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Didatica to e Avaliacao I_1

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I
© 2008 Fundação Hermínio Ometto - Uniararas Todos os Direitos Reservados

Reitor Prof. Dr. José Antonio Mendes

Pró-reitores Prof. Dr. Olavo Raymundo Jr. (graduação) Prof. Dr. Marcelo A. M. Esquisatto (pós-graduação e pesquisa)

Diretor Administrativo-Financeiro Francisco Eliseo Fernandes Sanches

Coordenadora de Comunidade e Extensão Profa. Ms. Cristina da Cruz Franchini

Professor Responsável pelo Conteúdo Profa. Ms. Maria Alejandra Iturrieta Leal

Concepção e Desenvolvimento

e-mail: nead@uniararas.br www.uniararas.br

Fotografias Nenhuma imagem deste fascículo poderá, em hipótese alguma, ser reproduzida e distribuída para outra finalidade, por qualquer outro meio e por qualquer outra pessoa, seja ela membro ou aluno da Uniararas, sob a pena de infringir os direitos autorais da Jupiter Images Corporation. Centro Universitário Hermínio Ometto – Uniararas Av. Dr. Maximiliano Baruto – 500 Jardim Universitário – 13607-339 – Araras - SP

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

. . colocar o aluno em situações que lhe permitam construir conhecimentos. a estrutura divide-se em sete grandes seções: Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho. ... Para Além das Fronteiras Localizando. Síntese da Unidade – Repensando e provocando. nem uniforme.. Também são oferecidas oportunidades de cooperação entre alunos-alunos e alunos-tutor. indispensáveis ao seu desenvolvimento e ao exercício de sua cidadania.possibilidade de aprender com o outro.. o afetivo e o social. Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. Trabalhamos com subseções volantes... expondo os objetivos a serem atingidos... Outros princípios norteadores da organização didática e metodológica dos fascículos apóiam-se nas diretrizes: seguintes Na primeira seção. reflexões e análises. De modo geral.. além de privilegiar o ensinoaprendizagem dos conhecimentos básicos que permeiam a formação profissional. decorrente dos conteúdos abordados na unidade.desenvolvimento da relação dialógica.participação do aluno na construção e elaboração do conhecimento. uma postura crítica e indagativa. valores e atitudes enriquecer os conhecimentos sobre o assunto. A estrutura típica de cada unidade se inicia com a apresentação das expectativas de aprendizagem. desenho.incentivo ao aprender a aprender. Essa formação envolve os diferentes âmbitos do indivíduo – o cognitivo. Esse pressuposto coincide com o que pensamos sobre o papel do aluno. possibilita-lhe a aprendizagem e. . Subseções especificidade do assunto tratado nas unidades. Olhando para fora. unidade.. Eles foram pedagogicamente concebidos para a Modalidade de Ensino a Distância e são estruturados em textos autoinstrucionais. nossa proposta é. entre outras. Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho. acreditamos. organizamos diferentes estratégias para auxiliar o aluno a construir e a expressar seus conhecimentos. por nós considerado agente e sujeito de seu processo de aprendizagem.consideração dos conhecimentos prévios do aluno. Das memórias às capacidades criativas Busca na vivência de cada pessoa informações que possam enriquecer seu desenvolvimento pessoal e profissional... buscando Assim. Estas seções guardam uma dinâmica entre si. Auto-avaliação – Olhando para dentro. O princípio fundamental que norteou nosso trabalho foi dispensar um tratamento sério. consistente e agradável ao material que servirá como ponto de partida para os estudos propostos.. Na segunda seção. Estrutura dos Fascículos dramatização. É justamente o posicionamento ativo desse sujeito diante do conhecimento que. embora as atividades e as propostas possam ser independentes..Caro (a) Aluno (a): O fascículo não apresenta uma estrutura linear. Para cada momento e atividade são fornecidas as orientações necessárias. por conseguinte... mas obedece a um padrão básico. e que aparecerão de acordo com a Partimos do pressuposto de que a finalidade da educação escolar é formar o aluno na sua globalidade... É com muita satisfação que lhe apresentamos a estrutura dos fascículos que irão compor o seu Programa de Curso. Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. pintura. Teleaula Apresenta a teleaula relacionada à unidade. poderão assumir relação de interdependência. é apresentada a temática que será abordada na . pois. . ..desenvolvimento da autonomia do aluno. Mapeamento da Unidade e Referências Bibliográficas. ao mesmo tempo em que se visa estimular em cada aluno a autonomia e a busca do conhecimento. . apresentadas a seguir... vinculando essas experiências a atividades como Textos e contextos: de pergunta em pergunta Dispõe textos e artigos relacionados ao tema e suas dimensões histórico-sociais com questões.. Os principais conceitos são abordados e o assunto é contextualizado e problematizado.

Na terceira seção. apresentamos anexos ou apêndices. Para Além das Fronteiras – Localizando. sejam consultados. enriquecimento e desenvolvimento pessoal e profissional. A quinta seção. Possui informações e/ou conceitos que vão para além dos conteúdos tratados na unidade. Indagação e busca Promove leituras.. filmes. caro aluno.. fotos. tem o objetivo de indicar livros. apresentação de seminários para desenvolver habilidades e competências e atualizar os conhecimentos sobre o assunto.. igualmente importantes. o aluno é provocado a posicionar-se criticamente. esquemas. sem medir esforços para aperfeiçoar seus conhecimentos e aplicá-los em sua futura prática profissional.. privilegiando as normas da ABNT. A quarta seção.. compõem a estrutura de cada unidade: referências dos documentos utilizados em cada unidade do fascículo. filmes. etc... Análise de casos: reunindo experiências Com a apresentação de situações e casos fictícios ou reais relacionados ao tema. resgata a reflexão sobre as Acreditamos em você! Bom trabalho! Um Pouco Mais. elaboração de resumos e esquemas. textos. da indagação para uma compreensão mais apurada do assunto. Reflexão Permite o movimento da busca. Além dessas grandes seções que constituem o padrão básico do fascículo. de domínio público ou autorizados pelas editoras e/ou autores. A sétima seção. outras duas complementares. Referências Bibliográficas. apresenta todas as Obra prima Expõe obras de arte. sites. Olhando para fora. Os anexos trazem textos e artigos científicos de veiculação e reprodução livres. para que. promovendo a interação do grupo.. Treinando Promove a fixação do conteúdo e leva ao raciocínio rápido a partir de um treinamento que é proposto ao aluno. encaminhando-a para a reflexão sobre o assunto.aprendizagens realizadas. Anexos/Apêndices Ao final das unidades. A sexta seção. letras de músicas. a fim de aprofundar o conhecimento sobre o assunto. elaborados pelos responsáveis pelo conteúdo. Temos certeza de que você. o objetivo é consolidar os principais conceitos.. Síntese da Unidade – Repensando e provocando. o interesse e a busca por novos conhecimentos. Mapeamento da Unidade. Atividade extraclasse Tem a finalidade de permitir a autonomia do aluno para fazer pesquisa de campo em busca do conhecimento. já os apêndices apresentam textos. destaca as expressões que traduzem os conceitos mais importantes abordados na unidade. como meios de despertar e aguçar a sensibilidade criativa. redações.. da interrogação.. pesquisas. abrindo novas perspectivas de Intercâmbio de idéias: roda viva Promovendo a troca de idéias. quando possível. a fim de contribuir para as sínteses provisórias do conhecimento. possibilita o debate e estimula o desenvolvimento da capacidade crítica.. Dinâmica de grupo Revitaliza a motivação. . etc. que são retomados e provocam novas indagações. artigos... análises. Auto-Avaliação – Olhando para dentro. durante todo o processo formativo. saberá aproveitar o suporte que este material lhe proporcionará.

.............. 40 UNIDADE 3: PLANEJAMENTO ESCOLAR ............................................. 28 Expectativas de Aprendizagem .................................. 53 UNIDADE 4: OBJETIVOS NO PLANO DIDÁTICO ................. 53 Referências Bibliográficas ..................................................................... 52 Auto-avaliação ................................................................................................................................................................. 55 Expectativas de Aprendizagem .................................................................................................................. 60 Síntese da Unidade ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 38 Para Além das Fronteiras ................................................................................................................................. 35 Síntese da Unidade .......................................................................................... 28 Mobilização do Conhecimento .................................................................................................................................................................................................................................................................................. 10 Expectativas de Aprendizagem ......................................................... 55 Construção e Expressão do Conhecimento ......................................................................................................................................................................................................................................................................... 21 Anexo: Trajetória Histórica da Didática ................................................................................................................................................................. 66 Auto-avaliação ..................................................................................................................................................................................... 28 Construção e Expressão do Conhecimento .................................................. 42 Expectativas de Aprendizagem .................................................................................................................................................................................................................................................. 67 Mapeamento da Unidade .......................................................................................................................................................Sumário INTRODUÇÃO ........................................................... 16 Síntese da Unidade ................................ 55 Mobilização do Conhecimento ............................................................................................................................ 52 Mapeamento da Unidade ................ 10 Construção e Expressão do Conhecimento .......... 68 Referências Bibliográficas ...................................................................... 10 Mobilização do Conhecimento .................................. 68 ..... 23 UNIDADE 2: TROCAS E MEDIAÇÕES PEDAGÓGICAS .......................................................................................................... 19 Auto-avaliação .................................................................................................................. 20 Mapeamento da Unidade ........................................ 40 Referências Bibliográficas ................................................................................................................................................................................................................ 21 Referências Bibliográficas .................................................................................................................................................................................................................... 19 Para Além das Fronteiras ......................................................................................................................................... 39 Mapeamento da Unidade ............................................................................................................... 09 UNIDADE 1: DIDÁTICA: HISTÓRIA..... REFLEXÃO E OBJETIVOS ................................................................................................................................................................... 42 Mobilização do Conhecimento .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 42 Construção e Expressão do Conhecimento ............... 52 Para Além das Fronteiras .......................................................................................................................................................................................................................................... 49 Síntese da Unidade ........................................................................................................................................ 67 Para Além das Fronteiras ............................. 37 Auto-avaliação ........................................................................................................................................

................................. 122 Para Além das Fronteiras .................................... 80 Referências Bibliográficas ........................................ 92 Para Além das Fronteiras ............................................................................... 79 Mapeamento da Unidade .............................................................................................. 78 Auto-avaliação ................................................................................................ 106 UNIDADE 8: AVALIAÇÃO NO PLANO DIDÁTICO ............................................................................................................................... 121 Auto-avaliação ...... 92 Mapeamento da Unidade ............................................................................................ 122 Mapeamento da Unidade ............................ 105 Mapeamento da Unidade ............. 94 Expectativas de Aprendizagem ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................UNIDADE 5: CONTEÚDOS NO PLANO DIDÁTICO ..... 90 Síntese da Unidade ............................................................................................................................................................................................................. 77 Síntese da Unidade ....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 69 Mobilização do Conhecimento ................................................................................................................................................................................................. 117 Síntese da Unidade .......................................... 81 Mobilização do Conhecimento .... 93 Referências Bibliográficas .. 123 Referências Bibliográficas ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 94 Mobilização do Conhecimento ................................................................................................................................................................................................. 105 Para Além das Fronteiras .............................................................................................................................................................. 103 Síntese da Unidade .............................................................................................. 106 Referências Bibliográficas ...... 91 Auto-avaliação ................................................................................................. 80 UNIDADE 6: INTERDISCIPLINARIDADE .................... 107 Mobilização do Conhecimento ........................................................................................................................................................................................................................................ 107 Expectativas de Aprendizagem ....................................................................................................................................................... 81 Construção e Expressão do Conhecimento ........................................... 107 Construção e Expressão do Conhecimento ...... 123 ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 69 Construção e Expressão do Conhecimento .................................................................................................. 79 Para Além das Fronteiras ........................................................................................................................................... 94 Construção e Expressão do Conhecimento .............................................................................................................................................................................. 81 Expectativas de Aprendizagem ......................................................................... 104 Auto-avaliação . 69 Expectativas de Aprendizagem ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 93 UNIDADE 7: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS NO PLANO DIDÁTICO ................................................

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Na Unidade 1. premissa de que esse é um processo de reflexão e de tomada de decisões que envolve todos os integrantes do processo de ensino-aprendizagem. trabalharemos como avaliar e o que é avaliação e também como deve ser avaliado o processo ensinoaprendizagem. estudar e intervir na prática pedagógica. como parte desse processo de planejamento. Estudaremos a contribuição de grandes mestres para a delimitação e sistematização do objeto de estudo da didática e veremos que a gênese desse campo de investigação é marcada por duas linhas de estudo: uma centrada no sujeito e outra no método. apresentaremos as oito unidades que compõem este fascículo. abordaremos a pedagógico. superando. Cabe dizer que cada uma dessas linhas se caracteriza pelos diversos momentos e mudanças sofridas no campo de estudo da didática. Como trabalhar os conteúdos e que estratégias ou caminhos seguir para que o aluno aprenda e se sinta comprometido. assim. suas implicações na 9 . analisar. a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos. conseqüentemente. Isso significa que ora se prioriza o aluno e como este aprende – ou seja. Nessa mesma linha. na Unidade 6.Introdução envolve os diversos campos e saberes que fazem parte da Seja bem-vindo à disciplina Didática. vendo-a como um campo de estudo cujo objeto é o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social. conheceremos o surgimento da didática. Dessa forma. Planejamento Escolar. A partir de agora seremos parceiros na construção do conhecimento profissão professor. quais métodos usar e como usá-los será estudado na Unidade 7. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino. em outras palavras. como veremos na Unidade 4. Conteúdos no Plano Didático. trataremos da construção da identidade docente como um processo dinâmico que interdisciplinaridade e sua contribuição como forma de entender e trabalhar o conhecimento construído no processo ensino-aprendizagem. Esperamos que no decorrer de nossos estudos você possa compreender que a didática tem como objetivo compreender. os processos internos. psicológicos – ora se preocupa com as estratégias para ensinar – o como se ensina –. Com esse propósito. Procedimentos Metodológicos no Plano Didático. Reflexão e Objetivos. Planejamento e Avaliação I. Assim. Didática: História. na Unidade 8. uma atividade que ultrapassa a mera formalidade escolar. que demonstrando como eles contribuem no processo de construção do conhecimento do aluno. estudaremos a importância e concretização dos objetivos educacionais e a postura do docente na explicitação e definição destes tanto no planejamento escolar (plano de ensino e de aula) como no sistema educativo. na Unidade 2. reformulação e reelaboração de conceitos e práticas escolares. permitindo a formação de educadores críticos e comprometidos com sua profissão educação. Objetivos no Plano Didático. e. Dentro desses fatores vemos a sala de aula e a relação entre professor e aluno na construção do conhecimento permeada por uma comunicação autêntica e respeito mútuo. Na Unidade 5. Interdisciplinaridade. Por fim. chegamos aos dias de hoje. Dando continuidade aos nossos estudos. Na Unidade 3. Nessa trajetória da didática. essencial para a formação dos profissionais da educação. analisaremos o planejamento e seus diferentes momentos a partir da Vamos então começar esta empreitada que permitirá a você conhecer e construir seus saberes pedagógicos! Esperamos que nessa modalidade de trabalho possamos interagir e nos refazer como pedagogos mediante a reconstrução. sua trajetória e seu objeto de estudo. disciplina esta que faz parte da grade curricular do curso de Pedagogia na modalidade EaD. a dicotomia do método ou de quem aprende e envolvendo todos os sujeitos e processos presentes no ensino como fenômeno social. enfatizando-se o método. Avaliação no Plano Didático. os conteúdos escolares serão apresentados numa perspectiva ampla. Trocas e Mediações Pedagógicas.

Conhecer esta trajetória permite repensar e entender o que é a didática. Em algumas situações você talvez já tenha ouvido ou feito comentários a esse respeito. Esperamos que você possa construir um caminho como o dos grandes educadores e que a partir deste estudo possa fundamentar a sua prática docente.. afinal ele domina o conteúdo é um expert no assunto. as implicações e contribuições desta disciplina na sua formação de educador. ele não...Didática: História. não tem didática. – Nossa. tem. pedagogia e educação. – Ah! Não concordo.. Vamos então conhecer um pouco da visão histórica da didática. Reconheça as relações entre didática. seu objeto de estudo. História da Didática Ao término da aula. ainda bem que acabou! – Não entendo porque você pensa desta maneira... veremos que depois de estudar esta unidade as expressões como: esse professor não tem didática. Iniciaremos esta unidade com uma breve análise da história da didática. porém.. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Conheça o contexto histórico da didática. Identifique o objetivo de estudo da didática.. ele 10 . ou ainda.. Reflexão e Objetivos EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Compreenda a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem.. – Mas lhe falta algo.

com agrado e com solidez [COMÊNIO apud PIMENTA. pudemos ver que o termo didática já nasce trazendo a idéia de “ensino”. parte do simples para o complexo. Todavia. nos mostra um caminho fácil e seguro para por em prática estas idéias com bom resultado e sem esforços extremos para o aluno. que didática é essa de que todos falam. mas não é didático. Foi em 1632 que João Amós Comenio (1592-1670) escreveu a Didática Magna. Esses estudiosos se transformaram em um marco na história da didática. sem executar ninguém em parte alguma. pertencentes aos países onde a Reforma Protestante havia se instalado. Assim. Nessa época os textos religiosos estavam escritos em latim. possa ser. O termo didática vem da expressão grega techné didaktiké. que significava ensinar ou instruir. O vocábulo origina-se do verbo grego didasko. provenientes da Europa Central. que se traduz por arte ou técnica de ensinar. com economia de tempo e de fadiga. aldeias. desenvolveram um método único para ensinar tudo a todos. Segundo as propostas de Comenio. e desta. Este livro foi considerado o primeiro tratado de didática. esperamos que depois deste estudo vocês possam entender que falar de Didática vai muito além desses tipos de colocações. maneira. em todas as comunidades de qualquer reino cristão. meses. Um processo no qual o curso dos estudos é distribuído por anos. o ensino tem seu fundamento na própria natureza. deverão cair em desuso. nos anos da puberdade. p. impregnada de piedade. é perfeita. por ser divina. sistematizando o ensino através do esforço da racionalização dos meios de ensinar. cidades. já que através de seus trabalhos. instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e á futura. 2002. dias e horas. Vejamos então o que Comenio entendia por Didática: João Amós Comenio (1592-1670) Um processo seguro e excelente de instruir. Para o autor. Segundo Castro [2001]. Dessa forma. Assim. 11 . 43]. com cada etapa a seu tempo. Reflexão e Objetivos sabe. fundamentados em idéias éticas e religiosas. e qual é o significado (s) dessa palavra? Dessa forma. possa ser formado nos estudos. a partir dos trabalhos de dois grandes mestres revolucionários: Ratíquio e Comenio. as primeiras tentativas de sistematizar esta área de estudo se dão no século XVII. educada nos bons costumes. Na obra de Comenio encontramos as bases para a generalização da escola e o acesso de toda população a ela. para que todos tivessem direito a esses escritos. que. escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo.Unidade 1: Didática: História. necessitando de condições adequadas para se desenvolver. sem a intermediação da Igreja Católica. pautada por idéias éticoreligiosas e de caráter revolucionário. os textos religiosos deveriam ser escritos nas línguas das diferentes localidades.

Na época. o objetivo é o seu desenvolvimento harmônico. Antes de prosseguirmos com as idéias da Escola Nova é necessário falar de outro educador. normas e estratégias. sem pressa e sem livros. Para Rousseau. mas a obra Emílio dá origem. não considerava o ritmo e os interesses dela ao impor um ensino pré-estabelecido e igual para todos. respeitando um caminho que leve a conseguir resultados. Doutrinariamente. em diversas áreas (social. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I 1 Ratio Studiorum (Ordem dos estudos) era um conjunto de conceitos. no processo de origem da educação secundária e que propunha a formação dos jovens especialmente através da religião. marcada pelos acontecimentos significativos. dentre elas se destacam: Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. Observamos que a contribuição desses grandes mestres definiram a origem da didática como área do conhecimento específico. como evidencia Castro: Essa etapa da gênese da Didática a faz servir. respeitando a sua natureza. s/d]. e não em regras. de modo marcante. uma estratégia a ser seguida. Continha os caminhos didáticos de como educar. Esse percurso caracteriza o grande aporte que foi o realizado pelos reformistas. econômica. de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. fundamental na história da didática: Johann F.DIDÁTICA. a um novo conceito de infância. Jean Jacques Rousseau. Assim. Eles mostram que para educar é necessário um percurso. Do contrato social. com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” [CASTRO. seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e. uma vez que o aspecto metodológico da Didática é centrado em princípios. mas. e Emílio ou da Educação (1762). segundo Castro [s/d]. em nome dela. entre eles Pestalozzi (1749 . 12 Jean-Jaques Rousseau (1712-1778) . à causa da Reforma Protestante. científica e cultural) que transformaram o mundo. suíço.1827). Nesse período. que faz parte do movimento Escola Nova. estas só serão concretizadas e sistematizadas um século mais tarde. (1712 – 1778). com ardor. grande referência na Educação. Continuaremos nossos estudos agora com o processo da gênese nos séculos XVIII e XIX. a Igreja Católica utilizava os trabalhos de Ratíquio – Ratio Atque Institutioni Studiorum 1 – para doutrinar. na educação da criança. destinado às classes dominantes. Essas idéias de Rousseau foram compartilhadas e trabalhadas por outros educadores. A estes educadores reformistas do século XVII devemos a identificação do fazer educativo como tal. A valorização da infância trouxe conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógica. Este era o Método Pedagógico dos Jesuítas. Rousseau não sistematiza a didática. política. com um campo próprio e disciplinar de estudo. e esse fato marca seu caráter revolucionário. escreveu obras que marcaram a segunda revolução da didática. Herbart. o qual tinha o objetivo de formar integralmente o homem cristão de acordo com a cultura e fé da época. a sociedade corrompia a criança.

nos processos internos. De um lado fica a linha metodológica. Rousseau enfatizava a criança. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. que questiona o método único e a valorização dos aspectos externos ao sujeito-aprendiz decorrentes de Herbart. Como você pode perceber. Situa-se dentro da didática por ser o defensor da idéia da Educação pela instrução.Unidade 1: Didática: História. podemos entender a Escola Nova da seguinte forma: 13 .1841) Rousseau lança. sintetizando os autores estudados. na Alemanha. o processo educativo tem como base seus próprios objetivos e meios. representando a idéia de Comenio de um método único para ensinar tudo a todos. É necessário observar que até este momento pudemos diferenciar duas linhas de estudo da didática. assim como a importância do aspecto metodológico dentro da sua obra. fortemente influenciada por seus conhecimentos da filosofia e da psicologia da época. sistematização e aplicação dos conhecimentos adquiridos. destaca-se o papel do professor. motivação. o modo como ensinar. qualquer situação de ensino devia cumprir os passos formais do método: preparação (da aula e da classe). então. Foi o pioneiro da aplicação da psicologia experimental à Pedagogia e o primeiro a procurar enquadrar a Pedagogia como uma ciência da educação. Para ele. 2002]. aluno. como sujeito que aprende. ora preocupando-se e dando as estratégias para ensinar. De acordo com sua teoria. Este momento crucial de conflito da história da Didática é apontado da seguinte maneira por Castro [s/d]: Da original proposta didática do século XVII. apresentação. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. Johann F. de seus anseios e necessidades. Desse modo. que. Herbart dava importância ao método de ensinar. enfatizando o método. Herbart erige as bases da pedagogia científica. Ele fez com que a Pedagogia fosse o ponto central de um círculo de investigação próprio. as bases da Escola Nova. por meio da aplicação de rigor e certa cientificidade ao seu método. as quais entrarão em conflito: ora priorizando o aluno e como este aprende. em maio de 1776 – contribuiu de maneira marcante para a Pedagogia como ciência. o aluno. evidenciando o preparo da aula como de total responsabilidade para o sucesso do ensino [PIMENTA. Reflexão e Objetivos De acordo com Zacarias [s/d]. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. Nesse processo. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. embora o faça em nome do sujeito (criança. A linha oposta parte do sujeito. bem como a Ética e a Psicologia. psicológicos. acentuando o perene interno do educando. Herbart (1776 . uma centrada no sujeito e outra no método. Herbart – nascido em Oldenburgo.

com o desenvolvimento tecnológico. Uma nova conceituação de didática aparece nesse contexto: fornecer aos novos professores os meios e instrumentos eficientes para o desenvolvimento e o controle do processo de ensinar. 14 . surge um novo paradigma didático: o desenvolvimento de novas técnicas de ensinar. Esse movimento expande-se com as idéias da médica italiana Maria Montessori (1870-1952) e do filósofo americano John Dewey (1870-1932). por isto deve ser realizada com objetividade científica. área restrita às questões relacionadas à aprendizagem de crianças e adolescentes e. 44]. Esta vertente tem suas bases na psicologia experimental (empirismo). tendo como referência a eficácia nos resultados do ensino. ao mesmo tempo. normas. compreendidos como aplicação dos conhecimentos científicos e traduzidos em técnicas de ensinar. p. O movimento também conhecido como escolanovista muda o aspecto da didática. e depois no final do século XX. autores europeus cujas idéias conviviam com a época em que a criança passava a ser valorizada no bojo do desenvolvimento industrial e da expansão da escolaridade pública. aplicando-as em diversas situações. É essa idéia de didática que está presente nos cursos de licenciatura e permite identificar a influência e a origem de alguns mitos sobre seu campo de estudo: técnicas para ensinar. 2002. do alemão Kerchensteir (1854-1932) e do francês Decroly (1871-1932). principal responsável pela formulação e expansão desse movimento no Brasil [PIMENTA. Cabe à didática trabalhar com os fins do ensino o papel da escola estabelecido pela sociedade (dominante): preparar para o mercado do trabalho. Cada um destes pontos faz com que a didática seja vista por alguns apenas como um campo da educação que ajuda a elaborar boas aulas ou dar receitas para que todos os alunos aprendam. uma vez que enfatiza o sujeito-aprendiz como agente ativo da aprendizagem e valoriza os métodos que respeitam a natureza da criança e a motivação por aprender. destacando-se as técnicas do planejamento racional das situações de ensinar [PIMENTA. período em que primam no mundo as técnicas e a tecnologia. e seus objetivos para a educação encontram-se nas leis do desenvolvimento biológico da criança. que é o critério de avaliação do sistema escolar. teoria de ensino formada por um corpo de conhecimentos técnicos e instrumentais (receitas para as situações de ensino). Para entender do que se preocupa a didática e o seu papel no campo educativo. A didática no movimento escolanovista fica restrita aos métodos e procedimentos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Movimento que propôs alteração significativa nos métodos de ensinar baseado na atividade do aprendiz. A didática indicaria apenas caminhos.DIDÁTICA. Na década de 1960. com a informática. 2002]. veremos a seguir qual é o seu objeto de estudo. considerada esta como direito e. reduzir a docência ao espaço escolar. que teve por discípulo Anísio Teixeira (1900-1972). regras para um bom aprendizado. o que acaba por deixar de fora a filosofia. requisito para formação de mão de obra do nascente capitalismo. uma vez que não é passível de verificação experimental. Formulado com base nas contribuições de Pestalozzi (1749-1827). por último.

suas causas. trata-se de “um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e. dialogar com os outros campos do conhecimento numa perspectiva multidisciplinar e ajudar a criar respostas sobre a natureza deste campo. Este é o desafio que já enfrentava Comenio e que os teóricos e estudiosos atuais da didática continuam a enfrentar. ao mesmo tempo. o objeto de estudo da didática é o ensino. tomemos então a área pedagogia. 15 . Dessa forma. que. artístico. Nesta perspectiva. não se pode compreender a didática dissociada do mundo. é fácil entender que suas fronteiras devem ser fluidas. 29]. bem como compreender o funcionamento do ensino nas suas múltiplas instâncias e momentos. o Ensino. considerando os saberes acumulados deste campo de estudo. uma diretriz orientadora da ação educativa”. como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. determinado pelos seus agentes. um processo dinâmico que não pode ser fragmentado. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. mas como elas se distinguem? Conforme vimos no breve estudo introdutório desta unidade. Reflexão e Objetivos Didática: objeto de estudo A partir dos anos 80 e 90 do século XX. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino não de maneira normativa. políticos. podemos dizer que a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos. Desse modo. num determinado momento e realidade. Ao estudar a história da didática. do pensamento histórico e das ciências. conseqüências e soluções [PIMENTA.Unidade 1: Didática: História. Educação. filosóficos ou outros. entender o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social é a tarefa da didática. antropológicos. Pedagogia e Didática Qual é a diferença entre educação. social. ou seja. atitudes morais ou intelectuais. mas para ampliar e compreender as demandas que a atividade de ensinar produz. novos modelos de interpretação do ensino deram origem a novos enfoques. vemos que o ensino teve diferentes conceitos e definições. Este momento nos permite compreender qual é o seu objeto no contexto educacional: o processo de ensino. Para Pimenta [2002]. por exemplo). professores e alunos. do momento. nem fracionado. Dessa forma. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. o ensino é visto como um processo complexo. de acordo com Libâneo [2004. p. pedagogia e didática? Podemos considerar que o ponto em comum entre elas é o processo de ensino-aprendizagem. mas entendido como: Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. 2002]. Segundo Castro [s/d]. o estudo da didática tornou-se mais intenso. sociológicos.

Este caráter evolutivo da didática faz que todo docente precise rever e atualizar os conceitos que envolvem a prática educativa e seus referenciais. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A pedagogia refere-se às finalidades da ação educativa. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. em diferentes contextos dentro e fora da escola. Tal perfil acompanha este campo de estudo. é um processo de transformações sucessivas tanto no sentido histórico quanto no desenvolvimento da personalidade. significando os resultados obtidos da ação educativa conforme propósitos sociais e políticos pretendidos. princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática. ou seja. a atividade de transformar a educação que ocorre na sociedade em conteúdos formativos. momentos em que aconteça a prática pedagógica. Segundo Libâneo [1992. o que implica uma concepção de mundo. reflita sobre qual é o conceito de didática empregado nas afirmações apresentadas logo no início de nossos estudos: “Esse professor não tem didática”. “Nesse sentido a educação é instituição social.. ela não se restringe à sala de aula ou aos espaços escolares. mas não é didático”. Pautando-se em nossos estudos e suas novas aprendizagens.” A didática. num determinado momento histórico. A pedagogia originase. de ideais. valores e formas de agir que se manifestam por meio de convicções ideológicas. REFLEXÃO ______________________ Mediante a leitura realizada da Mobilização do Conhecimento. 23]. educação é um conceito amplo e corresponde às diversas influências de inter-relações necessárias para a formação da personalidade social e do caráter.. políticas.DIDÁTICA. implicando objetivos sociopolíticos a partir dos quais se estabelecem a organização metodológica da ação educativa na sociedade. cria-se e se renova na relação teoria-prática da educação como ação educativa [PIMENTA. Dessa forma. “Ele sabe. pense e reflita: Será que o conceito de didática que acabamos de estudar é o mesmo entendido hoje no campo da didática? Percebam que essa 16 . 2002]. o ato de ensinar. mas está presente enquanto prática educativa. a sua trajetória e o seu objeto de estudo sempre estiveram pautadas por momentos de transformações desde seu início. é um produto. que se ordena no sistema educacional de um país. exigindo para os envolvidos na prática educativa uma constante pesquisa e investigação. morais. p.

Reflexão e Objetivos didática refere-se a uma fragmentação ilusória e é parte de um intento de descontextualizar o que não pode ser fragmentado e já historicamente ultrapassado. Se considerar necessário. Mediante a leitura realizada. Relacione os ideais escolanovista com a didática. e a importância que o professor deve atribuir ao ato de ensinar. ensino. TEXTOS E CONTEXTOS: DE PERGUNTA EM PERGUNTA _______________________________________________________ Reúnam-se em duplas e leiam atentamente o texto anexo: “A Trajetória Histórica da Didática”. realize anotações em seu caderno.Unidade 1: Didática: História. 17 . 2. Remeta-se ao texto e comente a respeito da relação entre a didática e a sociedade. 3. uma espécie de receituário do bom ensino?”. A atividade deverá ser anexada em seu caderno. reescreva as idéias principais sobre a didática em Rousseau e Herbert. Depois respondam as seguintes questões: DE PERGUNTA EM PERGUNTA 1. Redija suas considerações sobre esta frase. VIDEOAULA ______________________ Vamos assistir agora à videoaula: A Importância do Ato de Ensinar. pedagogia e didática. 4. Nela evidenciaremos o conceito de educação. explicite suas considerações sobre o que vem a ser DIDÁTICA. Registre suas respostas em seu caderno. Em forma de um texto crítico. “Será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática.

18 . 4. selecione um dos itens a seguir para cada equipe. As características que definem a didática. Os grupos deverão discutir e elencar tópicos sobre os aspectos que considerarem relevantes na discussão. “Nossa prática pedagógica em sala de aula é permeada por uma concepção de didática”. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ É hora de dialogar e trocar idéias! Reúnam-se em grupos para posterior debate. Vamos buscar conhecimentos? O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para que os alunos realizem uma pesquisa sobre o movimento da escola nova. 3. O (a) tutor (a) deverá organizar a sala em quatro grupos com número igual de integrantes. conceituando a importância que ele destaca ao ensino desde a infância. os principais fundadores envolvidos nestes ideais e qual foi seu marco inicial? A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. estabelecendo a segunda revolução da didática. A conceituação. o (a) tutor (a) deverá organizar a classe em uma grande roda. para que os grupos exponham suas considerações sobre seu item. Organizados os grupos. assim. Logo após a discussão. 2. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet.DIDÁTICA. Lembrem-se de registrar as considerações dos outros grupos em seu caderno. Itens: 1. iniciando. o papel da didática no contexto atual. realize uma pesquisa (na internet ou em livros). Dois enfoques da didática: receituário ou contextualização do processo de ensino. A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Para ampliar seus conhecimentos sobre os conceitos utilizados por Rousseau. uma plenária sobre a didática e suas possíveis conclusões. Vocês deverão buscar informações sobre as idéias da escola nova.

e considerado como processo complexo no qual participam sujeitos determinados (aluno-professor) que se transformam por meio dele. 19 . que instrui a receita de como ensinar.Unidade 1: Didática: História. saindo dessa forma da mera Didática normativa. Segundo o que estudamos. Agora convidamos você a realizar uma reflexão sobre seu aprendizado. como referência para o fazer docente. Sendo este uma ação historicamente situada. e por outro lado a que se centra no aprendiz..” Este perfil da didática como teoria do ensino e não meramente normativa é que deve estar presente durante toda a sua formação inicial e contínua. Ela investiga os fundamentos as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. que trata sobre como atuar em relação ao educando. entendida como o estudo da prática pedagógica que envolve: os sujeitos que atuam.. tendo como pano de fundo as diferentes concepções de educação e ensino. Nesta unidade analisamos a trajetória histórica da Didática. sendo marcadamente influenciada pela psicologia da criança.. ora outra. podemos citar dois grandes momentos da didática que se perpetuam até hoje. Dessa forma. A seguir apresentaremos algumas questões para lhe auxiliar nesta sua auto-avaliação: Compreendi a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem? Identifiquei o objetivo de estudo da didática? Consigo redigir uma linha do tempo sobre os diferentes momentos da didática? Posso definir didática e ensino? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio. ora privilegiando uma área. a didática vai constituindo-se como teoria do ensino. Reflexão e Objetivos SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando.. Estamos englobando os diferentes aspectos associados e que influenciam no ensino.. Nas palavras de Pimenta [2002.. “a didática é uma das áreas da Pedagogia. Ambos os momentos nos levam a fragmentar o objeto de estudo da didática: o ensino. a linha que centra o objeto de estudo no Método. p. podemos considerar que a didática é uma das áreas da Pedagogia. Olhando para fora. o conceito de educação e a praxis educativa. 66-67]. Por um lado.

J. Vale a pena você conferir! UM POUCO MAIS. 1996. A. 4. prestigie os seguintes filmes: Ficha Técnica Título: O Clube do Imperador Direção: Michael Hoffman Gênero: Drama Origem: EUA Ano: 2002 Distribuição: Universal Pictures / UIP Duração: 109 min. o educador deverá mantê-la longe dos perigos da sociedade. Para auxiliá-la durante esse processo.. 20 . realista e permanente. 1968.. Esse livro apresenta as características necessárias à instituição escolar. um ensino unificado. ROUSSEAU. Podendo ser destacada: a construção da infância por meio da escolaridade formal. eluciadando que durante a infância ela deve dispor de liberdade física e durante o seu desenvolvimento deverá conquistar a sua liberdade interior. J. enfatizando. assim. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.DIDÁTICA. 525 p. organização da escola e a transmissão dos saberes de todas as ciências e artes a todos. para que esta não a corrompa... Didática Magna. Rousseau retrata a criança. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. sugerimos a título de enriquecimento que consulte a seguinte bibliografia: COMENIUS. J. ed. Emílio ou Da Educação. 581 p. Buscando ampliar e subsidiar seus estudos. Nesse livro. São Paulo: DIFEL. Para avançar um pouco mais em seus conhecimentos a respeito da Ratio Studiurm.

Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

Sinopse Em uma escola da elite, um professor leciona a respeito de estudos de filósofos gregos e romanos. Certo é que sua prática pedagógica é baseada em uma metodologia tradicional, porém um dia um novo aluno se insere no grupo perturbando a ordem e questionando o modelo de ensino. Apesar de o aluno ser extremamente crítico, o professor o reconhece como sábio. Porém, fatos acontecem e talvez o professor poderá perder a confiança em seu aluno exemplar.

MAPEAMENTO DA UNIDADE

Ensino Pedagogia Didática Receita Objeto de Estudo Momentos históricos Método R E F E R Grandes Mestres Processo Centrado no aluno

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, A. D. O ensino como objeto da didática. In: CASTRO, A. et al. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira, 2001. _______. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2007. COMENIUS, J. A. Didática Magna. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. FREIRE, P. Professora sim, tia não – cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olhos D‟água, 1993.

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

LIBÂNEO, J. C Didática. São Paulo: Cortez, 1992. _______. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia, ciência da educação. São Paulo: Cortez, 1996. _______. Pedagogia e pedagogos, para quê? 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004. PIMENTA, S. G. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002. (Coleção Docência em formação). ROUSSEAU, J. J. Emílio ou Da Educação. São Paulo: DIFEL, 1968. WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal>. Acesso em: 22 set. 2008. ZACARIAS, V. L. C.. Herbart. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.com.br/herbart.html>. Acesso em: 13 dez. 2008.

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Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

ANEXO
CASTRO, A. D.. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf >. Acesso em: 8 out. 2008.

A Trajetória Histórica da Didática Houve Um Tempo de Didática Difusa Como adjetivo – didático, didática – o termo é conhecido desde a Grécia antiga, com significação muito semelhante à atual, ou seja, indicando que o objeto ou a ação qualificada dizia respeito a ensino: poesia didática, por exemplo. No lar e na escola, procedimentos assim qualificados – didáticos – tiveram lugar e são relatados na história da Educação. Como objeto de reflexão de filósofos e pensadores, participam da história das idéias Constata-se que a delimitação da Didática constituiu a primeira tentativa que se conhece de agrupar os conhecimentos pedagógicos, atribuindo-lhes uma situação superior à da mera prática costumeira, do uso ou do mito. A Didática surge graças á ação de dois educadores, RATÍQUIO e COMÊNIO, ambos provenientes da Europa Central, que atuaram em países nos quais se havia instalado a Reforma Protestante. A situação didática, pois, foi vivida e pensada antes de ser objeto de sistematização e de constituir referencial do discurso ordenado de uma das disciplinas do campo pedagógico, a Didática. Na longa fase que se poderia chamar de didática difusa, ensinava-se intuitivamente e/ou seguindo-se a prática vigente. De alguns professores conhecemos os Essa etapa da gênese da Didática a faz servir, com ardor, á causa da Reforma Protestante, e esse fato marca seu caráter revolucionário, de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. Doutrinariamente, seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e, em nome dela, com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” (Comênio). Conheçam Seus Alunos - diz Rousseau As instituições dos didatas parecem ter-se estiolado no decurso do tempo e a História da Educação consigna apenas iniciativas esparsas até o final do século XVIII. ROUSSEAU é o autor da segunda grande revolução didática. Não é um sistematizador da Educação, mas sua Século XVII: surgimento da Didática A inauguração de um campo de estudos com esse nome tem uma característica que vai ser reencontrada na vida histórica da Didática: surge de uma crise e constitui um marco revolucionário e doutrinário no campo da Educação. Da nova disciplina espera-se reformas da Humanidade, já que deveria orientar educadores e destes, por sua vez, A prática das idéias de ROUSSEAU foi empreendida, entre outros, por PESTALOZZI, que em seus escritos e atuação dá dimensões sociais ã problemática educacional. O aspecto metodológico da Didática encontra-se, sobretudo, em princípios, e não em regras, transportando-se o foco de
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dependeria a formação das novas gerações. Justifica-se, assim, as muitas esperanças nela depositadas,

acompanhadas, infelizmente, de outras tantas frustrações.

pedagógicas.

procedimentos, podendo-se dizer que havia uma didática implícita em Sócrates quando perguntava aos discípulos: “pode-se ensinar a virtude?” ou na lectio e na disputatio medievais. Mas o traçado de uma linha imaginária em torno de eventos que caracterizam o ensino é fato do início dos tempos modernos, e revela uma tentativa de distinguir um campo de estudos autônomo.

obra dá origem, de modo marcante, a um novo conceito de infância.

como caminho que conduz do não-saber ao saber. da industrialização e urbanização tenha exigido novos rumos á Educação. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I atenção às condições para o desenvolvimento harmônico do aluno. que o considerava próprio a toda e qualquer situação de ensino. que já se iniciam as novas doutrinas socialistas que ao final do século vão ser progressivamente dominadas pelo marxismo. 24 Não é coincidência que a era do liberalismo e do capitalismo. seja na forma de monarquia constitucional (Inglaterra e França pós-revolução) ou na de república. que se anunciam. No entanto. aluno. A Didática do século XIX oscila entre esses dois modos de interpretar a relação didática: ênfase no sujeito – que seria induzido. De um lado fica a linha metodológica. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. Quanto à relação entre Didática e Sociedade ocorre o seguinte: no século XVII. Já o final do século XVIII é a época revolucionária. Um Intervalo na Trajetória Histórica: comentário sobre o duplo aspecto da Didática Da original proposta didática do século XVII. uma nova onda de . Inflexão Metodológica Herbartiana. aos debates entre a escola laica e a confessional e ás lutas entre orientações católicas e protestantes.DIDÁTICA. com seus ideais de liberdade e atividade. o século assiste ao despontar dos poderes públicos com relação á escola popular. a sociedade reformada dos principados germânicos. no entanto. O pressuposto é a igualdade entre os homens e a Educação política do povo. que é peça importante de uma nova sociedade. Na burguesia dominante e enriquecida. caminho formal descoberto pela razão humana. e estas mesmas. a Escola Nova vai encontrar ressonância. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. embora o faça em nome do sujeito (criança. de seus anseios e necessidades. talvez “seduzido” a aprender pelo caminho com curiosidade e motivação – ou ênfase no método. bem como pela relevância do aspecto metodológico em sua obra O método dos passos formais celebrizou o autor. É preciso considerar. fortemente influenciada por seus conhecimentos de Filosofia e da Psicologia da época. a sua própria necessidade de reorganização política impunha um esforço de Educação. em que o feudalismo e a monarquia absoluta receberam seu golpe mortal. João Frederico HERBART (1776-1841) deseja ser o criador de uma Pedagogia Científica. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. A Escola Nova HERBART tem o mérito de tornar a Pedagogia o "ponto central de um círculo de investigação próprio”. mas estas vão ainda aguardar mais de um século para concretizar-se. a constituição dos estados nacionais e a modernidade valorizam o ensino e desejam aumentar seu rendimento. nos aspectos interno e subjetivo do processo didático. vieram a merecer críticas dos precursores da Escola Nova cujas idéias começam a propagar-se ao final do século XIX. na Europa e América dos séculos XIX e XX. Observe-se que os fundamentos de suas propostas. só conseguida se houver uma Educação liberal. A lenta descoberta da natureza da criança que a Psicologia do final do século XIX começa a desvendar sustenta uma atenção maior. O método é interpretado como uma defesa dos interesses da criança. A linha oposta parte do sujeito. mas desconfiava dos rumos escolanovistas. em países atingidos pela Reforma. Na prática. que. estamos já no caminho do que se convencionou chamar o Estado representativo. Quanto aos Estados socialistas que se vão desenvolver a partir do primeiro quarto do século XX. acentuando o perene interno do educando. A valorização da infância está carregada de conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógicas. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. Numa relação que só pode ser plenamente compreendida como de reciprocidade. no Século XIX Na primeira metade do século XIX. Situa-se no plano didático ao defender a idéia da “Educação pela Instrução”.

Esse núcleo. filosófica. É esse conceito que é objeto de controvérsias teóricas. pelo menos. experimental. Tomar consciência que a Didática hoje oscila entre diferentes paradigmas pode ser algo muito auspicioso para a comunidade pedagógica. nem a cibernética ou a tecnologia do ensino. e outras pela relevância do sujeito-aluno. já que o êxito do processo de Ensino. tradicional. E. aquilo mesmo que justifica tentá-lo. ideológico. que tantas vezes ficou obscurecido pelo conceito de Método.” (Kuhn. sem que se pudesse discernir a dialética professor − aluno (no CLAPARÈDE. surge todo o problema moral. a concepções consideradas antigas. filosóficas –. que nenhuma outra disciplina poderá cumprir. da Política. sociológica. está nas outras questões: por que ensinar? e para quê? E chegamos aos limites da Filosofia da Educação. KERSCHENSTEINER e COUSINET. medicina pedagógica com MONTESSORI e DECROLY ou a sociopedagogia de FREINET. os fundamentos sociológicos divergem. do desenvolvimento intelectual. nova. voltadas para o passado. o continente didático acolhe diferentes conteúdos. a Didática Oscila Entre Diferentes Paradigmas “Um paradigma (ou um conjunto de paradigmas) é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e.Unidade 1: Didática: História. o da Psicologia do Desenvolvimento ou Aprendizagem. É como decorrência desse conceito nuclear que se situam as inquietações da Didática atual. Outras vezes leva a outro campo interrelacionado. como no plural) que deve nortear as pesquisas sobre o processo. Reflexão e Objetivos pensamento e ação faz o pêndulo oscilar para o lado do sujeito da Educação. quanto à Didática? Como é que a comunidade educacional interpreta esse paradigma? Considero que a dificuldade de responder a essas questões encontra-se no fato de que não há um paradigma. E condena-se o continente por seu conteúdo. Interpretam o Ensino de muitos modos. Mais um problema de limites. uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma. A base psicológica é predominantemente funcionalista. especial etc. algo que deveria ser entregue. psicológicas. pode-se arrolar tendências diferentes: a psicopedagogia BOVET. já que o conteúdo do ensino – o “o quê” se ensina – tanto pode ser problema didático quanto curricular. no entanto. psicológica. também Renovada. Há diferenças singular. conforme as vertentes de sua atuação. pois. tradicionais. algumas obras ou cursos privilegiam determinadas inflexões-sociológicas. moderna. Ativa ou Progressista. mas nem sempre as mesmas. conforme a Teoria. Na verdade ela nunca foi monolítica: é o que prova a própria necessidade de adjetivação adotada tantas vezes: Didática renovada. E atrevo-me a dizer que boa parte dessa situação se deve a uma espécie de contaminação entre a Didática disciplina – e o conteúdo dos cursos. mas afastando-se tanto do pragmatismo americano quanto das influências do associacionismo. No Final do Século. Na Europa como nos Estados Unidos. E nem a teoria social ou a econômica. a com entre posições teóricas e diretrizes metodológicas ou tecnológicas. geral. O movimento doutrinário. que às vezes levam a disputa ao campo interdisciplinar do “currículo”. Explicando melhor. da Sociologia. nem a psicologia aplicada à Educação atingem o seu núcleo central: o Ensino. Ou seja. unilateralmente e individualmente. é a Aprendizagem. como que exigindo da Didática que proceda ã sua invasão. 25 . caracteriza-se por sua denominação mais comum: Escola Nova. e crucial. mas talvez paradigmas em conflito. Contrapõe-se. igualmente interdisciplinar. DEWEY. FERRIÈRE. Pois é certo que a Didática têm uma determinada contribuição ao campo educacional. afetivo. social. em termos de tendências doutrinárias ou teóricas. ativa. “presenteado” ao professor. inversamente. A Estrutura das Revoluções Científicas) Qual o paradigma compartilhado. indo da linha social-democrata à socialista.

Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. embora possa até chegar lá. ou seja. por constituir-se a Didática numa disciplina que pode ser desmembrada em vários planos (exemplifiquei com os planos humano. pela responsabilidade social que a envolve. artístico. de hipóteses conduzidas pela teoria. que. de um lado ou de outro. por outro lado. Mas a situação repousa sobre bases que abrangem todos os aspectos da sociedade. Como a Medicina. uma tomada de posição teórica. ao contrário. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. se aproxima de outras teorias. teórica e prática. Não se entenda. Assim é a Didática. em cada um deles. como qualquer disciplina que comporta aplicações práticas. Sua dupla dimensão (vertical e horizontal) e o ciclo didático sempre recomeçado. ora recorre às correntes neomarxistas. filosóficos ou outros. explícita ou implicitamente. uma secção intermediária (b) destacando o aspecto técnico do ensino. afinal. há muitos anos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Dei esses exemplos da para mostrar com que o interdo estuda. vinculam-na . na qual se decidem objetivos e conteúdos. Pois ocorre que. contribuições de áreas diferentes se tornam úteis e mesmo necessárias. o Ensino. em sua necessidade de explicar as relações entre os eventos que 26 Didática está impregnada de todas as inquietações da época e. Se assim fosse não valeria a atenção de tantos. no entanto. Considerações Finais Qual a Situação Atual da Didática? O panorama do final do século XX não é simples. será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática. por exemplo). políticos. Mas são diferentes a relacionamento Didática outras áreas conhecimento é intenso e constante. Nos programas de Didática. é fácil entender que suas fronteiras devem sei fluidas. seu compromisso com a prática do ensino. sem perder. A Chegou o momento de procurar responder às questões iniciais. vivido na situação didática típica. atitudes morais ou intelectuais. já que tem uma grande impregnação social. E uma prática muito especial. que defendo a Mas. e a mais ampla (c). entretanto. e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. A Didática deve conviver com essa dupla feição.. de proposições com diferentes graus de probabilidade. vê-se que. sociológicos. antropológicos. como vimos. elaboração de um rol de prescrições e o traçado de conjecturas. possibilidade de uma “Didática Marxista” ou “Didática Sociológica” ou “Didática Cognitivista” ou qualquer outra adjetivação que indique um ponto de vista exclusivo sobre seu campo de estudos.DIDÁTICA. ao contrário do que julgam alguns tecnodidatas. de sua autonomia e relacionamento com outras áreas de conhecimento e reflexão. como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. que o pedagogo quase nunca foi o filósofo de sua pedagogia. que giram em torno do objeto de estudos e da delimitação do campo da Didática. Há alguns anos. social. Pois os caminhos didáticos. entre as muitas frentes de pesquisa e exploração. A oscilação entre uma tendência psicológica que acentua a relevância da compreensão da inteligência humana e sua construção e outra que se apóia na visão sociológica das relações escolasociedade. pois a função da teoria é a explicação. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. Mas a teorização em Didática é quase uma fatalidade: em todas as discussões há. essa fermentação ideológica nem sempre consegue um resultado harmônico: os novos temas ainda não tiveram função aglutinadora e vêem-se programações enviesadas com exclusividade. vem enriquecê-la. Disse um eminente pensador. em conseqüência. mas. ora requer auxílio da psicologia profunda de origem freudiana. técnico e cultural). parece dominar o conteúdo da disciplina. que chamei de região cultural. uma espécie de receituário do bom ensino? Esse é um dos mais discutidos problemas da disciplina. vai-se familiarizar com teorias de origem epistemológica e social. o que de modo algum prejudica sua autonomia. Esta.. são amplos e diferenciados e não estritos e exclusivos. visualizei a situação didática como um tronco de cone no qual uma secção menor (a) refletindo o plano da relação humana.

Um esclarecimento final. Quero. interdependentes. Revela uma intenção: a de produzir aprendizagem. palavraprospectiva. Conseguir plenamente a autonomia. palavra que revela um resultado desejado. parece acelerar o progresso no sentido de uma autoconsciência de sua identidade – encontrada em seu núcleo central – e de sua necessária interdisciplinaridade. em capacidade ampliada para conhecer (ou aprender). É desse fenômeno que trata a Didática: do ensino que implica desenvolvimento. uma teórica e outra prática: são duas faces da mesma moeda. como elas. a Didática. essência da aprendizagem legítima.Unidade 1: Didática: História. Mas não existem duas Didáticas. palavra-ordem. sobre o conceito foco da Didática: o Ensino. correspondente ao ensino que merece esse nome. por exemplo. Mas. ainda. não se pode mais entender o ensino como a simples apropriação de um conteúdo: uma informação. a meu ver. mas envolverá igualmente progressos na afetividade. sem prejudicar suas fecundas relações com disciplinas afins. depois de PIAGET. é palavra-ação. é um projeto que. e. Reflexão e Objetivos diretamente á prática e esta. O ato assimilador. Creio que é tarefa para o século XXI. em sua complexidade. um conhecimento ou uma atitude. cuja eficiência é objeto de pesquisa e experimentação. depende tanto de um esforço teórico e reflexivo. 27 . quanto de um avanço no campo experimental. melhoria. exige recursos e técnicas. deixar claro que. por condições que são do desenvolvimento humano integral. E mais: não se limita o bom ensino ao avanço cognitivo intelectual. moralidade ou sociabilidade. como disciplina e campo de estudos. do meu ponto de vista. terá como subproduto (sub ou super?) alguma mobilização da inteligência redundando em progresso cognitivo.

o aluno deve se posicionar como o sujeito de sua aprendizagem. O contexto escolar do professor e a escola como espaço de atuação e formação profissional farão parte dos assuntos abordados nesta unidade. Com isto pretendemos que você enquanto professor reflita e perceba que trabalhar com os princípios didáticos implica considerar que os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações. inicialmente propomos nosso estudo.. assunto abordado no tópico a seguir: Construção da Identidade Docente Esperamos que durante o desenvolvimento da leitura e das discussões desta unidade você consiga se ver e se construir como professor.. Valorize a docência. 28 . . apresentando a importância da construção docente. Para tanto. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Reconheça e identifique os princípios da relação professor-aluno e sua importância. deve assumir a posição de mediador da interação dos alunos com os objetos de conhecimento.Trocas e Mediações Pedagógicas EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Analise criticamente o trabalho docente enquanto profissional que trabalha com a prática educativa. incorporando atitudes de autonomia que ajudem na construção da sua prática pedagógica. Nesse processo. começando a identificar este processo complexo de identidade profissional. Analise e identifique o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa. por sua vez. e o professor.

Estudar e refletir sobre este tema o fará questionar-se sobre o significado: “ser professor”. no valor que dá a sua profissão. este movimento deve vir acompanhado da mediação reflexiva. e. Como vimos. confere à atividade docente de seu cotidiano. dizer o significado de ser professor é falar em processo identitário docente. com base em seus valores. também. 77]: Identidade que se constrói com base no confronto entre teorias e as práticas. nesse movimento ou dinâmica. na construção de novas teorias. surge frente à necessidade de responder as demandas apresentadas pela sociedade. da opção feita ao querer estudar pedagogia. o conhecimento e os saberes pedagógicos. A profissão de professor. sendo assim. nos sucessos e medos da sua prática cotidiana. Antes de continuar. Ser professor hoje não é o mesmo que durante o século XIX e inícios do século XX. em suas angústias e anseios. então. assim. é um processo de construção formado pelos saberes da docência: a experiência. nas suas relações com os outros colegas. p. É a vivência que determina a profissão professor. Nos dias atuais. O “ser professor” mudou em conseqüência das novas demandas da sociedade frente a esta profissão. enquanto ator e autor. Como já mencionamos. Esse processo identitário envolve vários campos. é considerada como uns dos saberes da docência. em suas representações. além daquelas que valorizam ou desvalorizam a profissão. Vemos que o professor é o centro do processo identitário.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas A construção da identidade do professor é abordada nos cursos de formação inicial na disciplina didática. na interação dele enquanto docente na nossa sociedade. A identidade do professor não é um dado imutável. em seu modo de situar-se no mundo. assim como o valor dado à educação em si. até adquirir estatuto de legalidade. do que é ensinar. todo seu caráter dinâmico da profissão docente como prática social. vamos definir o que é entendido por mediação reflexiva. em sua história de vida. confronto e análise que cada um de nós constitui a sua identidade profissional. evidenciando. em seus saberes. o lado apaixonante do que é ser professor e de se tornar o agente principal da sua construção da identidade. 29 . pelo significado que cada professor. como as demais. o que exige conhecimentos. para alcançar este significado de forma coerente existe um tripé formado pelos saberes da docência: experiência. no sentido que tem em sua vida ser professor. a qual. e é nesse processo. segundo Pimenta [2002]. Constrói-se. das tradições e também das práticas consagradas culturalmente que permanecem significativas até os dias de hoje. Conforme nos indica Pimenta [2002]. saberes que fazem parte da profissão de professor. é ele que se (des)faz e se (re)constrói na sua prática pedagógica. conhecimento e saberes pedagógicos. Ela se constrói e se reconstrói a partir da revisão constante e da significação social da profissão. Segundo Pimenta [2002. na análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes. não pode ser incorporada no dia em que se termina o curso de graduação. a identidade profissional não é uma condição externa nem imutável. Perceba. pois agora estamos frente ao mundo do conhecimento globalizado.

Saberes da experiência Quando ingressamos no curso de Pedagogia. que foram nela produzidos e a constituem. Este processo implica trabalhar e produzir conhecimentos. 98]. pelo contato com professores no curso superior. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A mediação reflexiva é um trabalho que exige esforço. Saberes da experiência. Retomemos os saberes da docência para definir do que se constituem e suas características: SABERES DA DOCÊNCIA Que saberes são necessários para ser professor? Por que falamos em saberes? Vários tipos de saberes integram o conhecimento profissional do professor. específicos-conhecimentos e pedagógicos. Por isso é necessário trabalhar com os saberes específicos. entender o que designam cada um desses saberes. pesquisa questionamentos por parte do professor frente aos desafios enfrentados no dia a dia na sua prática pedagógica. A experiência adquirida como aluno durante toda sua trajetória de graduação permite identificar o que é um bom ou mau professor. Todas estas experiências contribuem para a construção da identidade docente. já que passamos pela escola e tivemos contatos com diferentes professores e situações de ensino. a (des)valorização docente. mesmo em processo de formação. Porém. salientando também que da mesma forma fazem parte as experiências que são produzidas no seu cotidiano docente. 2002. coletivamente. p. 30 . conhecemos professores significativos e aqueles de que nos esquecemos. mediante o processo de reflexão sobre sua prática em confronto com as pesquisas e teorias existentes. para isto é necessário que durante o curso de graduação os alunos passem a assumir esse papel. vemos que este processo de re-significação não é suficiente. Esta experiência prévia amplia-se durante a formação inicial. então. Essa “bagagem” permite-nos pensar o que é ser um bom professor e qual será a nossa referência. Vamos. Dentro deste saber encontra-se também a experiência socialmente acumulada do que significa ser professor na sociedade. buscando respostas para os conflitos que são comuns ao processo de ensino-aprendizagem: “Consiste em relacionar a atividade de aprender dos alunos aos conhecimentos que permeiam a sociedade. todos eles fazem parte da formação docente e devem ser trabalhados durante o processo de formação inicial e continuada.DIDÁTICA. em relação à aprendizagem do „eu‟ à aprendizagem do „nós‟ [PIMENTA. já temos a experiência do que é ser aluno ou mesmo ser professor.

resultando na capacidade de produzir novas formas de existência e humanização. O que implica analisá-los. confrontá-los. uma vez que faltam os saberes pedagógicos. 81]. 3) Sabedoria e Consciência. contextualizando-as. Seu objetivo é contribuir com o processo de humanização de ambos mediante o trabalho coletivo e interdisciplinar destes com o conhecimento. é preciso operar com as informações para se chegar ao conhecimento. Para construir a inteligência é necessário trabalhar adequadamente com as informações. o trabalho com o conhecimento específico de cada área ainda não é suficiente na construção da identidade docente. que trabalha com as informações. através do desenvolvimento da capacidade reflexiva (essa expressão dá a idéia de estático. o conhecimento abrange três estágios: 1) Informação. transformando-a. que envolvem reflexão. Por isso a finalidade da educação escolar na sociedade tecnológica. classificando-as. 2002. as informações para gerar novos conhecimentos). é possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos. a partir de uma perspectiva crítica social transformadora. multimídia e globalizada. que é completamente diferente do que significa reflexão enquanto pensar. Mas isso vai além do conceito enciclopédico ou de informações. desenvolvendo habilidades para operá-los. o trabalho da escola e dos professores é mediar a relação entre a sociedade da informação e os alunos. Dessa forma. contextualizá-los. Não basta estar exposto às informações através dos meios de comunicação. dessa forma. Entretanto. 31 . 2) Inteligência. há que articulá-los em totalidades. Trabalhar com conhecimento significa entender que conhecer não se reduz a se informar. p. possibilitando-lhes. atuar nessa determinada realidade. confrontar. produzindo novas formas de progresso e desenvolvimento. revê-los e reconstruí-los com sabedoria. adquirir a sabedoria necessária à permanente construção do ser humano. Como nos afirma Pimenta [2002]. O professor deve se questionar sobre o significado que o conhecimento tem para si próprio e se perguntar. que permitam aos alunos irem construindo a noção de “cidadania mundial” [PIMENTA. a educação é um processo de humanização e baseia-se fundamentalmente no trabalho dos professores e dos alunos.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Saberes específicos Ter conhecimentos específicos é fundamental para a docência. Para isso. segundo o que nos aponta Pimenta [2002]: Qual é o papel que o conhecimento ocupa na sociedade contemporânea? Qual é a importância que os alunos dão para o conhecimento acadêmico construído na escola? O que é conhecimento e como ele é trabalhado nas escolas? Existe diferença entre informação e conhecimento? Qual é a relação entre os diferentes conhecimentos escolares? Segundo Morin citado por Pimenta [2002]. Educar na escola significa: preparar as crianças e os jovens para alcançar o nível de civilização atual e.

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Saberes pedagógicos É tarefa do professor a análise crítica da informação relacionada à constituição da sociedade e de seus valores. Para ensinar, não são suficientes apenas a experiência e os conhecimentos específicos, também são necessários os saberes pedagógicos e didáticos, visto que entender os saberes pedagógicos a partir da prática social da educação como ponto de partida e de chegada permite uma re-significação na formação do professor. Nesse sentido, Houssaye [apud PIMENTA 2002] afirma que os saberes pedagógicos devem ir além dos esquemas apriorísticos das ciências da educação, é necessário reinventar os saberes pedagógicos com base na prática social da educação. A renovação da didática deve ter como base os aspectos pedagógicos, e para isso é necessária uma leitura crítica da prática social do ensinar, partindo da realidade existente, considerando os aspectos epistemológicos que acrescentam novas contribuições ao ensino, promovendo, dessa forma, um diálogo intelectual entre teoria e prática (para significar a identidade docente do professor). Este processo se realiza e se efetiva através da pesquisa, princípio formativo na formação inicial, criando, assim, mecanismos que permitam ao professor conhecer os alunos, a realidade escolar, os sistemas, as práticas por meio de observações, a coleta de dados sobre determinados temas, os registros, o desenvolvimento de projetos de ensino, entre outras atividades. A pesquisa como princípio cognitivo de apreensão da realidade é eixo fundamental na formação docente e deve ser abordada em todas as disciplinas, especialmente as que contribuirão para a construção de sua identidade. Esperamos, então, que possamos construir o caminho da docência juntos, para isso é fundamental nossa interatividade através das ferramentas de que dispomos, da sua interação com os colegas e da sua comunicação com o (a) tutor (a).

A sala de aula Na relação didática o processo ensino-aprendizagem envolve as interações entre os sujeitos atuantes, professor-aluno e a relação destes com a construção do conhecimento. Encontra-se uma relação triádica: entre professor, alunos e conhecimentos, pela qual não se pode descontextualizar e estudar a relação na sala de aula de forma isolada, mas sim sob uma perspectiva na qual o ensino-aprendizagem resulte dessa relação social entre interações humanas. Essas relações humanas determinadas social e historicamente e a construção do conhecimento formam parte da relação pedagógica. Nesse enfoque, Anastasiou [2004] destaca que no processo de “ensinagem” a ação de ensinar relaciona-se diretamente à ação de apreender, que implica tanto o conteúdo como as relações que se formam neste processo. Estudaremos agora como se dá essa relação pedagógica em sala de aula. Na sala de aula essa interação baseia-se na confiança e empatia recíproca, nos interesses e necessidades que levam o encontro entre professor e aluno como condição necessária para a aprendizagem. A sala de
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Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas

aula é um lugar onde se constroem conhecimentos, se aprendem valores e comportamentos por meio de uma comunicação real, autêntica, pensando no outro e com o outro, com transparência e respeito mútuo. Para Ventura e Hernández [1998, p. 57], na relação com o conhecimento o professor precisa entender as respostas dos alunos e as relações que se estabelecem com o que já sabem:
Por outro lado, se concede um especial valor às inter-relações comunicativas que se estabelecem entre as intenções, recursos e atividades propostas pelos professores, e as conexões que, a partir de seus conhecimentos iniciais, cada estudante possa chegar a estabelecer.

Dessa forma, a aprendizagem exige estabelecer relações entre o que o aluno já sabe e o novo conhecimento, ampliando ou modificando-o. Toda disciplina, aluno e turma exige estratégias diferentes, cabe ao professor, através de uma comunicação autêntica e liderança sábia, estabelecer um diálogo e confiança para que aconteça o processo ensino-aprendizagem de cada aluno, estabelecendo, assim, uma relação pedagógica que favoreça este processo. A mediação docente se estende para o preparo das atividades e estratégias necessárias para levar aos alunos a aprendizagem. Isto deve ser definido no planejamento do semestre, da disciplina ou matéria. A relação professor-aluno depende da relação estabelecida pelo professor: da empatia com os alunos, da capacidade de escutar, refletir e analisar no nível de compreensão destes para mediar o processo de construção do conhecimento. “O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos”. [LIBÂNEO, 1992, p. 250]. Todavia, para ter uma boa interação é necessário se adequar às necessidades cognitivas, sociais dos alunos, saber escutar o outro e estabelecer uma relação de parceria com a aprendizagem. No planejamento realiza-se a escolha adequada dos métodos, das seqüências e das estratégias para que no processo de ensino-aprendizagem todos os alunos aprendam no sentido de estabelecer relações com o conhecimento tanto escolar como de mundo: “Um professor competente se preocupa em dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo.” [LIBÂNEO, 1992, p. 252]. O sucesso na sala de aula depende da relação do professor com os alunos, da mediação deste entre o aluno e o conhecimento e da forma como o docente se coloca ou entende as diversas respostas dos alunos. Junto a isto é necessário explicitar no início das aulas as normas de funcionamento da classe, o que é permitido e o que não pode ser realizado numa sala de aula, aspectos estes que devem fazer parte da relação pedagógica estabelecida. Como foi dito no início deste tópico, não se pode estudar a sala de aula isolada do processo educativo, da escola e do que acontece fora desta. Por outro lado, para que o aluno encontre sentido e se

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

comprometa no processo ensino-aprendizagem, o professor deve pensar, planejar e entender as respostas dos alunos a partir das relações que se fazem com o conhecimento.
Resgatar o sentido do conhecimento. Conhecer para quê? Para poder compreender o mundo em que vivemos, para poder usufruir dele, mas sobretudo para poder transformá-lo! Isto implica o professor tanto se compreender como sujeito de transformação, quanto ter clareza de que está participando da formação dos novos sujeitos de transformação. A nosso ver, se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade, não deveríamos estar no magistério, pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS, s/d].

Segundo Vasconcellos [s/d], alguns aspectos devem ser trabalhados e incorporados na relação professor-aluno: Elaborar coletivamente as normas da escola e da sala de aula: participação de todos os docentes da escola e representantes de alunos, pais, etc. Tanto para estabelecer ou para cumprir limites. Resgatar o diálogo, fazendo com que este não seja nem autoritário, nem tenha clima de impunidade. Lutar para a superação do clima de impunidade na sociedade. Criar clima de respeito na escola. Criar, desenvolver uma metodologia participativa em sala de aula. Entender o estudo como trabalho. Compromisso do professor. Realizar e ocupar bem o espaço de trabalho coletivo constante na escola e sala de aula. O aluno deve assumir a responsabilidade coletiva pela aprendizagem e participar de forma ativa das aulas, demonstrando de forma clara suas necessidades. A família deve fazer parte da escola, resolvendo possíveis conflitos que venham a existir diretamente com a escola e não por meio do filho. Nesse sentido, pensemos: como estabelecer a autoridade pedagógica sem ser autoritário? Para isto, inicialmente, é necessário entender autoridade como a capacidade de fazer o outro autor, conforme nos apresenta Vasconcellos [2008], é dizer, dar autonomia e segurança para que o aluno estabeleça relações efetivas frente a sua aprendizagem. Dessa forma, o professor deve viver entre a eterna tensão estabelecida entre a necessidade de dirigir, orientar, limitar e, por outro lado, a necessidade de criar, possibilitar, deixar acontecer, ouvir, acatar. Esta contradição não pode ser esquecida ou anulada, apenas solucionada nas diversas situações e momentos de sala de aula, considerando os objetivos do trabalho e restabelecendo-os continuamente em outro patamar e contexto. Não existe receita para a disciplina e para a relação professor-aluno. Dessa forma, os problemas e conflitos devem ser enfrentados e solucionados por esses que são os agentes do processo de ensinoaprendizagem. O professor não deve se esquecer que, quando necessário, precisa tomar decisões e estar preparado para assegurar um ambiente de trabalho favorável para todos os seus alunos. A atitude
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permitindo auto-reconhecer-se como professor. 2. se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade. Construir a identidade docente é um processo que implica idas e vindas. De acordo com o estudado no tópico Sala de Aula: listem pelo menos três situações didáticas que vocês acreditem favorecer o processo de construção do conhecimento do aluno. conflitos e alunos com os quais trabalhamos e compartilhamos a construção do conhecimento. é contínuo e permanente. Devemos pesquisar. pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS. desafios. posturas e tomada de decisões. mas por seu caráter apaixonante e desafiador vale a pena ser realizado e construído. VIDEOAULA ______________________ Vamos dinamizar os conceitos? 35 . (des)construções de conceitos. Parece um processo difícil. s/d. Esse processo não tem tempo para começar ou terminar. Utilizem as questões a seguir como parâmetro para esta reflexão. reúnam-se em grupos de quatro ou três pessoas para realizarem uma reflexão sobre a prática docente. REFLEXÃO ______________________ Considerando a leitura realizada na Mobilização do Conhecimento.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas cooperativa é fundamental na constituição de boas condições para a aprendizagem dentro da sala de aula. 1. entreguem a atividade do grupo ao (à) tutor (a). paradigmas. Ressignifiquem a expressão do seguinte texto destacado em negrito (trecho extraído do texto Os desafios da indisciplina em sala de aula e na escola): A nosso ver. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. não deveríamos estar no magistério. questionar e (re)fazer a cada turma. grifo nosso]. disciplina. Redijam suas considerações criticamente em forma de um pequeno texto e.. ao término..

contribuindo para sua formação como professor-aluno. realize anotações em seu caderno dos principais aspectos apresentados. Cansado das canseiras desta vida O professor vai sacudi-lo? Vai repreendê-lo? Não. Se considerar necessário. Cada grupo deverá representar em um breve teatro alguma situação didática referente à metodologia empregada pelo professor escolhido. lembre-se de um professor que marcou sua trajetória escolar positivamente. Com base no que foi estudado nesta unidade. DAS MEMÓRIAS ÀS CAPACIDADES CRIATIVAS ________________________________________________ Ao longo da sua trajetória escolar como aluno. 36 . muitos foram os momentos que permaneceram vivos na sua memória. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Agora é hora da videoaula: O Espaço da Sala de Aula. s/d. Professor O professor disserta Sobre ponto difícil do programa. OBRA PRIMA _______________________ Leia o poema de Drummond apresentado a seguir. Em grupos. Um aluno dorme. __________________ Fonte: ANDRADE.DIDÁTICA. explique por meio de um pequeno texto reflexivo como você considera a atitude do aluno e do professor. Veremos algumas das situações que ocorrem no espaço da sala de aula e sua importância para o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações estabelecendo uma ordem para os grupos se apresentarem. Ao final desta atividade entregue seu texto ao (à) tutor (a). O professor baixa a voz Com medo de acordá-lo.

. O último integrante será responsável em dialogar com seu grupo sobre a pesquisa e o representar em uma conversa de roda na sala. Pesquisa de campo! Em grupos de quatro integrantes. ou seja. Os relatórios deverão ser entregues ao (à) tutor (a) na próxima aula. Quais os desafios da profissão docente? 3. Tendo esta preocupação em mente. nos preocupamos em abordar a questão dos saberes da docência.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Após a representação dos grupos. ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Hora de investigar. O simples contato com outros 37 . façam uma lista com as principais características que fizeram os professores representados serem inesquecíveis... E quais as expectativas? SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. Outros dois serão responsáveis pelo tratamento das respostas. posicionem-se frente às seguintes atividades: Um integrante do grupo deverá ficar responsável em entrevistar um professor (seguindo o formulário da pesquisa ou eixo). que deverão estar dispostas de maneira clara em forma de um relatório. uma vez que os mesmos são indissociáveis.. A reflexão sobre a docência tem mostrado a necessidade de estabelecer a identidade do professor tanto no âmbito do ensino quanto da pesquisa e da extensão. o que apreenderam com essa pesquisa. Por que a escolha desta profissão? 2. os saberes necessários para o exercício das funções de professor. Eixo da entrevista/pesquisa 1. expondo a que conclusões o grupo chegou com a pesquisa: se o que esperavam ouvir foi realmente o que o professor respondeu.

vistos sob a ótica da prática social da educação. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I professores ou mesmo nossa posição de alunos em outras fases de nossas vidas nos proporciona uma experiência prévia fundamental que nos permite formar a idéia do que é ser um bom professor. pedagógicas utilizando subsídios teóricos. revê-los e reconstruí-los na forma de sabedoria. Problemas e conflitos sempre existem e cabe ao professor solucioná-los.. E então. é do professor que deve partir a iniciativa de criar um diálogo que estabeleça uma relação pedagógica favorável ao processo de ensino-aprendizagem. aqueles que permitem que os conhecimentos tecnológicos e científicos sejam transmitidos aos alunos para que eles possam desenvolver habilidades para colocá-los em prática. está se preparado para analisar. Além destes. Formação inacabada. refletir sua prática cotidiana? AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. enquanto elemento constitutivo da formação docente.DIDÁTICA. visando sempre proporcionar e assegurar um ambiente condizente com o aprendizado. concluiu-se que a formação para a docência não pode esquecer a unidade teoria-prática. Olhando para fora. é fundamental a boa relação entre alunos e professor na sala de aula e a relação destes com o conhecimento. o qual só é possível por meio da pesquisa. suas qualificações acadêmicas. que deve ser construída por meio da formação contínua dentro do ambiente escolar. necessitando. Contudo. Com o objetivo de refletir a formação do professor. 38 . A seguir estão algumas questões que lhe auxiliaram a avaliar se você atendeu as expectativas de aprendizagens desta unidade. portanto.. Veja que o caminho a ser percorrido é longo e cheio de desafios. A isso demos o nome de saberes da experiência. método que permite ao professor se familiarizar com a realidade escolar em todos os aspectos. há os saberes específicos. tratamos dos saberes pedagógicos... Para que esses saberes se manifestem. Por fim. A mediação reflexiva permite a reformulação do trabalho docente por meio da pesquisa. considerando as diferenças e peculiaridades de cada aluno. Este é o momento de refletir sobre seu aprendizado.. Consegui identificar os processos e conceitos presentes na luta pela dignidade docente? Reconheci os princípios da relação professor-aluno: disciplina e indisciplina? Posso refletir sobre o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa? Anexe suas considerações em seu portfólio. de um enfoque que se volte de forma mais abrangente para a relação pedagógica..

em que vocês poderão ver representada a relação pedagógica de forma tradicional e a proposta de mudança apresentada nesta unidade. Vida e ofício de professores. docentes da USP explicam os pressupostos. São Paulo: Escrituras. 2000. B. In: QUELUZ. para contribuir nas mudanças. O trabalho docente: teoria e prática. indicamos duas obras que lhe trarão maiores (e valiosas) informações sobre o assunto em questão: BUENO. CATANI. O texto também mostra que é necessário que as políticas educacionais incorporem a contribuição dos professores sobre as experiências e conhecimentos adquiridos no trabalho diário com os alunos.). 176 p. O texto evidencia o complexo processo de mudança na escola e as forças inibidoras: de um lado a resistência dos professores que se sentem inseguros e ameaçados e. futuro professor. O conteúdo apresentado nesta unidade é muito vasto e objeto de trabalho de muitos estudiosos. 39 . C. a descobrir seu caminho de identidade docente. por outro... textos dos professores da rede pública que participam do projeto são retratos amadurecidos dos mestres sobre suas vidas. 1999. (Org. D. M. Os relatos realizados pelos professores cativam e ensinam.. Esta parte levará você. Formar professores para uma nova escola. ALONSO. Na segunda parte.. A. SOUSA. 150 p. A análise do tema mostra os limites da mudança e a necessidade de definir o processo de formação de professores dentro de um contexto social definido.. o magistério e o ofício de ensinar. Por isso. Na primeira parte do livro.. fundamentos e modos de execução do projeto de educação contínua que deu origem a esta obra.. Ficha Técnica Título: O sorriso de Monalisa Direção: Mike Newell Gênero: Drama Origem: EUAAno: 2004 Distribuição:Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment Duração: 117 min. Temos a honra de lhes apresentar neste momento um longa-metragem muito interessante. São Paulo: Pioneira. G..Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. M. a rigidez do sistema de ensino e a estrutura da escola. ALONSO. UM POUCO MAIS.

1993.. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. MAPEAMENTO DA UNIDADE Construção do Conhecimento Mediador da Aprendizagem Saberes da Docência: experiência. Professor. pedagógicos e específicos Identidade docente Profissão docente Disciplina Autoridade Autoritarismo Relações e inter-relações Processo de construção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO.. das G. SOUSA. P. M. C. O trabalho docente: teoria e prática. ALONSO. São Paulo: Pioneira. L. ANDRADE. C. porém ganha espaço nos corações das alunas que passam.). Disponível em: <http://www. ANASTASIOU. P. 2000... 2008. A. C. 1999. não apenas a apreender conteúdos. In: QUELUZ. Acesso em: 25 set. (Orgs. mas aprender o que é a vida e seus desafios. D. D. M. L. tia não: cartas a quem ousa ensinar. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Sinopse Julia Roberts interpreta uma recém graduada que irá lecionar em um colégio tradicional.DIDÁTICA. G.pensador.info/frase/MjMxNzA3/>. São Paulo: Escrituras. Vida e ofício de professores. BUENO. ed. 3.). Joinville: Univille. 40 . CATANI. (Org. B. 2004. Professora sim... A princípio enfrenta diversas dificuldades. Formar professores para uma nova escola. ALVES. FREIRE. São Paulo: Olhos D‟Água.

com.com. (Coleção Magistério). In: PIMENTA S.shtml>. Porto Alegre: Artmed. São Paulo: Cortez. São Paulo: Libertad Editora. VENTURA. ed. Libertad. NÓVOA. Planejamento: Projeto de ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para a elaboração e realização. Acesso em: 13 out. Didática. 1992. G. 41 . C. (Coleção Docência em formação) VASCONCELLOS. Didática. PIMENTA. Docência no ensino superior. 2008.br/edicoes/0142/aberto/mt_247181. Professor se forma na escola. 2008. M. 1996.br/indi. F. Nova Escola. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. (Org. 1998. _______.abril. _______. J. Disponível em: <http://www.. A organização de currículos por projetos de trabalhos. 2008. ciência da educação. HERNÁNDEZ.celsovasconcellos. _______.pdf >.). Acesso em: 14 out. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. C. Disponível em: <http://revistaescola. A.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas LIBÂNEO. dos S. S. São Paulo: Cortez. 18. Pedagogia. 2002. 1995.

mas também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação.. 42 . plano de aula entre outros. Esta idéia de planejamento é que justamente deveria ser trabalhada na escola. Para Libâneo [1994.. O autor levanta nesta afirmativa as seguintes idéias: a tarefa docente implica a previsão. questionar o processo de ensino-aprendizagem é buscar estratégias e condições pensando nos alunos e na escola. dada uma determinada realidade. vivenciado na prática pedagógica. Analise e identifique a estrutura de um plano de ensino. as quais trabalharemos detalhadamente nesta unidade. nas diversas instâncias presentes nas escolas. organização. no plano de ensino. Essas idéias geralmente são compreendidas em um primeiro momento do planejamento pelos professores. 221]: O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos de sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos. Identifique os tipos de planejamentos escolares. execução e revisão das atividades didáticas e docentes segundo os objetivos propostos. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes. p. Desse modo. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. No segundo momento o cerne do planejamento escolar se refere à reflexão das ações docentes. quanto sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino.. como no projeto político pedagógico. Planejamento: Conceituação e Importância Planejamento em educação precisa ser entendido como um processo de reflexão.Planejamento Escolar EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Saiba definir o que é planejamento.

afirmar que o planejamento do ensino é o processo de pensar. É válido ressaltar que se entende por estas ações o resultado de decisões políticas individuais e/ou coletivas de caráter pedagógico. o refletir e o sentir. 1998. Sendo assim. de forma „radical‟.” O radical que o autor nos fala significa buscar a raiz do problema. O planejamento deve ser considerado uma forma de viabilizar e contribuir positivamente no processo educativo de seus envolvidos. tomadas de decisões e re-definições. p. não é um momento isolado de pura reflexão. etc. científica de caráter político. ou seja. Assim. que são formalizados em documentos. Planejamento na escola Como se dá o planejamento dentro da escola? Como é esse processo individual e coletivo? Como aplicar o conceito de planejamento como um ato de tomar decisões imprescindíveis e não como uma mera formalização burocrática? O ato de realizar um planejamento envolve indubitavelmente momentos de decisões políticas. escolhas. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. acima de tudo. o planejamento é um processo amplo que necessita abranger todos os momentos do também processo ensino-aprendizagem (elaboração. é. os quais fazem parte do processo. Para tanto. garantindo a continuidade do processo educativo. É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política de sua prática educativa. Dessa forma. plano de aula. execução e avaliação). apropriação de instrumentos e procedimentos teórico-metodológicos. pois. de forma a considerar o coletivo dos indivíduos no desempenho de diferentes atividades e a tomada de decisões pertinentes. programa ou projetos que. os problemas da educação escolar. o “fazer do professor” no âmbito educacional. sistematização. mas um trabalho coletivo de organização da atividade educativa. é fundamental que o professor perceba que o ato de planejar significa a realização de uma atividade de forma intencional. no processo ensino aprendizagem. rigorosa pressupõe que tem caráter científico de pesquisa. uma atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente” [FUSARI. 45] ainda acrescenta ao conceito de planejamento que: “Pode-se. considerando os objetivos da escola. ideológico e isenta de neutralidade. p.Unidade 3: Planejamento Escolar O professor Fusari [1998. avaliação. ao entender esta atividade como processo permite-nos vê-la como uma função pedagógica que envolve períodos de discussão. Assim. Na escola o planejamento é apresentado em forma de documentos chamados: plano. 45]. plano de ensino. demandando do educador uma atitude de análise. e de conjunto refere-se ao domínio ou visão total do processo de ensino aprendizagem. de organização: “O planejamento. nesta perspectiva. que permitem consolidar e dinamizar as ações que representam os interesses de uma coletividade. Cada um deles caracteriza os diferentes momentos da prática educativa. „rigorosa‟ e „de conjunto‟. mas todos devem considerar que o planejamento é uma articulação dinâmica e coletiva entre o fazer. constituída de vários atores. como citamos anteriormente. referem-se ao projeto político pedagógico. 43 .

Logo a seguir será apresentado um quadro que relaciona as atividades e os documentos inerentes a cada nível funcional (escola. valorizando a participação de todos: professores. um propósito contínuo e coletivo. 44 . O planejamento participativo caracteriza-se pela busca da integração efetiva entre a escola e a realidade social. diretor. O planejamento participativo permite a realização de um trabalho problematizador. também se inter relaciona com os variados projetos didáticos e gestoriais que a escola possa estar desenvolvendo e com os diferentes planos de ensino. avançar. 1992. é impossível a convivência de um discurso com a prática de divisão e da competição. o tempo todo. por isto a necessidade da participação. “O plano de ensino é a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou semestre e o Plano de aula é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou um conjunto de aulas” [LIBÂNEO. envolvendo todas as suas ações e situações. que expressa orientações gerais que sintetizam as ligações entre a escola e o sistema escolar mais amplo. envolvendo a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos [FUSARI. Dessa forma. p. encaminha o aluno para a reelaboração dos conteúdos escolares e do saber sistematizado. aluno. o plano de ensino e o plano de aula. para que os fins mais amplos da educação sejam alcançados. professores de forma coletiva e professores individualmente). Mais adiante detalharemos melhor estes dois planos. coordenador e comunidade escolar na construção da cidadania e dos saberes. criar algo novo. ressaltando a relação entre teoria e prática e a participação da comunidade escolar: professores. especialistas e demais pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem. Observamos então que o Projeto Político Pedagógico é um documento global.DIDÁTICA. Dessa forma. O planejamento constitui um processo político. sociedade) seja o ponto de partida do planejamento. Cabe salientar que Enquanto planejamento de ensino é o processo que envolve a atuação concreta dos educadores no cotidiano do seu trabalho pedagógico. 225]. dentro da escola encontram-se três níveis de planejamento: o plano de escola (Projeto Político Pedagógico). 1998. 45]. p. melhorar qualitativamente. alunos. também contribui para a produção de novos conhecimentos. deve ser preservada a relação cooperativa para que seja levada em consideração à participação de todos os elementos envolvidos no processo de ensino e que se estabeleça a relação entre teoria e prática. O planejamento exige a participação de todos os envolvidos como um momento de repensar o caminho de formação dos educadores e educandos. uma pensada e amplamente discutida construção do futuro da comunidade escolar. alunos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encarar o planejamento desta forma permite re-significar o modo de organização do trabalho na escola. No processo de planejamento existe o desafio da transformação. ousar. na qual a realidade concreta (escola. Em seu contexto.

p. um documento elaborado pelo(s) docente(s). Vemos que nessa definição de Fusari [1991] o plano aparece como um instrumento que contribui para orientar e organizar a prática docente. competente e crítica do profissional é o que provoca mudanças. 223] ao explicitar a função do plano como orientador da prática e que exige reflexão: 45 .] um momento de documentação do processo educacional escolar como um todo. pois. o plano de ensino é [. é um subsídio para a organização do seu trabalho pedagógico. 24. 2006. tendo-se a certeza e a clareza de que a competência pedagógica-política do educador escolar deve ser mais abrangente do que aquilo que está registrado no seu plano. É importante ressaltar que o processo de reflexão frente ao planejado e ao vivenciado na sala de aula completa e mostra a inter-relação entre planejamento e plano e a natureza e necessidade do processo AçãoReflexão-Ação da prática docente [FUSARI. 1992]. numa área e/ou disciplina específica. p. Esse movimento dinâmico. os planos de ensino e os planos de aula. Todavia o professor deve e pode superar os limites do plano de ensino quando for necessário. Nível Atividade Documentos Projeto Político Pedagógico Escola Elaboração de diretrizes políticas para todo o currículo Diretrizes sobre aspectos específicos Programação Escolar Elaboração de diretrizes para as Professores de forma coletiva ou com os coordenadores pedagógicos disciplinas Elaboração de planos para cada curso ou série Planejar e preparar unidades didáticas Professores Preparar e planejar aulas Documentos de diretrizes para as disciplinas Seqüências didáticas Planos para as unidades didáticas Planos de aula e materiais didáticos Fonte: Adaptado de BUTT. de inter-relação entre ação prática pedagógica e realidade também é colocado por Libâneo [1992. contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho. O Plano de Ensino Segundo Fusari [1991... Vemos que a ação consciente. 45-53]. Este documento refere-se a um aspecto da prática pedagógica-política do professor. Plano de ensino é.Unidade 3: Planejamento Escolar Quadro 1 Relação entre os níveis de planejamento: currículo. p. O plano de ensino deve ser percebido como um instrumento orientador do trabalho docente. e não como uma “camisa de força” ou mero cumprimento de uma exigência pedagógica. e não o plano em si.

Quadro 2 Modelo de Plano de Ensino. entre outras Recursos Duração (cronograma de Trabalho Tipo de instrumento de avaliação (como definir avanços) 46 . PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Como sua função é orientar a prática. O plano de ensino pode conter os seguintes elementos: Objetivos da educação escolar: para que ensinar e aprender? Conteúdos: o que ensinar e aprender? É organizado em unidades didáticas. ele não pode ser um documento rígido e absoluto. Áreas Linguagem Códigos e suas tecnologias Ciências da Natureza. Atitude) Língua Portuguesa Matemática Ciências Naturais História Geografia Arte Língua Estrangeira Ensino Médio.DIDÁTICA. Os itens do plano de ensino variam conforme a escola. No Quadro 2 a seguir são detalhados os pontos de um plano de ensino. pois uma das caraterísticas do processo de ensino é que está sempre em movimento. Procedimental. em cada área do Ensino Fundamental. partindo das exigências da própria prática. É a possibilidade de continuamente fazer e retomar o planejamento que confere sentido às ações cotidianas. Escola Ano do Ciclo (público-alvo) Conteúdo (o quê? Área Objetivos (para quê?) Conceitual. não importa o modelo ou formato. pedagógica e estratégica para o docente. mas a função política. assim como uma possível apresentação do plano. organizacional. está sempre sofrendo modificações face às condições reais. Métodos: como e com o que ensinar e aprender? Tempo e espaço da educação escolar: quando e onde ensinar e aprender? Recursos: o que será utilizado? Avaliação: como e o que realmente foi ensinado e aprendido? O importante é que o professor busque seu caminho de forma pessoal e coletivamente para que consiga organizar e planejar as suas estratégias.

o que implica ter claro. conteúdo ou unidade didática. O autor também chama a atenção para outro aspecto da importância do preparar e planejar as aulas: Também aqui vale reforçar que faz parte da competência teórica do professor. para tanto. p. também. faz parte da competência teórica do professor e dos seus compromissos com a democratização do ensino. como e quando fazer. e dos seus compromissos com a democratização do ensino. 6]. Cada professor pode e deve organizar seu plano de aula levando em consideração que a aula é um período de tempo variável. como as conduz e se existe a preocupação com uma síntese final do dia ou dos quarenta ou cinqüenta minutos vivenciados durante a hora-aula. quem é seu aluno. a tarefa cotidiana de preparar suas aulas. O plano de aula é visto como auxílio e ao mesmo tempo parte necessária do trabalho pedagógico que permite pensar o que. enfatizando a ação e a dinamização da proposta global do plano de ensino. deve-se considerar também o nível de preparação inicial dos alunos. o que pretende com o conteúdo. a forma como são tratados os conteúdos dentro de sua disciplina. Cada professor ou equipe escolar pode escolher o seu modelo próprio de plano de aula. a construção e a inter-relação de conhecimentos por parte dos alunos. É na aula que o professor direciona a ação docente para que se efetive o processo de aprendizagem escolar: a assimilação consciente e ativa dos conteúdos. Cada conceito novo deve seguir uma continuidade do anterior ou ser resgatado nos conhecimentos prévios dos alunos.Unidade 3: Planejamento Escolar Plano de Aula Por caracteriza-se pela previsão mais detalhada das realizações do dia-a-dia. podemos dizer que o plano de aula é um detalhamento do plano de ensino. Dificilmente em apenas uma aula trabalha-se uma seqüência didática completa ou inicia-se um novo conteúdo e já o finaliza. por isso é preciso planejar um conjunto de aulas que correspondam a um tema. Os professores devem estar atentos na continuidade e na progressão. Para Fusari [1998]. Mas de modo amplo. [FUSARI. Em cada aula vai-se formando a rede do currículo escolar proposto para cada etapa e modalidade de ensino. É na aula que se organizam ou se criam situações docentes para que se produza o ensino-aprendizagem. 1998. pode-se elencar os itens que compõem um modelo: Título da aula Série Tempo necessário Introdução Objetivos Recursos didáticos Organização da sala Procedimentos didáticos ou desenvolvimento da aula Avaliação Referências bibliográficas 47 . como inicia rotineiramente suas aulas. preparar aulas é uma das atividades mais importantes do trabalho docente.

p. p. 44. objetivos. Quadro 3 Modelo de Planejamento A. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I No Quadro 3 a seguir serão apresentados dois modelos de planejamento de aula que podem ser utilizados pelos professores. estratégias Atividades do professor dos alunos Tarefa para casa Avaliação Fonte: Adaptado de BUTT. Dia Objetivo da aula Período Série Objetivos de aprendizagem Unidade didática Métodos – procedimentos. 44. 48 . critérios Avaliação do ensino Avaliação da aprendizagem Fonte: Adaptado de BUTT.DIDÁTICA. 2006. Data Aula Horário Turma Sala Título da aula Objetivo da aula Objetivos de aprendizagens Conteúdo: sobre PCN e a outros conteúdos Relações interdisciplinares Recursos Atividades – tarefas de aprendizagens duração Estratégias de ensino Oportunidades de avaliação. Quadro 4 Modelo de Planejamento B. 2006.

É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política sobre sua prática educativa. mostrando seus benefícios e a importância que cada um possui perante a uma instituição de ensino.Unidade 3: Planejamento Escolar Com isso. sem nunca perder de vista a realidade da comunidade na qual a escola está inserida. tomadas de decisões e re-definições. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. escolhas. realize anotações em seu caderno. não deve ser visto como um instrumento que deva ser elaborado a uma só mão. Ao término da atividade o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para lerem para a sala suas respectivas reflexões. 49 . Dessa forma. É preciso ficar claro que sua elaboração é o momento no qual o professor faz reflexões e questionamentos que visam as melhores estratégias e condições para a educação do aluno. mas de todos os envolvidos no processo de educação: alunos. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. avaliação.. coordenadores. Escreva um breve texto reflexivo sobre qual deve ser o motivo de descontentamento e desinteresse dos docentes em realizar freqüentemente um planejamento de suas atividades. A partir dela conheceremos os conceitos do planejamento escolar. afinal sua realização não depende tão somente do esforço do professor. direção e todo o corpo docente. reflita: como você acredita que deva ser o ato de planejar sem que este se transforme em um ato burocrático.. encerramos esta unidade e aproveitamos para reforçar a importância do planejamento no processo de ensino-aprendizagem. Caso considere necessário. VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora para assistir à videoaula: Planejamento na Escola. Contudo. REFLEXÃO ______________________ Como vimos.

recém-ingressantes também participam da confraternização. O coordenador pedagógico passa a falar. Agora. sobre as próximas tarefas. que logo em seguida declara abertos os trabalhos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A partir da concepção de planejamento que estudamos. dedicando-se mais à “parte administrativa”. Informa que os planos de ensino deverão ser providenciados pela equipe docente e entregues ao final de três dias de reuniões. Professoras e professores. é um novo recomeçar. o coordenador pedagógico dá início a uma dinâmica de grupo. todos concordam. após o que. definido pela equipe diretiva durante as férias dos professores. de qualquer maneira. por meio da qual orienta cada 50 . planejamento e organização do trabalho da escola. com sua voz grave. Educar é uma luta constante. entre outros. antigos companheiros de trabalho. Solicita a formação de equipes. um clima de alegria. por sua vez. calmamente. alguma retração. Uma professora chega atrasada na ponta dos pés. Em seguida. de abraços meteóricos. como deveria ser.DIDÁTICA. Vai começar a primeira reunião de um novo trabalho educativo. O tema da reunião admisnistrativa e pedagógica é. alguma aproximação. de acordo com suas disciplinas. Distribui uma paleta para cada uma delas. Dia de reencontros explosivos. Todos ocupam seus lugares e as boas vindas são oferecidas pela diretora. Acrescenta que estes. cantina. crachás para as primeiras séries. pontualidade dos professores na entrada e saída. imediatamente. foram elaborados por especialistas da escola dentro dos padrões científicos e técnicos exigidos pela Secretaria da Educação e estão perfeitamente de acordo com os Planos Nacional e Estadual de Educação. reúnam-se em duplas e analisem o caso a seguir. que fala um pouco sobre a organização da escola. visando responder às posteriores questões. Início do ano letivo. Uma atmosfera cor-de-rosa entre docentes e equipe diretiva. as aulas terão início. observada carinhosamente pelos colegas. novos horários de intervalos. cautelosos. olhares curiosos. passa a palavra à senhora diretora. lista de alunos das novas turmas. A diretora da escola exercita sua pontualidade. Ela distribui uma pauta mimeografada com os itens que estarão sendo discutidos: entrega de documentos... Lembra que os mesmos deverão ser elaborados em fina consonância com o Plano Diretor da Escola e com os Planos de Curso já definido nos anos anteriores. a se encaminharem para uma sala de aula onde a reunião se realizará. novo código disciplinar para os alunos. Por outro lado. mas. O coordenador pedagógico convida os presentes.

como se o encantamento inicial tivesse se evaporado subitamente e dado lugar a um ar de constrangimento. Descreva esta(s) situação(ões). Recordem sobre seus antigos professores e tentem encontrar em suas memórias posturas docentes que transpareceram ser desmotivadas e os conseqüentementes prejuízos que sofriam as aulas. Sua análise deve ser registrada em seu caderno. podem utilizar como referência os modelos apresentados na Mobilização do Conhecimento. 4. Se vocês fossem os gestores.Unidade 3: Planejamento Escolar grupo para que se reúna por meia hora e em seguida apresente aos demais grupos alguns objetivos específicos de suas disciplinas para o ano letivo. como seria sua postura no decorrer do ano letivo? Atente-se para o fato de que seus alunos necessitam construir conhecimentos significativos. Após quase uma hora o coordenador anuncia o início das exposições. Para tanto. Sem escolha. Assim começava a tarefa de planejar naquela escola e naquele ano. ______________________ Fonte: BRASIL. como informa a diretora. 3. A disciplina deverá ser escolhida pelo grupo. Como é visto o planejamento nesta escola? Se você fosse professor. analise: 1. Se quiserem. faça a pesquisa pela internet ou outros meios de busca. tal o silêncio que toma conta do ambiente. os professores disporão de novos livros didáticos enviados pelas editoras. cada reprsentante de grupo lê os objetivos específicos aos quais chegara sua equipe. 51 . O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet aos grupos. Mediante a leitura. que a todos lembrava experiências burocráticas de anos anteriores nada compensadoras. realizem o planejamento de uma aula. Professoras e professores que se mostravam confusos e aparentemente desanimados diante das palavras planos. a partir dos quais poderão adaptar seus planos de ensino dos anos anteriores. normas e prazos. 1997. Terminada a dinâmica e estourado o tempo da reunião na parte da manhã. ou. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Agora. qual postura teriam no início do ano letivo para a elaboração do planejamento? Reescreva o caso mediante ao que estudamos seguindo a postura que adotaram. planejamentos. o que não consegue provocar reações nos companheiros. O tempo acaba não sendo suficiente. 2. agora ilhados em suas definições. reunidos em grupos de cinco alunos. se preferir. transfere-se para o perído da tarde o início da elaboração do planejamento. Nota-se no recinto um amargo sentimento.

Visando enriquecer seu aprendizado. Posso definir planejamento através do estudo realizado? Identifiquei quais são os tipos de planejamentos escolares? Sei identificar a estrutura de um plano de ensino? Arquive suas respostas em seu portfólio. planeje e perceba o caráter decisório e fundamental para sua prática docente. algo que vem pronto de fora da esfera de trabalho docente e é imposto. O planejamento deve ser uma exigência do próprio docente. Atente-se para as questões a seguir que nortearão suas considerações a respeito de seu aprendizado.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. por isso é fundamental que você entenda e pesquise.. Esta unidade permitiu a você compreender o que é planejamento e a sua importância na profissão docente.. Parafraseando Fusari [1998]. deve ficar claro para você que a relação aluno-professor e situações de aprendizagens compreendem uma instância política.. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. Olhando para fora. 52 . sugerimos que consulte a seguinte referência que compôs a base desta unidade.. para pensar na melhor forma de trabalhar e garantir a prendizagem dos seus alunos. Deve-se ultrapassar a imagem de cumprir o planejamento como se fosse uma “camisa de força”. Agora convidamos você para realizar sua alto-avaliação.. Independente da esfera em que se desenvolva o planejamento. um professor competente faz um bom planejamento e não um bom planejamento garante um bom professor ou uma boa aula..DIDÁTICA. Deve-se entender planejamento como um processo de reflexão e questionamento sobre e para a prática sendo seu caráter político e intencional. intencional e própria da atividade pedagógica. Vimos que o planejamento escolar tem diferentes níveis.

3). O Planejamento do Trabalho Pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. 2006. BUTT. J. O planejamento de aulas bem sucedidas. 208 p. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática.Unidade 3: Planejamento Escolar NEIRA. J. 53 . Acesso em: 17 set. São Paulo: Phorte. Tendências históricas do treinamento em Educação. São Paulo: FDE. Parâmetros Curriculares Nacionais. C. (Série Idéias. 1992. Introdução. G. 1997. São Paulo: SBS. Essa obra traz uma análise do cotidiano da prática pedagógica. 1998.crmariocovas.sp.php?t=016>. (Série Expansão) FUSARI. 2004. São Paulo: FDE.gov. 2008. Brasília: MEC/SEF. C. G. MAPEAMENTO DA UNIDADE Burocratização Participação Planejamento Ato político Autonomia Momento de aprendizagem Aluno Instâncias diferentes Educação Formação docente Plano de aula Identidade docente Planejamento escolar Unidade didática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. visando inovações. Disponível em: <http://www.gov.php?t=001>. 1327. Secretaria da Educação Fundamental.sp. Disponível em: <http://www. Acesso em: 17 set.. p. como realizar os objetivos e avaliá-los sob o prisma da educação como forma de libertação e sentido a prática docente.crmariocovas.br/prp_a. 2008. FUSARI.br/edc_a. p. M. 44-53. Aparecem como destaque: a maneira de entender o discente. n. como levá-lo à formação consciente.

1992. I.DIDÁTICA. C. São Paulo: Phorte. Didática. M. 54 . 1994. São Paulo: Cortez. 1986. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LIBÂNEO. Didática. J. _______. São Paulo: EPU. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática. G. VIANNA. São Paulo: Cortez. Planejamento participativo na escola. NEIRA. 2004.

Na iniciativa de alcançar determinados objetivos. visando. Por isso destacamos que é importante a você. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. se inserir desde já dentro deste processo e perceber que sua participação e ação..Objetivos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Contextualize os objetivos no cenário educacional brasileiro. assim. Os objetivos educacionais compreendem-se como ponto de partida tanto para pensar no que se quer ensinar quanto na iniciação do planejamento escolar. que faz parte do fazer educativo. os diferentes momentos deste processo. mesmo no momento de formação. 55 . Planejamento: Conceituação e Importância Objetivos Educacionais Nesta unidade estudaremos o que são os objetivos educacionais. são fundamentais no processo de planejamento e de formulação de objetivos educacionais. objetivos e o papel do professor como agente de uma prática social. a prática educacional se orienta necessariamente por meio de uma ação intencional e sistemática.. sua classificação. que permitirão elaborar e compreender novos conhecimentos necessários para exercer a sua cidadania. futuro professor ou aluno-professor. Saiba analisar o processo de elaborar objetivos gerais e específicos para o ensino fundamental. Entende-se que através da prática educativa os indivíduos de uma sociedade poderão se apropriar dos conhecimentos socialmente acumulados pelas gerações anteriores. elaboração e definição dentro dos diferentes momentos do planejamento educacional. Veremos também o papel do professor dentro de sua área de atuação e sua prática educativa. Entenda e compreenda as relações existentes entre planejamento.

orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos [BRASIL. 49]. Nesse sentido. propósitos definidos explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. é importante salientar que existe uma relação estreita entre os objetivos. Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho em conjunto do professor e alunos. 120]. As necessidades e expectativas de formação cultural exigida pela população majoritária da sociedade decorrente das condições concretas de vida e trabalho. desejados para a ação educativa. p. os objetivos educacionais são os resultados esperados. já que através deles se estabelecem e definem os objetivos da educação. conteúdos e as estratégias de ensino. Essas três referências permitem que o professor avalie a pertinência dos conteúdos e objetivos frente a realidade dos alunos. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. na formulação dos objetivos existem três referências que devem ser respeitadas e trabalhadas em conjunto: O proposto pela legislação educacional que expressa os ideais e propósitos dos grupos políticos dominantes no sistema social. 1992. assim. pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. Devem. sendo. 1997. Observa-se. Os objetivos educacionais expressam. Para definir e orientar essa ação é que são formulados. quais são as finalidades educativas que um país. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desse modo. Em âmbito nacional encontram-se os objetivos educacionais determinados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). em explicitar fins e meios que orientem tarefas da escola e do professor para aquela direção [LIBÂNEO. expressam conhecimentos. a fim de que sejam realizáveis. das lutas pela democratização. portanto. ao longo da escolaridade obrigatória. portanto. Os conteúdos básicos das ciências. valores e sentimentos (conteúdos) a serem aprendidos a partir das estratégias metodológicas elaboradas em função dos alunos juntamente com as características específicas relacionadas aos processos de ensino-aprendizagem. estado.DIDÁTICA. assim como. habilidades. Cabe ao professor desenvolver nessa relação um papel de organizador na tomada de decisões para que os objetivos sejam alcançados ou realizados através da prática educativa. nesse sentido. O caráter pedagógico da prática educativa está. precisamente. Para Libâneo [1992]. p. município ou escola deseja alcançar. assim como em que medida atendem às exigências 56 . aonde se quer chegar. definidos e estabelecidos os objetivos. os quais expressam que: Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham. capacidades. o caráter fundamental dos objetivos. o saber acumulado pela humanidade.

de relação interpessoal. O professor deve pensar que os objetivos educacionais são uma exigência no trabalho docente. Para continuar nossa análise é necessário observar: como são definidos os objetivos nos PCNs? Podemos ver neste documento que os objetivos se constituem como capacidades. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. 1997. O professor. 1998]. Os objetivos podem ser definidos em termos de capacidades de ordem cognitiva ou intelectual. 57 . e a escola é um lugar onde se estabelecem vínculos e relações que condicionarão e definirão as próprias concepções socias sobre si e sobre os outros. pois essa mediação interfere no desenvolvimento do aluno. afetiva (equilíbrio e autonomia pessoal). podem se expressar numa variedade de comportamentos. respeitando as características de cada grupo e ao mesmo tempo garantindo a educação para todos. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. Entretanto. pois as capacidades. a qual está inserida num contexto maior. tanto no processo do planejamento escolar (plano de ensino e de aula) quanto nos elaborados pelo sistema de educação. 47]. Nessa perspectiva.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático de democratização da educação. com diferentes conteúdos e por estratégias diversificadas. tendo em vista tanto os conteúdos do saber culturalmente acumulado quanto as capacidades que se referem à relação interpessoal e a inserção e atuação social dos alunos. para o qual é necessário um posicionamento ativo do professor na explicitação e definição destes. inserção social. político e cultural. referente à prática social. nem sempre os objetivos da educação nacional representam os interesses majoritários da população. Por isso. por isso a necessidade de o professor realizar uma prática pedagógica responsável. A capacidade de uma pessoa para se relacionar depende das experiências vividas. ética e estética. É relevante destacar a necessidade de o professor compreender o seu papel de agente de uma prática profissional. devem-se incluir na formação escolar as relações que se estabelecem com os outros e com a realidade social. p. Educar é formar cidadãos que não se apresentam dividos em comportamentos ou capacidades isoladas [ZABALA. O professor deve ficar atento e observar que há todo um caminho a ser percorrido com cautela e compromisso para que durante o percurso os alunos aprendam e possam responder às exigências e tarefas enfrentadas no âmbito social. Ao professor cabe a adequação dos objetivos para seus alunos. uma vez desenvolvidas. é fundamental desenvolver na escola. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos [BRASIL. na sala de aula todas as capacidades que contribuem para o desenvolvimento integral do aluno. profisional. que devem ser desenvolvidas pelos educandos durante o período de escolarização e que permitem serem trabalhadas em diferentes momentos. A intenção dessa classificação é considerar a formação ampla do educando.

Isso permite que o professor trabalhe de forma que valorize a diferença. Representam as exigências da sociedade em relação à escola. já que o trabalho escolar deve ser uma atividade coletiva. 58 . 122]. aos alunos. pois é este que orientará sua prática de sala de aula frente aos alunos. Objetivos Gerais e Objetivos Específicos Os objetivos educacionais podem ser apresentados em dois níveis: gerais e específicos. estes depois serão convertidos em específicos de cada disciplina de ensino. referentes a conhecimentos. já que as capacidades podem ser manifestadas de diferentes formas e comportamentos. as expectativas que se tem do aluno. Vemos que os objetivos são ponto de partida do processo pedagógico e representam as premissas gerais dos diferentes níveis de planejamento e da ação pedagógica. p.DIDÁTICA. Este processo exige que o professor possua convicções próprias sobre os fins sociais. Por trás de qualquer ação pedagógica encontra-se uma tomada de posição que sempre é ideológica. 1992. Os gerais definem as linhas gerais da prática educativa brasileira: o conceito de escola e ensino diante da sociedade e do desenvolvimento de cada aluno. exercer seus direitos e deveres como cidadão. podendo. os materiais usados) cada uma das decisões produz experiências educativas. por isso o educador deve pensar e agir de forma consciente para que o aluno consiga desenvolver todas as capacidades que lhe são exigidas. 1992]. habilidades. No plano de ensino sua responsabilidade é direta. Porém. a padronização (exigindo que todos manifestem o mesmo tipo de comportamento). O docente deve ficar atento à diversidade de seus alunos. ao realizar uma aula (a organização. deixando de lado. o professor tem a possibilidade de compreender que a forma de estabelecer a comunicação na sala de aula. ao ensino. é esperado que estes alunos desenvolvam expectativas positivas sobre a aprendizagem e tenham motivação para as atividades escolares. políticos e pedagógicos do trabalho docente. O professor participa diretamente no nível dos objetivos da escola. dos conteúdos escolares para a formação de cidadãos ativos e participantes na sociedade. assim. as regras de convivência. Dessa forma. contando com a participação de toda a equipe docente. conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. Os objetivos específicos de ensino determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos. atitudes e convições cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de transmissão e assilimilação ativa das matérias de estudo [LIBÂNEO. assim como dos métodos e estratégias necessárias para uma aprendizagem sólida dos alunos. a forma como os objetivos são formulados são favoráveis para o desenvolvimento dos alunos. Dessa forma. assim como também indicam as opções políticas e pedagógicas dos professores diante das contradições sociais [LIBÂNEO. Com isso. assim. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cabe ao professor apresentar os conteúdos e as atividades de aprendizagem de maneira que os alunos entendam a razão e a finalidade daquilo que aprendem.

a partir da visão de conjunto do trabalho escolar e da programação escolar indicada pelos diferentes órgãos do sistema escolar. o projeto político pedagógico. Existe uma estreita relação entre objetivos. de relação interpessoal. ética e estética. definir e priorizar os objetivos específicos de ensino. sobre o papel das disciplinas que leciona na formação de alunos ativos e participantes e sobre as formas didáticas pedagógicas de organização do ensino. conteúdos e métodos: os conteúdos são preparados pedagogicamente para serem ensinados e apreendidos. ética e estética. O conteúdo escolar possui objetivos que indicam resultados. Escolhas das estratégias e dinâmica da sala de aula para a aprendizagem dos alunos (plano de aula). comunicar de forma clara seus propósitos de ensino aos próprios alunos. Os objetivos específicos expressam as expectativas do professor sobre as capacidades a serem desenvolvidas pelos alunos durante o processo de ensino. b) Objetivos estabelecidos pela escola: princípios. tendo presente a situação real na qual serão trabalhados: escola. A definição dos objetivos específicos subsidia o trabalho do professor. diretrizes que orientam o trabalho escolar. O professor deve vincular os objetivos específicos aos gerais. Os objetivos específicos têm sempre um caráter pedagógico. equilíbrio e autonomia pessoal). c) Objetivos explicitados pelo professor: concretiza a sua própria visão de educação e sociedade no ensino do conteúdo de uma determinada disciplina. estabelecer os procedimentos e estratégias de ensino. afetiva. organizar. convicções que buscam o desenvolvimento das diversas capacidades dos alunos (cognitiva ou intelectual. segundo os valores dominantes na sociedade. hábitos. os objetivos específicos devem: 59 . conteúdo e alunos. e elaborar critérios para avaliar o próprio trabalho docente. plano de curso). Os objetivos definidos nos PCN‟s em termos de capacidades de ordem cognitiva. pois explicitam um rumo que orienta o trabalho escolar em torno de uma programação para uma disciplina. atitudes. Dessa forma. afetiva. inserção social. habilidades. de relação interpessoal e inserção social. que expressam conhecimentos. Conhecimento e análise das diretrizes de ensino e exigência de postura política frente aos objetivos (plano de ensino. Percebemos que em todo momento se faz necessário que o professor reflita sobre as implicações sociais de seu trabalho. física. o professor deve trabalhar.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Para esse autor os objetivos gerais podem ser explicitados em três níveis de abrangência: a) Objetivos estabelecidos pelo sistema escolar: valores e finalidades da educação. determinar o processo de avaliação. A partir dessa definição estabelecem-se os conteúdos objetivos e o professor poderá definir conteúdos em termos das capacidades a serem desenvolvidas. aos pais e demais educadores. tendo em vista uma formação ampla (podemos incluir também aqui os objetivos gerais da Educação Fundamental). já que orienta suas atividades e permite a avaliação da própria prática pedagógica. unidade de ensino ou uma aula. Desse modo.

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desdobrar e operacionalizar os objetivos gerais: os objetivos gerais são amplos e precisam ser detalhados e adequados ao grau e à série na qual o professor trabalha. expressando desafios. Expressar os objetivos de forma clara. Especificar as capacidades fundamentais que serão desenvolvidas e aplicadas em situações escolares.DIDÁTICA. facilitando o processo de avaliação.. regional e individual (sua realidade escolar). Estabelecer uma seqüência lógica de forma que os conteúdos sejam trabalhados de forma interrelacionada. descreva as capacidades expressas de cada um e os explique com suas palavras. a sua autonomia passa pela preocupação e pelo conhecimento das intenções educativas no âmbito nacional. Exemplo: 60 . e cabe a você enquanto profissional a tarefa de fazer com que eles representem os interesses de todos os envolvidos no processo educativo e se adéqüem aos diferentes alunos com os quais trabalha e propicie a aprendizagem destes. de modo que sejam incorporados como os próprios objetivos dos alunos. Realizando esta atividade você treinará sua percepção e contextualizará os objetivos no cenário educacional. questões estimulantes e viáveis. problemas. você perceba que estes contribuem para o seu trabalho docente e que permitem compreender e adequar os objetivos educacionais à sua prática educativa. Os objetivos específicos fazem parte do planejamento de cada unidade didática.. possibilitando uma compreensão de conjunto. sua classificação e importância. Ser formulados como resultados a alcançar. Após fazer a leitura destes objetivos. Esperamos que depois de ler e analisar o que são os objetivos educacionais. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. respeitando as diversidades de cada educando. na vida prática e em situações futuras. Para tanto. • Possibilitar enfoque comum aos professores. Dosar o grau de dificuldade. TREINANDO ______________________ Visando dar continuidade aos conceitos apresentados na Mobilização do Conhecimento. mas não se esqueça de que eles representam ou são parte de um objetivo mais amplo. a seguir evidenciaremos alguns objetivos gerais para o ensino fundamental extraídos dos PCNs.

atitudes de solidariedade. dependente e agente transformador do ambiente. adotando. 61 . de sexo. no dia-a-dia. consulte via internet a versão on line do PCN. p. Posicionar-se de maneira crítica. Capacidades Expressas Ética ExplicaçãoComentário Respeito pelo grupo social e cultural ao qual o aluno pertence. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas.” [Brasil. identificando seus elementos e as interações entre eles. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais. cooperação e repúdio às injustiças. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações. Como exemplificado. 1997. posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. disponível no site: <http://portal.pdf>.mec. assim como exercício de direitos e deveres políticos. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Perceber-se integrante. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. pessoal e o sentimento de pertinência ao País. agora realize essa atividade em seu caderno.gov. descrevendo a capacidade a que se refere e sua devida explicação. civis e sociais. de crenças. contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente. de etnia ou outras características individuais e sociais.br/seb/arquivos/pdf/introducao. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional. de classe social. Caso seja necessário.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Objetivos Gerais do Ensino Fundamental “Compreender a cidadania como participação social e política. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet. 69].

utilizando para isso o pensamento lógico.DIDÁTICA. gráfica. plástica e corporal –como meio para produzir. 1997. a capacidade de análise crítica. física. atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação. de inter-relação pessoal e de inserção social. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Utilizar as diferentes linguagens – verbal. a criatividade. interpretar e usufruir das produções culturais. em contextos públicos e privados. matemática. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. estética. ética. expressar e comunicar suas idéias. cognitiva. p. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: _______________ Fonte: Adaptado de BRASIL. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e cuidar do próprio corpo. 69. a intuição. 62 . valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. selecionando procedimentos e verificando sua adequação.

Formulam objetivos tais como: reconhecer diferentes gêneros textuais ao invés de: reconhecer os gêneros textuais segundo as situações de uso. A atividade deverá ser anexada em seu caderno. realize anotações em seu caderno. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Concentre-se e leia individualmente o excerto de texto apresentado a seguir. Não priorizem apenas a capacidade cognitiva/intelectual e façam a representação de uma sala de aula na qual o professor deverá trabalhar a atividade que criaram. O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações. 63 . também tente descrever a dimensão da prática educativa e social do professor relacionando-os com os objetivos e conteúdos propostos pelo documento. que se reúnam em grupos de quatro ou seis participantes e elaborem uma atividade para as primeiras séries iniciais do ensino fundamental. A partir dela iremos tratar dos objetivos como um dos componentes básicos que constituem um planejamento. Ele se refere aos objetivos de se trabalhar os temas transversais nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Alguns professores trabalham com objetivos que priveligiam a capacidade intelectual e deixam de lado as de relação interpessoal e inserção social. Sugerimos. Se necessário. então. o (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para consulta aos PCN‟s. Realizada a leitura. Se considerar necessário. inseridos na vida social.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático DINÂMICA DE GRUPO ______________________________ Nos Parâmetros Curriculares Nacionais são definidas cada uma das capacidades que devem ser trabalhadas no ensino. VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora a assistir à videoaula A importância de estabelecer objetivos. elabore um texto que apresente a relação do nível dos objetivos e importância da participação do professor.

permite a superação da rigidez moral. A capacidade afetiva está estreitamente ligada à capacidade de relação interpessoal. de relação interpessoal e inserção social. na superação de estereótipos de movimentos. atitudes e tomadas de decisão e possibilitando o conhecimento de que a formulação de tais sistemas é fruto de relações humanas. nas diferentes situações da vida. A capacidade estética permite produzir arte e apreciar as diferentes produções artísticas produzidas em diferentes culturas e em diferentes momentos históricos. de maneira consciente ou não. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. os objetivos se definem em termos de capacidades de ordem cognitiva. envolvendo a resolução de problemas. de uma classe. isto é. A capacidade cognitiva tem grande influência na postura do indivíduo em relação às metas que quer atingir nas mais diversas situações da vida. O desenvolvimento dessa capacidade permite considerar e buscar compreender razões. à sensibilidade e à adequação de atitudes no convívio social. nuanças. A ação pedagógica contribui com tal desenvolvimento. no julgamento e na atuação pessoal. pessoal. condicionantes. Esses fatores levam o aluno a compreender a si mesmo e aos outros. uma vez desenvolvidas.DIDÁTICA. incentivando a reflexão e a análise crítica de valores. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Objetivos Os objetivos propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da escolaridade. da representação espacial. estando vinculada à valorização do resultado dos trabalhos produzidos e das atividades realizadas. de princípios considerados válidos para si e para os demais implica considerar-se um sujeito em meio a outros sujeitos. física. conviver e produzir com os outros. ética e estética. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos. Essa capacidade é nuclear ao exercício da cidadania. vinculando-se diretamente ao uso de formas de representação e de comunicação. historicamente situadas. entre outras formas afirmando claramente seus princípios éticos. podem se expressar numa variedade de comportamentos. Quanto à capacidade de inserção social. contrastes de temperamento. temporal e gráfica e na leitura de imagens. os valores e opções que envolvem. A afetiva refere-se às motivações. pois seu desenvolvimento é necessário 64 . pois as capacidades. O professor. por práticas de cooperação que incorporam formas participativas e possibilitam a tomada de posição em conjunto com os outros. de intenções e de estados de ânimo. à auto-estima. A capacidade ética é a possibilidade de reger as próprias ações e tomadas de decisão por um sistema de princípios segundo o qual se analisam. percebendo distinções entre as pessoas. No trabalho escolar o desenvolvimento dessa capacidade é propiciado pela realização de trabalhos em grupo. na relação interpessoal e na compreensão das relações sociais. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. afetiva. conseqüências e intenções. Assim. A aquisição progressiva de códigos de representação e a possibilidade de operar com eles interfere diretamente na aprendizagem da língua. A construção interna. A capacidade física engloba o autoconhecimento e o uso do corpo na expressão de emoções. no deslocamento com segurança. O desenvolvimento da inter-relação permite ao aluno se colocar do ponto de vista do outro e a refletir sobre seus próprios pensamentos. tendo em vista uma formação ampla. nos jogos. que envolve compreender. da matemática. refere-se à possibilidade de o aluno perceber-se como parte de uma comunidade. de um ou vários grupos sociais e de comprometer-se pessoalmente com questões que considere relevantes para a vida coletiva.

os dos Temas Transversais. 65 . A escola preocupada em fazer com que os alunos desenvolvam capacidades ajusta sua maneira de ensinar e seleciona os conteúdos de modo a auxiliá-los a se adequarem às várias vivências a que são expostos em seu universo cultural. fazendo uso do conhecimento matemático para interpretá-las e avaliá-las criticamente. crucial. será possível conduzir um ensino pautado em aprendizados que sirvam a novos aprendizados. por sua vez. nem aprendem da mesma maneira. apresentam inicialmente os Objetivos Gerais do ensino fundamental. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. A partir do reconhecimento das diferenças existentes entre pessoas. A partir deles são definidos os Objetivos Gerais de Área. e assim desenvolvam expectativas positivas em relação à aprendizagem e sintam-se motivados para o trabalho escolar. a desenvolver capacidades de maneira heterogênea. considera as capacidades que os alunos já têm e as potencializa. fruto do processo de socialização e do desenvolvimento individual. preocupa-se com aqueles alunos que encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas. é importante salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas as capacidades. na explicitação das mencionadas capacidades. gráfica. o que muitas vezes exige uma atenção especial por parte do professor a um ou outro aluno. em função de sua natureza. mais ético. pois a ele cabe apresentar os conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os alunos compreendam o porquê e o para que do que aprendem. Esta. Embora os indivíduos tendam. • Objetivo Geral do Ensino Fundamental: utilizar diferentes linguagens – verbal. depende em boa parte da história de êxitos ou fracassos escolares que o aluno traz e vão determinar o grau de motivação que apresentará em relação às aprendizagens atualmente propostas. interpretar e usufruir das produções da cultura. portanto. • Objetivo Geral do Ensino de Matemática: analisar informações relevantes do ponto de vista do conhecimento e estabelecer o maior número de relações entre elas. corporal – como meio para expressar e comunicar suas idéias. de modo a tornar o ensino mais humano. plástica. é preciso considerar que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses ou habilidades. Para tanto. bem como o desdobramento que estes devem receber no primeiro e no segundo ciclos. para que todos possam se integrar no processo de aprender.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático para que se possa superar o individualismo e atuar (no cotidiano ou na vida política) levando em conta a dimensão coletiva. como forma de conduzir às conquistas intermediárias necessárias ao alcance dos objetivos gerais. Mas depende também de que os conteúdos de aprendizagem tenham sentido para ele e sejam funcionais. que são as grandes metas educacionais que orientam a estruturação curricular. matemática. Para garantir o desenvolvimento dessas capacidades é preciso uma disponibilidade para a aprendizagem de modo geral. O papel do professor nesse processo é. Um exemplo de desdobramento dos objetivos é o que se apresenta a seguir. O aprendizado de diferentes formas e possibilidades de participação social é essencial ao desenvolvimento dessa capacidade.

devem constituir-se uma referência indireta da avaliação da atuação pedagógica da escola.. Devem. orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos. sendo. Eles trazem conceitos de educação. sejam gerais ou específicos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Objetivo do Ensino de Matemática para o Primeiro Ciclo: identificar. p. a fim de atender às demandas específicas de cada localidade. Fique atento. Finalmente. Se considerar necessário. e construir formas pessoais de registro para comunicar informações coletadas. pois ela sintetizará todos os conceitos trabalhados durante nossas quatro primeiras unidades. pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. TELEAULA _____________________ Este é o momento de assistirmos a uma teleaula. Mas vemos que é tarefa do docente transformar ou adequar os objetivos às necessidades específicas onde atua e segundo a sua própria formação. princípios. 1997. ao longo da escolaridade obrigatória. 47-49. Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham. registre em seu caderno os principais aspectos apresentados a fim de subsidiar seus posteriores estudos. As capacidades expressas nos Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais são propostas como referenciais gerais e demandam adequações a serem realizadas nos níveis de concretização curricular das secretarias estaduais e municipais. vivências 66 . de direitos. em situações práticas.DIDÁTICA. que muitas informações são organizadas em tabelas e gráficos para facilitar a leitura e a interpretação. diretrizes. de cidadania. _______________ Fonte: BRASIL. Essa adequação pode ser feita mediante a redefinição de graduações e o reequacionamento de prioridades. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. bem como das escolas. nesse sentido. Nesta unidade foi estudado que os objetivos educacionais. norteiam e direcionam a atividade pedagógica. assim como o trabalho docente.. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. portanto. desenvolvendo alguns aspectos e acrescentando outros que não estejam explícitos.

Para tanto. É uma leitura obrigatória para qualquer educador. bem como a relação destes com os métodos de ensino. ressaltando que os mesmos podem.. não pode se omitir de seu papel de trabalhar com uma prática social. 67 . objetivos e papel do professor como agente de uma prática social? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio..Unidade 4: Objetivos no Plano Didático e saberes pedagógicos. Esperamos que você compreenda que cabe ao professor mais do que simplesmente preocupar-se em acatar e cumprir os programas oficiais. São Paulo: Cortez. sugerimos a seguinte obra para aprofundamento do assunto tratado nesta unidade: LIBÂNEO.. analisar e questionar os objetivos de ensino para que seus alunos aprendam. que é a educação. C. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. J. Olhando para fora. 1992. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. ele tem a tarefa de re-avaliar.. O autor enfatiza a importância dos objetivos educacionais.. Com o objetivo de ampliar e subsidiar seus estudos. Didática. Nessa obra – mais especificamente no capítulo 6 – o autor nos apresenta a importância da estreita relação entre objetivos e conteúdos do Plano Didático. pense sobre suas aprendizagens e responda as seguintes questões: Sei identificar o que são os objetivos de ensino? Entendi como as diferentes capacidades conseguem o trabalho integral para a formação de um cidadão? Compreendi qual é a função dos objetivos específicos? Consigo contextualizar os objetivos no cenário educacional brasileiro? Soube entender e compreender as relações existentes entre planejamento. Agora é o momento de você se auto-avaliar! Com base no que foi exposto nesta unidade. cada docente deve pesquisar e confrontar o que é sugerido pelos diferentes níveis educacionais e adequá-los à realidade de sala de aula na qual desenvolve seu trabalho. Isto assegura a autonomia do professor e a exigência de ser comprometido profissionalmente. ainda. auxiliar o professor na definição dos objetivos gerais e específicos. Por isso..

Didática. LIBÂNEO. C.gov. Brasília: MEC/SEF.1998. Disponível em: <http://portal. Porto Alegre: ArtMed. Secretária da Educação Fundamental.pdf>. 1992. J. 68 . São Paulo: Cortez. ZABALA. 1997. Acesso em: 12 out. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais.br/seb/arquivos/pdf/livro01.mec. A. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Objetivos educacionais Atitude Objetivos gerais-específicos Planejamento Compromisso Orientação do trabalho docente Processo Prática pedagógica Seqüência Parâmetros Curriculares Nacionais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. A prática educativa: como ensinar.DIDÁTICA. 2008.

procedimentais e factuais. aluno e procedimentos deve proporcionar ou permitir o desenvolvimento de capacidades intelectuais e o pensamento criativo e independente: Através do ensino criam-se as condições para assimilação consciente e sólida de conhecimentos habilidades e atitudes e. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. ensino e aprendizagem dos alunos.Conteúdos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Conheça e identifique o procedimento de seleção e organização de conteúdos no processo de ensino. o ensino é uma atividade específica da escola. visando sanar possíveis dúvidas conceituais. Contudo. Nesta visão. os alunos formam 69 . A escola tem como tarefa principal democratizar os conhecimentos e garantir a cultura de base para todas as crianças e jovens. Identifique os conteúdos conceituais. Para dar continuidade ao processo de planejamento que estudamos. a relação cognoscitiva do aluno por meio do processo didático com os diferentes conteúdos de ensino. Analise os currículos do Ensino Fundamental e traduza em conteúdos escolares segundo as capacidades cognitivas. Sempre que considerar necessário volte às anteriores. ou seja. Segundo Libâneo [1992. o qual faz a mediação dos objetivos e conteúdos. no qual o professor conjuga a atividade de organizar e selecionar o ensino com a atividade de aprendizagem dos alunos. É por meio do processo de ensino que a escola cumpre esse papel. nesse processo. que tem como centro a aprendizagem dos alunos. 128]. p. trataremos agora sobre os conteúdos escolares. Vamos então iniciar nossos estudos. essa relação entre conteúdo. devemos pensar nos conteúdos escolares numa relação tríplice entre conteúdo. físicas e afetivas dos alunos. atitudinais.. É importante evidenciar que cada unidade é seqüência da anterior e todas se relacionam entre si.. permitindo a aprendizagem dos educandos.

Cabe salientar que apesar de os conteúdos serem apresentados nos PCNs (como seu nome indica. hábitos de estudo. quem decide como trabalhar com eles é a escola e o professor. regras. que. conceitos. assim como valores e atitudes. sendo ação do docente explicitar os objetivos. assim como procedimentos (como fazer e chegar a um determinado conceito).] conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos. habilidades. Os conteúdos são usados não só na escola. mas também as relações interpessoais e de convivência social. 70 . Englobam. atitudes). Ou seja. Desse modo. Isso quer dizer que quando se ensina e se apreende um conceito que envolve habilidades intelectuais (conceitos e fatos). convicções. estimulando. Para este autor. mas também fora dela. assim. fatos. modos valorativos e atitudinais de atuação social. são os parâmetros. atitudes. não só as habilidades intelectuais. organizar os conteúdos. não é suficiente uma organização lógica deles. tornando os conteúdos significativos. é de suma importância aprender e estudar conteúdos que possam ser usados na vida das crianças e não só para responder uma prova ou cumprir o currículo escolar. com o propósito de que sejam apreendidos de forma consciente e ativa. mas deve-se incorporar elementos da vivência prática dos alunos ou de uma determinada escola. processos. de trabalho e de convivência social. idéias. tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. a necessidade de pensar e planejar os conteúdos como fonte principal para que os alunos trabalhem e apreendam os conhecimentos escolares. princípios. compreender o nível cognitivo do aluno e definir a metodologia. escola e professores. p. levam a formas de organização do estudo ativo dos alunos. por sua vez. a matéria a ser transmitida proporciona determinados procedimentos de ensino. organizados pedagógica e didaticamente. os [. Assim. sujeitos da própria aprendizagem. modos de atividade. sempre mais. o conteúdo é tudo o que é trabalhado na sala de aula. este também envolve a parte afetiva (valores. selecionar e trabalhar determinados conteúdos começa pelo sistema de ensino. A ação de pensar.DIDÁTICA. Para Libâneo [1992. leis científicas. hábitos. Libâneo [1992] aponta a relação entre o ensinar da docência e o apreender do aluno.. as guias e idéias). os conteúdos englobam diferentes tipos ou formas de conhecimentos nas diferentes disciplinas ou áreas escolares. Vemos. habilidades cognoscitivas. O que são os conteúdos? Neste tópico usaremos alguns autores e os Parâmetros Curriculares Nacionais para definir o que são os conteúdos. o saber de novos saberes. 128]. valores.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I suas capacidades e habilidades intelectuais para se tornarem. pensando sempre na diversidade e particularidade de seus alunos. portanto. portanto. métodos de compreensão e aplicação. Portanto.

Coll. ou seja. é necessário compreender seus significados para poder usálos. uma melhor forma de trabalhá-los. mas pelo tipo de conteúdo que será aprendido. demografia. assim como as diferentes habilidades e capacidades cognoscentes. abarcar além da habilidade intelectual as habilidades conceitual. Vejamos alguns exemplos de conceitos trabalhados: mamíferos. situações. Na conceitual encontram-se fatos.. Os três tipos de conteúdo estão sempre presentes. conquista de um território. Os conteúdos são classificados não por matéria ou disciplina. ou símbolos que tem características comuns. nomes. na procedimental. e na atitudinal. valores. que relacionam demografia e território. já que ambos têm necessidade de compreensão. 42]. Zabala [1998] também compartilha a visão de Libâneo em relação aos conteúdos. todo conteúdo possui as três dimensões e essa tipologia foi elaborada para ajudar no planejamento e na organização do processo de ensino-aprendizagem. entre outros. sujeito. as quais devem ser trabalhadas. Essa tipologia compreende os diferentes tipos de conteúdos. ou ensinado. os conteúdos conceituais [. códigos. Não pense que essa tipologia é uma nova divisão de conteúdos.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ao se referir à tipologia dos conteúdos estabelecida por C. não para dividir ou fragmentá-los. Como dissemos. objetos ou situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação. densidade. Segundo Zabala [1998. um fato determinado num certo momento. Esta classificação é realizada para ver e estabelecer a proximidade de aprendizagem dos diferentes conteúdos que são trabalhados na escola e na sala de aula. entre outros. Vamos compreender então o que designa cada um desses tipos de conteúdo que o autor nos fala. Representa. estudadas e apreendidas pelos alunos na escola. objeto ou situação em relação a outros fatos. técnicas e métodos. normas e atitudes. Tanto os conceitos como os princípios são trabalhados numa mesma categoria. Desse modo.. Por conteúdos factuais entende-se o conhecimento de fatos. normas ou regras de uma corrente literária. acontecimentos. por exemplo.] se referem ao conjunto de fatos. e os princípios se referem a mudanças num fato. cidade. procedimental e atitudinal. mais especificamente. conceitos e princípios. dados e fenômenos concretos e singulares: idade de uma pessoa. Dos conteúdos conceituais ramificam-se os conteúdos factuais. 71 . p. destacando que em alguns momentos se dá prioridade a um ou a outro conteúdo. São considerados princípios as leis ou regras. e que quando se aprende também se faz com divisões. procedimentos. objetos. localização ou altura de uma montanha.

ou seja. recortar. física e química. por sua vez. Normas: são padrões. vocabulário nas línguas estrangeiras. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encontramos uma grande quantidade dos conteúdos factuais no ensino: datas e nomes de acontecimento na história. O que são valores. respeitar o meio ambiente.DIDÁTICA. p. inferir. responsabilidade. as estratégias e os procedimentos. calcular. matemática. Quanto aos conteúdos atitudinais. os métodos. p. atitudes e normas? Valores: são os princípios ou as idéias éticas que permitem que as pessoas emitam um juízo sobre as condutas e seus sentidos. ajudar os colegas. classificar. É a forma como cada pessoa atua de acordo com valores determinados. Para Zabala [1998. saltar. “as normas constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que se pode fazer e o que não se pode fazer neste grupo”. Incluem as regras. De acordo com Zabala [1998. estes englobam uma série de conteúdos que. dirigidas para a realização de um objetivo”. etc. 72 . Atitudes: entendidas como tendências ou predisposições de caráter relativamente estável das pessoas para atuar de uma forma determinada. os conteúdos procedimentais são “um conjunto de ações ordenadas e com um fim. Veremos agora o que são os conteúdos procedimentais. etc. entre outros. música e artes plásticas. regras de comportamento que devem ser seguidas em determinadas situações que obrigam a todos os membros de um grupo social. podem agrupar-se em: valores. solidariedade. Exemplos de conteúdos procedimentais: ler. como cooperar com o grupo. 43]. participar das tarefas escolares. as destrezas ou habilidades. como respeito aos outros. são todos aqueles conteúdos que se enquadram na definição de ser um conjunto de ações ordenadas e dirigidas para um fim. atitudes e normas. as técnicas. nomes de autores e correntes na literatura. 47]. liberdade. desenhar. códigos e símbolos na área da língua.

Cabe ressaltar aqui a utilização e importância dos programas oficias. para que as novas gerações possam assimilá-los e ampliar o grau de compreensão da realidade. O mais importante não é organizar os conteúdos em função de um ou outro modelo. é necessário que o professor escolha quais e como trabalhar com eles. sociais ou políticas. que elas não se convertam em discriminação ou desvantagem no acesso e permanência das crianças e jovens na escola. os Parâmetros Curriculares Nacionais auxiliam o trabalho do professor. podemos perceber que para cada tipo de conteúdo precisamos de diferentes tipos de estratégias de ensino-aprendizagem. É possível e necessária a ligação entre os conhecimentos sistematizados e a experiência vivida pelos alunos no meio social. os quais devem ser encarados como diretrizes de orientação geral. parte integrante das condições de sobrevivência. 1992]. dessa forma.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Diante dessas conceituações apresentadas. fixada nacionalmente. 1992]. A aquisição do domínio teórico-prático do saber sistematizado é uma necessidade humana. e dos recursos para a manutenção do sistema escolar. Como já foi dito. ainda que as diferenças sejam regionais. tendo em conta as condições locais 73 . tendo em vista o mundo do trabalho e a participação na sociedade como cidadão [LIBÂNEO. o conhecimento expresso no saber científico transforma-se em conteúdos de ensino. mas o desdobramento dos programas. O trabalho pedagógico implica a preparação desses alunos. visto que aprendemos de forma distinta uns dos outros o que sabemos e o modo como fazemos. além da responsabilidade de trabalhar com determinados alunos. com suas características de origem social e cultural. a segunda refere-se aos próprios conteúdos das ciências transformadas em matérias ou disciplinas de ensino. tendo o conhecimento dos conteúdos. essa diferença na aprendizagem é de suma importância para determinar nosso modo de agir desta ou daquela forma. organização e seleção dos conteúdos escolares e o seu papel neste processo. para que todos tenham acesso à instrução e à educação. Parece difícil conciliar essas três fontes. mas é preciso e fundamental. já que permite a participação plena de todos no mundo do trabalho. portanto. para que eles apreendam significativamente e sejam capazes de atuar no seu grupo social. da cultura e da cidadania [LIBÂNEO. a escolha de métodos e estratégias são e devem ser determinadas pelo professor. futuro professor. a re-seleção dos conteúdos. Na escola. Dessa forma. compreenda a complexidade e importância da conceituação. esperamos que você. Assim. mas de acordo com a coerência dos conteúdos trabalhados em função dos alunos para que eles realmente aprendam significativamente e que. A luta pela socialização do saber. isto ajude na sua formação como cidadãos para compreender a sociedade em que vivem e poder participar construtivamente nela. conseqüentemente. O saber escolar adequado à prática de vida real permite a compreensão dos conhecimentos em uma visão científica e mais crítica da própria realidade. depende de uma base comum de conhecimentos. e a terceira são as exigências teóricas e práticas colocadas pelas experiências vividas pelos alunos. São três as fontes que o professor utilizará para selecionar os conteúdos do plano de ensino e organizar suas aulas: a primeira diz respeito à programação oficial na qual são fixados os conteúdos de cada matéria. Vale lembrar que em última instância é tarefa do professor escolher e selecionar os conteúdos.

Ensino de conteúdos Factuais É válido lembrar que um aluno aprende um conteúdo factual quando é capaz de reproduzi-lo. Além disso. não sendo necessária a compreensão. assim como as situações didáticas específicas nas diferentes séries ou anos. vejamos agora como trabalhar com eles na sala de aula. quando se dá a data com precisão. Trata-se de conteúdos cuja resposta é inequívoca [ZABALA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I da escola. para esse conteúdo. a aprendizagem adequada é mais acerca do texto que se está estudando em sua exposição. com a parceria entre professor e aluno no processo de ensino-aprendizagem. um estudo individual relacionado a exercícios de repetição e uma posterior prova podem ser suficientes. de todos os elementos que os compõem e de suas relações. necessariamente. pede-se que o aluno se lembre. o original. o professor deve avaliar criticamente os programas. a reprodução é feita de forma literal. confrontando-os com a sua visão de mundo e o processo pedagógico. dos alunos. 1998. Ensino dos conteúdos Depois de definidos e caracterizados os conteúdos. o nome sem nenhum erro. Na maioria das situações. 74 . Aqui. Exemplo Uma apresentação dos conteúdos de acordo com um modelo expositivo. de forma mais fiel possível. Em situações em que os conteúdos factuais se referem a acontecimentos. exercícios de repetição. Dissemos que alguém aprendeu quando é capaz de recordar e expressar. Considera-se que em relação aos fatos. As atividades básicas para as seqüências de conteúdos factuais englobam. deve-se ter presente que a exposição consiga atrair o interesse dos alunos. a atribuição exata de um símbolo. A tarefa de ensinar está intimamente relacionada à intencionalidade para aprender.DIDÁTICA. A intenção de trabalhar com a tipologia é demonstrar a natureza diferente de um mesmo conteúdo e fazer um trabalho pedagógico que envolva e permita a aprendizagem dos alunos. de maneira exata. p. 41]. que não haja excesso de informação e que se tome como ponto de partida o conhecimento que o aluno já tem.

75 . pois sempre existe a possibilidade de aprofundar o seu conhecimento. Ensino dos Conteúdos Procedimentais Aprende-se esse tipo de conteúdo por meio de modelos especializados. como identificar em um mapa. objetos ou situações concretas naquele conceito que os inclui [ZABALA.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ensino de conceitos e princípios Conceitos e princípios são temas abstratos que requerem a compreensão do significado e. Como é compreender esse significado para a aprendizagem? Para responder esta questão. e o seu ponto de partida está na realização de ações. dos passos ou das ações que os compõem. para que o aluno possa utilizá-lo em diferentes situações e construir outras idéias. o utiliza para a interpretar. o professor deve pensar em trabalhar com as seguintes atividades: experimentais. Modelos em que se tenha a visão em conjunto do processo. Exemplo O aluno sabe o conceito de rio quando é capaz de utilizar este termo em qualquer atividade que o necessite. os conteúdos procedimentais são um conjunto de ações ordenadas e com um fim. de torná-la mais significativa. 1998]. Uma das características dos conteúdos conceituais é que sua aprendizagem quase nunca pode ser considerada finalizada. O aluno sabe um conceito ou princípio quando. que façam o aluno relacionar o novo conteúdo com os conhecimentos prévios. Essas atividades devem partir de situações significativas. um processo de elaboração e construção pessoal do conceito. Como já vimos. quando é capaz de situar os fatos. que promovam uma forte atividade mental. o conteúdo deve ter sentido na vida do aluno. que dêem significado e funcionalidade aos novos conceitos e princípios. que favoreçam a compreensão do conceito. além de defini-lo. portanto. A seqüência deve contemplar atividades que apresentem modelos de desenvolvimento do contexto da aprendizagem. ou seja. das diferentes fases. compreender ou expor um fenômeno ou uma situação. para passar posteriormente à complexidade do modelo. que instiguem e desafiem as possibilidades dos alunos. por isso exige: a realização das ações que será condição importante para a aprendizagem. seja dentro ou fora da escola. e não só reproduzir a definição deste termo.

é preciso realizá-las quantas vezes forem necessárias. tornar sua participação ativa. debates ou diálogos em que são tratados.DIDÁTICA. 76 . O ensino desses conteúdos é complexo. até que seja suficiente para chegar ao seu domínio. sente e atua de forma mais ou menos constante frente ao objeto concreto a quem se dirige essa atitude. Nessas atividades proporcionase auxílio aos alunos e. Essas atitudes vão desde disposições basicamente intuitivas de escassa reflexão até as atitudes fortemente reflexivas. esse auxílio é diminuído progressivamente. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I a exercitação múltipla é fundamental para o domínio competente. ao longo das diferentes ações. Exemplo Uma das primeiras medidas a se tomar é sensibilizar o aluno sobre as normas existentes na escola e na aula. contudo. é fundamental levar em conta não somente os aspectos evidentes e explícitos dos valores no momento das exposições. Para poder melhorá-lo. não basta repetir um exercício. Portanto. Ensino dos Conteúdos Atitudinais Quando o conteúdo adquire um valor ao ser interiorizado pelo aluno. para que as aprendizagens possam ser utilizadas em qualquer ocasião. Uma atitude é aprendida quando a pessoa pensa. fruto de uma clara consciência dos valores que as provocam. Exemplo O ensino da observação nas áreas de Ciências Sociais e Naturais propõem-se atividades de observação em que são necessárias atividades de diferentes graus e práticas guiadas. por isso é necessário mobilizar todos os recursos relacionados com o componente afetivo. Desse modo. mas também toda a rede de relações: o tipo de interação entre professores e alunos. como critérios morais que exigem a sua atuação e a de outros. observar é conduzir os alunos por meio de um processo de prática guiada. Não basta fazer uma vez as ações do conteúdo procedimental. Todo valor tem um componente cognitivo. a aplicação em contextos diferenciados baseia-se no fato de que aquilo que aprendemos será mais útil à medida que podemos utilizá-lo em situações nem sempre previsíveis. a reflexão sobre a própria atividade permite que se tome consciência da atuação. entre os próprios alunos e entre todos os membros do corpo docente. Isso exige que as exercitações sejam numerosas e realizadas em contextos diferentes. deve-se refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais do seu uso. este toma uma atitude frente a algo que deve ser considerado positivo ou negativo. ou seja.

propor situações que ponham em conflito os conhecimentos. reúnam-se em grupos de quatro alunos. desenvolver atividades que façam com que os alunos participem em processos de mudança atitudinal. situação familiar e valores que prevalecem em seu ambiente. estimular a autonomia de cada aluno. mas também momentos nos quais ocorra o exercício dos processos de aquisição que favoreçam esta autonomia. 77 . reflitam e expliquem a seguinte afirmação: “Escolher um conteúdo não se reduz ao planejamento do início do ano. como selecioná-los e organizá-los.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Outro exemplo é o intercâmbio entre os alunos para debater as opiniões e idéias sobre tudo o que os afeta em seu trabalho na aula e na escola – compromissos derivados dos valores e das atitudes aceitas livremente.. entendendo o que são os conteúdos. Todavia. Agora. A partir disso. favorecer modelos das atitudes que se queiram desenvolver.” Redijam em uma folha tópicos com as principais considerações de seu grupo. as crenças e os sentimentos de forma adaptada ao nível de desenvolvimento dos alunos. expandindo os conteúdos de dentro para fora da sala de aula. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. não apenas por parte dos professores. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Com base no conhecimento adquirido na Mobilização do Conhecimento. uma série de medidas deve ser levada em consideração: adaptar o caráter dos conteúdos atitudinais às necessidades e situações reais dos alunos: traços socioculturais.. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe. o que significa dizer que os professores devem estabelecer não somente espaços para colocá-la em prática. esperamos que você tenha alcançado os objetivos desta unidade. Dessa forma. mas é uma reflexão contínua durante todo o ano letivo. reunidos em uma grande roda. apresentem suas argumentações trocando idéias com os demais grupos. introduzir processos que remetam à reflexão crítica das normas de convívio social. conduzir o trabalho desses conteúdos partindo da realidade e aproveitando os conflitos que nela se apresentam. seus alunos aprenderão de forma significava.

Reflita como era o ensino de história e confronte-o com a idéia equivocada que todo conteúdo é atitudinal. realize as devidas anotações em seu caderno. Pense em suas vivências escolares no ensino fundamental.DIDÁTICA.. Para tanto.. o (a) tutor (a) intermediará um debate para que sejam levantadas algumas considerações sobre esta atividade. Nesta unidade estudamos o que são os conteúdos e como selecioná-los para serem trabalhados no processo de ensino-aprendizagem. vimos que é fundamental a atuação consciente e política do professor. em função das necessidades de aprendizagem de seus alunos [BRASIL. como professor. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. ao escolher um conteúdo escolar. 1997. resultando em ampliações ou reduções de certos aspectos. conceituais. 54]. a definição de conteúdos nos Parâmetros Curriculares Nacionais é uma referência suficientemente aberta para técnicos e professores analisarem. a realidade da escola e dos alunos com os quais trabalha.. Redija um texto e troque-o com outros colegas e veja os pontos em comum e os pontos divergentes.. tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais. Assim. procedimentais e atitudinais dentro da disciplina de história. Ao final. de maneira reflexiva e crítica. refletirem e tomarem decisões. p. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I VIDEOAULA ______________________ Assistam agora à videoaula Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares. explique como deve ser o seu trabalho na sala de aula. elencando possíveis atividades que poderiam ser trabalhadas. 78 . Com base no trecho anterior e no conteúdo abordado nesta unidade. redija em seu caderno um pequeno texto sobre a necessidade de trabalhar os conteúdos factuais. 2. Atente-se às questões principais e. se considerar necessário. Agora. Considere o seguinte trecho extraído dos PCN‟s: [.] A definição dos conteúdos a serem tratados deve considerar o desenvolvimento de capacidades adequadas às características sociais. evidenciando cada tipo de conteúdo que será desenvolvido. REFLEXÃO ______________________ 1. culturais e econômicas particulares de cada localidade.

PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. O capítulo 2 desse livro pode ampliar ainda mais seu conhecimento sobre os conteúdos escolares tratados nesta unidade. Avalie os conhecimentos que você construiu nesta unidade. releia a Mobilização do Conhecimento: Como podem ser usados os Parâmetros Curriculares Nacionais na seleção dos conteúdos? Ao selecionar um conteúdo para ser trabalhado.. ZABALA. fazendo com que seu estudo se torne mais claro. uma vez que ela permitirá um maior aprofundamento sobre o tema. de saber converter o conhecimento científico em curricular. futuro professor.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático A tipologia apresentada assim como a contribuição dos autores citados podem contribuir no processo de re-construção da sua prática pedagógica ao identificar o processo de seleção e organização de conteúdos.. A prática educativa: como ensinar. exigindo de você. 1998. considerando os contextos socioculturais e as capacidades cognitivas. 27-32. O trabalho de organização e seleção de conteúdos estará presente durante todo o exercício docente. Olhando para fora. físicas e afetivas dos alunos.. Porto Alegre: ArtMed. É fundamental a consulta da referência a seguir. p. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. 79 . Utilize as seguintes questões norteadoras para realizar esta auto-avalição e. A. é necessário que o educador questione se os saberes selecionados ocultam os conflitos ou os problemas socioculturais? Os conteúdos fazem circular na escola as necessidades e o discurso sobre a diversidade dos alunos? Anexe as suas considerações em seu portfólio. política e pedagógica para fazer com que todos os seus alunos aprendam.. uma atitude crítica.. se precisar. uma vez que apresenta detalhadamente os conteúdos escolares e sua tipologia.

pdf>. 1998. C. valores.DIDÁTICA. 80 . Disponível em: <http://portal. ZABALA. LIBÂNEO. Didática. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Tipologia Procedimentos Conteúdos Fatos Factuais Conceituais Atitudinais Seleção e organização de conteúdos Alunos / Contextos Compreensão Repetição Fases Normas. 1997. Porto Alegre: ArtMed.br/seb/arquivos/pdf/livro01. A.gov. 1992. Acesso em: 15 out. São Paulo: Cortez. Secretária da Educação Fundamental. 2008. J.mec. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEB. atitudes REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. A prática educativa: como ensinar.

692/71. 5. A partir desse momento. colaborando. Nesta unidade estudaremos o que é interdisciplinaridade e como trabalhar na escola e na sala de aula através de uma perspectiva interdisciplinar. tem estado presente no cenário educacional brasileiro e. que exige uma atitude diferente da fragmentação frente ao problema do conhecimento. A interdisciplinaridade passou a ser objeto de atenção no Brasil no final da década de 1960. na nova LDB n.. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. 9. Interdisciplinaridade significa uma relação de reciprocidade. a interdisciplinaridade surge na França em meados da década de 1960 como resposta à reivindicação de um ensino mais preocupado com as grandes questões de ordem social. é a substituição 81 . já que estas não poderiam ser resolvidas por uma única disciplina ou área do saber. de cooperação. Analise e compreenda a interdisciplinaridade na sala de aula.Interdisciplinaridade EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Identifique e defina o conceito de interdisciplinaridade. tanto no discurso quanto na prática dos professores.. Devido à sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. Veremos também o trabalho com projetos nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Compreenda a importância e contribuição da visão interdisciplinar no planejamento pedagógico. mais recentemente. Em outras palavras. a interdisciplinaridade vem se fortalecendo nas escolas. Compreenda o que é o trabalho com projetos. de imediato. política e econômica da época. influenciando-a de maneira marcante. Como e quando aparece este termo tão usado nos meios escolares? Por que trabalhar nas escolas interdisciplinarmente? Segundo Fazenda [1995]. para a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases n.394/96 e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN‟s).

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

dessa concepção fragmentária, na qual não existe integração entre as disciplinas e áreas do conhecimento, para uma percepção unitária de compreender o ser humano. Esse termo supera a racionalidade científica positivista1, propondo uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento no campo da pesquisa e organizar os novos paradigmas curriculares. Além disso, reflete também a comunicação do processo de entender as diferentes disciplinas, nas determinações do domínio das investigações, na constituição das linguagens compartilhadas, nos diversos saberes, nas possibilidades de intercâmbio de experiências e nos modos de realização da parceria entre os membros e participantes da produção do conhecimento escolar. Essa perspectiva de realização cooperativa-integrativa-interativa permite visualizar um conjunto de ações interligadas de forma global e isenta de qualquer óptica fragmentada, superando, assim, as atuais fronteiras disciplinares e conceituais, tão comuns no âmbito da educação. Frente a essas idéias, é necessário questionar e repensar o processo de geração e de sistematização do conhecimento fora das posturas científicas permeadas por dogmas, na perspectiva de inseri-las dentro de um contexto de totalidade. Assim, a complexidade do mundo em que vivemos passa a ser sentida e vivenciada de forma globalizada, inter-relacionada e interdependente, recuperando o sentido da unidade, a qual tem sido abafada pelos valores constantes da especificidade. Dessa forma, trabalhar interdisciplinarmente implica: uma atitude de abertura, sem preconceitos, a partir da qual todo conhecimento é igualmente importante, assim, o conhecimento individual torna-se nulo quando confrontado com o saber universal; uma atitude coerente, em que a opinião crítica do outro tem como fundamento a opinião particular, fato esse que supõe uma postura global e engajada à realidade educacional e pedagógica. Ao trabalhar com interdisciplinaridade na escola é necessário desenvolver a criação, a imaginação e a sensibilidade, para entender e esperar. Neste processo, a importância metodológica é fundamental para chegar ao trabalho integral, que requer um caminho diferente ao que se trabalha nas escolas. É preciso ficar claro que ela exige uma nova forma de trabalho pedagógico já que, segundo Fazenda [1995, p. 109], “a interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende: vive-se, exerce-se”. É uma forma de entender, ver, analisar e trabalhar o conhecimento, e a relação com ele é uma maneira de entender como se compreende e apreende o mundo. Veja a seguir algumas definições teóricas que mostram as possíveis relações entre as disciplinas: Disciplina – é a forma como se dividem as matérias escolares e refere-se ao conjunto específico de conhecimentos com características próprias em relação à formação de mecanismos, métodos e matérias. Multidisciplinaridade – justaposição de diferentes conteúdos de disciplinas distintas, sem relação aparente entre elas, todas estão no mesmo nível, sem a prática de um trabalho integrado ou de cooperação. Cada disciplina tem seus próprios objetivos.
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Racionalidade científica positivista: entendida como forma de estudar a ciência compartilhada em áreas do saber.

1

Unidade 6: Interdisciplinaridade

Matemática

Português

HistóriaGeografia

Ciências

Figura 1 Multidisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 141.

Pluridisciplinaridade – a posição de disciplinas mais ou menos próximas nos diversos domínios do conhecimento. É um nível maior de relação entre as disciplinas, pois existe uma pequena cooperação entre a organização destas (Ex.: domínio científico: Matemática + Física). Trabalha-se com um mesmo tema nas diferentes disciplinas, mas sem integração, já que não existe coordenação de trabalhos do tema abordado. O conhecimento não é integrado. As disciplinas estão no mesmo nível, com pequenas e raras contribuições, não existindo uma coordenação para trabalhar um tema a partir de um problema e conseguir uma resposta para o estudado.

Matemática

Ciências

Não existe uma coordenação que integre o trabalho

Português

História Geografia

Figura 2 Pluridisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 142.

83

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Interdisciplinaridade – é a relação mútua entre duas ou mais disciplinas. A interação pode ser desde a comunicação de idéias até a integração mútua entre os conceitos mais importantes da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos modos de fazer, dos dados, assim como da organização, da pesquisa e da forma como se trabalha o ensino. Um grupo interdisciplinar é formado de pessoas que possuem diferentes formações em domínios diversos do conhecimento (disciplinas), com seus métodos, conceitos, dados e termos próprios, reunindo, assim, estudos complementares de vários especialistas em um campo de estudo de âmbito coletivo. Esta forma de trabalho implica o compromisso de trabalhar um contexto mais amplo, no qual cada uma das disciplinas trabalhadas são modificadas e estabelecem uma relação de dependência uma das outras.

Ciências

Matemática

Coordenação

Português

História Geografia

Figura 3 Interdisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 145.

Transdisciplinaridade – não existem fronteiras entre as disciplinas, existe uma integração total entre elas. É o resultado de uma premissa comum a um conjunto de disciplinas. Dessa forma, supera-se o conceito de disciplina e desaparecem os limites entre elas. A finalidade a ser alcançada é comum a todas as disciplinas e interdisciplinas (Ex.: Antropologia, compreendida como a ciência que estuda o homem e suas obras). Vemos que no entorno interdisciplinar existem diferentes termos que se baseiam em diferentes pressupostos; no entanto, os cinco níveis anteriormente definidos são os que freqüentemente aparecem na bibliografia especializada no assunto. Segundo Japiassú apud Nogueira [2001, p. 143], “a interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Vemos a partir desta citação outro aspecto fundamental em relação à forma de

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é uma forma de entender e pensar sobre o como se ensina e se aprende. nem se aprende. o professor precisa de: [. como forma uma rede de inter-relação entre as diferentes áreas. p. 82]. da qual é parte fundamental o diálogo. humildade e compromisso. a reciprocidade.Unidade 6: Interdisciplinaridade entender o trabalho com o conhecimento. A principal característica da atitude interdisciplinar é a busca pelo conhecimento. demonstrada através de uma postura diferente. Quando realmente se instaura a interdisciplinaridade não se ensina. Segundo Fazenda [1999. que estabelece uma inter-relação do senso comum com o saber científico. pois é através do cotidiano que damos sentido às nossas vidas. que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos. vive-se e exerce-se.. que é a necessidade de existir. estabelecer relações e interações entre as diferentes áreas do saber. Aceita o conhecimento do senso comum como válido. ele não pode ser fragmentado.. a parceria entre aluno-aluno e aluno-professor. Tenta. mediador. o diálogo com outras formas de conhecimento. mediado pela ação do professor. Essa postura e atitude interdisciplinar contribuem para a atuação do professor como um facilitador. pois. pois permite enriquecer nossa relação com o outro e com o mundo. É por meio do diálogo com o conhecimento. Ampliado através do diálogo com o conhecimento científico. a transformação da insegurança num exercício do pensar. É uma postura de como entender o processo de ensino-aprendizagem. portanto. O professor precisa ter uma vontade política. exigindo deste último atitudes de desafio. E o resultado desta mediação é a aprendizagem e a superação do aluno. desafio em redimensionar o velho – atitude de envolvimento e comprometimento com as pessoas neles 85 . atitude de espera ante os atos consumados. atitude de desafio – desafio perante o novo. Atitude Interdisciplinar Para o professor desenvolver uma atitude interdisciplinar é necessário romper modelos de trabalho já estabelecidos nas escolas e pensar que o conhecimento é algo complexo. Como diz Fazenda [1998. que o aluno aprende. com pares anônimos ou consigo mesmo – atitude de humildade diante da limitação do próprio saber. atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes. inter-relacionando-se com as diferentes áreas do saber. p. tende a uma dimensão utópica e libertadora. O que com isso queremos dizer é que o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. os conhecimentos prévios que ele traz da sua experiência e vivência com o mundo. 17]. deixando-se interpenetrar por elas. Assim. atitude de reciprocidade que impele à troca. Desse modo. deve-se considerar a vida prática do aluno. ser interdisciplinar é mais do que uma corrente ou método.] uma atitude diante das alternativas para conhecer mais e melhor. como foi dito na unidade anterior.

Entretanto. É uma tentativa de organizar informações e conhecimentos escolares a partir da visão de um tema. romper. um conjunto de perguntas inter-relacionadas. Dessa forma. com a supremacia deste saber sobre o senso comum. é uma convergência de um grupo de docentes para estabelecer um tema. deve-se ter sempre em mente que o objetivo é a integração das disciplinas e dos diferentes saberes das diversas áreas do conhecimento. mas. que as diferentes matérias não sejam trabalhadas de forma compartimentada. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I envolvidos. ao trabalhar com um projeto interdisciplinar. 1998]. o comprometimento. É necessário que a escola ou equipe docente tenha uma postura interdisciplinar para garantir a comunicação e permitir o consenso. Estes conteúdos referem-se a situações de problemas ou hipóteses que permitam aos alunos a aprendizagem e a construção do conhecimento. um problema geral ou particular. O trabalho com projetos é uma forma de articular os conhecimentos escolares e de organizar a atividade de ensino e aprendizagem. e que se deixe para o aluno realizar mentalmente sua própria 86 . de encontro. tratando superficialmente o mesmo tema. visto de diferentes ângulos e métodos. frutos de suas experiências. na qual é ele quem detém o saber e o transmite para os seus alunos. Essa atitude leva o professor a romper com a forma tradicional de trabalhar na sala de aula. a divisão de tarefas e a eqüidade nas informações. VENTURA. na relação entre os diferentes conteúdos e em problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos assim como a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares [HERNÁNDEZ. a partir da relação da informação que se dá na escola e na sala de aula. Trabalho com Projetos Trabalhar com projetos é uma forma de articular os conteúdos escolares. ou quem determina como os alunos vão se relacionar com o saber científico. O professor deve ter uma postura de flexibilidade frente à descoberta dos conhecimentos que vão conformando as respostas ou dúvidas dos alunos sobre o tema estudado. O projeto pode ser organizado seguindo um determinado eixo: a definição de um conceito. uma forma de se relacionar com a nova informação a partir da aquisição de estratégias procedimentais. que faça com que sua aprendizagem vá adquirindo um valor relacional e compreensível.DIDÁTICA. implica uma estratégia de organização desses conhecimentos com base no tratamento da informação. Dessa forma. uma atitude. Essa postura vai além das propostas individuais. sobre tudo de alegria. o aluno aprende a organizar e estruturar seu próprio conhecimento. Sua função é facilitar a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares no que diz respeito à forma como é tratada a informação e a relação entre os diferentes conteúdos escolares. Esta forma de trabalho pretende desenvolver no aluno um senso. pois. considerando os conhecimentos práticos dos alunos. atitude. tanto de ordem procedimental como de resultados. um tema. enfim de vida. enfim. atitude de responsabilidade. é fundamental que a integração se dê por parte de todos os participantes do processo de ensinoaprendizagem. superando os limites de uma matéria. de compromisso em construir sempre da melhor forma possível. de revelação.

Os objetivos: aquilo que se pretende alcançar com esta ação (conhecimentos que serão construídos. Isso faz com que todas as disciplinas contribuam de certa forma e que o aluno receba dos diferentes professores orientações e desafios para a pesquisa em relação ao tema ou problema estudado. Vemos que o trabalho com projetos interdisciplinares envolve a integração de diferentes estratégias e fatores. assim como as organizações envolvidas. o estudo da realidade numa perspectiva integral. mediado pelo professor. mudanças de atitude e/ou habilidades conquistadas). Quando o aluno percebe as relações existentes entre as diferentes disciplinas. ou seja. A colaboração da comunidade escolar e da comunidade na qual a escola está inserida. diversas fontes que permitam novos conhecimentos sobre o tema ou problema estudado. os objetivos gerais da instituição de ensino. interesse. Cabe ressaltar que esta integração é só uma complementaridade das diferentes disciplinas que mostra as possíveis inter-relações entre elas. envolve: Especificar o fio condutor: relacionar as referências curriculares.Unidade 6: Interdisciplinaridade integração. comprometimento e parceria de todos os envolvidos (professores. É fundamental que o tema seja bem delimitado e que seja relevante dentro do contexto em que se pretende trabalhar. pode buscar. o educador-investigador estabelece quais são as temáticas que representam uma problemática para aquele contexto. Através da observação pormenorizada do contexto. uma orientação. A pesquisa é outro fator fundamental. que deve sempre ser adaptada e estudada à sua realidade escolar e docente. alunos e comunidade escolar). O apontamento das atividades que são adequadas à proposta pedagógica da escola. Envolver componentes do grupo: tema e foco dos interesses dos alunos. necessidade do tema. A escolha do tema ou objetivo: relevância. 2. Este processo contempla: Escolha do tema gerador: o tema surge do contexto observado e é ele que norteia todas as ações do projeto. Estudar e preparar o tema: selecionar a informação com critério de novidades e de planejamento de problema. Serão elencados a seguir alguns passos necessários de como trabalhar com projetos interdisciplinares. Esses passos são uma guia. o que se quer aprender com o projeto interdisciplinar. Buscar materiais: especificar objetivos e conteúdos. Problematização: a problematização tem como parâmetro a observação. os especialistas da área que será trabalhada. mas lembre-se de que o trabalho interdisciplinar exige comunicação. diferentemente do que propõe o conhecimento interdisciplinar. 1. e os objetivos específicos das diferentes disciplinas. como um todo. 87 . Destacar o sentido funcional do projeto: demonstrar a atualidade do tema para o grupo. assim como a de seus participantes.

etc. Agora será apresentado o Quadro 1. revistas. É fundamental que todo o material utilizado (produzido ou reunido de outras fontes) seja anexado ao projeto para o desenvolvimento da(s) tarefa(s) (questionários. Recursos: especificar quais recursos (livros. o que se pretende com ela. Especificar quais e onde estão disponíveis. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Freqüentemente se tem um objetivo geral. além dos instrumentos usados. Metodologia: como pretende-se alcançar os objetivos e a dinâmica do projeto? É necessário descrever: Desenvolvimento das ações: passo-a-passo do trabalho e das atividades propostas. com a intenção de você perceber como o processo de ensino-aprendizagem ganha com essa forma de trabalho. as críticas.). Objetivo geral e objetivos específicos. como também que os alunos envolvidos se posicionem e relatem os pontos positivos. um paralelo entre o trabalho tradicional e o trabalho com projetos. 4. O projeto pode e deve envolver outras disciplinas (em um trabalho colaborativo com outros professores). entre outros) serão utilizados e como eles serão adquiridos (se a escola os possui ou se os integrantes do grupo vão fornecê-los. No momento de redigir o relatório desta etapa. Vimos que é uma estratégia que contribui para a aprendizagem significativa do aluno. o que foi alterado no planejamento e o progresso dos alunos. vídeos. quais as dificuldades. sendo assim. Avaliação: é necessário acrescentar no projeto a concepção de avaliação que será utilizada. cronologicamente. Sobre o trabalho pedagógico: esta avaliação é a o do grupo da atividade desenvolvida por eles e dos alunos sobre o trabalho realizado pelo grupo. artigos. Referências bibliográficas: livros.). as construções realizadas e os resultados obtidos: Processo de aprendizagem dos alunos: como será verificado o que os alunos aprenderam? Quais instrumentos de avaliação serão utilizados? Ao final é necessário apresentar a avaliação do que os alunos aprenderam. os conteúdos das outras disciplinas abordadas pela ação também devem ser elencados. é necessário esclarecer como foi ou será implantada. etc.DIDÁTICA. É necessário que cada integrante do grupo que trabalhou no projeto faça uma auto-avaliação. 88 . as falhas. computador. 3. que delimitam e esmiúçam o objetivo geral e se referem às ações. futuro professor. figuras. que pretende mostrar a você. textos. de maior amplitude. Conteúdos: os conteúdos curriculares são os mais importantes abordados no projeto e são necessários para alcançar os objetivos propostos. vídeos. e objetivos específicos. Isso. Até agora descrevemos como e por que trabalhar com projetos. sites.

Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade. O conteúdo estudado é visto dentro de um contexto que lhe dá sentido. A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos. permitindo que os alunos estabeleçam suas próprias estratégias. mas como uma forma global. Realizar trabalhos interdisciplinares exigirá de você: preparação. Conhecimento como acúmulo de fatos e informações isoladas. não só escolar. o que é necessário para entender. introduzir novas informações e dar condições para que seus alunos avancem em seus esquemas de compreensão da realidade. O conteúdo a ser estudado é visto de forma compartimentada. que deve ser colocado em prática nas escolas e na vida. Há flexibilidade no uso do tempo e do espaço escolares. 2004. Conhecimento como instrumento para a compreensão da realidade e possível intervenção nela. O trabalho com interdisciplinaridade é uma forma de entender o conhecimento. O professor intervém no processo de aprendizagem ao criar situações problematizadoras. Baseia-se fundamentalmente em problemas e atividades dos livros didáticos. Propõe atividades abertas. atitude. Fonte: Adaptado de VALENTE. O aluno é visto como sujeito ativo. compreender e conhecer o mundo em que vivemos. Para isso é fundamental que continue estudando sobre este assunto apaixonante. 89 . centrado na resolução de problemas significativos. centrado na transmissão de conteúdos prontos. reforçando a repetição e o treino. que entende o todo e as relações e inter-relações ente as partes. O tempo e o espaço escolares são organizados de forma rígida e estática. não em parcelas. com pouca flexibilidade. permite aos alunos e aos professores serem parceiros na construção do saber. que recebe passivamente o conteúdo transmitido pelo professor. Há uma seqüência rígida dos conteúdos das disciplinas. Trabalho Tradicional Trabalho com Projetos Enfoque fragmentado. O aluno é visto como sujeito dependente. Levando isto para a esfera escolar. que usa sua experiência e seu conhecimento para resolver problemas. com o papel de dar as respostas certas e cobrar sua memorização. Propõe receitas e modelos prontos.Unidade 6: Interdisciplinaridade Quadro 1 Comparação entre o trabalho tradicional e o trabalho com o uso de projeto. permitindo entender o conhecimento e como este se apresenta nas nossas vidas e relações que se estabelecem por meio do conhecimento. O professor é o único informante. mas de forma integrada. Enfoque globalizador. conhecimento e respeito pelo outro.

” “Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade”. organizem-se e marquem uma visita em uma escola. 90 . questionando-os se trabalham com interdisciplinaridade na sala de aula.DIDÁTICA.. explicar e discutir redigindo no caderno considerações sobre as seguintes afirmações: “A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos. Depois da discussão em grupos. o (a) tutor (a) deverá mediar uma plenária na sala para que sejam apresentadas as considerações de cada grupo para o restante da sala. Escrevam suas análises e entregue-as ao (à) tutor (a). reunidos em grupos de quatro alunos. Cada grupo deve refletir.. VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Interdisciplinaridade. Analisem as respostas em função dos conhecimentos adquiridos nesta unidade e verifiquem as semelhanças ou divergências que podem ocorrer quando uma teoria é utilizada ou não na prática. ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Agora. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. Lá vocês deverão consultar alguns professores. anotando-os em seu caderno para posteriores estudos. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ A partir do Quadro 1 apresentado na Mobilização do Conhecimento. reúnam-se em quatro grupos. Atente-se aos aspectos que considerar relevantes.

]” [BRASIL. sabendo que ela é mais do que uma modalidade de trabalho. Redija as suas considerações em um pequeno texto reflexivo. No decorrer desta Unidade aprendemos sobre o conceito de interdisciplinaridade. perceber. uma atitude sobre a forma de ver. é necessário que o corpo docente acredite e viva a perspectiva interdisciplinar como uma forma de trabalho em cooperação de respeito e ajuda mútua entre parceiros que conhecem re-constroem o saber e o mundo.. 91 . Isto é que faz com que alunos e professores comprometam-se com a formação de todos e de cada um. é um tema complexo que implica uma postura. 75]. ao mesmo tempo. de parceria entre todos os que nela participam. um aspecto da natureza.Unidade 6: Interdisciplinaridade REFLEXÃO ______________________ Leia a seguinte citação extraída dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM): “[. O (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para realizar a leitura dos textos para a sala. É também necessária a articulação do currículo que permita o trabalho didático da compreensão da realidade sob a ótica da complexidade do conhecimento. De fato. p. sentir e estar no mundo.. O trabalho com projeto é uma forma de trabalho interdisciplinar que tem se apresentado como uma alternativa efetiva e interessante dentro das práticas escolares.. pesquisa e ação que a interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica e didática adequada [. Assim. um fenômeno social ou cultural.. O trabalho com a interdisciplinaridade na escola requer que a instituição faça um trabalho coletivo. 2000. será principalmente na possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo. a partir do qual todos os envolvidos participam e apreendem numa relação de interatividade e ajuda. evitar a diluição delas em generalidades. Mediante a afirmação anterior. reflita considerando os pressupostos necessários para que a interdisciplinaridade realmente seja inserida no cotidiano escolar. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. deve-se perceber e entender as múltiplas implicações e relações que se estabelecem ao analisar um acontecimento.. Ao se tratar do conhecimento..] a interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas e.

acesse o site a seguir.. Os artigos em questão procuram trazer à tona discussões sobre aspectos referentes a diferentes assuntos que fazem parte da vida do educador: ambiente de aprendizagem. Registre sua auto-avaliação em seu portfólio. Desejando ampliar seus conhecimentos.crmariocovas. Olhando para fora. planejamento e proposta pedagógica. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. Será uma ótima e enriquecedora pesquisa! 92 .DIDÁTICA. Considerando os conhecimentos que você possuía antes de estudar esta unidade... CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS... relação entre escola e comunidade. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando..sp. Pense também sobre os aspectos em que precisará se aprofundar nos estudos para uma melhor compreensão. Disponível em: <http://www.gov. dentre outros. reflita em que medida esta contribuiu para enriquecer e auxiliar sua futura prática profissional. Procure na seção temas pedagógicos e gestão pedagógica artigos sobre interdisciplinaridade ou trabalhos com projetos.br/>.

Brasília: MEC/SEB.pdf>. M.sp. 1997. FAZENDA.. 2004. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das inteligências múltiplas.br/>. Disponível em: <http://portal. A organização do currículo por projetos de trabalho. São Paulo: Érica. 2009. C.www. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. 1998. I. Parâmetros Curriculares Nacionais. Conteúdoescola. 1998. VENTURA. 93 . 2009. Disponível em: <http://www. 1998. _______. 1995.).conteudoescola. _______.com. Didática e Interdisciplinaridade. Ensino com Projetos – Introdução. HERNÁNDEZ. Porto Alegre: Artes Médicas.br/site/content/view/69/48/>. 2000.br/seb/arquivos/pdf/blegais. ZABALA. Secretaria da Educação Básica. N.mec. Secretaria da Educação Fundamental. Acesso em: 16 jan.gov. Acesso em: 19 jan. São Paulo: Loyola. Brasília: MEC/SEF. São Paulo: Papirus.Unidade 6: Interdisciplinaridade MAPEAMENTO DA UNIDADE Articulação do trabalho docente Multidisciplinaridade Projetos Trabalho em equipe Aprendizagem significativa Pluridisciplinaridade Visão global Transdisciplinaridade Projetos de intervenção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL.gov. Disponível em:<http. Porto Alegre: ArtMed. (Org. Introdução. 2001. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS. A prática educativa: como ensinar. A. F. F. VALENTE. 22 jul.mariocovas. NOGUEIRA.

Entretanto. passos.Procedimentos Metodológicos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique diversos métodos de ensino. É necessário lembrar que. mas. 1992]. realiza um conjunto de ações. procedimentos e condições externas. sobre as relações de estudo entre objetos e fatos e sobre as relações dos conteúdos de ensino. métodos e formas de organização do ensino. Quando o professor dirige o processo de ensino para a aprendizagem dos alunos. Compreenda a aplicação de diferentes métodos de ensino. conteúdos. podemos dizer que os métodos fundamentam-se na reflexão e ação que se vivencia ou se percebe sobre a realidade educacional. E é sobre esta realidade que trataremos nesta unidade. Analise estratégias de ensino.. vinculando sempre o processo de conhecimento à conduta e à vivência do aluno em sua realidade social. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. é necessário realizar esse caminho e organizar uma seqüência de ações. envolve diferentes momentos: a escolha e seleção dos objetivos. estratégias adequadas aos alunos. O trabalho do professor. para alcançá-lo. os métodos e estratégias de ensino não podem ser analisados ou estudados como meras técnicas ou procedimentos. aluno e principalmente a uma compreensão da prática educativa de uma determinada sociedade. bem como a realidade na qual trabalha. assim como os conteúdos e objetivos. o método é o caminho para alcançar um objetivo. Nesse sentido. Em outras palavras. como temos estudado durante as unidades. De forma ampla.. os métodos são meios adequados para realizar objetivos [LIBÂNEO. chamado métodos de ensino. sociedade. esses também obedecem a uma determinada concepção de educação. 94 .

Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O método de ensino permite estudar as relações internas de um objeto. Assim. As situações didáticas devem propiciar a ligação entre os objetivos e conteúdos propostos pelo professor e as condições de aprendizagem dos alunos. assim como as condições concretas das situações didáticas. “o docente deve propor ações que desafiem e possibilitem o desenvolvimento das operações mentais”. procedimental e atitudinal.[LIBÂNEO. factual. exercitadas e reconstruídas por meio da mobilização. organizar os processos de apreensão de modo que as operações mentais sejam despertadas. p. explicação de conceitos. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem. exigem unidade entre objetivosconteúdos-métodos e as formas de organização do ensino. é necessário saber onde se deseja chegar e ter clareza para conduzir o processo de ensino-aprendizagem. Conhecer o aluno é fundamental na escolha do método. sem se Aqui deve ser lembrado o tipo de conteúdo a ser trabalhado: conceitual. a fim de que o aluno aprenda de forma ativa e significante. portanto. fenômeno ou problema sob diferentes ângulos. 69]. os métodos de ensino dependem: dos objetivos imediatos da aula: introdução à matéria (disciplina) que se estudará. isto é. cada tipo de conteúdo exigirá um determinado procedimento. desenvolvimento das capacidades. permitindo ao aluno sensações de vivência pessoal e de renovação. cujo resultado é a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. do conhecimento das características próprias dos alunos. Para isso. consolidação do conhecimento. como capacidade de assimilação segundo o seu nível de desenvolvimento e características sócio-culturais e individuais. 152]. 1 esquecer dos objetivos gerais da educação previstos no plano de ensino da escola. Uma vez que por meio dos métodos pretende-se a realização dos objetivos. por sua vez. é bilateral já que as atividades de direção do professor e de aprendizagem dos alunos devem atuar reciprocamente: o professor estimulando e dirigindo o processo em função da aprendizagem dos alunos. 95 . p. da construção e das sínteses. entre outros. podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. isto é. O processo de ensino. De acordo com Anastasiou e Alves [2004. e o uso adequado desse método pretende realizar a aprendizagem significativa dos alunos. entre o professor e os alunos. 1992. Esses critérios devem ser utilizados ao escolher e selecionar os métodos para as diferentes instâncias didáticas. os objetivos devem estar claros para todos os sujeitos envolvidos e registrados no plano de ensino ou de aula. para estabelecer o como ensinar e as formas de intervenção na sala de aula. dos conteúdos específicos e dos métodos de assimilação e aprendizagem de cada disciplina 1. Em resumo. A escolha e a organização dos métodos de ensino.

ao mesmo tempo. passos. O conteúdo determina o método. Objetivo-Conteúdo-Método Temos que destacar que os métodos só servem em função dos objetivos e conteúdos. Cabe alertar que. Nessa assimilação são usados os processos mentais ou as operações de pensamento2. requisito para aprender determinados conteúdos. no qual são abordados: a função da escola. através da combinação dessa ação conjunta. ainda que seja num nível de ação individual. existe a autonomia docente. Segundo Libâneo [1992. o método também é objeto de aprendizagem. assim. é muito comum o uso da memorização. os quais orientam a ação do professor para promover a aprendizagem dos alunos. p. a assimilação dos conteúdos depende tanto dos métodos de ensino como dos métodos de aprendizagem. às vezes. Os métodos. . No entanto.DIDÁTICA. “a relação objetivo-conteúdo-método tem como característica a mútua interdependência. ações e meios de organizar o ensino para propiciar a assimilação dos conteúdos e o alcance dos objetivos. A matéria de ensino é a referência para a elaboração dos objetivos específicos. a relação objetivo-conteúdo-método. O método de ensino é determinado pela relação objetivo-conteúdo. O Projeto Político Pedagógico define as normas e conceitos para o funcionamento de um estabelecimento educacional de forma coletiva. Assim. se a instituição escolar não trabalha coletivamente e de forma participativa. 96 3 Métodos e Procedimentos de Ensino Quando se trabalha numa escola em que existe participação coletiva e ativa de um colegiado. a visão de homem. Da mesma forma. os conteúdos constituem a base informativa concreta para alcançar os objetivos e determinar os métodos. estão presentes nas formas em que o professor apresenta e trabalha determinadas matérias. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Os métodos que mobilizam esse processo correspondem à seqüência de atividades do professor e dos alunos. do conhecimento e saber escolar e dos objetivos gerais e específicos. já que é a base pela qual se conseguem ou alcançam os objetivos específicos. a discussão dos métodos é tratada na elaboração do Projeto Político Pedagógico 3 a partir de objetivos gerais e conteúdos educacionais que norteiam as escolhas de sala de aula. os objetivos dos alunos e a ativação das suas habilidades mentais. Supõem os objetivos do professor. realiza-se o processo de aprendizagem. A unidade objetivo-conteúdo-método é fundamental na compreensão do processo didático: os objetivos definem os propósitos pedagógicos intencionados e planejados de instrução e educação dos alunos para a formação e participação na sociedade. que dá a possibilidade de implantar métodos e meios de trabalho diferenciados. os meios e as formas de organização do ensino que usa e. por exemplo. mas pode também influir na determinação de objetivos e conteúdos”. O conteúdo possui uma lógica interna que lhe é própria e que precisa ser captada e adequada para sua compreensão. 154]. observando-se. e estes formam o conjunto das formas didáticas. por sua vez. uma aula com leituras que permita ao aluno aprender determinado conteúdo por meio das leituras. 2 Na metodologia convencional.

conforme o critério de cada autor. Esse é um meio auxiliar importante da exposição verbal. agora. Método de aula expositiva dialogada Nesse método. empresas. 97 . o professor explica o assunto de modo sistematizado. Vejamos. observar um fato a partir de um roteiro e tirar conclusões ou estabelecer relações entre fatos e acontecimentos. os métodos e procedimentos de ensino em detalhes. No que diz respeito ao professor. Exemplificação: o professor realiza uma leitura em voz alta. É importante lembrar. Entretanto. da maneira como foi descrita. redige ou fala uma palavra e o aluno observa e repete. concretizada pelas atividades do professor e alunos no processo de ensino. mas agrupações diferentes dos diversos métodos existentes. é um procedimento didático que contribui para a assimilação dos conhecimentos. seqüências históricas. principalmente para as séries iniciais do ensino fundamental. os alunos assumem uma postura de receptividade sem. Ilustração: é uma forma de apresentação gráfica da realidade e fatos. adotar atitudes passivas. mapas. Desse modo. Cabe destacar que nas estratégias grupais é fundamental a preparação e organização cuidadosa junto com o aluno. ele é responsável por apresentar os conhecimentos e habilidades por meio da: Exposição verbal: como não há uma relação direta entre o aluno e o material de estudo. que é sujeito do seu processo de aprendizagem. que o conteúdo da aula deve ser significativo e estar vinculado aos interesses e conhecimentos que os alunos possuem. gravuras. então. como na demonstração. Cabe ao professor. necessariamente. gráficos. Além disso. etc. podem ser apresentados. o professor deve ter o cuidado de propiciar conhecimentos e habilidades que facilitem a assimilação ativa e o desenvolvimento de capacidades para que o educando aproveite a exposição de modo ativo-receptivo. museus. incitando nos educandos a motivação para aprender o assunto em questão. estudaremos os métodos a partir do critério que resulta da relação existente entre ensino e aprendizagem. estimular a curiosidade dos alunos e seu interesse pelo aprendizado narrando fatos e acontecimentos e fazendo a leitura de textos de maneira marcante e eloqüente. no entanto. organizar cadernos. essa classificação não apresenta novas formas de trabalho. a fim de que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação. A aula expositiva como forma de trabalho. portanto a estratégia escolhida e a ação que o grupo objetiva devem ser explícitas e compactuadas. visitas a laboratórios.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem diversas formas de classificação e estudo dos métodos de ensino. tais como imagens em slides. por exemplo: como usar o dicionário. Demonstração: o professor apresenta ferramentas e eventos que ilustram fenômenos e processos. Vale dizer que a exposição ou o relato de conhecimentos adquiridos ou de experiências vividas ajuda a desenvolver a relação entre pensamento e linguagem. O objetivo é ensinar ao educando o modo como se deve realizar uma determinada tarefa. como a coordenação de idéias e sistematização dos conhecimentos.

leitura de textos do livro didático. interesse ou envolvimento. Método de trabalho independente São aplicadas tarefas e atividades para serem solucionadas de forma independente pelos alunos. por fim. além de acompanhar de perto a sua realização. pesquisa. Nesse momento podem ser feitas perguntas que levem o aluno a pensar e a relatar suas observações ou o que aprendeu. deixa-se a reprodução. memorização ou mero decorar de fatos e regras sem que haja a compreensão do assunto estudado. acompanhamento de perto do trabalho dos alunos. desenho de um mapa depois de uma aula de geografia. compreensíveis e adequadas aos conhecimentos e às capacidades de pensamento dos alunos. rompe-se com a aula tradicional e mecânica. respondendo algumas perguntas ou fazendo uma redação sobre o tema. e. dar e solicitar ajuda dos colegas. por exemplo. em que o professor as realiza como trabalho individual ou em grupos. Dos alunos: saber o que fazer e como trabalhar. Na parte preparatória os alunos escrevem o que pensam sobre o tema que será estudado. Os resultados dessas atividades devem ser corrigidos. para que esta ocorra. Nesse sentido. compreensíveis e estejam à altura dos conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos educandos. porém. Estas atividades podem ser intercaladas durante a aula expositiva. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I para que ela deixe de ser um repasse de informações e passa a ser um modo receptivo-ativo de se trabalhar. Isso permite ao professor saber os conhecimentos prévios dos alunos ou despertar os interesses destes. Nas tarefas de assimilação do conteúdo são realizados exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas estudados. Esse método pode ser usado na parte preparatória da aula. ser capaz de trabalhar em grupo. estudo dirigido. sob a direção e orientação do professor. na qual o professor fala e o aluno repete sem contextualização. é necessário que as tarefas sejam claras. 98 . procurar no dicionário. entre outros. para que o trabalho independente seja realizado. entre outros). As tarefas de assimilação pessoal correspondem aos exercícios que os alunos realizam dando respostas a partir do seu próprio pensamento. na tarefa de assimilação do conteúdo e no processo de elaboração pessoal. dominar as técnicas que a atividade exige (fazer uma leitura. o professor deve permitir ou promover condições para que o trabalho seja realizado. socialização do resultado das tarefas para toda a classe. Contudo. solução de problemas.DIDÁTICA. Desse modo. são necessárias as seguintes condições: Do professor: tarefas claras. evitam-se nas avaliações propostas pelo professor ou pelo livro didático respostas que são cópias do assunto tratado durante as aulas. A principal característica do trabalho independente é a atividade mental dos alunos e.

além de analisar também a eficácia do seu trabalho pedagógico. duvidar. leva os alunos a se aproximar gradativamente da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaborar as suas idéias de forma independente. Por meio do estudo dirigido pode-se: Criar habilidades e hábitos para um trabalho independente e criativo. obter pistas de como eles estão entendendo a matéria por meio de respostas elaboradas e articuladas corretamente. Permitir que o professor observe os alunos especificamente. Esse método é visto como um excelente meio para promover a assimilação ativa dos conteúdos e instigar a atividade mental. Sistematizar e consolidar as diferentes capacidades do aluno. dessa forma. podemos. fazendo que cada aluno. a partir dos conhecimentos que possui. Para que o método seja útil. partindo do material estudado. na fase de organização e sistematização ou ainda na fase de fixação. debates sobre o tema estudado. bem como aos avanços de cada um. na qual o professor. 99 . discussão de soluções.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O estudo dirigido é uma das formas de trabalho independente e pode ser realizado para a elaboração pessoal de novos conhecimentos a partir de questões sobre problemas diferentes dos resolvidos na sala de aula. superar dificuldades e produzir seus próprios caminhos de aprendizagem. que incite os alunos a observar. consolidação e aplicação. resolução de questões e situações-problema. Método de elaboração conjunta É uma forma de interação ativa entre professor e alunos e pode ser aplicada em diferentes momentos do desenvolvimento da unidade didática: na fase inicial e preparatória para o estudo do conteúdo. seja capaz de solucionar problemas. A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta. A forma mais comum desse método é a conversação didática. Os passos ou a dinâmica do estudo dirigido podem ser evidenciados por atividades individualizadas ou grupais e podem ser socializadas através de: leitura individual segundo um roteiro elaborado pelo professor. aplicando-os a situações novas e a problemas do seu dia a dia e de sua vida social. pensar. tanto do professor quanto dos alunos. avaliações críticas de uma situação ou para incitar a busca de novos caminhos para a resolução de problemas. atentando-se às formas de trabalhar as dificuldades. Ele também pode ser utilizado para obter respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos. reflexão e posicionamento crítico dos estudantes frente à realidade vivida. ao mesmo tempo. é necessário que a pergunta seja um estímulo para o raciocínio. individualmente. Possibilitar que o aluno desenvolva a capacidade de trabalhar de forma livre. posicionar-se. através dos conhecimentos e experiências que possui.

Os grupos devem ter um coordenador. 2006. basicamente. Debate Consiste em promover a discussão entre alguns alunos sobre um tema polêmico perante a turma. Grupo de Verbalização e Grupo de Observação (GV– GO) Uma parte da classe forma um círculo no centro da sala (GV) para analisar um tema. compostos de três a cinco alunos escolhidos pelo professor e reunidos em diferentes níveis de compreensão. etc. Fonte: Adaptado de SILVA. o encontro direto entre o aluno e o que se estuda e a relação de ajuda recíproca entre os membros dos diferentes grupos. se o conteúdo discutido é relevante. os demais formam um círculo em volta para observar (GO) o primeiro grupo. mas com a garantia de que todos os integrantes tenham oportunidade de se expressar. As idéias são anotadas na lousa e é selecionado aquilo que é mais relevante para o andamento da aula. Os grupos devem ser trocados na mesma ou em outra aula. Estes grupos discutirão em poucos minutos (seis minutos) o tema. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve ter sempre uma atitude positiva frente às respostas dos alunos. Tempestade Mental A partir de um tema qualquer. 100 . para. descritas no quadro a seguir: Quadro 1 Formas de organização de grupos para trabalho em sala de aula. a observação do seu desempenho. preferencialmente indicado pelo professor. Método de trabalho em grupo O método de trabalho em grupo consiste. de forma que todos os alunos aprendam a se expressar e a defender seus pontos de vista. deve-se ter presente o desenvolvimento das habilidades de trabalho coletivo responsável e a capacidade de verbalização. Em todo trabalho em grupo. apresentarem as conclusões a que chegaram.). Essa forma de trabalho deve possibilitar expressões individuais dos alunos. O GO deve prestar atenção se os conceitos utilizados na discussão entre os integrantes do GV são adequados. em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis. Seminário Um aluno ou um grupo prepara um tema e apresenta este tema à classe. então. destacam-se as seguintes. etc. organização dos conteúdos e comunicação dos seus resultados para a classe. os alunos expõem as idéias que vão surgindo. Entre as diversas formas de sistematização de grupos. ou em duplas. Para se saber de forma rápida o quanto uma turma conhece sobre determinado assunto. o Philips 66 professor divide a turma em seis grupos de seis alunos (ou cinco grupos de cinco. mesmos as incorretas devem ser utilizadas como ponto de partida para revisões ou novas explicações. Para ser bem sucedido é fundamental que exista uma ligação coordenada entre as fases de preparação. Além disso. a sala de aula deve ser arranjada para trabalhar em grupo antes do início da aula. se todos participam. se eles trabalham adequadamente. sem influência de terceiros nem preocupação de censura.DIDÁTICA.

. Exploração dos resultados e avaliação: por meio de um relatório sobre a visita. Procedimento para trabalhar o estudo de caso: Oralmente ou através da apresentação de material impresso ou audiovisual. mas. Diante disso. descritas a seguir: Planejamento: o local escolhido deve ser visitado com antecedência pelo professor e as informações mais importantes devem ser levantadas. por exemplo: o estudo do meio. quanto mais desafiador o tema. ou seja. uma vez que os estudantes se envolvem no estudo. ao mesmo tempo. a assembléia de alunos. desafiadora para os alunos. o importante é que os resultados da visita devem ser discutidos com a classe. exploração de resultados e avaliação. seu trabalho. etc. museus. pois esses resultados fornecerão os subsídios para avaliar os objetivos. pode ser proposta também uma redação ou a discussão dos problemas encontrados. apresentações. são necessárias as fases de planejamento. etc. 101 . etc. Mais tarde. fazendas. sua cidade. com os alunos já na sala de aula. mais envolvidos estarão os alunos. que consiste em refletir sobre os aspectos mais importantes a serem observados e as questões a serem feitas ao pessoal do local que vai ser visitado. Em vez do relatório. O estudo de caso é uma análise minuciosa e objetiva de uma situação real que necessita ser investigada e. Para tanto. o professor não deve comparar as soluções dadas pelos diferentes grupos. O estudo do meio é a interação do aluno em diferentes níveis. Desse modo. ocorre um segundo momento do planejamento. ele deve fazer parte da vida do aluno ou de um tema de estudo. o professor explica o caso que será analisado. bem como a sistematização dos conteúdos e a elaboração de conclusões. entre outros.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem atividades complementares aos métodos de ensino. sempre sob a orientação do professor e tendo como base os objetivos de estudo e o planejamento anterior. fábricas. execução. Execução: nessa etapa os alunos fazem as anotações que consideram importantes. baseando-se em perguntas. com os agentes e o ambiente que o cercam: sua família. É necessário que o professor defina o objetivo a ser alcançado e estabeleça as habilidades cognoscentes e os conhecimentos que serão aplicados. mas ver o esforço e o trabalho de cada um. Isso se dá por meio de visitas a locais determinados (seções públicas. se eles foram alcançados. o aluno retorne à escola modificado e enriquecido pelas novas experiências e conhecimentos. os alunos registrarão os fatos mais importantes. para que. o teatro. destacando o conhecimento adquirido e as conclusões sobre o fato. à compreensão da realidade e dos problemas presentes na vida cotidiana. O estudo de caso permite a elaboração de um forte potencial de argumentação com os alunos na elaboração e consolidação dos conhecimentos. Pode ser um caso para cada grupo ou um mesmo caso para diversos grupos. conversas. na busca de soluções do caso proposto. as quais ajudam na compreensão e incorporação dos conteúdos.) e não se restringe apenas a visitas e passeios. fundamentalmente. através dos conhecimentos e habilidades já adquiridos. já que é principalmente uma atividade mental.

a perda da inibição e a liberdade de expressão. portanto. O professor. podendo ser interpretada. As soluções são discutidas pelo grupo e as mais adequadas são selecionadas. Na primeira situação. podemos destacar o estímulo à criatividade. preparar um roteiro de trabalho. estratégias e meios não ocorre aleatoriamente ou de forma inconsciente. Não se pode esquecer também que a escolha e o trabalho com os diversos métodos. Procedimento para realizar a dramatização: A atividade pode ser planejada ou espontânea.DIDÁTICA. Entre os benefícios da dramatização para o aluno. data show. fazer um trabalho de orientação nos grupos durante o processo e elaborar instrumentos de avaliação. o docente escolhe o assunto e os papéis de cada um. orientando como devem atuar. adequada e criativa. Os exemplos são os mais diversos possíveis: lousa. deixa-se por conta dos alunos. O intuito da dramatização é provocar nos alunos questões ligadas a casos de relações humanas. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cada grupo analisa o caso e faz suas considerações sobre o assunto. de escola. slides. Argumentação: o aluno justifica suas posturas através da aplicação dos elementos teóricos de que dispõe. Meios de Ensino São os instrumentos (recursos materiais) utilizados tanto por professores quanto pelos alunos para conduzir organizada e metodicamente o processo de ensino-aprendizagem. quando se escolhe um determinado caminho e forma a ser seguida dentro da sala de aula. enfatizando os principais aspectos do problema avaliado. como uma forma especial de estudo de caso. escolhe-se um conceito de educação. contudo. o docente deve escolher o material de estudo. etc. Na forma espontânea. de aluno e de ser professor. O professor deve informar o tempo disponível e pede aos alunos que prestem atenção nos pontos relevantes. inclusive. cabe ao professor ter clareza do papel que cada um deles representa no trabalho e planejamento docente com o fim de poder trabalhar em parceria com o aluno para que aconteça o processo de ensino-aprendizagem. Nessa etapa. A dramatização é uma representação teatral que tem como ponto de partida um problema. O professor torna a apontar os principais aspectos do problema e ressalta as soluções coletivamente propostas. estratégias e meios têm um significado e uma função dentro do processo ensinoaprendizagem. No final. Prescrição do caso: o aluno apresenta propostas para mudar ou solucionar a situação. segundo o objeto que se estuda. filmes. Os métodos. conferindo mais autenticidade ao trabalho. 102 . etc. tema. mapas. Os alunos que não participam podem formar um círculo ao redor da cena e assistir à representação. o professor ou os alunos devem fazer o fechamento da atividade. deve dominar o uso destas ferramentas e deve fazê-lo de maneira pedagógica.

assim como a sua aplicação. VIDEOAULA ______________________ Assistam à videoaula A Necessidade de Procedimentos Metodológicos Adequados. Atente-se aos aspectos que considerar mais relevantes e anote-os em seu caderno. complete o quadro esquemático a seguir. Veja um exemplo: MÉTODO Aula expositiva dialogada DESCRIÇÃO É uma exposição de conteúdos que tem a participação ativa dos alunos. escolha no mínimo três.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. conheceremos um pouco mais sobre alguns procedimentos metodológicos em um plano didático. 103 .. COMENTÁRIO PESSOAL É uma forma de trabalho que supera a famosa aula em que o professor fala o aluno escuta. evidenciando os métodos que tenham despertado sua curiosidade. TREINANDO ______________________ Realizada a leitura da Mobilização do Conhecimento. a descrição e o comentário pessoal acerca de cada método escolhido. Você deve contemplar os seguintes aspectos: o nome do método. Nessa vídeoaula..

” Em seguida. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. A análise de cada um desses itens permite que o professor planeje sua prática docente pensando no que será estudado e como. REFLEXÃO ______________________ Reflita sobre a seguinte afirmação: “A escolha do método é política. quais serão os procedimentos usados na sala de aula por seus alunos e por ele para que aqueles apreendam e construam conhecimentos.. o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para ler suas produções. elabore um pequeno texto que apresente suas considerações reflexivas acerca dessa afirmação. Posteriormente. Trabalhar com determinado método ou estratégia depende da forma como o docente entende o processo de ensino-aprendizagem. as vivências e também suas características sociais. o que. as características e nível de desenvolvimento dos seus alunos.. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe em uma grande roda e deverá escolher um aluno para anotar na lousa os principais aspectos levantados na discussão. está relacionado ao conceito que cada um tem de como se ensina e de como se aprende. escolham um dos métodos de trabalho em grupo apresentados nesta unidade e discutam sobre os principais aspectos que devem ser considerados ao escolher um método de ensino. Diante disso.DIDÁTICA. Agir dessa forma garante a realização de um trabalho docente comprometido e responsável. define o que o professor espera dos alunos e da educação. no qual não há lugar para receitas ou métodos infalíveis que dão certo com todos os seus alunos e turmas. Ao final da plenária. O importante é que você procure os melhores métodos e procedimentos educativos para que os alunos aprendam e se sintam felizes e responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem. por sua vez. vimos nesta unidade que na seleção da estratégia ou método a utilizar o professor deve considerar a relação objetivo-conteúdo-método. reunidos em grupos de quatro alunos. todos os alunos deverão registrar em seus cadernos esses tópicos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Agora. 104 .

Posso identificar sem dificuldades os diversos métodos de ensino? Tenho condições de analisar as estratégias de ensino? Compreendi a aplicação dos diferentes métodos de ensino? Ao refletir sobre estas questões. 2. 2006. 93 p.. Nesse livro. Dessa forma. Para tanto. a autora apresenta diferentes métodos e estratégias para serem utilizadas em sala de aula e faz. 105 . Campinas (SP): Papirus.. O livro é uma ajuda para as possíveis dúvidas que se apresentam aos professores. ainda. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas. não se esqueça de arquivá-lo em seu portfólio. Agora é o momento de avaliarmos tudo o que foi estudado na unidade. uma distinção entre método e metodologia. Como o assunto abordado nesta unidade não se esgota no conteúdo abordado aqui. Olhando para fora. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. sugerimos a seguinte obra: RANGEL... é muito importante que vocês se interessem por leituras complementares de modo a enriquecer ainda mais sua formação. você poderá escrever um pequeno texto expondo o que você aprendeu nesta unidade e o que ela pôde acrescentar para sua carreira docente... ed. além de ser uma obra de fácil leitura. M.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. norteie-se pelas questões apresentadas seguir para sua auto-avaliação. Quando concluir seu texto.

LIBÂNEO. RANGEL. Introdução. Os Métodos de Ensino. BRASIL. Didática.DIDÁTICA. L.. M. da. Disponível em: <http://www. 3. M. 2006. 2.adm.C. G. Organização Método de trabalho em grupo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANASTASIOU. Secretária da Educação Fundamental. Conteúdos Método de aula expositiva dialogada Critérios Seleção. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Método de trabalho independente: estudo dirigido Métodos grupais Passos Capacidades cognitivas Objetivos. São Paulo: Cortez. Camargo. Processos de Ensinagem na Universidade. SILVA. 2009. Grupo Empresarial ADM. J. G. M. V. Joinvile: Univille. 1992. ed. 2004. 106 .. Leonir Pessate. Brasília: MEC-SEF. ALVES. 19 jan. ed. Acesso em: 21 jan.p df>. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas.grupoempresarial. 2006. 1997. Campinas (SP): Papirus.br/download/uploads/Os%20Metodos%20de%20Ensino_M9_AR. Parâmetros Curriculares Nacionais.

educador ou sistema educacional. A avaliação é uma tarefa didática presente nos diversos momentos do trabalho docente e acompanha passo a passo o processo de ensino-aprendizagem. procurando diagnosticar e controlar eventuais problemas no processo de ensino-aprendizagem por meio de instrumentos de verificação do rendimento escolar. como também da aprendizagem no processo educativo. é o produto de uma postura que separa educação e avaliação que leva a práticas educativas descontextualizadas e perigosas. quando se fala em avaliação como julgamento de valor dos resultados esperados. as dificuldades e reorientar o trabalho. reflexão da ação educativa e de todos os momentos em que ela se realiza. p. o trabalho do aluno e do professor pode ser comparado com os objetivos propostos.Avaliação no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique e entenda a avaliação como um processo e sua importância no processo de planejamento do ensinoaprendizagem. porque ela veio se transformando numa perigosa prática educativa” [2006. Segundo Hoffmann [2006]. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. “são necessárias a tomada de consciência e a reflexão a respeito desta compreensão equivocada da avaliação como julgamentos de resultados. Entenda e reflita sobre o processo de avaliação como parte da aprendizagem dos alunos. do aluno. Desse modo. Para a autora. 15].. Desse ponto de vista. Compreenda os diversos instrumentos e formas de avaliação. com a finalidade de analisar os progressos. do professor – ou de ambos –. questionamento. pois apenas revela informações e dados que devem passar por uma apreciação qualitativa. 107 .. Por meio dela. a avaliação desempenha funções didáticas e pedagógicas. ou seja. avaliar é uma tarefa intrincada que não deve ser resumida à mensuração do educando. A avaliação é inerente à educação e é entendida como problematização.

Essa visão. Essa tendência refletia a época em que predominava a pedagogia tecnicista. apresentaremos as idéias de alguns autores que trabalharam nessa área. que tiveram uma grande influência nas pesquisas sobre o tema.DIDÁTICA. Na década de 1930. os quais geralmente se referem a pontos do conteúdo programático. 106]. Para tanto. além disso. 2006]. entre outros) que foram disseminados por Ralph W. Tyler e Smith. quando se fala de avaliação. Essa concepção de avaliação encontra-se amplamente difundida entre professores até hoje e entende a avaliação como um processo externo e de mensuração do aluno ou do processo educativo. Esse pensamento começou a ser difundido no Brasil por alguns autores como Bloom. O enfoque do autor é comportamentalista1 e resume a avaliação à verificação ou à medida das mudanças ocorridas a partir dos objetivos que são definidos pelo professor. Em síntese. A avaliação é o processo destinado a verificar o grau em que mudanças comportamentais estão ocorrendo. define uma prática avaliativa que se inicia com o estabelecimento dos objetivos por parte do professor. pois não basta saber e definir a avaliação. registros de comportamento. que relaciona aprendizagem com a mudança de comportamentos. na época. é fundamental que ele reflita. e a verificação do alcance desses objetivos pelos alunos por meio de testes. 1 O Comportamentalism o: linha da psicologia do desenvolvimento. pois o que se pretende em educação é justamente modificar tais comportamentos. é fundamental que a entenda como reflexão transformada em ação.. É esse processo de reflexão que esperamos que consiga fazer.] A avaliação deve julgar o comportamento dos alunos. Groundl e Ausbel. escalas. nessa perspectiva. Na abordagem de Tyler [1976. Souza [1995] descreve que nas duas primeiras décadas do século XX a avaliação ocorria no sentido de mensuração (medida) de capacidade e características do ser humano e era realizada por meio de testes padronizados. os autores brasileiros faziam publicações sobre orientações para o desenvolvimento de testes e medidas educacionais imbuídos da teoria sobre avaliação que valorizava a dimensão tecnológica. 2006]. questione a sua própria prática. [. a fim de contextualizar como até hoje alguns conceitos ultrapassados continuam nas práticas escolares.. fortemente arraigada em alguns professores até hoje. a ação avaliativa e o seu trabalho pedagógico. deixando de fora o acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno. reflexão permanente do professor sobre a sua realidade e acompanhamento de todos os passos do aluno no seu caminho de construção do conhecimento [HOFFMANN. a idéia de mensuração ampliou-se e foram desenvolvidos outros procedimentos mais abrangentes para avaliar o desempenho dos alunos (inventários. Na década de 70 do século XX. assim como nos docentes e suas práticas. norteada pelo princípio de 108 . p. seu representante nos Estados Unidos foi Robert Thorndike. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve perceber a contradição existente entre avaliar de um modo amplo e a concepção de avaliação como resultado e como julgamento. Para entender melhor o processo de avaliação. pense. discute-se sobre instrumentos de verificação e critérios de análise de desempenho final [HOFFMANN. cabe dizer. seus conceitos e sua importância. que essas avaliações são sempre realizadas em determinados períodos.

era orientado por uma visão externa da escola. a avaliação ganha o sentido de um processo que busca a compreensão da realidade escolar. uma vez que a avaliação passa a ser entendida como um processo que faz parte do ensino-aprendizagem. 69]. tendo em vista uma tomada de decisão. desenvolveram-se diversas pesquisas e estudos que expressavam movimentos de renovação teórica e discordavam da visão tecnicista da avaliação. na qual todos têm direitos e acesso ao conhecimento por meio da educação. Vale lembrar que todo o planejamento educacional sofreu a forte influência tecnicista. que expressa a qualidade do objeto que está sendo ajuizado... [. inicia-se uma época de transição democrática no país e discute-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). era o ensino de uma consciência ideológica. O juízo de existência pretende dizer o que o objeto é. por sua vez. Segundo Luckesi [1995.. Nos anos 80. a avaliação da aprendizagem é entendida como um juízo de qualidade sobre dados relevantes. observamos a mudança de alguns aspectos vigentes até o fim da década de 70 do século XX. O principal papel da escola. deixando de ser vista como uma medida ou técnica.] JUÍZO DE QUALIDADE: juízos são afirmações ou negações sobre alguma coisa. porém. como era no início da década de 70. o juízo de existência resulta da relação direta do sujeito com o objeto e o de qualidade de um processo comparativo entre o que está sendo avaliado e um padrão ideal de julgamento. A escola passa a ser analisada como um espaço de construção da democracia. O juízo que se faz sobre o aspecto substantivo da realidade recebe a denominação de “juízo da existência” na medida em que sua expressão pode ser justificada pelos dados empíricos da realidade. o juízo de qualidade tem por objetivo expressar uma qualidade que se atribui ao objeto. A partir dessa definição.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático que a maior produtividade do sistema de ensino era produto da racionalização do trabalho educativo. de forma a poder construir uma sociedade mais justa e igualitária. p. o qual. Essas afirmações ou negações poderão incidir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade. Em busca de uma definição. que ajudava a reproduzir a divisão do trabalho na sociedade. recebe o nome de “juízo de qualidade”. nesse contexto. que fez surgir uma nova concepção de educação. Na metade dos anos 80. mostrando um novo caminho. Nesse contexto. desde que incida sobre uma realidade atribuída ao objeto. que até hoje se encontra nas escolas. cuja finalidade é a tomada de decisão sobre dados relevantes em relação a um 109 . O juízo. Continuando com o autor. a qual valoriza a escola e o seu papel como forma de mudança e transformação para todos os cidadãos.. com novas concepções sobre o tema.

qualificação e apreciação qualitativa. transformada ou apreendida. no âmbito da construção do conhecimento. a avaliação cumpre três funções: pedagógico-didática. A função pedagógico-didática refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos específicos e gerais da educação escolar. que os juízos de qualidade e de existência aparecem juntos para realizar uma revisão ou uma tomada de decisão sobre dados de uma determinada realidade. a importância do critério para o autor é fundamental. determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. que diz que a avaliação escolar é um componente do processo de ensino. em outras palavras. enquanto na segunda a formação permite um contínuo acompanhamento e regulação da atividade de ensino. o padrão deve ser consciente e explícito. a partir disso. Quando se avalia sistematicamente os resultados do processo de ensino. de diagnóstico e de controle. a preparação dos alunos para enfrentar as exigências da sua realidade social e a contribuição para assimilação e fixação das aprendizagens. pois permite compreender a avaliação. o qual visa. a realidade que está sendo avaliada é confrontada com um padrão de comportamento que se julgaria ideal para ela. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I objeto de estudo. A função de diagnóstico permite identificar os progressos e dificuldades dos alunos. direcionar o aprendizado dos alunos e conseqüentemente o seu desenvolvimento. A definição de juízo de qualidade como afirmação ou negação pode interferir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade do objeto que se avalia e marca uma nova esfera e contexto de avaliação na escola e na educação. Nesse momento deve ser considerado o que o aluno faz e o que se esperava dele. na definição proposta por Luckesi [1995]. 1995] se refere aos dados relevantes da realidade. assim como da atuação do docente. ele modifica-se segundo as necessidades dos seres humanos situados no espaço e no tempo. De acordo com a autora. Observe. determinando as modificações do processo de ensino. os juízos usados para tomar decisões sobre o trabalho escolar devem considerar o que se estuda e o que foi alcançado pelo aluno. Não existe um padrão ideal sempre fixo. da análise dos erros como tentativas de acertos que permitem ver o que o aluno sabe e o que tem que ser aprofundado. Esse tipo de avaliação deve ser realizado em três momentos do processo de ensino-aprendizagem: 110 . O juízo valorativo faz-se de maneira comparativa. deve ser utilizada a avaliação diagnóstica e formativa. Luckesi [apud DEPRESBÍTERES. Por sua vez. Assim. Na primeira trabalha-se e preocupa-se com as dificuldades do aluno e sua superação. numa perspectiva de apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensinoaprendizagem. orientar as tomadas de decisão em relação às atividades didáticas: verificação. segundo um padrão estabelecido. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. objeto de estudo ou conteúdo escolar e de como essa realidade foi atingida. Portanto. que possibilitam decidir. além da mensuração e controle. pois a avaliação não pode ser praticada sobre dados inventados pelo sujeito.DIDÁTICA. por meio de uma constante orientação das diferentes maneiras de pensar do aluno. Dentro desse contexto encontra-se Libâneo [1992]. ou seja. observa-se como foram alcançadas as finalidades sociais do ensino. com o fim de melhorar o cumprimento das exigências dos objetivos gerais e específicos.

da freqüência das verificações e das qualificações dos resultados escolares. no início do ano letivo. 3. A necessidade de reflexão permanente do professor sobre seu papel como indivíduo incluso em seu meio social e do acompanhamento do aluno. p. suas dificuldades e possibilitar a tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos” [VASCONCELLOS. deve-se ter cuidado em não cair na mensuração ou quantificação dos resultados.para acompanhar o progresso dos alunos.para verificar os conhecimentos prévios dos alunos. que devem ser reproduzidas nas questões de provas. com toda sua autoridade. Podemos dizer. do bimestre. 43]. e essa nova concepção indica a necessidade de se fazer da aprendizagem um ensino. e a função de controle é restringida à mera atribuição de notas e classificação. quando é exigido exame final. seleção e utilização dos métodos. 2. em que estágio se encontram frente ao estudado. trata dos meios. sem o intuito diagnóstico e tampouco pedagógico-didático. é o único dono do saber na sala de aula.] em uma visão mecanicista da educação. A função de controle. como tem tratado a matéria. do ano letivo ou avaliação global de um determinado período de trabalho. que implica uma reflexão crítica sobre a prática. que serve para punir e selecionar. etc.para avaliar os resultados da aprendizagem no final de uma unidade didática. faz-se importante para orientar como está sendo realizado o seu trabalho. o professor. Tipos de Avaliação Romeiro afirma [2000. testes 111 . Os alunos passivamente acatam suas verdades. de modo a analisar resultados.. no final deste e no final do semestre ou ano. o controle parcial e final são as verificações realizadas durante o bimestre. esclarecer dúvidas. através de diversas atividades que permitam que o professor observe como os alunos estão aprendendo e desenvolvendo suas capacidades e habilidades. então. p. Durante o processo . bem como a dos livros didáticos adotados e das apostilas utilizadas. Cabe ressaltar que essas funções não são separadas umas das outras. no sentido de captar seus avanços. 72-73]: [. A função de diagnóstico acompanha a função pedagógico-didática. Ao professor. elas se relacionam: a pedagógicodidática refere-se aos próprios objetivos de ensino e está vinculada diretamente às funções de diagnóstico e de controle. Finalmente . Inicialmente . suas resistências. possibilitando o diagnóstico das situações didáticas. trata-se da avaliação tradicional.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático 1. por sua vez. Acredita-se numa avaliação como “um processo abrangente da existência humana. corrigir falhas. 2002.. Trata-se de uma maneira interativa de alunos e professores se conhecerem melhor e aprenderem mais sobre a realidade das instituições educacionais no ato próprio da avaliação. passo a passo. que avaliação envolve necessariamente um ato que efetue a sua melhoria. por sua vez. No entanto. A avaliação diagnóstica inicial é aquela que é feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe. estimular o trabalho deles para conseguir a aprendizagem. no seu caminho de construção do conhecimento. é importante que exista o controle sistemático e contínuo sobre o processo de interação professor-aluno durante as aulas. Dessa forma.

Nesse caso. apontados por Grounlund [apud LUCKESI. autocompreensão do professor. Para que sejam cumpridas essas funções. autocompreensão do aluno. é necessário que os instrumentos de avaliação sejam elaborados. ao separar o que é bom do que não é. Dentro do contexto da atual sociedade capitalista. executados e aplicados segundo alguns princípios. o outro aprende ou não. sem a existência de uma reflexão sobre os procedimentos que identifiquem se houve aprendizagem. Curiosamente. mais dependente do professor. para o autor. que Gandin [apud ROMEIRO. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I e.o importante é que os alunos procurem obter sempre graus mais altos. Levando-se em conta que tanto educandos como educadores são seres pensantes. Enquanto um ensina. 2000] compara à avaliação de um agricultor numa colheita. a valorização recai sobre os acertos. ou seja. normalmente de menor peso. é utilizada a avaliação classificatória. o aluno estuda apenas para obter resultados convenientes. 1995]: 112 . a avaliação diagnóstica tem três funções: autocompreensão do sistema de ensino. deixando de dar tudo de si. o professor realiza a avaliação diagnóstica até mesmo em momentos nos quais seu objetivo principal é decidir-se sobre a promoção do aluno para a série subseqüente. como forma de acompanhar e conhecer os avanços e retrocessos do aluno em busca da aprendizagem? Vamos então conhecer quatro tipos de avaliação que podem ser utilizados: Avaliação diagnóstica Luckesi [1995. por que não adotar na escola uma avaliação reflexiva e dialógica. 81] afirma que a avaliação diagnóstica supre as carências e lacunas da avaliação escolar: […] a avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno. para passar de ano. apesar de ser a escola o lugar onde se aprende. podendo os motivos ser os mais variados. sendo estimulada a competição . sem pensar na possibilidade de se fazer um diagnóstico para melhoria. Para Luckesi [1995]. Como conseqüência da preocupação constante com a nota. quando aprecia as reais possibilidades do educando de enfrentar ou não as exigências dos estudos posteriores e sistematiza informações que possam auxiliar os educadores que irão receber esse aluno. p. o que pode torná-lo cada vez mais heterônomo. Segundo o autor. às vezes. com suas histórias de vida e com o direito de errar e de procurar acertar. até de algum trabalho.DIDÁTICA. a avaliação é sempre diagnóstica. tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem. a avaliação sob a ótica diagnóstica enquadra-se numa proposta pedagógica histórico-crítica.

no início do ano letivo. Nesse contexto. pretende-se responder questões como a degradação Este assunto já foi abordado na Unidade 2 desta disciplina.1995] a avaliação do aproveitamento escolar deve fugir do aspecto classificatório e ser vista como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem do aluno. o que significa que os pontos de chegada necessitam estar sempre presentes. a aplicação e a execução de programas ou organizações. que estejam em harmonia com os objetivos específicos. o próprio educador e a sociedade não identificam e reconhecem como suas2.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático • • Medir resultados de aprendizagem claramente definidos. formas de participação e decisão para os agentes envolvidos no processo educacional. Os referenciais são os objetivos arquitetados para os alunos e o trabalho desenvolvido pelo educador. Ao adotar essa postura no campo educacional. auxilia o professor a ter clareza de quando e como intervir para que seus educandos caminhem na direção desejada. a fragmentação e a alienação de uma prática educativa que. revelando. Avaliação participativa O termo “participativo” é compreendido como a conduta que o docente – fazendo uso dos instrumentos apropriados de avaliação – deve ter no momento de conversa com os educandos para a discussão do estado de aprendizagem destes. assim. como acompanhamento diário do aprendizado. por determinadas situações e conjunturas. Nessa perspectiva. Essa reflexão. realizada diretamente pelos setores sociais aos quais os programas ou organizações se destinam. direcionando tanto o processo de avaliação da aprendizagem quanto o replanejamento das práticas e atuação docente. ela não deve ser tratada isoladamente. A prática de avaliação. a avaliação participativa torna-se um processo de reflexão consciente e crítica sobre a teoria. visto que se articula dentro de uma concepção pedagógica progressista. para Luckesi [2000 . A avaliação diagnóstica inicial é aquela feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe. Essa avaliação é importante para conhecer bem os alunos: é o momento de observá-los cuidadosamente e registrar as observações para poder planejar as primeiras intervenções. preocupada com a afirmação do aluno como ser humano que vive numa determinada realidade social e cultural. 2 histórica da profissão pedagógica. de forma direta ou indireta. Medir uma amostra. A avaliação participativa tem de ser considerada como uma parte solidária da totalidade exemplificada por uma estratégia ou um modelo de gestão pedagógica. Para que a avaliação diagnóstica seja realizável. mais que uma contribuição para a instituição. Ela é efetuada de maneira gradual e paralela aos diferentes 113 . Avaliação formativa A avaliação formativa insere-se no processo educativo com a finalidade de proporcionar informações para ajustar ou mudar a atuação educativa. constitui uma necessidade e um utensílio para os próprios agentes do processo.

SOLÉ.. 1999]. nos quais se verifica o que os alunos são capazes de fazer quando ajudados ou quando se faz uma atividade juntamente com eles. de adaptar o ensino às características e às necessidades que as crianças apresentam no decorrer das diferentes atividades – enquanto se ensina. é uma avaliação para emitir um juízo em relação ao aluno e aos seus progressos em um momento determinado que possui função reguladora. mas também o que pode fazer com a ajuda ou a interação de outras pessoas. em situações como essas não se avalia somente o que o aluno é capaz de fazer sozinho. Basicamente. Trata-se. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. então. 1995. Trata-se de atividades específicas para avaliar os resultados das aprendizagens realizadas [BASSEDAS.. a avaliação formativa deve ser realizada através de diversos materiais e procedimentos de ensino. como evidencia Vygotsky. aceitá-la e aproveitá-la.DIDÁTICA. HUGUET. p. Avaliação somativa A avaliação somativa realiza-se ao final do processo de ensino-aprendizagem com o fim de externar informações sobre o que os alunos aprenderam em relação aos conteúdos trabalhados. como ao se fazer perguntas. a fim de poder ajudá-los de diferentes formas e replanejar a programação quando for necessário. e em muitos outros momentos. a fim de que o aluno possa acompanhar ou recuperar as lacunas de aprendizagem. 1984. e o nível de desenvolvimento potencial. a qual. não deve ser entendida de modo passivo. é possível detectar também a sua capacidade de receber ajuda. dessa maneira. A avaliação formativa proporciona informações sobre o que os alunos aprendem e as dificuldades que apresentam. 97 apud OLIVEIRA.] a distância entre o nível de desenvolvimento real. pois serve para planejar o processo de ensino 114 . Desse modo. por exemplo –. determinado através da resolução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes [VIGOTSKY. Além disso. ajudar e propor coisas diferentes aos diferentes alunos. entretanto. enquanto jogam. O mérito da avaliação formativa reside na ajuda que pode prestar ao aluno em relação à aprendizagem da matéria e dos comportamentos em cada unidade de aprendizagem no sentido de alcançar seu objetivo de recuperação e levá-lo ao domínio daquilo que ainda não aprendeu. enquanto trabalham. A observação. situações e atividades desenvolvidas e possui mais sentido e importância. 59]. é definida como: [. p. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I acontecimentos. mas ativo. especialmente a partir da observação e da escuta. valoriza-se a zona de desenvolvimento proximal. Para tanto. uma vez que permite identificar a intervenção a partir das informações obtidas durante as aulas. quando lhe é pedido para observar um companheiro ao tentar realizar uma tarefa. Portanto. A observação participativa é produzida quando se ajuda o aluno a terminar um exercício.

quando se avalia que não foram atingidos os objetivos previstos. mais ou menos sistemáticos ou formais. Segundo Libâneo [1992]. as provas podem ser de diferentes tipos. o aluno deverá assinalar se a questão é correta ou não. assim como olhar a própria prática pedagógica. seja um curso. 1999]. no entanto. Outros dois tipos de prova dissertativa são: a composta por questões e a que permite aos educandos consultar livros ou outros materiais. Questões de interpretação de texto: são questões elaboradas com base em um texto. atingidos ou não. Certo-errado: nessa prova. esta última com o objetivo de avaliar se o aluno sabe aplicar os conhecimentos aprendidos e não apenas copiar um trecho do texto estudado.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático realizado. enquanto na coluna da direita colocam-se as respostas para que o aluno faça a correspondência. Questões de correspondência: são questões elaboradas e dispostas em duas colunas. Na coluna da esquerda enumeram-se os conceitos ou frases. 1992]. o professor percebe que as provas parciais ou finais são apenas demonstrações de um processo de ensino bem conduzido: os alunos quase sempre terão bons resultados. essa avaliação permite realizar uma valorização de conhecimentos adquiridos pelos alunos ao final de uma atividade de ensino. o aluno deverá assinalar apenas uma das respostas apresentadas. Prova A prova é a mais tradicional. numerando-as de acordo com a primeira coluna. HUGUET. o professor apresenta um tema a ser desenvolvido pelo aluno. SOLÉ. por exemplo: as provas aplicadas em vestibulares e concursos. ela pode servir para modificar a unidade didática que se havia planejado. além disso. o educador precisa tomar o cuidado de não ser influenciado pela subjetividade durante a correção. 115 . e. • • Questões de múltipla-escolha: partindo de uma pergunta. ou alertar sobre a necessidade de retomar em momentos posteriores determinados conteúdos trabalhados. Assim. o que os estimulará para a aprendizagem [LIBÂNEO. alguns deles são: • Escrita dissertativa: nesse tipo de prova. um ciclo. Existem diversas situações em que não é necessário aplicar prova e dar nota. no decorrer de um espaço determinado [BASSEDAS. discutida e criticada estratégia usada para a avaliação dos alunos na escola. quando se compreende o conceito e as funções da avaliação. Dessa maneira. A seguir serão descritos alguns instrumentos de avaliação que poderão ajudar o professor a avaliar as habilidades e as capacidades alcançadas pelos alunos e sua aprendizagem significativa. uma quinzena ou uma unidade didática. permite estabelecer o grau de alcance de alguns objetivos previamente estabelecidos. • • • Escrita de questões objetivas: é elaborada a partir de questões com apenas uma resposta correta. Instrumentos da Avaliação O processo de avaliação inclui instrumentos e procedimentos diversificados.

1992. bem como dos alunos individualmente. como: Registro em vídeo e áudio. os processos de aprendizagem do aluno.DIDÁTICA. Diários São formados por cadernos ou blocos nos quais o professor descreve situações. Ter uma visão integral dos alunos.. Fotografias. São várias as maneiras pelas quais a observação pode ser registrada pelos professores e dentre elas destacamos: A escrita que é. pode compor um vasto e rico material para posterior reflexão e de valiosa utilidade para o planejamento educativo. Tem como objetivo ampliar os dados que o professor já tem. obtendo informações sobre suas ações na escola. Além dessas formas de registro. esclarecer dúvidas quanto a determinadas atitudes e hábitos da criança [LIBÂNEO. ações e experiências do grupo de alunos. a mais habitual e acessível. funcionários e com o professor. p. o educador pode: Registrar. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Questões de ordenação: as questões apresentadas são compostas por diversos dados fora de ordem e o aluno precisará ordená-los. Acompanhar os processos de desenvolvimento. tratar de um problema específico detectado nas observações. opiniões e idéias. Dimensionar a qualidade das interações estabelecidas com outros educandos. O registro cotidiano dos fatos. ao mesmo tempo em que revelam suas particularidades. outras também podem ser consideradas. contextualmente.. 215-16]. 116 .] é uma técnica simples e direta de conhecer e ajudar o aluno no desempenho escolar. visto que [. Entrevista A entrevista não pode se confundida com prova oral. Trabalhos dos educandos ao longo do tempo. sem dúvida. Observação e registro Observação e registro são instrumentos de que o professor dos ensinos fundamental e médio dispõe para apoiar sua prática. Por meio deles. em relação à aprendizagem e ao relacionamento social.

discutam por que ainda não se chegou à compreensão das funções da avaliação. segundo o que foi estudado nesta unidade. reúnam-se em grupos e leiam a seguinte afirmação: “Em meio ao crescente interesse pela avaliação.. Redijam tópicos de suas principais considerações para apresentar posteriormente ao grupo classe. mostrando as impressões. Dessa forma. é um trabalho quase diário. emoções e questionamentos manifestados pelo assunto do dia. a qual fornece subsídios para todo o processo educacional e. na qualidade da educação em nosso País. opiniões.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Portfólio No contexto educacional. professores e situações de aprendizagem. portanto. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Para iniciar nossa discussão. assim como o papel que cada um dos agentes deste processo possui ou não. ela permite que o aluno conheça e tome decisões frente a sua aprendizagem e possa melhorar ou realizar caminhos diferentes. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. Além disso. o portfólio é um registro do processo de aprendizagem do aluno. Nesta unidade conhecemos alguns conceitos que recuperam o papel da avaliação como norteadora e guia.. 117 . tornando-o autônomo. Vemos que a avaliação é um tema complexo e implica um posicionamento sobre a educação e o processo de ensino-aprendizagem. considerando-se especialmente elementos e fenômenos que interferem direta e indiretamente na aprendizagem dos alunos e. Esse instrumento também permite que seja registrada pelo menos uma atividade realizada na aula. considera o aluno em todos os momentos nos quais se relaciona com outras crianças. para o processo de ensinoaprendizagem. é uma forma de avaliação embasada e completa. Por isso. não se deve esperar o final do bimestre ou semestre para construí-lo. motivado e responsável nesse processo de construção do conhecimento. ainda não se chegou a um modelo que contemple totalmente as funções da avaliação da aprendizagem: diagnóstica. O uso do portfólio auxilia no planejamento e reestruturação das ações e intervenções da prática pedagógica. formativa ou processual e somativa (classificatório).” Agora. conseqüentemente.

de modo que se trace um paralelo entre os diferentes tipos de avaliação. em boa parte. 2. sua importância e como utilizá-la no âmbito escolar. numa folha de papel. TREINANDO ______________________ Para esta atividade. Faça as anotações que julgar relevantes em seu caderno. Em seguida. reúnam-se em grupos de quatro alunos e releiam na seção Mobilização do Conhecimento os tópicos referentes às avaliações formativa. do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Faça suas considerações a respeito.DIDÁTICA. o (a) tutor (a) deve organizar os grupos para apresentação dos pontos levantados. autora desta carta: “Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente?” Diante dessa análise. Em grupos de dois ou quatro alunos. em que ela pede ajuda sobre como trabalhar com um professor que está apresentando diversos problemas na escola. Ao final. diagnóstica e participativa. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O (a) tutor (a) deverá organizar os grupos em uma grande roda para a apresentação das considerações. A concepção do professor sobre avaliação e processo de ensino aprendizagem. em que conheceremos o conceito de avaliação. apontem as principais características de cada uma delas. 118 . VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Avaliação no Ambiente Escolar. reflitam: Por que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem. ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A seguir. leiam a carta analisando: 1. mediando um debate entre os grupos. apresentaremos a carta de uma diretora para uma colega. A afirmação da diretora.

Agradeço as dicas que você me deu sobre a HTPC. dizendo que a maioria deles não sabe fazer análises e estabelecer relações entre fatos e conceitos. Na reunião do Conselho. 119 . estabelecer relações. estava circulando pelas salas e. que está sempre muito em dia com as discussões feitas em sua área. dizendo que seus filhos vão indo bem em outras matérias.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Registrem em seus cadernos as ações que vocês considerariam mais relevantes para a resolução desses problemas encontrados na escola. não somente em Português. como vai? Eu vou indo muito bem. No momento. Eles dizem que dou mais atenção à escola que a eles – e é assim mesmo: o trabalho me absorve. a professora de Português. seus alunos vêm apresentando um índice muito alto de notas vermelhas. por estar preocupado com isso. assim como a bibliografia que você sugeriu. Dois ou três chegaram até a dizer que o professor não tem se interessado em entender as dificuldades dos alunos ou em ajudá-los. e principalmente. ao passar em frente a sala das 8ª séries.. Nesse momento. de outubro de 1998. quando começamos a discutir a 8ª série. a comparação e a extrapolação dos conhecimentos trabalhados. o do professor de História da 8ª série me chamou muito a atenção. menos em História. discordando. o estabelecimento de relações entre diferentes assuntos e conceitos. resumir e interpretar devem ser trabalhados em todas as disciplinas. já que deve dar conta do conteúdo programado para a série. não sabendo sequer resumir ou interpretar textos – coisa que já deveriam ter aprendido em Português – e. Alguns queixavam-se de seu trabalho. por seus colegas. Emilia.. faz questão de apresentar. Na semana seguinte a esse Conselho. o que os preocupa. muitas questões que buscam a análise. Oi. especialmente nas provas. tivemos Reuniões de Pais e Mestres na escola para avaliação do bimestre. encontrei um grupo de pais conversando com o professor de História. o que não é pouco. apesar de ouvir reclamações constantes do marido e dos filhos por causa do meu envolvimento com o trabalho. Colocou que. O professor dessa disciplina justificou o baixo rendimento de seus alunos. que não cabe a ele ensinar. O professor de História não discutiu o argumento da professora de Português e continuou dizendo que procurava garantir não só a memorização de fatos. Entre tantos casos que discutimos. estou bastante preocupada com o grande número de notas vermelhas que algumas disciplinas apresentaram no último Conselho Bimestral. . elas estão me ajudando bastante a organizar as reuniões. No entanto.. argumentou que analisar. mas. Como sempre faço. o caso de História foi enfocado.. principalmente porque ele é considerado. um profissional sério e comprometido. Realmente. Campos do Serrano. portanto.

davam margem à inúmeras interpretações e respostas. algum texto para me indicar? Você não acha que isso dá discussão para “um ano” de HTPC? Um grande abraço. Falaram que suas aulas são chatas. coladas no caderno. até mesmo. ela é tão delicada. Resolvi. s/d. exigindo a localização de informações – e não uma reflexão decorrente da análise ou comparação entre os fatos e os conceitos trabalhados –. cheios de lições feitas em classe!”. de lugares diferentes. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Ele. conceitos e dados da realidade. que "racharam" de estudar para as provas. E que isso não precisava me deixar tão preocupada. de uma consciência social mais ampla. provavelmente. então. apesar de se sentirem preparados. Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente? Estes acontecimentos têm me feito pensar: Por que será que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem.. o que tornava a avaliação muito subjetiva. Entretanto.. tantas crenças sobre a avaliação (“A nota vermelha” é um fantasma que mora no armário de muita gente!!!). as perguntas foram tão difíceis que não conseguiram ir bem. mas que. ao mesmo tempo. Alguns deles afirmaram. Ao olhar as provas. Você tem alguma dica.. no começo desta semana. Outros pais também se colocaram a seu favor. Clarice _______________ Fonte: CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS... que a maioria da classe não participa. nem estudavam em casa. em boa parte. nos alunos.. alguns dos alunos da 8ª série que estão com notas vermelhas em História também me procuraram para reclamar do professor. inclusive. “Os alunos que estão indo mal são desinteressados e indisciplinados e. que o livro didático é difícil de entender – e as explicações do professor nem sempre ajudam a entendê-lo – e que as provas são fogo! As perguntas exigem informações nem sempre trabalhadas em sala de aula. percebi que eram questionários com respostas transcritas do livro didático. por sua vez. não costumam fazer as tarefas de casa”. exigindo o estabelecimento de relações entre fatos. 120 . Eu fiquei muito “encucada”. dizia que aqueles que não conseguiam obter boas notas não se interessavam pela matéria. Cheguei. percebi que elas continham perguntas abertas que.. e que não havia qualquer indício de correção individual ou coletiva. pedir os cadernos destes alunos para dar uma olhada. Observando as atividades. preocupada com essa quantidade de queixas vindas. do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Como devo encaminhar essa questão? Afinal. Ele falou que a escola é assim mesmo: o prêmio vai para quem se esforça. dizendo que ele faz o que pode: “Basta ver os cadernos dos alunos. envolve tantas coisas.DIDÁTICA.. enfatizava a importância de sua disciplina para o desenvolvimento. a discutir essas coisas com meu marido.

além de compreender as questões teórico-metodológicas do tema. analisar. por meio de atitudes concretas de observar. além de conhecer alguns tipos de avaliação: formativa. como prova. que norteiam as tomadas de decisão relacionadas ao conteúdo. Contudo. observação e registro. e aprofundado por você. É necessário que o educador. mais precisamente à maneira que ele é tratado e sua melhor forma de assimilação e compreensão por parte do educando. é que a avaliação deve ser um instrumento para a reorganização do trabalho escolar. ela deve ocorrer nas relações dinâmicas da sala de aula. conceitos e nomenclatura que mudarão o ato de avaliar em nossas escolas. contínua e organizada. Assim. adote uma concepção do ato de avaliar. diários e portfólios. principalmente. como mediação entre o processo de aquisição e o conhecimento já construído. um momento em que educador e educando possam trocar idéias e refletir sobre elas. os docentes precisam ter opiniões claras e objetivas sobre como se realiza e processa a avaliação escolar e quais as suas finalidades. cabe salientar que não serão apenas mudanças de modelos. somativa e diagnóstica. O fundamental que deve ser discutido. realizando-se ao longo de todo o período em que se desenvolve a aprendizagem e não apenas em momentos isolados. Nesta unidade você teve contato com aspectos históricos sobre a avaliação e suas várias conceituações. Também foram apresentados instrumentos de avaliação... Uma proposta avaliativa deve ser processual. decidir e.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático TELEAULA _____________________ Vamos assistir a uma teleaula que abordará o tema estudado nas quatro últimas unidades. autoavaliação. entrevista. intervir cotidianamente no processo de ensino-aprendizagem. resgatando sua função fundamental de mediar junto aos educandos a tomada de resoluções no processo da aquisição. participativa. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. Essa postura deve propiciar o encontro da avaliação consigo mesma. construção e aplicação do conhecimento. Nesse sentido. 121 .

Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. sugerimos o livro: HOFFMANN.. 122 .. 104 p. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. formado pelos saberes da experiência.. que pense nos seus alunos como parceiros de um processo de construção de conhecimento para o desenvolvimento deles e que lhes permita contribuir significativamente para a formação de uma sociedade mais justa e democrática. J. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Esperamos que esse nosso estudo tenha contribuído para sua formação como professor que reflete. 2006. atua e modifica sua prática. Revisite a unidade. Porto Alegre: Mediação. científicos e pedagógicos... e reflita a partir do que estudamos e de seus conhecimentos prévios a concepção de avaliação que queremos de fato garantir a todos os alunos em instituições educativas.DIDÁTICA. Anexe suas considerações sobre seu aprendizado em seu portfólio. mas sua identidade docente se constrói no exercício consciente da profissão. os conceitos apresentados. ilustrando com exemplos didáticos o trabalho avaliativo de alguns professores. Olhando para fora. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. Lembre-se de que se formar professor não é uma atividade que se encerra ao terminar o curso superior. Para maior aprofundamento do conteúdo desta unidade. É um livro que relata de uma maneira de fácil compreensão os dilemas e complexidade da avaliação.

. Secretária da Educação Fundamental. _______. participativa Juízo de qualidade Mudança Tomada de decisão compartilhada Função pedagógico-didática. Avaliação e aprendizagem. BRASIL. Brasília: MEC/SEF. L. HYGUET.crmariocovas. DEPRESBITERIS. 1992. diagnóstica. Didática. I. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 2008. J. C.sp. Porto Alegre: Mediação. Avaliação da aprendizagem: revendo conceitos e posições. São Paulo: Cortez. E. 2006. Avaliação do rendimento escolar. T. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS. 1997. Porto Alegre: Artmed. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista.). Acesso em: 19 nov. 1999. 123 . In: SOUSA. Disponível em: <http://www. Porto Alegre: Educação e Realidade. SOLÉ. Campinas: Papirus. Aprender e ensinar na educação infantil. diagnóstico.gov.pdf>.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático MAPEAMENTO DA UNIDADE Processo Ação-reflexão Avaliação formativa. somativa. Parâmetros Curriculares Nacionais. 1991. C. 1995.. HOFFMANN. (Org. J. de controle REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASSEDAS. LIBÂNEO.br/pdf/cartas_ped_p063-073_c.

br>. C. São Paulo: Libertad. 124 . Centro de Referência em Educação Mario Covas. Acesso em: 19 nov. Um olhar sobre a avaliação hoje. 1995. São Paulo: Scipione. VASCONCELLOS. M.libertadora do processo de avaliação escolar. C. 1995 ROMEIRO. Um olhar sobre a escola.gov. Brasília: MEC/SEED. _______. Vygotsky. WAISELFISZ. 2000. São Paulo: Cortez. Porto Alegre: Globo.sp. 2000. J. Avaliação Participativa. C. 2002. C. SOUZA. dos S. 1995. Avaliação do rendimento escolar. Princípios básicos de currículo e ensino. São Paulo: Libertad. Campinas: Papirus. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LUCKESI. VASCONCELLOS. dos S. Avaliação: Concepção Dialética . TYLER. Cadernos Pedagógicos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 1976. Ministério da Educação à Distância. Disponível em: < http://www. K. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. P. São Paulo: Cortez. A. R. 2000. C.crmariocovas. OLIVEIRA.DIDÁTICA. 2008. Avaliação: Concepção Dialética-Libertadora do processo de avaliação escolar. In: BRASIL.

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