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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO

DO RIO GRANDE DO SUL


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

RELATÓRIO FINAL

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL III

Juliana Costa Meinerz Zalamena

Santa Rosa, 1/2009


1. Identificação

Estagiária: Juliana Costa Meinerz Zalamena


Estágio Supervisionado em Serviço Social III
Local de Estágio: Prefeitura Municipal de Tuparendi – Secretaria Municipal de Saúde e Ação
Social
Supervisor de Campo: Elizabét da Silva Cabaldi
Supervisor de Estágio: Professora Lislei Teresinha Preuss
Total de horas no campo: 122 horas
Total de horas de supervisão acadêmica: 75 horas
Semestre: 7º/2009
2. Descrição e Análise da Prática Profissional de Estágio

Chega-se ao fim da experiência profissional de estágio, neste primeiro semestre do ano


de 2009. O estágio, realizado em três semestres na Prefeitura Municipal de Tuparendi/RS, mais
especificamente na Secretaria Municipal de Saúde e Ação Social – S.M.S.A.S, foi uma
experiência muito importante na trajetória de formação profissional, na medida em que
suscitou novas dúvidas e questionamentos para a questão do fazer profissional e do ser
Assistente Social.

As atividades realizadas não foram em nada diferentes daquelas feitas nos demais
semestres, no Estágio I e II, já relatadas nos respectivos diários de campo e relatórios finais, ou
seja: Plantão Social, observação e participação em reuniões de equipe e dos Conselhos
Municipais de Assistência Social (CMAS) e dos Direitos da Criança e Adolescente
(COMDICA), também no recém criado Comitê de Controle Social do Programa Bolsa Família,
além de algumas participações no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, contato com
pessoas que estão cumprindo medidas sócio-educativas, adultos e adolescentes,
institucionalização de idosos e de crianças, atendimento a demandas provenientes do Conselho
Tutelar, reuniões com os conselheiros deste último, etc.

As atividades poderiam ser descritas e fundamentadas novamente, pois sabe-se que a


cada caso, há um viés diferente, um detalhe a ser observado ausente em outros casos
semelhantes, porém, a fim de estabelecer uma certa objetividade a este documento final de
estágio, far-se-á apontamentos quanto as principais diferenças em relação aos demais semestres
dessa experiência: a maturação profissional em relação à leitura da realidade e a compreensão
de sociedade, a mudança radical na equipe e na administração que suscitam algumas novidades
e em terceiro, as tentativas de aplicação do primeiro projeto de intervenção profissional,
relativo à inclusão digital de crianças e adolescentes do PETI, e do segundo, relativo à
orientação sócio-educativa com vistas a prevenção do abuso sexual no município de Tuparendi.
Estes três aspectos serão descritos com mais detalhes nos próximos itens do relatório.

Uma última leitura crítica da conjuntura social em que se insere a Instituição


A realidade geral do município de Tuparendi também já consistiu em tema de
explanação nos relatórios I e II. Assim, em termos gerais, pode-se dizer que se trata de um
município estacionado no que tange o desenvolvimento econômico e social, por conta de
alguns fatores bastante explícitos: o êxodo rural e a agricultura, base da economia municipal,
extremamente enfraquecida, a economia urbana, com suas pequenas indústrias e
estabelecimentos comerciais, também não se encontra em boas condições, contribuindo para o
desemprego de muitos cidadãos. É um município com população decrescente, justamente
devido a essa tendência a migração para outras cidades e estados, e aqueles que ficam, em sua
maioria tem opções muito restritas. Entre elas, o trabalho informal, que, pela sua natureza não-
contratual, não dá nenhuma garantia para os trabalhadores quanto aos direitos trabalhistas.

A situação mais grave, com certeza, é daquele segmento da população que ficam
completamente excluídos do mercado de trabalho formal. Se a condição daqueles que
sobrevivem do trabalho informal na maioria das vezes já é precária, esse aspecto se acentua
naquelas famílias que estão de fora mesmo desse tipo de trabalho, e dependem exclusivamente
dos benefícios de transferência de renda e dos auxílios da Prefeitura Municipal.

Essas famílias se encontram em uma situação de vulnerabilidade grave, e além da


questão econômica, verifica-se também uma série de outros problemas: violência (física,
sexual, psicológica), dependência etílica, conflito com a lei, detenções, etc. Essas famílias,
exceto por algumas que moram na Zona Rural ou em outras vilas (Progresso e Julio Fabrício),
a esmagadora maioria está concentrada na Vila Glória.

Sendo assim, este espaço no contexto municipal é onde mais se verifica a concentração
de pobreza, baixa renda, vulnerabilidade e risco social. Mesmo levando em consideração o fato
de ser o espaço mais assistido pela Prefeitura em termos de benefícios e serviços sociais, e
onde ocorre o maior número de intervenções sociais por parte do Serviço Social da instituição,
essas intervenções estão longe de serem satisfatórias, e ao contrário de buscarem a autonomia e
emancipação humana, pelo contrário, perpetuam a dependência.

Aprofundando um pouco a discussão sobre a Vila Glória, enfatiza-se que este espaço é
recente dentro da cartografia urbana de Tuparendi. Como pode ser observado no mapa do
município de Tuparendi (Anexo I), existem outras vilas, mas afirma-se empiricamente que
existem algumas diferenças visíveis: Na Vila Julio Fabrício (mais conhecida como Vila Peru),
e na Vila Progresso, existe uma demanda considerável de famílias em vulnerabilidade social,
mas o espaço é visivelmente menor do que na Vila Glória. A Vila Esperança, poderia ser
considerada mais como um espaço intermediário entre o centro e a Vila Glória, visto que não
acumula características de periferia. A Vila dos Bancários, como o próprio nome já indica, não
apresenta situação de vulnerabilidade social, com raras exceções.

Então, conclui-se, embora haja pobreza e baixa renda em outros pontos da Zona Urbana
e Rural de Tuparendi, a Vila Glória demanda mais atenção pela quantidade de pessoas que lá
residem, pelo espaço territorial considerável dentro do município, e pelo fato da maioria das
famílias apresentarem situação econômica e social extremamente frágil. Os mais bem
sucedidos em termos econômicos lá são aqueles que possuem membros da família que
trabalham na construção civil, nas serrarias e marcenarias, entretanto, se caracteriza também
como trabalho informal.

Uma grande parte se encontra trabalhando na Cooperativa Meta. Essa cooperativa, na


verdade, só o é no papel, pois na prática, trata-se de uma forma bastante criativa de exploração
da força de trabalho de pessoas que não tem nenhuma alternativa melhor. Esses trabalhadores
são coordenados por um cidadão que os recruta para realizar serviços encomendados, por
particulares ou pela Prefeitura Municipal. Esses serviços são braçais, exaustivos, pesados e
nenhum deles ganha mais de R$ 200,00 mensais. Ou seja, essa “cooperativa” de trabalho,
inviabiliza que seus “associados” tenham status de autônomo e muito menos que possam
contribuir para ter direitos trabalhistas, como a aposentadoria.

Não são raras as situações em que o pai, a mãe e os filhos menores de idade trabalham
todos nessa “cooperativa”. O curioso é que as crianças e adolescentes que estão sendo
recrutadas para o trabalho infantil, o qual muitos insistem não existir em Tuparendi, não são
alvo de proteção do poder público e encontram-se fora do Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil, reforçando a ideologia de que o trabalho evita que essas crianças e
adolescentes rumem para o caminho da marginalidade, conforme discorre o texto de Campos e
Alverga (2008).
A Vila Glória é um espaço bastante recente em relação a formação do município de
Tuparendi, ou seja, quando da colonização deste espaço e posterior desenvolvimento até
chegar a emancipação em 1959, este espaço não existia, ou seja, não haviam moradores e não
era urbanizado.

De acordo com o Histórico do Município de Tuparendi , este espaço começou a ser


ocupado, irregularmente diga-se de passagem, especialmente em meados da década de 70,
quando famílias inteiras resolveram migrar para o espaço urbano em busca de melhores
condições de vida. Levando em conta as informações contidas nesse mesmo documento, as
primeiras famílias a se instalarem neste espaço eram de pequenos agricultores, que haviam
vendido suas pequenas áreas de terras localizadas na Zona Rural do município, e vieram para o
meio urbano, acreditando na promessa de trabalho assalariado.

Podemos perceber com isso que a formação da Vila Glória tem a ver com um aspecto
em particular, que somado a outros secundários, determinaram a instalação de famílias mais
pobres nesse espaço, em moradias precárias e sem nenhuma infra-estrutura e urbanização.
Trata-se do êxodo rural, uma realidade ainda constante nos dias atuais, e que está longe de ter
solução definitiva.

Percebe-se em Rotta (1999), que quando as indústrias começaram a tomar uma posição
de maior expressão na sociedade regional, aumentaram as ofertas de empregos urbanos. A
cidade sempre foi mais atrativa para as pessoas do que a zona rural, de modo que julgava-se ser
uma grande ascensão social deixar a agricultura familiar e se tornar um trabalhador assalariado,
sinônimo de estabilidade financeira e tranqüilidade para a família. Na cidade, estavam perto de
escolas, hospitais, comunicação, lazer, enquanto na zona rural estavam privados disso tudo e de
certa forma isolados. Morar na zona urbana significava ter mais qualidade de vida no
imaginário das pessoas.

Quando a oferta de trabalho aumentou nas cidades, ainda de acordo com Rotta (1999),
muitos agricultores se desfizeram de sua propriedade e foram instalar-se nos povoamentos,
onde havia melhores oportunidades de conseguir emprego, colocar os filhos na escola, ter
acesso à saúde, estar próximo das atividades de lazer, ter acesso às noticias, etc. a propaganda
para que os agricultores migrassem para a cidade, foi bastante atrativa e assim muitos o
fizeram.

Levantando os estudos de Rotta (1999), é possível fazer uma relação bem próxima com
a formação da Vila Glória, no município de Tuparendi, visto que a maioria das famílias que se
instalaram nessa área eram de agricultores, que optaram por viver na cidade, em busca de
trabalho assalariado e melhor qualidade de vida. Evidentemente, essa não é uma regra: existem
famílias oriundas de outros municípios, ou que já foram da classe média e alta mas acabaram
por decair em seu padrão de vida por várias questões, mas que tem em comum o aspecto da
baixa renda e má qualidade de vida.

Com a modernização da agricultura, ainda resgatando Rotta (1999), aqueles que não
possuíam condições financeiras de se adequar às novas tecnologias que surgiam, também
optaram por um novo modo de vida. Evidentemente, na cidade não teve lugar para todos, o
espaço foi insuficiente para acolher a oferta de mão de obra. A industrialização passa a exigir
novas tecnologias, para que fosse possível adequar-se às regras rígidas do mercado e competir
com a concorrência. No caso especifico de Tuparendi, a fonte mais significativa de empregos
na década de 70 e até o final da década de 80, era a indústria de máquinas agrícolas Fankhauser
S/A, que representa até hoje a maior fonte de arrecadação de ICMS do município. E na época,
era símbolo de status e de estabilidade financeira ser um operário dessa indústria. Mas é claro
que a indústria não teve capacidade de absorver toda a oferta de mão de obra existente, e
muitos dos ex-pequenos agricultores que migraram para a cidade em busca de trabalho
assalariado, acabaram compondo aquilo que chamamos de “exército industrial de reserva”, ou
seja, a mão de obra excedente em relação às necessidades do capital.

Com a adoção de máquinas mais modernas, num processo de mudanças de tecnologias


mais recente, as empresas passaram a exigir mais qualificação dos seus funcionários (ROTTA,
1999), e na empresa Fankhauser S/A não foi diferente: o resultado imediato então, além da
diminuição do número de trabalhadores dentro dessa indústria, aqueles ex-agricultores que
haviam migrado da zona rural, não possuíam a qualificação exigida.

Esta situação gerou a exclusão de muitas pessoas deste mercado de trabalho assalariado
ascendente, e com isso, muitas das características das nossas cidades hoje, foram se
configurando (ROTTA, 1999). Ou seja, os colonos que haviam migrado da cidade, só
conseguem ter acesso a moradias precárias, instaladas nas periferias das cidades, formando um
circulo de vilas e bairros pobres nos arredores dos centros urbanos. Este é o perfil da Vila
Glória, assim como de várias outras vilas que compõem as periferias dos municípios da nossa
região, em que o índice de concentração de pobreza é com certeza maior do que nos espaços
centrais das cidades.

Sem qualificação para ter acesso a um dos empregos nas indústrias, automaticamente
ficaram de fora do trabalho formal. De acordo com as idéias de Rotta (1999), estes passaram a
viver de trabalhos informais, biscates, trabalhos temporários, etc. e assim, foram excluídos dos
direitos sociais e demais benefícios do trabalho assalariado formal. Pode-se concluir então, que
as camadas mais vulneráveis da população, concentradas em bairros e vilas mais pobres em
termos econômicos e estruturais, são descendentes destes migrantes que no passado iludiram-
se com as promessas que giravam em torno das cidades e do dito “progresso”.

Este processo ainda não deixou de acontecer. Diariamente, muitas pessoas ainda
migram para as cidades, diante das dificuldades existentes na agricultura, acreditando nas
promessas de que a cidade e o emprego assalariado é a solução para seus problemas. Ao se
depararem com outra realidade, sem qualificação, sem emprego, engrossam as estatísticas dos
indivíduos e famílias que se encontram à margem da sociedade. Soma-se a isso outros
processos que decorrem de exclusão social, e acabam por gerar ainda mais desigualdade social,
como o aumento do desemprego, o uso de drogas lícitas e ilícitas, a violência, a marginalidade,
que fazem com que essas pessoas se sintam quase como uma “contra-sociedade” ou uma “não-
sociedade” (NETTO, 1996) e acabam agindo dessa forma.

Surgem as áreas com a concentração maior de pessoas em vulnerabilidade social, que


pouco possuem para prover seu sustento de sua família, com baixa qualidade de vida. O êxodo
rural sem dúvida é um problema antigo, que data de muitas décadas atrás, mas não deixou de
ser um problema atual e preocupante, e com certeza teve muita influência na formação da Vila
Glória, o foco de estudo deste trabalho de pesquisa.

Com o passar do tempo, mais e mais famílias acabaram se instalando nesse local, o que
obrigou a Prefeitura Municipal, já em meados da década de 80 realizar um processo de
legalização do local, de um primitivo e mal feito processo de urbanização, e o reconhecimento
deste espaço como pertencente ao perímetro urbano de Tuparendi. A Vila Glória foi
aumentando, e hoje representa uma boa parcela, embora não quantificada, da população do
município, contando de acordo com o Sistema de Informações da Atenção Básica – SIAB com
cerca de 450 domicílios1.

Verifica-se que este local é bastante assistido pela Prefeitura Municipal, mas não no
sentido de promover o exercício da cidadania, a autonomia e a emancipação humana. Pelo fato
das ações do poder público serem restritamente em forma de auxílios emergenciais e pontuais,
perpetua-se a dependência dessa população para com os serviços assistenciais. Ou seja, este
local carece de incentivos a participação da população nas instâncias de controle social, ou seja
Conselhos Municipais e Conferências. Carece também de iniciativas de organização da
comunidade em torno de seus interesses, ou seja, da existência de um movimento social que
possa cobrar do poder público ações mais abrangentes e que signifiquem uma oportunidade de
desenvolvimento social para este local e para as pessoas que o habitam.

As iniciativas referentes a cooperativas, de produção ou de trabalho, são muito


importantes e com grande potencial de dar certo, entretanto, devem ser fundadas nos princípios
da raiz do cooperativismo, e não podem se constituir em mais uma forma de exploração a
serviço do capital ou do próprio poder público. Uma iniciativa de organização da produção, em
forma de associação ou cooperativa, poderia significar a inclusão de muitos trabalhadores,
fundada na igualdade de oportunidades para todos, e não na exploração.

Enfim, conclui-se em três semestres de estágio, que as ações da Prefeitura Municipal


não são no sentido da promoção humana, e sim, da proliferação da dependência. Repletas de
vícios políticos, tanto a atual como a antiga administração apresentam a mesma relação com a
assistência social: ou seja, como um setor subalterno e o último na lista de prioridades da
administração municipal.

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De acordo com a PNAD (2007), o município de Tuparendi conta com 2686 domicílios, sendo que a maior parte
está localizada na Zona Urbana.
Visto que nesse ano de 2009, a administração municipal é outra, e que entrou em cena
com grandes propostas, como implantar o Programa Primeira Infância Melhor, implantar o
Centro de Referência da Assistência Social – CRAS, mudar a Secretaria Municipal de Saúde e
Ação Social para o prédio alugado onde antes funcionava a Vera Cruz, “desafogando” o fluxo
de pessoas no local atual que é também a Unidade Central de Saúde, a implantação de
programas de geração de emprego e renda, melhorias no Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil, entre outras coisas.

Entretanto, passados seis meses da nova administração, as ações referentes a


Assistência Social continuam sendo efetuadas nos mesmos moldes, não sinalizando nenhum
prazo para que venham a ser substituídas ou reformuladas.

2.1.1 Espaço mais vulnerável dentro da Vila Glória: a Área Verde

Como já apontado, a Vila Glória é o espaço de maior concentração de pobreza dentro


do município de Tuparendi, tanto em dimensões territoriais como populacionais, ou seja, é o
maior espaço com o maior número de famílias em vulnerabilidade social. Mas dentro da Vila
Glória, está um pequeno território, que compreende cerca de trinta famílias, conhecido como
Área Verde. É chamado assim por que se trata de uma APP – Área de Preservação Permanente,
onde passa o Lajeado Ramos, foi ocupada irregularmente e não tem nenhuma infra-estrutura
urbana: o esgoto corre dentro do valão por onde passa o Lajeado, a água é retirada de uma bica
pública, as casas são de material reaproveitado e não há divisórias entre os cômodos.

Nesse espaço, sem dúvida, estão as famílias que sobrevivem em situações precárias,
degradantes e de extrema exclusão social. As moradias não têm a mínima condição de serem
habitadas, e há a urgente necessidade de duas iniciativas: a formulação de uma política
habitacional condizente, e a retirada dessas famílias para uma área regular e legalizada, pondo
em prática as medidas cabíveis quando a preservação daquele riacho.

Diante da situação daquelas famílias em extrema vulnerabilidade social, cabe uma


reflexão em um contexto mais amplo. Não é difícil perceber que a globalização “de tudo”
globalizou também problemas sociais que antes não eram tão acirrados e freqüentes por aqui.
Quanto a isso, Naves (2003) refere-se a formação de uma “nova questão social”.
Para este autor, a questão social deixou de ter centralidade nos conflitos entre capital e
trabalho, e ruma para outros pólos. Já Montaño (2002), entende que não existe uma “nova
questão social”, mas sim, novas manifestações da velha questão social.

Ou seja, para Montaño (2002), contrariamente ao pressuposto de Naves (2003), a


contradição entre capital e trabalho continua inalterada, a luta de classes continua presente
embora menos combativa, e a desigualdade na distribuição de riquezas também. O que
acontece, precisamente, é que a globalização e as práticas neoliberais provocaram o
acirramento da questão social e o agravamento de suas manifestações. Por isso talvez, no
município de Tuparendi, emergem problemas sociais agudos que antes não eram tão visíveis.

Na ótica neoliberal, como uma de suas estratégias de diminuição do poder do Estado,


recorre-se freqüentemente a existência de uma nova questão social, para justificar o novo
tratamento, o novo padrão de resposta dirigido à ela.

Esse novo padrão de resposta a questão social preconizado pelo capital atualmente, ao
contrário da idéia de Welfare State, propõe a descentralização do poder do Estado, a
desoneração do capital e a auto responsabilização da sociedade civil organizada (Montaño,
2002). O Estado é apresentado como incapaz, burocrático, ultrapassado e arcaico, enquanto o
mercado apresente, ainda que implicitamente e com discurso forjado, as instituições da
sociedade civil como dinâmicas, competitivas, e capazes de sanar as lacunas deixadas pelas
esferas estatais principalmente nas respostas a questão social.

Assim, o mercado tendo adotado a teoria pioneira de Adam Smith, se considera auto
suficiente como agente regulador da economia e de todo o resto dos segmentos, inclusive dos
interesses individuais (Naves, 2003). O que é possível abstrair disso como análise do
município de Tuparendi, é que olhando superficialmente a realidade que se apresenta, as
mudanças são tantas na sociedade que parece mesmo estar brotando uma “nova questão
social”.

Isso poderia ter como argumento a impressão de que o conflito capital e trabalho parece
ter se retraído e dado lugar a uma luta generalizada pela sobrevivência, tanto do capital local
quando dos trabalhadores.
A realidade que se coloca é bastante preocupante, perpassando um quadro de
empobrecimento geral: a indústria, o comércio e a agricultura, fazem malabarismos para
manter seus empreendimentos de portas abertas, muitos deles sucumbindo a uma
competitividade de mercado voraz. Eles não têm nenhum incentivo, são engolidos por
empreendimentos maiores e ainda tem a incumbência de manter a economia local em pé. De
outro lado, está a população, que não tem acesso a vagas de emprego formal, visto que as
dificuldades financeiras dos estabelecimentos industriais e comerciais não permitem a criação
de novos postos. Em suma, parece que o trabalhador não chega nem a ter uma relação com o
capital para poder entrar em conflito com ele.

O que acontece, sinteticamente, é que Tuparendi está tão longe dos grandes centros que
não consegue esboçar uma reação de competição com outras cidades mais desenvolvidas. E
são ausentes as estratégias do COMUDE, por exemplo, para tentar integrar o município ao
desenvolvimento da região como um todo.

E assim os habitantes, e não só as classes mais subalternas, padecem dos males de uma
economia precária e sem perspectivas. Ainda, não podemos culpabilizar somente a esfera
estatal municipal. Como explica Naves (2003), o funcionamento do Estado é muito simples: os
cidadãos pagam uma série de impostos e em troca, esperam receber uma série de serviços.

Seria uma lógica quase infalível se não fosse por dois detalhes típicos do Brasil:
primeiro, a maior parte da arrecadação obtida através dos tributos é canalizada para o
pagamento dos juros da dívida externa, acumulada por sucessivos empréstimos internacionais
ao longo de vários governos e segundo, que uma fatia bem grande do orçamento é desviada
para financiar a nossa tão conhecida corrupção (Naves, 2003).

Assim, já sobra muito pouco para investir na prestação dos serviços que são de
obrigação do Estado, conforme a legislação. Dessa forma, o Estado abre a guarda para as
críticas dos neoliberais, que adeptos do “discurso único”, defendem o livre mercado e o Estado
mínimo.
Isso a nível nacional e estadual, mas que tem reflexos na realidade dos municípios, já
que recebe poucos investimentos das esferas estatais superiores. Soma-se a isso o fato de que
os parcos recursos enviados para os municípios vão se esvaindo ao longo do caminho.

Isso quer dizer que os recursos em maior escala ficam concentrados na esfera federal,
respingam na esfera estatal e chegam minimizados aos municípios. Poderia-se supor então, que
a situação precária em que se encontra o município de Tuparendi não é única e exclusivamente
culpa das sucessivas más administrações que precederam a essa, baseadas em uma cultura
política mais individualista do que coletiva.

A situação atual também é proveniente do desgastado modelo de governo adorado no


Brasil nos últimos anos, que propõe a descentralização das políticas e não das verbas.
Evidentemente, os três últimos presidentes (Itamar Franco, FHC e Lula) tem vertentes políticas
e ideológicas bastante diferentes, mas os modelos de conduzir o Estado não se configuram em
radicalmente diferentes nem ocasionam mudanças estruturais, a não ser pela desastrosa
experiência da privatização. Isso leva a análise de que, mesmo o atual governo estando ligado à
ideologias “trabalhistas”, ele não consegue se desvencilhar das amarras dos modelos de
governo precedentes e muito menos dos ardis capitalistas.

Voltando ao município de Tuparendi, é possível verificar que a esfera estatal municipal


encontra-se estrangulada num orçamento apertado, aonde quase metade vai só para o
pagamento do funcionalismo (cerca de 48% do orçamento é destinado ao pagamento de
salários dos servidores públicos). Esse orçamento provém, em sua maior parte, da arrecadação
tributária municipal, que diante das péssimas condições econômicas, é cada vez menor. Assim,
é claro que não se dá conta da demanda de serviços.

A Assistência Social nesse cenário é vista como a grande vilã das políticas públicas,
como diria Montaño (2002). Ora, os “cidadãos” pagam impostos e em troca recebem, ao menos
na teoria, os serviços da Prefeitura Municipal, que compreendem obras, saúde, educação,
transporte, saneamento, etc. Já os usuários da Assistência Social em sua grande maioria não
pagam tributos, como o IPTU por exemplo, causando a impressão que só retiram dos cofres
públicos. São totalmente assistidos e não retornam nenhuma contrapartida por isso. No caso
dos moradores da Rua E, objeto das visitas de hoje, eles não pagam IPTU e seus casebres estão
irregulares.

É claro que essa é uma ótica equivocada e reducionista, mas perpassa com certeza o
imaginário dos gestores, especialmente os que tomaram posse recentemente. Ou seja, eles
entendem que os usuários, seja da Zona Rural ou Urbana, não pagam os devidos impostos e
somente sugam do poder público.

Os usuários, em sua grande maioria, são moradores da Vila Progresso e da Vila Glória,
nessa última inclusive a situação é pior nas chamadas Ruas A, B, C, D, E, F... (de tão precárias,
nem nome receberam ainda) onde as pessoas foram se instalando sem nenhuma infra-estrutura
de urbanização, onde não há calçamento, as habitações são inabitáveis, o esgoto corre em um
valão ao lado da rua onde as crianças brincam. Como eles não dão o “retorno” ao poder
público, e são considerados um “peso”, conseqüentemente os serviços prestados a eles são,
literalmente, as sobras.

A alimentação dessas famílias está longe de adequada aos padrões aceitáveis de


segurança alimentar e nutricional, e o Poder Público nem sequer pensou ainda num Programa
de Agricultura Urbana, ou seja, uma horta ou um pomar comunitários instalados no perímetro
periurbano da cidade, o que amenizaria bastante esse problema da má alimentação, pouco
saudável e que se reproduz nos hábitos das crianças.

Nesse sentido, a grande vilã das políticas públicas, aquela que, ao ver dos gestores, só
traz ônus aos cofres municipais é a assistência social. Não é a toa que a assistência social só é
prioridade para as gestões quando se aproxima o período eleitoral, quando é “interessante”
condicionar as pessoas pobres a idéia do “favor”.

Mais um ponto para a crítica neoliberal ao Estado, pois na ótica do Welfare State, as
políticas públicas, especialmente as sociais, deveriam ser vistas como responsabilidade do
Estado e direito do cidadão. Nesse caso, a esfera municipal nem sequer se entende como
Estado, empurrando os defeitos para as demais esferas, e ainda, não compreende a todos como
“cidadãos”, em pé de igualdade, e sim, existem alguns que são “mais cidadãos” que os outros.
Assim fica fácil para o capital argumentar a total inoperância do tal “Estado de Direito” que
aqui mais parece o “Estado do Favor”, ou pior, o “Estado da Troca de Favores”. E aquele que
não tem nada para essa troca, literalmente “sobra”.

Notas sobre o Serviço Social e prática profissional na Instituição

Novamente retomando os Relatórios de Estágio I e II, não é uma questão nova a


invisibilidade do Serviço Social e desvalorização do profissional Assistente Social dentro da
instituição em que se realizou o Estágio Supervisionado em Serviço Social. Em parte, essa
desvalorização vem junto com a política social que o profissional executa, a Assistência Social,
que como já afirmado nos itens anteriores, não é prioridade para a gestão municipal, tanto a
anterior quanto a atual. E por outro lado, decorre da própria falta de entendimento acerca da
profissão, considerada secundária e com um forte problema de legitimação perante a sociedade
e perante aos demais colegas da equipe e da gestão.

Enfim, existe uma dupla subalternidade que envolve o Serviço Social: enquanto
executor da política de Assistência Social, subalterna na instituição, e enquanto a sua posição
de inferioridade frente a outras profissões presentes na equipe (médico, enfermeira,
nutricionista, psicóloga, dentista). Sendo a política executada a última na lista das prioridades
da gestão municipal, sendo o Serviço Social a última profissão em termos de status profissional
na equipe, não é difícil imaginar a posição difícil em que se encontram as estagiárias em
Serviço Social, que além de não terem funções especificas atribuídas, por vezes são
consideradas um estorvo.

Existem várias questões negativas vinculadas à profissão, e não só a nível municipal, e


sim, sentidas por toda a categoria, aliás, sendo alvo de estudos e produções dos intelectuais da
profissão. Já Iamamoto e Carvalho (2003) discorria sobre a “crise de legitimidade” do Serviço
Social nas últimas décadas: isso decorre do fato do Serviço Social ter surgido legitimado pela
ação católica, pela sua utilidade na recuperação do poder da Igreja Católica. Depois pela sua
incorporação pelo Estado, sendo legitimado como instrumento de reprodução da ordem
hegemônica, com perfil adequado para controlar os conflitos sociais. Assim, quando no
Movimento de Reconceituação e posterior elaboração do Projeto Ético-Político a categoria
rompeu com o conservadorismo, cortou o cordão umbilical que ligava as doutrinas religiosas, e
negou as práticas funcionais ao capitalismo, e por conseqüência, rompeu com a legitimidade
conferida pela religião e pelo capital. O Serviço Social nunca foi uma profissão requerida pelos
segmentos que fazem uso dela. Em outras palavras, para Netto (1996), a profissão foi imposta
pela classe dominante e não uma demanda emergente das classes usuárias. E desde então, não
encontrou ainda uma nova forma de legitimidade.

Traduzindo isso para a instituição e para a prática do profissional na mesma, cabe


ressaltar que não são os usuários que reivindicam a intervenção do Assistente Social na sua
comunidade, ou seja, não é uma demanda que parte deles. Os usuários não reivindicam a visita
do Serviço Social na sua casa, e não raras vezes isso pode desembocar na resistência,
agressividade e desconfiança do usuário. Esse paradoxo é claramente perceptível na atuação
profissional em várias situações: os usuários não querem ou não fazem questão da presença da
Assistente Social em suas vidas, em sua comunidade.

A legitimação da profissão, nesse ponto de vista, não precisa ser revista somente entre
os outros profissionais da equipe e os gestores municipais, mas sim, repensar a compreensão
do usuário sobre o Serviço Social é profundamente necessário, e criar mecanismos para que
eles venham a pensar a intervenção do profissional Assistente Social importante nas suas vidas.

Como aponta Netto (1996), os assistentes sociais hoje em dia precisam competir com
outras profissões que surgem e outras que se remodelam, e acabam por adentrar no espaço de
intervenção do Serviço Social, como o caso da Psicologia Social, Sociologias Aplicadas. Nesse
sentido, como diz este autor, as fronteiras profissionais não estão delimitadas: no município de
Tuparendi, por exemplo, é muito freqüente a invasão de outras profissões no espaço de
intervenção do Serviço Social e vice-versa, havendo uma visível confusão das atribuições
profissionais de cada um.

Outra questão a ser apontada para o âmbito da profissão, é a discrepância que há entre
as produções teóricas dos intelectuais do Serviço Social e os profissionais de campo, como diz
Netto (1996). Conforme este autor, as produções bibliográficas da categoria evoluíram muito
desde a década de 80, especialmente depois da adoção da teoria marxista como norte para as
interpretações e leituras profissionais. Mas segundo ele, a produção de conhecimento não
chega até os profissionais que atuam cotidianamente nos vários campos de trabalho.
Essa distância do conhecimento teórico acumulado e a prática profissional é uma
discussão profundamente presente no Serviço Social. Cabe ao profissional formado e atuante
buscar constante qualificação, ou seja, “reciclar-se” profissionalmente, sob o risco de tornar a
prática profissional vazia, rotineira e sem nenhum embasamento.

Segundo Netto (1996), as transformações pelas quais passa a sociedade e as suas


implicações na questão social, são enfrentadas e respondidas pelos profissionais em uma
situação desfavorável. Para ele, os profissionais Assistentes Sociais agem inseguros por conta
de uma formação profissional frágil, pela competição com outros profissionais aparentemente
mais seguros e legitimados, condicionados pelas heranças conservadoras que ainda estão
presentes em relação a seus papéis. De acordo com Netto (1996, p. 111), “é freqüente uma
atitude defensiva e pouco ousada dos assistentes sociais em face as novas demandas, o que
acarreta a perda de possibilidades de ampliação do espaço profissional”. Em sintese, essa frase
citada resume a situação do Serviço Social e do profissional Assistente Social no município de
Tuparendi, especialmente na instituição em que se realizou o estágio.

Para Montaño (1999), a categoria profissional precisa buscar a sua re-legitimação “por
meio da qualificação, da pesquisa e resposta às demandas emergentes (...)”. Nesse sentido, não
é possível prostrar-se diante da invisibilidade da profissão, da desvalorização do Assistente
Social frente aos demais profissionais, da subalternidade e falta de autonomia dentro das
instituições em que trabalha, sendo necessárias estratégias para a modificação desse quadro,
especialmente no que tange a elaboração de respostas criativas, ousadas e em consonância com
as necessidades e reivindicações da população usuária.

Projeto de Intervenção Profissional: as possibilidades e as limitações

Conforme as exigências do Estágio Supervisionado II, elaborou-se um Projeto de


Investigação e Intervenção Profissional, a ser aplicado na referida instituição. Foi construída
uma proposta de intervenção baseada na inclusão digital de crianças e adolescentes
participantes do PETI, a fim de integrá-los ou pelo menos iniciá-los no mundo da tecnologia e
da informação.
No município de Tuparendi são muitas as famílias que não tem condições financeiras
de pagar pela qualificação dos seus filhos, mesmo quando se trata de apenas um curso de
informática básico, que custa de R$ 30,00 a R$ 40,00, dependendo da empresa escolhida. Essa
é com certeza, uma forma de exclusão social, denominada atualmente como “exclusão digital”
por autores como Sorj e Guedes (2005), e Almeida e Paula (2005).

Essa forma de exclusão está elencada pela ONU, ao lado da fome, da miséria e do
desemprego, como um dos problemas mais contundentes na atualidade. Na sociedade
brasileira, assim como as demais sociedades em países periféricos, a situação de exclusão é
agravada pela condição de dependência quanto aos recursos tecnológicos (DURAES, 2007).

O governo brasileiro, segundo Neto e Carvalho (2007), vem investindo na inclusão


digital através da implantação de Telecentros em áreas de concentração de vulnerabilidade
social, e também desenvolveu um software livre, o Linux, que é grátis e pode ser usado como
alternativa ao tradicional Windows. Este software, segundo Pires (2002), representa o carro
chefe da política pública de inclusão digital do governo brasileiro.

Assim, sendo uma demanda existente a nível global, representando uma boa parcela dos
esforços do governo brasileiro, a inclusão digital torna-se um tema pertinente a ser adotado
pelo Serviço Social. Essa demanda, no contexto institucional, fez-se presente na pesquisa de
Liamara Coldebella, no ano de 2008, com as crianças e adolescentes do PETI e seus
responsáveis: quando perguntados pelas atividades que gostariam de ter no programa, as
crianças responderam em primeiro lugar o acesso a atividades de informática, empatada esta
opção com as atividades artísticas (dança, teatro, música).

Entretanto, este projeto não foi considerado pela supervisora, e não chegou ao
conhecimento dos gestores de 2008. Sendo assim, atualmente ele está sendo aplicado como
atividade externa e independente do Estágio Supervisionado em Serviço Social, com base na
utilização de trabalho voluntário e com a ajuda do Conselho Tutelar.

Ao longo do semestre, foram apresentadas outras propostas de intervenção, com base


nas demandas apresentadas, tais como: um grupo para desenvolvimento de atividades sócio-
educativas na Vila Progresso, onde há menor incidência da intervenção do poder público,
direcionado para adolescentes, a implantação de uma horta comunitária no perímetro
periurbano da Vila Glória, onde as famílias pudessem trabalhar em conjunto e posteriormente,
ter acesso aos alimentos produzidos, conforme as necessidades e tamanho das famílias.

Neste semestre, então, foi acenada com a possibilidade de aplicação do Projeto de


Inclusão Digital, para crianças e adolescentes oriundos de famílias beneficiárias do Programa
Bolsa Família, no contexto institucional, com recursos provenientes do Índice de Gestão
Descentralizada – IGD. Então, foi reformulado o projeto anterior, que utilizava o trabalho
voluntário, adaptando-o ao contexto institucional e às preferências da supervisora de campo
(Projeto reformulado em anexo).

Entretanto, por problemas nos processos de licitação, o referido projeto começou a ser
aplicado apenas em 01 de julho de 2009, não sendo possível aplicá-lo no tempo hábil de
estágio. E além disso, todo o processo de aplicação foi realizado pela supervisora. Então, como
última tentativa de aplicação de um Projeto de Intervenção Profissional na instituição,
apresentou-se uma nova proposta: o Projeto Reconhecer para Libertar (em Anexo).

O projeto refere-se a prevenção do abuso sexual, demanda extremamente latente no


município de Tuparendi, depois de casos muito graves que chegaram ao conhecimento da
população: duas meninas, de famílias diferentes, de 11 e 12 anos, grávidas, e cujo suspeito do
abuso são seus respectivos pais biológicos. Além do abuso sexual doméstico, há casos de
abuso sexual extrafamiliar, ou seja, crianças que são vítimas de abuso por estranhos, ou ainda,
de exploração sexual visando lucro por adultos aliciadores de menores.

Essas situações que já não podem ser negadas, causam a revolta da sociedade em geral,
e há uma cobrança por ações do poder público, tanto para o atendimento qualificado e a
proteção dessas vítimas, quanto para a prevenção de novos casos. Nesse sentido, elaborou-se o
projeto, sendo entregues cópias para a supervisora Elizabét Cabaldi, para a Diretora de Ação
Social Carla Lisiane Sonza e para o Secretário Municipal de Saúde Valdemar Fonseca.
Providenciou-se cópia também para outros órgãos envolvidos com esta temática: Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar, Conselho Municipal de
Assistência Social e Secretaria Municipal de Educação, para que todos tomem conhecimento e
fiquem cientes de que a iniciativa existe, e se não for colocada em prática, é por negligência e
falta de esforços coletivos.

Como o Estágio Supervisionado em Serviço Social III tem seu término nesse semestre,
no mês corrente (julho/2009), a proposta feita é que a proposta seja aplicada mesmo assim, não
mais como vínculo de estágio, mas como prestação de serviço voluntário, com recebimento de
horas para as atividades complementares do curso de Serviço Social. Até o presente momento,
supervisora de campo e diretora de ação social estão analisando a proposta e ainda não
retornaram sobre a possibilidade de aplicação do projeto.
3. Avaliação do Processo Pedagógico

Avaliação do Processo Pedagógico de Formação Profissional

Ao fim da experiência de Estágio Supervisionado em Serviço Social, realizada em três


semestres de 100 horas cada um, algumas considerações avaliativas devem ser feitas. Em
primeiro lugar, cabe ressaltar que todos os recursos pedagógicos foram de grande importância
e contribuíram muito para a apreensão de conhecimentos, exercício intelectual e prática
profissional, tendo como exemplo o diário de campo, instrumento de diálogo entre acadêmico e
supervisor.

As avaliações e atividades propostas também podem ser classificadas como


satisfatórias, criativas e que exigiram permanente esforço e dedicação por parte do aluno. O
aspecto negativo, como já apontado em outros relatórios, é o fato de que os encontros do
componente curricular são quinzenais: nesse sentido, dada a importância dessa disciplina,
acredita-se que os encontros de supervisão acadêmica deveriam ser individuais.

Todos os mecanismos de avaliação e de aprendizado podem ser considerados


satisfatórios, entretanto, talvez fosse necessário que a instituição fizesse uma avaliação prévia
do profissional que irá supervisionar o acadêmico, a fim de assegurar que aquele campo de
estágio realmente será benéfico para o aprendizado do estagiário, proveitoso para a formação
profissional e para a relação teórico/prática, por dois motivos em especial: há uma profunda
fragilidade teórica e prática no caso de alguns supervisores de campo, que não propicia ao
aluno uma interação proveitosa para seu acúmulo de conhecimento, e existem campos de
estágio onde a própria instituição não tem claro o motivo em aceitar estagiários, as funções a
lhes serem atribuídas e seu papel dentro da instituição, tornando o estágio vazio e inviável.

Avaliação dos objetivos propostos no Estágio Supervisionado III

Os objetivos pessoais em relação ao estágio, na maior parte, não foram alcançados: a


prática do exercício profissional ficou distante na medida em que a supervisora de campo só
permite as estagiárias observarem, estendendo essa observação ao Estágio I, II e III. A
supervisora tem muita resistência a discutir os problemas existentes com base nos
conhecimentos acumulados pelo estagiário no espaço acadêmico, sempre afirmando que a
teoria não “se aplica” na prática.

Não é possível também planejar as atividades a serem realizadas no dia do estágio:


primeiro, por que as estagiárias não têm funções específicas em seus dias que freqüentam o
campo, e segundo, por que nunca é informado o que se pretende fazer na próxima semana. Não
há planejamento por parte da supervisora e assim, inviabiliza o planejamento enquanto
estagiária também.

Não foi possível a aplicação no contexto institucional da primeira proposta de


intervenção, dada a não aceitação da supervisora. A despeito disso, elaborou-se uma segunda
proposta, que está sob sua análise, não tendo retorno até o presente momento.

Acredita-se que foi possível realizar análise de conjuntura do município de Tuparendi,


relacionando com as esferas estadual e nacional, sendo que essa leitura de realidade pode ser
aprofundada continuamente ao longo dos três estágios. Também foi possível traçar um perfil
geral das famílias usuárias da política de Assistência Social do município de Tuparendi, não
deixando de considerar é claro, as peculiaridades de cada caso.

Foi possível também realizar o relato das atividades realizadas no cotidiano de estágio,
embora estas tenham sido pobres de intervenção profissional, e mais ricas em observação.
Procurou-se estabelecer, sempre que pertinente, a relação teórico-prática de tal relato, a fim de
enriquecer as reflexões sobre os fatos com os quais se teve contato empírico.

Adotou-se uma postura propositiva em relação a superação dos problemas existentes


constatados ao longo da experiência de estágio, e buscou-se a elaboração de sugestões para a
potencialização do trabalho do Assistente Social, especialmente quanto a sua visibilidade e
valorização perante a colegas e usuários. Independente dessas sugestões terem sido aceitas ou
não, foi um exercício muito importante que contemplou os objetivos propostos no Plano de
Estágio.
A colaboração enquanto estagiária se deu principalmente na elaboração de projetos,
documentos, pareceres sociais, enfim, produções documentais que exigissem conhecimento
teórico. Nessas situações foi possível aplicar o conhecimento adquirido em ambiente
acadêmico, especialmente em relação aos processos de trabalho do Assistente Social.

Há que se ressaltar também a descontinuidade, a ruptura entre as demandas: como o


estágio se realiza apenas uma vez por semana, a demanda acompanhada em um determinado
dia de estágio não tem continuidade, visto que demora até que se tenha contanto novamente
com o campo de estágio. Por vezes, a estagiária tem contato com a demanda no seu início, mas
não chega a acompanhar o seu desfecho. Outras vezes, os casos são acompanhados pela
metade e não é possível saber como começou. Ainda, muitas demandas são finalizadas sem
que tenham sabido quais as providências tomadas ao longo do caso. Assim, essas rupturas
tornam o estágio supervisionado fragmentado e descontínuo.

Avaliação do Processo de Supervisão

Supervisão Acadêmica

A supervisão acadêmica foi satisfatória, visto que a professora elencada para ser
supervisora desta turma nos três estágios é profundamente dedicada ao que faz, sempre
procurando atender as necessidades dos acadêmicos, trazendo materiais novos para estudo e
inovando em atividades criativas.

O fato de ter sido a mesma supervisora nos Estágios I, II e III, longe de atrapalhar em
alguma coisa, foi bastante positivo, no sentido do reconhecimento das dificuldades de cada um,
no esforço em auxiliar o acadêmico a superá-las, e no conhecimento daqueles pontos frágeis
onde é preciso exigir mais, cobrar mais.

Sempre recebemos orientações detalhadas sobre a construção de todos os instrumentos


de avaliação, e ainda, em todas as vezes que foi necessário, tivemos acesso a supervisões
individuais, a fim de compreender com mais maturidade os conflitos surgidos no decorrer do
Estágio.
Aquilo que para alguns é entendido como cobrança, interpreta-se aqui como estímulo,
na medida em que o professor está realmente comprometido com o aprendizado do acadêmico,
e assim, busca-se empenho e dedicação em todas as atividades.

Supervisão de Campo

A supervisão de campo, no geral, deixou a desejar pelos seguintes pontos: não


atribuição de funções específicas à estagiária, não permissão de efetiva prática profissional,
não colaboração e aceitação quanto à aplicação do Projeto de Intervenção Profissional, não
relação da atividade profissional com a teoria.

Não é atribuída - como já foi evidenciado neste relatório - uma função especifica para
as estagiárias, sendo que a supervisora decide na hora o que será feito naquele dia. Isso
inviabiliza qualquer tentativa de planejamento das atividades de uma semana para a outra.
Várias vezes, apresentaram-se sugestões para que a supervisora apontasse um trabalho a ser
realizado, nos campos em que o atendimento do Serviço Social estaria frágil, como por
exemplo, o PETI e a Escola Especial, mas as sugestões não surtiram efeito.

Sendo assim, as atividades de estágio estavam mais condicionadas a observar as


atuações profissionais, havendo às vezes algumas indicações, mas que decididas na hora, não
possibilitaram planejar atividades, como por exemplo, nas visitas feitas ao PETI.

A supervisora não permite nenhuma autonomia da estagiária em relação à prática


profissional: não permite que sejam feitas visitas, entrevistas, atividades, acompanhamento de
grupos, etc. No que tange a esse aspecto, a experiência profissional foi muito frágil.

A supervisora de campo também não demonstrou nenhum interesse em colaborar na


aplicação da proposta interventiva, e não raras vezes, colocou obstáculos a ela. Todas as
propostas apresentadas não foram aceitas, e quanto à última proposta apresentada, ainda está
analisando mas com poucas perspectivas de aceitação.

Existe uma distância muito grande da prática profissional realizada nesse campo de
estágio com as teorias pertinentes à profissão, e produções intelectuais pertinentes à profissão
nas últimas décadas. Há um viés extremamente conservador e reformador, o que destoa com o
Projeto Ético-Político da categoria, e que entra em choque constante com os conhecimentos
apreendidos em âmbito acadêmico.

O fato de maior desagrado dentre todos compreende o fato de ter realizado sozinha
vários relatórios, estudos, pareceres, projetos, os quais depois foram assinados somente pela
supervisora. No espaço acadêmico houve a orientação de que seria possível assinar as
construções juntamente com a Assistente Social, porém não sozinha. Acredita-se que,
eticamente, esta seria a opção mais correta, e o fato de construir documentos importantes para
serem assinados como se fossem de outra pessoa, é desestimulante e desvalorizante.

Auto-Avaliação

Neste estágio III, houve uma desistência de bater de frente com a supervisora de campo,
e também uma mudança na forma de dar opiniões e sugestões, na tentativa de diminuir o clima
de conflito que sempre permeou o cotidiano de estágio. Muitas vezes, as situações vivenciadas
se chocavam com os princípios pessoais, e também profissionais, mas procurou-se assumir
uma postura mais retraída e menos questionadora.

Talvez essa retração tenha tornado o estágio entediante, repetitivo e rotineiro, mas a
postura mais prudente evitou novos atritos. Entretanto, minha mudança de atitude não
modificou em nada a postura hostil da supervisora.

Modificou-se o comportamento, evitando situações que parecessem hostis. Mas o


principal foi o amadurecimento intelectual, uma vez que foram muitas as leituras e reflexões
realizadas, muitas vezes não contempladas no diário de campo ou nos documentos de
avaliação, mas presentes no cotidiano. As leituras nesse período foram intensificadas,
especialmente no sentido de compreender a sociedade de forma mais ampla e profunda.

Infelizmente, não foi possível o aprofundamento acerca da profissão no campo prático,


mas foi uma experiência muito rica em termos subjetivos. A elaboração das produções
acadêmicas, como o diário de campo e outros documentos, ficou prejudicada pelo acúmulo de
tarefas decorrentes dos sete componentes curriculares, entre eles, o de Trabalho de Conclusão
de Curso I.

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SORJ, Bernardo; GUEDES, Luiz Eduardo. Exclusão Digital: problemas conceituais,
evidências empíricas e políticas públicas. Revista Novos Estudos, nº 72, Julho, 2005.
ANEXO I

Mapa de Tuparendi
ANEXO II

Projeto Reconhecer para Libertar


Prefeitura Municipal de Tuparendi
Estado do Rio Grande do Sul

1. Identificação

Titulo do Projeto: Reconhecer para Libertar

Instituição Responsável: Prefeitura Municipal de Tuparendi – Secretaria Municipal de Saúde


e Ação Social

Responsável pela instituição: Prefeito Municipal Itálico Cielo – Secretário Municipal de


Saúde e Ação Social Valdemar Fonseca e Diretora de Ação Social Carla Lisiane Sonza.

Equipe: Estagiária em Serviço Social Juliana Costa Meinerz Zalamena

Supervisão Acadêmica: Lislei Teresinha Preuss

Supervisão de Campo: Elizabét da Silva Cabaldi

2. Apresentação

Este projeto tem como eixo temático a questão do abuso sexual, com ênfase no abuso
sexual intrafamiliar. A demanda posta para o Serviço Social compreende a existência
comprovada de vários casos de abuso sexual doméstico no município de Tuparendi, situação
que leva a sociedade a fazer cobranças de ações não só de tratamento, mas também preventivas
sobre esta questão. O objeto do presente projeto é, portanto, a prevenção do abuso sexual
contra crianças e adolescentes, envolvendo estes e outros sujeitos sociais, como família,
profissionais e sociedade em geral.

A ação profissional do Serviço Social neste caso, compreende a elaboração de um plano


de ação para a prevenção de novos casos de abuso sexual no município, utilizando-se dos
processos de trabalho e da instrumentalidade do Serviço Social. O primeiro diz respeito as
ações sócio-educativas a serem realizadas com toda a comunidade tuparendiense, utilizando-se
de vários instrumentos, tais como: oficinas de orientação, reunião expositiva, diálogo,
esclarecimento de dúvidas, palestra, folder informativo e utilização da mídia como fonte de
democratização de tais informações.

O eixo de discussão abordado diz respeito as formas de violação dos direitos das
crianças e adolescentes, especialmente no que concerne o abuso sexual doméstico e outras
formas de exploração da sexualidade infanto-juvenil. Esta é uma realidade inegável e latente
no município de Tuparendi, comprovada pela emergência simultânea de casos graves
envolvendo abuso sexual, tanto por parte de pessoas estranhas quanto por membros da própria
família.

No desenvolvimento deste projeto, consta um breve diagnóstico da realidade municipal,


em relação a situação de vulnerabilidade em que se encontram muitas famílias. Sabe-se que o
abuso sexual não em um fato existente somente em famílias e comunidades de baixa renda,
sendo uma realidade que ultrapassa as fronteiras de classe social, idade e gênero. Mas também
é de conhecimento dos profissionais das áreas afins que a situação de vulnerabilidade social é
um agravante para esses casos, na medida em que é mais comum os rompimentos dos vínculos
familiares e a descaracterização dos papéis dos membros da família.

Em seguida, expõe-se as principais justificativas acerca da importância deste projeto


para a comunidade tuparendiense, e principalmente para que sejam desenvolvidas ações de
prevenção ao novos casos no município. Posteriormente, aponta-se os objetivos geral e
específicos deste projeto, bem como o referencial teórico utilizado para dar embasamento as
afirmações feitas no decorrer do mesmo.

Busca-se, através da metodologia do projeto, detalhar o plano de ação e as iniciativas


que o compreendem, de forma minuciosa, a fim de que crianças e adolescentes possam ser
orientados acerca desse tema, integrando a família, profissionais ligados e comunidade em
geral nesse processo.

Por fim, expõe-se a proposta de seqüência das atividades no cronograma físico, os


recursos humanos e materiais necessários, o montante financeiro a ser utilizado no cronograma
financeiro e as bibliografias utilizadas como referência.
3. Diagnóstico

Sabe-se que vivemos em uma sociedade capitalista, dividida em classes sociais pela
divisão social do trabalho, em que há uma polaridade entre cidadãos incluídos e cidadãos
excluídos da ordem social oficial. Existe portanto, uma discrepância entre aqueles que possuem
muito e aqueles que não possuem nada, um abismo entre ricos e pobres, típico da sociedade
capitalista.

O capitalismo instituiu também o que comumente denomina-se “questão social”: o


conjunto de problemas decorrentes das contradições e dos conflitos entre capital – os donos
dos meios de produção – e trabalho – aqueles que nada possuem além de sua força de trabalho
para vender em troca de um salário.

A exclusão social da qual a maioria da população é vitima, tem sido agravada nas
últimas décadas pelas novas características do capitalismo tardio e seu projeto neoliberal de
reestruturação capitalista, como denomina Netto (1996), cujas transformações societárias
decorrentes causam profundas metamorfoses nos aspectos econômicos, produtivos, sociais,
culturais e políticos.

A sociedade brasileira, segundo Montaño (2002), não é imune a essas transformações


decorrentes dessa nova forma de organização do capitalismo. Pelo contrário, as manifestações
da “velha” questão social são agravadas, e concomitante a isso, surgem novas refrações que
exigem novas respostas, especialmente da categoria profissional do Serviço Social, que lida
diretamente com essas últimas.

A situação brasileira frente a essas transformações societárias, segundo Netto (1996), é


agravada pela própria peculiaridade de sua formação sócio-histórica, ou seja, a característica de
país dependente e periférico. Dessa forma, o município de Tuparendi, embora distante dos
grandes centros e com características próprias em relação a outras regiões e municípios,
também não fica alheio a tais transformações, que segundo Netto (1996), são um conjunto de
vitórias do grande capital e em nada somam para as classes subalternas.
O município de Tuparendi possuía na última PNAD (IBGE, 2007), o número de 8.793
habitantes, dos quais a maioria estavam concentrados na Zona Urbana. São poucas as famílias
que ostentam características de classe alta. De acordo com o Atlas do Desenvolvimento
Humano (PNUD, 2000), apenas 10% da população concentram 42,48% da renda, e por outro
lado, 80% da população mais pobre acumula somente 41,90% da renda.

É uma minoria também que são assalariados, com Carteira de Trabalho regular e uma
situação estável de vida, comuns a classe média. Uma grande parcela da população sobrevive
do trabalho informal, isento de direitos sociais e sujeito a contingências, mas que, entretanto,
conseguem manter um certo padrão razoável de vida.

O objeto mais significativo de intervenção do Serviço Social na instituição citada vem a


ser, justamente, aqueles que, vítimas de muitos tipos de exclusão social, sem qualificação
profissional, sem condições de moradia, com empregos temporários, esporádicos e precários,
não conseguem dar conta das suas despesas cotidianas. Muitas dessas famílias não possuem
nenhuma espécie de rendimento próprio, e sobrevivem graças ao beneficio do Programa Bolsa
Família e auxílios da Assistência Social para suprir necessidades emergenciais, especialmente
a alimentação, vestuário e medicação.

A situação de vulnerabilidade é agravada por fenômenos como o êxodo rural, que


causam a urbanização descontrolada da cidade, e a exclusão do mercado de trabalho formal, já
que as poucas vagas que existem exigem uma qualificação que a maioria não possui, e
invariavelmente são mal remuneradas. Uma grande parcela não se encaixa nas exigências do
competitivo mercado local, não conta com nenhuma espécie de capacitação e em geral, possui
uma escolaridade muito aquém do necessário, restando para estes os postos mais mal
remunerados ou então, o desemprego. Essa exclusão do mercado de trabalho exige que estes
habitantes usem da criatividade para sobreviver, inventando formas de sobreviver, aderindo ao
trabalho informal e temporário.

No espaço sócio-institucional verifica-se a existência de inúmeras famílias


vulnerabilizadas, em diversos aspectos, principalmente economicamente, dada a quantidade de
famílias que de alguma forma, precisam ser auxiliadas, seja com gêneros de primeira
necessidade, medicamentos, materiais de construção, etc. A Diretoria de Ação Social conta, em
seu arquivo, com 1236 Fichas Sócio- Econômicas (FSE), sendo que destas apenas 34
pertencem a cidadãos já falecidos.

Esta situação é causada por diversos fatores, entre eles a descapitalização da


agricultura, o êxodo rural e as oportunidades de emprego escassas, para que as famílias possam
prover o sustento de seus membros com uma certa tranqüilidade. As crianças e adolescentes
provenientes destas famílias são vítimas de várias formas de exclusão social, de preconceitos,
falta de oportunidades, etc.

A população de Tuparendi decresceu consideravelmente nas últimas décadas. Em 1991,


a população que era de 9843 habitantes, caiu em 2000 para 9542 habitantes (PNUD, 2000).
Recentemente, a PNAD (2007) apontou que o município de Tuparendi conta atualmente com
uma população de 8793 habitantes. Enquanto a população, em seu total, diminui, a parcela que
se encontra em vulnerabilidade social aumenta consideravelmente.

De acordo com o relatório de administração de 1983/1985, a Secretaria de Bem Estar


Social e Desenvolvimento Comunitário (ou Núcleo da LBA) tinham uma média de 112
famílias que freqüentemente procuravam por auxílios. No relatório da gestão municipal de
1989 a 1992, o levantamento sócio-econômico do município apontava para 240 famílias
cadastradas. Posteriormente, no relatório de atividades da gestão 1997/2000, encontramos um
número aproximado de 331 famílias atendidas pelos auxílios da Diretoria de Ação Social. Em
comparação a hoje, quando são cadastradas nas Fichas Sócio-Econômicas 1236 pessoas, é
possível afirmar que as famílias em vulnerabilidade social, atendidas pela assistência social,
têm aumentado drasticamente.

Feita esta contextualização da situação geral do município de Tuparendi, em relação a


pobreza e a exclusão social, direciona-se nos próximos itens a discussão mais aprofundada em
torno do eixo temático do projeto.

4. Justificativa

Empiricamente, pode ser feita a afirmação de que o abuso sexual intrafamiliar é uma
realidade profundamente latente no município de Tuparendi/RS. Embora não seja a única, e a
demanda mais significativa e grave que exige respostas imediatas e qualificadas do poder
público municipal e do Serviço Social, em especial.

Segundo dados obtidos no Conselho Tutelar de Tuparendi/RS, é atendida nesse órgão


uma média de oito a dez casos a cada ano, englobando principalmente casos em que o agressor
é uma pessoa da família da criança ou adolescente, que tem parentesco ou afinidade. Utiliza-se
como exemplo, o caso das duas meninas, de 11 e 12 anos, de famílias diferentes, que estão
grávidas, e cujo suspeito do abuso são os pais biológicos. Em outro caso, de forte repercussão
na mídia, um motorista do transporte escolar é acusado de abusar sexualmente de crianças que
transportava diariamente para a escola.

Esses casos chegaram ao conhecimento da população, e causaram sentimento de revolta


geral. Mas entre outras coisas, a emergência desses casos à público, significa que as dimensões
do problema a ser enfrentado são muito mais relevantes, já que são raros os casos desvendados,
e a maior parte deles fica encoberto pelo silêncio das famílias, por vezes para sempre.

O prejuízo para o desenvolvimento das vítimas é enorme, causando danos e traumas


que duram por toda uma vida, e são multiplicados no caso do abusador ser uma pessoa na qual
a criança confia, se sua duração for prolongada e protegida pelo complô do silêncio, e ainda, se
não houver nenhuma intervenção por parte de profissionais capacitados no tratamento das
vitimas, da família e também do agressor, que embora deva ser responsabilizado, também
necessita de atendimento.

Nesse sentido, é indispensável que o poder público, em especial a área da saúde e


assistência social venha a desenvolver ações direcionadas tanto ao tratamento dos casos
suspeitos ou identificados, e na prevenção de novos casos. Essa ação precisa ser abrangente:
deve envolver crianças e adolescentes, as famílias, os profissionais envolvidos diretamente
com a infância e juventude, e deve atingir também a opinião e sensibilidade da comunidade em
geral.

As ações de prevenção e a identificação precoce dos casos de abuso são fundamentais


na medida em que só assim será possível evitar que os direitos de muitas crianças e
adolescentes sejam violados, que muitos casos fiquem em segredo, muitas vítimas fiquem
desprotegidas e desassistidas, e que muitos agressores fiquem em pune, reproduzindo
comportamento e fazendo novas vítimas.

O abuso sexual é um crime, e a negligência em relação a ele também. Sendo assim,


nenhum cidadão pode se omitir diante dessa realidade grave e preocupante, e por isso este
projeto vem ao encontro da necessidade do poder público municipal em elaborar respostas
urgentes a esse fenômeno.

A informação e a orientação, universalizada e acessível a todos é a principal arma para


prevenir situações de risco a que crianças e adolescentes são expostas no ambiente social em
que vivem, e na família, que deveria ser o espaço de proteção e segurança para elas. Essas
situações são difíceis de serem identificadas, pelo caráter de segredo, por acontecerem em
famílias normais acima de qualquer suspeita e pela indiferença da sociedade.

É imprescindível a realização das ações previstas nesse projeto, a fim de que toda a
sociedade assuma seu papel em proteger os direitos das crianças e adolescentes, ajudando a
identificar e denunciando casos suspeitos. Todos os segmentos da sociedade devem estar
conscientes de que o abuso sexual é crime, e que é um dever denunciar.

As crianças e adolescentes precisam ser orientados em relação às formas de se


protegerem, de relatarem sempre quando algo incomum acontecer, quando ao bom toque, ao
mau toque e ao toque malicioso, de procurarem ajuda de um adulto. Por sua vez, a família
precisa estar ciente da necessidade de sempre acreditar na criança e procurar ajuda
imediatamente, fazendo queixa em órgãos competentes e encaminhando a vítima para o
tratamento adequado.

Outros agentes precisam ser orientados quanto à identificação do abuso, principalmente


nos locais onde a criança passa seu tempo, como por exemplo, a creche, a escola, tomando
também as providências cabíveis. Por outro lado, toda a sociedade deve estar comprometida,
orientada e esclarecida a esse respeito, cientes da responsabilidade de denunciar casos
suspeitos e empenhados na defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

5. Objetivos
5.1 Objetivo Geral

Realizar oficinas educativas de caráter preventivo nas escolas do município de


Tuparendi/RS sobre a temática do abuso sexual.

5.2 Objetivos Específicos

 Orientar crianças e adolescentes sobre o abuso sexual através de oficinas nas escolas;
 Realizar atividades específicas com a família das crianças e adolescentes em forma de
palestras;
 Realizar uma palestra de capacitação para profissionais ligados à infância e à adolescência
sobre formas de identificação e providências a serem tomadas;
 Elaborar um folder informativo para ser distribuído à população em geral contendo
informações centrais acerca do abuso sexual;
 Utilizar espaços na mídia escrita e falada local para esclarecimentos sobre a temática.

6. Referencial Teórico

Buscando conceituar brevemente o que é abuso sexual, utiliza-se dos estudos de


Azevedo e Guerra (1989), que afirmam que se trata de toda a vitimização sexual, relação
heterossexual ou homossexual entre um ou mais adultos e uma criança e/ou adolescente, menor
de 18 anos, como forma de estimulá-los sexualmente ou obter estímulo para si.

No caso do abuso sexual doméstico, o adulto agressor que comete essa vitimização
sexual é alguém com que a criança e/ou adolescente tenha laços de parentesco,
consangüinidade, afinidade ou responsabilidade, como pais biológicos ou adotivos, padrastos,
avôs, irmãos, tios, primos, tutores, etc. (AZEVEDO e GUERRA, 1989).

É importante ressaltar que este abuso sexual não compreende apenas o ato sexual em si,
ou seja, a penetração anal ou vaginal, e sim, diz respeito a todo contato sexualizado, como a
exposição da criança a nudez, manipulação dos genitais, exposição a materiais pornográficos,
etc. (GUERRA, 1998 apud NEVES e ROMANELLI, 2006).
As condições em que isso acontece, segundo Neves e Romanelli (2006), são as mais
diversas, não estando o fenômeno do abuso sexual intrafamiliar restrito as classes econômicas
subalternas. É uma situação que existe independente da condição social, gênero ou idade. A
diferença básica é que nas classes mais baixas, há propensão a agravantes ligados diretamente a
condição de vulnerabilidade social, e além disso, como não há privacidade, os casos são
identificados mais facilmente.

A vitima tem perfis também variados, sendo, como afirma Azambuja (2004), na
maioria das vezes meninas, por que, por serem mais frágeis se tornam presas fáceis, muito
embora essa não seja uma regra, pois existem muitos casos de crianças do sexo masculino que
são abusadas sexualmente. Além disso, o abuso acontece mais com vítimas do sexo feminino,
conforme essa autora, em decorrência da histórica dominação do homem sobre a mulher,
colocando esta última – e a sua sexualidade – a serviço do mais forte.

O senso comum muitas vezes aponta para um “consentimento” da vítima, como uma
forma de desviar a responsabilidade do agressor: vale ressaltar que, segundo Saffiotti (1995),
em situações de abuso sexual “ceder” não é sinônimo de “consentir”, pois o agressor usa-se
dos sentimentos da vítima para vencer a sua resistência, indo desde a sedução, manipulação da
culpa, medo e vergonha da criança, do seu medo da desintegração familiar, e por fim, da
ameaça e da violência física.

O agressor não necessariamente pode ser acometido de alguma patologia, nem mesmo
apresentar sinais claros de ser um abusador sexual. São pessoas normais, e muitas vezes, acima
de qualquer suspeita. Segundo Azambuja (2004), esta agressor pode ter distúrbios
psicológicos, dificuldade de se aceitar, baixa auto-estima, necessidade de exercer poder e
dominação sobre outras pessoas. Além disso, embora não seja uma regra, Furniss (1993)
aponta que alguns agressores podem ter sido vítimas de abuso na infância e transferem essa
situação para a vítima. De acordo com Santos (1991), os pais são os principais abusadores de
suas próprias filhas.

As famílias incestuosas são aquelas em que o abuso sexual contra crianças e


adolescentes acontecem (Furniss, 1993), mas é conveniente lembrar que nem todo incesto é
sinônimo de abuso sexual, já que podem haver relações entre dois adultos que estejam
impedidos pela lei e pelos costumes de manter relacionamento sexual ou se casarem.

Na maioria dos casos, o abuso é mantido em segredo, que Furniss (1993) chama de
complô do silêncio. A família, segundo Cunha (2005) apud Azambuja (2004), protege este
segredo por um muro de tabus, medos, culpas e vergonhas, ou ainda, num contexto de
dependência financeira e emocional do agressor, além das ameaças e agressões. Araújo (2002)
relata que o agressor utiliza-se de vários mecanismos para perpetuar o abuso e seu exercício de
poder sobre a vítima.

A mãe, ou o adulto não abusador não pode ser considerado sempre um agente de
proteção para a criança. Embora, como aponta Oliveira (2004) quando existe a proteção
materna, as chances do abuso ser rompido antes de ter maiores conseqüências é grande, em
muitos casos a mãe não assume essa postura e sim, posiciona-se em defesa do agressor.
Entretanto, como aponta Azambuja (2004), essa conivência com o abuso sexual praticado
contra os filhos, pode ser explicado pela dependência econômica e emocional das mulheres em
relação ao companheiro, ou ainda, ao fato desta também estar sendo agredida e ameaçada.

Embora, como já dito, o abuso sexual possa acontecer em qualquer ambiente social,
com qualquer pessoa, não implicando na existência de um perfil de famílias incestuosas e de
agressor, Matos et al (2003) apud Azambuja (2004), apontam como fatores de risco a
vulnerabilidade social, os relacionamentos familiares pautados no poder e no medo, o uso de
drogas lícitas e ilícitas, a violência, a ausência do afeto materno e da presença materna no lar, a
negligência dos pais.

Mees (2001) apud Azambuja (2004) apontam que o abuso sexual, especialmente
quando praticado por pessoas em quem a criança confia, traz implicações físicas e psicológicas
para a vitima, traumas que podem perdurar por toda uma vida. Segundo Zavaschi (1991) apud
Azambuja (2004), as vítimas de abuso sexual podem apresentar em algum momento de sua
vida sintomas como tendências suicidas, auto-mutilação, uso de drogas, depressão, isolamento
afetivo, distúrbios de conduta, agressão sexual, etc.
Na Constituição Federal de 1988, art. 227, fica bem claro que qualquer agressão sexual
contra crianças e adolescentes devem ser punidas severamente. O Estatuto da Criança e
Adolescente, por sua vez, é uma iniciativa louvável em busca da efetiva proteção aos direitos
das crianças e dos adolescentes, estabelecendo mecanismos para essa proteção. Mas como é de
conhecimento geral, existe no Brasil uma discrepância muito grande entre os direitos previstos
em lei e a sua operacionalização na prática. A responsabilização do agressor, portanto, é
prevista em lei, e o abuso sexual é crime, e embora a primeira preocupação deva estar ligada ao
atendimento da vítima, o adulto abusador precisa ser submetido à lei e enfrentar as
conseqüências de seu ato criminoso (AZAMBUJA, 2004).

Nesse contexto, não há como ignorar a necessidade de tratamento especializado para


vitima e família, e a necessidade de atendimento ao agressor, visto que, segundo Azambuja
(2004), ele também é um ser humano que precisa superar a situação em que se encontra.
Segundo esta autora, não há agressores sexuais que mudem seu comportamento sem a
intervenção externa, e se esta não for eficaz, este sujeito continuará buscando novas vítimas.

Enumeram-se os seguintes sinais para que seja possível identificar o abuso:

- Demonstração de conhecimento sexual não adequado à idade.


- Queixa de dor ou de ardência nos órgãos genitais.
- Transtorno de sono (pesadelo, insônia, sonolência|).
- Aversão ao contato físico.
- Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, tristeza, abatimento profundo,
choro fácil.
- Idéias e/ou tentativas de suicídio.
- Alteração no comportamento escolar; de assíduo, pontual e boas notas, por faltas
freqüentes, impontualidade, falta de concentração e baixo rendimento nas disciplinas.
- Relutância em voltar para casa.
- Mudança de hábito alimentar: perda de apetite, obesidade.
- Hiperexcitação sexual, masturbação compulsiva, sem critérios de privacidade.
- Alterações repentinas de humor e irritabilidade.
- Distúrbio de conduta, fuga de casa, mentiras, roubo, rebeldia.
(SECRETARIA DO TRABALHO, CIDADANIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL – RS,
2005).

Denunciar é imprescindível, e qualquer pessoa pode fazê-lo através do número 100, ou


dirigindo-se ao Conselho Tutelar do município. Ainda, é possível procurar outros profissionais
habilitados, que sirvam como referência para a revelação do abuso. De acordo com Furniss
(1993), denúncia e a identificação precoce, com posterior responsabilização do agressor e
atendimento adequado à família e a vítima são fundamentais para o rompimento do ciclo do
abuso sexual, que por vezes perpetua-se por gerações seguintes.

7. Metodologia

A idéia inicial compreende a realização de oficinas sócio-educativas sobre o abuso


sexual, com ênfase no abuso sexual intrafamiliar, nas escolas do município, adequando a
abordagem à idade e nível de desenvolvimento da criança e adolescente, com turmas pequenas,
a fim de estimular o diálogo e o esclarecimento de dúvidas. Esse método procura abranger o
maior número de crianças e adolescentes possível.

Para que este projeto venha a ser implementado é fundamental que as escolas se
comprometam com o enfrentamento do problema, e se posicionem favoráveis a realização das
oficinas. Nesse sentido, quando feitos os contatos iniciais com seus responsáveis, será
disponibilizada uma cópia do projeto, que ficará a disposição da escola.

As escolas que são alvo do projeto são: Escola Estadual de Ensino Básico Yeté, Escola
Municipal de Ensino Fundamental Incompleto Amadeu do Prado Mallmann, Escola Municipal
de Ensino Fundamental Vendelino Waldemar Rauber, Escola Municipal de Ensino
Fundamental 10 de Maio, Escola Estadual de Ensino Fundamental Andréa Parise e Escola
Municipal de Ensino Fundamental Senador Salgado Filho.

Assim que forem concluídas as oficinas com as turmas do Ensino Fundamental e Médio
das escolas atendidas, deverão ser realizadas atividades específicas voltadas para os pais, em
forma de palestra e com a utilização de recursos audiovisuais para auxiliar no entendimento e
na realização das discussões, estimulando a participação e o esclarecimento de dúvidas. Deve
ser realizada pelo menos uma reunião com os pais em cada uma das escolas.

Paralelamente a esse processo deve ser elaborado um folder informativo, levantando as


principais questões acerca do abuso sexual, com ênfase naquele que acontece no âmbito
doméstico, que deve ser distribuído para a comunidade em geral, orientando e chamando a
atenção para este fenômeno, seu caráter criminoso e a necessidade de proteger e atender a
vítima.

Ainda, concomitante as oficinas e palestras, deve ser realizada uma palestra de


capacitação para profissionais e pessoas diretamente ligadas a infância e a adolescência, no
sentido de esclarecer as formas de identificação do abuso e as providências a serem tomadas.
Essa palestra deve ser realizada por um profissional com conhecimento aprofundado da
temática, dirigida para professores, gestores públicos, profissionais da saúde e da assistência
social, conselheiros tutelares e membros dos demais conselhos municipais afins, e outros
interessados.

Deve ainda, ser organizado um roteiro de informativos para esclarecimento nas Rádios
presentes no município de Tuparendi, a Rádio Mauá FM e Rádio Comunitária FM, e conforme
disponibilidade, na Rádio Noroeste AM que possui grande audiência no município. Além
disso, será utilizado espaço no Jornal Destaque para vinculação de matérias de esclarecimento
acerca do abuso sexual, além de outras matérias de divulgação do projeto no Jornal Noroeste e
Gazeta Regional.

Por fim, deve-se realizar uma ampla discussão com a equipe da Secretaria de Saúde e
Ação Social a fim de dar direcionamento as próximas ações a serem realizadas posteriormente
a conclusão deste projeto.

8. Recursos

8.1 Humanos

 Equipe Multidisciplinar da SMSAS


 Estagiárias em Serviço Social
 Diretora de Ação Social

8.2 Materiais

 Meios de locomoção
 Equipamento de vídeo e/ou multimídia
 Material didático
 Folder informativo

9. Cronograma Físico

Atividade Jun Jul Ago Set Out Nov


Planejamento do Projeto x
Elaboração do Projeto x
Contatos com profissionais e escolas x
Oficinas sobre abuso sexual nas escolas x
Reunião com pais x
Palestra direcionada para profissionais e público x x x
Realização de informativos nas rádios do município x x x
Vinculação de matérias informativas nos Jornais x x x x x
Confecção e distribuição de Folder informativo x x
Encerramento do Projeto x
Avaliação x

10. Cronograma Financeiro*

Material Valor (em R$)


Jun Jul Ago Set Out Nov
Despesas Gerais 50 50 50 50 50
Confecção de Folder 500
Pagamento de palestrante especializado 150
Pagamento de espaço no Jornal (se for necessário) 50 50 50
Total 50 50 250 600 100
Total Geral R$ 1050,00
* Valores estimados, sujeitos à modificação.

Referências Bibliográficas

ARAÚJO, M. F. Violência e abuso sexual na família. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 7, n. 2,


p. 3-11, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/ Acesso em 10/2007.

AZAMBUJA, Maria Regina Fay de. Violência Sexual Intrafamiliar: É possível proteger a
criança? Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2004.

AZEVEDO, Maria Amélia; GUERRA, Viviane Nogueira de Azevedo. Crianças vitimizadas: a


síndrome do pequeno poder. São Paulo: Iglu, 1989.

FURNISS, T. Abuso Sexual da Criança: uma abordagem multidisciplinar. Trad. Maria


Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes médicas, 1993.
GUERRA, V. Violência de pais contra filhos: a tragédia revisitada. São Paulo: Cortez, 1998.

NEVES, Anamaria Silva; ROMANELLI, Geraldo. A violência doméstica e os desafios da


compreensão interdisciplinar. Estud. psicol. (Campinas) v.23 n.3 Campinas sep. 2006.
disponível em http://pepsic.bvs.org.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0103-
166X200600030000&lng=es&nrm=is&tlng acessado em 08 ago. 2008.

OLIVEIRA, Edson Alves de. Abuso sexual doméstico: desproteção configuração da


grupalidade familiar. São Paulo: PUC/ Campinas, 2004. (dissertação)

SAFFIOTI, Heleisth. Circuito fechado, abuso sexual incestuoso. In: Mulheres vigiadas e
castigadas. São Paulo: Claden, 1995.

SANTOS M. A. Crianças violadas. Brasília: Ministério da Ação Social; 1991.