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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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. n. A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia. José Aguilar. Léo..1. da antropologia e de tantas outras ciências. Rio de Janeiro – São Paulo. sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. 13. p. pois “. Rio de Janeiro. Record. 84). Vol. 1. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. O Editor 1 2 Tolstoi. Buscaglia. da sociologia.” (. Leão. Jan-Jun 2005.” (Tolstoi. p.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares.. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida. Ana Karenina.Uma razão para existir – respondeu Daniel. Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade. in: A História de Uma Folha 2 : “.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. A História de Uma Folha. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo. Obra Completa. vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas.) E não me tomem tão simplista. iv .. Belo Horizonte. 1961. no contexto específico do adoecimento. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos. Ano 1. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si. pois é imperioso o estudo da psicopatologia. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. 2003.

já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. v . mais uma vez.com. levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar. representar. já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado. Jan-Jun 2005. Belo Horizonte. no esteio de sua trajetória. dá nome também a esta revista. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões. Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. o mesmo torna-se nome também desta revista e. saúde.1. corações). E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia. agora. Ano 1. n. Dessa maneira. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. na realidade. por meio de um símbolo (e também de um significante). proveniente da letra grega psi ( ψ ). constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. 1.HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem. doença. é que o Psicópio. Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. medicina. a partir do seu nascimento. comportamentos e sentimentos. pacientes. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. musicista e folclorista. Vol. com a mesma dedicação e afinco. símbolo vinculado à medicina. Hoje . que vem sendo executado ao longo de anos. cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde.

entretanto. Vol. dos exames que tem que fazer.O SUJEITO. quem o repare. protetoras. muitas vezes também do seu acompanhante. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras. A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. que o faz sofrer. e. pois não há quem lhe dê ouvidos. que interpretará.. Por isso. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. Através desta busca. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor. Jan-Jun 2005. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. Cada vez que ela se expande. que necessita da intervenção de um terceiro.. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. de dentro para fora. E de novo ele se sente desamparado. normalmente. a partir daí. tornase de extrema importância. n. Ano 1. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. este é calado e quieto e. a seu modo. entramos num período mais prolongado e mais estável. os sinais que o sujeito enviar-lhe. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. . não há como sobreviver. também temos de mudar uma estrutura de proteção.. enfim. e. muitas vezes. amparo. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical. com o tempo. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. Ele será capaz de escutar e. mas também efervescentes e embriônicos novamente. pois. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. Mas para que fazer estas interrogações. necessita do amparo do outro. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. ao nascer. se sairmos. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. Este encontro com algo que o machuca. se. é ser humano que deve ser escutado e amparado. dando-lhes reais significados. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas.. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. pois não reclama das intervenções a submeter-se. reconhecendo suas necessidades. invalidez. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. 1. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. na verdade. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. principalmente. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. Dito de outra forma. seus desejos e suas demandas. deixando de ser objeto de satisfação do outro. a casca confinante tem de ser mudada. assim. um novo revestimento vem substituir o antigo. ou seja. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. raiva. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. dando-lhe. de cada uma dessas passagens. ser escutado e se escutar. tristeza etc. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. ou seja. o que ele realmente precisa falar. “. uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. Ficamos expostos e vulneráveis.1. Belo Horizonte. É preciso que o paciente seja escutado.

faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. 20. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo.. Vol. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório. necessariamente. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. Jan-Jun 2005. que a presença do analista se faz indispensável. “‘No começo da psicanálise é a transferência’. as demandas e os desejos do sujeito. portanto. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem. pois. provavelmente. suspenso à busca. 1992. 1991. Portanto. exatamente. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. por causa disso. ou objeto a. pois. I. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista.. O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico. 146. não há objetos reais que o satisfaça.. e esse sujeito é vinculado ao saber. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. a criança. 4 QUINET. com a qual ele. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. estará respondendo às demandas do sujeito. por outro lado.”. o sujeito continuará sendo um ser da falta. ao re-encontro da primeira experiência de gozo. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível. ao colocar-se nesta posição.141. sempre. Mas. Por isso. objetos que possam realizar seus desejos. 20. Ano 1. e. “O surgimento do desejo fica. Mas já a partir da segunda experiência de satisfação. a perda de um amor ou a perda da saúde. nos diz Lacan. pois. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e. 1992. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise. nesta forma tão visível. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. é eternamente faltante. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. conduzida a tentar significar o que deseja”. ou seja. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. ele não deixará espaço para a falta.3 1 2 DOR. n. Assim também. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a primeira experiência de satisfação do sujeito.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. o que prova a particularidade de cada um. 20. nunca mais será alcançada ou repetida.de mensagem destinada ao outro. cap.1.144. É. ele está atrás de um Outro que seja completo e. Belo Horizonte. novamente. ao se contentar com isto. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. cap. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. DOR. pois ele nada sabe de seu paciente. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura.4 Sabe-se que o objeto do desejo. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro. como por exemplo. “. e seu pivô é o sujeito suposto saber. p. cap. segundo Lacan. a transferência. o sujeito pare de procurar outros objetos. Quando o sujeito chega até ao analista. pois são objetos d pulsão. E por isso o analista é chamado. Mas. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. visto que. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. e. 3 DOR. para além desta experiência. exatamente. é tomada no assujeitamento do sentido. neste momento em que o desamparo radical aparece. 1. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo. cap. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. ele inic iará mais uma busca. pelo contrário. p.. não conseguirá lidar. p. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. por causa dessa falha da linguagem. é. Mas. 1992. Não quer dizer que. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia. 7 .. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. p. É. O primeiro passo desta construção..

eu iria atendê-la..Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. ele continuará sendo um ser da falta. . Então eu lhe falei que não era nada disso. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr.1.. n. Então ela começou: . assim que acabasse aquele atendimento. E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo. muito mais do que a posição de saber. Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. pois o colocará frente a sua falta. .. eu acho que eu. Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’. Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma. Frente ao desamparo radical. mas. Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado. . aliás. O saber é.Como é a relação de vocês? . o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. então.Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr. de uma melhor maneira. . Sua posição. Aliás.Você acha que você. no entanto. estou pensando em me separar do meu marido.5 radical. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele. e.. estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho. se aproximou e disse que queria muito conversar comigo. me perguntou: .Lu. com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda. Vol. e assim passar a conviver com as faltas. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito. mas eu não sei se gosto dele. pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”. mas também a humildade. mas. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro. pressuposto à função do analista”. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta. .. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. cap. que eles não queriam saber da nossa vida. I.Estava atendendo a uma outra paciente. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL.. o que você acha? .“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber. mas não sei se eu amo.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio). permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. Lá em casa eu não aprendi isso.Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: . e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz.Ela é boa. quando pr.Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também. A frustração é algo que deve estar presente na análise. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa. suas e dos outros. 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo. uma equivocação. A ignorância douta é um convite não apenas à prudência. mas que. O DESAMPARO. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. Jan-Jun 2005. eu sei que eu gosto.. por causa disso. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . normalmente.Ontem briguei por sua causa lá na oncologia. p. não a simples ignorância. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante. Disse-lhe que. é uma posição de ignorância. Ele não ajuda em nada com o nosso filho. Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. a questão do desamparo radical está muito presente. 1. No hospital. e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: . 1991. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas. frente ao desamparo 5 QUINET. o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma. Ano 1. pois. Belo Horizonte.. mas a ignorância douta. No hospital. O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela.

quando deixá-las. necessariamente. eu não sentirei que estou abandonando-as. seu filho teve alta. 5. Vol. eu não sei deixar as pessoas me amarem. de preferência um profissional da área psi. mas eu não faço nada para estar com eles. n. Belo Horizonte. 4. Silvia Elena. Antônio. então ela me chamaria.. Você não sabe se você deixa. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte.com. mas não queria mais ser atendida. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também. _________________________________________ Após este atendimento. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância. para isso bastava me procurar. 2002. você me fez pensar muita coisa. 3. Encontrei-a um dia.. como eu falei hoje. Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. Caderno de Contos. FRANÇA. então eu não aprendi o que é amar. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos. Joel. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas.. 125p. muitas vezes. e. 6. 2.ed. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise. Tudo bem? Tudo. no estacionamento do hospital. assim.ed. 203p. Melo. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. 1. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. para conviver com eles. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. CARAM.ed. veio acompanhando-o. muitas vezes. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. eu acho que eu não deixo ninguém me amar. eu não sei nem se eu deixo. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. Cecília Andrés.. FREUD. pois.. 3. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. 2001. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG..ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Belo Horizonte: UFMG. Porto Alegre: Artes Médicas. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam. Sigmund. assim. E. Ela não me procurou. 1987. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. E foi assim também com o meu primeiro marido. quando perguntei como estava. TENDLARZ. se ela voltasse outra vez. QUINET.1. 441p. não é percebida por ele. além de o sujeito sentir-se angustiado. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital. 2. para falar a verdade. Ano 1. 5. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros. 1991.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 9 . ela disse-me que não era para eu ficar brava. E-mail: lumsm@superig. 1997. 4. 1992. DOR. mas. eu não o amava. Sabe Lu. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. Na verdade. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica. 211p. Júnia Lessa. Rio de Janeiro: Imago. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. precisará do auxílio de uma outra pessoa. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude. As 4+1 Condições da Análise. ele não consegue lidar com isso. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo. Jan-Jun 2005. Orientadora: Maria Helena Libório B. Introdução à leitura de Lacan. Já que você pensou muita coisa. Nossa.- - sustentar. Eu amo minha mãe e meus irmãos...

a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. também são fatores que aguçam a dor. Quando a dor se torna intolerável. Suas vivências. o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. comunicada a outra pessoa. n. Além disso. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). Ano 1. 1992. a freqüência. pois se repete ao longo de muito tempo. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor.165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. processos inflamatórios ou moléstias. passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. Jan-Jun 2005. ataque. Segundo GUIMARÃES (1999). Assim. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. O medo. (Lobato. No entanto. tanto física quanto psíquic a. Sem ela. por ocorrer em episódios de curta duração. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. Vol. Segundo GUIMARÃES (1999). É aguda. Em 1979. O sentir-se abandonado. Num segundo nível. a criança. podendo estender-se por meses ou anos. crônica e recorrente. possui um caráter subjetivo. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor. 1. faz da dor um meio básico de pedir ajuda.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. Tradicionalmente. isto é. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. mas pode.1. Aos dez meses. além de movimentar-se intensamente. ou não compreendido. que aumenta a sensação dolorosa. tornando-se crônicas. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor. expressar queixa. A aguda tem duração relativamente curta. A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. A dor crônica tem uma longa duração. por exemplo. 10 . já um outro plano. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. Ao se pensar no que a dor expressa. a dor torna-se a própria patologia. SZASZ (apud LOBATO. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. ganhar o controle sobre eles. Assim. As dores podem ser classificadas e categorizadas. p. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. p. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. Sendo assim. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. (MERSKEY. a qualidade. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. Num terceiro e último plano. etiologia e duração. aviso de perda iminente do objeto. o que dificulta a precisão de sua origem. 1992. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. apud LOBATO. Assim. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. desorganiza o aparelho psíquico. mas também é crônica. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele.166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. algumas dores são persistentes. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. Neste último nível de simbolização. Belo Horizonte. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. sensitiva e emocional. a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. ou então. 1999). ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. isso sim. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível. causa uma contração. a intensidade. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas. um problema a resolver. isolado.

Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. é preciso que se mostre à criança. o receio do que está ocorrendo. garantindo-lhes. Visto isso. que. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida.. Utilizando os recursos lúdicos. todavia.De dois a seis anos. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores. sem treino especial. dor posterior à radioterapia. por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer. Portanto. D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos. quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. provocada por compressão nervosa. infiltração ou metástase. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença. Ao que se refere a dor advinda da doença. da punção venosa. Segundo GUIMARÃES (1999). gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. Com quatro anos. 1999. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos. D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea. A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. (p. (p. as crianças definem a dor em termos perceptivos.132). Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença. passando a doer com a progressão da doença. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer. Da mesma forma. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. além de conforto e segurança. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo.256). a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. etc. como dor de cabeça ou ferimentos. respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia. Vol. busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. ansiedade e a lidar com a dor. 11 . Sobre as especificidades do câncer infantil. Ano 1. ao se falar de dor em oncologia pediátrica.252). alguns tumores podem ser inicialmente indolores. Portanto. em muitos casos.uma sessão de coleta de sangue para exames. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos.. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. do desconforto durante e depois da quimioterapia. Para tanto. do mielograma. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. pois já percebem o mundo de forma concreta. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Jan-Jun 2005. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor. os quais. por exemplo. É importante ressaltar. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. faz-se importante que em todo processo de tratamento. pode exacerbar a percepção da dor. diante da dor e de eventos estressantes. n. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos. 1999). o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. . Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental. LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor.1. Belo Horizonte. sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor.e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica.originária da invasão do tumor . é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . mas coincidentes com a patologia. p. (GUIMARÃES. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família. 1.

. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências. Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença. (GUIMARÃES. a dor pode tornar-se refratária a medicação. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. A experiência da dor. complexo e subjetivo é sempre expressa. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças. que desperta comportamentos protetores e agressivos. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1999) coloca q ue. ansiedades e medos não são negados. temendo viciá -lo. menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. 1.. Entendendo dessa forma. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga. o alívio da dor. Tentado fugir das próprias emoções. Assim. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. 1999. castigos e ameaça de castração. comunicada.É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. tão honesto e completo conforme ela possa compreender. a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. Entretanto. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. Portanto.28).há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. inúmeras vezes. Jan-Jun 2005. Belo Horizonte. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento. atualmente. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. onde os procedimentos são vistos como ataques. havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. não há um controle satisfatório da dor. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. A criança sente-se reconfortada. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. 12 . Suas fantasias. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. Entretanto. acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. É assim que. segura.. principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. Da mesma forma. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. não pode ter medo”. Dessa forma. REDD ( apud LORDELLO. além de possuir caráter único. onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. incluindo aqui não apenas recursos analgésicos.1. Ano 1. Vol. n. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos. P.

W. M. A criança. Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. LORDELLO.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. A. 1999. Lisboa – Portugal: Moraes. R. São Paulo: Summus. 1999. Ano 1. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. São Paulo: Summus. S. A Criança diante da Morte: desafios. (Org. In: CARVALHO.1. Introdução ao Estudo da Dor. M. M. Porto Alegre: Artes Médicas. O. LORDELLO. J.) Dor: um estudo multidisciplinar. Vol. da C. J. de. J. 1978. 1992. 1999. n. 1.) Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo: Summus. 13 .. T. (Org. M. R. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica). M. FREUD. S.com. Belo Horizonte. O problema da dor.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. LOBATO. M. TORRES. de. Psicossomática hoje. Jan-Jun 2005. (Org. In: CARVALHO. M. de. M. 1999. M. J. In: CARVALHO. GUIMARÃES. S. a doença e o hospital. São Paulo: Casa do Psicólogo.) Dor: um estudo multidisciplinar. S. M. M. CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. In: MELLO FILHO.

Assim. ou seja. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam. fisioterapêutas e outros. Uma vez que.” (Alamy. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo.. sendo definido pela resolução da problemática. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento. com os outros. os assuntos abordados nos diferentes contextos. com frequência. Isto. dos médicos e até dos familiares. relativamente. Vol. então. É ele que.. as questões relativas ao processo de adoecer. pelos mais variados motivos. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. os medos. de se divertir. Não se prevendo. na grande maioria das vezes. e onde as interrupções. Em consultório. as emoções. as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. em consultório não são abordadas. entre as duas situações de atendimento psicológico. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. isto é. tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e. n. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. faxineiras. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). pelos tratamentos e pela reabilitação. não é o seu objectivo. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando. bem como um tempo de duração definidos. de estar com os familiares. visitas. Ano 1. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. aquilo que as leva a actuar. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos.1. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades. supostamente. que passa. quaisquer interrupções. o do setting e o da iminência da morte. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado). de alguma forma. deste modo. horários. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. O que as caracteriza.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. por parte do pessoal de enfermagem. muitas vezes. Assim. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. Não temos. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. No hospital. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença. Jan-Jun 2005. E. deste modo. 1. isola-o) e. Desta forma. 14 . Belo Horizonte. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. tal como acontece na psicologia hospitalar. e. para o seu bem). consigo próprio) de cada sujeito. partin do do reducionismo de que. pelo menos. Em consultório. mas o objecto. auxiliares de enfermagem. desta maneira. médicos. presentes. bem como dar assistência aos familiares do paciente. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. em meio hospitalar e em consultório. são frequentes. aqueles que precisam de apoio psicológico. p. para as sessões. tira-o do convívio familiar e dos amigos. portanto. Assim. Há dias. deste modo. como por exemplo. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. desta forma. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são.15) Poderemos.). Estamos. pela hospitalização. as dúvidas que daí emergem. uma vez que agem em contextos diferenciados. também. por nós definidos: o do sujeito. PRIMEIRO EIXO Neste eixo.

não conseguem fazer desenhos. O conhecimento de técnicas de relaxamento. n.64).33) Pois. a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. de vez em quando. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross. Para além disso. cartões com figuras). os horários e o tempo de duração de cada atendimento. “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia.1. aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. Jan-Jun 2005.60). a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. Trata -se de um momento em que a nossa presença física.42). mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. condicionado ao tempo de internamento. mas a morte é temida e vista como um tabu. também ocupa um l gar particular. Em consultório. É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e. Nutrição e outras áreas afins” (Campos. o soro pode estar colocado na mão direita e. o que nos assusta. O processo de tratamento está. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross. utilizando também informações das áreas de Medicina. 1995. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso. p. “No nosso inconsciente. Enfermagem. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. 1995. p. não é simplesmente a perda. p. Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. sendo elas destras. gerando constrangimento e fazendo-o se calar. por exemplo. muitas vezes. TERCEIRO EIXO Neste último eixo. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos. é um aceno para a morte. nas crianças. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. Vol. 15 . p. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos. existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance. São todos estes aspectos que vão ditar os dias.atendimento. entubado. Serviço Social. deste modo. Kübler-Ross (2002). tenhamos que encará-la.282). a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido.62). O que levanta em nós outro cuidado. p. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. ao contrário do que acontece em consultório. Criando. Ou seja. pois deparamo-nos com doentes diversificados. pode estar com dores. não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy. por sentir necessidade de fugir a essa situação. só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. etc. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro. “Na morte. pois é.” (p. se a vida tiver um fim. 1. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente.42). Portanto. abordaremos a diferença nos atendimentos. podemos perceber que funcionários. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. 2002). sonolento devido à medicação. até que. quanto à presença da morte. Ano 1. (Kübler-Ross. deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. com o silêncio que vai além das palavra. todos. Também. Desta forma. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. No entanto. como um profissional da saúde. “Toda a doença é uma ameaça à vida e.6). antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida. Belo Horizonte. p. em meio hospitalar. considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer. sem escolha. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. p. na maioria das vezes. p. acabamos. também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. com isso. ou mesmo visitas.14). é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo. buscando sempre o bem estar individual e social. ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. 2003).153). ainda. E. p.

Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. 16 . 2003). nos seus aspectos físic o. por mim exercidos. Só me retirei quando chegaram as filhas. (1995). E.61). Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. muitas vezes. tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo.” (Campos. deste modo. a recuperação do bem-estar do paciente. busca a promoção. Martins Fontes: São Paulo. religiosos e aos seus próprios parentes.Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo. Autor: Belo Horizonte. Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico. ao bem estar da comunidade. o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos.Formada em Portugal/Lisboa. Também. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . além do apoio psicológico que é prestado em consultór io.61). E. inclusive” (Campos p. n. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). p. (2002). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy. no meio hospitalar. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. p. Assim. Pois. Tornase. P.19). enfermeiros. foi dada assistência psicológica às filhas. olha para o sujeito como um todo. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail. da dramatização. quer através da palavra. Vol. para então poder responder com a ação adequada. do desenho ou da mímica (Alamy. Ano 1. Ed. há momentos em que não só as palavras são importantes. 1. psicológica e socia .pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. p. do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos.83). havendo necessidade de conhecer a patologia.” (Campos. o psicólogo.65). Belo Horizonte. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física. Desta forma. atuando no hospital. acaba por ter um papel muito mais activo. estendia a mão.1. p. a prevenção. Portanto. psíquico e sócio-económico. Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta. que vai. Somos. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola. Campos. resulta de um processo de reflexão. _________________________________________ * Este texto. EPU: São Paulo. (2003). procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : .doença e da internação hospitalar” (Alamy. C. Jan-Jun 2005. que foram chamadas a seu pedido. o psicólogo. Portanto. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. Muitas vezes me perguntou se já estava de saída. como uma unidade integrada. permitindo que se veja o paciente como um todo. que fazemos companhia e. assim. indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural. como uma “pessoa” e não como uma “doença”. o psicólogo. T. S. Kübler-Ross. mas sim a presença real e participativa. no seu todo. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos.

Home page: http://geocities. onde o mesmo deve observar os doentes. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente. especialista em psicologia hospitalar. 18. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico. com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa. 2 Ibidem. 1998) 2 . na maioria das vezes.A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. mas o inverso. Os relatórios devem obedecer à ética.br ALAMY. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. 1. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica.1. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares. além dos seus atendimentos dos pacientes. 17 . aptidões. 28/11/2003.a ausculta da alma.n. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. a atuação das pessoas naquele lugar. ** Psicoterapeuta. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. Ensaios de Psicologia Hospitalar . onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento.com. ausência do trabalho e outros. grau de risco de vida. não será o paciente a chegar no psicólogo. uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. então. Vol. 1991) 1 . pois. seus familiares. Susana. Belo Horizonte: [s. Belo Horizonte. então. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 2003. não podemos fazer clínica dentro do hospital. com questões de ordem prática. pois são patologias diferentes. visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. Ano 1. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). seus desejos. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções.yahoo. dificuldades e limitações. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. p. Jan-Jun 2005. Temos. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. sendo absolutamente sigilosos. n. 19. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. p. compreendendo a natureza do sujeito doente. A atuação do psicólogo hospitalar inclui. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais. para. CRPMG 6956. informando-se do diagnóstico médico. do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas. psicóloga habilitada em psicologia clínica. esperanças.]. ajudando-o a tratar/minimizar. medos. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar.com. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. do prognóstico e propedêutica. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento. portanto.

é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão. Assim. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. p. Nestes. os erros consistem de partes do acerto. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação. transformando-o em uma situação de aprendizagem. n. de centro a centro.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I . Por meio dessa. apesar de sua grande importância. sob o âmbito teórico. que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta. Devo frisar que o relatório original foi conservado. sobretudo. 1994. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso. sobretudo por profissionais. Belo Horizonte.” (Macedo. olhares. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. novos desafios haverão de surgir.. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente. Com essa finalidade. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal.. se pode ser analisado de diferentes ângulos. mesmo em situações onde essa relação. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente.. se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. Ano 1. Segundo o relatório da enfermeira. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada. Diferentemente dos demais atendimentos. na prática. Vol. gostaria de. inevitavelmente. Esse talvez tenha sido o meu caso. a paciente de quatro anos e oito meses de idade. Amatuzzi (2000. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. foi meu primeiro contato com um paciente. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece. p. Dentre elas podemos citar os desenhos. é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala. 18 . A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . 1. por meio deste. Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal.). Nesse sentido.. portanto. ou melhor. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. o silêncio. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. nem de evitá-lo por meio de punições.75). Afinal. já que. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. “Se o erro faz parte do processo. é algo extremamente distinto de sua execução. Fato comum. o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso. fica difícil”. No entanto. o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. em atendimentos infantis. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Dessa forma. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. 2 . gestos. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. brincadeiras. Jan-Jun 2005. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. assim tão pessoal. mas de problematizá-lo (grifo meu).REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. Além da alta ansiedade. em especial. além de uma.1. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica. de coração aberto a coração que vai se abrindo (. Falar da importância da verdadeira escuta do paciente. Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos. pois.

da mãe e da tia. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Depois fez um X em cada buraco. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. Depois desenhou um X sobre a porta. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá.V. A menina. Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. “Igual ao sol. Custava a desenvolver o assunto e. no entanto. não” (sic). um armário foi feito por baixo dela. Respondeu-me que era de sua casa e que. Jan-Jun 2005. Após alguns instantes. “O sol faz xixi e cocô” (sic). A menina não respondia. Quanto à patologia apresentada. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. esboçou um rosto feliz. 1. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. ao contrário. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. fez um retângulo com dois quadradinhos. uma enorme boca. fez o mesmo na superior. respondeu. A partir daí. Disse ser uma boca má. induzia constantemente as respostas da garota. Este viera à noite. observei que uma garota chorava desesperadamente. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda. Quando repeti o que ela me havia dito. No entanto. disse. gritava e esperneava muito. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). vi-me obrigada a fazer alguma coisa. Por cima deste. Minutos depois de chegar à enfermaria. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. mas continuou ansiosa. Nesta. aquela tinha pneumonia. Sacolas. “Para i r trabalhar” (sic). o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá. uma intervenção do pai desviou o assunto. Ela não me pareceu incomodada com isso. nada doeria. Indaguei acerca da origem da televisão. do BOCUDO. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. “ Doeu muito” (sic). assim como a maioria das crianças daquele andar. Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. Pediu -me para desenhá-la novamente.1. Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. diante da situação de urgência. corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. Esta afirmou que trabalhava na escolinha. Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. no entanto. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. indaguei. havia um guarda-roupa. Demonstrei com a caneta posteriormente. Em seguida. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. 19 . por motivos desconhecidos. Igual a quem?. apenas a segunda permaneceria com a criança. Vol. Respondeu-me negativamente. Indaguei quem seria o dono da boca. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. o que poderá ser confirmado posteriormente. Na terceira folha. “É para proteger da chuva”. Logo. Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina. filha?”. Ano 1. vários elementos foram introduzidos. Ela pensou um pouco e concordou. n. me olhava nos olhos. Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. Após a saída do pai. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter. Depois acrescentou um sol. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta. Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. Contoume uma história sobre o bicho-papão. Disse-me que esta nos deixa no escuro. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. Pediu -me para também desenhar a chuva. Posteriormente. algumas alças foram acrescentadas. Em seguida. Afirmou ser do sol. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. Esta logo se prontificou a desenhar. mas uma janela. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. mas aqui (cateter). A garota aparentou compreender a diferença. questionei sua finalidade. ué!”. uai” (sic). Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. A criança começou a falar da nuvem. “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. Belo Horizonte. Posteriormente. com muita dificuldade. abaixo dela. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital.

Num dado momento. assim como no anterior. Fechei o caderno. Pedi que me contasse o que estava fazendo. Ela preferiu desenhar em seu caderno. a garota parecia estar bem. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade. Insisti em continuar o atendimento. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. Após tais experiências. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. pertenciam ao bicho-papão. Disse que era o “bola 7”. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. Diante disso. então. n. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Esta. Em um dado momento.CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . Em seguida. Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. Ano 1. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. Voltei-me. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. Começou desenhando alguns círculos. um fator inibitório da escuta. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. Muito assustada com aquela frase. segundo ela. No entanto. dado o caráter da pergunta. Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. Ela olhou-me concordando. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. desenhou um vaso e o suporte para o penico. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. não conseguia compreendê-la. segundo ela. Falou. À medida que o tempo passava. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. No entanto. Voltando ao desenho. Retomando o fato inicial do atendimento. 1. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. Lamentavelmente. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. essencialmente. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. Visto assim. parecia ter a língua presa. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado.1. 3 . Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente. Entretanto. Carolina?”. encerrando o atendimento. Em várias páginas esboçou figuras diferentes. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. Ademais. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. Olhos grandes que. Acrescentou um penico abaixo do sol. Assim como ela própria pretende adquirir uma. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). Explicou-me que era para ele fazer xixi. Meu desejo estava constantemente presente. pertenciam ao bicho-papão. Mais uma vez citou a história das facas. Todavia. completou que gostava de levar couro. Tal compreensão é. Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). mesmo não compreendendo quase nada. 20 . Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. CASO 2 O segundo caso. após escutar o pai. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta. Movimentei a cabeça indicando que sim. Quando indagada sobre onde o pai estaria. Como procedimento de rotina. sugeri que desenhássemos. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. Era um dos poucos que ainda escrevia. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. Belo Horizonte. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. de um amiguinho na escola. não conseguia identificar nem as formas. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro.espada dele e esfaqueei ele” (sic). A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. Durante o atendimento infantil. Num dado momento. tampouco suas explicações. Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. Jan-Jun 2005. sorridente e comunicativa. a ponta de seu lápis quebrou. portanto. Vol. logo começou a conversar. Em seguida. Até que seu pai chegou. procurei confirmar se havia ouvido direito.

O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. O livro das ignorãças. sobretudo. Pensando nesse aprendizado. Pontalis e Lagache (2001). 4.BARROS.ed. Manoel de. Belo Horizonte. Daniel. mais particularmente. mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde.. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los. da escuta flutuante. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade. o que requer um intenso aprendizado. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento. portanto. n.” (Manuel de Barros. Afinal. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. 2 . No entanto. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. Campinas: Alínea. afirmo com muita alegria que. 2001. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. persistirei. no mês de agosto. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Por uma psicologia humana. Hoje eu desenho o cheiro das árvores. Ciente de todas as limitações.com. 2000. grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. na clínica infantil.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões. Ano 1. 2000. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento. no entanto. Por outro lado. a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. Rio de Janeiro: Record. sobretudo. PONTALIS. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. Ao contrário do que se costuma pensar. E-mail: pricasaleme@uol. Na época em que o artigo foi redigido.ed.. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta. Atentando-nos mais à criança. B. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal. Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos. como um todo. Vol.MACEDO.AMATUZZI.1. na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo.br Termo utilizado por Freud para apontar. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. Numa situação como esta. Vocabulário da psicanálise. A atuação do profissional prescinde. Lino de. período de psicologia na UFMG. 1. 3 . Pensava nisso. Mauro Martins. sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso. 8. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. segundo Laplanche.LAPLANCHE. ao contrário. 4 . àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências.ed. 1994. Por 1 sermos pessoas. LAGACHE. Ensaios construtivistas. Jan-Jun 2005. São Paulo: Martins Fontes. Afinal. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . sobretudo. 4. por já ter realizado bons atendimentos com adultos. à transferência deste”. como diria alguém que não entende apenas de poesia. São Paulo: Casa do Psicologo. J. 21 . Jean.

as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares. e o porquê. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia.Pai. peguei a mão dele e fiz meu papel. não se esquecendo o lado psíquico. 24h. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. que tem como função minimizar a angustia. principalmente. A VIVÊNCIA No hospital um familiar. enfermeira. nesse caso. exatamente. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. tive que fazer o papel do psicólogo. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. o porque de sua transferência e estada lá. ou seja. Que dêem atenção maior. eu respirei fundo. na maioria das vezes. do toque. E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo. infelizmente.1. Paciente. no caso. o grau de angústia eleva de maneira súbita. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: . Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. ausência de contato com o mundo. tendo. lugar gela do tanto no físico como no afetivo. se na realidade. naquele corredor frio a espera de uma noticia. de todos estímulos. E. Belo Horizonte. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. por isso necessita de aparelhos. meu pai. e lá do lado de fora. ele está morrendo. Psicólogo hospitalar. que o foco é o paciente biológico. atenta a qualquer movimento do paciente. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. E dá as costas e sai. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. não posso ficar lá com você. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. Mas como ser profissional. Jan-Jun 2005. dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI.SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). especificamente em CTI.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. Mas. Eu disse-lhe: . uma profissional de psicologia. se não fosse eu. Nesse momento. Ele balançou a cabeça. que está bem assistido. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI). n. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . de carinho. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. E você ali. 1. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. Ano 1. Vol. o desespero. vai morrer”. esse que está naquele local e não sabe onde. CTI. seja ela qual for. Palavras Chave: CTI. num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. 22 . e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. você é profissional ou familiar? Então. paciente e sua família são privados de afeto. igualando. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. para viver além do lado biológico. o qual. os familiares desesperam-se. Família. você vai para o CTI. do seu objetivo. Onipotência. por dia. um médico e toda a aparelhagem necessária. Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. estendeu a mão e disse-me com um tom. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.

naquele lugar impessoal. que às 21h. haveria o boletim médico. peço para falar no CTI. sem informações. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor.1. uma pessoa que já conhecia um CTI. mas como filha queria chorar. mas que nunca teve um familiar lá. Como fica essa família. O médico vem. de dar um apoio.” Nesse instante. E. Vol. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. eles desesperam-nos ainda mais. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. pela proximidade da morte. ainda necessitando de um apoio psicológico. estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. mas. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria. de mãos dadas com papai. contido. e logo desliga o telefone na minha cara. e para os familiares? Esses. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor. com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. que passar segurança para o papai. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. Eu ligo e a telefonista atende. tenho certeza). São 21h.. aparelhos e principalmente o papai inconsciente. ainda quentes com o calor do seu corpo. que noticia é esta. acho que consegui fazer meu papel. mas pelo lugar. e isso eram exatamente 15h. nos seus medos. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado). ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. fui ao seu lado. abracei. não só pelo sofrimento do seu familiar. desesperada e vivendo na terrível ignorância. que tem vivência em um hospital. uma parte de mim entrou com ele. disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. principalmente. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. em alguns lugares. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele. nunca subestimem a sabedoria do outro). eu. perguntou sobre a minha família. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido.filha”. Longe. Chegando na porta. até a porto do CTI. Sinceramente. Nesse instante.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. mas não podia. pelo seu sofrimento. então. amarelo. 1. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. obrigada. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. ou seja. Deus. dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. Peguei os pertences dele. era para ligar e tomar conhecimento. tem-se a impressão de despedida. extravasar meus sentimentos de medo. super magro. 23 . na ignorância do diagnostico. Resultado: noite em claro. ele está sentindo sua presença familiar. o mais importante. como todo ser humano. com muito carinho. desespero. n. seja o tempo que for. ela pergunta o nome do paciente. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. colocar tudo para fora. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. e. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. despedaçada. Nesse momento.Vai papai. tinha. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). Eu. disse: “olha. naquele corredor frio e impessoal. Meu DEUS. Entrei. Anteriormente. aí disse: .25min. E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. castrado do carinho. mas ela ainda. de mãos dadas. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente. Horário de visita no CTI. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. cheio de aparelhos. Ano 1. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai. Jan-Jun 2005. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. hora do boletim médico. de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio. Essa profissional não teve o tato. fala do boletim médico do dia. ali. disse que sim. o sofrimento dos outros. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. do apoio familiar. O enfermeiro diante do leito. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. Belo Horizonte. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. Meu coração dilacerado. na frieza dos médicos e da sua equipe. tem que dar uma atenção maior à família. insegurança. paramos. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele.

ou qualquer outro órgão da área de saúde. sente na pele. Belo Horizonte. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo. deixo. É claro que. n. então desmoronamos.com. Vol. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra. elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. para r epresentar seu papel de maneira adequada.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail. É obvio inicialmente. 24 . Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então. Além do sofrimento do familiar.fazer com que o hospital. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”.. em uma situação delicada de CTI. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. Mas. aquele que é realmente um “profissional”. tranqüilidade. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. Jan-Jun 2005. dos medos. sem sentimento e envolvimento algum. Ano 1. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. às vezes. Só que ele tem que manter a sua postura profissional. tristeza. como eu vivenciei. aqui. e quando esse profissional vive. age com prudência. E que principalmente podemos. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. impotência. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. sim. firmeza. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente. vontade de chorar e medo da perda. da angustia. o envolvimento com o paciente.1. 1. para não decepcionar o outro. e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente.

Palavras-chave: adoecer. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. dessa pesquisa bibliográfica. Lançando mão. finito. então. através do vasto material encontrado. for being a continuous process involving every team of health professionals. mas ela me dói. atuação psicológica. de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. hospitalization. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. collaborating for his re-establishment. À Psicologia . Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. o homem continua sendo humano. uma vez se tratar de um processo contínuo. hospitalização. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. que sente dores e. Porém. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. can influence in the Humanization. pois . Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. cure. a larger understanding and acceptance of his disease. talvez.1. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. então. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. se todos quiserem colaborar. for the team and even for the own Government. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. Vol. We also intend to show as the psychologist’s performance. Key-words: to get sick. trabalham. tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. apesar dos avanços. proporcionando ao indivíduo. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. n. 25 . abandoning his passivity. com suas particularidades e subjetividades. Belo Horizonte. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. Vidas humanas. realmente é. colaborando desta forma para o seu restabelecimento. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. for the own Institution. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. in the hospital context. pessoas das mais variadas individualidades. abandonando a sua passividade. Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. quer seja pela própria Instituição. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. Já saímos do período colonial. Jan-Jun 2005. subjetivo. recebem cuidados ou fornecem cuidados. 1. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. humanização. acima de tudo. humanization. cura. psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. das parteiras. que sofre. Ano 1. o que seria? Um instrumento terapêutico. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. do médico da família que atendia em casa. Utópico? Não. pela equipe e até pelo Governo. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. E o Hospital. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados.

sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente.. Ano 1. desde a Idade Média. entre 1775 e 1780. o movimento no interior do hospital. 2004. que seu conceito se torna complexo. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. em diversos países.79). o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. a taxa de mortalidade e a de cura. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil.papel importantíssimo dentro de um Hospital. Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.) e conviver com essa finitude(. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim.100). descobriu-se que não curavam tão bem. um caminho mais curto. (Mezzomo et alii 2003. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. Belo Horizonte. 26 . discorremos sobre o processo de Humanização em si.. O hospital que funcionava na Europa. ou seja. Até o século XVIII. porque sua abrangência parece não ter limites e. Vol. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas. O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. Agora. a trajetória da roupa branca. n. entre outras. eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se. produz efeitos patológicos. uma vez que ela é um atalho. o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra. para definir um programa hospitalar. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. Não seria. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado.) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital. a pedido da Academia de Ciências. que faz com que o grito de dor do paciente seja. Se este. Era uma instituição de assistência aos pobres. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. Esses relatores não são mais arquitetos.. é um direito e um dever de cada um.80). na Europa. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão. no segundo capítulo. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências.. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar.1. realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon. Se há milênios existiam hospitais para curar. (. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. 1. Um morredouro. (. sobre o papel do psicólogo nesse processo. p. para um bem estar de todos? Afinal.. Desta forma. no entanto.. então.) possibilita recriar e transformar. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII. Jan-Jun 2005. Assim. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer. 1993. estes devem ser modificados. Nesta época. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico. p. e no terceiro capítulo . Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. Houve nessa época. Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos. surge um novo olhar sobre o hospital. multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault. se não compreendido em toda a sua extensão.. Portanto. pelo menos escutado. p. p. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta. não era um meio de cura e não era conhecido para curar.23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII. no final do século XVIII. 2004.

uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. realmente humanizada.) assegurar o esquadrinhamento. permanecem separados até meados do séc. humanizado? Na verdade. Todavia. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. A razão de existência de um hospital. bondoso” (Koogan/Houaiss. n. como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares. XVIII. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. Esses dois processos. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. humanos são atendidos por humanos. Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. psicológicas e outras. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo. Paris e outras cidades. Vol.) de modo que o quadro hospitalar (. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. 1.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência.. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. então. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. No ano de 1954. p. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. Hospital e medicina.. livrando-se desta forma da alfândega. Ano 1. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. Assim. Jan-Jun 2005. 1993. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. p. p. No Brasil. força e apoio para uma assistência digna. além do seu objetivo de tratar as doenças. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas. isso não significa a humanização em sua totalidade. ele é encaminhado a ela por humanos. (Foucalt. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade. a vigilância. encontra muitos e sólidos motivos.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica. ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. especiarias.. objetos preciosos. é cuidar da saúde da comunidade. 27 .. deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar.organização de um saber hospitalar. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento.. em um hospital pessoas atendem pessoas. publicações e eventos científicos. Belo Horizonte.52) Com o decorrer do tempo. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP.. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital. Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. Há portanto. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades. (Mezzomo et alii 2003. Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. como o entendemos hoje.1. em 1974. O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. Em 1957. ajustados.445). Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. o hospital. peças raras etc. mas também sociais. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. 2004. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. um grande tráfico de mercadorias. das mais simples às mais complexas. onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita.

p. 2003. éticas. portanto. ou deveria m. alegres e felizes. mesmo que seja em um simples curativo. necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Na humanização. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. perda ou luto. o diferente e o singular. p. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. Envolve circunstâncias sociais. p. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste. mais áreas verdes. desde o Governo até o mais simples funcionário. competência e cortesia. p. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. “pelo contrário. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001. Indo um pouco mais além. Humanizar refere-se.11). saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. independentes da sua função. A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos. p. Os profissionais da saúde. Jan-Jun 2005. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . Na prática porém.. qualquer pessoa. 28 . é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento.).9). 2). É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. religiosas. “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. portanto. Vol. imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. a ação e o cuidado. 1. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível. o que se verifica. a reflexão. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001. “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. uniformes de cores mais alegres. o bom atendimento é imprescindível. é preciso exercer a criatividade. Ou uma vendedora numa loja de um shopping. n. A Humanização nada mais é que uma esperança. fazendo compras! Desta forma. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. técnica e educação. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. mais quadros nas paredes não significa humanizar. andam de mãos dadas. torna o ambiente mais alegre. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. mas faz parte de um contexto. se o paciente é um adulto ou uma criança. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. Também pintar o hospital com cores mais vivas. foi criado. Todos precisam querer querer.cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. p. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. de igual modo. o incontrolável.a vida. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. sem éticas. e como tal deve ser vista. ou toda área de ralações humanas. O melhor hospital em tecnologia. menos frio.1. porém.2). tanto para o doente quanto para os seus familiares. saberes e humanidade. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético. Assim como ele (o artesão).. nos EUA. são as mais corretas. É só uma questão de querer. de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001. É claro que tudo isso contribui..53). não produz bem estar ou curas. Em toda área profissional. de todos os níveis. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada.7). Ano 1. se é um homem ou uma mulher. sem amor. É muito bom. A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não. Todos precisam colaborar. a grande maioria. sem delicadezas. podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. desertifica o ser humano” (Cembranelli. por que não dizer. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular.. é a forma de atendimento. por mais rude que seja. Belo Horizonte. culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. educacionais. se avalia e se aprecia ou detesta. onde estaríamos saudáveis. Em 1974.

2001.. Com certeza.08. no dia 24 de maio de 2000. GM/MS de 19. Para tanto. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. aliados. foi apresentado. E. numa área como a da saúde. mas. recursos humanos. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. capacitando-os a promover a humanização do serviço. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. 1. p. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde. é necessário cuidar desses profissionais . sobretudo. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário.estudo da Medicina Humanizada. 29 .08. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários.. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais. sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. pelos profissionais da área de saúde. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos. que veio regulamentado pela Portaria nº 681. Vol. Jan-Jun 2005.9)..2001 e Portaria nº 202 SAS de 19. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais. por ser médico. Mas. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto. tornando-os mais modernos. Em qualquer atendimento à saúde. funciona muito bem. possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas. um hospital com bons diretores. bons e melhores resultados surgem quando.5). p. A eficiência desse sistema. é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde.1. referentes aos maus tratos nos hospitais.). mas. JOSÉ SERRA. Desta forma. boa equipe de trabalho. e para garantir esse direito. se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. que acolha o desconhecido e imprevisível. Ano 1.5). Belo Horizonte. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (. n. uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001. não funcionam sozinhos. que aceite os limites de cada situação. para pessoas representativas da área de saúde. observou que na avaliação do público. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar. a forma do atendimento. Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. Aspectos físicos. presentes em toda ação de assistência à saúde. não só médicos e enfermeiros. sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. (Ministério da Saúde 2001. p. Valorizando a dimensão humana e subjetiva.. possibilitando a oportunidade de propor. em Brasília -DF. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas. Para tanto. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil.

p. Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho. Tudo na vida tem um projeto. propostas levadas à diante. ou seja. é uma questão cultural. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. ganhariam todos. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. Toda mudança é difícil porque encontra reações. (Mezzomo et alii.. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. mais solidário e mais acolhedor. assimilada pela mente. O novo gera insegurança. 30 . da assistência social à lavanderia. 86) Quebrar paradigmas. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos. enfim. a falta de tempo. Muita coisa já foi feita. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática. Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar.. envolvendo a relação médico/paciente. Não haverá humanização sem que se abrace o projeto. do médico ao porteiro.credenciada ao SUS. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais.1. profissionais mais empenhados e um desejo. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo. Não se trata apenas da relação médico/paciente. no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer. n.. um grande desejo. das relações humanas. à recepção. o cansaço. Belo Horizonte. coletivo. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos. Governo. Comunidade. O usuário . O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. Um estudo sério do relacionamento humano. em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. que seria além do seu d ireito.64). p. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias. podem se considerar um grande desafio. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. p. Igreja.) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii. projetos elaborados. 2001. Voluntários e Profissionais da Saúde. uma crise qualquer.. rever e reformular conceitos. de ver os nossos hospitais humanizados. espiritual (. iniciativas tomadas.. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. E. que receberia um tratamento mais digno. Um atrito ou desentendimento. ou quando doente procura um hospital. mental. os problemas familiares. com especificidade. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. uma educação permanente. maravilhoso e necessita. adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais.14). equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). e os profissionais dos hospitais. o número pequeno de profissionais por plantão. um percurso. a baixa remuneração. p. as greves. 2003. o relacionamento entre as pessoas.101). o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa. psíquico. uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania .. necessária se faz uma conversão de valores. 2003. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. uma história.. a relação trabalhadores da saúde/paciente. emocional. do serviço de enfermagem à cozinha. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. um rumo. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa. Vol. a desmotivação.. 1. Projeto este. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania. da administração à limpeza. sem distinção. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. O tema central do PNHAH é o ser humano. Assim. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde.. Ano 1. Jan-Jun 2005. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia.

.. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (.). por mais triste que seja. vai correr tudo bem. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente.. por favor.) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (. medo.. entre outras. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (. Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar. Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas. (. nesse campo profissional cheio de surpresas. estiver ao meu lado..... CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR.. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida.. (.. independentemente de ser um paciente particular. quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano. Ano 1.. vergonha. de Evaldo D’Assumpção: . ..(. 31 .. edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”. não vê a minha angústia.. confusão.).. por favor.)... que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor.ser tratado com mais dignidade. n...(. Respeitem também o meu medo (. piadas. tudo é estranho. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra.. só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (. ouça-me !!!!!!!!! .).. o seu corpo e até o seu silêncio... pois ficam com aqueles aventais longos. Além disso. A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico. sou filho do mesmo Pai. invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença...) mesmo sabendo que são profissionais (... quando me levarem à sala de cirurgia.. Jan-Jun 2005....Dr.. mas..).. a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo.)! Por favor..) Se me explicarem em linguagem compreensível (.. Lembrem-se de cobrir-me (. A humildade do não saber ou do compreender que erramos. Belo Horizonte. com meu corpo...). 1. respeitem o meu pudor (. para mim...) silêncio. afinal é muito desagradável ver-se despido (...) certamente entenderei. continua escrevendo e não me vê.) por favor. tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (.. Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência .. mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo. (Sigmund Freud. rico ou um anônimo qualquer (.) Quando forem me preparar. como também com a sua família. afinal. Mesmo anestesiado e inconsciente. mas.. um sorriso. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte.. política ou programa de TV (.). tenham paciência comigo (..) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (. poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado.. se o senhor ou um dos membros da sua equipe (.. e. permite uma leitura de que além do sofrimento físico... só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista...Fique tranqüilo... Vol. Se pedir para esperarem um pouco.).) ameaçador..1. o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala.)! Se a anestesia for local ou regional.. Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura.) respeitem o meu (. poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia. com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (...) . Não sou apenas um corpo doente..) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo..)... diferente e (. Afinal. pois a sala é muito fria (. Porém.horas.às.) quando me passarem para a mesa de cirurgia.. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida..) e vocês nem percebem.. nos torna mais sólidos em nossa experiência. continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (.) então. desta forma. façam (. (. Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe.. eu queria.. De igual valor é a linguagem entre essa equipe.. o paciente pode ter sentimentos como: desamparo.) se a anestesia for geral (..dia.. faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital. .. algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (... será pouco ético e humano... E incidentalmente não desprezemos a palavra...... mesmo não sendo minha primeira vez.. que iremos operá-lo”... com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo . Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. colocando...) futebol. criatura do mesmo Criador. tudo é novo e assustador..Mas Dr.) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo...... Fazer piadas com meu ronco..) por favor.... ... (Mas ele não me olha. 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina.. vou tentar novamente.. se possível... por ter adoecido.). Finalmente.Mas Dr. sei que a utilidade e a intenção são boas.

Lida.. 1. pois vê o doente como um todo. p. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS.1.28).. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa.(. 2001.). Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy. conseqüentemente. No processo de humanização. tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão. Belo Horizonte. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. A Psicologia fornece condições. pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados. 2001. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas. o psicólogo. 2001. AVCs. Desta forma. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. p. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo.100).463). O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. ao lidar com o doente. mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon. com menos técnica e com maior poder de escuta. p. 1993.465). com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente. O psicólogo cria. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia. 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch. com o doente e não com a doença. O psicólogo.. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento. desta maneira. p. desta forma.. As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas. Em um hospital. torna-se indispensável no processo de humanização.. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. uma doença não tem apenas uma etiologia. Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. além dos sintomas. após ter sofrido inúmeras perdas. a dor d’alma (.16).contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros. Como se sentiria um paciente hospitalizado. p. O estigma de doente (. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização. 31). Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. câncer. n. nas interconsultas e. por exemplo. 1926. Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto. Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos.). Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura. p. visto que. Vol. 2001. Jan-Jun 2005. p. as possibilidades para o surgimento de um novo ser. 32 . 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada.) de tais pacientes (AngeramiCamon. Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. 2003. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. Ano 1.180).

. (Romano.1. A hospitalização não é uma opção. o ajuda também a renascer. lidando melhor desta forma. Belo Horizonte. A sua atuação deve abranger também a família do paciente..). o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor. O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos.. 1993 p. fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores. muitas vezes. é o cliente que procura os serviços psicológicos.. o paciente se entrega em confiança. com problemas que envolvem posicionamentos éticos. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy. Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia.. paciente e profissionais da saúde.. Vol.. num corredor. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes. poder falar e saber ouvir (ter liberdade). Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade). E lá perdido num canto. 74). e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (.) e nomeia as regras do jogo: (. 1. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central.. Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida.) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde..) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (....42). no bloco cirúrgico ou na UTI. O indivíduo não é um ser isolado (.) medos..).) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. de emergência. fragilidades e exposições (. outorgando-lhe seus direitos de vida. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. amenizando a sua internação e suas dores.. É importante que o psicólogo (. é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli. com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento. Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente.. mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria.” (Leitão... 2003. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital. Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano. quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais. 1999. Ano 1.250). Atuando numa equipe multidiscip linar. (. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. com ele vem a doença.O paciente com a hospitalização sente-se assustado. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (. Não estaria aqui neste texto da autora. 1999. E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber. é uma necessidade e. Nossa convicção é. p. 2003. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar.. p. p. fantasias.) não vem sozinho ao hospital. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte. atrás. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma. O estar presente é a certeza de um apoio. com direitos e deveres. desamparado e conseqüentemente fragilizado.. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento. O clima é de expectativas e até de medo. que a ética. invasivos e dolorosos. com a própria doença.. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor. 22 e 23). Jan-Jun 2005. “É necessário que a relação com os outros profissionais (.) e toda equipe de saúde. o ser humano.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade).. contribuindo desta forma para uma inter-relação família. p.21). perdas e lutos. cita a busca da qualidade total (. n.. desta forma. No consultório. o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados.. Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma. Suas angústias.. diferente do hospital. 33 .

entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. da dor e do adoecer. No dia-a-dia. ou seja. em meio das urgências e emergências. Totalizar o paciente. 9. na maioria das vezes. Belo Horizonte. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. 2003. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza. Ao chegar a esta etapa. permitiu a aproximação com essa realidade. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. Desta forma. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade.F. Dar suporte ao doente e sua família.ed. 34 . R.21-2). CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento.52). 7. seja através da palavra. tanto desperta nosso interesse. hoje. Ano 1. uma vez já haver muita vontade de ação. demos o primeiro de muitos passos. uma grande conscientização e muito já colocado em prática. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio. O amor é contagioso. de uma Humanização real. no momento do diagnóstico médico ou da internação. avaliando as demandas. Vol. M. de nos tomarmos mecânicos e frios. p. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1. S.W. p. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença. (Alamy. sejam do paciente. de humanos mais humanizados.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Psicologia Hospitalar. n. ALAMY.. Rio de Janeiro: GMT. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar. usufruem. 5. o que nos deixa radiantes. de um atendimento mais humano. mas há muitas esperanças de sucessos. é a certeza de que há sim muito a ser f eito.1.M. 8. 2001. longo caminho a ser percorrido. Susana. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. Percebemos com clareza que estamos apenas começando. Disponível em: http://www. 2. mesmo que ainda tímida. do desenho ou da mímica. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento. 1. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento. Jan-Jun 2005. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado. Realizar este trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. seja na internação ou no ambulatório. além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. conceitos que são para nós não chavões utópicos. médico. a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. Decodificar o não-dito. de uma brinquedoteca. no vai-e-vem nos corredores do hospital. e Ismael. Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6. onde podem. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções.respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira. mais que um desafio. da dramatização. corremos o risco de perder nossa humanidade. Mas. aos quais dedico este trabalho. permitindo-o participar do seu processo de recuperação. Não estamos encerrando um processo. 1995.psicologia. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. 7. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária. Quanto às crianças. Patch. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. 1998. etc. como argumentamos anteriormente. 4. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente . Todavia. O nosso contato com os hospitais. não temos condições de concluí-lo. 3. Dar significado. através do lúdico.

Porto Alegre: Artes Médicas Sul. São Paulo: Pioneira. 1993. CEMBRANELLI. Antonio. 18 maio 1992. 2003. FREUD.1. 1996. Acesso em: 23 out. Belo Horizonte: [s. Bellkis W. Maria Cristina S. Ms. COSTA. E a psicologia entrou no Hospital. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais. OLIVEIRA.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. ANGERAMI-CAMON. São Paulo: Pioneira. Dicionário de Psicologia. A Medicina da Pessoa. LUCIA. São Paulo. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel. de (Orgs). Microfísica do Poder. ANGERAMI-CAMON. Campinas: Papirus. 2001. O conhecimento no cotidiano. A questão da análise leiga (1926). PERESTRELLO. 2001. Bellkis W. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. ANGERAMI-CAMON.ed. Porto Alegre: Sagra de Luzzato. Friedrich et al. Patrícia Constantino. 2003. S. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. Rio de Janeiro: Delta. Valdemar Augusto (Org). Valdemar Augusto (Org). Petrópolis : Vozes.ed. 1974. Brasília: 2001. 2003. 1994. Introdução à Psicologia Hospitalar. Júlio de. Orientadora: Profa. Valdemar Augusto (Org). 20. Psicologia da Saúde. Ano 1. 2004. Fernando. 1999. Rio de Janeiro: Atheneu. Valdemar Augusto (Org). Maria de Fátima P. São Paulo: Pioneira. 2. Sigmund. de. 2001. São Paulo : Pioneira. ANGERAMI-CAMON. Rio de Janeiro : Imago. Ensaios de Psicologia Hospitalar . Adoecer: as interações do doente com sua doença. (Org). n. O psicólogo e o Hospital.a ausculta da alma.htm Acesso em: jan. Susana.Cury (Orgs). 1980.gia_hospitalar. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. 1993. 4. KOOGAN. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1999. Susana. v. 2003. MEZZOMO. Julieta. Silvia M. 1992. ** E-mail: leida@veloxmail. Rio de Janeiro : Objetiva. et al. Pe Augusto A. 3.n. Jan-Jun 2005.ed. 1998. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. A prática da Psicologia nos Hospitais. Rio de Janeiro : Graal. 1999. 18. ANGERAMI-CAMON. Antônio. Secretaria de Assistência à Saúde.portalhumaniza.ed. 1995. HOUAISS. ALAMY. Danilo. ROMANO. Revista Insight Psicoterapia. Psicossomática e a Psicologia da Dor. ano II. Belo Horizonte.ed. Jurandir Freire. São Paulo: Pioneira. p. Aprovado em 22/11/2004. ALAMY. 1. BOTSARIS. ISMAEL. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. ÁVILA. São Paulo: Loyola. Michel. Mary J. L. Belo Horizonte. ANGERAMI-CAMON. Vol. MELLO FILHO. n.br. O Doente a Psicologia e o Hospital. QUAYLE. 19. 2003.ed. São Paulo: Pioneira. Valdemar Augusto (Org).org. DORSCH. FOUCAULT. 2001. Picossomática Hoje. São Paulo: Atheneu. 2001. Urgências Psicológicas no Hospital. Valdemar Augusto (Org). ALAMY. São Paulo : Pioneira. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar. 35 .com.176-243. São Paulo: Brasiliense. 2. 200l. São Paulo : Escuta. ROMANO. Doenças do Corpo e Doenças da Alma. M.]. SPINK. Disponível em: http://www. Ordem médica e norma familiar. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Rio de Janeiro: Graal. Susana. Ministério da Saúde. Abrahão. LEITÃO. Alex. 4. 2002. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 2000.

Afinal. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. contratransferência. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer.1. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. Vol. Vejo que não é um espelho qualquer. percebo claramente. que possui várias formas e tamanhos. com todos os que. Jan-Jun 2005. Palavras-chave: neutralidade. n. que se veja e. mas sim. como todos me falam. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. Atendendo os primeiros pacientes. independente da forma de trabalho. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . 1. é não estar mais atuando no escuro. Belo Horizonte. este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. formada pela UNIC. ministrado pela psicóloga Susana Alamy. O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida.. são as sujeiras do meu espelho. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. entendendo-o como ser bio-psico-social.. com o espelho limpo. 2 Psicóloga. pré-conceitos. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho. ocasionado ali pela doença e internação. da pessoa mesma. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. Depois do primeiro atendimento. e corremos o risco de comprometer sua reflexão. Agora. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar. No ambiente hospitalar. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. O objetivo é de que a imagem seja vista. Eis aqui. são nossos valores. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo. valores. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. então. um espelho de reflexões. veio-me à mente. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. jan. Nos primeiros anos da faculdade. posso permitir a ele que se olhe. o melhor. a experiência desta neutralidade.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. na sua primeira atuação em um hospital. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. Sejam espelhos de reflexão. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras. Universidade de Cuiabá/MT. As sujeiras do espelho. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção. Todos esses elementos mancham o espelho. Ano 1. os familiares e demais acompanhantes presentes. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. E-mail: santandreia@hotmail. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. que embasam nossos estudos universitários. Quando falamos em espelho. 2005. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. Limpem seus espelhos. 36 . falta de humanidade. como eu. senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer. um relato de uma estudante que tornou vivência. esta figura de um espelho. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. No entanto. Isto envolve o doente em si.

Então relata: “Pois é. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. Ano 1. e ela respondeu que. Por isso. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. agora. Minha vida é mesmo só com as crianças. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. o meu mais velho está com a minha mãe. B. somente seu marido. de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. vai dormir e não fica afim de conversar. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. ela conta que sente muita vontade de chorar. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. que fora internado. diz que o garoto é bem mais apegado a ela. eu só fico rodeada de crianças. mas não quis entrar em maiores detalhes. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. pela primeira vez. mas ela disse que não. no dia 21 de janeiro de 2004. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. Ela fala que sua companhia são os filhos. de certa forma.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. não tem ninguém para conversar. C. Ela diz que o marido não é muito de conversar. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa. neste hospital estava bem. agora. mas ao longo da conversa. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. eu estava com dó.1. com diagnóstico de asma. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos. Sabe. até que eu cedi. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. 37 . na primeira gravidez.” C relata que se sente sozinha e chora muito. A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. não havia mais previsão de alta. (pausa). Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada. não trabalha. Eu fico mais com os meninos. segundo ela. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. Por exemplo. Vol. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. No momento do encontro a criança dormia. Ainda sim. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. o paciente estava dormindo no leito. E quando a casa fica cheia. banho e outras coisas. Também fora questionado a ela. 1. para estar “mais”. No primeiro encontro. C responde que passou a noite chorando. Aí eu casei. mãe do paciente. n. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez. Ela está com 26 anos. a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte. Em casa. Jan-Jun 2005. já havia vomitado uma primeira vez. gostava disso. todos gostam de fazer fuxico. Belo Horizonte. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. mas que. que a respiração estava melhor. era muito insistente. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. A resposta foi sim. (pausa) Casei por dó também. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos. dos remédios ministrados via oral .

A estagiária. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê. Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. e C disse que seria muito bom. Universidade de Cuiabá/MT. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. Na segunda gravidez. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. Pode-se inferir um choro de solidão. Jan-Jun 2005. prestando algum apoio. como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. por exemplo. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. ela não queria ver a criança. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. no passado. me importo mais com os outros. não excluindo em hipótese alguma.” Na tentativa de ver possibilidades. A rejeição deste bebê. ela tem com quem conversar. Ano 1. na época. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja. Você é quem chegou em mim primeiro. mas ela já está com o outro. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC. utilizando a história de C. ela gosta do B. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. Só no dia seguinte ela viu a criança. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. Claro. por algum motivo. Dentro do hospital. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio. Não agüento ver meu filho desse jeito. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo. Disse que. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. poderia ser outro fator a ser explorado. mas não participa sempre. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. 2005. dó do seu filho. Sabe. a de B. hoje. A companhia das demais mães para ela parece confortante. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. mas que depois passou. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja. com seus “vizinhos fuxiqueiros”. jan. dó da sua mãe. não necessariamente com o ambiente hospitalar. 1. Com base nisso. eu não sei.1. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. n. visto que este sentimento (infere-se). E-mail: santandreia@hotmail. que não conseguiu estabelecer. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. acho que foi. C: Acho que sim. quando o bebê nasceu. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho. Contudo. que lá tem bastante atividade boa. Tenho dó do B também. para ela ter com quem conversar. depositando na estagiária uma confiança.podia chegar perto dela.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele. Foi perguntado se ela gostaria que. Também tenho dó dela. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. o sofrimento do filho. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. algum psicólogo tivesse conversado com ela. tinha raiva. Vol. relata que. e por isso o choro contínuo. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. Ela responde: “Tem minha mãe. 38 .

Banho. Entregue-se ao que possa sentir ou não. A sua frente. luzes . Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos.. Belo Horizonte. Do outro lado. Hora de voltar. Quem pode. Mangueiras. água. Chega mais alguém. Todos temos aparelhos à disposição. enfermeiros. sem sol. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la. Veja . Feche os olhos. mas há luz. Soro dependurado. Idade. Ano 1. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. café da manhã. temperatura. Jan-Jun 2005. lençóis. O passeio acabou. Que não queremos ver a dor. dormir. Excesso de remédios. a conquista da humanidade deste direito fundamental. parece que está sem lugar. Demais. Amanhece. 1. Não é proibido não sentir. Que todos somos seus filhos. faço sozinha. seringas. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. pressão. Alguém precisa de ajuda. É. Enfermeiros a postos. quadro geral narrado. leito. uma mulher de idade avançada. Alguém podia fazer uma prece. Roupas de cama da mesma cor.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Olhe para o lado. Vários aparelhos. Num mesmo lugar. cateteres. chuveiro. Este companheiro está melhor. Camas. Hora de dormir. Esse não tem a cara tão boa assim.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. dispostas em locais estratégicos. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. Vários de nós. E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. Não é um discurso sobre a necessidade. Remédios. cor. Vol. Está agitada. Não se mexe. Várias camas. 39 . uma prece.1. _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. Conversa com o médico. Não importa o nome. cada um com seu enfermeiro. geralmente. eletrocardiograma. inconsciente. Mais uma olhada. Todo mundo. ele fala. Estamos nós. não importa a cor. n. luz apagada. Sem exceções.. Que todos nós tenhamos um bom dia.

A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13. Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16. NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a. 1a. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15. bairro. 40 . Ano 1. CRISE – sintomas: 8. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. n. estado e CEP): 12. A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. Belo Horizonte. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. cidade. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. N. 1. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. vez p Outras internações (período. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. Jan-Jun 2005. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10. n.1. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1.: ( ) _____________________ 2. Vol. idade da criança. hospital e motivo da internação): 7..

1. Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30.): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. Vol. Belo Horizonte. Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. Parentes próximos (investigar grau de parentesco. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33. como foi realizado tratamento etc. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. PERSPECTIVAS (ideais. Jan-Jun 2005. Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. n.21. desejos da criança): 34. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. 1. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. patologia. Ano 1. 41 . RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23. História sexual (investigar se necessário): 32.

Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO. Belo Horizonte. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6. 1. Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Jan-Jun 2005. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. Ano 1. N. Informante durante a entrevista: 3. Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares.1. 42 . Vol.PARA O ENTREVISTADOR 1. Exames psicológicos complementares: 4. de cômodos – especificar quais cômodos: 3. Exame psiquiátrico: 2. Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. n. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1.

A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese.com. Ano 1. psicóloga habilitada em psicologia clínica. 2 Psicoterapeuta. especialista em psicologia hospitalar.10.yahoo. Vol. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13. a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16. Jan-Jun 2005. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. Aos leitores que quiserem colaborar. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003).com.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol. Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15. Home page: http://geocities. 1. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria. 43 . Belo Horizonte. Localização da cama da criança no cômodo: 12. n. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo. Plantas: p Não p Sim – onde? 11.1. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde. CRPMG 6956.

br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.prossiga.br/ Biblioteca virtual http://www.periodicos.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.inep.org.dominiopublico.pucminas.b-on.bireme.usp. Jan-Jun 2005.br/ USP http://www.dir.org.sistemas.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe. Vol.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.ibict.com.br/freebook/freebook_ frances1.ndc.bibliotecamultimidia.bce. n.fiocruz.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001. 1.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve. Ano 1.usp.prossiga.scielo.br/index.usp.html?princip al.prossiga.br/ Prossiga http://www.cict.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.bibliotecavirtual.gov.1.bibvirt.teses.circulandoolivro.org Virtual books http://virtualbooks.gov.br/sibi/ Unisanta http://www.usp.html Circulando o livro http://www.direitoshumanos.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.org.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.org.com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.br/library/index.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.br/biblioteca/livros.unb.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.abnt.jsp Bireme http://www.br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.bvs.gov.unisanta.gov.pt/ Biblioteca multimídia http://www.yahoo. Belo Horizonte.uff.terra.futuro.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.saudepublica.capes.cibec.saude. 44 .br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www.html Unb http://www.

br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel.4estacoes.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes.com.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.htm 30º.com.com.cipc2005.br Site: http://geocities.org. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.com Site: http://www.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.br/ 3O.br Site: http://www.ulapsi.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www.br ou psicologiahospitalar@uol.cepsic.4cmp.spagesp. n. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.org. 1. Jan-Jun 2005.hpg.yahoo.com/principal.adtevento.com.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.br e cordas@usp.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.com.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www. Belo Horizonte.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol. 45 .1.com.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º.sip2005.com.slaop2005.org. Vol.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br Site: http://geocities.yahoo. Ano 1.usp.com.

monografias. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos. resenhas. 810. comunicação. Estão de acordo com a linha editorial desta revista. sl. TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. O envio dos originais. pesquisas. n. 46 .com. relatos de casos clínicos. automaticamente. Belo Horizonte.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos. relatos pessoais. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 290. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas. Prudente de Morais. na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. teses. implica pelo autor.1. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. Vol. sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. tamanho 12 (doze). bairro Cidade Jardim. Brasil. Ano 1. estarem digitados com letra Times New Roman. Belo Horizonte.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão. Minas Gerais. estudos. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. Jan-Jun 2005. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. CEP 30380-000. seja por e-mail ou pelos Correios.

Volume 1.1. Número 1. 47 .com.Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I. miolo com 44 páginas Idealizada. Vol. e-book. planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities. Belo Horizonte. n.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1. Jan-Jun 2005. Janeiro a Junho-2005 Formato A4. Ano 1.yahoo.