Composição dos PCN 1ª a 4ª Compõem os Parâmetros os seguintes módulos: Volume 1 - Introdução - A elaboração dos Parâmetros curriculares Nacionais constituem

o primeiro nível de concretização curricular. São uma referência nacional para o ensino fundamental; estabelecem uma meta educacional para a qual devem convergir as ações políticas do Ministério da Educação O segundo nível de concretização diz respeito às propostas curriculares dos Estados e Municípios.. Os Parâmetros Curriculares Nacionais poderão ser utilizados como recurso para adaptações ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias de Educação, em um processo definido pelos responsáveis em cada local. O terceiro nível de concretização refere-se à elaboração da proposta curricular de cada instituição escolar, contextualizada na discussão de seu projeto educativo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as propostas das Secretarias devem ser vistos como materiais que subsidiarão a escola na constituição de sua proposta educacional. O quarto nível de concretização curricular é o momento da realização da programação das atividades de ensino e aprendizagem na sala de aula. É quando o professor, segundo as metas estabelecidas na fase de concretização anterior, faz sua programação, adequando-a àquele grupo específico de alunos. Volume 2 – Língua Portuguesa - A primeira parte faz uma breve apresentação da área e define as linhas gerais da proposta. Aborda questões relativas à natureza e às características da área, suas implicações para a aprendizagem e seus desdobramentos no ensino. Apresenta os objetivos gerais de Língua Portuguesa, a partir dos quais são apontados os conteúdos relacionados à Língua oral, Língua escrita e Análise e reflexão sobre a língua. O último tópico dessa parte apresenta os critérios de avaliação para o ensino fundamental. A segunda parte detalha a proposta, para as quatro primeiras séries do ensino fundamental, em objetivos, conteúdos e critérios de avaliação de forma a apresentá-los com a articulação necessária para a sua coerência. Volume 3 – Matemática - A primeira parte do documento apresenta os princípios norteadores, uma breve trajetória das reformas e o quadro atual de ensino da disciplina. A seguir, faz uma análise das características da área e do papel que ela desempenha no currículo escolar. Também trata das relações entre o saber, o aluno e o professor, indica alguns caminhos para "fazer Matemática" na sala de aula, destaca os objetivos gerais para o ensino fundamental, apresenta blocos de conteúdos e discute aspectos da avaliação. A segunda parte destina-se aos aspectos ligados ao ensino e à aprendizagem de Matemática para as quatro primeiras séries do ensino fundamental. Os objetivos gerais são dimensionados em objetivos específicos para cada ciclo, da mesma forma os blocos de conteúdos, critérios de avaliação e algumas orientações didáticas. Volume 4 – Ciências Naturais - Enfatiza o papel das Ciências Naturais, suas transformações, situando o homem como indivíduo participativo e parte integrante do Universo. A primeira parte deste documento, apresenta um breve histórico das tendências pedagógicas predominantes na área, debate a importância do ensino de ciências Naturais para a formação da cidadania, caracteriza o conhecimento científico e tecnológico como atividades humanas, de caráter histórico e, portanto, não-neutras. Também expõe a compreensão de ensino, de aprendizagem, de avaliação e de conteúdos que norteia estes parâmetros e apresenta os objetivos gerais da área. A segunda parte contempla o ensino de Ciências Naturais, direcionada às quatro primeiras séries do ensino fundamental, fornecendo subsídios para seu planejamento, apresenta objetivos, conteúdos, critérios de avaliação e orientações didáticas. Volume 5 – História e Geografia - São apresentados princípios, conceitos e orientações para atividades que possibilitem aos alunos a realização de leituras críticas dos espaços, das culturas e das histórias do seu cotidiano. O documento está organizado em duas partes. Cada uma delas pode ser consultada de acordo com o interesse mais imediato: aprofundamento teórico, definição de objetivos amplos, discernimento das particularidades da área, sugestões de práticas, possibilidades de recursos didáticos, entre outros. Na primeira parte, analisam-se algumas concepções curriculares elaboradas para o ensino de História no Brasil e apontam-se as características, a importância, os princípios e os conceitos pertinentes ao saber histórico escolar. Também estão explicitados os objetivos gerais da área para o ensino fundamental. São eles que sintetizam as intencionalidades das escolhas conceituais, metodológicas e de conteúdos, delineados na proposta. Na segunda parte, são apresentados os eixos temáticos para as primeiras quatro séries e os critérios que fundamentam as suas escolhas. São discutidas, ainda, as articulações dos conteúdos de História com os Temas Transversais. A seguir, encontram-se os princípios de ensino, os objetivos, os eixos temáticos e os critérios de avaliação propostos. Os conteúdos são apresentados de modo a tornar possível recriá-los, considerando a realidade local e/ou questões sociais contemporâneas.

O documento de Geografia propõe um trabalho pedagógico que visa à ampliação das capacidades dos alunos, do ensino fundamental, de observar, conhecer, explicar, comparar e representar as características do lugar em que vivem e de diferentes paisagens e espaços geográficos. A primeira parte descreve a trajetória da Geografia, como ciência e como disciplina escolar, mostrando suas tendências atuais e sua importância na formação do cidadão. Apontam-se os conceitos, os procedimentos e as atitudes a serem ensinados, para que os alunos se aproximem e compreendam a dinâmica desta área de conhecimento, em termos de suas teorias e explicações. Na Segunda parte, encontra-se uma descrição de como pode ser o trabalho com essa disciplina para as primeiras quatro séries, apresentando objetivos, conteúdos e critérios de avaliação. Volume 6 – Arte - Aborda conteúdos gerais de Arte que têm como pressupostos a clarificação de alguns critérios, que também encaminham a elaboração dos conteúdos de Artes Visuais, Música, Teatro e Dança e, no conjunto, procuram promover a formação artística e estética do aprendiz e a sua participação na sociedade. O conjunto de conteúdos está articulado dentro do contexto de ensino e aprendizagem em três eixos norteadores: a produção, a fruição e a reflexão. A produção refere-se ao fazer artístico e ao conjunto de questões a ele relacionados, no âmbito do fazer do aluno e dos produtores sociais de arte. A fruição refere-se à apreciação significativa de arte e do universo a ela relacionado. Tal ação contempla a fruição da produção dos alunos e da produção histórico-social em sua diversidade. A reflexão refere-se à construção de conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal, dos colegas e sobre a arte como produto da história e da multiplicidade das culturas humanas, com ênfase na formação cultivada do cidadão. Os três eixos estão articulados na prática, ao mesmo tempo que mantêm seus espaços próprios. Os conteúdos poderão ser trabalhados em qualquer ordem, segundo decisão do professor, em conformidade com o desenho curricular de sua equipe. Volume 7 – Educação Física - O documento de Educação Física traz uma proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática pedagógica da área, buscando ampliar, de uma visão apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais dos alunos. Incorpora, de forma organizada, as principais questões que o professor deve considerar no desenvolvimento de seu trabalho, subsidiando as discussões, os planejamentos e as avaliações da prática da Educação Física nas escolas. Volume 8 – Apresentação dos Temas Transversais e Ética - O conjunto de temas aqui proposto (Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde e Orientação Sexual) recebeu o título geral de Temas Transversais, indicam a metodologia proposta para sua inclusão no currículo e seu tratamento didático. São apresentados os critérios para defini-los e escolhê-los:

Urgência social Esse critério indica a preocupação de eleger como Temas Transversais questões graves, que se apresentam como obstáculos para a concretização da plenitude da cidadania, afrontando a dignidade das pessoas e deteriorando sua qualidade de vida.

Abrangência Nacional Buscou contemplar questões que, em maior ou menor medida e mesmo de formas diversas, fossem pertinentes a todo País.

Possibilidade de ensino e aprendizagem no ensino fundamental Esse critério norteou a escolha de temas ao alcance da aprendizagem nessa etapa da escolaridade, em especial no que se refere à Educação para Saúde, Educação Ambiental e Orientação Sexual, já desenvolvidas em muitas escolas.

Favorecer a Compreensão da realidade e a participação social Os temas eleitos em seu conjunto, devem possibilitar uma visão ampla e consistente da realidade brasileira e sua inserção no mundo, além de desenvolver um trabalho educativo que possibilite uma participação social dos alunos.

Volume 9 – Meio Ambiente e Saúde - A primeira parte aborda a questão ambiental a partir de um breve histórico e apresenta os modelos de desenvolvimento econômico e social em curso nas sociedades modernas. Discorre sobre o reconhecimento, por parte de organizações governamentais e lideranças nacionais e internacionais, da importância da educação ambiental, enfatizando as noções comumente associadas ao tema. Ao final dessa primeira parte, encontram-se os objetivos gerais do tema Meio Ambiente para todo o ensino fundamental.

A segunda parte, referente aos conteúdos, critérios de avaliação e orientações didáticas, é dirigida para as primeiras quatro séries. O conhecimento sistemático relacionado ao meio ambiente e ao movimento ambiental são bastante recentes. A própria base conceitual – definições como a de meio ambiente e de desenvolvimento sustentável, por exemplo – está em plena construção. De fato, não existe consenso sobre esses termos nem mesmo na comunidade científica; com mais razão, pode-se admitir que o mesmo ocorra fora dela. Justamente pelo fato de estar em pleno processo de construção, a definição de muitos desses elementos é controvertida. Assim, considerou-se importante a apresentação, como uma referência, de três noções centrais: a de Meio Ambiente, a de Sustentabilidade e a de Diversidade. Concepções sobre saúde ou sobre o que é saudável, valorização de hábitos e estilos de vida, atitudes perante as diferentes questões relativas à saúde perpassam todas as áreas de estudo escolar, desde os textos literários, informativos, jornalísticos até os científicos. A organização do trabalho das áreas em torno de temas relativos à saúde permite que o desenvolvimento dos conteúdos possa se processar regularmente e de modo contextualizado. O tratamento transversal do tema devese exatamente ao fato de sua abordagem dar-se no cotidiano da experiência escolar e não no estudo de uma "matéria". Volume 10 – Pluralidade Cultural e Orientação Sexual - O documento de Pluralidade Cultural trata da diversidade étnica e cultural, plural em sua identidade: é índio, afro-descendente, imigrante, é urbano, sertanejo, caiçara, caipira dessas questões, enfatizando as diversas heranças culturais que convivem na população brasileira, oferecendo informações que contribuam para a formação de novas mentalidades, voltadas para a superação de todas as formas de discriminação e exclusão. O que se coloca, portanto, é o desafio de a escola se constituir um espaço de resistência, isto é, de criação de outras formas de relação social e interpessoal mediante a interação entre o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionado-se crítica e responsavelmente perante elas.

http://www.fe.unb.br/catedra/bibliovirtual/educacaogeral/pcns/ensino_fundamental/pcn1_4. html

Estudos da introdução dos PCN’s Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), respeitando as diferenças culturais, regionais e/ou políticas no nosso país, entram em consideração a necessidade de se poder fazer referenciais nacionais comuns ao processo da educação em todas as regiões do Brasil. Esses documentos tiveram um processo de construção de experiências e estudos, os quais contaram com a colaboração de inúmeros educadores brasileiros; é revista periodicamente, buscando atualizar de acordo com o contexto pedagógico atual. Os PCN’s são essenciais para o Ensino Fundamental, principalmente nas áreas diversas da estrutura do ensino escolar, a saber: língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, arte, educação física e língua estrangeira. Temas de questões da sociedade brasileira também são retratados nos PCN’s, como as questões ligadas à orientação sexual, ao meio ambiente, à ética, à saúde, ao trabalho e consumo, entre outros. As principais características dos PCN’s são: (1) Indicar a necessidade de unir forças entre as instâncias do governo e da sociedade, apoiando a escola; (2) mostrar a importância da intervenção da comunidade na escola; (3) propor estímulos aos educandos, para que possam compreender a responsabilidade e compromisso com a aprendizagem;

(4) enfatizar a apropriação de conhecimentos (conteúdos) socialmente elaborados como base para a construção da cidadania e da identidade do educando; (5) Indicar a necessidade de que a escola deve ter clareza quanto ao seu projeto educativo; (6) ampliar a visão de conhecimentos para além dos conceitos; (7) evidenciar a importância de tratar dos chamados temas transversais (citados anteriormente); (8) valorizar o trabalho dos educadores enquanto construtores e planejadores das ações pedagógicas e educativas; (9) mostrar o valor de desenvolvimentos de trabalhos que envolvam o uso da tecnologia da comunicação e educação. Portanto, é de extrema importância as abordagens feitas pelos PCN’s. Uma das questões levadas em consideração é o analfabetismo, que está concentrado em regiões como o Nordeste, por exemplo. Outra questão tratada é a taxa de escolarização, a qual tem evoluído nos últimos anos. Há diversas abordagens esclarecidas pelos PCN’s, tais como a importância da autonomia do aluno, interação, cooperação, decisões sobre avaliação etc. A adolescência, assunto bastante debatido e refletido atualmente na sociedade, é visto como uma fase de transição, uma passagem antes da plena vida social. Esses indivíduos são considerados “à parte” na sociedade; daí os jovens não aproveitaram suas potencialidades e capacidades. Por isso, a criação de projetos e identidades do sujeito é de suma importância, esta última construída no processo de aprendizagem, pois o educando se mostrará capaz através de estímulos ao desenvolvimento do indivíduo. Muitos temas são discutidos, com respeito à adolescência, que visam explicitar um período tão conturbado na vida de um sujeito. Exemplo desses assuntos são a família, entrada na juventude, a cultura, o lazer, a diversão, os grupos, mídia etc. por fim, é destacada a importância de se aplicar tecnologias de comunicação e expressão, já que o desenvolvimento tecnológico evoluiu bastante, especialmente no século XX. Importante é que essas novas formas de comunicação ajudarão no processo de construir novas formas do conhecimento.

Mais sobre: Estudos da introdução dos PCN’s

http://pt.shvoong.com/books/1797209-estudos-da-introdu%C3%A7%C3%A3o-dos-pcn/

EIXOS TRANSVERSAIS
Por Donizete Soares

Este texto é um resumo do documento oficial da Secretaria de Educação Fundamental, do Ministério da Educação e do Desporto, publicado em 1998. Tem como objetivo contribuir para facilitar a leitura e compreensão dos Eixos Transversais. Na primeira parte, o que se pretende é situar historicamente a importância e o papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais, indicando o que seria a "tarefa",

nos dias de hoje, dos educadores realmente interessados em alterar os rumos da Educação no nosso país. Na segunda, são expostos os objetivos e os conteúdos de cada um dos seis Eixos Transversais a serem trabalhados por todos os professores do Ensino Fundamental. Cada um deles é apresentado de acordo com seus objetivos e seus conteúdos. É possível, a partir daí, criar ações e projetos que, para serem realizados, permitem a utilização de várias frentes disciplinares. É importante deixar claro que não existem modelos prontos e acabados para serem copiados ou mesmo adaptados às tão diferentes realidades nas quais todos nós, educadores, estamos inseridos. O que, cá entre nós, é muito bom! Felizmente, não estamos "presos", tendo que seguir uma mesma e única orientação. Ao contrário - e bem de acordo com o espírito democrático - temos à nossa frente tanta possibilidade quanto quisermos para realizar, com liberdade e responsabilidade, nossos projetos e ideais educacionais. Isto quer dizer que o que vale mesmo é colocar a mão na massa e fazer valer nossa criatividade, principalmente se a partilharmos com nossos alunos com quem, certamente, temos tanto a aprender como a ensinar. Adotando a cogestão como forma de organização da vida escolar, o trabalho com os Eixos Transversais oferece a excelente oportunidade de experimentarmos, de verdade, o quanto faz bem a todos nós a partilha de saberes. 1. Importância dos PCN´s OBJETIVOS DA REPÚBLICA - (Constituição 1988, art. 1) Construir uma sociedade livre, justa e solidária.  Garantir o desenvolvimento nacional.  Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.  Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, cor, sexo, idade... FUNDAMENTOS DA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA  Constituição e reconhecimento do sujeito de direito, definido social e historicamente.  Cidadania como produto de histórias sociais protagonizadas pelos grupos sociais. MARCA AUTORITÁRIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA

 Escravocrata  Relações políticas paternalistas e clientelistas  Ditaduras TAREFA ATUAL  Apontar a necessidade de transformação das relações sociais nas dimensões econômica, política e cultural, para garantir a todos a efetivação do direito de ser cidadão. PROPOSTA DOS PCN's:  promover uma educação comprometida com a cidadania, de acordo com os seguintes princípios:  Dignidade da pessoa humana - respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas.  Igualdade de direitos - princípio de eqüidade  Participação  Co-responsabilidade pela vida social A ESCOLA E O PROJETO PEDAGÓGICO A relação educativa é uma relação política, que se define na vivência da escolaridade em sua forma mais ampla:  estrutura escolar  como a escola se insere e se relaciona com a comunidade  relação entre trabalhadores da escola  distribuição de responsabilidade e poder de decisão  relação entre professor e aluno  reconhecimento dos alunos como cidadãos  relação com o conhecimento OS EIXOS TRANSVERSAIS SÃO TEMAS SOCIAIS TÃO IMPORTANTES QUANTO AS ÁREAS CONVENCIONAIS  Eixo básico e norteador: reflexão ética, por envolver posicionamentos e concepções a respeito de suas causas e efeitos, sua dimensão histórica e política.  Trata-se, portanto, de discutir o sentido ético da convivência humana nas suas relações com as várias dimensões da vida social: o ambiente, a cultura, o trabalho, o consumo, a sexualidade, a saúde. CRITÉRIOS ADOTADOS PARA A ELEIÇÃO DOS EIXOS TRANSVERSAIS  Vigência social - são questões graves que impedem a plenitude da cidadania  Abrangência nacional - são pertinentes a todo o país, o que não impede que outros (regionais e locais) sejam acrescidos  Possibilidade de ensino e aprendizagem no Ensino Fundamental - são temas ao alcance da aprendizagem

nessa etapa da vida escolar  Compreensão da realidade e participação social - são temas que desenvolvem nos alunos a capacidade de posicionamento diante das questões que dizem respeito à coletividade; são temas que superam a indiferença e os leva a agirem de forma responsável TRANSVERSALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE  fundamentam-se na crítica de uma concepção de conhecimento que toma a realidade como um conjunto de dados estáveis, sujeito a um ato de conhecer isento e distanciado; o real é complexo e é necessário considerar a teia de relações entre seus aspectos  diferenças: § Interdisciplinaridade: abordagem epistemológica dos objetos de conhecimentos questiona a segmentação do saber que não vê inter-relação § Transversalidade: dimensão didática da abordagem relação entre aprender os saberes e as questões da vida real e suas transformações  os Eixos Transversais superam o aprender apenas para "passar de ano", definindo-se em torno de quatro pontos: § Eixos Transversais não são novas áreas § Necessidade da escola refletir e atuar na educação de valores e atitudes em todas as áreas § Transformação da prática pedagógica; os professores e professoras têm responsabilidade sobre a formação dos alunos § Necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade; educação escolar e educação familiar não se excluem nem se dispensam 2. Os Eixos Transversais ÉTICA Objetivos  Reconhecer a presença dos princípios que fundamentam normas e leis no contexto social  Refletir criticamente sobre as normas morais, buscando sua legitimidade na realização do bem comum  Compreender a vida escolar como participação no espaço público, utilizando os conhecimentos adquiridos na construção de uma sociedade justa e democrática  Assumir posições segundo seu próprio juízo de valor, considerando diferentes pontos de vista e aspectos da cada situação  Construir uma imagem positiva de si, de respeito próprio e reconhecimento de sua capacidade de escolher e de realizar seu projeto de vida  Compreender o conceito de justiça baseado na equidade, e empenhar-se em ações solidárias e cooperativas

 Adotar atitudes de respeito pelas diferenças entre as pessoas, repudiando as injustiças e discriminações  Valorizar e empregar o diálogo como forma de esclarecer conflitos e tomar decisões coletivas Conteúdos RESPEITO MÚTUO  Compreensão de que todas as pessoas precisam sentir-se respeitadas e sentir que delas se exige respeito  Identificação de diferentes formas de se demonstrar respeito correspondentes a diferentes esferas de sociabilidade e convívio: relações pessoais, relações formais e relações indiretas  Reconhecimento dos limites e possibilidades pessoais e alheias  Identificação e repúdio de situações de desrespeito JUSTIÇA  Identificação, formulação e discussão de critérios de justiça para analisar situações na escola e na sociedade  Consideração de critérios de justiça para compreender, produzir e legitimar regras  Identificação de repúdio de atitudes que violentam os direitos do ser humano SOLIDARIEDADE  Reconhecimento e valorização da existência de diversas formas de atuação solidária no âmbito político e comunitário  Atuação compreensiva nas situações cotidianas  Conhecimento de ações necessárias em situações específicas  Repúdio a atitudes desleais, de desrespeito, violência e omissão DIÁLOGO  Valorização do diálogo nas relações sociais  Valorização das próprias idéias, disponibilidade para ouvir idéias e argumentos do outro e reconhecimento da necessidade de rever pontos de vista  Utilização do diálogo como instrumento de cooperação  Transformação e enriquecimento do saber pessoal pelo diálogo  Participação dialógica na tomada de decisões coletivas PLURALIDADE CULTURAL Objetivos

 Conhecer a diversidade do patrimônio etnocultural brasileiro, cultivando atitude de respeito para com pessoas e grupos que a compõem, reconhecendo a diversidade cultural como um direito dos povos e dos indivíduos;  Compreender a memória como construção conjunta, elaborada como tarefa de cada um e de todos, que contribui para a percepção do campo de possibilidades individuais, coletivas, comunitárias e nacionais;  Valorizar as diversas culturas presentes na constituição do Brasil como nação, reconhecendo sua contribuição no processo de constituição da identidade brasileira;  Reconhecer as qualidades da própria cultura, valorando-as criticamente, enriquecendo a vivência de cidadania;  Desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem discriminação;  Repudiar toda discriminação baseada em diferenças de raça/etnia, classe social, crença religiosa, sexo e outras características individuais ou sociais;  Exigir respeito para si e para o outro, denunciando qualquer atitude de discriminação que sofra, ou qualquer violação dos direitos de criança e cidadão;  Valorizar o convívio pacífico e criativo dos diferentes componentes da diversidade cultural;  Compreender a desigualdade social como um problema de todos e como uma realidade passível de mudanças;  Analisar com discernimento as atitudes e situações fomentadoras de todo tipo de discriminação e injustiça social Conteúdos PLURALIDADE CULTURAL E A VIDA DOS MAIS JOVENS NO BRASIL  Compreensão da organização familiar como instituição em transformação no mundo contemporâneo  Conhecimento e valorização das relações de cooperação e responsabilidade mútua na família. A importância de partilhar responsabilidades  Conhecimento e análise da vida comunitária como referência e forma de organização. Levantamento de indicadores da vida comunitária como base de relações econômicas em diferentes regiões  Conhecimento, respeito e valorização de diferentes formas de relação com o tempo estabelecidas pelas diferentes culturas  Levantamento de diferentes formas de relação com o espaço, vividas por diferentes grupos humanos, criando soluções alternativas para suas vidas  Conhecimento e valorização de como se processa a

educação em diferentes grupos humanos, quem desempenha o papel de educador, conforme a organização social e da própria escola PLURALIDADE CULTURAL NA FORMAÇÃO DO BRASIL  Conhecimento das origens continentais das diferentes populações do Brasil  Análise das influências históricas do mercado de trabalho na mobilidade dos diferentes grupos humanos que formam o Brasil e levantamento de dados populacionais  Levantamento, análise e valorização da contribuição das diversas heranças etnoculturais, como mecanismos de resist6encia ante as políticas explícitas de homogeneização da população havidas no passado  Valorização do ponto de vista dos grupos sociais para a compreensão dos processos culturais envolvidos na formação da população brasileira SER HUMANO COMO AGENTE SOCIAL E PRODUTOR DE CULTURA  Conhecimento, respeito e valorização das diferentes linguagens pelas quais se expressa a pluralidade cultural  Levantamento e valorização das formas de produção cultural mediadas pela tradição oral  Conhecimento de usos e costumes de diferentes grupos sociais em sua trajetória histórica  Conhecimento e compreensão da produção artística como expressão de identidade etnocultural  Conhecimento e compreensão da língua como fator de identidade na interação sociopolítica e cultural  Conhecimento, análise e valorização de visões de mundo, relação com a natureza e com o corpo, em diferentes culturas DIREITOS HUMANOS, DIREITOS DE CIDADANIA E PLURALIDADE  Prática e valorização da circulação de informações para a organização coletiva e como fundamento da liberdade de expressão e associação  Compreensão da definição e do conhecimento de leis como princípios de cidadania  Prática e valorização dos Direitos Humanos  Valorização da possibilidade de mudança como obra humana coletiva  Conhecimento dos instrumentos disponíveis para o fortalecimento da cidadania MEIO AMBIENTE

 Perceber. adotando posturas de respeito aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural. responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente.  Observar e analisar fatos e situações do ponto de vista ambiental. aplicando-os no dia-adia. utilizando essa percepção para posicionar-se criticamente diante das condições ambientais de seu meio. percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa.  Adotar posturas na escola. encadeamentos e relações de causa/efeito que condicionam a vida no espaço (geográfico) e no tempo (histórico). reconhecendo a necessidade e as oportunidades de atuar de modo propositivo. tanto local como globalmente.Objetivos  Identificar-se como parte integrante da natureza e sentir-se afetivamente ligados a ela. justas e ambientalmente sustentáveis. para garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida. em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas.  Conhecer e compreender. Conteúdos A NATUREZA "CÍCLICA" DA NATUREZA  Compreensão da vida.  Perceber. apreciar e valorizar a diversidade natural e sociocultural. de modo crítico.  Compreender a necessidade e dominar alguns procedimentos de conservação e manejo dos recursos naturais com os quais interagem. étnico e cultural. as noções básicas relacionadas ao meio ambiente. nas escalas geológicas de tempo e de espaço  Compreensão da gravidade da extinção de espécies e da alteração irreversível de ecossistemas  Análise de alterações nos fluxos naturais em situações concretas  Avaliação das alterações na realidade local a partir do conhecimento da dinâmica dos ecossistemas mais próximos  Conhecimento de outras interpretações das transformações na natureza SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE  Reconhecimento dos tipos de uso e ocupação do solo na localidade . de modo integrado. em diversos fenômenos naturais.  Compreender que os problemas ambientais interferem na qualidade de vida das pessoas.

agindo com responsabilidade em relação ã sua saúde e à saúde coletiva  conhecer os recursos da comunidade voltados para a promoção. econômico e sociocultural. valorizando as ações voltadas para sua promoção. psíquico e social como uma dimensão essencial do crescimento e desenvolvimento do ser humano  compreender que a saúde é produzida nas relações com o meio físico. proteção e recuperação  compreender a saúde nos seus aspectos físico. proteção e recuperação da saúde. em especial os serviços de saúde  responsabilizar-se pessoalmente pela própria saúde. Compreensão da influência entre os vários espaços  Conhecimento e valorização do planejamento dos espaços como instrumento de promoção da melhoria da qualidade de vida  Análise crítica de atividades de produção e práticas de consumo  Valorização da diversidade cultural na busca de alternativas de relação entre sociedade e natureza MANEJO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL  Valorização do manejo sustentável como busca de uma nova relação sociedade/natureza  Crítica ao uso de técnicas incompatíveis com a sustentabilidade  Levantamento de construções inadequadas em áreas urbanas e rurais  Conhecimento dos problemas causados pelas queimadas nos ecossistemas brasileiros  Conhecimento e valorização de alternativas para a utilização dos recursos naturais  Conhecimento e valorização de técnicas de saneamento básico  Conhecimento e valorização de práticas que possibilitem a redução na geração e a correta destinação do lixo  Conhecimento de algumas áreas tombadas como Unidade de Conservação  Reconhecimento das instâncias do poder público responsáveis pelo gerenciamento das questões ambientais SAÚDE Objetivos  compreender saúde como direito de cidadania. identificando fatores de risco à saúde pessoal e coletiva presentes no meio em que vive  conhecer e utilizar formas de intervenção sobre fatores desfavoráveis à saúde presentes na realidade em que vive. respeitando as possibilidades e limites do próprio corpo . adotando hábitos de autocuidado.

são condições essenciais para que o sujeito cuide de si  estudo das transformações próprias do crescimento e desenvolvimento. políticas urbanas equivocadas. doenças de exclusão social (tuberculose. fisiologia do aparelho reprodutor.. diversidade humana que gera discriminação e preconceito. prevalência de doenças nutricionais. fecundação. identificando trabalho humano. adolescência. sexo. relações sociais.absorção .Conteúdos AUTOCONHECIMENTO PARA O AUTOCUIDADO  a saúde se expressa no espaço e no tempo de uma vida. níveis de renda. decisões pessoais de autocuidado. valorização estética de tipos físicos pelas mídias.. mental. Aids. fenômenos (menstruação.) que têm implicações fisiológicas e psicosociais  outros temas: puberdade. gravidez. mental e social  autonomia. "necessidades" criadas pelas mídias. medicamentos.catabolismo excreção)  caminho do alimento desde sua produção até o consumidor. nutrição. violência.. uso de drogas. acordos e limites. tensões e desajustamentos. uso de aditivos e agrotóxicos e seus efeitos. prostituição. de escolarização. obesidade e carência nutricional. higiene corporal. nutrição (ingestão digestão . destruição de ambientes naturais. uso do açúcar. cuidado com corpo. assim como a limpeza e conservação dos ambientes em que se vive.  exercício do diagnóstico em saúde. qualidade de vida e saúde. taxas de natalidade e mortalidade. observando sinais e sintomas (história da saúde individual)..). água tratada e rede de esgoto. métodos de trabalho insustentáveis na industria e na agricultura  debates visando a formulação de alternativas para a promoção da saúde. dependendo dos meios de que cada um dispõe  saúde é bem estar físico. valorização de vínculos afetivos e negociação de comportamento para o convívio social  daí os estudos de: anatomia. conteúdos principais: construção da identidade e da auto-estima.. alimentação e dieta em relação à cultura local. exercício físico e saúde: indicação. inclusive a escola  atuação em programas da defesa civil: identificação .anabolismo . padrões de epidemia. riscos e contra-indicações  a convivência com a doença e morte na família VIDA COLETIVA  correlações entre organização sociopolítica e padrões de saúde coletiva: meio ambiente e saúde. DST.. liberdade e capacidade para regular as variações que aparecem no organismo.

posicionando-se contra discriminações a eles associadas  identificar e expressar seus sentimentos e desejos. valorizar e cuidar de sua saúde como condição necessária para usufruir prazer sexual  identificar e repensar tabus e preconceitos referentes à sexualidade. procurando orientação e fazendo uso de métodos contraceptivos  consciência crítica e tomar decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade Conteúdos CORPO: MATRIZ DA SEXUALIDADE .. crenças e comportamentos relativos à sexualidade. garantida a dignidade do ser humano  compreender a busca de prazer como um direito e uma dimensão da sexualidade humana  conhecer seu corpo.  conhecer as regras básicas de segurança no trabalho e no trânsito  identificar e acompanhar o trabalho das associações de álcool. atitudes e limites SEXUALIDADE Objetivos  respeitar a diversidade de valores. reconhecendo e respeitando as diferentes formas de atração sexual e o seu direito à expressão.de áreas de risco e ações de prevenção e de emergência. evitando comportamentos discriminatórios e intolerantes e analisando criticamente os estereótipos  reconhecer como construções culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino. o aumento da vulnerabilidade do vírus da Aids  a abordagem é de prevenção inespecífica e de educação preventiva na aprendizagem social de valores. evitando contrair ou transmitir doenças sexualmente transmissíveis. respeitando os sentimentos e desejos do outro  reconhecer o consentimento mútuo como necessário para usufruir prazer numa relação a dois  proteger-se de relacionamentos sexuais coercitivos ou exploradores  agir de modo solidário em relação aos portadores do HIV e de modo propositivo em ações públicas voltadas para prevenção e tratamento das doenças sexualmente transmissíveis/Aids  conhecer e adotar práticas de sexo protegido.. aprender a fazer curativos e atendimento a primeiros socorros. inclusive o vírus da Aids  evitar uma gravidez indesejada. desde o início do relacionamento sexual. transito e droga.

as mudanças estabelecidas socialmente e relacionadas à idade e sua repercussão na família e na sociedade. histórico da doença.jamais relacionar DST's/Aids. o organismo se mostrará num corpo. porque o foco é a promoção da saúde e de condutas preventivas  temas: vias de transmissão do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. assim como o seu desenvolvimento RELAÇÕES DE GÊNERO  conceito de gênero: conjunto de representações sociais e culturais construídas a partir da diferença biológica dos sexos. sensações de prazer e desprazer. "masculino" e "feminino" são construções sociais  esta concepção nos faz abandonar a explicação da natureza como responsável pela grande diferença entre os comportamentos e lugares ocupados por homens e mulheres na sociedade.. a potencialidade erótica do corpo e experimentação a dois. afirmando-a como algo ligado ao prazer e à vida ... por exemplo.  tratar as relações de gênero significa combater relações autoritárias. questionar padrões de conduta e apontar para sua transformação  outro tema: a violência associada ao gênero  mais outros: vivência da sexualidade e homossexualidade PREVENÇÃO DAS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS/AIDS  objetivo: desvincular a sexualidade dos tabus e preconceitos. distinção entre organismo e corpo: organismo = aparato herdado e constitucional = infra-estrutura biológica dos seres humanos. com doença ou morte. reações corporais diante das diferentes estimulações sensoriais e observação do próprio corpo.  a escola precisa estar integrada com os serviços públicos de saúde da região para o acompanhamento da condição de saúde dos alunos. sentimentos. discussão dos medos provocados pelas transformações. .. a saúde sexual e reprodutiva e os cuidados inerentes. no corpo estão as dimensões da aprendizagem e as potencialidades do indivíduo  corpo é um todo que inclui (mais que anatomia) emoções. assim como as transformações nele ocorridas ao longo do tempo  estudar o corpo da criança e do adulto é favorecer a percepção das relações existentes entre sentimentos e expressões corporais. corpo = possibilidades de apropriação subjetiva de toda a experiência na interação com o meio  atravessado pela inteligência e desejo.

regional. etnia e idade  saber que os direitos civis. uso de preservativos. compreendendo seu papel na produção de novas necessidades. seu vínculo com a realidade local.distinção entre portador do vírus e doente de Aids. associações profissionais e associações civis e órgãos governamentais fundamentais para a democracia  posicionar-se de maneira crítica em relação ao consumismo. identificando problemas e debatendo coletivamente possíveis soluções  identificar a diversidade de relações de trabalho existentes. valorizando a atuação dos partidos políticos. sindicatos. drogas  as doenças sexuais têm dimensões sociais (epidemias): necessidade da comunicação (responsabilidade coletiva)  a convivência com indivíduos portadores do HIV. tais como o uso das diversas formas do dinheiro. a organização de orçamentos  reconhecer como ocorrem os processos de inserção no trabalho/profissão/ocupação na atualidade. tratamento  abordagens dos medos e obstáculos emocionais e culturais ("comigo não vai acontecer"). as vantagens e desvantagens do sistema de crédito. gênero. social e cultural  identificar e comparar diferentes instrumentos e processos tecnológicos analisando seu impacto no trabalho e no consumo e sua relação com a qualidade de vida. analisando a intervenção do trabalho e do consumo humano na produção da vida material. origem. políticos e sociais são conquistados por meio de conflitos e acordos que podem redundar em maior justiça na distribuição de renda. que têm todo o direito de freqüentar a escola TRABALHO E CONSUMO Objetivos  atuar com discernimento e solidariedade nas situações de consumo e de trabalho sabendo de seus direitos e responsabilidades. assim como ser capaz de resolver situações-problema colocadas pelo mercado. suas transformações e permanências no decorrer do tempo histórico. nacional e mundial  verificar como os lugares e as paisagens foram e continuam sendo criados e transformados. às mensagens da publicidade e estratégias de vendas. identificando os problemas e possíveis soluções e repudiando todas as formas de discriminação e . ao meio ambiente e à saúde  reconhecer a existência e a ocorrência de discriminações e injustiças em situações de trabalho e consumo adotando uma postura de repúdio contra todo tipo de discriminação de classe.

tanto na produção agrícola como na industrial ou em serviços . pessoal e coletivo  valorização de hábitos e atitudes saudáveis e conservativas no consumo de alimentos. constatação ou pagamento de serviços e elaboração de orçamentos DIREITOS HUMANOS. idade e portadores de necessidades especiais  valorização dos procedimentos de segurança no trabalho  valorização da mobilização contra a exploração do trabalho infanto-juvenil. sexo. SAÚDE E MEIO AMBIENTE  reconhecimento da presença do trabalho e do consumo nos elementos naturais e construídos do meio ambiente  valorização do critério de sustentabilidade no consumo. CIDADANIA. CONSUMO. MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSAS. PUBLICIDADE E VENDAS  constatação e análise do impacto dos meios de comunicação na vida cotidiana  constatação e análise da influência da publicidade na vida cotidiana  reconhecimento das diferentes formas de lazer da localidade e problematização da relação lazer-consumo  conhecimento e discernimento dos sistemas de compra e venda de produtos.desvalorização de tipos de trabalho e trabalhadores Conteúdos RELAÇÕES DE TRABALHO  Conhecimento do caráter histórico das diferentes forma de organização do trabalho e de suas transformações  Conhecimento e avaliação da situação de trabalho e emprego  Conhecimento dos processos e possibilidades de inserção no mercado de trabalho TRABALHO. produtos de higiene e medicamentos  compreensão da importância dos meios de transporte na produção econômica e na qualidade da vida cotidiana CONSUMO. TRABALHO E CONSUMO  compreensão da dimensão histórica dos direitos dos trabalhadores  identificação e valorização de movimentos que lutam contra a discriminação de etnia.

composição. características. com especificação de quantidade. métodos comerciais coercitivos ou desleais. bem como sobre os riscos que apresentem .a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços assegurada a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações .a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais individuais. coletivos ou difusos. assegurada a proteção jurídica. saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou noviços .asp PCN .a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva.Parâmetros Curriculares Nacionais . qualidade e preço. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais.a proteção da vida.com/acontece/textos_eixos_transversais. administrativa e técnica aos necessitados .DIREITOS DOS CONSUMIDORES  São direitos básicos do consumidor: .a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas .a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. individuais. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de bens e serviços . no processo civil .a facilitação da defesa de seus direitos. a seu favor. exigência de nota fiscal http://www.a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral Compreensão da dimensão histórica dos direitos dos consumidores  Conhecimento e utilização no cotidiano do Código de Defesa do Consumidor  Utilização de serviços públicos e privados  Leitura de contratos.obore. coletivos ou difusos .acesso aos órgãos judiciários e administrativos. inclusive com a inversão do ônus da prova. compra de produtos.

Ensino Fundamental Índice Documento Introdutório Créditos PCNs Apresentação do Ministro Apresentação: Arte Apresentação: Ciências Naturais Apresentação: Educação Física Apresentação: Ética Apresentação: Geografia Apresentação: História Apresentação: Meio Ambiente Apresentação: Matemática Apresentação: Orientação Sexual Apresentação: Pluralidade Cultural Apresentação: Língua Portuguesa Apresentação: Educação para a Saúde Apresentação: Temas Transversais PCN-Introdução PCN-Artes PCN-Ciências Naturais PCN-Educação Física PCN-Ética PCN-Geografia PCN-História PCN-Matemática PCN-Orientação Sexual PCN-Pluralidade Cultural PCN-Língua Portuguesa PCN-Educação para a Saúde PCN-Apresentação dos Temas Transversais MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental .SEF PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Documento Introdutório .

Arte e Educação Física. reforçam a importância de que cada escola formule seu projeto educacional. Dada a abrangência dos assuntos abordados e a forma como estão organizados. como profissional. Ciências Naturais. no segundo. para que possa lê-lo. o lugar que lhe cabe pela responsabilidade e importância no processo de formação do povo brasileiro. compartilhado por toda a equipe. os Parâmetros Curriculares Nacionais podem ser utilizados com objetivos diferentes. grifálo. fazer suas anotações e utilizá-lo como subsídio na formulação do projeto educativo de sua escola. Para garantir o acesso a este material e seu melhor aproveitamento. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. Geografia. consultá-lo. ao reconhecerem a complexidade da prática educativa. seu próprio exemplar. A forma mais eficaz de elaboração e desenvolvimento de projetos educacionais. buscam auxiliar o professor na sua tarefa de assumir. para que a melhoria da qualidade da educação resulte da co-responsabilidade entre todos os educadores. Matemática. o MEC coloca à disposição para cada educador. Os Parâmetros Curriculares Nacionais referenciam para a renovação e reelaboração da proposta curricular. Três Volumes com 6 documentos referentes aos Temas Transversais: o primeiro volume traz o documento de apresentação destes Temas que explica e justifica a proposta dos Temas Transversais e de Ética. encontra-se os documentos de Pluralidade Cultural e Orientação Sexual e no Terceiro os de Meio Ambiente e Saúde. envolve o debate em grupo e no local de trabalho. História. que justifica e fundamenta as opções feitas para alaboração dos documentos de áreas e Temas Transversais. de acordo .versão agosto / 1996 EQUIPE DE COORDENAÇÃO Ana Rosa Abreu Maria Cristina Pereira Ribeiro Maria Tereza Perez Soares Neide Nogueira ASSESSORA Délia Lerner CONSULTOR INTERNACIONAL César Coll CONSULTOR MEC/SEF João Carlos Palma Filho DOCUMENTO INTRODUTÓRIO Você está recebendo uma coleção de dez volumes que compõem os Parâmetros Curriculares Nacionais que estão organizados da seguinte forma: Um Documento Introdutório. Seis documentos referentes às áreas de conhecimento: Língua Portuguesa.

Yves de La Taille. Rosely Fischmann. Neles encontram-se subsídios para reflexão e discussão de aspectos do cotidiano da prática pedagógica. Karen Muller. Paulo ?. Marcelo Barros da Silva. Circe Bittencourt. produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem contextos mais significativos de aprendizagem. Telma Weisz. Maria Cristina Ribeiro Pereira. formas de encaminhamento das atividades. Rosaura Angélica Soligo. Maria Heloisa C. são Secretaria de Educação Fundamental Iara Glória Areias Prado Ana Rosa Abreu Maria Cristina Ribeiro Pereira Maria Tereza Perez Soares Neide Nogueira CRÉDITOS PCNs COORDENAÇÃO Ana Rosa Abreu Maria Cristina Ribeiro Pereira Maria Tereza Perez Soares Neide Nogueira ELABORAÇÃO Aloma Fernandes de Carvalho. identificar. Com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Maria Isabel Iorio Soncini. professor. Ana Amélia Inoue. Rosa Yavelberg. preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em sala de aula. as condições salariais do professor e o seu desenvolvimento profissional. Maria F. Maria Cecília Condeixa. Maria Tereza Perez Soares. entre os educadores do nosso País a discussão da prática e do posicionamento frente as mais diferentes questões. CONSULTORIA César Coll Délia Lerner de Zunino . Ricardo Breim. econômicas. continuamente pelo professor. Yara Sayão. refletir sobre o porquê. como e quando ensinar e aprender. políticas e sociais. Cláudia Rosemberg Aratangy. o para quê. Algumas possibilidades para sua utilização são: ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ rever objetivos. Ferraz. Regina Machado. busca intensificar. a serem transformados. como o principal agente nessa grande empreitada. de forma relevante. expectativas de aprendizagem e maneiras de avaliar. Kátia Lomba Bräkling.T. Antonia Terra. refletir sobre a prática pedagógica tendo em vista uma coerência com os objetivos propostos.com a necessidade de cada realidade e de cada momento. discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem maior ou menor participação nas atividades escolares. Sueli Angelo Furlan. educacionais. Resende Fusari. Flávia Inês Schilling. Marina Valadão. Neide Nogueira. Silvia Maria Pompéia. Ana Rosa Abreu. As razões fundamentais deste trabalho são: contribuir. se façam no panorama educacional brasileiro e posicionar você. conteúdos. Thereza Christina Holl Cury. O Ministério da Educação e do Desporto acredita que o ensino de boa qualidade será resultado de múltiplos investimentos voltados para a melhoria das condições de trabalho nas escolas. subsidiar as discussões de temas educacionais junto aos pais e responsáveis. Maria Amábile Mansutti. Célia Maria Carolino Pires. o quê. para que profundas e imprescindíveis transformações. há muito desejadas.

Luis Carlos Menezes. e aos 700 pareceristas . Andréa Daher. abrangendo. as quatro primeiras séries do ensino fundamental. discussões e formulação dos Parâmetros Curriculares Nacionais. amplo trabalho de estudos. Ligia Chiappini. Guaraciaba Micheletti. Maria Helena Castro.professores de universidade e especialistas de todo o país. AGRADECIMENTOS Aparecida Maria Gama de Andrade. Ana Maria Espinosa. Mauro Betti. e o PNUD? e a UNESCO? FNDE? • • • • Projeto gráfico: Vitor Nozek Revisão e Copydesk: Lilian Editoração Eletrônica: Compugráfica Fotolito e Impressão: ? Presidente da República: Fernando Henrique Cardoso Ministro de Estado da Educação e do Desporto: Paulo Renato Souza Secretario Executivo: Luciana Olivia Patricio Assessoria de Politicas Educacionais: Eunice Durhan Secretária da Educação Fundamental: Iara Glória Areias Prado Depatamento de Educação Fundamental: Virgínia Zélia de Azevedo Rébeis Farha Coordenação de Estudos e Pesquisas: Maria Inês Laranjeiras APRESENTAÇÃO DO MINISTRO O Ministério da Educação e do Desporto. Vera Helena S. Lais Helena Malaco. como referenciais para as escolas de todo o País. João Cardoso Palma. Paulo Portella Filho. à avaliação do Livro Didático. por intermédio da Secretaria de Educação Fundamental. voltados para a melhoria da qualidade da educação. Luis Carlos Libâneo. principalmente no que diz respeito à política de formação inicial e continuada de professores. Antônio José Lopes. de Souza. Hermelino Mantovani Neder. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. Sheila Aparecida Pereira dos Santos Silva. Beatriz Cardoso. Grellet. . Marta Rosa Amoroso. Ana Mae Barbosa. Lino de Macedo. Alice Pierson. Paulo Machado. Barjas Negri. iniciou. Oswaldo Luiz Ferraz. Cecília? Celma Cerrano. Helena H. Maria Cecília Cortez C. Cristina Filomena Bastos Cabral. Jocimar Daolio.ASSESSORIA Adilson Odair Citelli. Entendemos que buscar qualidade na educação implica em proporcionar aos alunos o acesso aos conhecimentos relevantes para o exercício da plena cidadania. servir para subsidiar as políticas do MEC. Jean Hébrard. Heloisa Margarido Salles. Artur Gomes de Morais. Câmara do Ensino Básico do CNE. Iveta Maria Borges Ávila Fernandes. Alberto Tassinari. Ana Teberosky. Lúcia Lins Browne Rego. à programação da TV Escola e ao estabelecimento de indicadores para o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Lídia Aratangy. deverão também. em 1995. Sonia Carbonel. Oswaldo Luiz Ferraz. João Batista Freire. Nagamine Brandão. Márcia da Silva Ferreira.

a fim de que. explicitando conteúdos. foi elaborada para que o professor possa conhecer a área na sua contextualização histórica e ter contato com os conceitos relativos à natureza do conhecimento artístico. Entretanto. presente nas questões relativas à dignidade humana. que caracteriza um modo particular de dar sentido às experiências das pessoas: por meio dele. o aluno amplia a sensibilidade. com novas relações entre o conhecimento e o trabalho. com a sexualidade e com a ética. o professor encontrará as questões relativas ao ensino e à aprendizagem em Arte para as séries de primeira a quarta. conteúdos. ao repúdio às discriminações e ao incentivo à solidariedade. consonância com o trabalho que estiver sendo desenvolvido. Dança. A segunda parte busca circunscrever as artes no ensino fundamental. a igualdade de direitos. ao mesmo tempo. O mundo do trabalho também exige uma formação que capacite os estudantes a lidarem com novas tecnologias e linguagens. . critérios de avaliação. conhecer. fazer trabalhos artísticos. o professor possa respeitar a seleção e a seriação das linguagens. a percepção. fornecendo subsídios para que possam trabalhar com a mesma competência exigida para todas as disciplinas do projeto curricular. basicamente. objetivos e especificidades. quanto no que se refere à arte como manifestação humana. resguardar sua integração às demais áreas e temas transversais que serão trabalhados. Expõe uma compreensão do significado da arte na educação. também. quanto as preocupações contemporâneas com o meio-ambiente. Nela. a partir de posturas éticas em sua ação coletiva. ARTE A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico. levando em conta as demandas prementes numa sociedade em contínua transformação. tanto no que se refere ao ensino e à aprendizagem. A primeira parte do documento contém o histórico da área no ensino fundamental e suas correlações com a produção em arte no campo educacional. Ambas as partes estão organizadas de modo a oferecer um material sistematizado para as ações dos educadores. Os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem uma contribuição efetiva que ajudará os educadores no direcionamento de sua prática pedagógica. com a saúde. A iniciativa de elaborar os Parâmetros Curriculares Nacionais vem da nossa preocupação com relação às questões que dizem respeito diretamente à sala de aula: com aquilo que é o fundamental no trabalho do professor e que dá sentido ao seu esforço — a aprendizagem do aluno. destacando quatro linguagens: Artes Visuais. apreciar e refletir sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e épocas. Aprender arte envolve. objetivos. orientações didáticas e bibliografia. a reflexão e a imaginação. e.Tais conhecimentos englobam tanto os domínios do saber tradicionalmente presentes nas atividades escolares. recomenda-se sua leitura global. O documento de Arte tem o intuito de orientar o professor na sua ação educativa e na elaboração de seus programas curriculares. apreciar e refletir sobre eles. Música e Teatro. no tratamento didático. CIÊNCIAS NATURAIS A formação de um cidadão crítico exige sua inserção numa sociedade em que o conhecimento científico e tecnológico é cada vez mais valorizado. Envolve. A leitura do documento pode ser feita a partir de qualquer das linguagens.

aponta suas contribuições para a formação da cidadania. esportes. o papel das Ciências Naturais é o de colaborar para a compreensão do mundo e suas transformações. ainda. indicando demais objetivos. portanto.. debate a importância do ensino de Ciências Naturais para a formação da cidadania. EDUCAÇÃO FÍSICA Para boa parte das pessoas que freqüentaram a escola. de forma organizada. os planejamentos e as avaliações da prática da Educação Física nas escolas. uma experiência prazerosa. afetos e emoções. Também expõe a compreensão de ensino. apresenta um breve histórico das tendências pedagógicas predominantes na área. as principais questões que o professor deve considerar no desenvolvimento de seu trabalho. Incorpora. para a compreensão das mais variadas formas de utilizar os recursos naturais. lutas. O trabalho de Educação Física nas séries iniciais do ensino fundamental. Os conteúdos estão organizados em blocos interrelacionados e foram explicitados como possíveis enfoques da ação do professor e não como atividades isoladas. caracteriza o conhecimento científico e tecnológico como atividades humanas. discutindo a natureza e as especificidades do processo de ensino e aprendizagem e expondo os objetivos gerais para o ensino fundamental. aborda o trabalho nas séries de primeira a quarta. com finalidades de lazer. é importante pois possibilita aos alunos terem. formando uma base de consulta e de referência para o trabalho do educador. de sucesso. aspectos didáticos gerais e específicos da prática pedagógica em Educação Física que podem auxiliar o professor nas questões do cotidiano das salas de aula e servem como ponto de partida para discussões. cognitivas e socioculturais dos alunos. subsidiando as discussões. direcionada às quatro primeiras séries do ensino fundamental. também.Neste contexto. conforme o objetivo do leitor. . O documento de Educação Física traz uma proposta que procura democratizar. para outros. conforme as necessidades do trabalho do professor. humanizar e diversificar a prática pedagógica da área. expressão de sentimentos. desde cedo. mas é importante que seja lido na íntegra e visto como um todo. de medo de errar. Mas certamente sua contribuição será mais ampla se o documento for lido na íntegra. de avaliação e de conteúdos que norteia estes parâmetros e apresenta os objetivos gerais da área. de uma visão apenas biológica. contribuem para a ampliação das explicações sobre os fenômenos da natureza. buscando ampliar. de sensação de incompetência. localizando as principais influências históricas e tendências pedagógicas. situando o homem como indivíduo participativo e parte integrante do Universo. de muitas vitórias. e desenvolve a concepção que se tem da área. a lembrança das aulas de Educação Física é marcante: para alguns. de aprendizagem. situando-a como produção cultural. A primeira parte do documento descreve a trajetória da disciplina através do tempo. fornecendo subsídios para seu planejamento. para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas. não neutras. ginásticas e danças. Essa parte contempla. Os conceitos e procedimentos desta área. A segunda parte. para o entendimento e o questionamento dos diferentes modos de nela intertervir e. voltada para todo o ensino fundamental. de caráter histórico e. a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de atividades culturais como jogos. uma memória amarga. A leitura do documento pode iniciar-se por qualquer uma das partes. de falta de jeito. Cada uma dessas partes pode ser lida separadamente. A segunda parte contempla o ensino de Ciências Naturais. A seguir. conteúdos e critérios de avaliação. A primeira parte deste documento..

O tema do documento de Ética. adquirirmos uma consciência maior dos vínculos afetivos e de identidade que estabelecemos com ele. explicar. portanto. morreria? Colocado de outra forma: deve-se privilegiar o valor "vida" (salvar alguém da morte) ou o valor "propriedade privada" (não roubar)? Seria um erro pensar que. tem um tratamento específico como área. no entanto. explicitamente. Num segundo momento. situando-a no contexto das diversas influências que a sociedade exerce sobre o desenvolvimento das crianças. os homens têm as mesmas respostas para questões desse tipo. Na Grécia antiga. de observar. os Direitos Humanos impedem que alguém ouse defender. familiares e amigos. Na primeira parte define-se o tema. GEOGRAFIA A Geografia. solidariedade e diálogo. conhecer. as sociedades mudam e também mudam os homens que as compõem. e o fato de umas não terem liberdade era considerado normal. O documento de Geografia propõe um trabalho pedagógico que visa a ampliação das capacidades dos alunos. mas é novo ter um documento que possibilite abrir discussões sobre este assunto no contexto escolar. destinada a todo o ensino fundamental. pois Ética é um tema que interessa a todos que estejam preocupados em melhorar as relações sociais e as condições de vida em nosso País. uma vez que oferece instrumentos essenciais para compreensão e intervenção na realidade social. o que o diferencia e o aproxima de outros lugares e. mas também para conversas com os pais. A leitura do documento de Ética pode iniciar-se por qualquer uma das partes. Finalizando a primeira parte. e perceber as marcas do passado no presente. cujo preço é inacessível. são analisadas as relações entre a socialização e as diversas fases desse desenvolvimento. Após essas reflexões de cunho geral. desde sempre. a escravidão como algo legítimo. Com o passar do tempo. discute a característica complexa da avaliação e apresenta orientações didáticas gerais. é apresentada a opção didática da transversalidade: trabalhar as questões éticas através das diversas áreas de conhecimento e do cotidiano escolar. justiça. descrevendo-o historicamente e referenciando-o aos valores que orientam o exercício da cidadania numa sociedade democrática. Este procedimento servirá não só para discussões internas à escola. para salvar alguém que. apontar o papel da afetividade e da racionalidade no desenvolvimento moral da criança. Hoje em dia. comparar e . sem ele. voltada para as quatro primeiras séries desse nível de ensino. assim. são feitas considerações de ordem psicológica. trata de conteúdos relacionados a respeito mútuo. procurando.ÉTICA É ou não ético roubar um remédio. ainda que nem sempre respeitados. a existência de escravos era perfeitamente legítima: as pessoas não eram consideradas iguais entre si. Após fazer uma revisão crítica das principais experiências realizadas no campo da educação moral. recomenda-se sua leitura integral. Defende-se a importância da escola na formação ética das novas gerações. não é novo. num primeiro momento. do ensino fundamental. Por meio dela podemos compreender como diferentes sociedades interagem com a natureza na construção de seu espaço. as singularidades do lugar em que vivemos. são apresentados os objetivos gerais da proposta de formação ética dos alunos. A segunda parte do documento. por exemplo. distantes no tempo e no espaço. na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Também podemos conhecer as múltiplas relações de um lugar com outros lugares.

com o apoio de bibliografia. Os conteúdos são apresentados de modo a tornar possível recriá-los. Apontam-se os conceitos. para o ensino fundamental. para que os alunos se aproximem e compreendam a dinâmica desta área de conhecimento. Nas orientações didáticas. os princípios e os procedimentos de Geografia são apresentados como recursos a serem utilizados pelo professor no planejamento de suas aulas e na definição das atividades a serem propostas para os alunos. O texto apresenta princípios. definição de objetivos amplos. Também estão explicitados os objetivos gerais da área para o ensino fundamental. Cada uma delas pode ser consultada de acordo com o interesse mais imediato: aprofundamento teórico. São eles que sintetizam as intencionalidades das escolhas conceituais. em termos de suas teorias e explicações. as articulações dos conteúdos de História com os Temas Transversais. que ajudam o professor na criação e avaliação de atividades no dia-a-dia. o conhecimento do documento. São discutidas. mais ainda. . encontra-se uma descrição de como pode ser o trabalho com essa disciplina. conceitos e orientações para atividades que possibilitem aos alunos a realização de leituras críticas dos espaços. na busca de práticas que estimulem e incentivem o desejo pelo conhecimento. encontram-se os princípios de ensino. Assim. os procedimentos e as atitudes a serem ensinados. foi concebida para proporcionar reflexões e debates sobre a importância dessa área curricular na formação dos estudantes. ainda. Na segunda parte. enriquecerá. como referências aos educadores. discernimento das particularidades da área. As orientações didáticas destacam pontos importantes da prática de ensino e da relação dos alunos com o conhecimento histórico. é apresentada uma bibliografia que integra e complementa o documento. analisam-se algumas concepções curriculares elaboradas para o ensino de História no Brasil e apontam-se as características. os eixos temáticos e os critérios de avaliação propostos. Embora cada uma dessas partes possa ser lida com independência. o documento traz uma série de indicações sobre a organização do trabalho escolar do ponto de vista didático. mostrando suas tendências atuais e sua importância na formação do cidadão. poderão fazer as devidas adaptações à realidade de suas escolas e às características dos alunos com os quais trabalham. A primeira parte descreve a trajetória da Geografia. para as séries iniciais. delineados na proposta. como um todo. a importância. considerando a realidade local e/ou questões sociais contemporâneas. de primeira a quarta: objetivos e conteúdos. são apresentados os eixos temáticos para as séries de primeira a quarta e os critérios que fundamentam as suas escolhas. os princípios e os conceitos pertinentes ao saber histórico escolar. como ciência e como disciplina escolar. os objetivos.representar as características do lugar em que vivem e de diferentes paisagens e espaços geográficos. que. No final. sugestões de práticas. das culturas e das histórias do seu cotidiano. HISTÓRIA A proposta de História. Na primeira parte. Na segunda parte. é importante que a proposta seja integralmente lida e discutida pelos professores. entre outros. Ao final. A seguir. metodológicas e de conteúdos. possibilidades de recursos didáticos. Mas recomenda-se a leitura na íntegra para uma visão abrangente da área. O documento está organizado em duas partes. a experiência do professor em sala de aula.

pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso pelo homem dos recursos naturais disponíveis. apóia-se no fato de que a Matemática desempenha papel decisivo. tem muitas aplicações no mundo do trabalho e funciona como instrumento essencial para a construção de conhecimentos em outras áreas curriculares. Ao final dessa primeira parte. Na seleção de conteúdos presentes no documento. Há urgência em reformular objetivos. e pode ser lido como está apresentado ou começando-se por qualquer uma de suas partes. referente aos conteúdos. como por parte de quem aprende: de um lado. permeando toda prática educacional. deverão considerar sua natureza interligada às outras áreas do currículo e a necessidade de serem tratados de modo integrado. da arte e da tecnologia. é dirigida para as séries de primeira a quarta. como um referencial para o trabalho a ser desenvolvido pelo professor. vê-se a importância de se incluir a temática do Meio-Ambiente como tema transversal dos currículos escolares. da importância da educação ambiental. a insatisfação diante dos resultados negativos obtidos com muita freqüência em relação à sua aprendizagem.MEIO AMBIENTE A questão ambiental vem sendo considerada como cada vez mais urgente e importante para a sociedade. A constatação da sua importância. interfere fortemente na formação de capacidades intelectuais. Mas é importante que seja considerado em sua totalidade. A primeira parte aborda a questão ambiental a partir de um breve histórico e apresenta os modelos de desenvolvimento econômico e social em curso nas sociedades modernas. enfatizando as noções comumente associadas ao tema. A intenção deste documento é tratar das questões relativas ao meio-ambiente em que vivemos. tanto por parte de quem ensina. por meio do trabalho. Nos critérios de avaliação e na orientação didática geral. desprovidos de significados para o aluno. Essa consciência já chegou à escola e muitas iniciativas têm sido desenvolvidas em torno desta questão. de outro. Do mesmo modo. partindo-se principalmente das muitas experiências em educação ambiental desenvolvidas em todo o Brasil. encontram-se os objetivos gerais do tema Meio Ambiente para todo o ensino fundamental. não só entre si. Discorre sobre o reconhecimento. A insatisfação revela que há problemas a serem enfrentados. critérios de avaliação e orientações didáticas. a constatação de que se trata de uma área de conhecimento importante. A segunda parte. são apresentadas bases teóricas e idéias práticas. os educadores. por parte de organizações governamentais e lideranças nacionais e internacionais. por educadores de todo o País. MATEMÁTICA O ensino de Matemática costuma provocar duas sensações contraditórias. da ciência. . considerando seus elementos físicos e biológicos e os modos de interação do homem e da natureza. mas entre si o contexto histórico e social em que as escolas estão inseridas. tais como a necessidade de reverter um ensino centrado em procedimentos mecânicos. na estruturação do pensamento e na agilização do raciocínio dedutivo do aluno. Este documento encontra-se organizado numa seqüência lógica. Por estas razões. pois permite resolver problemas da vida cotidiana. rever conteúdos e buscar metodologias compatíveis com a formação que hoje a sociedade reclama.

isto é. o respeito por si e pelo outro. A segunda parte. faz uma análise das características da área e do papel que ela desempenha no currículo escolar. apresenta blocos de conteúdos e discute aspectos da avaliação. O documento de Matemática é um instrumento que pretende estimular a busca coletiva de soluções para o ensino dessa área. para que haja uma visão integradora das possibilidades de aprendizagem e dos obstáculos que o aluno enfrenta ao aprender Matemática. o documento não deve deixar de ser lido em seu conjunto. para tanto. Aborda ainda por meio dos os objetivos gerais as capacidades a serem desenvolvidas pelos alunos no ensino fundamental. O papel do homem e da mulher. Ao final. levando em conta os princípios morais de cada um dos envolvidos e respeitando. PLURALIDADE CULTURAL . também. formando um material de apoio. Cada uma dessa partes pode ser lida de maneira independente. a AIDS. entre outros. com a finalidade de sistematizar a ação pedagógica no desenvolvimento dos alunos. Soluções que precisam transformar-se em ações cotidianas que efetivamente tornem os conhecimentos matemáticos acessíveis a todos os alunos. destaca os objetivos gerais para o ensino fundamental. indica alguns caminhos para "fazer Matemática" na sala de aula. permeando as outras áreas e relacionando-o aos demais temas curriculares. Os objetivos gerais são dimensionados em objetivos específicos para cada ciclo. mas é essencial ler e discutir todo ele. as referências necessárias ao melhor desempenho ao se tratar do assunto. destina-se aos aspectos ligados ao ensino e à aprendizagem de Matemática para as quatro primeiras séries do ensino fundamental. professores. Os blocos de conteúdos são detalhados e especificados em conceitos. refere-se à especificação do trabalho direcionada às primeiras quatro séries do ensino fundamental. O tratamento da sexualidade nas séries iniciais visa permitir ao aluno encontrar na escola um espaço de informação e de formação. Também trata das relações entre o saber. ORIENTAÇÃO SEXUAL Ao tratar do tema Orientação Sexual. uma breve trajetória das reformas e o quadro atual de ensino da disciplina. de consulta e de pesquisa. busca-se considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde. É possível iniciar a leitura do documento pela parte que se refere aos tópicos de maior interesse do professor. critérios de avaliação e orientação didática geral. os Direitos Humanos. o aluno e o professor. descrevendo. Portanto. trabalho que se diferencia do tratamento da questão no ambiente familiar. A primeira parte deste documento justifica a importância de se incluir Orientação Sexual como tema transversal nos currículos. O objetivo deste documento está em promover reflexões e discussões de técnicos. as discriminações e os estereótipos a eles atribuídos em seus relacionamentos. A primeira parte do documento apresenta os princípios norteadores.No entanto. cada professor sabe que enfrentar esses desafios não é tarefa simples. que é de natureza bastante distinta das demais séries. A segunda parte. Mas elas partes se completam como um todo. A seguir. são problemas atuais e preocupantes. equipes pedagógicas. nem para ser feita solitariamente. que se expressa desde cedo no ser humano. Discorre sobre o papel e a postura do educador e da escola. procedimentos e atitudes. de acordo com a necessidade de cada educador. constituída pelos blocos de conteúdos. bem como pais e responsáveis. são apresentados critérios de avaliação e algumas orientações didáticas referentes a cada bloco de conteúdo.

para as quatro primeiras séries do ensino fundamental. O documento de Pluralidade Cultural trata dessas questões. ao longo de nossa história. relações de discriminação e exclusão social que impedem muitos brasileiros de ter uma vivência plena de sua cidadania. sendo diverso. pela enriquecedora oportunidade de conhecer as histórias de dignidade. oferecendo informações que contribuam para a formação de novas mentalidades. imigrante. indica a necessidade de se vivenciar a pluralidade de nossa cultura e especifica os objetivos a serem alcançados no decorrer de todo o ensino fundamental. com isso. expressa e defende pontos de vista. pelas suas especificidades. é fundamental para a participação social efetiva. Aborda questões relativas à natureza e às características da área. adaptar. produz conhecimento. de conquista e de criação. LÍNGUA PORTUGUESA O domínio da língua.Há muito se diz que o Brasil é um país rico em diversidade étnica e cultural. afro-descendente. Contudo. O documento não trata separadamente as orientações didáticas. pode ser prazeroso e motivador na sala de aula. por falar de perto da realidade de vida daqueles que ali ensinam e aprendem. tornar mais claras as relações entre a seleção dos conteúdos e o tratamento didático proposto. A primeira parte do documento contempla os aspectos que envolvem e justificam o tema. embora complexo. tanto no que se refere às conjunturas sociais específicas. uma fonte de consulta e de pesquisa. de modo a servir de referência. Por isso. necessários para o exercício da cidadania. formando. É importante salientar que cabe às equipes técnicas e aos educadores. de forma a apresentá-los com a articulação necessária para a sua coerência. Na segunda parte. caiçara. suas implicações para a aprendizagem e seus desdobramentos no ensino.. pois é por meio dela que o homem se comunica. direito inalienável de todos. de tudo que. A segunda parte detalha a proposta. voltadas para a superação de todas as formas de discriminação e exclusão. É com essa perspectiva que o documento de Língua Portuguesa está organizado. priorizar e acrescentar conteúdos. de fonte de consulta e de objeto para reflexão e debate. O último tópico dessa parte.. Língua Escrita e Análise e Reflexão sobre a Língua. segundo suas realidades particulares. plural em sua identidade: é índio. Apresenta os objetivos gerais de Língua Portuguesa. ao ensiná-la. mas deverá ser considerado em sua totalidade. oral e escrita. sertanejo. encontram-se os conteúdos. assim. os critérios de avaliação e as orientações didáticas que deverão nortear o trabalho das quatro primeiras séries do ensino fundamental. têm existido preconceitos. caipira. tem acesso à informação. enfatizando as diversas heranças culturais que convivem na população brasileira. Buscou-se. foi abordá-las ao longo da apresentação dos conteúdos. valoriza a singularidade de cada um e de todos. é urbano. ao elaborarem seus programas curriculares e projetos educativos. a escola tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes lingüísticos. conteúdos e critérios de avaliação. a partir dos quais são apontados os conteúdos relacionados à Língua Oral. A opção na área de Língua Portuguesa. partilha ou constrói visões de mundo. . em objetivos. apresenta e fundamenta os critérios de avaliação para o ensino fundamental. quanto ao nível de desenvolvimento dos alunos. Este documento pode ser lido de acordo com as necessidades mais imediatas do professor. A primeira parte faz uma breve apresentação da área e define as linhas gerais da proposta. de culturas e povos que constituem o Brasil. Esse é um trabalho que.

o texto trata de uma concepção dinâmica da saúde. no que se refere à possibilidade de garantir uma aprendizagem efetiva e transformadora de atitudes e hábitos de vida. do Meio Ambiente. compreendida. bem como um elenco de hábitos de higiene. é fundamental que se conheça a concepção de área utilizada. Nessa perspectiva é que foram incorporadas como Temas Transversais. Ao educar para a saúde. APRESENTAÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS Este é o documento que apresenta os Temas Transversais e explica a sua dimensão dentro do currículo. As partes que compõem o documento podem ser lidas sem a obrigatoriedade de seguir-se a mesma seqüência em que estão apresentadas. Mas é importante salientar que o mesmo deve ser considerado em seu todo. critérios de avaliação e orientações didáticas para as atividades integradas às áreas curriculares. da Pluralidade Cultural.Embora a leitura possa ser iniciada por qualquer parte do texto. urgentes e presentes sob várias formas. para que a proposta seja. as questões da Ética. é considerada um dos fatores mais significativos para a promoção da saúde. de forma contextualizada e sistemática. organizando conteúdos. voltada para todo o ensino fundamental. Na abordagem apresentada. ajudará a esclarecer o desdobramento dos conteúdos em cada ciclo e a sua abordagem. como referencial para pesquisas e discussões. coletiva e ambiental. os Temas Transversais correspondem a questões importantes. O compromisso com a construção da cidadania. Por esta razão. EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE O ensino de saúde tem sido um desafio para a educação. Educação para a Saúde será tratada como tema transversal. . Isso não significa que tenham sido criadas novas áreas ou disciplinas. O documento Educação para a Saúde situa a realidade brasileira. indicando possibilidades de ação e transformação dos atuais padrões existentes na área da saúde. Como você poderá perceber pela leitura deste documento. a educação. em suas relações sociais e culturais. não é suficiente para que os alunos desenvolvam atitudes de vida saudável. como um todo. permeando todas as áreas que compõem o currículo escolar. Na primeira parte. o professor e a comunidade escolar contribuem de maneira decisiva na formação de cidadãos capazes de atuar em favor da melhoria dos níveis de saúde pessoais e da coletividade. da Saúde e da Orientação Sexual. aos demais temas transversais e ao cotidiano da vida escolar. entendida como direito universal e como algo que as pessoas constroem ao longo de suas vidas. Amplos o bastante para traduzir preocupações da sociedade brasileira de hoje. A discussão do documento. Na segunda parte do documento são apresentadas as possibilidades de trabalho com as quatro primeiras séries do ensino fundamental. As experiências mostram que transmitir informações a respeito do funcionamento do corpo e descrição das características das doenças. É essa forma de organizar o trabalho didático que recebeu o nome de transversalidade. É preciso educar para a saúde levando em conta todos os aspectos envolvidos na formação de hábitos e atitudes que acontecem no dia-a-dia da escola. pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal. os objetivos e conteúdos dos Temas Transversais devem ser incorporados nas áreas já existentes e no trabalho educativo da escola. de fato.

A ORGANIZAÇÃO DA ESCOLARIDADE EM CICLOS 3. o exercício da cidadania pressupõe a participação política de todos na definição de rumos que serão assumidos pela nação.2.5. AVALIAÇÃO 3. leva ao reconhecimento e valorização das diversidades étnicas.3. e mesmo nos espaços tradicionalmente considerados como da ordem da vida privada. A ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ESCOLAR: ÁREAS E TEMAS TRANSVERSAIS 3. ORGANIZAÇÃO DOS PCNs 3.2.4. ORIGENS E JUSTIFICATIVA DA PROPOSTA DOS PCNs 1. regionais e . Função Social da Escola 2.3. CONTEÚDOS 3. OBJETIVOS 3. e apesar da consciência que. A Tradição Pedagógica Brasileira 2. isto é. OBJETIVOS GERAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 3.2.1. visa também orientar a leitura dos documentos dos Temas. há um documento para cada tema. PCN .Introdução INTRODUÇÃO Considerações Preliminares Apresentação da Proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) 1.7. critérios de avaliação e orientações didáticas. As formas de participação política se expressam não só na escolha de representantes políticos e governantes. HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA DOS PCNS 2.1.2.2.1. na cultura contemporânea. Aprender e Ensinar.2. Embora o mundo atual esteja marcado pelo processo de globalização econômica e cultural e pela crescente importância que assumem os fóruns políticos internacionais. Construir e Interagir 2. a articulação entre os temas. Além deste. Este documento visa a compreensão da proposta em sua globalidade. NATUREZA E FUNÇÃO DOS PCNS 2.3. conteúdos. Por outro lado. PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DOS PCNs 2. A SITUAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL 1. mas também na participação em movimentos sociais e mesmo no envolvimento dos sujeitos com temas e questões da vida da nação. a explicitação transversalidade entre temas e áreas curriculares e a amplitude do trabalho com problemáticas sociais pra escola.2.1. O desafio que se apresenta para as escolas é o de abrirem-se para o debate sobre elas. expondo as questões que cada um envolve e esclarecendo objetivos. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DOS PCNs BIBLIOGRAFIA INTRODUÇÃO Considerações Preliminares Numa democracia.6. para que você possa aprofundar a compreensão deles e também subsidiá-lo na criação de criar seu próprio planejamento de trabalho.na vida cotidiana. envolvimento que se manifesta em todos os níveis da vida cotidiana. ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS 3. FUNDAMENTOS DOS PCNS 2.

antes de tudo. a recusa categórica de formas de discriminação. De um lado porque. interagindo de modo orgânico e integrado num trabalho de equipe e. para a escola. é necessário. moradia. A educação básica deve. não somente o controle público e democrático das instituições. das coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. sejam exploradas: a aprendizagem de metodologias capazes de priorizar a construção de estratégias de verificação e comprovação de hipóteses na construção do conhecimento. capaz de responder a novos ritmos e processos. que no processo de ensino e aprendizagem. é ainda no âmbito do Estado/Nação que a cidadania pode se exercer. a compreensão dos limites e alcances lógicos das explicações propostas. Cabe à escola assumir-se enquanto instância de discussão dos referenciais éticos. do trabalho coletivo. Para tanto. além de continuar a exercer seu papel de assegurar o acesso igualitário dos cidadãos às instituições públicas construídas para garantir o gozo dos direitos sociais e individuais . Desde o domínio da língua falada e escrita. a construção de argumentação capaz de controlar os resultados desse processo. orientava a concepção e construção dos projetos educacionais. educação. apesar das profundas mudanças estruturais em curso na modernidade. Nesse sentido.saúde. e sobretudo. na metade deste século. a importância da solidariedade e da observância às leis. mas antes trata-se de ter em vista a formação dos estudantes em termos de sua capacitação para a aquisição e o desenvolvimento de novas competências. O mundo contemporâneo coloca. que coloca para a escola um horizonte mais amplo e diversificado do que aquele que. transporte. no cenário mundial. dos princípios da explicação científica. mas como espaço social de construção dos significados éticos necessários e constitutivos de toda e qualquer ação de cidadania. sendo capaz de atuar em níveis de interlocução mais complexos e diferenciados. até há poucas décadas atrás. o desenvolvimento do espírito crítico capaz de favorecer a criatividade. nos dias de hoje. sobre a igualdade de direitos. Isto implica o estímulo à autonomia do sujeito. preservação ambiental e segurança pessoal . novas relações entre conhecimento e trabalho começaram a ser delineadas. não basta visar a capacitação dos estudantes para futuras habilitações em termos das especializações tradicionais. porque as transformações em curso no mundo atual parecem apontar antes para uma mudança na dinâmica de interlocução entre os Estados/Nação do que para o esvaziamento. a máxima "aprender a aprender" parece se impor à máxima "aprender determinados conteúdos". Isso coloca. é necessário ter em conta uma dinâmica de ensino que favoreça não só o descobrimento das potencialidades do trabalho individual mas também. Um de seus efeitos é a exigência de um reequacionamento do papel da educação no mundo contemporâneo. De outro. das condições de fruição das obras de arte e das mensagens estéticas.assume outras funções decorrentes da complexificação do mundo contemporâneo. a participação política nas sociedades contemporâneas. que deve estar preparado para poder lidar com novas tecnologias e linguagens. assim como colocam a necessidade de acatar e prever formas de simbolização associadas às múltiplas posturas de inscrição possível no mundo das relações sociais. não enquanto instância normativa e normatizadora. dessas instâncias. em resposta à dinâmica cada vez mais acelerada de mudanças sociais. Tais injunções do mundo moderno colocam a relevância de discussões sobre a dignidade do ser humano. Desde a construção dos primeiros computadores. Além disso. domínios de saber tradicionalmente previstos como necessários na história das concepções sobre o papel da educação no mundo democrático. mais do que nunca. O exercício da cidadania exige o acesso de todos à totalidade dos recursos culturais relevantes para a intervenção e a participação responsável na vida social. mas também o engajamento no processo de criação de novas instituições e de novos direitos. portanto. Envolve.culturais. Estas novas relações entre conhecimento e trabalho exigem capacidade de iniciativa e inovação e. a necessidade de que a educação trabalhe a formação ética dos alunos. a instância do Estado/Nação continua a exercer um papel crucial. Cabe ao campo educacional propiciar aos alunos modos de vivenciar as diferenças de inscrição sócio-político- . em função de novos saberes que se produzem e que demandam um novo tipo de profissional. até outras tantas exigências que se impõem como injunções do mundo contemporâneo. preparar o aluno para um processo de educação permanente. novas demandas. mais do que nunca. dos princípios da reflexão matemática. Hoje em dia. desenvolvendo o sentimento de segurança em relação às suas próprias capacidades.

a inserção no mundo do trabalho e do consumo. é papel preponderante da escola propiciar o domínio dos recursos capazes de levar à discussão destas formas e sua utilização crítica na perspectiva da participação social e política. da extensão territorial e das peculiaridades históricas. questão particularmente relevante num país como o nosso. para que esta instrumentalize e prepare crianças e jovens para o processo democrático. É no horizonte de tal concepção de cidadania que a proposta dos PCNs se inscreve. a partir dos quais eram vistos como questões locais ou individuais. Cabe ao governo o papel de assegurar que o processo democrático se desenvolva sem estes entraves. Não se pode deixar de levar em conta que. uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da formação a ser oferecida aos estudantes. de modo a tentar dar conta de uma concepção de cidadania. Tais concepções são assumidas como o substrato que deve nortear. na atual realidade brasileira. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. no contexto desta proposta. marcado por uma notável diversidade cultural. A iniciativa do MEC em propor parâmetros curriculares nacionais vem configurar uma proposta que oriente de maneira coerente políticas educacionais e contribua efetivamente para avanços na qualidade da educação no Brasil. mas coloca também. no centro do debate. étnicas e antropológicas de cada região. o que a sociedade demanda atualmente é um ensino de qualidade o que. assim como procura se inscrever no horizonte das concepções acima apontadas. inclusive. e a preservação do meio ambiente são temas que ganham um novo estatuto. com menor contacto com a produção pedagógica atual. pólo norteador do processo educativo. configuram uma proposta aberta e flexível. um plano de carreira. que considere os interesses e motivações de todos os alunos e garanta todas as aprendizagens essenciais para a formação de cidadãos autônomos. justificando.cultural entre os cidadãos. tem funcionado como um entrave para que uma parte considerável da população possa fazer valer os seus direitos e interesses fundamentais. dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem. produto. Sua função é orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade de ensino. É papel do Estado democrático investir na escola. principalmente daqueles que se encontram mais isolados. se expressa como a possibilidade do sistema educacional vir a propor uma prática educativa adequada às necessidades sociais. cujas definições são imprecisas. pela sua própria natureza. Os PCNs. um grande contingente de jovens a serem absorvidos por um mercado de trabalho instável. pesquisas e recomendações. portanto. num universo em que os referenciais tradicionais. . em função de uma conjuntura mundial que vive um acelerado processo de mudanças que. a disponibilidade de materiais didáticos. decorrente da iníqua distribuição de renda. um modelo curricular homogêneo e impositivo. portanto. Nesse sentido. A busca desta qualidade impõe a necessidade de investimentos em diferentes frentes. em nosso país. a cada momento. É necessária. Hoje em dia. no Brasil. críticos e participativos. No contexto atual. passando pela educação sexual. à diversidade política e cultural das múltiplas regiões do país ou à autonomia de professores e equipes pedagógicas. como a formação inicial e continuada de professores. Apresentação da Proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) constituem um referencial para fomentar a reflexão sobre os currículos estaduais e municipais. temos. Nesse sentido. neste contexto. sua consideração. entre outros. socializando discussões. a qual já vem ocorrendo em diversos locais. geram novos paradigmas para o mundo do trabalho. forçando a equalização do acesso à educação e às possibilidades de participação social. uma proposta educacional. o cuidado com o próprio corpo e com a saúde. que se sobreporia à competência políticoexecutiva dos estados e municípios. subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros. uma política de salários dignos. econômicas e culturais da realidade brasileira. capazes de atuar com competência. as atividades escolares de ensino e aprendizagem e a questão curricular como de inegável importância para a política educacional do estado brasileiro. à luz das demandas do mundo contemporâneo. a profunda segmentação social. pelas escolas e pelos professores. nos dias de hoje. Não configuram. políticas. já não dão conta da dimensão nacional e até mesmo internacional que tais temas assumem.

nas suas dimensões mais amplas. processo em que os conteúdos curriculares atuam não como fins em si mesmos. Formulou-se. Ao longo desse processo. envolvendo a contraposição de diferentes interesses e a negociação política necessária para encontrar soluções para os conflitos sociais. O processo de elaboração dos PCNs teve início a partir do estudo de propostas curriculares de estados e municípios brasileiros. que serviram de referência para a sua reelaboração. Além disso. o processo educacional não pode ser instrumento para a imposição. passou por um processo de discussão de âmbito nacional durante os anos de 95 e 96. dados estatísticos sobre desempenho de alunos do ensino fundamental. inúmeros encontros regionais. étnicas. contaram com a participação de professores do ensino fundamental e técnicos de secretarias municipais e estaduais de educação. Nesses encontros. buscam apontar caminhos para o enfrentamento dos problemas do ensino no Brasil. de instituições representativas de diferentes áreas do conhecimento e educadores. considerando não só a melhoria salarial. que a proposta dos PCNs não se apresenta como um currículo mínimo comum ou um conjunto de conteúdos obrigatórios de ensino. tendo como meta o ideal de uma igualdade crescente entre os cidadãos. do qual participaram docentes de universidades públicas e particulares. sabe-se que uma equidade efetiva exige o acesso pleno e indiscriminado dos cidadãos à totalidade dos bens públicos. sugeriram diversas possibilidades de atuação das universidades e das faculdades de educação para a melhoria do ensino nas séries iniciais. Para tanto. Tal projeto deve resultar do próprio processo democrático. professores e conhecimento. Foram analisados subsídios oriundos do Plano Decenal de Educação. Desses interlocutores foram recebidos cerca de quatrocentos pareceres sobre a proposta inicial.O conjunto das proposições expressas nos PCNs tem como objetivo estabelecer referenciais a partir dos quais a educação possa atuar. Na sociedade democrática. a proposta foi objeto de discussão. em sua quase totalidade. mas como meios para a aquisição e desenvolvimento dessas capacidades. Os pareceres recebidos. ao contrário do que ocorre nos regimes autoritários. no processo de construção da cidadania. decisivamente. tanto nos objetivos educacionais que propõem quanto na conceitualização do significado das áreas de ensino e dos temas da vida social contemporânea que devem atravessá-las. adotando como eixo o desenvolvimento de capacidades do aluno. apontaram a necessidade de uma política de implementação da proposta educacional explicitada nos PCNs. uma proposta inicial dos PCNs que. é que o aluno possa ser sujeito de sua própria formação. dentre os quais o conjunto dos conhecimentos socialmente relevantes. técnicos de secretarias estaduais e municipais de educação. É também por valorizar a capacidade de utilização crítica e criativa dos conhecimentos. organizados pelas delegacias do MEC nos estados da federação. vinculados à implantação dos PCNs. é necessário que haja parâmetros a partir dos quais o sistema educacional do país esteja organizado. a igualdade política possa estar assegurada pelas instituições. Os PCNs. de pesquisas nacionais e internacionais. a fim de garantir que. Os PCNs podem funcionar como elemento catalizador de ações na busca de uma melhoria da qualidade da educação brasileira. de um projeto de sociedade e de nação. então. para além das diversidades culturais. o que se tem em vista. Embora. Nesse sentido. nos PCNs. religiosas e políticas que atravessam uma sociedade múltipla e complexa estejam também garantidos os princípios democráticos que definem a cidadania. seminários e publicações. e não um acúmulo de informações. Tais programas terão início logo após a aprovação dos PCNs pelo Conselho Nacional de Educação. apresentada em versão preliminar. Nesse sentido. mas de modo algum têm o poder de resolver todos os problemas que afetam a qualidade do ensino e da aprendizagem no país. por parte do governo. mas também a exigência de . membros de conselhos estaduais de educação. representantes de sindicatos e entidades ligadas ao magistério. é preciso muito investimento na melhoria de condições de trabalho do professor. regionais. bem como experiências de sala de aula difundidas em encontros. as quais estão sendo incorporadas na elaboração de novos programas de formação de professores. cujos resultados também contribuiram para a reelaboração do documento. da análise realizada pela Fundação Carlos Chagas sobre os currículos oficiais e do contato com informações relativas a experiências de outros países. em um complexo processo interativo em que intervêm alunos. numa sociedade democrática.

2 milhões de alunos do ensino fundamental concentravam-se predominantemente nas regiões Sudeste (39%) e Nordeste (31%). O maior contingente de crianças fora da escola encontra-se na Região Nordeste. objetivos. fundindo resultados de trabalhos expressos em grande quantidade de fontes. Documentos de Convívio Social e Ética: para cada tema foi elaborado um documento que apresenta uma fundamentação teórica e sua operacionalização. como o tema é definido e transversalizado nas áreas específicas. Ciências Naturais. Todavia. Em relação ao ensino fundamental. Artes e Educação Física. os 31. apresenta a proposta da escolaridade em ciclos e a opção feita na definição de áreas. Meio Ambiente. provocando a existência de um número excessivo de turnos e a criação de escolas unidocentes ou multi-seriadas. orientações didáticas e critérios de avaliação para o Ensino Fundamental. de modo a concentrar a atenção na qualidade do ensino e da aprendizagem. 1. houve um aumento expressivo no acesso à escola básica. o aprender e o ensinar.1. Indicadores fornecidos pela SEDIAE/MEC .1. que correspondem aos quatro primeiros anos de escolaridade. Nas regiões Sul e Sudeste há desequilíbrios na localização das escolas e. A SITUAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL Durante décadas a tônica da política educacional brasileira recaiu sobre a expansão das oportunidades de escolarização. de recursos televisivos e de multi-mídia.apresentação dos temas transversais: este documento discute a necessidade do tratamento de questões sociais para que a escola possa cumprir sua função.programas eficazes de formação inicial e continuada do professor. A fundamentação apresentada no documento introdutório embasa o restante dos documentos. Documentos de Área: para cada área de conhecimento foi elaborado um documento.Secretaria de Desenvolvimento e Avaliação Educacional reafirmam a necessidade de revisão do projeto educacional do país. conforme indicado no gráfico 1. insuficiência de vagas. discorre sobre a função social da escola. Norte (9%) e Centro-Oeste (7%). Matemática. Conhecimentos Históricos e Geográficos. Convívio Social e Ética . As áreas apresentadas são: Língua Portuguesa. da qualidade do livro didático. Número de Alunos e de Estabelecimentos A oferta de vagas está praticamente universalizada no país.1. Os PCNs expressam o que já vem ocorrendo em diversas experiências nacionais e internacionais. ORIGENS E JUSTIFICATIVA DA PROPOSTA DOS PCNs 1. seguidos das regiões Sul (14%). Orientação Sexual. foi efetuado o detalhamento do primeiro e do segundo ciclo. ou seja. Optou-se por não incluir citações e referências bibliográficas ao longo dos textos. nossas tradições pedagógicas. no caso das grandes cidades. avaliação e orientações didáticas gerais. propõe um conjunto de temas que abordam os valores inerentes à cidadania: Ética. Os documentos que constituem os PCNs apresentam-se da seguinte maneira: Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais: este documento apresenta um perfil da educação brasileira e define os parâmetros como instrumentos norteadores para melhoria da qualidade do ensino fundamental. Trabalho e Consumo. que traça um perfil histórico do tratamento escolar e apresenta as principais questões a serem enfrentadas tendo em vista a formação da cidadania. Em 1994. apresentando uma bibliografia de apoio específica ao final de cada documento. conteúdos. Pluralidade Cultural. Gráfico 1 . os altos índices de repetência e evasão apontam problemas que evidenciam a grande insatisfação com o trabalho realizado pela escola. Saúde. conteúdos. objetivos gerais e por ciclo. compreende fundamentação teórica. Até o presente momento. 1.

ao todo 194. Na verdade. apesar de responderem por apenas 17. apenas 19% da população do país possuía o primeiro grau completo.487. em consequência de sua participação declinante desde o início dos anos 70.5%). esta situação indica a urgência das tarefas e o esforço que o estado e a sociedade civil deverão assumir para superar a médio prazo o quadro existente.6% da oferta. O setor privado responde apenas por 11.A maioria absoluta dos alunos frequentava escolas públicas (88.5% da demanda de ensino fundamental. mas também devido à ausência de planejamento do processo de expansão da rede física (gráfico 2). as escolas rurais concentram-se sobretudo na Região Nordeste (50%). Se é verdade que houve considerável avanço na escolaridade correspondente à primeira fase do ensino fundamental (primeira a quarta séries). não só em função de suas características sócio-econômicas. (gráfico 3) Gráfico 3 .4%) localizadas em áreas urbanas (82. 13% o nível médio e 8% possuía o nível superior. e da crescente participação do setor público na oferta de matrículas. mais de 70% das escolas são rurais. No que se refere ao número de estabelecimentos de ensino. como resultado do processo de urbanização do país nas últimas décadas. Gráfico 2 Esta situação mostra-se mais grave ao observarmos a evolução da distribuição da população por nível de escolaridade. é também verdade que em relação aos demais níveis de ensino os indicadores são ainda muito insuficientes: em 1990. Considerando a importância do ensino fundamental e médio para assegurar a formação de cidadãos aptos a participar democraticamente da vida social.

1 2..3 0.9 4. 2.4 3.1 1970 1980 1990 Fonte: Relatório sobre o desenvolvimento Humano no Brasil. Brasilia 1996 .9 5.6 3. cabe destacar a grande oscilação deste indicador em relação à variável cor.5 6.4 3. 5..2 2.9 1.4 2....2 2. mas relativo equilíbrio do ponto de vista de gênero como mostram os dados abaixo (tabela 1).3 ..5 3.1 5.Além das imensas diferenças regionais no que concerne ao número médio de anos de estudo e que apontam a região nordeste bem abaixo da média nacional.3 3..9 4.7 0...1 2.6 5.6 1.1 2.4 2. ..9 2. Brasil 1960 a 1990 1960 Gênero Mulher Homem Cor Preto Pardo Branco Amarelo Regiões Nordeste Norte/Centro-Oeste Sul Sudeste 1.9 2.7 2.7 1.7 2. Tabela 1: Número Médio de anos de estudos. 1996: PNUD/IPEA. .7 3.4 4.9 8. .9 .2 4 3.

Com efeito. Gráfico 6 Estes dados indicam que a repetência constitui um dos problemas do quadro educacional do país. para 62% em 1992 . enquanto 44% repetem. desestimulada em razão das altas taxas de repetência e pressionada por fatores sócio-econômicos que obrigam boa parte dos alunos ao trabalho precoce. As taxas de repetência evidenciam a baixa qualidade do ensino e a incapacidade dos sistemas educacionais e das escolas de garantir a permanência do aluno. No entanto. em todas as séries do ensino fundamental (gráfico 7). respectivamente. cerca de 42% e de 54%. ainda apresentam índices bastante elevados. Promoção. 1. reproduzindo assim o ciclo de retenção que acaba expulsando os alunos da escola (gráficos 4. o quadro de escolarização desigual do país revela os resultados do processo de extrema concentração de renda e níveis elevados de pobreza. Isso mostra que a sociedade brasileira valoriza a educação como registro fundamental de integração social e inserção no mundo do trabalho. 5 anos na escolas antes de se evadirem e levam cerca de 11. uma vez que os alunos passam. 33% e 5% em 1992. ainda acrescidos pela sub-utilização de recursos humanos e materiais nas séries finais. a grande maioria da população estudantil acaba desistindo da escola. que atingem. houve substancial melhoria dos índices de promoção. A despeito da melhoria observada nos índices de evasão. . Verifica-se. Uma das conseqüências mais nefastas das elevadas taxas de repetência manifesta-se nitidamente nas acentuadas taxas de distorção série/idade. as regiões Sul e Sudeste.2. mais do que refletir as desigualdades regionais e as diferenças de gênero e cor. em média. Repetência e Evasão Em relação às taxas de transição.2 anos para concluir as oito séries de escolaridade obrigatória.1. embora situem-se abaixo da média nacional. O "represamento" no sistema causado pelo número excessivo de reprovações nas séries iniciais contribui de forma significativa para o aumento dos gastos públicos.acompanhada de queda razoável das taxas médias de repetência e evasão. o comportamento das taxas de promoção e repetência na primeira série do ensino fundamental está ainda longe do desejável: apenas 51% do total de alunos são promovidos. devido ao número reduzido de alunos. Apesar da ligeira queda observada em todas as séries. repetência e evasão do ensino fundamental. a situação é dramática: • • mais de 63% dos alunos do ensino fundamental tem idade superior à faixa etária correspondente a cada série. na última década. tendência ascendente das taxas de promoção . penalizando principalmente os alunos de níveis de renda mais baixos. no período 1984-94. 5 e 6).que pulam de 55% em 1984. respectivamente.

Desempenho O perfil da educação brasileira apresentou significativas mudanças nas duas últimas décadas.499 alunos de 2793 escolas públicas e privadas.1% nas quatro últimas décadas. sobretudo como resultado do esforço do setor público na promoção das políticas educacionais. pior o rendimento dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática. São iniciativas extremamente importantes. Resultados obtidos em pesquisa realizada pelo SAEB/95. reafirmam a baixa qualidade atingida no desempenho dos alunos no Ensino Fundamental em relação à leitura e principalmente em habilidade matemática. A progressiva queda da taxa de analfabetismo. Gráfico 7 Diante desta situação. a médio prazo. Ele acompanhou as características de desenvolvimento sócio-econômico do país e reflete suas desigualdades.Consolidadção dos Relatórios Preliminares da Avaliação do SAEB/1995 . baseados em uma amostra nacional que abrangeu 90.90 50.04 Fonte: MEC/SEDIAE/DAEB .21 63. alguns Estados e Municípios começam a implementar programas de aceleração do fluxo escolar.60 63. a melhoria dos indicadores de rendimento escolar. tendência que se acentua de meados dos anos 70 para cá.97 63. aumento expressivo do número de matrículas em todos os níveis de ensino e crescimento sistemático das taxas de escolaridade média da população.5% para 20. foi paralela ao processo de universalização do atendimento escolar na faixa etária obrigatória (7 a 14 anos).53 57. parece não acrescentar nada ao processo de ensino/aprendizagem. tanto no ensino fundamental como no médio. 1.3. Tabela 2: Percentual de acerto por série e por habilidade da leitura Ensino Série Estabelecimento de Significado Extensão do Significado Exame Crítico de Significado Total Fundamenta 4a l 8a 53. com o objetivo de promover.1.• as regiões Norte e Nordeste situam-se bem acima da média nacional (respectivamente 77.20 44. uma vez que pesquisa realizada pelo MEC em 1995 (através do SAEB) mostra que quanto maior a distorção idade/série. portanto. Esse movimento não ocorreu de forma homogênea.20 45. que passa de 39. A repetência.6% e 80%). Houve substancial queda da taxa de anafabetismo.

Os dados apresentados pela pesquisa confirmam a necessidade de investimentos substanciais para a melhoria da qualidade de ensino e da aprendizagem no Ensino Fundamental.Pelo exame da tabela acima. Dentre outras deficiências do processo de ensino e aprendizagem.00 8a série Análise de Dados.1.73 48.68 - 8a série 59. Desde os anos 80.00 38. Tabela 3: Percentuais de acerto em Matemática por habilidade.18 - 31.00 29. que o ensino da matemática ainda é feito sem levar em conta os aspectos que a vinculam com a prática cotidiana. os dados parecem confirmar o que vem sendo amplamente debatido. experiências concretas para a transformação deste quadro educacional vêm sendo tentadas mas. Do total de funções docentes do . segundo série e área de conteúdo.49 34. e muitas vezes o que aprenderam não facilita sua inserção e atuação na sociedade.00 34. os estudantes parecem lidar melhor com o reconhecimento de significados do que com extensões ou aspectos críticos. ainda que tenham obtido sucesso. Mesmo os alunos que conseguem completar os oito anos do Ensino Fundamental acabam dispondo de menos conhecimento do que se espera de quem concluiu a escolaridade obrigatória. Ao indicarem um rendimento melhor nas questões classificadas como de compreensão de conceitos do que nas de conhecimento de procedimentos e resolução de problemas.47 41. são relevantes o desinteresse geral pelo trabalho escolar. são experiências circunscritas a realidades específicas. Aprenderam pouco.39 51.31 - 22.53 4a série - - - 8a série 48. Estatística e Probabilidade Älgebra e Funções 4a série 40.00 46.4.82 43. ou seja.00 31. pois os percentuais em sua maioria situam-se abaixo de 50%.00 8a série 4a série 41. já que os índices de acerto são sempre maiores neste tipo de habilidade. Brasil 1995 Área de Conteúdo Série Compreensão de conceitos Conhecimento Aplicação ou de Resolução de Procedimentos Problemas 31.14 Fonte: MEC/SEDIAE/DAEB .97 28.86 42. Outro fato que chama a atenção é que o pior índice está atrelado ao campo da geometria.05 23.58 30.00 8a série Geometria 4a série 58. 1.Consolidação dos relatórios Preliminares da Avaliação do SAEB/1995 Os resultados de desempenho em matemática mostram um rendimento geral insatisfatório. bem como grau de escolaridade. tornando-a desprovida de significado para o aluno.00 Números e Operações Medidas 4a série 41. Através do Censo Escolar foi feito um levantamento da quantidade de professores que atuam no Ensino Fundamental.72 41. o esquecimento precoce dos assuntos estudados e os problemas de disciplina. a motivação dos alunos centrada apenas na nota e na promoção. Professores O desempenho dos alunos nos remete diretamente à necessidade de considerar aspectos relativos à formação do professor.

tendo por finalidade: • • • • • a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana. resultando também da má qualidade da formação que tem sido ministrada. é preciso considerar um investimento educativo contínuo e sistemático para que o professor se desenvolva enquanto profissional de educação.2. mostra a urgência em atuar na formação inicial dos professores. Dentre estes. o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem. manteve em vigor vários dispositivos da LDB de 1961. por grau de formação e por região Funções Docentes Educação Fundamental incompleta completa Educação Média Formação magistério outra incomplet a 23793 11927 11866 completa completa Educação Superior Licenciatura outra incomplet a 81133 9670 71409 completa completa Total Rural Urbano 1377665 280820 1095684 5 69277 65565 3712 45593 34885 10708 552122 122390 129732 36401 9047 27354 546452 25896 520558 22899 1440 21480 Fonte:Sinopse Estatística Educação Fundamental . realizado pelo Censo Educacional/1994. mas sim como um processo reflexivo e crítico sobre a prática educativa. HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA DOS PCNS O ensino fundamental está estruturado nos termos previstos pela Lei Federal nº 5. ou seja. entretanto. 1. Além de uma formação inicial consistente. o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as possibilidades e vencer as dificuldades do meio. mas sem função específica para o magistério.4% à zona rural (tabela 4).3 milhão). política ou religiosa. Este levantamento. na educação de nível médio há ainda 5% de funções preenchidas por pessoas com escolaridade de nível médio ou superior. de 11 de agosto de 1971. O conteúdo desta formação precisa ser revisto para que haja possibilidade de melhoria do ensino. do Estado. em função das deficiências do sistema educacional. do cidadão. mais de 79% relacionamse às escolas da área urbana e apenas 20. o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra do bem comum. Investir no desenvolvimento profissional dos professores é também intervir em suas reais condições de trabalho. Tabela 4: Número de funções docentes.Censo Educacional de 1994 MEC/SEDIAE/SEEC A tabela 4 mostra a existência de 10% de funções docentes sendo desempenhadas sem o nível de formação mínimo exigido.ensino fundamental (cerca de 1. No entanto. a condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de convicção filosófica. • • .3% encontram-se na rede pública. que. onde chega a atingir 40%. a ausência de formação mínima concentra-se na área rural. o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional. da família e dos demais grupos que compõem a comunidade. destaca-se o artigo 1º que afirma ser a educação nacional "inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana". 86. bem como a quaisquer preconceitos de classe ou de raça. Finalmente. a má qualidade do ensino não se deve simplesmente à não formação inicial de parte dos professores. A formação não pode ser tratada como um acúmulo de cursos e técnicas. a preservação e expansão do patrimônio cultural.692. A exigência legal de formação inicial para atuação no Ensino Fundamental nem sempre pode ser cumprida.

o domínio de recursos culturais imprescindíveis ao exercício da cidadania democrática. de modo a garantir que se generalizem no país as orientações mais atualizadas e condizentes com o avanço dos conhecimentos no mundo contemporâneo e afinadas com o cultivo dos valores culturais que nos são próprios.resultaram posições consensuais na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. O Plano Decenal de Educação. capazes de tornar universal a educação fundamental e de ampliar as oportunidades de aprendizagem para crianças. ao mesmo tempo em que estabelecem referencias nacionais comuns. estabelecendo o núcleo comum obrigatório em âmbito nacional para o Ensino Fundamental e Médio. da necessidade de oferecer a toda população brasileira. na Tailândia. em consonância com o que estabelece a Constituição de 1988.A Lei 5692/71. oferecendo diretrizes mais claras às políticas para a educação no âmbito do ensino fundamental. capaz de superar a rigidez de uma proposta limitada a conteúdos mínimos. compondo.assinada pelos nove países em desenvolvimento de maior contigente populacional do mundo . na sua maioria. Assim. Assim. convocada pela UNESCO. É nesse sentido que os PCNs se concentram na definição de capacidades a serem desenvolvidas no processo de ensino e aprendizagem. preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania. voltado para a recuperação da escola fundamental do país. . contribuindo para a compreensão da sociedade em que vivem e para sua atuação responsável no meio social. concebido como um conjunto de diretrizes políticas em contínuo processo de negociação. municipais e particulares situadas em seu território. como também com a constante avaliação dos sistemas escolares visando o seu contínuo aprimoramento. estabeleceu como objetivo geral. Tendo em vista o quadro atual da educação no Brasil e os compromissos assumidos internacionalmente. não basta uma listagem de conteúdos mínimos. assim como da Declaração de Nova Delhi . porém. e pressupõem que os sistemas de ensino a nível estadual. região de origem ou classe social. independentemente de etnia. seus respectivos sistemas de ensino. jovens e adultos. favorecem a participação criativa dos professores na elaboração do projeto pedagógico da escola. segundo as tendências educacionais que se generalizaram nesse período. É da responsabilidade do Ministério da Educação e do Desporto estabelecer uma proposta educacional de referência. a partir do compromisso com a equidade e com o incremento da qualidade. a especificidade dos planos dos estabelecimentos de ensino e as diferenças individuais dos alunos. para que o ensino fundamental atenda às reais necessidades de formação dos alunos. capazes de orientar as ações educativas do ensino obrigatório. tanto para o ensino fundamental (Primeiro Grau. os PCNs. Coube aos estados formular as propostas curriculares que serviriam de base às escolas estaduais. em Jomtien. ao redefinir as diretrizes e bases da educação nacional. Esta lei generalizou as disposições básicas sobre o currículo. Desse modo. o Ministério da Educação e do Desporto coordenou a elaboração do Plano Decenal de Educação para Todos (1993-2003). Desta Conferência. bem como apresentar diretrizes de ação que possam ser entendidas e colocadas em prática. No entanto. de forma a adequá-lo aos ideais democráticos e à busca da melhoria da qualidade do ensino nas escolas brasileiras. A iniciativa de elaboração de Parâmetros Curriculares Nacionais vem. credo. gênero. Manteve. assim. a proposição de parâmetros curriculares corresponde à necessidade de uma orientação mais flexível no campo educacional. afirma a necessidade e a obrigação do Estado elaborar parâmetros claros no campo curricular. efetuem os detalhamentos subsequentes dos planos educacionais. Estas propostas foram. reformuladas durante os anos 80. Em 1990 o Brasil participou da Conferência Mundial de Educação para Todos. não obrigatório): proporcionar aos educandos a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização. uma parte diversificada a fim de contemplar as peculiaridades locais. UNICEF. municipal e mesmo da própria escola. PNUD e Banco Mundial. com oito anos de escolaridade obrigatória) quanto para o ensino médio (Segundo Grau. os PCNs concorrerão para superar a atual fragmentação das ações educativas. estimulando a incorporação das experiências dos saberes diferenciados da população e respeitando a pluralidade cultural brasileira. então. que necessariamente deve incluir conteúdos essenciais a serem trabalhados por todas as escolas do território nacional.

mesmo de locais com pouca infra-estrutura e condições sócio-econômicas desfavoráveis. existe também aquilo que é comum a todos. tendo em vista a garantia de uma formação de qualidade para todos. também. contém os diferentes elementos curriculares. com responsabilidades diferentes. etc. ao mesmo tempo.tais como Caracterização das Áreas. que permeiam a prática educativa de forma explícita ou implícita. desde as definições dos objetivos até as orientações didáticas para a manutenção de um todo coerente. Tem como função subsidiar a elaboração ou a revisão curricular dos estados e municípios. o que se coloca é a necessidade de um referencial comum para a formação escolar no Brasil. além de conter uma exposição sobre seus fundamentos. à avaliação nacional. Objetivos. PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DOS PCNs 2. marcado por enormes desigualdades sociais e pela diversidade cultural. Sua validade depende de estarem em consonância com a realidade social. capaz de unificar uma proposta para uma realidade com características tão diferenciadas. os PCNs são abertos e flexíveis. Se existem diferenças sócio-culturais marcantes. Também pela sua natureza. Critérios de Avaliação e Orientações Didáticas . Tais níveis não representam etapas sequenciais. Os PCNs constituem o primeiro nível de concretização curricular. propostas sobre a avaliação em cada momento da escolaridade e em cada área. necessitando. é necessário situá-los em relação a quatro níveis de concretização curricular previstos para a estrutura do sistema educacional brasileiro. estabelecem uma meta educacional para a qual devem convergir as ações políticas do MEC. estabelece metas. o respeito à diversidade que é marca cultural do país. que devem buscar uma integração e. reside fundamentalmente na urgência de se reconhecer o príncipio da eqüidade no interior da sociedade. através da possibilidade de adaptações que integrem as diferentes dimensões de prática educacional. sem promover uma uniformização que descaracterize e desvalorize características culturais e regionais. tais como os projetos ligados a formação inicial e continuada de professores. que determinam diferentes necessidades de aprendizagem. além da grande dimensão territorial. de uma grande cidade ou da zona rural. portanto. exigem adaptações para a construção do currículo de uma Secretaria ou mesmo de uma escola. uma vez que por sua natureza. Apesar de apresentar uma estrutura curricular completa. São uma referência curricular nacional para o Ensino Fundamental. busca garantir.não são princípios atemporais. ao mesmo tempo que fortalece a unidade nacional e a responsabilidade do governo federal com a educação. Esta referência comum aponta para onde se deve chegar. NATUREZA E FUNÇÃO DOS PCNs A importância da definição dos PCNs para um país como o Brasil. critérios de eleição dos primeiros. Mas. na medida em que o princípio da equidade reconhece a diferença e a necessidade de haver condições diferenciadas para o processo educacional. incentivando a discussão pedagógica interna às escolas e a elaboração de projetos educativos. os PCNs não se impõem como uma diretriz obrigatória: o que se pretende é que ocorram adaptações através de uma troca dialógica entre os PCNs e as práticas já existentes.1. assim como servir de material de reflexão para a prática de professores. .2. envolvendo questões relativas a o que e como avaliar. Os documentos integrantes dos PCNs configuram uma referência nacional em que são apresentados conteúdos e objetivos articulados. Assim. Cada criança ou jovem brasileiro. mas sim amplitudes distintas da elaboração de propostas curriculares. coordenado pelo MEC. questões de ensino e aprendizagem das áreas. Organização dos Conteúdos. de um processo periódico de avaliação e revisão. deve ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários para o exercício da cidadania para deles poder usufruir. É nesse sentido que o estabelecimento de parâmetros curriculares comuns para todo país. do interior ou do litoral. independência. Os PCNs estão situados historicamente . deve ter o direito de aprender e este direito deve ser garantido pelo Estado.efetivando uma proposta articuladora dos propósitos mais gerais de formação do cidadão crítico e participativo com sua operacionalização no processo de aprendizagem. dialogando com as propostas e experiências já existentes. que um aluno de qualquer estado do Brasil. à produção de livros e outros materiais didáticos. indica as formas de sua operacionalização e suscita discussões que devem ultrapassar a questão curricular. Para compreender a natureza dos PCNs.

A análise das tendências pedagógicas no Brasil deixa evidente a influência dos grandes movimentos educacionais internacionais. É no âmbito do projeto educativo que professores e equipe técnica discutem e organizam os objetivos. buscando um comprometimento de todos com o trabalho realizado. tanto a nível de políticas educacionais como a nível de estabelecimentos de ensino.2. A discussão dessas questões é importante para que se explicitem os pressupostos pedagógicos que subjazem à atividade de ensino. O terceiro nível de concretização curricular refere-se à elaboração da proposta curricular de cada instituição escolar. aspectos que. distribuição dos conteúdos segundo um cronograma referencial. planejamento de projetos e sua execução. instalações adequadas para a realização de trabalho de qualidade).O segundo nível de concretização diz respeito às propostas curriculares dos Estados e Municípios. manifestando-se com maior ou menor intensidade. na tradição pedagógica brasileira. Apesar da responsabilidade ser essencialmente de cada professor. As tendências pedagógicas que se firmam nas escolas brasileiras. implicam a valorização da atividade do professor. num processo de interlocução em que se compartilham e explicitam os valores e propósitos que orientam o trabalho educacional que se quer desenvolver e o estabelecimento do currículo capaz de atender às reais necessidades dos alunos. em um processo definido pelos responsáveis em cada local. Tal proposta. tendo em vista os limites deste documento. Tais tendências serão apresentadas a seguir numa síntese que tenta recuperar os pontos essenciais de cada uma das propostas. reflexão e elaboração contínua. mas com características particulares. não aparecem em forma pura. é fundamental que esta seja compartilhada com a equipe da escola através da coresponsabilidade estabelecida no projeto educativo. O quarto nível de concretização curricular é o momento da realização da programação das atividades de ensino e aprendizagem na sala de aula. definição das orientações didáticas prioritárias. sem dúvida. . muitas vezes mesclando aspectos de mais de uma linha pedagógica.2. dependendo das intenções educativas dos agentes envolvidos. a renovada. da mesma forma que expressam as especificidades de nossa história política. mesmo de forma não-consciente. que determina os papéis de professor e aluno. Este processo deve contar com a participação de toda equipe pedagógica. públicas e privadas. Pode-se identificar. mesmo correndo o risco de uma certa redução das concepções. a tecnicista e aquelas marcadas centralmente por preocupações sociais e políticas. A Tradição Pedagógica Brasileira A prática de todo professor. Os PCNs poderão ser utilizados como recurso para adaptações ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias de Educação. 2. Entende-se por projeto educativo a expressão da identidade de cada escola em um processo dinâmico de discussão. exige uma política educacional que contemple a formação inicial e continuada dos professores. além da organização de uma estrutura de apoio que favoreça o desenvolvimento do trabalho (acervo de livros e obras de referência. equipe técnica para supervisão. A programação deve garantir uma distribuição planejada de aulas. materiais didáticos. sempre pressupõe uma concepção de ensino e aprendizagem. a metodologia. a cada período em que são consideradas. devem ser vistos como materiais que subsidiarão a escola na constituição de sua proposta educacional mais geral. adequando-a àquele grupo específico de alunos. na maioria dos casos. contextualizada na discussão de seu projeto educativo. conteúdos e critérios de avaliação para cada ciclo. a presença de quatro grandes tendências pedagógicas: a tradicional.1. Os PCNs e as propostas das Secretarias. É quando o professor. na busca de coerência entre o que se pensa estar fazendo e o que realmente se faz. seleção do material a ser utilizado. a função social da escola e os conteúdos a serem trabalhados. Tais práticas se constituem a partir das ideologias educativas e metodologias de ensino que permearam a formação educacional e o percurso profissional do professor passando por suas próprias experiências escolares e mesmo por suas experiências de vida. uma decisiva revisão das condições salariais. Atualmente podem ser claramente identificadas. pela ideologia compartilhada com seu grupo social e pelas tendências pedagógicas que lhes são contemporâneas. FUNDAMENTOS DOS PCNS 2. segundo as metas estabelecidas na fase de concretização anterior. com os propósitos discutidos e com a adequação de tal projeto às características sociais e culturais da realidade em que a escola está inserida. no entanto. social e cultural. estabelece sua programação.

sendo a autoridade máxima intermediária entre o aluno e o conhecimento. do saber e dos conhecimentos já construídos. Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem. O que é valorizado nesta perspectiva não é o professor. Os conteúdos do ensino correspondem aos conhecimentos e valores sociais acumulados pelas gerações passadas. ao inserir-se futuramente na sociedade. até hoje influencia muitas práticas pedagógicas. por sua vez. Seus interesses e seu processo particular não são considerados e a atenção que recebe é no sentido de ajustar seu ritmo de aprendizagem ao programa que o . para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais. Na maioria das escolas esta prática pedagógica se caracteriza por sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos. Esta concepção trouxe a idéia da globalização e dos centros de interesses que. adaptando suas ações às características individuais dos alunos. pelo que descobrem por si mesmos. o que torna o processo de aquisição de conhecimento. inspirado nas teorias behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino. o aprendizado moral. mas o processo de aprendizagem. aprendem. independentemente do contexto escolar. que definiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada em detalhes. a memorização dos conteúdos de ensino. então. devendo os alunos prestar atenção e realizar exercícios repetitivos. para ter êxito e avançar. e embora a escola vise a preparação para a vida. cuja função se define como a de vigiar e aconselhar os alunos. fundamentalmente. que. A super valorização da tecnologia programada de ensino trouxe conseqüências: a escola se revestiu de uma grande auto-suficiência. como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do aluno. O centro da atividade escolar não é o professor nem os conteúdos disciplinares. pela experiência. para os alunos. Nos anos 70 proliferou o que se chamou de "tecnicismo educacional". O mais importante não é o ensino. muitas vezes foram inadequadamente transformados em práticas espontaneístas. o professor passa a ser um mero especialista na aplicação de manuais e sua criatividade fica restrita aos limites possíveis e estreitos da técnica utilizada. de uma forma ou de outra. por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado. em muitos casos. nesse modelo. Nesse modelo. A metodologia decorrente de tal concepção baseia-se na exposição oral dos conteúdos. perdendo-se de vista o que deve ser ensinado e aprendido. formação esta que o levará. aqui. é transmitir conhecimentos disciplinares para a formação geral do aluno. portanto. enquanto ser ativo e curioso. A função do aluno é reduzida à um indivíduo que reage aos estímulos de forma a corresponder às respostas esperadas pela escola. A educação tradicional valoriza o ensino da cultura geral. enfatiza-se a necessidade de exercícios repetidos para garantir a memorização dos conteúdos. A Pedagogia Renovada é uma concepção que inclui várias correntes que. no âmbito do ensino pré-escolar (Jardim de Infância). mas a tecnologia. não busca estabelecer relação entre os conteúdos que se ensina e os interesses dos alunos. Essa tendência. O professor. muitas vezes destituído de significação e burocratizado. assumem um mesmo princípio norteador de valorização do indivíduo como ser livre. reconhecida por ela e por toda a comunidade atingida. o guia exclusivo do processo educativo. O professor é visto. a escola se carcteriza por seu caráter conservador. nem tampouco entre esses e os problemas reais que afetam a sociedade. corrigir e ensinar a matéria através de aulas expositivas. a fim de memorizar e reproduzir a matéria ensinada. com o objetivo de disciplinar a mente para o desenvolvimento de "bons hábitos". no ensino de tais conteúdos. A função primordial da escola. A idéia de um ensino guiado pelo interesse dos alunos acabou. o que revela é a organização lógica das disciplinas. E. é visto como elemento central no processo de ensino e aprendizagem. estão ligadas ao movimento da Escola Nova ou Escola Ativa. Tais correntes embora admitam divergências. a optar por uma profissão valorizada. ativo e social.A Pedagogia Tradicional é uma proposta de educação centrada no professor. que teve grande penetração no Brasil na década de 30. mas sim o aluno. criando assim a falsa idéia de que aprender não é algo natural do ser humano mas que depende exclusivamente de especialistas e de técnicas. sob a autoridade e orientação do professor. numa sequência pré-determinada e fixa. Em oposição à Escola Tradicional. enquanto verdades acabadas. disciplinado e esforçado. um organizador dos conteúdos e estratégias de ensino e. a Escola Nova destaca o princípio da aprendizagem por descoberta e estabelece que a atitude de aprendizagem parte do interresse dos alunos.

à importância da relação interpessoal nesse processo. pode-se dizer que havia no Brasil. assumida por educadores de orientação marxista. teve seu desenvolvimento retomado no final dos anos 70 e início dos anos 80. em uma perspectiva psicogenética. Nesta proposta. a fim de colocar as classes populares em condições de uma efetiva participação nas lutas sociais. No final dos anos 70. A Pedagogia Libertadora tem suas origens nos movimentos de educação popular que ocorreram no final dos anos 50 e início dos anos 60. e que constitui o acervo cultural da humanidade. A psicologia genética propiciou aprofundar a compreensão sobre o processo de desenvolvimento na construção do conhecimento. historicamente acumulado. aquelas que tinham um viés mais psicológico e outras cujo viés era mais sociológico e político. ao mesmo tempo. realizando uma releitura dessas práticas à luz dos avanços ocorridos nas produções teóricas. de maneira diferente. de um professor que sabe e aos conteúdos de valor social e formativo. A pesquisa sobre a psicogênese da língua escrita chegou ao Brasil em meados dos anos 80 e causou grande impacto. firma-se no meio educacional a presença da Pedagogia Libertadora e da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. provocando . econômicas e políticas tendo em vista a superação das desigualdades existentes no interior da sociedade. Esta orientação foi dada para as escolas pelos organismos oficiais durante os anos 60. analisam-se os problemas. e até hoje persiste em muitos cursos com a presença de manuais didáticos com caráter estritamente técnico e instrumental. O enfoque social dado aos processos de ensino e aprendizagem traz para a discussão pedagógica aspectos de extrema relevância. Ao lado das denominadas teorias crítico-reprodutivistas. A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos assegura a função social e política da escola através do trabalho com conhecimentos sistematizados. habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses de classe. Este momento se caracteriza pelo enfoque que se centra no caráter social do processo de ensino e aprendizagem e é marcado pela influência da psicologia genética. traz uma contribuição para além das descrições dos grandes estágios de desenvolvimento. A Pedagogia Crítico Social dos Conteúdos que surge no final dos anos 70 e início dos 80 se põe como uma reação de alguns educadores que não aceitam a pouca relevância que a Pedagogia Libertadora dá ao aprendizado do chamado "saber elaborado".professor deve implementar. a atividade escolar pauta-se em discussões de temas sociais e políticos e em ações sobre a realidade social imediata. quando foram interrompidos pelo golpe militar de 1964. No final dos anos 70 e início dos 80. se considera também que é necessário uma adequação pedagógica às características de um aluno que pensa. à relação entre cultura e educação e ao papel da ajuda educativa ajustada às situações de aprendizagem e às características da atitividade mental construtiva do aluno em cada momento de sua escolaridade. O professor é um coordenador de atividades que organiza e atua conjuntamente com os alunos. Se por um lado não é mais possível deixar de se ter preocupações com a formação de qualidade para a participação crítica na sociedade. nas investigações e em fatos que se tornaram observáveis nas experências educativas mais recentes realizadas em diferentes Estados e Municípios do Brasil. em particular no que se refere à maneira como se devem entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem. a partir dos anos 80 surge com maior evidência um movimento que pretende a integração entre estas abordagens. As tendências pedagógicas que marcam a tradição educacional brasileira e que aqui foram expostas sinteticamente trazem. revolucionando o ensino da língua nas séries iniciais e. a abertura política que acontece no final do regime militar coincide com a intensa mobilização dos educadores no sentido de buscar uma educação crítica a serviço das transformações sociais. seus fatores determinantes e organiza-se uma forma de atuação para que se possa transformar a realidade social e política. mas que é necessário que se tenha domínio de conhecimentos. dentre as tendências didáticas de vanguarda. Compreender os mecanismos pelos quais as crianças constroem representações internas de conhecimentos construídos socialmente. contribuições para uma proposta atual que busque recuperar aspectos positivos das práticas anteriores em relação ao desenvolvimento e à aprendizagem. Entende que não basta ter como conteúdo escolar as questões socias atuais.

Com estes equívocos. em que a apredizagem de conteúdos deve necessariamente favorecer a inserção do aluno no dia-a-dia da sociedade e em um universo cultural maior. Isso requer que a escola seja um espaço de formação e informação. da intervenção do professor para a aprendizagem de conteúdos específicos que favoreçam o desenvolvimento das capacidades necessárias à formação do indivíduo. Esta investigação evidencia a atividade construtiva do aluno sobre a língua escrita. o que não quer dizer que deva atuar como senhor absoluto do saber. sozinhos. no trabalho. por constituir em uma ajuda intencional. A escola. A função da escola distingue-se de outras práticas educativas. A orientação proposta nos PCNs se situa nos princípios construtivistas e apóia-se em um modelo psicológico geral de aprendizagem que reconhece a importância da participação construtiva do aluno e. portanto. ao tomar para si o objetivo de formar cidadãos capazes de atuar com competência e dignidade na sociedade atual. portanto. 2. Os conteúdos escolares que são ensinados devem. mostrando a presença importante dos conhecimentos específicos sobre a escrita que a criança já tem e que embora não coincidam com o dos adultos. e deve ser reconhecido como alguém que sabe mais. O professor deve intervir no sentido de assegurar ao aluno. Esta pedagogia. A metodologia utilizada nessas pesquisas foi muitas vezes interpretada como uma proposta de pedagogia construtivista para a allfabetização. sob o rótulo de pedagogia construtivista. o que expressa um duplo equívoco: redução do construtivismo à uma teoria psicogenética de aquisição de língua escrita e transformação de uma investigação acadêmica em método de ensino. de modo a possibilitar a compreensão e a intervenção nos fenômenos sociais e culturais. objeto de conhecimento reconhecidamente escolar. na mídia. crenças e valores atuais. conteúdos que . difundiram-se. É também "provisório" porque não é possível chegar de imediato ao conhecimento correto mas somente por aproximações sucessivas que vão permitindo sua reconstrução. políticas e culturais diversificadas e cada vez mais amplas. porque o processo cognitivo não acontece por adição. A importância dada aos conteúdos revela um compromisso da instituição escolar em garantir o acesso aos saberes elaborados socialmente. como objeto de ensino. pois desconsidera a função primordial da escola que é ensinar. as idéias de que não se devem corrigir os erros e de que as crianças aprendem fazendo "do seu jeito". em que a cada momento. A função da escola em proporcionar um conjunto de práticas pré-estabelecidas tem o propósito de contribuir para que os alunos se apropriem de conteúdos sociais e culturais de maneira crítica e construtiva. como as que acontecem na família. o conhecimento é "acabado". estar em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico. sistemática. o exercício da cidadania democrática e a atuação no sentido de refutar ou reformular os conhecimentos. deve ser visto como um intermediário entre o aluno e conhecimento. para que os alunos desenvolvam as capacidades eleitas como essenciais. dentro da escola. O professor. buscará eleger. têm sentido para ela. não têm condições de aprender. no lazer e nas demais formas de convívio social. a socialização. planejando e encaminhando atividades de modo a garantir a programação estabelecida. neste processo. dita construtivista. ao mesmo tempo. porque o objeto de conhecimento é "complexo" e reduzi-lo seria falsificá-lo. um informante valorizado. A formação escolar deve possibilitar o desenvolvimento das capacidades cognitivas e apreciativas.2.uma revisão do tratamento dado ao ensino e à aprendizagem em outras áreas do conhecimento.2. o que se propõe é uma visão da complexidade e da provisoriedade do conhecimento. planejada e continuada para crianças e jovens durante um período contínuo e extensivo de tempo. trouxe sérios problemas ao processo de ensino e aprendizagem. condições favoráveis para aprender. De um lado. condições estas fundamentais para o exercício da cidadania na construção de uma sociedade democrática e não excludente. Função Social da Escola A educação escolar é uma prática que tem como função criar condições para que todos os alunos desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade e de participação em relações sociais. intervindo para que os alunos aprendam o que. pois estes se constituem como instrumentos para o desenvolvimento. assim como possibilitar que os alunos possam usufruir das manifestações culturais nacionais e universais. Ao contrário de uma concepção de ensino e aprendizagem como um processo que se desenvolve "passo a passo". de outro. sendo. senão por reorganização do conhecimento.

não é possível tratar a função da escola esquecendo as reais condições em que esta se encontra. nas transformações científicas e tecnológicas. num processo contínuo e permanente de aquisição. um ensino de qualidade busca formar cidadãos capazes de interferir criticamente na realidade para transformá-la. Iguais por pertencermos à mesma matriz cultural. torna-se possível através do processo de construção e reconstrução de conhecimentos. a partir de discussões com os responsáveis por garantir a aprendizagem dos alunos. como no que faz parte do patrimônio universal da humanidade. acaba por ser interiorizada. Às vezes as . as cognitivas. A escola busca a inserção dos jovens no mundo do trabalho. cuja aprendizagem e assimilação são as consideradas essenciais para que os alunos possam exercer seus direitos e deveres. à economia. culturais e psicológicos. à saúde. e não a uniformidade destes. a partir dos mesmos saberes. expressa nos baixos salários. da cultura. um descrédito na transformação desta situação. e não apenas formá-los para que se integrem ao mercado de trabalho. na falta de condições de trabalho. Seria demasiado simplista colocar a educação escolar como alavanca das transformações sociais. formar cidadãos críticos e profissionalmente competentes. A inserção do país no contexto da globalização. Para que cada escola possa viabilizar uma prática coerente com sua função social. A escola. Porém. No entanto. A situação de precariedade vivida pelos educadores. expressa na remuneração. provoca. na reorientação ético-valorativa da sociedade atribuem à escola imensas tarefas. as afetivas.estejam em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico. à política. Esta aprendizagem é exercida com o aporte pessoal de cada um. é preciso que a escola esteja enraizada na comunidade. A desvalorização objetiva do magistério. não enquanto a única instância responsável pela formação dos sujeitos. mas como aquela que exerce uma prática educativa social organizada e planejada ao longo de muito tempo na vida dos alunos. tanto no que diz respeito aos conhecimentos socialmente relevantes da cultura brasileira no âmbito nacional e regional. de fato. o que explica porque. ao sexo. da cultura. Os conhecimentos que se transmitem e se recriam na escola ganham sentido quando produtos de uma construção dinâmica que se opera na interação constante entre o saber escolar e os demais saberes. na inércia de grande parte dos órgãos responsáveis por alterar este quadro. há sempre lugar para a construção de uma infinidade de significados. abre a oportunidade para que os alunos aprendam sobre temas normalmente excluídos e atua propositalmente na formação de valores e atitudes do sujeito em relação ao outro. de metas a serem alcançadas. as éticas. como as de relação interpessoal. seu fortalecimento requer investimento nas escolas. ao meio ambiente. só é possível graças ao que individualmente pudermos incorporar. administrativos e financeiros para a realização de um projeto educativo. as duas faces de um mesmo processo. dado que a construção da democracia implica muitas outras instâncias. Esta função socializadora nos remete a dois aspectos: o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. diferentes de todas as outras. por sua vez. No entanto. de prestígio social. que têm sido avassaladores e crescentes. propiciando às crianças pertencentes aos diferentes grupos sociais o acesso ao saber. o que nos permite fazer parte de grupos e compartilhar com outras pessoas um mesmo conjunto de saberes e formas de conhecimento que. Não há desenvolvimento individual possível à margem da sociedade. entre o que o aluno aprende na escola e o que ele traz para a escola. Outro fator de desmotivação dos profissionais da rede pública é a mudança de rumo da educação diante do desejo político de cada governante. é necessário que estabeleça metas que integrem aspectos pedagógicos. ao posicionar-se desta maneira. É nesta dupla determinação que nos construímos como pessoas iguais mas. no qual interferem fatores políticos. na maioria das pessoas. Para tanto. das relações sociais e políticas. A escola tem a função de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e socialização de seus alunos. através do desenvolvimento de capacidades que possibilitem adaptações às complexas condições e alternativas de trabalho que temos hoje e a lidar com a rapidez na produção e na circulação de novos conhecimentos e informações. sociais. Os processos de diferenciação na construção de uma identidade pessoal e os processos de socialização que conduzem a padrões de identidade coletiva constituem. as estéticas. à tecnologia etc. na verdade. bloqueando motivações remanescentes. A escola deve assumir a valorização da cultura de seu próprio grupo e. buscar ultrapassar seus limites. O desenvolvimento de capacidades. ao mesmo tempo. para que estas possam. ao mesmo tempo. à droga. as físicas.

ao elaborar seu projeto educativo. interferindo de maneira significativa sobre a formação dos alunos. social e política do país e do mundo. porque só assim este terá autonomia em seu trabalho. mesmo que lhes pareçam interessantes. sendo base de diálogo e reflexão para toda a equipe escolar. assim como os PCNs. independentemente das mudanças políticas. uma trama. reúne a equipe de trabalho. provoca o estudo e a reflexão contínua. pois o desenvolvimento . Esse movimento de vai e volta gera. As normas de funcionamento e os valores. É neste universo que o aluno vivencia situações diversificadas que favorecem o aprendizado. a ouvir e a ser ouvido. não só do ponto de vista da seleção e tratamento dos conteúdos. de posicionar-se profissionalmente. as escolas brasileiras. Para ser uma organização eficaz no cumprimento de propósitos estabelecidos em conjunto por professores. tendo condições. a bibliografia especializada. é imprescindível que cada escola discuta e construa seu projeto educativo. Assim. aprender a respeitar e a ser respeitado. pois estes dificilmente terão continuidade. são impermeáveis aos objetivos educacionais compartilhados. muitas vezes. define os resultados desejados e incorpora a auto-avaliação ao trabalho do professor. coordenadores e diretor. para a maioria dos professores. é essencial sua vinculação com as questões sociais e com os valores democráticos. dos professores. e garantir a formação coerente de seus alunos ao longo da escolaridade obrigatória. precisam possibilitar o cultivo dos bens culturais e sociais. Em síntese. um desânimo para se engajar nos projetos de trabalho propostos. constituindo um referencial significativo e atualizado sobre a função da escola. através da criação e da valorização de rotinas de trabalho pedagógico em grupo e da a co-responsabilidade de todos os membros da comunidade escolar. o contato com outras experiências educacionais. dos envolvidos diretamente no processo educativo.transformações propostas reafirmam certas posições. Neste processo evidencia-se a necessidade da participação da comunidade. como também da própria organização escolar. É necessário um grande investimento na formação do professor. considerando as expectativas e necessidades dos alunos. A experiência acumulada por seus profissionais é naturalmente a base para a reflexão e a elaboração do projeto educativo de uma escola. não sendo possível tratar as questões como se fossem simples de serem resolvidas. que formulam questões essenciais sobre o quê. dos membros da comunidade. dos pais. a importância dos conteúdos e o tratamento que deve ser dado a eles. a reivindicar direitos e cumprir obrigações. cultural. A escola. dando sentido às ações cotidianas. A contínua realização do projeto educativo possibilita o conhecimento das ações desenvolvidas pelos diferentes professores. enfim. um encontro de circunstâncias e de pessoas. Delimita suas prioridades. Além desse repertório. junto à comunidade. para exercerem sua função social. para dialogar de maneira competente com a comunidade. segundo a particularidade de cada escola. Cada escola encontra uma realidade. organiza o planejamento. Deve ser ressaltado que uma prática de reflexão coletiva não é algo que se atinge de uma hora para a outra e que a escola é uma realidade complexa. elaborados e manifestados pela ação coordenada de seus diversos profissionais. pode-se dizer que a maioria das escolas tende a ser apenas um local de trabalho individualizado e não uma organização com objetivos próprios. para além do planejamento de início de ano ou dos períodos de "reciclagem". que regem a atuação das pessoas na escola são determinantes da qualidade do ensino. a participar ativamente da vida científica. discute e explicita de forma clara os valores coletivos assumidos. Com a degradação do sistema educacional brasileiro. em especial dos pais. O resultado que se espera é a possibilidade dos alunos terem uma experiência escolar coerente e bem sucedida. como e quando ensinar. reduzindo a improvisação e as condutas estereotipadas e rotineiras que. Este projeto deve ser entendido como um processo que inclui a formulação de metas e meios. implícitos e explícitos. às vezes outras. tomando conhecimento e interferindo nas propostas da escola e em suas estratégias. Projeto Educativo Para que a escola possa desempenhar sua função social. outras fontes importantes para a definição de um projeto educativo são os currículos locais. É preciso que haja incentivo do poder público local.

antes de mais nada. A perspectiva construtivista na educação é configurada por uma série de princípios explicativos do desenvolvimento e da aprendizagem humana que se complementam. As idéias "equivocadas". entre outras influências. uma construção histórica e social. Conhecemos a realidade quando atuamos sobre ela. a intervenção pedagógica deve-se ajustar ao que os alunos conseguem realizar em cada momento de sua aprendizagem.do projeto requer tempo para análise. não é um conglomerado de explicações baseadas em teorias distintas. ressaltar que o construtivismo não é uma teoria de desenvolvimento ou de aprendizagem que apresenta um corpo fechado de idéias. A superação do erro é resultado do processo de incorporação de novas idéias e de transformação das anteriores. dos demais indivíduos e de suas próprias capacidades pessoais.trabalha com a idéia de que a ausência de erros na tarefa escolar é a manifestação da aprendizagem. A configuração do marco explicativo construtivista para os processos de educação escolar se deu. Nesta perspectiva. da teoria sócio-interacionista e das explicações da atividade significativa. graças ao avanço da investigação científica na área da aprendizagem. O ensino. então. alcançar níveis superiores de conhecimento. supondo que. discussão e reelaboração contínua. faz sentido para o sujeito. Aprender e Ensinar. O conhecimento é resultado de um complexo e intrincado . É importante. denominando esta convergência. criou seus próprios métodos e o processo de aprendizagem ficou relegado a segundo plano. em última instância. a partir da psicologia genética. ao mesmo tempo que permite construir novas possibilidades de ação e de conhecimento. permite interpretar a realidade e construir significados. o sujeito constrói representações. Ao mesmo tempo. como decorrência. ganhou autonomia em relação à aprendizagem.3. estaria valorizando o conhecimento. física ou mental. O que o aluno pode aprender em determinado momento da escolaridade depende das possibilidades delineadas pelas formas de pensamento de que dispõe naquela fase de desenvolvimento. para a maioria dos teóricos da educação. Construir e Interagir Por muito tempo a pedagogia focou o processo de ensino no professor. tem se situado. dos conhecimentos que já construiu anteriormente e do ensino que recebe. A atividade construtiva. construídas e transformadas ao longo do desenvolvimento. o conhecimento não é visto como algo situado fora do indivíduo. na qual interferem fatores de ordem cultural e psicológica. a ser adquirido através de cópia do real. dentro da perspectiva construtivista. A tradição escolar . 2. modificando-a física ou mentalmente. atualmente. nem tampouco como algo que o indivíduo constrói independentemente da realidade exterior. compreender e explicar os processos escolares de ensino e aprendizagem. fruto de aproximações sucessivas. Isto é. É. Hoje sabemos que é necessário re-significar a unidade entre aprendizagem e ensino.que não faz diferença entre erros integrantes do processo de aprendizagem e simples enganos ou desconhecimentos . que funcionam como verdadeiras explicações e que se orientam por uma lógica interna que. são interpretadas como erros construtivos. Daí o termo construtivismo. o que só é possível em um clima institucional favorável e sob condições objetivas de realização. assim. A busca de um marco explicativo que permita esta re-significação. sem aprendizagem o ensino não se consuma. ou seja. tornou-se possível interpretar o erro como algo inerente ao processo de aprendizagem e ajustar a intervenção pedagógica para ajudar a superá-lo. são expressão de uma construção inteligente por parte do sujeito e portanto.2. de maneira a dar conta das contradições que se apresentarem ao sujeito para. Hoje. O núcleo central da integração de todas estas contribuições refere-se ao reconhecimento da importância da atividade mental construtiva nos processos de aquisição de conhecimento. uma vez que. por mais que possa parecer incoerente aos olhos de um outro. trazendo inegáveis contribuições à teoria e à prática educativa. para se constituir em verdadeira ajuda educativa. Nesse processo de interação do sujeito com o objeto a ser conhecido. aqui. planejamento e condução da ação educativa na escola. além da criação de novos instrumentos de análise. integrando um conjunto orientado a analisar. Vários autores partiram destas idéias para desenvolver e conceitualizar as várias dimensões envolvidas na educação escolar.

motivacionais e relacionais são importantes neste momento. e a ousadia necessária à aprendizagem se transformará em medo. é também cultural na medida em que os significados construídos remetem a formas e saberes socialmente estruturados. nada pode sustituir a atuação do próprio aluno na tarefa de construir significados sobre os conteúdos da aprendizagem. nas quais os alunos e professores atuam como coprotagonistas. necessariamente. Se a aprendizagem for uma experiência de sucesso. dentre os quais destacam-se professores e outros agentes educativos. promover a realização de aprendizagens com o maior grau de significatividade possível. através da intervenção pedagógica. enriquecendo e. ou seja. num único esquema explicativo. Considera o desenvolvimento pessoal como o processo mediante o qual o ser humano assume a cultura do grupo social a que pertence. e devam. Assim como os significados construídos pelo aluno estão destinados a serem substituídos por outros no transcurso das atividades. questões relativas ao desenvolvimento individual e à pertinência cultural. as representações que o aluno tem de si e de seu processo de aprendizagem também. o aluno precisa elaborar hipóteses e experimentá-las. para o qual a defesa possível é a manifestação de desinteresse. o aprendiz constrói uma representação de si mesmo como alguém capaz de aprender. As aprendizagens que os alunos realizam na escola serão significativas na medida em que consigam estabelecer relações substantivas e não arbitrárias entre os conteúdos escolares e os conhecimentos previamente construídos por eles. O desencadeamento da atividade mental construtiva. Conceber o processo de aprendizagem como propriedade do sujeito não implica desvalorizar o papel determinante da interação com o meio social e. Daí a importância das interações entre crianças e destas com parceiros experientes. portanto. Se. reorganização e construção. A abordagem construtivista afirma o papel mediador dos padrões culturais. no trabalho simbólico de "significar" a parcela da realidade que se conhece. não é suficiente para que a educação escolar alcance os objetivos a que se propõe: que as aprendizagens estejam compatíveis com o que significam socialmente e representem os conteúdos escolares enquanto saberes culturais já elaborados. for uma experiência de fracasso. situações escolares de ensino e aprendizagem são situações comunicativas. pela interação com os outros agentes. implica. Cabe ao educador. que a intervenção educativa escolar propicie um desenvolvimento em direção à disponibilidade exigida pela aprendizagem significativa. É fundamental. Sempre é possível estabelecer alguma relação entre o que se pretende conhecer e as possibilidades de observação. para integrar. individual. uma vez que esta nunca é absoluta. mas interagem. reflexão e informação que o sujeito já possui. construindo novos e mais potentes instrumentos de ação e interpretação. num processo de articulação de novos significados. ao contrário. Processo no qual o desenvolvimento pessoal e a aprendizagem da experiência humana culturalmente organizada. portanto. O processo de atribuição de sentido aos conteúdos escolares é. nas suas motivações e interesses. pelas possibilidades do aluno. de um lado. central na perspectiva construtivista. particularmente. os companheiros de classe e os materiais didáticos possam. Cabe ao professor assegurar engate adequado entre atividades mentais construtivas de seus alunos e significados sócio-culturais refletidos nos conteúdos escolares. A aprendizagem significativa implica sempre alguma ousadia: diante do problema posto. . com a escola. Por mais que o professor. o ato de aprender tenderá a se transformar em ameaça. ambos com uma influência decisiva para o êxito do processo. em seu auto-conceito e sua auto-estima. Ao contrário. É ele quem vai modificando. e de outro. socialmente produzida e historicamente acumulada. não se excluem nem se confundem. do professor e de si mesmo. no entanto.processo de modificação. utilizado pelos alunos para assimilar e interpretar os conteúdos escolares. à construção de conhecimentos e à interação social. O conceito de aprendizagem significativa. A aprendizagem é condicionada. Fatores e processos afetivos. que englobam tanto os níveis de organização do pensamento como os conhecimentos e experiências prévias. porém. Os conhecimentos gerados na história pessoal e educativa tem um papel determinante na expectativa que o aluno tem da escola. contribuir para que a aprendizagem se realize. portanto.

A mídia. Compreender a cidadania como exercício de direitos e deveres políticos. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. a família. ouvindo suas explicações. O nível de desenvolvimento real se determina como aquilo que o aluno pode fazer sozinho em uma situação determinada. mas que têm incidência considerável sobre a aprendizagem dos aluno. daquela presente no encaminhamento escolar. Se o projeto educacional exige re-significar o processo de ensino e aprendizagem. para que a intervenção pedagógica favoreça a ultrapassagem destes obstáculos num processo articulado de interação e integração. Estes são fatores determinantes da qualidade de ensino e podem chegar a influir de maneira significativa sobre o que e como os alunos aprendem. a igreja. não é a aprendizagem que deve se ajustar ao ensino. algumas vezes. a fim de possibilitar o planejamento de atividades de ensino para aprendizagem de maneira adequada e coerente com seus objetivos. . ou mesmo oposta. Posicionar-se de maneira crítica. imitando. somam-se ao processo de aprendizagem escolar. Existem ainda. conforme as vai observando. ao contrário. Em síntese. este precisa se preocupar em preservar o desejo de conhecer e de saber com que todas as crianças chegam à escola. Existe uma zona de desenvolvimento próximo. sejam estas pessoas o professor ou seus colegas. outros mecanismos de influência educativa. É necessário que a escola considere tais direções e que forneça uma interpretação dessas diferenças.3. dentro do contexto escolar. adotando. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. OBJETIVOS GERAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Os PCNs indicam como objetivos do Ensino Fundamental que os alunos sejam capazes de: 1. O nível de desenvolvimento potencial é determinado pelo que o aluno pode fazer ou aprender nesta mesma situação através da interação com outras pessoas. normalmente. com conseguir realizar a tarefa a que se propôs. As ajudas com as quais contam os alunos para a construção de conhecimento sobre conteúdos escolares não têm origem exclusivamente no contexto escolar. são também fontes de influência educativa que incidem sobre o processo de construção de significado dos conteúdos escolares. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. com propostas e intervenções pedagógicas adequadas. 1.Para a estruturação da intervenção educativa é fundamental distinguir o nível de desenvolvimento real do potencial. mas sim o ensino que deve potencializar a aprendizagem: é o ensino que tem a responsabilidade pelo diálogo com a aprendizagem. Dentre eles destaca-se a organização e o funcionamento da instituição escolar e os valores implícitos e explícitos que permeiam as relações entre os membros da escola. civis e sociais. 2. contribuindo para consolidá-lo. trocando idéias com elas. dada pela diferença existente entre o que um aluno pode fazer sozinho e o que pode fazer ou aprender com a ajuda dos outros. sem ajuda de ninguém. De acordo com esta concepção. É a partir destas determinações que o professor elabora a programação diária de sala de aula e organiza sua intervenção de maneira a propor situações de aprendizagem ajustadas às capacidades cognitivas dos alunos. Estas influências extra-escolares. Porém. falar dos mecanismos de intervenção educativa equivale a falar dos mecanismos interativos através dos quais professores e colegas conseguem ajustar sua ajuda aos processos de construção de significados realizados pelos alunos no decorrer das atividades escolares de ensino e aprendizagem. os amigos etc. esta mesma influência pode apresentar obstáculos à aprendizagem escolar. respeitando a opinião e o conhecimento produzido pelo outro. Tem a ver. O professor deve ter propostas claras sobre o que. sendo desafiado por elas ou contrapondo-se a elas. quando e como ensinar e avaliar. atitudes de participação. portanto. Mas. ao indicar uma direção diferente. Tem a ver. por isso é importante que a escola os considere e os integre ao trabalho. no dia-a-dia. cuja natureza e funcionamento em grande medida são desconhecidos. cooperação e repúdio às injustiças e discriminações.. garantir experiências de sucesso nada tem a ver com omitir ou disfarçar o fracasso. solidariedade. Precisa manter a boa qualidade do vínculo com o conhecimento e não destruí-lo através do fracasso reiterado.

No entanto. de etnia ou outras características individuais e sociais. formam uma unidade orientadora da proposta curricular. Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. e os conteúdos. 1. 1. Conhecer e cuidar do próprio corpo. posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. Segundo esta análise. aponta dados relevantes que auxiliam a reflexão sobre as propostas de organização curricular e a forma como seus componentes são abordados. Apontam como grandes diretrizes uma pespectiva democrática e participativa. Essa integração curricular assume as especificidades de cada componente e delineia a operacionalização do processo educativo desde os objetivos gerais do ensino fundamental. Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. Utilizar a Língua Portuguesa para compreender e produzir. que estarão à serviço do desenvolvimento destas capacidades. Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva. realizando uma articulação interna coerente entre os componentes curriculares propostos. passando por sua especificação nos objetivos gerais de cada área e de cada tema do Convívio Social e Ética. de classe social. entre os pressupostos teóricos e a definição de conteúdos e aspectos metodológicos. ORGANIZAÇÃO DOS PCNs A análise das propostas curriculares oficiais para o ensino fundamental. plástica e corporal como meio para expressar e comunicar suas idéias. Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais. entre outros. serviu de subsídio para a elaboração da proposta dos PCNs. as propostas. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país. os objetivos. Perceber-se integrante. de sexo. cognitiva. de uma forma geral. reafirmam que o tratamento curricular é essencial. na busca de melhorias efetivas para o sistema educacional. 3. Assim. seus limites e contradições e as tendências mais atualizadas e fundamentadas de superação. em contextos públicos e privados. matemática. valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. gráfica. mas que deve ser acompanhado de um compromisso político dos educadores e do poder público para reverter o quadro de fracasso escolar. 1. estética. Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sócio-cultural brasileiro. 1. contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente. a criatividade. extraindo destes objetivos os conteúdos apropriados para configurar as reais intenções educativas. mensagens orais e escritas. . a capacidade de análise crítica. de inter-relação pessoal e de inserção social. interpretar e usufruir das produções da cultura. autônomo e atuante. dependente e agente transformador do ambiente. e que o ensino fundamental deve se comprometer com a educação necessária para a formação do cidadão crítico. a intuição. A análise indica os principais problemas que as propostas curriculares apresentam. para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. a análise mostra que a maioria das propostas curriculares apresentam um descompasso entre os objetivos anunciados e o que é proposto para alcançá-los. A estrutura dos PCNs buscou avançar no sentido da superação desta contradição.1. ética. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. atendendo a diferentes intenções e contextos de comunicação. 1. 1.verbal. 1. Utilizar as diferentes linguagens . 1. Este material. elaborada pela Fundação Carlos Chagas. utilizando para isso o pensamento lógico. de crenças. identificando seus elementos e as interações entre eles. que definem capacidades. física.

ética e pluralidade cultural. que tem como critério único uma definição da estrutura lógica das áreas. São hierarquizados em função da necessidade de receberem um tratamento didático que propicie um avanço contínuo da construção de conhecimentos. As questões sociais abordadas são: saúde. atitudes e valores. os PCNs reafirmam a necessidade de sua problematização e análise. incorporando-as sob o nome de Convívio Social e Ética. Quanto às questões sociais relevantes. desde as séries iniciais. a perspectiva de busca da qualidade não pode cair em um esvaziamento dos currículos em que pouco se aprende. Embora apontem a relevância social dessas questões e a contribuição que trazem para o desenvolvimento intelectual do aluno como critérios para a seleção dos conteúdos. em parte. apresentam soluções distintas para a incorporação no currículo das questões sociais. que visam tratar os conteúdos de modo interdisciplinar. . As propostas curriculares oficiais dos estados estão organizadas em disciplinas/áreas. de modo a contituir um corpo de conteúdos consistentes e coerentes com os objetivos. De acordo com os princípios já apontados. A proposta dos PCNs é de apresentar os conteúdos de tal forma que se possa determinar. cabe à escola investimento no sentido de levar os alunos ao domínio de instrumentos que os capacitem a compreender a base relacional do conhecimento e o processo de produção de significados. Apenas alguns municípios optam por princípios norteadores. a proposta dos PCNs é de um tratamento transversal. Outro problema a ser enfrentado diz respeito à superação do falso dilema entre quantidade e qualidade. não deverão ser tratados de maneira estanque. mas que envolva o tratamento de outros aspectos. que devem estar presentes em toda escolaridade fundamental. através de sua operacionalização em orientações didáticas e critérios de avaliação. como procedimentos. mas contemplou-se também a integração entre as áreas. como uma espécie de doação da fonte de informações para o aprendiz. eixos ou temas. Em outras palavras. Assim. nos PCNs os conteúdos são considerados como um meio para o desenvolvimento amplo do aluno e sua formação para o exercício pleno da cidadania. Quanto à organização dos conteúdos. Quanto ao modo de incorporação desses temas no currículo. os documentos dos PCNs apontam orientações de tratamento didático por área e por ciclo. orientação sexual. mesmo conteúdos específicos de cada área que não apresentem possibilidade de uso social imediato. tanto em extensão quanto em profundidade. em função da importância instrumental que cada uma tem. Se é certo que apenas a quantidade de conteúdos transmitidos não garante uma formação consistente.Para que se possa discutir orientações específicas para uma prática escolar que realmente atinja seus objetivos. procurando garantir coerência entre os pressupostos teóricos. a análise das propostas curriculares oficiais mostra que as propostas se caracterizam por uma forma excessivamente hierarquizada de apresentar os conteúdos. tendência que se manifesta em algumas experiências nacionais e internacionais. em muitos casos. tenta-se esgotálos de uma só vez. Não se pode esquecer que. as possibilidades de aprendizagem dos alunos. em que as questões sociais se integram na própria concepção teórica das áreas e de seus componentes curriculares. o grau de profundidade apropriado e a sua melhor forma de distribuição no decorrer da escolaridade. meio ambiente. no momento de sua adequação às particularidades de estados e municípios. Isso exige que o enfoque dos conteúdos não se restrinja apenas a fatos e conceitos. quantidade também é qualidade. Nos PCNs. o próprio corpo de conhecimentos das áreas na determinação dos conteúdos. optou-se por um tratamento específico de cada área. bem como a utilizar estes conhecimentos na transformação e construção de novas relações sociais. De um modo geral. evidenciando assim uma concepção de conhecimento como um bem passível de acumulação. unicamente. apontam o que e como se pode trabalhar. dominada pela idéia de pré-requisito. pois só se revestirão de sentido se forem relacionados com questões de relevância social. os objetivos e os conteúdos. para que se alcancem os objetivos pretendidos. detalhando-os o mais possível. Portanto. desconsiderando. que tem ocupado um lugar de destaque nas discussões educacionais já há longo tempo. acabam por levar em conta. Outras vezes. Nos PCNs os conteúdos são apresentados como blocos no interior de cada área. buscando integrar o cotidiano social com o saber escolar.

o que abriria a possibilidade do currículo ser trabalhado ao longo de um período de tempo maior. os ciclos se mantiveram. fora da escola. 3. é preciso cuidado para não se incorrer em malentendidos perigosos. em muitos estados e municípios brasileiros a seriação inicial deu lugar ao Ciclo Básico. Esse processo de reorganização. adotou como princípio norteador a flexibilização da seriação. assim como na maioria dos currículos dos estados. por mais rápidos que possam ser. quando. para que os objetivos propostos sejam atingidos. A opção de organização da escolaridade em ciclos. no caso desta última hipótese. a fim de poder expressar um avanço na discussão em torno da busca de qualidade de ensino e aprendizagem. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e de buscar princípios de ordenação que possibilitem maior integração do conhecimento. Os componentes curriculares dos PCNs. o que se interpreta como "lentidão" é a expressão de dificuldades relacionadas a um sentimento de incapacidade para a aprendizagem que chega a causar bloqueios nesse processo. mesmo com mudanças de governantes. com a duração de dois anos. também. É assumida como parte integrante e instrumento de auto-regulação do processo de ensino e aprendizagem. estariam assim estigmatizando aqueles alunos que estão se iniciando na interação com os objetos de conhecimento escolar. o que permitiria respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem que os alunos apresentam. de forma a favorecer o trabalho com as diferenças e estilos de aprendizagem dos alunos. que tinha como objetivo político minimizar o problema da repetência e da evasão escolar. em função disso. onde foram implantados. vários estados e municípios reestruturaram o ensino fundamental a partir das séries iniciais. o modo como atribuirão significados aos objetos de conhecimento será diferente: alguns alunos poderão estar mais avançados na reconstrução de significados do que outros. é considerada como elemento favorecedor da melhoria de qualidade da aprendizagem. é porque são lentos ou porque estão interatuando pela primeira vez com os objetos com que os outros interatuam desde que nasceram? E. deixando de funcionar como arma contra o aluno. É . As experiências. acabaram por mostrar que a organização por ciclos contribui efetivamente para a superação dos problemas do desenvolvimento escolar. favorece também uma apresentação menos parcelada do conhecimento e possibilita as aproximações sucessivas necessárias para que os alunos se apropriem dos complexos saberes que se intenciona transmitir. Uma vez que não há uma definição precisa e clara de quais seriam esses ritmos. é referendada pelos PCNs. por exemplo. Os PCNs adotam a proposta de estruturação por ciclos. Ao se falar em ritmos diferentes de aprendizagem. mas também ao professor e ao próprio sistema. tornando possível distribuir os conteúdos de forma mais adequada à natureza do processo de aprendizagem. Sabemos também que. tendo como objetivo propiciar maiores oportunidades de escolarização voltada para a alfabetização efetiva das crianças. pela análise das tendências mais atuais de investigação científica.1. Sabemos que. ainda que tenham apresentado problemas estruturais e necessidades de ajustes da prática. que na sequência serão apresentados. No caso da aprendizagem da língua escrita. A avaliação diz respeito não só ao aluno. tendência predominante nas propostas mais atuais. será que poderão em alguns dias percorrer o caminho que outros realizaram em anos? Outras vezes. Pautaram-se. foram formulados a partir da análise da experiência educacional acumulada em todo o território nacional. na verdade. A ORGANIZAÇÃO DA ESCOLARIDADE EM CICLOS Na década de 80. sem que o professor e a escola deixem de ter em vista as exigências de aprendizagem postas para cada período.A avaliação nos PCNs. pelo reconhecimento de que tal proposta permite compensar a pressão do tempo que é inerente à instituição escolar. Desse modo. se um aluno ingressa na primeira série sabendo escrever alfabeticamente isso se explica porque seu ritmo é mais rápido ou porque teve múltiplas oportunidades de atuar com leitor e escritor? Se outros ingressam sem saber sequer como se pega um livro. Tanto isso é verdade que. Os ciclos propiciam uma ordenação do tempo escolar em unidades maiores e mais flexíveis. os educadores podem ser levados a rotular alguns alunos como mais lentos que outros. Além disso. os alunos não têm as mesmas oportunidades de acesso a certos objetos de conhecimento.

com a concepção de conhecimento e da função da escola que estão explicitados no ítem Fundamentos dos PCNs.D. da mesma forma. nos PCNs. A organização por ciclos tende a evitar as frequentes rupturas e a excessiva fragmentação do percurso escolar. mais pela limitação conjuntural em que estão inseridos do que por justificativas pedagógicas. Esta estruturação não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental: não une as 4a e 5a séries para eliminar a ruptura desastrosa que aí se dá e que tem causado muita repetência e evasão. os ciclos não trazem incompatibilidade com a atual estrutura do ensino fundamental. Para a concretização dos ciclos como modalidade organizativa. o que acontece é que cada aluno tem. dentro do ciclo e na passagem de um ciclo ao outro. A ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ESCOLAR: ÁREAS E TEMAS TRANSVERSAIS A proposta de organização do conhecimento.fundamental que se considerem esses aspectos e é necessário que o professor possa intervir para alterar esse quadro. conhecida como núcleo comum. é importante uma perspectiva pedagógica em que a vida escolar e o currículo possam ser assumidos e trabalhados em dimensões de tempo mais flexíveis. assegurando a continuidade do processo educativo. que se compõe de duas camadas: a primeira. é necessária a definição da nova L. Apenas a área de Língua Estrangeira não está contemplada . para discutir os diferentes aspectos do processo educacional. abrange as áreas de Língua Portuguesa. possibilita trabalhar melhor com as diferenças e está plenamente coerente com os fundamentos psicopedagógicos. Assim. e assim subsequentemente. Portanto. desempenhos muito diferentes na relação com objetos de conhecimento diferentes e a prática escolar tem buscado incorporar essa diversidade de modo a garantir respeito aos alunos e criar condições para que possam progredir nas suas aprendizagens. o primeiro ciclo se refere à 1a e à 2a série. As aprendizagens não se processam como a subida de degraus regulares. é necessário que se criem condições institucionais que permitam destinar espaço e tempo à realização de reuniões de professores. o fracasso da escola.2. não deve ser considerada como decorrência de seus princípios e fundamentações. consagrando. ao permitir que os professores realizem adaptações sucessivas da ação pedagógica às diferentes necessidades dos alunos. ainda em tramitação no Congresso. pode-se definir objetivos e práticas educativas que permitam aos alunos avançarem continuadamente na concretização das metas do ciclo.. Ao se considerar que dois ou três anos de escolaridade pertencem a um único ciclo de ensino e aprendizagem. Da forma como estão aqui organizados. nem como estratégia de intervenção no contexto atual da problemática educacional. Embora a organização da escola seja estruturada em anos letivos. 3. Em termos nacionais. para que se possa propor alterações. a organização dos ciclos em dois anos. A lógica da opção por ciclos consiste em evitar que o processo de aprendizagem tenha obstáculos inúteis. como também não define uma etapa maior para o início da escolaridade. Matemática. Conhecimentos Históricos e Geográficos e Ciências Naturais. é preciso que a equipe pedagógica das escolas se co-responsabilize com o processo de ensino e aprendizagem de seus alunos. habitualmente. nos PCNs. Os conhecimentos adquiridos na escola passam por um processo de construção e reconstrução contínua e não por etapas fixadas e definidas no tempo. o segundo ciclo à 3a e à 4a série. desnecessários e nocivos. integrada por Educação Física. Em suma.B. Os PCNs estão organizados em ciclos de dois anos. sem que deixem de orientar sua prática pelas expectativas de aprendizagem referentes ao período em questão. Portanto. Vale ressaltar que para o processo de ensino e aprendizagem se desenvolver com sucesso não basta flexibilizar o tempo: dispor de mais tempo sem uma intervenção efetiva no sentido de garantir melhores condições de aprendizagem pode apenas adiar o problema e perpetuar o sentimento negativo de auto-estima do aluno. Artes e Língua Estrangeira. a segunda. mas enquanto avanços de diferentes magnitudes. que deveria (a exemplo da imensa maioria dos países) incorporar à escolaridade obrigatória as crianças desde os 6 anos. está de acordo com o currículo pleno definido pela legislação. para as outras quatro séries. pela flexibilidade que permite. A adoção de ciclos.

a seleção e estruturação dos conteúdos vai se aproximando cada vez mais de uma organização disciplinar que se põe como necessária em função dos avanços nos campos de conhecimento. Saúde e Pluralidade Cultural. O professor. A partir da Concepção de Área assim fundamentada. O tratamento da área e de seus conteúdos integra uma série de conhecimentos de diferentes disciplinas. fundamentação psicopedagógica da proposta de ensino e aprendizagem da área. No decorrer da escolaridade fundamental. fundamentação epistemológica da área. Meio Ambiente. dependendo do estudo em questão. pois sua integração ocorrerá quando for realizado o detalhamento dos PCNs para o segmento de 5a a 8a séries. juntamente com outros temas como Ética. de acordo com a relevância e a significatividade de cada tema e segundo os conhecimentos prévios e as condições de aprendizagem específicas de cada contexto. anotam e quantificam dados. Por exemplo. durante a escolaridade obrigatória. As diferentes áreas. definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem. cuja aquisição contribui para o desenvolvimento das capacidades expressas nos objetivos gerais. justificativa de sua presença no Ensino Fundamental. os alunos buscam informações em suas pesquisas. a proposta de constituição de áreas integradas e temas transversais. Portanto. O contato com a pluralidade de campos de conhecimento e de dimensões da experiência humana permite que o aluno possa desenvolver as capacidades estabelecidas nos objetivos gerais. critérios para organização e seleção de conteúdos. ao mesmo tempo. Se é importante definir os contornos das áreas. Assim. Estruturar os PCNs pelo recorte das áreas decorre da opção de se partir das abordagens mais amplas do conhecimento em direção às mais epecíficas e particulares. especificando Objetivos e Conteúdos. que também é um conteúdo curricular obrigatório nesta proposta. condição necessária para proceder encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. sua relevância na sociedade atual. Para que estes parâmetros não se limitassem a uma orientação técnica da prática pedagógica. tal como se expressa nestes documentos. considerando esta multiplicidade de conhecimentos em jogo nas diferentes situações. e que essa integração seja efetivada na prática didática. utilizam-se de conhecimentos relacionados à área de Língua Portuguesa. segue-se o detalhamento da estrutura dos Parâmetros Curriculares para cada ciclo (Primeiro e Segundo). através de diferentes atividades de aprendizagem. . realizando uma Caracterização do Ciclo. de forma a propiciar aos alunos uma abordagem mais significativa e contextualizada. a partir da consideração de sua distribuição nos ciclos. seja possível instaurar reflexões sobre a proposta educacional indicada.nesta fase de elaboração dos PCNs. os conteúdos selecionados em cada uma delas e o tratamento transversal de questões sociais constituem uma representação ampla e plural dos campos de conhecimento e de cultura de nosso tempo. Orientações para Avaliação e Orientações Didáticas. Orientação Sexual. à de Matemática. além de outras. a partir destas. é também fundamental que estes se fundamentem em uma concepção que os integre conceitualmente. foi considerada a fundamentação das opções teóricas e ideológicas da área para que. terá o tratamento de tema transversal. Esta caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam. ao trabalhar conteúdos de Ciências Naturais. poderá dar conta da globalidade da educação para a cidadania. que contribuem para a construção de instrumentos de compreensão e intervenção na realidade em que vivem os alunos. bem como Critérios de Avaliação. Na apresentação de cada área são abordados os seguintes aspectos: descrição da problemática específica da área através de um breve histórico no contexto educacional brasileiro. pode tomar decisões a respeito de suas intervenções e da maneira como vai tratar os temas. Quanto ao Programa de Saúde. favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. a introdução do aluno no âmbito dessa organização disciplinar deverá se dar quando suas condições de aprendizagem já o permitam. e objetivos gerais da área para o Ensino Fundamental. A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados. registram observações.

OBJETIVOS Os objetivos propostos nos PCNs concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que devem ser adquiridas pelos alunos ao longo da escolaridade. mas a discussão da conceitualização e da forma de tratamento que devem receber no todo da ação educativa escolar está especificada em textos de fundamentação por tema. as problemáticas sociais são integradas na proposta educacional dos PCNs sob o nome de Convívio Social e Ética. a fim de que haja uma coerência entre os valores experimentados na vivência que a escola propicia aos alunos e o contato intelectual com tais valores. dependendo da realidade de cada contexto social. por envolverem problemáticas sociais atuais e urgentes. Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. A grande abrangência dos temas não significa que devam ser tratados igualmente. os objetivos se definem nos PCNs em termos de capacidades de ordem cognitiva. Meio Ambiente. sem restringi-las à abordagem de uma única área. A explicitação de metas no processo educativo em termos de capacidades torna presentes diferentes . permeando a concepção. muitas cidades têm elevadíssimos índices de acidentes com vítimas no trânsito. outras vezes. os valores mais gerais e unificadores que definem todo o posicionamento relativo às questões que são tratadas nos temas. algumas propostas apontam para a necessidade do tratamento transversal de temáticas sociais na escola. Além deste. Mais recentemente. no decorrer de toda a escolaridade obrigatória. Saúde. como forma de contemplá-las na sua complexidade. isto é. é necessário que trate de questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-a-dia.Se por um lado as áreas constituem importantes marcos estruturados de leitura e interpretação da realidade. afetiva. O professor. consideradas de abrangência nacional e até mesmo de caráter universal. Adotando esta perspectiva. a justificativa e a conceitualização do tratamento transversal para os temas sociais. político. Os temas transversais eleitos para comporem os PCNs são: Ética. nos dias de hoje. As aprendizagens relativas a esses temas se explicitam na organização dos conteúdos das áreas. pois as capacidades. à paz ou ao uso de drogas podem se constituir em subtemas dos temas gerais. As características das questões ambientais. As temáticas sociais. essenciais para garantir a possibilidade de participação do cidadão na sociedade de uma forma autônoma. por exemplo. Assim. podem exigir um tratamento específico e intenso. já há muito têm sido discutidas e frequentemente incorporadas aos currículos das áreas ligadas às Ciências Naturais e Sociais. econômico e cultural. é importante que sejam eleitos temas locais para integrarem o componente Convívio Social e Ética. chegando até mesmo. ao contrário. Nesse caso. uma formação ampla. desta forma. Além das adaptações dos temas apresentados. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. em algumas propostas.3. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. A transversalidade pressupõe um tratamento integrado das áreas e um compromisso das relações interpessoais e sociais escolares com as questões que estão envolvidas nos temas. outros temas relativos. por essa importância inegável que tem na formação dos alunos. devem ser incluídos como temas básicos. Não se constituem em novas áreas. os conteúdos e as orientações didáticas de cada área. mas antes num conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas. 3. o que faz com que suas escolas necessitem incorporar a educação para o trânsito em seu currículo. exigem adaptações para que possam corresponder às reais necessidades de cada região ou mesmo de cada escola. os objetivos. de relação interpessoal e inserção social. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos. por exemplo. Se a escola pretende estar em consonância com as demandas atuais da sociedade. a constituir novas áreas. ganham especificidades diferentes nos campos de seringa no interior da Amazônia e na periferia de uma grande cidade. por exemplo. fisica. ética e estética. podem se expressar numa variedade de comportamentos. O conjunto de documentos de Convívio Social e Ética comporta uma primeira parte em que se discute a sua necessidade para que a escola possa cumprir sua função social. por outro não há dúvidas também de que há problemáticas sociais urgentes que não estão suficiente nem necessariamente contempladas nas áreas clássicas. um vez adquiridas. apontando. no entanto.

aspectos do desenvolvimento humano que fazem parte da educação escolar, redimensionando a excessiva fixação no desenvolvimento de capacidades cognitivas, tão comum nos currículos escolares. A capacidade cognitiva envolve a resolução de problemas, de maneira consciente ou não; trata-se da postura do indivíduo em relação às metas que quer atingir nas mais diversas situações da vida, vinculando-se diretamente ao uso de formas de representação e de comunicação. A aquisição progressiva de códigos de representação interfere diretamente na aprendizagem da língua, da matemática, da representação espacial, temporal e gráfica e na leitura de imagens. A capacidade física engloba o uso do corpo na expressão de emoções, nos jogos, no deslocamento com segurança. A afetiva refere-se às motivações, à auto-estima e à adequação de atitudes no convívio social, estando vinculada à valorização do resultado dos trabalhos produzidos e das atividades realizadas. Esses fatores levam o aluno a compreender a si mesmo e aos outros. A capacidade afetiva está estreitamente ligada à capacidade de relação interpessoal, que envolve compreender, conviver e produzir com os outros, percebendo distinções entre as pessoas, contrastes de temperamento, de intenções e de estados de ânimo. O desenvolvimento desta capacidade leva o aluno a colocar-se do ponto de vista do outro e a refletir sobre seus próprios pensamentos. No trabalho escolar o desenvolvimento desta capacidade é propiciado pela realização de trabalhos em grupo, que incorporam formas participativas e possibilitam a tomada de posição em conjunto com os outros. A capacidade estética permite produzir arte e apreciar as diferentes produções artísticas produzidas em diferentes culturas e em diferentes momentos históricos. O aprendizado e desenvolvimento destas capacidades exige uma disponibilidade para a aprendizagem de modo geral. Esta, por sua vez depende em boa parte da história de êxitos ou fracassos escolares que o aluno traz e que vão determinar o grau de motivação que apresentará em relação às aprendizagens atualmente propostas. Mas depende também de que os conteúdos de aprendizagem tenham sentido para ele e sejam funcionais. O papel do professor nesse processo é, portanto, crucial, pois a ele cabe apresentar os conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os alunos compreendam o porquê e o para que do que aprendem, e assim desenvolvam expectativas positivas em relação à aprendizagem e sintam-se motivados para o trabalho escolar. Para tanto, é preciso considerar que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses ou habilidades, nem aprendem da mesma maneira, o que muitas vezes exige uma atenção especial por parte do professor a um ou outro aluno, para que todos possam se integrar no processo de aprender. É a partir do reconhecimento das diferenças existentes entre pessoas, fruto do processo de socialização e do desenvolvimento individual, que é possível conduzir um ensino pautado em aprendizados que sirvam a novos aprendizados. A escola preocupada em fazer com que os alunos desenvolvam capacidades ajusta sua maneira de ensinar e seleciona os conteúdos de modo a auxiliar os alunos a se adequarem às várias vivências a que são expostos em seu universo cultural; considera as capacidades que os alunos já têm e as potencializa; preocupa-se com aqueles alunos que encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas. Embora os indivíduos tendam, em função de suas tendências espontâneas a desenvolver suas capacidades de maneira não homogênea, é importante salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas as capacidades, de modo a tornar o ensino mais humano, mais ético. Os PCNs, na explicitação das mencionadas capacidades, apresentam inicialmente os Objetivos Gerais do Ensino Fundamental, que são as grandes metas educacionais que orientam a estruturação curricular. A partir deles são definidos os Objetivos Gerais de Área, os de Convívio Social e Ética, bem como o desdobramento que estes devem receber no primeiro e no segundo ciclo, como forma de conduzir às conquistas intermediárias necessárias ao alcance dos objetivos gerais. Um exemplo de desdobramento dos objetivos é o que se apresenta a seguir. Objetivo Geral do Ensino Fundamental: utilizar diferentes linguagens - verbal, matemática, gráfica, plástica, corporal - como meio para expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções da cultura.

Objetivo Geral do Ensino de Matemática: analisar informações relevantes do ponto de vista do conhecimento e estabelecer o maior número de relações entre elas, fazendo uso do conhecimento matemático para interpretá-las e avaliá-las criticamente. Objetivo do Ensino de Matemática para o primeiro ciclo: identificar, em situações práticas, que muitas informações são organizadas em tabelas e gráficos para facilitar a leitura e a interpretação, e construir formas pessoais de registro para comunicar informações coletadas. Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham, que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar, sendo, nesse sentido, pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas, ao longo da escolaridade obrigatória. Os objetivos, além de definir as metas a serem alcançadas pelos alunos, orientam a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicam os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos. Finalmente, constituem uma referência indireta da avaliação da atuação pedagógica da escola. As capacidades expressas nos Objetivos dos PCNs são propostas como referenciais gerais e demandam adequações a serem realizadas nos níveis de concretização curricular das secretarias estaduais e municipais, bem como das escolas, a fim de atender às demandas específicas de cada localidade. Esta adequação pode ser feita através da redefinição de graduações e do re-equacionamento de prioridades, desenvolvendo alguns aspectos e acrescentando outros que não estejam explícitos. 3.4. CONTEÚDOS Os PCNs propõem uma mudança de enfoque em relação aos conteúdos curriculares: ao invés de um ensino em que o conteúdo é visto como fim em si mesmo, o que se propõe é um ensino em que o conteúdo é visto como meio para que os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos. A tendência predominante na abordagem de conteúdos na educação escolar se assenta no binômio transmissão - incorporação, considerando a incorporação de conteúdos pelo aluno como a finalidade essencial do ensino. Há, no entanto, outros posicionamentos: há quem defenda a indiferenciação dos conteúdos por considerá-los somente enquanto suporte ao desenvolvimento cognitivo dos alunos e há ainda quem acuse a determinação prévia de conteúdos como uma afronta às questões sociais e políticas vivenciadas por cada grupo. No entanto, qualquer que seja a linha pedagógica, professores e alunos trabalham, necessariamente com conteúdos. O que diferencia radicalmente as propostas é a função que se atribui aos conteúdos no contexto escolar e, em decorrência disso, as diferentes concepções quanto à maneira como devem ser selecionados e tratados. Nesta proposta, os conteúdos e o tratamento que a eles deve ser dado assumem papel central, uma vez que é através deles que os propósitos da escola são operacionalizados, ou seja, manifestados em ações pedagógicas. No entanto, não se trata de compreendê-los da forma como são comumente aceitos pela tradição escolar. O projeto educacional expresso nos PCNs demanda uma reflexão sobre a seleção de conteúdos, como também exige uma re-significação, em que a noção de conteúdo escolar se amplia para além de fatos e conceitos, passando a incluir procedimentos, valores, normas e atitudes. Ao tomar como objeto de aprendizagem escolar conteúdos de diferentes naturezas, os PCNs reafirmam a responsabilidade da escola com a formação ampla do aluno, e colocam a necessidade de intervenções conscientes e planejadas nessa direção. Nos PCNs, os conteúdos são abordados em três grandes categorias: conteúdos conceituais, que envolvem a abordagem de conceitos, fatos e princípios; conteúdos procedimentais, referentes a procedimentos; e conteúdos atitudinais, que envolvem a abordagem de valores, normas e atitudes.

Conteúdos conceituais referem-se à construção ativa das capacidades intelectuais para operar com símbolos, idéias, imagens e representações que permitem organizar a realidade. A aprendizagem de conceitos se dá por aproximações sucessivas. Para aprender sobre digestão, subtração ou qualquer outro objeto de conhecimento, o aluno precisa adquirir informações, vivenciar situações em que estes conceitos estejam em jogo, para poder construir generalizações parciais que, ao longo de suas experiências, possibilitarão atingir conceitualizações cada vez mais abrangentes; estas o levarão à compreensão de princípios, ou seja, conceitos de maior nível de abstração, como o princípio da igualdade na matemática, o princípio da conservação nas ciências etc. A aprendizagem de conceitos permite organizar a realidade, mas só é possível a partir da aprendizagem de conteúdos referentes a fatos (nomes, imagens, representações), que ocorre, num primeiro momento, de maneira eminentemente mnemônica, em que a memorização não deve ser entendida como processo mecânico, mas antes como uma etapa que torna o aluno capaz de representar informações de maneira genérica para poder relacioná-las com outros conteúdos; ou seja, trata-se de uma memória significativa. Dependendo da diversidade presente nas atividades realizadas, os alunos buscam informações (fatos), notam regularidades, realizam produtos e generalizações que, mesmo sendo sínteses ou análises parciais, permitem verificar se o conceito está sendo aprendido. Exemplo 1: para compreender o que vem a ser um texto jornalístico é necessário que o aluno tenha contato com este texto, use-o para obter informações, conheça seu vocabulário, conheça sua estrutura textual e sua função social. Exemplo 2: a solidariedade só pode ser compreendida quando o aluno passa por situações em que atitudes que a suscitem estejam em jogo, de modo que, ao longo de suas experiências, adquira informações que contribuam para a construção de tal conceito. Aprender conceitos permite atribuir significados aos conteúdos aprendidos e relacioná-los a outros. Tal aprendizado está diretamente relacionado à segunda categoria de conteúdos: a procedimental. Os procedimentos expressam um saber fazer, que envolve tomar decisões e realizar uma série de ações, de forma ordenada e não aleatória, para atingir uma meta. Assim, os conteúdos procedimentais sempre estão presente nos projetos de ensino, pois uma pesquisa, um experimento, um resumo, uma maquete, são proposições de ações presentes nas salas de aula. No entanto, conteúdos desta natureza são abordados muitas vezes de maneira equivocada, não sendo tratados como objeto de ensino, que necessitam de intervenção direta do professor para serem de fato aprendidos. O aprendizado de procedimentos é, por vezes, considerado como algo espontâneo, dependente das habilidades individuais. Ensina-se procedimentos acreditando estar-se ensinando conceitos; a realização de um procedimento adequado passa, então, a ser interpretada como o aprendizado do conceito. O exemplo mais evidente deste tipo de abordagem ocorre no ensino das operações: o fato de uma criança saber resolver contas de adição não necessariamente corresponde à compreensão do conceito de adição. É preciso analisar os conteúdos referentes a procedimentos não do ponto de vista de uma aprendizagem mecânica, mas a partir do propósito fundamental da educação, que é fazer com que os alunos construam instrumentos para analisar, por si mesmos, os resultados que obtêm e os processos que colocam em ação para atingir as metas a que se propõem. Por exemplo: para realizar uma pesquisa, o aluno pode copiar um trecho da enciclopédia, embora este não seja o procedimento mais adequado. É preciso auxiliá-lo, ensinando os procedimentos apropriados, para que possa responder com êxito à tarefa que lhe foi proposta. É preciso que o aluno aprenda a pesquisar em mais de uma fonte, registrar o que for relevante, relacionar as informações obtidas para produzir um texto de pesquisa. Dependendo do assunto a ser pesquisado, é possível orientá-lo para fazer entrevistas e organizar os dados obtidos, procurar referências em diferentes jornais, em filmes, comparar as informações obtidas para apresentá-las num seminário, produzir um texto. Ao exercer um determinado procedimento, é possível ao aluno, com ajuda ou não do professor, analisar cada etapa realizada para adequá-la ou corrigi-la, a fim de atingir a meta proposta. A consideração dos conteúdos procedimentais no processo de ensino é de fundamental importância, pois permite incluir conhecimentos que têm sido tradicionalmente excluídos do ensino, como a revisão do texto escrito, a argumentação contruída, a comparação do dados, a verificação, a documentação e a organização, entre outros.

Ao ensinar procedimentos também se ensina um certo modo de pensar e produzir conhecimento. Exemplo: uma das questões centrais do trabalho em matemática refere-se à validação - trata-se do aluno saber por seus próprios meios se o resultado que obteve é razoável ou absurdo, se o procedimento utilizado é correto ou não, se o argumento de seu colega é consistente ou contraditório. Já os conteúdos atitudinais permeiam todo o conhecimento escolar. A escola é um contexto socializador, gerador de atitudes relativas ao conhecimento, ao professor, aos colegas, às disciplinas, às tarefas e à sociedade. A não compreensão de atitudes, valores e normas como conteúdos escolares faz com estes sejam comunicados sobretudo de forma inadvertida - acabam por serem aprendidos sem que haja uma deliberação clara sobre este ensinamento. Por isso, é imprescindível adotar uma posição crítica em relação aos valores que a escola transmite implicitamente através de atitudes cotidianas. A consideração positiva de certos fatos ou personagens históricos em detrimento de outros é um posicionamento de valor, o que contradiz a pretensa neutralidade e a alienação que caracterizam a apresentação escolar do saber científico. Ensinar e aprender atitudes requer um posicionamento claro e consciente sobre o que e como se ensina na escola. Este posicionamento só pode ocorrer a partir do estabelecimento das intenções do projeto educativo da escola, para que se possa adequar e selecionar conteúdos básicos, necessários e recorrentes. É sabido que a aprendizagem de valores e atitudes é de natureza complexa e pouco explorada do ponto de vista pedagógico. Muitas pesquisas apontam para a importância da informação enquanto fator de transformação de valores e atitudes; sem dúvida, a informação é necessária, mas não é suficiente. Para a aprendizagem de atitudes é necessária uma prática constante, coerente e sistemática, em que valores e atitudes almejados sejam expressos no relacionamento entre as pessoas e na escolha dos assuntos a serem tratados. Além das questões de ordem emocional, tem relevância no aprendizado destes conteúdos o fato de cada aluno pertencer a um grupo social, com seus próprios valores e atitudes. Embora esteja sempre presente nos conteúdos específicos que são ensinados, os conteúdos atitudinais não tem sido formalmente reconhecidos como tal. A análise dos conteúdos, à luz dessa dimensão, exige uma tomada de decisão consciente e eticamente comprometida, interferindo diretamente no esclarecimento do papel da escola na formação do cidadão. Ao enfocar os conteúdos escolares sob esta dimensão, questões de convívio social assumem um outro status no rol dos conteúdos a serem abordados. Considerar conteúdos procedimentais e atitudinais como conteúdos do mesmo nível que os conceituais não implica aumento na quantidade de conteúdos a serem trabalhados, porque estes já estão presentes no dia-a-dia da sala de aula; o que acontece é que, na maioria das vezes, não estão explicitados nem são tratados de maneira consciente. A diferente natureza dos conteúdos escolares deve ser contemplada de maneira integrada no processo de ensino e aprendizagem e não através da suposição de que exigem atividades específicas. Nos PCNs, os conteúdos referentes a conceitos, procedimentos, valores, normas e atitudes estão presentes nos documentos tanto de áreas quanto de convívio social e ética, por contribuirem para a aquisição das capacidades definidas nos Objetivos Gerais do Ensino Fundamental. A consciência da importância destes conteúdos é essencial para garantir-lhes tratamento apropriado, em que se vise a um desenvolvimento amplo, harmônico e equilibrado dos alunos, tendo em vista sua vinculação à função social da escola no momento atual da sociedade brasileira. Eles serão apresentados nos blocos de conteúdo. Os blocos de conteúdo são agrupamentos que representam recortes internos à área e visam explicitar objetos de estudo essenciais à aprendizagem. A formulação dos blocos é suficientemente aberta para que as equipes de técnicos e professores elaborem as propostas educativas em função das características dos alunos e do contexto sócio-econômico-cultural da escola. Os conteúdos explicitados por blocos nas áreas estão diretamente relacionados aos Objetivos Gerais do Ensino Fundamental, aos Objetivos Gerais de Área e de Ciclo e constituem um referencial nacional comum: todo brasileiro tem o direito de aprendê-los como meio para o desenvolvimento de suas capacidades. Os blocos distiguem as especificidades dos conteúdos, para que haja clareza sobre qual é o objeto o trabalho, tanto para o aluno como para o professor - é importante ter consciência do que se está ensinando e do que se está aprendendo.

O tratamento didático é dado pelo estabelecimento de relações internas ao bloco e entre blocos. Exemplificando: os blocos de conteúdo de Língua Portuguesa são lingua oral, língua escrita, análise e reflexão sobre a língua; é possível aprender sobre a língua escrita sem necessariamente estabelecer uma relação direta com a língua oral; por outro lado, não é possível aprender a analisar e refletir sobre a língua sem o apoio da língua oral, ou da escrita. Desta forma, a inter-relação dos elementos de um bloco, ou entre blocos, é determinada pelo objeto da aprendizagem, configurado pela proposta didática realizada pelo professor. Dada a diversidade existente no país, é natural e desejável que ocorram alterações no quadro proposto. A definição dos conteúdos a serem tratados deve considerar o desenvolvimento de capacidades adequadas às características sociais, culturais e econômicas particulares de cada localidade. Desta forma, a definição de conteúdos nos PCNs é uma referência para técnicos e professores analisarem, refletirem e tomarem decisões, resultando em ampliações ou reduções de certos aspectos, em função das necessidades de aprendizagem de seus alunos. 3.5. AVALIAÇÃO A concepção de avaliação dos PCNs vai além da visão tradicional, que focaliza o controle externo do aluno através de notas ou conceitos, para ser compreendida como parte integrante e intrínseca ao processo educacional. A avaliação, ao não se restringir ao julgamento sobre sucessos ou fracassos do aluno, é compreendida como um conjunto de atuações que têm a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica. Acontece contínua e sistematicamente através da interpretação qualitativa do conhecimento construído pelo aluno. Possibilita conhecer o quanto ele se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem que o professor tem em determinados momentos da escolaridade, em função da intervenção pedagógica realizada. Portanto, a avaliação das aprendizagens só pode acontecer se estas forem relacionadas com as oportunidades que foram oferecidas, isto é, analisando a adequação das situações didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios que estão em condições de enfrentar. A avaliação subsidia o professor com elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos instrumentos de trabalho e a retomada de aspectos que devem ser revistos, ajustados ou reconhecidos como adequados para o processo de aprendizagem individual ou de todo grupo. Para o aluno, é o instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para reorganização de seu investimento na tarefa de aprender. Para a escola, possibilita definir prioridades e localizar quais aspectos das ações educacionais demandam maior apoio. Tomar a avaliação nessa perspectiva e em todas essas dimensões requer que esta ocorra sistematicamente durante todo o processo de ensino e aprendizagem e não somente após o fechamento de etapas do trabalho, como é o habitual. Isto possibilita ajustes constantes, num mecanismo de regulação do processo de ensino e aprendizagem, que contribui efetivamente para que a tarefa educativa tenha sucesso. O acompanhamento e a reorganização do processo de ensino e aprendizagem na escola inclui, necessariamente, uma avaliação inicial, para o planejamento do professor, e uma avaliação ao final de uma etapa de trabalho. Para que o professor possa por em prática seu planejamento de forma ajustada às características de seus alunos, é fundamental que proceda a uma avaliação investigativa inicial que o instrumentalize. Este é o momento em que o professor vai se informar sobre o que o aluno já sabe sobre determinado conteúdo para, a partir daí, estruturar sua programação, definindo os conteúdos e o nível de profundidade em que devem ser abordados. A avaliação inicial serve para o professor obter informações necessárias para propor atividades e gerar novos conhecimentos, assim como para o aluno tomar conciência do que já sabe e do que pode ainda aprender sobre um determinado conjunto de conteúdos. É importante que ocorra uma avaliação no início do ano; o fato de que o aluno esteja iniciando uma série não é informação suficiente para que o professor saiba sobre suas necessidades de aprendizagem. Mesmo que o professor acompanhe a classe de um ano para o outro, e que tenha registros detalhados sobre o desempenho dos alunos no ano anterior, isso não exclui essa investigação inicial, pois os alunos não deixam de aprender durante as férias e muita coisa pode ser alterada no intervalo dos períodos letivos. Mas essas avaliações não devem ser

aplicadas exclusivamente nos inícios de ano ou de semestre; são pertinentes sempre que o professor propõe novos conteúdos ou novas seqüências de situações didáticas. É importante ter claro que isso não implica a instauração de um longo período de diagnóstico, que acabe por se destacar do processo de aprendizagem que está em curso, no qual o professor não avança em suas propostas, perdendo o escasso e precioso tempo escolar de que dispõe. A avaliação pode se realizar no interior mesmo de um processo de ensino e aprendizagem, já que os alunos põem inevitavelmente em jogo seus conhecimentos prévios ao enfrentar qualquer situação didática. O processo também contempla a observação dos avanços e da qualidade da aprendizagem alcançada pelos alunos ao final de um período de trabalho, seja este determinado pelo fim de um bimestre, ou de um ano, seja pelo encerramento de um projeto ou sequência didática. Na verdade, a avaliação contínua do processo acaba por subsidiar a avaliação final, isto é, se o professor acompanha o aluno sistematicamente ao longo do processo pode saber, em determinados momentos, o que o aluno já aprendeu sobre os conteúdos trabalhados. Estes momentos, por outro lado, são importantes por se constituirem em boas situações para que alunos e professores formalizem o que foi e o que não foi aprendido. Esta avaliação, que intenciona averiguar a relação entre a construção do conhecimento por parte dos alunos e os objetivos a que o professor se propôs, é indispensável para se saber se todos os alunos estão aprendendo e quais condições estão sendo ou não favoráveis para isso, o que diz respeito às responsabilidades do sistema educacional. Um sistema educacional comprometido com o desenvolvimento das capacidades dos alunos, que se expressam pela qualidade das relações que estabelecem e pela profundidade dos saberes constituídos, encontra, na avaliação, uma referência à análise de seus propósitos, que lhe permite redimensionar investimentos, a fim de que os alunos aprendam cada vez mais e melhor e atinjam os objetivos propostos. Esse uso da avaliação, numa perspectiva democrática, só poderá acontecer se forem superados o caráter de terminalidade e de medição de conteúdos aprendidos - tão arraigados nas práticas escolares - a fim de que os resultados da avaliação possam ser concebidos como indicadores para a reorientação da prática educacional e nunca como um meio de estigmatizar os alunos. Utilizar a avaliação como instrumento para o desenvolvimento das atividades didáticas requer que ela não seja interpretada como um momento estático, mas antes como um momento de observação de um processo dinâmico e não linear de construção de conhecimento. Orientações para Avaliação O "como" avaliar se define a partir da concepção de ensino e aprendizagem, da função da avaliação no processo educativo e das orientações didáticas postas em prática. Embora a avaliação, na perspectiva aqui apontada, aconteça sistematicamente durante as atividades de ensino e aprendizagem, é preciso que a perspectiva de cada momento da avaliação seja definida claramente, para que se possa alcançar o máximo de objetividade possível. Para obter informações em relação aos processos de aprendizagem, é necessário considerar a importância de uma diversidade de instrumentos e situações, para possibilitar, por um lado, avaliar as diferentes capacidades e conteúdos curriculares em jogo e, por outro lado, contrastar os dados obtidos e observar a transferência das aprendizagens em contextos diferentes. É fundamental a utilização de diferentes códigos como o verbal, o oral, o escrito, o gráfico, o numérico, o pictórico, de forma a se considerar as diferentes aptidões dos alunos. Por exemplo, muitas vezes o aluno não domina a escrita suficientemente para expor um raciocínio mais complexo sobre como compreende um fato histórico, mas pode fazê-lo perfeitamente bem em uma situação de intercâmbio oral, como em diálogos, entrevistas ou debates. Considerando essas preocupações, o professor pode realizar a avaliação através de:
• Observação sistemática: acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos, utilizando alguns instrumentos, como registro em tabelas, listas de controle, diário de classe e outros. Análise das produções dos alunos: considerar a variedade de produções realizadas pelos alunos, para que se possa ter um quadro real das aprendizagens conquistadas.

Exemplo: se a avaliação se dá sobre a competência dos alunos na produção de textos, deve-se considerar a totalidade dessa produção, que envolve desde os primeiros registros escritos, no caderno de lição, até os registros das atividades de outras áreas e das atividades realizadas especificamente para este aprendizado, além do texto produzido pelo aluno para os fins específicos desta avaliação. • Atividades específicas para a avaliação: nestas, os alunos devem ter objetividade ao expor sobre um tema, ao responder um questionário. Para isso é importante, em primeiro lugar, garantir que sejam semelhantes às situações de aprendizagem comumente estruturadas em sala de aula, isto é, que não se diferenciem, em sua estrutura, das atividades que já foram realizadas; em segundo lugar, deixar claro para os alunos o que se pretende avaliar, pois, inevitavelmente, os alunos estarão mais atentos a estes aspectos.

Quanto mais os alunos tenham clareza dos conteúdos e do grau de expectativa da aprendizagem que se espera, mais terão condições de desenvolver, com a ajuda do professor, estratégias pessoais e recursos para vencer dificuldades.

Discutiu-se, até agora, a avaliação considerando o aluno como o "objeto" de um processo de avaliação a ser realizado pelo professor, mas o aluno é também "sujeito" de sua própria avaliação. A avaliação, apesar de ser responsabilidade do professor, não deve ser considerada função exclusiva deste; delegá-la aos alunos, em determinados momentos, é uma condição didática necessária para que estes construam instrumentos de auto-regulação para as diferentes aprendizagens. A auto-avaliação é uma situação de aprendizagem em que o aluno desenvolve estratégias de análise e interpretação de suas produções e dos diferentes procedimentos para se auto-avaliar. Além desse aprendizado ser, em si, importante, porque é central para a construção da autonomia dos alunos, cumpre o papel de contribuir com a objetividade desejada na avaliação, uma vez que esta só poderá ser construída com a coordenação dos diferentes pontos de vista tanto do aluno quanto do professor. Critérios de Avaliação Avaliar significa emitir um juízo de valor sobre a realidade que se questiona, seja a propósito das exigências de uma ação que projetamos realizar sobre ela, seja a propósito das suas conseqüências. Se avaliar significa emitir juízo, então a atividade de avaliação exige critérios claros que orientem a leitura dos aspectos a serem avaliados. No caso da avaliação escolar, é necessário que se estabeleçam expectativas de aprendizagem dos alunos em consequência do ensino, que devem se expressar em termos dos objetivos, dos critérios de avaliação propostos e da definição do que será considerado como testemunho das aprendizagens. Do contraste entre os critérios de avaliação e os indicadores expressos na produção dos alunos surgirá o juízo de valor, que se constitui na essência da avaliação. Os Critérios de Avaliação têm um papel importante nos PCNs, pois explicitam as expectativas de aprendizagem, considerando objetivos e conteúdos propostos para a área e para o ciclo, a organização lógica e interna dos conteúdos, as particularidades de cada momento da escolaridade e as possibilidades de aprendizagem decorrentes de cada etapa do desenvolvimento cognitivo, afetivo e social dos alunos em uma derminada situação, na qual os alunos tenham boas condições de desenvolvimento do ponto de vista pessoal e social. Os critérios de avaliação apontam as experiências educativas a que os alunos devem ter acesso e que são consideradas essenciais para o seu desenvolvimento e socialização. Nesse sentido, os critérios de avaliação devem refletir de forma equilibrada os diferentes tipos de capacidades e as três dimensões de conteúdos, e servir para encaminhar a programação e as atividades de ensino e aprendizagem. Os critérios não expressam todos os conteúdos que foram trabalhados no ciclo, mas apenas aqueles que são fundamentais para que se possa considerar que um aluno adquiriu as capacidades previstas de modo a poder continuar aprendendo no ciclo seguinte, sem que seu aproveitamento seja comprometido. Os Critérios de Avaliação por Área e por Ciclo, definidos nos PCNs, ainda que indiquem o tipo e o grau de aprendizagem que se espera que os alunos tenham realizado a respeito dos diferentes tipos de

conteúdos, apresentam formulação suficientemente ampla para ser referência para as adaptações necessárias em cada escola de modo a poderem se constituir em critérios reais para a avaliação e, portanto, contribuirem para efetivar a concretização das intenções educativas no decorrer do trabalho nos ciclos. Os critérios de avaliação devem permitir concretizações diversas através de diferentes indicadores; assim, além do enunciado que os define, deverá haver um breve comentário explicativo que contribua para a identificação de indicadores nas produções a serem avaliadas, facilitando a interpretação e a flexibilização destes critérios, em função das características do aluno e dos objetivos e conteúdos definidos. Exemplo de um critério de avaliação dos PCNs de Língua Portuguesa para o 1o. Ciclo:
"Escrever utilizando tanto o conhecimento sobre a correspondência fonográfica como sobre a segmentação do texto em palavras e frases.

Com esse critério se espera que a criança escreva textos alfabeticamente. Isso significa utilizar corretamente a letra (o grafema) que corresponda ao som (o fonema), ainda que a convenção ortográfica não esteja sendo respeitada. Espera-se, também, que a criança utilize seu conhecimento sobre a segmentação das palavras e de frases, ainda que a convenção não esteja sendo respeitada (no caso da palavra, podem tanto ocorrer uma escrita sem segmentação, como em "derepente", como uma segmentação indevida, como em "de pois", no caso da frase; as crianças podem separar umas frases sem utilizar o sistema de pontuação, fazendo uso de recursos como "e ", "aí", "daí", por exemplo)."
A definição dos critérios de avaliação deve considerar aspectos estruturais de cada realidade; por exemplo, muitas vezes, seja por conta das repetências ou de um ingresso tardio na escola, a faixa etária dos alunos de primeiro ciclo não corresponde aos 7 ou 8 anos. Sabe-se, também, que as condições de escolaridade em uma escola rural e multisseriada é bastante singular, o que vai determinar expectativas de aprendizagem e, portanto, de critérios de avaliação bastante diferenciados.

A adequação dos critérios estabelecidos nos PCNs e dos indicadores especificados ao trabalho que cada escola se propõe a realizar não deve perder de vista a busca de uma meta de qualidade de ensino e aprendizagem explicitada na presente proposta. Decisões associadas aos resultados da avaliação Tão importante quanto o "o quê" e o "como" avaliar são as decisões pedagógicas decorrentes dos resultados da avaliação. Estas não devem se restringir à reorganização da prática educativa encaminhada pelo professor no dia-a-dia; devem se referir, também, a uma série de medidas didáticas complementares que necessitem de apoio institucional, como o acompanhamento individualizado feito pelo professor fora da classe, o grupo de apoio, as lições extras e outras que cada escola pode criar. Atualmente, a dificuldade de contar com o apoio institucional para estes encaminhamentos é uma realidade que precisa ser alterada gradativamente, para que se possam oferecer condições de desenvolvimento para os alunos com necessidades diferentes de aprendizagem. A decisão sobre a aprovação ou a reprovação é uma decisão pedagógica que visa garantir as melhores condições de aprendizagem para os alunos. Para tal, requer-se uma análise dos professores a respeito das diferentes capacidades do aluno, que vai permitir o aproveitamento do ensino na próxima série ou ciclo. Se a avaliação, conforme se discutiu até agora, está a serviço do processo de ensino e aprendizagem, a decisão de aprovar ou reprovar não deve ser a expressão de um "castigo" nem ser unicamente pautada no quanto se aprendeu ou se deixou de aprender dos conteúdos propostos. Para tal decisão é importante considerar, simultaneamente aos critérios de avaliação, os aspectos de sociabilidade e de ordem emocional, para que a decisão seja a melhor possível tendo em vista a continuidade da escolaridade sem fracassos. No caso de reprovação, a discussão nos conselhos de classe, assim como a consideração das questões trazidas pelos pais neste processo decisório, podem subsidiar o professor para a tomada de decisão amadurecida e compartilhada pela equipe da escola. Os altos índices de repetência em nosso país têm sido objeto de muita discussão, uma vez que explicitam o fracasso do sistema público de ensino, incomodando demais tanto educadores como políticos. No

entanto, muitas vezes se cria uma falsa questão, em que a repetência é vista como um problema em si e não como um sintoma da má qualidade do ensino e, consequentemente, da aprendizagem que, de uma forma geral, o sistema educacional não tem conseguido resolver. Como resultado, ao reprovar os alunos que não realizam as aprendizagens esperadas, cristaliza-se uma situação em que o problema é do aluno e não do sistema educacional. A repetência deve ser um recurso extremo; deve ser estudada caso a caso, no momento que mais se adequar a cada aluno, para que esteja de fato a serviço da escolaridade com sucesso. A permanência em um ano ou mais no ciclo deve ser compreendida como uma medida educativa para que o aluno tenha chance e expectativa de sucesso e motivação, para garantir a melhoria de condições para a aprendizagem. Quer a decisão seja de reprovar ou aprovar um aluno com dificuldades, esta deve sempre ser acompanhada de encaminhamentos de apoio e ajuda para garantir a qualidade das aprendizagens e o desenvolvimento das capacidades esperadas. As avaliações oficiais/ boletins, diplomas Existe um outro lado na questão da avaliação, que são os aspectos normativos do sistema de ensino que dizem respeito ao controle social. À escola é socialmente delegada a tarefa de promover o ensino e aprendizagem de determinados conteúdos e contribuir de maneira efetiva na formação de seus cidadãos; por isso, a escola deve responder à sociedade por esta responsabilidade. Para tal, estabelece uma série de instrumentos para o registro e documentação da avaliação e cria os atestados oficiais de aproveitamento. Assim, as notas, conceitos, boletins, recuperações, aprovações, reprovações, diplomas etc, fazem parte das decisões que o professor deve tomar em seu dia-a-dia para responder à necessidade de um testemunho oficial e social do aproveitamento do aluno. O professor pode aproveitar os momentos de avaliação bimestral ou semestral, quando precisa dar notas ou conceitos, para sistematizar os procedimentos que selecionou para o processo de avaliação, em função das necessidades psicopedagógicas. É importante ressaltar a diferença que existe entre a comunicação da avaliação e a qualificação. Uma coisa é a necessidade de comunicar o que se observou na avaliação, isto é, o retorno que o professor dá aos alunos e aos pais do que pôde observar sobre o processo de aprendizagem, incluindo também o diálogo entre a sua avaliação e a auto-avaliação realizada pelo aluno. Outra coisa é a qualificação que se extrai dela, e que se expressa em notas ou conceitos, histórico escolar, boletins, diplomas e que cumprem uma função social. Se a comunicação da avaliação estiver pautada apenas em qualificações, pouco poderá contribuir para o avanço significativo das aprendizagens; mas, se as notas não forem o único canal que o professor oferece de comunicação sobre a avaliação, podem constituir-se numa referência importante, uma vez que já se instituem como representação social do aproveitamento escolar. 3.6. ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS A conquista dos objetivos propostos para o Ensino Fundamental depende de uma prática educativa que tenha como eixo a formação de um cidadão autônomo e participativo. Nesta medida, os PCNs incluem orientações didáticas, que são subsídios à reflexão sobre "como" ensinar. Na visão assumida pelos PCNs, os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações. Nesta concepção, cada aluno é sujeito de seu processo de aprendizagem, enquanto o professor é o mediador na interação dos alunos com os objetos de conhecimento; o processo de aprendizagem compreende também a interação dos alunos entre si, essencial à socialização. Assim sendo, as orientações didáticas apresentadas enfocam fundamentalmente a intervenção do professor na criação de situações de aprendizagem coerentes com essa concepção. A cada tema e área de conhecimento definidos nos PCNs corresponde um conjunto de orientações didáticas de caráter mais abrangente - orientações didáticas gerais - que indicam como a concepção de ensino proposta se estabelece no tratamento da área. A cada bloco de conteúdo correspondem orientações didáticas específicas, que expressam como determinados conteúdos podem ser tratados. Assim, as orientações didáticas permeiam a Caracterização do Ciclo e a explicação dos Blocos de Conteúdos, uma vez que a opção de recorte de conteúdos para uma situação de ensino e aprendizagem é também determinada pelo enfoque didático da área. No entanto, há determinadas considerações a fazer a respeito do trabalho em sala de aula, que extravasam as fronteiras de um tema ou área de conhecimento. Estas considerações evidenciam que o ensino não

pode estar limitado ao estabelecimento de um padrão de intervenção homogêneo e idêntico para todos os alunos. A prática educativa é bastante complexa, pois o contexto de sala de aula traz questões de ordem afetiva, emocional, cognitiva, física e de relação pessoal. A dinâmica dos acontecimentos em uma sala de aula é tal que mesmo uma aula planejada, detalhada e consistente dificilmente ocorre conforme o imaginado: olhares, tom de voz, manifestações de afeto ou desafeto e diversas outras variáveis interferem diretamente na dinâmica anteriormente prevista.. Desta forma, a intenção é apontar, no texto que se segue, alguns tópicos sobre didática considerados essenciais pela maioria dos profissionais em educação: autonomia, diversidade, interação e cooperação, disponibilidade para a aprendizagem, organização do tempo e do espaço, seleção de material. 3.6.1. Autonomia Os parâmetros curriculares nacionais propõem, nos Objetivos Gerais do Ensino Fundamental, a formação de um aluno que reflete, participa e assume responsabilidades, sendo esta conquista da autonomia condição imprescindível para alcançar o pleno exercício da cidadania e de uma integração com a cultura mais ampla. Esta ênfase na autonomia condiciona a opção por uma metodologia que considera a atividade do aluno na construção de seus próprios conhecimentos, valoriza suas experiências, seus conhecimentos prévios e a interação professor-aluno e aluno-aluno, buscando essencialmente, a passagem progressiva de situações dirigidas por outrem a situações dirigidas pelo próprio aluno. Deseja-se que, ao longo da escolaridade, cada indivíduo chegue a tomar decisões por si só, a se auto-governar, a refletir e enfrentar diferentes situações com seus próprios recursos. Portanto, é importante que desde as séries iniciais as propostas didáticas levem as crianças a desenvolver sua autonomia, o que ocorre através de aproximações sucessivas, cada vez mais apropriadas. A aprendizagem de determinados procedimentos e atitudes é essencial na construção da autonomia intelectual e moral do aluno: planejar a realização de uma tarefa, identificar formas de resolver um problema, saber formular boas perguntas e boas respostas, levantar hipóteses e buscar meios de verificálas, validar raciocínios, saber resolver conflitos, cuidar da própria saúde e da de outros, colocar-se no lugar do outro para melhor refletir sobre uma determinada situação, considerar as regras estabelecidas. Procedimentos e atitudes dessa natureza são objeto de aprendizagem escolar, ou seja, a escola pode criar situações que auxiliem os alunos a se tornarem protagonistas de sua própria aprendizagem. O desenvolvimento da autonomia depende de suportes materiais, intelectuais e emocionais. No início da escolaridade, a intervenção do professor é mais intensa na definição destes suportes: tempo e forma de realização das atividades, organização dos grupos, materiais a serem utilizados, resolução de conflitos, cuidados físicos, estabelecimentos de etapas para a realização das atividades. É importante ressaltar que a construção da autonomia não se confunde com atitudes de independência. O aluno pode ser independente para realizar uma série de atividades, enquanto seus recursos internos para se auto-governar são ainda incipientes. A independência é uma manifestação importante para o desenvolvimento, mas não deve ser confundida com autonomia. Para a conquista da autonomia é preciso considerar tanto o trabalho individual como o coletivocooperativo. O individual é potencializado pelas exigências feitas aos alunos no sentido de se responsabilizarem por suas tarefas, pela organização, pelo envolvimento com o objeto de estudo. A importância do trabalho em grupo está em valorizar a interação como fonte de desenvolvimento social, pessoal e intelectual. Situações de grupo exigem dos alunos considerar diferenças individuais, trazer contribuições, respeitar as regras estabelecidas, atitudes que propiciam a realização de tarefas conjuntas. Para tanto, é necessário que as decisões assumidas pelo professor auxiliem os alunos a desenvolverem estas atitudes e procedimentos, adequados a uma postura de estudante autônoma, que só será efetivamente alcançada através de investimentos sistemáticos ao longo de toda a escolaridade. 3.6.2. Diversidade As adaptações curriculares previstas nos níveis de concretização apontam para a necessidade de adequar objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, de forma a atender a diversidade existente no país. Estas adaptações, porém, não dão conta da diversidade no plano dos indivíduos em uma sala de aula.

explicar e exemplificar. 3. analisar suas possibilidades de aprendizagem e avaliar a eficácia das medidas adotadas. mas também seus interesses e motivações. Concluindo. tem como valor máximo o respeito às diferenças . o grau de aceitação ou rejeição. motor ou psíquico. Em síntese. principalmente para os alunos prejudicados por fracassos escolares ou que não estejam interessados no que a escola pode oferecer. a organização de atividades que favoreçam a fala e a escrita como meios de reorganização e reconstrução das experiências compartilhadas pelos alunos ocupa papel de destaque no trabalho em sala de aula. O estabelecimento de condições adequadas para a interação dos alunos não pode estar pautado somente em questões cognitivas.3. A participação de um aluno muitas vezes varia em função do grupo em que está inserido. a disponibilidade cognitiva e emocional dos alunos para a aprendizagem é fator essencial para que haja uma interação cooperativa. a atenção à diversidade é um príncipio dos PCNs. ser fator de enriquecimento. são fundamentais as situações em que possam aprender a dialogar. Desta forma. Trata-se de garantir condições de aprendizagem a todos os alunos. Desta forma. A escola. por isso é . mesmo quando apresentadas de forma confusa ou incorreta) e em favorecer o respeito. ou seja. A comunicação propiciada nas atividades em grupo leva os alunos a dialogar. A organização dos alunos em grupos de trabalho influencia o processo de ensino e aprendizagem. a competitividade e o ritmo de produção estabelecidos em um grupo interferem diretamente na produção do trabalho. Assim. A afetividade. Os aspectos emocionais e afetivos são tão relevantes quanto os cognitivos. A criação de um clima favorável a este aprendizado depende do compromisso do professor em aceitar contribuições dos alunos (respeitando-as. ou de super-dotação intelectual. etc. ao considerar a diversidade. É essencial aprender procedimentos dessa natureza e valorizá-los como forma de convívio escolar e social. Interação e Cooperação Um dos objetivos da educação escolar é que os alunos aprendam a assumir a palavra enunciada e a conviver em grupo de maneira produtiva e cooperativa. e pode ser otimizada quando o professor interfere na organização dos grupos. em que não haja depreciação do colega por sua eventual falta de informação ou incompreensão. a ouvir o outro e ajudá-lo. a atuação do professor em sala de aula deve levar em conta fatores sociais. As diferenças não são obstáculos para o cumprimento da ação educativa. com o direito de todos os alunos realizarem as aprendizagens fundamentais para seu desenvolvimento e socialização. ressaltar diferenças e semelhanças.não o elogio da desigualdade. coordenar ações para obter sucesso em uma tarefa conjunta. Atender necessidades singulares de determinados alunos é estar atento à diversidade: é atribuição do professor considerar a especificidade do indivíduo. culturais e a história educativa de cada aluno. seja através de incrementos na intervenção pedagógica ou de medidas extras que atendam às necessidades individuais. aproveitar críticas. assegurando a participação de todos os alunos. a educação escolar deve considerar a diversidade dos alunos como elemento essencial a ser tratado para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem. resolver mal entendidos. Organizar por ordem alfabética ou por idade não é a mesma coisa que organizar por gênero ou por capacidades especificas. Trabalhar em grupo de maneira cooperativa é sempre uma tarefa difícil. A atenção à diversidade deve se concretizar em medidas que levem em conta não só as capacidades intelectuais e os conhecimentos de que dispõe o aluno. comprometido com a eqüidade. portanto. mesmo para adultos convencidos de sua necessidade. a pedir ajuda. como também características pessoais de déficit sensorial. podem e devem.Para corresponder aos propósitos explicitados nestes PCNs. Aprender a conviver em grupo supõe um domínio progressivo de procedimentos. apropriando-se de conhecimentos. por parte do grupo. valores. normas e atitudes. Este conjunto constitue a capacidade geral do aluno para aprendizagem em um determinado momento. explicar um ponto de vista. Para a execução e favorecimento do trabalho cooperativo é preciso considerar a organização social para realização das atividades.6.

e não passividade. ou para tirar notas. Para tal. tornam-se eficazes na individualização do ensino. onde a diferenciação se dê pela exigência adequada ao desempenho de cada um. . e não apenas a rapidez na realização. Deve valorizar o processo e a qualidade. É possível pensar em grupos que não sejam estruturados por série e sim por objetivos. é necessária disponibilidade para o envolvimento do aluno na aprendizagem. buscar soluções e experimentar novos caminhos. em função daqueles alunos específicos. Por exemplo: desempenho diferenciado ou próximo. em usar os instrumentos adequados que conhece e dispõe no sentido de alcançar a maior compreensão possível. o tempo reservado para a atuação dos alunos é determinante. empenho em estabelecer relações entre o que já sabe e o que está aprendendo. ritmo de trabalho etc. o aluno precisa tomar para si a necessidade e a vontade de aprender. O convívio escolar pretendido depende do estabelecimento de regras e normas de funcionamento e de comportamento que sejam coerentes com os objetivos definidos no projeto educativo. Aquele que estuda apenas para "passar de ano". A disposição para a aprendizagem não depende exclusivamente do aluno.importante que o professor discuta e decida os critérios de agrupamento dos alunos. As atividades propostas precisam garantir organização e ajuste às reais possibilidades dos alunos. Um nível de complexidade muito elevado. Este tipo de aprendizagem exige uma ousadia para se auto-colocar problemas. garantir que o aluno conheça o objetivo da atividade. A aprendizagem significativa depende de uma motivação intrínseca. coordenando o tempo para cada proposta que encaminha. reconheça os problemas que a situação coloca. não terá motivos suficientes para empenhar-se em profundidade na aprendizagem. situe-se em relação à tarefa. Deve esperar estratégias criativas e originais e não a mesma resposta de todos. situação que indica a participação ativa e compromissada do aluno no processo de aprendizagem. na qual o aluno limita seu esforço apenas em memorizar ou estabelecer relações diretas e superficiais. não contribui para a reflexão e o debate. é necessário que o professor proponha situações didáticas com objetivos e consignas claras. que levem em conta a diversidade dos alunos. a saída mais comum é estudar de forma superficial. de forma que cada uma não seja nem muito difícil e nem demasiado fácil. Neste enfoque de abordagem profunda da aprendizagem. Primeiramente. para que os alunos possam tomar decisões pensadas sobre o encaminhamento de seu trabalho. ou muito baixo. Disponibilidade para a aprendizagem A motivação e o interesse são aspectos fundamentais para qualquer tendência pedagógica. então. 3. as decisões sobre agrupamentos adquirem especial relevância. Para que uma aprendizagem significativa possa acontecer. Se o professor espera uma atitude curiosa e investigativa. Nas escolas multisseriadas. equilíbrio entre meninos e meninas. A intervenção do professor precisa.6.4. de maneira totalmente diferente da aprendizagem mecânica. a expectativa que o professor tem do tipo de aprendizagem de seus alunos fica definida no contrato didático estabelecido. e que seja capaz de resolvê-los. É necessário que o professor decida a forma de organização social em cada tipo de atividade. O professor precisa buscar um equilibrio entre as necessidades da aprendizagem e o exíguo tempo escolar. Os alunos devem poder realizá-la numa situação desafiadora. demanda que a prática didática garanta condições para que esta atitude favorável se manifeste e prevaleça. isto é. Como fazer com que o aluno se disponha a realizar as aprendizagens escolares? Esta é uma questão que precisa ser discutida dentro dos marcos referenciais que orientam a concepção construtivista de ensino e aprendizagem. Não existe critério melhor ou pior de organização de grupos para uma atividade. possibilidade de cooperação. A comunicação clara destas normas possibilita a compreensão pelos alunos das atitudes de disciplina demonstradas pelos professores dentro e fora da classe. deve propor prioritariamente atividades que exijam esta postura. Agrupamentos adequados. A complexidade da atividade também interfere no envolvimento do aluno. afinidades para o trabalho e afetividade. além da selecionar e tratar ajustadamente os conteúdos. em cada momento do processo de ensino e aprendizagem. Se a exigencia é de rapidez.

são importantes as atividades em que o professor seja somente um orientador do trabalho. Para o sucesso da empreitada. que os alunos devam arbitrar livremente a respeito de como e quando atuar na escola. Assim. Mas isto. contribuindo assim. são explicitadas nas relações interpessoais do convívio escolar. cabendo aos alunos o planejamento e a execução. dentro do qual os alunos serão livres para tomar suas decisões. Assim. Por esta razão. de modo algum. Falta de respeito e forte competitividade. Quando o sujeito está aprendendo se envolve inteiramente. o que exige trabalho com objetos sócio-culturais do cotidiano extra-escolar. ou de seus colegas. ao desenvolver as atividades escolares. pode acontecer que a ansiedade presente na situação de aprendizagem se torne muito intensa e impeça uma atitude favorável. sem que estes percam sua função social real. compromisso e responsabilidade. jornais. desde que haja um clima favorável de trabalho. desencadeado pelo sentimento de incapacidade para realização da tarefa ou de insegurança em relação à ajuda que pode ou não receber de seu professor. de maneira que a situação escolar possa dar conta de todas essas questões de ordem afetiva. A vivência do controle do tempo pelos alunos se insere dentro de limites criteriosamente estabelecidos pelo professor. instrumentos de medida etc. que se tornarão menos restritivos à medida que o grupo desenvolva sua autonomia. sociedade e cultura. a estabelecer vínculos de confiança e uma prática cooperativa e solidária. Mesmo garantindo as condições acima descritas. Mas isso tudo não basta. mas também deve ser conseguido nas relações entre os alunos. revistas. não fica garantido apenas e exclusivamente pelas ações do professor. Caso contrário. Isso não quer dizer. O aluno com um auto-conceito negativo e que se considera fracassado na escola. podem reforçar os sentimentos de incompetência de certos alunos e contribuir de forma efetiva para consolidar o seu fracasso. ou seja. se estabelecidas na classe. Em geral. . assim como seu resultado.6. Acaba por desenvolver comportamentos problemáticos e de indisciplina. os encaminhamentos do professor ficam comprometidos. 3.Outro fator que afeta a disponibilidade do aluno para a aprendizagem é a não fragmentação entre escola. o aluno toma consciência de suas possibilidades e constrói mecanismos de autoregulação que possibilitam decidir como alocar seu tempo. Aprender é uma tarefa árdua. Esta ansiedade pode estar ligada ao medo de fracasso. ou admite que a culpa é sua e se convence de que é um incapaz. as lições não servem para nada. Quando não se instaura na classe um clima favorável de confiança. Esta auto-imagem é também influenciada pelas representações que o professor e seus colegas fazem dele e que. é fundamental que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno. a prática de sala de aula torna-se insustentável pela indisciplina que gera. repercutem no sujeito de forma global. é preciso que o professor defina claramente as atividades. Organização do tempo A consideração do tempo como variável que interfere na construção da autonomia permite ao professor criar situações em que o aluno possa progressivamente controlar a realização de suas atividades. Através de erros e acertos.5. por exemplo. instrumento de auto-regulação do processo de ensino e aprendizagem. O processo. disponibilize recursos materiais adequados e defina o período de execução previsto. os alunos buscam corresponder às expectativas de aprendizagem significativa. ou vai buscar ao seu redor outros culpados: o professor é chato. na qual se convive o tempo inteiro com o que ainda não é conhecido. embora estas sejam fundamentais dada a autoridade que este representa. aprende não só sobre o conteúdo em questão mas também sobre o como aprende. sem esvaziá-los de significado. no qual a avaliação e a observação do caminho por eles percorrido seja. Isto os leva a decidir e a vivenciar o resultado de suas decisões sobre o uso do tempo. de fato. para imprimir sentido às atividades escolares. de uma forma ou outra. filmes. o aluno. O trabalho educacional inclui as intervenções para que os alunos aprendam a respeitar diferenças. e consolidar um bloqueio para aprender. construindo uma imagem de si enquanto estudante. estabeleça a organização em grupos. como.

6.enfim. esportes. 3. o que somente ocorrerá através de investimentos sistemáticos ao longo da escolaridade. é interessante pensar que uma das maneiras de otimizar o tempo escolar é organizar aulas duplas. Nessa organização é preciso considerar a possibilidade dos alunos assumirem a responsabilidade pela decoração. etc. que as crianças tenham acesso aos materiais de uso frequente. A menção ao uso de computadores. pode parecer descabida perante as reais condições das escolas. É indiscutível a necessidade crescente do uso de computadores pelos alunos como instrumento de aprendizagem escolar. folhetos. pois assim o professor tem condições de propor atividades em grupo que demandam maior tempo (aulas curtas tendem a ser expositivas). teatro. como também não favorecem o aprendizado da preservação do bem coletivo. murais. A organização do espaço reflete a concepção metodológica adotada pelo professor e pela escola. O livro didático é um material de forte influência na prática de ensino brasileira. com as possibilidades existentes em cada local e as necessidades de realização do trabalho escolar. passa a ser objeto de aprendizagem e respeito. música. computadores. as paredes sejam utilizadas para exposição de trabalhos individuais ou coletivos. estabelecendo o vínculo necessário entre o que é aprendido na escola e o conhecimento extra-escolar. e em função das opções do Projeto Educativo da Escola. desenhos. padarias . teatro. Em um espaço que expresse o trabalho proposto nos PCNs é preciso que as carteiras sejam móveis. pois os alunos aprendem sobre algo que tem função social real e se mantêm atualizados sobre o que acontece no mundo. revistas. pois a variedade de fontes de informação é que contribuirá para o aluno ter uma visão ampla do conhecimento. ordem e limpeza da classe. o diálogo e a cooperação. contar histórias. a utilização e a organização do espaço e do tempo refletem a concepção pedagógica e interferem diretamente na construção da autonomia. No terceiro e no quarto ciclos. A programação deve contar com passeios. É importante haver diversidade de materiais para que os conteúdos possam ser tratados da maneira mais ampla possível. É importante salientar que o espaço de aprendizagem não se restringe à escola. Quando o espaço é tratado desta maneira. cinema. é importante considerar que o livro didático não deve ser o único material a ser utilizado. Concluindo.6. No dia a dia deve-se aproveitar os espaços externos para realizar atividades cotidianas. como ler. excursões. artes plásticas. É preciso que os professores estejam atentos à qualidade. nenhum deve ser utilizado com exclusividade. nos quais as aulas se organizam por áreas com professores específicos e tempo previamente estabelecido. Além disso. é preciso contar com a improvisação de espaços para o desenvolvimento de atividades específicas de laboratório. A partir deste critério. calculadoras. que deve obedecer ao tempo mínimo estabelecido pela legislação vigente para cada uma das áreas de aprendizagem do currículo. pois muitas não têm sequer giz para trabalhar. marcenarias. é que se poderá fazer a distribuição horária mais adequada. sendo necessário propor atividades que ocorram fora dela. A utilização de materiais diversificados como jornais.6. Dada a pouca infra-estrutura de muitas escolas. à coerência e a eventuais restrições que apresentem em relação aos objetivos educacionais propostos. propagandas. dentro de um amplo leque de materiais. armários trancados não ajudam a desenvolver a autonomia do aluno. Organização do espaço Uma sala de aula com carteiras fixas dificulta o trabalho em grupo. visitas a fábricas.Outra questão relevante é o horário escolar. fazer desenho de observação. filmes. Sem dúvida esta é . faz o aluno sentir-se inserido no mundo à sua volta. buscar materiais para coleções. Materiais de uso social frequente são ótimos recursos de trabalho.7. para que possam estar atualizados em relação às novas tecnologias da informação e se instrumentalizarem para as demandas sociais presentes e futuras. 3. Seleção de Material Todo material é fonte de informação mas.

estético. os materiais didáticos. afetivo. estabelecendo as conquistas intermediárias que os alunos deverão atingir para que progressivamente cumpram com as intenções educativas gerais. portanto. No entanto. a seleção de conteúdos e a proposição de atividades concorrem para que o caminho seja percorrido com sucesso. espaço. Considerações Finais A qualidade da atuação da escola não pode depender somente da vontade de um ou outro professor. A eleição de objetivos e conteúdos de área por ciclo está diretamente relacionada com os Objetivos Gerais do Ensino Fundamental e com os Objetivos Gerais de Área. que os alunos devem ter adquirido ao término da escolaridade obrigatória. supervisores. professores polivalentes e especialistas) para tomada de decisões sobre aspectos da prática didática. Mesmo em condições ótimas em termos de recursos. bem como sua execução. mas diferenciam-se destes últimos por explicitar a contribuição específica dos diferentes âmbitos do saber presentes na cultura. A caracterização de cada ciclo enfoca as necessidades e possibilidades de trabalho da área no ciclo e indica os Objetivos de Ciclo por Área. segundo prioridade dada pelo MEC. Os Critérios de Avaliação explicitam as aprendizagens fundamentais a serem realizadas em cada ciclo e se constituem em indicadores para a reorganização do processo de ensino e aprendizagem. de objetivos vinculados ao corpo de conhecimentos de cada área.é que contribuirá para o desenvolvimento de tais capacidades arroladas como Objetivos Gerais do Ensino Fundamental. As considerações feitas pretendem auxiliar os professores a refletir sobre suas práticas e a elaborar o projeto educativo de sua escola. é necessário estabelecer acordos nas escolas em relação às estratégias didáticas mais adequadas. trata-se. É necessário que os profissionais estejam comprometidos. pois dependem do ambiente local e da formação dos professores. horários. Estes objetivos estabelecem as capacidades relativas aos aspectos cognitivo. A qualidade da intervenção do professor sobre o aluno ou grupo de alunos. Os Objetivos Gerais de Área. Cada um destes Blocos de Conteúdos serão detalhados em um texto explicativo dos conteúdos que abrangem e das principais orientações didáticas que envolvem. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DOS PCNs Primeiramente estão expostos os Objetivos Gerais do Ensino Fundamental que norteiam todas as definições nos PCNs. . pois na escola se manifestam os conflitos existentes na sociedade. Segue-se a apresentação dos Blocos de Conteúdos de Área por Ciclo. dificuldades e limitações sempre estarão presentes. ético. A seleção adequada dos elementos da cultura .conteúdos . Estas decisões serão necessariamente diferenciadas de escola para escola. de atuação e de inserção social. organização e estrutura das classes. É preciso a participação conjunta dos profissionais (orientadores. disponham de tempo e de recursos. Nesta primeira fase de definição dos PCNs. físico. Os PCNs de cada área tem uma estrutura comum: primeiro a exposição da Concepção de Área. Não são regras a respeito do que devem ou não fazer. Os Objetivos Gerais do Ensino Fundamental e os Objetivos Gerais de Área para o Ensino Fundamental foram formulados de modo a respeitar a diversidade social e cultural e são suficientemente amplos e abrangentes para que possam conter as especificidades locais. Vale reforçar que tais critérios não devem ser confundidos com critérios de aprovação e reprovação de alunos. devem receber uma abordagem integrada em todas as áreas constituintes do Ensino Fundamental. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania. na qual aparece definida a fundamentação teórica do tratamento da área nos PCNs. 3. para todo o Ensino Fundamental. Estas capacidades. haverá definição dos Blocos de Conteúdos apenas para o Primeiro e Segundo Ciclos.uma preocupação que exige posicionamento e investimento em alternativas criativas para que as metas sejam atingidas. da mesma forma que também expressa a concepção de área adotada.7. As metas propostas não se efetivarão a curto prazo. expressam capacidades que os alunos devem adquirir ao final da escolaridade obrigatória. da mesma forma que os Objetivos Gerais do Ensino Fundamental.

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Ceará. Mato Grosso do Sul.Propostas curriculares dos seguintes estados: Alagoas. Rio de Janeiro.1. Bahia. Deverão ser apagados na diagramação. Ferraz Ricardo Breim Rosa Iavelberg Assessores Maria Felisminda Rezende Fusari Regina Machado Karen Muller Consultores Hermelino Mantovani Neder Iveta Maria Borges Ávila Fernandes Índice 1. Amazonas. Rio de Janeiro. Teoria e prática em Arte nas escolas brasileiras . • Propostas curriculares dos seguintes municípios: São Paulo. A área de Arte 1. Espírito Santo. Histórico do ensino de Arte no Brasil e perspectivas 1.4. Santa Catarina. Equipe Central Maria Heloisa C. Introdução 1. Rio Grande do Sul. Paraíba. A arte e a educação 1. Distrito Federal. Minas Gerais. Paraná.SEF PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Arte Observação para Vítor: textos em vermelho servem para indicar o lugar das ilustrações. Belo Horizonte e Curitiba PCN .3. Rio Grande do Norte.2. Goiás. Pará. T.Ensino Fundamental Arte MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental . Piauí. Pernambuco. São Paulo e Tocantins.

2.3.3.3. O teatro como produto cultural e apreciação estética 2. Avaliação de Teatro 2.5. Arte e os Temas Transversais 2.4. Artes Visuais 2.5. Avaliação de Dança 2.2.3. Critérios para a seleção de conteúdos 2. Comunicação e expressão em música: interpretação.5.2.4.4.3.3.1.2.2. Conteúdos relativos a valores.5. As atitudes dos alunos 2.3.3. Expressão e comunicação na prática dos alunos em artes visuais 2.2. Conteúdos das formas de arte para primeiro e segundo ciclos 2.1.1.1. A dança como manifestação coletiva 2.3. A história da arte 2.4.3.2.2.3.2.3.4.1.3. Introdução .1.2.3.1.5. Avaliação de Música 2. Critérios de avaliação em Arte 2.4. envolvimento e compreensão da linguagem musical 2.4.3.1. Aprender e ensinar Arte 2.3.4.3. Arte no ensino fundamental 2.1.3.3.3.3.1. Avaliação de Artes Visuais 2.5.1.3. Criação e aprendizagem 2.1.1. A produção do professor e dos alunos 2.3. Conteúdos 2.1.1. A pesquisa de fontes de instrução e de comunicação em arte 2.1.3.3.5. A organização do espaço e do tempo de trabalho 2. Orientações para avaliação em Arte 2.3.1.1. Dança 2.6.3.5.1.7.2.3. Teatro 2.5.3.3. Objetivos gerais do ensino de Arte 2.4. Avaliação 2. normas e atitudes 2.2.1. Música 2.3. As artes visuais como produto cultural e histórico 2.3. Conteúdos gerais de Arte 2.4.3. Apreciação significativa em música: escuta.3.3.1.1.5.3.3.4. A percepção de qualidades estéticas 2.3. A arte como objeto de conhecimento 1.1. A área de Arte 1. improvisação e composição 2. O conhecimento artístico como reflexão 2.2.1. O conhecimento artístico como produção e fruição 1.1. O teatro como produção coletiva 2.3.1.5.3. Os instrumentos de registro e documentação das atividades dos alunos 2.2.3. O teatro como expressão e comunicação 2. As artes visuais como objeto de apreciação significativa 2.3. A dança como produto cultural e apreciação estética 2.1.3.3.3.4.3. Orientações didáticas 2.4.3. Bibliografia 1. Trabalho por projetos 3.3.5.5.2. A dança na expressão e na comunicação humana 2. A música como produto cultural e histórico: música e sons do mundo 2.5.4.1.3.5.

o aluno poderá compreender a relatividade dos valores que estão enraizados nos seus modos de pensar e agir. sobre a arte de outras culturas. o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando estuda um determinado período histórico.Na proposta geral dos Parâmetros Curriculares Nacionais. de algum modo. 1939-41. podendo criar condições para uma qualidade de vida melhor. do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. "Navio de Imigrantes".) A arte também está presente na sociedade em profissões que são exercidas nos mais diferentes ramos de atividades. Uma função igualmente importante que o ensino da arte tem a cumprir diz respeito à dimensão social das manifestações artísticas. E. 1. da crítica de . As pesquisas desenvolvidas a partir do início do século em vários campos das ciências humanas trouxeram dados importantes sobre o desenvolvimento da criança. A área de Arte está relacionada com as demais áreas e tem suas especificidades. Assim. ensinou para alguém o que aprendeu. tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas. Esta área também favorece ao aluno relacionar-se criadoramente com as outras disciplinas do currículo. da força comunicativa dos objetos à sua volta. ser flexível. das criações musicais. que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade. A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender. O homem que desenhou um bisão numa caverna pré-histórica teve que aprender. da psicologia. A arte e a educação Desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em praticamente todas as formações culturais. escapa-lhe a dimensão do sonho. centrado apenas na transmissão de conteúdos.2. pois atinge o interlocutor através de uma síntese ausente na explicação dos fatos. a desenvolver estratégias pessoais para resolver um problema matemático. Essa forma de comunicação é rápida e eficaz. que é preciso mudar referências a cada momento. percepção e imaginação. A arte de cada cultura revela o modo de perceber. torna-se capaz de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente. no exercício de uma observação crítica do que existe na sua cultura. pela natureza e nas diferentes culturas. A mudança radical que deslocou o foco de atenção da educação tradicional. o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte. sobre o processo criador. a área que trata da educação escolar em artes tem um percurso relativamente recente e coincide com as transformações educacionais que caracterizaram o século XX em várias partes do mundo. Arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem. seu ofício. A arte solicita a visão. que pode criar um campo de sentido para a valorização do que lhe é próprio e favorecer abertura à riqueza e à diversidade da imaginação humana. O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência. Um aluno que exercita continuamente sua imaginação estará mais habilitado a construir um texto. sentir e articular significados e valores que governam os diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade. para o processo de aprendizagem do aluno também ocorreu no âmbito do ensino de Arte. das cores e formas. dos gestos e luzes que buscam o sentido da vida. da filosofia. O ser humano que não conhece arte tem uma experiência de aprendizagem limitada. Na confluência da antropologia. No entanto. da sonoridade instigante da poesia. Museu Lasar Segall/SP. reconhecendo objetos e formas que estão à sua volta. (Figura 1: Lasar Segall. Conhecendo a arte de outras culturas. a escuta e os demais sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa das questões sociais. Além disso. da mesma maneira. Por exemplo. de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente cultural. o conhecimento em artes é necessário no mundo do trabalho e faz parte do desenvolvimento profissional dos cidadãos. da psicanálise.

é tarefa do professor propiciar essa aprendizagem por meio da instrução. Atualmente. etc. questionando basicamente a idéia do desenvolvimento espontâneo da expressão artística da criança e procurando definir a contribuição específica da arte para a educação do ser humano. Tal experiência pode ser orientada pelo professor e nisso consiste sua contribuição para a educação da criança no campo da arte. "Como as contribuições da arte podem ser significativas e vivas dentro da escola?" e "Como se aprende a criar. estes e muitos outros lemas foram aplicados mecanicamente nas escolas. desenvolver a criatividade. manifestadas principalmente na lingüística estrutural. de outro. sem que parecesse necessário definir o que esse termo queria dizer. na psicologia cognitivista. principalmente americanos. teatro e dança. da psicopedagogia e das tendências estéticas da modernidade surgiram autores que formularam os princípios inovadores para o ensino de artes plásticas. pelo perigo da influência que poderia macular a "genuína e espontânea expressão infantil". as habilidades artísticas se desenvolvem através de questões que se apresentam à criança no decorrer de suas experiências de buscar meios para transformar idéias. não ocorre automaticamente à medida que a criança cresce. Tais princípios reconheciam a arte da criança como manifestação espontânea e auto-expressiva: valorizavam a livre expressão e a sensibilização para a experimentação artística como orientações que visavam o desenvolvimento do potencial criador. deixar a criança fazer arte. arte-educadores. música. a revisão crítica da livre expressão. como por exemplo "o que importa é o processo criador da criança e não o produto que realiza" e "aprender a fazer. Ao professor destinava-se um papel cada vez mais irrelevante e passivo. o autocontrole. gerando deformações e simplificações na idéia original. O objetivo fundamental era o de facilitar o desenvolvimento criador da criança. o que se desencadeou como resultado da aplicação indiscriminada de idéias vagas e imprecisas sobre a função da educação artística foi uma descaracterização progressiva da área. eram propostas centradas na questão do desenvolvimento do aluno. portanto. experimentar e entender a arte e qual a função do professor nesse processo?". professores de todos os cantos do mundo se preocupam em responder perguntas básicas que fundamentam sua atividade pedagógica: "Que tipo de conhecimento caracteriza a arte?". "Qual a contribuição específica que a arte traz para a educação do ser humano?". curioso fenômeno de consenso pedagógico. . É importante salientar que tais orientações trouxeram uma contribuição inegável no sentido da valorização da produção criadora da criança. articulou-se num duplo movimento: de um lado. No início da década de 70 autores responsáveis pela mudança de rumo do ensino de arte nos Estados Unidos afirmavam que o desenvolvimento artístico é resultado de formas complexas de aprendizagem e que. o que não ocorria na escola tradicional. acompanhado pelo "imprescindível" conceito de criatividade. a investigação da natureza da arte como forma de conhecimento. principalmente para os alunos. cujo objetivo era precisar o fenômeno artístico como conteúdo curricular. a necessidade e a capacidade da expressão artística foi aos poucos sendo enquadrado em palavras de ordem.arte. Tal estrutura conceitual foi perdendo o sentido. Na entrada da década de 60. "Qual a função da arte na sociedade?". Segundo esses autores. Como em todos os momentos históricos. entre outras. Assim. o que redundou na banalização do "deixar fazer" — ou seja. presença obrigatória em qualquer planejamento. lançaram as bases para uma nova mudança de foco dentro do ensino de arte. a sensibilidade. sentimentos e imagens num objeto material. a crítica à livre expressão questionava a aprendizagem artística como conseqüência automática do processo de maturação da criança. sem nenhum tipo de intervenção. ou seja. fazendo". na própria produção artística. A reflexão que inaugurou uma nova tendência. o pensamento produzido por esses autores estava estreitamente vinculado às tendências do conhecimento da época. na pedagogia. Além disso. como por exemplo. independentemente de talentos especiais. Mas o princípio revolucionário que advogava a todos. muitos dos objetivos arrolados nos planejamentos dos professores de Arte poderiam também compor outras disciplinas do currículo. na estética. A ele não cabia ensinar nada e a arte adulta deveria ser mantida fora dos muros da escola. No entanto. O princípio da livre expressão enraizou-se e espalhou-se pelas escolas.

mostrando ao mesmo tempo uma visão utilitarista e imediatista da arte. Páscoa ou Independência. Música e Canto Orfeônico faziam parte dos programas das escolas primárias e secundárias. pedagógicos e estéticos. ou seja. ligados a padrões estéticos que variavam de linguagem para linguagem mas que tinham em comum. Na escola tradicional. A partir desse novo foco de atenção. As . O teatro era tratado com uma única finalidade: a da apresentação. Histórico do ensino de Arte no Brasil e perspectivas Ao recuperar. que consideram tanto os conteúdos a serem ensinados quanto os processos de aprendizagem dos alunos. quanto às políticas educacionais e os enfoques filosóficos. criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1961.As tendências que se manifestaram no ensino de arte a partir dessas perguntas geraram as condições para o estabelecimento de um quadro de referências conceituais solidamente fundamentado dentro do currículo escolar. Embora ambas se contraponham em proposições. todas as orientações e conhecimentos visavam uma aplicação imediata e a qualificação para o trabalho. Os professores trabalhavam com exercícios e modelos convencionais selecionados por eles em manuais e livros didáticos. conceitos e categorias. Em Música. Na primeira metade do século XX. projeto preparado pelo compositor Heitor Villa-Lobos. os hábitos de organização e precisão. focalizando a especificidade da área e definindo seus contornos com base nas características inerentes ao fenômeno artístico. entre as quais se ressaltaram as que investigam o modo de aprender dos artistas. desenvolveram-se muitas pesquisas. principalmente. a tendência tradicionalista teve seu representante máximo no Canto Orfeônico. métodos e entendimento dos papéis do professor e do aluno. pode-se observar a integração de diferentes orientações quanto às suas finalidades. A disciplina Desenho. eram de caráter folclórico. 1. Trabalhos Manuais. O ensino de arte era voltado essencialmente para o domínio técnico. que. o Canto Orfeônico foi substituído pela Educação Musical. apresentada sob a forma de Desenho Geométrico. as escolas brasileiras viveram outras experiências no âmbito do ensino e aprendizagem de arte. a história do ensino de Arte no Brasil. Desenho do Natural e Desenho Pedagógico. mais centrado na figura do professor. Entre outras questões. refletindo a época. à formação e atuação dos professores. Entre os anos 20 e 70. As escolas brasileiras têm manifestado a influência das tendências ocorridas ao longo da história do ensino de arte em outras partes do mundo. valorizavam-se principalmente as habilidades manuais. as disciplinas Desenho. ou nas festas de final de período escolar. princípios condizentes com o momento político de então. O ensino de arte é identificado pela visão humanista e filosófica que demarcou as tendências tradicionalista e escolanovista. centrado no respeito às suas necessidades e aspirações. valorizando suas formas de expressão e de compreensão do mundo. mas. vigorando efetivamente a partir de meados da década de 60. Esse projeto constitui referência importante por ter pretendido levar a linguagem musical de maneira consistente e sistemática a todo o país.3. o projeto Villa-Lobos esbarrou em dificuldades práticas na orientação de professores e acabou transformando a aula de música numa teoria musical baseada nos aspectos matemáticos e visuais do código musical com a memorização de peças orfeônicas. mesmo que brevemente. na década de 30. a reprodução de modelos. cívico e de exaltação. Essas tendências vigoraram desde o início do século e ainda hoje participam das escolhas pedagógicas e estéticas de professores de Arte. As atividades de teatro e dança somente eram reconhecidas quando faziam parte das festividades escolares na celebração de datas como Natal. sempre. fortemente sustentadas pela estética modernista e com base na tendência escolanovista. competia a ele "transmitir" aos alunos os códigos. concentrando o conhecimento na transmissão de padrões e modelos das culturas predominantes. O ensino de arte volta-se para o desenvolvimento natural da criança. era considerada mais por seu aspecto funcional do que uma experiência em arte. Depois de cerca de trinta anos de atividades em todo o Brasil. Tais trabalhos trouxeram dados importantes para as propostas pedagógicas. ficam evidentes as influências que exerceram nas ações escolares de Artes. os "dons artísticos". O Canto Orfeônico difundia idéias de coletividade e civismo. As crianças decoravam os textos e os movimentos cênicos eram marcados com rigor.

sonoridades. a expressão corporal e a socialização das crianças que são estimuladas a experimentar. composição. poesia. etc. de conservatórios. acompanhou-se uma abertura crescente para as novas expressões e o surgimento dos museus de arte moderna e contemporânea em todo o país. deslocando-se a ênfase para os processos de desenvolvimento do aluno e sua criação. durante os anos 70-80. do movimento e da percepção estética como fontes de conhecimento. A Educação Artística demonstrava. que o sistema educacional vigente estava enfrentando dificuldades de base na relação entre teoria e prática. de Nelson Rodrigues. existiam pouquíssimos cursos de formação de professores nesse campo. dançada. mas uma área bastante generosa e sem contornos fixos. As aulas de Desenho e Artes Plásticas assumem concepções de caráter mais expressivo. que deveriam ser incluídas no conjunto das atividades artísticas (Artes Plásticas. No entanto. através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Os professores da época estudam as novas teorias sobre o ensino de arte divulgadas no Brasil e no exterior. vive-se o crescimento de movimentos culturais. Utilizando jogos. que eram diretivas. técnicas. Até os anos 60. autonomia e descobertas. Mas o lugar da arte na hierarquia das disciplinas escolares corresponde a um desconhecimento do poder da imagem. como na popular. tanto na criação musical erudita. passando pelo momento de maior penetração da música nacional na cultura mundial. traça-se a linha poderosa que vem de Pixinguinha e Noel Rosa e chega hoje. Na área popular. No período que vai dos anos 20 aos dias de hoje. As atividades de artes plásticas mostram-se como espaço de invenção. buscando a espontaneidade e valorizando o crescimento ativo e progressivo do aluno. música. marcadamente reprodutivista da escola tradicional. Em artes plásticas. em sua concepção e desenrolar. e professores de quaisquer matérias ou pessoas com alguma habilidade na área (artistas e estudiosos de cursos de belas-artes. Em música. tratou-se dessa formação de maneira indefinida: ". ritmos. não é uma matéria. A introdução da Educação Artística no currículo escolar foi um avanço. Para agravar a situação. as quais favorecem o rompimento com a rigidez estética. introduz o teatro brasileiro na modernidade. passa a existir no ensino de música um outro enfoque. na qual estiveram envolvidos artistas de várias modalidades: artes plásticas. em 1922. principalmente se se considerar que houve um entendimento em relação à arte na formação dos indivíduos.práticas pedagógicas. quando a música pode ser sentida. Educação Musical.. Foi marcante para a caracterização de um pensamento modernista a "Semana de Arte Moderna de São Paulo". tocada. considerada mundialmente original e rica. menos ainda. improvisar e criar. com ênfase na repetição de modelos e no professor. rítmico. são redimensionadas. seguindo os ditames de um pensamento renovador. Artes Cênicas). a arte é incluída no currículo escolar com o título de Educação Artística. Contrapondo-se ao Canto Orfeônico. Com a Educação Musical.. além de cantada. ao movimentado intercâmbio internacional de músicos. Desenho Geométrico. o resultado dessa proposição foi contraditório e paradoxal. do som. . faixa de tempo concomitante àquela em que se assistiu a várias tentativas de trabalhar-se a arte também fora das escolas. Em 1971. Em fins dos anos 60 e na década de 70 nota-se uma tentativa de aproximação entre as manifestações artísticas ocorridas fora do espaço escolar e a que se ensina dentro dele: é a época dos festivais da canção e das novas experiências teatrais. Muitos professores não estavam habilitados e. quando as escolas promovem festivais de música e teatro com grande mobilização dos estudantes. rodas e brincadeiras buscava-se um desenvolvimento auditivo. dança. etc. mas é considerada "atividade educativa" e não disciplina. anunciando a modernidade e vanguardas.. Artes Plásticas e Música. flutuando ao sabor das tendências e dos interesses". o Brasil viveu um progresso excepcional. A encenação do "Vestido de Noiva" (1943). pois sugerem um caminho integrado à realidade artística brasileira. baseando-se principalmente na autoexpressão dos alunos. Esses momentos de aproximação — que já se anunciaram quando algumas idéias e a estética modernista influenciou o ensino de arte — são importantes. preparados para o domínio de várias linguagens.) poderiam assumir as disciplinas de Desenho. instrumentos de percussão. com a Bossa Nova. incorporaram-se nas escolas também os novos métodos que estavam sendo disseminados na Europa. etc.

As idéias e princípios que fundamentam a Arte-Educação multiplicam-se no país através de encontros e eventos promovidos por universidades. O movimento Arte-Educação permitiu que se ampliassem as discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor. inúmeros professores deixaram as suas áreas específicas de formação e estudos. mobilizando novas tendências curriculares em arte.Os professores de Educação Artística. os professores tentavam equacionar um elenco de objetivos inatingíveis. Desenho. Os professores passam a atuar em todas as áreas artísticas. ou mesmo bibliografias específicas. corporais. com o intuito de rever e propor novos andamentos à ação educativa em Arte. sem bases conceituais. configurando-se a formação do professor polivalente em Arte. parágrafo 2o). Pode-se dizer que nos anos 70. entidades públicas e particulares. nos diversos níveis da educação básica. Em 1988. Artes Cênicas e os recém-formados em Educação Artística viram-se responsabilizados por educar os alunos (em escolas de ensino médio) em todas as linguagens artísticas. as articulações entre elas e conhecer artistas. desenvolveu-se a crença de que bastavam propostas de atividades expressivas espontâneas para que os alunos conhecessem muito bem música. Trata-se de estudos sobre a educação . tinham como única alternativa seguir documentos oficiais (guias curriculares) e livros didáticos em geral. Dentre as várias propostas que estão sendo difundidas no Brasil na transição para o século XXI. com atividades múltiplas. no lugar destas. independentemente de sua formação e habilitação. dança. Desprestigiados. houve manifestações e protestos de inúmeros educadores contrários a uma das versões da referida lei que retirava a obrigatoriedade da área. Música. Artes Industriais. Com isso. Conhecer mais profundamente cada uma das modalidades artísticas. tanto da educação formal como da informal. isolados e inseguros. que reconhecia o seu isolamento junto à escola e a insuficiência de conhecimentos e competência na área. É com este cenário que se chegou ao final da década de 90. estão interferindo na melhoria do ensino e da aprendizagem de arte. destacam-se aquelas que têm se afirmado pela abrangência e por envolver ações que. que seria sancionada apenas em 20 de dezembro de 1996. inicialmente com a finalidade de conscientizar e organizar os profissionais. Vê-se que da conscientização profissional que predominou no início do movimento Arte-Educação evoluiu-se para discussões que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a aprendizagem de arte nas escolas. As próprias faculdades de Educação Artística. resultando na mobilização de grupos de professores de arte. respectivamente. iniciam-se as discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. envolvendo exercícios musicais. A tendência passou a ser a diminuição qualitativa dos saberes referentes às especificidades de cada uma das formas de arte e. sem conhecê-los bem e que eram justificados e divididos apenas pelas faixas etárias. sem dúvida. com a promulgação da Constituição. São características desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área com conteúdos próprios ligados à cultura artística e não apenas como atividade. que não explicitavam fundamentos. pensando no terceiro milênio. capacitados inicialmente em cursos de curta duração. cênicas. em seu ensino e aprendizagem foram mantidas as decisões curriculares oriundas do ideário do início a meados do século 20 (marcadamente tradicional e escolanovista). orientações teórico-metodológicas. Com a Lei no 9. entre os anos 70 e 80. tentando assimilar superficialmente as demais. etc. associações de arte-educadores. na ilusão de que as dominariam em seu conjunto. objetos artísticos e suas histórias não faziam parte de decisões curriculares que regiam a prática educativa em Arte nessa época A partir dos anos 80 constitui-se o movimento Arte-Educação. criadas especialmente para cobrir o mercado aberto pela lei. De maneira geral. do ponto de vista da arte.394/96. na aprendizagem reprodutiva e no fazer expressivo dos alunos. artes plásticas. os antigos professores de Artes Plásticas. revogam-se as disposições anteriores e Arte é considerada obrigatória na educação básica: "O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos" (artigo 26. com ênfase. Convictos da importância de acesso escolar dos alunos de ensino básico também à área de Arte. plásticos. oferecendo cursos eminentemente técnicos. não estavam instrumentadas para a formação mais sólida do professor.

o que se realiza nos eventos. mas aos quais a grande maioria não tem acesso. A arte como objeto de conhecimento O universo da arte caracteriza um tipo particular de conhecimento que o ser humano produz a partir das perguntas fundamentais que desde sempre se fez com relação ao seu lugar no mundo. A manifestação artística tem em comum com o conhecimento científico. que se renovam através dos tempos. "Calendário Indígena". Essencialmente. ou. não há material adequado para as aulas práticas. então. distinta da arte. munido apenas de sua própria iniciativa e pesquisa autodidata. buscando a significação da vida.) Tanto a ciência quanto a arte. impregnada nos ritos. assim. num constante processo de transformação do homem e da realidade circundante. (Figura 6: Maivá Ikpeng. para compreender seu lugar no universo. O que se observa. Em muitas escolas ainda se utiliza. juntamente com as relações sociais. que é dificultado pela fragilidade de sua formação. formam o conjunto de manifestações simbólicas de uma determinada cultura. A partir dessas constatações procurou-se formular princípios que orientem os professores na sua reflexão sobre a natureza do conhecimento artístico e na delimitação do espaço que a área de Arte pode ocupar no ensino fundamental. respondem a essa necessidade através da construção de objetos de conhecimento que. é produto recente da cultura ocidental. sua consciência de existir através de manifestações diversas. a partir de uma investigação do fenômeno artístico e de como se ensina e como se aprende arte. construindo o percurso da história humana. os professores não conseguem formular um quadro de referências conceituais e metodológicas para alicerçar sua ação pedagógica. os astros no céu. teatros e apresentações musicais ou de dança. é uma espécie de círculo vicioso no qual um sistema extremamente precário de formação reforça o espaço pouco definido da área com relação às outras disciplinas do currículo escolar.estética. Regido pela necessidade básica de ordenação. complementando a formação artística dos alunos. as diferentes plantas e animais. técnico ou filosófico seu caráter de criação e inovação. Instituto Socioambiental/MEC. p. o espírito humano cria. a estética do cotidiano. Ciência e arte são. Em outras. Sem uma consciência clara de sua função e sem uma fundamentação consistente de arte como área de conhecimento com conteúdos específicos. a inovação.5. por exemplo. as relações sociais. e o acesso dos professores a essa produção. Nas antigas sociedades tradicionais não havia essa distinção: a arte integrava a vida dos grupos humanos. em qualquer dessas formas de conhecimento. que visa as comemorações de datas cívicas e enfeitar o cotidiano escolar. 1966. continuamente. que tem um trajeto de constantes perguntas e formulações. ainda os professores estão ávidos por ensinar história da arte e levar os alunos a museus. A própria idéia de ciência como disciplina autônoma. Há outras tantas possibilidades em que o professor polivalente inventa maneiras originais de trabalhar. a apreciação da obra de arte e sua contextualização histórica. estrutura e organiza o mundo. pela pequena quantidade de livros editados sobre o assunto. produtos que expressam as representações imaginárias das distintas culturas. o ciclo das estações. o ato criador.4. congressos regionais. é resultante do acréscimo de novos elementos estruturais ou da modificação de outros. políticas e econômicas. Essa pluralidade de ações individuais representa experiências isoladas que têm pouca oportunidade de troca. Ressalta-se ainda o encaminhamento pedagógico-artístico que tem por premissa básica a integração do fazer artístico. . 1. trabalha-se apenas com a auto-expressão. nem material didático de qualidade para dar suporte às aulas teóricas. Geografia Indígena. sem falar nas inúmeras visões preconcebidas que reduzem a atividade artística na escola a um verniz de superfície. 1. políticas e econômicas. Teoria e prática em Arte nas escolas brasileiras A questão central do ensino de arte no Brasil diz respeito a um enorme descompasso entre a produção teórica. onde cada vez mais professores se reúnem. sistemas filosóficos e éticos. O ser humano sempre organizou e classificou os fenômenos da natureza. hora da saída). o desenho mimeografado com formas estereotipadas para as crianças colorirem ou se apresentam "musiquinhas" indicando ações para a rotina escolar (hora do lanche. 53. O produto da ação criadora. respondendo aos desafios que dele emanam.

gerando uma concepção falaciosa. no qual conhecer é também maravilhar-se. sociais e tecno-científicas que anunciam o ser humano do século XXI. um músico passeava a pé depois do almoço. esse caráter de "iluminação súbita" é comum à arte e à ciência. disse. integrando-as numa nova compreensão do ser humano. Os dinamismos do homem que apreende a realidade de forma poética e os do homem que a pensa cientificamente são vias peculiares e irredutíveis de acesso ao conhecimento. no início da década de trinta. Na verdade. a relação entre arte e ciência apresenta-se de diferentes maneiras. nem arte sem conhecimento. do início do mundo ocidental até os dias de hoje. precisando a distinção entre elas e. O próprio conceito de verdade científica cria mobilidade. o vôo do pássaro (experiência humana universal) retrata a figura do retirante (experiência particular de algumas regiões). trabalhar duro. Artistas e cientistas relatam ocorrências semelhantes. serão apresentadas algumas características do fenômeno artístico. o ponto culminante da ação criadora. investigando possibilidades. torna-se verdade provisória. pura sensibilidade. ao mesmo tempo. arriscar hipóteses ousadas. . sacerdotes. nunca foi possível existir ciência sem imaginação. Tanto uma como a outra são ações criadoras na construção do devir humano. esforçar-se e alegrar-se com descobertas. Nos séculos que se sucederam ao Renascimento. O conhecimento artístico como produção e fruição • A obra de arte situa-se no ponto de encontro entre o particular e o universal da experiência humana. fazendo parte de um modo mítico de compreensão da realidade. tanto o matemático quanto o músico estiveram durante um longo tempo anterior maturando questões. Parece que há muito mais coisas em comum entre estas duas formas de conhecimento do que sonha nossa vã filosofia. Para um cientista. "Até mesmo asa branca/ Bateu asas do sertão/ Então eu disse adeus Rosinha/ Guarda contigo meu coração. vindo à tona independente de sua vontade quer seja naquele ou noutro momento. ao mesmo tempo. mas nem tanto. que a solução de um problema matemático é um verdadeiro poema de beleza e simplicidade. Nova. Da mesma forma. Mesmo na cultura moderna. para um artista plástico. para fazer frente às transformações políticas. brincar com o desconhecido. arte e ciência eram cada vez mais consideradas como áreas de conhecimento totalmente diferentes. Com o objetivo de relacionar a arte com a formação dos alunos do ensino fundamental. Malba Tahan. Esta discussão interessa particularmente ao campo da educação. o que muito aproxima estruturalmente os produtos da ciência e da arte. mas sendo posterior a um imprescindível período de trabalho árduo sobre o assunto. que favoreça a integração entre a aprendizagem racional e estética dos alunos. em geral. mas. a famosa "Eureka!": o instante súbito do "Achei!" pode ocorrer para o matemático na resolução repentina de um problema.1. a partir de um processo contínuo de levantamento de dados. só precisou sentar depois para escrevê-la." (Luís Gonzaga e Humberto Teixeira) No exemplo da canção "Asa Branca". as relações entre a luz e as formas são "problemas a serem resolvidos plasticamente". poderá contribuir para o exercício conjunto complementar da razão e do sonho. que manifesta uma necessidade urgente de formular novos paradigmas que evitem a oposição entre arte e ciência. divertir-se. segundo a qual a ciência seria produto do pensamento racional e a arte. como algo que se revela à consciência do criador. Há uma tendência cada vez mais acentuada nas investigações contemporâneas no sentido de dimensionar a complementaridade entre arte e ciência. num momento em que ele não esteja pensando no assunto. É claro que nos dois casos. quando lhe veio uma sinfonia inteira na cabeça. Parece que. Existem muitas obras sobre o fenômeno da criatividade que citam exemplos de pessoas que escreveram a respeito do próprio processo criador. tornando possível a sistematização de certas invariantes. a ciência era exercida por curandeiros. uma fórmula pode ser "bela".5. como por exemplo. 1. um dos mais importantes educadores brasileiros no campo da matemática. Apenas um ensino criador. são dois aspectos da unidade psíquica.cerimônias e objetos de uso cotidiano.

• O que distingue essencialmente a criação artística das outras modalidades de conhecimento humano é a qualidade de comunicação entre os seres humanos que a obra de arte propicia. Não é um discurso linear sobre objetos. intraduzíveis. O artista faz com que dois e dois possam ser cinco. A forma artística é antes uma combinação de imagens que são objetos. feita por um grupo de alunos. ao mesmo tempo que lhe propicia conferir a este "Oh!" suas próprias significações. de um modo completamente diferente. Assim como cada frase ganha sentido no conjunto do texto. realizando o todo da forma literária. SP. A expressão "foi de Oh!" é uma síntese poética que ganha sentido para o leitor dentro do conjunto do texto e contém tudo o que é relatado a seguir. intensidade e ritmo. susto. nem mais correta do que outra qualquer. O artista desafia as coisas como são. como imagem poética. . descrevendo e relatando o acontecimento. do artista ou do espectador com aquela obra particular. maravilha. diferentes para cada modalidade artística. "Tudo certo como dois e dois são cinco. uma obra de arte não é mais avançada. personagens. A arte não representa ou reflete a realidade. idéias e sentimentos. O conhecimento artístico não tem como objetivo compreender e definir leis gerais que expliquem porque as coisas são como são. É um texto poético que se inicia com a seguinte frase: "Aquilo em nosso teatrinho foi de Oh!". como no texto literário ou teatral). corporais. No conto "Pirlimpsiquice". Museu de Arte Contemporânea MAC/USP. altura. cores e texturas. Nessa frase. fatos. mais evoluída. ritmo e composição. idéias e sentimentos. na forma da dança. desenho no espaço. timbre. num instante particular. mas por uma lógica intrínseca ao domínio do imaginário. além da realidade de fatos e relações habitualmente conhecidos. musical.Cada obra de arte é. um produto cultural de uma determinada época e uma criação singular da imaginação humana. e movimento. • A obra de arte revela para o artista e para o espectador uma possibilidade de existência e comunicação. questões. medo e muitas outras coisas para cada leitor. formas. segundo um certo modo de significar o mundo que lhe é próprio. Essa expressão quer dizer o quê? Espanto. ela é realidade percebida de um outro ponto de vista. na forma teatral. na forma plástica. na forma musical. dramático ou de movimento tem seu lugar e se relaciona com os demais daquela forma artística específica. questões. a matéria pode informar sobre uma peça teatral de fim de ano ocorrida na escola X. criando um tipo diferenciado de comunicação entre as pessoas. uma árvore possa ser azul. por uma utilização particular das formas de linguagem. como por exemplo: linhas." (Caetano Veloso) As formas artísticas apresentam uma síntese subjetiva de significações construídas através de imagens poéticas (visuais. O que importa é que. fatos. 1923. texto e cenário. "A Negra". O produto criado pelo artista propicia um tipo de comunicação no qual inúmeras formas de significações se condensam através da combinação de determinados elementos. cujo valor é universal. em vez de descrever minuciosamente o que foi a experiência. (Figura 3: Tarsila do Amaral. ou de conjuntos de palavras. espaço. ao mesmo tempo. embevecimento. o texto não dá apenas uma informação ao leitor. sonoras.) Por isso. O conhecimento artístico se realiza em momentos singulares. O que seria essa utilização particular das formas da linguagem? Num texto jornalístico. uma tartaruga possa voar. ordenados não pelas leis da lógica objetiva. cada elemento visual. para revelar como poderiam ser. Guimarães Rosa condensa toda essa experiência numa única frase síntese que. é um modo particular de utilização das possibilidades da linguagem. A corporificação de idéias e sentimentos do artista numa forma apreensível pelos sentidos caracteriza a obra artística como produto da criação humana. Seu objetivo é informar o leitor sobre o fato. Guimarães Rosa também fala de um acontecimento semelhante. mas concretiza uma multiplicidade de significações relativas à experiência de um grupo de alunos que fizeram uma peça de final de ano num colégio de padres.

a significação é o produto revelado quando ocorre a relação entre as imagens da obra de Picasso e os dados de sua experiência pessoal. Madri. a partir da percepção das qualidades de linhas. cores. movimentos. mediado pela percepção estética da obra de arte. Nessa apreciação estética importa não apenas o exercício da habilidade intelectiva mas. na obra. A significação não está. densidade e cor contidas nas imagens de nuvens e fiapos de sorvete de coco. de pura poesia. de Picasso. de propaganda ideológica. luz. a obra de arte ganha significado na fruição de cada espectador. O motor que organiza esse conjunto é a sensibilidade: a emoção (emovere quer dizer o que se move) desencadeia o dinamismo criador do artista. Van Gogh disse: "Quero pintar em verde e vermelho as paixões humanas". resultantes da experiência de apreciação de cada um. a experiência que essa pessoa tem ou não de observar nuvens. • A personalidade do artista é ingrediente que se transforma em gesto criador. o movimento que desencadeia novas combinações significativas entre as suas imagens internas em contato com as imagens da obra de arte. No processo de conhecimento artístico. da sensibilidade e da imaginação. de descoberta de padrões formais. mas na interação complexa de natureza primordialmente imaginativa entre a obra e o espectador. independe e vai além das intenções do artista. na realidade. de saber ou não o que é uma metáfora fazem ressoar as imagens do texto nas suas próprias imagens internas e permitem que crie a significação particular que o texto lhe revela. mas se juntaram numa frase poética pela ação criadora do artista. (Figura 4: Picasso. Mas a obra de arte não é resultante apenas da sensibilidade do artista. do qual faz parte a apreciação estética. de gostar ou não de sorvete de coco. habilidades de percepção.• A forma artística fala por si mesma. . ao mesmo tempo. A "Guernica". estavam separados. intuição. Os dados da sensibilidade se convertem em matéria expressiva de tal maneira que configuram o próprio conteúdo da obra de arte: aquilo que é percebido através dos sentidos se transforma em uma construção feita de relações formais através da criação artística. de formulação crítica. Na produção e apreciação da arte estão presentes habilidades de relacionar e solucionar questões propostas pela organização dos elementos que compõem as formas artísticas: conhecer arte envolve o exercício conjunto do pensamento. Seja na forma de alegoria. O processo de conhecimento advém de relações significativas. reuniu elementos que. Mas é inicialmente pelo canal da sensibilidade que se estabelece o contato entre a pessoa do artista e a do espectador. uma maneira especial de utilização da linguagem. "Guernica".) A forma artística pode significar coisas diferentes. criou uma forma artística na qual a metáfora. por exemplo. principalmente. assim como a emoção estética do espectador não lhe vem unicamente do sentimento que a obra suscita nele. que o leitor seja capaz de se deixar tocar sensivelmente para poder perceber. o canal privilegiado de compreensão é a qualidade da experiência sensível da percepção. • A percepção estética é a chave da comunicação artística. raciocínio e imaginação atuam tanto no artista quanto no espectador. contém a idéia do repúdio aos horrores da guerra. Diante de uma obra de arte. dentro dele. Museu Rainha Sofia. • A imaginação criadora transforma a existência humana através da pergunta que dá sentido à aventura de conhecer: "Já pensou se fosse possível?". textura. fazendo parte da substância mesma da obra. Uma pessoa que não conheça as intenções conscientes de Picasso. 1937. pode ver a "Guernica" e sentir um impacto significativo. texturas. Quando Guimarães Rosa escreveu: "Nuvens. portanto. A emoção que provoca o impacto no apreciador faz ressoar. sons. as qualidades de peso. da intuição. etc. fiapos de sorvete de coco".

No caso do conhecimento artístico. lá cumo quem diz a ferro e fogo. gerado pela necessidade de investigar o campo artístico como atividade humana. Por daí um poco viola tá chorano cumo gente. o universo da arte contém também um outro tipo de conhecimento." A imaginação criadora permite ao ser humano conceber situações. pois é o que permite exercitar inúmeras composições entre imagens. idéias e sentimentos que realizam-se como imagens internas. Passa os dedo nas corda. — Mas isto é um absurdo — disse o prefeito.5. visualizar situações que não existem. Bombeia o bordão. A gente. 1. a partir da manipulação da linguagem. meu patrão. A flexibilidade é o atributo característico da atividade imaginativa. para investigar possibilidades e não apenas reproduzir relações conhecidas. Quem num arranja de bons modo. Tal conhecimento delimita o fenômeno artístico: • como produto das culturas. Entesa as tripa do meio: ipa! Não vai rebentá. cumo quem corre a mão na crina de burro chocro. Destroce. a gente num deve de levá os negoço de arranco. decede os negoço cumo quem tá temperano viola. "Oi." A qualidade imaginativa é um elemento indispensável na apreensão dos conteúdos. Corda munto esticada rebenta. mas que podem vir a existir. torna a experimentá. abre o acesso a possibilidades que estão além da experiência imediata. sorta um espiricado e cumeça a ponteá."O mestre Nasrudin estava sentado à beira de um lago muito grande. É essa capacidade de formar imagens que torna possível a evolução do homem e o desenvolvimento da criança. Magina ancê se o violero de um arranco apertasse as cravera numa vezada. Aperta elas leve leve. Puxa pras cavera de devagá. O conhecimento artístico como reflexão Além do conhecimento artístico como experiência estética direta da obra de arte. de cum força é que num vai. Perguntou-lhe o que fazia e o outro respondeu: — Estou fazendo iogurte. água não vira iogurte. Tempera a prima na afinação. A faculdade imaginativa está na raiz de qualquer processo de conhecimento. Num ficava uma corda só. meu patrão. — É impossível fazer iogurte dessa maneira. Ancê já viu cumo é que se tempera viola? Pois arrepare. o domínio do imaginário é o lugar privilegiado de sua atuação: é no terreno das imagens que a arte realiza sua força comunicativa.2. possibilitando que a aprendizagem se realize através de estratégias pessoais de cada aluno. A emoção é movimento. fatos. experimenta. Era um desastre dos diabo. artístico ou técnico. seja científico. O prefeito da cidade passava por ali naquele momento e viu quando Nasrudin jogou um pouco de iogurte nas águas e começou a mexê-las com uma vareta. — Já pensou se fosse possível? — respondeu Nasrudin. a imaginação dá forma e densidade à experiência de perceber. . Caboclo pega da viola cum jeito. criando imagens internas que se combinam para representar essa experiência. sentir e pensar.

situa-se a área de Arte dentro dos Parâmetros Curriculares Nacionais como um tipo de conhecimento que envolve tanto a experiência de apropriação de produtos artísticos (que incluem as obras originais e as produções relativas à arte. vídeos. o objeto artístico como produção cultural (documento do imaginário humano. a história da arte e os elementos e princípios formais que constituem a produção artística. É função da escola instrumentar os alunos na compreensão que podem ter dessas questões. a experiência de fruir formas artísticas. Além disso. que visam a criação de significações. entende-se que aprender arte envolve não apenas uma atividade de produção artística pelos alunos. curiosidade e flexibilidade. tais como textos. a experiência de refletir sobre a arte como objeto de conhecimento. tanto de artistas quanto dos próprios alunos. através do desenvolvimento da percepção estética. habilidades. o fazer artístico como experiência de interação (celebração e simbolização de histórias grupais). entre outros) quanto o desenvolvimento da competência de configurar significações através da realização de formas artísticas. para que sua produção artística ganhe sentido e possa se enriquecer também pela reflexão sobre a arte como objeto de conhecimento. mas também a conquista da significação do que fazem. Através do convívio com o universo da arte. desenvolvem potencialidades (como percepção. Em síntese o conhecimento da arte envolve: • a experiência de fazer formas artísticas e tudo que entra em jogo nessa ação criadora: recursos pessoais. como estrutura formal na qual podem ser identificados os elementos que compõem os trabalhos artísticos e os princípios que regem sua combinação. alimentada pelo contato com o fenômeno artístico visto como objeto de cultura através da história e como conjunto organizado de relações formais. imaginação e sensibilidade) que podem alicerçar a consciência do seu lugar no mundo e que também contribuem inegavelmente para sua apreensão significativa dos conteúdos das outras disciplinas do currículo. em cada nível de desenvolvimento. a relação entre perceber. É importante que os alunos compreendam o sentido do fazer artístico. uma conversa em que as formas signifiquem coisas diferentes para cada pessoa. utilizando informações e qualidades perceptivas e imaginativas para estabelecer um contato. onde importam dados sobre a cultura em que o trabalho artístico foi realizado. A aprendizagem artística envolve. reproduções. a partir desse quadro de referências. que suas experiências de desenhar. intuição. cantar. imaginar e realizar um trabalho de arte. dançar ou dramatizar não são atividades que visam distraí-los da "seriedade" das outras disciplinas. reflexão. o fazer artístico como desenvolvimento de potencialidades: percepção. sua historicidade e sua diversidade). pesquisa de materiais e técnicas. os alunos podem conhecer: • • • • • o fazer artístico como experiência poética (a técnica e o fazer como articulação de significados e experimentação de materiais e suportes variados). portanto. Ou seja. um conjunto de diferentes tipos de conhecimentos. • • Assim. sensibilidade. exercitando fundamentalmente a . gravações.• • como parte da história. Ao fazer e conhecer arte o aluno percorre trajetos de aprendizagem que propiciam conhecimentos específicos sobre sua relação com o mundo. o objeto artístico como forma (sua estrutura ou leis internas de formatividade). observação. imaginação.

aprender com sentido e prazer está associado à compreensão mais clara daquilo que é ensinado. estabelece um contato com o índio que pode revelar mais sobre o valor e a extensão de seu universo do que uma explanação sobre a função do rito nas comunidades indígenas. Cabe ao professor escolher os modos e recursos didáticos adequados para apresentar as informações. garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias. E vice-versa. porque é nesse momento de seu desenvolvimento que eles tendem a se aproximar mais das questões do universo do . ao mesmo tempo. então. Tais orientações favorecem o emergir de formulações pessoais de idéias. apresentações) e com o seu próprio percurso de criador. Fazer arte e pensar sobre o trabalho artístico que realiza. não isolar a escola da informação sobre a produção histórica e social da arte e. Progressivamente e através de trabalhos contínuos essas formulações tendem a se aproximar de modos mais elaborados de fazer e pensar sobre arte. tal como se revelam no ponto de encontro entre o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os tempos. alimentado pelas interações significativas que o aluno realiza com aqueles que trazem informações pertinentes para o processo de aprendizagem (outros alunos. Introduzir o aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental às origens do teatro ou aos textos de dramaturgia através de histórias narradas pode despertar maior interesse e curiosidade sem perder a integridade dos conteúdos e fatos históricos. precisa ser convidado a exercitar-se nas práticas de aprender a ver. tocar e refletir sobre elas. quanto universais. Arte no ensino fundamental 2. 2. ou seja. brasileiro. mostras. tal como se mostram na criação de uma arte brasileira. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e prazerosos que se apresentam durante a atividade artística. É papel da escola incluir as informações sobre a arte produzida nos âmbitos regional. num plano que vai além do discurso verbal: uma criança da cidade. Em outras palavras. assim como sobre a arte que é e foi concretizada na história. ao observar uma dança indígena. compreendendo criticamente também aquelas produzidas pelas mídias para democratizar o conhecimento e ampliar as possibilidades de participação social do aluno. Ensinar arte em consonância com os modos de aprendizagem do aluno. observando sempre a necessidade de introduzir formas artísticas porque ensinar arte com arte é o caminho mais eficaz. contemplando os aspectos expressivos e construtivos. trabalhos dos colegas. O ensino fundamental configura-se como um momento escolar especial na vida dos alunos. encarar a arte como produção de significações que se transformam no tempo e no espaço permite contextualizar a época em que se vive na sua relação com as demais. especialistas). mas devem ser ensinados através de situações e/ou propostas que alcancem os modos de aprender do aluno e garantam a participação de cada um dentro da sala de aula. teorias e formas artísticas. a canção e a imagem trarão mais conhecimentos ao aluno e serão mais eficazes como portadores de informação e sentido. O aluno.constante possibilidade de transformação do ser humano. é o foco central da orientação e planejamento da escola. com fontes de informação (obras. artistas. nacional e internacional. em situações de aprendizagem. Assim. Para tanto. A arte é um modo privilegiado de conhecimento e aproximação entre indivíduos de culturas distintas. hipóteses. podem garantir ao aluno uma situação de aprendizagem conectada com os valores e os modos de produção artística nos meios socioculturais. reproduções. pois favorece o reconhecimento de semelhanças e diferenças expressas nos produtos artísticos e concepções estéticas. significa. que conhece suas características tanto particulares. Ressalta-se que o percurso criador do aluno. professores. Ela situa o fazer artístico como fato e necessidade de humanizar o homem histórico. Além disso. atuar.1. Nessa perspectiva. acervos. a área de Arte tem uma função importante a cumprir. observar. que sempre inauguram formas de tornar presente o inexplicável. o texto literário. Aprender e ensinar Arte Aprender arte é desenvolver progressivamente um percurso de criação pessoal cultivado. ouvir. os conteúdos da arte não podem ser banalizados.

é no final desse período que o aluno. melódicas. proporcionando ao aluno oportunidade de realizar suas próprias escolhas para concretizar projetos pessoais e grupais. Tal conjunto de considerações sobre os modos de aprender e ensinar arte possibilitam uma revisão das teorias sobre a arte da criança e do adolescente.adulto e tentam compreendê-las dentro de suas possibilidades. Tal desejo de domínio está correlacionado à nova percepção de que pode assimilar para si formas artísticas elaboradas por pessoas ou grupos sociais. No que se refere à arte. Embora o jovem tenha sempre grande interesse por aprender a fazer formas presentes no entorno. danças. de uma técnica. o aluno pode tornar-se consciente da existência de uma produção social concreta e observar que essa produção tem história. ou de um contato com a natureza e assim por diante. sem perder seu modo de articular tais informações ou sua originalidade. atualizando referências e desenvolvendo sua própria história. de algo que viveu ou aprendeu. Também cabe à escola orientar seu trabalho com o objetivo de preservar e impulsionar a dinâmica do desenvolvimento e da aprendizagem. pelo fato de se perceber como parte constitutiva desta. A ação artística também costuma envolver criação grupal: nesse momento a arte contribui para o fortalecimento do conceito de grupo como socializador e criador de um universo imaginário. Ficam curiosos sobre temas como a dinâmica das relações sociais. dominará códigos construídos socialmente em arte. Cabe também ao professor tanto alimentar os alunos com informações e procedimentos de artes que podem e querem dominar quanto saber orientar e preservar o desenvolvimento do trabalho pessoal. construções e leis que reconhece na dinâmica social da comunidade à qual pertence. O aspecto lúdico dessa atividade é fundamental. desenvolvendo práticas de representação através de um processo de dedicação contínua. preservando a autonomia do aluno e favorecendo o contato sistemático com os conteúdos. a criança desenvolve atividades rítmicas. Entretanto. com marca . O aluno fica exigente e muito crítico em relação à própria produção. que observa que sua participação nas atividades do cotidiano social estão envoltas nas regularidades. inventa histórias. A arte torna presente o grupo para si mesmo. acordos. fantasia-se de adulto. Essa caracterização do aluno tem levado à crença de que nesse período a criança é menos espontânea e menos criativa nas atividades artísticas que no período anterior à escolaridade. O aluno pode observar ainda que os trabalhos artísticos envolvem a aquisição de códigos e habilidades que passa a querer dominar para incorporar em seus trabalhos. O aluno pode e quer criar suas próprias imagens partindo de uma experiência pessoal particular. às do círculo de produção social ao qual tem acesso. fora e dentro da escola. da escolha de um tema. que não pode se perder. tais interesses não podem ser confundidos com submissão aos padrões adultos de arte. as relações de trabalho. ao trilhar um caminho de trabalho artístico pessoal. produz desenhos. Assim sendo. por situações que antes favorecem a reprodução mecânica de valores impostos pela cultura de massas em detrimento da experiência imaginativa. A vivência integral desse momento autorizará o jovem a estruturar trabalhos próprios. A qualidade da ação pedagógica que considera tanto as competências relativas à percepção estética quanto aquelas envolvidas no fazer artístico pode contribuir para o fortalecimento da consciência criadora do aluno. mantém o desenvolvimento de seu percurso de criação individual. justamente porque nesse momento de seu desenvolvimento já pode compará-la. O aluno de primeira a quarta séries do ensino fundamental busca se aproximar da produção cultural de arte. através de suas representações imaginárias. A aprendizagem em arte acompanha o processo de desenvolvimento geral da criança e do jovem desse período. Mas esse lugar da atividade lúdica no início da infância é cada vez mais substituído. como e por quem as coisas são produzidas. temas e atividades que melhor garantirão seu progresso e integração como estudante. Esse procedimento diminui a defasagem entre o que o aluno projeta e o que quer alcançar. Quando brinca. ou de uma influência. de modo mais sistemático.

compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas. promovendo o respeito e o reconhecimento dessas distinções. essa vivência propiciará criar poéticas próprias. pode despertar no aluno o interesse por valores diferentes dos seus. A área deve ser incorporada com objetivos amplos que atendam às características das aprendizagens. concretizadas com intencionalidade. nas ladainhas entoadas por tapeceiras tradicionais. Teatro). Teatro). na dança de rua executada por meninos e meninas. a arte nem sempre se apresenta no cotidiano como obra de arte. o aluno poderá desenvolver sua competência estética e artística nas diversas modalidades da área de Arte (Artes Visuais. respeitando a própria produção e a dos colegas. Esses objetivos devem assegurar a aprendizagem do aluno nos planos perceptivo.individual. assim como as demais do patrimônio cultural e do universo natural. No período posterior. a emoção. o ensino de Arte deverá organizar-se de modo que. Dança.2. • • • . A formação em arte. interagir com materiais. Com relação aos conteúdos. Música. a imaginação. nos jardins. por suas crenças. valorizar e julgar os bens artísticos de distintos povos e culturas produzidos ao longo da história e na contemporaneidade. Além disso. combinando o fazer artístico ao conhecimento e à reflexão em arte. Nesse sentido. possibilitando ao aluno reconhecer em si e valorizar no outro a capacidade artística de manifestar-se na diversidade. O ensino de Arte é área de conhecimento com conteúdos específicos e deve ser consolidada como parte constitutiva dos currículos escolares. Dança. 2. Música. inaugurando proposições poéticas autônomas que assimilam influências e transformam o trabalho que desenvolvem dentro do seu percurso de criação nas diversas formas da arte. imaginativo e produtivo. progressivamente. O fenômeno artístico está presente em diferentes manifestações que compõem os acervos da cultura popular. etc. Mas pode ser observada na forma dos objetos. a trabalhar com os produtos da comunidade na qual a escola está inserida e também que se introduza informações da produção social a partir de critérios de seleção adequados à participação do estudante na sociedade como cidadão informado. Objetivos gerais do ensino de Arte No transcorrer do ensino fundamental. edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético. identificando a existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos. na vestimenta. instrumentos e procedimentos variados em artes (Artes Visuais. O incentivo à curiosidade pela manifestação artística de diferentes culturas. ressalta-se assim a pertinência intrínseca de cada grupo e de seu conjunto de valores. articulando a percepção. deve favorecer a valorização dos povos através do reconhecimento de semelhanças e contrastes. portanto. a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas. apreciar. tanto para produzir trabalhos pessoais e grupais quanto para que possa. capacitação dos professores para orientar a formação do aluno. experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais. usos e costumes. orienta-se o ensino da área de modo a acolher a diversidade do repertório cultural que a criança traz para a escola. requerendo. o que pode abrir o leque das múltiplas escolhas que o jovem terá que realizar ao longo de seu crescimento. no arranjo de vitrines. qualidades e especificidades. desfrutar. erudita. no percurso de criação que abriga uma multiplicidade de procedimentos e soluções. ao final do ensino fundamental. os alunos sejam capazes de: • expressar e saber comunicar-se em artes mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva. conhecendo respeitando e podendo observar as produções presentes no entorno. que inclui o conhecimento do que é e foi produzido em diferentes comunidades. na música dos puxadores de rede. de quinta a oitava séries. na consolidação de sua identidade. modernos meios de comunicação e novas tecnologias. nos pregões de vendedores.

tenha oportunidade de vivenciar o maior número de formas de arte. seja no contato com obras de arte e com outras formas presentes nas culturas ou na natureza. O conjunto de conteúdos está articulado dentro do contexto de ensino e aprendizagem em três eixos norteadores: a produção. no conjunto. reconhecendo. ao mesmo tempo que mantêm seus espaços próprios. procuram promover a formação artística e estética do aprendiz e a sua participação na sociedade. cinematecas). vídeos. mas são oferecidas condições para que as diversas equipes possam definir em suas escolas os projetos curriculares (ver em Orientações Didáticas deste documento a questão da organização do espaço e do tempo de trabalho). fonotecas.3. nas escolas e nas comunidades onde elas estão inseridas. com ênfase na formação cultivada do cidadão. aspectos do processo percorrido pelo artista. considerando a realidade concreta das escolas. entretanto. O estudo. buscando igualdade de participação e compreensão sobre a produção nacional e internacional de arte. ressaltam-se alguns aspectos fundamentais para os projetos a serem desenvolvidos. diapositivos. A produção refere-se ao fazer artístico e ao conjunto de questões a ele relacionadas. documentos. bibliotecas. portanto. Sabe-se que. A seleção e a ordenação de conteúdos gerais de Arte têm como pressupostos a clarificação de alguns critérios. reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias. Não estão definidas aqui as modalidades artísticas a serem trabalhadas a cada ciclo. revistas. ao longo da escolaridade. exercitando a discussão. cartazes) e acervos públicos (museus. indagando. Tal ação contempla a fruição da produção dos alunos e da produção histórico-social em sua diversidade. Tal aprendizagem diz respeito à possibilidade de os alunos desenvolverem um processo contínuo e cada vez mais complexo no domínio do conhecimento artístico e estético. a fruição e a reflexão. no âmbito do fazer do aluno e dos produtores sociais de arte. buscar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas. seja no exercício do seu próprio processo criador. compreender e saber identificar aspectos da função e dos resultados do trabalho do artista. A reflexão refere-se à construção de conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal e dos colegas e sobre a arte como produto da história e da multiplicidade das culturas humanas. Música. há uma diversidade de recursos humanos e materiais disponíveis. argumentando e apreciando arte de modo sensível. • • 2. galerias. A fruição refere-se à apreciação significativa de arte e do universo a ela relacionado. em conformidade com o desenho curricular de sua equipe. Critérios para a seleção de conteúdos . jornais.1. os conteúdos da área de Arte devem estar relacionados de tal maneira que possam sedimentar a aprendizagem artística dos alunos do ensino fundamental. 2. Os três eixos estão articulados na prática. isso precisa ocorrer de modo que cada modalidade artística possa ser desenvolvida e aprofundada.• observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade. ilustrações. Conteúdos Os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam o ensino e a aprendizagem de conteúdos que colaboram para a formação do cidadão. acervos nos espaços da escola e fora dela (livros. segundo decisão do professor. É desejável que o aluno. Partindo dessas premissas. a análise e a apreciação das formas podem contribuir tanto para o processo pessoal de criação dos alunos como também para o conhecimento progressivo e significativo da função que a arte desempenha nas culturas humanas. Teatro e Dança e.3. em sua própria experiência de aprendiz. Os conteúdos poderão ser trabalhados em qualquer ordem. que também encaminham a elaboração dos conteúdos de Artes Visuais. através das formas artísticas. videotecas. discos. centros de cultura.

Tendo em conta os três eixos como articuladores do processo de ensino e aprendizagem acredita-se que. escultura. técnicas. O mundo atual caracteriza-se por uma utilização da visualidade em quantidades inigualáveis na história.3.3. produtores em arte: vidas.3. diversidade das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional. considerando. manifestações artísticas de povos e culturas de diferentes épocas. para a seleção e a ordenação dos conteúdos gerais de Artes Visuais. • 2. considerando os produtores em arte. Tendo em vista não haver definições para a presença das diversas formas artísticas no currículo e o professor das séries iniciais não ter vivenciado uma formação mais acurada nesta área.2. 2. a arte na sociedade. Conteúdos das formas de arte para primeiro e segundo ciclos Os conteúdos aqui relacionados estão descritos separadamente para garantir presença e profundidade das formas artísticas nos projetos educacionais. criando um universo de exposição múltipla para os seres humanos. optou-se por uma proposição de conteúdos sem diferenciações por ciclos escolares. os conteúdos gerais do ensino fundamental em Arte são: • • • • • a arte como expressão e comunicação dos indivíduos. artefato. computação. Dança. No entanto. Teatro e Dança por ciclo. 2.3. Artes Visuais As artes visuais. o que gera a necessidade de uma educação para saber perceber e distinguir sentimentos. é preciso variar as formas artísticas propostas ao longo da escolaridade. materiais e procedimentos na criação em arte. vídeo. o primeiro relativo a cada modalidade artística e o segundo relativo a normas. incluindo a contemporaneidade. comum a todas. é preciso considerar os seguintes critérios: • • conteúdos compatíveis com as possibilidades de aprendizagem do aluno. além das formas tradicionais (pintura. preservação e divulgação em diferentes culturas e momentos históricos. Cada uma dessas visualidades é utilizada de modo particular e em várias possibilidades de combinações entre imagens. idéias e qualidades. especificidades do conhecimento e da ação artística. ao longo dos ciclos de escolaridade. quando serão trabalhadas Artes Visuais. Nas modalidades artísticas específicas buscou-se explicitar. artes gráficas. nacional e internacional: produções. Música ou Teatro (ver em Orientações Didáticas a organização do tempo e do espaço dos trabalhos). incluem outras modalidades que resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas a partir da modernidade (fotografia. desenho industrial). seguindo os critérios para seleção e ordenação dos conteúdos circunscritos neste documento. desenho. o professor poderá reconhecer as possibilidades de interseção entre elas para o seu trabalho em sala de aula. arquitetura. Por isso o estudo das visualidades pode ser integrado nos projetos educacionais. performance). A critério das escolas e respectivos professores.1. elementos básicos das formas artísticas. Conteúdos gerais de Arte Os conteúdos gerais de Arte estão propostos para serem trabalhados de primeira a oitava séries. Tal aprendizagem pode favorecer . Assim. reproduções e suas histórias. para maior clareza do trabalho pedagógico de arte. Os conteúdos de primeira a quarta séries serão definidos nas modalidades artísticas específicas. gravura. sensações. os conteúdos em dois grupos. épocas e produtos em conexões. valores e atitudes. televisão. valorização do ensino de conteúdos básicos de arte necessários à formação do cidadão. por intermédio das quais os alunos podem expressar-se e comunicar-se entre si de diferentes maneiras. cinema. Música. modos de articulação formal. as produções e suas formas de documentação. assim como com as demais disciplinas do currículo.3.

pintura. argila. cor. lápis. escultura. Contato e reconhecimento das propriedades expressivas e construtivas dos materiais. produções informatizadas.1. Para tanto. técnicas. Observação e análise das formas que produz e do processo pessoal nas suas correlações com as produções dos colegas. Criação e construção de formas plásticas e visuais em espaços diversos (bidimensional e tridimensional). suportes. • • • • • • • 2. linha. instrumentos. Tais normas de formação das imagens podem ser assimiladas pelos alunos como conhecimento e aplicação prática recriadora e atualizada em seus trabalhos. fotografia. a escola deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender e criar. equilíbrio). vídeo. Criar e perceber formas visuais implica trabalhar freqüentemente com as relações entre os elementos que as compõem. modelagem. às técnicas e às formas visuais de diversos momentos da história.3. construção. fotografia. imaginação. tais como ponto. procedimentos e técnicas na produção de formas visuais. procedimentos. afetividade e seus conceitos e se posicione criticamente. gravura. Consideração do elementos básicos da linguagem visual em suas articulações nas imagens produzidas (relações entre ponto. cor. plano. articulando percepção. goivas) e outros meios (máquinas fotográficas. conforme seus projetos demandem e sua sensibilidade e condições de concretizá-los permitam. produtores. Além disso. volume. escultura.compreensões mais amplas para que o aluno desenvolva sua sensibilidade. forma. linha. Expressão e comunicação na prática dos alunos em artes visuais • As artes visuais no fazer dos alunos: desenho.3.1. luz. aparelhos de computação e de reprografia). tintas. instalação.2. As artes visuais como objeto de apreciação significativa • • . instrumentos na construção das formas visuais. ou seja. é preciso considerar as técnicas. conhecimento e produção artística pessoal e grupal.1. O aluno também cria suas poéticas onde gera códigos pessoais. Experimentação. vídeos. Os blocos de conteúdos de Artes Visuais para o primeiro e o segundo ciclos são: 2. modelagem. giz de cera. relações culturais e sociais envolvidas na experiência que darão suporte às suas representações (conceitos ou teorias) sobre arte. Tais representações transformam-se ao longo do desenvolvimento à medida que avança o processo de aprendizagem. Seleção e tomada de decisões com relação a materiais. sensibilidade. vídeo. A educação visual deve considerar a complexidade de uma proposta educacional que leve em conta as possibilidades e os modos de os alunos transformarem seus conhecimentos em arte. utilização e pesquisa de materiais e técnicas artísticas (pincéis. o modo como aprendem. televisão. informações históricas. gravura. luz.3. cinema. movimento e ritmo. As articulações desses elementos nas imagens dá origem à configuração de códigos que se transformam ao longo dos tempos. informática. expressando e comunicando por imagens: desenho. pintura. inclusive contemporâneos. A educação em artes visuais requer trabalho continuamente informado sobre os conteúdos e experiências relacionados aos materiais. Convivência com produções visuais (originais e reproduzidas) e suas concepções estéticas nas diferentes culturas (regional. criam e se desenvolvem na área. movimento. eletrografia. papéis. textura. Reconhecimento e utilização dos elementos da linguagem visual representando. ritmo. Identificação dos significados expressivos e comunicativos das formas visuais. histórias em quadrinhos. colagem. colagem.3. nacional e internacional). plano.

• • • 2.2. forma. movimento. exposições.• • Contato sensível. telas de computador. Pesquisa e freqüência junto às fontes vivas (artistas) e obras para reconhecimento e reflexão sobre a arte presente no entorno. estudo e compreensão de diferentes obras de artes visuais. textura. Dança A arte da dança faz parte das culturas humanas e sempre integrou o trabalho. Identificação de produtores em artes visuais como agentes sociais de diferentes épocas e culturas: aspectos das vidas e alguns produtos artísticos. cor. cartaz. televisão. nesta etapa de sua vida. pictórico. reconhecimento e análise de formas visuais presentes na natureza e nas diversas culturas. volume. escrita e outros registros (gráfico. Ela se movimenta não só em função de respostas funcionais (como ocorre com a maioria dos adultos). linha. ateliês. Os povos sempre privilegiaram a dança. sonoro. A criança se movimenta nas ações do seu cotidiano. Contato freqüente. Reconhecimento e experimentação de leitura dos elementos básicos da linguagem visual. desenho animado. videográfico) sobre as questões trabalhadas na apreciação de imagens. artistas e movimentos artísticos produzidos em diversas culturas (regional. Freqüência e utilização das fontes de informação e comunicação artística presentes nas culturas (museus. sendo esta um bem cultural e uma atividade inerente à natureza do homem Toda ação humana envolve a atividade corporal. pular. preservação e divulgação de bens culturais.3. audiográfico. luz. reconhecimento. informantes. oficinas). dramático. as religiões e as atividades de lazer. em suas articulações nas imagens apresentadas pelas diferentes culturas (relações entre ponto. A ação física é necessária para que a criança harmonize de maneira integradora as potencialidades motoras.3. girar e subir nos objetos são algumas das atividades dinâmicas que estão ligadas à sua necessidade de experimentar o corpo não só para seu domínio mas na construção de sua autonomia. adquirir melhor mobilidade e se expressar com liberdade. nacional e internacional) e em diferentes tempos da história.1. Reconhecimento da importância das artes visuais na sociedade e na vida dos indivíduos.3. Correr. estando a motricidade ligada à atividade mental. afetivas e cognitivas. equilíbrio). plano.3. Reconhecimento e valorização social da organização de sistemas para documentação. para explorar o meio ambiente. A ação física é a primeira forma de aprendizagem da criança. As artes visuais como produto cultural e histórico • • • • • • • • 2. um vocabulário gestual fluente e expressivo. . narradores e fontes de informação. Identificação e reconhecimento de algumas técnicas e procedimentos artísticos presentes nas obras visuais. publicações. leitura e discussão de textos simples. galerias. vídeo. Possui. publicidade. suas biografias e suas produções. relacionando-se com objetos e pessoas. Contato sensível. observação e experimentação de leitura das formas visuais em diversos meios de comunicação da imagem: fotografia. ritmo. imagens e informações orais sobre artistas. histórias em quadrinhos. A criança é um ser em constante mobilidade e utiliza-se dela para buscar conhecimento de si mesma e daquilo que a rodeia. Fala. Elaboração de registros pessoais para sistematização e assimilação das experiências com formas visuais. Observação.3. mas pelo prazer do exercício. desenho industrial. mostras.

Ao planejar as aulas. Assim. Nas atividades coletivas. Os jogos populares de movimento. em que o aluno exercita a atenção. razão e emoção. A dança é uma forma de integração e expressão tanto individual quanto coletiva. as improvisações em dança darão oportunidade de a criança experimentar a plasticidade de seu corpo. cirandas. do gesto e do movimento como uma manifestação pessoal e cultural. é permeada pela curiosidade e pelo desejo de conhecimento. Como atividade lúdica a dança permite a experimentação e a criação. Podem ser propostas de pesquisa de movimentos. fruição. para desenvolver seu olhar. A dança é também uma fonte de comunicação e de criação informada nas culturas. Estabelecer regras de uso do espaço e de relacionamento entre os alunos é importante para garantir o bom andamento da aula. observar suas ações físicas e habilidades naturais. de exercitar suas potencialidades motoras e expressivas ao se relacionar com os outros. A ação física é parte da aprendizagem da criança. através de um maior entendimento de como seu corpo funciona. Essas manifestações populares devem ser valorizadas pelo professor e estar presentes no . Por isso é importante que a dança seja desenvolvida na escola com espírito de investigação. Esses conhecimentos devem ser articulados com a percepção do espaço. Não é necessário que as aulas sejam acompanhadas por estímulos sonoros criados. Essa atividade. inventar seqüências de movimento. sem que se perca a alegria. poderá usá-lo expressivamente com maior inteligência. estabelecendo opiniões próprias. no exercício da espontaneidade. aspectos que são fundamentais para seu crescimento individual e sua consciência social. Um dos objetivos educacionais da dança é a compreensão da estrutura e do funcionamento corporal e a investigação do movimento humano. amarelinhas e muitos outros são importantes fontes de pesquisa. Essas novas teorias criam um desafio à visão tradicional que separa corpo e mente. autonomia. explorar sua imaginação. Nessa interação poderá reconhecer semelhanças e contrastes.A atividade de dança na escola pode desenvolver na criança a compreensão de sua capacidade de movimento. de reconhecer individualidades e qualidades estéticas. Nem sempre a originalidade é necessária em cada aula. necessária para o seu desenvolvimento. sensibilidade e capacidade analítica. gostam e necessitam da repetição de atividades. Contribui também para o desenvolvimento da criança no que se refere à consciência e à construção de sua imagem corporal. Deve estimular a pesquisa consciente a fim de ampliar o repertório gestual. os sentimentos e o desempenho corporal. para estimular a inventividade e a coordenação de suas ações com a dos outros. desenvolver seu sentido de forma e linha e se relacionar com os outros alunos buscando dar forma e sentido às suas pesquisas de movimento. Deve estimular o aluno a reconhecer ritmos — corporais e externos —. dar sentido e organização às suas potencialidades. A atitude do professor em sala de aula é importante para criar climas de atenção e concentração. Essa é também uma maneira de o aluno compreender e incorporar a diversidade de expressões. explorar o espaço. É preciso dar condições para o aluno criar confiança para explorar movimentos. para que a criança tome consciência da função dinâmica do corpo. Essa experimentação possibilita que descubram suas capacidades e adquiram segurança ao se movimentar e possam atuar e recriar a partir de suas descobertas. o professor deve considerar o desenvolvimento motor da criança. Tal visão está de acordo com as pesquisas mais recentes feitas pelos neurocientistas que estudam as relações entre o desenvolvimento da inteligência. a percepção. Esses são elementos básicos para introduzir o aluno na linguagem da dança. e sensibilidade. O aluno deve observar e apreciar as atividade de dança realizadas por outros (colegas e adultos). A adequação da roupa para permitir mais mobilidade é indispensável. a colaboração e a solidariedade. Tal fruição enriquecerá sua própria criação em dança. pois os alunos. de estímulos rítmicos. As aulas tanto podem inibir o aluno quanto fazer com que atue de maneira indisciplinada. responsabilidade. capacitar o corpo para o movimento. pois no silêncio existem ritmos (internos e externos) que podem e devem ser explorados. peso e tempo. buscando compreender e coordenar as diversas expressões e habilidades com respeito e cooperação. de criação de movimentos em duplas ou grupos e de composição com a área de música. Os temas devem ser escolhidos considerando o desenvolvimento do aluno.

2. direções e planos). movimento e estrutura). A dança como produto cultural e apreciação estética • • • • . constituindo importante material para a aprendizagem. Reconhecimento e exploração de espaço em duplas ou outros tipos de formação em grupos. A dança como manifestação coletiva • • • • • 2.3. Improvisação e criação de seqüência de movimento com os outros alunos. o volume e o peso. 2.3.2. A dança na expressão e na comunicação humana • • • • • • • • • • • Reconhecimento dos diferentes tecidos que constituem o corpo (pele. Improvisação na dança. deslocamento e orientação no espaço (caminhos. como são aqui propostos. A dança. são do domínio da arte. distinguindo as qualidades de movimento e as combinações das características individuais. Reconhecimento e identificação das qualidades individuais de movimento.3. inventando. Os aspectos artísticos da dança. músculos e ossos) e suas funções (proteção. A experiência motora permite observar e analisar as ações humanas propiciando o desenvolvimento expressivo que é o fundamento da criação estética. de tempo. Observação e análise das características corporais individuais: a forma. nacionais e internacionais. Identificação e reconhecimento da dança e suas concepções estéticas nas diversas culturas considerando as criações regionais. Reconhecimento e desenvolvimento da expressão em dança. recriando.repertório dos alunos.3. direto e sinuoso.3. imitando. Integração e comunicação com os outros através dos gestos e dos movimentos. de ritmo e o desenho do corpo no espaço. Seleção e organização de movimentos para a criação de pequenas coreografias. Experimentação e pesquisa das diversas formas de locomoção. Observação e reconhecimento dos movimentos dos corpos presentes no meio circundante. registrando e repetindo seqüências de movimentos criados. Reconhecimento dos apoios do corpo explorando-os nos planos (os próximos ao piso até a posição de pé). sintetizadora e representante de determinada cultura.3. Identificação dos produtores em dança como agentes sociais em diferentes épocas e culturas.3. pois são parte da riqueza cultural dos povos. mantendo suas características individuais. rápido e lento. Contextualização da produção em dança e compreensão desta como manifestação autêntica. tem como propósito o desenvolvimento integrado do aluno. observando os outros alunos. assim como é proposta pela área de Arte. 2. Criação de movimentos em duplas ou grupos opondo qualidades de movimentos (leve e pesado. Observação e experimentação das relações entre peso corporal e equilíbrio.1. alto e baixo). Reconhecimento e distinção das diversas modalidades de movimento e suas combinações como são apresentadas nos vários estilos de dança.2. aceitando a natureza e o desempenho motriz de cada um. Seleção dos gestos e movimentos observados em dança.2. Experimentação na movimentação considerando as mudanças de velocidade.

como acontece na canção. As canções brasileiras constituem um manancial de possibilidades para o ensino da música com música e podem fazer parte das produções musicais em sala de aula. as atividades de improvisação devem ocorrer em propostas bem estruturadas para que a liberdade de criação possa ser alcançada pela consciência dos limites. permitindo que o . de instrumentos conhecidos. Qualquer proposta de ensino que considere essa diversidade precisa abrir espaço para o aluno trazer música para a sala de aula. aprimorando sua condição de avaliar a qualidade das próprias produções e as dos outros. regionais. por meio das culturas locais. televisão. computador. uma obra que ainda não tenha sido interpretada só existe como música na mente do compositor que a concebeu. as canções são composições produzidas nesse sistema. as interpretações estabelecem os contextos onde os elementos da linguagem musical ganham significado. vídeos. na música para dança e nas músicas para rituais ou celebrações. filmes e outros tipos de registro em dança). etc. Na aprendizagem. Elaboração de registros pessoais para sistematização das experiências observadas e documentação consultada. Além disso. contextualizando-a e oferecendo acesso a obras que possam ser significativas para o seu desenvolvimento pessoal em atividades de apreciação e produção. manifestações culturais e espetáculos em geral. nacionais e internacionais. A diversidade permite ao aluno a construção de hipóteses sobre o lugar de cada obra no patrimônio musical da humanidade. do meio ambiente. As interpretações são importantes na aprendizagem. no jingle para publicidade. Sua inclusão como conteúdo neste documento tem a finalidade de garantir a presença no ensino fundamental da sintaxe mais elaborada que o homem já concebeu para fazer música. O processo de criação de uma composição é conduzido pela intenção do compositor a partir de um projeto musical. Do ponto de vista da organização das alturas dos sons. permanece até hoje como a grande referência. dando ao aluno maiores oportunidades para o desenvolvimento de uma inteligência musical. juntá-lo com outros sons e silêncios construindo elementos de várias outras ordens e organizar tudo de maneira a constituir uma sintaxe. altura.3.3. revistas. Um olhar para toda a produção de música do mundo revela a existência de inúmeros processos e sistemas de composição ou improvisação e todos eles têm sua importância em função das atividades na sala de aula. considerar seus parâmetros básicos (duração. Figurando entre as mais importantes tradições musicais. Estudar o sistema modal/tonal no Brasil. inclusive para compositores que criaram seus próprios sistemas. o compositor pode escolher um deles. de outros materiais sonoros ou obtidos eletronicamente. jogos eletrônicos.3. Composições. o desenvolvimento tecnológico aplicado às comunicações vem modificando consideravelmente as referências musicais das sociedades pela possibilidade de uma escuta simultânea de toda produção mundial através de discos. fitas. publicidade. improvisações e interpretações são os produtos da música. rádio. 2. Atualmente. Uma vez que a música tem expressão por meio dos sons. O momento da interpretação é aquele em que o projeto ou a partitura se tornam música viva. incluindo as veiculadas no mercado. acolhendo-a.• • • Pesquisa e freqüência às fontes de informação e comunicação presentes em sua localidade (livros. Música A música sempre esteve associada às tradições e às culturas de cada época. sendo responsáveis por parcela significativa da produção musical do país. colabora para conhecer a nossa língua musical materna. na trilha sonora para cinema ou para jogos eletrônicos. São momentos de composição coincidindo com momentos de interpretação. Nesse tipo de produção o compositor considera os limites que a outra linguagem estabelece. Pesquisa e freqüência junto aos grupos de dança. timbre e intensidade). o sistema modal/tonal. que está na base das músicas de praticamente todas as culturas até o século XIX. cinema. Ele pode também compor música pela combinação com outras linguagens. Entre os sons da voz. pois tanto o contato direto com elas quanto a sua utilização como modelo são maneiras de o aluno construir conhecimento em música. As improvisações situam-se entre as composições e as interpretações.

Nas produções musicais em sala de aula. Percepção e identificação dos elementos da linguagem musical em atividades de produção. de materiais sonoros e de instrumentos disponíveis.3. do corpo. Observação e análise das estratégias pessoais e dos colegas em atividades de produção. Utilização e criação de letras de canções. concertos. • • • • • • • • • • • . festivais. compositores e improvisadores. por exemplo. seleção e utilização de instrumentos. atividades diversas de movimento e suas articulações com os elementos da linguagem musical. por exemplo. à improvisação e à composição. forma. o aluno necessita das interpretações como referência e de tempo para se desenvolver por meio delas. é importante compreender claramente a diferença entre composição e interpretação. dentro e fora da escola. em produções individuais e/ou grupais. ela pode proporcionar condições para uma apreciação rica e ampla onde o aluno aprenda a valorizar os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história. jogos. Experimentação e criação de técnicas relativas à interpretação. que passa a ser portadora de uma grande quantidade de elementos da linguagem musical. até que adquira condições de incorporar a canção com todos os seus elementos. equipamentos e tecnologias disponíveis em arranjos. sonoridades. explicitando-os por meio da voz. Para que a aprendizagem da música possa ser fundamental na formação de cidadãos é necessário que todos tenham a oportunidade de participar ativamente como ouvintes. dinâmicas. Experimentação.. Utilização do sistema modal/tonal na prática do canto a uma ou mais vozes. ritmo. conexões com a sua própria localidade e suas identidades culturais.3. características interpretativas. em atividades que valorizem seus processos pessoais. Numa canção.3. materiais sonoros. O intérprete experiente sabe permitir que as mais sutis nuanças da canção interpretada inscrevam-se na sua voz. mas a canção só se faz presente pela interpretação. parlendas.aluno possa elaborar hipóteses a respeito do grau de precisão necessário para a afinação. intérpretes. Nas atividades com esse elemento é importante lembrar que se considera música. Traduções simbólicas de realidades interiores e emocionais por meio da música. danças. dentro e fora da sala de aula. A canção oferece ainda a possibilidade de contato com toda a riqueza e profusão de ritmos do Brasil e do mundo. Utilização e elaboração de notações musicais em atividades de produção. Envolvendo pessoas de fora no enriquecimento do ensino e promovendo interação com os grupos musicais e artísticos das localidades. Brincadeiras. raps. que nela se manifestam principalmente através de um de seus elementos: o arranjo de base. etc. elementos como melodia ou letra fazem parte da composição. improvisação e composição • • Interpretações de músicas existentes vivenciando um processo de expressão individual ou grupal. percepção de elementos da linguagem. etc. etc. 2. composições e improvisações. texturas. como portadoras de elementos da linguagem musical. etc. simultaneidades. improvisações. técnicas. improvisações e composições dos próprios alunos baseadas nos elementos da linguagem musical. Utilização progressiva da notação tradicional da música relacionada à percepção da linguagem musical. eventos da cultura popular e outras manifestações musicais. com todos os demais elementos: instrumentos. Para que possa ser capaz de fazer o mesmo. amadores talentosos ou músicos profissionais. Seleção e tomada de decisões. Incentivando a participação em shows. arranjos de base com seus padrões rítmicos. arranjos em sua concepção formal. letra.1. tanto uma batucada de samba quanto uma canção que a utilize como arranjo de base. com relação às idéias musicais. a escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis. Arranjos. Comunicação e expressão em música: interpretação.

naturais e outros. A música como produto cultural e histórico: música e sons do mundo • • • • • • • • 2. etc. seu gesto. de notações ou de representações diversas. etc. etc.4. regional. discos. Apreciação significativa em música: escuta. manifestando a necessidade de expressão e comunicação. Os sons ambientais. equipamentos e tecnologia na história da música. trilhas sonoras.3.3.). regiões e país consideradas na diversidade cultural. Músicos como agentes sociais: vidas. sonoridades.2. na escola.2. Transformações de técnicas. Discussão e levantamento de critérios sobre a possibilidade de determinadas produções sonoras serem música. forma. O teatro. estilos.3. dinâmica. Músicas e apresentações musicais e artísticas das comunidades.) em atividades de apreciação. Fontes de registro e preservação (partituras. de materiais sonoros disponíveis. instrumentos. Movimentos musicais e obras de diferentes épocas e culturas. Teatro A arte tem sido proposta como instrumento fundamental de educação. nacional e internacional consideradas do ponto de vista da diversidade.3. Apreciação e reflexão sobre músicas da produção. Percepção das conexões entre as notações e a linguagem musical. por excelência. Explicitação de reações sensoriais e emocionais em atividades de apreciação e associação dessas reações a aspectos da obra apreciada. etc. Pesquisa e freqüência junto aos músicos e suas obras para reconhecimento e reflexão sobre a música presente no entorno. ocupando historicamente papéis diversos. do corpo. foi formalizado pelos gregos. observados na sua diversidade. texturas. que a considerava como base de toda a educação natural. . desde Platão.3. explicitando-os por meio da voz. passando dos rituais primitivos das concepções religiosas que eram simbolizadas. épocas e produções. midiatecas. É. a arte do homem exigindo a sua presença de forma completa: seu corpo. Discussão da adequação na utilização da linguagem musical em suas combinações com outras linguagens na apreciação de canções. sua fala. em outras épocas e na contemporaneidade. para o espaço cênico organizado. jingles. músicas para dança. de diferentes épocas e lugares e sua influência na música e na vida das pessoas. como demonstração de cultura e conhecimento.) e recursos de acesso e divulgação da música disponíveis na classe. social e geográfico. envolvimento e compreensão da linguagem musical • Percepção e identificação dos elementos da linguagem musical (motivos.3.3.3. Identificação de instrumentos e materiais sonoros associados a idéias musicais de arranjos e composições. associados a outras linguagens artísticas no contexto histórico. • • • • • • • • 2. gêneros. na comunidade e nos meios de comunicação (bibliotecas.3. Discussão de características expressivas e da intencionalidade de compositores e intérpretes em atividades de apreciação musical. A música e sua importância na sociedade e na vida dos indivíduos. Observação e discussão de estratégias pessoais e dos colegas em atividades de apreciação. como arte. valorizando as participações em apresentações ao vivo.

da fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança. Ela ainda não é capaz de refletir sobre temas gerais. possui a capacidade da teatralidade como um potencial e como uma prática espontânea vivenciada nos jogos de faz-de-conta. Compartilhar uma atividade lúdica e criativa baseada na experimentação e na compreensão é um estímulo para a aprendizagem. Deve tornar consciente as suas possibilidades. mas uma atividade coletiva em que a expressão individual é acolhida. . o indivíduo tem a oportunidade de se desenvolver dentro de um determinado grupo social de maneira responsável. A escola deve viabilizar o acesso do aluno à literatura especializada. emoção. intuição. respeitando as diferentes manifestações. A necessidade de colaboração torna-se consciente para a criança.O ato de dramatizar está potencialmente contido em cada um. aprendendo a ouvir. um exercício de convivência democrática. estabelecendo relações entre o individual e o coletivo. ouvir. flexibilidade de aceitação das diferenças e aquisição de sua autonomia como resultado do poder agir e pensar sem coerção. ao iniciar o ciclo básico. a acolher e a ordenar opiniões. Cabe à escola estar atenta ao desenvolvimento no jogo dramatizado oferecendo condições para o exercício consciente e eficaz. ao começar a freqüentar a escola. a criança pode transitar livremente por todas as emergências internas integrando imaginação. Essa atividade evolui do jogo espontâneo para o jogo de regras. Dramatizar não é somente uma realização de necessidade individual na interação simbólica com a realidade. preocupa-se em mostrar os fatos de forma realista. Por volta dos sete anos. Ao participar de atividades teatrais. assim como a adequação de falar. reflexão sobre como agir com os colegas. ver. percebe-se a procura na organização de seu conhecimento do mundo de forma integradora. proporcionando condições para um crescimento pessoal. respeito mútuo. A organização de grupos para a realização de uma tarefa é um exercício desafiador para integrar os componentes. memória e raciocínio. Próximo aos oito. observar e atuar. O professor deve conhecer as etapas de desenvolvimento da linguagem dramática da criança e como ela está relacionada ao processo cognitivo. comentar e fazer juízo crítico devem ser igualmente fomentados na experiência escolar. o exercício das relações de cooperação. para aquisição e ordenação progressiva da linguagem dramática. Também não se preocupa com a probabilidade dos fatos. de estabelecimento de amizades. no processo de formação da criança. por ser uma atividade grupal. o jogo simbólico. O teatro no ensino fundamental proporciona experiências que contribuem para o crescimento integrado da criança sob vários aspectos. Cabe ao professor proceder de maneira a incentivar essas relações. apreciar. aos vídeos. Está mais consciente e comprometida com o que dizer através do teatro. do individual para o coletivo. nove anos. As propostas educacionais devem compreender a atividade teatral como uma combinação de atividade para o desenvolvimento global do indivíduo. cumpre não só função integradora. está na idade de vivenciar o companheirismo como um processo de socialização. A criança. às atividades de teatro de sua comunidade. legitimando os seus direitos dentro desse contexto. Assim. sem a perda da espontaneidade lúdica e criativa que é característica da criança ao ingressar na escola. A sua ação é a ordenação desses conteúdos individuais e grupais. No dinamismo da experimentação. O teatro. A dramatização acompanha o desenvolvimento da criança como uma manifestação espontânea. mas dá oportunidade para que ela se aproprie crítica e construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade através de trocas com os seus grupos. o desenvolvimento de suas capacidades expressivas e artísticas. liberdade e solidariedade são praticadas. assumindo feições e funções diversas. o teatro oferece. O teatro tem como fundamento a experiência de vida: idéias. um processo de socialização consciente e crítico. com a finalidade de organizar a expressão de um grupo. percepção. distantes do seu cotidiano. Saber ver. No plano individual. A criança. conhecimentos e sentimento. a criança se encontra na fase do faz-deconta. No plano do coletivo. em que a realidade é retratada da maneira que é entendida e vivenciada. Ao observar uma criança em suas primeiras manifestações dramatizadas. uma atividade artística com preocupações de organização estética e uma experiência que faz parte das culturas humanas. diálogo. sem perder jamais o caráter de interação e de promoção de equilíbrio entre ela e o meio ambiente. como uma necessidade de compreender e representar uma realidade.

organização e seqüência de história é mais acurada. mas na maioria das vezes apresentam proporções adequadas. O professor deve organizar as aulas numa seqüência.4. o seu papel de atuante e observa um maior domínio sobre a linguagem e todos os elementos que a compõem. Reconhecimento e utilização dos elementos da linguagem dramática: espaço cênico. O teatro como expressão e comunicação • • • • Participação e desenvolvimento nos jogos de atenção. objetos de cena. observação. 2. tornando-o expressivo. No ensino fundamental o aluno deve desenvolver um maior domínio do corpo.. É preciso estar consciente da qualidade estética e cultural da sua ação no teatro. textos dramáticos. um espaço mais livre e mais flexível para que a criança possa ordenar-se de acordo com a sua criação. bonecos e de outros modos de apresentação teatral.3. objetos. Pesquisa. Esse processo precisa ser cuidadosamente estimulado e organizado pelo professor. utilização da expressão e comunicação na criação teatral. roupas. imagens e sons). Experimentação na improvisação a partir do estabelecimento de regras para os jogos. observação. Experimentação e articulação entre as expressões corporal.3. Gradualmente. adereços. Os cenários pintados não mostram a representação da perspectiva. concentração e preparar temas que instiguem a criação do aluno em vista de um progresso na aquisição e domínio da linguagem teatral. jornalísticos. Pesquisa.1. Compete à escola oferecer um espaço para a realização dessa atividade. Experimentação na improvisação a partir de estímulos diversos (temas. Deve ainda oferecer material básico. etc. situações físicas. O teatro como produção coletiva .3. A elaboração de cenários.Inicialmente. elaboração e utilização de máscaras. Os textos devem ser lidos ou recontados para os alunos como estímulo na criação de situações e palavras. com o intuito de desenvolver habilidades necessárias para o teatro. plástica e sonora. Levar para o aluno textos dramáticos e fatos da evolução do teatro são importantes para que ele adquira uma visão histórica e contextualizada em que possa referenciar o seu próprio fazer.2. um melhor desempenho na verbalização. improvisação. iluminação e som. poéticos. máscaras. Exploração das competências corporais e de criação dramática. oferecendo estímulos através de jogos preparatórios. Reconhecimento e integração com os colegas na elaboração de cenas e na improvisação teatral. etc. uma melhor capacidade para responder às situações emergentes e uma maior capacidade de organização e domínio de tempo. Reconhecimento. • • • • • • • • 2. figurino. como atenção. pois o interesse reside principalmente na relação entre os participantes e no prazer do jogo. a criança passa a compreender a atividade teatral como um todo. maquiagem.4. personagem e ação dramática. Seleção e organização dos objetos a serem usados no teatro e da participação de cada um na atividade. embora os alunos geralmente se empenhem em pesquisar e coletar materiais adequados para as suas encenações. Reconhecimento e exploração do espaço de encenação com os outros participantes do jogo teatral.3. objetos. os jogos dramáticos têm caráter mais improvisacional e não existe muito cuidado com o acabamento. elaboração e utilização de cenário. É importante que o professor esteja consciente do teatro como um elemento fundamental na aprendizagem e desenvolvimento da criança e não como transmissão de uma técnica.

Pesquisa e freqüência às fontes de informação.3. manifestações populares dramatizadas.3. Identificação das manifestações e produtores em teatro nas diferentes culturas e épocas.• • • • • • • Interação ator-espectador na criação dramatizada. Valorização das diferentes formas de manifestações artísticas como meio de acesso e compreensão das diversas culturas.). normas e atitudes • • • • • • • • • • • • • . As produções e as concepções estéticas. Reconhecimento da importância de freqüentar instituições culturais onde obras artísticas estejam presentes. Identificação e valorização da arte local e nacional. documentação e comunicação presentes em sua região (livros. Criação de textos e encenação com o grupo. Prazer e empenho na apreciação e na construção de formas artísticas. Desenvolvimento de atitudes de autoconfiança nas tomadas de decisões em relação às produções pessoais. etc. Compreensão. expressando e comunicando idéias. circo.4. teatro de bonecos. sentimentos e percepções. filmes. textuais. Cooperação com os encaminhamentos propostos nas aulas de Artes. O teatro como produto cultural e apreciação estética • • • • • 2. revistas. Valorização da atitude de fazer perguntas relativas à arte e às questões a ela relacionadas.3. da flexibilidade. Observação. de manifestação popular e aos espetáculos realizados em sua região. apreciação e análise dos trabalhos em teatro realizados pelos outros grupos. Compreensão dos significados expressivos corporais. vídeos. Elaboração de registros pessoais para sistematização das experiências observadas e da documentação consultada. Interesse e respeito pela produção dos colegas e de outras pessoas.4. Valorização da capacidade lúdica. 2. Disposição e valorização para realizar produções artísticas. Observação. Reconhecimento e compreensão das propriedades comunicativas e expressivas das diferentes formas dramatizadas (teatro em palco e em outros espaços. Atenção. apreciação e análise das diferentes manifestações dramatizadas da região. Posicionamentos pessoais em relação a artistas. Interesse pela História da Arte. do espírito de investigação como aspectos importantes da experiência artística. Pesquisa e freqüência junto aos grupos de teatro. valorização e respeito em relação a obras e monumentos do patrimônio cultural. Pesquisa e leitura de textos dramáticos e de fatos da história do teatro. fotografias ou qualquer outro tipo de registro em teatro). obras e meios de divulgação das artes. apreciação e análise das diversas manifestações de teatro. Conteúdos relativos a valores. sonoros da criação teatral. visuais.3.

Para isso. ou seja. ao mesmo tempo que participa cooperativamente na relação de trabalho com colegas. em face da possibilidade das indicações das linguagens artísticas a critério das escolas e da sua seqüência no andamento curricular. Avaliar implica conhecer como os conteúdos de Artes são assimilados pelos estudantes a cada momento da escolaridade e reconhecer os limites e a flexibilidade necessários para dar oportunidade à coexistência de distintos níveis de aprendizagem. desenvolvendo um percurso de criação individual ou coletivo articulando percepção. Música e Teatro.• • • • • • Autonomia na manifestação pessoal para fazer e apreciar a arte. 2. emoções e idéias. professores e outros grupos. Gosto por compartilhar experiências artísticas e estéticas e manifestação de opiniões. Atenção ao direito de liberdade de expressão e preservação da própria cultura. 2.1. estão apresentadas separadamente as indicações para cada modalidade artística. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno sabe identificar e argumentar sobre valor e gosto em relação às imagens produzidas por si mesmo. Avaliar é também considerar o modo de ensinar os conteúdos que estão em jogo nas situações de aprendizagem. frente à sua produção de arte e o contato com o patrimônio artístico. Assim. espera-se que os alunos. Critérios de avaliação em Arte Da mesma maneira que na apresentação dos conteúdos. respeitando o processo de criação pessoal e social. adquiram competências de sensibilidade e de cognição em Artes Visuais. O professor poderá observar se o aluno busca aperfeiçoar seus conhecimentos apesar de suas dificuldades e se valoriza suas conquistas. as indicações para a avaliação não estão divididas por ciclos. étnicas e de gênero.4. exercitando sua cidadania cultural com qualidade. No transcorrer das quatro séries do ensino fundamental. pelos colegas e por outros.4. Avaliação de Artes Visuais • Criar formas artísticas demonstrando algum tipo de capacidade ou habilidade. mostrando empenho em superar-se. imaginação.1. idéias e preferências sobre a arte. o que é relevante o aluno praticar e saber nessa área. Dança. artísticas. . Formação de critérios para selecionar produções artísticas através do desenvolvimento de padrões de gosto pessoal. Sensibilidade para reconhecer e criticar ações de manipulação contrárias à autonomia e ética humanas.1. • Estabelecer relações com o trabalho de arte produzido por si e por outras pessoas sem discriminações estéticas. progressivamente.4. veiculadas por manifestações artísticas. num mesmo grupo de alunos. Reconhecimento dos obstáculos e desacertos como aspectos integrantes do processo criador pessoal. na experimentação com materiais e suportes. • Identificar alguns elementos da linguagem visual que se encontram em múltiplas realidades. o professor deve saber o que é adequado dentro de um campo largo de aprendizagem para cada nível escolar. Avaliação Avaliar é uma ação pedagógica guiada pela atribuição de valor apurada e responsável que o professor realiza das atividades dos alunos. 2. sabendo utilizar técnicas e procedimentos. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno produz formas no espaço bi e tridimensional.

• Reconhecer e apreciar vários trabalhos e objetos de arte através das próprias emoções. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno cria e interpreta com musicalidade. buscando soluções musicais. a imaginação e a relação entre emoções e idéias musicais em produções com a voz. Avalia-se se o aluno tolera pequenas frustrações em relação ao seu próprio desempenho e se é capaz de colaborar com os colegas.1. respeita e reconhece o direito à preservação da própria cultura e das demais e se percebe a necessidade da existência e a importância da freqüentação às fontes de documentação. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno reconhece o funcionamento de seu corpo no movimento. se interage com os colegas respeitando as qualidades individuais de movimento. se é capaz de improvisar e criar seqüências de movimento em grupo. desenvolvendo a percepção musical. compreender. com o corpo. aceitando as diferenças. videotecas).Com este critério pretende-se avaliar se o aluno reconhece alguns elementos da linguagem visual em objetos e imagens que podem ser naturais ou fabricados. dentro dos parâmetros estabelecidos pelo professor. relacionar. conhecendo sua história. 2. incluindo a variedade das diferentes regiões e grupos étnicos.2. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno conhece. A identificação de tais elementos concretiza-se quando o aluno percebe. oficinas de produtores de arte. 2.4. valorizando o trabalho em grupo e empenhando-se na obtenção de resultados de movimentação harmônica. sabe relacionar e apreciar com curiosidade e respeito vários trabalhos e objetos de arte — na sua dimensão material e de significação —. • Valorizar as fontes de documentação. • Interessar-se pela dança como atividade coletiva. usos e costumes. midiatecas. nas variantes de peso e velocidade e se articula esses conhecimentos.3. distinguir. analisar e argumentar sobre a dança. analisa e produz formas visuais. não ficando à margem das atividades e valorizando suas conquistas. Avaliação de Música • Interpretar.4. criados por distintos produtores. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno se empenha na criação em grupo de forma solidária. • Compreender e apreciar as diversas danças como manifestações culturais. galerias. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno valoriza. . bibliotecas. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de observar e avaliar as diversas danças presentes tanto na sua região como em outras culturas. preservação e acervo da produção artística. espaços de cuidados e acervo de trabalhos e objetos artísticos em diferentes ambientes (museus. em diferentes épocas. cooperando com aqueles que têm dificuldade. observando contrastes e semelhanças. com os diversos materiais sonoros e instrumentos. reflexões e conhecimentos. Refere-se ao saber ver. empenha-se na pesquisa de uso do corpo no espaço.1. demonstra segurança ao movimentar-se. Avaliação de Dança • Compreender a estrutura e o funcionamento do corpo e os elementos que compõem o seu movimento. improvisar e compor demonstrando alguma capacidade ou habilidade.

• Compreender e apreciar as diversas formas de teatro produzidas nas culturas. valores e finalidades que foram atribuídas a ela por diferentes povos e épocas. características expressivas e intencionalidade de compositores e intérpretes. e os locais em que podem ser encontrados. visual e sonora na elaboração da obra teatral. observação e se enfrenta as situações que emergem nos jogos dramatizados. Avalia-se também se conhece. ampliando as capacidades de ver e ouvir na interação com seus colegas. priorizando suas conquistas no tempo e se lida com a heterogeneidade de capacidades e habilidades demonstradas pelos seus colegas. Se identifica as informações recebidas. iluminação). fitas. concentração. Se tem empenho na construção grupal do espaço cênico em todos os seus aspectos (cenário.4. ampliando as capacidades de ver. . videotecas. social e geográfico.4. maquiagem. assim como na elaboração de conhecimentos sobre a música como produto cultural e histórico. permitindo a execução de uma obra conjunta. Se compreende e sabe obedecer às regras de jogo. as expressões plástica. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno relaciona estilos. de colegas e de músicos através das próprias reflexões. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno sabe organizar-se em grupo.1. • Reconhecer e valorizar o desenvolvimento pessoal em música nas atividades de produção e apreciação. tais como bibliotecas. • Compreender o teatro como ação coletiva. tendo o teatro como um processo de comunicação entre os participantes e na relação com os observadores. respeitando as diferentes realidades culturais. etc. músicos e respectivas produções no contexto histórico. circo.• Reconhecer e apreciar os seus trabalhos musicais. 2. Avaliação de Teatro • Compreender e estar habilitado para se expressar na linguagem dramática. Se sabe expressar-se com adequação. etc. se compreende e aprecia as diversas formas de teatro presentes em sua região e em outras culturas e épocas. figurino. tais como partituras. artísticos.).. a expressão do corpo (gesto e movimento). Se o aluno articula devidamente o discurso falado e o escrito. analisar e argumentar. sombras. se tem empenho para expressar-se com adequação e de forma pessoal ao contexto dramático estabelecido. discos. sua articulação com as histórias do mundo e as funções. períodos. midiatecas. assimilando-as como fonte de conhecimento e cultura. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de observar e apreciar as diversas formas de teatro em espaços cênicos distintos (bonecos. relacionar. sem preconceitos estéticos. • Compreender a música como produto cultural histórico em evolução. Se apresenta um processo de evolução da aquisição e do domínio dramático. assim como na ação dramática. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno desenvolve capacidades de atenção. movimentos artísticos. étnicos e de gênero. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno valoriza o caminho de seu desenvolvimento.. manifestação regional dramatizadas. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno identifica e discute com discernimento valor e gosto nas produções musicais e se percebe nelas relações com os elementos da linguagem musical. etc. colaborando com respeito e solidariedade. emoções e conhecimentos. valoriza e sabe utilizar registros de obras musicais.

um professor que quer que ele cresça e se desenvolva. apresentando imagens e exercícios sobre paisagens e discutindo a idéia de beleza. reconhecer semelhanças e diferenças entre suas observações e as dos colegas. Uma situação de aprendizagem pode consolidar uma situação de avaliação e o inverso também é verdadeiro.2. pôde avaliar o nível de conhecimento do aluno que emitiu essa idéia. um caderno bonito é uma paisagem?". audiovisuais). Duas situações extremas costumam chamar a atenção sobre os critérios de avaliação: quando todos os alunos sempre vão bem e quando todos sempre vão mal. Outro aspecto a ser considerado na avaliação é o conhecimento do professor sobre a articulação dos saberes pela criança e seus modos de representação dos conteúdos. valem mais como conhecimento estruturado para ela mesma do que a repetição mecânica de frases ditas pelo professor ou escritas em textos a ela oferecidos. dramatizações ou composições musicais articuladas pelos alunos. escuta de músicas ou vídeos de dramatizações podem favorecer a compreensão sobre os conteúdos envolvidos na aprendizagem. A análise do conjunto de respostas em grupo é a melhor maneira para que o aluno reflita sobre suas hipóteses. a partir do contato com a própria experiência de criação e com as fontes de informação. tais como: "Então. É interessante que a auto-avaliação seja orientada. Orientações para avaliação em Arte Os objetivos e os procedimentos didáticos devem ser considerados em conexão com os conteúdos e os modos de aprendizagem dos alunos. assim como por pequenos textos ou falas que eles abordem sobre os conteúdos estudados. A formulação autêntica da criança e as relações construídas por ela. A avaliação em Arte constitui uma situação de aprendizagem em que o aluno pode verificar o que aprendeu. pôde informar mais essa criança. o professor precisa considerar a história do processo pessoal de cada aluno e sua relação com as atividades desenvolvidas na escola. nessa hora. Portanto. Com isso. observando os trabalhos e seus registros (sonoros. inclusive manifestando seus pontos de vista. assim como o professor pode avaliar como ensinou e o que seus alunos aprenderam. Por exemplo. Quanto aos conteúdos trabalhados. Nos dois casos é bom repensar sobre os modos de ensinar e as expectativas em relação aos resultados. É importante que o aluno sinta no professor um aliado do seu processo de criação. O professor deve guiar-se pelos resultados obtidos e planejar modos criativos de avaliação dos quais o aluno pode participar e compreender: uma roda de leitura de textos dos alunos.4. Dentro de um roteiro flexível. e propôs outras perguntas para desequilibrar a resposta. textuais. O acolhimento pessoal de todos os alunos é fator fundamental . Ao avaliar. que se entusiasma quando seus alunos aprendem e que os anima a enfrentar os desafios do processo artístico. A avaliação pode remeter o professor a observar o seu modo de ensinar e apresentar os conteúdos e leválo a replanejar uma tarefa para obter aprendizagem adequada. Percebendo uma aproximação entre o conceito de paisagem e o de beleza. Cabe à escola promover também situações de auto-avaliação para desenvolver a reflexão do aluno sobre seu papel de estudante. ou a observação de pastas de trabalhos. Aprender ao ser avaliado é um ato social em que a sala de aula e a escola devem refletir o funcionamento de uma comunidade de indivíduos pensantes e responsáveis. retrabalhar os conteúdos.2. teorias e raciocínios em relação aos temas e conteúdos abordados. ao perguntar a um grupo de crianças de dez anos o que era uma paisagem. a avaliação poderá ser feita através de imagens. pois uma estrutura totalmente aberta não garantirá que o aluno do ensino fundamental reconheça os pontos relevantes de seu percurso de aprendizagem. O professor deve observar se o aluno articula uma resposta pessoal com base nos conteúdos estudados. Os alunos devem participar da avaliação de processo de cada colega. um professor. que apresente coerência e correspondência com sua possibilidade de aprender. a avaliação também leva o professor a avaliar-se como criador de estratégias de ensino e de orientações didáticas. o que contribuirá para ampliar a percepção do processo de cada um em suas correlações artísticas e estéticas. A promoção da discussão entre os alunos. obteve a seguinte resposta de um dos alunos: "Paisagem é uma coisa bonita". o aluno poderá expressar suas idéias e posteriormente comparar. fez da avaliação uma situação de aprendizagem excepcional.

a avaliação pode ser realizada ao término de um conjunto de atividades que compõem uma unidade didática para analisar como a aprendizagem ocorreu. é fundamental que o professor discuta seus instrumentos. As atividades propostas na área de Arte devem garantir e ajudar as crianças e jovens a desenvolverem modos interessantes. outra que trata de atividades somente autoestimulantes. objetivos e orientação do projeto educativo em Arte e tem três momentos para sua concretização: • • • a avaliação pode diagnosticar o nível de conhecimento dos alunos. 2. além disso. por fim. sem autonomia. A didática do ensino de Arte manifesta-se em geral em duas tendências: uma que propõe exercícios de repetição ou a imitação mecânica de modelos prontos. de equipe de trabalho da escola e da rede educacional como um todo. O professor precisa ser avaliado sobre as avaliações que realiza. buscando condicionar sua ação para corresponder a juízos e gostos do professor. mas deve estar fundamentada em certos critérios definidos e definíveis e os conceitos emitidos pelo professor não devem ser meramente quantitativos. Nesse caso costuma ser prévia a uma atividade. assim como nas outras disciplinas do currículo escolar. pois a prática pedagógica é social. Em arte as estratégias individuais para a concretização dos trabalhos são um fato. A avaliação precisa ser realizada com base nos conteúdos.5. Mas não são quaisquer métodos e procedimentos e sim aqueles que possam levar em consideração o valor educativo da ação cultural da arte na escola.para a aprendizagem em Arte. Os encaminhamentos didáticos expressam. Criação e aprendizagem O processo de conhecimento na área artística se dá especialmente através da resolução de problemas. compreender e analisar os próprios trabalhos e apreender noções e habilidades para apreciação estética e análise crítica do patrimônio cultural artístico. por isso o clima ou a condução da escola em relação à avaliação corresponde à cultura escolar de cada centro educativo. Quais questões devem ser propostas para os . Referem-se aos direcionamentos para que os alunos possam produzir.1. que é julgado quantitativamente. exercitando seus modos de expressão e comunicação. Finalmente. métodos e procedimentos de avaliação junto à equipe da escola. sem conhecer a correspondência qualitativa e o sentido dos conceitos ou valores numéricos emitidos. A função de avaliar não pode se basear apenas e tão-somente no gosto pessoal do professor. Uma analogia interessante para a avaliação é uma situação de negociação: as partes envolvidas estão cientes sobre os critérios e sobre a necessidade de sua função. a seriação de conteúdos da área e as teorias de arte e de educação selecionadas pelo docente.5. Para o aluno compreender e conhecer arte e seus processos de criação. torna-se portanto um excelente modelo de referência e faz parte da orientação didática. Orientações didáticas Orientações didáticas para os cursos escolares de Arte referem-se ao modo de realizar as atividades e intervenções educativas junto aos estudantes nos domínios do conhecimento artístico e estético. Esse tipo de avaliação pode até se constituir como controle eficaz sobre o comportamento e a obtenção de atitudes heterônomas (guiadas por outrem). imaginativos e criadores de fazer e de pensar sobre a arte. O aluno. 2. As orientações didáticas referem-se às escolhas do professor quanto aos conteúdos selecionados para o trabalho artístico em sala de aula. São idéias e práticas sobre os métodos e procedimentos para viabilizar o aperfeiçoamento dos saberes dos alunos em Arte. A atitude dos alunos e professores em situação de avaliação é muito importante. os produtos nunca coincidem nos seus resultados. passa a se submeter aos desígnios das notas. mas não colabora para a construção do conhecimento. Ambas favorecem tipos de aprendizagens distintas que deixam um legado empobrecido para o efetivo crescimento artístico do aluno. quando o professor identifica como o aluno interage com os conteúdos. área na qual a marca pessoal é fonte de criação e desenvolvimento. a avaliação pode ser realizada durante a própria situação de aprendizagem.

ou que visa apenas testar o nível de conhecimento imediato dos alunos. sua curiosidade. O professor precisa compreender a multiplicidade de situações-problema que podem ocorrer das mais diversas maneiras e que se apresentam a cada aluno em particular. . etc. ou dito de outro modo. que é. Além disso. o que é resolver problemas em arte? A partir da reflexão sobre essa pergunta. entre o que querem fazer e os recursos internos e externos de que dispõem. Pode-se identificar duas classes de problemas que fazem parte do conjunto de atividades da área artística: • Problemas inerentes ao percurso criador do aluno. organizados numa forma que realize sua intenção criadora. aos materiais e aos modos pessoais de articular sua possibilidade expressiva às técnicas e aos materiais disponíveis. são apresentados alguns pontos que visam orientar os professores de Arte na compreensão das tarefas e papéis que podem desempenhar a fim de instrumentalizar o processo de aprendizagem dos alunos. portanto. antes e durante o processo de criação artística dos alunos e também durante as atividades de apreciação de obras de arte e de reflexão sobre artistas e outras questões relativas aos produtos artísticos. Estabelecem relações entre os elementos da forma artística que concorrem para a execução daquele trabalho que estão fazendo. ou seja. dentro de seu processo de aprender a realizar formas artísticas. sonoras. segurança ou insegurança interna para experimentar e correr riscos. saiba formular para si mesmo perguntas relativas ao conhecimento artístico e saiba observar seus alunos durante as atividades que realizam. ligados à construção da forma artística. • A aprendizagem dos alunos também pode se dar através de uma outra classe de problemas. fazendo parte. tomam decisões e fazem escolhas quanto a materiais. No percurso criador específico da arte. Tal intervenção pode ocorrer em vários aspectos dessa atividade. sua disponibilidade para conviver com a incerteza e o resultado não desejado e muitas outras possibilidades que fazem parte de todo processo de criação. os alunos estabelecem relações entre seu conhecimento prévio na área artística e as questões que um determinado trabalho desperta.alunos durante sua aprendizagem artística. suas possibilidades de avaliar resultados. como por exemplo as relações entre diferentes qualidades visuais. suas habilidades em desenvolvimento. É nisso que reside a diferença entre uma intervenção mecânica. São questões que se apresentam durante sua atividade individual ou grupal. nos trabalhos dos colegas e nos que eles mesmos vêm realizando. fruto da aplicação de uma técnica que por si mesma orienta o trabalho dos alunos para a vivência de problemas e um outro tipo de interferência que leva em consideração o conjunto de dados. o contato significativo com suas necessidades expressivas. É fundamental que o professor conheça. que caracterizam uma intervenção fundamentada em questionamentos como parte da atividade didática. tanto em arte quanto de seu grupo de alunos. tendo como princípio que ele é antes de mais nada um educador que intencionalmente cria. A intervenção do professor abarca diferentes aspectos da ação pedagógica e caracteriza-se como atividade criadora. de personagens. da interação entre o professor e seus alunos na produção de um conhecimento vivo e significativo para ambos. É importante esclarecer que a qualidade dessa intervenção depende da experiência que o professor tem. sua sensibilidade para observar e refletir sobre seu trabalho e seguir os caminhos que este lhe suscita. que mobilizam o conhecimento que têm dos conteúdos de Arte. enfim. para que esse conjunto de dados conduzam suas intervenções e reflexões. entre o que observam nos trabalhos dos artistas. envolvendo questões relativas às técnicas. as questões que podem ocorrer durante um processo de criação. técnicas. segundo seu nível de competência e as determinações internas e externas de um momento singular de criação. artificial. instrumentos musicais. "programada". à criação. tipos de personagens e formas de caracterizá-los e assim por diante. por experiência própria. inerente às propostas feitas pelo professor. de espaço cênico. sua percepção com relação aos passos de seu processo de criação.

constituindo-se em fontes e recursos para articular a continuidade das aulas. para favorecer a produção artística dos alunos. A pesquisa de fontes de instrução e de comunicação em arte Outra vez se estabelece o caráter criador da atividade de pesquisa do professor. cores.1. repleto de clichês. Trata-se da necessidade de buscar elementos disponíveis na realidade circundante que contribuam para o enriquecimento da aprendizagem artística de seus alunos: imagens. em visitas a espetáculos. relatos de aula. Um bom planejamento precisa garantir a cada modalidade artística no mínimo duas aulas semanais. impessoal. objetos e trabalhos. A apreensão da arte se dá como fenômeno imerso na cultura e que se desvela nas conexões e interações existentes entre o local.1. fitas de áudio. em seqüência. com o objetivo de que os alunos compreendam que os trabalhos de arte não existem isoladamente. os tipos de documentação. a cada ano. que permita novos remanejamentos na disposição de materiais. discos. 2. Tal concepção diz respeito: • • • • à organização dos materiais a serem utilizados dentro do espaço de trabalho. luminosidades. o local). as demais formas de arte poderão ser abordadas em alguns projetos interdisciplinares. exposições. desmente o propósito enunciado pela área. São.5. tais como fichas de observação. a organização dos trabalhos realizados pelos alunos segundo critérios específicos. as perguntas surgidas a partir das propostas. do ambiente que recebe os alunos. vídeos. A organização do espaço e do tempo de trabalho É importante que o espaço seja concebido e criado pelo professor a partir das condições existentes na escola. texturas. apresentadas como orientações didáticas para seu trabalho.5.4. revistas. 2. manifestações artísticas da comunidade. de acordo com o andamento das atividades. etc. à marca pessoal do professor a fim de criar "a estética do ambiente".1. Estão relacionadas a seguir algumas situações em que a intervenção do professor pode se dar. como as imagens supostamente infantis. 2. A criação do espaço de trabalho é um tipo de intervenção que "fala" a respeito das artes e de suas características através da organização de formas manifestadas no silêncio. cassetes. Os instrumentos de registro e documentação das atividades dos alunos Neste plano. à clareza visual e funcional do ambiente.1. incluindo a participação dos alunos nessa proposta. apresentações ou apreciação de reproduções em vídeos. tanto em relação aos conceitos da área quanto ao próprio percurso de criação pessoal. em consonância com os conteúdos da área.5. volumes.3. o professor também é um criador de formas de registrar e documentar atividades. pôsteres. propostas de avaliação trabalhadas durante as aulas e as propostas de registros sugeridas pelos alunos.1. se Artes Visuais e Teatro forem eleitos respectivamente na primeira e segunda séries. dentre outros. sons. bem como acolhimento dos materiais trazidos pelos alunos. cadernos de percurso. levantamento sobre artistas e artesãos locais.2. . Um espaço assim concebido convida e propicia a criação dos alunos.sente. em ruídos. o nacional e o internacional. à característica mutável e flexível do espaço. textos que falem sobre a vida de artistas (seus modos de trabalho. gestos. Por exemplo. pensa e transforma. "diários de bordo" e instrumentos pessoais de avaliação. Um espaço desorganizado. Tais registros desempenham um papel importante na avaliação e no desenvolvimento do trabalho. as observações sobre cada aluno e sobre as dinâmicas dos grupos. para que o aluno possa observar continuidade e estabelecer relações entre diversos conteúdos. descobertas realizadas durante a aula. mas relacionam-se com as idéias e tendências de uma determinada época e localidade. ritmos. 2. A mesma escola trabalhará com Dança e Música nas terceira e quarta séries. A história da arte O professor precisa conhecer a História da Arte para poder escolher o que ensinar. invertendo a opção pelos projetos interdisciplinares. apresentações musicais e teatrais. a época.5.

A prática de aula é resultante da combinação de vários papéis que o professor pode desempenhar antes. 2. o professor é um incentivador da produção individual ou grupal. interferindo tanto no processo criador dos alunos (com perguntas. a qualidade lúdica e a alegria estejam presentes junto com a paciência. o professor propõe questões relativas à arte. utilizando-os como elementos para uma aula. ensaios. ao mesmo tempo. sugestões. maneiras inusitadas de apresentar dados sobre artistas.1. oferecendo outras perspectivas de conhecimento. que materiais escolhem preferencialmente. bem como às formas da natureza e das que são produzidas pelas culturas. o constante desafio perceptivo. o professor é inventor de formas de apreciação da arte — como por exemplo apresentações de trabalhos de alunos — e de formas de instrução e comunicação: visitas a ateliês e oficinas de artesãos locais.5. de reflexão ou de apreciação de obras de arte.6. Antes da aula: • • • • • • o professor é um pesquisador de fontes de informação. materiais e técnicas. um livro ou um objeto trazido de casa. escolha de objetos artísticos que chamem a atenção dos alunos e provoquem questões. idéias e sugestões trazidos pelos alunos (um familiar artesão. durante e depois de cada aula. o divertimento. o professor é um apreciador de arte. exercícios de Durante a aula: • • • • • • . e assim por diante. o humor.).1. uma festa da comunidade. A produção do professor e dos alunos O professor na sala de aula é primeiramente um observador de questões como: o que os alunos querem aprender.5.). o professor é um profissional que trabalha junto à equipe da escola. Seu papel é o de propiciar a flexibilidade da percepção com perguntas que favoreçam diferentes ângulos de aproximação das formas artísticas: aguçando a percepção. desenvolvendo seu conhecimento artístico. uma música. etc. que diferenças de níveis expressivos existem. quais as suas solicitações. desafiando o conhecimento prévio. o professor é descobridor de propostas de trabalho que visam sugerir procedimentos e atividades que os alunos podem concretizar para desenvolver seu processo de criação. pelos colegas e pelos artistas e temas estudados. A percepção de qualidades estéticas O professor precisa criar formas de ensinar os alunos a perceberem as qualidades das formas artísticas. a incerteza.5. construindo junto com eles a surpresa.) quanto nas atividades de apreciação de obras e informações sobre artistas (buscando formas de manter vivo o interesse dos alunos. uma história contada. etc. poemas e contos durante a aula. a questão difícil. que conhecimento têm de arte. o mistério. leitura de notícias. um vizinho artista. o professor é propiciador de um clima de trabalho em que a curiosidade. como ingredientes dessas atividades). os que gostam de trabalhar sozinhos e em grupo. o professor é formulador de um destino para os trabalhos dos alunos (pastas de trabalhos. o professor é um criador na preparação e na organização da aula e seu espaço. escolhendo obras e artistas a serem estudados. uma dança. o professor é estimulador do olhar crítico dos alunos com relação às formas produzidas por eles.2. quais os mais e os menos interessados. a atenção e o esforço necessários para a continuidade do processo de criação artística. exposições. o professor pode tornar-se um criador de situações de aprendizagem. aceitando a aprendizagem informal que os alunos trazem para a escola e. apresentações. incentivando a curiosidade. respostas de acordo com o conhecimento que tem de cada aluno. A partir da observação constante e sistemática desse conjunto de variáveis e tendências de uma classe. etc. Assim. o professor é acolhedor de materiais. o professor é um estudioso da arte.

por exemplo. podem desenvolver a percepção de linhas. manifestações culturais particulares e assim por diante. afetivas e imaginativas. medos. com base no conjunto de dados adquiridos na experiência das aulas anteriores. dada a própria natureza de seu objeto de conhecimento. o ouvido e a palavra se aprimoram. buscando maneiras de estudar as manifestações artísticas como exemplos de diversidade cultural. o aluno do ensino fundamental pode exercitar suas capacidades cognitivas. umas com relação às outras. O respeito pelo próprio trabalho e pelos dos outros. Ao mesmo tempo. o que contribuirá para o enriquecimento do trabalho artístico dos alunos. propiciando uma aprendizagem alicerçada pelo testemunho vivo de seres humanos que transformaram tais questões em produtos de arte. cores. a capacidade de concentração para realização dos trabalhos são atitudes necessárias para a criação e apreciação artísticas. Com relação ao tema Pluralidade Cultural. • • o professor é reconhecedor do ritmo pessoal dos alunos. seu corpo se movimenta. podendo desenvolver formas pessoais de articulação entre o que veio antes e o que vem depois. documentam fatos históricos. a paciência para tentar várias vezes antes de alcançar resultado.1. É importante que o professor descubra formas de comunicação com os alunos em que ele possa evidenciar a necessidade e a significação dessas atitudes durante o processo de trabalho dos alunos. para que a aprendizagem também possa ocorrer a partir dessa análise.2. gestos e cenas.5.5. o professor poderá investigar como integrá-lo na apreciação estética dos alunos. de relações humanas. . na apreciação que cada aluno faz por si do seu trabalho com relação aos dos demais. o professor mostra a necessidade de desenvolvimento de atitudes não como regras exteriores. apresenta-se como um campo privilegiado para o tratamento dos temas transversais propostos nestes Parâmetros Curriculares Nacionais. o professor analisa os trabalhos produzidos pelos alunos junto com eles. o professor é imaginador do que está por acontecer na continuidade do trabalho. o respeito pelas diferenças entre as habilidades de cada aluno. As manifestações artísticas são exemplos vivos da diversidade cultural dos povos e expressam a riqueza criadora dos artistas de todos os tempos e lugares. o que envolve seu conhecimento da faixa etária do grupo e de cada criança em particular. de sonhos. 2. a organização do espaço. organizadas em torno da aprendizagem artística e estética. podem contribuir para uma reflexão sobre temas como os que são enunciados transversalmente. sons. o saber escutar o que os outros dizem numa discussão. perguntas e inquietações de artistas. Arte e os Temas Transversais A área de Arte. por exemplo.7. o professor é articulador das aulas. enquanto desenvolve atividades nas quais relações interpessoais perpassam o convívio social o tempo todo.observação de elementos da natureza ou das culturas. sensitivas. o espírito curioso de investigar possibilidades. mas como condições que favorecem o trabalho criador dos alunos e a aprendizagem significativa de conteúdos. de acordo com o propósito que fundamenta seu trabalho. Depois da aula: • • • 2. As atitudes dos alunos Durante o trabalho. o professor é avaliador de cada aula particular (contando com instrumentos de avaliação que podem ocorrer também durante o momento da aula. formas. suas mãos e olhos adquirem habilidades. realizados por ele e pelos alunos) e do conjunto de aulas que forma o processo de ensino e aprendizagem. Neste sentido. Muitos trabalhos de arte expressam questões humanas fundamentais: falam de problemas sociais e políticos. tal avaliação deve integrar-se no projeto curricular da sua unidade escolar. Em contato com essas produções.

por exemplo. esculturas. o valor e a riqueza das manifestações artísticas brasileiras na sua variedade. quando documentam ações de homens e mulheres em diferentes momentos da história e em culturas diversas: no intercruzamento do tema Pluralidade Cultural com o de Orientação Sexual. cerâmica utilitária e ornamental. contos tradicionais. Através da apreciação dessas obras. A partir dessas observações. E o mundo é feito de diferentes países com suas formas culturais específicas. existem nas mais variadas formas: pinturas. tecidos e uma infinidade de objetos que são diferentes em cada região do Brasil. um casal de namorados. o Brasil é um país onde existem diferentes regiões. O professor pode descobrir. cada uma com sua cultura local. conversas e produções artísticas. o professor poderá nortear discussões com os alunos. pode encontrar. é importante que o professor tenha em mente a vinculação de tais trabalhos com os grupos humanos que os produziram. outra vez os alunos podem transitar pelas diferenças. ao mesmo tempo que desenvolvem uma compreensão de códigos culturais. tendo como referência perguntas tais como: "O que é um menino? Uma menina? Um pai? Uma mãe?". As obras de arte podem também contribuir para ampliar as dimensões da compreensão dos alunos sobre a sexualidade humana. um trabalho de arte é feito da articulação entre os elementos diversos que o compõem. na sua faixa etária. diferentes materiais. A partir dessa visão. peças de teatro. Poderia observar como as crianças experimentam e expressam esses atributos corporalmente. afetivas e sociais da sexualidade. Na tarefa de seleção dos trabalhos de arte a serem utilizados. suas cantigas ou que tipo de arte se desenvolve na sua comunidade. "Como se expressam nas obras observadas?". lugar. como também propostas de trabalho a serem desenvolvidas pelos alunos. envolve cantigas e folguedos. contradições. na arte local de sua comunidade. no plano da realidade estética. mães/pais e filhos. como dão significados. por exemplo. uma fonte inestimável de aprendizagem para seus alunos. Uma atividade de intercâmbio entre escolas de diferentes regiões brasileiras possibilitará aos alunos criarem conjuntos de textos e imagens para contar às crianças de outros lugares como é seu repertório cultural: suas brincadeiras. em conversa com a experiência do artista. os alunos podem transitar de sua experiência particular para outras e vice-versa. ressignificando valores transmitidos pelo processo de socialização no que diz respeito a esse tema. Esse tipo de trabalho pode dar condições para que os alunos se percebam como produtores de cultura. É importante a escolha de produções de arte que possibilitem um diálogo entre os alunos a partir do que as obras provocam neles. tanto brasileiros quanto de outros povos. poderá nortear tanto a escolha de obras a serem trazidas para a classe.Assim como no plano da experiência mais imediata dos alunos. contemporâneos ou de outras épocas. Uma outra dimensão que faz parte das manifestações artísticas é a expressão das características do ambiente em que foram produzidas. no plano da realidade sociocultural. como representam essas diferenças nas suas atitudes. possibilitando que sua aprendizagem inclua as dimensões culturais. "Existem atributos masculinos e femininos?". ressaltando os componentes culturais neles expressos: os diversos modos de elaboração de artistas. crenças e outras características que se manifestam nesses trabalhos. dentro de sua experiência pessoal. em primeiro lugar para si mesmo. contos. pode trazer à tona a concepção que têm de um homem e uma mulher. Cria-se um espaço onde os alunos possam formular questões. O professor pode tanto apresentar formas artísticas a partir de sua pesquisa pessoal como solicitar dos alunos dados sobre a arte produzida na sua comunidade. danças. costumes. Além disso. gravuras. São formas de arte que expressam a identidade de um grupo social e não são nem mais nem menos artísticas do que as obras produzidas pelos grandes mestres da humanidade. o que contribui para o aprofundamento de conceitos e a formação da opinião particular de cada um. uma classe é feita de diferentes crianças. através da escolhas de trabalhos artísticos que expressem tais características. O universo da arte popular brasileira. época. . textos escritos (como a literatura de cordel). canções sobre heróis e heroínas. compreendendo o conceito de pluralidade cultural como parte da vida das comunidades humanas. É importante mobilizar a curiosidade dos alunos sobre contrastes. valores. às diferenças sexuais. que universaliza a questão em estudo. meninos e meninas. Uma constante na história da arte é a representação da figura humana. Do mesmo modo. se uma obra mostra. As obras de arte que apresentam relações humanas entre homens e mulheres. desigualdades e peculiaridades que integram as formações culturais em constante transformação e as distinguem entre si.

gestos.O ponto de partida do professor. como um livro de arte. abre perspectivas para a escolha de propostas para produção e apreciação de obras artísticas nas quais: • • • • haja elementos para uma reflexão sobre ambientes naturais e construídos. Trabalho por projetos Uma das modalidades de orientação didática em Arte é o trabalho por projetos. seja possível reconhecer modos como as manifestações artísticas intervêm no ambiente natural. Um cuidado a ser tomado nos trabalhos por projetos é não deixar que seu desenvolvimento ocupe todas as aulas de um semestre. Os conteúdos dos temas transversais também são favoráveis para o trabalho com projetos em Arte. Na prática. Um projeto caracteriza-se por ser uma proposta que favorece a aprendizagem significativa. ou Matemática e Arte e assim por diante. pois a estrutura de funcionamento dos projetos cria muita motivação nos alunos e oportunidade de trabalho com autonomia. movimentos. O projeto tem um desenvolvimento muito particular. cores. Música. tal como se expressa nas manifestações artísticas. práticas de simulação de ações em sala de aula que criam correspondência com situações sociais de aplicação dos temas abordados. seguindo alguns critérios: • • • eleição de projetos em conjunto com os alunos. pois projetos lidam com conteúdos variados e não permitem o trabalho aprofundado com todos os conteúdos necessários a serem abordados em cada grau de escolaridade. se os educadores estiverem abertos para as relações que eles fazem por si. físicos e sociais. pois envolve o trabalho com muitos conteúdos e organiza-se em torno de uma produção determinada. ou mesmo referentes a apenas uma das formas artísticas (Artes Visuais. Os professores planejam situações de aprendizagem para o grupo. Em um projeto. Teatro). Cada equipe de trabalho pode eleger projetos a serem desenvolvidos em caráter interdisciplinar. relacionados ao ambiente em que foram produzidos: em cidades do sul do Brasil as casas são réplicas de construções européias. deve-se circunscrever seu espaço nos planejamentos. professores e alunos elegem os produtos a serem realizados que se relacionam aos conteúdos e objetivos de cada ciclo. os povos nômades e os esquimós produzem um tipo de arte que resulta também das condições do seu ambiente. 2. enquanto as .3. como por exemplo Língua Portuguesa e Arte. Dança. O ensino fundamental permite que as áreas se incorporem umas às outras e o aluno possa ser o principal agente das relações entre as diversas disciplinas. formas. opinar sobre uma peça apresentada como se estivesse falando para uma emissora de TV em programa de notícias culturais. Os projetos devem buscar nexos na seleção dos conteúdos por série. sons. urbanos e rurais. um filme. com o objetivo de estruturar um produto concreto.5. esses elementos permitam uma discussão sobre a harmonia e o equilíbrio necessários para a preservação da vida no planeta. participação ativa dos alunos em pesquisas e produções de referenciais ao longo do projeto em formas de registro que todos possam compartilhar. por exemplo. • Os projetos também são muito adequados para que se abordem as formas artísticas que não foram eleitas no currículo daquele ciclo. os projetos podem envolver ações entre disciplinas. seja possível observar espaços. a apresentação de um grupo de música. eleição de projetos relacionados aos conteúdos trabalhados. focalizando genericamente a relação dos seres vivos com seu meio. dar um seminário como se fosse um crítico de arte.

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M. 1976. Breve histórico do ensino de Ciências Naturais .SEF PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Ciências Naturais Versão agosto / 1996 Equipe central Maria Cecília Guedes Condeixa Maria Isabel Iório Soncini Consultoria internacional Ana Spinoza (Argentina) Cesar Coll (Espanha) Assessoria ao documento preliminar Alice Pierson Colaboração ao documento preliminar Cristina Cabral Vera Grellet Índice 1. PCN . L.VYGOTSKY. São Paulo: Martins Fontes. 1984. 1983. Imagination. 1989.1. Apresentação da área de Ciências Naturais 1. WISNIK. A música em torno da semana de 22. M. __________. O coro dos contrários. A formação social da mente. O som e o sentido: uma outra história das músicas.Ensino Fundamental Ciências Naturais MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental . 1979. WARNOCK. __________. S. São Paulo: Companhia das Letras. J. Pensamento e linguagem. Lisboa: Antídoto. São Paulo: Duas Cidades. Londres: Faber and Faber.

3. Busca de informações em fontes variadas 3.3.2.2. Critérios de avaliação 2. Ser Humano e Saúde 1. Leitura de textos informativos 3. Coleta e tratamento de lixo 2. Destino das águas servidas 2. Ciências Naturais no primeiro ciclo 2.1.3. Diversidade dos equipamentos 2. Por que ensinar Ciências Naturais no ensino fundamental 1.2. Segundo ciclo 2.2.1.6.4. Breve histórico do ensino de Ciências Naturais: fases e tendências dominantes .1.3.2.1.4.2.2. Ambiente 1.3.7. Problematização 3.1.6.2. Solo e atividades humanas 2. Intenções educativas ou objetivos 3. Projetos 3.2. Objetivos 2. Sistematização de conhecimentos 3.1.2.3.1.3.1. Avaliação 4. Objetivos gerais de Ciências Naturais para o ensino fundamental 1.5.1.3. Ciências Naturais e Tecnologia 1. Captação e armazenamento da água 2.1.2.7.2.4. Ambiente 2. Escolha do problema 3. Ser Humano e Saúde 2.3.4.3.3. Experimentação 3.5.1.2.1.3.4. Fechamento do projeto 3.4. Recursos Tecnológicos 2. Recursos Tecnológicos 2.1.2. Objetivos 2. Poluição 2.3.3.3.3. Água.1.2.7.2. Ambiente 2.2.5.4.3. lixo.2.3.1.1. Aprender e ensinar Ciências Naturais no ensino fundamental 1.4.2. Ciclos 2.3. Definição do tema 3.3.3.1.2.3. Recursos Tecnológicos 2. Bibliografia 1.1.2.2.3. Critérios de avaliação 3.7. Ciências Naturais no segundo ciclo 2.4.2. Os conteúdos de Ciências Naturais no ensino fundamental 1.3.3.2. Apresentação da área de Ciências Naturais 1. Conteúdos 2.3. solo e saneamento básico 2. Observação 3.3.4.6. Conteúdos e atividades necessários ao tratamento do problema 3.7.1.7.1.1.4.2. Orientações didáticas para o primeiro e o segundo ciclos 3.3.2.4. Ser Humano e Saúde 2. Blocos temáticos 1.2.1.1.3. Avaliação 1.2.3. Primeiro ciclo 2. Conteúdos 2.

a aplicação efetiva dos projetos em sala de aula acabará se dando apenas em alguns grandes centros. dos aspectos puramente lógicos para aspectos psicológicos. É inquestionável a importância das discussões ocorridas nesse período para a mudança de mentalidade do professor. levando alguns professores a. refutá-las e abandoná-las quando fosse o caso. compreendida então como "o método científico": uma seqüência rígida de etapas preestabelecidas. testá-las. Até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases no 4. levantar hipóteses. O objetivo fundamental do ensino de Ciências passou a ser o de dar condições para o aluno identificar problemas a partir de observações sobre um fato. O conhecimento científico era tomado como neutro e não se punha em questão a verdade científica. Ainda em meados da década de 70.692. O principal recurso de estudo e avaliação era o questionário. Esse modelo caracterizou-se pelo incentivo à industrialização acelerada em todo o mundo. ministravam-se aulas de Ciências Naturais apenas nas duas últimas séries do antigo curso ginasial. Essa lei estendeu a obrigatoriedade do ensino da disciplina a todas as séries ginasiais. com a lei no 5. reconhecendo-se a importância da vivência científica não apenas para eventuais futuros cientistas mas também para o cidadão comum. decorrente de uma ruptura com o modelo desenvolvimentista deflagrado após a Segunda Guerra Mundial. seria possível descobrir as leis da natureza.024/61. ainda que esforços de renovação estivessem em processo. identificarem metodologia científica com metodologia do ensino de Ciências. tem se orientado por diferentes tendências. inadvertidamente. e muitas vezes ocorriam distorções. o cenário escolar era dominado pelo ensino tradicional. É o caso da aplicação de material instrucional composto por textos e atividades experimentais. que começa a assimilar. trabalhando de forma a tirar conclusões sozinho. Objetivos preponderantemente informativos deram lugar a objetivos também formativos. ao longo de sua curta história na escola fundamental. A qualidade do curso era definida pela quantidade de conteúdos trabalhados. naquela ocasião. Apenas a partir de 1971. que ainda hoje se expressam nas salas de aula. Aos professores cabia a transmissão de conhecimentos acumulados pela humanidade. sintoma da grave crise econômica mundial. as grandes facilitadoras do processo de transmissão do saber científico. a democratização do conhecimento científico. As concepções de produção do conhecimento científico e de aprendizagem das Ciências subjacentes a essa tendência eram de cunho empirista/indutivista: a partir da experiência direta com os fenômenos naturais. vale a pena reunir fatos e diagnósticos que não perdem sua importância como parte de um processo. As propostas para o ensino de Ciências debatidas para a confecção da lei orientavam-se pela necessidade de o currículo responder ao avanço do conhecimento científico e às demandas geradas por influência da Escola Nova.024/1961. o qual os alunos deveriam responder detendo-se nas idéias apresentadas em aula ou no livro-texto escolhido pelo professor.O ensino de Ciências Naturais. valorizando a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem. A ênfase no "método científico". e aos alunos a absorção das informações. É com essa perspectiva que se buscava. acompanhou durante muito tempo os objetivos do ensino de Ciências Naturais. O aluno deveria ser capaz de "redescobrir" o já conhecido pela ciência. As atividades práticas chegaram a ser proclamadas como a grande solução para o ensino de Ciências. apropriando-se da sua forma de trabalho. em que se "pulavam" as atividades e estudavam-se apenas os textos. instalou-se uma crise energética. novos objetivos para o ensino de Ciências Naturais. Essa tendência deslocou o eixo da questão pedagógica. Ainda que resumidamente. Quando foi promulgada a LDB 4. Mesmo nesses casos. Porém. não eram aplicados na sua totalidade. o simples experimentar não garantia a aquisição do conhecimento científico. ignorando-se os custos sociais e ambientais desse . Durante a década de 80 pesquisadores do ensino de Ciências Naturais puderam demonstrar o que professores já reconheciam em sua prática. através de aulas expositivas. mesmo que num plano teórico. As atividades práticas passaram a representar importante elemento para a compreensão ativa de conceitos. A preocupação em desenvolver atividade experimental começou a ter presença marcante nos projetos de ensino e nos cursos de formação de professores. também porque era já acentuada a carência de espaço e equipamento adequado às atividades experimentais. Ciências Naturais passa a ter caráter obrigatório nas oito séries do primeiro grau. custeada por empréstimos norte-americanos.

Faz-se necessária a discussão das implicações políticas e sociais da produção e aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos. São dois seus pressupostos básicos: a aprendizagem provém do envolvimento ativo do aluno com a construção do conhecimento e as idéias prévias dos alunos têm papel fundamental no processo de aprendizagem. mesmo que abordados em diferentes níveis de profundidade e pertinência. Foram correntes que influenciaram o ensino de Ciências em paralelo à tendência CTS. Tecnologia e Sociedade" (CTS). Tais críticas não invalidam o processo de construção conceitual e seus pressupostos. São úteis. são fortemente abaladas a crença na neutralidade da Ciência e a visão ingênua do desenvolvimento tecnológico. Não leva em conta que a construção de conhecimento científico tem exigências relativas a valores humanos. A contrapartida didática à pesquisa das concepções alternativas é o modelo de aprendizagem por mudança conceitual. que tomou vulto nos anos 80 e é importante até os dias de hoje. aos problemas de inadequação das formas utilizadas para a transmissão do conhecimento e à formulação da estrutura da área. à construção de uma visão de Ciência e suas relações com a Tecnologia e a Sociedade e ao papel dos métodos das diferentes ciências. núcleo de diferentes correntes construtivistas. . Ao longo das várias mudanças. Problemas ambientais que antes pareciam ser apenas do Primeiro Mundo passaram a ser realidade reconhecida de todos os países. buscando-se um caráter interdisciplinar. o que tem representado importante desafio para a didática da área. pois ainda persistia a crença no método da redescoberta que caracterizou a área desde os anos 60. as críticas ao ensino de ciências voltavam-se basicamente à atualização dos conteúdos. que no Brasil se organizaram em correntes importantes. Em meio à crise político-econômica. tanto em âmbito social como nas salas de aula. Tem-se verificado que as concepções espontâneas das crianças e adolescentes se assemelham a concepções científicas de outros tempos. o mesmo não se verificou com relação aos métodos de ensino/aprendizagem. Desde os anos 80 até hoje é grande a produção acadêmica de pesquisas voltadas à investigação das préconcepções de crianças e adolescentes sobre os fenômenos naturais e suas relações com os conceitos científicos. sendo incapazes de deslocar os conceitos intuitivos com os quais os alunos chegavam à escola. Os problemas relativos ao meio ambiente e à saúde começaram a ter presença quase obrigatória em todos currículos de Ciências Naturais. Era traço comum a essas tendências a importância conferida aos conteúdos socialmente relevantes e aos processos de discussão em grupo. se desenvolve acompanhada por estudos sobre História das Ciências. Química e Geociências começou a dar lugar a um ensino que integrasse os diferentes conteúdos. No âmbito da pedagogia geral. dentro e fora do Brasil. Noções que não eram consideradas no processo de ensino e aprendizagem e que são centrais nas tendências construtivistas.desenvolvimento. Se por um lado houve renovação dos critérios para escolha de conteúdos. Esse modelo tem merecido críticas que apontam a necessidade de reorientar as investigações para além das pré-concepções dos alunos. Uma importante linha de pesquisa acerca dos conceitos intuitivos é aquela que. No campo do ensino de Ciências Naturais as discussões travadas em torno dessas questões iniciaram a configuração de uma tendência do ensino. espontâneos. Correntes da psicologia demonstraram a existência de conceitos intuitivos. sobretudo. É o caso das explicações de tipo lamarckista sobre o surgimento e diversidade da vida e das concepções semelhantes às aristotélicas para o movimento dos corpos. O reconhecimento de que conceitos básicos e reiteradamente ensinados não chegavam a ser corretamente compreendidos. que só é possível embasada naquilo que ele já sabe. Nos anos 80 a análise do processo educacional passou a ter como tônica o processo de construção do conhecimento científico pelo aluno. norteada por idéias piagetianas. A partir dos anos 70 questionou-se tanto a abordagem quanto a organização dos conteúdos. alternativos ou pré-concepções acerca dos fenômenos naturais. como a Educação Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. A produção de programas pela justaposição de conteúdos de Biologia. inclusive do Brasil. Tais pressupostos não foram desconsiderados em currículos oficiais recentes. conhecida como "Ciência. as discussões sobre as relações entre educação e sociedade são determinantes para o surgimento das tendências progressistas. para redimensionar as pesquisas e as práticas construtivistas da área. mobilizou pesquisas para o conhecimento das representações espontâneas dos alunos. Física.

tornando-se assim indivíduos que. para a ampliação das explicações acerca dos fenômenos da natureza. Durante os últimos séculos. o ensino de Ciências Naturais pode contribuir para uma reconstrução da relação homem-natureza em outros termos. o ser humano foi considerado o centro do Universo. O conhecimento sobre como a natureza se comporta e a vida se processa contribui para o aluno se posicionar com fundamentos acerca de questões bastante polêmicas e orientar suas ações de forma mais consciente. voltado para uma aprendizagem efetiva em . É espaço de expressão das explicações espontâneas dos alunos e daquelas oriundas de vários sistemas explicativos. o que impede o exercício da cidadania crítica e consciente. é a meta que se propõe para o ensino da área na escola fundamental. não é possível pensar na formação de um cidadão crítico à margem do saber científico. Mostrar a Ciência como um conhecimento que colabora para a compreensão do mundo e suas transformações. que interage com o meio em sentido amplo. o destino dado ao lixo industrial. os fenômenos da natureza e as transformações produzidas pelo homem podem ser expostos e comparados. São exemplos dessas questões: a manipulação gênica. social e afetiva refletem-se na arquitetura do corpo. e para a compreensão da sexualidade humana sem preconceitos. redefiniu seus espaços. para a compreensão dos recursos tecnológicos que realizam essas mediações. divorciado da reflexão sobre o significado ético dos conteúdos desenvolvidos no interior da Ciência e suas relações com o mundo do trabalho. Apropriou-se de seus processos. portanto. os indivíduos pouco refletem sobre os processos envolvidos na sua criação. O ensino de Ciências Naturais também é espaço privilegiado em que as diferentes explicações sobre o mundo. não exercem opções autônomas. Tanto os aspectos da herança biológica quanto aqueles de ordem cultural. O corpo humano. A apropriação de seus conceitos e procedimentos pode contribuir para o questionamento do que se vê e ouve. Também é importante o estudo do ser humano considerando-se seu corpo como um todo dinâmico. Possibilita a percepção dos limites de cada modelo explicativo. de não aceitação a priori de idéias e informações. questionadora e investigativa. seja para realizar tarefas corriqueiras e opções de consumo. para o entendimento da saúde como um valor pessoal e social. seja para incorporar-se ao mundo do trabalho. Contrapor e avaliar diferentes explicações favorece o desenvolvimento de postura reflexiva. Por que ensinar Ciências Naturais no ensino fundamental: Ciências Naturais e cidadania Numa sociedade em que se convive com a supervalorização do conhecimento científico e com a crescente intervenção da tecnologia no dia-a-dia. os desmatamentos. quando se depara com uma crise ambiental que coloca em risco a vida do planeta. crítica. não é uma máquina e cada ser humano é único como único é seu corpo. Apesar de a maioria da população fazer uso e conviver com incontáveis produtos científicos e tecnológicos. colaborando para a construção da autonomia de pensamento e ação. para a reflexão sobre questões éticas implícitas nas relações entre Ciência. produção e distribuição. seja para interpretar e avaliar informações científicas veiculadas pela mídia. alterou seus ciclos. da postura de respeito ao próprio corpo e ao dos outros. para reconhecer o homem como parte do universo e como indivíduo.1. A sociedade atual tem exigido um volume de informações muito maior do que em qualquer época do passado. Ao se considerar ser o ensino fundamental o nível de escolarização obrigatório no Brasil. o acúmulo na atmosfera de produtos resultantes da combustão. a área de Ciências pode contribuir para a formação da integridade pessoal e da auto-estima.2. Hoje. É importante que se supere a postura "cientificista" que levou durante muito tempo a considerar-se ensino de Ciências como sinônimo da descrição de seu instrumental teórico ou experimental. hospitalar e doméstico. Nessa perspectiva. não se pode pensar no ensino de Ciências como um ensino propedêutico. para a compreensão e valoração dos modos de intervir na natureza e de utilizar seus recursos. pela falta de informação. entre muitas outras. subordinando-se às regras do mercado e dos meios de comunicação. O homem acreditou que a natureza estava à sua disposição. Sociedade e Tecnologia. seja para interferir em decisões políticas sobre investimentos à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias e suas aplicações. inclusive a humana. inclusive dos modelos científicos.

Mesmo que tal teoria tenha encontrado muitos opositores e revelado pontos frágeis. e não como produto de catástrofes. que também se ocupa da difusão social do conhecimento produzido. organizar e sintetizar o conhecimento em teorias. nesse sentido. reinterpretam as observações celestes e propõem o modelo heliocêntrico. Paleontologia e Embriologia. embora o processo de acumulação. estes foram. que foi leitor e amigo do geólogo. São traços gerais das Ciências buscar compreender a natureza. o ser humano. Darwin elabora uma teoria da evolução que possibilita uma interpretação geral para o fenômeno da diversidade da vida. trabalhadas e debatidas pela comunidade científica. o tempo.3. um mesmo aspecto da natureza passa a ser explicado segundo uma nova compreensão geral. ou seja. a teoria da combustão pelo oxigênio. Na história das Ciências são notáveis as transformações na compreensão dos diferentes fenômenos da natureza especialmente a partir do século XVI. O conhecimento da natureza não se faz por mera acumulação de informações e interpretações. Esse processo tem início na Astronomia. Não foi sem debates e controvérsias que se instalaram os paradigmas fundadores das ciências modernas. que desloca definitivamente a Terra do centro do Universo. A criança não é cidadã do futuro. gerar representações do mundo — como se entende o universo. a vida —. entre eles Buffon e Cuvier. descobrir e explicar novos fenômenos naturais. através de mudanças graduais e lentas.momento futuro. Mas o percurso das Ciências tem rupturas e depende delas. Kepler e Galileu (séculos XVI e XVII). como afirmavam a Bíblia e alguns cientistas. muito sucinta e linear. sua relação de mão dupla com o tecnológico e o caráter não neutro desses fazeres humanos. teve e sempre terá grande significado — a própria designação e concepção de muitos ramos das ciências e da Matemática. contribuindo para a concepção de que a Terra se formou ao longo do tempo. mas que . mais tarde. quando começam a surgir os paradigmas da Ciência moderna. confirmando e dando mais consistência à formulação de Darwin. 1. mas já é cidadã hoje. Poucas décadas depois da publicação da geologia de Lyell. e. Ciências Naturais e Tecnologia Não se pretende traçar considerações aprofundadas acerca de cada uma dessas atividades humanas. formulada por Lavoisier (século XVIII). assentada sobre os conceitos de adaptação e seleção natural. um novo paradigma. estabelecendo um paradigma rigoroso e hegemônico até o século passado. Mas é intenção deste texto oferecer aos educadores alguns elementos que lhes permitam compreender as dimensões do fazer científico. Zoologia. Tomando os conhecimentos produzidos pela Botânica. das interações entre elas e de seu desenvolvimento histórico. que. não poderia mostrar esse aspecto que possibilita compreender como as mudanças dos paradigmas são revoluções não apenas no âmbito interno das Ciências. são as mesmas da Grécia antiga. notadamente de Galileu e Kepler. as ciências da vida alcançam uma teoria unificadora através da obra de Darwin. através dos trabalhos de Copérnico. o espaço. Quando novas teorias são aceitas. Lyell (século XIX) teoriza acerca da crosta terrestre ser constituída por camadas de diferentes idades. teve importante papel na solução dos debates da época e é considerada. como a Geometria. Reinterpreta-as com o auxílio de um modelo matemático que esquematizou. A Mecânica foi formulada por Newton (século XVII) a partir das informações acumuladas pelos trabalhos de outros pensadores. avaliando-os à luz dos dados que obteve em suas viagens de exploração e das relações que estabeleceu entre tais achados. Esta apresentação. a pedra angular da Revolução Química. os mesmos fatos são descritos em novos termos criando-se novos conceitos. explicados com o desenvolvimento da Genética e a com cooperação de outros campos do conhecimento. de posse de dados mais precisos obtidos pelo aperfeiçoamento das técnicas. convicções antigas são abandonadas em favor de novas. conhecer ciência é ampliar a sua possibilidade presente de participação social e viabilizar sua capacidade plena de participação social no futuro. Na Química. segundo muitos filósofos e historiadores. a matéria. de herança.

em meio à industrialização intensa e à urbanização absurdamente concentrada. Isso valeu para a roda d’água medieval. é a realização de uma ordem já inscrita na própria constituição da matéria primeva. também potenciadas pelos conhecimentos científicos e tecnológicos. as microscópicas estruturas de construção dos seres. Atualmente. convive-se com ameaças como o buraco na camada de ozônio. a Ciência e a Tecnologia são fortemente associadas às questões sociais e políticas. na delicada estrutura da informação genética das células vivas. são exemplos de tecnologias científicas que alcançam a todos. A lógica quântica mostra que a intervenção do observador modifica o objeto observado. seria vã a esperança de um conhecimento objetivo do mundo desprendida de qualquer influência subjetiva. . Também não traz à luz a intrincada rede de relações entre a produção científica e o contexto socioeconômico e político em que ela se dá. Mas freqüentemente interesses econômicos e políticos conduzem a produção científica ou tecnológica. mais cedo ou mais tarde. é pretensa qualquer separação radical entre esta e inúmeros desenvolvimentos tecnológicos. sendo atividades humanas. uma polêmica deste século. pela primeira vez. assegurando a parceria em resultados: os semicondutores que propiciaram a informática e a chamada "terceira revolução industrial". ainda que nem sempre o leigo consiga entender sua amplitude. se a origem da vida é um acidente. O observador interfere no fenômeno. Ao longo da história é possível verificar que a formulação e o sucesso das diferentes teorias científicas estão associados a aspectos de seu momento histórico. consagrada como onda. a exemplo da termodinâmica. com questões existenciais de grande repercussão filosófica. Elétrons. comportam-se como ondas ao atravessarem um cristal. quando abordados do ponto de vista do infinitamente pequeno e do infinitamente grande. de dupla mão de direção. uma casualidade que poderia não ter acontecido ou se. A luz. as doenças endêmicas não controladas e as decorrentes da poluição. O desenvolvimento da tecnologia de produção industrial deu margem a desenvolvimentos científicos. consagrados como partículas. que surgiu com a primeira revolução industrial. a fome. pelo contrário. sua reprodução e seu desenvolvimento. pois a observação é uma interação. A associação entre Ciência e Tecnologia se estreita. a exemplo da eletrodinâmica na segunda revolução industrial e da quântica na terceira. E essa dualidade onda-partícula é um traço universal do mundo quântico de toda matéria. tornando-se mais presente no cotidiano e modificando. As idéias herdadas da cultura clássica revelam-se insuficientes para explicar fenômenos. construída a partir de observações diversas e de olhares descontínuos. Assim. A Biologia reflete e abriga os dilemas dessa nova lógica. Motivações aparentemente singelas. no entanto. Da mesma forma. não alcançadas pela lógica do senso comum. as tecnologias de produção também se apropriaram de descobertas científicas. por exemplo.alcançam. a bomba atômica. magnéticas e elétricas dos materiais e desvendar a estrutura microscópica da vida. Essa nova lógica permitirá compreender. para o motor elétrico do século passado e para o desenvolvimento do laser e dos semicondutores neste século. em que. a enorme regularidade das propriedades químicas. pois há ainda quem advogue uma total objetividade do conhecimento científico. Ao mesmo tempo." Essa continua sendo. inigualável a tempos anteriores. capaz de produzir novas espécies vegetais e animais com características previamente estipuladas. Explica-se quanticamente a estrutura infinitesimal. a engenharia genética. a despeito do distinto "estatuto" da investigação científica. O desenvolvimento da física quântica mostrou uma realidade que demanda outras representações. é importante reiterar que. "O que nós chamamos de realidade não é nada mais que uma síntese humana aproximativa. Há assim um movimento retroalimentado. como a curiosidade ou o prazer de conhecer são importantes na busca de conhecimento para o indivíduo que investiga a natureza. toda a sociedade. A associação entre Ciência e Tecnologia se amplia. conta-se com a sofisticação da medicina científica das tomografias computadorizadas e com a enorme difusão da teleinformática. Finalmente. No mundo quântico a lógica causal e a relação de identificação espaço/tempo são outras. o próprio mundo. pode se comportar como partícula. no âmago cristalino das grandes rochas. ópticas. cada vez mais. E se debate. Este século presencia um intenso processo de criação científica.

que se apresentam como conjuntos de proposições e metodologias altamente estruturados e formalizados. De um lado. especialmente a Tecnologia.Não há. resumidos na introdução. conhecimentos intuitivos. adquiridos pela vivência. . pela cultura e senso comum. tem-se a estrutura do conhecimento científico e seu processo histórico de produção. contextualizada nas relações entre as sociedades humanas e a natureza. orientando o trabalho escolar para o conhecimento sobre fenômenos da natureza. A história das Ciências também é fonte importante de conhecimentos na área. Portanto. Estabelecer relações entre o que é conhecido e as novas idéias. O grau de amadurecimento intelectual e emocional do aluno e sua formação escolar são relevantes na elaboração desses conhecimentos prévios. Para o ensino de Ciências Naturais é necessária a construção de uma estrutura geral da área que favoreça a aprendizagem significativa do conhecimento historicamente acumulado e a formação de uma concepção de Ciência. em sua complexidade. portanto. que são um horizonte para onde orientar as investigações em aulas e projetos de Ciências. seja a mesma que organiza o ensino e a aprendizagem de Ciências Naturais no ensino fundamental. Pela abrangência e pela natureza dos objetos de estudo das Ciências. é importante conceber a relação de ensino e aprendizagem como uma relação entre sujeitos. Física. um painel de objetos de estudo — fenômenos naturais e modos de realizar transformações no meio —. De outro lado.4. Se a intenção é que os alunos se apropriem do conhecimento científico e desenvolvam uma autonomia no pensar e no agir. Biologia. acerca dos conceitos que serão ensinados na escola. muito distantes. que deve ser concebida como oportunidade de encontro entre o aluno. é possível desenvolver a área de forma muito dinâmica. no espaço e no tempo. palavras e proposições com significados que evoluam. é necessário considerar as estruturas de conhecimento envolvidas no processo de ensino e aprendizagem — do aluno. na formação de atitudes e valores humanos. da Ciência. Aspectos do desenvolvimento afetivo. com os ambientes e com os recursos naturais devem ter lugar no ensino. neutralidade nos interesses científicos das nações. os estudantes possuem um repertório de representações. particularmente do pensamento científico. nem dos grupos de pesquisa que promovem e interferem na produção do conhecimento. incluindo o ser humano e as tecnologias mais próximas e mais distantes. a seu modo e com determinado papel. para que se possa construir com os alunos uma concepção interativa de Ciência e Tecnologia não neutras. entre o particular e o geral. o professor também carrega consigo muitas idéias de senso comum. conteúdo que passa a ser abordado com mais profundidade nas séries finais do ensino fundamental. Geociências e Química — têm por referência as teorias vigentes. que envolve relações com várias atividades humanas. do professor. com valores humanos e concepções de Ciência. dos valores e das atitudes também merecem atenção ao se estruturar a área de Ciências Naturais. reunindo os repertórios de vivências dos alunos e oferecendo-lhes imagens. apontam a importância da análise psicológica e epistemológica do processo de ensino e aprendizagem de Ciências Naturais para compreendê-lo e reestruturá-lo. ainda que tenha elaborado parcelas do conhecimento científico. é necessário considerar. portanto. definir contrapontos entre os muitos elementos no universo de conhecimentos são processos essenciais à estruturação do pensamento. Também é possível o professor versar sobre a história das idéias científicas. das instituições. Não se pode pretender que a estrutura das teorias científicas. entre o comum e o diferente. do aluno em formação. Além disso. na perspectiva de ultrapassar o conhecimento intuitivo e o senso comum. A história das idéias científicas e a história das relações do ser humano com seu corpo. o professor e o mundo. suas relações com a Tecnologia e com a Sociedade. em que cada um. A dimensão histórica pode ser introduzida na séries iniciais na forma de história dos ambientes e das invenções. As teorias científicas oferecem modelos lógicos e categorias de raciocínio. está envolvido na construção de uma compreensão dos fenômenos naturais e suas transformações. 1. Aprender e ensinar Ciências Naturais no ensino fundamental Os avanços das pesquisas na didática das Ciências. Os campos do conhecimento cintífico — Astronomia.

o confronto entre suposições e entre elas e os dados obtidos por investigação. que ainda assim conversa com os alunos sobre detalhes necessários ao desenho. tornando-se autônomos. desde que a aprendizagem tenha sido significativa. isto é. é construído com a intervenção do professor. a comparação. na sua construção como ser social. Ao professor cabe selecionar. gráficos. Mas esse processo não é espontâneo. as crianças podem fazer seu próprio desenho de observação. para organizá-los em um corpo de conhecimentos sistematizados. Definições são o ponto de chegada do processo de ensino. Ganhar consciência da existência de diferentes fontes de explicação para as coisas da natureza e do mundo é tão importante quanto aprender conceitos científicos. o aluno pode ganhar consciência da coexistência de diferentes sistemas explicativos para o mesmo conjunto de fatos e fenômenos. tabelas. Os alunos têm idéias acerca do seu corpo. no início imitando o professor. Em seguida. sim. que a intervenção do professor será a de apresentar idéias gerais a partir das quais o processo de investigação sobre o objeto possa se estabelecer. o estabelecimento de relações entre fatos ou fenômenos e idéias. e. Em Ciências Naturais são procedimentos fundamentais aqueles que permitem a investigação. Nesse caso o ensino não provocou uma mudança conceitual. desde que o professor interfira adequadamente. Ao longo do ensino fundamental a aproximação ao conhecimento científico se faz gradualmente. esquemas e textos. Além disso. da mesma forma que conceitos. que o professor tenha claro que o ensino de Ciências não se resume a apresentação de definições científicas. estando apto a reconhecer e aplicar diferentes domínios de idéias em diferentes situações. a organização de informações através de desenhos. Por exemplo. no entanto. organizar e problematizar conteúdos de modo a promover um avanço no desenvolvimento intelectual do aluno. sendo esperado que esse primeiro desenho se assemelhe ao do professor. criando situações interessantes e significativas. O ensino desses procedimentos só é possível pelo trabalho com diferentes temas . fornecendo informações que permitam a reelaboração e a ampliação dos conhecimentos prévios. A apresentação de um assunto novo para o aluno também é instigante. os alunos são convidados à prática de tais procedimentos. são diferentes procedimentos que possibilitam a aprendizagem. são modelos com uma lógica interna. Sabe-se também que nem sempre todos os alunos de uma classe têm idéias prévias acerca de um objeto de estudo. estarão em movimento de ressignificação. a experimentação. Isso não significa que tal objeto não deva ser estudado. significa afirmar que é dele o movimento de ressignificar o mundo. Em outras oportunidades as crianças poderão começar o desenho de observação sem o modelo do professor. fatos e noções. propondo articulações entre os conceitos construídos. É importante. o aluno adquiriu um novo conceito. sendo que o estabelecimento dos conceitos científicos se configura nos ciclos finais. a proposição de suposições. dos fenômenos naturais e dos modos de realizar transformações no meio. de construir explicações norteadas pelo conhecimento científico. A observação. Nos primeiros ciclos o aluno constrói repertórios de imagens. a comunicação e o debate de fatos e idéias. aquilo que se pretende que o aluno compreenda ao longo de suas investigações. Significa. aos poucos. conversando com as crianças sobre os detalhes de cores e formas que permitem que o desenho seja uma representação do objeto original. o professor inicia a atividade desenhando na lousa. ao trabalhar o desenho de observação. Pesquisas têm mostrado que muitas vezes conceitos intuitivos coexistem com conceitos científicos aprendidos na escola. carregados de símbolos da sua cultura.Dizer que o aluno é sujeito de sua aprendizagem. Da mesma forma que os conteúdos conceituais. constroem-se representações. a proposição e a solução de problemas. No contexto da aprendizagem ativa. mas. a leitura e a escrita de textos informativos. em geral fora do alcance da compreensão dos alunos. procedimentos e atitudes também são aprendidos. eles podem perceber os limites de seus modelos e a necessidade de novas informações. e durante as investigações surgem dúvidas. Convidados a expor suas idéias para explicar determinado fenômeno e a confrontá-las com outras explicações. os procedimentos devem ser construídos pelos alunos através de comparações e discussões estimuladas por elementos e modelos oferecidos pelo professor. É o professor quem tem condições de orientar o caminhar do aluno. buscam-se informações e confrontam-se idéias.

Diante dessa situação.. ou considera errada a resposta. um texto ou trecho de texto. pois não lhes é possível elaborar respostas com o grau de generalização requerido. Note-se que este tipo de avaliação não constitui uma atividade desvinculada do processo de ensino e aprendizagem. pois em nenhum deles considerou que a inadequação era da pergunta e não da resposta. Desta forma. como a cultura e o sistema produtivo. àquelas vivenciadas anteriormente no decorrer dos estudos. É também essencial que sejam levadas em conta por ocasião das avaliações. No planejamento e no desenvolvimento dos temas de Ciências em sala de aula. entre outros procedimentos que desenvolveu no curso de sua aprendizagem. São situações semelhantes. ou seja.. A essas perguntas acabam respondendo com exemplos: "Por exemplo. Incentivo às atitudes de curiosidade. de forma compatível com o sentido amplo que se adotou para os conteúdos do aprendizado. de procedimentos e de atitudes. a avaliação restringe-se à verificação da aquisição de conceitos pelos alunos. às provas obtidas através de investigações. as ocorrências mais freqüentes são: o professor aceita os exemplos como definição. . para que valores e posturas sejam desenvolvidos tendo em vista o aluno que se tem a intenção de formar.". entendendo que o aluno não conseguiu aprender. Se se considerar oportuno superar . se estão em processo de aquisição. Pergunta-se: "O que é. a avaliação deve considerar o desenvolvimento das capacidades dos alunos com relação à aprendizagem de conceitos. como a responsabilidade em relação à saúde e ao ambiente. as relações entre o homem e a natureza.. antes. proceder determinadas formas de registro. mas não iguais. Nessas discussões. Avaliação Coerentemente à concepção de conteúdos e aos objetivos propostos. Afinal é ele uma referência importante para sua classe. É muito importante que esta dimensão dos conteúdos seja objeto de reflexão e de ensino do professor. de respeito à diversidade de opiniões. uma figura. cada uma das dimensões dos conteúdos deve ser explicitamente tratada. Outro tipo bastante freqüente de perguntas são aquelas que solicitam respostas extraídas diretamente dos livros-texto ou das lições ditadas pelo professor. que interprete uma história. através de questionários nos quais grande parte das questões exige definições de significados. É necessário que a proposta de interpretação ocorra em suficiente número de vezes para que o professor possa detectar se os alunos já elaboraram os conceitos e procedimentos em estudo.?". de preservação do ambiente. outros não. à persistência na busca e compreensão das informações. transmitindo para o aluno a noção de que exemplificar é definir. sendo. de valorização da vida em sua diversidade. Certos temas podem ser objeto de observações diretas e/ou experimentação.de interesse científico. Tradicionalmente. Nos dois casos a intervenção do professor comprometeu a aprendizagem. o conhecimento e o ambiente. estabelecer relações. têm lugar no processo de ensino e aprendizagem. 1. o respeito à diversidade de opiniões ou às provas obtidas através de investigação e a colaboração na execução das tarefas são elementos que contribuem para o aprendizado de atitudes. de apreço e respeito à individualidade e à coletividade. que serão investigados de formas distintas. ou se ainda expressam apenas conhecimentos prévios. São situações que também induzem a realizar comparações. A avaliação da aquisição dos conteúdos pode ser efetivamente realizada ao se solicitar ao aluno que interprete situações determinadas. embora muitas vezes o professor não se dê conta estará sempre legitimando determinadas atitudes com seus alunos. Em Ciências Naturais é relevante o desenvolvimento de posturas e valores pertinentes às relações entre os seres humanos. Quanto ao ensino de atitudes e valores. mais um momento desse mesmo processo. Perguntas desse tipo são bastante inadequadas a alunos dos três primeiros ciclos do ensino fundamental. tanto a evolução conceitual quanto a aprendizagem de procedimentos e atitudes estão sendo avaliadas. O desenvolvimento desses valores envolve muitos aspectos da vida social.5. O fato de os alunos responderem de acordo com o texto não significa que tenham compreendido o conceito em questão.. cujo entendimento demanda os conceitos que estão sendo aprendidos. um problema ou um experimento.

mas. registros. Estão organizados em teorias científicas. sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção coletiva do conhecimento. não apenas os métodos de ensino precisam ser revistos. Os conteúdos de Ciências Naturais no ensino fundamental Os conteúdos não serão apresentados em blocos de conteúdo. procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar. respostas. Os conceitos da área de Ciências Naturais. para coleta. identificar relações entre conhecimento científico. mas em blocos temáticos. são um primeiro referencial para os conteúdos do aprendizado. experimentações. organização. formular questões. sendo o ser humano parte integrante e agente de transformações do mundo em que vive. • • • • • 1. os alunos tenham as seguintes capacidades: • • • compreender a natureza como um todo dinâmico. saber combinar leituras. que não são definidos. produção de tecnologia e condições de vida. tempo. de modo coerente. utilizando conhecimentos de natureza científica e tecnológica.7. servindo. O erro precisa ser tratado não como incapacidade de aprender. perceber que há diferenças entre o senso comum e os conceitos científicos e que é necessário saber aplicar diferentes domínios de idéias em diferentes situações. Os blocos temáticos indicam perspectivas de abordagem e dão organização aos conteúdos sem se configurarem como padrão rígido. matéria. os meios e a concepção de avaliação. sistema. argumentações e formulações incompletas do aluno. tratar conteúdos de importância local e fazer conexão entre conteúdos dos diferentes blocos. compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas.6. valorizar o trabalho em grupo. das demais áreas e dos temas transversais. etc. espaço. Objetivos gerais de Ciências Naturais para o ensino fundamental Os objetivos de Ciências Naturais no ensino fundamental são concebidos para que o aluno desenvolva competências que lhe permitam compreender o mundo e atuar como indivíduo e como cidadão. . dada a natureza da área.o ensino "ponto-questionário". transformação. Esses objetivos de área são coerentes com os objetivos gerais estabelecidos na Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais e também com aqueles distribuídos nos Temas Transversais. saber utilizar conceitos científicos básicos. 1. mas como elemento que sinaliza ao professor a compreensão efetiva do aluno. O ensino de Ciências Naturais deverá então se organizar de forma que. colocando em prática conceitos. equilíbrio e vida. associados a energia. comunicação e discussão de fatos e informações. Estão organizados em blocos temáticos para que não sejam tratados como assuntos isolados. ao final do ensino fundamental. mas se transformam continuamente. diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partir de elementos das Ciências Naturais. observações. Em cada bloco temático são apontados conceitos. O erro é um elemento que permite ao aluno entrar em contato com seu próprio processo de aprendizagem. ou em conhecimentos tecnológicos.. no mundo de hoje e em sua evolução histórica. que são conhecimentos desenvolvidos pelas diferentes ciências e aqueles relacionados às tecnologias. distinguindo usos corretos e necessários daqueles prejudiciais ao equilíbrio da natureza e ao homem. compreender a saúde como bem individual e comum que deve ser promovido pela ação coletiva. para reorientar a prática pedagógica e fazer com que avance na construção de seu conhecimento. pois possibilitam estabelecer diferentes seqüências internas aos ciclos. O erro faz parte do processo de aprendizagem e pode estar expresso em registros. procedimentos e atitudes centrais para a compreensão da temática em foco. conforme já discutido neste documento. então.

em seu cotidiano. Implicam em observar. São eles: • os conteúdos devem se constituir em fatos. sintetizar. Os Temas Transversais apontam conteúdos particularmente apropriados para isso. vale apontar as inúmeras possibilidades que esta estrutura traz para a organização dos currículos regionais e locais. deve ser considerada pelo professor em seu planejamento. apresentando alcances diferentes nos diferentes ciclos. O bloco Terra e Universo só será destacado a partir do terceiro ciclo e não será abordado neste documento. de senso comum. ciclo. e Terra e Universo. acerca da natureza e da tecnologia. selecionar e elaborar o conhecimento. portanto. comparar. analisar. espaço. Ser Humano e Saúde.7. Os três primeiros blocos se desenvolvem ao longo de todo o ensino fundamental. com significados particulares ou comuns. Sendo a natureza uma ampla rede de relações entre fenômenos. equilíbrio.1. de maneira que ele possa operar com tais conteúdos e avançar efetivamente nos seus conhecimentos. superando interpretações ingênuas sobre a realidade à sua volta. entre as partes e o todo. o estabelecimento de critérios para a seleção dos conteúdos. Por isso. matéria. registrar. de acordo com os objetivos gerais da área e com os fundamentos apresentados nestes Parâmetros Curriculares Nacionais. São conceitos que importam e interferem no aprendizado científico. Faz-se necessário. adotou-se como segundo referencial esse conjunto de conceitos centrais. interpretar e comunicar conhecimento. para compreender os fenômenos naturais e os conhecimentos tecnológicos em mútua relação. as Geociências e a Química. para permitirem ao aluno compreender. Um terceiro referencial para os conteúdos nas Ciências Naturais são as explicações intuitivas. os conteúdos devem ser relevantes do ponto de vista social e ter revelados seus reflexos na cultura. a Física. tempo. procedimentos. sistema. fluxo. assim como dos conhecimentos tecnológicos. o conhecimento e o ambiente. . os conteúdos devem favorecer a construção de uma visão de mundo. relação. O ensino de Ciências Naturais deve relacionar fenômenos naturais e objetos da tecnologia. • • 1. conceitos. variação. na relação entre o homem. a Biologia. uma perspectiva interdisciplinar. interação e vida estão presentes em diferentes campos e ciências. entre os quais o homem. possibilitando a percepção de um mundo permanentemente reelaborado. atitudes e valores compatíveis com o nível de desenvolvimento intelectual do aluno. As atitudes em Ciências Naturais relacionam-se ao desenvolvimento de posturas e valores humanos. são muitos e diversos os conteúdos objetos de estudo da área. as relações entre o homem e a natureza mediadas pela tecnologia. agente de transformação. transformação. Antes de entrar na explicitação dos blocos temáticos e suas possíveis conexões. permitindo ao educador criar e organizar seu planejamento considerando a sua realidade. A compreensão integrada dos fenômenos naturais. que se apresenta como um todo formado por elementos inter-elacionados. mas sempre contribuindo para conceituações gerais. depende do estabelecimento de vínculos conceituais entre as diferentes ciências. Blocos temáticos São quatro os blocos temáticos propostos para o ensino fundamental: Ambiente. São procedimentos os modos de indagar. como a Astronomia. estabelecendo-se relações entre o conhecido e o desconhecido. completo apenas para os dois primeiros ciclos.A grande variedade de conteúdos teóricos das disciplinas científicas. e o ser humano parte integrante e agente de transformação dessa rede. Recursos Tecnológicos. Os conceitos de energia.

que a estrutura do conhecimento científico não tenha papel no currículo. por sua atualidade e urgência social. As questões específicas dos recursos tecnológicos. A temática Recursos Tecnológicos. a temática ambiental permite apontar para as relações recíprocas entre sociedade e ambiente. culinária. o que sem dúvida tem contribuído para que as populações estejam alertas. duas são reiteradamente escolhidas. Como conteúdo escolar. poluição. energia. reúne conteúdos que poderiam ser estudados compondo os outros dois blocos. Os temas podem ser escolhidos considerando-se a realidade da comunidade escolar. Tais conteúdos podem ser organizados em temas. Na composição dos temas podem articular-se conteúdos dos diferentes blocos. compostos pelo professor ao desenhar seu planejamento. pois há assuntos sobre o ser humano e o mundo que podem e devem ser investigados em aulas de Ciências Naturais ao longo do primeiro grau.Cada bloco sugere conteúdos. Por exemplo. Assim. indicando também as perspectivas de abordagem. os temas são aleatórios. No próximo tópico será aprofundado o contorno geral dos três blocos temáticos que se desenvolvem ao longo de todo o ensino fundamental. segundo a análise dos currículos estaduais atualizados realizada pela Fundação Carlos Chagas: Ambiente e Ser Humano e Saúde. seus conhecimentos e valores.7. um programa de TV. os indivíduos desenvolvem representações sobre o meio ambiente e problemas ambientais. entretanto. Os temas em Ciências podem ser muito variados. geralmente pouco rigorosas do ponto de vista científico. do contexto social e da vivência cultural de alunos e professores. marcadas pelas necessidades humanas. De certo ponto de vista. Ambiente Nas últimas décadas presenciou-se a divulgação de debates sobre problemas ambientais nos meios de comunicação. É papel da escola provocar a revisão dos conhecimentos. É essa estrutura que embasará os conhecimentos a serem transmitidos. pois é menos rigorosa que a estrutura das disciplinas. também são importantes conhecimentos a serem desenvolvidos. um filme. máquinas. introduzida ainda nos primeiros ciclos. Sua discussão completa demanda fundamentação em diferentes campos de conhecimento. O tratamento dos conteúdos através de temas não deve significar. uma notícia de jornal. A opção por organizar o currículo segundo temas facilita o tratamento interdisciplinar das Ciências Naturais. políticos. Um mesmo tema pode ser tratado de muitas maneiras. A partir do senso comum. um acontecimento na comunidade podem sugerir assuntos a serem trabalhados e converterem-se em temas de investigação. 1. ou seja. com a finalidade de realizar processos consistentes de ensino e aprendizagem. Ao contrário. valorizando-os sempre e buscando enriquecê-los com informações científicas. intimamente relacionadas às transformações ambientais. Das temáticas estabelecidas para primeiro e segundo ciclos. É também mais flexível para se adequar ao interesse e às características do aluno. Tratados como temas. . apresentando-se algumas conexões gerais entre eles e indicando-se as correlações com os temas transversais. merece especial destaque. na perspectiva da reversão da crise socioambiental planetária. O tema transversal Meio Ambiente traz a discussão a respeito da relação entre os problemas ambientais e fatores econômicos. mas. mas a simples divulgação não assegura a aquisição de informações e conceitos referendados pelas Ciências. Existem temas já consagrados — como água. São problemas que acarretam discussões sobre responsabilidades humanas voltadas ao bem-estar comum e ao desenvolvimento sustentado. é bastante freqüente a banalização do conhecimento científico — o emprego de ecologia como sinônimo de meio ambiente é um exemplo — e a difusão de visões distorcidas sobre a questão ambiental. escolhendo-se abordagens compatíveis com o desenvolvimento intelectual da classe.1.1. e compreendê-la é uma das metas da evolução conceitual de alunos e professores. esses assuntos podem ser vistos sob os enfoques de diferentes conhecimentos científicos nas relações com aspectos socioculturais. sociais e históricos. tanto as ciências humanas quanto as ciências naturais contribuem para a construção de seus conteúdos.

a origem remota dos combustíveis fósseis. consumo e decomposição). • • • O conceito de relação dos seres vivos com os componentes abióticos do meio. por si só. os processos de extração e refino dos combustíveis (destacados no bloco Recursos Tecnológicos). da Biologia e de outras ciências. O conceito de fluxo de energia no ambiente só pode ser compreendido. como. em sua amplitude. o que faz da Ecologia uma ciência interdisciplinar. fotossíntese (transformação de energia luminosa em energia química dos alimentos produzidos pelas plantas) e respiração celular (processo que converte energia acumulada nos nutrientes em energia disponível para a célula dos organismos vivos). considerando-se a variação da intensidade luminosa em diferentes ambientes terrestres e aquáticos no decorrer do ano e as adaptações evolutivas dos organismos autótrofos a essas condições. Em cada um desses capítulos lança-se mão de conhecimentos da Química. o tratamento dos conceitos de interesse geral ganhe profundidade. considerando-se suas adaptações morfo-fisiológicas aos hábitos de vida noturno ou diurno.Em coerência com os princípios da educação ambiental (tema transversal Meio Ambiente). A fim de se observar a abrangência dos estudos ambientais do ponto de vista das Ciências. Este assunto. da Paleontologia. procedimentos e atitudes relativos à temática ambiental. posto que repor a água é condição para diferentes processos metabólicos (funcionamento bioquímico dos organismos). da Física. aponta-se a necessidade de reconstrução da relação homem-natureza. do ciclo dos materiais e fluxo de energia. ao reunir noções sobre: • • • fontes e transformações de energia. a Ecologia estuda as relações de interdependência entre os organismos vivos e destes com os componentes sem vida do espaço que habitam. Tais relações são enfocadas nos estudos das cadeias e teias alimentares. A Ecologia é o principal referencial teórico para os estudos ambientais. as relações entre animais e luz. formados num tempo muito anterior (aproximadamente 650 milhões de anos) ao surgimento do homem na Terra (aproximadamente 100 mil anos). por sua vez. também considerado em linhas gerais. de modo que. serão examinados por alto dois exemplos: a questão do fluxo de energia nos ambientes e as relações dos seres vivos com os componentes abióticos do meio. Entretanto. deve levar em conta: • a relação geral entre plantas e luz solar (fotossíntese). teia alimentar (que sinaliza passagem e dissipação de energia em cada nível da teia). as relações entre água e seres vivos. que por si só merecem vários capítulos das Ciências Naturais. da dinâmica das populações. resultando em um sistema aberto denominado ecossistema. para processos de reprodução (em plantas. É necessário conhecer o conjunto das relações na natureza para compreender o papel fundamental das Ciências Naturais nas decisões importantes sobre os problemas ambientais. suscita inúmeras investigações. Em uma definição ampla. um conhecimento profundo dessas relações só é possível mediante sucessivas aproximações dos conceitos. dos níveis tróficos (produção. da Geologia. a natureza desses combustíveis (hipóteses sobre o processo de fossilização em condições primitivas). por exemplo. radiação solar diferenciada conforme a latitude geográfica da região. do desenvolvimento e evolução dos ecossistemas. observando-se as possibilidades intelectuais dos alunos. animais e outros seres vivos que dependem da • • . a fim de derrubar definitivamente a crença do homem como senhor da natureza e alheio a ela e ampliando-se o conhecimento sobre como a natureza se comporta e a vida se processa. dinâmica terrestre (a ocorrência de vulcões). que de fato é específica. transformações de energia provocadas pelo homem. ao longo da escolaridade.

como água. ao menos parcialmente. São idéias que colaboram para a formação do conceito de ciclo de materiais nos ambientes. para se tratar conteúdos tendo em vista o desenvolvimento de capacidades inerentes à cidadania é preciso que o conhecimento escolar não seja alheio ao debate ambiental travado pela comunidade e que ofereça meios de o aluno participar. aplicado aos múltiplos conteúdos da temática ambiental. como petróleo e vegetais que são matéria-prima para a produção de plásticos e papel. subsidiados por informações complementares oferecidas por outras fontes ou pelo professor. Com isso. que não se deve jogar lixo nas ruas ou que é necessário não desperdiçar materiais. ser objeto de investigação através da observação e da experimentação diretas. os alunos buscam informações e estabelecem relações entre elementos dos ambientes. pode ganhar sucessivas aproximações. papel ou plástico. para não serem dogmas vazios de significados. Estes conteúdos podem ser tratados em conexão a outros na dimensão das atitudes. locais ou planetárias. as relações entre seres vivos entre si no espaço e no tempo. a resistência do vidro e a influência da umidade. ratos ou outros veículos de doenças. o desperdício de materiais. refletir e manifestar-se. constuindose conceitos menos abstratos e mais simples.disponibilidade de água para a reprodução). apontados no tema transversal Meio Ambiente. é possível a observação da degradação de diferentes materiais. • as relações entre solo e seres vivos. Nas cidades.1. por exemplo. favorecendo as enchentes e a propagação de moscas. que são variadíssimas e muito antigas. Ao realizarem procedimentos de observação e experimentação. Neste conteúdo. que no referencial teórico comporta implicações biológicas. Ser Humano e Saúde A concepção de corpo humano como um sistema integrado. químicas e geológicas. da adaptação dos seres vivos ao ambiente. só podem ser interpretados. determinando a biodiversidade de ambientes naturais específicos • O enfoque das relações entre os seres vivos e não-vivos. observando-se o longo período de formação dos ambientes naturais — muito mais remoto que o surgimento do homem na Terra — e que a natureza tem ritmo próprio de renovação e reconstituição de seus componentes. Não são aspectos que possam ser vistos diretamente. É importante considerar que os conceitos de Ecologia são construções teóricas e não fenômenos observáveis ou passíveis de experimentação. essenciais à educação ambiental. matéria e energia. como a valorização da reciclagem e repúdio ao desperdício. Por exemplo. no processo de convívio democrático e participação social. da biodiversidade. é necessário informar sobre as implicações ambientais dessas ações. Os fundamentos científicos devem subsidiar a formação de atitudes dos alunos. da fotossíntese. . considerado no enfoque das relações entre os componentes do ambiente. físicas. Em síntese. da luz e do calor nesses processos. examinando-se a incidência de fungos na decomposição de restos de seres vivos. a idéia abstrata de ciclo dos materiais nos ambientes. do fluxo de energia. através de processo complexo. ouvindo os membros da comunidade.2. de menor grau de abstração e que podem. lixo nas ruas pode significar bueiros entupidos e água de chuva sem escoamento. pois se considera a formação dos solos como conseqüência dessa relação desde milhares de anos. o enferrujamento de metais. oferece subsídios para a formação de atitudes de respeito à integridade ambiental. 1. pode significar a intensificação de extração de recursos naturais. no caso de seres vivos aquáticos. busca-se explicar como as várias dimensões dos conteúdos estão articulados entre si e com os conteúdos de educação ambiental. Este é o caso das cadeias alimentares. Por sua vez.7. são idéias construídas com o auxílio de outras mais simples. Para que essas atitudes e valores se justifiquem. que interage com o ambiente e que reflete a história de vida do sujeito. em dimensões instantâneas ou de longa duração. Não basta ensinar. orienta esta temática. para a determinação do hábitat e do nicho ecológico.

a de que o corpo não é uma máquina. se constituem em dimensões de um único corpo. portanto. varia ao longo do dia. interferem na sua arquitetura e no seu funcionamento. as interações com o meio respondem pela manutenção da integridade do corpo. concebê-lo apenas como entidade física. embora sejam comuns. urina-se mais ou menos. O mesmo ocorre com a atividade cerebral. apresentam particularidades em cada indivíduo. O estado de saúde ou de doença decorre da satisfação ou não das necessidades biológicas. por ser seu e por ser único. Além dessas noções adquiridas em sua vivência individual. compreender as relações fisiológicas e anatômicas. mas apresentam variações individuais. a doença passa a ser compreendida como um estado de desequilíbrio do corpo e não de alguma de suas partes. que se repetem com determinados intervalos de tempo. ainda. característico do corpo humano é chamado de estado de saúde. desenham o corpo humano. sociais e culturais. há outras gerais difundidas pela mídia. Cada pessoa. sentimentos. Pode-se então compreender que o estado de saúde é condicionado por fatores de várias ordens: físicos. que. coordena e integra as diferentes funções. etc. permitindo ou não a realização das necessidades biológicas. há também necessidades individuais. E esta é outra idéia extremamente importante a ser considerada no trabalho com os alunos: o corpo humano apresenta um padrão estrutural e funcional comum. apreende em seu meio de convívio. A carência nutricional. todos os dias. psíquicos e sociais. isto é. que o identifica como espécie. sociais e culturais. obtém energia. fruto das interações entre suas partes e com o meio — pode-se compreender que o corpo humano apresenta um equilíbrio dinâmico: passa de um estado a outro. mas tão pouco elaboradas que também constituem senso comum. conforme a temperatura ambiental e conforme as atividades realizadas. Para que o aluno compreenda a maneira pela qual o corpo transforma. especialmente em família. A temperatura e a pressão variam ao longo do dia. Em outras palavras. oxigênio. junto com os aspectos físicos. . afetiva e social. Importa. e com o qual ele tem uma intimidade e uma percepção subjetiva que ninguém mais pode ter. Portanto. que. e assim por diante. afetivas. A maneira como tais interações se estabelecem. um conjunto de idéias a respeito do corpo. o corpo humano deve ser visto como um todo dinamicamente articulado. como conseqüência. Transpira-se mais ou menos. tem emoções. É essa relação que assegura a integridade do corpo e faz dele uma totalidade. Essa idéia vem cedendo seu lugar a outra. Se há necessidades básicas gerais. o corpo apresenta funções rítmicas. o conhecimento sobre o corpo humano para o aluno deve estar associado a um melhor conhecimento do seu próprio corpo. Assim considerado — um sistema. Por isso se diz que o corpo reflete a história de vida do sujeito. a cardíaca. A falta de um ou mais desses condicionantes da saúde pode ferir o equilíbrio e. Todas essas conceituações adquiridas fora da escola devem ser consideradas no trabalho em sala de aula. aluno ou professor. por exemplo. transporta e elimina água. o que o identifica como individualidade. afetivas. o corpo adoece. algumas correspondentes a equívocos graves. alimentos. O equilíbrio dinâmico. Esses ritmos apresentam um padrão comum para a espécie humana. Uma disfunção de qualquer aparelho ou sistema representa um problema do corpo todo e não apenas daquele aparelho ou sistema. os diferentes aparelhos e sistemas que o compõem devem ser percebidos em suas funções específicas para a manutenção do todo. conforme os horários da alimentação. se defende da invasão de elementos danosos. o estado de consciência. Trabalhando com a perspectiva do corpo como um todo integrado. é importante conhecer os vários processos e estruturas e compreender a relação de cada aparelho e sistema com os demais. É importante que o professor tenha consciência disso para que possa superar suas próprias pré-concepções e retrabalhar algumas das noções que os alunos trazem de casa. volta ao estado inicial. fica registrada no corpo. Tanto quanto as relações entre aparelhos e sistemas. Também faz parte da herança cultural isolar o corpo humano das interações com o meio ou. mas cada corpo é único.Assim como a natureza. por exemplo. Essa visão favorece o desenvolvimento de atitudes de respeito e de apreço pelo próprio corpo e pelas diferenças individuais. nas diferentes culturas e fases da vida. O nível de açúcar no sangue.

O consumo é o objetivo principal das propagandas — de alimentos ou de medicamentos —. pois fere um valor importante a ser desenvolvido: o respeito à vida com qualidade. evidenciando-se o aspecto da natureza biológica do ser humano. rituais próprios de cada cultura. pode-se compará-la à reprodução de outros seres vivos. vitaminas. comportamentos. carboidratos. que tem um significado muito mais amplo e variado que a reprodução. através do aproveitamento de partes de vegetais e animais comumente desperdiçadas. lipídios. infância. cereais e legumes. cresce. Atualmente. para ser também de crianças. culturais e sociais. bem como com os temas transversais Saúde e Orientação Sexual. compreendendo que é um comportamento condicionado por fatores biológicos. o que é modelado pela cultura e pelas convenções sociais nos humanos. etc. realizar escolhas dentro daquilo que lhe é oferecido. O desenvolvimento de uma consciência com relação à alimentação é necessário. Esse conhecimento abre possibilidades para o aluno conhecer-se melhor. é a compreensão de que o corpo humano é sexuado. É elemento de realização humana em suas dimensões afetivas e sociais. Motivo: consumo de sanduíches e doces no lugar de refeições com verduras. em que se observam rituais de acasalamento e comportamentos de cuidado com a prole. como qualquer comportamento. plantio coletivo de hortas e árvores frutíferas. que a manifestação da sexualidade assume formas diversas ao longo do desenvolvimento humano e que. É essencial a máxima e equilibrada utilização de recursos disponíveis. idade adulta e velhice —. E não se trata de casos esporádicos. Os tipos de alimentos e a forma de prepará-los são determinados pela cultura e pelo gosto pessoal. Pode-se tratar da alimentação no estudo das cadeias e teias alimentares evidenciando-se a presença do homem como consumidor integrante da natureza. ao tratar a reprodução humana. o hábito da automedicação. É muito importante estar atento às ciladas que tais propagandas pregam. por exemplo. as diferenças de padrões nas diferentes culturas e nos diferentes tempos. que se enfatize a possibilidade de realizar escolhas na herança cultural recebida e de mudar hábitos e comportamentos que favoreçam a saúde pessoal e coletiva e o desenvolvimento individual. Da mesma forma. Cada uma dessas fases é fortemente marcada por aspectos socioculturais que se traduzem em hábitos. Pesquisas têm mostrado que o índice elevado de colesterol no sangue deixou de ser um problema apenas de adultos. a gravidez. . que incluem mas não se restringem à dimensão biolológica. descuido com a higiene pessoal. Por exemplo. É importante que o trabalho sobre o crescimento e o desenvolvimento humanos leve em conta as transformações do corpo e do comportamento nas diferentes fases da vida — nascimento. vem crescendo o número de crianças com índice elevado de colesterol. É papel da escola subsidiar os alunos com conhecimentos e capacidades que os tornem aptos a discriminar informações. A alimentação. não é um hábito a ser preservado. Importa. Todos têm necessidade de consumir diariamente uma série de substâncias alimentares. Esse assunto também é abordado no documento Saúde.Como ser vivo que é. discriminação de pessoas de padrões culturalmente distintos. Pode-se estabelecer diferenças e semelhanças entre tais comportamentos — o que é instintivo nos animais e no ser humano. como jogar lixo em terrenos baldios. as formas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. se reproduz e morre. masculino e feminino. Por exemplo. não importando o comprometimento da saúde. Tão importante quanto o estudo da anatomia e fisiologia dos aparelhos reprodutores. ainda. a contracepção. Os conteúdos tratados neste bloco temático permitem inúmeras conexões com aqueles propostos nos outros dois blocos. identificar valores agregados a essas informações e realizar escolhas.. a mídia tem se incumbido de ditar a alimentação através da veiculação de propagandas. é uma necessidade biológica comum a todos os seres humanos. evidenciando-se e intercruzando-se os fatores biológicos. podem e devem ser trabalhados. o ser humano tem seu ciclo vital: nasce. considerando-se as demandas individuais e as possibilidades coletivas de obter alimentos. se desenvolve. é modelado pela cultura e pela sociedade. outros hábitos e comportamentos. que se constitui em fator de risco à vida. culturais e sociais que marcam tais fases. O aspecto rítmico das funções do corpo humano pode ser abordado em conexão com o mesmo aspecto observado para os demais seres vivos. o parto. perceber e respeitar suas necessidades e as dos outros. para pessoas de todas as idades. juventude. sais minerais e água. fundamentais à construção e ao desenvolvimento do corpo — proteínas. A sexualidade humana deve ser considerada nas diferentes fases da vida.

este bloco reúne estudos sobre matéria. tempo. cuja oferta e aplicação se ampliam significativamente na sociedade brasileira e mundial.7. luz.1. como visitas a usinas ou estações de transmissão. Se isolarmos uma pessoa dentro de uma caverna onde o ciclo dia-noite inexista. ao longo dos tempos. substituído pela pedra polida no período neolítico. de fermentos. Aceita-se amplamente que o desenvolvimento e especialização das populações humanas. também. assim como são exemplos de interesse da Química e da Biologia a experimentação e interpretação da ação de catalisadores. como a desnutrição e a mortalidade infantil num momento em que o desenvolvimento tecnológico se faz marcante na produção e estocagem de alimentos. Este bloco temático comporta discussões acerca das relações entre Ciência. Recursos Tecnológicos Este bloco temático enfoca as transformações dos recursos materiais e energéticos em produtos necessários à vida humana. mas o tamanho de cada um desses períodos se modificará. torneira. transformação e sistema aplicados às tecnologias que medeiam as relações do ser humano com o seu meio. ela continuará tendo períodos de sono e períodos de vigília. óptica e mecânica (circuitos elétricos. magnetismo. A dimensão dos procedimentos comporta todos os modos de reunir. campainhas. acústica. São exemplos de interesse da Física a construção de modelos e experimentos em eletro-eletrônica. valores e atitudes compreendidos nessas relações são aspectos fundamentais a investigar nos temas que se desenvolvem em sala de aula. corrente. se deu em conexão ao desenvolvimento tecnológico que foi sendo refinado e aumentado. ao crescimento de problemas sociais graves. energia. se conhece o período paleolítico caracterizado pelo domínio do fogo e pelo uso da pedra lascada como instrumento de caça e pesca.Algumas funções rítmicas interessantes e facilmente observáveis são a floração e a frutificação de plantas ao longo ano. Do ponto de vista dos conceitos. Assiste-se. rádio a pilha. organizar. propriedades dos materiais. Através da apreciação de um exemplo é possível verificar as dimensões dos conteúdos implicados a um determinado problema: de onde vem a luz das casas? O entendimento da geração e transmissão de energia elétrica envolve conceitos relacionados a princípios de conservação de energia. circuitos elétricos e geradores. Pode-se ainda estabelecer relações entre os ritmos fisiológicos e os geofísicos. como o dia e a noite e as estações do ano.). o cio entre os animais.3. Nem sempre é possível e sequer é desejável que os estudos se restrinjam a interesses unidisciplinares. A origem e o destino social dos recursos tecnológicos. 1. nas diferentes culturas. máquinas fotográficas. a menstruação nas mulheres. É interessante lembrar que o conhecimento da história da humanidade. cuja tecnologia foi elaborada no período seguinte. no Brasil e no mundo. o estado de sono e vigília no ser humano e nos demais animais. metais que dispensam fundição e refinação. transformação de energia mecânica em energia elétrica. ao contrário do que ocorre com a educação ambiental e educação para a saúde. no presente e no passado. instrumentos e processos que possibilitam essas transformações e as implicações sociais do desenvolvimento e do uso de tecnologias. etc. quando os instrumentos sofriam polimento através de atrito. assiste-se à convivência da utilização de técnicas antigas e artesanais com aplicações tecnológicas que se desenvolveram em íntima relação com as ciências modernas e contemporâneas. Tecnologia e Sociedade. No presente. discutir e comunicar informações como nos demais blocos. Os ritmos fisiológicos estão ajustados aos geofísicos. em vários contextos culturais. Para a elaboração deste bloco não há discussão acumulada expressiva. motores. máquinas. na indústria farmacêutica e na medicina. espaço. de fertilizantes. etc. As questões éticas. embora sejam independentes. . aparelhos. Sua presença neste documento decorre da necessidade de formar alunos capacitados para compreender e utilizar recursos tecnológicos. as conseqüências para a saúde pessoal e ambiental e as vantagens sociais do emprego de determinadas tecnologias são exemplos de aspectos a serem investigados. da pré-história aos dias atuais. chuveiro. dado o caráter interdisciplinar das elaborações tecnológicas. Assim. calor. a criação de animais e a utilização do ouro e do cobre. tem como referência importante a tecnologia. Durante esse período desenvolveram-se também a agricultura. Por exemplo: o ciclo sono-vigília está ajustado ao ciclo dia-noite (movimento da Terra em torno de seu eixo). Vários procedimentos podem ser utilizados.

leituras. estabelecem conexões entre este bloco e o documento Saúde. Ser Humano e Saúde e aos temas transversais Meio Ambiente. pois. pomares e lavouras. Portanto. As funções de nutrição podem ser trabalhadas em conexão com o bloco Recursos Tecnológicos. Os conteúdos deste bloco temático estão estreitamente ligados aos estudos sobre Ambiente. de extração e transformação industrial de metais. de extração de areia e outros materiais utilizados na construção civil podem ser abordados. Também cabem relações com aspectos político-econômicos envolvidos na disponibilidade de tais alimentos. evitando-se desenvolver exclusivamente uma consciência ingênua. É comum. discutir-se a preservação de energia e de água potável ou o risco da automedicação a partir de uma perspectiva simplesmente individual. A indústria alimentícia pode ser discutida. ou "evite a automedicação". O que é isso? Como funciona? Como faz? E os famosos porquês. Todas as questões relativas ao emprego e ao desenvolvimento de técnicas e tecnologias comportam discussões de aspectos éticos.entrevistas. O alcance político de tais questões éticas poderia reverter em imediato benefício para a população. de criação de animais em granjas. ao desenvolvimento de valores.1. É importante que tais representações encontrem na sala de aula um lugar para manifestação. tendo ou não cursado a educação infantil. Ao lado do conhecimento sobre as substâncias alimentares e suas funções no organismo. transformadas e sistematizadas com a mediação do . necessidades alimentares de acordo com idade. As relações entre os recursos tecnológicos e a saúde humana. considerando-se o alcance social de tal desenvolvimento. O conhecimento acerca dos processos de extração e cultivo de plantas em hortas. respeitando o amadurecimento correspondente a cada faixa etária e levando à aprendizagem de procedimentos. experimentos e montagens. Muito freqüentemente esses aspectos éticos estão associados a grandes interesses econômicos e políticos e é preciso trazer tais componentes da questão para a discussão. também neste bloco temático. no lazer e no trabalho. para que seja estimulante e de real interesse dos alunos. atividade que o sujeito desenvolve e clima da região onde vive. As fontes para a obtenção de respostas e de conhecimentos sobre o mundo vão desde o ambiente doméstico e a cultura regional. Primeiro ciclo 2. à construção da cidadania. Ética e Pluralidade Cultural. sobre os limites dos usos de recursos hídricos e suas implicações ambientais e sobre o acesso das populações a esse bem ampliam e contextualizam o tema. ouvem e sentem. na conservação de alimentos. restringindo-se a recomendações do tipo "apague a luz do corredor" e "não deixe a torneira pingando". até a mídia e a cultura de massas. entendida como bem-estar físico. pois uma efetiva proibição da venda de medicamentos sem receita colocaria a poderosa indústria farmacêutica mobilizada a favor da ampliação do atendimento médico. inicia-se muito antes da escolaridade obrigatória. Ciclos 2. deixando-se de lado variáveis gravemente mais relevantes como a política econômica de produção de equipamentos energeticamente perdulários. como automóveis de alta potência e geladeiras mal isoladas ou a propaganda de medicamentos e sua venda indiscriminada.1. Por exemplo. na medicina. São freqüentemente curiosas. etc. viveiros e pastagens. além de constituírem importante fator no processo de aprendizagem. as crianças chegam à escola tendo um repertório de representações e explicações da realidade. poderão ser ampliadas. adição de substâncias corantes. São perguntas que fazem a si mesmas e às pessoas em muitas situações de sua vida. por exemplo. conservantes. Investigações sobre o descobrimento e aplicação da eletricidade. possibilitando ainda conexão com o tema transversal Meio Ambiente. 2. psíquico e social. Ciências Naturais no primeiro ciclo O processo de aprendizagem das crianças. considerando os conteúdos de Recursos Tecnológicos e Ambiente. para que sirva à sua aprendizagem. buscam explicações para o que vêem. sexo. as aplicações tecnológicas no saneamento dos espaços urbanos e rurais. deve ser cuidadosa. investigando-se alguns processos de transformação dos alimentos. pode-se estudar o problema da deterioração dos alimentos e as técnicas desenvolvidas para conservação. Saúde.1. A escolha de conteúdos.

possa ser trabalhada pelo professor. Além do desenho. Outra característica deste momento da criança é o desenvolvimento da linguagem causal. Orientados pelo professor. Não se trata somente de ensinar a ler e a escrever para que os alunos possam aprender Ciências. mas também de fazer usos das Ciências para que os alunos possam aprender a ler e a escrever. tabelas. estabelecendo-se a distinção entre causas e conseqüências. O desenho é uma importante possibilidade de registro de observações compatível com esse momento da escolaridade. Tais procedimentos por si só não permitem a aquisição do conhecimento conceitual sobre o tema. São capazes de distinguir os objetos das próprias ações e organizar etapas de acontecimentos em intervalos de tempo. explicando-os e iniciando a aprendizagem de conceitos. Entretanto. além de um instrumento de informação da própria Ciência. a rede de idéias que confere significado ao tema. ainda que explicações mágicas persistam. A capacidade de narrar ou descrever um fato. por permitirem diferentes formas de expressão. por sua presença variada.professor. alvos de investigação pela classe. narrar. explorando-os. que todos os animais se alimentam de plantas ou de outros animais e que objetos são feitos de determinados materiais apropriados ao seu uso. objetos de mesmo uso. crianças pequenas compreendem e vivem a realidade natural e social de modo diferente dos adultos. das nomeações de objetos e seres vivos. é enriquecida pelo desenho. De modo geral. Por exemplo. utilizando conhecimentos adquiridos em Língua Portuguesa e Matemática. comparar. descrever. pois permite ao professor conhecer as representações ou conceitos intuitivos dos alunos e ao mesmo tempo se constituem em motes para a busca de conhecimentos. enciclopédias ou o desenho do professor — contribui para a valorização desse instrumento de comunicação das informações. procedimentos e valores importantes. desenhar e perguntar são modos de buscar e organizar informações sobre temas específicos. suas partes e propriedades. alimentação dos animais. de acordo com a idade e o amadurecimento dos alunos e sob influência do processo de aprendizagem. nessa fase. em torno de oito anos as crianças passam a exibir um modo menos subjetivo e mais racional de explicar os acontecimentos e as coisas do mundo. vontade e vida aos objetos e às coisas da natureza ao elaborar suas explicações sobre o mundo. identificando causas e conseqüências relacionadas a essas seqüências. Muito importante no ensino de ciências é a comparação entre fenômenos ou objetos de mesma classe. Esse procedimento é de grande. Essa característica possibilita o trabalho de identificação e registro de encadeamento de eventos ao longo do tempo. Nas classes de primeiro ciclo é possível a elaboração de algumas explicações objetivas e mais próximas da Ciência. conhecendo-os. que progressivamente incorpora detalhes do objeto ou do fenômeno observado. No primeiro ciclo são inúmeras as possibilidades de trabalho com os conteúdos da área de Ciências Naturais. mas ainda não as associa a princípios ou leis gerais das Ciências. os alunos realizam comparações e estabelecem regularidades que permitem algumas classificações e generalizações. Esta característica permite que os alunos possam enriquecer relatos sobre observações realizadas e comunicá-las aos seus companheiros. Também é possível o contato com uma variedade de aspectos do mundo. A criança é capaz de estabelecer seqüências de fatos. Essa fase é marcada por um grande desenvolvimento da linguagem oral. podem ser de grande ajuda. Conhecer desenhos informativos elaborados por adultos — em livros. sobre os ambientes e recursos tecnológicos que fazem parte do cotidiano ou que estejam distantes no tempo e no espaço. Fora ou dentro da escola. podem compreender que existem diferentes fontes de calor. pequenos textos. descritiva e narrativa. outras formas de registro se configuram como possibilidades nessa fase: listas. que lhes oferece informações e propõe investigações. por exemplo: diferentes fontes de energia. mas são recursos para que a dimensão conceitual. as crianças emprestam magia. Observar. Também de grande importância é a formulação de suposições e perguntas que são incentivadas pelo professor. Desde o início do processo de escolarização e alfabetização os temas de natureza científica e técnica. . É papel da escola e do professor estimular os alunos a perguntarem e a buscarem respostas sobre a vida humana.

estabelecer relações entre características e comportamentos dos seres vivos e condições do ambiente em que vivem.2. luz. pela disponibilidade dos demais componentes e pelo modo como se dá a presença do ser humano. bem como a investigação de como o homem se relaciona com tais ambientes. comparação.1. utilizar características e propriedades de materiais. busca e registro de informações.3. sob orientação do professor. reprodução e morte. crescimento. valorizando a diversidade da vida. realizar experimentos simples sobre os materiais e objetos do ambiente para investigar características e propriedades dos materiais e de algumas formas de energia. tendo-se o tratamento didático em perspectiva.2. aproximandose à noção de ciclo vital do ser humano e respeitando as diferenças individuais. embora constituídos pelos mesmos elementos. com o outro e com o ambiente. ar. esquemas. quadros. desenvolvendo a responsabilidade no cuidado com o próprio corpo e com os espaços que habita.3.1. Os textos seguintes buscam explicitar os alcances dos conteúdos em cada bloco temático. formular perguntas e suposições sobre o assunto em estudo. seres vivos para elaborar classificações. Para a realização das investigações sugeridas. no tempo e no espaço. reprodução. permite aos alunos uma primeira noção e a diferenciação de ambiente natural e ambiente construído. dados e conclusões. . solo. água. Todos esses conteúdos também fazem parte do documento Meio Ambiente. 2. locomoção — em relação ao ambiente em que vivem. corpo humano e transformações de materiais do ambiente através de técnicas criadas pelo homem. A observação direta ou indireta de diferentes ambientes. estudando-se suas características e hábitos — alimentação. e também desenvolver atitudes de responsabilidade para consigo. objetos. suposições. apontando-se possíveis conexões entre blocos. o professor pode tomar como referência ambientes e seres vivos da sua região e outros distantes. ar. no homem e na mulher. organizar e registrar informações através de desenhos. a identificação de seus componentes e de algumas relações entre eles. registrar e comunicar algumas semelhanças e diferenças entre diversos ambientes. luz e calor — e da compreensão de que. calor. os diversos ambientes diferenciam-se pelos tipos de seres vivos. em relação à alimentação e à higiene pessoal.1. os conteúdos pretendem uma primeira aproximação da noção do ambiente como resultado das interações entre seus componentes — seres vivos. É possível uma primeira aproximação ao conceito de ser vivo através do estudo do ciclo vital: nascimento. solo e características específicas dos ambientes diferentes. seres vivos. Conteúdos No primeiro ciclo as crianças têm uma primeira aproximação das noções de ambiente.1. Os seres vivos — animais e vegetais — destacam-se entre os componentes dos ambientes. identificando a presença comum de água. Ambiente No primeiro ciclo. reconhecer processos e etapas de transformação de materiais em objetos. observar e identificar algumas características do corpo humano e alguns comportamentos nas diferentes fases da vida. • • • • • • • • • 2. comunicar de modo oral. valorizar atitudes e comportamentos favoráveis à saúde. Objetivos As atividades e os projetos de Ciências Naturais devem ser organizados para que os alunos ganhem progressivamente as seguintes capacidades: • observar. escrito e através de desenhos perguntas. Podem aprender procedimentos simples de observação. respeitando as diferentes opiniões e utilizando as informações obtidas para justificar suas idéias. com outras áreas e com os temas transversais. listas e pequenos textos.

Parte significativa do conhecimento sobre seres vivos é obtida através de leitura de livros. verificando que por diferentes que sejam todos apresentam componentes comuns e que a ocupação humana possibilita diferentes transformações. apontando suas diferenças e semelhanças. ampliam suas noções. borboletas. pois a habilidade de observar implica um olhar atento para algo que se tem a intenção de ver. o modo e a intensidade da ocupação humana). tipos de seres vivos. reproduzir e morrer. mas é comum a todos: nascer. Portanto. Os estudos sobre ambientes se complementam com as investigações sobre os seres vivos que os habitam. entre outras que forem exploradas. para a realização de observações a longo prazo a respeito das características do corpo e dos hábitos dos animais selecionados. Criações ou cultivo de plantas podem ser feitos utilizando-se pequenos espaços e materiais de sucata. plantação. uma pastagem ou as cidades. horta. embora não se deva exigir a utilização da nomenclatura científica em sua complexidade. presença de habitações individuais e coletivas e condições ambientais de vida humana bastante variadas. Criações de pequenos animais em sala de aula oferecem oportunidades para que os alunos se organizem nos cuidados necessários à manutenção das criações. quando os alunos descrevem os ambientes investigados. cultivo de plantas. em que se preservem as condições de sua vida na natureza.Comparando-se ambientes diferentes — floresta. crescer. Estudos sobre determinados animais e plantas também oferecem oportunidades para a compreensão do processo do ciclo vital. ou ainda através de filmes e de contato com pessoas que conheçam a vida dos animais e das plantas. Esses assuntos são tratados em conexão com o bloco Recursos Tecnológicos e com o documento Meio Ambiente. o cultivo de plantas constitui-se em excelente oportunidade para que se trabalhe com os alunos atitudes de valorização da vida em sua diversidade. represa. rio. Cabe ao professor orientar os alunos sobre o que e onde observar. minhocas. forma do corpo. Da mesma forma. Desenvolvem a habilidade de descrever os ambientes. na perspectiva de conhecer como determinado ser vivo se relaciona com outros seres vivos e demais componentes de seu ambiente. besouros). sustentação e locomoção. Durante esses trabalhos os alunos adquirem um repertório de imagens e alguns novos significados para idéias de ambiente. solo. comparando e classificando seus diferentes componentes. é a espécie que se mantém através da reprodução. menor diversidade de seres vivos. campo. lago. como latas ou caixotes. Entretanto. Cada animal ou planta apresenta modos de alimentação. parte das comparações no primeiro ciclo são feitas oralmente. leituras de pequenos textos realizadas pelo professor para a classe. seres vivos. geralmente. As observações realizadas resultam em um conjunto de dados que são organizados através de desenhos e listas. busca-se identificar suas regularidades (os componentes comuns) e suas particularidades (disponibilidade dos diferentes componentes. e comparam seus resultados às suposições iniciais. É importante que se tenha claro que o ciclo vital é um processo de cada espécie e não do indivíduo. Este conhecimento tem duplo papel: sugerir observações sobre seres . É necessário considerar que as descrições e explicações que os alunos conceberão a cada investigação proposta. Ao realizar registros os alunos têm a oportunidade de sistematizar os conhecimentos que adquiriram. etc. É pertinente a abordagem da degradação ambiental como conseqüência de certos modos de interferência humana. evidencia-se a necessidade humana de transformar os ambientes a fim de utilizar os seus recursos e ocupar espaços. de modo que as características de cada ambiente fiquem registradas. Aspecto a ser considerado ao se tratar de ambientes construídos é o fato de apresentarem. buscando-se informações sobre as características das plantas e hábitos de animais habitantes de diferentes ambientes. criação de pequenos animais (tatuzinhos de jardim. revistas e enciclopédias. de modo que se coletem dados importantes para as comparações que se pretende. como uma horta. com a utilização de seu próprio vocabulário que deverá se aperfeiçoar ao longo dos trabalhos. inicialmente. que tem peculiaridades em seres vivos determinados. reprodução e outras características que o capacitam a explorar e sobreviver em seu meio específico. —. A coleta de informações sobre a vida de determinados animais em seus ambientes pode ser feita pela observação de figuras. serão realizadas. Focalizando-se os ambientes construídos pelo homem. identificando. cidade.

essa forma permite melhor deslocamento na água. o tempo que os filhotes levam para atingir a maturidade e o tempo de vida. animais extintos ou em extinção.vivos que estão sendo investigados e ainda informar sobre seres vivos distantes no tempo e no espaço. São inúmeros os temas que permitem trabalhar as relações dos seres vivos entre si e destes com os demais componentes dos ambientes. plantas medicinais. luz. A reprodução nos animais pode ser estudada enfocando-se o desenvolvimento dos filhotes no interior do corpo materno ou em ovos postos no ambiente. relações entre as características do corpo e do comportamento e as condições do ambiente. Exemplo: os peixes são animais aquáticos que nadam e apresentam o corpo em forma de fuso. Outro aspecto a ser considerado é relação forma do corpo e locomoção no meio. solo e outros componentes e fatos que se apresentam de modo distinto em cada ambiente. etc. Estuda-se a participação de insetos e pássaros na polinização. plantas ornamentais. o tempo de gestação. as épocas de cio. para verificar que todos os ambientes apresentam seres vivos. da água e do ar. carnívoros e onívoros — e da dependência alimentar entre todos os seres vivos. e por aqueles domesticados. relações de alimentação. a alimentação dos filhotes e o cuidado com a prole. Para o estudo da reprodução nos vegetais. • • . Esse assunto permite que se construa a noção de que os vegetais (como todos os seres vivos) apresentam funções que se repetem com o mesmo intervalo de tempo (funções rítmicas). Por exemplo. mostra comportamentos interessantes. comparando-se características do corpo e do comportamento dos seres humanos aos demais seres vivos. interessantes e importantes de serem estudadas. incluindo o ser humano. já no aquático são conhecidos polvos e lulas muito grandes. apontando-se para a relação porte do animal. carapaças e musculatura em animais aquáticos e terrestres. a formação dos frutos. ajustadas ao dia. particularmente aos animais. pode-se conhecer habitantes das profundezas dos mares e de florestas virgens. valores e atitudes: • comparação de diferentes ambientes naturais e construídos. condições de germinação e crescimento das sementes — influência da luz. do calor. materiais de construção. os rituais de acasalamento. Conteúdos para o primeiro ciclo referentes a fatos. vestuário. investigando características comuns e diferentes. Compará-los às formas de obtenção de alimentos pelo ser humano em diferentes culturas permite a investigação do poder transformador da espécie humana. no espaço e no tempo. comparação do desenvolvimento e da reprodução de diferentes seres vivos para compreender o ciclo vital como característica comum a todos os seres vivos. a abertura e o fechamento de flores ao longo do dia. realizam as funções de alimentação. conceitos. meio em que ele vive e presença de esqueleto. locomoção e reprodução. sustentação. Como a água sustenta o peso dos corpos. Também podem ser explorados vínculos com o bloco Recursos Tecnológicos. Sobre sustentação e locomoção explora-se a presença de coluna vertebral. sobre animais selvagens (não domesticados). São funções rítmicas. Vários temas de estudo sobre seres vivos podem ser realizados em conexão com o bloco Corpo Humano e Saúde. calor. A forma de obtenção de alimentos e água pelos animais na natureza. tais animais podem sobreviver no meio aquático. Por exemplo: no ambiente terrestre não são encontrados animais invertebrados de grande porte. à noite e às estações do ano (ciclos geofísicos). em relação às condições do ambiente em que vivem. água. nas questões relativas à produção de alimentos. é conveniente o cultivo daqueles com ciclo vital curto e que apresentem flores. procedimentos. Muito interessante é o trabalho com funções rítmicas nos vegetais: a frutificação de algumas plantas e as estações do ano. o feijão e a batata-doce. como as hortaliças. sua variedade. medicamentos. comparação dos modos com que diferentes seres vivos. o que é importante para caçar alimento e fugir de predadores. A respeito dos vegetais estuda-se o caule como estrutura de sustentação. A respeito das relações alimentares explora-se a existência de diferentes hábitos — herbívoros. etc. importante para a sobrevivência de grande parte dos vegetais terrestres.

entre os alunos. uma representação do ciclo de vida do ser humano. trabalhando num clima de cooperação e solidariedade com sua classe. O professor. a valores associados à cultura e às escolhas realizadas por cada um. e as características particulares de sexo. 2. alguns relativos à biologia do ser humano. além de estabelecer comparações entre diferentes seres humanos. de alimentação. construindo-se. Ao falar de assuntos relativos ao corpo humano. parte do ciclo vital da espécie humana e de todos os seres vivos. organização e registro de informações através de desenhos. jovem. comunicação oral e escrita de suposições. aspectos também tratados nos documentos de Orientação Sexual e de Saúde. listas e pequenos textos. postura bípede. adulto e idoso. de lazer — e outros. As mesmas figuras e fotos do painel permitem a introdução da questão dos comportamentos. aos comportamentos e às atitudes — nas diferentes fases da vida. comparando crianças.1. de vergonha e de "brincadeiras" dirigidas aos mais gordos ou mais magros. adolescentes e adultos dos dois sexos. Qualquer traço diferente pode ser alvo das "brincadeirinhas". que nos identificam como espécie. O surgimento de pêlos no rosto e no . à idade. entrevistas. dados e conclusões. utilização das informações obtidas para justificar suas idéias. Ser Humano e Saúde O bloco Ser Humano e Saúde aborda neste ciclo os primeiros estudos sobre as transformações durante o crescimento e o desenvolvimento. experimentação. É interessante. A questão das transformações no desenvolvimento envolve vários aspectos. particularmente a AIDS. favorece a auto-estima e a formação de vínculos entre os integrantes do grupo. respeitando diferentes opiniões. sob orientação do professor.3. A estrutura geral. É importante que o professor incentive seus alunos a valorizarem as diferenças individuais. Constituem-se assuntos que conectam este bloco temático ao bloco Ambiente. esquemas. enfocando-se as principais características — relativas ao corpo. assim. interpretação das informações através do estabelecimento de relações.• • • • • • formulação de perguntas e suposições sobre os ambientes e os modos de vida dos seres vivos. Ao investigar o ciclo de vida dos seres humanos o professor pode solicitar aos alunos que coletem algumas figuras ou retratos de pessoas em diferentes fases da vida: bebê. outros a hábitos — de asseio. professor e alunos podem organizar um painel em que as diferentes idades sejam apresentadas em seqüência. compará-los a vários animais. Como são as pessoas? O que parecem estar fazendo? Como imaginam o cotidiano delas: o que comem. iniciando novos ciclos. limites e alcances das formas de percepção do meio (aspectos relativos aos órgãos dos sentidos) podem ser explorados. Podem identificar as características gerais do corpo humano. muito altos ou muito baixos.2. estudam-se as condições essenciais à manutenção da saúde da criança. seja quanto à cor. busca e coleta de informações através de observação direta e indireta. revestimento do corpo. desde que vestidos. medidas de prevenção às doenças infectocontagiosas. É importante que as crianças entrem em contato com a idéia de que a vida compreende a morte. leitura de textos selecionados. de semelhanças e diferenças e de seqüências de fatos. criança. ainda. idade e etnia. dificuldade que deixa de existir na identificação de jovens e adultos. É possível encontrarem dificuldade de diferenciar meninos e meninas pequenas. A partir dessa coleção. hábitos e características do corpo nas diferentes idades. seja quanto ao ritmo de aprendizagem ou às diferenças socioculturais. ao corpo. é freqüente o surgimento. No primeiro ciclo os alunos podem conhecer as características externas do corpo humano. Essa representação se enriquece com figuras de mulheres grávidas. como realizam sua higiene? Como se divertem e descansam? São questões que os alunos respondem revelando o que já conhecem e o que imaginam sobre os assuntos que se pretende trabalhar. quadros. Com atenção especial.

a alimentação e o asseio especiais são determinantes de sua saúde e seu desenvolvimento. . com novas responsabilidades e dificuldades a serem resolvidas. de cuidados com o corpo. são capazes de cuidar de sua higiene. sem sonhos. ampliando sua capacidade de expressar-se sobre o que sente. É um momento de profundas modificações no corpo. É interessante verificar que bebês humanos. alguns rituais de conquista e acasalamento. são também aprendidos e impregnados pela cultura mas guardam elementos do mundo animal ao qual pertencem. Atenção especial deve ser dedicada ao estudo da formação da dentição permanente e aos cuidados com os dentes. Os alunos poderão compreender que essa é uma fase de muitas e fundamentais escolhas para a vida. enfim. sem necessidades pessoais. organizando questões a respeito do cotidiano das pessoas. o professor prepara as entrevistas. Junto com os alunos. de modo que as informações a serem obtidas sejam relevantes para a formação da noção de transformação no desenvolvimento humano. É preciso reverter esse quadro de valores. Nessa fase da vida a consciência do corpo é significativa. O enriquecimento do conhecimento do aluno sobre as diferentes fases do ciclo vital e sobre as transformações que ocorrem durante esse desenvolvimento pode ser alcançado através de busca e organização de informações em fontes diversas: visitas ao posto de saúde local. limites e capacidades. A criança deve ser incentivada a perceber seu corpo. no presente e no passado. psíquico. a organização e limpeza do espaço e dos materiais escolares. e estabelecer diferenças nesses mesmos comportamentos que. só doenças. à comunidade e a si próprio. mudanças na voz — diferente no homem e na mulher —. Durante esses trabalhos o professor incentiva os alunos a desenvolverem essas capacidades. repouso e lazer. cuidados com a higiene. bem como a cultura e o conhecimento. que podem ser apontados aos alunos deste ciclo e que se constituem em objeto de estudo a partir do segundo ciclo. externar as sensações de desconforto e prazer. nos seres humanos. incentivando as crianças desde cedo a valorizarem a experiência dos idosos. das tarefas escolares. os cuidados com a prole. Acerca da juventude os alunos verificam a crescente independência e as acentuadas mudanças no corpo. que tem projetos a realizar e necessidades que não podem ser esquecidas. Muito importante é a investigação sobre a velhice. fase da vida geralmente apresentada como sinônimo de aposentadoria: sem trabalho.corpo. surgimento de seios das meninas. Ainda na infância inicia-se a tomada de consciência acerca do esquema geral do corpo. percebe e deseja. como os de outras espécies. Quanto à sua fase de desenvolvimento. A atenção que recebem. valorizando os modos saudáveis de alimentação. alimentação. fisiológico e anatômico. Acompanham essas mudanças no corpo transformações de comportamento e interesses. Isto é. a permanente necessidade de vínculos afetivos. sob orientação dos adultos. com sua sexualidade e com o sexo oposto. São indicadores de transformações externas que acompanham o amadurecimento interno. os alunos podem verificar que. a infância. na infância já existe relativa autonomia. que variam segundo as diferenças culturais e que merecem ser abordadas. todo o conjunto de características sexuais secundárias permite a distinção entre os dois sexos a partir da puberdade. A consciência do corpo que se inicia na infância continua a se desenvolver e se amplia nessa fase. principalmente quando a pessoa adquiriu conhecimentos básicos a esse respeito. no modo de se relacionar com o mundo. sendo momento de transição da infância para a vida adulta. Sobre a vida adulta os alunos podem reconhecer a conquista da autonomia e a ampliação das responsabilidades relativas ao trabalho. de escolher as formas de lazer e de repousar. Também com relação aos comportamentos cabem comparações entre os seres humanos e os demais animais. como a alimentação dos filhotes. cuja importância para a família e a comunidade cresce à medida que se reconhece no idoso uma pessoa que pode produzir. Essas comparações permitem identificar comportamentos semelhantes. particularmente em aves e mamíferos. à família. crescimento muscular acentuado no homem. de lazer e repouso. o que é facilitado pelo incentivo do adulto. são totalmente dependentes dos que deles cuidam. de se alimentarem. leituras que o professor realiza para seus alunos e entrevistas com pessoas de diferentes idades da comunidade.

dos adultos e dos idosos. Não é possível nem desejável o estudo exaustivo sobre todos os processos citados. materiais e energia são utilizados. Também no posto de saúde. comparação do corpo e dos comportamentos do ser humano e de outros animais para estabelecer semelhanças e diferenças. ou outro equipamento de saúde. quadros. confrontação das suposições individuais e coletivas com as informações obtidas. procedimentos. saúde pessoal e ambiental que incidem sobre a comunidade local. dados e conclusões. na idade adulta e na velhice — para compreender algumas transformações. bem como as visitas e utilização de diversas fontes de informação. ao planejar essa seleção. como minérios e madeira. representação e comparação das condições de higiene dos diferentes espaços habitados. podem ser estudados realizando-se uma primeira aproximação da idéia de técnica. Produtos industriais ou artesanais são partes do cotidiano. Conteúdos para o primeiro ciclo referentes a fatos.O posto de saúde local. professor e alunos podem se informar sobre as verminoses. de modo geral. objetos de consumo e energia. especial atenção deve ser dada às doenças e aos problemas de higiene. comunicação oral e escrita de suposições. Ao planejar os conteúdos deste tema. O importante é a seleção e a investigação de alguns dos temas apontados. e sobre a AIDS: as formas de transmissão e de contágio. da criação de animais. higiene ambiental e asseio corporal. entrevistas a familiares. listas e pequenos textos. que são considerados como recursos naturais essenciais à existência. que o professor leve em conta as possibilidades reais de realização de procedimentos de observação e experimentação. modos de transmissão e prevenção de doenças contagiosas. doenças muito freqüentes na infância. Recursos Tecnológicos A transformação da natureza para a utilização de recursos naturais — alimentos. materiais e energia — é inseparável da civilização. pessoas da comunidade e especialistas em saúde. do plantio. observação. através dos quais vegetais. na juventude. na infância. cuidados necessários para evitá-las e formas de tratamento do doente. assim como de uma enorme variedade de bens produzidos industrialmente — de roupas a veículos. em cada uma delas. da pesca. para que o aluno se informe. sob orientação do professor. organização e registro de informações através de desenhos. dos jovens. • • • • • • • • 2. animais. Desde o primeiro ciclo os alunos poderão investigar sobre os produtos que consomem. interpretação de imagens. sobre a origem e os modos de obtenção de alguns alimentos. elaboração de perguntas e suposições acerca das características das diferentes fases da vida e dos hábitos de alimentação e de higiene para a manutenção da saúde. busca e coleta de informações através de leituras realizadas pelo professor para a classe. É recomendável. Depende-se de materiais básicos.1. sobre as técnicas diversas para obtenção e transformação de alguns componentes dos ambientes. particularmente a AIDS. Alguns processos. valores e atitudes: • comparação do corpo e de alguns comportamentos de homens e mulheres nas diferentes fases de vida — ao nascer.3. valorizar e respeitar as diferenças individuais. conhecimento de condições para o desenvolvimento e preservação da saúde: atitudes e comportamentos favoráveis à saúde em relação a alimentação. conceitos. pode fornecer referências quanto aos cuidados para a higiene e alimentação dos bebês. das crianças em idade escolar. desenvolvendo cuidados e responsabilidades para com esses espaços. de medicamentos a aparelhos.3. Investigações das produções de interesse local e regional cumprem muito . respeitando diferentes opiniões.

as alterações produzidas nos diferentes materiais pela ação de forças. possibilitando ampliação dos conhecimentos e a verificação da variedade de transformações. cerâmica. A exploração de materiais e objetos pode ser realizada de diferentes modos. generalizar (sintetizar) e relacionar. Portanto. estudar os peixes. Com a participação e sob incentivo do professor. fonte de materiais para a habitação. plástico. meios de transportes — possibilita a identificação de alguns objetos e os materiais de que são feitos. estudar os derivados do leite e pesquisar as condições de vida de rebanhos leiteiros são algumas das possibilidades. o calor. Todo processo produtivo deve ser investigado considerando-se os materiais ou as matérias-primas necessárias.. com relação à utilização dos vegetais pelo homem. de vidro. com apoio da comunidade. são algumas possibilidades de investigação. casa. a criação de animais em granjas. focaliza-se seus possíveis usos como alimentos. o professor seleciona temas para investigações: estudar a vida dos vegetais e plantar uma horta. As relações de diferentes materiais com a água. metal ou plástico). pomares e lavouras. roteiro para visitas e planejar oficinas de produção de objetos na escola. As informações . Os estudos sobre transformações de materiais em objetos estabelecem possibilidades ricas para o desenvolvimento das habilidades de observar. A observação direta no entorno — escola. Por exemplo. a luz. A produção e a manutenção de uma horta na escola serve ao estudo do ciclo vital e das características de diferentes plantas. o professor poderá elaborar com seus alunos questões para entrevistas. as possibilidades de ser ou não decomposto ("desmanchado") quando enterrado no solo. realizando visitas previamente preparadas a locais de produção na região e realizando na escola pequenas oficinas — marcenaria. Investigam-se técnicas que possibilitam a obtenção e utilização desses recursos. A partir desses pontos básicos. Considerando a realidade local. relacionando-se a conveniência do material escolhido ao objeto elaborado e buscando informações que permitam explicar por que se usa determinado material para a confecção de certos objetos. crianças pequenas poderão trabalhar com temas bastante diversos para investigar os animais e os vegetais como recursos da natureza e as técnicas mais comuns utilizadas nessas explorações. de metal. e situá-los como produtos socioculturais. tais como extração ou cultivo das plantas que são alimento. etc. colheres (de pau. A utilização dos seres vivos como recursos naturais pode ser abordada em conexão com o bloco Ambiente. Os processos de transformação artesanal e industrial de materiais em objetos podem ser investigados utilizando-se diferentes estratégias: trazendo para a escola trabalhadores de indústria ou de oficinas artesanais. Os alunos também poderão verificar a existência de alguns fenômenos físicos e químicos representados pelas propriedades de condução elétrica e de calor pelos metais. Os produtos regionais e os processos de produção podem ser comparados àqueles de outras regiões. embalagens.). produção de papel e também como combustível (carvão vegetal). através do ensino e aprendizagem dos procedimentos correlatos. os alunos podem organizar coleções de objetos ou figuras de objetos que cumprem a mesma finalidade e são feitos de diferentes materiais: panelas (de barro e de alguns tipos de metal). Também aqui a escolha dos temas de estudo é realizada tomando como referência processos importantes realizados na região. Alguns experimentos são modos interessantes de buscar informações para a verificação das propriedades dos materiais. reciclagem de papel. ou de outros tempos. a transparência dos vidros. tecido. entrevistar um pescador e organizar visita ao mercado. pela experimentação ou pela busca de informação realizada pelo professor ou com seu auxílio. entre tantas outras que podem ser identificadas pela observação direta. calçados (de couro. pode ser de grande valor para a formação de atitudes de cooperação na realização de tarefas e oferecer oportunidades de trabalhar a valorização da máxima utilização dos recursos disponíveis para a obtenção de alimentos. a caça e a pesca. destacando-se as questões da pesca e da caça depredatórias. Podem colecionar também objetos ou figuras de objetos diferentes feitos com o mesmo material: coleções de objetos de papel. tecidos. os instrumentos e as máquinas que operam as transformações e suas etapas. etc.bem esse papel. A partir desses levantamentos. remédios. viveiros e pastagens. nas hortas. algumas relações podem ser traçadas quanto ao uso dos diferentes materiais em objetos específicos.

• • • • • • • 2. Buscar informações através de observações. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno. os alunos recebam algumas informações acerca das conseqüências da prática predatória ambiental. interpretação de imagens e textos selecionados. listas e pequenos textos. Assim é necessário o estabelecimento de critérios de avaliação que indiquem as aprendizagens imprescindíveis. conceitos. sob orientação desses pontos básicos. comunicação oral e escrita de suposições. não coincidem integralmente com eles. é capaz de cooperar nas atividades de grupo e acompanhar adequadamente um novo roteiro. descrever e comparar animais e vegetais em diferentes ambientes. Critérios de avaliação Os critérios de avaliação estão referenciados nos objetivos. utilizando dados de observação. utilizando dados de observação direta ou indireta. dados e conclusões. para relacioná-las aos seus usos. experimentações ou outras formas. e desenhos com legendas seqüenciados para as transformações. algumas etapas e características de determinados processos. e que os diversos ambientes diferenciam-se pelos tipos de seres vivos e pelas características da água e do solo. ar e solo. básicas para cada ciclo. Os objetivos são metas.4.coletadas pelos alunos. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de identificar características dos seres vivos que permitem sua sobrevivência nos ambientes que habitam. são registradas na forma de desenhos com legendas para os materiais e instrumentos. identificando etapas e transformações. utilização das informações obtidas para justificar suas idéias. relacionando suas características ao ambiente em que vivem. reconhece que todo ambiente é composto por seres vivos. ao lado do conhecimento sobre a utilização dos recursos naturais. água. como se pode notar. Observar. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno. organização e registro de informações através de desenhos. procedimentos. experimentação. no entanto. Identificar componentes comuns e diferentes em ambientes diversos a partir de observações diretas e indiretas. que o desenvolvimento de todas as capacidades não se completa dentro da duração de um ciclo. . reconhecendo a matéria-prima.1. tendo realizado várias atividades em pequenos grupos de busca de informações em fontes variadas. interpretação das informações através do estabelecimento de regularidades e das relações de causa e efeito. dentro do conjunto de metas que os norteia. esquemas. busca e coleta de informações através de observação direta e indireta. Registrar seqüências de eventos observadas em experimentos e outras atividades. balizam e orientam o ensino. É importante que. quadros. mas. formulação de perguntas e suposições sobre os processos de transformação de materiais em objetos. ou pelo professor em conjunto com a classe. respeitando diferentes opiniões. e registrá-las. seguindo um roteiro preparado pelo professor. conhecimento de origens e algumas propriedades de determinados materiais e formas de energia. Conteúdos para o primeiro ciclo referentes a fatos. valores e atitudes: • investigação de processos artesanais ou industriais da produção de objetos e alimentos. Sabe-se. indicam expectativas quanto ao desenvolvimento de capacidades pelos alunos ao longo de cada ciclo. trabalhando em pequenos grupos. Tais informações contribuem para o início da formação de atitudes de preservação do meio ambiente.

Segundo ciclo 2. Identificar os materiais de que os objetos são feitos. o que representa um ganho significativo em relação ao ciclo anterior.2. Pelo contrário. Objetivos • Identificar e compreender as relações entre solo. aproximando-se do desenho informativo. aproximando-se dos modelos oferecidos pelas Ciências. Ciências Naturais no segundo ciclo No segundo ciclo a escola já não é novidade. Nem todos os alunos iniciam esse ciclo já sabendo ler e escrever efetivamente.2. Caracterizar causas e conseqüências da poluição da água. 2. ou naqueles lidos pelo professor. uma vez que a área propicia a prática de várias formas de expressão. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno relaciona os hábitos e as características do corpo humano a cada fase do desenvolvimento e se identifica as transformações ao longo desse desenvolvimento. Tais procedimentos não permitem a aquisição do conhecimento conceitual sobre o tema. água e seres vivos nos fenômenos de escoamento da água. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender que diferentes materiais são empregados para a confecção de diferentes objetos. o que não pode constituir impedimento à aprendizagem de Ciências Naturais. do ar e do solo. O desenho como forma de registro já é mais claro e detalhado. de alimentação e atividades cotidianas — do ser humano nas diferentes fases da vida. O aluno deste ciclo já pode compreender com maior e crescente desenvoltura explicações e descrições nos textos informativos que lê. buscar informações através de leitura em fontes diversas. a aprendizagem de Ciências não só é possível como pode incentivar o aluno a ler e a escrever. que oferece informações e propõe investigações aos alunos. a rede de idéias que confere significado ao tema. e através do qual será capaz de realizar algumas generalizações. objetos e fenômenos. característico das Ciências. A busca de informações em livros. Os registros de atividades práticas de observação e experimentação podem ser sistematizados em relatórios que contenham a descrição das etapas básicas: materiais utilizados. nos ambientes urbano e rural. procedimentos e dados obtidos. Observar. Pretende-se avaliar também a capacidade do aluno de descrever as etapas de transformação de materiais em objetos. mas são recursos para que a dimensão conceitual. também. Identificar e descrever algumas transformações do corpo e dos hábitos — de higiene. 2. descrever. descrevendo algumas etapas de transformação de materiais em objetos a partir de observações realizadas. dependência e sincronicidade ou seqüência é possível ser realizado pela comparação de eventos. jornais e revistas é agora possível de se realizar com crescente autonomia. narrar. generalizações mais abrangentes. • . O aluno desta fase possui um repertório de imagens e idéias quantitativo e qualitativamente mais elaborado que no primeiro ciclo. de modo mais completo e elaborado que o aluno do primeiro ciclo. possa ser trabalhada pelo professor. o aluno pode desenvolver observações e registros mais detalhados. A partir do segundo ciclo os alunos são capazes de trabalhar com uma variedade de informações progressivamente maiores.2. Sob orientação do professor. organizá-las através da escrita e de outras formas de representação. O estabelecimento de regularidades nas relações de causa e efeito. alargando a compreensão do mundo e das interações do homem com esse mundo. comparar. forma e função. sob orientação do professor. o que permite trabalhar com maior variedade de informações. Ampliam-se.Com este critério pretende-se avaliar a capacidade do aluno de identificar e registrar seqüências de eventos — as etapas e as transformações — em um experimento ou em outras atividades. desenhar e perguntar são modos de buscar e organizar informações sobre temas específicos. as possibilidades de estabelecer relações. É este o instrumental do aluno para interpretar dados e informações. erosão e fertilidade dos solos.1.2. alvos de investigação pela classe.

tabelas. respeitando as diferentes opiniões. respeitando as diferenças individuais do corpo e do comportamento nas várias fases da vida. Buscar e coletar informações através da observação direta e indireta. Identificar as defesas naturais e estimuladas (vacinas) do corpo. da experimentação.3. de acordo com as exigências do assunto em estudo.2. 2. Valorizar a vida em sua diversidade e a preservação dos ambientes. considerando as condições de qualidade de vida. Organizar e registrar as informações através de desenhos. Compreender a importância dos modos adequados de destinação das águas servidas para a promoção e manutenção da saúde. quadros. plástico. Caracterizar materiais recicláveis e processos de tratamento de alguns materiais do lixo — matéria orgânica. gráficos. papel. de causa e efeito. calor. social e psíquico do indivíduo. Formular perguntas e suposições sobre o assunto em estudo. de repouso e lazer adequados. textos e maquetes. Interpretar as informações através do estabelecimento de relações de dependência. distribuição e armazenamento de água e os modos domésticos de tratamento da água — fervura e adição de cloro —.2. de algumas fontes e transformações de energia. etc. eletricidade e som — e conhecer alguns processos de transformação de energia na natureza e através de recursos tecnológicos. conforme requer o assunto em estudo e sob orientação do professor.• • • Caracterizar espaços do planeta possíveis de serem ocupados pelo homem. a higiene ambiental e a ocorrência de doenças no homem. e a nutrição como conjunto de transformações sofridas pelos alimentos no corpo humano: a digestão. particularmente o solo e a água. Responsabilizar-se no cuidado com os espaços que habita e com o próprio corpo. representar e estabelecer relações que o aluno do segundo ciclo realiza estudos comparativos dos elementos constituintes dos ambientes.1. Conteúdos É com um repertório ampliado pelas noções anteriormente aprendidas e pelo desenvolvimento das capacidades de ler. Compreender o corpo humano como um todo integrado e a saúde como bem-estar físico. e reelaborando suas idéias diante das evidências apresentadas.3. relacionando-os com as condições necessárias à preservação da saúde. a absorção e o transporte de substâncias e a eliminação de resíduos. de seqüência e de forma e função. bem como das tecnologias utilizadas para a exploração de recursos naturais e reciclagem de materiais. incorporando hábitos possíveis e necessários de alimentação e higiene no preparo dos alimentos. esquemas. Identificar os processos de captação. • • • • • • • • • • • • • • 2. de entrevistas e visitas. Compreender o alimento como fonte de matéria e energia para o crescimento e manutenção do corpo. Estabelecer relação entre a falta de asseio corporal. das interferências do ser humano no ambiente e suas conseqüências. do funcionamento do corpo humano. Confrontar as suposições individuais e coletivas com as informações obtidas. Identificar diferentes manifestações de energia — luz. listas. Caracterizar o aparelho reprodutor masculino e feminino. e as mudanças no corpo durante a puberdade. integrando aspectos diversos e as condições de saúde. sob orientação do professor. Ambiente .

erosão.No segundo ciclo ampliam-se as noções de ambiente natural e ambiente construído. vários sais e outros componentes. umidade. Através de atividades experimentais orientadas pelo professor. incluindo o ser humano. Esses componentes também são investigados como recursos naturais. a urina e o suor são misturas de água com diferentes materiais. Ao estudar essas relações. presença destacada de grânulos. a fim de entender os aspectos da dinâmica ambiental. investigar as relações entre água. os alunos entram em contato com o fato de a água ser um solvente. evaporação e condensação da água de sucos vegetais também constituem oportunidades de discutir as possibilidades de muitos materiais dissolverem-na água. quem come quem). Para os alunos do segundo ciclo é possível. tal verificação suscita dúvidas que são esclarecidas à medida que os alunos conhecem as propriedades ou características da água. pois o que muda é a forma como se apresenta. na torneira. ar. os alunos podem estabelecer a relação entre troca de calor e mudanças de estado físico da água. Observações diretas e indiretas e leituras são meios de os alunos obterem informações acerca da existência de diferentes tipos de solo e sua relação com as diversas atividades humanas. Podem ser abordados os ambientes aquáticos. com auxílio do professor. Esse conhecimento é fundamental para a compreensão de como a água se transforma. nos canos. a água e os seres vivos. solo e outros materiais. argila. capacidade de escoamento da água (permeabilidade). misturada ao solo. se constituem em convites para os alunos expressarem suas suposições. calor. a causa dessa mudança é a troca de calor entre a água e o meio. geleiras. Essas questões. decomposição e ciclo da água. cheiro. entre outras. Investigações sobre as formas com que a água se apresenta no ambiente podem ser organizadas de modo a permitir a verificação da existência de água nos mares. possibilitando uma aproximação do conceito de ciclo da água. matéria orgânica. Ainda relacionado à qualidade da água como solvente estuda-se sua importância para a higiene pessoal e ambiental. As formas de obtenção e tratamento da água. decantação da água salgada ou lodosa. sais minerais e outras substâncias. no corpo dos seres vivos. Outras requerem a realização de atividade experimental para que possam ser verificadas — quantidades de areia. buscarem informações e verificá-las. Algumas fontes e transformações de energia são abordadas neste bloco em conexão com o bloco Recursos Tecnológicos. o sangue. estudando-se sua variedade e suas composições: as formas de vida presentes e como se relacionam (por exemplo. dos seres vivos e dos rios é a mesma? A água na natureza nunca acaba? — permitem discutir a presença da água no planeta e suas transformações. bem como o destino das águas servidas. filtração da água lodosa. podem ser trabalhados em conexão com o bloco Recursos Tecnológicos. como mistura. Possibilita ao professor conhecer as representações dos alunos e organizar os passos seguintes de sua intervenção. Ao verificarem que diferentes materiais podem estar dissolvidos na água. Grande parte desses assuntos é tratada no documento Meio Ambiente. presença de restos de seres vivos. textura. A poluição dos ambientes também é trabalhada como resultado de diferentes interações do homem com seu meio. cobertura vegetal. a relação com a luz. Ao mesmo tempo. Existem características do solo que são facilmente observáveis — cor. rios. nos poços. concluindo pela idéia de transformação — a água é a mesma —. um suco vegetal contém água misturada a vitaminas. na chuva. luz. Problemas relevantes — onde existe água no planeta? A água das nuvens. como a agricultura e a ocupação urbana. seres vivos. . fertilidade. especialmente o solo e a água. bem como através de alguns processos simples de separação de misturas. As características e propriedades do solo nos diferentes ambientes são estudadas sob o enfoque das relações entre esse componente. É interessante que os alunos verifiquem e/ou sejam informados de que a água na natureza se encontra misturada a outros materiais: o mar é uma mistura de água. também em conexão ao bloco Recursos Tecnológicos. estudando-se seus usos e conseqüências associados a diferentes atividades humanas. as quantidades de sais dissolvidos e a constituição do fundo dos rios e dos mares. o seu estado físico. através de estudos das relações entre seus elementos constituintes. Através de experimentos é possível essa verificação. Essa diversidade de características são referências para a comparação e a classificação dos diferentes tipos de solos. os alunos se aproximam de diferentes conceitos das Ciências Naturais.

é possível o professor encaminhar a noção de que o solo descoberto recebe a água da chuva com maior impacto que solos cobertos nos quais as raízes dos vegetais formam redes que impedem a desagregação do solo. Quanto aos animais. A relação da água com a luz na formação do arco-íris pode ser investigada através de atividade experimental em que os alunos constroem e verificam hipóteses e exploram uma característica importante da luz branca. Através da comparação dessas situações torna-se viável elaborar a idéia de erosão. O estudo sobre a decomposição pode ser realizado através de várias atividades experimentais e leituras. conseqüentemente. através do processo da fotossíntese (ver o tópico sobre problematização). Associando o tipo de solo às características do local de origem. em diferentes ambientes. Conhecendo a relação entre a água e o solo (permeabilidade). como resultado da ação de seres decompositores sobre os restos de animais e vegetais mortos. Essas noções introduzem a apreciação das transformações de energia. orelhas-de-pau. o que acontece quando a chuva cai sobre o solo descoberto de vegetação? E quando cai sobre solo coberto por mata ou plantação? Há alguma diferença? As crianças podem levantar suposições e testá-las através de experimentos e observações. a redução da variedade de seres vivos no ambiente. os alunos podem se aproximar da noção de solo como resultado da ação dos vários elementos do meio sobre a rocha-mãe. argila. às vezes incluindo a ação humana. conceitos. Entre esses elementos destaca-se a ação de microrganismos (bactérias e fungos microscópicos) e fungos macroscópicos (cogumelos. matéria orgânica. em vista do desmatamento por ele realizado. Investigam-se também as conseqüências da erosão para o ambiente. Deste modo. beneficiando o solo. areia. cobertura vegetal. Quanto aos vegetais. valores e atitudes: • estabelecimento de relação entre troca de calor e mudanças de estados físicos da água para fundamentar explicações acerca do ciclo da água. argila. ar.Uma estratégia interessante e fácil de ser utilizada é a coleta de amostras de diferentes tipos de solo. procedimentos. Essa informação é básica para a compreensão da presença das plantas no início de todas as cadeias alimentares. o fato de ser composta por luzes coloridas. Os estudos sobre o solo se completam com a investigação acerca da degradação do solo pela erosão. restos de animais e vegetais e matéria orgânica decomposta. transformados ou não pelas atividades humanas. etc. a água carrega partículas de solo em maior quantidade na primeira situação. Conteúdos para o segundo ciclo relativos a fatos. anta. os alunos saberão que a água da chuva se infiltra no solo. vários macacos). os alunos podem identificar uma regularidade: os solos são compostos por água. para comparação das características apontadas. Esse assunto também é tratado no documento Meio Ambiente. relacionando-se a perda de materiais do solo com a perda de sua fertilidade. Comparando as amostras através de observações e experimentos. já no segundo ciclo os alunos podem ser informados sobre a produção de seu alimento a partir de água. Em conseqüência. ar e luz. Pode-se associar as informações sobre decomposição à necessidade de utilização de adubo na preparação dos solos para o plantio. é interessante comparar comportamentos e corpos daqueles de hábito diurno àqueles de hábitos noturnos. sistematizando uma primeira aproximação da noção de fertilidade do solo. decompondo-os. Mas. caso da maior parte dos animais de grande porte das florestas brasileiras (onça. considerando-se que esse fenômeno ocorre com mais intensidade nos ambientes transformados pelo homem. maior ou menor permeabilidade. .) sobre os restos de vegetais animais e seus dejetos. assunto que se completa com o estudo de equipamentos e máquinas no bloco Recursos Tecnológicos. Também por comparação identificam diferenças relativas à quantidade de areia. desbarrancamento de terrenos inclinados até a formação de voçorocas e. assoreamento dos rios. que representa uma relação de dependência entre os seres vivos de quaisquer ambientes — aquáticos e terrestres. podendo ser mais ou menos retida nos diferentes tipos de solo. Pode-se ainda estudar as relações da luz com os seres vivos em alguns aspectos.

reconhecimento da diversidade de hábitos e comportamentos dos seres vivos relacionados aos períodos do dia e da noite e à disponibilidade de água. a aceleração das pulsações e do ritmo respiratório — decorrentes de mudança no seu estado de repouso (ao correr. O equilíbrio do corpo também depende das suas interações com o meio. entrevistas. É muito comum a analogia entre o corpo humano e uma máquina. o que o diferencia largamente de uma máquina. alterações no ambiente afetam o organismo. para caracterizá-la como solvente. experimentação.2. estabelecimento de relações entre os solos. Da mesma forma. estabelecimento de relação de dependência entre a luz e os vegetais (fotossíntese). organização e registro de informações através de desenhos. dados e conclusões. quadros. a saúde. esquemas. trocas com o meio e auto-regulação. utilização das informações obtidas para justificar suas idéias. neste ciclo. ao mesmo tempo que já aponta para a idéia de totalidade desse corpo. Com esse olhar estuda-se. dependência. visitas. leitura de imagens e textos selecionados.3. que expressa as histórias de vida dos indivíduos e cuja saúde depende de um conjunto de atitudes e interações com o meio.• • comparação de diferentes misturas na natureza identificando a presença da água. o corpo. a água e os seres vivos nos fenômenos de permeabilidade. O corpo humano é um todo integrado em que os diversos aparelhos e sistemas realizam funções específicas. listas. Como todo sistema vivo o corpo é capaz de reprodução. A proposição para a classe de situações em que os alunos possam perceber e explicar alterações do corpo — como o rubor. textos e maquetes. inserção social. . confrontação das suposições individuais e coletivas com as informações obtidas. lazer e repouso adequados. interagindo para a manutenção desse todo. pular corda. vínculos afetivos. para compreendê-los como iniciadores das cadeias alimentares. mas imprópria. tais como. sincronicidade e seqüência. fertilidade e erosão. Uma disfunção de qualquer aparelho. • • • • • • • • • • • • 2. É comum. tabelas. isto é. areia. argila e matéria orgânica. higiene pessoal e ambiental.2. interpretação das informações através do estabelecimento de relações de causa e efeito. etc. o aumento de suor. estabelecimento de relações de dependência (cadeia alimentar) entre os seres vivos em diferentes ambientes. uma vez que ao realizar tais atividades os alunos poderão perceber alterações em várias funções simultaneamente. comparação de diferentes tipos de solo para identificar suas características comuns: presença de água. comunicação oral e escrita: de suposições. sistema ou órgão representa um problema do organismo todo.) permite ao professor conhecer as representações dos alunos acerca do corpo. Ser Humano e Saúde Através de estratégias variadas os alunos podem construir a noção de corpo humano como um todo integrado. ar. algumas de suas funções e seu estado de equilíbrio. busca e coleta de informação através de observação direta e indireta. comparação de solos de diferentes ambientes relacionando suas características às condições desses ambientes para se aproximar da noção de solo como componente dos ambientes integrado aos demais. elaboração de perguntas e suposições sobre as relações entre os componentes dos ambientes. alimentação.

A comparação entre os resultados dos diferentes grupos da classe. As substâncias alimentares que chegam a todas as partes do corpo combinam-se com o oxigênio. a seleção de estratégias e atividades que contribuam para a aprendizagem de procedimentos. oxigênio e substâncias alimentares chegam a todas as partes do corpo sendo utilizados para manutenção e crescimento. Para o trabalho com diferentes sistemas ou aparelhos. É necessária a clareza de que os estudos sobre corpo humano. Esse processo. que não devem ser nomeadas nesse ciclo). dá ao professor as referências sobre o conhecimento que os alunos já têm sobre o assunto. no estômago e no intestino delgado. mas é importante que os alunos saibam o papel do oxigênio no corpo . desenhando sistemas e aparelhos dentro do contorno do corpo humano e escrevendo explicações sobre seu funcionamento. sobre as transformações dos alimentos no tubo digestivo — da boca ao reto — situa o aluno quanto às transformações que os alimentos sofrem por ação dos movimentos das partes do tubo (digestão mecânica) e por ação de sucos digestivos (enzimas. livros ou outras fontes adequadas aos alunos desse ciclo. Esse caminho significa a busca de informações em textos selecionados. No segundo ciclo é importante que os alunos compreendam o sistema circulatório como conjunto de estruturas voltadas ao transporte e distribuição de materiais pelo corpo. produzido por estruturas localizadas na pele (glândulas sudoríparas). por exemplo.A análise do professor sobre as suposições apresentadas lhe permite traçar o caminho a ser percorrido a partir do patamar de conhecimentos dos alunos. alarguemse no segundo ciclo. pois a compreensão do processo da respiração em sua totalidade (incluindo o que ocorre em nível celular e as trocas gasosas nos pulmões) abrange conhecimentos complexos. um órgão muscular cujos movimentos rítmicos impulsionam o líquido do coração para o corpo através das artérias e. também. que filtram o sangue. que chegam ao sangue após serem transformadas no aparelho digestivo. A busca de informações. que ocorre no aparelho digestivo. é interessante que os alunos. mas sim que o professor assegure a abordagem das relações entre os sistemas. Significa. Como o corpo ganha materiais para o seu crescimento e energia para realizar suas atividades? Essa questão é respondida através dos estudos sobre digestão e respiração. Distribuídos pelo sangue. Nesse processo. formam-se resíduos que devem ser eliminados. no sentido da aproximação do conhecimento oferecido pela ciência. Esta informação deve ser transmitida pelo professor aos alunos. liberando energia. garantindo a construção da noção do corpo como um todo integrado e dinamicamente articulado à vida emocional e ao meio físico e social. absorvido pelo sangue em contato com os pulmões. Não importa por qual sistema do corpo humano se iniciem os estudos. através de leituras e experimentos. compatíveis com os alcances para estudos sobre o corpo humano e a saúde no segundo ciclo. do corpo para o coração. controle hormonal. o que será abordado a seguir. São transportadas as substâncias alimentares. É essa energia que o corpo usa para realizar suas atividades e manter sua temperatura. A digestão é estudada como processo de transformação das substâncias alimentares em outras menores que podem ser absorvidas pelo sangue e distribuídas para o corpo todo. e o oxigênio. A busca de informações em atlas anatômicos simplificados. produzindo a urina. localizando-se as principais transformações verificadas na boca. mas não podem ser realizados com a profundidade que ganham nos ciclos posteriores. sem que se entre em detalhes sobre o nome das enzimas. valores e conceitos reunidos nos conteúdos deste bloco. passando pelo coração. Outro modo de eliminação de resíduos é o suor. através das veias. permite que o professor encaminhe a confrontação entre as representações realizadas e o conhecimento estabelecido sobre o aparelho ou sistema em estudo. expressem suas representações. A formação das fezes no intestino grosso e sua eliminação são estudadas considerando-se sua relação com a presença da flora intestinal e com a ingestão de fibras na alimentação. É preciso compreender os alcances desses estudos neste ciclo. O sangue recolhe os resíduos das atividades de todas as partes do corpo e os transporta para os rins. acompanhado de conversa entre os alunos a seu respeito. que têm início no primeiro ciclo. em grupos. é estudado em seus aspectos mais gerais. atitudes. etc. ainda que incipientes. sobre os diferentes sistemas do corpo humano. O sangue caminha sempre dentro de vasos. no sentido de volta.

que pode ser estimulada através das vacinas. Por operarem interligando todos os sistemas através de mecanismos complexos e se apresentarem como grandes redes pelo corpo. por frutas. como enriquecer o pão. o que não se mostra adequado ao trabalho com alunos de primeiro e segundo ciclos. entre outros aspectos de relevância local que podem ser investigados. contra a ação de elementos estranhos. Levando em conta as características da comunidade com que trabalha e os objetivos que intenciona cumprir. higiene pessoal e . uma vez que um mesmo nutriente pode cumprir diferentes papéis e que alguns deles são utilizados com diferentes fins. Um tema extremamente importante a ser considerado é a alimentação. das condições socioeconômicas. preferência por alimentos crus ou cozidos. A compreensão mais aprofundada de como o corpo integra as funções dos aparelhos e responde a estímulos do meio nos remete ao estudo dos sistemas de regulação: sistema nervoso. o corpo todo adoece. entretanto. os alunos deste ciclo podem compreender que as substâncias alimentares. Também aborda este assunto o documento Saúde. suas funções e a importância da higiene na alimentação. sobre os próprios hábitos alimentares e de pessoas da comunidade de diferentes idades permite conhecer alimentos mais consumidos nas diferentes refeições. de que a eficiência do sistema imunológico está associada às condições de higiene. formas de atuação e a importância das campanhas de vacinação podem ser investigados através de entrevistas a agentes de saúde nos postos de saúde da região. seu uso correto. açúcares e amido em diferentes alimentos. repouso e bem estar psíquico e social do indivíduo. de repouso e lazer adequados para a preservação da saúde são assuntos a ser trabalhados no decorrer de toda investigação sobre o corpo humano. A importância do asseio corporal e ambiental. motivos do consumo. como foram formados. Os alunos estudam as necessidades específicas de cada aparelho. É possível.humano. as principais substâncias alimentares. como usar talos e cascas de vegetais. isto é. Entretanto. A pesquisa sobre hábitos alimentares em outras culturas. os mecanismos de ventilação dos pulmões e as trocas gasosas entre os pulmões e o sangue. Visitas a postos de saúde locais ou entrevistas com agentes de saúde podem fornecer informações sobre a máxima utilização dos alimentos. O estudo das funções específicas dos diversos nutrientes não é adequado a este ciclo. legumes e verduras ou carnes. A leitura de rótulos de diferentes alimentos industrializados informa sobre as demais substâncias. etc. A variedade das vacinas. na forma de folhetos preparados pelos alunos com o auxílio do professor. são utilizadas para o fornecimento de energia e de materiais de construção do corpo. sistema hormonal e sistema imunológico. o estudo das vias respiratórias. na formação dos hábitos alimentares. o professor pode propor para sua classe algumas investigações sobre as relações ente as condições de higiene e verminoses. seus estudos requerem o estabelecimento de grande número de relações. Alunos desse ciclo podem investigar aspectos culturais e educacionais dos hábitos alimentares. Através de experimentos simples os alunos podem verificar a presença de água. A elaboração de cardápios a partir das informações acerca da utilização de recursos disponíveis é estimulante para a construção de um padrão nutricional desejável e compatível com a realidade. No entanto. É importante a consideração. Outra investigação possível diz respeito às substâncias que compõem os alimentos e seus papéis no funcionamento do corpo. junto ao alunos. da alimentação. próximas ou distantes no tempo e no espaço. gostos pessoais. da cultura e do conhecimento. carência nutricional e as doenças da desnutrição. é possível tratar o sistema imunológico como forma de defesa natural do organismo. Os resultados dessas pesquisas podem ser divulgados à comunidade. alimentação. A análise dos dados obtidos e organizados poderá proporcionar o entendimento sobre as influências do gosto pessoal. no seu conjunto. dependendo do estado nutricional do indivíduo. e o professor sempre evidencia que uma disfunção ou problema em determinado órgão ou aparelho representa um desequilíbrio no corpo todo.

estabelecimento de relações entre a falta de higiene pessoal e ambiental e a aquisição de doenças: contágio por vermes e microrganismos. sexualidade e auto-estima. Conteúdos para o segundo ciclo relativos a fatos. Neste ciclo. Esses assuntos podem ser tratados dentro de projetos em que se estude também questões de saúde de outras comunidades. que muito provavelmente surgirão. As questões sobre sexualidade. merecem ser trabalhadas. socioeconômicos e educacionais na preservação da saúde para compreendê-la como bem-estar psíquico. responsabilidade. reconhecimento dos alimentos como fontes de energia e materiais para o crescimento e a manutenção do corpo saudável valorizando a máxima utilização dos recursos disponíveis na reorientação dos hábitos de alimentação. conceitos. Os alunos podem buscar e coletar informações através de leitura orientada pelo professor. Pelo perigo que representa à vida dos jovens é necessário que os alunos sejam informados sobre as formas de contágios e prevenção à AIDS. valores e atitudes: • estabelecimento de relações entre os diferentes aparelhos e sistemas que realizam as funções de nutrição para compreender o corpo como um todo integrado: transformações sofridas pelo alimento na digestão e na respiração. afecções do aparelho urinário (muito comum nas jovens e meninas). poluição ambiental e doenças do aparelho respiratório. para que os alunos tracem comparações entre as suas condições de higiene e saúde e as de outros grupos. a masturbação e demais aspectos são abordados levando-se em conta os componentes biológicos e culturais. quais mudanças estão ocorrendo) e a comparação desses dados com padrões de desenvolvimento — que podem ser obtidos junto aos agentes de saúde — permitem aos alunos situarem seu momento de desenvolvimento e considerarem variações individuais ligadas à hereditariedade e ao histórico pessoal. estabelecimento de relações entre aspectos biológicos. afetivos. É também da maior importância que o grau de maturidade psíquica e biológica da classe seja parâmetro no aprofundamento das repostas ou investigações acerca desses assuntos. físico e social. como para os demais aparelhos. como era. A observação do próprio corpo (como é. • • • • • • • . culturais. Assuntos como a construção da identidade sexual. identificação de limites e potencialidades de seu próprio corpo. a representação inicial.doméstica. afetivos e culturais na compreensão da sexualidade e suas manifestações nas diferentes fases da vida. compreendendo-o como semelhante mas não igual aos demais para desenvolver auto-estima e cuidado consigo próprio. buscando evitar preconceitos e responder dúvidas. o professor solicita desenhos individuais e os recolhe. anotando os nomes dos órgãos e suas funções. o prazer. transporte de materiais pela circulação e eliminação de resíduos através de urina e suor. comparação dos principais órgãos e funções do aparelho reprodutor masculino e feminino. também são importantes os estudos sobre os aparelhos reprodutores feminino e masculino e sobre as transformações que ocorrem no corpo de meninas e meninos durante a puberdade. entre tantas outras. Para os estudos sobre o aparelho reprodutor masculino e feminino é indicado. devolvendo-os aos alunos após a etapa de investigação para que cada um possa comparar sua representação inicial àquela obtida através dos estudos. Para evitar constrangimentos. o que é interessante para a expansão de sua compreensão de mundo. Neste ciclo estudam-se os órgãos dos aparelhos reprodutores e suas principais funções. em que os alunos desenham o que já conhecem ou ainda como os imaginam. procedimentos. É importante que o professor esteja atento e explicite os aspectos culturais envolvidos. valorizando os vínculos entre afeto. estabelecimento de relações entre a saúde do corpo e a existência de defesas naturais e estimuladas (vacinas). relacionando seu amadurecimento às mudanças no corpo e no comportamento de meninos e meninas durante a puberdade e respeitando as diferenças individuais. estabelecimento de relações entre aspectos biológicos.

busca e coleta de informação através de observação direta e indireta.3. hospitais). etc. textos e maquetes. utilização das informações obtidas para justificar suas idéias. comunicação oral e escrita: de suposições. Água. Assim. causa e efeito. Os resíduos provenientes dessas transformações são eliminados através das fezes. a escola e seu entorno até o planeta como um todo. entram alimentos e água. tabelas. 2.2. Na casa entram e saem pessoas. Tanto os resíduos eliminados pelo corpo quanto o lixo doméstico não podem permanecer na casa. sendo também tratados nos documentos Meio Ambiente e Saúde. solo e saneamento básico Esses assuntos estão intimamente relacionados aos estudos sobre Ambiente. utilidades e fontes de energia consumidas. É um sistema em constante troca com o ambiente. baratas. isto é. A casa é um ambiente dinâmico. Recursos Tecnológicos Muitos e diversos são os assuntos que permitem aos alunos deste ciclo ampliarem as noções acerca das técnicas que medeiam a relação do ser humano com o meio.3. emoções. A escolha dos estudos a serem realizados pode tomar como referência os problemas ambientais locais. se alimentam. Enfim. leitura de imagens e textos selecionados. bactérias. organização e registro de informações através de desenhos. dados e conclusões. verificando também aspectos relacionados às conseqüências do uso e ao alcance social. ao fazermos a limpeza da casa e o asseio pessoal. saem dejetos e lixo. Dessas atividades sobram restos que compõem o lixo doméstico. bem como os alcances dos diferentes conteúdos. quadros. tendo em vista a construção de conhecimentos básicos que fundamentem o valor à sua preservação. experiências.• • elaboração de perguntas e suposições acerca dos assuntos em estudo. os dejetos devem ser lançados para fora da casa. classificando-os segundo critérios diversos. a água e os alimentos são aproveitados através do desenvolvimento de técnicas. • • • • • 2.3. uma unidade isolada. para que os alunos conheçam a diversidade de suas formas. Esses assuntos serão apresentados em tópicos com a finalidade de organizar a discussão e mostrar as articulações com os demais blocos e com temas transversais. se banham e eliminam dejetos. instrumentos e ferramentas. lixo. A casa não é. A água e os alimentos são modificados ao cozinharmos. pois se constituem em excelente meio de proliferação de seres vivos — ratos. confronto das suposições individuais e coletivas às informações obtidas. se abrigam.1. fungos. visitas a equipamentos de saúde (postos. moscas. Nesse sentido os espaços a serem considerados vão desde a casa. interpretação das informações através do estabelecimento de relações de dependência. que as pessoas realizam as atividades mais íntimas e necessárias à sua sobrevivência. — que se alimentam desses restos e podem causar ou transmitir doenças às pessoas da casa e da vizinhança. Também é possível no segundo ciclo a realização de estudos comparativos de equipamentos. experimentação. listas. Nela as pessoas trocam afetos. Em conexão com os blocos Ambiente e Ser Humano e Saúde. seqüência de eventos. alimentos e água são transformados também dentro do corpo. forma e função. portanto. É ele o receptor final dos dejetos . Sua abordagem no segundo ciclo é constituída pelas investigações acerca dos resultados das intervenções humanas na circulação e transformação dos materiais no ambiente.3. para o ambiente. Mas. é na casa.2. urina e suor. esquemas. entrevistas. desenvolvem-se estudos sobre a ocupação humana dos ambientes e os modos como o solo. descansam.

agentes de saúde. ao escoamento e tratamento dos dejetos.3. Nas regiões industriais.provenientes de cada casa. aumenta a variedade de dejetos lançados no ambiente. manutenção de caixas d’água e cisternas cobertas. Esse plano deve conter: materiais necessários à realização da atividade. a fim de conquistar o direito à água limpa e tratada. canudos ou pedaços de cano. Algumas soluções dizem respeito diretamente à família da criança: construção de poços em local adequado. nas regiões de garimpo. quando a intensidade da interferência humana ainda não era tão acentuada.2. desenho da maquete com suas medidas. de rios ou riachos. bem como a conhecer as medidas necessárias para a solução dos problemas que porventura existam. das roupas? Para onde vão as águas servidas? O encaminhamento apontado para o estudo da captação e do armazenamento da água aplica-se também a este tema. Captação e armazenamento da água Uma investigação importante incide sobre os modos de captação de água na região onde a escola se encontra — se provém de fontes. que as trocas com o ambiente sejam feitas de modo a garantir a sua preservação. que coletam água da chuva. 2.3. como são e onde se localizam — e sobre as formas de armazenamento — caixas d’água ou açudes. agentes de saúde. promover o acesso da população à água tratada. constituem o saneamento básico.3. maiores os problemas para a manutenção da higiene do ambiente. se a casa precisa se manter limpa para que as pessoas não contraiam doenças. Essa atividade facilita a compreensão sobre a relação direta entre pressão da água e altura do recipiente de estoque. Complementa essas investigações a busca de informação nos postos de saúde e em outras fontes — livros. nos portos. buscar informações a respeito das condições das fontes de água locais no passado. A distribuição de água através de redes de abastecimento pode ser trabalhada através da construção de maquetes em que se represente todo o processo: da captação à chegada da água às casas. que antecede a construção. As montagens são realizadas de modo a simular as ligações entre caixas de água e encanamentos de edifício ou casa. muito necessárias em locais onde não há abastecimento de água tratada. É necessário. também. Mas.2. Assim. . o ambiente também necessita cuidados.3. de poços. o conjunto de estruturas que permitem o transporte da água (canos). São indicadas a investigação no entorno e a busca de informações em postos de saúde e em outras fontes — livros. Quanto maior o aglomerado humano. órgãos públicos responsáveis pelo saneamento. 2. Outras. Os alunos devem ser informados de que fervura da água e/ou uso de produtos clorados são medidas alternativas para a eliminação de microrganismos da água. Destino das águas servidas Para onde vão as águas de banho ou de lavagens dos sanitários. Os resultados dessas pesquisas informam os alunos sobre as condições da água e de seu armazenamento na região em que vivem e os capacita a qualificar a água que consomem. Pode-se. de represas. portanto. As técnicas que o homem cria para efetuar essas trocas.2.3. Também é interessante experimentações com vasos comunicantes que o professor e sua classe podem realizar utilizando sucatas de recipientes plásticos. órgãos públicos responsáveis pelo saneamento — sobre as doenças veiculadas pela água em sua região e suas causas (agentes biológicos ou químicos). mantendo casa e ambiente em condições saudáveis. Para essa atividade é importante que o professor oriente os alunos na elaboração de um plano. à coleta de lixo e à preservação do ambiente são medidas de caráter preventivo fundamentais à manutenção da saúde. que completa os estudos sobre a utilização da água e sua destinação. dizem respeito às ações da comunidade junto aos órgãos competentes.

são debatidos quando se estuda o destino da água servida: seja pela construção inadequada de fossas.2.3. principalmente em função do uso extensivo de asfalto. podendo se consumar a desertificação de vastas áreas. que atingem a atmosfera e espalham-se. queimadas. bem como as possibilidades de reciclagem (vidro. e as possíveis conseqüências do uso inadequado. nem acumulado em solos rasos. riachos e mares. Quanto à criação de animais. ou em outro recurso de comunicação. pois esses são casos em que se verifica a contaminação da água. Solo e atividades humanas São possíveis investigações sobre os usos do solo associados a diferentes atividades humanas: agricultura. O manejo incorreto do solo — abandono de culturas. Devido ao tempo disponível. necessárias à preservação da água do subsolo. tornam-se necessárias a construção e a manutenção de sistemas de escoamento. A pesquisa sobre o padrão de construção das fossas sépticas. a ser divulgado para sua comunidade. incineração e lixão). 2. antes das transformações necessárias à atividade em questão. metais. Nem sempre todas as informações a respeito dos destinos do lixo estão disponíveis para os alunos e seu professor. algumas cancerígenas. O estabelecimento das relações entre os vários aspectos . desmatamento em larga escala. não é possível o estudo aprofundado de todos esses assuntos. através de entrevistas e leituras em jornais. seus principais sintomas.5.3. criação de animais e ocupação urbana. A utilização de solos impróprios e o pastoreio intensivo (pisoteamento do solo seminu) acabam por produzir intensa erosão. prática de monocultura e plantio fora da curva de nível — acarreta em perda de fertilidade e condições propícias para a erosão. papel e metal) e produção de compostos para adubagem e gás natural (a partir de restos de alimento e papel).2. São materiais recicláveis aqueles que podem ser reaproveitados através de processos e técnicas específicos. Na atividade agrícola tornam-se necessárias a correção do solo e a utilização de adubos para o plantio. seja pelo lançamento de esgotos não tratados em rios. podem ser investigadas as condições de formação e manutenção dos pastos. No entanto. A impermeabilização dos solos urbanos. modos de contágio e prevenção. que permitam aos alunos conhecerem os diferentes destinos do lixo (aterro sanitário. ou de outras fontes.3. O uso de incineradores ou a queima direta do lixo representa um grave risco à saúde. A busca de informações sobre as formas de destinação do lixo é realizada através da leitura de textos e artigos de jornal selecionados. do solo e do ar e a proliferação de animais transmissores de doenças. Para que não ocorram enchentes. em leito de rios ou próximo a mananciais. esses estudos devem proporcionar a compreensão de que o lixo não pode ser mantido a céu aberto. É importante que se estudem as doenças de veiculação hídrica recorrentes na região.3. mesmo que parcialmente realizados. 2.4. Os alunos poderão coletar informações por meio da observação direta. Coleta e tratamento de lixo Quais os constituintes do lixo na casa? E na escola? Essas questões são facilmente respondidas pela observação direta. restos de alimentos e papéis. e sobre a necessidade de construção de redes e tratamento de esgoto também é objeto de conhecimento dos alunos.Os problemas de contaminação da água por dejetos. em conexão ao tema transversal Saúde e ao bloco Ser Humano e Saúde. Pode-se também observar que existem categorias de materiais nessa composição — plástico. Para cada caso procura-se relacionar as características do solo no ambiente original. impede o escoamento natural das águas pluviais. Os resultados desses estudos podem ser organizados em um folheto. posto que a mistura de gases resultante da queima contém substâncias tóxicas. a partir da qual se estabelece uma lista de componentes do lixo. Recomenda-se que o professor mencione as diferentes formas de uso do solo e eleja aquela mais significativa em sua região para uma investigação mais detida.

máquina fotográfica. 2. carro.3. televisão.3. que serão tratados nos ciclos finais do ensino fundamental. ao estudarem o destino das águas servidas e do lixo. Cabe ressaltar que a poluição é uma questão global. entram em contado com a idéia de poluição. conhecendo-se a variedade e o uso dessas substâncias na agricultura.). Por sua importância. . nos ambientes urbanos ou rurais. manipulação e preparo de materiais (trator. furadeira.). é possível classificar equipamentos segundo a finalidade que cumprem: transporte (bicicleta. acarretando em problemas ambientais relacionados à intensificação do efeito estufa. máquinas. São interessantes para a abordagem contextualizada dos conceitos das Ciências nos ciclos finais do ensino fundamental. da Física e da Química. Além do lixo. ainda que de forma abreviada. são incorporadas aos vegetais e. estudos sobre aplicações práticas das manifestações de energia permitem a exploração de aspectos interessantes e conseqüente ampliação da noção de energia e suas transformações. entre outros. que trazem prejuízo à saúde pessoal e ambiental. por diferentes que sejam os equipamentos e suas finalidades. arado. Estudos específicos sobre poluição requerem conhecimentos da Biologia. telefone. contaminando solos e águas. Durante o segundo ciclo os alunos podem entrar em contato com uma variedade de equipamentos. Alunos de segundo ciclo. à inversão térmica.3. relacionado-as aos problemas de saúde da população. É possível a uma classe reunir esse conhecimento realizando observações diretas ou indiretas de diferentes utensílios e equipamentos. avião. Poluição São inúmeras as causas e conseqüências da poluição no planeta. 2. etc.). aos animais e ao homem através das cadeias alimentares. É possível dar destaque ao fato de que. etc. herbicidas e fungicidas — são substâncias que eliminam pragas agrícolas mas. iluminação (vela. no solo e no ar.6. Tão grave quanto o uso de agrotóxicos na agricultura são os resíduos tóxicos dos escapamentos de veículos e indústrias. liqüidificador.envolvidos. acompanhadas de classificações. a maior parte relacionada ao uso depredatório dos recursos naturais através de técnicas inadequadas. Com esse destaque começa-se a mostrar para o aluno a relação entre energia e realização de trabalho. Por exemplo: os poluentes lançados no ar pela queima de combustíveis fósseis atingem a atmosfera e. outras formas de poluição podem ser conhecidas. causando danos irreversíveis à saúde. para que servem e como servem ao homem. todos eles utilizam alguma forma de energia para seu funcionamento. dos animais ou do vento — e às transformações que realizam. São venenos que têm efeito cumulativo nos organismos vivos. tomada como presença de materiais na água. barco. britadeira.). Os mesmos equipamentos podem ser investigados com relação às fontes de energia que utilizam — energia elétrica.7. além do registro e da organização dos dados coletados são procedimentos também importantes. lâmpada. aquecimento (chuveiro. instrumentos e demais aparelhos utilizados para os mais diversos fins. comunicação (rádio. ferro de passar roupa. conhecer seus nomes. Diversidade dos equipamentos A compreensão do conceito de energia e suas transformações requer um nível de abstração que ainda não se estabeleceu nos alunos deste ciclo. os problemas que acarretam para a saúde e técnicas alternativas no controle de pragas. etc. misturadas ao solo e à água. etc. energia química dos combustíveis. Dependendo da região em que a escola se encontre é importante que questões da poluição sejam investigadas. conseqüentemente. os modos como se dá a ocupação humana e suas conseqüências no ambiente. energia solar. por ação das chuvas. Entretanto. utilizando-se critérios propostos pela própria classe ou pelo professor. pois atinge a dinâmica do planeta em seu equilíbrio. retornam à superfície terrestre. lamparina. quais as fontes de energia que utilizam e quais transformações realizam. etc.2. torradeira. campainha. dos esgotos e das queimadas.2. Os agrotóxicos — pesticidas.3. No sentido de se orientar o trabalho para construção das noções que se pretende. energia de movimento do homem.). esse assunto pode ser estudado. betoneira.

É interessante observar que há equipamentos que transformam um tipo de energia em outro. Instrumentos de marcenaria ou mecânica são feitos de metal pois devem ser resistentes. • • • • • • . Também tomam parte desses trabalhos as indicações sobre os cuidados no uso de equipamentos e instrumentos e a valorização de seu uso no trabalho e no lazer. qualidades que são possíveis de se obter pela modelagem dos metais na fabricação de ferramentas. material de que é feito). de destinação das águas servidas e das formas de tratamento do lixo na região em que se vive. pode-se estabelecer a relação entre as qualidades do material que o confecciona — metal — e o tipo de serviço que presta. É o caso de equipamentos que servem à iluminação e à comunicação. da água. Por exemplo. valores e atitudes: • • comparação das condições do solo. A reunião dessa categoria de objetos em uma coleção. ferramentas ou instrumentos de diferentes aplicações — música. equipamentos de iluminação irão transformá-las em luz (outra forma de energia). Por sua vez. é possível o aluno relacionar o tamanho das cordas. Conteúdos para o segundo ciclo relativos a fatos. comparação e classificação de equipamentos. É importante que as investigações sobre equipamentos. caracterização de técnicas de utilização do solo nos ambientes urbano e rural. mais grave o som. mais grave o som. Por diferentes que sejam as fontes energéticas. caracterização dos espaços do planeta possíveis de serem ocupados pelo ser humano. à qualidade do som que delas se consegue: quanto mais grossa a corda. caracterização de materiais recicláveis e processos de reciclagem do lixo. quanto menor o instrumento. também é interessante o desenvolvimento de investigações acerca dos utensílios. sua espessura e comprimento. do ar e a diversidade dos seres vivos em diferentes ambientes ocupados pelo homem. algumas vezes cortantes. mecânica ou culinária. reconhecimento das formas de captação. procedimentos. utensílios. relacionando-as aos problemas de saúde local. na categoria dos instrumentos musicais de corda. mais agudo o som. marcenaria. utensílios e ferramentas sejam conduzidas de modo a mostrar sua diversidade e a possibilidade de compreender por que são tão úteis e necessárias nas diversas atividades humanas. identificando as principais causas e relacionando-as aos problemas de saúde da população local. quanto menor a porção vibrante de uma determinada corda. Investigações no campo da história das invenções e experimentações sobre condução elétrica ou máquinas simples também podem ser organizadas e propostas como formas de ampliação do conhecimento acerca da diversidade dos equipamentos e seu funcionamento. armazenamento e tratamento de água. Além de estudos sobre equipamentos. reconhecimento das principais formas de poluição e outras agressões ao meio ambiente de sua região. Quanto aos instrumentos de marcenaria ou mecânica. mais agudo o som. conceitos. reconhecimento do saneamento básico como técnica que contribui para a qualidade de vida e a preservação do meio ambiente. identificando os produtos desses usos e as conseqüências das formas inadequadas de ocupação. equipamentos de comunicação são sistemas que convertem diferentes formas de energia (geralmente elétrica) em som (energia acústica) e imagem (luz). seguida de classificação com a aplicação de diferentes critérios permite algumas discussões importantes acerca da adequação das formas e materiais que constituem os diferentes utensílios e ferramentas ao uso que deles se faz. ferramentas para estabelecer relações entre as características dos objetos (sua forma. A mesma relação pode ser estabelecida nos instrumentos de percussão: quanto maior o tamanho do instrumento.

maquetes.2. elaboração de perguntas e suposições sobre os assuntos em estudo. ar. comunicação oral e escrita: de suposições. estabelecendo relações entre sistema circulatório. Comparar diferentes tipos de solo identificando componentes semelhantes e diferentes. água. aparelho digestivo. visitas.• comparação e classificação de equipamentos. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender que a permeabilidade é uma propriedade do solo. entrevistas. leitura de imagens e textos selecionados. utilização das informações obtidas para justificar suas idéias desenvolvendo flexibilidade para reconsiderá-las mediante fatos e provas. esquemas. • • • • • • • • • • 2. argila. busca e organização de informação através de observação direta e indireta. inclusive os decompositores e restos de seres vivos — e que os diferentes solos apresentam esses componentes em quantidades variadas. identificando a amplitude de sua presença na natureza. estando relacionada à sua composição. e a necessidade de construção de sistemas de escoamento de água em locais onde o solo foi recoberto por asfalto (ambiente urbano). Aplicar seus conhecimentos sobre as relações água-solo-seres vivos na identificação de algumas conseqüências das intervenções humanas no ambiente construído. valorização da divulgação dos conhecimentos elaborados na escola para a comunidade. experimentação. tabelas. sendo capaz de explicar o ciclo da água na natureza. relacionando seu funcionamento à utilização de energia. sincronicidade e seqüência. atua mais intensamente em solos descobertos. quadros. interpretação das informações através do estabelecimento de relações causa e efeito. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender que os solos têm componentes comuns — areia. água e seres vivos nos fenômenos de escoamento e erosão. Relacionar solo. dados e conclusões. para se aproximar da noção de energia como capacidade de realizar trabalho. Critérios de avaliação Os critérios de avaliação para este ciclo seguem a mesma abordagem que a do ciclo anterior. Estabelecer relação alimentar entre seres vivos de um mesmo ambiente. Identificar e localizar órgãos do corpo e suas funções. textos. organização e registro de informações através de desenhos. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno identifica a presença da água em diferentes espaços terrestres e no corpo dos seres vivos e que as trocas de calor entre água e o meio têm como efeito a mudança de estado físico. tomar fatos e dados como tais e utilizá-los na elaboração de suas idéias. . agente de erosão. aparelho respiratório e aparelho excretor. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de reconhecer a erosão e a perda de fertilidade dos solos como resultado da ação das chuvas sobre solos desmatados e queimados (ambiente devastado). Com este critério pretende-se avaliar se o aluno identifica a cadeia alimentar como relação de dependência alimentar entre animais e vegetais. e que a água.4. Relacionar as mudanças de estado da água às trocas de calor entre ela e o meio. reconhecimento e nomeação das fontes de energia que são utilizadas por equipamentos ou que são produto de suas transformações. confronto das suposições individuais e coletivas às informações obtidas. utensílios. muitas vezes misturada a diferentes materiais. ferramentas. seres vivos. valorizando a diversidade de fontes. listas. estando os vegetais no início de todas elas.

ou inadequação.1. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de nomear as formas de energia utilizadas em máquinas e equipamentos. tanto para a confecção de planejamentos quanto para sua intervenção direta no processo de ensino e aprendizagem. seguindo um roteiro preparado pelo professor. Orientações didáticas para o primeiro e o segundo ciclos Com a finalidade de subsidiar o educador. higiene pessoal e ambiental e que a carência. contribuindo para a manutenção da fertilidade do solo. embora às vezes a ela se assemelhe. transformações e estabelecendo relações entre os eventos. relacionando-as à preservação da saúde. Organizar registro de dados em textos informativos. e que alguns deles são causadores de doenças. para a busca de informações em fontes variadas e para a elaboração de projetos. entre eles o vírus da AIDS. Identificar as relações entre condições de alimentação e higiene pessoal e ambiental e a preservação da saúde humana. trabalhando em pequenos grupos. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno. descrevendo suas finalidades e as transformações que realizam. experimentações ou outras formas. compreendendo o corpo como um sistema em que tais aparelhos se relacionam realizando trocas. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de representar diferentes objetos de estudo através de: desenhos ou maquetes. relacionando-o aos problemas de saúde ali verificados. como forma de comunicação de suposições. Reconhecer diferentes papéis dos microrganismos e fungos em relação ao homem e ao ambiente. textos informativos. que melhor se ajuste à representação do tema estudado. 3. informações coletadas e conclusões. identificando algumas delas como outras formas de energia. Realizar registros de seqüências de eventos em experimentos. tabelas. que podem ter uma lógica interna diferente da lógica das Ciências Naturais.Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de perceber a disposição espacial dos órgãos e aparelhos estudados e suas funções. este documento aborda orientações didáticas gerais para a intervenção problematizadora. e registrá-las. de um ou mais desses fatores acarreta doença. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de identificar e registrar seqüências de eventos — as etapas e as transformações — em um experimento por ele realizado e de estabelecer relações causais entre os eventos. Buscar informações através de observações. identificando etapas. 3. além de discutir a importância da sistematização. é capaz de cooperar nas atividades de grupo e acompanhar adequadamente um novo roteiro. Reconhecer diferentes fontes de energia utilizadas em máquinas e outros equipamentos e as transformações que tais aparelhos realizam. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender que a saúde individual depende de um conjunto de fatores: alimentação. De alguma forma essas explicações satisfazem as curiosidades dos . tendo realizado várias atividades em pequenos grupos de busca de informações em fontes variadas. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender como o saneamento se estrutura na sua região. Problematização Os alunos desenvolvem fora da escola uma série de explicações acerca dos fenômenos naturais e dos produtos tecnológicos. tabelas. ou pelo professor em conjunto com a classe. como instrumento de registro e interpretação de dados. desenhos ou maquetes. que guardem detalhes relevantes do modelo observado. Com este critério pretende-se avaliar se o aluno é capaz de compreender que os microrganismos e fungos atuam como decompositores. Identificar e descrever as condições de saneamento básico — com relação à água e ao lixo — de sua região.

criando situações em que se estabeleçam os conflitos necessários para a aprendizagem — aquilo que estava suficientemente explicado não se mostra como tal na nova situação apresentada. Definido um tema de trabalho é importante o professor distinguir quais questões são problemas para si próprio. ou "De que maneira as plantas aproveitam o ar?" poderão ser respondidas pelos alunos nas formulações: "Não. Tomando o mesmo assunto. que se pretende que seja apropriado por esse aluno. Sabe-se que nem sempre ela ocorre. para que eles sintam necessidade de buscar informações e reconstruí-los ou ampliá-los. mesmo conservando conceitos alternativos. Constata-se que os modelos explicativos das crianças continuam suficientes para responder as questões colocadas. o professor poderá perguntar para a classe: "Se as plantas comem terra. as plantas comem terra" e "As plantas aproveitam o ar para respirar". que vegetais não comem terra? Alguns caminhos são possíveis para que o problema se coloque para o aluno de modo favorável à reformulação de seus modelos. um problema para os alunos. estando portanto adequadas às suas possibilidades cognitivas. experimentos. Conforme já discutido no capítulo sobre ensino e aprendizagem de Ciências. essas questões não se configuram em problemas. Também deve-se distinguir entre as questões que de fato mobilizam para a aprendizagem — problemas — e outras que não suscitam nenhuma mobilização. que as plantas produzem seu próprio alimento através do processo da fotossíntese. para ele. de outros animais ou de ambos. Busca de informações em fontes variadas A busca de informações em fontes variadas é um procedimento importante para o ensino e aprendizagem de Ciências. insuficiente na explicação sobre a alimentação das plantas? Como o aluno poderá compreender que a terra não é alimento para as plantas. Por exemplo. Ainda assim. Possivelmente pensam que as plantas se alimentam da terra que consomem pela raiz. orquídeas)?". por que a terra dos vasos não diminui?". observações propostos pelo professor. que na escola se desenvolve. Coloca-se. Em outras palavras. Por exemplo: supondo-se uma classe trabalhando com o tema da cadeia alimentar. Ao solucionar problemas. ou ainda. . Uma questão só é um problema quando os alunos podem ganhar consciência de que seu modelo não é suficiente para explicá-lo. é preciso que os conteúdos a serem trabalhados se apresentem como um problema a ser resolvido. 3. retomar seu modelo e verificar o limite dele. assim. e quais terão sentido para os alunos.alunos e fornecem respostas às suas indagações. "Como vocês podem provar que as plantas comem terra pelas raízes?". investigando como os seres vivos se alimentam. A problematização busca promover mudança conceitual. para o qual concorre a água. freqüentemente concepções alternativas se preservam.2. que deverão colocá-los em movimento de busca de informações — através da experimentação. contribui para o desenvolvimento de autonomia com relação à obtenção do conhecimento. Esses problemas exigem dos alunos explicações novas. Freqüentemente os alunos já sabem que os animais se alimentam de plantas. da leitura ou de outras formas — que lhes ofereçam elementos para reelaborarem os modelos anteriores. A partir de então. São elas o ponto de partida para o trabalho de construção da compreensão dos fenômenos naturais. perguntas como "As plantas produzem seu próprio alimento?". que têm sentido em seu processo de aprendizagem das Ciências. Portanto. entretanto. Que perguntas poderão gerar conflitos de modo que o modelo do aluno se mostre. Têm-se aqui dois modelos explicativos: um pertinente à lógica do aluno e outro fornecido pela Ciência. E poderão ser capazes de utilizar diferentes domínios de idéias em diferentes situações. "Como explicar o fato de algumas plantas sobreviverem em vasos apenas com água?" e "Como algumas plantas vivem sobre outras plantas. podem elaborar um novo modelo através de investigações e confrontações de idéias orientadas pelo professor. os alunos podem se apropriar de conceitos científicos. pode haver aprendizagem significativa dos conceitos científicos. Além de permitir ao aluno obter informações para a elaboração de suas idéias e atitudes. com as raízes expostas (algumas samambaias. cuja solução passa por coletar novas informações. a luz do sol e o gás carbônico do ar. tais como questões. O professor poderá promover a desestabilização dos conhecimentos prévios. É necessário que os modelos trazidos pelos alunos se mostrem insuficientes para explicar um dado fenômeno. Sabe-se. os alunos compreendem quais são as idéias científicas necessárias para sua solução e praticam vários procedimentos.

etc. previamente planejado. São os casos de observações feitas através de microscópio. Também a supervisão de quem sabe o que mostrar — o próprio professor. e sim buscar ver melhor. Existem dois modos de realizar observações. são incentivos para a busca de detalhes no processo de observação. buscar aquilo que se pretende encontrar. experimenta ou lê põe em ação seus conhecimentos anteriores. ou outros aspectos que se pretende abordar com os alunos.2. a observação na área de Ciências Naturais é um procedimento guiado pelo professor. num processo contínuo de confronto entre diferentes idéias. entrevista. pode relatar o que vê. interpretando as informações a partir de seus próprios referenciais. observar é olhar o "velho" com um "novo olho". O primeiro. através de recursos técnicos ou seus produtos. desenhos ou verbalizações. fotos. máquinas e outros objetos que estão disponíveis no meio. do céu. Assim. seja através de registros escritos. das máquinas utilizadas habitualmente. Para se realizar atividades de observação indireta. animais. indicações para observação e experimentação. é necessário reunir na sala de aula um acervo de materiais impressos com ilustrações ou fotos que os alunos possam observar e comparar certos aspectos solicitados pelo professor. em modos de obter informações. O professor deve ter clareza de que são as teorias científicas que oferecem as referências para que os alunos elaborem suas reinterpretações sobre os temas em estudo. excursão ou estudo do meio. 3. leitura. Eles se constituem. É nesse processo intrinsicamente dinâmico de busca de informações e confronto de idéias que o conhecimento científico se constrói. Mas observar não significa apenas ver. propor desafios que os motivem a buscar os detalhes de determinados objetos. é necessário que se oriente o aluno nessa busca. Sem essa intenção. experimentação. nomeações. sobre suas formas. portanto. — será reconhecido dentro do patamar estável dos conhecimento prévios. A comparação de objetos semelhantes. que o assiste previamente e avisa os alunos sobre quais aspectos deverão considerar com atenção. estabelecendo-se contato direto com os objetos de estudo: ambientes. . As noções escolhidas nortearão o professor na elaboração de problematização às propostas de observação. O segundo. filmes ou gravuras. Os filmes devem ser gravados em vídeo para uso no momento apropriado. se esses momentos se destinam a coletar informações para encaminhar as discussões e investigações planejadas. tomando como referência a rede de idéias instalada pelo professor. perguntas específicas sobre o lugar em que se encontram objetos determinados. De certo modo.São modalidades desse procedimento: observação. aquilo que já foi visto antes — caso dos ambientes do entorno. como o próprio nome diz. de modo que ele obtenha os dados necessários ao confronto das suposições previamente estabelecidas e possa reelaborá-las.1. para que o mesmo objeto seja percebido de modo cada vez mais completo e diferente do modo habitual. telescópio. Portanto. do corpo humano. encontrar detalhes no objeto observado. Observação A capacidade de observar já existe em cada pessoa. O sujeito que observa. plantas. Deve-se considerar que só são conhecidas as observações dos alunos quando eles comunicam o que vêem. Também são bons recursos para a coleta de informações pelos alunos orientados pelo professor. leitura de textos e em seu próprio discurso explicativo. um guia ou um monitor — durante atividades de observação são valiosas para que os alunos percebam os detalhes do objeto observado. experimentação e outras estratégias para a busca de informações. Para desenvolver a capacidade de observação dos alunos é necessário. É importante que se tenha claro que a construção do conhecimento não se faz exclusivamente a partir de cada um desses procedimentos. olhando para objetos determinados. à medida que. Ao estudar o tema a ser investigado por sua classe o professor verifica no conhecimento estabelecido uma rede de idéias implicada no tema em questão e seleciona quais noções pretende desenvolver com seus alunos. mas não idênticos. É papel do professor trazer elementos das teorias científicas e outros sistemas explicativos para sua classe sob a forma de perguntas.

é bastante comum os alunos terem idéias para mudar experimentos protocolados. Não há perda de tempo nisso. jardim. são maiores que nas situações precedentes: discute com os alunos a definição do problema. comportamentos e outros aspectos dinâmicos. A experimentação é realizada pelos alunos quando discutem idéias e manipulam materiais. entretanto. Verifica a necessidade de materiais e de acompanhantes para supervisionar e cuidar dos alunos. É uma discussão que enriquece o processo. avaliando as condições de segurança necessárias para que os alunos realizem os trabalhos. os modos de coletar e relacionar os resultados. deve-se investigar a atuação de alguma variável. capão de mata. sempre que possível. O professor prepara um roteiro que é discutido com os alunos. fazendo suas próprias descobertas que poderão ser relatadas aos colegas e integrar o conjunto de conhecimentos desenvolvidos para o tema. verificada pelo surgimento de gás. Em conversa anterior ao passeio. por exemplo. Como fonte de investigação sobre os fenômenos e suas transformações. áreas em construção. ou que surgiu aleatoriamente. pois obtêm-se impressões com todos os sentidos e não apenas impressões visuais. Também seleciona os aspectos a serem observados e o tempo necessário para a atividade. áreas em construção. de algum aspecto ou fator que não foi considerado em princípio. Uma vantagem destas últimas. como em observações indiretas. ofereça um roteiro de observação. pois é importante que cheguem ao local de visita sabendo onde e o que observar. o professor entra em contato com os conhecimentos que as crianças já têm sobre os assuntos que estão estudando. O professor deve conhecer o local. Ao lhes oferecer um protocolo definido ou guia de experimento. Essas visitas precisam ser preparadas. os desafios estão em interpretar o protocolo. além de esclarecer dúvidas sobre o roteiro e enriquecê-lo com sugestões dos alunos. possibilita observações de tamanhos. É preciso incentivar a discussão dessas idéias e pô-las em prática. ao acaso. como nos casos de experimentos que envolvem o uso de materiais perigosos — ácidos. formas. Nesse caso. Muitas vezes trabalha-se com demonstrações para alunos pequenos. Ainda que o professor selecione aspectos a serem observados. entre outros — e fogo.2. demonstra que a mistura de vinagre e bicarbonato de sódio produz uma reação química. ou quando não há materiais suficientes para todos.Observações diretas interessantes para o bloco temático Ambiente podem ser realizadas através de estudos do meio. o que em geral ocorre naturalmente. procede à demonstração de um fenômeno. a participação dos alunos pode ser ampliada. e a participação dos alunos resida em observar e acompanhar os resultados. ou proponha desafios. Observações diretas são ricas. Também. como proceder registros. o experimento é trabalhado como uma atividade em que o professor.2. plantações. represa. Quando os resultados diferem do esperado. É essencial que usufruam pessoalmente de passeios e filmes. As exigências quanto à atuação do professor. o experimento se torna mais importante quanto mais os alunos participam na confecção de seu guia ou protocolo. preparam o modo de organizar as anotações e as realizam. é possibilitar o contato com imagens distantes no espaço e no tempo. que ocorrem nas proximidades da própria escola ou em seus arredores: parque. conversa com a classe sobre materiais necessários e como atuar para testar as suposições levantadas. estabelecido pelo protocolo ou pela suposição do aluno. desde que o professor solicite a eles que apresentem expectativas de resultados. organizar e manipular os materiais. observar os resultados e checá-los com os esperados. Não existe experimento que não dê certo. Mesmo nas demonstrações. . formol. acompanhando um protocolo ou guia de experimento. também é importante que uma parte das observações seja feita de modo espontâneo pelos alunos. Os desafios para experimentar ampliam-se quando se solicita aos alunos que construam o experimento. expliquem os resultados obtidos e compare-os ao esperado. ou outros ambientes cuja visitação seja possível. seguindo seus próprios interesses. dificilmente proporcionados pelas observações indiretas. nesse caso. Além disso o contato direto com ambientes. realizam por si mesmos as ações sobre os materiais e discutem os resultados. seres vivos. 3. considera-se que o professor realize uma demonstração para sua classe. máquinas em funcionamento. Experimentação Freqüentemente.

3.2. que terá acesso a variedades de textos e ilustrações quando forem necessárias. pré-requisito para uma boa leitura. acompanhada de uma conversa com a classe. dramatizações. Para utilizá-los em sala de aula o professor pode escolher trechos. folhetos de campanhas de saúde. freqüentemente demandam alguns prérequisitos para uma leitura integral. outras fontes oferecem textos informativos: enciclopédias. Incentivar a leitura de livros infanto-juvenis sobre assuntos relacionados às Ciências Naturais. voltados para o público adulto.3. de museus. Há textos em que a terminologia é usada diretamente. é uma prática que amplia os repertórios de conhecimento da criança. Além do livro didático. Projetos O projeto é uma estratégia de trabalho em equipe que favorece a articulação entre os diferentes conteúdos da área de Ciências Naturais e desses com os de outras áreas do conhecimento. Trazem informações diferentes. verificando se os prérequisitos exigidos para a leitura são de domínio de sua classe e a qualidade das informações impressas. Ao final das investigações sobre o tema. 3. Sistematização de conhecimentos É necessário que o professor organize fechamentos ou sistematizações de conhecimentos. livros paradidáticos. demandando poucos pré-requisitos em relação ao domínio conceitual do leitor. os fechamentos já podem se organizar na forma de textos-síntese. mesmo que não sejam sobre os temas tratados diretamente em sala de aula. ou proceder à leitura e explicação de textos. Outro aspecto a ser considerado diz respeito aos modos como a terminologia científica e os conceitos surgem nos textos. Outros textos explicam os termos científicos que utilizam. textos da mídia informatizada. procedimentos e valores apreendidos durante o desenvolvimento dos estudos das diferentes áreas podem ser aplicados e conectados. Conceitos. O professor também pode propor um registro final sobre os conhecimentos adquiridos na forma de desenhos coletivos e individuais. procedimentos e atitudes vão se desenvolvendo. pequenos textos. para cada tema estudado por sua classe. . O professor precisa conhecer previamente os textos que sugere aos alunos. Mas há revistas e suplementos de jornais dirigidos ao público infantil. procedimentos e valores se desenvolvem. desacompanhada de explicação. maquetes acompanhadas de textos explicativos. parciais e gerais. No segundo ciclo. na busca de informações em fontes variadas. ao mesmo tempo que novos conceitos. artigos de jornais e revistas. tendo reflexos em sua aprendizagem. Sua leitura integral pode ser realizada pela criança e deve ser incentivada pelo professor. produzindo-se. No primeiro ciclo a reunião de resultados parciais. considerando que esses procedimentos tenham sido aprendidos nas séries anteriores. dependendo do assunto tratado. Também por isso é necessário investir no ensino e aprendizagem da leitura e escrita de textos informativos. na solução de um dado problema. relatórios que agreguem uma quantidade expressiva de dados e informações. Leitura de textos informativos Uma das causas do índice elevado de reprovação na quinta série é o fato de os professores terem a expectativa de que seus alunos saibam ler e escrever textos informativos. fechamentos parciais devem ser produzidos de modo a organizar com a classe as novas aquisições. sobre um mesmo assunto. pode representar o fechamento dos trabalhos sobre um tema. Nesse caso o leitor deve conhecer os conceitos relativos aos termos empregados. então. As atividades de sistematização tendem a ser mais formais no segundo ciclo do que no primeiro. a síntese final. Durante a investigação de um tema uma série de noções. 3. etc. legendas de fotos e ilustrações para serem lidos pelos alunos. além de requererem domínio de diferentes habilidades e conceitos para sua leitura. e muitas vezes divergentes.3. É importante que o aluno possa ter acesso a uma diversidade de textos informativos. recuperam-se os aspectos fundamentais dos fechamentos parciais.4. A prática de colecionar artigos de jornais e revistas é útil para o professor. pois cada um deles tem estrutura e finalidade próprias. Artigos de jornais e revistas.

abrangendo conteúdos conceituais. Escolha do problema Conforme já foi discutido em problematização. Implica. o estabelecimento das intenções educativas.Um projeto envolve uma série de atividades com o propósito de produzir. Fechamento do projeto Atividades de fechamento de um projeto devem ter como intenção: a) reunir e organizar os dados. De modo geral: a definição do tema. Conteúdos e atividades necessários ao tratamento do problema Ao planejar o projeto. situam-se. com a participação das equipes de alunos. Na primeira categoria. temas como "A água na natureza" (primeiro ciclo) ou "Em que regiões da Terra o homem pode viver?" (segundo ciclo). a previsão de modos de avaliação dos trabalhos do aluno e do próprio projeto.2. todas elas compartilhadas com os alunos. estimula a solução e cria a necessidade de ir em busca de informações para que as soluções se apresentem. que se esclareçam as etapas da investigação e o modo de organização dos dados obtidos. os objetivos devem ser apresentados aos alunos como norteadores das investigações que se farão. a escolha do problema principal que será alvo de investigação. o professor precisa delimitar o campo de investigação sobre o tema. confrontar soluções diferentes. ainda.6. Intenções educativas ou objetivos Estabelecidos pelo professor ao planejar o projeto.1. novos. as atividades a serem realizadas e os materiais necessários. 3. alguns internos aos blocos.4. outros que articulam conteúdos entre os blocos. até os mais específicos ou circunscritos a determinados fenômenos. jornal. b) organizar apresentações ao público interno e externo à classe. que articulam conteúdos internos a um único bloco. analisá-las e concluir sobre a que melhor explica o tema em estudo. algo com função social real: um jornal. ou exposição de experimentos (feira de ciências).3.4. 3. que representam acréscimo à compreensão do tema. 3. um mural.4. Esses mesmos temas ainda podem ser tratados de forma a considerar conteúdos da área de História e Geografia e necessariamente serão utilizados conhecimentos das área de Língua Portuguesa e Matemática. etc. Definição do tema Pode-se considerar tema de um projeto em Ciências Naturais um aspecto da natureza ou das relações entre o homem e a natureza que se pretenda investigar. Os conteúdos do projeto dizem respeito àqueles em desenvolvimento e a outros. ou objetivos que se pretende alcançar através do projeto.4. cartazes.4. maquetes. ainda. Avaliação Existem várias avaliações envolvidas na execução de projetos: . apontam-se possíveis temas. uma questão toma a dimensão de um problema quando suscita a dúvida. Na segunda categoria pode-se citar temas como "Por que é preciso escovar os dentes?" (primeiro ciclo) e "Importância das vacinas" (segundo ciclo). É importante. o estabelecimento do conjunto de conteúdos necessários e suficientes para que o aluno realize o tratamento do problema colocado. por exemplo. que possibilitam articular conteúdos dos diferentes blocos. interpretá-los e responder o problema inicialmente proposto.4. Escolher o problema é. transformar o tema em uma questão com essas características. portanto. exposições orais e seminários. 3. dramatizações. os procedimentos necessários. considerando as características do ciclo a que o projeto se destina. procedimentais e atitudinais pertinentes e possíveis. Analisando-se os blocos de conteúdos propostos para os ciclos. 3. 3. um livro. Dependendo do tema e do ciclo que realizou o projeto as apresentações podem incluir elaboração de folhetos. Todo projeto é desenhado como uma seqüência de etapas que conduzem ao produto desejado. Os temas podem ser desde os mais abrangentes ou gerais. É necessário que o professor elabore e apresente aos alunos um roteiro contendo os aspectos a serem investigados.5.4. articulando as soluções parciais encontradas no decorrer do processo. a seleção de atividades para exploração e fechamento do tema.

Interamericana. 1991. Bibliografia ALVES. A ciência através dos tempos. mensal. para que não se percam seus resultados. São Paulo: Cortez. OSBORNE. O conhecimento físico na educação pré-escolar. Esse modo de avaliação permite que o professor detecte as dificuldades e ajude os alunos a superá-las. H. et alii. Lisboa: Fragmentos. DRIVER. D. COLL. estudios sobre la filosofíade la ciencia. G. é um instrumento que permite ao professor e aos próprios alunos conhecerem as dificuldades e as aquisições individuais. AUSUBEL. D. R. R. La historia de la ciencia em la enseñanza. 1978. que o professor realiza observando as contribuições individuais e resultados parciais dos grupos. Diez años de investigación en didáctica de las ciencias: realizaciones y perspectivas. 1988. CHASSOT. São Paulo: Cortez. C. BRONOWSKY. Porto Alegre: Artes Médicas. Enzeñanza y aprendizage de las Ciencias. D. FRACALANZA. GIL PÉREZ. et alii. J. São Paulo: Cia. Belo Horizonte: Itatiaia. São Paulo: Moderna. de uma próxima vez. . e GIL PÉRES. Essa avaliação deve ser registrada. GUESNE. 66 (4): 623-633 (1982).. 1968. e DEVRIES. 1986. 1993. DELIZOICOV. Ciência na história. São Paulo: Edusp. J. e ANGOTTI. GILBERT. 1989. São Paulo: Atual. K. R. (Quipu) México 1 (2):195-204. J. Science Education. Los contenidos en la reforma: enseñanza y aprendizaje de conceptos. as causas das dificuldades e como. CIÊNCIA HOJE. será possível superá-las. O ensino de ciências no 1º grau. 1985. A. Revista Latinoamericana de Historia de las Ciencias y la Tecnologia. 1988. Barcelona: Paidós. Children’s science and its consequences for teaching. J. 7 v. D. Psicologia educacional. HAMBURGER. HEMPEL. tendo em vista considerar quais aspectos alcançaram as intenções pretendidas e quais devem ser aperfeiçoados. Formação de professores de ciências: tendências e inovações. 1981. C. 1985. C. Ciências e valores humanos. Metodologia do ensino de ciências. M. C. W. A. Madri: Ediciones Morata. avaliação final dos projetos sobre as apresentações feitas pelos grupos. Funbec.• avaliações voltadas a dar acompanhamento aos grupos que realizam o projeto. FIGUEIREDO. E. BRODY. (coord. KAMII. 1978. J. A. P. Revista de Ensino de Ciências. T. A. BRUNER. • • • 4. A. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. nov. Editora Nacional. procedimientos y actitudes. HARLEN. e FENSHAM. BERNAL. 1984. auto-avaliação durante o projeto. Ideas científicas en la infancia y la adolescência. R.. Madri: Ediciones Morata.) A filosofia das ciências hoje. Madri: 1992. Lisboa: Horizonte. e TIBERGHIEN. 1994. quando se apreciam as aprendizagens de conteúdos realizadas. Barcelona 12 (2): 54-164 (1994). 1979. São Paulo: 1986. COLL. Pisicologia y curriculum. J. CARVALHO. São Paulo: Brasiliense. J. La explicacion cientifica. P. 1990. 1989. T. et alii. O processo da educação. M. É importante ensinar ciências desde as primeiras séries. J. avaliação do processo e produtos dos projetos pelos educadores que participaram direta ou indiretamente. Enseñanza de las Ciencias. D. Barcelona: Paidós Studio.

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Didactica de las ciencias naturales.2. WEISSMANN. (org.1. Critérios de seleção e organização dos conteúdos 4. Pensamento e linguagem. __________. Série: Formação de Professores. 1990.1. N.). PCN . S. A Educação Física como cultura corporal 1.SOLLA PRICE. Caracterização da área de Educação Física 1. 1993. R. 1984. Conhecimentos sobre o corpo 4.2. jogos. A universidade e o aprendizado escolar de ciências. Biologia. 1971. VARGAS. Histórico 1. Ciência e tecnologia hoje.). (coord. Buenos Aires: Paidós. Afetividade e estilo pessoal 2. Portadores de deficiências físicas 3. Automatismos e atenção 2.1. São Paulo: Cortez. H. Formação social da mente. São Paulo: USP.2. USP/CECAE (org.3.Ensino Fundamental Educação Física MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental . 1972. SONCINI. Lisboa: Antidoto. Cultura corporal e cidadania 2.) História da técnica e da tecnologia no Brasil.2. São Paulo: Martins Fontes.SEF PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Educação Física Versão agosto / 1996 Índice 1. M. A ciência desde a Babilônia. Educação Física: concepção e importância social 1. 1995. Projeto USP/BID. Esportes. Blocos de conteúdo 4. São Paulo: Unesp/CEETEPS.2. formação de professores de ciências (1990-1992). WITKOWSKI. L. I.2. 1994. 2 v.1.). Ensinar e aprender 2. Objetivos gerais da área de Educação Física 4. M. São Paulo: EPU/Edusp.2. VYGOTSKY. e CASTILHO. lutas e ginásticas .2.2.1. Conteúdos para o ensino fundamental 4. 1993. M (org. São Paulo: Ensaio.

Primeiro ciclo 6.1.2. Como o contingente de escravos negros era muito grande. favoreceria a educação do corpo. Bibliografia 1.2. menos suscetível às doenças. Uso do espaço 7.1.5. então.2. a qual tornou obrigatória a Educação Física nas escolas do município da Corte.2. a educação sexual associada à Educação Física deveriam incutir nos homens e mulheres a responsabilidade de manter a "pureza" e a "qualidade" da raça branca.2. Qualquer ocupação que implicasse em esforço físico era vista com maus olhos.1. Esses vínculos foram determinantes. No ano de 1851 foi feita a Reforma Couto Ferraz. eugênicos e físicos. Ensino e aprendizagem 6.7.1. Dentro dessa conjuntura.3.3. Organização social das atividades e atenção à diversidade 7. muitos médicos assumiram uma função higienista e buscaram modificar os hábitos de saúde e higiene da população. tendo como meta a constituição de um físico saudável e equilibrado organicamente.1. Problematização das regras 7. Conteúdos 6.2. De modo geral houve grande contrariedade por parte dos pais em ver seus filhos .2. Objetivos 6. A Educação Física.4.2. o que favoreceu que tais instituições também pregassem a educação do físico.2.5. Apreciação/crítica 8.1. Caracterização da área de Educação Física 1. Essa atitude dificultava que se tornasse obrigatória a prática de atividades físicas nas escolas. Histórico Para que se compreenda o momento atual da Educação Física é necessário considerar suas origens no contexto brasileiro.4. a Educação Física esteve estreitamente vinculada às instituições militares e à classe médica. Almejando a ordem e o progresso. Critérios de avaliação 6.2.2.2. Visando melhorar a condição de vida. Objetivos 6. Dessa forma. havia uma forte resistência na realização de atividades físicas por conta da associação entre o trabalho físico e o trabalho escravo. Orientações didáticas 7. Diferenças entre meninos e meninas 7. No século passado. que pudessem defender a pátria e seus ideais. tanto no que diz respeito à concepção da disciplina e suas finalidades quanto ao seu campo de atuação e à forma de ser ensinada.4. as instituições militares sofreram influência da filosofia positivista. Critérios de avaliação 7.2.1. Competição & competência 7. era de fundamental importância formar indivíduos fortes e saudáveis. considerada "menor".2.1.1. Além disso havia no pensamento político e intelectual brasileiro da época uma forte preocupação com a eugenia. Ensino e aprendizagem 6. Embora a elite imperial estivesse de acordo com os pressupostos higiênicos.1. Orientações gerais 7. Conteúdos 6. Conhecimentos prévios 7. Segundo ciclo 6. Introdução 7. Educação Física nos dois primeiros ciclos do ensino fundamental 6.6. Avaliação em Educação Física 6. abordando as principais influências que marcam e caracterizam esta disciplina e os novos rumos que estão se delineando.3. havia o temor de uma "mistura" que "desqualificasse" a raça branca.2.2.

a Educação Física ganhou novas atribuições: fortalecer o trabalhador. houve um amplo debate sobre o sistema de ensino brasileiro. e foi a primeira sistematização científica da Educação Física no Ocidente. passíveis de serem trabalhados dentro de um contexto educacional. mas. Também havia um artigo naquela Constituição que citava o adestramento físico como maneira de preparar a juventude para a defesa da nação e para o cumprimento dos deveres com a economia. a Educação Física teve seu caráter instrumental reforçado: era considerada uma atividade prática. educadores da "escola nova" e Estado compartilhavam de muitos de seus pressupostos. e que se mesclava aos objetivos patrióticos e de preparação pré-militar. . Apenas em 1937. com a Lei 5. no Brasil. é que se fez a primeira referência explícita à Educação Física em textos constitucionais federais. na elaboração da Constituição. decreto no 7. discutissem os métodos. ganham força novamente as idéias que associam a eugenização da raça à Educação Física.540. de natureza cultural. A Educação Física que se ensinava nesse período era baseada nos métodos europeus — o sueco. Ceará. voltada para o desempenho técnico e físico do aluno. e. que firmavam-se em princípios biológicos. que já era uma instituição bastante independente. Distrito Federal. com a ascensão das ideologias nazistas e fascistas. junto com o ensino cívico e os trabalhos manuais. ainda sob o nome de ginástica. sofreu as influências da tendência tecnicista.247 de 19 de abril de 1879. dentro de um contexto histórico e político mundial. O discurso eugênico logo cedeu lugar aos objetivos higiênicos e de prevenção de doenças. Nesse parecer. Essa conjuntura possibilitou que profissionais da educação na III Conferência Nacional de Educação. o esporte passou a ocupar cada vez mais espaço nas aulas de Educação Física. conhecido como Movimento Ginástico Europeu. Nesse quadro. em 1929. Na década de 30. a falta de recursos humanos capacitados para o trabalho com Educação Física escolar era muito grande. Em relação aos meninos. pois instituições militares.692.envolvidos em atividades que não tinham caráter intelectual. da Instrução Pública —. O exército passou a ser a principal instituição a comandar um movimento em prol do "ideal" da Educação Física. estes sim. A finalidade higiênica foi duradoura. que significou uma contraposição aos antigos métodos de ginástica tradicional e uma tentativa de incorporar esporte. o francês —. em todas as escolas brasileiras. Os anos 30 tiveram ainda por característica uma mudança conjuntural bastante significativa no país: o processo de industrialização e urbanização e o estabelecimento do Estado Novo. Pernambuco e São Paulo. O ensino era visto como uma maneira de se formar mão-de-obra qualificada. Era a época da difusão dos cursos técnicos profissionalizantes. A partir daí. a educação. incluindo-a no currículo como prática educativa obrigatória (e não como disciplina curricular). o alemão e. Embora a legislação visasse tal inclusão. Nesse contexto. adequando-o a objetivos e práticas pedagógicas. O processo de esportivização da Educação Física escolar iniciou com a introdução do Método Desportivo Generalizado. a tolerância era um pouco maior. foi incluída nos currículos dos Estados da Bahia. Nessa mesma época a educação brasileira sofria uma forte influência do movimento escola-novista. e desenvolver o espírito de cooperação em benefício da coletividade. Do final do Estado Novo até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961. Após 1964. Minas Gerais. já que a idéia de ginástica associava-se às instituições militares. no qual defendeu a inclusão da ginástica nas escolas e a equiparação dos professores de ginástica aos das outras disciplinas. posteriormente. Em 1882. as práticas e os problemas relativos ao ensino da Educação Física. em 1968. Mas a inclusão da Educação Física nos currículos não havia garantido a sua implementação prática. Rui Barbosa deu seu parecer sobre o Projeto 224 — Reforma Leôncio de Carvalho. ele destacou e explicitou sua idéia sobre a importância de se ter um corpo saudável para sustentar a atividade intelectual. de um modo geral. em 1971. houve pais que proibiram a participação de suas filhas. Faziam parte de um movimento mais amplo. No início deste século. política e científica. religiosas. com a 5. melhorando sua capacidade produtiva. principalmente nas escolas primárias. Nessa lei ficou determinada a obrigatoriedade da Educação Física para o ensino primário e médio. que evidenciou a importância da Educação Física no desenvolvimento integral do ser humano. a Educação Física. em relação às meninas.

a partir do decreto 68. ter seu horário "empurrado" para fora do período que os alunos estão na escola. No primeiro aspecto. se reavaliou e enfatizou as dimensões psicológicas. As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser discutidas sob a influência das teorias críticas da educação: questionou-se seu papel e sua dimensão política. buscava-se a descoberta de novos talentos que pudessem participar de competições internacionais. O campo de debates se fertilizou e as primeiras produções surgiram apontando o rumo das novas tendências da Educação Física. por exemplo são no último horário da manhã. sociais. Nas escolas. Atualmente se concebe a existência de algumas abordagens para a Educação Física escolar no Brasil que resultam da articulação de diferentes teorias psicológicas. se abarcaram objetivos educacionais mais amplos (não apenas voltados para a formação de um físico que pudesse sustentar a atividade intelectual).450. quando o sol está a pino). O enfoque passou a ser o desenvolvimento psicomotor do aluno. Todas essas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para área e a aproximado das ciências humanas. sociológicas e concepções filosóficas. e. de 1971. cognitivas e afetivas. cívicas. tanto na formação de um exército composto por uma juventude forte e saudável como na tentativa de desmobilização das forças políticas oposicionistas. Iniciou-se então uma profunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso da Educação Física. com a seleção de indivíduos aptos para competir dentro e fora do país. tanto no que dizia respeito à natureza da área quanto no que se referia aos seus objetivos. na integração nacional (entre os Estados) e na segurança nacional. morais. desenvolve e aprimora forças físicas. se tornou um dos eixos fundamentais de ensino. Um bom exemplo é o uso que se fez da campanha da seleção brasileira de futebol. que originou uma mudança significativa nas políticas educacionais: a Educação Física escolar. mais uma vez. representando a pátria. concebendo o aluno como ser humano integral. ou alocada em horários convenientes para outras áreas e não de acordo com as necessidades de suas especificidades (algumas aulas. com pontos muitas vezes divergentes. a melhoria da aptidão física da população urbana e o empreendimento da iniciativa privada na organização desportiva para a comunidade comporiam o desporto de massa que se desenvolveria. tornando-se um desporto de elite. na Copa do Mundo de 1970. as publicações de um número maior de livros e revistas. por exemplo. o chamado "modelo piramidal" norteou as diretrizes políticas para a Educação Física: a Educação Física escolar. Na década de 80 os efeitos desse modelo começaram a ser sentidos e contestados: o Brasil não se tornou uma nação olímpica e a competição esportiva da elite não aumentou o número de praticantes de atividades físicas. o retorno de professores doutorados fora do Brasil. que pode. No segundo. passou a priorizar o segmento de primeira a quarta e também a pré-escola. Nesse período. A falta de especificidade do decreto manteve a ênfase na aptidão física. que estava voltada principalmente para a escolaridade de quinta a oitava séries do primeiro grau. A iniciação esportiva. A criação dos primeiros cursos de pós-graduação em Educação Física. se ampliou a visão de uma área biológica. As atividades esportivas também foram consideradas como fatores que poderiam colaborar na melhoria da força de trabalho para o "milagre econômico brasileiro". conteúdos diversificados (não só exercícios e esportes) e pressupostos pedagógicos mais humanos (e não apenas adestramento). bem como o aumento do número de congressos e outros eventos dessa natureza foram fatores que também contribuíram para esse debate. a Educação Física ganhou. embora contenham enfoques científicos diferenciados entre si. Outra situação em que essa "marginalidade" se manifesta é no momento de . se considerou a Educação Física como "a atividade que. Ocorreu então uma mudança de enfoque. têm em comum a busca uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano. a Educação Física ainda é tratada como "marginal". tirando da escola a função de promover os esportes de alto rendimento.Na década de 70. Em relação ao âmbito escolar. embora já seja reconhecida como uma área essencial. por seus meios. a partir da quinta série. Nesse período estreitaram-se os vínculos entre esporte e nacionalismo. psíquicas e sociais do educando". funções importantes para a manutenção da ordem e do progresso. processos e técnicas. conteúdos e pressupostos pedagógicos de ensino e aprendizagem. tanto na organização das atividades como no seu controle e avaliação. O governo militar investiu na Educação Física em função de diretrizes pautadas no nacionalismo.

" A fragilidade de recursos biológicos fez com que os seres humanos buscassem suprir as insuficiências com criações que tornassem os movimentos mais eficazes. A Lei de Diretrizes e Bases promulgada em 20 de dezembro de 1996 busca transformar o caráter que a Educação Física assumiu nos últimos anos ao explicitar no artigo 26. 1. que dizem respeito às tecnologias de caça. antecedendo-os e transcendendo-os. afirma-se que todo e qualquer indivíduo nasce no contexto de uma cultura. é componente curricular da Educação Básica. Por suas origens militares e médicas e por seu atrelamento quase servil aos mecanismos de manutenção do status quo vigente na história brasileira.1. a análise crítica e a busca de superação dessa concepção apontam a necessidade de que.2. social. Dessa forma a Educação Física deve ser exercida em toda a escolaridade de primeira a oitava séries. Buscando uma compreensão que melhor contemple a complexidade da questão. durante a sua infância. por eles é mais tarde introduzido nas obrigações da vida adulta. parágrafo 3o que "a Educação Física. isto é. O conceito de cultura é aqui entendido como produto da sociedade. distanciando-se da equipe pedagógica. dito de outro modo. éticos e de sexualidade de forma intensa e explícita. desde suas origens. não somente de quinta a oitava séries. empregado para definir certo saber. no qual raramente a Educação Física é integrada. discussão e avaliação do trabalho. ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar. produzindo e reproduzindo cultura. da maneira como cada grupo social as concebe. A cultura é o conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo: neles o indivíduo é formado desde o momento da sua concepção. É como se se pudesse dizer que o homem é biologicamente incompleto: não sobreviveria sozinho sem a participação das pessoas e do grupo que o gerou. a natureza do trabalho desenvolvido nessa área tem íntima relação com a compreensão que se tem desses dois conceitos. da coletividade à qual os indivíduos pertencem. política e afetiva. além daqueles. que interagem e se movimentam como sujeitos sociais e como cidadãos. Portanto. não existe homem sem cultura. ilustração. na medida em que tudo o que faz está inserido num contexto cultural. Levando essas questões em conta e considerando a importância da própria área. a presente proposta entende a Educação Física como uma cultura corporal. do sentido mais usual do termo cultura. aprende os valores do grupo. pesca e . sociais. a necessidade de integração. aqui. nesses mesmos códigos. a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais adotou a distinção entre organismo — um sistema estritamente fisiológico — e corpo — que se relaciona dentro de um contexto sociocultural — e aborda os conteúdos da Educação Física como expressão de produções culturais. escrever e fazer contas. relativas ao domínio e uso de espaço. A consideração à particularidade da população de cada escola e a integração ao projeto pedagógico evidenciaram a preocupação em tornar a Educação Física uma área não marginalizada. se evidencia cada vez mais. o que faz com que o professor de Educação Física tenha um conhecimento abrangente de seus alunos. sendo facultativa nos cursos noturnos". como era anteriormente. tanto a prática como a reflexão teórica no campo da Educação Física restringiram os conceitos de corpo e movimento — fundamentos de seu trabalho — aos seus aspectos fisiológicos e técnicos. produziu cultura. integrada à proposta pedagógica da escola. seja por razões econômicas. 1. se considere também as dimensões cultural. Educação Física: concepção e importância social O trabalho na área da Educação Física tem seus fundamentos nas concepções de corpo e movimento.planejamento. "É preciso considerar que não se trata.2. presentes no corpo vivo. A Educação Física como cultura corporal O ser humano. Muitas vezes o professor acaba por se convencer da "pequena importância" de seu trabalho. mesmo que não saiba ler. refinamento de maneiras. seja por razões "militares". trabalhando isoladamente. no corpo das pessoas. Paradoxalmente. Sua história é uma história de cultura. Atualmente. esse professor é uma referência importante para seus alunos pois a Educação Física propicia uma experiência de aprendizagem peculiar ao mobilizar os aspectos afetivos. como conhecimentos historicamente acumulados e socialmente transmitidos. Ou. No sentido antropológico do termo.

a cooperação. e com possibilidades de promoção. alguns dos quais merecem destaque. corporal. lutas. afetos e emoções. da dança.2. visando seu aprimoramento como seres humanos. dança. Sobre o jogo da amarelinha. Dentre as produções dessa cultura corporal. de forma democrática e não seletiva. ginástica e luta) seus benefícios fisiológicos e psicológicos e suas possibilidades de utilização como instrumentos de comunicação. o esporte. ética. ou por razões apenas lúdicas. Estes têm em comum a representação corporal. cabe assinalar que os alunos portadores de deficiências físicas não podem ser privados das aulas de Educação Física. . e formular a partir daí as propostas para a Educação Física escolar. A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades. portanto. jogos e ginásticas compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado. afetiva. de relação interpessoal e inserção social). tendo ressignificadas as suas intencionalidades e formas de expressão e que constituem o que se pode chamar de cultura corporal. para uma concepção mais abrangente. Trata-se. o aluno deve aprender. a participação social e a afirmação de valores e princípios democráticos. a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. 1. Nesse sentido. lazer e cultura. É fundamental também que se faça uma clara distinção entre os objetivos da Educação Física escolar e os objetivos do esporte. expressão. esse conhecimento contribui para adoção de uma postura não preconceituosa e discriminatória diante das manifestações e expressões dos diferentes grupos étnicos e sociais e às pessoas que dele fazem parte. o voleibol ou uma dança. garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal. a discutir regras e estratégias. É tarefa da Educação Física escolar. que contemple todas as dimensões envolvidas em cada prática corporal.agricultura. As danças. então. expressão de sentimentos. possui uma tradição e um saber-fazer e tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio. A Educação Física tem uma história de pelo menos um século e meio no mundo ocidental moderno. embora seja uma referência. se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer. Independentemente de qual seja o conteúdo escolhido. Cultura corporal e cidadania A concepção de cultura corporal amplia a contribuição da Educação Física escolar para o pleno exercício da cidadania. A Educação Física escolar pode sistematizar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos alunos o acesso a conhecimentos práticos e conceituais. que tangem aos rituais e festas. Derivaram daí inúmeros conhecimentos e representações que se transformaram ao longo do tempo. A Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais e que se enxergue como essa variada combinação de influências está presente na vida cotidiana. conhecido e desfrutado. seja por razões religiosas. para além das técnicas de execução. Além disso. esportes. de diversas culturas humanas. com características lúdicas. estética. O trabalho de Educação Física abre espaço para que se aprofundem discussões importantes sobre aspectos éticos e sociais. Além disso aporta uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que busca o desenvolvimento da autonomia. ressignificá-los e recriá-los. recuperação e manutenção da saúde. o profissionalismo não pode ser a meta almejada pela escola. avaliá-los eticamente. analisá-los esteticamente. algumas foram incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo. apreciá-los criticamente. Para isso é necessário mudar a ênfase na aptidão física e no rendimento padronizado que caracterizava a Educação Física. afirma como direito de todos o acesso a eles. contribuir para a construção de um estilo pessoal de exercê-las e oferecer instrumentos para que sejam capazes de apreciá-las criticamente. a ginástica e a luta. da ginástica e da luta profissionais. Assim. todos eles ressignificam a cultura corporal humana e o fazem utilizando uma atitude lúdica. esporte. na medida em que. a dança. pois. Entre eles.2. os processos de ensino e aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas as suas dimensões (cognitiva. de localizar em cada uma dessas manifestações (jogo. tomando seus conteúdos e as capacidades que se propõe a desenvolver como produtos socioculturais.

Confrontar-se com o resultado de um jogo e com a presença de um árbitro permitem a vivência e o desenvolvimento da capacidade de julgamento de justiça (e de injustiça). transmiti-los e impô-los. que são construídos concomitantemente com o desenvolvimento de práticas corporais. por isso. A aquisição de hábitos saudáveis. Em determinadas realidades. No que tange à questão do gênero. pode favorecer a consideração da estética do ponto de vista do bem-estar. Os conhecimentos sobre o corpo. que a mortalidade por doenças cardiovasculares vem aumentando e que dentre os principais fatores de risco estão a vida sedentária e o estresse. sem caráter utilitário. por que ocorrem brigas nos estádios que podem levar à morte de torcedores favorece a construção de uma atitude de repúdio à violência. Viver os papéis tanto de praticante quanto de espectador e tentar compreender. uma discussão sobre a ética do esporte profissional. e quem perde pode reconhecer a vitória dos outros sem se sentir humilhado. traçando metas. Quando o indivíduo preza sua saúde e está integrado a um grupo de referência com o qual compartilha atividades socioculturais e cujos valores não estimulam o consumo de drogas. por exemplo. terá mais recursos para evitar esse risco. o consumo de álcool. conhecendo as potencialidades e limitações e sabendo distinguir situações de trabalho corporal que podem ser prejudiciais. o aluno precisa ser considerado como um todo no qual aspectos cognitivos. buscando participar de forma leal e não violenta. direitos do cidadão. os conhecimentos construídos devem possibilitar a análise crítica dos valores sociais tais como os padrões de beleza e saúde. os alunos podem desenvolver o respeito mútuo. são fatores que podem ir contra o consumo de drogas. são essenciais para a saúde e contribuem para o bem-estar coletivo. por exemplo. por exemplo. seu papel como instrumento de exclusão e discriminação social. Em relação à postura frente ao adversário pode-se desenvolver atitudes de solidariedade e dignidade. observem-se. higiene e atividade corporal e para o desenvolvimento das potencialidades corporais do indivíduo. a conscientização de sua importância. descubram-se e possam aprender a ser tolerantes. a solidariedade pode ser exercida e valorizada. nos momentos em que. bem como a efetiva possibilidade de estar integrado socialmente (o que pode ocorrer através da participação em atividades lúdicas e esportivas). quem ganha é capaz de não provocar e não humilhar. afetivos e corporais estão inter-relacionados em todas as situações. Dar valor a essas atividades e reivindicar o acesso a elas para todos é um posicionamento que pode ser adotado a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Educação Física. permitem compreendê-los como direitos humanos fundamentais. mais facilmente observáveis. fumo ou outras drogas já ocorre em idade muito precoce. e a aprendizagem esteja vinculada à experiência prática. de forma a não reproduzir estereotipadamente relações sociais autoritárias. Sabe-se. que se tornaram dominantes na sociedade. em que é fundamental que se trabalhe em equipe. . sobre a discriminação sexual e racial que existe nele. A possibilidade de vivência de situações de socialização e de desfrute de atividades lúdicas. e a atuação dos meios de comunicação em produzi-los. não preconceituosas. seu processo de crescimento e desenvolvimento. O lazer e a disponibilidade de espaços para atividades lúdicas e esportivas são necessidades básicas e. a não discriminar e a compreender as diferenças. ao mesmo tempo que dão subsídios para o cultivo de bons hábitos de alimentação. Nos jogos.A prática da Educação Física na escola poderá favorecer a autonomia dos alunos para monitorar as próprias atividades. Principalmente nos jogos. No âmbito da Educação Física. ao interagirem com os adversários. as posturas não consumistas. A formação de hábitos de autocuidado e de construção de relações interpessoais colaboram para que a dimensão da sexualidade seja integrada de maneira prazerosa e segura. Os alunos podem compreender que os esportes e as demais atividades corporais não devem ser privilégio apenas dos esportistas ou das pessoas em condições de pagar por academias e clubes. não discriminatórias e a consciência dos valores coerentes com a ética democrática. as aulas mistas de Educação Física podem dar oportunidade para que meninos e meninas convivam. regulando o esforço. Ensinar e aprender Embora numa aula de Educação Física os aspectos corporais sejam mais evidentes. 2. entre outras coisas.

pois um mesmo gesto adquire significados diferentes conforme a intenção de quem o realiza e a situação em que isso ocorre. e quais solicitam a atenção do aluno no controle de sua execução. com vistas a automatizá-los e reproduzi-los. E embora a ação e a compreensão sejam um processo indissociável. girar ou dançar. pode olhar para os seus companheiros de jogo. avaliar. constata-se uma tendência para a automatização do controle na execução de movimentos. experimentar. reflexão e discussão sobre as experiências corporais. situar-se melhor no espaço. compreender minimamente regras e estratégias e saber adaptá-las. como são socialmente construídas e valorizadas. de manutenção e de aperfeiçoamento. a ação se processa em frações de segundo. realizada de forma mecânica e desatenta. Trata-se de compreender como o indivíduo utiliza suas habilidades e estilos pessoais dentro de linguagens e contextos sociais. como parte integrante e não como meta do processo de aprendizagem. para que possa organizar e utilizar sua motricidade na expressão de sentimentos e emoções de forma adequada e significativa. Automatismos e atenção No ser humano. em seguida essa realização pode ser exercida e repetida. estratégicas e grupais que as práticas da cultura corporal oferecem ao aluno. ao próprio sujeito. na dança e na defesa pessoal. a repetição pura e simples. Dentro de uma mesma linguagem corporal. cooperativo. planejar algumas ações e isso o torna um jogador melhor. em cada situação. coordenar ações do corpo com objetos no tempo e no espaço. No entanto. pode resultar num automatismo estereotipado. competitivo. enfim. 2. por prazer funcional. mutável. na medida em que é utilizado com intenções diferenciadas e em contextos específicos. No basquetebol. O processo de ensino e aprendizagem em Educação Física. mas sim de capacitar o indivíduo a refletir sobre suas possibilidades corporais e. um jogo desportivo. que houve processamento mental. mais o autor pode se concentrar no assunto que está escrevendo. Esse processo se constrói a partir da quantidade e da qualidade do exercício dos diversos esquemas motores e da atenção nessas execuções. para aprender a diferenciá-las. em muitos casos. desde os mais básicos e simples até os mais sofisticados. uma série de procedimentos cognitivos que devem ser favorecidos e considerados no processo de ensino e aprendizagem na área de Educação Física. É necessário que o indivíduo conheça a natureza e as características de cada situação de ação corporal. se o aluno já consegue bater a bola com alguma segurança. É fundamental que as situações de ensino e aprendizagem incluam instrumentos de registro. conhecer o seu histórico. com autonomia. capaz de adaptar-se a uma variedade maior de situações. na capoeira. Por exemplo.Não basta a repetição de gestos estereotipados. sem precisar olhá-la o tempo todo. Quanto mais uma criança tiver a oportunidade de saltar.1. é dentro deles que a habilidade de chutar deve ser apreendida e exercitada. É necessário que o aluno se aproprie do processo de construção de conhecimentos relativos ao corpo e ao movimento e que construa uma possibilidade autônoma de utilização de seu potencial gestual. quanto mais automatizados estiverem os gestos de digitar um texto. A quantidade de execuções se justifica pela necessidade de alimentar funcionalmente os mecanismos de controle dos movimentos e se num primeiro momento é necessário um esforço adaptativo para que a criança consiga executar um determinado movimento ou coordenar uma seqüência deles. exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada. Essa tendência para a automatização é favorável aos processos de aprendizagem das práticas da cultura corporal desde que compreendida como uma função dinâmica. portanto. Menos atenção é necessária no controle de sua execução e essa demanda atencional pode dirigir-se para o aperfeiçoamento desses mesmos movimentos e no enfrentamento de outros desafios. mais esses movimentos tendem a ser realizados de forma automática. é fundamental a participação em atividades de caráter recreativo. parecendo imperceptível. A intervenção do professor se dá a fim de criar situações em que os automatismos sejam insuficientes para a realização dos movimentos e que a atenção seja necessária para o seu aperfeiçoamento. interagir com outras pessoas. o chutar é diferente no futebol. Aprender a movimentar-se implica em planejar. Além . mais eficiente. por exemplo. Por exemplo. não se restringe ao simples exercício de certas habilidades e destrezas. entre outros. Por isso. além de ser desagradável. é necessário saber discernir o caráter mais competitivo ou recreativo de cada situação. optar entre alternativas. é necessário que o professor analise quais dos gestos envolvidos já podem ser realizados automaticamente sem prejuízo de qualidade. Dessa forma.

que dá sentido à força pulsional e constante que o pedalar representa. uma proposta de jogar amarelinha em duplas. por exemplo.2. a possibilidade de repetição para manutenção e por prazer funcional e a oportunidade de ter diferentes problemas a resolver. e à medida que as execuções ocorrerem de forma cada vez mais satisfatória e eficiente. direciona. a coordenação desses movimentos nas circunstâncias espaciais propostas pela amarelinha constitui-se um problema a ser resolvido. regulações de tônus muscular. nenhuma possibilidade de prazer funcional pela repetição e nenhuma motivação relacionada à interação social. nas situações em que o equilíbrio corporal é solicitado. Tome-se como exemplo um jogo de amarelinha. um alerta consciente que opta. estabelece desafios e metas. de caráter automático e constante. o grau de excitação somática. Afetividade e estilo pessoal Neste item pretende-se refletir de que forma os afetos. competitivas ou não. Em relação à atenção. mesmo considerando que escorregões. ao mesmo tempo. As situações lúdicas. e em hipótese alguma o . cabe ao professor a tarefa de organizar as situações de ensino e aprendizagem de forma a minimizar esses pequenos incidentes. as características individuais e vivências anteriores do aluno (como vivencia a satisfação e a frustração de seus desejos de aprendizagem) e a exposição do indivíduo num contexto social. Nesse sentido. O processo de ensino e aprendizagem deve. pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executálos de forma satisfatória e adequada. quedas. Elas incluem. e não apenas um aspecto a ser trabalhado isoladamente. resolve problemas de trajetória. Alguns fatores serão considerados para essa reflexão: os riscos de segurança física. uma atividade só se tornará desinteressante para a criança quando não representar mais nenhum problema a ser resolvido. A aprendizagem em Educação Física envolve alguns riscos do ponto de vista físico inerentes ao próprio ato de se movimentar. decide. permitindo que o aluno possa executar cada movimento ou conjunto de movimentos o maior número de vezes e criando solicitações adequadas para que essa realização ocorra da forma mais atenta possível. impacto de bolas e cordas não possam ser evitados por completo. contemplar essas duas variáveis simultaneamente. em princípio já dispõe de alguns esquemas motores solicitados.disso. as questões de sociabilidade se constituem em motivação suficiente para que o interesse pela atividade seja mantido. de que maneira a aprendizagem dessas práticas contribui para a construção de um estilo pessoal de atuação e relação interpessoal dentro desses contextos. O receio ou a vergonha do aluno em correr riscos de segurança física é motivo suficiente para que ele se negue a participar de uma atividade. A interação e a complementaridade permanente entre a atenção e o automatismo no controle da execução de movimentos poderia ser ilustrada pela imagem de uma pessoa andando de bicicleta. que são postos em ação sempre que os automatismos já construídos forem insuficientes para a execução de determinado movimento ou seqüência deles. enfim. interpretação de informações perceptivas. constitui-se um problema a ser resolvido que "chama a atenção" do aluno para a reorganização de gestos que já estavam sendo realizados de forma automática. No entanto. responsável pela manutenção do movimento e da impulsão. ou até de olhos vendados. saltar e aterrissar sobre um ou dois pés e equilibrar-se sobre um dos pés são conhecimentos prévios e sua execução já ocorre de forma mais ou menos automática. pequenas trombadas. Com a prática atenta. No guidão e na roda da frente predomina um estado de atenção. Além disso. e esse problema solicita toda a atenção da criança durante as execuções iniciais. ou seja. sentimentos e sensações do aluno interagem com a aprendizagem das práticas da cultura corporal e. a criança será capaz de realizá-las de forma cada vez mais automática. Quando uma criança se depara pela primeira vez com esse jogo. pelo fato de o jogo se constituir num momento de interação social bastante significativo. os efeitos fisiológicos decorrentes do exercício como a melhora da condição cardiorrespiratória e o aumento da massa muscular são partes do processo da aprendizagem de esquemas motores. Dessa forma. são contextos favoráveis de aprendizagem. como. simultaneamente. a possibilidade de desequilíbrio estará inevitavelmente presente. portanto. 2. Nesse momento. com as casas mais distantes umas das outras. Na roda de trás e nos pedais flui uma dinâmica repetitiva. estão envolvidos complexos processos de ajuste neuromuscular e de equilíbrio.

e a possibilidade de gritar e comemorar. a presença de deficiências físicas e perceptivas. num limite extremo. são vividos e expressos de maneira intensa. e como essa medida varia de pessoa para pessoa. irreverente. com os outros. pode ser inédita para o aluno. a expectativa de prazer e satisfação. como gostaria de ser e. Assim. se a eficiência ou a plasticidade estética serão valorizadas. ao longo do processo de aprendizagem. lutas. Na escola. Nessas práticas o aluno explicita para si mesmo e para o outro como é. lutar. Deparar-se com suas potencialidades e limitações para buscar desenvolvê-las é parte integrante do processo de aprendizagem das práticas da cultura corporal e envolve sempre um certo risco para o aluno. configuram um aluno real e não virtual. de sua maneira pessoal de aprender a jogar. A expressão desses sentimentos através de manifestações verbais. obstinado. sem que isso implique em algum tipo de humilhação ou constrangimento. ainda não é. A elevação de batimentos cardíacos e de tônus muscular. No âmbito das práticas coletivas da cultura corporal com fins de expressão de emoções. As propostas devem desafiar e não ameaçar o aluno. com o espaço e os objetos. em muitos casos. ou se as regras serão mais ou menos flexíveis. quem deve determinar o caráter de cada dinâmica coletiva é o professor. vergonha. cerebral. Uma outra característica da maioria das situações de prática corporal é o grau elevado de excitação somática que o próprio movimento produz no corpo. entre outros. Esse é um dos aspectos que diferencia a prática corporal dentro e fora da escola. portanto. O êxito e o fracasso devem ser dimensionados tendo como referência os avanços realizados pelo aluno em relação ao seu próprio processo de aprendizagem. A valorização no investimento que o indivíduo faz contribui para a construção de uma postura positiva em relação a pesquisa corporal. Mais ainda. medo. a partir de regras e valores peculiares a determinado contexto estabelecido pelo grupo de participantes. a dançar e a brincar. a criança concebe as práticas culturais de movimento como instrumentos para o conhecimento e a expressão de sensações. é a partir do fato de uma atividade se revestir de um caráter competitivo ou recreativo. mas experiências sucessivas de fracasso e frustração acabam por gerar uma sensação de impotência que. de choro ou de agressividade deve ser reconhecida como objeto de ensino e aprendizagem. alegria e tristeza. decidir. sentimentos e sensações. sentimentos e emoções individuais nas relações com o outro. para que possa ser pautada pelo respeito por si e pelo outro. as relações de afetividade se configuram. as situações de ensino e aprendizagem contemplam as possibilidades de o aluno arriscar. conhece e se permite conhecer pelo outro. a lutar. a fim de viabilizar a inclusão de todos os alunos. na realidade. a organização das atividades tem que contemplar individualmente esse aspecto relativo à segurança física. que serão determinadas as relações de inclusão e exclusão do indivíduo no grupo. Os tênues limites entre o controle e o descontrole dessas emoções são postos à prova. As formas de compreender e relacionar-se com o próprio corpo. dançar e brincar. Em paralelo com a construção de uma melhor coordenação corporal ocorre uma construção de natureza mais sutil. como se imagina ser. Pode-se falar em estilo agressivo. vacilar. de seu estilo pessoal de jogar. pois o êxito gera um sentimento de satisfação e competência. inviabiliza a aprendizagem. Por isso. simular e errar. portanto. Essas práticas corporais permitem ao indivíduo experimentar e expressar um conjunto de características de sua personalidade. jogos e brincadeiras. vivenciados corporalmente e numa intensidade que. a rigor.aluno deve ser obrigado ou constrangido a realizar qualquer atividade. que diz respeito ao estilo pessoal de se movimentar dentro das práticas corporais cultivadas socialmente. e não por uma expectativa de desempenho predeterminada. que pode ter mais facilidade para aprender uma ou outra coisa. não existe um gesto certo ou errado e sim um gesto mais ou menos adequado para cada contexto. entre outros. de riso. ter medo disso ou vergonha daquilo ou ainda julgar-se capaz de realizar algo que. em muitos casos. de caráter mais subjetivo. particularmente em danças. um indivíduo com características próprias. mesmo porque. . Gradualmente. As características individuais e as vivências anteriores do aluno ao deparar-se com cada situação se constituem no ponto de partida para o processo de ensino e aprendizagem das práticas da cultura corporal. ousado e retraído. configuram um contexto em que sentimentos de raiva. elegante.

3. nas quais a espontaneidade deve ser vista como uma construção e não apenas como a ausência de inibições. estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros. de integração e inserção social. 2. ao mesmo tempo. É possível integrar essa criança ao grupo. valorizar. Garantidas as condições de segurança. de árbitro ou mesmo torcer. repudiando qualquer espécie de violência. e. suas emoções e o seu estilo pessoal de forma intencional e espontânea. quanto mais conhecimentos construir sobre a especificidade gestual de determinada modalidade esportiva. Num jogo de futebol. Uma criança na cadeira de rodas pode participar de uma corrida se for empurrada por outra e. dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas. A aula não precisa se estruturar em função desses alunos. particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas. pois existem diferentes tipos e graus de limitações. reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros. através da criação de seu estilo pessoal de exercê-las. regulando e dosando o esforço em um nível compatível com as possibilidades. respeitando suas limitações. a aprendizagem das práticas da cultura corporal inclui a reconstrução dessa mesma técnica ou modalidade. A maioria das pessoas portadoras de deficiências tem traços fisionômicos. dar oportunidade para que desenvolva suas potencialidades. Dito de outra forma. relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de recuperação. solucionar problemas de ordem corporal em diferentes contextos. mas o professor pode ser flexível. alterações morfológicas ou problemas de coordenação que as destacam das demais. receio ou mesmo preconceito. A atitude dos alunos diante dessas diferenças é algo que se construirá na convivência e que dependerá muito da atitude que o professor adotar. deve-se analisar o tipo de necessidade especial que esse aluno tem. alimentação e atividades corporais. considerando que • • • • . pelo sujeito. adotar atitudes de respeito mútuo. a supervisão de um especialista em fisioterapia. entretanto. mais pode se utilizar dessa mesma linguagem para expressar seus sentimentos. em alguns casos. É fundamental. reconhecer-se como elemento integrante do ambiente. Em primeiro lugar. sem discriminar por características pessoais. fazer papel de técnico. A participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças. posturas e esforço podem implicar em riscos graves. Portadores de deficiências físicas Por desconhecimento. sem preconceitos. sexuais ou sociais. estará sentindo as emoções de uma corrida. físicas. que alguns cuidados sejam tomados. Para que esses alunos possam freqüentar as aulas de Educação Física é necessário que haja orientação médica e. psicomotricista ou psicólogo. conhecer. pois as restrições de movimentos. respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações de cultura corporal do Brasil e do mundo. fazendo as adequações necessárias. Outro ponto importante é em relação a situações de vergonha e exposição nas aulas de Educação Física. criar situações de modo a possibilitar a participação dos alunos especiais. um neurologista. a criança que não deve fazer muito esforço físico pode ficar um tempo no gol. percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas e entre diferentes grupos sociais. a maioria dos portadores de deficiências físicas foram (e são) excluídos das aulas de Educação Física. de aceitação. que requerem procedimentos específicos.3.Quanto mais domínio sobre os próprios movimentos o indivíduo conquistar. adotando hábitos saudáveis de higiene. Objetivos gerais da área de Educação Física Espera-se que ao final do ensino fundamental os alunos sejam capazes de: • participar de atividades corporais. manutenção e melhoria da saúde coletiva. o professor pode fazer adaptações. de dança ou de luta que exerce. A aula de Educação Física pode favorecer a construção de uma atitude digna e de respeito próprio por parte do deficiente e a convivência com ele pode possibilitar a construção de atitudes de solidariedade. de respeito. mesmo que não desenvolva os músculos ou aumente a capacidade cardiovascular.

Além disso tomou-se também como referencial a necessidade de considerar o crescimento e as possibilidades de aprendizagem dos alunos nesta etapa da escolaridade. conhecer.1. conhecer a diversidade de padrões de saúde. não as aceitando para si nem para os outros.2. não se trata de uma estrutura estática ou inflexível. lutas e ginásticas Atividades rítmicas e expressivas . o usufruto das possibilidades de lazer. Blocos de conteúdo Os conteúdos estão organizados em três blocos. Conteúdos para o ensino fundamental 4. • Características da própria área Os conteúdos são um recorte possível da enorme gama de conhecimentos que vêm sendo produzidos sobre a cultura corporal e que estão incorporados pela Educação Física. Essa organização tem a função de evidenciar quais são os objetos de ensino e aprendizagem que estão sendo priorizados. que deverá distribuir os conteúdos a serem trabalhados de maneira equilibrada e adequada. organizar e interferir no espaço de forma autônoma. bem como reivindicar locais adequados para promover atividades corporais de lazer. segundo os diferentes enfoques que podem ser dados: Esportes. • • 4. servindo como subsídio ao trabalho do professor. • Características dos alunos A definição dos conteúdos buscou guardar uma amplitude que possibilite a consideração das diferenças entre regiões. cuja aprendizagem favorece a ampliação das capacidades de interação sociocultural. beleza e estética corporal que existem nos diferentes grupos sociais. jogos.o aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências corporais decorrem de perseverança e regularidade e que devem ocorrer de modo saudável e equilibrado. analisando criticamente os padrões divulgados pela mídia e evitando o consumismo e o preconceito. compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são produzidos. embora no presente documento sejam especificados apenas os conteúdos dos dois primeiros ciclos. Assim. que deverão ser desenvolvidos ao longo de todo o ensino fundamental. reconhecendo-as como uma necessidade básica do ser humano e um direito do cidadão. a promoção e a manutenção da saúde pessoal e coletiva. • reconhecer condições de trabalho que comprometam os processos de crescimento e desenvolvimento. Considerou-se também de fundamental importância que os conteúdos da área contemplem as demandas sociais apresentadas pelos Temas Transversais. mas sim de uma forma de organizar o conjunto de conhecimentos abordado. reivindicando condições de vida dignas. cidades e localidades brasileiras e suas respectivas populações. Critérios de seleção e organização dos conteúdos Com a preocupação de garantir a coerência com a concepção exposta e de efetivar os objetivos. 4. foram eleitos os seguintes critérios para a seleção dos conteúdos propostos: • Relevância social Foram selecionadas práticas da cultura corporal que têm presença marcante na sociedade brasileira.

sentindo e compreendendo. Por que. eliminação e reposição de nutrientes básicos. dos gestos. As habilidades motoras deverão ser aprendidas durante toda a escolaridade. Geografia e Pluralidade Cultural.1. do ponto de vista prático. os orientais sentam-se no chão. No ciclo final da escolaridade obrigatória. fisiológicos. como um corpo vivo. medo. em situações de relaxamento e tensão. Esportes. por exemplo. seja no trabalho ou no lazer. compreender essas atitudes corporais são atividades que podem ser desenvolvidas juntamente com projetos de História. abordando-se apenas os conhecimentos básicos. 4. biomecânicos e bioquímicos que capacitam a análise crítica dos programas de atividade física e o estabelecimento de critérios para julgamento. médio ou longo prazos. Também fazem parte deste bloco os conhecimentos sobre os hábitos posturais e atitudes corporais. analisar e compreender as alterações que ocorrem em seu corpo durante e depois de fazer atividades. Para se conhecer o corpo abordam-se os conhecimentos anatômicos. Também sob a ótica da percepção do próprio corpo. lutas e ginásticas . mas também têm interseções e fazem articulações entre si. pode-se incluir a questão da postura dos alunos em classe: as posturas mais adequadas para fazer determinadas tarefas. etc. lutas e danças. que sente dor. aumento da massa muscular. mas que também podem ser abordados e tratados em separado. jogos. principalmente. Os conhecimentos de anatomia referem-se principalmente à estrutura muscular e óssea e são abordados sob o enfoque da percepção do próprio corpo. São tratados de maneira simplificada.2. mas guardam especificidades. através de suas sensações. Estes conteúdos são abordados principalmente a partir da percepção do próprio corpo. Do ponto de vista teórico. A ênfase deste item está na relação entre as possibilidades e as necessidades biomecânicas e a construção sociocultural da atitude corporal. os alunos poderão analisar seus movimentos no tempo e no espaço: como são seus deslocamentos. jogos.2. podem ser observadas e apreciadas principalmente dentro dos esportes. podem ser ampliados e aprofundados. e deverão sempre estar contextualizadas nos conteúdos dos outros blocos. Além da análise dos diferentes hábitos. Poderão ser feitas análises sobre alterações a curto. com as costas eretas? Por que as lavadeiras de um determinado lugar lavam a roupa de uma maneira? Por que muitas pessoas do interior sentam-se de cócoras? Observar. os ossos e os músculos envolvidos nos diferentes movimentos e posições. o aluno deverá. O corpo é compreendido como um organismo integrado e não como um amontoado de "partes" e "aparelhos". Os conhecimentos de biomecânica são relacionados à anatomia e contemplam. a adequação dos hábitos posturais como. alegria. prazer. 4. da postura. A bioquímica abordará conteúdos que subsidiam a fisiologia: alguns processos metabólicos de produção de energia. têm vários conteúdos em comum. analisar. qual é a velocidade de seus movimentos.Conhecimentos sobre o corpo Os três blocos articulam-se entre si. que interage com o meio físico e cultural.2. etc. para diferentes situações e por quê. escolha e realização que regulem as próprias atividades corporais saudáveis. perda de água e sais minerais) e aquelas que ocorrem a longo prazo (melhora da condição cardiorrespiratória. É importante ressaltar que os conteúdos deste bloco estão contextualizados nas atividades corporais desenvolvidas. Os outros dois guardam características próprias e mais específicas. Conhecimentos sobre o corpo Este bloco diz respeito aos conhecimentos e conquistas individuais que subsidiam as práticas corporais expressas nos outros dois blocos e que dão recursos para o indivíduo gerenciar sua atividade corporal de forma autônoma. por exemplo. queima de calorias. Os conhecimentos de fisiologia são aqueles básicos para compreender as alterações que ocorrem durante as atividades físicas (freqüência cardíaca. por exemplo. levantar um peso e equilibrar objetos. isto é. da força e da flexibilidade e diminuição de tecido adiposo). O bloco "Conhecimentos sobre o corpo" tem conteúdos que estão incluídos nos demais.

As lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s). perceber relaxamento e tensão dos músculos. pois as sutis interseções. por exemplo. Pode ser vivido também como uma luta. podem fazer parte do conteúdo. os Jogos Olímpicos. imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. esses conhecimento se explicitam com bastante clareza. pistas. ginásios. quando os times são compostos por meninos de ruas vizinhas e rivais. Os esportes são sempre notícia nos meios de comunicação e dentro da escola. considera-se esporte as práticas em que são adotadas regras de caráter oficial e competitivo. do número de participantes. pode ser feita como preparação para outras modalidades. existem vários técnicas de ginástica que trabalham o corpo de modo diferente das ginásticas tradicionais (de exercícios rígidos. entre outros. . como relaxamento. As delimitações utilizadas no presente documento têm o intuito de tornar viável ao professor e à escola operacionalizar e sistematizar os conteúdos de forma mais abrangente. etc. jogos. nas atividades ginásticas. Se caracterizam por uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. sem árbitro. com times compostos na hora. assumem um caráter individualizado com finalidades diversas. Uma prática pode ser vivida ou classificada em função do contexto em que ocorre e das intenções de seus praticantes. o número de participantes. para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda de forma recreativa. a Copa do Mundo de Futebol ou determinadas lutas de boxe profissional são vistos e discutidos por um grande número de apreciadores e torcedores. considerando as regras oficiais que são estabelecidas internacionalmente (e que incluem as dimensões do campo. cooperativo ou recreativo em situações festivas. Pode ser considerado um jogo. Assim. São exercidos com um caráter competitivo. o futebol pode ser praticado como um esporte. Cabe ressaltar que são um conteúdo que tem uma relação privilegiada com "Conhecimentos sobre o corpo". quando ocorre na praia. As ginásticas são técnicas de trabalho corporal que. Envolvem ou não a utilização de materiais e aparelhos. ao ar livre e na água. Incluem-se neste bloco as informações históricas das origens e características dos esportes. semelhanças e diferenças entre uma e outra estão vinculadas ao contexto em que são exercidas. ao final da tarde. através de técnicas e estratégias de desequilíbrio. do judô e do caratê. competitiva e de convívio social. entre outros aspectos). bicicletas. mecânicos e repetitivos).Tentar definir critérios para delimitar cada uma destas práticas corporais é tarefa arriscada. Por exemplo. Os jogos podem ter uma flexibilidade maior nas regulamentações. entre times cuja rivalidade é histórica. portanto. como simples passatempo e diversão. Por exemplo. de rua e as brincadeiras infantis de modo geral. com platéia. valorização e apreciação dessas práticas. de tabuleiro. pois. contusão. Por exemplo. Podem ser citados como exemplo de lutas desde as brincadeiras de cabo-deguerra e braço-de-ferro até as práticas mais complexas da capoeira. Nos ciclos posteriores. o diâmetro e peso da bola. ou numa final de campeonato. Em muitos casos. nacionais e internacionais que regulamentam a atuação amadora e a profissional. principalmente nos dois primeiros ciclos. Existem inúmeras tentativas de circunscrever conceitualmente cada uma delas. diversificada e articulada possível. Assim. os jogos de salão. comemorativas. Envolvem condições espaciais e de equipamentos sofisticados como campos. técnicos e árbitros. de confraternização ou ainda no cotidiano. organizadas em federações regionais. piscinas. a partir de diferentes pressupostos teóricos. que são adaptadas em função das condições de espaço e material disponíveis. táticos e estéticos. esses aspectos podem estar presentes simultaneamente. de forma competitiva. A divulgação pela mídia favorece a sua apreciação por um diverso contingente de grupos sociais e culturais. podendo ocorrer em espaços fechados. Atualmente. existem contextos mais específicos (como torneios e campeonatos) que possibilitam que os alunos vivenciem uma situação mais caracterizada como esporte. mas até hoje não existe consenso. lutas e ginásticas. visando a percepção do próprio corpo: ter consciência da respiração. com fins puramente recreativos. ringues. sentir as articulações da coluna vertebral. de mesa. incluem-se entre os jogos as brincadeiras regionais. de modo geral. se for abordado sob o enfoque da apreciação e da discussão de aspectos técnicos. nem torcida.

A gama de esportes, jogos, lutas e ginásticas existentes no Brasil é imensa. Cada região, cada cidade, cada escola tem uma realidade e uma conjuntura que possibilitam a prática de uma parcela dessa gama. A lista a seguir contempla uma parcela de possibilidades e pode ser ampliada ou reduzida:
• jogos pré-desportivos: queimada, pique-bandeira, guerra das bolas, jogos prédesportivos do futebol (gol-a-gol, controle, chute-em-gol-rebatida-drible, bobinho, dois toques); jogos populares: bocha, malha, taco, boliche; brincadeiras: amarelinha, pular corda, elástico, bambolê, bolinha de gude, pião, pipas, lenço-atrás, corre-cutia, esconde-esconde, pega-pega, coelho-sai-da-toca, duro-ou-mole, agacha-agacha, mãe-da-rua, carrinhos de rolimã, cabo-de-guerra, etc.; atletismo: corridas de velocidade, de resistência, com obstáculos, de revezamento; saltos em distância, em altura, triplo, com vara; arremessos de peso, de martelo, de dardo e de disco; esportes coletivos: futebol de campo, futsal, basquete, vôlei, vôlei de praia, handebol, futvôlei, etc.; esportes com bastões e raquetes: beisebol, tênis de mesa, tênis de campo, pinguepongue; esportes sobre rodas: hóquei, hóquei in-line, ciclismo; lutas: judô, capoeira, caratê; ginásticas: de manutenção de saúde (aeróbica e musculação); de preparação e aperfeiçoamento para a dança; de preparação e aperfeiçoamento para os esportes, jogos e lutas; olímpica e rítmica desportiva.

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4.2.3. Atividades rítmicas e expressivas

Este bloco de conteúdos inclui as manifestações da cultura corporal que têm como características comuns a intenção de expressão e comunicação através dos gestos e a presença de estímulos sonoros como referência para o movimento corporal. Trata-se das danças e brincadeiras cantadas. O enfoque aqui priorizado é complementar ao utilizado pelo bloco de conteúdo "Dança", que faz parte do documento de Artes. O professor encontrará, naquele documento, mais subsídios para desenvolver um trabalho de dança, no que tange aos aspectos criativos e à concepção da dança como linguagem artística. Num país em que pulsam o samba, o bumba-meu-boi, o maracatu, o frevo, o afoxé, a catira, o baião, o xote, o xaxado entre muitas outras manifestações, é surpreendente o fato de a Educação Física ter promovido apenas a prática de técnicas de ginástica e (eventualmente) danças européias e americanas. A diversidade cultural que caracteriza o país tem na dança uma de suas expressões mais significativas, constituindo um amplo leque de possibilidades de aprendizagem. Todas as culturas têm algum tipo de manifestação rítmica e/ou expressiva. No Brasil existe uma riqueza muito grande dessas manifestações. Danças trazidas pelos africanos na colonização, danças relativas aos mais diversos rituais, danças que os imigrantes trouxeram em sua bagagem, danças que foram aprendidas com os vizinhos de fronteira, danças que se vêem pela televisão. As danças foram e são criadas a todo tempo: inúmeras influências são incorporadas e as danças transformam-se, multiplicam-se. Algumas preservaram suas características e pouco se transformaram com o passar do tempo, como os forrós que acontecem no interior de Minas Gerais, sob a luz de um lampião, ao som de uma sanfona. Outras, recebem múltiplas influências, incorporam-nas, transformando-as em novas manifestações, como os forrós do Nordeste, que incorporaram os ritmos caribenhos, resultando na lambada. Nas cidades existem danças como o funk, o rap, o hip-hop, as danças de salão, entre outras, que se caracterizam por acontecerem em festas, clubes, ou mesmo nas praças e ruas. Existem também as danças eruditas como a clássica, a contemporânea, a moderna e o jazz, que podem às vezes ser apreciadas na televisão, em apresentações teatrais e que são geralmente ensinadas em escolas e academias. Nas cidades do Nordeste e Norte do país, existem danças e coreografias associadas às manifestações musicais, como a timbalada ou o olodum, por exemplo.

A presença de imigrantes no país também trouxe uma gama significativa de danças das mais diversas culturas. Quando houver acesso a elas, é importante conhecê-las, situá-las, entender o que representam e o que significam para os imigrantes que as praticam. Existem casos de danças que estão desaparecendo, pois não há quem as dance, quem conheça suas origens e significados. Conhecê-las, através das pessoas mais velhas da comunidade, valorizá-las e revitalizá-las é algo possível de ser feito dentro deste bloco de conteúdos. As lengalengas são geralmente conhecidas das meninas de todas as regiões do país. Caracterizam-se por combinar gestos simples, ritmados e expressivos que acompanham uma música canônica. As brincadeiras de roda e as cirandas também são uma boa fonte para atividades rítmicas. Os conteúdos deste bloco são amplos, diversificados e podem variar muito de acordo com o local em que a escola estiver inserida. Sem dúvida alguma, resgatar as manifestações culturais tradicionais da coletividade, através principalmente das pessoas mais velhas é de fundamental importância. A pesquisa sobre danças e brincadeiras cantadas de regiões distantes, com características diferentes das danças e brincadeiras locais, pode tornar o trabalho mais completo. Através das danças e brincadeiras os alunos poderão conhecer as qualidades do movimento expressivo como leve/pesado, forte/fraco, rápido/lento, fluido/interrompido, intensidade, duração, direção, sendo capaz de analisá-los a partir destes referenciais; conhecer algumas técnicas de execução de movimentos e utilizar-se delas; ser capazes de improvisar, de construir coreografias, e, por fim, de adotar atitudes de valorização e apreciação dessas manifestações expressivas. A lista a seguir é uma sugestão de danças e outras atividades rítmicas e/ou expressivas que podem ser abordadas e que deverão ser adaptadas a cada contexto:
• • • • • • • danças brasileiras: samba, baião, valsa, quadrilha, afoxé, catira, bumba-meu-boi, maracatu, xaxado, etc.; danças urbanas: rap, funk, break, pagode, danças de salão; danças eruditas: clássicas, modernas, contemporâneas, jazz; danças e coreografias associadas a manifestações musicais: blocos de afoxé, olodum, timbalada, trios elétricos, escolas de samba; lengalengas; brincadeiras de roda, cirandas; escravos-de-jó.

5. Avaliação em Educação Física

Os Parâmetros Curriculares Nacionais consideram que a avaliação deve ser algo útil, tanto para o aluno como para o professor, para que ambos possam dimensionar os avanços e as dificuldades dentro do processo de ensino e aprendizagem e torná-lo cada vez mais produtivo. Tradicionalmente, as avaliações dentro desta área se resumem a alguns teste de força, resistência e flexibilidade, medindo apenas a aptidão física do aluno. O campo de conhecimento contemplado por esta proposta vai além dos aspectos biofisiológicos. Embora a aptidão possa ser um dos aspectos a serem avaliados, deve estar contextualizada dentro dos conteúdos e objetivos, deve considerar que cada indivíduo é diferente, que tem motivações e possibilidades pessoais. Não se trata mais daquela avaliação padronizada que espera o mesmo resultado de todos. Isso significa dizer que, por exemplo, se um dos objetivos é que o aluno conheça alguns dos seus limites e possibilidades, a avaliação dos aspectos físicos estará relacionada a isso, de forma que o aluno possa compreender sua função imediata, o contexto a que ela se refere e, de posse dessa informação, traçar metas e melhorar o seu desempenho. Além disso, a aptidão física é um dos aspectos a serem considerados para que esse objetivo seja alcançado: o conhecimento de jogos, brincadeiras e outras atividades corporais, suas respectivas regras, estratégias e habilidades envolvidas, o grau de independência para cuidar de si mesmo ou para organizar brincadeiras, a forma de se relacionar com os colegas, entre outros, são aspectos que permitem uma avaliação abrangente do processo de ensino e aprendizagem.

Dessa forma, os critérios explicitados para cada um dos ciclos de escolaridade têm por objetivo auxiliar o professor a avaliar seus alunos dentro desse processo, abarcando suas múltiplas dimensões. Também buscam explicitar os conteúdos fundamentais para que os alunos possam seguir aprendendo. 6. Educação Física nos dois primeiros ciclos do ensino fundamental 6.1. Primeiro ciclo 6.1.1. Ensino e aprendizagem Ao ingressarem na escola, as crianças já têm uma série de conhecimentos sobre movimento, corpo e cultura corporal, frutos de experiência pessoal, das vivências dentro do grupo social em que estão inseridas e das informações veiculadas pelos meios de comunicação. As diferentes competências com as quais as crianças chegam à escola são determinadas pelas experiências corporais que tiveram oportunidade de vivenciar. Ou seja, se não puderam brincar, conviver com outras crianças, explorar diversos espaços, provavelmente suas competências serão restritas. Por outro lado, se as experiências anteriores foram variadas e freqüentes, a gama de movimentos e os conhecimentos sobre jogos e brincadeiras serão mais amplos. Entretanto, tendo mais ou menos conhecimentos, vivido muitas ou poucas situações de desafios corporais, para os alunos a escola configura-se como um espaço diferenciado, onde terão que ressignificar seus movimentos e atribuir-lhes novos sentidos, além de realizar novas aprendizagens. Cabe à escola trabalhar com o repertório cultural local, partindo de experiências vividas, mas também garantir o acesso a experiências que não teriam fora da escola. Essa diversidade de experiências precisa ser considerada pelo professor quando organiza atividades, toma decisões sobre encaminhamentos individuais e coletivos e avalia procurando ajustar sua prática às reais necessidades de aprendizagem dos alunos. Nesse momento da escolaridade, os alunos têm grande necessidade de se movimentar e estão ainda se adaptando à exigência de períodos mais longos de concentração em atividades escolares. Entretanto, afora o horário de intervalo, a aula de Educação Física é muitas vezes, a única situação em que têm essa oportunidade. Tal peculiaridade freqüentemente gera uma situação ambivalente: por um lado, os alunos apreciam e anseiam por esse horário; por outro, ficam em um nível de excitação tão alto que torna difícil o andamento da aula. A capacidade dos alunos em se organizar é também objeto de ensino e aprendizagem; portanto, distribuir-se no espaço, organizar-se em grupos, ouvir o professor, arrumar materiais, entre outras coisas, são procedimentos que devem ser trabalhados para favorecer o desenvolvimento dessa capacidade. Tomar todas as decisões pelos alunos ou deixá-los totalmente livre para resolver tudo, dificilmente contribuirá para a construção dessa autonomia. Se for o professor polivalente quem ministra as aulas de Educação Física abre-se a possibilidade de, além das aulas já planejadas na rotina semanal, programar atividades em momentos diferenciados, por exemplo, logo após alguma atividade que tenha exigido das crianças um grau muito grande de concentração, de forma a balancear o tipo de demanda solicitada. Mesmo sendo o professor quem faz as propostas e conduz o processo de ensino e aprendizagem, ele deve elaborar sua intervenção de modo que os alunos tenham escolhas a fazer, decisões a tomar, problemas a resolver, assim os alunos podem tornar-se cada vez mais independentes e responsáveis. A maneira de brincar e jogar sofre uma profunda modificação no que diz respeito à questão da sociabilidade. Ocorre uma ampliação da capacidade de brincar: além dos jogos de caráter simbólico, nos quais as fantasias e os interesses pessoais prevalecem, as crianças começam a praticar jogos coletivos com regras, nos quais têm de se ajustar às restrições de movimentos e interesses pessoais. Essa restrição é a própria regra, que garante a viabilidade da interação de interesses pessoais numa dinâmica coletiva. A possibilidade e a necessidade de jogar junto com os outros, em função do movimento dos outros, passa pela compreensão das regras e um comprometimento com elas. Isso é algo que leva todo o primeiro ciclo para ser construído. Significa também que o professor deve discutir o sentido de tais regras, explicitando quais são suas implicações nos jogos e brincadeiras. Nos casos em que houver desentendimentos, é importante lembrar como as regras foram estabelecidas e quais suas funções, tentando fazer com que as crianças cheguem a um acordo. Caso isso não ocorra, o

professor pode assumir o papel de juiz, explicitando que essa é uma forma socialmente legítima de se atuar em competições, e então arbitrar uma decisão. É essencial que, em situações de conflito, as crianças tenham no adulto uma referência externa que garanta o encaminhamento de soluções. No início da escolaridade, durante os jogos e brincadeiras os alunos se agrupam em apenas alguns espaços da quadra ou do campo. Isso fica claro quando, em alguns jogos coletivos, todos se aglutinam em torno da bola, inviabilizando a utilização estratégica e articulada do espaço. Com a vivência de variadas situações em que tenham que resolver problemas relativos ao uso do espaço, a forma de atuação das crianças modifica-se paulatinamente e elas podem, então, construir uma boa representação mental de seus deslocamentos e posicionamentos. Todas as crianças sabem pelo menos uma brincadeira ou um jogo que envolva movimentos. Esse repertório de manifestações culturais pode vir de fontes como família, amigos, televisão, entre outros, e é algo que pode e deve ser compartilhado na escola. É fundamental que o aluno se sinta valorizado e acolhido em todos os momentos de sua escolaridade e, no ciclo inicial, em que seus vínculos com essa instituição estão se estabelecendo, o fato de poder trazer algo de seu cotidiano, de sua experiência pessoal, favorece sua adaptação à nova situação. Ao desafio apresentado, acrescenta-se que, principalmente no que diz respeito às habilidades motoras, os alunos devem vivenciar os movimentos numa multiplicidade de situações de modo que construam um repertório amplo. A especialização através de treinamento não é adequada para a faixa etária que se presume para esta etapa da escolaridade, pois não é momento de restringir as possibilidades dos alunos. Além disso, o contexto da aula de Educação Física deve poder contemplar as diferentes competências de todos os alunos, não apenas daqueles que têm mais facilidades para determinados desafios, de modo que todos possam desenvolver suas potencialidades. O trabalho com as habilidades motoras e capacidades físicas deve estar contextualizado em situações significativas e não ser transformado em exercícios mecânicos e automatizados. Mais do que objetos de aprendizagem para os alunos, são um recurso para o professor poder olhar, analisar e criar intervenções que auxiliem o desenvolvimento e a aprendizagem de seus alunos. Nas aulas de Educação Física, as crianças estão muito expostas: nos jogos, brincadeiras, desafios corporais, entre outros, umas vêem o desempenho das outras e já são capazes de fazer algumas avaliações sobre isso. Não leva muito tempo para que descubram quem são aqueles que têm mais familiaridade com o manuseio de uma bola, quem é que corre mais ou é mais lento e quem tem mais dificuldade em acertar um arremesso, por exemplo. Por isso, é fundamental que se tome cuidado com as discriminações e estigmatizações que possam ocorrer. Se, no início de sua escolaridade, a criança é tachada de incompetente por ter algum tipo de dificuldade, é improvável que supere suas limitações, que busque novos desafios e que se torne mais competente. Nesse sentido, é função do professor dar oportunidade para que os alunos tenham uma variedade de atividades em que diferentes competências sejam exercidas e as diferenças individuais sejam valorizadas e respeitadas. Um outro aspecto dessa mesma questão que merece destaque neste ciclo é a diferença entre as competências de meninos e meninas. Normalmente, por razões socioculturais, ao ingressar na escola, os meninos tiveram mais experiências corporais, principalmente no que se refere ao manuseio de bolas e em atividades que demandam força e velocidade. As meninas, por sua vez, tiveram mais experiências, portanto têm mais competência, em atividades expressivas e naquelas que exigem mais equilíbrio, coordenação e ritmo. Tradicionalmente, a Educação Física valoriza as capacidades e habilidades envolvidas nos jogos, nas quais os meninos são mais competentes e a defasagem entre os dois sexos pode aumentar. Duas mudanças devem ocorrer para alterar esse quadro: primeiro, às meninas devem ser dadas oportunidades de se apropriarem dessas competências em situações em que não se sintam pressionadas, diminuídas e que tenham tempo para adquirir experiência; em segundo lugar, com a incorporação das atividades rítmicas e expressivas às aulas de Educação Física, os meninos poderão também desenvolver novas competências. 6.1.2. Objetivos Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam capazes de:

participar de diferentes atividades corporais, procurando adotar uma atitude cooperativa e solidária, sem discriminar os colegas pelo desempenho ou por razões sociais, físicas, sexuais ou culturais; conhecer algumas de suas possibilidades e limitações corporais de forma a poder estabelecer algumas metas pessoais (qualitativas e quantitativas); conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar de algumas das diferentes manifestações de cultura corporal presentes no cotidiano; organizar autonomamente alguns jogos, brincadeiras ou outras atividades corporais simples.

• • •

6.1.3. Conteúdos

No primeiro ciclo, em função da transição que se processa entre as brincadeiras de caráter simbólico e individual para as brincadeiras sociais e regradas, os jogos e as brincadeiras privilegiados serão aqueles cujas regras forem mais simples. Jogos do tipo mãe-da-rua, esconde-esconde, pique-bandeira, entre muitos outros, permitem que a criança vivencie uma série de movimentos dentro de certas delimitações. Um compromisso com as regras inclui a aprendizagem de movimentos como, por exemplo, frear antes de uma linha, desviar de obstáculos ou arremessar uma bola a uma determinada distância. É característica marcante desse ciclo é a diferenciação das experiências e competências de movimento de meninos e meninas. Os conteúdos devem contemplar, portanto, atividades que evidenciem essas competências de forma a promover uma troca entre os dois grupos. Atividades lúdicas e competitivas, nas quais os meninos têm mais desenvoltura, como, por exemplo, os jogos com bola, de corrida, força e agilidade, devem ser mescladas de forma equilibrada com atividades lúdicas e expressivas nas quais as meninas, genericamente, têm uma experiência maior; por exemplo, lengalengas, pequenas coreografias, jogos e brincadeiras que envolvam equilíbrio, ritmo e coordenação. Os jogos e atividades de ocupação de espaço devem ter lugar de destaque nos conteúdos, pois permitem que se amplie as possibilidades de se posicionar melhor e de compreender os próprios deslocamentos, construindo representações mentais mais acuradas do espaço. Também nesse aspecto, a referência é o próprio corpo da criança e os desafios devem levar em conta essa característica, apresentando situações que possam ser resolvidas individualmente, mesmo em atividades em grupo. No plano especificamente motor, os conteúdos devem abordar a maior diversidade possível de possibilidades, ou seja, correr, saltar, arremessar, receber, equilibrar objetos, equilibrar-se, desequilibrarse, pendurar-se, arrastar, rolar, escalar, quicar bolas, bater e rebater com diversas partes do corpo e com objetos, nas mais diferentes situações. Cabe ainda ressaltar que essas explorações e experiências devem ocorrer inclusive individualmente. Equivale dizer que, no primeiro ciclo, é necessário que o aluno tenha acesso aos objetos como bolas, cordas, elásticos, bastões, colchões, alvos, em situações não competitivas, que garantam espaço e tempo para o trabalho individual. A inclusão de atividades em circuitos de obstáculos é favorável ao desenvolvimento de capacidades e habilidades individuais. Ao longo do primeiro ciclo serão abordados uma série de conteúdos, nas dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais. Tais conteúdos são referentes aos blocos explanados no item "Critérios de seleção e organização dos conteúdos" do presente documento, mas estão colocados de maneira integrada, sem divisões. Explicita-se a seguir a lista daqueles a serem trabalhados nesse ciclo e que poderão ser retomados e aprofundados e/ou tornarem-se mais complexos nos ciclos posteriores:
• • • • • participação em diversos jogos e lutas, respeitando as regras e não discriminando os colegas; explicação e demonstração de brincadeiras aprendidas em contextos extraescolares; participação e apreciação de brincadeiras ensinadas pelos colegas; resolução de situações de conflito através do diálogo, com a ajuda do professor; discussão das regras dos jogos;

• • • • • • • • • • • • • •

utilização de habilidades em situações de jogo e luta, tendo como referência de avaliação o esforço pessoal; resolução de problemas corporais individualmente; avaliação do próprio desempenho e estabelecimento de metas com o auxílio do professor; participação em brincadeiras cantadas; criação de brincadeiras cantadas; acompanhamento de uma dada estrutura rítmica com diferentes partes do corpo; apreciação e valorização de danças pertencentes à localidade; participação em danças simples ou adaptadas, pertencentes a manifestações populares, folclóricas ou de outro tipo que estejam presentes no cotidiano; participação em atividades rítmicas e expressivas; utilização e recriação de circuitos; utilização de habilidades (correr, saltar, arremessar, rolar, bater, rebater, receber, amortecer, chutar, girar, etc.) durante os jogos, lutas, brincadeiras e danças; desenvolvimento das capacidades físicas durante os jogos, lutas, brincadeiras e danças; diferenciação das situações de esforço e repouso; reconhecimento de algumas das alterações provocadas pelo esforço físico, tais como excesso de excitação, cansaço, elevação de batimentos cardíacos, através da percepção do próprio corpo. Enfrentar desafios corporais em diferentes contextos como circuitos, jogos e brincadeiras.

6.1.4. Critérios de avaliação •

Pretende-se avaliar se o aluno demonstra segurança para experimentar, tentar e arriscar em situações propostas em aula ou em situações cotidianas de aprendizagem corporal. • Participar das atividades respeitando as regras e a organização. Pretende-se avaliar se o aluno participa adequadamente das atividades respeitando as regras, a organização, com empenho em utilizar os movimento adequado à atividade proposta. • Interagir com seus colegas sem estigmatizar ou discriminar por razões físicas, sociais, culturais ou de gênero.

Pretende-se avaliar se o aluno reconhece e respeita as diferenças individuais e se participa de atividades com seus colegas, auxiliando aqueles que têm mais dificuldade e aceitando ajuda dos que têm mais competência.

6.2. Segundo ciclo 6.2.1. Ensino e aprendizagem No segundo ciclo é de se esperar que os alunos já tenham incorporado a rotina escolar, atuem com maior independência e dominem um série de conhecimentos. No que se refere à Educação Física, já têm uma gama de conhecimentos comum a todos, podem compreender as regras dos jogos com mais clareza e têm mais autonomia para se organizar. Desse modo, podem aprofundar e também fazer uma abordagem mais complexa daquilo que sabem sobre os jogos, brincadeiras, esportes, lutas, danças e ginásticas. Já devem ter consolidado um repertório de brincadeiras e jogos que deverá ser transformado e ampliado. A possibilidade de compreensão das regras do jogo é maior, o que permite que percebam as funções que elas têm, de modo a sugerir alterações para tornar os jogos e brincadeiras mais desafiantes. É comum

nesse ciclo que as crianças comecem a organizar as atividades e brincadeiras vivenciadas nas aulas de Educação Física em horários de recreio e de entrada e saída da escola. A compreensão das regras e a autonomia para a organização das atividades permitem ainda que os aspectos estratégicos dos jogos passem a fazer parte dos problemas a serem resolvidos pelo grupo e, nesse sentido, o professor pode interromper os jogos em determinados momentos, solicitando uma reflexão e uma conversa sobre qual estratégia mais adequada para cada situação, auxiliando assim para que novos aspectos tornem-se observáveis. O grau de dificuldade e complexidade dos movimentos pode aumentar — um pouco mais específicos, com desafios que visem um desempenho mais próximo daquele requerido nas atividades corporais socialmente construídas. Por exemplo, correr quicando uma bola de basquete, saltar e arremessar em suspensão, receber em deslocamento, chutar uma bola de distâncias mais longas, etc. Em relação à utilização do espaço e à organização das atividades, deve-se lançar mão de divisões em pequenos grupos (por habilidade, afinidade pessoal, conhecimentos específicos, idades), alternando-as com situações coletivas de toda a classe. Por exemplo: a quadra — ou o espaço disponível — pode ser dividida em quatro partes, nas quais os subgrupos trabalhem com atividades diferenciadas. Isso permite que os alunos tenham tempo de experimentar determinados movimentos, treiná-los, perceber seus avanços e dificuldades, criar novos desafios para si mesmos, etc. O conhecimento e o controle do corpo permite que comecem a monitorar seu desempenho, adequando o grau de exigência e de dificuldade de algumas tarefas. Podem também, através da percepção do próprio corpo, começar a compreender as relações entre a prática de atividades corporais, o desenvolvimento das capacidades físicas e os benefícios que trazem à saúde. Nessa etapa da escolaridade a apreciação das mais diversas manifestações da cultura corporal pode ocorrer com a incorporação de mais aspectos e detalhes. Ao assisti-las, os alunos podem apreciar a beleza, a estética, discutir o contexto de sua produção, avaliar algumas técnicas e estratégias, observar os padrões de movimento, entre inúmeras outras possibilidades. Podem, principalmente, aprender a contemplar essa diversidade e perceber as inúmeras opções que existem, tanto para praticar como para apreciar. A questão das discriminações e do preconceito deve abarcar dimensões mais amplas do que as da própria classe. Ao se tratar das manifestações corporais das diversas culturas, deve-se salientar a riqueza da diferença e a dimensão histórico-social de cada uma. Se tiver havido um trabalho para diminuir as diferenças entre as competências de meninos e meninas no primeiro ciclo, o desempenho será quantitativamente mais semelhante. Nesse momento, também, as crianças estão mais cientes das diferenças entre os sexos; portanto, há que se tomar cuidado em relação às estereotipias, principalmente no que se refere aos tipos de movimento tradicionalmente considerados. Depois de um período em que têm mais interesse em se relacionar com as crianças de seu próprio sexo, no segundo ciclo meninos e meninas voltam a se aproximar. Antes dos meninos, as meninas começam a sofrer as alterações físicas e psicológicas da puberdade e do início da adolescência. Iniciam-se os primeiros namoros, as primeiras aproximações, num momento em que convivem a necessidade de se exibir corporalmente e, simultaneamente, a vergonha de expor seu corpo e seu desempenho. É importante que o professor esteja atento a isso, buscando responder às questões sobre a puberdade que venham a surgir, interpretando atitudes de vergonha, receio e insegurança como manifestações desse momento, tomando cuidado para não expor seus alunos a situações de constrangimento, humilhação ou qualquer tipo de violência. 6.2.2. Objetivos Espera-se que ao final do segundo ciclo os alunos sejam capazes de:
• participar de atividades corporais, reconhecendo e respeitando algumas de suas características físicas e de desempenho motor, bem como as de seus colegas, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais; adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas, buscando solucionar os conflitos de forma não violenta;

conhecer os limites e as possibilidades do próprio corpo de forma a poder controlar algumas de suas atividades corporais com autonomia e a valorizá-las como recurso para manutenção de sua própria saúde; conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar de algumas das diferentes manifestações da cultura corporal, adotando uma postura não preconceituosa ou discriminatória por razões sociais, sexuais ou culturais; organizar jogos, brincadeiras ou outras atividades corporais, valorizando-as como recurso para usufruto do tempo disponível; analisar alguns dos padrões de estética, beleza e saúde presentes no cotidiano, buscando compreender sua inserção no contexto em que são produzidos e criticando àqueles que incentivam o consumismo.

• •

6.2.3. Conteúdos

Os conteúdos abordados para o segundo ciclo serão, na realidade, desdobramentos e aperfeiçoamentos dos conteúdos do ciclo anterior. As habilidades e capacidades podem receber um tratamento mais específico, na medida em que os alunos já reúnem condições de compreender determinados recortes que podem ser feitos ao analisar os tipos de movimento envolvidos em cada atividade. É possível sugerir brincadeiras e jogos em que algumas habilidades mais específicas sejam trabalhadas, dentro de contextos significativos. É possível ainda solicitar que as crianças criem brincadeiras com esse objetivo. As habilidades corporais devem contemplar desafios mais complexos. Por exemplo, correr-quicar uma bola, saltar-arremessar, saltar-rebater, girar-saltar, equilibrar objetos-correr. Em relação à percepção do corpo os alunos podem fazer análises simples, percebendo a própria postura e os movimentos em diferentes situações do cotidiano, buscando encontrar aqueles mais adequados a cada momento. Perceber as características de movimento de sua coletividade, através da observação e do conhecimento da história local é um trabalho que pode ser desenvolvido junto aos conteúdos de História, Geografia e Pluralidade Cultural. Nas atividades rítmicas e expressivas é possível combinar a marcação do ritmo com movimentos coordenados entre si. As manifestações culturais da própria coletividade ou aquelas veiculadas pela mídia podem ser analisadas a partir de alguns conceito de qualidade de movimento como ritmo, velocidade, intensidade e fluidez; podem ser aprendidas e também recriadas. Da mesma forma, as noções de simultaneidade, seqüência e alternância poderão também subsidiar a aprendizagem e a criação de pequenas coreografias. As crianças geralmente estão muito motivadas pelo esportes porque os conhecem através da mídia e pelo convívio com crianças mais velhas e adultos. Por isso, os jogos pré-desportivos e os esportes coletivos e individuais podem predominar nesse ciclo. A construção das noções de espaço e tempo se desenvolverá em conjunto com as aquisições feitas no plano motor; localização no espaço já não é mais tão egocentrada, podendo incluir o ponto de vista dos outros, o que permite a realização de antecipações mentais a partir da análise de trajetórias e de cálculos de deslocamento de pessoas e objetos. De posse desses instrumentos, a análise e a compreensão das regras mais complexas e das estratégias de jogo tornam-se um conhecimento que ajuda a criança a jogar melhor e a ampliar suas possibilidades de movimento. As informações sobre aspectos históricos, contextos sociais em que os jogos foram criados, as regras e as estratégias básicas de cada modalidade podem e devem ser abordados. A reflexão, a apreciação e a crítica desses aspectos passam a ser incluídas como conteúdos, o que pode ser feito a partir das informações veiculadas pelos meios de comunicação. Ao longo do segundo ciclo serão abordados conteúdos nas dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais. Como no primeiro ciclo, os conteúdos estão integrados e não separados por blocos. Explicitase a seguir a lista daqueles que continuam a ser abordados além dos que deverão começar a ser

desenvolvidos nesse ciclo e que poderão ser aprofundados e/ou tornarem-se mais complexos nos ciclos posteriores:
• • • • • • • • • • • • • • • • • • participação em atividades competitivas, respeitando as regras e não discriminando os colegas, suportando pequenas frustrações, evitando atitudes violentas; observação e análise do desempenho dos colegas, de esportistas, de crianças mais velhas ou mais novas; expressão de opiniões pessoais quanto a atitudes e estratégias a serem utilizadas em situações de jogos, esportes e lutas; apreciação de esportes e lutas considerando alguns aspectos técnicos, táticos e estéticos; reflexão e avaliação de seu próprio desempenho e dos demais, tendo como referência o esforço em si, prescindindo, em alguns casos, do auxílio do professor; resolução de problemas corporais individualmente e em grupos; participação na execução e criação de coreografias simples; participação em danças pertencentes a manifestações culturais da coletividade ou de outras localidades, que estejam presentes no cotidiano; apreciação e valorização de danças pertencentes à localidade; valorização das danças como expressões da cultura, sem discriminações por razões culturais, sociais ou de gênero; acompanhamento de uma dada estrutura rítmica com diferentes partes do corpo, em coordenação; participação em atividades rítmicas e expressivas; análise de alguns movimentos e posturas do cotidiano a partir de elementos socioculturais e biomecânicos; percepção do próprio corpo e busca de posturas e movimentos não prejudiciais nas situações do cotidiano; utilização de habilidades motoras nas lutas, jogos e danças; desenvolvimento de capacidades físicas dentro de lutas, jogos e danças, percebendo limites e possibilidades; diferenciação de situações de esforço aeróbico, anaeróbico e repouso; reconhecimento de alterações corporais, através da percepção do próprio corpo, provocadas pelo esforço físico, tais como excesso de excitação, cansaço, elevação de batimentos cardíacos, efetuando um controle dessas sensações de forma autônoma e com o auxílio do professor. Enfrentar desafios colocados em situações de jogos e competições, respeitando as regras e adotando uma postura cooperativa.

6.2.4. Critérios de avaliação •

Pretende-se avaliar se o aluno aceita as limitações impostas pelas situações de jogo, tanto no que se refere às regras quanto no que diz respeito à sua possibilidade de desempenho e à interação com os outros. Espera-se que o aluno tolere pequenas frustrações, seja capaz de colaborar com os colegas, mesmo que estes sejam menos competentes e que participe do jogo com entusiasmo. • Estabelecer algumas relações entre a prática de atividades corporais e a melhora da saúde individual e coletiva.

Pretende-se avaliar se o aluno reconhece que os benefícios para a saúde decorrem da realização de atividades corporais regulares, se têm critérios para avaliar seu próprio avanço e se nota que esse avanço decorre da perseverança. • Valorizar e apreciar diversas manifestações da cultura corporal, identificando suas possibilidades de lazer e aprendizagem.

Pretende-se avaliar se o aluno reconhece que as formas de expressão de cada cultura são fontes de aprendizagem de diferentes tipos de movimento e expressão. Espera-se também que o aluno tenha uma postura receptiva, não discrimine produções culturais por quaisquer razões sociais, étnicas ou de gênero.

7. Orientações didáticas 7.1. Introdução No ensino tradicional todas as áreas do conhecimento tratavam do intelecto, e a aula de Educação Física tratava exclusivamente das questões ligadas ao corpo e ao movimento. Entretanto, no que diz respeito à concepção de aprendizagem, tanto a Educação Física como as demais áreas do currículo partiam dos mesmos princípios e estruturavam sua metodologia de ensino na repetição, memorização e reprodução de conhecimentos e comportamentos. Se aprender Matemática consistia em repetir fórmulas até decorá-las, aprender Educação Física consistia em repetir exercícios mecânicos e padronizados e reproduzir gestos estereotipados. Mesmo em atividades como a dança, a metodologia utilizada dava mais ênfase ao aspecto técnico em si do que ao aspecto expressivo. Dentro do universo de conhecimentos que a Educação Física procura abordar, quando a metodologia utilizada é a de ensino por condicionamento, o resultado é uma aprendizagem restrita e limitada. Isso ocorre basicamente por dois motivos: o movimento corporal não pode ser esvaziado ou fragmentado a ponto de perder seu significado pessoal, social e cultural, e o movimento corporal deve refletir uma intenção do sujeito e não depender exclusivamente de um estímulo externo. Por exemplo: ao sistematizar a aprendizagem do basquete, a metodologia consistia em eleger os movimentos mais comuns, mais freqüentes nesse esporte (chamados "fundamentos") e treiná-los em separado, visando uma automatização, na equivocada esperança de que bastava ao aluno conhecer os "pedaços" do movimento presente nessa modalidade para poder praticá-la. Fazendo uma rudimentar analogia com a alfabetização, seria acreditar que decorar as letras e as sílabas fosse condição suficiente para se aprender a ler e a escrever. Na situação de jogo, os movimentos de arremessar, passar, receber e bater a bola acontecem num contexto dinâmico de deslocamentos, de coordenação de trajetórias da bola e dos jogadores, em que cada movimento precisa ser executado em função de uma situação específica que contém muitas variáveis. Quando fora desse contexto, a repetição pura e simples perde o sentido, torna-se enfadonha e cansativa e não necessariamente promove um aprimoramento do desempenho na situação de jogo. Além disso, os exercícios ocupavam a maior parte da aula, sendo reservados os dez minutos finais para a prática do jogo, mesmo assim condicionado ao grau de organização e disciplina que o grupo demonstrasse durante a aula. Ou seja, muitas vezes nem mesmo uma pequena prática contextualizada do que havia sido treinado era possibilitada. O resultado prático dessa metodologia é de conhecimento de todos: um processo de seleção dos indivíduos aptos (legitimando uma concepção fortemente inatista), produzindo um grande contingente de frustrados em relação às próprias capacidades e habilidades corporais. Mesmo as atividades de caráter expressivo como a dança eram consideradas sob a ótica do preconceito e da marginalidade e muitas vezes quando ensinadas repetiam as mesmas fórmulas seletivas de ensino e aprendizagem. A presente proposta se firma numa concepção de aprendizagem que parte das situações globais, amplas e diversificadas em direção às práticas corporais sociais mais significativas que exigem movimentos mais específicos, precisos e sistematizados. É necessário ainda incluir no processo de aprendizagem, para além

sem questionar se não haveria situações em que a diferença entre os sexos pudesse ser enfocada de maneira proveitosa. ajudá-lo. 7. Numa aula posterior com a mesma classe. na prática. Entretanto. coordenação. Pregava-se que o esporte afastava o indivíduo das drogas. priorizando uma ou mais delas e possibilitando que todos seus alunos possam aprender e se desenvolver. os contextos pessoais. o professor pode dividir o grupo. entre outras. econômica ou sociocultural. a ouvir o outro. a presente proposta aborda a complexidade das relações entre corpo e mente num contexto sociocultural.das questões relativas ao movimento em si. Tendo ainda como referência a diversidade que as crianças apresentam em relação às competências corporais. as crianças podem avançar nas suas conquistas. considerando apenas as diferenças de rendimento físico. aqueles que têm menos habilidade podem arriscar algumas tentativas sem se exporem frente ao grupo dos mais habilidosos. ao longo do planejamento. política.2. Por exemplo. hoje. Orientações gerais 7. o professor viabiliza que as características individuais sejam valorizadas.1. Nesse sentido. fazendo uso de variadas formas de organização das atividades. Um grupo com os mais hábeis. que a integração social pode transformar-se em desintegração. mas não se abordava esse assunto na sua dimensão afetiva. agilidade e ritmo de forma eqüitativa. atividades com ênfase nas capacidades de equilíbrio. nas aulas de Educação Física o professor deverá sempre contextualizar a prática. aproveitar críticas e sugestões sejam atitudes possíveis de serem exercidas. de cooperação. Sabe-se. Alardeava-se o mérito quase exclusivo dos esportes na integração social. tem como princípio a igualdade de oportunidades para todos os alunos e o objetivo de desenvolver as potencialidades. Deve-se. velocidade. mas não se enxergava os alunos que ficavam excluídos por não terem capacidades a priori. sendo que era função da própria área promover essas capacidades. e na tentativa de se superar. não foram amplamente abordadas. ou que uma atividade resulte numa mesma aprendizagem para todos. Nessa situação. com guerras entre torcidas e brigas dentro de campos e quadras. de modo cooperativo. que o caráter pode ser corrompido pelas glórias do esporte. dentro de um contexto sociocultural. distribuindo-os entre os três grandes grupos. enfrentando um grau maior de desafio. a natureza da aprendizagem estará vinculada à troca de informações e à cooperação. ou que exijam que diferentes habilidades sejam colocadas em prática. ao se organizar uma aula em que o conteúdo gire em torno do voleibol. Falava-se de "enobrecer o caráter". Organização social das atividades e atenção à diversidade Se um dos objetivos da educação é ajudar as crianças a conviverem em grupo de maneira produtiva. Sabe-se. favorecendo a atitude de obter a vitória a qualquer custo e até mesmo com o uso de drogas. pode-se dividir a classe em três grupos. num processo democrático e não seletivo. ainda. de simulação. considerando as suas várias dimensões de aprendizagem. Além disso. Sabe-se. por exemplo. portanto. é preciso proporcionar situações em que aprender a dialogar. não se pode querer que todo o grupo realize a mesma tarefa. favorecer a troca de repertórios e os procedimentos de resolução de problemas de movimento. pedir ajuda. um outro aspecto a ser considerado na organização das atividades deve ser o de contemplar essa mesma diversidade valorizando as diferenças. Assim. A justificativa da presença da Educação Física no ensino tem sido vinculada à formação do homem integral. Ao distribuir. usando os mais hábeis como "cabeças de chave". outro com os médios e outro com os menos hábeis. trocar idéias e experiências. Essa organização permite ao professor visualizar em que ponto estão as habilidades de cada grupo e propor um desafio adequado para cada um. a amplitude das questões referentes às relações entre o corpo e a mente. . mas não existiam conteúdos dentro das aulas que tratassem desse assunto. força. tendo como critério o grau de habilidade dos alunos. culturais e sociais em que ele ocorre.2. Separavam-se meninos e meninas para a prática esportiva ou ginástica. para que a ação corporal adquira um significado que extrapole a própria situação escolar. A diversidade de competências corporais a serem consideradas inclui a facilidade e a dificuldade para lidar com situações estratégicas. de competição. que exercitar ou disciplinar o corpo não resulta obrigatoriamente na formação completa do ser humano. que ocorreria através do exercício físico e da disciplina do corpo. psicológica. Levando em conta o fato de que as experiências e competências corporais são muito diversificadas.

ou simplesmente observando a regra do rodízio do voleibol. em última análise. ao invés de entrar em conflitos pautados em estereótipos e preconceitos. mas o fundamental é que existe um estilo diferenciado entre meninos e meninas. As habilidades com a bola. desenvolvem-se mais do que meninas e. e. assim. Cabe ainda ao professor localizar quais as competências corporais em que alguns alunos apresentem dificuldades e promover atividades em que possam avançar. como também existe entre diferentes pessoas de praticar uma mesma atividade lúdica ou expressiva. . promovendo formas de rodízio desses papéis. 7. o grupo de crianças que ficou no ataque deve trocar de posição com o grupo que ficou na defesa. a construção de um estilo pessoal de exercer as práticas da cultura corporal propostas como conteúdos.2. ou ainda atribuir aos meninos o papel de técnicos num jogo de futebol disputado por times de meninas. restando aos menos hábeis os papéis de defesa. Essa construção. para além das vivências anteriores de cada aluno. portanto. criando regras nesse sentido. interesses. de goleiro ou mesmo a exclusão. A pluralidade de ações pedagógicas pressupõe que o que torna os alunos iguais é justamente a capacidade de se expressarem de forma diferente. Ao longo da escolaridade fundamental ocorre. estabelecem-se com a possibilidade de prática e experiência com esse material. em que a cooperação seja fundamental e haja coordenação de diferentes competências é algo valioso para se perceber que todos. pois existem habilidades que as meninas acabam por aperfeiçoar em função de uma maior experiência. por exemplo. sem exceção. um dos objetos centrais da cultura lúdica. É utópico pretender que todos os avanços de aprendizagem sejam homogêneos e simultâneos entre os alunos. têm algum tipo de conhecimento. que foi instituída exatamente com esse propósito. portanto. deve tirar proveito dessas diferenças ao invés de configurá-las como desigualdades. Diferenças entre meninos e meninas Particularmente no que diz respeito às diferenças entre as competências de meninos e meninas deve-se ter um cuidado especial. Competição & competência Nas atividades competitivas as competências individuais se evidenciam e cabe ao professor organizá-las de modo a democratizar as oportunidades de aprendizagem. O professor deve intervir diretamente nessas situações. Incluir as experiências e conhecimentos que as crianças têm de dança é extremamente interessante por se tratar de um contexto em que a ênfase não está na competição. cada um deles contendo pelo menos uma menina. brincar com bola se transforma em "brincadeira de menino". numa situação que promove um melhor conhecimento e respeito de si mesmo e dos outros. em jogos prédesportivos e nos esportes.2. A consideração das diversidades de conhecimento promove. que envolve estilos e preferências pessoais. O raciocínio inverso também poderia ser feito. A aula de Educação Física. uma vez que a diversidade traduz uma realidade de histórias de vivências corporais. torna-se mais complexa à medida que as possibilidades de reflexão sobre as competências pessoais e coletivas se ampliam e que as situações competitivas sejam compreendidas como um jogo de cooperação de competências. um processo de escolha cada vez mais independente por parte do aluno. Muitas dessas diferenças são determinadas social e culturalmente e decorrem. O que se quer ressaltar é que as atividades competitivas realizadas em grupos ou times se constituem numa situação favorável para o exercício de diversos papéis.O trabalho em duplas e grupos. oportunidades de aprimoramento fora da escola e o convívio em ambientes físicos diferenciados. em paralelo com a possibilidade de ampliação das competências corporais. a cada ponto num jogo de pique-bandeira. As atividades de caráter expressivo se constituem num outro recurso para atender a diversidade de competências no processo de ensino e aprendizagem. de preconceitos e comportamentos estereotipados. estilos pessoais. São modos diferentes de ser e atuar que devem se completar e se enriquecer mutuamente. que as crianças mais hábeis monopolizem as situações de ataque. É muito comum acontecer. e colocar para elas a tarefa de ensinar uma seqüência do jogo de elástico. de quais competências satisfazem suas necessidades de movimento para a construção de seu estilo pessoal. para alcançar todos os alunos. As intervenções didáticas podem propiciar experiências de respeito às diferenças e de intercâmbio: dividir um grupo de primeiro ciclo em trios. Por exemplo. Socialmente essa prática é mais proporcionada aos meninos que.2. 7.3.

Por exemplo: se um grupo de crianças consegue pular corda com segurança e . As crianças fazem isso cotidianamente e é comum vê-las jogando gol-a-gol na porta de aço de uma garagem. o professor pode e deve. representa fazer o seguinte: ao constatar que uma conduta corporal é exercida de uma forma estável e segura pelas crianças. esportes e brincadeiras são contextos favoráveis para a intervenção do professor nesse sentido. dividi-las de diferentes formas. a escola deve promover a ampliação desses conhecimentos. dentro ou próximo à escola. Estender cordas entre árvores.4. A primeira delas diz respeito ao próprio desenvolvimento dos conhecimentos relativos à cultura corporal. Partindo disso. gestuais. Nos jogos pré-desportivos e nas brincadeiras. Alterar esse quadro implica uma conjugação de esforços de comunidade e poderes públicos. Na prática. Problematização das regras Geralmente os alunos conhecem as regras do convívio escolar. ou organizem voleibol em pequenos grupos. que mobilize os conhecimentos disponíveis ao sujeito e solicite uma reorganização deles. Essa situação. na organização do espaço e do tempo. utilização de desníveis de terreno como parte dos circuitos com materiais diversos e obstáculos são sugestões de formas de utilização do espaço físico.5. O professor deve criar situações que coloquem esses conhecimentos em questão. o modo e as razões pelas quais foram estabelecidas. nem sempre as regras prevêem regulamentação para todas as situações que surgem. inquestionáveis e imutáveis. permitindo sua utilização em situações sociais. o professor deve interferir. ou seja. Mesmo que não se tenha uma quadra convencional. no entanto. danças esportes e ginásticas não apresentam a adequação e a qualidade necessárias. 7. as regras dos jogos podem ser adaptadas para diferentes situações e contextos. um obstáculo a ser superado.6. Os jogos. A compreensão das normas que pode advir daí é completamente diferente de quando as regras são consideradas absolutas. possibilitando a execução de atividades de natureza diferenciada. mas pouco compreendem a sua natureza. propondo modificações. situações que solicitem da criança a resolução de um problema. ao iniciarem o ensino fundamental. é possível adaptar espaços para as aulas de Educação Física. Mover-se dentro de limites espaciais. é necessário discutir e legislar a respeito e essa prática deve ser incentivada pelo professor. nesses casos. repensando sobre elas e assim por diante. de relação com objetos e com os outros constitui-se num problema a ser resolvido. numa situação de competição. Conhecimentos prévios As crianças. ou usando um portão como rede para um jogo de voleibol adaptado. para realizar as atividades de Educação Física.2. para que as crianças se pendurem e se equilibrem. ao movimento e à cultura corporal. testando-as. seja no plano motor. O professor pode utilizar um pátio. 7. criando uma pequena dificuldade. pendurar pneus e aros nas árvores para funcionarem como alvos em jogos de arremesso e basquete em pequenos grupos. No caso da Educação Física existe a possibilidade de se abordar diferentes jogos e atividades e discutir as regras em conjunto com os alunos. não é qualquer tipo de movimento que vale. Além disso.7. na utilização de uma estratégia ou na elaboração de uma regra. não exclui a possibilidade de uma potencialização de uso dos espaços já disponíveis. tentando encontrar as razões que as originaram. trazem de sua experiência pessoal uma série de conhecimentos relativos ao corpo. por várias razões. não seriam adequados.2. mas um certo tipo que se ajuste àquelas delimitações que a regra impõe. conforme a exigência da situação. um campinho. Numa situação recreativa pode-se considerar válida uma série de movimentos e procedimentos que. ou seja.2. simultaneamente. Uso do espaço Sabe-se que na realidade das escolas brasileiras os espaços disponíveis para a prática e a aprendizagem de jogos. Mesmo em se tratando de quadras convencionais. um jardim. lutas.

M. São Paulo: Summus. 8. De corpo e alma. 1991. o aluno poderá não só aprender mais sobre corpo e movimento de uma determinada cultura. o professor pode solicitar.eficiência. Isso pode ser feito assistindo a vídeos. São Paulo: Ática. 7. S. Ao se apreciarem essas diferentes manifestações da cultura corporal. sistematizando o que pode ser aprendido e contribuindo com aqueles que foram assistidos. apreciar é algo que todos podem fazer e que amplia as possibilidades de lazer e diversão. A. Porto: Cotovia. A. 1988. etc. pode. Limite e espaço: uma introdução à obra de D. 1989. GARDNER. Psicologia e currículo. Estruturas da mente. Porto Alegre: Artes Médicas. GOÑI. V. Piaget. entretanto. M. 1994. pontuar quais os aspectos que devem ser observados. La educación física en educación primaria I. "guerra". como desafio. e SÁNCHEZ. 1992. El niño y el juego. Apreciação/crítica Assistir a jogos de futebol. Madri: Alhambra Longman. 1987. Educação de corpo inteiro. Nesse sentido. como também a valorizar essas manifestações. apresentações de dança. para que depois se façam comentários. Y.W.2. olimpíadas. Os jogos e os homens. fazer uma ou outra atividade física. O jogo no contexto da educação psicomotora. trios e pequenos grupos. estratégias. D. movimento y curriculum. São Paulo: Summus. Winnicott. DAVIS. P. A. C. CAILLOIS.. C. Buenos Aires: Nueva Visión. novelas. O professor. . ARTAL. que são empregados para descrever jogos entre dois times ou seleções e quais as implicações dessa utilização. A. H. GARCÍA. R. deve. K. 1988. São Paulo: Scipione. B. 1987. etc. A crítica está bastante vinculada à apreciação. juntamente com seus alunos. O jogo e a criança. e GONZÁLES. posturas. É possível que uma pessoa goste de praticar um ou outro esporte. ARNOLD. M. DE LA TAILLE. o professor pode questionar a forma como os meios de comunicação apresentam padrões de beleza. bem como aspectos éticos. N. trata-se de uma avaliação mais voltada à questão da mídia. CHATEAU. portanto. DE FREITAS. H. Madri: Morata. a teoria das inteligências múltiplas. Bibliografia ABERASTURY. São Paulo: Summus. estética. São Paulo: Cortez. J. Porto Alegre: Artes Médicas. Prestar atenção aos próprios colegas em ação também é uma situação interessante. Subsídios para educação física. professores ou os próprios pais. J. FREIRE. 1996. R. ou ainda que os saltos sejam realizados em duplas. e sua relação com o consumo de produtos e serviços. entretanto. poderá criar situações em que a atividade seja assistir e comentar os diferentes movimentos. 1992. é uma prática muito corrente fora da escola. 1991. J. Pode também pesquisar os tipos físicos em evidência nas propagandas. C. Educación física. saúde. M. "batalha de morte". 1992. televisão ou mesmo pessoas da própria comunidade escolar: alunos de outras classes. 1982. entre outros. 1990. Petrópolis: Vozes. e DANTAS. e WALLBRIDGE.. em todas essas ocasiões. São Paulo: Movimento. R. COLL. M. por exemplo. A criança e seus jogos. Educação física e sociedade. entretanto. Assim. Rio de Janeiro: Imago. que as crianças entrem na corda pelo lado oposto. ARAUJO. OLIVEIRA. C.. A.7. BETTI. e AMARAL. capoeira. fazer leituras dos cadernos esportivos e discutir termos como "inimigos". M. __________. G. dentro das aulas de Educação Física isso não acontece. P. Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. 1992. O professor.

Educação física ou ciência da motricidade humana?. LE BOULCH. R. H. MAUDIRE. 1987a. Rio de Janeiro: Zahar. São Paulo: Ibrasa. R. e DIAKTINE. São Paulo: Edusp/EPU. A criança e seu mundo. Criatividade nas aulas de educação física. J. 1988. KAMII. L. 1987. 1985. Linguagem corporal. Educação física escolar.SEF . PIAGET. LEITE. R. LIBÂNEO. 11. Rio de Janeiro: Imago. Campinas: Papirus. São Paulo: Cortez. Rumo a uma ciência do movimento humano. TAFFAREL. São Paulo: Trajetória Cultural. 1982. ed. VYGOTSKY. 1978. LEBOVICI. A. C. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. P. e LAGING. A. C. Porto Alegre: Artes Médicas. 1989. Exilados da infância: relações criativas e expressão pelo jogo na escola.GROLNICK. 1980. S. D. ed. 1992. WINNICOTT. __________. Porto Alegre: Artes Médicas. 2. TANI. Winnicott. A psicologia da criança. 1990. Z. 1989. 1975. 1986.) e MEDEIROS.). Piaget e a escola de Genebra. PIAGET. J. W. (colab. São Paulo: Perspectiva. __________. M. (org. G. Metodologia do ensino de educação física. 1993.Ensino Fundamental Ética MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental . 1989. 1977.). (coords. 1987b. O brincar e a realidade. A formação social da mente. A simbologia do movimento. S. MELLO. Concepções abertas no ensino da educação física. ed. Jogos em grupo. jogos infantis. Seis estudos de psicologia. Porto Alegre: Artes Médicas. VAYER & TOLOUSE. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. São Paulo: Cortez. Porto Alegre: Artes Médicas. J. 1988. Rio de Janeiro: Forense Universitária. e DEVRIES. Porto Alegre: Artes Médicas. S. HILDEBRANDT. PCN . A formação do símbolo na criança. A. __________. Psicomotricidade. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. Porto Alegre: Artes Médicas. KOKOBUN e PROENÇA. Lisboa: Dom Quixote. 6. Rio de Janeiro: Imago. 1985. educação física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. M. B. 1985. __________. Significado e função do brinquedo na criança. Porto Alegre: Artes Médicas. C. B. 1991. L. São Paulo: Martins Fontes. HUIZINGA. Natureza humana. e INHELDER. o trabalho e o brinquedo: uma leitura introdutória. 16. Rio de Janeiro: Zahar. S. e PIMENTA. LAPIERRE & AUCOUTURIER. 1988. SÉRGIO. J. 1986. N. 1985. __________. J. MANOEL. Educação psicomotora: a psicocinética na idade escolar. ed.

mas difícil de ser respondida. Justiça 6. Diálogo 6. Racionalidade 3. Diálogo 8. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada. ética pode referir-se a um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu exercício profissional (por exemplo. de antemão. Bibliografia 1.1.4.1. ainda. Finalmente. batizou-se o tema de Ética.4. etc. Desenvolvimento moral e socialização 4. Como o objetivo deste trabalho é o de propor atividades que levem o aluno a pensar sobre sua conduta e a dos outros a partir de princípios. Objetivos gerais 6. Ética pode também significar Filosofia da Moral. portanto. Transversalidade 5.2. e não de receitas prontas. para muitos. portanto. convive com outros homens e. Respeito mútuo 8. um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que regem as condutas humanas. Moral e ética.). Assim. querendo assim marcar diferenças com os "moralistas".2. embora . deve-se chamar a atenção para o fato de a palavra "moral" ter.3.3.1.2.2. Em outro sentido. esta é a questão central da Moral e da Ética. Respeito mútuo 6.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Ética Versão agosto / 1996 Índice 1. muitos preferem associar à palavra ética os valores e regras que prezam. dos psicólogos. Conteúdos 6. Ética e currículo 4. Experiências educacionais 4. às vezes. prescrever formas precisas de conduta (ética) e regras precisas e fechadas (moral). são palavras empregadas como sinônimos: conjunto de princípios ou padrões de conduta. Critérios de avaliação 8. Em outro sentido. os códigos de ética dos médicos. adquirido sentido pejorativo. Afetividade 2.1. Ora. Importância do tema 2. associado a "moralismo". cabe-lhe pensar e responder a seguinte pergunta: "Como devo agir perante os outros?". Importância do tema O homem vive em sociedade. dos advogados. pode referirse a uma distinção entre princípios que dão rumo ao pensar sem. Orientações didáticas 8. Solidariedade 7. Solidariedade 9. Legitimação dos valores e regras morais 2. Justiça 8.

desde sempre. repúdio esse coerente com o valor dignidade humana. de organizar-se em torno delas. humilhar. valores. a sinonímia entre as palavras ética e moral e se empregue a expressão clássica na área de educação de "educação moral". merece tratamento digno corresponde a um valor moral. IV) promover o bem de todos. a existência de escravos era perfeitamente legítima: as pessoas não eram consideradas iguais entre si. que limita ações e discursos. a vida privada. e sua coerência com os outros fundamentos apontados. embora refira-se a um nível específico (a política). justamente. III) erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Com o passar do tempo. seja como castigo. é ou não ético roubar um remédio. presumindo a inferioridade de alguns (em razão de etnia. entendido como "cada um é livre para eleger todos os valores que quer". ou seja. Trata-se de um consenso mínimo. Não é difícil identificar valores morais em tais objetivos. portanto. Tal reflexão poderia se feita de maneira antropológica e sociológica: conhecer a diversidade de valores presentes na sociedade brasileira.). e. Tais valores representam ótima base para a escolha de conteúdos do tema Ética. E.. etc. indispensável à . encontram-se elementos que identificam questões morais.. Portanto. por se tratar de uma referência curricular nacional que objetiva o exercício da cidadania. sustentar e promover a desigualdade. O pluralismo político. Hoje. não merecedoras de direitos iguais (deviam obedecer a seus maridos).. III) ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. seja para a extorsão de confissões. naturalmente. A idéia segundo a qual todo ser humano. que falam em justiça. estabelecer relações e hierarquias entre esses valores para nortear as ações em sociedade. nega-se qualquer perspectiva de "relativismo moral". justa e solidária. de um conjunto central de valores. O primeiro refere-se ao que se poderia chamar de "núcleo" moral de uma sociedade. também pressupõe um valor moral: os homens têm direito de ter suas opiniões. VI) é inviolável a liberdade de consciência e de crença (. sexo ou cor). o artigo 1o traz. vê-se que é um princípio constitucional o repúdio ao racismo. como fundamentos da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político. Por exemplo. de expressá-las. Na Grécia antiga. No entanto. e. Outro exemplo ainda: na Idade Média. a pergunta de como agir perante os outros recebe uma reposta precisa: agir sempre de modo a respeitar a dignidade. valer dizer. garante a referida dignidade. a moralidade humana deve ser enfocada no contexto histórico e social. A partir deles. as sociedades mudam e também mudam os homens que as compõem. raça. para salvar alguém que. X) são invioláveis a intimidade. Nela. No artigo 5o. igualdade. cor. é imperativa a remissão à referência nacional brasileira: a Constituição da República Federativa do Brasil. lê-se que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (entre outros): I) construir uma sociedade livre. esses dois fundamentos (e os outros) devem ser pensados em conjunto. aqui. valores eleitos como necessários ao convívio entre os membros dessa sociedade. sem preconceitos de origem. sem distinção. sexo. por exemplo. cujo preço é inacessível. no caso. Por exemplo. solidariedade. sem humilhações ou discriminações em relação a sexo ou etnia.). três pontos devem ser devidamente enfatizados. Por conseqüência. idade e quaisquer outras formas de discriminação. artigo 5o. No título II. portanto. raça. obrigá-los a silenciar ou a esconder seus pontos de vista. aqui. entre outros. a honra e a imagem das pessoas (. que limita a liberdade às suas expressões e que. a tortura era considerada prática legítima. o Brasil do século XX. as mulheres eram consideradas seres inferiores aos homens. na sociedade brasileira não é permitido agir de forma preconceituosa. um currículo escolar sobre a ética pede uma reflexão sobre a sociedade contemporânea na qual está inserida a escola. Situações dilemáticas da vida colocam claramente essa necessidade.. promulgada em 1988.freqüentemente se assume. Segundo esse valor. mais ainda. sem ele. morreria? Colocado de outra forma: deve-se privilegiar o valor "vida" (salvar alguém da morte) ou o valor "propriedade privada" (no sentido de não roubar)? Seria um erro pensar que. No artigo 3o. e o fato de umas não terem liberdade era considerado normal. Outro exemplo: até pouco tempo atrás. Não se deve. os homens têm as mesmas respostas para questões desse tipo. mais itens esclarecem as bases morais escolhidas pela sociedade brasileira: I) homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Devem ser abordados outros trechos da Constituição que remetem a questões morais. tal prática indigna a maioria das pessoas e é considerada imoral. Porém. Parte-se do pressuposto que é preciso possuir critérios. Por exemplo. são livres.

se os valores morais que subjazem aos ideais da Constituição brasileira não forem intimamente legitimados pelos indivíduos que compõem este país. impede-se a construção e o fortalecimento do país. a possibilidade da liberdade humana. ou seja. Também não se pode pensar que a escola garanta total sucesso em seu trabalho de formação. etc. De fato. em uma palavra. a Lei Orgânica do Ensino Secundário falava em "formação da personalidade integral do adolescente" e em acentuação e elevação da "formação espiritual. A democracia é um regime político e também um modo de sociabilidade que permite a expressão das diferenças. O terceiro ponto refere-se ao caráter abstrato dos valores abordados. para que todos possam preservá-la. O segundo ponto diz respeito justamente ao caráter democrático da sociedade brasileira. a escola também tem. ao invés de deixá-las ocultas. expressões artísticas. Na verdade. seja como total relativização delas (cada um tem as suas. Não se tratava de conteúdos. Valores e regras são transmitidos pelo professores. Mesmo com limitações. Pelo contrário. entendida seja como ausência de regras. E. Tal valorização da liberdade não está em contradição com a presença de um conjunto central de valores. por várias razões. cai-se na anomia. Porém. o próprio exercício da cidadania . Todavia. verificar-se a presença da preocupação com a formação moral do aluno ainda não é argumento bastante forte. Mas será que cabe à escola empenhar-se nessa formação? Na história educacional brasileira. É preciso deixar claro que ela não deve ser considerada onipotente. apresenta-se uma proposta diametralmente diferente das antigas aulas de Moral e Cívica e explica-se o porquê. Outros poderão responder que o objetivo da escola é o de ensinar conhecimentos acumulados pela humanidade e não preocupar-se com uma formação mais ampla de seus alunos. institui-se a Educação Moral e Cívica como área da educação escolar no Brasil. através da lei 5692/71. coloca-lhe fronteiras precisas para que todos possam usufruir dela. em várias épocas. o primeiro projeto de ensino público apresentado à Câmara dos Deputados previa que o aluno deveria ter "conhecimentos morais. é a sociedade. As pessoas não nascem boas ou ruins. pelas formas de avaliação. Em 1942. os meios de comunicação e o convívio com outras pessoas tenham influência marcante no comportamento da criança. positiva. a sabedoria de conviver com o diferente. e assim por diante. quer queira. quer não. alguns poderão pensar que a escola. ter claro que não existem normas acabadas. Supõe que o homem deva ser justo. A ética é um eterno pensar. no caso do Brasil. é melhor que tais questões recebam tratamento explícito.sociedade democrática: sem esse conjunto central. a expressão de conflitos.). Por isso. deve abster-se dessa empreitada. com a diversidade (seja do ponto de vista de valores. a pluralidade. naturalmente. como de costumes. Em 1971. refletir. única instituição social capaz de educar moralmente as novas gerações. tal diagnóstico não justifica uma deserção. serem livres e autônomos para pensarem e julgarem. poderão permanecer desconfiados ao lembrar a malfadada tentativa de se implantar aulas de Moral e Cívica no currículo. pelos livros didáticos. embora a família. regras definitivamente consagradas. pela organização institucional. Acrescente-se ainda que. pelos comportamentos dos próprios alunos. a Lei de Diretrizes e Bases do Ensino Nacional colocava entre suas normas a "formação moral e cívica do aluno". sem ele. e faz o que bem entender). justamente. nunca será capaz de dar uma formação moral aceitável e. apesar de simpáticos à idéia de uma educação moral. seu poder é limitado. ao invés de cada professor tomar isoladamente suas decisões. ou. Outros ainda. consciência patriótica e consciência humanista" do aluno. Ética trata de princípios e não de mandamentos. crenças religiosas. o fato de. deve valer a liberdade. como ser justo? Ou como agir de forma a garantir o bem de todos? Não há resposta predefinida. Isso significa que essas questões devem ser objeto de reflexão da escola como um todo. mas havia essa preocupação quando se tratou das finalidades do ensino. construir. destrói-se a democracia. E a escola deve educar seus alunos para que possam tomar parte nessa construção. a resposta foi. portanto. Quando tal elenco foi criado (em 1909). a resposta dada por estes Parâmetros Curriculares Nacionais é afirmativa: cabe à escola empenhar-se na formação moral de seus alunos. Em 1826. o conjunto garante. a educação moral não apareceu como conteúdo. a escola participa da formação moral de seus alunos. Daí a proposta de que se inclua o tema Ética nas preocupações oficiais da educação. É preciso. para além do que se chama de conjunto central de valores. Em 1961. Porém. Então. historicamente. Portanto. cívicos e econômicos". a tolerância. Mesmo reconhecendo tratar-se de uma questão polêmica. portanto. que educa moralmente seus membros. pois não havia ainda um currículo nacional com elenco de matérias.

. que as formas de desejabilidade. por parte do indivíduo.1. vale dizer. ou seja. pensam que a felicidade deve acontecer durante a vida terrena. do contrário. em geral. Tais pessoas legitimam determinadas regras de conduta. de um imperativo: deve-se fazer tal coisa. portanto. porque. Afetividade Toda regra moral legitimada aparece sob a forma de uma obrigação. e. seja porque ninguém tomará conhecimento de sua conduta. portanto. Poderá. No entanto. é preciso que os conteúdos desses imperativos toquem. sem controle externo. há um desejo que parece valer para todos e estar presente nos diversos projetos de felicidade: o auto-respeito. ignorados do próprio sujeito. alguém que não rouba por medo de ser preso não legitima a norma "não roubar": apenas a segue por medo do castigo e. Como essa obrigatoriedade pode se instalar na consciência? Ora. E há outras teorias mais. são variadas. o verdadeiro bem-estar nunca será usufruído na terra. por conseguinte. as condições de bem-estar e os projetos de felicidade são variados. não a seguirá. diz-se que uma pessoa legitima a regra em questão ao segui-la independentemente de ser surpreendida. as regras morais devem apontar para uma possibilidade de realização de uma "vida boa". após a morte física do corpo. E. Em resumo. como despertar o sentimento de desejabilidade para determinadas regras e valores. decorrentemente. seja porque não haverá algum poder que possa puni-lo. em alguma medida. Para uns. neste caso. que apareçam como desejáveis. Aqui na terra. justamente. Para outros ainda. pelo contrário. como dizendo respeito a seu bem-estar psicológico. pauta sua conduta por elas. Para saber como educar moralmente é preciso. Porém. é também tarefa da escola. devem ser praticadas. Em compensação. de valores e regras morais. para não dizer. Para outros. às vezes. 2. que dependem inclusive dos diferentes traços de personalidade. Outros. E assim por diante. mas sim alhures. derivadas de seus conteúdos. não legitimará as próprias regras. após a morte. Legitimação dos valores e regras morais Diz-se que uma pessoa possui um valor e legitima as normas decorrentes quando. num primeiro momento. pois seu bem-estar psicológico está em se preparar para uma "vida" melhor. saber o que a Ciência Psicológica tem a dizer sobre os processos de legitimação. serão ignoradas. Para alguns. Verifica-se. a própria moral desaparece). gerando deveres? Seria mentir por omissão não dizer que falta consenso entre os especialistas a respeito de como um indivíduo chega a legitimar determinadas regras e conduzir-se coerentemente com elas. esse indivíduo simplesmente não legitimará os valores subjacentes a elas e. a sensibilidade da pessoa. é necessário que o veja como traduzindo algo de bom para si. se comportará segundo seus próprios desejos. É tarefa de toda sociedade fazer com que esses valores vivam e se desenvolvam. ao que se poderia chamar de seu "projeto de felicidade". fica uma pergunta: sendo que os projetos de felicidade são variados. se estiver intimamente convicta de que essa regra representa um bem moral. Serão apresentadas a seguir algumas considerações norteadoras para o entendimento dos processos psicológicos presentes na legitimação de regras morais: a afetividade e a racionalidade. a equação deveria ser invertida: determinadas condutas são consideradas boas. e sendo também que as regras morais devem valer para todos (se cada um tiver a sua. mas será apenas por medo do castigo. não se deve fazer tal outra. e conseqüentemente não aceitam a idéia de que devam privar-se. constituídos durante a infância) seriam os determinantes da conduta moral.será seriamente prejudicado. Portanto. por exemplo. impossível. 2. processos inconscientes (portanto. Por exemplo. podem até aceitar viver distantes dos prazeres materiais. inspiradas por certas religiões. o juízo seria o carro-chefe da legitimação das regras. correspondem a um projeto de felicidade: ficar ao lado de Deus para a eternidade. comportar-se como se as legitimasse. de forma que não se traduza em mero individualismo? De fato. na certeza da impunidade. Mas o que leva alguém a pautar suas condutas segundo certas regras? Como alguns valores tornam-se traduções de um ideal de Bem. para que um indivíduo se incline a legitimar um determinado conjunto de regras. Na certeza de não ser castigado. trata-se de simples costume: o hábito de certas condutas validam-nas. Se vir nas regras aspectos contraditórios ou estranhos ao seu bem-estar psicológico pessoal e ao seu projeto de felicidade. como as de origem cristã.

mas no Ocidente todo) e tende a fazer com que as pessoas o procurem mesmo que o preço a ser pago seja o de passar por cima dos outros. serão legitimadas as regras morais que garantirem que cada um desenvolva o respeito próprio. pois pensaria: "Já estou danado mesmo. cada um procura se respeitar como pessoa que merece apreciação. De fato. Tal consciência traduz-se. entre outras coisas. É por essa razão que o auto-respeito. está presente nos projetos de bem-estar psicológico. E. assim como a frustração. mentir e trapacear para passar na frente dos outros). Pode-se afirmar o seguinte: a imagem e o respeito que uma pessoa tem de si mesma estão. o status social elevado. é sensato pensar que as regras que organizem a convivência social de forma justa. favoreçam alguns em detrimento de outros. e este está vinculado a ser respeitado pelos outros. são valores puramente individuais (em geral relacionados à glória). ou seja. sem privilégios que. mas não se. Ninguém se sente feliz se não merecer mínima admiração. São de extrema importância. pela manipulação de outras pessoas (por exemplo. ninguém é totalmente indiferente a esses juízos. etc. ver-se como valor positivo. Se as regras forem vistas como injustas. sua imagem na televisão. há uma dimensão moral nesses juízos: é o reconhecimento do valor de qualquer pessoa humana. o mínimo êxito na sua execução é essencial ao auto-respeito. Diz-se que se trata de uma minoria. Os projetos variam muito de pessoa para pessoa. Resultado prático: a pessoa perderá o respeito próprio se não for bem-sucedida nos seus planos pessoais. Na grande maioria das vezes. violentada. E. vão dos mais modestos empreendimentos até os mais ousados. etc. posso fazer o que eu quiser". O quarto e último aspecto refere-se à realização dos projetos de vida de forma puramente egoísta. A humilhação — forma não rara de relação humana — freqüentemente leva a vítima a não legitimar qualquer outra pessoa como juiz e a agir sem consideração pelas pessoas em geral. Ora. a crítica é necessária. imagens de si — no plural. aqueles que forem contraditórios com a busca e manutenção do auto-respeito. por uma imagem de si. Mas o fato é que a valorização desse tipo de sucesso é traço marcante da sociedade atual (não só no Brasil. . Quatro aspectos complementares são essenciais. Todavia. coroado com gordos benefícios financeiros. como parte integrante. de partida ou no meio do caminho. referenciados em parte nos juízos que os outros fazem dela. Cada pessoa tem consciência da própria existência. etc. roubar. cada um procura ter imagens boas de si. outras menos. Assim. que. para uma minoria.. o respeito próprio depende também do fato de ser respeitado pelos outros. mentir. tem consciência de si. acesso aos corredores do poder político. naturalmente. A vergonha decorrente. a beleza física. podem ser concretizados pela obtenção de privilégios (por exemplo. pois é mero sonho pensar que todos podem ter carro importado. e pela completa indiferença pelos outros membros da sociedade. Algumas podem ser extremamente dependentes dos juízos alheios para julgar a si próprias. desprezar o vizinho. Uma delas. O primeiro diz respeito ao êxito dos projetos de vida que cada pessoa determina para si. Raramente são meras constatações neutras do que se é ou não se é. seja qual for o projeto escolhido. Em uma palavra.A idéia básica é bastante simples. afirmou que um aluno assim castigado teria mais chances de reincidir no erro. podem levar à depressão ou à cólera. A valorização do sucesso profissional. O terceiro aspecto refere-se ao papel do juízo alheio na imagem que cada um tem de si. Em resumo. respeitosa e solidária têm grandes chances de serem seguidas. Vale dizer que é inevitável cada um pensar em si mesmo como um valor. a atenção da mídia. Raramente se está "de bem consigo mesmo" quando há fracassos repetidos. as imagens que cada um tem de si estão intimamente associadas a valores. O êxito na busca e construção do auto-respeito é fenômeno complexo. conhecer as pessoas certas que fornecem emprego ou acesso a instituições importantes). espoliada. perguntada a respeito dos efeitos da humilhação. por ser um bem essencial. tenderá a não legitimar aqueles que representarem um obstáculo. das formas mais desonestas e até mesmo violentas. As crianças conhecem esse mecanismo psicológico. as imagens são vistas como positivas ou negativas. naturalmente. Então. por exemplo. dificilmente serão legitimadas. uma vez que cada um tem várias facetas e não se resume a uma só dimensão. Portanto. etc. ou melhor. mínimo respeito aos próprios olhos. O segundo aspecto refere-se à esfera moral. evidentemente. Mas. pois alguém que nunca ouça a crítica alheia — positiva ou negativa — corre o risco de enganar-se sobre si mesmo. o êxito dos projetos de vida e o decorrente auto-respeito. a justiça permite que as oportunidades sejam iguais para todos. justamente. nos projetos de felicidade. Porém. Cada um tem inclinação a legitimar os valores e normas morais que permitam. que não pode ser humilhada.

a qualidade do ensino é condição necessária à formação moral de seus alunos. que o auto-respeito dependa. é também verdade que tal legitimação não existe sem a racionalidade. apropriar-se dos valores morais com a máximo de racionalidade é condição necessária. Assim. Dessa forma. o pensamento. se não sensibilizarem a inteligência. a pessoa que integrar o respeito pelas regras morais à sua identidade pessoal. É por essa razão que a moral pode ser discutida. além dos diversos êxitos na realização dos projetos de vida. Em resumo. o auto-respeito articula. De fato. há uma terceira razão para se valorizar a presença da racionalidade na esfera moral: ter a capacidade de dialogar. podem ser estabelecidas desde já duas decorrências centrais para a educação moral. A primeira: a moral pressupõe a responsabilidade. significa não dar uma informação a alguém que tenha o direito de obtê-la. portanto. teriam mudado de idéia e agido diferentemente. Na busca de maior clareza desta exposição.2. a verdade. mentir. intencionalmente.Ora. Cabe. de um lado. pensar. a reflexão. de outro. à imagem positiva de si. ou seja. e esta pressupõe a liberdade e o juízo. Ao lado do trabalho de ensino. é por falta dessa apreensão racional dos valores que alguns agem de forma impensada. decorrentemente. não somente os alunos perceberão que esses valores e as regras decorrentes são coerentes com seus projetos de felicidade como serão integrados às suas personalidades: se respeitarão pelo fato de respeitá-los. o convívio dentro da escola deve ser organizado de maneira que os conceitos de justiça. arrependem-se do que fizeram. Somente há responsabilidade por atos se houver a liberdade de realizá-los ou não. sem o juízo e a reflexão sobre valores e regras. com grande probabilidade agirá conforme tais regras. E. muitas vezes. por isso. a ação. a dimensão afetiva da legitimação dos valores e regras morais passa. Se tivessem refletido um pouco. Portanto. agir segundo critérios e regras morais implica fazer uma escolha. muita generalização e muita dedução. Com essa definição. por sua vez. debatida. Tomando-se o exemplo da mentira. então. Finalmente. Em resumo. Assim. no âmago de cada um. mas não revelá-la a quem tem direito de sabê-la. no sentido ético. São elas: • A escola deve ser um lugar onde cada aluno encontre a possibilidade de se instrumentalizar para a realização de seus projetos. A segunda: a racionalidade e o juízo também comparecem no processo de legitimação das regras. que argumentos podem ser empregados para justificar ou descartar certos valores. E isso por três razões. Se não promove um ensino de boa qualidade. Racionalidade Se é verdade que não há legitimação das regras morais sem um investimento afetivo. essencial à convivência democrática. Na realidade. A maioria limita-se a dizer que ela corresponde a não dizer. • 2. pois dificilmente tais valores ou regras serão legítimos se parecerem contraditórios entre si ou ilógicos. por identificá-los como coerentes com a realização de diversos projetos de vida e. adotar critérios. a escola condena seus alunos a sérias dificuldades futuras na vida e. a racionalidade é condição necessária à vida moral. pode-se concluir que mentir por omissão não significa trair a verdade. É preciso também sublinhar o fato de que pensar sobre a moralidade não é tarefa simples: são necessárias muita abstração. a busca da realização dos projetos de vida pessoais e o respeito pelas regras coerentes com tal realização. verifica-se que poucas pessoas pensaram de fato sobre o que é a mentira. para que as regras morais sejam efetivamente legitimadas é preciso que sejam partes integrantes do respeito próprio. viver em democracia significa . respeito e solidariedade sejam vivificados e compreendidos pelos alunos como aliados à perspectiva de uma "vida boa". pela absorção desses valores e regras como valor pessoal que se procura resguardar para permanecer respeitando a si próprio. a que vejam seus projetos de vida frustrados. do respeito pelos valores e regras morais. tanto à legitimação das regras e o emprego justo e ponderado delas como para a construção de novas regras. Após melhor juízo. E como escolher implica. o julgamento para. pelo menos.

se possível. Quanto ao respeito próprio. ele se traduz de formas diferentes nas diversas idades. de medo de perder seu amor. e demonstrar interesse por esses empreendimentos. Significa trocar argumentos. está associada à fonte de onde provêm. a criança legitima as regras porque provêm de pessoas com prestígio e força: os pais (ou quem desempenha esse papel). seja qual for sua realização. Não existe ainda um projeto de vida (ser ou fazer tal coisa quando crescer) que justificaria um paciente trabalho de preparação. esta também se desenvolve. Aqui também são estabelecidas duas conseqüências centrais para a educação: • • A escola deve ser um lugar onde os valores morais são pensados. se os pais são vistos como protetores e bons. Nessa fase. Projetos de vida começam a ser vislumbrados. Os interlocutores precisam expressar-se com clareza — o que pressupõe a clareza de suas próprias convicções — e serem capazes de entender os diferentes pontos de vista. poderão já estar claramente equacionados. Os objetivos são mais imediatos. Isso não significa que sempre se devam fazer avaliações positivas das condutas das crianças. vale dizer que sua afetividade será provavelmente muito marcada por essas experiências negativas. e não . ou de induzi-la a pensar que é perfeita. resolver conflitos através da palavra. do diálogo. traços que não necessariamente se traduzem em ações concretas. Vários autores já apontaram as desastrosas conseqüências dos sentimentos de humilhação e vergonha para o equilíbrio psicológico. Quatro características complementares da moral da criança são decorrência dessa heteronomia. de dar-lhe todas as possibilidades de ter êxito no que empreender. Essas capacidades são essencialmente racionais. não se trata em absoluto de. Começa por volta dos três ou quatro anos e vai até oito anos em média. desde a infância e durante a vida toda. Pode-se dizer da criança que ela "é o que faz". Pelo contrário. da comunicação. pode-se dizer que. Como representam a base da moral. sem valor. Vale dizer que a criança não procura o valor intrínseco das regras: basta-lhe saber que quem as dita é uma pessoa "poderosa". se. 3. seus ditames são aceitos incondicionalmente. A primeira é julgar um ato não pela intencionalidade que o presidiu. Por um lado. por constantes humilhações. o respeito próprio começa a ser baseado não apenas em sucessos momentâneos. para que o diálogo seja profícuo. critério superior às razões de por que os copos foram quebrados. Ora. Portanto. mas pelas suas conseqüências. chegará facilmente à conclusão que tais elogios são falsos. e. por volta dos quinze anos (correspondente ao fim do ensino fundamental). entre oito e onze ou doze anos de idade. a todo momento. Desenvolvimento moral e socialização Tanto a afetividade como a racionalidade desenvolvem-se a partir das interações sociais. Uma criança que passa por violências. a criança julgará mais culpado alguém que tenha quebrado dez copos sem querer do que outra pessoa que quebrou um só num ato proposital. isto sim. a imagem que ela tem de si mesma está intimamente relacionada com suas ações. A segunda característica é a de a criança interpretar as regras ao pé da letra. Embora o respeito próprio represente uma necessidade psicológica constante. estará inclinada a se desvalorizar. Se a criança perceber que. É neste sentido que se fala de moral heterônoma: a validade das regras é exterior a elas. é. ela recebe elogios. são vistos como poderosos. A crítica de suas ações é necessária. refletidos. Trata-se. Os juízos e condutas morais também se desenvolvem com a idade. ajudando-a a realizá-los. e não meramente impostos ou frutos do hábito. seres imensamente mais fortes e sábios que ela. O tamanho do dano material. a criança. dependem do pleno exercício da inteligência. já que estão assentados na afetividade e na racionalidade. para ela.explicitar e. no caso. para que possa gerar resultados. o respeito próprio torna-se mais abstrato: começa a basear-se nos traços de sua personalidade. mas sim em perspectivas referentes ao que é ser um homem ou uma mulher de valor. respeita seus mandamentos. dar sinais de admiração à criança. ou seja. por outro. a racionalidade é condição necessária. A partir dos onze ou doze anos. seu êxito deve ser rapidamente verificado. a ter muito pouca confiança em si mesma. E pior ainda: acabará justamente por atribuir pouco valor a si mesma por pensar que os elogios representam uma forma de consolá-la por seus fracassos reais. sua necessidade está presente em crianças ainda bem pequenas. negociar. ele se traduz por pequenas realizações concretas. A primeira etapa do desenvolvimento moral da criança é chamada de heteronomia. Portanto. Por exemplo. Em linhas gerais. A escola deve ser o lugar onde os alunos desenvolvam a arte do diálogo. Sua autoconfiança depende do êxito de suas ações.

a socialização também tem íntima relação com o desenvolvimento moral. deverá poder experienciar o convívio organizado em função desse valor. de falar o que pensa e de submeter suas idéias e propostas ao juízo de outros. Se o objetivo é formar um indivíduo democrático. às vezes. uma criança sempre humilhada. defenda o valor absoluto das regras morais. a criança se concebe como tendo legitimidade para construir novas regras. sendo que o desenvolvimento moral depende da afetividade. Se o objetivo é formar alguém que procure resolver conflitos pelo diálogo. como o grupo de amigos e conhecidos). mas pensando que as está seguindo. sabe-se que o desenvolvimento depende essencialmente de experiências de vida que o favoreçam e estimulem. e sendo que a qualidade das relações sociais tem forte influência sobre estas. sempre condenará qualquer traição à verdade. A criança as aceita porque provêm dos pais "todo-poderosos". interdição e castigo. o mesmo fenômeno acontece. e da racionalidade. Esse fato provém do não entendimento da verdadeira razão de ser das regras. de discutir. será justamente o que procurará fazer na próxima fase de seu desenvolvimento moral. Em . deve-se acolhê-lo num ambiente em que se sinta valorizado e respeitado. é necessário proporcionar-lhe oportunidades de praticar a democracia. mais amplo que sua comunidade. É então nessa época que poderá refletir sobre os princípios que organizam um sistema moral humano (portanto. têm influência decisiva no processo de legitimação das regras. Ora. e colocá-las à apreciação de seus pares. nunca ousando pensar por si mesma. sem saber. ser ele mesmo respeitado no que tem de peculiar em relação aos outros. e não procura descobrir-lhes a razão de ser. que inspirava as condutas na fase heterônoma. freqüentemente comportase de forma diferente e até contraditória a elas. Em relação ao auto-respeito: uma criança a quem nunca se dê a possibilidade de se afirmar. Ora. o raio de ação dessa autonomia ainda está limitado ao grupo de amigos e pessoas mais próximas. de argumentar. deve-se proporcionar um ambiente social em que tal possibilidade exista. praticá-lo. No que se refere a moralidade. mas sem exigir a recíproca — torna-se mútuo: respeitar e ser respeitado. age de forma estranha a elas. pensou-se que educação moral deveria ocorrer pela associação entre discursos normatizadores. Em uma palavra.no seu espírito. de ter êxito nos seus menores empreendimentos. dificilmente desenvolverá alguma forma de respeito próprio. ao alcançar a possibilidade de exercer a autonomia moral. A conquista da autonomia não é imediata. modelos edificantes a serem copiados. no espírito dessa regra. Assim. quando ouvida a respeito. Se o objetivo é formar um indivíduo que se solidarize com os outros. Finalmente. é substituído pelo medo de perder a estima dos outros. O medo da punição e da perda do amor. sem levar em conta que. Os contextos sociais e afetivos em que está inserido pode contribuir ou mesmo impedir a autonomia moral. se o objetivo é formar um indivíduo respeitoso das diferenças entre pessoas. esse respeito. e não o ato verbal em si. e perder o respeito próprio. começar a compreender as regras pelo seu espírito (não mais ao pé da letra) e legitimá-las não mais porque provêm de seres prestigiados e poderosos. Hoje. mais tarde a criança passa a perceber-se como membro de uma sociedade mais ampla. Durante muito tempo. Assim é importante refletir sobre o que faz uma criança passar de um estado de heteronomia moral. O respeito que antes era unilateral — no sentido de respeitar as "autoridades". notadamente do respeito próprio. não bastam belos discursos sobre esse valor: é necessário que possa experienciar. Sendo que as relações sociais efetivamente vividas. Por exemplo. se uma regra afirma que não se deve mentir. na racionalidade: uma criança a quem nunca se dá a possibilidade de pensar. Nesta etapa — a partir de oito anos em média — a criança inicia um processo no qual pode cada vez mais julgar os atos levando em conta essencialmente a intencionalidade que os motivou. perder o respeito dos outros. repressão. Durante um tempo. com suas leis e instituições. moralmente falando. mas porque se convence racionalmente de sua validade. de fato. sempre refém das "autoridades" que tudo sabem por ela. Se o objetivo é que o respeito próprio seja conquistado pelo aluno. A terceira característica refere-se às condutas morais: embora a criança. No entanto. é preciso que fique claro que um sujeito. característico da infância. para um estado de autonomia moral. onde possa. é o respeito pelo bem-estar da outra pessoa que está em jogo. experienciadas. todas as características desta primeira fase do desenvolvimento moral decorrem da não apropriação racional dos valores e das regras. acaba freqüentemente por ter seu desenvolvimento intelectual embotado. a da autonomia. A quarta e última característica é o fato de a criança não conceber a si própria como pessoa legítima para criar e propor novas regras (caberia a ela apenas conhecer e obedecer aquelas que já existem). no seu cotidiano. não necessariamente torna-se autônomo em todas as situações da vida.

mas as várias opções de pensamento ético. Não se procura. não quer de forma alguma facilitar as formas de pagamento. sendo que ele não tem dinheiro para comprá-lo e que o farmacêutico. Ora.relação ao desenvolvimento da racionalidade. deve-se acolhê-lo num ambiente em que tal faculdade seja estimulada. possa conviver de forma harmoniosa com seus semelhantes. Deve sê-lo. a proposta de Educação Moral e Cívica seguiu esse modelo. se for o caso. no segundo. para que os alunos os conheçam e reflitam sobre eles. Enquanto as propostas anteriores de certa forma esperam que os alunos cheguem a legitimar valores não claramente colocados pelos educadores. Trata-se. A escola pode ser esse lugar. a tendência moralista evidencia tais valores e os impõe. No Brasil. Enquanto na primeira os alunos são convidados a pensar sobre os escritos de grandes autores dedicados ao tema. A diferença está no conteúdo. é justamente esse raciocínio que a tendência metodológica quer trabalhar e desenvolver. portanto. A opção final é a mesma (não roubar) mas o raciocínio é totalmente diferente. Experiências educacionais • Tendência filosófica Essa tendência tem por finalidade os vários sistemas éticos produzidos pela Filosofia (as idéias dos antigos filósofos gregos. Ética e currículo Para situar a presente proposta curricular. dito da Ilustração). E. A ênfase do trabalho é dada na demonstração do porquê uma ou outra opção é boa. apreciam-se questões concretas acontecidas na vida dos alunos e procura-se pensar sobre as reações afetivas de cada um nas situações relatadas. é preciso começar por comentar algumas experiências — aqui classificadas por tendências — de formação moral que já foram tentadas. • Tendência moralista A grande diferença entre esta tendência e as anteriores é que ela tem um objetivo claramente normatizador: ensinar valores e levar os alunos a atitudes consideradas corretas de antemão. de uma espécie de doutrinação. 4. outro poderá argumentar que as leis devem sempre ser seguidas. e também a não apresentação de um elenco de valores a serem "aprendidos" pelos alunos. como na proposta cognitivista. e não na opção em si. trata-se de medo da punição. portanto. que escolham o seu. No primeiro caso. além de cobrar um preço muito alto. Ao invés de se discutirem dilemas abstratos. por exemplo. • Tendência escola democrática . • Tendência afetivista Trata-se de procurar fazer os alunos encontrarem seu equilíbrio pessoal e suas possibilidades de crescimento intelectual através de técnicas psicológicas. apresentar o que é o Bem e o que é o Mal. independentemente de haver ou não sanções. de bem consigo mesmo. 4.1. ou aquelas do século XVIII. no Brasil e no exterior. • Tendência cognitivista A similaridade entre esta tendência e a anterior é a importância dada ao raciocínio e à reflexão sobre questões morais. já comentado anteriormente: pede-se aos alunos que discutam sobre a correção moral do ato de um marido que rouba um remédio para salvar a mulher (que sofre de câncer). Procura-se fazer com que cada um tome consciência de suas orientações afetivas concretas. na esperança de que. na segunda apresentam-se dilemas morais a serem discutidos em grupo. Um exemplo. de um espírito "legalista". Mas alguém poderá dizer que não se deve roubar porque senão se vai para a cadeia. Verifica-se que tal dilema opõem dois valores: o respeito à lei ou à propriedade privada (não roubar) e à vida (a mulher à beira da morte).

A reflexão e a experiência são essenciais. escondê-los. De fato. das discussões e das tomadas de decisão a respeito de problemas concretamente ocorridos na instituição. aliás. repetem e esquecem. A autonomia dos alunos e suas possibilidades de pensar ficam descartadas. aliás. desencorajou a educação moral nas escolas. Seu defeito é justamente limitarem-se ao objeto eleito. Assim como a virtude da tendência afetivista é não menosprezar o lugar da afetividade na legitimação das regras morais. Daí a presente proposta inspirada na idéia de transversalidade que. O educador não deve "fazer de conta" que não tem valores. fato que. cada um podendo participar da elaboração das regras. A democracia é. para isso. levam à autonomia. Para que servem belos discursos sobre o Bem. Daí a importância de se promoverem experiências de cooperação no seu seio. respeitar as diversas individualidades. corre-se o risco de chegar a uma moral relativista: cada um é um e tem seus próprios valores. Porém. tal tendência apresenta três problemas. se as relações internas à escola são desrespeitosas? De que adianta raciocinar sobre a paz. se as relações vividas são violentas? E assim por diante. portanto. Devem ficar claros. é de nível pedagógico: o método não surte efeito. Porém. Trata-se de democratizar as relações entre os membros da escola. Terceiro problema: pode levar a invasões da intimidade. A tendência afetivista faz isso. e acerta ao levar em conta os sentimentos dos alunos (as regras devem ser desejáveis para serem legitimadas. transparentes. é evidente. pede formação específica que não é a do educador em geral. cada individualidade deve conviver com outras. A tendência moralista tem a vantagem de ser explícita: os alunos ficam sabendo muito bem quais valores os educadores querem que sejam legitimados. o cuidado com a qualidade das relações interpessoais na escola é fundamental. Nem sempre excelentes argumentos racionais fazem vibrar a corda da sensibilidade afetiva. pois a moralidade tende a ser apresentada como conjunto de regras acabadas. Todavia. ao priorizar o trabalho com a afetividade. não os convencem e acabam por desenvolver uma espécie de ojeriza pelos valores morais. ou seja. assim como. Um de nível ético: o espírito doutrinador dessa forma de se trabalhar. por mais belos que sejam. não pressupõe espaço de aula reservado aos temas morais. Um deles é. dois graves problemas aparecem. O segundo problema diz respeito ao trabalho de sensibilização em si: é essencialmente trabalho — delicado — de psicólogo. não é necessário montar um palanque para belos discursos. além de resgatar a importância das experiências efetivamente . baseadas e reforçadoras do respeito mútuo. e isso leva ao campo afetivo). portanto. em contrapartida. condição necessária ao convívio democrático. nem por isso as virtudes das outras tendências devem ser descartadas. a virtude das tendências filosofistas e cognitivistas é sublinhar o papel decisivo da racionalidade. por bastante tempo. Mas. mas.Uma última tendência a ser destacada é a da escola democrática que. Esse individualismo é incompatível com a vida em sociedade. Deve-se. experienciadas são os melhores e mais poderosos "mestres" em questão de moralidade. O único aspecto desse método a ser resguardado é a explicitação dos valores. não sensibilizam os alunos. de diálogo. Sabem o que se espera deles. Mas não é suficiente para tornar desejáveis as regras aprendidas e pensadas. Então. explica as referências negativas que se fazem às antigas aulas de Moral e Cívica. à capacidade de pensar. Conhecer a filosofia é edificante. O que acaba acontecendo freqüentemente com os métodos moralistas é que afastam os alunos dos valores a serem aprendidos. sem a coerção de alguma "autoridade" inquestionável. Outro grave problema. pois ouvir discursos. não basta para se convencer de que são válidos. contrariamente às anteriores. Essas críticas apontam para métodos que procuram sensibilizar de alguma forma os alunos para as questões morais. sem as devidas garantias de sigilo. Em uma palavra. As aulas tornam-se maçantes. A virtude da escola democrática está em focalizar a qualidade das relações entre os agentes da instituição escola. não dá resultado em disciplina alguma: os alunos ouvem. Relações de cooperação são relações entre iguais. devem haver regras comuns. raciocinar sobre dilemas é atividade inteligente. os alunos sendo levados a falar de si em público. E mais ainda: relações de cooperação. um modo de convivência humana e os alunos devem encontrar na escola a possibilidade de vivenciá-la. e que. O verbalismo desse tipo de método não dá resultado. conseqüência desse autoritarismo. São necessárias algumas reflexões sobre essas tendências. as relações sociais efetivamente vividas. trata-se de um método autoritário. Pesquisas psicológicas levam a essa conclusão.

uma vez que o parceiro pode ser contaminado. Em resumo. comparar a chamada "norma culta" às outras formas de falar não é apenas comparar duas formas de se comunicar seguindo o critério do "certo" e do "errado". pois poluir rios causa problemas de doenças em quem depende de suas águas. temas como a preservação da natureza dizem respeito diretamente à vida humana. equivalerão a uma bela experiência de como se convive democraticamente. pode-se abordar a questão do respeito pelo outro: preservarse dessas doenças não se justifica apenas pelo zelo pela própria saúde e sobrevivência. Se forem democráticas. estudar também é exercício da cidadania: é através dos diversos saberes que se participa do mundo do trabalho. ao se abordar a sexualidade — tema que suscita discussões éticas. como a AIDS. prestar um desserviço à formação moral do aluno: induzi-lo a pensar que ética é uma "especialidade". equivalerão a uma bela experiência de respeito mútuo. Além do mais. uma vez que se refere a relações entre pessoas — e as doenças sexualmente transmissíveis. Como já apontado. sabe-se que um conhecimento totalmente neutro não existe. Do contrário. entre as comunidades. Pelo contrário. 4. Portanto. Por exemplo. não há razão para que sejam tratadas em paralelo. E mais ainda: o passado histórico é de extrema importância para se compreender o presente. deve-se considerar que a linguagem é o veículo da cultura do país onde é falada. sobretudo. Como devo agir com meu aluno. desrespeitar a natureza significa desrespeitar as pessoas que dela dependem. Transversalidade A proposta parte de observações e princípios relativamente simples de serem explicitados. no sentido de os alunos poderem participar de decisões a serem tomadas pela escola. Afinal.vividas no ambiente escolar. os diversos conhecimentos científicos. de como se dialoga com aquele que tem idéias diferentes das nossas. É fácil verificar esse fato em História: as guerras. da vida cotidiana. O ato de estudar também envolve questões valorativas. com meu professor. a apreensão racional da moral e a base afetiva de sua legitimação. quando. Por exemplo. articulando-se o bem-estar próprio com o bem-estar de todos. mas também pelo respeito pela vida alheia. etc. na verdade. Em relação a Língua Portuguesa. também leva em conta a necessidade de deixar claro alguns valores centrais (ver blocos de conteúdos). que carrega os valores. • Questões éticas encontram-se a todo momento em todas as disciplinas. para que se estuda? Apenas na perspectiva de se garantir certo nível material de vida? Tal objetivo realmente existe. passar ao lado de tais questões seria. justamente. O mesmo raciocínio pode ser feito em relação às Ciências Naturais e aos Temas Transversais.. com meu colega? Eis questões básicas do cotidiano escolar. verifica-se que questões relacionadas a Ética permeiam todo o currículo. Em relação ao Meio Ambiente. portanto. É portanto necessário pensar sobre sua produção e divulgação. as colonizações. pensar sobre as diversas formas de o homem se apoderar da cultura. das variadas instituições. dizem diretamente respeito às relações entre os homens. de como se toma responsabilidade. em horário específico de aula. Para que e a quem servem o saber. porém. Vale dizer que questões relativas a valores humanos permeiam todos os conteúdos curriculares. As relações sociais internas à escola são pautadas em valores morais. ela diz respeito a todas as atividades humanas. se as relações forem respeitosas. as atuais formas de relacionamento entre os homens.2. entre os países. A prática dessas relações formam moralmente os alunos. as revoluções industriais e econômicas. • . corre-se o risco de transmitir aos alunos a idéia de que as relações sociais em geral são e devem ser violentas e autoritárias. É. suas possibilidades objetivas de fazê-lo. as várias tecnologias? É necessário refletir sobre essa pergunta. os valores contemporâneos. • A própria função da escola — transmissão do saber — levanta questões éticas. Ou seja. as diversas formas de poder político.

compreender a vida escolar como participação no espaço público.• As relações da escola com a comunidade também levantam questões éticas. e sensibilizar-se pela necessidade da construção de uma sociedade justa. Ao ancorar a educação moral na vivência social. como também o são relativamente a categorias ou grupos de . essa realização. o tema Ética diz respeito a praticamente todos os outros temas tratados pela escola. o respeito próprio traduzido pela confiança em sua capacidade de escolher e realizar seu projeto de vida e pela legitimação das normas morais que garantam. atitudes de solidariedade. cooperação e repúdio às injustiças e discriminações. deve ser enfocada em cada uma dessas experiências que ocorrem tanto durante o convívio na escola como no embate com as diversas matérias. adotar atitudes de respeito pelas diferenças entre as pessoas. aqueles que se falam e aqueles que. devem ser contemplados para que essa formação tenha êxito (o chamado "conjunto central" de valores). no dia-a-dia. utilizando e aplicando os conhecimentos adquiridos na construção de uma sociedade democrática e solidária. Infelizmente. que partia do pressuposto que a formação moral corresponde a uma "especialidade" e que deveria ser isolada no currículo através de aulas específicas. 5. Cada sociedade. Em suma. pois envolve as famílias. Como participar da vida da comunidade? Como articular conhecimentos com as necessidades de um bairro ou de uma região? Eis questões que envolvem decisões pautadas em valores que devem ser explicitados e refletidos. Ela ocupa lugar importante nas diversas comunidades. a todos. assumir posições segundo seu próprio juízo de valor. a escola não é uma ilha isolada do mundo. reatam-se os laços entre falar e agir. Objetivos gerais O trabalho a ser realizado em torno do tema Ética durante o ensino fundamental deve organizar-se de forma a possibilitar que os alunos sejam capazes de: • • • • compreender o conceito de justiça baseado na eqüidade. Conteúdos Uma vez que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental destinam-se a todos os brasileiros e objetivam alcançar e fortalecer a meta maior que é a formação do cidadão. entre as quais destacam-se três. foram escolhidos temas morais que. Não somente são diferentes em função de suas personalidades singulares. A proposta de transversalidade aparece como justificada por várias razões. tal duplo sistema existe em nossa sociedade. considerando diferentes pontos de vista e aspectos de cada situação. portanto. da cidade ou do bairro. Algumas das atividades de professores e alunos estão relacionadas com questões e problemas do lugar onde está a escola. construir uma imagem positiva de si. A primeira: não refazer o erro da má experiência de Moral e Cívica. cada país é composto de pessoas diferentes entre si. necessariamente. • • • 6. adotar. A segunda: a problemática moral está presente em todas as experiências humanas e. um dos fundamentos da Constituição brasileira. A terceira: ajuda o aluno a não dividir a moral num duplo sistema de valores. de fato. Associar a educação moral a discursos sobre o Bem e Mal nada mais faz do que reforçar o divórcio entre discurso e prática. De fato. Cada lugar tem especificidades que devem ser respeitadas e contempladas. respeito esse necessário ao convívio numa sociedade democrática e pluralista. inspiram as ações. Os conteúdos apresentados aqui estão referenciados no princípio da dignidade do ser humano. valorizar e empregar o diálogo como forma de esclarecer conflitos e tomar decisões coletivas. E mais ainda: diz respeito às relações humanas presentes ao interior da escola e àquelas dos membros da escola com a comunidade.

Outra tradução dos preconceitos é a intolerância: simplesmente não se aceita a diferença e tenta-se. pobres. Finalmente. Toda pessoa tem. profissões. seu grau de instrução. etc. etnia. diversas culturas de origem. porque são negras. Essa expressão traduz uma exigência de respeito unilateral: "Eu sou mais que você. São eles: • • • • Respeito mútuo Justiça Diálogo Solidariedade Cada um dos blocos de conteúdo está intimamente relacionado com os demais. A mais freqüente é a não universalização dos valores morais. através de uma expressão popularmente freqüente: "Sabe com quem está falando?". e o conceito de cidadania perde seu sentido. Respeito mútuo O tema respeito é central na moralidade. sem que a recíproca seja verdadeira ou necessária. mas enganar os "estranhos". pelo fato de ser um ser humano. pluralista por definição. opção política e ideológica. uma sociedade democrática. Mais ainda: mentir para membros de seu grupo pode ser considerado desonroso.1. o que resulta em conflitos e violência. mas o mesmo respeito não é visto como necessário para com as pessoas de outros grupos. não importa seu sexo. censurá-la. de alguma forma. pelo contrário. É a frase que muitas "autoridades" gostam de empregar quando se sentem. por não ser do mesmo grupo. atitudes e valores complementares. Sem opção moral. Dois outros critérios nortearam a escolha dos conteúdos: a possibilidade de serem trabalhados na escola e sua relevância tanto para o ensino das diversas áreas e temas quanto para o convívio escolar. a oportunidades de realizar seus projetos. portanto. Nesses exemplos. religiões. pode ser visto como um ato merecedor de admiração. assim como toda a proposta de Ética. silenciá-la. também pode vir da admiração. O preconceito é contrário a um valor fundamental: o da dignidade humana. alguns acham que determinadas pessoas não merecem consideração. classe social. etc. o respeito é compreendido de forma unilateral: consideração. É o caso quando se fala que alguma pessoa obedece incondicionalmente a outra. respeite-me". opiniões. porque são nordestinas. alguém pode considerar que deve respeitar as pessoas que pertencem a seu grupo. Por exemplo. seja porque são mulheres. em princípio.. não porque mereça algum reconhecimento de ordem moral. os quais correspondem a grandes eixos que estabelecem as bases de diversos conceitos. referem-se a todo o ensino fundamental. ser honesto com elas. pois remete a várias dimensões de relações entre os homens. Pode-se associar respeito à idéia de submissão. etc. sua raça. Os blocos de conteúdos. todas "respeitosas". assim como com o princípio de dignidade do ser humano. Os conteúdos de cada bloco serão detalhados para os dois primeiros ciclos e já se encontram expressos nas áreas. 6. Por impregnarem toda a prática cotidiana da escola. Essa diversidade freqüentemente é alvo de preconceitos e discriminações. é preciso pensar na indiferença: o outro. é ignorado e não merecedor da mínima solidariedade. É portanto imperativo que a escola contribua para que a dignidade do ser humano seja um valor conhecido e reconhecido pelos seus alunos. não violentá-las. mas simplesmente porque detém o poder. . gaúchas. Segundo esse valor. Do ponto de vista da Ética. É grande a diversidade das pessoas que compõem a população brasileira: diversas etnias. sua religião. Assim. direito ao respeito de seus semelhantes. doentes. é totalmente impossível de ser construída. não enganá-las.pessoas: elas podem ser classificadas por sexo. E também é complexo. sua cultura. toda e qualquer pessoa. é digna e merecedora de respeito. mas em sentidos muito diferentes. sua idade. por exemplo). sua classe social. Foram organizados blocos de conteúdos. veneração de um pelo outro. etc. obediência. da veneração (porque é mais velho ou sábio. etc. desacatadas no exercício de seu poder. Porém.: nenhum desses critérios aumentam ou diminuem a dignidade de uma pessoa. de toda forma. o preconceito pode traduzir-se de várias formas. Portanto. cariocas. a uma vida digna (no sentido de boas condições de vida). transversalizados. Tal submissão pode vir do medo: respeita-se o mais forte. Um intelectual observou bem a presença desse respeito unilateral na sociedade brasileira. os conteúdos de Ética priorizam o convívio escolar. ou da importância atribuída a quem se obedece ou escuta (diz-se "respeito muito as opiniões de fulano").

Embora política não se confunda com ética. Uma delas é o dever do respeito pela diferença e a exigência de ser respeitado na sua singularidade. Como tais espaços pertencem a todos. cujo zelo é dever de todos. O respeito mútuo expressa-se de várias formas complementares. o respeito mútuo como condição necessária para o convívio social democrático: respeito ao outro e exigência de igual respeito para si. de acordo com os objetivos propostos: • • • • • • • • • • • • • • as diferenças entre as pessoas. religião. Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância. preservá-los. o respeito às manifestações culturais. étnicas e religiosas. sexo. é claro que tanto a dignidade do ser humano quanto o ideal democrático de convívio social pressupõem o respeito mútuo. como ruas e praças. a compreensão de lugar público como patrimônio de todos. mas sim a negação de sua associação com submissão. Trata-se de respeito mútuo. cultura. porque também é direito de cada um poder desfrutá-los. valores. as formas legais de lutar contra o preconceito. Tal pergunta traduz a destituição de um lugar imaginariamente superior que o interlocutor pensa ocupar. articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado. A criança pequena (de até sete ou oito anos em média) concebe o respeito como unilateral. E o predicado mútuo faz toda a diferença. o respeito ao direito seu e dos outros ao dissenso. opiniões ou religiões. as diversas leis que regem o país devem ser avaliadas também em função de sua justeza ética: elas devem garantir o respeito mútuo. o repúdio a toda forma de humilhação ou violência na relação com o outro. mas não tenho o direito de exigir o mesmo" ou "Tenho o direito de ser respeitado. também deriva do respeito mútuo. o zelo pelo bom estado das dependências da escola. a identificação de situações em que é ferida a dignidade do ser humano. O respeito mútuo também deve valer na dimensão política. etnia.Porém. você também deve me respeitar. e não o respeito unilateral. essa assimetria tende a ser substituída pela relação de reciprocidade: respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro. não é a falta de respeito. portanto. o respeito a todo ser humano independentemente de sua origem social. . através de seus representantes eleitos. de reciprocidade: se devo respeitá-lo. Os seguintes conteúdos devem ser trabalhados para que o aluno evolua em sua formação. ou melhor. outra expressão popular também conhecida apresenta uma dimensão diferente do respeito: "Quem você pensa que é?". a coordenação das próprias ações com as dos outros. portanto. a primeira não deve ser contraditória com a segunda. estabelecem contratos de convivência que devem ser honrados por todos. Logo. o exercício da cidadania pressupõe íntima relação entre respeitar e ser respeitado. derivadas de sexo. etnia. O respeito pelos lugares públicos. mas não o dever de respeitar os outros". a aprendizagem e o desenvolvimento psicológico decorrente. a utilização das normas da escola como forma de lutar contra o preconceito. pois ao permanecer apenas um dos termos. Ora. cada um respeitando a palavra empenhada e exigindo a recíproca. não sujá-los ou depredá-los é dever de cada um. através do trabalho em grupo. Essa expressão é a afirmação de um ideal de igualdade. Deve valer quando se fazem contratos que serão honrados. Com a socialização. vistas por ela como poderosas. Tal reciprocidade também deve valer entre pessoas que pertençam a um mesmo grupo. opinião e cultura. volta-se ao respeito unilateral: "Devo respeitar. dirigido a pessoas prestigiadas. pois o regime político democrático pressupõe indivíduos livres que. o respeito à privacidade como direito de cada pessoa. o contrato como acordo firmado por ambas as partes.

Um juiz justo será aquele que se atém à lei. privilegiam alguns em detrimento de outros. por algum motivo. O tema da justiça encanta e inquieta todos aqueles que se preocupam com a pergunta "Como devo agir perante os outros?". e. ou seja. na grande maioria das vezes. existiu uma lei que proibia os analfabetos de votarem. desde cedo. Nascem com diferentes talentos. A própria lei pode ser. por exemplo. econômicas. julgar a distribuição de renda de um país segundo o mesmo critério. resolver ignorá-la. se perdurarem as tiranias (nas quais o desejo de alguns são leis e os privilégios são normas). se os direitos de cada um (baseados na eqüidade) não forem respeitados. pena proporcional ao crime). punir todo crime. da mesma forma. pensam assim. por exemplo. As duas dimensões da definição de justiça são importantes. seria considerado injusto dar igual recompensa ou sanção a todas as ações (por exemplo. para a vida política: julgar as leis segundo critérios de justiça. Não conhecem seus direitos. a dimensão ética é insubstituível. apresentam-se nos conteúdos itens referentes ao . ela poderia ser assim formulada: "Como ser justo com os outros?". não percebem que são alvo de injustiças. A dimensão legal da justiça deve ser contemplada pelos cidadãos. tal injustiça acontece). derivar de cálculo de proporcionalidade (por exemplo. uma lei pode ser justa ou não. Nesses casos. 6. Portanto. as pessoas não se encontram em posição de igualdade. no Brasil. destinar a crianças e adultos os mesmos trabalhos braçais pesados (infelizmente.• a valorização do patrimônio cultural e o zelo por sua conservação. avaliar se há igualdade de oportunidades oferecidas a todos. Numa escola. Se um regime democrático não conseguir aproximar a sociedade do ideal de justiça. Porém. etc. a todo momento devem se perguntar se suas decisões são justas ou não. o conceito de justiça vai muito além da dimensão legalista. deserdá-los será considerado injusto. A formação para o exercício da cidadania passa necessariamente pela elaboração do conceito de justiça e seu constante aprimoramento. Será considerado injusto se.2. por não conhecerem certas leis. teriam melhores condições de lutar para que fossem respeitados. O conceito de justiça pode remeter à obediência às leis. Muitos. o critério é o da eqüidade que restabelece a igualdade respeitando as diferenças: o símbolo da justiça é. muito discernimento e muita sensibilidade. se os analfabetos não têm o direito de participar da vida pública como qualquer cidadão. Em segundo lugar. Por exemplo. terá vida curta. A importância do valor justiça para a formação do cidadão é evidente. Uma sociedade democrática tem como principal objetivo ser justa. idéias fortes foram defendidas. De fato. Eis um bolo a ser dividido: cada um deve receber parte igual. o conceito de igualdade deve ser sofisticado pelo de eqüidade. com pena de prisão). que têm poder sobre os filhos e responsabilidade por eles. ela mesma. físicas. De fato. julgada com base em critérios éticos. ou se o fato de não saberem ler e escrever os torna desiguais em relação aos outros. a democracia. se os conhecessem. sem feri-la. precisamente. As pessoas também não são iguais no que diz respeito a seus feitos. a ética pode julgar as leis como justas ou injustas. Porém. se a lei prevê que os filhos são os herdeiros legais dos pais. se o poder político age segundo o objetivo da eqüidade. Belíssimas páginas foram escritas. se há impunidade para alguns. uma balança. Em primeiro lugar. Tarefa difícil que pede de todos. precisamente para avaliar de forma crítica certas leis. fazer justiça deve. A rigor. Portanto. em diferentes condições sociais. governantes e governados. se os direitos dos cidadãos são respeitados. pode se perguntar se essa lei era justa ou não. no Brasil. sobretudo quando se detém algum nível de poder que traz a responsabilidade de decisões que afetam a vida de outras pessoas. para perceber como. desde os filósofos gregos. Um pai ou uma mãe. da menor infração ao assassinato. A igualdade reza que todas as pessoas têm os mesmos direitos. E os critérios essenciais para se pensar eticamente sobre a justiça são igualdade e eqüidade. E as crianças. Não há razão para alguns serem "mais iguais que os outros". o professor também deve se fazer essa pergunta para julgar a atitude de seus alunos. Porém. Justiça O tema da justiça sempre atraiu todos aqueles que pensaram sobre a moralidade. Por exemplo. Por essa razão. "Como respeitar seus direitos? Quais são esses direitos? E os meus?". intimamente ligado à sua consciência. Seria injusto não levar em conta essas diferenças e. para o convívio social. em vários casos. etc. Cada um. inspirada nos ideais de igualdade e eqüidade.

a atitude de justiça para com todas as pessoas e respeito aos seus legítimos direitos. para a simpatia. verdades nas duas posições. Não muito tempo atrás. apreendendo através da escuta. até a conversa amena entre duas pessoas. para a reciprocidade. para alguns países (e ainda para muitos). o conhecimento dos próprios direitos de aluno e os respectivos deveres. políticas e outras) emitidas de diversas fontes. Ela pode ser fonte de riquezas e alegrias: o contato que o artista estabelece com seu público. a identificação de situações em que a injustiça se faz presente.3. o silencioso diálogo de olhares entre amantes. as diversas mensagens (artísticas. e fazer com que seja capaz de. Diálogo A comunicação entre os homens pode ser praticada em várias dimensões que vão desde a cultura como um todo. era habitual um homem defender sua honra matando o ofensor. necessário e até glorioso. por exemplo. Há. De fato. com suas respectivas autonomias. em vários lugares. Tendências agressivas existem. altura. da escrita. através da fala. através da justiça. certamente. a defesa da honra tende a se dar de forma indireta. matar). Mas não são as únicas. a discussão científica sobre algum tema relevante. Para outros. é ter uma visão demasiadamente romântica do homem pensar que sua inclinação natural o leva necessariamente a ter simpatia pelos outros homens e a solidarizar-se com eles. os comportamento violentos são essencialmente causados por fatores sociais que levariam inelutavelmente a condutas agressivas. deve-se abandonar a visão naturalista do homem (a natureza humana) e pensar sobre seus desejos e ações de forma contextualizada. de sistemas morais. da leitura. em função de sua idade. o debate caloroso sobre questões complexas. o tema da justiça os une na procura da igualdade e da eqüidade. por exemplo. Hoje. o reconhecimento de situações em que a igualdade represente justiça (como. do olhar. Por exemplo.exercício político da cidadania: embora ética e política sejam domínios diferentes. as regras de funcionamento da classe. Não foi o homem que se tornou menos agressivo. • • • • • • • • 6. A agressividade humana e seus comportamentos violentos decorrentes dependem em alto grau de fatores sociais. repúdio à injustiça. os insultos) quanto de forma física (surrar. tal tradução do ideal patriótico arrefeceu. tanto de forma individual quanto social (como no caso das guerras entre países ou civis). e tal mudança somente pode ser compreendida levando-se em conta os fatores psicológicos e sociais. bater. científicas. das séries iniciais. Tal fenômeno é até . Algumas pesquisas apontam para o fato de que há maior violência nos lugares onde a desigualdade entre as pessoas (medida em termos de qualidade de vida) é grande. a identificação de formas de ação frente a situações em que os direitos do aluno não estiverem sendo respeitados. o conhecimento da importância e da função da Constituição brasileira. para maior clareza da questão. mas é a sociedade que reserva lugares e valores diferentes à expressão dessa agressividade. Verificam-se também tendências inatas para a compaixão. a agressividade em relação ao outro é traço natural do homem. etc. o conhecimento e compreensão da necessidade das normas escolares que definem deveres e direitos dos agentes da instituição. a compreensão da necessidade de leis que definem direitos e deveres. o cumprimento de horários). Para alguns. O homem mudou. algumas regras diferenciadas para as crianças menores. que se traduzem tanto de forma verbal (por exemplo. emitir suas próprias mensagens. capacidades. Conteúdos a serem trabalhados: • o reconhecimento de situações em que a eqüidade represente justiça (como. As Ciências Humanas e a Filosofia sempre refletiram muito sobre os comportamentos agressivos do homem.). matar e morrer pela pátria era considerado normal. antigamente. Não há dúvida de que um dos objetivos fundamentais da educação é fazer com que o aluno consiga participar do universo da comunicação humana. e o estabelecimento de uma sociedade onde as pessoas convivam com um mínimo de harmonia e paz somente pode ser realizado através de formas de repressão dessa agressividade. Na verdade. de contextos culturais. Após duas terríveis guerras mundiais. da imagem.

o conflito entre pessoas é dimensão constitutiva da democracia. De fato. O enfoque a ser dado para o tema solidariedade é muito próximo da idéia de "generosidade": doar-se a alguém. opiniões e argumentos. Dialogar pede capacidade de ouvir o outro e de se fazer entender. A escola é um lugar privilegiado onde se pode ensinar esse valor e aprender a traduzi-lo em ações e atitudes. a violência não pode ser vista como qualidade pessoal.fácil de ser compreendido: a dignidade de uma pessoa será cruelmente ferida se vir que nada possui num lugar onde outros desfrutam do mais alto luxo. através de variadas formas de ajuda mútua. Portanto. a solidariedade nada tem de ético. E tal situação é freqüente no Brasil. Vale dizer. Porém. tornar realidade o convívio pacífico numa sociedade pluralista. Nesses casos. atuar contra injustiças ou injúrias que outros estejam sofrendo). Portanto. Sendo a democracia composta de cidadãos. e também saber dialogar. as formas de atuação solidária em situações cotidianas (em casa. É pelo menos o que se espera para que a democracia seja um regime político humanizado e não mera máquina burocrática.4. na vida política. diretamente relacionada com o exercício da cidadania é a da participação no espaço público. é condenável. a democracia dá espaço ao consenso e ao dissenso. Pelo contrário. Portanto. Não se é solidário apenas ajudando pessoas próximas ou engajando-se em campanhas de socorro de pessoas necessitadas (como depois de um terremoto ou enchente. A mesma coisa pode acontecer com os membros de uma corporação profissional: alguns podem encobrir o erro de um colega para evitar que a imagem da profissão seja comprometida. Solidariedade A palavra "solidariedade" pode ser enganosa. podem ser solidários entre si. na comunidade local) e em situações especiais (calamidades públicas. A rigor. Conteúdos a serem trabalhados: • • • • • • uso e valorização do diálogo como instrumento para esclarecer conflitos. 6. talvez nem se precisasse pensar em justiça: cada um daria o melhor de si para os outros. Essas formas são genuína tradução da solidariedade humana. A força da virtude da solidariedade dispensa que se demonstre sua relevância para as relações interpessoais. o que pode às vezes passar despercebido são as formas de ser solidário. cada um deles deve valorizar o diálogo como forma de esclarecer conflitos. Nela é garantida a expressão de diversas idéias. de idéias. sejam elas dominantes ou não (defendidas pela maioria). Conteúdos a serem trabalhados: • • • identificação de situações em que a solidariedade se faz necessária. ajuda-se os outros para salvar a si próprio. na escola. ajudar desinteressadamente. através do trabalho em grupo. É uma das razões pelas quais a democracia é um sistema complexo. . pois só ocorre em benefício próprio: se a quadrilha ou a corporação correr perigo. se todos fossem solidários nesse sentido. O diálogo é um dos principais instrumentos desse sistema. mas como questão social diretamente relacionada à justiça. ajudando-se e protegendo-se mutuamente. a coordenação das ações entre os alunos. por exemplo). os membros de uma quadrilha de estelionatários. o ato de escutar o outro. opiniões e argumentos alheios e rever pontos de vista quando necessário. a expressão clara e precisa. através do esforço de compreensão do sentido preciso da fala do outro. que vale sublinhar aqui. a resolução de problemas presentes na comunidade local. a formulação de perguntas que ajudem a referida compreensão. O exercício da cidadania não se traduz apenas pela defesa dos próprios interesses e direitos (embora tal defesa seja legítima). por exemplo). mas passa necessariamente pela solidariedade (por exemplo. a disposição para ouvir idéias. de forma a ser corretamente compreendido pelas outras pessoas. mas há outras. cada membro em particular será afetado. por exemplo. Uma delas. A democracia é um regime político e um modo de convívio social que visa tornar viável uma sociedade composta de membros diferentes entre si.

para problemas que necessitam de ajuda específica. corpo de bombeiros e polícia.• • • as providências corretas. dentre as possíveis soluções para os conflitos e disputas que vivencia. de modo a garantir a continuidade do trabalho. colocase "no lugar do outro" para compreender seus sentidos e razões e posicionar-se de maneira flexível. Buscar a justiça no enfrentamento das situações de conflito. a mais justa do ponto de vista ético. Espera-se também que possa tomar para si questões que se revertem em benefício de outros mais distantes. Critérios de avaliação Os critérios para avaliação aqui propostos destinam-se a explicitar o essencial a ser aprendido pelo aluno. Espera-se que o aluno seja capaz de expor seus pensamentos e opiniões de forma a ser entendido. argumentar em favor deles e acatar outros. Também deverão informar o aluno sobre seus avanços e suas dificuldades e orientar os investimentos que ele deverá fazer no seu processo de aprendizagem. compreendendo que as regras devem ser instrumentos tanto para organizar a vida coletiva quanto para assegurar critérios de justiça e democracia. num processo de construção coletiva. como critério de decisão — ainda que através da intervenção do professor. Espera-se que o aluno perceba situações cotidianas em que pode prestar ajuda — seja material. Espera-se que o aluno saiba quais são os limites da escola. diferentes formas de expressão e participação e diferentes processos de aprendizagem sendo o seu próprio um deles. o aluno seja capaz de propor. como postos de saúde. Atuar de forma colaborativa nas relações pessoais. Serão referência tanto para o professor quanto para o aluno. espera-se que. diferentes opiniões. avaliar e acatar regras para o convívio escolar da classe e da escola. solicitando o mesmo de seus companheiros de trabalho. como alguns procedimentos de primeiros socorros. quando isso for possível e desejável. a sensibilidade e a disposição para ajudar as outras pessoas. o conhecimento da possibilidade de uso dos serviços públicos existentes. num grupo. 7. tendo em vista o objetivo comum — ainda que com ajuda do professor. Da mesma forma. De forma alguma deverão ser entendidos como índices de qualificação moral do aluno. Participar de atividades em grupo com responsabilidade e colaboração. moral ou compartilhando esforços com outras pessoas. Deverão balizar o trabalho do professor na criação de situações de aprendizagem que busquem garantir aos alunos o desenvolvimento das capacidades necessárias à construção progressiva de conhecimentos para uma atuação pautada por princípios da ética democrática. . quem os determina e qual a sua finalidade. como por exemplo a proteção ambiental para as novas gerações ou a garantia de direitos às minorias. e formas de acesso a eles. Espera-se que o aluno seja capaz de acatar. Usar o diálogo como instrumento de comunicação na produção coletiva de idéias e na busca de solução de problemas. percebendo suas responsabilidades e limites em relação às diversas formas de contribuição possíveis e necessárias. Espera-se que o aluno seja capaz de perceber e respeitar o fato de existir. bem como sensibilizar-se por questões sociais que demandam solidariedade. Conhecer os limites colocados pela escola e participar da construção coletiva de regras que organizam a vida do grupo. Espera-se que ao aluno seja capaz de assumir responsabilidades na execução de tarefas planejadas coletivamente. Reconhecer diferentes formas de discriminação e injustiça. Espera-se também que possa colocar seus pontos de vista e sugestões. e com ajuda do professor. Perceber e respeitar diferentes pontos de vista nas situações de convívio. desejos e idéias.

para não tornar o texto demasiadamente pesado. que determinada cultura é a única válida. outros mestiços. portanto. Porém. deve ser feito um destaque para preconceitos e desrespeitos freqüentes entre alunos: aqueles que estigmatizam deficientes físicos ou simplesmente os gordos. 8. para cada bloco de conteúdo primeiro se focará o convívio escolar e. que atributos físicos determinam personalidades. é inevitável acontecer que. não está em jogo aceitar-se possíveis preconceitos. se não demonstrar a mesma firmeza em suas próprias atitudes cotidianas.. Orientações didáticas O presente item visa propor diretrizes gerais no que tange ao trabalho a ser realizado na escola. Porém. as demais áreas e temas transversais. Respeito mútuo • Convívio escolar A escola. Daí. Um ponto central deve ser lembrado. cada um na sua singularidade. Tal firmeza é importante para que os alunos percebam que a dignidade do ser humano não é mera opinião. para maior clareza. O sentimento de que as diversas origens sociais não se traduzem por discriminações de todo tipo tenderá a fazer com que os alunos também ajam de acordo com o valor da dignidade humana. o professor não deve admitir tais atitudes. 8. Para isso. captadas e refletidas pelo aluno. Aqui. evidentemente. traduzindo-o pela cooperação. etc. a necessidade de firmeza na intervenção do professor. e assim por diante.Espera-se que o aluno seja capaz de analisar. Todavia. A relação da escola com a comunidade é também fonte rica de convivência com pessoas de origens variadas. Nesses casos. alguns alunos se mostrem agressivos e desrespeitosos com colegas diferentes deles. em geral traduzidos por apelidos pejorativos. talvez. e isso. antes de mais nada. é importante considerar que a firmeza se transmite também e sobretudo pela coerência entre o discurso do professor e suas atitudes no convívio escolar. que assim sejam tratados pelos professores e demais funcionários da escola. demonstrar a total impossibilidade de se deduzir que alguma raça é melhor que outra. compreendam e valorizem o conceito de dignidade. apenas serão citados as áreas e os temas que mais diretamente têm relação com os conteúdos. detectando discriminações de vários tipos. mas princípio fundamental da ética e do convívio democrático. Uns são brancos. refletirem a respeito de suas atitudes. oriundas de famílias de diversas religiões e opiniões políticas. criam-se excelentes condições para que apreciem as diversas formas do viver humano. Todos os alunos estão na sala de aula usufruindo do mesmo direito à educação. a vivência de um relacionamento respeitoso. outros negros. Ao se fazer os alunos conhecerem os diversos aspectos da comunidade. que um sexo é superior ao outro. os baixinhos. A proposta parte da afirmação de que a formação moral constrói-se a partir das experiências de vida. São complementares: um conceito aprendido em sala de aula pode ser retomado no convívio escolar e viceversa. costuma receber um público heterogêneo. avaliando-as e contrapondo-as à idéia de justiça. etc. preocupar-se com seus problemas e até ajudar na resolução deles. sobretudo a escola pública. Isso se traduz tanto pelo tratamento respeitoso que recebem quanto pelo empenho para que aprendam os conteúdos das diversas matérias. situações que vivenciam dentro e fora da escola e/ou divulgadas através da mídia. Note-se ainda que. em seguida. os feios. Trata-se de fazer os alunos pensarem. . Assim. será riquíssima aprendizagem: lhes dará consciência e força para se indignarem quando acontecer de serem desrespeitadas na vida cotidiana. é necessário. trata-se de explicar-lhes com clareza o que significa dignidade do ser humano. Para crianças que. orientado pelo professor. inspirados por preconceitos expressos aqui e ali. há meninos e meninas. pessoas de renda familiar desigual. Tais experiências devem ser. No entanto. sem discriminações. com a ajuda do professor.1. Para muitas crianças. Dificilmente o professor conseguirá comunicar a importância do que diz. não recebam mesmo tratamento em outros lugares. a escola é a primeira oportunidade de conviver com pessoas diferentes. Não se trata de punir os alunos. dois grandes momentos de experiências escolares devem ser destacados: 1o) a aprendizagem das diversas áreas e temas. É excelente oportunidade para que aprendam que todos são merecedores de serem tratados com dignidade. 2o) o convívio escolar.

portanto. O zelo pela conservação das dependências escolares é um dos primeiros passos a serem dados. Mesmo quando se trata de violência contra a criança. os alunos devem compreender que fazer fila (e outras regras desse tipo) possibilita o convívio respeitoso e pacífico em grandes grupos.Quanto aos diversos ciclos. Em suma. Estudos recentes têm mostrado claramente que os sentimentos de humilhação e vergonha podem ser extremamente fortes. evidentemente vale para o respeito mútuo: o aluno deve sentir-se respeitado e também sentir que dele exigem respeito. devem ser sublinhados três objetivos específicos e bem particulares da escola: garantir a aprendizagem. em certas circunstâncias. A decorrência pedagógica é óbvia: deve-se ter muito cuidado em não despertar esses sentimentos nos alunos. essas regras não devem ser vistas. O erro didático seria o professor exigir silêncio "porque ele quer" ou "porque ele mandou". algumas regras disciplinares encontram seu sentido no favorecimento do ensino e da aprendizagem e seu cumprimento traduz o respeito mútuo. e isso. pelo alunos. Mais uma vez. há regras cuja finalidade é preservar as dependências escolares. têm a finalidade de garantir que o processo de ensino e aprendizagem ocorra com sucesso. com crianças menores. mas sim como tradução do respeito mútuo: cuidar do que é de todos. do contrário. na frente de todos. não humilhá-lo. esse aprendizado é de grande importância. não entupir privadas. já por crianças do primeiro ciclo. porque. Diz-se que é erro didático porque não revela ao aluno a razão de ser da regra e. ocasionarem riscos para as crianças menores (serem atropeladas na correria) ou um atraso no início das aulas (desorganização na volta às salas de aula). ao sentimento de vergonha. compreendido para além de suas especificidades culturais. o conceito de espaço "público" será generalizado a espaços mais amplos (como a cidade) e mais abstratos (como as instituições políticas). mas pode fazer na escola. sem prejuízo de se trabalhar regras gerais de convívio. Basta que o professor deixe clara tal razão de ser dessas regras. Aliás. não insultá-lo. notadamente aqueles retirados de suas experiências de vida. pouco se fala da humilhação. com a família. é demasiadamente abstrato para ser assimilado pelos alunos dos dois primeiros ciclos. também. pois em várias ocasiões os alunos se encontrarão em situação semelhante (estádios de futebol. É com exemplos concretos. refletir. Tal aprendizado ajudará a criança a construir o conceito de patrimônio público. estudar. por exemplo. Ao lado da garantia de convivência respeitosa geral. evidentemente. fazer fila. mas de fazê-las experienciar o respeito decorrente do princípio da dignidade. como imposições arbitrárias. deixe claro que não "caem do céu". À medida que crescerem. não falar ou falar baixo pode. tão importante para o exercício da cidadania. se o número de alunos for grande e se as dependências. e os alunos podem perfeitamente compreender que assim respeitam as atividades dos outros e são respeitados nas suas. coletivo. ou seja. Em resumo. como por exemplo. como não jogar lixo no chão. fazer zombarias a respeito das capacidades intelectuais de determinado aluno. Fazer silêncio não é. um imperativo absoluto. pior ainda. que não representam uma tirania de alguém que quer impor sua vontade. mas também nas atitudes. A qualidade do convívio escolar para a compreensão e valorização da dignidade. a prática da humilhação é freqüente. referir-se a ele como símbolo da incompetência escolar ou sacudir uma prova com a ponta dos dedos. Algumas regras disciplinares referem-se ao convívio em grandes grupos: por exemplo. às vezes sem intenção . Tal regra não faz sentido em casa. Curiosamente. a humilhação merece uma rápida reflexão. Por exemplo. Infelizmente. a escola pode trabalhar o respeito mútuo nas suas traduções específicas do convívio escolar. como se sua vontade pessoal legitimasse tal exigência. por exemplo). O conceito de ser humano. tomar lugar. pode-se estabelecer o que segue. pouco a pouco. O convívio respeitoso na escola é a melhor experiência moral que o aluno pode viver. sem aula. atrapalhariam os colegas. ser conduta necessária para que os demais colegas possam concentrar-se. Finalmente. não bater no colega. Portanto. não colocar a sola do pé nas paredes. não apenas quando se praticam formas aviltantes de humilhação. a Ciência Psicológica tem dedicado pouca atenção ao sentimento de humilhação e. etc. chamá-lo de "burro". desperta nele o desejo de desobedecê-la. pela sua configuração. Portanto. levando a problemas psicológicos graves. como. o convívio em grandes grupos e zelo pelas dependências escolares. Crianças do primeiro ciclo são perfeitamente capazes de entender isso. Se alunos estiverem no pátio. pode-se exigir deles que não gritem ou façam algum tipo de barulho alto. que a idéia de dignidade poderá. tanto de professores como de alunos. Algumas normas de condutas. não se trata de dar aulas filosóficas a respeito do tema. perguntando pelo seu autor. Aliás.

Porém. assimilar suas especificidades. trabalhar em grupo. fazem as pessoas emitirem juízos de valor negativo sobre o que não conhecem. explicando as regras de uma relação de cooperação. Crianças dos dois primeiros ciclos aprendem gradativamente a participar desse tipo de relação social. Em primeiro lugar para as vítimas das humilhações. ele mesmo. uma intervenção do professor é importante. mostrando desprezo por certas regiões. A virtude dos modelos não está na possibilidade de cópia por parte dos alunos. sejam estas devidas ao tempo (as pessoas de antigamente eram diferentes das de agora). ajudar. Conhecê-las. e falam entre si sobre o que viram. pois serão vistas como modelos. Às vezes. ser preconceituoso. • História. Os preconceitos são julgamentos prévios. Um fenômeno social quase que onipresente na vida de cada um são os meios de comunicação. a honrar a palavra empenhada. Portanto. a estabelecer relações de reciprocidade. é erro acreditar que apenas bons modelos são suficientes para educar moralmente. Um tipo essencial. é a cooperação entendida como operar conjuntamente. notadamente nas novelas. sobretudo pelas crianças menores. à sua revelia. que machucam. Todo o resto seria errado.explícita. Trabalhos em grupo podem ser realizados em qualquer matéria ou área de conhecimento. agir junto. ou seja. o preconceito se mantém pela completa ignorância das características dos grupos visados. perguntar. Educação Física Aulas de História e Geografia tratam diretamente de pessoas e de suas diferenças. professores e funcionários da escola. em segundo lugar. Porém. trazem ricas informações sobre as diversas etnias e culturas humanas. em que todos devem participar. como. nem sempre referenciados no respeito mútuo e na dignidade do ser humano. Praticamente todos os alunos assistem televisão. suas qualidades é poderoso alimento para o respeito para com o ser humano. o professor deve intervir. Trata-se de uma orientação didática geral cujos efeitos não apenas são ricos do ponto de vista da aprendizagem dos diversos conteúdos. a comprometer-se na elaboração de projetos coletivos. O estudo das diferentes expressões culturais oferece a oportunidade de apreciá-las e respeitá-las. Outro fator importante é o próprio relacionamento entre os alunos. é preciso esclarecê-los e refletir sobre eles. as crianças — que se concebem como iguais entre si — aprendem paulatinamente a fazer contratos. Trabalhando em grupo na sala de aula. Deve. notadamente a televisão. Programas de televisão mostram valores de todo tipo. Por exemplo. Tais valores acabam por impregnar tanto a compreensão das diversas áreas e temas (por exemplo. Língua Portuguesa. guiam seus julgamentos. pelo contrário. cujo respeito próprio é fragilizado. e. Não há dúvidas de que as atitudes respeitosas devem partir do professor. Se ele se limitar a propor aos alunos que trabalhem em grupo e se ausentar. como também no desenvolvimento do respeito mútuo: somente há possibilidade de trabalho em grupo se cada um levar em conta o ponto de vista do outro e coordená-lo com o seu próprio. é bem provável que os alunos se dispersem ou que alguns deixem o trabalho para os outros ou se submetam à liderança de um colega. culturas ou épocas. Nesse sentido. colocar e empregar apelidos depreciativos ou tecer comentários como: "Você não fez a lição de novo". seja com referência ao lugar onde moram. Não se deve pensar que a capacidade de cooperar é espontânea na criança. E também ensiná-lo a perceber os valores subjacentes naquilo que ele ouve e vê nos meios de comunicação. É preciso ensinar o aluno a tomar consciência dos pressupostos que. ouvir. Tais atitudes — que alguns acreditam ser inofensivas — podem trazer resultados nefastos. é freqüente pensar que há apenas uma forma de se falar o português. o gaúcho emprega o pronome "tu" enquanto o paulista emprega . no Brasil há uma grande diversidade das formas de se falar. para os demais alunos que acabam por pensar que humilhar os outros é forma normal de relacionamento. Ao invés de deixar tais valores funcionarem com uma espécie de currículo oculto. Portanto. Portanto. às relações entre homens e mulheres) quanto o relacionamento entre alunos. Meio Ambiente. por exemplo. opinar. Geografia. mostrar toda complexidade e singularidade de cada uma. Orientação Sexual. o ensino de História não pode. para se dirigir a outra pessoa. o lugar reservado na mídia. Em relação a Língua Portuguesa. E assim por diante. mas sim na concretização dos discursos que ouvem em condutas adultas. desprezar (não dar ouvidos) as intervenções de certos alunos.

mas também com a do parceiro sexual. desde cedo. iguais entre elas. embora. Deve-se salientar que. ela naturalmente envolve relações pessoais que devem ser baseadas no respeito de parte a parte. que não provêm de contratos entre os jogadores. A expressão "abuso sexual". de direito e de fato. às vezes. assimilam-nos e os tornam seus. tomam consciência deles. ser respeitado. a mandamentos não explicados racionalmente ou arbitrários. todo o cuidado é pouco para que fracassos não se transformem em motivo de zombaria e desprezo (notadamente numa sociedade que valoriza sobremaneira as competências físicas e a beleza corporal). etc. Voltando-se aos meios de comunicação. não se traduz apenas pelas formas violentas. A trapaça será vista não tanto como entorse a uma regra geral vinda de não se sabe onde. superar o preconceito. A grave doença sexualmente transmissível. Finalmente. etc. pode explicitar uma dimensão do respeito mútuo: cuidar do que é de todos. acaba valendo a sentença "os fins justificam os meios". portanto. Se elas forem sistematicamente submetidas a situações de autoritarismo. por se tratar de uma atividade que expõe de forma clara as competências e dificuldades dos alunos. A partir dos oito anos (sempre em média). insultos. a convivência em grupos de crianças — sem a presença de adultos. de cuja qualidade todos dependem. Nessas experiências de socialização. Em resumo. Promover jogos nos quais os próprios alunos podem combinar as regras de comum acordo será também promover rica experiência moral. como o estupro. Quanto à sexualidade. em relação a Educação Física. Trata-se de. portanto. E tais atitudes são. como sempre. que não tinha alternativa. especialmente aos jogos de futebol televisionados. também levanta de maneira precisa o valor moral do respeito mútuo. tentativa de enganar o juiz (cavar uma falta). uma vez que é passível de contaminação. começam a questionar as injustiças e a revoltar-se contra elas. Ou. as crianças são muito sensíveis às expressões de justiça e injustiça. não saibam expressar verbalmente sua aceitação ou seu repúdio. vivendo situações nas quais os critérios de justiça sejam aplicados. Nesse sentido. por exemplo."você". 8. até oito anos de idade em média. não respeitá-lo. Pelo contrário. refletir criticamente sobre todos os valores e atitudes nele presentes é imperativo para a conscientização moral dos alunos. também nessa área. tal desenvolvimento não depende do simples fator tempo. diz-se que agiu corretamente. tenderão a permanecer heterônomas. a AIDS. Preservar-se da doença não é apenas compromisso com a própria saúde. É. Por interpretarem a legitimidade das normas como dependentes do prestígio ou do poder de quem as impõem. em que as crianças são. significa servir-se de outra pessoa para a busca egoísta de prazer. respeitar. as crianças pequenas tendem a culpar a si mesmas por injustiças que se cometem contra elas: pensam que são elas as culpadas pela situação desfavorável em que a injustiça as coloca. de um jogador que cometa falta desleal para salvar seu time de um gol. Dada a importância desse esporte na sociedade brasileira. As atividades de jogos também representam excelentes oportunidades de experiência de respeito mútuo. portanto. no futebol. Porém. mas principalmente como quebra de contrato e desrespeito aos outros. mas pode também se fazer presente de maneiras mais corriqueiras como. devendo construir normas que garantam o respeito mútuo e que façam valer os direitos de todas — representa rica aprendizagem que deve . preciso fazer com que o aluno conheça e aprecie essa diversidade de formas de falar e não considere que expressar-se diferente seja um erro de português. por exemplo. glorificadas: um jogador que forja um gol com a mão ou cava um pênalti acaba por ser considerado herói e valorizado na sua esperteza. O estudo do meio ambiente. assiste-se a atitudes incompatíveis com o respeito mútuo: faltas desleais. a começar pelo estabelecimento das regras. desprezar o desejo de carinho e prazer do parceiro.2. Justiça • Convívio escolar A orientação didática referente ao ensino e a aprendizagem do conceito de justiça é a mesma dos itens anteriores. dignidade e respeito mútuo: a escola dever ser uma sociedade justa. Crianças pequenas tendem a pensar que as regras dos jogos são imutáveis. Não se cuidar pode significar também não cuidar do outro.

Tal fato é essencial para que os alunos saibam exatamente quando estão sendo injustiçados e possam defender seus direitos. As normas de condutas não devem apenas falar dos deveres dos alunos: devem também esclarecê-los sobre seus direitos. Evidentemente devem ser justas. E reparam o que fizeram. devem ser proporcionais aos delitos (como não optar por sanções severas demais apenas para que sirvam de exemplo). apenas direitos. é uma forma de a criança ampliar a noção de justiça que está construindo. as normas referentes às condutas dos alunos e ao que deles se exigem em termos de aprendizagem devem ser claras e conhecidas dos alunos. informe aos alunos quais são eles e explicite a razão de ser da avaliação. A avaliação escolar é uma forma de julgamento que deve ser justa. um dia. deve-se pensar nos critérios de avaliação. Devem ser claras porque normas ambíguas impedem as pessoas de saber exatamente o que delas se espera e se cobra. Em segundo lugar. Kant. As sanções mais justas e que mais promovem aprendizagem e desenvolvimento moral são as chamadas "sanções por reciprocidade": elas guardam alguma relação com a ação repreensível do aluno. punindo os culpados e não os inocentes (como não optar por castigar uma classe toda simplesmente porque não se conhece o autor de algum delito). ao eleger os critérios de avaliação e seus indicadores.ser permitida e estimulada pela escola. Um exemplo geral: como punir as pessoas que picham paredes e monumentos? Colocando-as na prisão ou obrigando-as a limpar o que fizeram e até outras pichações? A segunda solução é a melhor: assim as pessoas tomam consciência das dimensões e conseqüências de seus atos. deve-se pensar nas sanções. não se sabe onde — existe em vários idiomas —. Tanto que a expressão "queridinho do professor" é bem conhecida dos alunos (quem sabe até inventada. Qualquer pessoa também se sente injustiçada se os outros não reconhecem sua competência. todos merecem o mesmo tratamento. . é preciso lembrar que a simples exposição verbal (oral ou escrita) não é suficiente para que as normas sejam conhecidas e compreendidas: explicá-las e discuti-las com os alunos é condição necessária à sua boa assimilação. A injustiça dessa forma de privilégio se faz sentir tanto nos excluídos quanto no próprio eleito. afasta-os desse valor moral. não apostam em sua capacidade de êxito. e devem apresentar os deveres e os direitos desses alunos. Acaba até tendo vergonha perante seus colegas da situação de destaque na qual o professor o colocou. Na verdade. já escrevia que uma grande virtude da escola era justamente ser um lugar onde ninguém tem privilégios. Todos sofrem se sentem que os professores os desprezam. Trazer à reflexão situações em que a igualdade se impõe como representante daquilo que é justo (como. ignoram suas tentativas de aprender. E o eleito acaba por sofrer o desprezo de seus colegas. por achar-se excluído por eles. e devem ser conhecidas pelos mesmos motivos: é injusto cobrar alguém pelo que ignora ser seu dever. por exemplo. E mais ainda: passa-lhes a idéia de que a justiça é impossível. o mesmo raciocínio vale para alunos de qualquer idade. restabelecendo equilíbrio. Ora. Em terceiro lugar. A mesma coisa vale para crianças ainda pequenas. Todavia. seus esforços. não é igual em função das capacidades diferenciadas). Qualquer um se sente injustiçado se reparar que certas pessoas usufruem de privilégios. Em primeiro lugar. deve-se ter certeza de que os instrumentos de avaliação realmente revelam a aprendizagem dos alunos. Os excluídos percebem bem a arbitrariedade que com eles é cometida — uma vez que. seu valor. são iguais as de um adulto. de direito. No que diz respeito ao convívio escolar entre o aluno. é necessário que a escola. Um filósofo do século XVIII. o professor e o ensino. Finalmente. Para isso. Além disso. para que a avaliação possa ser percebida como justa pelos alunos. seja à revolta. é preciso levar em conta aspectos da sensibilidade moral das crianças e dos adolescentes. seja aos dois juntos. E tais injustiças os levam. mero sonho. em geral. as regras de funcionamento da classe: todos devem igualmente cumpri-las) e situações em que as condições diferenciadas de uns e outros determinam a eqüidade como representante daquilo que é justo (como por exemplo nas situações que envolvem turmas de idades diferentes para uma mesma atividade: nessas situações. o que se define para os menores e os maiores. seja ao abandono da busca da aprendizagem. alguns aspectos específicos devem ser salientados. por algum deles).

consideradas desonestas. fazer com que os direitos de cada um sejam respeitados. sem caráter. se empregue o diálogo para equacioná-lo e resolvê-lo. E são conhecimentos que. Todavia. conteúdos de História e Geografia devem ser sublinhados por duas razões pelo menos. A primeira: estudando realidades de outros tempos e lugares. é preciso saber dialogar. • Língua Portuguesa e Matemática A aprendizagem de todas as disciplinas contribuem para desenvolver.Também tendem a desprezar o valor justiça quando percebem que neles não se deposita confiança alguma. a relação professor-aluno também tem fundamental importância. e avaliá-la à luz de outras possibilidades da justiça humana. O objetivo do diálogo. por exemplo. mas o máximo possível transparente. sem palavra. não considerá-los a priori desonestos e fingidos são atitudes necessárias ao desenvolvimento e legitimação do valor da justiça. relativiza pontos de vista particulares. Nesse sentido. por conseguinte. tomar melhor consciência de seus direitos de ser humano. não privilegiar alunos. Sentem-se — e de fato são — injustiçadas nesse ambiente de suspeição. o professor deve mostrar-se claro. sem mais nem menos. como tais. podem ser objeto de reflexão sobre justiça. cada vez que um conflito apareça. e tomar consciência crítica de seus direitos. O diálogo é uma arte que deve ser ensinada e cultivada. privá-la da vontade de ser franca e respeitosa. Ela deve perceber que confiam nela e que será cobrada no sentido de merecer tal crédito. Qualquer pessoa é digna de ser ouvida e de ouvir. deve exigir de seus alunos a conquista da mesma clareza. De outro. o aluno pode comparar sua situação específica. mas também para que possa interagir com o professor e com os colegas e realizar aprendizagens. poderá compreender.3. De um lado. Quanto ao desenvolvimento da atitude de valorização do diálogo para procurar esclarecer e. • História e Geografia Todas as matérias. evitar que se imponha a lei do mais forte. objetivo. O diálogo somente é possível quando as pessoas envolvidas se respeitam mutuamente. ou seja. O fato de as crianças se considerarem iguais entre si facilita tal aprendizado. não desprezar suas competências e esforços. ele será um instrumento importante não apenas para que o aluno consiga esclarecer os conflitos e resolvê-los. que limitações que lhe são impostas não existem em outros lugares e. nada melhor do que sentir que os outros acreditam em sua palavra. Em uma palavra. O valor atribuído ao diálogo está intimamente relacionado com os demais valores já abordados. É transformá-la em um ser cabisbaixo. De fato. Porém. é preciso saber ouvir e saber expressar-se. Com a criança também é assim. no aluno. a capacidade de dialogar. São conhecimentos cuja posse expande o horizonte do pensar. é encontrar a solução justa. mesmo que suas opiniões sejam diferentes daquelas da maioria. quando fala aos alunos. A segunda: estudar as leis de seu país (constitucionais e outras — notadamente o Estatuto da Criança e do Adolescente). Sua fala não deve ser ambígua. superar conflitos. 8. aquela de seu país. E ficam tristes e infelizes quando incessantemente reparam sobre elas olhares suspeitosos. as crianças apreciam muito os sinais de confiança que os adultos lhes dão (quando mostram que acreditam nelas). Negar-lhe — de antemão — esse direito resulta em afastá-la do convívio social. quando percebem que são. uma vez que são expressões da cultura. ou violento. podem ser . Desde bem pequenas. para se cooperar efetivamente. é necessário que. de ser eleita como interlocutor. se possível. Para alguém ter e permanecer tendo confiança em si (elemento importante do respeito próprio). Diálogo • Convívio escolar Coloca-se novamente o desenvolvimento da cooperação como elemento fundamental do ensino e da aprendizagem morais. Em resumo. em situações de conflito. que não se contentem com expressões vagas que deixam muita margem de interpretação. portanto.

Fora da sala de aula. A área de Língua Portuguesa. antes. Portanto. deve-se levar os alunos a praticá-la e a pensar sobre ela em conjunto com os outros valores. é preferível fazer com que eles se ajudem mutuamente a ter sucesso nas suas aprendizagens: aquele que já sabe pode explicar àquele que ainda não sabe. O aluno que apresenta dificuldades não deve ser zombado ou humilhado. deve ser incentivado por todos. na medida em que trabalha com a linguagem oral e com os procedimentos de fala e escuta ativa. discutidos. Ao se enfatizar a dignidade do ser humano. realça-se a necessidade de se fazer justiça. Destaca-se aqui Língua Portuguesa e Matemática pelo fato de essas áreas de conhecimento conterem aspectos de grande relevância para o aprendizado do diálogo. aquele que não sabe deve poder sentir-se à vontade para pedir ajuda. Mas a solidariedade não deve ser apenas apresentada e incentivada como valor desejável: deve-se também instrumentalizar os alunos para que possam. em se tratando de solidariedade. E assim por diante. Ao se falar de justiça. Antes. No que diz respeito ao convívio escolar. é imperativo que a escola instrumentalize seu aluno. de dignidade. por exemplo. Oportunidades não faltam. contribui de maneira fundamental para a aprendizagem e a valorização do diálogo. Portanto. o diálogo a enriquece. Ora. de fato. para tal prática. Assim. sem temer a vergonha de ser sistematicamente comparado com os outros e colocado em posição de inferioridade. Portanto. do encadeamento dos argumentos. as orientações didáticas gerais também são as mesmas para a solidariedade e para os demais valores: a prática e a reflexão são essenciais. na escola e fora dela. nem real aprendizagem se estas não forem fruto de rica comunicação entre indivíduos. portanto. sentimento que toda criança. a escola sensibilizará e instrumentalizará os alunos para o convívio do cotidiano. . na prática. Não há nem reais descobertas. A moral (e isto vale para todo domínio intelectual) não é uma somatória de regras e valores.avaliados. incentiva-se o diálogo. ela serve para revelar o valor da demonstração: explicitação do caminho e precisão do raciocínio. O mínimo sentimento de solidariedade exige que se o ajude. ao invés de incentivar a competição entre os alunos ou a sistemática comparação entre seus diversos desempenhos. etc. as aulas de todas as disciplinas poderiam ser citadas como excelentes oportunidades de se valorizar e exercer o diálogo. Um belo exemplo pode ser dado no tema de Saúde. Um bom diálogo. trocados. de direitos. na medida em que trabalha para desenvolver no aluno o desejo de saber empregar as palavras a serviço da clareza da exposição das idéias. que lhe dê noções de primeiros socorros. para perguntar. Alguém está passando mal ou teve um acidente. fala-se de igualdade e. Porém. Em sala de aula. Quanto à Matemática. é um sistema dentro do qual os diversos elementos estão interrelacionados. Ao se incentivar o respeito mútuo. o respeito mútuo a reforça. Solidariedade • Convívio escolar e demais áreas A solidariedade está naturalmente relacionada com os outros valores até aqui abordados. falados. a solidariedade fica apenas na intenção. como fazer? O que fazer? Se for o caso. a quem chamar? Para onde transportar a pessoa? Sem esses conhecimentos básicos. No exemplo dado. 8. todos eles estão interligados: trabalhando-se um. tem na sua bagagem afetiva.4. um diálogo produtivo pressupõe precisão nos termos que se emprega. o ensino da linguagem é fundamental também nesse ponto. Estará. Cada comunidade deve escolher quais as ações que os alunos de sua escola podem realizar para participar de forma solidária dos problemas existentes. sem prejuízo da formação geral. pronto-socorros. o que implica o respeito mútuo. sem prejuízo da aprendizagem de conhecimentos que transcendem o dia-a-dia. o senso de justiça lhe dá rumos. necessariamente trabalhamse os outros.). articulando formação escolar e cidadania. conhecimentos sobre a rede de saúde (postos. ainda pequena. Na verdade. traduzi-la em ações. é também possível fazer muitas coisas que reforcem a solidariedade. de se respeitar direitos. E essa atuação deve ser generalizada para outros conteúdos. hospitais. Não é diferente para a solidariedade: o ideal de dignidade do ser humano a move.

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suas características e relações 6. Geografia no ensino fundamental A produção acadêmica em torno da concepção de Geografia passou por diferentes momentos.4.2. Objetivos para o segundo ciclo 6. Ensino e aprendizagem 5.1. Transformando a natureza: diferentes paisagens 5.4. Objetivos para o primeiro ciclo 5.3.1. Bibliografia 1.3.3. Leitura da paisagem 7.3. Aprender e ensinar Geografia 3. Descrição e observação 7. Blocos temáticos e conteúdos: as paisagens urbanas e rurais.3. Distâncias e velocidades no mundo urbano e no mundo rural 6. Tudo é natureza 5.2. Orientações didáticas 7.1. Caracterização da área de Geografia 1.2. Primeiro ciclo 5.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Geografia Versão agosto / 1996 Índice 1. Critérios de seleção e organização dos conteúdos de Geografia 4.4.2.1. gerando reflexões distintas acerca dos objetos e métodos do fazer geográfico.3. Urbano e rural: modos de vida 6.3.2.3.3. Territorialidade e extensão 7.1.4. Ensino e aprendizagem 6.3. Em linhas gerais. Segundo ciclo 6. Blocos temáticos e conteúdos: o estudo da paisagem local 5.3. Objetivos gerais do ensino de Geografia para o ensino fundamental 5.3. Geografia no ensino fundamental 1. Conhecimento geográfico: características e importância social 2. Critérios de avaliação 6. De certa forma. A representação do espaço no estudo da Geografia 8. Critérios para avaliação 7.1.5. Conservando o ambiente 5.1. Caracterização da área de Geografia 1. Informação.4. Explicação e interação 7. Analogia 7. O papel das tecnologias na construção de paisagens urbanas e rurais 6.6.3. comunicação e interação 6. .2. essas reflexões influenciaram e ainda influenciam muitas das práticas de ensino. O lugar e a paisagem 5. suas principais tendências podem assim ser apresentadas.

política e ideológica. mas não as relações sociais. de forma dissociada do espaço vivido pela sociedade e das relações contraditórias de produção e organização do espaço. a disciplina Geografia passou a ser ensinada por professores licenciados. território e paisagem. Cada lugar deixou de explicar-se por si mesmo. No pós-guerra. a urbanização acentuouse e megalópoles começaram a se constituir. Foi essa escola que imprimiu ao pensamento geográfico o mito da ciência asséptica. Num processo quase militante de importantes geógrafos brasileiros. estudar a relação homem-natureza sem priorizar as relações sociais. No ensino. as fotos de satélite e o computador como articulador de massa de dados: surgem os SIG (Sistemas Geográficos de Informações). essa Geografia se traduziu. em função da industrialização e da mecanização das atividades agrícolas em várias partes do mundo. tais como o sensoriamento remoto. Esse tipo de Geografia e as correntes que dela se desdobraram foram chamados de Geografia Tradicional. com o argumento da neutralidade do discurso científico.As primeiras tendências da Geografia no Brasil nasceram com a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e do Departamento de Geografia quando. a partir da década de 40. com forte influência da escola francesa de Vidal da La Blache. o trabalho e a natureza na produção do espaço geográfico. muitos ainda apresentam em seu corpo idéias. Por outro lado. Tinha como meta abordar as relações do homem com a natureza de forma objetiva. foram centradas em questões referentes a explicações econômicas e a relações de trabalho que se mostraram. de forma significativa. Para o ensino. As transformações teóricas e metodológicas dessa Geografia tiveram grande influência na produção científica das últimas décadas. Por exemplo. Os métodos e as teorias da Geografia Tradicional tornaram-se insuficientes para apreender essa complexidade e. Critica-se a Geografia Tradicional. propunha-se. Era baseada. Ou seja. abstraindo assim o homem de seu caráter social. o meio técnico e científico passou a exercer forte influência nas pesquisas realizadas no campo da Geografia. mas não o processo de produção. Essa nova perspectiva considerava que não basta explicar o mundo. Essa perspectiva marcou também a produção dos livros didáticos até meados da década de 70 e. a partir dos anos 80. Apesar de valorizar o papel do homem como sujeito histórico. articulada de forma fragmentada e com forte viés naturalizante. e muitas vezes ainda se traduz. as técnicas e os instrumentos de trabalho. para explicá-la. mesmo hoje em dia. a realidade tornou-se mais complexa: o desenvolvimento do capitalismo afastou-se cada vez mais da fase concorrencial e penetrou na fase monopolista do grande capital. analogias ou generalizações. social. A partir dos anos 60. sob influência das teorias marxistas. não se discutia as relações intrínsecas à sociedade. não politizada. na análise da produção do espaço geográfico. interpretações ou até mesmo expectativas de aprendizagem defendidas pela Geografia Tradicional. começou-se a recorrer às tecnologias aeroespaciais. Essas propostas. e influenciou. é preciso transformá-lo. surge uma tendência crítica à Geografia Tradicional. Ou seja. as realidades locais passaram a estar articuladas em uma rede de escala mundial. no entanto. Era preciso realizar estudos voltados para a análise das relações mundiais. os geógrafos procuraram estudar a sociedade através das relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem. do Estado e das classes sociais dominantes. Essa Geografia era marcada pela explicação objetiva e quantitativa da realidade que fundamentava a escola francesa de então. buscando a formulação de leis gerais de interpretação. Assim a Geografia ganha conteúdos políticos que são significativos na formação do cidadão. Para estudar o espaço geográfico globalizado. difunde-se a Geografia Marxista. essa perspectiva trouxe uma nova forma de se interpretar as categorias de espaço geográfico. Pretendia-se ensinar uma Geografia neutra. análises essas também de ordem econômica. os estabelecimentos humanos. contudo. cujo centro de preocupações passa a ser as relações entre a sociedade. propondo uma Geografia das lutas sociais. o espaço agrário sofreu as modificações estruturais comandadas pela Revolução Verde. principalmente. estudava-se a população. mas não a sociedade. em estudos empíricos. Os procedimentos didáticos adotados promoviam principalmente a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens sem. . uma série de propostas curriculares voltadas para o segmento de quinta a oitava séries. esperar que os alunos estabelecessem relações. pelo estudo descritivo das paisagens naturais e humanizadas. O levantamento feito através de estudos apenas empíricos tornou-se insuficiente. no geral.

por exemplo. sem apoio técnico e teórico. sobretudo nas propostas curriculares produzidas nas últimas décadas. No geral. como a Antropologia. o que provoca um "envelhecimento" rápido dos conteúdos. devido a sua complexidade. há uma preocupação maior com conteúdos conceituais do que com conteúdos procedimentais. que o ensino de Geografia apresenta problemas tanto de ordem epistemológica e de pressupostos teóricos como outros referentes à escolha dos conteúdos. As sucessivas mudanças e debates em torno do objeto e método da Geografia como ciência. descritiva e descontextualizada herdada da Geografia Tradicional. a ensinar Geografia apoiando-se apenas na descrição dos fatos e ancorando-se quase que exclusivamente no livro didático. as propostas pedagógicas separam a Geografia humana da Geografia física em relação àquilo que deve ser apreendido como conteúdo específico: ou a abordagem é essencialmente social. sem uma preocupação real de promover uma compreensão dos múltiplos fatores que delas são causas ou decorrências. a Biologia. já que foram um estímulo para a inovação e a produção de novos modelos didáticos. Além disso. Tanto a Geografia Tradicional quanto a Geografia Marxista ortodoxa negligenciaram a relação do homem e da sociedade com a natureza em sua dimensão sensível de percepção do mundo: o cientificismo positivista da Geografia Tradicional por negar ao homem a possibilidade de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginário. principalmente. Mas também negativas. Um exemplo é a adaptação forçada das questões ambientais em currículos e livros didáticos que ainda preservam um discurso da Geografia Tradicional e não têm como objetivo uma compreensão processual e crítica dessas questões. sem que existissem ações concretas para que realmente atingissem o professor em sala de aula. lugar. desconsiderando a aprendizagem de procedimentos fundamentais para a compreensão dos métodos e explicações com os quais a própria Geografia trabalha. observa-se. a prática da maioria dos professores e de muitos livros didáticos conservaram a linha tradicional. ou então • • • . um recurso natural. pois a rápida incorporação das mudanças produzidas pelo meio acadêmico provocou a produção de inúmeras propostas didáticas. que trabalhe tanto as relações socioculturais da paisagem como os elementos físicos e biológicos que dela fazem parte. que promovam a interseção da Geografia com outros campos do saber. Essas dimensões são socialmente elaboradas — fruto das experiências individuais marcadas pela cultura na qual se encontram inseridas — e resultam em diferentes percepções do espaço geográfico e sua construção. são eles: • abandono de conteúdos fundamentais da Geografia. Segundo a análise feita pela Fundação Carlos Chagas. essencialmente. à aprendizagem de fenômenos e conceitos. tais como as categorias de nação. Positivas de certa forma. território. bem como dos elementos físicos e biológicos que se encontram aí presentes. tampouco pautada exclusivamente na interpretação política e econômica do mundo. Mas não apenas a prática do professor se encontra permeada por essa indefinição e confusão. e a natureza é um apêndice. paisagem e até mesmo de espaço geográfico. presentes no meio acadêmico. portanto. o marxismo ortodoxo por tachar de idealismo alienante qualquer explicação subjetiva e afetiva da relação da sociedade com a natureza. a Sociologia. tiveram repercussões diversas no ensino fundamental. assim. mesmo quando o enfoque dos assuntos estudados era marcado pela Geografia Marxista.inadequadas para os alunos dessa etapa da escolaridade. a busca de explicações mais plurais. vindo a se transformar na aprendizagem de slogans. É. de modo geral. O objetivo do ensino fica restrito. sobretudo o professor das séries iniciais que. muitas propostas de ensino também o estão. são comuns modismos que buscam sensibilizar os alunos para temáticas mais atuais. singulares que os homens em sociedade estabelecem com a natureza. Uma das características fundamentais da produção acadêmica da Geografia desta última década é justamente a definição de abordagens que considerem as dimensões subjetivas e. continuou e continua. descartadas a cada inovação conceitual e. as Ciências Políticas. Uma Geografia que não seja apenas centrada na descrição empírica das paisagens. investigando as múltiplas interações entre eles estabelecidas na constituição de um espaço: o espaço geográfico.

de existir e de perceber os diferentes espaços geográficos. é preciso que eles adquiram conhecimentos. na medida em que o objetivo da Geografia é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. de modo a poder não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza às quais historicamente pertence. . situado para além e através da perspectiva econômica e política. a Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. a análise da paisagem deve focar as dinâmicas de suas transformações e não a descrição e o estudo de um mundo estático. Identificar e relacionar aquilo que na paisagem representa as heranças das sucessivas relações no tempo entre a sociedade e a natureza é um de seus objetivos. de estudo do meio e da forte ênfase que se dá ao papel dos sujeitos sociais na construção do território e do espaço.2. Essa divisão é necessária. culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. analisando suas leis. bem como com os fenômenos sociais. não se explicita como os temas de âmbito local estão presentes naqueles de âmbito universal. o estudo de uma totalidade. inseridos em contextos particulares ou gerais. A preocupação básica é abranger os modos de produzir. • a memorização tem sido o exercício fundamental praticado no ensino de Geografia. possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. como os fenômenos que constituem as paisagens se relacionam com a vida que as anima. A divisão da Geografia em campos de conhecimento da sociedade e da natureza tem propiciado um aprofundamento temático de seus objetos de estudo. os elementos do passado e do presente que nela convivem e que podem ser compreendidos através da análise do processo de produção/organização do espaço. Nessa perspectiva. A compreensão dessas dinâmicas requer movimentos constantes entre os processos sociais e os físicos e biológicos. conceitos e procedimentos básicos com os quais este campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações. a noção de escala espaço-temporal muitas vezes não é clara. O espaço geográfico é historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econômica e socialmente sua sociedade. como um recurso didático. Nesse sentido. isto é. e como ocorre a apropriação desta por aquela. porém. Assim. Conhecimento geográfico: características e importância social A Geografia estuda as relações entre o processo histórico que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza. da paisagem como síntese de múltiplos espaços e tempos deve considerar o espaço topológico — o espaço vivido e o percebido — e o espaço produzido economicamente como algumas das noções de espaço dentre as tantas que povoam o discurso da Geografia. Na busca dessa abordagem relacional. a historicidade enfoca o homem como sujeito construtor do espaço geográfico. mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico. mesmo nas abordagens mais avançadas. • O ensino de Geografia pode levar os alunos a compreenderem de forma mais ampla a realidade. numa determinada paisagem. Para tanto. um homem social e cultural. isto é. 1. para distinguir os elementos sociais ou naturais. Para tanto. para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. Apesar da proposta de problematização. através da leitura do espaço geográfico e da paisagem. em detrimento da possibilidade exclusiva da Geografia de interpretar os fenômenos numa abordagem socioambiental. buscar explicações para aquilo que. A percepção espacial de cada indivíduo ou sociedade é também marcada por laços afetivos e referências socioculturais. mas é artificial. ou seja. e como o espaço geográfico materializa diferentes tempos (da sociedade e da natureza). o que se avalia ao final de cada estudo é se o aluno memorizou ou não os fenômenos e conceitos trabalhados e não aquilo que pôde identificar e compreender das múltiplas relações aí existentes.se trabalha a gênese dos fenômenos naturais de forma pura. permaneceu ou foi transformado. é preciso observar. dominem categorias. que imprime seus valores no processo de construção de seu espaço. e vice-versa.

Nesse contexto. gerando o território. caracterizada por fatores de ordem social. quando se estudam os blocos econômicos. elementos importantes na constituição do saber geográfico. apesar de uma convivência comum. Pode até mesmo ser considerada como o conjunto de paisagens contido pelos limites políticos e administrativos de uma cidade. a orientação dos rios e córregos da região. É nela que estão expressas as marcas da história de uma sociedade. Portanto. mas sim o espaço construído pela formação social. ou seja. as vivências e a memória dos indivíduos e dos grupos sociais são. estado ou país. idéias. A categoria paisagem. A categoria paisagem. Território não é apenas a configuração política de um Estado-Nação. da paisagem uma soma de tempos desiguais. múltiplas identidades coexistem e por vezes se influenciam reciprocamente. porém. principalmente nos ciclos iniciais. mais do que nunca. tendo em vista suas características cognitivas e afetivas. É algo criado pelos homens. sucessos e fracassos da história dos indivíduos e grupos que nela se encontram. grupos ou sociedades têm do lugar nos quais se encontram e as relações singulares que com ele estabelece. É dominado por uma comunidade ou por um Estado. está relacionada à categoria de lugar. como categoria fundamental para as explicações geográficas. para animais e plantas. . A paisagem é o velho no novo e o novo no velho! Assim. ao momento da escolaridade em que se encontram e às capacidades que se espera que eles desenvolvam. que possui uma identidade visual. daquilo que lhes é próprio. No caso específico do Brasil. é importante considerar quais são as categorias da Geografia mais adequadas para os alunos em relação à sua faixa etária. No que se refere ao ensino fundamental. por sua vez. Foi através dos estudo comportamentais que Augusto Comte incorporou o conceito de território aos estudos geográficos. território e lugar devem também ser abordadas. o que se entende por território vai muito além do Estado-nacional. onde ela desempenha todas as suas funções vitais ao longo do seu desenvolvimento. É definida como sendo uma unidade visível. o território para as sociedades humanas representa uma parcela do espaço identificada pela posse. o território é o espaço nacional ou área controlada por um Estado-nacional: é um conceito político que serve como ponto de partida para explicar muitos fenômenos geográficos relacionados à organização da sociedade e suas interações com as paisagens. dela fazem parte seu relevo. contendo espaços e tempos distintos. A categoria território possui uma relação bastante estreita com a de paisagem. a distribuição da população que nela vive. compreender o que é território implica também em compreender a complexidade da convivência em um mesmo espaço. as categorias paisagem. uma combinação de espaços geográficos. crenças. Na geopolítica. tem um caráter específico para a Geografia. é o trabalho social que qualifica o espaço. quando se fala da paisagem de uma cidade. ele é a área de vida de uma espécie. É reconhecer que. distinto daquele utilizado pelo senso comum ou por outros campos do conhecimento. O conceito de território foi originalmente formulado nos estudos biológicos do final do século XVIII. por exemplo. nem sempre harmônica. sobre os quais se implantaram suas vias expressas. Além disso. buscam o reconhecimento de suas especificidades. o território é o domínio que estes têm sobre porções da superfície terrestre. cultural e natural. o conjunto de construções humanas. portanto. Embora o espaço geográfico deva ser o objeto central de estudo. Pertencer a um território e sua paisagem significa fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles. quando se mostram mais acessíveis aos alunos.Pensar sobre essas noções de espaço pressupõe considerar a compreensão subjetiva da paisagem como lugar: a paisagem ganhando significados para aqueles que a vivem e a constroem. definindo e redefinindo aquilo que poderia ser chamado de uma identidade nacional. As percepções. o passado e o presente. é uma instituição. da diversidade de tendências. Hoje. Nessa definição inicial. Nesse sentido. Para estudar essa categoria é necessário que os alunos compreendam que os limites territoriais são variáveis e dependem do fenômeno geográfico considerado. fazendo assim. por exemplo. Na concepção ratzeliana de Geografia esse conceito define-se pela propriedade. sistemas de pensamento e tradições de diferentes povos e etnias. o sentimento de pertinência ao território nacional envolve a compreensão da diversidade de culturas que aqui convivem e que. o registro das tensões. O território é uma categoria importante quando se estuda a sua conceitualização ligada à formação econômica e social de uma nação. faz parte do processo de construção das representações de imagens do mundo e do espaço geográfico. As percepções que os indivíduos.

impressas e expressas nas paisagens e em suas representações. o mundo convive com novos conflitos e tensões. através da paisagem. por vezes permeados de uma visão utilitarista e imediatista do uso da natureza e dos bens econômicos. em meio ao processo de globalização e massificação. identificada como a ciência que busca decodificar as imagens presentes no cotidiano. se os alunos aprenderam o conteúdo. necessitam de um conhecimento geográfico bem estruturado. Aprender e ensinar Geografia Independentemente da perspectiva geográfica. o ensino da Geografia pode e deve ter como objetivo mostrar ao aluno que cidadania é também o sentimento de pertencer a uma realidade na qual as relações entre a sociedade e a natureza formam um todo integrado — constantemente em transformação — do qual ele faz parte e que. tais como o declínio dos estados-nações. território e lugar. paisagem. Espera-se que. o meio técnico-científico informacional adquiriu um papel fundamental e. Nessa abrangência. através de exercícios de memorização. e perceber a importância de uma atitude de solidariedade e de comprometimento com o destino das futuras gerações. as contradições em que se vive. de reproduzir o cotidiano através da imagem massificante repetida pelo bombardeamento publicitário. compreendendo a relação sociedade-natureza. atualmente. responsável e comprometido historicamente. de onde se avista a cidade. a desterritorialidade e outros temas que recuperam a importância do saber geográfico. tão explorada pela mídia. Após a exposição. eles desenvolvam a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes aspectos da realidade. Essas práticas envolvem procedimentos de problematização. a formação de blocos comerciais. então. Retrata. cultural ou natural que é descrito e explicado. seus objetos de estudo e métodos possibilitam que compreendam os avanços na tecnologia. ou do livro didático. a compreensão de sua posição no conjunto das relações da sociedade com a natureza. precisa conhecer e sentir-se como membro participante. Abordagens atuais da Geografia têm buscado práticas pedagógicas que permitam apresentar aos alunos os diferentes aspectos de um mesmo fenômeno em diferentes momentos da escolaridade. ou trabalho de leitura. dessa forma. a janela de onde se vê a rua. de modo que os alunos possam construir compreensões novas e mais complexas a seu respeito. as novas políticas econômicas. sobrepondo-se às percepções e interpretações subjetivas e/ou singulares por outras padronizadas e pretensamente universais. de forma descontextualizada do lugar ou do espaço no qual se encontra inserido. nas ciências e nas artes como resultantes de trabalho e experiência coletivos da humanidade. onde se brinca desde menino. a Geografia contribui para que se compreenda como se estabelecem as relações locais com as universais. registro. descrição. a mídia traz à tona valores a serem incorporados e posturas a serem adotadas. afetivamente ligado. representação e pesquisa dos fenômenos . Este discurso sempre parte de alguma noção ou conceito chave e versa sobre algum fenômeno social. espaço geográfico. a maneira mais comum de se ensinar Geografia tem sido através do discurso do professor. O estudo de Geografia possibilita. Desde as primeiras etapas da escolaridade. aos alunos. observação. como e porque suas ações. de erros e acertos nos âmbitos da política e da ciência. o professor avalia. tanto em nível local como mundial. o alto de uma colina. estão associados à força da imagem. Além disso. A Geografia estaria. como o contexto mais próximo contém e está contido em um contexto mais amplo e quais as possibilidades e implicações que essas dimensões possuem. numa reflexão direta e imediata sobre o espaço geográfico e o lugar. Há uma multiplicidade de questões que. No mundo atual. para serem entendidas. toma para si a tarefa de impor e inculcar um modelo de mundo.a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça. confundindo no imaginário aquela que é real e a que se deseja como ideal. portanto. 2. Além disso. em relação aos valores humanos ou à natureza. documentação. O lugar é onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico. Permite também que adquiram conhecimentos para compreender as diferentes relações que são estabelecidas na construção do espaço geográfico no qual se encontram inseridos. têm conseqüências — tanto para si como para a sociedade. individuais ou coletivas. Pela imagem.

suas paisagens e território. Contribui para a formação de uma consciência conservacionista e ambiental. assim. A territorialidade e a temporalidade dos fenômenos estudados devem ser abordadas de forma mais aprofundada. Entretanto. o estudo da sociedade e da natureza deve ser realizado de forma conjunta. não se deve trabalhar do nível local ao mundial hierarquicamente: o espaço vivido pode não ser o real imediato. das relações que aí se encontram impressas e expressas. Para tanto. No ensino. Deve-se também buscar as relações entre a sociedade e a natureza que aí se encontram presentes. Estudar a paisagem local ao longo dos primeiro e segundo ciclos é aprender a observar e a reconhecer os fenômenos que a definem e suas características. compreendendo-as. culturais ou naturais que compõem a paisagem e o espaço geográfico. no lugar no qual se encontram inseridos. espacializar os fenômenos. pois a força do imaginário social participa significativamente na construção do espaço geográfico e da paisagem. A compreensão de como a realidade local relaciona-se com o contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade. a relação da Geografia com a Literatura. experimentar e comparar servem para construir noções. A paisagem local. O próprio processo de globalização pelo qual o mundo de hoje passa demanda uma compreensão maior das relações de interdependência que existem entre os lugares. o espaço vivido pelos alunos deve ser o objeto de estudo ao longo dos dois primeiros ciclos. levantar problemas e compreender as soluções propostas. analogia e síntese devem ser ensinadas para que os alunos possam aprender a explicar. por exemplo. descrever. compreender e até mesmo representar os processos de construção do espaço e dos diferentes tipos de paisagens e territórios. mesmo que aproximadas e subjetivas. na qual se pensa sobre o ambiente não somente em seus aspectos naturais. Além disso. Tal abordagem visa favorecer também a compreensão. descrição. tem sido redescoberta. o estudo da paisagem local não deve restringir-se à mera constatação e descrição dos fenômenos que a constituem. por parte dos alunos. pois são muitos e variados os lugares com os quais os alunos têm contato e. que são capazes de pensar sobre. cultura. situando-as em diferentes escalas espaciais e temporais. políticas e ambientais relevantes na atualidade. descrever. proporcionando um trabalho que provoca interesse e curiosidade sobre a leitura do espaço e da paisagem. conferindolhes significados. mas também culturais. comparando-as. de modo cada vez mais abrangente. Os problemas socioambientais e econômicos — como a degradação dos ecossistemas. lançando mão de outras fontes de informação. permanências e transformações que aí se encontram em interação. A Geografia. sobretudo. A observação. é possível também nos terceiro e quarto ciclos propor estudos que envolvam o simbólico e as representações subjetivas. professores e alunos deverão procurar entender que ambas — sociedade e natureza — constituem a base material ou física sobre a qual o espaço geográfico é construído. na busca e formulação de hipóteses e explicações das relações. Para tanto. desde os ciclos iniciais. enfim. que o professor crie e planeje situações nas quais os alunos possam conhecer e utilizar esses procedimentos. É possível aprender Geografia desde os primeiros . comparar e construir explicações. o ensino de Geografia deve intensificar ainda mais a compreensão. Nos ciclos subseqüentes. tem buscado um trabalho interdisciplinar. Porém. por exemplo — podem ser abordados a fim de promover um estudo mais amplo de questões sociais. É fundamental. Mesmo na escola. e o que acontece em outros lugares do mundo. as noções de sociedade. de que ele próprio é parte integrante do ambiente e também agente ativo e passivo das transformações das paisagens terrestres. o crescimento das disparidades na distribuição da riqueza entre países e grupos sociais. pois os alunos já podem construir compreensões e explicações mais complexas sobre as relações que existem entre aquilo que acontece no dia-a-dia. dos processos envolvidos na construção do espaço geográfico. representar. Isso não significa que os procedimentos tenham um fim em si mesmos: observar.sociais. bem como das noções de espacialidade e territorialidade intrínsecas a esse processo. para conhecer e começar a operar com os procedimentos e as explicações que a Geografia como ciência produz. econômicas. ao pretender o estudo dos lugares. por parte do aluno. trabalho e natureza são fundamentais e podem ser abordadas através de temas nos quais as dinâmicas e determinações existentes entre a sociedade e a natureza sejam estudadas de forma conjunta. para além de uma abordagem descritiva da manifestação das forças materiais. experimentação.

copiá-los. compreender e espacializar as múltiplas relações que diferentes sociedades em épocas variadas estabeleceram e estabelecem com a natureza na construção de seu espaço geográfico. em particular para o desempenho das funções de cidadania: cada cidadão ao conhecer as características sociais. com a nação brasileira. assim. por parte dos alunos. localizáveis no tempo e no espaço. Também as produções musicais. entender o trajeto dos mananciais. povos e etnias distintos em suas . Na escola. quando. Pede uma cartografia conceitual. e assim pode comparar. que definem grupos sociais. hipóteses e conceitos. os mapas.ciclos do ensino fundamental através da leitura de autores brasileiros consagrados — Jorge Amado. Para isso. estudar situações. tanto para ler mapas como para representar o espaço geográfico. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia. Érico Veríssimo.. É preciso que o professor analise as imagens na sua totalidade e procure contextualizá-las em seu processo de produção: por quem foram feitas. comparar. Através dessa linguagem é possível sintetizar informações. entre outras coisas — sempre envolvendo a idéia da produção do espaço: sua organização e distribuição. Também é uma forma de atender a diversas necessidades. culturais e naturais. apoiada numa fusão de múltiplos tempos e numa linguagem específica. escrever os nomes de rios ou cidades. fotos comuns. que faça da localização e da espacialização uma referência da leitura das paisagens e seus movimentos. Através do estudo da Geografia os alunos podem desenvolver hábitos e construir valores importantes para a vida em sociedade. cuja compreensão. ensinando aos alunos que as imagens são produtos do trabalho humano. bem como as de outros lugares. As formas mais usuais de se trabalhar com a linguagem cartográfica na escola é através de situações nas quais os alunos têm de colorir mapas. é preciso partir da idéia de que a linguagem cartográfica é um sistema de símbolos que envolve proporcionalidade. em seus aspectos sociais. em sentido mais abrangente. por sua vez. culturais e naturais do lugar onde vive. perguntar e inspirar-se para interpretar as paisagens e construir conhecimentos sobre o espaço geográfico. das mais cotidianas (chegar a um lugar que não se conhece. Para tanto. A aquisição desses conhecimentos permite uma maior consciência dos limites e responsabilidades da ação individual e coletiva com relação ao seu lugar e a contextos mais amplos. Mas esse tratamento não garante que eles construam os conhecimentos necessários. A Geografia trabalha com imagens. desde o início da escolaridade. compreender zonas de influência do clima). com que finalidade. uso de signos ordenados e técnicas de projeção. de escala nacional e mundial. como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço. Devem permitir também o desenvolvimento da consciência de que o território nacional é constituído por múltiplas e variadas culturas. fotos aéreas. etc. O estudo da linguagem cartográfica. memorizar as informações neles representadas. gravuras e vídeos também podem ser utilizados como fontes de informação e de leitura do espaço e da paisagem. filmes. A cartografia é um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a pré-história até os dias de hoje. valorizando os aspectos socioambientais que caracterizam seu patrimônio cultural e ambiental. entre outros — cujas obras retratam diferentes paisagens do Brasil. a fotografia e até mesmo o cinema são fontes que podem ser utilizadas por professores e alunos para obter informações. cujas intencionalidades podem ser encontradas de forma explícita ou implícita. e tomar esses dados como referência na leitura de informações mais particularizadas. Graciliano Ramos. Os conteúdos selecionados devem permitir o pleno desenvolvimento do papel de cada um na construção de uma identidade com o lugar onde vive e. por exemplo) às mais específicas (como delimitar áreas de plantio. Critérios de seleção e organização dos conteúdos de Geografia Adquirir conhecimentos básicos de Geografia é algo importante para a vida em sociedade. tem cada vez mais reafirmado sua importância. 3. recorre a diferentes linguagens na busca de informações e como forma de expressar suas interpretações. A escola deve criar oportunidades para que os alunos construam conhecimentos sobre essa linguagem nos dois sentidos: como pessoas que representam e codificam o espaço e como leitores das informações expressas através dela. expressar conhecimentos. a seleção de conteúdos de Geografia para o ensino fundamental deve contemplar temáticas de relevância social. Guimarães Rosa. explicar. se mostra essencial para sua formação como cidadão.

essenciais na construção do instrumental necessário para uma compreensão de como a Geografia trabalha e se constitui como um campo de conhecimento. pode-se identificar a singularidade do saber geográfico. dentro de suas possibilidades. seus processos de construção. políticas e culturais que resultaram numa apropriação histórica da natureza pela sociedade. identificando suas relações. Objetivos gerais do ensino de Geografia para o ensino fundamental Espera-se que. identificar e avaliar as ações dos homens em sociedade e suas conseqüências em diferentes espaços e tempos de modo construir referenciais que possibilitem uma participação propositiva e reativa nas questões socioambientais locais. empenhar-se em democratizá-las. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens. a analogia. a paisagem. • • • • • • . passíveis de serem ampliadas a partir do conhecimento geográfico. 4. compreender que as melhorias nas condições de vida. ou seja. de perceber e sentir a natureza. a representação. da paisagem e do lugar.percepções e relações com o espaço e de atitudes de respeito às diferenças socioculturais que marcam a sociedade brasileira. A observação. Procurou-se delinear um trabalho a partir de algumas categorias consideradas essenciais: espaço geográfico. de modo a interpretar. de como as diferentes sociedades estabeleceram relações sociais. Para que os alunos possam ler e interpretar as informações que recebem e compreendê-las do ponto de vista geográfico é preciso que construam procedimentos de análise com os quais o próprio saber geográfico opera. entre outras. Tais noções — espacialidade e temporalidade —. Outro critério importante na seleção de conteúdos refere-se às categorias de análise da própria Geografia. seu uso em múltiplas situações cotidianas e de pesquisa. a descrição. que ainda não são usufruídas por todos os seres humanos e. ao longo dos oito anos do ensino fundamental. Foram considerados também critérios que atendem ao desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos relativas às noções de espaço e de tempo. paisagem. os direitos políticos. porém é importante estudar a extensão de uma paisagem e o papel histórico de sua posição geográfica. procedimentos e atitudes relacionados à Geografia. de modo a compreender o papel das sociedades em sua construção e na produção do território. Os conteúdos a serem estudados devem promover a compreensão. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. compreender a espacialidade e temporalidade dos fenômenos geográficos estudados em suas dinâmicas e interações. o território e o lugar. podem ser trabalhadas através de conteúdos de outras áreas. saber utilizar a linguagem cartográfica para obter informações e representar a espacialidade dos fenômenos geográficos. através das diferentes formas de organização do trabalho. tais como a Matemática. fazer leituras de imagens. que lhes permitam ser capazes de: • conhecer a organização do espaço geográfico e o funcionamento da natureza em suas múltiplas relações. A partir delas. os alunos construam um conjunto de conhecimentos referentes a conceitos. por parte dos alunos. de nela intervir e transformá-la. não apenas sua localização. problemas e contradições. Questões relativas aos procedimentos de pesquisa da Geografia também foram consideradas na seleção e organização de conteúdos. o registro e a documentação. A Geografia trabalha com a espacialidade dos fenômenos em sua temporalidade. a realidade como uma totalidade de processos sociais e naturais numa dimensão histórica e cultural. a Arte e a Educação Física. território e lugar sintetizam aspectos da organização espacial e possibilitam a interpretação dos fenômenos que a constituem em múltiplos espaços e tempos. conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para compreender o espaço. os avanços técnicos e tecnológicos e as transformações socioculturais são conquistas decorrentes de conflitos e acordos. a explicação e a síntese são procedimentos que devem ser trabalhados ao longo de toda a escolaridade.

evitando estudos restritos às idéias e temas que já dominam e pouco promovem a ampliação de seus conhecimentos e hipóteses acerca da presença e do papel da natureza na paisagem local. através da arquitetura. Observar. Quando se estuda a paisagem local. permanências e transformações.1. têm acesso ao conhecimento produzido por seus familiares e pessoas próximas e. sítio. É possível analisar as transformações que esta sofre por causa de atividades econômicas. muitas vezes. mesmo que ainda não tenham tido contato com o conhecimento geográfico de forma organizada. É fundamental também que o professor conheça quais são as idéias e os conhecimentos que seus alunos têm sobre o lugar em que vivem. Ensino e aprendizagem No primeiro ciclo. o estudo da Geografia deve abordar principalmente questões relativas à presença e ao papel da natureza e sua relação com a ação dos indivíduos. mas sim a seleção das informações que sugerem certas explicações e possuem relação com as hipóteses daquele que observa e descreve. explicações para os fenômenos que aí se encontram presentes. O estudo das manifestações da natureza em suas múltiplas formas. Para tanto. Por exemplo. Do mesmo modo. mas sim de olhar intencionalmente. elaborar perguntas. por sua vez. um processo de compreensão mais ampla das noções de posição. 5. da sociedade na construção do espaço geográfico. Ensinar os alunos a ler uma imagem. da distribuição da população. da divisão e constituição do trabalho. Desde o primeiro ciclo é importante que os alunos conheçam alguns procedimentos que fazem parte dos métodos de operar da Geografia. fronteira e extensão que caracterizam a paisagem local e as paisagens de forma geral. A descrição. cabe a ele estimular e intermediar discussões entre os próprios alunos. descrever. reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos e um elemento de fortalecimento da democracia. O principal cuidado é ir além daquilo que já sabem. o professor pode levá-los a compreender que não se trata apenas de olhar um pouco mais detidamente. a observar uma paisagem ou ainda a ler um texto — mesmo que a leitura não seja realizada diretamente por eles — para pesquisar e obter informações faz parte do trabalho do professor desse ciclo. na maioria das vezes. das formas de lazer e inclusive através de suas próprias características biofísicas pode-se observar a presença da natureza e sua relação com a vida dos homens em sociedade. não deve ser apenas uma listagem aleatória do que se observa. é ponto de partida para uma compreensão mais ampla das relações entre sociedade e natureza. às informações veiculadas pelos meios de comunicação. deve-se procurar estabelecer relações com outras paisagens e lugares distantes no tempo ou no espaço. o momento de ingresso da criança na escola. Por exemplo. para que elementos de comparação possam ser utilizados na busca de semelhanças e diferenças.• valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sociodiversidade. hábitos culturais ou questões políticas. Inicia-se. mesmo os alunos estando em processo de alfabetização. a paisagem local e o espaço vivido são as referências para o professor organizar seu trabalho. aquilo que observaram ou aprenderam é . é possível também compreender por que a natureza favorece o desenvolvimento de determinadas atividades e não de outras e. presentes na paisagem local. os alunos são portadores de muitas informações e idéias sobre o meio em que estão inseridos e sobre o mundo. sobre outros lugares e a relação entre eles. Vale lembrar que esse ciclo é. para que possam aprender a compartilhar seus conhecimentos. expressas de diferentes maneiras no próprio meio em que os alunos estão inseridos. dos grupos sociais e. da mesma forma que o conhecimento construído expresso através de textos. disparadas pelo assunto ou problema em estudo. dos hábitos alimentares. representar e construir explicações são procedimentos que podem aprender a utilizar. reciprocamente. em relação à observação. confrontar suas opiniões. mesmo que ainda o façam com pouca autonomia. Do mesmo modo. assim. fontes escritas devem estar presentes nos estudos realizados. Primeiro ciclo 5. individual ou coletivamente. de forma geral. Assim. necessitando da presença e orientação do professor. Propor que os alunos registrem por escrito. conhecer as influências que uma exerce sobre outra. assim. nem sempre visíveis de imediato. em busca de respostas. Afinal. Esses conhecimentos devem ser investigados para que o professor possa criar intervenções significativas que provoquem avanços nas concepções dos alunos. ouvir seus semelhantes e se posicionar diante do grupo.

fundamentais para a compreensão e uso da linguagem cartográfica. Além disso. as imagens e as percepções que têm da paisagem local. nem na leitura. o trabalho com imagens e a representação dos lugares são recursos didáticos interessantes através dos quais os alunos poderão construir e reconstruir. nos hábitos cotidianos. A Geografia pode trabalhar com recortes temporais e espaciais distintos dos da História. as diferentes manifestações da natureza e a apropriação e transformação dela pela ação de sua coletividade. A partir de situações nas quais compartilhem e explicitem seus conhecimentos. Além disso. plantas e maquetes — de boa qualidade e atualizados —. o professor pode criar outras nas quais possam esquematizar e ampliar suas idéias de distância. de maneira cada vez mais ampla e estruturada. é uma forma interessante de propor que os alunos comecem a utilizar mais objetivamente as noções de proporção. O início do processo de construção da linguagem cartográfica acontece mediante o trabalho com a produção e a leitura de mapas simples. reconhecer semelhanças e diferenças nos modos que diferentes grupos sociais se apropriam da natureza e a transformam. Objetivos para o primeiro ciclo Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam capazes de: • reconhecer. nas formas de se expressar e no lazer. uma vez que o funcionamento da natureza e suas determinações na vida dos homens devem ser estudados. Sem perder de vista as especificidades de cada uma das áreas. Com a área de Ciências também há uma afinidade peculiar nos conteúdos desse ciclo. direção e orientação. no seu cotidiano. O estudo do meio. de seu grupo social. assim. pressupõe uma inter-relação entre essas disciplinas.uma maneira de aproximá-los de procedimentos essenciais — ler e escrever — não apenas para o campo da Geografia. É importante. a interface com a História é essencial. • • • • • . estabelecer comparações. 5. sobretudo através de ilustrações e da linguagem oral. embora não possa construir interpretações de uma paisagem sem buscar sua historicidade.2. o professor pode aproveitar o que há em comum para tratar um mesmo assunto sob vários ângulos. Desenhar é uma maneira de expressão característica desse segmento da escolaridade e um procedimento de registro utilizado pela própria Geografia. interpretar as múltiplas relações entre a sociedade e a natureza de um determinado lugar. conscientizando-se de seus vínculos afetivos e de identidade com o lugar no qual se encontram inseridos. conhecer e comparar a presença da natureza. os referenciais espaciais de localização. alguns procedimentos básicos. tanto nas problematizações quanto nos conteúdos e procedimentos. globo terrestre. conhecer e começar a utilizar fontes de informação escritas e imagéticas utilizando. Uma abordagem que pretende ler a paisagem local. que o professor desse ciclo trabalhe com diferentes tipos de mapas. seja para comunicar. na paisagem local e no lugar em que se encontram inseridos. O trabalho com a construção da linguagem cartográfica. A imagem como representação também pode estar presente. através de situações nas quais os alunos possam interagir com eles e fazer um uso cada vez mais preciso e adequado deles. expressa na paisagem local. reconhecer. por sua vez. distância e direção. orientação e distância de modo a deslocar-se com autonomia e representar os lugares onde vivem e se relacionam. com as manifestações da natureza presentes em outras paisagens. para tanto. seja para obter e interpretar informações. mas também para o desenvolvimento de procedimentos importantes na vida de todo estudante. atlas. identificando suas determinações nas relações de trabalho. em situações significativas de aprendizagem nas quais os alunos tenham questões a resolver. E como na construção de outras linguagens mesmo inicialmente não se deve descaracterizá-la nem na produção. saber utilizar a observação e a descrição na leitura direta ou indireta da paisagem. deve ser realizado considerando os referenciais que os alunos já utilizam para se localizar e orientar no espaço.

Conservando o ambiente Este tema proporciona a compreensão das diferentes relações que indivíduos. Entretanto. coletiva ou individualmente — na construção do espaço geográfico. reunidos no estudo da paisagem local. aqueles selecionados devem tratar da presença e do papel da natureza e sua relação com a vida das pessoas — seja em sociedade. Este tema evoca também pesquisas sobre como diferentes grupos sociais — índios.• reconhecer a importância de uma atitude responsável de cuidado com o meio em que vivem. investigando como pessoas de diferentes espaços e tempos utilizam técnicas e instrumentos distintos de trabalho na apropriação e transformação dos elementos naturais disponíveis na paisagem local. produção e conservação de alimentos. trabalhar com um ou mais blocos ao mesmo tempo.3. Transformando a natureza: diferentes paisagens Este tema proporciona um estudo sobre os motivos. Seguem sugestões de blocos temáticos que podem ser estudados com os alunos.1. enfocando as múltiplas relações e determinações dos homens em sociedade com a natureza nessa trajetória. por exemplo. 5. identificando como elas estão próximas ou distantes de seu cotidiano e quais as suas implicações na vida das pessoas. a depender das necessidades e problemáticas que julgarem importantes de serem abordadas. as técnicas e as conseqüências da transformação e do uso da natureza. pois se configuram como sugestões e não devem ser compreendidos como uma seqüência de assuntos a serem aprendidos ou ainda como blocos isolados que não se comunicam entre si. imigrantes. dimensão utilitária da natureza como recurso natural pode ser ultrapassada ao se abordar também suas características biofísicas e as relações afetivas e singulares que as pessoas estabelecem com ela e as manifestam através das artes e das formas de lazer. 5. dentre os muitos que fazem parte da sociedade brasileira — relacionaram-se ao longo de suas trajetórias com a natureza na . aproximar os alunos do papel do trabalho na transformação da natureza. como as atitudes conservacionistas em relação ao lixo. pesquisando os produtos que participam da vida cotidiana. as tecnologias e as possibilidades de novas formas de se relacionar com a natureza. 5. como a produção de energia solar e as técnicas agrícolas alternativas.3. Pode-se integrá-lo ao estudo da História no que se refere às relações sociais. apresentados de modo amplo. Embora cada unidade escolar e cada professor possa propor os seus.3. grupos sociais e sociedades estabelecem com a natureza no dia-a-dia. Através da observação e descrição. como são feitos e qual a origem dos recursos naturais que estão envolvidos em sua produção. sociais e culturais com as quais têm contato direto ou indireto. Tudo é natureza A principal noção a ser trabalhada através deste tema é a presença da natureza em tudo que está visível ou não na paisagem local. Pode-se também abordar a categoria território ao se tratar da questão ambiental como política de conservação e apresentar aos alunos o conceito de Áreas Protegidas e Unidades de Conservação através da pesquisa sobre suas tipologias e seus objetivos.2. evitando o desperdício e percebendo os cuidados que se deve ter na preservação e na manutenção da natureza. ainda. Através da leitura de imagens. negros. saneamento básico. É possível. os alunos podem reconhecer essa presença em seus hábitos cotidianos. Através de problematizações de situações vividas no lugar no qual os alunos se encontram inseridos — seja ele o bairro. Devem ser estudados o modo de produzir e fazer do cotidiano. A visão global de natureza expressa na paisagem local pode ser realizada através dos hábitos de consumo. abastecimento de água. O professor pode. por exemplo. É possível ainda introduzir os modos de produzir considerados alternativos.3.3. por exemplo. a cidade ou o país — pode-se discutir o comportamento social e suas relações com a natureza. Essa percepção pode ser ampliada através da comparação com a presença da natureza em outros bairros. pode-se conhecer a trajetória da constituição da paisagem local e compará-la com a trajetória de diferentes paisagens e lugares. em diferentes regiões do Brasil e em outros lugares do mundo. 5. culturais e econômicas. caiçaras. Blocos temáticos e conteúdos: o estudo da paisagem local São muitos e variados os temas que podem ser pesquisados a partir do estudo da paisagem local. na configuração e localização de seu bairro e de sua cidade ou ainda nas atividades econômicas.

legitimidade e como alteram e determinam a configuração dos lugares. são apresentados em forma de lista. desenhos. assim. entre outras. os alunos devem ter avaliadas suas conquistas numa perspectiva de continuidade aos seus estudos. Quais foram as razões que os fizeram morar ali (vínculos familiares. de modo a destacar suas dimensões e as principais relações que existem entre eles: • observação e descrição de diferentes formas através das quais natureza se apresenta na paisagem local: nas construções e moradias. as histórias. organização. são eles: • Reconhecer algumas das manifestações da relação entre sociedade e natureza presentes na sua vida cotidiana e na paisagem local.4. como as crianças percebem e lidam com as regras dos diferentes lugares. transformação e uso dos recursos naturais. na organização dos bairros. condições econômicas. como essas regras são expressas de forma implícita ou explícita nas relações sociais e na própria paisagem local. da tecnologia. as transformações sofridas ao longo do tempo. segundo esta proposta de ensino. Outro ponto a ser discutido são as normas dos lugares: como é que se deve agir na rua. tratamento do lixo). asfalto. A avaliação deve ser planejada. da cultura e da política. relativamente aos conhecimentos que serão recontextualizados e utilizados em estudos posteriores. leitura inicial de mapas políticos. no passado e no presente. com auxílio do professor. produção de mapas ou roteiros simples considerando características da linguagem cartográfica como as relações de distância e direção e o sistema de cores e legendas. valorização de formas não predatórias de exploração. Para isso é necessário estabelecer alguns critérios. Esses blocos temáticos contemplam conteúdos de diferentes dimensões: conceituais. dramatizações. saneamento básico. na casa. podendo-se inclusive eleger como objeto de estudo grupos sociais inseridos em paisagens distintas daquelas características do Brasil. lugares de lazer. atlas e globo terrestre. nas formas de lazer. • • • • • • • • 5. na distribuição da população. as manifestações da natureza em seus aspectos biofísicos. postos de saúde. na escola.3.construção do lugar e da paisagem onde vivem. De modo amplo. Pode-se aprofundar a compreensão desses aspectos a partir da forma como percebem a paisagem local em que vivem e procurar estabelecer relações entre o modo como cada um vê seu lugar e como cada lugar compõe a paisagem. É importante discutir tentando encontrar as razões pelas quais elas são estabelecidas dessa forma e não de outra. A seguir. identificação de motivos e técnicas através dos quais sua coletividade e a sociedade de forma geral transforma a natureza: através do trabalho. proximidade do trabalho. nos modos de vida. de suas pesquisas e das conquistas de seus conhecimentos em obras individuais ou coletivas: textos. procedimentais e atitudinais que. O lugar e a paisagem Este tema trata das relações mais individualizadas dos alunos com o lugar em que vivem. entre outras) e quais são as condições do lugar em que vivem (moradia. são considerados como fundamentais para atingir as capacidades definidas para esse segmento da escolaridade. Com este critério avalia-se o quanto o aluno se apropriou da idéia de interdependência entre a sociedade e a natureza e se reconhece aspectos dessa relação na paisagem local e . caracterização da paisagem local: suas origens e organização. identificação da situação ambiental da sua localidade: proteção e preservação do ambiente e sua relação com a qualidade de vida e saúde. exposições. nas artes plásticas. escolas. conhecimento das relações entre as pessoas e o lugar: as condições de vida.4. Critérios de avaliação Ao final do primeiro ciclo. sua utilidade. 5. as relações afetivas e de identidade com o lugar onde vivem.

as determinações político-administrativas que o caracterizam. política e econômica e construindo paisagens urbanas e rurais. sem aprofundar temáticas que explicitem as relações de interdependência e de determinação que existe entre eles e enfocando-se quase que exclusivamente seus aspectos econômicos. em diferentes momentos de sua história. na escola. já não apenas como fator de comparação — tal como foi proposto para o primeiro ciclo — mas sim como conteúdos a serem aprendidos. buscaram superar seus problemas cotidianos. É importante ressaltar que o urbano e o rural são tradicionalmente trabalhados na escola. Com este critério avalia-se se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartográfica como um sistema de representação que possui convenções e funções específicas. suas paisagens. Ensino e aprendizagem No segundo ciclo. Diferentes paisagens regionais devem ser apresentadas e trabalhadas com os alunos. as semelhanças e diferenças entre os modos de vida que aí se constituem. o estudo da Geografia deve abordar principalmente as diferentes relações entre as cidades e o campo em suas dimensões sociais.no lugar em que se encontra inserido. das tecnologias. alguns aspectos naturais e culturais da paisagem. da informação. fronteira e extensão das paisagens são. O estudo das tecnologias permite compreender como as sociedades. Entretanto. transformando a natureza. Também deve-se avaliar se conhece alguns dos processos de transformação da natureza em seu contexto mais imediato. • Ler. de modo geral. compararem e compreenderem essas relações. Segundo ciclo 6. mas sobretudo federais. É possível. da comunicação e do transporte. A configuração territorial igualmente pode ser tratada. assim. de sobrevivência. criando novas formas de organização social. pois as relações entre as paisagens urbanas e rurais estão permeadas por decisões político-administrativas promovidas não apenas por instâncias regionais. As possibilidades advindas do desenvolvimento tecnológico e do aprimoramento técnico para o . Atualmente. Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de distinguir. culturais e ambientais e considerando o papel do trabalho. perceber como as paisagens urbanas e rurais foram se configurando e estão profundamente interligadas. outras escalas podem ser abordadas e analisadas. regiões e. explicitando-se a predominância do urbano sobre o rural. a partir de um estudo nessa escala. através da observação e da descrição. se mostram interessantes e pertinentes de serem trabalhados.1. tais como cor. o que garante a possibilidade dos alunos de ampliarem as noções e conhecimentos que haviam anteriormente construído a respeito. percebendo nela elementos que expressam a multiplicidade de tempos e espaços que a compõe. interpretar e representar o espaço através de mapas simples. relações de direção e orientação. como foram constituídas ao logo do tempo e ainda o são e como sintetizam múltiplos espaços geográficos. inclusive ao longo do segundo ciclo. Se é capaz também de comparar algumas das diferenças e semelhanças existentes entre diferentes paisagens. função de representar o espaço e suas características. retomadas. As múltiplas dinâmicas existentes entre as cidades e o campo. os relógios naturais e mecânicos que controlam a vida nas cidades e no campo e que impõem ritmos de vida diferentes tornaram-se temas de investigação da própria Geografia e. Questões relativas à posição. delimitar as relações de vizinhança. o urbano e o rural são compreendidos para além de seus aspectos econômicos ou da descrição compartimentada dos fenômenos sociais e naturais que os caracterizam. símbolos. • Reconhecer e localizar as características da paisagem local e compará-las com as de outras paisagens. localização. A paisagem local pode conter elementos fundamentais para os alunos observarem. as formas de trabalho e a produção e percepção do espaço e da paisagem. 6. Entretanto. costuma-se estudar apenas suas características de forma descritiva e isolada. de modo que venham a construir uma noção mais ampla sobre o território brasileiro. O objetivo central é que os alunos construam conhecimentos a respeito das categorias de paisagem urbana e paisagem rural.

etc. etc. a familiaridade com a rotina escolar e com o conhecimento escolarizado também torna possível desenvolver estudos e pesquisas mais complexos. embora este ainda deva atuar como intermediário entre o conhecimento dos alunos e o conhecimento geográfico. os relatos. paisagem e lugar e dos procedimentos básicos do fazer geográfico. automóvel. aos pontos cardeais. por sua vez. e até mesmo as vivências diretas ou indiretas que possuem com o mundo do trabalho compartilhadas a fim de ampliar seus conhecimentos sobre o seu papel na estruturação do espaço. em escala regional. criando situações significativas de aprendizagem que aproximem os alunos das categorias de espaço geográfico. A preocupação fundamental é que os alunos construam as primeiras noções sobre o papel da informação. a cartografia —. descrição. rádio. podem estar apoiadas em diferentes fontes de informação e recursos didáticos — como os estudos do meio. agrarização e industrialização e as transformações ocorridas no próprio conceito de trabalho devem ser apresentadas aos alunos desse ciclo. nacional e até mesmo mundial. Assim. expressas através de trabalhos mais completos. . a música. escritos ou apoiados em múltiplas linguagens — como ilustração. transportes. embora seja possível abordar de forma mais aprofundada as noções de distância. O estudo da informação. a narrativa literária. trem. as tecnologias que os alunos conhecem e/ou dominam podem gerar temas de estudo. direção e orientação e iniciar um trabalho mais aprofundado com as noções de proporção e escala. ribeirinhos. é possível ainda estudar como diferentes grupos sociais se valeram de tecnologias singulares na construção e definição de seu espaço: como grupos indígenas. relacionados com o espaço vivido e outros mais distantes. da comunicação e dos transportes na constituição dessas paisagens e nas múltiplas relações que existe entre o local. o conceito de trabalho pode ser construído por eles através de compreensões mais amplas do que aquela comumente presente nessa etapa da escolaridade: a do trabalho apenas como profissão. como no ciclo anterior. Atividades nas quais os alunos tenham que refletir. como incorporam outras técnicas em seu dia-a-dia de trabalho e de lazer. realizando analogias e sínteses mais elaboradas. Quando abordado através da escala local e do território. imigrantes japoneses — entre outros — construíram. intenções e conseqüências das relações entre os lugares.processo de urbanização. às divisões e contornos políticos dos mapas. do tempo e da sociedade na qual se encontram inseridos. Nas escalas regional e nacional. meio ambiente. explicação e representação permitem que eles sejam capazes de consultar e processar fontes de informação com maior independência e que construam compreensões mais complexas. O estudo sobre a representação do espaço segue de modo semelhante ao primeiro ciclo. questionar. Os instrumentos. — permite uma compreensão dos processos. mapas. e permite que os alunos trabalhem de forma mais independente da mediação do professor. maquetes. lazer. bem como um posicionamento mais propositivo frente a questões relativas às condições de vida (saúde. promovendo uma compreensão mais ampla e crítica da realidade. ao superar uma abordagem descritiva de seus meios — televisão. o estudo de diferentes culturas.) da coletividade. técnicas singulares e as utilizaram como instrumentos de trabalho na estruturação de seu espaço geográfico. da comunicação e do transporte. Os referenciais de localização. Já se pode esperar que os alunos compreendam que para representar o espaço é preciso obedecer a certas regras e convenções postuladas pela linguagem cartográfica e comecem a dominá-las na produção de mapas simples. as entrevistas. território. é importante promover também situações nas quais os alunos percebam e compreendam a tecnologia em seu próprio cotidiano. o regional e o mundial. ao sistema de cores e legendas podem e devem ser trabalhados. educação. A maior autonomia em relação à leitura e à escrita e o domínio crescente dos procedimentos de observação. No segundo ciclo. e no presente. como encontram-se esses mesmos grupos frente ao avanço tecnológico. Além disso. através de observação e comparação da presença dela em seu meio familiar e em seu dia-a-dia de forma geral. permite aproximar os alunos das dinâmicas existentes entre as paisagens urbanas e rurais. as possibilidades de aprendizagem dos alunos ampliam-se em vários aspectos. caiçaras. comunicar e compreender informações expressas através dessas regras e convenções — e não apenas descrevê-las e memorizá-las — podem ser planejadas pelo professor para que as conheçam e aprendam a utilizá-las. seminários. no passado. os modos de fazer. por exemplo. Nesse sentido. a pintura. Essas situações de aprendizagem.

descrição. o imaginário. as intenções políticas e econômicas. da informação. plantas e fotos aéreas. conhecer e compreender algumas das conseqüências das transformações da natureza causadas pelas ações humanas. Nesse momento da escolaridade passa a ser interessante também discutir com os alunos a linguagem cartográfica como uma produção humana.2. distância.Também no que se refere à leitura. Estudar a história da cartografia é uma forma adequada de aproximar a História e a Geografia num estudo sobre como diferentes sociedades em tempos e espaços distintos percebiam e representavam seu entorno e o mundo: as técnicas e os conhecimentos. valorizar o uso refletido da técnica e da tecnologia em prol da preservação e conservação do meio ambiente e da manutenção da qualidade de vida. não só passa a ser pertinente como também fundamental para que os alunos ampliem seus conhecimentos sobre essa linguagem. como a História. as relações existentes entre o mundo urbano e o mundo rural. Continua sendo papel fundamental do professor considerar os conhecimentos que os alunos já possuem para planejar situações de ensino e aprendizagem significativas e produtivas. bem como a adequação de suas propostas. atlas. o direito de todos a uma vida plena num ambiente preservado e saudável. presentes na paisagem local e em paisagens urbanas e rurais. aos hábitos cotidianos. tamanho. a Arte e a Matemática podem. seja através de fontes escritas ou imagéticas. clima. registro. no lugar no qual se encontram inseridos. quando possível. às construções e moradias. ampliar a compreensão por parte dos alunos. orientação e proporção para garantir a legibilidade da informação. reivindicando. da comunicação e dos transportes na configuração de paisagens urbanas e rurais e na estruturação da vida em sociedade. • • • • • • • . população. Para isso. saber utilizar os procedimentos básicos de observação. é preciso conhecer os avanços e os problemas de seus alunos. tradicionalmente representados através da linguagem cartográfica — como relevo. através de suas abordagens e explicações. adotar uma atitude responsável em relação ao meio ambiente. Nesse sentido. bem como as relações que sua coletividade estabelece com coletividades de outros lugares e regiões. vegetação. marcada pelos alcances e limites dos recursos técnicos e das intenções dos sujeitos e das épocas que dela se valem para representar o espaço geográfico. de modo a aperfeiçoar sua ação pedagógica. relativas ao trabalho. 6. Estudar conceitos fundamentais. focando tanto o presente e como o passado. as Ciências. aos múltiplos temas que são representados através dessa linguagem e as razões que determinam a relevância de seu mapeamento podem ser temas de discussão e estudo. distribuição —. globo terrestre e até mesmo de maquetes. o acesso a diferentes tipos de mapas. A interface com as demais disciplinas também deve ser observada. análise e síntese na coleta e tratamento da informação. comparação. a prática do professor deve favorecer uma autonomia crescente na consulta e obtenção de informações através de mapas. Objetivos para o segundo ciclo Espera-se que ao final do segundo ciclo os alunos sejam capazes de: • • reconhecer e comparar o papel da sociedade e da natureza na construção de diferentes paisagens urbanas e rurais brasileiras. reconhecer semelhanças e diferenças entre os modos de vida das cidades e do campo. às expressões de lazer e de cultura. observando a necessidade de indicações de direção. utilizar a linguagem cartográfica para representar e interpretar informações em linguagem cartográfica. os medos e desejos. de modo a proporcionar estudos mais completos sobre um tema que tanto a Geografia. reconhecer. reconhecer o papel das tecnologias.

3. Embora cada unidade escolar e cada professor possa propor os seus. Como diferentes setores da sociedade usam e abusam das tecnologias e quais suas responsabilidades frente ao meio ambiente. Também as semelhanças e as diferenças entre o urbano e o rural podem ser aqui tratadas: discutir o espaço que alguns meios de transporte ocupam. nas relações sociais e econômicas e nos hábitos culturais. etc. É possível estudar a história dos meios de comunicação. nas suas formas. suas características e relações São muitos e variados os temas que podem ser pesquisados a partir do estudo de paisagens urbanas e rurais. são apresentados de modo amplo. como a invenção do rádio. as alterações que imprimem nas paisagens. comunicação e interação Este tema refere-se às alterações que o fluxo de informações fez e faz na vida em sociedade. Até mesmo o território no qual essas paisagens se inserem deve ser considerado. como no primeiro ciclo. Uma abordagem crítica. pois se configuram como sugestões e não devem ser compreendidos como uma seqüência de assuntos a serem aprendidos ou ainda como blocos isolados. das tecnologias. como se relacionam e constituem o espaço e a paisagem no qual se encontram inseridos. da comunicação e do transporte. É possível analisar as alterações que o uso dos computadores trouxe na relação entre os lugares. sua influência no mundo urbano e no mundo rural — que lugares a mídia trata. Distâncias e velocidades no mundo urbano e no mundo rural Este tema diz respeito ao transporte e sua influência na vida em sociedade. reunidos no estudo de paisagens urbanas e rurais. O professor pode aqui. 6. 6.3. da TV. Blocos temáticos e conteúdos: as paisagens urbanas e rurais. Como expressam as paisagens urbanas e rurais. do jornal modificaram a vida das pessoas. Informação. como podem criar novas e múltiplas relações entre os lugares. na fala. nos jornais. Pode-se estudar como as tecnologias aparecem distribuídas nas paisagens e nas diferentes atividades: onde estão. trabalhar com um ou mais blocos ao mesmo tempo. a depender das necessidades e problemáticas relevantes para os alunos. que mudanças ocorreram com a invenção da geladeira ou da energia elétrica.3. Seguem sugestões de blocos temáticos que podem ser estudados com os alunos e que. analisando a descaracterização que os meios de comunicação podem ocasionar. na sua organização. O trabalho e as tecnologias influem nos ritmos da cidade e do campo. Como se relacionam com a vida cotidiana. culturais e ambientais que aí se encontram presentes. aqueles selecionados devem abordar as dimensões sociais. principalmente no comportamento. quem tem acesso a elas. como. como as paisagens são influenciadas umas pelas outras através das imagens veiculadas na televisão. sua criação e seu significado social. a fim de que possam ser abordadas as determinações político-administrativas que aí se encontram presentes. do telefone.1. quais ignora e por que são formas interessantes de discutir com os alunos a informação e a comunicação como fruto do trabalho humano. suas características e relações. no estímulo ao consumo é fundamental para uma compreensão mais ampla deste tema. também. Quem são os atores sociais que definem quais e como se utilizam as tecnologias e quem sofre os prejuízos de seu uso indevido. nas revistas. por quem são utilizadas. Através do estudo comparativo de como diferentes grupos sociais utilizam e elaboram técnicas e tecnologias para superar seus problemas cotidianos e garantir sua sobrevivência. qual seu papel: o conforto e desconforto que trazem. por exemplo. É possível comparar técnicas e tecnologias antigas e modernas — como por exemplo o martelo e a serra elétrica. os alunos podem compreender como o trabalho humano e as diferentes formas de apropriação da natureza constituem e diferenciam espaços geográficos. Por exemplo.3.3. 6. nos desmatamentos. O papel das tecnologias na construção de paisagens urbanas e rurais Este tema enfoca o papel das tecnologias na configuração das paisagens urbanas e rurais. permeado por decisões político-administrativas. o automóvel e as . 6. bem como o papel do trabalho.• conhecer e valorizar os modos de vida de diferentes grupos sociais. que não se comunicam entre si. Analisá-lo a partir das diferenças entre os meios de comunicação. a escola ou a comunidade na qual se encontram inseridos. os benefícios e malefícios.2. da informação. a colheita manual e a industrializada — e avaliar se o que é mais moderno é realmente melhor. no lançamento de poluentes para a atmosfera.

compreensão das funções que o transporte assume nas relações entre as cidades e o campo. de modo a destacar suas dimensões e as principais relações que existem entre eles: • • identificação de processos de organização e construção de paisagens urbanas e rurais ao longo do tempo. comparação entre o uso de técnicas e tecnologias através do trabalho humano nas cidades e no campo. o papel dos transportes coletivos no passado e no presente.4. tais como trânsito. notícias de jornal.implicações de seu uso na configuração das cidades através da construção de vias. reconhecimento do papel da informação e da comunicação nas dinâmicas existentes entre as cidades e o campo. a proporção para garantir a legibilidade das informações. envolvendo modos de vida de diferentes grupos sociais. etc. ou ainda abordar a questão energética. Urbano e rural: modos de vida Através deste tema é possível organizar estudos nos quais os alunos pesquisem e comparem como as paisagens urbanas e rurais definem e possibilitam diferentes modos de vida. entrevistas. túneis.. o modo de vida dos habitantes da região da floresta amazônica. atropelamentos. plantas maquetes. embora ambos possam ser localizados em zonas rurais dessa região. é interessante discutir e comparar as permanências e transformações dos meios de transportes em regiões diferentes: lugares onde se anda a cavalo. como fotografias. Afinal. obras literárias. caracterização e comparação entre as paisagens urbanas e rurais de diferentes regiões do Brasil. da indústria ou da comunicação. músicas. a distância. não pode ser definido segundo um único padrão: ribeirinhos vivem de forma distinta dos grupos indígenas. mapas. estudando-se os combustíveis utilizados pelo transporte. representação em linguagem cartográfica das características das paisagens estudadas através da confecção de diferentes tipos de mapas. às tecnologias e até mesmo à comunicação que existe entre os modos de vida dos grupos sociais estudados podem ser enfocadas.. • • • • • • • • . Nesse sentido. comparação entre os diferentes meios de transporte presentes no lugar onde se vive. aproximando-se do debate entre o moderno e o tradicional. são apresentados em forma de lista. suas implicações na organização da vida em sociedade e nas transformações da natureza. seleção e organização de informações a partir de fontes variadas. entre outras. de barco ou a pé. acidentes.3. tanto do ponto de vista do presente como do passado. reconhecimento do papel das tecnologias na transformação e apropriação da natureza e na construção de paisagens distintas. assim como dos meios de transporte fluviais. por exemplo. Pode-se estudar a utilização do automóvel sob o ponto de vista do trabalho. A seguir. observando seu papel na interdependência que existe entre ambos. são considerados como fundamentais para atingir as capacidades definidas para esse segmento da escolaridade. de saúde e ambientais. os elementos biofísicos da natureza. segundo esta proposta de ensino. procedimentais e atitudinais que. lugares onde existem problemas sociais ligados aos meios de transporte. em contraposição. etc. Esses blocos temáticos contemplam conteúdos de diferentes dimensões: conceituais. os mundos urbano e rural não devem ser focados sem seus atores: os grupos sociais que neles se encontram presentes devem também ser abordados. Questões relativas ao trabalho. a interdependência entre as cidades e o campo. considerando os aspectos da espacialização e especialização do trabalho. observando a necessidade de indicar a direção. 6. levantamento. No entanto. os limites e as possibilidades dos recursos naturais. pontes. predominantes em muitas regiões do Brasil. leitura e compreensão das informações expressas em linguagem cartográfica e em outras formas de representação do espaço como fotografias aéreas. filmes. viadutos.

presentes na paisagem local e em paisagens urbanas e rurais. maquetes e roteiros: direção. os pontos cardeais. às formas de moradia e organização e distribuição da população. Critérios para avaliação Ao final do segundo ciclo. relacionar e compreender de suas manifestações na paisagem local ou na região na qual ele se encontra inserido. descrever. e as relações que sua coletividade estabelece com o campo e/ou outras cidades. são eles: • Reconhecer e comparar os elementos sociais e naturais que compõem paisagens urbanas e rurais brasileiras. orientação. • • 6. da informação. O conhecimento do urbano e do rural pode ser avaliado também a partir daquilo que o aluno é capaz de observar. A avaliação deve ser planejada. o sistema de cores e de legendas. Para isso é necessário estabelecer alguns critérios. • Reconhecer o papel das tecnologias. valorização do uso refletido da técnica e da tecnologia em prol da reabilitação e conservação do meio ambiente e da manutenção da qualidade de vida. Também. explicando alguns dos processos de interação existentes entre elas. • Representar e interpretar informações sobre diferentes paisagens utilizando procedimentos convencionais da linguagem cartográfica. desenhos. Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de utilizar algumas das convenções na produção e na leitura de mapas simples. relaciona e compreende modos de vida das cidades e do campo. aos hábitos cotidianos. Com este critério avalia-se se o aluno reconhece. a divisão e o contorno dos mapas políticos. a produzir conhecimentos técnicos e tecnológicos. se é capaz de perceber e compreender o papel desses conhecimentos na construção de paisagens urbanas e rurais. se é capaz de interpretar informações de . respeito e tolerância por modos de vida e valores de outras coletividades distantes no tempo e no espaço. etc.• organização de pesquisas e reapresentação dos conhecimentos adquiridos em obras individuais ou coletivas: textos. Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de distinguir diferentes paisagens urbanas e rurais brasileiras e de explicar algumas das dinâmicas existentes entre elas. Avalia-se também. relativamente aos conhecimentos que serão recontextualizados e utilizados em estudos posteriores. Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de reconhecer e comparar os modos e as razões que levam diferentes grupos sociais. seminários. inclusive o seu próprio. • Reconhecer semelhanças e diferenças entre os modos de vida das cidades e do campo. proporção. dramatizações. sendo capaz de discernir benefícios e prejuízos por eles causados.4. da comunicação e dos transportes na configuração de paisagens urbanas e rurais e na estruturação da vida em sociedade. assim. localizar alguns lugares e sujeitos que deles podem dispor. exposições. às expressões culturais e de lazer. focando aspectos relativos aos tipos e ritmos de trabalho. distância. os alunos devem ter avaliadas suas conquistas numa perspectiva de continuidade aos seus estudos. • Estabelecer algumas relações entre as ações da sociedade e suas conseqüências para o ambiente Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de conhecer e compreender algumas das conseqüências das transformações da natureza causadas pelas ações humanas.. De modo amplo. etc.

entrevistas ou relatos. tais como a fotografia. lugares e territórios. Conhecer uma paisagem é reconhecer seus elementos sociais. explicar. descrever. tais como obras literárias. torna-se essencial na busca de novas informações que ampliem aquelas que já se possui. as ações individuais e as coletivas. um . a territorialidade e a extensão. um aspecto fundamental é a aquisição de habilidades para ler diferentes tipos de imagens. consultar diferentes fontes de informação. Entretanto. culturais e naturais e a interação existente entre eles. mapas mentais e fotografias aéreas podem também ser utilizados. Através desse levantamento inicial. textos ou pela sistematização das observações que os alunos já fizeram em seu cotidiano. Na sala de aula. tornandose parte de sua cultura. —. Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de utilizar procedimentos básicos do fazer geográfico de observar. relacionar. o que permite aos alunos conhecerem os processos de construção do espaço geográfico. o específico e o geral. Isso corresponde às capacidades que ele desenvolveu para ler uma imagem e a paisagem como uma imagem.1. já possuindo autonomia para realizá-las. o cinema. o professor pode planejar essas situações considerando a própria leitura da paisagem. A partir dessa pesquisa inicial. Por exemplo. é realizado através de aulas expositivas ou da leitura dos textos do livro didático. 7. e que promovam o domínio de procedimentos que permitam aos alunos "ler" a paisagem local e outras paisagens presentes em outros tempos e espaços. é possível trabalhar com esse campo do conhecimento de forma mais dinâmica e instigante para os alunos. comparar e representar paisagens urbanas e rurais. clima. No processo de leitura. 7. dos bens econômicos. explicar. Leitura da paisagem A abordagem dos conteúdos da Geografia insere-se na perspectiva da leitura da paisagem. fotografias. Os trabalhos práticos com maquetes. através de situações que problematizem os diferentes espaços geográficos materializados em paisagens. entendendo que essa leitura não deve ser apenas uma reprodução daquilo que está visível de imediato. formular questões e levantar hipóteses que impliquem investigações mais aprofundadas. de vídeos. demandem novos conhecimentos. • Observar. é também compreender como ela está em permanente processo de transformação e como contém múltiplos espaços e tempos. a observação e a descrição. Uma maneira interessante de iniciar a leitura da paisagem é através de uma pesquisa prévia dos elementos que a constituem. comparar e compreender a necessidade de pesquisar em outras fontes de informação são algumas das capacidades que deve ter desenvolvido. A compreensão geográfica das paisagens significa a construção de imagens vivas dos lugares que passam a fazer parte do universo de conhecimentos dos alunos. A leitura da paisagem pode ocorrer de forma direta — através da observação da paisagem de um lugar que os alunos visitaram — ou de forma indireta — através de fotografias. as imagens da televisão e a própria observação a olho nu tomada de diferentes referenciais (angulares e de distância). descrever. da literatura. Uma mesma imagem pode ser interpretada de muitas maneiras. procurou-se explicitar como e por que tais aspectos podem ser utilizados pelo professor no planejamento de seu trabalho. Saber questionar. a análise e o trabalho com a representação do todo. os grafismos. realizando comparações e sobreposições entre essas informações. Essa pesquisa pode ocorrer apoiada em material fotográfico. de relatos. o professor e os alunos podem problematizar. distribuição da população. O desenvolvimento da leitura da paisagem possibilita ir ao encontro das necessidades do mundo contemporâneo no qual o apelo às imagens é constante. Orientações didáticas O ensino de Geografia. etc.mapas com diferentes temáticas — relevo. que disparem relações entre o presente e o passado. Nestas orientações didáticas. mas também uma primeira interpretação daquilo que se vê. músicas regionais. de forma geral. comparar e representar paisagens urbanas e rurais. a explicação e a interação. a imagem de um condomínio de prédios pode ser lida de modo diferente por um engenheiro construtor.

pois sua história é marcada pelas decisões que venceram e determinaram a sua imagem. Isso significa dizer: induz e deduz sobre a realidade. a quem beneficiou ou prejudicou. No trabalho comparativo é que sobressaem as intencionalidades daqueles que agiram. fazer sua documentação.2. No caso da Geografia. quem decidiu mudar. muitos generalizam a descrição como único procedimento de interpretação. pois permite o confronto de idéias. etc. O trabalho de observação da paisagem deve iniciar pelas características que mais tocam cada um. É importante comparar uma mesma paisagem em tempos diferentes e descobrir como e por que mudou. Explicação e interação A explicação para a Geografia é o procedimento que permite responder o porquê das coisas e dos fenômenos lidos numa paisagem. a explicação é o momento da compreensão das interações dos fatos. rios poluídos ou não.. A descrição é fundamental. na cidade. enfim. dos mapas. pois deve explicar como dois conjuntos de elementos interagem sem deixar de lembrar que tanto a natureza como a sociedade guardam níveis de interações que lhes são específicas internamente. das fotografias comuns. um ecologista. pode-se ver e avaliar os resultados dessas ações. das imagens cotidianas da televisão. para lhe permitir uma identidade. caracterizados tanto pelos elementos sociais quanto pelos naturais. Porém. Aulas descritivas de paisagem não atingem o objetivo de dar ao estudante a capacidade de realizar levantamentos das características visíveis na paisagem. Ou seja. um favelado ou ainda por uma criança do meio rural. sistematizando assim a observação. essa análise deverá estar sempre atenta para as interações entre esses dois elementos da realidade. um político. Ao se introduzir a leitura da paisagem. No caso da Geografia. principalmente as Ciências Naturais. procura sempre decompô-lo em partes. interesses. a análise torna-se complexa. É sabido que a simples descrição dos lugares não esgota a análise do seu objeto. das diferentes interpretações existentes e a constatação das intencionalidades e limitações daquele que observa. . estéticos. a descrição é somente um dos momentos que caracterizam sua metodologia. ou ainda. no município e em outras paisagens são resultados de ações. Além disso. Quando se compara uma paisagem rural de agricultura comercial em confronto com outra de agricultura ecológica. como o objeto da análise é o território e a paisagem. possibilita a elaboração de questionamentos fundamentais sobre o que prevalece numa paisagem. 7. Uma mesma paisagem pode ser comunicada oralmente. as excursões de reconhecimento. Outras ciências as utilizam. textualmente ou em desenho de forma distinta por cada pessoa que a tente representar. busca-se identificar os aspectos que fazem cada um se aproximar dela. na análise de qualquer objeto. Por exemplo.engenheiro de tráfego. A explicação. 7. porém com especificidade de trabalhar a sociedade e a natureza. se apenas fosse descrita a paisagem urbana da cidade de uma capital brasileira. É necessário explicar como aqueles fatores que a constituem se organizaram.3. o uso das imagens aéreas. como a história e a natureza interagiram para permitir seu aparecimento e expansão. grandes e pequenas cidades. Caminha do particular para o geral. Como uma ciência social. Descrição e observação A observação e a descrição como procedimentos do processo do conhecimento não são exclusivas da Geografia. são recursos que podem ajudar o professor. Assim. a comparação das diferentes leituras de um mesmo objeto é muito importante. econômicos. pois estão impressos na paisagem. porque a paisagem não é experimental e sim visual. valores socioculturais. Isso reforça a idéia de que. A leitura da paisagem através da identificação de suas estruturas auxilia também a perceber que muitos problemas enfrentados no bairro. isso levaria a contemplá-la e não ao entendimento da sua presença e de sua essência como cidade. A observação e a descrição são os pontos de partida básicos para início da leitura da paisagem e construção de sua explicação. quando se observa a paisagem. definindo-a como sendo a "descrição da Terra".

portanto. assim. o território e o lugar. A Geografia tem por objetivo buscar a explicação das diferentes paisagens. Os lugares têm. Entretanto. Não se pode consolidá-la. bem como os processos histórico-sociais de sua construção. que se estabeleça alguma forma de fronteira. pode-se chegar a definir a natureza dessas diferenças. pela sua natureza concreta. as experiências de aprendizagem vividas pelos alunos. Hoje. formas de ocupação do solo. a questão da representação espacial. contribuem para uma construção de uma noção espacial mais abrangente e mais complexa. Territorialidade e extensão Nenhum estudo geográfico das formas de interações entre a sociedade e a natureza poderá estar desvinculado da territorialidade ou extensão do fato estudado. Analogia A expressão "analogia" significa comparação. aproveitando-se das experiências dos outros. por outro. .6. É noção enquanto estrutura mental que se constrói desde o nascimento até a formalização do pensamento e é categoria enquanto objeto de estudo da Geografia. por exemplo. é um caminho importante para compreender a espacialidade dos fenômenos (ampliando a noção de espaço). mas permeia praticamente todas as áreas. 7. ao mesmo tempo. e. mas algo inerente ao desenvolvimento dos alunos. nas quais tenham que refletir sobre essa noção nas mais diversas áreas e num ambiente rico em informações. O território é a base física e material da paisagem. cada um guardando suas especificidades. mais do que nunca. com o auxílio da computação gráfica.7. sua extensão e tendências espaciais. A compreensão que o mundo — geograficamente — é o conjunto de singularidades não limita a possibilidade de se buscar soluções para os diferentes problemas que possam existir em cada um deles. fenômenos localizáveis e concretos. A aquisição da noção de espaço é um processo complexo e progressivo de extrema importância no desenvolvimento das pessoas. não sendo um conteúdo em si. serão passíveis de uma representação cartográfica porque sempre definem uma extensão. permitindo. A categoria de espaço geográfico. apenas através de um processo que parte de noções simples e concretas para as mais abstratas. A representação do espaço no estudo da Geografia O espaço é.5. Na escolaridade isso significa dizer que não há apenas uma maneira de construir essa noção: ela não se restringe apenas aos conteúdos da Geografia.4. 7. Por um lado. Sem dúvida. territórios e lugares como resultado de combinações próprias que marcam suas singularidades. de comunicação. inclusive dos territórios em conflito. de circulação de pessoas. Isso facilita sua representação cartográfica. até onde ela pode ser considerada como centro importante dos fluxos comerciais ou de pessoas poderá ser territorialmente representada em mapas. expressa-se numa determinada extensão. etc. Por exemplo: a área de influência de uma cidade. mas. noção e categoria. Por analogias. trata-se de dois aspectos de uma mesma questão. permite a visualização das fronteiras em estado de tensão política. distribuição dos recursos naturais. a cartografia. como uma das importantes disciplinas no estudo da Geografia. com suas contribuições para que os alunos ampliem seus conhecimentos a respeito do espaço enquanto noção e do espaço enquanto categoria da Geografia. deve ter um tratamento didático que possibilite a interação dos alunos. As fronteiras se estabelecem através de diferentes relações de comércio. São. a compreensão do espaço geográfico será trabalhada sempre que se estudar a paisagem. Pode-se dizer que o que caracteriza o espaço mundial são as significativas diferenças entre os lugares. no contexto dos estudos. como se sua aquisição fosse linear e monolítica. O princípio da territorialidade dos fenômenos geográficos definidos pelo processo de apropriação de natureza pela sociedade garante a possibilidade de se estabelecerem os limites e as fronteiras desses fenômenos. é preciso reconhecer a singularidade e a especificidade dos lugares nos processos de sua globalização em nível mundial. portanto. como objeto de estudo dos geógrafos. semelhança de relações. fronteiras territoriais. simultaneamente. vem elaborando uma variedade muito grande de mapas temáticos permitindo estudos sobre fluxos econômicos. Assim sendo. para entender a função social da linguagem cartográfica. o espaço geográfico. A representação cartográfica.

essa é uma linguagem complexa que envolve diferentes aspectos e não é possível aos alunos dar conta de todos. para se fazer mapas não é necessário que se aprenda a lê-los antes. São Paulo: Difel. As crianças sabem fazer coisas como descrever os trajetos que percorrem. CHISTOFOFOCETTI. 1983. São Paulo: Difel. O professor deve também considerar as idéias que seus alunos têm sobre a representação do espaço. e compará-la através de suas sobreposições é algo que a própria Geografia busca fazer e que os alunos dos ciclos iniciais também podem realizar. não sendo o primeiro condição para o segundo. para que a atividade seja significativa e ocorra aprendizagem. A geografia escolar: conteúdos e/ou objetivos?. deve haver situação comunicativa. Perspectivas da geografia. para que. Textos críticos. Aula inaugural da FFLCH/USP. apesar de tudo. não mantêm a proporcionalidade. M. (org. W. direção e distância entre os fatos representados. apropriando-se tanto das convenções como do funcionamento dessa linguagem. M. Compreender e utilizar a linguagem cartográfica. Também. abrangente e complexa. o professor deve abordar. Nesse caso. A situação caracteriza-se dessa forma quando há alguma informação espacial sendo representada e comunicada para algum interlocutor dentro de um contexto social. e PASSINI. C. tanto na produção quanto na leitura. In: Caderno Prudentino de Geografia. se constitui. ao fazê-lo. Isso quer dizer que muitas vezes farão mapas que não respeitam um sistema único de projeções (vertical ou oblíqua). que comunicam algo.Sendo assim. SANTOS. M. pegar um mapa físico da região em que vivem e tentar descobrir quais são os lugares mais altos. 1995. quando ainda têm muita dificuldade em definir outros referenciais espaciais que não estejam vinculados a si mesmos. D. Y. 1995. deve-se considerar que os alunos são capazes de deduzir muitas informações. TUAN. A compreensão desse sistema de representação ocorre quando há sucessivas aproximações aos dois eixos. PEREIRA.). entre outras. gradualmente. organizar um cômodo com seus móveis. A partir desse tipo de conhecimento. D. Assim. In: VESENTINI. 17. Sem dúvida. A. Presidente Prudente: AGB. FOUCHER. 8.-F. R. ou seja. amplia as possibilidades dos alunos de extrair. no presente e no passado. Y. sem dúvida alguma. manter algum tipo de proporcionalidade. respeitar um sistema de projeção. principalmente se a leitura estiver contextualizada e eles estiverem em busca de alguma informação. n. SANTOS. 1989. 1992. isto é. consigam coordená-los. planos ou não planos a partir do conhecimento que têm sobre o lugar e da interpretação das legendas. o professor pode pensar em problematizações que explicitem a necessidade de se representar o espaço e. Bibliografia ALMEIDA. 1991. Espaço geográfico: ensino e representação. Por exemplo. Pensando o espaço do homem. (org. quanto os produtores. a Geografia. dois eixos: a leitura e a produção da linguagem cartográfica. In: Caderno Prudentino de Geografia. 1989. J. Ler em mapas como a população de uma região está distribuída e como o clima e a vegetação também o estão para comparar as informações obtidas e formular hipóteses variadas sobre suas relações é uma forma de se aproximar e compreender os procedimentos através dos quais este campo do conhecimento. A redescoberta da natureza. toporâmico e topofobia no ensino de geografia. São Paulo: Hucitec. E. Ensino. etc. ao fazer a leitura de mapas. novas exigências poderão se evidenciar: criar legendas. cabe ao professor criar diferentes situações nas quais os alunos tenham de priorizar um ou outro aspecto. O topônimo. ou desenhar um "mapa do tesouro". A. Compreender a espacialidade dos fenômenos estudados. as crianças podem tanto ser os usuários.). Presidente Prudente: AGB. comunicar e analisar informações em vários campos do conhecimento — além de contribuir para a estruturação de uma noção espacial flexível. Espaço e lugar: perspectiva da experiência. Lecionar a geografia. LOURENÇO. C. simultaneamente. . 17. leitores. mais baixo. principalmente nos primeiros ciclos. n. 1992. São Paulo: Difel. não sistematizam símbolos. Não se pode perder de vista que a função social da linguagem cartográfica é de comunicação de informações sobre o espaço. São Paulo: Contexto. esclarecer orientação.

2. Presidente Prudente: AGB. Semelhanças e diferenças entre o modo de vida da localidade dos alunos e da cultura indígena 4. A História no ensino fundamental 1. n.1.3. W.1. A comunidade indígena 4. A localidade no presente 4.Ensino Fundamental História MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental . J.3.1.1.3. Objetivos para o primeiro ciclo 4. A localidade 4.3. In: Caderno Prudentino de Geografia. O conhecimento histórico: características e importância social 1. O ensino da geografia no século XXI.1.3. Conteúdos de História: critérios de seleção e organização 4.1.3. Entre a História sagrada e a História profana 1.3.1.SEF PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS História Versão agosto / 1996 Índice 1. Diferenças culturais .1.1.2. Da História aos Estudos Sociais 1.3.2.3. Objetivos gerais da área de História 3.3.1. As famílias e a escola no passado 4. Comunidade indígena 4.1.1.1. Civilização e nacionalismo 1.3. Aprender e ensinar História no ensino fundamental 2.3.1.4. A classe e a escola no presente 4.VESENTINI.4. Eixo temático: História local e do cotidiano 4.2.3. Ensino e aprendizagem 4. 17.3. Primeiro ciclo 4. 1995.1.1.3.1.1.1. A localidade no passado 4.1.2.2.3.1.1.1.1. Conteúdos 4. O retorno da História e da Geografia 1. Caracterização da área de História 1. PCN .1.

1.3.1.2. a primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil estabelecia que "os professores ensinariam a ler. Trabalho com documentos 6. a gramática da língua nacional.1. Organizações e confrontos de grupos sociais e étnicos 5. a Constituição do Império e História do Brasil". os princípios de moral cristã e de doutrina da religião católica e apostólica romana.4.6.3.3. Trabalho com documentos 6. Critérios de avaliação 5. O tempo cronológico 6. Descendência étnicas e sociais da população local 5. Caracterização da área de História 1.).3. Ensino e aprendizagem 5..3.5. Contextos históricos de deslocamentos populacionais 5.2.3.1. Atividades com o tempo 6. Ritmos de tempo 6.1. para o ensino da leitura.3. enquanto esta utilizava-se do conhecimento histórico como catequese.2. Construção de sínteses históricas 6.1. As propostas vigentes no ensino não distinguiam as idéias morais e religiosas das histórias políticas dos Estados e nem dos costumes dos povos. Descendências e deslocamentos populacionais 5. Entre a História Sagrada e a História Profana A partir da constituição do Estado brasileiro a História tem sido um conteúdo constante do currículo da escola elementar.5. no presente e no passado 5.3. Bibliografia 1.6.3.3.1. Problematizações 6.4.1.3. proporcionadas à compreensão dos meninos. A História no ensino fundamental 1.3.3.1.3. Contextos históricos de descendência da população nacional 5. de 1827. preferindo. Organização histórica e temporal 5. As capitais brasileiras 5.1.6. Segundo ciclo 5. O tempo no estudo da História 6. O Decreto das Escolas de Primeiras Letras.1.3. Organizações políticas e administrações urbanas 5.3. Orientações didáticas 6.2. Gerais 6.1.1.1. aquela o utilizava para pretextos cívicos..1.1. A História a ser ensinada compreendia História Civil articulada à História Sagrada. Organização urbana local 5. Objetivos para o segundo ciclo 5.4. Conteúdos 5. Eixo temático: História das organizações populacionais 5. Diferentes tipos de organizações urbanas 5.1.2. Estudos do meio 7. Organizações políticas e sociais de grupos étnicos e sociais.3.4.4.1. O tempo da duração 6.1.1.3. a escrever.1. um instrumento de aprender a moral cristã.1.1.2.3.1.1. No período do Império prevaleceu a .3.1.1.3.3.2.2.1.5. as quatro operações de aritmética (. O texto do decreto revelava que a escola elementar destinava-se a fornecer conhecimentos políticos rudimentares e uma formação moral cristã à população.5. Recursos didáticos 6.

com a criação do Colégio Pedro II. e a inclusão de tópicos sobre História e Geografia Universal. princípios de Aritmética e o ensino da Doutrina Religiosa. a História Universal acabou predominando no currículo. com temas menos áridos. de História Natural. a História aparecia como disciplina optativa do currículo nos programas das escolas elementares. noções de Gramática. Se do ponto de vista do programa curricular a História no Império dividiu-se entre a História Profana e a História Sagrada. como conteúdo integrante de educação moral e religiosa. disciplina que deveria substituir a "Instrução Religiosa". Os planos de estudos das escolas elementares das províncias que as criaram. o ensino de História teria dois objetivos. a História Sagrada também apareceu como matéria constitutiva do programa das escolas elementares. o que fez a História Sagrada predominar sobre a História Civil nacional. Em geral. o mesmo não se poderia afirmar sobre a história ensinada. Os métodos de ensino então aplicados nas aulas de História eram baseados na memorização e na repetição oral dos textos escritos. Mas ao lado da História Nacional. A constituição da História como disciplina escolar autônoma ocorreu apenas em 1837. a transformação do regime político do Império para a República e a retomada dos debates sobre o ensino laico. A ordem dos acontecimentos era articulada pela sucessão de reis e pelas lutas contra os invasores estrangeiros. mas manteve-se a História Sagrada. A História do Brasil foi introduzida no ensino secundário depois de 1855 e. a nacional" como disciplinas "permitidas" pelas autoridades e consideradas facultativas ao ensino elementar.presença do ensino religioso no currículo escolar das escolas de primeiras letras e no nível secundário. na maioria das vezes. Os programas de História do Brasil seguiam o modelo consagrado pela História Sagrada. aliando-se à Instrução Cívica. o primeiro colégio secundário do país. principalmente. Por volta de 1870. com a adoção dos preceitos metodológicos das chamadas "lições de coisas". logo após. No final da década de 1870 foram feitas novas reformulações dos currículos das escolas primárias visando criar um programa de História Profana mais extenso e eliminar a História Sagrada. substituindo as narrativas morais sobre a vida dos santos por ações históricas realizadas pelos heróis considerados construtores da nação. responsáveis pela condução do Brasil ao destino de ser uma "grande nação". Serviria como lições de leitura. História do Brasil e História Regional. restringindo-se à fala do professor e aos poucos livros didáticos compostos segundo o modelo dos catecismos . A precariedade das escolas elementares indicavam que entre as propostas de ensino e sua efetivação na sala de aula existiu sempre um hiato. Os materiais didáticos eram escassos. foram desenvolvidos programas para as escolas elementares. Como a regulamentação da disciplina seguiu o modelo francês. instituíam "noções de geografia e de história. visando dar legitimidade à aliança estabelecida entre o Estado e a Igreja. As disciplinas consideradas facultativas raramente eram ensinadas. as salas de aula eram palco de uma prática bastante simplificada. especialmente governantes e clérigos. de tal forma que a história culminava com os "grandes eventos" da "Independência" e da "Constituição do Estado Nacional". visando dessa vez a separação entre o Estado e a Igreja Católica e sua ampliação para outros segmentos sociais. os programas curriculares das escolas elementares foram sendo ampliados com a incorporação das disciplinas de ciências físicas. que apesar de público era pago e destinado às elites. sob influência das concepções cientificistas que travaram um embate com os setores conservadores ligados a um ensino moralizante dominado pela Igreja Católica. Tal fato traduzia a atmosfera das discussões sobre o fim da escravidão. "para incitar a imaginação dos meninos" e para fortificar o "senso moral". as autoridades escolares exigiam dos professores o cumprimento mínimo da parte obrigatória composta de leitura e escrita. Para os educadores desejosos de ampliar as disciplinas do ensino elementar. Apesar das intenções legislativas. Por isso.

juntamente com a História da Civilização. como a Revolução Francesa. que identificava os Tempos Antigos com o tempo bíblico da criação. a implantação da República. e considerava-se que aprender história reduzia-se a saber repetir as lições recebidas. Como resultado das disputas. portanto. nas escolas. logo reprimidas pelo governo republicano. sob a égide de um nacionalismo patriótico. deslocando-se o motor dos acontecimentos da religião para o processo civilizatório. práticas e rituais como festas e desfiles cívicos. A História da Civilização substituiu a História Universal. a Comuna de Paris. mais técnicas e práticas. A escola elementar seria o agente da eliminação do analfabetismo ao mesmo tempo em que efetuaria a moralização do povo e a assimilação dos imigrantes estrangeiros no interior de uma ideologia nacionalista e elitista que apontava a cada segmento o seu lugar no contexto social. Ao mesmo tempo . seus conteúdos deveriam enfatizar as tradições de um passado homogêneo. O ensino de História era idêntico em todo o país. o período constituiu-se num momento de fortalecimento do debate em torno dos problemas educacionais e surgiram propostas alternativas ao modelo oficial de ensino. Nesse contexto ganharam força as propostas que apontavam a educação. 1. acentuou-se o fortalecimento do poder central do Estado e do controle sobre o ensino. adequadas a modernização. Civilização e nacionalismo No final do século XIX. afirmando seus objetivos. entendidas como formadoras do espírito. O Estado passou a ser visto como o principal agente histórico condutor das sociedades ao estágio civilizatório. o tripé da nacionalidade. como forma de realizar a transformação do país. Desenvolveram-se. dentro do programa oficial. sendo que os conteúdos patrióticos não deveriam ficar restritos ao âmbito específico da sala de aula. com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e a Reforma Francisco Campos. eventos comemorativos. as disciplinas escolares foram obtendo maior autonomia. no qual a História identificava-se com os principais momentos das lutas sociais. como as escolas anarquistas. Desse modo ensinar História era transmitir os pontos estabelecidos nos livros. A moral religiosa foi substituída pelo civismo. Nas primeiras décadas do século XX os governos republicanos realizaram sucessivas reformas mas pouco fizeram para alterar a situação da escola pública. A partir de 1930. sendo o Brasil e a América apêndices da civilização ocidental. ao lado da Geografia e da Língua Pátria. buscava inserir a nação num espírito cívico. era de integrar o povo brasileiro à moderna civilização ocidental. houve novos desafios políticos. com o predomínio do sagrado sobre o tempo histórico. A História Pátria era entendida como o alicerce da "pedagogia do cidadão". A História passou a ocupar no currículo um duplo papel: o civilizatório e o patriótico. em especial a elementar. A História Nacional identificava-se com a História Pátria. e aqueles que defendiam as disciplinas literárias. com currículo e métodos próprios de ensino. dando ênfase ao estudo de História Geral. facilitando as argüições. Mesmo assim. com feitos gloriosos de célebres personagens históricos nas lutas pela defesa do território e da unidade nacional.com perguntas e respostas.1. dividindo aqueles que desejavamno baseado em disciplinas mais científicas. momento de gênese da Civilização com o aparecimento de um Estado forte e centralizado e uma cultura escrita. que deveriam envolver o conjunto da escola demarcando o ritmo do cotidiano escolar. desenvolvendo métodos pedagógicos. a Abolição. identificado com os próprios desígnios divinos. Com isso completava-se o afastamento entre o laico e o sagrado na História. Por isso abandonou-se a periodização da História Universal. formando um corpo próprio de conhecimentos. cuja missão.2. formando. cuja missão na escola elementar seria o de modelar um novo tipo de trabalhador: o cidadão patriótico. No plano do currículo. celebrações de culto aos símbolos da Pátria. os embates e disputas sobre a reelaboração de determinados conteúdos foram essenciais para a definição das disciplinas escolares. O regime republicano. e passou-se ao estudo da Antiguidade do Egito e da Mesopotâmia. a busca da racionalização das relações de trabalho e o processo migratório. com a abolição da escravatura.

Ao longo das décadas de 50 e 60. visitar museus. como uma disciplina significativa na formação de uma cidadania para a paz. compondo conjuntos harmônicos de convivência dentro de uma sociedade multirracial e sem conflitos. suas especificidades culturais em relação aos outros países. no modo de apresentar a história nacional e nas questões raciais. em substituição a História e Geografia. comparar fatos e épocas. Enquanto alguns identificavam as razões do atraso econômico do país no predomínio de uma população mestiça. assistir a filmes.3. coordenar os conhecimentos históricos aos geográficos. Nos anos imediatos ao pós-guerra. Da História aos Estudos Sociais Da Segunda Guerra Mundial até o final da década de 70 foi um período de lutas pela especificidade da História e pelo avanço dos Estudos Sociais no currículo escolar. especialmente para o ensino elementar.refletia-se na educação a influência das propostas do movimento escolanovista. merecendo cuidados especiais tanto na organização curricular quanto na produção dos materiais didáticos. no currículo escolar. A História deveria revestir-se de um conteúdo mais humanístico e pacifista. com aulas mais dinâmicas centradas nas atividades do aluno. A prática recorrente das salas de aula continuou sendo a de recitar as "lições de cor". por influências de historiadores profissionais formados pelas universidades. Nessa perspectiva. com a realização de trabalhos concretos como fazer maquetes. Podem-se identificar dois momentos significativos nesse processo: o primeiro ocorreu no contexto da democratização do país com o fim da ditadura Vargas e o segundo durante o governo militar. Essa proposta renovava o enfoque da disciplina que perdia o caráter do projeto nacionalista cívico e moralizante. Com o processo de industrialização e urbanização. da ausência de preconceitos raciais e étnicos. bem como dos avanços tecnológicos. e que propunha a introdução dos chamados Estudos Sociais.1. e da presença americana na vida econômica brasileira. a partir dessa tríade. voltando-se ao estudo dos processos de desenvolvimento econômico das sociedades. Nos programas e livros didáticos. em especial na disseminação de idéias racistas e preconceituosas. Ao longo desse período. O aumento da importância dos exames finais de admissão ao ginásio ou ao ensino superior acabavam por consagrar. a História passou a ser considerada. com datas e nomes dos personagens considerados mais significativos da História. o ensino de História. se repensou sobre a inclusão do povo brasileiro na História. Apesar das propostas dos escolanovistas de substituição dos métodos mnemônicos pelos métodos ativos. A Unesco passou a interferir na elaboração de livros escolares e nas propostas curriculares. e. indicando possíveis perigos na ênfase dada às histórias de guerras. no nível secundário. No início dos anos 50 foi estabelecida uma nova seriação de História Geral e do Brasil para o ensino secundário. o que predominava era a memorização e as festividades cívicas que passaram a ser parte fundamental do cotidiano escolar. por mestiços. uma seleção tradicional dos conteúdos que eram vistos como a garantia de um bom desempenho dos alunos nesses exames. conjuntamente com a produção didática. sob inspiração do nacional-desenvolvimentismo. marcando a penetração da visão norte-americana nos currículos brasileiros. pela política internacional. científicos e culturais da humanidade. como meio de assegurar condições de igualdade na integração da sociedade brasileira à civilização ocidental. No plano da educação elementar a tendência era substituir História e Geografia por Estudos Sociais. poucas mudanças aconteceram em nível me