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Somos Todos Responsáveis por Todos: Cultura

Por Francisco Linhares

Cultura. Que palavra mais estranha! O que tem haver Cultura com Responsabilidade Social?

Existem muitas ideias sobre o que seja essa tal de Cultura. Tem gente que pensa que o ser humano produz Cultura. Tem gente que pensa que
o ser humano é produto da Cultura. E tem gente que pensa que o ser humano é produto e produz, produz e é produto... Quanta
produtividade!

Ficar pensando nisso é pensar que pensa, quando, na verdade, não se pensa. É debater sexo dos anjos, como diria minha vozinha.

Mas, seja lá como for, sem dúvida nenhuma, Cultura é saber compartilhado.

Como não sou tão ignorante em matéria de língua portuguesa (só um bocadin), quando digo que é, é. Porque é.

É - verbo - ser no tempo presente.

E que diacho é PRESENTE? - tava doido pra usar esta palavra - diacho

Presente é um momento no tempo. Liga o passado e o futuro. Mas não é possível ser apreendido. O presente é imponderável. É um tempo
que não existe.

Por outro lado, é o único real.

Já se perguntou por que temos a sensação do tempo? O que nos permite perceber o tempo?

É o movimento. Não há tempo na inércia. Na inércia o espaço é nulo.

Tá mas se o presente não existe como é que eu sinto que vivo somente no presente?

Aí que tá! Como o movimento é percebido, tenho a sensação de passado e, por extensão, a perspectiva de futuro.

Se por um lado o presente não existe, no sentido de que a consciência não se situa nele, por ser efêmero - e que ora se projeta para o
futuro, ora para o passado.

- (não vou tocar no tema do pós-morte, porque aí as percepções são de outra ordem)

POR OUTRO LADO ... É somente nele, no presente, que a consciência se reconhece.

Mesmo se lembrarmos do passado ou imaginarmos o futuro, o fazemos desde o presente.

O ser humano não existe no passado, ele existiu, ele não existe no futuro, ele existirá.

Não podemos mudar o futuro, porque ele não aconteceu, e não podemos mudar o passado, porque já aconteceu.

Então o que é o presente. O presente é tão somente o instante da escolha. E escolhemos o tempo todo, todo o tempo. Seja no passado,
como possibilidades realizadas, seja no futuro, como possibilidades a realizar. Sim. O Tempo nada mais é do que possibilidades.

Mas o futuro guarda uma peculiaridade em relação ao passado. Não podemos mensurar quantas possibilidades de escolha temos, a futuro. E
não podemos pelo simples fato de o Tempo ser infinito. E, ao realizarmos nossas escolhas passadas, fechamos uma cadeia de possibilidades.

Podemos dizer que nossas escolhas se limitaram às circunstâncias (às inúmeras intenções de outras pessoas) e às nossas intenções.

Cabe lembrar que nossas intenções são influenciadas por outras pessoas - intenções externas à minha consciência que assumo como parte
integrante de minha existência.

E o que isto tem com Cultura? Tudo.

É no Tempo que a Cultura emerge e se transforma.

Pense numa coisa. Todas as escolhas que te formaram, foram realizadas unicamente por você?

Será que é verdadeiro o dito: quem planta colhe, ou melhor, que colhemos o que plantamos?

Acredito que já tenha percebido que ao fazer uma escolha arrasta tua existência nesta ou naquela direção. Quando escolhe o fazes desde
tua intenção.

Mas tua vida é também devida a escolhas de terceiros. Não é mesmo?

Intencionalidade de teus pais, teus avós, das pessoas em geral, que de uma maneira ou de outra lhe influenciaram nas tuas escolhas. Ou
que, por sorte ou azar, fizeram escolhas por você.

Pois bem. Parece que as escolhas que você fizer afetarão a vida de outras pessoas, para o bem ou para o mal, queira você ou não. E mais,
toda e qualquer escolha feita por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, lhe afetará.

A Cultura é muito importante. Por isso cuide de suas escolhas. Que as tuas intenções sejam coerentes. Se, produzires algum mal, este
voltará. Se, ao contrário, produzires algum bem, este também lhe voltará. Porque hoje, mais que nunca, estamos todos interconectados.

Somos todos responsáveis por todos.