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A Lenda das Araras Azuis

A Lenda das Araras Azuis

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Mixando fantasia, fatos e lendas...
Num reino existente no Centro do Brasil, na Idade da Prata, vivem dois irmãos, filhos do monarca. Um dia eles vêem um casal de Araras Azuis voando no céu... ao pedirem por ajuda do Sábio da Montanha Azul para descobrirem a origem das aves se inicia uma aventura... sem fim.
Mixando fantasia, fatos e lendas...
Num reino existente no Centro do Brasil, na Idade da Prata, vivem dois irmãos, filhos do monarca. Um dia eles vêem um casal de Araras Azuis voando no céu... ao pedirem por ajuda do Sábio da Montanha Azul para descobrirem a origem das aves se inicia uma aventura... sem fim.

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 1 - 4 9

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 2 - 4 9

♦ Indice

Na Montanha Azul

10 ♦ O Mistério da Selva de Prata 15 ♦ O Estranho Som 20 ♦ O Fio Vermelho das Lendas 26 ♦ “O Encantador de Ratos” 28 ♦ Posfácio 34 ♦ Prayer of the Birds

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Era uma vez...
...há muito tempo! Tanto tempo que a história virou lenda!

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No coração de uma terra gigante vivia um povo exuberante e próspero. Próspero em paz, sabedoria e em alguns elementos especiais! Um destes elementos era uma espécie de porcelana azul fosca, no tom do céu matinal dessa terra encantada! Ela era como uma argila esbranquiçada, que quando aquecida, se transformava em uma substância quase tão resistente quanto mármore e tão leve quanto porcelana! Algo raro, além do tom azulado que adquiria quando aquecida.

Nesse vasto continente isolado por montanhas, rios e matas, moravam os habitantes deste reino. Eles eram em média altos, de cabelos lisos e longos até os ombros, no caso dos homens. As mulheres tinham uma vasta cabeleira negra, lisa e macia. A maioria tinha olhos amendoados, que iam do cinza esverdeado a um castanho claro com pequenas pintas douradas, e alguns pareciam ter duas pérolas negras como olhos!

Vayhla era uma das mulheres mais lindas do reino. Não porque era filha do monarca, mas porque de fato parecia feita de porcelana. Sua pele brilhava a luz do luar. Sua tez tinha o tom de uma deusa. Costumava usar vestidos alvos, longos, de fendas laterais, com franjas de cores variadas, mas sem exageros. Tudo nela era sinônimo de dignidade: - As feições, o olhar, o andar, a voz, as atitudes! Mas não era uma dignidade dura, austera ou sofisticada. Ela era tão natural e simples, como uma chuva de verão. Talvez por isto ela fosse venerada como uma deusa, pois o povo se inspirava nela e buscava seguir sua forma de vida. Ela também tinha um irmão, igualmente belo e virtuoso e por quem nutria não só sentimentos fraternos, mas também sentia que algo mais forte os unia. Algo que o tempo explicaria a ambos...

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Layhno não tinha grandes ambições apesar de ser o sucessor do pai. No fundo ansiava secretamente conhecer o reino do outro continente e buscar por novos conhecimentos. Vayhla sabia disto e o apoiava discretamente. Eles tinham lido alguns documentos antigos acerca do reino e ambos sonhavam em conhecer um povo diferente do seu, com outros costumes e histórias. Mas um dia ocorreu algo que interrompeu esses planos secretos. Era uma manhã linda! Vayhla e Layhno sempre acordavam cedo para ainda apreciar as últimas estrelas e ver o sol nascendo. Ambos tinham paixão pelas manhãs! Mas aquela manhã tinha algo de especial. Tão real era a sensação, que Vayhla decidiu usar seu vestido azul preferido bordado com detalhes em ouro, e Layhno usaria sua capa azul escura, com discretos detalhes dourados. Quando se encontraram no corredor, na verdade quase esbarraram um no outro, ambos se olharam e riram da coincidência! - Acho que o dia promete Layhno! Disse Vayhla em seu habitual bom humor! - Sim! Espero que isso seja mesmo um sinal, pois estou precisando de um impulso para dar sentido a minha vida! Respondeu Layhno suspirando. - De fato, caro irmão, sinto o mesmo e há tempos. Não nascemos para viver uma vida de ociosidade e para ver o tempo passar e sim como diz nosso sábio:

“Para sermos um dos fios da teia do tempo, deixando nossas marcas no tapete da história humana.”

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Dizendo isso foram para a cozinha. A antiga cozinheira da família já havia feito fogo, pois sabia que ambos gostavam de tomar seu chá matinal antes de saírem pelo passeio. Na verdade ela mesma adorava acordar cedo e acender o fogo. Parecia fazer parte de sua vida como dormir. E fazia-o com especial prazer para os filhos dos monarcas, pois que eram simples e sem afetação e se alegravam em ver o fogo crepitando nas manhãs por nascer! E a manhã de fato estava exalando um gosto de mistério... Parecia que ela conspirava algo em segredo! Vayhla e Layhno pegaram seus cavalos e saíram galopando com uma alegria interior especial. - Vamos mudar nossa rota hoje, cara irmã? Disse Layhno eufórico! - Sim! Excelente idéia! Gritou Vayhla rindo! Pegaram o rumo norte onde havia um platô de pedras muito especial. Mas como o caminho era mais longo, o local havia se tornado antes um mirante ocasional para apreciarem o por do sol. De repente, quando tinham virado a última curva para chegar ao platô, viram um casal de aves azuis cruzar os céus e ambos exclamaram em uma só voz:

- Que magníficos!

Hipnotizados acompanharam o vôo das duas aves de cor azul, nunca antes vistas! - Layhno: Você já viu essa ave antes?

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- Não! É isso que está me deixando curioso e fascinado! Será possível que ela só voe nesta região e a esta hora, por isso nunca a vimos antes? - É possível! Respondeu Vayhla com os olhos perdidos no céu. Mal conseguiram ficar no platô. Estavam por demais curiosos e por isso partiram bem mais cedo do que o previsto para perguntarem ao rei e a rainha sobre as aves. Chegaram e entraram correndo na Biblioteca onde ambos gostavam de ler, enquanto tomavam um delicioso chá, feito de um fruto exótico que crescia na redondeza. Mas eles não tinham muito a dizer! Disseram apenas que já tinham ouvido falar da ave e não pareceram curiosos, embora gostassem da natureza e eram cheios de compaixão e não permitiam que nenhum animal sofresse por maus tratos, abusos ou sob qualquer forma. Nem os cavalos, cães ou qualquer animal, selvagem ou doméstico. Isso também incluía os animais que seriam abatidos para consumo. Possuíam técnicas variadas para evitar que sofressem ou sentissem medo. E, além disto, a cozinha do reino e do povo era rica em vegetais exóticos e em pratos saborosos preparados com variadas espécies de milho que todos apreciavam. Carnes eram complementos festivos, ninguém tinha o costume de comer carnes no dia a dia. Mas as aves azuis deixaram os filhos dos monarcas muito curiosos! Para Vayhla e Layhno iria iniciar um novo período em suas vidas. E eles marcariam o dia em seus calendários, como

O Dia da Ave Azul!

Depois de terem visto aquelas belas aves, passaram dias na biblioteca real lendo e relendo contos, lendas e histórias perdidas na memória do tempo.

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Um dia, já cansados pela busca, Layhno gritou do fundo da biblioteca: - Vayhla, venha correndo! Ela largou seus rolos e livros e foi correndo até o fundo. - Veja! Encontrei a descrição de uma ave que vive num reino encantado, que poderia ser a ave que vimos naquela manhã! Vayhla, tremendo de emoção, leu o trecho em voz alta:

“Havia uma ave que muitos não conheciam, porque era protegida pela fada da floresta, pois suas penas seriam de tal modo cobiçadas, que elas iriam desaparecer em algumas estações se fosse permitido o acesso a elas. A sua origem se perde numa lenda e vem de um reino desconhecido.”

- Sim! Disse Vayhla eufórica! Poderia ser nossa ave! Mas o que mais fala o livro sobre este reino? - Pelo que li querida irmã, esse reino é parte de um continente onde vive um povo que se comunica por meio da música! - Da música? Como assim? E como é esse povo? Perguntou Vayhla com o coração dando saltos mortais, feito criança feliz. - Eles falam cantando. São esguios, de corpos harmoniosos e com ombros que lembram asas! São levemente dourados e possuem cabelos longos que trazem presos por diademas enfeitados com pedras de cores variadas!

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Diz a lenda ainda que eles amam o vento e por isso deixam seus cabelos crescerem até a cintura para que ele dance ao vento quando deslizam sobre o solo com seus ombros-asas!

- Mas que fascinante irmão! Você acha que existe alguma chance desse reino existir de verdade e as aves azuis também? - O melhor que podemos fazer é consultar o Sábio da Montanha. Ele poderá nos dar alguma idéia, aliás... ele talvez saiba algo sobre o reino? Oras, porque não pensei nisso antes? - Sim! Você tem razão Vayhla. O Sábio Helyon deve saber algo. Além disso, lembra que na última visita ele disse que um dia você seria uma peça chave da história de Hybez e depois se calou? Quem sabe chegou a vez da história se cumprir! - Nossa! Eu já tinha me esquecido disso! Vamos Layhno! Vamos marcar uma audiência com o Sábio! Disse Vayhla ansiosa e nervosa. Saíram correndo da biblioteca e enviaram um emissário para marcarem uma audiência com o Sábio. Ele estava justo organizando um encontro com seus estudantes e por isto a audiência levaria um tempo maior para se realizar. Mas nada os desanimou. Aliás, a espera acirrou suas idéias e ânimos e suas energias pareciam cintilar com a simples lembrança da ave e do reino! Finalmente chegou o dia da audiência.

Vayhla e Layhno partiram com um magnífico carro de singular leveza e beleza, feito da porcelana azulada e a ele atrelados dois belos cavalos brancos! Aliás, todo o reino possuía tais carros

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nos mais variados modelos e decorados com desenhos geométricos, flores exóticas, animais e alguns retratavam a princesa e o príncipe!

Eles partiram ao amanhecer após convencer os pais que estavam com saudades do Sábio e desejavam respirar o ar puro da Montanha Azul. Acharam melhor não falar nada, para não deixar os pais preocupados, afinal, eles teriam que checar essa história com o Sábio primeiro. Passaram por entre as alamedas de palmeiras azuladas que produziam frutos delicados de sabor levemente picante, embora adocicado. E depois passaram pelo rio próximo ao palácio, que tinha uma ponte feita de porcelana azul revestida de mármore branco! Lembrava um cisne de asas abertas. Era a ponte mais exótica de todo o reino! O rio quase contornava o palácio, na verdade ele formava uma meia lua e os jardineiros reais usaram de forma sábia sua bela forma. Nas margens da meia lua formada pelo rio, eles fizeram uma alameda e a enfeitaram com um arbusto muito exótico, que se espalhava pelos arcos formando uma espécie de corredor vegetal.
As flores eram brancas, grandes e macias. Lembravam o jasmim, mas o perfume era mais delicado e todos os anos na época da floração o rei e a rainha faziam uma festa para que todo o povo pudesse apreciar não só a beleza, mas o perfume raro das flores de Luanza! Assim eram chamadas.

A outra meia lua foi desenhada com as palmeiras azuis, uma fileira de cada lado, contrastando com as estátuas de porcelana azul mais clara, que foram postadas simetricamente, uma a cada cinco palmeiras!

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Cada estátua retratava uma cena da vida humana, desde a mais simples, até as do Rei e Rainha! Por isso todos trabalhavam com orgulho naquele reino, pois cada tarefa era representada por uma estátua com a mesma porcelana e esmero da estátua do Rei e Rainha e dos Príncipes atuais! Portanto, todos sabiam que seu trabalho era apreciado e valorizado, e, além disto, na época da colheita, cada um trazia um cântaro com algo de sua produção. Também os artesãos, os alfaiates reais e os artistas em geral, cada um trazia algo de valor e depois dos produtos terem sidos vistos e apreciados por todos, eles eram sorteados! E assim todos confraternizavam seus ofícios com todos, inclusive o Rei e Rainha, o Sábio e outros da Corte. O Sábio sempre trazia dois manuscritos belamente trabalhados com desenhos e de grande sabedoria, um era para adultos e o outro para crianças. O Rei e Rainha davam algum bônus, mudando a cada ano o produto ou trabalho a ser bonificado com uma boa quantia em ouro. Vayhla e Layhno já tinham passado as alamedas e a ponte. Não muito longe dali existia uma bela clareira perto de uma grande espécie de tamareira. Era talvez a árvore mais antiga do reino, pois se perdia nos céus, de tão gigante. Não se sabe por que ela existia ali isolada do tempo e de outras árvores irmãs. Talvez por isso o rei mandara limpar a volta dela e gramar um grande círculo, com inúmeros caminhos e bancos e mesas de porcelana azul, para os passantes descansarem e lanchar antes de prosseguir com a jornada, pois todos tinham um ritmo equilibrado de vida. Ninguém fazia nada com pressa, nem com desprazer. Eles apreciavam o trabalho, as folgas, o lazer, e por isto, quem passasse pela Clareira da Tamareira como era chamada, sempre parava para prestigiar a bela árvore e apreciar ao longe as Montanhas Silenciosas. O nome o Sábio as dera, porque nela realizava retiros mensais com seus acolhidos, onde aprendiam a ouvir o Som do Silêncio! - Vamos parar na clareira Layhno. Sinto saudades da tamareira e de olhar os céus deitado sob sua sombra!

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- Oras Vayhla. Meu coração não suporta mais esperar. Prefiro seguir sem paradas. Por favor, não prolongue minha agonia! Vayhla riu do desespero sincero do irmão e disse que se contentaria neste caso, com uma parada na volta. Ao que ele suspirou aliviado.

Na Montanha Azul
Mal chegaram nas escadarias do monastério de Daymor, e lá fora já esperava, tranquilo, o Sábio Helyon! - Bem vindos prezados filhos do grande Monarca Daykus e de sua soberana rainha Faytha! - Nós que desejamos agradecer pela honra deste encontro caro Sábio Helyon! E curvando-se perante o Sábio, Vayhla e Layhno o abraçaram, se sentindo como crianças! Sorrindo o Sábio os abraçou um a cada lado e foram andando porta a dentro.

Um amplo salão se abriu. A sala circular, branca como a neve, continha poltronas forradas com um precioso veludo das Terras de Adahna, mais raro do que pedras preciosas. Elas eram um convite irresistível para uma boa conversa! Neste espaço parecia que não havia espaço para palavras vazias.

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Quanto ao precioso veludo, este fora um presente do monarca do reino de Adahna, pelo fato do Sábio Helyon ter decifrado um documento valioso para o seu Rei, visto que seu sábio estava velho demais e eles estavam decidindo na ocasião quem seria o sucessor dele. A idéia do velho sábio daquele reino tinha sido justamente entregar aos três possíveis candidatos trechos do texto e ver quem faria a melhor interpretação. Mas nenhum deles havia conseguido convencer o velho sábio! Portanto, o precioso veludo, foi um presente muito apreciado pelo sábio Helyon que o oferecera ao Rei Daykus, o pai de Vayhla e Layhno, mas ele, em sua grande generosidade não o aceitou, sugerindo que o usasse para forrar as poltronas desta sala de recepção. E assim fora feito. Após estarem todos confortáveis, apresentassem o motivo de sua visita. Helyon solicitou que

- Nobre Sábio! Lamentamos usar de seu precioso tempo para um assunto que talvez lhe pareça trivial, ou humano demais, mas não podemos mais dormir depois que vimos sob os céus de Hybez a mais bela e rara das aves de plumagem azul intensa! Pesquisamos em nossa biblioteca e parece que ela habita as terras de um reino estranho, cujos habitantes se comunicam por meio da música e quase que não andam, mas levitam delicadamente. - Oh! Vejo que sua busca foi mesmo intensa e isto justifica esta audiência, mesmo que o assunto pareça trivial. E de trivial não possui nada meus amados! Dizendo isto o Sábio suspirou devagar, e olhando ambos no fundo dos seus olhos azulados, e num tom mais raro do que o das aves azuis, disse em voz quase solene:

- É chegada a hora da revelação de um grande mistério!

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Vayhla e Layhno se olharam e sentiram que o momento era mesmo muito especial. - Vejam, temos em nossos registros um fato que aconteceu antes do surgimento do nosso povo. Aqui vivia outrora outro povo, muito superior ao nosso, que possuía um conhecimento vasto sobre as leis da natureza e convivia com esta na mais perfeita harmonia. Mas um dia essa paz foi perturbada por um povo desconhecido que singrou os ares e os teria destruído, não fosse a corte de Sábios que havia previsto um ataque surpresa há centenas de estações. - E então, o que houve? Perguntou ansiosa Vayhla! - O povo havia se preparado e com seus maravilhosos poderes haviam aberto um túnel nas profundezas da terra. E de forma organizada, os sábios pediram que todos os habitantes estivessem preparados para a partida para o seu novo reino. Quando haviam se organizado, bem antes da época prevista do ataque, todos partiram para seu novo lar, onde já haviam instalado tudo para um novo recomeço. Deixaram suas belas moradias e partiram ao amanhecer do ultimo dia da estação das chuvas de pétalas de Alzyan! - Que chuva é esta?! Perguntaram os irmãos em coro! O Sábio sorriu e fez uma pausa oportuna. Parecia buscar em algum canto da memória algo que pudesse lhes fazer entender esta chuva singular. Ele mesmo havia pesquisado a respeito para poder entendê-la melhor.

- As chuvas de pétalas de Alzyan era um acontecimento memorável. Todo o povo aguardava essa época com ansiedade. O que se deu ao nome de pétalas é ao formato das gotas dessa chuva feita da mais pura neblina matutina, que se mesclava ao perfume delicado da primeira

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florada de um arbusto muito apreciado, de cor rosada. E todo o reino festejava essa primeva chuva como o início do período de beleza e abundância!

Alzyan é o som mais próximo do nome dessa chuva de neblina na linguagem daquele povo traduzida para nosso idioma. - Mas continue caro Sábio. Todos conseguiram fugir ao ataque dos ambiciosos seres? - Sim! Isso foi algo impressionante. Quando os invasores chegaram encontraram o reino abandonado. Sentiram-se ultrajados em sua astúcia e inteligência e passaram um período esperando pelo retorno do povo, imaginando que ele havia se refugiado e teria que retornar para sobreviver. Mas, cansados da espera, partiram desgostosos. - E o povo de Alzyan? Perguntou Vayhla! Nunca retornou à superfície? - Sim. Mas isso já é outra história. Vamos por etapas. Olhou para ambos novamente daquele jeito, como quem vai falar algo difícil, complexo ou ligado a algo triste. - De fato sinto-me desgostoso toda vez que lembro dessa história incrível.

A partida do povo sagrado representou um infortúnio para toda a natureza, pois que com seu canto produziam e mantinham a harmonia! Por isso eram de fato um Povo Encantado. E daquela época remonta a palavra encantamento, de encantar!

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Eles sabiam construir, destruir, criar e preservar tudo por meio do uso do som em forma de música. Mas sempre obedecendo às Leis da Harmonia! Depois que partiram, toda a natureza se enrijeceu, endureceu, se contorceu de dor, provocando o nascimento desta selva de árvores pequenas e retorcidas, como que esquecidas pelo tempo! - E agora? E a ave azul? O que tem a ver com toda essa história? Perguntou Vayhla com um pesar em suas palavras! - Bem, uma vez ao ano, na época das chuvas de pétalas de Alzyan, o povo encantado permite que um casal dessa ave azul voe sobre os céus deste Reino, para nos lembrar dessa história e de sua presença sob os nossos pés! - O quê? Perguntou Layhno visivelmente perturbado! Quer dizer que o povo ainda vive e está sob a Terra densa? - Sim, meu caro. A Terra não é tão densa para esse povo que sabe usar do poder do som! E, além do mais, nós somos descendentes deles! - Nós?! Perguntaram em coro os irmãos! Por favor, conte-nos em detalhes se possível a origem de nossa história. - Com prazer, pois nossa história permanece velada por motivos que envolve o passado, o presente, mas principalmente o futuro. Por isso nosso povo foi sutilmente educado para não se interessar por seu passado e a viver apenas o presente. Mas vamos então a nossa história, da qual vocês farão parte de modo chave daqui para frente. O Sábio se ajeitou e começou a narrativa:

- Passado certo tempo, alguns casais do povo de Alzyan decidiram voltar para a superfície. Sentiam

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saudades das noites estreladas e do cheiro da mata.

Quando chegaram ficaram chocados em ver no que a natureza havia se transformada: em árvores petrificadas! Até o solo parecia ter envelhecido, endurecido e finalmente corroído, provocando o aparecimento de solos arenosos e diferentes. Sem dúvida o choque quase fez com que desistissem de retomar parte da cidade ainda sobrevivente. Mas optaram por ficar. Algo mais forte que o grande desafio de construir uma nova civilização os fez ficar e foi assim que surgiu a Lenda de Hybez! Na verdade, esse nome foi escolhido pelo líder do grupo, que sabia do passado glorioso da vasta extensão de terras vermelhas, da qual essa região fazia parte e da qual restavam em alguns cantos, apenas estranhas formações avermelhadas, lembrando palácios e templos em ruínas.

O nome Hybez foi escolhido em homenagem a uma gama de seres especiais que aqui tinham plantado a semente da inteligência em algumas raças primitivas de seres que viviam na gigantesca mata densa, nos primórdios de vida deste belo planeta, e que evoluiriam dentro de padrões marcados pelo tempo. O povo de Alzyan sabia disso e tinha dentro dessa história singular, uma função estratégica.

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O novo lar das Terras de Hybez foi reconstruído com o uso da porcelana azul, cujo material proveio do Reino Encantado. Aqui fora o material se transformou nessa espécie de porcelana e adotou naturalmente essa cor. São os mistérios dos elementos químicos, que reagem a cada ambiente de um modo variado. - Diga-me Sábio! Qual o motivo de nos ter contado esta fantástica história desconhecida? Suponho que seja mais do que apenas satisfazer a curiosidade de dois irmãos? Perguntou sabiamente a gentil, mas corajosa Vayhla! - Sim. Há um motivo e esta parte é a mais delicada. Vamos fazer uma pausa e beber um saboroso suco de polpa de Pequy!

O mistério da selva de prata
Refeitos eles voltarem a se sentar depois de terem saído para o pátio circular e apreciarem a bela vista panorâmica, incluindo a cadeia das Montanhas do Silêncio, as quais emitiam um som misterioso em certas épocas do ano, como a lamentar a partida do povo que as criou com seus belos cânticos. Nesses dias, todos paravam instintivamente e elevavam suas preces ao Criador que chamavam de HALLAY e que significa SENHOR DA LUZ! E o Sábio retomou a fala: - Nosso povo um dia também vai perecer, pois nada aqui é eterno. Por isso nossos sábios vinham mantendo contatos esporádicos com alguns emissários do povo Encantado. Esses contatos foram ficando cada vez mais raros, até que pararam de ocorrer. Mas a corte de sábios nunca esqueceu das previsões dos sábios do povo Encantado que nos alertaram quanto a um dilúvio que não tardaria muito.

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Teríamos alguns sinais como pistas, e um deles se referiam a um casal de monarcas que teriam um casal de filhos, de singular beleza e de grande estatura espiritual. Vayhla e Layhno se olharam e ambos pensaram a mesma coisa: (Por isto sempre tinham um sentimento de que um laço incomum os unia além do fato de serem irmãos?) - E então venerável Sábio? O que esse casal de filhos afinal tem a ver com a história de seu povo e do povo encantado e do pássaro azul? Estou ficando confusa e nervosa! Disse Vayhla suspirando. - Queridos e prezados! De fato trata-se de vocês. Temos avaliado seus comportamentos, suas buscas, suas inquietações desde que eram crianças e vimos que ambos possuem traços do Povo Encantado! - Como assim nobre Sábio? Perguntou Layhno ofegante! - Vejam! Seus amados pais não conseguiam ter filhos e buscaram por todos os recursos disponíveis! Em vão. Um dia, enquanto passeavam pela floresta, para justamente se animarem um pouco, um homem vestido de modo diferente do nosso os abordou rapidamente e disse que precisavam ambos beber durante certo tempo o líquido de uma planta que ele lhes mostrou na floresta. E depois desse período, eles seriam pais de um casal de filhos muito especial!
Vocês sabem que sua tonalidade de olhos não existe no reino! Não sabemos de onde os herdaram. Seu caráter é também à prova de qualquer dúvida. Portanto, sei que são o casal que terá condições de acessar o Portal para o Reino Encantado quando nosso reino for invadido pelas águas!

Vayhla será a portadora da revelação.

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Um silêncio profundo tomou conta do ambiente. Ninguém sentiu desejo de falar ou perguntar algo a mais. Finalmente Vayhla pediu ao Sábio que ele então os preparasse para esse momento. - Sim! Este encontro de hoje é a primeira parte. Terei que falar com vossos pais, pois vocês dois precisam passar um período no monastério para estudarem algumas leis, mas principalmente para aprenderem a ouvir O Som do Silêncio! - Que Som é este afinal de que tanto ouvimos falar caro Sábio? Perguntou Vayhla. Há muito que este assunto me faz pensar em segredo! - Não é algo que posso revelar em duas frases, disse o Sábio, mas posso adiantar que é um momento especial na vida de um ser!

Ouvir o Som sem Som, é aprender a ouvir a Voz de Hallay, que é delicada como a chuva de neblina. Quem aprende a ouvir esse som insonoro, afinou de tal modo sua alma, que Hallay pode nela tocar suas secretas melodias e assim elevar a alma de todos os seres receptivos a ela.

Dizendo isto o Sábio se levantou e convidou ambos a voltarem para o pátio, de onde se tinha uma vista deslumbrante do vale, e concluiu: - Quando o casal de aves azuis novamente voar sobre este céu, será o momento de vocês seguirem seu curso para encontrar o Portal. Precisam aprender até lá a capacidade de se comunicarem sem palavras e este aprendizado será parte do processo de ouvir o Som do Silêncio. Vayhla terá mais facilidade, pois a alma feminina tem por natureza mais predisposição em ser um receptáculo, por isso será a portadora da revelação.

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O tempo foi passando e junto com os preparativos da Festa Anual da Consagração do Milho, Layhno e Vayhla voltaram para o Palácio e viveram por um período de modo aparentemente normal. No entanto logo começaram a se retrair, preferindo cada vez mais a reflexão e as pesquisas na Biblioteca Real sobre temas ligados ao amadurecimento da alma, mas também de assuntos que nem sempre entendiam porque os atraiam. Algo os impulsionava, e tudo isso fazia parte de seu amadurecimento e preparo. Helyon, possuidor de singular sabedoria, não lhes pediu nada em especial, pois deveriam seguir seus impulsos nascidos dessa história, sem serem coagidos, mas apenas inspirados por ela. E assim sucedeu. Um dia então o Sábio os convocou às pressas.
Sabiam que era hora de buscar pelo Portal.

Partiram logo após o chá da tarde, quando seus pais iriam descansar nas formosas redes feitas de uma planta, da qual se fabricavam roupas, redes, bolsas e outros utensílios. Quando se aproximavam da Montanha Azul, o casal de aves subitamente voou sobre suas cabeças! Não hesitaram. Sabiam que teriam que seguir as aves. Ambos estavam montados em cavalos e não foi tão difícil seguir as belas aves, que voavam em escalas, como que propositalmente, para facilitar a tarefa dos irmãos. Chegaram então às margens de um rio caudaloso, mas raso. Do outro lado a floresta parecia ter mudado de cor. Parecia prateada. Estava quase anoitecendo e ambos estavam preocupados, pois não estavam preparados para um pernoite na floresta. As aves pousaram sobre uma árvore, em cima de um monte feito de pedras gigantes.

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- Veja Vayhla! Garanto que embaixo destas pedras tem uma caverna! Disse Layhno eufórico pela aventura singular. Depois de acomodarem os cavalos perto do que parecia ser uma entrada, logo viram a entrada para o que parecia ser uma caverna. E de fato era uma. Além disto, ampla. Vayhla sentiu um ar de aconchego e por isto sugeriu forrarem o chão com as folhas macias prateadas daquelas árvores curiosas. Layhno achou a idéia excelente. Depois de terem folhas suficientes, Layhno buscou alguns galhos secos e fez rapidamente uma fogueira. Ambos amavam o fogo sob qualquer circunstância! - Acho que vou pegar alguns peixes! Disse Layhno animado por precisar enfrentar um momento desafiador. Ele, como bom filho de um monarca, tinha sempre consigo um cantil, uma faca afiada, arco e flecha, algumas cordas trançadas com uma espécie de bambu, e outros apetrechos! Afinal, ele aprendera não só a cavalgar, mas em saber se virar na floresta em caso de alguma emergência.

O Reino possuía um treinamento singular nesse sentido. Não só homens, mas também as mulheres participavam de todos os treinos. Algo que os distinguia de outros povos, embora não o soubessem. Para o povo do reino isso era algo natural. Embora muito femininas, as mulheres sabiam manejar arco e flecha, fazer fogo e caçar o suficiente para uma sobrevivência, além de terem noção de ervas para diversos males.

Este treinamento vinha de uma antiga instrução ainda dada pelos emissários do Povo Encantado, que perceberam a necessidade de se adequarem a esta natureza, mais rude e de certo modo traiçoeira. Parecia que ela havia captado e

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incorporada, a invasão injustificada do povo que tinha poder sobre os mares e ares. Era um povo que vivia distante e tinha uma história longa e igualmente curiosa, da qual os sábios apenas tinham uma noção imprecisa. Vayhla ficou animada com a idéia de comerem algo e já foi pegar sua parte. Sempre trazia consigo (junto à sela do cavalo) um pequeno suprimento de ervas medicinais, sal e um frasco de azeite de pequy. Assim que Layhno voltou com dois peixes, ela rapidamente os preparou! Depois de terem apreciado as últimas labaredas do fogo, se sentiram sonolentos. Jogaram um dos mantos dos cavalos sobre as folhas, deixando o manto mais grosso para os cavalos, e cobriram-se com suas capas. Adormeceram aconchegados, com as pedras ainda refletindo o calor do fogo agora extinto, pois, outro truque era colocar várias pedras a volta do fogo, para estas depois exalarem ainda um resto de calor. Embora não fosse a época fria, ainda assim as noites eram frias comparadas ao calor do dia.

O estranho som
Acordaram no meio da noite com um som estranho, que parecia vir de muito longe. - Você ouviu este som Layhno? Perguntou Vayhla. - Sim. Por isso acordei como você. Sentaram-se e esperaram ouvir o som novamente. Para sua surpresa, o som veio do fundo da caverna.

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Ficaram quietos e atentos. Não sentiam medo. Sentiam-se apenas desconfortáveis em meio à escuridão da noite que tornava tudo mais misterioso, porém uma claridade tênue permitia ver contornos e movimentos lá fora e isso os confortava. - Vamos caminhar um pouco? Sugeriu subitamente Vayhla, nem mesmo entendendo porque tinha sugerido tal passeio. - Talvez seja bom. Assim podemos pensar melhor, disse Layhno curiosamente animado com a idéia. A noite lá fora parecia menos escura, menos misteriosa e até menos fria do que parecia na caverna. Caminharam à volta das pedras da caverna e perceberam que elas brilhavam a noite de forma a projetar uma luz e era isso que tornava a sua volta tudo coberto com uma fraca claridade. Quando voltaram do passeio, viram que os cavalos estavam um pouco inquietos e perceberam movimento na caverna.

- Não se assustem! Vieram ao lugar certo, Amigos! Disse uma voz sonora e gentil.

Contrastando com a luz externa, o inesperado visitante emanava um brilho opaco suficiente para ver-lhe os traços. Trajava uma capa discreta que parecia preta de tão escura, mas olhando com mais cuidado, era mesmo de um tom azul noite, e botas altas. - Saúdo-vos Vayhla e Layhno, das Terras de Hybez! Não temos muito tempo, por isso vou ser objetivo com vocês. Esperávamos que viessem hoje a este lugar, conforme a correta interpretação de vossas profecias. Em breve vosso País será invadido pelas águas e vosso povo deverá ter a chance de salvar-se. Providenciamos uma parcela de terras que poderão habitar. Para isso precisamos traçar um plano e esse é o motivo deste contato.

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Depois de Vayhla e Layhno se recomporem do susto, traçaram em conjunto algumas diretrizes e o visitante pediu se havia ainda alguma coisa que gostariam de perguntar! - Sim! Respondeu prontamente Vayhla! Teria muitas perguntas, mas vou ver se consigo extrair as perguntas que mais atormentam minha alma. Uma delas se refere a própria catástrofe que se aproxima. Porque ela é necessária? Como inseri-la dentro da crença em um Criador Soberano, Justo e Bondoso? - Prezada princesa Vayhla!
Esta pergunta certamente merece uma boa resposta, mas saiba que respostas verbais de terceiros não são a solução ou mesmo a razão dos problemas e dilemas existirem, e sim a experiência pessoal e as conclusões a que cada alma deve chegar, para amadurecer por meio delas.

Veja! Se assim fosse, o Sábio poderia vos responder tudo e agora! E de nada adiantaria sem a vossa parcela de cooperação, ou seja, de reflexão, de busca pelo entendimento e pela compreensão, para alargar a vossa mente e assim ampliar vossa alma! Portanto, a minha resposta deve servir apenas para vos consolar, mas não para responder a pergunta mais profunda que paira atrás de cada questão. Ou seja: justamente porque a maioria insiste em não refletir sobre seus atos, refletir sobre as conseqüências, é que o mundo sempre de novo se vê atormentado pelas reações de ações desprovidas de um mínimo de reflexão. E considere que eu mencionei a palavra “a maioria”, pois felizmente uma minoria segue esta seta e é ela que evita que algumas catástrofes sejam piores!

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- Puxa! Nunca havia pensado assim. Quer dizer, foi a proximidade de uma catástrofe que me fez questionar alguns aspectos da vida, que eu não teria questionado de outra maneira. - Sim! Teria se, por exemplo, em sua vida pessoal já tivesse vivido alguma situação forte, de dor, perda, medo, abandono ou do gênero; em outras palavras: uma catástrofe pessoal. Mas como não foi o caso, uma catástrofe coletiva, está promovendo uma reflexão profunda em sua alma e na alma de todos à medida que dela tomarem conhecimento e este será o aspecto benéfico indireto de um mal necessário fruto da ação desregrada de outros reinos. Dizendo isto o ilustre visitante fez menção de que precisava partir e Vayhla e Layhno sensíveis por natureza, logo o deixaram à vontade, e de fato ele sorriu, e com breves palavras se despediu, dizendo que em breve se veriam novamente. Entrou caverna a dentro e pelo jeito sumiu no final dela. Um sono profundo tomou conta de ambos e quando acordaram perceberam que nem lembravam como haviam se deitado após o estranho encontro. Partiram imediatamente em direção da Montanha Azul. O Sábio os esperava no pátio e veio ao encontro deles sem muitas formalidades. - Queridos Amigos. Bem vindos. Suponho que já receberam uma parte das instruções. - Sim, Sábio Helyon. E em poucas palavras relataram o ocorrido. Juntos então definiram detalhes da estratégia de construção de um novo lar. Os irmãos foram instalados para regerem a geração que iria habitar o País Encantado, enquanto os pais continuariam regendo o Reino externo, de modo que não ocorresse nenhum alarde.

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Menos de duas estações tinham se passado e os preparativos estavam bem adiantados. Vayhla estava confiante, pois em breve o novo lar de seu povo estaria pronto. Haveria ainda muito para concluir, mas isto seria então tarefa de todos.

Finalmente chegou o dia da primeira caravana. O ilustre visitante do País Encantado veio abrir os Portais e acompanhar a primeira leva.

E assim sucessivamente. Poucos se recusaram. Os que não quiseram acreditar nas profecias decidiram ficar. Um líder se formou entre eles. Os monarcas lamentaram, mas não podiam obrigar ninguém. Eram um povo livre e hospitaleiro. Em breve o belo reino feito de porcelana azulada seria invadido e boa parte dele destruído. Estátuas, colunas e outros tantos pedaços de porcelana azul seriam cobertos pelas florestas, e os vestígios das Terras de Hybez fariam parte de uma lenda, tal como o eram as aves azuis. E o tempo passou. O Povo de Hybez se adaptou ao novo lar, embora sentisse saudades do céu estrelado e das árvores retorcidas, esquecidas pelo tempo. Por isto um dia Vayhla perguntou ao seu marido se podiam visitar a sua antiga terra e ver o que havia restado. De coração generoso, ele não conseguiu recusar o pedido inesperado. O marido era ninguém mais que o antigo visitante, habitante do Reino Encantado. Seu nome era Vohtin.

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- Vamos nos preparar e partir amanhã! Respondeu convicto, prevendo há tempos que Vayhla algum dia iria querer retornar a superfície. Partiram ao alvorecer, levando cada um em seu ombro um casal da ave azul! Tinha sido uma sugestão de Vayhla levá-los e ver se poderiam adaptar-se lá fora e servirem de testemunha viva de uma história que com certeza viraria uma lenda no futuro. Vohtin achara a idéia válida. Depois de andarem vários quilômetros dentro de um túnel transportados por um carro veloz, movido a uma energia a que o Povo de Hybez se adaptou rapidamente, eles finalmente desceram em meio ao que parecia um imenso pátio subterrâneo, tendo por parede e teto um complexo gigante de pedras. Rapidamente um portal se abriu sob o comando sonoro de Vohtin. E Vayhla reconheceu parte da natureza onde tinha conhecido Vohtin. Em breve apareceram alguns habitantes que deveriam ser os remanescentes dos que decidiram ficar. Depois de alguns momentos de tensão, os povos se reconheceram: três gerações haveriam de comemorar sob a luz de uma lua gigante o reencontro! Contaram sua história de sobrevivência, depois que uma chuva intensa tinha destruído parte de alguns continentes. Eles tinham tido mais sorte. As terras altas os haviam protegido, apenas que aquele pequeno rio acabou alagando e virando um rio gigante, fértil e navegável, pois eles haviam se instalado na selva de prata, num dos platôs da Montanha do Silêncio. A história do dilúvio seria contada por sobreviventes, que tinham vindo refugiados em naus gigantes e que se instalaram rio abaixo. Mas desejando saber o que havia restado do País de Porcelana Azul, partiram a seguir na direção indicada pelos remanescentes. E foi com profunda tristeza que Vayhla viu alguns restos de suas construções, colunas e estátuas tomadas pela mata abundante.

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Foi neste local que fizeram uma pequena cerimônia e lançaram as aves ao céu azul. Vohtin havia lhes explicado em sua linguagem musical, o motivo de sua vinda. Desejou-lhes feliz procriação! Prometeu voltar vez ou outra para conferir que estavam bem adaptados.

E cumpriu com sua promessa.

De época em época ele e Vayhla retornavam e constataram que a mata havia devorado o que havia restado do Reino de Hybez. E quanto às aves azuis, elas logo encontraram a velha tamareira, e se instalaram nela e procriaram. Não muito tempo depois surgiria uma espécie de tamareira nova, menor, com frutos ligeiramente diferentes! Vayhla a batizou de Burity, em homenagem a sua cor dourada, que na linguagem do Povo de Hybez, tinha uma vibração sonora muito parecida.

E num futuro distante, povos bárbaros que chamariam no futuro de Vikings, entre outros, vindos de continentes distantes, haveriam de deixar seus rastros por várias partes, confundindo mais ainda história e lenda. Em compensação, as aves de plumagem azul haviam se multiplicado e se adaptado. Tribos selvagens usavam suas penas para enfeitar suas cabeças. E foi com custo que Vohtin conseguiu introduzir entre algumas, o senso de proteção e de respeito pelas aves exóticas, entre elas as belas Araras Azuis, bem como conceitos de higiene, de plantio e da capacidade de cura de algumas ervas. E um dia, muito tempo depois deste tempo esquecido pelo tempo, uns homens corajosos chamados de Bandeirantes pelo

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seu povo atual, haveriam de encontrar restos de construções de povos vindos de outros continentes. E o mistério do coração do país então chamado de Hy-Brasil, levaria ainda muitos séculos para ser devidamente decifrado! Afinal, os restos de arte e construções dos povos vindos de outros continentes (entre eles os vikings), eram apenas o último vestígio da história secreta deste vasto reino, mas a maioria não se defrontou com os vestígios do Povo de Hybez e de seus palácios de porcelana azul.

Hybez, Hybis, Hy-Brasil, seriam nomes derivados da mesma raiz para designar este vasto reino, ainda perdido no berço esplendido, palco de atuação de vários povos e mistérios que no devido tempo seriam finalmente decifrados!

O fio vermelho das lendas
Muitas expedições seriam enviadas ao coração desse gigante adormecido, para encontrar os vestígios do povo de Hybez e do Reino Encantado. Até um inglês se tornaria uma lenda na busca de ambos e até hoje se discute se ele afinal conseguiu acessar os Portais do Roncador ou não. Se ele afinal ainda vive entre o povo de Hybez ou se foi massacrado pelos índios.

A Lenda parece querer continuar a ser lenda. Ela não quer perder sua aura de mistério e se tornar um fato. Este manto etéreo que envolve o Reino Subterrâneo afinal ainda iria render muitos

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escritos e muitas expedições, vindas de todas as nações.

Volta e meia surgiria sobre a Terra algum habitante do Reino Encantado e se tornaria uma nova lenda, sem o mundo saber que a origem de todas as lendas tinha uma raiz em comum, como a Lenda do Encantador de Ratos! Vayhla e Vohtin deixariam seus descendentes no Reino Subterrâneo e pela união de ambos e depois entre outros de seus povos, resultaria uma raça mista, altamente resistente. Um povo de singular alma poética e musical, que habitam os mundos subterrâneos em harmonia. Haveria também de existir um discreto intercâmbio entre o mundo externo e o mundo interno, na medida do possível, embora nem sempre as freqüências do tempo permitissem tal, provocando alguns casos anômalos vez ou outra, como o caso do rei Bretão Herlan, em época passada. E no presente, muitos contatos seriam retomados com todos os povos, mas o mundo incrédulo e pervertido, jamais saberia desses fatos e poucos seriam os que veriam neles o fio vermelho da história do planeta. Em verdade, é uma história composta de camadas, da qual o povo de Hybez foi o último elo do povo de Alzyan, que viveu na época que hoje alguns chamam de a Idade de Ouro. A selva de Prata viria a ser o símbolo da próxima geração. E mais tarde, surgiria no outro continente, o povo de cabelos cor de Bronze, como símbolo da era posterior, para finalmente, surgir a Idade do Ferro, onde todos os valores seriam invertidos e o fogo teria de purificar o planeta para transformar os elementos brutos em elementos de quinta essência.

Na verdade, a verdade é um tapete colorido feito de interconexões, cujos elos se perderiam na misteriosa teia do tempo.

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Nenhum livro sobre a face da Terra teria o registro completo. Cada um representaria uma peça do puzzle e nem todas as peças seriam realmente encaixáveis, pois alguns povos poliriam demais a sua peça, digo: a sua história e destruiriam os contornos essenciais da peça. Outros exagerariam na versão e tornariam suas peças de puzzle desproporcionais.

As lendas preservam apenas a essência de alguns fatos e povos, onde os detalhes geralmente servem para enfeitar e colorir, sem haver preocupação se são a mais pura invenção ou tem algum fundo de verdade!

A Lenda de Hybez com certeza é a mais antiga de todas e permaneceria para sempre um mistério indecifrável para a maioria, pois nos primórdios da vida inteligente neste exuberante planeta, uma raça de seres divinos viria ajudar a implantar a inteligência na alma dos primeiros seres rudes e ignorantes. Os nomes dos emissários de tal missão afinal originariam o nome de Hybez. E no final restaria para alguns apenas uma história confusa mesclada com lendas, da Cidade Perdida de Z, que alguns querem encontrar no coração do país que hoje chamamos de Brasil, outros no interior da Terra, e outros ainda em algum lugar secreto nas selvas da Amazônia. A arara azul viria a ser um detalhe dentro destas lendas, um detalhe exótico e desconhecido, justamente por ser um detalhe!

A continuação do conto do “Encantador de Ratos”

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Muitos milênios haviam transcorrido e da geração de Vohtin e Vayhla poucos tinham noção da extensão da história de seus país de origem, embora ela tivesse sido preservada na Biblioteca Central de sua nova cidade nos mundos subterrâneos os quais alguns relacionam com o nome de Agharta, outros com com Shamballah ou Shangrilah.

Na verdade, dizem alguns, Agharta é o nome de um continente composto por sete reinos, sendo Shamballah a capital, a oitava cidade! E Shangrilah seria apenas um nome em outro idioma a significar o mesmo! Mas a história do Planeta é mais complexa, e como já falamos, lendas apenas apontam para alguns fatos centrais, como picos. Os picos são parte de uma cadeia de montanha e esta, parte de terras, por vezes imensas. Há, portanto, mais do que apenas um povo subterrâneo dizem as lendas, e os nomes acima seriam apenas os mais conhecidos e inclusive inacessíveis por viverem em uma dimensão de vibração muito superior a nossa. Haveria também povos inferiores aos da superfície e perigosos, e alguns seres que mais se pareceriam com gnomos e outros gêneros de seres intermediários. No entanto, para finalizar nossa lenda, vamos contar um detalhe curioso ocorrido após o Encantador de Ratos ter “raptado via encantamento” todas as crianças da pequena cidade alemã de Hameln (hoje Hamelin), no país que na época ainda não se chamava Alemanha, a qual libertou da praga dos ratos. Existem diferentes versões, como é normal, para fatos que se tornaram lendas. Alguns dizem que foi apenas no século XVI que

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o desaparecimento de 130 crianças foi relacionado ao encantamento dos ratos; uns dizem que as crianças reapareceram em outro local, outra versão diz que foram afogados num rio próximo a cidade. Mas parece que o desaparecimento em um portal aberto na montanha é o mais correto, pois até hoje existiria ali uma placa indicando o local, visto que uma das crianças não conseguiria acompanhar o grupo por mancar e o portal se fechara antes dela adentrar! Graças a isto o fato e o local se tornariam conhecidos, onde existiria um monumento, contendo entalhes da história. E também na igreja existiria um vitral do Encantador e do sonoro rapto das crianças a 22 de Julho de 1376! Dizem ainda que na Transilvânia vive um povo com vestes curiosas que dizem ser descendentes dessas crianças, o qual saiu do interior da Terra, por outro portal daquela região! No entanto, diz esta lenda que vos conto, que as crianças (ou muitas delas?) cresceram e viveram felizes no reino subterrâneo e revivem sua história anualmente em forma de festas simbólicas onde não faltam ratos, flautas e danças.

Portanto, dando continuidade aos descendentes das crianças raptadas pelo Encantador de Ratos, em 1376:

Um dia uma garota de nome Dayhla resolveu achar a saída, para rever a cidade de origem de seus pais. Junto com seu irmão gêmeo eles foram até o Encantador pedir por autorização para rever a cidade. O flautista encantador ainda vivia, pois no seu país o tempo tem outra freqüência e o envelhecimento como o conhecemos era algo quase que desconhecido.

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O Encantador achou a idéia interessante e se dispôs a levá-los em sua carruagem feita de cristal, puxada por dois belos cavalos brancos com asas. Voaram rapidamente por entre os céus serenos e gentis do interior da Terra e chegaram numa pequena caverna de cristal com água cristalina.

Lá o Encantador deixou seus cavalos e proferindo um som mágico um portal surgiu como que por encanto na frente dos três. Andaram por entre a mata de pinheiros e chegaram a uma clareira, onde alguns homens estavam descansando. Assustados com a súbita aparição de três figuras curiosas, os homens só se acalmaram após a garota pedir em alemão pela direção da cidade. Eles ficaram tão encantados com o alemão estranho mas atraente, que um deles se ofereceu para levar os três em seu carro estacionado a poucos metros. Altamente curioso ele perguntou o motivo de buscarem justo tal cidade amaldiçoada. A garota sorrindo disse apenas que desejava rever a cidade de seus parentes distantes. Em menos de quinze minutos estavam no centro da antiga cidade, que ainda continha registros do evento ocorrido. Dayhla insistiu para irem ao cemitério e visitarem o túmulo de seus pais. De fato, lá estavam as lápides de ambos. Lembrando que onde viviam agora, o tempo iria transcorrer de forma diferente. Aqui fora já haviam se passado vários séculos e lá dentro eles acabavam de se tornar adultos, devido a diferença do tempo, o qual está relacionado a diferença da freqüência vibratória da matéria; nos mundos subterrâneos mais adiantados, a matéria é menos densa do que a nossa e o tempo também (diz a lenda). Os irmãos prestaram uma homenagem silenciosa aos pais e voltaram para a mata de pinheiros lentamente, evitando

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permanecer na cidade onde seriam notados pelos seus trajes e traços e com certeza abordados. Porém, como a cidade abriga um grupo de teatro, muitos os confundiriam com atores. No entanto, antes de chegarem ao local onde o Encantador abrira o Portal, Dayhla pediu se não poderiam visitar as Terras da Arara Azul, da qual tinha lido na bela e enorme Biblioteca da cidade de cristal. Ele estranhou o pedido repentino e disse que iria pensar por um momento a respeito. E consultando alguns registros invisíveis e incompreensíveis para os garotos, ele percebeu com espanto, que ambos continham os genes dos irmãos que tinham vivido nas Terras onde hoje habitam as Araras Azuis. E então disse: - Sim. Com certeza se alguém merece rever estas Terras são vocês dois! E animado saiu correndo feito criança pelo Portal que acabara de abrir!
Os três chegaram à caverna de cristal em poucos segundos e a seguir estavam singrando pelos ares na direção oeste no majestoso cavalo de asas que pareciam feitas de diamantes, tal era seu brilho!

Chegaram numa espécie de estação e lá pegaram um trem de dois vagões que em minutos atravessou grandes distâncias, chegando numa espécie de plataforma que parecia abandonada. De fato, o acesso a este Portal estava inacessível no presente momento e por isto com ar de abandonado, embora tudo estivesse intacto, afinal os túneis ainda haveriam de ter alguma utilidade no futuro próximo. Com facilidade o Encantador abriu um Portal por entre uma parede de rochas. E logo estavam novamente ao ar livre.

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Estava amanhecendo nas Terras das Araras Azuis. Um sol generoso surgia por detrás da cadeia de montanhas calva e sem picos. Caminharam um pouco e encontraram um pequeno oásis repleto de buritis, uma das árvores preferidas das araras azuis. Subitamente o céu se encheu de plumagens azuis que revoaram em grupo como a saudar seus ilustres visitantes! Dayhla tremia de emoção e o irmão gritou: - Como são lindas em contraste com este céu e esta natureza selvagem! - Sim! Disse o Encantador. Lindas e misteriosas em sua vocação de servirem de exemplo do que há de mais singelo na vida de um casal. - Como assim? Quis saber Dayhla!

- O casal de araras azuis vive junto por todo tempo que vivem, criam sua prole juntos, dividem suas tarefas. Além disto, se alimentam basicamente de frutos, nozes, mas também de alguns insetos e larvas. Representam a doçura, a fidelidade e a cooperação.

Simbolizam indiretamente e de forma velada, as grandes épocas que envolvem as Terras das Araras Azuis. E agora meus queridos, precisamos retornar. Os irmãos pediram para o Encantador trazer as Araras Azuis de volta para os buritis, para o adeus. E sem esforço ele o fez. A revoada foi festejada com uma delicada chuva de neblina azul, lembrando as chuvas de pétalas de Alzyan. - Em breve – disse o Encantador, quebrando o encanto do momento - as Terras das Araras Azuis e dos seus ancestrais,

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serão tomadas pelas águas e pelo fogo para serem depuradas e transformadas! - Mas que triste! Isso é inevitável? Perguntou Dayhla. - Sim! Porque o planeta não vai conseguir se purificar enquanto produzir continuamente material tóxico. É como querer manter uma casa limpa, quando o dia todo despejamos lixo nela! O fato de reciclarem lixos, de haver menos quantidade, é de longe suficiente para purificar o planeta, mas apenas suficiente para não se afogarem em seu próprio lixo. A meta final do planeta é torná-lo digno de sua exótica beleza e singularidade, para servir de palco para outras criações, mais etéreas, feitas de uma matéria... como definir?
- Talvez matérea! Disse Dayhla sorrindo!

- Sim, perfeito! Respondeu o Encantador. Portanto, poucos antes de sua dolorosa purificação, virei até as Terras das Araras Azuis e as devolverei a seu lugar de origem, para que não sofram as conseqüências do que os humanos provocaram. E assim faremos com outras espécies, mas em menor número, ao passo que as Araras Azuis serão salvas em sua totalidade, mesmo porque, por pouco não teriam sido extintas, portanto, seu número é muito reduzido comparadas a outras de sua espécie, concorrendo apenas com suas primas, as Araras Vermelhas em grau de extinção! - Mas e os humanos? Nenhum deles será salvo e trazido para o interior, onde a fúria da natureza com certeza não conseguirá chegar? Perguntou novamente Dayhla inconformada com a notícia. - Sim! Muitos serão salvos dessa maneira: por meio de portais! Alguns vão morar perto de alguns portais dos quais jamais se ouviu falar. Ou serão conduzidos a tais lugares em momentos certos. Outros serão salvos de outras maneiras. Inclusive por

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alguns de nossos transportes aéreos, preparados para ajudar todos que corresponderem a um nível vibratório mínimo. Mas muitos vão perecer. Cada um vai receber o que merecer. É como dizem aqui sobre a Terra: - A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória! E agora vamos embora! Tocando uma bela melodia em sua flauta mágica, o Encantador reanimou os corações dos dois irmãos, fazendo-os esquecer as partes tristes, pois de nada lhes serviriam neste momento. E alegres retornaram ao Portal de Pedra e proferindo o “abracadabra” este se abriu e eles voltaram para seus reinos no dorso dos belos cavalos de asas, que aqui fora, aliás, são mera lenda! Mas se toda lenda contem uma parcela de verdade?!

Ouvi dizer que ainda devem existem jornais no Sul do País das Terras das Araras Azuis, que contem fotos de tais cavalos alados, quando esses uma vez apareceram por lá! Quem quiser conferir...

Posfácio

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Caros leitores! Chegamos ao final... deste conto. E se sinto um certo ar de frustração, então ele terá cumprido com sua função: de atiçar a curiosidade! Por isso, antes de prosseguir com a leitura, resuma numa frase o que o conto lhe despertou ou qual a parte que mais lhe tocou. Vai se surpreender! Não só em relação a este conto, mas se fizer isso com todos os livros que ler!

Este conto em forma de lenda, foi escrito dia 23 de abril de 2010 e tem vários objetivos! Um deles é instigar todos a buscar dentro de si os mistérios de um reino de paz e harmonia, o qual, por contrapartida macrocósmica, deve existir no interior na Terra, baseado na máxima do ser envolvido em mitos e lendas (pois é!), o famoso Hermes, como era conhecido na Grécia, ou Thot seu nome no antigo Egito, ou o Deus Mercúrio dos Romanos.

“Assim como em cima, embaixo”! grande!

Como no pequeno, no

Existem muitos registros sobre reinos existentes no interior da terra, além das inúmeras fábulas e lendas que falam de portais, sugerindo os locais mais curiosos, como dentro de um antigo armário no conto de Narnia! Aqui vale citar o famoso livro A TERRA OCA de Raymond Bernard e mais recentemente, o excelente livro de Alec Maclellan, todo pautado em pesquisas, com o título O MUNDO PERDIDO DE AGHARTA. Pessoalmente sou uma apaixonada pelo tema e teoria da Terra Oca.

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 40 - 49

Vivi perto do Roncador por mais de dois anos e tive a oportunidade de conhecer na época o Lago Sagrado, que fica ao lado de uma grande caverna. Na ocasião, um jovem índio, com o qual conversei mais tempo, contou-me que no passado os pagés mergulhavam na lagoa e voltavam depois de muitas luas com novos conhecimentos sobre higiene, plantio e outros. Jacques Custeau pesquisou a lagoa e concluiu que ela não tem fundo assim como também não possui peixes. Entre outros detalhes curiosos. Tenho fotos da lagoa, do índio e do meu grupo de amigos de São Paulo que veio me visitar na época, bem como da caverna do lado de fora, pois dentro estava muito escuro e eu não tinha levado flash. (Seguem fotos do meu álbum – tiradas por mim em 22.7.1987)

Portanto, muito do que expus no conto, tem aspectos de verdades ou de teorias muito bem pesquisadas; mas também usei da fantasia para compor esta estória, sendo que a inusitada porcelana azul surgiu em função de um sonho que tive, dias antes de me sentir inspirada a escrever o conto. No sonho de fato me encontrava no coração do Brasil e vi colunas quebradas

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 41 - 49

e uma estátua em perfeito estado de conservação, tudo feito do que no sonho me pareceu ser porcelana azul. O que literalmente me encantou e foi uma grande inspiração para escrever o conto. Já o Encantador de Ratos não estava previsto figurar nesta lenda. Ele é fruto de um fato curioso ocorrido enquanto planejava escrever este conto, mas que foi retardado pela visita inesperada de uma amiga. Disse a ela que tinha um compromisso fixo nos próximos dias nos quais ficaria: - Assistir na TV Cultura a série do Conto de Fadas! Disse-lhe que estava alimentando minha criança interior, que não teve esta oportunidade na sua infância e que estava adorando, além de ser uma “siesta” perfeita para digerir o almoço em paz! No primeiro dia de sua estadia passou o conto do Encantador de Ratos. Eu tinha ouvido falar a respeito, mas não mais! Então, quando o Encantador surgiu em cena, eu tive uma intuição tão forte que falei em voz alta:

- Ele veio do interior da Terra!

Qual nosso espanto, quando, no final, ele “encanta as crianças” do povoado e as leva embora para sempre, sumindo no meio de um portal, visto pelo menino manco, que não conseguiu entrar a tempo, e bem por isto pode servir de testemunha! No final desse conto ainda foi dito que o monumento que colocaram no local onde as crianças sumiram, e o nome da rua, existem até hoje no pequeno vilarejo da Alemanha e que aquela versão era a mais próxima da verdade! Eu quase pulei do sofá e minha amiga também ficou bem impressionada, pois a passagem por um “portal não físico” é uma façanha que aparece em muitos contos e lendas, de diferentes povos e épocas e sempre relacionado a reinos incríveis!

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 42 - 49

Outro fato curioso ocorreu, quando agora a pouco fui buscar nas minhas caixas de mudança o livro de Ludwig S. para ver o título dele (que vou citar mais tarde), e tive o ímpeto de trazer outro livro junto, em alemão, com o sugestivo e nada criativo título (em alemão) de: DILÚVIO – Um mistério será desvendado (o título original em inglês é Noahs Fload – The new scientific discoveries... Simon & Schuster – NY) . Ainda pensei: mas o que quero deste livro? Ele é grosso e altamente técnico embora fascinante, pois descreve nos mínimos detalhes como pesquisadores renomados constatam por meio de camadas de terras retiradas do fundo de mares, as idades de cada período, seu clima e até como vivia sua gente! E como descobriram que mitos e lendas confundem dois dilúvios e falam dele como se fosse um só: o de Noé e outro! Um de fato planetário, mas o outro parcial ou local! Lembro que li o livro em 2001 na Suíça onde o comprei, mas não lembro até que ponto o li, justo por ser tão técnico. Mas, pasmem, abri o livro numa parte onde ele fala acerca de mitos e contos e de como os “contadores cantantes” de mitos e contos (também chamados de Bardos), eram os “historiadores” junto a povos que não sabiam ler. E daí o livro fala de Milman Parry e de como este professor da Universidade de Harvard montaria uma teoria que o mundo todo adotaria. Ao ouvir as gravações de mais de 13000 versos (sim treze mil), de diversos Bardos, ele percebeu como cada Bardo, incluindo o sérvio Salih Ugljanin, nunca contava a mesma história ou mito com os mesmos elementos! Apenas um fio vermelho central permanecia intacto, mas todos os detalhes eram alterados de forma criativa e renovada! Oras! Quem diria que um professor de Harvard endossaria minha singela definição sobre lendas que expus no capítulo sobre O Fio Vermelho das Lendas, na maior espontaneidade. Vou copiá-la para uma comparação:

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 43 - 49

“As lendas preservam a essência de alguns fatos e povos, onde os detalhes geralmente servem para enfeitar e colorir, sem haver preocupação se são a mais pura invenção ou têm algum fundo de verdade!”

Baseei a conclusão acima de como eu mesma inventei um cenário para contar alguns fatos verídicos e assim torná-los mais fascinantes! Quanto às araras azuis, não posso deixar de mencionar que quando vivia no Cerrado e nos anos que tenho visitado a região, toda vez que vejo araras azuis voando sobre o belíssimo céu do cerrado, algo em mim “se recorda” de um povo pré-atlante ou atlante, que viveu naquele exótico cerrado! Tinha dias que a sensação era tão forte, que eu pedia para Deus tirar a cortina do tempo (o akasha ou a camada etérica da Terra), para poder ver cenas daquela época. Cheguei a implorar! Mas niente! Acho que se teria visto algo, nunca mais teria me desapegado daquele Cerrado! Hoje tenho certeza que o Brasil foi uma colônia Atlante! Mas muito antes deste milênio, esta Terra de Badezir foi palco de vários povos ainda mais antigos, sendo que a Lenda de IBEZ se refere a esses tempos. O cerrado que se estende por uma vasta região, foi constatado ser uma das, senão a mais antiga região geográfica do planeta, por isto suas árvores petríferas e suas serras mais parecendo platôs elevados, de tão gastas pelo tempo. Basta citar o atual Parque da Serra da Capivara no Piauí: - Ele possui o acervo mais rico em pinturas rupestres do mundo! Mas não só isto: - As pesquisas comprovam a existência de vida humana há cinquenta mil anos na região! Coitado de Pedro Álvares Cabral. Ele foi o último a descobrir o Brasil, mas nem por isto o mais importante para nós brasileiros! E o que falar de Vila Velha e de suas lendas?

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 44 - 49

Quanto a um passado recente, depois de ter lido o livro OS VIKINGS NO BRASIL de JACQUES DE MAHIEU que refuta com excelentes argumentos e conhecimentos, em boa parte a tese de LUDWIG SCHWENMHAGEN, exposta no livro FENICIOS NO BRASIL, ficou claro que antes de Cabral vários povos deixaram aqui seus rastros. Em forma de artes, templos, escritas, canais, entre outros. Ambos os livros citados estão extintos e os adquiri por acaso. Da mesma forma ganhei de presente, em plena Suíça, o livro extinto DE AKNATON A JK de IARA KERN, de um suíço já falecido agora.

Mas talvez o relato mais instigante seja o do livro A CRÔNICA DE AKAKOR que tenho em alemão e o livro A CLÃ PERDIDA DOS INCAS, do qual possuo apenas cópia, sendo que o exemplar original pertence a uma amiga do planalto central. Aliás, estamos buscando editores para este livro, pois sua história ultrapassa a qualquer lenda, mito ou relato! Um livro único! Literalmente incrível por se tratar de um relato real! E que relato!

Todos os livros citados retratam diferentes facetas do nosso Brasil descoberto recentemente. Agora é preciso des-cobrir sua história antes de Cabral. Claro que se compararmos nossas ruínas com as Pedras de Ica, por exemplo, ou com Macchu Pichu, não dá para concorrer. Mas afinal, a questão não é ver quem tem maiores ruínas, e sim se perguntar por que no Brasil quase não existem ruínas! E as poucas que existem ainda são ignoradas! Cavernas com inscrições são motivo de estudo no mundo inteiro, mas aqui elas correm o risco de desaparecer e se não fosse por alguns estrangeiros pioneiros, muitos sítios arqueológicos ainda seriam de propriedade particular!

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 45 - 49

As de Piauí podem ser os maiores, mas temos em escala menor, pinturas ditas rupestres, em muitas cavernas pelo visto. E em Barra do Garças também. Eu mesma as vi e fotografei. Mas e quanto a serem estudadas antes delas perderem seus contornos? Veja uma foto de uma delas que fiz em dezembro de 2009:

Também não posso crer que a única ruína de maior porte, talvez de origem atlante, de uma cidade abandonada vista e visitada pelos Bandeirantes, descrita no Documento 512, escritopor eles, não tenha sido descoberta pelo sistema de satélites! Isto sim é um mistério para mim!!!

O tal do documento, que está arquivado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, foi e ainda é motivo de pesquisa não só por parte de brasileiros! E se de fato essa cidade nunca foi vista por satélite, então aqui vai uma pista: - Nesse caso os Bandeirantes viram uma cidade existente em uma dimensão física ligeiramente mais sutil que a nossa! Caso contrário, vocês vão concordar que já deveria ter sido

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 46 - 49

encontrada, fotografada e cartografada. Mas claro que também não seria revelada sem mais nem menos, pelos que manipulam a história! E esta é a outra hipótese de “não ter sido encontrada”! Portanto, espero que essa lenda também tenha atiçado sua curiosidade acerca de um Brasil ainda envolto em mistérios, lendas e principalmente de histórias mal contadas!

Igualmente pretendi com esta Lenda cooperar para diminuir o grau de extinção não somente das Araras Azuis, mas de todos os pássaros e também de sua indiscriminada e desumana confinação em cativeiros frios, sem árvores e sem espaço para voar! Por isto anexo a seguir o poema que fluiu em inglês (para minha surpresa, pois tenho só noção básica do idioma) e que se encontra publicado no Scribd, aliás, foi com ele que estreei minha página no em setembro de 2009.

Entendo que o mundo precisa, de modo geral, de ajuda contra toda forma de extinção, discriminação e escravização e cada um deve fazer sua parte, de acordo com suas afinidades. Entendo que as crianças e animais abandonados em grandes cidades são um problema muito mais sério e emergente do que salvar aves em extinção, porém, por algum motivo que não consigo entender, meus planos de atuar nas áreas citadas desde os 23 anos, nunca foram frutíferos, ao passo que o poema em relação às aves surgiu de forma quase que arbitrária e este conto idem. Depois de muito refletir a respeito, compreendi que nossas almas têm propósitos diversos e cada um será guiado de modo a cooperar onde, por motivos nem sempre claros, somos levados a dar nossa parcela de contribuição.

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 47 - 49

Finalmente, muito obrigada por sua leitura!

Espero que tenham curtido a aventura, lembrando que ventura maior é sentir Deus Imanente em forma de uma Semente e não apenas crer em um Deus Transcendente!

- Assim como dentro, fora! Diria Helena copiando Hermes! Embora com proporções de acordo! Imagine como seria difícil crer que numa semente esconder uma árvore gigante se nunca tivesse visto o de germinação e crescimento de uma? Mas quando árvore não lembramos da minúscula semente e de originou! E achamos tudo muito óbvio! Natural! pode se processo vemos a onde se

Deus vive em nós em forma de uma Semente Divina, que espera um dia se tornar uma árvore frondosa! Todos os grandes Mestres que pisaram neste Planeta, fizeram sua Semente florescer como exemplo e inspiração para nós!

Imagine que o Espírito Divino ou a Centelha Divina que Deus nos legou, permaneçam em estado embrionário, ou em estado de semente, se nossa fé e nossa opção espiritual não forem capazes de fazê-La desabrochar, ignorando que temos uma função única como Seres Humanos:

- De servirmos de gestores de Seres Celestes! Ou parafraseando Sêneca:

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 48 - 49

- E se Cristo nascessem mil vezes em Belém, mas não nascesse em teu coração, em vão teria sido sua vinda e vida!

Diz o Sábio Helyon, que nosso Coração é o útero Divino, que deve abrigar e proteger a Semente da Sagrada Árvore da Vida, e fazê-la florescer com muito Silêncio, Reflexão e Cuidado! Diz ele, que no Reino Encantado no interior da Terra, existe um Templo Especial, de onde os Sábios de vários Reinos enviam Bênçãos de Luz para todos os seres da superfície, para que um dia possamos viver em tal Harmonia com Deus, que toda a Natureza vai se transformar em um Hino de Beleza e de Alegria. Por isso lá convivem feras com homens, sem problemas, pois obedecer às Leis da Harmonia de Deus é sua mais Sagrada tarefa! Desejo que minha Semente se transforme numa Pousada para homens, animais e para todas as aves, com carinho especial para as Araras Azuis! Falando nelas, segue a singela oração em inglês que fiz em homenagem a todas as aves, usando-as como mensageiras!

Helena Schaffner

Palotina-PR, 27 Maio 2010

PRAYER OF THE BIRDS!

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A LENDA DAS ARARAS AZUIS <<>> PG 49 - 49

Oh Lord!

Please give the Humanity consciousness About our pain That we must live in a little place Day by day without hopes to see again the free space Let man know That You give us wings to fly! Let man know That our song in the prison Is our cry Is our pray to You! Let man know That we need the blue sky And the green trees That we need to live like a Bird! Ask the Human-Being If they can imagine stay Day by day, In a narrow prison And never more can play And never more can feel the rain And never more can feel the wind And live like a beggar as a prince!

HELENA SCHAFFNER 11.10.06 + 05.08.07

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