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OPERANDO NA

Bolsa de Valores
A N Á LISE TÉCNICA
UTILIZANDO
Aprenda a identificar o melhor momento
para comprar e vender ações

Joseilton S. Correia

Novatec
capítulo 1

Por que
investir em
ações?

Basicamente, investe-se em ações por estar descontente com os


rendimentos oferecidos pela renda fixa.

Lembro-me de que antes de começar a investir em ações, ha-


via aplicado R$ 5.000,00 em dois fundos, sendo um deles CDB
(Certificado de Depósito Bancário), que oferecia segurança e
rentabilidade semelhantes às da poupança, porém com liqüidez
e rentabilidade diárias, e o outro um fundo referenciado DI que
procurava acompanhar a variação do CDI (Certificado de De-
pósito Interbancário). O fato é que após três meses de aplicação
nesses fundos, um deles havia rendido R$ 75,00 e o outro, cerca
de R$ 90,00 brutos. Isso era equivalente a uma taxa de rendi-
mento de aproximadamente 0,5% e 0,6%, respectivamente, ou
seja, um valor muito baixo para atender a meus sonhos. No final
dos três meses, como por brincadeira, comecei a investir uma
quantia pequena em ações, menos de R$ 1.000,00, mas por ter
comprado as ações certas, meu rendimento em uma semana foi
superior a 5% e tal fato me chamou a atenção, de modo que zerei
minhas posições em renda fixa e comecei a investir em ações de
forma séria.
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Além destes, existem também outros motivos para aplicar em
ações, tais como: utilizar os rendimentos obtidos como comple-
mento da renda principal, transformar as operações no mercado
financeiro na principal fonte de renda, desfrutar de uma atividade
sem chefes, sem horários e que pode ser desenvolvida em qualquer
lugar do mundo.

O fato é que o mercado oferece um desafio intelectual único


e uma oportunidade ímpar de ganhos para aqueles dispostos a
muito trabalho, dedicação e superação. É importante, no entanto,
ter em mente algumas questões básicas em relação à alternativa
de renda variável.

Em renda variável, sempre é possível errar e


perder
O mercado de renda variável leva este nome justamente porque
não é possível determinar, com absoluto grau de certeza, qual o
rendimento futuro de um investimento feito nessa modalidade.
Muito embora o investidor esforce-se ao máximo para determinar
que sua aplicação seja rentável, não há garantias disso.

Em algumas situações, o mercado pode oscilar bruscamente,


pegando de surpresa os desavisados. Por exemplo: as ações do Itaú
estavam cotadas a R$ 38,63 em agosto de 2007 e, em dezembro
desse mesmo ano, chegaram a valer R$ 50,48, ocorrendo uma
desvalorização de 44% no período. Se observarmos um período
posterior, de dezembro de 2007 a fevereiro de 2008, as ações
foram de R$ 50,48 para R$ 34,87, apresentando uma desvalo-
rização de 34%.

Não existe Bolsa segura


Em outubro de 2007, a Bovespa Holding resolveu abrir seu capital
18 lançando suas ações na Bolsa de Valores. No lançamento, as ações
Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica
tiverem uma valorização superior a 50% em um único dia. Esse
fato atraiu muitos novos operadores à Bolsa de Valores.

Esses novos “investidores” acreditavam que poderiam aumen-


tar o capital da noite para o dia desde que encontrassem uma
outra oportunidade como essa. Suas orações pareciam ter sido
atendidas, pois poucos meses depois saiu a notícia da oferta inicial
de ações (IPO) da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O
número de participantes foi tão grande que limitou o rateio em
R$ 1.200,00 por participante, decepcionando muita gente. Mas
as pessoas estavam iludidas pela ganância, dava para ver os cifrões
nos olhos desses novos investidores, e comecei a ouvi-las falando:
“Assim que abrir o pregão, eu entro comprando mais, afinal com
a Bovespa foi assim, ela abriu em um valor e depois ainda subiu
mais 30%. Vou aproveitar essa subida. Essa operação será uma
barbada, segurança total”.

O primeiro ponto extremamente relevante que esses inves-


tidores esqueceram é que não existe “Bolsa segura”. Bolsa é um
investimento de risco e a pessoa que quer operar no mercado
comprando e vendendo ações (IPO é uma forma de aplicar em
ações) precisa aceitar o risco para ter a chance de ganhar mais
do que na renda fixa e o risco é proporcional à possibilidade de
ganho. O resultado dessa IPO foi que as ações da BM&F abriram
com uma valorização de 25%, mas, ao contrário da Bovespa, não
continuaram subindo e despencaram, fazendo que muitas pessoas
desavisadas amargassem prejuízos altíssimos.

Portanto, é preciso ter em mente que ninguém acerta sem-


pre e que, em alguns momentos, prejuízos vão ocorrer, o que é
perfeitamente normal. O que fica ao alcance do investidor são
as maneiras de mitigar esse risco, o qual, mesmo assim, estará
sempre presente.

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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Cuidado com os falsos profetas
Os profetas da Bolsa, mais conhecidos como gurus, sempre
fizeram parte da história dos mercados e tenha certeza de que
continuarão a existir no futuro.

Nos tempos modernos, talvez os gurus sejam mais conhecidos


e famosos do que o eram há cem anos, mas isso é apenas conse-
qüência dos enormes progressos no âmbito das comunicações que
fazem que as notícias e opiniões corram o mundo em escassos
segundos e tudo ganhe uma dimensão maior. Mas, na essência,
nada mudou.

Geralmente, os gurus são analistas independentes que, por não


pertencerem a nenhuma instituição financeira, não possuem limites
em sua forma de investir, podendo desse modo ser mais arrojados
e obter resultados mais espetaculares. Como visto anteriormente,
a taxa de ganho é proporcional ao risco que se corre e como esses
gurus não têm nada a perder além do próprio capital, eles arriscam
muito mais do que os analistas ligados a uma instituição financeira
e, sem ninguém para fiscalizá-los, podem mascarar as perdas apre-
sentando apenas os ganhos que tiveram ao longo do tempo e que,
na maioria das vezes, será devolvido ao mercado.

Conhecer um guru é, para os investidores iniciados, um sonho


e – simultaneamente – a ilusão de que a fortuna está aí à porta,
mas é preciso saber que nenhum guru irá lhe deixar rico e que
ninguém consegue sobreviver no mercado sem desenvolver as
suas próprias aptidões e análises.

Os gurus surgem em virtude da preguiça que os investidores


têm de pesquisar para desenvolver os seus próprios métodos
operacionais. É muito mais fácil seguir os conselhos de alguém
do que freqüentar cursos, ter de ler vários livros e aprender por
conta própria. Além disso, seguir os conselhos do guru isenta o
iniciante da responsabilidade de decidir sobre quais ações com-
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Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


prar ou vender e, caso o investimento não saia como o esperado,
sempre será possível pôr a culpa em outra pessoa. O principal
problema que essa abordagem traz é que não permite ao investidor
evoluir com as perdas. Pode ser difícil de crer, mas são as perdas e
os insucessos que fazem os investidores evoluírem. Perceber onde
e por que falhamos é dar um passo muito importante na nossa
aprendizagem. Quem negocia apenas com base na opinião de um
guru não consegue tirar ilações das perdas, pois não identifica o
erro de análise que levou à perda. O único erro que identifica foi
ter seguido cegamente a opinião de alguém. E se tiver lucidez para
o fazer, talvez essa derrota seja mesmo sua grande vitória.

Como investidor inteligente, você precisa entender que, no


longo prazo, nenhum guru vai torná-lo rico. Você tem que tra-
balhar por conta própria, ler muitos livros, simular e desenvolver
estratégias. Ser paciente com o lucro e impaciente com a perda.

Prepare-se para a batalha


Todos que resolvem operar no mercado de ações enfrentam uma
grande batalha contra aqueles que querem tirar-lhe o dinheiro.
“Na natureza nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma.”
Essa frase de Lavoisier expressa muito bem o ciclo do dinheiro
no mercado de ações, afinal dinheiro não surge em árvores, o que
significa dizer de forma simples que quando alguém tem lucro,
em outro lugar com certeza alguém teve um prejuízo de mesmo
valor, por isso, na verdade, o que aconteceu foi que o dinheiro
saiu do bolso de A e passou para o bolso de B. Tudo que não
queremos ser neste momento é B.

Se fossemos disputar uma luta de boxe contra Sugar Ray


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quando ele estava no auge, a menos que por uma in-
tervenção divina (um lustre do ginásio poderia cair na cabeça
dele), certamente perderíamos. Entrar no mercado estando
despreparado seria como entrar num ringue de boxe contra um 21

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


grande campeão sem nunca ter treinado. Pesquisas mostram que
mais de 70% das pessoas que operam acabam perdendo dinheiro
consistentemente. A maioria dos investidores opera reagindo
emocionalmente ao movimento dos preços, sem nenhum tipo
de planejamento. O usual é a improvisação, a tomada de decisão
seguindo uma dica, uma notícia ou um boato; estes são os que
chamamos de “achistas”, ou seja, é aquela pessoa que compra ações
da Vale porque acha que o preço vai subir ou vende Petrobras
porque acha que o preço vai cair. Isso leva a pessoa a se transfor-
mar em presa fácil aos tubarões famintos que nadam calmamente
pelas águas do mercado, aguardando o momento para arrancar o
dinheiro do bolso dos despreparados. Não entregue seu dinheiro
facilmente.

Nessa batalha, o conhecimento será sua arma, por isso é preciso


estudar bastante, ler o máximo que puder sobre o assunto, fazer
cursos, definir sua estratégia e testá-la, se possível, com dinheiro
virtual. O site <http://emacao.folha.uol.com.br/> permite
fazê-lo e só depois de tudo isso você estará pronto para encarar
o mercado.

A boa notícia é que como você está lendo este livro, sei que
está trilhando o caminho certo.

Esqueça o pulo do gato


O trader iniciante, quando chega ao mercado pela primeira vez,
está à procura do que chamamos de “o pulo do gato”, ou seja,
daquilo que ninguém ensina, mas que transforma o trader comum
em um supertrader e, embora isso não exista, os novatos tendem
a acreditar que o pulo do gato está em descobrir a lógica linear
que existe por trás do mercado.

Acreditam que, por meio da observação das notícias e da


situação de determinada empresa, é possível tomar uma decisão
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Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


segura de compra ou venda e esquecem que o principal fator que
faz que os preços variem são os sentimentos humanos, sendo os
mais importantes os de medo e ganância e, como sabemos, muitas
vezes tais sentimentos são irracionais, explicando a falta de lógica
linear do mercado.

As pessoas compram porque acreditam que o preço vai subir e


vendem porque acreditam que o preço vai cair. Se a pessoa compra
e o preço cai, ela fica com medo e vende. Se ela vende e o preço
sobe, ela fica gananciosa e compra novamente. Esse é o motor do
mercado: a reação emocional ao movimento dos preços.

O canto da sereia do mercado


As sereias, segundo a mitologia grega, eram criaturas lindas que
cantavam com tanta doçura que atraíam para a morte os tripu-
lantes dos navios que passavam próximos a elas.

No mercado, muitas pessoas são atraídas pela ilusão de que é


possível multiplicar dinheiro, transformando um pequeno capital
numa fortuna, em um curto espaço de tempo. Apesar de essa
possibilidade existir, a chance disso acontecer é muito pequena,
talvez comparável à de ganhar na loteria, com a desvantagem
de que na loteria você investe apenas R$ 1,00 num bilhete e,
ao perder tal quantia, esta não fará nenhuma diferença em seu
orçamento.

O mercado de renda variável oferece a possibilidade de um


ganho maior do que as demais alternativas de investimento, caso
seja encarado de maneira séria. Praticamente todas as pessoas que
entram no mercado com o objetivo de multiplicar rapidamente
seu capital acabam perdendo tudo que investiram.

Minha mulher, ao ver meus ganhos na Bolsa, se interessou


pelo assunto, mas como não tinha nem conhecimento, nem
vontade de aprender mais a esse respeito, pediu que eu investisse 23

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


sua restituição do imposto de renda, o que fiz com muito gosto.
Transcorridas cerca de duas semanas, ela me perguntou como
andava o investimento e informei-lhe que já havia rendido 8%,
o que ela adorou, mas nas semanas seguintes o preço da ação que
eu havia comprado tinha variado bastante. No final do mês, ela
tornou a fazer a mesma pergunta e o rendimento havia subido
para 9% “apenas”, o que a deixou bastante chateada, a ponto de
me pedir o dinheiro de volta, pois, segundo ela, eu não estava
dando a devida importância ao dinheiro que lhe pertencia. Na-
quele dia tivemos uma briga feia por conta disso, mas hoje me
lembro desse episódio com bom humor, pois as pessoas passam
a vida inteira com seu dinheiro aplicado em cadernetas de pou-
panças e fundos de investimentos que rendem menos de 1% ao
mês e de um momento para outro um rendimento de 9% num
mês passa a ser pouco e elas querem arriscar ter 20%. É aí que
mora o perigo.

Os melhores fundos de investimento do mundo têm uma


rentabilidade média de 20% a 30% ao ano. Bons traders con-
seguem manter uma rentabilidade média anual entre 50% e
100%. Ter como objetivo uma rentabilidade maior do que essa,
principalmente se você estiver iniciando nessa atividade, é uma
ilusão perigosa que pode levá-lo em direção às rochas.

O sucesso não virá antes de muito trabalho


Em toda profissão que conheço, para a pessoa se tornar um
bom profissional é preciso anos de dedicação, investindo muito
tempo e dinheiro. Um advogado leva cinco anos para se formar
e depois tem que continuar estudando até conseguir obter a car-
teira da OAB, mais o tempo necessário para ganhar experiência
e finalmente poder advogar de forma satisfatória. No mercado
financeiro, a frase de Einstein que diz que “O único lugar onde
o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário” parece não se
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Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


aplicar. Vamos entender os motivos pelos quais isso acontece para
que não aconteça com você.

Na maioria das vezes, as pessoas entram no mercado com a


expectativa de que em pouco tempo estarão sabendo operar bem
e ganhando um bom dinheiro. Isso ocorre principalmente para
aqueles que entram no mercado durante uma tendência forte
de alta, em que todas as operações acabam dando certo, afinal o
mercado sobe a cada dia, trazendo ganhos a todos e transmitindo
a sensação de que é muito fácil fazer dinheiro no mercado. Desse
modo, as pessoas acabam operando cada vez mais, aumentando a
quantidade de dinheiro por operação e diminuindo as proteções,
afinal de contas, todos estão ganhando. Até que a tendência vira,
revelando a verdade e destruindo o capital das massas.

Entre meados de 1500 e 1636, a tulipa era uma flor rara na


Europa e logo passou a ser sinônimo de riqueza e ostentação.
Nessa época, Amsterdã controlava o comércio no noroeste da
Europa e com participação crescente na atividade comercial com
a América. O comércio da tulipa se tornou então muito atrativo.
Muitos investidores entraram nesse ramo, pois consideravam
o retorno de dinheiro algo certo, passando, então, a investir
freneticamente na tulipa, cujo preço logo se tornou totalmente
sobrevalorizado em relação ao valor real da planta. Um bulbo
de uma tulipa mais rara chegou a custar o equivalente a 10 mil
dólares atuais.

No entanto, uma crise surgiu inesperadamente. Em fevereiro


de 1637, a possibilidade de as tulipas se tornarem definitivamente
invendáveis foi mencionada pela primeira vez. Durante os quatro
meses seguintes, várias tentativas foram tomadas entre floristas,
produtores e governo para controlar a queda dos preços do bulbo
da tulipa, mas todas falharam. Em maio de 1637, o bulbo da
tulipa já não possuía mais valor financeiro algum.

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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Em 1987, o índice Dow Jones teve uma queda de 30% em
apenas um dia (foi o maior crash visto em todo o século 20). Em
valor presente, esse crash contabilizou a perda de US$ 7,5 trilhões
em um único dia.

Em outubro de 1997, houve a crise asiática, quando se com-


provou que, apesar da supervalorização dos mercados asiáticos,
os fundamentos macroeconômicos da economia de tais países
não estavam fortalecidos, o que gerou a quebra seqüencial desses
mercados.

Um dos crashes mais recentes foi o que ocorreu no início de


2000 no Pregão Automático da Associação Nacional dos Correto-
res (National Association Securities Dealers Automated Quotation
[Nasdaq]), em que havia uma expectativa otimista por grandes
retornos no mercado da chamada “Nova Economia” (empresas
ponto com). Os investidores esperavam um aumento expressivo
nas vendas de serviços de internet e outros produtos relacionados
ao mercado de computação. No entanto, essa expectativa não
foi atingida, levando ao colapso desse setor de mercado. Como
exemplo do ocorrido, nesse crash as ações da Linux Systems, que
abriram em 9 de dezembro de 1999 por US$ 239,25, fecharam
em 14 de abril de 2000 por US$ 28,94.

A história repete-se de tempos em tempos e faz que muitas


pessoas destruam a poupança de uma vida inteira. A grande
verdade é que aprender a operar no mercado custa tempo e di-
nheiro, como qualquer outra atividade que se queira desenvolver
de forma profissional. Para se chegar ao nível de um bom trader,
são necessários anos de preparo e prática. É essencial investir em
educação e contabilizar possíveis perdas iniciais como um gasto
que faz parte do processo de aprendizagem.

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Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


O mercado não é lugar para emoções
O mercado é movido por pessoas e as pessoas são movidas pelos
sentimentos de medo e ganância, mas se você quiser ser um
operador de sucesso, terá que deixar as emoções de lado e operar
com racionalidade.

Todas as vezes que operei movido por sentimentos de ganância


ou medo, perdi dinheiro, todas as vezes sem exceção. Por isso,
caso queira ter emoções, vá ao jogo de futebol de seu time do
coração ou a um casamento, mas jamais opere se perceber que
tais sentimentos estão lhe turvando a mente.

Preocupe-se em não perder dinheiro


Sempre que um operador novo entra no mercado, ele pensa que
sua função é aumentar seu capital ganhando dinheiro. Certo?
Errado! Sua primeira preocupação, como operador, é não perder
dinheiro. Recuperar um dinheiro perdido é muito mais difícil do
que ganhá-lo. Vamos entender o porquê.

Imagine que você entrou no mercado com R$ 10.000,00


querendo aumentá-lo, mas depois de algumas operações erradas
percebe que perdeu 50% de seu capital inicial ficando agora com
apenas R$ 5.000,00. Caso deseje recuperar o capital perdido, em
quanto precisará aumentar o capital que restou? Exatamente, pre-
cisará aumentá-lo em 100%. Por isso, quando você se preocupa
primeiramente em não perder dinheiro, tal preocupação termina
vindo por conseqüência.

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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Fundamentos do mercado de ações

Ações
São títulos negociáveis de renda variável que representam a me-
nor parcela do capital social da empresa que os emitiu. Por isso,
quando você compra ações de uma empresa, é como se possu-
ísse pedaços dessa empresa. As empresas precisam de dinheiro
para financiar suas compras, ampliar instalações, negócios etc.
Para não pegar dinheiro emprestado dos bancos, onde os juros
são altos, as empresas emitem ações para captar dinheiro sem o
pagamento dos juros. Para compensar, pagam aos acionistas a
participação nos lucros (dividendos). Esta é uma forma de con-
seguirem dinheiro com baixo custo. As ações podem ser de dois
tipos. Veja-os a seguir.

Ações ordinárias

Os detentores de ações ordinárias nominativas (ONs) têm o di-


reito de votar nas assembléias da empresa; no entanto, na maioria
das vezes, não têm poder de veto.

O direito de voto ganha relevância nos casos em que há diver-


gências entre os acionistas controladores. Veja, por exemplo, o
caso de uma empresa que tenha três sócios no controle e um deles
discorda sobre determinado assunto na assembléia. Esse sócio
pode, dependendo das circunstâncias, vir a ter direito de veto ao
se juntar a outros minoritários detentores de ações ONs.

O que torna as ações ordinárias ainda mais interessantes, contu-


do, para o investidor é o tag along. A Lei das Sociedades Anônimas
determina que todos os acionistas com ações ON tenham direito de
participar do prêmio de controle. Pela lei, esses acionistas possuem
o direito de receber por suas ações no mínimo 80% do valor pago
para o controlador em caso de venda da empresa.
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Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Ações preferenciais

As ações preferenciais nominativas (PNs) são aquelas que menos


protegem o acionista minoritário, porque não lhe dão o direito de
votar em assembléia e, ainda, em caso de venda da empresa, a lei
não lhe garante o direito de participar do prêmio de controle.

São ações típicas do mercado brasileiro. Não há ações com


essas características em mercados mais desenvolvidos, como o
americano, por exemplo.

No Brasil, no entanto, são as ações PNs as que geralmente têm


maior liqüidez, porque permitem que a empresa emita ações, sem
precisar ter sócios com direito a voto, não correndo assim risco
de perder o controle da empresa.

A nova Lei das Sociedades Anônimas limitou a emissão de


ações PN. Atualmente, ao constituir uma nova empresa, para cada
ação ON, a empresa pode emitir apenas uma ação PN. Antes essa
relação era de duas ações PN para uma ação ON. As empresas que
existiam antes da vigência da nova lei podem continuar emitindo
ações pela regra antiga.

Os acionistas preferenciais, como são chamados os detentores


de ações PNs, contudo, têm preferência no recebimento dos di-
videndos pagos pela empresa quando esta tem lucro. A legislação
estabelece dividendo mínimo obrigatório para as ações PNs, e se
a empresa não pagar dividendos por três anos consecutivos, as
PNs adquirem direito a voto.

Codificação adotada pela Bovespa


Na Bolsa, as ações recebem códigos que padronizam a negocia-
ção. Toda ação recebe um código de quatro letras e um número
(Figura 1.1). As letras indicam o nome da empresa e o número
representa o tipo de ação.
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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Figura 1.1  Codificação da ação do Bradesco.

Formas de negociação

As ações são negociadas normalmente em lotes, mas também


podem ser negociadas de forma unitária. Os lotes de ações po-
dem ser:
■ Lote padrão – é uma quantidade mínima de ações que pode
ser negociada em cada pregão. Geralmente é um número
inteiro múltiplo de 100, 1.000 e assim sucessivamente.
■ Fracionário – é qualquer quantidade de ações inferior ao
lote-padrão. Exemplo: o lote-padrão da Bradesco Preferen-
cial BBDC4 é de 100 ações. Caso você queira comprar 95
ações da BBDC4, número este inferior ao lote-padrão, será
necessário recorrer ao mercado fracionário, diferenciado
pela letra F ao final do código da ação BBDC4F. Caso você
compre 150 ações da BBDC4, sua compra será realizada
da seguinte forma: um lote-padrão BBDC4 + 50 ações no
fracionário BBDC4F.

Há uma grande desvantagem em operar no mercado fracio-


nário. Você, com certeza, já deve ter visto nas casas de câmbio
o dólar sendo vendido por um valor mais alto do que o valor
de compra, algo como venda a R$ 2,00 e compra a R$ 1,80. A
diferença entre o preço de compra e o preço de venda é chamada
de spread. No mercado de ações também existe o spread e quanto
menor a liqüidez do papel, maior será essa diferença, logo, como
o mercado fracionário tem uma liqüidez menor que a do lote pa-
30
drão, o spread no fracionário tenderá a ser maior. Você entenderá

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


melhor essa situação com o seguinte exemplo: No dia 25 de julho,
a VALE5 (lote-padrão) estava com ordem de compra a R$ 38,55
e ordem de venda a R$ 38,60, logo com spread de R$ 0,05, o que
demonstra excelente liqüidez. Já a VALE5F (fracionário) estava
com ordem de compra a R$ 38,50 e ordem de venda a R$ 39,48,
logo com spread de quase R$ 1,00. Parece pouca essa diferença?
Então observe o exemplo a seguir.

Você compra um lote-padrão da VALE5 ao preço de R$ 38,60.


O valor financeiro dessa transação será de R$ 3.860,00. A título de
exemplo, vamos calcular essa mesma quantidade de ações (100) no
fracionário. Você compraria VALE5F a R$ 39,48 e desembolsaria
R$ 3.948,00. O seu custo inicial aumentaria em 2,23%. Observe
que essa diferença já representa um valor superior à rentabilidade
de dois meses em um fundo de renda fixa.

Desta forma, dê preferência a negociar um número de ações


múltiplo do lote-padrão sempre que for possível.

Bolsa de Valores

São locais que oferecem condições e sistemas necessários para a


realização de negociação de compra e venda de títulos e valores
mobiliários de forma transparente. Além disso, têm atividade
de auto-regulação que visa a preservar elevados padrões éticos
de negociação e divulgar as operações executadas com rapidez,
amplitude e detalhes.

Bovespa é a sigla para Bolsa de Valores de São Paulo, que repre-


senta o maior mercado de negociação de ações da América Latina.

Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CCVMs)

São as instituições irtermediadoras das operações de compra,


venda e distribuição de títulos e valores mobiliários (inclusive
ouro) por conta de terceiros, seus clientes. 31

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Sua constituição está condicionada à autorização do Banco
Central, e o exercício de suas atividades depende de autorização
da CVM.

Distribuidoras de Títulos de Valores Mobiliários (DTVMs)


Têm faixa operacional mais restrita que as corretoras, pois não
possuem acesso às Bolsas. Suas atividades básicas compreendem
a intermediação de colocação de emissões de capital no merca-
do, subscrição isolada ou em consórcio de emissão de títulos e
valores mobiliários para revenda e operações no mercado aberto
(condicionada às exigências do Banco Central).

Mercado de Balcão
É um mercado aberto para títulos não cotados em Bolsa, per-
mitindo às empresas de menor dimensão a transação dos seus
títulos a custos substancialmente inferiores. Diz-se que um título
foi transacionado no mercado de balcão quando é transacionado
fora da Bolsa de Valores. Não é, portanto, um mercado organi-
zado onde se faz o encontro entre a procura e a oferta, mas sim
um conjunto de encontros particulares. É um mercado virtual,
dado que todas as transações são feitas apenas por telefone ou
via internet.

SOMA (Sociedade Operadora de Mercado de Ações)


É a empresa responsável pela administração do mercado de balcão
organizado no Brasil. Tem como objetivo oferecer um ambiente
eletrônico para negociação de títulos e valores mobiliários e
demais ativos financeiros ao mercado. A SOMA não possui um
recinto físico (pregão), sendo todas as negociações conduzidas
por computador, por meio de uma rede de aproximadamente
mil terminais, presentes em grande parte do território nacional.
A SOMA é uma instituição regida por normas e regulamentos
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específicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


CVM (Comissão de Valores Mobiliários)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada pela Lei


6.385/76, é uma autarquia federal que regula, disciplina e fis-
caliza as Bolsas de Valores, as companhias abertas, os fundos de
investimento e os mercados derivativos que tenham por referência
valores mobiliários.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que in-


vestidores tenham acesso a informações que confirmem a boa
qualidade das empresas abertas e dos fundos de investimento.
Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o
que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade
de acesso a informações relevantes de maneira uniforme.

Dessa forma é possível evitar o chamado insider information,


que é o uso de informações privilegiadas que vão beneficiar de-
terminado grupo de investidores em detrimento de outro.

CBLC (Companhia Brasileira de Liqüidação e Custódia)

Trata-se de uma sociedade anônima com a finalidade de prestar


serviços de compensação e liqüidação física e financeira das
operações realizadas nos mercados à vista e a prazo da Bovespa
e de outros mercados, fazendo também a operacionalização dos
sistemas de custódia de títulos e valores mobiliários em geral.

Quando compramos ações de uma empresa por intermédio


de uma corretora, essas ações ficam guardadas na CBLC e não na
corretora, o que aumenta a segurança nas transações envolvendo
ações, pois se sua corretora vier a falir, suas ações não serão perdi-
das, uma vez que se encontram sob a custódia da CBLC.

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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Dividendos

O dividendo é sua parte no lucro da empresa. Sempre que uma


empresa tem lucros, ela reserva parte desse resultado para distri-
buir aos seus acionistas. No Brasil, as empresas são obrigadas a
um pagamento mínimo de dividendos de 25% do lucro.

O retorno gerado com dividendos pode ser expresso pelo


dividend yield de uma ação, o qual é igual ao dividendo pago
dividido pelo preço da ação. No Brasil, o dividend yield médio
das empresas tem aumentado nos últimos anos.

De forma simples, os dividendos são como um aluguel, o


qual o inquilino (empresa) paga para o proprietário do imóvel
(acionista) toda vez que a empresa tem lucro. O pagamento dos
dividendos depende da política da empresa, podendo ser anual,
semestral, trimestral ou mesmo mensal.

Juros sobre o capital próprio

As empresas, na distribuição de resultados aos seus acionistas,


também podem optar por remunerá-los por meio do pagamento
de juros sobre o capital próprio. Para o investidor, a diferença
básica é que ao receber dividendo este não é tributado, pois a
empresa já o foi quando da apuração de seu lucro líquido. Mas
quando recebe o pagamento de juros sobre capital próprio, ele
tem de pagar imposto de renda sobre o total recebido.

Para a empresa, a grande vantagem do pagamento de juros ao


acionista é justamente a questão fiscal. Isso porque esse pagamento
pode ser contabilizado como despesa da empresa, antes do lucro,
o que representa um significativo benefício para a companhia.

A decisão de distribuir resultados via pagamento de juros


sobre capital próprio ao acionista compete à assembléia geral ou
ao conselho de administração da empresa ou à diretoria.
34

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Bonificação

Advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a


incorporação de reservas e lucros, quando são distribuídas gratui-
tamente novas ações a seus acionistas, em número proporcional
às já possuídas. Excepcionalmente, além dos dividendos, uma
empresa poderá conceder a seus acionistas uma participação
adicional nos lucros por meio de bonificação em dinheiro.

Bonificação não gera captação de recursos para a empresa


emissora, embora represente aumento de capital.

Split

Quando uma empresa quer tornar suas ações mais líqüidas no


mercado, substitui os papéis que estão em circulação e emite novas
ações com valor nominal menor do que o da emissão anterior,
porém em quantidades maiores.

Para o acionista, não há alteração sobre o montante financeiro


nem sua participação proporcional no capital da empresa. Nessa
operação simplesmente é feita a troca de ações de valores maiores
por várias ações de menor valor.

Por exemplo, vamos imaginar que você tenha um terreno de


1.000 m2 e queira vendê-lo por R$ 100.000,00, mas em razão
do alto valor você não consegue encontrar comprador, ou seja,
o terreno está sem liqüidez. Vendo isso, você resolve dividir seu
terreno em quatro lotes de 250 m2 e vendê-los por R$ 25.000,00
cada um. O que você fez, na verdade, foi tornar seu terreno mais
líqüido, sem, contudo, modificar o valor de seu capital.

Inplit

É um agrupamento de ações: o número de papéis em poder do


acionista diminui, sem alterar a participação dele no capital da
35

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


empresa, pois o valor nominal das ações se eleva proporcional-
mente. Isto já ocorreu, por exemplo, em decorrência da mudança
de padrão monetário, quando as cotações passaram a ser expressas
em lotes de mil ações. É exatamente o inverso do split.

Vamos imaginar agora que você tenha o mesmo terreno


do split, porém divididos em lotes de 10 m2 sendo vendidos a
R$ 1.000,00 cada lote. Como os lotes são muito pequenos, você
não consegue encontrar comprador, desse modo resolve agrupar
os lotes em tamanhos de 100 m2 e vendê-los individualmente
por R$ 10.000,00. Assim como no split, você apenas tornou seu
terreno mais líquido, sem, no entanto, alterar seu capital.

Subscrição

Ocorre quando a empresa necessita de recursos para financiar


investimentos ou modificar sua estrutura de capital e decide lançar
novas ações no mercado. O acionista tem o direito de subscrever
ações em quantidade proporcional à já possuída.

Para incentivar o investimento adicional nas novas ações, a


empresa procura estabelecer um preço de emissão inferior ao
da cotação em Bolsa de Valores. O direito de subscrição pode
ser negociado em Bolsa no período que antecede o término da
operação de aumento do capital.

Subscrição gera captação de novos recursos para a empresa


emissora.

Mercado primário

É o mercado onde as empresas que querem abrir seu capital co-


locam suas ações para serem vendidas pela primeira vez. As em-
presas recorrem ao mercado primário para completar os recursos
de que necessitam, visando ao financiamento de seus projetos de
36
expansão ou a seu emprego em outras atividades.

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Para entender as diferenças entre mercados primário e secun-
dário, podemos traçar um paralelo com a compra de um imóvel
que acabou de ser construído. Quando um comprador adquire
o imóvel diretamente da construtora, ele está fazendo uma
aquisição no mercado primário, isto é, ele se torna o primeiro
proprietário do referido imóvel. Quando, algum tempo depois,
esse proprietário vende o imóvel para outro comprador, a opera-
ção está ocorrendo no mercado secundário. No primeiro caso, a
construtora recebe o produto da venda, enquanto no segundo os
recursos ficam com o proprietário que vendeu o imóvel.

Mercado secundário

Chamamos de mercado secundário aquele em que os investidores


ou acionistas transacionam ações de sua titularidade. Ou seja, é
o mercado em que é possível comprar e vender ações já emitidas
e em circulação.

MEGABOLSA

MEGABOLSA é o sistema de negociação da Bovespa que processa


ordens de compra ou venda eletronicamente. Com isso, o processo
como um todo ficou mais justo e transparente ao permitir que
investidores, corretoras e agências de informação on-line (Vendors)
visualizem todas as ofertas – em tempo real – pela internet ou
por redes privadas.

Home Broker

Sistema lançado pela Bovespa em 1999 com o intuito de facilitar


e agilizar o processo de negociação, atraindo desta forma mais
pessoas físicas para o mercado de ações.

O sistema abriu a possibilidade de as operações serem feitas


por meio da internet, reduzindo os custos delas. Hoje é possível
37

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


operar na Bovespa de qualquer lugar do mundo a partir de uma
conexão com a internet. O sistema de negociação é bastante sim-
ples, com os usuários tendo acesso ao quadro de ofertas de cada
ativo, podendo colocar ordens de compra ou venda facilmente.

After Market

Horário estendido do pregão eletrônico que passa a funcionar


após às 17:45h até às 19:00h. Esse horário pode variar em fun-
ção do horário de verão. Isso possibilita o acesso de pequenos
e médios investidores que não têm chance de operar durante o
pregão principal.

Existem algumas restrições para se operar no After Market:


■ Limite máximo de operações de R$ 300.000,00 por CPF.
■ Somente para ativos que tiveram negociação no horário
regular.
■ A oscilação de preço nos negócios não pode ultrapassar
2% para mais nem para menos do valor de fechamento
do papel.
■ Não é possível operar opções.

Pregão

As negociações ocorrem no pregão, local em que se reúnem os


corretores para cumprir as ordens de compra e venda enviadas
pelos seus clientes. Nos últimos anos, o local físico de negocia-
ção tem perdido cada vez mais espaço para o pregão eletrônico,
em que as ordens são enviadas pela corretora por meio de um
sistema informatizado, conectando as Bolsas e as corretoras re-
motamente. Esse pregão ocorre diariamente das 10 às 17 horas.
Durante o pregão, os participantes enviam ordens de compra
38

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


das ações por intermédio das corretoras de valores. Essas ordens
são organizadas pelo sistema eletrônico da Bolsa e colocadas
em um quadro, onde essas ofertas são ordenadas seguindo dois
critérios: valor ofertado e horário da oferta. O sistema tem como
objetivo facilitar a formação dos preços da maneira mais justa e
transparente possível.

O sistema de negociação eletrônico visa a facilitar a colocação das


ordens e o fechamento dos negócios, assim como fazer valer a lei da
oferta e da procura, sem dar margem à manipulação dos preços.

Vejamos alguns exemplos de como esse sistema funciona na


prática, utilizando a tabela 1.1.

Tabela 1.1  Cotações de compra e venda

Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 2.000 39,56 147 800 39,70
77 500 39,55 147 200 39,70
114 2.000 39,50 77 1.500 39,75
37 3.700 39,50 45 10.000 40,00
90 800 37,20 39 500 41,33

O que acontece quando:

1. Você coloca uma oferta de compra igual ou superior à


melhor oferta de venda (1.000 ações a R$ 41,33)?

Nesse caso, como sua oferta de compra é superior à maior


oferta do mercado no momento (R$ 39,56), sua oferta irá
para o topo da lista, porém como existem 1.000 ações a
serem vendidas a R$ 39,70, o negócio será fechado nesse
valor e não a R$ 41,33 (Tabela 1.2).

39

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Tabela 1.2  Operação de compra

Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
78 1.000 41,33 147 800 39,70
37 2.000 39,56 147 200 39,70
77 500 39,55 77 1.500 39,75
114 2.000 39,50 45 10.000 40,00
37 3.700 39,50 39 500 41,33
90 800 37,20
Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 2.000 39,56 77 1.500 39,75
77 500 39,55 45 10.000 40,00
114 2.000 39,50 39 500 41,33
37 3.700 39,50
90 800 37,20

2. Você coloca uma oferta de venda igual ou inferior à melhor


oferta de compra (1.000 ações a R$ 0,01)?

Como sua oferta de venda é inferior à menor oferta de


venda do mercado (R$ 39,70), sua oferta irá para o topo
da lista, porém como existem 2.000 ações a serem compra-
das a R$ 39,56, o negócio será fechado nesse valor e não a
R$ 0,01 (Tabela 1.3).

Tabela 1.3  Operação de venda

Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 2.000 39,56 78 1.000 0,01
77 500 39,55 147 800 39,70
114 2.000 39,50 147 200 39,70
37 3.700 39,50 77 1.500 39,75
90 800 37,20 45 10.000 40,00
39 500 41,33

40

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 1.000 39,56 77 1.500 39,75
77 500 39,55 45 10.000 40,00
114 2.000 39,50 39 500 41,33
37 3.700 39,50
90 800 37,20

3. Você coloca uma oferta de venda menor do que a melhor


oferta de venda no mercado, entretanto maior do que a
melhor oferta de compra (1.000 ações a R$ 39,60)?

Nesse caso, como sua oferta de venda é inferior à menor


oferta de venda do mercado (R$ 39,70), sua oferta irá
para o topo da lista, porém como o melhor comprador
no momento quer pagar apenas R$ 39,56 por ação, não
haverá negócio até que entre um novo comprador querendo
pagar R$ 39,60 ou um novo vendedor disposto a receber
R$ 39,56 (Tabela 1.4).

Tabela 1.4  Compradores e vendedores não chegam a um acordo

Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 2.000 39,56 78 1.000 39,60
77 500 39,55 147 800 39,70
114 2.000 39,50 147 200 39,70
37 3.700 39,50 77 1.500 39,75
90 800 37,20 45 10.000 40,00
39 500 41,33

4. Você coloca uma oferta de compra igual à melhor oferta


de compra do mercado (1.000 ações a R$ 39,56)?

Nesse caso, como já existe uma oferta de compra nesse valor


e ela já estava lá primeiro, sua ordem será posicionada logo
abaixo dela (Tabela 1.5).
41

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Tabela 1.5  Ordens de mesmo valor

Código da Código da
Quantidade Compra Quantidade Venda
corretora corretora
37 2.000 39,56 147 800 39,70
78 1.000 39,56 147 200 39,70
77 500 39,55 147 200 39,70
114 2.000 39,50 77 1.500 39,75
37 3.700 39,50 45 10.000 40,00
90 800 37,20

Tipos de ordens
Ordens são instruções dadas por um investidor para que a socie-
dade corretora da qual é cliente compre ou venda ações.

Para enviarmos uma ordem, precisamos definir alguns passos:

1. Qual o código e tipo de ação (PETR4).

2. Se é uma ordem de compra ou de venda.

3. Temos que informar o tamanho da ordem, que pode ser


em quantidade de ações (1.000) ou o volume financeiro
(R$ 1.000,00). Sendo em volume financeiro, a própria
corretora irá informar quantas ações estaremos comprando
com o valor informado.

4. Tipo de ordem (stop, normal, start).

5. Prazo de validade da ordem que pode ser para o dia corrente


ou para uma data válida no futuro.

A figura 1.2 mostra uma tela-padrão de ordem de compra.

42

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Figura 1.2  Ordem de compra.

Ordem a mercado
É aquela que especifica somente a quantidade e as características
dos ativos, devendo ser executada a partir do momento em que
for recebida. Neste tipo de ordem você não define o preço de
entrada, entrando na melhor oferta do mercado no momento
em que a ordem for recebida.

Ordem limitada
É aquela a ser executada somente ao preço igual, ou melhor, do
que o especificado pelo cliente. Neste tipo de ordem você espe-
cifica a que preço deseja entrar ou sair do mercado. Por exemplo:
Quero comprar a R$ 50,00 ou quero vender a R$ 49,00.

Ordem administrada
É aquela que especifica somente a quantidade e as características
dos ativos ou direitos a serem comprados ou vendidos, ficando
a execução a critério da corretora.

43

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Ordem casada
É aquela cuja execução está vinculada à execução de outra ordem
do cliente, podendo ser com ou sem limite de preço. Neste tipo
de ordem, o corretor somente poderá efetuar a ordem se der para
fazer as duas operações.

Ordem de financiamento
É aquela constituída por uma ordem de compra ou de venda de
um ativo ou direito em um mercado administrado pela Bovespa,
e outra concomitantemente de venda ou compra do mesmo ativo
ou direito, no mesmo ou em outro mercado também adminis-
trado pela Bovespa.

Ordem de stop
A ordem de stop é uma das ferramentas mais importantes na
sobrevivência de um trader. Antes de nos preocuparmos com
quanto dinheiro estamos ganhando, devemos garantir a menor
perda possível. Operar sem stops é o mesmo que dirigir uma
Ferrari a 300 km/h em uma autopista, sem freios.

Todo bom plano tem de ter uma saída de emergência, senão


não é um bom plano. O stop é a nossa saída de emergência.
Devemos posicioná-lo de forma a que se nossa estratégia não
funcionou, e o mercado se virar contra nós, possamos encerrar
a posição com o menor prejuízo possível, antes que um estrago
maior seja feito na nossa conta.

Veja, a seguir, as ordens de stops existentes no mercado.

Stop de perda (stop loss)

Stop loss é uma ordem que o trader posiciona junto a sua corretora.
44 Se o preço da ação chegar a um determinado ponto, dado pelo

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


trader, a corretora efetuará a venda de toda ou parte da posição
do trader por um preço que ele também determinará.

Vejamos um exemplo prático:

Você monta uma operação de compra em cima de um suporte


(veremos com mais detalhes esse assunto adiante neste livro) para
um ativo XPTO4 a R$ 10,95. Assim que você efetua a compra,
deixa uma ordem de stop em R$ 10,75. Se o ativo perder seu
suporte e seguir caindo, atingirá seu stop e você será ejetado da
operação.

Como assim? Vou vender mais barato do que comprei? Sim,


você irá vender mais barato do que comprou e terá um pequeno
prejuízo, mas se a operação que você planejou para a ação não fluiu
da forma como imaginava, deve se livrar da ação o mais rápido
possível, pois já não consegue mais dizer para onde ela vai.

Para enviar uma ordem de stop loss é preciso seguir os seguintes


passos (Figura 1.3):

1. Qual o código da ação que deseja vender.

2. Quantidade de ações que deseja vender caso o stop seja


acionado.

3. O preço stop loss é o preço de gatilho da venda: quero colocar


minhas ações para a venda se houver uma negociação no
mercado a R$ 10,75.

4. O preço de venda é o preço pelo qual você deseja vender


suas ações, o qual deve ser inferior ou igual ao preço stop
loss sob o risco de não conseguir vendê-las.

Não existe nenhuma razão, em nenhum momento, para mudar


um stop que foi planejado anteriormente, quando você estava
calmo, sem pressão e tranqüilo. Uma vez estabelecido o stop, esse
foi o cálculo de perda com que você estava disposto a arcar, por
45

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


isso cumpra-o. Pode parecer fácil agora lendo o livro, mas uma
ordem de stop fere a nossa vaidade, pois significa ter de assumir
que erramos e, para muitos, tal atitude não é fácil.

Figura 1.3  Tela de ordem de stop loss.

Stop de ganho (stop gain)

Uma ordem de venda stop gain tem como objetivo permitir que
suas metas de ganho sejam quantificadas.

Por exemplo: você compra a ação da empresa XPTO4 por


R$ 100,00. Agora, você quer determinar um teto de ganho para
sua nova aquisição e define que quer rentabilidade de 25% a partir
da data da compra. Quando a ação chegar a R$ 125,00, você
irá vendê-la. Para isso, bastaria que você emitisse uma ordem de
venda stop gain com preço-alvo de R$ 125,00.

Da mesma forma que o stop loss, para aumentar a probabili-


dade de vender a R$ 125,00, sua ordem terá de ser enviada para
a Bolsa antes que o preço atinja esse preço. Logo, é necessário
configurar um preço de disparo do stop gain, por exemplo,
R$ 124,00. Quando o preço da XPTO4 atingir R$ 124,00, será
automaticamente disparada para a Bolsa uma ordem limitada na

46

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


quantidade especificada pelo preço de R$ 125,00. Desta forma,
você terá prioridade no caderno de ofertas sobre todas as ordens
enviadas depois que sua ordem foi disparada.

Vale destacar que, no stop gain, você pode colocar um preço


de venda igual ou superior ao preço de disparo.

Para enviar uma ordem de stop gain, é preciso adotar os se-


guintes passos (Figura 1.4):

1. Qual o código da ação que deseja vender.

2. Quantidade de ações que deseja vender caso o stop seja


acionado.

3. O preço stop gain é o preço de gatilho da venda: quero co-


locar minhas ações para a venda se houver uma negociação
no mercado a R$ 124,00.

4. O preço de venda é o preço pelo qual você deseja vender


suas ações (R$ 125,00), o qual deve ser igual ou superior ao
preço stop loss sob o risco de você não conseguir vendê-las.

Figura 1.4 Tela de ordem de stop gain.

47

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Stop móvel

Também conhecido como trailing stop, o stop móvel é, como o


próprio nome sugere, uma ordem stop que se move. É importante
ressaltar que o stop móvel se move somente para cima.

Para colocar uma ordem stop móvel, é necessário informar os


seguintes campos (Figura 1.5):

1. Preço stop – é o preço de disparo inicial. Sua ordem de venda


será disparada imediatamente ao atingir esse preço.

2. Preço de venda – é o preço real que você deseja vender seu


papel caso o stop seja disparado.

3. Início do móvel – é o preço a partir do qual o incremento


em seu stop começará. Deve ser uma cotação superior à
cotação atual do papel.

4. Ajuste inicial – é o valor que será adicionado aos parâmetros


de seu stop assim que a mobilidade deste for iniciada. O
valor mínimo deve ser de R$ 0,01.

Todo stop móvel tem validade até cancelar.

Para facilitar o entendimento, segue um exemplo.

Suponha que você tenha comprado uma ação a R$ 100,00 e deseje


colocar uma ordem de stop móvel para minimizar o risco dela.

Inicialmente, você não deseja perder mais que R$ 5,00 por


ação, por exemplo. Logo, poderíamos colocar o preço stop em
R$ 96,00 e o preço de venda em R$ 95,00.

Porém, você quer que a partir de R$ 105,00 o stop passe para


um valor superior. Ou seja, você deseja que a diferença entre
o máximo da cotação após você ter colocado o stop móvel seja
sempre de R$ 5,00 após essa ação igualar os R$ 105,00.
48

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Suponha que após você ter comprado a ação, a cotação atin-
giu os R$ 105,00. Imediatamente ao atingir esse preço, seu stop
será movido R$ 5,00 para cima a fim de efetuar o ajuste inicial
especificado por você e manter a diferença em reais a partir desse
ponto, ou seja, o novo preço stop será de R$ 101,00 e o novo
preço de venda, R$ 100,00.

Se a cotação da ação cair para R$ 103,00, seu stop não será


alterado e o preço stop continuará sendo R$ 101,00 e o preço de
venda, R$ 100,00.

Se a cotação subir para R$ 107,00, seu stop será movido


novamente a fim de manter a diferença entre a última cotação e
seu stop móvel, ou seja, o novo preço stop será de R$ 103,00 e o
novo preço de venda, R$ 102,00.

Note que a diferença é sempre mantida a partir do valor de


início do móvel entre o preço de venda e o preço máximo do
papel após sua compra ser efetuada.

Figura 1.5  Tela de ordem de stop móvel.

49

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Ordem de start
É uma ordem de compra de ações enviada à Bovespa, vinculada
a um preço máximo. Quando a ordem start é solicitada, o papel
em questão é comprado quando o preço no mercado atingir ou
ultrapassar o preço predeterminado pelo cliente (preço start). A
ordem start tem prazo de validade de 30 dias e, após esse período,
o investidor deve voltar a registrá-la caso ainda não tenha sido
executada.

Exemplo: Se um investidor deseja comprar uma ação apenas


após a confirmação do rompimento de uma resistência, ele poderá
determinar o valor de disparo da ordem e o preço limite a ser
pago pela ação. Suponha que uma ação esteja sendo negociada a
R$ 20,00, sua resistência é R$ 21,50 e o investidor queira com-
prar a ação apenas se conseguir o negócio acima dessa resistência.
Neste caso, poderá ser colocada uma ordem com o preço de start
a R$ 21,51 e o preço limite a R$ 21,60.

A figura 1.6 nos mostra uma tela de compra com start.

Figura 1.6  Tela de compra com start.

Fluxo da liqüidação das operações


Vamos ver agora como funciona o fluxo da liqüidação das ope-
rações. É importante conhecer seu funcionamento para evitar
50

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


problemas de inadimplência ou mesmo utilizar os dias a mais
como forma de captação de recursos.
■ D + 0 = Dia da operação, ou seja, é o dia em que você faz
a compra ou a venda do ativo.
■ D + 1 = Neste dia é preciso fazer a entrega das ações, mas
como os papéis agora ficam todos na CBLC, isso é feito
de forma automática.
■ D + 2 = Tem-se que entregar o dinheiro.
■ D + 3 = As ações saem da conta da CBLC do cliente A e
passam para a conta do cliente B na CBLC, já o dinheiro
sai da conta do cliente B e vai para a conta da corretora do
cliente A, tornando-se disponível para ele.

Custos operacionais
São todos os custos envolvidos no investimento em ações. Mui-
tos traders iniciantes se esquecem de contabilizar esses custos e,
por conta disso, terminam sem fôlego e morrem no meio do
caminho.

Paulo estava insatisfeito com os resultados obtidos na poupan-


ça e resolveu operar no mercado de renda variável comprando e
vendendo ações. Para isso, ele resolveu separar R$ 20.000,00 de
seu capital. Sabendo dos riscos, ele resolveu se preparar investin-
do em livros e cursos. Em um dos inúmeros cursos sobre análise
técnica, percebeu que iria precisar de uma ferramenta para análise
gráfica. Após pesquisar no mercado, terminou encontrando duas
ótimas ferramentas: GrafTools, que atualiza as cotações apenas no
final do dia e tem um custo de assinatura de R$ 50,00, e GrafTools
RT (Real Time), cuja atualização é on-line, mas tem um custo de
assinatura de R$ 200,00. Apesar de saber que não terá tempo de
acompanhar o mercado on-line em razão de seu trabalho, família
51

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


e outras atividades, Paulo é impaciente e diz que quer ver as co-
tações on-line optando por assinar o GrafTools RT de R$ 200,00
mensais. Esquecendo todos os demais custos que ainda iremos
ver, o que aconteceu aqui foi que Paulo já comprometeu 1% de
seu capital todo mês para pagar a assinatura da ferramenta, o
que significa que para começar a ter lucro com suas operações,
precisará ter um ganho mensal superior a 1% ao mês.

Agora que você já entendeu a idéia, vamos conhecer quais são


os custos operacionais.

Corretagem fixa
Corretagem é a taxa que sua corretora cobra para realizar opera-
ções na Bovespa para você. A corretagem será cobrada por ordem
executada e não por ordem enviada, ou seja, se você manda uma
ordem de compra para a Bovespa, a corretagem só será cobrada
caso alguém lhe venda a ação, o mesmo valendo para ordens de
venda.

A taxa de corretagem fixa no Brasil tem variado de R$ 10,00


a R$ 20,00, por isso é bom pesquisar bastante antes de escolher
sua corretora.

É importante saber que quando uma ordem é alterada, pas-


sa a ser considerada uma nova ordem e por isso será cobrada
novamente. Por exemplo: suponhamos que você mandou uma
ordem de venda de 1.000 ações da XPTO4 para a Bovespa. Após
a chegada da ordem, um primeiro comprador levou 100 ações,
um segundo levou mais 500 ações, um terceiro, mais 200 ações
e assim até terminar seu lote. Como você não fez nenhuma alte-
ração no lote inicial, isso foi considerado apenas uma ordem e,
por isso, cobrada apenas uma taxa, mas se no momento em que
foi vendido o primeiro lote de ações você fez qualquer alteração,
será cobrada uma nova taxa.
52

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Corretagem tabela
Neste tipo de corretagem, o custo é formado por um valor fixo
somado a um valor variável de acordo com o volume total de
operações realizadas no mesmo dia. Vejamos um exemplo con-
siderando a tabela 1.6:

Tabela 1.6  Custo de corretagem tabela

Valor da operação Taxa Custo fixo


Até R$ 135,05 0,00% R$ 2,70
De R$ 135,06 até R$ 498,61 2,00% R$ 0,00
De R$ 498,62 até R$ 1.514,68 1,50% R$ 2,49
De R$ 1.514,69 até R$ 3.029,37 1,00% R$ 10,06
A partir de R$ 3.029,38 0,50% R$ 25,21

Se você compra R$ 1.567,00 e vende R$ 355,00, seu volume


total no dia é de R$ 1.922,00. Como esse valor é maior que
R$ 1.514,69 e menor que R$ 3.029,37, seu custo de corretagem
será de (0,01*1922,00) + 10,06 = R$ 29,28.
Algumas corretoras cobram esse valor por operação, o que
aumenta bastante seu custo operacional.

Emolumento
São taxas cobradas pela Bovespa e pela CBLC (Companhia
Brasileira de Liqüidação e Custódia) por meio de taxa fixa para
cada tipo de operação ou produto. As operações normais têm
incidência de 0,035% e as Day Trade, de 0,025%.

Taxa de custódia
É uma taxa cobrada pela CBLC para poder guardar suas ações.
Seria o equivalente a um aluguel que a pessoa paga enquanto
estiver habitando na casa. 53

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Imposto de Renda (IR)
Diferente das outras formas de investimento, em que o imposto
é debitado direto da fonte e você não precisa preocupar-se em
fazer a declaração, o Imposto de Renda das ações precisa ser de-
clarado pelo trader. Sempre que você vende uma ação à corretora,
dispara para a Receita um aviso que chamamos de “dedo duro”,
informando que houve uma operação de venda.

A declaração do IR das operações de venda de ações segue


algumas regras, as quais veremos a seguir:
■ Somente se aplica sobre operações de venda no mercado
à vista superiores a R$ 20.000,00 no período de um mês
corrente.
■ Somente se recolhe imposto com valor superior a R$ 10,00.
Se for menor, soma-se a impostos nos meses posteriores.
■ Sobre o lucro são descontados os custos de corretagem e
emolumentos, além dos prejuízos anteriores.
■ Taxa de 20% em operações day trade (operações de compra
e venda no mesmo dia), sendo 1% na fonte.

■ 15% na venda de ativos no mercado à vista, sendo 0,005%


na fonte.

■ O recolhimento é feito via DARF (código 6015).

■ Deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao


da apuração.

Vamos a um exemplo prático para tornar mais fácil a com-


preensão:

■ Suponhamos que o valor líqüido das vendas que você


efetuou no mês de agosto de 2007 foi de R$ 23.845,12
54
(operações diárias apenas).

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


■ O seu lucro operacional foi de R$ 1.348,33. No mês ante-
rior, teve um prejuízo de R$ 53,25. Pagou de corretagem
R$ 283,15, de emolumento R$ 42,05 e já teve de imposto
retido R$ 15,85. Qual será o valor do IR a ser pago até 31
de setembro de 2007?

■ Como R$ 23.845,12 é maior do que R$ 20.000,00, é


obrigatório recolher o valor do Imposto de Renda se for
superior a R$ 10,00.

■ R$ 1.348,33 (lucro operacional) - R$ 283,15 (corretagem)


- R$ 42,05 (emolumento) - R$ 53,25 (prejuízo anterior)
= R$ 969,88 (lucro bruto).

■ Valor a recolher = R$ 969,88 x 15% = R$ 145,48 - R$ 15,85


(IR retido na fonte) = R$ 129,63 (valor a pagar).

■ Como R$ 129,63 é maior do que R$ 10,00, terá de ser re-


colhido esse montante até o dia 31 de setembro de 2006.

Tipos de investidores
Veja, a seguir, as possíveis abordagens que um trader pode assumir
no mercado.

Investidor

O investidor é um operador que atua no mercado seguindo a


filosofia do Buy and Hold, isto é, ele não compra uma ação
pensando em vendê-la no curto prazo, pelo contrário. Quando
esse tipo de operador compra uma ação, sua intenção é a de ser
sócio da empresa, incluindo-a como parte de seu patrimônio. O
desejo do investidor é comprar ações de empresas sólidas, que
sejam bem administradas, que estejam num setor aquecido do
mercado e que paguem bons dividendos.
55

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Para obter esse tipo de informação, os investidores utilizam
como metodologia para sua tomada de decisão a Análise Funda-
mentalista. Essa metodologia procura determinar o preço justo
de uma ação fundamentada na expectativa de lucros futuros das
empresas. O investidor não se interessa pelas movimentações de
preço no curto prazo e olha para o mercado cerca de duas vezes
por ano apenas.

Especulador

O trader ou especulador não está interessado em ser sócio da


empresa nem deseja transformar a ação comprada em parte de seu
patrimônio. Para ele, o que importa é entender os movimentos dos
preços no mercado para poder comprar e vender nos momentos
mais apropriados. Suas operações podem durar de segundos até
meses, mas dificilmente isso vai acontecer, pois o especulador
procurar obter lucro no curto prazo.

Utiliza como metodologia a análise técnica ou qualquer outro


método que facilite o entendimento das variações dos preços. Para o
especulador, a situação da empresa ou mesmo o ramo de negócio em
que atua não traz nenhuma informação relevante. O que interessa
para ele é observar o gráfico e extrair dele todas as informações de
que precisa para comprar e vender no curto prazo.

Por operar no curto prazo, o especulador é quem assume


praticamente todo o risco do sistema, dando em troca a liqüidez
necessária para que este funcione.

Fazendo uma analogia com um imóvel, o investidor seria o su-


jeito que compra um imóvel para alugar e procura obter o retorno
do investimento por meio do aluguel, enquanto o trader seria o
sujeito que compra o imóvel por achar que o preço está muito
depreciado, para revendê-lo em seguida, auferindo lucro.

56

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Gambler

O gambler é um operador que está no mercado para ser um joga-


dor. Ele vê o mercado da mesma forma que um apostador encara
uma casa lotérica, ou seja, fazendo uma “fezinha”; a diferença é
que suas apostas são muitos maiores. A metodologia usada por
esse tipo de operador é o Achismo. Depois de ouvir uma notícia
no jornal ou por meio de um amigo, ele compra uma ação porque
acha que vai subir ou vende porque acha que vai cair.

Esse tipo de operador também poderia ser chamado de caçador


de mico, pois adora papéis em centavos e altamente especulati-
vos. Normalmente está atrás dos ganhos foguetes, mas tudo que
consegue, na maioria das vezes, é perder dinheiro. Como um
alcoólatra que não consegue parar de beber, o gambler perde
consistentemente, mas não consegue parar de apostar até perder
o último centavo, pois está viciado na sensação de euforia que
o mercado lhe causa. Infelizmente, cerca de 80% do mercado é
formado por esse tipo de operador.

Usando o poder dos juros compostos


“O juro composto é a maior invenção da humanidade,
porque permite uma confiável e sistemática
acumulação de riqueza.” – Albert Einstein

Apesar de não parecer, juros compostos e investimentos em


ações têm tudo a ver. Aprenda a usar essa força a seu favor e você
poderá diminuir bastante os seus riscos. A melhor forma de des-
frutar sua força é começar a usá-la mais cedo.
Por exemplo, se você começar com um capital de R$ 20.000,00
apenas e todo mês investir mais R$ 200,00 com uma taxa de juros
de 5% ao mês, terá acumulado no final de cinco anos mais de
R$ 440.000,00. Em seis anos e meio, com a mesma taxa de juros,
terá conseguido seu primeiro milhão. Bons traders conseguem
uma taxa de 50% a 100% ao ano; tentar obter uma taxa maior 57

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


do que essa é submeter seu capital a um risco desnecessário que
pode, com o tempo, dilapidar seu patrimônio.

Apesar de tudo isso, por que a maioria das pessoas não se torna
milionária em menos de sete anos? Simplesmente porque como
qualquer outra meta, para se conquistar a riqueza, necessita-se
ter disciplina.

Ter disciplina implica ter um planejamento adequado, envolve


talvez ter de cortar gastos desnecessários hoje para poder desfrutar
benefícios melhores no futuro, significa ter paciência para ver o
dinheiro crescer aos poucos no início e, mesmo assim, resistir
à tentação de sair do plano. Investimento pode ser comparado
a plantar uma árvore. Durante um tempo, você não vê nada
acima da superfície, no entanto a semente está nas profundezas
expandindo as raízes para fixar-se, fortalecendo-se para que não
seja derrubada pelos ventos, até que quando você menos a espera,
rompe a superfície da terra e cresce atingindo alturas enormes.

Muitos investidores iniciantes acreditam que podem contar


com a sorte para alavancar os seus rendimentos. Para mim, sorte
significa aumentar as probabilidades de ganho a seu favor. Existem
quatro características dos juros compostos que trabalham a favor
de qualquer investidor e, à medida que você passa a utilizá-las,
sua sorte aumenta bastante.

Essas características estão fundamentadas em cálculos matemá-


ticos e devem ser seguidas por qualquer pessoa que deseje obter
sua independência financeira. Veja-as a seguir.

Comece a poupar e a investir o mais cedo possível

Quanto mais cedo você começar a investir, mais tempo o poder


dos juros compostos trabalhará a seu favor. Com mais tempo a
seu favor, você poderá diminuir o aporte inicial e também suas
contribuições mensais.
58

Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica


Vamos imaginar que dois irmãos desejem obter seu primeiro
milhão até os 35 anos. Um deles tem 20 anos e o outro, 25.
O irmão mais novo, para conseguir seu primeiro milhão em
15 anos, só precisa começar com um capital de R$ 5.000,00,
fazer depósitos mensais de R$ 50,00 e de uma taxa de juros de
3% ao mês. Com apenas isso, quando completar a idade de 35
anos, seu capital terá se transformado em R$ 1.361.689,06. O
irmão mais velho, por dispor apenas de 10 anos, terá que com-
pensar essa diferença de alguma forma. Por isso, para conseguir
ser milionário com 35 anos, precisará começar com um capital
inicial de R$ 10.000,00, fazer depósitos mensais de R$ 100,00 e
conseguir uma taxa de juros de 4%. Fazendo tudo isso, quando
tiver 35 anos, terá juntado R$ 1.380.782,01.

Não corra risco desnecessário


Quanto maior o percentual de ganho de seu investimento, mais
rápido você irá conseguir seu primeiro milhão. Pode não parecer,
mas um aumento de apenas 1% faz muita diferença. No exemplo
anterior, se o irmão mais velho conseguisse aumentar seu ren-
dimento para 5% ao mês, em vez de 4%, ele poderia reduzir o
prazo de 15 para 8 anos, quase a metade do tempo. Entretanto,
também é fato que os riscos de cada operação aumentarão à mes-
ma proporção que você deseja aumentar sua taxa de retorno.
Um capital perdido é muito mais difícil de ser recuperado do
que ser preservado.
Uma pessoa que possua um capital de R$ 100.000,00 e venha
a perder 25% desse capital, ficará com R$ 75.000,00. Se no mês
seguinte ganhar 25%, seu capital não será de R$ 100.000,00, mas
sim de R$ 93.750,00. Se, em vez de 25%, perder 50%, precisará
obter um ganho de 100% sobre o capital restante para voltar a
possuir os mesmos R$ 100.000,00. Caso a perda seja de 90%,
precisará obter um ganho de 900% apenas para voltar a ter o
capital com que começou. 59

Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?


Logo, quanto maior for sua perda em um mês, mais difícil será
recuperar o capital perdido. Por isso, é muito bom procurar obter
rendimentos superiores a 5% ao mês, mas será que o risco vale a
pena? Com 5% ao mês, ao final de um ano serão 60% de ganho
sobre o capital, um rendimento muito melhor do que qualquer
fundo existente atualmente.

Tenha paciência com seu capital

Pode ser que neste momento você esteja sonhando com tudo que
poderá comprar daqui a alguns anos, mas é preciso dar tempo
para que seu capital se desenvolva. No início, o processo é lento
e talvez desanime um pouco, mas continue firme em sua meta.

Vejamos, na tabela 1.7, a evolução anual de uma pessoa que


investe R$ 10.000,00 com depósitos mensais de R$ 100,00 e
taxa de juros de 5% ao mês.

Tabela 1.7  Evolução do capital em anos

Quantidade de meses Capital


12 R$ 19.550,28
24 R$ 36.701,20
36 R$ 67.501,79
48 R$ 122.815,24
60 R$ 222.150,23
72 R$ 400.541,61
84 R$ 720.906,90
96 R$ 1.296.236,90

Apesar de no primeiro ano o capital praticamente ter dobrado,


está tão longe da meta inicial que uma pessoa pouco disciplinada
pode desanimar e desistir do plano. Não permita que isso aconteça
com você. Visualize a linha de chegada em sua frente, comece a
60 correr e só pare quando chegar lá.
Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica
Não destrua seu lucro

No mundo consumista em que vivemos, onde somos valoriza-


dos pelo que temos e não pelo que somos, é muito fácil cair na
tentação de comprar um carro novo ou uma casa nova. Apesar
do status que esses bens lhe darão, devem ser considerados como
prejuízos que o afastarão de seu objetivo.

Conforme visto na tabela 1.7, ao chegar ao quinto ano, você


estará com um capital de mais de R$ 220.000,00. Talvez nesse
momento você pense: “Huuuuum! Já dá para dar uma entrada
de R$ 100.000,00 num bom apartamento e financiar o restante”.
O único problema é que esse valor corresponde a quase 50% de
seu capital atual e você aprendeu que um capital perdido é muito
difícil de ser recuperado. Lembre-se do que você quer e do porquê
de estar poupando e continue firme.

Pronto, agora você já sabe que os juros são seu maior aliado
na conquista de sua independência financeira. Procure aumentar
sua taxa de retorno, sem, no entanto, comprometer muito seu
capital. Talvez a melhor forma de fazer isso seja reduzindo os seus
custos operacionais.

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Capítulo 1 ■ Por que investir em ações?