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psicópio

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PSICÓPIO
REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Editor Susana Alamy

Ano 1 - Volume 1 - Número 1 - Janeiro a Junho-2005 Edição Semestral - Distribuição Gratuita

PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 Editor: Susana Alamy Idealização e Realização; Capa , Editoração, Diagramação e Arte Final: Susana Alamy Revisão: Glenda Rose Gonçalves-Chaves WebMaster: Carlos Alexandre de Melo Pantaleão Conselho Editorial: Susana Alamy – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. CRPMG 6956 Elisângela Lins – psicoterapêuta, psicóloga clínica e hospitalar, professora de psicologia do CESUR – Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. CRPMT 1281-2 Direitos Autorais Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem ao Editor de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Susana Alamy. Copyright © Susana Alamy. Todos os direitos reservados. Esta revista é protegida por leis de Direitos Autorais (copyright) e Tratados Internacionais. É permitida a sua duplicação ou a reprodução deste volume, em qualquer meio de comunicação, eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou impresso, desde que integralmente. A reprodução parcial poderá ser feita somente mediante a autorização expressa dos autores dos artigos e do editor da revista. Para citação da revista na bibliografia: ALAMY, Susana (Ed.). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Para citação de artigos da revista na bibliografia - modelo: (Sobrenome do autor em letras maiúsculas), (nome do autor com a 1ª. letra maiúscula e as demais minúsculas). (Nome do artigo em letras comuns). Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, Belo Horizonte, a.1, v.1, n.1, jan.-jul. 2005. Disponível em: <http://geocities.yahoo.com.br/revistavirtualpsicopio>. Acesso em: (dia em números) (mês abreviado em letras minúsculas) (ano). Fale com o Editor E-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.com.br ou psicologiahospitalar@uol.com.br Correios: Av. Prudente de Morais, 290 sl. 810 Bairro Cidade Jardim 30380-000 Belo Horizonte / MG Telefone: (31) 9141-9106

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PSICÓPIO – REVISTA VIRTUAL DE PSICOLOGIA HOSPITALAR E DA SAÚDE
Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I, Volume 1, Número 1, Janeiro a Junho-2005 SUMÁRIO Editorial .............................................................................................................................................. iii Nota Introdutória ................................................................................................................................. iv História do Psic ópio ............................................................................................................................. v O sujeito, o desamparo e o analista ....................................................................................................... 06 Lucinda Moreira dos Santos Mendonça (Belo Horizonte/MG) Reflexões sobre a dor do paciente infantil oncológico’ ............................................................................ 10 Lauren Beltrão Gomes (Florianópolis/SC) Diferenças entre o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório ..................................... 14 Vanina Ribeiro (Angola/África) A prática hospitalar – como é a atuação do psicólogo? ........................................................................... 17 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Uma experiência malograda de atendimento infantil .............................................................................. 18 Priscila Said Saleme (Belo Horizonte/MG) Sentir na pele ....................................................................................................................................... 22 Michele Costa e Silva (São Paulo/SP) A importância da psicologia para a humanização hospitalar .................................................................... 25 Leida Mirian Hercolano Pinheiro (Cachoeiro do Itapemirim/ES) Psicólogo hospitalar: um espelho de reflexão ......................................................................................... 36 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Estudo de caso Acompanhamento da mãe de um paciente de dois anos de idade com diagnóstico de asma ....................... 37 Andréia Santiago Sobreira Santos (Cuiabá/MT) Depoimento de paciente Lugar de igualdade .............................................................................................................................. 39 Gabriela Lima (Belo Horizonte/MG) Modelo de anamnese / protocolo Protocolo – doenças respiratórias / anamnese infantil .............................................................................. 40 Susana Alamy (Belo Horizonte/MG) Links – Bibliotecas virtuais .................................................................................................................. 44 Eventos ............................................................................................................................................... 45 Normas para envio de artigos ................................................................................................................ 46

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EDITORIAL
Pretendemos com este espaço ampliar o diálogo entre professores e alunos, profissionais e leigos, no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Temos a pretensão de alcançar um número significativo de contribuições através das produções científicas e dos relatos pessoais de pacientes e familiares, pois objetivamos que também seja um lugar de incentivo à escrita. Constitui-se nossa base editorial a comunicação ética e moral, hoje tão disvirtuada em sua condução, e o respeito às opiniões, mesmo que divergentes das nossas. Sejam bem-vindos!!! Susana Alamy Verão 2005

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Jan-Jun 2005.) E não me tomem tão simplista. A razão de existir da Psicologia Hospitalar? Podemos responder simploria mente com Léo Buscaglia. iv . Vol. José Aguilar. Record. 1961.” (Tolstoi. Buscaglia. pois é imperioso o estudo da psicopatologia. mesmo diante do enfrentamento de percalços e encausos tão exaustivamente sofridos. sem caber ao psicólogo julgamentos de valores e escalas de gravidade da doença. 84). vializando o espaço das emoções tão condicionadamente racionalizadas. para que nos situemos e tenhamos o cabedal necessário e indispensável para o “pleno” exercício da nossa profissão.” (. p. da sociologia. Entendo que a psicologia hospitalar vem funcionar como um catalizador do p aciente consigo mesmo. quando essa maneira própria de cada um lidar com o adoecimento e a internação hospitalar se interpuser à sua felicidade.Tudo depende da habilidade e da prudência com que se fazem as coisas. A História de Uma Folha. n. as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.. in: A História de Uma Folha 2 : “.. p. Rio de Janeiro – São Paulo. Ana Karenina. permitindo assim um atuar mais autêntico e menos estressante. Traz sua contribuição também aos profissionais de saúde. Leão. quando permite que o paciente e seus familiares encontrem uma maneira satisfatória de continuar a vida. 2003. Belo Horizonte.NOTA INTRODUTÓRIA Falar de psicologia hospitalar remete-me originariamente a pacientes e familiares e por isso não posso absterme de citar Tolstoi. – Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. Obra Completa. O Editor 1 2 Tolstoi. 13. 1. da antropologia e de tantas outras ciências. no contexto específico do adoecimento. Léo. Ao paciente cabe a avaliação do seu sofrimento e da significação da sua patologia e como os sentem merece o respeito e a solidariedade de todos.” E é dentro desse contexto que se posicionarão os psicólogos hospitalares. in: Ana Karenina 1 : “Todas as famílias felizes se parecem entre si. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. pois “.1. Rio de Janeiro. Ano 1.Uma razão para existir – respondeu Daniel...

Afinal: psi mais (estetos)cópio:Psicópio. Ano 1. que representa a psicologia e do estestocópio (aparelho com o qual se faz a ausculta dos pulmões. por meio de um símbolo (e também de um significante). mais uma vez. dá nome também a esta revista. representar. Essa junção conduziu a pensar justamente em psicologia.HISTÓRIA DO PSICÓPIO Psicópio é o nome da presente revista que vem. E por detrás deste símbolo está um uma história que demonstra a fusão de significantes. na realidade.com. que vem sendo executado ao longo de anos. musicista e folclorista. já se figura como um logotipo capaz de exprimir a grandeza desse trabalho. proveniente da letra grega psi ( ψ ). no esteio de sua trajetória.br 1 Bacharel em Letras Clássicas. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. símbolo vinculado à medicina. agora. comportamentos e sentimentos. Hoje . corações). com a mesma dedicação e afinco. Jan-Jun 2005. v . é que o Psicópio. cujo objetivo é difundir conhecimento e experiências profissionais no âmbito da psicologia hospitalar e da saúde. Instrumento do psicólogo capaz de ascultar a alma. Belo Horizonte. O símbolo primeiramente foi criado por 1 Susana Alamy e da inspiração de Maria Beatriz Machado Alamy surgiu o nome. n. o mesmo torna-se nome também desta revista e. Vol. num almálgama que é capaz de espelhar o símbolo e fazer ressaltar o significado.1. saúde. o que Susana Alamy buscou ao pensar no significado da psicologia hospitalar. medicina. Glenda Rose Gonçalves-Chaves E-mail: glendarose@uol. Dessa maneira. já se pode vislumbrar um caminho aberto para debates e crescimento profissional. constituindo em um logotipo que acompanha seus trabalhos e. a partir do seu nascimento. 1. pacientes. doença. levando pois a esta unidade que representa a psicologia hospitalar.

muitas vezes também do seu acompanhante. seus desejos e suas demandas.O SUJEITO. ou seja. A lagosta fica exposta e vulnerável até que. na verdade. Jan-Jun 2005. Este encontro com algo que o machuca. fortalecer-se para enfrentar seus problemas e suas angústias. ao nascer. a equipe que o atende não percebe o seu sofrimento e o vê como um ótimo paciente. O DESAMPARO RADICAL NA CONSTITUIÇÃO DO SER HUMANO O sujeito. Mas para que fazer estas interrogações. “. E é com o aparecimento destes que a necessidade de um acompanhamento profissional do paciente. mas também efervescentes e embriônicos novamente. uma vez que é ele que alivia e decide compreender que a criança está em estado de necessidade. Ficamos expostos e vulneráveis. 1. pois não reclama das intervenções a submeter-se. uma doença (um CID) ou um mau prognóstico. Como se dá esse cuidado da criança pelo outro? Uma primeira coisa que se deve observar é que essas manifestações corporais tomam imediatamente valor de signos para esse outro. entramos num período mais prolongado e mais estável. raiva. a casca confinante tem de ser mudada. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. quem o repare. estas manifestações corporais só fazem sentido na medida em que o outro lhes atribui um sentido. entretanto..1. o sujeito conquistará pequenas satisfações que o constituirá como tal. dando-lhe. n. mas que só se dá conta dele quando algo lhe falta. Vol. os sinais que o sujeito enviar-lhe. Por isso.. Fonte: Passagens de Gail Sheehy Contribuição: Cecília Caram melhor. pois.. e. Através desta busca. necessita do amparo do outro. E de novo ele se sente desamparado.. É comum que estes sentimentos apareçam após uma reflexão sobre vivências passadas. o que ele realmente precisa falar. Ele será capaz de escutar e. amparo. com o tempo. O analista pode e deve colocar-se no lugar deste Outro. deixando de ser objeto de satisfação do outro. tornase de extrema importância. no qual podemos esperar relativa tranqüilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio. este é calado e quieto e. pode-se dizer que o indivíduo é um ser faltante. capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro. Será através deste terceiro que o sujeito começará a tornar-se humano. . se sairmos. A incapacidade em que a criança se encontra de satisfazer por si mesma a essas exigências orgânicas requer e justifica a presença de um outro. normalmente. Belo Horizonte. é na verdade uma conseqüência do desamparo radical. é algo que vem com o sujeito desde o seu nascimento. se. enfim. ou seja. a partir daí. e. A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras. reconhecendo suas necessidades. Inic ialmente o objeto de satisfação do sujeito é oferecido pelo Outro. É preciso que o paciente seja escutado. dos exames que tem que fazer. não há como sobreviver. A pessoa internada ou o seu acompanhante não é apenas um número de leito. dando-lhes reais significados. de cada uma dessas passagens. de fazer com que o sujeito se escute e consiga refletir sobre seu desamparo radical. O DESAMPARO E O ANALISTA* Lucinda Moreira dos Santos Mendonça** A LAGOSTA Não somos diferentes de um crustáceo particularmente duro. ele precisa que o outro cuide dele e quando isto não ocorre. ou Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. a seu modo. de dentro para fora. ser escutado e se escutar. assim. e com isso o paciente se vê n ecessitado do acolhimento e da ajuda do outro. é sobre algo relacionado a sua vida antes de sua hospitalização. Cada vez que ela se expande. invalidez. protetoras. Aprendendo assim sobre si mesmo e conseguindo lidar melhor com situações que podem lhe causar angústias. principalmente. é ser humano que deve ser escutado e amparado. que interpretará. pois não há quem lhe dê ouvidos. um novo revestimento vem substituir o antigo. Ano 1. não interroga sobre seu cotidiano no hospital ou até mesmo sobre sua doença. muitas vezes. O desamparo radical faz com que o sujeito busque incessantemente sua satisfação. que o faz sofrer. Dito de outra forma. tristeza etc. O desamparo trás consigo vários sentimentos como os de: solidão. não existe nenhuma intencionalidade da criança no sentido de mobilizar o estado de seu corpo em manifestações que teriam valor 6 INTRODUÇÃO A internação hospitalar pode levar o sujeito a deparar-se com angústias que antes não eram percebidas e ele se vê incapacitado de administrálas. ainda não cicatrizadas ou não re-experimentadas. também temos de mudar uma estrutura de proteção. que necessita da intervenção de um terceiro.

e esse sujeito é vinculado ao saber. a essência do desejo deve ser procurada neste dinamismo.3 1 2 DOR. 20. ao re-encontro da primeira experiência de gozo. novamente.de mensagem destinada ao outro.. o que prova a particularidade de cada um. ou seja. pois. segundo Lacan. A análise é uma construção que deve ser feita conjuntamente pelo paciente e pelo analista. p. “. mesmo com a introdução da linguagem o sujeito não conseguirá nomear precisamente seus desejos e.. não conseguirá lidar. é tomada no assujeitamento do sentido. É graças à primeira associação produzida no psiquismo que o reinvestimento da imagem mnésica pela moção pulsional torna-se possível. sendo este suscetível de ser preenchido por qualquer outro objeto durante a existência do sujeito. p. Mas. 1 Esta incompletude do homem é que faz com que ele busque. cap. Mas. que seja colocado no lugar do sujeito suposto saber. I. e. por outro lado. mais uma vez ele se vê necessitado do auxilio do Outro... DOR. 3 DOR. “O surgimento do desejo fica. é intimidada a demandar para fazer ouvir seu desejo.”. pois é de extrema importância que o paciente esteja integrado com o seu tratamento e com o analista. Portanto. 20.4 Sabe-se que o objeto do desejo.. a transferência. é. Inicialmente o analista deve aceitar este lugar para que ocorra a análise. portanto. o sujeito continuará sendo um ser da falta. O PAPEL DO ANALISTA FRENTE AO DESAMPARO Como já foi visto. estará respondendo às demandas do sujeito. o sujeito pare de procurar outros objetos. a perda de um amor ou a perda da saúde. e seu pivô é o sujeito suposto saber. quando o sujeito vive alguma experiência que o coloca em estado de choque. Mas já a partir da segunda experiência de satisfação. Assim também. nunca mais será alcançada ou repetida. mas a eles já permitem uma pequena satisfação. pois são objetos d pulsão. necessariamente. Jan-Jun 2005. Esta aparecerá quando o outro já não for mais capaz de nomear as necessidades. Mas. pois. mas pelo fato de este estar sempre procurando objetos que o satisfaça e de contentar-se quando há uma pequena satisfação. quando o sujeito se vê frente a alguma sit uação que o desagrade profundamente. É. 20. E por isso o analista é chamado. sabe-se que esta realização é impossível de ocorrer. os objetos a serem alcançados variam durante toda a vida e cada pessoa procurará um objeto diferente do da outra. exatamente. 7 . a primeira experiência de satisfação do sujeito. pois é visto como alguém que detém a resolução imediata para angústia vivida neste momento. ele inic iará mais uma busca. 1992. visto que. e. as demandas e os desejos do sujeito. pois. Por isso.144. a criança. 30 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1992. objetos que possam realizar seus desejos. n. com a qual ele. O primeiro passo desta construção. conduzida a tentar significar o que deseja”. suspenso à busca. pois ele nada sabe de seu paciente. ao se contentar com isto. 1991. Vol. como por exemplo.2 O desamparo radical está presente durante toda a vida do sujeito. exatamente. p. “‘No começo da psicanálise é a transferência’. ou objeto a.1. é eternamente faltante. por causa disso. que seja capaz de lhe dar todas as respostas que procura. a presença do desamparo é sentida na forma de angústia. fazendo com que o sujeito se contente com este pouco para garantir a sua sobrevivência. por causa dessa falha da linguagem. nesta forma tão visível. cap. p. faz com que o indivíduo trabalhe bem com suas faltas. nos diz Lacan. neste momento em que o desamparo radical aparece. 1.141.. ao colocar-se nesta posição. Ele tem por modelo a primeira experiência de satisfação e. É. A resolução de se buscar um analista está vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no sintoma ou naquilo de que a pessoa quer se desvencilhar”. cap. ele está atrás de um Outro que seja completo e. Quando o sujeito chega até ao analista. para além desta experiência. Sabe-se que estes objetos não permitem a satisfação plena. pode antecipar a satisfação de um modo alucinatório. O analista deve ter o enorme cuidado de não tomar para si esta posição de saber. provavelmente. 1992. Não quer dizer que. ele não deixará espaço para a falta. sempre. que a presença do analista se faz indispensável. Ano 1. ele precisará de um Outro que ele julga ser capaz de resolver esta situação. permite orientar dinamicamente o sujeito na busca de um objeto suscetível de proporcionar esta satisfação”. O reinvestimento de uma tal imagem é um processo dinâmico. não há objetos reais que o satisfaça. O surgimento do sujeito sob transferência é o que dá sinal de entrada em análise. 4 QUINET. 146. Belo Horizonte. pelo contrário. cap. A falta em que o homem está inserido é a grande responsável pela inserção deste na linguagem.

estes giravam em torno da doença e do prognóstico de seu filho.. O saber é. normalmente. Vol. ele não deve de maneira alguma identificar-se com essa posição de saber que é um erro. Então ela começou: . pressuposto à função do analista”. e assim passar a conviver com as faltas. pois é um lugar onde o sujeito se vê freqüentemente em situações que o “colocam em xeque”.Você acha que você. O DESAMPARO. minha mãe teve que ficar muito tempo ausente trabalhando para nos 8 A demanda que o sujeito traz para a análise não deve ser pega exatamente como ele a coloca. pois o colocará frente a sua falta.Estava com o meu filho lá na quimioterapia e tinha uma outra mãe também. uma equivocação.Como é a relação de vocês? .Estava atendendo a uma outra paciente. . me perguntou: . o sujeito se volta totalmente para si e esta retração pode levá-lo a re-experimentar vivências que lhe causem um certo incômodo. 31 Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. permitindo que o sujei o t elabore seu sofrimento. pois. Sua posição. p. mas não sei se eu amo.Lu. aliás. então. mas a ignorância douta. o analista deve ser capaz de acolher o sujeito. um convite a se precaver contra o que seria a posição de um saber absoluto: contra a posição do analista de aceitar a imputação de saber que o analisante lhe faz. mas. suas e dos outros. por causa disso. Frente ao desamparo radical. frente ao desamparo 5 QUINET. Ano 1. Antes mesmo de eu falar qualquer coisa pr. mas. e. o que você acha? . Inicialmente o sujeito quer desvencilhar-se do seu sintoma. Então eu lhe falei que não era nada disso. Atendimento feito no dia 02/09/2002 . se aproximou e disse que queria muito conversar comigo. no entanto. A presença do analista no hospital é de extrema importância por causa deste caráter de sofrimento que o hospital por si causa. com toda a sua angústia e fazer com que este consiga falar livremente sobre aquilo que o incomoda.. 1. Atendi-a algumas vezes e ela sempre se mostrou aberta aos atendimentos. muito mais do que a posição de saber. .5 radical.Ontem briguei por sua causa lá na oncologia. mas também a humildade. assim que acabasse aquele atendimento. E isto só ocorrerá quando o sujeito perceber que o analista não detém todo o saber e que quem o detém é ele mesmo. Aliás.“Se o analista empresta sua pessoa para encarnar esse sujeito suposto saber. 1991. não a simples ignorância.. Esse é um termo de Nicolau di Cusa (século XV) que é definido como ‘um saber mais elevado e que consiste em conhecer seus limites’. n. e antes mesmo de perguntar-lhe algo ela me disse: . eu iria atendê-la. . I. mesmo sabendo trabalhar com aquele sofrimento. Disse-lhe que.Lu (era assim que ela me chamava) você vem aqui para escutar só os problemas relacionados ao hospital ou eu posso lhe contar outros problemas que eu estou passando? Disse-lhe que eu estava ali para escutar aquilo que ela quisesse me falar. ele continuará sendo um ser da falta. é uma posição de ignorância.. Ele não ajuda em nada com o nosso filho. . mas que.. eu sei que eu gosto. chegou uma estagiária da psicologia oferecendo atendimento para esta mãe e ela não aceitou e falou que psicólogo só quer saber da vida da gente e que por isso não presta.. e seu filho tinha um prognóstico muito sombrio. o coloca como algo externo a si mesmo e só com o tempo é que este conseguirá ver que ele é o próprio causador de seu sintoma. será através dela que o sujeito começará a lidar com o não ao seu gozo.Terminei o atendimento e logo depois me aproximei do leito do filho de pr. A frustração é algo que deve estar presente na análise. É um lugar em que o sofrimento é iminente e a angústia aparece a todo instante. O ANALISTA E O PACIENTE NO HOSPITAL. estou pensando em me separar do meu marido. eu acho que eu. mas sim nos ajudar a resolver os nossos problemas.. A ignorância douta é um convite não apenas à prudência. a questão do desamparo radical está muito presente.Ela é boa. de uma melhor maneira.1. Jan-Jun 2005. Belo Horizonte. No hospital. Não quer saber de pagar as contas lá de casa e eu estou pensando em me separar dele. Fui abandonada pelo meu pai quando eu era m uito nova. Durante a minha experiência no Hospital da Baleia tive a oportunidade de presenciar este sofrimento em uma mãe que acompanhava seu filho de dois anos e que estava com câncer generalizado.Então lhe perguntei por quê? E ela me respondeu: . Ela estava no hospital há mais ou menos um mês. cap. Lá em casa eu não aprendi isso. No hospital.Eu acho que eu não sei amar (alguns segundos de silêncio).. que eles não queriam saber da nossa vida. mas eu não sei se gosto dele. O analista tem o dever de questioná-la para descobrir o que está por detrás dela. . quando pr.

Rio de Janeiro: Imago.. com a apresentação desta entrevista tive como objetivo mostrar o desamparo radical desta acompanhante frente à situação de internação de seu f ilho. mas não queria mais ser atendida. eu não sei nem se eu deixo. As 4+1 Condições da Análise.- - sustentar. E foi assim também com o meu primeiro marido. Júnia Lessa. veio acompanhando-o. 1991. De que sofrem as crianças? Rio de Janeiro: Sete Letras. Caderno de Contos. conseguindo condensar a teoria e a prática no hospital. 3. se ela voltasse outra vez. pois. 441p.com. pois o ser humano só consegue constituir-se como tal sob a presença deste. E. Nossa. Eu amo minha mãe e meus irmãos. Eu realmente tenho muita coisa para pensar e tomar alguma atitude. 3.ed. Introdução à leitura de Lacan. quando perguntei como estava. 4. eu não o amava. E-mail: lumsm@superig. Manual para normalização de publicações técnico-ciêntificas. 2002. mas quando há algo que o coloque frente ao desamparo radical. Orientadora: Maria Helena Libório B. no estacionamento do hospital. eu tenho medo de começar a amar alguém e depois ser abandonada de novo e por isso eu acabo não deixando ninguém me amar também. Já que você pensou muita coisa. ela disse-me que não era para eu ficar brava. que fez com que ela refletisse sobre si mesma e sobre esse sofrimento que carrega desde sua infância. Joel. sou eu quem abandono as pessoas e não elas que me abandonam. _________________________________________ Após este atendimento. Consegui alia r uma entrevista com o conceito de desamparo radical. 1997. Tudo bem? Tudo. Porto Alegre: Artes Médicas. mas. ele não consegue lidar com isso. Ela não me procurou.. Silvia Elena. Na verdade. Belo Horizonte: UFMG. de preferência um profissional da área psi. Fundação Benjamim Guimarães – Belo Horizonte/MG. seu filho teve alta. Eu estou pensando numa coisa: eu acho que. Através deste trabalho cheguei a conclusão que o ser humano é um ser da falta e que esta. Vol. 4. 203p. Jan-Jun 2005. 2. FREUD. para conviver com eles.. 1992. Sabe Lu. você me fez pensar muita coisa. assim. 1987. muitas vezes. que não conhecia e tive o maior prazer em estudá-lo. n.. A falta na vida dessa paciente é algo constante e visível. quando deixá-las.ed. ** Estagiária de Psicologia no Hospital da Baleia.. para isso bastava me procurar. 1. assim.ed.. para falar a verdade. o ser abandonada e o abandonar está sempre cercando-a.. Conheci novos conceitos e aperfeiçoei-me em outros. Belo Horizonte: projeto convivendo com arte. Encontrei-a um dia. 9 . Depois de um mês da alta o paciente teve que retornar ao hospital para tomar alguns medicamentos e pr. então ela me chamaria. 2001.. eu não sentirei que estou abandonando-as. 5. Antônio. não é percebida por ele. 2. muitas vezes. Cecília Andrés. Disse que não estava preparada para se conhecer melhor e que. como eu falei hoje. 5. e. TENDLARZ. Publicações prépsicanalíticas e esboços indtitos. eu acho que eu não deixo ninguém me amar. * Trabalho apresentado no curso “A Intervenção Psicanalítica no Hospital Geral” como requisito para a finalização deste. 125p. Aproximei-me dela e ela mostrou-se receptiva. Belo Horizonte. necessariamente. CARAM. QUINET. eu não sei deixar as pessoas me amarem. Ano 1.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Melo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 211p. eu vou deixar você pensando mais um pouco e volto aqui quarta-feira. e disse-lhe que estaria a sua disposição para atendêla. Para mim tanto faz se eu os encontro ou não. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a psicanálise e fazer uma junção desta com a minha prática no hospital. Sigmund. DOR. FRANÇA. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Até quarta então! Esta experiência foi muito rica.1. mas eu não faço nada para estar com eles. então eu não aprendi o que é amar. e não fiz nada para que o nosso relacionamento desse certo. além de o sujeito sentir-se angustiado. Você não sabe se você deixa. 6. precisará do auxílio de uma outra pessoa.ed. pois foi a minha primeira oportunidade de escrever sobre a psicanálise.

processos inflamatórios ou moléstias. 1992. já um outro plano. ataque. Sem ela. Segundo GUIMARÃES (1999). comunicada a outra pessoa. passa a tocar no local dolorido e procura o acolhimento materno. sensitiva e emocional. causa uma contração. Não existem medidas objetivas para mensurar a dor. No entanto. Assim. um problema a resolver. a percepção da dor pela criança envolve aprendizagem e discriminação e depende do seu nível de desenvolvimento. Belo Horizonte. a dor torna-se a própria patologia. Geralmente é acompanhada de alguma doença ou está assoc iada a alguma lesão já tratada. pois se repete ao longo de muito tempo. o que dificulta a precisão de sua origem. Tradicionalmente. A dor é entendida como uma sensação de causas múltiplas.166) A criança passa por experiências dolorosas desde o nascimento. crônica e recorrente. essa classificação considera a dor ao longo de um continuum de duração e inclui dor aguda. Além disso. mas pode. faz da dor um meio básico de pedir ajuda. Ano 1. ou não compreendido. Suas vivências. além de movimentar-se intensamente. isso sim. 1999). (Lobato. ao verificar-se que a experiência pode ser repartida. O medo. ou então. também são fatores que aguçam a dor.1. Os fatores emocionais podem aumentar ou diminuir a experiência da dor. isto é. As dores podem ser classificadas e categorizadas. por exemplo. 1992. A dor recorrente tem características dos dois tipos citados anteriormente. o ser humano não tomaria conhecimento dos processos patológicos aos quais o organismo está suscetível. A aguda tem duração relativamente curta. É aguda. a criança. MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. p. a dor pode ser ‘utilizada’ como forma de manipular os outros. Num segundo nível. de minutos a algumas semanas e decorre de lesões teciduais. 1992) coloca que a simbolização da dor se dá em três níveis: No primeiro ela constitui um sinal registrado pelo ego de que se acha em curso uma ameaça à integridade estrutural ou funcional do organismo. por ocorrer em episódios de curta duração. SZASZ (apud LOBATO. como forma de aliviar a culpa por alguma falta real ou imaginária cometida anteriormente. mas também é crônica. apud LOBATO. desorganiza o aparelho psíquico. algumas dores são persistentes. a freqüência. foi apenas considerada em sua dimensão sensorial sendo os aspectos psicológicos estudados apenas no século XX. O sentir-se abandonado. que aumenta a sensação dolorosa. Neste último nível de simbolização. bem como a observação de pessoas em seu cotidiano. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. aviso de perda iminente do objeto. a qualidade. Assim. a dor não mais denota uma referencia ao corpo. A classificação mais amplamente usada é a que utiliza a duração da dor como referencial. a dor cumpre a função protetora sendo essencial para a sobrevivência. a percepção desta sensação e a forma de expressão da dor variam conforme a cultura e conforme a personalidade do indivíduo. afetando a capacidade de desejar e atividade do pensamento. fazem com que ela aprenda a julgar a intensidade da sensação dolorosa. 10 .165) Mesmo que a dor esteja ancorada em uma experiência sensorial real. tanto física quanto psíquic a. 1999) relata que o recém nascido chora e movimenta-se bastante ao sentir dor. a natureza orgânica ou psicogênica (associada ao funcionamento ou momento psicológico da pessoa). o estado emocional da criança constitui-se um relevante influenciador quanto à percepção da dor (GUIMARÃES. a dor vem acompanhando todo o existir do homem. Quando a dor se torna intolerável. Aos dez meses. Vol. A função da dor no organismo é a de alertá-lo sobre algo que está sendo danoso a ele. 1. ganhar o controle sobre eles. a intensidade. expressar queixa. A dor crônica tem uma longa duração. associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão. Jan-Jun 2005. isolado. p. Num terceiro e último plano. n. Segundo GUIMARÃES (1999). podendo estender-se por meses ou anos. Assim. a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) propôs uma conceituação para dor que é usada até os dias de hoje: A dor é uma experiência desagradável. Sendo assim. possui um caráter subjetivo. a dor possui determinadas características que contribuem para a sua particularidade: a localização. etiologia e duração. tornando-se crônicas. que nos afirmem que uma dor deva doer mais do que a outra e não há relação d ireta entre o tamanho da lesão e a intensidade da dor.REFLEXÕES SOBRE A DOR DO PACIENTE INFANTIL ONCOLÓGICO* Lauren Beltrão Gomes** Inerente à condição humana. (MERSKEY. Em 1979. Ao se pensar no que a dor expressa.

A utilização adequada da orientação antecipatória tem como efeitos principais reduzir a insegurança e a ansiedade derivadas do medo do desconhecido e facilitar a ativação de mecanismos adaptativos da personalidade. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. (p. pode exacerbar a percepção da dor. n.252). busca fugir e evitar situações dolorosas e já possui a capacidade de verbalizar a rejeição pelas mesmas. Compreender a criança para obter sua colaboração nos procedimentos é fundamental.256). D ? or decorrente dos procedimentos terapêuticos antineoplásicos. Este processo acontece freqüentemente com crianças p ortadoras de doenças crônicas como é o caso do câncer. 1999. quando o conceito de dor pode ser entendido conforme seu estado emocional. provocada por compressão nervosa. Dentre as dores advindas da neoplasia encontram-se a dor da punção lombar. pois já percebem o mundo de forma concreta. os quais. que. Ano 1. Visto isso. dor posterior à radioterapia. de ficar sem cabelos ou longe de casa e da família. como dor de cabeça ou ferimentos. provoca dor aguda de curta duração e tem pouca probabilidade de se tornar um evento estressor. Segundo GUIMARÃES (1999). alguns tumores podem ser inicialmente indolores. É importante ressaltar. Ao que se refere a dor advinda da doença. 11 . D ? ores não relacionadas ao câncer ou à terapia anticâncer.. (p. é bastante comum a regressão a níveis de desenvolvimento anteriores. Portanto. do mielograma. um certo controle da situação que os possibilita assumirem uma postura mai ativa frente à dor s lidando com ela de forma menos traumática. Sobre as especificidades do câncer infantil. faz-se importante que em todo processo de tratamento. fazendo com que a criança utilize mecanismos de defesa que possam auxiliá -la a controlar a Segundo MCGRAFTH (apud GUIMARÃES. como quimioterapia ou radioterapia e dor pós-cirurgia. que exige a utilização de procedimentos médicos altamente aversivos. Belo Horizonte. as crianças definem a dor em termos perceptivos. previsão dos acontecimentos e relativo controle da situação são facilitadores que reduzem a ansiedade com que a criança antecipa a experiência e minimiza sua percepção de dor. provocam sensações dolorosas mais perturbadoras do que a própria doença. Jan-Jun 2005. Utilizando os recursos lúdicos. TORRES (1999) comenta: O câncer pediátrico requer um tratamento prolongado no tempo. é preciso que se mostre à criança. passando a doer com a progressão da doença. 1999). durante procedimentos médicos desagradáveis como a aspirações de medula óssea.uma sessão de coleta de sangue para exames. percebe-se a relevância em se preparar o paciente infantil diante dos procedimentos dolorosos aos quais será submetido.1. pode se tornar muito traumático e estressante para a criança. Para tanto. p. LORDELLO (1999) fala da origem da dor no câncer: D ? or associada ao tumor. (GUIMARÃES. sem treino especial.originária da invasão do tumor . respeitando-a em sua fase de desenvolvimento. . todavia. em muitos casos. É na faixa etária dos sete aos nove que a necessidade de alguns procedimentos dolorosos começa a ser compreendida. por exemplo. 1. gerado pelo fato de não se ter controle algum sobre a situação. do desconforto durante e depois da quimioterapia. ao se falar de dor em oncologia pediátrica. etc.132). da punção venosa. é necessário distinguir entre a dor ocasionada pela enfermidade . a Psicologia possa atuar no sentido de acolher os sentimentos da criança que sente dor. que precisam submeter-se sistematicamente a procedimentos terapêuticos invasivos e dolorosos. diante da dor e de eventos estressantes. a preparação psicológica para essas ocasiões procura desmistificar as fantasias dos pacientes acerca dos procedimentos. Portanto. embora dificilmente relacione a dor com sua possível enfermidade. por depósitos metastáticos ou por células leucêmicas é a causa mais comum de dor em crianças com câncer.e aquela gerada pelo diagnóstico e tratamento dor pós-cirúrgica. além de conforto e segurança. Vol. mas coincidentes com a patologia. o receio do que está ocorrendo. sabese que a invasão direta da medula óssea pelo tumor. O entendimento relacionado aos mecanismos fisiológicos da dor e da patologia só inic ia-se na adolescência. infiltração ou metástase. o que vai de fato acontecer respeitando-a e entendendo seus sentimentos. Mas este mesmo procedimento repetido diariamente ou mais de uma vez ao dia. Com quatro anos. Alguns autores propõem a inclusão da dor do câncer como uma categoria diferente na classificação das dores com vista às especificidades desta doença. garantindo-lhes. ansiedade e a lidar com a dor. utilizando uma linguagem que seja entendida por ela. A familiaridade com a situação potencialmente dolorosa pela compreensão do procedimento. Da mesma forma.De dois a seis anos.

Tentado fugir das próprias emoções. havia uma crença de que não se devia falar às crianças dos procedimentos dolorosos ou cirúrgicos a que seriam submetidas. menos confusa e mais saudável enquanto vivência do seu desenvolvimento emocional e cognitivo quando lhe é fornecido um quadro de realidade dos acontecimentos que vive. onde os programas desenvolvidos nos hospitais sugerem intervenções multifacetadas para o controle e manejo da dor.há dores de origem psicológica para as quais os medicamentos não surtem efeito. n. O profissional de saúde se vê obrigado a deduzir a presença. Ano 1. a dor passa a ser assunto para diversos profissionais. Vol. comunicada. O cotidiano de tais profissionais é permeado pela preocupação com possíveis danos orgânicos secundários à sedação e analgesia e pela concepção de que as crianças não percebem nem registram os estímulos dolorosos na mesma intensidade que os adultos. Jan-Jun 2005. o adulto busca meios de diminuir ou de manter sob controle as manifestações emocionais intensas das crianças. não há um controle satisfatório da dor. por meio da minimização ou da negação dos fatores e/ou dos efeitos desencadeantes da reação de forma a conduzí-la para o ideal adulto. Da mesma forma. mas sim acolhidos e aproximados da realidade. A criança costuma ser vista pelo adulto com um ser frágil. a dor pode tornar-se refratária a medicação. a duração e a intensidade da dor na criança sendo pertinente aqui nos referirmos ao perigo da dessensibilização desses profissionais diante do sofrimento do paciente. o organismo pode apresentar reações clínicas adversas decorrentes de efeitos secundários da droga. Pode-se subestimar o sofrimento das crianças. Pode-se exemplificar esta conduta por afirmações tão corriqueiras do adulto frente às reclamações da criança como “não vai doer nada” ou “você já é um homenzinho. Segundo BERGMANN e ANNA FREUD (1978). não pode ter medo”. 12 . onde os procedimentos são vistos como ataques. tão honesto e completo conforme ela possa compreender. segura. complexo e subjetivo é sempre expressa. incluindo aqui não apenas recursos analgésicos. além de possuir caráter único. ocorrem avaliações inadequadas dos quadros de dor e de suas conseqüências. 1999. inúmeras vezes. A criança sente-se reconfortada. Assim. assim como também não falar depois de acontecido para que a criança esquecesse mais facilmente. acreditar que a dor é necessária para elucidar alguns diagnósticos ou submedicar o paciente infantil com analgésicos. atualmente. o atendimento a pacientes que sentem dor deve ser feito por uma equipe multiprofissional. ou o organismo pode desenvolver tolerância e requerer doses gradualmente maiores e mais fortes de analgésicos agressivos como morfina ou codeína. hoje se sabe que este tipo de atitude pode ser profundamente prejudicial e traumático para o desenvolvimento da criança. P. cabe lembrar que grande parte dos profissionais da saúde não está preparada para lidar com a dor de seus pacientes. É natural e até mesmo esperado a vivência conflituosa desta situação vivida pela criança. ou a medicação pode ser ineficaz para aliviar certos tipos de dor como ‘dor fantasma’ em membros amputados. Mas tal conflito pode ser amenizado por informações dadas dentro de um ambiente que permita o continente de todas as ansiedades e medos decorrentes da dor/tratamento. A experiência da dor. Entendendo dessa forma.1. pois isto iria excitar suas expectativas receosas. 1. REDD ( apud LORDELLO. É assim que.. Belo Horizonte.É importante que os familiares estejam suficientemente preparados para enfrentar a dor do filho. Portanto. objetivando capacitar a criança e a família para entender o que está acontecendo e minimizar a dor. ansiedades e medos não são negados.. Tais dificuldades em lidar com as manifestações infantis da dor são sentidas pelos profissionais da área da saúde em geral. castigos e ameaça de castração. temendo viciá -lo. pois esta não tem ainda bem estabelecidos os limites entre realidade/fantasia e os seus medos arcaicos e suas ansiedades primitivas juntam-se com os perigos reais e ocultam os verdadeiros fatos. 1999) coloca q ue. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Entretanto. o alívio da dor. (GUIMARÃES. Entretanto. Suas fantasias. Os pacientes oncológicos devem ser tratados com fármacos analgésicos e orientação psicológica para o manejo adequado da dor. As dificuldades do adulto de interpretar sinais infantis são ampliadas se a fluência verbal da criança for muito pequena. inúmeras técnicas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a dor. Os sentimentos demonstrados por eles em relação à doença e ao tratamento são sentidos pela criança e exercerão grande influência na maneira como ela vai lidar com a realidade da sua doença. o tratamento da dor do câncer tem sido feito segundo uma abordagem biopsicossocial. . principalmente o masculino: o de uma pessoa capaz de controlar os afetos e as manifestações dolorosas. Dessa forma. A Organização Mundial de Saúde tem estabelecido. que desperta comportamentos protetores e agressivos. como prioridade no atendimento a pacientes oncológicos.28).

Jan-Jun 2005. M. São Paulo: Summus. S. S. In: CARVALHO. de. Vol. T. 1999. M. W. O. In: CARVALHO. 1999. São Paulo: Summus. J.) Dor: um estudo multidisciplinar. M. (Org. R. 13 . S. M. Psicossomática hoje. M. O problema da dor. M.) Dor: um estudo multidisciplinar. (Org. Porto Alegre: Artes Médicas. 1999.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGMANN. R. J. A Criança diante da Morte: desafios. Ano 1. FREUD. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil.) Dor: um estudo multidisciplinar. Introdução ao Estudo da Dor. A criança. M. da C. M. M. GUIMARÃES. de. _________________________________________ * Parte do trabalho de conclusão de curso (estágio em psicologia clínica). In: CARVALHO.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. J. S. M. CRPSC 04747 E-mail: laurenbeltrao@yahoo. n. Orientadora: Jadete Rodrigues Gonçalves ** Psicóloga. 1999. TORRES. (Org. de. Belo Horizonte. M.com. 1992. 1978. São Paulo: Casa do Psicólogo. O Profissional de Saúde e a Percepção do Câncer Infantil. LORDELLO. J.1. LOBATO. LORDELLO. 1. São Paulo: Summus. In: MELLO FILHO.. A. Lisboa – Portugal: Moraes. a doença e o hospital.

Em consultório. SEGUNDO EIXO Faremos referência às diferenças existentes ao nível do setting. pelo menos. “Outra particularidade decorrente da internação em enfermaria é que sempre há a presença de enfermeiros. com os outros. reconhece a sua necessidade e procura ajuda. pela hospitalização. presentes. É ele que. deste modo. em consultório não são abordadas.” (Alamy. Em consultório. supostamente. Não se prevendo. outro aspecto a realçar é o facto de ser o sujeito a ir ao encontro do psicólogo. consigo próprio) de cada sujeito. Isto. e onde as interrupções. o psicólogo tem como objectivo escutar os sentimentos. como por exemplo. isto é. na grande maioria das vezes. ou seja. por nós definidos: o do sujeito. atendemos à compreensão dos conflitos (com o mundo. quaisquer interrupções. Assim. desta maneira. por parte do pessoal de enfermagem. Estamos. em que a sua identidade pessoal parece ser anulada. que de acordo com a escola psicanalítica resultam de traumas ocorridos ao longo do seu desenvolvimento. No meio hospitalar estamos diante de um indivíduo que se encontra despojado do seu meio familiar. fisioterapêutas e outros. portanto. onde estão outros doentes (que com frequência se mostram curiosos). O tempo durante o qual durará o tratamento está dependente das situações em si. de estar com os familiares.DIFERENÇAS ENTRE O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO EM MEIO HOSPITALAR E EM CONSULTÓRIO* Vanina Ribeiro** Nas duas situações.). Há dias. sendo que alguns são discretos e não interferem no Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. deste modo. auxiliares de enfermagem. Jan-Jun 2005. a ser um número de cama ou um indivíduo com tal órgão comprometido. tira-o do convívio familiar e dos amigos. ignorando-se os seus direitos e as suas necessidades. 1. são frequentes. que passa. uma vez que agem em contextos diferenciados. perante um sujeito que para além de ter que lidar com as alterações físicas da doença. isola-o) e. PRIMEIRO EIXO Neste eixo. 14 . em meio hospitalar e em consultório. as emoções. Assim. E. questões orgânicas e uma ameaça clara à continuidade da existência. Ano 1. Vol. faxineiras. visitas. muitas vezes. cabe ao psicólogo trabalhar as fantasias. bem como dar assistência aos familiares do paciente. Desta forma. para as sessões. partin do do reducionismo de que. para o seu bem). tem que lidar com as que resultam da inserção num meio diferente e. Uma vez que. n. abordaremos aqueles que nos parecem ser os principais aspectos que caracterizam os sujeitos e. com frequência. entre as duas situações de atendimento psicológico. dos médicos e até dos familiares. o internamento provoca uma ruptura na trajectória do indivíduo (impede-o de trabalhar. e. O que as caracteriza. sendo definido pela resolução da problemática. Assim. ao qual não é dada alternativa face as intervenções a que é sujeito (até porque estas são. aqueles que precisam de apoio psicológico. o do setting e o da iminência da morte. que participam do seu adoecer e do seu restabelecimento. de alguma forma. o atendimento ocorre na enfermaria (por falta de um espaço mais privado). No hospital. aquilo que as leva a actuar. também.1.. as reacções psicológicas podem interferir directamente na recuperação do sujeito. Belo Horizonte. as questões relativas ao processo de adoecer. concluir que o que as diferencia é a forma como actuam.15) Poderemos. Não temos. não é o seu objectivo.. então. pelos mais variados motivos. médicos. os medos. mas o objecto. deste modo. o sujeito é encaminhado pelo médico e/ou é o psicólogo que se dirige às enfermarias e aborda os pacientes detectando. bem como um tempo de duração definidos. p. o estado interior do sujeito que está diante de si e que desta forma busca alívio para o seu sofrimento. as dúvidas que daí emergem. “a psicologia hospitalar intervém na forma do paciente conceber e vivenciar os problemas gerados pela patolo gia orgânica. as diferenças na actuação do psicólogo num contexto hospitalar e num contexto de consultório basear-nos-emos em três eixos. horários. os assuntos abordados nos diferentes contextos. de se divertir. temos um espaço físico constituído por uma sala estruturada de modo singular e neutro onde decorrerão as sessões entre o sujeito e o psicólogo. que tem que se adaptar a uma nova rotina diária que lhe é imposta (horário de refeições. relativamente. pelos tratamentos e pela reabilitação. desta forma. tal como acontece na psicologia hospitalar.

p. 2002). p. Para além disso. condicionado ao tempo de internamento.62). mais uma forma u de ajudar-mos a minimizar o sofrimento do paciente. deve “intervir nas situações relacionadas à complexidade dos fatores psíquicos que emergem durante o processo de tratamento da Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. TERCEIRO EIXO Neste último eixo. pois é. “No nosso inconsciente. Ou seja. antes que tenhamos de nos defrontar com eles na vida. sonolento devido à medicação. também existe em nós o sentimentos de que ela só existe para os outros e nas outras famílias. mas a irreversibilidade de tal perda” (Alamy. 1995. Trata -se de um momento em que a nossa presença física. mas um cessar em paz do funcionamento do corpo” (Kübler-Ross. podemos perceber que funcionários. quanto às limitações que lhes são impostas pela doença. “condições para que o paciente consiga reflectir sobre o significado do seu adoecer” (Campos. tenhamos que encará-la. pois deparamo-nos com doentes diversificados. O que levanta em nós outro cuidado. se a vida tiver um fim. p. Enfermagem. entubado. emocional e espiritual valem só por si (Kübler-Ross. todos. ou mesmo visitas. muitas vezes. quanto à presença da morte. só encarando a morte com serenidade é que poderemos ajudar os nossos pacientes e os seus familiares a lidarem com esse facto. sendo elas destras. deste modo. Vol. 1995. em meio hospitalar.” (p. Não devemos esquecer a própria condição física do sujeito. a nossa abordagem deverá ser mais diversificada. o de fechar o assunto na respectiva sessão não deixando emergir angústia a ser trabalhada no próximo encontro. CONCLUSÃO “O psicólogo tem uma atuação dentro do hospital. a morte nunca é possível quando de trata de nós mesmo. Jan-Jun 2005. “Toda a doença é uma ameaça à vida e. não sabemos se o encontraremos no dia do nosso retorno (Alamy. até que. Criando. ao contrário do que acontece em consultório. p. este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora do nosso alcance. com isso. existe uma curiosidade a respeito do que o psicólogo faz e. p. p. Belo Horizonte. com o silêncio que vai além das palavra. 1. Neste caso o que podemos fazer é pedir que se retirem ou esperar que terminem o trabalho que não pode ser deixado para depois ou que estão executando à nossa volta ” (Alamy. acabamos. pode estar com dores. como algo que nem deve ser comentado” (Campos. p. 2003). para comunicarmos com pacientes que estão impossibilitados de fazê-lo verbalmente. por sentir necessidade de fugir a essa situação.282).14). ou até um primeiro ou um último passo em direcção à morte” (Boss apud Campos. “Na morte. 15 . Portanto. envolvendo o indivíduo e as áreas social e da saúde pública. saberão que tal momento não é assustador nem doloroso.1. é um aceno para a morte.60). ficam rondando o leito do paciente que está sendo atendido. Como elemento integrante de uma equipa multidisciplinar.33) Pois. buscando sempre o bem estar individual e social. (Kübler-Ross. Ano 1. São todos estes aspectos que vão ditar os dias. como um profissional da saúde.42). etc. de vez em quando. o que nos assusta.6). aqui procuramos resolver na sessão o aspecto que está a ser abordado. Serviço Social. a morte em si está ligada a um acontecimento medonho. p. ainda. por exemplo. Também. o soro pode estar colocado na mão direita e. mas a morte é temida e vista como um tabu. considera que “deveríamos criar o hábito de pensar na morte e no morrer.42). O processo de tratamento está. Em consultório. pois não há certeza quanto ao tempo que teremos para “trabalhar” com o paciente as suas questões e. não conseguem fazer desenhos. a questão da morte não é tão iminente como o é em contexto hospitalar. gerando constrangimento e fazendo-o se calar. p.153). cartões com figuras). n. No entanto. nas crianças. não é simplesmente a perda. sem escolha. Nutrição e outras áreas afins” (Campos. os horários e o tempo de duração de cada atendimento. na maioria das vezes. sendo nós e a nossa família salvaguardados dessa realidade. utilizando também informações das áreas de Medicina. Kübler-Ross (2002). “Nascemos com a certeza de que vamos morrer um dia. 2002) “Aqueles que tiverem a força e o amor para ficar ao lado de um paciente moribundo. Sendo a morte “a mais certa de todas possibilidades do ser humano” (Boss apud Campos. Desta forma.64). Só com a morte do meu pai é que a morte passou a ser real para mim e tomei clara consciência da minha finitude e daqueles que amo. O conhecimento de técnicas de relaxamento. abordaremos a diferença nos atendimentos. também ocupa um l gar particular. é importante fazermo-nos valer dos mais variados métodos (por exemplo.atendimento. a algo que em si clama por recompensa ou castigo” (Kübler-Ross. É inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para a nossa vida na terra e. E.

Belo Horizonte. (1995). C. Portanto. que vai. religiosos e aos seus próprios parentes. assim.doença e da internação hospitalar” (Alamy. pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). busca a promoção. o psicólogo. além do apoio psicológico que é prestado em consultór io. psíquico e sócio-económico. foi dada assistência psicológica às filhas. mas sim a presença real e participativa. Sobre a Morte e o Morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos. inclusive” (Campos p. Ed. Autor: Belo Horizonte. muitas vezes um dos poucos que de entre o corpo clínico. (2003). que foram chamadas a seu pedido.65). Deve entender o significado dos princípios e técnicas de administração aplicados à saúde. Mais tarde regressei à enfermaria e verifiquei que o Sr. há momentos em que não só as palavras são importantes. no meio hospitalar. estendia a mão. muitas vezes. Professora de Psicologia no Instituto Superior Privado de Angola. Somos. Jan-Jun 2005. havendo necessidade de conhecer a patologia. Pois. torna-se indispensável “ouvir o apelo e sentir a angústia. contribuir “efectivamente no processo de sua plena reintegração física.61). por mim exercidos. p. acerca das diferenças que envolvem o atendimento psicológico em meio hospitalar e em consultório. E-mail: vaninaribeiro@portugaulmail. procurando quem o confortasse naquele momento angustiante : . deste modo. do uso e significado de estatísticas médicas e da investigação científica de problemas médicos. Kübler-Ross.Dei-lhe a minha mão e assim ermanecemos por longo tempo. T. nos seus aspectos físic o. Campos.61). no seu todo. E. p. (2002). Assim. que estamos humana e “espiritualmente” presentes. Dando oportunidade para que o paciente expresse as suas emoções.1. do desenho ou da mímica (Alamy. como uma unidade integrada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alamy. que fazemos companhia e. atuando no hospital. quer através da palavra. o que implica que os aspectos físicos e sociais são considerados em interação contínua na composição do psiquismo desse mesmo paciente (Campos. o psicólogo. A exemplo relatarei uma experiência com um paciente em fase terminal de sua doença. da dramatização. Martins Fontes: São Paulo. Muitas vezes me perguntou se já estava de saída. acaba por ter um papel muito mais activo. P. Só me retirei quando chegaram as filhas. para então poder responder com a ação adequada.Formada em Portugal/Lisboa. E. ao bem estar da comunidade. Psicologia Hospitalar: a actuação do psicólogo em hospitais. a prevenção. 16 . 1. resulta de um processo de reflexão. o psicólogo. _________________________________________ * Este texto.” (Campos. permitindo que se veja o paciente como um todo. Portanto. Também. enfermeiros.19).” (Campos. 2003). Vol. contribui em grande medida para o processo de humanização do hospital e da saúde. ** Psicóloga Clínica – Angola/África . como uma “pessoa” e não como uma “doença”. olha para o sujeito como um todo. psicológica e socia .pt Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. p. Tornase. Ano 1. Ensaios de Psicologia: a ausculta da alma. p. que estando dispenéico e com o corpo de enfermagem à sua volta. S. n. Desta forma.83). tinha recuperado da crise e se encontrava mais tranquilo. a recuperação do bem-estar do paciente. EPU: São Paulo. indispensável a “familiarização com os fundamentos da sociologia e da antropologia cultural.

uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso. A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. mas o inverso.A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy** Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. ausência do trabalho e outros. a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos. Os relatórios devem obedecer à ética. sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica. onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento.n. ajudando-o a tratar/minimizar. dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais. informando-se do diagnóstico médico. psicóloga habilitada em psicologia clínica. com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização. sendo absolutamente sigilosos. onde o mesmo deve observar os doentes. especialista em psicologia hospitalar. a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico. com estigmas diferentes e conseqüências diferentes na vida do paciente. 18. não será o paciente a chegar no psicólogo. 1991) 1 . além dos seus atendimentos dos pacientes.yahoo. medos. esperanças.br/psicologiahospitalar E-mail da autora: susanaalamy@uol. 19. descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. 17 . 2 Ibidem. na maioria das vezes. então. n. aptidões. 28/11/2003. p. planejar seu atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares. Temos. bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos. Susana.com. grau de risco de vida. A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados que são fundamentais para um bom atendimento. 1998) 2 . 2003. seus desejos. CRPMG 6956. Home page: http://geocities. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma alteração orgânica/física. Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente. para.a ausculta da alma. Ano 1. p. pois. do prognóstico e propedêutica. dificuldades e limitações.com.]. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de um paciente com insuficiência renal crônica e compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais. do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas.1. 1. o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização. Belo Horizonte. Cada patologia leva a uma repercussão única em cada paciente e em cada família considerando suas peculiaridades anteriormente existentes. Ensaios de Psicologia Hospitalar .br ALAMY. fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar. Belo Horizonte: [s. a atuação das pessoas naquele lugar. compreendendo a natureza do sujeito doente. então. que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instânci s bio-psicoa social” (Alamy. técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. ** Psicoterapeuta. como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa. Vol. sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). A atuação do psicólogo hospitalar inclui. seus familiares. _________________________________________ * Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). pois são patologias diferentes. não podemos fazer clínica dentro do hospital. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da 1 hospitalização. Jan-Jun 2005. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal. portanto. com questões de ordem prática.

2 .. dificuldades de interação com crianças podem inviabilizar a escuta do que é dito por nossos pequenos pacientes. Esse talvez tenha sido o meu caso. n. na prática. registrar a existência daqueles que se encontram em seu extremo oposto. O verdadeiro terapeuta é uma pessoa treinada para isso.1. verificaremos a importância de tais publicações enquanto registros da construção de um processo pessoal do terapeuta. No entanto. O que nos abre profundamente é uma relação verdadeira... gestos. serão relatados dois atendimentos realizados por mim durante um estágio feito em um hospital infantil quando eu ainda cursava o sexto período de psicologia. mesmo em situações onde essa relação. Vol. pois. pois tais experiências mal sucedidas não apenas antecedem as demais. Belo Horizonte. Assim. “Se o erro faz parte do processo. Devo frisar que o relatório original foi conservado. os erros consistem de partes do acerto. se pudermos avaliar tal conteúdo sob uma perspectiva construtivista. de centro a centro. Falar da importância da verdadeira escuta do paciente. “O que faz um terapeuta? Ele proporciona oportunidade para que restabeleçamos o contato perdido com nosso centro pessoal.. assim tão pessoal. Fato comum.REGISTROS CASO 1 O seguinte caso trata-se de meu primeiro atendimento. Ambos consistem de bons exemplos em que a escuta tornase impossível quando a ansiedade encontra-se presente. é possível que haja uma maior interação com o paciente de modo a facilitar sua expressão. Tudo o que fora aprendido formalmente é aparentemente esquecido. Nesse sentido. 18 . Nestes. se pode ser analisado de diferentes ângulos. Diferentemente dos demais atendimentos.” (Macedo. na clínica infantil é necessária uma postura mais ativa do profissional. Por meio dessa. olhares. brincadeiras. poderemos observar equívocos não apenas em minha atuação. sobretudo. por meio deste. p. Dessa forma. então não se trata de negá-lo ou justificá-lo de maneira complacente. O importante é sabermos a serviço do que está a correção e qual o seu sentido. é algo extremamente distinto de sua execução. o momento inicial da construção de minha identidade prof issional. 1. como servem de condição fundamental para a sua ocorrência já que. em especial. a paciente de quatro anos e oito meses de idade. gostaria de aproveitar o registro de meus dois primeiros casos de atendimento infantil e transformá-los num breve artigo no qual pretendo expor minhas angústias e frustrações sentidas diante de contextos nos quais teoricamente verificaríamos a presença de erros. inevitavelmente. sobretudo por profissionais. além de uma. Dentre elas podemos citar os desenhos. p. transformando-o em uma situação de aprendizagem. Afinal. Minha grande inibição diante de crianças consistiu no principal elemento da trama que será brevemente relatada. Estes deslizes são pouco relatados na literatura. como também em minha própria avaliação dos fatos naquele momento. sob o âmbito teórico. o processo de aprendizado parece sofrer um retrocesso. apesar de sua grande importância.122) bem esclareceu a importância do processo pessoal do terapeuta . gostaria de. Segundo o relatório da enfermeira. que o psicólogo depara-se com seus limites humanos. Mas ele só pode fazer isso a partir de seu próprio centro pessoal. Ciente dessa inevitabilidade de dificuldades que perdurarão ao longo da prática de todos os profissionais psicólogos.UMA EXPERIÊNCIA MALOGRADA DE ATENDIMENTO INFANTIL Priscila Said Saleme* I . Digo dificuldades iniciais por estar ciente de que a cada contato com um paciente. A dificuldade em aceitar nossos erros ou incapacidades de escuta torna-se uma justificativa plausível para compreendermos tamanha escassez de seus relatos. em atendimentos infantis. foi meu primeiro contato com um paciente. já que. mas de problematizá-lo (grifo meu). portanto. de coração aberto a coração que vai se abrindo (.INTRODUÇÃO Tendo em vista as inúmeras publicações de casos de atendimentos bem-sucedidos. ou melhor. novos desafios haverão de surgir. além das próprias dificuldades que toda situação de escuta em si oferece. que me proponho a registrar minhas dificuldades iniciais. Com essa finalidade. nem de evitá-lo por meio de punições. chegou às 21 horas do dia 29 de janeiro de 2003 em companhia Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. 1994. Ano 1. Amatuzzi (2000. fica difícil”.75). Além da alta ansiedade. E é nesse momento de encontro com a realidade sob uma nova óptica.). é exigido do psicólogo uma habilidade de decodificação de várias outras linguagens além da fala. o silêncio. Jan-Jun 2005.

Disse ser uma boca má. Apesar de meu receio em atender crianças pequenas. Jan-Jun 2005. Na terceira folha. apenas a segunda permaneceria com a criança. Sacolas. mas uma janela. O guarda-roupas e a televisão transformaramse num avião. Após alguns instantes. Igual a quem?. Pediu -me para desenhá-la novamente. Indaguei quem seria o dono da boca. No momento não pensei na possibilidade de a garota estar discordando do pai e somente perguntei se ela não queria mais voltar lá. A garota aparentou compreender a diferença. A criança começou a falar da nuvem. Mais uma vez circulou o desenho e acrescentou-lhe um chão. Indaguei acerca da origem da televisão. corrigiu -me afirmando que viera de ambulância e não de carro. vi-me obrigada a fazer alguma coisa. vários elementos foram introduzidos. Belo Horizonte. do BOCUDO. mas continuou ansiosa. Disse-me que eram duas televisões e traçou uma reta ligando-as à anterior. Disse-me que esta nos deixa no escuro. quando seu pai não estava presente e colocou uma espada em seu peito. por motivos desconhecidos. “Aí eu peguei a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Dois dados foram considerados relevantes na papeleta médica além do diagnóstico: o fato de a garota encontrar-se chorosa e em soroterapia. assim como a maioria das crianças daquele andar. n. A menina não respondia. Uma resposta mais pertinente ainda foi-me devolvida: “O chão é para andar. Após a saída do pai. sugeri que ele passeasse um pouco enquanto eu ficava com Joaquina. Olhou para a televisão e começou a copiá-la. Demonstrei com a caneta posteriormente. Pensei que se tratava do desejo de ir embora do hospital. Logo. Em seguida. Depois acrescentou um sol. no entanto. Esta afirmou que trabalhava na escolinha. Em seguida. Minutos depois de chegar à enfermaria. uma intervenção do pai desviou o assunto. Tratava-se do momento em que a enfermeira deveria aplicar a injeção no cateter. algumas alças foram acrescentadas.V.da mãe e da tia. questionei sua finalidade. abaixo dela. Esta logo se prontificou a desenhar. o pai enfatizou algumas vezes que a tiraria da escola já que a garota demonstrava não gostar de lá. Indaguei-lhe sobre o que o desenho havia se transformado. 19 . Ela não me pareceu incomodada com isso. Desenhou quatro bolinhas e afirmou que não era mais uma porta. esboçou um rosto feliz. Posteriormente. Achei pertinente (agora ciente de que se tratava apenas de meu desejo) perguntar-lhe sobre o chão. “Para i r trabalhar” (sic). Acredito que sentiu que eu realmente estava interessada em seus desenhos e lhe dando atenção. Ano 1. “O sol faz xixi e cocô” (sic). induzia constantemente as respostas da garota. Questionei a localização da porta e o pai interviu: “É da escolinha. com muita dificuldade. Respondeu-me que era de sua casa e que. Contoume uma história sobre o bicho-papão. “Igual ao sol. A garota fez uma analogia entre este veículo e o carro que lhe trouxera ao hospital. Ela pensou um pouco e concordou. uai” (sic). Quanto à patologia apresentada. o que poderá ser confirmado posteriormente. Quando repeti o que ela me havia dito.1. Pediu -me para também desenhar a chuva. Vol. Após pedir-lhe para contá-las e reforçá-la por tê-lo feito corretamente. havia um guarda-roupa. respondeu. “Um avião que leva a gente até o céu” (sic). “Viu? Aqui (pele) você sente meu dedo. ao contrário. filha?”. um armário foi feito por baixo dela. acomodei-me na cadeira em que ele se encontrava e a garota iniciou um novo desenho. Por cima deste. Afirmou ser do sol. diante da situação de urgência. Custava a desenvolver o assunto e. Confesso que a cada desenho procurava por oportunidades para que a criança falasse algo e não me dava conta de que ela já estava me dizendo muito e eu não estava conseguindo escutá-la. nada doeria. No entanto. Nesta. A partir daí. A menina. “ Doeu muito” (sic). gritava e esperneava muito. Este viera à noite. disse. observei que uma garota chorava desesperadamente. fez um retângulo com dois quadradinhos. Averigüei se havia uma correspondência com o aparelho do hospital. não” (sic). Tal aspecto pode ser considerado relevante para o fortalecimento do vínculo estabelecido. Posteriormente mencionou a injeção tomada no momento de sua chegada. Apresentei-me ao pai da criança e ofereci meu caderno e caneta à pequena. Indaguei-lhe acerca do desenho e ela respondeu-me que se tratava de uma porta. 1. indaguei. ué!”. Circulou seu desenho e desenhou uma bolinha na parte inferior do papel. Depois fez um X em cada buraco. Respondeu-me negativamente. O pai demonstrou-se surpreso e somente nesse momento percebi que ele estava me atrapalhando. “É para proteger da chuva”. A princípio Joaquina começou a desenhar um retângulo com uma bola. me olhava nos olhos. fez o mesmo na superior. Depois desenhou um X sobre a porta. mas aqui (cateter). Mudou de assunto mais uma vez pedindome que desenhasse uma sombrinha sobre a T. no entanto. aquela tinha pneumonia. uma enorme boca. Procurei mostrar-lhe que nada doeria espetando-lhe a pele com a unha e depois tocando o cateter. Por instantes suspeitei que havia algo de errado por lá. Posteriormente. Aproveitei a oportunidade para retomar o assunto da injeção na sonda.

Jan-Jun 2005. 1. O que determinou o total fracasso de meu atendimento. completou que gostava de levar couro.espada dele e esfaqueei ele” (sic). de um amiguinho na escola. então. Continuou dizendo outras coisas que tive muita dificuldade de compreender. Belo Horizonte. CASO 2 O segundo caso. Pedi que me contasse o que estava fazendo. p que falou que queria or tanto ir embora?” A garota não respondeu. Durante o atendimento infantil. atentei-me ao comportamento de ambos que expressaram uma grande alegria naquele reencontro. Todavia. 3 .CONCLUSÃO Um equívoco central presente em qualquer espécie de atendimento consiste na necessidade do psicólogo em compreender o paciente . Voltei-me. Não obstante a minha dificuldade em apreender o conteúdo que ela trazia. Sugeri que ela desenhasse em meu caderno. apontei a contradição de seu discurso: “Mas se você quer tanto ver o seu pai que vai chegar daqui a pouco. Em várias páginas esboçou figuras diferentes. Lamentavelmente. Observei que ele portava uma aliança e que se referia à mãe da garota enquanto sua esposa. Em um dado momento. Pareceu-me que ela também arranhava as outras pessoas. Na seqüência delineou um tronco e esboçou um rosto. Deduzi que se tratava de uma pessoa gorda. o que me fez sentir ainda mais desconfortável. Disse que era o “bola 7”. Em seguida. Acrescentou um penico abaixo do sol. Ademais. o que pode ser confirmado pela necessidade em compreender a lógica do que estava sendo relatado. é perceptível a presença de uma resposta induzida nesse caso. Esta. rabiscou sua parte direita que correspondia ao membro direito da pessoa. sugeri que desenhássemos. Num dado momento. parecia ter a língua presa. A garota indicou que sim e logo mudou de assunto. Movimentei a cabeça indicando que sim. Ela preferiu desenhar em seu caderno. Somente naquele momento consegui admitir que o atendimento nem sequer havia começado. Entretanto. ficava mais ansiosa e escutava menos ainda a garota. Ao longo do atendimento continuou a trazer outros conteúdos que não mais me recordo. pertenciam ao bicho-papão. Percebi que não havia lhe escutado em nenhum momento. Falou. Quando indagada sobre onde o pai estaria. Mais uma vez citou a história das facas. Imediatamente fiz uma infeliz intervenção: “Você se arranha. Quis ficar por algum tempo de modo a esclarecer o que a garota relatara. Ano 1. Fechei o caderno. Até que seu pai chegou. assim como no anterior.1. passei pelo leito de modo a averiguar a veracidade daquela boa aparência. Ela olhou-me concordando. Sua avó perguntou-lhe do apontador e a garota disse que aquele havia sumido e ela ia “levar couro”. um fator inibitório da escuta. Este se demonstrou surpreso e perguntou se ela tinha inventado aquilo. Diante disso. procurei confirmar se havia ouvido direito. À medida que o tempo passava. a ponta de seu lápis quebrou. Retomando o fato inicial do atendimento. dado o caráter da pergunta. No entanto. Num dado momento. Insisti em continuar o atendimento. à pequena procurando compreender melhor o que se passava. Em seguida. Após tais experiências. Tal compreensão é. em que os conteúdos são pouco expressos por palavras. Assim como ela própria pretende adquirir uma. a garota apresentou-se ansiosa pela espera do pai que lhe visitaria naquela tarde. afirmou que também lhe daria uma faca para se proteger do “bocudo” (bicho de boca grande). pertenciam ao bicho-papão. essencialmente. tratase de uma paciente de quatro anos e oito meses de idade. Era um dos poucos que ainda escrevia. Carolina?”. tampouco suas explicações. Meu desejo estava constantemente presente. a garota parecia estar bem. Muito assustada com aquela frase. perguntei se ela gostava também de arranhar o pai. sorridente e comunicativa. não conseguia compreendê-la. No entanto. após escutar o pai. n. Olhos grandes que. pude observar que Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. encerrando o atendimento. segundo ela. Como procedimento de rotina. Ela apresentava alguma dificuldade para pronunciar as palavras. desenhou um vaso e o suporte para o penico. Começou desenhando alguns círculos. Vol. não conseguia identificar nem as formas. Perguntei-lhe a razão e ela me disse que gostava. logo começou a conversar. apresentei-me à avó da criança que logo me informou o desejo da neta. 50 minutos já haviam se passado e eu já estava esgotada. segundo ela. Por várias vezes lhe pedi que repetisse suas frases. mesmo não compreendendo quase nada. Falou-me de seu desejo em dar à mãe e irmã uma faca para se protegerem do bicho. Voltou a fazer referência ao ser assustador por meio de olhos grandes que. Voltando ao desenho. Visto assim. Explicou-me que era para ele fazer xixi. fixei-me no fato de ela gostar de levar couro. “Ela quer voltar para casa agora” (sic). portanto. 20 . é necessária uma maior atenção a diversos outros detalhes. Preocupei-me em esclarecer isso de modo a compreender a dinâmica familiar da paciente.

2000. São Paulo: Martins Fontes. àquelas pessoas que estejam prestes a lançar-se em suas primeiras experiências. percebemos que a confusão é necessária quando se objetiva uma eficácia no atendimento. Pontalis e Lagache (2001). Ciente de todas as limitações. 2000. a existência de “Conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e. Numa situação como esta. ao contrário.AMATUZZI.ed. 4. sobretudo. Pensando nesse aprendizado.a atividade do psicólogo durante o atendimento não consiste numa condução do conteúdo a ser abordado. sobretudo.1. na clínica infantil. Mauro Martins. E-mail: pricasaleme@uol. segundo Laplanche. como um todo. Jean. Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair na voz. Tudo o que se deve buscar num momento de escuta é um sentimento essencial de conforto perante aquele que pretende ser escutado. Manoel de. sendo a habilidade de fazer interpretações algo que requer um grande estudo e reflexão diante daquele caso. 1994.ed. Por uma psicologia humana. enquanto meu desejo de escutar ainda estiver presente. Jan-Jun 2005. encerro aqui a primeira etapa do registro de meu processo enquanto terapeuta. por já ter realizado bons atendimentos com adultos. PONTALIS. Por 1 sermos pessoas.MACEDO.br Termo utilizado por Freud para apontar. Campinas: Alínea. é possível perceber que ela livre associa ainda que não apenas por meio da linguagem verbal. A atuação do profissional prescinde. Por várias vezes questionei se deveria desistir de tais tipos de pacientes concluindo que não conseguiria jamais escutá-los. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ao contrário do que se costuma pensar. portanto.BARROS. 1. Belo Horizonte. o que pode parecer confuso sob um olhar leigo ou desatento.” (Manuel de Barros. Rio de Janeiro: Record. Pensava nisso. e nosso instrumento de trabalho consistir de nossa própria subjetividade. 2 . mas daquilo que está além dela: “Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto às três horas da tarde. a agilidade em devolver as questões levantadas e a tentativa de acompanhar um raciocínio extremamente rápido consistem de habilidades dispensáveis diante da inexistência de uma escuta. No entanto. n. é impossível vislumbrar a possibilidade de padronização de atendimentos. afirmo com muita alegria que.. da escuta flutuante. sobretudo. que os vejam enquanto possibilidades de imensas contribuições e reflexões.LAPLANCHE. Lino de. O LIVRO DAS IGNORÃÇAS) 4. no mês de agosto. Vol. no entanto. 21 . grandes equívocos acabam ocorrendo de modo a comprometer a atuação de um profissional. O livro das ignorãças. percebi que se trata de uma forma não convencional de atendimento..ed. B. LAGACHE. 4 . 8. persistirei. São Paulo: Casa do Psicologo. ela fazia estágio num hospital infantil sob supervisão de Susana Alamy. Na época em que o artigo foi redigido. 4. à transferência deste”. a possibilidade de identificar previamente a existência de dificuldades comuns é um importante meio de se evitar uma repetição dos mesmos pelos estagiários atentos. Afinal. J. Vocabulário da psicanálise. Daniel. Ensaios construtivistas.com. como diria alguém que não entende apenas de poesia. Afinal. O único equívoco presente na postura de um psicólogo é a incapacidade de compreender suas limitações ou contra-transferências1 enquanto possibilidades de crescimento profissional. mais particularmente. 3 . 2001. período de psicologia na UFMG. Por outro lado. Atentando-nos mais à criança. Ano 1. quando avaliamos o que é expresso sob a perspectiva do inconsciente. o que requer um intenso aprendizado.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . na esperança de que outras pessoas se disponham a fazer o mesmo. Hoje eu desenho o cheiro das árvores. Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca. _________________________________________ * Priscila Said Saleme é estudante do 6o . Digo isso por ter plena consciência da importância de que os psicólogos não se envergonhem de seus impasses clínicos.

Então ele verbalizou com dificuldade: “Então estou morrendo”. peguei a mão dele e fiz meu papel. Palavras Chave: CTI. 24h. Vêm chamar a atenção de todos os profissionais desse setor principalmente no psicólogo hospitalar e toda a equipe multidisciplinar. paciente e sua família são privados de afeto. E dá as costas e sai. Levantei-me da poltrona sentei na beira da cama e disse-lhe: . estendeu a mão e disse-me com um tom. Ano 1. o desespero. É exatamente nessa hora que verificamos um buraco. que tem como função minimizar a angustia. seja ela qual for. Vol. Psicólogo hospitalar. do lado psíquico de tudo que é essencial a um ser humano. tive que fazer o papel do psicólogo. no caso.CTI significa Centro de Tratamento Intensivo. você vai para o CTI. por dia. afetivo e emocional do paciente pois mesmo estando sedado não morreu. antes de tudo você é a família desse paciente? A família todinha com o nível de stress e um sofrimento indescritível e verbalmente expressando seus sentimentos: “CTI. do seu objetivo. na maioria das vezes.1.Seu pai tem que ir para o CTI daqui a alguns minutos e logo o enfermeiro vem buscá-lo. que está bem assistido. Jan-Jun 2005. tendo. Onipotência. eu respirei fundo. esse que está naquele local e não sabe onde. Ele balançou a cabeça. E o lado emocional desse paciente e principalmente dos seus familiares? O medo. O paciente está consciente e escutando tudo o que o médico está me falando mas não direcionou a fala instante algum a ele. um médico e toda a aparelhagem necessária. Mas como ser profissional.SENTIR NA PELE Michele Costa e Silva* Este artigo tem como finalidade estimular reflexões à cerca da psicologia hospitalar no ambiente de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). dei a noticia fazendo com que ele compreendesse o que é de fato o CTI. Mas. pois acabam centralizados no biológico e equiparando. 1. lá você terá uma enfermeira 24 horas para você. não posso ficar lá com você. não se esquecendo o lado psíquico. atenta a qualquer movimento do paciente. uma falha de milhares de hospitais e de vários profissionais de psicologia que atuam em hospitais. uma profissional de psicologia. o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.Pai. aos médicos e sua equipe e se esquecem da psicologia. Paciente. para viver além do lado biológico. de carinho. exatamente. mais forte que o anterior: “então vamos CTI – CENTRO DE TRATAMENTO INTENSIVO Sabe-se muito bem o significado desta sigla CTI racionalmente temos a certeza que este é o local adequado a um paciente que necessita de cuidados especiais. se não fosse eu. e o porquê. vai morrer”. a dor e dar suporte principalmente para o paciente e sua família. porque você não está conseguindo respirar sozinho por enquanto. porque no ambulatório do hospital não tem este serviço e não tinha outro que fizesse. n. enfermeira. Belo Horizonte. ele iria sem saber o que estava acontecendo e com um grau de angustia e medo altíssimos. apoio necessário e assistência psicológica a este paciente mas também aos seus familiares que se encontram fragilizados com a doença. o CTI é o melhor lugar para você ter um atendimento especializado. CTI. de todos estímulos. E. que o foco é o paciente biológico. o porque de sua transferência e estada lá. ele está morrendo. igualando. verbalizam: “Se está no CTI não tem mais recurso”. Eu disse-lhe: . 22 . infelizmente. Família. as fantasias que se têm em relação ao CTI? Familiares. por isso necessita de aparelhos. Que dêem atenção maior. A VIVÊNCIA No hospital um familiar. ou seja. os familiares desesperam-se. do toque. médicos e toda uma grande equipe multidisciplinar. Fazer com que eles consigam ou não somente centralizar todo o tratamento do paciente exatamente no biológico (sabe-se que é o foco do CTI). naquele corredor frio a espera de uma noticia. Local onde realmente mora a morte ou onde ela ronda. o qual. se na realidade. especificamente em CTI. num cenário mórbido e cheio de fantasias a respeito do CTI. e o médico chega com toda sua frieza e jactância e me diz: . Nesse momento. e lá do lado de fora. você é profissional ou familiar? Então. principalmente. lugar gela do tanto no físico como no afetivo. E você ali. um algo que os tirem da “ignorância” com relação ao seu familiar lá dentro. e sem deixar transparecer o meu enorme sofrimento e desespero: Naquela hora. ausência de contato com o mundo. o grau de angústia eleva de maneira súbita. meu pai. nesse caso.

eu. Eu ligo e a telefonista atende. acho que consegui fazer meu papel. como todo ser humano. A psicóloga veio e entregou-me os pertences do papai e despediram-se (médico e psicóloga). eu lhe disse que estavam aguardando no ambulatório. o mais importante. aí disse: . mas. nos seus medos. Entrei. paramos. do apoio familiar. Resultado: noite em claro. O médico vem. pelo seu sofrimento. Meu DEUS. mas não te prepara para a entrada no CTI coletivo. que às 21h. extravasar meus sentimentos de medo. e ela mesma diz: “o paciente está gravíssimo e estável”. desespero. tive a certeza que ali é o próprio inferno (o inverno é gelado). que informação! Que informação é essa!? Ao invés de acalmar a família. desesperada e vivendo na terrível ignorância. Então ela disse que se caso eles precisassem dela para que a procurassem. tem que dar uma atenção maior à família. uma pessoa que já conhecia um CTI. fui ao seu lado. que noticia é esta. o sofrimento dos outros. Longe. ainda quentes com o calor do seu corpo.mesmo que essa família sofra é essencial para o paciente. Chegando na porta. tive certeza que aquele é o corredor do inferno. ou seja. n. peço para falar no CTI. Como fica essa família. Deus. naquele lugar impessoal. e para os familiares? Esses. sem informações. São 21h. Mesmo que você consiga pegar na mão do paciente (sabendo que mesmo este não se manifesta por estar sedado. castrado do carinho. fez seu papel na hora errada e com a pessoa errada. E. contido. hora do boletim médico. perguntou sobre a minha família. mas pelo lugar. mas aquele corredor gelado em instantes me tirou o calor do corpo dele. Meu coração dilacerado.1. mas que nunca teve um familiar lá. dei a noticia e consegui diminuir o grau de angustia e ansiedade. e. ele está sentindo sua presença familiar. com todas as regras que são necessárias para preservar o paciente. O enfermeiro diante do leito. disse: “olha. Vol. abracei. que tem vivência em um hospital. ajudei a colocá-lo na maca e disse: Vamos pai. ela ainda insistiu duas vezes se eu tinha entendido mesmo (por favor.” Nesse instante. e logo desliga o telefone na minha cara. mas quando entrei e vi todos aqueles doentes. estou aqui com a certeza que estarão fazendo o melhor para você e estarei aqui te esperando sair. seja o tempo que for. insegurança. de mãos dadas com papai. amarelo. 1. em alguns lugares. super magro. e isso eram exatamente 15h. colocar tudo para fora. de mãos dadas. nunca subestimem a sabedoria do outro). mas não podia. de dar um apoio. 23 . disse que sim. enquanto a psicóloga só serviu de dama de companhia? Acredito. cheio de aparelhos. com todos aqueles termos técnicos e com toda a onipotência. era para ligar e tomar conhecimento. Falou que não poderia dar maiores informações e que estava fazendo v ários exames nele. Ano 1. Sabe-se que o CTI é o melhor para o paciente. que passar segurança para o papai. Na seqüência apareceu o médico chefe do CTI. Belo Horizonte. tenho certeza). Eu. haveria o boletim médico. naquele corredor frio e impessoal. até a porto do CTI. chega o enfermeiro e diz: Vamos senhor. que estava sentindo tudo e todos tipos de sentimentos misturados como qualquer outra pessoa. disse que o corredor do CTI era o corredor do inferno. Sinceramente. pela proximidade da morte. na falta de informação que se tem ou quando se tem incompleta e fria. despedaçada. de tudo que é essencial para o restabelecimento do próprio. Horário de visita no CTI. aparelhos e principalmente o papai inconsciente. sou sua colega e sei de tudo que você esta falando. E para mim é muito clara a enorme importância da presença da família. a sensibilidade de enxergar que eu estava ali sozinha e que era a família do paciente. ela pergunta o nome do paciente. fala do boletim médico do dia.25min. Anteriormente. Imediatamente veio a psicóloga do CTI explicar-me como era tudo e disse tudo que deveria ter falado para o paciente. então. tem-se a impressão de despedida. obrigada.Vai papai.. Nesse instante. ali. Fomos para casa com a ignorância dos acontecimentos. com muito carinho. essa segurança que ninguém da família conseguiria por tanto desespero. principalmente.” Ela sorriu e disse então: “você não precisa de mim. eles desesperam-nos ainda mais. Minha vontade era de entrar como uma louca naquele lugar e ver tudo o que estava acontecendo e ficar grudadinha com o papai. Peguei os pertences dele. Jan-Jun 2005. não só pelo sofrimento do seu familiar. tinha. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. mas como filha queria chorar. ainda necessitando de um apoio psicológico. E a família quando sai do CTI e deixa seu ente querido lá? A impressão que se tem é que o restante de força e de esperança ainda existentes são sugadas por uma força inexplicável. respeito e sou uma admiradora amante da psicologia hospitalar. uma parte de mim entrou com ele. na frieza dos médicos e da sua equipe. na ignorância do diagnostico. mas ela ainda. Nesse momento. Essa profissional não teve o tato.filha”. Quando terminou de falar perguntou-me se eu tinha entendido. na pura ignorância do diagnostico do paciente lá dentro.

E que principalmente podemos. aquele que é realmente um “profissional”. firmeza. aparecem alguns sentimentos inexplicáveis como: mal-estar. e do papel do profissional passa a ser o familiar do paciente? O que se espera desse profissional? Todos enxergam-no como uma rocha que consegue segurar a barra tranqüilamente. elaborar suas questões diante dos sentimentos “proibidos”. ele necessita extremamente da ajuda de um outro profissional da sua área? Então. reconheça o INDISPENSÁVEL papel do profissional de psicologia no âmbito hospitalar. para r epresentar seu papel de maneira adequada. e até nós mesmos tentamos ser realmente uma pedra. ou qualquer outro órgão da área de saúde. não podendo se dar o “luxo” de ser um ser humano como outro qualquer. Belo Horizonte. Ano 1. responsabilidade e realiza seu papel da maneira mais adequada e ética possível. dos medos. nós ainda sofremos com criticas do tipo: que profissional é esse que não consegue segurar a barra? Ao invés de dar suporte para família. para não decepcionar o outro. 1.com. deixar de ser profissional e ser “paciente ou familiar de paciente” e permitir que cuidem da gente. tristeza.fazer com que o hospital. Vol. n. às vezes. uma reflexão a ser feita por nós psicólogos e principalmente “hospitalar”: somos preparados para proporcionarmos qualidade e dignidade de vida. dar apoio aos pacientes internados e seus familiares e não “robôs”. sem sentimento e envolvimento algum.1. Temos a cada dia que conquistar efetivamente o nosso espaço com a eficiência do nosso trabalho realizado com ética e profissionalismo. e quando esse profissional vive.. É claro que. Só que ele tem que manter a sua postura profissional. em uma situação delicada de CTI. age com prudência. aqui. É obvio inicialmente. Além do sofrimento do familiar. mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Jan-Jun 2005. como eu vivenciei. PROFISSIONAL/FAMILIAR O psicólogo. deixo. Finalizo este artigo deixando uma questão: Como fica o paciente e a sua família psicologicamente? Paciente e família que sentiram na pele uma experiência dessa. 24 . sente na pele. sim. tranqüilidade. da angustia.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Mas. que acontece todos os dias nos hospitais e que infelizmente não recebem apoio psicológico nenhum??? ________________________________________ * Psicóloga clínica E-mail: michalycosta@hotmail. impotência. então desmoronamos. vontade de chorar e medo da perda. o envolvimento com o paciente.

a larger understanding and acceptance of his disease. can influence in the Humanization. incluindo o Projeto do Ministério da Saúde sobre Humanização Hospitalar. quer seja pela própria Instituição. conhecer as propostas do governo e o projeto de Humanização Hospitalar do Ministério da Saúde. poderíamos deparar com uma desordem higiênica provocada pelos velhos hábitos coloniais impondo novas formas de agir e provocando o surgimento da medicina higiênica Estamos vivendo no século XXI! Já vimos tantas evoluções. proporcionando ao indivíduo. ABSTRACT The present work intends to talk about the effort that it had been seeing in the sense of the Humanization of the Hospitals. À Psicologia . colaborando desta forma para o seu restabelecimento. hospitalization. envolvendo toda equipe de profissionais da saúde.1. É um avanço tão grandioso que nos apaixonamos pelo tema a ponto de nos atrever a desenvolvê-lo em nosso trabalho! É um tema polêmico? Sim. hospitalização. uma maior compreensão e aceitação da sua doença. que sofre. fragilizado pelo adoecer físico e pela hospitalização. atuação psicológica. Lançando mão. We also intend to show as the psychologist’s performance. in the hospital context. Se voltarmos um pouco no tempo e pensarmos num Brasil de séculos passados. mas ela me dói. realmente é. Vol.A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA PARA A HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR* Leida Mirian Hercolano Pinheiro** A dor do outro não é a minha dor. foi como se pudéssemos estar presentes onde os projetos são implantados. E o Hospital. Utópico? Não. uma vez termos tomado conhecimento dos grandes avanços e resultados. 25 . tantas mudanças! Fala-se hoje sobre Humanização Hospitalar. Ano 1. se todos quiserem colaborar. pois . collaborating for his re-establishment. psychological performance INTRODUÇÃO O ser humano é um ser social. de produzir cura ou um lugar para se morrer? Por que se fala em Humanização? Já não estaria o Hospital Humanizado? Qual o papel que o psicólogo pode desempenhar neste contexto? Estas questões despertaram em mim o desejo de ampliar meus conhecimentos teóricos. Pretendemos também mostrar como a atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode influenciar na Humanização. passamos a atribuir-lhe Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. acima de tudo. o homem continua sendo humano. então. abandoning his passivity. uma vez se tratar de um processo contínuo. Vidas humanas. então. taking the responsibility for his existence and developing the cure desire. Um Hospital constitui-se por um espaço essencialmente coletivo onde transitam. Porém. because maybe it is that challenge even larger than to build or to equip hospitals. Com esse objetivo tomamos como suporte teórico-metodológico o material bibliográfico existente sobre tal assunto. apesar dos avanços. do médico da família que atendia em casa. subjetivo. através do vasto material encontrado. providing to the fragile individual for physical getting sick and for the hospitalization. de altas taxas de mortalidade infantil e chegamos a hospitais dotados de novas e altas tecnologias. Palavras-chave: adoecer. finito. pessoas das mais variadas individualidades. que sente dores e. Key-words: to get sick. ver sonhos se tornando realidade e esperanças cada vez maiores. abandonando a sua passividade. humanization. for the team and even for the own Government. o que seria? Um instrumento terapêutico. Já saímos do período colonial. talvez. uma vez que simultaneamente a este trabalho estive em contato com Hospitais e notei o desejo e a garra de todos os profissionais no sentido de promover um Hospital melhor. humanização. Belo Horizonte. (Coppe) RESUMO Com este trabalho pretendemos tratar do empenho que se tem visto na Humanização dos Hospitais. cura. dessa pesquisa bibliográfica. assumindo a responsabilidade pelo seu existir e desenvolvendo o desejo de cura. for being a continuous process involving every team of health professionals. pela equipe e até pelo Governo. com suas particularidades e subjetividades. trabalham. 1. Não se pode pensar num sujeito sem uma coletividade nem numa sociedade sem sujeitos. cure. Jan-Jun 2005. recebem cuidados ou fornecem cuidados. Para a construção de uma sociedade há um envolvimento de vidas de inúmeros indivíduos. for the own Institution. n. seja esse desafio até maior que construir ou equipar hospitais. das parteiras.

e no terceiro capítulo . então. Ano 1. ou seja. 26 .23) Quando o hospital surge como um instrumento terapêutico? Um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente? Um instrumento para produzir a cura? Nestes termos o hospital só surge no final do século XVIII.. Aliadas a essa assistência vinham a separação e a exclusão. que faz com que o grito de dor do paciente seja. a pedido da Academia de Ciências. Transformar especialmente dois estigmas com os quais o psicólogo hospitalar convive: “o hospital é o lugar do médico” e “o médico é o dono do doente” (Leitão. Humanizar é também Conhecer as limitações do ser humano e a sua finitude (. Nesta época. Agora. entre 1775 e 1780. CAPÍTULO 1 BREVE HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR COMO INSTRUMENTO DE CURA E OS PRIMÓRDIOS DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A saúde é um valor e um bem tão extraordinário. o movimento no interior do hospital. uma vez que ela é um atalho. produz efeitos patológicos. para um bem estar de todos? Afinal. Desta forma. no entanto. p. Se há milênios existiam hospitais para curar. no final do século XVIII. procuramos dar uma breve visão do histórico da Instituição Hospitalar e da Psicologia Hospitalar no Brasil. p. um caminho mais curto. Belo Horizonte.1.80).papel importantíssimo dentro de um Hospital. a trajetória da roupa branca. 2004. Compreendia conhecimento de textos e prescrições de receitas. a função do hospital a transição entre a vida e a morte. Nada na prática médica dessa época permitia a Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Ele era qualificado pela transmissão de receitas e não pelas experiências que ele havia passado e assimilado. a taxa de mortalidade e a de cura.) nenhum plano arquitetônico abstrato pode dar a fórmula do bom hospital. que seu conceito se torna complexo. realizadas através de “viagens-inquéritos” pelo inglês Howard e pelo francês Tenon. o hospital era visto c omo um lugar onde morrer. sobre o papel do psicólogo nesse processo. uma série de longas observações sistemáticas e comparativas. A medicina dos séculos XVII e XVIII era individualista. A função do hospital era então dar os últimos cuidados e o último sacramento. p. A experiência hospitalar era excluída da formação do médico. Era uma instituição de assistência aos pobres. na Europa.. Isso porque acreditamos que ao paciente pode lhe ser oportunizado o direito da fala e da escuta. Este é um objeto complexo de que se conhece mal os efeitos e as conseqüências. Não se tratavam mais de relatos e descrições de monumentos como os dos viajantes clássicos dos séculos XVII e início do XVIII.) nenhuma teoria médica por si mesma é suficiente Os relatórios de Howard e Tenon davam poucos detalhes sobre a parte externa do hospital ou sobre a estrutura geral da obra. Se este.100).. Portanto. (Mezzomo et alii 2003. em diversos países. discorremos sobre o processo de Humanização em si. Assim. p. Jan-Jun 2005. Por que não usarmos todos os saberes canalizados para um só fim. entre outras. 1. Tenon era médico e Howard pertencia à categoria dos filantropos. a relação entre o número de leitos e de d oentes com a área útil do hospital. n. no segundo capítulo. sua atividade se resumia em serem caridosos para conseguir a sua própria salvação e garantir a salvação da alma do pobre doente.) possibilita recriar e transformar.. pelo menos escutado.. desde a Idade Média. A finalidade dessas “viagens-inquéritos” era definir um programa de reconstruções dos hospitais e essa época foi marcada pelo slogan “São os hospitais existentes que devem se pronunciar sobre os méritos ou defeitos de um novo hospital” (Foucault. para definir um programa hospitalar. que age sobre as doenças e é capaz de agravá-las. 1993. eram descrições de funcionamento: número de doentes por hospital. não era um meio de cura e não era conhecido para curar. o pessoal da área hospitalar não tinha como objetivo curar o doente. Até o século XVIII. multiplicá-las ou atenuá-las (Foucault. Um morredouro. Não seria.) e conviver com essa finitude(. é um direito e um dever de cada um. estes devem ser modificados.. (. O hospital que funcionava na Europa. O pobre doente era contagioso e o hospital o recolhia e protegia os outros desse perigo. surge um novo olhar sobre o hospital. o usuário ideal do hospital era o pobre que estava morrendo e não o doente que precisava curar-se.79). porque sua abrangência parece não ter limites e. Vol. o presente trabalho divide-se em três momentos principais : no primeiro capítulo. 2004. Esses relatores não são mais arquitetos. Houve nessa época. de salvação espiritual e de separar os indivíduos perigosos para a saúde da população? Onde estaria a função médica? A prática médica não era uma medicina hospitalar. (.. se não compreendido em toda a sua extensão. descobriu-se que não curavam tão bem.

p. Não parece um paradoxo falar em Humanização Hospitalar quando o hospital já se trata de uma instituição para humanos? Por que um programa de humanização nos hospitais? Já não estaria o hospital.1. Paris e outras cidades. humanizado? Na verdade. ele é encaminhado a ela por humanos.. um grande tráfico de mercadorias. Podia se ver em hospitais marítimos de Londres. objetos preciosos. a vigilância. onde o seu trabalho teve grande repercussão passando a figurar além da Psicologia Hospitalar na Psicologia do Brasil propriamente dita.. Como pôde o hospital ser medicalizado e a medicina tornar-se hospitalar? Procurou se anular os efeitos negativos do hospital e introduzir normas disciplinares. das mais simples às mais complexas. Assim. é cuidar da saúde da comunidade..) de modo que o quadro hospitalar (. Ganhou reconhecimento da comunidade científica e notoriedade das diversas profissões. Ano 1. publicações e eventos científicos. bondoso” (Koogan/Houaiss.52) Com o decorrer do tempo. a psicologia passou a fazer parte do contexto hospitalar. p. (Mezzomo et alii 2003.) seja um instrumento de modificação com função terapêutica. peças raras etc.organização de um saber hospitalar. No Brasil. então. 27 . Este cuidar acontece dentro de um campo que nem tudo pode ser codificável e previsível. livrando-se desta forma da alfândega. Todavia. Não é porque nele convivem seres humanos que é humanizado. força e apoio para uma assistência digna. em 1974. atualmente divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP . Vol. nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas que se repetem sempre da mesma forma. ajustados. especiarias. Esses dois processos. O seu trabalho consistiria tanto em preparar os pacientes para a intervenção cirúrgica como para a recuperação após a cirurgia. além do seu objetivo de tratar as doenças. promovido pelo Hospital das Clínicas da USP-SP e também sob a responsabilidade de Bellkiss Romano o I Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar. n. O traficante fazia -se de doente e era levado ao hospital com o material escondido. Em 1957.445). A razão de existência de um hospital. Há portanto. Bellkiss Romano é convidada e já em 1976 é responsável pelo primeiro curso de Atuação do Psicólogo em Hospital oferecido pela PUC-SP. 2004. No ano de 1954. Mesmo que o doente precise de uma máquina no seu tratamento. ela se transfere para o Instituto de Reabilitação da USP. 1.) assegurar o esquadrinhamento. A formação de uma medicina hospitalar foi devido à disciplinarização do espaço hospitalar e à transformação do saber e da prática médica. uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões. Humanitarismo significa “amor à humanidade” e Humanitário significa “aquele que tem sentimento de humanidade. 1993.81) Para organizar e implantar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. XVIII. Jan-Jun 2005. humanos são atendidos por humanos. Hospital e medicina. Belo Horizonte. como também nada na organização do hospital permitia a intervenção da medicina. expandiu-se e passou a abranger outras atenções que não fossem apenas físicas. como também transformar as condições do meio em que os doentes são colocados (. atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. A Psicologia Hospitalar vem crescendo e ganhando espaço nas universidades. realmente humanizada. o hospital. mas também sociais. como o entendemos hoje. temos nomes pioneiros como os de Matilde Neder e Bellkiss Wilma Romano. psicológicas e outras. isso não significa a humanização em sua totalidade. não importa se para intervir numa Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.. permanecem separados até meados do séc. A dimensão humana e subjetiva está na base de toda intervenção em saúde. os aspectos subjetivos do cuidador e de quem é cuidado como também modos singulares de existência. (Foucalt.. Matilde Neder foi convidada a acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna da Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP. CAPÍTULO 2 POR QUE HUMANIZAR OS HOSPITAIS? Quem tem do doente. em um hospital pessoas atendem pessoas.. encontra muitos e sólidos motivos. p. a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença. deram origem ao hospital médico e ao surgimento de uma disciplina hospitalar que teria como função segundo Foucault (2004): (. Humanizar significa “elevar à altura do homem”. Os eventos não param e em 1983 foi realizado em São Paulo.

p. 1. p. O “x” da questão do trabalho de Humanização está em fortalecer o comportamento ético.53). Em toda área profissional. o diferente e o singular. necessário se faz agir como um artesão que “toma a matéria em suas mãos para moldar as formas nascentes do que deve ser criado” (Cembranelli-2003. se é um homem ou uma mulher. de acolhimento do desconhecido e de reconhecimento dos limites” (Ministério da Saúde2001. religiosas. indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção da saúde” (Ministério da Saúde-2001. é tranqüilizante saber que o atendimento é pronto e competente às demais necessidades. são as mais corretas. É um agir baseado numa vontade de acolher e de respeitar o outro como um ser autônomo e digno. ou toda área de ralações humanas. foi criado. mesmo que seja em um simples curativo.2). culturais e psíquicas presentes em todo e qualquer relacionamento humano. uniformes de cores mais alegres. p. Assim como ele (o artesão). O melhor hospital em tecnologia. o que se verifica. alegres e felizes. a reflexão. O termo Humanizar toma então uma forma mais abrangente. não produz bem estar ou curas. A Humanização nada mais é que uma esperança.9). nunca poderão se esquecer que o paciente está fragilizado em seu físico e no seu emocional. o bom atendimento é imprescindível. a grande maioria. Indo um pouco mais além. É só uma questão de querer. Humanizar refere-se. Os profissionais da saúde. educacionais. menos frio. perda ou luto. 2003. é a forma de atendimento. se avalia e se aprecia ou detesta. sente e percebe a maneira humana ou não com que está sendo atendida e cuidada. por mais rude que seja. mais áreas verdes.a vida. fazendo compras! Desta forma. Jan-Jun 2005. p. Fica tão complexa a sua definição porque a sua natureza é subjetiva e os aspectos que a compõem têm um caráter singular. por que não dizer. técnica e educação. independentes da sua função. Quem não já dispensou um profissional por mais simples que seja pelo modo como foi atendido? Não precisamos ir muito longe. Todos precisam colaborar. de todos os níveis.7).11). “à possibilidade de assumir uma postura ética de respeito ao outro. sem amor. 28 . o Instituto para o Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. o incontrolável. competência e cortesia. torna o ambiente mais alegre. imaginemos o doente fragilizado! A maioria dos pacientes. Vol. p. tanto para o doente quanto para os seus familiares. Na construção da Humanização Hospitalar ou do Hospital Humanizado. ou deveria m. Seria o posicionamento do Hospital frente ao seu principal objeto de trabalho . “Humanizar seria então resgatar a importância dos aspectos emocionais. desertifica o ser humano” (Cembranelli. Uma esperança que além de necessária tem condições de ser realizável. A competência é requisito pressuposto e exigido de todos por todos. Ano 1. É muito bom.. A Humanização é então uma utopia? Acreditamos que não. não sabe avaliar se os procedimentos e técnicas utilizados em qualquer tratamento hospitalar. o paciente não se satisfaz apenas com a competência profissional (. de igual modo. a ação e o cuidado. qualquer pessoa.). “pelo contrário. Na prática porém. Todos precisam ser mobilizados e conscientes. mais quadros nas paredes não significa humanizar.cirurgia do coração ou no simples ato de fazer um curativo. Humanizar “é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos. saber que em um hospital trabalham equipes altamente qualificadas. Todos precisam querer querer. se o paciente é um adulto ou uma criança. Ou uma vendedora numa loja de um shopping.. Belo Horizonte. sem delicadezas. saberes e humanidade. andam de mãos dadas. podemos considerar até um vendedor de batatas numa feira livre. o sofrimento e a dor de um ser humano fragilizado pela doença ou da sua família pelo desgaste. portanto. sem éticas. é preciso exercer a criatividade. a maneira como as ações técnicas são praticadas (Mezzomo et alii 2003. porém. de articular o cuidado técnico-científico já conhecido e dominado com o cuidado à necessidade de explorar e acolher o imprevisível. éticas. desde o Governo até o mais simples funcionário. E por que não quebrar modelos e paradigmas trocando-os por novos hábitos e buscando soluções úteis para cada realidade singular? A humanização é entendida como valor a partir do momento em que se resgata o respeito à vida humana. subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde” (Ministério da Saúde-2001. Na humanização. portanto. n. Em 1974. Não estaria aqui a chave da questão? Os extraordinários progressos da ciência e da tecnologia não dão conta de produzir satisfação no atendimento. onde estaríamos saudáveis. É claro que tudo isso contribui. nos EUA. 2).1. e como tal deve ser vista. p.. Envolve circunstâncias sociais.. mas faz parte de um contexto. Também pintar o hospital com cores mais vivas.

(Ministério da Saúde 2001. se desacompanhadas de valores e princípios como a solidariedade. A eficiência desse sistema. capacitando-os a promover a humanização do serviço. É um tanto quanto recente e aqui no Brasil. p. é altamente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento estabelecido entre o profissional e o usuário do atendimento. possuía experiências do dia a dia no atendimento a pessoas. possibilitando a oportunidade de propor. não só médicos e enfermeiros. A qualidade técnica e científica e a racionalidade de uma administração.08. tem como objetivos principais: Fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública. identificando um número grande e significativo de queixas desses usuários. uma ação com potencial para disseminar uma nova cultura de atendimento humanizado (Ministério da Saúde-2001. A proposta de humanização da assistência à saúde é um valor para a conquista de uma melhor qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. JOSÉ SERRA. é necessário cuidar desses profissionais . GM/MS de 19. Aspectos físicos. foi apresentado. um Projeto Piloto de Programa de Humanização da Assistência Hospitalar. sobretudo. tendo como objetivos principais: Deflagrar um processo de humanização dos serviços de forma vigorosa e profunda provocando mudanças progressivas. Para tanto. recursos humanos. Jan-Jun 2005. para pessoas representativas da área de saúde. bons e melhores resultados surgem quando. são itens que chegam a ser muito mais valorizados que a falta de médicos. foi escolhido um grupo de profissionais para desenvolver o Projeto.2001 e Portaria nº 202 SAS de 19.estudo da Medicina Humanizada.2001. melhorando a qualidade e eficácia dos serviços prestados. 1. mas todas as pessoas que trabalham nas unidades de saúde. n. é preciso empreender um esforço coletivo de melhoria do sistema de saúde no Brasil. Mas. um hospital com bons diretores. a forma do atendimento.. observou que na avaliação do público. houver o compromisso de oferecer um atendimento humanizado à população. funciona muito bem. pelos profissionais da área de saúde. tornando-os mais modernos.5). sob a denominação de PNHAH – PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR (Ministério da Saúde-2001. que veio regulamentado pela Portaria nº 681. discutir e empreender um processo de mudanças na cultura de atendimento em vigor nos hospitais. em Brasília -DF. dinâmicos e solidários em atender às expectativas dos que os gerem e dos que os usam. dispositivos organizacionais e tecnologia são importantes para a qualidade de um sistema.). p. Desta forma. O PNHAH propõe um conjunto de ações integradas visando mudar o padrão de assistência ao usuário dos hospitais públicos do Brasil. Com certeza. beneficiando tanto os usuários quanto os profissionais. Para tanto. Vale ressaltar que o então ministro José Serra. não funcionam sozinhos.5). E. que acolha o desconhecido e imprevisível. Trata-se de um ser e fazer inspirado numa disposição de abertura e de respeito pelo outro como um ser autônomo e digno. a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender as demandas e suas expectativas. a falta de espaço ou a falta de medicamentos. o que levou o Ministério a ver essa necessidade? Segundo o ministro. Após o programa ter sido aprovado pelo então ministro da saúde.9). mas. Belo Horizonte..08. aliados. chegou-se à iniciativa de elaborar uma proposta de trabalho voltada para a humanização. Em qualquer atendimento à saúde. dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. por ser médico. mas. Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários da rede hospitalar brasileira Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. numa área como a da saúde. aprimorando as relações entre o profissional da saúde e o usuário. É um direito de todo cidadão receber um atendimento público de qualidade na área de saúde. e para garantir esse direito. não são suficientes para a conquista da qualidade no atendimento à saúde. referentes aos maus tratos nos hospitais. Valorizando a dimensão humana e subjetiva. Ano 1... sólidas e permanentes na cultura de atendimento à saúde. p. Vol. o PNHAH direciona-se para uma requalificação dos hospitais públicos. José Serra: A criação deste programa expressa uma decisão firme do Ministério de enfrentar os grandes desafios de melhoria da qualidade do atendimento público à saúde (.1. é necessário agregar à eficiência técnica e científica uma ética que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. no dia 24 de maio de 2000. que aceite os limites de cada situação. presentes em toda ação de assistência à saúde. o respeito e a ética na relação entre profissionais e usuários. 29 . boa equipe de trabalho. Produzir um conhecimento específico acerca destas instituições sob a ótica da humanização do atendimento para disseminar experiências para os demais hospitais.

assimilada pela mente. a falta de tempo. uma educação permanente. Estimular a realização de parcerias e trocas de conhecimentos e experiências nesta área. Estamos no século XXI! Um novo século que acaba de se inic iar e nele já podemos ver hospitais reconstruídos. maravilhoso e necessita. Uma atenção especial às dimensões biofísicas. é uma questão cultural. como ressalta Mezzomo: Uma análise sólida do conceito de ser humano e suas manifestações. Qualquer uma das unidades que deixe de funcionar à contento quebra o processo. o sujeito desse objeto primordial do PNHAH é a pessoa. Vol. poderemos ver que a questão é mais abrangente e mais complexa. de ver os nossos hospitais humanizados. das relações humanas. ou seja.. os problemas familiares. profissionais mais empenhados e um desejo. coletivo. 2003. mais solidário e mais acolhedor. Governo. Não há humanização da assistência sem cuidar da realização pessoal e profissional dos que a praticam. O ideal da Humanização da Assistência Hospitalar é indispensável. enfim. a relação trabalhadores da saúde/paciente. Quando dissemos que a humanização é abrangente é porque envolve toda a realidade hospitalar. o relacionamento entre as pessoas. É fácil perceber que o assunto é extremamente amplo e complexo. 2003. Modernizar as relações de trabalho no âmbito dos hospitais públicos. podem se considerar um grande desafio. Jan-Jun 2005. A Humanização Hospitalar requer URGÊNCIA. em que toda a organização se reconheça e nele possa revalorizar-se. envolvendo a relação médico/paciente. emocional. 86) Quebrar paradigmas. Igreja.credenciada ao SUS. Voluntários e Profissionais da Saúde.14). O novo gera insegurança. uma crise qualquer. a relação interprofissional e uma visão holística do ambiente. Ano 1. ou quando doente procura um hospital.64). projetos elaborados.1. Um estudo sério do relacionamento humano. p. à recepção. sem distinção. Projeto este. as dificuldades financeiras tanto das instituições como pessoais. psíquico. Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. sentido e valor de se trabalhar numa organização de saúde. 2001. a desmotivação. propostas levadas à diante. O foco essencial é o atendimento à pessoa quando sua saúde está em crise. O ser humano é uma realidade tão diversificada em sua essência e manifestações que as ciências ainda não conseguiram decifrar em forma definitiva nenhum de seus aspectos (Mezzomo et alii2003. E. Comunidade. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. que teriam a oportunidade de resgatar o verdadeiro sentido de sua prática. um grande desejo. “A mudança só é aceita se for bem entendida pela inteligência. em qualquer que seja a área prejudicam as atividades. espiritual (. da assistência social à lavanderia. um percurso. p. O usuário . do médico ao porteiro. Toda mudança é difícil porque encontra reações.. uma etapa fundamental na conquista da sua cidadania . Desta forma não poderão ser esquecidos fatores desencadeantes como o excesso de trabalho. que receberia um tratamento mais digno. aceita pela vontade e acolhida pelo coração” Se considerarmos também as dificuldades dos profissionais. necessária se faz uma conversão de valores. do serviço de enfermagem à cozinha. O tema central do PNHAH é o ser humano. Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de atenção à saúde que valorize a vida humana e a cidadania. no empenho de ver o ser humano na fragilidade do seu adoecer.. de modo a recuperar sua imagem pública junto à comunidade. mental... Mudar a cultura é um ato mais do que complexo. tornando as instituições mais harmônicas e solidárias. 1. o número pequeno de profissionais por plantão. rever e reformular conceitos. n. p. um rumo. equipes mais conscientes (além de multidisciplinares procurando ser interdisciplinares). uma história... as greves. a baixa remuneração. Não haverá humanização sem que se abrace o projeto.. (Mezzomo et alii. Assim. com especificidade. Um atrito ou desentendimento. o cansaço.. e os profissionais dos hospitais.101). Tudo na vida tem um projeto.) para se promover qualidade e buscar a excelência na assistência hospitalar (Mezzomo et alii. da administração à limpeza. Vitórias e conquistas já foram alcançadas. iniciativas tomadas. p. Não se trata apenas da relação médico/paciente. ganhariam todos. 30 . que seria além do seu d ireito. adotar novas posturas tanto pessoais quanto éticas e morais. Desenvolver um conjunto de indicadores/parâmetros de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado. Difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar credenciada ao SUS (Ministério da Saúde. Muita coisa já foi feita. Belo Horizonte. talvez seja um desafio até muito maior do que projetar e construir novos hospitais e implantar serviços e tecnologia.

Afinal de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde... poupem-me de ver aqueles instrumentos que serão usados na cirurgia.. mas.. me sentirei mais seguro e temerei menos enfrentar tudo o que vier em seguida. Mesmo anestesiado e inconsciente.... Além disso.. Respeitem também o meu medo (..... medo. tudo é estranho.) Muito obrigado!! Evaldo D’Assumpção—1991 Como fica claro ao lermos este apelo. Belo Horizonte. Ano 1. por mais triste que seja. eu queria.. independentemente de ser um paciente particular. Porém. tudo é novo e assustador. diferente e (.. em prática um dos preceitos maiores da psicologia que é o da cura através da palavra. (Mas ele não me olha... criatura do mesmo Criador.Mas Dr.1.ser tratado com mais dignidade.. (.horas. evitem conversas que possam demonstrar desinteresse pelo meu tratamento (.Dr..) silêncio.. continuo merecendo todo o respeito como quando acordado (. se o senhor ou um dos membros da sua equipe (. e.)! Por favor. Para vocês o Centro Cirúrgico é bastante familiar...) cada pessoa tem o seu tempo para se acalmar (..) certamente entenderei.. só de pensar neles corre-me um frio gelado pela espinha (... edição bimestral setembro/outubro 1991 sob o título “Apelo do paciente à equipe médica”...) isso fica traduzido para mim como um grande desinteresse pelo que estão operando em meu corpo.. política ou programa de TV (..Mas Dr.). o paciente pode ter sentimentos como: desamparo. por ter adoecido... nesse campo profissional cheio de surpresas.... CAPÍTULO 3 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR... quando me levarem à sala de cirurgia.) Se me explicarem em linguagem compreensível (.) . afinal. com meu corpo..... 1926) Para iniciar este capítulo transcreverei uma carta que foi publicada no jornal do Conselho Federal de Medicina.).. quero pedir-lhes que respeitem minha condição de ser humano. (.. Vol. mas. se possível.). façam (... . poderei dormir com segurança e tranqüilidade ou totalmente agitado e transtornado. n. piadas.. a compreensão médica dos numerosos significados simbólicos de ordem psíquica que se manifestam no corpo. para mim.) quando me passarem para a mesa de cirurgia.. desta forma... De igual valor é a linguagem entre essa equipe. tenham paciência comigo (.. 1.) por favor.) Quando forem me preparar...dia. nos torna mais sólidos em nossa experiência... vergonha.) respeitem o meu (. sou filho do mesmo Pai. A palavra cura o sofrimento emocional e espiritual como também a dor provocada pelo sofrimento físico.)! Se a anestesia for local ou regional.Fique tranqüilo. . A humildade do não saber ou do compreender que erramos. confusão. Lembrem-se de cobrir-me (. (Sigmund Freud.) Evitem comentar sobre defeitos nos equipamentos ou falta de medicamentos (. façam por mim o mesmo que gostariam que lhe fizessem (....) futebol.. Não sou apenas um corpo doente. que a doença para o ser humano se constitui numa ameaça de dor....) mesmo sabendo que são profissionais (.). (....).(.. colocando.. 31 . respeitem o meu pudor (...... pois ficam com aqueles aventais longos. de Evaldo D’Assumpção: .) ameaçador.(..).. estiver ao meu lado. o seu corpo e até o seu silêncio.. como também com a sua família. faça estes exames e com esta cartinha interne-se no Hospital. afinal é muito desagradável ver-se despido (... E incidentalmente não desprezemos a palavra.. será pouco ético e humano. só pelo fato de poder ser acompanhante do seu filho internado numa enfermaria? Trata -se de uma grandiosa conquista. permite uma leitura de que além do sofrimento físico. invalidez e de morte! Quando uma pessoa se dispõe a cuidar de alguém há de se considerar a fragilidade diante da doença..) então. o psicólogo estará assim preparado para escutar a sua fala. vou tentar novamente. algo difícil de aceitar da equipe para qual entreguei minha vida (. Se pedir para esperarem um pouco. entre outras...... Uma verdadeira relação equipe-paciente estabelece-se quando há o respeito além das técnicas..).). com luvas e máscaras que os impedem de imaginar quanto se treme de frio e medo ..) e vocês nem percebem. Todos devem falar uma mesma linguagem para evitar distorções na comunicação não só com o paciente.. por favor.. culpa e derrotismo por não ter sido suficientemente forte.. ouça-me !!!!!!!!! . Fazer piadas com meu ronco. não me deixem sozinho e sem qualquer informação sobre o que será feito em seguida. Naquele momento de passagem da consciência para a inconsciência .). continua escrevendo e não me vê. com medo de não voltar a reencontrar minhas pessoas queridas (...às. mesmo não sendo minha primeira vez.) por favor. Finalmente. rico ou um anônimo qualquer (..... mesmo que não acredite nesse Deus de que lhes falo.. que iremos operá-lo”... pois a sala é muito fria (....). Quem ainda não teve a oportunidade de ver no rosto de uma mãe. sei que a utilidade e a intenção são boas.. vai correr tudo bem.) se a anestesia for geral (.. por favor.. um sorriso. Jan-Jun 2005. Afinal. tudo o que acontecer na sala será de extrema importância para mim (. não vê a minha angústia. Se o médico ou a equipe não tiver a sensibilidade e tempo de escutar o paciente hospitalizado para fazer essa leitura.. .

) de tais pacientes (AngeramiCamon. p.. a dor d’alma (. mundo e relação interpessoal em suas formas conhecidas (AngeramiCamon. O psicólogo. p. com menos técnica e com maior poder de escuta. após ter sofrido inúmeras perdas. Muitas patologias têm seu quadro agravado a partir de complicações emocionais do paciente e a intervenção do psicólogo neste momento é fundamental até mesmo nos diagnósticos. 2001. Como se sentiria um paciente hospitalizado. dá ao mesmo a possibilidade de colaborar na sua própria cura.contas ela é um instrumento poderoso: é o meio pelo qual transmitimos nossos sentimentos a outros. 1.(.28). conseqüentemente. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.). tornando com isso a instituição hospitalar “um lugar do profissional da saúde e não apenas o lugar do médico” (Leitão. perder a sua própria identidade? Quem nunca deparou com algum médico tratando o seu paciente apenas no seu quadro clínico? Onde ficaria a humanização? “O paciente em muitos dos nossos hospitais passa a ser mais um leito ou o nome da sua patologia. por exemplo. não se pode negar as variáveis emocionais num quadro de AIDS. câncer.1.16). 1 O papel do psicólogo nas instituições de saúde pode ser identificado a partir das conclusões que corpo e psiquê formam um todo e nele as partes mutuamente se influenciam e também que a ajuda do psicólogo nada tem a ver com a loucura.). AVCs. 2001. Proporciona ainda um saber cuidar de tudo o que adoece na pessoa. 31). p. Com o projeto de Humanização Hospitalar abrese a possibilidade do psicólogo atuar nos hospitais ajudando a visionar o doente e não apenas o sintoma. Lida. 2 Hospitalismo é o “conjunto de todos os danos e deficiências relacionados com a internação em hospitais” (Dorsch. desta forma. O psicólogo promove também para o não surgimento de iatrogenias 1 e hospitalismo2 tão comuns em pessoas hospitalizadas. o psicólogo. Não é raro que escutemos os médicos se referirem ao doente como o “rim do leito 21” (Alamy.. Os pacientes em estados depressivos e de angústia são mais vulneráveis às infecções e não respondem bem ao tratamento. O psicólogo cria. Desta forma. Vol. recursos e técnicas para possibilitar as relações interpessoais que são a mola mestra da Humanização Hospitalar e esta só será autêntica se os saberes forem redirecionados. Imagine então uma hospitalização! A contribuição do psicólogo também se dá para elucidar determinadas manifestações de somatização. As condições psicológicas dos mesmos poderão ser trabalhadas para que se tornem adequadas. na medida em que traz no seu contexto de atuação a condição de análise das relações interpessoais. Belo Horizonte.465). 1926. A Psicologia fornece condições. 2003.100). Também para o combate a doença é de vital importância resgatar a vontade de viver e a autoestima. o médico faz um diagnóstico e Iatrogenia é o “efeito negativo das medidas de tratamento no processo de internação” (Dorsch. além dos sintomas. cada vez mais aceitas nos critérios de intervenções médicas. na compreensão da patologia de uma forma mais humanizada. o psicólogo é que se interessará pelo indivíduo enquanto indivíduo. Deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de uma determinada patologia. 2001. Poderíamos dizer que o médico trata dos aspectos concretos da doença e o psicólogo dos aspectos simbólicos. indica a intervenção possível para determinada doença que se instala em um organismo... Em um hospital. ou em patologias e internações não diagnosticadas com a devida precisão até pela falta de sintomas físicos específicos. O estigma de doente (. pois a própria alternância de sintomas do paciente é algo diagnosticado quando se tenta compreender. Ano 1. visto que. com o doente e não com a doença. Na simples fratura de um dedo as dores podem ser tanto físicas quanto emocionais. pois vê o doente como um todo. com variáveis orgânicas e com probabilidades referentes a certo tipo de paciente. p. n. p. Os exames clínicos nesses casos não conseguem fazer um diagnóstico preciso e absoluto. p. nas interconsultas e. 2001.463).. desta maneira.180). uma doença não tem apenas uma etiologia. No processo de humanização. As palavras podem fazer um bem indizível e causar terríveis feridas (Freud. ao lidar com o doente. p. torna-se indispensável no processo de humanização. mas um ciclo vital ligada à singularidade do indivíduo que traz consigo sentimentos. 1993. 32 . Jan-Jun 2005. irá fazer com que exista a necessidade permanente de uma total reformulação até mesmo de seus valores e conceito de homem. O psicólogo tratará das representações que o indivíduo tem da sua doença em particular e da doença em geral. as possibilidades para o surgimento de um novo ser. O paciente ao ser hospitalizado sofre um processo de total despersonalização.

no bloco cirúrgico ou na UTI. Ano 1. o sofrimento e quem sabe a própria morte mais dignamente e com menos sofrimento.. onde o psicólogo já estará e onde o mal estar é real e vai além da cura do sintoma. Suas angústias. “É necessário que a relação com os outros profissionais (. muitas vezes. fantasias. desamparado e conseqüentemente fragilizado. perdas e lutos. Como Humanizar Hospitais se cada profissional não souber ser ético? O psicólogo defronta-se não raramente. Neste contexto o atendimento prestado pelo psicólogo dependerá de um conhecimento prévio da realidade deste hospital. o que diríamos da ética de cada profissional? A ética pode ser entendida como um fundamental requisito para a convivência humana em qualquer setor. é o cliente que procura os serviços psicológicos... quer seja no trato com os seus pacientes ou no convívio com os demais profissionais.. Jan-Jun 2005... No consultório.). o ser humano. com direitos e deveres. cita a busca da qualidade total (. (. cabe então ao psicólogo encontrar um caminho que o paciente possa enfrentar a dor. oferecendo a ele também uma outra escuta para seus sofrimentos (Alamy. O clima é de expectativas e até de medo. A relação psicólogo-paciente deverá ser a questão central. desta forma. Além da angústia do momento vivido ele traz a dúvida da recuperação. diferente do hospital... o ajuda também a renascer.. p. 33 . com ele vem a doença.) e toda equipe de saúde. fragilidades e exposições (.. e “para alguns pacientes o psicólogo passa a ser seus olhos e seus ouvidos (. 74). E lá perdido num canto. p. É importante que o psicólogo (.21). Não estaria aqui neste texto da autora.” (Leitão. E saber reconhecer os seus limites e o seu papel o dará mais autenticidade e domínio do seu saber. 1993 p.) se dê num patamar de Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. de emergência.) o psicólogo tem duas tarefas: a de compreensão de que é um conjunto de pessoas que adoecem e que se apresentam ao hospital. 1999.. é uma dimensão fundamental da busca da humanização hospitalar (Mezzomo et alli. Podemos a partir da fala da autora nos reportar a um outro grande papel do psicólogo neste processo de Humanização Hospitalar.) medos. com problemas que envolvem posicionamentos éticos. poder falar e saber ouvir (ter liberdade). Não podemos nos furtar de sermos seu interlocutor (Romano. seus familiares e todas as implicações com relação a papéis e necessidades adaptativas (. dividir responsabilidades (com participação) e ter oportunidades para aprender e melhorar sempre (princípio de equidade). fundamentos essenciais e indispensáveis ao processo de Humanização Hospitalar? Uma outra autora nos dá uma valorosa contribuiç ão para entendermos o quanto é importante o psicólogo no processo de Humanização Hospitalar: O Ministério das Relações Exteriores..O paciente com a hospitalização sente-se assustado.. Atuando numa equipe multidiscip linar. A atuação conjunta com o médico é muito rica quando possibilita ao paciente ser atendido em seus aspectos subjetivos e concretos sem que seja fragmentado por cada profissional. além de passar a conviver com inúmeras interferências e variáveis marcantes. O estar presente é a certeza de um apoio. atrás.) tenha a capacidade de trabalhar conjunta e interagidamente com o médico (.... p.. invasivos e dolorosos.. paciente e profissionais da saúde. com sua preocupação com valores e normas para orientar nosso comportamento..) não vem sozinho ao hospital. algumas palavras falam muito e o silêncio fala por si. 1. Isso implica em o psicólogo conscientizar-se também que atuará em equipe e em interação com a mesma. 2003.) e nomeia as regras do jogo: (..1. p.) trabalhar em equipe (demonstrando solidariedade). O indivíduo não é um ser isolado (. que a ética. o paciente se entrega em confiança. (Romano. é uma necessidade e. 1999. contribuindo desta forma para uma inter-relação família. lidando melhor desta forma. o paciente internado terá que se submeter a exames necessários e variados. Belo Horizonte.. A sua atuação deve abranger também a família do paciente. Nossa convicção é. Trabalhar conjuntamente implica em respeitar a ciência de cada um e dos seus limites e ter espaço para serem colocadas todas as opiniões e divergências para que se possa chegar a um denominador comum em relação ao paciente. A hospitalização não é uma opção. Vol. Ainda acuado pelo adoecer como mil séculos Dependendo da patologia.).. O gesto do psicólogo acolhe o paciente. Tanto a família quanto a equipe poderão ser ajudadas pela psicologia diante das dificuldades em lidar com a dinâmica da vida. outorgando-lhe seus direitos de vida. n. amenizando a sua internação e suas dores.. 22 e 23). O psicólogo ao ajudá-lo elaborar seus medos. num corredor.42). mesmo que o local do atendimento seja na enfermaria. 2003.. quer no processo de reabilitação ou na eminência de perda ou morte.250). com a própria doença.

W. no vai-e-vem nos corredores do hospital. Contribuir para o atendimento do doente e não somente o tratamento da doença 6.1. amenizar a sua hospitalização e o seu sofrimento. de uma Humanização real.cl/psicoarticulos/articulos/psicolo Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Dar suporte ao doente e sua família. 9.M. 34 . Ao chegar a esta etapa. Belo Horizonte. ALAMY. e Ismael. p. de uma brinquedoteca. entendemos e reafirmamos a importância da inserção do psicólogo numa equipe multi e interdisciplinar. Não estamos encerrando um processo. aos quais dedico este trabalho. onde podem. p. Primeiros passos no atendimento psicológico dentro do hospital. a fim de evidenciar a importância de nossa profissão para a promoção da saúde. Todavia. Decodificar o não-dito. n. principalmente devido ao fato de u não cultura ma da Psicologia neste contexto. permitindo-o participar do seu processo de recuperação. Patch. 7. Disponível em: http://www.21-2). não temos condições de concluí-lo. 4. seja através da palavra. O amor é contagioso. o que nos deixa radiantes. Trabalhar as questões emergenciais trazidas pelo paciente ou doença. M. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que o tema apresentado é muito vasto. é a certeza de que há sim muito a ser f eito. médico. 2001. conceitos que são para nós não chavões utópicos. corremos o risco de perder nossa humanidade. Susana. participando de reuniões e palestras promovidas pela Instituição e interagindo com o tratamento. R. Dar significado. não podería mos deixar de incluir aqui os objetivos citados por Alamy (2003). mais que um desafio. 3. Psicologia Hospitalar. As família s são vistas como colaboradoras no processo de recuperação do paciente. da dramatização. 8. demos o primeiro de muitos passos. seja na internação ou no ambulatório. da dor e do adoecer. de humanos mais humanizados. Observa-se também uma preocupação de inclusão do paciente . mesmo que ainda tímida. do desenho ou da mímica. 5. ou seja. usufruem. Desta forma. 1998. O nosso contato com os hospitais. mas há muitas esperanças de sucessos. A escuta ao paciente já é tão importante quanto à prescrição de um medicamento. a partir das interpretações e análises durante o processo terapêutico à sua doença dentro do seu contexto de vida. avaliando as demandas. etc. S.psicologia. sem torná-lo estigmatizado pela enfermidade. Jan-Jun 2005.F. permitiu a aproximação com essa realidade. na maioria das vezes. Acreditamos que o que nos fará amadurecer profissionalmente é pautar nossa prática diária o mais próxima possível da realidade e do sofrimento. 7. (Alamy. Realizar este trabalho. no momento do diagnóstico médico ou da internação. Permitir ao paciente descobrir a melhor forma de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização. Um novo olhar pode ser percebido com muita clareza. longo caminho a ser percorrido.respeito e consideração dos valores de cada especificidade profissional” (Oliveira. através do lúdico. Rio de Janeiro: GMT. em meio das urgências e emergências. mas ideais pelos quais pretendemos lutar e conquistar. Percebemos com clareza que estamos apenas começando. colaborando de forma grandiosa para uma realidade tão urgente e tão necessária. 2003. Ano 1. Restabelecer “totalmente” e/ou preventivamente a sua saúde psíquica ao ponto de origem do desequilíbrio. como argumentamos anteriormente. hoje. permitindo-as contato com recursos audiovisuais e literários. de nos tomarmos mecânicos e frios. tanto desperta nosso interesse. No dia-a-dia. Quanto às crianças. Isto é fato! Por isso entendemos o valor de se falar em Humanização. Dar oportunidade para que o doente expresse suas emoções. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS. uma grande conscientização e muito já colocado em prática.. na tentativa de nos encontrarmos com nós mesmos e de identificar onde foi que nos perdemos em meio a tanta tecnologia. Totalizar o paciente. O empenho de todos os profissionais é de proporcionar um atendimento mais humanizado. além de poder contar com um acompanhante diuturnamente. Isto requer uma visão do ser humano como um todo. da atuação do psicólogo no contexto hospitalar: 1.52). Mas. sejam do paciente.ed. Vol. 1995. 2. 1. foi uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento sobre o tema que. uma vez já haver muita vontade de ação. Gratificante também é sentir o reconhecimento à atuação do psicólogo no contexto da Humanização Hospitalar. de um atendimento mais humano.

org. São Paulo : Pioneira. 2001. O Doente a Psicologia e o Hospital. São Paulo : Pioneira. 2001. Pe Augusto A. Patrícia Constantino. et al. Revista Insight Psicoterapia. 1980. Jan-Jun 2005. 1995. n. Antonio.1. São Paulo: Pioneira. 19. Petrópolis : Vozes. Valdemar Augusto (Org). São Paulo: Atheneu. Picossomática Hoje. 18. São Paulo: Loyola. Mary J. 2001. Ensaios de Psicologia Hospitalar . 200l. Susana.a ausculta da alma. Brasília: 2001. Vol. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. A Medicina da Pessoa. Alex.]. A prática da Psicologia nos Hospitais. ALAMY. Adoecer: as interações do doente com sua doença. 1999. Valdemar Augusto (Org). 2004. ISMAEL. O psicólogo e o Hospital. A questão da análise leiga (1926). ** E-mail: leida@veloxmail. Comitê Técnico do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. ANGERAMI-CAMON. LUCIA. Urgências Psicológicas no Hospital. São Paulo: Pioneira. v. São Paulo: Pioneira. 1999.com. ROMANO. Susana. KOOGAN.ed. Danilo. 1992. 1. São Paulo : Escuta. Sigmund. ANGERAMI-CAMON. Michel. O conhecimento no cotidiano. BOTSARIS. 2003.htm Acesso em: jan. Belo Horizonte. São Paulo: Brasiliense. 3. PERESTRELLO. Porto Alegre: Sagra de Luzzato. ano II. 2003. FREUD. ANGERAMI-CAMON. FOUCAULT. LEITÃO. Bellkis W. 35 . Julieta. Secretaria de Assistência à Saúde. Silvia M. Apostila do Curso de Psicologia Hospitalar.ed. QUAYLE. 1996. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. Abrahão. Maria Cristina S. 2001. OLIVEIRA. ÁVILA. Orientadora: Profa. ALAMY. Belo Horizonte. 2001. 2. ANGERAMI-CAMON. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. 2. Campinas: Papirus. Bellkis W. São Paulo. 4. Sem anestesia: O desabafo de um médico/Os bastidores de uma medicina cada vez mais distante e cruel. Ms. p. Valdemar Augusto (Org). Jurandir Freire. Rio de Janeiro : Objetiva.ed. Ano 1. Friedrich et al. Ministério da Saúde. Acesso em: 23 out. Rio de Janeiro: Graal. 2000. Psicologia da Saúde. Psicologia Hospitalar Teoria e Prática. CEMBRANELLI. ALAMY. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma visão multiprofissional. MELLO FILHO. Valdemar Augusto (Org). Introdução à Psicologia Hospitalar. Disponível em: http://www. ANGERAMI-CAMON. Dicionário de Psicologia.portalhumaniza. 1999. HOUAISS.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.176-243. 2003. Rio de Janeiro : Graal. 2003. Princípios para a Prática da Psicologia Clínica em Hospitais.br. São Paulo: Casa do Psicólogo. São Paulo: Pioneira.ed. Psicossomática e a Psicologia da Dor. COSTA. L. 1974. 4. Rio de Janeiro : Imago. Rio de Janeiro: Atheneu. ANGERAMI-CAMON. ____________________________________ * Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção de grau em Formação de Psicólogo. Aprovado em 22/11/2004. ROMANO. Susana.Cury (Orgs). S. 1998. 20. de (Orgs).n. 2002. MEZZOMO. Valdemar Augusto (Org). 1993. Doenças do Corpo e Doenças da Alma. n. Microfísica do Poder. 2003. Rio de Janeiro: Delta. 1994. (Org). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. E a psicologia entrou no Hospital. Maria de Fátima P. Ordem médica e norma familiar. SPINK. Júlio de. Antônio. São Paulo: Pioneira. M.ed.gia_hospitalar. Valdemar Augusto (Org). Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 1993. Belo Horizonte: [s.ed. Fernando. de. 18 maio 1992. DORSCH.

senti a responsabilidade de ajudá-los a enxergar novas perspectivas que pudessem aliviar o seu sofrer.. que se veja e. 36 . o melhor. são as sujeiras do meu espelho. Eu deveria ser um espelho para as pessoas que atendia . um relato de uma estudante que tornou vivência. O ambiente hospitalar propicia às pessoas que nele estão a reflexão sobre sua vida. O que uma estagiária de psicologia hospitalar poderia contribuir com um tema há tanto tempo estudado? A neutralidade do profissional de psicologia é assunto escrito por vários autores. então. na sua primeira atuação em um hospital. Vejo que não é um espelho qualquer. No meu primeiro estágio em Psicologia Hospitalar. A neutralidade permite esse trabalho tão importante de alívio ou tentativa de amenização do sofrer. vejo que a limpeza do espelho é de responsabilidade de todos. Ser um espelho de reflexão: esta conclusão para mim só foi possível quando olhei primeiro para o paciente e aí percebi coisas em mim que não permitiriam a ele se olhar por completo.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. E-mail: santandreia@hotmail. independente da forma de trabalho. É o paciente que nos ajuda a enxergar essas sujeiras. contratransferência. Agora. como todos me falam. veio-me à mente. que possui várias formas e tamanhos. ingressam no caminho da psicologia hospitalar ou qualquer outra área da Psicologia . formada pela UNIC. Vol. Ainda que muito se tenha escrito sobre a neutralidade. com todos os que. entendendo-o como ser bio-psico-social. Palavras-chave: neutralidade. Agora eu vejo a neutralidade não só como proteção. _________________________________________ 1 Texto produzido durante o Curso de Verão de Psicologia Hospitalar 2004. que se compreenda e possa decidir sobre sua vida. e corremos o risco de comprometer sua reflexão.. os familiares e demais acompanhantes presentes. Ela começa agora a fazer parte da minha prática porque finalmente faz sentido. a experiência desta neutralidade. Afinal. que têm sua individualidade e formas diferentes de compreender e atuar com o paciente. mas sim. com o espelho limpo. que embasam nossos estudos universitários. Quando me refiro a todas as formas e tamanhos de espelho.PSICÓLOGO HOSPITALAR: UM ESPELHO DE REFLEXÃO1 Andréia Santiago Sobreira Santos2 Uma compreensão sobre a importância da neutralidade do psicólogo hospitalar. impossibilitando a imagem pura que deveríamos refletir. no sentido de que a minha presença e as intervenções fizessem com que a pessoa olhasse para si mesma. Atendendo os primeiros pacientes. Quando falamos em espelho. como eu. Deixo a responsabilidade que sinto hoje. percebo claramente. logo nos lembramos da nossa imagem refletida neste objeto. n. Eis aqui. isso se configura em como este paciente vai lidar com o seu sofrer. jan. O objetivo é de que a imagem seja vista. 2 Psicóloga. falta de humanidade. ocasionado ali pela doença e internação.1. o fantástico é acharmos sentido nas coisas que nos são ensinadas. nossa contratransferência e outras mais que se grudam em nós e não percebemos. A neutralidade é mais importante do que eu podia imaginar. Limpem seus espelhos. Ano 1. pré-conceitos. Sejam espelhos de reflexão. mas também como atitude e responsabilidade para com a pessoa atendida. Belo Horizonte. este tema da neutralidade ainda parecia obscuro para mim. Isto envolve o doente em si. E a nossa responsabilidade como espelho é que este fique limpo. refiro-me a todos os profissionais da psicologia. da pessoa mesma. Depois do primeiro atendimento. um espelho de reflexões. posso permitir a ele que se olhe. são nossos valores. Universidade de Cuiabá/MT. esta figura de um espelho. No entanto. trata-se apenas de uma defesa para profissionais que trabalham com pessoas? Faltava alguma coisa ainda. 2005. Todos esses elementos mancham o espelho. 1. é não estar mais atuando no escuro. ministrado pela psicóloga Susana Alamy. desejava experimentar a neutralidade de forma que fizesse sentido para mim e foi o que aconteceu. Nos primeiros anos da faculdade. No ambiente hospitalar. É claro que este poderia ser um fator básico para a psicoterapia como um todo. Jan-Jun 2005. As sujeiras do espelho. valores.

agora. não havia mais previsão de alta.ESTUDO DE CASO ACOMPANHAMENTO DA MÃE DE UM PACIENTE DE DOIS ANOS DE IDADE COM DIAGNÓSTICO DE ASMA Andréia Santiago Sobreira Santos* 1ª SESSÃO: 23 DE JANEIRO DE 2004 B é um garoto de 2 anos de idade. Por exemplo. Ela fala que sua companhia são os filhos. neste hospital estava bem. agora. mas que. no dia 21 de janeiro de 2004. A estagiária pergunta se ela sente falta de pessoas com quem possa conversar no hospital e ela responde que nem tanto. perguntando para a mãe se ela achava interessante conversar outra vez. né?” A estagiária pergunta se C não tem vizinhos com quem possa conversar. B. somente seu marido. com diagnóstico de asma. disse que os médicos estavam aguardando a aceitação do organismo de B. de certa forma. (pausa). mas ao longo da conversa. Gosto de conversar com minha mãe e irmã. vai dormir e não fica afim de conversar. C. banho e outras coisas. é quando os filhos trazem outras crianças para brincar. A estagiária perguntara do estado atual do paciente e a mãe respondera que havia tido melhoras. pois tem outras pessoas ali para conversarem com ela e que. Foi perguntado à mãe como estava se sentindo naquele momento e ela disse que estava se sentindo muito cansada. Foi perguntado o que ela precisaria naquele momento. A criança ainda não tinha previsão de alta e a estagiária achou por bem ir encerrando a sessão. n. No primeiro encontro. o meu mais velho está com a minha mãe. Vol. 2ª SESSÃO: 24 DE JANEIRO DE 2004 No segundo encontro com B. que a respiração estava melhor. ela conta que sente muita vontade de chorar. mas não quis entrar em maiores detalhes. mas ela disse que não.1. A estagiária se prontific ou a voltar no dia seguinte. disse que era muito ruim ver o filho daquele jeito. ao que C respondeu que com ela estava tudo mais ou menos.” C relata que se sente sozinha e chora muito. diz que o garoto é bem mais apegado a ela. Belo Horizonte. Ela diz que o marido não é muito de conversar. Não tem quando você namora uma pessoa por dó? Foi isso que eu fiz. para isso era necessário que o filho melhorasse e saísse do hospital. já havia vomitado uma primeira vez. gostava disso. Ela está com 26 anos. 37 . Eu fico mais com os meninos. Também fora questionado a ela. não trabalha. Ela disse que poderia falar e compartilhou que. que fora internado. até que eu cedi. pela primeira vez. A estagiária tentou explorar mais a questão do sentir da mãe. Sua mãe acompanhava-o desde a sua entrada hospital. Ano 1. Em casa. Por isso. tem mais um filho de 8 anos e é casada também há 8 anos. Jan-Jun 2005. não tem ninguém para conversar. sua mãe relatara uma melhora do estado da criança. dos remédios ministrados via oral . para estar “mais”. todos gostam de fazer fuxico. de acordo com o momento atual e perguntou como estava sua vida. (pausa) Casei por dó também. Foram feitas algumas perguntas sobre a mãe e a família do paciente. Então relata: “Pois é. mas não tem muita paciência para ficar direto com as crianças. Aí eu casei. mãe do paciente. segundo ela. E quando a casa fica cheia. era muito insistente. Na tentativa de compreender C e esta aparente sensibilidade. A resposta foi sim. 1. Minha vida é mesmo só com as crianças. A estagiária perguntou se haveria algum problema sobre C falar das gestações e como se sentiu.” A estagiária pergunta como o marido se dá com os filhos e a mãe responde: “Ele é bom. A estagiária perguntou sobre o comportamento do paciente quando está acordado e a mãe respondeu que ele anda para todos os lados. No momento do encontro a criança dormia. O marido trabalha o dia inteiro e quando chega em casa. Pediu-se então que ela falasse do seu relacionamento com o esposo e ela relatou: “ Ele ficava atrás de mim direto. A estagiária perguntou à mãe do paciente como passara a noite. Sabe. a estagiária perguntou sobre a família do paciente e tentou trazer novamente a questão do “mais ou menos” na vida desta mãe. ficou enjoada do marido e que ele nem Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. eu estava com dó. o paciente estava dormindo no leito. eu só fico rodeada de crianças. Ainda sim. mas elas moram longe e eu não posso incomodá-las sempre. como se sentia quanto à internação do filho e esta relatou que desmaiou no pronto socorro quando viu o aparelho de soro ser colocado no menino. acordava um pouco para deitar no colo da mãe e depois deitava no berço novamente. mas só tem liberdade mesmo com a mãe quanto à comida. C responde que passou a noite chorando. na primeira gravidez. e ela respondeu que.

não necessariamente com o ambiente hospitalar. Belo Horizonte. A sessão foi encerrada com um ponto de reflexão para C ao perceber-se que sua queixa se relacionava com a doença do filho. ela gosta do B. Sabe. dó do seu filho. Eu tenho vergonha de pedir e ela brigar comigo.1. Pode-se inferir um choro de solidão. 1. Ano 1. Disse que. E-mail: santandreia@hotmail. A companhia das demais mães para ela parece confortante. 38 . Você é quem chegou em mim primeiro. A rejeição deste bebê. Pergunta como são as pessoas lá e ela responde que são muito legais. Não agüento ver meu filho desse jeito. Tenho dó do B também. Com base nisso. na época. Seu sofrer no ambiente hospitalar se intensifica com a doença do seu filho.podia chegar perto dela. Estagiária: Quem sabe você poderia começar a pensar em exercitar isso ao sair daqui? Por que não começar com o pessoal da igreja? Pensar em você. e por isso o choro contínuo. o sofrimento do filho. _________________________________________ * Psicóloga – formada pela UNIC. Também tenho dó dela. Pediu para as enfermeiras levarem o bebê. C estava com a aparência abatida e o cansaço sobre o qual falara estava exposto nela. Ela responde: “Tem minha mãe. por algum motivo. que sofre muito pelo adoecimento desta criança. Vol. o que poderia refletir sua vida fora do hospital. Só no dia seguinte ela viu a criança.” Na tentativa de ver possibilidades. e esta reponde que freqüentava a Igreja Quadrangular. mas não participa sempre. pergunta incisivamente: “Você disse que tem dó do seu marido. Contudo. OBSERVAÇÕES Com esta sessão. Na segunda gravidez. Claro. eu me sinto responsável e fico com culpa de sair de perto dele.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. no passado. Estagiária: Você pode pensar mais no que conversamos? C: Posso tentar sim. Universidade de Cuiabá/MT. ela tem com quem conversar. hoje. ela não queria ver a criança. poderia ser outro fator a ser explorado. como uma responsabilidade exclusiva desta mãe. o que tira um pouco a impressão de ser um lugar frio. visto que este sentimento (infere-se). e C disse que seria muito bom. Dentro do hospital. a de B. a estagiária pergunta se C freqüentava alguma igreja. C: Acho que sim. depositando na estagiária uma confiança. A estagiária pergunta se não valeria a pena alguma aproximação com as pessoas da igreja. n. pode-se inferir que os momentos no hospital tenham permitido uma oportunidade de pensar em sua vida e como esta se dava. acho que foi. A estagiária. Eu fico achando que só eu é que tenho de cuidar dele. algum psicólogo tivesse conversado com ela. Estagiária: Você acha que foi bom conversar? C: Sim. Sua demanda mais profunda teria de ser atendida em trabalho psicoterápico clínico. jan. prestando algum apoio. me importo mais com os outros. com seus “vizinhos fuxiqueiros”. percebeu-se uma abertura maior de C para falar do seu sinto. Jan-Jun 2005. eu choro muito mesmo quando estou sozinha aqui. mas que depois passou. por exemplo. 2005. quando o bebê nasceu. a estagiária pergunta se não havia alguém com quem pudesse revezar nos cuidados com B. utilizando a história de C. mas ela tem vergonha de chegar nas pessoas. relata que. não excluindo em hipótese alguma. mas ela já está com o outro. dó da sua mãe. Daí segue o diálogo: Estagiária: Mas você teve vergonha de contar todas essas coisas para mim? Alguém que você não conhece! C: É diferente. é substituído por um forte dó do seu filho e cuidado extremo. por causa das crianças e tem dó de pedir à mãe para cuidar e também medo dela ficar brava por isso. que não conseguiu estabelecer. tinha raiva. Quando você terá dó de si mesma? Quando você se preocupará com você mesma? Ela disse: “É. eu não sei. Foi perguntado se ela gostaria que. que lá tem bastante atividade boa. Ela responde que isso poderia tê-la ajudado. para ela ter com quem conversar.

Soro dependurado. Esse não tem a cara tão boa assim. eletrocardiograma. quadro geral narrado. seringas. Conversa com o médico. Veja . faço sozinha. Amanhece. Qual foi mesmo o momento em que nos perdemos dela? Vamos caminhar juntos. Vol. Todo mundo. cor. Banho. Feche os olhos. enfermeiros. 39 . não importa a cor. Alguém podia fazer uma prece. Que todos somos seus filhos. Remédios. Eu preciso de ajuda para fazer algo que. Jan-Jun 2005. Mais uma vez: que Deus abençõe a todos. Todos temos aparelhos à disposição.. 1. pressão.. dormir. _________________________________ * E-mail: CCarneiroLima@aol. a conquista da humanidade deste direito fundamental. água. E a igualdade onde está? Quem viu? Quem verá? Alguns já a percebem. Estamos nós. Belo Horizonte. Não é um discurso sobre a necessidade. Não se mexe. Roupas de cama da mesma cor. luzes . Quem pode. Vários aparelhos. Mangueiras. Entregue-se ao que possa sentir ou não. sem sol. Hora de dormir. dispostas em locais estratégicos. temperatura. café da manhã. Demais. Várias camas. parece que está sem lugar. ele fala. Hora de voltar. cada um com seu enfermeiro. geralmente. A sua frente. Não importa o nome. Chega mais alguém. n. Idade. Não é proibido não sentir.com Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Mais uma olhada. Olhe para o lado. inconsciente. leito. Vários de nós. Este companheiro está melhor. luz apagada. Camas. Num mesmo lugar. lençóis. pedir a Deus que proteja a todos nós de qualquer mal. O passeio acabou. Ano 1.1. chuveiro. Que não queremos ver a dor. mas há luz. Sem exceções. Alguém precisa de ajuda. Que todos nós tenhamos um bom dia. cateteres. Excesso de remédios.DEPOIMENTO DE PACIENTE LUGAR DE IGUALDADE Gabriela Lima Vamos falar de igualdade. É. Está agitada. Do outro lado. Aquele senhor tem muitos aparelhos ligados a seu corpo. Enfermeiros a postos. uma mulher de idade avançada. Vamos narrar a igualdade e celebrá-la. uma prece.

DOENÇA / INTERNAÇÃO (reação da criança e dos pais): 10.. N.MODELO DE ANAMNESE / PROTOCOLO1 PROTOCOLO – DOENÇAS RESPIRATÓRIAS / ANAMNESE INFANTIL Susana Alamy2 Data: __/__/____ Psic ólogo/estagiário: __________ Encaminhado por: __________________________ 1. PACIENTE: _____________________________ Idade: ____ a _____ m Data nasc: __/__/___ Sexo: p Masc p Fem Escolaridade: ______________________________ Endereço: (rua. Tem animais dentro de casa: p Não p Sim – quais? 14. motivo): Relacionamento da cr com os irmãos (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 18. OUTRAS DOENÇAS: p Não p Sim – descrevê-las e localizá-las temporalmente): 13. INTERNAÇÕES ANTERIORES: p É a 1a. A GRAVIDEZ foi planejada: p Não p Sim Como decorreu o período da gravidez? Ordem na criança nas gestações: 17. A criança faz amizades facilmente: p Não p Sim Prefere brincar p Sozinho p Com outras crianças Distrações preferidas: A criança briga muito: p não p Sim (investigar): 20. idade da criança. Vol. 1a. 40 . Os pais moram juntos: p Não p Sim Relacionamento deste (um com o outro – investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 16. bairro. 1. Ano 1. DIFICULDADES encontradas no tto da criança: 15.1. n. INFORMANTE (nome e grau de parentesco): _________________________________________ 3. NASCIMENTO da criança: p Em casa p No hospital – qual? Assistido por pediatra? p Não p Sim Parto: p Normal p Cesariana p Fórceps Tel. n. Tratamento farmacológico: p Não p Sim – quais medicamentos? 11. vez p Outras internações (período. ID: ____________________________________ Médico: __________________________________ 4. DATA DA INTERNAÇÃO ATUAL: __/__/___ Motivo da internação: 6. CRISE – sintomas: 8. Jan-Jun 2005. hospital e motivo da internação): 7. A mãe da criança teve algum ABORTO (investigar em todas as respostas positivas): p Não p Sim: p Naturais p Provocados p Tentou mas não obteve sucesso 19. Momentos em que piora e/ou tem crises: p Mudança de temperatura p Briga dos pais e/ou outros familiares p Ausência da figura materna p Não sabe informar p Outros: 9. A criança já consultou psicólogo antes: p Não p Sim – quando e motivo: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. estado e CEP): 12. cidade.: ( ) _____________________ 2. de IRMÃOS e idades: Falecimento de algum irmão: p Não p Sim (quando. Exames complementares: p RX p Sangue p Urina p Fezes p TC p EEG p Outros: ______________ 5. Belo Horizonte.

PERSPECTIVAS (ideais. desejos da criança): 34. EM CASA A cr reside com: p Os pais p Mãe p Pai p Avó p Irmãos p Outros: Quantas pessoas moram juntas? Renda familiar mensal (em salários mínimos): p 1 p 1 a 3 p 3 a 5 p Mais de 5: A criança ajuda em casa trabalhando (investigar que trabalho faz e se é remunerado): p Não p Sim 26. Há presença de (investigar em que situações específicas ocorrem e desde quando): p Distúrbios do sono: p Insônia p Acorda no meio da noite p Sonambulismo p Bruxismo p Fala dormindo p Pesadelos p Sono agitado p Enurese: p Noturna p Diurna p Chupa dedos p Gagueja p Tem dificuldades para falar p Dificuldade de compreensão p Roe unhas p Baba enquanto dorme p Sudorese durante o sono p Convulsões p Desmaios p Cefaléia p Um sonho que se repete: p Estados depressivos p Ansiedade p Angústia p Desesperos p Medos p Timidez p Perfeccionismo p Tensão p Dores de estômago p Labilidade de humor p Stress (físico e emocional?) p Outros: 22. patologia. FILIAÇÃO – RELACIONAMENTO Pai: ______________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da cr com o pai (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) Mãe: _____________________________________ Idade: ____________ Grau de instrução e profissão: _________________ Tem trabalho: p Não p Sim Óbito: p Não p Sim Relacionamento da criança com a mãe (investigar como é): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 24. Como a mãe percebe a si mesma (qualidade e defeitos que atribui a si mesma): 29. Como a criança ocupa o seu tempo (descrever um dia comum na vida da criança): 30. Jan-Jun 2005. Relacionamento da cr com os AVÓS (investigar presença dos avós na vida da criança e discriminar entre avós paternos e maternos): 1(P)____2(R)____3(B)____4(MB)____5(O) 25. Acontecimentos importantes na vida da criança: 31. Ano 1. 41 . Vol.1. TRAUMAS (situações traumáticas na vida da criança): 33. 1. Outras queixas e/ou informações: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte. Parentes próximos (investigar grau de parentesco. RELIGIÃO da criança: De quem recebe orientação religiosa? Como a cr percebe Deus na sua vida? A cr tem o hábito de rezar / orar? 23.): p Problemas respiratórios p Alergias p “Nervoso” p Débil mental p Alcoolista p Usuário de drogas p Fumante p Suicídio p Homicídio p Outros: 27. Como a mãe percebe a criança (qualidades e defeitos que atribui à criança): 28. como foi realizado tratamento etc.21. n. História sexual (investigar se necessário): 32.

Ano 1. Residência: p Própria p Aluguel p Outros – especificar: 2. PARECER DO ENTREVISTADOR: 5.PARA O ENTREVISTADOR 1. Luz: p Natural p Artificial Se necessário acrescentar observações complementares. 1. de cômodos – especificar quais cômodos: 3. Vol. 42 . Informante durante a entrevista: 3. Exame psiquiátrico: 2. Belo Horizonte.1. Jan-Jun 2005. N. __________________________________ Assinatura do entrevistador 8. Piso: p Chão batido p Concreto p Ardósia / outras pedras p Carpete p Taco p Outros – especificar: p Desnível – descrever: 7. Alta hospitalar: __/__/___ Óbito: __/__/___ PROTOCOLO MORADIA Data: __/__/___ 1. Janelas: p Não p Sim – quais cômodos? p Outra resposta: 9. Parede da sala: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 5. Exames psicológicos complementares: 4. n. Início do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/_ __ Fim do atendimento / acompanhamento psicológico: __/__/___ 7. Teto: p Laje p Telhas p Forro p Outros – especificar: 4. FAZER O PROTOCOLO MORADIA EM ANEXO. Parede do cômodo onde dorme a criança: p Reboco p Cimento p Tinta p Papel de parede p Mofo p Rachaduras p Outros – especificar: 6. Cortinas / persianas / painel: p Não p Sim – onde e qual tipo? Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Procedimento psicológico a ser adotado: p Somente anamnese p Psicoterapia para a mãe p Acompanhamento para a mãe p Ludoterapia / acompanhamento individual para a criança p Ludoterapia / acompanhamento em grupo para a criança 6.

2 Psicoterapeuta. CRPMG 6956.com. poderão enviarnos sua anamnese ou protocolo. Plantas: p Não p Sim – onde? 11.com. Criança toma sol regularmente: p Não p Sim – quando? 14. Aos leitores que quiserem colaborar. 43 . especialista em psicologia hospitalar. Home page: http://geocities. 1. A criança permanece mais tempo: p Dentro de casa p No quintal ___________________________________ Assinatura do entrevistador _________________________________________ 1 Com o objetivo de ajudar aos leitores na confecção de uma anamnese. pois assim estaremos cumprindo nosso objetivo de troca de informações e ampliando o espaço de conhecimento de todos os estudantes e profissionais da saúde. psicóloga habilitada em psicologia clínica. disponibilizamos um modelo completo para entrevista na pediatria. Localização da cama da criança no cômodo: 12. Em qual cômodo da casa a criança permanece mais tempo? 16. Árvore perto da casa? p Não p Sim – onde? 13. Jan-Jun 2005. Vol.yahoo. n.1. autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). Sol bate na casa: p Não p Sim – onde? 15. Ano 1.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte.br/psicologiahospitalar E-mail: susanaalamy@uol. professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios. a partir do qual poderão adptar à realidade dos seus pacientes e à sua necessidade.10.

br/ Biblioteca do conhecimento on line http://www.org.br/ Biblioteca virtual do estudante de língua portuguesa http://www.prossiga.futuro.br/pesquisa/Pesqui saObraForm.gov.dir.bibvirt.inep.org Virtual books http://virtualbooks.b-on.bibliotecamultimidia.ndc.pt/ Biblioteca multimídia http://www.gov.circulandoolivro.usp.capes.pucminas.html Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde http://dtr2001.direitoshumanos.org.gov.br/ Biblioteca Digital de Teses e Dissertações http://www. Vol. Jan-Jun 2005.sistemas.prossiga. Ano 1.br/freebook/freebook_ frances1.LINKS BIBLIOTECAS VIRTUAIS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas http://www.jsp Bireme http://www.br/ Biblioteca virtual http://www.unb.org.br/ Biblioteca virtual de ensino a distância http://www.com. 44 .bce.fiocruz. n.saude.cibec.org.com/Fontes_de_Referencia/Bibli otecas/ Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.yahoo.bireme.bibliotecavirtual.saudepublica.terra.bvs.ph p Portal Periódicos CAPES http://www.html Unb http://www.html&2 Biblioteca virtual de direitos humanos http://www.usp.br/index.br/ Prossiga http://www.ibict.1.abnt.uff.br/ Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) http://www.br/BDP/SilverStrea m/Pages/pg_BDPPrincipal.br/ Biblioteca Virtual em Saúde Mental http://www.teses.prossiga.gov.br/ Biblioteca virtual de educação http://bve.periodicos.br/edistancia/ Instituto brasileiro de informação http://www.br/ee_usp/saudemental/ Vários sites http://br.br/sibi/ Unisanta http://www.br/library/index. Belo Horizonte.br Biblioteca da ENSP – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca http://www.html Circulando o livro http://www.cict.br/ SciElo – Scientific Electronic Library Online http://www.br/bvs/ ProBE – Programa Biblioteca Eletrônica http://probe.dominiopublico.br/ USP http://www.html?princip al.br/biblioteca/livros.usp.scielo. 1.unisanta.usp.br/pacc/bvl/ Biblioteca digital do MEC http://www.br/bibliotecas/bfm/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Teses e Dissertações http://www1.

com.com.com.com.usp.br Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde.br/ 3O.com. CONGRESO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA 26 a 30 de junho de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.com/principal.4cmp.org.com Site: http://www.EVENTOS CURSO: PSICOLOGIA HOSPITALAR EM HOSPITAL GERAL – 1º. Ano 1.4estacoes.br ou psicologiahospitalar@uol.yahoo.com.br/isprm/site/ VI ENCONTRO BRASILEIRO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE 24 a 26 de junho de 2005 São Paulo/SP E-mail: silvia@inoeeventos.com/tanato2005/ IV CONGRESO MUNDIAL DE PSICOTERAPIA 27 a 30 de agosto de 2005 Buenos Aires/ARGENTINA http://www.sip2005. semestre 2005 Período das aulas: 01 de abril a 24 de junho de 2005 Matrícula: 15 de fevereiro a 29 de março de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO INTERAMERICANO DE PSICOLOGIA E SAÚDE: TERRITÓRIO E PERCURSOS DO PSICÓLOGO HOSPITALAR 9 a 11 de junho de 2005 São Paulo/SP Tel. 45 .: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol. n.1. Jan-Jun 2005.ulapsi.br XX CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA 19 a 22 de abril de 2005 Campo Grande/MS Site: http://www.org/ __________________________________ Para divulgar seu evento contacte-nos pelo e-mail: revistavirtualpsicopio@yahoo.cepsic.org/congresso CURSO DE INVERNO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR 2005 Período das aulas: 18 a 29 de julho 2005 Matrícula: 10 de maio a 08 de julho de 2005 Belo Horizonte/MG Tel.br/psicologiahospitalar/ III CONGRESSO BRASILEIRO DE TANATOLOGIA E BIOÉTICA 27 a 30 de abril de 2005 São Paulo/SP E-mail: tanato2005@4estacoes.org.: (31) 9141-9106 E-mail: psicologiahospitalar@uol.br 7º CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOTERAPIA CORPORAL 12 a 16 de outubro de 2005 São Paulo/SP http://www.yahoo.org.br Site: http://geocities.br Site: http://www.com.: (11) 3064-3186 e 3069-6459 E-mail: dipichc@hcnet.cipc2005.br Site: http://geocities.htm 30º.com.adtevento.slaop2005.ar/ V CONGRESSO DO NESME – NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE MENTAL IV ENCONTRO PAULISTA DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL VII JORNADA DA SPAGESP – SOCIEDADE DE PSICOTERAPIAS ANALÍTICAS GRUPAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO 12 a 15 de maio de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.com. Vol.ar/ I CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOLOGIA – ULAPSI 20 a 23 de abril de 2005 São Paulo/SP Site: http://www.br e cordas@usp.hpg. 1. CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO 10 a 14 de abril de 2005 São Paulo/SP Tel (11) 3168-3538 Site: http://www. Belo Horizonte.spagesp.

TERMOS PARA PUBLICAÇÃO Os autores do presente artigo ou relato de caso clínico ou relato pessoal ou monografia ou tese ou resenha ou pesquisa ou estudo ou comunicação ou carta ao editor asseguram que participaram e se responsabilizam pelo seu conteúdo. comunicação. estarem digitados com letra Times New Roman. estudos. sem retribuição financeira e assume total responsabilidade pelo seu conteúdo. Brasil. CEP 30380-000. bairro Cidade Jardim. acompanhados do Formulário Para Envio de Artigos. implica pelo autor. Minas Gerais. FORMULÁRIO PARA ENVIO DE ARTIGOS Título do artigo: Nomes dos autores: Qualificação dos autores (profissão. monografias. 46 .1. pesquisas. n. Jan-Jun 2005. Os autores que enviarem seus textos automaticamente concordam com os Termos Para Publicação. Têm ciência de que todos os trabalhos publicados pela Psicópio – Revista de Psicologia Hospitalar e da Saúde passam a ser de propriedade intelectual do seu Editor. número de registro profissional e órgão expedidor): E-mails dos autores (colocar o nome do autor e o respectivo e-mail em frente ao mesmo): Endereços completos dos autores (não será disponibilizado na internet) (colocar o nome do autor e o respectivo endereço em frente ao mesmo): Local (cidade/estado/país) e data: Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Prudente de Morais. Têm ciência que os trabalhos serão submetidos à revisão da língua portuguesa e que isso poderá implicar em correções sem prejuízo do seu conteúdo. espaçamento simples e devem ser enviados por e-mail (psicologiahospitalar@uol. Vol. relatos de casos clínicos. sl. 810. 1. tamanho 12 (doze). Belo Horizonte. seja por e-mail ou pelos Correios. 290. Belo Horizonte. Os originais impressos e em disquete não serão devolvidos. teses.NORMAS PARA ENVIO DE ARTIGOS Os textos (artigos. bem como pela correta citação de outros autores no corpo do texto. Ano 1. O envio dos originais. na aceitação dos Termos Para Publicação da Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Estão de acordo com a linha editorial desta revista. Têm ciência que os manuscritos enviados serão apreciados pelo Editor e poderão ser rejeitados para a publicação. automaticamente. resenhas. relatos pessoais.com. carta ao editor) deverão ter no máximo 20 (vinte) páginas.br) ou pelos Correios (impresso e em disquete) para o endereço: Av.

miolo com 44 páginas Idealizada.br/revistavirtualpsicopio Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Volume 1. Ano 1. Belo Horizonte. Vol. 47 .Psicópio – Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde Revista Semestral – Distribuição Gratuita Ano I. Janeiro a Junho-2005 Formato A4. e-book. Número 1. Jan-Jun 2005. n.com. planejada e executada em Belo Horizonte – MG – Brasil Editor independente: Susana Alamy Disponível em: http://geocities.yahoo.1. 1.

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