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  • Relações Hospedeiro-Parasita
  • Morfologia Bacteriana
  • Genética Bacteriana
  • Propriedades dos Vírus
  • Propriedades dos Fungos
  • Propriedades dos Parasitas
  • Bacteriologia
  • Mecanismos Envolvidos na Patogenia Bacteriana
  • Staphylococcus
  • Streptococcus
  • Streptococcus pyogenes (Grupo A)
  • Streptococcus agalactiae (Grupo B)
  • Streptococcus pneumoniae
  • Enterococcus
  • Bacillus
  • Bacillus anthracis
  • Bacillus cereus e outras Espécies
  • Neisseria
  • Neisseria gonorrhoeae
  • Neisseria meningitidis
  • Meningococcemia
  • Enterobacteriaceae
  • Escherichia coli
  • Salmonella
  • Shigella
  • Yersinia
  • Klebsiella
  • Proteus
  • Bordetella
  • Corynebacterium
  • Corynebacterium diphtheriae
  • Pasteurellaceae
  • Haemophilus
  • Campylobacter e Helicobacter
  • Campylobacter
  • Helicobacter
  • Pseudomonas
  • Moraxella
  • Espiroquetídios
  • Treponema
  • Borrelia
  • Leptospira
  • Legionella
  • Mycoplasma e Ureaplasma
  • Rickettsia rickettsii
  • Rickettsia prowazekii
  • Rickettsia typhi
  • Orientia tsutsugamushi
  • Ehrlichia
  • Coxiella burnetti
  • Chlamydiaceae
  • Chlamydia trachomatis
  • Chlamydophila pneumoniae
  • Chlamydophila psittaci
  • Clostridium
  • Clostridium perfringens
  • Clostridium tetani
  • Clostridium botulinum
  • Clostridium difficile
  • Bacilos Gram-Negativos Anaeróbios
  • Cocos Gram-Positivos Anaeróbios
  • Bacilos Gram-Positivos, Anaeróbios, Não Esporulados
  • Actinomyces
  • Proprionibacterium
  • Mobiluncus
  • Lactobacillus
  • Bifidobacterium e Eubacterium
  • Mycobacterium
  • Mycobacterium tuberculosis
  • Mycobacterium leprae
  • Complexo Mycobacterium avium
  • Outras Micobactérias de Crescimento Lento
  • Micobactérias de Crescimento Rápido
  • Virologia
  • Mecanismos da Patogenia Viral
  • Agentes Anti-Virais
  • Papilomavírus Humano
  • Poliomavírus
  • Herpesvírus Humanos
  • Vírus do Herpes Simples
  • Vírus Varicela-Zoster
  • Vírus Epstein-Barr
  • Citomegalovírus
  • Herpesvírus Humanos 6 e 7
  • Herpesvírus Humano 8
  • Picornavírus
  • Enterovírus
  • Rinovírus
  • Paramixovírus
  • Vírus do Sarampo
  • Vírus da Parainfluenza
  • Vírus da Papeira
  • Vírus Sincicial Respiratório
  • Vírus Nipah e Hendra
  • Ortomixovírus
  • Ortorreovírus (Reovírus de Mamíferos)
  • Rotavírus
  • Coltivírus e Orbivírus
  • Togavírus e Flavivírus
  • Alphavírus e Flavivírus
  • Vírus da Rubéola
  • Vírus da Imunodeficiência Humana
  • Vírus da Hepatite
  • Vírus da Hepatite A
  • Vírus da Hepatite B
  • Vírus das Hepatites C e G
  • Vírus da Hepatite G
  • Vírus da Hepatite D
  • Vírus da Hepatite E
  • Micologia
  • Mecanismo de Patogenicidade dos Fungos
  • Agentes Anti-Fúngicos
  • Diagnóstico Laboratorial das Doenças Fúngicas
  • Micoses Superficiais, Cutâneas e Subcutâneas
  • Micoses Superficiais
  • Micoses Cutâneas
  • Micoses Subcutâneas
  • Micoses Sistémicas
  • Histoplasmose
  • Blastomicose
  • Paracoccidioidomicose
  • Coccidioidomicose
  • Criptococose
  • Micoses Oportunistas
  • Candidíase
  • Aspergilose
  • Zigomicose
  • Pneumocystis carinii
  • Peniciloses por Penicillium marnefeii
  • Parasitologia
  • Patogenia das Doenças Parasitárias
  • Protozoários Intestinais e Urogenitais
  • Amibas
  • Flagelados
  • Ciliados
  • Coccídeos
  • Microsporídeos
  • Protozoários do Sangue e dos Tecidos
  • Espécies de Plasmodium
  • Espécies de Babesia
  • Toxoplasma gondii
  • Leishmania
  • Tripanossomas
  • Enterobius vermicularis
  • Ascaris lumbricoides
  • Toxocara canis e Toxocara e cati
  • Trichuris trichiura
  • Ancilóstomos
  • Strongyloides stercoralis
  • Trichinella spiralis
  • Wuchereria bancrofti e Burgia malayi
  • Loa loa
  • Onchocerca volvulus
  • Dirofilaria immitis
  • Dracunculus medinensis
  • Fasciolopsis buski
  • Fasciola hepatica
  • Opisthorchis sinensis
  • Paragoninus westermani
  • Esquistossomas
  • Dermatite por Cercária
  • Taenia solium
  • Cisticercose
  • Taenia saginata
  • Diphylobothrium latum
  • Echinococcus granulosus
  • Hymenolepis nana
  • Dipylidium caninum

Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Mestrado Integrado em Medicina

Tronco Comum II
Mestrado Integrado em Medicina

Microbiologia

2º Ano

Faculdade de Medicina de Lisboa

Tronco Comum II - Microbiologia

Página 2 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

Faculdade de Medicina de Lisboa

Tronco Comum II - Microbiologia

Índice
ÍNDICE ................................................................................................................... 3 RELAÇÕES HOSPEDEIRO-PARASITA ............................................................................... 7 MORFOLOGIA BACTERIANA ...................................................................................... 10 GENÉTICA BACTERIANA............................................................................................ 15 ANTIBIÓTICOS ....................................................................................................... 19 PROPRIEDADES DOS VÍRUS ....................................................................................... 26 PROPRIEDADES DOS FUNGOS .................................................................................... 37 PROPRIEDADES DOS PARASITAS ................................................................................. 40

BACTERIOLOGIA .......................................................................................... 43
MECANISMOS ENVOLVIDOS NA PATOGENIA BACTERIANA ................................................ 44 STAPHYLOCOCCUS .................................................................................................. 46 STREPTOCOCCUS .................................................................................................... 55
Streptococcus pyogenes (Grupo A) ...................................................................................... 55 Streptococcus agalactiae (Grupo B) .................................................................................... 61 Streptococcus pneumoniae .................................................................................................. 63

ENTEROCOCCUS ..................................................................................................... 67 BACILLUS.............................................................................................................. 70
Bacillus anthracis ................................................................................................................. 70 Bacillus cereus e outras Espécies ......................................................................................... 72

NEISSERIA ............................................................................................................ 75
Neisseria gonorrhoeae ......................................................................................................... 75 Neisseria meningitidis .......................................................................................................... 79 Meningococcemia................................................................................................................ 81

ENTEROBACTERIACEAE............................................................................................. 83
Escherichia coli..................................................................................................................... 85 Salmonella ........................................................................................................................... 87 Shigella ................................................................................................................................ 89 Yersinia ................................................................................................................................ 89 Klebsiella .............................................................................................................................. 91 Proteus ................................................................................................................................. 91

BORDETELLA ......................................................................................................... 93 CORYNEBACTERIUM ................................................................................................ 97
Corynebacterium diphtheriae .............................................................................................. 97

PASTEURELLACEAE ................................................................................................ 101
Haemophilus ...................................................................................................................... 101

CAMPYLOBACTER E HELICOBACTER ........................................................................... 106
Campylobacter................................................................................................................... 106 Helicobacter ....................................................................................................................... 110

PSEUDOMONAS ................................................................................................... 114
Moraxella ........................................................................................................................... 119

ESPIROQUETÍDIOS ................................................................................................ 120
Treponema......................................................................................................................... 120 Borrelia .............................................................................................................................. 124 Leptospira .......................................................................................................................... 127

LEGIONELLA ........................................................................................................ 131 MYCOPLASMA E UREAPLASMA ................................................................................ 135 RICKETTSIA, ORIENTIA, EHRLICHIA E COXIELLA ............................................................. 139
Rickettsia rickettsii ............................................................................................................. 139 Rickettsia prowazekii ......................................................................................................... 141 Rickettsia typhi .................................................................................................................. 142

Página 3 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

Faculdade de Medicina de Lisboa

Tronco Comum II - Microbiologia

Orientia tsutsugamushi ..................................................................................................... 143 Ehrlichia ............................................................................................................................. 143 Coxiella burnetti ................................................................................................................. 145

CHLAMYDIACEAE .................................................................................................. 147
Chlamydia trachomatis ...................................................................................................... 148 Chlamydophila pneumoniae .............................................................................................. 152 Chlamydophila psittaci ...................................................................................................... 153

CLOSTRIDIUM ...................................................................................................... 154
Clostridium perfringens ..................................................................................................... 154 Clostridium tetani .............................................................................................................. 156 Clostridium botulinum ....................................................................................................... 158 Clostridium difficile ............................................................................................................ 161

BACILOS GRAM-NEGATIVOS ANAERÓBIOS.................................................................. 162 COCOS GRAM-POSITIVOS ANAERÓBIOS ..................................................................... 165 BACILOS NÃO-FORMADORES DE ESPOROS ................................................................. 165
Cocos Gram-Positivos Anaeróbios ..................................................................................... 165 Bacilos Gram-Positivos, Anaeróbios, Não Esporulados ..................................................... 165 Actinomyces ....................................................................................................................... 166 Proprionibacterium ............................................................................................................ 167 Mobiluncus ........................................................................................................................ 168 Lactobacillus ...................................................................................................................... 168 Bifidobacterium e Eubacterium ......................................................................................... 168

MYCOBACTERIUM ................................................................................................ 169
Mycobacterium tuberculosis ............................................................................................. 170 Mycobacterium leprae ....................................................................................................... 171 Complexo Mycobacterium avium ...................................................................................... 171 Outras Micobactérias de Crescimento Lento ..................................................................... 172 Micobactérias de Crescimento Rápido .............................................................................. 172

VIROLOGIA ................................................................................................ 176
MECANISMOS DA PATOGENIA VIRAL ......................................................................... 177 AGENTES ANTI-VIRAIS ........................................................................................... 184 PAPOVÍRUS ......................................................................................................... 186
Papilomavírus Humano ..................................................................................................... 186 Poliomavírus ...................................................................................................................... 188

ADENOVÍRUS ...................................................................................................... 191 HERPESVÍRUS HUMANOS ....................................................................................... 195
Vírus do Herpes Simples ..................................................................................................... 196 Vírus Varicela-Zoster .......................................................................................................... 199 Vírus Epstein-Barr .............................................................................................................. 202 Citomegalovírus ................................................................................................................. 205 Herpesvírus Humanos 6 e 7 ............................................................................................... 207 Herpesvírus Humano 8....................................................................................................... 208

POXVÍRUS .......................................................................................................... 209 PARVOVÍRUS ....................................................................................................... 212 PICORNAVÍRUS .................................................................................................... 215
Enterovírus ......................................................................................................................... 217 Rinovírus ............................................................................................................................ 219

PARAMIXOVÍRUS .................................................................................................. 222
Vírus do Sarampo............................................................................................................... 223 Vírus da Parainfluenza ....................................................................................................... 225 Vírus da Papeira ................................................................................................................. 226 Vírus Sincicial Respiratório ................................................................................................. 227 Vírus Nipah e Hendra ......................................................................................................... 228

ORTOMIXOVÍRUS ................................................................................................. 229 REOVÍRUS .......................................................................................................... 233 Página 4 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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Tronco Comum II - Microbiologia

Ortorreovírus (Reovírus de Mamíferos) ............................................................................. 235 Rotavírus ............................................................................................................................ 236 Coltivírus e Orbivírus .......................................................................................................... 238

RABDOVÍRUS....................................................................................................... 240 TOGAVÍRUS E FLAVIVÍRUS ....................................................................................... 244
Alphavírus e Flavivírus ....................................................................................................... 244 Vírus da Rubéola ................................................................................................................ 247

RETROVÍRUS ....................................................................................................... 250
Vírus da Imunodeficiência Humana ................................................................................... 253

VÍRUS DA HEPATITE .............................................................................................. 259
Vírus da Hepatite A ............................................................................................................ 259 Vírus da Hepatite B ............................................................................................................ 261 Vírus das Hepatites C e G ................................................................................................... 266 Vírus da Hepatite D ............................................................................................................ 268 Vírus da Hepatite E ............................................................................................................ 269

MICOLOGIA ............................................................................................... 270
MECANISMO DE PATOGENICIDADE DOS FUNGOS ......................................................... 271 AGENTES ANTI-FÚNGICOS ...................................................................................... 274 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS DOENÇAS FÚNGICAS ................................................ 277 MICOSES SUPERFICIAIS, CUTÂNEAS E SUBCUTÂNEAS ..................................................... 279
Micoses Superficiais ........................................................................................................... 279 Micoses Cutâneas .............................................................................................................. 280 Micoses Subcutâneas ......................................................................................................... 282

MICOSES SISTÉMICAS ............................................................................................ 285
Histoplasmose.................................................................................................................... 285 Blastomicose ...................................................................................................................... 287 Paracoccidioidomicose ...................................................................................................... 288 Coccidioidomicose ............................................................................................................. 289 Criptococose ...................................................................................................................... 291

MICOSES OPORTUNISTAS ....................................................................................... 293
Candidíase ......................................................................................................................... 293 Aspergilose ........................................................................................................................ 295 Zigomicose ......................................................................................................................... 296 Pneumocystis carinii .......................................................................................................... 298 Peniciloses por Penicillium marnefeii ................................................................................. 299

PARASITOLOGIA ........................................................................................ 301
PATOGENIA DAS DOENÇAS PARASITÁRIAS .................................................................. 302 PROTOZOÁRIOS INTESTINAIS E UROGENITAIS .............................................................. 304
Amibas ............................................................................................................................... 304 Flagelados .......................................................................................................................... 307 Ciliados .............................................................................................................................. 311 Coccídeos ........................................................................................................................... 312 Microsporídeos .................................................................................................................. 316

PROTOZOÁRIOS DO SANGUE E DOS TECIDOS ............................................................... 318
Espécies de Plasmodium .................................................................................................... 318 Espécies de Babesia ........................................................................................................... 323 Toxoplasma gondii ............................................................................................................. 324 Leishmania ......................................................................................................................... 326 Tripanossomas ................................................................................................................... 329

NEMÁTODES ....................................................................................................... 335
Enterobius vermicularis ..................................................................................................... 335 Ascaris lumbricoides .......................................................................................................... 336 Toxocara canis e Toxocara e cati ....................................................................................... 338 Trichuris trichiura ............................................................................................................... 339 Ancilóstomos ..................................................................................................................... 340

Página 5 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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Tronco Comum II - Microbiologia

Strongyloides stercoralis .................................................................................................... 342 Trichinella spiralis .............................................................................................................. 344 Wuchereria bancrofti e Burgia malayi ............................................................................... 346 Loa loa ............................................................................................................................... 347 Onchocerca volvulus .......................................................................................................... 348 Dirofilaria immitis .............................................................................................................. 350 Dracunculus medinensis .................................................................................................... 350

TREMÁTODES ...................................................................................................... 352
Fasciolopsis buski ............................................................................................................... 352 Fasciola hepatica ............................................................................................................... 353 Opisthorchis sinensis .......................................................................................................... 355 Paragoninus westermani ................................................................................................... 356 Esquistossomas .................................................................................................................. 357 Dermatite por Cercária ...................................................................................................... 361

CÉSTODES........................................................................................................... 363
Taenia solium ..................................................................................................................... 363 Cisticercose ........................................................................................................................ 364 Taenia saginata ................................................................................................................. 365 Diphylobothrium latum...................................................................................................... 366 Echinococcus granulosus ................................................................................................... 368 Hymenolepis nana ............................................................................................................. 369 Dipylidium caninum ........................................................................................................... 370

Página 6 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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Tronco Comum II - Microbiologia

Relações Hospedeiro-Parasita
Flora Indígena – constitui o conjunto de células que não pertencem ao nosso organismo, ou seja todos os microrganismos que co-habitam no nosso organismo. Apenas 10% das células existentes no nosso organismo são humanas, as restantes 90% são microrganismos. Todo o ser humano nasce estéril, no entanto logo no momento do parto, ao tomar contacto com o ambiente exterior, é colonizado por um número incontável de microrganismos, sendo que muitos deles o acompanharam durante toda a sua vida. Microrganismo Residente – é o microrganismo que é capaz de se multiplicar nas condições do local onde está alojado; Microrganismos Transitórios – é aquele que não sendo capaz de se dividir no local onde habita se vê obrigado a migrar para outro local que lhe seja mais favorável ou acaba por ser extinto; Colonização – aquisição de microrganismos, que podem não provocar qualquer lesão/dano ou, pelo contrário, perturbar o normal funcionamento de um tecido ou órgão, de forma mais, ou menos, intensa, induzindo uma resposta imunitária por parte do hospedeiro. Esta tem em vista a eliminação do microrganismo, podendo, no entanto, também o microrganismo ficar retido/latente no organismo; Latência – estado em que um microrganismo permanece no nosso organismo sem que o consigamos eliminar; Comensalismo - associação simbiótica em que um microrganismo usa o corpo de uma espécie de maior porte como seu ambiente físico, podendo usar esse mesmo ambiente para adquirir nutrientes. Para além disso, o microrganismo não provoca lesão no hospedeiro, ou a lesão é de tal modo leve que não tem tradução clínica, ou seja, a lesão é clinicamente inaparente. Os microrganismos comensais podem inclusive beneficiar o hospedeiro, prevenindo a colonização de dada área por espécies mais patogénicas ou produzindo metabolitos passíveis de serem usados por ele. No entanto, estes microrganismos podem tornar-se prejudiciais se as suas condições ambientais forem perturbadas. É este tipo de relação que a maioria da flora indígena estabelece no organismo.

Acção Patogénica
Infecção – aquisição de microrganismos exógenos e sua posterior multiplicação; Infecção Endógena – quebra do equilíbrio existente entre a flora indígena e o organismo, o que leva a uma multiplicação descontrolada desses microrganismos e invasão de territórios dantes não colonizados; Doenças Infecciosas – não são mais do que as manifestações das infecções; Lesão – consiste na interrupção da estrutura ou função de uma determinada célula, tecido ou órgão; Agente Patogénico – é um microrganismo capaz de causar lesão; Página 7 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

Virulência A virulência é um processo que pode ser dividido em diversas fases: 1. variação antigénica e imunossupressão.  Transmissão. mantendo-se o microrganismo vivo. que poderá ser horizontal. ou seja. sendo estas libertadas por exocitose. a sua libertação implica a lise celular. mimetismo antigénico. inibir ou neutralizar os mecanismos humorais de defesa e por fim inactivar os mecanismos celulares de defesa. Zoonose s/ vector (não há transmissão directa entre humanos) 6. Oral-Oral (Porta de Saída:Boca /Porta de Entrada: Boca) 2. Factor de Virulência – entende-se pelo componente microbiano que vai ser patogénico e por isso causar lesão no hospedeiro. Fuga aos Mecanismos de Defesa  esta pode ser consiga através da localização privilegiada. Progressão e Multiplicação. 2. Sexual (Porta de Saída: Aparelho Genital/Porta de Entrada: Aparelho Genital) 4.  Porta de Saída Transmissão Existem diversos modos de transmissão e estão muitas vezes relacionados com a porta de entrada/saída: 1. não é mais do que o local onde este se encontra armazenado. Fecal-Oral (Porta de Saída: Ânus/Porta de Entrada: Boca) 3. ou vertical. Mimetismo Antigénico – consiste na produção e apresentação de antigénios idênticos aos do organismo hospedeiro para que seja reconhecido como uma célula endógena. não se inclui a porta de entrada. a ligação a receptores e a estruturas que podem ser especificas ou inespecíficas. Vector (não há transmissão entre humanos) 5. o que implica penetrar as barreiras anatómicas. revestimento com moléculas do hospedeiro. Invasão  Penetração. se um microrganismo é capaz de lesar ou não o organismo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . 4. por. pois o microrganismo já se encontra dentro do hospedeiro. Zoonose c/ vector (não transmissão directa) Página 8 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .  Vector. ou seja. não é mais do que o meio pelo qual é transportado. caso ocorra em indivíduos da mesma geração. Origem da Infecção No caso de ser uma infecção endógena. caso ocorra do progenitor para a descendência. Virulência – relaciona-se com a intensidade com que é demonstrada a patogenidade de um determinado microrganismo. No entanto numa infecção exógena podemos distinguir as características:  Porta de Entrada  Reservatório. Aderência  Colonização. tolerância imunológica. 3. Produção de Toxinas  Exotoxinas.Microbiologia Patogenicidade – baseia-se na capacidade de causar patologia.

da disponibilização de água potável e da regra de lavar as mãos. Página 9 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Sexual: uso de uma barreira física (ex. preservativo) e uma redução da promiscuidade.Microbiologia Controlo da Transmissão Fecal – Oral: através do saneamento básico. Respiratório: não é controlável. Zoonoses: controlo da infecção animal e controlo dos vectores.

Características Principais Grupos Tamanho Estrutura do Núcleo Núcleo Cromossoma Estrutura do Citoplasma Mitocôndrias Aparelho do Golgi Retículo Endoplasmático Ribossomas Membrana Citoplasmática Parede Celular Reprodução Movimento Respiração Eucariotas Algas. menos quantidade de DNA. Plantas e Animais > 5 mm Membrana Nuclear Clássica Cadeias de DNA Linear Genoma Diplóide Presente Presente Presente 80S (60S + 40S) Contem Esteróides Ausente Sexual e Assexuada Flagelos com Complexos Ausentes Via Mitocondrial Procariotas Bactérias 0. e possuem núcleo com invólucro nuclear e organitos membranares.Tetrades Página 10 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Aspectos Morfológicos Cocos: . lípidos e peptidoglicano Assexuada (Bipartição) Flagelos Simples Ausentes Através da Membrana Citoplasmática É importante ter uma noção do tamanho em microbiologia e para isso usamos uma escala de valores generalizados: Macrófago  10 – 20 µm Bactéria  0. antigénicas e genéticas.5 – 2 µm Vírus  <0. são geralmente haplóides e não possuem núcleo nem organitos membranares.5 – 3 mm Ausente DNA Único e Circular Genoma Haplóide Ausente Ausente Ausente 70S (50S + 30S) Não Contém Esteróides Estrutura complexa formada por proteínas.Diplococos . Protozoários. forma e características) e as suas propriedades metabólicas. Eucariotas – têm cromossomas lineares.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .1 µm Eritrócito  5 µm Classificação As bactérias diferem entre si pela sua morfologia (tamanho.Estreptococos . maior quantidade de DNA.Microbiologia Morfologia Bacteriana Os microrganismos podem estar dividimos consoante a sua organização estrutural em: Procariotas – possuem um cromossoma único e circular. são geralmente diplóides.

Morfologias Bacterianas Coloração de Gram é uma prova útil e fácil que permite distinguir as principais classes de bactérias com o objectivo de instaurar um tratamento. Ultra-Estruturas das Bactérias Tanto as bactérias gram-positivas.Microaerófilo.Obrigatório. Toxicidade ao Oxigénio  devido á formação de superóxidos. . mas não o usam. A presença ou não de enzimas destoxificadores (catalases) pode constituir um critério de classificação. . As bactérias gramnegativas apresenta uma camada delgada de peptidoglicano incapaz de reter o corante e por isso adquirem uma cor rosa. composta por peptideoglicano. é tolerante a baixas concentrações de oxigénio. mas também realiza fermentação. Página 11 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Lipopolissacáridos  presença ou não de membrana externa. o corante precipita na camada de peptidoglicano que possui uma estrutura entrecruzada e grossa em forma de malha à volta da célula. peróxidos e hidróxidos. Parede Celular  a presença ou não de parede celular. Obtenção de Energia  poderá ser através de respiração ou fermentação. possuem estruturas citoplasmáticas semelhantes.Facultativo. podem estar em ambiente com 02. Anaeróbio: . poderá realizar respiração. habita apenas perante a presença de oxigénio.Microbiologia Aspectos Bioquímicos Fig. apenas existe em ambientes anaeróbios e não tem capacidade de usar O2 nem de estar em contacto com este. As bactérias gram-positivas são aquelas que têm uma cor azul. como as gram-negativas.Faculdade de Medicina de Lisboa .Obrigatório.Estafilococos Bacilos/Bastonetes Espiroqueta/Espirilo Vibrião Tronco Comum II .Aerotolerante. 1 . muitas bactérias não coexistem em ambientes com oxigénio. . o que já não ocorre relativamente às estruturas extra-celulares. Aeróbio: .

Estrutura da Membrana Plasmática Bacteriana encontra unido ao DNA. 2 . proteínas e metabolitos. e ainda é possível encontrar diferenças no rRNA. Este ribossoma é distinto do humano (Ribossoma 80S = 40S + 60S). como é o caso de resistência a antibióticos. que não são mais que moléculas extra-cromossómicas de DNA circular mais pequenas que o cromossoma.Faculdade de Medicina de Lisboa O citoplasma da célula bacteriana contem o DNA cromossómico. com excepção dos micoplasmas. mas sim numa estrutura conhecida como nucleóide. e na maior parte dos casos não são essenciais para a sobrevivência da célula. bactérias gram-positivas e gram-negativas diferem na estrutura da parede celular e nos seus componentes e funções. sendo que a maior parte das membranas dos procariotas está rodeada por uma camada rígida de peptidoglicano (mureína). Assim sendo o ribossoma fixa-se directamente no mRNA que está a ser transcrito e inicia a tradução.Microbiologia mRNA é sintetizado e ainda se Fig. A membrana citoplasmática possui uma estrutura idêntica à dos eucariotas. com excepção das arqueobactérias e micoplasmas. O que não acontece relativamente às estruturas citoplasmáticas acontece no que toca à parede celular. A ausência de membrana nuclear simplifica os mecanismos de controlo da síntese proteica. O peptidoglicano determina a Página 12 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Apesar disso este cromossoma carece de histonas e por isso não forma nucleossomas. ou seja. Regra geral os plasmídeos encontram-se nas células gram-negativas. O cromossoma bacteriano difere do eucariota pois é composto por uma única molécula circular de cadeia dupla e que não está contido no núcleo. A célula pode também possuir plasmídeos. mRNA. O ribossoma bacteriano é constituído pelas subunidades 30S e 50S que formam o ribossoma 70S. como é o caso do colesterol. ribossomas. mas podem conferir-lhe uma vantagem selectiva. e por isso tanto o ribossoma como o rRNA são alvo de muitos antibióticos. sintetizando a proteína à medida que o Tronco Comum II . mas contrariamente a estes não possui esteróides. Os componentes das paredes celulares são exclusivos das bactérias.

como é o caso das Pseudomonas aeruginosa. Este espaço possui enzimas hidrolíticas que degradam as macromoléculas necessárias para a célula. A zona externa é geralmente formada por lipopolissacáridos (LPS) que pode também ser conhecido como endotoxina. Existem ainda algumas proteínas. pois constitui um potencial causador de resposta imunitária. Uma característica importante do peptidoglicano é que este é suficientemente poroso para permitir que grande parte dos metabolitos alcance a membrana citoplasmática.Microbiologia rigidez e forma da bactéria. produzem um biofilme polissacárido em determinadas condições que favorece o estabelecer de uma colónia Página 13 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . como é o caso dos ácidos teicóicos e lipoteicóiscos. possuem uma parede celular espessa que é composta por várias camada. as quais são compostas maioritariamente pelo peptidoglicano. A cápsula pode actuar também como uma barreira frente a molécula hidrófobas tóxicas. por outro lado a membrana externa constitui uma barreira para as moléculas de grande tamanho e hidrófobas. A membrana externa une-se à membrana citoplasmática por meio de zona de adesão e ao peptidoglicano por interacção com uma lipoproteína. Bactérias Gram-Negativas. as paredes celulares destas bactérias são mais complexas. O peptidoglicano pode ser destruído perante a lisozima. levando à lise celular. que não contem ácidos teicóicos nem lipoteicóiscos. Características Membrana Externa Parede Celular Lipopolissacárido Endotoxina Ácido Teicóico Esporulação Cápsula Lizosima Actividade Antibacteriana da Penicilina Produção de Exotoxina Gram-Positivas Espessa + Algumas Algumas Sensível Mais Susceptível Algumas Gram-Negativas + Fina + + Algumas Resistente Mais Resistente Algumas Estruturas Externas Algumas bactérias encontram-se rodeadas por capas laxas de proteínas ou polissacáridos denominadas cápsulas. o espaço compreendido entre esta e a membrana plasmática designa-se espaço periplasmático. Na generalidade estas duas estruturas são conhecidas como glicocálix. no caso de não ser uniforme ou muito fina chama-se capa de limo (slime layer).Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A célula gram-positiva pode ainda possuir outros componentes na membrana externa. e uma defesa para as condições possivelmente adversas de alguns ambientes. Bactérias Gram-Positivas. por exemplo os detergentes. A camada mais externa denomina-se membrana externa e é exclusiva das bactérias gram-negativas. e por outro lado facilitar a aderência a outras bactérias ou às superfícies do hospedeiro. sendo que nas bactérias gram-negativas existe ainda uma membrana externa que as envolve. contendo duas camadas externas em relação com a membrana citoplasmática: imediatamente a seguir à membrana encontra-se uma camada fina de peptidoglicano (5 a 10% do total da parede celular). como é o caso das porinas que formam poros e permitem a difusão através da membrana de moléculas hidrofóbicas com menos de 700 Da de peso. Algumas bactérias.

mas não as gram-negativas. seguidos da formação de um septo que dividirá as bactérias em duas células distintas. Os flagelos permitem às bactérias aproximarem-se dos nutrientes e ambientes favoráveis. A localização do esporo no interior da célula constitui uma característica de cada bactéria e pode facilitar a sua identificação. a adhesina. O esporo consegue proteger o DNA bacteriano do calor intenso. e uma elevada concentração de cálcio unido ao ácido dipicolínico. podem possuir apêndices citoplasmáticos. tornam possível a troca horizontal de material genético. permitem a união a outras bactérias e são codificados por um plasmídeo. sendo formada por subunidades proteicas de pilina. permitem a adesão e fixação às paredes do organismo hospedeiro. Esporos Algumas bactérias grampositivas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Para que permitam a adesão às paredes do hospedeiro ou outras estruturas possuem um factor de adesão.quimiotaxia. Fig. .Microbiologia bacteriana e protege os seus membros da acção dos antibióticos e defesas dos organismos hospedeiro.Fases da Formação de Esporos Página 14 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A produção de duas células filhas exige o crescimento e amplificação dos componentes da parede celular. as concentrações mínimas imprescindíveis ao ribossoma e proteínas essenciais. e são formados por subunidades proteicas enroladas helicoidalmente de flagelina.Fímbrias ou pilli.Pilli Sexuais. são capazes de formar esporos. nomeadamente as bactérias. Diferenciam-se dos flagelos por não possuírem uma estrutura helicoidal e terem um diâmetro menor. que poderão ser: . O esporo contém uma cópia completa do cromossoma bacteriano. sendo que existe ainda outro factor que se fixa a açúcares específicos . 3 . Os procariotas. Em condições ambientais adversas estas bactérias podem passar de estado vegetativo para um estado de latência ou de esporo. O esporo é uma estrutura desidratada formada por múltiplas camadas que protege a bactéria e permite que continue viva em estado de latência.Flagelos. Divisão Celular A replicação do cromossoma bacteriano desencadeia também o início da divisão celular. com função de locomoção. afastando-se dos ambientes tóxicos .lectina. . Uma separação incompleta pode originar bactérias que permanecem unidas e formam cadeias como é o caso dos estreptococos e estafilococos. radiação e acção da maioria das enzimas e substancia químicas.

000 pb. Habitualmente nos eucariotas há mais do que uma cópia no genoma.000. esta pode ser negativa ou positiva. A ausência de membrana nuclear permite ao ribossoma procariota unir-se ao mRNA enquanto este está a ser transcrito. Por outro lado pode existir uma regulação positiva em que a expressão dos genes apenas á possível na presença de um proteína – apoinductor. As novas cadeias de DNA são sintetizadas de uma forma semi-conversadora e utilizam como molde ambas as cadeias de DNA do cromossoma bacteriano. Os operões possuem numerosos genes estruturais que são policistrónicos. e permitem que a replicação continue. logo são haplóides. Por isso os genes que codificam as enzimas envolvidas numa determinada via podem ser regulados de forma coordenada. como resposta a sinais exteriores ou interiores. caso contrário é impossível à RNA polimerase ligar-se à cadeia para iniciar a transcrição. Cada genoma possui numerosos operões. Os promotores e operadores são sequências de nucleótidos que controlam a expressão de um gene que determinada a transcrição de mRNA. que se unem aos operadores. que são constituídos por genes. A síntese do novo DNA tem lugar na forquilha de replicação e num sentido bidireccional. mas por regra nas bactérias apenas existe uma cópia. Os operões são grupos de um ou mais genes estruturais que se expressam a partir de um promotor específico e terminam num determinado finalizador de transcrição.Microbiologia Genética Bacteriana O genoma bacteriano é o conjunto total dos genes dos quais a bactéria é portadora. Replicação do DNA A replicação do DNA bacteriano inicia-se numa sequência específica que se denomina OriC. como é o caso dos plasmídeos e bacteriófagos. Em terceiro lugar. No caso de ser negativa os genes apenas se expressam se a proteína repressora se desligar do seu operador. Além de outras enzimas. As bactérias podem também conter elementos genéticos extra-cromossómicos. as mais importantes são as helicases (capazes de desenrolar a duplas cadeia de DNA).Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Por outro lado existe uma regulação da transcrição. Em segundo lugar. Por fim é de extrema importância salientar o papel das topoisomerases que evitam o enrolamento excessivo das cadeias de DNA. por um mecanismo de feedback negativo. a velocidade de síntese das proteínas pelo ribossoma pode regular o processo de transcrição nos procariotas. o que leva a uma ruptura química no operador e permite a transcrição dos genes necessários. O cromossoma de uma bactéria típica consta de uma só molécula circular dupla de DNA que contem aproximadamente 5. a transcrição dos genes é regulada directamente por proteínas repressoras. Controlo da Transcrição Em primeiro lugar existe uma regulação da expressão genética que é muitas vezes uma resposta a um estímulo nutricional. estes elementos são independentes do cromossoma bacteriano e podem na maior parte dos casos ser transmitidos a outra célula. Página 15 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a primase (capaz de sintetizar os primers) e a DNA polimerase.

. Estes mecanismos podem ser divididos em reparação por excisão especializada ou generalizada. o que pode levar à interrupção da sua replicação. . Página 16 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . apesar de já termos conhecimento delas. caracteriza-se pela alteração do código de leitura e habitualmente surge uma proteína truncada que leva a uma interrupção prematura da síntese da proteína. e de seguida é sintetizada uma nova cadeia de DNA. Intercambio Genético nos Procariotas Muitas bactérias utilizam o seu DNA de forma promíscua. altera a conformação do cromossoma.Reparação Directa do DNA. o que leva a um terminar precoce da síntese da proteína. aquela em que se substitui um codão que codifica uma aminoácido por um de finalização. as células bacterianas desenvolveram mecanismos de reparação. um aminoácido é codificado por mais do que um codão. o que pode ocasionalmente levar ao aparecimento de novas bactérias. dá-se quando ocorre uma inserção ou delecção que além de alterar a sequência. ou seja. em que uma purina é substituída por outra ou uma transversão. aqui fica uma revisão: . este tipo de processo aplica-se a casos em que ambas as cadeias perderam a informação correcta. no entanto quando o aminoácido possui propriedades idênticas ao que deveria ser correcto pode-se dizer que ocorreu uma mutação conservadora. O DNA transferido pode ser incluído no cromossoma ou manter-se de forma estável como uma elemento extracromossómico (plasmídeo ou bacteriófago).Mutação Sem Sentido (nonsense).Microbiologia Mutações.Mutação de Alteração de Leitura (frameshift mutation).Mutação Com Perda de Sentido (missense). . que se podem dividir em: .Reparação por Excisão. Reparação e Recombinação Uma mutação define-se como qualquer alteração na sequência de bases do DNA.Mutações Nulas. Utiliza-se para preencher os espaços com uma sequência aleatória e que possa orientar o processo de replicação. procede à excisão da sequência lesada. . isto apenas é possível devido à redundância do DNA. que irá transmitir à sua descendência esta unidade de capacidade autónoma de replicação. . é uma alteração do DNA que não provoca uma mudança na sequência de aminoácidos. consiste em eliminar por intermédio de enzimas o dano.Mutação Silenciosa.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Esta troca pode resultar na aquisição de uma característica vantajosa para o receptor. . caracteriza-se por induzir numerosos genes e fazer aparecer a lesão do DNA. onde uma pirimidina por uma purina. levam a uma completa destruição da função do gene. O intercâmbio de DNA entre as células permite trocar genes e características entre elas.Reparação Propensa a Erro. Mecanismos de Reparação do DNA Com a finalidade de minimizar os danos no DNA. especialmente quando o DNA recebido codifica genes que lhe conferem resistência a determinados antibióticos. Existem diversos tipos de mutação. comporta a inserção de um aminoácido diferente na proteína. é possível recuperar a informação em falta mediante os processos de recombinação genética. .Reparação Pós-Replicação. . ou por recombinação. uma troca basta para que ocorra uma transição.Resposta SOS. é o último recurso com que a bactéria conta antes de morrer.

Por outro lado existe a possibilidade de o seu genoma ser integrado no genoma bacteriano e levar à sua morte – estado lisogénico. Os bacteriófagos são vírus bacterianos que podem sobreviver fora da sua célula hospedeira pois o seu genoma encontra-se protegido por uma cápsula proteica. Transdução. Mecanismos de Transferência Genética Entre Células A troca de informação genética entre as células bacterianas pode ter lugar através de três mecanismos: . Os plasmídeos de grandes dimensões podem mediar a sua própria transferência para outra célula através de um processo denominado conjugação. . este processo é caracterizado pela transferência de informação genética de uma bactéria para outra por meio de um bacteriófago. Estes existem tanto em procariotas como em eucariotas. Estes plasmídeos codificam todos os factores necessários para a sua própria transferência. a qual provoca a aquisição de novos marcadores genéticos mediante a incorporação de DNA exógeno. como é o caso de resistência a alguns antibióticos. Os transposões são os únicos elementos genéticos moveis que podem transferir DNA de uma posição para outra dentro de uma mesma célula.Microbiologia Os plasmídeos podem replicar-se de forma independente e por isso recebem muitas vezes o nome de replicões. Os transposões mais simples são compostos por sequências de inserção e no seu comprimento possuem entre 150 a 1500 pb com repetições invertidas de 5 a 40 pb e a informação necessária mínima para a sua transferência. consiste numa transferência quase-sexual de informação genética entre uma bactéria (dadora) e outra (receptora). no entanto existem outros que plasmídeos que podem ser transferidos para outra célula por outros processos de conjugação – transformação e transdução.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Conjugação. através de uma experiencia realizada por Grifflth em 1928.Transformação.Transformação e Conjugação Página 17 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Genética Bacteriana . Curiosidade: A transformação foi o primeiro mecanismo descoberto de transferência genética em bactérias. Os transposões mais complexos possuem ainda genes que lhes conferem características especiais. Na conhecida experiencia em que ao inocular ratos com uma Fig. sendo que alguns podem integrar-se no cromossoma do hospedeiro – episomas. 4 . No interior da célula o transposão pode percorrer moléculas de DNA distintas. Os bacteriófagos infectam as células bacterianas e replicam-se até um elevado número que leva à lise celular – infecção lítica.

tem lugar em sequências de DNA estreitamente relacionadas e habitualmente substitui uma sequência por outra. e regra geral. Este processo requer a presença de um conjunto de Fig. 5 . Página 18 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Recombinação Homologa Legítima. ou generalizada. Este comportamento é definido pela presença de um plasmídeo conjugativo que contem os elementos necessários para a sua própria transferência.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Este genoma quando o bacteriófago infecta uma célula hospedeira é incorporado no cromossoma bacteriano. Transposição contrariamente à anterior tem lugar em sequências distintas de DNA. Transdução A transferência genética por transdução é mediada por vírus bacterianos que captam fragmentos de DNA e os incluem no seu interior.Transdução e enzimas denominadas rec. e não de forma autónoma pelo fago. . as não virulentas adquiriram capacidade virulenta e levaram à morte do animal.Microbiologia bactéria não virulenta e outra morta virulenta. caso o fagos possua todos os genes necessários para o processo de transdução. produz inserções ou deleções. Recombinação Existem dois tipos de recombinação homóloga e não homologa. Por sua vez a recombinação homologa pode dividir-se em: . Na generalidade as partículas de transdução devem conter uma maioria de DNA bacteriano e apenas uma pequena porção de DNA do fago. Conjugação A conjugação produz uma transferência unidireccional de DNA desde a célula dadora (“macho”) até uma célula receptora (“fêmea”) através dos chamados pillis sexuais.Genética Bacteriana . A transdução pode ser especializada. como é o caso de formar pillis. Este processo necessita da intervenção de enzimas especializadas como é o caso das existentes nos transposões e bacteriófagos lisogénicos. no caso de esta transferência ser mediada por outro agente.Recombinação Homologo Ilegítima.

epidemiologia e identificação (através do estudo da resistência/sensibilidade à substância). Estes podem ter funções de terapêutica. Sinergismo Antibiótico – combinação de antibióticos que a actividade de um interfere com a do outro permitindo uma acção conjunta mais eficaz do que em separado. Bacterioestáticos . Mecanismos de Acção Os antibióticos podem ter diversos meios de acção: . A concentração mais baixa que destrói 99. Página 19 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . apenas em casos excepcionais). Combinações Antibióticas – combinação de antibióticos que se pode usar para amplificar o espectro bacteriano no tratamento empírico ou no tratamento de infecções mistas. actuam ao nível dos ribossomas. e obter um efeito bactericida sinérgico. prevenir o aparecimento de organismos resistentes durante o tratamento. no entanto um fármaco de espectro reduzido apenas é activo contra determinado agentes patogénicos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A concentração mais baixa desta substância que impede o seu crescimento denomina-se por concentração inibidora mínima (CIM). Na área da microbiologia os antimicrobianos com mais relevância são os antibióticos que podem dividir-se em: bacterioestáticos e bactericidas.Substância natural ou sintética. β-lactamidases – enzima que hidrolisa qualquer anel β-lactâmico do grupo de antibióticos que inibem a síntese da parede celular. inactivando-os. Bactericidas – substâncias que destroem activamente os microrganismos.Inibição da Síntese Proteica. que significa contra o que é respeitante à vida. capaz de inibir ou matar microrganismos (ex. Antagonismo Antibiótico . Antimicrobiano . sendo que as bactérias têm ribossomas diferentes dos humanos é possível usá-los sem interferir no normal funcionamento do organismo humano.substâncias que inibem o crescimento dos microrganismos. não os destrói. Espectro de Acção – alcance da actividade de uma substância contra os microrganismos. com acção sistémica. desinfectante e antibióticos). profilaxia (evitando a entrada ou desenvolver de microrganismos. Um fármaco antibacteriano de espectro amplo pode inibir uma grande variedade de bactérias gram-positivas e gram-negativas. mas impede a sua reprodução/bipartição.combinação de antibióticos que fazem com a actividade de um interferia com a do outro e desse mudo a sua acção conjunta seja menor do que em separado.Microbiologia Antibióticos A palavras antibiótico deriva do latim anti + biotikós.9% dos microrganismos alvo denomina-se concentração bactericida mínima (CBM).

actuam ao nível das enzimas que regulam e desempenham as funções de replicação. Os antibióticos com este mecanismo classificam-se de β-lactâmicos. que ao ser destruída permite que o nosso sistema imunitário destrua e controle os microrganismos. como é o caso da parede celular.Intervenção em Cadeias Metabólicas. impedem determinadas vias das quais o microrganismo depende para sobreviver.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Inibição da Replicação e Síntese de DNA. . no entanto é importante que estas vias não existam no organismo humano. Antibiótico Acção Inibição da Síntese da Parede Celular Penicilina Liga-se à PBP (Peniciline Bindingd Protein) e enzimas responsáveis pela síntese do peptidoglicano Cefalosporina Cefamicina Carbapenemos Monobactamos Vancomicina Inibe o alongar da cadeia de peptidoglicano Isoniazida Inibe a Síntese de Ácido Micólico Etionamida Etambutol Inibe a Síntese de Arabinogalactano Ciclosserina Inibe o alongar da cadeia de peptidoglicano Polimixina Inibe a Membrana Bacteriana Bacitracina Inibe a Membrana Citoplasmática da Bactéria e Transporta precursores de peptidoglicano Inibição da Sintese Proteica Aminoglicosídeo Provoca a libertação prematura da cadeias de péptidos aberrantes do ribossoma 30S Tetraciclina Bloqueia a elongação da cadeia polipeptídica no ribossoma 30S Oxazolidona Bloqueia o inicio da síntese proteica pelo ribossoma 50S Macrólido Bloqueia a elongação da cadeia polipeptídica no ribossoma 50S Clindamicina Estreptograminas Inibição da Sintese dos Ácidos Nucleicos Quinolona Une-se à subunidade da Topoisomerase do DNA Rifampicina Bloqueia a transcrição pela RNA Polimerase DNADependente Rifabutina Ruptura do DNA Bacteriano Metronidazol Destruição do DNA Alteração do Metabolismo Sulfonamidas Inibe a dihidropteroato sintetase e bloqueia a síntese de ácido fólico Dapsona Inibe a dihidropteroato sintetase Trimetoprim Inibe a dihidropteroato reductase e bloqueia a síntese de ácido fólico Página 20 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia . que podem interferir com a aquisição de determinados substratos ou com uma maior facilidade da inclusão de alguns fármacos. como é exemplo a penicilina.Inibição do Peptidoglicano.Alteração da Permeabilidade da Membrana. . .

como é o caso de alguns RNAs com funções metabólicas. que é de tal forma elevada quando comparada com a extracelular. como é o caso da respiração celular ou fermentação. evitando assim a divisão celular. Lincosamidas e Estreptograminas • Oxazolidinonas • Glicilciclinas Inibição da Síntese Ácidos Nucleicos Este mecanismo de acção permite que não haja replicação do DNA. desta forma é possível privar os microrganismos de determinadas substâncias indispensáveis à sua sobrevivência. Sem a produção de proteínas é impossível à bactéria dividir-se ou produzir qualquer tipo de toxina ou factor de virulência. Com este mecanismo de acção podemos distinguir as seguintes famílias de antibióticos: • Antibióticos -lactâmicos • Glicopeptídeos • Bacitracina Inibição da Síntese Proteica Estas substâncias actuam ao nível do ribossoma bacteriano que é diferente do humano. e fazem com que não haja tradução do mRNA e desta forma não se produza proteínas. mas também podem impedir a síntese de RNA e desta forma evitar o processo de produção proteica ou de outros compostos.Microbiologia Estes antibióticos ao destruírem a parede celular fazem com que a pressão intracelular. Neste grupo estão incluídas as seguintes famílias: • Sulfonamidas • Co-trimoxazol • Dapsona Página 21 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Distinguimos assim as seguintes famílias deste grupo: • Aminoglicosídeos • Tetraciclinas • Cloranfenicol • Macrólidos.Faculdade de Medicina de Lisboa Inibição da Síntese Proteica Tronco Comum II . leve à lise celular e à destruição do microrganismos. Apresenta as seguintes famílias: • Quinolonas • Rifampicina • Metronidazol Intervenção ao nível das Cadeias Metabólicas Este mecanismo é um pouco mais complexo e actua ao nível das vias metabólicas.

Enterococcu e Haemophilus. Tem um espectro de acção no âmbito das bactérias gram-positivas e anaeróbias. Cefalosporinas: Primeira Geração (Cefalotina. e desta forma escapa a um dos mecanismos mais usuais de resistência. sendo que cada um pode ter características distintas e que lhes conferem uma certa especificidade: Penicilinas: Penicilinas (Fenoximetilpenicilina e Benzilpenicilina): a Benzilpenicilina foi a primeira penicilina descoberta. O seu espectro inclui bactérias gramnegativas e está direccionada para o combate a Enterobacteriaceae e Pseudomona. O seu espectro de acção incide sobre Pseudomonas e Bacteroides. Mezlocilina e Azlocilina): são utilizadas tanto em bactéria gram-positivas como em gram-negativas. Como exemplo temos a alteração das concentrações intracelulares de determinados iões. Acilureidopenicilinas (Piperacilina. Dicloxacilina e Flucloxacilina): são bastante eficazes pois estão protegidas da enzima que degrada as penicilinas. Cefalexina e Cefazolina): o seu espectro de acção apenas está direccionado para as bactérias gram-positivas.Microbiologia Sendo a membrana celular um dos principais componentes de regulação do ambiente intracelular. ao interferirmos com esta é possível alterar as condições do mesmo. Características de Alguns Antibióticos Antibióticos -lactâmicos Anel β-lactâmico Este grupo pode ainda ser dividido. Aminopenicilinas (Ampicilina e Amoxicilina): o seu uso está direccionado para Enterobacteriaceae. Tem uma acção muito específica para Staphylococcus. e desta forma alterar a pressão osmótica e consequente lise celular. com a alteração dos transportadores de membrana. Carboxipenicilinas (Carbenicilina e Ticarcilina): são utilizadas tanto em bactéria grampositivas como em gram-negativas. Cefradina. Página 22 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . em 1928 por Alexander Fleming.Faculdade de Medicina de Lisboa Alterações na Membrana Celular Tronco Comum II . Isoxazolilpenicilinas (Cloxacilina.

Carbapenemos (Imipenem e Meropenem): possuem o espectro de acção mais alargado. o que nos leva a um espectro com um alargado campo de acção. Aminoglicosídeos (Inibem a Síntese Proteica): Fármacos Disponíveis: Gentamicina. são usadas apenas em casos excepcionais. Pseudomonas (Staphylococcus) e Não Streptococcus. Anaeróbios. O seu uso encontra-se reservado a situações onde ainda é desconhecido o agente causador da infecção. Tobramicina. e sem acção sobre não anaeróbios e bactérias gram-positivas. que com o uso destes antibióticos se encontra em risco. Página 23 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Ácido Clavulânico . sem quase 100% eficaz em todas as bactérias.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e como tal houve a necessidade de se criarem inibidores dessas enzimas: . Ceftazidima. o seu efeito conjugado é maior do que se somarmos os seus efeitos separados. as -lactamases. Cefixima e Ceftizoxima): nesta geração começa a existir um predomínio da acção sobre as bactérias gram-negativas. que inclui bactérias gram-positivas. não tão eficazmente para Pseudomonas. quase que deixam de ser eficazes perante infecções provocadas por bactérias gram-positivas. Monobactamas (Aztreonam): o seu espectro de acção está direccionado para Enterobacteriaceae. Nota: Apesar de serem a família com o espectro mais alargado. ou seja.Tazobactama . Quarta Geração (Cefepima e Cefpiroma): nesta última geração o espectro de acção é como que resultado da junção do de 1ª com o 3ª geração. Enterococcus. Mecanismos de Resistência: Alteração do Alvo Bacteriano e Diminuição da Permeabilidade Celular. Amicacina e Estreptomicina. Nota: Sinergismo quando associados a antibióticos -lactâmicos. para que se evite criar resistência e ainda manter um equilíbrio saudável com a população indígena.Sulbactama Glicopéptidos (Destroem a Parede Celular): Fármacos Disponíveis: Vancomicina e Teicoplanina. Espectro de Acção: Enterobacteriaceae. Espectro de Acção: Bactérias Gram-Positivas. Alteração da Sub-Unidade 30S do Ribossoma e Produção de enzimas inactivadoras dos aminoglicosídeos. Nota: Muitas bactérias possuem já enzimas. Netilmicina. ou seja 1+1=3. Ceftriaxona.Microbiologia Segunda Geração (Cefuroxima e Cefaclor): relativamente ao seu espectro de acção existe quase como que uma igualdade qualitativa no efeito sobre bactérias gram-positivas e negativas. Terceira Geração (Cefotaxima. gram-negativas e anaeróbios. que permitem ter resistência aos antibióticos da classe dos -lactâmicos. Mecanismos de Resistência: Diminuição da Permeabilidade da Membrana Celular.

no entanto na tuberculose usa-se sempre combinações de 3 ou mais. mas promove Alteração das Vias Metabólicas): Espectro de Acção: bactérias gram-positivas e gram-negativas. Macrólidos. Quinolonas (Inibição da Síntese DNA): Fármacos Disponíveis: Ácido nalidíxico. Mycoplasma. Mecanismos de Resistência: Alteração das vias metabólicas. Legionella e Anaeróbios.Microbiologia Raramente se utilizam associações. Ofloxacina.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . inactivação enzimática e efluxo activo. transdução e mutação. Espectro de Acção: Bactérias gram-positivas (excepto Enterococcus). conjugação. Claritromicina. é a capacidade dos microrganismos de resistir aos efeitos de um antibiótico ou antimicrobiano. Mecanismos de Resistência: Alteração do alvo (topoisomerase ou girase do DNA) e diminuição da permeabilidade celular. Haemophilus. Azitromicina. Mecanismos de Resistência: Alteração do alvo. Chlamydia e Anaeróbios. Cloranfenicol (Bacteriostáticos): Espectro de Acção: bactérias gram-positivas e gram-negativas. Chlamydia. Mecanismos de Resistência: Produção de CAT – Cloranfenicol acetiltransferase. Ciprofloxacina. Roxitromicina e Diritromicina). não Pseudomonas. Enterococcus e Anaeróbios. Mycoplasma e Chlamydia. Mycoplasma. diminuição da permeabilidade celular. Nota: foi deixado de usar pois era tóxico para a medula óssea e provocava anemia. Esta pode ser adquirida via: transformação. resistência a antibióticos ou resistência antimicrobiana. Doxiciclina e Minociclina. Lincosamidas (Lincomicina e Clindamicina) e Estreptograminas (Quinopristina /Dalfopristina). Levofloxacina. Haemophilus. Tetraciclinas (Bacteriostáticos): Fármacos Disponíveis: Tetraciclina. Moxifloxacina… Espectro de Acção: bactérias gram-positivas e gram-negativas e não anaeróbios. Haemophilus. Norfloxacina. Mecanismos de Resistência: Alteração do alvo (metilação do ribossoma). Co-trimoxazol (Não é uma clase. Lincosamidas e Estreptograminas – MLS (Inibição da Sintese Proteica): Fármacos Disponíveis: Macrólidos (Eritromicina. Espectro de Acção: bactérias gram-positvos e gram-negativos. Nota: esta família de antibióticos é usada com mais frequência nas infecções respiratórias. Resistência a Antibióticos A resistência antibiótica. efluxo activo. Página 24 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

este mecanismo é muito comum e faz com que fármacos que eram facilmente difundidos através da membrana deixem de o ser. a bactéria continua a realizar esse mesmo processo. ou o sejam de forma muito lenta e em baixas concentrações. sendo assim criada uma nova descendência bacteriológica resistente ao medicamento utilizado anteriormente. e não permitem que este tenha efeito sobre o seu alvo. Inactivação ou Modificação Enzimática. através de alteração de alguns aminoácidos na sequência proteica evitam que haja uma ligação entre o agente e o alvo. sem dúvida um dos mecanismos mais conhecidos. que ao se dar uma mutação pontual numa das cadeias podem ocluir completamente o seu lúmen ou diminuir consideravelmente o diâmetro deste. • Produção de β-lactamidases (ex. também com estas mutações pode surgir a alteração de cargas no canal iónico e alterar assim a sua tolerância a determinadas substancias. Este processo pode dar-se pela alteração dos canais transportadores. Modificação do Alvo. uma mutação que altera a sequência que iria ser reconhecida pelo agente e desta forma evita que este se ligue. neste caso apesar de ter uma via metabólica inactivada. no entanto desenvolvem-se mecanismos que o expulsão. ou isso faz-se como uma menor afinidade. Vias Metabólicas Alternativas. penicilinases e cefalosporinases). no entanto muitas das bactérias acabam por desenvolver mais do que um mecanismo o que torna mais difícil o seu combate: 1. • Diminuição da Permeabilidade Celular. Página 25 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 3. 2. • Aquisição de novas Sequências Genómicas por Transferência Horizontal. Efluxo Activo. Alteração da Permeabilidade. no efluxo activo a substância continua a ser absorvida pelo microrganismos. Mecanismos de Resistência Existem diversos mecanismos de resistência a antibióticos. 5. 4. O uso indevido de antibióticos acarreta essa selecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . geralmente por exocitose. Grande parte destes mecanismos de resistência devem-se a: • Mutações.Microbiologia Em bactérias aparece a partir do momento que as pessoas utilizam antibióticos menos potentes fazendo então a selecção das bactérias mais fortes. mas por outra via sobre a qual o nosso fármaco não tem qualquer efeito.

O genoma pode estar contido numa única sequência ou ser composto por vários fragmento individuais. . não são seres vivos.Genomas podem ser de RNA ou DNA.Parasitas intracelulares obrigatórios. são por isso parasitas intracelulares obrigatórios.Incapazes de produzir energia ou proteínas independentemente da célula hospedeira. Relativamente à sua estrutura os vírus podem ser diferenciados relativamente a diversas características: Fig. . e deve conter a informação necessária para a formação.Não são seres vivos. O vírus mais simples é composto por um genoma de ácido desoxirribonucleico (DNA) ou ácido ribonucleico (RNA) contido dentro de uma cápsula protectora de proteínas e. . e nunca ambos. e por isso. Estes últimos são visíveis mediante o uso de um microscópio óptico. são regra geral. em alguns vírus. Sendo que o tamanho dos vírus clinicamente mais activos está na ordem dos 18 nm até aos 300 nm. .Genoma. Todas estas características fazem com que os vírus sofram algumas consequências: .Estrutura e Morfologias dos Vírus .Os componentes virais são agrupados e não replicados por divisão.Têm que ser capazes de utilizar o hospedeiro para produzir os seus componentes.Microbiologia Propriedades dos Vírus Vírus são elementos genéticos que se replicam em células e que têm uma fase extracelular infecciosa.Os componentes virais têm que se agrupar de forma autónoma. . pode ser de DNA ou RNA. acrescida de uma membrana. Possuem algumas características que lhes conferem o seu estatuto de não seres vivos: . . e o seu tamanho é aproximadamente o de uma célula de Staphylococcus.Têm que ser infecciosos para persistirem. 6 . Possuem uma absoluta dependência de um organismo vivo para a sua replicação.Têm que codificar processos que não possam ser fornecidos pela célula hospedeira.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .Agentes filtráveis. . Estrutura As unidades utilizadas na medição do tamanho dos vírus são os nanómetros. Os virióes de grande tamanho podem ter um genoma maior e capaz de codificar mais proteínas. que na sua totalidade constituem o genoma funcional e estrutural do Página 26 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Possuem cápsula nua ou com invólucro. . replicação e transmissão do vírus. possuidores de uma estrutura e mecanismos mais complexos.

apesar de conferir uma menor resistência permite uma fácil alteração no tamanho e mobilidade do vírus. como é o caso da baixa de pH e/ou a interacção entre as proteínas virais e a célula hospedeira. A cápsula é responsável pelas interacções entre a particular viral e a célula hospedeira. é constituída por uma cápsula em redor do Fig. Este tipo de simetria faz com que haja uma restrição no tamanho e mobilidade do vírus.Estrutura dos Vírus (Vírus Nus à Direita e Vírus com Invólucro à Esquerda) Página 27 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 10 . sendo que muitas vezes a sua destruição leva à inactivação do vírus.Microbiologia vírus. Fig. 8 . Fig. proteínas e glicoproteínas. pode ser formada por uma ou mais proteínas e pode apresentar diferentes simetrias: . O invólucro é constituído por lípidos. Para que a cápsula se desintegre podem existir diversas interacções. a existência ou não de invólucro leva a alterações na estabilidade dos vírus em determinados ambientes.Cápsula.Invólucro.Simetria Icosaédrica. O seu genoma pode ser: Fig. no entanto tem que ser capaz de se desintegrar no interior da célula. aos ácidos e detergentes. sendo que se podem distinguir dois grandes grupos relativamente a esta característica: vírus nus ou vírus com invólucro. . bem como a detergentes ou dissolventes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A sua estrutura membranosa apenas é estável em meios aquosos. O genoma pode estar envolto por uma cápsula ou com proteínas de fixação dos ácidos nucleicos associadas e formar uma nucleocápsula.Simetria Helicoidal genoma viral.Simetria Icosaédrica . 9 . logo é susceptível a ambientes desidratados ou ácidos. é mais estável termodinamicamente.Genomas Virais . Geralmente a cápsula é resistente à desidratação. Tem como função proteger o conteúdo viral no exterior do hospedeiro. 7 .Simetria Helicoidal. Esta característica faz com que se possa designar a cápsula de meta-estável.

11 . Estrutura dos Vírus com Invólucro Componentes Membrana Lípidos Proteínas Glicoproteínas É facilmente alterado nos seguintes factores ambientais: .Calor Altera a sua membrana durante a replicação É libertado por gemulação e lise celular Deve permanecer num ambiente húmido No pode sobreviver no tubo digestivo Propaga-se mediante gotículas de grande tamanho. sendo que cada um deles é constituído pela associação de cinco proteínas – pentona ou pentâmero. As proteínas estruturais agrupam-se em subunidades.Microbiologia Vírus com Cápsula A cápsula viral é produto de um aglomerar de proteínas que vão formando sucessivamente unidades de maior dimensão.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Podem ainda existir vírus Fig. Todos os componentes da cápsula possuem características que lhes permitem manter-se unidas e constituir esta unidade maior. transplante de órgãos e transfusões de sangue Não necessita de destruir a célula para se propagar Para protecção e controlo adequados pode ser necessário anticorpos e uma resposta imunitária do tipo celular A hipersensibilidade e inflamação provocam imunopatogenicidade Página 28 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano Propriedades Consequências .Desidratação .Formação da Cápsula Viral que possuem subunidades constituídas por seis unidades – hexonas.Ácido -Detergentes . secreção. As estruturas virais mais simples podem ter uma simetria helicoidal ou icosaédrica. depois capsómeros e por fim formam a pró-cápsula ou cápsula. as quais se unem para formar os protómeros. para que o vírus se possa unir a uma célula alvo especifica. Apenas há a salientar que na simetria icosaédrica a cápsula é formada por 12 capsómeros. Cada uma destas subunidades possui geralmente uma proteína de adesão viral (VAP).

É importante salientar que todos os vírus que possuem RNA de senso negativo (RNA-) apresentam invólucro. de seguida existe um período em que já existe a produção de partículas virais no entanto estas ainda não estão completas. nem são detectáveis – período de eclipse.Relação Tempo/Parículas Virais durante a Infecção Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . no entanto ainda permanecem dentro da célula. É necessário um período de inclusão. 12 . Fig. proteínas e glicoproteínas. Só após a lise ou exocitose destas partículas é que podem ser Página 29 de 371 Fig. A grande maioria das glicoproteínas actuam como proteínas de adesão viral (VAP).Acido .Temperatura . 13 .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . possuindo uma estrutura membranosa idêntica à das membranas celulares.Detergentes .Microbiologia Estrutura dos Vírus com Cápsula Componente Propriedades Proteínas É estável nos seguintes ambientes: . em que o vírus infecta a célula hospedeira.Hemaglutinina Produção Viral A produção viral é composta por diversas fases com características diferentes. por fim existe a fase de maturação em que as partículas virais se começam a desenvolver.VAP .Desidratação É libertado das células por lise Pode propagar-se facilmente Pode desidratar e conservar virulência Pode sobreviver em condições adversas do intestino Pode ser resistente aos detergentes e às água residuais mal processadas Os anticorpos podem ser suficientes para proporcionar imunoprotecção ao hospedeiro Consequências Vírus com Invólucro O invólucro dos vírus é formado por lípidos.Proteases . um dos exemplos são as hemaglutininas (HA).

cada uma das fases caracteriza-se por: . Neste período ocorre como que um eclipse e por isso é designado por período de eclipse. como hormonas. lipoproteínas de baixa densidade e transferrina. libertar o seu genoma no citoplasma e se assim for preciso introduzi-lo no núcleo.Microbiologia detectadas partículas virais fora da célula. Podem surgir partículas infecciosas que devido a mutações ou a erros no processo de síntese e aglomeração não possuem virulência. A perda do invólucro do genoma. faz com que o vírus perca a sua virulência e deixe de ser uma estrutura identificável. Passando agora a ser mais especifico. por fim ocorre a libertação das partículas virais. o que consequentemente leva á síntese de proteínas virais. o vírus deve reconhecer a célula alvo apropriada.Fase Precoce. Penetração Muitas das interacções que têm lugar entre as proteínas de adesão dos vírus e os receptores celulares iniciam-se com a internalização dos vírus rumo ao interior da célula. A maior parte dos vírus sem invólucro entram na célula por endocitose mediada por receptores ou por viropexia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . atravessar a sua membrana plasmática. Os vírus que se unem a receptores expressos por células específicas podem estar limitados a certas espécies. ser capturado pela célula. 14 . Logo após a infecção começam a produzir-se as primeiras enzimas que vão permitir todo o desenrolar do restante processo. É a célula alvo que define o tropismo tecidual. caracteriza-se pelo início da replicação do genoma e síntese de macromoléculas virais. O período de latência é aquele em que não se detecta a presença do vírus no espaço extracelular. inclui o período de eclipse e termina com a libertação dos novos vírus. A endocitose é um processo normal que utiliza a célula para a captação de moléculas unidas a receptores. As VAP são glicoproteínas específicas dos vírus com invólucro. O mecanismo de internalização depende da estrutura do virião e do tipo de célula. Por outro lado existe ainda uma análise da produção viral face à produção de proteínas/enzimas.Processo da Penetração do Vírus na Célula Página 30 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . .Fase Tardia. de seguida dá-se a replicação do RNA/DNA. Fig. unir-se a ela. prosseguindo com a aglomeração e libertação dos vírus. que ocorre durante a fase precoce. Reconhecimento e União à Célula Alvo Em princípio o que determina quais são as células alvo a ser infectadas por um vírus é a união das proteínas de adesão viral ou das estruturas localizadas na superfície da cápsula do virião e dos receptores da célula.

A transcrição do genoma do vírus de DNA têm lugar no núcleo. Inicialmente é transcrito o mRNA destinado às proteínas não estruturais – produtos genéticos precoces. Os vírus com invólucro podem fundir-se com as membranas e depois com a membrana celular para depositar o seu genoma directamente no núcleo. as cápsulas do picornavírus degradam-se como consequência da libertação da proteína VP4. outras enzimas e trifosfatos desoxiribonucleicos. Por vezes perante a união do vírus à célula surgem estruturas hidrófobas das proteínas da cápsula que facilitam o deslizamento do vírus ou do seu genoma através da membrana – penetração directa. Os vírus com invólucro fundem as suas membranas com as membranas celulares e transferem assim o nucleocapsídeo ou o genoma directamente para o interior do citoplasma. com excepção dos poxvirus. Por sua vez mais tarde surgem os produtos víricos tardios que representam as proteínas estruturais. Síntese de Macromoléculas Uma vez no interior da célula o genoma deve dirigir a síntese de mRNA e das proteínas. assim como os vírus de RNA de senso positivo podem ser designados por ácidos nucleicos infecciosos. Para a produção de mRNA. O modo como cada vírus realiza este processo depende da estrutura do seu genoma e do sítio onde tem lugar a replicação. Perca da Cobertura Uma vez internalizada. Para permitir este processo. a maior parte dos vírus de DNA utiliza a polimerase RNA II dependente de DNA. Estes produtos incluem proteínas de união ao DNA e enzimas como as polimerases codificadas por vírus. O processo de perca da cobertura pode iniciar-se por uma união com o receptor ou ser facilitada pelo ambiente ácido ou pelas proteases presentes no endossoma ou lisossoma. e por fim replicar-se. O genoma livre dos vírus de DNA. o genoma dos vírus de DNA deve ser introduzido no núcleo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O genoma carece de utilidade a menos que possa ser transcrito em mRNA funcionais capazes de fixar-se no ribossomas e ser traduzido em proteínas. A maquinaria celular necessária para a transcrição e processamento de mRNA encontra-se no núcleo. assim como outras enzimas. Com excepção dos poxvirus. a nucleocápsula deve ligar-se ao local de replicação do interior da célula e eliminar a cápsula ou o invólucro. por sua vez a maior parte dos vírus de RNA permanece no citoplasma. onde utiliza as Página 31 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Os picovírus e os papovavírus podem entrar na célula por viropexia. os vírus de DNA e RNA controlam de formas diferentes o tempo e a intensidade da síntese de proteínas e genes dos vírus. em especial de timidina. Vírus de DNA A replicação do genoma de DNA necessita de uma polimerase de DNA dependente de DNA. Visto que possuem estruturas e meios de acção distintos.

A polimerase de RNA dos reovírus formam parte do núcleo viral na face interna da cápsula. que não se encontra geralmente nas células não infectadas. a polimerase de RNA deve sintetizar ou estar activa pouco tempo depois da fase de perda da cápsula para poder regenerar novas moléculas de RNA viral. Assim sendo todas as RNA polimerase virais funcionam a um ritmo intenso. polimerases e outras enzimas da célula hospedeira para a síntese da mRNA viral. Os genomas virais de RNA de senso positivo actuam como mRNA unindo-se aos ribossomas e dirigem a síntese de proteínas. O genoma de vírus de RNA deve codificar as polimerases de RNA dependente de RNA (replicases e transcriptases). o que propicia um maior numero de erros que poderão causar mutações. Depois de ter sido sintetizada a RNA polimerase viral é produzida uma cadeia modelo de RNA-. As principais limitações da replicação dos vírus de DNA são a disponibilidade da polimerase de DNA e de desoxirribunocleótidos. e a polimerase do núcleo viral produz o novo RNA de dupla cadeia. As unidades de mRNA são transcritas enquanto se encontram neste núcleo. o que permite a união à célula dos factores de activação da transcrição e da polimerase de RNA dependente de DNA. Em alguns tecidos as células expressam as proteínas de união ao DNA necessárias para activar a transcrição dos genes virais. sendo que por regra geral o genoma viral é composto por uma molécula de mRNA (RNA+) ou um modelo de mRNA (RNA-). O promotor e os elementos facilitadores dos vírus possuem sequências semelhantes às que se encontram na célula hospedeira. Por outro lado é necessário sintetizar uma cadeia de RNA de senso positivo para servir de modelo para a síntese de RNA viral. Durante a replicação e transcrição forma-se uma molécula intermédia de replicação de RNA de dupla cadeia. De seguida a cadeia modelo pode gerar outras moléculas de mRNA e replicar o genoma. A transcrição é regulada pela interacção existente entre as proteínas específicas de união do DNA ao promotor e pelos elementos facilitadores presentes no genoma viral. pelo que existe uma restrição ou limitação da replicação viral. A maior parte das células que se encontram na fase de repouso não sintetizam DNA devido à ausência de enzimas necessárias e às reservas limitadas de desoxitimidina. Os genes mais precoces dos vírus são transcritos a partir da Página 32 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O genoma de RNA de cadeia de senso negativo não é infeccioso por si só. Os genomas virais de RNA de senso negativo constituem os modelos para a síntese de mRNA. As cadeias negativas dos segmentos de genoma são utilizadas como modelos do mRNA de modo semelhante ao que ocorre nos vírus de RNA-. A replicação e a transcrição dos vírus de RNA são processos similares. é preciso transportar uma polimerase viral juntamente com o genoma. Por sua vez a cadeia de RNA+ dos novos núcleos virais serve como modelo para o RNA-. o que se deve ao facto de a célula não possuir um mecanismo próprio capaz de levar a cabo este processo.Microbiologia desoxirribonucleases. O RNA+ livre é capaz de sozinho iniciar a infecção. Tendo em conta que o RNA se degrada com relativa rapidez. Os aerovírus possuem um genoma circular de duplo sentido com sequências positivas adjacentes a sequencias negativas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os reovírus possuem um genoma de RNA de cadeia dupla e processos de replicação e transcrição mais complexos.

15 . Uma porção do genoma forma uma estrutura de RNA denominada ribocima a qual ataca a molécula de RNA circular para produzir mRNA.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Como excepção. Em lugar disso possuem moléculas de tRNA e uma transcriptase reversa.Microbiologia cadeia de sentido negativo do genoma. Por fim. Fig. os deltavírus possuem um genoma circular em forma de bastão e uma cadeia de RNA de cadeia simples que apresenta um alto grau de hibridação consigo mesmo. o genoma de RNA replica-se no núcleo mediado por uma polimerase de RNA II dependente de DNA da célula hospedeira.Classificação dos Vírus. e os genes mais tardios a partir da molécula intermediária de comprimento completo. Tipos de Genoma e Replicação Página 33 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Apesar de os retrovírus contarem com um genoma de RNA de senso positivo não possuem meios para replicarem o seu RNA no citoplasma.

do tRNA e dos mecanismos de modificação pós-tradução da célula hospedeira para produzir as suas proteínas. No caso de vírus com invólucro. este por sua vez solidifica a cápsula. Existem outros mecanismos mais complexos. A diferença do que ocorre no ribossoma bacteriano e no ribossoma eucariota consiste em grande parte no facto de o primeiro permitir a tradução de um mRNA policistrónico enquanto o segundo apenas permite produzir uma proteína continua. Cada parte do vírus possui unidades de reconhecimento que lhe permitem interagir com as outras estruturas para formarem o produto viral.Replicação do Genoma. A fosforilação pode ser conseguida por intermédip de proteínas cinases celulares ou virais e constitui um dos principais meios de activação ou inactivação das proteínas virais. Outros como o vírus herpes inibe a síntese de macromoléculas celulares e induz a degradação do mRNA e DNA da célula. No caso dos vírus de RNA+. Após isto a poliproteína é degradada por diversas proteases virais e celulares até formar proteínas funcionais. Montagem A montagem de um virião ocorre de um modo análogo à de um quebra-cabeças tridimensional. ou não. A aquisição de invólucro produz-se depois da associação da nucleocápsula às regiões da membrana celular que contêm glicoproteínas virais – gemulação. Como exemplo temos a excisão da proteína VPO que vai levar á libertação do péptido VP4. o genoma é lido e traduzido pelo ribossoma numa poliproteína gigante. Algumas proteínas virais necessitam de modificações pós-tradução. É de salientar a existência de sequências na glicoproteínas virais que lhes permite serem incluídas tanto no retículo endoplasmático rugosos como a sua glicolização. . O virião é formado a partir de unidades pré-fabricadas e de pequeno tamanho que rodeiam o genoma para formar uma entidade funcional.Modificação pós-traducional das proteínas. o que impede a tradução dos produtos celulares.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os vírus utilizam diferentes tácticas para facilitar a tradução preferencial dos seus mRNA em prol do mRNA celular.Síntese de mRNA precoce e proteínas não estruturais. Página 34 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . como é o caso do adenovírus que bloqueia a saída do mRNA do núcleo. Montagem do Vírus Gemulação dos Vírus com Invólucro Libertação dos Vírus Este processo inicia-se com a síntese das subunidades necessárias e quando a concentração celular de proteínas estruturais é suficiente para impulsionar este processo do ponto de vista termodinâmico ele pode-se iniciar e ser. ajudado por proteínas de suporte ou por outras que estão activas e libertam energia durante a proteólise. Em muitos casos a concentração de mRNA viral é tão elevada que ocupa todos os ribossomas existentes na célula. como é o caso da fosforilação.Microbiologia Síntese das Proteínas Virais Todos os vírus dependem de ribossomas. as glicoproteínas virais sintetizadas e processadas atravessam a membrana por meio de transporte vesicular. . acilação e sulfatação. . glicolisação.Síntese de mRNA tardio e proteínas estruturais. Etapas da Replicação do Vírus Reconhecimento da Célula-Alvo União Penetração Perda do Invólucro Síntese de Macromoléculas: .

na generalidade todas as outras podem conduzir uma situação de vantagem selectiva. Desta forma irá aumentar a relação partícula/vírus infeccioso. Genética Viral Os genomas virais sofrem com facilidade mutações espontâneas. Estes dois processos são os mais eficientes para a libertação viral. como é o caso da resistência a fármacos.Microbiologia Durante o processo de montagem os vírus podem produzir erros. o que pode levar a que estas partículas que não são infecciosas ocupem a maquinaria de que o vírus necessita para se replicar normalmente e desta forma evitar a multiplicação viral propriamente dita. isto apenas é possível pois pode existir uma elevada concentração de partículas não infecciosas. . Reiniciação do Ciclo de Replicação Regra geral os vírus libertados para o meio extracelular são responsáveis pela iniciação de novas infecções. As mutações podem produzir: . são variações que causam infecções menos graves.Mutantes em Placa. como é o caso dos mutantes sensíveis à temperatura.Mutantes de Espectro de Anfitriões. o que acarreta o aparecer de novas estirpes virais ou com propriedades diferentes dos vírus progenitores ou vírus selvagens. por fusão de uma célula com outra (induzida pelo vírus) ou por transmissão vertical. diferentes antigénios ou diferenças nas suas propriedades estruturais ou funcionais. As mutações que ocorrem nos genes essenciais são denominadas mutações letais. Regra geral os vírus de cápsula nua são libertados após a lise celular. sendo que no processo de gemulação os vírus primeiro associaçam-se às membrana da célula adquirindo o seu invólucro. em contrapartida os vírus com invólucro fazem-nos através de gemulação a partir da membrana plasmática sem que ocorra a morte celular. Grande parte das mutações não são nocivas para o vírus sendo que apenas aquelas que afectam genes essenciais podem resultar na sua inactivação. . Página 35 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e só depois são libertados por exocitose. . Os erros na fase de replicação do genoma viral produzem numerosas mutações. Libertação Os vírus podem ser libertados das células por lise celular. Estas variantes podem ser identificadas por sequências de nucleótidos.Mutantes Condicionados. Para agravar esta situação os vírus não possuem mecanismos de correcção dos erros resultantes da replicação. que diferem dos vírus do tipo selvagem no tamanho ou no aspecto da célula infectada. diferem no tipo de tecido ou espécie de célulaalvo que podem infectar.Imitantes Atenuados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o que é devido a uma baixa fidelidade da polimerase viral e da rápida velocidade com que ocorre a replicação do genoma. ao não ser capazes de se replicar são facilmente assimilados. mas por outro lado esta também se pode propagar por meio de pontes intercelulares. Formam-se assim viriões vazios e outros contendo o genoma. por exocitose ou por gemulação a partir da membrana plasmática.

Microbiologia Também podem surgir novas estirpes virais por meio de interacções entre os vírus ou entre os vírus e a célula. Algumas das propriedades que regulam esta selecção encontra-se a velocidade de crescimento da célula-alvo e de expressão das proteínas necessárias ao vírus. As várias estirpes virais individuais ou mutantes são seleccionadas pela sua capacidade de utilizar a maquinaria das células do organismo hospedeiro e de suportar as condições do ambiente que os rodeia. Os vírus com genomas segmentados formam estirpes híbridas quando uma célula é infectada por umas mais do que uma estirpe – reordenamento. que pode estar sob o controlo do promotor viral ou de um específico para o tecido alvo. como vacinas ou ainda como “assassinos” direccionados para determinados tumores.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Vectores Virais para o Tratamento Os vírus manipulados geneticamente podem constituir excelentes sistemas de administração de genes estranhos. Página 36 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estas terapias prometem inovar na medicina pois permitem integrar sequencias de genoma de interesse no DNA da célula alvo de uma forma eficiente que geralmente é feita com as sequencias virais pelos vírus. Uma pequena vantagem selectiva pode facilmente levar a que uma estirpe passe a ser a predominante até que outra adquira propriedades mais favoráveis. A troca genética intramolecular ocorre entre os vírus ou entre o vírus e o hospedeiro – recombinação. Os vírus podem ainda ser usados para realizar terapias de substituição de genes. Geralmente os vectores virais são vírus defeituosos em que o seu factor de virulência foi substituído por um gene estranho.

. com excepção da Candida spp. o reino dos Fungos. . estabelecem-se no interior de um hospedeiro e dele obtêm benefícios sem causar qualquer vantagem para o hospedeiro.Causam o apodrecimento dos alimentos.Microbiologia Propriedades dos Fungos Os fungos representam um grupo ubíquo e diverso de microrganismos que se dedica principalmente à degradação de matéria orgânica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Relativamente à sua morfologia os fungos podem dividir-se em: Página 37 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que é provado por algumas das suas características e manifestações: .Parasitas. ou seja. enquanto as bactérias apenas necessitam de minutos para de dividirem. Estas características adquirem uma elevada importância a quando do pedido de um exame micológico. são menos de 100 as estripes que estão associadas a doenças humanas. não possuem membrana externa (gram-positivos). A taxonomia dos fungos é baseada na sua morfologia e na forma de produção de esporos. . subsistem pela degradação da matéria morta ou em degradação. apenas causam infecção no caso do hospedeiro se encontrar num estado imunossuprimido. e uma membrana celular em que o ergosterol substitui o colesterol como principal componente esteróide. Taxonomia. . . Outra das grandes diferenças é que nos fungos as infecções são exógenas.Comensais. .Simbióticos. Os fungos podem ser unicelulares ou pluricelulares. Os fungos são heterotróficos e como tal podem ser: .Saprófitos. Estrutura e Replicação Os fungos são classificados segundo um reino próprio. Os fungos co-habitam em quase todos os ecossistemas.São responsáveis pela biodegradação do meio ambiente. Uma das grandes diferenças entre bactérias e fungos é o facto de estes possuírem um tempo de geração muito prologado (horas). sendo que no caso de serem microrganismos patogénicos podem ser prejudiciais para o hospedeiro. são oportunista. e Malassecia Furta.São a principal causa das doenças em plantas. desenvolvem-se numa relação estreita em que um dos participantes da associação beneficia desta e o outro não é prejudicado nem beneficiado. Os fungos são na sua maioria seres anaeróbios.Apesar de existir um elevado número de formas de fungos descritos. É importante referir que os fungos não possuem uma elevada patogenecidade. pois é necessário um tempo de incubação e características diferentes se estivermos perante uma patologia causada por um fungo. São microrganismos eucariotas que se distinguem dos outros eucariotas pela presença de uma parede rígida formada por quitina e glucano. vivem em grupos e obtêm vantagens dessa associação.

cujas extremidades se alargam por um processo denominado extensão apical. Mucor. esporos no interior do esporangio. umas estruturas radiculiformes chamadas rizóides são características de alguns géneros Leveduras de gemulação. estes por sua vez são pouco patogénicos no entanto constituem uma elevada causa de alergias. Bipolaris Hifas que produzem basidioporos Leveduras de gemulação.Dimórficos. Coccidioides. que ao agruparem-se conforme as suas semelhanças passam a designar-se micélio. Basidiobolus Morfologia Hifas cenocíticas de parede delgada. Tronco Comum II . ou patogénica. possuem características de filamentosos ou de leveduras. respectivamente. Trichophyton Pneumocystis Formas tróficas e estruturas tipo quisto Basidiomicetos Deuteromicetos Filobasidiella (forma sexual de Cryptococcus neoformans) Candida. Classe dos Microrganismos Cigomicetos Género Representativo Rhizopus. conidias sexuais contidas em estruturas especializadas ou no interior da hifa Página 38 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . com lados paralelos.Leveduras. 16 . Cryptococcus.Fungos Filamentoso (ex. compartimentalização de esporos no interior do quisto Sexuada: fusão de núcleos compatíveis seguida de meiose para formar basidiosporos Assexuada: produção de conidias por gemulação a partir de uma célula mão ou fragmento de hifa Sexuada: não identificada Ascomicetos Archiascomicetos Saccharmyces. Absidia. de modo a que a célula mãe perde uma porção de si mesma para produzir uma célula-filha. seudohifas. Bolor). Histoplasma.Microbiologia Do ponto de vista morfológico as leveduras Fig. algumas espécies do género Aspergillus.Faculdade de Medicina de Lisboa . . esporos (conidias) no interior de conidióforos Reprodução Assexuada: produção de esporangiosporos no interior do esporangio Sexuada: produção de cigosporos formados por fusão de estirpes compatíveis Assexuada: produção de conidias Sexuada: ascosporos formados numa estrutura especializada denominada ascus Assexuada: fissão binária Sexuada: fusão de estirpes compatíveis para formar um zigoto.Morfologia dos Fungos reproduzem-se por gemulação ou fissão. 6-25 µm. hifas septadas. As células filhas podem desenvolver-se e formar pseudohifas. As hifas podem ser cenocíticas ou septadas. contrariamente aos anteriores possuem uma maior patogenecidade em prol de uma menor potencialidade para causar alergias. Sendo que na maior parte dos casos as leveduras são unicelulares Por sua vez os fungos filamentosos são geralmente pluricelulares formados por estruturas tubolares – hifas . Aspergillus. hifas septadas. consoante se encontra na sua forma ambiental.

úlceras ou fístulas.Microbiologia Quando crescem em ágar ou noutras superfícies sólidas. Os fungos acedem aos tecidos mais profundos por intermédio de traumatismos. Os fungos que produzem esporos sexuais denominam-se telemorfos e os que produzem assexuais designam-se por anamorfos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Como sinais e sintomas temos a descamação da pele. a quebra do cabelo. Micoses Subcutâneas Estas afectam as camadas mais profundas da pele. Página 39 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . são produzidas micélios aéreos. do cabelo e das unhas. As infecções da pele causadas por estes microrganismos denominam-se dermatofitoses. Os fungos reproduzem-se mediante a formação de esporos. Geralmente ocorre uma resposta. por sua vez abrangem um maior espectro de fungos possíveis causadores. lesões anelares na pele. que se projectam para o exterior e permitem a disseminação dos esporos. os quais podem ser sexuais ou assexuais. como o estrato córneo. Estas infecções podem provocar uma resposta imunitária e tornar-se sintomáticos. a hiperplasia epetilomatosa. o engrossamento e perda de coloração das unhas. Micoses Cutâneas As micoses cutâneas são infecções na camada queratinizada na pele. e ao manterem-se podem originar abcessos. Por outro existem os micélios vegetativos que se desenvolvem no sentido da superfície onde estão apoiados e têm como função a nutrição e a disseminação de toxinas. o músculo e o tecido conjuntivo.

Quanto aos seus órgãos de locomoção vão desde simples anexos citoplasmáticos ou pseudópodes a estruturas como flagelos ou cílios. São regra geral caracterizados pelos seus esporos. apresentar sulcos. A sua maioria são hermafroditas. Este grupo divide-se em dois filos: .Microbiologia Propriedades dos Parasitas A parasitologia é o estudo dos animais invertebrados que têm a capacidade de causar doença nos seres humanos e noutros animais.Trematódes.Platyhelminthes. ventosas.Microspora.Sarcomastigophora. Os sexos são separados e possuem um sistema digestivo completo. Poderam nalguns casos apresentar sistema digestivo. incluindo um núcleo revestido por membrana e outros organitos membranares. a célula contem numerosas organitos. mas são geralmente mais curtos e numerosos. Os protozoários compreendem os animais nos quais todas as funções vitais ocorrem em uma única célula. que é constituído por microrganismos arredondados que possuem corpos cilíndricos. são organismos complexos. utilizado para injectar o material infectante (esporoplasma) nas células do hospedeiro. Os protozoários são microrganismo simples cujo tamanho varia de 2 a 100 µm. Os helmintos podem possuir estruturas de fixação como é o caso de ganchos. Este sub-reino pode dividir-se em: . e podem ser divididos em: .Ciliophora. que possuem corpos em forma de folha. O seu protoplasma é revestido por uma membrana celular.Apicomplexa. que possuem um complexo mecanismo de extorsão tubular (túbulo polar). São unicelulares e possuem organitos na sua extremidade apical que produzem substância que ajudam a penetrar nas células do hospedeiro e dessa forma tornar-se um parasita intracelular. tendo um sistema digestivo incompleto. mas nenhum apresenta sistema circulatório. A locomoção é respectivamente feita através da emissão de pseudópodes e do batimento dos flagelos. Classificação e Estrutura Os parasitas dos seres humanos são classificados no reino Animalia e divididos em dois sub-reinos: Protozoa e Metazoa. Deste sub-reino destacam-se os seguintes grupos: . Alguns ciliados podem ser multi-nucleados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . tal como o nome indica a sua locomoção é feita por intermédio do batimento coordenado dos cílios. de corpo alongado e simetria bilateral. Os metazoários são animais multicelulares cujas funções vitais ocorrem em estruturas celulares organizadas em tecidos e sistemas orgânicos. espinhos ou tubérculos. é constituído pelos ciliados. como é o caso do único que infecta humanos – Balantidium coli.Helmintos. são elementos achatados. Podem ser parasitas intestinais ou infectar sangue e tecidos. como o núcleo. dentes ou placas. Os helmintos possuem um sistema nervoso e um sistema excretor primitivos. .Nematoda. . . Os metazoários incluem todos os animais que não são protozoários. . eram antigamente classificados como esporozoários. A sua superfície externa pode ser recoberta por uma película protectora. são frequentemente denominados esporozoários ou coccídios. Página 40 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A classificação dos parasitas tem como base a morfologia das estruturas intracitoplasmásticas. multicelulares. Estes cílios são estruturalmente semelhantes a flagelos. que compreende as amibas e os flagelados. o tipo de organitos de locomoção e o modo de reprodução. que é acelular e pode ser lisa.

pulgas. As asas e antenas estão presentes.Microbiologia . de cor branca.Artrópodos. podendo estar envolvidos directamente nos processos patológicos invasivos ou superficiais. aranhas e escorpiões. os adultos possuem 3 pares de patas. Os que não conseguem formar quistos podem ser transmitidos directamente de um hospedeiro para outro ou necessitarem de um vector artrópodo para completar os seus ciclos de vida. Outros protozoários. como é o caso dos microsporídios intracelulares assimilam os nutrientes através de difusão.Pentastomida. A sua nutrição é feita por difusão através das paredes do corpo. comparados com os 3 pares nos insectos. Muitos protozoários parasitas desenvolveram mecanismos que lhes permitem evadirse do sistema imunológico. que quando adultos apresentam um corpo cilíndrico ou achatado. A respiração da maioria destes microrganismos é preferencialmente anaeróbio.Insecta. como os caranguejos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . como é o caso da constante mudança dos antigénios da sua superfície. Existem cinco grupos principais de artrópodos: .Chilopoda. que de outra forma perante a necessidade de saírem do interior do organismo hospedeiro viriam as suas possibilidades de sobrevivência muito reduzidas. Página 41 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A reprodução entre protozoários é geralmente por divisão binária simples – merogonia – no entanto o ciclo de vida de alguns pode incluir divisões múltiplas – esquizogonia ou alterando com períodos de reprodução sexuada – esporogonia ou gametogonia.Cestódeos. são endoparasitas sugadores de sangue. piolhos. Muitos são hospedeiros intermediários de vários helmintas intestinais ou do sangue e tecidos. e constituído pelo cefalotoráx e abdómen. Diferem dos insectos por não apresentarem asas nem antenas. A sua relevância clínica baseia-se na possibilidade de injectarem toxinas através de picadas dolorosas. é constituído pelo maior número de animais do reino Animalia. o que a protege de possíveis agressões físicas e químicas. como os mosquitos. são por isso anaeróbios facultativos. é constituída por formas aquáticas. como ácaros. e no adulto possuírem 4 pares de patas. As amibas. Todos são hemafroditas e desprovidos de sistema digestivo. . muitos protozoários desenvolvem uma forma de quisto que é metabolicamente menos activa. ou indirectamente como hospedeiros intermediários e vectores de muitos agentes infecciosos. . como é o caso da pinocitose ou fagocitose. Tendo em vista a sua sobrevivência em ambientes adversos e extremos. exigindo a assimilação de nutrientes orgânicos. . é constituída por formas aquáticas e terrestres.Crustacea. os ameboflagelados e outros protozoários realizam a assimilação através de processos simples. camarões e copédopos. como é o caso das centípedes. as suas necessidades nutricionais são na sua maioria simples. Esta estrutura adquire uma elevada importância no processo de reprodução de muitos protozoários. têm a forma de fita e apresentam um corpo constituído por segmentos ou proglotes. . moscas.Arachnida. . Os seres humanos servem como hospedeiros intermediários. Fisiologia e Reprodução Relativamente aos Protozoários. é constituída por formas terrestres. Os flagelados e os ciliados geralmente ingerem alimento num local ou estrutura definida – peristoma ou citóstoma. é constituída por formas terrestres. Esta estrutura é revestida por uma espessa parede celular externa. vespas e formigas.

verificamos que as suas necessidades nutricionais incluem a ingestão activa de tecidos ou líquidos do hospedeiro. Todos possuem um revestimento externo de quitina que é denominado de exoesqueleto. ou seja. e nas formas terrestres através de estruturas corporais tubulares. existe ainda a possibilidade de gerar indivíduos já completamente formados (ovíparos vs. É importante salientar que as larvas e os parasitas adultos são sempre morfologicamente distintos. A respiração das formas aquáticas é feita por intermédio de brânquias. A maior parte destes elementos são muito férteis. sendo esta a forma mais habitual de reprodução.000 ovos por dia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo depositar cerca de 200. vivíparos). Centrando-nos agora nos Artrópodos. Grande parte destas necessidades energéticas destina-se ao processo reprodutivo. A principal barreira protectora para os helmintos é a sua camada externa resistente. Os sexos são separados. Página 42 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Passando agora para uma análise dos Metazoários. e em particular dos Helmintos. Como já acontecia nos protozoários a respiração do helmintos é primariamente anaeróbia. que possuem um corpo segmentado. podendo ainda secretar enzimas que destroem as células do hospedeiro e neutralizam os mecanismos imunológicos e celulares de defesa. existe um macho e uma fêmea distintos. diversos apêndices articulados pareados e sistemas digestivo e nervoso bem desenvolvidos. embora o estado larvar possa necessitar de oxigénio.

Microbiologia Bacteriologia Página 43 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

e por fim o ácido e a bílis presentes no trato gastro-intestinal. A estirpe e o tamanho do inoculo são factores importantes para a determinação da patologia associada ao microrganismo. estes mecanismos de aderência permitem muitas vezes que locais dificilmente colonizáveis o sejam. epitélio ciliado. produção de vitaminas e protecção do hospedeiro contra a colonização por microrganismos patogénicos. Este biofilme consiste de uma rede viscosa de polissacarídeos que mantém as células unidas entre si e á superfície adjacente. o seu conjunto denomina-se ilhas de patogenidade e não são mais do que as regiões cromossómicas onde podemos encontrar os genes que codificam os factores de virulência associados à bactéria.Microbiologia Mecanismos Envolvidos na Patogenia Bacteriana Muitos dos mecanismos desenvolvidos pelas bactérias são adquiridos por características genéticas que constituem factores de virulências. Página 44 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . estes aumentam a capacidade das bactérias de causarem doença. Existe um conjunto de genes que codificam todos estes factores. muco. No entanto existem aberturas naturais nestas barreiras que são protegidas por defesas naturais como o muco e o epitélio ciliado que revestem o trato respiratório superior. o que impede a sua remoção. O corpo humano é colonizado por inúmeros microrganismos. As bactérias oportunistas causam doenças apenas em pessoas que se encontram num estado de imunossupressão. Adesão e Invasão As bactérias podem utilizar mecanismos específicos para aderir e colonizar as diferentes superfícies do corpo do hospedeiro. As bactérias possuem adesinas que se ligam a receptores específicos da superfície do tecido. algumas possuindo secreções com substâncias antimicrobianas (lisozima). etc). Perante estas defesas adicionais muitas bactérias desenvolveram mecanismos de resistência. muitos dos quais realizando importantes funções para os seus hospedeiros. a lisozima e outras substâncias antibacterianas presentes nas lágrimas e no muco. como ajuda na digestão de alimentos. como é o caso das bactérias gram-negativas que são resistentes ao ácido gástrico e à bílis. Outro dos métodos utilizado por algumas bactérias para aumentar a sua capacidade de colonização é a produção de um biofilme que é particularmente abundante em dispositivos cirúrgicos como válvulas artificiais e todo o tipo de próteses. Grandes partes destas proteínas encontram-se nas extremidades das fímbrias e ligam-se fortemente a determinadas oses presentes nos tecidos. As bactérias virulentas possuem mecanismos que promovem o seu crescimento causando lesão no organismo hospedeiro. constituem obstáculos à entrada das bactérias no nosso corpo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Entrada das Bactérias no Corpo Humano Os mecanismos de defesa e as barreiras naturais (pele. Colonização. Apesar da existência de barreiras físicas muitas das bactérias conseguem penetrar através delas destruindo a própria barreira ou invadindo as células que a constituem.

Por outro lado existem bactérias que produzem activamente enzimas degradativas que destroem os tecidos envolvidos fornecendo alimento para os microrganismos e permitindo a sua disseminação e invasão. inactivando ou escapando ao sistema de complemento e dos anticorpos. As toxinas são constituídas por componentes da parede celular. Nalguns exemplos esta mesma cápsula é composta por moléculas que mimetizam os nosso tecidos. ou até mesmo crescendo dentro das células e dessa forma evitar as resposta do hospedeiro. Existe um grupo especial de toxinas – superantigénio – que activam as células T através da ligação simultânea ao seu receptor e ao MHC II de outra célula. . como é o caso dos ácidos resultantes da fermentação. . nas infecções com bactérias gram-positivas ocorre a libertação de peptidoglicano e seus derivados. são os componentes bacterianos que prejudicam directamente os tecidos ou desencadeiam actividades biológicas destrutivas. Por outro lado o LPS é um activador ainda mais poderoso das reacções inflamatórias de fase aguda.Microbiologia Acções Patogénicas das Bactérias A acção patogénica das bactérias pode ser divida nos seguintes meios de acção: . este tipo de ligações e activação pode desencadear reacções graves através da libertação de grandes quantidades de citocinas. Sabe-se que a cápsula é um dos factores de virulência mais importantes.Destruição dos Tecidos. enzimas degradativas e proteínas específicas de ligação a receptores que causam reacções toxinas e mediam a libertação inapropriada de citocinas. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . ocultando o microrganismo e impedido o seu reconhecimento por parte do nosso sistema imunitário. a resposta a esta pode ser sentida muito distante do local de infecção pelos microrganismos produtores. este fenómeno pode resultar dos subprodutos do crescimento bacteriano. É importante salientar que apenas as bactérias gram-negativas produzem endotoxinas. Página 45 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Grande parte dos mecanismos de escape baseia-se no crescimento intracelular ou na variação dos seus antigénios. são proteínas sintetizadas por bactérias gram-positivas e gram-negativas e incluem enzimas citolíticas e as proteínas que se ligam a receptores. alterando a função da célula e podendo levar à sua morte.Endotoxinas e outros Componentes da Parede Celular.Exotoxinas.Toxinas. Mecanismos de Escape das Defesas do Hospedeiro As bactérias desenvolveram mecanismos para escapar às principais defesas antibacterianas evitando o seu reconhecimento e destruição pelas células fagocíticas.Imunopatogenia. onde se inclui o mimetismo antigénico. bem como de ácido teicóico e lipoteicóico que vão estimular a resposta pirogénica de fase aguda. Visto que uma toxina pode ser disseminada sistémicamente por meio da circulação. pois é um factor de protecção contra o seu reconhecimento e fagocitose. ocorre nos casos em que os sintomas de uma infecção bacteriana são produzidos por uma exacerbada resposta imunológica ou inflamatória desencadeada pela infecção.

Staphylococcus haemolyticus. Sabe-se que além de ser o membro mais virulento do género é também o único que produz a enzima coagulase. as que habitualmente vivem na pele são as mais importantes: . Podem ou não ser Fig. . aeróbios ou anaeróbios facultativos. A cápsula protege as bactérias ao inibir a quimiotaxia e fagocitose dos Página 46 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Staphylococcus Os cocos gram-positivos formam um grupo heterogéneo de aproximadamente 21 géneros que colonizam o homem. Gram) Este género é constituído por microrganismo patogénicos importantes e que causam um vasto leque de doenças sistémicas. . é constituída por uma frouxa camada de polissacarídeos que apenas é observada ocasionalmente in vitro. dos tecidos moles e das vias urinárias. Fisiologia e Estrutura A estrutura e fisiologia do Staphylococcus é representada pelos seguintes constituintes: .Staphylococcus haemolyticus.Staphylococcus hominis. O Staphylococcus saprophyticus é uma espécie responsável por apenas um tipo de infecção. Apresenta um diâmetro entre 0. As espécies mais abundantes associadas a doença humana são: .5 a 1µm.Staphylococcus epidermidis. fazendo muitas vezes parte da flora normal do homem. Das bactérias do género Staphylococcus Coagulase-negativas.Staphylococcus aureus (Coloração de capsulados e são imóveis. . A verificação da presença de catalases é um teste simples para subdividir os vários géneros.Staphylococcus aureus (15% da População é Portadora).Staphylococcus epidermidis.Cápsula. são imóveis. . 17 .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mas pensa-se que in vivo ela esteja mais presente e de forma mais marcada. . O nome Staphylococcus vem do grego staphylé que significa cacho de uvas. Outra das características relevantes é o facto de serem catalase-positivos.Staphylococcus saprophyticus. Este nome refere-se ao padrão que estes cocos grampositivos adquirem. A espécie Staphylococcus aureus é a mais abundante em patologias humanas e as suas colónias apresentam uma coloração dourada devido à presença de pigmentos carotenóides. como é o caso de infecções cutâneas. crescerem num meio com 10% de cloreto de sódio e numa temperatura entre os 18º e 40º. a infecção urinária associada a mulheres jovens e em idade sexual activa.

. consequentemente a um efluxo de alguns iões e consequente intumescimento ou lise celular. Vamos agora enumerar e salientar os aspectos mais importantes sobre algumas das toxinas: . Esta proteína pode ainda ligar-se a Fig. aureus. hepatócitos. 18 . Tanto as enterotoxinas como a TSST-1 pertencem a uma classe de polipéptidos conhecidos como superantigénios. catalisa a hidrólise dos fosfolípidos da membrana em células que se encontrem susceptíveis. É como que uma barreira osmótica para a célula e fornece um local de fixação para as enzimas biossintéticas e respiratórias células. o que a torna mais rígida e resistente. leucócito. aureus a produz. mas quando associados ao peptidoglicano estimulam uma resposta humoral específica. aureus contem o factor de aglutinação. ou seja. nas gram-positivas a parede celular é constituída por camadas com ligações cruzadas.Ácidos Teicóicos.Estrutura da Parede Celular dos Staphylococcus anticorpos e desencadear a activação do complemento. 8 enterotoxinas e a toxina 1 da síndrome do choque tóxico. que pode também ser designado por coagulase ligada.Coagulases e Outras Proteínas de Superfície. plaquetas e células cultivadas. levando à formação de poros. A toxina age integrando-se nas regiões hidrofóbicas da membrana citoplasmática do hospedeiro. e não nos restantes coagulase-negativos. Contrariamente ao que acontece nas bactérias gram-negativas. vai estimular a produção de pirogénos endógenos.Microbiologia microrganismos por parte dos leucócitos. sendo que grande parte das estirpes de S. esta pode ser codificada tanto num cromossoma como num plasmídeo. 2 enzimas esfoliativas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A detecção da presença desta proteína é o principal teste de identificação do S. São imunógenos fracos.Membrana Citoplasmática.Toxina Alfa.Peptidoglicano. Existem outras proteínas que podem ser importantes para a aderência aos tecidos. activa o complemento e leva à produção de interleucina 1 pelos monócitos. . levando a uma aglutinação dos estafilococos. é ainda um importante factor de aderência das bactérias a cateteres e materiais sintéticos. corresponde a metade do peso da parede celular e é uma característica comum nas bactérias gram-positivas. Esta proteína liga-se ao fibrinogénio e converte-o em fibrina insolúvel. como é o caso das proteínas de ligação ao colagénio e à elastina. . lípidos e uma pequena quantidade de glícidos. é constituída por proteínas. encontra-se apenas na superfície das estirpes de Staphylococcus aureus. Patogenia e Imunidade Toxinas Estafilocócicas O S. . O peptidoglicano tem uma actividade idêntica à endotoxina. a superfície externa da maioria das estirpes de S. .Proteína A.Toxina Beta. sendo tóxica para várias células. Página 47 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Esta toxina desorganiza o músculo liso dos vasos sanguíneos e é tóxica para muitos tipos celulares. também pode ser denominada esfingomielinase C e é uma enzima que apresenta especificidade para esfingomielina e lisofosfatidilcolina. como é o caso dos eritrócitos. . aureus produz muitos factores de virulência incluindo pelo menos 5 toxinas citolíticas. medeiam a fixação dos estafilococos às superfícies mucosas através da sua ligação específica à fibronectina. Como meio de acção.

Toxina Delta. Além das características já referidas esta toxina é bastante potente pois pode ser incluída no grupo dos superantigénioss e induzir a activação inespecífica de células T e mediar a libertação de citocinas. aureus. . pertence também ao grupo dos superantigénioss. existem até agora 8 tipo de enterotoxinas estafilocócicas serologicamente diferentes. mas o seu meio de acção baseia-se interacção com o factor plasmático globulínico. não sendo facilmente visível em crianças mais velhas e adultos. No caso de estar presente ela pode apresentar-se sob a forma livre ou ligada. Enzimas Estafilocócicas Existe um vasto conjunto de enzimas que nos permitem identificar especificamente uma estirpe ou género de bactéria através de análise bioquímica. . Estas toxinas possuem características que lhes permitem uma longa durabilidade. Assim sendo relativamente ao Staphylococcus podemos encontrar as seguintes enzimas: .Toxinas Esfoliativas. como é o caso de serem resistentes ao aquecimento a 100ºC por 30 minutos e à acção de grande parte das enzimas do tracto gastro-intestinal. actuando como um detergente. todos os estafilococos produzem esta enzima que é responsável pela conversão de peróxido de hidrogénio em água e oxigénio. possui um amplo espectro de actividade citolítica. Quando esta se encontra ligada à parede celular pode converter o fibrinogénio em fibrina insolúvel. enquanto a ETB é termo-lábil e mediada por plasmídeo. . semelhante à trombina.Microbiologia . por fim existe igualmente a conversão de fibrinogénio em fibrina insolúvel. o que vai levar à formação de estafilotrombina.Toxina 1 do Síndrome de Choque Tóxico (TSST-1). Todas estas possuem a capacidade de induzir a lise de neutrófilos e macrófagos. Esta enzima é essencial para a sobrevivência das bactéria pois permite degradar composto com alto poder oxidativo e que de outra forma levariam à destruição do microrganismo. . revela-se como uma das mais importantes pois permite distinguir entre Staphylococcus aureus (coagulase-positivo) e os restantes (coagulase-negativos). sendo caracterizada por dermatite esfoliativa. entre 30 a 50%. o que leva a um aumento da sensibilidade a esta toxina.Lipases. tal como o nome indica vai hidrolisar os ácidos hialurónicos e desta forma permite uma melhor invasão por parte da bactéria nos tecidos conjuntivos que possuem esta glicoproteína. A SSSS é típica de criança de idade jovem. É importante referir que cerca de 90% das estirpes de S. Esta toxina é relativamente inespecífica e por isso se pensa que seja um surfactante. .Coagulase. também pode ser denominada estafiloquinase. levando a uma aglutinação dos estafilococos. é um mediador da síndrome da pele escaldada produzida por estafilococos (SSS). são constituídas por duas cadeias polipeptídicas. Foram identificadas duas formas de toxinas esfoliativas – ETA e ETB – sendo ambas patogénicas. sendo produzida por causa todas as estirpes de S. aureus e em cerca de 30% das de Staphylococcus coagulase-negativos. A grande diferença entra-se no facto da ETA ser termo-estável e o seu gene ser cromossómico.Fibrinolisina.Catalase.Hialuronidase. algumas têm uma capacidade hemolítica. . bem como as estruturas membranosas celulares.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Esta enzima ao degradar os lípidos permite a estes microrganismos sobreviver em meios sebáceos Página 48 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . sendo capaz de induzir a produção inespecífica de citocinas por macrófagos e linfócitos T. sendo que existe diversas cadeias e por isso é possível codificar 6 diferentes toxinas.Enterotoxinas. Possui uma acção quase antagonista da coagulase. é igualmente resistente ao aquecimento e à proteólise. afectando eritrócitos e outras células.Toxina Gama e Leucocidina Panto-Valentine (P-V). Esta enzima possui a capacidade de dissolver coágulos de fibrina. . Grande parte das estirpes de Staphylococcus aureus produz esta toxina. Por outro lado caso se encontre na sua forma livre produz o mesmo efeito. tal como o nome indica degradam lípidos e estão presentes em todas as estirpes de S. aureus produzem esta enzima.

Microbiologia do corpo do hospedeiro. sabe-se que actualmente os estafilococos são resistentes à penicilina e à maior parte dos β-lactâmicos pois possuem esta enzima que os degrada.Nucleases. Regula a quantidade de iões positivos na membrana e ligase à fibronectina. Dissolve coágulos de fibrina. o que nos leva a pensar que este mecanismo é imprescindível para a invasão dos tecidos cutâneos e subcutâneos. Toxinas Citotoxinas (α. no entanto o seu papel no processo infeccioso é desconhecido. Proporciona estabilidade osmótica. G-I) TSST-1 Enzimas Coagulase Catalase Hialuronidade Fibrinolisina Lipases Nucleases Penicilinase Mais de 90% dos Staphylococcus isolados em 1941 eram sensíveis à Penicilina. Inibe a eliminação mediada por anticorpos. Catalisa a remoção do peróxido de hidrogénio. levando a uma perda de líquidos. Clivam as ligações entre as células no estrato granuloso da pele. . quimiotaxia para leucócitos e anti-complementar. Hidrolisa Penicilinas. são termo-estáveis e são mais um dos marcadores para S. Hidrolisa lípidos. regulando o transporte através desta. principalmente devido à capacidade de produção da β-Lactamase (ou Penicilase). bem como náuseas e vómitos. Hidrolisa o Ácido Hialurónico no tecido conjuntivo. Estimulação a libertação de factores inflamatórios pelos mastócitos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . local onde estão alojadas as enzimas biossintéticas e respiratórias. γ e P-V) Toxinas Esfoliativas (ETA. Aumentam o peristaltismo intestinal. Página 49 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Esta resistência foi rapidamente disseminada pois a sua transmissão é feita por intermédio de um plasmídeo. promovendo a disseminação nos tecidos. Facilita a aderência. aureus. ano em que o antibiótico foi usado clinicamente pela primeira vez. . Converte fibrinogénio em fibrina. Produz extravasamento ou destruição das células endoteliais. Tóxicas para grande parte das células. Barreira osmótica. Entretanto ocorreu um rápido desenvolvimento de resistências à Penicilina. β. Factores de Virulência do Staphylococcus aureus Factores de Virulência Efeitos Biológicos Componentes Estruturais Cápsula Peptidoglicano Ácido Teicóico Proteína A Membrana Citoplasmática Inibe a quimiotaxia e a fagocitose. δ. inibe a fagocitose e estimula a libertação de pirogénios endógenos. A distribuição disseminada desta enzima foi garantida pela sua presença em plasmídeos transmissíveis.Penicilinase ou β-Lactamase. Hidrolise DNA. ETB) Enterotoxinas (A-E.

é causada pela toxina bacteriana presente no alimento e não pela presença dos microrganismos no hospedeiro. no entanto possui um longo período de sobrevivência em superfícies secas. seguidas de descamação do epitélio. Um dos diagnósticos diferenciais é o sinal de Nikolsky positivo. . desinfectantes e anti-sépticos. cerca de 4 horas após a ingestão. o que se deve ao facto de existir uma disseminação Página 50 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Impétigo Bulhoso diversas vesículas em diferentes estádios. aureus e não por estafilococos coagulasenegativos. A sua transmissão pode dar-se tanto por via directa como por via indirecta. Pensa-se que apenas seja causada por S. aureus em carnes secas devido ao seu elevado teor em sal ser compatível com o desenvolvimento da bactéria. o descolar da pele com leve pressão. . Poderá ainda existir este síndrome de forma localizada e toma a designação de impétigo bolhoso. apresentam uma grande distribuição. Pode ser caracterizada pelo aparecer de Fig. Outra característica típica de doença causada por toxinas é o seu desenrolar rápido e abrupto. Um dos factos que nos mostra que esta síndrome é causada por uma toxina é o facto de não existirem microrganismos nem leucócitos no líquido libertado pelas vesículas. principalmente às mucosas. A aderência desta bactéria ao hospedeiro. que se pode diferenciar pela presença de microrganismos no líquido libertado pelas vesículas. Uma das formas de diferenciar a Intoxicação Alimentar causada por Estafilococos da causada por Salmonelas é o período de incubação. mas raramente ultrapassando as 24h de duração dos sintomas. A terapia antimicrobiana não é aconselhável visto que se trata de uma patologia causada por uma toxina e não por um microrganismo. destas infecções das que são pirogénicas localizadas destacam-se o impétigo. hipotensão e exantema eritematoso macular difuso. é conseguida através dos receptores de fibronectina dos ácidos teicóicos. pode ser ainda denominada por doença de Ritter e é caracterizada por um eritema peri-oral localizado que cobre todo o corpo em 2 dias. .Infecções Cutâneas. 19 . ou seja. Esta doença apesar de ser conhecida. Síndromes Clínicas As patologias associadas ao Staphylococcus aureus podem ser devido à produção de toxinas ou à destruição e invasão de tecidos: . Verifica-se habitualmente o crescimento de S. estes dois grupos de microrganismos podem ainda ser encontrados na orofaringe. os frúnculos e carbúnculos. Um facto relevante é que o aquecer do alimento apenas destrói as bactérias e não a toxina que é termo-estável. aureus produtoras desta toxina se multiplicam particularmente rápido em tampões hiperabsorventes e daí o facto de esta síndrome estar muitas vezes associada ao seu uso prolongado.Síndrome da Pele Escaldada por Estafilococos. caso não seja tratada eficazmente com um antibiótico apropriado tem uma taxa de recorrência de cerca de 65%. no tracto gastro-intestinal e uro-genital. Os estafilococos são sensíveis às altas temperaturas. ou seja.Intoxicação Alimentar por Estafilococos. Ao fim dos 2 dias surgem grandes bolhas ou vesículas cutâneas. que é curto no caso de Estafilococos e longo no caso de Salmonelas. e como tal todas as pessoas são colonizadas na sua pele por estafilococos coagulase-negativos e nas zonas húmidas por Staphylococcus aureus. O epitélio volta ao seu estado normal no período de 7 a 10 dias.Síndrome do Choque Tóxico. As manifestações clínicas podem ser resumidas por um início abrupto de febre.Microbiologia Epidemiologia Os estafilococos são ubíquos. sabe-se que as estirpes de S. a foliculite.

Um dos factores de risco para as infecções por Staphylococcus é a neutropenia. no entanto em indivíduos imunocompetentes esta situação não é comum. acompanhada de febre alta. sendo muito raramente assintomático. ou seja. Pode surgir associada à endocardite e à bacteriémia e passa a designar-se pneumonia hematogénea. Piúria . aureus é responsável por 33% dos casos. as doenças respiratórias por S. piúria2 e numerosos microrganismos na urina. aureus via circulação sanguínea ou por uma infecção secundária resultante de um traumatismo. Os resultados são geralmente obtidos ao fim de cerca de 2 dias. . mas normalmente aparecem como células isoladas ou pequenos grupos de microrganismos em amostras clínicas. Deve ser encarado como indício de infecção urinária. 2 1 Página 51 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . se por períodos prolongados. à disseminação para órgãos como o coração. pode causar infecções das vias urinárias em mulher jovens sexualmente activas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Infecções de Cateteres e Derivações. no entanto.Bacteriémia e Endocardite. . . a ostemielite pode resultar da disseminação do S. É caracterizada por uma articulação eritematosa e dolorosa. Pode ainda ocorrer a infecção após procedimentos cirúrgicos ou traumatismo com penetração. Esta infecção é caracterizada por uma evolução lenta. Diagnóstico Laboratorial Microscopia Os estafilococos são gram-positivos e formam agrupamentos quando cultivados em meio de ágar. No caso dos Staphylococcus epidermidis e outros coagulase-negativos podem salientar-se as seguintes infecção por serem característica destes microrganismos: . aureus é ainda o principal agente causador da artrite séptica em crianças e adultos que recebam injecções intrarticulares ou com defeitos congénitos nas articulações.Pneumonia e Empiema. 10 ou mais piócitos por campo. com obtenção de material purulento na aspiração. o S. cerca de 20 a 65% das infecções nestes objectos são por estafilococos coagulase-negativos. um baixo número de neutrófilos.refere-se à condição dolorosa causada pelo ato de urinar. o que torna o indivíduo mais susceptível e com menos capacidade de defesa no caso de infecção. protegendoos ainda contra o sistema imunológico e antibióticos. O S. Disúria .Microbiologia secundária dos microrganismos pelas regiões não afectadas ainda. tendo como ponto de partida outro local do hospedeiro. aureus é uma causa comum de bacteriémia e podem conduzir. tanto a infecção como a piúria podem ser detectadas de forma independente. Podendo assim surgir a endocardite aguda que é uma doença grave e pode começar com sintomas idênticos à gripe mas culminar com comprometimento do débito cardíaco e evidência periférica de embolização séptica. podem desenvolver-se nas válvulas cardíacas ou em próteses que as substituam. Esta infecção é caracterizada por uma dor súbita intensa e localizada.Infecções das Vias Urinárias. . Geralmente as mulheres infectadas apresentam disúria1. Geralmente a terapia com antibióticos é eficaz e não há reinfecção por este microrganismo. O empiema ocorre em apenas 10% dos pacientes com pneumonia e o S. A piúria é diagnosticada quando se encontram. em urina centrifugada.é a presença de leucócitos degenerados na urina.Osteomielite e Artrite Séptica. .Endocardite. aureus podem desenvolver-se após aspiração de secreções orais ou através de disseminação. que pode demorar até 1 ano para se manifestar. o que se deve á sua capacidade para produzirem um biofilme que ajuda à sua proliferação e fixação nestas superfícies.

Lavagem adequada das mãos e cobertura da pele exposta.Cocos Gram-Positivos (Diplococos).Meio Não Selectivo. aureus pode ser isolado em meio com 7. como prevenção.Penicilas Penicilinase-Resistente (Oxacilina). Carbúnculos…).Cápsula. . . Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. .Limpeza adequada do ferimento e uso de anti-séptico.Proteína A.Pacientes de Risco: Mulheres.Componentes Estruturais (Cápsula. e por isso caso se recolha sangue deve ser cultivado e não submetido a métodos de coloração de imediato. 20 .Flora normal da pele e mucosas (Orofaringe…). no entanto anticorpos contra ácidos teicóicos são geralmente encontrados em pacientes que estejam infectados por longos períodos. o que inibe a maioria dos outros microrganismos. Pneumonia. .Ácido Teicóico. . .Anaeróbios Facultativos. TSST-1…). .Tratamento Sintomático para Pacientes com Intoxicação Alimentar. Prevenção e Controlo Serologia As tentativas de detectar antigénios estruturais no sangue não foram bem sucedidas. A hemólise é produzida por citotoxinas. . Foliculite. Hialuronidase.Microscopia apenas para infecções pirogénias. . Endocardite. sendo que no sangue também existem poucos microrganismos. O S. A importância das evidências sorológicas negativas deve ser cuidadosamente analisada. . Enterotoxinas.Coagulase Positivos. Protéinas A. . Peptidoglicano. Catalase. Osteomielite…). . .5% de cloreto de sódio.Vancomicina (Estirpes Resistentes). Página 52 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . ..Faculdade de Medicina de Lisboa O pus aspirado não deve ser colectado. . aureus e algumas estirpes estafilococos coagulase-negativos produzem hemólise das hemácias de carneiro. . pois a sua sensibilidade é baixa. no contacto próximo com doentes infectados por S. particularmente a α-toxina. . . Fibrinolisina. Tronco Comum II .Cutâneas (Impétigo. . .Toxinas (Toxinas Esfoliativas. Crianças e Pacientes Hospitalizados. aureus.Sobrevivem em superfícies secas por longos períodos.Mediada por Tóxinas (TSS e Intoxicação Alimentar). Praticamente todos os microrganismos isolados da espécie S. . . .Focos de Infecção devem ser identificados e drenados.Detecção por Serologia pouco eficaz. Staphylococcus aureus Fisiologia e Estrutura .).Cultura de Staphylococus gelose enriquecido e suplementado com sangue de (Gelose de Sangue) carneiro. .Enzimas (Coagulase.Outras (Bacteriémia.Transmissão directa ou por contacto com fontes infectadas. Penicilinase…). Furúnculos.Microbiologia Cultura As amostras devem ser inoculadas em meio de Fig.

no entanto cerca de 30 a 50% dos S. Assim sendo o único antibiótico que permanecia uniformemente contra os estafilococos era a Vancomicina. MRSA – Staphylococcus aureus resistente à Meticilina VISA – Staphylococcus aureus de susceptibilidade diminuída à Vancomicina VRSA – Staphylococcus aureus resistente à Vancomicina No caso dos MRSA as opções terapêuticas baseiam-se no uso da Oxacilina. Um dos exemplos mais comuns desta propriedade é a formação de biofilme à volta do cateter. Staphylococcus Coagulase-Negativos Um potente e o principal factor de virulência dos Staphylococcus coagulase-negativos é a capacidade de formar biofilme que permite a adesão das células entre si e a material inerte. no entanto já foram observados S. . Para os VISA e VRSA o espectro é mais reduzido. A resistência ocorreu através da aquisição do gene mecA que vai codificar uma nova proteína de ligação à penicilina – PBP2’. As bactérias pertencentes a este grupo aderem a uma superfície e. Sabe-se que a cada tipo de resistência está associada a presença de um determinado gene.MRSA  mecA. ficam submersas neste biofilme. no entanto é importante salientar que a sua eliminação completa não é possível nem deve ser efectuada pois é um microrganismo que faz parte da nossa flora indígena. como é o caso da reacção positiva para coagulase.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . aureus com susceptibilidade diminuída à Vancomicina e no caso dos estafilococos coagulase-negativos uma franca resistência. assim sendo temos: .VRSA  vanA. nuclease termoestável podem ser utilizados para diferenciar S. a descontaminação da pele e mucosas e a protecção das zonas expostas durante intervenções cirúrgicas constituem alguns dos mecanismos de profilaxia. sendo que o único disponível em grandes quantidades é a Linezolide. aureus e 50% dos estafilococos coagulase-negativos desenvolveram resistências. por outro lado a diferenciação entre os estafilocos coagulase-negativos é mais complexa. aureus dos outros estafilococos. pela acção da peniciliase. Página 53 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . que é facilmente transmitida através de plasmídeos. Acções como a lavagem das mãos. Foram desenvolvidas penicilinas resistentes a esta enzima. ao fim de poucas horas. Prevenção e Controlo Os estafilococos rapidamente desenvolveram resistências à penicilina. Dicloxacilina e Flucloxacilina. e deve ser baseada na análise do DNA genómico e do plasmídeo. facilitando a colonização e impedindo a acção dos mecanismos de defesa do hospedeiro e dos antimicrobianos. Tratamento. o que faz perdurar a infecção.Microbiologia Identificação Teste bioquímico.

mas também de Staphylococcus aureus e outros microrganismos. Ao contrário do Staphylococcus aureus. frequentemente encontrado na pele. cateteres vasculares e outros dispositivos. podem conduzir à inoculação do agente. A endocardite é uma infecção frequente em indivíduos toxicodependentes que. o Staphylococcus epidermidis não causa. As infecções provocadas por esta espécie estão relacionadas com próteses da anca e das válvulas cardíacas.Microbiologia Staphylococcus epidermidis O Staphylococcus epidermidis é uma bactéria que faz parte da flora residente da pele. na circulação. que causa uma enorme diversidade de doenças pela produção de enzimas e toxinas. estando associada a infecções por dispositivos médicos. Página 54 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os toxicodependentes constituem assim.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Além disso o Staphylococcus epidermidis é um agente frequentemente causador de bacteriémia em doentes neutropénicos. Neste acto de injecção. um grupo particularmente susceptível para o desenvolvimento de uma endocardite. pode haver não só inoculação de Staphylococcus epidermidis. ao injectarem a droga sem os cuidados de assepsia devidos.

22 . no entanto é inibido por elevadas concentrações de glicose. .Outros Componentes da Superfície Celular. 21 . Fisiologia e Estrutura Os S. que se encontra associada a estreptococos virulentos. sendo o seu crescimento óptimo em gelose de sangue enriquecida.Microbiologia Streptococcus O género Streptococcus é constituído por uma grande diversidade de cocos gram-positivos dispostos em pares ou em cadeias. . e muitos deles possuem crescimento capnofílico. . hemólise incompleta (α) ou ausência de hemólise (γ). sendo o agente por excelência causador de Amigdalite. sendo um dímero de N-acetilglicosamina e ramnose. As suas colónias são grandes e brancas com padrões β-hemolíticos. pyogenes são cocos esféricos. . . existe ainda uma outra.Streptococcus (Morfologia diferentes espécies tendo em conta: em Cadeia) .Carbohidratos Grupo-Específico.Propriedades Bioquímicas. que pode ser hemólise completa (β).Cápsula. Fig. As suas exigências nutricionais são elevadas e geralmente cresce apenas em meios enriquecidos com sangue ou soro para o seu isolamento. pertencendo ao grupo A de Lancefield. Este grupo possui uma importância ao nível da distinção entre o grupo A e os restantes. incluem proteínas idênticas ás do Tipo M. funcionando como uma barreira física entre as proteínas opsonizantes ligadas à superfície celular e as células fagocíticas.Propriedades Serológicas (Grupos de Lancefield). sendo composta por ácido hialurónico. mas é também conhecido por causar infecções necrosantes e de extrema gravidade.Padrões Hemolíticos. a principal é a Proteína M. ou seja crescem em meio enriquecido com dióxido de carbono. Página 55 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que constitui um critério de selecção. Os estreptococos são catale-negativos. Podemos classificar as Fig. A maioria das espécies são anaeróbios facultativos. a Proteína T. é a camada mais externa da célula.Proteínas Tipo-Específicas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . constituem aproximadamente 10% do peso seco da célula. Streptococcus pyogenes (Grupo A) É a espécie patogénica mais comum. e desta forma impede a fagocitose da bactéria.Streptococcus pyogenes (Coloração de Na sua estrutura é possível distinguir alguns Gram) componentes com relevância quer na sua virulência. quer na sua capacidade de invasão: . considerada secundária. Esta última apesar de menos virulenta é um marcador importante para as estirpes que não expressam a Proteína M. o ácido lipoteicóico e a Proteína F.

sendo mais provável durante o inverno e em locais com multidões ou um elevado número de pessoas. sendo assim um teste útil para detectar estreptococos do grupo A (teste ASO). e interferão γ. podem ser de duas formas. interagindo com macrófagos e células T auxiliares com libertação de IL-1. . Esta aderência é conseguida pela interacção entre o ácido lipoteicóico e os sítios de ligação dos ácidos gordos na fibronectina e células epiteliais. desregulando assim a activação do sistema de complemento. e ainda produzir uma grande variedade de toxinas e enzimas. um componente do complemento que medeia a inflamação activando e recrutando células fagocíticas. mas podem degradar o DNA livre no pus. a orofaringe de indivíduos saudáveis. são conhecidas como exotoxinas pirogénicas estreptocócicas (Spe) e actuam como superantigénios. . A e B.Estreptolisina S e O. Esta bactéria possui uma elevada virulência. factor α de necrose tumoral (TNF-α) e TNF-β. tanto no adulto como na criança. muitas vezes mediada pela proteína M.Outras enzimas. esta enzima degrada o C5a. o que pode permitir a manutenção da infecção por longos períodos a colonização de locais mais profundos.Estreptoquinases. Página 56 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . podem ser DNAases do tipo A e B. IL-6. e são capazes de lisar coágulos sanguíneos e podem ser responsáveis pela rápida disseminação do S. Esta bactéria pode ainda produzir a C5a peptidase que degrada a C5a e desta forma bloqueia a quimiotaxia dos neutrófilos e fagócitos mononucleares. Epidemiologia Os estreptococos do grupo A normalmente colonizam. Formam-se rapidamente anticorpos contra a Estreptolisina O. o que reduz a sua viscosidade e permite uma melhor disseminação do microrganismos. contrariamente ao que acontece com a S. Os estreptococos α-hemolíticos e não-hemolíticos podem produzir substâncias semelhantes a antibióticos – bacteriocinas – que inibem o crescimento dos estreptococos do grupo A. no entanto podem ainda ser produzidas toxinas e enzimas que vão aumentar a resposta inflamatória como é o caso de: . não são citolíticas. IL-2. invadir as células epiteliais. A transmissão é geralmente feita por via respiratória. leucócitos e plaquetas. No que toca a evitar a opsonização e a fagocitose o mecanismo consiste na ligação da região conservada da proteína M à β-microglobulina sérica. . não imunogénica e ligada à célula que pode lisar eritrócitos. No que diz respeito à Estreptolisina O é uma hemolisina oxigénio-lábil capaz de lisar eritrócitos. entre outras adesinas. sendo esta mediada pelas proteínas M e F. como é o caso da hialuronidase e a difosfopiridina nucleotidase (DPNase) nos estreptococos do grupo A. relativamente à Estreptolisina S é uma hemolisina oxigénioestável. A sua invasão é mais uma vez mediada pelas proteínas M e F. pyogenes. ou factor H. Os marcadores contra esta enzima são importantes para o diagnóstico de infecções cutâneas por S. pyogenes. impedir a opsonização e a fagocitose.Desoxirribonucleases.Exotoxinas Pirgogénicas. Geralmente esta colonização é transitória e é regulada pela capacidade do indivíduo desenvolver imunidade específica contra a proteína M. impedindo a fagocitose. leucócitos e plaquetas. .C5a Peptidase. Assim quando o fragmento C3b se liga a proteína M este é degradado pelo factor H.Microbiologia Patogenicidade e Imunidade A virulência do grupo A é conseguida pela capacidade da bactéria aderir à superfície das células do hospedeiro. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

Não-imunogénica e oxigénioestável Lise dos Eritrócitos e Leucócitos. A escarlatina é uma complicação da amigdalite estreptocócica e ocorre quando a estirpe é lisogenizada por um bacteriófago que estimula a produção de exotoxina pirogénica. IgG e α2-macroglobulina (Inibidor da protease) Medeia aderência às células epiteliais Medeiam a pirogenicidade. . o mesmo se passa em relação às palmas das mãos e plantas dos pés. e ainda como um consequência da infecção. mas é frequentemente observada em paciente com amigdalite estreptocócica. como é o caso dos tecidos moles. . facilitando a disseminação Despolimeriza o DNA livre na célula em material purulento Degrada fragmentos C5a do complemento. no entanto em geral a zona em redor da boca é poupada.Piodermite ou Impétigo. Após 1 ou 2 dias do aparecimento dos sintomas iniciais surge uma erupção eritematosa difusa.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . 23 . mal-estar e cefaleias. o que origina a palidez circum-oral. O microrganismo é introduzido no tecido por uma solução de continuidade. inibindo quimiotaxia Estreptolisina S Estreptolisina O Estreptoquinase DNase C5s Peptidase Síndromes Clínicas Relativamente às infecções causadas por estreptococos do grupo A elas podem ser causadas directamente pelo microrganismo. Inicialmente observa-se o desenvolvimento de vesículas. mas sabe-se que a presença de exsudado é mais característica nas de origem viral. Geralmente é precedida por infecções das vias aéreas ou da pele por S. é uma infecção aguda da pele e que é mais comum em crianças de pouca idade e adultos de idade avançada. Antifagocítica. Imunogénica e oxigénio-lábil Lise dos coágulos de sangue. e é marcada por um início abrupto de dor de garganta.Amigdalite. mitogenicidade para células T. imunosupressão das células B e produção da erupção escarlatiniforme Lise dos Eritrócitos e Leucócitos.Erisipela. febre. Factores de Virulência do Streptococcus pyogenes Factor de Virulência Cápsula Ácido Lipoteicóico Proteína M Proteínas tipo M Proteína F Exotoxinas Pirogénicas Efeito Biológico Antifagocítica Liga-se às células epiteliais Adesina. que pode ser um corte ou arranhão. pyogenes. Degrada C3b do Complemento Liga-se às IgM. Fig. é uma infecção purulenta limitada à derme e que afecta principalmente as partes expostas. inicia-se geralmente por uma infecção cutânea que após uma invasão por parte do microrganismo evolui para uma infecção mais profunda. aumento da susceptibilidade ao LPS. que se transformam em pústulas e que sofrem ruptura e originam crostas.Microbiologia As infecções de tecidos mais profundos. A oro-faringe pode apresentar-se eritematosa com exsudado. A distinção entre uma amigdalite viral e estreptocócica é difícil. citotoxicidade. nas zonas de lesão podem ser encontrados Staphylococcus aureus. pelas suas toxinas ou enzimas. desenvolve-se após 2 a 4 dias da exposição ao patogéneo. e ainda uma linfoadenopatia cervical proeminente. . Esta infecção é característica de crianças com uma higiene precária.Erisipela Página 57 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

5 gramas ao dia. é uma complicação causada por S. 4 Proteinúria . . Geralmente visualizam-se cocos gram-positivos aos pares ou em cadeia em associação com leucócitos. pyogenes. . quando ocorre perda de apenas alguns miligramas de proteínas por dia. é nada mais do que a inflamação aguda dos glomérulos renais. são complicações de uma infecção crónica ou prolongada: . que avança para a formação de bolhas e finalmente ocorre gangrena e sintomas sistémicos. No entanto estes testes apesar de muito específicos. que é caracterizada por uma inflamação de todas as camadas do coração. doenças cardíacas e pulmonares. o que pode conduzir a lesões progressivas das válvulas cardíacas. Deve ser tratada activamente com antimicrobianos e com a remoção do tecido não viável. Por outro lado existem patologias. e deve ser confirmada em pelo menos duas amostras de urina. com edema. quando existe perda de vários gramas de proteínas ao dia. envolve tipicamente a pele e tecidos subcutâneos mais profundos.Glomerulonefrite Aguda.Cultura Streptococcus pyogenes Página 58 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . De início apenas existe uma celulite. Detecção Antigénica (Padrão β-Hemolítico) Podem ser realizados diversos testes utilizando anticorpos contra o carbohidrato específico da parede celular dos estreptococos do grupo A. que embora associadas a este género. Estas patologias referidas como complicações de uma infecção por Streptococcus resultam mais concretamente de complicações imunológicas. Trata-se de um achado comum à várias doenças renais podendo ser discreta. hipertensão. Diagnóstico Laboratorial Microscopia A coloração pelo método de Gram pode ser um método rápido no diagnóstico preliminar de infecções nos tecidos moles ou piodermite. é caracterizada pela destruição do músculo e gordura. A nível cardíaco temos uma pancardite.é a perda de proteínas através da urina.Febre Reumática. dizemos que trata-se de uma proteinúria nefrótica 3 Fig. Hematúria .é a perda de sangue pela urina. diabetes mellitus. Tem como definição mais exata a presença de cinco ou mais eritrócitos por campo na análise microscópica do sedimento urinário. os pacientes mais susceptíveis são aqueles que estão infectados com o vírus da imunodeficiência humana. é uma infecção que ocorre profundamente no tecido subcutâneo e que se dissemina pelos planos fasciais. os vasos sanguíneos e os tecidos subcutâneos. e é caracterizada por alterações inflamatórias envolvendo o coração.Microbiologia . bem como o uso de drogas intravenosas e o consumo excessivo de álcool.Fasciite Necrozitante. e por isso os resultados negativos devem ser confirmados através de cultura. Quando a perda de proteínas pela urina é maior que 3. hematúria3 e proteinúria4. Visto que os estreptococos fazem parte da flora normal da orofaringe. no entanto devido ao grande número de microrganismos que a podem causar é necessário o isolamento e identificação do microrganismo responsável. a sua sensibilidade é muito baixa. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Síndrome do Choque Tóxico por Estreptococos.Celulite. 24 . que têm cancro. as articulações. infecção pelo vírus varicela-zoster. ou pode ser mais intensa. uma amostra respiratória de um paciente com amigdalite apresenta um baixo valor prognóstico.

C5a Peptidase…).Distribuição Ubíqua.No caso da Glomerulonefrite Aguda não é aconselhado nenhum tratamento antimicrobiano ou profilaxia.Terapeutica Antimicorbiana na Faringite evita a Febre Reumática. . colónias de microrganismo com cápsula. . . .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Enzimas (Estreptolisinas S e O.Teste da ASO (Anti-Estreptolisina O) é útil na confirmação da Febre Reumática e Glomerulonefrite Aguda.Febre Reumática e Glomerulonefrite Aguda (complicações da faringite e infecções cutâneas).No caso de Historial de Febre Reumática deve ser realizada profilaxia antimicrobiana com penicilina injectável de absorção lenta. Estreptoquinase. .Cultura Altamente Sensível.Anaeróbio Facultativo β-hemolítico. mas resultados negativos devem ser confirmados por cultura.Microscopia nas infecções pirogénicas. . Eisipela e Celulite).Catalse-negativos.Anaeróbios Facultativos. .Eritromicina ou Cefalosporinas no caso de alergia à Penicilina.Testes de Detecção de Antigénios. . . . porque na região anterior existe um baixo número de bactérias e a cavidade bucal é colonizada por outras bactérias que Página 59 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Suscéptivel à Bactitracina. .Antigénio A (Glícido grupo-específico).Indivíduos com risco aumentado: crianças dos 5 aos 15 e idosos. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Elementos Estruturais (Cápsula. .Transmissão directa Pessoa-Pessoa por aerossóis.Microbiologia Streptococcus pyogenes Fisiologia e Estrutura . no caso de Faringite e Febre Reumática (meses frios) e na piodermite e glomerulonefrite associada (meses quentes). . . . .Proteína M (Glícido tipo-específico).Infecções pirogénicas cutâneas (Impétigo.Faringite ou Amigdalite Estreptocócica. .Colonização Assintomática das Vias Aéreas Superiores . Proteína M…).Fasciite Necrotizante.Teste Anti-DNase B deve ser realizado no caso de suspeita de Glomerulonefrite Aguda. . .Toxinas (Exotoxinas Pirogénicas).PYR-negativos.Síndrome do Choque Tóxico por Estreptococos. .Colonização Transitória da Pele. .Cocos Gram-Positivos (Longas Cadeias).Estreptolisina O e DNase B (importante para diagnóstico). Prevenção e Controlo Cultura As amostras devem ser obtidas da orofaringe posterior.A Penicilina é a terapêutica de eleição. . . . . . . . . Ácido Lipoteicóico. .Escarlatina (complicação da Amigdalite). . contacto directo ou vector.

O teste anti-DNase B deve ser realizado no caso de se suspeitar de glomerulonefrite estreptocócica. . esta é feita com a toma de uma injecção de Penicilina de Difusão Lenta uma vez por mês. deve também este fazer profilaxia. pyogenes e S. pyogenes foi identificado devido à sua sensibilidade bacitracina. Visto que este é um agente comum de Endocardite. Assim sendo na terapêutica deve ser utilizada Penicilina no caso de estar disponível. Identificação O S. e como tal a terapêutica adoptada é muitas vezes a que deveria ser utilizada em pacientes alérgicos.Fenótipo M – resistente à Eritromicina e susceptível à Clindamicina.Fenótipo MLSB Constitutivo – resistente à Eritromicina e à Clindamicina. Sabe-se que na presença de Staphylococcus aureus esta terapêutica não é eficaz e como tal deve ser utilizada a Oxacilina ou a Vancomicina. É assim possível distinguir três fenótipos: . Dicloxacilina ou Vancomicina. anginosus e de outros estreptococos β-hemolíticos pode ser rapidamente realizada pela demonstração da presença da enzima L-pirrolidonil-arilamidase (PYR). pyogenes é muito sensível à Penicilina. estes microrganismos possuem necessidades nutricionais fastidiosas. Prevenção e Controlo O S. A resistência a Macrólidos já foi descrita e deve-se a uma bomba de efluxo. Como já foi referido anteriormente. o que nos indica que pertence ao grupo A. Macolídos como alternativa. quer no caso de necessidade de toma oral ou de alérgica à Penicilina. que é característica do fenótipo M. . que tenha derivado de uma infecção faríngea por estreptococos recente. Tratamento. resultando o fenótipo MLSB. No caso das infecções graves deve ser utilizada a Penicilina em associação com a Clindamicina. no entanto em casos de alergia pode ser ainda utilizada a Eritromicina ou a Cefalosporina oral. Página 60 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas quando existe elevada concentração de antibiótico torna-se resistente a ambos. No entanto em Portugal não existem penicilinas orais. No caso de doentes com historial de febre reumática deve ser realizada uma profilaxia antibiótica prolongada para evitar a recorrência da doença. e por isso o seu período de incubação deve ser prolongado. As amostras não devem ser recolhidas de pústulas cutâneas rompidas. pyogenes.Microbiologia inibem o crescimento de S.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . pois encontram-se contaminadas com estafilococos. Detecção de Anticorpos A quantificação dos anticorpos contra a estreptolisina O (teste ASO) permite confirmar a presença de febre reumática ou de glomerulonefrite aguda. a profilaxia no caso de o doente ir ser submetido a intervenções cirúrgicas ou qualquer procedimento evasivo. durante um período mínimo de 5 anos. A diferenciação entre S. ou de uma metilação ribossómica.Fenótipo MLSB Indutível – resistente à eritromicina e sensível à Clindamicina.

por ocasião do nascimento ou nos primeiros meses de vida. As diversas estirpes de S. Os estreptococos do grupo B produzem várias enzimas: . . pyogenes pelo método de Gram.Polissacáridos Capsulares Tipo-específicos.Microbiologia Streptococcus agalactiae (Grupo B) O Streptococcus agalactiae é a única espécie que apresenta o antigénio do grupo B.Neuraminidase. existente na região terminal de alguns polissacáridos capsulares. Proteína C. O ácido siálico. Patogenicidade e Imunidade Os anticorpos desenvolvidos contra os antigénios capsulares dos estreptococos do grupo B são protectores. Sabe-se que para combater este microrganismos é fundamental o papel do sistema de completamento.Proteases. . agalactiae podem ser distinguidas tendo em conta: . A colonização genital com estreptococos está associada com o risco aumentado de partos prematuros. . .Doença de Início Tardio ( > 1 semana e < 3 meses).Doença de Início Precoce (< 7 dias). . que possuem baixos níveis de anticorpos. Página 61 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e como tal existe uma maior probabilidade de colonização em prematuros com baixos níveis de complemento. .Hipurase. no parto prematuro. Cerca de 60% dos recém-nascidos provenientes de mães colonizadas tornam-se colonizados à nascença. Fisiologia e Estrutura Todo o grupo B é constituído por cocos gram-positivos e dessa forma é difícil a sua distinção do S. pode inibir a activação do sistema de complemento pela via alternativa e desta maneira interferir com a fagocitose dos estreptococos do grupo B. .Hialuronidase. . Consoante o tempo em que surge a doença ela classifica-se: .Hemolisinas. sendo que a grande diferença consiste no aspecto cremoso das suas colónias e de uma zona estreita de β-hemólise.DNases. Epidemiologia Os estreptococos do grupo B colonizam o tracto gastro-intestinal inferior e o tracto genito-urinário.Antigénio B ou antigénio polissacárido grupo-específico da parede celular. na ruptura prolongada das membranas e febre intra-parto. A colonização com o desenvolvimento subsequente de doença no neo-natal pode ocorrer no útero.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o que explica uma maior incidência nos recém-nascidos.Proteínas de Superfície. este risco aumenta caso a mãe esteja intensamente colonizada a quando do nascimento.

Diagnóstico Laboratorial Detecção de Antigénio A detecção directa com anticorpos preparados contra o polissacárido grupo-específico é de utilidade para a rápida detecção da doença causada pelos estreptococos do grupo B em neo-natais. as manifestações mais comuns são bacteriémia. os sintomas manifestam-se na primeira semana de vida e são caracterizados por uma bacteriémia.Infecções em Homens e em Mulheres Não-Grávidas. urossepsia e pneumonia. sendo mais comum a pneumonia. pneumonia ou meningite. frequentes durante e imediatamente após a gravidez. No entanto actualmente o único método confiável para determinar se uma mulher grávida está colonizada com estreptococos do grupo B é a cultura. Página 62 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Visto que no material para análise estão muitas vezes presentes outros microrganismos nas culturas. As infecções urinárias. infecções dos ossos e das articulações. A β-hemólise pode estar ausente ou ser dificilmente identificada. . possível bacteriémia. da pele e dos tecidos moles.Doenças Neo-Natal de Início Precoce. produzindo grandes colónias depois de 24 horas de incubação. como no adulto. endocardite. amnionite.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . a doença é adquirida através de uma fonte exógena. . . As infecções em homens e mulheres não grávidas são principalmente infecções da pele e dos tecidos moles. Paciente com diabetes mellitus.Ruptura prematura das membranas. . Síndromes Clínicas Como já vimos anteriormente tanto podem ocorrer doenças em idade neo-natal. das quais destacamos algumas mais comuns e com um maior risco para o hospedeiro. .Prematuridade.Doença Neo-Natal de Início Tardio. como é o caso da endometrite.Infecções em Mulheres Grávidas. endometrite e infecções de ferimentos são mais comuns em mulheres grávidas.Mãe infectada. com adição de antibióticos. pneumonia.Parto prolongado.Microbiologia A transmissão para o recém-nascido é mais provável nos seguintes casos: . cancro ou alcoólicos possuem um maior risco de contrair infecções por estreptococos do grupo B na idade adulta. Cultura Os estreptococos do grupo B crescem rapidamente em meio nutricionalmente enriquecido. as infecções são ao nível do tracto urinário ou aparelho genital. . . A manifestação predominante é a bacteriémia com meningite. meningite ou osteaomielite são raras. e como tal para um diagnóstico de estreptococos do grupo B em mulheres grávidas devem ser utilizado um meio selectivo. As complicações como a bacteriémia.

No caso de pacientes alérgicos à penicilina é utilizado a Gentamicina.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . frequentemente causadas por esta bactéria. Todas as colónias sofrem autólise com o envelhecimento. no entanto as doenças que dele advêm representam ainda uma das maiores causa de morbilidade e morte.Streptococcus pneumoniae (Coloração de Gram) Fisiologia e Estrutura O pneumococo é um coco gram-positivo encapsulado. ruptura prematura das membranas pelo menos 18 horas antes do parto e cultura vaginal ou rectal positiva para o microrganismo entre a 35ª e 37ª semanas. Streptococcus pneumoniae O S. As células mais velhas descoram rapidamente. mas podem ser β-hemolíticas se cultivadas anaeróbiamente. Fig. Tratamento. pneumoniae em gelose de sangue. ficando com a aparência de gram-negativas. deixando um aspecto em covinha. No caso das infecções urinárias. o que é caracterizado por uma destruição da parte central da colónia. Página 63 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . uma enzima que degrada a hemoglobina e produz um produto verde. Existem factores de risco como é o caso de uma temperatura intra-parto de pelo menos 38ºC. A identificação definitiva é conseguida pela demonstração do polissacárido grupoespecífico ou por sondas moleculares. Prevenção e Controlo Os estreptococos do grupo B são geralmente susceptíveis à penicilina G. É desta característica que resulta a típica coloração das colónias de S. As células podem ter uma forma oval ou de lança e estão geralmente aos pares ou em cadeias curtas. As colónias são α-hemolíticas quando cultivadas em gelose de sangue. visto que a concentração mínima inibitória é relativamente elevada é utilizada a associação de penicilina com um aminoglicosídeo. 25 . pneumoniae foi isolado independentemente por Pasteur e Steinberg há mais de cem anos atrás. utiliza-se Ampicilina ou Nitrofurantoína. Nestes casos recomenda-se a administração de penicilina G pelo menos 4 horas antes do parto.Microbiologia Identificação A identificação preliminar por ser feita pelo teste de CAMP positivo ou pela hidrólise do hipurato. ambas eficazes nesta situação. No sentido de evitar a doença neo-natal recomenda-se a todas as mulheres grávidas que sejam examinadas para detecção quanto à possível colonização por estreptococos do grupo B entre a 35ª e 37ª semana. A aparência α-hemolítica resulta da produção de pneumolisina. Uma das características mais importantes deste microrganismo é o facto de ser o único Streptococcus susceptível Optoquina. tendo sido já descrita a resistência à eritromicina e à tetraciclina. Desde essa época têm sido feita inúmeros estudo o que levou a uma melhor compreensão quanto à genética molecular destes microrganismos e da sua resistência aos antibióticos.

onde ficam protegidas da opsonização e fagocitose. e ainda a colina. pelo facto de poder reagir de maneira cruzada com os antigénios superficiais Forssman. Um outro importante componente é o ácido teicóico que está presente na parede celular. estimula uma resposta inflamatória localizada e escapa da destruição pelas células fagocíticas. pneumoniae e desempenha um papel regulador na hidrólise desse invólucro celular. que leva a uma libertação dos componentes celulares. que contribuem para uma maior capacidade de colonização e migração.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . ligada covalentemente aos lípidos da membrana plasmática. Esta actividade é aumentada pela amidase bacteriana. durante a divisão celular. Colonização e Migração O S. Patogenia e Imunidade As manifestações da doença são causadas principalmente pela respostas do hospedeiro à infecção do que pela produção de factores tóxicos específicos do microrganismo. A colina é necessária para a actividade da autolisina pneumocócica. pneumoniae leva à produção de peróxido de hidrogénio o que leva a uma lesão dos tecidos por intermédio de oxigénio reactivo. que media o processo inflamatório. esta estrutura espécie-específica denomina-se polissacárido C. que é exclusiva do S. Este precipita uma fracção da globulina sérica (Proteína C Reactiva [CRP]) na presença de cálcio. mas elevada em pacientes com infecções agudas. O ácido lipoteicóico da membrana citoplasmática bacteriana é denominado antigénio F. O ácido teicóico exposto está ligado à camada de peptidoglicano e estende-se através da cápsula. Estas proteínas do complemento conduzem à produção de citocinas. Destruição Tecidual O ácido teicóico e os fragmentos de peptidoglicano activam a via alternativa do complemento. A CRP está presente em baixas concentrações em pacientes saudáveis. necessária para a destruição intracelular. produzindo Ca5. a amidase. Existem duas formas de ácido teicóico na parede celular do pneumoco. Sobrevivência à Fagocitose O S. A pneumolisina activa a via clássica do complemento. mediada pela pneumolisina. tendo ainda uma protease para a IgA secretora e a pneumolisina. os seios peri-nasais e o ouvido médio.Microbiologia O microrganismo apresenta necessidades nutricionais fastidiosas e apenas cresce em meios suplementados com produtos sanguíneos. resultando na produção de C3a e C5a. pneumoniae coloniza a orofaringe. pneumoniae sobrevive à fagocitose devido à sua cápsula que proporciona uma protecção uma protecção antifagocitária e devido à inibição da capacidade oxidativa da célula. Apenas as estirpes com Página 64 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . resultando numa migração de células inflamatórias para o local. e em situações específicas é capaz de se disseminar para os pulmões. pode ainda ser transportado pela corrente sanguínea até ao cérebro. Quando este microrganismos de dissemina para tecidos normalmente estéreis. A fosforiscolina presente na parede celular pode ligar-se a receptores do factor de activação plaquetária e dessa forma penetrar nas células. A acção do S. uma forma exposta sobre a superfície e outra semelhante. nas células de mamíferos. Tal como os outros estreptococos carecem de catalase. Este microrganismo fixa-se ás células epiteliais por intermédio de uma proteínas adesiva de superfície.

a pneumonia pneumocócica é caracterizada pelo desenvolver das bactérias nos espaços alveolares. sinusite e bacteriémia. . como os pulmões. Visto que esta pneumonia é muitas vezes derivada da aspiração de aerossóis contaminados. sendo facilmente transmitida de crianças infectadas para adultos em contacto com estas. O S. o que resulta numa obstrução dos seis peri-nasais e do ouvido médio. . os ouvidos e meninges.Bacteriémia. . No entanto no caso de serem colónias envelhecidas podem aparecer não coradas. A infecção surge quando os pneumococos que estão presentes na orofaringe e nasofaringe de disseminam para outros sítios. pneumoniae resulta da colonização de locais anatómicos anteriormente estéreis e como tal já foram referidas anteriormente. Geralmente estas infecções são precedidas. vamos agora explicitar cada uma delas de forma mais aprofundada. desenvolve-se regra geral nos lobos inferiores e pode ser por isso denominada pneumonia lobar. no entanto a sinusite abrange pacientes de todos os grupos etários. . Em todas as que foram referidas pode surgir bacteriémia e o microrganismo ser disseminado para outras partes do corpo. o microrganismo pode disseminar-se para o sistema nervoso central após bacteriémia. geralmente. otite média. Síndromes Clínicas As principais infecções causadas por S. evidenciando um aspecto gram-negativo. tendo como ponto de partida infecções no ouvido médio ou nos seios peri-nasais que após traumatismo podem originar uma comunicação entre a nasofaringe e o espaço subaracnoideu.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Diagnóstico Laboratorial Microscopia A coloração de Gram de amostras de expectoração permite um rápido diagnóstico da doença pneumocócica.Sinusite e Otite Média. mas também nos que estejam saudáveis. pneumoniae é uma causa comum de infecções agudas nos seios peri-nasais e ouvido. por infecções virais das vias aéreas superiores. o S.Meningite.Microbiologia cápsula são capazes de induzir infecção nos seres humanos. Derivado deste facto pode ocorrer endocardite nos pacientes com válvulas lesadas. os seios perinasais.Streptococcus agalactiae (Pigmento Verde) Página 65 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As primeiras manifestações clínicas são o inicio abrupto de calafrios com tremores e febre constante entre os 39º e os 41º C. Epidemiologia A colonização é mais comum em crianças do que em adultos. as que são não-capsuladas são avirulentas. O microrganismo caracterizase por diplococos gram-positivos em forma de lanceta. Os eritrócitos atravessam os capilares que estão congestionados e acumulam-se nos alvéolos. revestidos por uma cápsula não corada. meningite. seguidamente o mesmo sucede-se com os neutrófilos e macrófagos alveolares. A otite média é principalmente observada em crianças de pouca idade. ocorre em 25 a 30% dos pacientes com pneumonia pneumocócica e em mais de 80% dos pacientes com meningite. pneumoniae é causa comum de pneumonia bacteriana. Fig. 26 .Pneumonia.

pneumoniae é o que solubiliza mais rápido. e pode ainda ser identificado pela sua susceptibilidade à Optoquina.refere-se à ausência da função normal do baço e está associada com riscos de infecção graves. Neoplasia imunológica e infecção pelo HIV. Tratamento.Pacientes com Asplenia5.Pacientes submetidos a transplante renal. Sabe-se que existe já uma elevada resistência às Tetraciclinas. Dos estreptococos α-hemolíticos o S.Crianças de pouca idade. 5 Asplenia . Prevenção e Controlo Antes dos antibióticos as infecções por S. e que conduziram a genes em mosaico que codificam esta resistência. Com o fim de isolar o microrganismo. Eritromicina ou o Cloranfenicol. como é o caso de outros estreptococos da cavidade oral. que levavam a uma opsonização das bactérias e a uma fagocitose facilitada pelos leucócitos. o que se deve a uma diminuição da afinidade às PBP. Este aumento da resistência ás Penicilinas é um caso único. no entanto é de extrema dificuldade diferenciar o pneumococos de outros estreptococos α-hemolíticos presentes na amostra. e por isso são inúteis nessa situação clínica. este último encontra-se indicado para casos de meningite. Identificação O S.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Está a ser desenvolvida. No caso da meningite é preciso ter em conta que os macrolídos não atravessam a Barreira Hemato-Encefálica.Microbiologia Cultura As amostras de expectoração deve se incubadas em meio nutritivo enriquecido e suplementado com sangue. tem sido utilizado um meio selectivo cm 5 µg/ml de Gentamicina. Página 66 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . que no caso de pacientes alérgicos pode ser substituída por Cefalosporinas. pneumoniae eram tratadas com infusões passivas de anticorpos anti-capsulares. . Para identificar o microrganismo responsável pela sinusite ou otite média deve ser realizado um aspirado do local infectado. Actualmente já existe uma Vacina Conjugada 7 Valente. Com a chegada dos antibióticos o tratamento anterior foi abandonado e a Penicilina passou a ser a terapêutica de eleição. onde os polissacáridos se encontram conjugados a uma proteína. normalmente o toxóide da difteria ou do tétano. Anemia Falciforme. . que neste momento possui 23 polissacáridos diferentes. caracterizada por uma aquisição gradual de sequencias de DNA estranho. pneumoniae rapidamente lisado quando as autolisinas são activadas pelas presença de bílis – teste da solubilidade à bílis. . uma vacina 13-valente conjugada (vacina 11V + Serótipos 19A e 6A) e que se admite que poderá ser mais benéfica. o que aumenta em muito a eficácia da vacina. pois deve-se a uma evolução progressiva. no entanto esta não é eficaz em indivíduos que possuam um elevado risco de contrair uma infecção por pneumococos como é o caso de: . no futuro. neste momento. e um aumento das resistências às penicilinas. Já foi desenvolvida uma vacina anti-capsular.Indivíduos idosos.

facilitando a colonização. causa lesão tecidual Quimioatraente para neutrófilos que podem regular a reacção inflamatória Hidrolisa gelatina. Fisiologia e Estrutura Os enterococos são cocos gram-negativos agrupados aos pares e em cadeias curtas. sendo facilmente confundido com Streptococcus pneumoniae. têm ainda a capacidade de produzir bacteriocinas proteicas que inibem as bactérias competitivas. Os enterococos crescem na presença de 6. no entanto estão presentes proteínas hidrolíticas. embora possam crescer entre os 10º e os 45ºC. Patogenia e Imunidade Os enterococos são microrganismos comensais com um limitado potencial de produzir doença. os enterococos têm a capacidade de provocar graves doenças. As espécies que são com maior facilidade isoladas e clinicamente importantes são Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium. mas também podem apresentar padrões de α ou β hemólise. colagénio.5% de NaCl. hemoglobina e outros péptidos Resistem a Aminoglicosídeos. Factores de Virulência dos Enterococos Factor de Virulência Factores de Colonização Substâncias de Agregação Adesinas Glicídicas Factores Secretados Citolisina Feromona Gelatinase Resistência Antibiótica Efeitos Biológicos Emersa na membrana citoplasmática permite a troca de plasmídeos e a ligação às células epiteliais Medeiam a ligação às células do Hospedeiro Bacteriocina proteica que inibe o crescimento de bactérias gram-positivas. são tolerantes a 40% de sais biliares e podem hidrolisar esculina. Por fim é importante salientar que os enterococos possuem resistência aos antibióticos mais utilizados ou adquiriram genes de resistência. Os cocos são anaeróbios facultativos e crescem numa temperatura óptima de 35ºC. presente nos estreptococos. apresentando colónias grandes brancas após 24 horas de incubação. e por isso foram classificados no passado como estreptococos do grupo D. As colónias são geralmente у-hemolíticas. Apesar desta falta de factores de virulência. β-lactâmicos e Vancomicina Página 67 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Crescem rapidamente no meio gelose de sangue.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Enterococcus Os enterococos possuem na sua parede celular o antigénio D. Estas bactérias não possuem uma toxina potente. Este facto advém dos factores adesivos de origem proteica e glicídica que lhes permitem aderir às células que recobrem o intestino e a vagina humanas.

Sobrevive em superfícies ambientais por longos períodos. Prevenção e .Factores secretados (Citolisina. Quinupristin/Dalfopristin e Fluroquinolonas. . Síndrome Clínica As infecções por enterococos são particularmente comuns em pacientes com cateteres urinários ou intravasculares. Diagnóstico Laboratorial Os enterococos crescem rapidamente em meios de cultivo não selectivos como a gelose de sangue e gelose de chocolate. Página 68 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Factores de Virulência . . sendo o E. .Microbiologia Epidemiologia São bactérias entéricas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . não se dissolverem na presença de bílis e hidrolisarem a PYR. . No caso de bacteriémia por enterococos pode levar a uma endocardite. Existem grandes quantidades de E.Infecções de Ferimentos. . Feromona. no entanto muitas destas infecções são polimicrobianas. bem como em doentes hospitalizados por longos períodos e que receberam antibióticos de largo espectro. como é o caso de serem resistentes à Optoquina. Gelatinase…) Epidemiologia .Coloniza o Tracto Gastro-Instestinal de Animais e Seres Humanos.Parede Celular contendo Antigénio Grupo-Específico (Grupo D). .As infecções derivam geralmente da flora comensal. Bílisresistentes.Pacientes com maior risco: Indivíduos Hospitalizados e tratados com Antibióticos de largo espectro. faecium encontrado nos mesmos locais. Tratamento.Factores de Colonização (Substâncias de Agregação e Adesinas). .Bacteriémia . Enterococcus Fisiologia e Estrutura . a abcessos intra-abdominais.Infecções Graves requerem combinação de Aminoglicosídeos Controle com antibióticos activos contra a parede celular (Penicilina. mas em menores quantidades.Diferenciação por testes simples (catalase-negativos. . sendo normalmente isoladas em fezes humanas e de outros animais.Anaeróbio Facultativo. infecções de ferimentos.Endocardite Diagnóstico . São facilmente diferenciados de outros microrganismos por testes bioquímicos. . .Crescimento rápido em meios comuns não selectivos. .Infecções do Tracto Urinário. PYR-positivos e Optoquina-resistentes). Doenças .Linezolide. Ampicilina e Vancomicina). .Transmissão Directa Pessoa-Pessoa possível. e por isso não está estudada a importância no enterococos na sua génese. faecalis no intestino grosso e tracto genitourinário. Outras espécies podem ser encontradas na pele e tracto respiratórios.Cocos Gram-Negativos (Diplococos ou Cadeias Curtas).É necessário uma restrição cuidadosa do uso dos antibióticos e a implementação das práticas apropriadas de controlo da infecção.

Página 69 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Prevenção e Controlo A terapia antimicrobiana é complicada devido ao facto de a maior parte dos antibióticos não ser bactericida nas concentrações clínicas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .20% são resistentes à Vancomicina. e desse modo restringir a antibioticoterapia e a implementação de práticas adequadas de controlo das infecções.25% são resistentes aos Aminoglicosídeos. . A terapia tem sido constituída pela combinação de Aminoglicosídeos e outro antibiótico que actue na parede celular. Relativamente às resistência podemos genericamente definir que: . Esta situação é preocupante pois a resistência aos antibióticos é mediada por plasmídeos o que permite a sua rápida disseminação. o Quinopristin/Dalfopristin e as Fluroquinolonas selecionadas. É por isso necessário ter uma especial atenção.Microbiologia Tratamento. de modo a obter sinergismo.50% são resistentes à Ampicilina. Actualmente para as estirpes mais resistentes são utilizados antibióticos como o Linezolide. .

Esta espécie é conhecida por ser um dos agentes mais temidos para a criação de armas biológicas. A doença pode ser adquirida por três vias: . Bacillus anthracis O B. a toxina de edema e a cápsula. Uma cápsula proeminente de poplipéptido é observada em amostras clínicas. anthracis é um microrganismo grande que ocorre como bacilo isolado ou em pares nas amostras clínicas. em cultura pode apresentar-se em longas cadeias e agregados.Ingestão. Em comum têm o facto de todos eles produzirem endoesporos. mas não in vitro. a toxina letal e a toxina de edema.Contacto Directo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . é raro nos seres humanos. Existem 3 genes responsáveis por esta cápsula. mas é a via mais comum nos herbívoros. Este problema controlado em países emque a vacina aos animais é praticada de forma eficiente. gram-positivos e gram-negativos. O Bacillus anthracis é o microrganismo responsável pelo antraz e é o membro mais importante deste género. Para que ocorra doença é necessário que esteja presente a toxina letal. anthracis para serem virulentos têm que possuir um segundo plasmídeo que contenha genes codificadores de três exotoxinas: . é formada quando o antigénio protector se combina com o factor letal. . A cápsula inibe a fagocitose das células em replicação. capA. é formada pela combinação do antigénio protector e o factor de edema.Microbiologia Bacillus A família Bacillaceae é constituída por microrganismos aeróbios obrigatórios e anaeróbios estritos.Toxina Letal. . .Toxina Factor de Edema. sendo todos eles transportados por plasmídeos. a actividade da adenilato ciclase da toxina de edema é responsável pelo acumular de líquido e por fim a actividade da metaloprotease de zinco da toxina letal estimula os macrófagos a libertar o TNF-α e a IL-1β. capB e capC. cerca de 95% das infecções ocorrem por esta via e resulta do contacto com esporos do Bacillus através da pele exposta. cocos e bacilos.Antigénio Protector. e ainda outras citocinas pró-inflamatórias. Página 70 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . estes são facilmente ingeridos pelos animais. Epidemiologia O antraz é uma doença de herbívoros. Os B. Tendo o microrganismo a capacidade de formar esporos que podem permanecer no solo por vários anos. sendo os seres humanos infectados por exposição a animais ou a produtos contaminados. Patogenia e Imunidade Os principais factores responsáveis pela sua virulência são a cápsula.

a consistência viscosa das colónias e a aparência microscópica das cadeias filamentosas dos bacilos são características que permitem distingui-lo de outras espécies Bacillus. vómitos. começa com o desenvolimento de uma pústula indolor no local de contacto que rapidamente progride para uma úlcera circundada por vesículas. sendo igualmente susceptível à Doxiciclina. tosse.Carbúnculo Cutâneo edema e sepsis. a menos que ocorra doença bronco-pulmonar. Síndromes Clínicas Vamos falar individualmente de cada forma de antraz.Antraz Gastro-Intestinal. . Existe já documentada a resistência à Sulfonamidas e às Cefalosporinas de largo espectro. São observados grandes bacilos gram-positivos sem esporos. é a forma mais provável para o seu uso em armas biológicas. sendo incomum no humano. resulta da inalação dos esporos. Os sintomas iniciais são febre. Entretanto os genes que codificam resistências à Penicilina e à Doxiciclina foram transferidos parao B.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . progredindo rapidamente para uma doença sistémica. pode ocorrer a nível do tracto intestinal superior. o B. durante o qual o paciente é portador assintomático. Não é um microrganismo fastidioso e cresce na maior parte dos meios não selectivos. Página 71 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Só macrófagos alveolares ingerem os esporos inalados e transportam-nos para os gânglios linfáticos mediastínicos. A transmissão pessoa-pessoa não ocorre. com edema e aumento demarcado dos gânglios linfáticos mediastínicos. pode ter um longo período latente. dificuldade respiratória. anthracis é susceptível à Penicilina. Eritromicina e à Ciprofloxacina. vómitos e mal-estar. A mortalidade associada a esta forma de doença é de 100%. e de seguida uma escara necrótica. onde as bactérias podem permanecer latentes.Microbiologia . de 2 meses ou mais. calafrios. Prevenção e Controlo Contrariamente ao que se passa em outras espécies. Podem ainda desenvolver-se sinais sistémicos. pois estes apenas se formam em meios com poucos nutrientes. anthracis e por isso é recomendada como terapêutica empírica a Ciprofloxacina. Fig. Caso ocorra a colonização do colón inicial ou do íleon terminal o paciente apresenta náuseas. Tratamento. A febre agrava-se rapidamente. . Diagnóstico Laboratorial Os Bacillus anthracis podem ser facilmente detectados por exame microscópico e cultura de amostras colhidas nas vesículas e pústulas cutâneas. formando-se úlceras na boca ou esófago. estando muitas vezes relacionada com a forma de aquisição da doença: . A ausência de hemólise.Antraz por Inalação. 27 . Após três dias do aparecimento dos sintomas iniciais quase todos os casos progridem para choque e morte consequente. no entanto esta é rara.Antraz Cutâneo. cefaleias.Inalação. linfoadenopatias dolorosas e edema maciço. dores abdominais e torácicas. levando a uma linfoadenopatia regional.

infecções oculares e sepsis relacionada com o uso de cateteres endovenosos.Antraz por Inalação (Mais Mortal). mas Fatal). Eritromicina e Cloranfenicol podem ser utilizados. .Microbiologia O controlo da doença humana requer o controlo da doença animal. .Crescimento não fastidioso de colónia não hemolíticas.Bacilos Gram-Positivos.Raramente isolado em países desenvolvidos. tendo especial atenção à durabilidade dos esporos.Esporos (Podem sobreviver durante anos no solo). cereus é mediada por uma das suas duas enterotoxinas: . . . pessoas que contactem com produtos importados destas regiões. anthracis são geralmente causadores de infecções oportunistas e com uma baixa virulência.Infecta principalmente Herbívoros.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . .A vacina humana não é tão eficaz como a animal. . os militares. . o que envolve a vacinação dos animais em regiões endémicas e a incineração dos animais mortos por antraz.A vacinação dos animais constitui a melhor medida de prevenção e controlo. O Bacillus cereus é o mais importante. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Formam Esporos. devido à vacinação eficiente dos animais. Prevenção e Controlo Bacillus cereus e outras Espécies Outras espécies que não o B.Cápsula Polipeptídica. . . Página 72 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . as doenças associadas a ele são as gastroenterites. .Indivíduos de Risco: habitantes de aéreas endémicas. e por fim. que causa a forma emética da doença.Antraz Cutâneo (Mais Comum). .Cápsula (Principal Factor). e acidentalmente o Homem.Preocupação do uso dos esporos para Bioterrorismo.Anaeróbios Facultativos. . .Bactérias são resistentes às Sulfonamidas e Cefalosporinas de largo espectro. Patogenia A gastroenterite causada por B.Ciprofloxacina é o fármaco de eleição. . . . .Isolamento do microrganismo em amostras clínicas (Pústulas ou Úlceras). . pessoas em contacto com produtos animais e militares. como é o caso de habitantes de zonas endémicas. A vacinação pode ainda ser utilizada em pessoas de risco.Antraz Gastro-Intestinal (Mais Rara.Enterotoxina Termo-Estável Proteólise-Resistente.Penicilina. Doxiciclina. Bacillus anthracis Fisiologia e Estrutura .Toxinas (Toxina de Edema e Toxina Letal).

Após um período de incubação de 1 a 6 horas desenvolve-se a doença. sendo a enterotoxina termo-estável libertada e não é destruida mesmo que o arroz volte a ser aquecido e os bacilos destruidos. legumes ou molhos contaminados. verduras.Cereolisina. Os sintomas consistem em vómitos. Relativamente às infecções oculares existem pelo menos três toxinas envolvidas. Diagnóstico Laboratorial Tal como o Bacillus anthracis. Outras infecções por este mesmo agente devido à sua evolução rápida e alta resistência a fármacos devem ser utilizada a Vancomicina.Enterotoxina Termo-Lábil. . uma potente lecitinase. a Ciprofloxacina e a Gentamicina.Toxina Necrótica.Forma Emética.Microbiologia . Epidemiologia O B. . não indica infecção e são insignificantes. . que é uma doença com uma progressão rápida e que quase sempre termina com a perda completa da percepção da luz dentro de 48h após a lesão. náuseas e cólicas abdominais. uma potente hemolisina. produzindo a enterotoxina termo-lábil. Os sintomas são diarreia. mas os esporos termo-resistentes sobrevivem. ou doença com diarreia. os outros Bacillus podem ser rapidamente cultivados em laboratório. ou doença com vómitos. cereus o tratamento sintomático é o mais adequado. As infecções oculares surgem após trauma penetrando do olho. Se o arroz cozido não for refrigerado os esporos germinam e os bacilos podem disseminar-se.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . resulta da ingestão de carnes. que causa de forma diarreica da doença. náuseas e cólicas abdominais. na ausência de doença característica. Durante o cozimento inicial do arroz são mortos os bacilos. pode desenvolver-se uma pan-oftalmite por Bacillus. Existe um maior período de incubação. que resulta geralmente da utilização de arroz contaminado. pois a colonização fecal por este é comum. Página 73 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . uma enterotoxina termo-lábil. Prevenção e Controlo Devido à evolução curta e não-complicada da gastroenterite por B. Tratamento. A rápida destruição do olho resulta da interacção entres estas toxinas e outros factores que ainda não foram identificados. Esta forma de doença dura 1 dia ou mais. pois isolar o microrganismo no paciente não é indicativo de patologia. sendo que para confirmar a doença transmitida por alimento é necessário efectuar cultura do alimento. Síndromes Clínicas O Bacillus cereus é responsável por duas formas de intoxicação alimentar: . cereus e outras espécies são ubíquas e estão presentes em quase todos os ambientes. . As Penicilinas e as Cefalosporinas não são eficazes.Fosfolipase C. que tem uma duração inferior a 24 horas. a Clindamicina. durante o qual os microrganismos se multiplicam no tracto intestinal do paciente.Forma Diarreica. O isolamento da bactéria em amostras clínicas.

.Isolamentos dos microrganismos em produtos alimentares ou espécimes não fecais.Infecções Oculares após trauma.Enterotoxina Termo-Estável.Microbiologia A intoxicação alimentar pode ser evitada pelo rápido consumo dos alimentos após a sua cozedura e pela refrigeração apropriada dos alimentos não cozinhados. Clindamicina.Formam Esporos.Infecções gastro-intestinais são tratadas com terapêutica sintomática. Bacillus cereus Fisiologia e Estrutura . . . Prevenção e Controlo Página 74 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microrganismo não fastidioso. com lesões penetrantes e ainda as que recebam injecções endovenosas.A doença gastro-intestinal é prevenida pela preparação apropriada dos alimentos.Outras infecções oportunistas. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . . . . . . . . . Ciprofloxacina ou Gentamicina.Enzimas Citotóxicas (Cereolisina e Fosfolipase C). .Forma Emética (Vómitos) e Diarreica de Gastroenterite.Ubíquos no Solo.Enterotoxina Termo-Lábel.Esporos. .Infecções oculares e outras invasivas necessitam da remoção do corpo estranho e terapêutica com Vancomicina.Bacilos Gram-Positivos . .Indivíduos de Risco: Indivíduos que consumam alimentos contaminados.Anaeróbios Facultativos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

possuindo uma fina camada de peptidoglicano entre a membrana externa e a interna. Este género é representado por microrganismos gram-negativos aeróbios. e foi observada a existência de pillis que vão desde a membrana citoplasmática. Apenas efectuam oxidação. em casos excepcionais as mucosas ano-genitais. até ao espaço extracelular. sendo que as que não expressam são translúcidas. A ligação com o ferro é estável em condições fisiológicas. A estrutura é idêntica à das bactérias gram-negativas. gonorrhoeae é um microrganismo fastidioso. 28 . sendo ainda necessário uma atmosfera enriquecida com CO2 e húmida para o seu desenvolvimento favorável. 6 Página 75 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . como cobre. Quando in vitro as bactérias que expressão esta proteínas aparecem opacas. No geral este género coloniza as mucosas da orofaringe e da nasofaringe. Transporta e carrega o ferro no plasma e no líquido extracelular para suprir as necessidades teciduais. Não reduzem nitratos e não formam H2S. dos carbohidratos. imóveis e que não formam endosporos. sendo sensível à desidratação e aos ácidos gordos. Fisiologia e Estrutura A N. zinco. são porinas que formam poros ou canais na membrana externa. . Neisseria gonorrhoeae e Neisseria meningitidis. geralmente diplococos. Foram ainda identificadas outras proteínas que intermedeiam a captação de ferro pela ligação à transferrina6.Microbiologia Neisseria Apenas duas espécies são patogénicas exclusivamente nos humanos. gonorrhoeae.Proteínas Rmp. cobalto e cálcio. Na membrana externa existe ainda: . mas. Sabe-se que a sua superfície celular possui cargas negativas de forma semelhante a uma cápsula. atravessando a membrana externa. É capaz de se ligar a outros elementos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Na sua maioria são oxidase-positivas e catalase-positivas.Proteínas Por.Proteínas Opa. constituem uma família de proteínas que permite a ligação à células epiteliais.é uma proteína plasmática do sangue que transporta o ião ferro. mas a dissociação pode ocorrer em meio ácido. é o elemento mais conservado e tem como função estimular os anticorpos que bloqueiam a actividade bactericida do soro contra a N. com exceção da ligação ao cobre.Neisseria gonorrhoeae Neisseria gonorrhoeae A infecção causada por esta espécie é conhecida há séculos. sendo oxidase e catalase positivas. A sua temperatura óptima de crescimento é entre os 35º e os 37º C. não há significado fisiológico. no entanto apesar de uma terapêutica antibiótica disponível continua a ser uma das doenças sexualmente transmitidas mais comuns. Fig. Este factor de virulência encontra-se associado à sua capacidade de aderir a células epiteliais não ciliadas. . Transferrina . necessitando de meios de cultura complexos. e não fermentação.

Cerca de 95% dos homens infectados apresentam sintomas agudas. e por esse facto existe uma maior probabilidade de infecções graves na mulher. e por isso as complicações são raras. sendo este responsável pela maior parte dos sintomas associados à doença provocada por N. Página 76 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . pois não têm a capacidade de aderirem às células epiteliais. prostatite e abcessos peri-uretrais. Factores de Virulência de Neisseria gonorrhoeae Factor de Virulência Pilina Efeitos Biológicos Media a ligação às células não-ciliadas e interfere com a morte celular induzida por neutrófilos Proteína Por (I) Proteína Porina Proteína Opa (II) Proteína de Opacidade – Intermedeia forte ligação às células Proteína Rmp (III) Protege os antigénios de superfície dos anticorpos bactericidas Proteínas de Ligação à transferrina. O LOS estimula a respostas inflamatória e a libertação de TNF-α. 20%). gonorrhoeae. Patogenia e Imunidade Os gonococos ligam-se às células das mucosas. penetrando posteriormente no seu interior. na maior parte dos casos. o antigénio constituído pelo lipo-oligossacárido (LOS). A incidência máxima desta patologia encontra-se entre os 15 e os 24 anos. Sabe-se que as células desprovidas de pilli são avirulentas. a proteína Opa e o LOS. Mas cerca de 50% das mulheres são assintomáticas. mas no caso de existirem podem levar a epididimite. 7 Disúria .refere-se à condição dolorosa causada pelo acto de urinar. tendo as mulheres um risco acrescido de contraírem infecção numa única exposição relativamente aos homens (50% vs. sendo o homem o seu único reservatório. e passam para o espaço subepitelial onde se irá desencadear a infecção.Microbiologia Existe ainda um outro constituinte de elevada importância. Sabe-se que são detectados rapidamente anti-corpos contra a pilina. e devido a isso a doença é muito mais comum em mulheres do que em homens. restrita à uretra.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Intermedeiam a aquisição de ferro para o lactoferrina e hemoglobina metabolismo bacteriano LOS Lipo-Oligossacárido (Endotoxina) Protease IgA1 Degrada IgA1 β-lactamase Hidrolisa o anel β-lactâmico na Penicilina Epidemiologia A gonorreia apenas é conhecida na espécie humana. Inicia-se com o desenvolvimento de uma secreção uretral purulenta e disúria7. multiplicam-se. o que já não ocorre nos homens. A sua transmissão ocorre na maior parte dos casos por contacto sexual. possuindo tal como o LPS uma actividade endotoxina. Síndromes Clínicas No caso do homem a infecção é.

útero e trompas). Cultura A N. Identificação É preliminarmente identificada pela presença de diplococos gram-negativos oxidasepositivos que crescem em gelose de chocolate ou meios selectivos para as espécies patogénicas de Neisseria. visto que as bactérias infectam as células epiteliais colunares endocervicais. secundário à ascenção pela cavidade abdominal. Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis ou Peri-Hepatite . 29 . abcessos tubo-ováricos e doença inflamatória pélvica. pois nos meios selectivos a presença de Vancomicina inibe o crescimento de muitas das estirpes de gonococos. específicos e rápidos. esta última está geralmente associada a recém-nascidos infectados durante o parto. 8 Diagnóstico Laboratorial Microscopia A coloração pelo método de Gram é muito Fig. sendo necessário tomar as devidas precauções na colheita e processamento da amostra.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O diagnóstico definitivo é conseguido pela detecção de ácido produzido a partir de glicose. pois os gonococos morrem rapidamente nestas condições. através do trato genital (vagina. gonorrhoeae para a sua detecção directa em amostras clínicas. tanto assintomáticas como sintomáticas. Pode ainda surgir o Síndrome de Fitz-HughCurtis ou a conjuntivite purulenta. No entanto em homens assintomáticos ou mulheres. diplococo Gramnegativo intracelular. gonorrhoeae pode ser facilmente isolada em amostras genitais. por oxidação. a infecção ascende e pode originar salpingite. Visto que grande parte das mulheres inicialmente é assintomática. Sondas Genéticas Actualmente já existem sondas específicas de ácidos nucleicos de N. principalmente nos homens. da bactéria Neisseria gonorreae. e numa percentagem ainda menos nos homens. 8 Página 77 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e não de outros açúcares. É importante a utilização de um meio não-selectivo. pois esta é incapaz de infectar as células epiteliais pavimentosas. o teste é relativamente insensível. Devido à sua baixa sensibilidade deve ser confirmado por cultura os resultados negativos em mulheres e homens assintomáticos.é a afecção caracterizada por processo inflamatório intra-abdominal adjacente ao fígado. Visto que inúmeros outros microrganismos colonizam as regiões genitais as amostras devem cultivadas tanto em meios selectivos como não-selectivos. e de uretrite gonocócica.Microbiologia No caso da mulher o local de infecção primordial é o colo do útero.Oftalmia Gonocócica Neo-Natal sensível e específica na detecção de infecção gonocócica em homens com uretrite purulenta. Estes testes são sensíveis. ligeiramente queratinizadas que revestem a vagina. É necessária uma especial atenção á desidratação das amostras. Casos mais graves de infecções disseminadas como a septicemia e infecções da pele e articulações ocorrem apenas entre 1 a 3% das mulheres infectadas. também causadora de cervicite (inflamação do colo do útero) e doença inflamatória pélvica (DIP) nas mulheres. No entanto a vizualização de diplococos gram-negativos no interior de leucócitos polimorfonucleados é um resultado positivo confiável.

Neisseria gonorrhoeae Fisiologia e Estrutura .Na infecção ocular deve ser usada Ceftriaxona. Página 78 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .LOS . .Pilina . Protease de Imunoglobulinas…) . . . . . .A resistência é documentada por isso deve ser realizado TSA. Rmp.β-lactâmidase.Ceftriaxona. . Prevenção e Controlo A Penicilina já não pode ser o antibiótico de eleição para a gonorreia devido a: . .A coloração de Gram de amostras uretrais é confiável apenas em homens sintomáticos.Uretrite. Ciprofloxacina ou Ofloxacina para casos sem complicações. . . . uso de preservativo ou espermicidas com nonoxinol 9.Proteína Por (I). .Produção de Ácido através de Oxidação da Glicose.Portadores Assintomáticos são o principal reservatório.Microbiologia Serologia Já foram desenvolvidos testes serológicos que podem detectar antigénios gonocócicos e anticorpos dirigidos contra o microrganismo. tendo sido susbtítuida por sondas moleculares. Proteinas Opa.Transmissão por contacto sexual.Cervicite.Microrganismo Fastidioso (35º a 37ºC em atmosfera Húmida e enriquecida com CO2). LOS. Cefixina. .Salpingite. devido à resistência.Diplococos Gram-Negativo. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. Opa (II) e Rmp (III). . Estes testes não são tão sensíveis nem específicos como os anteriores e por isso a sua utilização não é recomendada.Oxidase-positivo.A prevenção consiste na educação do paciente. . . Por. .Proctite.A cultura é sensível e específica. .Outras (Bacteriémia. lactoferrina e hemoglobina. . Faringite e Conjuntivite).O Homem é o único hospedeiro natural. .Protease IgA.Doença Inflamatória Pélvica. .Penicilina deve ser evitada. . βlactamidases. . Artrite. . .A concentração de Penicilina necessária para inibir o crescimento do microrganismo tem vindo a aumentar.Risco aumentado em pacientes com deficiência nos últimos componentes do sistema de complemento.Proteínas de ligação à transferrina. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Múltiplos Antigénios (Pilina.Não existem vacinas eficazes.Catalase-positivo. Prevenção e Controlo Tratamento.

e o seu crescimento é favorável num ambiente com atmosfera húmida e com CO 2 a 5%. Neisseria meningitidis Este diplococo gram-negativos com cápsula coloniza a nasofaringe de grande parte da população saudável. X. na presença de complicações deve ser associado ao tratamento anterior Doxiciclina ou Azitromicina. A utilização profilática da Penicilina para evitar a doença genital é ineficaz e pode conduzir a estirpes resistentes. A quimioprofilaxia é ineficaz. sendo uma doença que facilmente causa o pânico na comunidade devido à sua elevada taxa de mortalidade e rápida progressão e disseminação. gonorrhoeae pela sua capacidade de produzir ácido a partir da oxidação de glicose e maltose. Fisiologia e Estrutura Os meningococos formam colónias transparentes e não pigmentadas em gelose de chocolate. Tal como ocorre nos N. cerca de 13. à Eritromicina e aos Aminoglicosídeos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Este último mecanismos deriva de uma alteração da superfície celular que impedem a penetração do antibiótico. São oxidase-positivos e são distinguidos dos N. A imunidade pode ser mediada pela respostas humoral. Caso o paciente não responda a este tratamento deve ser efectuado um teste de susceptibilidade aos antibióticos (TSA).Se os efeitos tóxicos são aparentes. . Perante estes factos é aconselhado a administração de Ceftriaxona. mas não de sacarose ou lactose. É a segunda maior causa de meningite em adultos. no entanto os linfócitos reactivos para o antigénio do microrganismo encontram-se diminuídos durante a infecção. Cefixina.Já foram isoladas estirpes que são resistentes à Penicilinas e não produzem βlactamidases e ainda são resistentes às Tetraciclinas.Microbiologia .Se os anticorpos grupo-específicos e sorotipo-específicos estão presentes. .Se ocorre disseminação sistémica na ausência de fagocitose mediada por anticorpos. B. Patogenia e Imunidade O prognóstico de um indivíduo exposto a N.A resistência à Penicilina mediada pela hidrólise enzimática do anel β-lactâmico encontra-se disseminada pelo mundo. e migram para os espaços sub-epiteliais onde desenvolvem a infecção. . meningitidis depende de quatro factores: . devido á presença de pillis. excepto na protecção das infecções oculares nos recémnascidos. esta protecção é conseguida pela presença da cápsula. Actualmente já existem documentadas resistências às Fluroquinolonas.A capacidade das bactérias colonizarem a nasofaringe. Página 79 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . gonorrhoeae os meningococos são internalizados nas células epiteliais. multiplicam-se. sendo que os A. Ciprofloxacina ou Ofloxacina para casos não complicados. Y e W135 estão associados aos casos mais comuns de meningite. C. Existem diversos serótipos. geralmente associados à LOS. .

. . .Bacteriémia.Receptores Específicos dos Pillis Meningocócicos. .Meningoencefalite. Página 80 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Ceftriaxona e Cefotaxima. mas com morte em condições frias e de desidratação.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Neisseria meningitidis Fisiologia e Estrutura . .Crianças nos primeiros 6 meses não apresentam imunidade passiva. Prevenção e Controlo Epidemiologia Cerca de 90% dos casos de doença meningocócica em países desenvolvidos estão presentes os serótipos B.O Homem é o único hospedeiro natural. .Múltiplos Antigénios (Polissacáridos Capsulares. pessoas institucionalizadas e com deficiências nos últimos elementos do complemento.Risco aumentado em crianças com menos de 5 anos. com cultura definitiva. C.Diplococos Gram-Negativo.Países em Desenvolvimento: Soro-grupo A.Teste de Detecção de Antigénio não sensíveis nem específicos.Terapêutica com Penicilina. .Sobrevive à morte intra-celular. o mesmo não acontece nas amostras se sangue.Catalase-positivo. . . . . . .Uretrite. . .Mais comum nos meses secos e frios. C ou Y.Pneumonia: Soro-grupos Y e W135. .Microrganismo Fastidioso (35º a 37ºC em atmosfera Húmida). .Oxidase-positivo.Meningite. . .Produção de Ácido através de Oxidação da Glicose e Maltose.A vacinação é um suplemento à quimioprofilaxia.Meningite e Meningococcemia: Soro-grupos B e C. Y e W135. . . Cloranfenicol. mas é somente utilizada nos soro-grupos A.Endotoxina . sendo que o sorotipo A está associado à doença em países em desenvolvimento. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Microrganismos Fastidiosos. . . .As vacinas polissacáridas conjugadas com proteínas transportadoras oferecem protecção mais e eficaz.Pneumonia. .A coloração de Gram de do Líquido Encefalorraquidiano é sensível e específica.Cápsula (Protege da Fagocitose) . . Pillis e LOS).Transmissão pessoa-pessoa por aerossóis. . . mesmo em crianças com idade inferior a 2 anos.Artrite.Quimioprofilaxia com Rifampicina ou Sulfadiazina (para as estirpes sensíveis).

meningitidis. Síndromes Clínicas Existem diversas patologias associadas a este microrganismo. que são comuns tanto em adultos como em crianças. no entanto salienta-se a: . meningitidis pode ainda causar pneumonia. Meningococcemia A septicemia ou meningococcemia com ou sem meningite é um doença com um elevado índice de mortalidade elevado.Microbiologia A N. Normal Límpido 0-5 40 – 60 mg/dl (60% da Glicémia) 0. 10 Sinal de Brudzinski . A doença endémica é comum em crianças com menos de 5 anos. O estado de portador é tipicamente transitório. e devem ser recolhidas antes do início da terapêutica antimicrobiana. e a eliminação do microrganismo ocorre após produção de anticorpos específicos. ocorrendo dor é um sinal de irritação meningea. 11 Síndrome de Waterhouse-Friderichsen . e se aplicada no momento adequado diminui drasticamente a mortalidade associada. A resposta a antibióticos com este quadro clínico é geralmente excelente. seguidos por necrose hemorrágica aguda das glândulas suprarenais e disfunção cardiovascular severa 9 Página 81 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . artralgia. petéquias. Os sinais meníngeos incluem: rigidez de nuca. fraqueza.consiste na adução e flexão dos membros inferiores desencadeados após a realização do teste de Kernig. sinais de Kernig9 e Brudsinsky10. sinais meníngeos e febre. Sabe-se que os seres humanos são os únicos portadores naturais de N. meningitidis é transmitida por aerossóis respiratórios entre pessoas que mantêm um contacto muito próximo. Pode ocorrer a coagulação intravascular disseminada com choque e ainda destruição bilateral das glândulas supra-renais – Síndrome de Waterhouse-Friderichsen11.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Sabe-se que N. e mialgia.45 g/L Negativa Bactérias Turvo 1000 – 10000 Neutrófilos ↓↓↓ ↑↑↑ Bactérias Vírus Límpido 50 – 1000 Linfócitos Normal ↑↑ Negativo Fungos Turvo 100 – 1000 Linfócitos ↓↓ ↑↑↑ Fungos Aspecto Leucócitos/mm3 Predomónio Glicose Proteínas Microscopia Sinal de Kernig . esta doença inicia-se geralmente com uma dor de cabeça abrupta.Meningite. Diagnóstico Laboratorial O sangue e o líquido cefalorraquidiano são amostras clínicas mais úteis para detecção do meningococos. As manifestações clínicas consistem em trombose dos pequenos vasos e comprometimento de vários órgãos.o paciente deve estar em decúbito dorsal e fazer a flexão do quadril com extensão de joelho.15 – 0.condição caracterizada por início abrupto de: febre. artrite e uretrite.

Sendo bastante abundante no material são facilmente identificados diplococos gramnegativos no interior de leucócitos polimorfonucleares pelo método de Gram. Página 82 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Y e W135 que pode ser administrada a crianças com mais de 2 anos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Já foi desenvolvida uma vacina polivalente eficaz contra os serótipos A.C.Microbiologia É fácil detectar e promover o crescimento deste microrganismo isolado a partir do líquido cefalorraquidiano em pacientes não tratados devido à abundância de microrganismos no material.

. são por isso anaeróbios facultativos.Antigénios K Capsulares. Fisiologia e Estrutura Os membros desta família são bacilos gram-negativos de tamanho moderado. Todos crescem em condições anaeróbias e aeróbias. Apesar de ser constituída por muitas espécies sabe-se que menos de 20 espécies são responsáveis por mais de 95% das infecções. incluindo o homem. um polissacárido central comum a todas as Enterobacteriaceae e o lípido A.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Alguns microrganismos como a Salmonella typhi. reduzem os nitratos. As Enterobacteriaceae são microrganismos ubíquos e fazem parte da flora normal intestinal da maioria dos animais. em diversos meios nãoselectivos e selectivos. A sua classificação baseia-se nos três grupos principais de antigénios: . fermentam a glicose. .Polissacáridos O Somáticos. Página 83 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Geralmente estes últimos Fig. Este é constituído por três componentes: o polissacárido O somático. 30 . e Yersinia pestis estão sempre associados a doença.Distribuição Relativa das Espécies de Enterobacteriaceae apenas são capazes de causar doença ao adquirirem os genes dos factores de virulência a partir de plasmídeos. Shiegella spp. são imóveis ou móveis com flagelos peritríquios e não formam esporos. Pode ser ainda analisada a resistência aos sais biliares. sendo que umas apresentam cápsulas proeminentes e outras cápsulas frouxas. são catalases-positivas e oxidase-negativas. como é o caso de estirpes que fermentam lactose (Escherichia e Klebsiella) e outras que não fermentam ou o fazem muito lentamente. As Enterobacteriaceae possuem exigências nutricionais simples. O LPS é termo-estável e é o principal antigénio.Microbiologia Enterobacteriaceae A família Enterobacteriaceae constitui a maior e mais heterogénea de bacilos gramnegativos de importância médica. Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis são membros da flora comensal e podem causar infecções oportunistas. As diferentes culturas em meios distintos são utilizados para distinguir os vários membros da família Enterobacteriaceae.Proteínas H Flagelares. bacteriófagos ou ilhotas de patogenicidade. É ainda possível distinguir através da cápsula. enquanto outros como a Escherichia coli. que permitem distinguir microrganismos patogénicos entéricos de outros comensais que são inibidos por esses sais.

. deste modo encontramse protegidas da morte celular mediada por anticorpos. . No entanto este papel protector diminui quando o organismo desenvolve anticorpos anti-capsulares.Estrutura da Parede Celular das efector comum para transferir os seus Enterobacteriaceae genes de virulência para as células eucariota. A resistência pode ser codificada em plasmídeos transferidos entre géneros. Cada um destes antigénios pode ser alternadamente expresso ou não.Captação dos Factores de Crescimento. é um factor de virulência compartilhado por todas as bactérias gramnegativas aeróbias e algumas anaeróbias. Na ausência deste sistema as bactérias perdem a sua virulência. Muitas das manifestações sistémicas são iniciadas pela endotoxina: . . . os microrganismos têm acompanhado o surgir de novos antibióticos. .Febre.Diminuição da Circulação Periférica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Este sistema denomina-se sistema de secreção tipo III e consiste em aproximadamente 20 proteínas que facilitam a secreção do factor de virulência da bactéria no interior das células hospedeiras. espécies ou famílias.Variação da Fase Antigénica. várias bactérias apresenta um sistema Fig.Trombocitopenia.Resistência Antimicrobiana. 31 .Choque. o ferro é um importante factor de crescimento para as bactérias. .Cápsula. encontram-se protegidas por esta da fagocitose.Morte.Microbiologia Patogenia e Imunidade Foram identificados diversos factores de virulência nesta família. . Deste modo as bactérias produzem compostos competitivos que captam o ferro. .Leucocitose. de modo a que o ferro seja libertado. mas este encontra-se ligado a proteínas hémicas ou proteínas de transporte do ferro.Activação do Complemento. .Endotoxina. . . desenvolvendo novas resistências. por meio de hemolisinas.Libertação de Citocinas. Página 84 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo alguns comuns a todas as espécies e estirpes e outros específicos de algumas: . .Coagulação Intravascular Disseminada.Sistema de Secreção Tipo III. a expressão dos antigénios capsulares K e flagelares H encontra-se sob o controlo genético da bactéria. ou provocam a lise das células do hospedeiro. . devido aos seus antigénios hidrofílicos que repelem a superfície celular hidrofóbica dos fagocíticos.

encontra-se imunodeprimido. sendo considerada parte da flora comensal. oxidasenegativo. podendo no entanto ser uma causa comum de sépsis.Adesinas. coli está presente no tracto gastro-intestinal.Meningite Neo-Natal. é habitualmente causada por bacilos gram-negativos que se originam nas infecções do tracto urinário ou gastro-intestinal. ou no caso do tracto intestinal pela motilidade. A classificação dos microrganismos é feita com base nos vários antigénios O.Escherichia coli (Coloração de Gram) indígena humana. sendo encontrado como parte da flora microbiana Fig. a maioria dos bacilos gram-negativos que causam estas infecções têm origem no cólon. pilli formadores de feixes. 32 . a E. infecções urinárias. Este microrganismo é bacilo gram-negativo classificado como um fermentador da lactose.Infecções das Vias Urinárias. coli das quais se salientam a gastroenterite e as infecções urinárias. Síndrome Clínicas Existem diversas infecções que têm como agente a E.Toxina Shiga (Stx-1 e Stx-2) . coli produz inúmeras exotoxinas. contaminando a uretra.Toxinas Termo-Lábeis (LT-I e LT-II) . das quais a Escherichia coli é a mais comum e clinicamente importante. como é o caso de: .Exotoxinas. A mortalidade associada é elevada em pacientes imunodeprimidos ou quando a infecção primária se encontra localizada no abdómen ou sistema nervoso central.Hemolisinas (HlyA) Epidemiologia Um grande número de E. Cerca de 75% das Página 85 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . no entanto iremos abordar além destas outras: . meningite e gastroenterite.Septicemia. proteína Ipa e fímbrias Dr. coli possui inúmeros factores de virulência. coli e os estreptococos do grupo B causam a maioria das infecções no sistema nervoso central em crianças com menos de 1 mês. fímbrias agregativas de aderência. meningite neo-natal. A maior parte das infecções é endógena e ocorre quando o paciente tem as suas defesas comprometidas. estando alguns presentes em todos os membros da família Enterobacteriaceae e outros específicos deste género: . Patogenia e Imunidade A E. . H e K. o que origina a libertação de citocinas e causa uma resposta inflamatória. infecções urinárias e gastroenterite. este factor permite-lhe colonizar o tracto urinário sem ser expulsa pelo fluxo urinário. Este microrganismo está geralmente associado à sepsis. ascendendo até à bexiga e podendo migrar para os rins ou próstata.Microbiologia Escherichia coli O género Escherichia consiste em cinco espécies.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . a E. Estas adesinas incluem antigénios relacionados com o factor de colonização.Toxinas Termo-Estáveis (Sta e STb) . ou seja. . intiminas. Estas bactérias possuem uma elevada virulência devido à sua capacidade de produzir adesinas que se ligam às células que revestem os órgãos colonizados e hemolisina HlyA que provoca a lise dos eritrócitose outras células. anaeróbio facultativo. pilli P.

E. cólicas. coli Entero-Agregativa (EAEC). são estreitamente relacionadas à Shigella. sendo a LT-I funcional e idêntica à toxina da cólera. Estas estirpes formam microcolónias na superfície das células epiteliais. estimula ainda a produção de prostaglandinas e citocinas inflamatórias que conduzem a uma diarreia aquosa. estando estas presentes com frequência no tracto gastro-intestinal de mulheres grávidas e crianças recém-nascidas. . e como tal é geralmente adquirida pelo consumo de água e alimentos contaminados com fezes. Sabe-se que a subunidade A da LT-I vai regular a adenilato ciclase e desse modo aumentar os níveis de AMPc que conduz a um aumento da excreção de Cl e diminui a absorção de Na e Cl. é observada geralmente nos países em desenvolvimento. sendo capazes de invadir e destruir o epitélio do cólon. está associada a diarreia aquosa persistente com desidratação em pacientes de países desenvolvidos. A gravidade da doença por elas causada varia de diarreia branda até á colite hemorrágica com intensa dor abdominal e diarreia sanguinolenta. originando-se um biofilme que captura as bactérias e reveste o epitélio intestinal. coli possuem o antigénio capsular K1. após dois dias do início dos sintomas pode surgir diarreia sanguinolenta com intensa dor abdominal. sendo este factor transferível por plasmídeo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . consoante o tipo de infecção e sintomas que causam: . estando associada à doença humana. e ocorre em crianças com idade inferior a 10 anos. . que se insere na membrana e funciona como receptor para a intimina que é uma adesina presente na membrana externa da bactéria. É necessário um contacto prolongado para adquirir a doença. sendo este processo mediado por fímbrias formadoras de feixes que são transportadas num plasmídio. Estas bactérias são caracterizadas pela sua aglutinação em “tijolos empilhados”. coli Entero-Patogénica (EPEC). sendo que não existe transmissão directa entre humanos. mas não a STb. as estirpes de E. diminuindo a filtração glomerular e conduzindo a uma insuficiência renal aguda. está associada à doença humana.Microbiologia estirpes de E.E. são as mais comuns nos países desenvolvidos. as toxinas termo-lábeis (LT-I e LT-II) e as termo-estáveis (Sta e STb). Este subgrupo estimula a produção de muco. levando a uma doença caraterizada por diarreia aquosa. Existe uma proteína.E. Este processo de destruição epitelial pode levar à ulceração do cólon. Neste caso não são observadas alterações histológicas nem inflamação da mucosa intestinal. sendo acompanhada de náuseas. sendo mais rara em adultos e crianças de maior idade. A doença é caracterizada pela ligação ás células do intestino delgado e destruição das microvilosidades.E. Sabe-se que tanto a Sta como a LT-I se encontram presentes em plasmídeos transferíveis. . Esta diarreia resulta da má absorção pela destruição das microvilosidades. . Existem diversos genes que mediam esta capacidade de invasão. são uma causa comum de diarreia infantil em países pobres. inicialmente fixam-se por meio de pillis formadores de feixes (Bfp) e secretam de seguida as proteínas pelo sistema de secreção tipo III. No caso da Stx-2 esta está associada HUS e destrói as células do glomérulo renal. A ETEC produz duas classes de toxinas. coli Entero-Toxigénica (ETEC). A STa. cerca de 50% dos pacientes apresentam vómitos. o receptor de intimina translocado. Página 86 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estas bactérias lisam o vacúolo fagocítico e colonizam o citoplasma das células. trombocitopénia e anemia hemolítica microangiopática. ligando-se à guanilato ciclase e desse modo aumentado os níveis de GMPc e consequentemente aumento da secreção de líquidos. que é caracterizada por insuficiência renal aguda. com pouca ou nenhuma febre. Podem ocorrer complicações como é o caso da Síndrome Hemolítica Urémica (HUS). A diarreia causada por este subgrupo desenvolve-se ao fim de 1 a 2 dias e persiste por 3 a 4 dias. como é o caso dos genes pInv que se encontram num plasmídeo.E.Gastroenterite. Estas estirpes expressam a toxina Shiga e induzem lesões nas células epiteliais. . coli Entero-Invasivas (EIEC). coli Entero-Hemorrágicas (EHEC). coli que causam esta patologia são divididas em seis grupos distintos. destruindo as vilosidades e consequente má absorção. A toxina Stx-1 liga-se ao RNA ribossomal 28S e interrompe a síntese proteica. Regra geral a doença inicia-se com diarreia não sanguinolenta com dor abdominal após 3 ou 4 dias de incubação. vómitos raros e diarreia aquosa.

anaeróbio facultativo. Página 87 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Prevenção e Controlo Salmonella Apenas através da análise do DNA foi possível distinguir duas espécies neste género.Endotoxina. .E.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No entanto devido a uma abordagem história estes subgrupos têm sido considerados com espécies.Bacilos Gram-Negativos aeróbios mais comuns no Tracto GastroIntestinal. Escherichia coli Fisiologia e Estrutura .Resistência Antimicrobiana. .Infecções Urinárias. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . . . com excepção da S. A doença resultante é uma diarreia aquosa observada geralmente em crianças de 1 a 5 anos. é oxidasenegativo.O tratamento é orientado pelos TSA.Microbiologia . EIEC. . .Resistência à destruição sérica. .Pilli P . Salmonella enterica e Shigella bongori.Cápsula.Cozimento adequado dos produtos derivados de carne para reduzir o risco de infecções por EHEC. EHEC. Estas estirpes estimulam o alongamento das microvilosidades com as bactérias alojadas na membrana celular. .Crescem na maioria dos meios de cultura. .Exotoxinas (Termo-Estáveis.LPS . . . Shiga. . . . . . . .Oxidase-negativa. EPEC. typhi. .Factores Antigénios de Colonização.Manutenção de altos padrões de higiene para reduzir o risco de exposição a estirpes causadoras de Gastroenterite.Bacilos Gram-Negativos. EAEC e DAEC).Gastroenterite (ETEC. . .Membrana Externa (Susceptível à Desidratação). não fermenta a lactose. .Bacteriémia.Proteína Ipa.Fímbrias Agregativas e Dr.Estirpes que causam Gastroenterite são geralmente exógenas.Captação de Factores de Crescimento. .Anaeróbios Facultativos.. não produz urease e produz gás e sulfito. . Hemolisina e Termo-Lábeis).As infecções são controladas pelas boas práticas de controlo de infecção para reduzir os risco de infecções nosocomiais. as suas características de aderência em cultura permite reconher este subgrupo.Infecções Intra-Abdominais.Maioria das infecções é endógena. .Meningite Neo-Natal. coli Difusamente Aderente (DAEC).Variação de Fase Antigénica. É um bacilo gram-negativo.

Os sintomas surgem após 6 a 48h o consumo de água ou alimentos contaminados. mialgias13 e anorexia. typhi ocorrem quando são ingeridos alimentos preparados em superfícies contaminadas ou água contaminada. baço e medula óssea. as espécies de Salmonella que causam febre tifóide e para tifóide são mantidas por colonização humana. Vão ser transportadas através da corrente sanguínea e vão multiplicar-se no fígado. levando a um rearranjo da actina na célula alvo e consequente pregueamento da membrana. sendo o risco de bacteriémia muito elevado em crianças e idosos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo a resolução espontânea. cefaleias12. Os sintomas podem persistir de 2 dias a 1 semana.é o termo médico para dor de cabeça. mialgias e cefaleias. Após cerca de 14 dias da ingestão do bacilo o paciente apresenta febre. A Salmonella typhi e Salmonella paratyphi estão altamente adaptadas ao ser humano e não causam doença em nenhum outro hospedeiro. É ainda comum a ocorrência de febre. da disseminação fecal oral directa.Enterite. Página 88 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Contrariamente ao que acontece nas outras infecções por Salmonella neste caso o microrganismo atravessa as células que revestem o intestino e são ingeridos pelos macrófagos. A dose infectante de S. que no caso de ser causada por S. Mialgia. typhi produz esta forma de doença denominada febre tifóide. As fontes mais comuns são as aves domésticas.é um termo utilizado para caracterizar dores musculares em qualquer parte do corpo. a S. paratyphi é mais branda e denomina-se febre paratifóide. . Estas bactérias possuem ainda catalases e superóxido dismutases que as protegem contra a destruição intracelular. typhi é baixa o que faz com que a transmissão directa pessoa-pessoa seja bastante comum e eficaz. O sistema SPI-1 introduz as proteínas de invasão secretadas pela salmonela (Sips e Ssps) na célula M. Síndromes Clínicas Existem quatro formas de infecção por Salmonella: . .Microbiologia Patogenia e Imunidade Após a ingestão e passagem pelo estômago as salmonelas são capazes de invadir e de replicar nas células M localizadas nas placas de Peyer na porção terminal do intestino delgado. Existem dois tipos de sistema de secreção tipo III que mediam a invasão inicial da mucosa intestinal (SPI-1) e outra relacionada com a doença (SPI-2). As espécies de Salmonella ficam protegidas dos ácidos gástricos e do pH ácido dos fagossomas pelo gene de resposta de tolerância ácida (ATR). bem como pacientes imunodeprimidos. sendo que a disseminação animal-animal e as rações contaminadas mantêm a infecção num reservatório animal. os lacticínios e os alimentos preparados em superfícies contaminadas. com náuseas. e em crianças. A maioria das infecções resulta da ingestão de alimentos contaminados. Verifica-se o desenvolvimento de portador 12 13 Cefaléia . os ovos. todas as espécies de Salmonella podem causar septicemia.Portador Assintomático. Epidemiologia A Salmonella pode colonizar quase todos os animais. não existe um reservatório animal. é a forma mais comum de salmonelose. cólicas abdominais. .Septicemia. disseminação para as células vizinhas e tecido linfoide. As infecções por S.Febre Entérica. Após esta acção encontra-se facilitada a inclusão da salmonela no interior da célula. Após a replicação dos microrganismos ocorre a morte da célula hospedeira. vómitos e diarreia não sanguinolenta.

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crónico durante mais de um ano em 1 a 5% dos pacientes, sendo na maioria dos casos a vesícula biliar o reservatório.

Shigella
Epidemiologia
Foram descritas quatro espécies com base no antigénio O, Shigella dysenteriae, Shigella flexneri, Shigella boydii, Shigella sonnei. A shigelose é maioritariamente uma doença infantil, nas crianças com idade inferior a 15 anos. A doença endémica em adultos é comum em homossexuais e contactos domiciliares com crianças infectadas. A shigelose é transmitida por via oral-fecal, principalmente por pessoas com as mãos contaminadas, e menos frequentemente pela água ou alimentos. Esta doença dissemina-se rapidamente em comunidades onde os padrões sanitários e o nível de higiene pessoal são baixos.

Síndromes Clínicas
A shigelose é caracterizada por cólicas abdominais, diarreia, febre e fezes sanguinolentas. Os sinais e sintomas clínicos da doença surgem 1 a 3 dias após a contaminação. O primeiro sinal de infecção é a diarreia aquosa profusa sem evidência histológica de invasão da mucosa, e é mediado pela enterotoxina. A característica fundamental da shigelose consiste em cólica abdominal baixa e tenesmo14, com abundante quantidade de pus e sangue nas fezes. A infecção é geralmente auto-limitada, no entanto a terapia antibiótica é recomendada para reduzir o risco de disseminação secundária aos membros da família.

Yersinia
Este género é constituído por 10 espécies, sendo as mais importantes a nível de patologia humana: - Yersinai pestis; - Yersinia enterocolitica; - Yersinia pseudotuberculosis.

Patogenia e Imunidade
A Yersinia pestis é um microrganismo altamente virulento que causa uma doença sistémica com alta taxa de mortalidade. A Y. enterocolitica e Y. pseudotuberculosis são patogénos basicamente entéricos raramente isolados na corrente sanguínea. Todas estas três espécies possuem plasmídeos com factores de virulência. Uma característica comum às espécies patogénicas de Yersinia é a capacidade de resistir à destruição fagocítica, sendo esta propriedade mediada pelo sistema de secreção tipo III.
Tenesmo - é uma sensação dolorosa na bexiga ou na região anal, com desejo contínuo, mas quase inútil, de urinar ou de evacuar.
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A Y. pestis possui dois plasmídeos adicionais que codificam genes de virulência, o gene da fracção 1 (F1), que codifica uma cápsula proteica antifagocítica, e o gene da protease activadora do plasminogénico (Pla), que degrada os componentes C3b e C5a do complemento, impedindo a opsonização e a migração fagocítica respectivamente.

Epidemiologia
Todas as infecções por Yersinia são zoonoses, e o ser humano é um hospedeiro acidental. Existem duas infecções por Y. pestis, a peste urbana, para a qual os ratos são o reservatório natural, e a peste silvestre, que provoca infecções em esquilos, coelhos, ratos silvestres e gatos domésticos. A peste urbana é mantida na população de ratos e dissemina-se entre ratos e entre ratos e humanos por pulgas infectadas. A peste urbana foi eliminada da maioria das comunidades pelo eficaz controlo dos ratos e de uma higiene melhor.

Fig. 33 - Ciclo Infeccioso da Yersinia

Síndrome Clínicas
As duas manifestações clínicas da infecção por Yersinia pestis são a Peste Bubónica e a Peste Pneumónica: - Peste Bubónica, é caracterizada por um período de incubação máximo de 7 dias, sendo as manifestações iniciais febre alta e edema inflamatório dos gânglios linfáticos na região inguinal ou axilar. Se o paciente não for tratado desenvolve-se rapidamente e com uma taxa de mortalidade próxima dos 75%. - Peste Pneumónica, possui um período de incubação menor. Os pacientes apresentam febre, mal-estar e sinais pulmonares ao fim de um dia. Os pacientes são altamente infecciosos e a transmissão pessoa a pessoa ocorre por inalação de aerossóis. A taxa de mortalidade nestes pacientes excede os 90%. Grande parte das infecções por Yersinia enterocolitica consiste em enterocolite, estando associada à ingestão de água ou alimentos contaminados. Após um período de incubação de 1 a 10 dias, os pacientes apresentam uma doença caracterizada por diarreia, febre e dor abdominal que dura de 1 a 2 semanas.

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Klebsiella
Os membros deste género possuem uma cápsula proeminente que é responsável pela aparência mucóide das colónias isoladas e pela virulência aumentada dos microrganismos in vivo. O membro mais observado deste género é a K. pneumoniae agente da pneumonia lobar primária. A pneumonia causada por espécie de Klebsiella envolve com frequência a destruição necrótica dos espaços alveolares, a formação de cavidades e a produção de expectoração sanguinolenta. Estas bactérias também causam infecções de ferimentos, dos tecidos moles e infecções urinárias.

Proteus
A infecção das vias urinárias por Proteus mirabilis constituiu a doença mais comum produzida por este género. Esta bactéria produz grandes quantidades de urease, que cliva a ureia em CO2 e amónia. Este processo aumenta o pH da urina e facilita a formação de cálculos renais, sendo este ambiente alcalino tóxico para o epitélio urinário. Contrariamente ao que se verifica na E. coli a presença de pillis na P. mirabillis pode ser um factor que contribui para uma fagocitose facilitada.

Diagnóstico Laboratorial
Cultura Os membros desta família crescem rapidamente nos meios de cultura. As amostras de material normalmente estéril, como o líquido cefalorraquidiano ou tecido obtido de cirurgia podem ser incubados em meio de gelose não selectiva. Os meios selectivos como o MacConkey são utilizados para a cultura de amostras contaminadas com outros microrganismos. A utilização de meios diferenciais permite distinguir Enterobacteriaceae fermentadoras ou não fermentadoras de lactose, fornecendo informações que podem ser utilizadas para auxiliar a escolha da melhor terapêutica. É difícil isolar Y. enterocolitica devido ao seu crescimento lento nas temperaturas tradicionais de incubação e prefere temperaturas mais frias, onde o seu metabolismo é mais activo.

Tratamento, Prevenção e Controlo
A antibioticoterapeutica para infecções com Enterobacteriaceae deve ser orientada pelos resultados do TSA e pela experiência clínica. Sabe-se que mesmo os microrganismos susceptíveis quando expostos a concentrações subterapeuticas dos antibióticos no ambiente hospitalar desenvolvem rapidamente resistência. A resistência a antibióticos é mais comum em infecções hospitalares do que na comunidade. No caso de gastroenterite é aconselhado terapêutica sintomática, pois no caso de E. coli e Salmonella a terapêutica antibiótica pode prolongar o transporte fecal desses microrganismos e aumentar o risco de complicações secundárias. A infecção exógena por Enterobacteriaceae é teoricamente mais fácil de controlar, pois as fontes já se encontram bem definidas, como é o caso da Salmonella. Página 91 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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A vacinação com Y. pestis morta por formol tem se mostrado eficaz em pessoas de alto risco. A quimioprofilaxia com Tetraciclina já provou ser útil para pessoas que mantêm contacto estreito com pacientes infectados com Peste Pneumónica. A melhoria das condições de vida e a utilização de vacinas atenuadas levaram a uma protecção eficaz das populações nas quais a incidência de doença endémica é alta.

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Bordetella
O género Bordetella é constituído por bactérias de pequenas dimensões, cocobacilos gram-negativos aeróbios estritos, não fermentadores, estando três delas responsáveis por doença: - Bordetella pertussis; - Bordetella parapertussis; - Bordetella bronchiseptica. O Bordetella pertussis é o agente da tosse convulsa.

Fisiologia e Estrutura
As espécies de Bordetella são diferenciadas com base nas suas características de crescimento, reactividade bioquímica e propriedades antigénicas. Bordetella pertussis não cresce nos meios laboratoriais comuns, requer um meio enriquecido com carbono, amido, sangue ou albumina para absorver as substâncias tóxicas presentes no ágar. O microrganismo é imóvel e oxida aminoácidos, mas não fermenta carbohidratos. As restantes espécies são menos fastidiosas e podem crescer em gelose de sangue e meio de MacConkey. Ambas as espécies possuem um antigénio O género-específico e antigénios K termo lábeis estirpe-específicos.

Patogenia e Imunidade
A fixação do microrganismo às células epiteliais ciliada é mediada por duas adesinas bacterianas: - Hemaglutinina, liga-se aos glicolípidos sulfatados sobre a membrana das células respiratórias ciliadas, e ainda ao CR3 presente na superfície dos leucócitos polimorfonucleados. A sobrevivência da bactéria dentro da célula permite que esta escape aos anticorpos formados; - Toxina Pertussis, é uma toxina A-B clássica que consiste numa subunidade tóxica e cinco subunidades de ligação. Foram ainda identificadas duas outras adesinas na B. Pertussi: pilli e pertactina, sendo esta última encontrada na superfície das bactérias. Bordetella pertussis produz várias toxinas que mediam a sua acção e manifestações sistémicas e localizadas da doença: - Toxina Adenilato Ciclase ou Hemolisina, é bifuncional, sendo activada pela calmodulina intracelular. Esta toxina catalisa a conversão de adenosina trifosfato em adesina monofosfato cíclico nas células eucariotas; - Toxina Dermonecrótica, é termo-lábil e em baixas doses causa vasoconstrição dos vasos sanguíneos periféricos, podendo conduzir a um isquémia localizada, migração de leucócitos para os espaços extra-vasculares e hemorragia. No entanto em altas doses possui reacções fatais; - Citotoxina Traqueal, é um monómero de peptidoglicano da parede celular que possui baixo peso molecular e tem uma afinidade específica para as células epiteliais ciliadas. Em

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baixas concentrações provoca ciliostase e em concentrações mais elevadas conduz à extrusão das células ciliadas. O B. pertussis produz dois lipolissacáridos diferentes, um com lípido A e outro com lípido X, no entanto ambas podem activar a via alternativa do complemento e estimulam a libertação de citocinas.

Epidemiologia
A Bordetella pertussis causa doença em seres humanos e não apresenta nenhum outro reservatório animal ou ambiental conhecido. Historicamente a Tosse Convulsa foi considerada uma doença infantil e actualmente verifica-se que grande parte dos casos são observados em crianças com menos de um ano de idade.

Síndromes Clínicas
A Bordetella pertussis é o agente responsável pela Tosse Convulsa. A infeccção inicia-se quando os aerossóis infecciosos são inalados e as bactérias se fixam sobre as células epiteliais ciliadas e aí se multiplicam. Após 7 a 10 dias o paciente manifesta o primeiro estádio da doença: - Estádio Catarral, é caracterizado por intensa rinorréia15, espirros, mal-estar, anorexia16 e febre baixa; - Estádio Paroxístico, inicia-se após 1 ou 2 semanas e caracteriza-se pela expulsão das células ciliadas do tracto respiratório, existe uma eliminação do muco condicionada e por vezes ausente; - Fase de Convalescença, os paroxismos diminuem de quantidade e gravidade, mas podem ocorrer complicações secundárias. Em doentes imunodepriminos este estádio pode não se verificar e podem apresentar antes tosse crónica persistente com ou sem vómito.

Diagnóstico Laboratorial
Colheita e Transporte de Amostras A Bordetella pertussis é altamente sensível à desidratação e não sobrevive sem cuidados especiais de transporte. A amostra adequada para o diagnóstico consiste num aspirado naso-faríngeo, no caso de utilizar-se zaragatoas devem ser de fibras sintéticas, pois o algodão possui ácidos gordos, que são tóxicos para a bactéria. Os factores que afectam o isolamento da Bordetella incluem a rapidez de cultura da amostra e a qualidade do meio de cultura. As amostras não podem ser entregues ao laboratório em meios de transporte habituais, pois o microrganismo não sobrevive nestes meios. Os meios de cultura incubados devem ser mantidos húmidos. Microscopia Deve ser utilizada a técnica de imunofluorescência directa para examinar a amostra. Devem ser também utilizados anticorpos contra B. parapertussis para a detecção de formas ligeiras de tosse convulsa causada por esta espécie.

Rinorréia (rino = "nariz" + réia = "corrimento") ou Otorréia Liquórica – designação para o corrimento de mucosidades do nariz 16 Anorexia – caracterizada pela sensação diminuída de apetite

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Cultura Quando os meios inoculados chegam ao laboratório são incubados em aerobiose a 35ºC, numa câmara húmida. As colónias são de tal modo pequenas que apenas podem ser observadas após 3 ou mais dias de incubação. Apesar das condições excelentes de cultura apenas metade dos pacientes infectados apresentam culturas positivas. Amplificação do Ácido Nucleico Esta técnica de diagnóstica parece ser a mais promissora e consiste na amplificação do ácido nucleico através de métodos de PCR, sendo que a sensibilidade está entre 80 a 100%. Identificação O B. pertussis é identificado pelas suas características microscópicas e morfologia colonial em meios selectivos e a sua reactividade com anti-soro específico. Características Oxidase Urease Mobilidade Crescimento em: Gelose de Sangue Meio de MacConkey Características Diferenciais entre Espécies de Bordetella B. pertussis B. parapertussis B. bronchiseptica

+ -

+ + +/-

+ + + + +

Serologia É difícil interpretar os resultados de testes serológicos devido à baixa sensibilidade dos padrões de cultura e observação. No caso de se utilizarem estes testes devem ser feitos múltiplos de modo a aumentar a sensibilidade do resultado.

Bordetella pertussis
Fisiologia e Estrutura - Cocobacilos Gram-Negativos (Muito Pequenos); - Não-Fermentadores; - Aeróbios Restritos; - Requer meios especializados e longos períodos de incubação; - Adesinas (Toxina Pertussis, Pilli, Pertactina…) - Toxinas (Toxina Pertussis, Dermonecrótica, Citotoxina Traqueal…) - O reservatório é o hospedeiro humano; - Transmissão pessoa-pessoa por aerossóis; - Risco Aumentado: crianças com idade inferior a 1 ano e indivíduos não vacinados; - Tosse Convulsa; - Microscopia não é um método sensível nem específico; - A cultura é um meio específico mas não sensível; - Teste d Amplificação dos Ácidos Nucleicos são os mais sensíveis; - A detecção de IgG e IgA para confirmar diagnóstico clínico; -Uso de Macrólidos, é eficaz na eliminação do microrganismo, mas não alivia os sintomas; - Eritromicina usada na profilaxia, mas eficácia desconhecida; - Vacinas com células inteiras é eficaz, mas associada a efeitos colaterais, e por isso o uso de Vacinas Acelulares; Página 95 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

Virulência

Epidemiologia

Doenças Diagnóstico

Tratamento, Prevenção e Controlo

mas este efeito é de valor limitado. com supervisão médica durante os estádios paroxístico e de convalescença. pois a doença não é geralmente reconhecida no pico da fase contagiosa. Prevenção e Controlo O tratamento da tosse convulsa é principalmente de suporte.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No entanto estas vacinas tiveram uma aceitação limitada devido aos riscos associadas ao uso de microrganismos inactivados. Visto que a Tosse Convulsa é altamente contagiosa numa população susceptível. estando disponíveis à quase 50 anos. a Eritromicina é utilizada como profilaxia em casos seleccionados. e como tal foram desenvolvidas vacinas acelulares multivalentes.Microbiologia Tratamento. A Eritromicina é eficaz na erradicação dos microrganismos e pode reduzir a duração da infectividade. Página 96 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Foram elaboradas vacinas com células inteiras inactivadas.

Apesar de quase todas as espécies poderem causar infecções oportunistas. Patogenia e Imunidade A C. A mais conhecida é a Corynebacterium diphteriae que é o agente etiológico da difteria. Este facto explica os sintomas cardíacos e neurológicos observados em pacientes com difteria grave. ou agrupamentos semelhantes a caracteres chineses. poucos estão frequentemente associados a doença. Meios mais selectivos e diferenciais podem ser utilizados para isolar esse microrganismo de outros. sendo a toxicidade observada na difteria directamente atribuída a uma exotoxina produzida pelas bactérias no foco de infecção. diphtheriae é um modelo clássico de virulência bacteriana. o tracto gastro-intestinal e o tracto uro-genital. A coloração pelo método de Gram revela cadeias curtas. As corinebactérias são ubíquas em vegetais e animais.Clivagem proetolítica da sequência principal da proteína tox durante a secreção proveniente da célula bacteriana. Corynebacterium diphtheriae Fisiologia e Estrutura A C. sendo que nos seres humanos colonizam a pele. A maior parte das espécies fermenta glícidos. produzindo ácido láctico como subproduto. diphtheriae é um bacilo pleomórfico que se cora irregularmente. Após 24h de incubação em gelose de sangue são observadas colónias com 1 a 3 mm.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . nas propriedades de coloração e no conteúdo de guanina mais citosina. Após estar fixa à célula a toxina é inserida na membrana endossomal e a Página 97 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . com configurações em V ou Y.Microbiologia Corynebacterium Os bacilos gram-positivos aeróbios são um grupo heterógeno de bactérias que foram agrupadas com base na morfologia celular. principalmente nas células cardíacas e nervosas. . diphtheriae pelo bacteriófago-β lisogénico. O gene tox codifica a exotoxina e é introduzido nas estirpes de C. que está presente na superfície de muitas células eucariotas.Clivagem da molécula da toxina em dois poplipeptídicos que permanecem unidos por uma ponte dissulfeto. As corinebactérias são aeróbias ou anaeróbias facultativas. imóveis e catalasepositiva. Apesar de na maior parte dos casos não serem exigentes quanto ao meio de cultura algumas estirpes necessitam de suplementação com lípidos – estirpes lipofílicas. O género Corynebacterium engloba um grande número de espécies que possuem uma parede celular constituída por arabinose. Para que o produto do gene seja activado são necessárias duas etapas: . O receptor da toxina é o factor de crescimento epidérmico de ligação da heparina. ácido mesodiaminopimélico e ácidos micólicos de cadeia curta. galactose. as vias aéreas superiores. Os grânulos metacromáticos foram observados em bacilos corados com azul-de-metileno.

em doença fulminante. Página 98 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A difteria é uma doença principalmente pediátrica. diphtheriae pode resultar em colonização assintomática em indivíduos totalmente imunes. A exposição a C. e não nos resultados laboratoriais. O início súbito de mal-estar. Síndromes Clínicas A manifestação clínica da Difteria é determinada pelo local da infecção. . A transmissão pessoa-pessoa é feita por intermédio de aerossóis ou contacto directo. Podem ocorrer sintomas sistémicos como resultado da disseminação da exotoxina. que pode cobrir as amígdalas. células plasmáticas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e desse modo inibida a produção da toxina. pela condição da imunidade do paciente e pela virulência do microrganismo. Esta membrana adere firmemente ao tecido do tracto respiratório. diphtheriae é mantida na população pelo portador assintomático. que de seguida evolui para uma úlcera crónica que não cicatriza. e inicialmente provocam lesões localizadas como resultado da actividade da exotoxina. Actualmente o único reservatório conhecido é o ser humano. às vezes. através da inactivação do factor 2 de alongamento (EF-2). Microscopia Os resultados do exame microscópio do material clínico não são dignos de confiança. Apesar de serem observados grânulos metacromáticos corados com azul de metileno estes não são exclusivos destes microrganismos. uma vez que é necessário aguardar pelo menos uma semana para obter resultados definitivos. podendo estender-se para a nasofaringe ou mais inferiormente para a laringe. .Difteria Respiratória. Epidemiologia A Difteria é uma doença encontrada em todo o mundo. faringite exsudativa e pequena elevação da temperatura. O microrganismo coloniza a pele e tem acesso ao tecido subcutâneo através de lesões da pele. A síntese da toxina é regulada por um elemento no cromossoma. sendo ainda possível identificar a infecção cutânea causada pelo mesmo agente e toxina. em doença respiratória ligeira em pacientes parcialmente imunes ou. O exsudado evolui para uma espessa pseudomembrana. os sintomas da difteria envolvendo o tracto respiratório desenvolvem-se após um período de incubação de 2 a 6 dias. dor de garganta. Inicialmente desenvolve-se uma pústula. Os microrganismos multiplicamse localmente nas células epiteliais da faringe ou em superfícies adjacentes. fatal em pessoas não-imunes. sendo por vezes coberta por uma membrana acinzentada. fibrina e células mortas. A C. sendo a sua expressão activada na presença de altas concentrações de ferro. sendo difícil deslocá-la sem causar sangramento do tecido subjacente.Microbiologia sua subunidade A começa por paralisar a síntese proteica da célula alvo. particularmente em áreas urbanas pobres onde há superpopulação e o nível protector da vacina é baixo. Diagnóstico Laboratorial O tratamento inicial do paciente com difteria é instituído com base no diagnóstico clínico. composta por bactérias. linfócitos. é adquirida através do contacto da pele com outras pessoas infectadas. a úvula e o palato.Difteria Cutânea. na orofaringe ou na pele de pessoas imunes. o repressor da toxina diftérica (DTxR).

Doença observada em pessoas não vacinas.A maioria cresce em meios desprovidos de lípidos. . indivíduos com imunidade deficiente ou localizações sobrepovoadas. Corynebacterium diphtheriae Fisiologia e Estrutura .Homem é o único Reservatório (Orofaringe e Pele). redondas.Uso precoce da Anti-Toxina Diftérica. diphtheriae no meio de gelose cisteína-telurito: .Uso de Penicilina (Elimina microrganismo e paralisa produção de toxina). o que é conseguido por um teste de imunodifusão in vitro.Exotoxina A-B (Inibe Síntese Proteica. hofmannii Urease + Fermentação: Maltose Sacarose Glicose + +/+ +/+ + - Testes de Toxigenicidade Todos os microrganismos deste género devem ser testados quanto á produção de exotoxina. .Difteria Cutânea e Respiratória. .Detecção da Exotoxina por meios Moleculares e Imonológicos.Microbiologia Cultura Os microrganismos para isolamento devem ser colhidos na nasofaringe ou da garganta e incubados em meios de cultura não selectivos. .Transmissão por aerossóis ou contacto directo. Foram descritos três morfologias colonais para o C. . .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Intermedius. A identificação precisa de C.Anaeróbios Facultativos.Bacilos Gram-Negativos (Forma Irregular). são colónias pequenas.Mitis. . . .Microscopia é inespecífica.Teste de Elek. irregulares e cinzentas. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . Por outro lado os Centros de Controlo e Prevenção da Doença desenvolveram um teste de amplificação baseado na PCR para determinar directamente a presença do gene da toxina. . sendo este o teste de eleição usado actualmente. diphtheriae C.Distribuição Mundial mantida por Portadores Assintomáticos e Hospedeiros Não-Vacinados. são colónias grandes.Cultura deve ser realizada em meios específicos e nãoespecíficos. diphtheriae é determinada pelos resultados bioquímicos. bem como em meios específicos para estes microrganismos.Vacina Diftérica e doses de reforço. Características Diferenciais entre Espécies de Corynabacterium Características C.Gravis. convexas e pretas. Prevenção e Controlo Página 99 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . . . bloqueia RF-2). xerosis C. são colónias pequenas. achatadas e cinzentas. . .

o isolamento para evitar a disseminação secundária e a manutenção de uma via aérea desobstruída em pacientes com dificuldades respiratórias são medidas indispensáveis ao tratamento e controlo da infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . endocardite. Não apresenta resistência a antibióticos. pois uma vez internalizada a morte celular é inevitável. Prevenção e Controlo O aspecto mais importantes do tratamento da Difteria é a administração da antitoxina diftérica para neutralizar especificamente a exotoxina antes da sua ligação às células do hospedeiro. Pessoas que estejam em contacto com pacientes devem efectuar culturas de amostras da nasofaringe e iniciar terapêutica profilática com Penicilina ou Eritromicina. A imunidade à Difteria é medida pelo teste de Schick que mede os anticorpos neutralizantes presentes no indivíduo. Página 100 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A antibioticoterapia com Penicilina ou Eritromicina também é utilizada para eliminar o microrganismo e paralisar a produção da toxina.Microbiologia Tratamento. septicemia. infecções em feridas. endocardite e infecções oportunistas. sendo a Vancomicina aquele que surte algum efeito. infecções por corpo estranho e infecções oportunistas. Corynebacterium urealyticum Responsável por infecção urinária (muito incidente em indivíduos que realizam diálise peritoneal ambulatória). As pessoas expostas à Difteria Cutânea devem ser tratadas da mesma maneira que aquelas que foram exposta á difteria respiratória. no entanto se a infecção for causada por uma estirpe não-toxigénica é desnecessário instituir a profilaxia nos contactos. Corynebacterium jeikeium Responsável por septicémia. O repouso. É resistente a muitos antibióticos.

A espécie H. algumas vezes pleomórficos.Haemophilus influenzae Esta família distingue-se facilmente das Enterobacteriaceae pela presença de oxidase. necessitando de meios de cultura enriquecidos para o seu isolamento. influenzae é mediada por pillis e outras adesinas. vias aéreas inferiores. apresentando o lipolissacárido com função de Endotoxina e outras proteínas estirpe-específicas encontradas na membrana externa. imóveis. Grande parte destes microrganismos têm exigências fastidiosas de crescimento. tendo já sido identificados seis soro-tipos de antigénios. Patogenia e Imunidade As espécies Haemophilus.Microbiologia Pasteurellaceae Os membros da família Pasteurellaceae são pequenos bacilos. influenzae é coberta por uma cápsula de polissacárido. como é o caso de Haemophilus parainfluenzae e Haemophilus ducreyi. Fisiologia e Estrutura A maioria das espécies de Haemophilus necessita de meios de cultura enriquecidos com factores estimuladores de crescimento. O Haemophilus influenzae é a espécie mais frequentemente associada a doença. A parede celular apresenta uma estrutura idêntica à dos outros bacilos gramnegativos. seios peri-nasais. Deve ser utilizada a Gelose de Chocolate. A superfície de muitas das estirpes de H.Produção de Indol. . pois com o aquecimento do sangue de Carneiro são destruídos os inibidores do Factor V. aeróbios ou anaeróbios facultativos. A colonização da orofaringe com H. São parasitas obrigatórios encontrados nas mucosas de animais e seres humanos. influenzae encontra-se dividida em oito bio-tipos tendo em conta: . mas existem outras espécies com importância clínica. especialmente Haemophilus parainfluenzae e Haemophilus influenzae não capsulado. colonizam as vias aéreas superiores. 34 . gram-negativos. causando doença. não formadores de esporos. Haemophilus Os microrganismos deste género são pequenos bacilos gram-negativos.Actividade da Ornitina Descarboxilase. sendo que componentes da parede celular comprometem a função dos cílios e consequente Página 101 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . Fig. aeróbios ou anaeróbios facultativos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Actividade da Urease. Factor X e V. podendo disseminar-se para o ouvido médio.

seguida dos sinais típicos de meningite. As bactérias podem atravessar a barreira de células endoteliais ou epiteliais e entrar na corrente sanguínea.Otite.Epiglotite. influenzae tipo B ser o mais patogénico ele é raramente isolado em crianças saudáveis. e apesar de o H. influenzae tipo B é a sua cápsula antifagocítica. febre e dificuldade respiratória. também esta é uma doença pediátrica causada por H. Os sintomas iniciais consistem em história de 1 a 3 dias de infecção ligeira das vias aéreas superiores. influenzae. Sinusite e Doenças das Vias Aéreas. E muito rara em adultos. sendo que as primeiras vacinas apenas protegiam crianças com mais de 18 meses. principalmente os com doença pulmonar obstrutiva ou condições que predispõem a aspiração.Celulite. constituindo uma doença essencialmente pediátrica. influenzae tipo B era a causa mais comum de meningite pediátrica antes da introdução das vacinas conjugadas. é caracterizada por celulite e edema dos tecidos supraglóticos.Artrite. Só com as vacinas contendo antigénios PRP purificados conjugados com proteínas transportadoras passou a existir uma resposta humoral eficaz a partir dos 2 meses. geralmente são causadas pelas estirpes não-capsuladas de H. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . ducreyi é uma causa importante de úlceras genitais. O principal factor de virulência do H. Epidemiologia As espécies Haemophilus são encontradas em quase todos os indivíduos. Síndromes Clínicas As síndromes clínicas que podem ser observadas em pacientes infectados por H. parainfluenzae constitui cerca de 10% da flora microbiana da saliva. A doença pulmonar afecta mais os idosos. estando outras espécies associadas à placa dental ou peri-odontal. As crianças com epligotite apresentem faringite.Meningite.Microbiologia lesão no epitélio respiratório. Os sintomas são febre e celulite caracterizada pelo desenvolver de placas rubrocianóticas nas bochechas ou em áreas peri-orbitárias. pois estas na sua maioria são microrganismos oportunistas Página 102 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Antes da introdução das vacinas conjugadas contra H. que podem progredir rapidamente para a completa obstrução das vias aéreas e morte. sendo mais comum nos países em vias de desenvolvimento do que nos já desenvolvidos. influenzae são as seguintes: . . mas podem ocorrer nos adultos. influenzae este microrganismo constituía uma das grandes causas de infecção nas crianças com menos de 5 anos. Sendo que os anticorpos dirigidos para este componente promovem uma fagocitose activa e a actividade bactericida do sistema de complemento. tal como a meningite e epligotite. . influenzae que foi eliminada em grande parte pela vacinação. O H. sendo que a grande diferença no exam objectivo baseia-se no facto de a úlcera na Sífilis ser indolor e nesta caso é extremamente dolorosa e incómoda. antes das vacinas constituía a forma mais comum de artrite em crianças com menos de 2 anos. afectando geralmente apenas os pacientes imunocomprometidos ou com lesões articulares prévias. Revela-se importante pelo necessidade de diagnóstico diferencial entre a infecção por este microrganismo e a Sífilis. A gravidade da doença sistémica está inversamente relacionada com a taxa de eliminação das bactérias da corrente sanguínea. podendo constituir uma emergência médica. . o H. Contrariamente o H. sendo geralmente detectada nas grandes articulações. As infecções dos ouvidos e dos seios peri-nasais são consideradas doenças pediátricas.

Pode ainda surgir o fenómeno de satelitismo. A pneumonia primária é rara em crianças e adultos que apresentem uma função pulmonar normal.Conjuntivite e Febre Purpúrica Brasileira. é uma doença sexualmente transmitida. meningite e abcessos dentários. mais frequentemente detectada nos homens. O laboratório deve ser informado da suspeita destes microrganismos. Após 5 a 7 dias da exposição ao microrganismo verifica-se o aparecer de um pústula com base eritematosa na região genital ou peri-anal. conjuntivite. que neste caso de caracteriza pelo crescimento em redor de colónias de Staphylococcus aureus em gelose de sangue. Sabe-se ainda que uma estirpe específica do H. o que é Fig. de seguida a lesão sofre ulceração e torna-se dolorosa. levando a uma endocardite sub-aguda. outras espécies de Haemophilus podem causar infecções oportunistas como otite média. A cultura do material obtido por aspiração directa com agulha é necessária para a confirmação microbiológica de diagnóstico de infecções das vias aéreas superiores. sendo a coloração de Gram utilizada para o diagnóstico rápido de artrite e de doenças do tracto respiratório inferior causadas por estes microrganismo. uma vez que este necessita de meios de cultura especiais. Cultura É relativamente fácil o isolamento de H. influenzae do biogrupo aegyptius é a causa da febre purpúria brasileira. tanto a conjuntivite epidémica como a endémica podem ser causadas pelo H. ducreyi deve ser utilizada uma zaragatoa humedecida para recolher material da base da úlcera. . sinusite. influenzae. que é uma doença pediátrica caracterizada por uma conjuntivite seguida de início agudo de febre. artrite ou pneumonia. No caso de meningite são identificados cocobacilos gram-negativos no líquido cefalorraquidiano. . aphrophilus podem disseminar-se da boca até à corrente sanguínea e então infectar uma válvula cardíaca previamente danificada. No caso de H.Cancróide. Microscopia Se for feita de forma cuidada a detecção de espécies de Haemophilus é tão sensível quanto específica. No caso de detecção de H. Diagnóstico Laboratorial Colheita e Transporte das Amostras É necessária a obtenção de amostras de líquido cefalorraquidiano e sangue para o diagnóstico de meningite causada por Haemophilus.Microbiologia que causam infecções nas vias aéreas superiores e inferiores. As amostras não devem colhidas na faringe posterior em pacientes com suspeita de epiglotite. visto que este procedimento pode estimular a tosse e provocar a obstrução das vias aéreas. o que deriva do facto de muitas das mulheres serem assintomáticas. influenzae a partir de amostras clínicas quando são utilizados meios de cultura suplementados com factores de crescimento. A gelose de chocolate ou a gelose de Levinthal é utilizado na maioria dos laboratório para a sua cultura. vómitos e dores abdominais.Outras Infecções. celulite. 35 .Cutura de Haemophilus influenzae (Fenómeno de Satelismo) Página 103 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . A hemocultura deve ser realizada para o diagnóstico de epiglotite.

No entanto este teste é limitado. Página 104 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . cuja transmissão é feita por via sexual. . .Cefalosporinas de Largo Espectro. .Meningite.Muitas estirpes são resistentes às Penicilinas. . .Infecção Genital Ulcerativa (H. Liquido Sinovial e Expectoração. . . . .Pequenos Bacilos ou Coco-Bacilos. . influenzae é um método rápido e sensível para o diagnóstico de doença causada pelo H.Gram-Negativos.Vacinação com PRP impede infecção por H.Artrite. . . Haemophilus Fisiologia e Estrutura .H. Pleomórficos. influenzae tipo B. com deficiência do complemento e com esplenectomia. . pela presença de PRP.Necessita dos Factores de Crescimento X e V. . Prevenção e Controlo Identificação O H. . . aureus. ducreyi). Detecção de Antigénio A detecção imunológica do antigénio de H.Cultura em Gelose de Chocolate.Azitromicina ou Fluoroquinolonas.Anaeróbios Facultativos e Fermentadores. ducreyi.Haemophilus não capsulados colonizam os humanos normalmente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . influenzae não necessita do Factor X para o seu crescimento. pois apenas possui especificidade para esta estirpe. . Caso a cultura seja incubada num meio anaeróbio o H.Doenças associadas a crianças e ausentes na população imunizada. O crescimento de Haemophilus é lento pois grande parte dos meios comercializados não possui suplementos de Factor X e V.Aderência mediada por pilli e proteínas não-pilli. . influenza tornaram-se menos úteis com a introdução da vacinação. . influenza tipo b. .A maior parte das infecções é endógena.Análise Microscópica do LCR. influenzae é facilmente identificado pela demonstração da exigências do Factor X e V e pelas suas propriedades bioquímicas.Epiglotite.Conjuntivite.Celulite. com excepção do H. . sendo que as restantes não possuem reacção positiva.H.Grupo de Risco: doentes com baixos níveis de anticorpos.Otite e Sinusite. . influenza tipo b é o mais virulento. influenza tipo b é incomum na flora microbiana normal. . .Profilaxia com Rifampicina em crianças de alto risco. .Doenças das Vias Aéreas Inferiores. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Microbiologia conseguido pela obtenção do factor V intracelular proveniente da lise dos eritrócitos mediada pelos S.Testes de Detecção de Antigénio H.

necessita apenas de Factor V e fermenta glicose e sacarose. influenzae do tipo B em crianças com alto risco de adquirir a doença. Azitromicina ou uma Fluroquinolona. podem ser tratadas com Ampicilina ou Amoxicilina com Ácido Clavulânico. Tratamento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . tendo sido utilizada a Rifampicina nestas situações. influenzae necessitam de terapêutica antimicrobiana imediata. uma Cefalosporina de 3ª Geração. O H. necessita de Factor X e V. As infecções menos graves. pois as taxas de mortalidade para a epiglotite e meningite se aproximam de 100%. influenzae do tipo B consiste na vacinação eficaz. consegue fermentar apenas glicose. parainfluenzae pode ser catalase-positivo. As infecções graves são tratadas com Cefalosporinas de amplo espectro. Prevenção e Controlo Os pacientes com infecções sistémicas provocadas por H. como sinusites e otites. A quimioprofilaxia antibiótica é utilizada para eliminar o estado de H. influenzae é catalase-positivo. Página 105 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia O H. A principal medida de prevenção contra o H.

Estes microrganismos não formam esporos. antigénio flagelares e capsulares termo-lábeis. Sabe-se que cerca de 5% das gastroenterites são causadas por Campylobacter coli e ainda que o Campylobacter upsaliensis é possivelmente um agente importante de gastroenterite no homem. sendo o principal antigénio o lipopolissacárido da membrana externa. Página 106 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a Campylobacter fetus. Fisiologia e Estrutura Os microrganismos desta espécie possuem uma estrutura de parede celular gramnegativa típica. como é o caso de bacteriémia. Por outro lado existe uma outra espécie que desenvolve infecções sistémicas. O seu crescimento é favorecido numa atmosfera com baixos níveis de oxigénio e dióxido de carbono aumentado. Uma característica importante é o facto de Campylobacter não ficar retida nos filtros de 0. e por isso apenas estes serão abordados.Campylobacter As doenças que habitualmente causam são a gastroenterite e septicemia. incapacidade de fermentar ou oxidar glícidos e exigências microaerofílicas de crescimento. jejuni a sua temperatura óptima está nos 42º e não nos habituais 37ºC. aborto séptico e meningite.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . no entanto possui ainda numerosos antigénio somáticos O. sabe-se que no caso particular de C. tromboflebite séptica. onde a maior parte das outras bactérias ficam. A maioria das espécies é microaeróbia. Campylobacter O género Campylobacter consiste em pequenos bacilos gram-negativos em forma de vírgula ou de gaivota que se locomovem por meio de um flagelo polar. artrite.Microbiologia Campylobacter e Helicobacter Estes géneros consistem em bacilos gram-negativos espiralados com baixa relação de bases guanosina e citosina do DNA. As espécies de Campylobacter e Helicobacter são os membros mais frequentemente isolados e com mais relevância clínica da grande família das Campylobacteriaceae. necessitando de atmosferas com baixos níveis de oxigénio e níveis de hidrogénio e dióxido de carbono aumentados para o crescimento aeróbio. são oxidase positivos e móveis devido a 1 ou 2 flagelos polares. 36 . Fig.45 µm.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . jejuni e C. A Campylobacter fetus possui uma propensão para se disseminar do tracto gastrointestinal para a corrente sanguínea e focos distais. das enterotoxinas e da actividade endotóxica da C. do ílion e do cólon. Os microrganismos morrem quando expostos ao ácido gástrico. alcoolismo crónico ou neoplasias. No caso do C. jejuni. Poderá ainda existir uma transmissão fecal-oral de pessoa para pessoa ou pode ocorrer a transmissão por meio de pessoas em contacto com alimentos contaminados. O C. Esta disseminação é particularmente comum em pacientes debilitados e imunocomprometidos. A hipogamaglobulinemia é uma condição de risco para a infecção por C. A incidência máxima é observada nos adultos jovens. diabetes mellitus. É comum observarem-se abcessos em forma de cripta nas glândulas epiteliais e infiltração da lâmina própria por neutrófilos. no entanto o seu papel ainda não foi suficientemente bem definido. fetus é revestido por uma proteína semelhante a uma cápsula (Proteína S) que evita a morte mediada pelo complemento do soro. Apesar de esta patologia estar extensamente caracterizada não se conhece ainda o papel das toxinas citopáticas. Os alimentos ou substância que reduzem a acidez gástrica reduzem de maneira eficaz a dose infectante18. 17 Página 107 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A doença gastro-intestinal por C. coli o maior reservatório é o porco. Sabe-se porém que as estirpes desprovidas de adesinas e/ou de movimento são avirulentas. jejuni. caso esta cápsula seja removida o microrganismo perde a sua virulência. no caso de o microrganismo ser C. Este processo inflamatório encontra-se relacionado com a invasão de microrganismos no tecido intestinal. como uma enorme variedade de animais servindo de reservatório. sendo que nos países em vias de desenvolvimento a doença sintomática ocorre em crianças de pouca idade. enquanto no caso do C. Epidemiologia As infecções por Campylobacter são zoonoses. apresentando-se ulcerada. 18 Dose Infectante – quantidade mínima necessária de microrganismos de uma determinada espécie para que causem infecção. bem como os que possuam doença hepática. Pensa-se que esta doença esteja relacionada com a reacção antigénica cruzada entre oligassacáridos de Campylobacter e os glicoesfingolípidos presentes na superfície dos tecidos neurais. com um longo período de recuperação. sendo a transmissão para o homem feita por intermédio de consumo de alimentos. Síndrome de Guillain-Barré . edematosa e sanguinolenta. jejuni e C. A Campylobacter jejuni foi associada à síndrome de Guillain-Barré17. levando a uma doença grave e prolongada.Microbiologia Patogenia e Imunidade A espécie mais bem estudada é Campylobacter jejuni. e como tal os alimentos ou condições que diminuam a acidez gástrica promovem a doença por esta espécie. sendo o estado de portado assintomático e persistente observado em adultos. jejuni leva a lesões histológicas das superfícies mucosas do jejuno. enzimas citotóxicas e enterotoxinas. leite ou água contaminados. provocando a sua destruição. um distúrbio autoimune do sistema nervoso periférico caracterizado pelo desenvolvimento de fraqueza simétrica durante um período de vários dias. Para C. lari o maior reservatório são as aves. células mononucleadas e eosinófilos. tendo sido já detectada a presença de adesinas. upsaliensis a transmissão ocorre geralmente por contacto com cães domésticos. coli. Assim a quando da infecção por Campylobacter os anticorpos produzidos podem ser igualmente dirigidos contra componentes do sistema nervoso.é caracterizada por uma inflamação aguda com perda da mielina dos nervos periféricos e às vezes de raízes nervosas proximais e de nervos cranianos.

Sabe-se que este microrganismo é uma causa comum de abortos espontâneos.Hipurato + .25ºC + .Cefalotina R R S S Cultura No caso de C. coli e C.Resistente Página 108 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Na apresentação mais comum de infecção por C. no entanto pode persistir por uma semana ou mais. A doença é geralmente auto-limitada. Os pacientes afectados podem ter 10 ou mais evacuações por dia durante o pico da doença. coli. upsaliensis e outros patogénos entéricos são observadas mais frequentemente na forma de enterite aguda com diarreia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mal-estar. febre e dor abdominal. cerca de 42ºC. jejuni C. O microrganismo. upsaliensis o seu isolamento requer crescimento em atmosfera microaerofílica em elevada temperatura de incubação. Diagnóstico Laboratorial Microscopia Os microrganismos do género Campylobacter são delgados e não podem ser facilmente observados em amostras coradas. jejuni.37ºC + + + + . C. e são adicionados antibióticos para inibir o crescimento de microrganismos 19 20 F – Reacção Fraca V – Reacção Variável 21 S . e um meio de cultura selectivo.Suscetível 22 R . isolados ou dispostos aos pares unidos pela extremidade. Este meio deve conter sangue ou carbono para remover os radicais de oxigénio tóxicos. e as fezes podem ser macroscopicamente sanguinolentas.Ácido Nalidíxico S21 S S V 22 .Indoxil Acetato + + + Crescimento a: . C. jejuni. Propriedades Fenotípicas de Espécies Seleccionadas de Campylobacter Características C. Os microrganismos sujeitos a cultura aparecem como pequenos bacilos curvos. C. seguida de septicemia com disseminação para múltiplos órgãos. fetus o paciente inicialmente apresenta gastroenterite. fetus Oxidase + + + + 19 Catalase + + -/F + Redução do Nitrato + + + + Urease Hidrólise de: . possui uma característica motilidade denominada “em disparada” que através da microscopia de campo escuro ou de contraste de fase em amostras de fezes frescas permite a sua detecção. upsaliensis C.Microbiologia Síndromes Clínicas As infecções gastro-intestinais causadas por C.42ºC + + + Crescimento em Glicina a + + V20 + 1% Suscetibilidade a: . coli C.

. sendo que o microrganismo não cresce a esta temperatura.Microscopia não é sensível. incluindo Macrólidos. Tetraciclinas. . . . .Não Fermentadores.Controlo da Contaminação dos suprimentos de água.Infecção Entérica mais comum nos meses Quentes. no entanto continua a ser precisa uma atmosfera microaerofílica. . . Identificação A identificação é baseada nas condições selectivas de crescimento e na morfologia microscópica típica.Gram-Negativos . .Septicemia. exigindo uma incubação de 48 a 72h. . Prevenção e Controlo A gastroenterite causada por Campylobacter é tipicamente uma infecção auto-limitada cujo tratamento consiste na reposição dos líquidos e electrólitos perdidos. . .Disseminação Pessoa-Pessoa pouco provável.Cultura requer meio especializado com baixo teor de O2 e CO2 aumentado e elevadas temperaturas. Cefalosporinas e Sulfonamidas. fetus não é necessária uma temperatura de 42ºC. Tetraciclinas e Quinolonas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O meio comercial mais utilizado é o Meio de Preston. Página 109 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . .Meningite Neo-Natal e Aborto. . Cloranfenicol.Distribuição Mundial. Clindamicina. No entanto a identificação definitiva de todos os microrganismos isolados deve ser feita tendo conta as análises bioquímicas. Quinolonas. O microrganismos é sensível a uma grande variedade de antibióticos. reduz drasticamente quando o pH gástrico baixa.Infecção Zoonótica. Motilidade e Invasão. Os Campylobacter são microrganismos de crescimento lento.Gastroenterite e Septicemia: Eritromicina.Doença Peri-odontal. Prevenção e Controlo Tratamento. Amoxicilina e Ácido Clavulânico e Imipenem.Factores de Adesão.Dose Infectante Alta. A eritromicina constitui o antibiótico de escolha para a terapêutica.Incubação de 2 ou mais dias. A maioria dos microrganismos isolados mostra-se resistente às penicilinas.Gastroenterite é evitada pela preparação adequada dos alimentos.Gastrite: Reposição de Líquidos e Electrólitos.Adquirida por Ingestão de Alimentos Contaminados. fetus).Bacilos Delgados e Curvos. . sendo a tetraciclina ou as Quinolonas utilizadas como antibióticos secundários.Gastrite. A antibioticoterapia pode ser utilizada em pacientes com infecções graves ou septicemia. .Gastroenterite. Aminoglicosídeos. Campylobacter Fisiologia e Estrutura . Por sua vez no caso de C. .Proteína S inibe ligação de C3b (C. ou mais. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . . . .Microbiologia contaminantes. . .Não Observáveis em Microscopia de Campo Claro.

As infecções sistémicas são tratadas com Aminoglicosídeos. A Helicobacter pylori é móvel. salientando-se a alteração na produção de ácido gástrico e a destruição tecidual. 37 . Patogenia e Imunidade São vários os factores que contribuem para a inflamação gástrica. incluindo Helicobacter cinaedi e Helicobacter fennelliae que foram igualmente isolados em homossexuais com proctite. carbono. A prevenção da gastroenterite por Campylobacter inclui a preparação adequada do alimento. É pouco provável que seja eliminado o estado de portador de Campylobacter em reservatório animais como frangos e perus. estes factores são característicos de uma infecção por H. possuindo uma motilidade característica em ziguezague. oxidase e catalase positivos. Helicobacter Os microrganismos deste género são bacilos gram-negativos espiralados. assim o risco de infecção a partir destes focos continua. O crescimento destes microrganismos necessita de um meio suplementado com sangue. no entanto em culturas mais antigas podem apresentar formas cocóides. pylori.Microbiologia A associação de Amoxicilina e Ácido Clavulânico pode ser utilizada em substituição da Tetraciclina. As espécies de Helicobacter em culturas recentes adquirem uma forma espiralada. que é contra indicada em crianças de pouca idade.Morfologia do Helicobacter (Pleomorfismo) Estes microrganismos caracterizam-se por serem bacilos gram-negativos não esporulados. mas pode metabolizar aminoácidos por vias fermentativas. Fisiologia e Estrutura As espécies de Helicobacter são caracterizadas pela análise da sequências dos genes de rRNA 16S. possuindo mobilidade devido a 1 a 6 flagelos. pelos ácidos gordos celulares e pela presença de flagelos polares. A bactérias mais relevante é a Helicobacter pylori que está associada a gastrite. em condições microaerofílicas e com temperaturas entre os 30º e os 37ºC. O tracto intestinal é colonizado por várias espécies de Helicobacter.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . a não utilização de lacticínios não pasteurizados e a implementação de medidas para prevenir a contaminação de suprimentos de água. e produz abundantes quantidades de urease. proctocolite ou enterite. Sabe-se que a colonização inicial é facilitada pelo bloqueio de produção de ácido pela proteína inibidora de ácido da bactéria e pela neutralização dos ácidos gástricos pela amónia Página 110 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Sabe-se que este género não fermenta nem oxida glícidos. Cloranfenicol ou Imipenem. soro. úlcera péptica e adenocarninoma gástrico. amido ou gema de ovo. e linfomas de células B do tecido linfoide associado a mucosa gástrica. Fig.

Entretanto estudos indicam que a colonização por H. o que se comprova pela cicatrização das úlceras face ao tratamento contra o microrganismo. alojando-se neste e estando graças a ele protegidos da acidez gástrica. O H. Os seres são o reservatório mais importante deste microrganismos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A actividade da urease é aumentada pela proteína do choque térmico que é co-expressada com a urease na superfície bacteriana. pylori. H. factor de activação plaquetar. a coloração com prata de Warthin-Starry é a mais sensível. pylori em pessoas saudáveis é relativamente baixa durante a infância. A lesão tecidual é mediada por subprodutos da urease. úlcera gástrica ou úlcera duodenal estão infectados por H. Existe ainda um consenso geral relativamente ao facto de este microrganismos ser a causa da maioria das úlceras gástricas e duodenais. pylori é o agente etiológico em praticamente todos os casos de gastrite tipo B.Microbiologia produzida em decorrência da actividade da urease bacteriana. mas aumenta até os 45% na população adultos com mais idade. mucinase e fosfolipase. pylori pode ser detectado por exame histológico de biópsias gástricas. Este microrganismo produz factores que estimulam a secreção de IL-8. Os microrganismos que são activamente móveis podem atravessar o muco gástrico. e transmissão se faz mais provavelmente por via fecal-oral. Helicobacter cinaedi e H. Página 111 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Apesar de poder usar-se H&E ou coloração de Gram. pylori pode ser um factor protector no caso da doença de refluxo gastro-esofágico e adenocarcinomas do esófago inferior e da cárdia gástrica. cinaedi pode ainda ser agente de celulite recorrente com febre e bacteriémia em pacientes imunocomprometidos. Diagnóstico Laboratorial Microscopia O H. fennelliae podem causar gastroenterite e protocolite com septicemia em homens homossexuais. e aderir às células epiteliais. Sabe-se que a urease juntamente com o LPS estimula a respostas inflamatória. a hipersecreção de ácido gástrico e a morte programada das células epiteliais gástricas. pylori está ainda associada ao linfoma das células B associadas ao tecido linfoide da mucosa gástrica. Assim sendo uma terapia activa contra esta bactéria está associada a uma regressão da neoplasia. Epidemiologia A colonização por H. pylori é protegido da fagocitose e da morte intracelular pela produção de superóxido dismutase e catalase. A colonização por H. sendo que a análise histológica possui uma especificidade e sensibilidade perto dos 100%. Síndromes Clínicas Actualmente existem evidências clínicas definitivas de que o H. Sabe-se que 70% a 100% dos pacientes com gastrite. e por isso sabe-se que com o aumento das condições de higiene existe uma tendência para diminuir o risco de colonização. e ainda pela actividade da citotoxina vacuolizante que induz lesão das células epiteliais.

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Teste da Urease Constitui o método mais rápido de detecção de H. pylori. A grande quantidade de urease produzida pelos microrganismos permite a detecção do subproduto alcalino em menos de 2 horas. A sensibilidade do teste directo, com amostras de biópsias, varia de 75 a 95%, estando a especificidade perto dos 100%. Cultura Este microrganismo cresce em meio enriquecido, suplementado com sangue, hemina ou carbono, em atmosfera microaerofílica. A suplementação do meio protege a bactéria dos radicais livres de óxigénio, peróxido de hidrogénio e ácidos gordos. No entanto a cultura é pouco sensível, a não ser que seja obtida de múltiplas amostras de biópsia gástrica. Identificação A identificação preliminar dos microrganismos baseia-se nas suas características de crescimento em condições selectivas, morfologia microscópica típica e detecção da actividade da oxidase, catalase e urease. A identificação definitiva das bactérias deve ser orientada pelas seguintes reacções: Propriedades Fenotípicas de Espécies Seleccionadas de Helicobacter Características H. pylori H. cinaedi H. fennelliae Oxidase + + + Catalase Redução do Nitrato Urease Hidrólise de: - Hipurato - Indoxil Acetato Crescimento a: - 25ºC - 37ºC - 42ºC Crescimento em Glicina a 1% Suscetibilidade a: - Ácido Nalidíxico - Cefalotina

+ + + R S

+ + + + S I23

+ + + + S S

Serologia A infecção por H. pylori estimula a resposta humoral que persiste em resposta à contínua exposição à bactéria. Pelo facto de os títulos de anticorpos persistirem por um longo período de tempo, chegando a anos, o teste não pode ser utilizado para distinguir uma infecção recente de uma mais antiga. Por outro lado este tipo de testes não se demonstra muito relevante pois a quantidade de anticorpos não tem qualquer relação com a gravidade da doença.

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I - Intermédio

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Tratamento, Prevenção e Controlo
Os resultados mais satisfatórios na cura da gastrite ou úlcera péptica foram conseguidos com a combinação de um inibidor da bomba de protões e um ou mais antibióticos. Pode ainda adicionar-se bismuto24, ou a terapia de combinação de Tetraciclinas, Metronidazol, bismuto e Omeprazol por 2 semanas, apresentando uma taxa de erradicação de mais de 90%. As infecções por H. cinaedi e H. fennelliae podem ser tratadas com Amoxicilina ou Claritromicina. Têm sido realizados esforços no sentido de desenvolver uma vacina contra H. pylori, tentando usar-se a urease e a proteína do choque térmico como alvo, pois estas apenas são expressas na superfície deste microrganismos.

Helicobacter pylori
Fisiologia e Estrutura Virulência - Bacilos Gram-Negativos Curvos; - Produção de Urease em elevados Níveis; - Urease; - Proteína do Choque Térmico; - Proteína Inibitória de Ácido; - Flagelos; - Adesinas; - Mucinase; - Fosfolipases; - Superóxido Dismutase; - Catalase; - Citotoxina da Vacuolização; - Infecções mais comuns em pessoas de classes sócio-económicas baixa ou em países em desenvolvimento; - Seres Humanos são o principal reservatório; - Disseminação Pessoa-Pessoa (Fecal-Oral); - Não existe reservatório animal; - Ubíquos de Distribuição Mundial; - Sem incidência Sazonal; - Gastrite, Úlcera péptica e Adenocarcinoma Gástrico (H. pylori); - Gastrite, Septicemia, Protocolite e Celulite (H. cinaedi); - Gastrite, Septicemia e Protocolite (H. fennelliae); - Gastrite (H. canis, H. pullosrum, H. rappini e H. cannadensis); - Microscopia: análise se biópsia é sensível e específico; - Cultura em condições microaerofílicas; - Crescimento Lento; - Serologia útil na demonstração de exposição a H. pylori; - Tetraciclina, Metronidazol, Bismuto e Omeprazol por 2 semanas; - Vacinas para Humanos ainda não disponíveis;

Epidemiologia

Doenças

Diagnóstico

Tratamento, Prevenção e Controlo

Bismuto - é um elemento químico de símbolo Bi. temperatura ambiente, o bismuto encontrase no estado sólido.

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Pseudomonas
As Pseudomonas são microrganismos oportunistas de vegetais, animais e seres humanos. Sabe-se que de todos os microrganismos isolados o mais importante deste género é a Pseudomonas aeruginosa. A sua distribuição é ubíqua no solo, em matéria orgânica em decomposição, em vegetais e na água. São ainda encontradas em reservatórios hospitalares húmidos, como alimentos, flores cortas, sanitários, esfregões de limpeza, etc. A persistência do estado de portador apenas é comum em doentes imunodeprimidos ou hospitalizados. Fig. 38 - Pseudomonas aeruginosa Esta distribuição ubíqua no meioambiente é conseguida pela ausência de necessidades fastidiosas para o crescimento desta bactéria. As espécies de Pseudomonas também possuem numerosos factores estruturais, enzimas, toxinas que levam a uma elevada virulência, tornando-as resistentes a grande parte dos antibióticos. Estes bacilos gram-negativos são aeróbios, embora algumas espécies possam crescer em ambiente anaeróbio, não fermentam os glícidos, obtendo energia por oxidação dos mesmos. Todos os membros deste género são móveis, com excepção da P. malli. Esta bactéria não pertence à nossa flora comensal, sendo muitas vezes associada a ambientes hospitalares, como tal adquire elevada importância nas infecções nosocomiais.

Fisiologia e Estrutura
As Pseudomonas são bacilos gram-negativos rectos ou ligeiramente curvos, com flagelos polares que lhes conferem movimento. Não são fermentadoras, utilizando mecanismos oxidativos tendo como aceitador final o oxigénio. Apesar de as pseudomonas serão definidos como aeróbios obrigatórios, elas podem crescer anaeróbiamente, passando a utilizar nitrato ou arginina como aceitador final dos electrões. A presença de citocromo oxidase em espécies de Pseudomonas é utilizado para as diferenciar das Enterobacteriaceae. Na microscopia algumas espécies parecem mucoides devido à grande quantidade de cápsula polissacárida disposta em torno de si mesma. Actualmente este género é composto por cerca de 10 espécies e a mais comum e com mais relevo clínico é a Pseudomonas aeruginosa.

Patogenia e Imunidade
A Pseudomonas aeruginosa possui diversos factores de virulência, incluindo componentes estruturais, enzimas e toxinas. Apesar de existirem diversos factores é Página 114 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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complicado perceber qual possui um papel mais importante na infecção, e desse modo pensase que a infecção resulte de uma virulência multi-factorial. - Adesinas, através de adesinas presentes nos pilli e outras não associadas a pilli a bactéria consegue permanecer unida às células do hospedeiro. Os pilli são importantes para a ligação do microrganismo às células epiteliais e são idênticos aos encontrados na Neisseria gonorrhoeae. A P. aeruginosa produz neuraminidase, que remove os resíduos de ácido siálico dos receptores dos pillis, aumentando desta forma a aderência das bactérias às células; - Cápsula Polissacárida, a P. aeruginosa produz uma cápsula polissacárida que possui múltiplas funções, uma delas é fixar a bactéria às células epiteliais ou à mucina traqueobrônquica. A cápsula protege ainda o microrganismo da fagocitose e da actividade de alguns antibióticos, como é o caso dos aminoglicosídeos. Sabe-se que a produção deste mucóide polissacárido é altamente regulada; - Endotoxina, a endotoxina polissacárida é o principal antigénio da parede celular da P. aeruginosa, sendo o lípido A o responsável por muitos dos efeitos biológicos da síndrome da sépsis; - Piocianina, sabe-se que a P. aeruginosa produz um pigmento azul, a piocianina, que catalisa a produção de superóxido e peróxido de hidrogénio. Na presença deste pigmento ocorre a produção do radical hidroxil mais tóxico, o que conduz a uma lesão tecidual. Por outro lado este pigmento vai estimular a resposta inflamatória; - Exotoxina A, pensa-se que seja um dos factores de virulência mais importante produzido pelas estirpes patogénicas de P. aeruginosa. Esta toxina bloqueia a síntese de proteínas nas células eucariotas de modo semelhante à toxina diftérica. A exotoxina A contribui frequentemente para a dermatonecrose que ocorre nas feridas por queimaduras, lesões córneas nas infecções oculares e lesão tissular nas infecções pulmonares crónicas; - Exoenzimas S e T, são enzimas extracelulares produzidas pela bactéria, possuindo uma função de adeosina-difosfato-ribosiltransferase, cuja finalidade ainda não é conhecida. Estas enzimas são introduzidas na célula alvo pelo sistema de secreção tipo III, levando a uma lesão da célula hospedeira, facilitando a disseminação das bactérias, e consequente invasão dos tecidos e necrose; esta citotoxicidade é mediada pelo rearranjo dos filamentos de actina; - Elastases, são duas enzimas LasA e LasB que actuam sinergicamente para degradar a elastina, levando a uma lesão dos tecidos, nomeadamente do parênquima pulmonar. Estas enzimas podem ainda degradar componentes do sistema de complemento, inibindo a quimiotaxia e funções dos neutrófilos, o que se traduz numa mais disseminação pelos tecidos e maior lesão tecidual; - Protease Alcalina, de forma semelhante á elastase contribui para a destruição tecidual e disseminação da P. aeruginosa, indeferindo igualmente na resposta imunitária do hospedeiro; - Fosfolipase C, é uma hemolisina termo-lábil que degrada lípidos e lecitina, facilitando a destruição dos tecidos, e consequente disseminação do microrganismo; - Ramnolípido, é uma hemolisina termo-estável que destrói os tecidos contendo lecitina, e ainda inibe a actividade ciliar do epitélio do tracto respiratório. A Pseudomonas aeruginosa é inerentemente resistente a muitos antibióticos e pode ainda sofrer mutações que a tornem resistente a mais antibióticos. Os principais mecanismos de resistência são a alteração do alvo, mas concretamente das porinas que quando modificadas não permitem a penetração do antibiótico através da membrana externa. Esta bactéria possui ainda algumas β-Lactamases que lhe conferem resistência a grande parte dos β-lactâmicos;

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Epidemiologia
As pseudomonas são microrganismos oportunistas, que possuem uma distribuição ubíqua. As pseudomonas apresentam exigências nutricionais mínimas, podem tolerar uma faixa de temperatura que vai desde os 4º aos 42ºC, sendo ainda resistentes a muitos antibióticos e desinfectantes. O isolamento de pseudomonas em pacientes internados é preocupante, no entanto não necessita uma intervenção terapêutica, a menos que seja evidente a doença.

Síndromes Clínicas
Sendo a Pseudomonas aeruginosa a mais frequentemente relacionada com a patologia humana, sabe-se que as principais infecções que causa são: - Infecções Pulmonares, ocorrem no tracto respiratório inferior, podendo variar de gravidade, indo desde a traqueo-bronquite benigna até a uma bronco-pneumonia grave necrosante. A colonização é observada em doentes com fibrose cística, ou com outras doenças pulmonares crónicas e neutropenia. Existem condições que aumentam a susceptibilidade dos pacientes a uma infecção por pseudomonas, como é o caso de: - Terapia prévia com antibióticos de largo espectro que destroem a flora comensal; - Utilização de equipamento de tratamento respiratório, o que pode facilitar a introdução de microrganismos nas vias respiratórias. - Infecções Primárias da Pele, a P. aeruginosa pode causar uma grande variedade de infecções cutâneas, sendo mais comum em queimaduras. A colonização de uma ferida resultante de uma queimadura, é seguida de lesão vascular localizada, necrose tissular e finalmente bacteriémia. A foliculite é outra infecção comum, que pode resultar da imersão em águas contaminadas. Caso exista um contacto contínuo com águas Fig. 39 - Infecção de uma Queimadura (Pseudomonas aeruginosa) contaminadas existe uma tendência para que surjam infecções nas unhas; - Infecções do Tracto Urinário, este tipo de infecções são geralmente causadas como consequência do uso prolongado de cateteres urinários. O tratamento sistemático destes pacientes com múltiplos antibióticos leva a uma selecção das estirpes mais resistentes; - Infecções dos Ouvidos, a otite externa é frequentemente causada pela P. aeruginosa, sendo a natação um factor de risco. A otite externa maligna é a mais forma mais grave desta patologia, sendo observada um maior número de vezes em pacientes idosos ou diabéticos. Desta condição pode evoluir para uma invasão dos tecidos subjacentes, lesando os nervos cranianos e ossos, podendo ser fatal; - Infecções Oculares, estas infecções ocorrem após traumatismo da córnea e posterior exposição a P. aeruginosa em águas contaminadas. Surgem úlceras da córnea, que poderão conduzir a uma situação de cegueira, de modo a evitar esta situação deve ser iniciado o tratamento de imediato; - Bacteriémia e Endocardite, a bacteriémia devido a P. aeruginosa é clinicamente indistinguível das causadas por outras bactérias gram-negativas. Neste caso a mortalidade é mais elevada devido á preferência dos microrganismos por pacientes imunodeprimidos e à elevada virulência desta bactéria. Esta patologia surge muitas vezes associada a pacientes com Página 116 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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neutropenia, diabetes mellitus, queimaduras extensas e neoplasias hematológicas. A origem é na maior parte dos casos infecções do tracto respiratório inferior, tracto urinário, pele e tecidos moles. Em alguns casos podem surgir lesões cutâneas características – ectima gangrenoso – que se manifestam como vesículas eritematosas que se tornam hemorrágicas, necróticas e ulceradas. No caso de endocardite os pacientes de risco são os utilizadores de drogas endovenosas. A válvula tricúspide encontra-se frequentemente afectada, a evolução é crónica, mas os pacientes com infecção da válvula mitral apenas possuem um prognóstico mais favorável.

Pseudomonas aeruginosa
Fisiologia e Estrutura - Pequenos Bacilos Gram-Negativos; - Aeróbios Estritos e Não-Fermatadores; - Cápsula Exopolissacárida Mucóide; - Componentes Estruturais (Cápsula, Pilli, LPS e Piocianina); - Toxinas e Enzimas (Exotoxina A e S, Citotoxina, Elastase, Protease Alcalina, Fosfolipase C, Ramnolipídico e Resistência Antibiótica); - Ubíquos em Ambientes Hospitalares Húmidos; - Sem Incidência Sazonal; - Coloniza Transitóriamente Tracto Gastro-Instetinal e Respiratório, principalmente de doentes hospitalizados e com terapêutica antibiótica de largo espectro; - Infecções Pulmonares; - Infecções de Feridas (Queimaduras), Cutâneas e de Tecidos Moles; - Infecções do Tracto Urinário; - Otite Externa; - Infecções Oculares; - Crescimento Rápido nos Meios de Culturas Habituais; - Identificada pelas Características Colonias (Hemolítica, Pigmento Verde e Odor a Uva); - Testes Bioquímicos (Oxidase Positiva); - Utilização Combinada de Antibióticos: - Aminoglicosídeos + β-Lactâmico - Controlo das Infecções Hospitalares devem ser baseados na desinfecção dos materiais médicos; - Utilização Desnecessária de Antibióticos de Largo Espectro pode conduzir a estirpes resistentes;

Virulência

Epidemiologia

Doenças

Diagnóstico

Tratamento, Prevenção e Controlo

Diagnóstico Laboratorial
Cultura As Pseudomonas não possuem exigências nutricionais, crescem nos meios comuns, como é o caso do meio de MacConkey e gelose de sangue. A incubação aeróbia é necessária, a menos que haja nitrato no meio, de modo a que no crescimento em meio líquido, este crescimento apenas ocorre na barreira ar-líquido. Identificação A morfologia colonial associada aos resultados dos resultados rápidos dos testes bioquímicos é suficiente para

Fig. 40 - Cultura Pseudomonas aeruginosa (Pioverdina)

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a identificação preliminar dos microrganismos isolados. Sabe-se que a P. aeruginosa cresce rapidamente e forma colónias planas com limites mal definidos, com um padrão β-hemolítico, com pigmentação verde e um odor doce, semelhante á uva. Os perfis bioquímicos são a susceptibilidade aos antibióticos, aos bacteriófagos, a produção de piocinas, a tipagem sorológica e a caracterização dos ácidos nucleicos. Resumindo, as características das suas colónias e crescimento em determinados meios são: - Colónias achatadas de forma estrelada e brilho metálico; - Colónias lisas e de bordos bem definidos; - Colónias mucóides; - Odor característico a fruta e flores25; - Crescimento em meio de MacConkey, sendo não fermentadores da lactose; - Pigmentos de pioverdina e piocianina são os mais frequentemente produzidos;

Tratamento, Prevenção e Controlo
A antibioticoterapia é frustrante porque as bactérias são tipicamente resistentes á maioria dos antibióticos e um paciente que apresente as defesas comprometidas é incapaz de responder à terapêutica antibiótica. As Pseudomonas são naturalmente resistentes a: - Aminopenicilinas; - Penicilinas Anti-Estafilocócicas; - Cefalosporinas de 1ª e 2ª geração; - Tetraciclinas; - Cloranfenicol; - Macrólidos; - Rifampicina; - Glicopéptidos. Esta resistência aos antibióticos é conseguida através de três mecanismos, nomeadamente a permeabilidade da membrana externa e/ou alteração de locais de acção, onde se ligam os antibióticos; produção extracelular de enzimas, que degradam os antibióticos antes que estes se liguem aos receptores; mecanismo de efluxo activo, expulsando para fora da célula o antibiótico que conseguir entrar. Surgem então as seguintes opções terapêuticas: - Cefalosporinas de 3ª geração; - Penicilina de Espectro Largo + Inibidores de β-Lactamases; - Monobactamos; - Carbapnemos, exceptuando o Ertapenemo; - Aminoglicanos, usado a nível local; - Fluoroquinolonas, no entanto induzem a resistência aos Carbapnemos; - Polimixinas, mas são altamente tóxicas. Durante a terapêutica os microrganismos susceptíveis podem tornar-se resistentes pela indução da formação de enzimas que inactivam os antibióticos ou pela mutação de genes que codificam as proteínas porinas da membrana externa ou através da transferência mediada por plasmídeo. Sabe-se ainda que alguns grupos de antibióticos, como é o caso dos Aminoglicosídeos, são ineficazes em alguns locais de infecção.

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Esta trata-se da descrição clássica, pois, na realidade o odor é semelhante a fruta estragada.

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e ainda à associação de Penicilinas com um inibidor das βlactamidases. Página 119 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . não esporulado e imóvel. convexas. Como principal medida de prevenção temos o evitar da contaminação dos materiais estéreis. Habitualmente utiliza-se a associação de um Aminoglicosídeo com um Β-Lactâmico.1986 . designando-a Neisseria catarrhalis. foi reclassificada para o género Moraxella. A Moraxella catarrhalis é o microrganismo patogénico mais importante.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Tetraciclina. Grande parte das bactérias isoladas produzem β-lactâmidases. pois a sua distribuição é ubíqua nos reservatórios de água. o microrganismo foi novamente reclassificado e designado Branhamella catarrhalis. mas podem crescer a 28ºC.1963 . o que lhes confere resistência à maior parte dos β-lactâmicos. sendo hoje conhecida como Moraxella catarrhalis. Moraxella O género Moraxella foi reorganizado com base na análise dos ácidos nucleicos. como é o caso das Cefalosporinas. com temperatura óptima de crescimento 35ºC-37ªC. dada a grande distância filogenética entre as verdadeiras Neisseria e Neisseria catarrhalis. O uso de associações e um potencial sinergismo na terapêutica permitem um melhor controlo das infecções. e acima de tudo evitam que surjam novas estirpes resistentes. da Eritromicina. . Ao longo do tempo este microrganismo foi classificado em diversas famílias e géneros: . opacas. . Além disso são aeróbias. originando colónias acinzentadas. Deve-se evitar a utilização inadequada de antibióticos de amplo espectro. Apesar desta resistência. A Moraxella catarrhalis é um diplococo gram-negativo.Foi descrito um microrganismo. sendo a causa mais comum de bronquite e bronco-pneumonia.Através de estudos de sequenciação de DNA. Trimetoprim-Sulfametoxazol. designado Micrococcus catarrhalis. Tem bom crescimento em gelose de sangue. redondas e que se confundem com colónias de Staphylococcus. são susceptíveis à maioria dos outros antibióticos. sinusite e otite. As tentativas de eliminar as Pseudomonas do ambiente hospitalar são praticamente inúteis. Contudo.Berger reclassificou-a. uma vez que este procedimento pode eliminar a flora comensal e permitir o desenvolver de organismos resistentes relacionados a pseudomonas.1984 . em homenagem a Sarah Branham.Microbiologia Na maior parte dos casos é necessária a combinação activa de vários antibióticos para ter sucesso no tratamento de infecções graves.

Espiroquetas (Coloração Imunofluorescente) patologia: . As formas móveis podem ser visualizadas em microscopia de campo escuro ou por coloração com anticorpos marcados com corantes fluorescentes.Treponema pallidum pertenue  Framboésia . O Treponema pallidum pallidum é o agente etiológico da doença venérea Sífilis. mas sabe-se hoje que são capazes de utilizar a glicose de forma oxidativa. Já foram considerados anaeróbios estritos. e mediante a produção de hialuronidase as estirpes virulentas podem forma facilitada invadirem os territórios vasculares.Treponema carateum  Pinta .Borrelia recurrentis  Febre Recorrente Epidémica . Fisiologia e Estrutura A espiroqueta patogénica é exclusiva dos humanos. Patogenia e Imunidade As proteínas de membrana externa estão associadas à aderência à superfície das células do hospedeiro. A T. pallidum é uma espiroqueta delgada incapaz de sobreviver em culturas sem células.Microbiologia Espiroquetídios As bactérias pertencentes à ordem Spirochaetales foram agrupadas com base nas suas propriedades morfológicas comuns. Borrelia e Leptospira. As estirpes virulências são ainda recobertas por fibronectina.Género Leptospira: .Treponema pallidum pallidum  Sífilis . Página 120 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 41 . a espécie e a Fig.Género Treponema: .Borrelia spp. como causadora de doença. Desta grande família apenas três géneros são responsáveis por doença humana: Treponema. sendo este um mecanismo de escape à fagocitose.Género Borrelia: .Treponema pallidum endemicum  Bejel .Leptospira interrogans  Leptospirose Treponema As duas espécies de treponema que causam doença humana são Treponema pallidum e Treponema carateum.  Febre Recorrente Endémica . As espiroquetas são microrganismos gramnegativos. delgadas e helicoidais. Estes dois microrganismos são diferentes pelas suas características epidemiológicas e manifestações clínicas. Em baixo podemos encontrar resumido a associação entre o género.Borrelia burgdorferi  Doença de Lyme .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

.Fase Tardia. A lesão inicia-se como uma pápula. como o Schistosoma mansoni. mas pode ainda ser adquirida de forma congénita ou por transfusão de sangue. No caso de pacientes imunodeprimidos podem surgir múltiplas lesões disseminadas. anorexia. Epidemiologia A sífilis é encontrada no mundo inteiro e constitui a 3ª doença bacteriana sexualmente transmitida mais comum nos EUA. Apesar da redução da duração da infectividade dos indivíduos infectados devido ao uso dos antibióticos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . a incidência de sífilis primária e secundária permanece elevada como consequência de determinadas práticas sexuais e prostituição como meio de manter o vício das drogas. A transmissão congénita de mãe para o feto pode ocorrer em qualquer altura da gestação. Ao fim de cerca de 2 meses estas lesões desaparecem.Sífilis Primária. Apesar de ser uma das doenças mais comuns. linfoadenopatia e exantema28 muco-cutâneo generalizado. durante a fase inicial. 28 Exantema . que pode ser causado em decorrência do uso de alguns medicamentos. como o sarampo ou a escarlatina. caracteriza-se pela evidência da doença disseminada. febre. ocorrendo 3 fases distintas: .Microbiologia A destruição e lesões teciduais verificadas na sífilis são consequência da respostas imunitária do paciente. O exantema na sífilis 26 Úlcera . tornando-se uma úlcera26 indolor com bordos elevados. Durante esta fase devido ao grande número de microrganismos ocorre com frequência a disseminação sistémica por meio da corrente sanguínea e linfática.é o nome genérico dado a quaisquer lesões superficiais em tecido cutâneo ou mucoso.é uma erupção cutânea que ocorre em consequência de doenças agudas provocadas por vírus ou cocos. é caracterizada por uma ou mais lesões cutâneas indolores no local de penetração das espiroquetas. . Exantema também é sinónimo de rash cutâneo. axilas e virilhas. T. Os microrganismos são ingeridos pelas células fagocíticas. nesta fase quase todos os tecidos podem ser afectados. 27 Página 121 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Na maioria dos indivíduos verifica-se linfoadenopatia27 regional indolor após 1 a 2 semanas do aparecimento das lesões. Verifica-se um elevado número de microrganismo na fase primária e secundária.Sífilis Secundária. especialmente dos situados no pescoço. sendo o seu agente. com dores de garganta. mas sofre erosão. apresentado o doente um síndrome semelhante à gripe. O rash tem aspecto avermelhado e pode se elevar na pele. É um sintoma de muitas doenças. pallidum.Fase Secundária. cefaleias. as lesões cutâneas surgem no local onde a espiroqueta é inoculada. A sífilis natural é exclusiva dos Humanos e não possui outros hospedeiros naturais. ou a doença pode progredir para uma outra fase. e também por parasitas helmintas. o que induz uma sensação de alívio enganadora. Linfoadenopatias . Síndromes Clínicas Vamos dividir consoante os vários estágios da doença: . com a presença de lesões cutâneas em toda a superfície do corpo. . extremamente lábil e incapaz de sobreviver à exposição à desidratação ou a desinfectantes. a sífilis não é uma doença altamente contagiosa. mialgias.é o crescimento de um ou mais gânglios linfáticos. no entanto é frequente a sua sobrevivência intra-celular.Fase Inicial ou Primária. o que revela um enorme risco de contágio. A via mais comum de transmissão é através do contacto sexual directo. Pode ocorrer a remissão espontânea após o estágio primário ou secundário. surgem os sinais clínicos da doença disseminada.

Os primeiros medem os anticorpos IgG e IgM desenvolvidos contra os lípidos libertados das células lesadas durante os estádios iniciais da doença e presentes na superfície do treponema. malformações ou morte do feto.Sífilis Tardia. O Treponema pallidum pode ainda ser identificado utilizando anticorpos específicos marcados com fluoresceína. etc. Sendo o segundo tecnicamente mais fácil e os resultados mais fáceis de interpretar. secundária ou congénita pode ser feito pelo exame microscópio de campo escuro do exsudado das lesões cutâneas. e o paciente entra num estado latente. leva a uma diminuição dos títulos medidos nos testes VDRL e RPR. . Cultura Não devem ser realizados esforços no sentido de cultivar o microrganismo. surge num número muito reduzido de casos e consiste numa inflamação crónica difusa que pode causar a destruição devastadora de qualquer órgão. É frequente a destruição óssea tardia e sífilis cardiovascular em lactentes não tratados que sobreviveram ao estágio inicial da doença. As reacções positivas com testes não-treponémicos surgem tardiamente durante a primeira fase da doença e as evidências sorológicas são negativas em muitos pacientes com lesões cutâneas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O exantema e os sintomas gradualmente sofrem resoluação espontânea. Os testes serológicos podem ser divididos em não-treponémicos e treponémicos. sífilis cardiovascular.Sífilis Congénita. Os resultados serológicos tornamse positivos após 3 meses e permanecem positivos em pacientes com sífilis secundária não tratada. . ossos e outros tecidos. sendo os testes mais utilizados o VDRL e o RPR. as infecções in útero podem resultar em doença fetal grave. levando a infecções latentes. e em menor grau da sífilis tardia. O antigénio utilizado nos testes não-treponémicos é a cardiolipina. Os testes mais utilizados são o FTA-ABS e o MHA-TP. Diagnóstico Laboratorial Microscopia O diagnóstico de sífilis primária. Este exame apenas é fidedigno quando na amostra colhida é possível identificar espiroquetas moveis. Surgem lesões granulomatosas na pela. Os testes treponémicos são anticorpos específicos utilizados para confirmar as reacções positivas obtidas nos testes VDRL e RPR. Na sífilis primária os resultados dos testes treponémicos também podem ser positivos antes dos testes não terponémicos se tornarem positivos. Serologia A sífilis é diagnosticada na maior parte dos pacientes com base nos testes serológicos.Microbiologia secundária é altamente infeccioso. Apenas o teste VDRL deve ser utilizado no LCR de pacientes com suspeita de neurosífilis. pois este não cresce me meio artificial. 42 . Página 122 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O tratamento bem Fig.Reactividade dos Testes Consoante a Fase da Infecção sucedido da sífilis primária ou secundária. Nesta fase pode surgir a neurosífilis.

Sífilis venérea (Treponema pallidum pallidum).VDRL . existindo soroconversão em menos de 25% dos doentes tratados com sucesso durante o estágio primário. . Prevenção e Controlo .Coagulação do Fibrinogénio.RPR (mais utilizado) .Microscopia de Campo Escuro.Testes Treponémicos: .O homem é o único hospedeiro natural .Pinta (Treponema carateum). .FTA-ABS . .Hialuronidase .A sífilis venérea tem distribuição mundial.Não cresce in vitro.Adesinas.Prevenção por meio de práticas sexuais seguras.MHA-TP . RPR TPHA FTA-ABS Clínica Sífilis Primária Sífilis Secundária Sífilis Latente ou Tratada Sífilis Tratada + + + Fisiologia e Estrutura + + + + + + - Treponema . . .Não se realiza cultura. .Coloração com Anticorpos Fluorescentes.Parceiros de pacientes infectados devem ser tratados.Espiroqueta delgada. Os resultados positivos dos testes serológicos em lactentes de mães infectadas podem representar transferência passiva de anticorpos (IgG) ou uma resposta imunológica específica à infecção pelo treponema (IgM).Sífilis endémica (Treponema pallidum endemicum). . .A sífilis venérea é transmitida por contacto sexual ou de forma congénita. .Destruição tecidual resulta da resposta do hospedeiro. . .Microbiologia Os testes treponémicos são menos influenciados pelo tratamento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . Eritromicina ou Cloranfenicol no caso de alergia. .Tetraciclina. .Bouba (Treponema pallidum pertenue). . Os falso-positivos surgem com elevada frequência em pacientes com doenças autoimunes ou infecções que envolvam o fígado ou que causem uma extensa destruição tecidual. .A sífilis endémica.Testes Não-Treponémicos: . . Página 123 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Os pacientes de risco são adultos e crianças em contacto com lesões infecciosas.Não existe incidência sazonal. . .Microscopia de Campo Escuro. .A Penicilina é o antibiótico de eleição. . a Bouba e a Pinta podem ser elimindas por meio de medidas sanitárias adequadas.

Fisiologia e Estrutura Os membros deste género são bacilos gram-negativos que coram fracamente e são semelhantes a outras espiroquetas. burgdorferi. pelo que os pacientes alérgicos devem ser dessensibilizados. Quando existe a formação de IgM específicos ocorre a aglutinação com lise mediada pelo complemento. cujo agente é a Borrelia recurrentis e a transmissão é mediada pelo piolho Pediculus humanus.Febre Recorrente Endémica. Existem duas formas da doença: . B. garinii e B. sendo as Página 124 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas não com doença de Lyme. Borrelia Os membros do género Borrelia são agentes de duas importantes patologias humanas. que pode ser causada por 15 espécies diferentes de Borrelia e é transmitida por carraças. Coram bem com corantes de anilina e são facilmente identificados em esfregaços de sangue de pacientes com febre recorrente.Microbiologia Tratamento. neurológicas e cardíacas. o que se aplica igualmente às mulheres grávida alérgicas que não devem ser tratadas com Tetraciclinas. A sífilis só pode ser controlada através da prática de sexo seguro. os quais são responsáveis pela sua motilidade sinuosa. Devido a este facto o diagnóstico é geralmente feito por microscopia ou testes serológicos. As borrélias são microrganismos microaerofílicos e possuem exigências nutricionais complexas.Febre Recorrente Epidémica. podendo apresentar diversas manifestações. bem como o contacto adequado e tratamento de parceiros sexuais de pacientes que apresentam registo de infecção. B. sendo maiores do que as restantes. reumatológicas. Ornithodoros. Os ciclos febris e afebris devem-se ao facto de a borrélia sofrer variação antigénica. Existem pelo menos 10 espécies de Borrelia responsáveis por esta doença em humanos e animais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A Tetraciclina e a Doxiciclina podem ser utilizadas no caso de pacientes alérgicos à penicilina. a febre recorrente e a doença de Lyme. o que torna difícil a sua cultura. Prevenção e Controlo A Penicilina constitui o fármaco de eleição no tratamento das infecções por Treponema pallidum. Neste capítulo iremos abordar os assuntos à luz da Borrelia burgdorferi. A febre recorrente é caracterizada por episódios recorrentes de febre e septicemia separados por períodos afebris. Apresentam flagelos periplasmáticos entre o cilindro periplasmático e o invólucro externo. Patogenia e Imunidade Os membros deste género não produzem toxinas e são rapidamente eliminados quando o hospedeiro desenvolve uma resposta imunitária humoral específica. sendo a penicilina G indicada nos casos de sífilis congénita e tardia. Quanto á doença de Lyme sabe-se que a sua transmissão é feita por intermédio de uma carraça. Destas 3 causam doença em Humano. nomeadamente anormalidades dermatológicas. Nos casos de neurosífilis apenas a Penicilina pode ser utilizada. afzelii. . Nos estágios iniciais da sífilis é recomendada a Penicilina benzatina de acção prolongada.

mialgias. dores musculoesqueléticas. A febre recorrente endémica transmitida por carraça é uma doença zoonótica. o vector é o piolho que parasita o corpo do homem e o ser humano o único reservatório. É frequente os pacientes apresentarem esplenomegalia e hepatomegalia. desenvolvendo-se lesões cutâneas no local da picada. Em simultâneo os microrganismos que colonizam os tecidos internos podem alterar as suas proteínas de revestimento externo e surgirem como microrganismos antigénicamente novos. O eritema migratório inicia-se como uma pequena mácula ou pápula. As manifestações da febre recorrente são em parte uma resposta à libertação de endotoxina. A bacteriémia e a febre surgem de novo após o período de 1 semana afebril. A segunda fase é caracterizada por artralgias e artrites. Síndromes Clínicas Como já foi dito anteriormente este género possui duas grandes doenças associadas a ele: . fadiga. A lesão diminui e desaparece em poucas semanas. É característica a ocorrência de uma única recaída na doença transmitida por piolho. Os piolhos infectados possuem um tempo de vida limitado e por isso a manutenção da doença necessita de condições de aglomerações sem medidas sanitárias. pequenos mamíferos e carraças. As manifestações tardias surgem em cerca de 80% dos pacientes não tratados e incluem numa primeira fase sintomas neurológicos e disfunção cardíaca. sendo em grande número as espécies de Borrelia responsáveis por esta doença.é o nome dado à coloração avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação capilar. e de seguida aumenta passando a cobrir uma área entre 5 a 50 cm de diâmetro. febre. Ao pressionar a superfície afectada com uma lâmina de vidro (manobra denominada vitroscopia). demonstração de anticorpos IgM e IgG contra espiroquetas ou aumento significativo do título de anticorpos entre as amostras de soro das fases aguda e convalescente. febre. o comprometimento do sistema muscoloesquelético. reaparecendo ao cessar a pressão. mialgias e cefaleias. assim sendo estas podem sobreviver e manter um reservatório endémico de infecção por transmissão transovariana. Contrariamente ao que acontece nas infecções transmitidas por piolhos. deve desaparecer. Apesar de a doença poder ser observada durante todo o ano. Estas complicações Eritema . cefaleias. as borrélias que causam doença endémica produzem infecção disseminada nas carraças. Sendo que para o Diagnóstico Laboratorial necessita de pelo menos um dos seguintes aspectos: isolamento de Borrelia burgdorferi. Estes sintomas correspondem à fase de bacteriémia da doença e desaparecem ao fim de 3 a 7 dias.Febre Recorrente. no entanto na transmitida por carraça é comum existirem múltiplas recaídas. recurrentis. como é o caso de guerras ou desastres naturais. mas novas lesões transitórias podem surgir. Após um período de incubação de cerca de uma semana a doença manifesta-se com o inicio súbdito de calafrios. O período de incubação dura entre 3 a 30 dias. apesar de existirem duas formas desta doença as manifestações clínicas são as mesmas. as directrizes para a definição do quadro clínico da doença são a presença de um eritema29 migratório. que possui como principal reservatório os roedores. sistema nervoso central ou cardiovascular e a confirmação laboratorial da infecção. calafrios.Microbiologia bactérias rapidamente eliminadas da corrente sanguínea.Doenças de Lyme. 29 Página 125 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . Outros sintomas da doença incluem mal-estar. linfoadenopatias. Epidemiologia O agente etiológico da febre recorrente epidémica transmitida por piolho é o B. os pacientes são infectados em grande número nos meses de Maio a Agosto. sendo um sinal típico da inflamação.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

podendo estes resultados ser excluídos por um teste não-treponémico para a sífilis. A prevenção destas doenças inclui medidas que evitem o contacto com carraças e os seus habitats naturais. Cultura As culturas raramente são realizadas pois os meios de cultura necessários não estão facilmente disponíveis e o crescimento dos microrganismos é muito lento. Serologia Os testes serológicos não são de grande utilidade para o diagnóstico de febre recorrente. O exame microscópico de sangue ou tecidos de paciente com doença de Lyme não é recomendado uma vez que B. A detecção de anticorpos no LCR constitui um forte indício de neroborreliose.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os anticorpos IgG aparecem posteriormente. utilizando roupas compridas e repelentes de insectos. uma vez que as borrélias sofrem variação genica. a Ceftriaxona. O tratamento com antibióticos diminui a probabilidade e gravidade de complicações posteriores. A sensibilidade da cultura é baixa para todas as amostras. As manifestações iniciais da doença de Lyme são eficazmente tratadas com administração oral de Doxiciclina ou Amoxacilina. atingem o seu máximo 6 a 8 semanas após a doença e regressam a níveis normais ao fim de 4 a 6 meses. com excepção da lesão cutânea inicial que é patognomónica. O ELISA é mais sensível e específico para todos os estádios da doença. No entanto no caso da doença de Lyme os testes serológicos têm um papel muito importante. O controlo de Página 126 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Pode ocorrer a reacção de Jarisch-Herxheiner poucas horas após o início do tratamento. A maioria das reacções falso-positivas ocorre em pacientes com sífilis. e os sues níveis são máximo 4 a 6 meses depois da doença e persistem mesmo nos estádios tardios.Microbiologia podem prolongar-se por meses a anos e as espiroquetas raramente são identificadas nos tecidos lesados. Tratamento. sendo a imunofluorescência e o ensaio do imunossorvente ligado a enzima (ELISA) os mais utilizados. mas é contra-indicada em mulheres grávidas e crianças. burgdorferi é raramente observado em amostras clínicas. Prevenção e Contrle A febre recorrente tem sido tratada com mais eficácia com Tetraciclina ou Eritromicina. o que corresponde a uma destruição rápida das borrélias e consequente libertação de produtos tóxicos. O antigénio flagelar constitui o principal alvo das IgM. Estudos preliminares revelaram que a detecção de DNA específico de Borrelia amplificado pode constituir um teste de diagnóstico eficaz. no entanto infelizmente todos os testes são relativamente insensíveis no estádios mais iniciais da doença. Diagnóstico Laboratorial Microscopia Devido ao tamanho relativamente grandes das borrélias. a Doxiciclina ou Amoxiciclina foram utilizadas no seu tratamento. A Tetraciclina é o fármaco de eleição. Os anticorpos IgM aparecem cerca de 4 semanas após o surgir do eritema migratório. No pequeno número de pacientes que desenvove artrite de Lyme. estas podem ser identificadas em pacientes durante o período de febre em preparações de sangue coradas pelo método de Giemsa ou de Wright.

. . Reservatório é a Carraça.Indivíduos de risco incluem grande aglomerados com baixas condições de higiene e com elevada exposição a carraças.Febre Recorrente Epidémica  Borrelia recurrentis. .Microbiologia roedores é importante na prevenção de febre recorrente endémica. .Febre Recorrente Epidémica: Transmissão homem-homem. Reservatório é o Homem e o Vector é o Piolho do Corpo. garinii e B afzelii. sendo as não patogénicas pertencentes à espécie Leptospira biflexa. . .Doença da Lyme  Borrelia burgdorferi. .Doença de Lyme. .Variação Antigénica. B. e o Vector é a Carraça. .Critérios Laboratoriais. administra-se Amoxicilina.No caso da doença de Lyme existe a Vacina ospA Recombinante. níveis elevados de IgG e IgM contra espiroquetas.Febre Recorrente Endémica: Transmissão roedores-homem. .A exposião ao vector pode ser diminuída pelo uso de vestuário apropriado e de repelentes de insectos. . Cefuroxima ou Ceftriaxona. no caso da doença epidemiológica transmitida por piolhos o controlo inclui o uso e sprays insecticidas contra os piolhos e a melhoria das condições sanitárias.Febre Recorrente Endémica. . Reservatório são os Roedores. isolamento do microrganismo responsável. . Estes nomes derivam do facto dos microrganismos serem bacilos delgados espiralados com um gancho em uma ou ambas as Página 127 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Mamíferos e Carraças e o Vector é a Carraça.Quadro Clínico. .Doença de Lyme.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . é utilizada a eritromicina ou a tetraciclina. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico (Doença de Lyme) Tratamento.Febre Recorrente.Espiroquetas. .Febre Recorrente Endémica  Borreia spp. Prevenção e Controlo Leptospira Fisiologia e Estrutura As estirpes patogénicas foram colocadas na espécie Leptospira interrogans.Doença de Lyme: Transmissão Carraça-Homem. .Respostas Imunológica é responsável pelos sinais da doença. . . tetraciclina. do sistema nervoso central ou cardiovascular. . presença de um eritema migratório.Coram com Corantes de Anilina. aumento significativo dos anticorpos entre a fase aguda e a fase de convalescência. .Microaerofílicas e Exigências Nutricionais Complexas. Borrelia Fisiologia e Estrutura .A incidência maior nos meses de verão corresponde ao período de maior actividade dos vectores. .Doença de Lyme apresenta distribuição mundial. .Febre Recorrente Epidémica. comprometimento do sistema musculo-esquelético.

O L. pelas defesas imunológicas do hospedeiro e pela virulência da estirpe em causa. febril. apresentando por veres a forma de um ponto de interrogação. sendo a sua prevalência subestimada devido aos sintomas ligeiros. uma doença ligeira.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo este facto responsável por grande parte das manifestações clínicas. Patogenia e Imunidade A Leptospira interrogans pode causar infecção sub-clínica. biflexa é uma espiroqueta saprófita de vida livre encontrada em ambientes húmidos e não está associada a doença em animais e humanos. que seja através de mucosas intactas. Epidemiologia A leptospirose possui uma distribuição mundial. A gravidade da doença está relacionada com o número de microrganismo infectantes. tendo que ser enriquecidos com soro de coelho ou soro albumina bovina. As leptospiras são aeróbias obrigatórias. A leptospira causa na sua maioria infecções assintomáticas. A L. e dessa forma entrar na corrente sanguínea. o que conduz muitas vezes a confusão com síndrome viral ou meningite asséptica viral. sendo eliminadas por via urinária em grandes quantidades. o que demonstra um elevado risco de contágio. Estes microrganismos crescem em meio de cultura especiais. colonizando os túbulos renais. quer seja através de lesões. deslocando-se por meio de flagelos periplasmáticos. Não se encontra documentado o estado de portador crónico em humanos. quando a exposição recreacional é maior. não tendo ainda sido descrita transmissão pessoa-pessoa. A maioria das infecções humanas ocorre nos meses quentes.Leptospira interrogans delgadas e com uma elevada mobilidade a sua disseminação encontra-se facilitada. semelhante à influenza. Página 128 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . vasculite extensa. o que é agravado pela sobrevivência dos microrganismos por cerca de 6 semanas no exterior do seu hospedeiro. miocardite. podendo conduzir à morte. Qualquer fonte de água pode ser contaminada e servir como foco de infecção humana. ou uma doença sistémica grave – doença de Weil – caracterizada por insuficiência hepática e renal. 43 . como é exemplo o contacto com a urina de ratos infectados.Microbiologia extremidades. Muitos dos animais silvestres e domésticos são colonizados por leptospiras. interrogans é uma forma patogénica para muitos animais silvestres e domésticos. Este microrganismo mutiplicase rapidamente e danifica o endotélio dos pequenos vasos. Considerando que são bactérias Fig. Utilizam os ácidos gordos e os álcoois como fonte de carbono e energia. estando cada um inserido num pólo oposto da bactéria. A eliminação da leptospira do organismos ocorre a quando do desenvolvimento de imunidade humoral específica. bem como para os humanos.

como é o caso de uma infecção sistémica com cefaleias. A coloração pelo método de Gram ou corantes de prata não é fidedigna. Visto que este teste utiliza microrganismos vivo não se encontra acessível a todos os laboratórios. caso não haja infecção não existe aglutinação. apesar de serem menos sensíveis e não serem recomendados. No entanto a maior parte das culturas mostra-se positiva ao fim de 2 semanas. interrogans são clinicamente inaparentes e são detectadas apenas por detecção de anticorpos específicos. O teste é dirigido para um sorotipo. aglutinação em lâminas e ELISA. As técnicas que usam PCR são mais sensíveis do que as que utilizam hibridação directa. com uma temperatura óptima entre os 28º e os 30ºC por até 4 meses. Página 129 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . apresentando um crescimento lento. sendo característico o surgimento de cefaleias. Por outro lado a forma ictérica da doença é mais grave e encontra-se associada a uma taxa de mortalidade de 10%. A microscopia de campo escuro é relativamente insensível. Cultura As leptospiras podem ser cultivas em meios especiais. Diagnóstico Laboratorial Microscopia Pelo facto de serem microrganismos delgados. As infecções sintomáticas desenvolvem-se após cerca de 1 a 2 semanas. Serologia Tendo em conta a necessidade de meios de cultura especializados e o período prolongado de incubação.Microbiologia Síndromes Clínicas As infecções que têm como agente L. não sendo uma patologia com complicações e apresentando uma mortalidade baixa. no caso de existir infecção ocorre aglutinação. sendo a utilização de anticorpos específicos marcados com fluoresceína o método mais utilizado e fiável de diagnóstico. colapso vascular. mialgias e exantema difuso. com febre e mialgias. mas sim os testes serológicos. do mesmo modo que recuperam a função renal. a maioria dos laboratórios não realiza cultura. na urina a sua detecção é possível nos 3 meses seguintes à doença. mas ainda não se encontram disponíveis comercialmente. e por isso é utilizado como meio alternativo a hemaglutinação indirecta. sendo as manifestações iniciais idênticas a uma doença gripal. Os microrganismos podem ser isolados no sangue e LCR nos primeiros 10 dias da infecção. Este teste avalia a capacidade do soro do doente de aglutinar leptospiras vivas. A leptospirose pode ocorrer de forma congénita. disfunção hepática e renal. O método de referência é o teste de aglutinação microscópica. pelo que se torna necessário utilizar um conjunto de antigénios de leptospira. que ao serem misturadas com o soro do paciente. febre. A febre e mialgias podem desaparecer após 1 semana ou o paciente desenvolver uma doença mais grave. A leptospirose limitada ao sistema nervoso central pode ser confundida com uma meningite viral. hemorragias. Apesar da gravidade não ocorre necrose hepática e os pacientes que sobrevivem não apresentam danos hepáticos permanentes. no entanto o sucesso tem sido limitado. exantema. estando no limite do poder de resolução do microscópio. não são facilmente observáveis.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Sondas de Ácido Nucleico Têm sido realizados trabalhos para desenvolver um sonda para a detecção de leptospira. trombocitopenia.

. . Prevenção e Controlo A leptospirose é regra geral uma doença não fatal.Microbiologia Leptospira Fisiologia e Estrutura . . no caso de infecções menos graves pode ser administrada Doxiciclina. .Critérios Laboratoriais.O Ser Humano é um hospedeiro acidental.Distribuição Mundial. Animais de Corte e Animais Silvestres.Síndrome Ligeira.Doença de Weil.Crescimento lento em cultura. Amoxicilina ou Doxiciclina oral. Página 130 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Glomerulonefrite por Complexos Imunológicos.Reservatório: Roedores. .Quadro Clínico.Estirpes Saprofíticas  Leptospira biflexa. .Aeróbios obrigatórios.Invasão directa e multiplicação nos tecidos. .Estirpes Patogénicas  Leptospira interrogans.Doença mais comum nos meses de Verão.Leptospirose Sistémica com Meningite Asséptica.Espiroquetas delgadas e espiraladas.Apenas a Doxiciclina é usada na profilaxia. devendo ser aliada ao controlo dos roedores nas comunidades. . .Microrganismo pode penetrar na pele através de pequenas rupturas. . comprometimento do sistema musculo-esquelético. Cães.Os indivíduos são contaminados por água contaminada por urina de animais infectados ou pelo contacto com tecidos de animais infectados. mas com incidência rara. . aumento significativo dos anticorpos entre a fase aguda e a fase de convalescência. . . . níveis elevados de IgG e IgM contra espiroquetas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .O controlo dos roedores é uma medida de prevenção eficaz. do sistema nervoso central ou cardiovascular. . Prevenção e Controlo Tratamento. . A vacinação dos animais tem se mostrado eficaz na redução da doença. .Infecções Ligeiras tratadas com ampicilina.Infecções Graves devem ser tratadas com Penicilina ou Ampicilina Endovenosas.Os Rebanhos e Animais de Estimação devem ser vacinados. . pelo que em casos graves devem ser tratados com Penicilina ou Ampicilina administradas endovenosamente. isolamento do microrganismo responsável. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. presença de um eritema migratório. . Apenas a Doxiciclina pode ser utilizada para a profilaxia. . Ampicilina ou Amoxicilina por via oral. . .

mas podem ser evidenciados pela coloração de prata de Dieterle.Legionella género cerca de 85% das infecções detectadas são causadas por Legionella pneumophila. O seu ciclo reprodutivo inicia-se pela fixação do complemento a uma proteína porina da membrana externa e pela deposição do componente C3b do complemento sobre a superfície bacteriana. 44 . Página 131 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As legionelas são parasitas intracelulares facultativos. e no nosso organismo nos macrófagos e monócitos alveolares.Bactéria que destrói as substâncias em decomposição. neste momento. em grande parte devido a não ser corado pelos métodos comuns e não crescer nos meios mais utilizados nos laboratórios. delgados e pleomórficos. por fim 30 Saprófita .Microbiologia Legionella A existência deste microrganismo era desconhecida. As legionelas são microrganismos nutricionalmente fastidiosos. lipases e nucleases. principalmente pelos serótipos 1 e 6. ou seja caso o microrganismo não seja deste sorotipo não é muitas vezes identificado. apenas existem testes rápidos para o sorotipo 1. peróxido e radicais livres de hidrogénio. Este mecanismo permite à bactéria fixar-se aos receptores CR3 que existem na superfície dos macrófagos. Os bacilos proliferam nos vacúolos intracelulares e produzem enzimas proteolíticas. pois a fusão do fagolisossoma é inibida. As bactérias não são destruídas pela exposição a superóxido. Patogenia e Imunidade A doença das vias aéreas é causada pelas espécies de Legionella e apenas se desenvolve em indivíduos susceptíveis que inalam aerossóis contendo o microrganismo. Relativamente aos serótipos mais comuns a informação é discutível. e em culturas laboratoriais podem ser identificados desde pequenos bacilos até longos. O seu crescimento em meios suplementados. Dentro deste Fig. fosfatases. mas não gelose de sangue convencional foi utilizado como base de identificação preliminar dos microrganismos isolados. Foi identificada pela primeira vez após um surto de pneumonia em 1976. sendo que no meio ambiente se multiplicam no interior de amibas. Apesar de ter sido identificada tardiamente sabe-se tratar-se de um saprófita30 aquático ubíquo. numa Convenção da Legião Americana na Filadélfia. sendo o seu crescimento acelerado pela presença de sais de ferro e suplementação do meio com L-cisteína. Sendo que em material biológico apresentam-se como pequenos bacilos. Fisiologia e Estrutura Os membros do género Legionella são bacilos gram-negativos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . uma vez que no mercado. As legionelas não coram em amostras clínicas pelos reagentes comuns. sendo de seguida endocitados pela célula-alvo.

As bactérias não são destruídas até que haja activação dos macrófagos parasitados pelas células T activadas. o fígado e os rins. é uma doença auto-limitada caracterizada por sintomas gripais. A imunidade à doença é feita pelas células. bem como os sistemas de refrigeração e humidificadores. O microrganismo sobrevive em meios húmidos por um longo período de tempo. Regra geral vários órgãos são afectados. caso a terapia não seja iniciada a tempo. . incluindo o tracto gastro-intestinal. A maioria das epidemias surge no final do Verão e Outono. Apesar de uma alta especificidade.Doença dos Legionários. mal-estar e cefaleias. tosse seca e improdutiva e cefaleias. e ainda os sistemas de água das cidades. Pensa-se que esta elevada resistência derive do facto de as bactérias serem capazes de parasitar as amibas existentes na água e dessa forma multiplicarem-se num meio protegido. calafrios. levando mesmo à morte. com a imunidade humoral apenas desempenhando um fraco papel. Os sintomas surgem após 12 horas. Estas bactérias possuem como reservatório natural os lagos e rios. Diagnóstico Laboratorial Microscopia A legionela em amostras clínicas cora pouco pelo método de Gram. o sistema nervoso central. como exemplo temos febre. Apesar desta distribuição sistémica a principal manifestação é a pneumonia. inflamação e micro-abcessos no parênquima pulmonar. com consolidação multilobar. a sua utilização tem como principal vantagem a obtenção de um resultado positivo rapidamente. sendo que as infecções sintomáticas afectam principalmente os pulmões podendo manifestar-se de duas formas distintas: . Epidemiologia As legioneloses esporádicas e epidémicas apresentam uma distribuição mundial. como é o caso de febre. Não existe nestes casos evidências clínicas de pneumonia. O teste é específico e as reacções falso-positivas são verificadas muito raramente. sendo evidência por métodos de coloração como a coloração de prata de Dieterle ou a coloração de Gimenez. Síndromes Clínicas As infecções assintomáticas por Legionella são bastante comuns. os sinais são sistémicos e surgem de uma forma abrupta. persistindo por 2 a 5 dias. calafrios. em temperaturas relativamente altas e na presença de desinfectantes como o cloro. este teste possui uma baixa sensibilidade porque as preparações de anticorpos são específicas para o sorotipo ou espécie. é mais grave e causa uma morbilidade considerável. possivelmente pela proliferação dos microrganismos nos reservatórios durante os meses quentes. O método mais sensível para detectar as legionelas é com a utilização do teste directo do anticorpo fluorescente (DFA). A taxa de mortalidade é de 15 a 20%. podendo ser muito mais elevada em pacientes com grave depressão da imunidade mediada por células.Microbiologia destroem a célula hospedeira quando o vacúolo sofre lise. Os testes revertem para negativos após 4 dias de terapêutica.Febre de Pontiac.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mialgia. Página 132 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a morbilidade é mínima e não se verificam casos de morte. São raras as complicações. Geralmente os primeiros sintomas surgem após um período de incubação de 2 a 10 dias. e para a sua detecção torna-se necessária a presença de muitos microrganismos.

Serologia A legionelose é diagnosticada frequentemente por testes de imunofluorescência indirecta para medir a resposta sorológica à infecção.Hipercloração.Impede Fusão dos Fagolisossomas. Podem adicionar-se antibióticos para inibir o crescimento de bactérias contaminantes que crescem rapidamente. .Cultura em BCYE. Sabe-se que um aumento em 4x ou mais no título de anticorpos é considerado diagnóstico. Delgados e Pleomórficos. . . Sabe-se que o antigénio é excretado na urina até um ano após a infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .Indivíduos de Risco: Doentes com Comprometimento Pulmonar e da Imunidade Celular. aglutinação de partículas de látex revestidas por anticorpo.Doença Menos Grave: Eritromicina ou Tetraciclina. . após 3 a 5 dias.Doença dos Legionários. .Meio BCYE radioimunoensaios. . Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento.Testes de detecção de Antigénio. . .Febre de Pontiac. . .Coloniza Águas Naturais. No entanto actualmente este representa o teste mais eficaz.Bacilos Gram-Negativos.Serologia é Sensível. mas com resultados tardios. As colónias são de pequenas dimensões e quando observadas com uma lupa que aumente 40x apresentam um aspecto de vidro moído. 45 .Coram Fracamente. . Torres de Arrefecimento e Sistemas de Água.Exigências Nutricionais (L-Cisteína e Ferro) e NãoFermentadores. .Doença Grave: Azitromicina ou Levofloxacina. Prevenção e Controlo Página 133 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Superaquecimento ou Ionização das Fontes de Água Contaminadas.Doença Esporádica e Epidémica. A resposta pode ser tardia e este aumento significativo pode apenas ser detectado 3 semanas após a infecção. Fig. Detecção do Antigénio Para detectar as legionelas em amostras respiratórias e urina foram utilizados ensaios imunenzimáticos. Legionella Fisiologia e Estrutura . . As legionelas necessitam de meios suplementados com ferro e L-cisteína. bem como análise de ácidos nucleicos. . estando em desenvolvimento a análise de ácidos nucleicos. O meio mais utilizado é a gelose com extracto de levedura-carvão tamponado ou BCYE.Redução da Exposição Ambiental Diminui o Risco de Infecção.Capacidade de se Multiplicar em Macrófagos Alveolares. .Microbiologia Cultura A sua cultura tornou-se actualmente mais fácil devido á comercialização de meios específicos. As legionelas crescem na presença de ar ou de CO2 a 3 ou 5%.

Os antibióticos β-lactâmicos são ineficazes. Prevenção e Controlo Os testes de susceptibilidade indicam que a Azitromicina ou a Levofloxacina devem ser a terapêutica utilizada em pacientes hospitalizados ou imunocomprometidos. Página 134 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . delgados. com cobre e prata. As legionelas aparecem como bacilos gram-negativos. A Eritromicina ou a Tetraciclina podem ser utilizados para a comunidade em geral. pois trata-se de uma infecção auto-limitada. O seu crescimento em BCYE mas não em meios sem L-cisteína constitui uma evidência de que o microrganismo é Legionella. A hipercloração do suprimento de água e a manutenção das temperaturas elevadas da água mostram-se moderadamente eficazes.Microbiologia Identificação É fácil identificar o microrganismo considerando-se a morfologia típica e os requisitos necessários ao seu crescimento. Sabe-se que este microrganismo apresenta um baixo potencial de causar patologia. A prevenção requer muitas vezes a identificação da fonte ambiental do microrganismo e a redução da carga microbiana. Tratamento. Caso o aquecimento e a hipercloração da água não sejam eficazes torna-se necessário a ionização contínua da água. e por isso a redução no número de microrganismo na água é uma medida na maior parte dos casos suficiente para que o controlo seja adequado. A coloração com anticorpos marcados com fluorescência pode confirmar a identidade do microrganismo. sendo a terapêutica no caso de Febre de Pontiac desnecessário. pleomórficos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . fracamente corados.

As outras espécies patogénicas isoladas são: . pneumoniae é como que um superantigénios. A ausência de parede celular confere aos micoplasmas resistência às Penicilinas. sendo as suas colónias descritas como tendo uma forma de amora.Mycoplasma hominis. o que levou a que fossem inicialmente considerados vírus. como traqueo-bronquite e pneumonia. Sabe-se que este microrganismo causa infecções do tracto respiratório. Vancomicina e outros antibióticos que interferem com a parede celular.Microbiologia Mycoplasma e Ureaplasma Destes dois géneros a espécie clinicamente mais importante é Mycolpasma pneumoniae. penumoniae é uma excepção. como por exemplo TNF-á.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A quando desta adesão ocorre ciliostase. Os micoplasmas são anaeróbios facultativos. . Este processo contribui tanto para a eliminação da bactéria como para a patologia observada. O M. Este conjunto de acontecimentos é responsável pela persistência de tosse em pacientes sintomáticos. pneumoniae é um microrganismo patogénico extracelular que adere ao epitélio respiratório por meio de um factor de aderência proteico terminal especializado. porque carecem de parede celular. Fig. que se encontram na base dos cílios e na superfície dos eritrócitos.Divisão dos Micoplasmas pneumoniae. Mais uma vez o M. Cefalosporinas. com excepção do M. estimulando a migração de células inflamatórias para o local de infecção e provocando a libertação de citocinas. 46 . IL-1 e IL-6. no entanto a sua membrana celular possui esteróides. Fisiologia e Estrutura Os microrganismos Mycoplasma e Ureaplasma são as bactérias de vida livre de menores dimensões.Mycoplasma genitalium. o que leva a uma destruição do cílio e da célula ciliada. . O seu crescimento é lento. bem como a sua irritação mecânica. A perda destas células interfere com o processo de excreção das vias áreas superiores e permite a contaminação das vias aéreas por microrganismos. entre 1 e 6 horas. Esta adesina proteica – P1 – interage especificamente com os receptores glicoproteicos constituídos por ácido siálico. Página 135 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os micoplasmas formam filamentos pleomórficos e muitos destes podem atravessar os filtros utilizados para remover bactérias. Patogenia e Imunidade O M. São únicos entre as bactérias.Ureaplasma urealyticum. formando colónias pequenas com aspecto de ovo estrelado. e requerem um meio enriquecido com esteróides exógenos. No entanto a divisão binária. o seu crescimento em meios livres de células e o facto de conterem tanto DNA como RNA levam-nos a defini-los como bactérias e não vírus.

pois a maior parte dos Página 136 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . É possível que surjam complicações secundárias como é o caso de otite média. sendo os outros anaeróbios facultativos. A ocorrência de mialgias e sintomas gastro-intestinais são raros. Diagnóstico Laboratorial Microscopia A microscopia não tem valor diagnóstico. hominis. Considerando que a pneumonia causada por outros agentes infecciosos é mais comum durante os meses frios. Os lavados são mais confiáveis do que as amostras de expectoração. peri-cardite e anormalidades neurológicas. que é confirmada por uma broncopneumonia focal em radiografias de tórax. o que leva a longos de períodos de permanência da infecção dentro de um determinado grupo. A infecção é disseminada via secreção nasal. pneumoniae é proporcionalmente mais comum durante o Verão e Outono. Os micoplasmas são muito pequenos e coram fracamente devido à ausência de parede celular. no entanto estudos recentes demonstraram que todos os grupos etários são susceptíveis à infecção com este microrganismo. Em casos mais graves pode desenvolver-se pneumonia. anemia hemolítica. pneumoniae ocorre em todo o mundo durante todo o ano. a doença por M. Outra das infecções possíveis é a traqueo-bronquite. urealyticum podem causar uretrite não gonocócica. pneumoniae produz na maior parte dos casos doença ligeira das vias aéreas superiores. cefaleias e tosse seca não produtiva. Os lactentes. Este estado de portado não permanece. A doença epidémica ocorre a cada 4 a 8 anos. no entanto volta a aumentar após a puberdade. podendo persistir por 2 semanas ou mais. correspondendo com a actividade sexual. pneumoniae é designada muitas vezes como a pneumonia dos jovens. doença inflamatória pélvica e febre puerpal.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mal-estar. o que se deve á infiltração das passagens brônquicas por linfócitos e plasmócitos. Geralmente após 3 semanas à exposição surge febre baixa. Para que ocorra transmissão do agente é necessário contacto íntimo. hominis tem sido apontado com causa de pielonefrite. são colonizados ao nascimento por M. M. na forma de pneumonia atípica primária ou pneumonia migratória. Cultura O micoplasma é o único aeróbio restrito. particularmente as raparigas. Síndromes Clínicas A infecção por M. genitalium e outras espécies de Ureaplasma. a infecção por M. O papel de outros micoplasmas em doença humanas não está claramente definido. é mais comum em crianças de idade escolar e no início da adolescência. Por outro lado M. Apesar de poder causar pneumonia em idosos. mas sabe-se que M. Até há pouco tempo acreditava-se que esta doença era rara nas pessoas de idade. O período de incubação e o tempo de infectividade são prolongados.Microbiologia Epidemiologia A pneumonia causada pelo M. eritema multiforme ou Síndrome de Stevens-Johnoson. genitalium e M. pois é o agente mais frequente de pneumonia nesta faixa etária. sendo este último isolado com maior frequência. Ocorre o agravamento gradual dos sintomas no decorrer dos dias subsequentes. miocardite. pelo que geralmente ocorre entre colegas de turma na escola ou entre membros de uma mesma família.

O anticorpo é detectável logo no inicio da infecção.Infecções do Tracto Respiratório Superior. . .Serologia: inclui os teste de Fixação do Complemento. As suas colónias apresentam uma típica disposição em ovo estrelado. com uma duração de cerca de 6 horas.Superantigénio.Microrganismos Patogénico exclusivamente em Humanos: . Teste de Imunoadsorção ligado à enzima (ELISA) ou Imunofluorescência.As vacinas já desenvilvidas não se mostraram eficazes.População de Risco: Crianças com Idade entre os 5 e os 15 anos. sendo utilizados com maior frequência os testes de fixação do complemento. O Ureaplasma requer ureia para o seu crescimento. Embora uma cultura positiva seja uma evidência definitiva de doença.Adesina P1 (Liga-se à base dos Cílios).Distribuição Mundial sem Incidência Sazonal.A terapêutica de eleição é feita com eritromicina ou tetraciclina (não é utilizada em crianças de pouca idade).Infecções do Tracto Respiratório Inferior: Broncopneumonia e Traqueo-bronquite. a sua sensibilidade é muito baixa.Microbiologia doentes infectados apresenta tosse não produtiva. e a ausência de parece celular conduz a uma fraca coloração.Membrana Celular com Esteroides. . o que a distingue dos restantes micoplasmas. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. A amostra recolhida deve ser cultivada em meios especiais suplementados com soro. .Cultura: Teste Lento (2 a 6 semanas).Ausência de Parede Celular. . . fonte de esteróides. . Existem testes alternativos baseados em ensaios de imunoadsorção ligados à enzima e imunoelectrofose. e atinge o seu valor máximo após 4 semanas. mas é inibido pelo aumento da alcalinidade do meio resultante do metabolismo da ureia. pneumoniae são pequenas e apresentam uma aparência granular homogénea. Relativamente a M. sendo efectuada a detecção de anticorpos dirigidos para o microrganismo pelo teste de fixação do complemento.Crescimento Lento.Microscopia: não é útil devido às reduzidas dimensões. . As colónias de M. . O seu crescimento é lento. hominis é um anaeróbio facultativo que cresce dentro de 1 a 4 dias e metaboliza a arginina mas não a glicose.Transmissão por aerossóis. .Aeróbios Estritos. e o mais utilizado o teste das Crioglutininas. . . Mycoplasma pneumoniae Fisiologia e Estrutura . o meio de cultura deve ser suplementado com ureia e altamente tamponado. . pneumoniae. Assim.A imunidade á reinfecção não é duradoura. . Prevenção e Controlo Serologia Os testes serológicos disponíveis são apenas para M. . um indicador de pH e Penicilina. O crescimento dos microrganismos é indicado pelo metabolismo da glicose com consequente mudança de pH e cor do meio. estando presente por mais 6 a 12 meses. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Bactérias de Pequenas Dimensões. Página 137 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . glicose. Os testes são fáceis de serem realizados e altamente sensíveis tanto á IgG como à IgM.

hominis. Prevenção e Controlo A Eritromicina e a Tetraciclina são igualmente eficazes. hominis e que 75% estejam colonizados com U. pneumoniae transmitidas por contacto íntimo. sendo a mais útil a produção de crioaglutininas. hominis é agente de doença inflamatória pélvica. genitalium e U. genitalium e Ureaplasma são transmitidos por contacto sexual. que podem provocar problemas de infertilidade. sendo as infecções por M.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . gonorrhoeae. Urealyticum são os principais agentes de uretrites. Página 138 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mesmo sob terapêutica antibiótica. tendo a vantagem de serem activas contra outros micoplasmas e clamídias. como as vacinas inactivadas demonstraram-se ineficazes. Estas bactérias provocam uretrites não-gonocócicas. As infecções com Mycoplasma. A Eritromicina é igualmente utilizada nas infecções por ureaplasma. As infecções por M. hominis é resistente à Eritromicina e ocasionalmente às Tetraciclinas. Urealyticum de modo comensal. podendo ser a sua transmissão evitada pelo uso de barreira apropriadas durante a actividade sexual. febre pós-parto e a pielonefrite. M. Tratamento. C. pois o microrganismo é resistente às Tetraciclinas. pneumoniae. sendo a imunidade conferida pela infecção baixa. Mycoplasma hominis. não são tão graves como as infecções com C. trachomatis e M. N. por isso há que pesquisar cada uretrites para todos estes agentes. A prevenção da doença por Mycoplasma é problemática. Podem ser ainda utilizadas com sucesso as novas Fluoroquinolonas. sendo a Clindamicina utilizada nestes casos. particularmente os assintomáticos.Microbiologia É ainda possível medir as reacções específicas para os glicolípidos da membrana externa do M. sendo a última mais reservadas para o tratamento em adultos. No entanto o isolamento é impraticável pois os pacientes permanecem infectados por longos períodos. genitalium e Ureoplamas urealyticum Estas três espécies de Mycoplasma colonizam o sistema genito-urinário das crianças do sexo feminino durante o seu nascimento. É importante observar que muitas das pessoas colonizadas não estão infectadas. O teste da crioaglutinina é positivo em cerca de 65% dos pacientes com infecção. Estima-se que 15% dos adultos estejam colonizados com M. Tanto as vacinas atenuadas. surgindo de novo com o início da actividade sexual. trachomatis. O M. podendo o isolamento reduzir o contágio. O M. apesar de poderem acarretar algumas complicações. Foram já feitos estudos onde se demonstrou a ausência de colónias deste tipo em adultos sem actividade sexual. M. Esta colonização vai desaparecer.

estas bactérias são altamente resistentes à desidratação e permanecem no meio ambiente por vários meses ou anos. mas apenas pelo benefício de utilizarem o ATP da célula hospedeira enquanto este estiver disponível. as que causam tifo e as que causam febre maculosa.Corpúsculo Elementar . Estas bactérias não possuem flagelos e são cobertas por uma camada limosa pouco aderente. pelo contrário R. Ambas as bactérias penetram na célula estimulando a fagocitose.Rickettsia e Orientia são encontradas livres no citoplasma. As espécies patogénicas são mantidas em reservatório por animais e artrópodos.Coxiella e Ehrlichia multiplicam-se em vacúolos citoplasmáticos. . não pela ausência de mecanismos capazes de produzir proteínas e energia. estando mesmo ausente no género Ehrlichia. prowazekii acumula-se na célula até que ocorra lise. rickettsii e O. adaptando-se ao ambiente ácido. no entanto a camada de peptidoglicano é muito fina e o LPS apresenta uma baixa actividade como endotoxina. Por outro lado o género Coxiella permanece no fagossoma. Ao serem libertadas para o exterior as células tornam-se instáveis e morrem rapidamente. Página 139 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . R. Coxiella Orientia. Rickettsia rickettsii Patogenia e Imunidade As bactérias da família Rickettsiae são dividias em dois grupos.Microbiologia Rickettsia. Ehrlichia e Rickettsia.Mórula Aparentemente as bactérias são parasitas. no caso da Ehrlichia a fusão do vacúolos citoplasmáticos com o fagossoma conduz à morte do microrganismo.Corpúsculo Inicial . sendo libertadas no citoplasma. Todas as bactérias são parasitas intracelulares obrigatórios. No caso das espécies de Coxiella existe uma excepção. Fisiologia e Estrutura A estrutura da parede celular das bactérias destes quatro géneros é tipicamente gramnegativa. Orientia. sendo estes últimos os vectores que os transmite acidentalmente ao homem. Ehrlichia e Coxiella são bacilos gram-negativos aeróbios. tsutsugamushi são continuamente libertados através de exocitose. pela fraca coloração com o método de Gram e o crescimento apenas na presença de células eucariotas. sendo que Rickettsia e Orientia degradam a membrana do fagossoma por meio de fosfolipases A. As espécies de Ehrlichia possuem três estágios de desenvolvimento: . parasitas intracelulares obrigatórios. a não ser que infectem uma nova célula. Originalmente foram considerados vírus tendo em conta o seu reduzido tamanho. mas a sua localização intracelular é diferente: .

apresentando manifestações específicas. . Este quadro conduz a uma hipovolémia e hipoproteinémia.Testes Antigénocos ou Serologia (Testes IFA).Crescimento Intracelular Protege-as da Destruição Imunológica. insuficiência respiratória. No entanto pensa-se que o principal reservatório e vector seja a carraça da família Ixodidae. o que conduz a uma redução da perfusão de vários órgãos e insuficiências desses mesmos órgãos.Coram-se pelos Métodos de Giemsa e Giemenez.Não existe vacina disponível. estas resultam da replicação das bactérias nas células endoteliais. .Bactéria Intacelular. Podem ainda ser utilizados Página 140 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Síndromes Clínicas A doença clinicamente sintomática surge ao fim de 2 a 14 dias da picada da carraça. usar roupas apropriadas e insecticidas.Tetraciclinas. . Cloranfenicol ou Fluoroquinolonas.Microscopia e Cultura não são úteis.É a riquétsia mais comum nos Estados Unidos. As complicações da Febre Maculosa das Montanhas Rochosas incluem sintomas gastro-intestinais.Replicam-se nas Células Endoteliais  Vasculite. Ao fim de cerca de 3 dias surge um exantema que pode variar entre uma forma macular ou petequial. . . encefalite e insuficiência renal. . . cefaleias e mialgias. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. Epidemiologia Muitas destas doenças são endémicas de determinadas zonas. necessitando o homem de estar um longo período de tempo exposto para que seja infectado. com destruição destas células e consequente extravasamento dos vasos sanguíneos. . . Regra geral o paciente nem se lembra de ter sido picado. recorre ao médico pelo início de febre. Mas os mamíferos roedores também podem constituir um reservatório importante. As infecções por este microrganismo são disseminadas no homem pelas carraças durante a sua alimentação. Rickettisia rickettsii Fisiologia e Estrutura . . como é o caso da Febre Maculosa das Montanhas Rochosas. no entanto são raramente indicados como uma possível fonte de infecção do homem.Replicação ocorre no Citoplasma das Células Infectadas. . calafrios. Prevenção e Controlo Diagnóstico Laboratorial Apesar de serem fracamente coradas pelo método de Gram.Febre Maculosa das Montanhas Rochosas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Evitar contacto com Carraças. sendo que mais de 90% das infecções ocorrem nos meses de Abril a Outubro.Microbiologia Não existem evidências que estes microrganismos produzam toxinas ou que a respostas imunitária seja responsável pelas manifestações clínicas. como resultado da perda de plasma nos tecidos. . é primeiro detectável nos membros alastrando depois para o tronco. são facilmente e correctamente coradas pelos métodos de Giemsa ou Gimenez.Carraças são os principal Reservatório e Vector. .Doença mais Frequente de Abril a Outubro.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . aplicar um repelente contra insectos e remover rapidamente as carraças caso estas se fixem na nossa pele. Os piolhos infectados morrem ao fim de 2 a 3 semanas. apresentando-se com sintomas inespecíficos. Contrariamente ao que acontece nas outras riquétsias o ser humano constitui o reservatório primário de tifo. Tratamento. Este teste é tanto sensível como específico. calafrios. Página 141 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . É quase impossível eliminar o reservatório das carraças. mialgias. mesmo sem se alimentarem. ao Cloranfenicol e ás Fluoroquinolonas. Um aumento de 4 vezes no título de anticorpos. utilizando vestuário apropriado. Os testes diagnósticos demoram a obter os resultados definitivos. pode ainda surgir um exantema petequial ou macular. Em alternativa a estes métodos podem-se utilizar sondas de ácido nucleico. pode ocorrer anos após a infecção. cefaleias. As complicações do tifo incluem a miocardite e a disfunção do sistema nervoso central. sendo que o tifo epidémico apenas ocorre em pessoas que estejam sujeitas a condições de higiene precárias e co-habitem em grandes aglomerados populacionais. sendo a evolução da doença ligeira e o período de convalescença mais curto. evitando as zonas onde estes existem. este teste é dirigido para as proteínas termo-lábeis e para o LPS. Após 1 a 3 dias surge febre alta. que é transmitido pelo piolho ao humano. mas actualmente não é recomendado pela sua baixa especificidade e sensibilidade. A respostas inicial do organismo apenas é detectada após 2 a 3 semanas do inicio da infecção. O principal método de diagnóstico centra-se no teste sorológico. A doença recrudescente por este microrganismo. porque estas são capazes de sobreviver por longos períodos. Pode ocorrer a reactivação do tifo após vários anos da doença inicial. sendo detectável por longos períodos de tempo. no entanto ele não se encontra facilmente disponível. ou um título inicial superior a 1/64 são considerados um resultado positivo. prowazekii. artralgias e anorexia. o que vai atrasar o início da terapêutica e pode conduzir a um aumento da taxa de mortalidade e morbilidade. Nos dias que correm utiliza-se a imunofluorescência indirecta ou IFA. mas este processo demonstra-se menos sensível em pacientes que já iniciaram a terapêutica antibiótica. principalmente o piolho do corpo humano – Pediculus humanus. Nos pacientes sem complicações a febre desaparece ao fim de 2 semanas. o que o torna um teste não específico.Microbiologia anticorpos marcados com fluoresceína para corar amostras de biópsias de tecidos. Prevenção e Controlo As riquétsias são susceptíveis às Tetraciclinas. As medidas preventivas consistem em evitar o contacto com carraças. No passado foi utilizado o teste de Weil-Felix. sendo que actualmente a maior parte dos casos resulta de indivíduos que foram expostos a surtos epidémicos durante a segunda guerra mundial. também designada doença de BrillZinsser. o que não permite a transmissão transovariana da R. sendo o método mais específico. Síndromes Clínicas As manifestações surgem após 2 a 30 dias de incubação. no entanto a recuperação completa pode demorar 3 meses ou mais. Rickettsia prowazekii Epidemiologia A Rickettsia prowazekii é o agente etiológico do tifo endémico.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Ásia. . Existe já uma vacina inactiva por formaldeído.O Homem é o Reservatório Principal. No entanto sabe-se que a pulga do gato. o principal vector de transmissão. Manifestações Clínicas O período de incubação da doença causada por este microrganismo é de 7 a 14 dias.Replicação ocorre no Citoplasma das Células Infectadas. . pelo Vector Piolho.Replicam-se nas Células Endoteliais  Vasculite.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O IFA é o teste de escolha para o diagnóstico de doença causada por Ricketssia prowazekii. . . . cefaleias intensas. Para a resolução de uma epidemia é necessário associar medidas de controlo a uma terapêutica antibiótica eficaz. e a pulga do rato.Existem Vacinas para a População de Alto Risco.Transmissão Pessoa-Pessoa. Os roedores são o principal reservatório. Em cerca de metade dos pacientes surge no estádio mais tardio da doenta um exantema. Os sintomas surgem inesperadamente como febre.Tifo Reincidente. Xenopsylla cheopis. calafrios.Tifo Esporádico. .Coram-se pelos Métodos de Giemsa e Giemenez. . Europa e América do Sul. . Este tipo da doença continua a existir em pessoas que vivem em áreas litorais temperadas e subtropicais de África. .Tifo Epidémico. no entanto a sua utilização restringe-se às populações de alto risco. Prevenção e Controlo As Tetraciclinas e o Cloranfenicol são altamente eficazes no tratamento do tifo epidémico. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. Grande parte dos casos surgem nos meses quentes. Página 142 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . Austrália.Crescimento Intracelular Protege-as da Destruição Imunológica. . Tratamento.Teste de IFA.Bactéria Intacelular. sendo que na maior parte dos pacientes não tratados a sintomatologia permanece por menos de 3 semanas.Controlo é feito pela melhoria das condições de higiene e uso de insecticidas para redução da população de piolhos. . Prevenção e Controlo Rickettsia typhi Epidemiologia O tifo endémico é causado por Rickettsia typhi. . que infecta animais domésticos também é considerada um vector importante da doença. . Ctenophalides felis. o que é justificado pelo vector em questão e por uma maior exposição da população nos meses quentes. Esta doença não apresenta grandes complicações.Tetraciclinas ou Cloranfenicol.Condições de Risco Incluem Aglomerados e Baixa Higiene. Rickettisia prowazekii Fisiologia e Estrutura . mialgias e náuseas.

Tratamento.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial Um IFA específico para R. e manifesta-se como cefaleias. Ao analisarmos o título de anticorpos. Esta patologia encontra-se associada à ingestão de peixe cru contaminado por tremátodes. As carraças são os vectores de todas as doenças causadas por Ehrlichia em humanos. mais uma vez um aumento de 4 vezes ou mais representa um diagnóstico. esplenomegalia. Prevenir esta doença é complicado pois tanto o reservatório como os vectores se encontram amplamente distribuídos. A doença surge de forma rápida. Orientia tsutsugamushi O Orientia tsutsugamushi é o agente etiológico do tifo rural. que por sua vez se encontra infectado com Ehrlichia. cujo vector são os ácaros vermelhos. Página 143 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a Doxiciclina ou o Cloranfenicol são eficazes no tratamento do tifo endémico. canis. Ehrlichia Patogenia e Imunidade O género Ehrlichia é constituído por bactérias parasitas intracelulares de leucócitos mononucleados ou granulócitos. mas não das hemácias. Em alguns casos pode surgir linfoadenopatia generalizada.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Epidemiologia A espécie Ehrlichia sennetsu quase existe apenas no Japão e é o agente da febre de Sennetsu. Não existindo um vacina eficaz o controlo dos roedores reservatórios parece ser a medida mais eficaz. sendo que a respostas dos pacientes é rápida e positiva. complicações do sistema nervoso central e insuficiência cardíaca. Nos pacientes não tratados a febre desaparece ao fim de 2 a 3 semanas. Prevenção e Controlo A Tetraciclina. mas ao receberem tratamento com Tetraciclina. febre e mialgias. Doxiciclina ou Cloranfenicol a febre desaparece rapidamente. Além de serem o vector da doença são igualmente o reservatório desta. Esta infecção encontra-se também presente nos roedores que podem mais uma vez servir de reservatório. com um período de incubação de 6 a 18 dias. ou caso apenas seja feita esta contagem uma vez deve obter-se um título superior a 1/128 para que seja confirmado o diagnóstico. sendo que antigamente se pensava ser causada pela E. A erlichiose monocíctica humana é causada por Ehrlichia chaffeensis. sendo a doença transmitida de forma transovariana entre a população de ácaros. Esta foi a primeira espécie identificada como causa de doença nos humanos. sendo a prevenção mais eficaz é a não exposição aos ácaros. Esta localização intracelular dos microrganismos protege-os da resposta humoral do hospedeiro. typhi é utilizado para confirmar o tifo endémico. Não existe vacina. Regra geral ao fim de uma semana já são detectados títulos significativos. Em menos de metade dos pacientes surge um exantema macular a papular no tronco que se dissemina de forma centrífuga para os membros.

ainda não identificada.Microbiologia A erlichiose granulocítica humana pode ser causada tanto por E. Tratamento.Ehrlichia nos tecidos já existem sondas de DNA que permitem distinguir as diversas estirpes patogénicas causadoras de doenças humanas. surge um exantema. Prevenção e Controlo Os pacientes com suspeita de erlichiose devem ser tratados com Doxiciclina. mais comum nas crianças. mal-estar e mialgias. sendo que habitualmente se utilizam os testes serológicos e a sonda de DNA para a confirmação de diagnóstico de erlichiose humana. phagocytophila. linfoadenopatia cervical e linfócitos atípicos periféricos. Em apenas 20% dos pacientes. no entanto as espécies E. ewingii são muito próximas e não podem ser diferenciadas serologicamente. A erlichiose monocítica e granulocítica humana apresentam manifestações idênticas e assemelham-se á febre maculosa das Montanhas Rochosas. Diagnóstico Laboratorial A microscopia tem um valor limitado no diagnóstico de erlichiose humana. Página 144 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 31 Letargia . É possível ainda observar leucopénia e trombocitopénia. levando o indivíduo a um estado mórbido em que as funções vitais estão atenuadas de forma tal que parece estarem suspensas. Actualmente Fig. cefaleias. Síndromes Clínicas Os pacientes com Febre de Sennetsu apresentam uma síndrome febril agudo. 47 . chaffeensis e E. dando ao corpo a aparência de morte. semelhante à mononucleose. que consiste em letargia31. O maior número de casos ocorre entre meados de Abril e o final de Outubro.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A infecção é prevenida evitando-se as zonas infestadas com carraças e utilizar roupas protectoras e repelente de insectos. Após cerca de 2 semanas do início da doença observa-se um aumento do título de anticorpos do paciente. ewingii ou como E. Os reservatórios de estas doenças são pequenos mamíferos e os vectores as carraças do género Ixodes. devendo o tratamento ser logo iniciado mesmo sem confirmação laboratorial da doença.é a perda temporária e completa da sensibilidade e do movimento por causa fisiológica. Não existem vacinas prevenir as infecções por este microrganismo. Cerca de 12 dias depois da picada da carraça inicia-se febre alta.

em cerca de metade dos pacientes existe hepato-esplenomegalia. A Coxiella burnetti sofre variação de antigénios. A respostas a estes diferentes antigénios e um bom indicador de doença crónica ou aguda. sendo que o de fase I é Página 145 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Mas os hospedeiros mais significativos são os animais domésticos. febre alta. Após o cultivo da bactéria o LPS modifica-se – antigénio de fase II – e dessa forma as proteínas de superfície são expostas aos anticorpos e a doença manifesta-se de forma mais ligeira. burnetti podem manifestar-se de uma forma aguda ou crónica. O conhecimento sobre esta patologia é limitado pois na maior parte dos casos ela é auto-limitada e não existe modelo animal para o seu estudo. Diagnóstico Laboratorial Actualmente a febre Q pode ser diagnosticada por cultura ou por testes serológicos específicos. mas podem evoluir para um quadro mais grave. Em situações graves pode conduzir a pneumonia e hepatite granulomatosa. que no seres humanos pode ser assintomática. A manifestação mais comum da febre Q crónica é a endocardite sub-aguda. idênticos aos de uma pneumonia atípica. As carraças representam um importante vector de transmissão entre os animais. ao qual se segue um início súbito de cefaleias intensas. Existe um forma altamente infecciosa de LPS – antigénio de fase I – que bloqueia a ligação dos anticorpos às proteínas de superfície celular. Sendo que na fase aguda se verifica a presença de anticorpos contra a fase I e na doença crónica estão presentes tanto anticorpos contra a fase I como a II. Síndromes Clínicas As infecções por C. cães. No entanto pensa-se que os dados estejam um pouco abaixo da realidade pois grande parte das infecções humanas são assintomáticas ou ligeiras. mas o mesmo não acontece no caso do homem. Os sintomas respiratório são ligeiros. urina. que constituem o maior reservatório. como é o caso de ovelhas. A febre Q tem uma distribuição mundial. manifestar-se de forma aguda ou crónica. a aves e carraças. placenta dos animais e é ainda excretada no leite. desde mamíferos. Esta bactéria está presente nas fezes. calafrios e mialgias. Epidemiologia A Coxiella burnetti é extremamente estável em condições ambientais precárias e pode sobreviver no solo por meses ou anos. mas o número de casos é relativamente baixo em populações com vida urbana. Uma importante característica desta bactéria é a sua capacidade de sofre variação antigénica na expressão do LPS. o que geralmente ocorre em pacientes com próteses valvulares ou com uma válvula previamente lesada.Microbiologia Coxiella burnetti Patologia e Imunidade A Coxiella é o agente da Febre Q. gatos e coelhos. A doença aguda tem um período de incubação de cerca de 20 dias. mas depois alastra-se para outros órgãos. Inicialmente o microrganismos prolifera no tracto respiratória. nos casos de infecções crónicas a manifestação mais habitual é a endocardite. A infecção ocorre por inalação de partículas transportadas a partir de uma fonte animal em vez de ser através de um vector.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os hospedeiros destes microrganismos são diversos.

A vacinação de indivíduos que já tenham sido infectados é contra-indicada porque pode levar a um aumento das reacções adversas. o mesmo acontece com os humanos. Página 146 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A dificuldade reside no facto de actividade antibiótica ser limitada pelo facto de o microrganismo de multiplicar intracelularmente. A febre Q aguda é diagnosticada por um aumento de 4 vezes nos títulos de anticorpos. Foram desenvolvidas vacinas com microrganismos inactivados e com antigénios parcialmente purificados. Tratamento. A vacinação dos rebanhos é eficaz a menos que os animais já tenham sido previamente infectados. um título de IgM de no mínimo 1/50 ou de IgG de pelos menos 1/200.Microbiologia fracamente antigénico. mas apenas se encontram disponíveis para uso de laboratórios de pesquisa. verificando-se uma maior eficácia nas vacinas preparadas com antigénio de fase I. O diagnóstico da febre Q é confirmado pela demonstração de anticorpos contra ambas as fases. no caso de doença crónica deve ser tratada por um período longo com Rifampicina e/ou Doxiciclina ou Trimetoprim-Sulfametoxazol. Na febre Q aguda as IgG e IgM são principalmente contra antigénio de fase II. com predomínio dos de fase I.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . dessa forma a imunização é recomendada em dose única e sem dose de reforço. Prevenção e Controlo Actualmente recomenda-se que as infecções sejam tratadas com Tetraciclina. As técnicas de PCR têm se demonstrado tanto sensíveis como específicas.

de maiores dimensões mas sem capacidade infecciosa. . devido a serem de tal como pequenos que atravessam os filtros de 0. Por outro lado o RB é metabolicamente activo e constitui a forma de reprodução das clamídias.C. pneumoniae. 48 . mas é nesta fase que são infecciosas. Esta forma não possui as ligações ponte dissulfeto na membrana externa. Fig. No género Chlamydia temos: . Uma das características desta família é a ausência de uma camada de peptidoglicano. Anteriormente esta família já foi considerada como sendo constituída por vírus. e as proteínas da membrana externa que são específicas para cada espécie e estirpe. As bactérias não se reproduzem no estado EB. No género Chlamydophila: . Página 147 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o pequeno corpúsculo elementar (EB) infeccioso e o corpúsculo reticulado (RB). as proteínas da membrana externa estabelecem entre si pontes dissulfeto.C. e por isso ela é osmoticamente instável.C. Já dentro da célula permanecem no fagossoma onde ocorre o seu ciclo reprodutivo. mas são protegidas pela sua localização intracelular.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . que pode ser detectado pelo teste de fixação do complemento. A fusão dos fagossomas com os lisossomas é inibida apenas pelas bactérias com membrana externa intacta e que não se encontrem inactivadas pelo calor.Ciclo Infeccioso das Calmídias O ciclo de vida inicia-se com os EB infecciosos a fixarem-se às vilosidades. Fisiologia e Estrutura Os microrganismos desta família apresentam-se de duas formas morfologicamente distintas.45 µm e terem a necessidade obrigatória de parasitar células. É nesta fase que se podem ligar aos receptores das células hospedeiras e estimular a captação pelas células infectadas. O EB é semelhante a um esporo e é resistente a numerosos factores ambientais inóspitos. psittaci. trachomatis.Microbiologia Chlamydiaceae Actualmente a família Chlamydiaceae encontra-se dividida em dois géneros: Chlamydia e Chlamydophila. Apesar de não possuir uma camada de peptidoglicano. seguindo-se a penetração na célula. Outros dos factores de virulência desta família são o LPS.

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Após cerca de 6 a 8 horas da entrada na célula os EB reorganizam-se em RB metabolicamente activos, sendo estes capazes de sintetizar o seu próprio DNA, RNA, proteínas, mas não possuem vias próprias para produzirem fosfatos de alta energia; este facto faz com que sejam denominadas parasitas de energia. Os RB dividem-se por fissão binária nas próximas 18 a 24 horas, formando-se um fagossoma com RB acumulados, que é denominado de inclusão. Entre as 18 e as 24 horas os RB começam a reorganizar-se em pequenos EB. Dentro de 48 a 72 horas a célula lisa e os EB infecciosos são libertados.

Fig. 49 - Ciclo Infeccioso das Clamídias

Chlamydia trachomatis
Este microrganismo possui um espectro limitado de hospedeiros, sendo as infecções restritas aos seres humanos. Esta espécie foi dividida em duas estirpes, as que causam tracoma e as que originam Linfogranuloma Venéreo (LGV).

Patogenia e Imunidade
Os receptores para EB são principalmente encontrados em células epiteliais não ciliadas, colunares, cúbicas ou de transição, correspondendo às mucosas da uretra, endocérvix, endométrio, trompas ovarianas, recto, tracto respiratório e conjuntivas. A biovariante LGV multiplica-se nos fagócitos mononucleares encontrados no sistema linfático. As manifestações clínicas das infecções por clamídias são devido à destruição directa das células durante a multiplicação e resposta inflamatória do hospedeiro. No linfogranuloma venéreo as lesões manifestam-se nos gânglios linfáticos que drenam o foco primário de infecção. As lesões podem tornar-se necróticas, atraindo leucócitos polimorfonucleados e permitindo a disseminação do processo inflamatório para tecidos vizinhos. Página 148 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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A infecção não confere imunidade duradoura, a reinfecção leva a uma resposta inflamatória aguda e lesão tecidular. Esta resposta induz perda de visão nos pacientes com infecção ocular cónica e fibrose que leva a esterilidade e disfunção sexual em pacientes com infecções genitais.

Epidemiologia
O C. trachomatis tem distribuição Mundial e causa Tracoma, doença Óculo-Genital, Pneumonia e LGV. O Tracoma é endémico no Médio Oriente, Norte de África e Índia. As infecções ocorrem predominantemente em crianças, sendo estas o principal reservatório do microrganismo. O Tracoma é transmitido olho-olho por intermédio de gotículas, mãos, roupas contaminas e por moscas que procuram os olhos. Esta patologia é mais comum em populações caracterizadas por aglomerações, condições sanitárias precárias e higiene pessoal deficiente. A maioria dos casos de conjuntivite de inclusão no adulto é seguida de infecção genital e ocorre entre os 18 e os 30 anos. Outra infecção ocular, a conjuntivite de inclusão neo-natal é adquirida a quando da passagem do canal de parto infectado. A infecção pulmonar por C. trachomatis ocorre em lactentes. As infecções por C. trachomatis são consideradas a causa mais comum de doença bacteriana sexualmente transmitida. O Linfogranuloma Venéreo é uma doença crónica, sendo igualmente transmitida sexualmente. Os homossexuais são o principal reservatório da doença, sendo o LGV agudo mais comum nos homens, o que é confirmado pela maioria das mulheres serem assintomáticas.

Síndromes Clínicas
Já foram abordadas de forma superficial as diversas patologias associadas a este género, de seguida serão aprofundadas individualmente: - Tracoma, é uma doença crónica causada pelas sorovariantes A, B, Ba e C. Inicia-se com uma conjuntivite folicular difusa que envolve toda a conjuntiva. Com a evolução da doença as conjuntivas sofrem fibrose e as pálpebras do doente dobram-se para dentro. Os cílios em contacto directo causam escoriação da córnea, levando a uma ulceração da córnea, fibrose, formação de pannus32 e perda da visão; - Conjuntivite de Inclusão em Adultos, a conjuntivite folicular está associada a estirpes de C. trachomatis presentes em infecções genitais. A infecção é caracterizada por secreção mucopurulenta, ceratite33, infiltrados da córnea e, em alguns casos, um certo grau de vascularização da córnea. No caso de infecção crónica pode ocorrer fibrose da córnea; - Conjuntivite Neo-natal, as infecções dos olhos também se podem desenvolver em lactentes expostos ao microrganismo a quando do nascimento. Após um período de incubação de cerca de 5 a 12 dias, surge edema palpebral e hiperemia34 com secreção purulenta intensa. As infecções não tratadas podem prolongar-se por até 12 meses, neste período ocorre fibrose conjuntival e a vascularização da córnea. Os lactentes não tratados ou os tratados de forma tópica correm um elevado risco de desenvolver pneumonia;
Pannus – é caracterizada pela invasão vascular ao nível da córnea. Ceratite - é uma inflamação na córnea, prefigurada pelo surgimento de pontos ressecados e esclerosados, chamados de pontos xeróticos, localizados na conjuntiva. Tal lesão acaba tornando a córnea esclerosada e insensível. 34 Hiperemia - é um aumento da quantidade de sangue circulante num determinado local, ocasionado pelo aumento do número de vasos sanguíneos funcionais, provando uma vermelhidão no local.
33 32

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- Pneumonia do Lactente, o início ocorre geralmente 2 a 3 semanas após o nascimento. Inicialmente desenvolve-se renite que evolui para uma tosse em staccato. A criança permanece sem febre durante a doença clínica, mas os sinais radiográficos podem persistir por meses; - Lifogranuloma Venéreo Ocular, consiste numa conjuntivite oculoglandular de Parinaud, uma inflamação conjuntival associada a linfoadenopatia pré-auricular, submandibular e cervical; - Infecção Urogenitais, a maioria das infecções em mulheres é assintomática. As manifestações consistem em cervicite, endometrite, uretrite, salpingite, bartolinite e perihepatite. Nos pacientes sintomáticos existe corrimento muco-purulento e ectopia hipertrófica. No caso dos homens a maior parte das infecções é sintomática. É frequente a existência de infecções duplas por C. trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, surgindo os sintomas da infecção por clamídias após o tratamento com sucesso da gonorreia. A doença é mais comum em homens caucasianos e jovens; - Linfogranuloma Venéreo, após um período de incubação de 1 a 4 semanas, ocorre uma lesão primária, que pode ser uma pápula ou úlcera. Devido ao seu reduzido tamanho, ser indolor e inaparente, cicatrizando rapidamente, passa despercebida muitas vezes. As sintomas são febre, cefaleias e mialgias a quando do aparecimento da lesão. O segundo estádio é caracterizado pela inflamação dos gânglios linfáticos que drenam a região. Os gânglios inguinais são os mais frequentemente afectados, podem transformar-se em bubões flutuantes e dolorosos, aumentando gradualmente, é possível que ocorra a sua ruptura, formando-se fístulas que drenam. A proctite é comum em mulheres com LGV, no caso dos homens pode surgir por coito anal ou disseminação através da uretra, caso não seja tratada pode evoluir para uma fase ulcerativa crónica. Esta fase é caracterizada por úlceras genitais, fístulas, estenoses ou elefantíase genital.

Diagnóstico Laboratorial
A infecção por C. trachomatis pode ser diagnosticada com base nas evidências citológicas, sorológicas ou de cultura; através da detecção directa de antigénios nas amostras; ou através da utilização de sondas moleculares. As infecções sintomáticas são mais facilmente diagnosticadas devido a um maior número de microrganismos nas amostras. Pelo facto de serem parasitas intracelulares obrigatórias as amostras devem ser recolhidas no local correcto, não sendo o pus ou exsudado uretral adequado. Citologia O exame de raspados celulares corados pelo método de Giemsa foi primeiro método utilizado, foi igualmente utilizado o método de Papanicolaou. Estes métodos são insensíveis quando comparados com a cultura ou a imunofluorescência directa. Cultura O isolamento de C. trachomatis em cultura de célula continua é o método mais específico, tendo a sensibilidade sido aumentada pelas seguintes medidas: - Pré-tratamento da amostra com inibidores químicos do metabolismo da célula hospedeira; - Centrifugação da amostra em monocamadas celulares; - Utilização de frascos especiais (Crescimento em monocamadas de células em Lamínula); - Múltiplas passagens de células infectadas; - Utilização de corantes à base de iodo ou anticorpos conjugados à fluoresceína para detectar as inclusões intracelulares; Página 150 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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Apesar desta melhoria da sensibilidade, ela continua a depender da qualidade das amostras. Detecção do Antigénio A coloração com imunofluorescência directa com anticorpos monoclonais conjugados com fluoresceína e o imunoensaio ligado a enzima (ELISA), ambas as técnicas são dirigidas para a MOMP ou o LPS. A sensibilidade varia bastante, e nenhuma das técnicas é tão sensível como a cultura. Sondas de Ácidos Nucléicos Actualmente já são utilizados sondas de ácido nucléico, detectando a presença de uma sequência específica de RNAr 16S. A vantagem deste teste é que não necessita de amplificação, sendo por isso mais rápido e barato. A desvantagem é que estes testes são relativamente pouco sensíveis na presença de poucos microrganismos. Serologia Os testes serológicos possuem um valor limitado no diagnóstico das infecções uro-genitais, visto que os títulos de anticorpos podem permanecer por longos períodos. Desta forma o teste não pode ser utilizado para distinguir infecções passadas de presentes. A dosagem de IgM não é frequentemente utilizada, uma vez que os adultos e adolescentes em alguns casos não produzem esses anticorpos. A IgM é principalmente utilizada na detecção em lactentes com pneumonia causada por clamídias. A detecção dos anticorpos é útil no diagnóstico de LGV, podendo ser utilizados os testes de fixação de complemento, microimunofluorescência ou imunoensaio enzimático.
Fig. 50 - Teste ELISA

Tratamento, Prevenção e Controlo
No caso de pacientes com LGV deve ser utilizada uma Tetraciclina durante 21 dias. Os Macrólidos devem ser administrados a crianças com menos de 9 anos, mulheres grávidas e indivíduos que não tolerem as Tetraciclinas. As infecções oculares e genitais em adultos devem ser tratadas com uma dose de Azitromicina e Doxiciclina por 7 dias ou uma Fluroquinolona. A conjuntivite e a pneumonia em recém-nascidos devem ser tratadas com Eritromicina por 10 a 14 dias. É difícil evitar as infecções por C. trachomatis uma vez que a população com doença endémica não possui um acesso facilitado à assistência médica. A cegueira pode ser evitada Página 151 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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com o tratamento atempado da infecção. A conjuntivite e as infecções genitais podem ser controladas através das práticas sexuais seguras e tratamento imediato dos pacientes sintomáticos e seus parceiros.

Chlamydia trachomatis
Fisiologia e Estrutura - Bacilos Gram-Negativos; - Sem Peptidoglicano na Parede Celular; - Parasitas Intracelulares estritos de Seres Humanos; - Proteínas da Membrana Externa (MOMP) são EspécieEspecíficas; - Biovariantes: Tracoma e o Linfogranuloma Venéreo; - Multiplicação Intracelular - Impede fusão dos fagossomos com os lisossomas; - Nos EUA é a bactéria mais frequentemente transmitida sexualmente; - Tracoma Ocular possui Distribuição Mundial; - LGV: África, Ásia e América do Sul; - Biovariante Tracoma  Tracoma Ocular, Conjuntivite, Pneumonia e Infecções Urinárias; - Biovariante LGV  LGV e LGV Ocular; - A cultura é altamente específica mas pouco sensível; - Testes com Antigénios (DFA e ELISA) são pouco sensíveis; - Teste de PCR mais sensíveis e já disponíveis; - LGV: Tetraciclinas, Macrólidos ou Sulfisoxazol; - Infecções Oculares e Genitais: Azitromicina, Doxiciclina ou Ofloxacina; - Conjuntivite e Pneumonia: Eritromicina; - A prevenção deve basear-se em práticas sexuais seguras, e tratamento imediato do doente e dos parceiros sexuais;

Virulência Epidemiologia

Doenças

Diagnóstico

Tratamento, Prevenção e Controlo

Chlamydophila pneumoniae
Este microrganismo foi isolado recentemente e foi inicialmente denominado TWAR, tendo sido identificado um único serotipo. A sua transmissão é feita por secreções respiratórias, não existindo um reservatório animal conhecido. O C. pneumoniae é um microrganismo patogénico humano, sendo um possível agente de bronquite, pneumonia e sinusite. A maioria das infecções é assintomática ou ligeira, incluindo tosse persistente e mal-estar. As infecções respiratórias mais graves afectam geralmente um único lobo. Sabe-se que este microrganismo pode crescer em células de músculo liso, células endoteliais da artéria coronária e em macrófagos; existe já uma relação entre as lesões arteroscleróticas e esta bactéria. O diagnóstico é dificultado pelo facto de os microrganismos não crescerem em linhagens utilizadas no isolamento de C. trachomatis. O uso de PCR tem sido realizado com sucesso e parece ser o método mais sensível. Uma particularidade da C. pneumoniae está na sua possível relação com a arterosclerose. Foi já demonstrada a presença da bactéria em placas de arteroma por cultura, PCR, ME e hibridização. No entanto, discute-se ainda se a presença do agente leva à Página 152 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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arterosclerose ou se é a reacção inflamatória contra o agente (J. Clin. Microbiol. Rev. 15:120,2002) que leva à arterosclerose. O tratamento é realizado com a administração de Macrólidos, Tetraciclinas ou Levofloxacina por 10 a 14 dias. O controlo é quase impossível devido a uma distribuição ubíqua desta bactéria.

Chlamydophila psittaci
Este microrganismo é o agente da Psitacose, mais conhecida como febre do papagaio, que pode acidentalmente ser transmitida ao homem. Na verdade o reservatório pode ser qualquer ave e por isso a doença deve ser referida como uma ornitose. A infecção ocorre através das vias respiratórias, disseminando-se as bactérias posteriormente para as células reticulo-endoteliais do fígado e do baço. Os microrganismos multiplicam-se nestes locais e conduzem à necrose tecidual. O pulmão e outros órgãos podem ser infectados devido à disseminação hemotogénica, levando a uma resposta inflamatória predominantemente linfocitária nos espaços alveolares e intersticiais. Nestes locais surge edema, infiltração de macrófagos, necrose e por vezes hemorragia. Podem formar-se tampões de muco nos bronquíolos conduzindo a um quadro de cianose e anoxia. A bactéria é geralmente transmitida por inalação dos excrementos secos de aves, urina ou secreções respiratórias. É muito rara a transmissão pessoa-pessoa, sendo os indivíduos que mantêm contacto próximo com aves os que apresentam maior risco de contrair uma infecção. A doença desenvolve-se após um período de incubação de 5 a 14 dias e manifesta-se como cefaleias, febre alta, calafrios, mal-estar e mialgias. É comum o envolvimento do sistema nervoso central, podendo ainda surgir sintomas gastro-intestinais. Por outro lado os sintomas sistémicos incluem cardite, hepatomegalia, esplenomegalia e ceratoconjuntive folicular. O diagnóstico é geralmente feito com nas evidências serológicas, podendo ainda ser realizada a cultura, positiva ao fim de 5 a 7 dias. O tratamento de sucesso inclui Tetraciclinas ou Macrólidos. Visto que não existe transmissão pessoa-pessoa não é necessário o isolamento nem a profilaxia dos que tenham tido contacto com o doente. O controlo apenas é possível controlando a infecção nas aves, sendo administrado Cloridrato de Clortetraciclina durante 45 dias às aves. Actualmente não existe uma vacina eficaz para este microrganismo.

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Clostridium
Este género inclui todos os bacilos gram-negativos anaeróbios capazes de formar esporos. Apesar na sua grande maioria serem anaeróbios estritos, alguns são aerotolerantes e por isso podem crescer quando expostos ao ar. Estes microrganismos são ubíquos e fazem inclusive parte flora gastro-intestinal do homem e de alguns animais. Grande parte destas bactérias são saprófitos inócuos, no entanto alguns são patogénicos para o homem e são agentes de doenças bem conhecidas, como é o caso do Tétano, Botulismo e Grangrena Gasosa. Esta capacidade de causarem doença deriva de: - Capacidade de sobreviver em condições ambientais adversas através da formação de esporos; - Rápido Crescimento em meios nutricionais enriquecidos e privados de oxigénio; - Produção de numerosas toxinas histolíticas, enterotoxinas e neurotoxinas.

Clostridium perfringens
Fisiologia e Estrutura
Esta é a espécie mais frequentemente isolada, podendo ser um agente de doença grave fatal ou constituir parte da flora microbiana normal. O C. perfringens é um bacilo gram-positivo rectangular cujos esporos são raramente observados. É imóvel, diferentemente de grande parte deste género, no entanto o seu crescimento é igualmente rápido. É hemolítico, metabolicamente activo, o que permite a sua rápida identificação no laboratório. A produção de toxinas letais é utilizada para dividir os microrganismos Fig. 51 - Cultura Clostridium em cinco grupos:
perfringens

Toxinas Letais Grupo A B C D E

α
++ + + + +

β
+ + -

ε
+ + -

ι
+

Patogenia e Imunidade
O C. perfringens pode causar um grande número de infecções que vão desde as autolimitadas até às potencialmente fatais. A toxina α é a mais importante e é produzida por todos os grupos de microrganismos. É uma lecitinase que provoca a lise de eritrócitos, plaquetas, leucócitos e células endoteliais. Esta toxina provoca aumento da permeabilidade vascular, conduzindo a um hemólise maciça e sangramento, destruição do tecido, toxicidade hepática e disfunção do miocárdio. A toxina β é responsável pelas lesões necróticas da enterite necrosante. A toxina ε é uma pró-toxina, sendo activada pela tripsina e aumenta a permeabilidade vascular da parede gastro-intestinal. Página 154 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

o que vai interromper o transporte iónico ao nível do íleon e aumentar a permeabilidade vascular. sem necrose muscular nem sintomas sistémicos. no entanto cerca de metade dos resultados apenas representam uma bacteriémia transitória. mas não à tripsina e outras proteases. Página 155 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . podendo ainda ser uma contaminação pelos clostrídios que colonizam a pele. . choque.Microbiologia A toxina ι tem actividade necrótica e aumenta a permeabilidade vascular. o que poderá progredir para uma miosite supurativa. Os esporos são formados sob condições adversas e podem sobreviver durante longos períodos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . cólicas abdominais e diarreia aquosa com ausência de febre. tudo isto ocorre geralmente em apenas 2 dias. O gás libertado é consequência da intensa divisão celular e da actividade metabólica intensa. náuseas ou vómitos. perfringens do grupo A é normalmente encontrado no tracto intestinal e encontra-se amplamente distribuído pela natureza. É importante salientar que o tipo C é o agente da Enterite Necrosante em humanos. O C. com predomínio na água e solos contaminados com fezes. de B a E. A mionecrose por clostrídios é uma doença fatal. caracterizada por dor intensa e um período de incubação de cerca de uma semana. choque e peritonite. . mas ausência de células inflamatórias. não sobrevivem no solo. uma patologia grave com elevado risco. As toxinas libertadas pelo microrganismo causam hemólise e sangramento extensos. Esta toxina é produzida a quando da transição da forma vegetativa para esporos. insuficiência renal e morte. produtor da toxina β. As restantes estirpes. como é o caso de infecções dos tecidos moles. perfringens pode ser detectado por cultura ao fim de 1 dia ou menos. fasciite ou miosite supurativa e mionecrose ou Gangrena Gasosa. que se manifesta por dor abdominal. perfringens ou de outras espécies em hemocultura pode ser preocupante. Este microrganismo ao causar celulite pode originar gás no tecido mole. das quais se destacam: . Epidemiologia O C.Infecções dos Tecidos Moles. intoxicação alimentar e septicemia primária. é um processo necrosante agudo raro do jejuno. diarreia sanguinolenta. A enterotoxina é produzida principalmente pelo grupo A e é termo-lábil e susceptível à pronase. o tipo A é o mais comum em patologia humana. perfringens do tipo B. perfringens podem ser divididas em celulite.Intoxicação Alimentar. o isoladamente de C. A alcalinidade do intestino estimula a esporolação.Enterite Necrotizante. perfringens do tipo A. .Septicemia. O C. A refrigeração após a preparação ou o reaquecimento do alimento evita esta situação. é relativamente comum e caracteriza-se por um curto período de incubação. Diagnóstico Laboratorial O laboratório desempenha apenas um papel de confirmação nas infecções dos tecidos moles. e por consequente a libertação de enterotoxina. Os grandes factores de risco desta doença são a exposição ao microrganismo e a deficiência nutritiva. Assim sendo. sendo causadas por C. uma vez que a terapêutica deve ser imediatamente iniciada. O exame microscópio é marcado pela presença de bacilos gram-positivos de forma rectangular. A doença geralmente resulta da ingestão de carne contaminada com um grande número de C. colonizam o tracto intestinal de animais e ocasionalmente o de humanos. Síndromes Clínicas Existem diversas doenças associadas a estes microrganismos. é responsável por esta doença. Esta dor é seguida de necrose muscular.

Já foi utilizado o oxigénio hiperbárico para controlar este tipo de infecções. o mesmo aconteceu com o anti-soro contra a toxina α. Já foram desenvolvidos testes para a detecção de enterotoxina em amostras de fezes. Clostridium tetani Fisiologia e Estrutura O C.Microbiologia No caso da intoxicação alimentar o diagnóstico é confirmado pelo isolamento de 10 5 microrganismos por grama de alimento. Não é afectada a transmissão da acetilcolina. tetani são extremamente susceptíveis à Página 156 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . é libertada a quando da lise celular e é responsável pelas manifestações clínicas do tétano. Um outro antimicrobiano específico para bactérias anaeróbias é o Metronidazol. sendo esta ligação da toxina irreversível. quase inactivo. 52 . Contrariamente ao que vimos anteriormente o C. a recuperação depende da formação de novas terminações axonais. O Metronidazol é convertido na sua forma activa apenas pelo metabolismo anaeróbio e também é indicado para este tipo de infecções. Prevenção e Controlo As infecções por C. Esta toxina é transportada através das terminações nervosas periféricas para o Sistema Nervoso Central. a formação de esporos permite ao microrganismo sobreviver em situações mais adversas. e que com alguma facilidade é corado pelo método de Gram. As doenças menos graves podem ser tratadas com Penicilina. que é oxigénio-lábil e inibida pelo colesterol sérico. tetani é dificilmente cultivado. O C. ou mais de 106 por grama de fezes após 1 dia de doença. sendo encontrado em solo fértil e coloniza o tracto gastro-intestinal. No caso da intoxicação alimentar a antibioticoterapeutica não é aconselhada.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . a tetanolisina. e a tetanopasmina. permanecendo nas vesículas das terminações nervosas pré-sinpáticas bloqueando a libertação de neurotransmissores em sinapses inibitórias. A tetanopasmina é produzida durante a fase estacionária.Clostridium tetani (Forma em Baqueta de Tambor) Embora as formas vegetativas possam ser eliminadas rapidamente quando expostas ao oxigénio. originando paralisia espástica. tetani é um pequeno bacilo móvel que forma esporos. Tratamento. que é um neurotoxina termo-lábil codificada por plasmídeo. no entanto os resultados não foram conclusivos. As formas vegetativas do C. o que se deve á sua extrema sensibilidade ao oxigénio e a um metabolismo baixo. Este microrganismo forma esporos terminais arredondados que lhe conferem uma forma típica em baqueta de tambor. sendo as resistências raras. perfringens como a miosite supurativa e mionecrose devem ser tratadas com desbridamento e altas doses de Penicilina ou Cloranfenicol. Patogenia e Imunidade Fig. tetani produz duas toxinas. Epidemiologia Este microrganismo é ubíquo.

utilização de Metronidazol. O tratamento requer o desbridamento do ferimento primário. Pode ser um dos sinais sugestivos do tétano. tendo como um dos primeiros sinais o trismo35. 53 . Outros dos sinais precoces são a salivação. e por isso deve ser feita terapêutica sintomática até que normalize a transmissão sináptica. demonstrando-se altamente eficaz na prevenção do tétano. Prevenção e Controlo A taxa de mortalidade tem vindo a decrescer durante o século passado. estando directamente relacionada com a distância da infecção primária do sistema nervoso central. O Tétano Generalizado é a forma mais comum. mas para compensar esta fragilidade a formação de esporo é muito rápida. tal como a tetanospasmina. A cultura é positiva em apenas 30% dos doentes. A toxina quando ligada às terminações nervosas não é acessível para os anticorpos. sudorese. permitindo a sua sobrevivência em condições adversas. sendo nestes casos o prognóstico dos doentes muito reservado e sombrio. Diagnóstico Laboratorial Como na maior parte das doenças causadas por este género. os que sobrevivem apresentam regra geral anormalidades de desenvolvimento. imunização passiva com imunoglobulina anti-tetânica humana e vacinação com toxóide36 tetânico. Outra forma de doença é o Tétano Fig.representa uma contractura dolorosa da musculatura da mandíbula (masséteres). O Tétano Neo-Natal está geralmente associado a uma infecção do coto umbilical que se dissemina e torna generalizada. Em pacientes com doença mais grave o sistema nervoso autónomo é afectado e surgem como sintomas arritmias cardíacas. Trismo . A taxa de mortalidade nestes casos é de cerca de 90%. A vacinação deve ser feita com uma série única de 3 doses do toxóide tetânico seguida por doses de reforço a cada 10 anos. flutuação da pressão arterial. podendo ir de dias a semanas.um análogo da toxina sem funções tóxicas 35 Página 157 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o diagnóstico é feito com base nas manifestações clínicas. 36 Toxóide . Tratamento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Síndromes Clínicas O período de incubação é variável.Tétano (Trismo) Localizado onde os sintomas permanecem confinados à musculatura no local da infecção primária. no entanto a Penicilina inibe a actividade dos GABA. tetani. O Metronidazol e a Penicilina apresentam actividades equivalentes contra C. Existe ainda o Tétano Cefálico onde a cabeça é o primeiro local afectado.Microbiologia toxicidade do oxigénio. sudorese acentuada e desidratação. não sendo a toxina nem os anticorpos contra a toxina detectados. irritabilidade e espasmos dorsais persistentes ou opistótono. por isso não deve ser utilizada.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .A Doença não induz Imunidade.Ubíquos. .Metronidazol . Patogenia e Imunidade A toxina botulínica é semelhante em estrutura e função à toxina tetânica.Anaeróbios Estritos (Células Vegetativas Muito Sensíveis ao O2). . o que se deve à ligação irreversível da toxina às terminações nervosas.Tetanospasmina. associado ás toxinas A e B. . Epidemiologia O C. sendo a sua distribuição Mundial. .Bacilo Gram-Positivo. . . . Existe uma toxina que é produzida por todos os microrganismos.Vacinação: 3 doses com Toxóide Tetânico e doses de Reforço a cada 10 anos. .Tetano Cefálico. . .Tetano Neo-Natal.Risco: Pacientes com Imunidade Inadequada por Vacinação. .Tetano Generalizado . botulinum é o agente etiológico do Botulismo e consiste num grupo de bacilos anaeróbios fastidiosos e formadores de esporos. Apesar desta distribuição a doença por ele provoca é relativamente rara.Microscopia e Cultura com baixa Sensíbilidade.Tetano Localizado. . Esta toxina é específica dos nervos colinérgicos. . O C. impedindo as sinpases colinérgicas dos nervos periféricos ao impedir a libertação de acetilcolina. botulinum é frequentemente isolado em amostras de solo e água. .Baseado nas Manifestações Clínicas. Página 158 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Clostridium tetani Fisiologia e Estrutura . Foram identificadas três formas de botulismo: .Colonizam o Tracto Gastro-Intestinal de Humanos e Animais. E e F. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . . B. Estas últimas protegem a toxina de ser inactivada pelos ácidos gástricos. sendo uma toxina constituída por uma sub-unidade de neurotoxina e uma ou mais não tóxicas. Prevenção e Controlo Clostridium botulinum Fisiologia e Estrutura O C. com Esporos Terminais (Baqueta de Tambor). de A a G. Foram descritas sete toxinas botulínicas antigénicamente diferente.Botulismo Clássico ou Alimentar. botulinum também produz uma toxina que conduz a um aumento da permeabilidade vascular.Não detecção da Toxina nem dos Anticorpos. apenas difere no seu alvo neural.Globulina Anti-Toxina e Vacinação com o Toxóide Tetânico. .Desbridamento.Formação de Esporos. sendo as mais frequentemente associadas a doença humana as A. Tal como acontece no tétano a recuperação implica a formação de novas terminações nervosas.Tetanolisina.

boca seca.Suporte Ventilatório adequado. constipação e dor abdominal. ou pela presença de toxina no exsudado do ferimento ou no soro. têm a capacidade de digerir as proteínas do leite. de hidrolisar a gelatina e fermentar a glicose. . a cultura posterior em meio enriquecido e condições de anaerobiose permite a germinação dos esporos termo-resistentes. mas felizmente a taxa de mortalidade nestes casos é muito baixa. apresenta-se como fraqueza e tonturas ao fim de 1 a 2 dias do consumo dos alimentos contaminados. A toxina é mais facilmente detectável nos estádios inicias da doença.Botulismo de Ferimentos.Botulismo de Ferimento. Afecta regra geral crianças com menos de 1 ano e os sintomas são inespecíficos. esta forma de doença é muito rara. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é confirmado pelo isolamento do microrganismo e pela demonstração de actividade da toxina. No caso de intoxicação alimentar deve ser feita a cultura das fezes do paciente. nomeadamente ao nível respiratório. Como já foi referido a recuperação implica a formação de novas terminações nervosas. Uma das características é o manter do estado mental claro durante toda a doença. botulinum no ferimento. O botulismo de ferimentos é evidenciado pelo isolamento do C. e se possível do alimento ingerido. Prevenção e Controlo Os pacientes necessitam dos seguintes cuidados no tratamento: .Microbiologia . Os primeiros sinais são visão turva com pupilas dilatas e fixas. ocorre devido à presença da toxina em ferimentos. Para eliminar os microrganismos contaminantes pode-se aquecer a cultura até aos 80ºC por 10 minutos. é actualmente a forma mais comum. . A taxa de mortalidade diminui devido ao uso de melhores técnicas de suporte. Com o evoluir da doença surge a fraqueza muscular bilateral. produzida por microrganismos que a colonizam. Esta situação ocorre geralmente nas crianças. As estirpes que causam doença em humanos são produtoras de lipases.Botulismo Alimentar. mas sim da colonização por C. é a forma mais comum. botulinum e consequente produção da toxina in vivo. o que se deve a uma baixa resposta imunitária e à ausência de microrganismos competitivos ao nível do tracto gastro-intestinal.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o que vai eliminar todas as formas vegetativas. no entanto esta resulta não da toxina ingerida. o que é detectado por uma película iridescente nas colónias que crescem em gelose de gema de ovo. Síndromes Clínicas Como já vimos anteriormente existem diversas manifestações do botulimos. sendo a morte na maior parte dos casos associada á paragem dos músculos respiratórios. no entanto com o evoluir pode surgir a paralisia flácida e paragem respiratória. não ocorre febre. mas o período de incubação é maior e os sintomas mais ligeiros. Tratamento. . botulinum for isolado nas fezes ou a actividade da toxina for detectada nas fezes ou no soro. No entanto o microrganismo pode permanecer no tracto gastro-intestinal dos pacientes mesmo depois destes já não apresentarem a doença.Botulismo Infantil. Página 159 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e como tal pode demorar de meses a anos. Os sintomas são idênticos aos do botulismo alimentar.Botulismo Infantil. assim sendo pudemos considerar: . O diagnóstico em latentes é confirmado se o C.

Produz 1 de 7 Toxinas Botulínicas (A a G). .Lipase. . .Hidrolisam Gelatina. os doentes ficam sujeitos a infecções secundárias. . aquecimento do alimento por 20 minutos a 80ºC. O suporte ventilatório representa a medida mais eficaz na redução da mortalidade. . sendo que não se desenvolvem anticorpos protectores.Botulismo Alimentar. A prevenção da doença envolve a destruição dos esporos no alimento. .Eliminação do Microrganismo do tracto gastro-intestinal através do uso de lavagens gástricas e terapia com Metronidazol ou Penicilina. . . B. . .Botulismo Infantil é o mais comum. mantendo os alimentos em meio ácido e com temperaturas inferiores a 4ºC. . E e F.Botulismo de Ferimentos. .Utilização da anti-toxina botulínica trivalente contra as toxinas A. nas Fezes ou no Soro do Doente.Metronidazol ou Penicilina.Botulismo Infantil está associado ao Consumo de Alimentos. . . .Estirpes Patogénicas: . .Confirmado pelo Isolamento do Microrganismo.Suporte Respiratório. ou a destruição da toxina pré-formada.Toxina é Termo-Lábil. . podendo ser destruída por um aquecimento a 80ºC durante 20 minutos. Muitas vezes o botulismo infantil encontra-se associado ao consumo de mel. .Toxina Binária.Detecção da Toxina nos Alimentos. .Crescimento Fastidioso. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. por isso crianças com menos de 1 ano não devem consumi-lo. o que é praticamente impossível. altas concentrações de açúcar ou por temperatura inferiores a 4ºC. Prevenção e Controlo Página 160 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Digerem Protéinas dos Leite.Anaeróbios Estritos (Células Vegetativas Muito Sensíveis ao O2). . Clostridium botilinum Fisiologia e Estrutura . este último procedimento apenas deve ser efectuado nos casos em que a doença é causada pelo microrganismo e não pela toxina apenas. Crianças com menos de 1 ano não devem ingerir esse alimento.Toxina Botulínica.Microbiologia . .Ubíquos. .Formadores de Esporos. .Botulismo Infantil.Germinação dos Esporos é impedida em pH baixo.Fermentam Glicose. .Anti-Toxina Botulínica Trivalente. B e E para se ligar à toxina circulante no sangue.Bacilo Gram-Positivo. .Formação de Esporos. a prevenção da germinação dos esporos. . principalmente de Mel.Doenças Humanas: Toxinas A.

o que resulta na infiltração destes no íleon. hipersecreção de líquidos e desenvolvimento de necrose hemorrágica. o que se explica pela eliminação apenas das formas vegetativas pelos antibióticos. Este microrganismo produz duas toxinas. o que resulta na libertação de citocinas.Microbiologia Clostridium difficile O C. com consequente destruição do esqueleto celular. que podem variar desde uma diarreia auto-limitada até uma colite pseudomembranosa grave e possivelmente fatal. mas podem ocorrer recaídas após o término da terapêutica. a detecção da citotoxina ou da enterotoxina. No caso de doença grave pode ser utilizado o Metronidazol ou Vancomicina. uma vez que estes alteram a flora comensal entérica. uma enterotoxina (toxina A) e um citotoxina (toxina B). permitindo o crescimento excessivo de microrganismos relativamente resistentes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A toxina A é quimiotática para neutrófilos. A doença desenvolve-se em indivíduos que fazem o uso de antibióticos. Página 161 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . ou tornando o paciente mais susceptível á aquisição de C. difficile. O diagnóstico é confirmado pela presença de microrganismo na cultura de fezes em meios altamente selectivos. A toxina B provoca a despolarização da actina. difficile é o responsável pela produção da toxina que causa doenças gastrointestinais associadas a antibióticos. Na maior parte dos casos a interrupção do antibiótico é suficiente para aliviar a doença.

destacando-se a espécie B. O aumento da virulência destes microrganismo é atribuida a um aumento dos factores que promovem a adesão ás células do hospedeiro. as estirpes de B. Fisiologia e Estrutura As espécies de bacilos assacarolíticos pigmentados foram classificados como Porphyromonas.Protecção contra o Oxigénio Tóxico. os restantes anaeróbios sáo fastidiosos e as culturas devem ser incubadas por 3 ou mais dias. apenas um reduzido número causa doença. .Microbiologia Bacilos Gram-Negativos Anaeróbios Os bacilos dos géneros Bacteroides. O género Bacteroides apresenta uma parede celular com estrutura típica de gramnegativo. sendo que apenas os Bacteroides fragilis crescem rapidamente em cultura. Outro dos mecanismos é a produção dos ácidos gordos de cadeia curta produzidos durante o metabolismo anaeróbio. fragilis e Prevotella melaninogenia podem aderir à superfície peritoneal com mais eficácia que os outros anaeróbios. fragilis. de forma semelhante ao que acontece com os outros microrganismos com cápsula. como é exemplo o ácido succínico. Diversas espécies de Bacteroides e Porphyromonas gingivalis podem aderir às células epiteliais por meio de pillis e fímbrias. e os cocos do género Veillonella são os microrganismos gram-negativos anaeróbios mais importantes e que colonizam o tracto respiratório superior.Protecção contra a Fagocitose. enquanto os bacilos sacarolíticos sensíveis à bílis constituem o género Prevotella. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Porphyromonas e Prevotella. Sabe-se que mais de 80% das infecções intra-abdominais estão associadas a B. dos quais se destaca Bacteroides fragilis. os anaeróbios que são capazes de produzir doença podem geralmente tolerar a exposição ao oxigénio. constituída principalmente pelo LPS com baixa actividade como endotoxina. Apesar de serem muitos os géneros. o polissacárido é antifagocítico. Fusobacterium. que inibem a fagocitose e a morte intracelular. No género Bacteroides é constituído por microrganismos anaeróbios. No caso dos Veillonella constituem os principais anaeróbios na orofaringe. Fragilis. de serem ainda mais os microrganismos. Algumas espécies de Porphyromonas e Prevotella produzem proteases que degradam as imunoglobulinas. o exame pelo método de Gram pode sugerir uma população mista devido a esta característica. Alguns desses factores são os seguintes: . Patogenia e Imunogenicidade Como já foi dito apesar de um grande número de microrganismos anaeróbios. dos quais o mais importante é pleomórfico em tamanho e forma. As estirpes patogénicas possuem Página 162 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Adesinas. sendo revestida por uma cápsula polissacárida. as doenças em humanos são causadas por um grupo relativamente pequeno de espécies. o tracto gastro-intestinal e o tracto genito-urinário. A maioria dos microrganismos apresenta uma fraca coloração pelo método de Gram. apesar de este microrganismos constituir um membro pouco significativo da flora gastro-intestinal. Os cocos anaeróbios são raramente isolados em amostras clínicas. a protecção contra a respostas imunológica do hospedeiro e a destruição tecidual.

impedir a colonização por microrganismos exógenos e auxiliar na digestão dos alimentos. . elas podem ser introduzidas através de uma solução de descontinuidade.Abcessos Cerebrais. as infecções são geralmente polimicrobianas. Epidemiologia Os cocos e os bacilos gram-negativos anaeróbios colonizam o organismo humano em grandes quantidades.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . no entanto esta mistura de microrganismo é diferente consoante se trate de uma colonização das mucosas em indivíduos saudáveis. .Bacteriémia. Diagnóstico Laboratorial Microscopia O exame microscópio pode ser útil.Infecções Ginecológicas. . Caso estes microrganismos se moverem para locais normalmente estéreis são capazes de causar graves doenças. O B. B. As infecções por anaeróbios no tracto respiratório apenas são tidas em conta caso tenha existido uma história de aspiração de secreções orais. as infecções cerebrais por anaeróbios estão ferquentemente associadas a sinusites ou otites crónicas.Infecções do Tracto Respiratório. Síndromes Clínicas Visto que estes microrganismos colonizam quase todo o nosso organismo é possível identificar as infecções consoante o local do foco primário: . Fusobacterium e Bacteroides não-fragilis. . dos quais se destacam Prevotella.Infecções da Pele e Tecidos Moles. sendo os mais comuns Prevotella bivia. fragilis. O B. ou se trate de um tecido patológico. Página 163 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . apesar de um grande número de espécies colonizarem o tracto gastro-intestinal quase todas as infecções intra-abdominais são causadas por B.. As espécies mais comuns neste tipo são Prevotella.Infecções Intra-Abdominais. thetaiotaomicron. Porphyromonas. mas os microrganismos mais frequentemente isolados continuam a ser B. fragilis é o microrganismo mais frequentemente isolado. desempenham um papel importante na patogenia das infecções anaeróbias. O potencial de virulência e a capacidade de se multiplicarem a partir de um número relativamente pequeno constituem condicionantes importantes para a colonização do local de infecção. ou progredir rapidamente e dar origem a doenças como a mionecrose. A capacidade dos microrganismos de causarem destruição tecidual e inactivarem as imunoglobulinas. a redução da incidência desta situação podem estar associada ao uso de antibióticos de largo espectro.Destruição Tecidula. . respectivamente. Prevotella disiens.Microbiologia catalases e superóxido dismutases que inactivam o peróxido de hidrogénio e os radicais livres superóxido. existem diversas enzimas associadas aos anaeróbios. fragilis. Os microrganismos podem apenas colonizar o ferimento sem produzir doença. cerca de 50% das infecções crónicas dos seios e ouvidos são causadas por microrganismos anaeróbios. A infecção é confirmada pela evidência radiológica de extensão directa no cérebro. Fusobacterium spp. fragilis causa a formação de abcessos. bem como a resistência ao oxigénio. Estas infecções endógenas são caracterizadas por serem polimicrobianas. As suas funções nesses locais permitem estabilizar a flora microbiana residente. tendo sido detectadas tanto em estirpes patogénicas como em não-patogénicas. . apesar de regra geral as bactérias anaeróbias não fazerem parte da flora da pele. Porphyromonas e Fuseobacterium. apesar da coloração fraca pelo método de Gram a identificação de bacilos gram-negativos pleomórficos pode ser uma informação útil.

As amostras devem ser mantidas em meio húmido. A maioria dos Bacteroides cresce rapidamente e a sua presença é detectada ao fim de 2 dias. Clindamicina. Cefalosporinas. Cloranfenicol e ao Metronidazol. A identificação definitiva é realizada pela utilização de testes bioquímicos disponibilizados comercialmente. Cefotaxina. fragilis. No entanto a terapêutica específica para estes microrganismos não costuma ser necessária. A resistência dos Bacteroides à Clindamicina é mediada por plasmídeo tendo vindo a ser cada vez mais frequente. pela resistência à Canamicina. Prevenção e Controlo A antibioticoterapia combinada com a intervenção cirúrgica é o principal tratamento para infecções graves por anaeróbios. por muitas espécies de Prevotella e Porphyromonas e o por algumas espécies de Fusobacterium.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Imipenem ou β-lactâmicos combinados com inibidores da βlactamidases. Os cocos gram-negativos anaeróbios são geralmente susceptíveis à Penicilina.Microbiologia Cultura As amostras após a sua colheita devem ser transportadas num sistema livre de oxigénio e cultivadas o mais rápido possível num meio apropriado e em ambiente anaeróbio. uma vez que a desidratação causa a perda significativa de um grande número de microrganismo. Identificação Bioquímica A identificação do grupo B. Página 164 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A β-lactamidases é produzida por quase todos os membros do grupo B. No entanto no tratamento destas infecções podem-se utilizar elevadas concentrações de Penicilina. fragilis pode ser feita pela coloração de Gram e morfologia colonial. á Vancomicina e à Colistina e pela estimulação do crescimento em bílis a 20%. podendo ser utilizado como suplemento dos testes bioquímicos. No caso dos bacilos gram-negativos anaeróbios o antibiótico de eleição é o Metronidazol. Os restantes anaeróbios gram-negativos necessitam de ser incubados por um período mais longo. Tratamento. A cromatografia gasosa pode ser uma técnica útil para a detecção dos subprodutos metabólicos.

tracto gastrointestinal. ao Metronidazol. Os membros de deste grupo mais patogénicos são: . são microrganismos oportunistas. resistentes aos Aminoglicosídeos. Estas bactérias colonizam frequentemente a pele e as mucosas. ou seja.Microbiologia Cocos Gram-Positivos Anaeróbios Bacilos Não-Formadores de Esporos Os cocos gram-positivos anaeróbios e os bacilos não-formadores de esporos são um grande grupo de bactérias que colonizam a pele e as superfícies mucosas.A amostra colhida deve ser transportada num recipiente livre de oxigénio para impedir a perda dos microrganismos. Não Esporulados Estes microrganismos incluem um conjunto de bacilos gram-positivos não formadores de esporos que podem ser anaeróbios facultativos ou anaeróbios estritos. Quando estes microrganismos se disseminam para locais normalmente estéreis eles causam infecções. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .Mobiluncus. . Estes microrganismos causam doenças apenas em indivíduos imunodeprimidos.Lactobacillus. microrganismos dos géneros Bifidobcaterium e Eubacterium. à Clindamicina. Estes dois géneros raramente causam doença em humanos. Cocos Gram-Positivos Anaeróbios A maior parte dos cocos gram-positivos anaeróbios com relevância clínicas pertencem ao género Peptostreptococcus. É possível isolar em algumas amostras. Bacilos Gram-Positivos. estes normalmente colonizam a cavidade oral. entre 5 a 7 dias. A confirmação laboratorial das infecções por peptostreptococos é complicada pelos seguintes 3 factores: . Anaeróbios. tracto genito-urinário e a pele.Os microrganismos necessitam de ser cultivados em meios enriquecidos e por um período longo. É de salientar que a maior parte destes anaeróbios apresenta exigências nutricionais fastidiosas e crescem lentamente em meios laboratoriais.É necessário evitar a contaminação de amostras clínicas por peptostreptococos que existem na flora da mucosa. mas raramente. .Propionibacterium. à Eritromicina e às Tetraciclinas e são. ao Imipenem e ao Cloranfenicol. Página 165 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . Os membros deste género são geralmente susceptíveis à Penicilina. São susceptíveis em menor grau às Cefalosporinas de largo espectro. como todos os anaeróbios.Actinomyces.

caracterizada por lesões granulomatosas crónicas que se tornam supuradas e formam abcessos. A actinomicose abdominal pode disseminar-se Fig.Microbiologia Actinomyces Fisiologia e Estrutura Os microrganismos deste género são bacilos gram-positivos anaeróbios facultativos ou anaeróbios estritos. cirurgia ou infecção. não sendo alcoólácido-resistentes. Os sinais são edema tecidual com fibrose e cicatrização. e não por agentes anti-fúngicos.Actinomyces Os actinomyces colonizam o tracto respiratório superior. As infecções abdominais são consequência de uma cirurgia ou traumatismo. Síndromes Clínicas A maioria dos casos de actinomicose é do tipo cervico-facial. tendem a causar infecções crónicas e de desenvolvimento lento. denominadas grânulos de enxofre. o tracto gastro-intestinal e o tracto genital feminino. Estes microrganismos possuem uma baixa virulência e causam doença apenas de as barreiras mucosas normais se romperem em decorrência de traumatismo. sendo que as infecções cervico-faciais são consequências de um higiene oral precária ou em indivíduos submetidos a procedimentos odontológicos invasivos ou que sofrem traumatismo da cavidade oral. apresentando-se como formas filamentosas ou hifas quando em cultura. no entanto a forma mais comum é um processo indolente e de progressão lenta. Quando observadas ao microscópio as colónias assemelham-se a grãos de areia. Estes microrganismos são desprovidas de mitocôndrias e de membrana nuclear. Epidemiologia A actinomicose é uma infecção endógena sem qualquer evidência de disseminação pessoa-pessoa ou de a doença ter origem em alguma fonte externa. A infecção pélvica pode ser uma infecções secundária da abdominal ou primária no caso de mulheres com dispositivo intra-uterino. não estando normalmente presentes na pele. As infecções do sistema nervoso central representam geralmente uma disseminação hematogénea a partir de outro tecido infectado. Os pacientes com infecções torácicas apresentam regra geral história de aspiração e disseminação posterior para os tecidos adjacentes. 55 – Actinomicose Cervico-Facial Página 166 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . crescendo lentamente em cultura.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Patogenia e Imunidade Fig. A sua morfologia é semelhante à dos fungos. No caso de actinomicose torácica os sintomas são inespecíficos. 54 . A doença é classificada consoante a região envolvida. podendo ocorrer de forma aguda. no entanto reproduzem-se por divisão e são inibidas pela Penicilina. A doença causada por estas bactérias é a actinomicose. em virtude da sua coloração amarela ou laranja. e a existência de canais sinuosos de drenagem abertos ao longo do ângulo da mandíbula e pescoço.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os actinomyces são fastidiosos e crescem lentamente em condições anaeróbias. como consequência ocorrerem a ruptura do folículo. catalase-positivos e capazes de fermentar glícidos. necessitando de um período de cerca de 2 a 5 dias para que ocorra crescimento. imóveis. podendo ser necessárias 2 semanas ou mais para que se verifique crescimento. As duas espécies mais comuns são: Proprionibacterium acnes e Proprionibacterium propionicus. para contornar esta limitação deve ser colhida uma grande quantidade de tecido ou pus. Prevenção e Controlo O tratamento da actinomicose envolve a combinação de desbridamento cirúrgico dos tecidos envolvidos e administração prolongada de antibióticos. O Proprionibacterium propionicus causa canaliculite lacrimal e abcessos. O papel principal deste microrganismo na acne é estimular uma resposta inflamatória. Proprionibacterium São pequenos bacilos gram-positivos disposto frequentemente em cadeias ou agregados. pela produção de determinados péptidos atrai os leucócitos. Diagnóstico Laboratorial A confirmação da actinomicose é regra geral difícil. o que se deve ao facto de os microrganismos estarem concentrados em grânulos de enxofre e estarem dispersos pelos tecidos afectados. Página 167 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . conjuntiva. Estes microrganismos crescem na maior parte dos meios de cultura.Microbiologia por todo o abdómen e afectar todos os órgãos. mas pode ainda ocorrer meningite. estes fagocitam as bactérias que libertam diversas enzimas levando a uma resposta inflamatória aguda local. Uma das formas de prevenção é manter uma boa higiene oral e utilizar profilaxia antibiótica apropriada a quando de procedimentos invasivos ao nível da boca ou do tracto gastro-intestinal. ouvido externo e orofaringe. O Proprionibacterium acnes é o responsável por dois tipos de infecções. São anaeróbios ou aerotolerantes. empiema subdural e abcessos epidurais. o acne em adolescentes e adultos jovens e infecções oportunistas em pacientes com próteses ou com cateteres vasculares. A manifestação de actinomicose do sistema nervoso central é a formação de um abcesso cerebral único. contribuindo para uma diminuição do risco de infecção. bem como no tracto genital feminina. A maior parte das espécies é resistente ao Metronidazol e as Tetraciclinas têm actividade variável. Tratamento. São frequentemente encontrados na pele. No entanto o diagnóstico é conclusivo se o microrganismo que for isolado for do género Actinomyces. mas são geralmente contaminantes e não representam um risco real. Esta bactéria reside nos folículos. produzindo principalmente ácido propiónico. Estas bactérias são frequentemente isoladas em hemocultura. Os microrganismos do género Actinomyces são regra geral susceptíveis à Penicilina. à Eritromicina e à Clindamicina. A actinomicose pélvica pode ocorrer como uma forma relativamente benigna de vaginite ou pode promover a destruição tecidual e levar à formação de abcessos tubo-ováricos ou conduzir à obstrução uretral.

São microrganismos fastidiosos e de crescimento lento. ou seja.Bacteriémia Transitória. à eritromicina e à ampicilina. Lactobacillus São bacilos anaeróbios facultativos ou anaeróbios estritos. O tratamento da endocardite e da septicemia oportunista é complicado. Página 168 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . são classificados como gram-positivos pela presença de parede celular. intestinos e tracto genito-urinário. Apesar da sua aparência quando corados pelo método de Gram. estão sempre presentes como contaminantes em urinoculturas. devido à sua incapacidade de crescerem na urina. A acne é tratada pela aplicação tópica de peróxido de benzoil e antibióticos. A invasão da corrente sanguínea pode originar: . gram-negativos ou gram-variáveis.Septicemia Oportunista. Estes microrganismos raramente causam infecções no tracto urinário. só crescendo em meios suplementados com soro de coelho ou cavalo. A confirmação do seu papel etiológico só é possível pelo seu isolamento consecutivo em várias amostras de locais diferentes e sem a presença de outros microrganismos patogénicos. Mobiluncus Os membros deste género são bacilos encurvados. sendo encontrados na boca.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mas resistentes à Colistina. regra geral representam apenas a contaminação da cultura. visto que os lactobacilos são resistentes à Vancomicina e são inibidos e não mortos por outros antibióticos. estômago. . Para que se obtenha uma acção bactericida é necessária a combinação de Penicilina e um Aminoglicosídeo. Os lactobacilos constituem os microrganismos mais frequentes na uretra. com extremidades afiladas. no entanto devido ao seu baixo potencial de virulência. sendo muito abundantes em mulheres com vaginose bacteriana. anaeróbios. . Bifidobacterium e Eubacterium As espécies destes géneros são encontradas na orofaringe. uma vez que infecção se desenvolve no interior dos folículos.Microbiologia A acne não está relacionada com a eficiência da limpeza da pele. sendo a Eritromicina e a Clindamicina os mais eficazes. intestino grosso e na vagina.Endocardite. não possuírem LPS e serem susceptíveis à Vancomicina. colonizam o tracto genital em pequeno número. No seres humanos foram identificadas duas espécies Mobiluncus curtisii e Mobiluncus mulieris. Estas bactérias podem ser isoladas em amostras clínicas.

entre 12 a 24 horas.Mycobacterium avium. como os microrganismos relacionados. produzem pigmentos tanto na presença como na ausência de luz. As micobactérias são ainda uma causa significativa de mortalidade e morbilidade. Ao serem corados não podem ser descorados por uma solução ácida. tuberculosis.Fotocromogénicos. ou seja. produzem pigmentos apenas quando expostos á luz.Micobactérias de Crescimento Relativamente Rápido. . Apesar de ser um género com muitas espécies apenas um reduzido número causa doença em humanos: . Página 169 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As bactérias pigmentadas produzem carotenóides intensamente amarelos. o que torna a sua superfície hidrofóbica e resistente a numerosos desinfectantes e corantes laboratoriais.Mycobacterium abscessus. apresentam Fig. . G – Glícidos associadoas aos Ácidos Micólicos) classificou as micobactérias em quatro grupos com base na sua velocidade de crescimento e na capacidade de produzirem pigmentos na presença ou ausência de luz. um membrana citoplasmática revestida por uma camada de peptidoglicano.Mycobacterium fortuitum. A estrutura dessa parede é típica de um gram-positivo. principalmente nos países com menos acessos aos cuidados de saúde. uma coloração amarela.Mycobacterium leprae. . Tanto o M. B – Peptidoglicano. Fisiologia e Estrutura A classificação das bactérias neste género baseia-se na sua resistência aos ácidos.Escotocromogénicos. .Microbiologia Mycobacterium O género Mycobacterium é constituído por bacilos aeróbios.Mycobacterium chelonae. por isso denominam-se bacilos ácido-resistentes. C – Arabinogalactano.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Estrutra da Parede Celular das Micobactérias crescimento lento e as suas colónias (A – Membrana Citoplasmática. . sendo como já vimos a responsável por muitas das características deste género. na presença de ácido micólico e no alto teor de guanosina mais citosina no seu DNA.Micobactérias de Crescimento Lento e Não Pigmentadas. imóveis e não esporulados. E – Próteinas da Membrana e da Parede Celular. Runyon F – Ácidos Micólicos. O seu crescimento é lento. . A sua parede celular é rico em lípidos. . . 56 . podendo os microrganismos ser divididos em: . As micobactérias possuem uma complexa parede celular rica em lípidos. não são pigmentadas ou apresentam D – Lipoarabinomanano.Mycobacterium tuberculosis.

no entanto nos indivíduos imunocomprometidos afecta regra geral os pulmões. os bacilos são destruídos com lesão tecidual mínima. Estes organismos podem permanecer inactivos neste estádio. perda de peso. por outro lado 5 a 10% desenvolvem a doença posteriormente. Apesar desta elevada capacidade de destruição não existe nenhuma toxina ou enzima associada. O diagnóstico clínico é confirmado pela evidência radiológica de doença pulmonar. que frequentemente afecta o tracto respiratório inferior. por outro lado as célula T citotóxicas podem lisar as células fagocíticas que no seu interior possuem micobactérias em multiplicação. e desta forma permite às células já activas destruírem os microrganismos. A fagocitose é iniciada por macrófagos alveolares. Os sinais e sintomas clínicos da Tuberculose são o reflexo da infecção primária. No caso de os macrófagos terem sido activados estes podem ingerir e destruir as micobactérias. Os bacilos fagocitados inibem a acidificação do fagossoma.Microbiologia Mycobacterium tuberculosis Patogenia e Imunidade A Tuberculose é a doença micobacteriana humana clássica. Se a carga antigénica for pequena no momento em que os macrófagos são estimulados. apresentando-se como mal-estar. ou permanecerem na corrente sanguínea levando o microrganismo a outros tecidos. inibindo a fusão fagossoma-lisossoma. é ainda possível que surja expectoração com hemoptise e purulenta. A característica histológica deste foco infeccioso consiste em células gigantes multinucleadas de macrófagos fusionados. tose e sudorese. reactividade do teste cutâneo e detecção de micobactérias por exame microscópio ou cultura. ou seja. A doença tem um início indolente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Página 170 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . onde os bacilos se podem multiplicar livremente. Muitas vezes esses granulomas tornam-se encapsulados e dessa forma impedem que os macrófagos destruam os bacilos. O foco pulmonar inicial é a porção média ou inferior dos campos pulmonares. Estas evidências histológicas resultam da resposta imunológica do hospedeiro e não dos factores de virulência da bactéria. Estes macrófagos quando infectados podem disseminar-se em direcção aos gânglios linfáticos. ou células de Langhans. A infecção é adquirida através da inalação de aerossóis infecciosos. grupos de macrófagos activados em redor de um aglomerado de bacilos. A disseminação dos bacilos é impedida pela formação de granulomas. Cerca de 5% dos indivíduos expostos a M. o que lhes permite replicarem-se livremente. caso a carga antigénica for muito elevada é provável que ocorra necrose tecidual. mas macrófagos e linfócitos circulantes podem ser atraídos para o foco infeccioso por restos celulares e factores quimiotáticos. tuberculosis desenvolvem a doença no espaço de 2 anos. Epidemiologia A Tuberculose pode afectar qualquer órgão. ou podem ser reactivados mais tarde quando o hospedeiro adquirir um estado de imunodepressão. que se propagam através das vias aéreas terminais. A imunidade do paciente é activada e na maior parte dos casos a infecção por micobactéria cessa ao fim de 3 a 6 semanas.

Epidemiologia Existem mais de 6 milhões de casos de lepra no Mundo. A doença é disseminada através do contacto pessoa-pessoa. pensa-se que em grande parte dos doentes com SIDA ocorra por ingestão dos bacilos. Síndromes Clínicas Como já foi referido anteriormente a lepra pode manifestar-se como doença Tubercolóide ou Lepromatosa. verificando-se a presença de inúmeros granulomas e linfócitos nos tecidos infectados. Página 171 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Mycobacterium leprae A lepra é causada pelo Mycobacterium leprae e tal como acontece com o M. Na Lepra Lepromatosa existe uma intensa resposta humoral e um defeito específico na resposta celular ao antigénio do microrganismo. A lepra pode manifestar-se na forma de lepra tubercolóide ou lepra lepromatosa. mais concretamente na Ásia e África. a doença apenas era observada em doentes com função pulmonar comprometida e era clinicamente idêntica à tuberculose. mas pensa-se que seja através de aerossóis infecciosos ou de secreções respiratórias e exsudados de ferimentos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Complexo Mycobacterium avium O complexo Mycobacterium avium é composto por microrganismos isolados do ambiente comum. Nesta forma existe um grande número de bacilos nos macrófagos da derme e nas células de Schawn dos nervos periféricos. e assim sendo esta forma é mais infecciosa. presente na água e no solo. Este facto é confirmado pela presença de números M. avium é disseminada e leva a um comprometimento de grande parte dos órgãos. no entanto a via de transmissão é desconhecia. Apesar de ser possível a transmissão por via respiratória. tuberculosis as manifestações da doença dependem do estado imunológico do indivíduo. No caso dos doentes com SIDA a infecção pelo complexo M. Antes da epidemia da SIDA o isolamento destes microrganismos em amostras clínicas representava apenas uma colonização transitória e assintomática. leprae nas secreções nasais de doentes com lepra lepromatosa. mas um número relativamente baixo de bacilos. Não foi demonstrada transmissão pessoa-pessoa. No caso da Lepra Tubercolóide existe uma forte respostas da imunidade celular e uma fraca respostas da imunidade humoral. No caso da Lepra Lepromatosa é característico a presença de lesões cutâneas desfigurantes. O microrganismo não consegue crescer em culturas livres de células. por isso a confirmação laboratorial exige evidências histopatológicas compatíveis com a doença clínica e a reactividade ao teste cutâneo a lepromina ou a detecção de bacilos ácido-resistentes nas lesões. As manifestações clínicas apenas são visíveis a partir do momento em que a massa de bacilos interfere com o bom funcionamento do órgão em questão.

. A única evidência de infecções por micobactérias consiste na reacção positiva do teste cutâneo e evidências radiográficas de calcificações dos focos activos iniciais nos pulmões ou em outros órgãos. Algumas destas micobactérias desenvolvem uma doença idêntica à Tuberculose: .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . outras doenças e transplantes de órgãos. A exposição a outras micobactérias pode levar a um falso-positivo. Por últimas as que têm um temperatura óptima mais baixa e que por isso originam infecções cutâneas: . estando mais associadas a infecções dos tecidos subcutâneos.Mycobacterium bovis. o que se deve ao aumento das intervenções em pacientes cuja vida é prolongada e se encontram em estados de imunossupressão. Outras causam infecções localizadas nos gânglios linfáticos: .Mycobacterium baemophilum. sendo inoculado intradérmicamente no doente e a reactividade medida ao fim de 48 horas.Mycobacterium ulcerans. tuberculosis ocorre transmissão pessoa-pessoa. sendo os mais frequentemente isolados: .Microbiologia Outras Micobactérias de Crescimento Lento O espectro de doenças produzido por estas micobactérias tem vindo a ser alargado devido á sua inter-relação com a SIDA.Mycobacterium fortuitum. podendo ocasionalmente infectar animais. É raro estes microrganismos serem responsáveis por infecções disseminadas. Actualmente o antigénio tuberculínico recomendado para estes testes é o PPD da parede celular.Mycobacterium chelonae. Este teste é positivo ao fim de 3 a 4 semanas após a exposição a M. .Mycolbacetrium abscessus. Apenas no caso do M.Mycobacterium scrofulaceum. Infelizmente as infecções têm vindo a aumentar. tal como no caso de Página 172 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . em todas estas situações os doentes encontram-se imunossuprimidos e tornam-se altamente susceptíveis a microrganismos com baixa virulência. Grande parte destas micobactérias foi isolada no solo e na água. . As espécies de crescimento rápido possuem um baixo potencial de virulência. Micobactérias de Crescimento Rápido Existem 5 membros deste grupo que são reconhecidos como importantes agentes de infecções oportunistas em humanos. tuberculosis. bovis e de outras relacionadas com o M.Mycobacterium kansaii. coram de forma irregular e são susceptíveis aos antimicrobianos convencionais para micobactérias. . Diagnóstico Laboratorial Teste Cutâneo A reactividade de uma injecção intradérmica de antigénios micobacterianos pode estabelecer a diferença entre pessoas infectadas e não infectadas.Mycobacterium marinum. após introdução das bactérias por traumatismo ou acções iatrogénicas.

preparada a partir de M. Isso pode ser feito corando a amostra com carbofucsina. pelo método de Zeilh-Neelsen ou de Kinyoun. A reactividade à lepromina. tuberculosis. o tempo constitui uma grande limitação. são abundantes nas secreções pulmonares. Este método é regra geral específico para M. O crescimento destas bactérias em cultura é difícil devido ao seu lento crescimento e pelo possível crescimento rápido de outras bactérias contaminantes que irão inibir o crescimento das micobactérias. o que reduziu o tempo de cultura de 3 a 4 semanas para 10 a 14 dias. Identificação Preliminar As propriedades de crescimento e a morfologia colonial podem ser utilizadas na identificação preliminar das espécies mais comuns de micobactérias. A sensibilidade deste teste é alta para amostras respiratórias de doentes com evidências radiológicas e amostras com numerosas micobactérias isoladas em cultura. Identificação Definitiva Os testes bioquímicos são o método padrão para identificar as micobactérias. Actualmente surgiram meios especiais que permitem um crescimento mais rápido da maioria das micobactérias. no entanto. Tradicionalmente a cultura em feita em meio à base de ovo. tuberculosis. No caso da Lepra Lepromatosa este teste não utilizado porque estes pacientes são anérgicos ao antigénio. Sabe-se que uma reacção ácido-resistente positiva corresponde a uma infecciosidade elevada. mas são pouco sensíveis. Cultura As micobactérias que causam doença pulmonar. O isolamento do microrganismo é quase garantido a quando da recolha matinal das amostras respiratória pela manhã durante 3 dias consecutivos. mais uma vez. mas por enquanto as sondas moleculares constituem o método mais específico para identificar definitiva o microrganismos e a sua espécie. leprae inactivados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Microscopia A detecção de bacilos ácido-resistentes em amostra clínica constitui a forma mais rápida de confirmação de doença micobacteriana. Página 173 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que se revela importante para medidas de controlo no caso de M. e as pessoas em contacto próximo iniciarem um tratamento profilático. meio de Middlebrook. que elimina a maior parte das bactérias de crescimento rápido. sendo a especificidade do teste maior do que 95%. Caso a doença seja disseminada para outros locais tornase mais complicado proceder ao isolamento do microrganismo. e de gelose. não nos é possível através dela saber qual a espécie em causa. principalmente na presença de evidências radiológicas. mas os períodos de incubação eram muito longos. Sondas de Ácido Nucleico Apesar de a microscopia nos poder informar quanto à presença de doença micobacteriana. Para evitar esta situação trata-se a cultura com álcali.Microbiologia pacientes infectados anérgicos podem não apresentar resposta a este teste. ou com corantes de auramina e rodamina. é valiosa na confirmação do diagnóstico de Lepra Tubercolóide. estando os resultados disponíveis após 3 semanas. o que é particularmente relevante em doentes infectados pelo HIV. no entanto é tolerado pelas micobactérias. pode ainda servir para orientar o tratamento empírico. Assim apenas no caso de ser este microrganismo é que as pessoas devem ser isoladas. Com o intuito de saber qual a espécie foram desenvolvidas técnicas para detectar sequências específicas de ácidos nucleicos micobacterianos presentes em amostras clínicas. meio de LowensteinJensen. Outro dos métodos é a analise cromatográfica dos lípidos característicos da parede celular.

Cefoxitina e às Sulfonamidas. A duração do tratamento é influenciada pela resposta à terapêutica. e por isso devem ser tratadas com Claritromicina ou Azitromicina combinadas com Etambutol ou Rifabutina. No caso das infecções estarem associadas à pele ou a próteses pode ser necessário o desbridamento cirúrgico ou a remoção das próteses. Para contornar estes problemas o tratamento é geralmente feito por longos períodos e de forma ininterrupta. . A forma Lepramatosa é mais infecciosa e deve ser tratada com Dapsona. Recomenda-se que forma tubercolóide da lepra seja tratada apenas com Dapsona ou numa associação de Dapsona e Rifampicina.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo a terapêutica ser posteriormente ajustada. o esquema terapêutico inicia-se com Isoniazida. Pirazinamida e Etambutol ou Estreptomicina durante 2 meses até que se saiba o perfil de sensibilidade da estirpe em causa. Rifampicina. Apesar de todos os cuidados em 1990 registaram-se os primeiros casos em pacientes com SIDA de M. avium a resistência a muitos dos antimicrobianos é igualmente comum. bovis atenuado é utilizada em muitos países onde a tuberculose é endémica ou tem uma elevada prevalência. para evitar que surjam novas resistências. Imunoprofilaxia A vacinação com M. num mínimo de 6 a 9 meses. Imipenem. Caso tenham sido expostos a uma forma multi-resistente devem receber profilaxia com Pirazinamida associada ao Etambutol ou à Levofloxacina durante 6 a 12 meses. Actualmente devido a algumas das estirpes já serem resistentes a alguns dos antibacilares utilizados.Isoniazida diariamente ou 2 vezes por semana durante 9 meses.Rifampicina e Pirazinamida durante 2 meses. tuberculosis multiresistentes37. Quimioprofilaxia Os esquemas recomendados são: . Outro dos problemas associados a esta vacina é a possibilidade de dar origem a um teste cutâneo positivo.Rifampicina diariamente durante 4 meses. Multi-Resistência – caracteriza-se pela resistência a pelo menos um antibiótico de cada classe de antibióticos disponíveis para o tratamento dessa doença. Amicacina. 37 Página 174 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que pode persistir por um longo período de tempo. A vacina BCG pode levar a uma redução significativa na incidência de tuberculose em pacientes jovens. Clofazimina e Rifampicina. Prevenção e Controlo Tratamento O tratamento e a profilaxia das infecções causadas por micobactérias são complexos e difíceis de gerir pelo facto de muitas das micobactérias de crescimento lento serem resistentes à maioria dos antibióticos utilizados com mais frequência. no entanto são susceptíveis à Claritromicina. As micobactérias de crescimento rápido são também resistentes a alguns antibióticos. .Microbiologia Tratamento. mas não pode ser utilizada em paciente imunocomprometidos. No caso do complexo M.

. intervenção profilática e terapêutica e monotorização cuidadosa dos casos. . . Antibióticos Comuns e Corantes Tradicionais. .Infecção Primária é Pulmonar.Esquema com: Isoniazida. cerca de 1/3 da População Mundial Infectada. . .Microbiologia Controlo Visto que cerca de 1/3 da população Mundial está infectada por M. . .Fracamente Gram-Positivos e Fortemente Ácido-Resistentes.A Doença Resulta em Grande Parte da Respostas do Hospedeiro.Sondas Moleculares são relativamente pouco sensíveis. intervenção profilática e terapêutica e monotorização cuidadosa dos casos.Rifampina e Pirazinamida durante 2 meses. . Mycobacterium tuberculosis Fisiologia e Estrutura . Pirazinamida e Etambutol ou Estreptomicina (9 meses). e por isso é resistente a Desinfectantes.Controlada pela associação de vigilância activa.Profilaxia: . Prevenção e Controlo Página 175 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Imunoprofilaxia coom BCG. . Toxicodependentes ou Alcoólicos. Virulência Epidemiologia Doenças Diagnóstico Tratamento. . Mas esta pode ser controlada pela associação de vigilância activa. Rifampicina. .Rifampina diariamente durante 4 meses.Destribuição Mundial.Capaz de Cresce Intracelularmente nos Macrófagos Alveolares Não-Activados. .Microscopia e Cultura são métodos sensíveis e específicos.Isoniazida diariamente ou 2 vezes por semana durante 9 meses. tuberculosis a eliminação da doença é altamente improvável.Disseminação Pessoa-Pessoa (Aerossóis). Elevado Risco nos Doentes Imunodeprimidos.Disseminação para outras partes do corpo ocorre em doentes imunodeprimidos ou não tratados.Bacilos Aeróbios.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . população de rua ou Indivíduos Expostos à Doença. .Parede Celular Rico em Lípidos. . .

Microbiologia Virologia Página 176 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

Período de Incubação. a esta fase dá-se o nome de fase de convalescença.Início da Infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . os sintomas podem persistir.Estrutura dos Vírus vs. A gravidade da doença é determinada por factores virais e por factores do hospedeiro. Apesar de muitas vezes a resposta imunológica ser fundamental para a resolução da infecção. Infecção do Tecido-Alvo O vírus pode penetrar no organismo através de soluções de continuidade da pele ou através das membranas muco-epiteliais que revestem os orifícios do corpo. do muco. do ácido gástrico e da bílis. Mas sabe-se que a pele constitui uma excelente barreira. o que se pode tornar útil para o desenvolver de vacinas. A ausência destes factores. 57 . esta é em Fig. Etapas Básicas na Doença Viral No organismo a doença viral progride através de etapas definidas. e os orifícios são protegidos por secreções. quando o organismo repara o dano. como é o caso das lágrimas. .Microbiologia Mecanismos da Patogenia Viral Os vírus causam doenças após quebrarem as barreiras protectoras normais do corpo. ou a sua perda. Uma determinada doença pode ser causada por vários vírus que possuem um tropismo tecidual comum. Na fase terminal.Aquisição. o acesso e a ligação do vírus ao tecido alvo. mas por outro lado um mesmo vírus pode causar diversas doenças ou a infecção ser assintomática. Página 177 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O período de incubação pode ser assintomático ou pode manifestar-se de forma inespecífica – prodómicos. conduzem a uma atenuação dos vírus. E. que são as seguintes: . Muitos vírus codificam actividades que promovem a eficiência da replicação e transmissão virais. escaparem ao controlo imunológico e destruiem as células de um tecido importante ou desenvolverem uma resposta inflamatória e imunológica destrutiva. Os sintomas surgem como resultado da destruição tecidual e dos efeitos sistémicos. que são causados tanto por acção directa do vírus como pela resposta do sistema imunitário. mas existem ainda as imunoglobulinas e os epitélios ciliados. como é o caso da estirpe viral. do tamanho do inoculo e o estado geral de saúde da pessoa infectada. ou a evasão às defesas do hospedeiro e resolução imunológica – factores de virulência. coli grande parte dos casos o centro da patogenia viral.

tornam a célula um alvo para o sistema imunitário e consequente destruição por parte deste. Infecções Líticas Quando este tipo de infecções se desenvolvem a replicação viral termina com a morte celular. A replicação dos vírus nos macrófagos.Infecção sem Morte Celular ou Infecção Persistente. podem disseminar-se para outros tecidos. Alguns vírus impedem o crescimento e reparo celular.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . inibindo a síntese de macromoléculas celulares ou produzindo enzimas degradativas e proteínas tóxicas. levando a uma quebra da barreira hemotaencefálica. infectando o sistema nervoso central. não se replicam e por isso desaparecem. que não são mais do que células fundidas. Alguns vírus expressam glicoproteínas que conduzem à formação de sincícios.Imortalizantes. mas sem síntese viral. via corrente sanguínea ou via fagócitos mononucleares e sistema linfático. As infecções persistentes podem ser: . não líticas e produtivas. Existem células que não permitem a replicação de determinadas estirpes virais – células não-permissivas -.Crónicas. O transporte do vírus no sangue é denominado virémia. ou as alterações no citoesqueleto e mudanças de conformação. Este processo permite que o vírus se dissemine de uma célula para outra sem que esteja exposto aos anticorpos. podem alterar a estrutura e a função da célula ou lisar os lisossomas e consequente autólise. pelo contrário uma célula que fornece a maquinaria biossintética para a realização do ciclo replicativo completo denomina-se permissiva.Morte Celular ou Infecção Lítica.Latentes. no interior da célula. Há ainda as células semi-permissivas que podem ser muito eficazes ou apenas permitir a replicação de determinadas estirpes. . Patogenia Viral Citopatogenia Existem três resultados possíveis da infecção viral de uma célula: . os vírus replicam-se nas células que expressam os seus receptores e que possuem a maquinaria biossintética apropriada. dando origem células gigantescas e multinucleadas. ou podem ainda disseminar-se através dos neurónios. Os mutantes virais que causam infecções absortivas. .Recorrentes. bem como a formação de novos vírus. A expressão de antigéneos virais na superfície celular. Os vírus podem replicar-se e permanecer no sítio primário. Página 178 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . causando a sua ruptura. Os vírus no sangue podem infectar o revestimento celular endotelial. podendo estar livre ou associado a linfócitos e macrófagos. Muitos dos vírus entéricos ligam-se a receptores das células M que os transportam para as placas Pleyer do tecido linfoide subjacente.Microbiologia Ao atravessarem essas barreiras. . . síntese de macromoléculas virais. A replicação dos vírus e o acumular de componentes.Infecção Mal-Sucedida ou Infecçao Absortiva. no endotélio ou no fígado pode amplificar a infecção e iniciar uma virémia secundária. .

o que pode facilitar a libertação dos vírus e ao mesmo tempo limitar a quantidade de partículas virais formadas. Os principais mecanismos de defesa antiviral baseiam-se na produção de interferão e na resposta das células T Citotóxicas. Apesar de esta transcrição viral permanecer inactiva. podendo ser a promoção de genes que estimulam o crescimento. Por outro lado uma infecção latente ou imortalizante pode ser consequência da infecção por um vírus de DNA. Estas abertura naturais apresentam defesas que juntamente com a pele constituem as barreiras naturais da corpo. o vírus SV40 e os adenovírus que codificam proteínas que se ligam a proteínas reguladoras do crescimento celular e as inactivam. sejam orifícios naturais ou devido a traumatismos. causando transformação ou imortalização da célula. o que muitas vezes está relacionado com um processo de libertação viral não agressivo. A perda do p53 conduz a uma maior susceptibilidade a mutações. mas na maior parte dos casos não é suficiente para causar oncogénese e formação de tumores. por fim cria-se uma memória imunológica. A transformação viral constitui a primeira etapa. como é o caso do p53 ou o produto génico do retinoblastoma. que restringe ou bloqueia a transcrição de todos os genes virais. O caso do papilomavírus. como é o caso da exocitose ou da gemulação a partir da membrana celular. É comum surgirem no interior do núcleo ou do citoplasma novas estruturas coráveis. Página 179 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Virus Oncogénicos Alguns vírus de DNA e Retrovírus estabelecem infecções persistentes que podem também estimular o crescimento celular descontrolado. Sabe-se que por esta última razão muitos dos vírus codificam proteínas que inibem a apoptose. Existem diversos mecanismos virais de oncogénese. No caso do vírus Epstein-Barr. mas as aberturas na pele. denominadas corpúsculos de inclusão.Microbiologia A infecção viral ou a resposta imunológica podem levar à morte programada ou apoptose da célula infectada. o que pode levar a um maior descontrolo sobre o ciclo celular por parte da célula. favorecem a entrada de patogéneos no organismo. o que acontece com o HSV. Defesas do Hospedeiro Contra a Infecção Viral A pele é a principal barreira contra a infecção. ela pode ser reactivada por factores como o stress. Infecções Não-Líticas Quando a célula não é destruída surgem infecções persistentes. estas tentam limitar e controlar a replicação e disseminação viral. É importante referir que as células imortalizadas podem ser mais susceptíveis a co-factores e promotores tumorais que aumentam a formação do tumor. Após atravessar as barreiras o vírus activa as defesas imunológicas naturais inespecíficas. O que realmente acontece é que as células imortalizadas com o decorrer do tempo tornam-se mais propensas a mutações ou a rearranjos cromossomais que conduzem ao desenvolver de celular tumorais. removendo os mecanismos de restrição ou impedindo a apoptose. o que impede a morte celular programada. A resposta imunológica específica é a última a ser activada e pode ser dividida numa resposta inicial local a cargo da células Th1 e uma resposta posterior mediada pelos anticorpos da responsabilidade das Th2. Estas estruturas podem tornar-se úteis no diagnóstico de infecções virias e resultam regra geral de alterações nas membranas ou na estrutura do cromossoma. este imortaliza as células B ao estimular o crescimento celular e ao induzir a expressão do oncogene bcl-2 da célula. A maior parte destes vírus tem o seu genoma integrado no da célula hospedeira.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

. Doença Viral A relativa susceptibilidade de uma pessoa e a gravidade da doença dependem de: . A memória das células B e T pode não impedir uma nova infecção. A natureza e gravidade das manifestações estão relacionadas com a função do tecidoalvo infectado e a extensão da respostas imunopatológica desencadeada.Genética do Vírus e do Hospedeiro. As respostas iniciais aos vírus. mas este não alcança o tecido alvo nem induz dano suficiente para causar doença. o que se verifica de forma mais intensa nas infecções por vírus com invólucro. por outro lado a imunidade celular é útil nas infecções não-citolíticas e nas que são causadas por vírus com invólucro. Na maior parte dos casos as crianças apresentam uma resposta imunológica celular menos activa do que os adultos. levando a problemas renais. ocorre replicação do vírus.Natureza da Exposição.Microbiologia A resolução da infecção viral caracteriza-se pela ausência de vírus ou de células infectadas no organismo. que muitas vezes precedem os sintomas característicos da doença. Imunopatologia As reacções de hipersensibilidade e as reacções inflamatórias iniciadas pela imunidade anti-viral podem constituir a principal causa de manifestações patológicas e dos sintamos associados a doença viral. uma infecção que foi controlada antes que o vírus atingisse o seu tecido alvo. como a produção de interferão. Uma vez infectado o hospedeiro. o que permite uma acção das respostas secundárias mais rápida e eficaz. Durante o pródromo surgem sintomas inespecíficos. . o que com muita facilidade acontece no rim. o seu estado imunológico passa a constituir o principal factor que irá determinar se a infecção viral irá produzir uma doença potencialmente fatal. o que na maior parte dos caso acontece após a acção do interferão e do antigénio local. O período inicial antes dos sintomas serem detectados é denominado período de incubação. se o tecido alvo for sacrificável. citocinas e a activação do componente C3 do complemento. podem levar a uma inflamação local e a respostas sistémicas. Idade e Saúde Geral da Pessoa.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . quando comparados com os no adulto. mas impede muitas vezes a progressão da doença e a disseminação do vírus. uma lesão benigna ou será assintomática. No entanto estas infecções assintomáticas constituem a principal fonte de contágio.Dose Viral. A acumulação destes complexos imunológicos pode desencadear respostas inflamatórias e destruição tecidual. o que se caracteriza por sintomas mais ligeiros na infecções virais. Página 180 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . se a lesão for rapidamente reparada ou se a extensão da lesão for abaixo do limiar funcional do tecido afectado. As infecções inaparentes resultam de uma infecção que não provoca lesão tecidual. Grande quantidades de antigénio no sangue a quando de uma virémia podem levar a reacções de hipersensibilidade clássicas do tipo III por complexo imunológico.Estado Imunológico. como na virémia. É difícil controlar esta resposta inflamatória e os danos teciduais por ela desencadeados. A imunidade humoral é especialmente eficaz em vírus extra-celulares.

certas profissões. e apresentam um elevado risco de adquirir vírus através de sangue ou de líquido vesicular contaminados. determinados estilos de vida e viagens. A presença ou ausência de invólucro constitui o principal determinante estrutural do modo de transmissão viral. A capacidade e a velocidade com que a sistema imunológico controla e elimina a infecção viral vão determinar se a doença que se seguirá será aguda ou crónica. necessitando do seu invólucro intacto para que sejam infecciosos. Muitos dos vírus são ubíquos. com excepção do HBV e os Coronavírus. das condições de vida em aglomerados. transplante de órgãos e pelas vias respiratórias e via fecal-oral. As doenças partilhadas pelo homem e os animais denominam-se zoonoses. Epidemiologia A epidemiologia é o estudo da disseminação da doença na população. A via de transmissão depende da fonte do vírus e da capacidade do vírus de resistir às condições desfavoráveis e às barreiras do ambiente e do organismo durante o seu trajecto até ao tecidoalvo. Por outro lado os vírus com invólucro são mais frágeis. Página 181 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a desidratação no meio-ambiente e a violência dos esgotos. muco. bem como a sua gravidade. pH e temperaturas extremas. como é o caso das infecções assintomáticas. Exposição Alguns estilos de vidas e comportamentos aumentam a probabilidade de o indivíduo entrar em contacto com determinados vírus. Os profissionais da área de saúde são frequentemente expostos aos vírus respiratórios e a outros. saliva ou sémen. A infecção de uma população é semelhante à infecção de uma pessoa. detergentes. sangue. injecção com líquidos ou sangue contaminados. A sua transmissão fecal-oral é geralmente inibida pelos ácidos gástricos e pela bílis. mantendo e amplificando o vírus no ambiente. durante os quais se acumula suficiente quantidade de vírus ou ocorre destruição tecidual antes da rápida progressão dos sintomas. ou funcionarem como reservatórios. e por isso devem permanecer em ambiente húmidos e são disseminados por expectoração. o que pode ser comprovado pela presença de anticorpos contras um grande número de vírus nas crianças ou no início da idade adulta. por injecção ou transplante de órgãos. podendo ser adquiridos de objectos contaminados.Microbiologia As infecções podem causar doença aguda ou crónica. Estes vírus são regra geral transmitidos por via respiratória ou fecal-oral.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os vírus lentos apresentam longos períodos de incubação. A higiene precária e as condições de vida em aglomeração promovem a exposição aos vírus respiratórios e entéricos. disseminando a doença entre os animais e ao homem. sendo que os vírus sem invólucro ou vírus nus podem suportar a desidratação. Mais concretamente o vírus nus são capazes de tolerar o ambiente ácido do estômago e a bílis nos intestinos. Transmissão dos Vírus Os vírus são transmitidos por contacto directo. Os vírus podem ter vectores. Existem ainda outros factores que podem promover a transmissão do vírus. uma vez que o vírus se deve disseminar na população e ser controlado pela imunização dessa população. o que não acontece com os vírus com invólucro.

Surtos. Os vírus respiratórios são mais comuns nos meses frios. apresentam um risco aumentado de desenvolver formas mais graves de uma infecção primária e são propensas a sofrer recaídas de infecção por vírus latentes. na capacidade de recuperação e. As epidemias ocorrem numa área geográfica maior e geralmente resultam da introdução de uma nova estirpe de um vírus numa população imunologicamente virgem. por meios naturais ou por vacinação. podendo determinar a gravidade dos sintomas. As diferenças sazonais na ocorrência de uma doença viral correspondem a comportamentos que promovem a distribuição do vírus. nas características teciduais. o que geralmente é originado numa fonte comum. Outros Factores do Hospedeiro A desnutrição pode comprometer o sistema imunológico do indivíduo e diminuir a sua capacidade de regenerar os tecidos.Microbiologia Manutenção de um Vírus na População A persistência de um vírus na comunidade depende da existência de um número crítico de pessoas susceptíveis e imunologicamente virgens. geralmente Página 182 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . de promover o reparo do dano tecidual e de se recuperar.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No entanto as crianças não desenvolvem respostas imunológicas tão intensas como os adultos. Estas diferenças podem resultar das diferenças no tamanho do corpo. Os lactentes e as crianças adquirem um grande número de doenças virais respiratórias e exantematosas na primeira exposição. são por isso altamente susceptíveis a novas estirpes do vírus influenza A e B. Os indivíduos idosos são especialmente susceptíveis a novas infecções virais e à reactivação de vírus lactentes. Epidemias e Pandemias Os surtos de uma infecção viral resultam na maior parte dos casos da introdução de um novo vírus na população. Idade Lactentes. A constituição genética do indivíduo também é importante na resposta do sistema imunológico a uma infecção viral. As doenças e terapias imunossupressoras podem permitir que a replicação ou recorrência viral permaneçam sem controlo. ou pela existência de uma população susceptível e imunologicamente virgem. Considerações Geográficas e Sazonais A distribuição geográfica de um vírus é geralmente determinada pela presença de cofactores ou dos vectores necessários. constitui o melhor meio de reduzir o número dessas pessoas susceptíveis. que ao ser eliminada leva a uma interrupção do surto. uma vez que são imunologicamente virgens. A eficiência da transmissão do vírus determina o tamanho da população susceptível necessária para a permanência do vírus na população. cancro ou pós-transplante. adultos e pessoas idosas são susceptíveis a diferentes vírus e apresentam diferentes respostas sintomáticas. do estado imunológico dos indivíduos consoante os grupos etários. Estados Imunológicos A competência da resposta imunológica do indivíduo e a sua história imunológica determinam a rapidez e a eficiência de resolução de uma infecção. principalmente. o que se deve às condições de aglomerações e às condições de humidade e temperatura que facilitam a disseminação e estabilização do vírus no exterior do organismo. crianças. nomeadamente os doentes com SIDA. A imunização. As pandemias são epidemias de distribuição Mundial. Isto deve-se a uma baixa capacidade de iniciar uma nova resposta imunológica. As pessoas imunossuprimidas. chegando mesmo algumas infecções a ser mais benignas nas crianças.

Em tempos a quarentena constituía a única forma de controlo. O controlo dos vectores tem-se mostrado eficaz no caso do arbovírus. especialmente no caso de doentes de alto risco. Esta imunização protege o indivíduo e reduz a população susceptível imunologicamente virgem necessária para promover a disseminação e permanência do vírus. Mas a melhor forma de limitar a disseminação é a imunização da população. Página 183 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As epidemias de Influenza A ocorrem aproximadamente a cada 10 anos com resultado da introdução de novas estirpes virais. alterações do estilo de vida. quer seja através da infecção natural. eliminação de vectores e imunização da população. O saneamento adequado e a desinfecção dos suprimentos de água constituem a forma de eliminar os vírus entéricos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Controlo da Disseminação Viral A disseminação de um vírus pode ser controlada pela quarentena. Actualmente é utilizada nos hospitais para evitar a disseminação hospitalar. As alterações nos estilos de vida permitem controlar a disseminação de um vírus sexualmente transmitido.Microbiologia como consequência de um novo vírus. higiene adequada. quer da vacinação. sendo mais eficaz no caso de vírus que causam doenças sintomáticas.

Ritonavir e o Indinavir. Assim sendo. principalmente nos indivíduos imunocomprometidos. Alvos dos Agentes Anti-Virais É possível dividir os fármacos consoante o alvo que atingem e o seu modo de acção: .Microbiologia Agentes Anti-Virais O desenvolvimento da terapia anti-viral ocorreu de maneira significativamente mais lenta do que com os antibióticos. . alteram o reconhecimento e o emparelhamento das bases. é uma enzima essencial para a organização do virião e para a produção de viriões infecciosos. e ainda a Azidotimidina (AZT). sendo utilizado no controlo da infecção do HSV e do Vírus Varicela-Zoster. que muitas vezes é mediada por proteínas específicas. O método de acção dos oligonucleotídeos baseia-se na complementaridade com algumas sequências do mRNA viral. Página 184 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Proteases do HIV. os fármacos anti-virais são geralmente específicos para uma determinada família de vírus. É possível limitar esta etapa através de anticorpos neutralizantes ou por antagonistas dos receptores. desta forma ligam-se ao mRNA viral e impedem o seu processamento. A Amantadina e a Rimantadina são agentes que impedem esta descida do pH nas vesículas impedindo o desnudamento do virião.Processamento e Tradução do mRNA viral. semelhantes aos usados no cancro. A Tromantadina impede a penetração inibe a penetração especifica do HSV. mas actualmente os fármacos são específicos contra enzimas codificadas pelos vírus ou contra estruturas virais que são importantes para a sua replicação. Como exemplo temos a Guanidina. Contrariamente ao que acontece com os antibióticos. Temos o exemplo do Aciclovir (ACV). interferem na primeira etapa da replicação viral. Em parte isto deve-se ao facto de os vírus serem parasitas intracelulares obrigatórios que utilizam a maquinaria biossintética e enzimas da célula hospedeira para a sua replicação. o que muitas vezes é mediado pelo baixar do pH nas vesículas de endocitose. . entre outros. existem por isso inibidores da sua acção. Os primeiros fármacos anti-virais eram venenos selectivos. nomeadamente o Saquinavir. estes fármacos não são uma boa opção de terapêutica. O Pleconaril impede o desnudamento dos picornavírus ao ligar-se à fenda do sítio de ligação do capsídio do vírus. A inibição da síntese do RNA e a indução da hipermutação são actividades atribuídas à Ribavirina. estas etapas são necessárias para a libertação do genoma no citoplasma da célula. e virais no caso do ACV. utilizada no caso dos retrovírus. sendo que neste grupo grande parte dos agentes são análogos dos nucleótidos. A Isatina-βTiosemicarbazona induz a degradação do mRNA em células infectadas por poxvírus e foi utilizada em tempos no tratamento da varíola. o que se deve ás necessidades de tratamentos mais prolongados. seria difícil torná-lo específico apenas para o RNA viral sem afectar o mRNA celular. O tratamento com Interferão desencadeia uma séria de acções que bloqueiam a replicação viral.DNA Polimerases. e muitos outros análogos que são fosforilados pelas enzimas celulares. dirigidos contra células com extensa síntese de DNA e RNA. deste modo é mais difícil inibir a replicação dos vírus sem lesar o normal funcionamento das células.Penetração e Desnudamento. embora seja um processo fácil de inibir. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . são etapas que podem ser inibidas pelo interferão. que bloqueia a síntese do RNA dos picornavírus através da ligação à proteína 2C. por oligonucleotídeos de sentido contrário. não sendo mais do que nucleótidos que foram alterados na base ou no seu açúcar.Síntese de RNA.Fixação. . este alvo inclui a transcriptase reversa. Estes fármacos impedem o alongamento. ou em ambos. . Tal como seria de esperar já existem resistências a este fármacos.

Estes fármacos têm a capacidade de impedir a replicação dos vírus influenza A e B.Neuraminidase do Vírus Influenza. tornou-se alvo de algumas drogas anti-virais.Microbiologia . como é o caso do Zanavir e o Oseltamivir. Página 185 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

O crescimento celular induzido pelo vírus conduz a um espessamento da camada basal e espinhosa. L1 e L2. E1 a E8. que codificam 7 ou 8 genes precoces.000 pb. dependendo da célula hospedeira. 58 . O vírus têm acesso à camada basal do epitélio através de rupturas na pele. manifestando-se como papilomas genitais.Microbiologia Papovírus A família Papoviridae inclui os Papilomavírus e os Poliomavírus. Os Papilomavírus Humanos (HPV) causam verrugas. e dois genes tardios e estruturais. As etapas de replicação do HPV acompanham a diferenciação do epitélio cutâneo e dependem em grande parte da transcrição da célula do hospedeiro. o que facilita a replicação viral lítica numa célula permissiva. mas no caso de uma célula não permissiva pode transformar oncogénicamente a célula. orais ou conjuntivais. A quando da infecção produzem proteínas que promovem o crescimento celular. com genoma de DNA circular de dupla cadeia. que no conjunto Cápsula) formam 72 capsómeros. induzindo a proliferação do epitélio. latentes e transformadoras. Á medida que a célula basal se diferencia. os genes precoces estimulam o crescimento celular e facilitam a replicação do genoma viral utilizando a DNA polimerase celular. originam verrugas. e nas membranas mucosas. O Vírus Símio 40 ou SV40 é o protótipo dos poliomavírus. com cápsula icosaédrica. Os papovírus são vírus pequenos. factores nucleares específicos expressos nas diferentes camadas e tipos de pele e mucosa promovem a transcrição dos genes virais. A expressão dos genes virais está correlacionada com a expressão de queratinas específicas. os vírus podem ainda ser classificados em HPV cutâneo e HPV de mucosa. crónicas. Os papovírus são capazes de causar infecções líticas. A verruga é resultado da estimulação do Página 186 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . são membros do género poliomavírus. rompendo a queratina. Os genes tardios que codificam as proteínas estruturais são expressos apenas na camada mais superior totalmente diferenciada. Relativamente ao seu tropismo. Patogenia Os papilomavírus infectam e replicam-se no epitélio estratificado da pele. tendo sido classificados em 16 grupos. Os vírus BK e JC. e regra geral causam doença assintomática. A sua cápsula icosaédrica é constituída Fig. Papilomavírus Humano Estrutura e Replicação A classificação dos HPV é baseada na homologia da sua sequência de DNA. e existem ainda diversos genótipos associados ao cancro humano. e o vírus é eliminado juntamente com as células mortas da camada mais superior.Papilomavírus Humano (Estrutura da por duas proteínas estruturais. de A a P. sem invólucro. O genoma do HPV é circular e possui cerca de 8.

Tronco Comum II . sendo os mais comuns e benignos ao nível da laringe. No caso da papilomatose laríngea. ligando-se e inactivando proteínas supressoras do crescimento celular. esta pode ser fatal em crianças ao obstruir as vias aéreas. nomeadamente as células coilocitóticas.são células epiteliais alteradas pelo HPV que apresentam espaços perinucleares claros e núcleos muito corados. existindo uma maior probabilidade de se formar um cancro. que regride com o passar do tempo. sendo o período de incubação de 3 a 4 meses. . no caso do HPV 16 e 18. Epidemiologia O HPV resiste à inactivação e pode ser transmitido através de fomites. permanecendo a infecção localizada e regredindo espontaneamente. espinhosa e granulosa. Diferenciação a célula torna-se mais susceptível à Epitelial mutação e aos co-factores. . Na ausência de restrição ao crescimento celular Fig. foram identificadas como oncogenes.Evolução da Infecção por HPV vs. a infecção do tracto genital por HPV é actualmente reconhecida como uma doença sexualmente transmitida de ocorrência comum. como consequência da integração no genoma da célula. Esta situação leva a uma expressão aumentada de E6 e E7.Faculdade de Medicina de Lisboa crescimento celular e espessamento das camadas basal. sendo mais comum as seguintes: .Tumores Benignos da Cabeça e do Pescoço. consiste numa proliferação benigna. o que resulta muitas vezes da inactivação dos genes E1 e E2. os papilomas orais solitários constituem os tumores epiteliais mais benignos da cavidade oral.Microbiologia Os HPV-16 e HPV-18 causam papilomas cervicais e displasia. As alterações citológicas da infecção viral. são detectadas em cerca Coilócitos . podendo estender-se pela traqueia e brônquios. A infecção por HPV é adquirida por contacto directo através de rupturas na pele e mucosas. 38 Página 187 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . nomeadamente a p53 e produto génico do retinoblastoma ou p105RB. da pele. a quando da passagem no canal de parto ou como resultado da mastigação de verrugas. Os papilomas laríngeos estão geralmente associados ao HPV-16 e 11. Cerca de 90% são causadas por HPV-6 e 11 e raramente se tornam malignas em pessoas saudáveis. Estas duas proteínas. Síndromes Clínicas Como já foi referido anteriormente as infecções por HPV manifestam-se ao nível da pele e mucosas. durante a relação sexual. 59 . Os coilócitos38 são característicos da infecção por HPV.Displasia e Neoplasia Cervicais.Verrugas. Alguns tipos de HPV são doenças sexualmente transmissíveis entre pessoas sexualmente activas. sendo que as infecções assintomáticas são umas das principais fontes de transmissão.Verrugas Ano-genitais. A infecção inicial ocorre na infância ou no início da adolescência. auto-limitada. . as verrugas genitais surgem exclusivamente na genitália externa e nas áreas peri-anais.

Actualmente o melhor meio de impedir a transmissão de verrugas é evitar o contacto directo com tecidos infectados. Moderada e Grave (Quando atinge este nível pode ser denominado de carcinoma "in situ". mas o vírus SV40 foi extensivamente estudado como causador de tumores. dor. Poliomavírus Os poliomavírus. tardia e não-codificadoras. A região precoce codifica as proteínas T não estruturais de transformação. vírus BK e JC. podendo variar em três níveis: Leve. Ao penetrar na célula o DNA viral é desnudado e libertado para o núcleo. As infecções do tracto genital pelo HPV-16 e 18 são as que mais frequentemente estão associadas a neoplasia e cancro cervical intra-epitelial.Microbiologia de 5% dos esfregaços cervicais corados pelo Papanicolau. As verrugas podem ser removidas por provocarem desconforto. Tratamento.é um termo generalista utilizado para designar a ocorrência de anomalias relacionadas ao desenvolvimento de um órgão ou tecido. electrocauterização ou meios químicos. A replicação viral necessita do equipamento de transcrição e replicação do DNA fornecido pela célula em crescimento. VP2 e VP3. bem como as proteínas que promovem o crescimento celular. intimamente relacionadas ao código genético. enquanto a região tardia codifica três proteínas da cápsula viral VP1. que é uma forma precoce de tumor). Os genomas dos BK. Displasia . É difícil a sua cultura. ou por razões cosméticas e para impedir a disseminação para outras partes do corpo. Os antigénios T ligam-se ao DNA e controlam a transcrição do genes precoces e tardios. As primeiras alterações podem ser detectadas ao microscópio óptico denominando-se displasia39. bem como a replicação do genoma viral.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . JC e SV40 estão muito relacionados e são divididos em regiões precoces. Sua alteração pode acontecer na forma. sendo por isso menos complexos que os papilomavírus. Diagnóstico Laboratorial A verruga pode ser confirmada macroscopicamente tomando por base a aparência histológica característica. 41 Hiperceratose – caracteriza-se por um produção excessiva de queratina. Prevenção e Controlo As verrugas regridem espontaneamente.é usado quando se quer mencionar o aumento do número de células num orgão ou num tecido. mas este processo pode demorar meses a anos. 39 Página 188 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Existem ainda sondas de DNA e testes baseados em PCR que são os métodos de eleição para o diagnóstico feito através de amostras cervicais colhidas com zaragatoa ou amostras de tecido. tamanho ou organização de um determinado tecido ou epitélio. Devem ser tomadas precauções adequadas para evitar a transmissão sexual do HPV. Os genes precoces codificam os antigéneos T grandes e T pequenos. Estrutura e Replicação Os poliomavírus são mais pequenos e têm um genoma com menos pares de bases. são ubíquos. que consiste em hiperplasia40 das células espinhosas e hiperceratose41. 40 Hiperplasia . mas geralmente não causam doença. A sua remoção é feita utilizando crioterapia cirúrgica.

A replicação do DNA precede a transcrição do mRNA tardio e a síntese de proteínas. A replicação é bloqueada nos indivíduos imunocompetentes. sendo a maneira mais comum de transmissão a via respiratória. promovendo o crescimento celular e levando a uma potencial transformação oncogénica da célula. p53 e p105RB. Página 189 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . no entanto não se verifica nenhum efeito sobre o feto. Algumas células não permissivas permitem apenas a expressão dos genes precoces. Nos pacientes imunocomprometidos. sendo frequente a excreção do vírus na urina de pacientes imunocomprometidos. caracterizada por um processo desmielizante subaguda. da visão. da coordenação. As infecções latentes podem ser reactivadas em indivíduos cujo sistema imunológico esteja suprimido. A leucoencefalopatia multifocal progressiva (PML) é uma síndrome rara. Os vírus JC cruzam a barreira hematoencefálica ao replicar-se nas células endoteliais dos capilares. seguindo-se a paralisia dos braços e das pernas e finalmente a morte. tal como acontece com um plasmídeo bacteriano. Diagnóstico Laboratorial A PML é diagnosticada através do exame histológico do tecido cerebral obtido por biópsia ou autópsia. como no caso da SIDA. a PCR ou a análise de sondas de DNA podem ser utilizadas para detectar o vírus no tecido cerebral. O vírus organiza-se no núcleo e é libertado através da lise celular.Microbiologia O antigénio T vai inactivar as principais proteínas supressoras do crescimento celular. ocorrendo em doentes imunocomprometidos. incluindo o antigénio T.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Síndromes Clínicas A infecção primária é quase sempre assintomática. não existem evidências de estarem associados a qualquer tipo de tumor humano. Pode surgir comprometimento da fala. Patogenia O vírus JC e BK são vírus humanos que provavelmente penetram no hospedeiro via tracto respiratório e infectam de seguida os linfócitos e os rins. A microscopia electrónica. A replicação do poliomavírus é altamente dependente dos factores da célula hospedeira. Os vírus são reactivados durante a gravidez. BK e JC poderem causar tumores em hamsters. resultando na morte celular. com um efeito citopatológico mínimo. causada pelo vírus JC. Epidemiologia As infecções por poliomavírus são ubíquas e a maioria das pessoas é infectada tanto pelo vírus JC como pelo BK por volta dos 15 anos. ou uma combinação dessas funções. As células permissivas permitem a transcrição do mRNA viral tardio e a replicação do vírus. O DNA circular viral é mantido replicado bidirecionalmente. Apesar de os vírus SV40. do raciocínio. a reactivação dos vírus nos rins resulta numa eliminação viral na urina e infecção potencialmente grave do tracto urinário ou virémia e infecção do sistema nervoso central.

mostrando células aumentadas com densas inclusões intranucleares basófilas semelhantes às induzidas pelo citomegalovírus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Tratamento. urina ou material de biópsia para sequências genéticas particulares. Prevenção e Controlo Não existe tratamento específico para a infecção por poliomavírus. análise com sondas de DNA e análise do PCR do líquido cefalorraquidiano. A ocorrência ubíqua do poliomavírus e a falta de conhecimento a respeito do seu modo de transmissão impedem que a infecção primária seja evitada. Página 190 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Actualmente os métodos mais rápidos incluem imunofluorescência in situ. imunoperoxidase. a não ser a redução da imunossupressão que permite a reactivação do vírus e o aparecer os sintomas.Microbiologia Os testes citológicos em amostras de urinas podem revelar a presença de infecção pelos vírus JC e BK.

sendo que grande parte destes genes está contido num único transcrito que é depois processado em mRNAs individuais. mas são produzidos por intermédio de splicing. Existem ainda outras proteínas que suprimem a resposta inflamatória e imunológica do hospedeiro. Da mesma forma que com os papovírus. sabe-se que o seu genoma codifica cerca de 11 polipéptidos. tanto a base como a fibra.Adenovírus (Estrutura) constituída por 12 pentos. cistite hemorrágica e gastroenterite. As proteínas da cápsula são produzidas no citoplasma e só depois transportadas para o núcleo para a montagem do vírus. São produzidos primeiramente pró-cápsulas vazias onde por um dos vértices abertos vão ser introduzidos o DNA viral e as proteínas do cerne. dos quais 9 apresentam função estrutural. Os genes tardios apenas são transcritos após a replicação do DNA. O transcrito do gene E1 vai processar o transcrito primário e originar proteínas transactivadoras necessárias para que ocorra a transcrição das outras proteínas iniciais. tendo sido classificados em seis subgrupos. No cerne do virião encontra-se o DNA e pelo menos duas proteínas principais. sendo ambas. Estrutura e Replicação Os Adenovírus são vírus de DNA de cadeia dupla com uma proteína terminal ligada de forma covalente à extremidade 5’. Com o início da replicação são formados os primeiros produtos génicos que podem estimular o crescimento celular e promover a replicação do DNA viral. A transcrição ocorre em ambas as cadeias de DNA e sentidos. Os adenovírus estão actualmente na frente de muitos projectos de reposição genética. 60 . respectivamente. conjuntivite. os mRNA dos adenovírus compartilham o mesmo promotor e sequências iniciais. mas em momentos diferentes do ciclo de replicação.Microbiologia Adenovírus Existem cerca de 47 serótipos associados a doença humana. no caso de células permissivas esta acção promove e facilita a transcrição e replicação viral. As proteínas iniciais promovem o crescimento celular e incluem um DNA polimerase envolvida na replicação do genoma. tóxicas para a célula. Tal como já foi visto. No caso das proteínas E1A e E1B que se ligam à p53 e ao p105RB. Fig. como é exemplo o caso da fibrose cística. A fibra contem as proteínas de ligação viral e pode actuar como hemaglutinina. de A a F. no entanto encontram-se todos agrupados num mesmo género. mas no caso de células não permissivas pode estimular a oncogénese.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . vão estimular o crescimento celular. Os distúrbios mais comuns causados pelo adenovírus são as infecções do tracto respiratório. que se localizam em cada um dos vértices e contêm um base e uma fibra. As proteínas tardias apenas são transcritas após a replicação do genoma viral e são quase na sua totalidade componentes estruturais. Página 191 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Não possuem invólucro e a sua cápsula tem uma forma icosadeltaédrica.

o que juntamente com um grande número de infecções assintomáticas. pelos dedos. Os adenovírus codificam diversas proteínas precoces que permitem ao vírus evitar as defesas imunológicas. Estes vírus podem ser intermitentemente eliminados e durante longos períodos de tempo a partir da faringe e fezes. Estes vírus mostram uma elevada tendência para se tornarem latentes no tecido linfoide. podendo ainda levar ao arredondamento da célula e à lesão tecidual. facilita em muito a disseminação deste vírus. impedindo a apresentação do antigénio às células T citotóxicas. a secreções do tracto gastrointestinal e até mesmo ao tratamento com baixas concentrações de cloro. Pode gerar-se uma virémia após a replicação do vírus no local de infecção primária e este disseminar-se para outros órgãos. A característica histológica da infecção por adenovírus é uma densa inclusão intracelular central no interior de uma célula epitelial. 5 e 6.Microbiologia O DNA. Página 192 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Apesar de já ter sido descrito o seu papel como potenciador da oncogénese em roedores. como é o caso de pequenos fragmentos de RNA que se associam e bloqueiam as enzimas do estado anti-viral induzido pelo interferão. permanecendo os viriões na célula até que esta degenere e sofra lise. Os anticorpos desempenham um importante papel na resolução destas infecções e protegem o indivíduo de reinfecção pelo mesmo sorotipo. latentes e transformadoras.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Patogenia e Imunidade Os adenovírus são capazes de causar infecções líticas. A sua transmissão é exclusiva homem-homem. os adenóides e placas de Peyer. não existindo um reservatório animal. Os adenovírus 1 a 7 são os serótipos mais prevalentes. A actividade citotóxica da proteína da base do penton pode inibir o transporte celular do mRNA e a síntese proteica. como as amígdalas. mas no caso de doença respiratória em crianças prevalecem os tipos 1. a imunidade celular permite evitar o crescimento excessivo do vírus. a proteína e inúmeras partículas defeituosas acumulam-se em corpúsculos de inclusão nucleares. Uma proteína inicial liga-se à cadeia pesada do MHC I e impede que este alcance a membrana celular. bem como os órgãos respiratórios e entéricos. Os serótipos 4 e 7 são comuns nos recrutas militares devido à sua estreita proximidade e rigoroso estilo de vida. Existem ainda outras proteínas que bloqueiam a indução da inflamação pelo TNF. a detergentes. principalmente por contacto respiratório ou fecal-oral. sendo mais provável em doente imunocomprometidos. 2. o mesmo ainda não foi verificado em humanos. Epidemiologia Os viriões dos adenovírus são resistentes à desidratação. o que não é mais do que um conjunto de proteínas e DNA viral. Na maior parte das vezes infectam células epiteliais que revestem a orofaringe. Devido a estas características é fácil a sua disseminação pela via fecal-oral. podendo ser eliminados pela criança infectada por meses após a infecção. por fomites e em piscinas inadequadamente cloradas. no entanto não é visível um aumento celular. Estas características são muito idênticas ao que se verifica nas infecções por citomegalovírus.

apresentam um elevado risco de contraírem infecções por adenovírus. o adenovírus é uma importante causa de gastroenterite aguda viral.Microbiologia Síndromes Clínicas Os adenovírus infectam principalmente crianças. tosse. Os imunoensaios com anticorpos fluorescentes e ensaios de imunoadsorventes ligados a enzima. os adenovírus podem causar conjuntivite folicular em que a mucosa da conjuntiva palpebral se torna granulosa ou nodular. é uma síndrome que consiste em febre. A febre faringoconjuntival é mais comum em crianças com mais idade. caracterizada por uma evolução prolongada e não é mais do que uma pneumonia viral. . como é o caso de reactivação. os adenovírus causam frequentemente faringite acompanhada de conjuntivite.Conjuntivite e Ceratoconjuntivite Epidémica. como é o caso dos com SIDA. Ocorre mais frequentemente em recrutas militares infectados com adenovírus dos serótipos 4 e 7. no caso da faringite o achado de vírus a partir de uma amostra colhida na faringe e excluídas outras causas possíveis é regra geral um diagnóstico confirmado. Podem chegar a causar uma doença semelhante à tosse convulsa em crianças e adultos. faringite e adenite cervical. sendo este reactivado em crianças ou em adultos imunocomprometidos. mas estas são raras e devem ser Electrónica) cuidadosamente diferenciadas das criadas pelos citomegalovírus. os doentes imunocomprometidos. Página 193 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . cerca de 15% dos casos. são semelhantes a uma constipação.Outras Doenças do Tracto Respiratório. podendo ter uma origem externa ou interna.Infecções Sistémicas e Pacientes Imunocomprometidos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Diagnóstico Laboratorial O isolamento da maioria dos tipos de adenovírus é mais bem efectuado em cultura com células derivadas das células epiteliais. com excepção dos estudos epidemiológicos. 61 .Gastroenterite e Diarreia. . As doenças mais comuns causadas por adenovírus nestes pacientes incluem pneumonia e hepatite. Inúmeras síndromes clínicas estão associadas a infecção por adenovírus: .Adenovírus (Microscopia durante o exame histológico. pois a irritação do olho por um corpo estranho constitui um factor de risco para aquisição desta infecção.Faringite Febril Aguda e Febre Faringo-conjuntival. Num intervalo de 2 a 10 dias é possível observarem-se os corpúsculos de inclusão característicos nas células em cultura. O vírus deve ser obtido de um local ou secreção relevantes para os sintomas. a PCR e as sondas de DNA podem ser utilizados para detectar o grupo e tipo do vírus. . O teste sorológico é raramente utilizado.Doença Aguda do Tracto Respiratório. Estes adenovírus não se replicam nas mesmos células que outros adenovírus e raramente causam febre ou sintomas respiratórios. A ceratoconjuntivite pode constituir um risco ocupacional para as pessoas que trabalham na indústria. As inclusões intranucleares características podem ser observadas Fig. à laringite e à bronquiolite. mas não tanto como as causadas por herpesvírus. . A faringite isolada ocorre em crianças com menos de 3 anos e é semelhante a uma infecção por estreptococos. .

Prevenção e Controlo Não existe tratamento para a infecção por adenovírus. doença de reserva lisossomal e até mesmo o cancro. Terapia de Substituição Génica Os adenovírus foram utilizados para o transporte de genes para a correcção de diversas doenças humanas. Página 194 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . incluindo imunodeficiências. Este vírus vector deve crescer numa célula que não expressa a função viral (E1 e E4) e pode complementar a deficiência para permitir a produção do vírus. O gene apropriado é inserido no genoma viral e controlado por um promotor especifico.Microbiologia Tratamento. O vírus é inactivado por delecção ou mutação do gene viral E1 e outros genes. Os adenovírus 4 e 7 foram utilizados mais extensivamente desde o desenvolver de estirpes atenuadas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . fibrose cística. São utilizadas vacinas orais para prevenir as infecções pelos adenovírus 4 e 7 nos recrutas militares. mas não pela população civil.

Herpesvírus no Núcleo da Célula a capacidade de regular a expressão genica. onde irá ser transcrito e replicado. latentes/recorrentes e.Proteínas Precoces (β). são factores de transcrição e enzimas. As infecções por herpesvírus são comuns. . persistentes. Os vírus herpes Humano (M. . .Herpes Simples 1 e 2 (HSV-1 e 2). detergentes e à desidratação.Herpesvírus Humano 7 (HHV-7).Herpesvírus Humano 6 (HHV-6). esta por sua vez é envolta por um invólucro glicoproteico. A imunidade mediada por células é importante tanto no Fig. 63 .Vírus Epstein-Barr (EBV). com invólucro.Herpesvírus controlo da infecção como nos sintomas que surgem. Estrutura dos Herpesvírus Os herpesvírus são vírus grandes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .E.Herpesvírus Humano 8 (HHV-8). Página 195 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os herpesvírus humanos incluem: .Microbiologia Herpesvírus Humanos Os herpesvírus humanos são classificados em três subfamílias com base em diferenças nas características virais. incluindo a DNA polimerase. existe nalguns vírus um tropismo restrito como resultado da expressão dos seus receptores em tecidos específicos. . Hospedeira . Existem sequências repetidas directas ou invertidas que enquadram regiões únicas do genoma e permitem a circularização e recombinação no interior do genoma.Vírus Varicela-Zoster (VZV). são sensíveis aos ácidos. Replicação do Herpesvírus A replicação é iniciada pela interacção das glicoproteínas virais com os receptores da superfície celular.Proteínas Precoces Imediatas (α).) podem causar infecções líticas. Após a ligação aos receptores o nucleocapsídio é libertado no citoplasma através da fusão do invólucro com a membrana plasmática. possuindo Fig. sendo a distribuição dos vírus ubíqua. que consistem em proteínas de ligação ao DNA. O cerne de DNA é circundado por uma cápsula icosaédrica contendo 162 capsómeros. A transcrição do genoma viral e a síntese de proteínas virais ocorrem de maneira coordenada em três fases: . infecções imortalizantes. O nucleocapsídio fixa-se à membrana nuclear e liberta o genoma no núcleo. O espaço entre o invólucro e a cápsula – tegumento – contem proteínas e enzimas virais que ajudam a iniciar a replicação. Como vírus com invólucro que são. . solventes.Citomegalovírus (CMV). . no caso do EBV. 62 . com um genoma de DNA de dupla cadeia.

O HSV codifica pelo menos 11 glicoproteínas que servem como proteínas de fixação viral. Replicação O HSV pode infectar a maioria dos tipos celulares humanos. O genoma codifica a DNA polimerase e enzimas de depuração do material inútil como a desoxirribonuclease.Microbiologia . A principal via de Timidina Quinase – é uma enzima que fosforila os desoxirribonucleotídios para fornecer substratos para a replicação do genoma viral. tropismo tecidual e sintomas da doença. são transcritas apenas após a replicação do genoma. determinantes antigénicos. As especificidades destas enzimas e da DNA polimerase diferem significativamente dos seus análogos celulares. timidina quinase42. Os procapsídeos vazios organizam-se no núcleo e são preenchidos com DNA. limitando a acção dos anticorpos. ribonucleotídio redutase43 e protease. Vírus do Herpes Simples O HSV foi o primeiro herpesvírus humano a ser reconhecido. 42 Página 196 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas apenas metade dessas proteínas são necessárias para a replicação do vírus. incluindo homologia do DNA. A inter-relação desses factores determina se a infecção será lítica. compartilham muitas características. o que permite camuflar os vírus e células infectadas. estas enzimas têm um papel muito importante nas células que não se encontram em fase de divisão. a síntese de proteínas. sendo encontrado na maior parte das células e neurónios. Os dois tipos de herpes simples. O genoma viral é transcrito pela RNA polimerase celular e é regulado por factores nucleares e celulares codificados pelo vírus. A transcrição. o que permite que sejam alvo de fármacos anti-virais. mas regra geral causa infecções líticas em fibroblastos e células epiteliais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Esta última propriedade é conseguida pela ligação da porção Fc da Imunoglobulina G a um complexo de proteínas virais. A replicação do genoma viral é efectuada pela DNA polimerase viral. sendo os substratos de desoxirribonucleotídios fornecidos pelas enzimas de depuração codificadas pelo vírus. são principalmente proteínas estruturais.Proteínas Tardias (γ). As células que promovem uma infecção latente transcrevem apenas os genes específicos sem a replicação do genoma. O HSV-1 liga-se inicialmente ao sulfato de heparina. persistente ou latente. A progressão para a expressão dos genes precoces e tardios resulta em morte celular e infecção lítica. Estrutura O genoma do HSV é grande o suficiente para codificar aproximadamente 80 proteínas. 43 Ribonucleotídio Redutase – é uma enzima que converte ribonucleotídios em desoxirribunocleotídios. proteínas estruturais e proteínas de fuga imunológica. HSV-1 e HSV2. o processamento das glicoproteínas e a libertação da célula por exocitose são processos realizados pela maquinaria celular. O HveC é um membro da família proteica das imunoglobulinas semelhante ao receptor do vírus pólio que promove a entrada do vírus herpes simples. adquirem o invólucro na membrana nuclear ou no complexo de Golgi e abandonam a célula por exocitose ou lise celular. e infecção latentes em neurónios. proteínas de fusão.

por fim são preenchidas com o genoma viral. podendo ainda ser disseminado por fusão entre as células e através de pontes intracelulares. sendo estas proteínas transportadas para o núcleo onde se organizam em procapsídeos. A infecção latente nos neurónios não produz qualquer lesão detectável. febre ou luz solar. que estimulam a síntese de DNA e promovem a transcrição dos genes virais precoces. Os produtos génicos precoces imediatos incluem proteínas de ligação ao DNA. O interferão e as células NK podem ser suficientes para limitar a progressão da infecção. sendo levado por transporte retrógrado até ao gânglio. induzida pelo vírus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O vírus de seguida volta ao local de infecção e pode permanecer inaparente ou produzir lesões vesiculares. A expressão dos genes precoces e tardios implica na maior parte dos casos a morte celular. Os anticorpos contra as glicoproteínas dos vírus neutralizam os vírus extracelulares. Ocorrem ainda alterações na estrutura nuclear e marginalização da cromatina. Outras das diferenças está na maior capacidade do HSV-2 de causar virémia com sintomas sistémicos associados. traumatismo. a infecção é mais grave e pode progredir para órgãos vitais. O HSV-1 está geralmente associado a infecções acima da cintura. O vírus escapa aos anticorpos através da disseminação célula a célula ou pela infecção latente do neurónio. de seguida. Após a fusão é libertada uma proteína que promove o início da transcrição genica viral. O vírus é libertado por exocitose ou por lise celular. As proteínas precoces incluem uma DNA polimerase e a timidina quinase. uma proteína quinase codificada pelo vírus e proteínas citotóxicas no citoplasma. No caso das infecções latentes. infecções latentes nos neurónios. Patogenia e Imunidade Inicialmente ambos os vírus infectam e se replicam nas células muco-epiteliais e estabelecem. esta lesão desaparece sem deixar cicatriz. Página 197 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo mais tarde clivados em fragmentos individuais de modo a serem incluídos nos procapsídeos.Microbiologia entrada na célula é através da fusão de membranas. Na ausência de imunidade mediada por células funcional. O genoma é replicado logo que a polimerase é sintetizada. da permeabilidade da membrana. produzindo-se corpúsculos de inclusão intracelular acidófilos de Cowdry tipo A. muitas estirpes de HSV iniciam a formação de sincícios. da degradação do DNA da célula. limitando a sua disseminação. não sendo este mRNA transcritos em proteínas e dessa forma a replicação viral só prossegue se a célula for activada. uma região específica é transcrita produzindo transcrições associadas a latência (LATs). e o HSV-2 abaixo da cintura. Os capsídeos contendo DNA associam-se e emergem de regiões da membrana nuclear modificadas pelas glicoproteínas virais. são produzidos genomas circulares que se vão unindo. A hipersensibilidade do tipo tardio associada às células Th1 e as respostas citotóxicas das células T Killer são necessária para matar as células infectadas e desse modo ocorra a resolução da infecção. podendo ser reactivada por diversos estímulos. A replicação do genoma origina a transcrição dos genes tardios que codificam as proteínas estruturais. O vírus replica-se nas células da base da lesão e infecta o neurónio de enervação. A citólise resulta da inibição da síntese de macromoléculas pela célula. infecções persistentes de linfócitos e macrófagos e infecções latentes de neurónios. O HSV pode causar infecções líticas na maioria das células. Existem ainda outras proteínas precoces que inibem a produção e iniciam a degradação do mRNA e DNA celulares. O HSV inicia a infecção através das membranas mucosas ou por solução de continuidade na pele. como é o caso de stress. da ruptura do citoesqueleto e do envelhecimento celular.

Diagnóstico Laboratorial Citologia e Histologia Os efeitos citopatológicos característicos (CPEs) podem ser identificados no esfregaço de Tzank. no entanto benigna. Fig. Caso não ocorra a morte da criança esta irá apresentar inevitavelmente um atraso mental ou distúrbios neurológicos. Mesmo quando assintomática. O herpes genital é na maior parte dos casos causado por HSV-2. Os CPEs mostram a formação de sincícios. estando as lesões limitadas a um dos lobos temporais. A paroníquia herpética é uma infecção do dedo. progredindo para lesões postulares. e doença recorrente. em cerca de 50% dos casos a reactivação é precedida por uma sensação de formigueiro no local onde irão surgir as lesões. quando presentes as lesões variam em número e costumam ser dolorosas. no caso de ser uma doença recorrente ocorre fibrose permanente com lesão da córnea e cegueria. mais breves e mais localizados. Página 198 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . anormalidades neurológicas focais. A encefalite herpética é uma doença febril aguda geralmente causada pelo HSV-1.Herpes Labial A ceratite herpética é quase sempre limitada a um olho. sistema nervoso central. Verifica-se a destruição do lobo temporal. 64 . as lesões surgem na forma de vesículas claras que ulceram rapidamente. úlceras e lesões com crosta. Estas lesões surgem na maior parte dos casos no canto da boca ou junto ao lábio. estando os sintomas relacionados com uma virémia transitória. a pessoa infectada. Este tipo de infecção pode manifestar-se na forma de infecção muco-cutânea recorrente. mal-estar. pulmões. denominadas lesões herpéticas. Ambos os vírus podem causar morbilidade e mortalidade significativas no caso de infecção ocular ou cerebral e infecção disseminada em um indivíduo imunossuprimido ou nos recém-nascidos. Os herpes oral pode ser causado por HSV-1 e HSV-2. o que origina convulsões. Os episódios recorrentes são de menor intensidade. As infecções genitais primárias são na maioria assintomáticas. ocorrendo resolução espontânea dos sintomas. esfregaço de Papanicolau ou biópsia. mas em 10% dos casos pode ser causado pelo HSV-1. mialgias e adenite lingual. A infecção do recém-nascido por HSV é uma doença devastadora e é quase sempre fatal e causada por HSV-2. A manifestação clássica consiste numa vesícula clara com uma base eritematosa.Microbiologia Síndromes Clínicas O HSV-1 e HSV-2 causam doença em humanos frequentemente e podem causar manifestações dolorosas. A meningite por HSV é uma complicação do herpes genital por HSV-2. e o herpes lutador é uma infecção do corpo. podendo detectar-se a presença de eritrócitos no líquido cefalorraquidiano. A doença genital recorrente por HSV apresenta uma duração mais curta e menos grave do que o episódio primário. Isto verifica-se pelo facto de a imunidade celular ainda não se encontrar desenvolvida e o vírus disseminar-se para o fígado. pode eliminar o vírus e dissemina-lo para a população em contacto com esta. Os casos de faringite herpética têm vindo a aumentar em jovens adultos. Em ambos os sexos a infecção primária pode ser acompanhada de febre.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . entre outros órgãos.

Os preservativos podem ser úteis. a maioria consiste em análogos de nucleótidos e outros inibidores da DNA polimerase. biológicos. Vírus Varicela-Zoster O VZV causa varicela. e para que sejam criadas é necessária que as proteínas essenciais. Tratamento. Este tipo de estudo não é útil na doença recorrente. mas nenhum tratamento elimina a infecção latente. são utilizados derivados do Aciclovir. mas estas estirpes parecem ser menos virulentas. Estas vacinas baseiam-se em vírus de ciclo único. Isolamento do Vírus O isolamento do vírus constitui o melhor teste para o diagnóstico de uma infecção por HSV. Um diagnóstico definitivo pode ser dado pela determinação do antigénio viral ou por análise do DNA. Os pacientes com história de infecção genital devem ser instruídos a evitar qualquer relação sexual na presença de sintomas ou lesões. O vírus pode ser obtido das vesículas. Peniciclovir e Fanciclovir. Uma mulher grávida que apresente infecção genital activa por HSV ou que o esteja a eliminar de forma assintomática possui um elevado risco de a transmitir ao recém-nascido a quando do parto. O HSV-1 é frequentemente transmitido a partir de uma lesão muco-cutânea activa. sejam produzidas por outros vírus completamente funcionais. retomando os contactos sexuais apenas quando já tiver ocorrido uma substituição de todo o epitélio na zona de lesão. mas podem não proteger completamente o indivíduo. Estas vacinas possuem vírus não infecciosos. Neste vírus verifica-se mais uma vez a importância da imunidade celular no controlo e prevenção de doença grave e lesões características Página 199 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A forma mais comum de resistência a estes fármacos resulta de mutações que inactivam a timidina quinase.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Serologia Os procedimentos serológicos são utilizados apenas para diagnóstico da infecção primária por HSV e para estudos epidemiológicos.Microbiologia citoplasma “em balão” e inclusões intracelulares de Cowdry tipo A. e no caso reincidência. causa herpes zóster. como é o caso de estabelecer infecções latentes nos neurónios e doença recorrente. pois uma reactivação não é geralmente acompanhada de um aumento no título dos anticorpos. O HSV isolado por ser tipado por métodos bioquímicos. O Aciclovir constitui o protótipo dos fármacos anti-virais contra o HSV. desse modo evitar o contacto directo com estas lesões reduz significativamente o risco de infecção. A desinfecção é conseguida pela lavagem do local de contacto com sabão. imunológicos ou pela análise dos ácidos nucleicos. incapazes de causar infecção que utilizam vírus mutantes vírus desprovidos de genes essenciais. como é o caso do Valaciclovir. Existem ainda sondas de DNA específicas para a diferenciação do HSV-1 do HSV-2 por PCR. O tratamento impede ou encurta a duração da infecção primária ou da doença recorrente. Actualmente não existe vacina contra o HSV. Este vírus compartilha com o HSV muitas características. Prevenção e Controlo O HSV codifica inúmeras enzimas que podem ser alvo de fármacos anti-virais. mas não das lesões que apresentam crosta. cujos genes estão ausentes. mas estão a ser desenvolvidas vacinas para impedir a aquisição do vírus ou para o tratamento da infecção.

a roséola. indo infectar as células do sistema reticuloendotelial. Tal como acontece com o HSV o VZV estabelece uma infecção latente nos neurónios. a imunidade celular é a grande responsável pela sintomatologia. replica-se mais lentamente e o número de tipos celulares que infecta é mais reduzido. o que o distingue de muitas outras doenças. a quinta doença e o sarampo. com taxas de infecção que superam os 90% para as pessoas em contacto com o doente infectado. podendo ser reactivado em doentes idosos ou com imunidade celular suprimida. Assim sendo temos: varicela. rubéola. O anticorpo é importante para limitar a disseminação virémica do VZV. O vírus causa um exantema vesiculopustular dérmico que se desenvolve em surtos sucessivos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Epidemiologia O VZV é extremamente contagioso. Após cerca de 11 a 13 dias surge uma virémia secundária que dissemina o vírus por todo o corpo e para a pele. resultando da infecção primária por VZV. Os fibroblastos diplóides humanos in vitro e as células epiteliais in vivo permitem a replicação produtiva do VZV. Os pacientes tornam-se contagiosos antes e durante os sintomas. Contrariamente ao que acontece com o HSV o VZV é disseminado por via aérea. Igualmente ao que acontece com o HSV o VZV codifica uma timidina quinase que é alvo de muitos dos fármacos anti-virais.Microbiologia semelhantes a vesículas. 44 Página 200 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e podem por isso constituir a fonte de infecção de varicela para um indivíduo desprovido de imunidade. mas a imunidade celular é essencial na limitação da evolução da doença e na sua resolução. progredindo para a corrente sanguínea e o sistema linfático. O exantema é generalizado e mais intenso no tronco do que nos membros e encontra-se presente no couro cabeludo. Apesar de ser parte da resolução da infecção. devido a uma imunidade celular já madura. levando à formação de lesões cutâneas em todo o corpo. Síndromes Clínicas A varicela é um dos cinco exantemas clássicos da infância44. mas também o pode ser através de contacto directo com as vesículas cutâneas. O herpes zóster resulta da reactivação do vírus latentes. mas a infecção assintomática também pode ocorrer. causando uma erupção vesicular ao longo de todo o dermátomo. leva a manifestações mais exacerbadas e com maior gravidade. a virémia acontece após a infecção local no tracto respiratório. As lesões com herpes zóster contêm vírus viáveis. ao fim de 12 horas as vesículas tornam-se pústulas e começam a criar crosta. originando o herpes zóster. Patogenia e Imunidade A infecção primária por VZV inicia-se na mucosa das vias aéreas. A reactivação leva a que o vírus se replique e seja libertado ao longo das vias neuronais da pele. As Exantemas Clássicos da Infância – é um conjunto de doenças que têm como manifestação exantemas cutâneos e são mais comuns na criança. A doença é transmitida principalmente por via respiratória. A infecção primária em adultos. Estrutura e Replicação O VZV possui o menor genoma dos herpesvírus humanos. é caracterizada por febre e exantema maculo-papular. Após a infecção primária o vírus torna-se latente na raiz dorsal ou nos gânglios dos nervos cranianos. A quando da erupção surge febre e sintomas sistémicos. Esta é na maior parte dos casos uma doença ligeira na infância e sintomática.

Os níveis de anticorpos são normalmente baixos.Microbiologia lesões causam prurido e podem dar origem a uma infecção bacteriana. Devido a ser um vírus respiratório é difícil limitar a sua disseminação. exigindo grandes doses de ACV. Fig. As lesões da mucosa ocorrem regra geral na boca. o que se faz pelo facto de na infância os sintomas serem mais brandos do que nos adultos. amostras respiratórias e biópsia de órgãos. devido a uma resposta imunitária mais exacerbada. A grande diferença quando comparado com a varicela é que o herpes zóster se restringe a um determinado dermátomo. Serologia Os testes serológicos para a detecção de anticorpos contra o VZV são utilizados para a triagem imunológica de indivíduos em relação a este vírus. sendo precedido por uma dor intensa na aérea onde irá surgir a lesão. Diagnóstico Laboratorial Citologia Os CPEs nas células infectadas por VZV são semelhantes aos observados em células infectadas por HSV e incluem inclusões intranucleares de Cowdry tipo A e sincícios. O Aciclovir (ACV). Nas pessoas portadoras de herpes zoster existe um aumento significativo dos anticorpos. pois o seu transporte para o laboratório é acompanhado da destruição de grande parte dos vírus e a sua replicação in vitro é limitada. sendo necessários testes de imunofluorescência ou de imunossorvente ligado a enzima para que a sua detecção seja possível. Tratamento. Isolamento do Vírus É difícil isolar o VZV em cultura celular. O herpes zoster representa uma reactivação do vírus latente adquirida anteriormente. Fanciclovir e Valaciclovir foram aprovados para o tratamento de infecção por VZV.Herpes Zoster ou Zona A infecção em recém-nascidos ou doentes imunocomprometidos pode ser grave e progredir para um estado que termine com a morte do doente. o que nos leva muitas vezes a estimular a transmissão do vírus a crianças. mas apenas após um longo período de incubação. 65 . podendo conduzir a um quadro de pneumonia intersticial. Pode ainda ser utilizada imunofluorescência directa para examinar raspados de lesão cutânea ou amostras de biópsia na procura de antigénios de membrana. esta pode persistir por meses nos indivíduos com herpes zoster. Prevenção e Controlo O tratamento pode ser apropriado para adultos e doentes imunocomprometidos com infecção por VZV. A DNA polimerase do VZV é muito menos sensível ao tratamento com ACV do que a enzima do HSV. conjuntiva e vagina. As células com estas morfologias podem ser observadas nas lesões cutâneas. Nos adultos a infecção é mais grave. Página 201 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . No caso de doentes com mais de 65 anos é possível que se desenvolva uma síndrome de dor crónica. A detecção de antigénio e a PCR são mais sensíveis do que o isolamento do vírus como meio de diagnóstico. no entanto no caso das crianças não é necessário nenhum tipo de tratamento. Os fibroblastos diplóides podem permitir a replicação de VZV e exibir CPE similar ao que encontrado nas células infectadas com HSV. denominada neuralgia pósherpética.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

mantendo o genoma nas células e um potencial mínimo de reconhecimento imunológico das células infectadas. A infecção pelo EBV possui três resultados possíveis: . temos os LPs que são proteínas de membrana com função de oncogenes. O EBV pode utilizar ainda as moléculas de MHC II como co-receptor.Microbiologia Os doentes imunossuprimidos susceptíveis à doença podem ser protegidos através da administração de imuno-globulina antivaricela-zoster. proteínas latentes (LPs). que se replica a quando da divisão celular. Já existe uma vacina viva atenuada para VZV. Mas o que é mais importante salientar é que esta vacina promove protecção em crianças imunodeficientes.EBV pode replicar-se nas células B ou em células epiteliais permissivas à sua replicação. No caso de infecção de células B não permissivas. Podemos ainda distinguir proteínas de ligação ao DNA.EBV pode causar infecção latente das células B na presença de células T competentes. O EBV é um mitógeno para as células B e em cultura tem a capacidade de imortalizar as células B. Vírus Epstein-Barr O EBV tornou-se um importante parasita dos linfócitos B. são sintetizados a cápsula e as glicoproteínas virais. Página 202 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Neste caso são expressos os genes precoces seleccionados próximos: antigénios nucleares do Epstein-Barr. antigénio da cápsula viral (VCA) e antigénio de membrana (MA). . à Doença de Hodgkin e ao Carcinoma Nasofaríngeo. Estrutura e Replicação O EBV é um membro dos Gammaherpesvirinae que apresenta uma gama de hospedeiros muito limitada e um tropismo tissular definido pela expressão limitada do seu receptor. e é expresso nas células B Humanas e em algumas células epiteliais da orofaringe e nasofaringe. As proteínas virais produzidas durante a infecção produtiva são serologicamente definidas e agrupadas como antigénio precoce (EA).EBV pode estimular e imortalizar as células B. Uma das doenças que se encontra fortemente associada ao EBV é a mononucleose infecciosa anticorpo heterófilo positivo e foi eventualmente associado ao Linfoma de Burkitt Endémico. esta é preparada do plasma de indivíduos soro-positivas. . o que é evidente nas doenças que estão associadas a este vírus. no mesmo esquema do que as vacinas contra os outros exantemas infantis com vacina disponível. O EBV estabelece latência nas células B de memória. Após a síntese da DNA polimerase e da replicação do DNA. esta por sua vez vai activar os genes precoces e o ciclo lítico. o EBNA-1 é essencial para a manutenção da infecção e a EBNA-2 necessário para a imortalização. que pode ser denominado de CR2 ou CD21. Por outro lado as células permissivas permitem a transcrição e tradução da proteína activadora da transcrição ZEBRA. proteínas latentes de membrana (LMPs) e duas pequenas moléculas de RNA. as células contêm um pequeno número de moléculas circulares de genoma viral. nestas apenas o EBNA-1 e a LMP2 são expressos. Este receptor é também o receptor do componente C3d do sistema do complemento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . que é administrada nos EUA por volta dos 2 anos. Sabe-se que as células B são semi-permissivas à replicação do EBV.

o vírus persiste em cerca de 1 célula B de memória por mililitro de sangue durante a vida da pessoa. Na resolução da doença activa. o que se deve a uma estimulação do crescimento e uma inibição da apoptose resultante da interacção com as proteínas virais. os pacientes com SIDA e os indivíduos com imunodeficiência genética apresentam alto risco de distúrbios linfoproliferativos iniciados por EBV.Mononucleose Infecciosa Anticorpo Heterófilo Positivo. Síndromes Clínicas Grande parte das doenças associadas ao EBV já foram referidas. Com o intuito de neutralizar a acção das células T CD4 Th1 o EBV produz um análogo da interleucina10. hepato-esplenomegalia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A proliferação das células B é detectada pela produção excessiva de anticorpo IgM contra o antigénio de Paul-Bunnel. iremos agora aprofundar cada um delas: . Quando a infecção sofre resolução passam a ser produzidos anticorpos contra os antigénios nucleares. pode surgir um exantema. A infecção produtiva das células B e das células epiteliais da orofaringe promove a libertação do vírus na saliva. A linfocitose clássica associada à mononucleose infecciosa resulta principalmente da activação e proliferação das células T. mal-estar. com alguma frequência. os anticorpos são produzidos inicialmente contra os componentes VCA e MA do virão.Microbiologia Patogenia e Imunidade A doença causada pelo EBV resulta de uma resposta imunológica superactiva ou da falta de uma resposta eficaz. Em alguns casos. é muito mais branda em crianças do que em adultos. linfoadenopatia e. O EBV actua como mitógeno das células B. Os receptores de transplante. As complicações Página 203 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Durante a infecção produtiva. denominado anticorpo heterófilo. O compartilhar de saliva entre adolescentes e adultos jovens ocorre com frequência durante o beijo. permitindo a disseminação a outros hospedeiros e estabelece um virémia que dissemina o vírus para outras células B. e daí o facto de a mononucleose por EBV ser denominada Doença do Beijo. A mononucleose infecciosa é o resultado de um confronto entre as células B infectadas e as células T protectoras. A mononucleose infecciosa é caracterizada por febre alta. Epidemiologia O EBV é transmitido através da saliva. O EBV pode ser reactivado quando a célula B de memória é activada e pode ser eliminado pela saliva. No processo de resolução a acção das células T é essencial para limitar a proliferação das células B infectadas. e mais tarde contra EA. principalmente após tratamento com Ampicilina. mesmo quando assintomáticos. tal como acontece com outras doenças causadas por herpesvírus. o que se torna preocupante quando se sabe que cerca de 90% dos indivíduos infectados com EBV eliminam intermitentemente o vírus durante toda a vida. fadiga.

.é caracterizada por uma inflamação aguda com perda da mielina dos nervos periféricos e às vezes de raízes nervosas proximais e de nervos cranianos. caracterizada por lesões na boca. Em adultos. em crianças mais velhas quando é maior que 7.Doença Crónica. Página 204 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . de evolução potencialmente fatal. A contagem absoluta pode ser directamente medida pela citometria de fluxo.Microbiologia neurológicas podem incluir meningoencefalite e síndrome de Guillain-Barré45. . o EBV pode causar doença recorrente cíclica em alguns indivíduos. A produção de anticorpo contra EBNA requer a lise da célula infectada e. contrariamente ao que se verificava anteriormente neste último caso as células tumorais são de origem epitelial e não linfocitária.Anticorpo IgM contra o antigénio VCA. A infecção por EBV é indicada por: . Este é um dos melhores indicadores de infecção por EBV em adultos. .Doenças Linfoproliferativas Induzidas pelo Vírus Epstein-Barr. É possível que a infecção por EBV esteja associada a alguns tumores. na presença de infecção por EBV. Diagnóstico Laboratorial A mononucleose infecciosa induzida por EBV é diagnosticada com base nos sintomas. em geral.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . as pessoas que carecem de imunidade celular provavelmente apresentam doença proliferativa e linfoma de células B semelhante à leucemia policlonal. ou calculada pela multiplicação do número de leucócitos totais pela percentagem obtida dos linfócitos achados numa contagem diferencial de hemograma. onde se verifica a inclusão de sequências de genoma viral.Leucoplaquia Pilosa Oral. na presença de linfocitose46. Linfocitose relativa é normal em crianças abaixo dos dois anos de idade. mas onde apenas é expresso o antigénio viral EBNA-1. Caso o paciente tenha mais de 25 anos. mas não é muito confiável em crianças ou latentes. cefaleias e dor de garganta. O anticorpo heterófilo resulta da activação inespecífica do tipo mitogéno de células B por EBV. 46 Linfocitose . com produção de um amplo reportório de anticorpos. é uma manifestação pouco comum de uma infecção produtiva das células epiteliais pelo EBV.é um aumento do número de linfócitos no sangue geralmente detectado na análise de hemograma. Os testes serológicos para anticorpos contra os antigénios virais são úteis para confirmar o diagnóstico e quando os resultados do anticorpo heterófilo são pouco conclusivos. Os linfócitos atípicos são provavelmente a primeira indicação detectável de uma infecção por EBV. este quadro clínico pode ser causado pelo CMV. nos achados de linfócitos atípicos. 45 Síndrome de Guillain-Barré . sendo indicadoras quer do inicio da doença.Elevação dos anticorpos Anti-VCA e Antigénio Precoce. Os testes de Monospot e ELISA são úteis na detecção destes anticorpos. o mesmo acontece com os doentes de SIDA. quer da resolução da doença. a linfocitose absoluta está presente quando a contagem absoluta de linfócitos é maior que 4. como é o caso do linfoma de Burkitt Africano. Esta doença é oportunista e surge quase exclusivamente em pacientes com SIDA. Foi ainda detectado a interferência do EBV no linfoma de Hodgkin.000 por microlitro e em crianças maior que 9. A presença de anticorpos contra VCA e EBNA no soro indica que a pessoa teve uma infecção prévia. . Os doentes que receberam um transplante que recebem uma terapia imunossupressora possuem um elevado risco de contrair uma doença linfoproliferativa pósoperatória quando expostas ao EBV.000 por microlitro. Tanto se verifica que nos Carcinomas Nasofaríngeos existem sequências de DNA do EBV no interior das células tumorais. indica o controlo da doença activa pelas células T. Linfócitos normalmente representam 20 a 40% dos leucócitos circulantes do sangue. Os sintomas destes pacientes são a fadiga crónica e podem ter febre baixa.000 por microlitro. . de anticorpos heterófilos e anticorpos contra os antigénios virais.Anticorpo Anti-VCA e ausência de Anticorpo Anti-EBNA.

hepato-esplenomegalia e exantema. calcificação intracerebral. Os fibroblastos. possuindo o maior genoma de todos os herpesvírus humanos. Os sintomas da infecção congénita são menos graves e podem ser evitados pela resposta imunológica de uma mãe soropositiva. afecta cerca de 0. Página 205 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Epidemiologia e Síndromes Clínicas O CMV constitui a causa viral mais prevalente de doença congénita. como microcefalia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A imunidade celular é essencial na resolução e controlo da evolução da infecção por CMV. uma vez que o vírus infecta as células epiteliais dos ductos. O vírus pode ser reactivado por imunossupressão e por estimulação alogénica. Este vírus estabelece infecção latente em linfócitos mononucleares. mRNA para facilitar a infecção. O vírus está fortemente associado a células e pode ser transmitido nas células para diferentes órgãos do corpo ou para outros indivíduos por meio de transfusões sanguíneas e transplantes de órgãos. os macrófagos e outras células são permissivas para a replicação do CMV. a patogenia deste vírus assemelha-se à dos outros herpesvírus. a eliminação do vírus é comum nas secreções orgânicas. células do estroma da medula óssea e outras células. A perda de audição. A natureza ubíqua do vírus e o potencial da sua eliminação assintomática tornam difícil o controlo da infecção. Prevenção e Controlo Não existe tratamento eficaz ou vacina para a doença causada por EBV. Patogenia e Imunidade Tal como se tem verificado. as células epiteliais. Estrutura e Replicação O CMV é um membro dos Betaherpesvirinae e é considerado linfotrópico.5 a 2.Microbiologia Tratamento.5% dos recém-nascidos e 50% da população adulta. mais uma vez. A infecção por CMV é uma causa comum de defeitos congénitos. A infecção congénita por CMV é bem mais caracterizada pelo isolamento do vírus a partir da urina do lactente durante a primeira semana de vida. e o atraso mental constituem as consequências mais comuns da infecção congénita por CMV. Frequentemente o vírus replica-se e é eliminado sem causar sintomas. no interior do virião. Aproximadamente 10% dos lactentes afectados apresentam evidências clínicas da doença. O CMV estabelece rapidamente infecções persistentes e latentes nos leucócitos mononucleares e em certos órgãos como os rins e o coração. A activação e replicação do vírus no rim e nas glândulas secretoras promovem a secreção na urina e secreções orgânicas. Os fetos são infectados pelo vírus presente no sangue da mãe ou pelo vírus que ascende a partir do colo uterino. e tem relativa importância quando presente em doente imunocomprometidos. Sabe-se que a infecção produz imunidade duradoura. Citomegalovírus O CMV é um causador de doença humana comum. e por isso a melhor forma de prevenção consiste na exposição precoce à doença. uma vez que nas crianças a doença é mais benigna. incluindo o sémen e o leite. uni ou bilateral. Foi recentemente descoberto que o CMV transporta para o interior da célula.

podendo ainda ser em casos mais raros ser um agente de doença gastrointestinal.Infecção em Crianças e Adultos. Diagnóstico Laboratorial Histologia A característica histológica da infecção por CMV é a célula citomegálica. As inclusões são facilmente observadas com colorações de Papanicolau ou com H&E. . Deve suspeitar-se da infecção por CMV em pacientes com mononucleose heterófilo negativa ou nos que apresentem hepatite. É particularmente confiável em pacientes imunocomprometidos. A doença pulmonar por CMV representa uma causa comum de doença em imunossuprimidos. mas com os testes para hepatite A. Nos pacientes com SIDA verifica-se em 10% dos casos o aparecimento de colite ou esofagite. uma célula aumentada contendo um denso corpúsculo de inclusão intracelular basófilo central em “olho de coruja”.Infecção no Hospedeiro Imunocomprometido. podendo ser fatal. estes podem desenvolver uma síndrome de mononucleose heterófilo negativa. Página 206 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Nos lactentes saudáveis a infecção não causa doença clinicamente evidente. Caso existam sintomas são idênticos aos da mononucleose. o que se deve a um período longo para que se manifeste o efeito citopatológico.Infecção Perinatal.Microbiologia Falaremos agora em mais pormenor de algumas das doenças causadas pelo CMV: . .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . visto que estes frequentemente apresentam títulos elevados de vírus nas secreções. cerca de 50% dos recém-nascidos por parto normal adquirem infecção por CMV. causando nestes doentes infecções sintomáticas primárias ou doença recorrente. O CMV cresce apenas em culturas de fibroblastos e deve ser mantido durante um período de no mínimo 4 a 6 semanas. A pneumonia intersticial e a encefalite podem ser igualmente causadas por este vírus. tendo sido isolado no colo uterino de 13 a 23% das mulheres em clínicas para o tratamento de doenças venéreas. B e C negativos. A ausência dos anticorpos heterófilos são a principal diferença entre a infecção por CMV e EBV. a transmissão pelo sangue resulta muitas vezes em infecções assintomáticas. Os recém-nascidos também podem adquirir o vírus através do leite ou colostro materno. o CMV causa uma doença sexualmente transmitida. Outra das formas de aquisição do vírus pelos recém-nascidos é a transfusão sanguínea. o que em parte se deve ao facto de o titulo de CMV ser maior no sémen do que em qualquer outra secreção orgânica. É importante salientar que o CMV é responsável pelo fracasso de muitos transplantes de rim.Transmissão Através de Transfusão e Transplante. mas é difícil diferencia-las de infecções por outros agentes. podendo ocorrer pneumonia e hepatite ligeira. Cultura A cultura tem sido considerada o método definitivo de detecção da infecção por CMV. sondas de DNA e PCR para detectar directamente os antigénios e o genoma do CMV. Técnicas Imunológicas e com Sondas de DNA Pode-se obter um diagnóstico rápido e sensível por meios histológicos através do uso de anticorpos. Apesar de grande parte das infecções no adulto jovem serem assintomáticas. ou seja. sendo os sintomas idênticos aos da infecção por EBV. O ensaio imunoenzimático e os métodos fluorescentes detectam as sondas. o CMV revela-se um agente oportunista. neste caso é comum que ocorram manifestações clínicas. . As amostras são examinadas por imunofluorescência indirecta após 1 a 2 dias de incubação para a detecção do antigénio precoce imediato ou uma combinação do antigénio precoce imediato e o antigénio precoce. passando a ser excretores do vírus a partir das 3 a 4 semanas de idade. O CMV é ainda uma causa comum de renite nestes doentes. das quais se destacam a pneumonia e a hepatite.

Herpesvírus Humanos 6 e 7 O HHV-6 foi isolado pela primeira vez no sangue de um doente com SIDA e cultivado em células T. Embora a transmissão congénita e perinatal do CMV não possa ser efectivamente evitad. O HHV-7 foi isolado de igual forma em célula T de pacientes com SIDA. Actualmente não existe nenhuma vacina disponível contra o CMV. e por isso a sua detecção não servir como indicador de infecção primária. Caracteriza-se pelo início rápido de febre alta com curta duração. sendo todas estas vias evitáveis. Os linfócitos em repouso e os linfócitos de indivíduos com imunidade normal são resistentes à infecção. Estes anticorpos podem igualmente ser produzidos a quando da reactivação do vírus. No entanto este vírus é considerado órfão. As células no interior das quais se encontram o vírus são grandes e refringentes. exibindo corpúsculos de inclusão intranucleares e intracitoplasmáticos. o exantema súbito. transplante de tecidos e vias de transfusão. mas conhecido por Roséola. e por ser uma molécula simples que inibe a DNA polimerase viral. por ser menos tóxico que o Ganciclovir. O sémen constitui um importante vector para a transmissão sexual do CMV tanto em contactos heterossexuais como homossexuais. mas pode ser activado e replicar-se por estímulos mitogénicos das células.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Este vírus foi serologicamente associado a uma doença comum na infância. ou seja.Microbiologia Serologia A soroconversão constitui um excelente marcador de infecção primária por CMV. podendo estabelecer uma infecção latente nas células T e monócitos. O CMV dissemina-se principalmente por via sexual. O uso de preservativo ou a abstinência sexual limitam a transmissão viral. o que sugere que a sua eliminação e disseminação deve ser facilitada. Patogenia e Imunidade A infecção por HHV-6 ocorre muito cedo na vida. seguindo-se um exantema generalizado com duração de apenas 24 a 48h. o HHV-6 é um vírus ubíquo e linfotrópico. Como o EBV e o CMV. O Foscarnet é o fármaco de eleição. Tratamento. Tal como acontece nos outros herpesvírus. que estavam também infectados com HHV-6. Prevenção e Controlo O Ganciclovir e o Foscarnet foram aprovados para o tratamento de infecções por CMV. com distúrbios linfoproliferativos ou imunodeficiências. Os títulos de anticorpos IgM CMV-Específicos podem estar muito elevados em pacientes com SIDA. pelo que a reactivação do vírus é comum em doentes com SIDA. O HHV-6 replica-se nas glândulas salivares. a replicação do HHV-6 é controlada pela imunidade celular. a mãe seropositiva tem menos probabilidades de dar à luz um lactente com doença sintomática por CMV. A doença é controlada de modo eficaz e sofre Página 207 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Este vírus é encontrado na saliva de adultos e é transmitido por qualquer secreção oral. sendo especialmente úteis para o tratamento de doentes imunocomprometidos. sem qualquer associação de patologia. Síndromes Clínicas O exantema súbito ou Roséola é um dos cinco exantemas clássicos da infância.

O HHV-8 está limitado a determinadas áreas geográficas e a doentes com SIDA. de linfoma primário de efusão e da doença multicêntrica de Castleman utilizando PCR. as quais promovem o crescimento e impedem a apoptose das células infectadas e suas vizinhas. O HHV-6 pode ser a causa de uma síndrome de mononucleose e linfoadenopatia. Página 208 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . particularmente as células do endotélio vascular e perivasculares. mas também outras células. quimiocinas e um receptor de quimiocina.Microbiologia resolução através da imunidade celular. mas é possível que ocorra por outras vias. Herpesvírus Humano 8 Foram descobertas sequências de DNA do HHV-8 em amostras de biópsia de Sarcoma de Kaposi. uma análoga da Bcl. O HHV-8 codifica inúmeras proteínas que apresentam homologia com as proteínas humanas. Estas proteínas incluem uma proteína homóloga da interleucina-6.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O HHV-8 infecta as células B. no entanto verifica-se a infecção latente das células T para o resto da vida do indivíduo. Sabe-se que o Sarcoma de Kaposi é uma das doenças oportunistas associadas à SIDA. A transmissão do vírus é mais provável por via sexual. podendo constituir um co-factor na patogenia da SIDA.

Quando o vírus se liga ao receptor celular. O DNA viral replica-se em inclusões citoplasmáticas eletro-densas. A replicação do poxvírus é atípica entre os vírus de DNA. contrariamente ao que acontece nos outros vírus.) que contêm e expressam os genes de outros agentes infecciosos. denominadas corpúsculos de inclusão de Guarnieri. O vírus da vacínia e o canaripox têm sido utilizados como vectores de expressão para a produção de vacinas recombinantes de vírus vivos para agentes infecciosos mais virulentos. estes são os maiores vírus conhecidos.O vírus da vacínia e outros poxvírus apresentam excelente potencial como vectores para vacinas híbridas.Microbiologia Poxvírus Os poxvírus incluem os vírus humanos da varíola. iniciando-se a transcrição dos genes iniciais. O genoma viral é constituído por um grande fragmento de DNA linear de dupla cadeia.Poxvírus (M. Os tecidos internos e dérmicos eram inoculados depois de uma segunda virémia mais intensa. do molusco contagioso. uma vez que todo o ciclo de replicação ocorre no interior do citoplasma da célula hospedeira. o invólucro externo funde-se com as membranas celulares. Estrutura e Replicação A estrutura do vírus da vacínia e a maneira pela qual o vírus se replica são representativas da estrutura e do mecanismo de replicação de outros poxvírus. e desse modo promove a libertação do DNA viral no citoplasma. Fig. e ainda todas as outras que normalmente o vírus obtém da célula. Uma das primeiras proteínas traduzidas é responsável pela remoção da membrana do cerne. sendo quase visíveis ao microscópio óptico. outros poxvírus causam doença humana.Os mecanismos de disseminação do vírus da varíola no interior do organismo representam um modelo de disseminação de outras infecções. O cerne do virão contém um activador transcricional específico e todas as enzimas necessárias para a transcrição. A disseminação ocorria por via linfática e virémia associada a células. . causando as pústulas características.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .E. Em seguida o mRNA é traduzido em proteínas estruturais. 66 . Como resultado desta condição o vírus deve codificar as enzimas necessárias para a síntese de mRNA e de DNA. É importante estudar esta família de vírus pelas seguintes razões: . para que seja possível a replicação ocorrer no citoplasma. fusionado em ambas as extremidades. e ainda alguns vírus animais que podem acidentalmente infectar os humanos. incluindo a RNA polimerase. O virião deve transportar muitas enzimas. No caso do Página 209 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . replicando-se nas vias aéreas. nos poxvírus a membrana organiza-se em volta do cerne já formado. Patogenia e Imunidade O vírus da varíola era inalado.Além do vírus da varíola.

Microbiologia vírus do molusco ou de outros poxvírus. o que conduzia a um exantema e falsas pústulas. sendo os sintomas hemorragia dos pequenos vasos na derme. Sabe-se que a imunidade mediada por células é essencial para a resolução da infecção. Os poxvírus codificam muitas proteínas que facilitam a sua replicação e patogenia no hospedeiro. Algumas dessas proteínas estimulam o crescimento celular.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . tendo sido utilizado para a vacina humana. e de seguida observar o evoluir da doença de modo a confirmar a infecção. Quanto ao vírus do molusco este origina preferencialmente uma lesão idêntica à verruga. A varíola iniciava-se com uma infecção das vias respiratória com envolvimento dos gânglios locais e consequente virémia. A varíola foi a primeira doença a ser controlada por imunização. Tanto o vírus do molusco contagioso como o da varíola são uma excepção a esta afirmação. denominando-se zoonoses. Vacínia e Varíola do Macaco.Ectima Contagiosa. O vírus apenas afecta o homem como resultado de exposições acidentais ou ocupacionais. mas podia ser confirmada pelo crescimento do vírus em ovos embrionados ou em cultura de células. a infecção humana com ectima contagiosa ou o vírus da varíola do gado é geralmente resultado de uma actividade ocupacional que implique o contacto directo com as lesões no gado. associada a um taxa de mortalidade de 15 a 40% e a varíola minor. e por isso esta foi gradualmente retirada. e por fim levam a que ocorra lise e consequente disseminação do vírus. existiam duas variantes de varíola. A vacinação consistia em inocular o vírus em ranhuras realizadas na pele do doente. o vírus da vacínia é uma forma da varíola no gado. Com o passar do tempo começou-se a verificar que existiam mais complicações resultantes da vacina do que da varíola propriamente dita. . podendo estas lesões ser confundidas com carbúnculo. e a sua erradicação constitui um dos maiores triunfos da epidemiologia médica. Nestes casos é comum formar-se apenas uma lesão no local de contacto. sendo disseminada principalmente por via respiratória.Varíola membrana corioalantóide dos ovos. no entanto existem outras: . mas também é possível a disseminação por contacto directo íntimo com o vírus seco em roupas ou materiais. A varíola era muito contagiosa. Epidemiologia Grande parte dos poxvírus que causam doença humana têm como reservatório outros vertebrados que não o homem. Síndromes Clínicas A varíola representa a doença mais conhecida associada a esta família de vírus. É possível a cultura do vírus e o seu visionamento em Página 210 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas o vírus consegue escapar a este controlo disseminando-se célula a célula.Varíola. o que era facilmente identificado pelo aparecimento das supostas pústulas na Fig. Na maior parte dos casos a varíola era diagnosticada clinicamente. a varíola major. esta será hemorrágica no caso de vacínia e granulomatosa no caso de ectima contagiosa ou pseudovacínia. à resposta mediada pelo interferão e às proteínas do complemento. escapando dessa forma aos anticorpos. estes são adquiridos por contacto directo com as lesões e não se disseminam extensivamente. 67 . associada a uma taxa de mortalidade de 1%. -Vacínia. O período de incubação era em média 12 dias.

Página 211 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As lesões desaparecem ao fim de 2 a 12 meses. as lesões neste caso são nodulares e verrucosas. tendo um período de incubação de 2 a 8 semanas e podendo ser transmitidas por contacto directo ou fomites.Molusco Contagioso. mas os nódulos podem ser removidos por raspagem ou aplicação de nitrogénio líquido ou soluções de iodo. no entanto o diagnóstico é regra geral feito com base nos sintomas e história clínica. na genitália e nas extremidades proximais. Este vírus não cresce em cultura nem em modelos animais. Esta doença é mais comum nas crianças.Microbiologia microscópio electrónico. evoluindo para um formato em pérola. o que constitui uma limitação para o seu estudo. possivelmente como resultado da resposta imunitária. no entanto a sua incidência está a aumentar na população sexualmente activa. e por fim originam nódulos umbilicados. Estas lesões são mais comuns no tronco. Surgem inicialmente pápulas. . O diagnóstico é confirmado histológicamente pela observação de inclusões citoplasmáticas de grandes dimensões e muito características em células epiteliais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

O B19 pode ainda ser responsável por crises aplásticas em doentes com anemia hemolítica crónica e está associado à poliartrite aguda em adulto. uma vez que se integram no cromossoma do hospedeiro. após esta fase as membranas nuclear e citoplasmática sofrem degeneração e o vírus é libertado por lise celular. Estes vírus infectam facilmente os seres humanos. A doença apresenta evolução bifásica: .Estádio Inicial Febril. no caso de infecção do feto intra-uterina pode ocasionar aborto. como consequência da destruição dos seus Página 212 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As cadeias de DNA positivos ou negativos são acondicionados separadamente nos viriões. embora classificados no género Dependovirus. pelo que constituem bons candidatos para a utilização no tratamento de substituição génica. a Quinta Doença. O genoma possui nas suas extremidades sequência repetidas invertidas que facilitam a sua síntese. nem parecem ter capacidade para modificar a infecção provocada pelos vírus auxiliar. Para que ocorra replicação é necessário factores apenas disponíveis durante a fase S e uma DNA polimerase. ligando-se ao antigénio P do grupo sanguíneo no eritrócito e a sua internalização ocorre por desnudamento e consequente libertação do genoma para o núcleo. sendo que o filamento positivo codifica três proteínas estruturais. sendo responsável por um eritema infeccioso. Aparentemente. é a fase infecciosa.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o seu genoma é constituído por uma molécula de DNA única circular de cadeia simples. Este determinante e o facto de possuírem um reportório genético menor fazem com que sejam mais dependentes da célula hospedeira ou de outros vírus. O mRNA para as proteínas não-estruturais reguladoras e proteínas estruturais da cápsula é sintetizado pelo mesmo promotor através do mecanismo de splicing. Os vírus adenoassociados pertencem à família dos Parvoviridae. Este vírus replica-se em células mitoticamente activas e prefere células da linhagem eritróide. estes vírus não causam doença.Microbiologia Parvovírus Os vírus da família Parvovírus são os vírus de DNA com menores dimensões. Durante este período a produção dos eritrócitos é paralisada por cerca de 1 semana. As proteínas virais sintetizadas no citoplasma regressam ao núcleo onde se formam os viriões. Patogenia e Imunidade Os alvos do B19 são células precursoras eritróides sobre as quais os vírus possuem uma acção citolítica. Estrutura e Replicação Os parvovírus são extremamente pequenos e possuem uma cápsula icosaédrica sem invólucro. exantema e artralgia. o vírus B19. uma principal não estrutural e outras de menor importância. Até ao momento apenas foi identificado um sorotipo do vírus B19. Apenas um vírus desta família pode causar doença em humanos. A doença associada a este vírus resulta da destruição directa destas células e da consequente resposta imunológica à infecção. geralmente um adenovírus. mas replicam-se apenas em associação com um segundo vírus. Através de estudos sabe-se que o B19 se replica inicialmente nas vias aéreas superiores e se dissemina depois por virémia para a medula óssea e outros locais onde vai infectar as células eritróides.

não existindo evidências que o B19 seja responsável por anormalidades congénitas. sendo detectável reticulocitopenia durante 7 a 10 dias. com sintomas idênticos aos da influenza e libertação de grandes quantidades de vírus nas secreções orais e respiratórias. com diminuição dos níveis de hemoglobina. bem como ligeiro declínio dos níveis de hemoglobina. sendo nesta fase que o indivíduo é contagioso. A infecção de mulheres grávidas soropositivas é na maior parte dos casos livre de efeitos adversos sobre o feto. Após este período surge o exantema distinto na face. O Eritema Infeccioso é mais comum nas crianças e adolescentes com idade compreendida entre os 4 e 15 anos. 68 . o desaparecimento do vírus detectável e a formação de imunocomplexos. podendo ser observado um exantema maculo-papular com artralgia e edema articular.Quinta Doença de que a pessoa foi esbofeteada. disseminando-se para os membros e desaparecendo ao fim de 1 a 2 semanas. tanto de secreções respiratórias. com predomínio da artrite das mãos. que resultam da o aparecimento dos anticorpos vírusespecíficos. pensa-se que seja desencadeado pela resposta imunológica. Nos adultos a infecção por B19 causa poliartrite. joelhos e tornozelos. no caso de uma infecção por B19.Microbiologia precursores pelo vírus. a infecção por este vírus resulta numa infecção crónica. A infecção de um indivíduo normal pode não causar sintomas perceptíveis ou pode produzir febre e sintomas inespecíficos. Página 213 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . é ainda possível a transmissão parenteral por meio de concentrado de factores de coagulação do sangue. mas muitas das vezes isso não acontece. . estes possuem um elevado risco de desenvolver reticulocitopenia potencialmente fatal. No caso de doentes imunocomprometidos. denominada crise aplástica. mas também interfere com alguns dos sintomas. O vírus pode infectar o feto e destruir os precursores eritróides. pulsos. Esta crise aplástica é acompanhada de febre e sintomas inespecíficos. dando a impressão Fig. mal-estar e mialgias. É possível que o exantema preceda a artrite. A transmissão do vírus ocorre através de aerossóis. Epidemiologia Cerca de 65% da população adulta é infectada pelo vírus B19 por volta dos 40 anos de idade. A imunidade humoral é responsável por limitar a virémia e é importante para a resolução da infecção. O inicio da infecção é caracterizado por um período prodrómico atípico. No caso de o doente sofrer de anemia hemolítica crónica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo mais comum no final do Inverno e início da Primavera. Observa-se um exantema e artralgia.Estádio Sintomático. como dor de garganta. como orais. Por outro lado a artralgia e artrite são mais frequentes nos adultos. Síndromes Clínicas O vírus B19 é o agente etiológico doo eritema infeccioso ou quinta doença. resultando numa redução transitória da eritropoiese na medula óssea. causando anemia e insuficiência cardíaca congestiva ou hidropisia fetal. Surge uma intensa virémia após 8 dias da infecção.

Pode ainda ser utilizada a PCR.Patogenia da Infecção pelo Vírus B19 Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico de eritema infeccioso é regra geral estabelecido com base nas manifestações clínicas. Tratamento. Actualmente existem ensaios imunoadsorventes ligados a enzima (ELISA) para IgM e IgG anti-parvovírus B19. Prevenção e Controlo Não existem tratamento anti-viral específico ou meios de controlo. Página 214 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo muito sensível em amostras clínicas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . 69 . Actualmente apenas existem vacinas para parvovírus de cães e gatos. No entanto é possível estabelecer o diagnóstico definitivo da doença causada por B19 com base na presença de IgM específica ou de DNA viral.Microbiologia Fig. no entanto requer controlos adequados. Não é efectuado o isolamento do vírus em cultura.

Cardiovírus. apresentando um poli A na extremidade 3’ e uma pequena proteína VPg fixada na extremidade 5’. que possuem uma cápsula sem invólucro. o que limita as infecções por este agente às vias aéreas superiores. Os protómeros são constituídos por quatro polipéptidos de viriões. Estas características fazem com que o genoma dos picornavírus seja suficiente para infectar uma célula. Os rinovírus humanos são constituídos por pelo menos 100 serótipos e são a causa mais comum da constipação. estes vírus são vírus de RNA pequenos. a VP0. O Pleconaril e agentes anti-virais relacionados contêm um grupo que se liga à base dessa depressão e altera a sua conformação. são igualmente estáveis em ambiente ácido. . Ao ligar-se ao Página 215 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . cada um composto por cinco unidades protoméricas de proteínas. A solidificação da estrutura do virião é conseguida pela acção da VP4. Sabese que VP2 e VP4 são gerados pela clivagem de um precursor. O sítio de ligação é protegido da neutralização dos anticorpos.Enterovírus.Heparnavírus. Replicação A especificidade da interacção dos picornavírus com os receptores celulares constitui o principal determinante do seu tropismo para os tecidos alvo e consequentes doenças.Rhinovírus. possuindo 12 vértices pentaméricos. O genoma dos picornavírus assemelha-se ao mRNA. O genoma codifica uma poliproteína que é proteoliticamente clivada para produzir as proteínas enzimáticas e estruturais do vírus. Estrutura Os RNA de cadeia positiva dos picornavírus é revestido por uma cápsula icosaédrica. Além das proteínas da cápsula e do VPg. O picornavírus mais conhecido e bem estudado é o poliovírus. A sequência poli A aumenta a infectividade do RNA. pela temperatura óptima de crescimento. possuindo três serótipos distintos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . . . Esta família encontra-se dividida em cinco géneros: . Pelo menos 80% dos rinovírus e vários serótipos de coxasckievírus reconhecem a ICAM-1. os picornavírus codificam duas proteases e uma RNA polimerase. à excepção dos rinovírus.Microbiologia Picornavírus Tal como é sugerido pelo nome. sendo sensíveis ao pH ácido e replicam-se com dificuldade em temperaturas acima de 33ºC. É possível distinguir os enterovírus dos restantes pela sua estabilidade da cápsula em pH 3. Todas as cápsulas são estáveis na presença de calor e detergentes e. bloqueando consequentemente a tradução da maioria dos mRNA celulares. fibroblastos e células endoteliais. esta é expressa em células epiteliais. modo de transmissão e doenças associadas. Os poliovírus produzem uma protease que degrada a proteína que envolve os ribossomas eucariotas. . VP1 a VP4. e como tal esta apenas é produzida após a replicação do genoma viral. impedindo o desnudamento do vírus. As proteínas VP1 nos vértices dos viriões contêm uma estrutura em depressão à qual se liga o receptor.Aphtovírus. e a VPg pode ser importante na inclusão do genoma na cápsula e início da síntese de RNA viral.

Cada cinco subunidades associam-se para formarem um pentámero. VP1 e VP3 são clivadas da poliproteína viral e agrupam-se em subunidades. a VP0 é clivada em VP2 e VP4 para completar a cápsula. Com a tradução do genoma viral. Quando o genoma é inserido. A RNA polimerase gera um modelo de RNA de cadeia negativa a partir do qual se podem formar novos genomas de mRNA e modelos. após cerca de 10 a 15 minutos da infecção é sintetizada uma poliproteína que contem todas as sequências proteicas virais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . em relação com a necessidade de factores necessários para síntese proteica. as proteínas estruturais VP0.Microbiologia receptor a VP4 é libertada e o virião é enfraquecido. Página 216 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o mRNA viral pode competir com o mRNA celular. Todas estas acções contribuem para um efeito citopatológico dos picornavírus sobre as células alvo. criando-se um canal num dos vértices da cápsula e desse modo o genoma injectado no interior da célula alvo. As alterações da permeabilidade induzidas por estes vírus podem reduzir a capacidade do mRNA celular se ligar ao ribossoma. e cada doze destes formam um pró-capsídio. Por outro lado. 70 . Diversos picornavírus inibem a síntese de RNA e proteínas celulares durante a infecção. Estes vírus são libertados geralmente por lise celular. Fig.Estrutura do Picornavírus O genoma liga-se directamente ao ribossoma.

e como tal. no entanto a poliomielite paralítica ainda prevalece em locais onde a vacinação não efectuada por motivos culturais. replicando-se rapidamente e causando lesão directa na célula. Os coxsackievírus e echovírus reconhecem receptores expressos num maior número de células e tecidos. A infecção durante a fase inicial da infância é na maior parte dos casos uma doença mais ligeira ou assintomática. o que resultará em sintomas e numa virémia secundária. a resposta mediada por anticorpos é a principal forma de protecção contra os enterovírus. O Verão é o principal momento em que se verifica doença. aqui irá ocorrer uma segunda replicação. A imunidade mediada por células geralmente não está envolvida na protecção. As vias aéreas superiores. colocando o vírus no ambiente e dessa forma favorecendo a transmissão do vírus em condições sanitárias precárias e em aglomerados populacionais. células musculares esqueléticas. Página 217 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . células linfóides e algumas outras células. A eliminação viral a partir da orofaringe pode ser detectada numa curto período de tempo. mas no caso dos coxsackievírus e echovírus. o tipo selvagem do poliovírus foi eliminado do hemisfério ocidental.Poliovírus vírus para os tecidos alvo que apresentam o receptor. a orofaringe e o tracto intestinal constituem as portas de entrada para os enterovírus. os enterovírus não são agentes comuns de doença entérica. neurónio motores. causam um mais espectro de doenças. pois a resolução da infecção implica a acção das células T. Através de um plano de vacinação eficaz contra a poliomielite.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os enterovírus são na sua maioria citolíticos. 71 . no entanto são transmitidos por via oral-fecal. reconhecendo um receptor expresso nas células do corno anterior da medula espinhal. Epidemiologia Os enterovírus apenas causam doença em humanos. A virémia primária dissemina os Fig. gânglios da raiz dorsal.Microbiologia Enterovírus Patogenia e Imunidade Apesar do seu nome. O poliovírus apresenta um tropismo tecidual dos mais restritos. mas pode desempenhar um papel importante na patogenia. Mais uma vez o vírus da Hepatite A é uma excepção. sendo os viriões resistentes ao ácido gástrico. A replicação viral é iniciada na mucosa e no tecido linfóide das amígdalas e da faringe. Apesar desta limitação. mesmo na presença de resposta imunológica humoral. podendo o vírus vir a infectar posteriormente as células linfóides das placas de Peyer que revestem a mucosa intestinal. A eliminação assintomática pode perdurar por um mês. sendo o vírus da Hepatite A uma excepção. sendo disseminados principalmente por via oral-fecal. às proteases e à bílis. estes também podem ser disseminados por aerossóis e causar infecções do sistema respiratório. enquanto uma eliminação através do intestino pode durar 30 dias.

.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .Gravidez. O período de incubação para a doença causada por enterovírus é muito variável. podendo surgir petéquias ou exantemas. Os poliovírus podem causar uma das seguintes consequências em pessoas não-vacinadas: . podendo ser fatais em recém-nascidos. dor durante a deglutição. estes estão associados a lesões vesiculares. . Esta síndrome é caracterizada por deterioração dos músculos originalmente afectados. A paralisia medular pode afectar um ou mais membros. mal-estar. esta manifestação resulta da perda dos neurónios inicialmente afectados.Idade e Sexo.Infecções por Poliovírus. . enquanto os coxsackievírus B a miocardite e pleurodinia. dor de garganta. dependendo dos factores já referidos em cima. A doença e auto-limitada e exige apenas tratamento sintomático. indo desde 1 a 35 dias. sendo caracterizada por febre. Este tipo de manifestação surge 2 a 3 dias após a doença menor.Sorotipo viral. Assim sendo.Microbiologia Síndromes Clínicas As síndromes clínicas produzidas pelos enterovírus são determinadas por vários factores: .Porta de Entrada. cefaleias. Pode ainda existir a síndrome pós-pólio. ocorre em apenas 1 a 2% dos doentes. não estando vírus presente. dor torácica pleurítica e que pode ser excruciante. sendo este distúrbio caracterizado por febre. . .Estado de Saúde do Doente. espasmos musculares e os sintomas associados á doença menor.Doença Assintomática. representando cerca de 90% das infecções. enquanto a paralisia bulbar pode afectar uma combinação dos nervos cranianos e até mesmo o centro respiratório medular. Nesta doença o vírus dissemina-se para as células do corno anterior da medula espinhal e córtex motor do cérebro. . . . originando dores nas costas. Este tipo de infecção é caracterizada por um paralisia flácida assimétrica e sem perda sensorial. o Enterovírus 70 e uma variante do Coxsackievírus A24 foram associados à conjuntivite hemorrágica aguda. no caso dos vírus coxsackievírus A.Outras Doenças Causadas por Enterovírus. incluindo rigidez da nuca.Infecções por Coxsackievírus e Echovírus.Poliomielite Abortiva. resulta da infecção limitada á orofaringe e ao intestino. as infecções pelo vírus selvagem da poliomielite são raras devido ao sucesso da vacinação. mas é possível definir que os virais que causam infecções orais e respiratórias apresentam o menor tempo de incubação. A pleurodinia é uma doença aguda na qual o doente apresenta início súbito de febre e dor torácica baixa unilateral. anorexia e vómito. É uma doença Página 218 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . dor de garganta e vómitos dentro de 3 a 4 dias da exposição. tornando-a numa doença bifásica. sendo consequência de um disseminação do vírus no SNC e nas meninges. ocorre em cerca de 0.Tropismo Tecidual.Dose infectante. A herpangina é causada por vários coxsackievírus A e não está relacionada com o herpesvírus. que é uma sequela da poliomielite que pode ocorrer numa fase mais tardia da vida em 20 a 80% das vitimas originais.Poliomielite Paralítica.Poliomielite Não-Paralítica ou Meningite Asséptica. vamos analisar algumas das patologias consoante o agente: . Estes vírus também podem causar uma doença paralítica semelhante ao poliovírus. A meningite viral é uma doença febril aguda acompanhada de cefaleias e irritação meníngea.1 a 2% dos indivíduos infectados e é a manifestação mais grave. denominada a doença menor. denominada a doença maior. . . As infecções do miocárdio e pericárdio causadas pelo coxsackievírus B ocorrem esporadicamente em adultos e crianças de mais idade.

A serologia é utilizada para confirmar a infecção por enterovírus através da detecção de IgM específica ou de um aumento de quatro vezes nos títulos de anticorpo entre o período de doença aguda e o período de convalescença. Os rinovírus compartilham um receptor comum aos coxsackievírus. . Em contraste com a meningite bacteriana.Vacina Pólio Oral de Vírus Atenuado (OPV). As prinicpais desvantagens da vacina viva são o vírus da vacina pode infectar um indivíduo imunologicamente comprometido e existe um potencial remoto para o vírus reverter para a sua forma virulenta e causar doença paralítica. mas raramente no líquor. mas estas infecção são auto-limitadas e não produzem doença grave. Cultura Os poliovírus podem ser isolados da faringe de doentes durante os primeiros dias da doença. podendo a sua transmissão ser reduzida por melhorias na higiene e nas condições de vida. e das fezes por um período de até 30 dias. Tratamento. Não existem vacinas para os coxsackievírus ou echovírus. relativamente baratas e induzem resposta humoral protectora. o líquor na meningite viral carece de neutrófilo e o nível da glicorráquia apresentase normal ou ligeiramente diminuído. nomeadamente o ICAM-1. inibe a penetração do picornavírus na célula e deve ser administrado logo no inicio da infecção. A análise do líquido cefalorraquidiano raramente é positiva para o vírus. o que se deve ao facto de os sintomas surgirem muito depois da infecção inicial. A prevenção da poliomielite para lítica é um dos grandes triunfos da medicina moderna.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o Pleconaril. Ambas as vacinas incluem os três serótipos do vírus. Página 219 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia altamente contagiosa e que apresenta um período de incubação de 24 horas e resolução ao fim de 1 a 2 semanas. Diagnóstico Laboratorial Química Clínica O liquido cefalorraquidiano da meningite asséptica causada por poliovírus ou enterovírus revela pleocitose predominantemente linfocítica. são estáveis. Prevenção e Controlo Uma novo fármaco anti-viral. Existem dois tipos de vacina contra o poliovírus: . No caso de miocardite o vírus raramente é detectado. Rinovírus Os rinovírus constituem a causa mais importante da constipação comum e das infecções das vias aéreas superiores.Vacina Pólio Inactivada (IPV). O tipo específico de enterovírus pode ser detectado com o uso de anticorpos e ensaios com antigénios ou pela RT-PCR para a detecção do RNA viral.

Epidemiologia Os rinovírus causam pelo menos 50% das infecções das vias aéreas superiores. esta vai aumentado e pode originar obstrução nasal. os rinovírus são incapazes de se replicarem no tracto gastrointestinal. o que pode explicar a sua melhor disseminação no ambiente mais frio da mucosa nasal. cefaleias e mal-estar. Os vírus são identificados pelo efeito citopático típico e da demonstração de labilidade em meio ácido. Página 220 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A resposta da IgA desaparece rapidamente. Diagnóstico Laboratorial A síndrome clínica da constipação comum é geralmente tão característica que o diagnóstico laboratorial se torna desnecessário. Estes vírus sem invólucro podem sobreviver em objectos por horas. Os rinovírus produzem doença clínica em apenas 50% das pessoas infectadas. podem surgir dores de garganta. boca ou olhos e inicia a infecção das vias áreas superiores.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e o contacto directo pessoa-pessoa é o modo de transmissão predominante. mas as estirpes predominantes são geralmente novas categorias de serótipos. O vírus penetra através do nariz. Sabe-se que as crianças e latentes são mais susceptíveis à infecção por estes vírus. As mãos parecem constituir o principal vector. pois são lábeis a pH 3 e o seu crescimento apenas é optimizado a 33ºC. e a imunidade começa a diminuir aproximadamente 18 meses após a infecção. podendo ser cultivados em fibroblastos diplóides humanos a 33ºC. Este padrão indica a existência de uma derivação antigénica gradativa. Síndromes Clínicas Os sintomas da constipação comum causado pelos rinovírus não podem ser facilmente distinguidos de outros vírus que causam infecções das vias aéreas superiores. Tanto a IgA secretora nasal quanto a IgG sérica são induzidas pela infecção primária do rinovírus e podem ser detectadas após uma semana de infecção. porém em menores quantidades. mas mesmo os assintomáticos são capazes de eliminar o vírus. semelhante à que se verifica com os vírus influenza. Muitos diferentes serótipos de rinovírus podem ser encontrados numa determinada comunidade durante uma estação fria específica. As células infectadas libertam bradicinina e histamina. Os sintomas incluem inicialmente espirros. seguidos de rinorreia. A maior parte da replicação viral ocorre no nariz e o início dos sintomas está relacionado com a eliminação do vírus e a quantidade que é eliminada. o que irá originar rinorreia. podendo ser transmitidos por aerossóis e fomites. O vírus pode ser obtido a partir de lavados nasais. É interessante notar que a libertação de citocinas durante a inflamação pode promover a disseminação do vírus ao aumentar a expressão dos receptores virais ICAM-1. Juntamente com estes sintomas. Algumas vezes as infecções por rinovírus podem ser acompanhadas de febre e calafrios. O interferão que é produzido em resposta à infecção pode limitar a evolução da infecção e contribuir para os sintomas.Microbiologia Patogenia e Imunidade Contrariamente aos enterovírus.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os vasoconstritores nasais podem proporcionar alivio. mas não se mostrou muito eficaz no controlo das infecções por este vírus.Microbiologia Tratamento. A Enviroxima inibe a RNA polimerase viral. mas a sua utilização pode ser seguida de congestão e agravamento dos sintomas. Não foi ainda demonstrada a eficácia da terapia com vitamina C nas infecções por rinovírus. possuem um grupo que se insere na base da depressão de ligação do receptor. Os fármacos anti-virais experimentares idênticas ao Plecoranil. Existem estudos para desenvolver um análogo do receptor ICAM-1 que possa ser utilizado como uma droga anti-viral. A lavagem das mãos e a desinfecção de objectos contaminados constituem os melhores meios de se impedir a transmissão do vírus. bloqueando o desnudamento do vírus. Prevenção e Controlo Existem vários medicamentos adquiridos sem prescrição media para a constipação. O Plecoranil inibe a replicação do rinovírus. como a Arildona. Página 221 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o Disoxaril e os seus análogos. a Rodanina.

Estrutura e Replicação Os paramixovírus apresentam um RNA de cadeia simples e sentido negativo numa nucleocapsídio helicoidal.Vírus da Parainfluenza. O nucleocapsídio é constituído por um RNA de cadeia simples e sentido negativo associado à nucleoproteína (NP). fosfoproteína polimerase (P) e à proteína grande (L). A proteína L é a RNA polimerase. e a protecção é fornecida por uma vacina viva eficaz. H ou G ao ácido siálico dos glicopéptidos da superfície celular. ocorrendo a transcrição. Página 222 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . no entanto são maiores e não possuem um genoma segmentado característico do vírus influenza. Estes diversos vírus apresentam morfologias e componentes proteicos idênticos. Novos genomas associam-se às proteínas L. Os viriões maduros através do processo de gemulação abandonam a célula. esta ultima pode ser hemaglutinina-neuramidase (HN). A proteína F pode ser activada por clivagem proteolítica. Recentemente foram descobertos dois novos vírus causadores de zoonoses. Os paramixovírus também são capazes de induzir a fusão intercelular. . tradução e replicação do genoma no citoplasma da célula. O genoma é transcrito num mRNA e num molde de RNA de sentido positivo. São idênticos aos ortomixovírus. o vírus Nipah e o vírus Hendra.Vírus da Papeira. .Estrutura dos Paramixovírus estrutura genómica. uma proteína de fusão (F). 72 . circundado por um invólucro pleomórfico. que promove a fusão do vírus com as membranas celulares. originando células gigantes multinucleadas. O nucleocapsídio associa-se à proteína da matriz (M) na base do invólucro lipídico.Vírus do Sarampo. . hemaglutinina (H) ou proteína G. e uma proteína de fixação viral. a proteína P facilita a síntese do RNA e a proteína NP ajuda a manter a Fig. originando os glicopéptidos F1 e F2.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A RNA polimerase é transportada para a célula como parte do nucleocapsídio.Vírus Sincicial Respiratório. Os vírus do Sarampo e da Papeira apresentam apenas um sorotipo. N e NP para formar nucleocapsídios. estes por sua vez associam-se às proteínas M nas membranas plasmáticas modificadas pelas glicoproteínas virais. O invólucro do virião contém duas glicoproteínas.Microbiologia Paramixovírus Os Paramyxoviridae incluem os seguintes vírus associados a doença humana: . A replicação dos paramixovírus é iniciada pela ligação das proteínas HN. denominadas sincícios. e ainda a capacidade de induzir a fusão intercelular.

o que origina células gigantes. permitindo a disseminação célula a célula.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Epidemiologia Os planos de vacinação desenvolvidos de forma eficaz fizeram com que a doença actualmente seja rara. mas em infecções persistentes de células do cérebro humano pode não ocorrer lise. Em 1993 iniciou-se a vacinação com uma vacina viva e desde então menos de 1000 casos foram identificados nos EUA.Infecção directa dos Neurónios. esta infecção produz uma imunidade de longa duração.Encefalite Pós-Infecciosa.Microbiologia Vírus do Sarampo O Sarampo constitui um dos cinco exantemas infantis clássicos juntamente com a rubéola. Fig. O exantema que constitui uma das principais manifestações desta infecção é derivado da activação de células T e da consequente destruição de células endoteliais infectadas dos pequenos vasos. O sarampo é altamente contagioso e é transmitido pessoa a pessoa por aerossóis respiratórios. Durante o período de incubação é possível verificar-se uma redução no número de eosinófilos e linfócitos. Inicialmente o vírus replica-se no local da infecção e depois dissemina-se para o sistema linfático originando virémia. No caso de crianças com deficiências nas células T o sarampo manifesta-se por uma pneumonia de célula gigante sem exantema. mas atinge uma incidência máxima no Inverno e Primavera. e ainda uma redução na sua capacidade de activação. 73 – Mecanismos da Infecção pelo Vírus do Sarampo O sarampo pode causar encefalite de três formas: . a roséola. .Pan-Encefalite Esclerosante Subaguda (SSPE). e que de certa forma permite uma fuga à imunidade humoral. Na maior parte dos casos a infecção leva à lise celular. Página 223 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Patogenia e Imunidade O sarampo é conhecido pela sua propensão em causar fusão celular. A imunidade mediada por células é responsável pela maior parte dos sintomas e é essencial para o controlo da infecção. . a quinta doença e a varicela. Nos doentes após o exantema surge uma fase de recuperação.

mas surge após 7 a 10 dias do início da doença e manifesta-se como Encefalite Pós-Infecciosa. Os indivíduos susceptíveis expostos que estão imunossuprimidos devem receber imunoglobulina para diminuir o risco e a gravidade da doença clínica. A Pneumonia pode ser uma complicação grave do sarampo e é responsável por cerca de 60% das mortes causadas pelo sarampo. Os anticorpos. O vírus do Sarampo apresenta um único sorotipo e infecta apenas o ser humano. Síndromes Clínicas O Sarampo é uma doença febril grave. sendo uma das infecções conhecidas mais contagiosas. sendo raras as infecções assintomáticas. podem ser observados em células do tracto respiratório superior e do sedimento urinário coradas pelo método de Giemsa. podem ser detectados quando o exantema está presente. um aumento de pelo menos quatro vezes nos títulos de anticorpos sarampo-específicos. denominadas manchas de Koplik. urina. Estas características fazem com que o programa de vacinação tenha uma elevada eficácia. Tratamento. especialmente a IgM. Os efeitos citopáticos característicos são células gigantes multinucleadas apresentando corpúsculos de inclusão citoplasmáticos e nucleares. As amostras recomendadas são as secreções do tracto respiratório.Microbiologia O Sarampo pode ser disseminado pelas secreções respiratórias antes e depois do início dos sintomas. Prevenção e Controlo A vacina viva atenuada é usada desde 1963 e foi responsável por uma redução muito significativa do sarampo. este procedimento é mais eficaz de for aplicado dentro de 6 dias a exposição. como é exemplo a desmielinização dos neurónios. e inicia-se com febre alta.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Uma das complicações mais preocupantes do sarampo é a Encefalite que raramente surge na fase aguda da doença. No popular ou coloquial pode-se usar "nariz escorrendo" ou "nariz entupido". Actualmente não existe nenhum tratamento anti-viral específico para o sarampo. tendo um período de incubação de 7 a 13 dias. secreção e obstrução nasal. disseminando-se depois para todo o corpo. Coriza . O exantema é maculo-papular e geralmente muito extenso. Diagnóstico Laboratorial As manifestações clínicas do sarampo são na maior parte dos casos tão características que raramente se torna necessária a realização de testes laboratoriais para o diagnóstico. ou seja.é a inflamação da mucosa nasal. O isolamento e crescimento do vírus do sarampo é difícil. tendo como origem as reacções imunopatológicas. tosse. 47 Página 224 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os hospitais em zonas de sarampo endémico podem vacinar ou verificar o estado imunológico dos seus funcionários para diminuir o risco de transmissão hospitalar. mas é possível de realizar em células primárias humanas e de macaco. Nestes casos é comum a superinfecção bacteriana. Após 2 dias de doença surgem as lesões típicas das mucosas. coriza47 e conjuntivite. sendo mais comum em adultos e crianças de idade avançada. e ainda fotofobia. acompanhada eventualmente de espirros. após 12 a 24 horas desta manifestação aparece o exantema do sarampo por baixo das orelhas. O sarampo pode ser confirmado pelas evidências de soroconversão. sangue e tecido cerebral.

especificamente a IgA. Patogenia e Imunidade Fig. confere protecção. estando associados a laringotraqueobronquite. a transmissão é feita por contacto directa e por aerossóis respiratórios. As infecções primárias surgem em lactentes e crianças com idade inferior a 5 anos. e pode de igual modo originar sincícios celulares e provoca lise celular. mas que podem originar doença grave do tracto respiratório.2 e 3 ocupam o segundo lugar como importantes agentes de infecções graves das vias aéreas inferiores em lactentes e crianças de pouca idade. Em lactentes a infecção pode ser mais grave. 74 . Também a imunidade humoral. Diagnóstico Laboratorial O vírus parainfluenza isolado a partir de lavados nasais e de secreções respiratórias é facilmente cultivado em células primárias de rim de macaco. podendo resultar num edema subglótico e desse modo estreitar as vias aéreas.é uma doença infectocontagiosa causada pela toxina do bacilo Corynebacterium diphteriae. no entanto verifica-se uma elevada incidências de pneumonias em idosos. A imunidade celular é responsável pelas lesões celulares observadas. Síndromes Clínicas Os Vírus Parainfluenza 1. da traqueia e dos brônquios. 48 Página 225 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Vírus da Parainfluenza Os Vírus da Parainfluenza são vírus respiratórios. As crianças de mais idade e adultos apresentam sintomas mais ligeiros do que em crianças de pouca idade. pneumonia e. 2 e 3 podem causar síndromes respiratórias que variam desde uma infecção branda das vias aéreas superiores até bronquiolite e pneumonia. este replica-se mais rapidamente do que o vírus do sarampo e da papeira. mas de curta duração. causando bronquiolite.Vírus da Parainfluenza O Vírus Parainfluenza infecta as células epiteliais do tracto respiratório superior. no caso da Parainfluenza 3 ocorre durante todo o ano. às vezes. Pode também estar associada ao vírus parainfluenza. Neste género existem quatro serótipos associados a doença humana. mais frequentemente. que geralmente causam sintomas ligeiros semelhantes aos da constipação. Tal como acontece com os outros Crupe . No caso do tipo 4 está associado a doença ligeira das vias aéreas superiores em crianças e adultos. Epidemiologia Os Vírus Parainfluenza são ubíquos e a infecção é frequente. Na maior parte dos casos o vírus permanece nas vias aéreas superiores e causa sintomas idênticos aos de uma constipação. que provoca inflamação da mucosa da garganta. bem como pela protecção conferida. crupe. sendo que os tipos 1. do nariz e. As infecções da Parainfluenza 1 e 2 são responsáveis por crupe48 e tendem a ocorrer no Outono.

a Papeira é uma doença altamente contagiosa com apenas um sorotipo capaz de infectar o ser humano. que é caracterizada por um edema doloroso das glândulas salivares. a qual é administrada juntamente com a vacina de vírus vivos contra o sarampo e a rubéola. A Papeira raramente é observada em países que utilizam vacinas com o vírus vivo. secreções do ducto de Stensen e líquido cefalorraquidiano. Não se encontram disponíveis agentes anti-virais específicos. O exame oral revela eritema e edema do orifício do canal de Stensen. é responsável por uma infecção lítica das células. Prevenção e Controlo O tratamento do crupe consiste na administração de vapor frio ou quente nebulizado e na monitorização cuidadosa das vias aéreas superiores. No caso da orquite. do qual apenas se conhece um sorotipo. A vacinação com vacinas mortas é ineficaz. o edema pode levar a uma situação extrema de esterilidade. Página 226 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . urina. faringe. Na ausência de programas de vacinação. As respostas inflamatórias são principalmente responsáveis pelos sintomas. podendo ser necessária a entubação. A transmissão do vírus é feita por contacto directo pessoa -pessoa ou por aerossóis respiratórios. Actualmente ainda não se encontram disponíveis vacinas vivas atenuadas. Síndromes Clínicas As infecções pelo Vírus da Papeira são em muitos casos assintomáticos. A vida ou trabalho em ambientes fechados promovem a transmissão do vírus. e a imunidade é para toda a vida. O vírus inicia a infecção nas células epiteliais do tracto respiratório superior e infecta a glândula parótida através do ducto de Stensen ou por virémia. podendo ocorrer edema das outras glândulas e meingoencefalite poucos dias após o início da infecção viral. e a incidência da infecção é maior no Inverno e na Primavera. Tratamento. Patogenia e Imunidade O Vírus da Papeira. O vírus da papeira cresce bem em células do rim de macaco.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Epidemiologia De forma semelhante ao que acontece com o sarampo. estes são lábeis a quando do transporte para o laboratório. A presença de células infectadas é constatada pela observação de sincícios e o vírus é identificado por imunofluorescência. tendo os sintomas um início súbito. o que muito provavelmente se deve ao facto de não ser induzida a formação de anticorpos secretores locais e não se desenvolver a imunidade celular adequada. a infecção ocorre em 90% das pessoas por volta dos 15 anos.Microbiologia paramixovírus. Diagnóstico Laboratorial O vírus pode ser isolado na saliva. Vírus da Papeira O Vírus da Papeira constitui a causa da Parotidite Viral Aguda Benigna. A doença clínica manifesta-se como parotidite que é quase sempre bilateral e acompanhada de febre.

Epidemiologia O RSV é muito prevalente em crianças de pouca idade.Microbiologia causando a formação de células gigantes multinucleadas. Tratamento. Página 227 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Prevenção e Controlo Em lactentes saudáveis sob os demais aspectos. por fomites e. taquicardia e sibilos expiratórios nos pulmões. A hemadsorção de eritrócitos de cobaia também ocorre nas células infectadas. um análogo da guanosina. desde a sua introdução o número de casos reduziu drasticamente. ocorrendo quase sempre no inverno. cujas epidemias podem deixar de ocorrer num determinado ano. O diagnóstico clínico pode ser confirmado por testes serológicos. desde uma constipação comum até pneumonia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A Ribavirina. baseandose na administração de oxigénio. o tratamento é de suporte. Diagnóstico Laboratorial O RSV é difícil de ser isolado em cultura celular. está aprovada para o tratamento de doentes predispostos a uma evolução mais grave. as epidemias por RSV ocorrem todos os anos. apresentando um período de incubação de 4 a 5 dias. sendo transmitido pelas mãos. Prevenção e Controlo As vacinas constituem o único meio eficaz de impedir a transmissão pelo Vírus da Papeira. Vírus Sincicial Respiratório Constitui a causa mais comum de infecção aguda e fatal do tracto respiratório em lactentes e crianças de pouca idade. taquipneia. Contrariamente ao que acontece com a influenza. a bronquiolite. por vias respiratórias. A principal diferença estrutural entre o RSV e os outros paramixovírus é que o RSV apresente um pequeno nucleocapsídio. A infecção das vias aéreas superiores com rinorreia proeminente é mais comum em crianças maiores e adultos. líquidos endovenosos e vapor frio nebulizado. que são significativos a quando de um aumento em pelo menos quatro vezes do anticorpo vírus-específico ou a detecção de anticorpos IgM específicos. ocorrendo a eliminação do vírus nas secreções respiratórias durante muitos dias. Tratamento. devido à hemaglutinina viral. especialmente nos lactentes. O vírus é muito contagioso. estando já disponíveis testes de imunoensaio enzimático e de imunofluorescência para a detecção de antigénios virais em células infectadas e em lavados nasais. em certo grau. Não dispomos de agentes anti-virais actualmente. podendo não apresentar hemaglutinina e de actividades de neuramidase. Os doentes em geral apresentam febre baixa. Podem ocorrer surtos entre os idosos e crianças. Nos lactentes pode ocorrer uma doença mais grave das vias aéreas inferiores. Síndromes Clínicas O RSV pode causar qualquer doença das vias aéreas.

gatos e outros mamíferos. Vírus Nipah e Hendra A quando do surto de encefalite grave na Malásia e Cingapura. cães. As crianças infectadas devem ser isoladas. Algumas dessas medidas incluem a lavagem das mãos e o uso de aventais. o vírus Nipah. em 1998. mas o prognóstico da infecção humana é grave. óculos de protecção e máscaras. foi identificado um novo paramixovírus.Microbiologia A imunização passiva com imunoglobulina anti-RSV está disponível para lactentes prematuros. o vírus é amplificado nos porcos e transmitido ao homem. homem. dos 269 casos que ocorram em 1999.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo necessário o controlo da equipa que contacta com a criança para evitar a disseminação a outros doentes. cavalos. O dois vírus apresentam ampla gama de hospedeiros. O vírus Nipah é mais estreitamente relacionado ao vírus Hendra. Página 228 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 108 foram fatais. Este último é um hospedeiro acidental deste vírus. incluindo porcos. Para o vírus Nipah o reservatório é o morcego das frutas. do que aos paramixovírus. descoberto em 1994 na Austrália.

como febre. A sua função consiste em clivar o ácido siálico em proteínas do virião. . O seu invólucro é constituído por duas glicoproteínas. e a pandemias periódicas como consequência de redistribuição ou variação. este apenas possui sete em vez dos oito presentes no tipo A e B.Microbiologia Ortomixovírus Os Vírus da Influenza A. cada uma.Induz a formação de Anticorpos Neutralizantes Protectores. que são transcritas. facilita o desenvolver de novas estirpes através da mutação e do rearranjo dos segmentos génicos entre diferentes estirpes humanas e animais. Os vírus da influenza são vírus respiratórios que causam sintomas respiratórios e sintomas clássicos do tipo gripal. N2. Estrutura e Replicação Os viriões da influenza são pleomórficos. etc. A HA forma um trímero em forma de espícula. Esta instabilidade genética é responsável por epidemias anuais. de galinha e cobaia. a partir de um segmento. o que se deve a mutações ou desvios. No caso do Vírus da Influenza tipo C a grande diferença consiste no número de fragmento presente no genoma. na antigenicidade viral. As variações apenas ocorrem com vírus da influenza A. hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA). B e C são os únicos membros da família Orthomyxoviridae. de aspecto esférico ou tubular. e outras maiores. cefaleias e mialgias. Estes vírus possuem invólucro e possuem um genoma de RNA segmentado de sentido negativo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . PB2 e PA). A NA forma um tetrâmero que possui actividade enzimática.Hemaglutinina. designando-se variação. Todas as proteínas são codificadas em segmentos separados. mal-estar. O genoma dos Vírus da Influenza A e B é constituído por oito segmentos diferentes de nucleocapsídios helicoidais. denominadas desvios. dessa forma evitar a agregação e facilitar a libertação do vírus das células infectadas.Fixação Viral. Esta proteína possui diversas funções. etc. tais como: . Tal como acontecia com a HA. a NA também sofre mudanças antigénicas. e na sua face interior é revestido pelas proteínas da matriz (M1) e da membrana (M2). H2. A importância desta proteína faz com que seja alvo de fármacos anti-virais. ao ligar-se ao ácido siálico em receptores superficiais das células epiteliais. e mais uma vez as principais diferenças adquirem as designações de N1. promovendo a agregação de eritrócitos humanos. . para ser activada cada unidade é clivada por uma protease em duas subunidades unidas por uma ligação dissulfeto. As características do seu genoma. Alterações nesta proteína são responsáveis por mudanças menores. e destes apenas o A e B causam doença significativa no ser humano. . como é o caso do Zanamivir (Relenza) e Oseltamivir (Tamiflu). estes últimos são componentes da RNA polimerase (PB1. isto apenas não se aplica às proteínas não estruturais (NS1 e NS2) e das proteínas M1 e M2. evitando que o vírus se volte a ligar a uma célula já infectada. nomeadamente ser fragmentado.Fusão do Invólucro com a Membrana Celular. e as diferentes HÁ são designadas por H1. Página 229 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo que cada um deles contem uma molécula de RNA de sentido negativo associado à nucleoproteína (NP) e à transcriptase.

M2.Microbiologia As proteínas M1. A influenza pode originar virémia transitória. Página 230 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . é ainda um dos agentes responsáveis pela imunopatogenia. sendo eles a Amantadina e Rimantadina. a libertação do vírus acontece cerca de 8 horas após a infecção. são transportadas para a superfície celular. mas raramente afecta outros tecidos que não o pulmonar. Por último o nucleocapsídio dirige-se para o núcleo onde é transcrito em mRNA. No caso do vírus da influenza A existem fármacos que actuam sobre a proteína M2. quebrando a interacção entre a proteína M 1 e a NP. Todos os segmentos genómicos são transcritos em mRNA para proteínas individuais. o que permite um melhor acesso ao tecido e em maior profundidade. PB1 e PB2) utiliza o mRNA da célula como iniciador da síntese do mRNA viral. A proteína M2 promove a acidificação dos conteúdos do invólucro. A NA facilita o desenvolver da infecção ao clivar os resíduos de ácido siálico. Todo este processo apesar de muito complexo é relativamente rápido. Patogenia e Imunidade Os Vírus da Influenza estabelecem inicialmente uma infecção das vias aéreas superiores. A recuperação é conseguida pela produção de interferão e pela resposta da imunidade celular. A transcriptase da influenza (PA. e NP são tipo-específicas e por isso são utilizadas para distinguir os vírus da influenza A. B e C. No final do processo de maturação. o que evita o dobramento induzido por ácido e inactivação da HA no interior da célula. Após a replicação os segmentos genómicos são transportados para o citoplasma e associam-se à polimerase e às proteínas NP para formar nucleocapsídios. seguindo-se a internalização do vírus numa vesícula e sendo depois transferido para um endossoma. tanta HA como NA. o que irá conduzir à fusão da membrana do endossoma com o invólucro viral. As proteínas M1 revestem a face interna do virião e promovem a sua organização. com excepção das proteínas M e NS. estes são clivados e re-ligados para produzirem dois diferentes mRNA. sendo o seu primeiro alvo as células produtoras de muco. Com este mecanismo é possível introduzir a região terminal metilada no RNA viral e dessa forma aumentar em muito a afinidade com que este se vai ligar ao ribossoma. A acção das células T tanto desempenha um papel importante na resolução da infecção. Ao quebrar as defesas naturais das vias aéreas respiratórias. As glicoproteínas HA e NA são processadas pelo reticulo endoplasmático e pelo complexo de Golgi. A acidificação do endossoma leva a um encurvamento da HA que expõe as suas regiões hidrofóbicas que promovem a fusão da proteína. A proteína M2 forma um canal de protões nas membranas e promove o desnudamento e a libertação viral. permitindo o desnudamento e a libertação do nucleocapsídio no citoplasma. Estes interagem com a proteína M1 revestindo as partes da membrana plasmática que contêm M2. São produzidos modelos de RNA de sentido positivo para cada segmento. Para combater esta resolução da infecção o vírus da influenza deprime a acção dos macrófagos e células T. células ciliadas e outras células epiteliais. o que ao destrui-las. permite uma melhor invasão do organismo. a infecção pelo vírus facilita a adesão bacteriana às células epiteliais. e o genoma de RNA de sentido negativo é replicado no núcleo. A replicação viral inicia-se com a ligação da HA ao ácido siálico nas glicoproteínas da superfície celular. HA e NA.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

. o que é favorecido pelo seu genoma segmentado e capacidade de infectar humanos e animais. Este último processo encontra-se associado a pandemias. incluindo as animais. Estas diferenças baseiam-se no facto do Vírus da Influenza B não sofrer variação antigénica e pandémica. o que é frequente a quando da fala. numa média de 10 anos. .Data do Isolamento Original. mas sabe-se que os anticorpos anti-NA também desempenham esse mesmo papel. A alteração das glicoproteínas HA pode originar um novo vírus que pode infectar uma população humana imunologicamente desprotegida.Microbiologia A protecção contra reinfecção é conseguida inicialmente pela produção de anticorpos anti-HA. . mas sem uma referência específica dos antigénios HA ou NA. As variações antigénicas surgem com pouco frequência. este eram soro-negativos para esta estirpe). Os alvos antigénicos das células T incluem o péptido de HA. como aves e porcos. causando surtos locais. denominadas variação antigénica. distribuição geográfica e data do isolamento.1997  H1N1 (Esta estirpe Reapareceu.1947  H1N1. A vigilância persistente dos surtos de Influenza A e B é realizada para identificar novas estirpes que devem ser incorporadas em novas vacinas. B ou C). Por outro lado podem surgir grandes alterações.Antigénio (HA e NA). Contrariamente ao que acontece com o Vírus da Influenza A. e ainda pela extensão da perda de tecido epitelial.Tipo (A. o que originou a disseminação do vírus. o que se deve a um acidente num laboratório. o que ocorre a cada 2 a 3 anos. As novas estirpes de Vírus da Influenza A são geradas por mutação e reagrupamento. o que resulta do reagrupamento dos genomas entre diferentes estirpes. Página 231 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Este vírus acabou por infectar os indivíduos com menos de 30 anos. mas também as proteínas do nucleocapsídio e a proteína M1. . Os sintomas e o desenvolvimento da doença são determinados pelas respostas do interferão e das células T.1957  H2N2 (Variação de Ambos os Antigénios). Alterações antigénicas menores com origem numa mutação dos genes HA e NA resultam num desvio antigénico. . No que toca às estirpes da Influenza B são denominadas pelo tipo. respiração e tosse. Epidemiologia As estirpes do Vírus da Influenza A são classificadas através das quatro características: . A Influenza caracteriza-se por ser auto-limitada e raramente afectar outros órgãos além dos pulmões. Iremos apresentar de seguida os registos dos últimos anos quanto aos vírus selvagens existentes na população: . A infecção pelo Vírus da Influenza dissemina-se rapidamente através de aerossóis.Local do Isolamento Inicial. O vírus pode ainda sobreviver até um dia sobre a superfície de balcões. estas ultimas por não serem tão variáveis permitem uma resposta mais alargada das células T.1968  H3N2 (Variação de Apenas Um dos Antigénios). o Vírus da Influenza B é predominantemente humano e não sofre variação antigénica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .

Tratamento. miose e Síndrome de Reye. a síndrome gripal inicia-se com um breve pródromo de mal-estar e cefaleias. Diagnóstico Laboratorial A ocorrência de sintomas característicos de Influenza num indivíduo durante um surto de infecção na comunidade é frequentemente suficiente para estabelecer o diagnóstico. Apesar de o vírus poder causar por ele próprio pneumonia. A disseminação da influenza pelo ar é praticamente impossível de ser controlada. contendo vírus inteiros obtidos de cultura e inactivados quimicamente. No caso da influenza B. Após cerca de 1 a 4 dias de incubação. O vírus da influenza pode ser obtido de secreções respiratórias. mialgias intensas e na maior parte dos casos tosse não-produtiva. Embora seja raro. esta situação pode ser fatal. agindo como inibidores da neuraminidase. Prevenção e Controlo O fármaco anti-viral Amantadina e o seu análogo Rimantadina inibem a fase de desnudamento do vírus da Influenza A. esta assemelha-se à causada pelo vírus da influenza A. Por outro lado o Zanamavir e Oseltamivir inibem tanto o vírus da influenza A como da B. A síndrome de Reye consiste em encefalite aguda que afecta crianças e ocorre após uma variedade de infecções virais febris agudas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . incluindo varicela e Influenza A e B. mas mesmo antes destas manifestações é possível através da adição de eritrócitos de cobaia verificar-se a hemadsorção dos mesmos. é mais comum abrir uma porta para uma superinfecção bacteriana e consequente bronquite ou pneumonia. mas não afectam os vírus da influenza B e C. como a idade do indivíduo. Segue-se o início abrupto de febre. como a imunofluorescência. a inibição da hemadsorção ou a hemaglutinação com anticorpos específicos. As complicações da Influenza incluem pneumonia bacteriana. e por isso a melhor forma de controlo é a imunização da população.Microbiologia Síndromes Clínicas A infecção pode variar de assintomática a grave consoante o grau de imunidade à estirpe do vírus e outros factores. A identificação específica do vírus da influenza requer testes imunológicos. As crianças que tomam aspirina apresentam risco aumentado de desenvolver esta síndrome. A vacina com o Vírus da Influenza morto está disponível a cada ano. e possível que o vírus se dissemine além dos pulmões e possa causar encefalopatia nos casos de influenza aguda. Quando isto acontece a expectoração torna-se produtiva e purulenta. A vacina para ser eficaz deve incorporar antigénios das estirpes dos vírus da Influenza A e B que serão prevalentes na comunidade durante o inverno seguinte. a sua cultura revela ao fim de 2 dias efeitos citopáticos inespecíficos. Página 232 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

o que se comprova por possuírem: . pertencentes ao reovírus e rotavírus. . um invólucro durante a organização.Adquirem. Existem ainda as proteínas de fixação viral. Os Reoviridae são vírus sem invólucro. também denominados reovírus de mamíferos ou simplesmente reovírus. Os ortorreovírus. Estrutura Os rotavírus e reovírus compartilham muitas características estruturais. A clivagem proteolítica da cápsula externa activa o vírus para a infecção e produz uma partícula subviral infecciosa/intermediária (ISVP). . mas perdem em seguida. σ3 do reovírus e VP7 dos rotavírus. respectivamente. Tal como seria de esperar neste caso. . A cápsula externa é constituída por proteínas estruturais. e como tal é necessária a sua clivagem.Hemaglutinação. Ambos apresentam uma morfologia icosaédrica com uma cápsula de dupla camada e um genoma segmentado de dupla cadeia. de replicação e patogenicidade. rotavírus. Tal como acontecia com o vírus da influenza o nucleocapsídios são preenchidos com mais segmentos do que os necessários.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e desta forma é garantido que os segmentos necessários estão realmente presentes. bem como eu aerossóis transportados no ar. Os rotavírus causam gastroenterite humana infantil. A proteína σ1 do reovírus e a VP4 do rotavírus estão localizadas nos vértices da cápsula e apresentam diversas funções: . são facilmente isolados em fezes e regra geral causam infecções assintomáticas.Induz Formação de Anticorpos Neutralizantes.Glicoproteínas que actuam como Proteínas de Fixação. . . com uma cápsula constituída por uma dupla camada de proteínas. esta doença é bastante comum. esta contém 10 a 12 segmentos genómicos de RNA de cadeia dupla. É interessante reparar como os rotavírus são idênticos aos vírus com invólucro.Microbiologia Reovírus A família Reoviridae é constituída por ortorreovírus. Sabe-se que para haja penetração do vírus nas células é necessário que a VP4 seja activada. Página 233 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . No caso dos orbivírus e coltivírus são transmitidos por artrópodes e são arbovírus.Parecem possuir actividade da Proteína de Fusão que promove a penetração directa na Membrana da Célula Alvo.Fixação do Vírus. o que pode originar vírus híbridos. Estes vírus são estáveis numa ampla gama de pH e temperatura. estas envolvem um cerne de nucleocapsídio que inclui enzimas para a síntese de RNA e 10 ou 11 segmentos genómicos. pode ocorrer redistribuição dos segmentos génicos. orbivírus e coltivírus. Estudos indicam que os rotavírus são responsáveis por 50% dos casos de crianças internadas com diarreia por desidratação. estas induzem de igual modo a formação de anticorpos neutralizantes.Activada por Clivagem de um Protease. As proteínas que existem no cerne incluem actividades enzimáticas necessárias para a transcrição do mRNA.

Hemaglutinina. a cápsula externa protege o nucleocapsídio interno e o cerne do meio ambiente. Hemaglutinina e Proteína de Fixação Viral Ligação do RNA Principal Proteína da Cápsula Interna Ligação ao RNA Ligação ao RNA Antigénio Tipo-Específico.Microbiologia Os segmentos genómicos dos rotavírus e dos reovírus codificam proteínas estruturais e não estruturais. Página 234 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e provavelmente activado pela clivagem por intermédio das proteases. o mesmo se verifica nos reovírus. especialmente do ambiente ácido do tracto gastrointestinal. Facilita a Fixação e Entrada do Vírus Promove Ligação da Cápsula Interna ao RE. Estas proteínas e as respectivas funções estão resumidas em baixo: Funções dos Produtos Génicos dos Rotavírus Segmento Génico 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Proteína e Localização VP1 – Cápsula Interna VP2 – Cápsula Interna VP3 – Cápsula Interna VP4 – Vértices Cápsula Externa NSP1 VP6 – Cápsula Interna NSP3 NSP2 VP7 – Cápsula Externa NSP4 NSP5 Função Polimerase Componente da Transcriptase Revestimento do mRNA Activada pela protease em VP5 e VP8 em ISVP. perdendo as proteínas da cápsula externa (σ3/VP7) e clivagem da proteína σ1/VP4 para produzir a ISPV. Principal Componente da Cápsula Externa. forma complexo com σ3. Promove a Entrada do Vírus Promove a Organização Viral Proteína de Fixação Viral. O virião completo é parcialmente digerido. Invólucro Transitório e Adição da Cápsula Externa Ligação ao RNA Funções dos Produtos Génicos dos Reovírus Segmentos Genómicos Segmentos Grandes 1 2 3 Segmentos Médios 1 2 3 Segmentos Pequenos 1 2 3 4 Proteina Função λ3 – Cápsula Interna λ2 – Cápsula Interna λ1 – Cápsula Interna µ2 – Cápsula Interna µ1C – Cápsula Externa µNS σ1 – Cápsula Externa σ2 – Cápsula Interna σNS σ3 – Cápsula Externa Polimerase Enzima de Revestimento Componente da Transcriptase Cliva µ1.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Determina Tropismo Viral Facilita a Síntese do RNA Viral Facilita a Síntese do RNA Viral Principal Componente da Cápsula Externa com µ1C Replicação A replicação dos reovírus e rotavírus inicia-se com a ingestão do vírus.

durante a gemulação do retículo endoplasmático. Ortorreovírus (Reovírus de Mamíferos) Os ortorreovírus são ubíquos. Os segmentos de RNA de sentido positivo são copiados para produzir RNA de sentido negativo nos novos cernes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . ambas antes da replicação do genoma. ele não causam sintomas aparentes antes de causar virémia e atingir outro local distante. uma precoce e outra tardia. A ISVP liberta o cerne no citoplasma e as enzimas do cerne iniciam a produção de mRNA. as proteínas da cápsula externa associam-se com o cerne e o virião deixa a célula por lise. e todos compartilham um antigénio comum de fixação. Na organização dos reovírus. são muito estáveis e foram detectados em aguas de esgoto e rios. Ao atingir estas células o vírus replica-se e origina uma virémia. presente na parte exterior do retículo endoplasmático. Página 235 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Actualmente ainda não se sabe se os animais constituem. Uma das particularidades do reovírus inibem a síntese de macromoléculas da células após 8 horas de infecção. Patogenia e Imunidade Os ortorreovírus não causam doença significativa no homem. e adquirem a sua proteína da cápsula externa VP7 e uma membrana. Epidemiologia Os ortorreovírus possuem uma distribuição mundial. replicando o genoma de dupla cadeia. A cadeia de RNA de sentido negativo é utilizada como molde pelas enzimas do cerne do virião. No caso dos rotavírus a organização é idêntica à dos vírus com invólucro. Esta membrana perde-se e o vírus abandona a célula através da lise celular. Estes novos cernes ou geram mais RNA de sentido positivo ou se organizam em viriões. os quais diferem apenas num segmento génico. Nesta classe encontram apenas três serótipos. Apesar de ser um vírus citolítico in vitro. ou não. O seu tropismo depende da estirpe. a sua transcrição ocorre em duas fases. os ortorreovírus ligam-se à células M do intestino. Sabe-se ainda que apesar de normalmente causarem infecções líticas. Mais tarde as proteínas do virião e os segmentos de RNA de sentido positivo associam-se em estruturas semelhantes a cernes. Este mRNA deixa o cerne e é traduzido. podendo ser neurotrópico ou viscerotrópico. na qual os cernes se associam com a proteína viral NS28. um reservatório para as infecções humanas. Após a ingestão e produção proteolítica da ISPV. transferindo de seguida o vírus para as células linfóides das placas de Peyer. As funções e as propriedades de virulência das proteínas dos reovírus foram identificadas através da comparação com as actividades dos vírus híbridos. sintetizando mRNA individuais com revestimento 5’ –metil gaunosina e uma cauda 3’ –poliadenilato. este por sua vez agregam-se em grande inclusões citoplasmáticas. O RNA de cadeia dupla permanece sempre no cerne. o que se comprova pelo facto de 75% dos adultos apresentarem anticorpos. Pensa-se que no homem surjam respostas imunológicas humorais e celulares contra as proteínas da cápsula externa. mas alguns viriões mais complexos dos reovírus ou dos rotavírus podem ser captados por endocitose mediada por receptores.Microbiologia A ISPV do rotavírus parece penetrar directamente através da membrana da célula alvo. estudo sugerem que grande parte da população seja infectada durante a sua infância. é possível que causem infecções persistentes.

75 . doença do tracto gastrointestinal e atresia biliar49. de A a G. Idêntico ao que acontece na cólera. mas tem sido difícil associa-los a doenças específicas destes agentes. e deste modo não necessita de tratamento. Rotavírus Os rotavírus são agentes que frequentemente causam diarreia infantil e possuem uma distribuição mundial. resultando em diarreia aquosa. As amostras são geralmente recolhidas na garganta. do recém-nascido ou do lactente. Cerca de 8 horas após a infecção. nasofaringe e fezes de doentes com suspeita de doença do tracto respiratório superior ou doença diarreica. e ocasionalmente pode estar associada ao grupo B e C. Os viriões dos rotavírus são relativamente estáveis à temperatura ambiente e ao tratamento com detergentes. Patogenia e Imunidade Fig. Foram identificados sete grupos de rotavírus humanos e de animais. Pensa-se que a proteína NSP4 possa actuar de forma idêntica a uma tóxica. A infectividade é aumentada por enzimas proteolíticas como a tripsina. as medidas de controlo e prevenção não foram investigadas. isolamento do vírus ou testes serológicos para anticorpos vírus-específicos. quer por diminuição ou mesmo por interrupção. A replicação ocorre após a adsorção às células epiteliais colunares que revestem as vilosidades do intestino delgado.E. Diagnóstico Laboratorial A infecção humana por ortorreovírus pode ser detectada através da pesquisa do antigénio ou RNA viral em material clínico. promovendo o influxo de cálcio nos enterócitos. Actualmente estes vírus são associados a doenças ligeiras do tracto respiratório superior. Pensa-se que a maior parte das infecções seja assintomática ou ligeira o suficiente para não ser detectada. Tratamento. libertando modeladores neuronais e alterando de forma 49 Atresia Biliar-é uma redução do fluxo biliar. a infecção por rotavírus impede a absorção de água. com base na proteína VP6 da cápsula interna. A doença humana é causada pelo grupo A. semelhante a uma constipação. causada pela obstrução congénita ou de causa viral das vias biliares extra-hepáticas.) Os rotavírus podem sobreviver ao ambiente ácido do estômago tamponado ou no estômago após uma refeição. extremos de pH de 3.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Prevenção e Controlo A doença causada pelos ortorreovírus é ligeira e auto-limitada. o que leva a uma secreção de água e perda de iões.Rotavírus (M. Página 236 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Síndromes Clínicas Os ortorreovírus infectam pessoas de todas as idades. já podem ser observadas inclusões citoplasmáticas contendo proteínas e RNA recémsintetizados.5 a 10 e até mesmo ao congelamento e descongelamento repetidos.

Existem investigações para serem desenvolvidas vacinas contra o rotavírus. estimando-se que o período de incubação seja de 48 horas. A gastroenterite por rotavírus é uma doença auto-limitada. estes anticorpos podem ser adquiridos de forma activa ou passiva. O tratamento de suporte tem como objectivo repor os líquidos. Os principais sintomas são vómitos.Microbiologia neuronal a absorção de água. fáceis e relativamente baratos para a detecção dos rotavírus nas fezes. principalmente nos países menos desenvolvidos. mas em adultos não apresenta muitas vezes sintomas.000 mortes anuais em consequência da desidratação. o que juntamente com a sua natureza ubíqua torna difícil o seu controlo. Os estudos serológicos são principalmente utilizados para propósitos epidemiológicos e de pesquisa. A morbilidade e mortalidade associadas a estas infecções são uma consequência da desidratação e do desequilíbrio electrolítico. A doença em crianças e lactentes é geralmente sintomática. Diagnóstico Laboratorial Os sintomas assemelham-se aos de outras diarreias virais. doentes Página 237 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo capaz de resistir á desidratação. o que torna a detecção directa do antigénio viral o método de escolha para o diagnóstico. Prevenção e Con trolo Não existe tratamento anti-viral específico para a infecção por rotavírus. a recuperação é na maior parte dos casos completa e não deixa sequelas. O vírus sobrevive em fomites. Epidemiologia Os rotavírus são ubíquos em todo o mundo. sendo responsável por 600. A cultura de célula para rotavírus é difícil e não é confiável para fins de diagnóstico. A imunidade à infecção requer a presença de IgA no lúmen do intestino. A eliminação máxima ocorre após 2 a 5 dias do inicio da diarreia. para que desse modo se possa evitar que esta doença seja fatal em crianças. A maioria dos doentes apresenta grande quantidade de vírus nas fezes. mas não impedem a reinfecção. Tratamento. febre e desidratação. Estes vírus constituem uma das causas mais comuns de diarreia grave em crianças de pouca idade em todo o mundo. O ensaio imunoenzimático e a aglutinação do látex constituem os métodos rápidos. os estudos indicam que cerca de 95% das crianças é infectada entre os 3 e os 5 anos. bem como nas mãos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e dessa forma corrigir o volume sanguíneo e o desequilíbrio electrolítico e ácido-base. mas também pode ser assintomática. Perante estas características. A perda de líquidos e de electrólitos pode levar a uma desidratação grave e mesmo à morte em casos extremos. A transmissão mais provável é por contacto pessoapessoa por via fecal-oral. Os rotavírus são adquiridos numa fase precoce da vida. diarreia. tendo a capacidade de diminuir a gravidade da infecção. Síndromes Clínicas O rotavírus é uma importante causa de gastroenterite.

No caso das crianças. o que irá enfraquecer a estrutura dos capilares. As carraças adquirem o vírus ao picarem um hospedeiro virémico. o que o protege da resposta imunológica. sendo uma Página 238 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mesmo após a recuperação sintomática. e potencialmente hipotensão e choque. Os orbivírus causam principalmente doença em animais. Coltivírus e Orbivírus Os coltivírus e os orbivírus infectam vertebrados e invertebrados. Ocorre um período de incubação de 3 a 6 dias. .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O vírus da febre da carraça do Colorado apresenta 12 segmentos de RNA de cadeia dupla. Estes dois factores facilitam a transmissão do vírus para o vector. A leucopenia envolve tanto neutrófilos quanto os linfócitos e constitui uma importante característica da doença. Pode ocorrer doença hemorrágica grave como consequência da infecção das células endoteliais vasculares e das células musculares lisas vasculares e periócitos. Patogenia O vírus da febre da carraça do Colorado infecta células precursoras eritróides sem danificá-las gravemente. para que desse modo não exista contágios de outros indivíduos. apesar da cápsula interna ser icosaédrica. mialgias. contrariamente aos orbivírus que apenas possuem 10 segmentos. Com este enfraquecimento surge o extravasamento.A cápsula externa não possui estrutura capsométrica bem visível. com as seguintes excepções: .Microbiologia hospitalizados com estas infecções devem ser isolados. . cefaleias. a doença equina africana e a doença hemorrágica epizoótica de cervos. momentos em que o homem mais facilmente invade os habitats da carraça. artralgias e letargia. infecta precursores dos eritrócitos e permanece nos eritrócitos maduros. Os coltivírus causam a febre da carraça do Colorado e doença humana relacionada. Sabe-se que a doença é encontrada nos humanos na primavera. Síndromes Clínicas O vírus da febre da carraça do Colorado na maior parte dos casos causa uma infecção sub-clínica ou ligeira. fotofobia. onde podemos encontrar o seu vector. a infecção sintomática é caracterizada por um início súbito de febre. A febre da carraça do Colorado deve ser diferenciada da febre maculosa das Montanhas Rochosas. A estrutura e fisiologia dos coltivírus e orbivírus assemelha-se à dos Reoviridae. Os sintomas da doença aguda assemelham-se aos do dengue. protegido da resposta imunológica. incluindo a doença da língua azul dos carneiros. calafrios.O vírus causa virémia. O vírus permanece no interior das células mesmo depois da sua maturação. Caso ocorra infecção neuronal pode levar a meningite e encefalite. hemorragia.O ciclo de vida dos orbivírus inclui tanto vertebrados quando invertebrados. estas apresentam doença hemorrágica mais grave. verão e Outono. A virémia resultante pode persistir por semanas ou meses. o que pode envolver muitos mamíferos. Epidemiologia A febre da carraça do Colorado ocorre no oeste e noroeste dos EUA e no oeste do Canadá.

caracterizada por exantema. A virémia é prolongada. a sua distribuição para a população em geral não é necessária. Tratamento. Prevenção e Controlo Não existe tratamento específico para a febre da carraça do Colorado. e como tal os pacientes infectados não devem dar sangue.Remover as Carraças antes que elas piquem.Evitar as áreas infestadas por carraças. . sendo o tratamento de suporte suficiente. A doença é na grande maioria auto-limitada. Diferentemente do que se passa com as riquétsia. no caso dos coltivírus a passagem da saliva para a corrente sanguínea do hospedeiro é muito rápida. pelo isolamento do vírus ou por testes serológicos. Uma vacina formolizada contra a febre da carraça do Colorado foi desenvolvida e avaliada. A prevenção consiste em: . mesmo após recuperação.Utilizar roupas protectoras. Página 239 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia causada por riquétsias e transmitida por carraças. . . mas devido à natureza ligeira da doença.Utilizar Repelentes de Insectos. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico da febre da carraça do Colorado pode ser estabelecido pela detecção directa dos antigénios virais. uma vez que esta última doença pode necessitar de tratamento antibiótico.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . na qual é necessário um longo período de contacto para que haja transmissão. O método melhor e mais rápido consiste na detecção do antigénio viral na superfície dos eritrócitos em esfregaço de sangue. utilizando imunofluorescência.

aves e plantas. induz a formação de anticorpos neutralizantes. depois às proteínas polimerases L e NS. mas no caso do vírus da raiva isso não acontece. A RNA polimerase associada ao nucleocapsídio transcreve o RNA genómico viral. Fisiologia. No interior do invólucro. A sua superfície é coberta por espículas compostas de um trímero de glicoproteína G. A proteína G é sintetizada pelos ribossomas ligados à membrana e processados pelo complexo de Golgi. o invólucro funde-se com a membrana do endossoma a quando da acidificação da vesícula. No que toca à estrutura. esta protege o RNA da digestão pela ribonuclease e mantém o RNA numa configuração em que a transcrição seja possível. A proteína da matriz (M) localizase entre o invólucro e o nucleocapsídio. O nucleocapsídio é composto por uma molécula de RNA de cadeia simples e sentido negativo e pela nucleoproteína (N). A proteína G do vírus liga-se à célula do hospedeiro e é internalizada por endocitose. juntamente com proteínas grandes (L) e não estruturais (NS). peixes.Organização do Nucleocapsídio no Citoplasma. A proteína de fixação viral. Estes cinco mRNA originam cinco proteínas virais. dando origem a cinco mRNA virais. O genoma associa-se à proteína N. e desta forma origina-se o nucleocapsídio. o vírus é expulso através da membrana plasmática e é libertado quando o nucleocapsídio adquire o seu invólucro. apresentando uma estrutura estriada. Por fim. O vírus da raiva é o agente mais significativo entre os rabdovírus. Após este processo. e muito provavelmente. O genoma viral serve ainda de modelo para formar uma molécula de RNA de sentido positivo.Microbiologia Rabdovírus Os membros da família Rhabdoviridae incluem uma grande variedade de agentes patogénicos de mamíferos. Estrutura e Replicação Os rabdovírus são vírus simples que codificam apenas cinco proteínas e aparecem como vírus com invólucro em forma de projéctil. onde irá dar-se a replicação. a principal proteína é a proteína N. a proteína G. esta por sua vez irá servir como modelo para que se gerem copias do genoma viral. o nucleocapsídio helicoidal é simetricamente espiralado numa estrutura cilíndrica. e por fim. A organização do virião dá-se em duas fases: . libertados na superfície celular em vesículas dotadas de membrana. Página 240 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A junção das proteínas L e NS formam a RNA polimerase. representava um causa frequente de sintomas característicos da hidrofobia.Formação do Invólucro e Libertação na Membrana Plasmática da Célula. antes da vacina desenvolvida por Pasteur. A proteína M ao ser traduzida associa-se às regiões da membrana modificadas pela proteína G. Na maior parte dos rabdovírus ocorre lise celular. . o que resulta num reduzido efeito citopático.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e que no passado. Esta estrutura junta-se com a proteína M na membrana plasmática e induz o enrolamento do nucleocapsídio na sua forma condensada. Com o desnudamento o nucleocapsídio é libertado no citoplasma. a morte.

fadiga e anorexia. A raiva é mantida e transmitida de duas maneiras: . O vírus da raiva dirige-se por transporte axoplásmico retrógado até aos gânglios da raiz dorsal e medula espinhal. A infecção do SNC resulta em encefalite e degeneração dos neurónios.Microbiologia Patogenia e Imunidade A infecção pela raiva resulta num grande número de casos da mordida de um animal doente. Existe ainda um grande número de doentes que apenas apresentam paralisia com manifestação da raiva. Os anticorpos podem bloquear a disseminação do vírus para o SNC se forem administrados durante o período de incubação. Síndromes Clínicas A raiva é uma doença quase sempre fatal. glândulas salivares. pela gravidade do ferimento. Após ter atingido o SNC dissemina-se para os locais mais enervados. medula supra-renal. mucosa nasal. Existem outras formas de transmissão. Felizmente o período de incubação é regra geral longo o suficiente para permitir a produção de uma resposta terapêutica de anticorpos protectores após imunização activa com a vacina contra o vírus da raiva morto.Na Raiva Urbana. a não ser que seja tratada por vacinação. como é o caso da inalação do vírus em aerossóis. O período de incubação é quase sempre longo. O vírus permanece no local da inoculação por dias a meses antes de alcançar o sistema nervoso central. É mundialmente endémica numa grande variedade de animais. córnea. no entanto muito variável. Convulsões focais e generalizadas. Epidemiologia A raiva é uma infecção zoonótica clássica. Os sintomas consistem em febre. é transmitida de animais para o homem. . A hidrofobia é o sintoma mais característico da raiva e surge em 20 a 50% dos doentes. Página 241 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . retina. esta pode resultar em insuficiência respiratória. após este surge a fase prodrómica da raiva. desorientação e alucinações são sintomas comuns durante a fase neurológica. cefaleias. Sabe-se que o principal reservatório para o vírus da raiva na maior parte do mundo é o cão. Quando atinge a medula o seu acesso ao cérebro é facilitado e rápido. sintomas gastrointestinais. Apenas num reduzido número de casos a raiva não é fatal a partir do momento em que os sintomas se manifestam.Na Raiva Silvestre. O vírus pode infectar directamente as terminações nervosas por meio da sua ligação aos receptores nicotínicos de acetilcolina ou receptores gangliosídios dos neurónios ou dos músculos no local da inoculação. os cães são os transmissores primários. diversos animais silvestres podem servir como transmissores. mal-estar. pela proximidade do ferimento em relação ao cérebro. parênquima renal e células acinares pancreáticas. por meio de tecido transplantado infectado e por inoculação em membranas mucosas intactas. pela idade do hospedeiro e pelo estado imunológico do hospedeiro. com excepção da Austrália. A imunidade mediada por células desempenha pouco ou nenhum papel na protecção contra esta infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . dor ou parestesia no local da mordedura. este devido à infecção excreta o vírus na saliva e desenvolve um comportamento agressivo. A duração do período de incubação é determinada pela concentração do vírus inoculada. como é o caso da pele da cabeça e pescoço. ou seja.

A detecção de inclusões intracitoplasmáticas de agregados de nucleocapsídios virais. A imunização passiva com HRIG fornece anticorpos até que o doente produza os seus próprios anticorpos em respostas à vacina. como os sintomas e detecção de anticorpos. Existem ainda profissionais que defendem a aplicação do soro anti-rábico em torno do ferimento. Página 242 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Apesar de ser um teste rápido.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . que apresenta um período de duração de 2 a 10 dias.Microbiologia O doente torna-se comatoso após a fase neurológica. Visto que a raiva tem uma evolução muito lenta. por via intra-cerebral. Diagnóstico Laboratorial A ocorrência de sintomas neurológicos numa pessoa que foi mordida por um animal é na maior parte das vezes o suficiente para o diagnóstico de raiva. Infelizmente as evidências de infecção. A vacina contra a raiva é constituída por vírus mortos e preparada através da inactivação química da cultura de células diplóides humanas infectadas com o vírus da raiva (HDCV). é possível que a imunização activa seja gerada. O vírus da raiva pode crescer em cultura de células ou pode ser inoculado. nos neurónios afectados. A profilaxia pós-exposição é a única esperança para evitar a manifestação da doença clínica na pessoa afectada. devendo ser lavado imediatamente com água e sabão. Tratamento e Profilaxia A Raiva clínica é quase sempre fatal. Quando os sintomas surgem pouco ou nada se pode fazer. O diagnóstico de raiva é realizado através da detecção do antigénio viral no SNC ou na pele. em animais. A primeira medida protectora é o tratamento local do ferimento. A detecção do antigénio por imunofluorescência tornou-se o método mais intensamente utilizado no diagnóstico. Recomenda-se a imunização com vacina associada a uma dose de soro anti-rábico equino ou imunoglobulina contra raiva humana (HRIG). a menos que tratada. constitui o achado mais importante neste diagnóstico. Os títulos de anticorpos contra a raiva no soro ou no líquido cefalorraquidiano são geralmente doseados por um teste rápido de inibição do foco fluorescente. Em seguida deve ser administrada uma série de cinco imunizações no decorrer de um mês. os anticorpos apenas são detectados na fase terminal da doença. surgem numa fase muito tardia em que já é muito tarde para qualquer intervenção. A profilaxia deve ser iniciada em qualquer indivíduo exposto por mordida ou contaminação de um ferimento aberto ou mucosa com saliva ou tecido cerebral a menos que o animal seja analisado e tenha ficado demonstrado que não estava doente. esta fase na maior parte dos casos conduz à morte devido a complicações neurológicas e pulmonares. detergente ou qualquer substância capaz de inactivar o vírus. além de tratamento sintomático. Estas células ou tecidos cerebrais podem ser examinados por imunofluorescência directa. denominados corpúsculos de Negri. do isolamento do vírus e das evidencias sorológicas.

Microbiologia Deve ser realizada a vacinação preventiva de pessoas que trabalham com animais. Para terminar. Recomenda-se a administração de HDCV por via intra-muscular ou intra-dérmica em três doses.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Página 243 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a prevenção da raiva humana depende do controlo efectivo da raiva dos animais domésticos e silvestres. funcionários de laboratórios que manipulam tecidos potencialmente infectados e indivíduos que viajam para áreas onde a raiva é endémica. O controlo em animais domésticos depende da remoção de animais vadios e da vacinação de todos os cães e gatos. o que proporciona 2 anos de protecção.

nele estão contidas os genes que codificam a cápsula (C) e as proteínas do invólucro. Alphavírus e Flavivírus Os alfavírus e os flavivírus foram classificados como arbovírus por serem quase sempre transmitidos por vectores artrópodes. O vírus penetra na célula por endocitose mediada por receptor. Como já foi referido anteriormente.E. É ainda transcrito um RNA com apenas 1/3 do genoma viral. Uma das características da infecção por alfavírus é que no final do ciclo o mRNA viral pode corresponder até 90% de todo o mRNA da célula. O genoma. liga-se aos ribossomas. este irá servir de molde para a replicação do genoma viral. que inclui vertebrados e invertebrados. esta por sua vez é clivada em quatro proteínas precoces não-estruturais. Estas diferentes proteínas são produzidas por clivagem de uma poliproteína resultante da tradução desse terço do RNA total. Estas proteínas precoces possuem actividade de protease e RNA polimerase.Togavírus (M. deste modo a cápsula e consequentemente o genoma são libertados no citoplasma. O invólucro é composto por lípidos obtidos a partir da membrana celular do hospedeiro e de espículas de glicoproteínas que se projectam na superfície do virião. Página 244 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . No caso dos vírus as hepatites C e G. na presença de um meio ácido o invólucro funde-se com a membrana do endossoma. devido às suas semelhanças com o mRNA. Estrutura e Replicação dos Alfavírus Fig. É sintetizado um modelo de RNA de sentido negativo contendo todo o genoma. apesar de serem classificados como flavivírus com base no seu genoma. Grande parte destes vírus são transmitidos por artrópodes. É possível ainda distinguir no genoma dos togavírus proteínas precoces e tardias. podendo ser traduzido numa fase precoce e numa tardia. nada nos indica que sejam arbovírus. Os alfavírus fixam-se a receptores específicos expressos em muitos tipos celulares e de muitas espécies. Os 2/3 iniciais do RNA viral são traduzidos numa poliproteína. o que de certo modo justifica as diferentes manifestações clínicas das infecções. E1.) Os alfavírus são idênticos aos picornavírus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . 76 . são denominadas zoonoses. as doenças que são transmitidas por animais ou que apresentam animais como reservatório. Uma das suas características é possuírem um elevado número de hospedeiros. Mas sabe-se que vírus individuais possuem um determinado tropismo. E2 e E3. As diferenças são baseiam-se no seu maior tamanho e possuírem invólucro. de sentido positivo e com invólucro. e por isso constituem arbovírus.Microbiologia Togavírus e Flavivírus O são membros das famílias Togaviridae e Flaviviridae são vírus de RNA de cadeia simples. o que se deve ao facto de terem uma cápsula icosaédrica e uma genoma constituído por RNA de cadeia simples de sentido positivo. NSP1 a 4.

O vírus é inserido no novo hospedeiro através do contacto entre a saliva do Página 245 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . e desta forma as sequências que possuem as proteínas estruturais são sintetizadas inicialmente e com maior eficácia. mas é comum que esta seja persistente nos invertebrados. mas por outro lado vai limitar a produção de proteínas não-estruturais e a replicação do genoma. disseminando-se para a circulação e vai infectar as glândulas salivares. este processo é limitado pelo grau de virémia do hospedeiro. Alguns alfavírus produzem uma nucleotídio trifosfatase que degrada desoxirribunocleotídios. Estes vírus podem causar infecção líticas ou persistentes em ambas os hospedeiros. esta por sua vez liga-se às regiões da membrana modificadas pelas glicoproteínas virais. esta acção limita a produção de DNA por parte da célula. este facto faz com que não haja distinção temporal na tradução de diferentes proteínas virais. Os genes estruturais localizam-se na extremidade 5’. a diferença perante os alfavírus é o seu tamanho mais reduzido. mas no caso de o vírus estar associado a anticorpos ele pode fixar-se aos receptores Fc das células. como é a grande quantidade de RNA viral.Microbiologia As proteínas C associam-se ao RNA genómico e formam uma cápsula icosaédrica. o facto de o seu RNA não apresentar uma sequência poliadenilato e não ser possível identificar a cápsula no interior do virião. Os alfavírus são libertados por gemulação a partir da membrana plasmática. A fixação e penetração na célula são feitas de igual modo às dos alfavírus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . É um dos exemplos em que os anticorpos aumentam a infectividade do vírus ao fornecer novos receptores para os vírus e ao promover a sua captação nas células alvo. A morte celular é induzida por uma combinação de agressões induzidas pelo vírus. Os mosquitos fêmea adquirem os alfavírus e flavivírus quando se alimentam de sangue de um hospedeiro virémico. este por sua vez irá bloquear a ligação do mRNA aos ribossomas. Existe uma alteração da permeabilidade das membranas e consequente mudança nas concentrações iónicas. Este mecanismo aumenta em muito a produção de proteínas estruturais. O vírus replica-se nestas células até que o seu título seja de tal modo elevado que ao ser excretado pela saliva permite infectar outro hospedeiro. é importante conhecer a evolução da infecção tanto nos vertebrados como nos invertebrados. As principais diferenças entre os alfavírus e os flavivírus estão no genoma e nos mecanismos de síntese proteica. Sabe-se que esta via é menos eficaz. Patogenia e Imunidade Como consequência de os arbovírus serem adquiridos através de uma picada de um atrópode. o que contribui para que o vírus permaneça associado à célula. Estrutura e Replicação dos Flavivírus Os flavivírus também possuem um genoma de RNA de cadeia positiva e invólucro. O genoma completo do flavivírus é traduzido numa única poliproteína. o que por sua vez irá alterar as funções enzimáticas e favorecer a tradução do mRNA viral. o que resulta numa produção continuada do vírus. Os flavivírus adquirem o seu invólucro através da gemulação de vesículas intracelulares em vez de o adquirirem na superfície celular. Estas características podem contribuir para o longo período de latência que geralmente precede a detecção da replicação dos flavivírus. O vírus infecta inicialmente as células do intestino médio do mosquito.

pela presença dos hospedeiros naturais e pela sua distribuição geográfica. Após uma segunda replicação no sistema monócito-macrófago pode surgir uma segunda virémia. sendo assim possível bloquear a disseminação e infecção de outros tecidos. tais como febre. cefaleias. pele e rede vascular. pois como já foi referido.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A imunidade mediada por células desempenha um papel crucial no controlo da infecção primária. O vírus passa a estar livre no plasma e pode alcançar as suas células alvo. Página 246 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . esta por sua vez pode levar o vírus a outros órgãos como o cérebro. O vector mais comum é o mosquito. iniciar uma virémia num grau e tempo suficiente para permitir a aquisição do vírus pelo vector e iniciar uma infecção produtiva persistente da glândula salivar do invertebrado. nomeadamente células endoteliais dos capilares. seguindo-se a IgG. calafrios. o que explica os sintomas idênticos à gripe. A infecção por flavivírus é intensificada 200 a 1000 vezes por anticorpos anti-virais não-neutralizantes que promovem a ligação do vírus aos receptores Fc e a sua captação para o interior da célula. mas os répteis e os anfíbios também o podem ser. dor nas costas e outros sintomas semelhantes á gripe. A imunidade contra este vírus é uma faca de dois gumes. desta forma é possível que surja a reinfecção de outros artrópodes. A virémia inicial produz sintomas sistémicos. As aves e pequenos mamíferos são os hospedeiros reservatórios naturais dos alfavírus e flavivírus. o que se deve à sua incapacidade de manter uma virémia persistente capaz de permitir a transmissão do vírus para o vector. O ser humano na maior parte dos casos representa o hospedeiro final. É produzido IgM circulante num período de 6 dias. fígado. A replicação dos alfavírus e dos flavivírus produz um intermediário replicativo de RNA de cadeia duplo que é um bom indutor do interferão α e β. Esta virémia é considerada uma doença sistémica ligeira. Resposta Imunológica A imunidade celular e humoral adquire um papel fundamental no controlo da infecção primária e na prevenção de infecções futuras por flavivírus e alfavírus. Este tipo de infecção encontra-se limitada pela existência de vectores. Epidemiologia Os alfavírus e a maioria dos flavivírus são protótipos dos arbovírus. e na maior parte dos casos existe resolução da infecção neste ponto. O ciclo é completo quando o vírus é transmitido pelo vector artrópode e é amplificado num hospedeiro susceptível e imunologicamente desprotegido. que por sua vez irá condicionar a distribuição dos alfavírus e flavivírus.Microbiologia mosquito e o sangue do indivíduo. monócitos e macrófagos. um anticorpo não-neutralizante pode estimular a captação dos flavivírus pelos macrófagos e outras células que expressem receptores Fc. e como tal o vírus deve ser capaz de infectar tanto vertebrados como invertebrados. mas alguns arbovírus são transmitidos por carraças.

mas o seu isolamento é difícil.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Página 247 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A maneira mais fácil de se impedir a transmissão de qualquer arbovírus consiste na eliminação dos seus vectores e locais de reprodução. O ser humano pode ser o hospedeiro reservatório dos vírus da febre-amarela. rins e coração. Tratamento. dengue e chikungunya. estes por sua vez estão relacionados com a infecção sistémica a quando da virémia inicial.000 casos de febre hemorrágica do dengue. já tendo sido descritos 100 milhões de casos da febre do dengue e 250. Muitos Departamentos de Saúde Pública monitorizam o nascimento e as populações de mosquitos hospedeiros de arbovírus numa determinada região e periodicamente pulverizam insecticidas para reduzir a população de mosquito. WEE. O vírus do dengue constitui um importante problema mundial. A identificação por ser feita por RT-PCR ou por análise do mRNA viral no sangue. encefalite japonesa e encefalite russa da Primavera-Verão. A maioria das infecções por flavivírus é relativamente benigna. Os vírus hemorrágicos são os vírus do dengue e da febre-amarela. a inibição da hemaglutinação. A grande diferença é que este é um vírus respiratório e não causa efeitos citopatológicos facilmente detectáveis. Existem diversos métodos serológicos que podem ser utilizados para estabelecer o diagnóstico das infecções. No caso das infecções da febre-amarela. Prevenção e Controlo Não existe tratamento para as doenças causadas por arbovírus. Diagnóstico Laboratorial Os alfavírus e os flavivírus podem crescer em linhagens celulares de vertebrados e de mosquitos. ensaios de imunossorvente ligado a enzima e a aglutinação de partículas de látex. Existem vacinas com vírus vivo contra o vírus da febre-amarela e uma vacina com vírus morto contra os vírus EE. Surtos urbanos de infecções por arbovírus ocorrem quando os reservatórios para os vírus são os seres humanos ou animais urbanos. mais concretamente no caso dos alfavírus esta é caracterizada como uma doença de baixo grau e de sintoma semelhantes aos da gripe. Vírus da Rubéola O vírus da rubéola apresenta as mesmas propriedades estruturais e mecanismos de replicação que os outros togavírus. mas podem levar a meningite asséptica e doença hemorrágica ou encefálica grave. A infecção pode ser detectada através de estudos citopatológicos. estas são caracterizadas por uma grave doença sistémica com degeneração do fígado. pois é nesta épocas que os artrópodes se reproduzem e é possível aos arbovírus completarem o ciclo entre o reservatório natural.Microbiologia As doenças por arbovírus ocorrem durante os meses de Verão e nas estações chuvosas. Síndromes Clínicas A incidência de doença por arbovírus é esporádica. imunofluorescência e hemadsorção de eritrócitos de aves. e ainda hemorragias. um artrópode e o hospedeiro humano. além do tratamento de suporte.

pequeno tamanho e efeitos teratogénicos associados à rubéola congénita. sendo a sua transmissão feita por aerossóis respiratórios. num processo denominado interferência heteróloga. Estas alterações podem conduzir a um desenvolvimento inadequado do feto. Epidemiologia Os seres humanos são os únicos hospedeiros do vírus da rubéola. e por outro lado a infecção materna está muitas vezes associada com vários defeitos congénitos graves. disseminando-se depois para os gânglios linfáticos locais. A presença do vírus pode afectar o sistema imunológico do feto. Os vírus infectam as viras aéreas superiores. Patogenia e Imunidade O vírus da rubéola não é um vírus citolítico. mas o crescimento normal. existindo neste período uma linfoadenopatia. o vírus pode replicar-se na placenta e disseminar-se para o sangue do feto e para todo o seu organismo. por até 4 anos. e regra geral é adquirido na infância. Este último facto incentivou a criação de um programa de vacinação das crianças. O indivíduo pode disseminar o vírus através de aerossóis respiratórios e por um período de até 2 semanas após o início do exantema. podendo ser eliminado em até 1 anos após o nascimento. como no cristalino.Microbiologia A Rubéola é um dos cinco exantemas clássicos da infância. o que pode levar a uma incapacidade do organismo de eliminar o vírus. O vírus pode não ser citolítico. e por isso a infecção é capaz de produzir imunidade protectora vitalícia. Segue-se uma virémia e o vírus dissemina-se por todo o corpo. Caso a mãe não possua anticorpos. mas a imunidade celular é importante para a resolução da infecção. a mitose e a estrutura cromossómica das células fetais podem ser alterados pela infecção. Tanto o exantema como a artralgia associados à rubéola são consequência da formação de imunocomplexos. Mas mais importante do que isto é o facto de que o anticorpo sérico impede a passagem do vírus da mulher grávida para o feto. promovem o contágio. Existe apenas um sorotipo do vírus da rubéola. mesmo após o nascimento. O anticorpo limita a disseminação virémia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Resposta Imunológica O anticorpo é produzido após a virémia. O vírus pode persistir nos tecidos. mas causa efeitos citopatológicos limitados em algumas linhagens celulares. A replicação do vírus impede a replicação de picornavírus superinfectantes. estando este acontecimento relacionado com o início do exantema. Infecção Congénita A infecção pelo vírus da rubéola numa mulher grávida pode resultar em graves anormalidades congénitas para a criança. Página 248 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A disseminação do vírus antes do aparecimento dos sintomas ou na ausência dos sintomas e em condições de aglomeração. para que assim se possa evitar a infecção de mulheres grávidas e recém-nascidos.

e como tal este procedimento raramente é tentado. A Rubéola Congénita constitui a consequência mais grave da rubéola.Microbiologia Síndromes Clínicas A Rubéola é na maior parte das vezes benigna em crianças. Página 249 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . No caso dos adultos a infecção pode ser mais grave. Diagnóstico Laboratorial É difícil isolar o vírus. mas sabe-se que imunidade materna. incluindo artralgia e artrite e em casos excepcionais trombocitopenia ou encefalopatia pós-infecciosa. impede a transmissão do vírus para o feto. As manifestações mais comuns são catarata. atraso mental e surdez.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . quer por vacinação. Tratamento. quer por exposição prévia. O diagnóstico é geralmente confirmado pela presença de anticorpos IgM específicos antirubéola. mas o melhor meio de a prevenir é a vacinação com a estirpe do vírus vivo RA27/3 adaptado ao frio. Prevenção e Controlo Ainda não foi encontrado nenhum tratamento para a rubéola. Após um período de incubação de 14 a 21 dias surge um exantema maculo-papular ou pápula e edemas das glândulas por 3 dias. Os anticorpos anti-rubéola são pesquisados no início da gravidez para se determinar o estado imunológico da mulher. A vacina viva contra a rubéola é regra geral administrada em conjunto com a vacina do sarampo e da papeira.

o Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV-1. Os oncovírus incluem apenas os retrovírus que podem imortalizar ou transformar as células-alvo. Após esta descoberta já foram identificados alguns retrovírus associados ao cancro em animas. mas que possuem morfologias e características de replicação próprias. mas não causa doença humana. Esta cópia de DNA do genoma viral é integrada no genoma da célula e passa a constituir um gene celular. apesar não lhes ser possível produzirem viriões. o seu mecanismo baseia-se na estimulação do crescimento celular. e que por isso se replicavam através de uma intermediário de DNA.Microbiologia Retrovírus Os retrovírus constituem o mais estudado grupo de vírus em biologia molecular. identificaram outro vírus pertencente a esta família nos doentes com SIDA. Classificação Os retrovírus são classificados pelas patologias a que estão associados. Em 1970. sendo como que parasitas que se integraram no nosso genoma e são transmitidos verticalmente. Os spumavírus são representados por um vírus espongiforme. as suas sequências são detectadas em muitas espécies humanas e animais. pelo seu tropismo tecidual e gama de hospedeiros.Lentivirinae. Baltimore e Temin. Recentemente foi identificado uma variedade deste vírus prevalente na África Ocidental. Estes vírus também podem ser classificados consoante a morfologia do seu cerne e cápsula em tipos A.Oncoviridae. Estes são vírus de RNA de cadeia simples de sentido positivo. o que é conseguido pela expressão de genes idênticos aos que controlam o crescimento celular – oncogenes. B. Montagnier e os seus colaboradores. Estima-se que podem chegar constituir cerca de 1% do cromossoma humano. o HIV-2. Assim sendo foram definidas três subfamílias dos retrovírus: . causando um efeito citopático distinto. denominada Transcriptase Reversa. pela morfologia do virião e complexidade genética.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo constituída por HTLV-1. HTLV-2 e HTLV-5.Tipos de Retrovírus (Morfologia) Página 250 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Existem ainda os retrovírus endógenos. denominados oncornavírus. não estando nenhum associado a doença humana. C e D. .Spumavirinae. com invólucro. Mais tarde. 77 . Os lentivírus são vírus lentos associados a doenças neurológicas e imunossupressoras. Fig. . demonstraram que estes vírus produziam uma DNA polimerase que era dependente do RNA. incluindo o HIV-1 e HIV-2.

Os retrovírus complexos. que irá fixar as LTR em ambas as extremidades. O virão possui ainda cerca de 10 a 50 cópias das enzimas transcriptases reversas e integrases. HIV e HTLV.env  invólucro e glicoproteínas. inicia-se a síntese de um fragmento de DNA complementar de sentido negativo. protease e integrase. O HIV penetra na célula através da fusão do invólucro com a membrana plasmática. Durante este processo ocorre a duplicação da sequência de cada extremidade do genoma. não é infeccioso por não codificar uma polimerase capaz de gerar directamente mais mRNA. sendo este constituído por glicoproteínas virais e é adquirido por gemulação a partir da membrana da célula hospedeira. O retrovírus simples consiste em três genes principais que codificam poliproteínas para as seguintes proteínas estruturais e enzimáticas: . apesar de ser idêntico ao mRNA.gag  antigénio grupo-específico. gp129 no HIV. A subunidade menor. . Já com a transcriptase reversa. promove a fusão intercelular. também codificam várias proteínas reguladoras que necessitam de processamento transcricional mais complexo do que nos retrovírus simples.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . no caso da subunidade maior. o que impede a eliminação imunológica do vírus. No início da infecção a gp120 do HIV liga-se principalmente à molécula CD4 presente nos macrófagos e células da mesma linhagem. Os vírus oncogénicos também podem conter um oncogene regulador do crescimento que pode substituir outras sequências. gp41 no HIV. o cerne do HIV é idêntico a um cone truncado. o CCR5 nos macrófagos. denominadas LTR. como é o caso dos HTLV e dos lentivírus. sabe-se que é intensamente glicolisada e a sua antigenicidade e especificidade para o receptor podem desviar-se durante a infecção crónica por HIV.pol  polimerase. A maior das glicoproteínas liga-se aos receptores de superfície celular e é reconhecida por anticorpos neutralizantes. As glicoproteínas virais são produzidas por clivagem proteolítica da poliproteína codificada pelo gene env. o CXCR4. intensificadores e outras sequências para a ligação de factores de transcrição celular. mas outros retrovírus podem penetrar por endocitose mediada por receptores. e ainda a um segundo receptor. inicia-se com a ligação das espículas da glicoproteína viral ao receptor proteico de superfície CD4. No que toca à sua morfologia. Este invólucro envolve uma cápsula que contém duas cópias idênticas do genoma de RNA de sentido positivo. Só depois. Este processo cria sequências necessárias para a integração. O genoma do retrovírus tem uma terminação bloqueada 5’ e é poliadenilado na extremidade 3’.Microbiologia Estrutura Os retrovírus são vírus de RNA esféricos e com invólucro. Replicação A replicação dos retrovírus humanos. Nas extremidades do genoma existem sequências de repetições terminais longas. é que o vírus sofre uma alteração e passa a ligar-se ao CD4 das células T auxiliares e a um receptor de quimiocinas. Página 251 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . constituem as proteínas da cápsula. e ainda dois tRNA celulares que possuem bases emparelhadas a cada cópia do genoma utilizado como modelo para a transcriptase reversa. o modelo de RNA e o tRNA do virão no citoplasma. já no decorrer da doença. e ainda sequências intensificadoras e promotoras dentro da LTR para a regulação da transcrição. estas contêm genes promotores. Sabe-se que uma pequena percentagem da população mostra-se resistente à infecção por HIV devido a uma deficiência nestes co-receptores.

A estimulação da célula por factores mitogénios. . O HIV e os outros lentivírus produzem grande quantidade de DNA circular não-integrado. No caso de existirem oncogenes. .Extensão da Metilação do DNA. Considerando que o vírus actua como um gene celular. A transcriptase reversa frequentemente comete erros.Microbiologia Como é possível compreender a cópia do DNA é maior do que o RNA viral que lhe serviu de molde. Outro dos caminhos possíveis desse transcrito é a formação de novos viriões. O duplo filamento do DNA complementar é dirigido para o núcleo e unido ao cromossoma do hospedeiro por intermédio da integrase. regula a citotoxicidade do vírus e é necessária para manter altas cargas virais. A replicação do IV é regulada por até seis produtos génicos acessórios: . este por sua vez é processado de modo a produzir vários mRNA contendo as sequências genicas gag. que regulam a replicação viral. sendo o índice de erro de 1 por cada 2000 pares de bases.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o DNA viral é transcrito como um gene celular pela RNA polimerase II do hospedeiro. quando a concentração de rex é baixa. é uma activadora transcricional dos genes virais e celulares. Contrariamente ao que acontece com outros RNAs. Esta instabilidade genética é responsável por promover a geração de novas estirpes do vírus durante a doença.Capacidade da Célula de Activar as Sequências Amplificadores e Promotoras nas regiões LTR. O mRNA tax/rex é expresso precocemente. . No caso do gene rex. que no caso do HTLV-1 codifica duas proteínas. o que pode activar a transcrição do vírus. que apesar não ser transcrito de forma eficiente pode desempenhar um papel importante na citopatogenia do vírus.Taxa de Crescimento da Célula. o que implica cerca de 5 erros por cada genoma de HIV replicado.rev  actua como a proteína rex. tax e rex. gag-pol ou env. encaminhando-o para o citoplasma. . Página 252 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . produzindo-se um mRNA único. alteras as vias de sinalização das células T. a sua replicação está dependente de: . Após ter sido integrado no genoma. estes vão estimular o crescimento celular e por consequente a replicação dos vírus. o que pode alterar a patogenecidade do vírus e promover o escape imunológico. A proteína tax é um activador da transcrição e aumenta a transcrição do genoma viral a partir da sequência génica promotora nas 5’ LTR. O HTLV e o HIV são retrovírus complexos.nef  reduz a expressão de CD4 na superfície celular. no receptor de IL-2 e no factor de estimulação de colónias de granolócitos-macrófagos. mas tem ainda efeito sobre os genes das interleucinas. A eficácia da transcrição viral constitui o segundo maior determinante do tropismo tecidual do retrovírus e da gama de hospedeiros do vírus. Pensa-se que esta proteína desempenhe um papel preponderante para que a infecção por HIV progrida para SIDA.vif  promove a organização e maturação do vírus. certas linfocinas ou infecção por vírus endógenos produz factores de transcrição que também se ligam às LTR. este codifica duas proteínas que se ligam ao mRNA impedindo que este sofra novo splicing. o mRNA destes genes necessita de mais do que uma etapa de splicing. sendo as proteínas estruturais expressas posteriormente quando já existem elevadas concentrações de rex.tat  tal como a tax. .

O HIV também está sob o controlo celular. os sincícios aumentam a actividade citolítica do vírus. A aquisição do invólucro e a libertação do retrovírus ocorrem na superfície celular. este facto deve-se à existência de células T com um número aumentado de coreceptores para o vírus.Microbiologia . Nos gânglios ocorre a replicação do vírus de forma contínua. estando estas separadas do cólon por uma única camada de células. e é neste momento que as células T CD4 são infectadas. e a partir destas o vírus dissemina-se para os gânglios linfáticos. Os macrófagos são igualmente infectados. Vírus da Imunodeficiência Humana Patogenia e Imunidade O principal determinante na patogenia e na doença causada pelo HIV é o tropismo do vírus para as células T que expressam CD4 e para os Macrófagos.vpr ou vpx50 é necessária para conferir ao vírus uma vantagem de replicação. A relação anal apresenta um risco de infecção muito aumentado quando comparado com as outras vias. As proteínas acessórias do HIV são importantes para a sua replicação e virulência. Os vírus alcançam os gânglios linfáticos após 2 dias de infecção. A associação de duas cópias de genoma e moléculas de tRNA da célula promove a gemulação do virião. sabe-se que esta infecção é persistente e que constituem o principal reservatório e meio de disseminação do HIV no organismo. permitindo uma produção e libertação constante de células infectadas para o sangue. traduzindo-se numa situação de imunodeficiência. destacando-se a proteína nef que é essencial para promover a evolução da infecção para SIDA. Já com o invólucro e depois de abandonar a célula. . no entanto o vírus revestido por anticorpos é igualmente infeccioso e pode ser vpr ou vpx – a proteína vpr aplica-se no caso de estarmos perante o HIV-1. A quantidade de CD4 expresso pela célula encontra-se relacionada com a capacidade do HIV matar a célula. o que irá condicionar uma redução no número destas células. mas é um dos factores que contribuem para a patogenia. a protease viral cliva as poliproteínas gag e gag-pol. enquanto a vpx nas infecções por HIV-2 50 Página 253 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que torna a protease um alvo importante dos agentes anti-virais. O HIV induz vários efeitos citopatológicos que podem levar à morte celular. o que leva a uma citotoxicidade. Esta clivagem permite que seja produzida a transcriptase reversa e se forme o cerne do vírus. o HIV-1 infecta as células dendríticas de Langerhans no epitélio. este passo é necessário para que o virão seja infeccioso. o aumento da permeabilidade da membrana plasmática.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A resposta imunológica restringe a infecção viral. e como tal qualquer estímulo que induza a activação da célula vai igualmente activar a replicação viral. como é o caso da acumulação de cópias da DNA circular não-integrado.vpu  reduz a expressão de CD4 na superfície celular e aumenta a libertação de viriões. Formam-se anticorpos contra a gp120. mas é possível que o HIV se dissemine célula a célula através da formação de sincícios celulares. A quando das relações sexuais vaginais ou anais. formação de sincícios e indução da apoptose. Devido à sua fragilidade. o que se pode comprovar pelo facto de os macrófagos ao expressarem menos CD4 raramente são destruídos pelo vírus.

ou seja. A perda destas células responsáveis pela DTH permite o crescimento excessivo de muitos microrganismos responsáveis por infecções intracelulares oportunistas características de SIDA. No período de latência clínica o número de vírus no sangue diminui. no entanto a sua replicação nos gânglios linfáticos é intensificada. quer pela produção de factores que limitam a replicação viral ou que bloqueiam a ligação do vírus ao seu receptor. sémen e secreções vaginais de pessoas infectadas. a população de raça negra e os hispânicos encontram desproporcionalmente representados na população HIV-positiva. ser imune à inactivação por anticorpos e por fim. utensílios. piscinas ou balneários públicos. É ainda possível que o vírus também seja transmitido no período peri-natal aos recémnascidos. A evolução da doença por HIV está directamente relacionada com o número de células T CD4 e a quantidade de vírus no sangue. e como tal a resposta e controlo da infecção tornam-se difíceis. uma das mais notáveis é a sua capacidade de sofrer mutação. o que se prova pela semelhança entre esse vírus o HIV-2. tosse ou espirro. caracterizado por uma extensa virémia. beijo. Transmissão A presença de HIV no sangue. casas de banho. Apesar de a causa ser desconhecida. A grande limitação no caso do HIV deriva do facto de as células T CD8 necessitarem de activação por parte das células T CD4. bem como recém-nascidos de mães HIV-positivas apresentam um risco elevado de infecção por HIV. abraço. O HIV possui diversos modos de escapar ao sistema imunológico. É importante referir que o HIV não é transmitido por contacto casual. são factores que promovem a transmissão da doença através de contacto sexual e exposição a sangue e hemoderivados contaminados. Pensa-se que o HIV tenha surgido de um vírus de imunodeficiência símio. os gânglios linfáticos são destruídos e o doente entra numa situação de imunossupressão. A infecção das células T CD4 e dos macrófagos mantém o vírus num território imunologicamente privilegiado. picada de insectos. No caso da infecção por HIV. Inicialmente surge um surto de replicação. Populações de Maior Risco Indivíduos sexualmente activos. alterando os seus antigénios de superfície. e ainda um longo período assintomático. utilizadores de drogas endovenosas e os seus parceiros sexuais. quer pela sua acção citotóxica directa sobre as células infectadas. as células T CD8 desempenham um papel preponderante no controlo da progressão da doença. promover a morte das células T CD4. Já numa fase mais tardia o número de células T CD4 diminui drasticamente. mas disseminou-se proporções epidémicas por toda a população.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e como tal a infecção prevalece na população masculina homossexual. O papel das células T CD4 na indução da respostas imunológica e da hipersensibilidade tardia (DTH) é indicado pela imunossupressão na infecção por HIV. A relação anal representa um meio de transmissão muito eficaz. Apesar deste facto. alimentos. Epidemiologia A SIDA foi pela primeira vez observada em homossexuais nos EUA. o coito vaginal Página 254 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que pode ocorrer por secreção do vírus no leite materno. toque. idêntico a uma mononucleose.Microbiologia capturado com relativa frequência pelos macrófagos. água. com o decorrer da infecção o número de células com capacidade de as activar reduz.

fadiga e infecções oportunistas. no entanto estudo demonstraram que menos de 1% dos indivíduos expostos por uma picada ao HIV apresentam soroconversão. O HIV-2 é mais prevalente na África. mas o maior número de casos encontra-se na África Sub-Sariana. Estes sintomas têm tendência a manter-se ou a evoluir. em alguns casos pode surgir meningite ou um exantema.Linfoadenopatia e Febre. Distribuição Geográfica A infecção pelo HIV encontra-se disseminada globalmente. A SIDA pode manifestar-se como linfoadenopatia. como é o caso do sarcoma de Kaposi. mas pode verificar-se um aumento do número de indivíduos infectados globalmente. Iremos agora caracterizar cada uma delas: . A SIDA diz-se totalmente desenvolvida quando o número de células T CD4 desce abaixo das 200 por µl e é evidenciado o início de patologias associadas a uma imunossupressão grave. A infecção pelo HIV progride desde uma infecção assintomática até uma profunda imunossupressão denominada SIDA. estando nalguns casos associados a diarreia. febre. o que no caso de hemofílicos que recebem factores de coagulação de vários dadores estão ainda mais protegidos. sendo quase todos os infectados sintomáticos. Os sintomas iniciais da infecção são semelhantes aos de uma síndrome gripal por influenza ou uma mononucleose infecciosa. mas menos grave. mas sabe-se que resultam de infecções por HIV desprovidos da proteína nef. ou infecções oportunistas. vírus de DNA. esta associação foi denominada complexo relacionado à SIDA.Infecções Oportunistas. podendo ser acompanhado de perda de peso e mal-estar. . caracterizando-se pela replicação do vírus nos gânglios linfáticos. Síndromes Clínicas A SIDA é uma das epidemias mais devastadoras registadas até hoje. Actualmente a triagem das reservas de sangue eliminou quase por completo o risco de contaminação a quando de uma transfusão. Os sintomas desaparecem após 2 a 3 semanas e são seguidos por um período assintomático da infecção ou uma linfoadenopatia generalizada que pode durar anos. no entanto o número é crescente nos EUA. infecções oportunistas. Os profissionais da aérea de saúde apresentam risco de contrair uma infecção por HIV através de picadas acidentais. na Ásia particularmente. É ainda possível que algumas pessoas sejam resistentes ao vírus. sudorese nocturna. parasita e Página 255 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . este fenótipo é caracterizado pela ausência dos co-receptores aos quais se liga o vírus. nomeadamente a Candida albicans. pois procede-se ao aquecimento adequado do factor para que o vírus seja eliminado. caracterizam-se por infecções que geralmente são benignas e têm como agentes fungos. infecção pelo Complexo Mycobacterium avium intracellulare e doença por Citomegalovírus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . produzindo uma doença idêntica à do HIV. e poucos resistem à doença. Estes sintomas estão relacionados com a diminuição do número de células T CD4 para menos de 450 por µl e um aumento da proteína p24 no sangue.Microbiologia heterossexual e o uso de drogas injectáveis constituem a principal causa de transmissão do vírus na comunidade. Este processo é insidioso. neoplasias e até demência associada à SIDA. Existem alguns casos de sobrevida em indivíduos infectados. A debilitação do sistema imunitário é indicada pelo aumento da susceptibilidade aos agentes patogénicos oportunistas. pneumonia por Pneumocystis carinii.

mas estes testes possuem a limitação de não serem conclusivos em doentes infectados recentemente. Tratamento. a mais notável é sem dúvida o sarcoma de Kaposi. esta pode resultar da infecção das células microgliais e dos neurónios cerebrais por HIV. Página 256 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . É ainda importante dosear os níveis de RNA viral no sangue. No caso do teste ELISA. mas podem ser precisos 6 meses ou mais. Estudos Imunológicos O estado de uma infecção por HIV pode ser determinado através da análise das subpopulações de células T. da enzima transcriptase reversa ou do RNA viral em amostras de sangue indica uma infecção recente ou um estádio tardio da doença. Por outro lado. surge o Linfoma Não-Hodgkin.Identificar os portadores que podem disseminar o vírus. Toxoplasmose cerebral e meningite por Criptococos.Terapia Anti-Viral Altamente Activa.Confirmar o diagnóstico de SIDA.Identificar os portadores de modo a que se possa iniciar a terapia anti-viral. sendo possível determinar o estádio da SIDA pela concentração de linfócitos CD4.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Candidíase oral. idênticos aos apresentados nos estádios iniciais da Doença de Alzheimer. A deterioração neurológica pode estar associada a uma infecção oportunista e não à infecção directa por HIV.Microbiologia bactérias de crescimento intracelular. sendo necessária cerca de 4 a 8 semanas na maior parte dos casos. O anticorpo anti-HIV pode desenvolver-se lentamente.Neoplasias. são comuns a infecções prolongadas por herpesvírus. A relação entre as células CD8/células CD4 é quase sempre muito baixa. para que desse modo se possa controlar a eficácia da terapêutica anti-viral. . o número de falsos-positivos é considerável e pode ainda não detectar uma infecção recente. Serologia São feitos ensaios de imunossorvente ligado a enzima ou ELISA. . . . . associado a uma infecção por Herpesvírus 8 Humano. sendo considerado um cancro benigno da pele. Estes agentes na presença de um número diminuído de células T CD4 causam uma doença significativa.Demência Associada à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.Inibidores da Protease. e a diarreia causada por agentes comuns e outros raros são manifestações comuns. A tuberculose. Diagnóstico Laboratorial Os testes para a detecção da infecção por HIV são realizados por uma das três razões: . Alguns exemplos são a pneumonia por Pneumocystis carinii. e ainda procedimentos de aglutinação. . No caso dos vírus. Os pacientes com estas condições sofrem uma lenta deterioração das suas capacidades intelectuais e outros distúrbios neuronais. Prevenção e Controlo Tratamento As principais terapias anti-HIV são as seguintes: . associado á infecção pelo vírus Epstein-Barr. Assim sendo muitos vezes são utilizados ensaios por Western Blot para confirmar os resultados. A evidência do antigénio viral p24. outras doenças causadas por micobactérias. citomegalovírus e papovavírus. .Inibidores Análogos Nucleosídios da Transcriptase Reversa. A natureza crónica da infecção permite o uso de testes serológicos para detectar a infecção por HIV.Inibidores Não-Nucleosídios da Transcriptase Reversa.

O uso desta última terapia reduz o número de vírus no sangue para quase zero. a anteginicidade do vírus sofre constantes alterações. Educação O principal meio de controlar a infecção por HIV está na educação da população no que toca á transmissão do vírus e nas maneiras de a reduzir. e por isso deve ser usado um “cocktail” constituído de vários fármacos anti-virais. práticas que reduzem em muito a probabilidade de exposição. Aqui surge um dos grandes problemas. . e incluem precauções com sangue e líquidos orgânicos. Assim temos o incentivo a relações monogâmicas. diminuindo drasticamente a morbilidade e mortalidade associadas à infecção. sendo considerado um dos grandes avanços na terapêutica das infecções por HIV. como imunógeno.Impedir a transmissão do vírus para lactentes de mãe HIV-positivas. Mas a grande barreira é o facto de o HIV infectar as células responsáveis pela activação da resposta celular e das respostas imunológica em geral. e ainda a capacidade do vírus se disseminar através de sincícios.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . formaldeído a 4% ou peróxido de hidrogénio a 6%. Outros dos comportamentos de risco é a partilha de seringas entre os toxicodependentes. Como seria de esperar os indivíduos HIV-positivos não devem doar sangue. Infelizmente a alta taxa de mutação do HIV promove a resistência a estes fármacos. etanol ou isopropanol a 70%. A lavagem das roupas com detergentes e água quente parece ser suficiente para inactivar o HIV. A mais recente abordagem inclui vacinas de DNA contendo vectores de expressão eucariota com o gene de gp160 e outros genes do HIV. . Na maior parte dos estudos está a ser utilizada a proteína gp120 ou o seu precursor.Bloqueie a evolução da doença.Microbiologia Actualmente o AZT é aconselhado para indivíduos assintomáticos ou levemente sintomáticos com contagens de CD4 inferiores a 500 µl e para o tratamento de mulheres grávidas com a finalidade de reduzir a probabilidade de infecção do feto. É urgente travar este tipo de acções. Controlo da Infecção Os procedimentos para o controlo do HIV são os mesmo que os utilizados na Hepatite B. Página 257 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Desenvolvimento de Vacinas Actualmente ainda não existe nenhuma vacina eficaz contra o HIV. prática de sexo seguro e o uso de preservativos. mas para que esta seja bem sucedida é necessário que: . A terapêutica com HAART permite que a probabilidade de a mãe transmitir o HIV para o feto seja reduzida para números perto do zero. Alguns dos problemas com a vacina baseiam-se na necessidade de ser necessário a produção inicial de anticorpos para evitar a transmissão do vírus e a sua aquisição. e os hemoderivados são analisados antes de serem utilizados. escapando aos anticorpos. denominando-se Terapia Anti-Retro-Viral Altamente Activa (HAART). baseadas no pressuposto de que todos os indivíduos podem estar infectados. Triagem do Sangue e Hemoderivados Potenciais dadores de sangue são previamente submetidos a uma triagem. o que nos indica que tanto a imunidade celular como a humoral é necessária para a proteger o indivíduo contra a infecção por HIV. As superfícies contaminadas devem ser desinfectadas com hipoclorito a 10%. As precauções incluem o uso de roupas apropriadas e de outras barreiras para impedir a exposição a hemoderivados. glutaraldeído a 2%. a gp160.Impedir a aquisição do vírus por adultos.

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Por fim, surgem os problemas éticos associados à avaliação da vacina, pois é uma doença humana com uma evolução lenta, o que iria exigir um longo prazo para monitorizar a eficácia da vacina.

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Vírus da Hepatite
Pelo menos seis vírus, designados de A até E, e um vírus G, são considerados vírus da hepatite. Em comum possuem o seu tropismo tecidual preferencial para o fígado, no entanto possuem estrutura, modos de replicação, modos de transmissão e evoluções da doença diferentes. O vírus da Hepatite A (HAV) e o da Hepatite B (HBV) são os mais conhecidos, e os restantes foram classificados como vírus da Hepatite Não-A, Não-B (NANBH), e ainda um particular, o vírus da Hepatite D (HDV), o agente delta. Apesar de aqui apenas serem enumerados estes agentes de hepatite, existem mais, que na sua generalidade se incluem no grupo NANBH. Cada um dos vírus infecta e lesa o fígado, levando a sintomas ictéricos e à libertação de enzimas hepáticas. É possível distinguir os diferentes vírus pela evolução e natureza da doença, e ainda por testes serológicos. Estes vírus demonstra-se altamente infeccioso, o que se baseiam na capacidade do indivíduo eliminar o vírus antes de manifestar sintomas ou mesmo na infecção assintomática.

Vírus da Hepatite A
O HAV causa hepatite infecciosa e é transmitida pela via fecal-oral, podendo as infecções resultar do consumo de água ou alimentos infectados. Este vírus é um picornavírus, denominado enterovírus 72, mas foi colocado neste novo género com base no seu genoma característico.

Estrutura
O HAV possui uma cápsula icosaédrica sem invólucro em redor de um genoma de RNA de cadeia única de sentido positivo. Este genoma possui uma proteína VPg na extremidade 5’ e uma poliadenosina na extremidade 3’. Tal como nos restantes picornavírus, a cápsula do HAV é resistente ao meio ácido e outras agressões. Existe apenas um sorotipo conhecido deste vírus.

Replicação
O HAV replica-se de forma idêntica aos restantes picornavírus, interagindo com um receptor específico das células hepáticas, mas constitui uma excepção, comparativamente aos picornavírus, ao não ser citolítico e ao ser libertado por exocitose.

Patogenia
O HAV é ingerido e pode penetrar na corrente sanguínea ao nível da orofaringe ou do revestimento epitelial do intestino, tendo como objectivo alcançar as células do parênquima hepático. O vírus passa então a ser produzido nestas células, é libertado na bílis, sendo excretado do organismo juntamente com as fezes. O vírus já é eliminado nas fezes em grande quantidades cerca de 10 dias antes dos sintomas ou de anticorpos poderem ser detectados. O HAV replica-se de forma lenta no fígado sem produzir efeitos citopatológicos aparentes, podendo ser esta replicação limitada pelo interferão, no entanto é necessária a Página 259 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano

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acção das células T citotóxicas e Natural Killers para que ocorra a lise da célula infectada. A icterícia resulta desta lesão hepática, surge quando começam a ser detectados anticorpos e a resposta mediada por células começa a sua acção mais intensa. A protecção contra reinfecção fornecida pelos anticorpos é permanente. A patologia hepática causada pelo HAV é histologicamente indistinguível da causada pelo HBV, mas o HAV não tem a capacidade de iniciar uma infecção crónica e não está associado ao cancro hepático.

Epidemiologia
Cerca de 40% de todos os casos de Hepatite Infecciosa são causados pelo HAV, o que se deve a uma rápida disseminação do vírus na população, caracterizada pela possibilidade de eliminar o vírus mesmo sendo assintomático.

Fig. 78 - Distribuição Mundial da Hepatite A

O vírus é eliminado nas fezes em grandes quantidades, transmitido via fecal-oral através de alimentos e água contaminados, bem como de mãos sujas. Este vírus é resistente a detergentes, baixo pH e temperaturas até aos 60ºC, podendo sobreviver por meses na água doce ou salgada. A incidência relativamente alta da infecção por HAV está directamente relacionada com as condições de higiene precárias e às aglomerações excessivas. No caso dos países em desenvolvimento são as crianças que geralmente são infectadas, produzindo uma doença ligeira, e adquirindo protecção permanente contra a reinfecção. O contrário acontece nos países desenvolvidos, onde é principalmente a população idosa que sofre desta infecção.

Síndromes Clínicas
Os sintomas causados pelo HAV são muito semelhantes aos causados pelo HBV, sendo uma consequência da lesão hepática imunológicamete mediada. Nas crianças a doença é mais branda do que nos adultos, e geralmente assintomática. Os sintomas surgem de forma abrupta, após 15 a 50 dias da infecção, e aumentam durante 4 a 6 dias antes da fase ictérica. Estes
Fig. 79 – Evolução da Infecção por HAV

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sintomas iniciais são a febre, fadiga, náuseas, anorexia e dor abdominal, podendo diminuir no período ictérico. A eliminação do vírus inicia-se cerca de 14 dias antes do aparecimento dos sintomas. Em 99% dos casos ocorre recuperação completa do indivíduo, no entanto em cerca de 0,1 a 0,3% dos doentes pode dar-se uma hepatite fulminante a quando da infecção por HAV, o que em 80% dos casos resulta em morte.

Diagnóstico Laboratorial
O diagnóstico da infecção por HAV é feito com base na evolução cronológica dos sintomas clínicos, na identificação de uma fonte infectada conhecida, e nos resultados de testes serológicos. Para demonstrarmos a presença de infecção aguda deve ser detectada IgM anti-HAV, através do teste ELISA ou pelo Radioimunoensaio.

Tratamento, Prevenção e Controlo
A transmissão do HAV é reduzida pela interrupção da transmissão fecal-oral do vírus, é assim necessário evitar o consumo de água ou alimentos contaminados e a lavagem adequada das mãos. A água pode ser tratada com cloro, mostrando-se eficaz na eliminação do vírus. A profilaxia com imunoglobulina sérica, administrada antes ou no início do período de incubação, mostra-se eficaz na prevenção da doença clínica em 80 a 90% dos indivíduos. Uma vacina contendo o HAV morto foi aprovada e está disponível para o uso de crianças e adultos que apresentam alto risco de infecção, principalmente ao viajarem para aéreas endémicas. Existe apenas um único sorotipo de HAV, este apenas infecta os seres humanos, o que ajuda em muito a garantir o sucesso de um programa de imunização.

Vírus da Hepatite B
O HBV é o principal membro dos hepadnavírus, apresentando uma gama de tropismos teciduais e hospedeiros muito limitada. Este vírus infecta o fígado, e em menor grau o rim e pâncreas, de humanos e chimpanzés.

Estrutura
O HBV é um vírus de DNA com invólucro, pequeno, mas que apresentam diversas características incomuns. Destaca-se o genoma de DNA circular, pequeno e parcialmente duplo, mas sabe-se ainda que codifica uma transcriptase reversa, replicando-se por intermédio de um RNA intermediário. O virião também pode ser denominado partícula de Dane, e apresenta-se muito estável quando comparado com outros vírus com invólucro, resistindo ao tratamento com éter, baixo pH, congelamento e aquecimento moderados. Todas estas características facilitam a sua disseminação entre os indivíduos, mas dificultam a desinfecção e controlo da transmissão. O virião do HBV inclui uma polimerase com actividade de transcriptase reversa, ribonuclease H e uma proteína P ligada ao genoma, este por sua vez é envolvido pelo antigénio do cerne da hepatite B (HBcAg) e por um invólucro contendo o antigénio de superfície glicoprotéico da hepatite B (HBsAg). O Antigénio Proteico E da Hepatite B (HBeAg) representa um componente de menor importância.

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As partículas contendo HBsAg são libertadas no soro das pessoas infectadas e o seu número ultrapassa o dos verdadeiros viriões. O principal componente destas partículas é a glicoproteína S, esta por sua vez contém os determinantes grupos-específico e tipo-específico. As várias combinações destes antigénios resultam em 8 subtipos de HBV, que são utilizados para estudos epidemiológicos.

Replicação
A replicação do HBV é diferente por diversas razões, primeiro porque possui um tropismo muito específico para o fígado, e ainda porque se replica através de um intermediário de RNA e produz e liberta partículas antigénicas (HBsAg) independentes dos viriões. A fixação do HBV aos hepatócitos é mediada pelas glicoproteínas HBsAg, estas ligam-se à albumina sérica humana polimerizada e a outras proteínas séricas, pensa-se que esta particularidade permita que o vírus seja levado até ao fígado de forma mais eficiente. Ao penetrar na célula, a cadeia de DNA é completada para formar um circulo completo de DNA de cadeia dupla, após este processo o genoma é libertado no núcleo. A transcrição do genoma é controlada por factores de transcrição encontrados nos hepatócitos. Fig. 80 - Mecanismos da Infecção por HBV O genoma codifica os antigénios HBc e HBe, a polimerase e uma proteína iniciadoras para a replicação do DNA e é ainda o modelo para a replicação do genoma. A replicação do genoma inicia-se com a produção de um mRNA maior do que o genoma, este é acondicionado no nucleocapsídio do cerne que contém a DNA polimerase com função de transcriptase reversa e de ribonuclease H, mas que não possui a actividade de integrase, o que se verifica nos retrovírus. Este mRNA funciona como modelo, sendo a cadeia de DNA de sentido negativa sintetizada. À medida que a cadeia de DNA de sentido positiva é sintetizada, o mRNA é degradado pela ribonuclease H, sendo este processo interrompido pela formação do invólucro do nucleocapsídio nas membranas do reticulo endoplasmático ou do complexo de Golgi que contém HBsAg. Como é fácil perceber vão existir diferentes quantidades de RNA em cada genoma, mas devido à ribonuclease a degradação do RNA continua, e por isso produzem-se genomas de DNA de cadeia parcialmente dupla. O virião é libertado por exocitose e não por lise celular. Todo o genoma pode ser integrado na cromatina da célula hospedeira, o que muitas vezes é indicado pela presença de HBsAg, mas não de outras proteínas, no citoplasma da célula com o DNA do HBV integrado.

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Patogenia e Imunidade
O HBV pode causar infecções agudas ou crónicas, sintomática ou assintomática. A detecção dos componentes HBsAg e HBeAg do virião no sangue indica a existência de uma infecção viral em curso, no entanto a libertação de HBsAg continua mesmo na ausência de libertação de viriões e até á resolução da infecção. A principal fonte do vírus infeccioso é o sangue, mas o HBV pode ser encontrado no sémen, saliva, leite, secreções vaginais e menstruais, bem como no líquido amniótico. Assim sendo, a maneira mais fácil de adquirir o vírus é através do contacto com sangue, ou hemoderivados contaminados, no entanto é possível a transmissão através de contactos sexuais ou do parto. O vírus replica-se nos hepatócitos com um mínimo de efeito citopatológico, e por isso a infecção prossegue por um período relativamente longo sem causar lesão hepática ou sintomas. É neste período que algumas cópias do genoma do HBV integram a cromatina e se tornam latentes. A imunidade mediada por células e a inflamação são responsáveis por causar os sintomas e pela resolução da infecção pelo HBV através da eliminação do hepatócito infectado. É por intermédio do interferão que a resposta imunitária é iniciada, este vai intensificar a expressão dos antigénios do MHC e a apresentação dos péptidos HBs, HBc e HBe às células T killer citotóxicas. Os anticorpos podem proteger contra a infecção, mas a grande produção de HBsAg livres que se ligam aos anticorpos neutralizantes, torna-os inactivos, e limita em muito a sua capacidade de controlar a infecção. Os lactentes e crianças de pouca idade possuem respostas imunológicas celular imatura e, consequentemente, são menos capazes de resolver a infecção, mas por outro lado exibem menos lesão tecidual e sintomas menos exacerbados. Durante a fase aguda da infecção o parênquima hepático mostra alterações degenerativas que consistem em edema e necrose celulares, o que é particularmente visível nos hepatócitos que circundam a veia central lobular. A resolução da infecção permite a regeneração do parênquima, mas no caso de infecções fulminantes, activação de infecções crónicas ou co-infecção com o agente delta podem resultar em lesões hepáticas permanentes e cirrose.

Epidemiologia
Anualmente nos EUA mais de 300.000 pessoas são infectadas pelo HBV, o que resulta em 4.000 mortes. O panorama nos países em desenvolvimento é ainda mais preocupante, estima-se que 15% da população seja infectada durante o nascimento ou na infância. O número de portadores assintomáticos crónicos com vírus no sangue e noutras secreções favorece a transmissão. O vírus é transmitido pelas vias sexual, parenteral e peri-natal. A transmissão ocorre através de transfusão de sangue ou hemoderivados contaminados, partilha de agulhas, acupuntura, prática de furar orelhas, tatuagens e através de contacto íntimo que envolva troca de sémen, saliva e secreções vaginais. Os profissionais de saúde apresentam risco de sofrer acidentes envolvendo picadas com agulhas ou instrumentos pontiagudos e cortantes.

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A promiscuidade sexual e o abuso de drogas constituem os principais factores de risco para a infecção pelo HBV, este pode ainda ser transmitido aos lactentes através do contacto com sangue materno, a quando do nascimento, ou pelo leite materno. A triagem serológica de unidades doadores de sangue reduziu acentuadamente o risco de aquisição do vírus a partir do sangue ou de hemoderivados contaminados. A adoção de hábitos sexuais mais seguros para evitar a transmissão do HBV bem como a administração de vacinas ant-HBV também foram responsáveis por uma redução da transmissão. Uma das principais preocupações é a associação do HBV e o Carcinoma HepatoCelular.

Síndromes Clínicas
Como já foi dito anteriormente o vírus HBV pode causar infecção agudas ou crónicas, sintomáticas ou assintomáticas. Mediante estas condicionantes podem surgir diferentes doenças: - Infecção Aguda, como já foi referido as manifestações em crianças são menos graves e podem mesmo ser assintomáticas. A infecção é caracterizada por um longo período de incubação e um início insidioso. Os sintomas durante o período de incubação são febre, mal-estar, anorexia, náusea, vómitos, desconforto abdominal e calafrios. Após este período surgem os sintomas ictéricos da lesão hepática. A recuperação é indicada por um Fig. 81 - Hepatite B Aguda declínio na febre e recuperação do apetite. A hepatite fulminante ocorre em aproximadamente 1% dos casos ictéricos e pode ser fatal. Esta manifestação é evidenciada por sintomas mais graves e evidências de graves lesões hepáticas, como ascite51 e hemorragia. - Infecção Crónica, a hepatite crónica ocorre em 5 a 10% das pessoas com infecção pelo HBV, surgindo depois de uma doença ligeira ou inaparente. O seu diagnóstico pode ser feito pela evidência de níveis altos das enzimas hepáticas na análise bioquímica do sangue, mas em 10% dos casos pode surgir cirrose e insuficiência hepática. Estes doentes representam uma
Fig. 82 - Hepatite B Crónica Ascite - é uma acumulação de fluidos na cavidade do peritoneu. É comum devido a cirrose e doenças graves do fígado, e sua presença pode ocultar outros problemas médicos. O diagnóstico é usualmente feito com recurso a testes de sangue, uma ultra-sonografia do abdómen e remoção directa do fluido por uma agulha ou paracentese (que também pode ser terapêutica). O tratamento pode ser feito com medicação (diuréticos), paracentesis ou outros tratamentos direccionados para a causa.
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ou o Fanciclovir. a sangue ou secreções contaminadas. sendo o genoma do HBV integrado nas células do PHC. HBsAg. o que juntamente com um Página 265 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A vacinação é recomendada para lactentes. Outros esforços para evitar a infecção consistem em evitar o contacto íntimo com alguém infectado e evitar adoptar comportamentos que facilitem a transmissão do vírus. a OMS estima que 80% de todos os casos podem ser atribuídos a infecções por HBV. . A imunoglobulina da hepatite B pode ser administrada dentro de uma semana após a exposição e ainda a recém-nascidos de mães HBsAg-Positivas.Microbiologia importante fonte para a transmissão do vírus e exibem alto risco de doença fulminante se forem infectados com o HDV. sendo o HBeAg a melhor correlação com a presença do vírus infeccioso. crianças e especialmente pessoas de grupos de alto risco. o Saccharomyces cerevisiae. As infecções agudas e crónicas podem ser diferenciadas pela presença de HBsAg e HBeAg no soro e pelo padrão de anticorpos dirigidos contra os antigénios do HBV. estimulando directamente o crescimento celular. podem ter alguma eficácia e estão a ser analisados como fármacos no tratamento desta infecção. Durante a fase sintomática da infecção. Pensa-se que o vírus pode induzir o cancro ao promover o continuo reparo do fígado e o crescimento celular em repostas da lesão tecidual ou ao integrar-se no cromossoma do hospedeiro. mas sabe-se que o interferão-α pode ser útil no caso de infecção crónica. É ainda possível que uma proteína X do HBV possa activar a transcrição de proteínas celulares e estimular o crescimento celular.Carcinoma Hepato-Celular Primário (PHC). a detecção dos anticorpos dirigidos contra HBeAg e HBsAg não é possível. mas só através da serologia é possível conhecer a evolução e natureza da doença. Alguns fármacos como a Lamivudina. A transmissão do HBV no sangue ou hemoderivados foi acentuadamente reduzida através da triagem dos dadores de sangue quanto à presença de HBsAg e anti-HBc. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico inicial pode ser realizado com base nos sintomas clínicos e na presença de enzimas hepáticas no sangue. ou ambos e ausência de anticorpos detectáveis contra esses antigénios. Mais de 95% dos indivíduos vacinados desenvolvem anticorpos protectores. O período de latência entre a infecção por HBV e o aparecimento do PHC pode ser tão curto como 9 anos ou pode ser prolongado. que têm como alvo a polimerase. pois a sua presença está mascarada pela formação de complexos entre os anticorpos e os antigénios. Por isso a melhor forma de detectar uma infecção aguda recente consiste na quantificação de IgM Anti-HBc. A vacina actual é um produto da engenharia genética produzida pela inserção de um plasmídeo contendo o gene S do HBsAg numa levedura. atingido até 35 anos. A prevenção da infecção crónica por HBV pode reduzir a incidência de PHC. Tratamento. HBsAg. HBeAg e HBcAg são encontrados no sangue durante a replicação viral. A infecção crónica pode ser distinguida pela evidência contínua de HBeAg. Prevenção e Controlo Não existe tratamento específico para a infecção pelo HBV. Este tipo de cancro pode tornar-se no primeiro cancro humano passível de prevenção por vacina. Esta vacina é particularmente útil nos recém-nascidos que foram expostos devido a mães HBsAg-Positivas e indivíduos acidentalmente expostos por via percutânea ou permucosa.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

o HBV não é inactivado por detergentes. ele foi classificado como o único Hepaciviridae. de modo a evitar picadas acidentais. Estrutura e Replicação Apesar do HCV nunca ter sido isolado. A transmissão é semelhante à do HBV. incluindo duas glicoproteínas. vestuário apropriado e óculos também podem ser necessários. que sofrem variação durante a infecção. e por isso nos permitem definir seis grupos de variantes que diferem em relação à distribuição mundial. O genoma codifica 10 proteínas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . levando frequentemente a cirrose e consequentemente a um potencial carcinoma hepato-celular. E1 e E2. 52 53 IgM Anti-HBc pode estar presente Anti-HBe pode ser negativo após doença crónica Página 266 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estas acções impedem a morte celular e promovem a ocorrência de uma infecção persistente.Microbiologia único sorotipo do vírus e a sua gama muito limitada de hospedeiros. No que toca a agulhas e material cortante deve ser devidamente armazenado. As proteínas do HCV inibem a apoptose e a acção do interferão-α ao ligarem-se ao receptor do TNF-α e à proteína quinase R. Este vírus infecta apenas seres humanos e os chimpanzés. Marcadores Serológicos da Infecção pelo Vírus da Hepatite B Estado Patológico Reactividade Serológica PréSintomático Inicial Agudo Agudo Crónico Tardio Agudo Estado Saudável Resolução Vacinação Anti-HBc Anti-HBe Anti-HBs HBeAg HBsAg Vírus Infecciosos + + + + + -52 + + + + + + + +/+/+ + + +/-53 + - + - Vírus das Hepatites C e G O HCV é uma causa predominante de infecções pelos vírus NANBH e constituía a principal causa de hepatite pós-transfusional antes da triagem de rotina dos bancos de sangue. mas contrariamente ao que acontece com a maior parte dos vírus com invólucro. na família dos Flaviviridae. O seu genoma é constituído por um RNA de sentido positivo e possui invólucro. ajuda em muito a contribuir para um programa de imunização com sucesso. mas apresenta uma maior potencial de estabelecer uma infecção crónica. Os procedimentos para limitar a exposição ao HBV são descritos pelos objectivos das precauções universais com sangue e líquidos orgânicos. ligando-se ás células através do receptor CD81 de superfície ou reveste-se de lipoproteínas de baixa densidade para através do seu receptor penetrar nas células hepáticas. É por isso necessário utilizar luvas para manipular sangue e líquidos orgânicos. Os materiais contaminados devem ser desinfectados com uma solução a 10% de hipoclorito.

O álcool é um co-factor para a cirrose induzida por HCV. caracterizada por progressão rápida para cirrose em 15% dos doentes. A virémia dura 4 a 6 meses nos indivíduos com infecção aguda e mais de 10 anos no caso de infecção persistente. o DNA de cadeia ramificada e outras técnicas genéticas podem detectar o RNA do HCV em indivíduos soro-negativos. os receptores de sangue ou de órgãos e os hemofílicos que recebem factores de coagulação. mas estabelece-se uma infecção crónica e persistente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Patogenia A capacidade do HCV de permanecer associada à célula e impedir a sua morte promove a ocorrência de uma infecção persistente. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico da infecção por HCV baseia-se na detecção do anticorpo por ELISA. os toxicodependentes. A alta incidência de infecção crónica assintomática promove a transmissão do vírus na população. são os que apresentam maior risco de infecção. mas a resposta inflamatória é menos intensa. e destes 20% desenvolvem insuficiência hepática após 20 anos. A imunopatologia mediada por células é responsável pela lesão tecidual. . mas pode não ser suficiente no caso de paciente imunossuprimidos ou que façam hemodiálise. Como seria de esperar. sendo que a soroconversão ocorre dentre de 7 a 31 semanas após a infecção.Infecção Grave. promovendo o crescimento celular. tendo vindo a tornar-se técnicas cada vez mais úteis no diagnóstico da infecção. a doença é assintomática. É importante salientar que o anticorpo nem sempre está presente em indivíduos com virémia. mas a transmissão por outras vias continua muito prevalente.Infecção Crónica Persistente. Na forma aguda é idêntica à infecção por HAV e HBV. podem constituir factores indutores de um PHC. . Após cerca de 10 a 15 anos evolui para hepatite crónica activa. Epidemiologia O HCV é transmitido principalmente através do sangue e por contacto sexual. com resolução da infecção e recuperação em 15% dos casos. consequentemente é necessária uma reparação constante. Síndromes Clínicas O HCV causa três tipos de doença: . que em 20% dos casos evolui para cirrose. o que muitas vezes pode conduzir a um carcinoma hepato-celular após 30 anos em cerca de 5% dos doentes cronicamente infectados. com 70% de possibilidades de progressão para doença em fase posterior da vida. Pelo que se sabe os anticorpos contra o HCV não fornecem protecção. mas resulta em doença hepática numa fase posterior da vida. A PCR. cerca de 80%.Hepatite Aguda. Os procedimentos de triagem têm levado a uma diminuição da transmissão por transfusão sanguínea e doação de órgãos. que no caso de cirrose. e os sintomas mais ligeiros. O teste ELISA é utilizado para a triagem dos bancos de sangue. Num grande número de casos. Página 267 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

Tendo em conta que estes agentes são transmitidos pelas mesmas vias. Por outro lado.Microbiologia Tratamento. Este antigénio irá limitar a replicação do vírus e a destruição celular. Fig. O genoma é envolvido por um invólucro contendo o antigénio delta. A transcrição e replicação do genoma são diferentes. um indivíduo pode ser co-infectado com o HBV e o agente delta. 83 . sendo a forma pequena predominante. É considerado um parasita viral. O HGV é identificado pela detecção do genoma pela RT-PCR ou por outros métodos da detecção de RNA. Vírus da Hepatite G O Vírus da Hepatite G assemelha-se ao HCV em muitos aspectos. este é circular e de cadeia simples. este por sua vez está contido num invólucro constituído principalmente pelo HBsAg. A evolução é Página 268 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Prevenção e Controlo O interferão-α recombinante sozinho ou associado à ribavirina constitui o único tratamento conhecido para o HCV. Vírus da Hepatite D Aproximadamente 15 milhões de pessoas no mundo estão infectadas com HDV. O genoma produz uma estrutura de RNA denominada ribozima. é transmitido pelo sangue e apresenta predilecção para a hepatite crónica. Este vírus existe numa forma pequena e numa forma grande.Estrutura do HDV ou Agente Delta O agente delta liga-se e é internalizado nos hepatócitos de forma muito semelhante ao HBV. O HDV é peculiar. O gene do antigénio delta sofre mutação através de uma enzima celular. Uma das suas características é que apenas consegue replicar-se e causar doença em pessoas com infecções activas do HBV. Patogenia Identicamente ao que acontece com o HBV. utilizando o HBV e proteínas da célula-alvo para se replicar e produzir as suas próprias proteínas. promovendo assim a infecção persistente. Estrutura e Replicação O genoma de RNA do HDV é muito pequeno. ou Agente Delta. esta vai clivar o RNA circular e formar um mRNA. um indivíduo com uma infecção crónica pelo HBV também pode ser superinfectado pelo agente delta. o agente delta é transmitido pelo sangue. É um igualmente um flavivírus. o que se deve a possuir o mesmo invólucro. iniciando-se com a replicação do genoma pela RNA Polimerase II celular e formação de um mRNA. assumindo uma forma em bastão devido ao extenso emparelhamento de bases.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e o vírus é responsável por 40% dos casos de hepatite fulminante. sémen e secreções vaginais. e o HBsAg e o vírus são libertados de seguida da célula. o que se comprova pela necessidade o HBsAg para a organização do vírus. O genoma é circundado pelo cerne do antigénio delta. permitindo dessa forma a produção da variante grande.

ele constitui um maior problema nos países em desenvolvimento. sendo os utilizadores de drogas endovenosas e os hemofílicos os indivíduos com mais risco. e que as vias de transmissão são as mesmas. São os portadores de HBV e HDV que constituem a principal fonte de contágio. a protecção provavelmente surge da resposta imunológica ao HBsAg. Página 269 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O HDV é transmitido pelas mesmas vias que o HBV. Os testes ELISA e o radioimunoensaio estão disponíveis para este fim. aproximadamente 10 vezes mais do que na infecção por HAV. Os sintomas da doença podem surgir mais tarde do que na infecção por HAV. a prevenção da infecção por HBV evita a infecção por HDV. Diagnóstico Laboratorial O único meio de se determinar a presença do agente delta é pela detecção do antigénio delta ou de anticorpos. Neste caso a lesão hepática ocorre como resultado do efeito citopatológico directo causado pelo agente delta associado à imunopatologia derivada da infecção por HBV. Tratamento. e os mesmos grupos apresentam alto risco de infecção. Apesar de serem produzidos anticorpos contra o agente delta. é predominantemente transmitido pela via fecal-oral. Apesar de ter uma distribuição Mundial. também denominada E-NANBH. Caso o doente já esteja infectado com o HBV deve evitar o uso de drogas endovenosas e o contacto com qualquer hemoderivado contaminado. especialmente através de água contaminada. Em alguns casos de infecção crónica por HBV é possível que se desenvolva uma infecção crónica por HDV. Tendo em conta que o HDV necessita do HBV. onde a mortalidade chega a atingir os 20%. A taxa de mortalidade é de 1 a 2%. Síndromes Clínicas A gente delta aumenta a gravidade da infecção por HBV. Durante a fase aguda o antigénio delta pode ser detectado no sangue em amostras de soro tratadas com detergente. Esta infecção adquire uma dada relevância no caso de mulheres grávidas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e pode existir uma resposta deficiente da IgG sérica. Os sintomas e a evolução da doença são semelhantes aos da doença causada pelo HAV. sendo fatal em 80% dos casos. Prevenção e Controlo Não existe tratamento específico conhecido para a hepatite por HDV.Microbiologia mais rápida e mais grave em pessoas superinfectadas com o agente delta do que as que foram co-infectadas. causando apenas infecção aguda. Neste caso pode ocorrer uma encefalopatia hepática e necrose hepática maciça. Epidemiologia O agente delta infecta crianças e adultos com infecção prévia ou conjunta por HBV. Vírus da Hepatite E O HEV. e vai constituir o principal factor para que ocorra uma hepatite fulminante.

Microbiologia Micologia Página 270 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

a asma brônquica. mas sem obterem qualquer benefício evidente desse relacionamento. Os sintomas desta intoxicação são a inflamação dos tecidos infectados. Aspectos Psicotrópicos Alguns metabolitos tóxicos produzidos pelo fungo eram utilizados por tribos primitivas com finalidades religiosas. bem como o derivado semi-sintético dietilamida do ácido lisérgico (LSD). o que nos pode dar uma ideia da contaminação do ar. resultado da ingestão acidental de fungos que produzem essas substâncias. As micotoxicoses são. Micotoxicoses Os fungos são microrganismos metabolicamente versáteis e fonte de inúmeros metabolitos secundários como os alcalóides e outras substâncias tóxicas. onde existem como sapróbios de vida livre. na maioria das vezes. Farmacologicamente estas substâncias são bloqueadoras α-adrenérgicos que inibem determinadas respostas à adrenalina e à 5hidroxitriptamina. É comum encontra-los como agentes patogénicos em plantas e como causadores de danos nos alimentos e outros produtos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Estes elementos também podem funcionar como um estímulo antigénico. hipersensibilidade devido à produção de imunoglobulinas ou de linfócitos sensibilizados. Doenças por Hipersensibilidade Um dos índices utilizados para medir a poluição do ar é a contagem de esporos fúngicos. eram toxinas produzidas pelo Aspergillus flavus que pertenciam a um grupo de substâncias conhecidas como metabolitos bisfuranocumarina. seguida de necrose e gangrena. que lhes causava hemorragia generalizada e necrose dob fígado. Quando isto acontece deve induzir-se o vómito e instituir medidas de suporte compatíveis com os sinais fisiológicos apresentados pelo paciente. Aflatoxinas Estudos bioquímicos e farmacológicos demonstraram que os agentes etiológicos da doença que afectava os perus. mas ainda não foram associados a nenhum processo carcinogénico humano. Algumas substâncias produzidas por fungos eram utilizadas como agentes psicotrópicos. Não é necessário que os fungos se desenvolvam nos tecidos para que se tenha hipersensibilidade. As manifestações clínicas mais comuns são a rinite. Alcalóides do Esporão de Centeio As propriedades farmacológicas dos alcalóides do esporão de centeio são largamente conhecidos pelos diversos episódios ao longo da história. sendo que são de grande importância médica. mágicas e sociais. alveolite e outras formas de atrofia. Frequentemente colonizam transitoriamente a superfície do corpo.Microbiologia Mecanismo de Patogenicidade dos Fungos Os fungos são extremamente comuns na natureza. Existem três categorias principais que são de importância médica. Página 271 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . podendo induzir. dependendo o estado imunológico do indivíduo. como é o caso da psilocibina e da psilocina. Estas substâncias denominadas aflatoxinas são potentes carcinógenos. estes são produzidos quando o cereal é infectado pelo Claviceps purpúrea.

As características dos agentes patológicos fúngicos humanos permitem a sua classificação em grupos de acordo com os tecidos primários que eles colonizam: . como o do Cryptococcus neoformans.Micoses Superficiais. Na maior parte dos casos as infecções por fungos são ligeiras e auto-limitadas. Colonização e Doenças Quase todos os organismos fúngicos relacionados com os processos patológicos são de vida livre. pessoas saudáveis e imunocompetentes possuem uma elevada resistência inata aos fungos. ou na presença de um estado de imunossupressão. Geralmente. e uma vez estabelecida a infecção. mas a maior parte dos indivíduos apresentam um alto nível de imunidade inata aos fungos. mas possuem maiores propriedades invasivas e podem.Micoses Cutâneas. dependendo da espécie envolvida. Alguns dos agentes que causam estas infecções são a Candida albicans e a Malassezia furfur. pouco se sabe sobre a acção e virulência dos fungos nas patologias humanas. A pele intacta serve como barreira primária contra qualquer infecção causada por fungos que colonizam principalmente as camadas superficiais. . Caso não sejam rapidamente diagnosticadas e tratadas de maneira agressiva. a renovação epitelial e a floro microbiótica parecem contribuir para a resistência do hospedeiro. Página 272 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . como é o caso dos diabetes mellitus descontrolados. Os principais factores que podem conduzir a um aumento da probabilidade de infecção por fungos são: . O conteúdo em ácidos gordos. e da acção dos fungos na infecção de plantas. Alguns fungos podem causar doença em pessoas saudáveis. e que raramente induzem resposta imunológica. Por outro lado temos os factores humorais como a transferrina. em que a sua cápsula de mucopolissacárido ácido actua como factor de virulência.Microbiologia Nos doentes sintomáticos podem realizar-se testes cutâneos com vários extractos de fúngicos purificados.Alteração do sistema imunológico do hospedeiro provocada por distúrbios endócrinos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Modificações da flora microbiótica intestinal em consequência do uso de antibióticos de largo espectro. são responsáveis por infecções dos tecidos queratinizados. cutânea e subcutânea da pele. as infecções tornam-se fatais. As infecções que ocorrem devido a situações de imunossupressão são classificadas com micoses oportunistas. o pH.Debilitação do hospedeiro proveniente do uso de medidas terapêuticas. induzir uma resposta inflamatória no hospedeiro. apesar de estarem constantemente expostas a estes agentes. esta limita o desenvolvimento de diversos fungos pela limitação da quantidade de ferro disponível. também conhecidos dermatófitos. para que desse modo se possa identificar o alergéneo responsável pela hipersensibilidade. Existem outros casos. A infecção e consequente doença surgem quando há quebra da barreira protectora da pele ou das mucosas. causadas por agentes que infectam apenas as camadas mais externas da pele ou cutícula da haste dos pelos. Características da Patogénese Fúngica Apesar de muito se conhecer sobre os factores de virulência das bactérias. . Os fungos que são incapazes de sofrer a transição de bolores para leveduras não são virulentos. esta pode ser classificada de acordo com as camadas de tecidos infectadas.

os agentes apresentam características morfológicas peculiares que contribuem para a sua capacidade de sobreviver no hospedeiro.Microbiologia .Micoses Sistémicas. . afectam as vias respiratórias. estando as infecções geralmente associadas a lesões traumáticas. Página 273 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Micoses Subcutâneas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . possuem na maior parte dos casos um baixo grau de infectividade.

Anti-Fúngicos Utilizados nas Infecções Sistémicas Polienos São metabolitos secundário produzidos por várias espécies de Streptomyces. estes tendem a atingir apenas as camadas mais externas. como o ergosterol dos protozoários e o citosterol dos vegetais é susceptível a esta acção. É nestas situações que um rápido diagnóstico e terapêutica sistémica agressiva podem evitar a morte. mas tem efeitos tóxicos mais marcados. tendo uma potência de lesão maior nas células fúngicas do que nas células dos mamíferos. e como tal é apenas utilizada na forma tópica. tornando-se mais difícil desenvolver substâncias que actuem nos microrganismos sem lesar o hospedeiro. mas é caracterizado pela sua capacidade de se ligarem aos esteróis nas membranas das células susceptíveis. o que muitas vezes não induz uma respostas imunológica. Um dos factores limitantes é o facto de os fungos serem eucariotas. e como tal os seus mecanismos são idênticos aos do homem.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O grande problema é que tanto o colesterol presente nas células dos mamíferos. interferem com a síntese de DNA e RNA. No caso dos agentes que provocam infecções superficiais. inibem a biossíntese de ergosterol. sendo isto derivado de uma maior afinidade para o ergosterol do que para o colesterol.Poliénicos.Análogos de Nucleosídios. afectam as membranas citossólicas. Página 274 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Nos fungos que causam infecções cutâneas.Azóis. sendo esta a principal causa da toxicidade destes compostos. estando a gravidade da infecção dependente de factores do hospedeiro. couro cabeludo e unhas aconselha-se o uso de um fármaco sistémico. orofaríngea e vaginal. estando limitados aos tecidos queratinizados. no que toca aos anti-fúngicos o seu número é muito reduzido. Nestes casos a escolha do fármaco depende do agente e do grau comprometimento tecidual.Microbiologia Agentes Anti-Fúngicos No caso de uma infecção fúngica o agente etiológico. os tecidos envolvidos e o estado imunológico do hospedeiro devem ter sido tomados em conta antes da escolha da terapêutica a aplicar. podendo por isso induzir uma respostas imunológica que vai de inaparente a grave. Os fungos que causam infecções subcutâneas são geralmente menos virulentos. no entanto no caso de doença disseminada pela pele. Os anti-fúngicos actualmente utilizados podem ser divididos em: . resultando a colonização de um traumatismo. A Nistatina tem uma estrutura idêntica à da Anfotericina B. Pode-se por isso utilizar anti-fúngicos tópicos associados a uma boa higiene pessoal. A Anfotericina B é o único polieno clinicamente utilizado. como é o caso do estado da sua imunidade. Todos os fungos que causam doenças sistémicas afectam o tracto respiratório. O seu mecanismo de acção é bastante complexo. . . É possível utilizar um agente tópico. utilizado principalmente no tratamento da candidíase mucocutânea. Apesar de existirem um grande número de antibióticos. não havendo grande investigação neste área.

não possui acção contra a Candida albicans e outros agentes de micoses sistémicas. Este composto tem a capacidade de inibir tanto a síntese de DNA como de RNA. actuando como um inibidor mitótico. Anti-Fúngicos Utilizados nas Infecções por Dermatófitos A Griseofulvina é administrado por via oral e possui uma acção comprovada contra as infecções por dermatófitos. Miconazol. juntamente com estes fármacos produzem uma boa resposta clínica. A parede celular é formada por quitina. Pensa-se que os antiPágina 275 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . nomeadamente Clotrimazol. Considerações Futuras Identificação de Novos Alvos para o Desenvolvimento de Agentes Até hoje os principais anti-fúngicos desenvolvidos actuam na membrana citossólica. Prática higiénicas. Esta interage inespecíficamente com uma tubulina dos fungos susceptíveis. A sua aplicação é tópica. possuindo acção contra dermatófitos e ainda contra fungos dimórficos e filamentosos. . Estes compostos são fungiestáticos.Microbiologia Derivados Azóis São o maior grupo de anti-fúngicos comercialmente disponíveis. no entanto não possuem acção contra leveduras. Actualmente o principal foco de investigação continua a centrar-se nas enzimas do ergosterol. Itraconazol e o Terconazol. glicano e manoproteínas.Aspergillus. principalmente nos seguintes géneros: . Existem os Imidazóis. As polioxinas são inibidores competitivos específicos da quitina sintetase. Estes compostos inibem a esqualeno epoxidase. As Alilaminas incluem o agente tópico Naftifina e o agente de administração oral Terbinafina. Econazol e Cetoconazol. Devido ao seu reduzido espectro facilmente surgem resistências a este fármaco. sendo por isso alvos possíveis. Actualmente verifica-se que nenhum dos fármacos disponíveis tem acção sobre esta população em particular. o que tornou as infecções por fungos mais comuns e graves. A quitina e os βglicanos não são encontrados no hospedeiro. . inibindo um passo na formação do ergosterol. tendo um amplo espectro contra fungos e alguma actividade contra bactérias gram-positivas. sendo pouco activos em leveduras.Cryptococcus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Análogos de Nucleosídios A 5-Fluorocitosina é uma pirimidina fluorada polar que possui um pequeno espectro de acção. É importante desenvolver novos fármacos que não sejam tóxicos para o hospedeiro e que ao mesmo tempo sejam fungicidas. sendo por isso tóxicos para as células do hospedeiro e muitas vezes apenas fungistáticos. Apesar de ser muito activa nos dermatófitos. e os Triazóis. sendo parte de um complexo sistema ligado à membrana. Tanto o Tolnaftato como o Tolciclato possuem acção idêntica à das alilaminas.Candida. Complicações do Tratamento em Certas Populações É importante que sejam feitos avanços devido à emergência da SIDA. como o Fluconazol. O mecanismo de resistência parece estar associado a uma alteração da captação do fármaco.

o que muitas vezes culmina com um agravar do estado do doente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o que conduz a um estado de quase cronicidade da infecção com múltiplas recaídas. o grande número de resistências criadas nestes indivíduos. Página 276 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Surge ainda outro problema associado.Microbiologia fúngicos interajam com os imunossupressores e outros fármacos administrados a estes doentes.

e por isso as culturas devem ser incubadas a 25ºC e a 37ºC. deste modo é possível isolar preferencialmente os dermatófitos e outros fungos patogénicos.Limpar a pele com etanol a 70% e deixar secar ao ar antes de colher a amostra. o que poderá ser confirmado com a observação dos tecidos infectados e confirmação da presença daquele mesmo organismos. unhas e pêlos. o que muitas vezes mascara os fungos patogénicos que são a verdadeira causa da infecção. o que devido à sua presença no meio ambiente são muitas vezes encontrados como contaminantes das amostras clínicas. Para eliminar este obstáculo devem ser realizadas diversas colheitas. os processos autolíticos e a contaminação por bactérias que podem comprometer a qualidade da amostra. Apesar de estarem disponíveis meios de cultura selectivos para os fungos patogénicos é importante utilizar técnicas estéreis.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e ainda o H. Os procedimentos de colheita variam de acordo com área e tipo de tecido afectado. como o Cryptococcus neoformans não crescem neste meio. Mas o diagnóstico torna-se difícil no caso de infecções que têm como causa um agente oportunista e com distribuição ubíqua. Este meio é selectivo para o crescimento de fungos devido ao seu pH e à alta concentração de glicose presente.5.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial das Doenças Fúngicas Procedimentos Diagnósticos O diagnóstico de infecções fúngicas causadas por agentes primários pode ser feito por microscopia óptica para identificação da fase parasitária do organismo nos tecidos ou por meio de cultura. sendo ainda adicionado Cicloheximida e Cloranfenicol. bactérias e restos epiteliais. . líquido cefalorraquidiano ou biópsia de tecidos devem ser rapidamente observadas ao microscópio. Para obter um zona o mais estéril possível pode optar-se por: . principalmente na pele. e como tal baseiam-se nas propriedades bioquímicas e fisiológicas do microrganismo. sendo composto por 4% de glicose. o que se deve ao facto de todos os fungos são gram-positivos. como é o caso do PAS e da Metenamina Prata de Gomori. As técnicas utilizadas para a identificação laboratorial de leveduras são semelhantes às utilizadas para as bactérias. Amostras de sangue. sendo incubada entre 25º a 30ºC. Após a colheita uma parte da amostra deve ser observada ao microscopia para verificar a presença de hifas. Muitas vezes utiliza-se um meio com 2% de glicose. Neste meio os fungos sapróbicos crescem rápidamente. Alguns fungos. O meio mais utilizado é o Meio de Sabouraud.Raspar a superfície para remover escamas cutâneas ou pêlos que contenham fungos.A amostra é tratada com Hidróxido de Potássio a 10% para destruir os elementos teciduais. não cresce a 37ºC. Para a identificação definitiva do organismo deve-se proceder ao seu cultivo em meio apropriado. 1% de neopeptona e 2% de gelose. que na maior parte dos casos se encontram contaminados por outros fungos. na sua fase parasitária. em que o material foi colhido em momentos diferentes. . tendo um pH de 7. Página 277 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . para que se possa proceder à cultura o mais rápido possível e desse modo evitar a desidratação. existindo diversos corantes que são específicos para fungos. 1% de peptona e 2% de gelose e pH de 5. cpsulatum. O método da coloração de Gram não desempenha um papel tão importante.

os bolores são filamentosos. crescem rapidamente e podem ser uniformemente suspensas num meio de cultura líquido. como é o caso das hifas. As características das estruturas especializadas. também são um auxílio à identificação dos fungos filamentosos. produzem conídios e crescem lentamente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Contrariamente. sendo identificados macroscopicamente de acordo com o tamanho e forma dos conídios e pela maneira como se desenvolvem.Microbiologia As leveduras são unicelulares. Página 278 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

como é o caso do conteúdo em ácidos gordos. A pele e as superfícies mucosas intactas actuam como barreiras contra a infecção por microrganismos que provocam micoses superficiais. o que lhe confere um cor acastanhada.Microbiologia Micoses Superficiais. que afectam a derme.Tinea Nigra. os músculos e a fáscia. restringem o crescimento dos fungos ao limitar a quantidade de ferro disponível. cutâneas e subcutâneas. Este fungo cresce como levedura. como a transferrina. os tecidos subcutâneos. Este microrganismo é encontrado em áreas do corpo ricas em glândulas sebáceas e faz parte da flora normal da pele. . a mucosa e acção ciliar das células que revestem as vias respiratórias. Tiena Nigra O agente etiológico desta micose é Exophiala werneckii. . um microrganismo lipofílico semelhante a leveduras. estas descamam com facilidade. como pêlos e unhas. braços e abdómen na forma de lesões maculares hiper ou hipopigmentadas distintas. . Cutâneas e Subcutâneas As infecções fúngicas podem ser classificadas de acordo com os tecidos que são inicialmente colonizados: . a renovação epitelial. o que comprova a necessidade do microrganismo de um meio rico em ácidos gordos saturados ou insaturados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Micoses Superficiais As quatro infecções pertencentes a esta classificação são: . limitam-se às camadas mais externas da pele e pêlos. Este fungo dividese por gemulação. mas com o envelhecer da colónias surgem hifas alongadas.Piedra Negra. quando limitadas às camadas mais externas. Existem algumas estruturas que contribuem para estas barreiras.Micoses Cutâneas. incluem infecções profundas na epiderme e derivados da pele. e nas colónias mais antigas predominam os micélios e os conídios.Micoses Superficiais.Pitiríase Versicolor. não estimulam as respostas imunológicas do hospedeiro. o que lhes confere um aspecto seco e calcárico. Por outro lado existem factores humorais. Página 279 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Piedra Branca. no entanto são observadas formas em hifa. Etiologia. .Micoses Subcutâneas. O diagnóstico clínico é estabelecido microscópicamente pela visualização do aspecto em “esparguete e almondegas” característico do organismo em amostras tratadas com hidróxido de potássio. . As lesões da Pitiríase Versicolor surgem com maior frequência na parte superior do tronco. produzindo estruturas ovaladas formadas por duas células. flora microbiótica da pele. Síndromes Clínicas e Diagnósticos Pitiríase Versicolor A Pitiríase Versicolor é causada por Malassezia furfur . é um fungo dimórfico que produz melanina. Na maior parte dos casos as infecções por estes microrganismos.

micélios de crescimento lento de cor castanha a preto-avermelhada. Contrariamente ao Página 280 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Tratamento Estas quatro infecções regra geral são cosméticas e facilmente diagnosticadas. O diagnóstico é estabelecido com base na visualização das células leveduriformes características densamente pigmentadas e fragmentos de hifas no exame microscópico de raspados tratados com hidróxido de potássio. causada por Corynebacterium tenuis. Piedra Negra O agente etiológico desta micose é o Piedraia hortae. um anti-fúngico que inibe a síntese de ergocolesterol. o tratamento consiste em barbear ou cortar os pêlos infectados e próximos. caracterizando-se pelo crescimento de colónias de consistência pastosa e mole. Piedra Branca Esta micose é uma infecção dos pêlos causada pelo microrganismo leveduriforme Trichosporon beigelii. Preparações contendo miconazol. Ao serem analisadas ao microscópio observam-se hifas septadas que sofrem rápida fragmentação para formar artroconídios. Estas infecções não reaparecem se o indivíduo praticar uma boa higiene pessoal. são utilizadas com eficácia na erradicação da doença. A principal característica clínica desta micose é a presença de nódulos de consistência dura encontrados ao longo da haste do pêlo infectado. Com o passar do tempo e o envelhecimento da cultura. Quando o tratamento adequado é iniciado. de cor creme ao longo da haste dos pêlos. este quando coloniza a haste do pelo encontra-se no seu estado telemórfico. pêlos e unhas. Esta micose afecta o cabelo. A infecção é diagnosticada pela análise microscópica de pêlos infectados e confirmada pela cultura do microrganismo. Este microrganismo cresce bem em todos os meios laboratoriais de cultura. excepto nos que contêm Cicloheximida. No caso das infecções que afectam os pêlos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mas nas amostras clínicas apenas é possível identificá-lo no estado anamórfico ou assexuado. ou seja. sofrendo resolução sem qualquer consequência. O microrganismo é identificado pelo resultado de vários testes bioquímicos e pela sua capacidade de assimilar certos glícidos. O diagnóstico diferencial inclui a exclusão de pediculose e o crescimento anormal de pêlo. O diagnóstico diferencial inclui a tricomicose axilar.Microbiologia A Tiena Nigra é na maior parte dos casos assintomática. as infecções respondem bem. o bigode e a barba. e as manifestações possíveis são lesões maculares bem demarcadas que aumentam por extensão periférica. A infecção é facilmente diagnosticada pelo exame microscópico dos pêlos infectados. as colónias desenvolvem profundos sulcos que irradiam e adquirem uma coloração amarela e consistência cremosa. e os ovos da pediculose. Micoses Cutâneas As micoses cutâneas são doenças da pele. na maior parte dos casos restritas às camadas queratinizadas dos tegumentos e dos seus apêndices. No tratamento da Pitiríase Versicolor e da Tiena Nigra deve-se proceder à remoção do microrganismo da pele através do uso de agentes queratolíticos. este por sua vez tornamse arredondados e formam blastoconídios.

Sabe-se. estas micoses cutâneas podem estimular várias respostas imunológicas celulares. e dessas só cerca de metade são associadas a doença humana. o que pode levar a alterações patológicas e manifestações nos tecidos mais profundos da pele. A tinea unguis das mãos é mais comum nas mulheres. tinea manus. A tinea capitis é mais comum na população infantil até á puberdade. No seu estado anamórfico estes fungos são classificados em três géneros: . Este termo descreve as lesões serpiginosas e anulares na pele que se assemelham a uma verme escavando na borda. Etiologia As micoses cutâneas são causadas por um grupo homogéneo de microrganismos conhecidos como dermatófitos. Apenas são conhecidos estados telomórficos de algumas espécies dos géneros Microsporum e Trichophyton. etc.Epidermophyton. embora se desconheça a razão.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo todos ascomicetos pertencentes ao género Arthroderma.Trichophyton. os restantes originam lesões inflamatórias que respondem bem ao tratamento e que muitas vezes sofrem resolução espontânea. por outro lado a tinea pedis vai-se tornando mais frequente com o avançar da idade. existem algumas que estão associadas ao ser humano e aos seus habitats. Apesar de já terem sido descritas mais de 100 espécies. grupo étnico e os hábitos sócio-culturais do individuo. . A incidência destas micoses está muitas vezes associada ao tipo de vestuário e calçado utilizado. O termo Dermatófito é utilizado tradicionalmente para descrever estes agentes. sofrendo uma variação consoante a idade. tinea capitis. Este último grupo tende a causar infecções graves e de cura difícil. sendo conhecidos como dermatófitos antropofílicos. É difícil determinar a prevalência dos dermatófitos e a incidências das doenças por estes causados. Patogenia Pensa-se que existe um delicado equilíbrio entre o hospedeiro e o parasita nas infecções por dermatófitos. sendo por sua vez a tinea unguis dos pés mais comum nos homens. Sabe-se que as micoses cutâneas se encontram entre as doenças humanas mais comuns. apenas 40 são consideradas válidas. sexo. o que se verifica nos fungos queratinofílicos. Ecologia e Epidemiologia Algumas espécies são frequentemente isoladas no solo e foram agrupadas como dermatófitos geofílicos. que os tecidos altamente ricos em proteínas são os territórios preferênciais para o crescimento dos Página 281 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . . Conforme o local afectado podemos ter diferentes designações: tinea pedis. sendo as manifestações clínicas associadas denominadas como Tinha ou Tinea. tinea unguium. Alguns fungos que apresentam um elevado grau de coexistência com o ser humano desenvolveram um grau de especificidade para os tecidos colonizados. o que se deve ao facto de muitas vezes não serem notificadas. denominando-se dermatófitos zoofílicos. por fim.Microbiologia que acontece com as micoses superficiais. outras estão associadas a animais.Microsporum.

estendendo-se mais tarde para a epiderme e manifestando-se como lesões sobre a superfície da pele. Micoses Subcutâneas Estas micoses incluem um amplo espectro de infecções fúngicas caracterizadas pelo desenvolvimento de lesões nos locais de traumatismo onde o microrganismo é implantado. Com este fim podem ser observados ao microscópio raspados de pele e unha obtidos de áreas com suspeita de infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Por isso deve ser utilizado um meio selectivo contendo Ciclo-Heximida para inibir o crescimento de fungos saprófitos e Cloranfenicol para inibir o crescimento das bactérias. sendo todas as colónias examinadas microscópicamente e por meio de provas bioquímicas e fisiológicas. apresentando-se na forma de hifas septadas ramificadas. Os dermatófitos produzem micélios indiferenciados. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico requer a identificação dos elementos fúngicos em amostras clínicas da lesão ou a sua confirmação por meio de cultura. Página 282 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Todas as culturas devem ser mantidas por 4 semanas antes de serem consideradas negativas. o que após um tratamento com antibióticos que eliminem a flora normal da pele pode conduzir a uma maior predisposição para infecções fúngicas. corpos nodulares e hifas em raquete. clamidosporos. Em quase todos os casos o crescimento é insidioso e crónico. As micoses subcutâneas são de difícil tratamento e na sua maioria implicam intervenção cirúrgica. e por isso a sua distinção é feita através da análise dos conídios. no entanto neste caso não pode ser utilizado porque o crescimento lento dos dermatófitos iria ser inibido pelo crescimento rápido e excessivo de outros fungos. A amostra é tratada com uma solução alcalina para remover as células epiteliais. O exame microscópio apenas confirma a existência de uma infecção fúngica. enquanto os agentes etiológicos são frequentemente encontrados no solo ou em vegetação em deterioração. As culturas são examinadas frequentemente. As infecções surgem nos locais do corpo mais sujeitos a traumatismos. Tratamento Geralmente as infecções por dermatófitos são tratadas de forma tópica com agentes derivados do Azol. Além dos conídios alguns dermatófitos produzem ainda hifas espirais. mas também se sabe que existem outros fungos mais versáteis capazes de invadir alguns órgão além dos altamente queratinizados. um composto produzido pelo fundo Penicillium griseofulvum. No caso das infecções de pêlos pode ser utilizada a Griseofulvina. que pode ser administrado por via oral para o tratamento da tinea capitis.Microbiologia dermatófitos. O meio mais utilizado é o de Sabouraud. No entanto sabe-se que várias infecções bacterianas imitam as infecções fúngicas. Pensa-se que este fármaco actua como um fungistático afectando o sistema tubular dos fungos. o que é possível pela capacidade dos dermatófitos de resistirem a esta agressão. um agente que inibe a síntese do ergosterol. com o fim de saber qual o agente deve-se proceder a uma cultura.

. surgindo no exame histopatológico como hifas septadas e pigmentadas. o que se deve à pigmentação castanha da sua parede celular. É observada uma hiperplasia pseudo-epiteliomatosa. indolentes e deformantes que contêm numerosos trajectos sinuosos de drenagem. Tratamento A esporotricose linfangítica subcutânea responde bem a uma solução saturada de iodeto de potássio administrado por via oral. O agente etiológico é o fungo Sporothrix schenckii. A esporotricose extracutânea exige o tratamento sistémico com Anfotericina B. Micetoma Eumicótico O exame de líquido purulento proveniente dos trajectos de drenagem revela quase sempre pequenos grãos de tecido fúngico. Inicialmente as colónias são húmidas e brancas.Feo-Hifomicose.Esporotricose Linfocutânea. é uma infecção crónica caracterizada por lesões nodulares e ulcerativas que se formam nos gânglio linfáticos que drenam o local primário de inoculação.Microbiologia Etiologia e Síndromes Clínicas Apenas a Esporotricose Infecciosa Linfocutânea é considerada uma infecção comum.Cromoblastomicose. . a doença caracteriza-se por lesões intumescidas. . Streptomyces e Actinomadura. ubíquos no solo e vegetação em decomposição. Em seguida iremos descrever com mais pormenor algumas das doenças mais frequentemente associadas a estas infecções: . através de cultura. Nocardia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os agentes etiológicos constituem um grupo heterogéneo de microrganismo com baixo potencial patogénico.Micetoma Eumicótico. Os agentes etiológicos podem ser Actinomyces. todas as restantes são raras e consideradas exóticas. evoluindo progressivamente para uma coloração acastanhada a preta. Cromoblastomicose O diagnóstico é obtido com base no quadro clínico e no exame histopatológico do material clínico obtido nas lesões. É importante definir qual o agente. denominando-se corpúsculos de Medlar. a forma mais comum é o quisto feo-hifomicótico. A confirmação laboratorial é confirmada pela conversão do crescimento micelial na morfologia de levedura através de repique a 37ºC. Diagnóstico Laboratorial Esporotricose Linfocutânea Em tecidos e culturas incubadas a 37ºC o S. Schenckii apresenta-se como uma célula leveduriforme em gemulação. caracteriza-se pelo desenvolvimento de nódulos verrucosos nos locais de inoculação. A cauterização e remoção cirúrgica das lesões iniciais são utilizadas no tratamento da cromoblastomicose. Os microrganismo responsáveis são encontrados no solo e denominam-se genericamente fungos dematiáceos. mas caso a infecção já esteja num estado avanço é impassível removê-la Página 283 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo visíveis células arredondadas de cor cobre em vários estádios de divisão. uma vez que o tratamento varia consoante o agente isolado. Apesar destas características os doentes que contraem uma infecção deste tipo raramente sofrem de qualquer defeito imunológico. Com a evolução destas lesões elas adquirem um aspecto em couve-flor.

ou mesmo amputação do membro infectado. mas em todos os casos de fungos como agente e de doença extensa deve-se recorrer a excisão total do tecido infectado. Esta situação é necessária devido a uma grande taxa de tratamento anti-fúngico mal sucedido. nomeadamente 5-Fluorocitosina por via oral. inibindo a síntese de RNA e DNA. Página 284 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . No caso do micetoma eumicótico o tratamento depende do agente etiológico.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia por meios cirúrgicos e como tal requer quimioterapia.

Fig. e com menos frequência doença disseminada progressiva. . 84 . Existem cinco fungos pertencentes a este grupo: .Blastomyces dermatitidis. mas que em 5% dos casos pode originar sintomas de uma pneumonia aguda. .Histoplasma capsulatum. É possível que a infecção se dissemine para outro órgão secundário e cause doença. sendo na maior parte das vezes uma infecção assintomática.Cryptococcus neoformans. O agente etiológico e o estado imunológico do hospedeiro determinam a gravidade da infecção. Histoplasmose A histoplasmose resulta da inalação de conídios ou de fragmentos de hifas de H.Coccidioides immitis. capsulatum Página 285 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . capsulatum é caracterizada por finas hifas septadas e ramificadas que produzem microconídios e macroconídios tuberculados. capsulatum.Paracoccidioides brasiliensis.Estruturas do H. É importante salientar que este fungo possui uma cápsula de mucopolissacárido ácido única. Morfologia A fase filamentosa do H.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . .Microbiologia Micoses Sistémicas Os microrganismos classificados como agentes de micoses sistémicas são obrigatoriamente virulentos e causam doença em seres humanos saudáveis. mas quando infectam o homem ou quando cultivados a 37ºC transformamse na sua morfologia unicelular. encontrada quase exclusivamente no interior de macrófagos. Os primeiros quatro são dimórficos. crescendo na forma filamentosa quando cultivados a 25ºC. levando na maior parte das vezes a uma infecção respiratória ligeira ou assintomática com resolução espontânea. o Cryptococcus neoformans é monomórfico e cresce como levedura no interior do tecido infectado e em cultura tanto a 25º como a 37ºC. O foco primário de infecção para estes agentes é o pulmão. Por outro lado. . A fase parasitária ou tecidual deste fungo é uma pequena célula de levedura em gemulação.

Foram relatados casos na Europa e na Ásia. Na maior parte dos indivíduos infectados existe um elevado grau de resistência natural ao microrganismo. este cresce no solo com elevado conteúdo de nitrogénio. capsulatum var. É importante referir que as aves não são infectadas. limpeza de galinheiros e instalação de acampamentos.Histoplasmose Pulmonar Aguda. demolição de edifícios antigos. Síndromes Clínicas O pulmão constitui a porta de entrada mais comum da infecção. . No caso da histoplasmose encontrada em África. . capsulatum são: .Doença Respiratória Ligeira. capsulatum A histoplasmose é amplamente distribuída em todas as zonas temperadas. como é o caso da SIDA. as suas manifestações são diferentes e envolvem principalmente o osso e tecidos subcutâneos.Microbiologia Epidemiologia O agente etiológico da histoplasmose é o H. capsulatum. As principais síndromes clínicas associadas à infecção por H. Os sintomas mais frequentes são a febre. Existem documentadas inúmeros casos de epidemias de histoplasmose respiratória que surgiram em ambiente que abrigam o fungo e foram perturbados. 85 .Histoplasmose Crónica. capsulatum var. duboisii. sudorese nocturna e perda de peso. em que apenas 5% resulta em doença sintomática. Página 286 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . os macrófagos adquirem uma actividade anti-fúngica e a infecção é controlada. particularmente em áreas contaminadas com excrementos de aves e morcegos. Fig. como é o caso de exploração a cavernas.Ciclo Infeccioso do H. o que ocorre por inalação de conídios ou fragmentos de hifas. O número de casos de histoplasmose disseminada tem vindo a aumentar devido ao número crescente de indivíduo com neoplasias ou outras patologias que induzem um estado de imunossupressão. sendo posteriormente fagocitados pelos macrófagos alveolares e consequentemente criadas condições para que convertam em leveduras e se repliquem.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Em Portugal existe predominantemente a forma variante de histoplasmose que ocorre em África. No caso de ser um hospedeiro imunocompetente. e que é também a mais frequente em Portugal.Histoplasmose Disseminada. . tendo sido designada H. mas o mesmo já não se verifica com os morcegos. subtropicais e tropicais do mundo.Complicações: Pericardite e Fibrose Mediastínica. .

capsulatum. mostrando positivo ao após 6 semanas do aparecimento dos sintomas. No caso de histoplasmose disseminada é necessário a demonstração de presença do microrganismo em tecidos extra-pulmonares. dermatitidis Página 287 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . no entanto este teste é de pouco valor no diagnóstico e prognóstico porque é positivo em muitos dos doentes hipersensíveis apenas pela presença do reagente. Blastomicose A blastomicose é causada pela inalação de conídios de B. O teste de fixação do complemento é o teste padrão. o uso de um teste de exoantigénio permite a confirmação logo que ocorra crescimento suficiente. no entanto é menos sensível do que o teste de fixação do complemento.Microbiologia Diagnósticos Laboratorial O diagnóstico baseia-se em evidências sorológicas. sendo que ambas as fases sexuais se encontram classificadas no mesmo género Ajellomyces. Tratamento A Anfotericina B é o tratamento padrão da histoplasmose disseminada e de outras formas graves da doença. a sua identificação é baseada nas características morfológicas. no exame histopatológico directo do tecido infectado e na cultura do agente etiológico. O diagnóstico rápido da doença é possível pela detecção directa dos antigénios de H. O teste de imunodifusão detecta anticorpos contra os antigénios H e M do H. Este microrganismo necessita de cerca de 2 semanas para crescer em cultura. Fig. dermatitidis. Existe um teste cutâneo de reactividade tardia à histoplasmose. Morfologia O B. 86 . capsulatum cultivado a partir de material clínico.Ciclo Infeccioso do B. dermatitidis encontra-se muito próximo do ponto de vista bioquímico e sorológico do H. Nos dias que correm. sendo as infecções pulmonares primárias frequentemente inaparentes e de difícil observação. capsulatum.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo positivo ao fim de 2 semanas. capsulatum é mais específico. mas podem surgir falsospositivos devido a outras infecções fúngicas ou a tuberculose. Mais recentemente foi desenvolvido um teste rápido com sonda de DNA que utiliza a hibridação do ácido nucleico para rápida identificação de H. o que se torna uma vantagem em relação aos testes serológicos. Um título sérico de fixação do complemento de pelo menos 16 ou um aumento de mais de quatro vezes dos títulos. o que geralmente é conseguido pela associação de cultura e do exame histopatológico. no entanto nos doentes com SIDA existe uma elevada probabilidade de recaídas após o fim da terapêutica. o que inclui a presença de hifas septadas e delgadas com macroconídios tuberculados.

A transição de bolor para levedura pode ser induzida in vitro pelo aumento da temperatura de 25º para 37ºC. No caso de doença não complicada. o que é particularmente importante em doentes imunocomprometidos. Tal como acontece com a histoplasmose. Diagnóstico Laboratorial As evidências sorológicas e imunológicas na blastomicose não são bem definidos. este podem transportá-los para outros locais. Ainda não foi descrita uma fase sexual para P. transformando-se em leveduras e sendo fagocitados pelos macrófagos. No entanto não se conhece o reservatório natural do agente da blastomicose. Morfologia O P. dermatitidis frequentemente encontrado no solo. podendo ser identificado através da sua conversão da fase micelial para a fase de levedura ou pelo teste de exoantigénio. indicam na maior parte dos casos disseminação sistémica. No exame microscópio do líquido purulento surgem células características de levedura em gemulação com base larga. representando um importante problema veterinário. brasiliensis é dimórfico e cresce na forma de bolor no meio ambiente e como levedura em gemulação em tecido infectado. é suficiente o tratamento com Fluconazol. Síndromes Clínicas As manifestações de blastomicose sintomática. surgem inúmeras infecções assintomáticas. Tratamento A Anfotericina B é a base do tratamento dos doentes com doença sistémica ou doença pulmonar grave. dermatitidis produz uma infecção pulmonar primária. resultar em doença pulmonar progressiva ou após resolução da infecção pulmonar surgir uma infecção sistémica. brasiliensis. O diagnóstico requer identificação do microrganismo no tecido infectado ou o seu isolamento em cultura. sendo a infecção pulmonar primária na maior parte das vezes assintomáticas. Página 288 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sofrer resolução sem comprometimento de outros órgãos. sendo uma doença rara. O microrganismo cresce rapidamente em cultura. brasiliensis. e como tal foi desenvolvido um teste de imunodifusão específico para a blastomicose. Paracoccidioidomicose A paracoccidioidomicose é uma doença pulmonar resultante da inalação de conídios infecciosos de P. Em regiões endémicas a doença natural é observada em cães e cavalos. não sendo o B. A inalação de conídios de B. A doença pulmonar primária pode ser assintomática.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Epidemiologia A distribuição geográfica está limitada ao continente norte-americano e a determinadas regiões de África.

mas que devido à sua toxicidade é reservada para casos graves. O Cetaconazol e os novos derivados Azóis são muito activos in vitro contra este microrganismo e parecem ser também eficazes clinicamente. sendo para todas as formas de paracoccidioidomicose a Anfotericina B é eficaz.Microbiologia Epidemiologia A paracoccidioidomicose está geograficamente restrita às Américas Central e do Sul. Página 289 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Tratamento Para que o tratamento seja bem sucedido deve ser prolongado. O microrganismo pode ser isolado em preparações de material infectado tratadas com hidróxido de potássio ou em cortes histológicos corados pela prata. A presença de múltiplas células em gemulação. podendo evoluir para doença pulmonar progressiva ou doença disseminada. brasiliensis como resultado da inalação de conídios. na visualização do microrganismo no material histopatológico e no seu isolamento em cultura. Esta infecção é geralmente assintomática. immitis causa infecção respiratória aguda. Este microrganismo pode ser ocasionalmente cultivado a partir do solo em áreas endémicas. É possível eu a infecção primária seja assintomática. surgindo como uma infecção pulmonar Fig. estando baseado na detecção de anticorpos específicos. o que nos sugere que os fungos residem em ambiente com elevada humidade e temperaturas médias de 23ºC.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . na maior parte dos casos auto-limitada e benigna. dispostas ao redor de uma grande célula madura é diagnóstico de P. Venezuela e Colômbia. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico da infecção é feito das mesma forma do que das outras micoses sistémicas. brasiliensis. O material clínico quando cultivado a 25ºC produz um bolor branco de crescimento lento após 10 a 14 dias de incubação. apresentando elevada incidência no Brasil. 87 . Sabe-se que a infecção primária da paracoccidioidomicose é idêntica à de outras micoses sistémicas. Coccidioidomicose A inalação dos artroconídios de C.Ciclo Infeccioso do P. Síndromes Clínicas A proeminência das lesões orais e nasais levou a que pensa-se que a infecção resulta de inoculação local. mas a infecção pode ir desde uma constipação comum a uma doença disseminada potencialmente fatal.

Ciclo Infeccioso do C. Central e do Sul. Diagnóstico Laboratorial A reactividade do teste cutâneo à coccidioidina desenvolve-se ao fim de 2 a 4 semanas após o aparecimento dos sintomas. Síndromes Clínicas Em comparação com H. A fase tecidual é a esférula. immitis é um fungo dimórfico que cresce como bolor filamentoso no meio ambiente. As infecções primárias são geralmente auto-limitadas. immitis. uma estrutura multinucleada que sofre clivagem interna produzindo endosporos uninucleados que podem de seguida gerar novas esférulas. O teste de precipitação em tubo e de fixação do complemento constituem os procedimentos serológicos clássicos para o diagnóstico. mas deve ser manipulado com cuidado por ser uma das mais importantes causas de infecções adquiridas em laboratório. Epidemiologia A coccidioidomicose é descrita como uma doença do Novo Mundo. Mas no caso de adultos existe um elevado Fig. Tratamento A Anfotericina B é o fármaco de escolha para o tratamento de infecções graves. que afecta mais frequentemente as meninges e a pele. os micélios fragmentam-se produzindo artroconídios colíndricos. limitado aos continentes das América do Norte. capsulatum a exposição a este microrganismo resulta num maior número de casos com febre baixa e doença respiratória moderadamente grave. Não foi observado um estado sexual para C. Actualmente existem outros métodos para a detecção de antigénios específicos. como a aglutinação de partículas de látex e imunodifusão em ágar.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O microrganismo pode ser rotineiramente isolado do solo em áreas de alta endemicidade. O microrganismo pode ser cultivado em meios convencionais. Página 290 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As áreas de maior endemicidade possuem clima semi-árido. sendo muitas vezes propagado de forma extensa como resultado de grandes tempestades de areia. immitis grau de resistência a esta infecção.Microbiologia Morfologia O C. 88 . podendo num pequeno grupo de doentes causar doença pulmonar progressiva ou disseminada. mas no caso das meningites torna-se complicado devido à baixa capacidade de penetração deste composto no líquido cefalorraquidiano.

gatti. neoformans dos serótipos A e D são isolados em grandes quantidades nos excrementos de pombos. o que se deve ao facto de este microrganismo ser uma levedura encapsulada em cultura a 25ºC e 37ºC e nos tecidos. a fase assexuada do C. Criptococose A criptococose é uma infecção que varia de crónica a aguda. neoformans var.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Morfologia Em contraste com os outros agentes micóticos sistémicos. neoformans var. o seu reservatório natural é a seiva da árvore Eucalyptus camaldulensis. o C. O seu aspecto mais característico. neoformans. Esta infecção manifestação de forma sintomática na maior parte das vezes em casos de meningite. neoformans é a principal causa de meningite fúngica e uma importante causa de morbilidade e mortalidade em doentes imunodeprimidos. no entanto o microrganismo não infecta a ave.Microbiologia O Fluconazol também é eficaz na supressão da infecção. Esta cápsula é importante para a sua patogenicidade e é importante no diagnóstico. tanto para a detecção de antigénios como nas técnicas de coloração. O C. Este polissacárido inibe a fagocitose. uma enzima que converte compostos fenólicos em melanina. mas este fungo possui ainda uma fenoloxidase. Apesar do que se verifica noutros agentes.Ciclo Infeccioso do C. neoformans não é dimórfica. O pulmão é mais uma vez o local de infecção primária. 89 . gatti. Página 291 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo causada por C. neoformans. neoformans imunossuprimidos. Epidemiologia O C. existindo uma intensa relação entre o habitat dos pombos e estes fungos. é a presença da cápsula de mucopolissacárido ácido. Foi detectada uma fase sexuada do C. No entanto tem-se verificado casos de meningite criptocócica em doentes que não apresentam nenhum destes factores. no entanto podem surgir recaídas após a interrupção do tratamento. ou do sorotipo B. no entanto este microrganismo possui uma elevada probabilidade de se disseminar para o cérebro e meninges. sendo único. neste caso o dimorfismo não representa um papel na patogenicidade deste agente. ou com alguma condição que o predisponha. mais frequente em indivíduos debilitados. No caso do C. Existem duas variedades deste microrganismo. neoformans e o C. neoformans var. Fig. A criptococose possui uma distribuição Mundial.

Diagnóstico Laboratorial Diferentemente do que se verifica nos outros agentes de micoses sistémicas. mas apenas se apresentam positivos em metade dos doentes com meningite criptocócica. no padrão de assimilação de substratos de carbono e outras reacções bioquímicas específicas.Microbiologia Síndromes Clínicas As infecções pulmonares primárias são geralmente assintomáticas e podem ser descobertas por um exame radiográfico de rotina. O teste de aglutinação do látex para a detecção dos antigénios polissacarídeos criptocócicos no líquido cefalorraquidiano e no soro é utilizado frequentemente. neste caso os testes serológicos baseiam-se na detecção de antigénios e não de anticorpos. sendo mais frequente em doentes com SIDA. mas a sua penetração no líquido cefalorraquidiano é baixa. podendo ser curada pela excisão do nódulo solitário. na produção de urease. podendo mimetizar um carcinoma. A 5-Fluorocitosina pode ser utilizada. neoformans é feita com base na presença da sua cápsula. A doença criptocócica do SNC pode ocasionalmente dar origem a massas intracerebrais expandidas. Um diagnóstico rápido de meningite criptocócica pode ser realizado através do exame do líquor com tinta nanquim. A infecção é restrita muitas vezes a um nódulo pulmonar. causando deficiências neurológicas focais. Página 292 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os sintomas incluem cefaleias. sendo um teste sensível. É ainda frequente que a criptococose disseminada origine lesões cutâneas e lesões ósseas osteopátias. específico e simples de realizar. alterações do estado mental e febre por várias semanas. Tratamento A criptococose pulmonar é na maior parte das vezes uma infecção auto-limitada. mas existe o risco de se desenvolverem facilmente resistências. a criptococose disseminada é fatal se não for tratada. A identificação de C. mas é inibido pela ciclo-heximida. O microrganismo cresce bem em meios micológicos padronizados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A Anfotericina B é activa contra este microrganismo. mostrando-se bastante eficaz. Existem alguns casos de recaída após a interrupção do tratamento. mas o diagnóstico é feito de forma correcto a quando da remoção da massa.

Estes três microrganismos são por isso considerados oportunistas. quer seja por um traumatismo ou por cateteres endovenosos. Candidíase Existem diversas espécies de Candida associadas à candidíase. . da vagina e da região retal. e ao mesmo tempo à baixa virulência apresentada pela maior parte dos fungos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Micoses Oportunistas O ser humano é constantemente exposto a fungos. glabrata. Quando as barreiras são quebradas. dividindo-se através de células leveduriformes. numa situação de debilitação ou imunossupressão o ser humano torna-se susceptível às infecções por fungos. o baço. Pena-se que este tipo resposta esteja relacionado com um certo grau de resistência que os indivíduos imunocompetentes e saudáveis possuem à colonização por fungos. Estas infecções têm vindo a tornar-se cada vez mais frequente devido a um aumento do número de indivíduos imunodeprimidos. Fig. quimioterapia ou mesmo a SIDA. Morfologia Apenas a Candida glabrata é excepção ao facto deste género multiplicar-se pela formação de blastósporos. Sabe-se que nestes caso predominam três agentes de infecção: .Aspergilus. . radioterapia.Zigomcetos. no entanto existe um grupo que desenvolve hipersensibilidade. Este microrganismo raramente é isolado na pele. No caso da C. os rins. Diversas espécies de Candida fazem parte da nossa flora microbiana indígena. Como seria de esperar. 90 . com excepção dos locais onde duas superfícies de pele se opõem. sendo esta uma infecção predominantemente de doentes imunossuprimidos. sendo a maioria dos indivíduos imunes a esta agressão sem desenvolver qualquer consequência. o fígado.Candida. ao nível da cavidade oral. Nestes casos os órgão mais frequentemente afectados são os pulmões. apesar desta classificação se referir apenas às suas manifestações clínicas e não à sua taxonomia. quer seja devido a transplantes. como o é o caso das axilas e virilha.Morfologias e Estruturas d género Candida Página 293 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo um fundo que infecta o tracto urinário e pode provocar doença sistémica. ocorre disseminação hematogénica. o coração e o cérebro. pseudo-hifas e hifas septadas. do tracto gastrointestinal.

nomeadamente os que têm SIDA. não tendo um componente sistémico muito exacerbado. Imunidade e Factores do Hospedeiro Os indivíduos saudáveis apresentam uma intensa imunidade natural a estes microrganismos. sendo o aspecto da colónia opaco.Candidíase Oral com corticoesteróides.Microbiologia Síndromes Clínicas As infecções por Candida afectam a pele. urina e outras fontes não estéreis. Diagnóstico Laboratorial As espécies mais frequentes quando observadas em cortes histopatológicos podem apresentar-se como células leveduriformes em gemulação. pseudo-hifas ou hifas septadas. estando envolvidas a imunidade celular e humoral. mucosas da boca. tratamento Fig. podendo em último caso disseminarem-se para outros sistemas de órgãos. unhas. A Candidíase continua a ser uma das patologias frequentemente associadas aos doentes imunossuprimidos. Quando cultivadas em meios sólidos surgem como leveduras e pseudo-hifas. É importante estabelecer critérios para identificar as leveduras isoladas em amostras de expectoração. A Candidíase Oral continua a estar associado a doentes que tenham feito antibioticoterapia de largo espectro. de cor creme e pastoso. 91 . esta mimetiza as infecções causadas por dermatófito. O hipoparatiroidismo. os testes serológicos não são uma opção de diagnóstico utilizada frequentemente. hipotireoidismo e presença de anticorpos auto-imunológicos circulantes foram associadas à CMC. orofaringe por Candidas resistentes ao tratamento. Visto que a resposta humoral não é fortemente activa nesta patologia. podendo por isso envolver muitos órgãos. hipoadrenalismo.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . vagina. Página 294 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A Candidíase Muco-Cutânea Crónica (CMC) é um grupo heterogéneo de síndromes clínicas caracterizadas por infecções superficiais crónicas da pele. mas na maior parte dos casos afecta a orofaringe e o tracto gastro-intestinal. Sabe-se que nos casos de CMC existe uma deficiência na imunidade mediada por células. o que se deve à presença destes microrganismo como flora normal ou transitória. A neutropenia grave é considerado um facto predisponente para infecções potencialmente fatal. No caso da candidíase nas unhas e pele. No caso dos adultos a CMC é associada ao timoma. árvore brônquica. o que se pensa que existem mecanismo imunológicos mais complexos envolvidos. unhas. esófago. podendo ainda ser uma doença indicadora de SIDA. o que impede que as defesas humorais se mostrem normais ou mesmo exageradas. A Candidíase Disseminada á geralmente propagada pela corrente sanguínea.

Tratamento. a aspergilose é adquirida de fontes exógenas. quando o tratamento é interrompido pode ocorrer uma recaída.Morfologia e Estruturas do Aspergillus Página 295 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que é atribuído ao facto destes microrganismos serem muito abundantes no meio-ambiente. Surgiram mais recentemente novas terapêuticas com derivados Azóis. Prevenção e Controlo No caso de doentes imunocompetentes o tratamento tópico para as doenças cutâneas e muco-cutâneas é a terapêutica de eleição. Contrariamente ao que acontece nos outros casos já referidos. pelo padrão de desenvolvimento dos conidióforos. apesar de menos tóxicos apresentam o inconveniente de serem fungistáticos. Existem cerca de 900 espécies dentro do género. os blastósporos produzem crescimento em hifas quando inoculados em soro e incubados a 37ºC. No caso de doença sistémica pode administrar-se Anfotericina B isoladamente ou combinada à 5-Fluorocitosina.Microbiologia No caso concreto de C.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . albicans. Algumas estirpes de C. albicans não apresentam estas características. e como tal é necessário basearmo-nos em testes bioquímicos e fisiológicos para identificar o agente etiológico. com excepção das infecções nas unhas. como é o caso do Cetoconazol e do Fluconazol. Fig. Aspergilose Existem diversas doenças associadas a diferentes espécies de Aspergillus. ou seja. Morfologia Estes microrganismos são identificados em cultura pelas suas características morfológicas. 92 . e ainda pela cor dos conídios formados. flavus estão frequentemente associados a doença invasiva. fumigatus e o A. mas apenas o A.

. . Na Aspergilose Disseminada as condições fisiológicas e imunológicas que aumenta a susceptibilidade à doença devem ser revertidas para que se possa aplicar o tratamento adequado. A Aspergilose Alérgica pode surgir inicialmente como um processo benigno. 54 Página 296 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . podendo ser possível a colonização transitória. Zigomicose Os fungos que pertencente aos Zigomicetos são abundantes no meio ambiente. o isolamento do fungo deve ser corroborado pelo diagnóstico clínico e histopatológico. sendo por isso uma infecção oportunista.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Rhizopus.Mucor. As espécies mais comuns são: . podendo resultar no colapso de uma segmento pulmonar e consequente fibrose. a diabetes mellitus. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico de aspergilose invasiva é confirmado quando são observadas hifas septadas que se ramificam a intervalos regulares e que tendem a orientar-se na mesma direcção. o que se deve a um sistema imune competente. sendo muitas vezes fatal. Nas lesões podem encontrar-se hifas no interior dos vasos. alguns episódios de hemoptise55 e alterações patológicas nos pulmões que levam à formação de uma bola de fungos. o que em alguns doentes pode levar a enfartes e hemorragias. a menos que diagnosticada a tempo e tratada de modo activo. a leucopenia e outros distúrbios imunossupressivos. e tal como nos casos já referidos existem inúmeros factores que aumentam a susceptibilidade do indivíduo a este microrganismos. 55 Hemoptise . A Aspergilose Sistémica é um distúrbio extremamente grave. Entre os factores mais notáveis temos a acidose metabólica. manifestando-se como um pequeno desconforto. Morfologia Os fungos que causam zigomicose crescem rapidamente em todos os meios de laboratório desprovidos de Ciclo-Heximida. Com este aumento da idade o distúrbio respiratório conduz a uma bronquiectasia54. Visto que este microrganismo é encontrado em todos os locais no meio ambiente. Na colonização secundária pode surgir uma situação crónica.Microbiologia Síndromes Clínicas Nos indivíduos normais e saudáveis o risco de contrair uma aspergilose sistémica é quase nula. No caso da aspergilose os agentes etiológicos são ubíquos no meio ambiente e não fazem parte da microbiota normal do homem. proveniente de hemorragia na árvore respiratória. Bronquiectasia refere-se à dilatação e distorção irreversível dos brônquios em decorrência da destruição dos componentes elástico e muscular de sua parede. mas tornando-se mais grave à medida que o doente envelhece.é a expectoração sanguínea ou sanguinolenta através da tosse.Absidia.

sendo uma causa comum de coágulos que resultam em isquémia e necrose dos tecidos adjacentes.Morfologia e Estruturas dos Zigomicetos Diagnóstico Laboratorial Estes microrganismos são filamentosos. Na Zigomicose Disseminada os microrganismos exibem acentuada preferência pela invasão dos grandes. Em pacientes gravemente queimados estes microrganismo tendem a colonizar as lesões e a tornar-se evasivos. Página 297 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Síndromes Clínicas A Zigomicose Rino-Cerebral é a doença mais comum. mas nem todos os Zigomicetos são cenocíticos. podendo envolver a órbita e o palato.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Caso não sejam detectadas hifas cenocíticas no exame histopatológico é difícil determinar a relevância clínica do organismo isolado.Microbiologia Todos formam hifas cenocíticas e reproduzem-se assexuadamente pela produção de esporângios. Esta infecção é muito frequente em doentes com acidose devido a distúrbios metabólicos ou a diabetes mellitus descontrolados. sendo a sua morfologia em factor importante para a sua identificação microscopia nas amostras clínicas. Fig. É importante salientar que todos os microrganismos que possuem hifas cenocíticas são classificados com Zigomicetos. No caso de doentes imunocomprometidos é possível que a zigomicose afecte os pulmões. 93 . iniciando-se nos seios perinasais. no interior dos quais se formam esporangiosporos. o tracto gastro-intestinal e os tecidos subcutâneas. Os filamentos com hifas cenocíticas surgem como fitas nos tecidos infectados. alastrando-se para o cérebro.

o que se comprova pelo facto de a infecção primária ocorrer nos pulmões. do rRNA 5S dos fungos zigomicetos primitivos e do factor de alongamento da síntese proteica com o S. carinii é estabelecido por meio de identificação morfológica do microrganismo em amostras clínicas. O P. mas sendo um microrganismo oportunista causa em muitos indivíduos uma infecção assintomática. Pneumocystis carinii Este microrganismo é conhecido actualmente como Pneumocystis jiroveci. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico de pneumonia por P. cerevisiae. Os macrófagos alveolares e as células T CD4 desempenham um papel importante na defesa do hospedeiro. Pensa-se que o tracto respiratório seja a porta de entrada. carinii. sendo comum as infecções no ouvido. Página 298 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . fígado e medula óssea. causando uma doença que muitas vezes está associada a debilitação. carinii é atípico quando comparado com outros fungos nas suas características fenotípicas. existe ainda uma homologia considerável nos domínios conservados da subunidade 16S do rRNA com a dos ascomicetos. Muitas vezes. devido a um isolamento difícil através de cultura.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . com o emergir da SIDA. olhos. Síndromes Clínicas Estudos serológicos indicam que a infecção por estes microrganismo ocorre em idade precoce e que este se encontra distribuído de forma abundante no meio ambiente. Os agentes mais frequentemente isolados são o R. carinii.Microbiologia As culturas apresentam-se densas e com aspecto piloso em meios sem antibióticos. do mesmo modo as amostras de expectoração também podem ser úteis. Nos últimos anos. O lavado bronco-alveolar é adequado para demonstrar os microrganismos em mais de 90% dos doentes com SIDA. levando a cianose. levando a febre e pneumonite indeterminadas. têm surgido alguns casos de infecções extrapulmonares por P. e por isso os doentes com SIDA apresentam uma grande probabilidade de desenvolver infecções por este agente. sendo caracterizada por fraqueza. dispneia e taquipneia. idade avançada. Estas infecções têm um início insidioso. A transmissão de um hospedeiro para outro ocorre por aerossóis respiratórios ou por contacto íntimo. o diagnóstico é feito com base no exame histopatológico. Morfologia e Posição Taxonómica A parede do quisto assemelha-se à dos fungos. imunossupressão congénita ou iatrogénica e à SIDA. arrhizus e o Absidia corymbifera. diferentes morfologias encontradas nos tecidos e resistência à maioria dos antibióticos anti-fungícos. A Pneumonia Intersticial é uma característica das infecção por P.

sendo algumas com forma de cantil denominadas fiálides. Morfologia Os fungos pertencentes a este género são caracterizados por produzirem conidióforos nas extremidades das hifas septadas ramificadas. produzindo colónias filamentosas brancas que rapidamente amadurecem para produzir uma superfície pulverulenta de crescimento verde-azulado. apresentando conídios lisos ou rugosos. marnefeii isolado de amostras clínicas é altamente susceptível aos agentes anti-fungícos disponíveis. caracterizado por célula globulosas. é ainda importante um rápido diagnóstico e terapêutica correcta. dando um aspecto semelhante a uma escova. no entanto ambos possuem efeitos colaterais tóxicos. no entanto este dado ainda não é totalmente aceite e confirmado. De modo a evitar a transmissão é preciso tomar medidas no sentido de evitar qualquer contacto íntimo com doentes infectados e a eliminação do contacto com aerossóis. todas as outras espécies são dificilmente associadas a peniciloses devido à sua distribuição ubíqua no ambiente. crescendo como um bolor a 25ºC em cultura. Estas células dividem-se por intermédio de um septo transverso. e pela sua presença frequente de amostras do ar e como contaminantes em culturas de laboratório. Apenas o P. transforma-se num organismo leveduriforme. A 37ºC em meios com sangue de carneiro. como é o caso do Página 299 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . podendo surgir em pessoas saudáveis. A doença surge quando o indivíduo habite em áreas endémicas ou visitou alguma recentemente. Síndromes Clínicas Visto que são microrganismo ubíquos é difícil perceber qual a sua importância ao serem isolados em amostras clínicas. Estes são produzidos em cadeia. O tratamento com Anfotericina B ou derivados de Azóis não é eficaz neste tipo de infecções. A profilaxia com Trimetoprim-Sulfametoxazol ou Aerossol de Pentamidina pode ser útil nas pessoas com SIDA. marnefeii possui uma importância considerável ao ser isolado. Este microrganismo é o único do género que tem uma morfologia dimórfica. elípticas a ovóides. Peniciloses por Penicillium marnefeii Com excepção do Penicillium marnefeii. mas é particularmente extensa e grave em doentes com SIDA. Quando em cultura crescem rapidamente. Estudos de susceptibilidade in vitro indicam que o P.Microbiologia Tratamento. produzindo um pigmento rosa-avermelhado. Prevenção e Controlo A terapêutica de eleição inclui Trimetoprim-Sulfametoxazol ou Isetionato de Pentaminida. mas mesmo assim o seu papel com agente etiológico primária tem sido questionado. O local da infecção primária é o pulmão.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo produzir estruturas secundárias denominadas metulas.

e no caso de doença disseminada pode ser utilizada a Anfotericina B.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .Microbiologia Itraconazol e do Cetoconazol. Página 300 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .

Microbiologia Parasitologia Página 301 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

Como já foi dito anteriormente o número de organismos inoculado e a duração da exposição influenciam em muito o seu potencial patogénico. Para que a infecção se estabeleça é necessário um número mínimo de organismo. multiplicando-se e produzindo substâncias tóxicas que destroem os tecidos e dando origem uma doença. e muitos deles possuírem mecanismos patogénicos directos. mas devido ao seu tamanho causam uma obstrução física e desse modo lesão o tecido envolvente. Exposição e Penetração Os organismos que causam infecção no ser humano são quase sempre adquiridos de uma fonte exógena.Microbiologia Patogenia das Doenças Parasitárias Apesar de existirem inúmero protozoários e helmintas que podem colonizar e originar doença nos humanos. nomeadamente a via de exposição e o tamanho do inoculo. Muitos parasitas não produzem estas substâncias. e receptores glicoproteicos específicos encontrados em algumas células apenas. o que pode ser consequência de um contacto prolongado coma uma fonte infectante e desse modo haja uma constante infecção do hospedeiro e aumento da dose infectante. evitando a resposta imunitária. as adesinas. A transmissão de parasitas encontra-se facilitada em ambientes contaminados com dejectos humanos ou animais. e sendo muitas vezes incapazes de se multiplicar no interior do hospedeiro. sendo um método altamente eficaz. comprovado pela grande distribuição da malária e outras doenças transmitidas desta forma. e como tal desenvolveram inúmeros métodos para penetrar no corpo do hospedeiro. e como tal devem penetrar no seu interior por ingestão ou atravessar as barreiras anatómicas de defesa. como é o caso dos sistemas mecânicos. Após a sua fixação ao hospedeiro segue-se a multiplicação. no caso dos parasitas as doenças são muitas vezes crónicas por meses ou até mesmo anos. fixando-se num órgão ou estrutura. na sua maioria este organismos não são por si só altamente virulentos. O que se sabe é que em muitos casos a gravidade das doenças causadas por parasitas devem-se a uma elevada dose infectante. Os parasitas são quase sempre exógenos ao hospedeiro humana. As formas mais simples são a ingestão ou a penetração através da pele ou outras superfícies. Existem ainda outros factores que determinam o resultado das interacções entre o parasita e o hospedeiro. Aderência e Multiplicação A maioria das infecções é iniciada pela aderência do organismo aos tecidos do hospedeiro. seguindo-se a sua multiplicação e consequente colonização. A fixação do parasita ao hospedeiro pode ser inespecífica. Existem muitos parasitas que possuem mecanismos altamente adaptados ao ser humana. sendo que apenas no caso dos protozoários esta pode ser observada. ou pode derivar da interacção entre estruturas do parasita. Contrariamente ao que se verificava com os vírus e bactérias. quer seja intra ou extra-celular. Página 302 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . invadindo o organismo. porque muitos dos parasitas são eliminados por esta via. quer a transmissão seja por ingestão ou através da picada de um artrópode. no entanto no caso helmintas não costuma ser observada. Outra das formas mais frequentes da transmissão de doenças parasitárias é através da picada de vectores artrópodes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

ou podem adquirir moléculas do hospedeiro que o cobrem no local de infecção. resultantes de uma acção do sistema imunitário. no entanto estes organismos são particularmente adaptados a interferir ou a escapar a estes mecanismos de defesa. competição antigénica. sendo esta variação renovada cada vez que o hospedeiro desenvolve uma nova resposta humoral. Muitos organismos libertam proteases e fosfolipases. podem lesar os tecidos do hospedeiro. Lesão Celular e Tecidual Apesar de alguns microrganismos poderem causar doença pela multiplicação localizada e libertação de potentes toxinas microbianas. Mas é ainda possível que as manifestações derivem da resposta do hospedeiro à presença do organismo. Apesar de os protozoários e helmintas não produzirem com frequência tóxicas potentes. Visto que muitos parasitas possuem uma vida longa. o que acontece com os tripanossomas africanos. Evasão e Inactivação das Def esas do Hospedeiro Apesar da destruição dos tecidos ser suficiente para iniciar as manifestações clínicas da doença. Os organismos podem desviar a expressão antigénica. Alguns helmintas têm ainda a capacidade de produzir proteases que degradam as imunoglobulinas.Microbiologia A temperatura pode desempenhar um papel importante na capacidade dos parasitas causarem infecção. Estas enzimas. nesse caso a hipersensibilidade celular observa-se tanto nos protozoários como nos helmintes. como exemplo temos a Leishmania donavani que se multiplica bem a 37ºC e como tal provoca leishmaniose visceral. as consequências da infecção resultam na maior parte das vezes do tamanho. alguns lisam o fagossoma e multiplicam-se no citoplasma da célula. indução de células supressoras e produção de factores supressores linfocitários. No caso dos helmintas. ou têm a capacidade de resistir à enzimas lisossomais. levando a uma destruição dos tecidos. Página 303 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . por último. Isto é possível pela sobrecarga de antigénios. Tal como os outros organismos estranhos. e como tal infecta a pele sem envolver os órgãos mais profundos. muitos escapam às respostas imunológicas multiplicando-se no interior de células.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . por outro lado a Leishmania tropica cresce melhor a 25º ou a 30ºC. As formas mais evidentes de lesão directa são o bloqueio mecânico de órgãos internos ou os efeitos da pressão exercida pelo crescimento do parasita. estas alterações inflamatórias podem tornar-se irreversíveis. No caso dos protozoários. para que esta seja prolonga o organismo deve ter a capacidade de escapar ao sistema imunológico. a doença parasitária surge associada a produtos tóxicos secretados. conduzindo a alterações funcionais dos tecidos infectados. Outros organismos podem produzir antigénios que imitam os do hospedeiro. num processo denominada mimetismo. na maior parte dos casos o processo patológico é iniciado pela invasão dos tecidos normalmente estéreis. lesão tecidual mecânica e reacções imunopatológicas. movimento e longevidade dos parasitas. os parasitas induzem respostas imunológicas humoral e mediada por células. conduzir a respostas imunológicas e imunopatológicas. multiplicando-se e originando destruição dos tecidos. É bastante frequente que doente com infecções parasitárias desenvolvam uma imunossupressão. Ruptura. impedindo assim o seu reconhecimento como corpo estranho. Para que isto seja possível muitos desenvolveram a capacidade de evitar a fusão do fagossoma com o lisossoma. a quando da sua destruição pelo sistema imunológico.

A mobilidade é conseguida através da emissão de um pseudópode e posterior arrastamento do restante corpo celular. o intestino delgado.Ciclo de Vida da Entamoeba histolytica Grande parte das amibas encontradas no nosso organismo são comensais. o cólon e o tracto urogenital dos humanos. resistente e infectante. Amibas As amibas são microrganismos unicelulares primitivos. Tendo por base esta informação é possível controlar as infecções por protozoários melhorando as condições sanitárias e através da cloração e filtração adequadas dos suprimentos de água. mas Página 304 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . 94 . No caso do Blastocystis hominis o seu papel como agente patogénico é ainda discutível. no entanto o Entamoeba histolytica é um agente de doença em humanos com alguma importância.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o duodeno. mas caso exista uma queda da temperatura ambiental ou da humidade estes transformam-se num quisto. A multiplicação dá-se por divisão binária ou através do desenvolvimento de diversos trofozoítos no interior de um quisto maduro e multinucleado. possuindo um ciclo de vida simples e divido em dois estádios. Fig. Os trofozoítos são móveis enquanto as condições forem favoráveis. Existe assim um estádio de alimentação altamente móvel e um estádio quiescente.Microbiologia Protozoários Intestinais e Urogenitais Os protozoários podem colonizar e infectar a orofaringe. Na sua maioria estes microrganismos são transmitidos por via fecal-oral.

Estes por sua vez reproduzem-se no cólon. podendo resultar em amibíase cutânea. e como tal representam um reservatório para a disseminação deste microrganismo para outros. Por fim é de salientar que é possível a sua transmissão através de práticas oro-anais. A fixação dos trofozoítas é garantida por uma proteína de aderência que pode ser inibida pela galactose.Microbiologia existem ainda diversas amibas de vida livre que podem ser consideradas agentes patogénicos humanos oportunistas. Patogenia Após a ingestão dos quistos. Após esta explicação é fácil perceber que a grande fonte de infecção é a contaminação da água por indivíduos portadores assintomáticos que eliminam quistos infecciosos nas suas fezes. mas na maior parte das fezes apenas quistos estão presentes nas fezes. histolytica são detectados em amostras de fezes de doentes infectados. Grande parte dos indivíduos infectados são assintomáticos. produzindo uma extensa necrose tecidual. É ainda possível que as moscas e baratas funcionem como vectores de transmissão. Todo este processo leva à formação de úlceras na mucosa intestinal. Os trofozoítas não conseguem sobreviver por muito tempo no ambiente externo. A lise das células é conseguida por uma alteração da permeabilidade da membrana celular e consequente aumento do níveis de cálcio intracelular. Os doentes infectados eliminam tanto trofozoítas não infecciosos como quistos infecciosos nas suas fezes. o seu contacto com o baixo pH do estômago promove a libertação dos trofozoítas no duodeno. consequentemente inflamação. Em alguns casos pode surgir amibíase extra-intestinal associada aos trofozoítas. Caso não ocorra aderência não é possível ao trofozoíta provocar a citólise e destruição tecidual que lhes estão associadas. e deste modo encontramos uma elevada prevalência na população homossexual. hemorragia e infecção bacteriana secundária. Página 305 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . É ainda possível a transmissão dos trofozoítas durante o contacto sexual. o que se deve ao facto dos protozoários serem destruídos em pressões de O2 ambientais. mas a sua incidência é maior nas áreas tropicais e sub-tropicais onde existem condições sanitárias precárias e águas contaminadas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e mesmo que sejam ingeridos ainda com vida são destruídos a quando da passagem pelo estômago. Epidemiologia O E. histolytica possui distribuição Mundial. caso sejam ainda recentes podem observar-se trofozoítas activamente móveis. Para o diagnóstico é importante distinguir os trofozoítas e quistos deste microrganismo dos restantes comensais. Entamoeba histolytica Fisiologia e Estrutura As formas de quisto e trofozoítas de E. mas este fenómeno apenas é possível em locais com baixa pressão de O2.

Microbiologia Síndromes Clínicas No caso de Amibíase Intestinal ou Extra-Intestinal é possível que a evolução da infecção resulte num estado de portador. Outras Amibas Intestinais Existem outras amibas com a capacidade de parasitar o tracto gastro-intestinal humano.E. A água deve ser fervida e as frutas e vegetais completamente limpos antes do seu consumo. A cloração e a filtração dos suprimentos de água podem limitar a disseminação da infecção. hepatomegalia e elevação do diafragma. sendo os principais sintomas dor abdominal. Caso a estirpe em caso seja pouco virulenta. . O fígado é o principal órgão afectado. polecki. A análise de fezes mostra-se um processo ineficaz. esta pode multiplicar-se e ser eliminada nas fezes sem causar sintomas. .Entamoeba coli. Este tipo de infecção pode evoluir para um estado mais grave caracterizado por diversas evacuações sanguinolentas por dia. frutas não descascadas e de vegetais crus. O estado de portador assintomático pode ser eliminado com Iodoquinol.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Diagnóstico Laboratorial A identificação de trofozoítas e quistos de E. Os doentes que desenvolvem sintomas estão muitas vezes infectados por uma estirpe que tem a capacidade de provocar destruição tecidual no cólon.E. podem confirmar o diagnóstico. Página 306 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O controlo da infecção requer o bloqueio do ciclo de vida do parasita e a educação sobre as vias de transmissão. mas estas medidas são difíceis em países em desenvolvimento onde a infecção prevalece. com consequente dor hepática. pois os microrganismos localizam-se preferencialmente nos bordos das úlceras intestinais.Blastocystis hominis. . No caso de doentes com doença extra-intestinal. os resultados da análise das fezes são na maior parte das vezes negativos. mais frequentemente o lobo direito. nomeadamente febre. . cólicas e colite com diarreia. Prevenção e Controlo A amibíase aguda fulminante é tratada com Metrodinazol seguido de Iodoquinol. É importante a distinção entre estes microrganismos e as amibas comensais presentes no nosso intestino. leucocitose e calafrios. Testes serológicos específicos juntamente com o exame microscópico do material dos abcessos. histolytica nas fezes é diagnóstico de infecção. nana. A Amibíase Extra-Intestinal é acompanhada de sintomas sistémicos. bartmanni. nomeadamente: . Furoato de Diloxanida ou Paramomicina. Tratamento.Iodamoebe butschlii. . e como tal são necessárias várias amostras de fezes.E. É importante alertar os viajantes para áreas endémicas do perigo do consumo de água.

Dientamoeba fragilis. lamblia são detectadas nas fezes de doentes infectados. sendo a dose infectante mínima entre 10 a 25 quistos. Fig. A adesão dos trofozoítas às vilosidades intestinais é conseguida por meio de um proeminente disco de sucção ventral. . 95 . O género Giardia possui dois estádios: o estádio de quisto e o de trofozoíta.Ciclo de Vida da Giardia lamblia Epidemiologia As espécies de Giardia encontram-se distribuídas Mundialmente.Microbiologia Tanto o diagnóstico como o tratamento é idêntico ao descrito das infecção por E. Giardia lamblia Fisiologia e Estrutura Tanto as formas de quisto como as de trofozoíta de G. O seu movimento é conseguido pelo açoitamento de flagelos que os impulsionam através de um ambiente líquido. aqui dividem-se por divisão binária.Trichomonas vaginalis. . sendo esta distribuição mantida por meio de reservatórios animais. Página 307 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . histolytica. mas podem ser consequência da destruição tecidual local. As doenças causadas por flagelados resultam inicialmente da irritação mecânica e inflamação. Nestas infecções não ocorre necrose tecidual considerável. Patogenia Inicia-se com a ingestão dos quistos. Flagelados Os flagelados de importância clínica são: .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . e são raros os casos de infecção extraintestinal. No caso dos géneros Dientamoeba e Trichomonas não foi identificado nenhum estádio de quisto no seu ciclo de vida. O baixo pH do estômago promove a libertação dos trofozoítas no duodeno e jejuno.Giardia lamblia ou Giardia duodenalis (intestinalis).

sendo o Metrodinazol uma opção aceitável. condições sanitárias precárias. Epidemiologia Este microrganismo possui uma distribuição Mundial. mas as estruturas internas do estado de trofozoíta são característicos de um flagelado. causada por má absorção de diferentes etiologias. Na maior parte dos casos a doença sofre resolução espontânea após 10 a 14 dias. Para o controlo da infecção é importante o correcto lavar das mãos e o tratamento dos indivíduos infectados. Os factores de risco para as infecções por Giardia são o consumo de água inadequadamente tratada. uma vez que os quistos de Giardia são resistentes aos habituais processos de cloração. flatulência e esteatorreia56. Síndromes Clínicas Em cerca de 50% dos indivíduos infectados verifica-se o estado de portador assintomático. que geralmente têm cheiro fétido.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . nos restantes pode ocorrer uma diarreia leve até uma síndrome grave de má absorção. flutuam na água e têm aparência oleosa. Apesar de menos frequente. via oro-anal ou fecal-oral. ou por transmissão directa pessoa-pessoa. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é a Quinacrina. acinzentadas ou claras. O estádio de quisto é resistente às concentrações de cloro utilizadas habitualmente nas estações de tratamento da água.é a formação de fezes volumosas. viagens a áreas endémicas. Não foi descrito nenhum estádio de quisto. o que é particularmente importante em viajantes para áreas endémicas ou adeptos de campismo ao ar livre. a doença crónica pode resultar de uma deficiente produção de IgA ou presença de divertículos intestinais. Dientamoeba fragilis Fisiologia e Controlo A Dientamoeba fragilis foi inicialmente classificada como uma amiba. creches e práticas sexuais oro-anais. Estes sintomas são acompanhados de cólicas abdominais. 56 Página 308 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A prevenção e controlo envolvem evitar a ingestão de água e alimentos contaminados. e como tal devem-se evitar as práticas sexuais de elevado risco. Ocorre por aumento na quantidade de gordura nas fezes. ou são acompanhadas de gordura que flutua. Tratamento. mas a sua transmissão ainda não está totalmente esclarecida. marcado pela presença de diarreia aquosa e fétida. a transmissão por via sexual é possível. vegetais ou frutas contaminados. É importante um processo de filtração adequado nos suprimentos de água.Microbiologia A giardíase é adquirida por consumo de águas. Sabe-se apenas que ocorre transmissão pelas vias fecal-oral e oroanal. Esteatorreia . geralmente definida acima de 6 gramas por dia. O início da doença é súbito.

existindo colonização do ceco e da parte superior do cólon. mas a Tetraciclina e a Paromomicina podem ser utilizadas com alternativas. No caso de doença sintomática esta manifesta-se com desconforto abdominal. como tal recomenda-se a recolha de várias amostras de fezes. flatulência. 96 . As infecções podem ser evitas através da manutenção de condições sanitárias adequadas. anorexia e perda de peso. A erradicação das infecções por Enterobius pode reduzir consideravelmente a transmissão da infecção por Dientamoeba. Página 309 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . diarreia intermitente.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Diagnóstico Laboratorial A infecção é confirmada pela análise de fezes.Microbiologia Fig. A eliminação do parasita pode flutuar acentuadamente de um dia para outro. este facto deve-se à presença dos trofozoítas de Dientamoeba no interior da cápsula protectora dos ovos do parasita Enterobius. são observadas formas trofozoítas típicas.Ciclo de Vida da Dientamoeba fragilis Síndromes Clínicas A maioria das infecções é assintomática. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é o Iodoquinol. Tratamento. Não foi descrita invasão tecidual. mas sabe-se que a sua colonização provoca irritação da mucosa intestinal.

Os homens são primariamente assintomáticos. bem como na uretra e próstata de homens. prostatite e outros problemas das vias urinárias. A sua mobilidade é atribuída à sua membrana ondulante.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os lactentes podem ser infectados a quando da sua passagem pelo canal de parto. O T. mas podem em alguns caso apresentar uretrite. podendo apresentar um escasso corrimento vaginal aquoso. vaginalis apenas existe na forma de trofozoíta.Ciclo de Vida da Trichomonas vaginalis Epidemiologia A sua distribuição é Mundial. servindo de reservatório para a infecção de mulheres. Caso existe uma inflamação vaginal mais extensa pode surgir uma Vaginite. Página 310 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo encontrado na vagina e uretra de mulheres. juntamente com os seus quatro flagelos. Síndromes Clínicas A maioria das mulheres infectada é assintomática. ardor e dor durante a micção.Microbiologia Trichomonas vaginalis Fisiologia e Estrutura Este protozoário não é causa de infecção intestinais. 97 . e a sua principal via de transmissão o contacto sexual. mas sim de infecções urogenitais. Fig. sendo acompanhada de prurido.

sendo estes responsáveis pela sua mobilidade.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os factores de risco para a infecção incluem o contacto com suínos e condições higiénicas abaixo dos padrões. o que se deve à produção de substâncias proteolíticas e citotóxicas. e a prática de relações sexuais seguras. um núcleo grande e um pequeno. diversos vacúolos alimentares e dois vacúolos contrácteis. devendo tratar-se tanto o parceiro sexual feminino como o másculo. coli é simples e consiste na ingestão de quistos infecciosos. O trofozoíta é coberto por cílios semelhantes a pêlos. estando o seu reservatório nos suínos e macacos. ceco e ílio terminal. estando muitas vezes associada à contaminação dos suprimentos de água com fezes de porco. A doença por ele causada é idêntica à causada por amibas. ou esfregaços não corados. evitar a partilha de artigos de higiene pessoal ou roupa. Balantidium coli Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida de B. possuindo uma boca primitiva – citóstoma -. Tratamento. Epidemiologia Este organismo possui uma distribuição Mundial. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é o Metronidazol. excitação e invasão dos trofozoítas no revestimento mucoso do intestino grosso. o que irá resultar na invasão tecidual e ulceração do intestino. o que pode impedir a reinfecção. O resultado do diagnóstico pode ser confirmado pela cultura do organismo ou pela utilização de coloração com um anticorpo monoclonal fluorescente. Ciliados O Balantidium é o único protozoário ciliado que causa doença em humanos.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O exame microscópio do corrimento vaginal ou uretral para a detecção dos trofozoítas característicos serve como diagnóstico. Página 311 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A prevenção é feita pelas boas práticas de higiene. A transmissão dá-se pela via fecal-oral. Este organismo é mais complexo que as amibas. Podem ser observados esfregaços corados com Giemsa ou Papanicolaou.

tenesmo57. podendo o Iodoquinol e o Metronidazol ser utilizados como alternativa.é uma sensação dolorosa na bexiga ou na região anal. com um macronúcelo proeminente. Coccídeos Os coccídeos constituem um grupo muito grande denominado Apicomplexa. e ainda um micro-núcleo. o quisto Fig. náusea. no entanto a doença extra-intestinal é rara na infecção pelo género Balantidium.Cryptosporidium. . A higiene pessoal adequada.Ciclo de Vida do Balantidium coli é mais pequeno e possui uma clara parede refringente. Todos os membros deste grupo têm características comuns.Sarcocystis. Prevenção e Controlo Nesta situação a terapêutica é feita com Tetraciclina. Os géneros mais importantes no contexto da doença humana são: . Tenesmo .Microbiologia Síndromes Clínicas Tal como se tem vindo a verificar. 57 Página 312 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . de urinar ou de evacuar. e sexuada. com desejo contínuo. pode existir um estado de portador assintomático.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . condições sanitárias normais e a monitorização cuidadosa das fezes de suínos são as principais medidas de controlo. diarreia sanguinolenta e pus. Tratamento. esta é caracterizada por dor e hipersensibilidade abdominal. como é caso de possuírem reprodução assexuada. anorexia. 98 . No caso de doença sintomática. .Isospora. Observam-se com frequência úlceras na mucosa intestinal. também chamada gametogonia. Por outro lado. O trofozoíta apresenta grandes dimensões. . denominada esquizogonia. Diagnóstico Laboratorial É feito um exame microscópio de fezes para a pesquisa de trofozoítas ou quistos.Cyclospora. tendo apenas um núcleo no citoplasma. mas quase inútil.

tem sido utilizada a biópsia do intestino delgado para se estabelecer o diagnóstico. A prevenção e controlo são feitos mantendo uma boa higiene pessoal. a sua presença nas fezes é distinta. Síndromes Clínicas Os indivíduos infectados podem ser portadores assintomáticos. No caso do exame microscópico se revelar negativo.Microbiologia Isospora belli Fisiologia e Estrutura O Isospora belli é um parasita coccídeo do epitélio intestinal. mal-estar e fadiga. Página 313 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . como é o caso dos doentes com SIDA. anorexia. As infecções surgem após a ingestão de alimentos ou água contaminados. o que resulta em lesão do epitélio intestinal. o que se deve ao emergir de uma classe de indivíduo imunodeprimidos. sendo este estádio o que é detectado nas fezes. Estes dados estão a sofrer uma marcada mudança. Diagnóstico Laboratorial Para identificar o parasita é necessário um sedimento fecal concentrado e coloração com iodo ou com um procedimento ácido-resistente modificado. bem como pelo contacto sexual oro-anal.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os oocistos deste género sofrem ruptura antes da sua eliminação nas amostras de fezes. Epidemiologia Apesar de possuírem distribuição Mundial. observando-se apenas a presença de esporocistos. as espécies de Isospora raramente são detectadas nas fezes. podendo reproduzir-se de forma sexuada e assexuada. pode ainda ser utilizada uma associação de Pirimetamina e Sulfadiazina. Prevenção e Controlo O fármaco de eleição é o Trimetoprim-Sulfametoxazol. O produto final da gametogénese é o oocisto. Em casos mais graves pode manifestarse como diarreia crónica associada a perda de peso. boas condições sanitária e evitando o contacto sexual oro-anal. Sarcocystis Apesar de possuir uma morfologia idêntica aos restantes coccídeos. no caso de doença sintomática esta manifesta-se ao nível gastrointestinal. Tratamento.

Tratamento. sendo a via mais importante de transmissão a água contaminada. O Cryptosporidium é encontrado no interior da borda em escova do epitélio intestinal. Diagnóstico Laboratorial O Cryptosporidium parvum pode ser detectado em grande número nas fezes de indivíduos imunocomprometidos. sendo muitas vezes os esgotos uma importante fonte de contaminação. Epidemiologia As diversas espécies Fig. O número de oocisto nas fezes pode variar. que em indivíduos adultos saudáveis caso se manifesta sob a forma de enterocolite ligeira auto-limitada. Sabe-se que nos estádios inicias da SIDA. Página 314 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . bem como a transmissão directa pessoa-pessoa por via fecal-oral ou oro-anal.Microbiologia Cryptosporidium parvum Fisiologia e Estrutura Tanto o ciclo de vida como as manifestações clínicas deste género são idênticas à dos restantes géneros dos coccídeos. o que representa uma enorme perda de líquidos. por vários meses. como tal aconselha-se a recolha de pelo menos 3 amostras. Síndromes Clínicas Mais uma vez a exposição a este agente pode resultar num estado de portados assintomático. Este organismos são resistentes aos processo habituais de purificação da água. Prevenção e Controlo Infelizmente não foi ainda desenvolvido nenhum tratamento eficaz nas infecções em doentes imunocomprometidos. As amostras podem ser coradas pelo método de ácidoresistentes modificado ou por um método de imunofluorescência indirecta. a doença pode manifestar-se por mais de 50 evacuações por dia. 99 .Ciclo de Vida do Cryptosporidium parvum deste género possuem distribuição Mundial. no entanto a sua localização intracelular nas células epiteliais é distinta. fixam-se na superfície das células e multiplicando-se por um processo que envolve esquizogonia. No caso de doentes imunocomprometidos. É ainda possível a transmissão zoonótica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . uma terapêutica com Espiramicina pode ajudar alguns indivíduos no controlo da diarreia.

flatulência e distensão. infectando diversas aves. Diagnóstico Laboratorial É baseado na detecção de oocisto nas fezes através do exame microscópico. contendo cada um dois esporozoítas. Os organismos são ácido-resistentes podendo ser detectados por métodos como Ziehl-Neelsen ou a coloração ácido-resistente de Kinyoun. Epidemiologia O C. causando uma acentuada alteração histopatológica. Nos indivíduos com HIV a infecção é prolongada e grave. Este microrganismo infecta a parte superior do intestino delgado. A melhoria da higiene pessoal e das condições sanitárias. Cyclospora cayetanensis Fisiologia e Estrutura Até ao momento foi identificada apenas uma espécie com capacidade de infectar humanos pertencente a este género. Este microrganismo revela-se um problema devido à sua resistência aos métodos de cloração e à dificuldade da sua detecção pelos actuais métodos nos suprimentos de água. Este parasita é encontrado em vacúolos no interior das células epiteliais do jejuno. No caso do Cryptosporidium cada oocisto contém quatro esporozoítas não encapsulado. mal-estar. cayetanensis encontra-se amplamente distribuído por todo o Mundo. anorexia. são a melhor opção para a prevenção e controlo da infecção. no entanto apenas dispomos de medidas de suporte para restaurar a enorme perda de líquidos com a diarreia aquosa. enquanto o Isospora possui dois esporocistos com quatro esporozoítas cada.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo sofrer várias recaídas. Ocasionalmente pode surgir fadiga. Caso as amostras sejam recente é possível que o microrganismo fluoresça quando examinado num microscópio de fluorescência com um filtro de excitação de 365 nm. mas pode prolongar-se por semanas. Cada oocisto deste género possui dois esporocistos.Microbiologia Actualmente estudos indicam que o tratamento com Azitromicina e Paromonicina podem ser eficaz. Síndromes Clínicas As manifestações clínicas incluem náusea moderada. Nos indivíduos saudáveis a diarreia é auto-limitada. Página 315 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . a Cyclospora cayetanensis. Actualmente ainda não se encontra disponível nenhuma técnica de imunodiagnóstico para estabelecer o diagnóstico e monitorizar a infecção. contrastando com os oocisto pequenos de C. cólicas abdominais e diarreia aquosa. juntamente com o evitar de comportamentos sexuais de risco. répteis e mamíferos. Os oocisto são esféricos. A principal via de transmissão é o consumo de água contaminada. levando a uma intensa resposta inflamatória que resulta na atrofia das vilosidades e hiperplasia das criptas. parvum e os elípticos de Isospora.

A melhoria dos hábitos de higiene pessoal e das condições sanitárias são algumas das medidas que têm demonstrado melhores resultados. denominada esporoplasma. sendo caracterizados pela estrutura dos esporos. segue-se a injecção do esporoplasma numa célula do duodeno. como é o caso da perda de visão por Microsporidium ou Nosema. . bieneusi em doentes com SIDA é caracterizada por diarreia persistente e debilitante.Enterocytozoon.Nosema.Vittaforma. denominada merogonia. Os doentes com SIDA ou algum tipo de deficiência na imunidade celular parecem apresentar um risco aumentado de contrair uma infecção por microsporídeos. nas células. Microsporídeos Fisiologia e Estrutura Os microsporídeos são parasitas intracelulares obrigatórios. Prevenção e Controlo A eficácia de Trimetoprim-Sulfametoxazol foi comprovada pela experiência de utilização. Página 316 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Microbiologia Tratamento. Síndromes Clínicas A infecção causada por E. possuindo uma enorme variedade de hospedeiros. os esporo já maduros são excretados para o ambiente e desta forma mantêm o ciclo. É difícil prevenir a infecção. Após a esporogonia. . durante o seu trajecto vão causando a morte celular e consequente inflamação. .Trachipleistophora.Pleistophora. mas não por meio de estudos científicos. mas a cloração e filtração dos suprimentos de água continua a ser o melhor método. O reservatório para a doença humana não é conhecido. e termina com a formação de esporos. estes por sua vez possuem um complexo mecanismo de extrusão tubular utilizado para injectar o material infeccioso. . A multiplicação intracelular resulta de várias fissões binária. Epidemiologia Estes microrganismos possuem uma distribuição Mundial. Até ao momento foram descritos seis géneros de microsporídeos: . mas sabe-se que a infecção resulta da ingestão de esporos que foram eliminados na urina ou fezes de outros humanos ou animais. também designada esporogonia. Os parasitas têm a capacidade de se disseminarem de umas células para outros. ou de distúrbios neurológicos e hepatite causadas por Encephalitozoon cuniculi.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Consoante a espécie envolvida as manifestações podem ser diversas e com gravidade diferente. Patogenia A infecção é iniciada pela ingestão dos esporos.Encephalitozoon. .

Prevenção e Controlo Actualmente não se encontra disponível nenhum tratamento. Página 317 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Em fase de estudo encontram-se técnica como a PCR. mas sabe-se que a terapêutica com Metronidazol melhora a condição dos doentes infectados. PAS. Tal como nos restantes casos. Os esporos podem ser detectado pela coloração de Gram. Actualmente a microscopia electrónica é considerada a técnica padrão para a confirmação do diagnóstico. ácido-resistentes. a melhoria das condições de higiene pessoal e das condições sanitárias podem prevenir a infecção por microsporídeos. imunoquímicas e Giemsa. Tratamento.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico pode ser estabelecido com base na detecção do organismo em material de biópsia. cultura e testes serológicos. no líquido cefalorraquidiano ou na urina.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

. e tal como os restantes membros deste grupo necessitam de dois hospedeiros.Microbiologia Protozoários do Sangue e dos Tecidos Os protozoários do sangue e dos tecidos estão estreitamente relacionados aos protozoários parasitas intestinais em praticamente todos os aspectos.Plasmodium malariae. podendo ir de 8 a 25 dias dependendo da espécie em questão. Fig. Estes são transportados para o parênquima hepático. a sua reprodução assexuada ocorre no humano e a reprodução sexuada no mosquito. excepto no local que infectam. . ovale e P. 100 .Plasmodium ovale. vivax têm a capacidade de estabelecer uma infecção Página 318 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . denominada esquizogonia. Existem quatro espécies de plasmódios que infectam o ser humano: . As espécies P.Plasmodium vivax. aqui sofrem reprodução assexuada. assim sendo.Plasmodium falciparum.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Espécies de Plasmodium Os plasmódios são coccídeos ou esporozoários parasitas das células sanguíneas. Esta fase designa-se fase pré-eritrocitária. .Ciclo de Vida do Plasmodium A infecção humana inicia-se com a picada do mosquito Anopheles que introduz esporozoítas infecciosos no sistema circulatório através da saliva.

com maior distribuição geográfica. ultrapassando os 40ºC. o que corresponde ao momento em que ocorre a lise dos eritrócitos. Em alguns eritrócitos desenvolvem-se gametócitos de ambos os sexos. em alguns casos a infecção crónica pode conduzir a lesões cerebrais. têm no caso do P. estes libertam vesículas que contêm merozoítas e que sofrem lise ao chegarem aos pulmões. Sabe-se que existe uma periocidade nestas manifestações. O mosquito ao alimentar-se do sangue do hospedeiro pode ingerir uma destas formas. Com esta libertação de substâncias e parasitas ocorrem os calafrios. À medida que a infecção vai evoluindo um maior número de eritrócitos sofre ruptura.000 novos plasmódios. seguidos de sudação profusante. logo mais merozoítas são libertados. Estes merozoítas quando entram em circulação têm a capacidade de se ligarem aos receptores presentes no eritrócitos. Após a multiplicação no hepatócitos. estando neste caso associado a períodos de 48h. vivax ser tolerada e os indivíduos sobreviverem por largos anos. a designação de Febre Terçã Benigna. renais e hepáticas. Com este processo inicia-se o ciclo de reprodução sexuada no interior do mosquito. A reprodução assexuada continua-se passando por diversos estádios. que pode gerar entre 10. . . Quando se formam entre 15 a 20 novos plasmódios o eritrócito lisa e libertam-se novos merozoítas que continua o ciclo infeccioso.Os gametócitos são redondos.Verifica-se a presença de trofozoítas mais maduros e de esquizontes hepáticos contendo até 24 merozoítas. Página 319 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . subtropicais e temperadas. e que no final formam esporozoítas infecciosos para os seres humanos. Epidemiologia O P. precedidos por tremores e calafrios. mialgias. Plasmodium vivax Fisiologia e Estrutura O Plasmodium vivax é selectivo invadindo apenas os eritrócitos jovens e imaturos. e devido à sua periocidade de 48h. com cefaleias.Os eritrócitos infectados encontram-se geralmente aumentados e preenchidos por grânulos rosados. vivax . Devido a este tropismo as infecções por esta espécie apresentam as seguintes características: . Síndromes Clínicas Após um período de incubação de 10 a 17 dias. ou pelo surgir da doença muito depois da picada. o doente apresenta um quadro do tipo viral. bem como um maior número de produtos celulares tóxicos e hemoglobina livres na circulação. Esta característica é responsável pelas recaídas no caso de infecção por estes agentes. fotofobia. iniciando-se desta forma o ciclo eritrocitário. incluindo regiões tropicais. náuseas e vómitos. anorexia. febre e tremores típicos da malária.Microbiologia hepática lactente. Apesar de na maior parte dos casos a infecção pelo P.Os trofozoítas apresentam uma forma anelar.000 a 30. também denominados Pontos de Schüffner.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Estes períodos de febre alta. o que se deve à presença de hipnozoítas. pré-trofozóitas ou forma anelar. trofozoíta e esquizonte. vivax é o mais prevalente dos plasmódios humanos. . mas de aspecto ameboide.

sendo também encontrado na Ásia e América do Sul. vivax. o esfregaço ou gota fina são utilizados para a identificação da espécie. vivax. Epidemiologia É encontrado predominantemente na África Tropical. vivax. . Por outro lado. Tratamento. sendo mais uma vez designado Febre Terçã Benigna. sendo por isso um método mais específico. ovale contem cerca de metade dos merozoítas que o de P. Prevenção e Controlo O tratamento da infecção por P. podendo ser seguida pela Primaquina com o intuito de eliminar os gametócitos.Supressor: Evitar a Infecção e os Sintomas associados. O controlo da reprodução dos mosquitos e a protecção dos indivíduos com redes de protecção. quer na formação de hipnozoítas hepáticos. possuindo uma membrana fimbriada ou áspera. o que não se verifica no caso do P. . A Primaquina é particularmente eficaz na eliminação dos hipnozoítos. onde é mais prevalente que o P.Gametocida: Destruir dos Gametócitos Eritrocitários para impedir a Transmissão.Terapêutico: Erradicar o Ciclo Eritrocitário. roupas protectoras e repelentes de insectos. o que corresponde a um maior número de parasitas intracelulares. Página 320 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . As infecções não tratadas raramente ultrapassam o ano.Cura Radical: Erradicar o Ciclo Pré-Eritrocitário. Existem já disponíveis testes serológicos. A Cloroquina é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento. Existem já relatados casos de resistência. . estando preenchidos por grânulos rosa.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial A gota espessa é um método de concentração que pode ser utilizado para detectar a presença do microrganismo. Os esquemas utilizados na quimioterapia são os seguintes: . mas estes apenas são utilizados em estudo epidemiológicos ou para triagem de dadores de sangue. Os eritrócitos infectados apresentam-se aumentados e deformados numa forma oval. Síndromes Clínicas O quadro clínico é semelhante ao observado no P. como tal deve ser utilizada a Mefloquina. sendo por isso um método mais sensível. Plasmodium ovale Fisiologia e Estrutura Esta espécie é muito idêntica à anterior. Os esquizonte de P.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . vivax. vivax envolve uma associação de medidas de suporte e quimioterapia. quer seja na sua selectividade para os eritrócitos jovens e imaturos. A amostra de sangue pode ser colhida a qualquer momento. no entanto o melhor momento é o período intermédio entre os calafrios e os picos de febre.

designando-se Pontos de Ziemann. Diagnóstico Laboratorial A observação de formas características em barra e esquizontes em forma de roseta nos esfregaços sanguíneos finos e espessos estabelece o diagnóstico de infecção por P. mas é menos frequente. O P. malariae não possui a capacidade de criar formas latentes. Os testes serológicos apresentam reacções cruzadas com P. vivax. Prevenção e Controlo O tratamento é idêntico. Os sintomas são idênticos.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial São efectuados que o exame de gota espessa. malariae. Prevenção e Controlo O esquema terapêutico inclui o uso de Primaquina para evitar recaídas. calafrios. Síndromes Clínicas O período de incubação é o mais longo. devido à ausência de hipnozoítas não existe recaídas se o tratamento foi correctamente efectuado. As medidas de prevenção são as mesmas que no caso do P. mas em alguns casos atinge vários meses ou anos. vivax e outros plasmódios. mas sim adaptação do parasita. Plasmodium malariae Fisiologia e Estrutura O P. não sendo necessário a associação com Primaquina. Página 321 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Epidemiologia A infecção por P. Esta periocidade é denominada Febre Quartã.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo ir de 18 a 40 dias. Podem surgir grânulos avermelhados. uma vez que não existe hipnozoítas. devendo iniciar-se com Cloroquina. malariae ocorre principalmente nas mesmas regiões tropicais e temperadas que os outros plasmódios. surgindo com formas em barra muito condensadas e de coloração escura. quer o de gota fina ou esfregaço. seguidos de febre e terminando com sudação profusa. Tratamento. vivax. Tratamento. malariae apenas consegue infectar eritrócitos maduros com membranas relativamente rígidas. Tal como nos outros casos os testes serológicos exibem reacção cruzada com outros plasmódios. Estas características determinam que não haja deformação do eritrócitos. As infecções não tratadas podem persistir até cerca de 20 anos. Devem ser pesquisados eritrócitos com pontos de Schüffner e com parede celular áspera. Deve-se administrar Cloroquina e Primaquina para eliminar tanto a fase eritrocitária como a pré-eritrocitária. sendo semelhante ao utilizado no P. no entanto os ciclos são de 72h.

sabe-se também que tal como P. diagnóstico diferencial adequado. análises laboratoriais e rápida utilização da terapêutica correcta. invade qualquer eritrócitos independentemente do estádio em que se encontre. Síndromes Clínicas Esta espécie é a que apresenta um menor tempo de incubação. A infecção por P. febre. falciparum. Página 322 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . falciparum não demonstra qualquer selectividade nos eritrócitos do hospedeiro. Após um período irregular surge uma periocidade que tende para picos febris com 36 a 48 horas de intervalo. Tratamento. Prevenção e Controlo O tratamento da malária baseia-se na história a áreas endémicas. Diagnóstico Laboratorial São realizados esfregaços de gota fina e espessa com o objectivo de detectar os anéis característicos de P. Os eritrócitos infectados não sofrem qualquer deformação ou outra alteração morfológica. ou seja. vómitos e diarreia. manifestando-se como Malária Cerebral. falciparum pode ser fatal se não tratada. Os trofozoítas e o esquizontes raramente são observados em esfregaços de sangue periférico. malariae não produz hipnozoítas que se alojem no fígado. o que pode conduzir a Febre Hemoglobinúrica. O rim é outro dos órgãos que pode sofrer este tipo de lesões. sendo principalmente detectadas formas jovens em anel e ocasionalmente gametócitos. náuseas. indo desde a quimioprofilaxia no caso de viajantes. o que conduz à formação de tampões que bloqueiam os capilares. sendo a infecção inicialmente caracterizada por calafrios. podendo ser designada Febre Terçã Maligna. o que muitas vezes se encontra associado a uma acumular de produtos tóxicos resultantes da lise dos eritrócitos e da adesão entre os eritrócitos e o epitélio vascular. podendo muito raramente ser observada em regiões temperadas. podendo estes muitas vezes estar em grande número numa só célula. Plasmodium falciparum Fisiologia e Estrutura O P. bem como o uso de medidas pessoais de protecção para evitar a picada do mosquito. Outra das características únicas desta espécie é a capacidade de múltiplos esporozoítas infectarem um mesmo eritrócito. Frequentemente o cérebro é afectado. o que pode conduzir á oclusão de vasos e consequente coma e morte. É ainda possível detectar os gametócitos característicos em crescimento. o que se confirma pela visualização de 3 ou 4 pequenos anéis dentro de uma célula infectada. Epidemiologia Esta espécie surge em regiões tropicais e subtropicais.Microbiologia As acções de prevenção são idênticas.

Espécies de Babesia Os membros deste género são esporozoários parasitas intracelulares com uma morfologia idêntica à dos plasmódios. mantendo desta forma a infecção. sendo por isso importante determinar o local onde a infecção foi adquirida e dessa forma tentar saber se a estirpe é susceptível a este fármaco.Ciclo de Vida do género Babesia Fisiologia e Estrutura A infecção surge após o contacto com uma carraça infectada. Quinidida ou Doxiciclina. originando tétrades que lisam de seguida libertando merozoítas. falciparum são susceptíveis á Cloroquina. Quinino. Norte de África e Sudeste Asiático as estirpes de P. Os corpos piriformes infecciosos são introduzidos na corrente sanguínea e vão infectar os eritrócitos. onde o ser humano é um hospedeiro acidental.Microbiologia Existem já diversas estirpes de P. Página 323 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A infecção pode ser controlada da mesma forma que a restantes malárias humanas. 101 . Estes por sua vez podem infectar outros eritrócitos. Os trofozoítas dividem-se por divisão binária no interior dos eritrócitos. Fig. Caso a estirpe seja resistente deve administra-se Mefloquina. América Central. Sabe-se que actualmente apenas nas Caraíbas. sendo o vector de transmissão a carraça do género Ixodid. falciparum resistentes à Cloroquina. Esta infecção é uma zoonose.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No caso de dúvida quanto ao padrão de resistência da estirpe deve-se presumir que é resistente e administrar uma terapêutica dirigida.

sendo encontrado em diversos animais. mas devido á baixa parasitémia é possível que surjam falsos-negativos. A Babesia divergens tem sido descrita com alguma frequência na Europa e como causa de infecções graves. calafrios. cefaleias. o que muitas vezes conduz à morte em indivíduos com esplenectomia. À medida que a doença vai evoluindo pode surgir um quadro de anemia hemolítica. a doença prolonga-se e pode ser mais grave. sudorese. tendo como principal reservatório o gato doméstico comum e outros felinos. O uso de roupas protectoras e de repelentes de insectos pode minimizar a exposição ao vector. Outras das formas de fazer o diagnóstico é por intermédio de testes serológicos ou inoculando amostras de sangue em hamster. estando esta reservada para casos mais graves. febre. com idade avançada ou imunodeprimidos. Sabe-se ainda que em indivíduos sem baço. esta está associada a uma grande destruição dos eritrócitos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No caso de doença avançada pode ocorrer hepato-esplenomegalia. fadiga e fraqueza. Apesar de a maior parte das transmissões ser por intermédio de um vector. como tal remover a carraça o mais rápido possível pode ser um passo importante na prevenção da infecção. sabe-se que é possível que ocorra através de transfusões sanguíneas. Este é um dos casos em que é necessário um longo período de contacto entre a carraça e o ser humano para que haja transmissão. nomeadamente aves e humanos. Na maior parte dos casos de doença ligeira não é necessário qualquer tratamento específico. o que muitas vezes leva à insuficiência renal. Toxoplasma gondii O Toxoplasma gondii é um parasita coccídeo intracelular. levando a uma redução drástica da probabilidade de infecção. Tratamento. Prevenção e Controlo A terapêutica de eleição é uma associação de Clindamicina e Quinino. Existe apenas uma espécie. nos casos sintomáticos surge malestar geral. o que nos leva a ponderar a hipótese de as infecções assintomáticas e ligeiras serem comuns. estes são altamente susceptíveis á infecção. Diagnóstico Laboratorial O exame de esfregaços de sangue é o método de escolha. e dentro desta o número de estirpes é reduzido.Microbiologia As carraças podem ingerir uma destas formas que se irá multiplicar no seu interior e prosseguir o ciclo de infecção. Epidemiologia Sabe-se pela análise de testes serológicos que nas áreas endémicas a infecção ocorre numa fase precoce. Página 324 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Síndromes Clínicas Após um período de incubação de 1 a 4 semanas. sabe-se que a transmissão neste vector também pode ocorrer de forma transovariana.

atraso psicomotor ou mental. linfadenite e fadiga. A transmissão para os humanos é possível através da ingestão de carne mal cozinhada contaminada ou pela ingestão dos oocisto presentes nas fezes de gato. a um nado-morto ou a doença grave. meningoencefalite ou lesões cerebrais. mas possui igualmente um ciclo extra-intestinal. como é o caso de calafrios. Se a infecção ocorrer após o 1º trimestre pode manifestar-se como epilepsia. encefalite. apenas manifesta a doença meses ou anos após o nascimento. assemelhando-se a uma mononucleose infecciosa. o que tem um efeito devastador sobre o desenvolvimento fetal. particularmente o olho. mas torna-se mais evidente em indivíduos imunodeprimidos. Os organismos são eliminados nas fezes do gato e amadurecem no meio exterior em quistos infecciosos dentro de 3 a 4 dias. o lactente infectado durante a gravidez. podendo igualmente ser ingeridos por animais como o humano e desenvolver uma infecção aguda e crónica de diversos tecidos. em particular o cérebro. No caso de doença aguda os sintomas são inespecíficos. Página 325 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . É possível que a infecção congénita aconteça em mães infectadas durante a gravidez. sendo responsáveis pela infecção inicial e lesão dos tecidos. cefaleias. diarreia e hipotermia. sendo demonstrado por títulos crescentes em amostras sucessivas de sangue. exantema. as formas mais curtas e de crescimento lento.Inflamação da coróide e da retina.Microbiologia Fisiologia e Estrutura Este parasita desenvolve-se nas células intestinais do gato. anemia. desenvolvem-se e formam quistos nas infecções crónicas. Os seus oocistos são idênticos ao da Isospora belli. como é o caso dos doentes com SIDA. dando-se a passagem para os tecidos através da corrente sanguínea. Epidemiologia A infecção humana por este microrganismo é ubíqua. Em alguns casos. gondii são na maior parte dos casos benignas e assintomáticas. 58 Coriorretinite . mas no caso de doença sintomática esta deriva da destruição celular induzida pela multiplicação do organismo e formação de quistos. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é feito recorrendo a um teste serológico. coriorretinite58. Os tecidos mais frequentemente afectados são os pulmões. Síndromes Clínicas As infecções por T. Estas formas multiplicam-se de forma rápida. É possível que ocorra transmissão transplacentária. mialgias. os gânglios linfáticos e o Sistema Nervoso Central. febre. Alguns dos trofozoítas presentes no oocisto desenvolvem-se em formas delgadas denominadas taquizoítas. o que no caso de ocorrer no 1º trimestre pode levar um aborto espontâneo. icterícia. pneumonia. o que é compatível com encefalopatia difusa. cegueira. denominadas bradizoítas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Por outro lado. o coração. Nos doentes imunodeprimidos a toxoplasmose manifesta-se frequentemente no campo neurológico.

No caso desta espécie os amastigotas irão invadir as células reticulo-endoteliais. podendo assim iniciarse de novo o ciclo infeccioso. o que se deve á sua rapidez e simplicidade no diagnóstico da doença aguda. correspondente ao prolongamento do aparelho bucal. No caso de grávidas. . O esquema terapêutico inclui inicialmente doses altas de Pirimetamina com Sulfadiazina.Leishmania donovani. Tantos os reservatórios como a distribuição das três espécies diferem entre elas. as infecções no primeiro trimestre são dificilmente tratadas devido ao potencial carácter teratogénico da Pirimetamina. A infecção inicia-se pela picada deste insecto infectado. Probóscide . Existem três espécies deste género que produzem doença humana: . Após uma fase de desenvolvimento este estádio migra para a probóscide59 do flebótomo. que então funciona como sugador. No caso de hospedeiros normais a doença é idêntica a uma mononucleose e sofre resolução espontânea. Tratamento. a probóscide é uma estrutura oca. Este tratamento apresenta uma elevada toxicidade o que pode implicar alternativas. Ao serem ingeridos pelo insecto. Nestes casos a opção mais aceite é o uso de Clindamicina e Espiramicina. O diagnóstico definitivo é conseguido pelo isolar de trofozoítas ou quistos nos tecidos. 59 Página 326 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . esta deve ser tratada. mas em casos de doença disseminada ou do SNC em indivíduo imunodeprimidos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . seguindo-se um período com doses mais baixas dos mesmos fármacos. Leishmania Os hemoflagelados são protozoários flagelados transmitidos por insectos que infectam o sangue e os tecidos. sendo a mais bem estudada a associação de Pirimetamina com Clindamicina. estando presente na saliva dos flebótomos.Leishmania tropica. no entanto todas elas possuem transmissão por flebótomos.Leishmania braziliensis. os amastigotas transformam-se em promastigotas e multiplicam-se por divisão binária no intestino do hospedeiro.Microbiologia Actualmente é utilizado o teste ELISA para a detecção de IgM. este processo pode ser facilitado pelo uso de corantes fluorescentes baseados em anticorpos monoclonais. O estádio de amastigota permite o diagnóstico de leishmaniose e é também o estádio infectante para os flebótomos. . Prevenção e Controlo O tratamento da toxoplasmose depende da natureza do processo infeccioso e da imunidade do doente em questão. nestas irão multiplicar-se com consequente lise celular e destruição tecidual. Leishmania donavani Fisiologia e Estrutura O estádio promastigota apresenta uma forma delgada e com um flagelo livre.em insetos. já no sangue os promastigotas perdem os seus flagelos e passam a designar-se amastigotas. ou picador-sugador.

donovani chagasi. raposas e gatos. particularmente no México. Na maior parte dos casos os órgãos mais afectados são o fígado e o baço. É possível que no início. Os seus reservatórios são o cão. devido á febre e calafrios. donovani chagasi é encontrado na América do Sul e Central. diarreia e anemia. exista alguma parecença com a malária. .L.L. . Página 327 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .Ciclo de Vida do género Leishmania Epidemiologia A infecção por L. o que muitas vezes é designado como Leishmaniose Dérmica Pós-KalaAzar. Os reservatórios mais relevantes são o cão. O vector é o mosquito Phlebotomus. A variante L. donovani é o agente do Kala-Azar ou Febre Dundum. donovani infantum é mais frequente na bacia Mediterrânica.Microbiologia Fig. e ainda em algumas partes da China e da Ex-União Soviética. Existem algumas variantes desta espécie nomeadamente: . no entanto também o rim pode ser invadido. o chacal e os porcos-espinhos. donovani donovani. No caso da L. sendo mais comum na Ásia e África. Síndromes Clínicas O período de incubação da Leishmaniose Visceral pode ser de várias semanas a um ano.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo o vector o mosquito Lutzomyia. Caso a doença persista podem surgir áreas granulomatosas e densamente pigmentadas na pele.L. 102 . tendo um início gradual de febre. donovani infantum. a raposa.

bem como sondas de DNA para o exame directo das lesões cutâneas. Diagnóstico Laboratorial A presença de amastigotas em esfregaços ou amostras de biópsia da úlcera. No caso da L. A L. tendo como primeiro sinal uma pápula vermelha que surge no local da picada do mosquito. Devido ao risco de ruptura do baço durante o processo opta-se por um aspirado de medula óssea ou de um gânglio linfático. sendo o vector o Phlebotomus. mexicana surge na América Central e do Sul. Uma das principais complicações nesta fase é a infecção bacteriana secundária. aethiopica os reservatórios são o cão e os roedores. Neste caso os reservatórios são os cães. sendo que é no baço que existem mais organismos. bem como uma cultura positiva. Europa Mediterrânica e região Sul da Ex-União Soviética. donovani. Esta úlcera evolui tornandose dura e formando uma crosta. Esta espécie é endémica na Etiópia. Apesar de menos utilizados encontram-se disponíveis testes serológicos.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O estádio de amastigota pode ser observado na biópsia de tecidos. Alopurinol e Cetoconazol. como é o caso do Stibgluconato e Sódio e o Antimonato de Meglumina. raposas e roedores. Podem ser realizadas hemoculturas e mieloculturas. Tratamento. no entanto é provável que deixe uma cicatriz desfigurante. Epidemiologia A leishmaniose associada a esta espécie é encontrada em muitas partes da Ásia. África. Na Leishmaniose Cutânea a lesão pode cicatrizar dentro de alguns meses sem tratamento. Pode ser realizada uma terapêutica adjuvante com Interferão-γ.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A prevenção e o controlo exigem uma acção junto dos reservatórios e dos insectos que servem como vector. existe libertação de um exsudado seroso. sendo preferível a segunda devido a um maior número de amastigotas presentes. Nesta caso os reservatórios são a preguiça. sendo mais uma vez o Phlebotomus o vector. constituem um diagnóstico. Existem testes serológicos disponíveis. Leishmania tropica Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida é idêntico ao descrito para a L. Síndromes Clínicas O período de incubação vai desde 2 semanas a 2 meses. Página 328 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . tendo o Lutzomyia como vector. macacos e guaxinins. Quénia e Iémen. Prevenção e Controlo A leishmaniose é tratada com compostos Antimoniais Pentavalente. e de forma mais exuberante na bacia Amazónica. roedores. O uso de redes e telas de protecção contra os mosquitos juntamente com o uso de vestuário apropriado podem ser decisivos na prevenção da infecção.

o que se traduz numa mutilação facial grave e desfigurante. Tanto a prevenção como o controlo são idênticos aos já discutidos para as restantes espécies. Tratamento. Prevenção e Controlo A terapêutica é semelhante à utilizada na Leishmaniose Visceral. podendo ser encontrada na América do Sul e Central. mas mais uma vez o cão doméstico representa um importante reservatório. Este tipo de manifestação da leishmaniose conduz na maior parte dos casos ao edema e a uma infecção bacteriana secundária. mosquiteiros e repelentes de insectos é essencial para a prevenção da infecção. tendo como vector os barbeiros. Tripanossomas O Trypanossoma é outro hemoflagelado. Existe a Tripanossomíase Africana. semelhante em tudo ao L. A outra infecção é a Tripanossomíase Americana. sendo que os organismos são encontrados em grande número nas úlceras. como é o caso da L. Página 329 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . no entanto existe a alternativa de aplicar calor directamente sobre a lesão.Microbiologia Tratamento. tendo como vector a mosca Tsé-Tsé. braziliensis panamensis. sendo a grande diferença o facto de aqui também as mucosas e tecidos associados serem afectados. sendo mais frequente no Panamá. ou Doença de Chagas. braziliensis menos na sua distribuição. ou Doença do Sono. sendo causada pelo Trypanossoma brucei gambiense e o Trypanossoma brucei rhodesiense. sendo os compostos Antimoniais Pentavalentes a opção. Diagnóstico Laboratorial Os testes de diagnóstico são semelhantes aos das outras infecções por Leishmania. Epidemiologia Esta espécie produz a Leishmaniose Muco-Cutânea. Mais uma vez é salientado que o uso de vestuário apropriado. Nesta espécie o vector é o Lutzomyia ou mosquito-pólvora. tropica. Existem ainda testes serológicos disponíveis.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Existem diversos hospedeiros selvagens. braziliensis é muito idêntico ao das restantes espécies. Leishmania braziliensis Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida de L. estando frequentemente associado a dois tipos distintos de doença. Prevenção e Controlo O tratamento é idêntico ao das outras infecções por Leishmania. Síndromes Clínicas No caso da Leishmaniose Muco-Cutânea o período de incubação é idêntico ao da infecção por L. produzida pelo Trypanossoma cruzi. particularmente em florestas tropicais. Existem algumas variantes.

o tripomastigota. tendo a capacidade de penetrar no ferimento criado pela picada da mosca. Esta mosca tem predilecção por locais junto a rios. aqui a forma epimastigota. Página 330 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Nesta fase o organismo possui um flagelo livre e uma membrana ondulante que percorre todo o corpo. brucei gambiense apenas é encontrado na África Ocidental e Central. Fig. Os tripomastigotas presentes no sangue são infecciosos para a mosca Tsé-Tsé. invadindo por fim o SNC.Ciclo de Vida do Trypanossoma brucei gambiense Epidemiologia O T.Microbiologia Trypanossoma brucei gambiense Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida é caracterizado por um estádio infectante. que é caracterizada por um flagelo livre e apenas uma membrana ondulante parcial. líquido cefalorraquidiano ou linfa ocorre quer por divisão binária. 103 . Até ao momento não foi identificado nenhum reservatório. estado esta distribuição relacionada com a presença do vector. A sua divisão no sangue. quer por divisão longitudinal. Após a sua multiplicação migram para as glândulas salivares do mosquito. tendo depois a capacidade de se dividirem no intestino médio do novo hospedeiro. com sombra e próximo de habitações humanas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Este estádio desenvolve-se e multiplica-se até atingir o estádio de tripomastigota infectante. Já no interior do organismo humano prosseguem para o sangue e linfa. a mosca Tsé-Tsé. que está presente nas glândulas salivares das moscas Tsé-Tsé infectadas.

Epidemiologia Esta espécie é encontrada com mais frequência na África Oriental. Prevenção e Controlo Na fase aguda da doença o fármaco de escolha é a Suramina. Uma das diferenças desta espécie é o facto de apresentar como hospedeiro animais domésticos e selvagens. No caso de viajantes para zonas endémicas. Na fase inicial e aguda da doença a maior parte dos doentes apresentam hiperactividade.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . o que muitas vezes exige diversas tentativas para ser possível observar o organismo nas amostras colhidas. Os níveis de parasitémia variam de forma inconstante. Tratamento. 60 Página 331 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O edema dos gânglios linfáticos cervicais posteriores é característico desta doença. podendo ainda ser adicionada a Triparsamida a esta terapêutica. sendo actualmente utilizados os testes ELISA. Em geral é causada por doenças cerebrais focais. brucei rhodesiense é idêntico ao do T. mas na maior parte das vezes o T. Já no período final. com os estádios de tripomastigota e epimastigota. inicia-se com o aparecimento de uma úlcera no local de picada da mosca.Microbiologia Síndromes Clínicas O período de incubação varia de dias a semanas. sendo ainda possível a sua identificação no líquido cefalorraquidiano e aspirados de gânglios linfáticos. Hemiplegia . A morte nestes casos pode resultar da lesão do SNC. brucei gambiense produz uma doença crónica e fatal.é uma paralisia de toda uma metade do corpo. brucei gambiense. no uso de insecticidas e no tratamento dos casos humanos para reduzir a transmissão pelas moscas. Esta característica torna mais difícil o controlo do organismo. Diagnóstico Laboratorial O organismo pode ser observado em esfregaços de sangue de gota fina ou espessa. O que termina com um comprometimento do SNC. estes devem utilizar roupas apropriadas. mas pode ainda ser consequência de outras infecções. em especial por uma hemorragia cerebral em caso de apoplexia. e transmissão pela mosca Tsé-Tsé. mosquiteiros e repelentes de insectos. podendo ainda ser utilizada a Pentamidina. hemiplegia60 e incontinência. Com o evoluir da doença e já nos estádios finais surgem convulsões. o Melarsoprol passa a ser o fármaco adequado. Quando a doença crónica surge. nos países com criação de gado. conduzindo quase sempre a um estado comatoso. Precipitina e de Aglutinação. torna-se difícil a resposta a estímulos por parte do doente. Os testes serológicos são úteis no diagnóstico. A prevenção baseia-se no controlo dos locais de reprodução da mosca Tsé-Tsé. Trypanossoma brucei rhodesiense Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida do T. denominando-se Sinal de Winterbottom.

Devido a sua maior virulência existe um maior número de organismo no sangue. no entanto devido a uma mais rápida evolução devem ser tomadas medidas mais cedo para que se evite o comprometimento do SNC. Nesta infecção a linfoadenopatia não é comum.Microbiologia Síndromes Clínicas O período de incubação desta espécie é menor. No caso da infecção por T.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo a fase aguda caracterizada por febre. Tratamento. Apesar de existirem testes sorológicos. A prevenção é idêntica.Ciclo de Vida do Trypanossoma cruzi Página 332 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Trypanossoma cruzi Fig. a grande variedade antigénica desta espécie limita o seu campo de acção. calafrios e mialgias. Prevenção e Controlo O tratamento é o mesmo que no caso de infecção por T. 104 . brucei gambiense. brucei rhodesiense a evolução para uma doença fulminante e fatal é mais rápida. Diagnóstico Laboratorial Deve ser realizado o exame do sangue e do líquido cefalorraquidiano. mas no controlo é necessário ter em conta o grande número de reservatórios possíveis e tentar tratar os animais domésticos infectados. anorexia e distúrbio mental. o que permite uma rápida invasão do SNC numa fase inicial e consequente letargia.

O tripomastigota está presente nas fezes de um barbeiro reduvídeo. Após a sua reprodução migram para a porção posterior do intestino do barbeiro.Microbiologia Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida desta espécie difere das anteriores. A presença do parasita no sangue é possível de detectar durante a fase aguda. Síndromes Clínicas A Doença de Chagas pode ser assintomática. permitindo desta forma a sua penetração através da ferida criada a quando da picada do insecto. baço. aguda ou crónica. caracterizada proliferação do organismo no coração. Já na corrente sanguínea. os tripomastigotas migram para os tecidos alvos. podendo ainda ser útil a hemocultura ou inoculação em animais no caso de parasitémias muitos baixas. Já no interior da célula dividemse por divisão binária. podendo conduzir a um comprometimento do SNC. transformam-se em tripomastigotas metacíclicos e abandonam o insecto através das suas fezes. A hepato-esplenomegalia. Já no intestino do novo hospedeiro. Além destes métodos tradicionais. Esta penetração no organismo é auxiliada pelo esfregar e arranhar do hospedeiro sobre o local irritado. sendo a primeira manifestação uma área eritematosa endurecida no local da picada – chagoma. Central e do Sul. Estamos pois perante uma forma oval. ocorre destruição celular e reinfecção de tecidos adjacentes. fígado. Epidemiologia O T. a amastigota. mas pode ainda surgir um estado de infecção crónica. Surge depois um exantema e edema em redor dos olhos e na face.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . aumento do esófago e do cólon por destruição das células nervosas constituem um quadro típico de Doença das Chagas Crónica. sendo a doença mais grave em criança com menos de 5 anos. Diagnóstico Laboratorial Este organismo pode ser observado em esfregaços de gota fina e de gota espessa. Podem então formar-se tripomastigotas que irão infectar os barbeiros a quando da picada. O grande problema reside na proximidade entre os animais infectados e os barbeiros que possuem os seus ninhos nas habitações humanas. A biópsia de fígado. de menor tamanho e intracelular. Esta não é mais do que uma forma intracelular sem flagelo nem membrana ondulante. cérebro e gânglios linfáticos. Página 333 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . miocardite. Em alguns casos ocorre morte em poucas semanas. ou seja. gânglios linfáticos ou medula óssea podem revelar a presença de amastigotas. mas com o evoluir da doença torna-se difícil a sua detecção no sangue. o que se deve à sua migração para os tecidos. já existem testes serológicos disponíveis. cruzi encontra-se amplamente distribuído pelos barbeiros reduvídeos e outras espécies animais presentes na América do Norte. o que se deve a uma forma adicional designada amastigota. baço. os tripomastigotas transformam-se em epimastigotas e reproduzem-se por divisão binária longitudinal. durante esta migração perdem o flagelo e a membrana ondulante. Uma das formas mais frequentes de diagnóstico desta doença está associada á megacárdia e alterações electrocardiográficas que podem ser detectadas durante a doença crónica.

mas é quase inactivo contra os amastigotas presentes nos tecidos e possui diversos efeitos colaterais. A triagem do sangue por testes serológicos ou exclusão dos dadores de sangue de áreas endémicas impedem algumas infecções que estariam associadas a transfusões de sangue. o que de deve ao facto de contrariamente aos tripanossomas africanos esta espécie não apresenta uma variedade antigénica considerável.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Pode ainda ser utilizado o Alopurinol e o Benzimidazol. Prevenção e Controlo O tratamento da Doença das Chagas é limitado pela acção tóxica da maior parte dos fármacos disponíveis e eficazes. O Nifurtimox tem alguma actividade na fase aguda. Existe a possibilidade de se desenvolver uma vacina. Página 334 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . O controlo dos barbeiros.Microbiologia Tratamento. a erradicação dos ninhos e a construção de casas adequadas para evitar os ninhos de barbeiros são essenciais para o controlo e prevenção da infecção.

as larvas eclodem nas pregas peri-anais e migram para o interior do intestino. Enterobius vermicularis Fisiologia e Estrutura O Enterobius vermicularis é um pequeno parasita branco encontrado com frequências nas pregas peri-anais ou vaginais de crianças infectadas. o que se deve ao seu tamanho e corpos cilíndricos não segmentados.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . esta vai desenvolver-se na mucosa intestinal. Epidemiologia As infecções por E. Actualmente não se conhece Fig. o que favorece o acto de coçar a zona irritada e repleta de ovos. A infecção deve-se à ingestão de ovos e consequente libertação da forma larvar. Todos os nemátodes são podem ser transmitidos por picadas de mosquitos ou moscas. o que é ainda mais relevante no contexto de uma creche ou infantário. ou seja. 105 . sendo mais comum em regiões temperadas. colonizam habitualmente o intestino e podem ser frequentemente detectados ovos nas fezes dos seus hospedeiros. no seu estado adulto. É frequentemente denominada por Oxiúro.Ciclo de Vida do Enterobius vermicularis Página 335 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . o que é facilitado pela irritação criada pela fêmea a quando da deposição dos ovos. estes por sua vez eclodem no intestino delgado e migram para o intestino grosso onde se transformam em adultos após 2 a 4 semanas. tecidos subcutâneos ou cortes de pele. A maioria dos parasitas no estádio de larva são designados microfilárias e podem ser detectados no sangue. vermicularis surgem em todo o Mundo.Microbiologia Nemátodes Os nemátodes constituem as formas mais facilmente reconhecidas de parasitas intestinais. A infecção inicia-se pela ingestão de ovos embrionados. A fertilização da fêmea pelo macho produz ovos assimétricos que são depositados nas pregas peri-anais pela fêmea em migração. A transmissão ocorre muitas vezes por via fecal-oral. É importante salientar que é possível a transmissão por intermédio de roupas ou brinquedos. É ainda possível que ocorra auto-infecção. Os ovos amadurecem rapidamente e tornam-se infecciosos. Estes parasitas.

coração e pulmões. Em casos raros pode ocorrer penetração da parede intestinal e penetração na cavidade peritoneal. antes de a criança tomar banho ou defecar.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A terapêutica deve ser feita a toda a família. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico da enterobiose é sugerido pelas manifestações clínicas e confirmado pela detecção dos ovos característicos na mucosa anal. fígado e pulmões. esta por sua vez é transportada pela corrente sanguínea até ao fígado. deglutidas e regressarem ao intestino. com o intuito de evitar a reintrodução do organismo e reinfecção familiar. que na maior parte dos casos se manifestam apenas como eosinofilia. Alguns dos parasitas podem migrar para a vagina e dar origem a complicações genitourinárias e granulomas. É nos pulmões que as larvas crescem e ao fim de 3 semanas passam pelo sistema respiratório para serem expelidas pela tosse. mas também pode ser utilizado o Mebendazol. É possível que sejam necessárias três colheitas em dias consecutivos para que se detectem ovos. a lavagem completa das roupas de cama e o tratamento imediato dos indivíduos infectados contribui para um controlo da infecção. o corte das unhas das mãos. Raramente são detectados ovos nas fezes. Tratamento. Existem doentes alérgicos às secreções dos vermes em migração. Síndromes Clínicas A maior parte das crianças e adultos infectados comportam-se como portadores assintomáticos. Uma boa higiene pessoal. Para prevenir a reinfecção o tratamento pode ser repetido após 2 semanas. o mesmo acontece com os sintomas sistémicos. Prevenção e Controlo No tratamento desta infecção deve ser utilizado o Pamoato de Pirantel.Microbiologia nenhum reservatório deste parasita. vermicularis. Ascaris lumbricoides Fisiologia e Estrutura O Ascaris lumbricoides é um parasita grande entre 20 a 35 cm e com um ciclo de vida complexo. sendo que o segundo é transportado na casca dos ovos de E. Também se verifica a formação de granulomas em parasitas fixos á parede intestinal e que desencadeiam um processo inflamatório. Página 336 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Esta recolha deve ser efectuada de manhã. mas típico dos parasitas intestinais. o que conduz a um intenso prurido. vermicularis e a Dientamoeba fragilis. Os ovos infectantes ao serem ingeridos libertam a larva que penetra na parede duodenal. para permitir que os ovos depositados durante a noite sejam recolhidos. O método de recolha mais utilizado consiste numa zaragatoa anal com superfície aderente para recolher os ovos. perda de sono e fadiga. mas sabe-se que existe uma relação entre o E.

febre. a fertilização da fêmea pelo macho inicia a produção de ovos. Tronco Comum II . o mesmo se pode passar com as colangiografias. 106 . Os radiologistas também podem visualizar os parasitas no intestino. Página 337 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Nos casos de um grande número de larvas presentes no intestino podem surgir dores abdominais. Diagnóstico Laboratorial O exame do sedimento das fezes concentradas permite observar ovos nodulosos. A fase pulmonar é facilmente detectável pela presença de larvas e eosinófilos na expectoração. Não se conhece nenhum reservatório humano. Devido ao seu corpo robusto e flexível é provável que perfure a parede do intestino e origine uma peritonite com infecção bacteriana secundária. de cor esverdeada.Microbiologia Epidemiologia O A. Este parasita depende de um movimento constante para se manterem no intestino do hospedeiro. A quando da sua passagem pelos pulmões podem originar uma pneumonite idêntica a uma crise asmática. lumbricoides é prevalente em áreas de condições sanitárias precárias e onde as fezes humanas são utilizadas com fertilizante. fertilizados e não-fertilizados. mas sabe-se que uma espécie que infecta o porco pode infectar Fig. É possível detectar a presença de ovos nas fezes após 60 a 75 dias da infecção inicial. A casca externa de parede espessa pode ser parcialmente removida. Síndromes Clínicas Se na infecção inicial apenas alguns ovos forem ingeridos podem não surgir sintomas. e potencialmente fatal. No caso de migrarem para os canais biliares.Ciclo de Vida do Ascaris lumbricoides igualmente o humano – Ascaris suum. a invasão e obstrução do ducto biliar e consequente pancreatite. mas o estado adulto pode conduzir a lesão tecidual no caso de colonizar o fígado ou o ducto biliar. facto que resulta da ausência de um mecanismo de fixação. Sendo uma das consequências mais graves. Já no intestino pode originar uma oclusão do apêndice ou uma obstrução e consequente perfuração do intestino. vesícula biliar ou fígado podem originar uma extensão lesão tecidual. distensão e vómitos. Os ovos deste parasita são muito rígidos e podem resistir a temperaturas extremas e persistir por vários meses em fezes e esgotos.Faculdade de Medicina de Lisboa Quando as fêmeas e os machos amadurecem no intestino delgado.

Ciclo de Vida de Toxocara canis e Toxocara e cati Página 338 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Este risco está aumentado nas crianças que têm mais contacto com o solo e tendência para colocar objectos na boca. Prevenção e Controlo O tratamento da infecção sintomática é altamente eficaz. Quando ingeridos por humanos os ovos podem eclodir em formas larvantes que não conseguem prosseguir o seu ciclo normal. e como tal penetram na parede do intestino e migram para a corrente sanguínea. Fig. Síndromes Clínicas As manifestações clínicas da Toxocaríase em seres humanos estão relacionadas com a migração das larvas para os tecidos. no entanto não possuem a capacidade de ir além do seu estádio larvar migratório. Toxocara canis e Toxocara e cati Fisiologia e Estrutura O Toxocara canis e Toxocara cati são parasitas ascarídeos que colonizam naturalmente o intestino de cães e gatos. a melhoria das condições sanitárias e evitar a utilização de fezes humanas como fertilizantes são medidas que se revelam muito importantes no controlo da infecção. o que muitas vezes deriva de insuficiência respiratória.Microbiologia Tratamento. e que acidentalmente podem infectar humanos. Nas infecções assintomáticas o doente pode apenas apresentar eosinofilia. arritmia cardíaca ou lesão cerebral. Já na corrente sanguínea podem atingir qualquer tecido humano.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . As larvas podem invadir qualquer tecido. o que em parte depende do grau de sensibilidade do hospedeiro aos antigénios larvares. 107 . formação de granulomas eosinofílicos e necrose. no qual podem produzir sangramento. A educação. A morte é uma consequência possível. Epidemiologia Em qualquer local que existam cães e gatos há probabilidade contrair esta infecção. mas pode também desenvolver uma doença grave relacionada com a destruição dos tecidos. devendo ser utilizado o Mebendazol. desenvolvem-se uma doença denominada Larva Migrans Visceral.

Estes ovos possuem algumas características que os permitem identificar. Os ovos eliminados no solo amadurecem e tornam-se infecciosos após 3 semanas. possuindo um ciclo de vida simples.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . as larvas migram para o ceco onde penetram na mucosa e atingem o seu estado adulto. pelo facto de não existiram parasitas adultos com a capacidade de depositarem ovos. a forma em barril e presença de tampões polares na casca. Pode ser utilizada Dietilcarbamazina ou o Tiabendazol com alguma eficácia. Tratamento. Trichuris trichiura Fisiologia e Estrutura O T. 108 .Ciclo de Vida do Trichuris trichiura é o caso da sua cor de bílis escura. o que supera em muito a análise de fezes. O tratamento com corticoesteróides pode salvar a vida do doente visto que grande parte da infecção resulta da resposta inflamatória ao parasita. Prevenção e Controlo O tratamento é primariamente sintomático.000 por dia. na presença de eosinofilia. Os testes serológicos são realizados pelo método de ELISA. Esta zoonose pode ser facilmente reduzida se os donos de cães e gatos agirem no sentido de controlar a infecção nos seus animais e removerem o material fecal dos jardins e locais públicos. como Fig. Página 339 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os ovos ingeridos eclodem numa forma larvar no intestino delgado. Após cerca de 3 meses a fêmea inicia a libertação de ovos. trichiura é frequentemente associado a um chicote pela sua forma. na exposição conhecida a cães e gatos e na confirmação serológica. em quantidades que podem atingir os 10.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico baseia-se na análise do quadro clínico. o que se deve ao facto de os antiparasitários não se mostrarem eficazes.

mas a sua prevalência está relacionada com as condições sanitária precárias e o uso de fezes humanas como fertilizantes. Até aos dias de hoje ainda não foi identificado nenhum reservatório animal. Ancilóstomos Ancylostoma duodenale e Necator americanus Fisiologia e Estrutura Os dois ancilóstomos humanos são o Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Diferem entre si apenas na distribuição geográfica. sendo estes eliminados nas fezes. diarreia sanguinolenta. o que na maior parte dos casos. Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes revela ovos cor de bílis com tampões polares. mas podem em crianças originar um prolapso do recto como resultado da irritação e esforço durante a defecação. Síndromes Clínicas As manifestações de Tricuríase estão relacionadas com o número de parasitas presentes no hospedeiro.Ciclo de Vida de Ancylostoma duodenale e Necator americanus as larvas rabditiformes libertam-se dos ovos e após 2 semanas tornam-se larvas filariformes infecciosas. fraqueza e perda de peso. Os parasitas adultos depositam até 20. Página 340 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A fase humana do ciclo inicia-se quando uma larva filariforme penetra na pele intacta. se transforma numa infecção assintomática. é eliminada pela tosse e deglutida.Microbiologia Epidemiologia Este organismo é observado em todo o Mundo. devido a um reduzido número de organismo. terminando no intestino delgado onde se desenvolve. Em alguns casos a obstrução do apêndice conduz a um caso de apendicite.000 ovos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Ao entrarem em contacto com o solo Fig. é transportada para os pulmões. mas esta identificação pode ser dificultada por um reduzido número de ovos nas fezes. estrutura das partes bucais e tamanho relativo. No que toca às análises laboratoriais verifica-se nas infecções mais graves a presença de anemia e eosinofilia. Já na pele a larvar migra para a corrente sanguínea. 109 . As infecções com um grande número de larvas podem conduzir a dor abdominal com distensão.

Nos casos mais graves de anemia pode ser necessária a transfusão sanguínea. Tratamento. No caso de infecções crónicas é comum o emagrecimento e o atraso mental e físico. mas que acidentalmente pode infectar humanos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Prevenção e Controlo O fármaco de eleição é o Mebendazol. Diagnóstico Laboratorial O exame de fezes revela ovos segmentados e sem coloração de bílis escura. A educação. Os ovos destas duas espécies não podem ser distinguidos.Microbiologia Ambas as espécies possuem estruturas bucais destinadas à sucção do sangue da parede intestinal. sendo aconselhada a administração de ferro até que os níveis de hemoglobina estejam normalizados. Página 341 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A presença de parasitas adultos no intestino pode manifestar-se por náuseas. A migração do parasita ao longo da mucosa intestinal abre uma porta para as infecções bacterianas secundárias. sendo favorecido por condições quentes e húmidas. e a quando da sua passagem pelos pulmões pode surgir uma pneumonite. Epidemiologia A transmissão da infecção requer a deposição de fezes contendo ovos no solo. o que apenas se verifica caso a amostra permanece por um dia ou mais à temperatura ambiente. As larvas filariformes penetram na pele intacta. Síndromes Clínicas As larvas ao penetrarem na pele podem originar uma reacção alérgica local ou um exantema. o que se deve à anemia por perda de sangue e às deficiências nutricionais. A alimentação do parasita e a perda de sangue as fezes pode conduzir a uma anemia microcítica hipocrómica. a melhoria das condições sanitária e o controlo do destino das fezes são medidas importantes para a prevenção e controlo da infecção. vómitos e diarreia. Ancylostoma braziliense Fisiologia e Estrutura Este organismo é uma espécie de ancilóstomos que habitualmente parasita o intestino de cães e gatos. As larvas raramente são encontradas nas fezes. no entanto as estruturas diferem entre si consoante a espécie. preferencialmente à sombra e bem drenado. mas não podem prosseguir o seu ciclo no organismo humano. o que as leva a permanecerem no tecido subcutâneo onde originam túneis serpiginosos.

o que origina cerca de 12 ovos por cada fêmea. Prevenção e Controlo A terapêutica deve ser iniciada com Tiabendazol. As fêmeas adultas escacavam a mucosa intestinal e reproduzem-se por partenogénese.Pode estabelecer-se um ciclo não parasítico de vida livre fora do hospedeiro humano. através desta chega aos pulmões. o que se pensa derivar da passagem das larvas pelos pulmões. Strongyloides stercoralis Fisiologia e Estrutura Apesar de possuir uma morfologia e epidemiologia idênticas às dos ancilóstomos.As larvas podem amadurecer em formas filariformes no intestino. Na forma directa da infecção a larva penetra na pele e chega á circulação. Neste ciclo indirecto as larvas no solo transformam-se em parasitas adultos de vida livre que produzem ovos e larvas. as larvas raramente são identificadas na expectoração. o seu ciclo de vida difere em três aspectos: . Em 50% dos doentes surgem infiltrados pulmonares com eosinofilia periférica. . mas na maior parte das vezes o diagnóstico baseia-se no aspecto clínico dos túneis e na história de contacto com fezes de cão e gato. Perante esta situação o prurido e consequente acto de coçar podem levar a uma infecção bacteriana secundária.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . É eliminada pela tosse e deglutida.Os ovos eclodem em larvas no intestino antes da evacuação das fezes. braziliense.Microbiologia Epidemiologia A infecção é mais comum em crianças que estão em contacto com o solo ou caixas de areia contaminadas com fezes contendo ovos de A. . Tratamento. Página 342 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estas são eliminadas nas fezes e podem continuar o ciclo directo transformando-se em larvas filariformes infectantes ou em parasitas adultos de vida livre. mas é ainda importante a remoção das fezes dos locais públicos. Estes ovos eclodem no interior do intestino originando larvas rabditiformes. Apesar de poderem estar presentes nos pulmões. Síndromes Clínicas As larvas em migração podem provocar uma grave reacção eritematosa e vesicular. Uma das medidas de controlo fundamental consista na educação dos donos de cães e gatos no sentido de procederem à desparasitação do animal. e a estes podem ser associados antihistamínicos. o que mais uma vez conduz ao desenvolver do parasita no intestino delgado. Diagnóstico Laboratorial As larvas podem ser isoladas em amostras de biópsia da pele ou após o congelamento da pele. causando autoinfecção. iniciando desta forma o ciclo indirecto.

as larvas são deglutidas e transformam-se em parasitas adultos no intestino. de modo a que podem originar dor epigástrica. o que se torna relevante devido a alguns serem animais domésticos. bem como o intestino delgado e o cólon. Página 343 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estas larvas penetram no intestino ou na pele perianal e seguem o seu trajecto através da circulação e estrutura pulmonares.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Fig. podendo estar acompanhada de hipersensibilidade. 110 . sendo a transmissão possível por via sexual. No caso da infecção intestinal. mas no caso de grandes parasitémias podem afectar os ductos biliares e pancreático. esta na maior parte das vezes é assintomática. A sua eliminação dá-se pela tosse.Microbiologia Na auto-infecção as larvas rabditiformes no intestino não são eliminadas com as fezes. vómitos e diarreia. Este ciclo pode prolongar-se por anos. Epidemiologia Estes organismos necessitam de ambientes húmidos e quentes. levando a uma situação de superinfecção e disseminada. Esta dor surge como resultado da inflamação e ulceração.Ciclo de Vida de Strongyloides stercoralis Síndromes Clínicas Os indivíduos com Estrongiloidíase apresentam com alguma frequência pneumonite devido à presença de larvas nos pulmões. Existem reservatórios animais para este parasita. mas transformam-se em larvas filariformes.

e em casos mais graves da infecção. o que muitas vezes exige que se processe à concentração das fezes. A perda parcial do sistema imunitária parece permitir que as larvas rabditiformes se transformem em filariformes. A taxa de mortalidade na Síndromes de Hiperinfeçcão é de aproximadamente 90%. onde as larvas acabam por morrer e sofrer calcificação. No caso da Síndromes de Hiperinfeçcão o médico deve ter um cuidado redobrado nas medidas de controlo. Para ultrapassar algumas das limitações do diagnóstico por análise das fezes aconselhase a que sejam recolhidas amostras de fezes durante 3 dias consecutivos. Os principais sintomas desta manifestação são diarreia. Página 344 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . pode analisar amostras de aspirados duodenais ou de expectoração. Este parasita possui um ciclo de vida directo simples. peitorais. Tratamento. Já no músculo enrolam-se em torno das fibras e tornam-se enquistadas. estas por sua vez migram através da corrente sanguínea para qualquer órgão. Diagnóstico O diagnóstico pode ser difícil devido à eliminação intermitente de um pequeno número de larvas nas fezes. podendo ainda ser utilizado o Mebendazol. esta pode prolongar-se por vários anos.Microbiologia A auto-infecção conduz em estrongiloidíase crónica. Estas larvas migram para a corrente sanguínea. estas abandonam a carne no intestino delgado e ao fim de 2 dias desenvolvem-se em parasitas adultos. o vómito e os líquidos orgânicos possuam larvas filariformes infecciosas. é possível que as fezes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . este por sua vez termina no músculo dos seres humanos. O fármaco de escolha é o Tiabendazol. A forma larvar infecciosa é encontrada nos músculos esqueléticos de mamíferos carnívoros e omnívoros. Caso as larvas não estejam presentes nas fezes. Na maior parte dos locais não existem teste serológicos disponíveis. esta síndrome é potencialmente fatal e resulta de uma desequilíbrio criado por um medicamento ou doença que provoque uma alteração no estado imunológico do doente. intercostais e o diafragma. A infecção inicia-se quando ingerimos carnes com larvas enquistadas. Prevenção e Controlo Todos os pacientes devem ser tratados para evitar a auto-infecção e a disseminação potencial do parasita. Nestes casos existe uma elevada probabilidade de desenvolver um Síndrome de Hiperinfeçcão. mesmo que não seja numa área endémica. má absorção e anormalidade electrolíticas. Trichinella spiralis Fisiologia e Estrutura A Trichinella spiralis é o agente etiológico da Triquinose. através desta são conduzidas até diversos músculos esqueléticos. Os músculos mais frequentemente afectados são os extra-oculares. a língua. saliva. A forma adulta deste parasita habita a mucosa duodenal e jejunal de mamíferos carnívoros dispersos por todo o Mundo. os músculos deltóides.

Nas infecções ligeiras. nomeadamente psicose. Prevenção e Controlo O tratamento é na sua maioria sintomático.Ciclo de Vida de Trichinella spiralis larvas. Em algumas situações a invasão e destruição do diafragma conduz à paragem respiratória. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico baseia-se na observação clínica e nalguns casos com a presença de surtos associados ao consumo de carnes contaminadas. mas a sua maior prevalência está associada ao consumo de carne de porco. os sintomas são febre e diarreia. eosinofilia. A Triquinose pode ser fatal. 111 . Tratamento. o que se deve ao facto de não existirem agentes anti-parasitários eficazes. encefalite e pneumonite. surge desconforto abdominal. As manifestações clínicas dependem do número de larvas presentes e da sua localização em migração. e que nos caso mais graves de aconselha o uso de Esteróides e Tiabendazol ou Mebendazol. mas também de outras.Microbiologia Epidemiologia A Triquinose é encontrada em todo o Mundo. mas em casos de maior parasitémia a febre torna-se persistente. meningoencefalite e acidente vascular cerebral. Síndromes Clínicas A maioria dos doentes apresenta sintomas ligeiros ou são assintomáticos. Em casos mais graves é comum que apareçam sintomas neurológicos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Página 345 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo que é mais comum a quando da associação de miocardite. com um reduzido número de Fig. sendo observadas larvas enquistadas. Apesar de a maior fonte de transmissão ser a carne de porco. A prevenção desta infecção baseia-se na educação quanto ao consumo da carne de porco e de urso. O diagnóstico pode ser confirmado pela análise da carne contaminada ou de uma biópsia do músculo do doente. No caso de Triquinose grave existe uma eosinofilia acentuada e é possível que a confirmação seja feita por testes serológicos. Sabe-se que ao administrarmos Mebendazol iremos impedir a produção de novas larvas. devidamente bem cozinhadas. mialgias e edema peri-orbitário. este organismo está presente nos músculos de muitos carnívoros e omnívoros que representam um potencial foco de infecção.

No caso de B. bancrofti surge nas áreas tropicais e subtropicais. As larvas depois de introduzidos pela picada do vector migram para o sistema linfático. Fig. A presença de microfilárias é diagnóstico de doença humana. nomeadamente para os braços. Página 346 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . malayi. estas por sua vez irão disseminar-se através da circulação.Microbiologia Wuchereria bancrofti e Burgia malayi Fisiologia e Estrutura A infecção humana inicia-se introdução das larvas infectantes por intermédio da picada de um mosquito. deste processo produzem-se as microfilárias larvares com bainha. 112 . Já nestes locais crescem e transformam-se em parasitas adultos. Vietname e nalgumas partes da China. Até ao momento não foi identificado nenhum reservatório animal. ao longo da costa do Mediterrâneo e algumas zonas da Ásia. Alguns macacos e gatos representam o reservatório animal deste parasita.Ciclo de Vida de Wuchereria bancrofti Epidemiologia A W. Aedes e Culex são vectores da filariose de Bancroft e da Malásia. Já no mosquito migram através do estômago e músculos torácicos até à probóscide. ao mesmo tempo esta forma é infectante para o mosquito.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . aqui transformam-se em larvas infectantes e são transmitidas ao homem durante a alimentação do mosquito. Diversos mosquitos dos géneros Anopheles. Num período de 3 a 12 meses o macho fertiliza a fêmea. Tailândia. estando estas presentes na saliva do vector. este é encontrado na Malásia. Índia. pernas ou virilha. sendo endémica na África Central. Coreia e Japão.

Loa loa Fig.Ciclo de Vida do Loa loa Página 347 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A sua distinção é possível tendo por base o estuda da estrutura da cabeça e da cauda. mas é necessária a detecção de microfilárias no sangue para que seja feito o diagnóstico definitivo. particularmente dos membros. É possível demonstrar a presença do parasita através de esfregaços de sangue corados pelo método de Giemsa. a infecção é assintomática. no entanto existem disponíveis testes serológicos. como tal o sangue deve ser colhido durante a noite. evoluindo para Elefantíase Filarial. linfangite e linfadenite.Microbiologia Síndromes Clínicas Em alguns indivíduos. 113 . mas o fármaco de escolha é a Dietilcarbamazina. quer pela resposta inflamatória do organismo. Diagnóstico Laboratorial Um dos principais sinais é a eosinofilia. apesar de um grande número de microfilárias no sangue.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Prevenção e Controlo O tratamento oferece poucos resultados no caso de Filariose Linfática Crónica. À medida que a infecção vai evoluindo surge um aumento dos gânglios linfáticos. este fenómeno resulta da obstrução dos vasos linfáticos quer pela presença do parasita. Por outro lado a infecção pode manifestar-se com febre. O espessamento e hipertrofia dos tecidos infectados pelos parasitas podem resultar em aumento dos tecidos. Ambos os parasitas possuem uma periodicidade nocturna. Tratamento. Os tratamentos de suporte e cirúrgico para a obstrução linfática podem ser de algum auxílio cosmético.

mas dificilmente estão disponíveis. no entanto o vector é uma mosca denominada Chrysops. como tal aconselha-se a administração de corticoesteróides. podendo estas persistir por 17 anos ou mais. roupas apropriadas e repelentes de insectos. Síndromes Clínicas Os sintomas surgem geralmente apenas após um ano da picada da mosca. congestão dolorosa. pena-se por isso que exista uma reacção alérgica ao parasita e aos seus produtos metabólicos. a mosca da manga. loa. Após 6 meses surgem microfilárias. produzindo irritação. Prevenção e Controlo A Dietilcarbamazina mostra-se eficaz contra o parasita adultos e as microfilárias. principalmente durante o dia. Os testes sorológicos também podem ser úteis para confirmar o diagnóstico. bacia do Congo e partes da Nigéria. músculo ou para a parte superior do globo ocular. o que se deve ao facto de os parasitas demorarem um longo período para atingir a forma adulta.Microbiologia Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida é idêntico ao dos parasitas anteriores. Estas larvas migram para o tecido subcutâneo onde crescem e atingem o estádio de parasita adulto e sexuado. Diagnóstico Laboratorial A observação dos edemas de Calabar ou migração dos vermes no olho. podem ser medidas importantes na prevenção e controlo da infecção. As microfilárias podem ser encontradas no sangue. A protecção contra picadas de moscas utilizando redes. Um dos primeiros sinais de infecção é o edema de Calabar ou fugitivo. edema das pálpebras e comprometimento da visão. Epidemiologia Este parasita é restrito às florestas tropicais equatoriais de África e é endémica na África Ocidental Tropical. deve alertar do médico para a possibilidade por L. Os parasitas adultos podem migrar para os tecidos subcutâneos. e as moscas da manga como vectores. A remoção cirúrgicas dos parasitas que migram através do olho pode ser efectuada imobilizando o parasita com cocaína a 10%. Estes por sua vez Página 348 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Nestas regiões os macacos servem como hospedeiros reservatórios no ciclo de vida desta parasita. Onchocerca volvulus Fisiologia e Estrutura A infecção começa com a introdução das larvas através da pele durante a picada e alimentação do vector Simiulium ou mosca negra. A destruição do parasita pode levar a graves reacções alérgicas. juntamente com tratamento dos casos. Este edema surge associado a uma marcada eosinofilia. Tratamento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os parasitas adultos podem migrar sob a conjuntiva. em associação com eosinofilia.

Na pele o processo inflamatório resulta em perda de elasticidade e áreas de despigmentação. sendo depois examinadas ao microscópio em busca de microfilárias sem bainha. As amostras após recolhidas devem ser incubadas durante várias horas numa solução salina. juntamente com o diagnóstico e tratamento dos indivíduos infectados são algumas da medidas mais relevantes para o controlo desta infecção.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . A supressão das microfilárias dérmicas reduz drasticamente a transmissão da infecção por vectores. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é obtido através da observação de microfilárias em preparações de pele da região infra-escapular ou glútea. e como tal a quimioterapia em massa apresenta-se como um bom método para controlar a infecção. o que lhes permitirá sobreviver por até 15 anos. As manifestações clínicas incluem febre. A protecção contra as picadas da mosca negra através de vestuário apropriado. tornandose infectantes para o mosquito. Estas microfilária abandonam a sua cápsula e migram de seguida para a pele. o tecido subcutâneo. o que no caso de se localizarem no pescoço ou cabeça representam um elevado risco de migração para o olho e lesão tecidual grave. o que torna a sua erradicação pelo uso de insecticidas quase impossível.Microbiologia permanecem em nódulos subcutâneos fibrosos. tendo particular prevalência na bacia do Congo e na bacia do Rio Volta. Já no seu estado adulto reproduzem-se e dão origem a novas microfilárias. Síndromes Clínicas A Oncocercose caracteriza-se por infecções que afectam a pele. Tratamento. olhos e outros tecidos. volvulus é endémico em muitas partes de África. eosinofilia e urticária. Prevenção e Controlo Deve ser feita a remoção cirúrgica do nódulo encapsulado para eliminar os parasitas adultos e interromper a produção de microfilárias. devendo ainda ser administrado Ivermectina. o que resulta muitas vezes em cegueira. a sua reprodução ocorre nos rios de corrente rápida. espessamento e atrofia. Nas áreas endémicas verifica-se uma maior prevalência nos homens do que nas mulheres. Página 349 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Após a fertilização da fêmea pelo macho. redes de protecção e repelentes de insectos. O seu vector são diversas espécies da mosca negra do género Simulium. os gânglios linfáticos e os olhos. Epidemiologia O O. tendo estas a característica de não possuírem bainha. esta começa a produção de até 2000 microfilárias por dia. são o resultado da resposta inflamatória do nosso organismo aos antigénios da microfilárias em migração.

estas são insuficientes para a distinção entre dirofilaríase pulmonar e carcinoma broncogénico. Página 350 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Este panorama é agravado pelo facto de os testes serológicos não serem suficientes para excluir a hipótese de carcinoma. No caso de infecção humana. que são na maior parte das vezes fatais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Dracunculus medinensis O nome Dracunculus medinensis significa pequeno dragão de Medinca. Apesar de poder existir um ligeira eosinofilia periférica e evidências radiológicas. exigindo remoção cirúrgica.Ciclo de Vida do Dracunculus medinensis Fisiologia e Estrutura Este parasita não é uma filária. mas é um nemátode que invade os tecidos e com um ciclo de vida dependendo da água doce e de um microcrustáceo do género Cyclops. Esta lesão representa um problema para os radiologistas e cirurgiões. é uma infecção muito antiga considerada por alguns como a serpente de fogo observada por Moisés com os Israelitas no Mar Vermelho. originando uma lesão nodular. 114 . Fig. como se pode imaginar é característico formar aglomerados no coração do cão.Microbiologia Dirofilaria immitis Este organismo é designado muitas vezes a dirofilária do coração de cão. o que se deve à sua parecença com um tumor. este nemátode produz um nódulo subcutâneo no pulmão. O controlo desta infecção pode ser feito pela vigilância do mosquito vector e pelo uso profiláctico de Ivermectina nos cães.

tendo como hospedeiros cães e outros animais que entrem em contacto com água contendo Cyclops infectados. Epidemiologia Este parasita surge nas regiões equatoriais da África e Ásia. A formação da úlcera é acompanhada de eritema e dor local. e como tal evitar água contaminadas com Cyclops. Estas larvas não são microfilárias e apenas estão presentes no espaço retro-peritoneal. Uma das medidas mais eficazes é a proibição de banhos e lavagem de roupas em poços utilizados para o consumo de água. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é estabelecido pela observação da úlcera típica e lavagem da úlcera com água para isolar as larvas quando estas são libertadas.Microbiologia A infecção inicia-se no estômago após termos ingerido Cyclops com larvas infectantes.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Prevenção e Controlo O antigo método de enrolar lentamente o parasita num bastão ainda é utilizado em muitas áreas endémicas. É importante conhecer o ciclo de vida do parasita. Página 351 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas pode ser utilizado o Metronidazol e Niridazol. O fármaco de eleição é o Niridazol. Após a libertação de todas as larvas a fêmea pode ser reabsorvida nos tecidos mais profundos ou simplesmente expelida do local. Tanto o diagnóstico rápido como o tratamento adequado permitem limitar em muito a transmissão deste parasita. É ainda possível o uso de químicos ou de peixes que se alimentam de Cyclops. mas actualmente a remoção cirúrgica constitui um método mais prático e seguro. é neste local que amadurecem. por onde o útero do parasita irá fazer uma saliência a fim de libertar as larvas ao entrar em contacto com água. É possível que através de um exame radiológico sejam detectadas parasitas em diversas partes do corpo. evitando deste modo a transmissão. Estas larvas são ingeridas pelos Cyclops onde se irão tornar infectantes para os seres humanos. Síndromes Clínicas A infecção apenas se torna aparente quando a fêmea está grávida e se forma uma úlcera para a libertação das larvas. estas penetram através da parede do tracto digestivo e vão alojar-se no espaço retroperitoneal. esta mais tarde forma uma ulcera. não sendo detectadas no sangue ou outros tecidos. Tratamento. podendo em alguns casos resultar numa infecção bacteriana secundária e formação de um abcesso. o que em média ocorre um ano após a infecção inicial. As infecção são na maior parte da vezes resultado da ingestão de água de poços onde pessoas infectadas se lavam e podemos entrar Cyclops infectados. Quando a fêmea fertilizada engravida forma-se uma vesícula na pele do hospedeiro. Neste local após amadurecem os parasitas acasalam e a fêmea fertilizada migra para os tecidos subcutâneos dos membros.

tendo por isso tanto órgão reprodutores masculinos como femininos. buski apenas é encontrado na China. buski é o maior. como tal não serão discutidos. estas últimas constituem o estádio infectante. desenvolve-se na sua forma adulta e auto-fertelizase. esta já no duodeno transforma-se num tremátode imaturo. F. Esta forma ao ser libertada para a água enquista-se na vegetação aquática e transforma-se em metacercárias. Os ovos opérculados são libertados na água. cães e coelhos servem como hospedeiros reservatórios. caracterizam-se por serem achatados e em forma de folha.Ventosa Oral. Os esquistossomas são mais uma vez a excepção. O parasita fixa-se à mucosa do intestino delgado por intermédio de duas ventosas. a libertação da larva surge quando a casca do ovo se rompe. denominando-se miracídio. A produção de ovos inicia-se cerca de 3 meses após a infecção inicial. é como que um órgão de fixação. possuem corpos cilíndricos e existem parasitas com sexos diferentes. têm como primeiros hospedeiros intermediários moluscos. mas todos eles são muito idênticos a este. Tailândia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . representa o início de um sistema digestivo incompleto. também designado cercaria. . Fasciolopsis buski O F. Existem muitos mais tremátodes intestinais. mais prevalente e mais importante tremátode intestinal. Todos os tremátodes precisam de um hospedeiro intermédio para completar o seu ciclo. e todos. Esta forma do parasita possui glândulas produtoras de substâncias líticas que irão permitir a penetração no caracol. Página 352 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Os ovos dos tremátodes possuem ovos com um opérculo. sem excepção. Vietname. Malásia e Índia. Nestas áreas endémicas porcos. ulceração e hemorragia. É nos moluscos que desenvolvem o seu ciclo assexuado. Os esquistossomas são uma excepção. Síndromes Clínicas Os sintomas da infecção estão dependentes da parasitémia no intestino delgado. A maior parte possui duas ventosas musculares: . Quase todos são hermafroditas. este abre-se para permitir que a larva encontre o seu caracol alvo. aqui o opérculo abre-se e liberta uma larva com capacidade de nadar livremente. Fisiologia e Estrutura O seu ciclo de vida inicia-se com a ingestão da larva enquistada ou metacercária. não sendo mais do que uma propagação de células germinativas. Já no caracol desenvolve-se através de reprodução sexuada e atinge o estádio final.Ventosa Ventral. não possuem opérculo. Epidemiologia Este parasita depende da distribuição do seu hospedeiro. Indonésia. A fixação por intermédio de ventosas no intestino delgado pode produzir inflamação.Microbiologia Tremátodes Os tremátodes são membros do filo Phatyhelminthes.

outra das formas de acção é o rápido diagnóstico e tratamento adequado das infecções.Microbiologia As fezes podem ser profusas.Fasciola hepatica. 115 .Dicrocoelium dendriticum. bem como condições sanitárias adequadas e controlo das fezes humanas serão medidas eficazes no controlo da doença. cor de bílis e com opérculo na superfície. . Tratamento. É ainda possível utilizar químicos que destroem a flora de caracois. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é o Praziquantel. nomeadamente: . .Opisthorchis felineus.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo a Niclosamida uma alternativa eficaz.Ciclo de Vida do Fasciolopsis buski Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes revela os grandes ovos dourados. . A análise do sangue periférico revela uma acentuada eosinofilia nos doentes infectados. Os tremátodes adultos raramente podem ser detectados nas fezes ou recolhidos durante uma cirurgia. sendo comum observar-se uma síndrome de má absorção e obstrução intestinal.Opisthorchis sinensis. Página 353 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Fig. Fasciola hepatica Existem diversos tremátodes hepáticos. O controlo da vegetação aquática infectante.

mas ocasionalmente são detectados ovos de outros nas fezes em diversas áreas geográficas. hipersensibilidade e hepatomegalia.Microbiologia Os de maior importância são a Fasciola hepatica e Opisthorchis sinensis. As larvas deste organismo migram através da parede duodenal e da cavidade peritoneal. sendo habitualmente um parasita de herbívoros e de seres humanos. 116 .Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . buski. estando presente uma eosinofilia acentuada. iniciando-se a produção de ovos opérculados cerca de 3 a 4 meses após a infecção inicial. As manifestações surgem como dor no quadrante superior direito. Já no seu destino final desenvolvem-se em parasitas adultos. Página 354 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo a infecção resultado do consumo de agrião com metacercárias enquistadas. O seu ciclo de vida assemelha-se ao do F. Os surtos ocasionais que surgem estão associados ao consumo de agrião em locais que possuam herbívoros contaminados. Fisiologia e Estrutura Este parasita é frequentemente designado por tremátode hepático do carneiro.Ciclo de Vida da Fasciola hepatica Epidemiologia Já foram descritas infecções em todo o Mundo onde existe criação de carneiros. mas é necessária a presença do hospedeiro intermediário apropriado. Síndromes Clínicas A migração das larvas através do fígado produz irritação do tecido. calafrios e febre. penetrando no parênquima hepático e depois nos ductos biliares. Fig.

A distinção é feita pela análise da bílis. sendo os ovos ingeridos pelo molusco e iniciando-se a reprodução nos tecidos do mesmo. Tratamento. Quando o ser humano ingere estes peixes crus. o que se deve ao consumo de peixe de água doce cru. Opisthorchis sinensis Fisiologia e Estrutura Este parasita é frequentemente chamado de tremátode hepático chinês. o que se sabe pelo facto de F.Microbiologia Nos casos em que o parasita se fixa nos ductos biliares. Coreia e Vietname. caso existam ovos o organismo é F. o que se torna um problema devido a uma real diferença entre as terapêuticas a aplicar em cada uma das infecções. Página 355 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Estes ovos são eliminados nas fezes e podem ser ingeridos pelos moluscos. defumado ou seco. Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes revela ovos opérculados indistinguíveis dos ovos de F. Síndromes Clínicas A infecção nos humanos é ligeira ou assintomática. hiperplasia do epitélio e obstrução biliar. buski. Prevenção e Controlo A terapêutica com Bitionol ou com compostos Benzimidazol mostra-se eficaz. Os mamíferos que se alimentam de peixe cru podem funcionar como reservatórios deste organismo. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico baseia-se na observação de ovos com um opérculo com bases proeminentes e uma pequena protuberância no pólo posterior. e em alguns casos abcessos hepáticos. reiniciando o ciclo. buski. hepatomegalia. No caso de obstrução dos ductos biliares e infecção crónica pode surgir um adenocarcinoma dos mesmos. Japão. O segundo hospedeiro intermediário é um peixe de água doce. Epidemiologia Este parasita é encontrado na China. aqui as cercárias enquistam-se e desenvolvem-se em metacercárias infectantes. colitíase e comprometimento da função hepática. Estima-se que nestes países existam cerca de 19 milhões de pessoas infectadas. sendo as medidas preventivas semelhantes às utilizadas no F. Já no ductos biliares. O seu ciclo difere dos restantes parasitas tremátodes. dor epigástrica. e já no estado adulto. o parasita auto-fertiliza-se e inicia a produção de ovos. Nas infecções graves pode dar-se uma infecção bacteriana secundária. buski ser limitado ao intestino delgado. hepatica. migram para os ductos biliares onde se tornam adultos. os tremátodes desenvolvem-se no duodeno. diarreia. o que origina em muitos casos uma cirrose porta. mas no caso de uma grande parasitémia nos ductos biliares podem surgir sintomas como febre. a irritação mecânica e as secreções tóxicas produzem hepatite. A invasão da vesícula biliar pode originar colecistite.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . anorexia e algumas vezes icterícia.

Tratamento. cavitação em redor dos parasitas. Os parasitas adultos permanecem nos pulmões. bronquite crónica. Os seres humanos ingerem os animais infectados. sendo comum a presença de dor torácica intensa. e desse modo quebrando o ciclo deste parasita.refere-se à dilatação e distorção irreversível dos brônquios em decorrência da destruição dos componentes elástico e muscular de sua parede. evitando a contaminação dos hospedeiros intermediários. À medida que a infecção evolui pode ocorrer destruição tecidual. podendo surgir dispneia. Índia e América Latina. Prevenção e Controlo Deve administrar-se Praziquantel. atravessam o diafragma e penetram nas pleuras. sendo indicado por febre. como tal podem ser necessários exames repetidos ou análise de um aspirado duodenal. A presença de parasitas adultos nos pulmões resulta em tosse. estando a sua prevalência relacionada com o consumo de siris e camarões de água doce não-cozidos.Microbiologia Nas infecções menos graves pode ser difícil detectar ovos nas fezes. As cavitações criadas podem ser secundariamente infectadas por bactérias. Já no abdómen prosseguem o seu percurso. expectoração com sangue e escurecida pelos ovos. bronquiectasia61 e derrame pleural. podendo a infecção ser evitada não ingerindo peixe cru e implementando uma política sanitária adequada. aqui produzem os ovos que podem surgir na expectoração ou nas fezes se forem deglutidos. Nas infecções agudas é comum detectar-se eosinofilia e níveis séricos de fosfatase alcalina elevados. O estádio infeccioso surge num segundo hospedeiro intermediário. Evitar a contaminação de águas com fezes humanas ou de animais. Epidemiologia A Paragonimíase é frequente na Ásia. Diversos animais que se alimentam nas zonas costeiros podem servir como hospedeiros reservatório. calafrios e eosinofilia acentuada. Síndromes Clínicas As manifestações clínicas resultam da migração das larvas através dos tecidos ou da permanência das larvas nos pulmões ou outros locais ectópicos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Bronquiectasia . podendo algumas das infecções humanas resultar do consumo de carne desses animais. Paragoninus westermani Fisiologia e Estrutura O P. as larvas eclodem no estômago e migram através da parede intestinal até à cavidade abdominal. África. O início da doença surge com o início do migrar das larvas. estando presente nos músculos e brânquias dos caranguejos e camarões de água doce. 61 Página 356 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . aumento da expectoração e febre. westermani é também conhecido como tremátode pulmonar.

haematobium. ductos ou outros tecidos. .Schistosoma haematobium. Na presença de um derrame pleural. A infecção inicia-se por cercárias ciliadas com capacidade de nadarem. prostáticos. o diagnóstico é possível através de testes serológicos. Os três esquistossomas mais frequentemente associados à doença humana: . Este mecanismo de fuga ao sistema imunitário é responsável por infecções crónicas que podem durar até 30 anos ou mais. sendo o diagnóstico confirmado pela presença de ovos opérculados castanho-dourado. Ambos os sexos possuem ventosas orais e ventrais e sistema digestivo incompleto. As radiografias de tórax revelam infiltrados. os seus ovos não possuem opérculo e são encontrados nos vasos e não nas cavidades. aí irá ocorrer a fertilização e produção de ovos. haematobium habita nas veias em redor da bexiga e causa esquistossomose vesicular. . existem cerca de 200 milhões de infectados em todo o Mundo. quistos nodulares e derrame pleural. A salga ou o embebimento dos siris e camarões em vinho não elimina as metacercárias infecciosas.Schistosoma japonicum. ou também denominada Bilharzíase ou Febre do Caracol. Estes parasitas revestem-se com substâncias que o hospedeiro reconhece como próprias.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial Pode ser realizado o exame de expectoração e das fezes. É comum a presença de uma acentuada eosinofilia. Todas estas espécies produzem uma doença denominada Esquistossomose. retais e uterinos para S. mas o Bitionol pode ser utilizado como alternativa e de modo eficaz. S. não sendo ingeridas juntamente com os alimentos como nos outros casos. esta deve ser analisado para verificar a presença de ovos. A fêmea possui um longo corpo cilíndrico e delgado. mansoni e S.Schistosoma mansoni. japonicum são encontrados nas veias mesentéricas e produzem esquistossomose intestinal. bem como de carne de animais encontrados em áreas endémicas. Página 357 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . japonicum ou nos plexos e veias vesicais. As condições sanitárias apropriadas e o controlo da eliminação das fezes humanas são medidas importantes para o controlo e prevenção da infecção. mansoni e S. os machos e fêmeas adultos unem-se aos pares e migram para os seus locais finais. Neste género existem machos e fêmeas. estas penetram na pele e desenvolvem-se na circulação porta intra-hepática para S. Esquistossomas As Esquistossomoses são uma importante infecção parasitária das regiões tropicais. por outro lado S. sendo o macho achatado. As formas infectantes consistem em cercárias que penetram na pele. Deve evitar-se o consumo de siris e camarões crus. Ao desenvolverem-se na veia porta. Prevenção e Controlo O Praziquantel é o fármaco de escolha. e como tal observa-se pouca resposta do hospedeiro contra a presença nos vasos sanguíneos. Tratamento.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Nos casos de infecção extra-pulmonar.

Ciclo de Vida do género Schistosoma A fase mais crónica e significativa da esquistossomose é devido à presença de ovos em vários tecidos. Os primeiros sinais e sintomas devem-se à penetração das cercárias através da pele. Estes irão invadir os caracois onde se podem desenvolver cercárias infecciosas.Microbiologia O parasita adulto desenvolve uma reduzida resposta inflamatória. artralgias. tosse.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . mas por outro lado os ovos são altamente reactivos e conduzem a reacções inflamatórias com presença de células mononucleares e polimorfonucleares. Página 358 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . urticária. 117 . calafrios. Fig. As larvas no interior dos ovos produzem enzimas que ajudam na destruição do tecido e permitem a passagem dos ovos através da mucosa para o lúmen do intestino e da bexiga. O início da libertação de ovos origina um conjunto de sintomas denominadas Síndrome de Katayama. podendo surgir como resultado da hipersensibilidade um exantema cutâneo papular intensamente pruriginoso. linfoadenopatia. onde são eliminados por meio das fezes ou urina. o que pode originar granulomas e fibrose. podendo formar-se abcessos. Os ovos eclodem rapidamente ao alcançarem a água doce. esplenomegalia e dor abdominal. libertando miracídios móveis. sendo caracterizado por febre.

Venezuela e Porto Rico. Os ovos são transportados através da veia porta até ao fígado onde podem causar inflamação e consequente fibrose peri-porta. como é o caso do Brasil. As dermatites por esquistossomas e a Síndrome de Katayama podem ser tratadas com anti-histamínicos e corticoesteróides. Suriname. como é o caso de serem ovais e possuírem uma espícula lateral proeminente. dourados e com um espícula lateral pontiaguda. mansoni podem produzir alterações hepáticas e intestinais.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . levando em situações extremas a uma hipertensão portal. No caso de infecções ligeiras pode ser necessário a utilização de técnicas de concentração das fezes. A terapêutica anti-helmites pode evitar a oviposição. Os reservatórios naturais são na maior parte das vezes primatas. Prevenção e Controlo O fármaco de eleição é o Praziquantel. Encontra-se em desenvolvimento testes específicos de antigénios consoante a fase em que se encontra o parasita. prurido e edema. Tratamento. com reacções alérgicas. respectivamente. mas sabe-se que é o esquistossoma com uma maior distribuição. para que desta forma seja possível distinguir a forma activa e inactiva. As infecções por S. mas a Oxamniquina pode ser utilizada com sucesso. ascite e granulomas brancos no parênquima hepático. Existem novos focos endémicos. Página 359 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A quantificação do número de ovos nas fezes é indicadora da gravidade e da evolução do tratamento da infecção. Estes ovos são grandes. manifestando-se como dor abdominal associada à presença de sangue nas fezes. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é feito com base na observação de ovos característicos nas fezes do doente. marsupiais e roedores.Microbiologia Schistosoma mansoni Fisiologia e Estrutura Este parasita aloja-se nos pequenos ramos da veia mesentérica inferior. mas não tem capacidade de reverter as lesões já causadas pelos ovos depositados nos tecidos. Síndromes Clínicas A penetração das cercárias na pele pode manifestar-se como um dermatite. Ásia Saudita e Madagáscar. No caso do intestino estas resultam da inflamação e espessamento da parede intestinal causada pela deposição dos ovos. A infecção crónica por este parasita leva a hepato-esplenomegalia. sendo endémico na África. No caso do parasita atingir os pulmões ou o fígado irá surgir tosse ou hepatite. na região que irriga o cólon sigmoideu. Os ovos desta espécie possuem algumas características únicas. Epidemiologia A sua distribuição geográfica depende da disponibilidade do hospedeiro apropriado.

Microbiologia A melhoria das condições sanitárias e o controlo dos depósitos fecais humanos são decisivos para o controlo e prevenção da doença. Os ovos deste são menores do que os anteriores. Schistosoma japonicum Fisiologia e Estrutura Este parasita tem predilecção pelas ramificações da veia mesentérica superior. do que resulta a formação de granulomas. são quase esféricos e possuem uma pequena espícula. a melhoria das condições sanitárias e o controlo dos depósitos fecais são as medidas de maior relevância para o controlo da infecção. Página 360 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . varizes esofágicas com hemorragia e ascite. É frequente que este parasita afecte estruturas cerebrais. prostático e uterino. e pelos vasos mesentéricos superiores. Síndromes Clínicas Os estádios iniciais são idênticos aos verificados na infecção por S. mas são produzidos em maiores quantidades. Epidemiologia Este tremátode sanguíneo oriental é encontrado apenas na China. a estas acções junta-se o tratamento em massa dos indivíduos infectados e a possível vacina contra a infecção. sendo que muitos deles são animais domésticos. sendo que a Síndrome de Katayama é mais frequentemente observada com este parasita do que com o anterior. Existe ainda a possibilidade de ocorrer a migração para o sistema porta. sendo a prevenção e o controlo semelhantes à do parasita anterior. O grande problema epidemiológico surge devido a uma enorme variedade de hospedeiros reservatórios. Schistosoma haematobium Fisiologia e Estrutura Estes parasitas desenvolvem-se no fígado. em torno do intestino delgado. No caso de infecção crónica é comum surgir doença hepato-esplénica. Tratamento. Existem testes serológicos disponíveis. podendo ainda ser realizada uma biópsia retal. Prevenção e Controlo Mais uma vez o fármaco de escolha é o Praziquantel.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . É importante salientar que a educação para a purificação adequada da água. hipertensão portal. Filipinas e Indonésia. e muito raramente para outras vénulas. mas migram depois para os plexos vesical. mansoni. Japão. Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes mostra pequenos ovos dourados com minúsculas espículas.

o Praziquantel é o fármaco de eleição. disúria e poliquiúria. Epidemiologia Este parasita é comum em todo o Vale do Nilo e em algumas regiões de África. haematobium podem surgir nas fezes. Prevenção e Controlo Tal como nos outros casos. Apesar de terem capacidade de penetrar. Os seus hospedeiros naturais consistem em aves e animais que se alimentam na costa em lagos de água doce e algumas praias. Pode ser encontrado com menor frequência na Ásia Menor. Síndromes Clínicas Mais uma vez os estádios iniciais são idênticos aos anteriores.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . O intenso prurido e a urticária resultantes da penetração das cercárias podem conduzir a uma infecção bacteriana secundária devido à acção do indivíduo. sendo estes depositados na parede da bexiga e algumas vezes nos tecidos prostáticos e uterino.Microbiologia Este organismo exibe grandes ovos com uma espícula terminal pontiaguda. Muitos dos doentes com infecções crónicas apresentam carcinoma das células epiteliais da bexiga. Em alguns casos torna-se útil a biópsia da bexiga para confirmação do diagnóstico. Diagnóstico Laboratorial O exame das amostras de urina revela grandes quantidades de ovos grandes com uma espícula terminal. Os hospedeiros reservatórios são na sua maioria macacos. é possível detectar a sua presença na urina. o que conduz a uma grave dermatite. Os projectos de irrigação. estes microrganismos não possuem capacidades para se desenvolverem em parasitas adultos. O tratamento é baseado na administração oral de Trimeprazina e aplicação tópica de agentes paliativos. Tem em conta que os ovos depositados na parede da bexiga podem libertar-se. Existem testes serológicos disponíveis. Dermatite por Cercária Existem diversos esquistossomas não-humanos que possuem cercárias que penetram na pele do homem. babuínos e chimpanzés. Sul de Portugal e Índia. Página 361 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A deposição dos ovos nas paredes da bexiga pode conduzir a uma fibrose da mesma e consequente perda da capacidade vesical e desenvolvimento de uropatia obstrutiva. mas aos quais devemos acrescentar a hematúria. Tratamento. Chipre. o que se deve à presença de parasitas que migraram para os vasos mesentéricos e não para o plexo vesical. Os ovos de S. a migração das populações humanas e a existências de numerosos hospedeiros reservatórios tornam a prevenção e o controlo extremamente difíceis.

Microbiologia O controlo é difícil devido à migração das aves e à transferência de hospedeiros aquáticos de uns locais para outros. Página 362 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . A melhor protecção é adquirida pela correcta secagem da pele quando as pessoas saem de água contaminadas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II .

Na maior parte das vezes a presença de larvas num tecido extra-intestinal revela-se mais grave do que a presença de um parasita adulto no intestino. e em alguns casos o próprio ser humano é um hospedeiro intermediário e abriga os estádios larvares. O parasita inicia a produção de proglotes até o desenvolvimento de um estróbilo de proglote. o alimento é absorvido a partir do intestino do hospedeiro através da parede corporal do parasita. denominada oncosfera. Já nos suínos os ovos transformam-se numa forma larvar de seis ganchos. no caso de um deste proglotes ser eliminado pelas fezes. Na maior parte das vezes a presença destes parasitas só é perceptível pela detecção de proglotes ou um estróbilo de proglotes nas fezes. Já nos tecidos transforma-se em cisticerco. é constituída por quatro ventosas musculares e por uma coroa de ganchos. Página 363 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . China. envolvendo na maioria dos casos hospedeiros intermediários. estes podem contaminar a água e vegetação ingerida pelos suínos. indigestão crónica e diarreia. México. A infecção prevalece em África. Todas as ténias são hermafroditas. cujo comprimento pode atingir vários metros. ficando desta forma o ciclo completo. As ténias não têm sistema digestivo. semelhantes aos ovos dos tremátodes. e a cadeia de proglotes designa-se estróbilo.Microbiologia Céstodes Os corpos dos céstodes ou ténias são achatados e semelhantes a uma fita. a fixação do escólex com as suas quatro ventosas musculares e coroa de ganchos inicia a infecção no intestino. Epidemiologia A infecção por T. ou escólex. América Latina e Países Eslavos.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Os segmentos individuais das ténias são denominados proglotes. solium está directamente relacionada com o consumo de carne de porco inadequadamente cozida. esta penetra na parede intestinal e migra na circulação para atingir os tecidos. a maioria dos ovos não são opérculados e contêm um embrião hexacanto de seis ganchos. Sudeste Asiático. Os proglotes sexualmente maduros contêm ovos. latum que possui ovos opérculados não-embrionados. As ténias que encontramos no nosso intestino possuem ciclos de vida complexos. Índia. mas é possível que cause irritação no local onde se fixa. Síndromes Clínicas São raros os casos em que o parasita adulto no intestino causa sintomas. possuindo na sua cabeça estruturas de fixação. Taenia solium Fisiologia e Estrutura Quando ingerimos carne de porco contendo uma larva denominada cisticerco. A excepção é o D. Esta cabeça. o que pode manifestar-se como desconforto abdominal.

a infecção pode ser assintomática. e aqui os ovos eclodirem e libertarem as oncosferas infectantes. podendo estar activa por até 5 anos. cérebro. Os ovos são esféricos e possuem uma casca espessa e radicalmente estriada. lesão de pares de nervos cranianos. dor muscular e eosinofilia. mas pode surgir doença grave no caso de cisticercos se alojarem em locais como os olhos ou o cérebro. Esta infecção inicia-se pela ingestão de água ou vegetação contaminadas pelos ovos da ténia. Epidemiologia Esta doença é encontrada nas áreas onde prevalece a T. reflexos hiperactivos e defeitos visuais. meningite. o que estimula a reacção inflamatória e a exacerbação dos sintomas. Página 364 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . solium e T. a Paromonicina ou a Quinacrina também podem ser utilizados com sucesso.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial O exame de fezes pode revelar proglotes e ovos. As condições sanitárias para impedir a contaminação da água e vegetação revelam-se fundamentais. A prevenção das infecções pela ténia do porco exige que a carne seja bem cozida ou que seja congelada a – 20ºC durante pelo menos 12 horas. Existe ainda uma forma de auto-infecção que não inclui a via fecal-oral.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . solium. o tratamento adequado pode conduzir à eliminação do parasita completo. saginata. o que se torna muito importante na distinção de T. Já nos tecidos pode permanecer em desenvolvimento por 3 a 4 meses. Prevenção e Controlo Deve iniciar-se a terapêutica com Niclosamida. Depois de ingeridos os ovos eclodem no estômago e libertam o embrião hexacanto ou oncosfera. pulmões e olhos. Cisticercose Fisiologia e Estrutura do Organismo Causador A Cisticercose envolve a infecção de indivíduos pelo estádio larvar da T. resultando em febre. este contem um embrião hexacanto de seis ganchos. tecido conjuntivo. No cérebro podem levar a hidrocefalia. A destruição das larvas acarreta uma grande libertação de antigénios. mas também é possível que ocorra autoinfecção em indivíduos infectados. que na maior parte das vezes infecta porcos e não humanos. esta por sua vez penetra na parede intestinal e migra na circulação para os tecidos. Tratamento. o proglote contendo os ovos pode regredir para o estômago. A análise pormenorizada dos proglotes revela a sua estrutura interna. solium e está directamente relacionada com a contaminação fecal humana. sendo mais frequente no músculo. Síndromes Clínicas Caso os cisticercos não atinjam locais vitais. mas fármacos como o Praziquantel. convulsões. Nos olhos a infecção conduz a perda da acuidade visual e no caso de as larvas se alojarem ao longo do nervo óptico ocorrem defeitos do campo visual.

Nos quistos cerebrais ou oculares pode ser necessária a sua remoção cirúrgica. é idêntico ao da anterior. Fig. as larvas desenvolvem-se em parasitas no intestino delgada e iniciam a produção de ovos nos proglotes maduros. Prevenção e Controlo A terapêutica mais adequada é realizada com a administração de Praziquantel. saginata. no entanto existe a probabilidade de falsospositivos em pessoas com outras infecções por parasitas. Página 365 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . Tratamento. remoção cirúrgica de nódulos subcutâneos e visualização de quistos no olho. Os testes serológicos podem ser úteis. 118 .Ciclo de Vida do género Taenia Taenia saginata Fisiologia e Estrutura O ciclo de vida da T.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . As lesões no SNC podem ser detectadas por TAC. Cintilografia ou Ultrasonografia. ou também conhecida como ténia do boi.Microbiologia Diagnóstico Laboratorial A presença de cisticercos é detectada pela presença de cisticercos calcificados em radiografias. resultando da ingestão da carne de vaca inadequadamente cozinhada. mas devem ser simultaneamente administrados esteróides para diminuir a reacção inflamatória resultante da morte das larvas. Após excistamento.

Página 366 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . conseguindo atingir até 10 metros. outra das diferenças baseia na ausência da coroa de ganchos no escólex e por possuir uma estrutura uterina ramificada diferente nos proglotes. saginata é idêntica à infecção intestinal por T. Diagnóstico Laboratorial É semelhante ao da T.Microbiologia O parasita adulto pode parasitar o jejuno e o intestino delgado de seres humanos até 25 anos. no entanto o tratamento é o mesmo para ambas. indigestão crónica e gastralgia. A maioria dos doentes são assintomáticos. saginata. um crustáceo e peixes de água doce. Diphylobothrium latum Fisiologia e Estrutura O D. sendo necessário o isolamento dos proglotes e ovos. Epidemiologia Este parasita encontra-se distribuído por todo o Mundo. ou seja. A larva é semelhante a uma fita e quando está presente no peixe é chamada de espargano. Os seres humanos e o gado bovino perpetuam o ciclo. Os proglotes são largos e possuem uma estrutura uterina central em forma de roseta. carne mal assada ou insuficientemente cozida. latum é denominado como ténia do peixe. sendo uma das infecções mais comuns dos EUA.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Neste caso a cisticercose não surge em seres humanos. O estudo das ramificações uterinas permite a distinção entre T. Prevenção e Controlo A Niclosamida em dose única mostra-se altamente eficaz para a eliminação do parasita adulto. É importante que a população seja educada no sentido de cozer adequadamente a carne de vaca e controle adequadamente a eliminação das fezes humanas. é uma das maiores ténias e possui um ciclo de vida complexo que inclui dois hospedeiros intermediários. caso o peixe esteja cru ou mal cozinhado. mas podem apresentar dor abdominal. É a ingestão deste espargano que inicia a infecção. solium. Os proglotes podem ser eliminados directamente pelo ânus. solium. Tratamento. Síndromes Clínicas A síndrome que resulta da infecção por T. podendo ser possível que se observe o parasita na sua totalidade. Estes dados revelam-se bastante importantes para a possível distinção entre as espécies no diagnóstico. solium e T. A infecção resulta da ingestão de carne contendo cisticercos que não foi devidamente cozinha. produzindo ovos opérculados e com uma protuberância no fundo do ovo. O escólex deste parasita possui uma forma em lança e longos sulcos laterais que servem como órgão de fixação. as fezes humanas contaminam a água e vegetação que serve de alimentação ao gado.

uma vez que estes parasitas produzem grandes quantidades de ovos. com uma saliência no fundo da casca. Os reservatórios animais selvagens. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é a Niclosamida. como é o caso dos ursos. Caso este peixe seja ingerido por outro. vómitos e perda de peso. martas. Página 367 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . sendo mais prevalente nas regiões de lagos frios.Microbiologia Ao atingirem a água doce os ovos necessitam de 2 a 4 semanas para desenvolverem uma forma larvar ciliada com capacidade de nadar. Em até 40% dos hospedeiros deste parasita os níveis séricos de Vitamina B12 podem apresentar-se baixas. Tal como já foi verificado é possível que em algumas espécies o ser humano actue como o hospedeiro final para o estádio larvar ou espargano. onde as larvas plerocercóides ou esparganos infectantes se desenvolvem. Já nos crustáceos o coracídio desenvolve-se numa forma larvar procercóide. sendo estes crustáceos ingeridos por peixes. Este organismo abandona o ovo pelo opérculo e é ingerido por minúsculos crustáceos denominados copépodes. O despejo de esgotos sem tratamento em lagos de água doce contribui em muito para a propagação desta ténia. Na maior parte das vezes este tipo de infecção manifesta-se por reacções teciduais inflamatórias dolorosas e nódulos. morsas e membros da família canina e felina. Os seres humanos são infectados quando ingerem peixe cru ou mal cozinhado que contem formas larvares. Síndromes Clínicas A maior parte das infecções com ténias adultas são assintomáticas. o espargano apenas migra para a musculatura do novo hospedeiro. latum é comum em todo o Mundo. Pode ser necessária a suplementação com Vitamina B12. O tratamento baseia-se na remoção cirúrgica.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . Tratamento. o que possivelmente resulta da competição entre o parasita e o hospedeiro por esta vitamina na dieta. Desta forma é possível que a ingestão de crustáceos contaminados permite que as larvas penetrem na parede intestinal e migrem para diversos tecidos do organismo. náuseas. Epidemiologia A infecção por D. o que se deve a um maior consumo de peixe cru ou em conversa. também constituem uma possível fonte de infecção humana. mas o Praziquantel e a Paromomicina também podem ser utilizados com sucesso. mas os doentes podem queixar-se de dor epigástrica. cólicas abdominais. denominada coracídio. Não é frequente serem necessárias técnicas de concentração. Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes revela ovos opérculados de cor de bílis. É ainda possível que se observem proglotes típicos nas fezes com estrutura uterina em roseta.

com quatro discos de sucção e ma dupla fileira de ganchos. Fig. e ocasionalmente o SNC e o osso. um maduro e um grávido. bem como um estróbilo que contém três proglotes: um imaturo. particularmente o seu despejo nos lagos e por fim. com um tratamento adequado das infecções. estes ovos aos serem ingeridos por humanos eclodem e originam larvas com seis ganchos. 119 . As ténias adultas produzem ovos que são libertados nas fezes dos cães. As ténias adultas não se desenvolvem no intestino de humanos ou de herbívoros. granulosus é outro exemplo de infecção humana acidental.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . que não são mais do que precursores da cabeça da ténia. estando esta num espaço circundado por uma membrana germinativa laminada. O parasita é constituído por um escólex idêntico ao da Taenia. em que os seres humanos servem de hospedeiros intermediários finais num ciclo de vida que ocorre normalmente noutros animais. controlando-se a eliminação das fezes humanas. Estas oncosferas penetram na parede intestinal e são transportadas pela circulação para locais como o fígado e os pulmões. denominadas oncosferas. Nos seres humanos.Microbiologia A prevalência da infecção pode ser reduzida evitando-se a ingestão de peixe insuficientemente cozido. As ténias adultas são encontradas no intestino de caninos e o estádio de quisto em vísceras de herbívoros. Os quistos filhos podem desenvolver-se no quisto mãe original e produzir cápsulas reprodutoras e protoescólices. Este é o mesmo ciclo que ocorre nas vísceras dos herbívoros. Echinococcus granulosus Fisiologia e Estrutura A infecção por E.Ciclo de Vida do Echinococcus granulosus Página 368 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . que é uma estrutura de crescimento lento. as larvas formam um quisto hidático unilocular.

Existem em Portugal. também denominada ténia anã. a infecção pelo quisto unilocular está directamente relacionada com a criação de carneiros. o aparecimento dos sintomas pode demorar entre 5 a 20 anos. É injectada Formalina para matar e destoxificar o líquido presente. Os testes serológicos podem ser úteis. de fezes de cães contendo ovos infectantes. A pressão exercida pelo crescimento do quisto. Página 369 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . mas pode ser inicialmente aspirado para remover o líquido e a areia hidática. o que origina febre. Hymenolepis nana Fisiologia e Estrutura Este parasita. Prevenção e Controlo A ressecção cirúrgica do quisto constitui o tratamento de escolha. Austrália e Nova Zelândia. por isso é importante o conhecido do ciclo de vida deste organimos. Ásia.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . sendo negativos em 10 a 40% das infecções. Tratamento. áreas endémicas para este parasita. O factor mais importante na prevenção e no controlo á o reconhecer da transmissão e o do papel dos caninos no ciclo de vida do parasita. Mebendazol ou Praziquantel. constitui o primeiro sintoma evidente. urticária e em alguns casos um choque anafilático e morte. A ruptura do quisto pode ainda levar a uma disseminação dos protoescólices para outros tecidos. Caso não seja possível a intervenção cirúrgica é aconselhado o uso de altas doses de Albendazol. África. As infecções humanas ocorrem após a ingestão de água ou vegetação contaminada. A aspiração do conteúdo do quisto pode demonstrar a presença de protoescólices. mas apresentam ma baixa sensibilidade. esta é fechada no final do procedimento. sendo este líquido potencialmente tóxico. Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico é difícil e depende das evidências clínicas. radiográficas e serológicas. possui apenas 2 a 4 cm e tem um ciclo de vida muito simples e desprovido de hospedeiros intermediários. geralmente ao nível do fígado ou do pulmão. finalmente é enrolado numa bolsa marsupial. nomeadamente no Alentejo. se houver extravasamento pode dar-se um choque anafilático e consequentemente morte. América do Sul. Em 20% dos casos o quisto pode romper. Os quistos podem morrer e sofrer calcificação durante longos períodos de tempo. Epidemiologia Em diversos países da Europa. Todas as técnicas imagiológicas podem fornecer a primeira evidência da presença de um quisto. podendo ainda ser transmitida da mão para a boca. Síndromes Clínicas Devido ao crescimento lento dos quistos.Microbiologia Os quistos e os quistos filhos acumulam líquido á medida que crescem. mas a sua realização está contra-indicada devido ao risco de anafilaxia e disseminação da infecção.

Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . podendo estas ser transportadas para a boca da criança através do contacto próximo com os animais domésticos. O tratamento das infecções. nana com o seu embrião de seis ganchos e filamentos polares. estes são eliminados nas fezes e são imediatamente e directamente infectantes.Microbiologia A infecção inicia-se quando os ovos embrionados são ingeridos e desenvolvem-se nas vilosidades intestinais num estado cisticercóide larvar. Página 370 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano . surgem em bolsas recobertas por uma membrana clara e resistente. caninum é uma pequena ténia de 15 cm que parasita primariamente cães e gatos. podendo existir até 25 ovos numa bolsa e sendo muito raro a existência de um único ovo por bolsa. dor abdominal. A deglutição das pulgas origina a infecção intestinal. mas a Niclosamida também pode ser utilizada. sendo a infecção por ténia mais comum na América do Norte. Epidemiologia Encontra-se em todo o Mundo. mas pode acidentalmente infectar o homem. O ciclo de vida envolve o desenvolvimento de larvas nas pulgas do cão e do gato. podem surgir sintomas como a diarreia. Tratamento. O parasita adulto produz um estróbilo de proglotes repletos de ovos. a melhoria das condições sanitárias e a higiene pessoal adequada podem ser essenciais no controlo da transmissão de H. Esta larva possui quatro ventosas musculares e uma coroa de ganchos que lhe permitem fixar-se à parede do intestino. As crianças apresentam um risco particular de infecção. Prevenção e Controlo O fármaco de escolha é o Praziquantel. o que se deve ao ciclo de vida simples do parasita e à sua facilidade de transmissão em creches e infantários. Síndromes Clínicas Se o número de parasitas presentes no intestino for reduzido a infecção é assintomática. anorexia e outras queixas vagas. Os ovos são distintos. Diagnóstico Laboratorial O exame das fezes revela os ovos característicos de H. o que conduz a uma aumento da carga de parasitas. A sua distribuição e transmissão estão dependentes da presença de cães e gatos infectados por pulgas. nana. cefaleias. Este parasita tem a capacidade de causar auto-infecção. Dipylidium caninum Fisiologia e Estrutura O D. mas caso o número aumente. Epidemiologia Encontra-se distribuído por todo o Mundo. particularmente em crianças. principalmente devido à auto-infecção.

Este prurido anal resulta da migração activa do proglote móvel. podendo ser utilizado como alternativa o Praziquantel e a Paromomicina. Tratamento. Os cães e gatos devem ser desparasitados e é de evitar o contacto próximo entre animais e crianças. Prevenção e Controlo Deve ser administrada Niclosamida. podendo ainda os proglotes ser observados nas fezes trazidas ao médico pelo doente. prurido anal e diarreia. mas com parasitémias maiores surge desconforto abdominal. Diagnóstico O exame das fezes revela bolsas incolores contendo ovos.Microbiologia Síndromes Clínicas As infecções ligeiras são assintomáticas.Faculdade de Medicina de Lisboa Tronco Comum II . No caso dos animais domésticos. estes devem ser tratados de modo a que se eliminem as pulgas. Página 371 de 371 Mestrado Integrado em Medicina – 2º Ano .