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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde. in: A História de Uma Folha 2 : “. vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo. O Editor 1 2 Tolstoi. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão. Obra Completa. p. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos. A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia. Leão. Buscaglia. sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença. Jan-Jun 2005.” (Tolstoi. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos.. iv . no contexto específico do adoecimento. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. A História de Uma Folha. pois é imperioso o estudo da psicopatologia.1. Ana Karenina. p. 1961. da antropologia e de tantas outras ciências. da sociologia. Ano 1. 2003.. 13. José Aguilar. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si. pois “.. Belo Horizonte. Rio de Janeiro. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante.) E não me tomem tão simplista.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares. Léo.Uma razão para existir – respondeu Daniel.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. Rio de Janeiro – São Paulo. Record. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir.” (. n. Vol. 1. 84).

n. v . Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia. cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. por meio de um símbolo (e também de um significante). pacientes. Vol. na realidade. comportamentos e sentimentos. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar.HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Hoje . o mesmo torna-se nome também desta revista e.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões. medicina. Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. corações). O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. saúde. Belo Horizonte. no esteio de sua trajetória. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado. a partir do seu nascimento. é que o Psicópio. constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e. mais uma vez.1. já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. que vem sendo executado ao longo de anos. proveniente da letra grega psi ( ψ ). E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. dá nome também a esta revista. doença. símbolo vinculado à medicina. agora. Ano 1. 1. levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar. representar. Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. Dessa maneira.com. Jan-Jun 2005. musicista e folclorista. com a mesma dedicação e afinco.

A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. e. . Ficamos expostos e vulneráveis. com o tempo. tristeza etc. amparo.. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. Por isso. ou seja. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. que o faz sofrer. este é calado e quieto e. Cada vez que ela se expande. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. pois não reclama das intervenções a submeter-se. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. a casca confinante tem de ser mudada. necessita do amparo do outro. Através desta busca. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. de dentro para fora. a seu modo. que interpretará. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor.. enfim. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. se. Vol. muitas vezes. dando-lhe. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. mas também efervescentes e embriônicos novamente. E de novo ele se sente desamparado. ou seja. é ser humano que deve ser escutado e amparado. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. pois não há quem lhe dê ouvidos. normalmente. “. na verdade. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. tornase de extrema importância. o que ele realmente precisa falar. a partir daí. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. deixando de ser objeto de satisfação do outro. de cada uma dessas passagens. mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. protetoras. quem o repare. se sairmos. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. n. dos exames que tem que fazer. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. Jan-Jun 2005. pois. muitas vezes também do seu acompanhante. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias. que necessita da intervenção de um terceiro. seus desejos e suas demandas. ser escutado e se escutar. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado.. Ele será capaz de escutar e. raiva. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. um novo revestimento vem substituir o antigo. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. Este encontro com algo que o machuca. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras. Ano 1. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. não há como sobreviver.. os sinais que o sujeito enviar-lhe. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. reconhecendo suas necessidades. invalidez. assim. e. também temos de mudar uma estrutura de proteção. ao nascer. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. entretanto. Mas para que fazer estas interrogações. principalmente.1. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. 1.O SUJEITO. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. entramos num período mais prolongado e mais estável. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. dando-lhes reais significados. Belo Horizonte. Dito de outra forma. É preciso que o paciente seja escutado.

Mas. provavelmente. 20. 4 QUINET. Vol.. neste momento em que o desamparo radical aparece..141. p. não conseguirá lidar. ao re-encontro da primeira experiência de gozo.4 Sabe-se que o objeto do desejo. pois são objetos d pulsão. ele não deixará espaço para a falta. é tomada no assujeitamento do sentido. ou seja. Mas. 7 . por causa disso. Mas.1. conduzida a tentar significar o que deseja”. suspenso à busca. n. novamente. 1992. sempre. I. é eternamente faltante. objetos que possam realizar seus desejos. a primeira experiência de satisfação do sujeito. O primeiro passo desta construção. e. cap. estará respondendo às demandas do sujeito. pois.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. exatamente. p. Portanto. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível.3 1 2 DOR. e. que a presença do analista se faz indispensável. portanto. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e. o sujeito pare de procurar outros objetos. o que prova a particularidade de cada um. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. ou objeto a. pelo contrário. Mas já a partir da segunda experiência de satisfação. nesta forma tão visível. p. pois. cap. cap. O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico... ao se contentar com isto. “. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”. E por isso o analista é chamado. “O surgimento do desejo fica. por causa dessa falha da linguagem. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e. o sujeito continuará sendo um ser da falta. segundo Lacan. a transferência. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. necessariamente. e seu pivô é o sujeito suposto saber. p. nos diz Lacan. a criança. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque. 1991. visto que. e esse sujeito é vinculado ao saber. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades. a perda de um amor ou a perda da saúde. 3 DOR. 20. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer. exatamente. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro. ele inic iará mais uma busca. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. é. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. por outro lado. nunca mais será alcançada ou repetida. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. ele está atrás de um Outro que seja completo e. como por exemplo. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. É. 1992.144.de mensagem destinada ao outro. Belo Horizonte. 1992. 20. com a qual ele. faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. pois ele nada sabe de seu paciente. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório.”. É. DOR. Não quer dizer que. Quando o sujeito chega até ao analista. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia.. Jan-Jun 2005. Ano 1. cap. ao colocar-se nesta posição. 1. as demandas e os desejos do sujeito. Por isso. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo. para além desta experiência. não há objetos reais que o satisfaça. “‘No começo da psicanálise é a transferência’. Assim também. 146. pois. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise.

Vol. 1. . mas que.. cap. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. eu sei que eu gosto. estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho. Jan-Jun 2005. n. mas. quando pr. ele continuará sendo um ser da falta. pressuposto à função do analista”.. suas e dos outros. O saber é. O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz. A ignorância douta é um convite não apenas à prudência. o que você acha? . permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. .Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também. Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL.. mas não sei se eu amo. muito mais do que a posição de saber. então. ..Ontem briguei por sua causa lá na oncologia. o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. pois o colocará frente a sua falta.Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . Belo Horizonte. No hospital. o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma. Disse-lhe que. assim que acabasse aquele atendimento. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele.1. é uma posição de ignorância. por causa disso.Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr. mas também a humildade. mas eu não sei se gosto dele.. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito. 1991. Sua posição.5 radical. pois. no entanto. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta. não a simples ignorância. e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: . com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda. .Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: . mas a ignorância douta.Você acha que você. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo.Lu. uma equivocação. e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio.Estava atendendo a uma outra paciente. a questão do desamparo radical está muito presente. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. que eles não queriam saber da nossa vida. Então eu lhe falei que não era nada disso. Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado. eu iria atendê-la. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante. Então ela começou: . Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’. 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. A frustração é algo que deve estar presente na análise.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio). se aproximou e disse que queria muito conversar comigo. pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”. mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas. Ele não ajuda em nada com o nosso filho. mas.“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber. normalmente.. No hospital. e assim passar a conviver com as faltas. aliás.Como é a relação de vocês? .Ela é boa. E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo. Frente ao desamparo radical.. p. I. estou pensando em me separar do meu marido. . Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. de uma melhor maneira. Lá em casa eu não aprendi isso. O DESAMPARO. Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. me perguntou: . eu acho que eu. Aliás. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. e. frente ao desamparo 5 QUINET. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr. Ano 1. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa.

Rio de Janeiro: Imago. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Silvia Elena. QUINET. então eu não aprendi o que é amar. Antônio. E-mail: lumsm@superig. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. mas eu não faço nada para estar com eles. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude. n. se ela voltasse outra vez. Cecília Andrés. 441p. DOR. pois. Caderno de Contos. 3. Você não sabe se você deixa. Encontrei-a um dia. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG. TENDLARZ. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla. Nossa. veio acompanhando-o. eu acho que eu não deixo ninguém me amar. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas. 4. quando deixá-las. precisará do auxílio de uma outra pessoa.ed. Ano 1. Jan-Jun 2005. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. como eu falei hoje. 203p. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 5. assim. pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise. Melo. E. 6. Introdução à leitura de Lacan. Sigmund. FRANÇA. 1987. eu não sei nem se eu deixo.ed. eu não sentirei que estou abandonando-as. E foi assim também com o meu primeiro marido. ela disse-me que não era para eu ficar brava. Vol. Orientadora: Maria Helena Libório B.. necessariamente. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. no estacionamento do hospital. muitas vezes. não é percebida por ele. 3. Tudo bem? Tudo. 1991. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros.. 2002. FREUD. 1. Porto Alegre: Artes Médicas. Sabe Lu.com.. de preferência um profissional da área psi.1. 211p. além de o sujeito sentir-se angustiado. 9 .br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.ed. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira. _________________________________________ Após este atendimento... De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. mas. então ela me chamaria. 125p. Ela não me procurou. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. para falar a verdade.. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam. 1992. 2. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital. 2. Eu amo minha mãe e meus irmãos. Na verdade. 1997. para conviver com eles. eu não o amava. 5. para isso bastava me procurar. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. As 4+1 Condições da Análise. quando perguntei como estava. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica. seu filho teve alta. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também. muitas vezes. Júnia Lessa. você me fez pensar muita coisa. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. CARAM. eu não sei deixar as pessoas me amarem. Joel. mas não queria mais ser atendida. 2001. e.. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância.ed. Já que você pensou muita coisa. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. ele não consegue lidar com isso.. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte.- - sustentar. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. assim. Belo Horizonte: UFMG. Belo Horizonte.

pois se repete ao longo de muito tempo.165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. ataque. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele. A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. causa uma contração. Assim. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. Ao se pensar no que a dor expressa. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas. faz da dor um meio básico de pedir ajuda. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. O sentir-se abandonado. ganhar o controle sobre eles. a criança. 1992. também são fatores que aguçam a dor. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. ou então. aviso de perda iminente do objeto. Assim. No entanto. tanto física quanto psíquic a. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. a dor torna-se a própria patologia. 1. tornando-se crônicas. Num terceiro e último plano. Ano 1. É aguda.1. mas pode. Segundo GUIMARÃES (1999). ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. a intensidade. etiologia e duração. um problema a resolver. ou não compreendido. 1992. expressar queixa. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. SZASZ (apud LOBATO. a freqüência. p. 10 . Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Sem ela. apud LOBATO. Assim. p. isolado. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. o que dificulta a precisão de sua origem. As dores podem ser classificadas e categorizadas. isso sim. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. Segundo GUIMARÃES (1999). desorganiza o aparelho psíquico. Em 1979. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. (Lobato. Além disso. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor. 1999). além de movimentar-se intensamente. por exemplo. A aguda tem duração relativamente curta. algumas dores são persistentes. Sendo assim. mas também é crônica. crônica e recorrente. por ocorrer em episódios de curta duração. podendo estender-se por meses ou anos. processos inflamatórios ou moléstias. isto é. n. O medo. o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. já um outro plano. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. possui um caráter subjetivo. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. a qualidade. Vol. A dor crônica tem uma longa duração. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor. Aos dez meses.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. Neste último nível de simbolização. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. Tradicionalmente. Jan-Jun 2005. a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. (MERSKEY. sensitiva e emocional. Quando a dor se torna intolerável. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. Num segundo nível. Suas vivências. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível.166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. que aumenta a sensação dolorosa. Belo Horizonte. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. comunicada a outra pessoa.

1999. gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. pois já percebem o mundo de forma concreta. além de conforto e segurança. a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. como dor de cabeça ou ferimentos. o receio do que está ocorrendo. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES.1. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida.originária da invasão do tumor . Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença.e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica. por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer. da punção venosa. 1999). Segundo GUIMARÃES (1999). 11 . . pode exacerbar a percepção da dor. Jan-Jun 2005. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos.256). quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. em muitos casos. é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . ansiedade e a lidar com a dor. é preciso que se mostre à criança. Utilizando os recursos lúdicos. n. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. Portanto. diante da dor e de eventos estressantes. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença. todavia. Ao que se refere a dor advinda da doença. faz-se importante que em todo processo de tratamento. Para tanto. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido. Portanto. Vol. o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. as crianças definem a dor em termos perceptivos. (p. (GUIMARÃES. passando a doer com a progressão da doença. respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. É importante ressaltar. D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer. mas coincidentes com a patologia. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos.132). previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor. alguns tumores podem ser inicialmente indolores. provocada por compressão nervosa. infiltração ou metástase. (p. Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental. 1. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores.252). A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. do mielograma. busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. dor posterior à radioterapia.. etc. sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor. durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea. Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. Ano 1. que. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia. LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor. ao se falar de dor em oncologia pediátrica. Visto isso. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família. p. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer.uma sessão de coleta de sangue para exames. Sobre as especificidades do câncer infantil. Com quatro anos.De dois a seis anos. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. Da mesma forma.. por exemplo. sem treino especial. do desconforto durante e depois da quimioterapia. os quais. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo. Belo Horizonte. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. garantindo-lhes. D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos.

1999. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. que desperta comportamentos protetores e agressivos. acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. Ano 1. inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. segura. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional. não pode ter medo”. Da mesma forma. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. É assim que. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença. onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor. 1999) coloca q ue. A experiência da dor. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas. menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento.1. 12 . Suas fantasias. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. além de possuir caráter único. . havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. tão honesto e completo conforme ela possa compreender. castigos e ameaça de castração. REDD ( apud LORDELLO. P. complexo e subjetivo é sempre expressa. comunicada.. Assim. Portanto. Entretanto. atualmente. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. temendo viciá -lo. onde os procedimentos são vistos como ataques. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. inúmeras vezes. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor.há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. Belo Horizonte. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. o alívio da dor. n. pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos. A criança sente-se reconfortada. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança..É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. não há um controle satisfatório da dor. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor. Entretanto. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos. Jan-Jun 2005. (GUIMARÃES. Dessa forma. Entendendo dessa forma. ansiedades e medos não são negados. Vol. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. Tentado fugir das próprias emoções. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). 1. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. incluindo aqui não apenas recursos analgésicos. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças.28). a dor pode tornar-se refratária a medicação.

J.1.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. R. J. de. São Paulo: Casa do Psicólogo. In: CARVALHO.) Dor: um estudo multidisciplinar. S. da C. de. M. O. LORDELLO. M. M. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. M. A criança. 1999. R. A Criança diante da Morte: desafios. M. M. Belo Horizonte. CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. O problema da dor. (Org.) Dor: um estudo multidisciplinar. M.) Dor: um estudo multidisciplinar. LORDELLO. n. Introdução ao Estudo da Dor. GUIMARÃES. J. 1999. Psicossomática hoje. (Org. (Org. In: MELLO FILHO. Ano 1. 1992. W. A. 13 . Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. São Paulo: Summus.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. M. Porto Alegre: Artes Médicas. J. In: CARVALHO. M. 1999. 1978.com. TORRES. T. de. São Paulo: Summus. a doença e o hospital. In: CARVALHO. S. São Paulo: Summus. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica). Jan-Jun 2005. LOBATO. Vol. 1999. M. S. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. M. S. Lisboa – Portugal: Moraes. 1.. FREUD.

deste modo. dos médicos e até dos familiares. em consultório não são abordadas. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são. bem como dar assistência aos familiares do paciente. desta forma. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo. isola-o) e. Ano 1. Desta forma. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. desta maneira. as questões relativas ao processo de adoecer. em meio hospitalar e em consultório. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. Uma vez que. PRIMEIRO EIXO Neste eixo. tira-o do convívio familiar e dos amigos. entre as duas situações de atendimento psicológico. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. consigo próprio) de cada sujeito. Em consultório. presentes. são frequentes. pelos tratamentos e pela reabilitação. Não se prevendo. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. Assim. Não temos.. quaisquer interrupções. os medos. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. como por exemplo. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. Assim. No hospital. deste modo. fisioterapêutas e outros. os assuntos abordados nos diferentes contextos. pelos mais variados motivos. as dúvidas que daí emergem.” (Alamy. de alguma forma. pelo menos. isto é. aqueles que precisam de apoio psicológico. faxineiras. o do setting e o da iminência da morte. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. E. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. para as sessões. p. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. relativamente. sendo definido pela resolução da problemática. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença. na grande maioria das vezes. n. visitas.. não é o seu objectivo.15) Poderemos. muitas vezes. portanto. e. bem como um tempo de duração definidos. e onde as interrupções. deste modo. ou seja. para o seu bem). médicos. Assim. de se divertir.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações. com frequência. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. Isto. É ele que. pela hospitalização. as emoções. O que as caracteriza. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando. O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. então. Jan-Jun 2005. que passa. tal como acontece na psicologia hospitalar. 1. abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. aquilo que as leva a actuar.1. de estar com os familiares. supostamente. Em consultório. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. Há dias. com os outros. 14 .). por parte do pessoal de enfermagem. Estamos. por nós definidos: o do sujeito. Belo Horizonte. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. Vol. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades. partin do do reducionismo de que. uma vez que agem em contextos diferenciados. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado). tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. mas o objecto. horários. auxiliares de enfermagem. as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos. também.

282). deste modo.” (p. o soro pode estar colocado na mão direita e. na maioria das vezes. com isso. por exemplo. O conhecimento de técnicas de relaxamento. por sentir necessidade de fugir a essa situação.64). n.42). deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. ao contrário do que acontece em consultório. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. “Na morte. entubado. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo. abordaremos a diferença nos atendimentos. é um aceno para a morte. E. pode estar com dores. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. não conseguem fazer desenhos. Trata -se de um momento em que a nossa presença física. ainda. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross. de vez em quando. 2002). TERCEIRO EIXO Neste último eixo. mas a morte é temida e vista como um tabu.6). Vol. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. Para além disso. até que. considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer. tenhamos que encará-la. utilizando também informações das áreas de Medicina. sonolento devido à medicação. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. 1995. p. podemos perceber que funcionários. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. 1. p.62). Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. nas crianças. Enfermagem. p. ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido. os horários e o tempo de duração de cada atendimento. buscando sempre o bem estar individual e social. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. Em consultório. Criando. Ou seja. existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. também ocupa um l gar particular. todos. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar. a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. Serviço Social. p. p. cartões com figuras). este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance.153). em meio hospitalar. o que nos assusta. com o silêncio que vai além das palavra. p. (Kübler-Ross. sendo elas destras. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro. 2003).14). Ano 1. se a vida tiver um fim. São todos estes aspectos que vão ditar os dias. aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e.1. muitas vezes. mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. 1995. etc. Belo Horizonte.42). só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. Desta forma. “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia.60). também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo. p. p. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos. Portanto. a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos.33) Pois. antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida. como um profissional da saúde. gerando constrangimento e fazendo-o se calar. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso. ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. p. pois é. Também.atendimento. condicionado ao tempo de internamento. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. quanto à presença da morte. “Toda a doença é uma ameaça à vida e. Nutrição e outras áreas afins” (Campos. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. 15 . para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. Jan-Jun 2005. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross. sem escolha. pois deparamo-nos com doentes diversificados. ou mesmo visitas. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. Kübler-Ross (2002). “No nosso inconsciente. não é simplesmente a perda. O que levanta em nós outro cuidado. não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy. O processo de tratamento está. No entanto. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito. acabamos.

83). estendia a mão. p. Campos. da dramatização. a prevenção. que vai. tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo. deste modo. Ano 1. no meio hospitalar. Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. _________________________________________ * Este texto. Portanto. psicológica e socia .Formada em Portugal/Lisboa. nos seus aspectos físic o. n. como uma unidade integrada. T. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . o psicólogo. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. E. quer através da palavra. do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos. Pois. no seu todo. S. permitindo que se veja o paciente como um todo. que fazemos companhia e. p. por mim exercidos. Belo Horizonte. muitas vezes. Jan-Jun 2005. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença.61). religiosos e aos seus próprios parentes. olha para o sujeito como um todo. Portanto. p. procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : . Muitas vezes me perguntou se já estava de saída. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. atuando no hospital. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta. há momentos em que não só as palavras são importantes. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). inclusive” (Campos p. (2003). Vol. Também. P. EPU: São Paulo.” (Campos. Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. Kübler-Ross. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy. Só me retirei quando chegaram as filhas. Assim. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail.doença e da internação hospitalar” (Alamy. como uma “pessoa” e não como uma “doença”. Martins Fontes: São Paulo. contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física. busca a promoção.” (Campos. resulta de um processo de reflexão. Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções.1.61). Desta forma. (2002). Somos. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. além do apoio psicológico que é prestado em consultór io. 2003). para então poder responder com a ação adequada. Tornase. assim. (1995). 16 . p. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico. ao bem estar da comunidade. 1. indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural. o psicólogo. o psicólogo.Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. do desenho ou da mímica (Alamy. Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos. E. psíquico e sócio-económico. havendo necessidade de conhecer a patologia. a recuperação do bem-estar do paciente. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola.19). foi dada assistência psicológica às filhas. acaba por ter um papel muito mais activo.pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.65). Ed. mas sim a presença real e participativa. enfermeiros. que foram chamadas a seu pedido. Autor: Belo Horizonte. C.

não podemos fazer clínica dentro do hospital. 1998) 2 . Ensaios de Psicologia Hospitalar .]. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento.1. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente. onde o mesmo deve observar os doentes. CRPMG 6956. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes. 2003. pois. n. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. na maioria das vezes. além dos seus atendimentos dos pacientes. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento. do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas. p. 1. p. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. não será o paciente a chegar no psicólogo.A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. Home page: http://geocities. do prognóstico e propedêutica. Os relatórios devem obedecer à ética. esperanças. então. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções.com. seus familiares. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica. previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. 18. grau de risco de vida. 28/11/2003. Ano 1. a atuação das pessoas naquele lugar. para. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente. Belo Horizonte. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa.br ALAMY. ajudando-o a tratar/minimizar. 19. Belo Horizonte: [s. ausência do trabalho e outros. com questões de ordem prática. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. A atuação do psicólogo hospitalar inclui. aptidões. dificuldades e limitações. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico.n. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais. pois são patologias diferentes. Vol. seus desejos. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar. sendo absolutamente sigilosos.a ausculta da alma. então. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 2 Ibidem. Temos. portanto. medos.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. Susana.yahoo. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física.com. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). informando-se do diagnóstico médico. descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico. 1991) 1 . psicóloga habilitada em psicologia clínica. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. mas o inverso. ** Psicoterapeuta. Jan-Jun 2005. visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. compreendendo a natureza do sujeito doente. especialista em psicologia hospitalar. 17 .

Assim. é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. por meio deste. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. sob o âmbito teórico. Belo Horizonte. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente.75). 2 .. verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta.). se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. 18 .REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. No entanto. de coração aberto a coração que vai se abrindo (. Com essa finalidade. é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão. Fato comum. Afinal. sobretudo por profissionais. Dentre elas podemos citar os desenhos. sobretudo. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira. n.. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto. 1994. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica. Esse talvez tenha sido o meu caso. transformando-o em uma situação de aprendizagem. se pode ser analisado de diferentes ângulos. na prática. Dessa forma. nem de evitá-lo por meio de punições. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. é algo extremamente distinto de sua execução. Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos. de centro a centro. Jan-Jun 2005. que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. inevitavelmente. Diferentemente dos demais atendimentos. brincadeiras. o silêncio. além de uma. em especial. mesmo em situações onde essa relação. Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente. Por meio dessa. ou melhor. foi meu primeiro contato com um paciente. apesar de sua grande importância.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I .” (Macedo. mas de problematizá-lo (grifo meu). a paciente de quatro anos e oito meses de idade. Ano 1. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal.. Falar da importância da verdadeira escuta do paciente. p. olhares. pois. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. portanto. o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso. em atendimentos infantis. Segundo o relatório da enfermeira. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. Vol. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. 1. Nesse sentido.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos. Além da alta ansiedade.. já que. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso. A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. fica difícil”. Devo frisar que o relatório original foi conservado. os erros consistem de partes do acerto. gostaria de. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. gestos.1. “Se o erro faz parte do processo. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. p. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal. Nestes. assim tão pessoal. Amatuzzi (2000. novos desafios haverão de surgir. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada.

Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. Ela pensou um pouco e concordou. Disse-me que esta nos deixa no escuro. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter. não” (sic). Ela não me pareceu incomodada com isso. Por cima deste. Posteriormente. ué!”. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá. Indaguei quem seria o dono da boca. Contoume uma história sobre o bicho-papão. Vol. algumas alças foram acrescentadas. me olhava nos olhos. sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina. ao contrário. Pediu -me para também desenhar a chuva. Igual a quem?. havia um guarda-roupa. n. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. observei que uma garota chorava desesperadamente. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. por motivos desconhecidos. Na terceira folha. Jan-Jun 2005. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. fez o mesmo na superior. Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. Sacolas. apenas a segunda permaneceria com a criança. induzia constantemente as respostas da garota. um armário foi feito por baixo dela.V. Belo Horizonte. abaixo dela.1. 19 . A garota aparentou compreender a diferença. Depois acrescentou um sol. 1. Depois fez um X em cada buraco. Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. respondeu. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. Indaguei acerca da origem da televisão. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. Quanto à patologia apresentada. o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá. Demonstrei com a caneta posteriormente. mas uma janela. Disse ser uma boca má. “Igual ao sol. Nesta. no entanto. filha?”. A criança começou a falar da nuvem. “É para proteger da chuva”. uma enorme boca. vários elementos foram introduzidos. questionei sua finalidade. Após a saída do pai. “ Doeu muito” (sic). corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. Logo. disse. Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. A menina não respondia. A menina. o que poderá ser confirmado posteriormente. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. esboçou um rosto feliz. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. Depois desenhou um X sobre a porta. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. mas aqui (cateter). Em seguida. diante da situação de urgência. do BOCUDO. indaguei. assim como a maioria das crianças daquele andar. Em seguida. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. Respondeu-me que era de sua casa e que. Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. Após alguns instantes. uai” (sic). Minutos depois de chegar à enfermaria. Afirmou ser do sol. Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. Posteriormente. Esta logo se prontificou a desenhar. “Para i r trabalhar” (sic).da mãe e da tia. Respondeu-me negativamente. Quando repeti o que ela me havia dito. fez um retângulo com dois quadradinhos. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. nada doeria. Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. Ano 1. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda. Custava a desenvolver o assunto e. mas continuou ansiosa. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. “O sol faz xixi e cocô” (sic). Pediu -me para desenhá-la novamente. gritava e esperneava muito. uma intervenção do pai desviou o assunto. com muita dificuldade. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. No entanto. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta. A partir daí. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital. Esta afirmou que trabalhava na escolinha. Este viera à noite. aquela tinha pneumonia. no entanto. “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. vi-me obrigada a fazer alguma coisa.

20 . assim como no anterior. Voltando ao desenho. pertenciam ao bicho-papão. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. Ela preferiu desenhar em seu caderno. Em um dado momento. Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. Vol. Num dado momento. é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. Fechei o caderno. Esta. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. À medida que o tempo passava. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. Pedi que me contasse o que estava fazendo. Olhos grandes que. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. logo começou a conversar. Retomando o fato inicial do atendimento. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. Quando indagada sobre onde o pai estaria. Insisti em continuar o atendimento. um fator inibitório da escuta. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. 1. encerrando o atendimento. Visto assim. procurei confirmar se havia ouvido direito. segundo ela. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade. então. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. Assim como ela própria pretende adquirir uma. Movimentei a cabeça indicando que sim.1. Mais uma vez citou a história das facas. Em seguida. completou que gostava de levar couro. pertenciam ao bicho-papão. Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. Em várias páginas esboçou figuras diferentes. Ano 1. Até que seu pai chegou. dado o caráter da pergunta.espada dele e esfaqueei ele” (sic). CASO 2 O segundo caso. Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. portanto. Ela olhou-me concordando. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). Em seguida. Carolina?”. Disse que era o “bola 7”. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. Diante disso. Lamentavelmente. Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente. Belo Horizonte.CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . Num dado momento. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta. sorridente e comunicativa. Meu desejo estava constantemente presente. Começou desenhando alguns círculos. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. sugeri que desenhássemos. essencialmente. Entretanto. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. Voltei-me. Era um dos poucos que ainda escrevia. a garota parecia estar bem. Como procedimento de rotina. após escutar o pai. No entanto. 3 . o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. desenhou um vaso e o suporte para o penico. segundo ela. a ponta de seu lápis quebrou. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. Jan-Jun 2005. mesmo não compreendendo quase nada. parecia ter a língua presa. não conseguia identificar nem as formas. Acrescentou um penico abaixo do sol. tampouco suas explicações. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. n. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. Durante o atendimento infantil. Todavia. Falou. No entanto. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. Muito assustada com aquela frase. Após tais experiências. de um amiguinho na escola. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. Explicou-me que era para ele fazer xixi. Ademais. não conseguia compreendê-la. A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. Tal compreensão é.

AMATUZZI. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade.br Termo utilizado por Freud para apontar.. da escuta flutuante. 8. segundo Laplanche. sobretudo. no entanto. Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. n. Por uma psicologia humana. B. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões. Vocabulário da psicanálise. Vol. 21 . afirmo com muita alegria que. Campinas: Alínea. a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. No entanto. Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. 4. O livro das ignorãças.. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento. Mauro Martins. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. Por 1 sermos pessoas. Pontalis e Lagache (2001). Hoje eu desenho o cheiro das árvores. Ciente de todas as limitações. Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado. 1994.MACEDO. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde. Rio de Janeiro: Record. sobretudo. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los. Pensando nesse aprendizado. 2 . Jean. Atentando-nos mais à criança. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. à transferência deste”. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos. Afinal. J. Ao contrário do que se costuma pensar. 2001. PONTALIS.1. 4. 1. 4 . sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso. àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências. ao contrário. Manoel de.ed. A atuação do profissional prescinde. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. persistirei. Lino de. E-mail: pricasaleme@uol. Afinal. O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. São Paulo: Casa do Psicologo. como diria alguém que não entende apenas de poesia.com.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . como um todo. Na época em que o artigo foi redigido. Ensaios construtivistas. período de psicologia na UFMG. portanto. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. Ano 1. na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo.” (Manuel de Barros. Pensava nisso. São Paulo: Martins Fontes. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento. o que requer um intenso aprendizado.LAPLANCHE. 2000.ed. 3 . por já ter realizado bons atendimentos com adultos.ed. Numa situação como esta.BARROS.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado. 2000. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. sobretudo. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. Daniel. Jan-Jun 2005. na clínica infantil. Belo Horizonte. LAGACHE. mais particularmente. Por outro lado. no mês de agosto.

E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo. e lá do lado de fora. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: . Mas como ser profissional. enfermeira.1. num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. por isso necessita de aparelhos. vai morrer”.SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. Belo Horizonte. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. você vai para o CTI. e o porquê. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. para viver além do lado biológico. ausência de contato com o mundo. o porque de sua transferência e estada lá. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. esse que está naquele local e não sabe onde. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. tendo. Que dêem atenção maior.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. Onipotência. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. seja ela qual for. exatamente. nesse caso. que o foco é o paciente biológico. o qual. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco. paciente e sua família são privados de afeto. um médico e toda a aparelhagem necessária. do toque. A VIVÊNCIA No hospital um familiar. igualando. 24h. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . 22 . por dia. você é profissional ou familiar? Então. do seu objetivo. especificamente em CTI. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. tive que fazer o papel do psicólogo. Ano 1. Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. 1. Nesse momento. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. E. eu respirei fundo. não posso ficar lá com você. ou seja. Eu disse-lhe: . os familiares desesperam-se. Vol. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI).Pai. lugar gela do tanto no físico como no afetivo. não se esquecendo o lado psíquico. CTI. E dá as costas e sai. de carinho. o desespero. de todos estímulos. que está bem assistido. E você ali. principalmente. Paciente. uma profissional de psicologia. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. peguei a mão dele e fiz meu papel. Família. se não fosse eu. no caso. ele está morrendo. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. n. infelizmente. dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI. Mas.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo. estendeu a mão e disse-me com um tom. Jan-Jun 2005. Palavras Chave: CTI. e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. que tem como função minimizar a angustia. Psicólogo hospitalar. se na realidade. meu pai. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. na maioria das vezes. naquele corredor frio a espera de uma noticia. Ele balançou a cabeça. atenta a qualquer movimento do paciente. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. o grau de angústia eleva de maneira súbita. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”.

1. Jan-Jun 2005. Vol. que tem vivência em um hospital. eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. Nesse instante. tenho certeza). de mãos dadas.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. aí disse: . na ignorância do diagnostico. como todo ser humano. ou seja. Peguei os pertences dele. sem informações. haveria o boletim médico. Horário de visita no CTI. Ano 1. super magro. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. perguntou sobre a minha família. Essa profissional não teve o tato. Belo Horizonte. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. de dar um apoio. contido. disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido. Eu. era para ligar e tomar conhecimento. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro. ela pergunta o nome do paciente. E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. o mais importante. ainda necessitando de um apoio psicológico. mas que nunca teve um familiar lá. Anteriormente. mas.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. Entrei. Meu DEUS. desespero. Eu ligo e a telefonista atende. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. eu. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente. n. eles desesperam-nos ainda mais. colocar tudo para fora. abracei. desesperada e vivendo na terrível ignorância. disse: “olha. peço para falar no CTI.Vai papai. ali. naquele corredor frio e impessoal. obrigada. que passar segurança para o papai.” Nesse instante. disse que sim. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. pelo seu sofrimento. castrado do carinho. Meu coração dilacerado. E. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. paramos. Chegando na porta. mas como filha queria chorar. ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. Longe. O enfermeiro diante do leito. mas ela ainda. ainda quentes com o calor do seu corpo..filha”. Como fica essa família. que noticia é esta. Resultado: noite em claro. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor. Sinceramente. seja o tempo que for. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio. o sofrimento dos outros. São 21h. principalmente. acho que consegui fazer meu papel. ele está sentindo sua presença familiar. despedaçada. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai. então. e para os familiares? Esses. em alguns lugares. cheio de aparelhos. estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. nos seus medos. pela proximidade da morte. e. uma pessoa que já conhecia um CTI. não só pelo sofrimento do seu familiar. que às 21h. nunca subestimem a sabedoria do outro). O médico vem. e isso eram exatamente 15h. Deus. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. amarelo. que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. mas não podia. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado). com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente. e logo desliga o telefone na minha cara. com muito carinho. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência. aparelhos e principalmente o papai inconsciente. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. tem que dar uma atenção maior à família. extravasar meus sentimentos de medo.1. dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. hora do boletim médico. Nesse momento. de mãos dadas com papai. insegurança. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. mas pelo lugar. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor. na frieza dos médicos e da sua equipe. 23 . fui ao seu lado.25min. do apoio familiar. até a porto do CTI. tem-se a impressão de despedida. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. fala do boletim médico do dia. tinha. uma parte de mim entrou com ele. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. naquele lugar impessoal.

aqui. E que principalmente podemos. sem sentimento e envolvimento algum. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família. É claro que. deixo. Ano 1. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra. elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. tranqüilidade. age com prudência. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. n. Belo Horizonte. sente na pele. Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa.. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. Além do sofrimento do familiar. dos medos. 24 . Só que ele tem que manter a sua postura profissional. da angustia. o envolvimento com o paciente. Vol. É obvio inicialmente. como eu vivenciei. Jan-Jun 2005. ou qualquer outro órgão da área de saúde. firmeza. sim. em uma situação delicada de CTI.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. vontade de chorar e medo da perda. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. então desmoronamos. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então.com. impotência. tristeza. 1. às vezes. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. e quando esse profissional vive. para r epresentar seu papel de maneira adequada. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente. para não decepcionar o outro. aquele que é realmente um “profissional”. que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail.fazer com que o hospital. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente.1. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo. Mas.

que sofre. for being a continuous process involving every team of health professionals. então.1. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. finito. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. realmente é. se todos quiserem colaborar. Já saímos do período colonial. for the team and even for the own Government. mas ela me dói. hospitalization. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. can influence in the Humanization. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. E o Hospital. for the own Institution. À Psicologia . do médico da família que atendia em casa. humanização. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. Key-words: to get sick. pessoas das mais variadas individualidades. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. com suas particularidades e subjetividades.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. que sente dores e. hospitalização. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. o que seria? Um instrumento terapêutico. Belo Horizonte. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. Palavras-chave: adoecer. de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. recebem cuidados ou fornecem cuidados. psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. então. Utópico? Não. quer seja pela própria Instituição. We also intend to show as the psychologist’s performance. in the hospital context. cura. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. através do vasto material encontrado. humanization. Ano 1. dessa pesquisa bibliográfica. Vidas humanas. cure. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. pela equipe e até pelo Governo. proporcionando ao indivíduo. trabalham. uma vez se tratar de um processo contínuo. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. acima de tudo. 25 . o homem continua sendo humano. Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. pois . abandonando a sua passividade. Jan-Jun 2005. collaborating for his re-establishment. talvez. colaborando desta forma para o seu restabelecimento. das parteiras. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. Lançando mão. n. Vol. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. a larger understanding and acceptance of his disease. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização. atuação psicológica. subjetivo. abandoning his passivity. Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam. tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. Porém. 1. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. apesar dos avanços. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde.

) possibilita recriar e transformar. Esses relatores não são mais arquitetos. porque sua abrangência parece não ter limites e. no segundo capítulo. no final do século XVIII. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. Portanto. a pedido da Academia de Ciências. desde a Idade Média. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos. Se há milênios existiam hospitais para curar. para um bem estar de todos? Afinal. e no terceiro capítulo . O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. sobre o papel do psicólogo nesse processo.. Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências. p. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado. p. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer... eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão.papel importantíssimo dentro de um Hospital.100). Jan-Jun 2005. surge um novo olhar sobre o hospital.80). Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. o movimento no interior do hospital.. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta. entre 1775 e 1780. estes devem ser modificados. o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas. (Mezzomo et alii 2003. uma vez que ela é um atalho. Houve nessa época. Nesta época. n. é um direito e um dever de cada um. produz efeitos patológicos. pelo menos escutado. Belo Horizonte.) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital. Ano 1.) e conviver com essa finitude(. (.23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII. a taxa de mortalidade e a de cura. Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. p. multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. um caminho mais curto. Desta forma. 1. que seu conceito se torna complexo.. Agora. Até o século XVIII. não era um meio de cura e não era conhecido para curar. p. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra. Assim. 26 ..79). então. realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon. no entanto. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. que faz com que o grito de dor do paciente seja. em diversos países. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault.1. Não seria. se não compreendido em toda a sua extensão. descobriu-se que não curavam tão bem. o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. discorremos sobre o processo de Humanização em si. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil. 1993. O hospital que funcionava na Europa. Um morredouro. para definir um programa hospitalar. 2004. Se este. entre outras. a trajetória da roupa branca. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. Era uma instituição de assistência aos pobres. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente. ou seja. Vol.. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico. na Europa. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII. 2004. (.

n.. (Foucalt. 2004. No ano de 1954. das mais simples às mais complexas. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar.organização de um saber hospitalar. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. Jan-Jun 2005. Todavia. em um hospital pessoas atendem pessoas. a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. Vol. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.) de modo que o quadro hospitalar (. peças raras etc. Assim. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. permanecem separados até meados do séc. 27 . objetos preciosos.. 1. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP. XVIII. Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. em 1974. psicológicas e outras.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina.52) Com o decorrer do tempo. A razão de existência de um hospital. Hospital e medicina. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas. p. publicações e eventos científicos. onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (.) assegurar o esquadrinhamento. força e apoio para uma assistência digna. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência. Ano 1. Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. 1993. Paris e outras cidades. ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento. é cuidar da saúde da comunidade.1. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. Esses dois processos. No Brasil. como o entendemos hoje. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital. bondoso” (Koogan/Houaiss. Belo Horizonte. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades. deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. humanizado? Na verdade.. p... A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. encontra muitos e sólidos motivos. mas também sociais. Em 1957. além do seu objetivo de tratar as doenças. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. ele é encaminhado a ela por humanos. isso não significa a humanização em sua totalidade.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica.. realmente humanizada. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. então.445). Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. humanos são atendidos por humanos. p. o hospital. a vigilância. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. especiarias. Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. um grande tráfico de mercadorias. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade. livrando-se desta forma da alfândega. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares. ajustados. (Mezzomo et alii 2003. uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. Há portanto.

A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não.53). saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001. portanto. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001. o bom atendimento é imprescindível. 28 . culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. “pelo contrário. se avalia e se aprecia ou detesta. ou deveria m. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001. a reflexão. educacionais. Ou uma vendedora numa loja de um shopping. É só uma questão de querer. religiosas.). sem éticas. portanto. alegres e felizes. nos EUA. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. se o paciente é um adulto ou uma criança.a vida. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. é preciso exercer a criatividade. sem delicadezas. Assim como ele (o artesão). fazendo compras! Desta forma. desertifica o ser humano” (Cembranelli. p.1. necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. são as mais corretas. Humanizar refere-se.7). A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos. Em toda área profissional. mas faz parte de um contexto. menos frio. técnica e educação. É claro que tudo isso contribui. Também pintar o hospital com cores mais vivas.11). “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. n.. 1. competência e cortesia. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível. de todos os níveis. p. porém. Belo Horizonte. p. “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. onde estaríamos saudáveis. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético. e como tal deve ser vista. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. O melhor hospital em tecnologia.. É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. andam de mãos dadas. de igual modo. nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. mais quadros nas paredes não significa humanizar. mesmo que seja em um simples curativo. p. Indo um pouco mais além. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular. Todos precisam querer querer. torna o ambiente mais alegre. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . uniformes de cores mais alegres. Na humanização. p. Jan-Jun 2005..9). 2003. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. Vol. desde o Governo até o mais simples funcionário. Todos precisam colaborar. é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. Na prática porém. ou toda área de ralações humanas. saberes e humanidade. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada. por que não dizer. Ano 1. 2). imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. A Humanização nada mais é que uma esperança. a ação e o cuidado. é a forma de atendimento. por mais rude que seja. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento. não produz bem estar ou curas. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste.cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. mais áreas verdes. Em 1974.2).. independentes da sua função. p. qualquer pessoa. tanto para o doente quanto para os seus familiares. o que se verifica. perda ou luto. É muito bom. a grande maioria. Os profissionais da saúde. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. o incontrolável. sem amor. foi criado. se é um homem ou uma mulher. éticas. Envolve circunstâncias sociais. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. o diferente e o singular.

uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001. mas. p. não só médicos e enfermeiros. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. boa equipe de trabalho. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. p. pelos profissionais da área de saúde. houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. bons e melhores resultados surgem quando.9). presentes em toda ação de assistência à saúde.). possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar.5). não funcionam sozinhos. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas. E. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. (Ministério da Saúde 2001. Aspectos físicos.2001. A eficiência desse sistema. a forma do atendimento. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. Desta forma. GM/MS de 19. Em qualquer atendimento à saúde. Mas. sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos... foi apresentado. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde.2001 e Portaria nº 202 SAS de 19. 1. Vol. Belo Horizonte. não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde. n. e para garantir esse direito. Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno.5).. tornando-os mais modernos. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais. Para tanto. Ano 1.08. capacitando-os a promover a humanização do serviço. um hospital com bons diretores. Jan-Jun 2005. em Brasília -DF. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. referentes aos maus tratos nos hospitais. Para tanto. Com certeza. sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. JOSÉ SERRA. mas. numa área como a da saúde. é necessário cuidar desses profissionais . é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. para pessoas representativas da área de saúde. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. p. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização.estudo da Medicina Humanizada. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. que acolha o desconhecido e imprevisível. observou que na avaliação do público. recursos humanos. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. que aceite os limites de cada situação. 29 . é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. no dia 24 de maio de 2000. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. funciona muito bem. se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade.1. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. que veio regulamentado pela Portaria nº 681. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas. possibilitando a oportunidade de propor.08.. aliados. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. sobretudo. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto. por ser médico. Valorizando a dimensão humana e subjetiva. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários.

credenciada ao SUS. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais. O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. o relacionamento entre as pessoas. (Mezzomo et alii. assimilada pela mente. mental. uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania . Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. é uma questão cultural.. da administração à limpeza. no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer... mais solidário e mais acolhedor. 2003. ganhariam todos. p. um grande desejo.101). propostas levadas à diante. Muita coisa já foi feita. um rumo. o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. com especificidade. projetos elaborados. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. uma crise qualquer. E. sem distinção. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. de ver os nossos hospitais humanizados. Tudo na vida tem um projeto.64). rever e reformular conceitos. Não se trata apenas da relação médico/paciente. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. O tema central do PNHAH é o ser humano. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa. equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. Comunidade. a baixa remuneração. Não haverá humanização sem que se abrace o projeto. o cansaço. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. 86) Quebrar paradigmas. 30 . os problemas familiares. espiritual (. envolvendo a relação médico/paciente. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. Toda mudança é difícil porque encontra reações. profissionais mais empenhados e um desejo. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias. a desmotivação. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos. ou seja.. a falta de tempo.) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. ou quando doente procura um hospital. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho.1. um percurso. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. p. iniciativas tomadas. enfim... psíquico. uma história. à recepção. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. Vol. O usuário . adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais. O novo gera insegurança. coletivo. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania. Governo. da assistência social à lavanderia. Jan-Jun 2005. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. do serviço de enfermagem à cozinha. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. que seria além do seu d ireito.. n. 2003. Voluntários e Profissionais da Saúde. Ano 1. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos. p. maravilhoso e necessita. Igreja. o número pequeno de profissionais por plantão. Belo Horizonte.. as greves. 2001. Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar.. Projeto este. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003. emocional. que receberia um tratamento mais digno. 1. Um estudo sério do relacionamento humano. do médico ao porteiro. p. necessária se faz uma conversão de valores. Assim. e os profissionais dos hospitais.14). das relações humanas. a relação trabalhadores da saúde/paciente. podem se considerar um grande desafio. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo. Um atrito ou desentendimento. uma educação permanente.

. tudo é estranho.)! Se a anestesia for local ou regional..(. tudo é novo e assustador..) Se me explicarem em linguagem compreensível (. Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas.. o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala. quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano. diferente e (.).. para mim... faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital. pois ficam com aqueles aventais longos. será pouco ético e humano. afinal é muito desagradável ver-se despido (.. (. se o senhor ou um dos membros da sua equipe (. sou filho do mesmo Pai.) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (.) silêncio. que iremos operá-lo”...Fique tranqüilo. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente. Jan-Jun 2005.. Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Porém.. vergonha.) por favor.) ameaçador. Belo Horizonte...) por favor........ E incidentalmente não desprezemos a palavra... a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo.. Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe. edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”.Mas Dr.. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida. permite uma leitura de que além do sofrimento físico.. . com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo ... invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença. continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (. por favor. Além disso. 31 . Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura. afinal.. confusão..)! Por favor.) quando me passarem para a mesa de cirurgia.. poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia.. com meu corpo... só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (.).). (Mas ele não me olha.) certamente entenderei.. medo. política ou programa de TV (..) então.. ouça-me !!!!!!!!! . n.. por favor. o paciente pode ter sentimentos como: desamparo..Mas Dr.). Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência .. mesmo não sendo minha primeira vez. piadas. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (... por mais triste que seja...).. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra. tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (.. quando me levarem à sala de cirurgia..) se a anestesia for geral (...) respeitem o meu (.. vai correr tudo bem... Afinal... Se pedir para esperarem um pouco. colocando.. continua escrevendo e não me vê... mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo... Fazer piadas com meu ronco.. estiver ao meu lado.. .) futebol.. Lembrem-se de cobrir-me (. criatura do mesmo Criador...(.. CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida. e..1..)..) Quando forem me preparar.. com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (. (Sigmund Freud... Finalmente.). sei que a utilidade e a intenção são boas.. não vê a minha angústia. desta forma... vou tentar novamente. 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina. por ter adoecido... independentemente de ser um paciente particular... Não sou apenas um corpo doente. Respeitem também o meu medo (. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte. entre outras.).. mas.) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (.às.. pois a sala é muito fria (. eu queria....horas. como também com a sua família.... algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (. um sorriso.. que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor. Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar.. poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado. (..ser tratado com mais dignidade. (. A humildade do não saber ou do compreender que erramos. Mesmo anestesiado e inconsciente. tenham paciência comigo (... só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista. se possível.dia. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (. rico ou um anônimo qualquer (.... De igual valor é a linguagem entre essa equipe. nesse campo profissional cheio de surpresas.. mas. de Evaldo D’Assumpção: .. Ano 1.. façam (.. o seu corpo e até o seu silêncio. Vol. nos torna mais sólidos em nossa experiência.).Dr...) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo. ..) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo.. respeitem o meu pudor (.. 1.) . A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico.) e vocês nem percebem.) mesmo sabendo que são profissionais (.).

1. 31). após ter sofrido inúmeras perdas. Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos. p.100). p. nas interconsultas e. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo. visto que.16). pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. Ano 1. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud.465). dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura. 1993.) de tais pacientes (AngeramiCamon. desta forma. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa. Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento. Em um hospital.). 2001. 32 . Lida.28). com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente. Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos.. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. p. Como se sentiria um paciente hospitalizado. 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura.. O psicólogo cria. p.(. torna-se indispensável no processo de humanização. ao lidar com o doente. além dos sintomas. tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão. n. O psicólogo. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas. p. por exemplo. câncer.. Desta forma. o psicólogo. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Jan-Jun 2005. mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon.. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. p. 1926. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia. desta maneira. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. Belo Horizonte. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização. com menos técnica e com maior poder de escuta. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS. Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. 2001.1. 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch. No processo de humanização. Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. Vol.180). A Psicologia fornece condições. pois vê o doente como um todo. 2001. 2003. conseqüentemente. O estigma de doente (. p.contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros. com o doente e não com a doença. as possibilidades para o surgimento de um novo ser. O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas. 2001. AVCs. uma doença não tem apenas uma etiologia. Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados.).. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo.463). a dor d’alma (.

cita a busca da qualidade total (. fantasias.. 2003. amenizando a sua internação e suas dores. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes.. Atuando numa equipe multidiscip linar.) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital.. 1999. com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento. diferente do hospital. de emergência. com ele vem a doença. fragilidades e exposições (.O paciente com a hospitalização sente-se assustado.42). (Romano... Belo Horizonte..) e nomeia as regras do jogo: (. fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores... 74).. o paciente se entrega em confiança. perdas e lutos. contribuindo desta forma para uma inter-relação família. e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (. o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados. A sua atuação deve abranger também a família do paciente. com problemas que envolvem posicionamentos éticos. é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli. (. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma.. no bloco cirúrgico ou na UTI.). Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia. Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma. muitas vezes. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte. mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central.. No consultório... é o cliente que procura os serviços psicológicos.) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (.) e toda equipe de saúde. com direitos e deveres.) não vem sozinho ao hospital.. 22 e 23). Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente.). Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. desamparado e conseqüentemente fragilizado. paciente e profissionais da saúde.... E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber. 1. E lá perdido num canto.. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar. que a ética. “É necessário que a relação com os outros profissionais (. Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano.” (Leitão. O clima é de expectativas e até de medo. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. p. num corredor. O estar presente é a certeza de um apoio.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade).. 2003. É importante que o psicólogo (.21). Suas angústias. n. lidando melhor desta forma. é uma necessidade e.. o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento. Ano 1. 1999. p.. p. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (. O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos. com a própria doença. O indivíduo não é um ser isolado (. quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais. Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida... o ser humano. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital.. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor. 1993 p. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. Nossa convicção é. invasivos e dolorosos. 33 . desta forma. A hospitalização não é uma opção. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade).) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy.250). atrás. p.) medos. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. Não estaria aqui neste texto da autora. o ajuda também a renascer. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. outorgando-lhe seus direitos de vida. Vol.1. poder falar e saber ouvir (ter liberdade). Jan-Jun 2005.

Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento.W. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento. Dar suporte ao doente e sua família. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. 1995. Vol. Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6. Rio de Janeiro: GMT. 2001. não temos condições de concluí-lo. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade. Susana. conceitos que são para nós não chavões utópicos. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). usufruem. através do lúdico. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária.. de uma Humanização real. 5. hoje.ed. Psicologia Hospitalar.respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira.F. Não estamos encerrando um processo. demos o primeiro de muitos passos. ALAMY. permitiu a aproximação com essa realidade. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza. onde podem. O nosso contato com os hospitais. da dor e do adoecer. Mas. corremos o risco de perder nossa humanidade. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença. aos quais dedico este trabalho. como argumentamos anteriormente. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. 3. de humanos mais humanizados. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários. 9. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. etc. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. mas há muitas esperanças de sucessos. 7. n.psicologia. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar. avaliando as demandas. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto. tanto desperta nosso interesse.M. 1998. em meio das urgências e emergências. mesmo que ainda tímida. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. e Ismael.1. M. é a certeza de que há sim muito a ser f eito. no momento do diagnóstico médico ou da internação. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. de uma brinquedoteca. Patch. da dramatização. além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. permitindo-o participar do seu processo de recuperação. Jan-Jun 2005. No dia-a-dia. Decodificar o não-dito. Totalizar o paciente. Ao chegar a esta etapa. na maioria das vezes. mais que um desafio. Ano 1. 34 . médico. 8. R. p. Disponível em: http://www. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. do desenho ou da mímica. o que nos deixa radiantes. 2003.52). a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. longo caminho a ser percorrido. seja na internação ou no ambulatório. Realizar este trabalho. ou seja. uma vez já haver muita vontade de ação. Dar significado. de nos tomarmos mecânicos e frios. Desta forma. 1. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.21-2). 4. Todavia. 7. O amor é contagioso. entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. p. no vai-e-vem nos corredores do hospital. S. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado. uma grande conscientização e muito já colocado em prática. sejam do paciente. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente . Percebemos com clareza que estamos apenas começando. foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente. 2. (Alamy. Quanto às crianças. seja através da palavra. Belo Horizonte. de um atendimento mais humano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento.

Ordem médica e norma familiar. 1998. ROMANO. Belo Horizonte. Antônio. Rio de Janeiro: Delta. Acesso em: 23 out.com. 1.ed. Jan-Jun 2005. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Campinas: Papirus. 2. Maria Cristina S. Ministério da Saúde. ANGERAMI-CAMON. ANGERAMI-CAMON. ALAMY. Belo Horizonte. LEITÃO. 2003. Doenças do Corpo e Doenças da Alma. BOTSARIS. 2003.ed. Abrahão.Cury (Orgs). SPINK. E a psicologia entrou no Hospital. KOOGAN. Júlio de. Valdemar Augusto (Org).a ausculta da alma. CEMBRANELLI. 2003. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. 1992. 2001. 1999. Valdemar Augusto (Org).1. 2003. Ensaios de Psicologia Hospitalar . 1993. Petrópolis : Vozes. 2001. 18. Antonio. FREUD. Alex. A Medicina da Pessoa.br. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel. de (Orgs). 4. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar. M. 2001. 1995. DORSCH. 35 . 2003. O Doente a Psicologia e o Hospital. 4. 1974. Pe Augusto A. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. ISMAEL. ALAMY. Julieta. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. L. Patrícia Constantino.176-243. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 2000. Vol. Valdemar Augusto (Org). Susana. ROMANO. Revista Insight Psicoterapia. S. n. 20. OLIVEIRA. Disponível em: http://www. Maria de Fátima P. 1980. Valdemar Augusto (Org). (Org). MELLO FILHO. 1999. ALAMY. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. ano II. n. 2001. Microfísica do Poder. ANGERAMI-CAMON. São Paulo: Pioneira. Bellkis W.]. Valdemar Augusto (Org). São Paulo : Pioneira. Mary J.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Susana. Silvia M. 2. São Paulo : Pioneira. Michel. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Pioneira. ÁVILA. FOUCAULT. p.ed. 18 maio 1992. v. Ms. Orientadora: Profa.org. Psicologia da Saúde. Picossomática Hoje. Friedrich et al. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. Valdemar Augusto (Org). Ano 1. Fernando. Susana. Dicionário de Psicologia. Belo Horizonte: [s. São Paulo. Psicossomática e a Psicologia da Dor. 1994. de. HOUAISS. A questão da análise leiga (1926). Rio de Janeiro: Atheneu.ed. Secretaria de Assistência à Saúde. 2004. A prática da Psicologia nos Hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo.n. 2001. Jurandir Freire. Rio de Janeiro : Imago. São Paulo : Escuta. Porto Alegre: Sagra de Luzzato. Sigmund. Urgências Psicológicas no Hospital. 200l. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais. Rio de Janeiro : Graal. O conhecimento no cotidiano. COSTA.gia_hospitalar. São Paulo: Brasiliense. 1993. Adoecer: as interações do doente com sua doença. ** E-mail: leida@veloxmail. Introdução à Psicologia Hospitalar. MEZZOMO. Aprovado em 22/11/2004. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. Danilo. Rio de Janeiro : Objetiva. 19. 1999. O psicólogo e o Hospital. ANGERAMI-CAMON.portalhumaniza. São Paulo: Atheneu. 2002. São Paulo: Pioneira.htm Acesso em: jan. et al.ed. QUAYLE. Bellkis W. São Paulo: Loyola. PERESTRELLO. ANGERAMI-CAMON. Rio de Janeiro: Graal. 3. 1996. LUCIA. ANGERAMI-CAMON. Brasília: 2001.ed. São Paulo: Pioneira.

ocasionado ali pela doença e internação. falta de humanidade. 2005. Palavras-chave: neutralidade. é não estar mais atuando no escuro. contratransferência. ministrado pela psicóloga Susana Alamy. são as sujeiras do meu espelho. entendendo-o como ser bio-psico-social. Todos esses elementos mancham o espelho. Agora. 36 . pré-conceitos. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas. Vejo que não é um espelho qualquer. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo. Quando falamos em espelho. posso permitir a ele que se olhe. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo. 1. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. um espelho de reflexões. valores. como eu. com o espelho limpo. independente da forma de trabalho. jan. Isto envolve o doente em si. n.. que possui várias formas e tamanhos. e corremos o risco de comprometer sua reflexão.. como todos me falam.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. a experiência desta neutralidade. um relato de uma estudante que tornou vivência. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. Vol. que embasam nossos estudos universitários. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção. da pessoa mesma. Sejam espelhos de reflexão. vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. que se veja e. Belo Horizonte. Afinal. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. No entanto. com todos os que. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . são nossos valores. 2 Psicóloga. Atendendo os primeiros pacientes. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ano 1. Eis aqui. Universidade de Cuiabá/MT. logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. os familiares e demais acompanhantes presentes. esta figura de um espelho. na sua primeira atuação em um hospital. E-mail: santandreia@hotmail.1. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. percebo claramente. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. No ambiente hospitalar. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. O objetivo é de que a imagem seja vista. As sujeiras do espelho. então. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho. Nos primeiros anos da faculdade. Depois do primeiro atendimento. o melhor. formada pela UNIC. No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. Jan-Jun 2005. mas sim. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. veio-me à mente. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. Limpem seus espelhos. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar.

não trabalha. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. o meu mais velho está com a minha mãe. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. vai dormir e não fica afim de conversar. agora. eu estava com dó. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. banho e outras coisas. neste hospital estava bem.” C relata que se sente sozinha e chora muito. Ano 1. Belo Horizonte. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. Por exemplo. Ela está com 26 anos. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. pela primeira vez. No momento do encontro a criança dormia. (pausa) Casei por dó também. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos. já havia vomitado uma primeira vez. Jan-Jun 2005. Aí eu casei. tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos. mas ao longo da conversa.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez. e ela respondeu que. de certa forma. Também fora questionado a ela. de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. Então relata: “Pois é. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. Por isso. A resposta foi sim. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. eu só fico rodeada de crianças. todos gostam de fazer fuxico. Vol. B. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu. que a respiração estava melhor. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. ela conta que sente muita vontade de chorar. não havia mais previsão de alta. segundo ela. Ela fala que sua companhia são os filhos. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. com diagnóstico de asma. mas ela disse que não. gostava disso. na primeira gravidez. Eu fico mais com os meninos. até que eu cedi. Ainda sim. o paciente estava dormindo no leito. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B. a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. 37 . A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. E quando a casa fica cheia. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. que fora internado. no dia 21 de janeiro de 2004. (pausa). n. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. diz que o garoto é bem mais apegado a ela. para estar “mais”. C responde que passou a noite chorando. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. mas não quis entrar em maiores detalhes. mas que. era muito insistente. dos remédios ministrados via oral . somente seu marido.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. agora. No primeiro encontro. Em casa. C. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. Minha vida é mesmo só com as crianças. não tem ninguém para conversar. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte.1. mãe do paciente. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. Sabe. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa. 1. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. Ela diz que o marido não é muito de conversar.

por algum motivo. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho. C: Acho que sim. Você é quem chegou em mim primeiro. 1. que lá tem bastante atividade boa. hoje. Disse que. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. jan. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. Na segunda gravidez. Ano 1. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. algum psicólogo tivesse conversado com ela. A estagiária. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê. A companhia das demais mães para ela parece confortante. Jan-Jun 2005.1. mas não participa sempre. Só no dia seguinte ela viu a criança. por exemplo. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. me importo mais com os outros. E-mail: santandreia@hotmail. dó da sua mãe. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. A rejeição deste bebê. ela tem com quem conversar. e por isso o choro contínuo. Contudo. eu não sei. Foi perguntado se ela gostaria que. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo. visto que este sentimento (infere-se). como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. Também tenho dó dela. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio.” Na tentativa de ver possibilidades. ela não queria ver a criança. Universidade de Cuiabá/MT. mas que depois passou. 38 . Tenho dó do B também. Claro. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. não excluindo em hipótese alguma. utilizando a história de C.podia chegar perto dela. prestando algum apoio. relata que. Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC. na época. Com base nisso. Não agüento ver meu filho desse jeito. depositando na estagiária uma confiança. com seus “vizinhos fuxiqueiros”. no passado. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. que não conseguiu estabelecer. não necessariamente com o ambiente hospitalar. e C disse que seria muito bom. mas ela já está com o outro. ela gosta do B. para ela ter com quem conversar. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. n. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. tinha raiva. dó do seu filho. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. Dentro do hospital. Ela responde: “Tem minha mãe. quando o bebê nasceu.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. o sofrimento do filho. a de B. acho que foi. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja. 2005. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja. Pode-se inferir um choro de solidão. Belo Horizonte. Sabe. poderia ser outro fator a ser explorado. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. Vol. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho.

1. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. inconsciente. ele fala. Quem pode. cada um com seu enfermeiro. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. Conversa com o médico. sem sol. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. cor. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la.. Hora de dormir. Jan-Jun 2005. uma prece. Está agitada. não importa a cor. geralmente. Hora de voltar. Belo Horizonte. parece que está sem lugar.. Várias camas. café da manhã. Mais uma olhada. Enfermeiros a postos. faço sozinha. dispostas em locais estratégicos. Feche os olhos. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. É. Alguém podia fazer uma prece. Vários de nós. Vários aparelhos. Excesso de remédios. Estamos nós. Não é um discurso sobre a necessidade.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. 1. enfermeiros.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. luzes . Entregue-se ao que possa sentir ou não. dormir. água. Este companheiro está melhor. Mangueiras. Que todos somos seus filhos. Olhe para o lado. Esse não tem a cara tão boa assim. Que não queremos ver a dor. Num mesmo lugar. Demais. O passeio acabou. uma mulher de idade avançada. Alguém precisa de ajuda. Chega mais alguém. Todo mundo. 39 . E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. Não é proibido não sentir. lençóis. Ano 1. eletrocardiograma. Todos temos aparelhos à disposição. Camas. temperatura. cateteres. pressão. seringas. Soro dependurado. Idade. Do outro lado. Banho. Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos. Veja . quadro geral narrado. chuveiro. a conquista da humanidade deste direito fundamental. mas há luz. Amanhece. Roupas de cama da mesma cor. luz apagada. Não se mexe. Que todos nós tenhamos um bom dia. Vol. Não importa o nome. n. Sem exceções. Remédios. A sua frente. leito.

1a. n. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. vez p Outras internações (período. PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. CRISE – sintomas: 8. bairro. NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. idade da criança. hospital e motivo da internação): 7. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14. Belo Horizonte.. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1.1. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19. Ano 1. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. n. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. Jan-Jun 2005. cidade. estado e CEP): 12. DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10. Vol. Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16. 40 . A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3.: ( ) _____________________ 2. N. 1.

Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. desejos da criança): 34. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. patologia. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22. Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30. Parentes próximos (investigar grau de parentesco. como foi realizado tratamento etc.): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. Ano 1. Vol. Belo Horizonte. PERSPECTIVAS (ideais.1. Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. n. 1. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33. História sexual (investigar se necessário): 32. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23. Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. Jan-Jun 2005.21. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. 41 .

Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Exame psiquiátrico: 2. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. 42 . Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. Jan-Jun 2005. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2. N. 1. Ano 1. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5.1. de cômodos – especificar quais cômodos: 3.PARA O ENTREVISTADOR 1. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6. Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. Exames psicológicos complementares: 4. n. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO. Informante durante a entrevista: 3. Belo Horizonte. Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares. Vol. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8.

Aos leitores que quiserem colaborar. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13. Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15. especialista em psicologia hospitalar.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 43 . autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo.com. n. Vol. CRPMG 6956. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16.1. Jan-Jun 2005. Localização da cama da criança no cômodo: 12. 1. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14. Ano 1. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria. Plantas: p Não p Sim – onde? 11. 2 Psicoterapeuta.10. Belo Horizonte.yahoo. Home page: http://geocities.com. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde. a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. psicóloga habilitada em psicologia clínica.

com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.org.jsp Bireme http://www.yahoo. Belo Horizonte.usp.inep.usp.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www. Jan-Jun 2005.terra.abnt.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.periodicos.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.saudepublica.bce.prossiga.br/freebook/freebook_ frances1. n.dir.pucminas.bvs.html Unb http://www.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve.br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.org.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www.direitoshumanos.ibict.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001.br/ Prossiga http://www.dominiopublico.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.cibec.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.saude.org Virtual books http://virtualbooks.futuro.fiocruz.usp.cict.html?princip al.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.gov.usp.prossiga.br/biblioteca/livros.br/ USP http://www.br/library/index.bibliotecavirtual.org.br/sibi/ Unisanta http://www. 44 .bireme. 1.pt/ Biblioteca multimídia http://www.ndc.prossiga.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe.org. Vol.br/index.gov.com.bibliotecamultimidia.teses.html Circulando o livro http://www.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www.br/ Biblioteca virtual http://www.gov.scielo.uff.bibvirt.capes.gov.unisanta.circulandoolivro.unb. Ano 1.b-on.sistemas.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.1.

br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel.com.usp.com.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.htm 30º.com.org. Jan-Jun 2005.4cmp.br Site: http://www.4estacoes.br e cordas@usp.1. 1. Belo Horizonte. Vol.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º.com.sip2005.com.yahoo.spagesp.adtevento.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www.slaop2005.org.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.com. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel. n.cipc2005.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www.br/ 3O.hpg.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.com Site: http://www.br Site: http://geocities.cepsic.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 45 . Ano 1.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.org.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.yahoo. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.br Site: http://geocities.com.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www.ulapsi.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.br ou psicologiahospitalar@uol.com.com/principal.

sl. Vol. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas. Minas Gerais. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. 290. teses. sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. comunicação. 810. pesquisas. Belo Horizonte. 1.1. estarem digitados com letra Times New Roman. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. monografias. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. Brasil. resenhas. tamanho 12 (doze). Jan-Jun 2005. estudos. O envio dos originais. n. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. bairro Cidade Jardim. TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. relatos pessoais. na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. seja por e-mail ou pelos Correios. 46 . Belo Horizonte. implica pelo autor. Estão de acordo com a linha editorial desta revista.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av. CEP 30380-000. Ano 1. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos.com. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão. relatos de casos clínicos. Prudente de Morais.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. automaticamente.

Janeiro a Junho-2005 Formato A4. n. Número 1. Belo Horizonte. Ano 1. 1. 47 . Jan-Jun 2005. Vol. planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities.Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I.com. Volume 1.1.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. miolo com 44 páginas Idealizada. e-book.yahoo.

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