Você está na página 1de 2

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CAMPUS DE SOBRAL
Curso de música – Licenciatura
Técnica Vocal / Prof.: Simone Sousa

Leandro Sousa Araújo

A respiração, segundo a fisiologia, é um fenômeno vital espontâneo, todos os seus


movimentos são automáticos e ligados a um comando cerebral. O ser humano, devido à sua
verticalidade, adota o esquema respiratório toráxico-clavicular, que é mais desgastante, ao
invés do esquema abdominal-intercostal, em que o ar passa tridimensionalmente e, portanto,
utiliza melhor o ar.

No processo de respiração, há uma troca entre o gás carbônico, do sangue, e o


oxigênio, do ambiente. Na ausência deste último o cérebro ordena a contração do diafragma
(músculo responsável), que desce e suga o ar como um fole (inspiração). Após isso, há uma
pausa e ocorre o movimento de expulsão do ar (expiração), em que o diafragma sobe e
retorna à posição de repouso, neste momento também há uma pausa em que se espera um
novo comando do cérebro para que o ciclo se reinicie. O ato de cantar interfere neste pulso
respiratório natural.

Entende-se que o problema da maioria dos cantores está na administração de saída e


não na entrada de ar. Afirmar isto pode fazer com que os cantores se acomodem com uma
pequena reserva de ar. O cantor deve sentir tranquilidade e pode trabalhar a respiração
através de exercícios. Numa inspiração correta o ar não deve ser “puxado”, mas
naturalmente aceito e nunca em excesso. É preciso se preocupar mais com a utilização do ar
na inspiração.

Na manutenção da pressão necessária para o canto, a expiração deve ser


compensada com a pressão do empuxo do abdômen. Contudo, a força, nesse momento,
excede o que é suficiente para a fonação e é o próprio diafragma que regula este excesso de
força com a pausa inspiratória. É a partir daí que se insere o apoio. O diafragma é uma
musculatura importante nesse processo e, por ser involuntário, é educado através da
musculatura abdominal e intercostal.

Muitos consideram o apoio como uma experiência subjetiva. Porém, tudo o que pode
ser aprendido precisa reunir conceitos e meios para o ensino. O apoio, no canto, objetiva
sustentar e controlar uma coluna de ar pela eutonia muscular (tonicidade muscular em que a
tensão pode ser agradável e flexível); e tornar mais acessível a maleabilidade do som.

A função vocal encontra-se na fase passiva da respiração. Desse modo, faz-se valer o
aprendizado da respiração e seus cuidados.

Existem muitos métodos de aprendizado da respiração para o canto. É importante


ressaltar, ainda, que o nervosismo pode consumir o tempo da emissão, Portanto, deve-se ter
conhecimento e controle das emoções, já que estas podem dificultar a respiração no canto
até mais do que na fala.

Os princípios da abordagem: restabelecimento da respiração natural e confortável; a


respiração deve ser, quando possível, pelo nariz, e sucção do diafragma (sem ruídos, com
bom aproveitamento); O apoio é estabelecido com a eutonia muscular, atentando à postura e
respiração; O canto situa-se na pausa expiratória, administrado pelo apoio.