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relatório final de estágio supervisionado III

relatório final de estágio supervisionado III

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06/09/2015

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Empiricamente, pode ser feita a afirmação de que o abuso sexual intrafamiliar é uma

realidade profundamente latente no município de Tuparendi/RS. Embora não seja a única, e a

demanda mais significativa e grave que exige respostas imediatas e qualificadas do poder

público municipal e do Serviço Social, em especial.

Segundo dados obtidos no Conselho Tutelar de Tuparendi/RS, é atendida nesse órgão

uma média de oito a dez casos a cada ano, englobando principalmente casos em que o agressor

é uma pessoa da família da criança ou adolescente, que tem parentesco ou afinidade. Utiliza-se

como exemplo, o caso das duas meninas, de 11 e 12 anos, de famílias diferentes, que estão

grávidas, e cujo suspeito do abuso são os pais biológicos. Em outro caso, de forte repercussão

na mídia, um motorista do transporte escolar é acusado de abusar sexualmente de crianças que

transportava diariamente para a escola.

Esses casos chegaram ao conhecimento da população, e causaram sentimento de revolta

geral. Mas entre outras coisas, a emergência desses casos à público, significa que as dimensões

do problema a ser enfrentado são muito mais relevantes, já que são raros os casos desvendados,

e a maior parte deles fica encoberto pelo silêncio das famílias, por vezes para sempre.

O prejuízo para o desenvolvimento das vítimas é enorme, causando danos e traumas

que duram por toda uma vida, e são multiplicados no caso do abusador ser uma pessoa na qual

a criança confia, se sua duração for prolongada e protegida pelo complô do silêncio, e ainda, se

não houver nenhuma intervenção por parte de profissionais capacitados no tratamento das

vitimas, da família e também do agressor, que embora deva ser responsabilizado, também

necessita de atendimento.

Nesse sentido, é indispensável que o poder público, em especial a área da saúde e

assistência social venha a desenvolver ações direcionadas tanto ao tratamento dos casos

suspeitos ou identificados, e na prevenção de novos casos. Essa ação precisa ser abrangente:

deve envolver crianças e adolescentes, as famílias, os profissionais envolvidos diretamente

com a infância e juventude, e deve atingir também a opinião e sensibilidade da comunidade em

geral.

As ações de prevenção e a identificação precoce dos casos de abuso são fundamentais

na medida em que só assim será possível evitar que os direitos de muitas crianças e

adolescentes sejam violados, que muitos casos fiquem em segredo, muitas vítimas fiquem

desprotegidas e desassistidas, e que muitos agressores fiquem em pune, reproduzindo

comportamento e fazendo novas vítimas.

O abuso sexual é um crime, e a negligência em relação a ele também. Sendo assim,

nenhum cidadão pode se omitir diante dessa realidade grave e preocupante, e por isso este

projeto vem ao encontro da necessidade do poder público municipal em elaborar respostas

urgentes a esse fenômeno.

A informação e a orientação, universalizada e acessível a todos é a principal arma para

prevenir situações de risco a que crianças e adolescentes são expostas no ambiente social em

que vivem, e na família, que deveria ser o espaço de proteção e segurança para elas. Essas

situações são difíceis de serem identificadas, pelo caráter de segredo, por acontecerem em

famílias normais acima de qualquer suspeita e pela indiferença da sociedade.

É imprescindível a realização das ações previstas nesse projeto, a fim de que toda a

sociedade assuma seu papel em proteger os direitos das crianças e adolescentes, ajudando a

identificar e denunciando casos suspeitos. Todos os segmentos da sociedade devem estar

conscientes de que o abuso sexual é crime, e que é um dever denunciar.

As crianças e adolescentes precisam ser orientados em relação às formas de se

protegerem, de relatarem sempre quando algo incomum acontecer, quando ao bom toque, ao

mau toque e ao toque malicioso, de procurarem ajuda de um adulto. Por sua vez, a família

precisa estar ciente da necessidade de sempre acreditar na criança e procurar ajuda

imediatamente, fazendo queixa em órgãos competentes e encaminhando a vítima para o

tratamento adequado.

Outros agentes precisam ser orientados quanto à identificação do abuso, principalmente

nos locais onde a criança passa seu tempo, como por exemplo, a creche, a escola, tomando

também as providências cabíveis. Por outro lado, toda a sociedade deve estar comprometida,

orientada e esclarecida a esse respeito, cientes da responsabilidade de denunciar casos

suspeitos e empenhados na defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

5. Objetivos

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