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Cibercultura o que muda na educação

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ISSN 1982 - 0283

CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO
Ano XXI Boletim 03 - Abril 2011

SUMÁRIO

CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO

Apresentação da série ................................................................................................. Rosa Helena Mendonça

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Introdução ......................... ...................................................................................... Edméa Santos Texto 1: EAD: antes e depois da cibercultura ............................................................. Lucila Pesce Texto 2: A docência online A pesquisa e a cibercultura como fundamentos para a docência online ..................... Marco Silva Texto 3: O currículo multirreferencial O currículo multirreferencial: outros espaçostempos para a educação online.................. Edméa Santos

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CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO
APRESENTAÇÃO DA SÉRIE
Na virtualidade, termo novo e, também, tão pouco conhecido para a maioria, vamos nos educando por processos que aproximam fatos, lugares e histórias que antes, em geral, eram tão distantes de nós e que hoje tomam espaçotempo em nossa cotidianidade. Nela, vários autores têm ressaltado o fracionamento e a velocidade, mas também as possibilidades de mudanças ainda não pensadas e os processos pedagógicos que estão sendo acrescentados aos nossos processos educativos cotidianos.

Nilda Alves1
Para Pierre Lévy, autor de Cibercultura2, o ciberespaço é a virtualização da comunicação. O uso das tecnologias em diferentes esferas da sociedade contemporânea favorece a ideia de redes de conhecimento. E o que muda na educação presencial e a distância na emergência da cibercultura? Buscando resposta para esta e outras questões, a TV Escola, por meio do programa Salto para o Futuro, apresenta mais uma série voltada para as reflexões sobre tecnologias e redes. Esperamos, dessa forma, contribuir para A série Cibercultura: o que muda na educação, com a consultoria de Edméa Santos (PROPED-UERJ), a partir das noções de currículo, didática e docência problematiza a questão, discutindo três eixos temáticos: a
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Educação a Distância na cibercultura; a docência online; o currículo multirreferencial. Nos textos que compõem esta publicação, professores, professoras, gestores e comunidade escolar em geral encontrarão subsídios para ampliar a reflexão sobre a temática. Nos programas televisivos que compõem a série, diferentes práticas comunicacionais e pedagógicas serão apresentadas e discutidas por meio de reportagens e entrevistas com pesquisadores, professores e alunos.

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aprendizagens colaborativas, em conexão com diferentes mídias, considerando que os ‘espaçostempos’ da educação na contemporaneidade são assumidamente mais amplos do que escolas e universidade. Na verdade,

http://www.lab-eduimagem.pro.br/frames/seminarios/pdf/apresI.pdf Lévy, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

no entanto. refletir sobre o impacto das tecnologias no cotidiano. junto aos estudantes. porque mesmo quando se procurava entrepor muros separando as escolas do mundo lá fora. isso nunca foi de todo realizável. no sentido de. Hoje. com a popularização do acesso às tecnologias da informação e da comunicação e a ampliação das chamadas redes sociais. E o futuro não para por aí! Cada vez mais. muito menos podemos pensar que essas vivências estejam excluídas dos currículos. as questões éticas que envolvem a sua utilização e a necessidade de esforço no sentido de transformar informações em conhecimentos que possibilitem um mundo mais equânime para todos. primeiro porque houve um tempo em que essas instituições nem existiam. .sempre foi assim. Rosa Helena Mendonça3 4 3 Supervisora pedagógica do programa Salto para o Futuro/TV ESCOLA (MEC). Tendemos a nos esquecer disso! Depois. uma vez que instituições são feitas por pessoas que transitam por essas fronteiras. a mediação de professores e professoras se mostra imprescindível.

Atualmente. o das ‘práticasteorias’ pedagógicas cotidianas. o das ‘práticasteorias’ da formação acadêmica. na Linha de Pesquisa: Cotidiano. da educação presencial e a distância. com e em redes educativas multirreferenciais e com a sociedade mais ampla. Nesta série para o programa Salto para o Futuro/TV Escola. cuja abordagem teórico-epistemológico-metodológica em diversas redes educativas.CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO INTRODUÇÃO Edméa Santos1 A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelo uso das tecnologias digitais em rede nas esferas do ciberespaço e das cidades. Nesse sentido. dos computadores e dispositivos portáteis e da telefonia móvel. com as mídias.Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Professora adjunto da Faculdade de Educação da UERJ. gestores. mas também nas vivências nos diversos ‘espaçostempos’ das cidades. o das ‘práticasteorias’ das pesquisas em educação e o das ‘práticasteorias’ de produção e ‘usos’ de mídias (Alves. comunidade escolar. atua no PROPED . .0 com seus softwares e redes sociais mediadas pelas interfaces digitais em rede. pela mobilidade e convergência de mídias. As pesquisas nos/dos/com os cotidianos sobre a formação de professores. 2010). indicam que a formação se dá em múltiplos contextos.Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura. interessa-nos compreender quais são as mudanças que ocorrem e/ou poderão ocorrer nas práticas curriculares. Compreendemos tais esferas como campos legítimos de pesquisa e formação. Redes Educativas e Processos Culturais. a cibercultura vem se caracterizando pela emergência da Web 2. Consultora da série. Entre eles. atribuindo-lhes o status de redes educativas. em conexão com a cibercultura. 5 considera a ideia de redes de conhecimentos e significações tecidas pelos praticantes 1 Mestre e Doutora em Educação (FACED/UFBA). Nesta série abordaremos as especificidades do tema “Cibercultura: o que muda na Educação”. considerando que o docente interage e aprende com seus estudantes. essa tendência em pesquisa pauta-se na relação complexa e interativa entre as aprendizagens tecidas não apenas ao longo da formação acadêmica e do exercício da profissão. seus pares. Ao longo de cinco programas. Líder do GPDOC .

Um ambiente virtual de aprendizagem é um conjunto de interfaces digitais. Os processos de formação continuada vêm se instituindo em práticas e projetos pontuais e contextualizados. uma vez que. Estas práticas vêm recuperando noções de Currículo. ou contamos muito pouco. Estes três eixos estão explicitados nas sinopses de cada texto da publicação eletrônica. de acordo com o que acreditamos. que hospeda conteúdos e permite a comunicação. O desenho curricular de uma atividade online requer não só a preocupação com o material voltado para os estudos ligados aos conteúdos a serem ministrados. Aqui se tem como objetivos denunciar tais processos e apresentar a Educação Online como um fenômeno da cibercultura (Santos. especialmente quando tecnologias digitais em rede vêm proporcionando encontros e diálogos síncronos e assíncronos e instituindo novas possibilidades de presencialidade em redes educativas variadas. Com esses eixos temáticos. 2006. discutiremos as atuais práticas de educação mediadas pelas tecnologias digitais de informação e comunicação. 2) A pesquisa e a cibercultura como fundamentos para a docência online. Didática e Docência baseadas em teorias e práticas da EAD tradicionais estruturadas pela razão instrumental. pelas mídias de massa e por pedagogias da transmissão travestidas de “tutoria”. de acordo com os modelos curriculares específicos de instituições – públicas ou privadas – e de alguns docentes que vêm construindo e atuando na e pela internet com seus desenhos curriculares autorais. mídias e redes no ciberespaço e nas cidades. Nesse contexto. que são práticas quase sempre de EAD – Educação a Distância. pois praticamente não contamos. é preciso compreender como se dá a formação de professores para a docência online e alargar essas possibilidades. propiciando a expressão e a autoria dos participantes que habitam tais 6 . A noção de Educação Online trazida por nós não separa mais as práticas da modalidade de educação presencial das práticas de educação a distância. 3) O currículo multirreferencial: outros espaçostempos para a educação online. 2010). mas também – e sobretudo – com a forma como este material de estudos é disponibilizado no contexto de um ambiente virtual de aprendizagem. estar geograficamente dispersos não é estar distantes. em especial as interfaces síncronas e assíncronas encontradas no ciberespaço e nos ambientes virtuais de aprendizagem. e está organizada em três eixos temáticos: 1) EAD: antes e depois da cibercultura. com processos de formação inicial específicos em cursos de graduação. 2005.vamos discutir as práticas educativas mediadas por tecnologias digitais em rede e pela produção cultural gerada pelo uso de interfaces.

precisamos repensar o trabalho docente. tecnológicos e políticos das tecnologias digitais em rede. o mesmo se auto-organiza. modificando não só o ambiente fisicamente. Assim. mediadas por interfaces digitais que potencializam práticas comunicacionais e pedagógicas. ou atos de currículo (MACEDO. 2005). Tudo dependerá do movimento comunicacional e pedagógico dos sujeitos envolvidos (SANTOS. Cada vez que um novo participante habita. mas não a determina. sua inteligência e sua provocação. . serão discutidas as práticas de Educação a Distância mediadas por tecnologias digitais em rede e pela produção cultural gerada por estas interfaces no ciberespaço e nas cidades. a aprendizagem de todos os praticantes da comunidade. sabemos que temos interfaces que favorecem a nossa comunicação de forma livre e plural. uma das interfaces de um ambiente virtual de aprendizagem. via fóruns e listas de discussão. O texto destaca. Não é o ambiente online que define e educação online. Ao longo dos programas. 2000). Ele condiciona. Além de acreditarmos que só aprendemos porque o outro colabora com sua experiência. ressaltando-se que só com a chegada da Internet foi possível começar a se pensar em desenhos didáticos que pudessem contemplar processos interativos entre formandos e formadores. com veiculação no programa Salto para o Futuro/TV Escola de 25/04/2011 a 29/04/2011. em potência. ainda. entendemos as práticas de Educação Online como um processo complexo (de desterritorialização e reterritorialização de saberes e conhecimentos) que se institui a partir de uma série de ações e situações de ensino-aprendizagem. Neste contexto.interfaces. 7 TEXTOS DA SÉRIE CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO2 A série visa analisar as mudanças que ocorrem e/ou poderão ocorrer nas práticas curriculares em conexão com a cibercultura. Forma-se um híbrido entre objetos técnicos e seres humanos em processo de construção do conhecimento. como também. com sua autoria criadora. É deste lugar que conceituamos educação online como um fenômeno da cibercultura. pedagógicos. 2 Estes textos são complementares à série Cibercultura: o que muda na Educação. os potenciais comunicacionais. TEXTO 1: EAD: ANTES E DEPOIS DA CIBERCULTURA No primeiro texto da série é apresentada uma retrospectiva histórica (não linear) sobre as práticas e processos curriculares da Educação a Distância.

Rio ______. Dr. Edméa. Docência na cibercultura: notas de uma pesquisa-formação multirreferencial. O ciberespaço e as cidades em conexão com as mídias digitais móveis e em rede serão tratados como potencializadores de novos arranjos espaço-temporais para a instituição de outras práticas curriculares em educação online. In: V Seminário Internacional – As redes de conhecimento e as Tecnologias. Roberto Sidney Macedo]. Salvador: FACED-UFBA. In: V Colóquio luso-brasileiro sobre questões curriculares. A docência online é mostrada como prática e como política de formação. 2010. SANTOS. R. Os espaços multirreferenciais são todos os espaços onde seres humanos ensinam e aprendem com ou sem mediações formais ou centradas na lógica moderna das instituições escola-universidade. de doutorado. estruturado pelas clássicas práticas de EAD. 8 REFERÊNCIAS ALVES. Docência na Cibercultura: laboratórios de informática. Salvador: EDUFBA. In: XIII Semana de Educação da UERJ. S. Esta noção questiona a dimensão do currículo “programa-grande” e a ideia de espaços formais de aprendizagem como únicos lócus legítimos de formação. A etnopesquisa crítica e multirreferencial nas ciências humanas e na educação. . O professor como aquele que produz o conteúdo e o tutor como aquele que “tira-dúvidas” dos alunos sobre o conteúdo elaborado pelo professor são papéis que precisam ser questionados. O uso de artefatos tecnológicos em redes educativas e nos contextos de formação. N. TEXTO 3: CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL No terceiro texto da série é discutida a noção de currículo multirreferencial. computadores móveis. o fato de que a educação online tem demandado novas relações com os saberes e como estes são mobilizados. Anais. 2005 [Orientador: Prof.TEXTO 2: A DOCÊNCIA ONLINE O segundo texto da série discute. Educação online: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente. Mesa-redonda Currículo e tecnologias. 2009. Os textos 1. Para tanto. torna-se necessário repensarmos o trabalho docente. 2000. Tese ______. CD ROM 2008. Rio de Janeiro. entre outros temas. MACEDO. 2 e 3 também são referenciais para as entrevistas e debates do PGM 4: Outros olhares sobre cibercultura e educação e para o PGM 5: Cibercultura e educação em debate. mediados e tecidos com e por sujeitos imersos na cultura digital.

et al. 2009. formação e questões didático metodológicas. 2009. As redes de conhecimento e as tecnologias: os outros como legítimo OUTRO. Dr. Salvador. Salvador. O currículo e o digital: educação presencial e a distância. A metodologia da webquest interativa na educação online. 9 . In: Challenges – VI Conferência Internacional de TIC na Educação. Actas da VI Conferência Internacional de TIC na Educação: aprendizagem (in)formal na Web Social. Educação online: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente. M. Os docentes e seus laptops 2g: desafios da cibercultura na era da mobilidade. 2009. SANTOS. Tese de doutorado apresentada na FACED-UFBA. Dr. 2005 [Orientador: Prof. Rio de Janeiro: Editora Wak.PT. In: SILVA. ______. 2008. Braga . Dissertação de mestrado apresentada na FACED-UFBA. Educação Online: cenários. ______. Nelson de Luca Pretto]. Porto Alegre: Endipe. Educação online como um fenômeno da cibercultura. 2002 [Orientador: Prof.de Janeiro. Edméa. ______. Universidade do Minho. 2010. ______. Roberto Sidney Macedo].

o Instituto Universal Brasileiro e o Projeto Minerva configuram-se como os marcos históricos daquela época. a lógica da mídia de massa predominava nos cursos desenvolvidos em EAD. com o apoio dos materiais autoinstrucionais e. Anos mais tarde. eventualmente. 1994. A Fundação do Instituto Rádio-Monitor. com pós-doutorado em Filosofia e História da Educação pela UNICAMP. pois eles ainda eram pensados a partir de uma abordagem instrucionista. no Brasil. Professora da UNIFESP. contava com algum tipo de interação com a equipe de formação. Entretanto. Pautada notadamente em material impresso. a primeira geração da EAD no Brasil cumpriu os fins a que se destinava: promover acesso ao conhecimento socialmente legitimado a segmentos sociais menos favorecidos. o rádio também se situou como importante difusor dos cursos oferecidos na EAD da época.TEXTO 1 EAD: ANTES E DEPOIS DA CIBERCULTURA Lucila Pesce 1 O presente texto advoga a ideia de que o advento da cibercultura traz vastas possibilidades para se repensar as hegemônicas práticas de Educação a Distância (EAD). respectivamente. em complemento ao rádio e ao material impresso. a partir de então. 10 1 Mestre e doutora em Educação: Currículo pela PUC/SP. e prossegue com considerações sobre a cibercultura. em que o aluno seguia seu percurso de formação. o CD e o DVD viriam a cumprir. GIUSTA. com o intuito de destacar sua contribuição para a elaboração de cursos mais intertextuais. Somente com a chegada da Internet é que foi possível começar a se pensar em desenhos didáticos que pudessem contemplar procesCom a chegada das fitas e vídeos cassete. apesar da chegada desses dispositivos midiáticos. Além do material impresso. . também faziam uso destas mídias. hipermidiáticos. 2002) evidenciam que essa modalidade iniciou-se nas proximidades da década de 1940. Estudos sobre a história da EAD no Brasil (BARROS. por carta ou telefone. as funções da fita e do vídeo cassete. com materiais instrucionais que. a EAD incorporou estes dispositivos ao desenho didático de seus cursos. mediante ações de educação formal e não formal. dialógicos e coautorais. Inicia-se com uma brevíssima retomada histórica das principais mídias utilizadas na EAD.

a pesquisadora declara: “(. conforme veremos a seguir. . animação e vídeo. como Second Life. pois aos estudantes cabia acessar as informações do curso e.0.0.) assim como as operações realizadas no ciberespaço externalizam as operações da mente. 2010). No contexto coautoral e criativo das “linguagens líquidas” da cibercultura (SANTAELLA. interagir com o professor e com seus colegas de modo assíncrono. Ao destacar que o dialogismo traz nova luz para se compreender a interatividade e seu papel no desenvolvimento do perfil cognitivo do leitor imersivo. 11 (2004) salienta que a interação insere-se na medula dos processos cognitivos. dialógica e coautoral da cibercultura pôde ser pensada com mais propriedade no âmbito educacional. a arquitetura intertextual. 2004.0. as interatividades nas redes externalizam a essência mais profunda do dialogismo” (SANTAELLA. A cibercultura. as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) trazem consigo um novo modo de pensar o mundo e de conceber as relações com o conhecimento. Nesse cenário. áudio. a partir de apontamentos em publicação anterior (PESCE. é que a cibercultura se consolida. é que a cibercultura se consolida. imagem. 2008). o usuário insere-se como produtor e desenvolvedor de conteúdo e não somente como receptor de mensagem e/ou conteúdo de aprendizagem postado por outrem. Com a chegada da Web 2. Lucia Santaella Com a segunda geração da Internet. via fóruns e listas de discussão. compartilhamento e organização de informações e amplia os espaços de interação (PRIMO. a simulação levanta-se como modo de conhecimento próprio da cibercultura. a chamada Web 2. assume uma natureza hipermidiática. A vivência do conceito de coautoria ainda não se pronunciava. nos ambientes de rede. a primeira geração da Internet ainda não permitia a vivência plena da dialogia digital e da mediação partilhada (PESCE & BRUNO. 2007) entre professores e alunos.. a chamada Web 2.sos interativos entre formandos e formadores. ao conjugar texto. Para Pierre Lévy (1997). via fóruns e listas de discussão.0. Na cibercultura veiculada na Web 2. que potencializa as formas de publicação. no melhor dos casos. hipermidiática. p. analogamente à escrita e à imprensa.. Com a segunda geração da Internet. Contudo. ratificam a oportuna observação de Lévy e podem ser levados em conta na elaboração de desenhos didáticos de cursos em EAD. 172). Os games e ambientes imersivos.

as redes sociais da cibercultura promovem comunidades de atividade ou interesse. Em concordância com Lévy (2002). o professor transmite a informação. Ao pensar a Educação a partir do advento da cibercultura. Costa (2008) sinaliza o sentimento de confiança mútua como um dos aspectos basilares da consolidação das redes sociais na cibercultura. O estudioso finaliza advertindo que o fenômeno social da Web 2. em contraposição à mídia irradiada. que privilegia a mediação do professor junto ao aluno. Para Antoun (2008). sem as devidas readequações. o professor transfere para o espaço virtual a mesma dinâmica da aula presencial. Esta abordagem é muito comum. nos ambientes digitais. os dispositivos e interfaces da Cibercultura ampliam a possibilidade de se pensar em cursos mais dialógicos em EAD. que distingue três abordagens na EAD. por meio da tecnologia.0 nos força a pensar em outras formas de nos organizarmos em comunidades. por se opor diametralmente à indústria cultural (ADORNO & HORKHEIMER. via aparato tecnológico. Na abordagem broadcast. ou seja. pela capacidade de ação e potencialidade cooperativa. Em nosso entendimento. pela tendência dos formadores a transpor a dinâmica dos cursos presenciais para o contexto digital.2007) formam-se as redes sociais: fenômeno que tanto impacto vem causando às atuais organizações societárias. graças à democratização não só do acesso à informação. 12 da sala de aula presencial”. daí sua proximidade com a concepção instrucionista. Tecnicamente. tais atributos materializam-se. trazemos Valente (1999). mas também da publicação de produções e da ‘vigilância participativa’ – termo por ele designado para se referir ao conjunto das expressões de opinião postadas como comentários. o pesquisador salienta a relevância das redes sociais. para que se realize o ciclo construcionista “descrição-execuçãoreflexão-depuração-descrição”. pela cursos Na possibilidafinanceira“virtualização de de se promover mente convidativos. salientamos que a cibercultura demanda da educação novos modos de organização. Por sua vez. 1985). Parafraseando Costa (ibid). os dispositivos e interfaces . Esta abordagem consagra-se pelo apelo econômico. por exemplo. quando cidadãos de Estados totalitários utilizam os dispositivos da cibercultura para “burlar” a censura e mostrar ao mundo os despotismos de seu país. Tecnicamente. a abordagem “estar junto virtual” contempla a dinâmica comunicacional.

o uso que tem sido feito pelos cidadãos de alguns países do Oriente Médio para enfrentar os regimes ditatoriais). na concepção de cursos economicamente não tão convidativos. Essa condição é profícua ao enfrentamento esclarecido dos desafios que se lhes apresentam no cotidiano. Aí incide um exemplo de vontade política de primar pela qualidade educacional. que não a instrumental. A cibercultura possibilita a ampliação da perspectiva de alteridade. A cibercultura oferece a possibilidade de se trabalhar com diferentes dimensões da linguagem (textual. sintetizamos nossa reflexão sobre a contribuição da cibercultura para o avanço qualitativo da EAD: A cibercultura acena outra lógica para a EAD. imagética. a cibercultura traz vastas possibilidades para se repensar as hegemônicas práticas de EAD. As características coautorais dos dispositivos e interfaces da cibercultura oportunizam a vivência plena da dialogia digital e da mediação partilhada: elementos fundantes da formação de comunidades de aprendizagem. ao promover vínculos entre sujeitos sociais de distintas culturas. Vontade essa que se revela. capaz de 13 . por exemplo. é preciso vontade política para se imprimir uma racionalidade mais dialógica.). pragmática e prescritiva. Nesse cenário. sonora. do professor e do grupo como um todo. que vivem circunstâncias sóciohistóricas semelhantes (por exemplo: vínculos entre professores da Educação Básica de distintos países). Conforme dito no início do presente texto. a despeito das possibilidades tecnológicas de se promover cursos em larga escala.. sobre o processo de construção do conhecimento. destacamos o papel da simulação aos processos cognitivos..da Cibercultura ampliam a possibilidade de se pensar em cursos mais dialógicos em EAD. em respeito aos distintos estilos de aprendizagem. na interface entre as dimensões intra e intersubjetiva. além da condição técnica. para que isso ocorra é preciso vontade política. por apostarem na importância da formação dialógica (PESCE 2008). que preveem uma relação adequada entre formador e alunos (por volta de 1 para 30). para além dos tempos e espaços da sala de aula. A partir dos aspectos teóricos até então anunciados. Entretanto. Contudo. As redes sociais da cibercultura configu- ram-se como elemento importante para se subverter o status quo (como exemplo. O registro das interações no ciberespaço traz uma importante contribuição para a metarreflexão do aluno.

G. Adriana. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais. v. 2007. Revista Quaestio (UNISO). 29-48. 1985. Belo Horizonte: PUC Minas/PUC Minas Virtual. p.php/quaestio/article/viewFile/856/529 Acesso em janeiro de 2011. Noções de educação a distância. p. Salvador: EDUFBA. Anais do XIV Encontro Nacional de didática e Prática do Ensino: trajetórias e processos de ensinar e aprender . Formação online de educadores sob enfoque dialógico: da racionalidade instrumental à racionalidade comunicativa. Cyberdémocratie. Pierre. Paris: Éditions Odi- REFERÊNCIAS ADORNO.1994. Web 2. p.). memórias e culturas. ANTOUN. Educação à distância: uma articulação entre a teoria e a prática. Rio de Janeiro: Mauad X. Tania (orgs. Rio de Janeiro: Mauad X. Perspectiva histórica – de uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância participativa. le Jacob. In: Giusta. 14 . 2010. Rio de Janeiro: Mauad X. LÉVY. Disponível em: http://periodicos. Henrique (org. Agnela. PESCE. Henrique (org. Ivônio. 25-61. Henrique. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Web 2. Lucila & BRUNO. In: ANTOUN. Desenvolvimento sustentável e tecnologias da informação e comunicação. 2008. 7-25. FIALHO. comunidades pessoais.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. In: NASCIMENTO.0. p. In: ANTOUN. PESCE. ______. 12.1993/abr. 101-122. Web 2. 2002. Paris: Éditions Odile Jacob. (org. 4/5. Antonio Dias. BARROS. 2002. dez. Dialogia digital e mediação partilhada na educação on-line: possibilidades para formação de educadores na contemporaneidade. Lucila. inteligência coletiva. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. GIUSTA.). A. ______. 11-28. p. O aspecto relacional das interações na Web 2.auferir um avanço de fato qualitativo a essa modalidade de educação. Brasília. Desenhos didáticos de cursos online: um enfoque dialógico. Instituto Nacional de Educação a Distância. Revista Educação a Distância. Cyberculture. Educação a distância: contexto histórico e situação atual.lugares. de Almeida.). Porto Alegre. Trad. Alex. p. p.). 2008.br/index. COSTA. Max (1947).0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. Agnela e FRANCO. Rogério da. Iara (orgs. In: ANTOUN.uniso. 2008. 2008. HETKOWSKI. n.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída.). 243-260. Theodor & HORKHEIMER. Nadia. PRIMO. 17-42. 1997. jul. Henrique.

VALENTE. Disponível em: http://www.proinfo. Coleção Série Informática na educação. TV Escola. Diferentes abordagens na educação a distância. Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus. 2007. ______. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus. 15 .SANTAELLA.br Acesso em janeiro de 2011. José Armando. 1999.gov. 2004.

www. isto é.br . estão correndo atrás do prejuízo causado por décadas de resistências empedernidas. Doravante. 2010). práticas. Teremos a exigência cognitiva e comunicacional das gerações que emergem com a cibercultura. 16 O DESAFIO COMUNICACIONAL DA EDUCAÇÃO VIA INTERNET 1 Sociólogo. o desafio maior é a inclusão dos professores no cenário sociotécnico e comunicacional da cibercultura para nele operarem e educarem. Não bastasse essa preocupação. Nesse contexto. muitos ficarão ainda mais assusta1 da educação à pedagogia da transmissão. de hábitos e de aptidões desenvolvidos pelas sociedades na era digital em rede mundial de computadores (LEMOS e LEVY. rádio e TV). As instituições de ensino superior (IES) particulares saíram na frente e não se decepcionaram com a modalidade de cursos via internet. Membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura. Autor dos livros Sala de aula interativa e Educación interactiva presencial y on-line. com a ambiência de conhecimento. antes cheia de limitações específicas porque baseada em meios unidirecionais (impressos. de éticas. legislação e formação corporativa e Avaliação da aprendizagem em educação online.saladeaulainterativa. de artes. de costumes. de crenças. Organizou os livros Educação online: cenário. formação e questões didáticometodológicas. teremos mais do que a força da crítica já enfatizada por clássicos teóricos Dados estatísticos do INEP em 2009 revelam que mais de 50% dos professores de Ensino Fundamental passaram a ser formados na modalidade a distância. professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá e professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.TEXTO 2 A DOCÊNCIA ONLINE A PESQUISA E A CIBERCULTURA COMO FUNDAMENTOS PARA A DOCÊNCIA ONLINE Marco Silva Não há retorno quanto ao crescimento da educação via internet no Brasil e no mundo. agora cresce muito com as potencialidades cada vez mais interativas da internet e das redes sociais online. Educação online: teorias. A adesão social se amplia espantosamente. de leis. A educação a distância. Isso assusta muita gente. a partir da Universidade Aberta do Brasil (UAB). que pergunta: “como a formação para docência presencial pode ser realizada a distância?”. As universidades públicas. doutor em educação.pro.

Em suma. Em São Paulo. com a montagem de conexões em rede. Algumas trazem resultados eloquentes e sugestões significativas para a superação de problemas recorrentes. que atende às universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ. se não temos mediação docente efetiva na sala de aula presencial ou online. subutilizando as interfaces interativas da internet e feito à base de tutoria reativa. UERJ. 17 . os professores precisarão operar com o hipertexto. diálogo e participação colaborativa. oferecendo graduação a distância com a chancela do MEC. Há a Universidade Aberta do Brasil (UAB). que são na verdade nossos conhecidos monitores. Os chamados “tutores”. Na cibercultura. Mas há muito que pesquisar e publicar. Destaco o enorme desafio que a cibercultura traz para os cursos via internet. Não faltam novos campos de pesquisa em franco crescimento. O velho modelo da distribuição de pacotes de informação. considerada bastante lucrativa. eles acabam se limitando a administrar o feedback dos cursistas ou ao mero “tiradúvidas”. a tendência é ainda ensino massivo. universidade a distância baseada na USP. os atores da comunicação tendem à interatividade e não mais à separação da emissão e recepção própria da mídia unidirecional de massa.dos se verificarem que a formação a distância ocorre sem mediação docente. Muitas vezes o que se tem é o autoestudo baseado em conteúdos massivos preempacotados. UFRRJ e UENF). há a UNIVESP. Sem autoridade para professorar e sem formação específica para realizar mediação docente. Os problemas. Em geral. isto é. UNIRIO. Muitas pesquisas investigam a oferta de educação a distância no país. o que permite uma multiplicidade de recorrências entendidas como conectividade. foram colocados no lugar dos professores e os sindicatos de professores não os reconhecem na categoria profissional. Trata-se do desafio comunicacional. pergunto se nela haverá educação autêntica. agora na internet. trabalhar com o contexto não-sequencial. no entanto se avolumam e essa é a hora de aprofundar ou ampliar as pesquisas. No Rio de Janeiro há o CEDERJ. subutilizando as potencialidades interativas. Diversas universidades particulares estão se dedicando a esta modalidade de ensino. Eles precisarão compreender que de meros disparadores de lições-padrão deverão se converter em formuladores de interrogações. ditos “conhecimentos”. Para posicionar-se nesse contexto e aí educar. UNESP e UNICAMP. coordenadores de equipes de trabalhos e sistematizadores de experiências em interfaces online desenvolvidas para contemplar a interatividade e não a unidirecionalidade.

cialmente da TV como máquina restritiva e dor conectado à Internet.de troca de informações e de construção do cia comunicacional. o computamentos lineares que não permitem a sua in.O computador conectado à Internet permite da mensagem mais aberta à sua interven. Evita acompanhar argu. É mais consciente centralizadora. O cenário sociotécnico da cibercultura favorece compartilhamento e colaboração. conhecimento. articuladas com o presencial. precisará de inclusão digital e cibercultural capaz de prepará-lo para ir mais além do uso instrumental da infotecnologia de informação e comunicação na formação de jovens e adultos.EAD E EOL: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA NO CENÁRIO SOCIOTÉCNICO DA CIBERCULTURA A formação de professores para a docência via internet precisará distinguir educação a distância (EAD) e educação online (EOL). com o joystick do videogame e agora mediante ferramentas e interfaces de gestão.de produção (sistema broadcast). aprende como o mouse e com a tela tátil. Ele informação e comunicação.te ao internauta-interator criação e controle ção. o professor precisará compreender esse cenário para nele atuar. expressões de uma ambiência comunicacional que favorece a educação autêntica. taurador que cria e alimenta a sua experiên. Diferindo essenmigra da tela da TV para a tela do computa. 18 Entretanto. sem simplificar ou dicotomizar a ação docente. .ração num ambiente de compartilhamento.dor online apresenta-se como sistema aberto terferência e lida facilmente com ambientes aos usuários. porque baseada na transmisdas tentativas de programá-lo e mais capaz são de informações elaboradas por um centro de esquivar-se delas. Precisará repensar a mediação da aprendizagem que vem realizando na sala de aula presencial e na EAD unidirecional. Precisará trabalhar com ambas as modali- dades. Ele aprendeu com o controle remoto dos processos de informação e comunicação da TV. Ao mesmo tempo. permitindo autoria e colabomidiáticos que dependem do seu gesto ins. inclusive. Cenário sociotécnico da cibercultura Social Tecnológico Há um novo espectador menos passivo dian.

Modelo Pedagogia todos-todos. suas potencialidades comu. em nais. rádio. etc. rede.Relações horizontais: hibricais: autor/emissor separado dização e coautoria. 19 . verti. Textos. Predefinido e redefinido de controlado por uma fonte forma colaborativa.interacionismo.). fotos. Relações assimétricas. celular. multi e hiais e multimídia unidirecio. Pontual heteroavaliação. Uso de múltiplas interfaces para avaliação da participação (wikis. DVD e até o computador on.Autoavaliação. autoinstrução. mapas colaborativos. Tecnologias de informação e Tecnologias unidirecionais e Tecnologias interativas oncomunicação (TIC) reativas (impressos. Juiz de Fora. TV.sistas se encontram com o ta não interage com cursista. Os curde aprendiz/receptor. Facenicacionais e hipertextuais).) Modelo um-todos. Fonte. bi e multidirecional em rede.permídia multidirecional.blogs. fechado. Somativa e e somativa. Hipertextos. Definição coletiindividuais durante e no final va de critérios e rubricas de do curso. fóruns. 20/11/2010. linear. videologs. podcasting. blogs. colaboração e interatividade. docente e constroem a comuAvaliação da aprendizagem nicação e o conhecimento Avaliação unidirecional: pro. Orkut. book.EAD Docência unidirecional Desenho didático dos conteúdos e das atividades de aprendizagem EOL Docência interativa (mediação um-todos) (mediação todos-todos) Predefinido. coavaliação e fessor avalia alunos. fóruns. MG. aprendizagem soli. avaliação. webquests. line (computador. transmissiva. etc. para expressão uni. quando subutilizado em faces (chats. na dialógica. Mediação da aprendizagem tária. correguemissora. wikis. Twitter. Instrucionista.internet em múltiplas interline. Cursis. audiovisu.lada. com base no tarefista. Apropriação livre de um quadro apresentado por Leonel Tractenberg na palestra “Avaliação de professores na educação online” no I Encontro de Tutores da UFJF. Trabalhos e testes formativa. chat. Construcionista.

vídeos. favorece a convergência de mídias e contempla bidirecionalidade. (d) arquitetar colaborativamente percursos hipertextuais e (e) mobilizar a experiência do conhecimento. Aí ele pode redimensionar a sua autoria: não mais a prevalência da distribuição de informação para recepção solitária e em massa. celulares e tablets conectados em rede mundial favorecem e potencializam a mediação docente interativa inspirada nas sugestões (SILVA. os dois polos codificam e decodificam. o professor dispõe da infotecnologia em rede favorável à proposição do conhecimento à maneira do hipertexto. per- Na docência online.A modalidade “a distância”. o professor dispõe da infotecnologia em rede favorável à proposição do conhecimento à maneira do hipertexto. 20 . o emissor é receptor em potencial e o receptor é emissor em potencial. estar-junto “virtual” em rede e colaboração todos-todos. 2011): (a) acionar a participação-intervenção do receptor. Por sua vez. separa emissão e recepção no tempo e no espaço. múltiplas expressões. (b) garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção. 2006. ao contrário. via meios unidirecionais. sabendo que não se propõe uma mensagem fechada. (b) disponibilizar uma montagem de conexões em rede que permita múltiplas ocorrências. de áudios. multidirecionalidade. 2010): (a) propiciar oportunidades de múltiplas experimentações. Na docência online. Computadores. da participação colaborativa dos participantes. dispensa o espaço físico. participar é modificar. laptops. gráficos e imagens em links na tela tátil. sabendo que participar é muito mais que responder “sim” ou “não”. oferecemse informações em redes de conexões. enquanto a modalidade “a distância” é operada por meios de transmissão em sua natureza. dos atores da comunicação e da aprendizagem em redes que conectam textos. mas a perspectiva da proposição complexa do conhecimento. (c) disponibilizar múltiplas redes articulatórias. Operar com estas cinco sugestões para docência interativa requer que o professor garanta atitudes comunicacionais específicas (SILVA. a modalidade online lança mão das disposições favoráveis à interatividade cada vez mais presentes no cenário sociotécnico da cibercultura. A modalidade online conecta professores e alunos nos tempos síncrono e assíncrono. 2005. 2010. sabendo que a comunicação é produção conjunta da emissão e da recepção. é muito mais que escolher uma opção dada. (c) provocar situações de inquietação criadora. é interferir na mensagem.

(e) suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades no presencial e nas interfaces fórum.mitindo ao receptor ampla liberdade de associações. instrumentos e critérios de avaliação. imagens dinâmicas e estáticas. (d) engendrar a cooperação. (f) garantir no ambiente online de aprendizagem uma riqueza de funcionalidades específicas. A partir de agenciamentos de comunicação capazes de contemplar o perfil comunicacional da geração digital que emerge com a cibercultura. mapas). temas e necessidades de todos os sujeitos pesquisadores. integração de várias linguagens (som. intratextualidade (conexões no mesmo documento). o docente pode promover uma modificação paradigmática e qualitativa na sua docência e na pragmática da aprendizagem e. chat. 2004. wiki e portfólio. SANTOS. esses princípios da docência interativa são linhas de agenciamentos que podem potencializar a autoria do professor. reinventar a sala de aula em nosso tempo. presencial e online. sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre alunos e professor. 21 A PESQUISA INTEGRADA À FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA DOCÊNCIA ONLINE A formação de professores ganhará muito se adotar metodologias que favoreçam a formação na ação. multivocalidade (multiplicidade de pontos de vista). e-mail. hipermídia (convergência de vários suportes midiáticos abertos a novos links e agregações) (SANTOS. de significações. como cocriação. 2003). usabilidade (percursos de fácil navegabilidade intuitiva). blog. Cada pes- . para isso se faz necessário a pesquisa implicada com a efetiva formação de professores. (g) estimular a autoria cooperativa de formas. Todavia. sabendo que a fala livre e plural supõe lidar com as diferenças na construção da tolerância e da democracia. criar e assegurar a ambiência favorável à avaliação formativa e promover a avaliação contínua. No ambiente comunicacional assim definido. Todo o conjunto de conteúdos e estratégias da e na ação docente deve emergir a partir dos problemas. texto. 2005). Esta modalidade de investigação-atuação contempla a possibilidade de mudança das práticas e dos sujeitos em ação. assim. tais como: intertextualidade (conexões com outros sites ou documentos). Pesquisa e formação poderão estar integradas como “pesquisaformação” (NÓVOA. gráficos.

a geração digital e o espírito do tempo favorável à qualidade em educação . colaborar. Contemplará o novo espectador. Os sujeitos são incentivados a expressar suas itinerâncias formativas. própria das pesquisas ditas “aplicadas”. criação e estruturação de elementos de informação. Adotará o registro em “diário de bordo” – ou fórum geral online aberto à atuação de todos os envolvidos – como um instrumento necessário para consignar os dados recolhidos durante todo processo de pesquisa. A pesquisa-formação não dicotomiza a ação de conhecer da ação de atuar. Os registros diários e cotidianos precisarão atentar para o vivido na usabilidade do AVA. desenho didático e na mediação docente. no disposição do digital para potencializar a construção da comunicação e do conhecimento em sua sala de aula online ou semipresencial. não se limita a aplicar saberes existentes. Experiências de pesquisa-formação costumam criar ambiências e dispositivos de pesquisa que fazem emergir o registro e a expressão de narrativas. O professor precisará lançar mão dessa 22 Assim definida. compartilhar. simultaneamente. hipertextual. contemplará atitudes cognitivas e modos de pensamento que se desenvolvem juntamente com o crescimento da cibercultura. organizar e movimentar uma documentação e para expressar. muitas vezes. gerir. comunicar e conhecer. a troca e o compartilhamento com outros sujeitos envolvidos no processo. entre outros. objeto e sujeito da formação. promovendo. interativo do conteúdo de aprendizagem tratável em tempo síncrono e assíncrono. entrevistas abertas. A coletividade de pesquisadores também é o sujeito de ocorrências. Ao fazê-lo. São exemplos de dispositivos: o diário de bordo ou itinerância. cada equipe é. Aí está o tripé que gera evasão e banalização da educação ou inclusão e formação cidadã na cibercultura.soa. Todo o conjunto de conteúdos e estratégias da e na ação docente deve emergir a partir dos problemas. O pesquisador é coletivo. simulações e formatações evolutivas nos “ambientes virtuais de aprendizagem”. Em suma. as pesquisas sobre EAD e sobre EOL no país precisam contribuir mais significativamente para a formação de professores para docência na cibercultura. A codificação digital permite manipulação de documentos. concebidos para criar. As estratégias de aprendizagem e os saberes emergem da troca e da partilha de sentidos de todos os envolvidos. Os docentes precisarão se preparar para lidar com a atualidade sociotécnica informacional e comunicacional definida pela codificação digital (bits) que garante o caráter plástico. temas e necessidades de todos os sujeitos pesquisadores. os memoriais de pesquisa. a pesquisa requer o registro rigoroso e metódico dos dados.

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Professora adjunto da Faculdade de Educação da UERJ. sobretudo. por isso. São tecnologias diferenciadas e.TEXTO 3 O CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL O CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL: OUTROS ESPAÇOSTEMPOS PARA A EDUCAÇÃO ONLINE Edméa Santos 1 Como já foi dito no texto introdutório desta série e nos dois textos anteriores. um espaço cultural onde a cibercultura se desenvolve. Mobilidade é uma A comunicação caracterizada pela liberação do polo da emissão torna a rede digital uma rede social. de comunicação. tecnologias e redes. armazenamento.Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. instituem outros processos cognitivos. as tecnologias digitais em rede no ciberespaço e nas cidades vêm ampliando a nossa capacidade de memória. 1 Mestre e Doutora em Educação (FACED/UFBA). juntamente com a atividade corporal em movimento. A primeira geração da cibercultura foi condicionada pelo uso do computador conectado via desktop. Líder do GPDOC .Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura. A geração da TV é bem diferente da geração digital. um espaço cultural onde a cibercultura se desenvolve. A segunda fase da cibercultura vem agregando novas potencialidades ao processo de construção de conhecimento. Santaella (2008) destaca que no futuro próximo haverá total hibridação corpo humano. atua no PROPED . processamento e. . principalmente por conta da mobilidade. Com os computadores e celulares móveis que se comunicam em rede e bro a convergência movimenta-se de mídias. na Linha de Pesquisa: Cotidiano. das palavras-chave da cibercultura atual. A comunicação caracterizada pela liberação do polo da emissão torna a rede digital uma rede social. Segundo Santaella O corpo preso e a mente em movimento. O interesse acadêmico aumenta com o crescente desenvolvimento tecnológico e o acesso a essas tecnologias por um número cada vez maior de indivíduos. Consultora da série. o cére- 24 (2008) não podemos tratar as tecnologias digitais com o mesmo referencial que tratamos as mídias de massa. Redes Educativas e Processos Culturais.

Essas interfaces vêm sendo chamadas de “dispositivos móveis”. p. Esse desenvolvimento. organizações não governamentais. distribuir e compartilhar informações e conhecimentos a qualquer tempo e espaço acessados por tecnologias de redes. a exemplo dos “pontos de cultura” implementados pelo Ministério da Cultura. Passamos a conviver. com novas linguagens e novas formas de expressões (PRETTO e BONILLA. entre outros. 2008. tecnologia e cultura. instituições. Essa flexibilidade só é possível por conta da Dos programas internacionais que utilizam as tecnologias móveis na prática pedagógica podemos destacar o projeto da organização americana OLPC (One Laptop per Child). ou seja. manipular. que garante um computador por criança. Segundo Pretto e Bonilla (2008). por meio do PROUCA. e com as pessoas se apropriando das tecnologias. Segundo os autores: As redes conectam pessoas. Com elas. nos convida ao investimento urgente em ações formativas e novas 25 . Para tanto. ativistas culturais. novas redes começam a se configurar no cenário nacional.Além do desenvolvimento tecnológico e do acesso de boa parte da população a esses recursos. setores e ajudam a articular as ações. dentre eles o pesquisador Nicholas Negroponte. No Brasil desde 2006 o MEC vem ampliando o uso de laptops em algumas escolas brasileiras. A mobilidade é a capacidade de tratar a informação e o conhecimento na dinâmica do nosso movimento humano na cidade e no ciberespaço simultaneamente. temos a presença significativa da juventude. projetos de universidades públicas. mesmo com todas as dificuldades de acesso. o projeto brasileiro demarca que seu projeto considera a criança que estuda. novos saberes são produzidos. Diferentemente do projeto OLPC. 84). o fenômeno das lanhouses. um aluno matriculado no sistema de educação pública do país. Nesse contexto de redes e conexões. com novas formas de partilhar o conhecimento. do MIT (Massachusetts Institute of Technology). idealizado por um grupo de pesquisadores. acessar. Com a mobilidade dos laptops. mais conhecido como UCA (Um Computador por Aluno). pesquisas que garantam novas práticas que não subutilizem as tecnologias digitais e as redes sem fio nos espaços educativos. criar. novas formas de ser e de pensar esse alucinado mundo contemporâneo emergem. os docentes e discentes podem mapear. ainda incipiente no Brasil. precisamos de interfaces que nos permitam protagonizar nessa dinâmica. vivenciamos um crescente movimento de “redes horizontais de colaboração”. Políticas governamentais no âmbito de projetos nas áreas da ciência.

Portanto. que nos permite criar conhecimento em vários gêneros textuais. Nesse sentido. Precisamos instituir novas metodologias e novas práticas curriculares multirreferenciais. Acesso a diversos objetos de aprendizagem. mas não nos permite acessar redes e conexões. que relaciona educação e cibercultura. poderemos instituir práticas e currículos online. Um laptop sem rede é uma máquina semântica.mobilidade própria do laptop. caso os sujeitos do processo não possam ou não queiram se encontrar face a face. Assim. 2005). como um processo amplo que vai além da modalidade de organização dos proces- Comunicação A abordagem multirreferencial parte do princípio de que todos os sujeitos envolvidos formam e se formam em contextos plurais de situações de trabalho e aprendizagem. além de sos de ensino e aprendizagem. interfaces e informações em rede. nas quais os encontros presenciais podem ser combinados com encontros mediados por tecnologias telemáticas (SANTOS. e pelo acesso à internet. as tecnologias digitais em rede podem potencializar a educação em geral (presencial ou online) e a formação de educadores. pois permitem: Extensão e novas arquiteturas da sala de aula para além da localização física. a partir do acesso e manipulação de informações armazenadas. é necessário acessar com ele a rede mundial de computadores. com letra maiúscula. ter o laptop. ou ainda situações híbridas. Formação de comunidades de 26 prática e de aprendizagem para além das fronteiras institucionais. interativa entre seres humanos e objetos técnicos. que pode ser transportado pelo docente. O acesso à internet é fundamental. Entendemos a Educação. a internet. quanto a distância. Tais potencialidades desafiam a pesquisa. A educação online é uma modalidade de educação que pode ser vivenciada ou exercitada tanto para potencializar situações de aprendizagem mediadas por encontros presenciais. A abordagem multirreferencial parte do princípio de que todos os sujeitos envolvidos formam e se formam em contextos plurais de situações de trabalho e aprendizagem. Os professores e pesquisadores universitários contribuem com suas itinerâncias cientí- . Vivenciar novas relações com a pesquisa em suas diversas fases.

aprendendo com o dia a dia da comunidade escolar. reconhecidos explicitamente como não redutíveis uns aos outros. principalmente pelos espaços formais de aprendizagem. O conceito de multirreferencialidade é per- Muitas vezes criam etnométodos. Nessa relação procuram fazer a transposição didática das aprendizagens científicas com suas situações e desafios cotidianos. o estudante. De um lado temos os professores. nos espaços de aprendizagem. imigrantes digitais. não as vivenciam em seu lócus natural. os estudantes vivenciam experiências culturais com o computador e a internet bastante diferentes das experiências vivenciadas pelos professores. Desafio que precisa ser gestado e vivido. cluir o estudante da escola básica do processo formativo do lugar de formadores. Tanto os professores universitários quanto os professores da escola básica podem ensinar e aprender com seus estudantes. em função de sistemas de referenciais distintos. 24). Os primeiros utilizam com pouca ou muita destreza as tecnologias digitais. do outro. muitas vezes. 1998. mas. Os professores da escola básica são os únicos que vivenciam o lócus escolar em sua complexidade. Em tempos de cultura digital. sob diferentes pontos de vistas. Interagem diretamente com o sujeito cultural do nosso tempo. métodos próprios para lidar com as situações educacionais. Por outro lado. heterogêneos” (ARDOINO. diferentes parcelas da sociedade vêm criando 27 . que implicam tanto visões específicas quanto linguagens apropriadas às descrições exigidas. prática muitas vezes articuladora da teoria e da prática. p. ou seja. Dessa forma. considerados. que ainda são norteados pelos princípios e pelas práticas de uma ciência moderna. Os segundos vivenciam a cultura digital como membros e não como estrangeiros. uma leitura plural de seus objetos (práticos ou teóricos). nativos digitais. sustentadas pela prática da pesquisa acadêmica.ficas. ampliamos a noção de sujeitos formadores nos permitindo aprender com as novas gerações. não podemos ex- tinente para contemplar. Assim. A multirreferencialidade como um novo paradigma torna-se hoje grande desafio. os alunos.

espaços que articulam. de uma suposta formação institucional específica. requer não só uma mudança paradigmática das concepções de currículo. artísticas.novas possibilidades de educação e de formação inicial e continuada. intencionalmente. O desafio de criar um currículo que contemple a diversidade do coletivo. espaços esses que tentam “fugir do reducionismo que separa os ambientes de produção e os de aprendizagem (. É pela necessidade de legitimar tais saberes e também competências que diversos espaços de trabalho estão certificando os sujeitos pelo reconhecimento do saber fazer – competência – independentemente 28 . As redes sociais da internet são um exemplo concreto. p. Para que a diversidade de linguagens. estruturadas por dispositivos comunicacionais diversos). nos e pelos espaços de aprendizagem. como requer também o uso de dispositivos Tal acontecimento vem promovendo a legitimação de novos espaços de aprendizagem. Com a emergência da “sociedade em rede”.). cursos (livres.. como. novos espaços digitais e virtuais de aprendizagem vêm se estabelecendo a partir do acesso e do uso criativo das novas tecnologias da comunicação e da informação. qualificação profissional). potencializando as experiências multirreferenciais dos sujeitos. sentindo-se implicados numa produção coletiva. pondo em xeque o currículo fragmentado. atividades culturais diversas. na escola. Os sujeitos que vivem e interagem nos espaços multirreferenciais de aprendizagem expressam. insatisfações profundas. os sujeitos do conhecimento precisam ter sua alteridade reconhecida. por exemplo. produções e experiências de vida sejam de fato contempladas de forma multirreferencializada. tecendo teias complexas de relacionamentos com o mundo. Novas relações com o saber vão-se instituindo num processo híbrido entre o homem e a máquina. os saberes precisam ganhar visibilidade e mobilidade coletiva. dinâmica e interativa que rompa com os limites do tempo e do espaço geográfico.. A noção de espaço de aprendizagem vai além dos limites do conceito de espaço/lugar. esportistas. ou seja. permitindo que as singularidades possam emergir. processos de aprendizagem e de trabalho” (BURNHAM. religiosas. neste novo tempo. as experiências “formais” de formação inicial. supletivos. 2000. A emergência de atividades (presenciais e/ ou online. comunitárias começam a ganhar. legitimando inclusive espaços diversos – espaços esses que há bem pouco tempo não gozavam do status de espaços de aprendizagem – através da autoria dos sujeitos construídos pela itinerância dos processos nesses espaços. 299). uma relevância social bastante fecunda.

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4o andar – Centro.org.tvbrasil.br/salto Rua da Relação.Presidência da República Ministério da Educação TV ESCOLA/ SALTO PARA O FUTURO Coordenação-geral da TV Escola Érico da Silveira Coordenação Pedagógica Maria Carolina Mello de Sousa Supervisão Pedagógica Rosa Helena Mendonça Acompanhamento Pedagógico Carla Ramos e Ana Maria Miguel Coordenação de Utilização e Avaliação Mônica Mufarrej Fernanda Braga Copidesque e Revisão Magda Frediani Martins Diagramação e Editoração Equipe do Núcleo de Produção Gráfica de Mídia Impressa – TV Brasil Gerência de Criação e Produção de Arte Consultora especialmente convidada Edméa Santos E-mail: salto@mec. CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ) Abril 2011 32 .gov. 18.br Home page: www.

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