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Histologia resumo

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NÚCLEO DE APRENDIZAGEM

BIOLOGIA - 43
PRISMÁTICO - estômago - intestino: com borda estriada e células caliciformes - tuba uterina: com cílios e células caliciformes - traquéia, brônquios e fossas nasais: pseudoestratificado, ciliado, com células caliciformes

HISTOLOGIA ANIMAL
Histologia é a parte da Biologia que estuda os tecidos. Tecidos são agrupamentos de células semelhantes e/ou que possuem função semelhante, tomadas em conjunto com a substância intercelular. Animais possuem quatro tipos de tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso.

TECIDO EPITELIAL
Os epitélios originam-se embriologicamente de qualquer folheto embrionário, respeitando-se a origem do órgão em questão. Exemplificando, o epitélio encontrado na pele é de origem ectodérmica, o epitélio que reveste o estômago é endodérmico e o epitélio dos túbulos renais origina-se do mesoderma. Basicamente, os tecidos epiteliais possuem duas funções: revestimento e produção de secreção. Da função de revestimento podem derivar outras funções como proteção (pele), absorção de substâncias (intestino delgado) ou produção de gametas (epitélio germinativo). Os tecidos epiteliais têm três características básicas: • Apresentam células de formato geométrico (poliédricas); • As células são justapostas com pouco material intercelular; • Não possuem irrigação sanguínea própria (avascularizados).

TECIDOS EPITELIAIS DE REVESTIMENTO ESTRATIFICADOS
PAVIMENTOSO - NÃO-QUERATINIZADO faringe, boca, esôfago, vagina - QUERATINIZADO pele (epiderme) PRISMÁTICO: conjuntiva ocular DE TRANSIÇÃO - bexiga e início das vias urinárias - as células deste tecido mudam de forma. Ficam globosas quando a bexiga está vazia. Tornam-se finas e distendidas quando a bexiga está cheia de urina.
CE

LB LP

CE

LB LP
CE = célula epitelial, LB = lâmina basal, LP = lâmina própria Além dessas características observamos que um tecido epitelial sempre encontra-se sobre uma lâmina basal (glicoproteica) e uma lâmina própria (de conjuntivo frouxo). A lâmina própria, por possuir vasos sanguíneos, tem a função de nutrir as células epiteliais por difusão. TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO Os epitélios de revestimento classificam-se, em princípio, a partir de dois critérios: número de camadas celulares e formato das células. De acordo com o número de camadas celulares o epitélio pode ser simples (uma camada celular, com todas as células tocando a lâmina basal) ou estratificado (mais de uma camada celular). Conforme o formato das células temos as pavimentosas, cúbicas e prismáticas (cilíndricas ou colunares).

TECIDO EPITELIAL GLANDULAR Os epitélios glandulares (ou glândulas) são responsáveis pela produção de substâncias úteis ao organismo (secreções). De acordo com o destino das secreções temos dois tipos fundamentais de tecidos glandulares: exócrino e endócrino.
Superfície epitelial Ducto Capilares

Exócrina

Endócrina Cordonal

Endócrina Folicular

Glândulas Exócrinas: Lançam as secreções numa superfície interna ou externa do corpo através de um ducto. Suas porções secretoras podem ser chamadas de adenômeros. Exemplos: Glândulas sudoríparas, sebáceas, mamárias, lacrimais, salivares, etc... Classificação: • De acordo com a forma do adenômero ou porção secretora: - Acinosa (ou alveolar): adenômero arredondado. - Tubulosa: adenômero alongado. - Tubulo-acinosa: adenômeros dos dois tipos. • De acordo com a ramificação do ducto: - Simples: o ducto não se ramifica. - Composta: o ducto ramifica.

A classificação dos epitélios pode referir-se a outras estruturas como cílios, microvilosidades (borda estriada), células caliciformes (produtoras de muco) ou queratina. TECIDOS EPITELIAIS DE REVESTIMENTO SIMPLES
PAVIMENTOSO - vasos sanguíneos (endotélio), alvéolos pulmonares, membranas serosas (mesotélio): pleura, pericárdio e peritônio CÚBICO - superfície do ovário, túbulos renais, ductos de glândulas...

simples tubulosa

simples acinosa simples tubulosa enovelada composta tubulo-acinosa composta tubulosa

NÚCLEO DE APRENDIZAGEM
• De acordo com o modo de eliminar a secreção: - Merócrina: elimina apenas o conteúdo do grão-de-secreção.

BIOLOGIA - 44 CÉLULAS TÍPICAS DO TECIDO CONJUNTIVO
CÉLULA MESENQUIMAL INDIFERENCIADA: É uma célula rica em prolongamentos. Possui características embrionárias e pode sofrer diferenciação originando as demais células conjuntivas. FIBROBLASTO: Também apresenta muitos prolongamentos. Seu citoplasma possui retículo rugoso e Complexo de Golgi muito desenvolvidos, evidenciando sua função de síntese de substâncias. É o principal responsável pela produção do material intercelular (SFA e fibras). Quando torna-se maduro (fibrócito) perde a maioria dos prolongamentos e diminui a capacidade de síntese, podendo recuperá-la nos processos de cicatrização. MACRÓFAGO: Origina-se dos monócitos do sangue que passam para o conjuntivo por diapedese. Possui grande capacidade de fagocitose e destruição de micróbios invasores. Seu citoplasma é rico em lisossomos. PLASMÓCITO: Também é de origem sanguínea (derivado do linfócito B). O plasmócito participa da defesa de forma diferente do macrófago. É sua responsabilidade a produção de anticorpos. Seu núcleo apresenta a forma de uma "roda-de-carroça" devido a disposição da heterocromatina. MASTÓCITO: Célula ovalada que possui o citoplasma repleto de numerosos grânulos contendo substâncias que interferem no processo inflamatório. Reações inflamatórias ocorrem quando o organismo sofre uma agressão como uma picada de abelha, nos ataques de asma ou ainda nas regiões em torno de ferimentos. A histamina (substância vasodilatadora e broncoconstritora) é responsável pelas principais características do processo inflamatório (rubor, calor, tumor e dor) e também pelos quadros mais complicados que acompanham o choque anafilático (broncoconstrição com dificuldade respiratória, como nos ataques de asma). A heparina, também liberada no processo inflamatório, tem função anticoagulante, impedindo o sangue de coagular no local da inflamação. Mastócitos também liberam outras substâncias como a bradicinina, responsável pela dor no local da inflamação. ADIPÓCITO: Responsável pelo armazenamento de gordura que se dispõe em uma grande gota central. Os adipócitos podem distender-se muito devido ao acúmulo de gordura.

Ex. glândula salivar - Apócrina: elimina o ápice da célula junto com a secreção.

Ex. glândula mamária - Holócrina: ocorre ruptura da célula e eliminação de todo o material.

Ex.: glândula sebácea • De acordo com a natureza da secreção: - Serosa: secreção fluida, rica em água e proteínas. - Mucosa: secreção viscosa, rica em glicoproteínas. • Glândulas Endócrinas: Lançam as secreções (hormônios) no interior de vasos sanguíneos. Não possuem ducto. Classificação: • Glândula endócrina vesicular ou folicular: a porção secretora tem a forma de uma vesícula ou folículo. Apenas a Tireóide. • Glândula endócrina cordonal: a porção secretora é formada por cordões celulares. Hipófise, paratireóides e supra-renais. • As células intersticiais dos testículos (células de Leydig) são consideradas como um outro tipo de tecido glandular endócrino, o de células esparsas. Essas células, localizadas entre os túbulos seminíferos, produzem testosterona. • Glândulas mistas ou anfícrinas: possuem tecido endócrino e exócrino. O exemplo mais importante é o pâncreas que apresenta os ácinos pancreáticos (produtores de suco pancreático - secreção exócrina) e as ilhotas pancreáticas ou ilhotas de Langerhans (produtoras de insulina e glucagon - secreção endócrina). Os testículos e ovários também podem ser considerados glândulas anfícrinas pois produzem hormônios sexuais e outros tipos de secreções que são eliminadas junto com os gametas.

TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO (TCPD)
O TCPD é o conjuntivo onde não ocorre predomínio de nenhum componente (células ou material intercelular) ou onde predominam as fibras colágenas. No primeiro caso temos o TCPD frouxo. Caso predominem as fibras colágenas temos o TCPD denso. O TCPD frouxo é o componente da lâmina própria.

TECIDO CONJUNTIVO
Também chamado de tecido conectivo, tem origem exclusivamente no mesoderma embrionário ou mesênquima (conjuntivo do embrião). Possui diversas funções como de preenchimento, sustentação, armazenamento de substâncias (tecido adiposo), defesa (apresenta células de defesa) e transporte (sangue). Caracteriza-se por possuir uma variedade de células, muita substância intercelular e ser vascularizado.

ESTUDO DA SUBSTÂNCIA INTERCELULAR
O conjuntivo apresenta uma substância intercelular abundante. Este material é formado basicamente de uma Substância Fundamental Amorfa (SFA) e fibras proteicas. A SFA é constituída de água, íons, pequenas moléculas e alguns polissacarídeos como o ácido hialurônico e polissacarídeos sulfatados como condroitinsulfato, dermatan-sulfato e outros. Os polissacarídeos conferem uma consistência viscosa à SFA. As fibras proteicas agrupam-se em três tipos fundamentais, conforme o quadro: Conhecidas como "fibras brancas do conjuntivo", são espessas e Colágenas bastante resistentes a trações. São encontradas com abundância na derme e nos tendões. Conhecidas como "fibras amarelas do conjuntivo", são dotadas Elásticas de grande elasticidade, distendendo-se quando tracionadas e voltando ao normal após a tração. São encontradas principalmente no pulmão e na origem das grandes artérias. São as fibras mais delicadas. Apresentam-se bastante Reticulares ramificadas e, na verdade, são formadas por um tipo especial de colágeno. Formam uma malha em torno de algumas células, mantendo-as em posições definidas no interior de alguns órgãos, como os rins e o fígado.

TCPD frouxo. Observe a existência de todos os tipos celulares (Fibroblasto, MacróFago, Plasmócito, Mastócito e Adipócito) e os componentes fibrosos. As numerosas fibras colágenas do TCPD podem estar dispostas de forma paralela (TCPD denso ordenado), como o encontrado nos tendões. As fibras colágenas também podem se dispor em todas as direções (como o encontrado na derme), sendo o TCPD chamado de não-ordenado.

TCPD DENSO NÃO-ORDENADO

TCPD DENSO ORDENADO

NÚCLEO DE APRENDIZAGEM TECIDOS CONJUNTIVOS DE PROPRIEDADES ESPECIAIS
Tecido Mucoso: Apresenta um predomínio absoluto de SFA. É encontrado no cordão umbilical e na polpa dentária em formação. Tecido Elástico: Predominam fibras elásticas. Presente em órgãos de grande variação de volume (pulmão e o início das grandes artérias: aorta e pulmonar). Tecido Adiposo: Rico em adipócitos. Apresenta-se principalmente na camada inferior da pele (hipoderme) onde pode ser chamado de panículo adiposo ou tela subcutânea. Tecido Hematopoiético: É o tecido formador de células do sangue. Apresentase em duas formas fundamentais. Tecido Mielóide: No interior dos ossos formando a medula óssea vermelha e a medula óssea amarela. Produz todos os tipos de células do sangue. A medula óssea vermelha é mais ativa em produção de células. À medida que o indivíduo vai envelhecendo, ocorre deposição de tecido adiposo, formando a medula óssea amarela que tem pouca atividade hematopoiética. Nos ossos longos dos adultos, a medula óssea vermelha é encontrada apenas nas epífises ósseas e a medula óssea amarela, na diáfise. As clavículas, o esterno e os ossos do quadril apresentam medula óssea vermelha durante toda a vida do indivíduo.
epífise

BIOLOGIA - 45
LEUCÓCITOS GRANULÓCITOS Neutrófilo: É o mais abundante no sangue humano (cerca de 65%). Apresenta, quando maduro, o núcleo dividido em vários lóbulos. Exerce grande atividade de defesa pela fagocitose quando migra para o conjuntivo. Nas mulheres é visível a cromatina sexual (corpúsculo de Barr). Eosinófilo: Cerca de 3% dos glóbulos brancos. Participa ativamente nos processos alérgicos onde fagocita os complexos Ag-Ac. Seu número pode se elevar muito em doenças que têm componente alérgico como a rinite e algumas verminoses. Também chamado de acidófilo. Basófilo: O mais raro de todos (0 a 0,5%). Tem função pouco conhecida. Suspeita-se que ele participe de processos inflamatórios (hipersensibilidade imediata ou choque anafilático) uma vez que contém grânulos de histamina e heparina. LEUCÓCITOS AGRANULÓCITOS Linfócito: O agranulócito mais comum (cerca de 25% do total de leucócitos). Existem dois tipos: o B que origina o plasmócito (defesa humoral) e o T que produz linfocinas (defesa celular). Monócito: Constitui cerca de 10% dos leucócitos. Tem grande atividade de defesa fagocitária. Dá origem ao macrófago. Também origina outras células fagocitárias em outros tecidos (como os osteoclastos do tecido ósseo e microgliócitos do tecido nervoso). • Plaquetas (trombócitos): Participam do processo de coagulação do sangue. São encontradas numa quantidade em torno de 200.000/mm3. Originam-se na medula óssea a partir da fragmentação de células denominadas megacariócitos. Não possuem núcleo e apresentam algumas organelas como retículo endoplasmático, mitocôndrias e vesículas contendo uma substância denominada tromboplastina (tromboquinase), essencial para a coagulação do sangue. A sequência de eventos que ocorrem na coagulação do sangue está esquematizada a seguir. A formação da rede de fibrina estanca a hemorragia por reter as células sanguíneas.
Tromboplastina Plaqueta Protrombina Fibrinogênio íons Ca++ Trombina Rede de Fibrina

diáfise
disco epifisário disco epifisário

epífise

Tecido Linfóide: Encontrado em órgãos linfóides (linfonodos, baço, timo, apêndice, amígdalas, etc). Está relacionado principalmente com a produção de alguns tipos de glóbulos brancos (linfócitos e monócitos).

SANGUE
Trata-se de um tecido de características muito especiais onde existem diversos tipos celulares (hemácias, glóbulos brancos e plaquetas) e uma substância intercelular denominada plasma. O volume total de sangue de uma pessoa corresponde a 8% de seu peso corporal. PLASMA: O plasma é formado por uma grande quantidade de água onde se encontram dissolvidos íons, glicose, aminoácidos, vitaminas, hormônios e uma série de proteínas importantes (enzimas, anticorpos e substâncias que participam da coagulação como o fibrinogênio). Constitui cerca de 55% do volume de sangue de um indivíduo normal. ELEMENTOS FIGURADOS: Correspondem às células presentes no sangue, ou seja, hemácias, glóbulos brancos e plaquetas. • Hemácias (Glóbulos Vermelhos ou Eritrócitos): Estão relacionadas especialmente com o transporte de gases respiratórios (oxigênio e gás carbônico). São células numerosas no sangue humano (4.500.000/ mm3 na mulher e 5.000.000/ mm3 no homem). Pessoas que moram em locais muito acima do nível do mar apresentam uma quantidade maior de hemácias para compensar a menor concentração de oxigênio no ar. São anucleadas nos mamíferos e apresentam uma forma de disco bicôncavo. Em seu interior não é encontrado nenhum tipo de organela, apenas uma grande quantidade de hemoglobina - pigmento responsável pelo transporte de oxigênio e que contém ferro em sua estrutura. São produzidas na medula óssea pelo eritroblasto, que após produzir muita hemoglobina perde o núcleo e as organelas. Vivem cerca de 120 dias. Hemácias velhas são destruídas pelo baço no processo de hemocaterese. Hemácias ao microscópio eletrônico de varredura. Observe a forma de disco bicôncavo. • Glóbulos Brancos (Leucócitos): São células relacionadas com a defesa do organismo. São muito menos numerosos do que as hemácias (cerca de 8.000/ mm3). Classificam-se de acordo com a presença ou ausência de grãos no citoplasma em granulócitos e agranulócitos, respectivamente.

A coagulação do sangue depende de 13 fatores. A falta dos fatores VIII ou IX provoca a hemofilia caracterizada pela incapacidade de formar a rede de fibrina. A protrombina é formada no fígado por ação da vitamina K.

TECIDOS CONJUNTIVOS DE SUSTENTAÇÃO
TECIDO CARTILAGINOSO: O tecido cartilaginoso é um conjuntivo avascularizado que se encontra envolvido por uma camada de TCPD denso denominada pericôndrio. Próximo ao pericôndrio estão os condroblastos, células muito ativas na produção da matriz intercelular. A matriz é formada principalmente por ácido hialurônico e fibras colágenas. Em algumas cartilagens (na orelha, por exemplo) existe abundância de fibras elásticas. Enquanto vão produzindo a matriz os condroblastos vão sendo envolvidos por ela. Logo estão distantes do pericôndrio e passam a ser denominados condrócitos. Os condrócitos ainda possuem capacidade de síntese. Os condrócitos ficam restritos a lacunas do tecido cartilaginoso (condroplastos) onde se reproduzem originando os ninhos de condrócitos ou grupos isógenos.

Pericôndrio

Ninho de condrócitos

Condroblastos

NÚCLEO DE APRENDIZAGEM
Por ser avascularizado, o tecido cartilaginoso tem baixa capacidade de regeneração pois suas células têm metabolismo muito reduzido. Existem cartilagens de três tipos: hialinas (traquéia, laringe, articulação dos ossos), elásticas (orelha e epiglote) e fibrosas (discos intervertebrais). As cartilagens hialinas são as mais abundantes (80% do total). TECIDO ÓSSEO: O tecido ósseo também é envolvido por uma membrana conjuntiva (periósteo) na proximidade da qual se localizam os osteoblastos de função similar à dos condroblastos, ou seja, síntese de substância intercelular. A matriz óssea apresenta grande quantidade de fosfato de cálcio (hidroxiapatita) responsável pela rigidez do tecido ósseo, mas também apresenta colágeno. Ao produzir a matriz óssea os osteoblastos acabam se convertendo em osteócitos. Junto ao periósteo também vamos encontrar os osteoclastos, células originárias dos monócitos. Trata-se de células multinucleadas responsáveis pela reabsorção (“fagocitose”) da matriz óssea. A atividade dos osteoclastos permite a utilização dos sais minerais armazenados no tecido ósseo e a remodelação óssea.
tec. ósseo esponjoso

BIOLOGIA - 46

TECIDO MUSCULAR
O Tecido Muscular se origina no mesoderma embrionário. Apresenta-se com a função de contração, produzindo os movimentos perceptíveis do corpo. O desenho representa as principais estruturas relacionadas aos movimentos escápula úmero de flexão e extensão do membro superior. A flexão é determinada pela contração muscular do bíceps e a tríceps bíceps extensão pela contração muscular do tríceps. Pares de músculos, como o tendão bíceps e o tríceps, que realizam movimentos contrários são denominados rádio antagonistas. ulna Existem dois tipos fundamentais de tecidos musculares: o estriado e o liso. O tecido muscular estriado caracteriza-se por apresentar estrias transversais em suas células, sendo subdividido em estriado esquelético e estriado cardíaco. A presença destas estrias é explicada pela disposição de microfilamentos proteicos (de actina e miosina) relacionados ao processo de contração muscular. No tecido muscular liso, os mesmos microfilamentos estão presentes, mas não estão dispostos com a mesma organização dos músculos estriados, razão da ausência das estrias transversais. As principais características dos tecidos musculares encontram-se abaixo. ESTRIADO ESTRIADO CARDÍACO LISO ESQUELÉTICO

tec. ósseo compacto

osteoblastos osteoclastos osteócitos

matriz óssea

O tecido ósseo compacto é percorrido por canais longitudinais (canais de Havers) e transversais (canais de Volkmann). Os canais contêm vasos sanguíneos e nervos que levam nutrientes e sensibilidade até a medula óssea. Os osteócitos se dispõem de forma circular em torno dos canais de Havers (formando os sistemas de Havers) com finalidade de capturar os nutrientes através de seus prolongamentos que perfuram canalículos na matriz óssea.
Sistema de Havers

Células cilíndricas e Células fusiformes, Células cilíndricas e curtas, mono ou mononucleadas, com longas, multinucleadas binucleadas com núcleos núcleo central. com núcleos centrais. Presença de Pouco vascularizado. periféricos. discos intercalares e Muito vascularizado. pontes citoplasmáticas. Muito vascularizado Contração lenta, fraca Contração rápida, forte Contração rápida, forte, e involuntária. Em e voluntária. rítmica e involuntária. alguns órgãos possui Evidentemente, por ser O coração se autoperistaltismo voluntário, permite a estimula a nível do nó (esôfago, estômago, realização de sinuatrial, estrutura que intestinos, útero). movimentos lentos e funciona como marcapasso do coração. fracos (delicados). Esôfago, estômago, Nos músculos ligados intestinos, artérias, aos ossos através de Coração (miocárdio) bronquíolos, bexiga, tendões (como o útero... bíceps)

LOCAIS

FISIOLOGIA

MORFOLOGIA

Sistema de condução no coração: formado por células musculares cardíacas modificadas.

Mecanismo de Contração dos Músculos Estriados
A contração das células musculares estriadas é dependente de um estímulo (nervoso, elétrico ou químico). O estímulo provoca liberação de íons cálcio e ATP nas fibrilas responsáveis pela contração muscular. O interior da célula muscular (fibra muscular) possui numerosas fibrilas formadas pelas proteínas actina e miosina. Estas proteínas organizam-se para formar uma estrutura contrátil denominada sarcômero. A contração muscular ocorre devido ao deslizamento das fibras de actina sobre as de miosina.

Relação entre vasos e osteócitos periósteo canal de Havers canal de Volkmann

NÚCLEO DE APRENDIZAGEM
O neurônio representado na figura anterior é o neurônio multipolar. Existem também os neurônios bipolares e pseudo-unipolares que apresentam um número menor de prolongamentos.

BIOLOGIA - 47

bipolar

pseudounipolar

NEURÓGLIA: As células gliais são de quatro tipos diferentes e têm como função auxiliar o neurônio em suas funções vitais, mas não conduzem impulsos nervosos. Célula de Schwann (Neurolemócito) Oligodendrócito

Estrutura interna das fibrilas
sarcômero

Forma a bainha de mielina em neurônios do SNP. Relaciona-se com a velocidade de condução nervosa (condução saltatória). Astrócito
Z

Tem a mesma função da célula de Schwann (formação da bainha de mielina) mas está presente apenas no SNC Microgliócito

A

Z I

H

ATP Ca++

Actina

Miosina

Tem funções de sustentação, nutrição e cicatrização do tecido nervoso.

Origina-se do monócito. É uma célula fagocitária de defesa.

TECIDO NERVOSO
O tecido nervoso origina-se exclusivamente do ectoderma embrionário (neuroectoderma ou ectoderma dorsal) que sofre invaginação para formar o tubo neural. Apresenta uma série de funções: captação, condução, interpretação, associação e geração de estímulos nervosos. Trata-se de um tecido formado basicamente por dois tipos de células: os neurônios (células nervosas) e as células gliais (neuróglia). NEURÔNIOS: Um neurônio típico possui as estruturas indicadas no desenho abaixo:
Corpo Celular (Pericário)
Nó de Ranvier Bainha de Mielina Telodendro

CONDUÇÃO E TRANSMISSÃO DOS IMPULSOS NERVOSOS
O esquema seguinte representa as alterações de polaridade das células e níveis de sódio e potássio nos meios intra e extracelular durante o estado de repouso e o estado excitado. Sua compreensão é muito importante para entender o mecanismo de condução nervosa.

Axônio

Dendritos

O corpo celular (pericário) é a região que contém o núcleo e a maioria das organelas (inclusive as regiões chamadas de corpúsculos de Nissl que são associações de ribossomos e retículo rugoso). Do corpo celular saem prolongamentos geralmente curtos e bastante ramificados denominados dendritos que são responsáveis pela captação dos impulsos nervosos. O axônio é um prolongamento do corpo celular que se apresenta geralmente longo e pouco ramificado, terminando numa região chamada de telodendro. A bainha de Mielina tem função de proteção dos axônios e aumento da velocidade de condução do impulso nervoso, mas não está presente em todos os neurônios e é formada a partir uma célula glial. O neurônio é uma célula que atingiu o máximo de especialização funcional (diferenciação). Sendo assim, ela perdeu uma série de capacidades, entre elas a de sofrer divisão celular (capacidade de mitose já foi observada em neurônios do hipocampo de adultos). Também tem dificuldades para se defender, fagocitar e eliminar o conteúdo dos corpos residuais que se acumulam no seu citoplasma. Admite-se que uma pessoa normal perca em torno de 5.000 neurônios por dia.

Os dendritos são responsáveis pela recepção dos estímulos. O estímulo provoca uma inversão da polaridade elétrica da membrana do neurônio (entrada de íons sódio). O neurônio torna-se positivo por dentro e negativo por fora. Esta despolarização caminha rapidamente pelo corpo do neurônio e pelo axônio. Imediatamente, os íons potássio saem do neurônio e restabelecem o potencial normal (negativo por dentro e positivo por fora). A região despolarizada que caminha rapidamente constitui o chamado impulso nervoso. A velocidade de condução é aumentada pela presença de bainha de mielina (condução nervosa saltatória) e um maior calibre do axônio. Atenção: a intensidade do estímulo aplicado ao neurônio não interfere com a velocidade de condução. Qualquer estímulo a partir de um certo valor mínimo (chamado limiar) originará uma condução nervosa idêntica.

NÚCLEO DE APRENDIZAGEM

BIOLOGIA - 48

A TOXINA BOTULÍNICA
Conhecida comercialmente e popularmente como BOTOX, a toxina botulínica do tipo A é uma substância líquida, estéril e liofilizada, produzida pela bactéria chamada Clostridium botulinum. A neurotoxina é produzida pela bactéria em sete tipos diferentes, os quais são designados pelas letras A, B, C, D, E, F e G. Sendo que a toxina A é considerada a mais potente. Uma vez no organismo humano, esta toxina vai apresentar basicamente duas ações distintas, porém, que complementam. Ela vai ligar-se aos receptores terminais encontrados nos nervos motores, gerando um bloqueio na condução neuromuscular e; entra nos terminais nervosos onde inibe a liberação da acetilcolina. Dessa forma, quando injetada por via intramuscular, em doses terapêuticas, ela produz uma paralisia muscular localizada por denervação química temporária. A denervação química produz uma atrofia do músculo mas, posteriormente, o músculo acaba desenvolvendo novos receptores extrajuncionais para a acetilcolina e a debilidade que se instalara acaba se revertendo. Vale ressaltar que a ação da neurotoxina não atinge o Sistema Nervoso Central (SNC), ou seja, não há bloqueio da liberação da acetilcolina ou qualquer outro transmissor no SNC, visto que ela, em situações normais, não ultrapassa a barreira hemato-encefálica.
www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/variedades/botox.htm

Para o impulso nervoso passar de uma célula para outra são necessárias regiões especiais denominadas sinapses químicas. A nível da sinapse (gastando íons cálcio e ATP) vesículas contendo mediadores químicos ou neurotransmissores como a adrenalina (epinefrina), a nor-adrenalina (norepinefrina) e a acetil-colina derramam seus conteúdos no espaço da sinapse (fenda sináptica). Os neurotransmissores agem em receptores presentes na membrana plasmática das células seguintes. Dessa forma, os neurotransmissores atuam provocando despolarização das células.

REPRESENTAÇÃO DA SINAPSE INTERNEURONAL
SINAPSE

VESÍCULAS DE NEUROTRANSMISSORES FENDA SINÁPTICA

Sinapses podem existir entre células nervosas e outras células nervosas, ou entre células nervosas e células musculares ou glandulares. Além dos neurotransmissores já citados, existem outros muito importantes em determinadas áreas do nosso sistema nervoso. O quadro seguinte mostra uma série de neurotransmissores apenas a título de ilustração. Molécula transmissora Acetilcolina Adrenalina (epinefrina) Nor-adrenalina (nor-epinefrina) e Adenosina ATP GABA, Glutamato, Aspartato e Dopamina Glicina Histamina Serotonina (5-Hidroxitriptamina) Óxido nítrico (NO) Local de síntese SNC, nervos parasimpáticos Medula adrenal, nervos simpáticos SNC, nervos simpáticos nervos simpáticos, sensoriais e entéricos SNC Medula espinhal Hipotálamo SNC, células cromafins do trato digestivo, células entéricas SNC, trato gastrointestinal

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