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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

SETOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E TECNOLÓGIAS


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

MASSANORI HARA
SÉRGIO FONSECA JÚNIOR
TELMO JOSÉ ANGELO

MANUAL PARA FORMAÇÃO DE BRIGADA DE INCÊNDIO


NO SETOR INDUSTRIAL

PONTA GROSSA
2005
MASSANORI HARA
SÉRGIO FONSECA JÚNIOR
TELMO JOSÉ ANGELO

MANUAL PARA FORMAÇÃO DE BRIGADA DE INCÊNDIO


NO SETOR INDUSTRIAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para


obtenção do título de Especialista na Universidade
Estadual de Ponta Grossa, Área de Engenharia de
Segurança do Trabalho.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto Balarim


Co-orientador: Prof. Esp. Gerson Luís Carneiro

PONTA GROSSA
2005
MASSANORI HARA
SÉRGIO FONSECA JÚNIOR
TELMO JOSÉ ANGELO

MANUAL PARA FORMAÇÃO DE BRIGADA DE INCÊNDIO


NO SETOR INDUSTRIAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de


Especialista na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Engenharia de
Segurança do Trabalho.

Ponta Grossa, 07 de dezembro de 2005.

Prof. Dr. Carlos Roberto Balarim – Orientador

Prof. Esp. Gerson Luíz Carneiro – Banca

Prof. Dr. Carlos Luciano Vargas – Banca

Prof. Esp. Luíz Carlos Lavalle Filho – Banca


RESUMO

Este trabalho trata de Manual de Dimensionamento de Brigada de Incêndio no setor


industrial e elaborado com o auxílio de um questionário que visava verificar os meios
utilizados pelas indústrias para montagem de suas brigadas de incêndio. Uma vez a
campo, iniciaram-se as dificuldades. A maioria das empresas nem se quer pensam
no assunto. Outras, acanhadas pela formação precária de suas brigadas, não
aceitavam falar a respeito. Por fim, alguns estabelecimentos foram muito prestativos
em mostrar a composição das equipes de combate a incêndio. O ganho de
conhecimento provocou uma mudança de rumo no trabalho. Resolveu-se montar o
manual. Com isto, objetiva-se auxiliar as indústrias, dando-lhes uma ferramenta mais
completa. Outro motivo é o fato de alguns assuntos não serem sequer citados pelas
normas fazendo com que a formação de brigadas torne-se uma tarefa de tentativas.
No Manual, foram incluídos: Critérios para seleção de brigadistas; Composição das
brigadas; Atribuições das brigadas; Atribuições dos brigadistas; Atribuições da
equipe de comunicação; Atribuições da equipe de abandono; Atribuições da equipe
de salvamento e primeiros socorros; Atribuições dos empregados em geral; Como e
quando é necessária a ação dos brigadistas; Plano de emergência; Organograma; O
que é necessário treinar e quando;

Palavras-chave: Brigada de Incêndio. Composição das Brigadas. Brigadistas.


LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - O dimensionamento da brigada foi feito por qual profissional? ..........12

GRÁFICO 2 - Como foi dimensionada a brigada? ....................................................12

GRÁFICO 3 - Como é composta a brigada? .............................................................13

GRÁFICO 4 - Qual o critério usado na escolha dos brigadistas?..............................13

GRÁFICO 5 - Todos são voluntários ou existe algum cargo indicado?.....................14

GRÁFICO 6 - Houve necessidade de ajustes na brigada? .......................................14

GRÁFICO 7 - São realizados treinamentos periódicos com a brigada?....................15

GRÁFICO 8 - Quem presta este treinamento?..........................................................15

GRÁFICO 9 - A empresa possui um manual para uso dos brigadistas e para


informação dos funcionários em geral? ..............................................16
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................6

2 REVISÃO DA LITERATURA ..................................................................................9

3 MATERIAIS E MÉTODOS ....................................................................................11

3.1 LEVANTAMENTO DOS DADOS OBTIDOS.......................................................11

4 RESULTADO E DISCUSSÃO ...............................................................................12

4.1 MANUAL DE DIMENSIONAMENTO DE BRIGADAS DE INCÊNDIO ................20


4.1.1 Definições ou glossário de termos técnicos pertinentes à área da prevenção
contra incêndio ...............................................................................................20
4.1.2 Critérios básicos para seleção de candidatos a brigadistas ...........................21
4.1.3 Composição da brigada ..................................................................................23
4.1.3.1 Em função do uso dos extintores .................................................................27
4.1.3.2 Em função do uso do sistema de hidrantes..................................................27
4.1.3.3 Em função das atividades necessárias ........................................................29
4.1.3.3.1 Equipe de comunicação .............................................................................29
4.1.3.3.2 Equipe de abandono ..................................................................................29
4.1.3.3.3 Equipe de salvamento e primeiros socorros...............................................30
4.1.3.3.4 Empregados em geral ................................................................................30
4.1.3.3.5 Outros.........................................................................................................31
4.1.4 Atribuições das brigadas.................................................................................32
4.1.5 Atribuições da equipe de comunicação ..........................................................33
4.1.6 Atribuições da equipe de abandono ...............................................................34
4.1.7 Atribuições da equipe de salvamento e primeiros socorros............................34
4.1.8 Atribuições dos empregados em geral ...........................................................35
4.1.9 Identificação dos brigadistas...........................................................................37
4.1.10 Como e quando é necessária a ação da brigada de incêndio .......................37
4.1.11 Plano de emergência .....................................................................................39
4.1.12 Organograma da Brigada de Incêndio ...........................................................43
4.1.13 O que é necessário treinar.............................................................................44

5 CONCLUSÃO .......................................................................................................48

6 SUGESTÕES PARA NOVOS TRABALHOS SOBRE O ASSUNTO....................49

REFERÊNCIAS.........................................................................................................50

ANEXO A – Tabela do Percentual de Cálculo para Composição da Brigada de


Incêndio (Nbr 14276)...........................................................................51

ANEXO B – Fluxograma de Procedimento da Brigada de Incêndio (NBR 14276)


..............................................................................................................54
6

1 INTRODUÇÃO

Nenhum sistema de prevenção de incêndios será eficaz se não houverem

pessoas treinadas e capacitadas para operá-lo. Pessoas que, com conhecimento de

prevenção e combate ao incêndio, com capacitação para situações imprevistas e de

emergência, com controle emocional e ainda com conhecimento de técnicas de

primeiros socorros, serão decisivas em situações críticas salvando empresas de

sucumbirem diante do fogo e acima de tudo evitando que vidas sejam perdidas.

No Brasil, o acontecimento de tragédias relacionadas a incêndios, faz com

que surjam momentos de reflexão, na comunidade e nos empresários, que acabam

por levantar um questionamento: Como está a segurança e a prevenção na minha

empresa? E, então, começou um processo de pesquisa à procura de insumos

capazes de auxiliar a empresa a enquadrar-se em dois pontos cruciais: Segurança e

Prevenção. Iniciou-se aí, uma corrida para que os novos projetos previssem

instalações de proteção e combate a incêndio capazes de evitar o acontecimento

destas tragédias. Normas e velhos conceitos foram revistos e as exigências nos

projetos de Prevenção e Combate a Incêndio tornaram-se mais rigorosas. E agora,

têm-se boas instalações, manutenção e inspeções periódicas dos equipamentos, um

estabelecimento perfeito, seguro, será? No caso da ocorrência de um sinistro, um

princípio de fogo, as pessoas saberão como operar os equipamentos evitando que

ele se alastre? As pessoas sabem como se organizar para uma evacuação segura?

E o atendimento aos feridos? Faz-se então necessária à formação de grupos

responsáveis pelo combate às chamas, pelo abandono do local e pelo atendimento

de primeiros socorros às vítimas. Este grupo será treinado para este fim e será

capaz de controlar o princípio do incêndio e evacuar a área com segurança

protegendo assim as vidas e o patrimônio.


7

Porém, apesar de existirem instruções para se organizar as Brigadas de

Incêndio, estas informações estão espalhadas em uma série de literaturas que nem

sempre estão disponíveis ou ao alcance das pessoas que acabam por improvisar,

ou por criar grupos com pouco critério, sem uma base coerente, deixando o

estabelecimento à mercê do sinistro.

Com este trabalho espera-se acabar com grande parte da dificuldade

encontrada pelos empresários na formação de suas Brigadas. Não tem a finalidade

de ser a última fonte de pesquisa, nem de contemplar todas as situações possíveis

nas indústrias, pois isto seria uma utopia, mas é uma ferramenta de auxílio na

formação das Brigadas. Contudo, espera-se que cada um aprofunde os estudos em

função das suas necessidades, dos seus riscos e do seu estabelecimento. Unindo

isto, certamente, uma excelente Brigada de Incêndios será formada.

A Lei Federal nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dá diretrizes sobre

Segurança e Medicina do Trabalho, regulamentada pela Portaria 3.214/78, prevê

grupos de enfrentamento a emergências, denominados de Brigadas de Incêndio.

A constituição destas equipes, seguida de um bom treinamento garante, às

empresas que as mantém, premiações relativas a Tarifação do Seguro de Incêndio

do Brasil.

Apesar da referência nas leis que tratam de proteção contra incêndio,

constata-se que os grupos de combate a incêndios, não dispõem de amparo

normativo tão detalhado como deveria ser, segundo a opinião da maioria dos

profissionais de Segurança.

Mais recente, a NBR 14276 - Programa de Brigada de Incêndio, da

Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, aborda com mais profundidade o

assunto propondo relações do número de funcionários com a classe da edificação

(ANEXO A) para definição dos brigadistas e dá algumas atribuições e

procedimentos.
8

Com tudo isto, ainda sobram lacunas na definição das brigadas como, por

exemplo, a definição das funções dos componentes e suas atribuições, equipes de

apoio, plano de ação, etc.

Não existem dados suficientes para se saber quantas empresas possuem

suas brigadas (com certeza a porcentagem é bem pequena) e nem se sabe quais

foram às bases para a constituição destas, porém, se o próprio corpo de bombeiros

admite a necessidade de 5 a 15 minutos para que suas brigadas cheguem ao local

de um incêndio então é imperativo o apoio para que muitas outras empresas

venham a criar as suas brigadas. Muitas localidades ainda não possuem Corpo de

Bombeiros e estas brigadas, podem vir a suprir esta deficiência.

Por isso é que se faz necessária à elaboração de um manual para auxiliar a

formação de brigadas de incêndio.

O primeiro objetivo deste trabalho é verificar como é que as empresas estão

formando suas Brigadas de Incêndio. Os critérios utilizados, os profissionais

envolvidos, a literatura de apoio, enfim, todo o estudo que foi realizado até a

formação final.

O segundo objetivo é elaborar um manual para auxiliar as empresas a

chegarem à formação de uma Brigada, que venha satisfazer as suas necessidades

em função de seu porte, número de funcionários e dos seus riscos, que tem sua

característica própria, afim de que possam organizar sua prevenção contra

incêndios.

O grande benefício do trabalho é oferecer um manual para se chegar à

formação de uma Brigada de Incêndio dentro das necessidades de cada empresa.


9

2 REVISÃO DA LITERATURA

Segundo a Lei Federal nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dá

diretrizes sobre Segurança e Medicina do Trabalho, regulamentada pela Portaria

3.214/78, prevê grupos de enfrentamento a emergências, denominados de Brigadas

de Incêndio. (www.sober.org.br, 2005)

No Paraná, apenas 43 dos 399 municípios, possuem esses grupos, ficando

a cargo das cidades que os tem, fazer o atendimento. Acontece que, devido às

distâncias, ao chegarem no local, é tarde de mais. (Informação obtida informalmente

no Corpo de Bombeiros – Guarapuava-PR).

Pelo manual do Instituto de Resseguros do Brasil, chega-se a um

dimensionamento de brigadas em função do risco e área. Número de brigadistas por

m². (IBR, 1985)

Pelo manual do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, o

dimensionamento está em função do número de funcionários e da distância do

Corpo de Bombeiros ao local. Número de brigadistas por número de funcionários.

(SÃO PAULO, 2005a)

Pela NBR 14276, temos uma relação do número de funcionários com a

classe de ocupação. Número de brigadistas por número de funcionários, novamente.

(ABNT, 1999)

Camillo Júnior (2004, p. 129), define os critérios básicos para seleção de

candidatos à brigada, e alerta ainda, que “caso nenhum candidato atenda aos

critérios básicos relacionados, devem ser selecionados aqueles que atendam ao

maior número de requisitos”.

A NBR 14276, no item 4.2.1, fala sobre a composição da brigada de

incêndio, e mostra como deve ser composta.


10

Todas as edificações sujeitas ao Código de Prevenção de Incêndios devem

possuir sistema móvel de proteção contra incêndios (Seção IV, Art.35, p. 22), ou

seja, por extintores. No combate ao fogo, sempre devemos considerar o uso

simultâneo de dois extintores, logo, são necessários dois brigadistas por pavimento,

no mínimo. (PARANÁ, 2001)

Quando se tem uma edificação em que é necessária instalação de sistema

de hidrantes (Seção III, Art. 31-34, p. 21 do Código de Prevenção de Incêndios),

devemos considerar a necessidade do uso simultâneo de duas linhas de mangueiras

no combate ao fogo o que nos dá mais um parâmetro: são necessárias mais duas

equipes para atuar com as mangueiras de incêndio. (PARANÁ, 2001)

Para Camillo Júnior (2004), o plano de emergência é onde estão

relacionadas às ações a serem tomadas em cada caso de emergência.

Conforme a NBR 14276, o organograma da brigada de incêndio da empresa

varia de acordo com o número de edificações, o número de pavimentos em cada

edificação e o número de empregados em cada pavimento/compartimento.

Segundo o Anexo A (normativo) da NBR 14276, temos o currículo básico do

curso de formação de brigada de incêndio, necessário para o treinamento da

brigada. (ABNT, 1999)


11

3 MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia utilizada, além da consulta à norma e bibliografias existentes,

foi a de pesquisa junto a empresas que possuem suas Brigadas já formadas. Por

isso, a primeira etapa deste trabalho consistiu em elaborar um questionário para a

pesquisa para verificar como se desenvolveu a formação destas. Com base no

questionário, foram entrevistadas as pessoas responsáveis pela constituição das

Brigadas em suas empresas, para saber os critérios utilizados, a metodologia, à

literatura em que se basearam, os profissionais envolvidos, enfim, tudo o que

pudesse reverter em dados que contribuíssem para a elaboração de um manual.

Com as respostas obtidas que contemplam a experiência destas empresas e com

base na literatura existente, foram relacionados os principais critérios e elaborado

um manual.

3.1 LEVANTAMENTO DOS DADOS OBTIDOS

Apesar da dificuldade de se encontrar empresas que possuam suas

brigadas, pois a maioria não as possuem e nem pensam em formá-las, foi possível

realizar a pesquisa com 15 empresas. Também não foi fácil o acesso às

informações, pela insegurança que às empresas têm, em mostrar algo que não se

sabe se está correto. Por outro lado, em grande parte das empresas que formaram

suas brigadas, verifica-se a preocupação no aperfeiçoamento contínuo e nos

treinamentos constantes, mostrando uma verdadeira preocupação com o assunto e,

por isso à experiência alcançada por elas, garantem a confiabilidade dos dados.
12

4 RESULTADO E DISCUSSÃO

A seguir são apresentados alguns dos resultados obtidos com a pesquisa.

100

80
Engenheiro de Segurança
60 Bombeiro
(%)

39 Técnico de Segurança
40 33 Empresa Especializada
22
20 6
0
Profissionais envolvidos

GRÁFICO 1 - O dimensionamento da brigada foi feito por qual profissional?

100
80 67 Manual do Instituto de
Resseguros do Brasil
60 Corpo de Bombeiros
(%)

Empresas Especializadas
40
20 Dimensionamento próprio
20 13
0
0
Manual

GRÁFICO 2 - Como foi dimensionada a brigada?


13

100

80 Elementos com conhecimentos


gerais e sem função específica
Os elementos se auto dividem em
60
47 equipes conforme a necessidade
(%)

Elementos divididos em equipes


40 33 com funções específicas
Elementos divididos em equipes
13 sem funções específicas
20
7
0
Elementos

GRÁFICO 3 - Como é composta a brigada?

50
40
40 Não há critério

30 27 Todos são brigadistas


(%)

20 Critérios essenciais à atividade


20 13
Quando é preciso seleciona-se
10 por vários critérios

0
Critérios

GRÁFICO 4 - Qual o critério usado na escolha dos brigadistas?


14

50 47

40 Todos são voluntários

30 27 Somente o comando é indicado


(%)

20
Todos são indicados
20
7 Todos são brigadistas
10
0
Condição

GRÁFICO 5 - Todos são voluntários ou existe algum cargo indicado?

Neste questionamento, levantou-se ainda o seguinte:

- Eles recebem benefício pela função 27 %

100
80
80
60 sim
(%)

não
40
20
20
0
sim/não

GRÁFICO 6 - Houve necessidade de ajustes na brigada?


15

100

80
Não
60 Sim, anual
Sim, semestral
(%)

35 Sim, mensal
40 29 Sim, semanal
Sim, sem programação
20 12 12
6 6
0
Periodicidade

GRÁFICO 7 - São realizados treinamentos periódicos com a brigada?

100

80
Engenheiro de Segurança

60 Bombeiro
(%)

41 Técnico de Segurança
40 35
Outro

20 12 12

0
Quem dá treinamento

GRÁFICO 8 - Quem presta este treinamento?


16

100

80

60 53
47 Sim
(%)

Não
40

20

0
Sim/Não

GRÁFICO 9 - A empresa possui um manual para uso dos brigadistas e


para informação dos funcionários em geral?

Através dos resultados acima, verifica-se nesta análise, que muitos itens

mostram uma tendência nas indústrias; o dimensionamento próprio. As indústrias

tentam resolver os problemas dentro de casa, aproveitando seus próprios

profissionais, mas o que preocupa, são indústrias que o fazem sem nenhum critério.

A literatura que trata do assunto é muito pouca ou quase nada utilizada e a

informação é sempre a mesma: – Elas não são suficientes para que se faça o

dimensionamento ou – Nem sei aonde encontrar estas normas. Dentro destas

tendências, o uso da experiência dos Bombeiros profissionais é notável. Muitas

indústrias, 67% utilizam o conhecimento destes profissionais ou para ajudá-las a

dimensionar suas brigadas ou para treiná-las, ou ainda, os contratam para fazer

parte ou comandar suas brigadas.

O que se viu, também, nesta pesquisa é que indústrias com bom

equipamento de prevenção (detectores de fumaça, sistemas de alarme e sprinklers),

apesar de terem muitos funcionários ou mesmo terem uma área muito grande,

podem possuir equipes relativamente menores, se comparadas a outras, pelo

grande auxílio destes equipamentos.


17

Ponto positivo é o alto índice de voluntariado. Quase, 50% das indústrias,

não têm problemas em formar suas brigadas pelo alto índice de interesse por parte

dos funcionários. O lado negativo fica por conta de indústrias que precisam oferecer

benefícios para que funcionários aceitem participar e se dedicar ao grupo. Será que

realmente existe envolvimento destes? Outro ponto altamente positivo, e que mostra

uma tendência muito forte, é a da necessidade de ajustes nas brigadas que sugere

que as indústrias estão sempre procurando melhorar.

O Engenheiro de Segurança está entre os profissionais mais requisitados

para fazer o dimensionamento das brigadas.

Na composição das brigadas verifica-se que poucas indústrias treinam seus

brigadistas especificamente em suas funções, além dos conhecimentos gerais,

porém, procura-se por pessoas com qualidades específicas à função. O treinamento

é um ponto fraco encontrado na pesquisa. Realizados na maioria das indústrias com

uma periodicidade muito pequena, acima de seis meses ou nem são realizados. O

treinamento reflete muito no bom desempenho das equipes. Treinamento é

essencial.

Pouco mais de 50% das indústrias possuem manual de procedimentos para

passar informações aos brigadistas e para toda a população fixa da indústria.

Mas o sinal de alerta está em saber que muitas indústrias, a grande maioria,

não tem e nem estão preocupadas em formar suas brigadas, apesar de muitas delas

possuírem risco potencial em suas instalações. Caberia, aos órgãos de informação e

às autoridades competentes, principalmente ao Corpo de Bombeiros, formar uma

campanha de informação e incentivo à formação de Brigadas de Incêndio. Vale

ressaltar que, à maioria das cidades do Brasil, não possuem Corpo de Bombeiros.

No Paraná, apenas 43 dos 399 municípios possuem e acaba ficando a cargo das
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cidades que as tem, fazer o atendimento. Mas o que acontece é que devido a

grande distância, ao chegarem no local, é tarde de mais.

A idéia do manual veio em função da necessidade das indústrias em formar

suas brigadas, mas que não têm a literatura disponível. Praticamente tudo o que se

encontra sobre o assunto mostra como se chegar a um número de brigadistas e só

isso.

Pelo manual do Instituto de Resseguros do Brasil, chega-se a um

dimensionamento de brigadas em função do risco e área. Número de brigadistas por

metro quadrado (m²).

Pelo manual do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, o

dimensionamento está em função do número de funcionários e da distância do

Corpo de Bombeiros ao local. Número de brigadistas por número de funcionários.

Pela NBR 14276, temos uma relação do número de funcionários com a

classe de ocupação. Número de brigadistas por número de funcionários, novamente.

Mas, além disso, o que falta mesmo são meios para se definir as funções

dos brigadistas, suas atribuições e um plano mais completo de treinamento, senão o

que fica é apenas um número de brigadistas, mas o que é que eles fazem? De que

formas irão atuar? Quando será necessária a sua atuação? A NBR 14276 aborda

parte destes assuntos, mas é muito superficial.

É importante que as indústrias formem suas brigadas, mesmo nas cidades

que possuem Corpo de Bombeiros, porque nem sempre é possível que se chegue a

tempo, por isso, o primeiro passo é incentivar dando condições para que todos

tenham acesso a uma literatura que contemple o assunto com maior profundidade.

A formulação do manual foi baseada em uma série de manuais, montados

por indústrias que constituíram suas brigadas. Vale salientar que os manuais de
19

algumas indústrias são muito completos e mostram que existem pessoas realmente

preocupadas com a segurança e com a eficiência de suas brigadas.

Esta experiência agrupada, somada às informações contidas em normas e

outras literaturas, bem como as informações prestadas pelo Corpo de Bombeiros e

ainda, as entrevistas realizadas com várias indústrias, fizeram com que fosse

possível reunir informações suficientes para formar o manual.

No manual foram incluídos pela ordem:

Æ Critérios para seleção de brigadistas

Æ Composição das brigadas:

- De acordo com a NBR 14276

- Em função do uso dos extintores

- Em função do uso do sistema de hidrantes

- Em função das atividades necessárias:

ƒ equipe de comunicação

ƒ equipe de abandono

ƒ equipe de salvamento e Primeiros Socorros.

ƒ empregados em geral

ƒ outros

Æ Atribuições das brigadas

Æ Atribuições dos brigadistas

Æ Atribuições da equipe de comunicação

Æ Atribuições da equipe de abandono

Æ Atribuições da equipe de salvamento e primeiros socorros

Æ Atribuições dos empregados em geral

Æ Como e quando é necessária a ação dos brigadistas?


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Æ Plano de emergência

Æ Organograma

Æ O que é necessário treinar e quando?

4.1 MANUAL DE DIMENSIONAMENTO DE BRIGADAS DE INCÊNDIO

4.1.1 Definições ou glossário de termos técnicos pertinentes à área da prevenção


contra incêndio

Abrigo ou caixa de mangueira: Compartimento destinado ao

acondicionamento de mangueiras de incêndio e seus acessórios.

Agente extintor: Substância química utilizada para extinção do fogo.

Bomba Booster: Aparelho hidráulico destinado a manter a pressão na

tubulação de água da rede de incêndios.

Bombeiro profissional civil: Bombeiro que presta serviços como brigadista

em uma indústria.

Bombeiro: Profissional que pertence ao Corpo de Bombeiros e presta

serviços públicos.

Brigada de incêndio: Equipe previamente designada, com treinamento e

capacitação na prevenção, abandono e combate a princípios de incêndio e no

salvamento e prestação de primeiros socorros a vítimas.

Carga de incêndio: É a quantidade de produtos inflamáveis, que se

encontram num determinado ambiente, e que vão determinar o risco de incêndio.

Comandante: Empregado responsável pela condução das ações que serão

desenvolvidas pelas brigadas.

Distância de segurança: Distância mínima, julgada necessária, para

garantir a segurança das pessoas e instalações.


21

Escada de segurança: Estrutura integrante da edificação, que possui

elementos a prova de fogo, a fim de permitir a evacuação das pessoas em

segurança durante uma emergência.

Extintor de incêndio: Unidade móvel de combate ao incêndio.

Exercícios simulados: Exercícios práticos de treinamento no combate ao

fogo, abandono, salvamento e primeiros socorros, realizados para manter a brigada

e a população da edificação em condições para enfrentar situações reais.

Hidrante: Ponto de tomada d’água, para conexão da mangueira de incêndio,

provido de registro e união de engate rápido, normalmente, junto ao quadro de

mangueiras.

População fixa: Aquela que permanece normalmente na edificação.

Ponto de encontro ou de reunião: Local pré-determinado, afastado da

edificação e seguro, para onde serão encaminhadas todas as pessoas durante o

abandono do local em situação de emergência.

Porta corta fogo: Porta a prova de fogo, utilizada para confinar rotas de

fuga, isolando-as da fumaça e do fogo.

Prevenção: Conjunto de medidas tomadas, a fim de evitar o início de um

incêndio.

Rota de fuga: Trajeto pré-estabelecido, a ser seguido, no caso de abandono

da edificação para a condução das pessoas até o ponto de encontro ou de reunião.

4.1.2 Critérios básicos para seleção de candidatos a brigadistas

As Brigadas de Incêndio serão organizadas segundo o risco e deverão ser

treinadas tanto no combate ao fogo como na sua prevenção. Deverão ser

compostas com pessoal de responsabilidade, conhecedores de seus locais de


22

trabalho, que morem nas proximidades, elementos de boa vontade, de raciocínio

rápido, com espírito de iniciativa e, até certo ponto, de sacrifício. Sempre deverão

fazer parte da Brigada, como chefes, um ou dois gerentes ou elementos com cargo

de chefia (Patronais).

A escolha do pessoal que formará a Brigada deverá ser feita de tal maneira

que se assegure nos grandes estabelecimentos, uma continuidade de permanência

dos elementos treinados durante as vinte e quatro horas. A quantidade de elementos

varia em função de vários fatores, entretanto, obrigatoriamente deverão fazer parte;

a guarda do estabelecimento, eletricistas, encarregados das manobras de água e

representantes do todas as seções, variando em quantidade, segundo a importância

e perigo que as mesmas ofereçam.

São requisitos importantes para a escolha dos brigadistas:

a) Suficiente robustez física e boa saúde;

b) estabilidade emocional;

c) capacidade de raciocínio;

d) possuir bom conhecimento das instalações;

e) residir nas proximidades;

f) ser alfabetizado.

O chefe da brigada ou comandante, deverá ser muito bem escolhido entre

as pessoas de grande responsabilidade do estabelecimento, ter suficiente

autoridade, ser enérgico, estar sempre pronto para qualquer trabalho e ser hábil no

trato do pessoal. Depois, deverá ter um bom conhecimento de prevenção e combate

a incêndio e capacitação para situações imprevistas e de emergência.

Como auxiliar imediato deste funcionário e, orientado por ele, existirá uma

pessoa encarregada da conservação e manutenção do equipamento, pois este

material exige constante cuidado. É de alto custo e deverá estar sempre em


23

condições do uso. A instrução e o treinamento da Brigada de Incêndio, deverá ser

constante e ministrado pelo chefe de Segurança ou pessoa comprovadamente

capaz.

O número de brigadistas e a quantidade do material para a Brigada de

Incêndio, dependerá de diversos fatores:

a) O risco de incêndio oferecido na área a proteger;

b) a extensão e localização do mesmo;

c) as possibilidades de receber socorro público (distância do Corpo de

bombeiros mais próximo);

d) tipo de construção do estabelecimento;

e) a distribuição dos pontos perigosos na construção;

f) elementos humanos com que conta.

4.1.3 Composição da brigada

A NBR 14276, no item 4.2.1, que estabelece a composição da brigada de

incêndio, leva em conta a população fixa e o percentual de calculo da tabela 1, que é

o obtido a partir da classe e a subclasse de ocupação da planta, conforme a

equação a seguir:

Número de brigadistas por pavimento ou compartimento = [população fixa

por pavimento] x [% de cálculo da tabela 1]

Observações:

1 Para os números mínimos de brigadistas, deve-se prever os turnos, a

natureza de trabalho e os eventuais afastamentos.

2 Sempre que o resultado obtido do cálculo do número de brigadistas por

pavimento for fracionário, deve-se arredondá-lo para mais. Exemplo:


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- Loja (subclasse de ocupação III-1)

População fixa = 9 pessoas

Número de brigadistas por pavimento = [população fixa por pavimento] x [%

de cálculo da tabela 1]

Número de brigadistas por pavimento = (9 x50%) = 4,5

Número de brigadistas por pavimento = 5 pessoas

3 Sempre que o número de pessoas for superior a 10, o cálculo do número

de brigadistas por pavimento deve levar em conta o percentual até 10 pessoas.

Exemplo:

- Escritório (subclasse de ocupação IV)

População fixa = 36 pessoas

Número de brigadistas por pavimento = [população fixa por pavimento] x [%

de cálculo da tabela 1]

Número de brigadistas por pavimento = 10 x 40% + (36 – 10) x 10% = 4 + 26

x 10% = 4 + 2,6 = 6,6

Número de brigadistas por pavimento = 7 pessoas

4 Quando em uma planta houver mais de uma subclasse de ocupação, o

número de brigadistas deve ser calculado levando-se em conta a subclasse de

ocupação do maior risco. O número de brigadista só é calculado por subclasse de

ocupação se as unidades forem compartimentadas e os riscos forem isolados.

Exemplo: planta com duas edificações, sendo a primeira uma área de escritórios

com três pavimentos e 19 pessoas por pavimento e a segunda uma indústria de

médio potencial de risco 116 pessoas:

a) Edificações com pavimentos compartimentados e riscos isolados, calcula-

se o número de brigadistas separadamente por subclasse de ocupação:


25

- Área administrativa (subclasse de ocupação IV)

População fixa = 19 pessoas por pavimento (três pavimentos)

Número de brigadistas por pavimento = [população fixa por pavimento] x [%

de cálculo da tabela 1]

Número de brigadistas por pavimento = 10 x 40% + (19 – 10) x 10% = 4 +

0,9 = 4,9

Número de brigadistas por pavimento = 5 pessoas

- Área industrial (subclasse de ocupação VIII-2)

População fixa = 116 pessoas

Número de brigadistas por pavimento = [população fixa por pavimento] x [%

de cálculo da tabela 1]

Número de brigadistas por pavimento = 10 x 50% + (116-10) x 7% = 5 + 106

x 7% = 5 + 7,42 = 12,42

Número de brigadistas por pavimento = 13 pessoas

Número total de brigadistas (área administrativa + área industrial)

Número total de brigadistas = (5 x 3) + 13 = 28

Número total de brigadistas = 28 pessoas

b) Edificações sem compartimentação dos pavimentos e sem isolamento

dos riscos, calcula-se o número de brigadistas através da subclasse de

ocupação de maior risco:

No caso utiliza-se a subclasse de área industrial (subclasse de ocupação

VIII-2) + 116 (indústria)

Número de brigadistas por pavimento = [população fixa por pavimento] x [%

de cálculo da tabela 1]
26

- Área administrativa (subclasse de ocupação VIII-2 – indústria sem

compartimentação)

População fixa = 19 pessoas por pavimento (três pavimentos)

Número de brigadistas por pavimento = 10 x 50% + (19 – 10) x 7% = 5 + 9 x

7%= 5 + 0,63 = 5,63

Número de brigadistas por pavimento = 6 pessoas

- Área industrial (subclasse de ocupação VIII-2)

População fixa = 116 pessoas

Número de brigadistas por pavimento = 10 x 50% + (116 - 10) x 7% = 5 +106

x 7%= 5 + 7,42 = 12,42

Número de brigadistas por pavimento = 13 pessoas

Número total de brigadistas ( área administrativa + área industrial )

Número total de brigadistas = (6 x 3 ) + 13 = 18 + 13 = 31

Número total de brigadistas = 31 pessoas

A composição da brigada de incêndio deve levar em conta a participação de

pessoas de todos os setores.

Caso haja segurança patrimonial ou bombeiro profissional civil, estes devem

participar como colaboradores no programa de brigada de incêndio, porém não

podem ser computados para efeito de cálculo da composição de brigada, devido às

suas funções específicas.

Com isso tem-se um número de brigadistas, porém, não se tem uma

formação para esta brigada. Por isso, esta norma deve ser entendida como um

farol, um roteiro e não um fim, vez que é impossível prever todas as situações que

envolvem o dimensionamento e atuação de brigadas de incêndio.

A seguir começa-se a definir um roteiro para iniciar a composição das

brigadas em função das necessidades das edificações sujeitas ao Código de


27

Prevenção de Incêndios e das tarefas necessárias de cada elemento e levando em

conta o número obtido pela NBR 14276.

4.1.3.1 Em função do uso dos extintores

Todas as edificações sujeitas ao Código de Prevenção de Incêndios devem

possuir sistema móvel de proteção contra incêndios (Seção IV – Art.35, pg.22), ou

seja, por extintores. No combate ao fogo, sempre devemos considerar o uso

simultâneo de dois extintores, logo, são necessários dois brigadistas por pavimento,

no mínimo.

Equipe:

- 1 operador de extintor (líder)

- 1 operador de extintor

Obs.: No caso da necessidade de mais de uma equipe, sempre manter a

composição por equipe e colocar mais um chefe de equipe cuja função é a de

coordenar a ação das equipes.

Uma pessoa habilitada manuseia com eficiência e rapidez, nos primeiros 5

minutos de um sinistro, aproximadamente duas unidades extintoras.

Caso só existam extintores na edificação, o n°. de brigadistas = n°. de

extintores dividido por 2.

4.1.3.2 Em função do uso do sistema de hidrantes

Quando se tem uma edificação em que é necessária instalação de sistema

de hidrantes (CÓDIGO de Prevenção de Incêndios, Seção III, Art. 31-34, p. 21),

devemos considerar a necessidade do uso simultâneo de duas linhas de mangueiras


28

no combate ao fogo o que nos dá mais um parâmetro: são necessárias mais duas

equipes para atuar com as mangueiras de incêndio.

A equipe para atuar em linhas de mangueira de incêndio é composta de:

1 Chefe de linha

Equipe de Linha 1 Equipe de Linha 2

- 1 operador de esguicho - 1 operador de esguicho

- 1 operador de registro - 1 operador de registro

- 2 auxiliar de linha - 2 auxiliar de linha

- outros auxiliares

As diferentes necessidades de pressão na linha de mangueiras devem ser

levadas em consideração na determinação do número de auxiliares de linha. A

pressão, tão necessária para lançar a água à distância, também pode ser inimiga

dos combatentes se estes não estiverem preparados. Quanto maior a pressão,

maior o número de auxiliares necessários para manter firme a ponta da mangueira

sem que esta os derrube. Uma ponta de mangueira solta, com a pressão exercida

pela água pode virar uma verdadeira arma, podendo até matar uma pessoa pelo

golpe despendido pelo esguicho.

A pressão necessária nas linhas de mangueiras tem relação com a vazão de

projeto que é calculada em função do tipo de ocupação e a classe do risco. A vazão

será de 200, 400 e 660 l/min conforme o risco, fora casos específicos. A classe do

risco também determina o diâmetro mínimo das linhas de mangueira (38 mm – 11/2”

ou 63 mm – 2 1/2”). O diâmetro das mangueiras com a vazão de projeto,

0associadas ao diâmetro do requinte utilizado definem a pressão necessária.


29

Para operar um hidrante de parede, sugere-se por segurança o mínimo de 3

pessoas habilitadas.

Obs.: Caso seja comprovada a existência de no mínimo 2 bombeiros civis,

24 horas ininterruptamente, poderão ser dispensadas as exigências de 20% dos

brigadistas, desde que não afetem a segurança contra incêndio da edificação, e os

números mínimos de cada andar, setor, departamento, etc., sejam atendidos.

4.1.3.3 Em função das atividades necessárias

4.1.3.3.1 Equipe de comunicação

A equipe de comunicação é composta basicamente pela telefonista ou a

secretária ou o porteiro ou ainda todo o conjunto, mas deve localizar-se próximo a

saída ou a portaria.

4.1.3.3.2 Equipe de abandono

Equipe previamente designada por pavimento ou por seção, cuja função é o

encaminhamento ordenado, rápido e seguro de todas as pessoas do andar, através

da rota de fuga até o ponto de reunião. A composição deve ser de no mínimo dois

elementos e um chefe. Outras equipes no mesmo compartimento poderão ser

compostas apenas por dois brigadistas comandados pelo mesmo chefe:


30

Chefe da equipe de abandono

Equipe 1 Equipe 2, 3, 4.... (caso haja


necessidade)

- Brigadista de início de fila - Brigadista de início de fila

- Brigadista de fim de fila - Brigadista de fim de fila

4.1.3.3.3 Equipe de salvamento e primeiros socorros

Primeiro socorro é o primeiro atendimento prestado a uma pessoa

acidentada, com a finalidade de manter a vida, minorar a dor, evitar o agravamento

das lesões, até que seja atendida por um Médico ou Enfermeiro.

São requisitos básicos de um socorrista:

- Ter conhecimentos básicos de primeiros socorros;

- Ter iniciativa e agilidade;

- Manter-se calmo e transmitir segurança à vítima.

É importante que a equipe seja formada por mais de uma pessoa, para o

caso da necessidade de transporte da vítima ou de ser necessário chamar por

socorro enquanto se usam os procedimentos para reanimação, porém, pelo menos

uma das pessoas em cada equipe deve ter o conhecimento de primeiros socorros.

4.1.3.3.4 Empregados em geral

Todos os empregados da indústria devem conhecer o plano de emergência

da indústria, e conhecer suas atribuições, mesmo não sendo integrante da brigada.


31

Também devem colaborar de forma a que o plano possa ser executado

eficientemente.

4.1.3.3.5 Outros

Nenhuma ajuda é demais quando se trata de segurança. Por isso outras

pessoas são importantes na formação de brigadas de incêndio como apoio. São

eles:

O encanador e o eletricista são pessoas importantes pois podem ajudar,

durante uma emergência, em caso de alguma falha no sistema hidráulico ou elétrico

da indústria, garantindo o bom funcionamento dos equipamentos. Além disso, são

ainda mais importantes quando pensamos em prevenção. A verificação periódica de

todas as instalações de segurança e também do sistema de prevenção contra

incêndios pode garantir que, talvez, nunca seja necessário utilizar os serviços da

brigada.

O vigia, principalmente em indústrias onde não se tem turno noturno, é peça

imprescindível na composição da brigada, pois é ele quem deve avisar o Corpo de

Bombeiros e os responsáveis pelo comando da brigada, no caso de emergência,

nos horários fora do expediente.

Os vizinhos, como o vigia, também devem saber como e a quem avisar caso

vejam sinal de fogo ou fumaça no estabelecimento.

Como se pode ver, compor uma brigada de incêndio, não é nenhum

segredo. É necessário bom senso acima de tudo. Bom senso para ver que é

necessário pessoal para operar um equipamento disponível, para suprir todas as

necessidades que cada indústria tem, para não faltar pessoal na hora H, mas

também para não haver atropelos e confusões por excesso de pessoas sem

capacitação. Mas isto já é parte do treinamento das brigadas, o que veremos mais
32

adiante. Nem todas as brigadas precisam ser formadas com todos estes elementos

mesmo porque algumas indústrias nem possuem funcionários suficientes para

compô-la, mas é necessário bom senso para ver que em alguns casos, talvez, pode

ser necessário contratar pessoal para completá-la.

4.1.4 Atribuições das brigadas

Atuar como brigadista é como atuar em qualquer outra profissão. Existem

atribuições que são específicas de cada atividade, mas também existem atribuições

que são para todos. Todas as equipes devem, além do conhecimento específico à

atividade que executam, saber agir de forma a garantir que todo o plano de

prevenção e combate funcione perfeitamente. Como há o genérico, também existe

o específico. Cada elemento, dentro de sua equipe, tem suas funções peculiares,

sem as quais não haverá um bom andamento das atividades. É necessário que cada

um saiba as funções que lhe cabem quando for necessário. São atribuições gerais

dos brigadistas:

- Exercer a prevenção, combater princípios de incêndio, efetuar o

abandono e salvamento de acordo com as atribuições e os planos

existentes;

- Conhecer os riscos de incêndio da edificação;

- Conhecer todas as instalações da edificação;

- Promover medidas de segurança;

- Inspeção geral e periódica dos equipamentos de segurança;

- Inspeção geral das rotas de fuga;


33

- Conhecer os locais de alarme de incêndio e o princípio de acionamento

do sistema;

- Ter sempre a mão todos os telefones e ramais necessários;

- Orientação à população fixa e flutuante;

- Orientação a novos empregados;

- Conhecer o princípio de funcionamento dos agentes extintores;

- Atender imediatamente a qualquer chamado de emergência;

- Agir de maneira rápida, enérgica e consciente em situações de

emergência.

Em caso de emergência, conforme atribuições:

- Identificação da situação;

- Alarme / abandono;

- Corte de energia;

- Acionamento do Corpo de Bombeiros e/ou ajuda externa;

- Primeiros socorros;

- Combate ao princípio de incêndio;

- Recepção e orientação ao Corpo de Bombeiros.

4.1.5 Atribuições da equipe de comunicação

- Ter sempre a mão todos os telefones e ramais necessários;

- Acionar o alarme (se houver) ou fazer a comunicação da ocorrência;

- Acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros;


34

- Verificar se o LÍDER, CHEFE DA BRIGADA OU COORDENADOR

GERAL da brigada já foi avisado da ocorrência;

- Liberar a entrada do Corpo de Bombeiros, informando o local do sinistro;

- Não permitir a entrada de estranhos;

- Executar as ordens do LÍDER, CHEFE DA BRIGADA OU

COORDENADOR GERAL.

4.1.6 Atribuições da equipe de abandono

- Exercer a prevenção e efetuar a evacuação da edificação de acordo com

os planos existentes;

4.1.7 Atribuições da equipe de salvamento e primeiros socorros

- Aguarda a liberação do LÍDER, CHEFE DA BRIGADA OU

COORDENADOR GERAL para entrar em ação e mantém-se em

atenção a ele;

- Carrega consigo equipamento de primeiros socorros necessários;

- Verifica a integridade do local antes de entrar;

- Entra no local da emergência, se houver fogo, somente após orientação

do LÍDER, CHEFE DA BRIGADA OU COORDENADOR GERAL e sob

proteção da brigada de incêndio;

- Presta atendimento às vítimas, e providencia a remoção imediata do

local;
35

- Abandona o ambiente assim que não houver mais vítimas ou sob

orientação do LÍDER, CHEFE DA BRIGADA OU COORDENADOR

GERAL.

4.1.8 Atribuições dos empregados em geral

- Desligar todos os equipamentos elétricos próximos;

- Ao sair de um local, fechar as portas e janelas sem trancá-las;

- Abandonar o local, em ordem, sem empurrar, sem correr e em fila,


36

seguindo a orientação do BRIGADISTA DE FILA, dirigindo-se ao ponto

de reunião;

- Jamais usar o elevador;

- Jamais voltar, qualquer que seja o motivo;

- Ao usar a escada o fazer devagar, com a mão no corrimão e olhando

sempre para frente.

Para todos

Ao avistar o fogo:

- Acionar o alarme, se houver;

- Avisar imediatamente ao responsável pela comunicação e a algum

membro da brigada de incêndio;

- Seguir as suas atribuições.

Em situações extremas, em caso da impossibilidade de abandonar a

edificação:

- Procurar de alguma forma, sinalizar sua posição para que possa ser

socorrido;

- Se possível molharsuas roupas;

- Colocarum lenço molhado junto ao nariz e boca para filtrar o ar;

- Para se deslocar, o fazer abaixado, pois próximo ao piso a quantidade

de fumaça é menor;

- Nunca abrir uma porta se ela estiver quente e, mesmo que não esteja, o

fazer vagarosamente;
37

- Para atravessar uma barreira de fogo, molhar todo o corpo, roupas e

cabelo, protegendo o nariz com lenço molhado.

4.1.9 Identificação dos brigadistas

Para que se dê maior responsabilidade aos componentes da Brigada, os

mesmos usarão durante as horas de trabalho distintivo ou crachás e, ainda, terem a

sua disposição capacetes, botas e coletes para identificação, para serem utilizados

nos exercícios e nas situações reais de emergência.

4.1.10 Como e quando é necessária a ação da brigada de incêndio

A melhor forma de se acabar com um incêndio é não deixar que ele inicie.

Por isso, a primeira e principal ação, não só dos brigadistas, mas de todos, é a

prevenção. Prevenção é prever, é verificar todas as possibilidades e se antever,

evitando o aparecimento de um início de incêndio. Mas mesmo com prevenção,

casos podem ocorrer. Imaginem sem prevenção como fica.

O fogo tem vários estágios e em cada um destes estágios será necessária

uma forma diferente de atuação. Já foi dito que uma caneca de água pode apagar

um princípio de incêndio e é verdade. Grande parte dos incêndios inicia-se de um

minúsculo foco de fogo. Um cigarro jogado num cesto de lixo pode dar início a uma

pequena chama que por sua vez pode se alastrar e virar uma grande tragédia.

Porém, se naquele exato instante uma pessoa passa e vê o fogo iniciando, com uma

caneca de água pode apagá-lo. Mas, se ao passar pela sala, o fogo já se alastrou,

tomando conta de uma escrivaninha, por exemplo, uma caneca de água já não será

suficiente, mas talvez um balde. Mais eficiente seria utilizar um agente extintor

apropriado com dois ou mais aparelhos extintores, se as chamas já estivessem mais


38

alastradas. Já, numa segunda fase, a Fase do Incêndio Generalizado, que seria o

caso do fogo haver tomado conta de todo o ambiente, a sala toda, somente uma

brigada com linhas de mangueira seria capaz de extinguir o fogo ou pelo menos

impedi-lo de avançar até que o Corpo de Bombeiros assuma e inicie o combate. É

até este ponto que se espera que a Brigada de Incêndio atue. O problema é que

tudo isto pode levar apenas uns poucos minutos. Os primeiros 5 minutos são vitais

para a ação dos brigadistas. Estes 5 minutos podem significar a diferença entre um

fogo extinto ou um incêndio generalizado cujas proporções vão variar de acordo

coma carga de incêndio que o local oferece. Por isso, a função principal deste grupo

de brigadistas é a de estar em plenas condições em conhecimentos teóricos e

práticos das técnicas de combate ao fogo, extinguindo de imediato qualquer indício

de incêndio.

Tão rápido quanto à ação de combate ao fogo deve ser a ação das outras

equipes.

A EQUIPE DE COMUNICAÇÃO deve agir de forma eficiente e rápida

efetuando as comunicações necessárias. O Corpo de Bombeiros deve ser acionado

imediatamente, pois o tempo entre o aviso recebido e o deslocamento até o local

levará alguns minutos e, como já vimos, o tempo é vital. Para isso, o responsável

pela comunicação deve ter em mãos os números dos telefones que serão precisos e

saber explicar com clareza o local do incêndio e, na chegada do Corpo de

Bombeiros, indicar onde está ocorrendo o incêndio, os acessos, etc.

A EQUIPE DE ABANDONO, mais do que qualquer outra tem uma missão

muito importante, pois estão com as vidas das pessoas sob sua responsabilidade.

Sua habilidade é essencial, pois o tempo corre contra. Um vacilo e todo um andar

poderá ficar ilhado sem ter por onde sair. Muitas vezes, ser enérgico e duro será

requisito para manter a ordem e a calma e para ser eficiente no abandono do local.
39

Como a equipe de abandono, a EQUIPE DE SALVAMENTO E PRIMEIROS

SOCORROS, também trabalha com as vidas das pessoas, mas sua ação pode

depender muito da brigada de combate ao fogo, pois o resgate somente será

necessário se alguma coisa saiu errada. Ou o incêndio pegou de surpresa algumas

pessoas que, ficando ilhadas acabaram por asfixiar-se ou por sofrer queimaduras ou

por que, por alguma explosão, já se feriram no ato e inconscientes não

abandonaram o local. Fora isso, espera-se, a equipe de abandono deu conta do

recado e conseguiu evacuar o local sem deixar ninguém para trás.

4.1.11 Plano de emergência

É onde estão relacionadas às ações a serem tomadas em cada caso de

emergência. Os fatores fundamentais para o sucesso no combate a uma

Emergência são: a rápida identificação da Emergência e o correto procedimento

para eliminar tal ocorrência. É necessário um estudo de todo o ambiente de forma a

poder prever todas as possibilidades e relacionar as atitudes a serem tomadas:

Quem, Onde e Quando. Envolve também todos os recursos disponíveis ao combate

ao fogo.

Deve ser de conhecimento de toda a população fixa do estabelecimento e

auxiliares externos se houver.

Para montagem do plano de emergência devemos observar os

procedimentos básicos de emergência a seguir:

- Alerta
40

Identificada uma situação de emergência, qualquer pessoa pode alertar,

através dos meios de comunicação disponíveis, os ocupantes, os brigadistas e/ou o

apoio externo o Corpo de Bombeiros.

- Código de alarme

Cada indústria deve estabelecer um código de alarme de incêndio conhecido

por todos os funcionários, para poder reunir a brigada em um ponto predeterminado,

chamado ponto de reunião, onde os componentes da brigada receberão instruções

sobre o sinistro.

- Análise da situação

Após o alerta, a brigada, deverá analisar a situação desde o início até o final

do sinistro, e desencadear os procedimentos necessários, que podem ser

priorizados ou realizados simultaneamente, de acordo com o número de brigadistas

e os recursos disponíveis no local.

- Primeiros socorros

Prestar primeiros socorros às possíveis vítimas, restabelecendo suas

funções vitais, se for necessário, para eventual transporte e posterior socorro

especializado.

- Corte de energia

Cortar, quando possível ou necessário, a energia elétrica dos equipamentos,

da área ou geral.

- Abandono da área
41

Proceder ao abandono da área parcial ou total, quando necessário,

conforme comunicação preestabelecida, removendo as pessoas para local seguro, a

uma distância mínima de 100 m do local de abandono.

- Confinamento do sinistro

Evitar a propagação do sinistro e/ou suas conseqüências.

- Isolamento da área

Isolar fisicamente a área sinistrada, de modo a garantir os trabalhos de

emergência e evitar que pessoas não autorizadas adentrem ao local.

- Extinção

Eliminar o sinistro, restabelecendo a normalidade.

- Investigação

Levantar as possíveis causas do sinistro e suas conseqüências e emitir

relatório para discussão nas reuniões extraordinárias, com o objetivo de propor

medidas corretivas para evitar a repetição da ocorrência.

Observação: Com a chegada do Corpo de Bombeiros, a brigada deve ficar à

sua disposição.

Para a elaboração dos procedimentos básicos de emergência deve-se

consultar o fluxograma do anexo B.

- Identificação da brigada

a) Quadros de aviso ou similares devem ser distribuídos em locais visíveis e

de grande circulação, sinalizando a existência da brigada de incêndio e

seus integrantes em suas respectivas localizações;

b) o brigadista deve utilizar constantemente, em lugar visível, crachá que o


42

identifique como membro da brigada.

c) no caso de uma situação real ou simulado de emergência, o brigadista

deve usar, além do crachá, um colete ou capacete para facilitar sua

identificação e auxiliar na sua atuação.

- Comunicação interna e externa

a) As plantas em que houver mais de um pavimento, setor, bloco ou

edificação, deve ser estabelecido previamente um sistema de

comunicação entre os brigadistas, a fim de facilitar as operações durante

a ocorrência de uma situação real ou simulado de emergência;

b) essa comunicação pode ser feita por telefones, quadros sinópticos,

interfones, sistemas de alarme, rádios, alto-falantes, sistemas de som

interno etc.;

c) caso seja necessária a comunicação com meios externos (Corpo de

Bombeiros ou Plano de Auxílio Mútuo), à telefonista ou o radioperador

são os responsáveis por ela. Para tanto, é preciso que essa pessoa seja

devidamente treinada e que esteja instalada em local seguro e

estratégico para o abandono. A comunicação deve ser autorizada pelo

coordenador geral.

- Ordem de abandono

O responsável máximo da brigada de incêndio (coordenador geral, chefe da

brigada ou líder, conforme o caso) determina o início do abandono, devendo

priorizar o(s) local(is) sinistrado(s) e os locais de maior risco.

- Ponto de encontro
43

Devem ser previstos um ou mais pontos de encontro dos brigadistas, para

distribuição das tarefas.

- Grupo de apoio

O grupo de apoio é formado por membros da segurança patrimonial,

eletricistas, encanadores, telefonistas e técnicos especializados na natureza da

ocupação, que não participam da brigada de incêndio.

4.1.12 Organograma da Brigada de Incêndio

Conforme a NBR 14276, temos 3 exemplos de organograma da brigada de

incêndio:

Exemplo 1: Empresa com uma edificação, um pavimento e cinco brigadistas.

Exemplo 2: Empresa com uma edificação, três pavimentos e três brigadistas

por pavimento.
44

Exemplo 3: Empresa com duas edificações, a primeira com três pavimentos

e dois brigadistas por pavimento, e a segunda com um pavimento e quatro

brigadistas por pavimento.

4.1.13 O que é necessário treinar

As brigadas de incêndio são formadas, na sua maioria, por funcionários

voluntários que, a princípio, possuem pouco conhecimento da atividade de


45

Bombeiro. O ideal seria que as indústrias contratassem bombeiros profissionais para

esta função, mas sabemos que isto é fora da realidade.

A principal função destes elementos é a de estarem prontos para o combate

aos princípios de incêndio, procurando extingui-los com a maior rapidez possível,

evitando danos maiores à vida e à propriedade. Por estarem no próprio local de

trabalho e por conhecerem suas áreas e riscos, sua função é vital nos primeiros 5

minutos do combate e extinção do fogo, antecedendo a ação do Corpo de

Bombeiros que a esta altura já deverá estar a caminho. A eficácia deste grupo pode

ser a salvação de vidas e indústrias, por isso, o treinamento passa a ter uma

importância muito grande: transformar um grupo de voluntários numa eficiente

brigada de incêndios.

É um erro pensar que, sem treinamento, alguém, por mais hábil que seja,

por mais coragem que tenha, por maior valor que possua, seja capaz de atuar de

maneira eficiente quando do aparecimento do fogo.

Não existem regras definitivas e que resolvem tudo, mas existem regras

básicas para o treinamento.

O treinamento deverá ser prestado por pessoas com conhecimento e

habilitada para isto, como o Engenheiro de Segurança ou Técnico de Segurança.

Porém, um treinamento realmente eficaz pode ser prestado por firmas

especializadas, que possuem pistas próprias para a prática do combate ao fogo e

com equipes altamente especializadas. O Corpo de Bombeiros também pode

auxiliar no treinamento. Bombeiros profissionais prestam este serviço para indústrias

que muitas vezes os contratam para fazer parte de suas brigadas.

Todo treinamento deve passar pelo conhecimento teórico de tudo o que se

relaciona ao fogo, mas também deve haver um treinamento prático de todas as


46

atividades. É de fundamental importância o conhecimento e o estudo dos riscos que

existem dentro da própria indústria, para os quais serão voltados a maior parte dos

treinamentos.

A NBR 14276 nos fornece como currículo básico do curso de formação de

brigada de incêndio os itens do quadro a seguir:

A - Parte teórica
Módulo Assunto Objetivos
01- Introdução Objetivos do curso e o Conhecer os objetivos gerais do
brigadista curso, responsabilidades e
comportamento do brigadista.
02-Teoria do fogo Combustão , seus elementos e Conhecer a combustão, seus
a reação em cadeia elementos, funções, pontos de
fulgor , ignição, combustão e a
reação em cadeia.
03- Propagação do fogo Condução , convecção e Conhecer os processos de
irradiação propagação do fogo
04- Classes de incêndio Classificação e características Conhecer as classes de incêndio
05- Prevenção de incêndio Técnicas de prevenção Conhecer as técnicas de
prevenção para a avaliação dos
riscos em potencial
06- Métodos de extinção Isolamento, resfriamento, Conhecer os métodos e suas
abafamento e químico. aplicações.
07- Agentes extintores Água, ( jato/ neblina) , PQS, Conhecer os agentes, suas
CO2 , espuma e outros. características e aplicações.
08- Equipamento de combate a Extintores hidrantes, Conhecer os equipamentos suas
incêndio mangueiras EPI,corte, aplicações e manuseio.
arrombamento, remoção e
iluminação.
09- Equipamento de detecção, Tipos e funcionamento Conhecer os meios mais comuns
alarme e comunicações de sistemas e manuseio
10- Abandono de área Procedimentos Conhecer as técnicas de
abandono de área, saída
organizada , pontos de encontro
em chamada e controle de
pânico.
11- Análise de vítimas Avaliação primária e Conhecer as técnicas de exame
secundária. primário (sinais vitais) e exame
secundário ( sintomas, exame da
cabeça aos pés).
12- Vias aéreas Causas de obstruções e Conhecer os sintomas de
liberação obstruções em adultos, crianças
e bebês conscientes e
inconscientes.
47

13-RCP (reanimação Ventilação artificial e Conhecer as técnicas de RCP


cardiopulmonar) compressão cardíaca externa. com um e dois socorristas para
adultos crianças e bebês.
14- Estado de choque Classificação, prevenção e Reconhecimento dos sinais,
tratamento. sintomas e técnicas de
prevenção e tratamento.
15- Hemorragias Classificação e tratamento. Reconhecimento e técnicas de
hemostasia em hemorragias
externas.
16- Fraturas Classificação e tratamento. Reconhecimento de fraturas
abertas e fechadas e técnicas de
imobilização.
17- Ferimentos Classificação e tratamento. Reconhecimento e técnicas de
tratamento específicos em
ferimentos localizados.
18- Queimaduras Classificação e tratamento. Reconhecimento, avaliação e
técnicas de tratamento para
queimaduras térmicas, químicas
e elétricas.
(continua)

(conclusão)
A - Parte teórica
Módulo Assunto Objetivos
19- Emergências clínicas Reconhecimento e tratamento. Reconhecimento e tratamento
para síncope , convulsões , AVC
(acidente vascular cerebral) ,
dispnéias, crises hipertensivas e
hipotensivas, IAM ( infarto do
miocárdio), diabetes e
hipoglicemia.
20- Transporte de vítimas Avaliação e técnicas. Reconhecimento e técnicas de
transporte de vítimas clínicas e
traumáticas com suspeita de
lesão na coluna vertebral.
B- Parte prática
Módulo Assunto Objetivos
01- Prática Combate a incêndios. Praticar as técnicas de combate
a incêndio, em local adequado.
02- Prática Abandono de área. Praticar as técnicas de
abandono de área, na própria
edificação.
03- Prática Primeiros socorros. Praticar as técnicas dos módulos
11 a 20 da parte A
C- Avaliação
Módulo Assunto Objetivos
01- Avaliação Geral A avaliação teórica é realizada
na forma escrita,
preferencialmente dissertativa,
conforme a parte A, a avaliação
prática é realizada de acordo
com o desempenho do aluno nos
exercícios realizados conforme
parte B.
QUADRO 1 – Currículo básico do curso de formação de brigada de incêndio
Fonte: ABNT (1999)
48

5 CONCLUSÃO

Antes de se pensar em qualquer outra coisa, o mais importante é pensar em

prevenção. Fundamental é prevenir. Se a prevenção é perfeita nunca haverá

acidente, mas a prevenção perfeita não existe. Por isso, deve-se estar sempre à

procura de falhas, rever sempre os procedimentos e treinar. Treinamento é

essencial. Se houver falha na prevenção, uma equipe bem treinada conseguirá

evitar maiores danos à propriedade e à vida.

Uma equipe bem treinada deve antes de tudo ser uma equipe bem

dimensionada. Elementos que sabem de suas atribuições e que por isso têm uma

boa probabilidade de saírem-se bem quando o perigo aparecer, mas que também

fazem parte da prevenção, pois seus olhos bem treinados, estão atentos a todas as

situações.

O Corpo de Bombeiros não deve ser a única solução para os incêndios que

ocorrem, mesmo porque nem sempre existe uma unidade próxima, e é por isso que

as brigadas são importantes.

É sabido que os recursos necessários para a instalação de unidades do

Corpo de Bombeiros nas cidades que não os possuem são escassos, entretanto, se
49

houvesse um incentivo à formação das brigadas nas indústrias, estas mesmas

brigadas poderiam organizar-se e, desta maneira, supririam esta falta prestando, em

conjunto, auxílio também à comunidade e com uma grande eficiência, pois estariam

distribuídas por todas as áreas da cidade.

As Brigadas de Incêndio ainda são poucas e, na maioria, mal dimensionada.

Mas tudo isto pode e deve ser mudado. Este manual é uma pequena contribuição. O

restante virá de uma boa conscientização dos empresários e de um apoio das

autoridades.

6 SUGESTÕES PARA NOVOS TRABALHOS SOBRE O ASSUNTO

6.1 Manual de Dimensionamento da Brigada de Incêndio em Prédios

Residenciais;

6.2 Manual de Dimensionamento da Brigada de Incêndio em Parques de

Armazenamento de Combustíveis;

6.3 Manual de Dimensionamento da Brigada de Incêndio no Setor

Hoteleiro.
50

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14276 Programa de


brigada de incêndio. Rio de Janeiro: ABNT, 1999.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14277 Campo para


treinamento de combate a incêndio. Rio de Janeiro: ABNT, 1999.

ATLAS, Manuais de Legislação. Segurança e medicina do trabalho. São Paulo:


43. ed., 1999.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Como agir em caso de incêndio. Programa de


Divulgação de Segurança do Banco Central

CAMILLO JÚNIOR, A. B. Manual de Prevenção e Combate a Incêndios. 5. ed.


São Paulo: Senac São Paulo, 2004. 197 p.

EMBRATEL. Prevenção de incêndios e combate ao fogo. 3. ed. (Série Orientação


e Informação – Segurança do Trabalho), 1985.

IRB – Instituto de Resseguros do Brasil. Tarifa de seguro, incêndio do Brasil. n.


49, 18. ed. mar./1985.

PARANÁ. Estado do Paraná. Polícia Militar do Paraná. Corpo de Bombeiros do


Paraná. Código de Prevenção de Incêndios. 3. ed. rev. e ampl., 2001.

REVISTA PROTEÇÃO 10 ANOS, CD-ROM - Temas / Incêndio. Ed. 65-97, Ed. 69-
97, Ed. 05-89.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Polícia


Militar do Estado de São Paulo. Corpo de Bombeiros. Instrução técnica nº.
03/2004: Brigada de incêndio. Disponível em: <www.polmil.sp.gov.br>. Acesso em:
20 mar. 2005.
51

SÃO PAULO. Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Polícia


Militar do Estado de São Paulo. Corpo de Bombeiros. Instrução técnica nº. 17:
Brigada de incêndio. Disponível em: <www.polmil.sp.gov.br>. Acesso em: 20 mar.
2005.

SECCO, O. Manual de Prevenção e Combate a Incêndio. São Paulo: Empresa


Gráfica da Revista dos Tribunais, 1970.

TEXACO DO BRASIL S.A. Plano de Emergência e Combate a Incêndio. Curitiba,


nov. 1999.

www.sober.org.br. Lei nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Acesso em: 15 jan.


2005.

ANEXO A – Tabela do percentual de cálculo para composição


da brigada de incêndio (NBR 14276)
52

TABELA 1 - Percentual de cálculo para composição da brigada de incêndio


População fixa
Ocupação
por pavimento
Classe Subclasse Descrição Até 10 Acima de 10
Residencial I-1 Residências unifamiliares. Exemplos: Não há necessidade de
Casas térreas ou assobradas formação de brigada de
incêndio
Residencial I-2 Edifícios de apartamentos Fazem parte da brigada
Moradias de religiosos ou estudantes de incêndio todos os
empregados da edificação
Residencial II Hotéis, hotéis residenciais, flats, 50% 10%
apart-hotéis e motéis, pousadas,
balneários, pensionatos e albergues
Comercial III-1 Lojas, magazines, supermercados e 50% 10%
lojas de departamentos
Serviços em geral: assistência técnica
de aparelhos elétricos, oficinas
mecânicas, pinturas, lavanderias e
postos de serviço
Estúdios de televisão e de cinema
Comercial III-2 Centros comerciais (shopping centers) 50% 10%
e galerias comerciais
Escritório IV Escritórios, agências bancárias, 40% 10%
repartições públicas, instituições
financeiras e consultórios
Locais de reunião pública V-1 Religiosos, igrejas, templos, sinagogas, Faz parte da brigada de
mesquitas e outros incêndio toda a
Esportivos: ginásios, quadras, centros população fixa
esportivos, e academias de ginástica
Culturais: museus, bibliotecas e
galerias de arte
Locais de espetáculos: cinema,
auditórios, salão de festas ou de
danças, circos e exposições
Clubes sociais e recreativos
Locais de reunião pública V-2 Comerciais: locais para refeições 60% 20%
(bares, restaurantes, cantinas e boates)
e laboratórios de análise clínica
Locais de reunião pública V-3 Terminais e estações de embarque de 60% 20%
passageiros
Educacionais VI Escolas em geral: 1º,2º e 3º graus, Faz parte da brigada de
supletivos, pré escolas, creches, incêndio toda a
53

jardins de infância e escolas especiais população fixa


para deficientes e excepcionais
Centros de treinamento: escolas
profissionais e cursos livres
Institucionais VII-1 Serviços de saúde: hospital, 60% 20%
pronto-socorro, clínicas e postos de
saúde
Institucionais VII-2 Locais onde pessoas requerem Faz parte da brigada de
cuidados especiais: asilos, orfanatos, incêndio toda a
creches e casas de repouso população fixa
Locais com restrição de liberdade:
hospitais psiquiátricos, prisões, casas
de detenção e reformatórios
(continua)

(conclusão)
População fixa
Ocupação
por pavimento
Classe Subclasse Descrição Até 10 Acima de 10
Industriais VIII-1 Atividades que durante o processo 40% 5%
industrial, manipulam materiais ou
produtos classificados como de baixo
risco de incêndio. Exemplo: cimento,
líquidos não inflamáveis
Industriais VIII-2 Atividades que durante o processo 50% 7%
industrial apresentam médio potencial
de risco de incêndio. Exemplo:
indústrias metalúrgicas, mecânicas
Industriais VIII-3 Atividades que durante o processo 60% 10%
industrial apresentam grande potencial
de risco de incêndio. Exemplo:
marcenarias, colchões, gráficas, papéis,
refinarias, produção de líquidos ou
gases inflamáveis, mobiliário em geral,
tintas, plásticos, têxteis e usinas
Depósitos IX-1 Produtos incombustíveis ou baixo risco 40% 10%
de incêndio: cimento, pedra, artefatos
de concreto, cal, depósitos de ferros e
similares
Depósitos IX-2 Produtos combustíveis com médio 50% 20%
potencial de risco ou de produtos
acabados: depósito de papel, livros,
alimentos enselados, plásticos, roupas,
eletrodomésticos, materiais de
construção e atividades correlatas
Depósitos IX-3 Produtos combustíveis com elevado Faz parte da brigada de
potencial de risco: depósito de incêndio toda a
combustíveis ou inflamáveis (líquidos, população fixa
gasosos), aparas de papel, produtos
54

químicos, explosivos
Estacionamentos X-1 Locais cobertos, descobertos ou Faz parte da brigada de
construídos e garagens elevadas incêndio toda a
população fixa
Estacionamentos X-2 Garagens de ônibus 50% 10%
Estacionamentos X-3 Hangares e heliportos 70% 20%
Construções provisórias XI-1 Edificações em construção, canteiros 30% 5%
de obra, frentes de trabalho e
instalações destinadas a alojamento

ANEXO B – Fluxograma de procedimento da brigada


de incêndio (NBR 14276)
55

Fluxograma de procedimento da brigada de incêndio


NBR 14276 – Anexo B (normativo)
56