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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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.. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão. Belo Horizonte. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir.. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. Record. O Editor 1 2 Tolstoi. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos. iv . Rio de Janeiro. da sociologia. 2003. A História de Uma Folha. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante. Jan-Jun 2005. 1. 84). Léo. Ana Karenina.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares. p. in: A História de Uma Folha 2 : “. Vol. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo. Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde. Leão. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ano 1. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. pois é imperioso o estudo da psicopatologia.Uma razão para existir – respondeu Daniel.” (. pois “. 13. Buscaglia. p.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. Obra Completa. no contexto específico do adoecimento. José Aguilar. sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos.” (Tolstoi. n. 1961. vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas.) E não me tomem tão simplista. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si. Rio de Janeiro – São Paulo.1.. da antropologia e de tantas outras ciências. A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia.

símbolo vinculado à medicina. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia. comportamentos e sentimentos. mais uma vez. é que o Psicópio. o mesmo torna-se nome também desta revista e. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões.com. Dessa maneira. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. 1. que vem sendo executado ao longo de anos. Ano 1. no esteio de sua trajetória. corações). pacientes. proveniente da letra grega psi ( ψ ). levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar. musicista e folclorista.HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem. a partir do seu nascimento. E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. Jan-Jun 2005. Belo Horizonte. medicina. saúde. Vol.1. na realidade. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar. dá nome também a esta revista. Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. doença. O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. por meio de um símbolo (e também de um significante). agora. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado. já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. representar. Hoje . n. v . já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. com a mesma dedicação e afinco.

. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. ou seja.. Belo Horizonte. na verdade. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. que necessita da intervenção de um terceiro. Por isso. Através desta busca. ou seja. pois. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. quem o repare. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. de cada uma dessas passagens. invalidez. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. Ele será capaz de escutar e. entretanto. Ficamos expostos e vulneráveis. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. Vol. dos exames que tem que fazer. que o faz sofrer. se sairmos. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. mas também efervescentes e embriônicos novamente. se. mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. Este encontro com algo que o machuca. n. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. Jan-Jun 2005. muitas vezes também do seu acompanhante. muitas vezes. necessita do amparo do outro. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras. este é calado e quieto e. Mas para que fazer estas interrogações. dando-lhes reais significados. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. 1. de dentro para fora. tristeza etc. a seu modo. Ano 1. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias.1. raiva.. pois não reclama das intervenções a submeter-se. com o tempo.. não há como sobreviver. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. seus desejos e suas demandas. Dito de outra forma. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. ser escutado e se escutar. e. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. a casca confinante tem de ser mudada. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. . um novo revestimento vem substituir o antigo. A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. também temos de mudar uma estrutura de proteção. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical.O SUJEITO. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. enfim. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. pois não há quem lhe dê ouvidos. dando-lhe. “. ao nascer. o que ele realmente precisa falar. reconhecendo suas necessidades. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. entramos num período mais prolongado e mais estável. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. que interpretará. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. e. os sinais que o sujeito enviar-lhe. amparo. normalmente. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. Cada vez que ela se expande. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. deixando de ser objeto de satisfação do outro. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. é ser humano que deve ser escutado e amparado. principalmente. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor. assim. É preciso que o paciente seja escutado. E de novo ele se sente desamparado. tornase de extrema importância. protetoras. a partir daí.

O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico. exatamente.4 Sabe-se que o objeto do desejo. Mas. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e. 3 DOR. nunca mais será alcançada ou repetida. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório. cap. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista. ele está atrás de um Outro que seja completo e. Portanto.. ao se contentar com isto. I. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”. as demandas e os desejos do sujeito. que a presença do analista se faz indispensável. Quando o sujeito chega até ao analista. Ano 1. Mas. Não quer dizer que. Belo Horizonte.. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer. ou seja. 146. exatamente. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia. e. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. nesta forma tão visível. é eternamente faltante. “‘No começo da psicanálise é a transferência’. E por isso o analista é chamado. ao colocar-se nesta posição. 1. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura. por causa disso. objetos que possam realizar seus desejos. novamente. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. ele não deixará espaço para a falta. é. pois são objetos d pulsão. ou objeto a.144. necessariamente. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. por causa dessa falha da linguagem. não conseguirá lidar. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e. é tomada no assujeitamento do sentido. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. e. 20. estará respondendo às demandas do sujeito. cap. sempre. não há objetos reais que o satisfaça.3 1 2 DOR.. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro.. e seu pivô é o sujeito suposto saber. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem. Mas. o sujeito continuará sendo um ser da falta. neste momento em que o desamparo radical aparece. ele inic iará mais uma busca. 1992. visto que.. p. Vol. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades. a criança. e esse sujeito é vinculado ao saber.de mensagem destinada ao outro. DOR. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. como por exemplo. “. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. a perda de um amor ou a perda da saúde. com a qual ele. cap.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. pelo contrário. O primeiro passo desta construção. Assim também. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque. suspenso à busca. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. p. É. 7 . Mas já a partir da segunda experiência de satisfação. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo. pois. É.. Por isso. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. pois ele nada sabe de seu paciente. por outro lado. 20. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise. 1991. “O surgimento do desejo fica. provavelmente. 20. nos diz Lacan. 1992. Jan-Jun 2005. cap. segundo Lacan. a transferência. p. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. portanto. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo. para além desta experiência. pois. o que prova a particularidade de cada um. faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. o sujeito pare de procurar outros objetos. p. pois.”. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. 1992. a primeira experiência de satisfação do sujeito. 4 QUINET. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. conduzida a tentar significar o que deseja”.141. n. ao re-encontro da primeira experiência de gozo.1.

E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo. cap. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante.Como é a relação de vocês? . então. No hospital. . e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: . Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado. O saber é. . pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”. Aliás.Ela é boa. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo. estou pensando em me separar do meu marido. o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa. mas. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro. 1991. Ele não ajuda em nada com o nosso filho. Ano 1. mas a ignorância douta.Lu. Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. mas eu não sei se gosto dele. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr. permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. muito mais do que a posição de saber. .. 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.5 radical. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele. o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma.Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: .. Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma. Vol. eu iria atendê-la. aliás. ele continuará sendo um ser da falta. A frustração é algo que deve estar presente na análise. normalmente. é uma posição de ignorância. uma equivocação.Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. Então eu lhe falei que não era nada disso. a questão do desamparo radical está muito presente. Lá em casa eu não aprendi isso. frente ao desamparo 5 QUINET.Estava atendendo a uma outra paciente. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. I. O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela. mas. n. Jan-Jun 2005. Sua posição.Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também. o que você acha? . Disse-lhe que. Então ela começou: . A ignorância douta é um convite não apenas à prudência.. estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho. de uma melhor maneira. e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio.1. Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito. eu acho que eu. quando pr.. mas também a humildade. que eles não queriam saber da nossa vida. pressuposto à função do analista”.Você acha que você. me perguntou: . mas não sei se eu amo. mas que. p. assim que acabasse aquele atendimento.. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta. . No hospital. . não a simples ignorância.. Frente ao desamparo radical. 1. e. por causa disso. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL.“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber.. eu sei que eu gosto. O DESAMPARO. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz. se aproximou e disse que queria muito conversar comigo. suas e dos outros. pois o colocará frente a sua falta. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . e assim passar a conviver com as faltas. mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. Belo Horizonte.. pois.Ontem briguei por sua causa lá na oncologia.Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr. no entanto.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio).

para isso bastava me procurar. Vol.- - sustentar.. Melo. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. mas. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. de preferência um profissional da área psi. 2. E foi assim também com o meu primeiro marido. assim. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. eu não sei nem se eu deixo. pois. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. FRANÇA. Orientadora: Maria Helena Libório B. Tudo bem? Tudo. 203p.ed. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. eu acho que eu não deixo ninguém me amar.. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros. eu não o amava. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. 4. 1997. eu não sentirei que estou abandonando-as. Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. no estacionamento do hospital. 1987.. então ela me chamaria. QUINET. para falar a verdade. 2001. Eu amo minha mãe e meus irmãos. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. DOR. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. quando perguntei como estava. Caderno de Contos. seu filho teve alta. muitas vezes. Sigmund. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. Rio de Janeiro: Imago. 2. 2002. Você não sabe se você deixa. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. 211p. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica.. Cecília Andrés. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla. Joel. Na verdade. 6. 9 . pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise. Nossa. 1991. então eu não aprendi o que é amar. necessariamente. Introdução à leitura de Lacan. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas. As 4+1 Condições da Análise. Ela não me procurou. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG. assim. Ano 1. muitas vezes.. 125p. 1992. como eu falei hoje. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. ele não consegue lidar com isso. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam. e. CARAM. quando deixá-las. Sabe Lu. eu não sei deixar as pessoas me amarem. Belo Horizonte. se ela voltasse outra vez. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância. Silvia Elena. precisará do auxílio de uma outra pessoa. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude.ed. Belo Horizonte: UFMG. 1. 441p. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos. 4. veio acompanhando-o. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia. 3. E. para conviver com eles. Porto Alegre: Artes Médicas. n. Jan-Jun 2005. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. Antônio.ed. Já que você pensou muita coisa. FREUD. TENDLARZ. Júnia Lessa. ela disse-me que não era para eu ficar brava. Encontrei-a um dia.ed.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. mas eu não faço nada para estar com eles. 3. 5. E-mail: lumsm@superig. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também.. você me fez pensar muita coisa. mas não queria mais ser atendida. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital.. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo. além de o sujeito sentir-se angustiado.. 5. _________________________________________ Após este atendimento.com. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte. não é percebida por ele.1.

crônica e recorrente. O medo.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. algumas dores são persistentes. passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. aviso de perda iminente do objeto. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. É aguda. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. desorganiza o aparelho psíquico. O sentir-se abandonado. expressar queixa. Assim. ganhar o controle sobre eles. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. podendo estender-se por meses ou anos. a criança. 10 . isolado. processos inflamatórios ou moléstias. mas pode. por exemplo. isso sim. etiologia e duração.1. ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. ataque. Num segundo nível. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. Além disso. o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor. Segundo GUIMARÃES (1999). Assim. (Lobato. o que dificulta a precisão de sua origem. a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. Neste último nível de simbolização. Em 1979. No entanto. além de movimentar-se intensamente. Belo Horizonte. (MERSKEY. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. tornando-se crônicas. a dor torna-se a própria patologia. a freqüência. mas também é crônica. faz da dor um meio básico de pedir ajuda. n. isto é. possui um caráter subjetivo. pois se repete ao longo de muito tempo. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas. ou então. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele. A dor crônica tem uma longa duração. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. 1992. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. a intensidade. apud LOBATO. Sem ela. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. Aos dez meses. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. p. também são fatores que aguçam a dor. Assim. comunicada a outra pessoa. 1999).166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. que aumenta a sensação dolorosa. causa uma contração. Num terceiro e último plano. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. tanto física quanto psíquic a. Sendo assim. Jan-Jun 2005. a qualidade. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível. Ano 1. a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor. Ao se pensar no que a dor expressa. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor. sensitiva e emocional. já um outro plano. Vol. Segundo GUIMARÃES (1999). Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A aguda tem duração relativamente curta. 1992. SZASZ (apud LOBATO. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. por ocorrer em episódios de curta duração. um problema a resolver. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano.165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). As dores podem ser classificadas e categorizadas. essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. Suas vivências. p. Tradicionalmente. 1. A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. ou não compreendido. Quando a dor se torna intolerável.

D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer. Com quatro anos. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. da punção venosa. pois já percebem o mundo de forma concreta. sem treino especial. infiltração ou metástase. (p. respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. Da mesma forma. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido. é preciso que se mostre à criança. (GUIMARÃES. em muitos casos. por exemplo. Ano 1. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. o receio do que está ocorrendo. do mielograma. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida.252). A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. os quais. (p. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. Visto isso. a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. faz-se importante que em todo processo de tratamento. 11 . Para tanto. p. diante da dor e de eventos estressantes. Utilizando os recursos lúdicos. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia. Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental. provocada por compressão nervosa. alguns tumores podem ser inicialmente indolores. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor. busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família. Portanto. como dor de cabeça ou ferimentos. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos. sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . Belo Horizonte. . dor posterior à radioterapia. 1.originária da invasão do tumor . LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor. Sobre as especificidades do câncer infantil. Segundo GUIMARÃES (1999).256). É importante ressaltar. gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. Vol. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea.De dois a seis anos. ao se falar de dor em oncologia pediátrica. que. quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. n. do desconforto durante e depois da quimioterapia..uma sessão de coleta de sangue para exames. ansiedade e a lidar com a dor. Ao que se refere a dor advinda da doença. além de conforto e segurança.132).e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica.. todavia. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores. 1999). Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença. o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos. A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. pode exacerbar a percepção da dor.1. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos. D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença. garantindo-lhes. mas coincidentes com a patologia. Jan-Jun 2005. Portanto. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer. por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer. passando a doer com a progressão da doença. 1999. as crianças definem a dor em termos perceptivos. etc.

tão honesto e completo conforme ela possa compreender. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga. Assim. 1. 12 . acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. . ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor. É assim que. não pode ter medo”. REDD ( apud LORDELLO. 1999. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. não há um controle satisfatório da dor. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. Belo Horizonte. Vol. Tentado fugir das próprias emoções. segura. comunicada. inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. ansiedades e medos não são negados. Portanto. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. que desperta comportamentos protetores e agressivos. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. Entendendo dessa forma. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. incluindo aqui não apenas recursos analgésicos.28). Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. Ano 1. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença. Entretanto.. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. A criança sente-se reconfortada. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Suas fantasias. onde os procedimentos são vistos como ataques. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças. menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. temendo viciá -lo. Entretanto. a dor pode tornar-se refratária a medicação. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. A experiência da dor. Da mesma forma. pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos. onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor. castigos e ameaça de castração. principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas.. 1999) coloca q ue. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. Jan-Jun 2005. complexo e subjetivo é sempre expressa. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional.É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. P. Dessa forma. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor. havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. inúmeras vezes. a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências.há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. atualmente. (GUIMARÃES. além de possuir caráter único.1. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. o alívio da dor. n.

Lisboa – Portugal: Moraes. O. M. (Org. R. Jan-Jun 2005. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica). LORDELLO. M. (Org. LOBATO. TORRES. 1992. In: CARVALHO.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A criança. M. de.com. R. M. In: MELLO FILHO. de. J. 1999.. a doença e o hospital. Vol. Psicossomática hoje. 1999. M. S. FREUD. São Paulo: Summus. da C.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. M. São Paulo: Summus.) Dor: um estudo multidisciplinar. A Criança diante da Morte: desafios. M.) Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo. M. T. (Org. São Paulo: Summus. Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. M. W. In: CARVALHO. M. In: CARVALHO. Belo Horizonte. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. 1. J. Introdução ao Estudo da Dor. 1999. 1978. de. n. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. GUIMARÃES. J. 13 . CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. S. O problema da dor. S. LORDELLO. M.1. Ano 1. A. S.) Dor: um estudo multidisciplinar. Porto Alegre: Artes Médicas. J. 1999.

médicos. 1. desta maneira. de estar com os familiares. Isto. que passa. Em consultório.. Assim. horários. na grande maioria das vezes. partin do do reducionismo de que. PRIMEIRO EIXO Neste eixo. e. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. fisioterapêutas e outros. sendo definido pela resolução da problemática. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. O que as caracteriza. as dúvidas que daí emergem. são frequentes. pelos tratamentos e pela reabilitação. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. portanto. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. aquilo que as leva a actuar. Assim. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. em consultório não são abordadas. entre as duas situações de atendimento psicológico. Não se prevendo. Em consultório. de se divertir. tira-o do convívio familiar e dos amigos. deste modo. bem como dar assistência aos familiares do paciente. auxiliares de enfermagem. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado). consigo próprio) de cada sujeito. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. por nós definidos: o do sujeito. deste modo. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. por parte do pessoal de enfermagem. como por exemplo. as questões relativas ao processo de adoecer. Há dias. Ano 1. n. visitas. pelos mais variados motivos. Desta forma. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações. isto é. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. quaisquer interrupções. ou seja. presentes. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento. deste modo. bem como um tempo de duração definidos. p. mas o objecto. as emoções. desta forma. 14 . Não temos. tal como acontece na psicologia hospitalar. não é o seu objectivo. com frequência. os medos. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando. Assim. No hospital. pelo menos. as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). faxineiras. relativamente. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades. muitas vezes. Uma vez que. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo.1. Jan-Jun 2005.15) Poderemos. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. É ele que. aqueles que precisam de apoio psicológico. em meio hospitalar e em consultório. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. e onde as interrupções. pela hospitalização. E. O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. também. os assuntos abordados nos diferentes contextos. o do setting e o da iminência da morte. dos médicos e até dos familiares. com os outros. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos. ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são. isola-o) e.” (Alamy. para as sessões. Belo Horizonte. então. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. para o seu bem).. uma vez que agem em contextos diferenciados. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. de alguma forma. Vol. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam. supostamente. tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e.). Estamos.

com isso. deste modo. gerando constrangimento e fazendo-o se calar.33) Pois. ou mesmo visitas. a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. não é simplesmente a perda. pois deparamo-nos com doentes diversificados. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo. ainda. Em consultório. p. sem escolha. Desta forma. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso. etc. utilizando também informações das áreas de Medicina. também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. p. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. é um aceno para a morte. não conseguem fazer desenhos. como um profissional da saúde. existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. se a vida tiver um fim. Jan-Jun 2005. p. p.” (p.6). condicionado ao tempo de internamento. sendo elas destras. E.64). a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar. Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. O que levanta em nós outro cuidado. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross.14). “No nosso inconsciente. “Na morte. O conhecimento de técnicas de relaxamento.60). Ou seja. 1995. Belo Horizonte.1. Kübler-Ross (2002). No entanto. Enfermagem. ao contrário do que acontece em consultório. ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido. (Kübler-Ross. o soro pode estar colocado na mão direita e. n.153). buscando sempre o bem estar individual e social. a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. Portanto. nas crianças. também ocupa um l gar particular. é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross. abordaremos a diferença nos atendimentos. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. Trata -se de um momento em que a nossa presença física. quanto à presença da morte. de vez em quando. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. entubado. Nutrição e outras áreas afins” (Campos. Vol.62). mas a morte é temida e vista como um tabu. São todos estes aspectos que vão ditar os dias. Também. sonolento devido à medicação. o que nos assusta. 1. por exemplo. Criando. mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. Para além disso. muitas vezes. tenhamos que encará-la. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. com o silêncio que vai além das palavra.282). O processo de tratamento está.atendimento. 1995. “Toda a doença é uma ameaça à vida e. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. pode estar com dores. p. deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. por sentir necessidade de fugir a essa situação. aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy. É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e. para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente. os horários e o tempo de duração de cada atendimento. este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance. até que. 2002). cartões com figuras).42). considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito. TERCEIRO EIXO Neste último eixo. 2003). podemos perceber que funcionários. todos. acabamos. em meio hospitalar. p. na maioria das vezes. p. Ano 1. Serviço Social. p. antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida. p. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos. 15 .42). pois é. só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia.

p. a recuperação do bem-estar do paciente. indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural. Também. E. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. Vol. 2003). Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. a prevenção. inclusive” (Campos p. atuando no hospital. foi dada assistência psicológica às filhas.1. T. Portanto. psíquico e sócio-económico. enfermeiros. acaba por ter um papel muito mais activo. olha para o sujeito como um todo.19). busca a promoção. da dramatização. o psicólogo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy. tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo. Ano 1. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail. havendo necessidade de conhecer a patologia. Só me retirei quando chegaram as filhas.” (Campos. P. por mim exercidos. Somos. Assim. ao bem estar da comunidade. que foram chamadas a seu pedido. Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. Jan-Jun 2005.61).doença e da internação hospitalar” (Alamy. deste modo. o psicólogo. religiosos e aos seus próprios parentes. Tornase. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. _________________________________________ * Este texto. mas sim a presença real e participativa. Campos. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . Belo Horizonte. do desenho ou da mímica (Alamy. muitas vezes.Formada em Portugal/Lisboa. quer através da palavra. Ed. assim. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos. como uma “pessoa” e não como uma “doença”. Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções. Martins Fontes: São Paulo. 16 . há momentos em que não só as palavras são importantes. permitindo que se veja o paciente como um todo. Muitas vezes me perguntou se já estava de saída. S. no meio hospitalar. estendia a mão.61).83). procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : . além do apoio psicológico que é prestado em consultór io. EPU: São Paulo. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. p.” (Campos. n. psicológica e socia . como uma unidade integrada. que fazemos companhia e. (1995). nos seus aspectos físic o. o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos. Kübler-Ross. no seu todo. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola.pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta.65). 1. para então poder responder com a ação adequada. p. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). (2002).Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. Pois. (2003). contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física. resulta de um processo de reflexão. que vai. o psicólogo. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico. Desta forma. C. Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. Portanto. do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos. p. Autor: Belo Horizonte. E.

do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas. compreendendo a natureza do sujeito doente. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa. dificuldades e limitações. Ano 1. 1998) 2 .yahoo. Jan-Jun 2005. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. com questões de ordem prática. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. na maioria das vezes. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. especialista em psicologia hospitalar. A atuação do psicólogo hospitalar inclui. Ensaios de Psicologia Hospitalar . onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento. aptidões. Os relatórios devem obedecer à ética. sendo absolutamente sigilosos. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar. Vol. descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. informando-se do diagnóstico médico. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. 1991) 1 . 19. além dos seus atendimentos dos pacientes.com. previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. onde o mesmo deve observar os doentes.a ausculta da alma. Temos. para. medos. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares. a atuação das pessoas naquele lugar. grau de risco de vida. ausência do trabalho e outros.]. seus familiares. p. uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. 2 Ibidem. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. 17 . Belo Horizonte: [s. CRPMG 6956.1.br ALAMY. 28/11/2003. então. ** Psicoterapeuta. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais. portanto.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. Home page: http://geocities. pois. do prognóstico e propedêutica. Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente. então. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). 18. visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento. Belo Horizonte. 1. seus desejos. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física. mas o inverso. p. com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente.com. psicóloga habilitada em psicologia clínica. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. pois são patologias diferentes.n. ajudando-o a tratar/minimizar. 2003. Susana. não será o paciente a chegar no psicólogo. n. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). não podemos fazer clínica dentro do hospital. esperanças.

mesmo em situações onde essa relação. Por meio dessa. se pode ser analisado de diferentes ângulos. Vol. p. Assim. olhares.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos. sobretudo por profissionais.). Amatuzzi (2000. inevitavelmente. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta. é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão. gostaria de.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. foi meu primeiro contato com um paciente. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala. pois. por meio deste. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece. novos desafios haverão de surgir. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais. Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos. Afinal. além de uma. na prática. Fato comum. o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. nem de evitá-lo por meio de punições. 2 . assim tão pessoal.1. Nesse sentido. 1. Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal. apesar de sua grande importância. Jan-Jun 2005. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. Dessa forma. gestos.. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. sobretudo. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação. em atendimentos infantis. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. sob o âmbito teórico. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal. se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. de centro a centro.” (Macedo. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. fica difícil”. A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. Nestes. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. 18 . Belo Horizonte. Segundo o relatório da enfermeira.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I . o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso.. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. Esse talvez tenha sido o meu caso. n. a paciente de quatro anos e oito meses de idade. Ano 1. Com essa finalidade. “Se o erro faz parte do processo. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. brincadeiras. o silêncio. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. portanto. Além da alta ansiedade. 1994. em especial. é algo extremamente distinto de sua execução.REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. ou melhor. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica. mas de problematizá-lo (grifo meu). Falar da importância da verdadeira escuta do paciente.75). de coração aberto a coração que vai se abrindo (. Diferentemente dos demais atendimentos. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira.. Devo frisar que o relatório original foi conservado. p. os erros consistem de partes do acerto. já que. Dentre elas podemos citar os desenhos.. Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente. No entanto. transformando-o em uma situação de aprendizagem.

da mãe e da tia. Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. Este viera à noite. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. não” (sic). No entanto. respondeu. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. Logo. “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. por motivos desconhecidos. me olhava nos olhos. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda. ao contrário. Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter. Demonstrei com a caneta posteriormente. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. fez o mesmo na superior.1. 1. Belo Horizonte. vi-me obrigada a fazer alguma coisa.V. nada doeria. Depois desenhou um X sobre a porta. “Igual ao sol. ué!”. Pediu -me para desenhá-la novamente. Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. uai” (sic). Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. Esta afirmou que trabalhava na escolinha. gritava e esperneava muito. apenas a segunda permaneceria com a criança. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. “ Doeu muito” (sic). A menina não respondia. um armário foi feito por baixo dela. Sacolas. Posteriormente. uma enorme boca. indaguei. diante da situação de urgência. uma intervenção do pai desviou o assunto. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. Jan-Jun 2005. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. abaixo dela. observei que uma garota chorava desesperadamente. Ano 1. filha?”. questionei sua finalidade. Na terceira folha. A partir daí. Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina. algumas alças foram acrescentadas. Após a saída do pai. Respondeu-me negativamente. Afirmou ser do sol. 19 . Pediu -me para também desenhar a chuva. Quanto à patologia apresentada. A menina. fez um retângulo com dois quadradinhos. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta. no entanto. Por cima deste. Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. Respondeu-me que era de sua casa e que. aquela tinha pneumonia. mas continuou ansiosa. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. “Para i r trabalhar” (sic). o que poderá ser confirmado posteriormente. Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá. A garota aparentou compreender a diferença. Indaguei acerca da origem da televisão. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. Esta logo se prontificou a desenhar. esboçou um rosto feliz. com muita dificuldade. Ela pensou um pouco e concordou. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. do BOCUDO. no entanto. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá. n. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. Depois fez um X em cada buraco. Igual a quem?. Minutos depois de chegar à enfermaria. assim como a maioria das crianças daquele andar. Disse ser uma boca má. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. havia um guarda-roupa. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ela não me pareceu incomodada com isso. “O sol faz xixi e cocô” (sic). Custava a desenvolver o assunto e. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. “É para proteger da chuva”. Depois acrescentou um sol. vários elementos foram introduzidos. Indaguei quem seria o dono da boca. induzia constantemente as respostas da garota. Quando repeti o que ela me havia dito. Em seguida. mas uma janela. corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. Posteriormente. Vol. A criança começou a falar da nuvem. mas aqui (cateter). Disse-me que esta nos deixa no escuro. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. Em seguida. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital. Após alguns instantes. Contoume uma história sobre o bicho-papão. disse. Nesta.

Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. Carolina?”. segundo ela. Durante o atendimento infantil. Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. após escutar o pai. Entretanto. Visto assim. a garota parecia estar bem. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. Diante disso. sorridente e comunicativa. Pedi que me contasse o que estava fazendo. encerrando o atendimento.espada dele e esfaqueei ele” (sic). CASO 2 O segundo caso. sugeri que desenhássemos. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. Meu desejo estava constantemente presente. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente. À medida que o tempo passava. Esta. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. procurei confirmar se havia ouvido direito. A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. Ela preferiu desenhar em seu caderno. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). não conseguia identificar nem as formas.CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. Insisti em continuar o atendimento. Em seguida. Em seguida.1. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. Fechei o caderno. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta. não conseguia compreendê-la. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. Disse que era o “bola 7”. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. Começou desenhando alguns círculos. tampouco suas explicações. Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. Num dado momento. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. parecia ter a língua presa. Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. Ano 1. Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. Voltei-me. é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. completou que gostava de levar couro. Retomando o fato inicial do atendimento. dado o caráter da pergunta. logo começou a conversar. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. Como procedimento de rotina. Em um dado momento. pertenciam ao bicho-papão. Após tais experiências. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. Num dado momento. Lamentavelmente. Assim como ela própria pretende adquirir uma. Ela olhou-me concordando. pertenciam ao bicho-papão. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. Até que seu pai chegou. Voltando ao desenho. Tal compreensão é. a ponta de seu lápis quebrou. Todavia. portanto. segundo ela. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. Movimentei a cabeça indicando que sim. Jan-Jun 2005. No entanto. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). Era um dos poucos que ainda escrevia. Ademais. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. 20 . Quando indagada sobre onde o pai estaria. essencialmente. de um amiguinho na escola. desenhou um vaso e o suporte para o penico. 3 . rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. Em várias páginas esboçou figuras diferentes. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. n. assim como no anterior. No entanto. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. um fator inibitório da escuta. Muito assustada com aquela frase. Explicou-me que era para ele fazer xixi. Acrescentou um penico abaixo do sol. Olhos grandes que. 1. mesmo não compreendendo quase nada. então. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. Vol. Falou. Mais uma vez citou a história das facas. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado.

àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências. Pensando nesse aprendizado.ed. 4. Manoel de.LAPLANCHE. o que requer um intenso aprendizado. Afinal. O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. ao contrário. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. Pensava nisso.MACEDO. São Paulo: Casa do Psicologo. Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos. PONTALIS. 1994. Numa situação como esta. Jean. Ano 1. Belo Horizonte. 2001. 4. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. E-mail: pricasaleme@uol. 8. Jan-Jun 2005. Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado. por já ter realizado bons atendimentos com adultos. Por uma psicologia humana. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. sobretudo. período de psicologia na UFMG. 2000. mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde. J. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. Afinal. à transferência deste”. como um todo.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . Por outro lado. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento. Ciente de todas as limitações. Por 1 sermos pessoas. no mês de agosto.” (Manuel de Barros.com. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. 21 . Na época em que o artigo foi redigido. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. A atuação do profissional prescinde. Atentando-nos mais à criança. afirmo com muita alegria que. portanto. 2000. Lino de. 3 . Vol. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos.br Termo utilizado por Freud para apontar. grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los.ed. Mauro Martins. a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento. persistirei. n. na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo.1. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade. sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso. segundo Laplanche. como diria alguém que não entende apenas de poesia. 2 . Campinas: Alínea. sobretudo. Pontalis e Lagache (2001).ed. Vocabulário da psicanálise. Ensaios construtivistas. Rio de Janeiro: Record. No entanto. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . sobretudo. 1.AMATUZZI. da escuta flutuante. na clínica infantil. no entanto. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. LAGACHE. mais particularmente. Daniel.BARROS. B. 4 . Hoje eu desenho o cheiro das árvores. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. Ao contrário do que se costuma pensar.. O livro das ignorãças. São Paulo: Martins Fontes..

tive que fazer o papel do psicólogo. 24h. vai morrer”. especificamente em CTI. Ele balançou a cabeça. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”. Mas. do seu objetivo. 22 . você vai para o CTI. no caso. na maioria das vezes. paciente e sua família são privados de afeto. os familiares desesperam-se. não se esquecendo o lado psíquico. naquele corredor frio a espera de uma noticia.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. que está bem assistido. E você ali. para viver além do lado biológico. se não fosse eu. Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI). Eu disse-lhe: . verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. seja ela qual for. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . CTI. Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. tendo. exatamente. por dia. dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI. Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. ele está morrendo. meu pai. A VIVÊNCIA No hospital um familiar. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares.1. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. enfermeira. o grau de angústia eleva de maneira súbita. Paciente. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. lugar gela do tanto no físico como no afetivo. atenta a qualquer movimento do paciente. estendeu a mão e disse-me com um tom. que tem como função minimizar a angustia. Que dêem atenção maior. Palavras Chave: CTI. do toque. Jan-Jun 2005. Mas como ser profissional. o porque de sua transferência e estada lá. num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. o desespero. nesse caso. e o porquê. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: . uma profissional de psicologia. Nesse momento. Ano 1. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. Família. você é profissional ou familiar? Então. se na realidade.Pai. e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. ausência de contato com o mundo. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. um médico e toda a aparelhagem necessária. e lá do lado de fora.SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). que o foco é o paciente biológico. eu respirei fundo. infelizmente. igualando. esse que está naquele local e não sabe onde. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. ou seja. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. principalmente. Onipotência. de carinho. 1. Psicólogo hospitalar. E. peguei a mão dele e fiz meu papel. o qual. n. por isso necessita de aparelhos. E dá as costas e sai. Vol. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo. de todos estímulos. não posso ficar lá com você. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia. Belo Horizonte. E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo.

ou seja. Horário de visita no CTI. O médico vem. Entrei. nos seus medos. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria.1. seja o tempo que for. então. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência. naquele lugar impessoal. do apoio familiar. despedaçada. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele. mas não podia. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. Peguei os pertences dele. de mãos dadas com papai. na ignorância do diagnostico. cheio de aparelhos. uma pessoa que já conhecia um CTI. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. São 21h. peço para falar no CTI. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente. aí disse: . aparelhos e principalmente o papai inconsciente. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro. insegurança.Vai papai. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. Longe. Chegando na porta. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). e logo desliga o telefone na minha cara. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. na frieza dos médicos e da sua equipe. uma parte de mim entrou com ele. pela proximidade da morte. Jan-Jun 2005. ainda necessitando de um apoio psicológico.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. n. ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. disse que sim. 1. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. eu. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente. Vol. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado).” Nesse instante. que noticia é esta. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. hora do boletim médico. Como fica essa família. eles desesperam-nos ainda mais. Deus. de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio. tinha. tenho certeza). de dar um apoio. tem-se a impressão de despedida. super magro. Meu coração dilacerado.25min. com muito carinho. fui ao seu lado. sem informações. Sinceramente. e. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele.. Essa profissional não teve o tato. de mãos dadas. obrigada. ainda quentes com o calor do seu corpo. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. o mais importante. principalmente. tem que dar uma atenção maior à família. Belo Horizonte. estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. mas. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor.filha”. 23 . fala do boletim médico do dia. Resultado: noite em claro. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. era para ligar e tomar conhecimento. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. colocar tudo para fora. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido. eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. castrado do carinho. que tem vivência em um hospital. em alguns lugares. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. ele está sentindo sua presença familiar. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. e para os familiares? Esses. paramos. Eu. mas pelo lugar. E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. Anteriormente. desesperada e vivendo na terrível ignorância. mas ela ainda. dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. e isso eram exatamente 15h. pelo seu sofrimento. mas como filha queria chorar. abracei. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. amarelo. acho que consegui fazer meu papel. ali. mas que nunca teve um familiar lá. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. perguntou sobre a minha família. que passar segurança para o papai. haveria o boletim médico. O enfermeiro diante do leito. Nesse momento. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. Nesse instante. não só pelo sofrimento do seu familiar. Eu ligo e a telefonista atende. Meu DEUS. naquele corredor frio e impessoal. o sofrimento dos outros. nunca subestimem a sabedoria do outro). contido. disse: “olha. que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. como todo ser humano. ela pergunta o nome do paciente. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. desespero. E. extravasar meus sentimentos de medo. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. até a porto do CTI. Ano 1. que às 21h.

e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente.com. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. Ano 1. tranqüilidade. aquele que é realmente um “profissional”. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então. tristeza. n. impotência. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. sim. deixo. Só que ele tem que manter a sua postura profissional. firmeza.1. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. e quando esse profissional vive.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. E que principalmente podemos. Mas. dos medos. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família.fazer com que o hospital. Vol. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente. Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa. em uma situação delicada de CTI. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”. que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail. 24 . sem sentimento e envolvimento algum. como eu vivenciei. 1. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra. o envolvimento com o paciente. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. Além do sofrimento do familiar. então desmoronamos. É obvio inicialmente. É claro que.. para não decepcionar o outro. Belo Horizonte. sente na pele. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. às vezes. para r epresentar seu papel de maneira adequada. Jan-Jun 2005. aqui. ou qualquer outro órgão da área de saúde. da angustia. vontade de chorar e medo da perda. age com prudência. elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo.

recebem cuidados ou fornecem cuidados. for being a continuous process involving every team of health professionals. abandonando a sua passividade. pessoas das mais variadas individualidades. das parteiras. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. humanization. então. subjetivo. hospitalization. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. com suas particularidades e subjetividades. 1. can influence in the Humanization. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. acima de tudo. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. pela equipe e até pelo Governo. Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. in the hospital context. que sofre. fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização. Ano 1. a larger understanding and acceptance of his disease. o homem continua sendo humano. mas ela me dói. realmente é. Vidas humanas. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. Porém. cure. através do vasto material encontrado. uma vez se tratar de um processo contínuo. Key-words: to get sick. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. o que seria? Um instrumento terapêutico. de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. n. então. que sente dores e. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. Jan-Jun 2005.1. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. finito. 25 . psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. E o Hospital. Já saímos do período colonial. Lançando mão. se todos quiserem colaborar. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. cura. do médico da família que atendia em casa. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. talvez. Vol. apesar dos avanços. collaborating for his re-establishment. À Psicologia . humanização. for the own Institution. Belo Horizonte. tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. proporcionando ao indivíduo. for the team and even for the own Government. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. We also intend to show as the psychologist’s performance. pois . Palavras-chave: adoecer. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde. colaborando desta forma para o seu restabelecimento. Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. atuação psicológica.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. abandoning his passivity. dessa pesquisa bibliográfica. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. trabalham. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. hospitalização. quer seja pela própria Instituição. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam. Utópico? Não.

não era um meio de cura e não era conhecido para curar. que faz com que o grito de dor do paciente seja. Assim. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. 2004. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico. Um morredouro.. (Mezzomo et alii 2003. pelo menos escutado.79). multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. que seu conceito se torna complexo. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado. se não compreendido em toda a sua extensão. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. a taxa de mortalidade e a de cura.papel importantíssimo dentro de um Hospital. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim.. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se. p. Até o século XVIII. 1. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil. em diversos países.) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital. no segundo capítulo. ou seja. a pedido da Academia de Ciências. Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. é um direito e um dever de cada um. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. e no terceiro capítulo . Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos. uma vez que ela é um atalho. então. um caminho mais curto. Não seria. no entanto. p. Belo Horizonte. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão. p. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta. O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. 2004. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. porque sua abrangência parece não ter limites e. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar. Se este. Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. (. Vol. sobre o papel do psicólogo nesse processo. Nesta época.23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII. Jan-Jun 2005. Portanto. Era uma instituição de assistência aos pobres. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault. Esses relatores não são mais arquitetos. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas.80). desde a Idade Média. n. realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon. p. Agora. o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII.. 1993. entre outras. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. Desta forma. Houve nessa época. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer. Ano 1. entre 1775 e 1780. o movimento no interior do hospital.. para um bem estar de todos? Afinal.1. produz efeitos patológicos.. descobriu-se que não curavam tão bem. 26 . Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. estes devem ser modificados.) possibilita recriar e transformar. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências. na Europa. O hospital que funcionava na Europa. no final do século XVIII..100). o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo. surge um novo olhar sobre o hospital. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. Se há milênios existiam hospitais para curar. (. sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente.. para definir um programa hospitalar. a trajetória da roupa branca. discorremos sobre o processo de Humanização em si.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra.) e conviver com essa finitude(.

Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. Assim. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo. 2004. deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. n.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina. humanizado? Na verdade.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica. objetos preciosos. (Foucalt. Vol. Ano 1. 27 . mas também sociais. p. o hospital. onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita. psicológicas e outras. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. em 1974. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento.. uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. publicações e eventos científicos. humanos são atendidos por humanos. O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A razão de existência de um hospital.. Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. Belo Horizonte. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar.) de modo que o quadro hospitalar (. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência. No Brasil. Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. especiarias. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades. em um hospital pessoas atendem pessoas. ele é encaminhado a ela por humanos. força e apoio para uma assistência digna.1. 1993. p. Em 1957. como o entendemos hoje. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade.. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. encontra muitos e sólidos motivos. realmente humanizada. (Mezzomo et alii 2003. No ano de 1954.organização de um saber hospitalar. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. das mais simples às mais complexas. Todavia. isso não significa a humanização em sua totalidade... ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. ajustados. Jan-Jun 2005. além do seu objetivo de tratar as doenças. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP. um grande tráfico de mercadorias. permanecem separados até meados do séc. 1.. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. peças raras etc. Hospital e medicina.445).52) Com o decorrer do tempo. é cuidar da saúde da comunidade. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . Há portanto.) assegurar o esquadrinhamento. bondoso” (Koogan/Houaiss. Esses dois processos. a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. livrando-se desta forma da alfândega. Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. a vigilância. XVIII. Paris e outras cidades. então. p.

n. por mais rude que seja. saberes e humanidade.. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético. fazendo compras! Desta forma. 2003. p. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível.7). p. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001. sem amor. nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. torna o ambiente mais alegre. p. de igual modo.a vida. desertifica o ser humano” (Cembranelli. Os profissionais da saúde. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. independentes da sua função. Envolve circunstâncias sociais. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada. Na prática porém. o diferente e o singular. qualquer pessoa.1. necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. alegres e felizes. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001.. onde estaríamos saudáveis. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . é preciso exercer a criatividade. sem éticas. éticas. Todos precisam querer querer. ou deveria m. mais áreas verdes. “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. Indo um pouco mais além. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. a ação e o cuidado. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. andam de mãos dadas. p. não produz bem estar ou curas. mesmo que seja em um simples curativo. Todos precisam colaborar. educacionais. Belo Horizonte. desde o Governo até o mais simples funcionário. competência e cortesia. p. é a forma de atendimento. uniformes de cores mais alegres.cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. de todos os níveis.2). foi criado. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento. se é um homem ou uma mulher.11). Em 1974. “pelo contrário. o que se verifica. a reflexão. ou toda área de ralações humanas. mas faz parte de um contexto. o incontrolável.. se avalia e se aprecia ou detesta. É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. Em toda área profissional. O melhor hospital em tecnologia. Também pintar o hospital com cores mais vivas. religiosas. são as mais corretas. de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001. p. porém. “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste. portanto. Vol. imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. É só uma questão de querer. o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. tanto para o doente quanto para os seus familiares.53). culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. A Humanização nada mais é que uma esperança.). técnica e educação. Jan-Jun 2005. a grande maioria. 2). é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não. 1. portanto. e como tal deve ser vista. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. Na humanização. podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. Humanizar refere-se. nos EUA. se o paciente é um adulto ou uma criança. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. Ano 1.9). 28 . É claro que tudo isso contribui. Assim como ele (o artesão). perda ou luto. Ou uma vendedora numa loja de um shopping. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular. mais quadros nas paredes não significa humanizar. A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos.. É muito bom. menos frio. sem delicadezas. por que não dizer. o bom atendimento é imprescindível.

uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001. Jan-Jun 2005. p. foi apresentado. é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. JOSÉ SERRA. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais.5). que aceite os limites de cada situação. em Brasília -DF. Aspectos físicos. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários. para pessoas representativas da área de saúde. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração. A eficiência desse sistema. por ser médico. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. 1. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. tornando-os mais modernos. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados. possibilitando a oportunidade de propor. não só médicos e enfermeiros. mas.2001 e Portaria nº 202 SAS de 19.2001. Com certeza. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário.. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde.. observou que na avaliação do público. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar.. mas. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto. Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil.1. (Ministério da Saúde 2001. não funcionam sozinhos. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas. funciona muito bem. sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais. Valorizando a dimensão humana e subjetiva. Para tanto. que veio regulamentado pela Portaria nº 681.08. Para tanto.estudo da Medicina Humanizada. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas. Em qualquer atendimento à saúde. pelos profissionais da área de saúde. boa equipe de trabalho. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. Ano 1. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil. no dia 24 de maio de 2000. e para garantir esse direito. capacitando-os a promover a humanização do serviço.9). não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde. Belo Horizonte. Vol. E. Mas. aliados. sobretudo. é necessário cuidar desses profissionais . se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (. GM/MS de 19.5). houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. a forma do atendimento.08. p. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. Desta forma. 29 . presentes em toda ação de assistência à saúde. n. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização. recursos humanos. referentes aos maus tratos nos hospitais.). sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. numa área como a da saúde. que acolha o desconhecido e imprevisível. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema. um hospital com bons diretores. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas.. bons e melhores resultados surgem quando. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. p.

O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. Igreja. p. Não haverá humanização sem que se abrace o projeto. Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar.. 1. da assistência social à lavanderia. 2001. do médico ao porteiro. Assim. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. coletivo. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais. com especificidade. E.. um grande desejo. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. p. mais solidário e mais acolhedor.1. um percurso. assimilada pela mente. Toda mudança é difícil porque encontra reações.. p. Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho. Um atrito ou desentendimento. as greves. enfim. Governo.. o número pequeno de profissionais por plantão. uma crise qualquer. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática. uma história.64). emocional. Voluntários e Profissionais da Saúde. adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais. iniciativas tomadas. Vol. o cansaço. psíquico. O novo gera insegurança. que seria além do seu d ireito. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer. ou quando doente procura um hospital. envolvendo a relação médico/paciente. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. que receberia um tratamento mais digno. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia. do serviço de enfermagem à cozinha. da administração à limpeza. O tema central do PNHAH é o ser humano. um rumo. é uma questão cultural. a relação trabalhadores da saúde/paciente.. das relações humanas. Um estudo sério do relacionamento humano. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. espiritual (. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. 2003.. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias. rever e reformular conceitos.14). Ano 1. 2003. profissionais mais empenhados e um desejo. equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania . Belo Horizonte. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. projetos elaborados.. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa.101). sem distinção. ganhariam todos. os problemas familiares. o relacionamento entre as pessoas. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. 86) Quebrar paradigmas. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. Tudo na vida tem um projeto. Projeto este. Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. ou seja. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos. (Mezzomo et alii. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo. a baixa remuneração. o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa.. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. Não se trata apenas da relação médico/paciente.credenciada ao SUS. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. à recepção. necessária se faz uma conversão de valores. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania.. maravilhoso e necessita. Comunidade. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. de ver os nossos hospitais humanizados. a desmotivação. uma educação permanente. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. e os profissionais dos hospitais. Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. Jan-Jun 2005. a falta de tempo. n. mental. Muita coisa já foi feita. podem se considerar um grande desafio. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003. propostas levadas à diante. em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. O usuário .) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii. 30 . p. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos.

pois a sala é muito fria (.. Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar.. sou filho do mesmo Pai... mas...... faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital.) então.)... Ano 1. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte.. que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor. Porém. sei que a utilidade e a intenção são boas..às. edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”..) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (.. como também com a sua família.. eu queria... Vol.horas... respeitem o meu pudor (.. o paciente pode ter sentimentos como: desamparo..) e vocês nem percebem.)... De igual valor é a linguagem entre essa equipe.....).) quando me passarem para a mesa de cirurgia. com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo ..) silêncio. (..) respeitem o meu (.. Fazer piadas com meu ronco. Afinal. só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista. de Evaldo D’Assumpção: . para mim. tudo é estranho.)! Se a anestesia for local ou regional. vai correr tudo bem. criatura do mesmo Criador.. Belo Horizonte.. vergonha..... não vê a minha angústia... 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (. continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (. Respeitem também o meu medo (....). vou tentar novamente. .. confusão... um sorriso.. que iremos operá-lo”.Mas Dr. desta forma. Lembrem-se de cobrir-me (. e. pois ficam com aqueles aventais longos...) certamente entenderei... quando me levarem à sala de cirurgia. Não sou apenas um corpo doente. continua escrevendo e não me vê... política ou programa de TV (.) Quando forem me preparar. . quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano.. diferente e (.Dr.. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra.) por favor.) futebol. se possível. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida. mas.. Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas.. 1.. por mais triste que seja.). Além disso.).. Mesmo anestesiado e inconsciente. CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR. ouça-me !!!!!!!!! . o seu corpo e até o seu silêncio..... entre outras. mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo. Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe..) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo. (..(...1. tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (.Mas Dr..) mesmo sabendo que são profissionais (. permite uma leitura de que além do sofrimento físico.Fique tranqüilo.. por ter adoecido.ser tratado com mais dignidade.) ameaçador. se o senhor ou um dos membros da sua equipe (. tudo é novo e assustador.)! Por favor.. medo.) Se me explicarem em linguagem compreensível (.)..) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo. estiver ao meu lado... n. E incidentalmente não desprezemos a palavra. nesse campo profissional cheio de surpresas....) por favor... piadas. tenham paciência comigo (...) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (.. Se pedir para esperarem um pouco.dia... a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo..) se a anestesia for geral (. só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (. mesmo não sendo minha primeira vez. (Sigmund Freud..) . Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência ... Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura. Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente.).. (Mas ele não me olha. independentemente de ser um paciente particular. A humildade do não saber ou do compreender que erramos... .. poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia. afinal é muito desagradável ver-se despido (.(... com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (.. colocando. (. algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (... será pouco ético e humano. A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico.). 31 . Finalmente.). afinal. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (.. com meu corpo. por favor. rico ou um anônimo qualquer (... nos torna mais sólidos em nossa experiência.. invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença... façam (.. Jan-Jun 2005.. por favor. poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado. o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala.

2001. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa. com menos técnica e com maior poder de escuta. por exemplo. 2001. 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch. Em um hospital. Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. conseqüentemente. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada. n. dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. p.100). p. nas interconsultas e. desta forma. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura. p. Vol. com o doente e não com a doença. O psicólogo. a dor d’alma (. pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. visto que.180). Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy. Belo Horizonte. AVCs.(. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização. Lida. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo. As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas. A Psicologia fornece condições. 1993. desta maneira. Desta forma. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo.1. 2001. No processo de humanização. Como se sentiria um paciente hospitalizado. p. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados. câncer.) de tais pacientes (AngeramiCamon. após ter sofrido inúmeras perdas. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos. uma doença não tem apenas uma etiologia. além dos sintomas. Ano 1. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia. p.463).. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas.. com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente. 2001. p.. o psicólogo.28). tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão.. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. pois vê o doente como um todo. 32 .465). Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS. 31). Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento.16). torna-se indispensável no processo de humanização.. 1926. p. 2003. O psicólogo cria. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos. 1. Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. ao lidar com o doente. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. Jan-Jun 2005.contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros.). mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon. as possibilidades para o surgimento de um novo ser.). O estigma de doente (.

) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital.) não vem sozinho ao hospital. perdas e lutos. é o cliente que procura os serviços psicológicos. 1. p... com ele vem a doença. 1993 p. desta forma.O paciente com a hospitalização sente-se assustado. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte. 22 e 23). contribuindo desta forma para uma inter-relação família.21).. de emergência. Belo Horizonte. Nossa convicção é.. outorgando-lhe seus direitos de vida. com problemas que envolvem posicionamentos éticos.. O estar presente é a certeza de um apoio. o ser humano.. fragilidades e exposições (. 33 . é uma necessidade e.) medos... quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade). Jan-Jun 2005.” (Leitão. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. 1999. atrás. mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria. Não estaria aqui neste texto da autora.... O clima é de expectativas e até de medo. (.. 1999. o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados. “É necessário que a relação com os outros profissionais (. 2003. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes. É importante que o psicólogo (. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (.42). Suas angústias..) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (. fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores.. Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia. E lá perdido num canto. Atuando numa equipe multidiscip linar.). 74). é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli. desamparado e conseqüentemente fragilizado. e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (. cita a busca da qualidade total (. p. lidando melhor desta forma. Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano. diferente do hospital. com direitos e deveres. A sua atuação deve abranger também a família do paciente. E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber. Vol. Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar. paciente e profissionais da saúde. No consultório. que a ética. 2003.). fantasias. Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma.... (Romano.. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. p. poder falar e saber ouvir (ter liberdade). com a própria doença. Ano 1.) e toda equipe de saúde... com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade). A hospitalização não é uma opção. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento.. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy.250). p. num corredor. O indivíduo não é um ser isolado (. Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente. muitas vezes. amenizando a sua internação e suas dores.. o ajuda também a renascer. o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor.1. no bloco cirúrgico ou na UTI. invasivos e dolorosos..) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital. o paciente se entrega em confiança.. O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos.) e nomeia as regras do jogo: (. Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida. n.

S. 2003. Ano 1. permitiu a aproximação com essa realidade. da dor e do adoecer. Todavia. Não estamos encerrando um processo. p. Vol. n. Psicologia Hospitalar. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. 9. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente.M. 34 . permitindo-o participar do seu processo de recuperação. não temos condições de concluí-lo. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado. de nos tomarmos mecânicos e frios. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. 7. aos quais dedico este trabalho. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. do desenho ou da mímica. usufruem. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio. além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. Decodificar o não-dito. hoje. no vai-e-vem nos corredores do hospital. é a certeza de que há sim muito a ser f eito. Dar suporte ao doente e sua família. Quanto às crianças. e Ismael. 1995. de uma Humanização real. de uma brinquedoteca. Desta forma. Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento. 8. foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. Percebemos com clareza que estamos apenas começando. Totalizar o paciente. a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. 2. Susana. Rio de Janeiro: GMT. o que nos deixa radiantes.F. Jan-Jun 2005. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade. uma vez já haver muita vontade de ação. R. M. O amor é contagioso. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. 1998. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. ou seja. corremos o risco de perder nossa humanidade. longo caminho a ser percorrido. 7. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ao chegar a esta etapa.. No dia-a-dia. seja através da palavra. no momento do diagnóstico médico ou da internação. Belo Horizonte. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). onde podem. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento. seja na internação ou no ambulatório. 3. em meio das urgências e emergências. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1. médico. de humanos mais humanizados. avaliando as demandas. Realizar este trabalho. conceitos que são para nós não chavões utópicos. mas há muitas esperanças de sucessos. na maioria das vezes. uma grande conscientização e muito já colocado em prática. Patch. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença.W. p. 1. O nosso contato com os hospitais. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. Mas.21-2). Disponível em: http://www. demos o primeiro de muitos passos. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente .respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto.1. como argumentamos anteriormente. mesmo que ainda tímida.psicologia. da dramatização. Dar significado. (Alamy. entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. 5. 4. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento. sejam do paciente. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza.52). Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6. 2001. através do lúdico. etc. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar.ed. tanto desperta nosso interesse. ALAMY. de um atendimento mais humano. mais que um desafio.

São Paulo: Loyola. COSTA. Rio de Janeiro: Delta. São Paulo: Pioneira. Valdemar Augusto (Org).ed. 2001. Mary J. ALAMY.com. Psicossomática e a Psicologia da Dor. ANGERAMI-CAMON. 2003. 2003. LEITÃO. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais. 2001. Susana. Susana. de. v. 2003. 1992. KOOGAN. 1995. Fernando. Silvia M. n. O psicólogo e o Hospital. ROMANO.ed. MELLO FILHO. CEMBRANELLI.ed. Ensaios de Psicologia Hospitalar . 1999. Acesso em: 23 out. São Paulo: Pioneira. São Paulo : Pioneira. Julieta.br. 1980. A Medicina da Pessoa. E a psicologia entrou no Hospital.1. A prática da Psicologia nos Hospitais.org. Valdemar Augusto (Org). ano II. Campinas: Papirus. São Paulo: Brasiliense. Bellkis W. Picossomática Hoje. BOTSARIS. 2003. São Paulo : Escuta. PERESTRELLO.ed. Rio de Janeiro: Atheneu. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar. São Paulo. São Paulo: Atheneu. São Paulo : Pioneira. FOUCAULT. Maria de Fátima P. n. ANGERAMI-CAMON. 1993. 3. Introdução à Psicologia Hospitalar. 1999. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. A questão da análise leiga (1926). Bellkis W. Brasília: 2001. 19. (Org). Vol. 1999. Valdemar Augusto (Org). HOUAISS. 2000. Urgências Psicológicas no Hospital. ALAMY. ** E-mail: leida@veloxmail. ANGERAMI-CAMON. ANGERAMI-CAMON. 1974.n. 1994. Danilo.gia_hospitalar. 2. Doenças do Corpo e Doenças da Alma. 2001. Jan-Jun 2005. Maria Cristina S. Pe Augusto A. São Paulo: Pioneira.Cury (Orgs). 1. Antonio. Michel. 20. 35 . Friedrich et al. Rio de Janeiro: Graal. ROMANO. Disponível em: http://www. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. p. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. 4. Aprovado em 22/11/2004. MEZZOMO. 18 maio 1992. Ministério da Saúde. 2004. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. 2002. Secretaria de Assistência à Saúde. O conhecimento no cotidiano. Belo Horizonte: [s. Júlio de. Antônio. Susana. Ordem médica e norma familiar. Valdemar Augusto (Org). Ano 1. Porto Alegre: Sagra de Luzzato. de (Orgs). Dicionário de Psicologia. Rio de Janeiro : Graal. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. LUCIA. Valdemar Augusto (Org). Valdemar Augusto (Org).ed. São Paulo: Pioneira. M.ed. Alex. Rio de Janeiro : Imago. Orientadora: Profa. OLIVEIRA. 1993. Revista Insight Psicoterapia. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel. Sigmund. 1998. Petrópolis : Vozes. ANGERAMI-CAMON. 2001.]. Patrícia Constantino.a ausculta da alma. 1996. 18. ISMAEL. ÁVILA. Microfísica do Poder. 2001. São Paulo: Casa do Psicólogo. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. Abrahão. Belo Horizonte.176-243. 200l. S. et al. Adoecer: as interações do doente com sua doença. Jurandir Freire. São Paulo: Pioneira. ALAMY. 2. Rio de Janeiro : Objetiva.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 4. 2003. O Doente a Psicologia e o Hospital. ANGERAMI-CAMON. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. SPINK. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. FREUD.htm Acesso em: jan. L. DORSCH. QUAYLE. Psicologia da Saúde.portalhumaniza. Ms.

ocasionado ali pela doença e internação. percebo claramente. jan. Eis aqui. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. como eu. Limpem seus espelhos. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo. Vol. Nos primeiros anos da faculdade. que embasam nossos estudos universitários.. O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida. são nossos valores. posso permitir a ele que se olhe. formada pela UNIC. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção. ministrado pela psicóloga Susana Alamy. Universidade de Cuiabá/MT. o melhor. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. 1. independente da forma de trabalho. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas. falta de humanidade. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. Ano 1. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. esta figura de um espelho. Todos esses elementos mancham o espelho. com todos os que.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Vejo que não é um espelho qualquer. com o espelho limpo.. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . e corremos o risco de comprometer sua reflexão. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. O objetivo é de que a imagem seja vista. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. um espelho de reflexões. valores. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. veio-me à mente. são as sujeiras do meu espelho. 2 Psicóloga. 2005. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. os familiares e demais acompanhantes presentes. E-mail: santandreia@hotmail. na sua primeira atuação em um hospital. é não estar mais atuando no escuro. n. que possui várias formas e tamanhos. este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. Jan-Jun 2005. um relato de uma estudante que tornou vivência.1. mas sim. da pessoa mesma. a experiência desta neutralidade. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer. contratransferência. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho. As sujeiras do espelho. 36 . Depois do primeiro atendimento. que se veja e. Sejam espelhos de reflexão. Afinal. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. Palavras-chave: neutralidade. como todos me falam. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. Atendendo os primeiros pacientes. Belo Horizonte. entendendo-o como ser bio-psico-social. então. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. No ambiente hospitalar. Isto envolve o doente em si. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo. Quando falamos em espelho. pré-conceitos. Agora. No entanto. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras.

E quando a casa fica cheia. Sabe.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. C responde que passou a noite chorando. (pausa) Casei por dó também. para estar “mais”. Eu fico mais com os meninos. Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada.1. Ela diz que o marido não é muito de conversar. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. mas ao longo da conversa. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu. Em casa. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B. agora. A resposta foi sim. o meu mais velho está com a minha mãe. B. que a respiração estava melhor. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. era muito insistente. Por isso. Por exemplo. somente seu marido. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. mas que. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. todos gostam de fazer fuxico. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. e ela respondeu que. pela primeira vez. A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. Minha vida é mesmo só com as crianças. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez. Ela fala que sua companhia são os filhos. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. Então relata: “Pois é. o paciente estava dormindo no leito. Ano 1. mas ela disse que não.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. agora. dos remédios ministrados via oral . Ela está com 26 anos. No primeiro encontro. Jan-Jun 2005. diz que o garoto é bem mais apegado a ela. eu só fico rodeada de crianças. eu estava com dó. ela conta que sente muita vontade de chorar. (pausa). 37 . tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. Também fora questionado a ela. banho e outras coisas. já havia vomitado uma primeira vez. de certa forma.” C relata que se sente sozinha e chora muito. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. não trabalha. mas não quis entrar em maiores detalhes. acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. Vol. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. até que eu cedi. segundo ela. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. C. No momento do encontro a criança dormia. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. Belo Horizonte. que fora internado. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. mãe do paciente. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos. neste hospital estava bem. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. 1. Aí eu casei. com diagnóstico de asma. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte. de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. Ainda sim. não tem ninguém para conversar. a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. na primeira gravidez. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. vai dormir e não fica afim de conversar. n. gostava disso. não havia mais previsão de alta. no dia 21 de janeiro de 2004. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa.

Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. jan. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. que não conseguiu estabelecer. 38 . para ela ter com quem conversar. n. ela tem com quem conversar. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja. mas que depois passou. com seus “vizinhos fuxiqueiros”. E-mail: santandreia@hotmail. me importo mais com os outros. Universidade de Cuiabá/MT. eu não sei.podia chegar perto dela. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. não excluindo em hipótese alguma. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. mas ela já está com o outro. Contudo. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê.1. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. hoje. como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. Pode-se inferir um choro de solidão. que lá tem bastante atividade boa. 2005. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. Jan-Jun 2005. por algum motivo. Belo Horizonte. Só no dia seguinte ela viu a criança. Disse que. ela não queria ver a criança. o sofrimento do filho. Vol. por exemplo. prestando algum apoio. visto que este sentimento (infere-se). Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele. algum psicólogo tivesse conversado com ela. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. tinha raiva.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Claro. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. Você é quem chegou em mim primeiro. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja. Sabe. A rejeição deste bebê. Dentro do hospital. 1. e C disse que seria muito bom. Também tenho dó dela. Ela responde: “Tem minha mãe. A companhia das demais mães para ela parece confortante. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. relata que. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. Tenho dó do B também. Com base nisso. ela gosta do B. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. a de B. não necessariamente com o ambiente hospitalar. dó da sua mãe.” Na tentativa de ver possibilidades. quando o bebê nasceu. poderia ser outro fator a ser explorado. dó do seu filho. acho que foi. C: Acho que sim. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. Ano 1. na época. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. Na segunda gravidez. no passado. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. mas não participa sempre. A estagiária. e por isso o choro contínuo. utilizando a história de C. depositando na estagiária uma confiança. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho. Foi perguntado se ela gostaria que. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. Não agüento ver meu filho desse jeito.

eletrocardiograma.1. Que todos somos seus filhos. Estamos nós. 1. Remédios. Mangueiras. Várias camas. uma mulher de idade avançada. luzes . cor. geralmente. Alguém precisa de ajuda. Que todos nós tenhamos um bom dia. Excesso de remédios. Sem exceções.. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. Jan-Jun 2005. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. Do outro lado. Ano 1. Vários aparelhos. dispostas em locais estratégicos.. faço sozinha. parece que está sem lugar. Não é proibido não sentir. Vol. n. cada um com seu enfermeiro. Amanhece. seringas. Alguém podia fazer uma prece. Entregue-se ao que possa sentir ou não. quadro geral narrado. dormir. Conversa com o médico. Quem pode. água. cateteres. enfermeiros. Chega mais alguém. luz apagada. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la. leito. pressão. inconsciente. Num mesmo lugar. Soro dependurado. Este companheiro está melhor. Todo mundo. Enfermeiros a postos. Banho. não importa a cor. Mais uma olhada. Hora de dormir. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. O passeio acabou. Feche os olhos. chuveiro. Está agitada. Camas. _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. Hora de voltar. Todos temos aparelhos à disposição. Demais. sem sol. mas há luz. A sua frente. uma prece. Esse não tem a cara tão boa assim. a conquista da humanidade deste direito fundamental. É. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. Roupas de cama da mesma cor. lençóis. Não se mexe. Não é um discurso sobre a necessidade.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. 39 . Belo Horizonte. Olhe para o lado. Que não queremos ver a dor. Veja . café da manhã.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Idade. ele fala. Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos. temperatura. Não importa o nome. Vários de nós.

Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13. 40 . A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. bairro. Ano 1. Belo Horizonte. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. vez p Outras internações (período. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. 1a. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1. NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. Jan-Jun 2005. 1. CRISE – sintomas: 8. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. N. n. A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. hospital e motivo da internação): 7. DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. cidade. PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3. Vol. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19.. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14.: ( ) _____________________ 2. idade da criança. estado e CEP): 12. n.1.

n. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. patologia. Vol. Belo Horizonte.21.): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. 1. PERSPECTIVAS (ideais.1. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Jan-Jun 2005. Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22. RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23. História sexual (investigar se necessário): 32. como foi realizado tratamento etc. 41 . Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. Ano 1. desejos da criança): 34. Parentes próximos (investigar grau de parentesco.

Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9.PARA O ENTREVISTADOR 1. Informante durante a entrevista: 3. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. 1. Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1. Exame psiquiátrico: 2. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5.1. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6. Ano 1. 42 . Exames psicológicos complementares: 4. n. Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. Vol. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO. Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. de cômodos – especificar quais cômodos: 3. Jan-Jun 2005. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares. Belo Horizonte. N. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6.

br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16. Belo Horizonte. Jan-Jun 2005. especialista em psicologia hospitalar. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003).com. Home page: http://geocities. Plantas: p Não p Sim – onde? 11. n. Ano 1. Vol. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde.yahoo. Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15. 1.10. A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese. Aos leitores que quiserem colaborar. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14.com. Localização da cama da criança no cômodo: 12. psicóloga habilitada em psicologia clínica.1. 43 . a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo. CRPMG 6956. 2 Psicoterapeuta. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol.

br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.bvs.yahoo.br/sibi/ Unisanta http://www.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.html?princip al.gov.org Virtual books http://virtualbooks.dominiopublico.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.br/ USP http://www.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe.pucminas.cibec.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve.unisanta.br/ Prossiga http://www.br/ Biblioteca virtual http://www.saudepublica. Jan-Jun 2005.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www.ndc.gov.br/biblioteca/livros.com.br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.fiocruz.capes.usp. n.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.dir.b-on.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.bireme.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.gov.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.teses.org.bibliotecamultimidia.com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.org.uff. Vol.abnt.saude.prossiga.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.bce.br/library/index.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www.unb.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.pt/ Biblioteca multimídia http://www.html Unb http://www.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.inep.direitoshumanos.html Circulando o livro http://www.scielo.terra. 1.jsp Bireme http://www.prossiga.br/index.bibvirt.circulandoolivro.br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www.futuro. Ano 1.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001. 44 . Belo Horizonte.br/freebook/freebook_ frances1.org.periodicos.cict.bibliotecavirtual.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.usp.gov.1.usp.org.ibict.usp.prossiga.sistemas.

com.com.1. Vol.com.sip2005.br Site: http://www.com.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.spagesp.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.com/principal.org.com.yahoo.com. Ano 1. 45 .org.4cmp. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www. Jan-Jun 2005. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.br/ 3O. 1.hpg.usp.yahoo.br ou psicologiahospitalar@uol.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.adtevento.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes. Belo Horizonte.br e cordas@usp.br Site: http://geocities. n.4estacoes.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www.slaop2005.ulapsi.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel.com.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.com Site: http://www.org.br Site: http://geocities.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.htm 30º.cepsic.cipc2005. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.com.com.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www.

Belo Horizonte. teses. TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos. comunicação. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Brasil. Belo Horizonte. 290.com. 46 . sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. n. estarem digitados com letra Times New Roman. Jan-Jun 2005. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. automaticamente. na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. monografias. Vol. pesquisas. 1. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas. Prudente de Morais. bairro Cidade Jardim. relatos de casos clínicos. seja por e-mail ou pelos Correios. sl. Ano 1. tamanho 12 (doze). Minas Gerais. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. resenhas.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av.1. estudos. relatos pessoais. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos. 810. Estão de acordo com a linha editorial desta revista. CEP 30380-000. O envio dos originais. implica pelo autor. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão.

Ano 1. Número 1. Janeiro a Junho-2005 Formato A4. Volume 1. Jan-Jun 2005. Vol. 1. planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities. miolo com 44 páginas Idealizada.com. Belo Horizonte.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I. n. e-book.1.yahoo. 47 .

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