P. 1
TEORIA DAS FINANÇAS PÚBLICAS

TEORIA DAS FINANÇAS PÚBLICAS

|Views: 561|Likes:
Publicado porDaniel Naves

More info:

Published by: Daniel Naves on Apr 30, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

12/08/2013

pdf

text

original

TEORIA DAS FINANÇAS PÚBLICAS

A teoria das finanças públicas, de maneira geral, está fundamentada na existência das falhas de mercado. As falhas de mercado acabam gerando necessidades, tais como: presença do governo no mercado, estudo das funções do governo, da teoria da tributação e do gasto público. Falhas de Mercado De acordo com a teoria do bem-estar social, em determinadas condições, os mercados competitivos geram uma alocação de recursos. Quando não for mais possível que a realocação dos recursos gere um aumento do grau de satisfação de um indivíduo sem degradar na situação de um outro indivíduo qualquer, ocorre o ótimo de Pareto, ou seja, não há como melhorar o bem-estar de um indivíduo sem prejudicar o bem-estar de pelo menos um outro indivíduo. Entretanto, existem distorções que são denominadas ³falhas de mercado´ impedindo que o ótimo de Pareto se realize, tais como: existência de bens públicos, falhas de competição (existência de monopólios naturais), externalidades, mercados incompletos, informação assimétrica, desemprego e inflação. Bens Públicos Os bens públicos são caracterizados como bens cujo consumo por parte de um indivíduo não prejudica o consumo dos demais indivíduos (consumo indivisível ou nãorival), pois todos se beneficiam de sua produção. Uma vez produzidos, os bens públicos irão beneficiar a todos os indivíduos, independentemente da participação de cada um no rateio dos custos. Outra característica importante dos bens públicos resulta do fato de que é praticamente impossível impedir que um indivíduo desfrute de um bem público, também conhecida como princípio da não-exclusão. Por exemplo, se o governo melhora a iluminação da determinada via pública, todos os indivíduos que utilizarem esta via serão beneficiados, e não há possibilidade de distinção entre estes indivíduos. Essa característica dificulta o rateio dos custos de produção dos bens públicos entre a população, pois não há como mensurar o quantum de benefício de cada indivíduo. Os exemplos mais comuns de bens públicos são: justiça, segurança pública e defesa nacional (bens intangíveis) e praças, ruas e iluminação pública (bens tangíveis). Há uma espécie de bens, denominados bens meritórios ou semi-públicos, que podem ser considerados como uma classificação intermediária entre os bens públicos e os de mercado, e possuem a seguinte característica: podem ser produzidos pela iniciativa privada, pois são submetidos ao princípio da exclusão, mas também podem ser produzidos, total ou parcialmente, pelo setor público, devido aos benefícios sociais gerados e às externalidades positivas. Um exemplo de bens meritórios são os serviços de saúde e educação, visto que, se produzidos pelo setor privado, podem se tornar inalcançáveis por grande parte da população baixa renda, o que faz com que seja necessária a intervenção do governo, tornando esses serviços gratuitos para a população ou a preços subsidiados, sendo seus custos de financiamento obtidos a partir da tributação compulsória de toda a sociedade. Monopólios Naturais Os monopólios naturais ocorrem em determinados setores da economia quando o processo produtivo apresenta retornos crescentes de escala, isto é, quanto maior a produção, menor o seu custo unitário. Com isso, dependendo do tamanho do mercado

A intervenção do governo. pois necessita manter um bem ou serviço de qualidade e acompanhar os avanços tecnológicos do setor. Um exemplo de mercado incompleto ocorre em países onde o sistema financeiro e o mercado de capitais são pouco desenvolvidos. Por outro lado. através da concessão de financiamentos longo prazo e redução das taxas de financiamento para o setor produtivo. mas não existe quem produza. Uma maneira de resolver esse problema é a intervenção do governo no mercado. concessão de subsídios. Na regulação. se uma indústria resolve. não há financiamentos de longo prazo e o setor privado se torna apreensivo de investir em determinados setores da economia. Externalidades Há dois tipos de externalidades: as externalidades positivas e as externalidades negativas. não permitindo que alguns consumidores tomem decisões de forma racional. existe mercado consumidor para o produto ou serviço. pode acontecer de duas formas: através da regulação ou através da produção do bem ou serviço pelo próprio governo. O objetivo da intervenção do governo é . Por exemplo. Os exemplos mais comuns são o lixo despejado por indústria químicas nos rios e mares e a poluição do ar pelas indústrias em geral. os demais indivíduos ou empresas. Essa forma de intervenção. pois não está disposto a assumir tantos riscos. nos últimos tempos vem se enfraquecendo em virtude do processo de privatização. Quando ocorrem externalidades. é mais vantajoso que exista uma empresa produzindo muito do que várias empresas produzindo pouco. pois acarretaria uma perda do bem-estar da sociedade. pois. ela estará beneficiando as pessoas que utilizam a água do rio para consumo. utilizadas para desestimular as externalidades negativas. isto é. com o objetivo de utilizar água pura em sua produção. as ações de empresas ou indivíduos resultam em benefícios diretos ou indiretos para outros indivíduos ou empresas.consumidor. realizar um processo de descontaminação das águas do rio próximo a sua fábrica. o custo de produção seria mais alto. Com isso. mesmo que seu custo de produção esteja abaixo do preço que os consumidores em potencial estariam dispostos a pagar. nem todos os indivíduos que participam do mercado possuem as mesmas informações. Já as externalidades negativas correspondem a situações em que a ação de determinado indivíduo ou empresa prejudica. Informação Assimétrica A informação assimétrica é uma falha no processo de divulgação de informações em um mercado. progressividade de alíquotas de impostos ou regulamentação. quando ocorre um monopólio natural. e pode ocorrer através de: produção direta do bem ou serviço. procura-se evitar que ocorram preços abusivos. Ou seja. Mercados Incompletos Um mercado é considerado incompleto quando um bem ou serviço não é ofertado. quando o governo se torna responsável pela produção do bem ou serviço a sua responsabilidade é bem maior. neste caso. a intervenção do governo se torna necessária. a intervenção do governo permite que todos os participantes de determinado setor econômico tenham as informações necessárias à tomada de decisão. Nas externalidades positivas. As demais são. pois não possuem dados suficientes para tal. Quando ocorre um processo de informação assimétrica. As duas primeiras formas de intervenção (produção direta ou concessão de subsídios) geram externalidades positivas. aplicação de multas. geralmente. direta ou indiretamente.

2 ± (AFC-SFC-2002) De acordo com a Teoria das Finanças Públicas. através da implementação de políticas que visem à manutenção do sistema econômico o mais próximo possível da estabilidade de preços e do pleno emprego. Para que isso seja evitado. como por exemplo. torna-se necessária a intervenção do governo. Já a estabilização de preços aumenta o bemestar da sociedade e gera um maior desenvolvimento econômico. a) Os bens públicos são aqueles cujo consumo ou uso é indivisível ou ³não-rival´. b) O sistema de mercado só funciona adequadamente quando o princípio da ³exclusão´ no consumo pode ser aplicado. assinale a única opção incorreta. indiretamente. Sobre a natureza dos bens econômicos. d) a soberania do consumidor não é preservada nos bens privados. e) A crescente complexidade dos sistemas econômicos no mundo como um todo tem levado a uma redução da atuação do Governo. d) A existência de externalidades justifica a intervenção do Estado. c) No caso de ocorrência de monopólio natural. e) os bens demeritórios têm seu consumo inibido pela imposição de pesados impostos ou pela proibição direta. b) bens públicos são indivisíveis e sujeitos ao princípio da exclusão. Essa intervenção pode ser realizada através da criação de legislações específicas que permitam uma maior transparência no mercado. nem nos bens públicos. . afirma-se que: a) bens privados são divisíveis e não sujeitos ao princípio da exclusão. A redução do desemprego é importante. ajuda a diminuir a violência. c) bens meritórios são divisíveis ou indivisíveis e não sujeitos ao princípio da exclusão. Desemprego e Inflação Um mercado sem intervenção do governo também pode gerar altos níveis de desemprego e inflação. pois aumenta o mercado consumidor e.tornar o fluxo de informações o mais eficiente possível. EXERCÍCIOS: 1 ± (AFC-STN-2000) Os bens econômicos podem ser classificados em bens públicos e bens privados. a intervenção do governo se dá pela regulação de tal monopólio ou pela responsabilidade direta da produção do bem ou serviço referente ao setor caracterizado pelo monopólio natural. a necessidade das empresas que possuem ações em bolsa de valores (capital aberto) divulgarem seus balanços periodicamente na imprensa.

a) Um bem público é utilizado ou consumido com exclusividade. b) Bens privados são aqueles cujo consumo é tanto rival quanto excludente e são providos eficientemente em mercados competitivos. e) Há rivalidade no consumo de um bem se o consumo desse bem por parte de uma pessoa aumenta a disponibilidade do mesmo para as outras.(Analista de Orçamento ± MARE ± 1999) Bens públicos puros são: a) bens de consumo individual. b) bens de consumo coletivo. e) Mercados incompletos. existem algumas circunstâncias conhecidas como falhas de mercado. b) O consumo de um bem público por qualquer indivíduo ou empresa não reduz a quantidade disponível para os outros indivíduos. e) O mecanismo de mercado induz os indivíduos a não revelarem suas preferências com relação ao bem público.3 ± (AFC-CGU-2004) Com base na Teoria das Finanças Públicas. mas excludente. 5 . d) Um exemplo de bem público puro é segurança nacional. porém divisíveis. assinale a única opção falsa em relação ao conceito de bem público. c) A exclusão permite que o produtor do bem privado possa ser pago sempre que um consumidor fizer uso do mesmo. b) Externalidades. a) Um bem público puro é caracterizado por ter seu consumo não rival e não excludente. que impedem que ocorra uma situação de ótimo de Pareto. mas repletos de externalidades positivas.(APO-MPOG-2001) De acordo com os princípios básicos de finanças públicas. c) Existência de monopólios naturais. e) bens cujo consumo é rival. assinale a única opção falsa. 6 . 4 ± (APO-MPOG-2005) De acordo com a teoria das Finanças Públicas. d) bens cujo consumo é não-rival. privado. Assinale a opção falsa no tocante a tais circunstâncias. d) Maior transparência dos mercados. c) É impossível excluir agentes que desejem consumir o bem público. mas não-excludente. a) Existência de bens públicos. c) bens cujo consumo é não-rival e não-excludente. d) Bem público é aquele cujo uso ou consumo é não-rival e não-excludente. .

b) pelo menor custo de sua produção. 8 .bens privados estão sujeitos ao princípio da exclusão.(Analista de Orçamento ± MARE ± 1999) Quanto aos bens meritórios justifica-se a intervenção estatal no seu oferecimento a) pelo custo e qualidade do produto obtido. que em relação aos demais. c) pela facilidade na sua distribuição. exclusivamente. c) regressivo. exclusivamente. d) bens meritórios. d) multiplicador. inspirou as doutrinas de bem-estar integradas na análise econômica convencional no sentido de que há eficiência na economia quando a posição de um agente sofre uma melhoria. c) de taxas. afirma-se que: Letra a) bens privados são divisíveis e não sujeitos ao princípio da exclusão .(Analista de Orçamento ± MARE ± 1999) Para financiar a produção de bens públicos o setor governamental utiliza-se a) de impostos. . 10 . exclusivamente. d) de contribuição de melhoria. são fatores desestimuladores do interesse do setor privado na aplicação em a) infra-estrutura econômica.(Analista de Orçamento ± MARE ± 1999) O Ideal ou Ótimo de Pareto. exclusivamente.(Analista de Orçamento ± MARE ± 1999) Elevados aportes de recursos e morosidade no retorno. e) de taxas e contribuições sociais.Sobre a natureza dos bens econômicos. c) bens semipúblicos. tem um efeito econômico a) incremental. b) bens públicos. b) progressivo.7 . e) pela sua utilidade social. e) bens mistos. GABARITO COMENTADO: 1 ± E . b) da tributação em geral. e) neutro. d) pela sua gratuidade. 9 .

9±E Bens meritórios ± caracterizados pela utilidade social.. desemprego e inflação. 6±C Bens públicos puros são: bens cujo consumo é não-rival e não-excludente. são fatores desestimuladores do interesse do setor privado na aplicação em infra-estrutura econômica. externalidades. 5±A Letra a) Um bem público é utilizado ou consumido com exclusividade ± OPÇÃO INCORRETA ± um bem público obedece ao princípio da não-exclusão. 7±A Elevados aportes de recursos e morosidade no retorno. 3±E Letra e) Há rivalidade no consumo de um bem se o consumo desse bem por parte de uma pessoa aumenta a disponibilidade do mesmo para as outras ± OPÇÃO INCORRETA ± há rivalidade no consumo de um bem se o consumo desse bem por parte de uma pessoa o torna indisponível para as outras. informação assimétrica (mercados não-transparentes ou pouco transparentes).OPÇÃO CORRETA.Letra b) bens públicos são indivisíveis e sujeitos ao princípio da exclusão ± bens públicos não estão sujeitos ao princípio da exclusão. Letra c) bens meritórios são divisíveis ou indivisíveis e não sujeitos ao princípio da exclusão ± bens meritórios podem estar sujeitos ao princípio da exclusão. que em relação aos demais. tem um efeito econômico neutro. 4±D Falhas de mercado (impedem que ocorra uma situação de ótimo de Pareto): existência de bens públicos. nem nos bens públicos ± a soberania do consumidor é preservada nos bens privados.há eficiência na economia quando a posição de um agente sofre uma melhoria. 2±E Letra e) A crescente complexidade dos sistemas econômicos no mundo como um todo tem levado a uma redução da atuação do Governo ± OPÇÃO INCORRETA ± a crescente complexidade dos sistemas econômicos no mundo tem levado a um aumento da atuação do Governo. mercados incompletos.B A produção de bens públicos é financiada pela tributação. 10 . Letra d) a soberania do consumidor não é preservada nos bens privados. existência de monopólios naturais. . 8-E O Ideal ou Ótimo de Pareto . Letra e) os bens demeritórios têm seu consumo inibido pela imposição de pesados impostos ou pela proibição direta.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->