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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte, Jan-Jun 2005, Ano 1, Vol. 1, n.1.

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia.. Rio de Janeiro – São Paulo.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. 13.” (Tolstoi. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Léo. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida. vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas.. Vol. O Editor 1 2 Tolstoi.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. iv . 1. da antropologia e de tantas outras ciências. A História de Uma Folha. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão. n. sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença. Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde.) E não me tomem tão simplista. 1961.” (. 2003. pois é imperioso o estudo da psicopatologia. Obra Completa. p. Rio de Janeiro. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos. Record. p. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir.1. 84). Buscaglia. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si.Uma razão para existir – respondeu Daniel. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos. pois “. in: A História de Uma Folha 2 : “.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. José Aguilar. Ano 1.. Ana Karenina.. no contexto específico do adoecimento. Jan-Jun 2005. Leão. Belo Horizonte. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo. da sociologia.

Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. no esteio de sua trajetória. pacientes. Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. Belo Horizonte. Hoje . Ano 1. O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. por meio de um símbolo (e também de um significante).HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem. proveniente da letra grega psi ( ψ ). símbolo vinculado à medicina. na realidade. v . medicina. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado. doença.com. corações). o mesmo torna-se nome também desta revista e. que vem sendo executado ao longo de anos. Vol. Dessa maneira. levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar. n. 1. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões. E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. comportamentos e sentimentos. Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. com a mesma dedicação e afinco. saúde. Jan-Jun 2005.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. a partir do seu nascimento. constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e. é que o Psicópio.1. dá nome também a esta revista. mais uma vez. cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. musicista e folclorista. representar. agora. Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia.

quem o repare. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor. . a partir daí. e. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. Através desta busca. a casca confinante tem de ser mudada. tornase de extrema importância. os sinais que o sujeito enviar-lhe. de cada uma dessas passagens. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical. dos exames que tem que fazer.1.. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. a seu modo. Ficamos expostos e vulneráveis. Este encontro com algo que o machuca. Dito de outra forma. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. Cada vez que ela se expande. tristeza etc. necessita do amparo do outro. n. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. se sairmos. entretanto. deixando de ser objeto de satisfação do outro. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. pois não reclama das intervenções a submeter-se. Vol. mas também efervescentes e embriônicos novamente. principalmente. também temos de mudar uma estrutura de proteção. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. ou seja. É preciso que o paciente seja escutado. uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. Belo Horizonte. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. “. Mas para que fazer estas interrogações. que o faz sofrer. protetoras. reconhecendo suas necessidades. ou seja. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias. entramos num período mais prolongado e mais estável. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. se. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. raiva. Jan-Jun 2005. este é calado e quieto e. muitas vezes. normalmente. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. não há como sobreviver. mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. pois. pois não há quem lhe dê ouvidos. assim. enfim. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. e. dando-lhe. Por isso. dando-lhes reais significados. Ano 1. invalidez. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. na verdade. seus desejos e suas demandas. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. muitas vezes também do seu acompanhante. E de novo ele se sente desamparado. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. que interpretará. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. ao nascer. amparo. é ser humano que deve ser escutado e amparado.. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. ser escutado e se escutar. um novo revestimento vem substituir o antigo... Ele será capaz de escutar e. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas. que necessita da intervenção de um terceiro. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras.O SUJEITO. com o tempo. o que ele realmente precisa falar. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. 1. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. de dentro para fora.

“‘No começo da psicanálise é a transferência’. Assim também. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório. estará respondendo às demandas do sujeito. necessariamente. Vol. cap. conduzida a tentar significar o que deseja”. 3 DOR. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. Mas. Não quer dizer que. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. p. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo. provavelmente. segundo Lacan. nos diz Lacan.. cap. não conseguirá lidar. é. pois. cap. 1992. Por isso. 20. pois são objetos d pulsão. novamente. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. Jan-Jun 2005. I. nesta forma tão visível. a perda de um amor ou a perda da saúde.de mensagem destinada ao outro. Mas. 146. não há objetos reais que o satisfaça.”. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. por causa dessa falha da linguagem.. a transferência. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia. que a presença do analista se faz indispensável. por outro lado. 1. exatamente. “O surgimento do desejo fica. 20. a primeira experiência de satisfação do sujeito. objetos que possam realizar seus desejos. 1992. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. 4 QUINET. DOR.144. O primeiro passo desta construção. é tomada no assujeitamento do sentido. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque. pelo contrário. portanto. neste momento em que o desamparo radical aparece. É. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. Portanto. e. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades. 1991. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. nunca mais será alcançada ou repetida. pois. “. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura. o sujeito continuará sendo um ser da falta. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer.. p. p. o que prova a particularidade de cada um. n.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. ele está atrás de um Outro que seja completo e.. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista. é eternamente faltante. Belo Horizonte. E por isso o analista é chamado. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e.141. 7 . visto que. É. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro. p. O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico. ao re-encontro da primeira experiência de gozo. exatamente. ele não deixará espaço para a falta. o sujeito pare de procurar outros objetos. ou objeto a. pois ele nada sabe de seu paciente. pois. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise.1. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. Mas. com a qual ele. e seu pivô é o sujeito suposto saber. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”.. 20. para além desta experiência. Mas já a partir da segunda experiência de satisfação. as demandas e os desejos do sujeito. e esse sujeito é vinculado ao saber. Ano 1. 1992. Quando o sujeito chega até ao analista. a criança.3 1 2 DOR. faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. ao se contentar com isto. cap. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem. ao colocar-se nesta posição. sempre. e. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo. como por exemplo.4 Sabe-se que o objeto do desejo. por causa disso. ele inic iará mais uma busca. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e. suspenso à busca. ou seja.

5 radical. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr. estou pensando em me separar do meu marido. No hospital.1. de uma melhor maneira. Jan-Jun 2005. Aliás. mas. quando pr. me perguntou: . 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. mas eu não sei se gosto dele. com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz.Ela é boa. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele. a questão do desamparo radical está muito presente. frente ao desamparo 5 QUINET. pressuposto à função do analista”. n. A frustração é algo que deve estar presente na análise. . que eles não queriam saber da nossa vida. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. . Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’.Lu. A ignorância douta é um convite não apenas à prudência. então. O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela. pois. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. No hospital.Como é a relação de vocês? . O DESAMPARO. Lá em casa eu não aprendi isso.. p. Vol. por causa disso. Então eu lhe falei que não era nada disso. suas e dos outros. pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”. pois o colocará frente a sua falta.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio). mas a ignorância douta. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. mas não sei se eu amo.Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. aliás. no entanto. mas. Frente ao desamparo radical.. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo. . . mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas. Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. eu acho que eu. e..Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr.. o que você acha? . Sua posição. Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante. ele continuará sendo um ser da falta. E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo.. Ele não ajuda em nada com o nosso filho.. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro.Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também. Belo Horizonte. o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. Disse-lhe que. cap. assim que acabasse aquele atendimento. não a simples ignorância.Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: .Ontem briguei por sua causa lá na oncologia. normalmente. e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: .. O saber é. uma equivocação. mas que. o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma. I. muito mais do que a posição de saber. e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio.Estava atendendo a uma outra paciente. 1. Então ela começou: .“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber. e assim passar a conviver com as faltas. Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado. eu iria atendê-la. permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta. 1991. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL. Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma.. Ano 1. eu sei que eu gosto. é uma posição de ignorância. mas também a humildade. estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho. se aproximou e disse que queria muito conversar comigo. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . .Você acha que você. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito.

eu não sei deixar as pessoas me amarem. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. QUINET.com. 441p. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. Sigmund. 1991. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. então eu não aprendi o que é amar. FREUD. Cecília Andrés. 2.ed. então ela me chamaria. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte. 203p. Joel. eu acho que eu não deixo ninguém me amar.ed. Eu amo minha mãe e meus irmãos. 211p. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital. Júnia Lessa. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. assim. pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise. n. quando perguntei como estava. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. E foi assim também com o meu primeiro marido.1. 2001. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Nossa. Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. As 4+1 Condições da Análise. muitas vezes. como eu falei hoje. para conviver com eles. 2002. Já que você pensou muita coisa.. _________________________________________ Após este atendimento. TENDLARZ.ed.. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a. se ela voltasse outra vez. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. para isso bastava me procurar. ela disse-me que não era para eu ficar brava. de preferência um profissional da área psi. Belo Horizonte. no estacionamento do hospital. além de o sujeito sentir-se angustiado. 5. mas eu não faço nada para estar com eles. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros. 4. e. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. Antônio. Ano 1. Jan-Jun 2005. CARAM.. Belo Horizonte: UFMG. Na verdade.ed. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo. seu filho teve alta. 9 . para falar a verdade. 4. Encontrei-a um dia. precisará do auxílio de uma outra pessoa. eu não sei nem se eu deixo. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. necessariamente. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos.. 2. 5. 1... eu não sentirei que estou abandonando-as. Vol. Orientadora: Maria Helena Libório B. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância. ele não consegue lidar com isso. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. 1987. 125p. 1997. 6. quando deixá-las. veio acompanhando-o. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica. Porto Alegre: Artes Médicas. E-mail: lumsm@superig. não é percebida por ele. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. 3..- - sustentar. FRANÇA. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla. 1992. Caderno de Contos. mas não queria mais ser atendida. muitas vezes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Melo. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas. Sabe Lu. Introdução à leitura de Lacan. Você não sabe se você deixa. Rio de Janeiro: Imago. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. você me fez pensar muita coisa. assim. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG. Silvia Elena.. DOR. Ela não me procurou. mas. 3. E. pois. Tudo bem? Tudo. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam. eu não o amava.

A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). Assim. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. No entanto.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. SZASZ (apud LOBATO. expressar queixa. Quando a dor se torna intolerável. 1992. Sendo assim. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. 10 . Suas vivências. Neste último nível de simbolização. por ocorrer em episódios de curta duração. Assim. isto é. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. Segundo GUIMARÃES (1999). isso sim. a intensidade. Aos dez meses. faz da dor um meio básico de pedir ajuda.166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. isolado. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas.165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. Num terceiro e último plano. O sentir-se abandonado. Vol. n. também são fatores que aguçam a dor. Além disso. A dor crônica tem uma longa duração. As dores podem ser classificadas e categorizadas. comunicada a outra pessoa. a freqüência. tornando-se crônicas. processos inflamatórios ou moléstias. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. por exemplo. a criança. A aguda tem duração relativamente curta. O medo. causa uma contração. algumas dores são persistentes. apud LOBATO. p. Jan-Jun 2005. Ano 1. ganhar o controle sobre eles. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. ou não compreendido. o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. etiologia e duração.1. ataque. Ao se pensar no que a dor expressa. Sem ela. passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. 1999). a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. crônica e recorrente. a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. 1992. podendo estender-se por meses ou anos. tanto física quanto psíquic a. Assim. mas pode. Num segundo nível. ou então. 1. possui um caráter subjetivo. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. que aumenta a sensação dolorosa. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele. Em 1979. Belo Horizonte. Tradicionalmente. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. já um outro plano. sensitiva e emocional. p. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. pois se repete ao longo de muito tempo. um problema a resolver. a qualidade. (Lobato. aviso de perda iminente do objeto. a dor torna-se a própria patologia. essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. desorganiza o aparelho psíquico. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. mas também é crônica. além de movimentar-se intensamente. o que dificulta a precisão de sua origem. Segundo GUIMARÃES (1999). (MERSKEY. É aguda. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor.

infiltração ou metástase. alguns tumores podem ser inicialmente indolores. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. 1. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida. 1999. passando a doer com a progressão da doença. LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor. n. todavia. D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer.1. etc. quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. 11 . busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. Jan-Jun 2005.. da punção venosa. D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia. do mielograma. Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos. respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. 1999). Segundo GUIMARÃES (1999). (GUIMARÃES. Portanto. Sobre as especificidades do câncer infantil. previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor. pode exacerbar a percepção da dor. Ao que se refere a dor advinda da doença. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea. Vol. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos.256). por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer. é preciso que se mostre à criança.252). como dor de cabeça ou ferimentos. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores. sem treino especial.. Portanto.De dois a seis anos. o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença.originária da invasão do tumor . (p. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família.e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica. Com quatro anos. faz-se importante que em todo processo de tratamento. pois já percebem o mundo de forma concreta. p. é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. por exemplo. em muitos casos. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. Belo Horizonte. gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. garantindo-lhes.132). (p. os quais. É importante ressaltar. Visto isso. que. Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. Para tanto. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido. o receio do que está ocorrendo. sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor. as crianças definem a dor em termos perceptivos. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos. A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. além de conforto e segurança. mas coincidentes com a patologia. provocada por compressão nervosa. dor posterior à radioterapia. Ano 1. A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. ao se falar de dor em oncologia pediátrica. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. Utilizando os recursos lúdicos. do desconforto durante e depois da quimioterapia. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo. Da mesma forma. ansiedade e a lidar com a dor.uma sessão de coleta de sangue para exames. a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental. diante da dor e de eventos estressantes. .

Entendendo dessa forma. Assim. pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos.É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. Tentado fugir das próprias emoções. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos. inúmeras vezes. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências. Suas fantasias. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. A experiência da dor. Dessa forma. havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento. (GUIMARÃES. Jan-Jun 2005.. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. temendo viciá -lo. 1. inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas. não há um controle satisfatório da dor. A criança sente-se reconfortada. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor. a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional. acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos.28). incluindo aqui não apenas recursos analgésicos. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças. Ano 1. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. segura.1. o alívio da dor. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. .. Belo Horizonte. Entretanto. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. comunicada. 12 . onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor. onde os procedimentos são vistos como ataques. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. além de possuir caráter único. que desperta comportamentos protetores e agressivos. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. não pode ter medo”. tão honesto e completo conforme ela possa compreender. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor. P. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. Da mesma forma. n. castigos e ameaça de castração. É assim que. 1999) coloca q ue. Vol. ansiedades e medos não são negados. Entretanto. Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença.há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. 1999. a dor pode tornar-se refratária a medicação. REDD ( apud LORDELLO. complexo e subjetivo é sempre expressa. Portanto. atualmente. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga.

J. M. S. M. Psicossomática hoje.com. 1992. Porto Alegre: Artes Médicas. J. M. M.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. In: CARVALHO. Vol. Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. A. W. FREUD. 1999. GUIMARÃES. S. (Org. São Paulo: Summus. O problema da dor. LORDELLO. In: CARVALHO. T. 1999. In: CARVALHO. 1978. 1999. R.1. n. (Org.. da C. M. CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. M. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica).) Dor: um estudo multidisciplinar. Belo Horizonte. São Paulo: Summus. J.) Dor: um estudo multidisciplinar. A criança. In: MELLO FILHO. A Criança diante da Morte: desafios. J. (Org. São Paulo: Casa do Psicólogo. M. de. M. M. TORRES. de. Jan-Jun 2005. M. S. O. 1999. Lisboa – Portugal: Moraes. de. 1. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. LOBATO.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a doença e o hospital. São Paulo: Summus. Ano 1. 13 . S. Introdução ao Estudo da Dor. R. M. LORDELLO. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil.) Dor: um estudo multidisciplinar.

as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. deste modo. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações. as dúvidas que daí emergem. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. Isto. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. em consultório não são abordadas. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. para as sessões. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). aquilo que as leva a actuar. faxineiras. desta maneira. quaisquer interrupções. em meio hospitalar e em consultório. fisioterapêutas e outros. os medos. de se divertir. No hospital. O que as caracteriza. o do setting e o da iminência da morte. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. partin do do reducionismo de que. por parte do pessoal de enfermagem. bem como um tempo de duração definidos. pelos tratamentos e pela reabilitação. uma vez que agem em contextos diferenciados. Assim. mas o objecto.. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. médicos. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. pela hospitalização. são frequentes. Vol. aqueles que precisam de apoio psicológico. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. e onde as interrupções. abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. as questões relativas ao processo de adoecer. de alguma forma. Não temos. então. Não se prevendo. Belo Horizonte. Uma vez que.1. 14 . e. deste modo. É ele que. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. para o seu bem). O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. E. tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e. pelos mais variados motivos. com os outros. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença. PRIMEIRO EIXO Neste eixo. pelo menos. desta forma. horários. bem como dar assistência aos familiares do paciente. sendo definido pela resolução da problemática. Ano 1. Em consultório. isto é. auxiliares de enfermagem. relativamente. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo. presentes. n. 1. por nós definidos: o do sujeito. Jan-Jun 2005. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. entre as duas situações de atendimento psicológico. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam. ou seja. dos médicos e até dos familiares. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando. os assuntos abordados nos diferentes contextos. tira-o do convívio familiar e dos amigos. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. consigo próprio) de cada sujeito. também.” (Alamy. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. não é o seu objectivo. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento. tal como acontece na psicologia hospitalar. Desta forma. ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são. Estamos. Assim. p. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades.. visitas. portanto. que passa. como por exemplo.15) Poderemos. de estar com os familiares. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado). Assim. com frequência. as emoções. supostamente. isola-o) e. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. Em consultório. deste modo.). muitas vezes. Há dias. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. na grande maioria das vezes.

p. “Toda a doença é uma ameaça à vida e. É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e. Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. n. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. Kübler-Ross (2002). também ocupa um l gar particular. não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy.42).62). cartões com figuras). Belo Horizonte.153). utilizando também informações das áreas de Medicina. Ano 1.14).6). etc. muitas vezes. o soro pode estar colocado na mão direita e. para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente. este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross. “Na morte. a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. Portanto. p. ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. ou mesmo visitas. Nutrição e outras áreas afins” (Campos. Serviço Social. p. sonolento devido à medicação. Vol. na maioria das vezes. buscando sempre o bem estar individual e social. por exemplo. podemos perceber que funcionários. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido. Ou seja. não conseguem fazer desenhos. mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. 2002).33) Pois. Em consultório. Enfermagem. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro.” (p. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. O conhecimento de técnicas de relaxamento. antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida.42). existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. em meio hospitalar. ao contrário do que acontece em consultório. 2003). sendo elas destras. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos. nas crianças. E. Trata -se de um momento em que a nossa presença física. com o silêncio que vai além das palavra. é um aceno para a morte. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar. a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos. p. até que. p. não é simplesmente a perda. todos. São todos estes aspectos que vão ditar os dias. ainda.atendimento. por sentir necessidade de fugir a essa situação. 1995. TERCEIRO EIXO Neste último eixo. abordaremos a diferença nos atendimentos. Criando. o que nos assusta. se a vida tiver um fim. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso. 1995. como um profissional da saúde. No entanto. mas a morte é temida e vista como um tabu. deste modo. (Kübler-Ross. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. O processo de tratamento está. entubado. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. os horários e o tempo de duração de cada atendimento. p. quanto à presença da morte. 1. gerando constrangimento e fazendo-o se calar. aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. pois deparamo-nos com doentes diversificados. Também. Jan-Jun 2005. com isso. pode estar com dores. p. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito.64). sem escolha. tenhamos que encará-la. “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia.60). p. “No nosso inconsciente.282). pois é. p. de vez em quando. é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. O que levanta em nós outro cuidado. acabamos. Para além disso.1. condicionado ao tempo de internamento. Desta forma. 15 .

do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos. Jan-Jun 2005. o psicólogo. procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : . o psicólogo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy. P. Autor: Belo Horizonte. Martins Fontes: São Paulo. para então poder responder com a ação adequada. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença. psicológica e socia . mas sim a presença real e participativa. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail. _________________________________________ * Este texto. Também. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. no meio hospitalar. n. resulta de um processo de reflexão. Tornase. p. religiosos e aos seus próprios parentes. p. olha para o sujeito como um todo. assim. acaba por ter um papel muito mais activo. Portanto. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola. Desta forma. havendo necessidade de conhecer a patologia. enfermeiros. 2003). que vai.61). da dramatização. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos. inclusive” (Campos p. tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo. muitas vezes. quer através da palavra.doença e da internação hospitalar” (Alamy. que fazemos companhia e. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico.” (Campos.65). Vol. Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos. como uma unidade integrada.19). a recuperação do bem-estar do paciente. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. do desenho ou da mímica (Alamy.61). S. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta. E. busca a promoção. permitindo que se veja o paciente como um todo. Muitas vezes me perguntou se já estava de saída. o psicólogo. que foram chamadas a seu pedido. T. p. atuando no hospital. E. Ano 1. indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural. (1995).1. Só me retirei quando chegaram as filhas. p. Somos. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. Campos. contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física. EPU: São Paulo. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . como uma “pessoa” e não como uma “doença”. C. (2002). Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções.” (Campos. a prevenção. estendia a mão. deste modo. foi dada assistência psicológica às filhas. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. Ed. há momentos em que não só as palavras são importantes. 1. Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. 16 . por mim exercidos. nos seus aspectos físic o.83). (2003). Kübler-Ross. ao bem estar da comunidade. Pois. Assim. além do apoio psicológico que é prestado em consultór io.Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo.Formada em Portugal/Lisboa.pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. no seu todo. Belo Horizonte. psíquico e sócio-económico. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. Portanto.

para. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios.A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. 1.1. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). ausência do trabalho e outros. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa. Belo Horizonte. 1998) 2 . a atuação das pessoas naquele lugar. n. Ano 1. 28/11/2003. compreendendo a natureza do sujeito doente. aptidões. na maioria das vezes. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. Ensaios de Psicologia Hospitalar .br ALAMY. A atuação do psicólogo hospitalar inclui. Os relatórios devem obedecer à ética. 18. então. não podemos fazer clínica dentro do hospital. pois são patologias diferentes. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar. sendo absolutamente sigilosos. seus familiares. do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas. 2 Ibidem. p. não será o paciente a chegar no psicólogo. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. ** Psicoterapeuta. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções.]. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente.n. Jan-Jun 2005. p. previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. 2003. com questões de ordem prática. psicóloga habilitada em psicologia clínica.yahoo. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. especialista em psicologia hospitalar. 17 . Belo Horizonte: [s. ajudando-o a tratar/minimizar. CRPMG 6956. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares.com. Temos.com. Susana. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. portanto.a ausculta da alma. esperanças. descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. dificuldades e limitações. seus desejos. medos. Home page: http://geocities. pois. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. grau de risco de vida. 1991) 1 . informando-se do diagnóstico médico. uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. Vol. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. onde o mesmo deve observar os doentes. então. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento. com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. além dos seus atendimentos dos pacientes. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). 19. do prognóstico e propedêutica. mas o inverso. visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico.

Nestes. Com essa finalidade..1. Dentre elas podemos citar os desenhos. No entanto. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. Devo frisar que o relatório original foi conservado. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso. Amatuzzi (2000. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 2 . Dessa forma. Belo Horizonte. 18 . pois. é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão. Segundo o relatório da enfermeira.75). já que. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala. Ano 1. apesar de sua grande importância. Afinal. mesmo em situações onde essa relação. a paciente de quatro anos e oito meses de idade. se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. p. Nesse sentido. gostaria de. Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos. por meio deste. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira.REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos. de centro a centro. Esse talvez tenha sido o meu caso. Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal. além de uma. Fato comum. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. foi meu primeiro contato com um paciente. sobretudo por profissionais. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. os erros consistem de partes do acerto. sobretudo. portanto. gestos. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente. transformando-o em uma situação de aprendizagem. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal. novos desafios haverão de surgir. Assim. em atendimentos infantis. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. sob o âmbito teórico. na prática.” (Macedo. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica. o silêncio. 1994. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece.. A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos. ou melhor.. se pode ser analisado de diferentes ângulos. fica difícil”. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. inevitavelmente. de coração aberto a coração que vai se abrindo (. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. Além da alta ansiedade. olhares. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. 1. “Se o erro faz parte do processo.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I . n.. mas de problematizá-lo (grifo meu).). o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. Falar da importância da verdadeira escuta do paciente. em especial. brincadeiras. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais. Jan-Jun 2005. p. o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso. nem de evitá-lo por meio de punições. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada. assim tão pessoal. é algo extremamente distinto de sua execução. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. Diferentemente dos demais atendimentos.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta. Vol. Por meio dessa.

Por cima deste. no entanto. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. “ Doeu muito” (sic). “É para proteger da chuva”. por motivos desconhecidos. ué!”. esboçou um rosto feliz. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. Respondeu-me negativamente. Em seguida. o que poderá ser confirmado posteriormente. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. “O sol faz xixi e cocô” (sic). No entanto. Igual a quem?. Depois acrescentou um sol. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. filha?”. do BOCUDO. no entanto. Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. Depois desenhou um X sobre a porta. mas aqui (cateter). aquela tinha pneumonia. “Para i r trabalhar” (sic). “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. A criança começou a falar da nuvem. um armário foi feito por baixo dela. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda. Indaguei quem seria o dono da boca. apenas a segunda permaneceria com a criança. Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). Esta afirmou que trabalhava na escolinha. observei que uma garota chorava desesperadamente. mas uma janela. Ela não me pareceu incomodada com isso. abaixo dela. Belo Horizonte. assim como a maioria das crianças daquele andar. Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. Jan-Jun 2005. Custava a desenvolver o assunto e. Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. Vol. n. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. Sacolas. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. Esta logo se prontificou a desenhar. Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. Pediu -me para também desenhar a chuva. Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. Afirmou ser do sol. corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. Pediu -me para desenhá-la novamente. Na terceira folha.1. Disse-me que esta nos deixa no escuro. Logo. fez o mesmo na superior. Após alguns instantes. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá. diante da situação de urgência. Após a saída do pai. Posteriormente. A menina não respondia. uma intervenção do pai desviou o assunto. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. Posteriormente. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta.da mãe e da tia. o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá. sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina. nada doeria. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. Disse ser uma boca má. não” (sic). respondeu. uai” (sic). Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter.V. mas continuou ansiosa. induzia constantemente as respostas da garota. com muita dificuldade. indaguei. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. gritava e esperneava muito. Demonstrei com a caneta posteriormente. Quanto à patologia apresentada. ao contrário. Minutos depois de chegar à enfermaria. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. disse. questionei sua finalidade. Ano 1. Depois fez um X em cada buraco. Em seguida. Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. 19 . havia um guarda-roupa. A partir daí. 1. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. Contoume uma história sobre o bicho-papão. algumas alças foram acrescentadas. fez um retângulo com dois quadradinhos. me olhava nos olhos. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Este viera à noite. A garota aparentou compreender a diferença. uma enorme boca. Nesta. “Igual ao sol. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. Indaguei acerca da origem da televisão. Ela pensou um pouco e concordou. Quando repeti o que ela me havia dito. vi-me obrigada a fazer alguma coisa. A menina. vários elementos foram introduzidos. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. Respondeu-me que era de sua casa e que.

Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. sorridente e comunicativa. encerrando o atendimento. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. procurei confirmar se havia ouvido direito. Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. Em um dado momento. Disse que era o “bola 7”. Num dado momento. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). Até que seu pai chegou. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. Assim como ela própria pretende adquirir uma. 20 . Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. após escutar o pai. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade. Fechei o caderno. é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. pertenciam ao bicho-papão. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. Jan-Jun 2005. Falou. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. segundo ela. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta.CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . completou que gostava de levar couro. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. desenhou um vaso e o suporte para o penico. Voltando ao desenho. No entanto. rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. não conseguia identificar nem as formas. Insisti em continuar o atendimento. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. Entretanto. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. Em várias páginas esboçou figuras diferentes. Ela olhou-me concordando. parecia ter a língua presa. assim como no anterior. Era um dos poucos que ainda escrevia. segundo ela. de um amiguinho na escola. tampouco suas explicações. Voltei-me. No entanto. Após tais experiências. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. Acrescentou um penico abaixo do sol.espada dele e esfaqueei ele” (sic). Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). Diante disso. logo começou a conversar. sugeri que desenhássemos. essencialmente. pertenciam ao bicho-papão. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro. Belo Horizonte. 1. Explicou-me que era para ele fazer xixi. Tal compreensão é. n. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. a ponta de seu lápis quebrou. Ano 1. Olhos grandes que. um fator inibitório da escuta. Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. a garota parecia estar bem. Como procedimento de rotina. Todavia. Em seguida. Muito assustada com aquela frase. mesmo não compreendendo quase nada. Retomando o fato inicial do atendimento. portanto.1. dado o caráter da pergunta. Lamentavelmente. A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. Ademais. não conseguia compreendê-la. Vol. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. CASO 2 O segundo caso. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. Pedi que me contasse o que estava fazendo. Durante o atendimento infantil. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. 3 . Visto assim. Num dado momento. Movimentei a cabeça indicando que sim. Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente. Mais uma vez citou a história das facas. Em seguida. Carolina?”. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. então. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. Ela preferiu desenhar em seu caderno. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. Quando indagada sobre onde o pai estaria. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. À medida que o tempo passava. Esta. Começou desenhando alguns círculos. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. Meu desejo estava constantemente presente.

2 . Afinal.. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. LAGACHE. Afinal. sobretudo. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. 2000. A atuação do profissional prescinde. Por uma psicologia humana. àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências. ao contrário. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos. Jean. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento. Vol.com. Manoel de. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. Por outro lado. como um todo. o que requer um intenso aprendizado. Mauro Martins. Belo Horizonte. 1994. como diria alguém que não entende apenas de poesia. J. período de psicologia na UFMG. Pensando nesse aprendizado. no mês de agosto. da escuta flutuante.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . persistirei. Jan-Jun 2005. B.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. Atentando-nos mais à criança.BARROS. O livro das ignorãças. 1. São Paulo: Casa do Psicologo. sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso.AMATUZZI.br Termo utilizado por Freud para apontar.ed. 4. Ciente de todas as limitações. na clínica infantil. Pontalis e Lagache (2001). Ano 1. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões. Pensava nisso. Na época em que o artigo foi redigido. na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo.MACEDO. n. Ensaios construtivistas. Vocabulário da psicanálise. Hoje eu desenho o cheiro das árvores. No entanto. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. Daniel. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento. mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde. sobretudo.ed. Numa situação como esta. 4 . grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. PONTALIS. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta.LAPLANCHE. São Paulo: Martins Fontes. mais particularmente. Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos. segundo Laplanche. afirmo com muita alegria que. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los. Campinas: Alínea. 3 . por já ter realizado bons atendimentos com adultos. Lino de. 8. Por 1 sermos pessoas. sobretudo. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal.ed.. no entanto. 21 . 2000.1. 4. a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. à transferência deste”. portanto. Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado. Ao contrário do que se costuma pensar. 2001. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade. Rio de Janeiro: Record. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. E-mail: pricasaleme@uol.” (Manuel de Barros.

SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). vai morrer”. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. 24h. estendeu a mão e disse-me com um tom. no caso. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. Ano 1. Nesse momento. de todos estímulos. você vai para o CTI.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo. peguei a mão dele e fiz meu papel. ele está morrendo. atenta a qualquer movimento do paciente. verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. principalmente. ou seja. Paciente. Palavras Chave: CTI. as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares. que o foco é o paciente biológico. Onipotência. E você ali. uma profissional de psicologia. dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: .Pai. e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”. 1. esse que está naquele local e não sabe onde. o grau de angústia eleva de maneira súbita. n. num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. os familiares desesperam-se.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. enfermeira. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. tendo. Mas. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. se na realidade. seja ela qual for. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. exatamente. de carinho. tive que fazer o papel do psicólogo. e o porquê. E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo. para viver além do lado biológico. Mas como ser profissional. Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia. que está bem assistido. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. Psicólogo hospitalar. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.1. igualando. o desespero. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. do seu objetivo. por dia. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . do toque. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. você é profissional ou familiar? Então. especificamente em CTI. ausência de contato com o mundo. 22 . não posso ficar lá com você. que tem como função minimizar a angustia. meu pai. Que dêem atenção maior. Ele balançou a cabeça. Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. CTI. infelizmente. se não fosse eu. eu respirei fundo. Família. o porque de sua transferência e estada lá. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. Eu disse-lhe: . Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI). Belo Horizonte. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. Jan-Jun 2005. por isso necessita de aparelhos. não se esquecendo o lado psíquico. um médico e toda a aparelhagem necessária. nesse caso. paciente e sua família são privados de afeto. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco. E. na maioria das vezes. lugar gela do tanto no físico como no afetivo. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. E dá as costas e sai. o qual. naquele corredor frio a espera de uma noticia. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. Vol. e lá do lado de fora. A VIVÊNCIA No hospital um familiar.

de mãos dadas com papai. Jan-Jun 2005. 1. castrado do carinho. O médico vem. do apoio familiar. desesperada e vivendo na terrível ignorância. ela pergunta o nome do paciente. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. Essa profissional não teve o tato. uma pessoa que já conhecia um CTI. Ano 1. paramos. Resultado: noite em claro. uma parte de mim entrou com ele. ou seja. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro. seja o tempo que for. Sinceramente. na frieza dos médicos e da sua equipe. Eu ligo e a telefonista atende. Anteriormente. não só pelo sofrimento do seu familiar. o mais importante. Horário de visita no CTI.1. Vol. O enfermeiro diante do leito. São 21h. que às 21h. Como fica essa família. insegurança. amarelo. peço para falar no CTI. pelo seu sofrimento. fala do boletim médico do dia. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. hora do boletim médico. com muito carinho. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. Nesse momento. mas pelo lugar. aparelhos e principalmente o papai inconsciente. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele. pela proximidade da morte. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. em alguns lugares. nos seus medos.” Nesse instante. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência.25min.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. eu. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. naquele lugar impessoal. aí disse: . E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. mas não podia. de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio. ali. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. naquele corredor frio e impessoal. Belo Horizonte. tem que dar uma atenção maior à família. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). principalmente. que passar segurança para o papai. Longe. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. Peguei os pertences dele. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado). sem informações. mas que nunca teve um familiar lá.. Entrei. até a porto do CTI.filha”. Nesse instante. abracei. nunca subestimem a sabedoria do outro). estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. Eu. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. ele está sentindo sua presença familiar. tem-se a impressão de despedida. e isso eram exatamente 15h. mas como filha queria chorar. e. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. super magro. de mãos dadas. ainda quentes com o calor do seu corpo. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente.Vai papai. mas.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente. ainda necessitando de um apoio psicológico. colocar tudo para fora. E. Meu DEUS. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor. na ignorância do diagnostico. era para ligar e tomar conhecimento. n. de dar um apoio. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai. e logo desliga o telefone na minha cara. que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. desespero. mas ela ainda. Meu coração dilacerado. ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. 23 . acho que consegui fazer meu papel. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. que noticia é esta. cheio de aparelhos. contido. fui ao seu lado. eles desesperam-nos ainda mais. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. tenho certeza). disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. o sofrimento dos outros. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. Deus. e para os familiares? Esses. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. obrigada. haveria o boletim médico. Chegando na porta. tinha. disse que sim. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria. disse: “olha. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. que tem vivência em um hospital. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. perguntou sobre a minha família. então. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele. despedaçada. extravasar meus sentimentos de medo. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido. como todo ser humano.

tristeza. firmeza. dos medos. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. deixo. Vol.1. aquele que é realmente um “profissional”. e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente. age com prudência. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo. da angustia. para não decepcionar o outro. sem sentimento e envolvimento algum. vontade de chorar e medo da perda. em uma situação delicada de CTI. É claro que.. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. 1.com. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”. 24 . elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. Só que ele tem que manter a sua postura profissional. tranqüilidade. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra. como eu vivenciei. Jan-Jun 2005. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. impotência. às vezes. Mas. Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa. que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail. e quando esse profissional vive. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família. para r epresentar seu papel de maneira adequada. sente na pele. n. sim.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. aqui. Além do sofrimento do familiar. então desmoronamos.fazer com que o hospital. Ano 1. ou qualquer outro órgão da área de saúde. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. E que principalmente podemos. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então. o envolvimento com o paciente. É obvio inicialmente.

Utópico? Não. hospitalização. realmente é. pessoas das mais variadas individualidades. talvez. for being a continuous process involving every team of health professionals. o que seria? Um instrumento terapêutico. proporcionando ao indivíduo. for the team and even for the own Government. 25 . atuação psicológica. das parteiras. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. n. Key-words: to get sick. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. À Psicologia . de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. can influence in the Humanization. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. abandoning his passivity. Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. acima de tudo. Vol. humanização. hospitalization. psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. então. Já saímos do período colonial.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. E o Hospital. Lançando mão. for the own Institution. quer seja pela própria Instituição. a larger understanding and acceptance of his disease. Jan-Jun 2005. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados. recebem cuidados ou fornecem cuidados. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. apesar dos avanços. We also intend to show as the psychologist’s performance. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. Porém. 1. humanization. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. que sofre. Belo Horizonte. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde. que sente dores e. tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. trabalham. Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. então. in the hospital context. collaborating for his re-establishment. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. cure. Vidas humanas. com suas particularidades e subjetividades. pela equipe e até pelo Governo. do médico da família que atendia em casa. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. subjetivo. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. abandonando a sua passividade. Ano 1. o homem continua sendo humano. se todos quiserem colaborar. através do vasto material encontrado. colaborando desta forma para o seu restabelecimento. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. finito. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.1. mas ela me dói. uma vez se tratar de um processo contínuo. Palavras-chave: adoecer. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. cura. pois . dessa pesquisa bibliográfica. fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização.

p.. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault. entre outras. no final do século XVIII. 1993. discorremos sobre o processo de Humanização em si. que seu conceito se torna complexo. 2004. se não compreendido em toda a sua extensão. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico.. a trajetória da roupa branca. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. Esses relatores não são mais arquitetos. Um morredouro. entre 1775 e 1780. Nesta época.100). p. uma vez que ela é um atalho. então.1. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas. Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. para um bem estar de todos? Afinal. Jan-Jun 2005.. e no terceiro capítulo ..) e conviver com essa finitude(. Houve nessa época. a pedido da Academia de Ciências.papel importantíssimo dentro de um Hospital. no entanto. eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. Se este. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim. Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. o movimento no interior do hospital. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. Vol. realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon. Não seria.) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra.. 1. é um direito e um dever de cada um. Portanto. para definir um programa hospitalar. sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente.80). 2004. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. (. sobre o papel do psicólogo nesse processo. surge um novo olhar sobre o hospital. p.79). Desta forma. Assim. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências. o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. estes devem ser modificados. Agora. (. na Europa.) possibilita recriar e transformar. que faz com que o grito de dor do paciente seja. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar. descobriu-se que não curavam tão bem. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer. em diversos países. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se. Se há milênios existiam hospitais para curar. 26 .23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII. a taxa de mortalidade e a de cura. O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. p.. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão. porque sua abrangência parece não ter limites e. Belo Horizonte. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII. Até o século XVIII. pelo menos escutado. um caminho mais curto. O hospital que funcionava na Europa. não era um meio de cura e não era conhecido para curar. o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo. n. (Mezzomo et alii 2003. desde a Idade Média.. Era uma instituição de assistência aos pobres. produz efeitos patológicos. no segundo capítulo. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado. ou seja. Ano 1. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta.

deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. XVIII. p. em um hospital pessoas atendem pessoas. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. realmente humanizada... onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita. o hospital. Vol. especiarias. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . (Mezzomo et alii 2003.52) Com o decorrer do tempo. uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (.) de modo que o quadro hospitalar (. um grande tráfico de mercadorias.1. 1993. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência. então. peças raras etc.445). O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. como o entendemos hoje.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica. em 1974. Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. 2004. ele é encaminhado a ela por humanos. p. Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. Hospital e medicina. isso não significa a humanização em sua totalidade. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. além do seu objetivo de tratar as doenças. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades.organização de um saber hospitalar. A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. mas também sociais.. Jan-Jun 2005. Paris e outras cidades. como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina. ajustados.. Ano 1. bondoso” (Koogan/Houaiss. ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. é cuidar da saúde da comunidade. psicológicas e outras.) assegurar o esquadrinhamento. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital. Assim. força e apoio para uma assistência digna. p. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo. Todavia.. das mais simples às mais complexas. encontra muitos e sólidos motivos. A razão de existência de um hospital. 1. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. humanos são atendidos por humanos. publicações e eventos científicos. Em 1957. No Brasil. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. permanecem separados até meados do séc. 27 . livrando-se desta forma da alfândega. No ano de 1954. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade. Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. a vigilância. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar. Há portanto. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas. Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. n.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. humanizado? Na verdade. Belo Horizonte. Esses dois processos. objetos preciosos.. (Foucalt.

foi criado. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. qualquer pessoa. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível. de todos os níveis. se o paciente é um adulto ou uma criança. imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. uniformes de cores mais alegres. p. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. p. nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. portanto. Envolve circunstâncias sociais. Indo um pouco mais além. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. por mais rude que seja. p. o incontrolável. o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.2).cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. Assim como ele (o artesão). Humanizar refere-se. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. éticas. nos EUA. ou toda área de ralações humanas. Vol. fazendo compras! Desta forma. torna o ambiente mais alegre. o diferente e o singular. O melhor hospital em tecnologia. se avalia e se aprecia ou detesta. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste. mais áreas verdes. mesmo que seja em um simples curativo.. de igual modo. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001. educacionais. Também pintar o hospital com cores mais vivas. perda ou luto. o que se verifica. menos frio. porém. tanto para o doente quanto para os seus familiares. 1. mas faz parte de um contexto. independentes da sua função. “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. sem amor. É muito bom. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001. Na prática porém. culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. n. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. é preciso exercer a criatividade. necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. a ação e o cuidado. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. e como tal deve ser vista. A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não. Em 1974. É claro que tudo isso contribui.. É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento. p. sem éticas. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular.53). por que não dizer. Todos precisam colaborar. “pelo contrário. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. a reflexão. é a forma de atendimento. onde estaríamos saudáveis. saberes e humanidade.7). 2003. a grande maioria. não produz bem estar ou curas. p. ou deveria m. 2). podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. A Humanização nada mais é que uma esperança.a vida. é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. o bom atendimento é imprescindível. se é um homem ou uma mulher. religiosas. sem delicadezas. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos. É só uma questão de querer. Belo Horizonte. Na humanização..11). de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001.). Os profissionais da saúde. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada. alegres e felizes. Jan-Jun 2005. competência e cortesia.. Em toda área profissional.1. andam de mãos dadas. mais quadros nas paredes não significa humanizar. desde o Governo até o mais simples funcionário. técnica e educação. Ano 1. desertifica o ser humano” (Cembranelli. saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. portanto. são as mais corretas.9). p. Ou uma vendedora numa loja de um shopping. 28 . Todos precisam querer querer.

se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade. funciona muito bem. observou que na avaliação do público. Com certeza. boa equipe de trabalho. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos. que veio regulamentado pela Portaria nº 681. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados.9). sobretudo. não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (. p. possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. Belo Horizonte.2001.. 1. Mas. não só médicos e enfermeiros. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas. numa área como a da saúde. por ser médico. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração. Jan-Jun 2005. uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001. Em qualquer atendimento à saúde. n.5).5).. Valorizando a dimensão humana e subjetiva. p. Desta forma. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil. e para garantir esse direito. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto. é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional.). A eficiência desse sistema. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. para pessoas representativas da área de saúde. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais. capacitando-os a promover a humanização do serviço. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. mas. em Brasília -DF. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização. que aceite os limites de cada situação. Aspectos físicos. aliados. JOSÉ SERRA. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário. Para tanto. 29 . Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno.estudo da Medicina Humanizada. p. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil.08. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar. (Ministério da Saúde 2001. sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. recursos humanos. mas. no dia 24 de maio de 2000. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais.. um hospital com bons diretores.. presentes em toda ação de assistência à saúde. a forma do atendimento. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. que acolha o desconhecido e imprevisível. sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde. Para tanto.2001 e Portaria nº 202 SAS de 19. Ano 1. foi apresentado. é necessário cuidar desses profissionais . pelos profissionais da área de saúde. GM/MS de 19. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas. não funcionam sozinhos. Vol. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. bons e melhores resultados surgem quando.1. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. tornando-os mais modernos. E. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. possibilitando a oportunidade de propor. referentes aos maus tratos nos hospitais.08.

podem se considerar um grande desafio. ganhariam todos. 1. espiritual (.. Muita coisa já foi feita. 2003. Um atrito ou desentendimento. profissionais mais empenhados e um desejo. 2003. que receberia um tratamento mais digno. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. da assistência social à lavanderia. Assim. o número pequeno de profissionais por plantão.. envolvendo a relação médico/paciente. sem distinção. iniciativas tomadas.. o relacionamento entre as pessoas. 30 . Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. O novo gera insegurança. da administração à limpeza.14). rever e reformular conceitos. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias. O usuário ... Comunidade. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde. emocional. do serviço de enfermagem à cozinha. p. 2001. o cansaço.) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii. O tema central do PNHAH é o ser humano. a relação trabalhadores da saúde/paciente. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. Voluntários e Profissionais da Saúde.64). E. um rumo. enfim. Tudo na vida tem um projeto. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. necessária se faz uma conversão de valores. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos.credenciada ao SUS. adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais. p. Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho. Não haverá humanização sem que se abrace o projeto. das relações humanas. de ver os nossos hospitais humanizados.. (Mezzomo et alii. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. um percurso. do médico ao porteiro. Vol. coletivo. mental. projetos elaborados. 86) Quebrar paradigmas. Ano 1. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática.1. as greves. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo.. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania. Toda mudança é difícil porque encontra reações. p.. a desmotivação. o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa. os problemas familiares.. uma crise qualquer. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia. equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). um grande desejo. Governo. Jan-Jun 2005. ou seja. em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. é uma questão cultural. e os profissionais dos hospitais. p. uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania . no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. uma história. Um estudo sério do relacionamento humano. assimilada pela mente. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais. Belo Horizonte. maravilhoso e necessita. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa. n. à recepção.101). a baixa remuneração. propostas levadas à diante. Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar. a falta de tempo. que seria além do seu d ireito. psíquico. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. Não se trata apenas da relação médico/paciente. uma educação permanente. Igreja. com especificidade. mais solidário e mais acolhedor. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos. Projeto este. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. ou quando doente procura um hospital.

) ameaçador. não vê a minha angústia.... mesmo não sendo minha primeira vez. desta forma. algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (.às. quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano.horas... mas. façam (. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (.Mas Dr. continua escrevendo e não me vê.) futebol.). eu queria.. A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico. sou filho do mesmo Pai.) e vocês nem percebem.. . que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor. Não sou apenas um corpo doente.) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo... criatura do mesmo Criador.. por mais triste que seja. Afinal..)..... nos torna mais sólidos em nossa experiência. mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo. tudo é estranho.. (Sigmund Freud.. só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista. quando me levarem à sala de cirurgia. De igual valor é a linguagem entre essa equipe.. E incidentalmente não desprezemos a palavra.. . de Evaldo D’Assumpção: ...Fique tranqüilo.. n. para mim..) mesmo sabendo que são profissionais (.). 1.. que iremos operá-lo”.. Jan-Jun 2005..) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (. com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo . com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (. nesse campo profissional cheio de surpresas. poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia. afinal. por favor.. o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala. medo.. tudo é novo e assustador.(. pois ficam com aqueles aventais longos..)! Se a anestesia for local ou regional.. Lembrem-se de cobrir-me (..) por favor.) Quando forem me preparar. se o senhor ou um dos membros da sua equipe (. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida... mas. Vol.. independentemente de ser um paciente particular. poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado.... e. ouça-me !!!!!!!!! ..Mas Dr. Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura.. Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (. Se pedir para esperarem um pouco..dia.... (. política ou programa de TV (. com meu corpo...) por favor..).. 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina.. CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR... como também com a sua família.... tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (. permite uma leitura de que além do sofrimento físico..Dr.. rico ou um anônimo qualquer (.).)! Por favor. por favor...1..) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (. edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”... sei que a utilidade e a intenção são boas... (... faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital. pois a sala é muito fria (... Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe.. (Mas ele não me olha. a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo. tenham paciência comigo (..... o seu corpo e até o seu silêncio.. só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (. entre outras..) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo... confusão.) se a anestesia for geral (. por ter adoecido..) quando me passarem para a mesa de cirurgia.) então. Finalmente....).... o paciente pode ter sentimentos como: desamparo.. Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.) respeitem o meu (. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida. respeitem o meu pudor (. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra. vergonha.) silêncio. um sorriso.. invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença. colocando.)...... vou tentar novamente... continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (.). se possível. Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência ... afinal é muito desagradável ver-se despido (.. . Ano 1. Além disso.(. Respeitem também o meu medo (.. estiver ao meu lado....). será pouco ético e humano. Belo Horizonte.) .) certamente entenderei. (. Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar..ser tratado com mais dignidade. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte.). Mesmo anestesiado e inconsciente. 31 .. diferente e (..) Se me explicarem em linguagem compreensível (. A humildade do não saber ou do compreender que erramos.. vai correr tudo bem. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente. piadas.. Porém. Fazer piadas com meu ronco.

O psicólogo. Desta forma.contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo. desta forma. 2003. 1. pois vê o doente como um todo. 31). Vol. 1926. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. as possibilidades para o surgimento de um novo ser.. p.465).. uma doença não tem apenas uma etiologia. a dor d’alma (. O psicólogo cria. o psicólogo. com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente.28). ao lidar com o doente. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. conseqüentemente. O estigma de doente (. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon. Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. 2001. p. p. tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão. 2001.16). p. pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa. Como se sentiria um paciente hospitalizado. além dos sintomas. 32 . Jan-Jun 2005. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada. As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas.. O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. câncer. desta maneira. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo. Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. AVCs. Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. A Psicologia fornece condições. Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. Ano 1. p. p. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS.. Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy. visto que. No processo de humanização.1. após ter sofrido inúmeras perdas. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. Belo Horizonte..). 1993.463). 2001. Em um hospital. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas.) de tais pacientes (AngeramiCamon. torna-se indispensável no processo de humanização. dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura. 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura.180). 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch.(. 2001. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia.100). nas interconsultas e. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. por exemplo. com o doente e não com a doença. com menos técnica e com maior poder de escuta. Lida. Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto. n. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud. p.).

... É importante que o psicólogo (. com ele vem a doença.O paciente com a hospitalização sente-se assustado. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy. o ser humano. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. perdas e lutos.) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (.. com direitos e deveres..).) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. invasivos e dolorosos. O indivíduo não é um ser isolado (. com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento. e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (. p... 22 e 23). mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria. Suas angústias. poder falar e saber ouvir (ter liberdade). 1. diferente do hospital. o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados.. O clima é de expectativas e até de medo. 1999. O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos. A sua atuação deve abranger também a família do paciente.. no bloco cirúrgico ou na UTI.... E lá perdido num canto. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber.) e nomeia as regras do jogo: (. de emergência.. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital. O estar presente é a certeza de um apoio. Belo Horizonte.) e toda equipe de saúde.. o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. que a ética.. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento.)..) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital. 2003.. cita a busca da qualidade total (.. é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli.) não vem sozinho ao hospital.. p. outorgando-lhe seus direitos de vida. No consultório. 1993 p. o paciente se entrega em confiança. (. muitas vezes. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central. 33 . lidando melhor desta forma. Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. 1999. Vol. n. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. desamparado e conseqüentemente fragilizado. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor. atrás. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade). A hospitalização não é uma opção. é uma necessidade e. com problemas que envolvem posicionamentos éticos. Nossa convicção é.) medos. Jan-Jun 2005. “É necessário que a relação com os outros profissionais (. com a própria doença. quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais.. num corredor. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar.. fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (. contribuindo desta forma para uma inter-relação família. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes. o ajuda também a renascer. 2003. Não estaria aqui neste texto da autora. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma. Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma. Ano 1. Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia. amenizando a sua internação e suas dores..42). Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano. fantasias.1. é o cliente que procura os serviços psicológicos.. Atuando numa equipe multidiscip linar. (Romano.. Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente. p.” (Leitão. p.21). paciente e profissionais da saúde. Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida. 74). fragilidades e exposições (.250). desta forma.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade).

além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. 2003. mesmo que ainda tímida. Susana.M. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). 1. 9. Percebemos com clareza que estamos apenas começando. 2. M. do desenho ou da mímica. de humanos mais humanizados.21-2). sejam do paciente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. 5. Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento. Todavia. 7. 34 . tanto desperta nosso interesse. médico. Quanto às crianças. e Ismael. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. etc. 8. Rio de Janeiro: GMT. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente . de uma Humanização real. aos quais dedico este trabalho. hoje. O amor é contagioso. ALAMY. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. o que nos deixa radiantes.ed. Decodificar o não-dito. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio.. Psicologia Hospitalar. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. 3.W. de nos tomarmos mecânicos e frios. em meio das urgências e emergências. da dramatização. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. permitindo-o participar do seu processo de recuperação.respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira. entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. uma grande conscientização e muito já colocado em prática. 1995. Mas. da dor e do adoecer.F. conceitos que são para nós não chavões utópicos. demos o primeiro de muitos passos. 7. p. 4.psicologia. é a certeza de que há sim muito a ser f eito. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento. Dar suporte ao doente e sua família. Desta forma. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. de um atendimento mais humano. avaliando as demandas. através do lúdico. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença. Disponível em: http://www. Belo Horizonte. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários. Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6.52). Realizar este trabalho. longo caminho a ser percorrido.1. Vol. seja na internação ou no ambulatório. Ano 1. corremos o risco de perder nossa humanidade. foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. O nosso contato com os hospitais. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. p. no vai-e-vem nos corredores do hospital. onde podem. R. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade. como argumentamos anteriormente. no momento do diagnóstico médico ou da internação. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. Não estamos encerrando um processo. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária. mais que um desafio. Ao chegar a esta etapa. mas há muitas esperanças de sucessos. 2001. ou seja. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado. (Alamy. Patch. permitiu a aproximação com essa realidade. não temos condições de concluí-lo. n. a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. usufruem. No dia-a-dia. uma vez já haver muita vontade de ação. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar. 1998. Dar significado. na maioria das vezes. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. seja através da palavra. Totalizar o paciente. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. S. Jan-Jun 2005. de uma brinquedoteca.

São Paulo: Pioneira. Jurandir Freire. Psicologia da Saúde. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. FREUD. Antonio. DORSCH.ed.n. 2001. M. São Paulo : Escuta. Introdução à Psicologia Hospitalar. Dicionário de Psicologia. Antônio. Valdemar Augusto (Org). ANGERAMI-CAMON. Maria Cristina S. 35 . Fernando. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. Psicossomática e a Psicologia da Dor. São Paulo: Pioneira. Valdemar Augusto (Org). Microfísica do Poder. ANGERAMI-CAMON. Alex. Adoecer: as interações do doente com sua doença. HOUAISS.a ausculta da alma.org. 1998. Disponível em: http://www. 2001. São Paulo : Pioneira. O psicólogo e o Hospital. Bellkis W. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel.ed. S.ed. 2003. 1993. Susana. 1999. 4. Doenças do Corpo e Doenças da Alma. 2003. Rio de Janeiro : Imago. O Doente a Psicologia e o Hospital. Ordem médica e norma familiar. 4. SPINK. ALAMY. São Paulo: Casa do Psicólogo. Susana. Petrópolis : Vozes. 2000.gia_hospitalar.1. 1992. 18 maio 1992. 2.Cury (Orgs). Rio de Janeiro: Delta. v. ÁVILA. ANGERAMI-CAMON. São Paulo. QUAYLE. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Danilo. Rio de Janeiro : Objetiva. Ministério da Saúde. A questão da análise leiga (1926). Valdemar Augusto (Org). n. São Paulo: Atheneu. Rio de Janeiro: Atheneu. Pe Augusto A. FOUCAULT. 1980.ed. O conhecimento no cotidiano. Urgências Psicológicas no Hospital. Campinas: Papirus. 2. Porto Alegre: Sagra de Luzzato. Revista Insight Psicoterapia. (Org). 1993. Sigmund. Friedrich et al. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. ALAMY. COSTA. ALAMY. CEMBRANELLI. LUCIA.br.ed. Belo Horizonte. 2001. L. ANGERAMI-CAMON. Patrícia Constantino. 1999. 18. Belo Horizonte: [s. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar. PERESTRELLO. Secretaria de Assistência à Saúde. 20. 1994. ANGERAMI-CAMON. Ano 1. Vol. 2003. Ensaios de Psicologia Hospitalar .com. São Paulo : Pioneira. 1996. KOOGAN.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1999. São Paulo: Pioneira. Valdemar Augusto (Org). Jan-Jun 2005. ** E-mail: leida@veloxmail. de (Orgs). 1995. 19. Aprovado em 22/11/2004. ISMAEL. Belo Horizonte. ANGERAMI-CAMON. 2003. Rio de Janeiro: Graal. MEZZOMO. Silvia M. LEITÃO. p. 2001. Brasília: 2001. Orientadora: Profa. 2003. Julieta. Valdemar Augusto (Org). Abrahão. 1. Mary J. Acesso em: 23 out. n. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Michel. 2001. São Paulo: Pioneira.portalhumaniza. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. 1974. E a psicologia entrou no Hospital. BOTSARIS. A Medicina da Pessoa. et al. 3.ed. 2004. MELLO FILHO. OLIVEIRA. A prática da Psicologia nos Hospitais. Valdemar Augusto (Org). São Paulo: Brasiliense. ROMANO. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais. Susana.]. 200l. Rio de Janeiro : Graal. Ms. São Paulo: Loyola. Maria de Fátima P.176-243. Júlio de. Bellkis W. Picossomática Hoje.htm Acesso em: jan. ano II. ROMANO. 2002. São Paulo: Pioneira. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. de.

este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. na sua primeira atuação em um hospital. Sejam espelhos de reflexão. 2005.1. ocasionado ali pela doença e internação. valores. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. n. ministrado pela psicóloga Susana Alamy. é não estar mais atuando no escuro. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. veio-me à mente. então. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. a experiência desta neutralidade. O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida. que possui várias formas e tamanhos. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . pré-conceitos. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. contratransferência. No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. com o espelho limpo. 2 Psicóloga. Afinal.. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. Vejo que não é um espelho qualquer. Eis aqui. falta de humanidade. Isto envolve o doente em si. com todos os que. como todos me falam. formada pela UNIC. mas sim. Atendendo os primeiros pacientes. E-mail: santandreia@hotmail. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho. os familiares e demais acompanhantes presentes. Limpem seus espelhos.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1. Belo Horizonte. Depois do primeiro atendimento. senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer. Ano 1. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo. Agora. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. No ambiente hospitalar. Quando falamos em espelho. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. percebo claramente. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. são as sujeiras do meu espelho. Nos primeiros anos da faculdade. são nossos valores. que se veja e. posso permitir a ele que se olhe. O objetivo é de que a imagem seja vista. que embasam nossos estudos universitários. o melhor. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. No entanto. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. da pessoa mesma. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. Todos esses elementos mancham o espelho. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. Palavras-chave: neutralidade. e corremos o risco de comprometer sua reflexão. entendendo-o como ser bio-psico-social. um espelho de reflexões. Universidade de Cuiabá/MT. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. As sujeiras do espelho. como eu. independente da forma de trabalho. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. Jan-Jun 2005. esta figura de um espelho. Vol. jan.. um relato de uma estudante que tornou vivência. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção. 36 .

pela primeira vez. E quando a casa fica cheia. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. Jan-Jun 2005. na primeira gravidez. no dia 21 de janeiro de 2004. Sabe. não trabalha. agora. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte. mas ela disse que não. ela conta que sente muita vontade de chorar. não tem ninguém para conversar.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. dos remédios ministrados via oral . mas não quis entrar em maiores detalhes. todos gostam de fazer fuxico. Belo Horizonte. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. Vol. (pausa) Casei por dó também. a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. era muito insistente. Em casa. tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos. No primeiro encontro. neste hospital estava bem. banho e outras coisas. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa. A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. Minha vida é mesmo só com as crianças. (pausa). vai dormir e não fica afim de conversar. mas ao longo da conversa. eu só fico rodeada de crianças. Aí eu casei. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. o meu mais velho está com a minha mãe. Ela diz que o marido não é muito de conversar. Por exemplo. eu estava com dó. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. Eu fico mais com os meninos. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. até que eu cedi. C. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. agora. 37 . já havia vomitado uma primeira vez. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. diz que o garoto é bem mais apegado a ela.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. A resposta foi sim. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. Então relata: “Pois é. segundo ela.1. 1. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. somente seu marido. Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. n. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. No momento do encontro a criança dormia. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. o paciente estava dormindo no leito. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. Também fora questionado a ela. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. mas que. B. C responde que passou a noite chorando. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. de certa forma. Ela está com 26 anos. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. mãe do paciente. gostava disso. e ela respondeu que. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu. acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. que fora internado. de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. com diagnóstico de asma. Ela fala que sua companhia são os filhos. Ano 1. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. não havia mais previsão de alta. para estar “mais”. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez.” C relata que se sente sozinha e chora muito. Ainda sim. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B. que a respiração estava melhor. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. Por isso.

A estagiária. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. Só no dia seguinte ela viu a criança. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. relata que. poderia ser outro fator a ser explorado. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio. mas que depois passou. A companhia das demais mães para ela parece confortante. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele. C: Acho que sim. hoje. que lá tem bastante atividade boa. n. me importo mais com os outros. Tenho dó do B também. Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. por algum motivo. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. visto que este sentimento (infere-se). Ano 1. Contudo. Dentro do hospital. e C disse que seria muito bom. E-mail: santandreia@hotmail. 2005. ela não queria ver a criança. Na segunda gravidez. a de B. Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. Claro. Jan-Jun 2005. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho. Foi perguntado se ela gostaria que. no passado. mas ela já está com o outro. Você é quem chegou em mim primeiro. ela gosta do B. prestando algum apoio. como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. algum psicólogo tivesse conversado com ela. Universidade de Cuiabá/MT. 1. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. não necessariamente com o ambiente hospitalar. Disse que. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. eu não sei. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. Belo Horizonte. jan. Com base nisso.” Na tentativa de ver possibilidades. o sofrimento do filho. Não agüento ver meu filho desse jeito. Também tenho dó dela. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho. mas não participa sempre.podia chegar perto dela. dó do seu filho. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC. não excluindo em hipótese alguma. acho que foi. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. e por isso o choro contínuo. dó da sua mãe. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo. Sabe. depositando na estagiária uma confiança. Ela responde: “Tem minha mãe. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja.1. Pode-se inferir um choro de solidão. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 38 . com seus “vizinhos fuxiqueiros”. quando o bebê nasceu. tinha raiva. por exemplo. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. para ela ter com quem conversar. na época. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. que não conseguiu estabelecer. ela tem com quem conversar. Vol. A rejeição deste bebê. utilizando a história de C.

Num mesmo lugar. Roupas de cama da mesma cor.1. chuveiro. quadro geral narrado. Ano 1. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la. Não é proibido não sentir. pressão. cateteres. Demais. dispostas em locais estratégicos. uma prece. mas há luz. Do outro lado. Não se mexe. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. 1. Sem exceções. Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos. lençóis. Excesso de remédios.. A sua frente. E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. Banho. n. cor. geralmente. cada um com seu enfermeiro. Que todos somos seus filhos. Quem pode. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. água. Hora de dormir. leito. Vários de nós. faço sozinha. Não importa o nome. luz apagada. Mangueiras. dormir. eletrocardiograma.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. Que não queremos ver a dor. Camas. O passeio acabou. uma mulher de idade avançada. 39 . _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. Mais uma olhada. Feche os olhos. inconsciente. Vol. Todos temos aparelhos à disposição. Alguém precisa de ajuda. enfermeiros. Amanhece. a conquista da humanidade deste direito fundamental. ele fala. não importa a cor. Este companheiro está melhor. Alguém podia fazer uma prece. Remédios. Belo Horizonte. Esse não tem a cara tão boa assim. parece que está sem lugar. Olhe para o lado. Soro dependurado. café da manhã. Está agitada. Idade. Conversa com o médico. Todo mundo. Hora de voltar. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. Chega mais alguém. Enfermeiros a postos. Que todos nós tenhamos um bom dia. Várias camas. seringas. Entregue-se ao que possa sentir ou não.. Não é um discurso sobre a necessidade. É.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. sem sol. Veja . luzes . Vários aparelhos. Jan-Jun 2005. Estamos nós. temperatura.

bairro. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3.. Jan-Jun 2005. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13. Ano 1. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19. A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. cidade. Belo Horizonte. n. PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. Vol. hospital e motivo da internação): 7.1. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14. N. A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. estado e CEP): 12. idade da criança. 40 . 1a. CRISE – sintomas: 8. 1.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1.: ( ) _____________________ 2. n. DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a. vez p Outras internações (período. NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15.

): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. Jan-Jun 2005. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. 1. PERSPECTIVAS (ideais. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22.1. Parentes próximos (investigar grau de parentesco. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. patologia. Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30. Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. Ano 1. n. como foi realizado tratamento etc. História sexual (investigar se necessário): 32. Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. desejos da criança): 34. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33. Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. Vol.21. 41 .

n. 42 .PARA O ENTREVISTADOR 1. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1. N. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6. Belo Horizonte. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares. Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Informante durante a entrevista: 3. Exame psiquiátrico: 2. Jan-Jun 2005. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8. Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2.1. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6. Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO. Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9. Vol. Exames psicológicos complementares: 4. 1. Ano 1. de cômodos – especificar quais cômodos: 3.

Aos leitores que quiserem colaborar. n. Vol.10. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol. CRPMG 6956. Home page: http://geocities.1. Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15.com. psicóloga habilitada em psicologia clínica. Localização da cama da criança no cômodo: 12. 2 Psicoterapeuta. a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade. 1.yahoo. A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. Belo Horizonte. 43 . Jan-Jun 2005. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). especialista em psicologia hospitalar. Ano 1. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.com. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14. Plantas: p Não p Sim – onde? 11.

html Unb http://www.ndc.org.usp.cibec.direitoshumanos.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe.br/sibi/ Unisanta http://www.unb.br/ Biblioteca virtual http://www.fiocruz.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.gov.prossiga.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.usp.br/biblioteca/livros.html Circulando o livro http://www.bibliotecavirtual.org Virtual books http://virtualbooks.terra.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.ibict.scielo.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www.futuro.inep.org.br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www. 44 . Jan-Jun 2005.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.pt/ Biblioteca multimídia http://www.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.circulandoolivro.usp.org.org.bibvirt. Ano 1. 1.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.periodicos.com.bce.com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.yahoo.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.br/index.prossiga.br/ Prossiga http://www.capes.br/ USP http://www. Vol.bireme.saude.teses.jsp Bireme http://www.usp.br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001.cict.b-on.br/library/index. n.bvs.dominiopublico.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.gov.abnt.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.html?princip al.prossiga.saudepublica.gov.br/freebook/freebook_ frances1.dir.br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.1.sistemas.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www.gov. Belo Horizonte.unisanta.pucminas.uff.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve.bibliotecamultimidia.

com/principal.com.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www.com. Belo Horizonte.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol. 1.com.com.com.com.org.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.org.sip2005.br Site: http://geocities.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.br/ 3O.ulapsi. n.com Site: http://www.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.org.adtevento.1.yahoo.br Site: http://www.4estacoes.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.4cmp. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www.br Site: http://geocities.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol. 45 .yahoo.hpg.cepsic.br ou psicologiahospitalar@uol. Vol.br e cordas@usp.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.htm 30º. Ano 1.cipc2005.com.com.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www.com.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel. Jan-Jun 2005.usp.slaop2005.spagesp.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.

810.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação. implica pelo autor. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. n. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. 290. automaticamente. TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. teses. Brasil. sl. sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. bairro Cidade Jardim.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos.com. estudos. 46 . O envio dos originais. Jan-Jun 2005. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão. Belo Horizonte. Prudente de Morais. 1. tamanho 12 (doze). pesquisas. Ano 1. comunicação. na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. resenhas. relatos de casos clínicos. monografias. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. relatos pessoais. estarem digitados com letra Times New Roman.1. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. Estão de acordo com a linha editorial desta revista. Minas Gerais. seja por e-mail ou pelos Correios. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos. Vol. CEP 30380-000. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. Belo Horizonte.

Número 1. Janeiro a Junho-2005 Formato A4.1. Jan-Jun 2005. 47 . planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities.yahoo.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ano 1. 1. Vol. Belo Horizonte. e-book.com.Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I. Volume 1. n. miolo com 44 páginas Idealizada.

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