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A composição dos Estados Gerais

Os Estados Gerais de 1789 compunham-se de 1.154 representantes:


291 deles eram deputados do clero, 285 da nobreza e 578 do Terceiro
Estado (ordem que, genericamente, abrigava o povo e a burguesia). Na
época, dos 25 milhões de franceses, apenas 120 mil pertenciam ao
clero e 350 mil à nobreza (subdividida em nobreza togada, e a de
"sangue", isto é, a aristocracia). Na representação dos Estados Gerais
convocados, o povo, que perfazia a imensa maioria, tinha só dois
parlamentares a mais.
As diferenças entre os deputados do Terceiro Estado, da nobreza e do
clero, não ocorriam só no comportamento e na maneira de vestir (os
deputados do Terceiro Estado eram obrigados a usar o preto, enquanto
os das ordens privilegiadas podiam trajar-se luxuosamente. Só não os
fizeram falar de joelhos como se dava no costume antigo). Nos debates
que convergiam para a formação de uma monarquia constitucional, os
representantes do Terceiro Estado insistiam na abolição de antigos
privilégios e na supressão da votação por estados. Desejavam que cada
representante tivesse direito a um voto, o que daria maioria, ainda que
apenas por dois votos, aos deputados do Terceiro Estado. Os eleitos
pelo clero e pela nobreza resistiam, insistindo em manter o antigo
sistema no qual cada ordem tinha um só voto, o que permitia aos
nobres e ao clero continuar controlando a votação.
Por detrás da insistência do Terceiro Estado, alinhava-se um
descontentamento generalizado com a monarquia, com a inépcia do rei
e com os desatinos da rainha Maria Antonieta, a Austríaca, pessoa das menos
estimadas pelo povo francês em todos os tempos.

Estados Gerais

Constituídos por representantes dos três Estados, são convocados em 1788 depois de 174 anos
de inatividade. A convocação resulta do fracasso da Assembléia dos Notáveis, reunida pela
monarquia em 1787 para resolver a crise financeira. Formada principalmente por nobres, a
Assembléia dos Notáveis recusa qualquer reforma contra seus privilégios. Para a Assembléia dos
Estados Gerais são eleitos 291 deputados do clero, 270 da nobreza e 610 do Terceiro Estado, dos
quais a maioria é burguesa.

Assembléia Nacional Constituinte

Os Estados Gerais começam seus trabalhos em maio de 1789. A divisão no clero e na nobreza
reforça o Terceiro Estado, que pretende ir além das reformas financeiras pretendidas pela
monarquia. Para garantir sua maioria, a nobreza quer que a votação seja feita por classe. O Terceiro
Estado quer a votação por cabeça e consegue, para esse propósito, o apoio dos representantes do
baixo clero e da pequena nobreza. A disposição da burguesia em liquidar o absolutismo e realizar
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reformas políticas, sociais e econômicas conduz, em junho de 1789, à proclamação em Assembléia
Constituinte.

No dia 14 de julho a multidão, que estava submetida as fortes tensões dos últimos dias, resolveu
atacar a Bastilha (uma fortaleza-prisão construída por Carlos V, entre 1369 e 1382, com oito torres,
muralhas de 25 metros de altura cercadas por fossos). Ela era o símbolo do despotismo. Pairava
sobre Paris como um feiticeiro, um bruxo, ou ainda um bicho-papão, que, saindo na calada da noite,
indo invadir as casas para arrancar suas vítimas do leito e do aconchego da família, as conduzia
algemadas, sem nenhuma formalização de culpa, para os carcereiros. Os habitantes de Paris
imaginavam-na um local onde o inominável acontecia. Diziam que torturas e punições indescritíveis
tinham seu sítio lá.

Era a representação concreta do pode-tudo dos privilegiados pois permitia aos nobres, graças às
cartas assinadas em branco pelo rei (as famosas lettres du cachet), a usar suas instalações como
cárcere dos seus desafetos.

O embastilhado necessariamente não era informado do seu delito, nem por quanto tempo ficaria
preso. Poderia ser encalabouçado por alguns meses, como ocorreu com Voltaire, ou chegar a cumprir
37 anos como se deu com o infeliz Latude.

Nos últimos tempos ela estava desativada. Quando a assaltaram havia apenas sete presos em
suas masmorras, nenhum deles fora detido por motivos políticos. Mesmo assim a sua sombra
parecia cobrir Paris inteira, sendo que do alto dos seus torreões as sentinelas posavam como se
fossem gárgulas vivas, os olhos do velho regime, tudo vendo, tudo cuidando, em estado de alerta
contra todos.

Eventos relevantes que precedem a Revolução


1740
• Guerra de Sucessão Austríaca (1740-1748) - o Estado francês
fica muito endividado.
1756
• Início da Guerra dos Sete Anos - agravamento da situação
financeira do Estado francês.

1774
• Coroação do rei Luís XVI em Reims.
1776
• O rei Luís XVI demite o ministro das finanças, Turgot.
• Início da Guerra da Independência Americana (1776-1783),
com importante auxílio financeiro francês à luta pela independência.
• Benjamin Franklin chega a França, onde passa a residir como
embaixador dos Estados Unidos da América (1776-1785).
1777
• Um ano de más colheitas vinícolas.
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1785
• Campanha contra Maria Antonieta, rainha de França - o Caso
do colar de diamantes.
1786
• Luís XVI e o Estado da França estão perante a ruína
financeira.
• Setembro: Tratado de comércio entre a França e a Inglaterra,
abre a porta aos produtos industriais ingleses levando à falência
muitos pequenos industriais e artesãos.

[editar] Fase Pré-Revolucionária


1787
• 22 de Fevereiro: Primeira Assembleia dos notáveis,
convocada por Charles Alexandre de Calonne num contexto de
instabilidade financeira do Estado e de renitência geral (entre outros
pela aristocracia) contra a imposição de novos impostos e reformas
fiscais.
• 1 de Maio: Étienne Charles de Loménie de Brienne substitui
de Calonne como Controlador-Geral das Finanças.
• 25 de Maio: Primeira Assembleia dos Notáveis dissolvida.
1788
• Formação do "Clube dos Trinta" contra Necker e o ancien
régime, iniciando uma intensa campanha de panfletos e brochuras.
• 8 de Maio: Luís XVI emite o Édito de Lamoignon, abolindo o
poder do parlamento no que respeita à revisão dos éditos reais.
1789
• 24 de Janeiro: Instabilidade geral, ocasionada pelas condições
económicas, converge para a convocação dos Estados Gerais pela
primeira vez, desde 1614.
• 5 de Maio: Abertura da reunião dos Estados Gerais em
Versailles.

[editar] Estados Gerais e Assembleia Constituinte


• 17 de Junho: O Terceiro Estado proclama-se "Assembleia
Nacional" - o início da Revolução política.
• 24 de Junho: Luís Filipe II, Duque d'Orleães liderando um
grupo de 47 nobres, junta-se aos revoltosos da Assembleia Nacional.

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• 27 de Junho: O rei Luís XVI aceita a demissão de Necker, seu
ministro das finanças.
• 9 de Julho: A Assembleia Nacional proclama-se "Assembleia
Nacional Constituinte".
• 12 de Julho: Início dos motins em Paris - a "jornada sinistra".
• 14 de Julho: Tomada da Bastilha - o ínício simbólico da
Revolução francesa.
• 15 de Julho: A "jornada sinistra" estende-se aos campos, com
pilhagens de igrejas, queima de colheitas, casas, etc..
• 28 de Julho: A Assembleia Nacional institui um comité de
investigação de "complots" aristocráticos.
• 4 de Agosto: Sob proposta do visconde de Noailles e do
duque de Aiguillon, a Assembleia Nacional suprime todos os
privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades
provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais.
• 26 de Agosto - "Declaração dos direitos do Homem e do
Cidadão".
• 10-11 de Setembro: Derrota dos monárquicos - afirmação da
Camara Única e rejeição do Veto Suspensivo do Rei.
• 2 de Novembro: Nacionalização dos bens de rendimento da
Igreja Católica para garantia dos assignats.
1790
• 19 de Abril: O Estado nacionaliza e passa a administrar todos
os bens da Igreja Católica.
• Maio - Publicação dos decretos de aplicação da abolição dos
direitos feudais; início do assalto e destruição dos arquivos notariais
e senhoriais.
• 12 de Julho: Constituição Civil do Clero.[1]
• No Verão de 1790: início da organização, sob inspiração de
Marat e Danton de "Les Cordeliers", que vêm a ser muito
reprimidos por Lafayette em Julho de 1791.
• 27 de Novembro: Sob proposta do protestante Barnave, a
Assembleia decide que todos os eclesiásticos católicos que se
mantivessem em funções teriam que jurar manter a Constituição
Civil do Clero.
1791

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• 22 de Maio: Lei que anula o direito de Petição colectiva.
• 14 de Junho: Lei de Le Chapelier proibe os sindicatos dos
trabalhadores e as greves, sob a ameaça de morte.
• 17 de Julho: Massacre do "Champ de Mars", em Paris, sob o
comando militar de Lafayette.

[editar] Assembléia Legislativa


• 1 de Outubro: Reunião da Assembléia Legislativa
• 9 de Novembro: Todos os emigrés são ordenados pela
Assembleia a regressar, sob a ameaça de morte
• 11 de Novembro: Luís veta a deliberação da Assembleia sobre
os emigrés.
1792
• Janeiro – Março : Desacatos por fome em Paris.
• 7 de Fevereiro: Aliança entre Áustria e a Prússia.
• 20 de Abril: A França declara a guerra contra a Áustria.
• 10 de Agosto–13 de Agosto: Ataque ao Palácio das Tulherias.
Luís XVI é preso, juntamente com a família
• 19 de Agosto: Lafayette foge para a Áustria.
• 22 de Agosto: Revoltas monárquicas em Bretanha, Vendeia e
Delfinado
• 2 de Setembro–7 de Setembro: Os Massacres de Setembro

[editar] A Convenção Nacional


• 20 de Setembro: Batalha de Valmy
• 20 de Setembro: Sessões finais da Assembleia Legislativa e
primeiro encontro da Convenção Nacional; voto unânime pela
abolição da monarquia
• 10 de Outubro: Os termos monsieur e madame são banidos
por decreto, para ser substituidos por citoyen e citoyenne
• 11 de Dezembro: Tem início o julgamento de Louis XVI pela
Convenção
1793
• 21 de Janeiro: Execução do Rei Luis XVI

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• 1 de Fevereiro: Declarada a Guerra com a Inglaterra, Holanda
e Espanha
• 14 de Fevereiro: A França anexa o Mónaco
• Março: revolta monárquica da Vendeia.
• 10 de Março: Estabelecimento do Tribunal Revolucionário
• 6 de Abril: O poder é concentrado no Comité de Segurança
Pública e no Comité de Segurança Geral
• 2 de Junho: 31 deputados Girondinos são presos
• 12 de Julho Revolta monarquista em Toulon
• 13 de Julho: Assassinato de Jean-Paul Maratpor uma jovem
girondina
• 27 de Julho: Robespierre torna-se membro do Comité de
Segurança Pública
• 23 de Agosto: Imposto sobre toda a população masculina, o
Levée en masse
• 17 de Setembro: É aprovada a Lei do Maximum Général: um
extenso programa de controlo de salários e de preços ; e a Lei dos
suspeitos
• 9 de Outubro: Lyon é retomada aos monárquicos por
republicanos
• 16 de Outubro: Execução da Rainha Maria Antonieta
• 31 de Outubro: Execução de líderes Girondinos
• 10 de Novembro: Abolição do culto de Deus: Culto da Razão
• Dezembro: Retirada dos aliados do outro lado do Rêno
• 8 de Dezembro : Madame Du Barry foi executada
• 19 de Dezembro: Os ingleses evacuam Toulon
• 23 de Dezembro: Batalha de Savenay esmaga a revolta
monárquica em La Vendée
1794
• 19 de Janeiro: Os ingleses desembarcam na Córsega
• 4 de Fevereiro: Abolição da escravatura nas colónias
• 24 de Março: Execução dos Hébertistas

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• 2 de Abril: Julgamento de Danton tem início
• 6 de Abril: Execuçao dos Dantonistas
• 8 de Junho: Festival do Ser Supremo
• 10 de Junho: Lei de 22 de Prairial, também conhecida como
"loi de la Grande Terreur"
• 26 de Junho: Batalha de Fleurus (1794) (Vitória francesa na
Bélgica)
• 2 de Julho-13 de Julho: Batalha de Vosges (vitória francesa
no Rêno)
• 27 de Julho: Queda de Maximilien de Robespierre (9
Thermidor)
• 24 de Dezembro: Anulação do maximum
1795
• 5 de Março: Tratado de Basiléia (A Prússia retira-se da
Guerra)
• 1 de Abril: Desacatos pelo pão em Paris
• 8 de Junho: Morte do dauphin (Luis XVII da França)
• 22 de Agosto: Constituição de 1795
1797
• 18 de Abril: Paz preliminar de Leoben
• 8 de Julho: República Cisalpina estabelecida
• 4 de Setembro: Coup d'Etat em Paris (Republicanos contra
Reacionários)
• 17 de Outubro: Tratado de Campo Formio
1798
• Fevereiro: República Romana é proclamada
• Abril: República de Helvetia é proclamada
• 21 de Julho: Batalha das Pirâmides
• 1 de Agosto: Batalha do Nilo
• 24 de Dezembro: Aliança entre Rússia e Inglaterra
1799

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• 17 de Julho–19: Batalha de Trebia (Suvorov vence Franceses)
• 24 de Agosto: Napoleão deixa o Egito
• 22 de Outubro: Rússia deixa a coalizão

[editar] Início da Era Napoleónica


Não há uma data precisa para o início da Era Napoleônica. O Golpe do 18 Brumário dissolveu o Diretório;
A Constituição seis semanas depois o dissolveu formalmente.
• 9 de Novembro: O Coup d'Etat do 18 Brumário: Fim do
Diretório
• 24 de Dezembro: Constituição do Ano VIII: Ditadura de
Napoleão estabelecida sobre a forma do Consulado

Da Assembléia dos Estados Gerais à Assembléia Nacional Constituinte


A bancarrota do Estado obrigou LUÍS XVI a demitir o ministro Brienne e a nomear novamente Necker. Para obter
sugestões, Necker sugeriu ao rei a convocação dos "Estados Gerais", assembléia dos representantes do 121 22 e
32 Estados, que não se reunia desde 1614. (1) "sans-culottes" (tradução: "sem-calças): população pobre de Paris,
formada pela massa de artesãos, aprendizes, lojistas, biscateiros e desempregados; teve importante participação
nos acontecimentos revolucionários de 1789 a 1794".

CARTA DE CONVOCAÇÃO DOS ESTADOS GERAIS EM VERSALHES:


1789 Por ordem do Rei.
Nosso amado e fiel. Temos necessidade do concurso de nossos fiéis súditos para nos ajudarem a
superar todas as dificuldades em que nos achamos, com relação ao estado de nossas finanças e
para estabelecer, segundo os nossos desejos, uma ordem constante e invariável em todas as
partes do governo que interessam à felicidade dos nossos súditos e à prosperidade de nosso
reino.
Esses grandes motivos Nos determinaram a convocar a assembléia dos Estados de todas as
províncias sob nossa obediência, tanto para Nos aconselharem e Nos assistirem em todas as
coisas que serão colocadas sob as suas vistas, quanto para fazer-Nos conhecer os desejos, e
queixas de nossos povos, de maneira que, por mútua confiança e amor recíproco entre o
Soberano e seus súditos, seja achado o mais rapidamente possível, um remédio eficaz para os
males do Estado e que os abusos de toda espécie sejam reformados e prevenidos. Dado em
Versalhes, em 24 de janeiro de 1789. Assinado: Luis. Secretário: Laurent de Villedeuil. Ponte:
MATTOSO, Kátia M. de Queiróz. Textos e Documentos para o estudo da História
Contemporânea, 1789-1963.(São Paulo, HUCITEC, Ed. da Universidade de São Paulo, 1977,).

Decidiu-se que os Estados Gerais se reuniriam em 12 de maio de 1789, constituídos em "ordens" independentes
cada uma com o mesmo número de representantes e votando separadamente, como em 1614. Com isso, a
aristocracia calculava contar com os votos do 1o. Estado (o Clero) e do 2o. Estado (a Nobreza), contra um voto
do 3o. Estado (a burguesia e o povo em geral), assumindo o controle de todas as decisões e és vaziando o poder
do monarca. Seria a vitória da aristocracia sobre o Rei e sobre a burguesia.

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A convocação para a eleição dos membros dos Estados Gerais trouxe grandes expectativas ao Terceiro Estado.
Panfletos e jornais circulavam pelas praças, esquinas e cafés difundindo as palavras de ordem criadas pelos
iluministas como: "cidadão", "nação", "contrato social", "vontade geral", "direito do homem", As discussões e os
debates ocorriam nos clubes patrióticos, nas sociedades literárias e nas lojas maçônicas existentes nas cidades
francesas, colaborando para a politização de seus membros e para a formação de opiniões.

A Tomada da Bastilha, por Jean-Pierre Louis Laurent Houel.


0 abade Sieyés foi autor de vários opúsculos que contribuíram para criar a consciência revolucionária do Terceiro
Estado. No panfleto "Qu 'est-ce que le Tiers Etat", ele fez progredir o debate sobre a 1 forma de convocação dos
Estados Gerais, quando indagava: 0 que é o Terceiro Estado? - Tudo. 0 que ele foi até agora na ordem política? -
Nada. - 0 que ele quer? Tornar-se alguma coisa." (CHAUSSINAND GARET, Guy. A queda da Bastilha. Rio de
Janeiro, Zahar, 1988, p.35).
Representando cerca de 97% da população do país, o Terceiro Estado conseguiu aumentar sua participação nos
Estados Gerais, elegendo 1 610 deputados (a metade da Assembléia), oriundos das fileiras da burguesia
(advogados, comerciantes, proprietários rurais, banqueiros), a elas se social que tinha um projeto político para
substituir o absolutismo, baseado nos princípios iluministas da igualdade perante a lei e do liberalismo político e
econômico.

A massa da população, formada por artesão, diaristas pequenos comerciantes, músicos, aprendizes, etc, não
participou das eleições, pois só podiam - votar aqueles que tivessem o ofício ou emprego público, grau
universitário ou de mestre de corporação e que pagassem pelos menos seis libras de imposto de capitação.

Para expor seus desejos e suas queixas, os eleitores de cada uma das três "ordens" redigiram seus "Cadernos de
Reclamações". De sua leitura depreende-se que o clero, a nobreza e a burguesia eram unânimes em reclamar a
liberdade individual e o direito à propriedade, bem como a elaboração de uma constituição que definisse
claramente os direitos do rei e os da nação, limitando assim o poder real. A nobreza e a burguesia queriam a
liberdade de imprensa; o clero opunha-se à -burguesia e o povo em geral exigiam a abolição dos privilégios e dos
direi tos feudais, contra os interesses do clero e da nobreza.

CADERNO DE RECLAMAÇÕES DO TERCEIRO ESTADO DA PARÓQUIA DE LONGEY-


ELEIÇÃO DE CHATEAUDUN, GENERALIDADE DE ÓRLEANS, BAILIA DO DE BLOIS.
Nós, habitantes da paróquia de Longey abaixo-assinados, tendo nos reunido em virtude das
ordens do Rei, na sexta-feira, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que segue:
Pedimos que todos os privilégios sejam abolidos.- Declaramos que se alguém merece ter
privilégios e gozar de isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois são os
mais Úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver.
Que até hoje foram quase os únicos a pagar os exorbitantes impostos de que esta província está
carregada; que os campos estão - arruinados e os cultivadores na impossibilidade de poder
manter e criar sua família; que à maior parte falta o pão, visto os impostos que os
sobrecarregam e as perdas que experimentam todos os anos, seja pela caça, seja por outros
flagelos.
Pedimos também que as talhas com as quais a nossa paróquia esta sobrecarregada sejam
abolidas; que este imposto que nos oprime, e que só é pago pelos infelizes, seja convertido num
só e único imposto ao qual devem ser submetidos todos os eclesiásticos e nobres sem distinção,

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e que o produto deste imposto seja levado diretamente ao Tesouro. *Pedimos ainda que não
haja mais gabela e que o sal se torne comerciável, o que seria um grande benefício para todo o
povo e principalmente para nós, habitantes do campo, que pagamos esta mercadoria muito caro
e que dela fazemos o maior consumo um imposto que nos e muito oneroso e prejudicial.
(Seguem-se 12 assinaturas.) (Mattoso, Kátia M. de Q., op. cit. p. 4/5.)

A instalação da Assembléia dos Estados Gerais deu-se a 5 de maio de 1789, em Versalhes. Os desentendimentos
entre os deputados começaram quando a burguesia propôs o voto por cabeça e as duas ordens privilegiadas não
concordaram. Durante um mês e meio, a nobreza e o alto clero recusaram-se obstinadamente a votar por
cabeça. Diante do impasse, no dia 17 de junho, os deputados do Terceiro Estado apoiados pelo baixo clero
proclamaram-se em Assembléia Nacional, decidindo não se separar antes de dotar a França de uma constituição.
Isso significa vã a transferência do poder do rei para os representantes da nação e o fim do absolutismo
monárquico.

Frente ao perigo que representava o poder da burguesia na Assembléia Nacional Constituinte, a aristocracia
recompôs-se com o rei, pregando a utilização da força para dissolver a Assembléia. Mas a revolução popular
impediu que isso acontecesse
Revolução Francesa
Pode se dizer que a Revolução Francesa teve relevante papel nas bases da sociedade de uma época,
além de ter sido um marco divisório da história dando início à idade contemporânea.

Foi um acontecimento tão importante que seus ideais influenciaram vários movimentos ao redor do mundo,
dentre eles, a nossa Inconfidência Mineira.

Esse movimento teve a participação de vários grupos sociais: pobres, desempregados, pequenos comerciantes,
camponeses (estes, tinham que pagar tributos à nobreza e ao clero).

Em 1789, a população da França era a maior do mundo, e era dividida em três estados: clero (1º estado),
nobreza (2º estado) e povo (3º estado).

- Clero
- Alto clero (bispos, abades e cônicos)
- Baixo clero (sacerdotes pobres)

Nobreza
- Nobreza cortesã (moradores do Palácio de Versalhes)
- Nobreza provincial (grupo empobrecido que vivia no interior)
- Nobreza de Toga (burgueses ricos que compravam títulos de nobreza e cargos políticos e administrativos)

Povo
- Camponeses
- Grande burguesia (banqueiros, grandes empresários e comerciantes)
- Média burguesia (profissionais liberais)
- Pequena burguesia (artesãos e comerciantes)
- Sans-culottes (aprendizes de ofícios, assalariados, desempregados). Tinham este nome porque não usavam os
calções curtos com meias típicos da nobreza.

O clero e a nobreza tinham vários privilégios: não pagavam impostos, recebiam pensões do estado e podiam
exercer cargos públicos.

O povo tinha que arcar com todas as despesas do 1º e 2º estado. Com o passar do tempo e influenciados pelos
ideais do Iluminismo, o 3º estado começou a se revoltar e a lutar pela igualdade de todos perante a lei.
Pretendiam combater, dentre outras coisas, o absolutismo monárquico e os privilégios da nobreza e do clero.

A economia francesa passava por uma crise, mais da metade da população trabalhava no campo, porém, vários
fatores ( clima, secas e inundações), pioravam ainda mais a situação da agricultura fazendo com que os preços
subissem, e nas cidades e no campo, a população sofria com a fome e a miséria.

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Além da agricultura, a indústria têxtil também passava por dificuldades por causa da concorrência com os
tecidos ingleses que chegavam do mercado interno francês. Como conseqüência, vários trabalhadores ficaram
desempregados e a sociedade teve o seu número de famintos e marginalizados elevados.

Toda esta situação fazia com que a burguesia (ligada à manufatura e ao comércio) ficasse cada vez mais infeliz.
A fim de contornar a crise, o Rei Luís XVI resolveu cobrar tributos ao povo (3º estado), em vez de fazer
cobranças ao clero e a nobreza.

Sentindo que seus privilégios estavam ameaçados, o 1º e 2º estado se revoltaram e pressionaram o rei para
convocar a Assembléia dos Estados Gerais que ajudaria a obrigar o povo a assumir os tributos.

OBS: A Assembléia dos Estados Gerais não se reunia há 175 anos. Era formada por integrantes dos três
estados, porém, só era aceito um voto para cada estado, como clero e nobreza estavam sempre unidos, isso
sempre somava dois votos contra um do povo.

Essa atitude prejudicou a nobreza que não tinha consciência do poder do povo e também porque as eleições
para escolha dos deputados ocorreram em um momento favorável aos objetivos do 3º estado, já que este vivia
na miséria e o momento atual do país era de crise econômica, fome e desemprego.

Em maio de 1789, após a reunião da Assembléia no palácio de Versalhes, surgiu o conflito entre os
privilegiados (clero e nobreza) e o povo.

A nobreza e o clero, perceberam que o povo tinha mais deputados que os dois primeiros estados juntos, então,
queria de qualquer jeito fazer valer o voto por ordem social. O povo (que levava vantagem) queria que o voto
fosse individual.

Para que isso acontecesse, seria necessário uma alteração na constituição, mas a nobreza e o clero não
concordavam com tal atitude. Esse impasse fez com que o 3º estado se revoltasse e saísse dos Estados Gerais.

Fora dos Estados Gerais, eles se reuniram e formaram a Assembléia Nacional Constituinte.

O rei Luís XVI tentou reagir, mas o povo permanecia unido, tomando conta das ruas. O slogan dos
revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Em 14 de julho de 1789 os parisienses invadiram e tomaram a Bastilha (prisão) que representava o poder
absoluto do rei, já que era lá que ficavam os inimigos políticos dele. Esse episódio ficou conhecido como "A
queda da Bastilha".

O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o povo que
invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido e os privilégios
tributários do clero e da nobreza acabaram.

No dia 26 de agosto de 1789 a Assembléia Nacional Constituinte proclamou a Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão, cujos principais pontos eram:

- O respeito pela dignidade das pessoas


- Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei
- Direito à propriedade individual
- Direito de resistência à opressão política
- Liberdade de pensamento e opinião

Em 1790, a Assembléia Constituinte reduziu o poder do clero confiscando diversas terras da Igreja e pôs o clero
sob a autoridade do Estado. Essa medida foi feita através de um documento chamado “Constituição Civil do
Clero”. Porém, o Papa não aceitou essa determinação.

Sobraram duas alternativas aos sacerdotes fiéis ao rei.

1ª) Sair da França


2º) Lutar contra a revolução

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Muitos concordaram com essa lei para poder permanecer no país, mas os insatisfeitos fugiram da França e no
exterior decidiram se unir e formar um exército para reagir à revolução.

Em 1791, foi concluída a constituição feita pelos membros da Assembléia Constituinte.

Principais tópicos dessa constituição


- Igualdade jurídica entre os indivíduos
- Fim dos privilégios do clero e nobreza
- Liberdade de produção e de comércio (sem a interferência do estado)
- Proibição de greves
- Liberdade de crença
- Separação do estado da Igreja
- Nacionalização dos bens do clero
- Três poderes criados (Legislativo, Executivo e Judiciário)

O rei Luís XVI não aceitou a perda do poder e passou a conspirar contra a revolução, para isso contatava nobres
emigrados e monarcas da Áustria e Prússia (que também se sentiam ameaçados). O objetivo dos contra-
revolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a monarquia absoluta (veja
Absolutismo na França).

Em 1791, Luís XVI quis se unir aos contra-revolucionários e fugiu da França, mas foi reconhecido, capturado,
preso e mantido sob vigilância.

Em 1792, o exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de
Valmy. Essa vitória deu nova força aos revolucionários franceses e tal fato levou os líderes da burguesia decidir
proclamar a República (22 de setembro de 1792).

Com a proclamação, a Assembléia Constituinte foi substituída pela Convenção Nacional que tinha como uma
das missões elaborar uma nova constituição para a França.

Nessa época, as forças políticas que mais se destacavam eram as seguintes:


- Girondinos: alta burguesia
- Jacobinos: burguesia (pequena e média) e o proletariado de Paris. Eram radicais e defendiam os interesses
do povo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, pregavam a condenação à morte do rei.
- Grupo da Planície: Apoiavam sempre quem estava no poder.

Mesmo com o apoio dos girondinos, Luís XVI foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793. A morte do rei
trouxe uma série de problemas como revoltas internas e uma reorganização das forças absolutistas
estrangeiras.

Foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário (responsável pela morte na
guilhotina de muitas pessoas que eram consideradas traidoras da causa revolucionária).

Esse período ficou conhecido como “Terror”, ou "Grande Medo", pois os não-jacobinos tinham medo de perder
suas cabeças.

Começa uma ditadura jacobina, liderada por Robespierre. Durante seu governo, ele procurava equilibrar-se
entre várias tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das
aspirações das camadas populares.

Robespierre conseguiu algumas realizações significativas, principalmente no setor militar: o exército francês
conseguiu repelir o ataque de forças estrangeiras.

Durante o governo dele vigorou a nova Constituição da República (1793) que assegurava ao povo:
- Direito ao voto
- Direito de rebelião
- Direito ao trabalho e a subsistência
- Continha uma declaração de que o objetivo do governo era o bem comum e a felicidade de todos.

Quando as tensões decorrentes da ameaça estrangeira diminuiram, os girondinos e o grupo da planície uniram-
se contra Robespierre que sem o apoio popular foi preso e guilhotinado em 1794.

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Após a sua morte, a Convenção Nacional foi controlada por políticos que representavam os interesses da alta
burguesia. Com nova orientação política, essa convenção decidiu elaborar outra constituição para a França.

A nova constituição estabelecia a continuidade do regime republicano que seria controlado pelo Diretório (1795
- 1799). Neste período houve várias tentativas para controlar o descontentamento popular e afirmar o controle
político da burguesia sobre o país.

Durante este período, a França voltou a receber ameaças das nações absolutistas vizinhas agravando a
situação.

Nessa época, Napoleão Bonaparte ganhou prestígio como militar e com o apoio da burguesia e do exército,
provocou um golpe.

Em 10/11/1799, Napoleão dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo chamado Consulado. Esse
episódio ficou conhecido como 18 Brumário.

Com isso ele consolidava as conquistas da burguesia dando um fim para a revolução.

A CONVOCAÇÃO DOS ESTADOS GERAIS

Os reis da França não convocavam os Estados Gerais - organização


integrada por representantes do clero, da nobreza e do povo - desde 1614.
Centralizadores, convictos do absolutismo, os reis franceses desprezavam
qualquer instituição que lhes criasse obstáculos ao uso irrestrito do poder.
Naquele início de 1789, no entanto, Luís XVI resolveu chamar aquela
antiga assembléia, cujas origens vinham dos tempos medievais, na
tentativa de resolver a grave crise financeira que se alastrava pela França,
ameaçando-a com o caos.

Em 24 de janeiro de 1789, o rei baixou um decreto instituindo as votações


para a sua composição, tendo sua primeira reunião marcada para cinco de
maio daquele ano, a ser realizada em Versalhes. O local não foi escolhido
ao acaso: o Palácio de Versalhes, a morada do rei e sede do governo, era
um templo de esplendor erguido por Luís XIV, o rei Sol, para celebrar a
magnificência do absolutismo. Luís XVI pretendia de certa forma
impressionar os deputados com a suntuosidade das instalações e também
não interromper as suas caçadas pelos bosques vizinhos, enquanto os
parlamentares tentariam tirar o reino do fundo do poço.

Thomas Jefferson, testemunha da cerimônia da abertura, comparou-a a


uma imponente ópera, porém pouco conseguiu ouvir do discurso do

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mestre de cerimônias M. Dreux-Brézé, e quando chegou a vez de Jacques
Necker, o celebrado ministro da Fazenda, além de sentir-se frustado com o
pouco espaço concedido por ele às grandes reformas constitucionais que o
Rapport du Roi, o Relatório do rei, prometera anteriormente, ainda que
criticasse "o desejo exagerado de inovação", fez um discurso
excessivamente técnico, recorrendo a palavras que poucos entenderam.
Necker, além de mencionar que todos estavam ali por benemerência do
rei, apresentou um déficit orçamentário de 56 milhões de livres (depois
descobriu-se que chegava a 162 milhões!), o qual convocava a nação a
pagar. Trocando em miúdos, a montanha parira um rato. Quando o rei e a
rainha se retiraram, ouviu-se um uníssono Vive le Roi! Foi a última vez que
escutou-se tal aclamação naquela assembléia.

A MERITOCRACIA CONTRA A ARISTOCRACIA

Em Versalhes, dois mundos se defrontaram. O primeiro deles era o mundo


do privilégio composto pelos homens e mulheres dos salões, dos castelos,
das mansardas, das grande propriedades fundiárias, um universo de bom
gosto, de requinte e refinamento, que a renda da terra e os direitos
feudais lhes asseguravam. Àquela altura, ele esteticamente se identificava
com o rococó e com as paisagens bucólicas, antigas ou atuais, escapistas
de um Boucher. A eles, muito próximo, encontrava-se a corporação
clerical, os príncipes da Igreja, os teólogos e reitores eminentes, os altos
dignatários que representavam os interesses de Roma no seio da
sociedade francesa. Depois de terem neutralizado, no século anterior, a
dissidência católica dos jansenistas, que tivera no filósofo Pascal a sua
maior expressão, o corpo sacerdotal enfrentou um duríssimo embate com
a família iluminista, particularmente contra o barão DHolbach, um ateu
assumido que exercera um grande influência, e contra Voltaire, que usara
o gênio e a pena como um mortífero florete para expor as contradições da
vida cristã e a hipocrisia do sacerdócio.

Naquele momento em Versalhes nobres e bispos irmanavam-se numa


frente em comum contra o absolutismo (desejavam a restauração de
antigas regalias suprimidas pelo rei) e contra o Terceiro Estado, que lá
estava justamente para lhes podar as vantagens, os favores e prebendas
escandalosas que ainda usufruíam.

O outro mundo, o mundo burguês, era o do trabalho, do comércio, do


negócio, da pequena fábrica, da vida sóbria em casas modestas, do ter
que suar para ganhar o pão de cada dia, de viver de empreendimentos, de
assumir riscos e, por vezes, desabar por causa deles. O seu dia-a-dia era
probo, economizando os tostões para não ter que mendigar na velhice. Do
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seu labor e dos seus próximos é que o reino extraía a prosperidade que
conheceu no século XVIII. Cada vez mais lhe parecia odioso o sistema
ainda vigente na França, onde justamente quem trabalhava de sol a sol
era punido com uma pesada canga tributária que lhe caía sobre as costas.
Sentia-se um atlas carregando um peso morto na garupa. Tinham, os
burgueses, que pôr um fim naquilo, ainda que não sabendo como, nem
quando. O sistema de ordens, os privilégios do sangue e da casta,
repentinamente pareceu-lhes insuportavelmente arcaico, injusto,
abominável. O mundo que almejavam era o dos talentos. O que eles
representavam eram a produção, os lucros e os salários, enquanto o outro
mundo, o do privilégio, vivia da renda, dos tributos e da servidão. Em
Versalhes, a meritocracia se insurgiria contra a aristocracia.

A COMPOSIÇÃO DOS ESTADOS GERAIS

Os Estados Gerais de 1789 compunham-se de 1.154 representantes: 291


deles eram deputados do clero, 285 da nobreza e 578 do Terceiro Estado
(ordem que, genericamente, abrigava o povo e a burguesia). Na época,
dos 25 milhões de franceses, apenas 120 mil pertenciam ao clero e 350
mil à nobreza (subdividida em nobreza togada, e a de "sangue", isto é, a
aristocracia). Na representação dos Estados Gerais convocados, o povo,
que perfazia a imensa maioria, tinha só dois parlamentares a mais.

As diferenças entre os deputados do Terceiro Estado, da nobreza e do


clero, não ocorriam só no comportamento e na maneira de vestir (os
deputados do Terceiro Estado eram obrigados a usar o preto, enquanto os
das ordens privilegiadas podiam trajar-se luxuosamente. Só não os fizeram
falar de joelhos como se dava no costume antigo). Nos debates que
convergiam para a formação de uma monarquia constitucional, os
representantes do Terceiro Estado insistiam na abolição de antigos
privilégios e na supressão da votação por estados. Desejavam que cada
representante tivesse direito a um voto, o que daria maioria, ainda que
apenas por dois votos, aos deputados do Terceiro Estado. Os eleitos pelo
clero e pela nobreza resistiam, insistindo em manter o antigo sistema no
qual cada ordem tinha um só voto, o que permitia aos nobres e ao clero
continuar controlando a votação.

Por detrás da insistência do Terceiro Estado, alinhava-se um


descontentamento generalizado com a monarquia, com a inépcia do rei e
com os desatinos da rainha Maria Antonieta, a Austríaca, pessoa das
menos estimadas pelo povo francês em todos os tempos.

A ASSEMBLÉIA NACIONAL
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De certa forma era previsível o que aconteceu. A nação emudecida por
dois séculos, tendo que assistir em silêncio respeitoso os desastres da
monarquia Bourbon, só contando com os homens de letras como seus
defensores, quando deixaram-na falar nos Estados Gerais, ela não mais se
calou. O próprio rei havia aberto as comportas. A enxurrada em breve iria
afogá-lo.

No dia 17 de junho, o Terceiro Estado, numa astuciosa manobra do abade


Sieyès, já em fase de pré-rebelião, proclamou-se Assembléia Nacional,
transformando-se em representante e órgão supremo do povo. Essa
medida provocou a indignação de Luís XVI, pois ele convocara os Estados
Gerais para que o auxiliassem a superar a crise, não para que se
revoltassem contra a sua autoridade. Mas o seu poder rapidamente entrou
em processo de corrosão. Parte da coragem dos representantes devia-se
aos chamados cahiers doléances, os cadernos de queixas, que continham
os reclamos do povo, trazidos por eles nas suas bagagens quando vieram
para a reunião em Versalhes. A insatisfação com o regime era evidente,
mas ainda estava longe de prever-se uma insurreição. As ordens
privilegiadas, a nobreza e o clero, quando sentiram que o rei pouco mais
poderia lhes dar, começaram a debandar para o lado do Terceiro Estado.

Em 20 de junho, o rei ordenou a dissolução da assembléia, mandando a


guarda suíça evacuar a sala dos trabalhos legislativos. Os deputados,
porém, contando com a defecção de vários parlamentares das ordens
privilegiadas, não se renderam. Reuniram-se então num outro local, na
sala do jogo de pela (antigo jogo de raquetes, semelhante ao tênis), e lá
juraram que não se separariam enquanto não dotassem a França de uma
Constituição. Com tal ato, o legislativo, assumindo estar falando em nome
do povo inteiro, praticamente rompeu com o absolutismo. Foi nesse
momento de grande tensão e forte emoção que despontou a oratória
veemente de Honoré Gabriel Victor Riqueti, o controvertido conde de
Mirabeau, fazendo dele o grande tribuno do Terceiro Estado e a primeira
personalidade da revolução.

MIRABEAU TRIBUNO

Eleito pelo Terceiro Estado, Mirabeau, com seu vozeirão tonitruante,


enfrentou diretamente M. de Brézé, o enviado do rei quando esse viera,
em 23 de junho, com a missão de dissolver a Assembléia. Disse-lhe que
somente o povo francês, a quem os parlamentares representavam, podia
cassar os deputados e que eles dali não sairiam: "declaro-lhe que, se está
aqui para nos fazer sair, deve pedir ordens para usar a força, pois nós só
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deixaremos os nossos postos pela força das baionetas". Em seguida,
proclamou-se a inviolabilidade parlamentar. Nenhum deputado doravante
poderia ser preso pelo motivo que fosse sem autorização da Assembléia
Nacional. No nove de julho, ela transformou-se em Assembléia
Constituinte, com o propósito de instituir uma nova ordem social.
Confirmava-se a rejeição da monarquia absolutista. O rei, desgastado, e
como que atacado por uma paralisia, não pôde se opor. O absolutismo
cambaleara mas ainda não caíra. Quanto a Mirabeau, mais tarde
confirmaram-se uma série de suspeitas nas quais ele teria se vendido aos
interesses da Corte. Marat, num artigo premonitório no seu jornal O Amigo
do Povo, em maio de 1790, dissera dele: "reduzido à prostituição para
viver (em certa época da sua vida, Mirabeau ganhara uns trocados
escrevendo literatura licenciosa), ele venderá a sua consciência ao o que
oferecer mais. Que se pode esperar de um homem sem princípios, sem
costumes, sem honra? Alma dos gangrenados, dos conjurados e dos
conspiradores".

A INSURREIÇÃO POPULAR

Quando informaram-no que o povo havia tomado a Bastilha num assalto


sangrento, o rei Luís XVI reagiu com assombro:

- Mas isso é um motim!


- Não, senhor. Não é um motim, é a revolução - respondeu-lhe um
palaciano.

O incrédulo Luís XVI estava perplexo, mas a revolução estava mesmo nas
ruas de Paris. A subversão de ordem política já ocorrera com a
proclamação da Assembléia Nacional Constituinte, a nove de julho de
1789. Faltava a insurreição popular, que não tardou.

Os amotinamentos, arruaças, incêndios e refregas, recrudesceram pela


França inteira desde o início de julho. No dia 12, com a demissão do
ministro Jacques Necker - considerado o único reformista do governo
monárquico - as tropas reais concentraram-se em Versalhes e Paris para
tentar evitar novas tropelias. O povo, protestando contra o afastamento da
sua única esperança, saiu às ruas. Houve enfrentamentos. No dia seguinte,
mais tumultos. Os motins de fome se alastravam. Logo pela manhã, após
um alarme, os remediados de Paris encheram os largos e vielas armados
de machados, pistolas, pedras e porretes. As tropas reais foram
abandonando a cidade, bairro após bairro. Os revoltosos, então,
assaltaram os armeiros e os arsenais militares, levando centenas de
espingardas.
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A Bastilha

No dia 14 de julho a multidão, que estava submetida as fortes tensões dos


últimos dias, resolveu atacar a Bastilha (uma fortaleza-prisão construída
por Carlos V, entre 1369 e 1382, com oito torres, muralhas de 25 metros
de altura cercadas por fossos). Ela era o símbolo do despotismo. Pairava
sobre Paris como um feiticeiro, um bruxo, ou ainda um bicho-papão, que,
saindo na calada da noite, indo invadir as casas para arrancar suas vítimas
do leito e do aconchego da família, as conduzia algemadas, sem nenhuma
formalização de culpa, para os carcereiros. Os habitantes de Paris
imaginavam-na um local onde o inominável acontecia. Diziam que torturas
e punições indescritíveis tinham seu sítio lá.

Era a representação concreta do pode-tudo dos privilegiados pois permitia


aos nobres, graças às cartas assinadas em branco pelo rei (as famosas
lettres du cachet), a usar suas instalações como cárcere dos seus
desafetos.

O embastilhado necessariamente não era informado do seu delito, nem


por quanto tempo ficaria preso. Poderia ser encalabouçado por alguns
meses, como ocorreu com Voltaire, ou chegar a cumprir 37 anos como se
deu com o infeliz Latude.

Nos últimos tempos ela estava desativada. Quando a assaltaram havia


apenas sete presos em suas masmorras, nenhum deles fora detido por
motivos políticos. Mesmo assim a sua sombra parecia cobrir Paris inteira,
sendo que do alto dos seus torreões as sentinelas posavam como se
fossem gárgulas vivas, os olhos do velho regime, tudo vendo, tudo
cuidando, em estado de alerta contra todos.

O ASSALTO À BASTILHA (14 de julho de 1789)

A grande prisão do estado terminou sendo invadida porque um jornalista,


Camille Desmoulins, até então desconhecido, arengou em frente ao Palais
Royal e pelas ruas dizendo que as tropas reais estavam prestes a
desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris. Todos
deviam socorrer-se das armas para defender-se. A multidão, num primeiro
momento, dirigiu-se aos Inválidos, o antigo hospital onde concentravam
um razoável arsenal. Ali, apropriou-se de três mil espingardas e de alguns
canhões. Correu o boato de que a pólvora porém se encontrava estocada
num outro lugar, na fortaleza da Bastilha. Marcharam então para lá. A
massa insurgente era composta de soldados desmobilizados, guardas,
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marceneiros, sapateiros, diaristas, escultores, operários, negociantes de
vinhos, chapeleiros, alfaiates e outros artesãos, o povo de Paris enfim. A
fortaleza, por sua vez, defendia-se com 32 guardas suíços e 82 "inválidos"
de guerra, possuindo 15 canhões, dos quais apenas três em
funcionamento.

Durante o assédio, o marquês de Launay, o governador da Bastilha, ainda


tentou negociar. Os guardas, no entanto, descontrolaram-se, disparando
na multidão. Indignado, o povo reunido na praça em frente partiu para o
assalto e dali para o massacre. O tiroteio durou aproximadamente quatro
horas. O número de mortos foi incerto. Calculam que somaram 98
populares e apenas um defensor da Bastilha.

Launay teve um fim trágico. Foi decapitado e a sua cabeça espetada na


ponta de uma lança desfilou pelas ruas numa celebração macabra. Os
presos, soltos, arrastaram-se para fora sob o aplauso comovido da
multidão postada nos arredores da fortaleza devassada.

Posteriormente a massa incendiou e destruiu a Bastilha, localizada no


bairro Santo Antônio, um dos mais populares de Paris. O episódio,
verdadeiramente espetacular, teve um efeito eletrizante. Não só na França
mas onde a notícia chegou provocou um efeito imediato. Todos
perceberam que alguma coisa espetacular havia ocorrido. Mesmo na
longínqua Königsberg, na Prússia Oriental, atingida pelo eco de que o povo
de Paris assaltara um dos símbolos do rei, fez com que o filósofo Emanuel
Kant, exultante com o acontecimento, pela primeira vez na sua vida se
atrasasse no seu passeio diário das 18 horas.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS

A Assembléia Nacional Constituinte, enquanto isso, continuava elaborando


os artigos constitucionais. Uma pequena comissão de deputados, entre
eles o marquês de La Fayette, Dupont, Barnarve, La Meth e Blancon,
reunidos na casa de Thomas Jefferson, então embaixador norte-americano
em Paris, pensaram em dotar a futura Constituição francesa com um
preâmbulo, uma Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que
sintetizasse os anseios maiores da Revolução. Pronta a sua redação, na
qual adotaram o mesmo formato das Tábuas da Lei, com uma introdução
redigida por Mirabeau, aprovaram-na na sessão de 26 de agosto de 1789.
Em apenas 17 artigos, facilmente aprendidos, expuseram os direitos
básicos da modernidade e o desejo de autonomia da burguesia (que como
classe universal, falava em nome do povo inteiro). Com ela, com a
declaração dos direitos, a revolução francesa de 1789 irmanou-se com a
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revolução americana de 1776, selando o início do fim do absolutismo e
consolidando as assim chamadas, por R.R. Palmer e Jacques Godechot,
"Revoluções Atlânticas". O documento tinha também outras ambições, os
17 artigos que a compunham serviriam como um novo catecismo
elaborado pela burguesia que assim se auto-delegava a tarefa de
emancipar o mundo do feudalismo e dos privilégios herdados pelo
nascimento.

ABOLIÇÃO DOS PRIVILÉGIOS

O segundo semestre de 1789 continuou proveitoso: numa memorável


sessão noturna realizada em quatro de agosto, assustados pelo grande
medo, provocado pelo assalto dos camponeses aos castelos e moradas dos
nobres, aboliram-se os privilégios e os direitos feudais arraigados há
séculos na sociedade francesa. Até os deputados da nobreza, empolgados
pelo momento cívico, votaram a favor pensando em entregar os anéis para
salvar os dedos. Privilégios, diga-se, que beiravam o absurdo. Os nobres
eram premiados com a isenção de impostos, tribunais especiais (e
sentenças brandas, simbólicas), e o direito de prender quem quisessem.
Até as dívidas de jogo de alguns deles foram pagas por Luís XVI. As suas
regalias pareciam inesgotáveis, entre elas o poder de lançar mão de
antiquíssimos impostos feudais, muitos deles em completo desuso, para
arrancar ainda mais recursos dos camponeses empobrecidos. Advogados
se especializaram apenas em resgatar esses impostos caducos nos velhos
registros paroquiais, no que foi chamado de "segunda servidão",
ameaçando os camponeses com a polícia caso não os pagassem.

FIM DO MONOPÓLIO CATÓLICO

A 23 de agosto, os constituintes garantiriam o direito à liberdade religiosa,


acabando com a dominação exclusiva do catolicismo e, em 2 de
novembro, golpearam a Igreja Católica ao colocar todos os bens
eclesiásticos à disposição do país. O decreto da disponibilidade dos bens
da Igreja provocou uma onda de invasões de mosteiros e igrejas por toda a
França, onde multidões endoidecidas pilhavam o que podiam daqueles
interiores até então sagrados. As tropelias foram tantas e tão
devastadoras, a quantidade de estátuas e vitrais destruídos tamanha (na
Catedral de Notre-Dame até as estátuas bíblicas dos reis de Israel e Judá
foram decapitadas), que fizeram com que o deputado padre Gregoire
cunhasse uma expressão especial para definí-las: vandalismo!

Na sessão de 24 de agosto, afirmariam a liberdade de imprensa, abolindo-


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se a censura. Os jornais se multiplicaram. No decorrer de 1789, nasceram
mais de 130 periódicos e, até setembro de 1791, eles se aproximaram de
600 títulos.

AS TRÊS FORÇAS

Até aquele momento, na acurada observação de Chaussinand-Nogaret,


três forças disputavam o poder na França. A Coroa apesar de combalida
ainda contava com o apoio das guarnições militares, a fidelidade da alta
nobreza, e o respeito do clero, e, bem ou mal, mantinha-se pela simples
inércia da tradição que educara todos a ser obedientes ao rei. Mas estava
em rápido processo de erosão. Emergente era o poder da Assembléia
Nacional, que rapidamente transferiu-se de Versalhes para as Tulherias em
Paris. Tinha mais de 700 parlamentares, mas sem nenhum poder de fogo
além dos seus decretos legislativos. A seu favor tinha a simpatia e o apoio
de boa parte da nação. Pode-se dizer que, nessa fase, os deputados, em
seus discursos, apenas faziam eco, afinados com o que se dizia no reino
inteiro. E por último, por vezes associado à Assembléia Nacional, outras
totalmente incontrolável, o instável poder das ruas, a "hidra da anarquia"
como disse o deputado Brissot, com a Comuna, com seus comitês de
bairros e suas milícias e patrulhas cidadãs, seus amotinamentos, suas
arruaças e violações de toda ordem, sua volúpia cada vez mais acentuada
por derramar sangue que se combinava com a desgraça da fome e com
uma afrontosa coragem. Ao entrar no ano de 1791, a Coroa, a Assembléia
e a rua, a aristocracia, a burguesia, e os sans-culottes, se prepararam para
travar a grande batalha pela conquista do coração e da mente de toda a
nação.

Revolução Francesa

A Revolução Inglesa do século XVII marca o início da Era das Revoluções Burguesas, na medida em que
cria condições para o desenvolvimento acelerado do capitalismo. A Revolução Francesa, cabe definir o perfil
ideológico desses movimentos, por seu caráter liberal e democrático.

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa faz parte de um movimento revolucionário global,
atlântico ou ocidental, que começa nos Estados Unidos em 1776, atinge Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália,
Alemanha, Suíça e, em 1789, culmina na França com violência maior. O movimento passa a repercutir em outros
países europeus e volta à França em 1830 e 1848. Há traços comuns em todos esses movimentos, mas a
Revolução Francesa tem identidade própria, manifestada na tomada do poder pela burguesia, na participação de
camponeses e artesãos, na superação das instituições feudais do Antigo Regime e na preparação da França para
caminhar rumo ao capitalismo industrial.

Antecedentes
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A França era ainda um país agrário em fins do século XVIII. Novas técnicas de cultivo e novos produtos
melhoraram a alimentação, e a população aumentou. O início de industrialização j á permitia a redução de preços
de alguns produtos, estimulando o consumo.

A burguesia se fortaleceu e passou a pretender o poder político e a discutir os privilégios da nobreza. Os


camponeses possuidores de terras queriam libertar-se das obrigações feudais devidas aos senhores. Dos 25
milhões de franceses, 20 milhões viviam no campo. A população formava uma sociedade de estamentos (formas
de estar), resquício da Idade Média. Mas j á se percebia uma divisão de classes. O clero, com 120 000 religiosos,
dividia-se em alto clero (bispos e abades com nível de nobreza) e baixo clero (padres e vigários de baixa
condição); era o primeiro estado. A nobreza constituía o segundo estado, com 350 000 membros; os palacianos
viviam de pensões reais e usufruíam de cargos públicos; os provinciais viviam no campo, na penúria. A nobreza de
toga, constituída de gente oriunda da burguesia, comprava seus cargos. O terceiro estado compreendia 98% da
população: alta burguesia, composta por banqueiros, financistas e grandes empresários; média burguesia, formada
pelos profissionais liberais, os médicos, dentistas, professores, advogados e outros; pequena burguesia, os
artesãos, lojistas; e o povo, camada social heterogênea de artesãos, aprendizes e proletários. As classes
populares rurais completavam o terceiro estado; destacavam-se os servos ainda em condição feudal (uns 4
milhões); mas havia camponeses livres e semilivres.

O terceiro estado arcava com o peso de impostos e contribuições para o rei, o clero e a nobreza. Os
privilegiados tinham isenção tributária. A principal reivindicação do terceiro estado era a abolição dos privilégios e a
instauração da igualdade civil.

No plano político, a revolução resultou do absolutismo monárquico e suas injustiças. O rei monopolizava a
administração; concedia privilégios; esbanjava luxo; controlava tribunais; e condenava à prisão na odiada fortaleza
da Bastilha, sem julgamento. Incapaz de bem dirigir a economia, era um entrave ao desenvolvimento do
capitalismo.

O Estado não tinha uma máquina capaz dê captar os impostos, cobrados por arrecadadores particulares,
quê espoliavam o terceiro estado. O déficit do orçamento sê avolumava. Na época da revolução, a dívida externa
chegava a 5 bilhões de libras, enquanto o meio circulante não passava da metade. Os filósofos iluministas
denunciaram a situação. Formavam-se clubes para ler seus livros. A burguesia tomava pé dos problemas ê
buscava conscientizar a massa, para obter-lhe o apoio.

As condições estavam postas; faltava uma conjuntura favorável para precipitar a revolução.

A revolta aristocrática

A indústria sofreu séria crise a partir dê 1786. Um tratado permitiu quê produtos agrícolas franceses
tivessem plena liberdade na Inglaterra em troca da penetração dê produtos ingleses na França. A principiante
indústria francesa não agüentou a concorrência.

A seca de 1788 diminuiu a produção dê alimentos. Os preços subiram ê os camponeses passavam fome.
Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois quê a França apoiou a Independência dos Estados
Unidos, aventura quê lhe custou 2 bilhões dê libras. O descontentamento era geral. Urgiam medidas para sanear o
caos. Luís XVI encarregou o ministro Turgot dê realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram ê ele sê
demitiu. O rei então indicou Calonne, quê convocou a Assembléia dos Notáveis, dê nobres ê clérigos (1787). O
ministro propôs quê esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários ê pagassem impostos, para tirar o
Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.

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O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, quê não sê reunia
desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembléia realizaram-se em abril dê 1789 ê coincidiram com
revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. Em Paris, os panfletos dos candidatos atacavam os erros do
Antigo Regime ê agitavam os sans-culottes, isto é, os sem-calções, em alusão à peça de roupa dos nobres, que os
homens do povo não usavam. Os nobres eram cerca de 200 000 numa Paris com 600 000 habitantes.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuniram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro
estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao
clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578
deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja a, tinha maioria absoluta. E ainda contava com os votos
de 90 deputados da nobreza esclarecida e 200 do baixo clero.

Revolução Burguesa

Reunindo-se em separado em 17 de junho de 1789, o terceiro estado se considerou Assembléia Nacional.


Luís XVI, pretextando uma reforma na sala, dissolveu a reunião. Os deputados do terceiro estado foram então para
a sala de Jogo da Péla, onde receberam adesão de parte do clero e de nobres influenciados pelo Iluminismo. O rei
não teve alternativa senão aceitar a Assembléia Nacional.

Os fatos se desenrolaram com rapidez, como se algumas décadas fossem comprimidas em algumas
semanas.

9 de julho - Proclamou-se a Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados juraram só se dispersar depois de dar
uma Constituição à França. Luís XVI procurava ganhar tempo, enquanto reunia tropas.

12 de julho - Necker se demite. Aumenta a tensão.

13 de julho - Forma-se a milícia de Paris, organização militar-popular. O povo armazena armas e prepara
barricadas.

14 de julho - O povo toma a Bastilha. A explosão revolucionária alastra-se por todo 0 país. No campo, a violência é
maior. Procurando destruir o jugo feudal, camponeses saqueiam as posses da nobreza, invadem cartórios e
queimam títulos de propriedade.

Correm boatos de que bandidos aliciados pelos senhores vão atacar os camponeses, gerando o grande
medo.

4 de agosto - A Assembléia Constituinte inicia reunião em que, para conter o movimento, os deputados
aprovam a abolição dos direitos feudais: as obrigações devidas pelos camponeses ao rei e à Igreja a são
suprimidas; as obrigações devidas aos nobres devem ser pagas em dinheiro.

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26 de agosto - E aprovada a Declaração dos Diretos do Homem e do Cidadão. De inspiração iluminista, o
documento defende o direito à liberdade, à igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e o direito de
resistir à opressão. Na sessão que votou o direito de veto (poder concedido ao rei de vetar decisões da
Assembléia), os aristocratas sentam-se à direita do presidente; os democratas, à esquerda. Tal fato deu origem à
separação que chega aos dias de hoje, entre direita e esquerda na política.

O rei se recusou a aprovar a Declaração e a massa parisiense revoltou-se novamente. Foram as jornadas
de outubro: o Palácio de Versalhes foi invadido e o rei obrigado a morar no Palácio das Tulherias, em Paris.

Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero. Estabelecia que os bens eclesiásticos seriam
confiscados para servir de lastro à emissão dos assignats (bônus do Estado) e os padres passariam a ser
funcionários do Estado. Muitos aceitaram e juraram fidelidade à Revolução, desobedecendo ao papa, que já se
manifestara contra. Outros, os refratários, emigraram e deram início às agitações contra-revolucionárias nas
províncias.

A Constituição ficou pronta em 1791. O poder executivo caberia ao rei, e o legislativo, à Assembléia. O
trono continuava hereditário e os deputados teriam mandato de dois anos. Só seria eleitor quem tivesse um
mínimo de riqueza. Foi abolido o feudalismo. Foram suprimidos os privilégios e as antigas ordens sociais, com a
proclamação da igualdade civil. Reorganizou-se e descentralizou-se a administração. Foram confirmadas a
nacionalização dos bens eclesiásticos e a Constituição Civil do Clero. Foi mantida a escravidão nas colônias.

Luís XVI, em contato com outros soberanos absolutos, julgou o momento oportuno para escapar e, com
apoio estrangeiro e dos emigrados, iniciar a contra-revolução. Fugiu em julho de 1791, mas foi preso em Varennes,
recambiado ao Palácio e mantido sob vigilância.

O êxito da Revolução estimulou movimentos na Holanda, Bélgica e Suíça. Na Itália, Inglaterra, Irlanda,
Alemanha e Áustria, simpatizantes organizaram demonstrações de apoio. Os déspotas esclarecidos sustaram as
reformas e se reaproximaram da aristocracia. Escritores reacionários defendiam a idéia de uma contra-revolução.
As potências européias, de início indiferentes, uniram-se. A ameaça de invasão da França aumentou, o que tornou
inevitável a radicalização interna da Revolução.

A unidade inicial entre patriotas contra os aristocratas desapareceu, dando origem a complexa composição
político-partidária. Os girondinos, representantes da alta burguesia, defendiam as posições conquistadas e
evitavam a ascensão da massa de sans-culottes; os jacobinos, representando a pequena e média burguesia,
constituíam o partido mais radical, ainda mais sob a liderança de Robespierre, que buscava o apoio dos sans-
culottes; os cordeliers, independentes liderados por La Fayette, procuravam ficar no centro e oscilavam entre os
feuillants, à direita, e os jacobinos, à esquerda.

Os girondinos tinham a maioria e o apoio do rei, que neles confiava para conter o avanço revolucionário.
Graças a isto, o rei conseguiu vetar o projeto que deportava os refratários e convocava o exército para enfrentar os
inimigos da Revolução, cada vez mais ativos fora da França.

Os inimigos, representados pelo exército austro-prussiano e pelo exército de emigrados, comandados pelo
duque prussiano Brunswick e apoiados secretamente por Luís XVI, invadiram a França. Radicalizou-se a posição
contra os nobres, considerados traidores. A massa parisiense, mais forte politicamente, apoiando os jacobinos e
liderada por Danton e Marat, atacou os aristocratas nas prisões: foi o massacre de setembro.

O exército nacional foi convocado, com apresentação obrigatória de todos os homens válidos. Em 20 de
setembro de 1792, os austro-prussianos foram batidos em Valmy. À noite, em Paris, foi proclamada a República. O
rei, suspeito de traição, aguardaria julgamento.

Revolução Popular

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Uma nova assembléia foi formada, a Convenção, que deveria preparar nova Constituição. Os girondinos
perderam a maioria para os jacobinos, reforçados pelos montanheses, grupo mais radical. Robespierre e Saint-
Just lideravam os jacobinos. O julgamento de Luís XVI abalou a opinião pública européia. Os girondinos trataram
de defendê-lo. Saint-Just e Robespierre pediam a condenação. O rei acabou guilhotinado em 21 de janeiro de
1793.

O primeiro ano da República, 1793, foi chamado Ano I, no novo calendário. Uma nova representação
tomou posse, eleita por sufrágio universal masculino, o que acentuou seu caráter popular; saíram vitoriosos os
jacobinos e a Montanha. Pela nova Constituição, os 750 deputados eleitos escolheriam a mesa dirigente, com
funções executivas.

Europa afora, coligavam-se forças absolutistas: Inglaterra, Holanda e Santo Império. A Convenção se
defendeu, organizando uma série de instituições: Comitê de Salvação .Pública, encarregado de controlar o
exército; Comitê de Segurança Nacional, para garantir a segurança interna; Tribunal Revolucionário, encarregado
de julgar os contra-revolucionários. Os jacobinos controlavam a Convenção e os principais Comitês.

Começa então o expurgo de adversários. Os girondinos são acusados de partidários do rei e vários vão
para a guilhotina. A jovem Charlotte Corday se vinga assassinando o jacobino Marat. Também é guilhotinada.
Entramos no período do Terror, que se estenderia de junho de 1793 a julho de 1794.

A Montanha de Robespierre dirigia essa política. As perseguições se espalharam. Os indulgentes de


Danton temiam que a onda os envolvesse. Protestavam e pediam o fim das perseguições. No extremo oposto, os
hebertistas, seguidores de Hébert, pregavam mais violência.

Robespierre tentava manter-se entre os extremistas da esquerda. Como a pressão popular era grande,
fazia concessões: os preços foram tabelados; os exploradores, perseguidos; os impostos sobre os ricos,
aumentados; pobres, velhos e desamparados, protegidos por leis especiais; a instrução tornou-se obrigatória; bens
de nobres e emigrados foram vendidos para cobrir as despesas do Estado.

As leis sociais provocaram ondas contra-revolucionárias. Sobrevieram medidas drásticas. O Tribunal


Revolucionário prendeu mais de 300 000 pessoas e condenou à morte 17 000. Muitos morreram nas prisões
esperando julgamento.

O Terror chegou ao auge e atingiu a própria Convenção. Para se manter no poder, Robespierre precisava
eliminar toda oposição. Condenou Danton à morte. O radicalismo dos hebertistas igualmente criava problemas,
levando-os também à guilhotina.

O sucesso militar diminuiu a tensão interna, e a população passou a desejar o afrouxamento da repressão.
Os girondinos, que tinham se isolado durante o Terror para salvar suas cabeças, voltaram à carga. Robespierre
não tinha mais a massa parisiense para apoiá-lo, pois havia liquidado seus líderes. Em julho de 1794, ou 9
Termidor pelo novo calendário, Robespierre e Saint-Just foram presos e guilhotinados em seguida. A alta
burguesia voltava ao poder através dos girondinos.

Contra-Revolução Burguesa

O poder da Convenção caiu nas mãos do Pântano, movimento formado por elementos da alta burguesia,
de duvidosa moralidade pública e grande oportunismo político. Ligados aos girondinos, instalaram a Reação
Termidoriana. Os clubes jacobinos foram fechados. Preparou-se nova Constituição, a do ano III (1795), que
estabelecia um executivo com cinco diretores eleitos pelo legislativo, o Diretório. Os deputados comporiam duas
câmaras: o Conselho dos S00 e o Conselho dos Anciãos.

A configuração política da Assembléia mudou: no centro, os girondinos, que tinham deposto Robespierre;
à direita, os realistas, que pregavam a volta dos Bourbon ao poder; à esquerda, jacobinos e socialistas utópicos,
que reclamavam medidas de caráter social.

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Os diretores equilibravam-se em meio a golpes, da esquerda e da direita. Em 1795, os realistas tentaram
dar um golpe, abafado por um jovem oficial, Napoleão Bonaparte, presente em Paris por acaso. Como
recompensa, ele recebeu dos diretores o comando do exército na Itália.

Em 1796, estourou a conspiração jacobina do Clube de Atenas. No ano seguinte, foi a vez dos realistas,
derrotados novamente, pelo general Augereau, enviado por Napoleão, que acabava de assinar uma paz vantajosa
com a Áustria. Em 1798, os jacobinos venceram as eleições. A burguesia queria paz. Queria um governo forte que
conduzisse a França à normalidade. Alguns diretores, como Sieyès e Ducos, prepararam o golpe que levaria
Napoleão ao poder, em 9 de novembro de 1799 ou 8 Brumário. Napoleão evitaria as tentativas jacobinas de tomar
o poder, consolidando o poder da burguesia no contexto da Revolução. Uma revolução cujos ideais não tardariam
a repercutir em longínquas terras, inclusive no Brasil.

Assembléia Nacional Constituinte Francesa


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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A 'Assembléia Nacional Constituinte Francesa (Assemblée nationale constituante, em língua francesa) foi
formada pela Assembleia Nacional a 9 de Julho de 1789, nas primeiras fases da Revolução Francesa e foi
dissolvida a 30 de Setembro de 1791.
Foi uma constituição criada pelo terceiro estado (camponeses, artesãos, burgueses) que limitava os
poderes do rei, e eliminava os privilégios do primeiro (clero) e segundo (nobreza) estamento ou estados. O
rei Luís XVI aparentemente aceitou o funcionamento da Assembléia Nacional Constituinte, porém impôs
a condição de que dela participassem os representantes do clero e da nobreza.
Uma das principais decisões desta assembléia foi a adoção da Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão.

Os Estados Gerais são a reunião das três ordens ou Estados (hoje diríamos classes) da sociedade desde a Idade Média: o nobre
que luta, o clero que reza e o camponês (Terceiro Estado) que trabalha. Luís XVI reconquista a popularidade decretando que o
Terceiro Estado terá tantos representantes (400) quanto o clero e a nobreza juntos, Mas não sabe aproveitar a situação para
orientar as eleições e nem propor aos deputados algum programa de reformas.

REVOLUÇÃO FRANCESA
“LIBERTÉ, IGUALITÉ E FRATERNITÉ”: MANIPULAÇÕES DE IDEAIS. ¹
Antônio Miranda de Freitas Júnior ²
Fabrícia Linhares de Paiva³
Sonni Lemos Barreto 4
RESUMO:
A Revolução Francesa foi um dos maiores acontecimentos da Europa – quiçá do mundo – que
desencadeou gritos de independência ao redor do globo. Essa revolução foi possível graças à
polarização do conhecimento que visava conscientizar as massas. – Terceiro Estado – da
opressão do Regime Absolutista, questionando a divindade do rei. Numa sociedade – com fortes
heranças feudais – ou nas coloniais – extensão do domínio absoluto; os ideais iluministas
influenciam a independência dos EUA, a Revolução Francesa e as independências coloniais.
Nisto passamos a perceber que “Revolução” é na realidade uma grande transformação na
estrutura econômica ou na organização do Estado. A revolução transfere o poder político de um
grupo social para outro. A Revolução Francesa de 1789 destrói a estrutura econômica de base
feudal e abre caminho para o desenvolvimento do capitalismo, destrói o Estado Absolutista e o
poder foi transferido da aristocracia para a burguesia. O que foi propagado como
conscientização através das luzes, pela burguesia, na realidade era uma atitude de manipulação
burguesa. O escopo do presente trabalho visa apresentar os motivos pelos quais um movimento

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feito pelo povo e para o povo não foi efetivamente conquistado por este. Para isso, foi realizada
uma pesquisa bibliográfica baseada em autores como Hobsbawm, Hubermam e Burns.
Hobsbawm analisa o caráter ecumênico o medo que a burguesia possuía dentro de si de uma
nova revolução, baseada na Francesa, que destituísse do poder. Hubermam analiticamente
demonstra a manipulação da Revolução pela burguesia e os caminhos que a mesma trilhou na
liderança das massas. Concluímos no presente trabalho que a Revolução Francesa e o
Iluminismo foram movimentos organizados pela burguesia para conquistar privilégios; e estes
são universalizados pelos mesmos.
Palavras-chave: Revolução, Iluminismo e Burguesia.
______________________
¹ Artigo apresentado à disciplina de História Econômica como requisito parcial para obtenção de
nota referente à 3ª avaliação.
’ Aluno do 8º Período de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.
³ Aluna do 8º Período de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.
4 Professora Orientadora do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio Grande
do Norte – UERN.
Existem diversas maneiras de analisar a Revolução Francesa. Muitos textos heróicos têm ecoado
nos livros de história sobre esse acontecimento célebre e marcante na história da civilização
ocidental. No entanto, nos propomos a analisar a atuação da burguesia neste evento e como a
mesma, através de sua filosofia iluminista, utilizou-se da massa trabalhadora para conquistar,
ou alicerçar os seus privilégios.
Consideramos natural a “liberdade” – falar o que pensamos, pôr nossas idéias no papel e tornálas
publicas sem autorização ou censura prévia, o direito de ir e vir, ler o que quisermos. No
entanto, o que nos parece “natural” são frutos revolucionários do Iluminismo e da Revolução
Francesa. Esta última nos deu as noções de cidadãos, cidadania, liberdade, igualdade, direitos
do homem e soberania dos povos, que se tornaram conceitos comuns no mundo
contemporâneo. Da França, estes princípios espalharam-se pelo mundo envolto à linguagem
política dos movimentos revolucionários dos séculos XIX e XX. É preciso tomar consciência que,
na Idade Moderna, estabelecem-se novos conceitos sobre o homem, este passa a ser o centro
das atenções – Humanismo – de forma que todos os seres humanos, nobre ou não, são “iguais”
e tem os mesmos direitos e deveres. Para se compreender o mundo, a humanidade, a natureza,
não é preciso a graça do Espírito Santo, mas a “luz” da razão. Os burgueses desenvolvem o
pensamento iluminista, acreditando em mudanças fundamentadas na força da lei, na igualdade
política e social, enfim, nos direitos do homem. Os homens nascem iguais, são naturalmente
iguais e livres... a razão, o intelecto e raciocínio significam a esperança na construção de um
mundo mais justo, por intermédio do qual o homem fazia-se capaz de transforma a própria
história independentemente da ordem divina. É a partir dessa reflexão que surge o lema da
própria Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Esse ideal que carregava
consigo uma visão otimista do homem passou a ser conhecido como pensamento ilustrado ou
iluminista.
O povo (terceiro estado) havia chegado ao limite suportável da exploração humana e das
injustiças sociais. A divulgação e a acessibilidade dos textos iluministas, fez com que brotasse
neste, paixão e esperança através das novas idéias. Amparado pela burguesia, que logo vê no
ardor ao movimento revolucionário das massas a maior oportunidade de queda da monarquia
absolutista e maior desenvolvimento de seus negócios, o povo se levanta contra a opressão.
A Revolução Francesa quebra os estamentos sociais ou ordens às quais a França estava
dividida: Clero (Primeiro Estado), Nobreza (Segundo Estado) e o restante da população
(Terceiro Estado). Num conhecido folheto popular daquela época, o abade de Sieyes resumiu a
situação do Terceiro Estado: “O que é Terceiro Estado? Tudo. O que ele tem sido em nosso
sistema político? Nada. O que ele pretende? Ser alguma coisa”5. Eric J. Hobsbawm analisa a
Revolução Francesa como a “única [revolução] ecumênica”6, fazendo da mesma “um marco
para todos do países”7 onde sua influência encontra-se no ocidente em “sua política e
ideologia”8. Após a assembléia dos Estados Gerais, os deputados do Terceiro Estado criam a
nova assembléia. Justificam este ato dizendo que representavam a maioria da população
francesa. Estes vão mais longe ainda e anunciam que estavam em Assembléia Nacional com o

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intuito de criar uma Constituição. A revolução passa a acontecer. Convém lembrar que a criação
de uma constituição significava a destruição do regime absolutista, uma vez que este não
possuía uma constituição!.
Desse modo, durante o enfraquecimento conjuntural das políticas tradicionais do Antigo
Regime, foi a classe média burguesa que provocou a Revolução Francesa e que mais lucrou com
ela.
______________________
5 Cf. HUMBERMAM, Leo. História da Riqueza do Homem. 21 ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros
Técnicos e Científicos. Editora S. A; 1986 p. 150.
6 Cf. HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções: 1789-1848. 18 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
2004 p. 85.
7 Idem, p. 85
8 Idem, p. 83
Esta “burguesia provocou a Revolução porque tinha de fazê-la. Se não derrubasse os seus
opressores, teria ela sido esmagada”9. A mesma era composta de doutores, escritores,
professores, advogados, funcionários, juízes – classes educadas – eram os mercadores,
fabricantes, banqueiros – as classes abastadas que tinham dinheiro e queriam mais, e ao
mesmo tempo procuravam um Estado Liberal Livre dos “Antigos” preceitos e limitações do
estado feudal.
Seguindo o declínio histórico do Antigo Regime, a burguesia almejava possuir o poder político
correspondente que já tinha.
Embora seja verdade que todos os membros do Terceiro Estado – artesões, camponeses e
burgueses – estivessem tentando ‘ser alguma coisa’, foi principalmente o último grupo que
conseguiu o que queria. A burguesia fornece a liderança, enquanto os outros grupos realmente
lutaram 10.
Depois que a revolução acabou, foi a burguesia que ficou com o poder político na França. “O
privilégio de nascimento foi realmente derrubado, mas o privilégio do dinheiro tomou o seu
lugar. ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’, foi uma frase popular gritada por todos os
revolucionários, mas coube principalmente a burguesia desfrutar”¹¹. A declaração dos Direitos
do Homem e do Cidadão dizia que a propriedade privada era inviolável, ou seja, que ninguém
tinha direito de tocar nas riquezas da burguesia. A assembléia também aprovou leis que
extinguiam os monopólios mercantilistas, estabelecendo a liberdade para o mercado e só
poderia votar pessoas com certo nível de renda. Na prática, cerca da metade dos franceses
estavam fora do direito de cidadania. Ao mais, deparamos com o Código Napoleônico (1804),
percebe-se que
______________________
9 HUBERMAM, Leo. (1986, p, 148).
10 Idem, p. 150.
11 Idem, p. 150.
(...) este, destinava-se evidentemente, a proteger a propriedade – não a feudal – burguesa.
Greves e sindicatos são proibidos, as associações de empregadores permitidas. Numa disputa
judicial entre salários, o código determinava que o depoimento de patrão, e não do empregado,
é que deve ser levado em conta 12.
A burguesia, por ser uma minoria, teme que o “sol revolucionário” venha a nascer para destituílo
do poder, eles temem a mobilização das massas, nisso a “dramática dança dialética
determinaria as gerações futuras”13. A igualdade é para burgueses que compartilham entre si
os privilégios do estado.
A Revolução Francesa e o Iluminismo foram movimentos Feitos pela burguesia e para a
burguesia, apoiada pelo povo, estes conseguiram manipular as massas, tornando-se donos das
propriedades e privilégios. Neste toque de pensamento volta-se a necessidade da “Igualdade,
Liberdade e Fraternidade” manifestada, dessa vez, pelo povo e para o povo.
______________________
12 HUBERMAM, Leo. (1986, p. 151).
13 HOBSBAWM, Eric J. (2004, p. 95).
BIBLIOGRAFIA

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BURNS, Edward Mcnall. História da Civilização Ocidental: do Homem das Cavernas às Naves
espaciais. 39ed. Vol. 02. São Paulo: Globo, 1999.
HOBSAWM, Eric J. A era das Revoluções1789 – 1848. 18 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.
HUBERMAM, Leo. História da riqueza do Homem. 21 ed. Rio de Janeiro: LTC Livros Técnicos e
Científicos; Editora S. A., 1986
A Revolução Francesa

A sociedade francesa do século XVIII era estratificada e hierarquizada. No topo da pirâmide social, estava o Clero que tinha o privilégio
de não pagar impostos. Abaixo do Clero estava a nobreza formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e nobres que
viviam de banquetes e muito luxo na corte. A base da sociedade era formada pelo terceiro estado (trabalhadores, camponeses e
burguesia) sustentava toda sociedade com seu trabalho e seu pagamento de altos impostos. Pior era a condição de vida dos
desempregados que aumentavam em larga escala nas cidades francesas. De extrema miséria era a vida dos trabalhadores e
camponeses, que desejavam melhorias na qualidade de vida e de trabalho. Mesmo tendo uma condição social melhor, a Burguesia
desejava uma participação política maior e mais liberdade econômica em seu trabalho. A Queda da Bastilha marca o início da
Revolução Francesa. O movimento popular em Paris tinha grande significado, porém a Revolução deve ser vista como um processo,
onde é necessário analisar a situação econômica do país, os interesses de classes envolvidos e os interesses dos demais países
europeus.

A importância da Queda da Bastilha reside no fato de que a partir desse momento a revolução conta com a presença das massas
trabalhadoras, deixando de ser apenas um movimento. A gravidade da crise econômica havia envolvido todo o país em uma situação
caótica: os privilégios dados à nobreza e ao Alto Clero dilapidaram as finanças do país, situação ainda mais agravada com a
participação da França na Guerra de Independência dos EUA em ajuda aos colonos e palas secas, responsáveis por uma crise agrária,
que levava os camponeses miséria extrema e determinava o desabastecimento das cidades assim como a retração do comércio
interno. A queda da Bastilha significava a queda do antigo regime.

O Povo Francês, convencido de que o esquecimento e o desprezo dos direitos naturais do Homem são as únicas causas das
infelicidades do mundo, resolveu expor numa declaração solene estes direitos sagrados e inalienáveis, a fim de que todos os cidadãos,
podendo comparar sem cessar os atos do Governo com o fim de toda instituição.

A revolução francesa influenciou a sociedade e as instituições de todos os países da Europa. Contribuiu para a elaboração de
constituições na maioria dos países europeus. Os princípios liberais e as idéias contidas na declaração dos direitos do homem e do
cidadão foram incorporados à constituição de outras nações fora da Europa. Influenciou os movimentos de independência nas colônias
da América Latina. As conquistas populares foram muito limitadas. Quem colheu os melhores frutos da revolução foi a burguesia.

Em 1788, o quadro econômico da França era péssimo e a fome ameaçava a população. Secas atingiam a agricultura, prejudicando as
colheitas e a escassez de alimentos aumentava ainda mais a revolta da população. Os gastos exorbitantes feitos pela corte e pelo
primeiro e segundo estados deram origem a uma forte crise financeira.

A alta burguesia voltou ao poder disposta a consolidar suas conquistas. Seu objetivo era implantar uma república moderada, que
excluísse das eleições os mais pobres e restaurasse a plena liberdade das atividades econômicas, fosse da indústria, do comércio ou
dos bancos. A crise econômica agravava-se dia a dia, a corrupção aumentava e os alimentos continuavam escassos. Formou-se uma
nova coligação de países europeus contra a França. O governo de Diretório foi enfraquecendo.

Um jovem general chamado Napoleão Bonaparte, em 1799, após derrotar os exércitos inimigos, regressou a França. Estava instalado
um novo governo, o Consulado. O governo de Napoleão Bonaparte direcionou-se no sentido de consolidar e proteger as conquistas
burguesas. Toda a sua política promoveu os interesses da burguesia.

Diante dos acontecimentos e atormentados pela elevação do custo de vida e pelo desemprego, os setores mais pobres da população,
liderados pelos jacobinos, passaram a exigir mudanças que beneficiassem as camadas populares. Em abril de 1792, a França viu-se

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obrigada a entrar em guerra com a Áustria, juntamente com outras monarquias da Europa. Para defender o país e a revolução, a
população foi organizada. Milhares de voluntários alistaram-se para reforçar o exército. Foi nesse período que apareceu “A
marselhesa”, hino que logo ganhou popularidade e tornou-se um dos símbolos da França revolucionária. Em agosto de 1792 houve
uma grande revolta popular, o rei Luís XVI foi destronado e preso e seus ministros demitidos. Era o fim da monarquia. Formou-se
então um outro governo, que anunciou eleições para uma nova assembléia encarregada de mudar as leis da França, que foi chamada
de convenção Nacional. A primeira medida da convenção eleita foi confirmar o fim da monarquia na França e proclamar a república.
Dentro da convenção dois grupos principais passaram a se defrontar: os girondinos e os jacobinos.

As principais medidas estabelecidas pela convenção foram:

. Abolição da escravidão nas colônias francesas;

. Fim de todos os Privilégios da Nobreza e do Clero;

. Ensino primário gratuito e obrigatório;

. Assistência aos indigentes;

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