2 apresenta consumo de água para bovino de corte. Elson Martins Coelho A água fornecida aos animais deve ser limpa e estar disponível à vontade. é oportuno lembrar que vacas no final de gestação e início de lactação são os animais que necessitam de maior quantidade de água. mas são substâncias capazes de promover o aumento da eficiência alimentar e do desempenho dos bovinos de corte.

inibem a ocorrência de timpanismo. em dosagens recomendadas. .300 miligramas/cabeça/dia. Existem vários tipos de ionóforos.provocam mudanças na população microbiana do rúmen. .Ácido lasalocídico .200 miligramas/cabeça/dia. Elson Martins Coelho eficiência alimentar. mencionando outros autores. ou para aumentar a taxa de ganho de peso em gado recriado ou terminado a pasto (Cesar. . Com relação à resposta animal. Alvarenga (1991). tais como: . 1986). . Tem-se encontrado acima de 10% no aumento da eficiência alimentar. Dr. Observação: estes aditivos são extremamente tóxicos para eqüinos. para seu uso. . Entretanto. diminui o consumo sem promover diminuição no ganho de peso. quando adicionados. . São eles: a) Monensina sódica: fabricado no Brasil e comercializado sob o nome de Rumensin. melhorando assim a conversão alimentar.diminuem a incidência de desordens metabólicas (prevenção de acidose).aumentam o consumo de dietas com alta fibra e baixa energia. Níveis recomendados do princípio ativo para animais confinados: . informa que as reações no desempenho de animais alimentados com ionóforos (aditivos) dependem do tipo da dieta.Monensina sódica .aumentam a digestão de amido.modificam a digestibilidade da fibra. seguir as orientações prescritas pelo fabricante. a conversão alimentar também melhora. . porém pelo aumento no ganho de peso com o mesmo consumo.diminuem a degradação da proteína em nível de rúmen.Alimentos para bovinos Os aditivos são ionóforos que foram desenvolvidos para aumentar a Prof. Em dietas à base de grãos (caso de animais em confinamento). b) Ácido lasalocídico: fabricado no Brasil e comercializado sob o nome de Taurotec. Já em dietas com quantidades maiores de forragens. modificando seu metabolismo. entretanto. Ambos possuem o mesmo mecanismo de ação e afetam os processos metabólicos. Anabolizantes 46 . à dieta alimentar de bovinos em confinamento. Esses ionóforos são antibióticos capazes de atuar na fermentação do rúmen. apenas dois estão disponíveis no país e aprovados para serem adicionados à dieta alimentar de bovinos de corte.

os níveis de hormônios na carne são freqüentemente mais baixos do que aqueles encontrados em gado não tratado. podem-se citar os hormônios à base de: 17 Beta Estradiol. em larga escala. de um modo geral. devido a não oferecerem risco à saúde humana. um acréscimo de 6 a 12% no ganho de peso dos animais. Canadá. . Sabe-se que o uso de vários destes compostos são utilizados. Steeroid.após a implantação. b) Implantes de origem natural (hormônios naturais) como o Synovex. sem necessidade de período de carência após serem implantados. Necessitam de período de carência. com atuação glandular. Elson Martins Coelho Também chamados de 'implantes'. Apesar desta proibição. Estes hormônios tendem a ser os mais aceitos pela maioria dos países. tornam-se oportunos comentários a respeito do assunto. Compudose e Impulso. Nova Zelândia. estes promotores de crescimento estão proibidos legalmente de serem fabricados e utilizados no Brasil (Portaria MAARA 51/91). Apresentam-se. no sentido de que sejam liberados alguns destes compostos. normalmente. Zeranol e Trembolona. podendo mencionar: .. Existem basicamente 4 categorias de implantes (Cesar.são utilizados por países desenvolvidos. são hormônios de origem natural ou sintética. aumentando o potencial de crescimento dos bovinos. É oportuno mencionar que as entidades de classe dos criadores têm feito esforços. 47 . devido a seu uso em diversos países e ao interesse manifestado pelos criadores pela liberação de alguns destes implantes. na forma de 'pellet'. no U. Argentina e México. Hexatette e Viguen. São mundialmente condenados por serem cancerígenos. c) Implantes de origem natural combinado com sintético como o Forplix e Revalor. fazendo com que haja liberação do hormônio de crescimento. cuja aplicação é feita através da introdução sob a pele da orelha do animal.Alimentos para bovinos Prof. Atualmente. 1986): a) implantes de origem sintética (hormônios sintéticos) como o Zeranol e o Trembolone. Austrália. Dr. junto às autoridades governamentais. Os criadores se baseiam em vários argumentos favoráveis à liberação do uso.S. Entre eles.A. progesterona. Testosterona. O uso destes implantes tem promovido. após serem implantados (normalmente 60 dias). d) Implantes condenados que causam problemas para a saúde humana à base de Estilbestrol como o Stimplant.

Alimentos para bovinos .000 vezes mais atividade estrogênica. Elson Martins Coelho 48 . Exemplos: * 1 ovo de galinha contém 200 vezes mais hormônio.são encontrados naturalmente em outros alimentos com teores superiores à carne de animais implantados. Comparação da concentração de hormônios femininos em relação a 500g de carne de bovinos implantados. Prof. * 1 copo de leite contém entre 3 a 5 vezes mais. Dr. * 1 colher de sobremesa de óleo de soja contém 2.

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