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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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Belo Horizonte.” (. pois “. pois é imperioso o estudo da psicopatologia. 84).. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos. Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde. Buscaglia. vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia. 13.” (Tolstoi. Ano 1. p.) E não me tomem tão simplista. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. da sociologia. p. 1. Ana Karenina. in: A História de Uma Folha 2 : “. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. n. da antropologia e de tantas outras ciências. Jan-Jun 2005.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos. Record. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante. 1961. Vol. A História de Uma Folha.Uma razão para existir – respondeu Daniel. Rio de Janeiro – São Paulo.1. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. 2003.. Leão. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida. Léo. iv . sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença.. O Editor 1 2 Tolstoi. Rio de Janeiro. Obra Completa. no contexto específico do adoecimento. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. José Aguilar.

HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem.1.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. no esteio de sua trajetória. corações). Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. representar. Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia. agora. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. é que o Psicópio. levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar. Vol. que vem sendo executado ao longo de anos. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado. a partir do seu nascimento. pacientes. símbolo vinculado à medicina. com a mesma dedicação e afinco. Belo Horizonte. na realidade. musicista e folclorista. n. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões. dá nome também a esta revista. por meio de um símbolo (e também de um significante). cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. proveniente da letra grega psi ( ψ ). Hoje . saúde. já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. comportamentos e sentimentos. constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e. Jan-Jun 2005.com. v . medicina. Ano 1. O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. 1. Dessa maneira. o mesmo torna-se nome também desta revista e. doença. mais uma vez.

uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas. enfim. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. reconhecendo suas necessidades. Cada vez que ela se expande. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. não há como sobreviver. a casca confinante tem de ser mudada. Através desta busca. Este encontro com algo que o machuca. se sairmos. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. Mas para que fazer estas interrogações. A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. os sinais que o sujeito enviar-lhe. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. principalmente. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. Dito de outra forma. um novo revestimento vem substituir o antigo. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. que o faz sofrer. normalmente. dos exames que tem que fazer. a partir daí. protetoras. Essas mudanças de pele podem durar vários anos.. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. Jan-Jun 2005. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. deixando de ser objeto de satisfação do outro. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento.. o que ele realmente precisa falar. dando-lhe. ou seja. tristeza etc.O SUJEITO. Ano 1. dando-lhes reais significados. na verdade. com o tempo. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. “. e. raiva. seus desejos e suas demandas. tornase de extrema importância. Belo Horizonte. mas também efervescentes e embriônicos novamente. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. entramos num período mais prolongado e mais estável. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. Vol. pois. que interpretará. muitas vezes também do seu acompanhante. E de novo ele se sente desamparado. quem o repare. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor. ao nascer. É preciso que o paciente seja escutado. de cada uma dessas passagens. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. Ele será capaz de escutar e.. se. que necessita da intervenção de um terceiro. a seu modo. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. assim. amparo. 1. invalidez. ser escutado e se escutar. e. . mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. ou seja. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical. Por isso. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. pois não há quem lhe dê ouvidos. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. Ficamos expostos e vulneráveis. n. muitas vezes. pois não reclama das intervenções a submeter-se. também temos de mudar uma estrutura de proteção. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. necessita do amparo do outro..1. de dentro para fora. é ser humano que deve ser escutado e amparado. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. entretanto. este é calado e quieto e.

pois ele nada sabe de seu paciente. É.4 Sabe-se que o objeto do desejo. o que prova a particularidade de cada um. 146. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. e seu pivô é o sujeito suposto saber.. a criança. 20. I.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. por outro lado. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura. ele está atrás de um Outro que seja completo e.de mensagem destinada ao outro. Mas já a partir da segunda experiência de satisfação.. pois. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. como por exemplo. por causa dessa falha da linguagem. pois. ao se contentar com isto. visto que. ou seja.1. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. O primeiro passo desta construção. novamente. e. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro. ao colocar-se nesta posição. e. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. a transferência. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. 1992. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório. que a presença do analista se faz indispensável. É. ou objeto a. 1992. neste momento em que o desamparo radical aparece. p. a perda de um amor ou a perda da saúde. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. a primeira experiência de satisfação do sujeito. estará respondendo às demandas do sujeito. “O surgimento do desejo fica. 4 QUINET. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e.3 1 2 DOR. Portanto. Mas. nunca mais será alcançada ou repetida. cap. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque.144. 20.. p. 20. não há objetos reais que o satisfaça. 1992. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. cap. segundo Lacan. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. conduzida a tentar significar o que deseja”. provavelmente.. exatamente.. 7 . objetos que possam realizar seus desejos. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. nos diz Lacan. Quando o sujeito chega até ao analista. necessariamente.. pelo contrário. 3 DOR. nesta forma tão visível. pois. Não quer dizer que. é. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e. para além desta experiência.”. n. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise. E por isso o analista é chamado. suspenso à busca. cap. portanto. não conseguirá lidar. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades.141. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. ele não deixará espaço para a falta. cap. e esse sujeito é vinculado ao saber. 1. com a qual ele. exatamente. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. pois são objetos d pulsão. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. ao re-encontro da primeira experiência de gozo. é tomada no assujeitamento do sentido. O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico. as demandas e os desejos do sujeito. o sujeito pare de procurar outros objetos. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem. 1991. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia. p. Mas. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. sempre. “. Por isso. ele inic iará mais uma busca. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista. Assim também. “‘No começo da psicanálise é a transferência’. por causa disso. Jan-Jun 2005. p. o sujeito continuará sendo um ser da falta. é eternamente faltante. Ano 1. Belo Horizonte. Mas. DOR. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. Vol.

O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela. p. . assim que acabasse aquele atendimento. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa. ele continuará sendo um ser da falta. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta. estou pensando em me separar do meu marido. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz..5 radical..Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também.. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo. pois. eu iria atendê-la.. No hospital.1. pressuposto à função do analista”. com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda.. 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”. muito mais do que a posição de saber. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL. Lá em casa eu não aprendi isso. mas eu não sei se gosto dele. 1. Disse-lhe que. frente ao desamparo 5 QUINET. me perguntou: . A frustração é algo que deve estar presente na análise.Como é a relação de vocês? . mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas. e. mas. por causa disso. Jan-Jun 2005. Frente ao desamparo radical.“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber. e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: . uma equivocação.Ontem briguei por sua causa lá na oncologia.Estava atendendo a uma outra paciente. pois o colocará frente a sua falta. eu sei que eu gosto. e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio. O saber é. então.Você acha que você. E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro. que eles não queriam saber da nossa vida. A ignorância douta é um convite não apenas à prudência. cap. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. o que você acha? . eu acho que eu. quando pr. não a simples ignorância. No hospital. permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. no entanto. Sua posição. Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma. I. mas também a humildade.Ela é boa. Aliás. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante. Ano 1. Então eu lhe falei que não era nada disso.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio). suas e dos outros. Vol. de uma melhor maneira. normalmente. 1991. estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho. . se aproximou e disse que queria muito conversar comigo.. e assim passar a conviver com as faltas. mas a ignorância douta... Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’. a questão do desamparo radical está muito presente. o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. Então ela começou: . Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. n. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr.Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . mas que. . O DESAMPARO. Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado.Lu.Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr. mas. aliás. Ele não ajuda em nada com o nosso filho. é uma posição de ignorância.Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: . o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma. Belo Horizonte. . mas não sei se eu amo. .

Na verdade. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla.ed. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude. 3. Nossa. assim. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. e. Jan-Jun 2005. veio acompanhando-o. Porto Alegre: Artes Médicas. mas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. As 4+1 Condições da Análise. pois. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros. então eu não aprendi o que é amar. 1987. 1. você me fez pensar muita coisa.. necessariamente. E. 211p.. Cecília Andrés. _________________________________________ Após este atendimento. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. 5. FRANÇA. 1992. quando deixá-las. FREUD. E-mail: lumsm@superig. muitas vezes. 5. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. 2002. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. QUINET. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos. Caderno de Contos. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. 1991. ela disse-me que não era para eu ficar brava. para conviver com eles. Rio de Janeiro: Imago. Joel. então ela me chamaria. De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira.. para isso bastava me procurar. para falar a verdade. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas. de preferência um profissional da área psi. quando perguntei como estava. Júnia Lessa. além de o sujeito sentir-se angustiado. 2001. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital. n. Silvia Elena. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam.. assim. muitas vezes. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância. 4. Introdução à leitura de Lacan.1. não é percebida por ele. Sigmund. CARAM. 125p. 203p. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. ele não consegue lidar com isso.. se ela voltasse outra vez. Belo Horizonte. mas eu não faço nada para estar com eles. E foi assim também com o meu primeiro marido. Ela não me procurou. 2. seu filho teve alta.ed. DOR. 1997. eu não sei nem se eu deixo. eu acho que eu não deixo ninguém me amar.com. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. Encontrei-a um dia. Ano 1. Você não sabe se você deixa. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. Sabe Lu. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica. Vol. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. no estacionamento do hospital.ed. precisará do auxílio de uma outra pessoa. eu não sei deixar as pessoas me amarem. Antônio. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 2. Melo. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo.- - sustentar. mas não queria mais ser atendida.. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a.. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte. Já que você pensou muita coisa. 3. 4. 6. Eu amo minha mãe e meus irmãos. Tudo bem? Tudo.. eu não sentirei que estou abandonando-as. 9 . Orientadora: Maria Helena Libório B.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. TENDLARZ. eu não o amava. como eu falei hoje. 441p. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia.ed. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG. Belo Horizonte: UFMG.

passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. (MERSKEY. ou então. 1. p. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor. o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. As dores podem ser classificadas e categorizadas. a intensidade. a freqüência. apud LOBATO. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. tanto física quanto psíquic a. sensitiva e emocional. aviso de perda iminente do objeto. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. Num terceiro e último plano. um problema a resolver. tornando-se crônicas. No entanto. Jan-Jun 2005. 1992. por exemplo. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. Suas vivências. O medo. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. também são fatores que aguçam a dor. Ao se pensar no que a dor expressa.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. ganhar o controle sobre eles. por ocorrer em episódios de curta duração. A dor crônica tem uma longa duração. causa uma contração. A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. mas também é crônica. Vol. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele.165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. além de movimentar-se intensamente. expressar queixa. processos inflamatórios ou moléstias. etiologia e duração.166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. SZASZ (apud LOBATO. ataque. isto é. desorganiza o aparelho psíquico. Segundo GUIMARÃES (1999). Tradicionalmente. a dor torna-se a própria patologia. pois se repete ao longo de muito tempo. comunicada a outra pessoa. Neste último nível de simbolização. crônica e recorrente. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. 1992. É aguda. essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. Assim. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. isso sim. faz da dor um meio básico de pedir ajuda. (Lobato. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). Ano 1. Assim. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano. a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. Sendo assim. A aguda tem duração relativamente curta. Aos dez meses. Além disso. a criança. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas. já um outro plano. Sem ela. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. 10 . Em 1979. n. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. a qualidade. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. podendo estender-se por meses ou anos. O sentir-se abandonado. algumas dores são persistentes. que aumenta a sensação dolorosa. Belo Horizonte. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor. mas pode. 1999). ou não compreendido. o que dificulta a precisão de sua origem.1. Quando a dor se torna intolerável. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. Segundo GUIMARÃES (1999). ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. Assim. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. possui um caráter subjetivo. Num segundo nível. isolado. p.

ao se falar de dor em oncologia pediátrica. garantindo-lhes. Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença. do mielograma. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença.132). (p. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida. pois já percebem o mundo de forma concreta. é preciso que se mostre à criança.1. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos. Portanto. provocada por compressão nervosa. Com quatro anos. (GUIMARÃES. n. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer.. Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer. a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer. previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor.. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. Ao que se refere a dor advinda da doença. busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos. LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. (p. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. faz-se importante que em todo processo de tratamento. como dor de cabeça ou ferimentos. infiltração ou metástase.256). 1999).e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. Visto isso.De dois a seis anos. alguns tumores podem ser inicialmente indolores. o receio do que está ocorrendo. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos. além de conforto e segurança. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea. Para tanto. Sobre as especificidades do câncer infantil. etc. Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental. p.uma sessão de coleta de sangue para exames. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo. que. Utilizando os recursos lúdicos. os quais. da punção venosa. É importante ressaltar. . sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor. A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. pode exacerbar a percepção da dor. do desconforto durante e depois da quimioterapia. gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. Belo Horizonte. em muitos casos. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia.originária da invasão do tumor . Jan-Jun 2005. as crianças definem a dor em termos perceptivos. o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido. 1. 1999. é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . por exemplo. diante da dor e de eventos estressantes. Da mesma forma. Portanto. passando a doer com a progressão da doença. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores. Vol. dor posterior à radioterapia. mas coincidentes com a patologia.252). sem treino especial. Ano 1. Segundo GUIMARÃES (1999). ansiedade e a lidar com a dor. todavia. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. 11 .

1999) coloca q ue. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. inúmeras vezes. inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. Vol. não há um controle satisfatório da dor. temendo viciá -lo. A experiência da dor. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). A criança sente-se reconfortada. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor.1. incluindo aqui não apenas recursos analgésicos. Dessa forma. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. complexo e subjetivo é sempre expressa. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença. que desperta comportamentos protetores e agressivos. além de possuir caráter único. REDD ( apud LORDELLO. Belo Horizonte. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. Entretanto. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas.há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. Portanto. Entretanto. 1.. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. o alívio da dor. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças. não pode ter medo”. castigos e ameaça de castração. Ano 1.28). Suas fantasias. comunicada.. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. Jan-Jun 2005. ansiedades e medos não são negados. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. É assim que. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. a dor pode tornar-se refratária a medicação. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências. Assim. Da mesma forma. segura.É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. (GUIMARÃES. Tentado fugir das próprias emoções. onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor. 1999. havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos. n. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. P. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. tão honesto e completo conforme ela possa compreender. atualmente. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos. . a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga. onde os procedimentos são vistos como ataques. 12 . pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança. Entendendo dessa forma.

S. M. In: CARVALHO. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica).) Dor: um estudo multidisciplinar. R. O. J. M. 1999. GUIMARÃES. São Paulo: Summus. A criança. LORDELLO. R. TORRES. 1999. M. Jan-Jun 2005. M. In: CARVALHO. 1999.com. T.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. M. Psicossomática hoje. Vol. Belo Horizonte.) Dor: um estudo multidisciplinar. M. (Org. CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. Porto Alegre: Artes Médicas. de.. S. a doença e o hospital. S. São Paulo: Summus. FREUD. de.1. LORDELLO.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. O problema da dor. Lisboa – Portugal: Moraes. M. J. 1999. M. LOBATO. M. In: CARVALHO. Ano 1. Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. 13 . J. In: MELLO FILHO. W. 1992. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. São Paulo: Summus. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. 1. n. M. 1978. da C. J. M. (Org.) Dor: um estudo multidisciplinar. S. A. A Criança diante da Morte: desafios. Introdução ao Estudo da Dor. de. São Paulo: Casa do Psicólogo. (Org.

O que as caracteriza. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. os medos. as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos. mas o objecto. presentes.. deste modo. de estar com os familiares. deste modo. são frequentes. que passa. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades. PRIMEIRO EIXO Neste eixo. faxineiras. e. os assuntos abordados nos diferentes contextos. fisioterapêutas e outros. Desta forma. de alguma forma. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. auxiliares de enfermagem. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. dos médicos e até dos familiares. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam. partin do do reducionismo de que. entre as duas situações de atendimento psicológico. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. p. relativamente. Vol. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. isola-o) e. É ele que. para as sessões. pelos mais variados motivos. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). com frequência. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento.. por parte do pessoal de enfermagem.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações. visitas. Em consultório. as dúvidas que daí emergem. então. por nós definidos: o do sujeito. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. o do setting e o da iminência da morte. muitas vezes. Isto. quaisquer interrupções. bem como um tempo de duração definidos. desta forma. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença. ou seja. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. 14 . abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. Uma vez que. em consultório não são abordadas. de se divertir. tira-o do convívio familiar e dos amigos. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo. aqueles que precisam de apoio psicológico. Ano 1. uma vez que agem em contextos diferenciados. Assim. também. portanto. em meio hospitalar e em consultório. aquilo que as leva a actuar. n. desta maneira. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. Belo Horizonte. não é o seu objectivo. Assim. horários. deste modo. e onde as interrupções. tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e. Estamos. com os outros. pela hospitalização. as questões relativas ao processo de adoecer. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado).” (Alamy. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. Há dias. No hospital.1. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. consigo próprio) de cada sujeito. Assim. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. Não se prevendo. as emoções. O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. 1. supostamente. pelos tratamentos e pela reabilitação. Em consultório. médicos. bem como dar assistência aos familiares do paciente. tal como acontece na psicologia hospitalar. Jan-Jun 2005. isto é. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. para o seu bem). sendo definido pela resolução da problemática. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando.15) Poderemos. como por exemplo. na grande maioria das vezes.). Não temos. pelo menos. E.

ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. E. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. p. deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. ainda. 1995. podemos perceber que funcionários. Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. Ano 1. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross. 2002). utilizando também informações das áreas de Medicina. para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. p. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. não é simplesmente a perda. sendo elas destras. Também. a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. O que levanta em nós outro cuidado. a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. p.atendimento. p. sem escolha. mas a morte é temida e vista como um tabu. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar. como um profissional da saúde. gerando constrangimento e fazendo-o se calar. Ou seja. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance. existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. entubado. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos.33) Pois. com o silêncio que vai além das palavra. pode estar com dores. quanto à presença da morte. etc. só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. pois deparamo-nos com doentes diversificados. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro. acabamos. aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. por exemplo. p. Enfermagem. Jan-Jun 2005. se a vida tiver um fim. Vol. 15 . não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy. condicionado ao tempo de internamento. é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo. todos. 1. Em consultório. deste modo.14). antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida.” (p. na maioria das vezes. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross.62). também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. Belo Horizonte. O conhecimento de técnicas de relaxamento. pois é. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito. p. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. ao contrário do que acontece em consultório. “Na morte. por sentir necessidade de fugir a essa situação. cartões com figuras). (Kübler-Ross.282). p. mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. até que. considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer. Para além disso. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. sonolento devido à medicação. em meio hospitalar. Portanto. Nutrição e outras áreas afins” (Campos.64). “Toda a doença é uma ameaça à vida e. ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido. Desta forma. O processo de tratamento está. nas crianças. TERCEIRO EIXO Neste último eixo. São todos estes aspectos que vão ditar os dias. Kübler-Ross (2002). abordaremos a diferença nos atendimentos. “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia. o que nos assusta. Criando. buscando sempre o bem estar individual e social. não conseguem fazer desenhos. também ocupa um l gar particular. No entanto.42). os horários e o tempo de duração de cada atendimento. de vez em quando. é um aceno para a morte. com isso.153).60).1. “No nosso inconsciente. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. tenhamos que encará-la. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. n. ou mesmo visitas. Serviço Social. muitas vezes. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. 1995. a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. p. p. o soro pode estar colocado na mão direita e. Trata -se de um momento em que a nossa presença física. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo.42). É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e. 2003).6).

p. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. P. Também. que vai.61). ao bem estar da comunidade. a recuperação do bem-estar do paciente. Assim. Ano 1. procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : . foi dada assistência psicológica às filhas. para então poder responder com a ação adequada. S. mas sim a presença real e participativa. deste modo. Kübler-Ross. 2003).doença e da internação hospitalar” (Alamy. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola.” (Campos. Tornase. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy.” (Campos. psíquico e sócio-económico.65). Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo. olha para o sujeito como um todo. que fazemos companhia e. o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos. Portanto. _________________________________________ * Este texto. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. estendia a mão. (1995). o psicólogo. a prevenção. busca a promoção. C. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico.19). indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . havendo necessidade de conhecer a patologia.Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo. Campos. inclusive” (Campos p. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail. Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta. Jan-Jun 2005. EPU: São Paulo. 1.61). o psicólogo. Martins Fontes: São Paulo. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. o psicólogo. 16 . p. há momentos em que não só as palavras são importantes. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. permitindo que se veja o paciente como um todo. psicológica e socia . Portanto. como uma unidade integrada. (2002). Belo Horizonte. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). acaba por ter um papel muito mais activo. do desenho ou da mímica (Alamy. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos. religiosos e aos seus próprios parentes. (2003). Autor: Belo Horizonte. Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. além do apoio psicológico que é prestado em consultór io. muitas vezes. E. resulta de um processo de reflexão. no meio hospitalar. atuando no hospital. enfermeiros. do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos. quer através da palavra.1. Pois. E. p.83). n. T. da dramatização. Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. Vol. contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física. Só me retirei quando chegaram as filhas. assim. p.pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença. Desta forma. que foram chamadas a seu pedido. Somos. por mim exercidos. como uma “pessoa” e não como uma “doença”. no seu todo. Ed. nos seus aspectos físic o. Muitas vezes me perguntou se já estava de saída.Formada em Portugal/Lisboa.

visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. CRPMG 6956. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. do prognóstico e propedêutica. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. especialista em psicologia hospitalar.1. não podemos fazer clínica dentro do hospital. mas o inverso. psicóloga habilitada em psicologia clínica. 18. com questões de ordem prática. Jan-Jun 2005.].A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. então. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento. dificuldades e limitações. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica.br ALAMY. sendo absolutamente sigilosos.yahoo. então. na maioria das vezes. com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente. 2 Ibidem. 28/11/2003. p. seus desejos.com. n. Susana. 1. onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento. 1998) 2 . Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. Vol. informando-se do diagnóstico médico. 1991) 1 . esperanças. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. Os relatórios devem obedecer à ética. Belo Horizonte. p. Ano 1. a atuação das pessoas naquele lugar.n. 2003. ajudando-o a tratar/minimizar. ausência do trabalho e outros. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física. aptidões. Ensaios de Psicologia Hospitalar . não será o paciente a chegar no psicólogo. grau de risco de vida. seus familiares. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. onde o mesmo deve observar os doentes. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. 19. do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas. além dos seus atendimentos dos pacientes. Belo Horizonte: [s. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes. ** Psicoterapeuta. Temos. pois. portanto. medos. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares. pois são patologias diferentes. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico.a ausculta da alma. Home page: http://geocities. A atuação do psicólogo hospitalar inclui. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. 17 . compreendendo a natureza do sujeito doente. para.com. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais.

novos desafios haverão de surgir. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. fica difícil”. apesar de sua grande importância. sobretudo por profissionais.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I .). ou melhor. se pode ser analisado de diferentes ângulos. Afinal. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Devo frisar que o relatório original foi conservado. o silêncio. inevitavelmente. por meio deste. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal. 1. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta. em atendimentos infantis. a paciente de quatro anos e oito meses de idade. o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. No entanto. é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . 1994. os erros consistem de partes do acerto. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. Vol.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica. A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente. Esse talvez tenha sido o meu caso.. Além da alta ansiedade. Belo Horizonte. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso. Assim. Por meio dessa. Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal. Dessa forma. mas de problematizá-lo (grifo meu).. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto.. “Se o erro faz parte do processo.REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. de centro a centro. Fato comum. 2 . Falar da importância da verdadeira escuta do paciente. nem de evitá-lo por meio de punições. Dentre elas podemos citar os desenhos. p. sob o âmbito teórico. mesmo em situações onde essa relação.. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. pois. 18 . Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos. além de uma.75). é algo extremamente distinto de sua execução. Ano 1. gestos. olhares. em especial. brincadeiras. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. assim tão pessoal. transformando-o em uma situação de aprendizagem. foi meu primeiro contato com um paciente. n. de coração aberto a coração que vai se abrindo (. p. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. Segundo o relatório da enfermeira. Nestes. Diferentemente dos demais atendimentos. Jan-Jun 2005. portanto. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais. gostaria de. sobretudo. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. Amatuzzi (2000. Nesse sentido. Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente. já que.1. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão.” (Macedo. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada. o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso. Com essa finalidade. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira. na prática. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação.

Ela não me pareceu incomodada com isso. o que poderá ser confirmado posteriormente. Depois fez um X em cada buraco. Demonstrei com a caneta posteriormente. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. “Igual ao sol. mas uma janela. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. mas aqui (cateter). Em seguida.da mãe e da tia. assim como a maioria das crianças daquele andar. Sacolas. Indaguei acerca da origem da televisão. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. A menina não respondia. Depois desenhou um X sobre a porta. ué!”. abaixo dela. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. Esta logo se prontificou a desenhar. Pediu -me para desenhá-la novamente. Em seguida. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter. apenas a segunda permaneceria com a criança. filha?”. A partir daí. Esta afirmou que trabalhava na escolinha. um armário foi feito por baixo dela. A criança começou a falar da nuvem. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá. no entanto. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. ao contrário. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital. vários elementos foram introduzidos. fez um retângulo com dois quadradinhos. Quanto à patologia apresentada. “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. aquela tinha pneumonia. Disse ser uma boca má. 19 . fez o mesmo na superior. Na terceira folha. do BOCUDO. uma enorme boca. Respondeu-me que era de sua casa e que. Nesta. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). “ Doeu muito” (sic). Igual a quem?. A menina. Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. havia um guarda-roupa. não” (sic). Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. Respondeu-me negativamente. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. vi-me obrigada a fazer alguma coisa. Após alguns instantes. diante da situação de urgência. indaguei. “Para i r trabalhar” (sic). Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. 1. nada doeria. Quando repeti o que ela me havia dito. Posteriormente. Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Afirmou ser do sol. sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina.1. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. Ano 1. Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. observei que uma garota chorava desesperadamente. disse. Após a saída do pai. uma intervenção do pai desviou o assunto.V. A garota aparentou compreender a diferença. n. Este viera à noite. Pediu -me para também desenhar a chuva. esboçou um rosto feliz. mas continuou ansiosa. Contoume uma história sobre o bicho-papão. respondeu. Indaguei quem seria o dono da boca. Disse-me que esta nos deixa no escuro. gritava e esperneava muito. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. Jan-Jun 2005. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. no entanto. Custava a desenvolver o assunto e. induzia constantemente as respostas da garota. corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. Posteriormente. Logo. por motivos desconhecidos. questionei sua finalidade. algumas alças foram acrescentadas. Minutos depois de chegar à enfermaria. me olhava nos olhos. com muita dificuldade. No entanto. Depois acrescentou um sol. Por cima deste. uai” (sic). Vol. Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. Belo Horizonte. “O sol faz xixi e cocô” (sic). “É para proteger da chuva”. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. Ela pensou um pouco e concordou. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda. o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá.

um fator inibitório da escuta. 1. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. segundo ela. Tal compreensão é. parecia ter a língua presa. segundo ela. encerrando o atendimento. Quando indagada sobre onde o pai estaria. Todavia. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta. CASO 2 O segundo caso. No entanto. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente. procurei confirmar se havia ouvido direito. não conseguia compreendê-la. sorridente e comunicativa. dado o caráter da pergunta. Falou. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. assim como no anterior. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. após escutar o pai. Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. portanto. Ela preferiu desenhar em seu caderno. Em seguida. Belo Horizonte. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). 20 . Meu desejo estava constantemente presente. Até que seu pai chegou. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). Ela olhou-me concordando. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. Ano 1. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro. n. Disse que era o “bola 7”. Explicou-me que era para ele fazer xixi. Num dado momento. Voltei-me. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. Pedi que me contasse o que estava fazendo. Jan-Jun 2005. Lamentavelmente. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. Movimentei a cabeça indicando que sim. Diante disso. Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. Retomando o fato inicial do atendimento. rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. Em seguida. Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado. Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. completou que gostava de levar couro. Olhos grandes que. logo começou a conversar. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. Esta. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. Carolina?”. Começou desenhando alguns círculos. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. Em um dado momento. Voltando ao desenho. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. a garota parecia estar bem. Acrescentou um penico abaixo do sol. Durante o atendimento infantil. Insisti em continuar o atendimento.espada dele e esfaqueei ele” (sic). Em várias páginas esboçou figuras diferentes. o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. não conseguia identificar nem as formas. Como procedimento de rotina.1. a ponta de seu lápis quebrou. Assim como ela própria pretende adquirir uma. mesmo não compreendendo quase nada. Era um dos poucos que ainda escrevia. desenhou um vaso e o suporte para o penico. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. No entanto. 3 . Fechei o caderno. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. Ademais. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. tampouco suas explicações. Visto assim. Após tais experiências. pertenciam ao bicho-papão. Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. de um amiguinho na escola. A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. pertenciam ao bicho-papão. Vol. então.CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . sugeri que desenhássemos. Muito assustada com aquela frase. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. Num dado momento. Entretanto. Mais uma vez citou a história das facas. essencialmente. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. À medida que o tempo passava. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade.

” (Manuel de Barros. Jan-Jun 2005. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos. ao contrário.. por já ter realizado bons atendimentos com adultos. o que requer um intenso aprendizado.ed. sobretudo. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los. Ano 1. Numa situação como esta. 2000. PONTALIS. na clínica infantil.LAPLANCHE. E-mail: pricasaleme@uol. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . 4 . Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. à transferência deste”. sobretudo. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões.. período de psicologia na UFMG.br Termo utilizado por Freud para apontar. B. Lino de. Mauro Martins. 21 . a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. Atentando-nos mais à criança. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. Rio de Janeiro: Record. Hoje eu desenho o cheiro das árvores. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. J. Por uma psicologia humana.ed. sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. mais particularmente. 2001. LAGACHE. Campinas: Alínea. grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. 2 . Pensando nesse aprendizado.AMATUZZI. Ao contrário do que se costuma pensar. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado.MACEDO. da escuta flutuante. Pontalis e Lagache (2001). Jean. persistirei.com. 1994. 8. Afinal. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta. Na época em que o artigo foi redigido. Vocabulário da psicanálise. Por 1 sermos pessoas. mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde.ed. como diria alguém que não entende apenas de poesia. Manoel de. 2000. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. afirmo com muita alegria que. Afinal. O livro das ignorãças. Ciente de todas as limitações. no entanto.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado. segundo Laplanche. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal. Por outro lado. Vol.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . Daniel. no mês de agosto. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade. 4. São Paulo: Casa do Psicologo. 1. como um todo. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. n. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo. 4. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento. Pensava nisso. Belo Horizonte. O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. A atuação do profissional prescinde.BARROS. 3 .1. Ensaios construtivistas. São Paulo: Martins Fontes. Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos. No entanto. sobretudo. portanto.

que tem como função minimizar a angustia. 22 . E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo. Eu disse-lhe: . lugar gela do tanto no físico como no afetivo. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. no caso. seja ela qual for. Que dêem atenção maior. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. um médico e toda a aparelhagem necessária. ausência de contato com o mundo. dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI. Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI). num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. e lá do lado de fora. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. não posso ficar lá com você. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. Jan-Jun 2005.Pai. verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. estendeu a mão e disse-me com um tom. do seu objetivo. Belo Horizonte. Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. Onipotência. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . não se esquecendo o lado psíquico. se na realidade. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia. E. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. de carinho. se não fosse eu. esse que está naquele local e não sabe onde. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Paciente. n. Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”. vai morrer”. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. nesse caso. Palavras Chave: CTI. E dá as costas e sai. o porque de sua transferência e estada lá. exatamente. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: . que o foco é o paciente biológico. você vai para o CTI. para viver além do lado biológico. e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. Mas. Nesse momento.1. os familiares desesperam-se. enfermeira. infelizmente. especificamente em CTI. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. o qual. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. principalmente. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. ele está morrendo. tendo. e o porquê. 1. que está bem assistido. tive que fazer o papel do psicólogo. E você ali. por isso necessita de aparelhos. o grau de angústia eleva de maneira súbita.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. Vol. Ano 1. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. paciente e sua família são privados de afeto. CTI. meu pai. o desespero. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. Mas como ser profissional. do toque. na maioria das vezes. por dia. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco. as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares. peguei a mão dele e fiz meu papel.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo. 24h.SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). atenta a qualquer movimento do paciente. você é profissional ou familiar? Então. de todos estímulos. eu respirei fundo. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. Psicólogo hospitalar. Família. naquele corredor frio a espera de uma noticia. A VIVÊNCIA No hospital um familiar. uma profissional de psicologia. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. igualando. ou seja. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. Ele balançou a cabeça.

desespero. que às 21h. 1. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. na ignorância do diagnostico. nunca subestimem a sabedoria do outro). e isso eram exatamente 15h. Chegando na porta. Vol. Peguei os pertences dele. castrado do carinho. tem-se a impressão de despedida. estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. não só pelo sofrimento do seu familiar. n. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. Eu ligo e a telefonista atende.. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro.1. mas pelo lugar. Anteriormente. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido. pelo seu sofrimento. mas não podia. Ano 1. sem informações. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. ela pergunta o nome do paciente. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. ainda quentes com o calor do seu corpo. fala do boletim médico do dia. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. Essa profissional não teve o tato. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. contido. em alguns lugares. Jan-Jun 2005. que noticia é esta. despedaçada. o sofrimento dos outros. Deus. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele. O enfermeiro diante do leito. Nesse momento. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. fui ao seu lado. mas. Longe. Nesse instante. 23 . dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai. então. na frieza dos médicos e da sua equipe. como todo ser humano. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. ou seja. e para os familiares? Esses. O médico vem. eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. hora do boletim médico. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência. naquele corredor frio e impessoal. pela proximidade da morte. de mãos dadas com papai. tenho certeza).” Nesse instante. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. mas ela ainda. Sinceramente. eu. tinha. E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. E. eles desesperam-nos ainda mais. com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente. de mãos dadas. insegurança. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado). desesperada e vivendo na terrível ignorância. acho que consegui fazer meu papel. que tem vivência em um hospital. tem que dar uma atenção maior à família.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. uma pessoa que já conhecia um CTI. cheio de aparelhos. aí disse: . ainda necessitando de um apoio psicológico. perguntou sobre a minha família. obrigada. naquele lugar impessoal. de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio.filha”. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. com muito carinho. mas que nunca teve um familiar lá. e logo desliga o telefone na minha cara. ele está sentindo sua presença familiar. peço para falar no CTI. Meu DEUS. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele. e. de dar um apoio. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. Resultado: noite em claro. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. seja o tempo que for. Meu coração dilacerado.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. extravasar meus sentimentos de medo. super magro. amarelo. São 21h. ali. haveria o boletim médico. abracei. Como fica essa família. que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. que passar segurança para o papai. o mais importante. disse que sim. colocar tudo para fora. Belo Horizonte. do apoio familiar. ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. nos seus medos. era para ligar e tomar conhecimento. Eu. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. uma parte de mim entrou com ele. paramos. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). mas como filha queria chorar.25min. disse: “olha. disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. principalmente. até a porto do CTI. Horário de visita no CTI. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor. aparelhos e principalmente o papai inconsciente. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria.Vai papai. Entrei.

que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail. Mas. impotência. tranqüilidade. Jan-Jun 2005. dos medos. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. o envolvimento com o paciente. então desmoronamos. para não decepcionar o outro. deixo. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra.. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. aquele que é realmente um “profissional”. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente. 1. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família. Além do sofrimento do familiar. Belo Horizonte. ou qualquer outro órgão da área de saúde. Só que ele tem que manter a sua postura profissional. vontade de chorar e medo da perda. Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa. às vezes. como eu vivenciei. sem sentimento e envolvimento algum.1. É claro que. em uma situação delicada de CTI.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”. Vol.fazer com que o hospital. elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente. aqui. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. age com prudência. É obvio inicialmente. Ano 1. sim. da angustia. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo. firmeza. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. e quando esse profissional vive. 24 . n. para r epresentar seu papel de maneira adequada. tristeza. E que principalmente podemos.com. sente na pele.

fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. Palavras-chave: adoecer. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. Vol. finito. recebem cuidados ou fornecem cuidados. dessa pesquisa bibliográfica. que sente dores e. Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam. collaborating for his re-establishment. 1. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. através do vasto material encontrado. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. cura. for being a continuous process involving every team of health professionals. Key-words: to get sick. o homem continua sendo humano. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados. realmente é. 25 . Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. do médico da família que atendia em casa. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. abandoning his passivity. Belo Horizonte. de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. in the hospital context. com suas particularidades e subjetividades. Já saímos do período colonial. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. Lançando mão. apesar dos avanços. se todos quiserem colaborar. can influence in the Humanization. quer seja pela própria Instituição. então. for the own Institution. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde. Vidas humanas. humanização. humanization. pela equipe e até pelo Governo. hospitalização. Porém. das parteiras. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. pessoas das mais variadas individualidades. À Psicologia . trabalham. Jan-Jun 2005. for the team and even for the own Government. acima de tudo.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. que sofre. uma vez se tratar de um processo contínuo. E o Hospital. colaborando desta forma para o seu restabelecimento. tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. We also intend to show as the psychologist’s performance. Utópico? Não. atuação psicológica. a larger understanding and acceptance of his disease. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. pois .1. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. Ano 1. cure. hospitalization. subjetivo. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. mas ela me dói. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. o que seria? Um instrumento terapêutico. então. talvez. n. abandonando a sua passividade. proporcionando ao indivíduo.

discorremos sobre o processo de Humanização em si. para definir um programa hospitalar. 2004. sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente... n.. Era uma instituição de assistência aos pobres. Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.100). que seu conceito se torna complexo. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra. e no terceiro capítulo . realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon.. 26 .) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital. Desta forma. descobriu-se que não curavam tão bem. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências. entre 1775 e 1780.79). Até o século XVIII. pelo menos escutado. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. (. uma vez que ela é um atalho. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim. 1993. então. é um direito e um dever de cada um. Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. no entanto. Houve nessa época. a trajetória da roupa branca. multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. Ano 1. (Mezzomo et alii 2003. p. a taxa de mortalidade e a de cura. p. desde a Idade Média. 1. no final do século XVIII. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. em diversos países. Belo Horizonte. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se. na Europa. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo.papel importantíssimo dentro de um Hospital. que faz com que o grito de dor do paciente seja.. ou seja. no segundo capítulo. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. a pedido da Academia de Ciências. Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil. Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos.) e conviver com essa finitude(. eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. p. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. estes devem ser modificados.. O hospital que funcionava na Europa. Se este. 2004. não era um meio de cura e não era conhecido para curar. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. Esses relatores não são mais arquitetos. (. Vol.) possibilita recriar e transformar. o movimento no interior do hospital. Agora. Portanto.1. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault. Assim. Jan-Jun 2005. Se há milênios existiam hospitais para curar.80). para um bem estar de todos? Afinal. sobre o papel do psicólogo nesse processo. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado. o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. Não seria.23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII. um caminho mais curto.. produz efeitos patológicos. Um morredouro. surge um novo olhar sobre o hospital. p. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão. entre outras. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas. Nesta época. se não compreendido em toda a sua extensão. porque sua abrangência parece não ter limites e. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer.

Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina. Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade. 2004. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . Há portanto. das mais simples às mais complexas. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. Hospital e medicina. encontra muitos e sólidos motivos. realmente humanizada. Jan-Jun 2005. humanos são atendidos por humanos. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento. publicações e eventos científicos. uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. p. então.1.) assegurar o esquadrinhamento..) de modo que o quadro hospitalar (. permanecem separados até meados do séc. em um hospital pessoas atendem pessoas. 1. psicológicas e outras. objetos preciosos. Em 1957. um grande tráfico de mercadorias. No Brasil. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. XVIII. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. Esses dois processos. mas também sociais. 1993.. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas.. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. peças raras etc. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo. ele é encaminhado a ela por humanos. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência. 27 . especiarias. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP. Ano 1. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (. n. onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita. A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. como o entendemos hoje. Assim. Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. No ano de 1954. bondoso” (Koogan/Houaiss.445). além do seu objetivo de tratar as doenças. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica. o hospital. ajustados.. p. Todavia. humanizado? Na verdade. Vol.52) Com o decorrer do tempo. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. a vigilância. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar. O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. livrando-se desta forma da alfândega.. deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. Paris e outras cidades.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. (Mezzomo et alii 2003.organização de um saber hospitalar. A razão de existência de um hospital. em 1974. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. isso não significa a humanização em sua totalidade. a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades. p. (Foucalt.. é cuidar da saúde da comunidade. força e apoio para uma assistência digna. Belo Horizonte.

É muito bom. a reflexão. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001.11). saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. Em toda área profissional. mais áreas verdes. andam de mãos dadas. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. Todos precisam querer querer. é a forma de atendimento. mais quadros nas paredes não significa humanizar. éticas. Envolve circunstâncias sociais. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001. Belo Horizonte. O melhor hospital em tecnologia. Jan-Jun 2005. Assim como ele (o artesão). menos frio.. fazendo compras! Desta forma. religiosas. sem delicadezas. imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos.53). necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. ou toda área de ralações humanas. Na prática porém. a grande maioria.1. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. 1. nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular. Vol. se é um homem ou uma mulher. o bom atendimento é imprescindível. desde o Governo até o mais simples funcionário. torna o ambiente mais alegre. o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Humanizar refere-se. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001. n. p. por que não dizer.9). desertifica o ser humano” (Cembranelli. 28 .2). Também pintar o hospital com cores mais vivas. Ou uma vendedora numa loja de um shopping. se o paciente é um adulto ou uma criança. p. É só uma questão de querer. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. saberes e humanidade.cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. mas faz parte de um contexto.. é preciso exercer a criatividade. independentes da sua função. foi criado. perda ou luto. podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. o que se verifica. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. p. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético. “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. sem éticas. técnica e educação. Todos precisam colaborar. e como tal deve ser vista. “pelo contrário. onde estaríamos saudáveis. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste. de todos os níveis. Ano 1. A Humanização nada mais é que uma esperança. 2). p. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. p. alegres e felizes.a vida. uniformes de cores mais alegres. são as mais corretas. tanto para o doente quanto para os seus familiares. portanto. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada. o incontrolável. se avalia e se aprecia ou detesta. 2003. não produz bem estar ou curas.7). p. por mais rude que seja. culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. qualquer pessoa. mesmo que seja em um simples curativo. portanto. Na humanização. nos EUA. competência e cortesia. sem amor. porém. É claro que tudo isso contribui. A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não.. a ação e o cuidado. Em 1974.. de igual modo. Os profissionais da saúde. o diferente e o singular.). ou deveria m. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. educacionais. Indo um pouco mais além.

. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização. sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. possibilitando a oportunidade de propor. mas. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração.5).5). recursos humanos. Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno. 29 . não só médicos e enfermeiros. Jan-Jun 2005. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde.9). p. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil. que veio regulamentado pela Portaria nº 681. capacitando-os a promover a humanização do serviço. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. n.2001 e Portaria nº 202 SAS de 19. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. p. é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. Para tanto. Para tanto. no dia 24 de maio de 2000. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados. Em qualquer atendimento à saúde. um hospital com bons diretores. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. p. Desta forma. (Ministério da Saúde 2001. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. que aceite os limites de cada situação. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. a forma do atendimento. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil. possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas.2001. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos. funciona muito bem. tornando-os mais modernos. em Brasília -DF. se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade. mas. numa área como a da saúde. referentes aos maus tratos nos hospitais. é necessário cuidar desses profissionais .. Com certeza.estudo da Medicina Humanizada. Belo Horizonte. observou que na avaliação do público. e para garantir esse direito. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas.. por ser médico. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001.08. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. boa equipe de trabalho. Vol. é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. que acolha o desconhecido e imprevisível. sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas.1. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais.). Aspectos físicos. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (. aliados.08. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. E. 1. GM/MS de 19. houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. não funcionam sozinhos. Mas. sobretudo. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde. para pessoas representativas da área de saúde. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais. pelos profissionais da área de saúde.. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. presentes em toda ação de assistência à saúde. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais. bons e melhores resultados surgem quando. A eficiência desse sistema. foi apresentado. Ano 1. Valorizando a dimensão humana e subjetiva. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto. JOSÉ SERRA.

o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa. Um atrito ou desentendimento. psíquico. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. do serviço de enfermagem à cozinha. O usuário . Não haverá humanização sem que se abrace o projeto. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. Jan-Jun 2005. Vol.credenciada ao SUS. envolvendo a relação médico/paciente. que seria além do seu d ireito. sem distinção. Projeto este. Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. mais solidário e mais acolhedor. de ver os nossos hospitais humanizados.101). adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais. é uma questão cultural. profissionais mais empenhados e um desejo. Governo. o cansaço. mental. Ano 1. da administração à limpeza. projetos elaborados.. a falta de tempo. podem se considerar um grande desafio. p. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais. Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. assimilada pela mente. uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania . Tudo na vida tem um projeto. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos. E.. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo. enfim.14). O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. ou seja. das relações humanas. uma crise qualquer. e os profissionais dos hospitais. 2003. propostas levadas à diante. O novo gera insegurança. 1. necessária se faz uma conversão de valores. Belo Horizonte. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. n. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. maravilhoso e necessita. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia. 30 . Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar. Assim.. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. rever e reformular conceitos. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. do médico ao porteiro. emocional. Voluntários e Profissionais da Saúde. ou quando doente procura um hospital. (Mezzomo et alii. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. Igreja. o relacionamento entre as pessoas. a relação trabalhadores da saúde/paciente. no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer. os problemas familiares. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. 86) Quebrar paradigmas. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003.. Muita coisa já foi feita. um grande desejo. espiritual (. uma história. Comunidade. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. 2003.1. à recepção.. Não se trata apenas da relação médico/paciente. ganhariam todos. em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. 2001. com especificidade. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. um rumo.64). as greves. da assistência social à lavanderia. iniciativas tomadas. p. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde.. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos.) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii.. Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). que receberia um tratamento mais digno. a desmotivação. coletivo. Um estudo sério do relacionamento humano. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. O tema central do PNHAH é o ser humano. p. um percurso. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. uma educação permanente. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias.. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática. o número pequeno de profissionais por plantão.. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. a baixa remuneração. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. p. Toda mudança é difícil porque encontra reações.

como também com a sua família. 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina. Finalmente. .(.) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo... Fazer piadas com meu ronco. Belo Horizonte... tenham paciência comigo (. Lembrem-se de cobrir-me (. Vol.... o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala..).às..Fique tranqüilo. piadas.) ameaçador...... se o senhor ou um dos membros da sua equipe (. só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista.. continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (.. quando me levarem à sala de cirurgia.. para mim. medo...).). ouça-me !!!!!!!!! . um sorriso.)! Por favor. invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença. faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital..... (Mas ele não me olha...) futebol. (. quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano. Além disso.. de Evaldo D’Assumpção: . nesse campo profissional cheio de surpresas.. só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (. tudo é estranho. Não sou apenas um corpo doente...)..). não vê a minha angústia. poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia.Dr.. n. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida... com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (. a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo... Porém. Respeitem também o meu medo (. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra.. eu queria. vergonha.. será pouco ético e humano. 31 . continua escrevendo e não me vê. diferente e (. criatura do mesmo Criador.. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente.(... . mas..dia. Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura. A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico.). pois a sala é muito fria (. mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo... política ou programa de TV (.. mesmo não sendo minha primeira vez... algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (... entre outras... 1... colocando. por ter adoecido.. (Sigmund Freud..)! Se a anestesia for local ou regional.) Se me explicarem em linguagem compreensível (..). Ano 1.).. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (.. afinal. sou filho do mesmo Pai. A humildade do não saber ou do compreender que erramos. e. estiver ao meu lado.Mas Dr...) por favor.) por favor... .. que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor.ser tratado com mais dignidade. (. Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde..1... permite uma leitura de que além do sofrimento físico.). Se pedir para esperarem um pouco. Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência . por favor... Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar.. E incidentalmente não desprezemos a palavra.Mas Dr. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (.. confusão.horas. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida.) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (. independentemente de ser um paciente particular.. CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR..) certamente entenderei..... Jan-Jun 2005... nos torna mais sólidos em nossa experiência... edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”. vai correr tudo bem.) Quando forem me preparar..).... o seu corpo e até o seu silêncio. com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo .... se possível. tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (. desta forma. vou tentar novamente. Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe. De igual valor é a linguagem entre essa equipe. pois ficam com aqueles aventais longos. sei que a utilidade e a intenção são boas.....) mesmo sabendo que são profissionais (. por favor. com meu corpo.) se a anestesia for geral (..) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (. que iremos operá-lo”. Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte.. poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado.... Afinal....) respeitem o meu (. respeitem o meu pudor (.. (.) quando me passarem para a mesa de cirurgia. afinal é muito desagradável ver-se despido (.) então.) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo.) e vocês nem percebem... Mesmo anestesiado e inconsciente..) silêncio.) . o paciente pode ter sentimentos como: desamparo. por mais triste que seja. rico ou um anônimo qualquer (. façam (. tudo é novo e assustador. mas..

dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura. pois vê o doente como um todo. O psicólogo. Jan-Jun 2005. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento.463). por exemplo. uma doença não tem apenas uma etiologia. p. Como se sentiria um paciente hospitalizado. 2001. o psicólogo. ao lidar com o doente. 2001. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a dor d’alma (. 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch. Belo Horizonte. Desta forma. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS. A Psicologia fornece condições. 2003.).465). câncer.. Em um hospital.. as possibilidades para o surgimento de um novo ser. além dos sintomas. p. p. 1993. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia.180). As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas. mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização. 31). Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto.16). Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos. Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy.100).. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo..1. nas interconsultas e. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas. visto que. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. AVCs. 1926. O psicólogo cria.. p.contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros. com o doente e não com a doença.) de tais pacientes (AngeramiCamon. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada. O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. desta forma. Vol. p. conseqüentemente. pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. com menos técnica e com maior poder de escuta. 2001.28). p. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados. tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão. 2001. n. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. Ano 1. 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura. após ter sofrido inúmeras perdas. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa.). 32 . Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente. Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo. 1. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud.(. Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. torna-se indispensável no processo de humanização. O estigma de doente (. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. p. No processo de humanização. Lida. desta maneira.

com problemas que envolvem posicionamentos éticos.” (Leitão. A sua atuação deve abranger também a família do paciente. O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos.. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma.. 1993 p. 1999. Nossa convicção é. contribuindo desta forma para uma inter-relação família. 1999. Jan-Jun 2005. 1. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital. outorgando-lhe seus direitos de vida. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor. 22 e 23). com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento. o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor. o paciente se entrega em confiança. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes.42).) e nomeia as regras do jogo: (. com direitos e deveres.O paciente com a hospitalização sente-se assustado. no bloco cirúrgico ou na UTI. fragilidades e exposições (. Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia. Ano 1. É importante que o psicólogo (. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte.) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital.. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (. num corredor. 2003. cita a busca da qualidade total (. quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais. mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria... No consultório.250). é uma necessidade e.) não vem sozinho ao hospital.. fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores. de emergência. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar. desta forma. lidando melhor desta forma. 2003.. perdas e lutos. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento. que a ética.. (Romano. Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente.1.).) e toda equipe de saúde.. p. n.) medos. Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. p. E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber.21). poder falar e saber ouvir (ter liberdade).. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade). Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma... o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados. diferente do hospital.. (.. O indivíduo não é um ser isolado (. p.) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (. Belo Horizonte.. Vol.. A hospitalização não é uma opção.. muitas vezes. atrás.. Suas angústias. o ser humano. invasivos e dolorosos. é o cliente que procura os serviços psicológicos.) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy. 74). e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (. E lá perdido num canto... Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade). fantasias.. p. 33 . é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. o ajuda também a renascer. com a própria doença. com ele vem a doença. paciente e profissionais da saúde.. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. amenizando a sua internação e suas dores. O estar presente é a certeza de um apoio. Atuando numa equipe multidiscip linar.. Não estaria aqui neste texto da autora. desamparado e conseqüentemente fragilizado. O clima é de expectativas e até de medo. “É necessário que a relação com os outros profissionais (.). Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano..

1995. e Ismael. Susana. no vai-e-vem nos corredores do hospital. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar. de uma Humanização real. a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. mesmo que ainda tímida. mais que um desafio. uma vez já haver muita vontade de ação. 3. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. de nos tomarmos mecânicos e frios. conceitos que são para nós não chavões utópicos. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. p. Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6. 8. etc. na maioria das vezes. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. Todavia. de um atendimento mais humano. O amor é contagioso. Belo Horizonte. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária. Quanto às crianças. Rio de Janeiro: GMT. permitiu a aproximação com essa realidade. O nosso contato com os hospitais. 2003. Dar suporte ao doente e sua família. 9. é a certeza de que há sim muito a ser f eito. Mas.respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira. aos quais dedico este trabalho. Ano 1. como argumentamos anteriormente.52). uma grande conscientização e muito já colocado em prática. da dor e do adoecer. Disponível em: http://www. no momento do diagnóstico médico ou da internação. Totalizar o paciente. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. 4. 2. entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza. 1. sejam do paciente. Patch. ALAMY. Decodificar o não-dito. de uma brinquedoteca. Psicologia Hospitalar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. (Alamy. No dia-a-dia. Ao chegar a esta etapa. M. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento. da dramatização. Jan-Jun 2005. tanto desperta nosso interesse. o que nos deixa radiantes.1. Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento. demos o primeiro de muitos passos.ed. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio.F. 2001. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade. seja através da palavra. longo caminho a ser percorrido. foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. R. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). de humanos mais humanizados. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento. onde podem.W. 1998. Percebemos com clareza que estamos apenas começando. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. usufruem. hoje.M. não temos condições de concluí-lo. corremos o risco de perder nossa humanidade. médico. 7. Realizar este trabalho. 7. 5. através do lúdico. ou seja. seja na internação ou no ambulatório. Desta forma. permitindo-o participar do seu processo de recuperação. do desenho ou da mímica. além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. n. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente. em meio das urgências e emergências. Vol.21-2).psicologia. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. Não estamos encerrando um processo. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1. avaliando as demandas. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado.. 34 . mas há muitas esperanças de sucessos. S. p. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente . Dar significado.

1999.176-243. Alex.ed. M. Maria Cristina S. FREUD. São Paulo: Pioneira. 18 maio 1992. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. O Doente a Psicologia e o Hospital.ed. 18. Danilo. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais. Dicionário de Psicologia. CEMBRANELLI. ALAMY. O psicólogo e o Hospital. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. Bellkis W. ÁVILA. 2. 20. ano II. Sigmund. 2003. Mary J. Ano 1. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar. São Paulo: Brasiliense. Aprovado em 22/11/2004. HOUAISS. ANGERAMI-CAMON. ANGERAMI-CAMON. 2000. Jurandir Freire. Psicologia da Saúde.]. 1998. Ensaios de Psicologia Hospitalar . Rio de Janeiro: Graal. 2003. Antônio.portalhumaniza. Porto Alegre: Sagra de Luzzato.1. ANGERAMI-CAMON.com. Brasília: 2001. Belo Horizonte. Valdemar Augusto (Org). ROMANO. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. n. MEZZOMO. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. Antonio. OLIVEIRA. 2001. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar.org.gia_hospitalar. ** E-mail: leida@veloxmail. Urgências Psicológicas no Hospital. 2001.a ausculta da alma.ed. S. 2004.ed.ed. Maria de Fátima P. BOTSARIS. 4. de (Orgs). ANGERAMI-CAMON. MELLO FILHO. 1980. Friedrich et al. Rio de Janeiro: Atheneu. Disponível em: http://www. Valdemar Augusto (Org). 2001. São Paulo. Secretaria de Assistência à Saúde. ANGERAMI-CAMON. COSTA. Rio de Janeiro : Objetiva. Revista Insight Psicoterapia. São Paulo: Atheneu. E a psicologia entrou no Hospital. A questão da análise leiga (1926). São Paulo: Pioneira. et al. Orientadora: Profa. Belo Horizonte. Campinas: Papirus. Valdemar Augusto (Org). PERESTRELLO. São Paulo : Escuta. 4. 3. Acesso em: 23 out. O conhecimento no cotidiano. Adoecer: as interações do doente com sua doença.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. São Paulo: Loyola. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Bellkis W. LEITÃO. ROMANO. 1994. (Org). 2. 200l. 2003. Ms. Valdemar Augusto (Org). 2001. Belo Horizonte: [s. São Paulo: Pioneira. LUCIA. 1993. Michel. Julieta. 1992. Júlio de. Susana. Silvia M. ISMAEL. p. Fernando. 19. 35 . Petrópolis : Vozes. Ordem médica e norma familiar. Picossomática Hoje. Rio de Janeiro : Imago. 1996. 2003. Pe Augusto A. Jan-Jun 2005. Valdemar Augusto (Org). São Paulo: Pioneira. A Medicina da Pessoa. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. FOUCAULT. São Paulo : Pioneira. 1999. Valdemar Augusto (Org). KOOGAN. DORSCH. 1999. 1974. Rio de Janeiro: Delta. Vol. Susana. Patrícia Constantino. Abrahão. Rio de Janeiro : Graal. ALAMY.br. 1993. Psicossomática e a Psicologia da Dor. Microfísica do Poder.ed. ALAMY.htm Acesso em: jan. Introdução à Psicologia Hospitalar. São Paulo: Pioneira. QUAYLE. ANGERAMI-CAMON. n. v. A prática da Psicologia nos Hospitais. 2003.n. 2001. 1995. Susana. 2002. São Paulo: Casa do Psicólogo.Cury (Orgs). L. Ministério da Saúde. SPINK. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel. São Paulo : Pioneira. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. 1. de. Doenças do Corpo e Doenças da Alma.

vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. Quando falamos em espelho. 36 . Atendendo os primeiros pacientes. como eu. As sujeiras do espelho. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras. n. Sejam espelhos de reflexão.. E-mail: santandreia@hotmail. são as sujeiras do meu espelho. entendendo-o como ser bio-psico-social. Vol. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. um relato de uma estudante que tornou vivência. mas sim.1. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . e corremos o risco de comprometer sua reflexão. contratransferência. Depois do primeiro atendimento. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo. Isto envolve o doente em si. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. valores. Limpem seus espelhos. Ano 1. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho. No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. O objetivo é de que a imagem seja vista. da pessoa mesma. com o espelho limpo. logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. Agora. veio-me à mente. O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida. é não estar mais atuando no escuro. pré-conceitos.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. são nossos valores. que se veja e. na sua primeira atuação em um hospital. que embasam nossos estudos universitários. o melhor. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. ocasionado ali pela doença e internação. No entanto. senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer. então. 2005. jan. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . Todos esses elementos mancham o espelho. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar. este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. Eis aqui. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. como todos me falam. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. percebo claramente. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. Universidade de Cuiabá/MT. esta figura de um espelho. Jan-Jun 2005. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. No ambiente hospitalar. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. Afinal. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. Vejo que não é um espelho qualquer. formada pela UNIC. a experiência desta neutralidade. Nos primeiros anos da faculdade. 2 Psicóloga.. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. Palavras-chave: neutralidade. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. independente da forma de trabalho. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. 1. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer. posso permitir a ele que se olhe. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. com todos os que. falta de humanidade. que possui várias formas e tamanhos. Belo Horizonte. um espelho de reflexões. os familiares e demais acompanhantes presentes. ministrado pela psicóloga Susana Alamy.

de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. Ainda sim. Então relata: “Pois é. que fora internado. Belo Horizonte. era muito insistente. Ela fala que sua companhia são os filhos. No momento do encontro a criança dormia.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. Em casa. n. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B. Ela diz que o marido não é muito de conversar. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. ela conta que sente muita vontade de chorar. vai dormir e não fica afim de conversar. até que eu cedi. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. agora. todos gostam de fazer fuxico. gostava disso. já havia vomitado uma primeira vez. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. mas ao longo da conversa. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. com diagnóstico de asma. Ano 1. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. neste hospital estava bem.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. que a respiração estava melhor. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. banho e outras coisas. 1. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. Por exemplo. eu só fico rodeada de crianças. Eu fico mais com os meninos. somente seu marido. de certa forma. 37 . acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada. C responde que passou a noite chorando. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos.1. agora. segundo ela. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. não tem ninguém para conversar. o meu mais velho está com a minha mãe. pela primeira vez. o paciente estava dormindo no leito. mas ela disse que não. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. E quando a casa fica cheia. B. (pausa). A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. (pausa) Casei por dó também.” C relata que se sente sozinha e chora muito. eu estava com dó. e ela respondeu que. no dia 21 de janeiro de 2004. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa. Vol. A resposta foi sim. mas que. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. para estar “mais”. Aí eu casei. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. mãe do paciente. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. dos remédios ministrados via oral . a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. C. Por isso. Jan-Jun 2005. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. No primeiro encontro. Ela está com 26 anos. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. mas não quis entrar em maiores detalhes. Também fora questionado a ela. não trabalha. Minha vida é mesmo só com as crianças. Sabe. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. diz que o garoto é bem mais apegado a ela. na primeira gravidez. não havia mais previsão de alta. tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos.

me importo mais com os outros. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. Belo Horizonte. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. Pode-se inferir um choro de solidão. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. Claro. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. Universidade de Cuiabá/MT. Dentro do hospital. no passado.” Na tentativa de ver possibilidades. mas ela já está com o outro. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja. eu não sei. A rejeição deste bebê. ela gosta do B. não necessariamente com o ambiente hospitalar. Jan-Jun 2005. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. que lá tem bastante atividade boa. Só no dia seguinte ela viu a criança. por algum motivo. Ela responde: “Tem minha mãe. Sabe. a de B. poderia ser outro fator a ser explorado. Você é quem chegou em mim primeiro. 1. Tenho dó do B também. utilizando a história de C. mas que depois passou. quando o bebê nasceu. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho. com seus “vizinhos fuxiqueiros”. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. e por isso o choro contínuo. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio. que não conseguiu estabelecer. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja. e C disse que seria muito bom. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. ela tem com quem conversar. visto que este sentimento (infere-se). A companhia das demais mães para ela parece confortante. Não agüento ver meu filho desse jeito. dó do seu filho. por exemplo. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC.1.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Com base nisso. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. Contudo. Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. para ela ter com quem conversar. relata que. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. tinha raiva. Disse que. não excluindo em hipótese alguma. A estagiária. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. prestando algum apoio. Também tenho dó dela. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. Foi perguntado se ela gostaria que. na época. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. 2005. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. Ano 1. mas não participa sempre. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho. algum psicólogo tivesse conversado com ela. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. 38 . acho que foi. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. n. Na segunda gravidez. o sofrimento do filho. jan. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê. dó da sua mãe.podia chegar perto dela. ela não queria ver a criança. depositando na estagiária uma confiança. hoje. C: Acho que sim. Vol. E-mail: santandreia@hotmail.

geralmente. Todos temos aparelhos à disposição. Veja . enfermeiros. Olhe para o lado. Várias camas. temperatura. Está agitada. Não é um discurso sobre a necessidade. Roupas de cama da mesma cor. eletrocardiograma. Alguém podia fazer uma prece. _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. 1.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. pressão. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la. Camas. n. cor. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. ele fala. Vários aparelhos. Que todos nós tenhamos um bom dia. Hora de voltar. quadro geral narrado. Demais. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. faço sozinha. água.. É. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. Alguém precisa de ajuda. Não é proibido não sentir. parece que está sem lugar. Banho. Não se mexe.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. Chega mais alguém. Esse não tem a cara tão boa assim. A sua frente. Que todos somos seus filhos. Belo Horizonte. Este companheiro está melhor. Idade. dormir. Conversa com o médico. uma prece. Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos. Soro dependurado.1. inconsciente. Feche os olhos. café da manhã.. E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. cateteres. a conquista da humanidade deste direito fundamental. Quem pode. Vários de nós. Mangueiras. luzes . seringas. Ano 1. Vol. cada um com seu enfermeiro. leito. luz apagada. 39 . chuveiro. Remédios. Todo mundo. Estamos nós. Num mesmo lugar. Mais uma olhada. não importa a cor. sem sol. Não importa o nome. Hora de dormir. dispostas em locais estratégicos. Enfermeiros a postos. lençóis. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. Sem exceções. O passeio acabou. mas há luz. Que não queremos ver a dor. Do outro lado. Jan-Jun 2005. Entregue-se ao que possa sentir ou não. Amanhece. uma mulher de idade avançada. Excesso de remédios.

PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19. vez p Outras internações (período. estado e CEP): 12. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. n. Jan-Jun 2005. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3.. 1a. A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ano 1. Vol. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. N. DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. idade da criança. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13. 40 . NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16.1. n. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. cidade. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. 1. hospital e motivo da internação): 7. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14.: ( ) _____________________ 2. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. CRISE – sintomas: 8. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a. Belo Horizonte. bairro.

Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. desejos da criança): 34. Jan-Jun 2005. Ano 1. Belo Horizonte. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. 41 . Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30.): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22. n. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33.1. patologia. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. PERSPECTIVAS (ideais. Vol. RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23. Parentes próximos (investigar grau de parentesco. como foi realizado tratamento etc.21. História sexual (investigar se necessário): 32. 1.

Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1. Jan-Jun 2005. Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1.1. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. Informante durante a entrevista: 3. de cômodos – especificar quais cômodos: 3. 42 . N. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8. n. Ano 1. Exames psicológicos complementares: 4. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5.PARA O ENTREVISTADOR 1. Belo Horizonte. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6. Vol. Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares. Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9. Exame psiquiátrico: 2. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO.

A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese. Localização da cama da criança no cômodo: 12. Ano 1. Belo Horizonte.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16.10.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol. 43 .yahoo. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13. psicóloga habilitada em psicologia clínica. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14.com.com. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). 1. Plantas: p Não p Sim – onde? 11. especialista em psicologia hospitalar. Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15. Vol. a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade. Home page: http://geocities. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo. 2 Psicoterapeuta.1. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. n. Jan-Jun 2005. CRPMG 6956. Aos leitores que quiserem colaborar. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria.

pt/ Biblioteca multimídia http://www.br/sibi/ Unisanta http://www.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www.br/ Prossiga http://www.br/ Biblioteca virtual http://www. n.sistemas.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe.cibec.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.br/index.html Unb http://www.periodicos.prossiga.org.br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www.org.futuro.unisanta.usp.capes.ndc.prossiga.org.b-on.dir.unb.gov.org.usp.saudepublica.br/library/index.gov.teses. Belo Horizonte.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.abnt.org Virtual books http://virtualbooks.br/biblioteca/livros.bibliotecavirtual.br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.com.bvs. 1.uff.bibvirt.usp.html?princip al.scielo.pucminas. Jan-Jun 2005.dominiopublico.bireme.saude.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www.circulandoolivro.usp.br/ USP http://www.br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.jsp Bireme http://www.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.html Circulando o livro http://www.bce.ibict.prossiga.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.br/freebook/freebook_ frances1.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001. Vol.fiocruz.bibliotecamultimidia.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.cict.gov.direitoshumanos.1.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.yahoo. Ano 1.inep.com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.gov.terra. 44 .

Belo Horizonte. Vol.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.hpg.org.br Site: http://www.br e cordas@usp.slaop2005.spagesp.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.com.org. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.com.com.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www. 1. 45 .com/principal. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www.br/ 3O.htm 30º.cepsic. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.ulapsi.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.4estacoes.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www. Ano 1.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.br Site: http://geocities.cipc2005.sip2005.br ou psicologiahospitalar@uol.com.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º.com Site: http://www.com.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes.com.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.yahoo.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.br Site: http://geocities.yahoo.com. Jan-Jun 2005.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel.adtevento.usp.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.com.1.4cmp. n.org.com.

na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. monografias. resenhas. n. comunicação. Estão de acordo com a linha editorial desta revista.com.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. tamanho 12 (doze). 46 . Jan-Jun 2005. 1. TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. 290. teses. pesquisas. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação. Prudente de Morais. relatos de casos clínicos. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas. CEP 30380-000. estarem digitados com letra Times New Roman. automaticamente. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. Brasil. sl. 810. relatos pessoais. Minas Gerais. Belo Horizonte. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos. O envio dos originais. seja por e-mail ou pelos Correios. estudos. Vol.1. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. Ano 1. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão. bairro Cidade Jardim. implica pelo autor.

Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I. e-book. Vol.yahoo.1. Número 1. 1. miolo com 44 páginas Idealizada.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. n. Jan-Jun 2005. Ano 1.com. 47 . planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities. Janeiro a Junho-2005 Formato A4. Volume 1. Belo Horizonte.

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