Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon* Abigail Alvarenga Mahoney Laurinda Ramalho de Almeida

Introdução
O objetivo primeiro deste texto é expor conceitos fundamentais da teoria walloniana para a compreensão da dimensão afetiva e de sua relevância no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Outro objetivo é suscitar reflexões sobre a prática daqueles que forem afetados pelo texto. Os conceitos priorizados, decorrentes da teoria de desenvolvimento de Henri Wallon, serão: • processo de integração em dois sentidos: – integração organismo-meio – integração dos conjuntos funcionais • concepção de afetividade: – emoções – sentimentos – paixão • evolução da afetividade: – o papel da afetividade nos diferentes estágios Por que a seleção dessas questões? • porque podem indicar possíveis direções, que consideramos essenciais para levar em conta quando se pretende um ensino-aprendizagem mais produtivo e mais satisfatório, tanto para o professor como para o aluno.

* Apresentado como minicurso na 27ª Reunião Anual da Anped, no GT Psicologia da Educação, em 2004.

Psic. da Ed., São Paulo, 20, 1º sem. de 2005, pp. 11-30

O processo ensino-aprendizagem só pode ser analisado como uma unidade, pois ensino e aprendizagem são faces de uma mesma moeda; nessa unidade, a relação interpessoal professor-aluno é um fator determinante. Esses atores são concretos, históricos, trazendo a bagagem que o meio lhes ofereceu até então; estão em desenvolvimento, processo que é aberto e permanente. O processo ensino-aprendizagem é o recurso fundamental do professor: sua compreensão, e o papel da afetividade nesse processo, é um elemento importante para aumentar a sua eficácia, bem como para a elaboração de programas de formação de professores. No pólo ensino temos um professor que, para atingir seus objetivos, deve ter clareza de alguns pontos: • que confiar na capacidade do aluno é fundamental para que o mesmo aprenda; • que, ao ensinar, está promovendo o desenvolvimento do aluno e o seu próprio; • que, ao desempenhar todas as suas tarefas no cotidiano escolar, revela diferentes saberes (conhecimento específico de sua área e de como comunicá-la aos alunos, habilidades de relacionamento interpessoal, conteúdos da cultura) que são, no dizer de Tardif (2000, 2002), temporais, plurais e heterogêneos; esses saberes são construídos no tempo, na socialização familiar, escolar, profissional, numa integração cognitivaafetiva (conhecimentos, concepções, crenças, valores); • que as emoções e os sentimentos podem variar de intensidade, em função dos contextos, mas estão presentes em todos os momentos da vida, interferindo de alguma maneira em nossas atividades. No pólo aprendizagem temos um aluno que: • busca a escola com motivações diferentes; • tem características próprias, conforme o seu momento de desenvolvimento; • tem saberes elaborados nas suas condições de existência; • funciona de forma integrada: dimensões afetiva-cognitiva-motora imbricadas. O grande desafio do professor, que teve uma formação na qual sua integração não foi levada em conta, é enxergar seu aluno em sua totalidade e concretude.
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Psicologia e Pedagogia constituem momentos complementares de uma mesma atitude experimental. o que levou Snyders Psic. criada por Pièron em 1937. Codo (2000. professor e aluno são afetados um pelo outro. afirma Wallon: “Entre a Psicologia e a Educação as relações não são de uma ciência normativa e de uma ciência ou arte aplicada”. • Embora não sendo um pedagogo. coloca a questão do desenvolvimento no contexto no qual está inserido. e a escola como um dos meios fundamentais para o desenvolvimento do aluno e do professor. apatia. • nesse meio. pode gerar dificuldades de aprendizagem. desgasta-se. ambos. 1º sem. 241) apresenta o burnout – estresse laboral – como mal que afeta. profissionais da área da educação e da saúde: podemos resumir a situação da seguinte maneira: o trabalhador se envolve afetivamente com seus clientes. na cadeira Psicologia e Educação da Criança. O que as pesquisas têm demonstrado é que o burnout ocorre em trabalhadores altamente motivados. prejudicando sua atividade. Dá subsídios para compreender o aluno e o professor. 11-30 13 . não agüenta mais. e isso afeta diretamente o processo ensino-aprendizagem: – no aluno. descompromisso. São Paulo. cognitivas e motoras prejudica a ambos.. A escolha de Henri Wallon para iluminar a questão da afetividade no processo ensino-aprendizagem decorre de várias razões.. • Ao focalizar o meio como um dos conceitos fundamentais da teoria. ao dar oportunidades de participação em diferentes grupos.Ambos. entra em burnout (. da Ed. Ou seja. e. participam de vários meios. pelo contexto onde estão inseridos. entre eles a escola: • a escola é um meio fundamental para o desenvolvimento do professor e do aluno. 20. Na aula inaugural no Collège de France. e a interação entre eles. – no professor. p. • Estabelece uma relação fecunda entre Psicologia e Educação. gera insatisfação. pp. professor e aluno. • a não satisfação das necessidades afetivas. podendo chegar ao burnout.). com maior freqüência. toda sua obra está impregnada de elementos que permitem elaborar uma proposta de educação.. de 2005. • Sua teoria psicogenética dá uma importante contribuição para a compreensão do processo de desenvolvimento e também contribuições para o processo ensino-aprendizagem.

Inicialmente. o trabalho manual e a inteligência prática não podem ser subestimados. ou seja. As ações propostas repousam sobre quatro princípios: – Justiça – Qualquer criança. é indispensável que a especialização não seja um obstáculo para a compreensão dos problemas mais amplos. após sua morte. (. – Cultura geral – Não pode haver especialização profissional sem cultura geral.. a cultura geral aproxima os homens. Em um estado democrático. 1979. de uma Comissão de vinte membros. – Dignidade igual de todas as ocupações – Todas as ocupações. as idades e as diferentes disciplinas. com a incumbência de reformar o sistema de ensino francês após a Segunda Guerra (durante a qual Wallon trabalhara na Resistência Francesa). A diretriz norteadora do Projeto foi construir uma educação mais justa para uma sociedade mais justa..a afirmar. em 1979: Se chamamos pedagogia o que encontramos em Comenius. – Orientação – O desenvolvimento das aptidões individuais exige primeiro orientação escolar. uma teoria geral unida aos meios precisos e minuciosos para praticá-la. 14 Psic. o físico Paul Langevin foi designado presidente da Comissão. independentemente de suas origens familiares. da Ed. que nos garante sua existência e que nos explica em que circunstâncias e a que preço. tem igual direito ao desenvolvimento completo: a única limitação que pode ter é a de suas próprias aptidões. de 2005. colaborando no Projeto Langevin-Wallon: o Projeto foi o resultado do trabalho. (Snyders. pp. no qual todo trabalhador deve ser um cidadão. 99-100) • Colocou suas idéias de psicólogo e de educador a serviço da reformulação do ensino francês. 1º sem. sociais. 11-30 . por três anos (1945 a 1947). e. pp. isto é. qualquer jovem. 20.) o que aprecio nele é o que gostaria de evocar hoje: Wallon me parece o homem que mostra que uma pedagogia progressista pode existir.. depois orientação profissional. A educação não deverá fomentar o predomínio da atividade manual ou intelectual em função de razões de origem de classes ou étnicas. nomeados pelo Ministério da Educação Nacional. São Paulo. só uma sólida cultura geral libera o homem dos estreitos limites da técnica. enquanto a cultura específica os afasta. étnicas. ao homenageá-lo por ocasião do centenário de seu nascimento. todas as profissões se revestem de igual dignidade. segundo as circunstâncias. realizado em Paris. a presidência ficou a cargo de Wallon. em Rousseau ou em Makarenko. não estou seguro de que o que encontramos em Wallon seja pedagogia. no 2º Congresso Internacional de Psicologia da Criança.

ao lado dos conhecimentos teóricos. • Nesse sentido.A teoria de desenvolvimento de Henri Wallon Algumas considerações iniciais: • É difícil abranger. com uma só teoria. conforme os modelos que a cultura do seu tempo disponibiliza. propiciando ao professor pontos de referência para orientar e testar atividades adequadas aos alunos concretos que tem em sua sala de aula. São Paulo. proporcionando a aprendizagem de novos comportamentos. Na medida em que a teoria de desenvolvimento descreve características de cada estágio. ela ilumina alguns aspectos desses fenômenos. uma teoria de desenvolvimento assume três funções paralelas e complementares: dá previsibilidade à rotina. assumem relevância a sensibilidade. a curiosidade. oferece subsídios para o questionamento e o enriquecimento da prática e da própria teoria. a atenção. possibilita alternativas de ação com maior autonomia e segurança. outros ficam obscurecidos. da Ed. e as atividades de ensino. no movimento que vai do bebê ao adulto de sua espécie. está também oferecendo elementos para uma reflexão para tornar o processo ensino-aprendizagem mais produtivo. • A teoria de desenvolvimento de Henri Wallon é um instrumento que pode ampliar a compreensão do professor sobre as possibilidades do aluno no processo ensino-aprendizagem e fornecer elementos para uma reflexão de como o ensino pode criar intencionalmente condições para favorecer esse processo. A identificação das características de cada estágio pelo professor permitirá planejar atividades que promovam um entrosamento mais produtivo entre essas características. toda a complexidade dos fenômenos estudados. por um lado. de 2005. princípios e direções expressos na teoria de desenvolvimento de Henri Wallon são instrumentos que nos auxiliam na compreensão do processo de constituição da pessoa. • Daí a importância de o professor encarar a teoria como um conjunto sistematizado de proposições hipotéticas a serem constantemente testadas. Assim. novas idéias. pp.. se. o questionamento e a habilidade de observação do professor sobre o que se passa no processo ensino-aprendizagem. verificadas no confronto com os resultados do processo ensino-aprendizagem do aluno. • Os conceitos. conforme se apresentem em seus alunos concretos. novos valores. na situação concreta de sala de aula. 20. 1º sem. 11-30 15 . Psic.

que para cada um é a do meio!. no desenvolvimento que conduz a esse objetivo. Estão inscritas. O objetivo assim perseguido não é mais do que a realização daquilo que o genótipo. que podem modificar as manifestações das determinações genotípicas. e uma grande variedade de fatores ambientais. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. ou gérmen do indivíduo. As incitações do meio são sem dúvida indispensáveis para que elas se manifestem e quanto mais se eleva o nível da função. na criança... 20. São Paulo. Afirma Wallon: Estas revoluções de idade para idade não são improvisadas por cada indivíduo. A história de um ser é dominada pelo seu genótipo e constituída pelo seu fenótipo. (Wallon. o fenótipo. mais ela sofre as determinações dele: quantas e quantas atividades técnicas ou intelectuais são à imagem da linguagem. pp. Wallon coloca a questão do desenvolvimento no contexto no qual o indivíduo está inserido – a realização do potencial herdado geneticamente por um indivíduo vai depender das condições do meio.Na teoria psicogenética de Wallon. p. 11-30 . São a própria razão da infância. distinguiu-se do genótipo. típico da espécie. de disposições que ele tem desde o momento de sua primeira formação. enfim. da Ed. em dois sentidos: • Integração organismo-meio • Integração cognitiva-afetiva-motora Integração organismo-meio Partindo de uma perspectiva psicogenética. de 2005. A realização desse plano é necessariamente sucessiva. opõem-se e implicam-se mutuamente fatores de origem biológica e social (. as circunstâncias modificam-na mais ou menos. mas pode não ser total e. no momento oportuno. O plano segundo o qual cada ser se desenvolve depende. 210) Nessa citação. (Wallon. O foco da teoria é essa interação da criança com o meio. portanto. o eixo principal no processo de desenvolvimento é a integração.. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. 1º sem..). 49-50) 16 Psic. 1995.. que consiste nos aspectos em que o indivíduo se manifestou ao longo da vida. que tende para a edificação do adulto como exemplar da espécie. Assim. o que é melhor explicitado na citação que se segue: Deste modo. pp. 1995. tinha em potência.

11-30 17 . pp. não será a única lei de seu destino posterior. novas necessidades e novos recursos que aumentam possibilidades de evolução e diferenciação individual.. 165. portanto. São Paulo. esclarece ele: O meio é um complemento indispensável ao ser vivo. conjunto mais ou menos duradouro das circunstâncias nas quais se desenvolvem as pessoas. de per si: As necessidades de descrição obrigam a tratar separadamente alguns grandes conjuntos funcionais. e complementar à primeira. o que não deixa de ser um artifício. 164. da inteligência das situações e meio fundado sobre a representação. Ele deverá corresponder a suas necessidades e as suas aptidões sensório-motoras e. biológico e social. A constituição biológica da criança. pp. Os meios em que vive a criança e aqueles com que ela sonha constituem a “forma” que amolda sua pessoa. no qual as situações são simbólicas e implicam a utilização de conceitos. 20. Seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias de sua existência. 1º sem. 131 e 135) Psic.. da qual não se exclui sua possibilidade de escolha pessoal. ao nascer. segundo Nadel-Brulfert (1986). também específica da espécie humana. 167) Integração afetiva-cognitiva-motora Duas afirmações de Wallon são esclarecedoras da discussão que vamos fazer sobre afetividade. do ato motor. Wallon afirma que o estudo da criança exige o estudo do meio ou dos meios em que ela se desenvolve. de 2005. psicomotoras.. 1995. pp.No conjunto da obra de Wallon. • a 3ª distinção.. depois. (Wallon. 1975. do conhecimento e da pessoa. dos objetivo atuais. que é o das reações sensório-motoras. Não é menos verdadeiro que a sociedade coloca o homem em presença de novos meios. Sobre o meio.. da Ed.. os da afetividade. Os domínios funcionais entre os quais se dividirão o estudo das etapas que a criança percorre serão. indica a superposição do meio social ao meio físico. (Wallon. aparecem três grandes categorias de distinções entre tipos de meios: • a 1ª distinção refere-se ao tipo de intercâmbio entre os meios físicoquímico. específica da espécie humana. refere-se a dois tipos de meios: meio físico. • a 2ª distinção. Não se trata de uma marca aceita passivamente.. espacial e temporalmente determinado.

portanto. sem distinção das relações que as unem. junto com as respostas dos outros do seu entorno – sensibilidade de exterocepção (ligada ao exterior) –. apresentam uma forma nebulosa. ele tem sua origem nas sensibilidades internas de interocepção (ligadas às vísceras) e de propriocepção (ligadas aos músculos). bem como o apoio tônico para as emoções e sentimentos se expressarem. sensório-motor e projetivo – 1 a 3 anos. que são responsáveis pela atividade generalizada do organismo. A pessoa – o quarto conjunto funcional – expressa a integração em todas as suas inúmeras possibilidades. São Paulo. as reações posturais que garantem o equilíbrio corporal. isto é. embora os outros também estejam presentes numa relação recíproca e complementar. pp. categorial – 6 a 11 anos. etc. O conjunto ato motor oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no tempo e no espaço. Outras características do processo de desenvolvimento como um todo que vão se expressar no desenvolvimento do conjunto afetivo: • do sincretismo para a diferenciação Todos os conjuntos funcionais revelam-se inicialmente de forma sincrética. para explicar didaticamente o que é inseparável: a pessoa. alegria. 1º sem. e da puberdade e adolescência.Os conjuntos ou domínios funcionais são. constructos de que a teoria se vale para explicar o psiquismo. de 2005. da Ed. posteriormente ciúmes. global. O conjunto cognitivo oferece um conjunto de funções que permite a aquisição e a manutenção do conhecimento por meio de imagens.. um dos conjuntos predomina. 20. No caso específico do conjunto afetividade. 18 Psic. fixar e analisar o presente e projetar futuros possíveis e imaginários. 11-30 . fica mais em evidência. Assim é que o conjunto afetivo está mais evidenciado nos estágios do personalismo. personalismo – 3 a 6 anos. isto é. difusa. O conjunto afetivo oferece as funções responsáveis pelas emoções. idéias e representações. pelos sentimentos e pela paixão – e será detalhado oportunamente. raiva. É ele que permite ainda registrar e rever o passado. vão provocando sentimentos e emoções cada vez mais específicos: medo. noções. • da alternância na predominância dos conjuntos Em cada estágio de desenvolvimento (Wallon propõe os seguintes estágios: impulsivo-emocional – 0 a 1 ano. Essas sensibilidades. tristeza. puberdade e adolescência – 11 anos em diante).

20. para o conhecimento de si. o predomínio é do afetivo. Na discussão sobre afetividade. o predomínio é do cognitivo. E quando a direção é para o mundo exterior (centrífuga). As dificuldades maiores enfrentadas pelos estudiosos dessa área referem-se à falta de consenso nas definições. Já no sensório-motor e projetivo e categorial o movimento é para fora. para o conhecimento do mundo exterior. comportando sensações de bem-estar ou mal-estar que têm um começo preciso. Aproximando esses dois princípios: alternância funcional e predominância funcional podemos afirmar que. quando a direção é para si mesmo (centrípeta). à disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações ligadas a tonalidades agradáveis ou desagradáveis. Considerando que um dos papéis da teoria é tornar as definições cada vez mais claras. pp. Afetividade – Refere-se à capacidade. é ligado a um objeto específico e de duração relativamente breve e inclui ativação orgânica. vamos nos centrar na teoria de desenvolvimento de Henri Wallon para uma elucidação mais precisa. ao analisar a problemática da área da psicologia da emoção. A discussão trazida por Kirouac (ibid. considerado marginal..) reforça a necessidade do refinamento de conceitos e proposições. puberdade e adolescência o movimento é para dentro.• da alternância de direções Em cada estágio de desenvolvimento há uma alternância de movimentos ou direções. No impulsivo-emocional. supérfluo. da Ed. Psic. de 2005. • emoção é um estado afetivo. Apesar de todas as dificuldades enumeradas. 11-30 19 . quando surgem estudos empíricos e teóricos aceitando os estados internos como variáveis explicativas do comportamento. São Paulo. 1º sem. Tais estudos vão tratar de dimensões críticas da emoção: emoção como experiência subjetiva e como comportamento expressivo. O estudo da emoção. os mecanismos fisiológicos e as situações indutoras das emoções. cabe uma observação de Kirouac (1994). à falta de precisão e clareza na linguagem. sofre uma mudança de interesse a partir da década de 70. não científico durante muito tempo. e ao fato de diferentes enunciados abordarem apenas um aspecto limitado da emoção. personalismo. há um certo acordo para discriminar emoções de outros processos afetivos: • processos afetivos são todos os estados que fazem apelo a sensações de prazer/desprazer ou ligados a tonalidades agradáveis/desagradáveis.

ou seja. e depende de automatismos específicos que emergem pela maturação funcional: reação à queda. Tem um poder plástico. – É também um instrumento de sociabilidade que une os indivíduos entre si. que libera ou concentra energia com maior ou menor intensidade. 11-30 . é a sua expressão corporal. de fugir ou atacar. à estimulação labiríntica. que funde as relações interindividuais. 20. viscerais (sensibilidade 20 Psic. São Paulo. Tensão é provocada pela energia retida e acumulada: riso.– Ser afetado é reagir com atividades internas/externas que a situação desperta. há o predomínio da ativação fisiológica. Emoção – É a exteriorização da afetividade. que se apresenta nos ritos coletivos. raiva. – A teoria aponta três momentos marcantes. – Na emoção. pp. – A emoção aparece desde o início da vida. choro. – A emoção é determinante na evolução mental: a criança responde a estímulos musculares (sensibilidade proprioceptiva). que funde os indivíduos e as circunstâncias exteriores.. alegria. cada atitude é associada a uma ou mais situações. da Ed. – A emoção é uma forma concreta de participação mútua. 1º sem. – Os três resultam de fatores orgânicos e sociais. A cada uma. sucessivos na evolução da afetividade: emoção. da ativação representacional. – Das oscilações viscerais e musculares vão se diferenciando as emoções: medo. – A emoção dá rapidez às respostas. reveladas pelo tônus. no sentimento. à falta de apoio. da ativação do autocontrole. de contração dos aparelhos musculares e viscerais: existe bem-estar ou mal-estar tanto no espasmo como na sua dissolução. etc. em que não há tempo para deliberar. motora. de 2005. é uma forma primitiva de comunhão. ciúme. e correspondem a configurações diferentes. com os espasmos do recémnascido. é o primeiro recurso de ligação entre o orgânico e o social: estabelece os primeiros laços com o mundo humano e através dele com o mundo físico. Atitude é a expressão da combinação entre tônus (nível de tensão muscular) e intenção. É apta para suscitar reflexos condicionados. soluço aliviam a tensão dos músculos. tristeza. expressivo e contagioso. na paixão. sentimento e paixão. passa a corresponder um padrão postural. – Emoções são sistemas de atitudes. Estes não são apenas um ato muscular.

• sincretismo objetivo quando não sabe como se distinguir das coisas do ambiente. – O adulto tem maiores recursos de expressão representacional: observa. traduz intelectualmente seus motivos ou circunstâncias. – Há um antagonismo entre emoção e atividade intelectual (antagonismo de bloqueio): • o aparecimento de uma imagem que resulte da comparação ou de uma previsão só poderá nascer reduzindo gradualmente as reações posturais. Os sentimentos podem ser expressos pela mímica e pela linguagem. Psic. e o contato com o mundo tende a afinar. • sempre que voltarem a dominar as atitudes afetivas a imagem se confundirá. 20. reflete antes de agir. predomínio afetivo: imagens menos claras. de 2005. 11-30 21 . • portanto. Não implica reações instantâneas e diretas como na emoção. Esse movimento mostra como a sensibilidade da criança se estende ao ambiente. pp. sabe onde. ao propiciar o desenvolvimento cognitivo. Passa a reproduzir os traços dos estímulos do ambiente. tornar mais precisas. impor controles e obstáculos que quebrem sua potência. isto é. 1º sem.. Paixão – Revela o aparecimento do autocontrole para dominar uma situação: tenta para isso silenciar a emoção. como e quando se expressar. predomínio cognitivo: imagens mais claras. – A tendência do sincretismo para a diferenciação está presente na emoção: • sincretismo subjetivo quando não sabe como se distinguir das outras pessoas. que multiplicam as tonalidades. – A emoção estimula mudanças que tendem a diminuí-la. São Paulo. – Opõe-se ao arrebatamento.interoceptiva) e externos (sensibilidade exteroceptiva). as emoções. mais adequadas essas reproduções. as cumplicidades tácitas ou subentendidas. Sentimento – Corresponde à expressão representacional da afetividade. da Ed. que é uma emoção autêntica: tende a reprimi-la.

que segure. vai se familiarizando e apreendendo esse mundo. a sua configuração e o seu funcionamento revelam a presença de todos os componentes que constituem a pessoa. sensações nebulosas. 1º sem. O adulto 22 Psic. • No 3º estágio – personalismo (3 a 6 anos) – existe outro tipo de diferenciação – entre a criança e o outro. de 2005. exclusividade. como se chamam. 20. O papel da afetividade nos diferentes estágios A dimensão temporal do desenvolvimento que vai do nascimento até a morte está distribuída em estágios que expressam características da espécie e cujo conteúdo será determinado histórica e culturalmente. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. O processo ensino-aprendizagem precisa oferecer atividades diferentes e a possibilidade de escolha pela criança das atividades que mais a atraiam. isto é. que embale.– Não aparece antes do estágio do personalismo. iniciando um processo de diferenciação. é considerado como um sistema completo em si. – Caracteriza-se por ciúmes. da Ed. a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva) para um intenso contacto com os objetos e a indagação insistente do que são. São Paulo. 11-30 . portanto. contactos epidérmicos. Como a criança chega ao adulto. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptivas (sensibilidade das vísceras). quando já dispõe da fala e da marcha. carregue. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. a criança participa intensamente do ambiente e.. como funcionam. • No 2º estágio – sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos) –. pp. para que todos os alunos possam participar igualmente e pela sua disposição de responder às constantes e insistentes indagações na busca de conhecer o mundo exterior. daí a importância de se ligar ao seu cuidador. Através dessa fusão. Cada estágio. pouco claras. na teoria de Wallon. do ponto de vista afetivo? • No 1º estágio – impulsivo-emocional (0 a 1 ano) – a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. exigências. espaço. apesar de percepções. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com outros. e assim facilitar para o aluno a sua diferenciação em relação aos objetos. O processo ensino-aprendizagem no lado afetivo se revela pela disposição do professor de oferecer diversidade de situações.

não gosto. que coincide com o início do período escolar. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma compreensão mais nítida de si mesma. resultante do sincretismo inicial. de 2005.será o recipiente de muitas respostas: não. na busca de uma identidade autônoma. que se transformarão. não familiar. não quero. formas de avaliação. precisas. revelam sentimentos e valores e favorecem ou não essa descoberta do mundo. Levar ou não em consideração o que o aluno já sabe. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. À medida que ele evolui. a direção é para si mesma. 20. São Paulo. que ela tem visibilidade no grupo pelas suas diferenças. o que precisa saber para dominar certas idéias. propor atividades que mostrem essas diferenças. neste estágio – personalismo –. não vou. • No 4º estágio – o categorial (6 a 11 anos) – a diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. Chamar pelo nome. mediante atividades cognitivas de agrupamento. 1º sem. na sua aprendizagem. categorização em vários níveis de abstração até chegar ao pensamento categorial. um período de imperícia. físico. pp. com o tempo – é um processo longo –. classificação. Nesse estágio. implica. idéias. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. 11-30 23 . questionamentos. Esse sincretismo inicial vai se desmanchando com as atividades propostas. da Ed. O tipo de afetividade que facilita essas aprendizagens comporta oportunidades variadas de convivência com outras crianças de idades diferentes e aceitação dos comportamentos de negação. a imperícia é substituída pela competência. a aprendizagem se faz predominantemente pela decoberta de diferenças e semelhanças entre objetos. • No 5º estágio – puberdade e adolescência (11 anos em diante) – vai aparecer a exploração de si mesmo. mostrar que a criança está sendo vista. lembrando que são recursos de desenvolvimento. imagens. é meu. mediante atividades de confronto. auto-afirmação. em conceitos e princípios.. mas é importante considerá-lo como parte integrante do processo ensino-aprendizagem. Como. está rompendo com o sincretismo entre ela e os outros. e para isso se Psic. Como agora está se descobrindo como diferente dos outros. O importante do ponto de vista afetivo é reconhecer e respeitar as diferenças que despontam. os exercícios necessários. Esse predomínio vai se expressar em representações claras. O predomínio é da razão. Outro ponto importante é saber e aceitar que todo conhecimento novo. dar oportunidades para que a criança as expresse.

desde que respeitados os limites que garantam relações solidárias. que vai aprofundando e possibilitando a identificação das diferenças entre idéias. nas quais a dimensão temporal toma relevo.submete e se apóia nos pares. suas motivações. Daí a importância do professor adulto: tem melhores condições para o acolhimento do outro. Mas. na busca para responder: quem sou eu? Quais são meus valores? Quem serei no futuro?. o adulto estará mais livre e com mais energias para voltar-se para o outro. Limites que facilitam o processo ensino-aprendizagem. de 2005. Não esquecer que em todos os estágios a forma de a afetividade facilitadora se expressar no processo ensino-aprendizagem exige a existência. e o adulto. adulto. pp. cuja característica primordial foi a luta por essa definição. Na puberdade e adolescência. que é permeada por muitas ambigüidades. apesar de todas as transformações ocorridas nas anteriores. suas limitações. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. seus valores e sentimentos. um equilíbrio nas direções para dentro – conhecimento de si – e para fora – conhecimento do mundo. garantindo o bem-estar de todos os envolvidos. de seus alunos e de seus pares. conhece melhor suas possibilidades. sentimentos. Ou seja. 20. Com maior clareza de seus valores. o que cria a possibilidade de escolhas mais adequadas nas diferentes situações de vida. São Paulo. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. O processo ensino-aprendizagem facilitador do ponto de vista afetivo é aquele que permite a expressão e discussão dessas diferenças e que elas sejam levadas em consideração. 1º sem. seus pontos fortes. o recurso principal de aprendizagem do ponto de vista afetivo volta a ser a oposição. em condições de acolher o outro solidariamente e a continuar a se desenvolver com ele. que representa o pólo ensino no processo ensino-aprendizagem? Nessa fase. valores próprios e do outro. É essa definição de valores e compromissos com eles que marca o fim da adolescência.. ele se reconhece como o mesmo e único ser. para fora de si. da Ed. 24 Psic. Esse é um indicador de amadurecimento: conseguir um equilíbrio entre “estar centrado em si” e “estar centrado no outro”. são também uma expressão de afetividade. 11-30 . Ser adulto significa ter desenvolvido uma consciência moral: reconhecer e assumir com clareza seus valores e dirigir suas decisões e escolhas de acordo com eles. É capaz de afirmar com certa segurança: Eu sei quem eu sou. a colocação de limites. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência.

avançando na fase do personalismo e continuando pela vida inteira. O ritmo deve ser respeitado e não avaliado. passando gradativamente para a diferenciação. Em cada estágio temos uma pessoa completa. iniciando-se com os jogos de alternância. com possibilidades e limitações próprias. com maiores recursos para controle das emoções e sentimentos. grupo de amigos.Reflexões compartilhadas sobre afetividade e processo ensino-aprendizagem à luz da teoria de Wallon1 No processo de desenvolvimento (em aberto.. grupo de colegas. acolhimento do professor pela direção. A sala de aula – uma oficina de relações – é/não é um espaço de acolhimento. de 2005. os princípios que regulam os recursos de aprendizagem são os mesmos. • Situações conflitivas Como a emoção é contagiosa. contínuo). • Acolhimento Importante em qualquer idade: acolhimento da criança e do jovem pelo grupo familiar. – O período do sincretismo caracteriza-se pela imperícia. 1º sem. O processo de imitação mantém uma relação dialética com o processo de oposição. colegas. professores. pelo seu entorno. centrado em si e no outro. pelos seus alunos. São Paulo. como adulto mais experiente. porém com tempos e aberturas diferentes: • Do sincretismo para a diferenciação – O início de qualquer aprendizagem nova caracteriza-se pelo sincretismo. em situações novas (professores antigos. a última atividade foi refletir com os participantes (a maioria professores de diferentes níveis de ensino) os aspectos discutidos que mais os afetaram. e as atividades precisam corresponder a esses ritmos. colegas são modelos). pelos seus pares. 20. O professor. Psic. pode colaborar para a resolução dos conflitos. o comportamento do aluno interfere na dinâmica da classe e no professor. 11-30 25 . • Desenvolvimento dos conjuntos funcionais O desenvolvimento afetivo – cognitivo – motor tem ritmos diferentes conforme a relação orgânico-social se expressa em cada indivíduo. amigos. • Imitação Instrumento poderoso de aprendizagem para a criança (adultos. da Ed. na criança e no adulto. de forma equilibrada. que será substituída gradativamente pela competência ao acompanhar o processo de diferenciação. 1 No minicurso. pp. professores são modelos) e para o adulto.

durante toda a vida. – A teoria de desenvolvimento de Henri Wallon propõe estágios. o professor é um modelo. • Ensino-aprendizagem. Cabe observar que: • a idade não é o indicador principal do estágio. A qualidade da relação é revelada pela forma como os conflitos são resolvidos. 11-30 . 20. • as características propostas para cada estágio se expressam através de conteúdos determinados culturalmente. • cada estágio é um sistema completo em si. e sua análise deve focalizar a relação ensino-aprendizagem como uma unidade. de expressar seus valores. um problema de ensino. o papel do professor é de mediador do conhecimento. – Na relação professor-aluno. • Processo ensino-aprendizagem – Comporta fluxos e refluxos. • Uma teoria é um recurso para o professor – Uma teoria auxilia no planejamento do ensino levando em conta as características individuais (referentes ao aluno e ao professor). para o desenvolvimento. 1º sem. faces de uma mesma moeda Uma dificuldade de aprendizagem é. tal como o desenvolvimento. igualmente. com as características registradas no quadro que se segue. – Queira ou não. da Ed. • o desenvolvimento pressupõe um processo constante de transformações. estas resultam em barreiras para o processo ensino-aprendizagem e. o contexto e as atividades propostas. pois é constitutivo das relações. pp. portanto. na forma de falar e ouvir. Quando não são satisfeitas as necessidades afetivas. na forma de resolver os conflitos.não esquecendo que o conflito faz parte do processo ensino-aprendizagem. certezas e dúvidas. decorrente de uma observação sensível no seu contato com o aluno. São Paulo. – Além da teoria.. tanto do aluno como do professor. sem culpabilização de um ou de outro. A forma como o professor se relaciona com o aluno reflete nas relações do aluno com o conhecimento e nas relações aluno-aluno. é um processo em aberto. 26 Psic. o planejamento deve incluir os dados da experiência que o professor traz. na sua forma de relacionar-se. portanto sujeito a reformulações constantes. de 2005.

27 . sem ter controle sobre mudanças ou fixação sobre elas) pode levar a: • atividade de instabilidade (reage indiscriminadamente aos estímulos exteriores). – marcha e fala. – progresso das respostas à sensibilidade exteroceptiva. – consciência corporal. • sedução ou idade da graça (relações sedutoras). situações e pessoas. São Paulo. atividades descoordenadas vão se transformando em sinalizações cada vez mais precisas para expressar bem-estar e mal-estar: medo. 20. – respostas à sensibilidade exteroceptiva → pela resposta do outro. • atividade de perseveração (permanece na atividade. – inércia mental (totalmente absorvida por suas ocupações do momento. dando mais expressividade a ele... afetiva e cognitiva (em prolongamento à simbiose fetal). ato motor completa o ato mental. 11-30 – cognitivo – centrífuga (para o conhecimento do mundo exterior) – “eu sou diferente dos objetos” – contato com diferentes espaços. 1º sem. comunicação simbólica. – movimentos descoordenados → movimentos expressivos – atividades circulares. como modelo para ampliar as competências). – “eu sou diferente dos outros” – consciência de si – oportunidades variadas de convivência com outras pessoas (crianças ou adultos) – negação Sensório-motor (12 a 18 meses) e Projetivo (18 meses a 3 anos) Personalismo (3 a 6 anos) 1 2 As idades apresentadas são as indicadas pela teoria. raiva. A partir do primeiro estágio. montar. • imitação (relações imitativas para usar o outro. – movimentos projetivos: mimetismo. de 2005. – atividade circular mais elaborada: coordenação mútua dos campos sensorais e motores (ajustamento do gesto aos seus efeitos). pp. imitação e simulacro (prenúncios da representação). que antes negou.Teoria psicogenética de Henri Wallon Predominância do conjunto funcional e da direção2 Indicadores – “o que sou?” – recorte corporal Principais aprendizagens – motor-afetivo – centrípeta (para o conhecimento de si) Principais recursos de aprendizagem – fusão com o outro Estágio Impulsivo (nascimento a 3 meses) e Emocional (3 meses a 1 ano)1 Psic. identificar. – três característica marcantes nas relações interpessoais: • oposição ao outro (relações negativistas): recusa e reivindicação. alheia aos estímulos exteriores). etc. desmontar. – simbiose fisiológica. – exploração sistemática do real: pegar. – respostas às perguntas – afetivo – centrípeta – impulsivo: respostas às sensibilidades intero e proprioceptivas → atividade generalizada do organismo. a teoria se ateve ao jogo da predominância afetivo versus cognitivo. localizar. da Ed. movimentos reflexos e impulsivos. – movimentos instrumentais (praxias). alegria. nomear. – aparecimento de ciúmes e paixão.

Predominância do conjunto funcional Indicadores e da direção – cognitivo – disciplina mental de concentração. de 2005. representações. • pensamento categorial (a partir dos 9 anos): formação de categorias intelectuais. – no plano motor: gestos mais precisos. – convivência com pares – convivência com o outro. – ligação com o que já sabe. São Paulo. 20. – centrípeta – fortalecimento do pensamento categorial. – questionamentos de valores. – controle cortical sobre as situações que envolvem cognitivo-afetivo-motor. Tarefas essenciais de conhecimento: definir e explicar (um objeto se define quando se recorta e diferencia dos demais. – responsabilidade pelas conseqüências de seus valores e atos. atenção (maturação dos centros – centrífuga nervosos de discriminação e inibição). O par é a unidade menor de pensamento (um par interage com outros pares.28 Principais aprendizagens – “o que é o mundo?” – descoberta de semelhanças e diferenças entre objetos. Estágio Categorial (6 a 11 anos) Puberdade e Adolescência (acima de 11 anos) Psic. idéias. – experiências próprias se transformam em preceitos e princípios. ainda marcado pelo sincretismo. – “quem sou eu? quais são meus valores? Quem serei no futuro?” – consciência temporal. pp. – oposição aos outros e às idéias. Principais recursos de aprendizagem – variedade de atividades. – alteração do esquema corporal. por vezes em seqüências extravagantes. – “eu sei que sou e o que esperam de mim”.. – imperícia como parte do processo. – ambivalência de sentimentos. 1º sem. – vivência de valores. da Ed. afetivo e cognitivo – comportamentos de acordo com os valores assumidos. – afetivo – última e movimentada etapa que separa a criança do adulto. elaborados mentalmente com previsão de etapas e conseqüências. 11-30 Adulto . – apreensão da noção de tempo futuro completa a consciência de si. – superação lenta do sincretismo – 2 etapas: • pensamento pré-categorial (até cerca de 9 anos). tanto da definição. só se explica quando as relações estão claras). Tarefa árdua. – equilíbrio entre – definição de valores. podendo ocorrer encadeamento fabulatório). como da explicação.

affectivity and teachinglearning process. afetividade e processo ensinoaprendizagem. Psic. feelings. en la cual la relación interpersonal entre profesor y estudiantes es un factor determinante. se presenta una tabla con las características principales de las etapas. A primeira parte analisa o processo ensino – aprendizagem como unidade. da Ed. Na segunda. 11-30 29 . teoria walloniana. de 2005. The first part analyses the teaching-learning process as a unity. Henri Wallon’s theory of development. afectividad y proceso enseñar-aprender. passion) and their function in the different stages of development. é apresentado um quadro com as principais características dos estágios. 1º sem. Key-words: affectivity.Resumo O texto discute conceitos fundamentais da teoria walloniana para a compreensão da dimensão afetiva e sua relevância no desenvolvimento do processo ensino – aprendizagem. The third discusses the various components of affectivity (emotions. a table with the main characteristics of the stages is presented. pp.. Na terceira. Palavras-chave: afetividade. Resumen El artículo discute conceptos fundamentales de la teoría del desarrollo de Henri Wallon para la comprensión de la dimensión afectiva y su importancia para el desarrollo del proceso enseñar-aprender. Finalmente. sentimientos. La tercera discute los varios componentes (emociones. São Paulo. teoría del desarrollo de Henri Wallon. in which the teacher-students interpersonal relationship is a determinant factor. Finalmente. The second part brings arguments to justify the choice of this theory to focus on the role of affectivity in the teaching-learning process. Abstract The article discusses concepts from Henri Wallon’s theory of development that are fundamental for the understanding of the affective dimension and its relevance to the development of the teachinglearning process. En la segunda parte se justifica la opción por esta teoría para enfocar los componentes afectivos en el proceso enseñar-aprender. bem como o seu papel nos diferentes estágios de desenvolvimento. sentimentos e paixão). é justificada a escolha dessa teoria para iluminar a questão da afetividade no processo ensino-aprendizagem. La primera parte analiza el proceso enseñar-aprender como unidad. é discutido o conjunto afetividade em seus vários componentes (emoções. pasión) de la afectividad y su función en las diversas etapas del desarrollo. Finally. Palabras claves: afectividad. 20. na qual a relação interpessoal professor-aluno é fator determinante.

e Nadel-Brulfert. Nadel-Brulfert. Vozes.) (2000). RJ/Brasília. J. Psicologia e educação da infância. n. RJ. Tardif. Em que sentido podemos falar atualmente de uma pedagogia walloniana? Enfance. (1994).). (1941-1995). pp. M. M. Petrópolis. 1º sem.br 30 Psic. H.Referências Codo. G. Lisboa. (1986). In: Richele. W (coord. São Paulo. Revista Brasileira de Educação. de 2005. Recebido em novembro de 2004. Estampa. PUF. “Proposições para uma leitura de Wallon: em que aspectos sua obra permanece atual e original?” In: Werebe. 13. Educação: carinho e trabalho. Abigail Alvarenga Mahoney Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação da PUC-SP E-mail: pedpos@pucsp. Lisboa. J. Paris. Saberes docentes e formação profissional. Kirouac. ______ (1959-1975). (1979). Aprovado em novembro de 2004.. Snyders. jan-abr. Edições 70. Traité de Psychologie Experimentale. Wallon. A evolução psicológica da criança. G. . (org. ANPEd. E-mail: laurinda@pucsp.br Laurinda Ramalho de Almeida Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação da PUC-SP Coordenadora da área de Educação do Centro de Pós-Graduação das Faculdades Oswaldo Cruz. J. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários. G. 5. Conf. 11-30 . Nacional dos Trabalhadores em Educação/Universidade de Brasília. “Les émotions”. São Paulo. Henri Wallon. et alii. n. Ática. ______ (2002). M. da Ed. Petrópolis. 20. (2000). Vozes.

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