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A história do Power Pop Paolo Miléa

05/02/2007
Quando ela desfilou pelas paradas, uns assobiaram, outros cantaram. Houve quem batesse o pé ou balançasse a cabeça. Mas ninguém (ou quase ninguém) percebeu e identificou do que se tratava um dos maiores sucessos dos últimos tempos do rock brasuca: “Anna Júlia” é uma autêntica canção power pop. Mas o que é esse pop poderoso, uma vez o preferido das massas e em todas as outras um ilustre desconhecido? “Anna Júlia”, já descobrimos, é power pop. A frase “É impossível comer um só.”, do salgadinho famoso, é power pop. Aquele chiclete gordinho, macio por fora e cremoso por dentro, é power pop. A melodia mais fácil de se lembrar é power pop. Assobiar uma canção sem perceber é power pop. Pete Towshend, do The Who, foi o primeiro a juntar essas duas palavrinhas mágicas, power e pop, em 1966. Três anos antes nasceu provavelmente a primeira canção power pop da história: “It Won’t Be Long”, dos Beatles. Qualquer exame de DNA, de qualquer música do estilo, revelará traços da herança genética dos rapazes de Liverpool. “Eles são o Adão e Eva do gênero”, filosofa Bruce Brodeen, dono da Not Lame, maior gravadora power pop do planeta. “Alguma música existiria sem eles?”, pergunta por sua vez James Broad, líder da banda escocesa Silver Sun. Talvez a cultura pop não existisse sem eles... mas aí já é outra história. Somente no início da década de 70 identificou-se uma conjunção de características inerentes a certas bandas de rock que convencionou-se rotular de power pop. Essas bandas cresceram influenciadas pelas beat bands dos anos 60 (Beatles, Who, Kinks, Zombies), pitadas de Motown e surf music (principalmente Beach Boys) e tentavam reviver as glórias passadas de todo o movimento sessentista, utilizando-se de melodias pop grudentas, doces harmonias vocais e riffs energéticos de guitarra. Em 1970 os ingleses do Badfinger, apadrinhados por Paul McCartney, alcançaram o quarto lugar nas paradas britânicas e sétimo nas americanas, com “Come And Get It”, presente do padrinho McCartney. Se no início a forte ligação com os Beatles ajudou a impulsionar a carreira da banda. Depois de estabelecida, a proximidade com a maior banda de todos os tempos se mostrou traiçoeira. A crítica só referia ao Badfinger como “Beatles de segunda categoria”: por conta do padrinho; por gravarem pela Apple (gravadora de propriedade dos Beatles); por terem tirado o nome da banda da letra de uma música dos rapazes de Liverpool e por produzirem um som altamente influenciado pelos... Beatles! O declínio da banda e a falta de dinheiro levaram ao suicídio, em 1975, uma das mentes criativas do Badfinger, o guitarrista/vocalista Pete Ham. Em 78, os membros remanescentes reviveram o grupo, lançando um novo álbum no mesmo ano e um subseqüente em 81. Porém disputas judiciais e desentendimentos entre os próprios integrantes causaram outra tragédia: o suicídio do baixista/vocalista Tom Evans, em 1983. Outro ícone precursor do power pop foi o grupo americano The Raspberries. Liderado pelo vocalista/guitarrista Eric Carmen, o grupo obteve relativo sucesso comercial, chegando a emplacar um quinto lugar na parada americana de sucessos, com a arrasa-quarteirão de refrão grudento, “Go All The Way”. Lançaram, de 1971 a 1975, quatro álbuns, verdadeiras cartilhas do power pop. Eric Carmen, já em carreira solo, produziu mais alguns hits e ainda se mantém na ativa. Os outros exmembros andam ensaiando uma volta sob o nome Raspberries, sem a presença de Carmen.

Esse é o típico comentário mal humorado que pode convencer. Highlanders do pop 1991. Parecia uma cena do filme Coração Valente. juntamente com o seu líder Alex Chilton. Do outro lado do Atlântico veio a resposta ianque. Mas essas máquinas de rotulagem nunca foram lá muito precisas. os americanos de Memphis gravaram três álbuns considerados bíblias do gênero: # 1 Record. com meia dúzia de palavras. toda a produção armazenada nos porões do underground é incentivada a emergir e encorajar milhares de novos seguidores a reverenciar a majestosa melodia. Em entrevista. do país das Highlands. veio o contra-ataque power pop. do Material Issue e Girlfriend. uma miscelânea de rótulos e maneirismos musicais era ventilada por parte de críticos e DJs. Alguns heróis da resistência como The Plimsouls. a Escócia. o Big Star.Provavelmente a mais cultuada e injustiçada banda do estilo. tendo excursionado com a banda americana Posies como grupo de apoio. confundindo a tudo e todos. harmonias estilo Byrds e guitarras a la Who. nasceram duas obras americanas fundamentais ao power pop moderno: International Pop Overthrow. meio milhão de leitores a torcerem o nariz para o alvo da intempérie verbal. O momento era o início dos anos 80 e talvez ele tivesse razão. A partir dali. Ainda no ano de 1991. a história reservou uma irônica e desapercebida retomada. novas ”velhas” propostas são oferecidas ao moribundo power pop. Desligando o power “Esses grupos de power pop são uma porcaria”. Dwight Twilley Band. amargando um retumbante fracasso comercial. para o álbum de estréia do Weezer. Acabou morrendo em um acidente de carro. três meses após lançamento do álbum. The Knack. na época. “Sem dúvida a internet foi um dos fatores . Mas a opaca luzinha do stand by permaneceu bravamente acesa por longos dez anos. deprimido. número dois do Big Star. Talvez por isso nunca tenham tido.profetizou: “O importante não é fazer um disco relevante em 1991 ou 1992. trabalhando no restaurante de seu pai. exploraram temas e texturas mais pessoais e introspectivos – por vezes melancólicos. Chris Bell. em canções de amor cínicas e agridoces. Onde Duran Duran era power pop. Melodias generosamente besuntadas de mel. Norman Blake . canções de amor. Ou meia razão. ao (hoje extinto) semanário inglês Melody Maker. com o personagem de Mel Gibson levantando a saia escocesa e mostrando os fundilhos brancos. Radio City e Third/Sister Lovers (lançado apenas em 1978. Ou justas. quase transparentes aos fleumáticos ingleses: sim. mas ainda assim. estava de volta à sua cidade natal. Na época. sobrepostas com camadas de distorção aplicadas até o talo. não puderam evitar que a nova onda de sintetizadores desligasse o power de suas guitarras elétricas.líder do Teenage . porém iniciou-se uma nova revolução silenciosa. O sucesso comercial pleno não veio (com exceção de três anos após o ocorrido. Sob os ares revigorantes da nova década. compactados em não mais que dois ou três minutos de música. The Bongos. a new wave iniciava um processo de invasão das rádios comerciais e. Alguns apostariam até no entrelaçamento estético do power pop e punk rock. recebe o título de “Álbum do ano” em várias publicações especializadas pelo mundo afora. Replacements era new wave. através de melodias a la Beatles. que vendeu mais de dois milhões de cópias). Nesse mesmo ano. três anos após o fim da banda). quando os Ramones se utilizavam de melodias ganchudas e riffs cativantes. Bandwagonesque. de Matthew Sweet. O hoje incensado Alex Chilton permanece na ativa. o devido reconhecimento. mas fazer um disco que soará bem pelos próximos 50 anos. segundo álbum da banda escocesa Teenage Fanclub. e não da tradicional escola inglesa sixtie. aquela que preparou os recrutas da British Invasion e os transformou em heróis de todas as gerações do power pop.em sua última entrevista.” Com Bandwagonesque. Porque o comentário indignado partiu de ninguém menos que o maior crítico de rock da história – Lester Bangs . Entre 1972 e 1975.

dificilmente o power pop terá apelo comercial relevante no mundo atual da música. formaram bandas e prestaram a homenagem. gravadoras. o que vai goela a baixo. Vandalias. esperto é o infiel. se apaixonaram pela banda de Lennon e McCartney e toda a revolução músico-cultural que acompanhou a história do quarteto inglês. da Not Lame. por exemplo. Há quem ache. 90 querendo ser 60 Garotinhos curiosos. The Shazam e Jupiter Affect. Mas grandes bandas têm surgido em vários pontos do globo. mas quase sempre politicamente correta. com os dedos empoeirados de tanto fuçar a coleção de LPs dos pais. não é popular? Chris Colingwood. . idealizador do maior festival power pop do mundo – o International Pop Overthrow – e que sempre militou na cena por amor à música. The Merrymakers e Drowners na Suécia. relegada ao segundo plano. Sloan e The Flashing Lights no Canadá. O pop que não é popular Em um mundo onde prevalece a lógica do “menos é mais”. espontânea e original. explica Bruce Brodeen. esteticamente puro pop. a falta da rebeldia agressiva e ostensiva afasta o público juvenil. os Beatles estiveram ativos. revistas) está dominada por algumas grandes corporações americanas. os temas de amor. É a nova geração do power pop. erguendo a power pop music ao ponto em que ela se encontra hoje. “As bandas e fãs de repente estavam em conexão direta um com o outro. Fundamentalmente a cena mundial do power pop se concentra na terra do Tio Sam. Gigolo Aunts e Orange Peels. principalmente calcada no chamado ‘som Beatles’. o que engana. Cecilia Ann e Cooper na Espanha. incluindo a garotada. com refrãos memoráveis e melodias adesivas. por ser muito derivativo. Está dado o recado. 30 anos depois. TVs. E a melodia doce. A forte influência setentista esculpe o som das também americanas. que o problema é do próprio estilo. o amor pela canção e pela melodia deveria exigir qualquer esforço. Bandas americanas como The Mockers. Peppers. Cloud Eleven. Mas a verdade é que toda vez que toco power pop para o público mainstream. Chewy Marble. Eles acreditam que os garotos não iriam comprar porque não é [a música] “nervosa” suficiente. se esmeram na constante busca da canção pop perfeita. David. completa Brodeen. a qualidade e o talento dessa música também foram fundamentais nesse novo florescimento do estilo”. E a pergunta não cala: por que o power pop como estilo dos mais assobiáveis. Os garotinhos cresceram. baixista da banda americana Fountains Of Wayne tem sua tese: “Toda a mídia (rádios. ”vida boa” é o golpista. Se for bem mais fácil vender cem clones da Britney Spears. Silver Sun e Supernaturals na Escócia. eles simplesmente amam! Gostaria que os grandes selos e as rádios acordassem para esse fato!”. A estética sessentista revive. Fascinados pelos detalhes da capa de Sgt. Talvez essa seja uma visão vaga e simplista demais. como James Broad do Silver Sun. povoavam milhares de lares nos anos 70. a postura às vezes cínica. como: You Am I na Austrália. se mostra o sonhador de pés no chão: “Os grandes selos parecem não acreditar que há uma viabilidade ou talvez um grande e suficiente público para a power pop music. E hoje buscam apaixonadamente a possibilidade de reviverem épocas onde a juventude era mais ingênua. dos Beatles (e depois estupefatos com os detalhes sonoros que emanavam do vinil). O bom mocismo. Claro. e a busca pelo sucesso comercial. Os noventa querendo ser sessenta. é nisso que eles irão investir”. popular pode ser o que se vende. Já David Bash. Todos jovens não nascidos enquanto. E nessa revolução. os arranjos simples e a visão ingênua e sonhadora da vida acabam não interessando o ouvinte mais ‘maduro’. Fora em fenômenos isolados.importantes para essa retomada do power pop nos anos 90”.

respondeu David Bash. explica Bash.no lendário Cavern Club. O “P” de power. fundamentalmente. mas seu festival é reconhecidamente o maior festival power pop do planeta. Dura uma semana e ocupa o palco de diferentes locais por onde passa. Rodou primeiramente por Nova Iorque e Chicago. chefão e idealizador do International Pop Overthow. Ok. onde aparece o termo ‘power pop’.. pela primeira vez o IPO juntou mala e cuia e botou o pé na estrada. e Nashville”. como conta Bash: “Fizemos o IPO de Nova Iorque em dezembro de 2001 e o de Chicago em abril de 2002. Aí. Tudo o que posso fazer é me preocupar em descobrir mais dessas maravilhas para vender aos fãs que se importam com isso. Ela nunca me fará querer tocar guitarra no ar. retire o ‘power’”. com o giro internacional. mas se Britney Spears surtasse e exigisse lançar seu próximo disco pela Not Lame? “Simples. irremediavelmente. depois de checar as nossas perguntas enviadas por e-mail. fora de qualquer moda. que tirou a própria vida um pouco antes de eu começar o festival”. IPO. E por que essa música tão singela e agradável não é mais popular? “Tenho me dedicado a isso em tempo integral por onze anos e não tenho uma resposta. ser uma homenagem a um dos ícones do estilo. O IPO reúne todo ano cerca de cento e quarenta bandas de todo o mundo em várias cidades dos Estado Unidos e em Liverpool. A resposta seria não. e não com os porquês da indústria musical”. Tudo bem. Em 2001. Baltimore. Philadelfia. tudo muito bonito e idealista. Muitas bandas que nunca souberam da existência uma da outra têm tido a oportunidade de se conhecerem.” . Serviu também como um grande canal de escoamento da produção de centenas e centenas de novas bandas. o power pop estará. ex-funcionário de gravadora em Los Angeles. Bruce. Também nos esforçamos para fazer o estilo penetrar nos ouvidos e corações do público mainstream”. explorando um filão de amantes sedentos e carentes de boa música. o nome [que foi tirado do clássico álbum do Material Issue] é uma homenagem ao líder do Material Issue. em parte responsabilidade da gravadora de Brodeen. podemos até suprimir a tal palavrinha. “Nosso objetivo é reunir a cena pop [sem o ‘power’] de todo o mundo. São Francisco e deve chegar. a abreviatura IPO só ficará precisando de mais um “P” para estar plenamente justificado. resolveu seguir seu eterno sonho: montar uma gravadora especializada em power pop. entrega o romântico Bruce. e se lançou sobre o mercado via internet. de um requisito: me fazer querer ‘tocar guitarra no ar’ [quando estamos curtindo um som e tocamos uma guitarra imaginária. a Not Lame utilizou-se da nova tecnologia para o bem. Junto com a nova retomada do estilo nos anos 90. devolver troco errado for coisa de otário e se emocionar com a canção preferida for boiolice. O Festival mais pop – International Pop Overthrow “Por favor refaça suas perguntas. Canadá. Como diz o slogan da gravadora “Good Music For Good People” (“Boa Música Para Boas Pessoas”). Liverpool . especialmente o de Chicago! E mais recentemente fomos a Boston. agora em 2007. A gravadora mais power – Not Lame Recordings Há onze anos Bruce Brodeen. desabafa Brodeen. a Seattle e Vancouver. O próprio David confessa: “Sim.Enquanto oferecer uma flor à namorada for brega. Jim Ellison. depois de perder quase tudo em razão de uma forte recessão econômica. no ar]”. e ambos foram ótimos. “Uma banda para estar na Not Lame só precisa. Além do nome.. Baltimore. Atualmente a trupe pop também passou por Atlanta. David.

Wish Were Here – Badfinger (1974) – Segundo álbum lançado sem o carimbo maçã-verde da Apple. Segurança afirmada na beleza melódica de “Love Time”. “I Wanna Be With You” e “Overnight Sensation”. Bandwagonesque – Teenage Fanclub (1991) – Nunca antes haviam se fundindo tão harmoniosamente melodia e distorção em uma só peça. como “Go All The Way”. Riffs marcantes. o que em parte contribuiu para afastar a sombra intimidadora da comparação com a banda dos ex-patrões. 6. Foram necessários vinte anos para que seu apuro melódico. Dez entre dez bandas power pop veneram Alex Chilton e seu Big Star. Humilde como ele só. “Renee Remains The Same” e “Li’l Christine”. traz um Badfinger mais seguro e confiante do que uma pálida cópia dos Beatles. Tal chicletinho é power. tem dúvidas quanto a importância do próprio rebento. 2. 3. Wish. With The Beatles – The Beatles (1963) – A faixa “It Won´t Belong” abre o disco e inaugura todos os conceitos básicos do que viria a se chamar power pop. transformando-se em uma usina de hits. A urgência juvenil imprimiu refrãos pegajosos e pungentes à coleção de títulos com nomes de garotas: “Diane”. Mas. Tal salgadinho é pop.Há alguns meses Bruce desativou a gravadora por perda de dinheiro. melodia colante e letra ingênua camuflada em duplo sentido: “Não vai demorar até que eu pertença a você. yeah”. no hino rocker setentista “Just A Chance” ou no clima galopante country-pop de “Your So Fine”. Norman Blake. Collector Series – The Raspberries (1971-75) – Coletânea com os quatro álbuns da banda de Ohio. “What You To Me” e “Alcoholiday” injetaram energia e vitalidade nas veias do anêmico power pop de então. líder do Teenage. o grupo só colheu veementes fracassos comerciais. Pérolas pop de melodias angelicais entremeadas pelo poder do pedal Hat de distorção. 4. International Pop Overthrow – Material Issue (1991) – Jim Ellison (guitarrista/vocalista) tirou a própria vida antes de ver International Pop Overthrow nas listas de obras fundamentais do power pop. A nota triste: o guitarrista e vocalista Pete Ham se suicidaria meses depois. Big Star). Clássicos como “The Concept”... Na época considerado um sub-Beatles. “Valeria Loves Me”. Inclui seus maiores hits.. . no refrão candidato a hit de “Meanwhile Back At The Ranch Should I Smoke”. 1. 5. Ok. Atualmente a Not Lame funciona como loja online de CDs.. O álbum reciclou e mesclou suas influências sessentistas (Beatles) e setentistas (Cheap Trick. Eric Carmen e suas framboesas viraram referência de toda uma geração ao ir com desenvoltura da pegada rocker à balada romântica sem perder a intensidade melódica. personalidade ‘soul’ e hits potenciais fossem reconhecidos. e as BOLACHINHAS? Dez álbuns fundamentais do power pop. # 1 Record / Radio City – Big Star (1972-73) – Os dois primeiros álbuns condensados em um CD. yeah.

e dos mais representativos. segundo álbum do Mockers. lembra? 8. Apresentando o hit “Sick Of My Self” e gemas pop como “Not When I Need It”. “We’re The Same” e “Come To Love”. Depois questionado sobre quais seriam os álbuns mais relevantes do mesmo power pop. Living In The Holland Tunnel – The Mockers (2001) . não? 10. 9. voz limpa e belas harmonias vocais.Matthew Sweet (1995) – A crítica especializada diria que o álbum Girlfriend de 1991 é que deveria figurar nesta posição.. Silver Sun – Silver Sun (1997) – James Broad (guitarrista/vocalista) é um cara legal: perguntado por nós a respeito do power pop. está tudo lá: distorção cortejando a melodia. Mas o ano de 91 se encontra muito bem representado por Bandwagon e I.7. do Los Hermanos. Living In The Holland Tunnel. encarna a estética sixtie sem limites. Pergunte ao pessoal do Bidê ou Balde e Vídeo Hits. Simpático o rapaz.. permitindo que 100% Fun faça as honras da casa. Weezer – Weezer (1994) – Isso mesmo. é referência inclusive no cenário nacional. desprezou o termo e as características atribuídas ao estilo. batida energética e empolgante. como Beatles.. E. clássicos instantâneos decalcados direto na memória e canções pop perfeitas capturadas em algum túnel do tempo. quantas vezes ele ouviu esse disco antes de compor “Anna Júlia”. . colocou lá no topo da lista o primeiro do Silver Sun. em escala infinitamente superior aos ingleses da nova geração. Seguindo as lições dos conterrâneos do Teenage Fanclub em Bandwagon.. E para você. Acordes melódicos em progressões contagiantes.P. Who. ou Blue Álbum. os escoceses despejaram toneladas de distorção sobre harmonias vocais perfeitas e melodias bubblegum memoráveis.O fenômeno é intrigante: os americanos nos anos 90 absorveram e disseminaram o beat sessentista de bandas britânicas.. o guitarrista americano Matthew Sweet passeia por harmonias beatlenianas. presunto e orégano”. Weezer. melodias muito próximas às bandas do rock alternativo ianque e um timbre de voz entre Bob Mould (exHüsker Dü e Sugar) e Michael Stipe do REM. É só ouvir com atenção. Weezer é power pop. E “Anna Júlia” é power pop.O. James? O Silver Sun mescla. “queijo. ao Marcelo Camelo. Zombies. Kinks. 100% Fun .