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APOSTILAS COMPLETA DO CURSO BÁSICO EM TEOLOGIA

APOSTILAS COMPLETA DO CURSO BÁSICO EM TEOLOGIA

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  • Parte I
  • Parte II O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VIII
  • Parte III O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VII
  • Parte IV O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VI
  • Parte V O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - V
  • Parte VI ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - IV
  • Parte VII ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - III
  • Parte VIII ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - II
  • Parte IX
  • Parte X
  • Parte XI
  • Parte XII
  • Parte XIV
  • Parte XV
  • Parte XVI
  • Parte XIX 666 - Você tem medo do diabo?

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Pr.Gilson Aristeu de Oliveira Professor e Diretor da Faculdade Fatefina Online!

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Entidade de Educação Teológica da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou FENIPE

Diretor Geral. Reverendo Gilson de Oliveira

fatefina@hotmail.com

www.fatefina.com.br
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS IGREJAS E PASTORES NO BRASIL

APOSTILAS 01 A 12

APOSTILA COMPLETA DO CURSO DE
BÁSICO EM TEOLOGIA

Apostila - 01 A 12

Parte – I
Estudo Teológico da Teologia dos Anjos Dividida em IV Partes em 10 Pagina!
QUEM SOMOS? ANJOS: UM SERVIÇO SECRETO MUITO ESPECIAL
FACULDADE DE TEOLOGIA E FILOSOFIA NACIONAL – FATEFINA
Órgão de Educação Teológica da Federação Internacional das Igrejas e
Pastores no Brasil ou FENIPE

Nossa reflexão é sobre identidade. Que nos identifica como cristãos, salvos,
regenerados, nascidos de novo, tornados novas criaturas? Que convocação,
chamada, temos da parte de Deus Pai que faz diferença no mundo em que
vivemos e atuamos?

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS ADORADORES

A tarefa primordial da Igreja de Jesus Cristo é celebrar o Seu Nome, adorá-Lo,
cultuá-Lo. Afirmou o Senhor Jesus Cristo em João 4.23,24: "Mas a hora vem, e
agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em
verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é
necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade". Tudo o
mais é decorrente do culto.

Foi para cultuar e adorar a Deus que fomos trazidos à fé e à salvação. Deus nos
convoca para a adoração. No entanto, em muitos casos, apenas nos divertimos.
Fomos chamados para cultuar, mas fazemos na igreja paródia de teatro, de circo,
de programa de auditório;
somos espectadores, quantas vezes, mas não cultuantes.

O objetivo da adoração é despertar a consciência da santidade de Deus. Um

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aspecto do culto é encontrado em Romanos 12.1: "Rogo-vos pois, irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional".

O verdadeiro culto, então, é medido pela transformação de quem cultua pelo fato
de estar na presença de Deus. Mede-se por uma nova visão de Deus, por uma
compreensão que torna a caminhada diária, a aventura do dia a dia mais profunda
com Deus na nossa vida, com Cristo no nosso coração, com o Espírito Santo
segurando a nossa mão. O verdadeiro culto incomoda a nossa vida e o modo
como temos vivido. Que falta em nossos dias em relação a essa reverência e
temor a Deus? O que anda acontecendo em muitas igrejas evangélicas é mais
programa de auditório que profundidade na palavra.

Mas há quem prefira o raso de uma religião infantil à profundidade do culto
racional, do culto em espírito e do culto em verdade. E deste modo, quando o
crente está com a sua vida apagada e cheia de desobediência, e de rebeldia e de
pecado, o louvor não sai

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS INTERCESSORES

Oração é um fenômeno espiritual. Consiste numa queixa, num grito de angústia,
num pedido de socorro. Consiste numa serena contemplação de Deus, princípio
imanente e transcendente de todas as coisas.

A oração é um ato de amor e adoração para com Aquele a Quem se deve a vida.
Ora-se como se ama, ou seja, com todo o nosso ser. Não há necessidade de
eloqüência para que seja atendida. Foi o caso do cego Bartimeu, que ao ouvir que
Jesus estava passando, exclamou "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!"
Mc 10.46ss). Ele só tinha o grito. Nada mais.

Oração é uma batalha. Para essa batalha, temos que vestir a armadura do crente
(Ef 6.11). Nela, enfrentamos hostes espirituais, os poderes de Satanás. Oração é
prestar atenção a Deus. Você tira tempo para falar com Ele, o Pai, e, também,
para ouvi-Lo .

Grandes intercessores na Bíblia não escolhem lugar para orar: Agar orou no
deserto (Gn 21.16); Moisés fez acabar uma rebelião com oração (Ex 15.24,25);
Ana teve um filho como resposta à oração (1Sm 1.27,28); Samuel derrotou uma
nação inimiga pela oração (1Sm 7.9,10); Gideão provou a vontade de Deus
através da oração (Jz 6.39,40); Elias pela fé e oração venceu os profetas de Baal
(1Rs 18.37,38); Davi pediu misericórdia (Sl 51.10ss); Salomão santificou a Casa
de Deus pela oração (2Rs 20.1,2,5); Ezequias acrescentou anos à vida pela
oração (2Cr 18.3); Josafá saiu de uma situação difícil pela oração ((2Cr 18.3);
Daniel pediu auxílio pela oração (9.16); Esdras recebeu orientação divina porque
orou (Ed 8.21,22); Zacarias viu o sonho de sua vida realizado pela oração (Lc
1.13).

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Você pode ser intercessor em qualquer lugar: Ezequias orou na cama (2Rs 20.1);
Jonas em alto mar (Jr 2.1); Jesus o fez no Calvário (Lc 23.34); Jairo, na rua (Lc
8.41); Pedro orou no terraço (At 10.9); Paulo e Silas estavam na prisão (At 16.25),
e um criminoso não nomeado o fez nos seus últimos momentos de vida (Lc
23.42).

Ora-se como se ama: com todo o ser. Não há necessidade de eloqüência para ser
atendido, já o dissemos. Pedro fez uma oração com três palavras (Mt 14.30); o
publicano com sete palavras (Lc 18.13); Salomão fez uma longa oração na
consagração do templo (2Cr 6.12-42).

Mas, como orar? A Bíblia é tão clara...
· Sem hipocrisia, exorta-nos Mateus 6.5. Hipocrisia é uma representação, uma
peça de teatro; é faz-de-conta com extrema maldade (Mt 15.7,8).
· Secretamente, ensina Mateus 6.6. Isso corresponde, até, a ficar a sós com Deus
mesmo na multidão.
· Com fé, atesta Hebreus (11.6).
· De modo definido como o declara Mateus 6.7,8 e Marcos 11.24.
· Com insistência, mesmo (Lc 18.1-7; Mt 15. 21.28).
· Com submissão fala Romanos 8.21, aguardando o que Deus quer fazer em nós.
· Com espírito de perdão, como expresso em Marcos 11.25,26.
· E, por fim, em nome de Jesus(Jo 14.14).

Muita oração deixa de ser atendida por falta desses importantes elementos ou
pela presença de motivos indesejáveis. São orações estéreis pelo egoísmo,
mentira, orgulho, falta de fé e de amor, teimosia e desobediência a Deus (Zc
7.12,13; Dt 1.45; Pv 28.9), Pecado (Sl 66.18; Is 59.2; 1.15; Mq 3.4; Sl 66.18),
desarmonia no lar ((1Pe 3.7); vaidade (Jó 35.12,13), falta de perdão (Mt 6. 14,15),
indiferença (Pv 1.28), amor próprio exaltado e maus objetivos (Tg 4.3).

De tudo isso, decorre que quem ora tem senso de incapacidade e insuficiência,
compreende necessitar de ajuda extra e clama a Deus. Paulo disse "A nossa
suficiência vem de Deus" (2Co 3.5), e Jesus exortou que "... sem mim nada podeis
fazer" (Jo 15.5b). Quem ora tem fé (Hb 11.6). Se quer ser atendido, ore com fé (Mt
21.21,22; Jo 11.40).

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS FACILITADORES (1Co 16.14)

Temos de Deus muito o que repassar aos outros: o evangelho deve ser repassado
(Mt 28.19,20). Porque somos facilitadores do reino de Deus, o produto da vida
cristã deve ser repassado (Ef 2.8ss), o fruto do Espírito deve ser repassado (Gl
5.22,23). O fruto do Espírito é um programa de vida a ser facilitado, repassado e
posto em ação:
· AMOR (Cl 3.14). Deus é amor; o amor perdoa (1Co 13)
· ALEGRIA (Rm 14.17). Não são sorrisos; "Alegrai-vos no Senhor"; Cuidado com a
confiança mal colocada (deve ser posta no Senhor);
· PAZ (Rm 12.18)

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· PACIÊNCIA (Cl 3.12,13).Mesmo na provocação;
· BENIGNIDADE (Cl 3.12);
· BONDADE (Gl 6.10);
· FIDELIDADE (Pv 20.6)
· MANSIDÃO e
· DOMÍNIO PRÓPRIO (Pv 25.28)

Sobre o amor, lembremos que no evangelho há o amor de Deus por nós; o nosso
amor por Deus; o nosso amor pelos outros.

Quanto ao amor de Deus por nós, conforme expresso em João 3.16; 1João 4.19.
O que distingue o evangelho de qualquer outro sistema religioso, teológico ou
filosófico é o verbo "dar". Deus deu. Agostinho ensinou que "Deus ama a cada um
de nós como se só houvesse um de nós para amar".

Em relação ao nosso amor por Deus, amo realmente a Deus e a Cristo? Em João
21, há uma expressiva pergunta de Jesus: "Simão, filho de João [ponha seu nome
e sobrenome], amas-me?" Como podemos ser facilitadores se perdemos o
primeiro amor?

O terceiro tema é o nosso amor pelos outros. Ou colocamos em ação ou não
somos facilitadores de coisa nenhuma.

CONCLUSÃO

Quem somos? Essa foi a pergunta proposta. Percebeu que responsabilidade
temos? Adoradores, Intercessores e Facilitadores do reino de Deus. Como Ele é
bom: elegeu-nos em Cristo, deu-nos uma comissão, sustenta-nos na obra, e
espera que sejamos responsáveis. Dele dependemos; nEle esperamos.

Parte – II
ANJOS NO NOVO TESTAMENTO
A crença em anjos no Novo Testamento

Os cristãos não eram o único grupo do primeiro século que acreditava na
existência de anjos. A maioria das seitas do judaísmo, berço do cristianismo,
professava a crença nesses mensageiros celestes, á exceção provável dos
saduceus (At 23.8). 0 interesse dos judeus por anjos havia crescido de forma
notável durante o período intertestamentario, quando o segundo templo foi
construído, após o retorno do cativeiro babilônico. É provável que esse aumento
de interesse pelos anjos tenha ocorrido como resultado da ênfase nesse período á
idéia de que Deus havia se distanciado do seu povo, já que não havia mais
profetas. A ausência de profetas, os mensageiros oficiais de Deus ao seu povo,
provocava a necessidade de outros mediadores da vontade divina. Os anjos
vieram ocupar esse espaço no judaísmo do segundo templo. 0 aumento do
interesse pelo mundo celestial e pelos seus habitantes, os anjos, nota-se nos
escritos judaicos produzidos antes ou logo após o nascimento do cristianismo.

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Exemplos desta tendência se percebem em alguns livros apócrifos (4 Esdras 2.44-
48; Tobias 6.3-15; 2 Macabeus 11.6). 0 mesmo se vê em alguns dos escritos dos
sectários do Mar Morto achados nas cavernas do Wadi Qumran, como o rolo da
Batalha entre os Filhos das Trevas e os Filhos da Luz. Alguns dos escritos
produzidos pelo movimento apocalíptico dentro do judaísmo, mais que os escritos
de outros movimentos, enfatizava o ministério dos anjos (1 Enoque 6. 1 ss; 9. 1
ss), 0 interesse pelos anjos se nota até mesmo nos escritos rabínicos datados a
partir do século III (com exceção do Mishnah), e que possivelmente representam a
linha principal do judaísmo no período do segundo templo.
Fora das fronteiras do judaísmo, a crença em anjos, encontrava-se não somente
nas religiões que fervilhavam no mundo greco-romano, mergulhado no misticismo
helênico, como também nas obras dos filósofos e escritores gregos famosos,
como Sófocles, Homero, Xenofonte, Epicteto e Platão. A biblioteca de Nag
Hammadi, descoberta em nosso século (1945) nas areias quentes do deserto
egípcio, apresenta material gnóstico datando do século IV, com uma elaborada
angelologia, onde a distância entre Deus e os homens é coberta por trinta
"archons", seres intermediários, possivelmente anjos, que guardam as regiões
celestes. Os "Papiros Mágicos" desta coleção contém fórmulas para atrair os
anjos. Embora datando do século IV, estes escritos possivelmente refletem
crenças que já estavam presentes de forma incipiente no mundo greco-romano
desde antes de Cristo. Em contraste aos escritos produzidos cm sua época, a
literatura do Novo Testamento é bem mais discreta e reservada em seus relatos
da atividade angélica.

As palavras mais comuns para "anjos" no Novo Testamento

A palavra mais usada no Novo Testamento para "anjo" é aggelos, que é a
tradução regular na Septuaginta da palavra hebraica Mala'k. Ambas significam
'mensageiro". Aggelos é usada umas poucas vezes no Novo Testamento para
mensageiros humanos, como por exemplo os emissários de João Batista a Jesus
(Lc. 7.24; veja ainda Tg 2.25; Lc 9.52). Na maioria esmagadora das vezes, a
palavra refere-se aos mensageiros de Deus, que povoam o mundo celeste e
assistem em sua presença. Aggelos é usada tanto para anjos de Deus quanto
para os anjos maus.
Existe outro termo no Novo Testamento para se referir aos anjos, o qual só Paulo
emprega: "principados e potestades". Em duas ocasiões é usado em referência
aos demônios (Ef 6.12; Cl 2.13) e em três outras aos anjos de Deus (Ef 3.10; Cl
1.16; 1 Pe 3.22). Em todos os casos, refere-se ao poder e á hierarquia que existe
entre esses espíritos. Uma outra palavra usada no Novo Testamento para anjos e
pneuma, geralmente no plural (pneumata), que se traduz por espíritos". Embora o
termo seja empregado geralmente para os anjos maus e decaídos (quase sempre
qualificado pelo adjetivo "imundo", cf. Mt 12.43; Lc 4.36; At 8.7), é usado pelo
menos uma vez para os anjos de Deus, como sendo "espíritos administradores"
(Hb 1. 14). Alguns estudiosos têm sugerido que "espíritos" também se refere a
anjos em outras passagens onde a palavra pneumata aparece, como por exemplo
1 Co 14.12. Neste versículo o apóstolo Paulo aprova e incentiva o desejo dos
membros da igreja por pneumata, expressão quase que universalmente traduzida
como "dons espirituais", devido ao contexto. De acordo com E. Earle Ellis, Paulo,

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na verdade, não se refere a dons espirituais, mas aos anjos que estavam
presentes aos cultos (1 Co 11. 10). Sua tese é que existe uma relação estreita
entre as manifestações sobrenaturais que estavam acontecendo na igreja de
Corinto e o ministério angélico. Tais manifestações, ou parte delas, não eram
produzidas pelo Espírito Santo, e nem também por espíritos malignos, mas por
estes espíritos bons. Outras passagens onde "espíritos" significa "anjos", segundo
Ellis, são 1 Co 14.32; 1 Jo 4.1-3; Ap 22.6.1(1). Embora esta sugestão seja
interessante e provocativa, fica difícil ver como "espíritos" produtores de dons
espirituais se encaixam no contexto de 1 Co 14.12 e no ensino de Paulo de que os
dons são dados pelo Espírito Santo. 0 uso de pneumata em 1 Co 14.12 (bem
como nas demais passagens mencionadas acima) pode ser explicado á luz de 1
Co 12.7, onde Paulo afirma que há diferentes manifestações do Espírito Santo. Ou
seja, o mesmo Espírito manifesta-se de formas diferentes através de pessoas
diferentes. Paulo refere-se a estas manifestações como "espíritos". Elas
eqüivalem aos dons espirituais. E difícil admitir que Paulo aprovaria um desejo dos
crentes de Corinto de buscar estas entidades celestiais.

Anjos através dos livros do Novo Testamento

A presença e a atividade de anjos registradas nos evangelhos sinópticos (Mateus,
Marcos e Lucas) indicam invariavelmente a intervenção direta de Deus. Como
mensageiros fiéis de Deus, que têm acesso a presença divina (Lc 1. 19; cf 12.8;
Mt 10.32; Lc 15.10), a visita ou a intervenção de um deles eqüivale a uma
manifestação divina. A encarnação e o nascimento de Jesus foram marcados pela
presença de anjos, indicando a participação direta de Deus no nascimento do
Messias (Mt 1.20; 2.13,19; Lc 1 . 11; 1.26-38). Embora os evangelhos não
registrem quase nenhuma participação direta dos anjos assistindo a Jesus em seu
ministério (o que poderia ter ocorrido, se Jesus quisesse, Mt 26.52), os anjos
acompanharam o Senhor e se rejubilaram a medida em que pecadores se
arrependiam (Lc 15.10). As poucas vezes em que se manifestaram visivelmente
tinham como propósito demonstrar que Ele era amado e aprovado por Deus (Mt
4.11; Lc 2143). Os anjos ainda participaram da sua ressurreição, da anunciação
ás mulheres, e da anunciação aos discípulos de que Jesus havia de voltar (Mt
28.2-5; At 1.9-11). E o próprio Jesus também mencionou varias vezes que os
anjos participariam) da sua segunda vinda e do Juízo final (Mt 13.4 1; 16.27; 24.3
l).
Embora nos evangelhos a atividade dos anjos praticamente se concentre em tomo
da pessoa de Jesus, ele mesmo menciona uma atividade deles relacionada aos
homens, "cuidado para não desprezarem nenhum destes pequeninos. Eu afirmo
que os anjos deles estão sempre na presença do meu Pai que está no céu" (Mt
18. 10, NVI). Aqui Jesus fala do cuidado vigilante de Deus pelos "pequeninos ',
através dos anjos. A quem Jesus se refere por pequeninos" tem sido debatido
pelos estudiosos, já que o termo pode ser tomado literalmente (crianças) ou
figuradamente (os discípulos). Talvez a última possibilidade deva ser a preferida,
já que Jesus usa regularmente pequeninos" para se referir aos discípulos, cf Mt
10.42; 18.6; Mc 9.42; Lc 17.2. Qualquer que seja a interpretação, a passagem não
está ensinando que cada crente ou criança tem seu próprio "anjo da guarda",

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como era crido popularmente entre os judeus na época da igreja primitiva. Fazia
parte desta crença que o anjo guardião" poderia tomar a forma do seu protegido
(cf. At 12.15). Jesus está ensinando nesta passagem que Deus envia seus anjos
para assistir aos "pequeninos", e que, portanto, nós não devemos desprezar estes
"pequeninos". Esse ministério angélico para com os "pequeninos" faz parte do
cuidado geral que os anjos desempenham, pelo povo de Deus (cf. SI 9 1.11; Hb 1.
14; Lc 16.22). A passagem, portanto, não deve ser tomada como suporte á crença
popular em "anjos da guarda".

E importante notar que o Evangelho de João faz pouquíssimas referências á
atividade dos anjos, embora, segundo João, Jesus tenha dito aos seus discípulos,
no início do seu ministério, que eles veriam, os anjos subindo e descendo sobre si
(Jo 1. 5 1 ). Possivelmente esta passagem não deva ser entendida literalmente no
que se refere aos anjos, mas apenas como uma alusão ao sonho de Jacó (Gn
28.12) e ao seu cumprimento na pessoa de Cristo (unindo o céu á terra). No relato
de João das boas novas, os anjos só revelam a sua presença ao lado da sepultura
de Jesus (Jo 20.12)(2).
Estes fatos indicam que as aparições angélicas durante o período cm que Jesus
esteve presente fisicamente entre nós foram relativamente poucas, e quase todas
associadas com o seu nascimento, ministério, morte e ressurreição. Era
conveniente que a vinda do Filho de Deus ao mundo fosse marcada por esta
atividade angélica especial.
Apesar de a narrativa do livro de Atos abranger um período marcado por intensa
manifestação sobrenatural, que foi o nascimento da igreja cristã, as aparições
angélicas registradas pelo autor são relativamente poucas. Não há aparição de
anjos em grupos, á exceção dos dois homens em vestes resplandecentes no local
da ascensão (At 1. 10- 11). Nas intervenções angélicas, é sempre um único anjo
que aparece, o qual é chamado de "um anjo do Senhor" (At 5.19; 8.26; 12.7,15) ou
"um anjo de Deus" (10.3; 27.23). A expressão "anjo do Senhor" não tem. em Atos
a mesma conotação que no Antigo Testamento, onde ás vezes este anjo é
identificado com o próprio Deus. Em Atos a expressão sempre designa um
mensageiro angelical. Os anjos aparecem em Atos com a mesma função principal,
que no Antigo Testamento e nos Evangelhos, ou seja, trazer uma mensagem
oficial da parte de Deus (At 5.19; 10.' 10.22; 27.23). A isto se acresce a função
protetora, pois por duas vezes um anjo do Senhor libertou apóstolos da prisão (At
5.19; 12.7). Uma outra missão de um anjo foi punir o rei Herodes (At 12.23)
missão esta já mencionada no Antigo Testamento (cf Ex 12.13; 2 Sm 24.17) A
atividade dos anjos em Atos, além de bastante discreta, é voltada quase que
exclusivamente para o progresso do Evangelho. Um ponto de grande relevância
para nos hoje é que ela se concentra, em torno dos apóstolos (At 5.19; 12.7 27.23)
ou dos seus associados, como Filipe (8.26). A única exceção foi a aparição á
Cornélio (At 10,3). Mesmo assim ocorreu una ponto crucial do nascimento da
Igreja Cristã, que foi a inclusão do gentios na Igreja. Á exceção deste caso não há
registro de aparições de anjos ao crentes em geral, nem para lhes trazer
mensagens de Deus, nem para protege-los, embora certamente eles estivessem
ocupados em desempenhar esta última; função, provavelmente de forma não
perceptível aos crentes.

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0 apóstolo Paulo é bastante ponderado no que escreve sobre os anjos, se com
parado com outros autores religiosos não cristãos da sua época. Ele emprega a
palavra aggelos apenas catorze vezes em suas treze cartas. Ele se refere aos
anjos de Deus, não tanto como mensageiro: celestes ou protetores dos crentes,
mas como participantes do progresso do plano de Deus neste mundo, que
participaram da entrega da Lei no Sinai (G1 3.19) e que virão com Cristo para
executar juízo sobre a humanidade (2 Ts 1.7). Estes são os "anjos eleitos", que
assistem diante de Deus (I Tm 5.2 1; cf. Gl 4.14). Uma possível explicação para a
atitude reservada de Paulo é que, para ele, o Senhor Jesus, é a manifestação
suprema de Deus, que suplanta todas as demais, diante das quais as
manifestações angélicas perdem em importância e relevância (Ef 1.21; Cl 1. 16; cf.
Hb 1. 1-2). Em nenhum momento Paulo menciona em suas cartas encontros
angélicos que porventura teve, nem encoraja os crentes a buscar tais encontros.
Some-se a isso a preocupação que demonstra em suas cartas com aparições e
visões de anjos. 0 apóstolo teme que anjos caídos, passando-se por anjos de
Deus, manifestem-se em visões com o
alvo de enganar os crentes. Ele menciona a possibilidade de que um anjo do céu
venha pregar outro evangelho (G1 1. S), e que Satanás apareça dissimulado de
"anjo de luz" (2 Co 11.14). Ele alerta aos crentes de Colossos a que não se
deixem arrastar para o culto aos anjos propagado pelos líderes da heresia que
ameaçava a igreja, e que se baseava cm visões (C1 2.18).
Uma passagem surpreendente sobre anjos é Gl 3.19, em que Paulo diz que a Lei
de Deus foi entregue ao povo de Israel por meio de anjos. Esse fato no é
mencionado na narrativa da entrega da Lei a Moisés no livro de Êxodo. Sua
veracidade foi aceita possivelmente durante o período do segundo templo, quando
os anjos receberam cada vez mais lugar destacado na teologia do judaísmo,. ao
ponto de serem. reconhecidos como mediadores no Sinai, na hora da entrega da
Lei a Moisés por Deus. 0 fato foi aceito como verídico por judeus cristãos como
Estêvão (At 7.53), o autor de Hebreus (Hb 2.2), e por Paulo. Só que, enquanto que
para os judeus da sua época, a presença de anjos no Sinai era algo que exaltava
a glória da Lei, para Paulo, a presença destas criaturas era apenas um sinal da
inferioridade da Lei em comparação ao Evangelho, que havia sido trazido pelo
próprio Filho de Deus, sem mediação de criaturas.
Uma outra passagem difícil de entender nas cartas de Paulo é a enigmática
expressão de 1 Co 11. 10. "Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve
ter sobre a cabeça um sinal de autoridade". 0 que tem os anjos, a ver com o uso
do véu nas igrejas de Corinto? A resposta está ligada a um aspecto da situação
histórica específica da Igreja de Corinto no século I, que nós desconhecemos.
Havia uma idéia estranha na época de Paulo de que Gn 6.1-2 se referia a anjos
que se deixaram atrair pelos encantos femininos (uma tradição rabínica
acrescenta que foram os longos cabelos das mulheres que tentaram os anjos), A
falta de decoro e propriedade por parte das mulheres na igreja de Corinto poderia
novamente provocá-los. 0 mais provável é que Paulo se refira a outro conceito
corrente que os anjos bons eram guardiões do culto divino, o que exigiria decoro e
propriedade por parte de todos os adoradores. Este conceito se encaixa
perfeitamente no ensino do Novo Testamento de que os anjos observam e
acompanham o desenvolvimento do evangelho no mundo (ver Ef 3. 10, 1 Tm 5.12;

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1 Pe 1. 12; Hb 1. 14).

Não há menção de anjos cm Tiago, e nem nas três cartas de João. Pedro
menciona apenas que os anjos anelam compreender os mistérios do Evangelho
(1Pe 1. 12), e que estão subordinados a Cristo (3,22). Em Judas encontramos
mais uma referência enigmática aos anjos, desta feita cm relação ao confronto do
arcanjo Miguel com Satanás, em disputa pelo corpo de Moisés (Jd 9). Esse
incidente não é narrado no Antigo Testamento, mas aparece num livro apócrifo
que era bastante popular entre os judeus chamado A Ascensão de Moisés. Neste
livro o autor narra que, após a morte de Moisés, sozinho no monte, Deus
encarregou o arcanjo Miguel de dar-lhe sepultura. 0 diabo veio disputar o corpo,
alegando que Moisés era um assassino (havia matado o egípcio), e que, portanto,
seu corpo lhe pertencia. De acordo com a Ascensão, Miguel limitou-se a dizer que
o Senhor repreendesse os intentos malignos de Satanás. Embora narrado num
livro apócrifo, o incidente deve ter ocorrido, e Deus permitiu que, através de Judas,
viesse a alcançar lugar no cânon do Novo Testamento.
A carta aos Hebreus menciona os anjos nada menos que 13 vezes, 11 das quais
nos dois primeiros capítulos, onde o autor procura estabelecer a superioridade de
Cristo sobre os anjos (Hb 1.4-7,13; 2.2,15,16). A razão para esta abordagem foi
possivelmente a exaltação dos anjos por parte de muitos judeus no século I. 0
autor, escrevendo a judeus cristãos sentiu a necessidade de diferenciar a
mensagem do evangelho trazida por Cristo, e as muitas mensagens e
mensageiros angelicais que infestavam a crendice popular judaica no século I.
E no livro de Apocalipse que temos a maior concentração no Novo Testamento do
ensino sobre anjos. É o livro do Novo Testamento que mais emprega a palavra
aggelos (67 vezes). Aqui os anjos aparecem como agentes celestes que executam
os propósitos de Deus no mundo, como proteger os servos de Deus (Ap 7.1-3) e
administrar os juízos divinos sobre a humanidade incrédula e impenitente (Ap 8.2;
15.1; 16.1). Apocalipse está cheio das visões que o apóstolo João teve do céu, e
os anjos aparecem como habitantes das regiões celestes, ao redor do trono
divino, em reverente adoração a Deus e ao Cordeiro (Ap 5.11; 7.11), mediando ao
apóstolo João as visões e as instruções divinas (Ap 1.1).
Uma questão que tem atraído o interesse dos intérpretes é o sentido da palavra
"anjo" em Ap 1.20, "os anjos das sete igrejas" (cf Ap 2.1,8,12,18; 3,1,7,14).Alguns
acham que João se refere aos pastores das igrejas às quais endereça suas
cartas, já que em Malaquias os líderes religiosos são chamados de anjos (MI 2.7).
Ou então, aos mensageiros (aggelos) das igrejas que haveriam de levar as cartas
às suas comunidades. 0 problema com estas interpretações é que a palavra
aggelos em Apocalipse nunca é usada para seres humanos, mas
consistentemente para anjos. Por este motivo, outros, como Origenes no século II,
acham que João se refere a anjos reais, já que este é o uso regular que ele faz da
palavra no livro. Estes anjos seriam os anjos de guarda de cada igreja a quem
João manda uma carta. A dificuldade óbvia com esta interpretação é que as
advertências e repreensões das cartas seriam dirigidas a anjos, e não aos
membros da igreja. Além do mais, fica claro pelo
fim de cada carta que elas foram endereçadas aos membros das igrejas
(2.7,11,17 etc). Assim, outros estudiosos têm sugerido que "anjos" representam o

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estado real de cada igreja, o "espírito" da comunidade. Esta idéia, que no deixa de
ser curiosa e estranha, tem sido adotada por alguns que defendem que igrejas
têm suas próprias entidades espirituais malignas, que se alimentam dos pecados
não tratados das mesmas(3). Fica difícil tomar uma decisão. Mas, já que é
evidente que os anjos e as igrejas são uma mesma coisa nestas passagens, a "
interpretação que talvez traga menos dificuldades é que aggelos (anjos) se refere
aos pastores das igrejas.

Anjos em batalha espiritual

Uma outra passagem cm Apocalipse que merece destaque é a que descreve uma
batalha no céu entre Miguel e seus anjos, contra o dragão e seus anjos, onde
Satanás é derrotado e lançado á terra (Ap 12.7-9). A que evento histórico esta
guerra celestial corresponde tem sido bastante discutido. Para alguns, refere-se á
queda de Satanás no principio, quando revoltou-se contra Deus e foi expulso dos
céus. Para outros, a vitória final de Cristo, ainda por ocorrer no fim dos tempos. 0
contexto, entretanto, parece favorecer outra interpretação, ou seja, que esta
derrota de Satanás nas regiões celestiais corresponde à vitória de Cristo, ao
morrer e ressuscitar, já que ela aconteceu, "por causa do sangue do cordeiro" (Ap
12. 10; cf. Jo 12.3 1; 16.1 l).À semelhança do Antigo Testamento, o Novo é
igualmente reservado em narrar estas pelejas celestiais, e limita-se a registrar dois
confrontos do arcanjo Miguel com Satanás (Jd 9; Ap 12.7-9). Não temos
condições de saber quais as razões para estes embates entre anjos, e nem quão
freqüentemente eles ocorrem no misterioso mundo celestial.

Digno de nota é o fato que Miguel, que no Antigo Testamento aparece como
guardião de Israel, surge aqui em Ap 12.7-9 como defensor da Igreja, liderando as
hostes angélicas contra Satanás e seus demônios, que procuram destruir a obra
de Deus. Sua área de ação não e mais o território de Israel, mas o mundo, onde
quer que a Igreja esteja. A constatação deste fato deveria moderar a fascinação
de muitos hoje pela idéia de espíritos territoriais, maus ou bons, que seriam
supostamente responsáveis por determinadas regiões geográficas, e que se
embatem em busca da supremacia sobre aqueles locais. É possível que as
nações ou outras regiões tenham seus príncipes angélicos, bons ou maus, mas
esta idéia não exerce qualquer função ou influência no ensino do Novo
Testamento, quanto aos anjos e á sua participação na luta da igreja contra os
"principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso" (Ef
6.12). Enquanto que em Daniel os principados e as potestades aparecem
relacionados com determinados territórios, no Novo Testamento eles aparecem
não mais relacionados com regiões, mas com este mundo tenebroso. 0 conflito
regionalizado do Antigo Testamento tomou caráter universal e cósmico com a
vitória de Cristo. 0 diabo e seus príncipes malignos são vistos agora como
dominadores, não de determinadas regiões geográficas, mas "deste mundo
tenebroso". E os anjos agora servem aos servos de Deus, em qualquer região
geográfica do planeta, onde se encontrem.

Notas de rodapé

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11

1 Ver E. Earle Ellis, Spiritual GIffs in the Pauline Community, em New Testment
Studies 20 (1973-1974) 134.
2 Existe séria dúvida da parte de muitos especialistas em manuscritologia bíblica
de que a passagem de João 5,4, que menciona a decida de um anjo para mover a
água da piscina de Betesda, seja de fato autêntica, visto que não aparece nos
manuscritos mais antigos importantes.
3 Neuza ltioka, por exemplo, afirma que os anjos das cartas de Apocalipse (Ap 2-3
são anjos literais que Incorporam e absorvem o estado espiritual da Igreja, e que
alguns deles são substituídos por demônios, devido á decadência espiritual da
comunidade que representam. Ela baseia-se nas sugestões (sem exegese) de
Walter Wink e R. Linthicum em Ap 2-3, cf. A Igreja e a Batalha Espiritual: Você
Está Em Guerra em Série Batalha Espiritual (São, Paulo: Editora SEPAL 1994)
36,39,40-41,67,11 Fonte: Revista Fides Reformata

Parte III
ANJOS: UM SERVIÇO SECRETO MUITO ESPECIAL

A partir de 1994, o Brasil começou a viver uma moda mística, a febre dos anjos.
Sem dúvida, quem deu início a essa moda foi uma jovem senhora que antes
trabalhava com orixás e depois, através da Fraternidade Branca, com gnomos,
duendes, silfos, ondinas, fadas e salamandras. O nome dela é Mônica Buonfiglio.
Seus dois sucessos editoriais foram Anjos Cabalísticos e A Magia dos Anjos
Cabalísticos.

Mas, apesar de seu aspecto bombástico, essa moda teve um lado positivo,
colocar em pauta a discussão sobre a existência ou não dos anjos. E é sobre isso
que desejamos falar.

Muitas pessoas, em nome da racionalidade, lançam fora a água e a criança.
Negam não somente o misticismo eclético da Nova Era, mas também a realidade
do mundo espiritual. Criticam um erro, a superstição, e despencam em outro, o
agnosticismo racionalista.

O maior e mais antigo tratado sobre anjos é a Bíblia. No Antigo Testamento, cujos
escritos vão do segundo milênio aos anos quatrocentos antes de Cristo, temos
109 referências a anjos. A palavra hebraica para anjo é mal'akh, cuja idéia básica
é de um mensageiro sagrado, humano ou sobrenatural. Já no Novo Testamento,
cujos escritos vão dos anos 49 a 100 depois de Cristo, temos 186 referências a
anjos. Em grego a palavra usada é ângelos, que também tem o sentido de
mensageiro, de intermediário.

É interessante que na Bíblia os anjos não tem nada a ver com a angelologia
proposta pela Nova Era. Segundo Mônica Buonfiglio, por exemplo, os anjos são
entidades etéreas, que não tem memória e nunca julgam. São como bebês...nus,
com asas, bochechudos e com um sorriso maroto de criança arteira [Mônica
Buonfiglio, Anjos Cabalísticos, São Paulo, Oficina Cultural Esotérica, 1993, p. 64].

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INTELIGENTES E PODEROSOS

Embora o assunto seja extenso, vejamos três aspectos da doutrina cristã sobre
anjos, que responde à pergunta central sobre estes seres. Por que existem os
anjos?

Os anjos são seres espirituais.
Têm atividades definidas pelo próprio Deus.
Protegem os filhos de Deus.
Em relação ao primeiro item, é interessante ver que a Bíblia nos apresenta os
anjos como seres espirituais, geralmente invisíveis. "Então, o que são os anjos?
Todos são espíritos que servem a Deus e são mandados para ajudar os que vão
receber a salvação". Hebreus 1.14 [Nas citações bíblicas foram utilizadas duas
versões: A Bíblia Sagrada, tradução na Linguagem de Hoje, São Paulo, Sociedade
Bíblica do Brasil, 1988; e A Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Edições Paulinas,
1985].

Os anjos têm personalidade e inteligência. "Ele fez isso para resolver este caso. O
senhor é sábio como um anjo de Deus e sabe tudo o que acontece". 2 Samuel
14.20.

Têm também direito de escolha e sentimentos, e isso fica claro quando se refere a
Satanás, um anjo rebelado. "Você ficou ocupado, comprando e vendendo, e isso o
levou à violência e ao pecado. Por isso, anjo protetor, eu o humilhei e expulsei do
monte de Deus, do meio das pedras brilhantes. Você ficou orgulhoso por causa da
sua beleza, e a sua fama o fez perder o juízo". Ezequiel 28.16-17.

E o próprio Jesus fala da alegria dos anjos. "Pois digo que assim também os anjos
de Deus se alegrarão por causa de uma pessoa de má fama que se arrepende".
Lucas 15.10.

A primeira conclusão é de que são seres espirituais, a serviço de Deus, para
ajudar aqueles que serão salvos. Geralmente aparecem como adultos, têm
capacidades especiais, memória, uma inteligência aguçada e sentimentos. De
certa forma, não são muito diferentes de nós.

Esses seres ministradores tem atividades específicas. Adoram e servem a Deus.
"Louvem ao Deus eterno todos os anjos do céu, que o adoram e fazem a sua
vontade". Salmo 103.21.

Participarão do juízo divino, conforme explica o apóstolo Paulo: "Porque Deus fará
o que é justo. Ele trará sofrimento sobre aqueles que fazem vocês sofrerem e dará
descanso a vocês e também a nós que sofremos. Ele fará isso quando o Senhor
Jesus vier do céu e aparecer junto com seus anjos poderosos". 2Tessalonicenses
1.6-8.

Eles trazem importantes notícias, instruem e guiam os filhos de Deus. Segundo o
escritor da carta aos Hebreus, os mandamentos foram entregues a Moisés por

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anjos. "Por isso devemos prestar mais atenção nas verdades que temos ouvido,
para não nos desviarmos delas. Ficou provado que a mensagem que foi dada
pelos anjos é verdadeira, e aqueles que não a seguiram nem lhe obedeceram
receberam o castigo que mereceram". Hebreus 2.2.

Ao contrário do que a vulgarização sobre angelologia prega, eles não estão
debaixo da nossa vontade. Mas agem de acordo com a justiça de Deus nos
julgamentos divinos. Participaram dos juízos de Sodoma e Gomorra, do Egito
opressor, da destruição do exército de faraó na travessia do Mar Vermelho e em
muitos outros eventos. E estarão com Cristo por ocasião do grande julgamento
final.

MISSÃO ESPECIAL

E por fim, protegem e cuidam dos filhos de Deus. "O anjo do Deus Eterno fica em
volta daqueles que O temem e os livra do perigo". Salmo 34.7.

Dessa maneira, uma de suas principais tarefas, é acompanhar os filhos de Deus,
em todos os momentos de suas vidas, mas especialmente naqueles de
dificuldades. Não damos ordens aos anjos, já que eles são ministros de Deus,
agentes secretos do Criador para proteção e guarda de seus filhos.

É interessante que a angelologia mística da Nova Era propõe um relacionamento
com os anjos através de práticas esotéricas, via astrologia, numerologia e
ancoragem (magia branca). São utilizadas dezenas de invocações, velas,
incensos e talismãs. Tudo para manipular os anjos. Estamos, de fato, diante de
uma cosmovisão gnóstica e espírita. Conforme, explica o teólogo Scott Horrell,
esta é "uma angelologia sem Deus definido, sem estrutura moral e sem explicação
sobre o porque da própria existência dos anjos" [J. Scott Horrell, Anjos
Cabalísticos, in Vox Scripturae, São Paulo, AETAL, 1995, p. 245].

Diante das modas místicas, todos aqueles que se aproximam de Deus devem se
lembrar do que diz Paulo, o apóstolo: "Pois há um só Deus e um só mediador
entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por
todos". 1Timóteo 2.5.

Parte IV
ESPÍRITOS MINISTRADORES

"Quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros
labaredas de fogo. ... Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para
servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.6,7,14)

Anjos constituem uma raridade em nossos púlpitos, por isso estas páginas foram
escritas. Além disso, a insistência com que se explora essa temática,
especialmente pelos adeptos dessa onda de misticismo que tem invadido as
praias dos nossos dias, a ênfase dada pelo movimento da Nova Era, que tem

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levado às raias do absurdo mais absurdo o assunto do mundo angelical, e a
exploração comercial em torno da ingenuidade e das carências emocionais e
afetivas do povo, é outro bom motivo para que se reflita biblicamente sobre o
tema.

Muita idéia de anjos vem de cartões de Natal, de procissões da Semana Santa, de
romances ou da mitologia grega (não fala de um anjinho, Cupido, que lança uma
flecha a qual, atingindo alguém, o torna enamorado de outro? Muita idéia vem
dessas fontes, e também do Movimento Aquariano colocando no mesmo cesto
fadas, duendes, gnomos, ondinas e anjos.

PRIMEIRAS IDÉIAS

Os seguidores da atual onda mística afirmam que se pode incorporar os anjos aos
programas de autodesenvolvimento e auto-ajuda, do mesmo modo com fazem
com as fadas, os duendes e outros seres míticos. E se é o caso de teremos uma
descrição dos anjos de acordo com a Nova Era, dirão eles o seguinte: "carinha
linda, asas, roupas esvoaçantes e halo sobre a cabeça"(1) E completam dizendo
que apreciam uma abordagem direta, têm grande senso de humor (gostam de rir,
portanto), são felizes, alegres, brincalhões, amigáveis; o tempo não é um dos seus
pontos fortes, e, desta maneira, perdem-se em divagações, ou seja, a cabeça dos
anjos não funciona muito bem, não têm muita memória.(2) Essas afirmações não
se assemelham, nem de longe, a qualquer das descrições ou características dos
anjos de acordo com a Bíblia Sagrada. E menos ainda, quando os místicos os
confundem com o que chamam de "elementais", e fazem a classificação dos seres
no ar, na terra, na água e no fogo:

No ar: fadas e silfos;
na terra: gnomos, duendes, elfos, dríades e ninfas;
na água: ninfas da água, náiades e ondinas;
no fogo: salamandras.(3)

Na verdade, essas esdrúxulas idéias e suas elaborações vêm de uma fonte
chamada gnosticismo, movimento filosófico-teológico que já nos primeiros dias da
Igreja Cristã deu muito trabalho. E isso porque enfatizava, como enfatiza ainda
hoje, a idéia de que os anjos são expressões ou extensões de Deus, e pregam,
também, que eram e são intermediários entre os homens e Deus.

Uma coisa é certa: a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, trata
esse assunto com muita seriedade, com o máximo de seriedade a ponto de dar a
melhor definição de quem sejam os anjos, a qual se encontra em Hebreus 1.14;

"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que
hão de herdar a salvação?"

Ou como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje:

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"Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus e são
mandados para ajudar os que vão receber a salvação".

Martinho Lutero, o Reformador, expressou isso parafraseando Hebreus:

"O anjo é uma criatura espiritual sem corpo, criada por Deus para o serviço da
Cristandade e da Igreja"(4)

OUTROS CONCEITOS

A palavra anjo não é portuguesa. Na verdade, vem da língua grega através do
latim. Em grego, dizem aggelos, daí para o latim angelus e para o português anjo.
No Antigo Testamento, o vocábulo hebraico correspondente é malach.(5)
Significam todas elas "aquele-que-traz-mensagem", "aquele-que-é-enviado",
"mensageiro". O Pr. Vassílios Constantinides, Diretor nacional da APEC e grego
de origem, confirmou-nos o que havia sido lido no dicionário. Disse: "em grego,
'carteiro' é "anjo", "o-que-traz-uma-mensagem". Palavra, portanto, que indica uma
função. E, na Bíblia, vemos que Deus envia profetas como seus mensageiros,(6)
envia sacerdotes(7), diz que homens enviam outros homens(8). De sorte, que a
Bíblia apresenta o fato de que anjos são personalidades com função determinada,
ou seja, a de trazer uma mensagem de Deus para nós.

A Bíblia não apresenta qualquer descrição detalhada dos anjos. Eu, na verdade,
nunca vi um anjo (apesar de Ariete dizer que estou vivendo com um há 36 anos).
A Bíblia menciona sua existência como um fato, mostrando que têm eles uma
parte relevante no plano de Deus para o ser humano(9).

Voltando à Carta aos Hebreus: "Não são todos eles espíritos ministradores,
enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" (1.14). Quero
tomar duas palavras deste texto para servir de base para esta mensagem.
Primeiramente, "espírito", e, em seguida, "ministradores".

ESPÍRITOS...

A idéia básica da palavra "espírito", por incrível que possa parecer, vem de "vento,
ar". Realmente, tanto na língua hebraica quanto na grega, os vocábulos que se
traduzem por "vento, ar, hálito, alento, respiração, fôlego e espírito" são os
mesmos. Tanto faz dizer ruach, que é a palavra hebraica, quanto dizer pneuma,
que é grega. Sim; o ar é algo muito real, mas não podemos vê-lo a olhos vistos,
com perdão da redundância. Podemos? Mas ele é real: sabemos que ele nos
circunda, mas não o vemos. Assim são os espíritos, e assim são os anjos: reais,
mas não os vemos, puros espíritos. Filon de Alexandria os chamava de
"incorpóreos" (apesar de poderem aparecer em certas ocasiões com corpos
humanos)(10). Mas a Bíblia prefere chamá-los de "espíritos", como em hebreus
1.14, "espíritos ministradores".

Aprendemos com a Bíblia que são superiores ao ser humano em inteligência, em

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vontade e em poder (11). Têm personalidade e responsabilidade moral como nós
o temos. No entanto, apesar de sua inteligência ser sobre-humana, é limitada. Ou
seja, não são oniscientes (só Deus o é), não conhecem o futuro (isso pertence a
Deus), não conhecem os segredos de Deus(12). Por causa da vontade livre deles,
alguns anjos pecaram, e a Bíblia faz referência a essa Queda de um grupo de
anjos(13). O poder dos anjos que é delegado, nos supera em muito conforme
tantos testemunhos na Escritura Sagrada(14). Isso quer dizer, então, que os anjos
têm todos os elementos essenciais da personalidade, e além dos acima
mencionados, possuem sensibilidade, emoções, e são capazes de adorar a Deus
com inteligência (Sl 148.2).

E porque o Deus Vivo e Verdadeiro é Deus de ordem e não de confusão(15), os
anjos estão organizados em uma hierarquia. E, realmente, amado, quando
fazemos o estudo dos anjos, distinguimos três etapas. Primeiramente, o que fala a
Bíblia até o Exílio na Babilônia; em seguida, do Exílio ao Novo Testamento,
quando veio Jesus e ministrou entre nós; e, por último, o Novo Testamento.

É interessante que do início da História Sagrada até o Exílio (c. 527 a.C.),
observamos que não há uma angelologia elaborada. O que temos são narrativas,
bem lineares, até. E há uma presença marcante: a de uma figura chamada "o Anjo
do Senhor". Vemos no Gênesis, em Êxodo e outros dessa primeira fase, a sua
presença ostensiva e marcante.

Do Exílio em diante, a crença, a princípio simples, vai tomar um desenvolvimento
muito especial. Existe, inclusive o surgimento de toda uma literatura chamada
pelos estudiosos do assunto de intertestamentária, que surgiu entre o último
profeta da Antiga Aliança (Malaquias) e o primeiro da Nova Aliança (João, o
Batista). Não são anos de tanto silêncio, como geralmente se ensina. Há uma
literatura denominada intertestamentária, como já destacado, notadamente
encontramos literatura dessa época nos livros de Daniel e Zacarias, livros que
mencionam a presença de anjos.

O Novo Testamento, por sua vez, reflete os principais ensinos do Antigo
Testamento, e categorias e conceitos da literatura intertestamentária.

Anjos são organizados como um exército. Interessante e bonito isso! No topo
estão os arcanjos, anjos comandantes, chefes(16). Menciona em seguida tronos,
dominações, principados, potestades, virtudes, que sejam designações
hierárquicas dos anjos numa elaboração de um esquema bem organizado (cf. Cl
1.16; Rm 8.38; Ef 1.21).

Paulo, em Efésios 6, coloca essas categorias ou hierarquias no exército do
Maligno também (17). Existe o exército de Deus, mas o Maligno tem igualmente o
seu com os mesmos princípios: um arcanjo, que é Lúcifer, encontrando-se, do
mesmo modo, principados, potestades, dominações, etc. Paulo, mesmo, declara
que Jesus Cristo já desarmou e venceu essas forças da malignidade:

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17

"e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças,
o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo
despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na
mesma cruz" (Cl 2.14,15).

Na verdade, ainda sentimos os efeitos dessa força maligna porque ainda estamos
nesta carne, porque ainda estamos no tempo, mas a Bíblia já declara a vitória do
Senhor sobre as forças do Inferno. Jesus cravou na cruz a nossa malignidade, o
nosso pecado! Por essa razão, os crentes não podem se desencaminhar pelo
culto dos anjos, e Paulo fala disso também nesse mesmo capítulo: "Ninguém atue
como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em
coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal" (v.18).
Esse culto aos anjos estava sendo levado pelos gnósticos para dentro das igrejas,
ensinando que os anjos eram intermediários entre a pessoa e Deus. Está, aliás,
retornando com toda força como o faziam os gnósticos dos tempos apostólicos,
como influência do platonismo, e das escolas teosóficas que desaguaram no
gnosticismo, assim como influência da Cabala. Querem fazer os anjos superiores
a Cristo e ao Espírito Santo (Ele que é o nosso guia, e não os anjos(18); querem
elevar os anjos a divindades, mesmo que sejam divindades menores, os
devas(19).

E os querubins e os serafins? Falamos há pouco sobre a hierarquia, e não foram
mencionados. Querubins e serafins não são, a rigor, anjos. Nunca são
apresentados na Bíblia como portadores de mensagens. Querubins são símbolos
dos atributos divinos. Onde há querubins, o divino está presente ou está perto,
razão porque são guardiães do jardim(20), da arca da aliança(21), do trono de
Deus(22). Defendem a santidade de Deus de qualquer pecado(23).

E os serafins? A palavra serafim é interessante porque em hebraico o verbo
saraph significa "arder, pegar fogo, queimar". O serafim é "aquele-que-queima"; o
que queima purifica: é, então, "aquele-que-purifica". São guardiães, também, da
santidade do Eterno lembrando o fogo e sua obra de purificação. E, realmente, só
aparecem os serafins uma vez em Isaías 6, na visão do profeta, com seis asas. A
propósito, anjo tem asas? Não; a figura das asas em anjos é para mostrar
graficamente a presteza, a velocidade com que executam as ordens de Deus. No
entanto, não vamos encontrar os mensageiros de Deus com asas em Sodoma, ou
guiando Agar no deserto, ou o povo de Deus na peregrinação no deserto. A única
menção é a dos serafins, e outra no Apocalipse a respeito de anjos alados(24).

E o arcanjo? Na Bíblia só aparece o nome de um que é Miguel(25). E tem ele
sempre papel combativo. Quem é Miguel? Qual a diferença de Miguel para
Gabriel? Miguel é aquele que está relacionado a missões guerreiras; é quem
comanda as batalhas do Senhor. Então, sempre que lerem ou ouvirem o nome
Miguel, lembrem-se que é ele o anjo guerreiro por excelência(26). É o mensageiro
da lei e do julgamento(27), e seu próprio nome que é, aliás, uma pergunta retórica,
é um grito de batalha e significa "QUEM É COMO DEUS?"e tem como resposta:
"Ninguém!" Quem pode ser como Deus? Um hineto muito apreciado em nossas

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18

igrejas canta:

"Quem é deus acima do Senhor?
Quem é rocha como o nosso Deus?"

A resposta só pode ser uma: "Ninguém!" É isso o que Miguel, que sempre aponta
para Deus, nos está lembrando!

E Gabriel? Agora é diferente. Se Miguel é o anjo guerreiro por excelência, Gabriel
é o que está relacionado com missões de paz. É o contrário: Gabriel é o
mensageiro das boas notícias, é o mensageiro das mensageiro, o mensageiro da
promessa de Deus, é o anjo da revelação, é quem explica mistérios a respeito de
futuros acontecimentos, até políticos(28). É mencionado quatro vezes na Bíblia, e
sempre como mensageiro: Daniel 8.16; 9.21, e novamente no Evangelho de
Lucas, capítulo 1 notificando a Isabel e a Maria, sobretudo, que ela vai ser a mãe
do Salvador(29). Gabriel é um nome muito sugestivo e significa "Herói de Deus",
"Valente de Deus", "Campeão de Deus".

...MINISTRADORES

Voltemos a Hebreus 1.14:

"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que
hão de herdar a salvação?"

O texto diz que, além de "espíritos", são os anjos "ministradores" a favor dos
salvos. Qual é, então, o seu ministério?

Há uma ministração celestial e uma ministração terrena. Há um serviço litúrgico,
cultual dos anjos na adoração ao Criador:

"Louvai-o, todos os seus anjos;
louvai-o, todas as suas hostes!" (30)

Ministério cultual, ministério de louvor. Também assistem o Senhor. Estavam
presentes na Criação(31); estavam presentes na revelação da Lei(32); estavam no
nascimento de Jesus(33); na tentação(34); no Getsêmani(35); na ressurreição(36);
e na ascensão(37). Em todos esses eventos, os anjos estiveram presentes, e
estarão, igualmente, na Parousia, a Segunda Vinda de Cristo(38).

Há uma ministração aos salvos. No programa divino para nós, os anjos estão
envolvidos em quatro tipos de atividades: proteção, transporte, comunicação e
vigilância.

Proteção ou guarda. Temos um grande conforto na Palavra Santa, que usa a
abençoada expressão "O anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que o
temem e os livra"(39). Porém, não estamos nos referindo ao chamado "anjo da
guarda". Esse é um conceito que vem da Igreja Majoritária. Basílio e Jerônimo,

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teólogos da Igreja Antiga lançaram a idéia de que quando nasce uma criança, a
ela é atribuído um anjo para a guardar durante toda vida. Interessante é que
quando Orígenes disse que, ao mesmo tempo que um anjo é colocado ao lado da
criança, um demoniozinho também lhe é atribuído. De um lado fica um anjinho
tomando conta e do outro lado fica um diabinho espicaçando cada um de nós.
Essa é a razão porque nas histórias em quadrinhos ou em desenhos animados
aparece, numa hora de tentação, o diabinho procurando tentar de todo jeito.

Essa idéia de anjo da guarda, então, está baseada no papel de um arcanjo
chamado Rafael, não mencionado na Bíblia, mas no livro apócrifo de Tobias. Eu
não creio em "anjo da guarda", mas creio, sim, em um "anjo-que-guarda". Creio no
anjo do Senhor que nos guarda, de acordo com o que a Bíblia diz no Salmo 34.7.
Ou ainda em Daniel 6.22 que diz, "O meu Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca
dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência
diante dele; e também contra ti, ó rei, não cometi delito algum".

Temos outros exemplos notáveis no Antigo Testamento. No Segundo livro dos
Reis 6.15ss, há um exemplo dessa guarda. No Novo Testamento, no capítulo
cinco de Atos, também. Nesse ponto, alguém pode perguntar, "Pastor, acontece
hoje também essa guarda dos anjos, ou isso aconteceu somente nas páginas da
Bíblia?" Isso ocorre ainda hoje. Na história de John Patton, missionário do século
passado nas Novas Hébridas, há uma página onde ele conta que quando foi
pregar o evangelho, era muito hostilizado. As tribos que ali havia eram canibais e
tentaram matá-lo com toda a família. Patton diz que cercaram a sua casa e ele e a
família começaram a orar durante toda a noite. Fizeram uma vigília de oração
porque estavam literalmente no vale da sombra da morte. E eles oraram, e
oraram, e quando um terminava de orar o outro começava, o outro depois, o outro
depois. Orou ele, a esposa, os filhos oraram, quando terminava voltava toda
aquela corrente de orações. Os homens foram embora, saindo sem tocá-los.
Cerca de um ano depois dessa noite de terror, o chefe da tribo converteu-se ao
evangelho, e conversando com o missionário Patton, perguntou-lhe "Eu queria
saber uma coisa: nós estivemos cercando a sua casa para matá-los. E não
podíamos, porque durante a noite víamos aquele exército. Onde é que você
escondia aqueles homens todos durante o dia? Por que só apareciam à noite?". E
então o missionário respondeu que não havia mais ninguém, somente ele e sua
família. O chefe disse, "Não, de jeito nenhum, havia homens, sim. Eram de grande
estatura, estavam vestidos de branco e com espadas na mão. Os nativos ficaram
com medo e fugiram..." E o Pastor Patton entendeu que Deus havia mandado os
Seus anjos para proteger a família naquele vale da sombra da morte de acordo
com o que diz o Salmo 23.

Uma outra função dos anjos é de transporte. Mas não é quando há
engarrafamento. Alguém pode pensar, "Bom, eu acho que o pastor está atrasado
porque houve um engarrafamento; não vai haver problemas porque um anjo pega
o pastor e traz para a igreja. Afinal, são colegas, são dois anjos..." Não é assim.
Essa função de transporte acontece na nossa morte. Está na Bíblia, Lucas 16.19-
22:

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"Havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e vivia
todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também certo mendigo,
chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele, e desejava
alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico. Morreu o mendigo e foi
levado pelos anjos para o seio de Abraão".

Ele não foi acompanhado não, ele foi transportado segundo a Escritura Sagrada.

Uma outra função é a de comunicação(40). Mas não para aumentar a Bíblia. Nada
de chegar um anjo ensinando um novo evangelho para completar, como acontece
com os mórmons que ensinam que um anjo chamado Moroni passou uma nova
revelação a Joseph Smith. A Bíblia diz que é anátema (maldição), se alguém
aparecer querendo pregar um novo evangelho. Por isso, não aceitamos o
mormonismo, ou o islamismo que diz a mesma coisa, o espiritismo com um
evangelho à sua moda ou qualquer acréscimo ao bel-prazer de qualquer tribunal
canônico. Fujam de quem vem com uma mensagem nova. Fujam de quem vem
com uma nova revelação, seja pregador, pregadora, ou um ser disfarçado de
anjo(41).

Há uma outra função. É a de observação. Porque os anjos observam aquilo que
nós fazemos, os anjos são testemunhas do drama da salvação, os anjos estão
interessados na conduta dos crentes. O apóstolo Paulo diz, "Tenho para mim que
Deus a nós apóstolos, nos pôs por últimos como condenados a morte. Somos
feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens"(42). Os anjos são
testemunhas do drama da salvação; estão interessados na conduta dos crentes
segundo 1Coríntios 4.9 vêem o que nós fazemos. Eles estão especialmente o
declara. A Bíblia ensina que os anjos louvam e nos observam. Eles estão
observando cada um de nós porque são ministradores. Não é observar para dizer,
"Ah, fulaninho está fazendo tal coisa. Vou anotar e dizer a Deus". Anjo não é
alcagüete de Deus mas são nossos observadores, e a Bíblia diz que são até
chamados como testemunhas(43).

NO FUTURO

Há um futuro papel dos anjos. Está em Mateus 24. Diz que "Quando o Senhor
vier, Ele mandará Seus anjos para reunir os Seus eleitos de todos os quadrantes
do mundo". Onde houver um crente em Jesus Cristo, o anjo vai lá e o trás no
momento do grande Arrebatamento. Quando isso acontecer, a palavra de Jesus
ensina que são os anjos que virão nos buscar.

Há valores teológicos inigualáveis nas declarações bíblicas sobre os anjos.
Preciosíssimas lições:

Ø A primeira é que a Bíblia declara que ao lado do mundo que nós vemos Deus
criou um outro mundo de espíritos invisíveis, de seres puros que O servem. A
Deus e a nós também. No Salmo 103.20 está dito, "Bendizei ao Senhor, anjos

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seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, que obedeceis à sua
voz"(44).

Ø A segunda lição que tiramos é que Deus não perdoa a rebeldia. Que é
desobediência, orgulho, e atentado à ordem dos Seus planos(45). Por esse
motivo, Deus não perdoou os anjos que se rebelaram, os quais foram condenados
à eterna separação Dele. Deus não perdoa a nossa rebeldia também, a nossa
insensatez, e a nossa desobediência. E a Bíblia declara que "O salário do pecado
é a morte"(46).

Ø O ministério dos anjos na Bíblia é doutrina importante, doutrina essencial para
que entendamos a providência de Deus e a direção soberana da Sua criação. Nós
sabemos que a intervenção guiadora dos anjos na dispensação da Lei é
substituída pela direção do Espírito Santo na dispensação do Novo Testamento. O
Senhor não autoriza o culto aos anjos. E a idéia de anjos medianeiros também é
um absurdo porque eles usurpam o lugar de Jesus Cristo. Os anjos são
poderosos, mas não são Deus; são poderosos, mas não são a Trindade; são
poderosos, mas não são o Espírito Santo; têm poder, mas não são Jesus Cristo,
não são mediadores, não têm o atributos de Deus, não possuem qualquer
capacidade de regenerar o ser humano.

Ø O estudo dos anjos nos enche com uma nova visão e assombro pela grandeza
de Deus. Especialmente quando pensamos que os anjos, poderosos como são,
adorando a Deus, cumprindo a Sua vontade, são um exemplo para nós. Isso nos
dá agora um senso de humildade diante de Deus e de gratidão porque os anjos
estão ao nosso redor.
Ø A quinta lição é que os anjos apontam para a nossa dignidade no futuro porque
nós seremos iguais aos anjos de Deus, a Bíblia diz.
Ø E a sexta, é que tudo isso nos encoraja e estimula a servir a Deus com a
totalidade do nosso ser.
Ø E mais: Os anjos se alegram quando alguém se volta para Cristo. A palavra de
Deus acerca disso nos ensina em Lucas 15.10, "Há alegria diante dos anjos de
Deus por um pecador que se arrepende".
Que Deus nos auxilie a compreender e viver a reverência, a submissão e o serviço
que os anjos desempenham para que, deste modo, o que Jesus expressou na
Oração do Senhor seja pura realidade: "Seja feita a tua vontade assim na terra
como no céu!"

FONTES PRIMÁRIAS

1. ALVES, Anna Clara. Nossos Aliados Celestes. Em: Planeta Especial - Anjos
(Agosto de 1992), p. 4-9.
2. BOUTTIER, M. Anjo (no NT) Em: VON ALLMEN, J.-J. (Org.) Vocabulário
Bíblico. SP, ASTE, 1964. Trad. A. Zimmermann, p. 25-26.
3. BUCKLAND, A. R. Dicionário Bíblico Universal, 2a ed. Rio, Livros Evangélicos,
1957. Trad. J. Dos S. Figueiredo.
4. CHAFER, L. S. Grandes Temas Bíblicos. Ed. Revista. Grand Rapids, Portavoz
Evangélico, 1976. Trad. E. A. Nuñez e N. Fernández.
5. COSTA, Marina Elena. Seres Angélicos, do Oriente ao Ocidente. Em: Planeta

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22

Especial - Anjos, p. 10-15.
6. DATTLER, Frederico. Síntese de Religião Cristã. Petrópolis, Vozes, 1985.
7. DE HAAN, Richard W. Our Angel Friends. Grand Rapids, RBC, 1980.
8. LELIÈVRE, A. Anjo (no VT) Em: VON ALLMEN, Op. Cit., p. 24-25.
9. LITTLE, Robert J. Here's Your Answer. 3a impr. Chicago, Moody, 1967.
10. MEIER, Samuel A. Angels. Em: METZGER, Bruce M. e COOGAN, Michael D.
(Orgs.). The Oxford Companion to the Bible. NY, Oxford University, 1993, p. 20-28.

11. MICHL, Johann. Angel.Em: BAUER, J.B. (Org.). Encyclopaedia of Biblical
Theology. NY, Crossroads, 1981, p. 20-28.
12. NEWHOUSE, Flower A. Redescobrindo os Anjos. SP, Pensamento, 1994.
Trad. C. G. Duarte, 131 p.
13. SCHNEIDER, Bernard N. The World of Unseen Spirits. Winona Lake, BMH
Books, 1975.
14. TAYLOR, Terry Lynn. Anjos - Mensageiros da Luz, 11a ed. SP, Pensamento,
1995. Trad. A. Trânsito.
15. VAN DEN BORN. Querubim. Em: VAN DEN BORN, A. (Org.) Dicionário
Enciclopédico da Bíblia, 2a ed. Petrópolis, Vozes, 1977, p. 1248-1249.
16. ________. Serafim. Em: VAN DEN BORN, A. (Org.), Op. Cit., p. 1414-1415.
17. VAN SCHAIK, A. Anjo. Em: Van den Born, Op. Cit., p. 74-77.
(1) ALVES, Anna Clara. In: Planeta Especial, agosto de 1992, pp. 4-9.
(2) TAYLOR, Terry Lynn. Anjos - Mensageiros da Luz.
(3) NEWHOUSE, Flower A. Redescobrindo os Anjos
(4) Cit. Por GRAHAM, Billy. Anjos.
(5) De onde vem o nome Malaquias = "mensageiro do Senhor".
(6) Cf. Isaías 14.32.
(7) Cf. Malaquias 2.7.
(8) Cf. Gn 32.3; Nm 20.14; 1Sm 11.7; 23.27.
(9) Cf. Mt 13.41; 18.10; 26.53; Mc 8.38; 13.32; Lc 22.43; Jo 1.51; Ef 1.21; Cl 1.16;
2.18; 2Ts 1.7; 22.9; Hb 12.22; 1Pe 3.22; 2Pe 2.11; Jd 9; Ap 12.7;.
(10) Cf. Jz 2.1; 6.11-22; Sl 104.4; Mt 1.20; 28.30; Lc 1.26; Jo 20.12; Ap 15.6; 18.1.
(11) Cf. 2Sm 14.17.20.
(12) Cf. 1Co 2.11; Mt 24.36; Mc 13.32.
(13) Cf. 2Pe 2.4; Jd 6.
(14) Cf. Is 37.36; 2Pe 2.11; Sl 103.20; Ap 20.2; 2Ts 1.7.
(15) Cf. 1Co 14.33.
(16) A rigor, a Bíblia só menciona um arcanjo que é Miguel, cf. 1Ts 4.16.
(17) Cf. Ef 2.2; Cl 2.15.
(18) Cf. Jo 16.13; 14.26; Rm 8.14; Gl 5.18).
(19) Palavra sânscrita que significa "deus".
(20) Gn 3.24.
(21) Ex 25.18,20.
(22) Sl 80.1.
(23) Ez 1.1-18.
(24) Ap 4.8.
(25) Jd 9; Dn 10.13, 21; 12.1; 1Ts 4.16: Ap 12.7.
(26) Cf. Ap 12.7.

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23

(27) Cf. Ap 12.7-12.
(28) Cf. Dn 8.16-26; 9.20-27.
(29) Cf. vv. 19, 26.
(30) Sl 148.2; cf. Ap 5.11,12; Is 6.3; Ap 4.8
(31) Jó 38.7.
(32) At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2; Ap 22.16).
(33) Lc 2.13.
(34) Mt 4.11.
(35) Lc 22.43.
(36) Mt 28.2.
(37) At 1.10.
(38) Cf. Mt 24.31; 25.3; 2Ts 1.7.
(39) Sl 34.7.
(40) Gn 19.1,12,13; Lc 1.11-13; 1.26-35; 2.8-12Mt 2.13; At 7.53; 27.22-25.
(41) Cf. 2Co 11.4; Gl 1.7b,8; Ap 22.18.
(42) 1Co 4.9; cf. 11.10.
(43) Cf. 1Tm 5.21
(44) Cf. Gn 22.11; Sl 91.11; Hb 1.14.
(45) Cf. Jó 42.2.
(46) Cf. Gl 3.22; Ec 7.22.

APOSTILA Nº. 02/300.000 MIL CURSOS GRATIS.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS

PREÂMBULO.

INTRODUÇÃO.
I, DEFINIÇÃO DE DEUS. 01
II, ENTENDENDO DEUS, A PARTIR DA DEFINIÇÃO DO TEÓLOGO A. B.
LANGSTON. 07
II, 1, A NATUREZA DE DEUS. 02
II, 1, A, DEUS É ESPÍRITO. 07
II, 1, B, DEUS É ESPÍRITO PESSOAL. 03
II, 1, C, A APARÊNCIA DE DEUS. 04
II, 2, O CARÁTER DE DEUS. 05
II, 3, RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO. 06
II, 3, A, DEUS É O CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ. 07
II, 3, B, DEUS É O SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ. 08
II, 3, C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ. 10
II, 4, OS MOTIVOS DE DEUS PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO. 09
III, A EXISTÊNCIA DE DEUS. 10
III, 1, PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS. 11
III, 1, A, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DO UNIVERSO. 11
III, 1, A, a, PRIMEIRA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO. 12

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24

III, 1, A, b, SEGUNDA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO. 12
III, 1, B, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA HISTÓRIA
UNIVERSAL. 13
III, 1, C, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DAS PERCEPÇÕES
HUMANAS. 14
III, 1, D, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA FÉ. 14
III, 1, E, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA CRISTÃ.
15
III, 2, A ETERNIDADE DE DEUS. 16
IV, ATRIBUTOS DE DEUS. 16
IV, 1, ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS. 17
IV, 1, A, ONIPRESENÇA. 17
IV, 1, B, ONISCIÊNCIA. 18
IV, 1, C, ONIPOTÊNCIA. 18
IV, 1, C, a, ONIPOTÊNCIA MORAL. 18
IV, 1, D, UNIDADE. 19
IV, 1, E, INFINIDADE. 19
IV, 1, F, IMUTABILIDADE. 19
IV, 2, ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS. 20
IV, 2, A, SANTIDADE. 20
IV, 2, B, JUSTIÇA, (RETIDÃO). 20
IV, 2, C, AMOR. 21
V, A SOBERANIA DE DEUS. 21
V, 1, CARACTERÍSTICAS DA SOBERANIA DE DEUS. 21
V, 1, A, A SOBERANIA UNIVERSAL DE DEUS. 21
V, 1, B, A SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL, COMPLETA E PERPÉTUA DE DEUS.
21
V, 2, A SOBERANIA DE DEUS EM RELAÇÃO AOS SERES MORAIS,
INCLUSIVE O HOMEM; O LIVRE ARBÍTRIO. 21
VI, DEUS E O MAL. 23
VII, ALGUNS NOMES DE DEUS, NA BÍBLIA SAGRADA. 23
CONCLUSÃO. 25
BIBLIOGRAFIA. 26

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
3.
PREÂMBULO.
APRESENTAÇÃO E REFERÊNCIA AOS ESTUDOS

Os estudos apresentados neste curso não são criação ou invenção nossa,
são, isto sim, principalmente, compilados da literatura evangélica
relacionada na bibliografia.
Por isso, orientamos todos os alunos a adquirirem os livros base
destes estudos, para que o conhecimento se multiplique.
Este trabalho não esgota os temas expostos, pois seria pretensão
inoportuna.
Nosso intuito é abrir alas à estruturação doutrinária dos salvos por
JESUS CRISTO e amantes da DOUTRINA CRISTÃ.
Reconhecemos que a linha mestra destes estudos, pelo menos à

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25

primeira vista, não será aprovada, apoiada ou adotada por todas as
correntes do CRISTIANISMO, nem por todos os leitores, ou estudiosos
destes trabalhos.
Porém, isso não nos preocupa, porque cremos que todo o conteúdo está
de acordo com a PALAVRA DE DEUS, a qual é, para todos os efeitos, a
fonte, imutável, de toda a revelação DIVINA e, por isso, da totalidade
da DOUTRINA CRISTÃ.
Assim sendo, cremos, inabalavelmente, em tudo o que está escrito, já
que, não saiu de nós, veio de DEUS.
Outro ponto a considerar é o aspecto subjetivo dos estudos realizados,
visto que, estes não são uma transcrição dos livros contidos na
bibliografia, são, isto sim, uma adaptação resumida dos mesmos,
visando ajudar os irmãos que não acessam estudos mais profundos das
DOUTRINAS CRISTÃS.
Além disto, e ainda, em virtude da subjetividade destes estudos,
talvez haja alguns pontos não encontrados nas obras da bibliografia ou
em outras obras escritas, porém, ainda que isto aconteça, a BÍBLIA
SAGRADA é a base de todos eles, haja vista as passagens BÍBLICAS, as
quais, jamais poderão ser alteradas.
Estudar as DOUTRINAS CRISTÃS extraídas da BÍBLIA SAGRADA é muito
importante para todo o cristão, visto que, tal estudo, tranqüiliza, e
muito, a mente do estudioso.
Tal tranqüilidade acontece porque o crente que estuda a DOUTRINA
CRISTÃ, nela crê e se apoia, fica imune a heresias que aparecem e
reaparecem na IGREJA DE JESUS CRISTO, vindas de todos os lados, com o
intuito de desviar os salvos por JESUS CRISTO da obediência a DEUS.
Porém, quanto a problemas de ordem secular, material e pessoal, jamais
prometeremos que os mesmos terminarão com estes estudos, ainda que
isso possa acontecer em alguns ou, até, em muitos casos.

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
4.

Tais problemas poderão continuar na vida dos crentes, porém, no
aspecto espiritual, muitos e muitos desaparecerão em virtude dos
esclarecimentos doutrinários que, com toda a certeza, penetrarão na
mente e coração do filho de Deus que se dispõe a estudar.

ALGO IMPORTANTE ACERCA DA DOUTRINA CRISTÃ.

O estudo das DOUTRINAS CRISTÃS é importantíssimo para a IGREJA DE
JESUS CRISTO, como um todo, bem como, para cada salvo por JESUS CRISTO
em particular, visto que, a prática da vida natural e secular, tanto
quanto, da vida espiritual de cada pessoa (salva por JESUS CRISTO ou
não) é determinada pelas doutrinas que a mesma tem no coração, a não
ser que seja desobediente ao que crê.
Um aspecto muito importante a considerar sobre a DOUTRINA CRISTÃ é a
dificuldade que, infelizmente, tolda a visão de grande parte de
pessoas, qual seja, a falta de discernimento entre doutrina e costumes.
A DOUTRINA CRISTÃ é imutável, tanto quanto a BÍBLIA SAGRADA é imutável.
Os costumes, como é natural, mudam com o passar dos tempos e variam de

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26

lugar para lugar, ou de povo para povo, de acordo com as
circunstâncias e tradições.
Nosso intuito é tratar das DOUTRINAS IMUTÁVEIS DO CRISTIANISMO, quanto
aos costumes, se estes não são pecaminosos, não há motivo para
normatizá-los, pois o CRISTIANISMO autêntico, não o é pela aparência,
mas pela essência, a qual produz no coração do salvo por JESUS CRISTO
coragem e decisão para mudar o que necessário for para melhor honrar e
glorificar a DEUS.
Vejamos portanto o significado normal da palavra doutrina e
apliquemo-la ao CRISTIANISMO.
A palavra doutrina, segundo Aurélio, significa:
01, Conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso,
filosófico, científico, etc.
02, Catequese cristã.
03, Ensinamento.
De acordo com a primeira designação, a DOUTRINA CRISTÃ é o conjunto de
princípios ou verdades que servem de base ao CRISTIANISMO.
Se a IGREJA CRISTÃ é de JESUS CRISTO o qual é, indiscutivelmente,
DEUS, toda a DOUTRINA DA IGREJA DO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO

de vir do próprio DEUS.
Já que a fonte da DOUTRINA CRISTÃ é DEUS, onde poderemos encontrá-la?
A resposta é simples, a fonte, autorizada, da DOUTRINA CRISTÃ, não
pode ser outra senão a BÍBLIA SAGRADA, porque, não há qualquer sombra
de dúvida, esta é a PALAVRA DE DEUS, revelada ao homem.
Portanto, para o cristão genuíno, a DOUTRINA CRISTÃ é o conjunto, ou a
somatória dos princípios e ou verdades, extraídas da BÍBLIA SAGRADA,
em que o CRISTIANISMO VERDADEIRO se baseia e ou apoia.

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
5.

Em virtude disto:

JÁ QUE A BÍBLIA SAGRADA É IMUTÁVEL,
A DOUTRINA CRISTÃ, TAMBÉM É IMUTÁVEL.

Por ser imutável, a DOUTRINA CRISTÃ dos dias atuais é a mesma da IGREJA
PRIMITIVA e continuará sendo a mesma até a consumação dos séculos.
A DOUTRINA CRISTÃ é tão importante que a BÍBLIA SAGRADA a ela dedica
várias passagens, Is¨29:22-24; Mat¨7:28, 22:33; Mar¨1:22, 27; Luc¨4:32;
João¨7:16-18, 18:19; At¨2:42, 5:28, 13:12, 17:19; Rom¨6:17-18, 16:17;
1ªCor¨14:6; Ef¨4:14, 6:4; 1ªTim¨1:1-10 (3, 10), 4:6, 16, 6:1-5;
2ªTim¨4:1-3; Tito¨1:9, 2:1, 7-10; Heb¨13:9; 2ªJoão¨9-11.

Todos os estudos doutrinários do curso visam ajudar o filho de DEUS a
resolver, possivelmente, grande quantidade de problemas de ordem
espiritual, os quais, se estiverem ocupando sua mente, com certeza
absoluta, estão, totalmente, fora da vontade de DEUS.
Antes de iniciar os estudos, é necessário abrir a mente e coração, de
tal forma que não haja permissão para a colocação de obstáculos, de
ordem pessoal, tais como:

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01, É muito grande¨!
02, É muito difícil¨!
03, Não tenho tempo para estudar¨!
04, Não conseguirei aprender nada¨!
05, A minha cabeça não dá para fazer este estudo¨!
06, Etc.
Jamais permita que tais pensamentos dominem vossa mente, porque:
01, DEUS nos fez seus filhos, João¨1:12.
02, DEUS nos deu a mente de CRISTO, 1ªCor¨2:16.
03, DEUS nos alimenta através da sua PALAVRA, Mat¨4:4.
04, DEUS nos dá a doutrina do SENHOR, At¨13:12.
05, DEUS deseja que nos esclareçamos e instruamos em sua PALAVRA,
2ªTim¨3:16-17.
06, DEUS quer que nos humilhemos diante dele, 1ªPed¨5:6.
07, DEUS nos quer sóbrios para vencermos nosso maior inimigo, qual
seja, o diabo, que brama como leão ao derredor de nós, tentando nos
tragar, 1ªPed¨5:8.
Estudemos, portanto, com coragem e fé, para o bem pessoal, para honra
e glória de DEUS e para a, verdadeira, expansão do SEU REINO.

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
6.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
INTRODUÇÃO.

A pessoa salva por JESUS CRISTO jamais poderá prescindir do estudo
sobre DEUS, O CRIADOR, SUSTENTADOR, LEGISLADOR E GOVERNADOR de
tudo o
que há, quer seja do mundo visível ou invisível.
Este estudo não contém a totalidade, nem a profundidade, do
conhecimento humano acerca do SER DIVINO que é a causa de tudo o que
veio a existir, porém, com toda a certeza, nos colocará a par dos
ensinamentos básicos acerca de DEUS.
Estudemos, portanto, com muito amor, vontade e dedicação, sobre o
mais importante ser existente em toda a extensão do universo,
para nossa compreensão e benefício, em todas as áreas da vida,
principalmente a espiritual.

I, DEFINIÇÃO DE DEUS.

Definir DEUS, talvez seja tarefa impossível ao ser humano,
principalmente, porque, para o ser da dimensão de DEUS, uma definição
há de ser dada em poucas palavras.
Porém, quem crê na existência de DEUS e estuda o que sobre ele está
revelado na BÍBLIA SAGRADA, há de ter condições de defini-lo, ainda
que seja uma definição sucinta e um tanto quanto incompleta.
Vejamos algumas definições de DEUS, as quais são, na verdade, tentativas
de defini-lo, já que sempre faltará algo, importante, nas mesmas.
O minidicionário Aurélio define DEUS como:
01, Ser infinito, perfeito, criador do universo.
O conciso dicionário de teologia CRISTÃ, diz:

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01, Paul Tillich concebeu DEUS não como um ser dentre muitos e nem até
mesmo como o ser supremo, mas o fundamento de todos os seres, a
força ou o poder dentro do qual todas as coisas são de sua autoria.
O dicionário da BÍBLIA nos diz:
01, Nome da suprema divindade que os homens invocam e adoram.
02, A palavra grega que em o Novo Testamento traduz o objeto de
adoração, é Espírito.
03, A palavra hebraica do Antigo Testamento que por sua vez, representa
esta idéia, leva-nos a pensar na força geradora de todas as cousas.
04, Nos lábios CRISTÃOS, portanto, a palavra DEUS designa fundamentalmente
o Espírito Poderoso que é adorado, e cujo auxílio invocamos.
O teólogo A. B. Langston define DEUS, como segue:

DEUS É ESPÍRITO PESSOAL, PERFEITAMENTE BOM, QUE, EM SANTO
AMOR,
CRIA, SUSTENTA E DIRIGE TUDO.

Nesta última definição encontramos, sem dificuldade, a natureza de
DEUS, seu caráter, sua relação com o universo e seus motivos para com
tudo o que foi criado.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
7.
NOTA IMPORTANTE.
É indispensável decorar esta definição.
Estudemos todos estes aspectos de DEUS.

II, ENTENDENDO DEUS, A PARTIR DA DEFINIÇÃO DO TEÓLOGO A. B.
LANGSTON.

Na definição de DEUS de A. B. Langston, como já vimos, encontramos:
1, A NATUREZA DE DEUS.
2, O CARÁTER DE DEUS.
3, A RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO.
4, OS MOTIVOS DE DEUS, PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO.
Vejamos cada um destes itens em particular.

II, 1, A NATUREZA DE DEUS.

DEUS É ESPÍRITO PESSOAL.

II, 1, A, DEUS É ESPÍRITO.
João¨4:24; 2ªCor¨3:17.
II, 1, B, DEUS É ESPÍRITO PESSOAL.
Êx¨3:1-22; Is¨43:11-15; Jer¨26:12.

A natureza de DEUS é muito diferente da natureza do ser humano.
Esta diferença está no fato de DEUS não possuir corpo físico.
DEUS não possui corpo físico, nem pode posssuí-lo, porque é ESPÍRITO.
Por ser ESPÍRITO, DEUS existe numa dimensão invisível ao ser humano, pelo
menos, enquanto este estiver na existência terrena e dotado de corpo físico.
Todos nós conhecemos muitas pessoas, todas elas, dotadas de corpo
físico, ou seja, composto de matéria concreta, palpável e visível, por
isso, à primeira vista, talvez seja difícil ao ser humano, crer na
existência de um ser pessoal que não tenha corpo.
Porém, também o homem após a morte física continua existindo sem corpo
físico, já que, o corpo físico do ser humano, se torna pó, Gên¨3:19;

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Ecle¨12:7.

Compreendendo esta realidade, não é tão difícil aceitar a verdade de
que DEUS, ainda que, sendo ESPÍRITO e sem corpo físico, é pessoa.
Pessoa é todo o ser que tem, pelo menos três características, quais sejam:
01, INTELIGÊNCIA.
02, AFEIÇÃO.
03, VONTADE.
Estas três características, por sua vez, se expressam através de
vários poderes, quais sejam:
01, PODER DE PENSAR.
02, PODER DE SENTIR.
03, PODER DE QUERER.
04, PODER DE PENSAR EM SI MESMO.
05, PODER DE DIRIGIR-SE A SI MESMO.

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
8.

Nos estudos sobre a DOUTRINA CRISTÃ DO ESPÍRITO SANTO, DO HOMEM E
ACERCA DO diabo, entramos nos detalhes destes itens.
Pelos textos lidos, no início deste item, está claramente provado que
DEUS é, com toda a certeza, um ser pessoal.
Não há qualquer dificuldade para verificarmos que quando DEUS se
comunica com o ser humano, ao referir-se a si mesmo, sempre usa o
pronome pessoal da primeira pessoa do singular como qualquer pessoa
humana, Gên¨17:1, 26:24; Lev¨22:33, 23:22; Deut¨5:6; Juí¨6:8-10;
1ºSam¨10:18; Is¨41:17; Jer¨7:23; Ez¨20:19,
etc.
Por outro lado, quando o homem se dirige a DEUS também o trata como
pessoa, Gên¨3:9-10, 16:13; Êx¨32:11, etc.
Ao referir-se a DEUS, o homem também o trata como pessoa, Êx¨15:2,
23:25; Josué¨7:19; Sof¨3:17,
etc.
Nos três casos alistamos, apenas, alguns exemplos com pronomes retos,
porém, há, também, os oblíquos e os ocultos.

II, 1, C, A APARÊNCIA DE DEUS.

Terá o homem subsídios ou condições, suficientes, para conceber e
determinar qual seja a forma ou a aparência de DEUS¨?
A BÍBLIA SAGRADA, em muitas de suas passagens, ao referir-se a DEUS
atribui-lhe muitas partes, ou órgãos, que fazem parte do corpo humano,
as quais aparentemente, também, fazem parte da natureza DIVINA.
Vejamos:
01, Coração do SENHOR, Gên¨8:21.
02, Braço de DEUS, Êx¨6:6.
03, Destra e narinas do SENHOR, Êx¨15:6-8¨(8).
04, Dedo de DEUS, Êx¨31:18.
05, Face, mão e costas do SENHOR, Êx¨33:20-23.
06, Ouvidos do SENHOR, Núm¨11:1.
07, Boca do SENHOR, Deut¨8:3.
08, Olhos do SENHOR, Deut¨11:12.
09, Pés do SENHOR, 2ºSam¨22:10.

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10, Cabeça do SENHOR, Sal¨60:6-7¨(7).

Poderá alguém afirmar: “Se Moisés viu o SENHOR pelas costas, como nos
declara Êx¨33:23, DEUS tem forma de homem”¨!
Além desta visão que Moisés teve de DEUS, há mais uma oportunidade em que
além de Moisés, também Arão, Nadabe, Abiú e mais setenta anciãos de
Israel viram a DEUS, é o que verificamos na narrativa de Êx¨24:9-11.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
9.

Por isso, em conseqüência destes fatos há, não poucas, pessoas que,
infelizmente, pensam que DEUS tem forma humana.
Porém, vejamos o que o legislador israelita, Moisés, nos fala em

Deut¨4:1-20¨(14-20).

Os órgãos humanos atribuídos a DEUS estão colocados na BÍBLIA
SAGRADA em linguagem antropológica, a fim de que o ser humano
possa entender o poder, majestade e glória de DEUS.
A verdade é que nem Moisés, o qual, a BÍBLIA SAGRADA diz que viu
DEUS pelas costas, considerou a possibilidade de DEUS ter
aparência humana.
Na verdade, o que houve foi uma Teofania ou uma Epifania.
Teofania é, manifestação de Deus em algum lugar, acontecimento ou pessoa.
Epifania é, Aparição ou manifestação divina.
Por isso, Moisés proibiu o povo israelita e, por extensão, a
todos os demais povos, a jamais compararem DEUS a qualquer coisa
existente, quer no céu, quer na Terra, quer debaixo da terra,
quer na água debaixo da terra, Deut¨4:15-20.
Outra dificuldade que se nos apresenta está em Gên¨1:26-27, onde
se lê que DEUS fez o homem à sua imagem e semelhança, e em
Gên¨5:1, verificamos, novamente, que DEUS criou o homem à SUA
semelhança.
À primeira vista, pode parecer que o homem tem sua imagem física
semelhante a DEUS.
Fato este que por sua vez pode levar o homem a pensar que Deus é,
em sua aparência, semelhante ao homem.
Porém, os conhecedores da língua hebraica, idioma da quase
totalidade do ANTIGO TESTAMENTO, incluindo as passagens citadas,
ensinam que: “As palavras hebraicas TSELEM e DEMUT, traduzidas
por imagem e semelhança, não se referem ao aspecto físico”.

Este fato concorda, perfeitamente, com João¨4:24 e 2ªCor¨3:17,
passagens que nos mostram claramente que: “DEUS É ESPÍRITO”.
Porque DEUS É ESPÍRITO é invisível ao ser humano, pelo menos,
enquanto este estiver no seu corpo corruptível e mortal,
Col¨1:15; 1ªTim¨1:17, vejamos ainda Luc¨24:39.
Para terminar este assunto, vejamos João¨1:18; 1ªTim¨1:17, 6:16;
1ªJoão¨4:12,
passagens estas que nos afirmam que DEUS nunca foi
visto por homem algum, porque é invisível e imortal.
Portanto, para nosso bem-estar espiritual, jamais atribuamos a
DEUS qualquer tipo de imagem, ou semelhança com qualquer coisa

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material, At¨17:29.
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.
10.
II, 2, O CARÁTER DE DEUS.

DEUS É PERFEITAMENTE BOM.
Várias passagens BÍBLICAS atestam a perfeita bondade de DEUS,

1ºCrô¨16:34; 2ºCrô¨5:13, 7:3, 30:18-19; Esd¨3:11; Sal¨25:8, 34:8,
52:8-9, 54:6, 73:1, 86:5, 100:5, 106:1, 107:1, 118:1-5, 29, 119:68,
135:3, 136:1-26; Jer¨33:11; Lam¨3:25; Naum¨1:7; Mar¨10:18;
Luc¨18:18-19; 1ªPed¨2:3.
II, 3, RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO.

DEUS se relaciona com o universo e com tudo o que nele há, numa
relação de total e irrestrita superioridade.
Tal relação de superioridade é comprovada em três aspectos:
A, DEUS É CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ.
B, DEUS É SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ.
C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ.

II, 3, A, DEUS É O CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ.

Várias passagens BÍBLICAS afirmam que DEUS é criador de tudo o que há,

Gên¨1:1, 11-12, 21, 27, 2:3, 5:1-2, 6:7; Deut¨4:32; Neem¨9:6;
Ecle¨11:5; Is¨42:5, 43:7, 44:24, 45:7, 51:13, 65:17; Jer¨10:12, 16,
51:15, 19; João¨1:3-4; Rom¨11:36; Ef¨3:9; Col¨1:16; Heb¨3:4, 11:3;
Apoc¨4:11, 10:6.
II, 3, B, DEUS É O SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ.

DEUS sustenta tudo o que há, não só na Terra, mas em todo o universo,
Deut¨8:3-16; Col¨1:17; Heb¨1:3, o último, versículo é referente a JESUS
CRISTO, porém, JESUS CRISTO é DEUS, como podemos verificar em

João¨1:1-14; 1ªJoão¨5:20.
II, 3, C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ.

As próximas passagens BÍBLICAS atestam que DEUS dirige tudo o que há,

Sal¨45:6, 66:7, 145:13; Lam¨5:19; Dan¨4:3.
II, 4, OS MOTIVOS DE DEUS PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO.

A vinda de JESUS CRISTO à Terra para dar a SALVAÇÃO ETERNA ao ser humano,
mostra claramente qual é o motivo de DEUS em relação à criação,
principalmente em relação ao ser humano, João¨3:16; Rom¨5:8.
Estas passagens mostram que DEUS se relaciona com o ser humano em
amor, não poderia ser de outra forma, porque DEUS É AMOR,

1ªJoão¨4:7-21.

Porém, sobram motivos para crermos que DEUS se relaciona com tudo o
que criou com santo amor.

III, A EXISTÊNCIA DE DEUS.

Com certeza, DEUS é um ser provável, ou seja, é possível ao homem
provar a existência de DEUS.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
11.

DEUS, na pessoa DIVINA do ESPÍRITO SANTO, ao inspirar o escritor SACRO
do livro de Gênesis, não se preocupou em provar por A mais B a sua

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existência, apenas fez uma simples e breve declaração, porém, dotada
de uma convicção tão certa e indubitável que é impossível derrubá-la.
Vejamos a transcrição da declaração do primeiro versículo do
primeiro livro da BÍBLIA SAGRADA, Gên¨1:1: “No princípio criou DEUS
os céus e a Terra”.

Sendo DEUS um ser provável, é possível provar sua existência, não só a
partir desta declaração BÍBLICA, mas também, a partir de algumas
outras evidências, como verificaremos a seguir.

III, 1, PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.

Estudaremos algumas provas da existência de DEUS, as quais, hão de
estar de acordo com a definição de DEUS, estudada anteriormente.
Não iremos, portanto, provar a existência de um DEUS qualquer, porém,
O DEUS revelado na BÍBLIA SAGRADA.
Para muitas pessoas, provar a existência de DEUS, é coisa desnecessária,
porque se DEUS existe, sua existência deve ser patente e indubitável.
Porém, façamos uma simples analogia, tomando como base um ser humano
desprovido do formidável sentido da visão.
A pessoa sem o sentido da visão desconhece, completamente, a luz.
Quem vê, prova que a luz existe, mas quem não vê, há de ter uma enorme
dose de boa vontade para aceitar a realidade de uma coisa que não pode
ser constatada por ele.
Por isso, a aceitação das provas da existência de DEUS dependem, e
muito, da pessoa que as escuta, já que, cada um é livre para crer e
aceitar ou não aquilo que ouve.
Entretanto, DEUS existe e é possível provar sua existência, em, pelo
menos cinco aspectos.
A, PELO UNIVERSO.
B, PELA HISTÓRIA UNIVERSAL.
C, PELAS PERCEPÇÕES HUMANAS.
D, PELA FÉ.
E, PELA EXPERIÊNCIA CRISTÃ.
Vejamos cada uma em particular.

III, 1, A, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DO UNIVERSO.

Para a existência do universo, há apenas duas alternativas possíveis:

a, PRIMEIRA ALTERNATIVA.

O universo é produto de uma criação, evolução e direção próprias.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
12.
b, SEGUNDA ALTERNATIVA.

O universo foi criado, é sustentado e dirigido por um ser inteligente
e onipotente.
Se a primeira opção for provada, o universo estará impossibilitado de
nos apresentar qualquer prova da existência de DEUS.
Porém, se a primeira opção não puder ser provada, há razões suficientes
para procurarmos no universo provas da existência de um ser, totalmente,
poderoso e inteligente, para o qual nos renderemos em reconhecimento da
sua total capacidade para CRIAR, SUSTENTAR E DIRIGIR TUDO O QUE HÁ.

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III, 1, A, a, PRIMEIRA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO.

O UNIVERSO COMO PRODUTO DE UMA CRIAÇÃO, EVOLUÇÃO E DIREÇÃO
PRÓPRIAS.
A ciência concluiu que há noventa e dois elementos na natureza (hoje há
mais, porém, além dos noventa e dois, são todos artificiais), os quais,
combinados na imensidão das possibilidades e em variadas quantidades,
possibilitam a existência de tudo o que há, no mundo físico.
Imaginemos os noventa e dois elementos coexistindo irracionalmente.
Apesar da sua irracionalidade, combinaram-se entre si, e construíram
(para não multiplicar a, possível, confusão da nossa mente pensando no
universo) o planeta Terra, com todos os materiais que o constitui.
Além das matérias do planeta Terra, esses noventa e dois elementos,
irracionais, da natureza, também criaram os seres vivos, quais sejam, as
plantas de toda a espécie, os animais de toda a espécie e o ser humano.
Notemos que, se aceitarmos esta primeira possibilidade da existência do
universo, somos forçados a aceitar que esses noventa e dois elementos
irracionais, tiveram a capacidade de produzir (no caso do ser humano)
um ser inteligente, afeiçoado e voluntarioso, que tem os poderes de
pensar, sentir, querer, consciência própria e direção própria.
Aceitar esta hipótese é aceitar:
01, Que DEUS, O CRIADOR, não existe (ateísmo).
02, Que os noventa e dois elementos primários são eternos e criadores
por acaso.
03, Que o ser humano (sem contar com tudo o que mais existe, apenas na
Terra) foi criado pelo acaso, ou seja, é um produto ocasionado pela
junção indiscriminada desses noventa e dois elementos primários,
brutos, ignorantes e impensantes.
04, Que a coisa criada (pelo menos, no caso do ser humano) é
infinitamente superior ao que a criou.

III, 1, A, b, SEGUNDA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO.

O UNIVERSO FOI CRIADO, É SUSTENTADO E DIRIGIDO POR UM SER
INTELIGENTE
E ONIPOTENTE (DEUS).
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
13.

Olhemos o universo como algo que passou a existir como resultado da
obra do Criador, DEUS, Gên¨1:1; Is¨44:24, 45:7.
Admitir que a matéria (os noventa e dois elementos primários) começou a
existir, é admitir que foi produzida por algo ou alguém que já existia.
Em virtude disso, a matéria é efeito, não causa.
Na relação causa efeito, há um aspecto importante a considerar, qual seja:
Nem tudo o que a causa tem é encontrado no efeito.
Porém, tudo o que é encontrado no efeito, a causa, também, possui.
Por isso, a causa é sempre superior ao efeito.
Lembramos que na primeira alternativa (pelo menos em relação ao ser
humano) acontece o contrário, ou seja, o efeito é maior que a causa.
O universo, com sua imensidão e harmonia, as quais, ultrapassam a

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nossa finita compreensão, demonstram a grandiosidade do poder,
conhecimento, presença e harmonia do CRIADOR.
Portanto, sem entrarmos em mais detalhes, com toda a certeza:

O UNIVERSO PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, B, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA HISTÓRIA
UNIVERSAL.

É bem verdade que a idéia correta de DEUS foi perdida na maioria
das civilizações mundiais, porém, é importante notar que a idéia de
DEUS sempre esteve, e está presente, onde quer que o ser humano
seja encontrado.
DEUS mandou destruir os povos da Terra prometida, em virtude da sua
religiosidade não estar de acordo com a verdade, Êx¨23:23-25.
Porém, não há dúvida que tais povos, ainda que erradamente, tentavam
atender aos anseios da alma, através da comunhão com DEUS.
O povo egípcio, não adorava o DEUS verdadeiro, porém, a história mostra
que o serviço da vida religiosa dos egípcios gastava muito mais,
recursos financeiros, do que as necessidades da vida cotidiana do povo.
A esfinge e as pirâmides egípcias estão aí como, grandiosos,
monumentos à religiosidade daquele povo, ou seja, à sua pretensão,
ainda que errada de servir ou chegar a DEUS.
A arqueologia tem encontrado muitas provas da crença (ainda que de
forma errada) do povo babilônico em DEUS.
Quanto ao povo israelita, há um fato altamente relevante, qual seja, a
história de Israel jamais poderá ser explicada ou entendida, se a
dissociarmos da ligação que este povo tinha com DEUS.
Levando em consideração todos estes fatos, e muitos outros, que fogem um
pouco ao nível básico desta matéria, é impossível que DEUS não exista.
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O maior monumento da prova da existência de DEUS, através da história
universal, preservado entre a humanidade, é a BÍBLIA SAGRADA, a qual,
ao longo dos tempos tem modelado e mudado, sempre para melhor, a
natureza de inúmeras e inúmeras pessoas, Prov¨30:5; Luc¨11:28;
João¨5:24; 1ªCor¨1:18; 2ªTim¨3:16.

Não há dúvida:

A HISTÓRIA UNIVERSAL PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, C, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DAS PERCEPÇÕES
HUMANAS.

As percepções humanas acontecem em, pelo menos, três áreas:
01, PERCEPÇÕES DO MUNDO OBJETIVO.
02, PERCEPÇÕES DO MUNDO SUBJETIVO.
03, PERCEPÇÕES DO MUNDO ESPIRITUAL (TAMBÉM, OBJETIVO).
Para que haja uma percepção é necessário que haja algo a perceber.
Ninguém percebe o que não existe.
Pensemos numa coisa que não existe¨!
Como foi tal pensamento¨?
As percepções do mundo objetivo e as do mundo subjetivo, ninguém

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coloca dúvida, já que aquelas todos podem ver, estas todos sentem.
As percepções do mundo espiritual são mais difíceis de provar, visto
que estas poderão acontecer em níveis e aspectos diferentes de pessoa
para pessoa.
Vejamos o que nos diz o autor do Salmo¨42:1-2, “Assim como o cervo
brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó

DEUS! a minha alma tem sede de DEUS, do DEUS vivo”. Vejamos também
Davi, Sal¨63:1 “A minha alma tem sede de ti”.
É verdade que os salmistas fazem parte do povo de DEUS.
Porém, em virtude da realidade do ser humano ter percepções do mundo
espiritual, é que são formadas tantas e tantas religiões pelo mundo
afora, as quais já foram, rapidamente, consideradas no item anterior.
Assim sendo:

AS PERCEPÇÕES HUMANAS PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, D, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA FÉ.

Fé é confiança, porém, a fé é mais precisa e preciosa, se a tivermos
como certeza.
Nos relacionamentos humanos, a fé que depositamos em alguém, ou em
alguma coisa, pode falhar.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
15.

Quando alguém crê numa promessa BÍBLICA, mas interpretada ou entendida
incorretamente, também, poderá ficar desiludido, contudo, tal
desilusão não é causada por falha de DEUS ou da BÍBLIA SAGRADA, mas de
quem a entendeu, interpretou, creu e a ensinou, erradamente,

2ªPed¨2:1-22¨(1-3), 3:15-16.

Porém, quando depositamos nossa fé em DEUS, baseados em suas revelações
registradas na BÍBLIA SAGRADA, jamais seremos enganados ou iludidos, em
qualquer tempo, lugar ou situação, Sal¨37:28; 2ªCor¨4:8-9; Heb¨13:5.
Quando uma pessoa aceita a JESUS CRISTO como SEU ÚNICO E SUFICIENTE
SALVADOR, ou seja, passa a ser filha de DEUS, João¨1:12, é criado um
elo inquebrável e interminável entre DEUS e essa pessoa, de tal forma
que, JESUS CRISTO a segura na sua mão, a tal ponto que, aconteça o que
acontecer, jamais a lançará fora, João¨6:37-40, nem, de forma alguma,
permitirá que quem quer que seja a arrebate da sua mão, João¨10:27-30.
Esta obra de JESUS CRISTO opera no coração do salvo uma certeza
indestrutível, inquebrantável e interminável de forma que o mesmo
jamais se arrependerá de ter aceitado a JESUS CRISTO como seu único e
suficiente SALVADOR, 2ªCor¨7:10.
Para completar vejamos Heb¨11:6.
Este versículo nos mostra que, não havendo a FÉ CRISTÃ, é impossível
agradar a DEUS.
Com absoluta certeza:

A VERDADEIRA FÉ CRISTÃ PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, E, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA
CRISTÃ.
Já convertido, ou seja, já regenerado, 2ªCor¨5:17; Tito¨3:5, e

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transformado em filho de DEUS, João¨1:12, o crente passa a ter
experiências da ação de DEUS em sua vida cotidiana, as quais jamais
experimentaria caso não houvesse a conversão genuína.
Tais experiências, não significam, taxativamente, que haverá, pleno,
sucesso intelectual, físico, social, econômico ou financeiro, etc, mas
que, principalmente e acima de tudo, haverá submissão à soberana vontade
de DEUS, o apóstolo Paulo é um exemplo disto, 2ªCor¨4:8-18;
Filip¨4:10-13.

Estêvão, também, sofrendo o apedrejamento que o levou à morte, teve
uma formidável experiência CRISTÃ com DEUS, At¨6:8-7:60¨(7:54-60).
E assim cada crente em JESUS CRISTO tem as suas experiências
formidáveis e inesquecíveis com DEUS, as quais provam, ainda que não
para os incrédulos, mas, principalmente e acima de tudo, ao menos para
si, que DEUS existe, o qual, é muito real em sua vidas.

AS EXPERIÊNCIAS DE TODOS OS FILHOS DE DEUS, COM O PAI CELESTIAL,
ABSOLUTAMENTE, COMPROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.
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.
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III, 2, A ETERNIDADE DE DEUS.

Vimos acima algumas provas da existência de DEUS.
Porém, a existência de DEUS é, um tanto quanto, diferente de todas as
demais coisas e seres existentes no universo.
Como já vimos, DEUS é criador de todas as coisas, quer sejam visíveis
ou invisíveis, Col¨1:16.
Uma pergunta, aparentemente, lógica pode aflorar à nossa mente, ou
chegar aos nossos ouvidos, qual seja: Quem criou DEUS¨?
A resposta pode parecer absurda mas a BÍBLIA SAGRADA nos diz que DEUS
é eterno, Gên¨21:33; Deut¨33:27; Is¨40:28; Jer¨10:10.
Por ser eterno, DEUS não foi criado.
Por ser eterno, DEUS não teve início nem terá fim, Sal¨90:2, 93:2;
Is¨57:15; Hab¨1:12, 3:6.

Vejamos algumas passagens no livro de Apocalipse que nos esclarecem
corretamente acerca da eternidade de DEUS, Apoc¨1:8, 21:6, 22:13.
Somente o eterno DEUS pode declarar-se como ALFA E ÔMEGA,
PRINCÍPIO E FIM.
Para termos uma idéia de princípio e fim sem que haja uma demarcação,
olhemos um anel.
Quem tiver coragem, determine onde está o começo e onde está o final do anel.
Nós não temos essa coragem.
Assim é DEUS, é eterno, sempre existiu e sempre há de existir; jamais
teve começo e jamais terá fim.

IV, ATRIBUTOS DE DEUS.

Os atributos de uma pessoa são o conjunto de suas características ou
qualidades especiais, as quais as distinguem de todas as demais pessoas.
Os atributos de DEUS são o conjunto das suas características ou qualidades,
as quais podem ser descortinadas ao longo das páginas da BÍBLIA SAGRADA.
Os atributos DIVINOS mais conhecidos estão divididos em duas classes,

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37

quais sejam:
1, ATRIBUTOS NATURAIS.
2, ATRIBUTOS MORAIS.
Vejamos, cada um em separado.

NÃO HÁ
COMO
DISTINGUIR
O INICIO
NEM O
FINAL
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
17.
IV, 1, ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS.

Os atributas naturais de DEUS são inerentes apenas, e tão somente, a
DEUS, ou seja, são atributos que só DEUS e ninguém ou nada mais os possui.
Os atributas naturais de DEUS, referem-se à sua natureza e mostram
como Deus é.
Os atributos naturais de DEUS são:
A, ONIPRESENÇA.
B, ONISCIÊNCIA.
C, ONIPOTÊNCIA.
D, UNIDADE.
E, INFINIDADE.
F, IMUTABILIDADE.
Vejamos cada um em particular.

IV, 1, A, ONIPRESENÇA.

A onipresença de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a
de poder estar em todos os lugares, ao mesmo tempo, Deut¨4:39;
Sal¨139:3-16; Prov¨15:3; Is¨66:1; Jer¨23:23-24.

01, Porém, DEUS não é matéria, não está na matéria, nem a matéria é
DEUS, porque DEUS é ESPÍRITO, João¨4:24; 2ªCor¨3:17.
02, Se DEUS fosse matéria, estivesse na matéria, ou se a matéria fosse
DEUS, teríamos que aceitar o (absurdo) panteísmo como verdadeiro.
03, DEUS também, não tem necessidade de encher o universo com a
sua presença.
Vejamos Gên¨3:8; Is¨57:15; Jer¨23:23-24, por estes versículos, podemos
verificar que a onipresença de DEUS não é, nem está, limitada pelo
tempo nem pelo espaço, mas que onde houver necessidade da sua
presença, lá está DEUS em ação.
04, Por isso, DEUS é, simultaneamente, imanente e transcendente.
Transcendência significa:
01, Qualidade ou estado de transcendente.
02, Em Religião, o conjunto de atributos do Criador que lhe ressaltam
a superioridade em relação à criatura.
Transcendente entre outros, tem este significado:
01, Que transcende; muito elevado; superior, sublime, excelso.
Por isso, DEUS é infinitamente superior a nós, ou seja, está muito

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38

acima e além de nós, em essência, poder e majestade.
Imanência significa:
01, Qualidade de imanente.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
18.

Imanente significa:
01, Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele.
Mas, a imanência de DEUS não se restringe apenas a esta definição de Aurélio.
DEUS não está em nenhuma matéria, muito menos na nossa, além disso, a
nossa matéria também não é DEUS.
Contudo, DEUS age junto de nós e em nós.
Pela capacidade de DEUS ser, ao mesmo tempo, transcendente e imanente,
tem a possibilidade de agir a distâncias astronômicas, sem que essa ação
longínqua o impeça de agir particular e concomitantemente em cada um ou
em todos nós.
Vejamos novamente Is¨57:15; Jer¨23:23-24, para gravarmos o real
conceito da transcendência e da imanência de DEUS.
01, A transcendência pura é deísmo, o qual ensina que, haveria um DEUS
distante e por isso, inalcançável, ou seja, fora do alcance do homem.
02, A imanência pura é panteísmo, o qual ensina que, DEUS está em
tudo, é tudo e tudo é DEUS.
03, Por isso, a transcendência de DEUS destrói o panteísmo puro e a
sua imanência destrói o deísmo puro.
Graças a DEUS porque podemos desfrutar desta gloriosa capacidade DIVINA.

IV, 1, B, ONISCIÊNCIA.

A onisciência de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a
capacidade de saber tudo, quanto ao passado, presente e futuro,

1ºReis¨8:39; Sal¨139:1-4; Mat¨6:8; Heb¨4:13; 1ªJoão¨3:20.
IV, 1, C, ONIPOTÊNCIA.

A onipotência de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a
capacidade de ter todo o poder (DEUS é Todo-Poderoso), Gên¨17:1;
Is¨43:13, 45:7; Sal¨68:14, 91:1; Ez¨1:24; Mat¨19:26; Mar¨14:36;
Luc¨1:37; Apoc¨21:22.
IV, 1, C, a, ONIPOTÊNCIA MORAL.

A onipotência moral de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual
seja, a capacidade de jamais pecar.
DEUS não é, nem tentado pelo mal, Tiago¨1:13.
Se DEUS cometesse pecado, não seria DEUS.
É importante notar que, a ONIPOTÊNCIA de DEUS está sempre voltada para
o bem, jamais para o mal, não poderia ser diferente, porque a sua
benignidade dura para sempre, Sal¨136:1-26, não poderia ser diferente,
visto que DEUS é amor, 1ªJoão¨4:8.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
19.
IV, 1, D, UNIDADE.

A onipresença, onisciência e onipotência de DEUS nos dão a idéia real
da sua unidade.

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Na sua onipresença, temos a presença de DEUS onde quer que seja.
Na sua onisciência, temos o conhecimento total de DEUS acerca de tudo.
Na sua onipotência, temos o poder ilimitado DEUS.
Somados aos atributos morais que serão estudados daqui a pouco, vemos que.
Na sua santidade, temos que, em DEUS não há nada que não seja santo.
Na sua justiça, temos que, em DEUS não há nada injusto.
No seu amor, temos que, em DEUS não há nada que não seja amor.
Com todos os seus atributos, DEUS age uniformemente, de tal forma que,
quando no uso de qualquer um de seus atributos, não há neutralização,
diminuição ou contradição alguma com todos os demais.

A UNIDADE DE DEUS É SEM PARALELO.
IV, 1, E, INFINIDADE.

A infinidade de DEUS é sua qualidade de ser infinito em:
01, SUA PRESENÇA (ONIPRESENÇA).
02, SEU CONHECIMENTO (ONISCIÊNCIA).
03, SEU PODER (ONIPOTÊNCIA).
04, SUA SANTIDADE.
05, SUA JUSTIÇA.
06, SEU AMOR.
Não há, a mais remota, possibilidade de qualquer atributo de DEUS
chegar ao fim.

IV, 1, F, IMUTABILIDADE.

Imutabilidade é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade
de jamais mudar os seus propósitos, Sal¨33:11, 102:27; Rom¨11:29;
Heb¨13:8; Tiago¨1:17.

Além disso, a lógica nos leva a crer que, com certeza, DEUS jamais deixará
de ser onipresente, onisciente, onipotente, santidade, justiça nem amor.
Há várias passagens BÍBLICAS que, em virtude de se referirem a arrependimento
de DEUS, aparentemente, contradizem a IMUTABILIDADE DE DEUS, Gên¨6:6-7;
Êx¨32:14; 1ºSam¨15:11, 35; 2ºSam¨24:16; Sal¨135:14; Jer¨15:6, 18:8, 10, 26:3,
13, 19; 42:10; Ez¨24:14; Joel¨2:13; Amós¨7:3, 6; Jonas¨3:9-10, 4:2; Zac¨8:14.

Porém, o arrependimento de DEUS é diferente do arrependimento humano.
Quando o homem se arrepende de alguma coisa é porque muda seu modo de
pensar por haver feito algo que não devia ter feito.
Depois dessa sua mudança, muda seu modo de agir.
Já o arrependimento de DEUS acontece apenas no modo de agir.
Isto em virtude de DEUS ser, totalmente, justo, por isso, não faz nada
errado que necessite de arrependimento semelhante ao do ser humano.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
20.
IV, 2, ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS.

Atributos morais, também são encontrados no ser humano, porém, só DEUS os
possui, no mais alto grau, ou seja, num grau inatingível e insuperável.
Os atributos morais de DEUS mostram seu modo de agir.
Os atributos morais de DEUS são:
A, SANTIDADE.
B, JUSTIÇA (RETIDÃO).

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40

C, AMOR.
Vejamos cada um em separado.

IV, 2, A, SANTIDADE.

A santidade de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a
capacidade de ser totalmente SANTO, Lev¨11:44-45, 19:2; 1ªPed¨1:16.
DEUS é santíssimo, Is¨6:1-3; Apoc¨4:8.
DEUS não peca, João¨8:46; 2ªCor¨5:20-21.
DEUS não é tentado pelo mal, Tiago¨1:13.
IV, 2, B, JUSTIÇA, (RETIDÃO).

A justiça de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, ser totalmente
justo (reto), 2ºCrô¨12:6; Sal¨9:8, 50:6, 119:142; Jer¨33:16; Rom¨1:17.
01, DEUS é sem injustiça, Deut¨32:4.
02, DEUS é juiz justo, Sal¨7:11; Jer¨11:20.
03, DEUS julga o mundo com justiça e os povos com retidão, Sal¨9:8.
04, DEUS tem a sua justiça muito alta, Sal¨71:19.
05, DEUS tem seu trono baseado na justiça e no juízo, Sal¨89:14, 97:2.
06, DEUS não é injusto, Sal¨92:15; Rom¨9:14; Heb¨6:10.
07, DEUS julga o mundo com justiça e o povo com eqüidade, Sal¨98:9.
08, DEUS ama o juízo e faz juízo e justiça, Sal¨99:4.
09, DEUS é detentor de justiça eterna, Sal¨111:3, 119:142; Is¨51:6-8.
10, DEUS é totalmente justo, Sal¨145:17.
11, DEUS justo e SALVADOR não há além de mim, diz DEUS, Is¨45:21.
12, DEUS faz seu julgamento segundo a verdade, Rom¨2:2.
13, DEUS, pela sua justiça, condena todo o pecado com a morte, Rom¨6:23.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
21.
IV, 2, C, AMOR.

O amor de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade
de ser totalmente amor, João¨3:16.
Em Rom¨5:8
temos uma clara demonstração do amor de DEUS.
DEUS é amor, 1ªJoão¨4:8,16.
V, A SOBERANIA DE DEUS.

Pela sua natureza, caráter, criação, relacionamento com o universo e
atributos, concluímos, sem dificuldade, que a soberania de DEUS não é
como a soberania humana, mas extremamente superior, visto que, sua
autoridade ultrapassa a tudo e a todos, pois não há nada, do que veio
à existência, que não lhe esteja sujeito, quer seja no aspecto
material e visível ao ser humano, quer no invisível e imaterial,

1ºCrô¨29:11; 1ªPed¨3:22.
V, 1, CARACTERÍSTICAS DA SOBERANIA DE DEUS.

A soberania da DEUS tem basicamente duas características, as quais são:
A, SOBERANIA UNIVERSAL.
B, SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL E COMPLETA.
Vejamos cada uma destas em separado.

V, 1, A, A SOBERANIA UNIVERSAL DE DEUS.

A soberania de DEUS se sobrepõe a todas as coisas que, em virtude da
sua vontade, foram trazidas à existência.

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A soberania de DEUS abrange a totalidade da imensidão do universo, com
suas medidas astronômicas e com tudo o que este contém, Deut¨4:39;
1ºCrô¨29:10-12; Sal¨103:19.
V, 1, B, A SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL, COMPLETA E PERPÉTUA DE
DEUS.

Além de universal, a soberania de DEUS é absoluta, total, completa e
perpétua, sobre tudo o que criou, Sal¨45:6, 103:19, 145:13; Dan¨4:1-3,
34; Heb¨1:8; 2ªPed¨1:11.

Não há, portanto, restrições ou limitações à soberania de DEUS.

V, 2, A SOBERANIA DE DEUS EM RELAÇÃO AOS SERES MORAIS,
INCLUSIVE
O HOMEM; O LIVRE ARBÍTRIO.

O homem junto com os anjos são os únicos seres criados por DEUS
dotados de inteligência e moral, as quais, são exaltadas porque ambos
têm o livre arbítrio, também dado por DEUS.
Quanto ao livre arbítrio dos anjos, vejamos 2ªPed¨2:4; Judas¨6.
Quanto ao homem, este usa o livre arbítrio, em virtude da sua
inteligência, a qual lhe dá condições de discernir e decidir a conduta
da sua vida entre o bem e o mal, Gên¨3:1-24.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
22.

O soberano DEUS dotou o homem com esta capacidade e age, para com o
ser humano, de tal forma que não interfere arbitrariamente, nas
decisões que o mesmo toma durante a sua vida.
Contudo, DEUS exerce a sua soberania sobre o homem, ainda que, de um
modo, um tanto quanto, diferente da soberania exercida sobre os demais
seres e materiais do universo.
Por ocasião da queda de Adão e Eva no pecado, Gên¨3:1-24, o homem
morreu espiritualmente em conseqüência da desobediência destes ao,
simples, conselho de DEUS, Gên¨2:16-17.
Tal desobediência foi provocada pela tentação diabólica, entretanto,
foi levada a efeito, porque o ser humano colocou o seu livre arbítrio
em ação e usou-o mal.
Esta morte espiritual foi uma catástrofe para a humanidade, visto que,
separou o homem de DEUS e atingiu a totalidade dos descendentes de
Adão e Eva, Rom¨3:23, 5:12.
A união entre o homem e DEUS, perdida por ocasião da queda dos nossos
primeiros pais, jamais poderia ser recuperada, apenas e tão-somente,
pela ação e esforço do ser humano.
Porém, compadecido do lamentável estado do ser humano, o soberano DEUS
toma a gloriosa iniciativa de tirá-lo do seu estado de perdição.
Esta iniciativa é levada a efeito em duas etapas, quais sejam:
01, A proibição do homem comer da árvore da vida, para que não comesse
e vivesse eternamente em estado de perdição, ou seja, separado de
DEUS, Gên¨3:22-24.
Em Apoc¨22:1-2 podemos descobrir a árvore da vida, regada com as águas
do rio que sai do trono de DEUS e do CORDEIRO, a qual está reservada a

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todos os filhos de DEUS.
02, A providencia de DEUS em enviar a pessoa DIVINA DO SEU FILHO, O
SENHOR E SALVADOR, JESUS CRISTO, João¨3:16-18.
Aliás, JESUS CRISTO é o próprio DEUS que encarnou, que se fez
homem, João¨1:14, para concretizar a obra da SALVAÇÃO ETERNA,
João¨3:16-18, ou seja, proporcionar ao ser humano a possibilidade
de recuperar a vida espiritual perdida por ocasião da queda no
pecado, Gên¨3:1-24.
Desta forma, a soberania de DEUS é exercida e manifestada sobre o ser
humano, porque, por um ato de sua estrita vontade e autoria dá
oportunidade ao homem de recuperar o que havia perdido, ou seja a VIDA
ETERNA, Mat¨18:11; Luc¨19:10.
Portanto, com relação à SALVAÇÃO ETERNA do homem, a soberania de DEUS
é exercida, porque; É DEUS, quem toma a iniciativa de salvar o homem,
bem como, quem realiza a obra da SALVAÇÃO ETERNA, João¨3:16-18.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
23.
VI, DEUS E O MAL.
Como já vimos, DEUS é criador de tudo, Is¨44:24, inclusive do mal, Is¨45:7.
Já no Éden estava a árvore do conhecimento do bem e do mal, Gên¨2:9.
Segundo Aurélio, entre outros significados, mal significa:
01, Aquilo que é nocivo, prejudicial, mau; aquilo que prejudica ou fere.
02, Aquilo que se opõe ao bem, à virtude, à probidade, à honra.
Alguém poderá afirmar: Se DEUS criou o mal é porque não é bom como
afirmam que é.
Porém, isso é uma inverdade, porque a existência do mal não é problema.
O problema é o uso do mal.
Uma droga mortífera só mata quem a usa de forma, fatalmente, inconveniente.
No que concerne ao ser humano, este só viu a força do mal após a
desobediência, Gên¨3:1-7, à ordem que DEUS havia dado, Gên¨2:15-17.
Cremos que, se Adão não houvesse desobedecido a DEUS, no momento certo
chegaria o tempo em que teria o conhecimento correto do bem e do mal,
de tal forma que tal conhecimento ser-lhe-ia muito útil.
Quase sempre, o que acontece antes da hora certa é mau, só um exemplo,
a rosa é uma linda flor, porém, se alguém forçá-la a abrir-se enquanto
é botão, trará danos fatais ao que seria uma bela e perfumada rosa.
Assim sendo, o que prejudicou o ser humano, não foi a existência do
mal que havia sido criado, soberanamente, por DEUS.
O que prejudicou Adão foi seu abuso em usar aquilo que DEUS criara mas
que, por uma ordem sua, estava vedado ao uso.
Em termos humanos, o mal é relativo, porque, muitas vezes o que é um mal
para uma certa pessoa, pode ser um bem para outro alguém, novamente,
apenas um exemplo, a doença é um mal para o enfermo, porém, para o
médico, o fabricante de remédios e seus funcionários, farmácia e seus
funcionários é um bem, já que, estes vivem em virtude das enfermidades.

VII, ALGUNS NOMES DE DEUS, NA BÍBLIA SAGRADA.

Nas páginas da BÍBLIA SAGRADA (nas línguas originais) nos deparamos

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com vários nomes pelos quais DEUS é conhecido.
É bom saber que no Antigo Testamento os nomes próprios, costumam
descrever o caráter da pessoa que os possui.
Os nomes atribuídos a DEUS também têm esta característica.
Vejamos alguns nomes, usados na BÍBLIA SAGRADA, atribuídos a DEUS:

1, EL.

Talvez seja o nome mais antigo e geral dado a DEUS.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
24.

Este nome, também era usado para deuses pagãos.

Este nome, dá a idéia de, “aquele que vai adiante, começa, ou seja,
cria as coisas”.

Dá também a idéia de, o forte, o poderoso.
Partindo desse nome simples, temos algumas composições, vejamos.

1, A, ELOAH.

Este nome, é singular e significa, aquele a quem pertence todo o
poder; o plural de ELOAH é ELOHIM.
Na forma plural, é encontrado na BÍBLIA SAGRADA, cerca de 2.500 vezes.
Este nome, é traduzido por DEUS.

1, B, EL SHADDAY.
Este nome, significa: DEUS ONIPOTENTE, ou seja, TODO PODEROSO, Gên¨17:1.
1, C, EL EYON.
O DEUS ALTÍSSIMO, Gên¨14:19.
1, D, EL OLAM.
O DEUS ETERNO, Gên¨21:33.
2, JAVÉ OU JEOVÁ.

Aparece mais de 6.000 vezes no ANTIGO TESTAMENTO. Era o nome mais dado a
DEUS e apenas a DEUS, o SANTO de ISRAEL. Este nome aparece nas nossas BÍBLIAS,
ou seja, nas traduzidas em língua portuguesa, com as seguintes traduções:

01, SENHOR.
02, O DEUS ETERNO.
03, EU SOU.
A exemplo do nome El, também, o nome JEOVÁ pode ser composto,
agregando-se a ele outros nomes, os quais atribuem a DEUS algo
relativo à sua pessoa, como podemos ver a seguir.
2, A, JEOVÁ JIRÉ. O SENHOR PROVERÁ, Gên¨22:14.
2, B, JEOVÁ NISSI.
O SENHOR É MINHA BANDEIRA, Êx¨17:15.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
.
3, ADONAI.

Este nome geralmente mostra DEUS, como grande ajudador em tempo de
necessidade. Josué, deu o nome de ADONAI A DEUS, após a derrota do povo Israelita
em Ai, Josué¨7:9.
4, KÚRIOS.
Esta é uma palavra grega, equivalente à palavra hebraica ADONAI.
Esta palavra é traduzida por SENHOR, com referência a JESUS CRISTO.
Tanto ADONAI, no ANTIGO TESTAMENTO, como KÚRIOS, no NOVO
TESTAMENTO,
são palavras tidas como equivalentes a JEOVÁ.
CONCLUSÃO.

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Finalizamos este estudo sobre DEUS.
Reconhecemos a brevidade, entretanto, cremos que, mesmo sucinto, nos
servirá de base para o fortalecimento da nossa fé, bem como, de
parâmetro, para os demais estudos doutrinários ou sobre os mais
variados assuntos, quer sejam BÍBLICOS ou não, onde poderemos comparar
o pensamento e a fé das pessoas que nos rodeiam quando conosco
abordarem temas, tais como a majestade, poder, glória, santidade,
amor, bondade de DEUS, SALVAÇÃO ETERNA, etc.

DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS. BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.

Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil. 02,
CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ.
Erickson, Millard J. JUERP,
1.991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 03, DICIONÁRIO DA BÍBLIA. Davis, John D. JUERP,
7a Edição, 1.980, Rio de Janeiro, RJ. 04, DOUTRINAS 1. Novas Edições Líderes
Evangélicos. 1a Edição, 1.979, São Paulo, SP, Brasil. 05, ESBOÇO DE TEOLOGIA
SISTEMÁTICA.
Langston, A. B. JUERP, 8a Edição, 1.986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 06,
MINIDICIONÁRIO AURÉLIO.

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Editora Nova Fronteira, 1a edição, 6a impressão,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 07, O PENTATEUCO E SUA CONTEMPORANEIDADE.
Coelho Filho, Isaltino Gomes. JUERP, 2.000, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Noções de Homilética

O termo “homilética” vem do grego “omiletke”. “Omile” é “pregação”;
“Tke” é “arte”, de onde vem o vocábulo “técnica”. O dicionário de
português Aurélio nos informa que homilética é “a arte de pregar
sermões”. Trata-se de uma ciência diretamente ligada à ordem de
Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado” (Mc.16.15-16).

Jesus começou o seu ministério pregando. A pregação é o principal meio
de se conhecer o evangelho e alcançar a salvação.

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como
pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de

quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?”

(Rm.10.13-14). Haveremos de pregar o evangelho, mas não podemos

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fazê-lo de qualquer maneira, pois isto poderia dificultar a fé e a salvação
dos ouvintes.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Perservera nestas coisas;

porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te
ouvem” (ITm.4.16). O mau vendedor não terá êxito em seu trabalho. O
semeador que nada sabe sobre o que faz acabará destruindo as
sementes e nenhum fruto colherá. A semente que o Senhor nos deu é
perfeita. Se a nossa pregação não produz resultados, o problema pode
estar em nós ou naqueles que recebem a palavra, pois nem toda terra é
fértil (Mt.13). O semeador precisa conhecer a semente, o tempo, o solo
e o modo de semear.

A pregação do evangelho, para ser bem feita, precisa ser bem
preparada. O pregador também deve se preparar. Mensageiro e
mensagem precisam estar integrados e harmônicos para que os
ouvintes sejam alcançados de modo satisfatório.

O que se diz a respeito da pregação pode também ser aplicado, quase
em sua totalidade, aos estudos bíblicos, sendo estes mais longos, com
utilização de mais textos bíblicos e menos efeitos de oratória.

A homilética tem por objetivo nos conscientizar de todo o preparo
relacionado ao ministério da Palavra, bem como nos oferecer técnicas de
aperfeiçoamento da prédica.

A PREPARAÇÃO

Quando alguém vai receber convidados em sua casa para uma refeição,
procura resolver com antecedência uma série de questões, além de
preparar o alimento. Será importante saber quem virá, qual será o
prato, os ingredientes, o horário, etc.

A palavra de Deus é alimento para o nosso espírito e não pode ser
servida de qualquer maneira.

Precisamos preparar. “Pré” significa “antes”. É bom que a preparação

para a pregação seja feita com uma antecedência razoável, de alguns

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dias ou semanas. Preparar-se em cima da hora não é um bom hábito,
pois corre-se o risco de um imprevisto no último instante tornar-se um
impedimento decisivo.

Jesus disse que os discípulos não deviam se preocupar com o que iriam
dizer quando fossem presos, pois o Espírito Santo falaria por meio deles
(Mt.10.18-20). Eles não seriam avisados sobre a prisão. Logo, não
poderiam se preparar. Nós, porém, sabemos com antecedência quando
vamos ministrar e devemos estar preparados. Isto não impedirá que o
Espírito Santo nos use e nos leve a falar algo que não havíamos pensado
nem planejado. Contudo, não podemos justificar nossa negligência por
meio de uma suposta dependência do Espírito Santo.

Existe algum nível de preparação que deve ser permanente em nós. Se
alguém, a qualquer momento, nos perguntar sobre a razão de sermos
cristãos, não podemos alegar que fomos apanhados de surpresa e não
sabemos explicar. Pedro disse que devemos estar sempre prontos para
responder àqueles que nos pedirem a razão da esperança que há em
nós (IPd.3.15). Outra coisa é uma pregação ou estudo bíblico. Não é
bom que seja assumido de repente, sem um preparo, caso seja a
primeira vez que se vai falar sobre aquele assunto.

Quanto mais experiente for o pregador, mais habilitado estará para
aceitar desafios inesperados, mas não é o caso do iniciante.

A preparação da mensagem começa com a escolha do tema. Se
possível, é bom que se saiba também alguma coisa sobre as pessoas
que irão assistir: seu nível cultural, social, etc. Estes detalhes não são
primordiais, mas algum conhecimento deles será útil.

De posse do tema, será necessário um trabalho de pesquisa para que se
consiga o maior domínio possível sobre o mesmo. Nem tudo o que for
pesquisado será ministrado, mas esse trabalho produzirá o conjunto de
tópicos a serem pregados.

O primeiro material de estudo do pregador é a bíblia. Por exemplo, se

alguém for convidado para ministrar sobre “família”, então poderá

começar pela leitura de passagens bíblicas a respeito desse assunto.

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Diante de um tema tão amplo, será necessário escolher algum aspecto a
ser ministrado. Não dá para se falar tudo sobre família em uma
pregação ou em um estudo bíblico. Poderíamos escolher, por exemplo,

algo como “o valor da família na igreja”, ou “a importância da família na
sociedade”, ou “os males que afligem a família”, ou “os fundamentos de
uma família bem sucedida”, etc. Outra alternativa seria escolher uma

família específica e fazer uma análise dos fatos a ela relacionados. Por
exemplo, poderíamos estudar a respeito da família de Jacó. Observe
que, ao se escolher a essência da mensagem, surge automaticamente o
título da mesma. Isto será útil por uma questão de organização e
clareza. Não se pode ir para o púlpito sem idéia da mensagem a ser
pregada. Não é bom começar em um assunto e passar para outro e
outro e outro, de modo que não exista um “fio da meada” e não se
perceba aonde o orador quer chegar. Nesses casos, nem ele mesmo
sabe.

Escolher um assunto bem específico é como escolher o destino em uma
viagem. Se eu resolver ir aos Estados Unidos, precisarei optar por uma
cidade. Não é possível conhecer todo o país instantaneamente. Se eu
não souber para onde vou, posso me perder no meio do caminho e, de
fato, isto não fará nenhuma diferença para alguém que não sabe onde
quer chegar.

Para se descobrir um assunto na bíblia, será útil uma concordância ou
chave bíblica. Ali se encontrará a palavra desejada e as referências onde
se pode localizá-la nas Escrituras.

Para se obter esclarecimento sobre o texto lido, pode-se consultar um
dicionário bíblico, enciclopédia bíblica, comentário bíblico. Os livros
evangélicos que tratam do assunto em estudo podem ser muito úteis,
mas podem também conter erros. Se formos utilizar algum argumento
extraído de um livro, precisamos estar bem seguros de seu fundamento
bíblico. A leitura de várias obras sobre determinado assunto coloca em
confronto as idéias de vários autores, de modo que o leitor se familiariza
com o tema e obtém confirmação para o que está certo e mais
condições de discernir o que está errado. É desejável que se tenha
domínio do tema a ser pregado. Domínio pleno é algo inatingível, mas

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devemos procurar o melhor conhecimento possível, de modo que
possamos oferecer mais informações do que incertezas. Quanto maior o
conhecimento, menor será a dependência do preletor em relação às
suas anotações.

Em alguns casos, é mais sensato recusar convites para falar sobre
alguns temas, devido à sua complexidade ou à nossa inadequação para
abordá-los. Na fase preparatória, não podemos nos esquecer de orar.
Este é um dos principais fatores que determinarão o sucesso ou fracasso
do pregador.

CONTEÚDO DA MENSAGEM.

Algumas pessoas lêem um versículo bíblico e depois falam muitas coisas
que não estão relacionadas ao texto lido. É como se tivessem lido
apenas por costume ou para justificarem biblicamente suas próprias
idéias. Por exemplo, o candidato que lê um versículo na igreja para, em
seguida, fazer um discurso político. Nesse caso, não se trata de uma
pregação bíblica, por mais correta que seja sua mensagem.

A pregação deve ser essencialmente bíblica, em seu conteúdo e
propósitos. Caso contrário, não estaremos anunciando a palavra de
Deus, por mais certos que estejamos daquilo que queremos ensinar.
Filosofia, psicologia e sociologia podem estar ocupando o lugar do
ensinamento bíblico em algumas situações. É verdade que podemos
usar com cuidado tais disciplinas, mas elas não podem ser a essência da
nossa mensagem.

Não sejamos apenas repetidores das mensagens alheias. Ainda que isso
possa ser proveitoso, o pregador pode se perder no meio do assunto,
principalmente se for questionado sobre algum tópico. O melhor é que a
nossa pregação não seja simplesmente a repetição do que lemos nos
livros, mas sim fruto das nossas próprias conclusões, devidamente
fundamentadas na bíblia.

O ESBOÇO DA PREGAÇÃO

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O estudo preparatório deve produzir algum material escrito. Enquanto
se lê a bíblia e outros livros, devem ser feitas anotações das referências
e pontos principais do assunto. Trata-se de uma coleta de dados. No
final, será necessária uma seleção e organização das idéias.
Desorganização no preparo conduz ao nervosismo e erro no momento
da pregação.

Normalmente se obtém um grande volume de informações sobre o
tema, de modo que torna-se inviável a utilização de tudo na mensagem,
mesmo porque, na medida em que se estuda, percebe-se o destaque de
alguns dados em detrimento de outros. Precisamos, portanto, escolher
as informações que têm maior relevância e relação mais direta com o
que queremos transmitir.

Os pontos selecionados darão origem ao esboço da mensagem, que
deve ser o mais curto e objetivo possível.

Os esboços de pregação não têm uma forma rígida. Podem variar muito,
mas aqui vão algumas dicas que podem servir como base para sua
elaboração.

A estrutura do esboço é a mesma da pregação. O esboço será então um
roteiro para o pregador não se perder durante a ministração, ou mesmo
para não se esquecer dos pontos mais importantes da mensagem. Em
outras palavras, é um mapa com alguns pontos de referência que o
ajudarão a alcançar seu objetivo.

O esboço PODERÁ ter:

1- Título da mensagem
2- Texto bíblico base
3- Introdução
4- Tópico 1
5- Tópico 2
6- Tópico 3...
Ilustração
7- Conclusão

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Vamos analisar cada parte.

Título - É o tema a ser tratado, ou o “nome” da mensagem. Por
exemplo: "A vinda de Cristo ao mundo" é o titulo de uma mensagem
evangelística.

Texto bíblico base: Toda pregação precisa ter um texto bíblico como
base. Este é o fundamento que vai dar autoridade a toda a mensagem.
Normalmente, o texto é pequeno: 1 versículo ou 2, ou 3. Raramente se
deve utilizar um capítulo todo. Só quando o capítulo estiver todo
relacionado ao mesmo assunto. Se eu for falar sobre a oração que Jesus
ensinou aos discípulos, não preciso ler todo o capitulo 6 de Mateus. No
caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), usaremos o texto
de I Timóteo 1.15:

"Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao
mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal."

Introdução: Existem inúmeras maneiras de se começar uma pregação.
Por exemplo: "Nesta noite, eu gostaria de compartilhar com os irmãos a
respeito do assunto tal..." ou "No texto que acabamos de ler, temos as
palavras de Paulo a respeito da vinda de Cristo ao mundo." Para muitas
pessoas, a primeira frase é a mais difícil. Apesar de muitas alternativas,
o ideal é que a introdução seja algo que prenda logo a atenção dos
ouvintes, despertando-lhes o interesse para toda a mensagem. Pode-se
então começar com uma ilustração, um relato interessante sobre algo
que esteja relacionado com o assunto da pregação. Um outro recurso
muito bom é começar com uma pergunta para o auditório, cuja resposta
será dada pelo pregador durante a mensagem. Se for uma pergunta
interessante ou intrigante, a atenção do povo estará garantida até o
final da palestra. Voltando ao nosso exemplo, poderíamos começar a
mensagem perguntando: "Você sabe para quê Jesus veio ao mundo?
Nossa mensagem de hoje pretende responder a esta pergunta tão
importante para todos nós." No esboço, podemos colocar uma palavra
ou uma frase para nos lembrar como iniciaremos a mensagem.

Tópicos - Os tópicos são as divisões lógicas do assunto, ou a divisão
mais lógica possível. Podem ser argumentos, características, causas e

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consequências, aspectos positivos e negativos de algo ou listas diversas:
informações, pecados, bênçãos, milagres, pessoas, promessas, etc.

Por exemplo, se o título da minha mensagem for "O Maior Problema da
Humanidade", eu poderia ter os seguintes tópicos: 1- a origem do
pecado; 2 - as conseqüências do pecado; 3 - a solução divina para o
homem. A divisão em três tópicos é aconselhável por ser um número
pequeno, de modo que o povo tenha facilidade de acompanhar o

raciocínio do pregador, sem perder o “fio da meada”. Podemos até

mudar este número, tomando cuidado para não elaborarmos uma
mensagem complexa. Os tópicos devem ser organizados numa ordem
que demonstre o desenvolvimento natural do tema, de modo que os
ouvintes vão sendo levados a compreender gradualmente o assunto até
a conclusão.

Em algumas mensagens, os tópicos podem ser argumentos a favor de
uma idéia que se quer defender com o sermão. Será bom se eles
estiverem organizados de maneira que os mais interessantes ou mais
importantes sejam deixados por último, de modo que a mensagem vá
se tornando cada vez mais significativa, mais consistente e mais
interessante a cada momento até a conclusão. Se você usar seu melhor
argumento logo no início, sua mensagem ficará fraca no final. Numa

mensagem sobre “Homens de Deus na bíblia”, cada tópico poderia ser o

nome de uma pessoa, sobre a qual o pregador falará resumidamente.
Por exemplo: Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Esta ordem é natural e
ascendente. Se for invertida, a pregação começará forte e terminará
fraca.

Em alguns casos, o próprio texto bíblico já tem sua própria divisão que
usaremos para formar nossos tópicos. O texto de I Timóteo 1.15 é
assim. Dele tiramos os seguintes tópicos para o nosso esboço:

1 - Jesus veio ao mundo - Falar sobre a aceitação geral da vinda de
Jesus. É difícil encontrar alguém que não creia que ele tenha vindo.

2 - Para salvar os pecadores - Falar sobre diversas idéias que as
pessoas tem sobre o objetivo da vinda de Cristo e qual foi sua real

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missão. Fundar uma religião? Uma escola filosófica? Dar um golpe de
estado? Nada disso. Ele veio salvar os pecadores.

3 - Dos quais eu sou o principal - Falar sobre a importância do
reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em
sua vida. Questão individual.

Um outro exemplo de divisão natural do texto é João 3.16:

1 - Deus amou o mundo. Falar sobre o amor de forma geral e sobre o
amor de Deus.

2 - Deu o seu Filho Unigênito - O amor de Deus em ação. Deus não ficou
na teoria ou no sentimento.

3 - Para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida
eterna - O objetivo da ação de Deus.

Esse versículo é riquíssimo. Podemos elaborar várias mensagens através
dele. É importante prestar atenção a este detalhe. Se tivermos um
entendimento muito abrangente de um versículo, é melhor elaborar
mais de um sermão, do que tentar colocar tudo em um só, tornando a
mensagem longa ou complexa, principalmente quando o texto permitir
vários ângulos de abordagem, ou contiver mais de um assunto.

Ilustrações - Ilustrações são ditados, provérbios (não necessariamente
os de Salomão) ou pequenas histórias que exemplificam o assunto da
mensagem ou reforçam sua importância. Como alguém já disse, as
ilustrações são as "janelas" do sermão. Por elas entra a luz, que faz com
que a mensagem se torne mais clara, mais compreensível. Jesus
sempre ilustrou suas mensagens através do relato de situações comuns
da vida de seus ouvintes: pastores e ovelhas, pais e filhos, senhores e
servos, etc.

Muitas vezes, os argumentos que usamos podem ser difíceis, ou
obscuros, mas, quando colocamos uma ilustração, tudo se torna mais
fácil. Existem muitas “historinhas” por aí que não aconteceram de fato e
são usadas para ilustrar mensagens. Não há problema em usá-las.

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Podem ser comparadas às parábolas bíblicas. Entretanto, é importante
que o pregador diga que aquilo é apenas uma ilustração. As histórias
podem ser fictícias desde que não sejam testemunhos. Estes devem ser
reais. Não podemos inventar a história de um milagre que nunca
aconteceu. Não podemos colocar Deus como personagem de uma lenda.
Observe que as parábolas de Jesus foram usadas para exemplificar e
esclarecer seus ensinamentos, mas nelas não encontramos pseudo-
testemunhos sobre a ação de Deus.

Se usarmos testemunhos (verdadeiros!) como ilustrações, eles devem
ser bem curtos. A ilustração não pode ser tão grande a ponto de se
sobrepor à mensagem, assim como a janela não pode ser maior do que
a parede. As ilustrações são muito importantes, porque despertam o
interesse dos ouvintes, eliminam as distrações e ficam gravadas na
memória. Pode ser que, na segunda-feira, os irmãos não se lembrem de
muita coisa do sermão de domingo, mas será bem mais fácil lembrar

das ilustrações, dos “casos” contados como exemplo e, juntamente com

essa lembrança, será também recordado um importante ensinamento.

As ilustrações podem aparecer em qualquer parte da pregação, mas não
em todos os tópicos da mesma mensagem.

No exemplo da mensagem de I Timóteo, poderíamos usar uma
ilustração no tópico 3, mencionando que um doente precisa reconhecer
sua doença para ser curado, ou contando um curta história sobre um
doente que reconheceu ou não a sua doença e qual foi a consequência
disso. Não é obrigatório o uso de ilustrações no sermão. Se não tiver
nenhuma, paciência. Às vezes, os próprios relatos bíblicos já ilustram
muito bem os assuntos que abordamos. Quando pregamos com base no
Novo Testamento, podemos usar um pequeno relato do Velho
Testamento como exemplo.

Outro detalhe a se observar: não é bom usar muitas ilustrações na
mesma mensagem, pois ela se tornaria uma coleção de contos sem
consistência. Como dissemos, ilustração é luz, e luz demais pode
ofuscar a visão. Observe que neste estudo de homilética, usamos até
aqui os seguintes elementos ilustrativos: refeição, vendedor, semeador,
viagem, mapa, janela, parede e luz.

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Conclusão - A conclusão será o ápice da mensagem, o fechamento. Não
basta fazer como aquele pregador que disse: "Pronto! Terminei". A
conclusão é a idéia ou conjunto de idéias construídas a partir dos
argumentos apresentados no decorrer da mensagem. Nesse momento
pode-se fazer uma rápida citação dos tópicos, dando-lhes uma
"amarração" final. A conclusão está diretamente ligada ao objetivo da
mensagem, que deverá ser focalizado e mencionado nesse momento
final.

Nessa parte, normalmente se convida para o posicionamento dos
ouvintes em relação ao tema. Ainda não é o apelo. O pregador incentiva
as pessoas a tomarem determinada decisão em relação ao assunto
pregado. Depois desse incentivo, dessa proposta, o assunto está
encerrado e pode-se fazer o apelo, se for o caso, e/ou uma oração final.
No caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), poderíamos
concluir convidando os ouvintes a reconhecerem sua condição de
pecadores, para que o objetivo da primeira vinda de Cristo se concretize
na vida de cada um. Para fechar bem podemos encerrar dizendo que
Cristo virá outra vez a este mundo para buscar aqueles que tiverem se
rendido ao evangelho.

O esboço deve ser o menor possível. Pode-se, por exemplo, usar uma
frase para cada parte. Pode haver determinado tópico representado por
uma única palavra. O esboço é o "esqueleto" da mensagem. Coloca-se o
que for suficiente para lembrar ao pregador o conteúdo de cada divisão.
Se uma palavra ou uma frase não forem suficientes, pode-se colocar
mais, mas com o cuidado de não se elaborar um roteiro muito grande e
complicado, pois o pregador poderia ficar perdido no próprio esboço na
hora de pregar. Então, o recurso que deveria ser útil torna-se um
problema. Opcionalmente, o pregador pode fazer o esboço, bem
pequeno e, em outro papel, um resumo da mensagem. No púlpito, só o
esboço será usado. O destino do resumo será o arquivamento. Em outra
ocasião, quando o pregador for usar o mesmo sermão, o resumo será
muito útil. Se tiver guardado apenas um esboço muito curto, este
poderá não ser suficiente para lembrá-lo de todo o conteúdo de sua
mensagem.

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Eis o esboço que construímos durante esta explicação:

Título: A vinda de cristo ao mundo
Texto bíblico base: ITm.1.15.
Introdução : Você sabe para quê Jesus Cristo veio ao mundo?
Tópico 1 - "Jesus veio ao mundo" - Falar sobre a aceitação geral da
vinda de Jesus. Todos crêem que ele veio (até os ímpios).
Tópico 2 - "Para salvar os pecadores" - Falar sobre diversas idéias que
as pessoas têm sobre o objetivo da vinda de Cristo. Fundar uma
religião? Dar um golpe de estado? Ensinar uma nova filosofia de vida?
Qual foi sua real missão? Salvar os pecadores.
Tópico 3 - "Dos quais eu sou o principal" - Falar sobre a importância do
reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em
sua vida.
Ilustração: O doente precisa reconhecer sua doença.
Conclusão : Qual é o nosso posicionamento em relação à pessoa de
Jesus Cristo? Conduzir ao reconhecimento individual da condição de
pecado. Conduizr a aceitação de Cristo como Salvador.

Não é aconselhável que se escreva toda a mensagem para se ler na
hora. Isso torna a palestra monótona. Escreva apenas algumas frases
norteadoras. Também não se deve ler todo o esboço diante do auditório.
Trata-se de um roteiro para o pregador e não para os ouvintes.

EXEMPLOS DE ESBOÇOS DE SERMÃO

TÍTULO: A ARMADURA DE DEUS
Texto bíblico base: Ef.6.10-18
Introdução – Falar sobre o domínio do Império Romano na época de
Paulo. O soldado romano e suas roupas especiais. A armadura de Deus
é um conjunto de virtudes e práticas.
Tópico 1 – O cinto da verdade – os riscos da mentira e a importância da
verdade na vida do cristão. O cinto prende toda a armadura.
Tópico 2 – A couraça da justiça – O que é justiça? O justo está
protegido, revestido.
Tópico 3 – Os calçados do evangelho – Importância de conhecer e
testemunhar. Os calçados são importantes para que se cumpra o “Ide”.
Tópico 4 – O escudo da fé – O que é fé? Os dardos são ataques contra a

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fé: argumentos malignos, heresias e acusações. Ilustração: as cidades
muradas eram atacadas com flechas incendiadas. O inimigo não entra
mas, ataca de longe.
Tópico 5 – O capacete da salvação – A importância de ser salvo e estar
convicto disso. A ausência do capacete inutiliza o restante da armadura.
Tópico 6 - A espada do Espírito – a palavra de Deus – Os equipamentos
anteriores são de defesa. A espada é arma de ataque. Importância do
conhecimento e da proclamação. Exemplo: Jesus atacou Satanás com a
palavra (Mt.4).
Conclusão: Ef.6.18 – Orando, vigiando e perseverando – De que adianta
a armadura se o soldado estiver dormindo? Conduzir o auditório à
reflexão, oração e tomada de decisão sobre o tema.

TÍTULO – A SUPERIORIDADE DE CRISTO
Texto base: Lucas 9.18-22
Introdução: As pessoas viam Jesus pregando e curando em vários
lugares. Contudo, não sabiam muito bem quem ele era.
Tópico 1 - Opiniões sobre Jesus - Os mais bem informados achavam que

ele era filho de José, o carpinteiro. Alguns, mais “espirituais”, achavam

que ele era um antigo profeta ressuscitado.
Tópico 2 - Opiniões positivas, porém erradas. Também nos nossos dias,
as pessoas têm idéias erradas sobre Jesus. Dizem que ele é
simplesmente um mestre, ou um espírito iluminado, um revolucionário,
fundador de uma religião.
Tópico 3 - Quem é Jesus? O Filho de Deus. Ele é superior a todos os
profetas e a todos aqueles que são considerados “deuses”, guias, anjos,
santos ou entidades espirituais.
Tópico 4 – Ele fez o que nenhum outro poderia fazer. O texto fala sobre
sua morte e ressurreição. Nenhum outro morreu por nós e, se morresse,
não teria ressuscitado.
Conclusão: Precisamos reconhecer a superioridade de Cristo, renunciar

a outros “salvadores” e ídolos, aceitar o sacrifício de Cristo e fazer um

compromisso com ele.

ESBOÇO DA AULA DE HOMILÉTICA

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Título – Noções de homilética
Texto bíblico base – Mc.16.16.
Introdução
Conceito – Homilética é a arte de pregar
Importância da homilética – Ide e pregai... Quem crer será salvo.

A preparação

Oração
Antecedência
Escolha de tema específico
Tipo de sermão (temático, textual, expositivo)
Leitura bíblica e pesquisa.
Material: bíblia, dicionário bíblico, enciclopédias, livros evangélicos.

O esboço do sermão Título, texto bíblico base, introdução, tópicos,
ilustracões, conclusão.

A pregação (ou estudo bíblico) Duração, gestos, linguagem,
movimentação, direcionamento do olhar.

O pregador Apresentação pessoal, sua vida, sua reputação, a
credibilidade da mensagem.

A PREGAÇÃO

É aconselhável que o pregador faça um curso de oratória. Entretanto,
mesmo não se podendo fazê-lo, o talento e a prática podem desenvolver
bastante as habilidades de quem fala em público. A observação de
outros pregadores, as críticas construtivas dos ouvintes e algumas dicas
de pessoas experientes no assunto poderão ser muito úteis.

Algumas considerações sobre a pregação:

1 - O domínio do assunto a ser falado é o princípio da segurança do
orador. Portanto, estude bem o assunto com antecedência.

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2 - Ao falar, evite ficar andando de um lado para outro. Isso cansa as
pessoas. O orador pode andar mas não o tempo todo.

3 - Evite repetições excessivas de frases ou palavras. Por exemplo,
algumas pessoas falam o "né" no fim de cada frase. Isso cansa e desvia
a atenção de quem ouve.

4 – Utilize o esboço para se orientar durante a pregação.

5 - Ao falar não fique olhando apenas em uma direção ou apenas para
uma pessoa. Procure ir dirigindo seu olhar para as várias pessoas no
auditório.

6 - Falar corretamente é fundamental. Se houver algum problema nesse
caso, procure fazer um curso de língua portuguesa. Os termos chulos e
as gírias não são admitidos na pregação.

7 - O outro extremo também é problemático. Procure não utilizar
palavras muito difíceis, a não ser que esteja disposto a explicar seu
significado. O uso de termos complexos ou estrangeiros demonstra
erudição do orador mas pode inutilizar a mensagem se os ouvintes não
forem capazes de compreendê-los.

8 - O uso de gestos é bom mas deve ser praticado com moderação e
cuidado. Não use gestos ofensivos. Não use gestos que não combinem
com o assunto. Imagine que alguém esteja falando sobre a ceia do
Senhor e ao mesmo tempo pulando ou batendo palmas. Não combina.

9 - O tom de voz também é importante. É bom que seja variado. Se
você falar o tempo todo com voz suave, o povo poderá dormir. Se você
gritar o tempo todo, talvez as pessoas não vão querer ouvi-lo
novamente. O tom de voz deve acompanhar o desenvolvimento do
assunto, apresentando ênfase e volume nos pontos mais importantes,
nos apelos ou nas conclusões que se quer destacar. O falar suave e o
falar alto e enfático devem ocorrer alternadamente para não cansar o
ouvido do público.

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10 - Em se tratando de sermões sobre temas bíblicos, é fundamental
que o pregador tenha orado antes de falar e que também esteja se
consagrando ao Senhor para pregar com unção e autoridade.

11 - O nervosismo e a timidez devem ser tratados com a prática. O
início é mesmo difícil, mas com o tempo e a perseverança, a segurança
vem. Não existe outro caminho. Algumas pessoas aconselham o tímido
a começar falando sozinho diante do espelho para treinar. Não sei se
isso resolve. O certo é que começar com uma platéia pequena é mais
aconselhável. O nervosismo será menor. Antes de falar no templo, será
melhor começar nos cultos domésticos. Além disso, acrescente-se o
valor do exercício. Quanto mais vezes você pregar, maior probabilidade
terá de se tornar um bom pregador.

12 - Outro detalhe importante é a duração da palestra. Algumas
sugestões: Se for um sermão em igreja, o tempo deve ser de 30
minutos. Se o assunto for maravilhoso e envolvente, então pode até
chegar aos 40 minutos. Estudos bíblicos podem durar 1 hora. Em vigílias
e acampamentos esse tempo pode até se estender um pouco mais. Não
existem regras para isso, mas apenas percepções práticas e habituais.
Esses limites podem variar dependendo do lugar, do propósito, do
auditório, e de muitos outros fatores. Mas, de forma geral, esses tempos
sugeridos são razoáveis. Se quisermos ir muito além, poderemos cansar
muito o auditório e o que passar do limite não será mais captado nem
aproveitado pelos ouvintes.

Se você sabe pouco sobre o assunto escolhido, fale pouco. Não invente.

Paulo disse que “em parte conhecemos e em parte profetizamos”

(ICor.13.9) e, muitas vezes, trata-se de uma partícula.

O PREGADOR

O fato de alguém pregar o evangelho de vez em quando não o torna um
pregador, assim como a simples participação em um jogo não
transforma o indivíduo em um jogador de futebol.

Todo convertido pode anunciar o evangelho, mas nem todos se
dedicarão a essa função de modo específico, habitual ou exclusivo.

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Todos podem pregar, mas o verdadeiro pregador fará melhor e obterá
melhores resultados.

O ministério evangelístico assemelha-se ao trabalho de um vendedor.
Embora não estejamos vendendo a palavra de Deus, em ambos os
casos encontraremos questões de habilidade, talento e eficiência.

O pregador, por maiores que sejam seus conhecimentos gerais, precisa
conhecer profundamente a palavra de Deus, a bíblia.

Além do conhecimento bíblico e das técnicas de oratória, o fator
atraente da pregação envolve dois elementos: dom e unção.

Se não fosse assim, qualquer pessoa poderia se tornar um grande
evangelista. Sabemos, porém, que Deus deu esse dom a algumas
pessoas (Ef.4.10-11). Quem não o tiver poderá se esforçar muito, sem
conseguir o resultado desejado, ou então poderá pedir ao Senhor que
lhe dê o dom.

O dom pode até suprir a falta das técnicas de oratória, mas não
costuma substituir o conhecimento bíblico. Não se pode usar o dom
como desculpa para a negligência.

O talento do pregador não é tudo o que ele precisa para ser eficaz, pois,
se assim fosse, o indivíduo poderia se desviar do evangelho e usar o
mesmo dom para propagar outro tipo de mensagem.

Comparemos o dom a um aparelho de rádio. Ele tem todos os
componentes necessários para funcionar. Porém, isso só vai acontecer
se estiver sintonizado à emissora. Assim, nosso dom vai funcionar
perfeitamente, seremos porta-vozes de Deus, na medida em que
estivermos ligados ao Senhor. O resultado vai ser a unção em nossa
pregação e, por conseqüência, o fruto.

"Estar sintonizado" envolve oração, jejum e abstinência do pecado.
Quando pecamos, estamos sintonizados em "outra emissora" e, ainda
que falemos as palavras de Deus, elas não estarão vindo direto da boca
de Deus.

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Na pregação, existem dois elementos importantes: a mensagem e o
mensageiro. A mensagem, por melhor que seja, pode ser destruída por
um mensageiro mal preparado ou inadequado. Imagine se o repórter de
um telejornal aparecesse com uma camiseta rasgada e com o cabelo
despenteado. Isso influenciaria na receptividade de sua mensagem. O
mensageiro precisa ter reputação e comportamento que inspirem
credibilidade.

Voltando à figura do vendedor, sua eficiência será maior na medida em
que ele conhecer o seu produto, tanto na teoria quanto na prática. Se
ele mesmo usa e gosta do que está oferecendo, seu entusiasmo vai
contagiar o cliente. Da mesma forma, se o pregador fala sobre o
evangelho, mas não existe entusiasmo em sua voz, se não existe paixão
nem comprometimento, isso vai enfraquecer sua mensagem.

O pregador deve apresentar em sua vida os efeitos de sua pregação.
Não é bom que o vendedor ou garoto-propaganda de creme dental seja
banguelo. Assim, a vida, o exemplo e a reputação do pregador serão
decisivos na receptividade de sua mensagem.

Até as pedras podem clamar, mas o Senhor prefere que seus discípulos
o façam.

Até as mulas podem falar mas Deus prefere que o profeta fale e esteja
bem preparado para isso.

Trabalho para a vida

A capacitação do pregador nunca termina. É um processo que dura a vida toda. Suas
constantes experiências com Deus o habilitarão cada vez mais para o ministério. A busca
pelo conhecimento bíblico e geral deve ser ininterrupta, pois aquele que é sábio aos seus
próprios olhos, ainda não compreendeu a extensão de sua própria ignorância.

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62

APOSTILA Nº. 004/300.000 MIL CURSOS GRATIS.
Estudo da Antropologia
Dividida em 07 partes do estudo da Teologia sobre A LIBERDADE HUMANA

Parte II - Continuação
Estudo da Antropologia – divido em 61 paginas.

Conclusão

Pessoalmente, tenho a impressão de que o motivo que impulsionou Calabar foi
um pouco mais "caleidoscópico." O fator centrífugo ou negativo mais forte talvez
tenha sido a ira, ira contra o desprezo racial, inclusive, quem sabe, ódio contra o
seu pai português (desconhecido?), uma ira impotente contra a primeira onda de
invasores na terra dos "brasilianos." Se fosse fugitivo, a segurança lhe acenaria.
Todavia, o fator positivo mais forte certamente teria sido o seu patriotismo,
enfatizado por Flávio Guerra.

A descrição intuitiva de João Felício dos Santos talvez possa estar perto da
resposta que se esconde na névoa da história. Para Felício, esse amor à terra
natal era patente em todas as fases da vida do soldado, quem sabe um desejo de
realmente ver "ordem e progresso" no Brasil (talvez o sonho de servir, não a si
mesmo, mas à comunidade, com justiça e paz). Como menino, o romancista faz
Calabar estudar em um colégio de jesuítas onde se ensinava uma obediência
incondicional à coroa católica romana de Castela, mas faz o menino responder

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que somente devia obediência à sua mãe e à terra brasileira. Como jovem, ele
teria percebido que os holandeses amavam o Brasil pela construção e limpeza do
Recife (e podia ter acrescentado: por planos de melhorias como o ensino primário
generalizado, limpeza dos limpos, proibição do corte do pau-brasil e do cajueiro,
etc.). Finalmente, Felício faz Calabar adulto dizer ao frei Calado, seu confessor,
defendendo-se do epíteto de traidor: "São partidários dos flamengos todos os que
querem esta terra farta e acarinhada, sejam eles de que nação forem."86
Provavelmente foi isto em essência que Chico Buarque também quis enfatizar, em
1973, com seu musical "Major Calabar."87

Na verdade, à pergunta "Por que Calabar passou para o outro lado?" temos de
responder por enquanto com um "non liquet," pois, mesmo do lado holandês, nem
o meticuloso cronista De Laet (1644) e nem o panegirista Barlaeus (1647)
mencionam motivo algum. De Laet registra somente que "para os nossos passou
um mulato, de nome Domingo Fernandes Calabar" e Barlaeus observa que esse
"português abandonou o partido do rei (da Espanha) pelo nosso," mencionando a
sua terrível morte por causa da sua infidelidade.88 Talvez seja pessimista demais
a conclusão de Capistrano de Abreu: "nunca se saberá."89 Se for localizada uma
das cartas mencionadas por Flávio Guerra, teremos uma resposta clara e
autêntica. Mas, de fato, atualmente não sabemos com certeza. Na velha Roma, os
juízes podiam usar seu "NL" com discrição, porém sem constrangimento. Era uma
placa cujas letras queriam dizer "non liquet," isto é, o assunto não está claro
(líquido). Se, depois de ouvir as testemunhas, o caso ainda não estava claro, eles
erguiam as suas plaquinhas "NL" na hora da votação. Não era um atestado de
ignorância, nem prova de indecisão, mas de juízo. Era um sinal humilde de que
estavam no limite da interpretação honesta dos dados conhecidos. Precisamos ter
sabedoria e coragem para erguer o "NL," porque no caso do capitão Calabar por
enquanto não sabemos mesmo. Provavelmente, ele foi movido por um misto de
motivos, tendo o amor à sua terra natal como Leitmotiv. Porém, foi sempre uma
motivação mesclada, pois "o coração tem razões que a própria razão desconhece"
(Blaise Pascal).

Apeldoorn, Holanda, 08-05-2000 A.D.

Dedicado ao meu irmão e colega Rev. Klaas Kuiper (biógrafo de João Ferreira de
Almeida [1628-1691], o tradutor da Bíblia para o português e pastor da "Santa
Igreja Cristã Católica Apostólica Reformada" em Jakarta, Indonésia).

Post Scriptum

Quanto aos cinco documentos mencionados por Guerra (Aventura, 79-84, 103;
Calabar, 42, 69), os mesmos poderiam encontrar-se em Haia, no Rio ou em
Recife. Os originais deviam estar no Arquivo Real de Haia, na Holanda (Algemeen
RijksArchief), nas respectivas caixas de cartas escritas do Recife para os Estados
Gerais dos Países Baixos (ARA-AStG 5753 e 5754; 1631-34 e 1635) ou para os
Senhores XIX (ARA-OWIC 49 e 50; 1630-32 e 1633-35). As cópias podem estar
no Brasil, pois as transcrições das missivas aos Estados Gerais (1854) constituem
hoje a "Coleção Caetano," no Rio de Janeiro; as transcrições das cartas aos
Senhores XIX (1886) formam a famosa "Coleção José Higino," no Recife. Os

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documentos procurados (originais, cópias ou traduções; principais ou anexados)
devem ser os seguintes:

(a) Carta de 14-11-1631 de "Aldiembert" a Holanda (Estados Gerais ou Senhores
XIX). Guerra informa que segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que
Calabar 'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrícios por ser mulato, tem
recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'" (Ver notas 66 e
69. Guerra, Aventura, 83).

(b) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Calabar (ao Governador Waerdenburch?).
Guerra diz: "Conta-se que Calabar escreveu: '… vim para melhorar minha terra'"
(Nota 85. Guerra, Aventura, 84).

(c) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Waerdenburch à Holanda (Estados Gerais ou
Senhores XIX). Guerra, fazendo citação: "(Calabar) só se colocou ao nosso lado
pela convicção, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe haviam
mandado. Diz que está certo que conosco a sua pátria irá melhor do que com os
espanhóis e os portugueses. Envio-lhes uma carta [de certo a carta "b"] que nos
mandou comunicando a sua adesão … Iremos atacar agora Igaraçu" (Notas 66 e
85. Guerra, Calabar, 42).

(d) Carta (entre 01-05-1632 e 03-1635?) de Calabar a Matias de Albuquerque.
Guerra informa que a carta (descoberta no ARA por W. Wallitz) é uma resposta à
oferta de anistia total para Calabar, dizendo: "Tomo Deus por testemunha de que

meu procedimento é o indicado pela minha consciência de verdadeiro patriota…

não como traidor, mas como patriota" (Nota 85. Guerra, Calabar, 44s).

(e) Relatório do Major Picard (depois de 19-07-1635) sobre a capitulação de Porto
Calvo. Guerra informa que no relato (traduzido do holandês por Wallitz e divulgado
por Assis Cintra), Picard diz que Calabar insistiu que aceitassem as condições da
capitulação e afirmou: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da pátria." Ao
Governo no Recife Calabar escreveu: "Vós, os holandeses, oferecestes a
liberdade ao Brasil, ao meu amado Pernambuco. Um homem como eu que
recusou honras e proventos, não é traidor; se houve traição foi uma traição
justificada pela nobreza do motivo …" (Nota 85. Guerra, Calabar, 69).

Infelizmente, ainda não conseguimos localizar nenhum desses documentos em
Haia (AStG ou OWIC; somente a tradução de um breve relato de Picard numa
missiva portuguesa que não menciona Calabar, em OWIC 50), e eles não constam
dos índices das coleções do Recife ou do Rio de Janeiro. As outras cartas de
Waerdenburch em 1631 e 1632 foram seis aos Senhores XIX (07-10 e 09-11-
1631; 06-01, 09-05, 16-08 e 12-11-1632) e nove aos Estados Gerais (12-02, 24-
03, 31-05, 03-08, 07-10 e 09-11-1631; ?-01, 09-05, 16-08-1632). Porém, nelas
(mormente na de 09-05-1632, ver nota 21) as informações procuradas não foram
encontradas. Temos de reconhecer que isto às vezes acontece com informações
históricas sólidas por perda de documentos originais, perda essa acidental (como
em F.A. Pereira da Costa, Annais Pernambucanos, III:5) ou intencional (óbvia pela

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seqüência de documentos referentes ao Brasil atualmente ausentes do Arquivo
dos Estados Gerais; ver Schalkwijk, Igreja e Estado, p. 201, n. 112; 465:2.1.5;
466:2.4). Documentos extraviados são a frustração do historiador e apelamos aos
que têm alguma pista dos documentos perdidos do Arquivo dos Estados Gerais
que se comuniquem com o Algemeen RijksArchief, 2595BE, Den Haag, Holanda.

Guerra menciona como sua fonte Assis Cintra. Cintra publicou sua defesa de
Calabar em 1933 (A Reabilitação Histórica de Calabar: Estudo Documentado,
Onde Prova que Calabar não Foi Traidor. Depoimento, Acusação, Defesa e
Reabilitação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1933). A sua tese pode ter sido
mal defendida e não muda o fato da traição (Rodrigues, Bibliografia, p. 423, #964),
mas o importante era a sua documentação. Mesmo que, em 1933, certos
documentos dos Estados Gerais já tivessem desaparecido do arquivo de Haia,
Cintra ainda teria à disposição as transcrições da Coleção Caetano, no Rio de
Janeiro, a não ser que esses cinco documentos não tenham sido transcritos. Seria
uma coincidência, mas tem ocorrido com outros documentos, mormente com
anexos interessantes. Infelizmente não há condições no momento de consultar
Cintra, Recife ou Rio de Janeiro.

Notas

1 Do lado português, a principal fonte de informações deste período é Duarte de
Albuquerque Coelho, Memórias Diárias da Guerra do Brasil, 1630-1638 (Madri:
1654; Recife: Secretaria do Interior, 1944), que menciona Calabar em muitas
páginas. Do lado holandês, Joannes de Laet, Iaerlijck Verhael, 4 vols. (Leiden:
1644; 's-Gravenhage: Linschoten Vereniging, 1931-1937); tradução portuguesa:
História ou Annaes dos feitos da Companhia Privilegiada das Índias Occidentais
desde o seu começo até o fim do ano de 1636, 2 vols. (Rio de Janeiro: Biblioteca
Nacional, 1916-1925).
2 J. da Silva Mendes Leal, Calabar (Rio de Janeiro: Correio Mercantil, 1863), p.
140, sugere que o seu nome era Domingos Fernandes, apelidado "o Calabar."
Com isto parece concordar a informação do general Matias de Albuquerque, de
que o "primo co-irmão" de Calabar era Antônio Fernandes, sendo ambos
nascidos, batizados e criados na paróquia de Porto Calvo (Coelho, Memórias, 197;
31-03 e 01-04-1634). De igual modo, alguns dos primeiros documentos
holandeses não mencionam o nome Calabar, mas somente "Domingo Fernando,"
como na carta do coronel Waerdenburch aos Diretores da Companhia das Índias
Ocidentais, os chamados "Senhores XIX," em 12-11-1632, sobre a incursão contra
Barra Grande: "...porque o mesmo nasceu ali e é grande conhecedor."
3 Frei Manuel Calado do Salvador, Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade
(Lisboa: 1648; Recife: Cultura Intelectual de Pernambuco, 1942; 2 vols.), I:48;
Ângela Alures Coelho, Memórias, 120: mãe e alguns parentes. F.A. de Varnhagen,
História Geral do Brasil (Rio de Janeiro: 1854-1857; São Paulo: Melhoramentos,
1956, 5ª ed.), I:277: Ângela Álvares.
4 Frei Calado chama Calabar de "mancebo mameluco, mui esforçado e atrevido"
(Lucideno, I:32). Por servir como pároco em Porto Calvo por alguns anos, Calado
conhecia melhor o parentesco de Calabar. Às vezes Calado chama-o de mulato
(com desprezo? Lucideno, I:48). Coelho, Memórias, p. 120 (o "mulato" Calabar;

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20-04-1632); p. 68 (o "pardo" ferido, 14-03-1630). Laet, Verhael, III:95, 96:
"mulaet." Também depois, às vezes, chamado de mulato, como por R. Southey,
História do Brasil (Londres: 1810-1819; São Paulo: Obelisco, 1965), II:164; mas,
nas notas, o cônego J.C. Fernandes Pinheiro afirma que "todos os nossos
cronistas qualificam a Calabar de mameluco e não de mulato" (p. 205, n. 13).
Pedro Calmon, História do Brasil (Rio de Janeiro: Olympio, 1961), II:597, nota,
julga que pelo nome africano, Calabar, de certo era negro ou mulato. No interior
de Pernabuco, por volta de 1600, deve ter havido muitos mamelucos (mestiços
índio-europeus), mulatos (mestiços africano-europeus) e cafuzos (mestiços índio-
africanos; Alagoas: "pelos cafus," ao anoitecer), de sorte que um mameluco bem
podia ter alguns traços africanos e ser chamado mulato. João Felício dos Santos,
Major Calabar (São Paulo: Círculo do Livro, s.d. [1ª ed. 1960]; ed. integral):
mameluco. Romances usam liberdades históricas (ex: Felício faz Maurício de
Nassau filho do "stadhouder" da Holanda, etc.), mas podem ajudar na
interpretação dos fatos.
5 Coelho, Memórias, 197: "onde foram batizados" (isto é, Calabar e seu primo
Antônio). Flávio Guerra, Uma Aventura Holandesa no Brasil (Recife: Companhia
Editora de Pernambuco, 1977), 78s: ainda menino, Calabar foi parar, "não se sabe
como, nem conduzido por quem," em Olinda e batizado no dia 15-03-1610 na
ermida do engenho N.S. da Ajuda, de Jerônimo de Albuquerque, sendo padrinhos
Afonso Duro, rico colono de Évora, Portugal, e sua filha D. Inês Barbosa, nascida
em Pernambuco. Flávio Guerra, Calabar: Traidor, Vilão ou Idealista (Recife: ASA
Pernambuco, 1986). Talvez com a fórmula: "Si non baptizatus es, ego te

baptizo…"

6 Guerra, Aventura, 78: em 1628 Calabar tinha três engenhos de açúcar em Porto
Calvo e participava da procura das lendárias minas de prata de Caramuru. Novo
Dicionário de História do Brasil, 2ª ed. (São Paulo: Melhoramentos, 1971), s.v.
"Calabar" (o artigo merece reparos). Os batavos foram os primeiros moradores
históricos da Holanda.
7 Naquela época, os Países Baixos, pertencentes à coroa da Espanha,
englobavam Bélgica e Holanda, com capital em Bruxelas. A palavra "flamengos,"
freqüentemente usada para "holandeses," refere-se propriamente aos moradores
do norte da atual Bélgica. Ver a história sociológica do Dr. José Antônio Gonçalves
de Mello, Tempo dos Flamengos (Recife: Secretaria de Educação e Cultura,
1978).
8 C.R. Boxer, Os Holandeses no Brasil, 1624-1654 (São Paulo: Editora Nacional,
1961; tradução de The Dutch in Brazil, 1624-1654 [Londres: Oxford University
Press, 1957]), p. 45. Em 1630, havia 137 engenhos de açúcar, com uma produção
de 700.000 arrobas, ou seja, 10.500.000 quilos por ano. O livro de Boxer dá um
ótimo resumo da história geral da época. Evaldo Cabral de Mello, Olinda
Restaurada: Guerra e Açúcar no Nordeste, 1630-1654 (Rio de Janeiro/São Paulo:
Forense-Universitária/Universidade de São Paulo, 1975).
9 Panfleto De Portogysen goeden Buyrman (O bom vizinho português; Lisbon:
Drucksael daer uyt-hangt het Verradich Portugael, 1649. Sic: Lisboa? Sala de
impressão com a placa Portugal Traidor? ), p. 13.
10 José Honório Rodrigues, Civilização Holandesa no Brasil (Rio de Janeiro:
Nacional, 1940), p. 169: "capa cultural." Ver E.van den Boogaert, ed., Johan

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Maurits van Nassau-Siegen, 1604-1679: A Humanist Prince in Europe and Brazil.
Essays on the Occasion of the Tercentenary of his Death ('s-Gravenhage: The
Johan Maurits van Nassau Stichting, 1979).
11 C.R. Boxer, The Dutch Seaborne Empire (Londres: Hutchinson, 1965), 108.
12 Panfleto Veroveringh van de Stadt Olinda (Conquista da cidade de Olinda;
Amsterdam: J. Luyck, 1630). Rev. J. Revius, Biechte des Conincx van Spanjen
(Confissão do rei da Espanha mortalmente doente pela perda de Pernambuco;
S.l.: s.e., 1630): "mea gravissima culpa."
13 Instrução do almirante Lonck de 01-08-1629 sobre "onze rechtvaardige oorlog,"
nossa guerra justa contra a Espanha. Sobre a questão da liberdade religiosa
durante esta época, ver F.L. Schalkwijk, Igreja e Estado no Brasil Holandês, 1630-
1654, 2ª ed. (São Paulo: Vida Nova, 1989), 335-458.
14 F.J. Moonen, Holandeses no Brasil (Recife: Universidade Federal de
Pernambuco, 1968), 53.
15 E. Fischlowitz, Christoforo Arciszewski (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,
1959).
16 Laet, Verhael, III:143.
17 Ver F.A. Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, 10 vols. (Recife: Arquivo
Público Estadual, 1952-1966), III:12-19.
18 Boxer, Holandeses, 63, nota 27.
19 Ver nota 1. Somente em 1817 Alagoas tornou-se uma capitania independente
de Pernambuco.
20 Coelho, Memórias, 120 (20-04-1632). Matias era irmão do donatário Duarte de
Albuquerque Coelho.
21 Em 01-05-1632, Waerdenburch fez uma incursão a Igaraçu "sob a fidelidade ou
infidelidade de um negro que me serviu de guia" (carta aos Estados Gerais, 09-05-
1632; provavelmente a primeira referência a Calabar nos documentos
holandeses). F.A. de Varnhagen, História das Lutas com os Hollandezes no Brasil
desde 1624 a 1654 (Lisboa: Castro Irmão, 1872), 59. Até novembro de 1632
provavelmente surgiu certa dúvida por causa da confissão do colaborador
Leendert van Lom, que alertou o governo a não confiar em nenhum português e
que suspeitava de "Domingo Fernando," que joga (cartas) com capitães (de
barcos) portugueses, dando-lhes dinheiro e chamando-os de primos (o que não
são)." Porém, na hora da execução Lom hesitou em confirmar os nomes dos
portugueses, de sorte que ficou a incerteza (Laet, Verhael, III:107).
22 Coelho, Memórias, 138 (07-02-1633).
23 Ibid., 197 (31-03 e 01-04-1634).
24 Os protestantes, inclusive o pastor João Ferreira de Almeida, insistiram que
não pertenciam a uma nova seita, mas à igreja cristã "católica reformada," não
católica romana. Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234s.
25 No dia 20-09, não em 10-09 como foi sugerido pela edição impressa do
Doopboek por ter omitido "Sept. 20" (Livro de Batismos da Igreja Reformada do
Recife, 1633-1654, publicado por C.J. Wasch, Nederlandsch Familieblad, 5 e 6,
1888-1889). Frei Calado diz que Calabar travou amizade com Von Schoppe
tomando-o "por compadre de um filho que lhe nasceu de uma mameluca,
chamada Bárbara, a qual levou consigo e andava com ela amancebado." Calado
não reconheceu o matrimônio protestante (Calado, Lucideno, I:32, seguido por

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J.B.F. Gama, Memórias Históricas da Província de Pernambuco, 2ª ed., 2 vols.
[Recife: Secretaria da Justiça/Arquivo Público Estadual, 1977], I:239). O
colaborador Leendert van Lom afirmou (hesitando porém na hora da execução)
que "a mulher de Domingo" falou que todos os holandeses deviam ser mortos à
bala ("Domingos vrouw," Laet, Verhael, III:107). Em 1636, as atas do governo no
Recife falam sobre "a viúva de Calabar" (Dagelijkse Notulen, 13-04-1636).
Mameluca (Calado, Lucideno, I:14). Parece que Bárbara também era natural de
Porto Calvo, porque em março de 1635 o cunhado ("swagher") de Calabar traz
notícias de que os grandes da povoação querem discutir (a rendição; Laet,
Verhael, IV:151). Leal, no seu romance, desconhece Bárbara (Leal, Calabar,
passim).
26 Magtelt Daays. Engana-se o romancista Felício ao fazer Bárbara e o filho
morrerem em 1631 (Santos, Calabar, 97 e 102). Coelho, Memórias, 116.
27 Pastores no Recife no ano de 1634: Christianus Wachtelo (1630-1635) e Daniel
Schagen (1634-1637), este mais ligado ao exército.
28 Sobre Calado, ver J.A.G. de Mello, "Frei Manuel Calado do Salvador,"
Restauradores de Pernambuco (Recife: Imprensa Universitária, 1967). Era um
religioso da ordem de São Paulo.
29 Calado, Lucideno, I:46-48. "E como se havia de entender aquela promessa dos
concêrtos, que ficaria a mercê d'El-Rei." Calado justifica o não cumprimento do "à
mercê d'el-rei," considerando o general Matias como representante do rei.
Varnhagen, História geral, I:263, "(Calabar) esperançado talvez de ter algum meio
de escapar-se, se em tempo de guerra andassem com ele, de uma parte para
outra, à espera de ordens da metrópole."
30 Enforcado, dizem Calado (Lucideno, I:47) e Coelho (Memórias, p. 264);
garroteado, diz Guerra (Aventura, 103). João Ribeiro, História do Brasil, 19ª ed.,
rev. por Joaquim Ribeiro (Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1966), 152: "como é
próprio da fraqueza humana, vingaram-se." Mas parece que alta traição exigia
este tipo de execução (ver Laet, Verhael, III:107, o traidor Leendert de Lom foi
decapitado e esquartejado no Recife). O problema era o não cumprimento total
das cláusulas (escritas ou orais) da rendição, pois teriam dado quartel a Calabar,
"a mercê d'el-rei" (Calado, Lucideno, I:46-48; Carta do governo no Recife aos
Senhores XIX, 23-08-1635, prometido o quartel. Laet, Verhael, IV:169).
31 Calado, Lucideno, I:46-48, com Calabar durante quatro horas pela manhã e
mais três horas à tarde; lágrimas e arrependimento. Leal se engana fazendo padre
Manuel de Morais confessor de Calabar (Leal, Calabar, IV:135).
32 Calado, Lucideno, I:47. Coelho, Memórias, 264 (22-07-1645), aguazil
(funcionário administrativo e judicial) dos holandeses em Porto Calvo. Castro ou
Crasto: Laet, Verhael, IV:162, Manuel de Crasto Fortado.
33 J. Capistrano de Abreu, Capítulos de História Colonial, 4ª ed. (Rio de Janeiro:
Briguet, 1954), 155.
34 J. Veríssimo qualifica os motivos, sem mencioná-los: "Foram vis e infamantes
os móveis que o fizeram bandear-se" ("Os Hollandezes no Brazil," Revista do
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano [RIAP] 54:127).
35 Ver Ruy dos Santos Pereira, Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto
Histórico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco, 1980), 23.
36 Calado, Lucideno, I:14, 46-48. Rodrigues diz sobre esse "saboroso livro" (no

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Index, Índice de Livros Proibidos, de 1655 até 1910) que o desejo de Calado "de
ver o Brasil livre dos holandeses … conduziram-no muita vez ao erro, à
parcialidade, à falsidade." Mas "foi uma injustiça … quando (Varnhagen julgou a

obra) defeituosa e sem dignidade histórica"; José Honório Rodrigues,
Historiografia e Bibliografia do Domínio Holandês no Brasil (Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional, 1949), 11,12. Boxer, Holandeses, p. 68, n. 34,35. Mello,
Calado, 9: "É, não uma história, mas o depoimento de um contemporâneo … a fim
de influir sobre o Rei a favor dos insurretos …" (1648).

37 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635). Guerra: Coelho precisava de um bode
expiatório (Aventura, 79).
38 Varnhagen, História das Lutas, 58; História Geral, I:277. H. Wätjen, O Domínio
Colonial Hollandez no Brasil (São Paulo: Editora Nacional, 1938), 119: "um
trânsfuga," sem mencionar motivos.
39 Southey, História, II:212, 239, n. 1. Francisco de Brito Freyre, Nova Lusitânia:
História da Guerra Brasílica (Lisboa: 1675; Recife: Secretaria de Educação e
Cultura, 1977). Gioseppe di S. Teresa, Istoria delle Guerre del Regno del Brasile
(Roma: Corbelletti,1698), "compilação pouco estimável," conforme Rodrigues
(Bibliografia, 147). Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (Lisboa: 1679; Recife:
Assembléia Legislativa de Pernambuco, 1979), na sua maior parte cópia de
Calado.
40 Guerra, Aventura, 94, 102.
41 Coelho, Memórias, 68, 120.
42 Ibid., 264 (22-07-1635). Nota 131: "Tradução literal do texto espanhol." A
tradução (Melo Morais, 1855) rezava: "por sua infidelidade e crimes." Rodrigues
avalia esta tradução como "indigna de apreço pelos seus erros e omissões"
(Bibliografia, 223, ítem 410). Leal sugere que Calabar tentou organizar com uns
cúmplices um desastre no Arraial para acabar com a guerra, e teria fugido depois
de pôr fogo na barraca do general Matias (Leal, Calabar, II:104,132).
43 Ver Laet, Verhael, III:95 (Barra Grande, 09-1632); III:112 (Camaragibe, 12-
1632); II:190 (descrição do litoral de Porto Calvo). Coelho, Memórias, 197 (Barra
Grande, 04-1634).
44 Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234, n. 81.
45 Como sobre a morte do almirante Pater envolvido na bandeira holandesa.
Varnhagem, História Geral, I:276 (n.V).
46 Boxer, Holandeses, 71, n. 38.
47 Guerra, Aventura, 79ss. Guerra, Calabar, 36.
48 Coelho, Memórias, 263 (19-07-1635: "o general assegurou [ao inimigo] que
arriscaria a sua própria pessoa para não perder das mãos a de Calabar"); p. 264
(22-07-1635: "tão firme em não entregá-lo." Varnhagen, História Geral, I:263,
"(Calabar) traidor por todos os séculos dos séculos."
49 Calado, Lucideno (1648), I:46. Opinião copiada ao pé da letra por Diogo Lopes
Santiago, História da Guerra de Pernambuco (1660?; Recife: Fundarpe, 1984), 92,
e Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (p. 115). Assim também Varnhagen,
História Geral, I:263. Mas o próprio donatário reconheceu que os holandeses
fizeram muitos esforços para salvar a vida de Calabar: (Deus permitiu que) "o
nosso general estivesse tão firme em não entregá-lo, a despeito de tamanhas
instâncias que fazia o inimigo" (Coelho, Memórias, 264, 22-07-1635).

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50 Calado, Lucideno, II:241: "se não foram os judeus ..." Panfleto Portugysen, 13.
51 Coelho, Memórias, 262 (17 e 18-07-1635). Laet, Verhael, IV:168.
52 Coelho, Memórias, 263 (19-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitânia, 349:
"persuadindo-os a se renderem, capitularam." Não há provas do engano sugerido
por Freyre. Guerra, Aventura, 102, parafraseando: "O mameluco, ante a recusa de
Picard em atender a intimação do 'terríbil,' reagiu, e, com rara altivez e coragem,
retorquiu para o enviado do inimigo: 'Ide e dizei ao General Matias de Albuquerque
que o Coronel Picard aceita a proposta'."
53 Calado, Lucideno, I:32.
54 A Companhia reconheceu o valor de Calabar: o diretor De Laet escreveu que
esse homem corajoso e forte "fez mui grandes serviços" (Laet, Verhael,
IV:162,171). Nótulas Diárias do Governo no Recife, 13 de abril de 1636 (ver 24-01-
1636). A viúva do pastor Stetten e seus filhos receberam uma ajuda provisória
(Nótulas Diárias, 12-07-1647), suspensa em junho de 1650 (carta da D. Raquel à
Stetten ao pastor P. Wittewrongel, de Amsterdam - Recife, 18-05-1652 (GAA-ACA
88, 4, p. 167-169).
55 G. Groenhuis, De Predikanten (Groningen: Wolters-Noordhoff, 1977), 36.
56 Coelho, Memórias, 120 (20-04-1632).
57 Ver J.A.G. de Mello, "A Situação do Negro sob o Domínio Holandês," em
Gilberto Freyre e outros, Novos Estudos Afro-Brasileiros (Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1937).
58 Informações geralmente contidas nas "cartas gerais" do governo no Recife aos
Senhores XIX, 1630-1632 (ver o índice da coleção "Brieven en Papieren" no
Instituto Histórico no Recife; RIAP 30:129-144).
59 Pedidos de Hooghstraten ao Conselho Ultramarino em Lisboa para pagar o
soldo prometido (Lisboa, Arquivo Histórico Ultramarino, cod. 14:88 e 278:230v, de
28-09-1647 e 25-02-1649).
60 Boxer, Holandeses, 380-382. Muitas referências nos documentos holandeses.
61 J.A.G. de Mello, João Fernandes Vieira, 2 vols. (Recife: Imprensa Universitária,
1967), I:105-127.
62 Abreu, Capítulos, 155.
63 Calado, Lucideno, I:48.
64 Southey, História, II:164.
65 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635).
66 Guerra, Aventura, 83: segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que
Calabar, 'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrícios por ser mulato, tem
recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'." Guerra, Calabar,
42: Waerdenburch teria escrito à Holanda que "(Calabar) só se colocou ao nosso
lado por convicção, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe
haviam mandado." Ver o post scriptum deste artigo.
67 Santos, Major Calabar, 107 (capitão Jouer de Haia, o "língua," tradutor), 113-
115. Calabar era capitão, não major, ver Laet, Verhael, IV:162s, em Porto Calvo,
julho de 1635, Major Picard, Capiteyn Langley, Capiteyn van Exel, Capiteyn
Domingo Fernandes Calabar, Capiteyn Jan Muller.
68 C.R. Boxer, Race Relations in the Portuguese Colonial Empire, 1415-1825
(Oxford: Clarendon, 1963), 86-130; 1771.
69 Guerra, Aventura, 83: Calabar "(sofreu) injustamente dos seus patrícios por ser

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mulato." Ver nota 66 e o post scriptum deste artigo.
70 Southey, História, II:164: "se o tratamento recebido dos comandantes o
desgostou." Leal, Calabar, I:141, em um conclave com conspiradores, faz Calabar
dizer: "A minha raça é outra … Tolerais-me quando vos sou útil" (II:100), e faz com
que o futuro sogro de João Fernandes Vieira bata com um ferro no rosto de
Calabar, marcando-o (I:146; "ansiedade de vingança, III:29; IV:104). Ambos, Vieira
e Calabar, seriam apaixonados por Maria César (I:141), sugerindo ainda outro
motivo. Isso, porém, não é válido, pois Leal desconheceu Bárbara (nota 25).
71 Santos, Major Calabar, 112s. Leal, no seu romance histórico, não aproveita o
desgosto geral contra Bagnuolo por fazê-lo chegar depois da deserção de Calabar
(Leal, Calabar, IV:54). Calado, segundo Boxer, é um crítico muito escarninho de
Bagnuolo (Boxer, Holandeses, 68, n. 35).
72 Brito Freyre, Nova Lusitânia, 240, 254.
73 Ver nota 57. Observe-se sobre o tratamento dos escravos, as instruções de
João Fernandes Vieira e as de Nono Olferdi para os novos colonos no Sergipe.
Schalkwijk, Igreja e Estado, 74, n. 81.
74 Também o índio Pedro Poti, membro da igreja cristã reformada, assina a sua
carta na língua tupí como "regedor (dos) brasilianos em Paraíba" (31-10-1645).
Talvez fosse bom usar de novo este nome arcaico, porém honorífico, como
coletivo para todas as nossas tribos indígenas em geral. "Brasilianen," passim nos
documentos holandeses para as tribos tupis (como tupinambás, potiguaras,
sergipes, etc.), distinguindo-os dos tapuias (nhanduis, cariris). Os (luso)
"brasileiros" eram chamados "portugueses" ou "moradores." Calado, Lucideno,
I:xvi, "brasilianos" no sentido de "moradores."
75 Abreu, Capítulos, 155.
76 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635).
77 Carta de Dom. (Rev.) Pistorius aos Senhores XIX, Recife, 04-11-1631.
78 Schalkwijk, Igreja e Estado, 231-235.
79 Calado, Lucideno, I:68s.
80 Schalkwijk, Igreja e Estado, caps. 12-15, sobre a liberdade religiosa nessa
época, mormente pp. 388-458.
81 Ver notas 25 e 26.
82 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitânia, 350: "com
piedosas mostras de verdadeiro arrependimento e lágrimas constantes, nascidas
mais do temor de Deus que do receio do castigo." Guerra, Aventura, 103: "firme e
seguro, sem denotar arrependimento," ou seja, não se sabe se considerou a
"traição" como pecado.
83 O Catecismo de Heidelberg (1563) era estudado dominicalmente nas igrejas
reformadas. Havia no Brasil uma edição em espanhol, Catechismo (s.l.: Ioris van
Henghel, 1628, 135 p.), 1ª pergunta e resposta. Sobre Poti, Schalkwijk, Igreja e
Estado, 309.
84 Rodrigues, Bibliografia, 13. Brito Freyre (Armada: 1654; Governador: 1661-
1664), Nova Lusitânia, 350.
85 Guerra, Aventura, 79-84, 103. Guerra, Calabar, 42, 69. Ver o post scriptum no
fim deste artigo.
86 Santos, Major Calabar, 99, 101 e 205. Capitão Jouer, ver nota 66.
87 A peça "Calabar" (com subtítulo de "O Elogio da Traição" e músicas como

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"Bárbara"), de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, foi proibida em 1973
pelo governo militar, mas liberada em 1980. O alvo era debater a figura do
"traidor" por ocasião do sesquicentenário da independência (Veja, 14-05-1980, pp.
60ss).
88 Laet, Verhael, III:98. Gaspar Barlaeus, História dos feitos recentemente
praticados durante oito anos no Brasil (Amsterdam: 1647; Recife: Fundação de
Cultura Cidade do Recife, 1980), 39.
89 Abreu, Capítulos, 155. Muitos têm opinião semelhante, como Rocha Pombo,
História do Brasil, 7ª ed. (São Paulo: Melhoramentos, 1956), I:171; Southey,
História do Brasil, II:164: "não se sabe"; Hélio Vianna, História do Brasil (São
Paulo: Melhoramentos, 1961), etc.

Parte V
O SEGUNDO MANDAMENTO

Há um certo descompasso entre os Dez Mandamentos transcritos na Bíblia
Sagrada e os relacionados no Catecismo da Igreja Católica (C.I.C.), 9a edição,
Editora Vozes, 1998. Tal desencontro poderá gerar dúvidas e estranheza não só
entre os católicos, mas também entre os novos evangélicos provindos daquela
denominação. Para que a verdade prevaleça, elaborei o presente trabalho que
poderá ser enriquecido com as observações dos leitores. O Decálogo no C.I.C.
está assim redigido (páginas 548-650, itens 2083-2550):

Primeiro Mandamento - ―Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do
Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás
para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima,
nos céus, ou embaixo, na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te
prostrarás diante desses deuses e não os servirás (Ex 20.2-5)‖ (o grifo é meu).

Segundo Mandamento - ―Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão
(Ex 20.7)‖.

Terceiro Mandamento - ―Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo.
trabalharás durante seis dias e farás todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o
sábado do Senhor, teu Deus. Não farás nenhum trabalho (Ex 20.8-10)‖.

Quarto Mandamento - ―Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus
dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá (Ex 20.12)‖.

Quinto Mandamento - ―Não matarás (Ex 20.13)‖.

Sexto Mandamento - ―Não cometerás adultério‖ (Êx 20.14)‖.

Sétimo Mandamento - “Não roubarás (Êx 20.15)”.

Oitavo Mandamento - ―Não apresentarás falso testemunho contra o teu próximo
(Êx 20.15)‖.

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Nono Mandamento - ―Não cobiçarás a casa de teu próximo, não desejarás sua
mulher, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa

alguma que pertença a teu próximo (Êx 20.17)‖.

Décimo Mandamento - ―Não cobiçarás... coisa alguma que pertença a teu
próximo (Êx 20.17)‖.

Observem que o primeiro e o segundo mandamentos foram arrolados num só, e o
décimo foi dividido em dois. Vejamos como estão na Bíblia de Estudo Pentecostal,
Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, o primeiro, o segundo e o décimo
mandamentos:

Primeiro Mandamento - ―Não terás outros deuses diante de mim‖ (Êxodo 20.3;
Deuteronômio 5.7).

Segundo Mandamento - ―Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma
semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas
debaixo da terra. Não te encurvarás A ELAS nem AS servirás‖. (as maiúsculas são
nossas). (Êxodo 20.4-5; Deuteronômio 5.8-9).

Décimo Mandamento - ―Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a
mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o
seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo‖(Êxodo 20.17; Deuteronômio
5.21).

Não há razão para dividirmos em dois o mandamento de Êxodo 20.17. Trata-se de
um só enunciado, uma proibição específica de não cobiçar pessoas, animais e
objetos, e está expresso num único e reduzido versículo. O nono e o décimo
mandamentos são iguais no Catecismo por uma razão simples: como o primeiro e
o segundo foram unificados, ficou faltando um, o décimo. A solução foi criar dois
mandamentos iguais. O Vaticano assim explica:

―A divisão e a numeração dos mandamentos têm variado no decorrer da história.

O presente catecismo segue a divisão dos mandamentos estabelecida por Sto.
Agostinho e que se tornou tradicional na Igreja Católica. É também a das
confissões luteranas. Os padres gregos fizeram uma divisão um tanto diferente,

que se encontra nas igrejas ortodoxas e nas comunidades reformadas‖ (C.I.C. pg.

545, item 2066).

Para que não haja suspeição, vejamos os mandamentos numa Bíblia ―católica‖,

Edição Ecumênica, tradução do padre Antônio Pereira de Figueiredo, com notas
do Mons. José Alberto L. de Castro Pinto:

Primeiro Mandamento - ―Não terás deuses estrangeiros diante de mim‖ (Êxodo
20.3).

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Segundo Mandamento – ―Não farás para ti imagem de escultura, nem figura

alguma de tudo o que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem de
coisa, que haja nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás
culto‖ (O grifo é nosso). (Êxodo 20.4-5).

Décimo Mandamento – ―Não cobiçarás a casa de teu próximo: não desejarás a
sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu

jumento, nem coisa alguma que lhe pertencer‖(Êxodo 20.17).

A Palavra de Deus não se altera ao longo da história, e não podemos modificá-la
por nenhuma razão. Convém esclarecer que nas Bíblias os mandamentos não
estão numerados, mas pelo enunciado é possível sabermos qual é o primeiro,
qual o segundo, e assim por diante. Mas isto é um detalhe. O cerne da questão
está no segundo mandamento. Incorporado o segundo mandamento ao primeiro,
fortalece-se a idéia de que as imagens proibidas estariam se referindo, somente,

aos deuses antigos. Daí porque o verso 5, no C.I.C., reforça essa idéia: ―Não te
prostrarás diante desses deuses e não os servirás‖.

É preciso notar que o versículo 4 refere-se especificamente a IMAGENS, e não a

deuses. O versículo 5 (―não te encurvarás/inclinarás a elas nem as servirás‖)
encontra-se afastado do versículo 3 (―não terás outros deuses diante de mim‖). Os
―deuses‖, portanto, não são a essência da proibição do verso 4 e começo do verso
5. Por isso, entendo que as versões que se reportam às imagens, e não aos

deuses, (―não as adorarás, não as servirás, não lhes darás culto‖) são as mais
aceitas. São exemplos: Las Sagradas Escrituras-1569 (―No te inclinarás a ellas, ni
las honrarás‖); Almeida Revista e Corrigida, 1995 (―Não te encurvarás a elas nem
as servirás‖); Bíblia Linguagem de Hoje (―Não se ajoelhe diante de ídolos, nem os
adore‖). A bem da verdade, convém registrar que diversas versões, quanto ao

versículo 5, fazem referência aos deuses, e não às imagens. Deuses e imagens
estão tão associados que a proibição de não prestar culto a um alcança
naturalmente o outro. Imagens e deuses são ídolos.
Aprouve a Deus destinar um mandamento só para referir-se às imagens, ídolos ou
estátuas, objeto de adoração, veneração, culto, honra, homenagens. Assim, Deus
descreveu quais as imagens que não deveriam ser objeto de culto. Deus
exemplificou para não haver dúvida. As imagens dos santos católicos estariam
incluídas nessa proibição?

ANÁLISE DE ÊXODO 20.4

―Não farás para ti‖ – Entende-se a posse do objeto quando destinado ao culto, à
homenagem, à prece, à veneração. Deus não condena as obras de arte, escultura
ou pintura de valor histórico e cultural.

―Nem alguma semelhança do que há em cima nos céus‖ – Não encontramos
diferenças relevantes de tradução nas versões consultadas. A proibição não
alcança apenas as imagens dos deuses, mas diz respeito, também, ao que existe
nos céus: A Trindade (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo), os anjos e os

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salvos em Cristo. Logo, estátuas de Jesus, dos santos apóstolos, de Maria, e de
quantos, pelo nosso julgamento, estejam no céu, não devem ser objeto de culto.

―Não te encurvarás a elas‖ - Deus proíbe qualquer atitude de reverência ou
respeito, tais como inclinar respeitosamente o corpo ou ajoelhar-se diante das
imagens; prostrar-se com o rosto no chão; tocá-las; beijá-las; levantar os braços
em atitude de adoração; tirar o chapéu; ficar em pé diante delas em estado
contemplativo. Enfim, Deus proíbe fazer qualquer gesto com o corpo que expresse
admiração, contemplação, fé, devoção, homenagem, reverência.

―Não as servirás‖ - Não servi-las com flores, velas, cânticos, coroas, festas,
procissões, lágrimas, alegria, rezas, vigílias, doações, homenagens, devoção,
sacrifícios, incenso. Não lhes devotar fé, confiança, zelo, amor, cuidados. Não
alimentar expectativas de receber delas amparo, curas e proteção. Não colocá-las
em lugar de destaque, em redoma ou em lugares altos.

A Igreja de Roma reconhece a proibição, mas decide por não acatá-la:

―O mandamento divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão
do homem. O Deuteronômio explica: ―Uma vez que nenhuma forma vistes no dia

em que o Senhor vos falou no Horebe, do meio do fogo, não vos pervertais,
fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo...‖(Dt 4.15-16)... No
entanto, desde o Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de
imagens que conduziriam simbolicamente à salvação por meio do Verbo
encarnado, como são a serpente de bronze, a Arca da Aliança e os querubins. Foi
fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio
ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou, contra os iconoclastas, o culto dos
ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os

santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova ―economia ‖das

imagens. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento,
que proíbe os ídolos. De fato, ―a honra prestada a uma imagem se dirige ao
modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está

pintada. A honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e

não uma adoração, que só compete a Deus. O culto às imagens sagradas está
fundamentado no mistério da encarnação do Verbo de Deus. Não contraria o
primeiro mandamento‖ (C.I.C. pg. 560-562, itens 2129-2132, 2141).

ANALISANDO AS EXPLICAÇÕES

―O mandamento divino INCLUÍA a representação de toda representação de Deus
por mãos do homem‖.

O mandamento divino incluía? Não, mandamento inclui, está vigente. A cruz não
aboliu as Dez Palavras. As leis cerimoniais sim, foram abolidas. O Decálogo é, no

varejo, o que Jesus disse no atacado: ―Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento‖, e ―Amarás o teu
próximo como a ti mesmo‖ (Mateus 22.35-40; Deuteronômio 6.5; 10.12; 30.6;

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Levítico 19.18). Num coração cheio do amor de Deus e do amor a Deus não há
espaço para a adoração de pessoas ou de coisas. Em Mateus 5.17, Jesus afirma:
―Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir‖
(ARC) ou: ―Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os

ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles, mas para dar o seu sentido
completo.‖ (BLH). A seguir Jesus exemplifica o novo sentido à lei: se pensar em
matar, já pecou e descumpriu a lei; se pensar em adulterar, já pecou.

―No entanto, Deus ordenou... a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os
querubins‖...

A Arca da Aliança e os querubins passaram. Faziam parte de cerimônias e
símbolos instituídos por Deus, de acordo com sua infinita sabedoria e soberana

vontade, para melhor conduzir o povo em sua fé. Agora, vindo Cristo, temos ―um

maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,

nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue...‖ (Hebreus

9.11).
A serpente de bronze - símbolo tão zelosamente defendido pela Igreja de Roma –
foi um remédio específico para um mal específico numa situação especial
(Números 21.7-9). Agora, já não precisamos de figuras para nossos males físicos

e espirituais. Como disse João Ferreira de Almeida, ―o poder vivificante da

serpente de metal prefigura a morte sacrificial de Jesus Cristo, levantado que foi
na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com fé‖. O próprio Jesus
assim se manifestou: ―E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim

importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna‖ (João 3.14-15). Deus não recomendou o
culto, a homenagem ou a veneração à serpente. Por isso, o rei Ezequias, temente
e reto aos olhos do Senhor, destruiu-a ao perceber que o povo lhe prestava culto
(2 Reis 18.4). Ademais, não se vê em Atos dos Apóstolos qualquer indício de uso
de figuras, ícones ou imagens destinados a facilitar a compreensão e conduzir os
fiéis à salvação.

―... o sétimo Concílio ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou... o culto dos

ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os
santos. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que

proíbe os ídolos. De fato, ―a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo

original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A

honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e não uma
adoração, que só Não contraria o primeiro mandamento‖.

Ora, se o mandamento proíbe o culto aos ídolos, então o culto aos ídolos é
proibido. Desculpem-me os leitores pelo óbvio. Portanto, o culto às imagens
contraria o mandamento. Se contraria, é pecado cultuá-las. O Concílio de Nicéia
justificou, mas são justificativas de homens. A Palavra é o padrão. A tradição
deverá ajustar-se à Palavra. A honra ao modelo original via imagem parte de uma
premissa falsa, porque as imagens não são em sua grande maioria cópias fiéis
dos originais, exemplos de Jesus, Maria, José e dos santos apóstolos. Seus traços

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77

físicos não foram revelados nem por fotografias nem por pinturas. Jeremias foi

direto: ―Suas imagens são mentira‖ (Jr 10.14).

―A honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e não uma
adoração, que só compete a Deus‖.

Venerar: ―Tributar grande respeito a; render culto a, reverenciar‖; Culto: ―Adoração
ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião‖.
Adorar: ―Render culto a (divindade); reverenciar, venerar, idolatrar‖ (Dicionário

Aurélio). Como se vê, é muito tênue a linha entre honrar, venerar, adorar e prestar
culto. Diria que não existe essa linha. Vejamos o que Deus afirma: ―Eu sou o
Senhor. Este é o meu nome. A minha glória a outrem não a darei, nem a minha

honra às imagens de escultura‖ (Isaías 42.8). Na Bíblia Linguagem de Hoje: Eu

sou o Deus Eterno: este é o meu nome, e não permito que as imagens recebam o

louvor que somente eu mereço.‖ Na Bíblia ecumênica, católica: ―Eu sou o Senhor,

este é o meu nome: eu não darei a outrem a minha glória, nem consentirei que se

tribute aos ídolos o louvor que só a mim pertence‖.

OUTRAS REFERÊNCIAS<

―Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem

estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela.

Eu sou o Senhor vosso Deus‖ (Levítico 26.1).

Ø ―No dia em que o Senhor vosso Deus falou convosco em Horebe, do meio do
fogo, não vistes figura nenhuma. Portanto, guardai com diligência as vossas
almas, para que não vos corrompais, fazendo um ídolo, UMA IMAGEM DE

QUALQUER TIPO, FIGURA DE HOMEM OU DE MULHER...‖ (Deuteronômio

4.15-16). O destaque é meu.

―As imagens de escultura de seus deuses queimarás no fogo. Não cobiçarás a

prata nem o ouro que haja nelas, nem os tomarás para ti, para que não sejas

iludido, pois É ABOMINAÇÃO AO SENHOR, TEU DEUS‖ (Deuteronômio 7.25). O

destaque é meu.

―As suas imagens de fundição são vento e nada‖ (Isaías 41.29b)

―Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei,
nem o meu louvor às imagens de escultura‖ (Isaías 42.8)

―Todo homem se embruteceu e não tem ciência; envergonha-se todo fundidor da
sua imagem de escultura, porque sua imagem fundida é mentira, e não há espírito

nela‖ (Jeremias 10.14).

―Arrancarei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas; e tu não
te inclinarás mais diante da OBRA DAS TUAS MÃOS‖ (Miquéias 5.13). O
destaque é meu.

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―Também está cheia de ídolos a sua terra; inclinaram-se perante a OBRA DAS
SUAS MÃOS, diante daquilo que fabricaram os seus dedos‖ (Isaías 2.8). O

destaque é meu.

―Nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura,
feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar‖ (Isaías 45.20).

―Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz. Os ídolos deles são

prata e ouro, OBRA DAS MÃOS DOS HOMENS. Têm boca, mas não falam; têm
olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; nariz têm, mas não cheiram.
Têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da
sua garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e todos os que
neles confiam‖ (Salmos 115.3-8). O destaque é meu.

―Eles trocam a verdade de Deus pela mentira e ADORAM E SERVEM O QUE

DEUS CRIOU, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser

louvado para sempre. Amém‖ (Romanos 1.25). O destaque é meu. Anjos e

espíritos humanos são criaturas de Deus.

CONCLUSÃO

A proibição divina abrange:

Qualquer coisa (estátua, imagem, ídolo, presépio) produzida por mãos humanas.
Toda a criação de Deus (anjos, pessoas, espíritos humanos, corpos celestes,
animais).
Imagens de qualquer uma das três Pessoas da Trindade.
Está, portanto, contrário ao Segundo Mandamento qualquer culto de louvor,
adoração, homenagem ou veneração prestado às imagens representativas de
pessoas falecidas, qualquer que tenha sido o grau de santidade por elas
alcançado na vida terrena.

Parte V
Por que eu Nasci? - Um comentário Antropológico

APONTAMENTOS SOBRE O LÓCUO 6 DO LIVRO ―DOGMÁTICA CRISTÃ‖ DE
CARL E. BRAATEN E ROBERT W. JENSON, SÃO PAULO: SINODAL, 1990 –
PP. 324-341

O SER HUMANO
Começaremos este estudo, justificando que foi escolhido o termo ―co-criador
criado‖ para articular o que significa a humanidade sob a vontade de Deus. Este

termo, segundo o livro aqui comentado, fala de dependência, de poder e
autoridade dados por Deus e de liberdade dentro da finitude.

A questão do destino humano aparece-nos como uma compreensão primordial
para este estado humano de ―co-criador criado‖. Comenta-se que Nathan Scott

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aponta corretamente para a intenção da estória cristã da humanidade: contar-nos
quem o ser humano realmente é e lembrarmos que toda a criação e Deus o
Criador apóiam os seres humanos em seus esforços para tornar-se mais
plenamente o que são criados para ser. A antropologia cristã expõe uma
compreensão distinta de quem e do que o ser humano é.

O ser humano é criado com um destino. Assim, o autor do livro, explica que foi

utilizado este termo ―destino‖ para incluir as conotações de ―vocação‖ ou
―chamamento‖, bem como para apontar para um caráter intrínseco que constitui
uma dimensão da ―natureza‖ criada do ser humano. Consequentemente, explica-
nos o autor, ―destino‖ tem as nuanças de dom, determinismo, propósito e alvo. A

primeira tarefa da concepção distintamente cristã do ser humano é tornar claro
que o homo sapiens tem um destino, e que se trata de um destino elevado. A
Antropologia cristã não se isola de qualquer outra fonte de conhecimento sobre o
ser humano – das ciências, da experiência de todas as espécies, literatura ou arte.
O que a concepção cristã tem a dizer sobre o ser humano está no contexto do
conhecimento recolhido destas outras fontes.

Não obstante, não se pode permitir que conhecimento algum de outras fontes
oculte ou enfraqueça a seguinte asserção fundamental da fé cristã: como pessoas
criadas por Deus, somos seres cuja origem e destino estão vinculados com este
Deus. Tudo que é dito sobre as implicações da doutrina da criação ex nihilo
certamente aplica-se aqui: que o ser humano é causado, e não gera a si mesmo, e
que é criatura, não criador. E esta verdade comentada no livro Dogmática Cristã,
desemboca no fato de que, a menos que percebamos o destino divinamente
ordenado do ser humano, deixamos, desde o princípio, de compreender quem e o
que o homo sapiens é. Somente o pressuposto do destino elevado confere sentido
ao discernimento do pecado e do mal nos seres humanos.

Desta forma, sem o real conhecimento, ou talvez seja melhor colocar, o real
reconhecimento de seu estado real, o homem ou a mulher da atualidade está
como alguém que é condenado à morte em um julgamento que não compreende
porque cometeu um crime absurdo que não reconhece.

O tema através do qual reunimos as várias afirmações da tradição cristã sobre a
criatura humana e que expressa o sentido delas é o do co-criador criado. Este
tema, como o próprio autor de Dogmática Cristã o descreve, é novo em sua
formulação. Formalmente, o destino humano é levar à consumação a posição
dada ao ser humano na criação – colocado por Deus o Criador na posição
preeminente do ecossistema.

A espécie humana é claramente distinta de todas as outras espécies, mas
também está intimamente relacionada ao resto da criação. Esta relação é em
parte externa; o homo sapiens depende de todos os outros elementos do
ecossistema, assim com a espécie contribui reciprocamente para o mesmo
ecossistema. Mas ela é também interna. Os elementos do mundo, convergindo

naquela ―sopa primordial‖ da qual surgiram todas as criaturas vivas, são os

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elementos do ser humano; cada átomo do corpo humano esteve em outro lugar no
universo antes que veio a repousar no homo sapiens. Percebe-se com isto, a
afirmação de que o homem faz parte do todo do universo, das coisas criadas.

Mas, como exposto na obra aqui apreciada, o homo sapiens é distintivo no tocante
a seis características importantes: consciência, autoconsciência, a capacidade de
fazer avaliações, a capacidade de tomar decisões com base nestas avaliações, a
capacidade de agir livremente de acordo com estas decisões e a capacidade de
assumir responsabilidade por tal ação. Tal ação autoconsciente e livre torna-se
uma espécie de atividade criadora, um co-criador com Deus. Porém, lembrando-
nos dos nossos limites, diz-nos o texto o seguinte: os seres humanos não podem
atribuir-se arrogantemente o mérito de serem co-criadores; foram criados co-
criadores.

Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e
responsavelmente na formação do mundo e seu desdobramento em direção a sua
consumação final sob Deus. O criar de Deus é a norma para o co-criar humano –
não no sentido de que o homo sapiens deva igualar sua atividade à de Deus, mas,
antes, no sentido de que a atividade humana é perversa se não se qualifica afinal
como participação na extensão da vontade primordial de criação de Deus.
Expresso desta maneira, o status criado do ser humano é completamente
escatológico; isto é, é um desencadeamento, não um dado plenamente
desenvolvido que simplesmente tem de ser reiterado e copiado ao longo do
tempo. O homem não é um ser já completo em perfeição criativa e criadora, ele
estava em fase de desenvolvimento pessoal em Adão, que perdeu o rumo da
desenvoltura humana através do pecado, e que em Cristo, o modelo real e já
perfeito, encontramos o rumo para o pleno desenvolvimento, porém, com uma
melhor visão, pois o nosso modelo, Cristo, é o Homem com perfeição criativa e
criadora.

Nos é sugerido, desta maneira, que este caráter de co-criador é o que significa ser

―à imagem de Deus‖. Ser apto a tomar decisões autoconscientes e autocríticas,
agir com base nestas decisões e assumir responsabilidades por elas – estas são
as características das quais é composta a imagem de Deus em nós.

Quando os seres humanos ponderam seu status de co-criadores, reconhecem que
ele inclui a liberdade de conceber ações e executá-las. Tornando assim, ao meu
ver, o ser humano mais responsável, aliás, Deus é Deus responsável por Seus
próprios atos, assim, como imitadores de Deus, devemos nos responsabilizar por
nossos próprios atos também! Há então a responsabilidade por viver com as
consequências da ação, ainda que comprovem ser indesejáveis.

Ser co-criador significa que precisamos continuar a viver com a decisão e exercer
nosso caráter de co-criadores responsáveis, que a decisão comprove ser
desejável ou indesejável.

Agora, provém disto uma questão também fundamental, como descrito na obra

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aqui comentada, que é o fato de que tal decisão livre e responsável é limitada. Ao
exercer a imago Dei, ao por em prática nosso caráter de co-criadores, esbarramos
no fato de nosso ser-criado. Daqui vem a consciência de que, apesar de sermos
livres no ato co-criador, temos os limites impostos por sermos criaturas!

Quando ponderamos tais considerações, vimos a saber que nosso pecado é tanto
nossa compreensível relutância em aceitar nosso status de co-criadores quanto
nossa execução falha de nosso caráter de co-criadores. Este pecado é tanto
original quanto atual.

Surge, desta discussão, uma outra problemática, que é a da condição primordial
do ser. Na atualidade é quase universalmente sustentado entre os teólogos que as
narrativas e conceitos que temos a respeito de Adão e Eva no paraíso são lendas
e mitos. A idéia de seres humanos vivendo em um abençoado estágio primordial
antes da queda é encarada como especulação poética, não como história. Porém,
poesia ou não, estes mitos nos contam muita coisa essencial à antropologia cristã.
Só uma criatura de estatura muito grande seria descrita como ―caída‖. Como diz
Tillich: ―Simbolicamente falando, é a imagem de Deus no homem que oferece a

possibilidade da queda.
Somente aquele que é imagem de Deus tem o poder de separar-se de Deus.‖
Toda a riqueza da criação, na terra e no mar, estava pronta, e ninguém estava lá
para compartilhar dela. Quando toda esta beleza natural estava formada, então, e
só então, era apropriado que o ser
humano entrasse em cena. Falando sobre isto, Gregório de Nissa (século IV) diz:

―...não era de se esperar que o governante aparecesse diante dos súditos de seu

governo; no entanto, quando seu domínio estava preparado, o próximo passo era
que o rei se manifestasse. (...) Por esta razão o homem foi trazido ao mundo por
último, depois da criação...‖

Não é popular, hoje em dia, falar do ser humano como ―coroa da criação‖. Mas,

partindo dos princípios expostos no capítulo aqui mencionado do livro Dogmática
Cristã, a conclusão a ser tirada é de que os seres humanos são dotados de um
nobre destino, mas também são investidos de grande responsabilidade, e desta
forma, creio poder referir-me ao homem como ―coroa da criação‖!

A imagem de Deus (imago dei) apresenta uma imagem fundamental do ser
humano como ser-com-um-destino. Alguns teólogos até sugeriram que o termo
fosse extirpado do vocabulário teológico, tão frustrante é sua interpretação. A
exegese de Gênesis é ela mesma o campo de batalha de variadas interpretações
da imago dei. Clauss Westermann arrola os seguintes grupos de opiniões
existentes na história da interpretação (porém, apoiando a quinta opção):

1) Aqueles que distinguem entre semelhança natural e sobrenatural com Deus;
2) Aqueles que definem a semelhança em capacidades ou aptidões espirituais;
3) Aqueles que interpretam-na como forma externa;
4) Aqueles que discordam incisivamente de 3;
5) Aqueles que interpretam o termo como denotativo de que o ser humano é o

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correlativo de Deus, alguém que corresponde a Deus;
6) Aqueles que interpretam a imago como o status do ser humano como
representante de Deus na terra.

Os exegetas do N.T. muito pouco fizeram a respeito do termo, mas a principal
conclusão é de que Cristo é a imagem de Deus (eikon tou theou) e, portanto, a
imagem para dentro da qual são formados os seres humanos.
Podemos inferir na história do conceito, como nos é apresentado em Dogmática
Cristã, duas categorias, ou dois grupos de interpretações. No primeiro grupo,
podemos colocar os apologetas do século II, que identificavam a imago com a
liberdade da vontade, a capacidade para a bondade, a responsabilidade moral e a
razão, e também, o domínio humano sobre a terra.

O segundo grupo de intérpretes considera que a imagem de Deus se refere ao
fato da relação com Deus, de co-responder a Deus, de ser o correlativo de Deus,
como diz Westermann. Agostinho é o representante monumental desta posição,
pois ele aponta para o caráter trinitário da vida psíquica humana como uma
grande analogia (analogia entis) da via triúna de Deus. O ser humano não foi,

como os outros animais, ―criado segundo a sua espécie‖, mas, antes, criado à
imagem e semelhança de Deus. Por isso, Deus não disse: ―Seja feito o homem‖,
mas antes: ―Façamos o homem‖. Também não disse: Segundo sua espécie‖, mas
segundo ―nossa imagem‖ e ―semelhança‖.

Lutero, mencionando sobre este assunto, disse que Adão tinha a imagem de Deus
em seu ser e que não somente conhecia a Deus e cria que ele era bom, mas que
também vivia uma vida que era totalmente piedosa; isto é, não tinha medo da
morte ou de qualquer outro perigo e estava contente com o favor de Deus. Nesta
forma ela se revela no exemplo de Eva, que fala com a serpente sem medo
algum. A serpente é símbolo da morte, e antes do pecado, o ser não teme a
morte, mas teme a Deus, porém, depois da queda de Adão todos os homens
propagados segundo a natureza nascem com pecado, isto é, sem temor de Deus,
sem confiança em Deus e com concupiscência. Temor e confiança em Deus são
os critérios da imago dei por sua presença e do pecado por sua ausência. Desta
forma, o homem sem a imagem de Deus, caracteriza-se pelo pecado, e o homem
que tem, por Cristo, a imagem de Deus, é caracterizado pelo temor e pela
confiança em Deus.

Lutero critica Agostinho e outros teólogos antigos porque suas descrições da
imagem de Deus fomentam ―obras‖. Westermann critica boa parte da tradição
porque ela fala de atributos ou qualidades da natureza humana como a imago em
vez da relação com Deus. E é assim que o dilema sobre a imago dei seguiu-se
história afora.
No desenvolvimento destas discussões sobre o homem, surge também uma
questão de importância fundamental à antropologia, que é a relação entre espírito
e matéria na criatura humana. A constituição do ser humano foi objeto de grande
preocupação para a tradição cristã. Gregório de Nissa expressa o pensamento de
muitos teólogos antigos ao falar do ser humano como fator intermediário entre o

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âmbito terreno, animal, e o âmbito espiritual de Deus. Ao que parece, passa-se a
ver o homem como um intermediário, dentre a criação, entre Deus e as demais
coisas criadas.

Podemos resumir um volumoso corpo de material histórico dizendo que ―espírito‖
(pneuma, ruah) se refere em geral à própria vida, à distinção de ―corpo‖, enquanto
que ―alma‖ (psyche, nefes) se refere a vida assim como ela ocorre em um

organismo particular, concreto, sendo este organismo o meio da ação da alma.
Todos os corpos humanos possuem espírito, e o espírito manifesta-se dentro da
alma do indivíduo.

Falamos de uma visão ―tricotômica‖ ao falarmos de corpo, alma e espírito,
enquanto que uma visão ―dicotômica‖ somente conhece corpo e alma. A

concepção dicotômica, segundo o livro comentado neste trabalho, tem prevalecido
na teologia cristã.

A ―preexistência‖ sustenta que as almas vêm a este mundo a partir de algum

material de alma preexistente. E, penso eu, que este é até um dos motivos que me

levam a crer mais na ―tricotomia‖ do que na ―dicotomia‖. Mas, Lutero, por exemplo,

já as contestou porque acreditava que a criatura humana é um ser unitário perante
Deus.

Em acréscimo a esta consideração teológica, a compreensão contemporânea do
ser humano e da estrutura da personalidade humana não permite uma perspectiva
dicotômica ou tricotômica, exceto metaforicamente. Requer-se uma perspectiva
evolutiva moderna. Espírito ou mente e corpo ou matéria são vistos como parte do
mesmo processo, e não como entidades separadas para a modernidade. Em
termos fisiológicos, o espírito é uma função do cérebro que não é nem imaterial
nem não-material, mas que é matéria na forma que pode tornar-se espírito. Robert
Francoeur descreve isto como uma espécie de ―monismo evolutivo‖.

Para os teólogos na tradição da Reforma, o ser humano é uma criatura una, uma
criatura da natureza, criada com uma relação especial com Deus o Criador e com
a capacidade de perceber esta relação e de viver uma vida de resposta a Deus.
Mas, desencadeou-se, daqui, um outro fator conflitante, mencionado neste livro
Dogmática Cristã, que é a complexidade do homem com a queda e o pecado
original (―status corruptionis‖ – estado de corrupção).

Conforme o mito da queda, a imago dei está parcialmente intacta mas gravemente
danificada, de forma que uma restauração se faz necessária. Algumas importantes
tradições orientais, tais como as da Igreja siríaca, consideravam o pecado uma
causa da queda, não sua consequência. Seguindo por este ensinamento,
chegamos a uma resposta impressionante, talvez mais do que impressionante,
exótica, que é a conclusão, então, que primeiramente Adão perdeu a imagem de
Deus, daí sim, pecou. Tais concepções são estranhas à tradição ocidental e à
teologia da Reforma em particular.

O pecado e o mal não devem ser identificados com a humanidade, mesmo após a
queda. Para os luteranos, isto é afirmado no primeiro artigo da Fórmula de

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Concórdia. Para Johann Gerhard, é quando a imago se refere à justiça e
santidade que a imagem de Deus é perdida na queda.

Surge, daqui, a necessidade de restauração. Deus, em Jesus Cristo, restaurou a
humanidade à reconciliação com seu Criador. A recuperação da dimensão da
escatologia na fé cristã, que teve lugar desde 1900, nos lembrou que a
restauração da humanidade não é um retorno ao Éden. Pois ao que percebe-se, o
qual já foi comentado acima, Adão não era perfeito, estava se desenvolvendo
quando foi barrado pelo pecado, enquanto Cristo venceu o pecado e a morte,
tornando-se em tudo o modelo perfeito e completo à nossa restauração final.
As contestações à antropologia cristã, comentadas na obra aqui apreciada, são de
grande valia para o desenvolvimento deste assunto. A concepção cristã do ser
humano é atacada de todos os lados. E, vejo que quando somos atacados,
pensamos em nos defender, e assim, surgem as certezas diante das dúvidas.

Uma das contestações mais perversas e potencialmente devastadoras, vem da
incapacidade amplamente difundida de aceitar a elevada concepção do destino
humano como o expõe a teologia cristã. Dogmática Cristã menciona aqui duas
fontes desta contestação: o conhecimento científico emergente e a concepção de
que o mal é intrínseco à natureza humana.

Nosso conhecimento emergente de nós próprios desafia nossa capacidade de
aceitar-nos como criaturas à imago dei. Pensamos nas descrições de Gregório de
Nissa: pureza, liberdade, da paixão, amor, intelecto. Podem os seres humanos
olhar hoje para si mesmos e ler a imagem de Deus a partir da lista destes
atributos?
Assim, o autor do livro aqui comentado assevera que, dizer, com os luteranos e
com Westermann, que uma olhadela introspectiva em nós mesmos nunca revelará
atributos da imago, que precisamos, em vez disso olhar para a nossa relação total
com Deus enquanto criaturas correspondentes, que dependem de Deus e ainda
assim se rebelam contra a dependência – também isto não é de muito auxílio em
nosso dilema. Enquanto nos virmos em toda a nossa complexidade servindo a
mecanismos imediatos de sobrevivência, em níveis diversos, não será possível
ver-nos como criados à imago dei.

Muitos críticos acusaram o cristianismo de uma irresponsabilidade ecológica
essencial, quer com respeito ao ecossistema natural e físico, quer com respeito à
rede intrapessoal de relações. A antropologia cristã foi acusada de
antropocentrismo, de uma preocupação por dominar (às vezes em atitudes
destrutivas, irresponsáveis) e de uma compreensão de que nada tem valor além
do ser humano.

Porém, como nos é assegurado no livro que cá comentamos, estão em
andamento esforços para remodelar certos aspectos da concepção cristã na
direção da responsabilidade ecológica em relação ao mundo físico e ao mundo
dos seres humanos à nossa volta. De forma alguma devemos separar-nos dos
ecossistemas em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser. Para muitos

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cristãos, não é coisa fácil manter a glória de Deus como Criador e, ao mesmo
tempo, reconhecer o mérito dos processos imediatos da criação.

Um dos problemas mais lamentáveis na tradição cristã de pensamento é o da
sexualidade e das relações entre sexos. Há pouca dúvida de que com demasiada
frequência a sexualidade e a relação homem/mulher são descritas de formas que
rebaixam o corpo, o elemento físico da vida humana, e a mulher. Gregório de
Nissa escreveu que, já que Paulo nos escreveu que em Cristo não há homem nem
mulher, a criação original não deve ter incluído diferenciação sexual. Já que o
protótipo do ser humano, Cristo, não permitiu a sexualidade, a diferenciação
sexual deve ser subsequente à queda, juntamente com a multiplicação sexual.
Gregório ainda diz que a sexualidade existia no Éden, mas era governada pela
vontade, não pelo desejo ou pela paixão. O desejo sexual no casamento não era
pecado, mas era o transmissor do pecado. Martin Chemnitz parafraseia Agostinho

na seguinte passagem e aceita as idéias de Agostinho como normativas: ―No

matrimônio há duas coisas que são boas e de ordenação e de instituição divinas,
mas há também um desejo no casamento sem o qual não há multiplicação, e por

causa deste desejo as crianças nascem em pecado.‖ A partir desta idéia, o

pecado original parece ser passado de pessoa a pessoa no ato de desejo sexual.

Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta aos ―sacerdotes‖ romanos: ―se, apesar de

conseguir-se viver no celibato, não se consegue extinguir o desejo, como dizer

que um padre, ou até mesmo o papa é melhor do que outro homem qualquer?‖

desta maneira, os problemas que teve nossa tradição ao interpretar as relações
homens/mulheres são bem conhecidos.

Enfim, este capítulo do livro Dogmática Cristã termina, dizendo seu autor que,
como sugeriu o exame em seu livro, o ser humano foi criado material e este
material desenvolveu o espírito. Denegrir o terreno é enfraquecer os fundamentos
materiais do espírito. E ele ainda reconhece que esta percepção ainda precisa ser
incorporada de uma forma lúcida, que possa capacitar a doutrina cristã a conceber
a unidade espírito-matéria da criação.

―Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável‖
(Sêneca, filósofo latino, 4 a.C. – 65 d.C.)

Parte VII
A Igreja é de Cristo, já a Política... Bem, a Política é nossa!

Breve comentário sobre antropologia social

APONTAMENTOS SOBRE O LIVRO ―ÉTICA & ESPÍRITO PROFÉTICO:
REVISANDO A HISTÓRIA COM PAUL TILLICH‖ – DE JORGE PINHEIRO. 1ª ED.
SÃO PAULO: COLEÇÃO IGREJA SEM FRONTEIRAS, 2002

INTRODUÇÃO

Jorge Pinheiro acredita que a teologia tem algo a dizer sobre a realidade
brasileira. E assim, justifica esta obra, dizendo que seu objeto é o pensamento

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político da Convergência Socialista, conforme expresso no jornal Versus.
Referindo-se à metodologia do seu trabalho, Jorge Pinheiro diz que sua obra tem
por base os escritos socialistas de Paul Tillich, sendo assim, a idéia-chave, como
ele mesmo escreve, é a ética em Paul Tillich.

Paul Tillich definirá o homem do século 20 como autônomo, mas inseguro dentro
de sua autonomia. Partindo deste princípio, o professor Jorge Pinheiro diz que,
metodologicamente, a sua intenção foi compreender a relação que Tillich construiu
entre ética e conceitos como espírito de profecia, autonomia e teonomia, e o papel
das massas na transformação social.

I. TEOLOGIA E SOCIALISMO

O professor Jorge começa explicando que para Paul Tillich, o protestantismo
existe onde quer que se proclame o poder do novo ser. É aí que se encontra o
protestantismo e em nenhum outro lugar. E diz que talvez, a maioria das pessoas
experimente, hoje em dia, a situação-limite mais fora do que dentro das igrejas.
Diversos mestres, diferentes poderes cósmicos, reinam em tempos diferentes, e o
Senhor que triunfa sobre anjos e poderes, reina no tempo pleno de destino e de
tensões, que se estende entre a Ressurreição e a Segunda Vinda, esta é a
formulação de Jorge Pinheiro sobre o andamento histórico dos planos de Deus.

Para que fique melhor compreendido, Jorge Pinheiro assevera que o conceito de
situação-limite, que se traduz como ameaça final à existência, é o diferencial do
protestantismo. Desta forma, a justificação pela fé é, então, melhor entendida a
partir da situação-limite. Por isso, toda ética transporta a Deus e ao mundo, que
em última instância são o bem decisivo de nossa existência concreta.

Jorge lembra-nos também que o cristianismo não pode ser identificado com um
tipo determinado de organização social em detrimento de seu caráter
transcendente e universal. E ainda afirma que é exatamente por isso que
apresenta-se como ―capenga‖ toda forma de cristianismo que se fecha na pura
interioridade. Para ele, a ética do amor faz a crítica da ordem social que está
erigida sobre o egoísmo político/econômico, e proclama a necessidade de uma
nova ordem, na qual o sentido de comunidade seja o fundamento da organização
social.

Vista assim, Jorge Pinheiro diz que a ética do amor prega a submissão dos povos,
sejam ricos ou pobres, à idéia do direito, e à construção de uma consciência
comunitária, soldada sobre a paz, que leve a um internacionalismo real entre as
nacionalidades. Referindo-se à história da Igreja, tanto no passado como no
presente, Jorge diz que esta é passível de muitas críticas, pois a situação criada
pela igreja em alguns pontos da história, facilita e potencializa a pregação do
ateísmo e do materialismo.
Jorge Pinheiro afirma que é do interior do cristianismo que brota o socialismo e
que um socialismo sem estes pressupostos é uma ―quimera‖, e que aqueles que
defendem o socialismo devem defender também os princípios sobre os quais ele

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repousa.
Explicando sobre a autonomia, o professor Jorge diz que, do lado positivo, ela
significa o reinado da razão. E a vida econômica também deve ser formulada
racionalmente. Assim sendo, o professor diz que o que fica claro é que autonomia
e socialismo são processos históricos que se complementam, mas que não são
idênticos. Desta forma, os elementos formadores do movimento socialista são
fundamentais para a compreensão das relações entre cristianismo e socialismo.
Eles abrem a possibilidade para um diálogo construtivo entre cristianismo e
socialismo.

Quanto ao protestantismo, Pinheiro diz que este quebrou o sistema de autoridade
em seu princípio-base e deu voz à autonomia. As fórmulas pela graça somente e
pela fé somente transportam juntas vida e espírito ao domínio do conhecimento e
rejeitam todo legalismo, todo farisaísmo de ter a posse da verdade absoluta e de
querer impor tal verdade aos outros. Assim, o cristianismo traduz uma vontade de
dar forma ao mundo de maneira imanente: o reino de Deus vem ao mundo.

E, é com a experiência da imanência que surge mais claramente a oposição entre
o socialismo e o cristianismo, já que o cristianismo está comprometido, enquanto
religião, com o lá em cima, e o socialismo voltado para o aqui embaixo. Porém,
lembra-nos Jorge Pinheiro que esta oposição não está correta, pois o espírito
religioso está vivo no movimento socialista: é uma vibração religiosa que circula
através das massas.

Uma pergunta muito importante, feita aqui, é a seguinte: ―que relação existe entre
o tempo presente e o espírito profético?‖ A resposta que é nos dada pelo seu

autor é que o tempo presente seria, então, parte de uma situação mais geral. O
momento presente estaria enquadrado no caminhar do processo histórico.
Partindo daqui, pode-se dizer que existiram homens que interpretaram a situação
espiritual de uma época dada. Eis aqui, para Jorge Pinheiro, o ponto de interseção
entre o tempo presente e o espírito profético. Os profetas nada fazem sem invocar
a tradição, no entanto, sua grande mensagem são os novos tempos. Os profetas
sabiam se servir do passado para as necessidades do presente. Eles não eram
saudosistas com mensagens anacrônicas, mas eram participantes da história
como um processo que se desenvolve, que evolui, e não regride.

A referência ao Kairos significando tempo concluído, o instante concreto e, no
sentido profético, a plenitude do tempo, a irrupção do eterno no tempo, leva-nos a
considerar este tempo como aquele de uma decisão inevitável, de uma
responsabilidade inelutável, na verdade, é considerá-lo enquanto espírito da
profecia. Tillich mostra, a partir daqui, que reação e progresso estão entrelaçados
na consciência de kairos, e que é esse entrelaçamento que leva ao caminho da
utopia. Sem o espírito utópico não há protesto, nem espírito profético. A idéia do
kairos nasce da discussão com a utopia. Assim, a realização da visão profética se
encontra além do tempo, lá onde a utopia desaparece, mas não a sua ação. Isto
implica em que, segundo Tillich, toda mudança, toda transformação exige uma
compreensão do momento vivido que vá além do meramente histórico, do aqui e
agora.

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Agora, falando sobre a massa, Jorge diz que, em termos formais, ela consiste
numa associação de pessoas que, na associação, deixam de ser indivíduos. Sua
individualidade se perde e ele se submete à coletividade. Assim, a massa não
sabe porque faz aquilo que faz. A massa é imediata, vive inteiramente o presente,
sem ligações com o passado ou o futuro, sem lembranças ou reflexões. Suas
motivações são irracionais. E por isto, o professor Jorge Pinheiro nos alerta que, a
amplificação pode levar ao monumental e ao heroísmo, mas também ao
demoníaco e à destruição. Quando objetivamente a massa vive esse processo de
espiritualização, nela, religião e cultura se misturam. A esse primeiro momento de
evolução da massa Tillich chama de massa mística. Uma Segunda etapa é
marcada pela autonomia da cultura. A partir daí surge a perspectiva de uma etapa
final, onde a massa e a individualidade pessoal formarão uma nova união, uma
síntese nova, chamada massa orgânica e daqui cria-se a massa dinâmica, que é
sempre revolucionária. Estes movimentos são sempre considerados como
movimentos de libertação.

II. O VERSUS SOCIALISTA

O jornal Versus era um mensário de inspiração cutural-existencial, com uma
proposta de ação através de uma cultura de resistência, mas foi reelaborado com
uma linguagem mítica. Suas informações não passavam pelo crivo da censura.
Este jornal foi criado pelo jornalista gaúcho Marcos Faerman. O primeiro número
saiu em outubro de 1975 e tinha um imaginário de esquerda. Em janeiro de 1978,
o jornalista Jorge Pinheiro, recém chegado do exílio, entra para o jornal.

A greve no ABC, publicada pelo jornal Versus, é vista, entre as outras, como um
processo de ajuda à transformação social. Era uma forma de não aceitar as forças
demoníacas daquele tempo.

Na luta contra os deserdados, Versus diz que o homem branco pregou, por muito
tempo, a doutrina vazia da fraternidade, que não significa mais do que o negro
aceitar passivamente o seu destino. E era contra esse comodismo que o jornal
queria alertar.
Quanto a busca de novos conteúdos, Jorge Pinheiro menciona que não existe
conceito que não seja ameaçado pela esclerose, porque todo processo de vida
tem tendência a envelhecer. Por isso, são as tensões que desafiam os processos
a se superarem e manterem-se vivos. E, um movimento histórico está morto se ele
está apenas consigo mesmo, quando não pode se separar de si mesmo, nem ir
além de si mesmo. Partindo-se deste princípio, o movimento histórico deve
superar-se mediante a dialética progressiva com as situações imediatas e
passadas. Os velhos crentes, segundo Jorge Pinheiro, essa cúpula sacerdotal,
conduzem ao endurecimento e às idolatrias.
Mas, o novo, o futuro, a mudança não gera riscos? Perguntaríamos! Sim, mas, o
risco, para Jorge, nunca deixa de existir, porque viver é avançar no indeterminado.
Assim, surgem dois pensamentos sobre esta situação:

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1) O radicalismo – onde o risco é bem diferente. O radicalismo é uma idolatria de
signo contrário. Nega a tradição e deseja arriscar porque acredita que no risco
está a realização daquilo que espera. É mais, ao que parece, um movimento
irresponsável;
2) A ortodoxia – não arrisca em hipótese alguma. Se prende aos conceitos porque
procura aquele lugar onde a mobilidade é menor.

Em meio a estes dois pensamentos, qual a melhor posição? Percebe-se que,
segundo Jorge Pinheiro e também Paul Tillich, a melhor postura será a de
mediação. Esta postura é a que deve ser tomada no socialismo religioso. E este
movimento é mais que um movimento político. Na realidade, é um movimento
mais profundo do que imaginamos, e quando percebemos a sua profundidade, diz
Jorge Pinheiro, percebemos também sua universalidade.

III. SOCIALISMO E CRISTIANISMO

Jorge diz que o Versus socialista tem uma clara e expressa empatia com o
cristianismo. E ainda menciona que Luther King, conhecia o pensamento de
Tillich, sendo ele muito mencionado com admiração pelo jornal Versus.
Se assim é, o professor Jorge Pinheiro diz que o cristianismo está eticamente
obrigado a fazer uma escolha: ou participa do processo, inspirado e atuando a
favor desse desenvolvimento ou se retrai e entra em processo de caducidade, ao
afastar-se da vida real das comunidades nas quais está inserido. O grande pecado
da sociedade atual, para Versus, chama-se sistema capitalista. E é contra este
pecado social que a igreja deve ajudar a lutar.
Apesar de o socialismo e o proletariado estarem muito unidos, Tillich não idolatra
este último! Na verdade, como mencionado no livro ao qual estou a comentar, não
se pode erigir o proletariado em messias ou ainda fazer positivamente da situação
proletária o lugar de onde sairá a solução para o problema do sentido. A luta
proletária, com isto, torna-se um dos meios de transformação da sociedade, e não
a base.

IV. DIANTE DA SITUAÇÃO-LIMITE

A afirmação feita por Jorge Pinheiro, neste capítulo, é de fundamental importância,
quando ele diz que é impossível buscar o sentido da vida sem fazer a defesa da
vida. E, assim como cita o jornal Versus, em agosto de 1978, a assistente social
Maria Benedita Salgado Arcas, já denunciava: ―O problema não é o menor
abandonado, mas as famílias abandonadas. O verdadeiro problema é a carência

das famílias.‖ Assim, é dito a cada um de nós, no livro Ética & Espírito Profético

que, era necessária uma transformação da estrutura sócio-brasileira.

O nome de Lula, líder sindical metalúrgico, segundo Jorge Pinheiro, começou a
ser conhecido no país no dia 12 de maio de 1978, a partir da cidade de São
Bernardo do Campo, em São Paulo. Versus de outubro de 1978 afirmava que
depois de muito tempo, 14 anos, os trabalhadores conquistam um direito que
sempre foi seu: greve. A importância dessas greves, segundo Versus, é que elas
conseguem levantar um protesto operário ligado à luta de classes. E a luta de
classe, conforme diz Jorge, é uma realidade demoníaca enquanto tendência
destrutiva do sistema.
A única coisa que o trabalhador tem em mãos, para Jorge Pinheiro, é a sua união.

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E, quando o trabalhador se une com outros trabalhadores para protestar contra a
sua situação, ele se sente um combatente do reino de Deus, conforme Tillich, ele
se sente investido de uma condição messiânica, para ele e para a sociedade de
conjunto. Desta maneira, Versus fomenta os trabalhadores a que se organizem
em partido para enfrentar politicamente o regime militar.
O princípio profético e o marxismo, para Jorge Pinheiro, partem de interpretações
capazes de ver sentido na história. Com isto, o professor diz-nos que há um
desafio ético, apaixonado, referindo-se ao pensamento de Tillich, das formas
concretas de injustiça, que levanta um protesto, o punho ameaçador, contra
aqueles que são responsáveis por este estado de coisas. Concluindo esta linha de
pensamento, Jorge Pinheiro afirma que tanto o profetismo como o marxismo
acreditam que a transição do atual estágio da história em direção a uma época de
plena realização se dará através de uma série de eventos catastróficos, que
culminará com o estabelecimento de um reino de paz e justiça.
Comentando-se sobre o homem, existem duas visões sociais análogas
apresentadas em Ética & Espírito Profético:

1) O marxismo – onde o homem não é o que deveria ser, sua existência real
contradiz seu ser essencial, explica Tillich. A idéia da queda está presente no
marxismo;
2) O cristianismo – o ser humano alienou-se de seu destino divino.
E ambas vêm o homem como ser social, responsável pelo bem e pelo mal.

V. A INTELIGENTSIA E O PT

Até meados de 1978, o Versus propunha a construção de um Partido Socialista.
Mas, a partir das greves do ABC, Versus passa a defender a formação de um
Partido dos Trabalhadores, sem patrões. Eles apostavam, com isto, num tempo

―kairótico‖.

O trabalhismo é apresentado neste ponto como uma espécie de irmão gêmeo do
sindicalismo. Diante disto, Jorge Pinheiro vê a necessidade de reintegrar o
contingente marginal da população à vida do País. Afirma-se também, conforme o
exposto no livro aqui comentado, que não se pensa em defender partidos
sectários.
O problema de Versus, como expõe Jorge Pinheiro, é que, por este jornal ser
marxista, não entendia que a corrupção estava também localizada nas
profundezas do coração humano.

VI. ÉTICA E ESPÍRITO PROFÉTICO

Jorge Pinheiro assevera-nos que não se pode fundar uma ética protestante
apenas sobre o terreno da individualidade. Diz ainda que, não podemos esquecer
que o cristianismo tem mais afinidades com o socialismo do que com qualquer
outra forma de organização social. E, na união de cristianismo e socialismo,
chega-se à conclusão de que, a partir do amor cristão, vemos que o ser humano
não foi criado para a produção, mas a produção para suprir necessidades
humanas.
O socialismo como um ideal ético que traduz anseios e esperanças dos mais
variados setores da sociedade, conforme Jorge, pode ser aceito e ajudado pelo
cristianismo. Pois o kairos cristão é, em sua essência, aquele que faz a irrupção
no tempo, sem contudo fixar-se nele. Essa é a massa mística, comentada

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anteriormente, a qual Tillich descreve.

Diante do protesto, Jorge Pinheiro fala-nos que o protestar e o clamor do profeta
não são vida, mas visam restaurar a vida sob ameaça na situação-limite. Diante
desta situação, o profeta não é aquele que põe um fim em uma posição social em
detrimento a outra, mas sim, é antes de mais nada, aquele que medeia as
posições mostrando um comportamento existencial comprometido com o bem
social.
Um bom lembrete dado em Ética & Espírito Profético é que o Partido dos
Trabalhadores não estava nos planos do governo. E é por este fato de o PT ter
surgido como o elemento surpresa, que ele é considerado, por Jorge Pinheiro,
como algo que surgiu dentro do kairos.

CONCLUSÃO

Assim, o PT é visto pelo professor Jorge Pinheiro, como o fruto de um momento
especial, o tempo qualitativo (kairos). A construção deste partido, dependeu
exclusivamente das atitudes dos próprios trabalhadores. Enfim, em 16 de junho de
1979, diante desse momento histórico, desaparece o jornal Versus.

APOSTILA Nº. 05/300.000 MIL CURSOS GRATIS.
Estudo da Antropologia
Dividida em 07 partes do estudo da Teologia sobre A LIBERDADE HUMANA

Parte I
Estudo da Antropologia – divido em 61 paginas.

Quando estudamos a doutrina do Homem, torna-se inevitável enfrentarmos a
questão da liberdade. Os teólogos reformados, os chamados calvinistas, têm sido
criticados como alguém que não crê que o homem seja livre. Isto não é verdade, e
os membros da IPO que têm acompanhados os últimos estudos, já perceberam
isso. Nós cremos que o homem tem liberdade sim, mas a questão que precisamos
definir muito bem é: O que é ser livre? O que entendemos por liberdade?

Muita confusão já tem sido criada em torno do termo "livre", e isto porque ele pode

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ser visto em vários sentidos.

A maioria dos nossos irmão na fé diz acreditar no "Livre Arbítrio" Contudo, a
maioria não tem a menor idéia do que isto significa.

A vontade, faculdade que todo homem tem, tem sido exaltada como a fantástica
capacidade que a alma tem para discutir sobre coisas, fatos da vida.

Mas as pessoas estão dizendo que o arbítrio (vontade) é livre, precisamos
perguntar: De que a vontade é livre? De que ela é capaz?

Para provar que arbítrio (vontade) não é livre lanço mão de 2 proposições:

O Mito da Liberdade Circunstancial:

A vontade pode ser livre para planejar, mas não para executar. Quando se diz que
a vontade é livre, obviamente não quer dizer que ela determina o curso da nossa
vida.

Não escolhemos doença. pobreza ou dor; Não escolhemos nossa condição social,
nossa cor, ou nossa inteligência.

Ninguém pode negar que o homem tem vontade, e que esta faculdade de escolher
o que dizer, fazer, pensar, etc. ... tem nos frustrado bastante. Pensando em nossa
liberdade circunstancial, podemos projetar um curso de ação, mas não podemos
realizar o intento. Em outras palavras, nossa vontade tem a capacidade de tomar
uma decisão, mas não o poder de realizar seu propósito. ( PV 16:9; Jr 10:23; Lc
12:18-21)

Sim. O homem pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade
não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus.

O Mito da Liberdade Ética:

Diz-se que a vontade do homem é livre para decidir entre o bem e o mal. Mas é
livre do que? É livre para escolher o que?

A vontade do homem é a sua capacidade de escolher entre alternativas. A sua
vontade, de fato, decide qual a sua ação entre um certo número de opções.

Nenhum homem é compelido a agir contrário à sua vontade, nem forçado a dizer
aquilo que não quer. Sua decisões não são formadas por uma força externa, mas
por forças internas.

A vontade toma decisões, e estas decisões tomadas não estão livres de
influências. O homem escolhe com base nos sentimentos, gostos, entendimentos,
anseios, etc. Em outras palavras, a vontade não é livre do homem mesmo. Suas

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escolhas são feitas pelo seu próprio caráter. Sua vontade não é independente de
sua natureza.

A vontade é inclinada àquilo que você sente, ama, deseja e conhece. Você
sempre escolhe com base em sua disposição; de acordo com a condição do seu
coração.

A Bíblia diz que nossa vontade não é livre, ao contrário, ela é escrava do coração -
( Gn 6:5; Rm 3:12; Jr 13:23 ).

A capacidade de escolha do coração do homem é livre para escolher qualquer
coisa que o coração ditar; assim, não existe qualquer possibilidade de um homem
escolher agradar a Deus sem que haja a prévia operação da Graça Divina. Note o
texto bíblico: "Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro" I Jo 4:19

Se carne fresca e salada de tomate fossem colocadas diante de uma leão faminto,
ele escolheria a carne. É a natureza que dita sua escolha ( Jr. 13:33 )

Por isto não existe livre arbítrio. O arbítrio humano, assim como toda a natureza
humana, é inclinado só e continuamente para o mal. (Jr 13:23).

Não existe livre arbítrio a menos que Deus mude o coração e crie um novo
coração em submissão e verdade, o homem não pode decidir por Jesus para Ter
a vida a vida eterna. ( Jo 3:7; Ez 11:19; 36:26; Atos 16:14 ).

A vontade não é livre. Pelo contrário, ela é escrava, escrava do coração
pervertido; escrava da natureza ( Jr. 17:9; 12:2; Mc 7:6,21 ).

Foi a vontade de escolher o fruto proibido que nos atirou na miséria. Só a vontade
de Deus tem realmente liberdade, e se quiser pode dar vida. (Jo 1:12-13)

A ORIGEM DA VERDADEIRA LIBERDADE

(posse non peccare)

Definição: Liberdade é a capacidade de fazer o que é agradável a Deus.

Quando Adão e Eva foram criados, tinham a capacidade de escolher como a
verdadeira liberdade. Nas palavras de Agostinho, nossos primeiros pais eram
"capazes de não pecar" (posse non peccare). Eles poderiam permanecer no
estado de tentação que a serpente lhes impôs.

Adão tinha o Livre arbítrio, tinha a capacidade de fazer a escolha certa. Possuía a
verdadeira liberdade. Contudo, ainda não era a liberdade perfeita; era verdadeira,
porém não perfeita. Pois havia a possibilidade da queda.

Note as palavras da Confissão de Fé de Westminster, Capítulo IX, seção 2

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"O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e
fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que
pudesse decair dessa liberdade e poder"

A VERDADEIRA LIBERDADE É PERDIDA

(non posse non peccare)

Quando nossos primeiros pais ( Adão e Eva ) caíram em pecado, perderam
aquela Liberdade que o Criador lhes havia dado. Perdeu não a capacidade de
escolher, mas a verdadeira liberdade, ou seja, perdeu a capacidade de escolher
aquilo que agrada a Deus.

Novamente fazemos menção do pensamento de Agostinho. Diz ele: podemos
dizer que antes da queda, o homem era "capaz de não pecar". Após a queda é
"não ser capaz de não pecar" (non posse non peccare)

As Escrituras ensinam de maneira muito clara que a humanidade decaída perdeu
a sua verdadeira liberdade. (João 8:34; Romanos 6:6,17-20 )

A VERDADEIRA LIBERDADE É RESTAURADA
(posse non peccare)

No processo de redenção, o homem decaído começa a restaurar sua liberdade
perdida na queda.

Agostinho chamou o estado do homem regenerado de "posse non peccare" -
posso não pecar, porque a redenção significa libertação da "escravidão vontade".

Vamos dar um olhada em algumas passagens das Escrituras que mostram que a
liberdade para fazer a vontade de Deus, é restaurada na regeneração, operada
pelo Espírito Santo em nós. (Jo 8:34-36; Gl 5:1,12,13; II Co 3:17-18; Rm 6:4-6; 14-
18; 22 )

A verdadeira liberdade não é licença para pecar ; não significa fazer o que bem
quiser. Segundo o apóstolo Pedro (I Pe 2:16), quem tem liberdade, usa-a para
servir a Deus.

O exercício de nossa liberdade envolve nossa responsabilidade neste processo
que chamamos de santificação.

A VERDADEIRA LIBERDADE APERFEIÇOADA

(non posse peccare).

Em nosso processo de santificação, que é a verdadeira liberdade no processo de
redenção, ainda podemos pecar, mas no estado glorificado, na vida por vir, nossa
liberdade será aperfeiçoada. Então, como disse Agostinho; estaremos no estado
"não posso pecar" (non posse peccare).

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Quando estivermos com nossos corpos glorificados, já não seremos mais
impedidos em obedecer a Deus com a perfeição que Ele deseja.

Cf. I Co 15:42-43 ; Ap 21:4

Esta glorificação não será apenas na alma, mas também no físico. A Imago Dei, (
Imagem de Deus ) antes ofuscada por causa do pecado de Adão, chegará a sua
perfeição por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando então, seremos
ressuscitados e habitaremos para sempre com o Senhor (cf. I Tes. 4:13-18).

o estado final dos Santos Glorificados

Na nossa glorificação, seremos restaurados novamente á perfeita imagem de
Deus. Em nosso estado glorificado, vamos poder refletir Deus em sua plenitude.
Reporto-me ao Dr. Van Groningen, que afirmou que Deus ao nos criar á sua
imagem e semelhança nos deu três mandatos que delineiam os deveres pactuais
de Deus com o homem: São eles: os mandatos Espiritual, o Social e o Cultural.

A glorificação ( a imagem aperfeiçoada ) implica em que :

A. O Homem passará a ter um relacionamento perfeito com Deus. ( Mandato
espiritual )

De acordo com as Escrituras, os remidos na glória vão poder desfrutar da
comunhão plena com Deus; vão Ter uma visão de Deus na face de Cristo ( ap.
22:4 ); vão desfrutar da completa isenção do pecado; vão adorar plenamente o
Deus verdadeiro ( Ap. 19:6,7 ). Prestarão um genuíno serviço ao Rei das nações (
Ap. 22:3 ). Tudo isso tinha sido perdido na Queda.

B. O homem passará a Ter um relacionamento perfeito com o próximo (Mandato
Social)

No estado glorificado, ou seja, com a Imagem de Deus aperfeiçoada, os santos
não mais vão se relacionar egoísticamente, não haverá ressentimentos, mentiras,
odio ou manipulações. Amor e comunhão é o que marcará definitivamente o
relacionamento entre todos os irmãos. As diferenças desaparecerão. Todos os
membros desta Família estarão agora e para todo o sempre na Casa do Pai.

C. O homem passará a Ter um relacionamento perfeito com o cosmos. ( mandato
Cultural ).

Paulo em Romanos 8:21 nos diz que "a própria criação será redimida do cativeiro
da corrupção...". Não apenas o ser humano será redimido, mas também toda a
criação. Não apenas o homem espera por um novo começo, mas também a
criação o espera de forma expectante (Ef 8:19). A glória por vir também receberá
uma criação redimida da corrupção do tempo presente. Em Isaías, Deus já

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prometeu criar novos céus e uma nova terra (vv. 22 e 23) para o seu povo se
regozijar.

Se com a Queda, o homem perdeu o domínio sobre a criação, agora no estado de
glória, ele vai exercer o domínio, o governo sobre a natureza. Vai herdar a terra.
Não mais vai destruí-la como antes. Pelo contrário, o homem vai cumprir o
mandato e governar sobre toda a terra, ( G, 1:27,28 ) agora redimida do cativeiro
da corrupção.

Parte II
AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO

A Queda dos nossos primeiros pais

Introdução:

A queda de nossos primeiros pais, trouxe conseqüências desastrosas não apenas
para eles, mas também para toda a humanidade. Entender o que aconteceu com
Adão e Eva após o primeiro pecado é chave para compreendermos a situação em
que o homem se encontra hoje. Isto porque, Adão não agiu como uma pessoa
particular, mas como representante de toda a humanidade.

I - CONSEQÜÊNCIAS PARA ADÃO E EVA:

Veja o que nos diz a Confissão de Fé de Westminster :

"Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus,
e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as
suas faculdades e partes do corpo e da alma" Capítulo VI, seção 2

"Por este pecado", diz a Confissão de Fé de Westminster:

1) Decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus (imagem
desfigurada)

2) Tornaram-se mortos em pecado (escravos do pecado)

3) Inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da
alma (depravação total)

Ao estudar o texto de Gênesis 3:7-24, vemos as seguintes conseqüências para
nossos primeiros pais:

GÊNESIS 3:7-24

1-) Após o pecado foram dominados por um sentimento de vergonha. V.7

Antes tinham consciência da nudez, mas não tinham vergonha. (Gn 2:25)

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"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e
coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais". (Gn 3:7)

Antes tinham consciência da nudez, mas não tinham vergonha. Veja o texto
abaixo:

"Ora um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonharam".

(Gn 2:25)

O resultado de terem comido o fruto proibido, não foi a aquisição da sabedoria
sobrenatural, como satanás havia dito (v. 5), ao contrário, agora eles descobriram
que foram reduzidos a um estado de miséria.
2-) Após o pecado sentiram o peso de uma consciência culpada (Gn 3:7)

Agora eles reconheciam que haviam pecado contra Deus, e resolveram fazer
vestes de folha de figueira para se cobrirem.

É interessante observar que em Gn 3:7 afirma que os "olhos de ambos foram
abertos". Obviamente que não se trata de olhos físicos porque estes já estavam
bem abertos antes, mas trata-se de olhos espirituais, os olhos do entendimento,
os olhos da consciência, que agora passam a ver e se acusarem.

Eles agora "percebem" que estão nús. Perderam o estado da inocência.
Percebem não apenas a nudez física, mas a nudez da alma que é muito pior, pois
esta impede o homem de perceber Deus.

A nudez de Adão e Eva é a perda da justiça original da imagem de Deus. Todos
os seres humanos nascem agora ( após a Queda ) nesta condição e as Escrituras
dizem que é necessário que recebamos as "vestes brancas" - Ap 3:18; "vestes de
salvação" - Is 61:10, que é a justiça original que Cristo nos traz de volta.

Eles agora estavam percebendo que a sua condição física espelhava a sua
condição espiritual.

3-) Após o pecado, tiveram medo e fugiram - v.8

"E ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela viração do dia; e
esconderam-se Adão e sua mulher da prsença do Senhor Deus, entre as árvores
do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse:
Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me" Gn 3: 8-10

Adão e Eva se escondem ao chamado de Deus. Consciência culpada sempre
produz medo e fuga. Mas que tolice! Pensaram eles que poderiam se esconder de
Deus?

Pecaram e agora têm medo da sentença condenatória que Deus pode proferir

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contra eles. O pecado os separou de Deus, rompeu a comunhão com Deus.

E é sempre assim. A menos que a obra de Cristo seja realizada em nosso favor,
estaremos frente a frente com o juízo de Deus - Hb 2:3.

4-) Após o pecado procuraram uma solução inútil para seu pecado. Gn 3:7.

Eles tentam salvar as aparências, ao invés de procurar o perdão de Deus.

Fabricando aquelas cintas de folha de figueira, eles estavam tão somente fazendo
uma tentativa de acalmar a própria consciência.

Hoje em dia também é assim. Os descendentes de Adão têm medo de serem
descobertos em suas transgressões. Mas seu objetivo principal não é buscar o
perdão, mas sim, aquietar a consciência e fazem isto assumindo o papel de
religiosos, parecendo aos outros que estão bem vestidos.

Mas não obstante nossas roupas religiosas, o Espírito Santo nos faz ver a nossa
nudez espiritual. Não adianta dar desculpas esfarrapadas. Precisamos nos
humilhar diante daquele que tudo vê.

5-) Após o pecado, há uma fuga da responsabilidade - Gn 3:10

"E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-
me"

Gn 3:10

Adão tenta encobrir sua culpa, colocando a culpa em Eva (v 12), que por sua vez,
culpou a serpente (v 13).

Eles não aceitaram a responsabilidade pelo erro. Ao contrário transferiram a
responsabilidade para o outro. Não é assim também em nossos dias?

6 -) Após o pecado eles tentaram arranjar uma justificativa - Gn 3:12

"... a mulher que me deste"

Adão chega a ser insolente. Ele não disse: "A mulher me deu do fruto e eu comi
...", mas disse: "A mulher que Tu me deste ...". Em outras palavras, Adão disse:
"Se tu não me tivesses dado essa mulher, eu não teria caído".

Hoje em dia, nós podemos estar fazendo o mesmo. Em nossos esforços de se
justificar, acabamos por culpar a Deus dos pecados que cometemos - Pv 19:3.

Exemplos:

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A razão tentou eximir-se de culpa, culpando o povo Ex 32:22-24.

Saul fez o mesmo - I Sam 15:17-21.

Pilatos deu ordem para crucificar Jesus e depois atribuiu o crime aos judeus - Mt
27:24.

7-) Após o pecado, a mulher daria a luz em meio a dores ( Gn 3:16-19)

Nesta sentença que Deus profere contra a mulher, vemos que a maldição foi
mitigada. Isto porque, a gravidez era uma bênção visto que a mulher daria à luz e
se multiplicaria sobre a terra e o descendente nasceria para pisar a cabeça da
serpente. Mas a dor e o desconforto do parto são conseqüências da queda.

8-) Após o pecado, a Terra foi amaldiçoada. (Gn 3:17)

A natureza sofre junto com a humanidade, compartilhando assim as
conseqüências da queda.

As Escrituras descrevem esta maldição em três maneiras:

a) O sustento será obtido com fadiga v 17.

Assim como a mulher terá seus filhos com dor, o homem haverá de comer o fruto
da Terra por meio de trabalho penoso. Antes da queda, o trabalho de Adão no
jardim era prazeroso e agradável, mas de agora em diante, seu trabalho, bem
como o dos seus descendentes será seguido de cansaço e tribulação.

b) A Terra produzirá cardos e abrolhos v 18.

O cultivo da terra seria mais difícil do que antes. Cardos e abrolhos aqui
significam: plantas indesejáveis, desastres naturais, enchentes, insetos, secas e
doenças. A natureza foi subvertida com o pecado do homem. (Rm 8:20-21).

c) No suor do rosto comerás v 19.

O trabalho árduo se tornaria a porção do homem. A vida não seria fácil.

9-) Após o pecado, a morte alcança o homem - v 19:

A palavra "morte" ocorre na Bíblia, com 3 sentidos diferentes, embora o conceito
de separação seja comum aos três:

a) Morte Física: Ecl 12:7

b) Morte Espiritual: Rm 6:23; 5:12

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c) Morte Eterna: Mt 25:46

10-) Após o pecado, foram expulsos da presença de Deus - Gn 3:22-24.

Estar fora do jardim era equivalente a estar fora da presença de Deus. Era a ira de
Deus se revelando aos nossos primeiros pais pela desobediência deles. (Judas 6)

II - AS CONSEQÜÊNCIAS PARA A RAÇA HUMANA:

No tópico anterior vimos que a queda trouxe conseqüências desastrosas para os
nossos primeiros pais. Mas estas conseqüências não ficaram restritas apenas ao
Édem. Toda a raça humana sofre as conseqüências do pecado dos nossos
primeiros pais.

Assim se expressa a nossa Confissão de Fé:

"Sendo eles ( Adão e Eva ) o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus
pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a
sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles
procede por geração ordinária" Capítulo VI, 3 (Sl 51:5; 58:3-5; Rm 5:12, 15:19)

Em vista da queda, o pecado tornou-se universal; com excessão do Senhor Jesus,
nenhuma pessoa que tenha vivido sobre a terra esteve isenta de pecado.

Esta mancha que atinge a todos os homens recebe o nome na Teologia de
PECADO ORIGINAL. Vamos estudá-lo agora.

O PECADO ORIGINAL

O que é o pecado original? Usamos esta expressão por três razões:

1ª) Porque o pecado tem sua origem na época da origem da raça humana. Em
outras palavras, é pecado original porque ele, se deriva do tronco original da raça.

2ª) Porque é a fonte de todos os pecados atuais que mancham a vida do homem.

3ª) Porque está presente na vida de cada indivíduo desde o momento do seu
nascimento.

O pecado original pode ser dividido em dois elementos: Culpa original e Corrupção
original.

1-) Culpa original: Culpa real e pena real.

A culpa é o estado no qual se merece a condenação ou de ser passível de
punição pela violação de uma lei ou de uma exigência moral.

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Podemos falar de culpa em dois sentidos:

Culpa Potencial ou Culpa de Réu ( Inerente ao ser humano )

Esta culpa é inseparável do pecado, jamais se encontra em quem não é pecador e
é permanente, de modo que, que uma vez estabelecida não é removida nem
mesmo com o perdão. Ela faz parte da essência do pecado.

Os méritos de Jesus Cristo não tiram esta culpa do pecador porque esta lhe é
inerente. O fato de Cristo Ter morrido pelo pecador não o torna inocente, mas
apenas livre da condenação, livre da penalidade da lei, justificado portanto.

Culpa (de fato) Real ou Pena do Réu:

Esta culpa não é inerente ao homem, mas é o estatuto penal do legislador, que
fixa a penalidade da culpa. Pode ser removida pela satisfação pessoal ou vicária
das justas exigências da lei.

É neste sentido que Jesus levou nossa culpa, isto é, pagando a penalidade da lei.
Jesus não levou nossa culpa potencial, mas sim nossa culpa real. Em outras
palavras, Jesus não levou nossa culpa, pagou nossa pena.

2-) Corrupção original: O pecado inclui corrupção.

Por corrupção entende-se a poluição ou contaminação inerente à qual todo
pecador está sujeito. É uma realidade na vida de todos os homens. É o estado
pecaminoso, do qual surgem atos pecaminosos.
Enquanto a culpa tem a ver com a nossa posição perante a lei, a corrupção tem a
ver com a nossa condição perante a lei.

Como uma implicação necessária de nosso comprometimento com a culpa de
Adão, todos os seres humanos nascem em um estado de corrupção.

Esta corrupção que se propaga e afeta todas as partes da natureza humana
recebe o nome de Depravação Total e que resulta numa incapacidade total.

Vejamos agora em nosso próximo estudo, os dois aspectos da Corrupção original:
Depravação Total ou Generalizada e a Incapacidade Espiritual

Parte 03

"...HOMEM E MULHER OS CRIOU"

"Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma
ajudadora que lhe seja idônea. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado
sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou
a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe tomara, formou a
mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus
ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi
tomada. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou;

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homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre
as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra". (Gn 2.
18, 21-23; 1.27,28)

"Homem e mulher os criou" diz a Escritura Sagrada e nessa pequena expressão
está todo o mistério de ser adam, o ser humano como Deus o criou. O homem e a
mulher são iguais em dignidade e destino sobrenatural, mas tão paradoxais com
respeito à natureza humana. E por conta das diferenças, aliás, significativas
diferenças, já houve quem dissesse que eles pertencem a planetas distintos: o
homem é da Terra, mas a mulher veio de algum outro planeta... É uma alienígena!
Pensa e reage de modo tão diferente! Há quem seja muito ferino com a mulher.
Por exemplo, Catão, pensador romano, disse: "Consente que a mulher, uma só
vez, chegue ao pé de igualdade contigo [estava falando a um homem], e desse
momento em diante, ela se tornará superior a ti". Vejam, porém, o que uma mulher
disse a respeito das outras mulheres. Foi Mme. de Staél assim se expressou:
"Alegro-me por não ser homem, já que o sendo teria que me casar com uma
mulher." No entanto, Plutarco opinou: "As mulheres, quando amam, põem no amor
algo divino. Esse amor é como o Sol que anima a Natureza." Que coisa linda disse
ele a respeito do amor feminino!

Nada disso invalida o relevante fato que homem e mulher têm visões diferentes do
mundo, da vida, do amor, mas se completam. E um escritor evangélico dos
nossos dias, o Pr. Jaime Kemp, também deu a sua opinião dizendo que "Eva foi
criada para ser a peça que faltava no quebra-cabeça da vida de Adão" .

COMPREENDENDO AS DIFERENÇAS

Homem e mulher são iguais, mas são diferentes. Que contradição é essa? São
iguais na mesma vida vegetativa e faculdades sensoriais, são iguais nos mesmos
atributos intelectuais e no mesmo destino natural e sobrenatural, nas mesmas
causas comuns. E, no entanto, são tão diversos, visto que cada sexo tem
características próprias. Se o homem tem maior força física, e é preparado para
grandes esforços nesse campo, a mulher tem muito mais força intrínseca, como
que preparada para não gemer enquanto sofre, nem cansar. A mulher tem graça,
tem ternura, tem feitio delicado. E se o homem se doa ao trabalho, e dele faz o
seu centro de interesse; a mulher se doa integralmente a quem ama (marido,
filhos), e faz do lar o seu centro de atenção. Se ele busca o exercício do poder, da
chefia, da conquista do mundo exterior, da imposição de ideais; ela atua mais
diretamente sobre aqueles a quem ama. É de uma presença impressionante no
seu lar. Se ele tem espírito de decisão, de iniciativa, uma visão segura e clara dos
objetivos (por isso, é "chefe de família"), ela possui delicadeza, sensibilidade,
dedicação, beleza física, e o dom da maternidade física e espiritual (por isso é
chamada "mãe de família").

As diferenças não devem se tornar obstáculo ao amor. Pelo contrário, ambos
devem conhecê-las, identificá-las, aceitá-las e não considerá-las como barreira,
como pedra-no-meio-do-caminho do amor e do casamento. É verdade que

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desentendimentos até podem surgir por conta dessas diferenças. Acontece, e
muito. Não esqueçamos, no entanto, que para o equilíbrio do lar é fundamental
que homem e mulher coexistam, e coabitem (mesmo que ela seja de outro
planeta!), mas vivam com suas características. Aliás, nem devemos olhar para
isso, nem devemos olhar para as divergências, senão para o seu aspecto de
complementação. Não foi assim que o Senhor projetou?: "Não é bom que o
homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea". (Gn 2.18). Uma
ajudadora, uma auxiliadora, uma complementação naquilo que o homem não sabe
nem pode fazer; ajudadora que esteja à sua altura, "que lhe seja idônea", diz o
texto. É por essa razão que temos dentro de nós forças poderosíssimas que agem
sem que, sequer, percebamos. E uma delas é a busca do caráter oposto. É a
necessidade da antítese, e esse é o milagre do amor: são dois necessitados que
se completam.

CONTINUANDO AS DIFERENÇAS

Nietzche, filósofo extremamente racional do século passado, e, ao mesmo tempo,
muito cínico, desejando expressar a natureza da mulher deixou o seguinte: "Tudo
na mulher é um enigma, e tudo na mulher tem uma solução: chama-se gravidez."

Há estruturas psíquicas bem distintas no homem e na mulher. Já sabemos que o
homem pensa de um jeito, e a mulher pensa de outra maneira. Elas decorrem do
fato que a natureza guiada por Deus não sobrecarrega as criaturas de atributos de
que não necessitam,. Isso quer dizer que em cada ser, em cada criatura, uma é
forte e expressiva nas qualidades de que precisa. Assim, o homem tem certas
qualidades que não se encontram na mulher, e vice-versa. Aí se completam.
Precisam disso para cumprir as suas tarefas, mas são fracos, razão porque um
necessita do outro, completando-o. O homem tem tudo o que falta à mulher, e
vice-versa. Ou seja, virtudes masculinas na mulher são defeitos, como modos
femininos no homem não são convenientes

Este não é um trabalho sobre psicologia científica. A ênfase há de ser não
exatamente nas diferenças, mas em como conhecê-las e administrá-las, ou como
utilizá-las adequadamente, e assim enriquecer a vida do casal. E sabem o quê?
Nem sempre a mesma palavra ou expressão significa a mesma coisa para o
homem e para a mulher. Por exemplo, que significado tem a expressão "lua de
mel" para certos homens? Que significa a mesma expressão para as mulheres?
Quando faço as entrevistas pré-matrimoniais, essa é uma das perguntas.
Exatamente isso: "Que significa para você, minha filha, "lua de mel?" E,
geralmente, vem uma idéia tão romanceada para a moça, e ela pretende ficar em
lua de mel toda a vida. O rapaz, quantas vezes, tem outra idéia, e discutimos as
duas, e chegamos a uma síntese.

O traço basilar da natureza masculina é a dinâmica. E é por esse motivo que todo
menino brinca pensando em um algo que o leve para longe. "Você quer ser o
quê?" E ele fala: "Aviador (marinheiro, astronauta, caminhoneiro)". Isso é coisa de
menino: ele foi feito para a ação, para a combatividade, para o trabalho pesado.
Mas a mulher é delicada. É delicada mas não é fraca. É corajosa diante da dor. E

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um médico pediatra amigo meu dizia "Mãe não cansa." Mas não é uma questão
de força física. É verdade que ela sofre variação no seu temperamento; é dada à
depressão em certos momentos; tem alegria no outro momento. Aliás, o marido
não deve se alarmar com isso, não; compreenda sua mulher: há momentos da
vida em que ela está altamente deprimida; talvez na hora seguinte ela esteja
diferente e o marido que não conheça e compreenda essa diferença feminina vai
ter muitos problemas em casa, porque não vai entender a pobre da sua mulher.
Conseqüências: ela espera do marido proteção, segurança, estabilidade, e ele não
as dá.

Por outro lado, falando em tese, o pensamento masculino é devagar, abstrato,
mas tem muita lógica. Já perceberam que os sistemas filosóficos, que as grandes
teorias científicas, as fórmulas universais vieram todas de homens com seus
pensamentos puxando à lógica e à abstração? E aí a mulher vai exclamar
amargurada: "Meu marido não me compreende..." É difícil mesmo!... Nicolas
Berdiaeff deixou registrado que "existe uma profunda e trágica desinteligência,
uma estranha e dolorosa incompreensão entre o amor do homem e da mulher." E
dizem que a Esfinge propunha o seguinte enigma: "Decifra-me ou devoro-te" (não
é de espantar que a Esfinge fosse uma mulher).

O traço fundamental da natureza feminina é a estática. Daí que o homem, que é
dinâmico, estaria perdido sem a mulher (como Deus fez tudo tão perfeito!) Seu
pensar é intuitivo, e não é incomum, não é fora de comum, ouvirmos da esposa:
"Sinto que é assim." E aquelas mulheres que dizem para os maridos: "Tome
cuidado com Fulano; ele tem alguma coisa em que eu não confio." É muito próprio
da mulher ser intuitiva. Desse modo, não foi por acaso que na Idade Média muitas
mulheres foram queimadas como feiticeiras, somente porque estavam exercitando
o seu poder de intuição. Entre os gregos, a Sabedoria era representada como ...
uma mulher: Atenas. Em Delfos, havia um oráculo, uma profetisa, e era... uma
mulher. Quem venceu Sansão, aquele homem de força extraordinária debaixo do
poder de Deus? Quem o venceu senão... uma mulher muito astuciosa. César
levou dezessete anos para vencer o Norte da Europa; Cleópatra o venceu em
dezessete dias... Isso é bem coisa de mulher.

Pois é; são essas as filhas de Eva: sentidos mais agudos que os do homem,
ouvido mais apurado que o do homem, e o povo até diz que "coração de mãe não
dorme." E como dizia o médico nosso irmão em Cristo, "mãe não cansa".

O homem tem visão de conjunto, mas a esposa tem visão de detalhes. E ela se
influencia mais facilmente e decide com o coração. Quantas vezes é impulsiva,
tem juízo rápido; ele usa a reflexão, decide com a cabeça. E como conseqüência,
pela visão global das coisas, fixa normalmente os objetivos remotos; enquanto a
esposa, pela dedicação, pelo senso do particular, pela acuidade realiza esses
objetivos. Por isso, é preciso haver essa indissolubilidade, essa solidariedade
entre ele e ela.

AINDA AS DIFERENÇAS

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O homem está mais preocupado em conquistar do que ser conquistado, razão
porque o Espírito Santo através de Paulo ordena aos homens: "Maridos, amai a
vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou
por ela" (Ef 5.25). É da natureza masculina o conquistar. Está pouco atento aos
detalhes, e até parece, apenas parece, desinteressado na esposa.

A mulher tem afetividade como centro da sua personalidade. A mulher é um
grande coração! É mais receptora ao amor, e o exprime através de certas coisas
pequenas: a maneira como se veste, como coloca flores na casa, como prepara
os pratos na hora do almoço (a sabedoria popular diz que "O coração do homem
se alcança pela boca"), e outros pequenos detalhes. Meu irmão querido, observe
essas coisinhas pequenas na sua casa porque a sua esposa está lhe dizendo não
com palavras, "eu te amo".

Lição: o marido deve procurar compreender essas pequenas delicadezas, e
manifestar o amor. Ao passo que não deve a esposa armar uma tragédia grega
dizendo que ele não a ama se esquecer alguma data. Marido é muito desligado
disso mesmo, de esquecer datas! Já imaginou a data em que vocês se
encontraram pela primeira vez, e ele se esqueceu desse dia tão importante na
vida dos dois?! Em vez de armar um escândalo porque ele esqueceu, sugira
antes, dois dias antes: "Mas que bom, não é, que daqui a dois dias vamos
completar o aniversário de nosso primeiro encontro..." Faça uma sugestão de leve
que dá muito mais resultado do que reclamar do esquecido do marido.

Nós temos atitudes diferentes quanto ao lar e quanto à sociedade. O homem é
inclinado para o exterior. E mais uma coisa: reclamação não prende o homem em
casa! Não reclame, não: é pior; aí é que ele quer sair mesmo. Reclamação não vai
tirar o homem do baba (como se diz Bahia), da pelada, ou de grupos ou de
sociedades que ele freqüenta.

Para a mulher, o centro vital é o lar, é quase como extensão de sua capacidade de
ser mãe, um psicólogo completou dizendo que para a mulher, o lar é como se
fosse uma extensão do seu útero! E como é doloroso descobrir no começo do
casamento que você não é o mundo do seu marido. Mas sua religião, sua
espiritualidade é muito mais sentimental e afetiva, e a prática religiosa se torna
uma necessidade espontânea dentro de casa. No caso, a espiritualidade dele é às
vezes mais fria, e, às vezes, mais por dever do que por servir.

Para harmonizar essas diferenças, necessário se torna o trabalho contínuo, e o
desejo de adaptação. Procure, portanto, não atribuir aos gestos e palavras do
outro um segundo significado. Há muita gente que quer fazer isso: Porque ele
disse uma coisa, ela lê outra; ela disse uma coisa, ele escuta outra. Talvez não
seja isso o que ele está dizendo, não é o que ele queria dizer. Mas não use
também as características próprias do sexo para encobrir ou justificar defeitos
individuais seus. O marido é professor, está no sofá lendo, meditando ou
estudando. A esposa chega e diz: "Já que você não está fazendo nada, venha me
ajudar com essa pia entupida (ou com essa escada, etc.)." Pronto; matou o

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casamento! Ele está fazendo alguma coisa: está se preparando, está estudando,
está se melhorando; Não é que não esteja fazendo nada. Ou no caso daquele
outro que gosta de trabalhar com as mãos, pegar na tinta, no pesado. Quando sai,
deixa a sujeira no chão. A mulher que se identifica tanto com a casa que não pode
ver sujeira, diz assim: "Sujou a casa, limpa depois." Ele, porque não compreende,
também ridiculariza o quadro que ela começa a pintar, o tapete que começa a
tecer, e diz algo que machuca a alma da esposa.

Os tipos humanos são também, diferentes. Há os extrovertidos que amam sair,
amam o movimento, são "rueiros"e festeiros. Há pessoas que são introvertidas,
são tranqüilas, caseiras, mais apreciadoras de um livro do que de bater perna no
shopping. Por instinto, um homem muito racional vai se casar com uma mulher
muito sentimental. Isso não é problema, não. O problema é querer fazê-la
entender a linguagem da razão, a linguagem objetiva, exata, e dizer que ela não
tem lógica quando explode sentimentalmente. Ela, por sua vez, reclama que o tom
racional do marido esteriliza os sonhos e a própria vida. Na verdade, uma é a
linguagem das ciências exatas, outra é a linguagem das metáforas. Jesus até a
usou. Veja Mateus 13.1-23. A metáfora está nos versos 3 a 9. Ele não disse
"quem tem ouvidos para ouvir ouça"? Mas, nem todos tinham. Por isso, Ele
explicou, e recontou-a nos versos 18 a 23.

Esses aparentemente díspares (os conceitos exatos e as expressões metafóricas)
são perfeitos para a união do casal, para que se completem. Talvez o casal não
saiba administrar essa união, e quando perderem o outro, vão dizer "Eu era feliz e
não sabia".

É verdade; há diferenças entre o homem e a mulher. Por isso se necessitam tanto,
e, ao mesmo tempo, têm tanta dificuldade de se conhecerem. É o homem que
discute o futuro, é a mulher que reage ao momento presente ("Deixa de conversar
bobagem - diz ela - e vem ajudar o menino a fazer os deveres"). Creio que é esse
gosto pelo presente e por detalhes que faz com que a conversa nas rodas de
mulheres casadas seja principalmente em um desses três temas: filhos (ou netos),
empregadas ou cirurgia que já fizeram, ou precisam fazer. São assuntos
imediatos, é coisa de mulher! Já o marido pega o jornal, pronto, ela se sente infeliz
e abandonada.

O USO DA PALAVRA

E o uso da palavra? Para o homem, a palavra é expressão de idéias e
expressões. Mas para a mulher, é expressão de sentimentos e emoções, razão
porque conta oito vezes a mesma história para o marido. Ela não quer informá-lo,
não: quer descarregar a emoção. Lá fora, usam dizer que mulher fala demais,
"Fala pelos cotovelos", e um teólogo curioso e criativo disse que no céu haverá um
momento de grande tormento para as mulheres, descrito em Apocalipse 8.1:
"Quando abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu, quase por meia hora." Uma
tortura para as mulheres essa meia hora de silêncio!

A mulher quer a palavra. Foi perfeitamente pertinente, então, que a palavra se

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tenha feito carne no ventre de uma mulher. E porque a palavra significa emoção,
ela quer ouvir do marido (não importa se duzentas vezes) a expressão mágica "Eu
te amo". É o carinho da palavra. E ela quer ouvir, apesar de o saber. Há uma
historinha que diz que a esposa reclamou do marido: "Você já não diz que me
ama..." E ele responde: "Olha, nós estamos casados há 17 anos. No dia do
casamento eu disse que a amava e basta; não precisa dizer mais; não já disse
diante das testemunhas? " Ela quer ouvir, apesar de o saber, porque a mulher é
conquistada e seduzida pelo ouvir. Não foi assim que a nossa mãe primeira foi
seduzida e conquistada pela palavra da serpente? (cf. Gn 3.1-6).

Por outro lado, há maridos que não sabem dizer "Eu te amo", mas falam como
podem ou sabem: é aquele vestido que dá de presente, é aquele jantar fora um
dia, e assim por diante.

CASE-SE COM ELE E TAMBÉM COM...

Minha irmã querida, case-se com ele e também com a profissão dele. O filósofo
espanhol Ortega Y Gasset disse que o homem é ele e suas situações de vida ("Eu
sou eu e as minhas circunstâncias"). O médico, por exemplo, não tem hora; o
pastor vive em função da igreja 24 horas no ar; o professor, da sala de aula; o
comerciante, do seu comércio. De modo que nunca fale da profissão dele com
desprezo; e nem fale da profissão dela, meu irmão, como coisa desnecessária.

E mais uma coisa: não reclame se ela vai tanto ao salão de beleza. É para você
que ela está se embelezando; é para você que ela está ressaltando essa beleza.
Ela quer que você a veja e aprecie. Vejam que encontro bonito descrito em
Gênesis 24. 63-65:

"Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis
que vinham camelos. Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou
do camelo e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao
nosso encontro? Respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se
cobriu".

Modéstia por um lado (a modéstia oriental, as mulheres se cobriam como o fazem
ainda hoje nos países árabes), mas, ao mesmo tempo, ela se embelezou para
Isaque. Por que não dizer para ela, então, no espírito do Cântico dos Cânticos: "Tu
és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha. Quão doce é o teu amor,
minha irmã, noiva minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma
dos teus ungüentos do que o de toda sorte de especiarias!" (4.7,10). Aliás, a
mulher é por natureza vaidosa. Veja a reação das mulheres quando passam
diante de um espelho. ("Espelho, espelho meu, existe outra mulher mais bonita do
que eu?").

Porque nós somos iguais e diferentes; porque temos iguais e diferentes
necessidades; porque a irmã necessita ser protegida, acariciada e amada: porque
o irmão precisa de ser igualmente elogiado, apreciado, é que há certas condições.
Sim; a mulher quer isso mesmo: ser amada e protegida (necessidade é o que

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cada um deseja para se manter equilibrado), mas quer liberdade para exercer os
seus papéis de mãe, esposa e profissional, e as pequenas expressões de carinho
e interesse significam para a mulher muito mais, muito além do que nós, os
homens, podemos imaginar. Ela deseja que o marido seja amante e companheiro,
mas delicado.

E o seu marido também, amada irmã, precisa saber que é competente, é digno de
confiança, deseja uma esposa que cuide do lar, dos filhos, e que se interesse pelo
seu trabalho, mas não reclame dos seus passatempos. Queixas e reclamações
não resolvem! Pelo contrário, o que eu encontro nos Provérbios é até uma
condenação: "As rixas da mulher são uma goteira contínua" (Pv 19.13b). Imagine
uma goteira pingando durante toda a noite? E também: "Melhor é morar numa
terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda." (Pv 21.19) Está na
Escritura... Agora, só para as irmãs um segredinho de um homem para as
mulheres (os companheiros que me perdoem): o homem cede muito mais (muito,
muito mais) a uma suave persuasão e um tratamento sedutor que às reclamações
e exigências.

DIÁLOGO

Muito ajuste de diferenças se resolve com diálogo. Palavrinha boa! Diálogo
significa "através (dia) da palavra (logos)". É o que alguém chamou de "O dever de
sentar-se". É preciso sentar para conversar, sentar para trocar idéias, porque
diálogo no casamento é o encontro da psicologia masculina com a feminina.
Diálogo é avaliação. E um pensador disse que "Ainda não nos conhecemos
porque não tivemos ainda a coragem de nos calar juntos" (Maeterlinck). O dever
de sentar-se e avaliar o casamento é a três: O Senhor nosso Deus e o casal; é
diálogo sob o olhar de Deus. E para esse diálogo há condições:
é preciso respeitar o outro, por isso use linguagem afetuosa.
É preciso saber escutar, razão porque Jesus Cristo mandou que nos amássemos,
e não que nos amassemos uns aos outros.
Buscar compreender as necessidades do outro. Se alguém tem sede, guaraná
não serve. Se a esposa precisa de atenção, não adianta dar uma pulseira. Aliás,
dê a pulseira e atenção! Dialogar não é reclamar, (pode até sê-lo), mas é,
realmente, sorriso, perdão, colocar na mesa problemas, sucessos, alegrias e
preocupações; é troca de idéias, e se insere na linha da comunhão. No casamento
e no diálogo, marido e mulher estão em pé de igualdade; são companheiros
("companheiro" é aquele que come pão comigo: co+panis ), e são camaradas
("camarada" é quem habita a mesma câmara, o mesmo quarto). Diálogo é um
encontro das psicologias masculina e feminina, já o dissemos. Outrossim, além
das palavras, a oração é diálogo, o passeio a dois é diálogo, o passeio com os
filhos também é diálogo.
Sim; orem juntos; escolham a melhor hora de conversar; procurem definir o
problema básico. Onde há acordo? Onde está o desacordo? Ouça primeiro, e só
depois responda, porque até para isso a Escritura tem uma recomendação:
"Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha." (Pv 18.13; cf. Tg 1.19). Como
você pode contribuir para resolver?

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109

Termino com este poema que diz:

AMOR

És a minha amada,
és minha
e eu sou teu.
Está escrito.

Uniremos
nossas almas e corpos
e ficaremos ligados
em corpo e almas.
Está escrito.

E nem o vento
que sopra do deserto,
nem o tempo
que desgasta,
nem a morte
que amedronta ,
nem os sensatos
que falam de razão,
nada destruirá
o nosso amor,
porque o nosso amor
é um baluarte
e os aguaceiros
da vida
não poderiam extingui-lo
porque ele é
uma chama de Deus,
e o fogo de Deus
arde para além
de todos os dilúvios.

Está escrito:
amar
é penetrar
nas fronteiras de Deus.
Seremos uma porta aberta:
a quem entrar
serviremos a Festa
com colares
engranzados de nuvens,
oferecer-lhe-emos
o nosso riso
como presente para levar,

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abrir-lhe-emos
as mãos
para receber em depósito
todos os fardos.
Seremos
uma só taça derramada,
seremos
um só corpo oferecido,
entregar-nos-emos
à festa da vida.

Parte IV
POR QUE, CALABAR?

O MOTIVO DA TRAIÇÃO
A figura de Calabar insere-se na história pátria colonial durante a época da
invasão dos holandeses no Nordeste (1630-1654). Morador de Porto Calvo,
Alagoas, passou para o lado holandês em 1632. Conseqüentemente, é
desprezado pela maioria das pessoas como traidor; outros, porém, acreditam que
Calabar amava a sua terra natal e fez uma escolha sábia. Mas, afinal, por que ele
teria passado para o outro lado? Qual a razão da traição?

I. Contexto

Para entendermos o drama de Calabar, temos de lembrar do contexto histórico.1
Portugal e suas colônias estavam debaixo do domínio espanhol desde que Filipe II
conquistara a coroa portuguesa em 1580. Com isso, ele pode afirmar com razão
que no seu império o sol nunca se punha. Somente sessenta anos depois, em
1640, Portugal se livraria de Castela e constituiria de novo um reino independente
sob o governo de D. João IV. Mas a história de Calabar se desenvolveu
inteiramente no contexto do Brasil ibérico, quando, por algum tempo, não havia
previsão de mudanças políticas.

Domingos Fernandes Calabar2 deve ter nascido durante a primeira década do
século XVII, no atual Estado de Alagoas, na região de Porto Calvo, sendo filho de
pai português e de mãe indígena, de nome Ângela Álvares.3 Era, assim, um
mameluco,4 e foi batizado numa igreja da paróquia de Porto Calvo.5 O menino foi
educado numa escola dos padres jesuitas e, homem feito, ainda antes da invasão
batava, possuía três engenhos de açúcar naquela região.6 Então, em 1630, a
segunda onda de invasores holandeses alcançou a costa do Nordeste. Portugal e
a Holanda geralmente gozavam de um bom relacionamento, inclusive por causa
do seu inimigo comum, a Espanha. Na época do reino unido ibérico (1580-1640),
a invasão flamenga fazia parte da guerra dos oitenta anos que a Holanda travava
contra o domínio espanhol sobre os sofridos Países Baixos (1568-1648).7 A Ibéria
continuou tentando recapturar suas províncias perdidas e esmagar a reforma
religiosa naqueles rincões. A Europa sempre se admirava de como os Filipes
conseguiam colocar exércitos bem equipados tão longe das suas terras, e sabia
que o segredo era a riqueza oriunda principalmente das colônias americanas,
inclusive do Brasil. De lá não vinha ouro nessa época, e sim grandes caixas do

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apreciado açúcar, branco e mascavo. Eram umas 35.000 caixas de 300 quilos
cada uma por ano.8 O paladar europeu estava se adaptando ao novo produto e o
preço do açúcar estava em alta. A Holanda procurava "estancar as veias do rei da
Espanha," pelas quais fluía tanta riqueza, e muitos holandeses apoiaram de
coração os esforços da Companhia das Índias Ocidentais no sentido de causar
"prejuízo ao inimigo comum."9

O domínio holandês do Nordeste durou quase um quarto de um século (1630-
1654) e teve três períodos distintos. A primeira etapa abrange os anos da
resistência ibérica e do crescimento do poderio neerlandês (1630-1636). O
segundo período compreende a resignação lusa e o florescimento da colônia
holandesa (1637-1644). Os últimos anos compõem a insurreição dos moradores
portugueses e o fenecimento do domínio flamengo até a expulsão final (1645-
1654). São períodos de aproximadamente sete, oito e nove anos,
respectivamente. O florescimento da colônia holandesa coincidiu com a presença
do Conde João Maurício de Nassau-Siegen como governador do Brasil holandês,
e deveu-se em grande parte à sua pessoa. Especialmente na época nassoviana,
mas de fato durante todo o período holandês, o Nordeste era como que um
enclave renascentista10 no Brasil colonial, com uma forte influência cristã
reformada. A história de Calabar é parte integrante do primeiro período da
ocupação holandesa, a da resistência ibérica contra os conquistadores recém-
chegados.

Olinda, a capital da capitania de Pernambuco, caiu nas mãos dos holandeses em
fevereiro de 1630. Sua conquista fez parte da "primeira guerra mundial... contra o
rei do planeta."11 A composição das tropas invasoras refletia esse aspecto global,
à semelhança dos atuais Gideões Internacionais, incorporando holandeses,
frísios, valões, franceses, poloneses, alemães, ingleses e outros. Envolvidos na
guerra contra Madri, todos se alegraram quando os "espanhóis" bateram em
retirada.12 Essa luta contra a Espanha tinha implicações profundamente
religiosas. Embora a instrução do almirante Lonck estipulasse que todos os padres
jesuítas e outros religiosos teriam de abandonar o país, ela reafirmava a "liberdade
de consciência, tanto para os cristãos como para os judeus, desde que
prestassem juramento de lealdade..., assegurando-lhes que (a Holanda) não
molestaria ou investigaria as suas consciências, mas que a religião reformada
seria publicamente pregada nos templos..."13 Foi instituído um governo civil; um
dos membros desse Alto Conselho era o médico Servaes Carpentier.14 O exército
ficou sob o comando do coronel Diederick van Waerdenburch, o governador,
presbítero da Igreja Reformada, homem estimado pelas tropas.

Em 1631, foi conquistada a Ilha de Itamaracá e construído o Forte de Orange sob
a supervisão do capitão protestante Chrestofle Arciszewski, um nobre polonês.15
Todavia, a expansão foi lenta, e outras tentativas de ampliar a conquista vieram a
fracassar por causa da resistência dos luso-brasileiros, que eram grandes
conhecedores da região e haviam adotado a tática de guerrilhas ("capitanias de
emboscada"), o que deixou os holandeses praticamente encurralados. O próprio
almirante Lonck quase caiu numa emboscada no istmo entre o Recife e Olinda, e

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o pastor Jacobus Martini foi morto no mesmo trecho.16 O centro da resistência
portuguesa estava localizado a uns seis quilômetros do litoral, em um terreno
alagadiço no lugar denominado Arraial do Bom Jesus.17 A Ibéria enviou uma
armada de mais de 50 navios para recapturar Pernambuco, sendo que a maior
parte da contribuição dada por Lisboa veio de empréstimos compulsórios de
"cristãos novos" (judeus convertidos compulsoriamente ao catolicismo romano).18

Em setembro de 1631, a batalha naval de Abrolhos, no litoral pernambucano, ficou
sem vencedor. Em seguida, as tropas espanholas, sob o comando do não muito
benquisto conde napolitano Bagnuolo, desembarcaram em Barra Grande, no sul
de Pernambuco, a cerca de cinco léguas do maior povoado da região, Porto
Calvo, às margens do Rio das Pedras. Entre eles estava Duarte de Albuquerque
Coelho, o novo donatário de Pernambuco, autor das famosas Memórias Diárias19
sobre os primeiros oito anos dessa guerra colonial. Por ora a situação era de
empate, os holandeses dominando o mar, os portugueses as praias.

II. História

Essa situação de virtual equilíbrio no Nordeste continuou até 22 de abril de 1632,
quando um soldado de nome Calabar, homem muito forte e audaz, deixou o
campo português e passou para o lado dos holandeses. Foi apenas por um breve
período, pouco mais de três anos, mas teve conseqüências para toda a época
flamenga. Calabar não foi o único a passar para o outro lado, mas sem dúvida foi
o mais importante entre eles. Era um homem inteligente e grande conhecedor da
região, que já tinha se distinguido e ficado ferido na defesa do Arraial sob a
liderança do nobre general Matias de Albuquerque.20

Inicialmente, os holandeses não confiaram muito nele.21 No entanto, dez dias
depois Calabar provou pela primeira vez o que podia fazer, levando as tropas do
coronel Van Waerdenburch a saquear Igaraçu, a segunda cidade de Pernambuco,
para onde uma parte das riquezas de Olinda tinha sido transportadas. Durante os
meses seguintes, muitas campanhas foram feitas pelas colunas volantes batavas
sob a orientação de Calabar, que tornou-se amigo do coronel alemão Sigismund
von Schoppe. Por outro lado, o general Matias tentou "por todos os meios
possíveis (reduzir Calabar), assegurando-lhe não só o perdão, mas ainda mercês,
se voltasse ao serviço de el-rei; e esta diligência repetiu por muitas vezes, no que
se gastou algum tempo; mas vendo que nada bastava para convencê-lo, tratou de
outros meios."22

Em 1633, com a ajuda de Calabar, foi conquistado o litoral norte, desde Itamaracá
até a fortaleza dos Reis Magos, e com isso o Rio Grande do Norte, o que levou a
contatos amigos com os tapuias, indígenas antropófagos daquela região. Na parte
sul, foi tomado o valioso ancoradouro do Cabo Santo Agostinho, o que privou os
portugueses do porto mais próximo do Arraial, dificultando o recebimento de
reforços de Lisboa e o envio de açúcar para Portugal. Nessa altura, o coronel
Sigismund, como o mais velho dos oficiais, assumiu o comando das tropas
terrestres. No mar, o almirante Jan Cornelis Lichthart, que falava português,
tornou-se amigo de Calabar, que lhe ensinava as entradas dos rios.

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Do outro lado, os portugueses prosseguiam com suas tentativas de destruir
Calabar. Assim, em março de 1634, o general Matias prometeu a Antônio
Fernandes, um primo irmão com quem Calabar fora criado, "que lhe faria mercê
que o contentasse se pudesse matá-lo em algum ataque." Antônio aceitou a
comissão mas foi morto na tentativa.23

Enquanto isso, Calabar se adaptava mais e mais à sociedade dos invasores e
tornou-se um indivíduo estimado e respeitado, inclusive na "igreja católica
reformada."24 Prova disto é que, quando nasceu um filhinho do casal, foi batizado
na Igreja Reformada do Recife. O livro de batismo dessa igreja registra que no dia
20 de setembro de 1634, Calabar esteve ao lado da pia batismal com o seu filho
nos braços. O menino foi, então, batizado "Domingo Fernandus, pais Domingo
Fernandus Calabara e Barbara Cardoza."25 Como testemunhas, ali estavam o
alto conselheiro Servatius Carpentier, o coronel Sigismund von Schoppe, o coronel
polonês Chrestofle Arciszewski, o almirante Jan Cornelisz Lichthart e uma senhora
da alta sociedade.26 O pastor oficiante foi provavelmente o Rev. Daniel
Schagen.27

No final de 1634, a Paraíba também havia se rendido aos invasores. Alguns
sacerdotes (exceto os jesuítas) inclusive tiveram a permissão de assistir aos
ofícios religiosos. Houve até um padre, Manuel de Morais, S.J., que passou para o
lado invasor. Dessa forma, os holandeses ocuparam a faixa litorânea desde o
Cabo Santo Agostinho até o Rio Grande do Norte. A Espanha não podia fazer
muito devido aos grandes problemas que enfrentava na Alemanha (com o avanço
do exército sueco para ajudar a Reforma contra as tropas do imperador), a perda
de uma frota carregada de prata do México (devido a um furacão), problemas no
Ceilão, vários anos de seca em Portugal, etc.

Novamente orientados por Calabar, os holandeses continuaram a expansão para
o sul e, em março de 1635, atacaram Porto Calvo, a terra natal do próprio Calabar.
Os defensores, liderados por Bagnuolo, fugiram para o sul, e com a ajuda de frei
Manuel Calado do Salvador28 os moradores da região submeteram-se aos
holandeses. Dessa forma, o Arraial ficou isolado e, depois de três meses, em
junho, Arciszewski conquistou aquela fortificação lusa, os religiosos recebendo
permissão para levarem as suas imagens. Matias de Albuquerque havia fugido
para o sul com aproximadamente 7000 moradores que preferiram acompanhá-lo a
ficar sob o domínio flamengo. A única estrada da região pantanosa de Alagoas
que podia ser usada por carros de boi passava por Porto Calvo, e nessa altura
estava em poder do major Picard e de Calabar, acompanhados de uns 500
homens. Matias viu-se forçado a atacar a praça, que teve de pedir condições de
entrega. Picard tentou salvar a vida de Calabar e finalmente foi combinado que ele
ficaria "à mercê d'el-rei."29 Porém, como disse o historiador De Laet, a proteção
concedida foi "à espanhola" e um tribunal militar o condenou a ser enforcado e
esquartejado como traidor.30 O frei Manuel o assistiu nas últimas horas31 e ao
anoitecer do dia 22 de julho de 1635 a sentença foi executada. Foi também
enforcado um judeu, Manuel de Castro, "homem de nação," que estava ali a

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serviço dos holandeses.32 Poucas horas depois, os portugueses continuavam a
sua retirada em direção à Bahia, levando consigo cerca de 300 prisioneiros
holandeses. Nenhum dos moradores cuidou de enterrar o soldado executado.
Dois dias depois, chegaram a Porto Calvo as forças combinadas dos coronéis
Sigismund e Arciszweski, que ficaram enfurecidos ao achar os restos mortais do
seu amigo e compadre Calabar. Foram colocados num caixão e sepultados com
honras militares. Querendo vingar-se da população lusa, foram dissuadidos por
Calado, "o frei dos óculos," especialmente pelo fato de que os holandeses
precisavam dos "moradores da terra" para a plantação da cana-de-açúcar e a
criação do gado.

III. Motivos

Por que Calabar teria passado para o lado do invasor? Capistrano de Abreu
pergunta: "Talvez a ambição ou esperança de fazer mais rápida carreira, ou
desânimo, a convicção da vitória certa e fácil do invasor"?33 Reconheçamos que,
com esta inquirição, entramos no campo da especulação histórica, pois não há
indícios concretos nos documentos, somente alusões vagas.34 Deve ter havido
motivos claros e outros ocultos, motivos diurnos e noturnos.35 Além disto devem
ter existido forças que o empurravam para fora do círculo português e outras que o
atraíam para dentro do campo holandês, forças centrífugas e centrípetas.
Lembremos ainda que uma decisão dessas geralmente não se toma de um dia
para o outro. Havia motivos que se cristalizaram com o tempo, até que algo levou
o barril de pólvora a explodir.

A. Fugitivo?

A primeira pergunta deve ser: será que Calabar era um fugitivo? O confessor de
Calabar, antes da sua execução, foi o frei Manuel Calado do Salvador, vigário da
paróquia de Porto Calvo. Treze anos depois, em 1648, no auge da revolta contra
os holandeses, ao escrever O Valeroso Lucideno, seu livro panegírico em louvor
do líder João Fernandes Vieira, Calado afirmou que Calabar era um
contrabandista, que inclusive teria cometido grandes furtos e vários crimes atrozes
na paróquia de Porto Calvo e, temendo a justiça, fugiu com Bárbara para o campo
do inimigo.36 As Memórias de Duarte Coelho, escritas em 1654, acompanham
Calado nessa opinião.37 Vários historiadores, como Varnhagen e outros, mantêm
esse veredito.38 Mas o cônego Pinheiro lembra que "os mais graves cronistas
como Brito Freyre (1675), e frei José da Santa Teresa (1698), não falam nesses
crimes atrozes atribuídos pelo Valeroso Lucideno e seu Castrioto Lusitano
compilador."39 Quanto às Memórias do donatário Duarte de Albuquerque Coelho,
temos de observar que o autor (cujo irmão Matias, cognominado o "terríbil,"40 era
o general da resistência portuguesa), escrevendo sobre a traição de 1632, não
mencionou motivo algum, somente se admirou de que um homem tão corajoso,
que ficou ferido duas vezes na defesa da sua terra, não sentisse ódio dos
invasores.41 Mas, depois, quando tratou da morte de Calabar, disse que foi um
"castigo reclamado por sua infidelidade," acrescentando que tinha "cometido
grandes crimes, e para evitar a punição fugiu passando-se para o inimigo."42 Será
que Coelho refletia boatos do campo português depois da traição, além de referir-
se aos crimes de guerra ocorridos nas incursões dos holandeses com Calabar

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entre 1632 e 1635, inclusive em Barra Grande e Camaragibe, ambos distritos no
litoral da paróquia de Porto Calvo?43 Quanto às informações de Calado, temos de
reconhecer que elas nem sempre são muito precisas,44 e são às vezes
romanceadas;45 além disso, conforme C. R. Boxer, elas freqüentemente eram um
tanto caluniadoras e não necessariamente fidedignas.46

Talvez Flávio Guerra seja o autor mais sistemático na rejeição da idéia de fuga por
roubo e outras razões dessa natureza. Ele argumenta: a) Calabar era um homem
de posses que não aceitou dinheiro dos holandeses; b) ele não poderia ter
defraudado bens do estado no Arraial; c) não há documento nenhum que fale em
fraude; d) essa alegação surgiu somente alguns anos depois da morte de
Calabar.47 Reconhecemos, porém, que esse jovem inteligente e proprietário de
engenhos de açúcar talvez não tenha herdado essas propriedades; talvez fosse
mesmo um contrabandista e como tal pudesse ter cometido algum furto ou crime
antes da traição. Entretanto, seja como for, naqueles dias de guerra dificilmente
esse corajoso e astuto defensor do Arraial seria entregue nas mãos da justiça
enquanto o general Matias e o donatário Duarte estavam a seu favor. Por outro
lado, depois da traição, depois de tantas tentativas de reconduzi-lo gentilmente,
depois de tantos prejuízos e mortes causados na conquista de Igaraçu, Itamaracá,
Rio Grande, Paraíba e boa parte do sul de Pernambuco, depois de tantas tramas
abortadas para liquidá-lo, não havia chance nenhuma de escapar das garras dos
seus justiceiros comandados pelo general Matias, com ou sem crimes cometidos
antes da traição.48

B. Teria Segurança?

Mas, sendo fugitivo do lado português, teria realmente segurança se passasse
para o outro lado? Inteligente como era, Calabar deve ter calculado o perigo que
estava correndo. Será que ele teria tido medo de, no fim, ser abandonado pelos
holandeses? Creio que não. Intimamente ele deve ter tido a certeza de que não
seria como Frei Calado sugeriu, que os holandeses "se servem (dos seus
ajudantes) enquanto os hão mister, (mas) no tempo da necessidade e tribulação,
os deixam desamparados e entregues à morte."49 A proteção dada
posteriormente aos seus aliados judeus e índios e a resistência em render-se
finalmente aos portugueses por causa dos mesmos (atestada pelo próprio
Calado),50 mostra que não é provável que isto tenha acontecido. Mas, pela última
vez em Porto Calvo, com soldados relutantes, restando pouca água e munições,
com lenha amontoada pelos sitiantes debaixo da casa forte para queimá-los,51 e
depois de "mais de meio-dia no ajuste dos artigos de rendição, porque o inimigo
insistia em levar consigo Domingos Fernandes Calabar," o próprio soldado
Calabar sabia que era impossível escapar e, querendo poupar as vidas dos seus
amigos e subordinados, "disse com grande ânimo estas palavras ao governador
Picard: 'Não deixeis, senhor, de concordar no que se vos exige pelo que me diz
respeito, pois não quero perder a hora que Deus quis dar-me para salvar-me,
como espero de sua imensa bondade e infinita misericórdia'."52 Deve ter pedido,
ainda, que cuidassem bem da sua mulher, com quem fugira para o campo
holandês,53 e de seus filhos, pois ia entregar-se sozinho. De fato, o governo
cuidou bem da família do seu nobre capitão, pois a sua viúva passou a receber

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para cada um dos seus três filhos menores o salário de um soldado, num total de
24 florins mensais, equivalente ao salário de um mestre-escola, o que não
acontecia com a família de pastor e capelão do exército tombado no serviço da
Companhia.54 Por outro lado, o próprio major Alexandre Picard deve ter ficado
arrasado com o triste fim do colega, e nós o encontramos depois na Holanda
recuperando-se na casa do seu irmão pastor em Coevorden.55

C. Exemplos de "Traidores"

Fugindo em busca de refúgio ou não, também temos de lembrar que a época
conhecia muitos exemplos de "traidores," de ambos os lados. Embora Calabar
fosse considerado em abril de 1632 como o primeiro a desertar do Arraial,56 os
documentos testificam que já havia passagens dos dois lados. Alguns soldados
franceses a serviço da Companhia das Índias Ocidentais passaram para o campo
português devido à religião, e houve judeus que fizeram a viagem em direção
oposta pelo mesmo motivo. Sabemos de escravos que fugiram dos seus donos
para obter mais liberdade entre os holandeses,57 de grupos de índios tupis que
deles se aproximaram,58 e também de soldados napolitanos que debandaram
para o lado invasor. O "vira-casaca" holandês mais conhecido foi o capitão Dirk
van Hooghstraten que, em 1645, entregou a fortaleza do Cabo Santo Agostinho
aos portugueses por um bom dinheiro (que ainda não havia recebido quatro anos
depois).59 Houve pessoas que trocaram de campo até duas vezes, e entraram
para a história com honras, como o padre jesuíta Manuel de Morais e o próprio
João Fernandes Vieira. O primeiro tinha liderado os índios na resistência contra o
invasor, mas passou para o campo do inimigo depois da queda da Paraíba. Foi
enviado à Holanda, onde casou-se com uma holandesa e, para ressarcir-se das
despesas que teve, cobrou à Companhia das Índias Ocidentais pela ajuda
prestada no Brasil. Depois de alguns anos, Morais deixou mulher e filhos, voltando
para o Nordeste como negociante. Quando, no início da revolta, foi capturado
pelos portugueses, salvou sua pele passando de novo para o campo católico
romano. Quando foi preso pela Inquisição, defendeu-se habilmente diante dos
seus inquisidores, insistindo que nunca tinha quebrado seus votos sacerdotais,
mas, não reconhecendo o matrimônio herético, somente tinha se amancebado
com mulheres reformadas.60 Por sua vez, João Fernandes Vieira ajudou um
conselheiro holandês a achar o tesouro enterrado do seu antigo patrão português
e conseguiu créditos e mais créditos da Companhia até, em 1645, proclamar a
"guerra da liberdade divina" para livrar o Brasil dos "heréticos," aos quais ficou
devendo 300.000 florins, importância altíssima para a época.61 De fato, em tempo
de guerra, a traição está "no ar."

D. Interpretação Econômica

Revendo esses poucos exemplos, poderíamos então postular que a interpretação
mais simples para o caso de Calabar seria econômica. Talvez Calabar, como
grande conhecedor da região e dos acessos pelos rios, já fosse contrabandista
antes e depois da invasão,62 e teria passado para os invasores em busca de
dinheiro. Embora tudo indique que ele não precisava disto, pois já tinha adquirido
propriedades e gado em Alagoas, um bom dinheiro sempre teria sido bem-vindo.
Mas, se foi contrabandista, de certo havia cúmplices, como deixou transparecer o

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seu próprio confessor. É que Calado relatou alguns detalhes da confissão de
Calabar (com permissão do mesmo) ao general Matias; entretanto, este ordenou
ao padre "que não se falasse mais nesta matéria, por não se levantar alguma
poeira, da qual se originassem muitos desgostos e trabalhos" (sem dúvida para
alguns portugueses importantes).63 Mas, afinal, será que este moço abastado
teria passado para o inimigo por dinheiro, pensando em aumentar a sua fortuna?
Southey o acha mais provável.64 Calado não o diz, nem Coelho, que somente
menciona que Calabar passou a receber o soldo de um sargento-mor.65 Também,
através dos anos, não apareceu nenhum indício disto nos documentos, nem a
mais ligeira referência como nos outros casos de peso. Ao contrário, há indicações
de que ele recusou o suborno.66 Por outro lado, não parece muito provável que
Waerdenburch teria oferecido a Calabar o título de capitão caso mudasse de lado,
pois desconfiava dele. Se prometeu algo nesse sentido, teria sido mais por uma
questão de honra do que por uma razão financeira.67

E. Questão de Honra

Uma interpretação bem mais provável é essa questão de honra; talvez de glória,
mas muito mais de reconhecimento, respeito, bom nome, dignidade. Vivendo no
século XVII, por ser mestiço e não português "de sangue puro," Calabar, apesar
das suas qualidades, de certa forma era um inferior por causa da cor da sua pele,
ainda que atualmente algumas pessoas tenham dificuldade em admitir esse fato
histórico. Ainda quase um século e meio depois, o vice-rei do Brasil mandou
degradar um cacique indígena que antes tinha recebido honras reais, pois "havia

desprezado as mesmas… se baixando tanto que se casou com uma negra,

manchando seu sangue."68 Mestiçagem aviltada num Brasil mestiço. Na época de
Calabar a situação não era muito melhor e parece que até os holandeses sabiam
da discriminação racial contra Calabar.69 Talvez baseando-se na história de
Southey, o romancista Leal faz Calabar pensar em "vingança de tantos desprezos
e tantas humilhações com que me têm amargurado os da vossa raça."70 E outro
romancista, Felício dos Santos, bem pode ter razão quando faz o napolitano
conde Bagnuolo insultar Calabar chamando-o de negro. Seria mesmo o estopim
que o fez sair do acampamento do Arraial do Bom Jesus e passar para os
holandeses.71 Anos depois, o próprio governador de Pernambuco (1661-1664)
escreveu que Calabar buscara entre os inimigos "a esperança que lhe impedia
entre os nossos a vileza do nascimento." E falando sobre Henrique Dias, o herói
africano da restauração portuguesa, acrescenta: "Um negro, indigno deste nome,
pelo que emendou ao defeito da natureza."72 Por outro lado, Calabar, o
mameluco, deve ter observado como os holandeses tratavam melhor os seus
escravos,73 e os índios até mesmo com respeito, chamando-os de "brasilianos"
por serem os primeiros moradores do vasto Brasil.74 E quem sabe Calabar
também fosse um tanto ambicioso e pensasse que poderia fazer carreira do outro
lado,75 o que num certo sentido aconteceu, como Coelho lembra ao afirmar que
"logo o fizeram capitão."76 Não foi tão logo, mas de fato aconteceu.

F. Motivação Religiosa

Resta ainda uma dupla de motivos que deve ser considerada, a político-religiosa.
Estas são duas alavancas importantes da história e naquele tempo estavam

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entrelaçadas quase que inseparavelmente. Será que houve algum motivo religioso
na traição de Calabar? Representantes do pensamento cristão reformado como o
presbítero holandês coronel Waerdenburch, reconhecidamente um homem de
Deus,77 ou o alemão Von Schoppe, ou o polonês Arciszewski, devem ter tido uma
influência nesse sentido. Será que Calabar leu o livro de Carrascon, ou "O
Católico Reformado" de Perkins,78 livros que já estavam circulando no Nordeste e
sobre os quais frei Calado advertia constantemente os seus fiéis em Porto Calvo,
berço de Calabar? Anos depois Calado se lembrava de que se não tivesse ficado
em Porto Calvo, "os pusilânimes haviam de ter titubeado na fé, e haviam de estar
envoltos em muitos erros e heresias. Porquanto os predicantes dos holandeses
haviam derramado por toda a terra uns livrinhos que se intitulavam O Católico
Reformado em língua espanhola, composto por Fulano Carrascon, cheios de
todos os erros de Calvino e Lutero, e persuadiam os ignorantes (e ainda aos que
não eram) de que a verdadeira religião era a que naqueles livros se ensinava."79

De fato, houve uma escolha religiosa voluntária por parte de Calabar, o que não
era possível na direção oposta.80 Ele podia ter passado para o lado holandês sem
filiação à "igreja do estado" e Bárbara podia ter procurado um padre católico
romano para o batismo do seu filho. Calabar teria sido considerado um aliado
valioso da mesma forma que os tapuias com o seu pajé, os judeus com o seu
rabino e os soldados franceses e napolitanos com o seu vigário católico romano. A
entrada da família Calabar na igreja reformada foi voluntária e o batismo do seu
filho na igreja reformada do Recife em 1634 aponta para isto.81 Finalmente, dez
meses depois, no dia da sua execução, Calabar reconheceu mais claramente os
seus pecados e se mostrou tão arrependido que os religiosos que o assistiram
acharam que "Deus por meio de tal pena o quis salvar, dando-lha no próprio lugar
de seu nascimento e onde tanto o havia ofendido."82 Quem sabe Calabar
lembrou-se, como posteriormente o índio Pedro Poti durante o seu suplício, das
primeiras frases do Catecismo de Heidelberg, escrito em tempos de perseguição
pela Inquisição e memorizado pelos fiéis: "Qual o teu único consolo na vida e
morte? Que, na vida e na morte, não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel
Salvador, Jesus Cristo."83 G. Patriotismo Finalmente, quanto ao aspecto
político convém abordar o motivo do amor à terra natal, o patriotismo. José
Honório Rodrigues observa que talvez tenha sido Francisco de Brito Freyre
(almirante da armada que reconquistou o Nordeste e posteriormente governador
de Pernambuco), "dos primeiros a manifestar, ao se referir a Calabar, sentimentos
patrióticos em relação ao Brasil," quando diz que Calabar foi enforcado em Porto
Calvo, "pátria sua."84 Recentemente, o historiador Flávio Guerra defendeu esse
sentimento de patriotismo e, ao mesmo tempo, o ódio luso-brasileiro contra a
opressão da Espanha. El-rei teria praticamente abandonado o Brasil e quando
chegou o reforço sob o comando de Bagnuolo, os estrangeiros receberam, por
ordem régia, tratamento melhor do que os "moradores da terra," dos quais alguns
foram indo para suas casas, conforme Calado. Por outro lado, os holandeses
prometiam menos impostos do que os espanhóis e tentaram trazer Calabar para
si. "A catequização do mameluco estivera sendo trabalhada por um tal de Joer,"
agente dos invasores, católico romano, que falava muito bem o idioma do Brasil.
Finalmente Calabar teria escrito ao governador Waerdenburch, dizendo: "Passei

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119

para essa causa sem querer recompensa, e vim para melhorar minha terra, que
não tem liberdade de espécie alguma." Waerdenburch teria confirmado à Holanda
que "Calabar só se colocou ao nosso lado por convicção, pois recusou as
recompensas que vossas senhorias lhe haviam mandado. Diz estar certo de que a
sua pátria irá melhor do que com os espanhóis e os portugueses." Guerra conclui

que "convicções talvez erradas mas honestas… decorreram do seu idealismo…

(para) melhor servir à pátria." E quando, depois, o general Matias acenou com
anistia total na tentativa de trazê-lo de volta, Calabar teria respondido: "Tomo
Deus por testemunha de que meu procedimento é o indicado pela minha
consciência de verdadeiro patriota, não como traidor, mas como patriota." E no
fim, em Porto Calvo, antes de entregar-se, teria escrito ao governo holandês no
Recife: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da pátria." Infelizmente, não
conseguimos localizar os documentos em que a informação de Guerra se baseia.
Mesmo assim, a base histórica parece muito sólida.85

Continuação desta apostila na Parte II:

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120

APOSTILA Nº. 06/300.000 MIL CURSOS GRATIS.
DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE

INTRODUÇÃO. 01
I, TRINDADE, O QUE ɨ? 02
II, AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE E A COMPROVAÇÃO BÍBLICA DA SUA
DIVINDADE. 04
II, 1, A DIVINDADE DO PAI. 03
II, 2, A DIVINDADE DO FILHO. 04
II, 2, A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO. 05
III, A DISTINÇÃO ENTRE AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE. 06
III, 1, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O FILHO. 07
III, 2, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O ESPÍRITO SANTO. 08
III, 3, A DISTINÇÃO ENTRE O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. 09
IV, A TRIUNIDADE DE DEUS. 10
V, A TRINDADE NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO. 11
VI, PRINCIPAL MINISTÉRIO DE CADA PESSOA DA TRINDADE, RELATIVO À
SALVAÇÃO ETERNA. 05
VI, 1, O MINISTÉRIO DO PAI (DEUS) RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA. 12
VI, 2, O MINISTÉRIO DO FILHO (JESUS CRISTO) RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA. 13
VI, 3, O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA.
14
VII, A TRINDADE EXEMPLIFICADA ESQUEMATICAMENTE. 15
VIII, A TRINDADE COMPARADA À ÁGUA EM SEUS TRÊS ESTADOS. 16
VIII, 1, A ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO. 17
VIII, 2, A ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO. 18
VIII, 3, A ÁGUA EM ESTADO GASOSO. 19
CONCLUSÃO. 20
BIBLIOGRAFIA. 21

DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE.
INTRODUÇÃO.

Estudar, especificamente, sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE é, nada
mais nada menos do que, estudar sobre o ser criador, sustentador, e
dirigente de todas as coisas, qual seja, DEUS.
Porém, o estudo doutrinário da DIVINA TRINDADE, nos mostra a revelação
de DEUS sobre o seu modo trino de existir, manifestar e agir.
Estudemos, portanto, um pouco sobre o que a BÍBLIA SAGRADA nos ensina
sobre a TRINDADE para enriquecermos o nosso conhecimento sobre o
causador e criador de todas as coisas, sendo, por isso,
indubitavelmente, o mais importante ser do universo, qual seja, DEUS que
se revela e manifesta ao ser humano através de três pessoas distintas.

I, TRINDADE, O QUE ɨ?

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O minidicionário Aurélio define a TRINDADE como:
01, Na doutrina CRISTÃ, dogma da união de três pessoas distintas (o
Pai, o Filho e o ESPÍRITO SANTO) em um só DEUS: O mistério da
Santíssima Trindade.
O conciso dicionário de teologia CRISTÃ nos diz:
01, Referência à doutrina de que DEUS é um e que existe eternamente em
três pessoas.
Portanto, TRINDADE é o termo usado, no cristianismo, para definir a
manifestação e ação de DEUS através de três pessoas distintas.
TRINDADE é, por isso, a tríplice maneira de DEUS se revelar.
Por mais que nos esforcemos e procuremos, em toda a BÍBLIA SAGRADA, a
palavra TRINDADE, jamais será encontrada.
Porém, tal constatação, não significa que a TRINDADE não existe, ou que
seja invenção de alguma religião, denominação, igreja ou líder
religioso, em particular.
Não há necessidade de fazermos muito esforço pessoal, para descobrirmos
na BÍBLIA SAGRADA que DEUS existe, se manifesta e age de modo tríplice.
O modo tríplice de DEUS existir, se manifestar e agir, acontece
através das três pessoas da DIVINA TRINDADE, quais sejam:
01, A PESSOA DIVINA DO PAI.
02, A PESSOA DIVINA DO FILHO.
03, A PESSOA DIVINA DO ESPÍRITO SANTO.
É necessário estarmos total e, incansavelmente, atentos para jamais
confundirmos ou aceitarmos a mais remota insinuação ou a mínima
possibilidade de que:
01, A PESSOA DO PAI SEJA UM DEUS.
02, A PESSOA DO FILHO SEJA UM SEGUNDO DEUS.
03, A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO SEJA UM TERCEIRO DEUS.
Isso porque, dentro do CRISTIANISMO, que está comprometido com a
verdade BÍBLICA, só há lugar para a aceitação da existência de um único
DEUS, o qual é estudado na matéria DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS, e ainda que
único, existe, se revela, manifesta e age como e em TRINDADE.
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4.

O termo TRINDADE é, portanto, sem qualquer sombra de dúvida, o
resultado do estudo, criterioso e sistemático, da BÍBLIA SAGRADA acerca
de DEUS, a qual nos revela, claramente, a DIVINDADE das três pessoas.
A primeira referência, clara, e insofismável sobre a TRINDADE,
encontrada na BÍBLIA SAGRADA, está no NOVO TESTAMENTO, mais
precisamente, no EVANGELHO segundo Mateus¨28:19.
Porém, já no ANTIGO TESTAMENTO, em Is¨48:16 a mesma é mencionada.
Is¨48:16, Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde
o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e
agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito.
É verdade que na passagem BÍBLICA de Isaías a segunda pessoa da
TRINDADE (a pessoa do FILHO) não está, claramente, explícita, porém,

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com certeza, não é necessário muito esforço para verificarmos que o
FILHO está implícito.
Quanto a este versículo há um problema, qual seja, nem todas as BÍBLIAS
dão esta mesma tradução, por isso, haverá irmãos que não concordarão com
esta tradução, nem que o versículo é uma revelação da Trindade.

II, AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE E A COMPROVAÇÃO BÍBLICA DA SUA
DIVINDADE.

É necessária a confirmação da revelação BÍBLICA acerca da realidade
das três pessoas da TRINDADE, assim como a DIVINDADE de cada uma, para
nos firmarmos na gloriosa verdade da existência da TRINDADE.

II, 1, A DIVINDADE DO PAI.
O PAI é DEUS, João¨6:27; Rom¨15:6; 1ªCor¨8:6; 1ªPed¨1:2.
II, 2, A DIVINDADE DO FILHO.
O FILHO é DEUS, João¨1:1-3, 14, 20:28; Rom¨9:5; Col¨2:8-9; Heb¨1:1-12;
2ªPed¨1:1; 1ªJoão¨5:20.
II, 2, A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO.
O ESPÍRITO SANTO é DEUS, At¨5:1-10, 21:11 (onisciente, um dos
atributos naturais de DEUS), At¨28:25-27 (idem); 1ªJoão¨5:7.
III, A DISTINÇÃO ENTRE AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE.

As três pessoas da TRINDADE são distintas entre si,

João¨14:16-17, 26, 15:26.
III, 1, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O FILHO.
O PAI é distinto de JESUS CRISTO (o FILHO) e vice-versa, João¨8:54,
14:10-13, 23-26, 16:16, 17:5,; Col¨1:12-19.
III, 2, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O ESPÍRITO SANTO.
O PAI é distinto do ESPÍRITO SANTO e vice-versa João¨14:16-17, 26, 15:26.
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5.
III, 3, A DISTINÇÃO ENTRE O FILHO E O ESPÍRITO SANTO.

JESUS CRISTO (o FILHO) é distinto da pessoa do ESPÍRITO SANTO e
vice-versa, João¨7:37-39, 14:26, 15:26, 16:7-15 (CONSOLADOR, título
dado ao ESPÍRITO SANTO).

IV, A TRIUNIDADE DE DEUS.

TRIUNIDADE é o modo de DEUS existir em três pessoas distintas.
Portanto, a TRIUNIDADE refere-se à existência de DEUS em três pessoas distintas.
Ainda que as três pessoas da TRINDADE sejam distintas entre si, sempre,
estão e agem, completamente, de pleno acordo, João¨14:26, 15:26,
16:12-16; 1ªJoão¨5:1-7
(a PALAVRA é o VERBO de João¨1:1, 14).
A este fato se dá o nome de TRIUNIDADE.

V, A TRINDADE NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO.

Como vimos, pelas passagens BÍBLICAS estudadas, a doutrina da TRINDADE é
clara no NOVO TESTAMENTO, porém, no ANTIGO TESTAMENTO não é bem assim.
No ANTIGO TESTAMENTO há algumas sugestões ou indícios sobre a
TRINDADE, como podemos verificar nas próximas passagens BÍBLICAS,

Gên¨1:26, 11:7; Is¨6:8.
Porém, em Is¨48:16, como já vimos, a visão da TRINDADE é apresentada

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de modo muito mais claro.
No Salmo¨110:1, não vemos a idéia da Trindade, porém, vemos o salmista
declarar uma verdade que não poderá, jamais, ser desprezada quando do
estudo sobre a TRINDADE, qual seja: “Disse o SENHOR ao meu SENHOR:
Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por

escabelo dos teus pés”.

Para nós, o primeiro SENHOR é sinônimo de DEUS PAI e o segundo SENHOR
sinônimo de DEUS FILHO.

VI, PRINCIPAL MINISTÉRIO DE CADA PESSOA DA TRINDADE, RELATIVO À
SALVAÇÃO ETERNA.

O trabalho de cada pessoa da TRINDADE é, na verdade, o trabalho de
DEUS, entretanto, no tocante à SALVAÇÃO ETERNA, cada pessoa tem o seu
ministério específico.

VI, 1, O MINISTÉRIO DO PAI (DEUS) RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA.

Como já vimos, a doutrina da TRINDADE não nos é claramente revelada no
ANTIGO TESTAMENTO, entretanto, pelas sugestões à TRINDADE já estudadas.
01, Em Gên¨1:26, DEUS diz: Façamos.
02, Em Gên¨11:7, DEUS diz: Desçamos.
03, Em Is¨6:8, DEUS pergunta: Quem há de ir por nós¨?
Nestas três passagens BÍBLICAS vemos DEUS tomando a iniciativa.
01, Em João¨3:16 DEUS, como PAI, também toma a iniciativa (DEUS DEU
SEU FILHO UNIGÊNITO).
02, Em João¨3:17 DEUS, como PAI, também toma a iniciativa (DEUS ENVIOU
SEU FILHO UNIGÊNITO).
03, Em João¨14:16, JESUS CRISTO diz que o PAI dará outro CONSOLADOR.
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6.

Em todas estas passagens BÍBLICAS, vemos DEUS e o PAI tomando as iniciativas.
Além do que em João¨3:16-17 o próprio DEUS é PAI de JESUS CRISTO, pois
DEUS deu seu filho.
Também em Rom¨15:6; 2ªCor¨1:3, 11:31; Ef¨1:3; 1ªPed¨1:3, DEUS é PAI de
JESUS CRISTO.
Portanto, concluímos, a pessoa DIVINA do PAI se sinonimisa com DEUS,
nas iniciativas e nas tomadas de decisões.
No que concerne à SALVAÇÃO ETERNA, o ministério da primeira pessoa da
TRINDADE, ou seja, do PAI, é tomar a iniciativa de SALVAR ETERNAMENTE
o ser humano, João¨3:16-18.
VI, 2, O MINISTÉRIO DO FILHO (JESUS CRISTO) RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA.

O principal ministério da segunda pessoa da TRINDADE ou seja, do
FILHO, relativo à SALVAÇÃO ETERNA do ser humano é a REDENÇÃO, ou seja,
a própria SALVAÇÃO ETERNA, João¨3:16-18; Rom¨3:24; 5:8; 1ªCor¨1:30;
Ef¨1:7, 14; Col¨1:14; 1ªTim¨2:6; Heb¨9:11-12.
VI, 3, O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA.

O principal ministério da terceira pessoa da TRINDADE, ou seja, do

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ESPÍRITO SANTO, relativo à SALVAÇÃO ETERNA, é a SANTIFICAÇÃO
(separação), a qual tem pelo menos dois aspectos.
01, O homem que, antes da conversão genuína, pertencia ao diabo,
após a conversão a JESUS CRISTO é separado e passa a pertencer a
DEUS (ou seja, é salvo eternamente), João¨16:7-11; 2ªTess¨2:13;
1ªPed¨1:2.

02, A separação, do homem já salvo, do pecado, ou seja, a santificação
pessoal, produzida através do correto entendimento PALAVRA DE DEUS,
e da obediência à mesma, João¨14:26, 16:12-15; 1ªCor¨2:9-16.
Para compreender mais clara e profundamente cada uma das três pessoas
da TRINDADE é necessário fazer três estudos doutrinários, quais sejam:

01, A DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS (JÁ QUE O PAI É SINÔNIMO DE DEUS,
TEOLOGIA).
02, A DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO (CRISTOLOGIA).
03, A DOUTRINA CRISTÃ DO ESPÍRITO SANTO (PNEUMATOLOGIA).
VII, A TRINDADE EXEMPLIFICADA ESQUEMATICAMENTE.

Temos a seguir um gráfico esclarecedor da TRINDADE.
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7.

Para melhorar a nossa visão, concebamos a figura a seguir, não como
plana, mas como esférica.
Conclusões sobre a TRINDADE baseadas nos estudos anteriores e
neste gráfico.
01, CADA PESSOA DA TRINDADE É DEUS.
02, CADA PESSOA DA TRINDADE É DISTINTA, MAS INTERLIGADA ÀS OUTRAS
DUAS.
03, A AÇÃO DE CADA PESSOA DA TRINDADE É A AÇÃO DE DEUS.
Estrela que
representa a ação e
manifestação da
onipotência de DEUS.

D.F.P.E.S

Círculo que representa a pessoa do ESPÍRITO SANTO, distinto mas ligado ao Pai e ao
Filho. Setas que indicam o relacionamento inseparável entre as três pessoas da Trindade.
Setas que representam a ação de cada pessoa da Trindade. DEUS, o âmago da Trindade.
Círculo que representa a pessoa do Pai, distinto mas ligado ao Filho e ao ESPÍRITO
SANTO. Círculo que representa a pessoa do Filho, distinto mas ligado ao Pai e ao
ESPÍRITO SANTO.
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8.
VIII, A TRINDADE COMPARADA À ÁGUA EM SEUS TRÊS ESTADOS
.
Outra forma ilustrativa que nos pode ajudar a compreender a TRINDADE é
a água em seus três estados, quais sejam:
1, ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO.
2, ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO.

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3, ÁGUA EM ESTADO GASOSO.
Cada estado da água tem sua finalidade específica.

VIII, 1, A ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO.

A água no estado sólido, aparece na natureza como gelo e como neve.
A água em estado sólido, sempre está com sua temperatura a zero graus
centígrados ou abaixo de zero graus centígrados.
Em virtude disso, a água em estado sólido é muito usada para resfriar
e ou preservar vários produtos, tais como peixe, carne, legumes,
frutos, líquidos, tais como, refrigerantes, etc, etc, etc.

VIII, 2, A ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO.

A água em estado líquido é muito vista na natureza.
A água em estado líquido é usada para beber, quando potável, para
lavar, para irrigar, etc, etc, etc.

VIII, 3, A ÁGUA EM ESTADO GASOSO.

A água em estado gazoso é vista principalmente nas nuvens, das quais
procedem as chuvas.
Assim é DEUS, é um só, mas, age através de três pessoas DIVINAS
distintas, quais sejam, a pessoa Divina do PAI, a pessoa Divina do
FILHO e a pessoa Divina do ESPÍRITO SANTO.
Porém, muito cuidado, porque esta comparação não é referente ao
aspecto físico de DEUS.
É, apenas, uma comparação referente ao ministério de cada pessoa
da TRINDADE.
Outro cuidado importante.
A água pode mudar de estado, artificialmente.
Porém, quanto à TRINDADE, DEUS é imutável.
Por ser soberano, onipotente e imutável não há força humana, ou
qualquer engenho, criado pelo homem, que tenha poder para mudar
artificialmente a essência da Trindade.
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9.
CONCLUSÃO.

Terminamos este estudo sucinto sobre a Doutrina Cristã da TRINDADE,
porém, cremos que contém os ensinamentos básicos necessários ao
crescimento no conhecimento da PALAVRA DE DEUS, sobre tão magno e
glorioso assunto.
Nosso intuito é colocar no coração dos filhos de DEUS as verdades
sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE, a qual, por incrível que pareça
é, infelizmente, desmentida por alguns setores religiosos, intitulados
de CRISTÃOS.
DEUS nos tem abençoado e muito, já que, pelo glorioso e maravilhoso
ministério das três pessoas DIVINAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE, em nosso
favor, recebemos de DEUS o, enorme e glorioso, privilégio da

SALVAÇÃO ETERNA.
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10. BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.

Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil.
02, CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ. Erickson, Millard J. JUERP,
1991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
04, DOUTRINAS, 1. Novas Edições Líderes Evangélicos. 1a Edição, 1979, São Paulo, SP,
Brasil.
05, ESBOÇO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA. Langston, A. B. JUERP, 8a Edição,
1986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
06, MINIDICIONÁRIO AURÉLIO. Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Editora Nova
Fronteira, 1a edição, 6a impressão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Parte – I
Estudo sobre a Teologia de DEUS,

Estou apresentando aqui um pequeno trabalho sobre Rudolf Bultmann e suas
teorias. É claro que não está exposto tudo o que o teólogo alemão escreveu,
porém, procurei esboçar o que me foi possível de seus materiais, contendo suas
idéias principais e métodos hermenêuticos.

Procurei também apresentar aqui uma crítica conscienciosa à Rudolf Bultmann,
pois, apesar dele ter sido um teólogo controverso, não deixa de ocupar seu papel
de importância e destaque na Teologia Contemporânea, alcançando assim,
apesar de tudo, o nosso respeito pelos seus escritos. Sendo assim, vi também, no
âmago de suas doutrinas, um desejo sincero em tentar mudar o cristianismo de
sua época, com o objetivo de tirá-lo da teoria e colocando-o na prática. Talvez, os
escritos de Bultmann sejam como uma voz desesperada do homem moderno, que

está a clamar, dizendo: ―ONDE ESTÁ DEUS, AFINAL DE CONTAS?‖

I. RUDOLF BULTMANN
Nasceu em 20 de agosto de 1884, em Wiefeldstede em Oldenburgo, Alemanha, e
seu pai era um ministro evangélico. Bultmann passou sua carreira inteira no
mundo acadêmico. Ensinava em Marburgo desde 1912 até 1916; depois foi
catedrático assistente em Breslau até 1920. Por muito pouco tempo, tinha a
posição de catedrático em Giessen, e voltou para Marburgo em 1921, onde
permaneceu até sua aposentadoria em 1951. Não foi um ativista político, mas
apoiou a Igreja Confessional durante a era de Hitler.

Estudioso enciclopédico, conhecia muito sobre o judaísmo, Antigo Testamento,
crítica bíblica, estudos neotestamentários, cultura clássica, teologia histórica,
ciência moderna, teologia contemporânea e religiões mundiais. Pertence à ala
radical da crítica bíblica germânica.
Bultmann revelou decididamente a sua posição e sintetizou-a na conferência
intitulada ―O Novo Testamento e a Mitologia‖, proferida em 1941, em Alpirsbach,
Alemanha, para a Sociedade de Teologia Evangélica. Fala dos evangelhos como

sendo a ―teologia da igreja‖.

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II. O TOTALMENTE OUTRO
O corpo bultmaniano é um corpo impressionante de livros e artigos, sendo que
boa parte dele é dedicada a uma exegese altamente técnica do Novo Testamento.
A desmitologização, proposta por Bultmann, trata do problema especial de
procurar perceber a proclamação do N.T. no contexto do quadro mítico do mundo
no século I, e indicar como este quadro mítico do mundo não é necessário ao
modo específico de entender a existência expressada ali.
A ação de Deus está oculta a todas as vistas, exceto aos olhos da fé. Somente os
acontecimentos chamados naturais, profanos (mundanos), são visíveis a todos os
homens e suscetíveis de verificação. Em Crítica da Razão Pura, Immanuel Kant
(1724-1804) sustentava que o único conhecimento disponível à humanidade é o
que podemos perceber pelos sentidos. Ele não abria espaço à possibilidade do
conhecimento revelado ou sobrenatural. A confissão de fé no Deus criador não é
uma garantia, dada de antemão, que me permita atribuir qualquer acontecimento à
vontade de Deus. Crer assim, segundo Bultmann, é panteísmo. A fé que fala de
Deus como ato não pode defender-se contra a acusação de ser uma ilusão. A
idéia do Deus Onipresente e Todo-Poderoso só se faz real em minha existência
pessoal por sua Palavra, pronunciada aqui e agora. Por conseguinte, devemos
afirmar que a Palavra de Deus só é o que é no instante em que é pronunciada. A
Palavra de Deus não é um enunciado atemporal, senão uma palavra concreta
dirigida aos homens aqui e agora. Podemos, pois, dizer em conclusão que o
panteísmo é, certamente, uma convicção prévia, uma visão geral do mundo, que
afirma que todo acontecimento que se produz no mundo é obra de Deus, porque
Deus é imanente ao mundo. (Paulo, então, foi panteísta? Rm. 1:20) Jesus
concebia o advento do reino de Deus como um tremendo drama cósmico. A
primitiva comunidade cristã entendeu o reino de Deus no mesmo sentido que
Jesus. Ela também esperava o advento do reino de Deus imediatamente. Mesmo
Paulo pensava estar ainda vivo quando chegasse o fim deste mundo e os mortos
ressuscitassem. O cristianismo tem conservado sempre a esperança de que o
reino de Deus virá em um futuro imediato, ainda que o tenha esperado em vão.
Podemos citar, assim, Marcos 9:1, cujas palavras não são autênticas de Jesus,
senão que lhe foram atribuídas pela comunidade primitiva.

Os mitos atribuem uma objetividade mundana a aquilo que é não-mundano. Em
geral, a ação de Deus na natureza e na história permanece tão oculta ao crente
como ao não-crente. Esta esperança de Jesus e da primitiva comunidade cristã
não se cumpriu. Existe ainda o mesmo mundo e a história continua. O curso da
história tem desmentido à mitologia. Porque a concepção do reino de Deus é
mitológica, como o é a do drama escatológico.
O sistema, repudiado por Barth nos seus anos posteriores, é precisamente o

sistema ao qual Bultmann adere com toda a força: uma ―afirmação da ‗diferença
qualitativa infinita‘ entre o tempo e a eternidade nas suas várias implicações
negativas e positivas‖.

Conforme indica Ogden, Deus é a realidade que infinitamente transcende tudo o
que, paradoxalmente, está ao mesmo tempo relacionada com todas as coisas.
Porque Ele é o totalmente Outro, porém, nada na natureza ou na história – nada,
por exemplo, que o homem é ou faz – pode diretamente revelar a Deus. Nas

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palavras do próprio Bultmann: ―Deus é o Criador, i.é., não está imanente nas

ordenanças do mundo, e nada que se encontra conosco como fenômeno dentro

do mundo é diretamente divino‖. A fé cristã somente pode dizer: ―Creio que Deus
atua aqui e agora‖, mas Sua ação é oculta, porque não é diretamente idêntica ao

acontecimento visível. Ainda não sei o que Deus faz, e talvez nunca chegue a
sabê-lo, mas creio firmemente que é importante para minha existência pessoal e
devo perguntar-me o que é que Deus me diz. Talvez me diz tão somente que devo
sofrer em silêncio. Toda a concepção do mundo que pressupõe tanto a pregação
de Jesus como o N.T., é, geralmente, mitológica, por exemplo, a concepção do
mundo como estruturado em três planos: céu, terra e inferno; o conceito de
poderes sobrenaturais no curso dos acontecimentos e a concepção dos milagres,
especialmente a idéia da intervenção de uns poderes sobrenaturais na vida
interior da alma, a idéia de que os homens podem ser tentados e corrompidos pelo
demônio e possuídos por maus espíritos. A esta concepção do mundo,
qualificamos de mitológica, porque difere da que tem sido formada e descoberta
pela ciência, desde que esta se iniciou na antiga Grécia, e logo foi aceita por todos
os homens modernos. Em todo caso, a ciência moderna não crê que o curso da
natureza possa ser interrompido ou, por assim dizer, perfurado por uns poderes
sobrenaturais. Bultmann chega a nos perguntar se por acaso temos lido alguma
vez que os acontecimentos políticos, sociais ou econômicos sejam ocasionados
por uns poderes sobrenaturais como Deus, os anjos ou os demônios!

O homem moderno já não pode aceitar estas concepções mitológicas de céu e

inferno, porque, para o pensamento científico, falar de ―acima‖ e ―abaixo‖ no

universo tem perdido toda a sua significação, ainda que a idéia da transcendência
de Deus e do mal segue sendo significativa.

Podemos acreditar que Deus estava operante num evento, mas não podemos
demonstrar a realidade de Deus mediante um apelo àquele evento. A história,
como a natureza, é uma continuação fechada de causas e efeitos, onde até
mesmo os motivos humanos são suscetíveis à explicação causal. Bultmann

assevera ainda que: ―Este aspecto fechado significa que a continuidade dos

acontecimentos históricos não pode ser rompida pela interferência de poderes

sobrenaturais e transcendentes, e que, portanto, não há ‗milagre‘ neste sentido da

palavra. Semelhante milagre seria um evento cuja causa não se achasse dentro
da história. Ao passo que, por exemplo, a narrativa do A.T. fala de uma
interferência por Deus na história, a ciência histórica não pode demonstrar
semelhante ato de Deus, mas meramente percebe que há aqueles que crêem na

interferência.‖

Isso é igualmente válido pelo que se refere ao moderno estudo da história, o qual
não tem em conta nenhuma intervenção de Deus, do diabo ou dos demônios no
curso da história. Nada ocorre, por acaso, que não tenha uma motivação racional.
Naturalmente, subsistem ainda numerosas superstições nos homens modernos,
mas são exceções ou algumas anomalias.

A invisibilidade de Deus exclui todo mito que intente fazer visível a Deus e sua

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ação; Deus mesmo se esconde às olhadas e à observação. O homem que deseja
crer em Deus deve saber que não dispõe absolutamente de nada sobre o qual
possa construir sua fé, e que, por dizê-lo assim, está se apoiando no vazio.
O conselho de Bultmann, enfim, é que ―os que têm a visão moderna do mundo,
que vivam como se não tivessem nenhuma‖.

III. A DESMITOLOGIZAÇÃO
A linguagem do universo do N.T. é mítica. A essência do mito está em conceber o
supra-terreno e divino como se fosse terreno e humano. A Bíblia expressa o que o
autor crê, e não o que realmente aconteceu.

A linguagem do mito perde seu sentido mitológico quando serve para expressar a
fé. O que devemos fazer, para Bultmann, é interpretar essa mitologia. A teologia
tem diante de si a tarefa de reler o N.T., desmitologizando o mito. Este seria o
único caminho possível para a proclamação do N.T. Então, torna-se inevitável a
pergunta: é possível que a pregação de Jesus acerca do reino de Deus e a
pregação do N.T. em sua totalidade tenham ainda importância para o homem
moderno? Isso é sem sentido e impossível, para Bultmann. A pregação do N.T.
anuncia a Jesus Cristo, não somente sua pregação acerca do reino de Deus,
senão, antes de tudo, sua pessoa, que foi mitologizada desde o mesmo início do
cristianismo primitivo. O Próprio Jesus entendeu-se à luz da
mitologia. Seja como for, a comunidade primitiva o viu assim, como uma figura
mitológica. A proclamação cristã de hoje se encontra diante da pergunta se ela
espera do ser humano a aceitação da concepção mítica do universo passada,
quando o conclama à fé. Seria então a tarefa da teologia desmitologizar a
proclamação cristã. A concepção mítica do universo não é, como tal, nada
especificamente cristão, mas é simplesmente a concepção do universo de uma
época passada, ainda não moldada pelo pensamento científico. A primitiva
comunidade também considerava a pessoa de Jesus à luz da mitologia quando
diziam que havia sido concebido pelo Espírito Santo, que havia nascido de uma
virgem e que era o Filho de Deus de uma forma metafísica. Tais concepções são
manifestamente mitológicas, porque eram muito difundidas nas mitologias
anteriores dos judeus e gentios, e depois foram transferidas à pessoa histórica de
Jesus. Nenhum ser humano adulto imagina Deus como um ser existente em
cima, no céu; sim, o ―céu‖ no sentido antigo sequer mais existe para nós.
Tampouco existe o inferno, o mundo inferior, etc. Eliminadas estão assim as
histórias da ascensão de Cristo ao céu e descensão ao inferno. Eliminada está a
expectativa de um ―filho do homem‖ vindo sobre as nuvens do céu e do
arrebatamento dos crentes no ar, ao seu encontro. Para Bultmann, a revelação
vem em símbolos que devem ser decodificados. Usando o termo dele, devem ser
desmitologizados. O homem moderno não entende que ele esteja destinado a
sofrer o destino de morte de um ser natural, em consequência da culpa de seu
ancestral, pois é algo que não tem cabimento, porque só conhece a culpa como
ação responsável. É, pois, a Palavra de Deus a que chama o homem à verdadeira
liberdade, à livre obediência, e a desmitologização não tem outro objetivo que
aclarar esta chamada da palavra de Deus. Quer interpretar a Escritura
interrogando-se pelo significado mais profundo das concepções mitológicas e

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libertando a palavra de Deus de uma visão do mundo já superada.

A figura do Anti-cristo tal como nos é descrita, por exemplo, na Segunda Epístola
aos Tessalonicenses 2:7-12, constitui uma figura inteiramente mitológica.
Além da razão teológica para a desmitologização, há uma razão apologética. O
homem moderno pensa de modo científico, em categorias rigorosamente causais.
Através do conhecimento das forças e leis da natureza está eliminada a crença
nos espíritos e nos demônios.

A desmitologização adota como critério para a interpretação da Escritura a visão
moderna do mundo. Pois, a visão de mundo da igreja primitiva, é passada e
obsoleta. O homem moderno não aceita mais a mitologia como verdade, pois seu
pensamento foi modelado pela ciência e não tem nada de mitológico.

Quando uma apologética grosseiramente mal-orientada insiste na fé na realidade
dos mitos bíblicos ao invés da fé no significado subjacente destes mitos, está
colocando uma pedra de tropeço falsa no lugar do verdadeiro escândalo.
A mitologia é aquela forma de linguagem figurada em que aquilo que não é deste
mundo, aquilo que é divino, é representado como se fosse deste mundo, e

humano; ―o além‖ é representado como ―o aqui e agora‖.

É um método de hermenêutica, que procura extrair a noz da significância
compreensiva da casca de uma cosmovisão antiquada.

Seu alvo não é eliminar as declarações mitológicas mas, sim, interpretá-las.
A cosmovisão das Escrituras é mitológica e, portanto, inaceitável ao homem
moderno cujo pensamento tem sido formado pela ciência e que deixou, portanto,
de ser mitológico.

Para o homem de nosso tempo, a concepção mitológica do mundo, as
representações da escatologia, do redentor e da redenção, estão já superadas e
carecem de valor. Cabe esperar, pois, que realizemos um sacrifício do
entendimento, um sacrificium intellectus, para aceitar aquilo que sinceramente não
podemos considerar verídico – somente porque tais concepções nos são
sugeridas pela Bíblia? Ou bem temos que passar por alto os versículos do N.T.
que contêm tais concepções mitológicas e selecionar as que não constituem um
tropeço deste tipo para o homem moderno? Devemos abandonar as concepções
mitológicas precisamente porque queremos conservar seu significado mais
profundo. Um princípio hermenêutico adequado, o modo certo de fazer as
perguntas certas. É impossível restabelecer a concepção mítica do universo,
depois que o pensamento de nó todos foi irrecorrivelmente moldado pela ciência.

Não se nega que a cruz, que a Igreja proclama, seja um ―evento mitológico‖, mas
através deste evento – e somente através deste evento – Deus opera para salvar
o homem da sua vida de inautenticidade.

Considerada como evento salvífico, a cruz de Cristo não é, portanto, um
acontecimento mitológico; é um acontecimento verdadeiramente histórico, que tem

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sua origem num evento meramente histórico, na crucificação de Jesus de Nazaré.

Assim, Cristo foi crucificado ―por nós‖. Não no sentido de uma teoria de
―satisfação‖ ou de sacrifício vicário.
Podemos dizer então que Deus se ―demonstrou‖ a Si mesmo pelos ―feitos da
redenção‖? De maneira nenhuma. Porque o que nós chamamos feitos da
redenção são, por sua vez, objeto de fé, e somente podemos compreendê-los
pelos olhos da fé. Não podemos percebê-los fora da fé, como se esta, à
semelhança das ciências naturais, pudesse apoiar-se em dados acessíveis à
observação empírica. Certo é que os feitos da redenção constituem os
fundamentos da fé, mas somente enquanto são percebidos pela mesma fé.

É suficiente dizer que a fé nasce do encontro com as Sagradas Escrituras
enquanto Palavra de Deus, e que não é outra coisa que um simples escutar? A
resposta, segundo Bultmann é afirmativa, pois para ele, a Palavra de Deus está

―oculta‖ nas Escrituras.

Neste ponto o teólogo e pregador deve a si e à comunidade, bem como àqueles a
quem deseja atrair para a sua comunidade, clareza e sinceridade absolutas.

O que sobra quando as ―formas‖ são analisadas, aqueles segmentos solidificados

de matéria biográfica que a igreja primitiva criou visando propósitos de
propaganda? Virtualmente nada. Como resultado desta investigação, parece que
o esboço da vida de Jesus, conforme é fornecido por Marcos e adotado por
Mateus e Lucas, é uma criação editorial, e que, como consequência, nosso
conhecimento real do decurso da vida de Jesus é restringido ao pouco que se
pode descobrir nas cenas individuais que constituem a tradição mais antiga. Por
conseguinte, supor que a antiga visão bíblica do mundo pode ser atualizada, não é
mais que a formulação de um desejo. A desmitologização, com isto, invalida a
Bíblia.

A máquina cósmica passa a ser o único terreno legítimo da investigação humana,
pois além da máquina, nada podemos saber.

IV. MILAGRE
O homem moderno só reconhece como reais os fenômenos ou os acontecimentos
que resultam compreensíveis no marco da ordem racional do universo. Não
admite a existência de milagres, porque não se encaixam nesta ordem racional. O
homem moderno, assim, usa a ciência como resposta para tudo.
Porque, neste mundo, absolutamente nada de Deus e de Sua ação é ou pode ser
visível aos homens que andam buscando sua segurança neste mundo.
Quem pensa que se pode falar de milagres como se fossem acontecimentos
demonstráveis, suscetíveis de prova, peca contra a idéia do Deus que atua de
maneira oculta. O método crítico pressupõe que a história seja uma unidade
integrada de causa e efeito que não pode ser rompida pela ação de Deus. Em
função disso, não se pode constatar um milagre na história.

Somente posso falar do que Deus faz em mim aqui e agora, do que Deus me diz,
a mim mesmo, aqui e agora. Agora, temos de perguntar-nos de novo se é possível

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falar de Deus como ato sem incorrer em uma linguagem mitológica. Falar de Deus
como ato não significa falar dEle por meio de símbolos ou imagens. Porque
quando falamos assim de Deus como ato, concebemos a ação de Deus como
análoga às ações que têm lugar entre os homens. Pode-se objetar então que,
neste caso, o acontecimento da revelação de Deus é tão somente a ocasião que
nos proporciona uma compreensão de nós mesmos, e que esta ocasião não a
reconhecemos como uma ação que intervém em nossas vidas reais e as
transforma. Em uma palavra, a revelação não nos é reconhecida como um
milagre. Não se pode utilizar luz elétrica e aparelho de rádio, em casos de doença
empregar modernos meios médicos e clínicos, e simultaneamente acreditar no
mundo dos espíritos e dos milagres do N.T.

Para Bultmann, ao estudar milagre, deve-se diferenciá-lo em dois termos alemães,
os quais são: Wunder, que segundo o teólogo alemão é a autêntica ação de Deus,
e Mirakel, que para ele diz respeito à ação de Deus mitologizada. Para Bultmann,
Mirakel deturpa o reconhecimento da ação de Deus, pois é uma violação da
natureza. Neste sentido, ou seja, como violações das leis da natureza, é uma
maneira de julgar, pertencente a uma visão antiga de mundo e que não é mais
amplamente crida na era moderna. Em contraste, Wunder é um evento que
parece, objetiva e universalmente, ser consistente com o conhecimento das leis da
natureza e, ao mesmo tempo, perceptível pela fé como sendo um ato de Deus.

Bultmann diz que pode-se interpretar, em virtude de uma falsa concepção acerca
da onipotência, cada evento do mundo como sendo uma ação de Deus (Mirakel).
Desta forma, o conceito de Mirakel, para ele, desenvolve-se sendo concebido
como algo fora do nosso mundo. Já o conceito de Wunder, por outro lado, reflete
nossa experiência histórica, como aquela na qual nós próprios nos encontramos
surpreendidos por atos de amor e amizade.

Quando a ação divina é concebida como sendo produzida em um nível superior de
causalidade, Deus é concebido simplesmente como um homem que conhece e
que pode fazer mais do que todos os outros homens. Se estes puderem apenas
imitarem o método (como, por exemplo, fazem os mágicos), eles serão tidos como
possuidores da mesma capacidade. (Deus sendo colocado no mesmo grau de um
ilusionista)
A idéia de Mirakel tornou-se, pois, insustentável e deve ser abandonada. Mas, seu
abandono é também exigido porque, em si mesma, ela não é uma noção da fé,

mas uma noção puramente formal. Como se sabe, os Mirakel‘s podem ser úteis

ou inúteis, desejados ou temidos. Da mesma que há uma magia negra e uma

branca, os Wunder‘s podem ser realizados por Satanás ou por Deus, por bruxos
ou profetas. A casualidade ―superior‖ pode ser divina ou demoníaca e o Mirakel

não permite, por si mesmo, descobrir se ele procede de Deus ou do demônio.

Nenhum argumento contrário pode ser baseado sobre o fato de que na Bíblia os
eventos são narrados como devendo ser denominados de Mirakel. Este fato torna
meramente necessário o uso do método crítico que mostra que a idéia de Mirakel
não foi vista de maneira conseqüente pelos escritores bíblicos – de acordo com as

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pressuposições de seu pensamento – e que o seu abandono não implica o
abandono da autoridade da Escritura.

A fé está inquestionavelmente relacionada com o Wunder, desde que ―Wunder‖
signifique a ação de Deus distinta da sequência dos eventos no mundo natural.
Assim, se o caráter específico de Wunder é o de designar a ação de Deus, distinta
dos eventos do mundo natural, e se estes não são concebidos por nós senão
como submetidos às leis, então a noção de Wunder contradiz absolutamente
aquela de natureza e eu elimino a idéia de natureza quando falo de Wunder.

Na verdade, fé em Deus e fé no Wunder são, essencialmente , a mesma coisa.
(Então, Deus é só uma força ativa?)

O Wunder não pode, em nenhum sentido, ser um evento do mundo constatável
em qualquer lugar e de qualquer maneira que o seja, pois neste caso eu o
separaria de Deus e o compreenderia como mundo. Deus, com efeito, não é
constatável.
A fé é fé justamente em oposição à visão, em contradição expressa com tudo o
que eu vejo; a fé no Wunder deve, também, estar em contradição expressa com
tudo o que eu vejo no mundo. (E o caso de Jesus e de Tomé?)

Porque pedir um sinal é característico dos judeus? (I Co. 1:22) Porque essa
atitude revela a própria essência natural da impiedade deles, a saber, o esforço na

busca de ―sua própria justificação‖. Eles avaliavam a si mesmos por aquilo que

eles foram, e estimavam os outros pelo que estes realizavam. E como eles
desejavam se justificar a si mesmos diante de Deus através de suas
obras, assim, Deus deveria se justificar a si mesmo diante deles através de Suas
obras. O Mirakel é uma tradução desesperada do saber ocultar nossa queda no
passado, é uma maneira primitiva, obscura de dizer que se compreende a ação de
Deus em Sua oposição a todos os eventos e a todos os atos mundanos. Vê-se
que cada ato escatológico, cada ato de fé e de amor, cada uma das ocupações
familiares, profissionais, cívicas, etc., do cristão – contanto que sejam em si
realizadas subordinando a ―idéia de trabalho‖ à ―idéia de fé‖ – é um Wunder.

V. O JESUS DESMITOLOGIZADO DE BULTMANN
O que Deus fez em Jesus Cristo não constitui um feito histórico suscetível de ser
provado historicamente. O historiador objetivante, como tal, não pode constatar
que uma pessoa histórica (Jesus de Nazaré) seja o Logos Eterno, a Palavra. É
precisamente a descrição mitológica de Jesus Cristo no N.T. o que nos mostra
claramente que a pessoa e a obra de Jesus Cristo devem ser compreendidas
segundo um ponto de vista além das categorias com que o historiador objetivo
compreende a história universal, se é que a pessoa e a obra de Jesus Cristo deve
ser entendida por nós como obra divina da redenção.

A revelação de Deus em Cristo como fato concreto na história não é de relevância
para Bultmann. O Kerygma e a história concreta não têm muito a ver um com o
outro e, assim, a fé não precisa da história. Há um desinteresse pelo histórico.

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Para ele tudo se concentra no Cristo kerygmático como evento escatológico
presente.

Bultmann pergunta se o acontecimento de Cristo não é um resto mitológico a ser
eliminado? A compreensão cristã do ser que se adquire através da fé em Cristo
não poderia ser obtida sem o N.T.? Recorrer à cruz do Jesus histórico seria válida
apenas para os primeiros discípulos, para nós trata-se de um evento do passado e
como tal não é mais um evento de nossa própria vida.

Cristo, em Bultmann, não tem história. Este somente é real na proclamação, pois
do Jesus histórico pouco podemos saber. Com isto, Jesus é valorizado pelo
teólogo alemão como talvez uma parábola!

Crer na cruz não significa que vemos um evento mitológico que se realizou num
mundo externo. Significa que aceitamos a cruz de Cristo, como nossa própria
cruz, permitindo-nos crucificar com ele. A própria ressurreição é objeto de fé. A
ressurreição não deu origem à fé, durante aquele período de quarenta dias, mas a
fé é que originou a ressurreição.

Jesus Cristo, como o filho de Deus, uma figura mítica na qualidade de ser divino
preexistente, é simultaneamente um determinado ser humano histórico, Jesus de
Nazaré. Bultmann, pessoalmente, acha que Jesus não afirmou ser o Messias. E
se fosse, o pensamento da morte, segundo Bultmann, não é tão acabrunhador
para quem sabe que após três dias terá de ressurgir!

A historicidade da vida de Jesus, conforme é descrita no quarto evangelho, é, na
opinião de Bultmann, de bem pouco valor. A Cristologia de Paulo e de João foram,
em particular, orientadas por esse mito gnóstico.

A palavra me diz que a graça de Deus é uma graça prévia, que já atuou em meu
favor, mas não de tal maneira que eu possa voltar-me para vê-la como um
acontecimento histórico do passado. Pois, a Palavra de Deus só é Palavra de
Deus quando acontece aqui e agora. Assim, o ser humano vive no pecado quando
deixa-se seduzir pelo invisível e pelo disponível. Para Bultmann, o pecado, em sua
essência, não é uma questão moral, é rebelião e reivindicação diante de Deus,
permanecendo escravo da vida inautêntica.

Não há nenhum meio de nos livrarmos do passado. Com efeito, nós não podemos,
enquanto seres temporais, ser livres do passado de tal maneira que ele pudesse
ser, pura e simplesmente, cancelado e ignorado; de tal maneira que pudéssemos
receber qualquer coisa como uma nova natureza – se pudéssemos recebê-la,
certamente não poderíamos nos manter nela. Nós sempre
chagamos no nosso momento presente a partir e com o nosso passado. Pois, nós
não somos plantas, animais ou máquinas, e nosso presente é sempre qualificado
pelo nosso passado. A questão crítica é saber se o nosso passado nos é presente
como manchado pelo pecado ou como perdoado. Assim, o Wunder de Deus é o
perdão.

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Todo Wunder não é jamais visível senão em virtude do único Wunder do perdão.
Ora, o perdão não é um ato do passado: eu não o tenho como perdão senão
enquanto o tenho como uma posse sempre renovada.

No N.T., os Wunder‘s são registrados como tendo a característica de Mirakel,
principalmente os Wunder‘s de Jesus. Da mesma forma, se todos eles foram

historicamente estabelecidos, é ainda verdade que como obras de um homem no
passado, não concernem diretamente a nós em coisa alguma. Sob esta relação
eles não são a obra de Cristo, se nós entendermos por obra de Cristo a obra da
salvação. Cristo também distribuiu preceitos, mas isto não é seu principal ofício,
mas sim um ofício acidental.

Por essa razão, no âmbito dessa discussão, os ―Wunder‘s de Jesus‖ estão

inteiramente abertos à investigação crítica, pois eles são eventos do passado.
Nada impede de explicá-los como obra do diabo (Mc. 3:22), ou como atos pelos
quais Jesus se justifique (Mc. 8:11 ss.) e em virtude dos quais querem torná-lo rei
(Jo. 6:14 ss.), ou como meios utilizados para a garantia de sua própria vida (Jo.
6:26).

Não podemos entender a doutrina da satisfação propiciatória através da morte de
Cristo, porque, como pode minha culpa ser expiada pela morte de um inocente (se
é que se pode falar de alguém assim)? Que mitologia primitiva que um ser divino
feito ser humano expie através de seu sangue os pecados dos seres humanos! Ao
crermos no evento da morte e ressurreição de Cristo nos é dada a possibilidade
de compreensão de nós mesmos. (e isto seria a salvação?)

A escatologia mítica está eliminada, fundamentalmente pelo simples fato de que a
parousia de Cristo não ocorreu muito em breve, como o N.T. o aguardava. Assim,
aplicar a idéia de revelação à personalidade de Jesus, seria tão absurdo quanto
aplicar a idéia de criação ou de Wunder ao mundo visto como natureza.

Na verdade, que é este Jesus apresentado por Bultmann? Talvez um ―gurú‖
apaixonado e confuso da contracultura, que foi recriado à imagem dos homens
que o reinterpretaram.

VI. DESMITOLOGIZAÇÃO: PROPOSTA AO EXISTENCIALISMO

Segundo a desmitologização bultmaniana, a palavra de Deus exorta o homem a
que renuncie o seu egoísmo e à ilusória segurança de que o mesmo tem
construído. O exorta a que se volte a Deus, que está mais além do mundo e do
pensamento científico. O exorta, ao mesmo tempo, a que encontre o seu
verdadeiro eu. Porque o eu do homem, sua vida interior, sua existência pessoal,
se encontra realmente mais além do mundo visível e do pensamento racional.

O saber a respeito de sua autenticidade já torna o ser humano capaz de atingi-la.
Sua autenticidade é aquilo que ele, embora não o realize permanentemente, pode

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a qualquer momento realizar. Assim, para Bultmann, o Espírito Santo não é uma
pessoa, nem um poder que invade a nossa vida, nem é possessão dos crentes;
antes é a ―possibilidade efetiva da nova vida‖. Para ele, a fé genuína em Deus é
existencial, não uma realização por meio do nosso próprio esforço.

O mito não pretende ser interpretado cosmologicamente, mas antropologicamente
– melhor: de modo existencialista. Para Bultmann os fatos históricos do passado
devem ser abordados em atitude existencial. O conjunto de acontecimentos
históricos somente é compreendido mediante a participação existencial do sujeito.
Assim, Bultmann relaciona a interpretação da história com a interpretação
existencialista. Para ele, história e historicidade diz respeito a um fato histórico do
passado que pode ser observado pelo historiador neutro. A historicidade é a
significação histórica
de um texto para mim. A criação, a redenção ou a ressurreição estão inseridas no
âmbito da historicidade, pois somente podem ser compreendidas na dimensão da
fé. A crucificação já pode ser objetivada pela história, mas também ganha uma
significação historicista, quando tenho que crer nesta para a salvação.

Por conseguinte, tratamos de saber simplesmente que filosofia nos oferece, na
atualidade, as perspectivas e as concepções mais adequadas para compreender a
existência humana. Neste aspecto, creio que podemos aprender algo da filosofia
existencialista, porque a existência humana constitui o primeiro objeto que suscita
a atenção desta escola filosófica. A filosofia teria dado clareza última à
compreensão do ser que no N.T. estava encoberta pela roupagem mitológica. a
teologia seria desnecessária e até incômoda para a filosofia.

Para a filosofia existencialista, a existência humana só é autêntica no ato de
existir. Esta filosofia não pretende, nem de longe, garantir ao homem uma auto-
compreensão de sua própria existência pessoal, posto que semelhante auto-
compreensão de minha existência pessoal somente pode se dar nos instantes

concretos do meu ―aqui‖ e do meu ―agora‖. Ao não dar uma resposta à questão de

minha existência pessoal, a filosofia existencialista me torna pessoalmente
responsável dela e assim contribui a abrir-me a palavra da Bíblia. A fé cristã e o
amor não são grandezas misteriosas e sobrenaturais, mas são posturas
autênticas humanas.

A afirmação de que a existência do homem possa ser analisada sem levar em
conta sua relação com Deus, pode ser qualificada de decisão existencial, mas
esta eliminação não procede de uma preferência puramente subjetiva, senão que
se fundamenta na intuição existencial segundo a qual a idéia de Deus não se acha
a nossa disposição quando construímos uma teria da existência humana.

A afirmação de que Deus é criador não pode ser um enunciado teórico sobre Deus
como creator mundi em um sentido geral. Esta afirmação somente pode ser uma
confissão pessoal declarando que eu me compreendo a mim mesmo como uma
criatura que deve sua existência a Deus. Ademais, os enunciados que descrevem
a ação de Deus como uma ação cultual, e nos apresentam a Deus, por exemplo,

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oferecendo Seu Filho como vítima expiatória, não são legítimos, a não ser que se
entendam em um sentido puramente simbólico.

O fato de que a filosofia existencialista não leva em conta a relação entre o
homem e Deus, implica na confissão de que eu não posso falar de Deus como
meu Deus, vendo ao interior de mim mesmo. Minha relação pessoal com Deus
somente pode ser estabelecida por Deus, pelo Deus atuante que vem a meu
encontro em Sua palavra. (Descarta-se a revelação natural)

O idealista não entende como um PNEUMA, atuante como força natural, possa
atingir e influenciar sua postura psíquico-intelectual. Ele se sabe responsável por
si mesmo e não entende como no batismo de água lhe possa ser transmitido algo
misterioso, que então passaria a ser o sujeito de seus desejos e ações. Não
entende como uma refeição lhe possa transmitir força espiritual e como a
participação indigna na ceia do senhor possa acarretar enfermidade física e morte.

Isto significa que eu não posso alcançar a idéia de criação fazendo abstração de

minha existência e compreender, ―interpretar‖ qualquer coisa fora de mim como

sendo criação ou ação de Deus, mas que em efetuando essa idéia eu digo
primeiramente alguma coisa sobre mim mesmo. Eu ajo sempre e em todas as
situações como se eu mesmo fosse criador, e assim entendo a idéia de criação.

A idéia de Deus e a sua ação estão relacionadas, primariamente, com a minha
vida, com a minha existência, com o conhecimento de que esta existência é ímpia,
na qual eu não posso encontrar e nem ver a Deus. Essa idéia afirma que eu não
posso ver a Deus se Ele não se mostrar a mim por sua ação e que eu não tenho o
direito de falar dEle à minha maneira nem de ter, não importa o que, algo como
realizado por sua ação. (assim, Cristo como ação de Deus, fica inválido)

Francis Schaeffer disse que ―o sonho utópico do iluminismo pode ser resumido em

cinco palavras: razão, natureza, felicidade, progresso e liberdade. Era
absolutamente secular nas suas idéias. Os elementos humanistas que haviam
surgido durante a Renascença chegaram ao apogeu no iluminismo. Era o homem

partindo de si mesmo, absolutamente.‖

VII. DESMITOLOGIZAÇÃO: PROPOSTA HERMENÊUTICA
Para Bultmann, a desmitologização é um método hermenêutico, que resolve a
dificuldade do homem moderno de crer. Assim, na concepção de Bultmann, o
teólogo não pode dispensar a filosofia, procurando superara limitação da
hermenêutica tradicional historicista. As idéias de Schleiermacher, sobre o dado
em comum entre o autor e o leitor que é a humanidade de ambos, na
interpretação, é bem vinda a Bultmann.

Quando interrogamos a Bíblia, qual é o interesse que nos guia? Não há dúvida de
que a Bíblia é um documento histórico, e temos de interpretá-la segundo os
métodos da investigação histórica, isto é, temos de estudar sua linguagem, a
situação histórica de seus autores, etc. Mas, qual nosso verdadeiro e real
interesse? Temos de ler a Bíblia como se tratasse-se unicamente de um

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documento histórico, que nos serviria de ―fonte‖ para reconstruir uma época
passada? Ou então a Bíblia é algo mais que uma fonte histórica? Da minha parte,
creio que nosso interesse há de apoiar-se realmente em escutar o que a Bíblia
tem a nos dizer atualmente, e o que constitui a verdade acerca de nossa vida e de
nossa alma. (Então, o significado é formulado pelo leitor?)
A hermenêutica existencialista é a base para a compreensão bíblica, segundo
Bultmann. Para tal, ele usa uma investigação chamada de crítico-histórico formal
(por isto, dizem que Bultmann não despreza a hermenêutica tradicional). Bultmann
exclui dessa investigação o Evangelho de João. Na sua opinião este livro é por
sua natureza muito menos histórico que os outros evangelhos que o precederam.

Bultmann também usa o método das religiões comparadas. Ele tenta de vários
modos mostrar a existência de relações entre o N.T. e as religiões não cristãs,
como se a fé cristã seja resultado de vários conceitos religiosos. Para Bultmann é
impossível uma teologia (exegese) que seja livre de premissas. No mesmo
instante ele exige que ela esteja livre de preconceitos.

Pretender que uma exegese possa ser independente das concepções profanas é
uma ilusão. Então, o ponto de partida para o conhecimento de Deus seria
antropocêntrico. A filosofia, com isto, é competente para elaborar o quadro
conceptual. Esta não é tarefa da teologia. O intérprete precisa ter uma
compreensão prévia do assunto transmitido no texto e uma relação vital com o
assunto contido no texto, ou seja, a pré-compreensão, a participação do leitor na
vida humana o possibilita a interpretar a participação do autor. Isto acontece
quando o leitor é arrebatado pela história, podendo até mesmo se ver na história.
Deve haver então, uma identificação do intérprete com o autor, como um
sentimento de empatia. Bem, a filosofia como um dos meios para a interpretação é
bem vinda, mas, o grande problema é que Bultmann a coloca como a única base
para a exegese!

A crítica da visão mitológica do mundo peculiar da Bíblia e da pregação
eclesiástica, presta um valioso serviço à fé, porque a chama a uma reflexão
radical sobre sua própria natureza. Os textos não somente transmitem
informações, mas me revelam coisas que me dizem respeito.

O grande perigo é que, segundo Westphal, a teologia vista assim, poderia então
privilegiar uma outra figura da história contemporânea, em lugar de Jesus, com o
objetivo de compreender a existência humana.

VIII. CRÍTICA À BULTMANN

―Quais razões obrigatórias convencem um estudioso da estrutura de Bultmann de
que Deus, inescrutável e imprevisível, Fonte e Sustentador da realidade, agiu de
modo redentor num Homem cuja historicidade, é dúbia e cujo alegado significado
advém a nós através de uma neblina mitológica que somente a erudição
sofisticada pode penetrar? Bultmann, conforme as premissas dele, não pode
apelar a qualquer testemunho interno do Espírito Santo – outro conceito

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mitológico! Logo, se o homem moderno não quer ou não pode apelar a um
voluntarismo muito não científico, sua única alternativa é o ceticismo ou o ateísmo.
Então, Bultmann fica sendo um João Batista para o movimento de Deus-está-

morto.‖

O Dr. Herman diz que Bultmann repele todo acordo entre a fé e a ciência, em que
as consequências desta última sejam negadas ou não se conciliem com o
conteúdo daquela. A interpretação da obra redentora de Deus, apresentada por
Bultmann, segundo o Dr. Herman, não se orienta pelo N.T., e sim por uma filosofia
praticamente atéia. Porém, os quatro primeiros dez mandamentos transmitidos a
Moisés (Êx. 20:1-17) referem-se ao relacionamento da humanidade com Deus.
Eles mandam aceitar o nosso lugar de criaturas de Deus.

Para Euler R. Westphal, Bultmann dá a primazia para a filosofia, pois esta
determinou sua produção teológica. Inclusive, ele procurou superar a estrutura
hermenêutica tradicional, não como teólogo, mas como filósofo da interpretação.
Assim, para Westphal, há um sentimento pastoral genuíno em Bultmann, mas, seu
método tem muita correlação com Paul Tillich. Westphal diz ainda que Bultmann

criou uma ―religião racionalista‖.

O problema é que em Bultmann, toda a história da revelação se limita àquele
momento em que o ser humano aceitou o presente da graça de Deus através da
palavra da pregação. Assim, a história salvífica é resumida num ponto qualquer no
tempo. A hermenêutica de Bultmann, para Westphal, torna-se inadequada quando
estreita a compreensão do ser humano e reduz a teologia a um universo
conceptual filosófico sem fundamento histórico.

Bultmann, faz da sua concepção de ciência e da crítica histórica um princípio de
interpretação, tornando a ciência, em alguns casos, objeto de fé e juíza da
Escritura.
O grande problema desta hermenêutica antropocêntrica de Bultmann, é que é
prejudicial a toda criação de Deus, pois este tipo de religião onde o homem é o
centro, acaba desrespeitando as demais criaturas de Deus, pois desta forma, os
cristãos encaram os seres humanos como o ponto alto da criação, pois só eles
foram criados à imagem de Deus, e acabam com isto, até mesmo prejudicando os
demais seres (Pv. 12:10).

Que dizer da idéia de que Deus está totalmente separado da natureza, ou seja,
que Ele é o totalmente outro? Certamente Deus se apresenta na Bíblia como um
ser independente e diferente da sua criação. Ele não faz parte da terra, e a terra
não faz parte dEle. Mas Ele está sempre aqui – distinto, mas não separado do
mundo.
Na verdade, as pessoas da Bíblia passam bem mais tempo fugindo de Deus do

que buscando a Deus ―lá em cima‖. Ao longo de toda a Bíblia, Deus surge

incessantemente em todo lugar, sobretudo nos locais menos previsíveis.

Deus no N.T. é o oposto daquela figura distante, alheia ao planeta, como ensinado

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na desmitologização. Ele se envolve intimamente com esta terra, até as últimas
consequências. Em Jesus, Deus se torna um de nós, o Criador que por vontade

própria ―se fez carne, e habitou entre nós‖ (Jo. 1:14).

Agora, a questão primordial passa a ser: quando e onde na história da cultura
ocidental ocorreu tal separação entre Deus e o mundo, para que as pessoas
começassem a conceber um universo livre da participação ativa do Criador? A
resposta está em que o cristianismo sempre segui-se crendo na presença atuante
de Deus no mundo, mas, logo as portas da mente ocidental foram fechando-se, ao
girar nas dobradiças bem lubrificadas da grande Máquina universal. Nova visão de
mundo, centralizada no homem e baseada na razão natural, espalhava-se pela
Europa, depositando toda confiança nas observações e conclusões empíricas de
seres humanos racionais e imperfeitos.
Bultmann faz parte de uma sociedade de iluministas – doutos e intelectuais
radicais, que propõem-se a executar a tarefa de secularizar a vida e vedar as
portas do universo diante da interferência divina. Se todas as coisas podem ser
compreendidas pela razão humana, se o miraculoso (Mirakel) não existe, se não
existe nenhum Deus vivo e ativo nas questões humanas, então a fé cristã não
passa de uma risível superstição. Se a humanidade é a medida de todas as
coisas, como o existencialismo bultmaniano prega, então um Deus pessoal que
pode interferir no progresso humano – e pode recriminar os homens por esse
progresso – não é somente um problema filosófico, mas um estorvo irritante. Na
verdade, Bultmann apoia o deísmo. Deus foi deportado do universo e entronizado
como um criador benévolo, necessário para colocar o mundo em funcionamento,
mas dispensável ao andamento das coisas daí em diante.
Wayne W. Carley, falando sobre a pesquisa científica da religião, nos assevera
que, ―na verdade a própria religião, e não a ciência, é ameaçada pela introdução
da religião nas aulas de ciência. O evolucionismo pode resistir e certamente
resistirá à investigação científica ao longo do tempo. Mas a própria verificação de
crenças religiosas como o criacionismo num ambiente científico destrói o
fundamento da religião: a fé. Colocar uma crença religiosa sob análise científica,

que exige provas materiais, corrói a fé essencial à crença‖.

Bultmann diz que ciência e fé são excludentes, porém, a história nos mostra que
os primeiros cientistas europeus, como Copérnico, Kleper e Galileu, eram cristãos
devotos que encaravam a ciência como uma forma de conhecer e glorificar a
Deus. Eles acreditavam que a natureza e as Escrituras eram igualmente uma
revolução divina; ambas eram necessárias para compreender melhor o Criador.
Agora, com todo o respeito ao Dr. Bultmann, prefiro ouvir os cientistas, não pela fé
que tinham, mas por que são pessoas mais confiáveis dentro da ciência para falar
sobre ciência! Galileu não via a necessidade de uma ruptura entre ciência e
teologia, pois Deus é o Autor dos dois livros – da natureza e das Escrituras.

Rudolf Bultmann deveria ser avisado que se a ciência só lida com o mundo
material, não é justo que faça declarações sobre o mundo imaterial. Ao fazê-lo, os
cientistas jogam nos dois times ao mesmo tempo, alegando que um time tem de
abandonar a disputa por não Ter aparecido para jogar (I Co. 2:13,14). Certamente

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há aspectos da fé cristã que não podem ser colocados na lâmina do microscópio,
pois a ciência é um instrumento poderoso – mas não dá todas as respostas.

Bultmann diz que o N.T., na verdade, é a declaração mitologizada dos homens,
isto é, suas palavras não descreveram a realidade do que estavam vendo, eram
como se fossem etiquetas falsas penduradas em situações reais. Em Através do
Espelho, Alice encontra Humpty Dumpty sentado no seu muro, correndo o risco de
cair lá de cima. Durante a confusa conversa que se segue, Humpty Dumpty diz:

―Isso é glória para você!‖ – e explica o que ele quer dizer: ―Isso é para você um
belo argumento irrefutável‖. Alice protesta, dizendo que ―glória‖ não que dizer ―um
belo argumento irrefutável‖. Humpty Dumpty retruca: ―Quando uso uma palavra,
ela significa exatamente o que quero que signifique – nem mais nem menos‖.
Desta forma, parece que os escritores da Bíblia estavam como o Humpty Dumpty,
mas, mesmo que as palavras pudessem significar o que eles escolhessem, se
eles e nós não concordarmos sobre os significados, não podemos sequer travar
uma conversa.

Joguemos limpo com as evidências, Tomé não foi convidado a contemplar uma
visão de Jesus entre as nuvens. Jesus lhe ofereceu dados – a melhor prova, o seu
próprio corpo – e desafiou Tomé a avaliá-lo por si mesmo. Jesus, de fato,
bendisse as pessoas que nEle creram sem jamais ver o seu corpo ressurreto. Ele
fala, aqui, da maioria dos milhões de pessoas que nEle creram. Mas, esses
milhões, tiveram outros tipos de provas! Assim, os cristãos que conhecem a Deus
e crêem na Bíblia, podem ter confiança absoluta de que toda verdade é verdade
de Deus, e de que ele exprimiu essa verdade na Bíblia e em toda a criação.

Até as leis da ciência natural estão sendo revolucionadas por novos paradigmas!
Quando a fronteira entre a realidade física e a realidade virtual é indefinível,
quando Gary Kasparov diz que o computador Deep Blue passou a jogar xadrez
como se pudesse pensar, então a contradição se tornou a norma. Se as coisas
são assim no mundo da tecnologia, por que não o seriam no místico mundo da
religião?

Antes de ponderar se o cristianismo é verdadeiro ou não, temos de perguntar:
será que queremos que seja verdadeiro? Aceitá-lo é aceitar a possibilidade de que
a minha vida precisa mudar, e convidar Deus a operar as mudanças. Aqui o
intelecto pode entrar em conflito com a vontade.
descobrimos que não basta aceitar mentalmente certos fatos como verdadeiros.
Mas, precisamos seguir esses fatos até uma Pessoa, e depois seguir essa Pessoa
até o fim.

O que ocorreu com Bultmann não é o desejo de descobrir a verdade; é um
preconceito filosófico contra o que a Bíblia diz objetiva e claramente. Primeiro ele
determinou o que os livros do N.T. não poderiam ter dito (que Jesus operou
milagres, ressuscitou, alegou ser o Filho de Deus), depois enquadrou na categoria
de mitologização as declarações que não se ajustam aos seus preconceitos.

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Quando nós, cristãos, alegamos que a nossa fé é verdadeira, queremos dizer
mais do que simplesmente o fato de o nosso livro apresentar com exatidão as
verdades a respeito de Jesus. Queremos dizer que nosso Senhor é real e vivo,
não um símbolo, uma lenda ou um herói morto (I Co. 15:17). Bultmann retruca que
no tempo de Jesus as pessoas não se guiavam por princípios científicos: eram
ingênuas e preparadas para crer em milagres. Para refutar essa afirmação, basta
lembrar como os discípulos mais próximos de Jesus reagiram à primeira notícia da
sua ressurreição: embora fosse a sua maior esperança e o seu maior desejo, não
acreditaram (Lc. 24 e Jo. 20). Eles
sabiam tanto quanto nós que pessoas que sofrem a morte por tortura não
ressurgem vivas e sãs depois de permanecer sepultadas por três dias.
Bultmann erra ao dizer que a humanidade é a medida de todas as coisas, como se
a reconciliação com Deus dependesse única e exclusivamente de nós, como se
tivéssemos condições de expiar o nosso pecado, aliás, o que Bultmann entende
de pecado é fora do comum! Algo está rompido no nosso relacionamento com o
Criador. Não estamos onde deveríamos estar em relação a esse Deus que nos
fez. Então, a pergunta crucial para todos nos é: o que é que esse Deus exige para
corrigir esse relacionamento? Como é que nós – qualquer um de nós, de qualquer
cor, língua ou passado religioso – podemos voltar para Deus? Nós acreditamos
que Deus revelou o que exige de nós. Primeiro, precisamos reconhecer que
somos responsáveis por esta separação, pois deliberadamente nos rebelamos
contra o nosso Criador. Não podemos reparar o dano. Não podemos – por mais
que queiramos, por mais que tentemos – consertar as coisas. Se de fato se fizer
algo a respeito dessa separação, quem terá de fazê-lo é o Deus Todo-Poderoso e
onisciente que ofendemos. Só podemos confiar naquilo que Deus
misericordiosamente realizou a fim de reparar as coisas (II Co. 5:19; I Pe. 2:24; Cl.
1:21,22).
IX. DESMITOLOGIZAÇÃO COMO UM DESPERTADOR À FÉ PRÁTICA
Podemos dizer que a paixão primária de Bultmann é comunicar o Kerygma, ou a
mensagem cristã, ao mundo do século XX. A fim de levar a efeito esta tarefa,
dedica-se, negativamente, à desmitologização das origens documentárias bíblicas,
ao passo que, positivamente, propõe uma análise existencial da proclamação do
Evangelho.
Apesar dos questionamentos e críticas à hermenêutica de Bultmann, Westphal
diz-nos que ela representa-nos um desafio, pois a teologia que está preocupada
com a proclamação, precisa ouvir o ser humano na sua situação concreta, na sua
auto-compreensão e na sua existência sofrida de miséria. O livro de Dale &
Sandy Larsen explica que existem questões referentes ao cristianismo, que
acabaram tornando-se em mitos. E isto, por causa de algumas ações errôneas de
alguns cristãos, que tomaram algumas atitudes desprovidas de sabedoria divina, e
estes mitos são:

1º. ―Os cristãos só sabem julgar os outros. Agem como sentinelas morais da
sociedade, e tentam censurar tudo, das artes à educação sexual‖.
2º. ―A igreja, ao longo dos séculos, sufocou a voz e os dons das mulheres,
tratando-as como seres de segunda classe‖.

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3º. ―A religião cristã é alienada do mundo natural. A Bíblia manda subjugar a terra,

e a cultura cristã ocidental tomou isso como permissão para explorar
danosamente a natureza‖.

4º. ―O cristianismo é anticientífico. A igreja ao longo da história reprimiu o

aprendizado em geral e a investigação científica em particular. Os cristãos
promovem até a pseudociência, tentando obrigar a ciência a se enquadrar numa
interpretação literal da Bíblia‖.

5º. ― Vejam os erros cometidos em nome do cristianismo – das Cruzadas aos
escândalos dos televangelistas‖.

6º. ―Os missionários cristãos forçam os povos indígenas a abandonar a sua

cultura. Os cristãos não respeitam o valor espiritual dos costumes e das religiões

nativas‖.

7º. ―Todas as religiões ensinam basicamente a mesma coisa, mas os cristãos

insistem em afirmar que a sua religião é a única verdadeira. Afirmam com
arrogância que Jesus Cristo é o único caminho até Deus. Isso pode valer para os

cristãos, mas não vale para as demais pessoas‖.

Poucos se ofendem quando os cristãos seguem um ―conjunto de diretrizes morais‖
pessoal e privado. É quando o tornamos público que incorremos em ―santa‖

indignação, e essa publicidade desmedida e impensada, acaba motivando alguns
a tentarem nos imaginar como religiosos cegos e mitologizados! Alguns cristãos
usam a clava da justiça moral uns contra os outros tanto quanto contra os não
cristãos. Vejo até mesmo a desmitologização de Bultmann, é claro que sem os
seus exageros, como que nos lembrando que a implicância com aspectos
exteriores sempre foi um modo cômodo de os cristãos driblarem as suas faltas
íntimas. Assim, vejo que existem tanto o Wunder quanto o Mirakel na vida cristã, e
ambos devem andar de acordo.

A maioria das pessoas concordavam que determinadas coisas eram certas e
outras, erradas, mas começavam já a perder de vista o por quê essas coisas eram
certas e erradas ou por que sempre haviam sido certas e erradas. Isto faz-me
lembrar de uma estória que vi na Internet, com o seguinte título: COMO CRIAR
UM PARADIGMA, e que dizia assim:

―Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro uma

escada, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas
lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo,
quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da
tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele

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fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o
surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a
escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro
substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi
trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi
substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem
nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse
chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em
quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ―Não sei, as coisas
sempre foram assim por aqui...

Vez por outra, questionemo-nos porque estamos batendo...‖

A desmitologização também nos desperta para o fato de que muitos cristãos
desperdiçam seus bens usando a fé como desculpa para a sua atitude negligente.

Li no livro ―Sete Mitos Sobre o Cristianismo‖ que um cristão, quando sendo
advertido sobre o cuidado com a ecologia, disse: ―Ecologia?, zombou o homem.
Por que, irmão? Tudo vai acabar no fogo mesmo...‖

Será que a Bíblia e um livro científico não podem ficar lado a lado numa estante
ou na mente humana perscrutadora? Ou será que sempre haverá
incompatibilidade e conflito? Muitos cristãos que militam nas ciências dizem que a
observação do mundo material os arrasta para a fé, não para longe dela. A
questão é que, a investigação científica legítima e a teologia honesta precisam
reconhecer as limitações do conhecimento humano.

Bultmann, de certa forma, também nos faz pensar sobre a vigilância na vida!
Principalmente se tratando de vigilância nos três sentidos deste termo, que são:
conservar, reservar e guardar. Se o termo ―mundo‖ no N.T. refere-se a ―este
mundo visível‖, devemos nos lembrar que a alma humana não se submete apenas

à matéria. Após a morte, todos saímos do corpo, do mundo (Sl. 89:48). E isto,

muitas vezes, nos gera temor que escraviza! ―Este mundo‖ é o mundo do que é

passageiro e da morte, que foi originado pelo pecado de Adão e Eva. A morte,
assim, não é própria da matéria, mas é própria do pecado (Rm. 6:23). Pelo pecado
de Adão e Eva não veio a necessidade da morte, mas a possibilidade da morte. E
é aqui onde Bultmann nos auxilia na advertência de que, se nós morremos através
da carne, então porque confiarmos na carne?
Mas, para Bultmann, o que realmente significa carne? Acertadamente ele diz que
é o visível, o que se toca, o disponível, o passageiro. Quando a carne tem poder
sobre mim? Quando ela se torna o fundamento da minha vida; quando vivo
―segundo a carne‖; quando deixo-me seduzir pelo visível, ao invés do invisível;
quando preciso de algo comprovável para minha segurança.
O teólogo alemão diz que nossa vida é marcada pelo ―preocupar-se‖, e com
alguns êxitos visíveis, acabamos confiando na carne. Esta consciência de
segurança cria, às vezes, o gloriar-se e, às vezes, com algumas derrotas visíveis,

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cria-se a ―ansiedade‖, e esta cria a ―desesperança‖. Porém, isto não condiz com a
realidade invisível, pois o visível não nos traz real segurança, pois a real vida do
ser humano é a invisível. O visível é disponível, mas é passageiro, e quem vive a
partir dele, está condenado a ser passageiro (Jo. 10:10). Do visível surge a
escravidão ao temor, a falsa sensação de que podemos perder tudo a qualquer
momento, é a incerteza do amanhã. Vida autêntica é a que vive além do visível,

renunciando a segurança autocriada e vivendo ―segundo o Espírito‖, é a ―vida na
fé‖ (Gl. 2:20). Tal vida só é possível a partir da fé na ―Graça de Deus‖, que é a
confiança no invisível. A ―Graça de Deus‖ é graça que perdoa pecados. O pecado

é o passado visível que nos prende, e a Graça é o futuro invisível que nos liberta.
Isto é fé conservadora: livrar-se, em Cristo, do passado visível, e abrir-se ao futuro
invisível conquistado por Cristo. Assim, a desmitologização lembra-nos da nossa
distância para com o ―mundo‖ e a ―carne‖, mostrando-nos a postura do ―como se
não‖ de Paulo (I Co. 7:29-31). A situação visível não pode nos dominar (Fp.
4:12,13). ―Andar em espírito‖, então, é não viver ―segundo a carne‖. É não viver só

o que vejo, mas o que não com os olhos carnais também, e principalmente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar de todos os exageros e erros de Bultmann, ele foi um teólogo de suma
importância para que pudéssemos repensar as bases da nossa fé. A
desmitologização foi um anseio científico por parte de Bultmann, mas também
pode ser uma maneira de revermos a nossa vida cristã, se é autêntica em Deus
ou se é apenas mera religiosidade infundada e materialista!
Enfim, examine a base da fé cristã. Não aceite apenas a versão de outra pessoa
qualquer, só por ouvir dizer, mas analise você mesmo a Bíblia. O que é que ela

ensina? Examine a credibilidade do cristianismo. Investigue as provas (Mirakel‘s e
Wunder‘s). há mais um passo a dar. Por mais que alguém estude e pondere o
cristianismo, há ainda a necessidade de tomar uma decisão pessoal – vou ou não
me entregar a essa Pessoa? Direi não apesar de todos os indícios, todas as
evidências? Ou depositarei a fé em Jesus, dedicando a vida a seguí-lo, não como
um grande mestre do passado, mas como o meu Salvador vivo, como o meu
Senhor? BIBLIOGRAFIA BULTMANN, Rudolf. JESUCRISTO Y MITOLOGÍA. 1ª.
Ed. em espanhol – Deciembre, 1970. Barcelona. Libros Del Nopal. Ediciones
Ariel, S.A.; BULTMANN, Rudolf. MILAGRE – Princípios de Interpretação do Novo
Testamento. São Paulo, SP. 2003. Novo Século; BULTMANN, Rudolf. RUDOLF
BULTMANN – Artigos Selecionados. Ed. Sinodal; GUNDRY, Stanley. TEOLOGIA
CONTEMPORÂNEA – Coleção Pensadores Cristãos. Vol. 6. 2ª. Ed. brasileira.
Fevereiro de 1987. São Paulo, SP. Mundo Cristão; LARSEN, Dale & Sandy. SETE
MITOS SOBRE O CRISTIANISMO – Uma Resposta Racional às Críticas que
Fazem ao Cristianismo. 1ª. Ed. brasileira, 2000. Ed. Vida; RIDDERBOS, Herman
N. BULTMANN – Pelo Dr. Herman N. Ridderbos. 1ª. Ed. Recife, 1966. CLEB;
WESTPHAL, Euler R. A QUESTÃO DA HERMENÊUTICA EM RUDOLF
BULTMANN. Vox Scripturae, 2003. Pp. 89-108

APOSTILA Nº. 08/300.000 MIL CURSOS GRÁTIS.

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Cristologia

Cristologia: Base da Teologia
Introdução

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