P. 1
relatório final de estágio supervisionado III

relatório final de estágio supervisionado III

|Views: 45.213|Likes:
Publicado porJumeinerz

More info:

Published by: Jumeinerz on Apr 29, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/09/2015

pdf

text

original

Novamente retomando os Relatórios de Estágio I e II, não é uma questão nova a

invisibilidade do Serviço Social e desvalorização do profissional Assistente Social dentro da

instituição em que se realizou o Estágio Supervisionado em Serviço Social. Em parte, essa

desvalorização vem junto com a política social que o profissional executa, a Assistência Social,

que como já afirmado nos itens anteriores, não é prioridade para a gestão municipal, tanto a

anterior quanto a atual. E por outro lado, decorre da própria falta de entendimento acerca da

profissão, considerada secundária e com um forte problema de legitimação perante a sociedade

e perante aos demais colegas da equipe e da gestão.

Enfim, existe uma dupla subalternidade que envolve o Serviço Social: enquanto

executor da política de Assistência Social, subalterna na instituição, e enquanto a sua posição

de inferioridade frente a outras profissões presentes na equipe (médico, enfermeira,

nutricionista, psicóloga, dentista). Sendo a política executada a última na lista das prioridades

da gestão municipal, sendo o Serviço Social a última profissão em termos de status profissional

na equipe, não é difícil imaginar a posição difícil em que se encontram as estagiárias em

Serviço Social, que além de não terem funções especificas atribuídas, por vezes são

consideradas um estorvo.

Existem várias questões negativas vinculadas à profissão, e não só a nível municipal, e

sim, sentidas por toda a categoria, aliás, sendo alvo de estudos e produções dos intelectuais da

profissão. Já Iamamoto e Carvalho (2003) discorria sobre a “crise de legitimidade” do Serviço

Social nas últimas décadas: isso decorre do fato do Serviço Social ter surgido legitimado pela

ação católica, pela sua utilidade na recuperação do poder da Igreja Católica. Depois pela sua

incorporação pelo Estado, sendo legitimado como instrumento de reprodução da ordem

hegemônica, com perfil adequado para controlar os conflitos sociais. Assim, quando no

Movimento de Reconceituação e posterior elaboração do Projeto Ético-Político a categoria

rompeu com o conservadorismo, cortou o cordão umbilical que ligava as doutrinas religiosas, e

negou as práticas funcionais ao capitalismo, e por conseqüência, rompeu com a legitimidade

conferida pela religião e pelo capital. O Serviço Social nunca foi uma profissão requerida pelos

segmentos que fazem uso dela. Em outras palavras, para Netto (1996), a profissão foi imposta

pela classe dominante e não uma demanda emergente das classes usuárias. E desde então, não

encontrou ainda uma nova forma de legitimidade.

Traduzindo isso para a instituição e para a prática do profissional na mesma, cabe

ressaltar que não são os usuários que reivindicam a intervenção do Assistente Social na sua

comunidade, ou seja, não é uma demanda que parte deles. Os usuários não reivindicam a visita

do Serviço Social na sua casa, e não raras vezes isso pode desembocar na resistência,

agressividade e desconfiança do usuário. Esse paradoxo é claramente perceptível na atuação

profissional em várias situações: os usuários não querem ou não fazem questão da presença da

Assistente Social em suas vidas, em sua comunidade.

A legitimação da profissão, nesse ponto de vista, não precisa ser revista somente entre

os outros profissionais da equipe e os gestores municipais, mas sim, repensar a compreensão

do usuário sobre o Serviço Social é profundamente necessário, e criar mecanismos para que

eles venham a pensar a intervenção do profissional Assistente Social importante nas suas vidas.

Como aponta Netto (1996), os assistentes sociais hoje em dia precisam competir com

outras profissões que surgem e outras que se remodelam, e acabam por adentrar no espaço de

intervenção do Serviço Social, como o caso da Psicologia Social, Sociologias Aplicadas. Nesse

sentido, como diz este autor, as fronteiras profissionais não estão delimitadas: no município de

Tuparendi, por exemplo, é muito freqüente a invasão de outras profissões no espaço de

intervenção do Serviço Social e vice-versa, havendo uma visível confusão das atribuições

profissionais de cada um.

Outra questão a ser apontada para o âmbito da profissão, é a discrepância que há entre

as produções teóricas dos intelectuais do Serviço Social e os profissionais de campo, como diz

Netto (1996). Conforme este autor, as produções bibliográficas da categoria evoluíram muito

desde a década de 80, especialmente depois da adoção da teoria marxista como norte para as

interpretações e leituras profissionais. Mas segundo ele, a produção de conhecimento não

chega até os profissionais que atuam cotidianamente nos vários campos de trabalho.

Essa distância do conhecimento teórico acumulado e a prática profissional é uma

discussão profundamente presente no Serviço Social. Cabe ao profissional formado e atuante

buscar constante qualificação, ou seja, “reciclar-se” profissionalmente, sob o risco de tornar a

prática profissional vazia, rotineira e sem nenhum embasamento.

Segundo Netto (1996), as transformações pelas quais passa a sociedade e as suas

implicações na questão social, são enfrentadas e respondidas pelos profissionais em uma

situação desfavorável. Para ele, os profissionais Assistentes Sociais agem inseguros por conta

de uma formação profissional frágil, pela competição com outros profissionais aparentemente

mais seguros e legitimados, condicionados pelas heranças conservadoras que ainda estão

presentes em relação a seus papéis. De acordo com Netto (1996, p. 111), “é freqüente uma

atitude defensiva e pouco ousada dos assistentes sociais em face as novas demandas, o que

acarreta a perda de possibilidades de ampliação do espaço profissional”. Em sintese, essa frase

citada resume a situação do Serviço Social e do profissional Assistente Social no município de

Tuparendi, especialmente na instituição em que se realizou o estágio.

Para Montaño (1999), a categoria profissional precisa buscar a sua re-legitimação “por

meio da qualificação, da pesquisa e resposta às demandas emergentes (...)”. Nesse sentido, não

é possível prostrar-se diante da invisibilidade da profissão, da desvalorização do Assistente

Social frente aos demais profissionais, da subalternidade e falta de autonomia dentro das

instituições em que trabalha, sendo necessárias estratégias para a modificação desse quadro,

especialmente no que tange a elaboração de respostas criativas, ousadas e em consonância com

as necessidades e reivindicações da população usuária.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->