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Entidade de Educação Teológica da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou FENIPE

Diretor Geral. Reverendo Gilson de Oliveira

fatefina@hotmail.com
www.fatefina.com.br
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS IGREJAS E PASTORES NO BRASIL

APOSTILAS 01 A 12

APOSTILA COMPLETA DO CURSO DE


BÁSICO EM TEOLOGIA

Apostila - 01 A 12

Parte – I
Estudo Teológico da Teologia dos Anjos Dividida em IV Partes em 10 Pagina!
QUEM SOMOS? ANJOS: UM SERVIÇO SECRETO MUITO ESPECIAL
FACULDADE DE TEOLOGIA E FILOSOFIA NACIONAL – FATEFINA
Órgão de Educação Teológica da Federação Internacional das Igrejas e
Pastores no Brasil ou FENIPE

Nossa reflexão é sobre identidade. Que nos identifica como cristãos, salvos,
regenerados, nascidos de novo, tornados novas criaturas? Que convocação,
chamada, temos da parte de Deus Pai que faz diferença no mundo em que
vivemos e atuamos?

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS ADORADORES

A tarefa primordial da Igreja de Jesus Cristo é celebrar o Seu Nome, adorá-Lo,


cultuá-Lo. Afirmou o Senhor Jesus Cristo em João 4.23,24: "Mas a hora vem, e
agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em
verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é
necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade". Tudo o
mais é decorrente do culto.

Foi para cultuar e adorar a Deus que fomos trazidos à fé e à salvação. Deus nos
convoca para a adoração. No entanto, em muitos casos, apenas nos divertimos.
Fomos chamados para cultuar, mas fazemos na igreja paródia de teatro, de circo,
de programa de auditório;
somos espectadores, quantas vezes, mas não cultuantes.

O objetivo da adoração é despertar a consciência da santidade de Deus. Um

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aspecto do culto é encontrado em Romanos 12.1: "Rogo-vos pois, irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional".

O verdadeiro culto, então, é medido pela transformação de quem cultua pelo fato
de estar na presença de Deus. Mede-se por uma nova visão de Deus, por uma
compreensão que torna a caminhada diária, a aventura do dia a dia mais profunda
com Deus na nossa vida, com Cristo no nosso coração, com o Espírito Santo
segurando a nossa mão. O verdadeiro culto incomoda a nossa vida e o modo
como temos vivido. Que falta em nossos dias em relação a essa reverência e
temor a Deus? O que anda acontecendo em muitas igrejas evangélicas é mais
programa de auditório que profundidade na palavra.

Mas há quem prefira o raso de uma religião infantil à profundidade do culto


racional, do culto em espírito e do culto em verdade. E deste modo, quando o
crente está com a sua vida apagada e cheia de desobediência, e de rebeldia e de
pecado, o louvor não sai

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS INTERCESSORES

Oração é um fenômeno espiritual. Consiste numa queixa, num grito de angústia,


num pedido de socorro. Consiste numa serena contemplação de Deus, princípio
imanente e transcendente de todas as coisas.

A oração é um ato de amor e adoração para com Aquele a Quem se deve a vida.
Ora-se como se ama, ou seja, com todo o nosso ser. Não há necessidade de
eloqüência para que seja atendida. Foi o caso do cego Bartimeu, que ao ouvir que
Jesus estava passando, exclamou "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!"
Mc 10.46ss). Ele só tinha o grito. Nada mais.

Oração é uma batalha. Para essa batalha, temos que vestir a armadura do crente
(Ef 6.11). Nela, enfrentamos hostes espirituais, os poderes de Satanás. Oração é
prestar atenção a Deus. Você tira tempo para falar com Ele, o Pai, e, também,
para ouvi-Lo .

Grandes intercessores na Bíblia não escolhem lugar para orar: Agar orou no
deserto (Gn 21.16); Moisés fez acabar uma rebelião com oração (Ex 15.24,25);
Ana teve um filho como resposta à oração (1Sm 1.27,28); Samuel derrotou uma
nação inimiga pela oração (1Sm 7.9,10); Gideão provou a vontade de Deus
através da oração (Jz 6.39,40); Elias pela fé e oração venceu os profetas de Baal
(1Rs 18.37,38); Davi pediu misericórdia (Sl 51.10ss); Salomão santificou a Casa
de Deus pela oração (2Rs 20.1,2,5); Ezequias acrescentou anos à vida pela
oração (2Cr 18.3); Josafá saiu de uma situação difícil pela oração ((2Cr 18.3);
Daniel pediu auxílio pela oração (9.16); Esdras recebeu orientação divina porque
orou (Ed 8.21,22); Zacarias viu o sonho de sua vida realizado pela oração (Lc
1.13).

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Você pode ser intercessor em qualquer lugar: Ezequias orou na cama (2Rs 20.1);
Jonas em alto mar (Jr 2.1); Jesus o fez no Calvário (Lc 23.34); Jairo, na rua (Lc
8.41); Pedro orou no terraço (At 10.9); Paulo e Silas estavam na prisão (At 16.25),
e um criminoso não nomeado o fez nos seus últimos momentos de vida (Lc
23.42).

Ora-se como se ama: com todo o ser. Não há necessidade de eloqüência para ser
atendido, já o dissemos. Pedro fez uma oração com três palavras (Mt 14.30); o
publicano com sete palavras (Lc 18.13); Salomão fez uma longa oração na
consagração do templo (2Cr 6.12-42).

Mas, como orar? A Bíblia é tão clara...


· Sem hipocrisia, exorta-nos Mateus 6.5. Hipocrisia é uma representação, uma
peça de teatro; é faz-de-conta com extrema maldade (Mt 15.7,8).
· Secretamente, ensina Mateus 6.6. Isso corresponde, até, a ficar a sós com Deus
mesmo na multidão.
· Com fé, atesta Hebreus (11.6).
· De modo definido como o declara Mateus 6.7,8 e Marcos 11.24.
· Com insistência, mesmo (Lc 18.1-7; Mt 15. 21.28).
· Com submissão fala Romanos 8.21, aguardando o que Deus quer fazer em nós.
· Com espírito de perdão, como expresso em Marcos 11.25,26.
· E, por fim, em nome de Jesus(Jo 14.14).

Muita oração deixa de ser atendida por falta desses importantes elementos ou
pela presença de motivos indesejáveis. São orações estéreis pelo egoísmo,
mentira, orgulho, falta de fé e de amor, teimosia e desobediência a Deus (Zc
7.12,13; Dt 1.45; Pv 28.9), Pecado (Sl 66.18; Is 59.2; 1.15; Mq 3.4; Sl 66.18),
desarmonia no lar ((1Pe 3.7); vaidade (Jó 35.12,13), falta de perdão (Mt 6. 14,15),
indiferença (Pv 1.28), amor próprio exaltado e maus objetivos (Tg 4.3).

De tudo isso, decorre que quem ora tem senso de incapacidade e insuficiência,
compreende necessitar de ajuda extra e clama a Deus. Paulo disse "A nossa
suficiência vem de Deus" (2Co 3.5), e Jesus exortou que "... sem mim nada podeis
fazer" (Jo 15.5b). Quem ora tem fé (Hb 11.6). Se quer ser atendido, ore com fé (Mt
21.21,22; Jo 11.40).

DEUS NOS CHAMA PARA QUE SEJAMOS FACILITADORES (1Co 16.14)

Temos de Deus muito o que repassar aos outros: o evangelho deve ser repassado
(Mt 28.19,20). Porque somos facilitadores do reino de Deus, o produto da vida
cristã deve ser repassado (Ef 2.8ss), o fruto do Espírito deve ser repassado (Gl
5.22,23). O fruto do Espírito é um programa de vida a ser facilitado, repassado e
posto em ação:
· AMOR (Cl 3.14). Deus é amor; o amor perdoa (1Co 13)
· ALEGRIA (Rm 14.17). Não são sorrisos; "Alegrai-vos no Senhor"; Cuidado com a
confiança mal colocada (deve ser posta no Senhor);
· PAZ (Rm 12.18)
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· PACIÊNCIA (Cl 3.12,13).Mesmo na provocação;
· BENIGNIDADE (Cl 3.12);
· BONDADE (Gl 6.10);
· FIDELIDADE (Pv 20.6)
· MANSIDÃO e
· DOMÍNIO PRÓPRIO (Pv 25.28)

Sobre o amor, lembremos que no evangelho há o amor de Deus por nós; o nosso
amor por Deus; o nosso amor pelos outros.

Quanto ao amor de Deus por nós, conforme expresso em João 3.16; 1João 4.19.
O que distingue o evangelho de qualquer outro sistema religioso, teológico ou
filosófico é o verbo "dar". Deus deu. Agostinho ensinou que "Deus ama a cada um
de nós como se só houvesse um de nós para amar".

Em relação ao nosso amor por Deus, amo realmente a Deus e a Cristo? Em João
21, há uma expressiva pergunta de Jesus: "Simão, filho de João [ponha seu nome
e sobrenome], amas-me?" Como podemos ser facilitadores se perdemos o
primeiro amor?

O terceiro tema é o nosso amor pelos outros. Ou colocamos em ação ou não


somos facilitadores de coisa nenhuma.

CONCLUSÃO

Quem somos? Essa foi a pergunta proposta. Percebeu que responsabilidade


temos? Adoradores, Intercessores e Facilitadores do reino de Deus. Como Ele é
bom: elegeu-nos em Cristo, deu-nos uma comissão, sustenta-nos na obra, e
espera que sejamos responsáveis. Dele dependemos; nEle esperamos.

Parte – II
ANJOS NO NOVO TESTAMENTO
A crença em anjos no Novo Testamento

Os cristãos não eram o único grupo do primeiro século que acreditava na


existência de anjos. A maioria das seitas do judaísmo, berço do cristianismo,
professava a crença nesses mensageiros celestes, á exceção provável dos
saduceus (At 23.8). 0 interesse dos judeus por anjos havia crescido de forma
notável durante o período intertestamentario, quando o segundo templo foi
construído, após o retorno do cativeiro babilônico. É provável que esse aumento
de interesse pelos anjos tenha ocorrido como resultado da ênfase nesse período á
idéia de que Deus havia se distanciado do seu povo, já que não havia mais
profetas. A ausência de profetas, os mensageiros oficiais de Deus ao seu povo,
provocava a necessidade de outros mediadores da vontade divina. Os anjos
vieram ocupar esse espaço no judaísmo do segundo templo. 0 aumento do
interesse pelo mundo celestial e pelos seus habitantes, os anjos, nota-se nos
escritos judaicos produzidos antes ou logo após o nascimento do cristianismo.
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Exemplos desta tendência se percebem em alguns livros apócrifos (4 Esdras 2.44-
48; Tobias 6.3-15; 2 Macabeus 11.6). 0 mesmo se vê em alguns dos escritos dos
sectários do Mar Morto achados nas cavernas do Wadi Qumran, como o rolo da
Batalha entre os Filhos das Trevas e os Filhos da Luz. Alguns dos escritos
produzidos pelo movimento apocalíptico dentro do judaísmo, mais que os escritos
de outros movimentos, enfatizava o ministério dos anjos (1 Enoque 6. 1 ss; 9. 1
ss), 0 interesse pelos anjos se nota até mesmo nos escritos rabínicos datados a
partir do século III (com exceção do Mishnah), e que possivelmente representam a
linha principal do judaísmo no período do segundo templo.
Fora das fronteiras do judaísmo, a crença em anjos, encontrava-se não somente
nas religiões que fervilhavam no mundo greco-romano, mergulhado no misticismo
helênico, como também nas obras dos filósofos e escritores gregos famosos,
como Sófocles, Homero, Xenofonte, Epicteto e Platão. A biblioteca de Nag
Hammadi, descoberta em nosso século (1945) nas areias quentes do deserto
egípcio, apresenta material gnóstico datando do século IV, com uma elaborada
angelologia, onde a distância entre Deus e os homens é coberta por trinta
"archons", seres intermediários, possivelmente anjos, que guardam as regiões
celestes. Os "Papiros Mágicos" desta coleção contém fórmulas para atrair os
anjos. Embora datando do século IV, estes escritos possivelmente refletem
crenças que já estavam presentes de forma incipiente no mundo greco-romano
desde antes de Cristo. Em contraste aos escritos produzidos cm sua época, a
literatura do Novo Testamento é bem mais discreta e reservada em seus relatos
da atividade angélica.

As palavras mais comuns para "anjos" no Novo Testamento


A palavra mais usada no Novo Testamento para "anjo" é aggelos, que é a
tradução regular na Septuaginta da palavra hebraica Mala'k. Ambas significam
'mensageiro". Aggelos é usada umas poucas vezes no Novo Testamento para
mensageiros humanos, como por exemplo os emissários de João Batista a Jesus
(Lc. 7.24; veja ainda Tg 2.25; Lc 9.52). Na maioria esmagadora das vezes, a
palavra refere-se aos mensageiros de Deus, que povoam o mundo celeste e
assistem em sua presença. Aggelos é usada tanto para anjos de Deus quanto
para os anjos maus.
Existe outro termo no Novo Testamento para se referir aos anjos, o qual só Paulo
emprega: "principados e potestades". Em duas ocasiões é usado em referência
aos demônios (Ef 6.12; Cl 2.13) e em três outras aos anjos de Deus (Ef 3.10; Cl
1.16; 1 Pe 3.22). Em todos os casos, refere-se ao poder e á hierarquia que existe
entre esses espíritos. Uma outra palavra usada no Novo Testamento para anjos e
pneuma, geralmente no plural (pneumata), que se traduz por espíritos". Embora o
termo seja empregado geralmente para os anjos maus e decaídos (quase sempre
qualificado pelo adjetivo "imundo", cf. Mt 12.43; Lc 4.36; At 8.7), é usado pelo
menos uma vez para os anjos de Deus, como sendo "espíritos administradores"
(Hb 1. 14). Alguns estudiosos têm sugerido que "espíritos" também se refere a
anjos em outras passagens onde a palavra pneumata aparece, como por exemplo
1 Co 14.12. Neste versículo o apóstolo Paulo aprova e incentiva o desejo dos
membros da igreja por pneumata, expressão quase que universalmente traduzida
como "dons espirituais", devido ao contexto. De acordo com E. Earle Ellis, Paulo,
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na verdade, não se refere a dons espirituais, mas aos anjos que estavam
presentes aos cultos (1 Co 11. 10). Sua tese é que existe uma relação estreita
entre as manifestações sobrenaturais que estavam acontecendo na igreja de
Corinto e o ministério angélico. Tais manifestações, ou parte delas, não eram
produzidas pelo Espírito Santo, e nem também por espíritos malignos, mas por
estes espíritos bons. Outras passagens onde "espíritos" significa "anjos", segundo
Ellis, são 1 Co 14.32; 1 Jo 4.1-3; Ap 22.6.1(1). Embora esta sugestão seja
interessante e provocativa, fica difícil ver como "espíritos" produtores de dons
espirituais se encaixam no contexto de 1 Co 14.12 e no ensino de Paulo de que os
dons são dados pelo Espírito Santo. 0 uso de pneumata em 1 Co 14.12 (bem
como nas demais passagens mencionadas acima) pode ser explicado á luz de 1
Co 12.7, onde Paulo afirma que há diferentes manifestações do Espírito Santo. Ou
seja, o mesmo Espírito manifesta-se de formas diferentes através de pessoas
diferentes. Paulo refere-se a estas manifestações como "espíritos". Elas
eqüivalem aos dons espirituais. E difícil admitir que Paulo aprovaria um desejo dos
crentes de Corinto de buscar estas entidades celestiais.

Anjos através dos livros do Novo Testamento

A presença e a atividade de anjos registradas nos evangelhos sinópticos (Mateus,


Marcos e Lucas) indicam invariavelmente a intervenção direta de Deus. Como
mensageiros fiéis de Deus, que têm acesso a presença divina (Lc 1. 19; cf 12.8;
Mt 10.32; Lc 15.10), a visita ou a intervenção de um deles eqüivale a uma
manifestação divina. A encarnação e o nascimento de Jesus foram marcados pela
presença de anjos, indicando a participação direta de Deus no nascimento do
Messias (Mt 1.20; 2.13,19; Lc 1 . 11; 1.26-38). Embora os evangelhos não
registrem quase nenhuma participação direta dos anjos assistindo a Jesus em seu
ministério (o que poderia ter ocorrido, se Jesus quisesse, Mt 26.52), os anjos
acompanharam o Senhor e se rejubilaram a medida em que pecadores se
arrependiam (Lc 15.10). As poucas vezes em que se manifestaram visivelmente
tinham como propósito demonstrar que Ele era amado e aprovado por Deus (Mt
4.11; Lc 2143). Os anjos ainda participaram da sua ressurreição, da anunciação
ás mulheres, e da anunciação aos discípulos de que Jesus havia de voltar (Mt
28.2-5; At 1.9-11). E o próprio Jesus também mencionou varias vezes que os
anjos participariam) da sua segunda vinda e do Juízo final (Mt 13.4 1; 16.27; 24.3
l).
Embora nos evangelhos a atividade dos anjos praticamente se concentre em tomo
da pessoa de Jesus, ele mesmo menciona uma atividade deles relacionada aos
homens, "cuidado para não desprezarem nenhum destes pequeninos. Eu afirmo
que os anjos deles estão sempre na presença do meu Pai que está no céu" (Mt
18. 10, NVI). Aqui Jesus fala do cuidado vigilante de Deus pelos "pequeninos ',
através dos anjos. A quem Jesus se refere por pequeninos" tem sido debatido
pelos estudiosos, já que o termo pode ser tomado literalmente (crianças) ou
figuradamente (os discípulos). Talvez a última possibilidade deva ser a preferida,
já que Jesus usa regularmente pequeninos" para se referir aos discípulos, cf Mt
10.42; 18.6; Mc 9.42; Lc 17.2. Qualquer que seja a interpretação, a passagem não
está ensinando que cada crente ou criança tem seu próprio "anjo da guarda",
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como era crido popularmente entre os judeus na época da igreja primitiva. Fazia
parte desta crença que o anjo guardião" poderia tomar a forma do seu protegido
(cf. At 12.15). Jesus está ensinando nesta passagem que Deus envia seus anjos
para assistir aos "pequeninos", e que, portanto, nós não devemos desprezar estes
"pequeninos". Esse ministério angélico para com os "pequeninos" faz parte do
cuidado geral que os anjos desempenham, pelo povo de Deus (cf. SI 9 1.11; Hb 1.
14; Lc 16.22). A passagem, portanto, não deve ser tomada como suporte á crença
popular em "anjos da guarda".

E importante notar que o Evangelho de João faz pouquíssimas referências á


atividade dos anjos, embora, segundo João, Jesus tenha dito aos seus discípulos,
no início do seu ministério, que eles veriam, os anjos subindo e descendo sobre si
(Jo 1. 5 1 ). Possivelmente esta passagem não deva ser entendida literalmente no
que se refere aos anjos, mas apenas como uma alusão ao sonho de Jacó (Gn
28.12) e ao seu cumprimento na pessoa de Cristo (unindo o céu á terra). No relato
de João das boas novas, os anjos só revelam a sua presença ao lado da sepultura
de Jesus (Jo 20.12)(2).
Estes fatos indicam que as aparições angélicas durante o período cm que Jesus
esteve presente fisicamente entre nós foram relativamente poucas, e quase todas
associadas com o seu nascimento, ministério, morte e ressurreição. Era
conveniente que a vinda do Filho de Deus ao mundo fosse marcada por esta
atividade angélica especial.
Apesar de a narrativa do livro de Atos abranger um período marcado por intensa
manifestação sobrenatural, que foi o nascimento da igreja cristã, as aparições
angélicas registradas pelo autor são relativamente poucas. Não há aparição de
anjos em grupos, á exceção dos dois homens em vestes resplandecentes no local
da ascensão (At 1. 10- 11). Nas intervenções angélicas, é sempre um único anjo
que aparece, o qual é chamado de "um anjo do Senhor" (At 5.19; 8.26; 12.7,15) ou
"um anjo de Deus" (10.3; 27.23). A expressão "anjo do Senhor" não tem. em Atos
a mesma conotação que no Antigo Testamento, onde ás vezes este anjo é
identificado com o próprio Deus. Em Atos a expressão sempre designa um
mensageiro angelical. Os anjos aparecem em Atos com a mesma função principal,
que no Antigo Testamento e nos Evangelhos, ou seja, trazer uma mensagem
oficial da parte de Deus (At 5.19; 10.' 10.22; 27.23). A isto se acresce a função
protetora, pois por duas vezes um anjo do Senhor libertou apóstolos da prisão (At
5.19; 12.7). Uma outra missão de um anjo foi punir o rei Herodes (At 12.23)
missão esta já mencionada no Antigo Testamento (cf Ex 12.13; 2 Sm 24.17) A
atividade dos anjos em Atos, além de bastante discreta, é voltada quase que
exclusivamente para o progresso do Evangelho. Um ponto de grande relevância
para nos hoje é que ela se concentra, em torno dos apóstolos (At 5.19; 12.7 27.23)
ou dos seus associados, como Filipe (8.26). A única exceção foi a aparição á
Cornélio (At 10,3). Mesmo assim ocorreu una ponto crucial do nascimento da
Igreja Cristã, que foi a inclusão do gentios na Igreja. Á exceção deste caso não há
registro de aparições de anjos ao crentes em geral, nem para lhes trazer
mensagens de Deus, nem para protege-los, embora certamente eles estivessem
ocupados em desempenhar esta última; função, provavelmente de forma não
perceptível aos crentes.
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0 apóstolo Paulo é bastante ponderado no que escreve sobre os anjos, se com
parado com outros autores religiosos não cristãos da sua época. Ele emprega a
palavra aggelos apenas catorze vezes em suas treze cartas. Ele se refere aos
anjos de Deus, não tanto como mensageiro: celestes ou protetores dos crentes,
mas como participantes do progresso do plano de Deus neste mundo, que
participaram da entrega da Lei no Sinai (G1 3.19) e que virão com Cristo para
executar juízo sobre a humanidade (2 Ts 1.7). Estes são os "anjos eleitos", que
assistem diante de Deus (I Tm 5.2 1; cf. Gl 4.14). Uma possível explicação para a
atitude reservada de Paulo é que, para ele, o Senhor Jesus, é a manifestação
suprema de Deus, que suplanta todas as demais, diante das quais as
manifestações angélicas perdem em importância e relevância (Ef 1.21; Cl 1. 16; cf.
Hb 1. 1-2). Em nenhum momento Paulo menciona em suas cartas encontros
angélicos que porventura teve, nem encoraja os crentes a buscar tais encontros.
Some-se a isso a preocupação que demonstra em suas cartas com aparições e
visões de anjos. 0 apóstolo teme que anjos caídos, passando-se por anjos de
Deus, manifestem-se em visões com o
alvo de enganar os crentes. Ele menciona a possibilidade de que um anjo do céu
venha pregar outro evangelho (G1 1. S), e que Satanás apareça dissimulado de
"anjo de luz" (2 Co 11.14). Ele alerta aos crentes de Colossos a que não se
deixem arrastar para o culto aos anjos propagado pelos líderes da heresia que
ameaçava a igreja, e que se baseava cm visões (C1 2.18).
Uma passagem surpreendente sobre anjos é Gl 3.19, em que Paulo diz que a Lei
de Deus foi entregue ao povo de Israel por meio de anjos. Esse fato no é
mencionado na narrativa da entrega da Lei a Moisés no livro de Êxodo. Sua
veracidade foi aceita possivelmente durante o período do segundo templo, quando
os anjos receberam cada vez mais lugar destacado na teologia do judaísmo,. ao
ponto de serem. reconhecidos como mediadores no Sinai, na hora da entrega da
Lei a Moisés por Deus. 0 fato foi aceito como verídico por judeus cristãos como
Estêvão (At 7.53), o autor de Hebreus (Hb 2.2), e por Paulo. Só que, enquanto que
para os judeus da sua época, a presença de anjos no Sinai era algo que exaltava
a glória da Lei, para Paulo, a presença destas criaturas era apenas um sinal da
inferioridade da Lei em comparação ao Evangelho, que havia sido trazido pelo
próprio Filho de Deus, sem mediação de criaturas.
Uma outra passagem difícil de entender nas cartas de Paulo é a enigmática
expressão de 1 Co 11. 10. "Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve
ter sobre a cabeça um sinal de autoridade". 0 que tem os anjos, a ver com o uso
do véu nas igrejas de Corinto? A resposta está ligada a um aspecto da situação
histórica específica da Igreja de Corinto no século I, que nós desconhecemos.
Havia uma idéia estranha na época de Paulo de que Gn 6.1-2 se referia a anjos
que se deixaram atrair pelos encantos femininos (uma tradição rabínica
acrescenta que foram os longos cabelos das mulheres que tentaram os anjos), A
falta de decoro e propriedade por parte das mulheres na igreja de Corinto poderia
novamente provocá-los. 0 mais provável é que Paulo se refira a outro conceito
corrente que os anjos bons eram guardiões do culto divino, o que exigiria decoro e
propriedade por parte de todos os adoradores. Este conceito se encaixa
perfeitamente no ensino do Novo Testamento de que os anjos observam e
acompanham o desenvolvimento do evangelho no mundo (ver Ef 3. 10, 1 Tm 5.12;
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1 Pe 1. 12; Hb 1. 14).

Não há menção de anjos cm Tiago, e nem nas três cartas de João. Pedro
menciona apenas que os anjos anelam compreender os mistérios do Evangelho
(1Pe 1. 12), e que estão subordinados a Cristo (3,22). Em Judas encontramos
mais uma referência enigmática aos anjos, desta feita cm relação ao confronto do
arcanjo Miguel com Satanás, em disputa pelo corpo de Moisés (Jd 9). Esse
incidente não é narrado no Antigo Testamento, mas aparece num livro apócrifo
que era bastante popular entre os judeus chamado A Ascensão de Moisés. Neste
livro o autor narra que, após a morte de Moisés, sozinho no monte, Deus
encarregou o arcanjo Miguel de dar-lhe sepultura. 0 diabo veio disputar o corpo,
alegando que Moisés era um assassino (havia matado o egípcio), e que, portanto,
seu corpo lhe pertencia. De acordo com a Ascensão, Miguel limitou-se a dizer que
o Senhor repreendesse os intentos malignos de Satanás. Embora narrado num
livro apócrifo, o incidente deve ter ocorrido, e Deus permitiu que, através de Judas,
viesse a alcançar lugar no cânon do Novo Testamento.
A carta aos Hebreus menciona os anjos nada menos que 13 vezes, 11 das quais
nos dois primeiros capítulos, onde o autor procura estabelecer a superioridade de
Cristo sobre os anjos (Hb 1.4-7,13; 2.2,15,16). A razão para esta abordagem foi
possivelmente a exaltação dos anjos por parte de muitos judeus no século I. 0
autor, escrevendo a judeus cristãos sentiu a necessidade de diferenciar a
mensagem do evangelho trazida por Cristo, e as muitas mensagens e
mensageiros angelicais que infestavam a crendice popular judaica no século I.
E no livro de Apocalipse que temos a maior concentração no Novo Testamento do
ensino sobre anjos. É o livro do Novo Testamento que mais emprega a palavra
aggelos (67 vezes). Aqui os anjos aparecem como agentes celestes que executam
os propósitos de Deus no mundo, como proteger os servos de Deus (Ap 7.1-3) e
administrar os juízos divinos sobre a humanidade incrédula e impenitente (Ap 8.2;
15.1; 16.1). Apocalipse está cheio das visões que o apóstolo João teve do céu, e
os anjos aparecem como habitantes das regiões celestes, ao redor do trono
divino, em reverente adoração a Deus e ao Cordeiro (Ap 5.11; 7.11), mediando ao
apóstolo João as visões e as instruções divinas (Ap 1.1).
Uma questão que tem atraído o interesse dos intérpretes é o sentido da palavra
"anjo" em Ap 1.20, "os anjos das sete igrejas" (cf Ap 2.1,8,12,18; 3,1,7,14).Alguns
acham que João se refere aos pastores das igrejas às quais endereça suas
cartas, já que em Malaquias os líderes religiosos são chamados de anjos (MI 2.7).
Ou então, aos mensageiros (aggelos) das igrejas que haveriam de levar as cartas
às suas comunidades. 0 problema com estas interpretações é que a palavra
aggelos em Apocalipse nunca é usada para seres humanos, mas
consistentemente para anjos. Por este motivo, outros, como Origenes no século II,
acham que João se refere a anjos reais, já que este é o uso regular que ele faz da
palavra no livro. Estes anjos seriam os anjos de guarda de cada igreja a quem
João manda uma carta. A dificuldade óbvia com esta interpretação é que as
advertências e repreensões das cartas seriam dirigidas a anjos, e não aos
membros da igreja. Além do mais, fica claro pelo
fim de cada carta que elas foram endereçadas aos membros das igrejas
(2.7,11,17 etc). Assim, outros estudiosos têm sugerido que "anjos" representam o
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estado real de cada igreja, o "espírito" da comunidade. Esta idéia, que no deixa de
ser curiosa e estranha, tem sido adotada por alguns que defendem que igrejas
têm suas próprias entidades espirituais malignas, que se alimentam dos pecados
não tratados das mesmas(3). Fica difícil tomar uma decisão. Mas, já que é
evidente que os anjos e as igrejas são uma mesma coisa nestas passagens, a "
interpretação que talvez traga menos dificuldades é que aggelos (anjos) se refere
aos pastores das igrejas.

Anjos em batalha espiritual

Uma outra passagem cm Apocalipse que merece destaque é a que descreve uma
batalha no céu entre Miguel e seus anjos, contra o dragão e seus anjos, onde
Satanás é derrotado e lançado á terra (Ap 12.7-9). A que evento histórico esta
guerra celestial corresponde tem sido bastante discutido. Para alguns, refere-se á
queda de Satanás no principio, quando revoltou-se contra Deus e foi expulso dos
céus. Para outros, a vitória final de Cristo, ainda por ocorrer no fim dos tempos. 0
contexto, entretanto, parece favorecer outra interpretação, ou seja, que esta
derrota de Satanás nas regiões celestiais corresponde à vitória de Cristo, ao
morrer e ressuscitar, já que ela aconteceu, "por causa do sangue do cordeiro" (Ap
12. 10; cf. Jo 12.3 1; 16.1 l).À semelhança do Antigo Testamento, o Novo é
igualmente reservado em narrar estas pelejas celestiais, e limita-se a registrar dois
confrontos do arcanjo Miguel com Satanás (Jd 9; Ap 12.7-9). Não temos
condições de saber quais as razões para estes embates entre anjos, e nem quão
freqüentemente eles ocorrem no misterioso mundo celestial.

Digno de nota é o fato que Miguel, que no Antigo Testamento aparece como
guardião de Israel, surge aqui em Ap 12.7-9 como defensor da Igreja, liderando as
hostes angélicas contra Satanás e seus demônios, que procuram destruir a obra
de Deus. Sua área de ação não e mais o território de Israel, mas o mundo, onde
quer que a Igreja esteja. A constatação deste fato deveria moderar a fascinação
de muitos hoje pela idéia de espíritos territoriais, maus ou bons, que seriam
supostamente responsáveis por determinadas regiões geográficas, e que se
embatem em busca da supremacia sobre aqueles locais. É possível que as
nações ou outras regiões tenham seus príncipes angélicos, bons ou maus, mas
esta idéia não exerce qualquer função ou influência no ensino do Novo
Testamento, quanto aos anjos e á sua participação na luta da igreja contra os
"principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso" (Ef
6.12). Enquanto que em Daniel os principados e as potestades aparecem
relacionados com determinados territórios, no Novo Testamento eles aparecem
não mais relacionados com regiões, mas com este mundo tenebroso. 0 conflito
regionalizado do Antigo Testamento tomou caráter universal e cósmico com a
vitória de Cristo. 0 diabo e seus príncipes malignos são vistos agora como
dominadores, não de determinadas regiões geográficas, mas "deste mundo
tenebroso". E os anjos agora servem aos servos de Deus, em qualquer região
geográfica do planeta, onde se encontrem.

Notas de rodapé
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1 Ver E. Earle Ellis, Spiritual GIffs in the Pauline Community, em New Testment
Studies 20 (1973-1974) 134.
2 Existe séria dúvida da parte de muitos especialistas em manuscritologia bíblica
de que a passagem de João 5,4, que menciona a decida de um anjo para mover a
água da piscina de Betesda, seja de fato autêntica, visto que não aparece nos
manuscritos mais antigos importantes.
3 Neuza ltioka, por exemplo, afirma que os anjos das cartas de Apocalipse (Ap 2-3
são anjos literais que Incorporam e absorvem o estado espiritual da Igreja, e que
alguns deles são substituídos por demônios, devido á decadência espiritual da
comunidade que representam. Ela baseia-se nas sugestões (sem exegese) de
Walter Wink e R. Linthicum em Ap 2-3, cf. A Igreja e a Batalha Espiritual: Você
Está Em Guerra em Série Batalha Espiritual (São, Paulo: Editora SEPAL 1994)
36,39,40-41,67,11 Fonte: Revista Fides Reformata

Parte III
ANJOS: UM SERVIÇO SECRETO MUITO ESPECIAL

A partir de 1994, o Brasil começou a viver uma moda mística, a febre dos anjos.
Sem dúvida, quem deu início a essa moda foi uma jovem senhora que antes
trabalhava com orixás e depois, através da Fraternidade Branca, com gnomos,
duendes, silfos, ondinas, fadas e salamandras. O nome dela é Mônica Buonfiglio.
Seus dois sucessos editoriais foram Anjos Cabalísticos e A Magia dos Anjos
Cabalísticos.

Mas, apesar de seu aspecto bombástico, essa moda teve um lado positivo,
colocar em pauta a discussão sobre a existência ou não dos anjos. E é sobre isso
que desejamos falar.

Muitas pessoas, em nome da racionalidade, lançam fora a água e a criança.


Negam não somente o misticismo eclético da Nova Era, mas também a realidade
do mundo espiritual. Criticam um erro, a superstição, e despencam em outro, o
agnosticismo racionalista.

O maior e mais antigo tratado sobre anjos é a Bíblia. No Antigo Testamento, cujos
escritos vão do segundo milênio aos anos quatrocentos antes de Cristo, temos
109 referências a anjos. A palavra hebraica para anjo é mal'akh, cuja idéia básica
é de um mensageiro sagrado, humano ou sobrenatural. Já no Novo Testamento,
cujos escritos vão dos anos 49 a 100 depois de Cristo, temos 186 referências a
anjos. Em grego a palavra usada é ângelos, que também tem o sentido de
mensageiro, de intermediário.

É interessante que na Bíblia os anjos não tem nada a ver com a angelologia
proposta pela Nova Era. Segundo Mônica Buonfiglio, por exemplo, os anjos são
entidades etéreas, que não tem memória e nunca julgam. São como bebês...nus,
com asas, bochechudos e com um sorriso maroto de criança arteira [Mônica
Buonfiglio, Anjos Cabalísticos, São Paulo, Oficina Cultural Esotérica, 1993, p. 64].

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INTELIGENTES E PODEROSOS
Embora o assunto seja extenso, vejamos três aspectos da doutrina cristã sobre
anjos, que responde à pergunta central sobre estes seres. Por que existem os
anjos?

Os anjos são seres espirituais.


Têm atividades definidas pelo próprio Deus.
Protegem os filhos de Deus.
Em relação ao primeiro item, é interessante ver que a Bíblia nos apresenta os
anjos como seres espirituais, geralmente invisíveis. "Então, o que são os anjos?
Todos são espíritos que servem a Deus e são mandados para ajudar os que vão
receber a salvação". Hebreus 1.14 [Nas citações bíblicas foram utilizadas duas
versões: A Bíblia Sagrada, tradução na Linguagem de Hoje, São Paulo, Sociedade
Bíblica do Brasil, 1988; e A Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Edições Paulinas,
1985].

Os anjos têm personalidade e inteligência. "Ele fez isso para resolver este caso. O
senhor é sábio como um anjo de Deus e sabe tudo o que acontece". 2 Samuel
14.20.

Têm também direito de escolha e sentimentos, e isso fica claro quando se refere a
Satanás, um anjo rebelado. "Você ficou ocupado, comprando e vendendo, e isso o
levou à violência e ao pecado. Por isso, anjo protetor, eu o humilhei e expulsei do
monte de Deus, do meio das pedras brilhantes. Você ficou orgulhoso por causa da
sua beleza, e a sua fama o fez perder o juízo". Ezequiel 28.16-17.

E o próprio Jesus fala da alegria dos anjos. "Pois digo que assim também os anjos
de Deus se alegrarão por causa de uma pessoa de má fama que se arrepende".
Lucas 15.10.

A primeira conclusão é de que são seres espirituais, a serviço de Deus, para


ajudar aqueles que serão salvos. Geralmente aparecem como adultos, têm
capacidades especiais, memória, uma inteligência aguçada e sentimentos. De
certa forma, não são muito diferentes de nós.

Esses seres ministradores tem atividades específicas. Adoram e servem a Deus.


"Louvem ao Deus eterno todos os anjos do céu, que o adoram e fazem a sua
vontade". Salmo 103.21.

Participarão do juízo divino, conforme explica o apóstolo Paulo: "Porque Deus fará
o que é justo. Ele trará sofrimento sobre aqueles que fazem vocês sofrerem e dará
descanso a vocês e também a nós que sofremos. Ele fará isso quando o Senhor
Jesus vier do céu e aparecer junto com seus anjos poderosos". 2Tessalonicenses
1.6-8.

Eles trazem importantes notícias, instruem e guiam os filhos de Deus. Segundo o


escritor da carta aos Hebreus, os mandamentos foram entregues a Moisés por
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anjos. "Por isso devemos prestar mais atenção nas verdades que temos ouvido,
para não nos desviarmos delas. Ficou provado que a mensagem que foi dada
pelos anjos é verdadeira, e aqueles que não a seguiram nem lhe obedeceram
receberam o castigo que mereceram". Hebreus 2.2.

Ao contrário do que a vulgarização sobre angelologia prega, eles não estão


debaixo da nossa vontade. Mas agem de acordo com a justiça de Deus nos
julgamentos divinos. Participaram dos juízos de Sodoma e Gomorra, do Egito
opressor, da destruição do exército de faraó na travessia do Mar Vermelho e em
muitos outros eventos. E estarão com Cristo por ocasião do grande julgamento
final.

MISSÃO ESPECIAL

E por fim, protegem e cuidam dos filhos de Deus. "O anjo do Deus Eterno fica em
volta daqueles que O temem e os livra do perigo". Salmo 34.7.

Dessa maneira, uma de suas principais tarefas, é acompanhar os filhos de Deus,


em todos os momentos de suas vidas, mas especialmente naqueles de
dificuldades. Não damos ordens aos anjos, já que eles são ministros de Deus,
agentes secretos do Criador para proteção e guarda de seus filhos.

É interessante que a angelologia mística da Nova Era propõe um relacionamento


com os anjos através de práticas esotéricas, via astrologia, numerologia e
ancoragem (magia branca). São utilizadas dezenas de invocações, velas,
incensos e talismãs. Tudo para manipular os anjos. Estamos, de fato, diante de
uma cosmovisão gnóstica e espírita. Conforme, explica o teólogo Scott Horrell,
esta é "uma angelologia sem Deus definido, sem estrutura moral e sem explicação
sobre o porque da própria existência dos anjos" [J. Scott Horrell, Anjos
Cabalísticos, in Vox Scripturae, São Paulo, AETAL, 1995, p. 245].

Diante das modas místicas, todos aqueles que se aproximam de Deus devem se
lembrar do que diz Paulo, o apóstolo: "Pois há um só Deus e um só mediador
entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por
todos". 1Timóteo 2.5.

Parte IV
ESPÍRITOS MINISTRADORES

"Quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros
labaredas de fogo. ... Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para
servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.6,7,14)

Anjos constituem uma raridade em nossos púlpitos, por isso estas páginas foram
escritas. Além disso, a insistência com que se explora essa temática,
especialmente pelos adeptos dessa onda de misticismo que tem invadido as
praias dos nossos dias, a ênfase dada pelo movimento da Nova Era, que tem
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levado às raias do absurdo mais absurdo o assunto do mundo angelical, e a
exploração comercial em torno da ingenuidade e das carências emocionais e
afetivas do povo, é outro bom motivo para que se reflita biblicamente sobre o
tema.

Muita idéia de anjos vem de cartões de Natal, de procissões da Semana Santa, de


romances ou da mitologia grega (não fala de um anjinho, Cupido, que lança uma
flecha a qual, atingindo alguém, o torna enamorado de outro? Muita idéia vem
dessas fontes, e também do Movimento Aquariano colocando no mesmo cesto
fadas, duendes, gnomos, ondinas e anjos.

PRIMEIRAS IDÉIAS

Os seguidores da atual onda mística afirmam que se pode incorporar os anjos aos
programas de autodesenvolvimento e auto-ajuda, do mesmo modo com fazem
com as fadas, os duendes e outros seres míticos. E se é o caso de teremos uma
descrição dos anjos de acordo com a Nova Era, dirão eles o seguinte: "carinha
linda, asas, roupas esvoaçantes e halo sobre a cabeça"(1) E completam dizendo
que apreciam uma abordagem direta, têm grande senso de humor (gostam de rir,
portanto), são felizes, alegres, brincalhões, amigáveis; o tempo não é um dos seus
pontos fortes, e, desta maneira, perdem-se em divagações, ou seja, a cabeça dos
anjos não funciona muito bem, não têm muita memória.(2) Essas afirmações não
se assemelham, nem de longe, a qualquer das descrições ou características dos
anjos de acordo com a Bíblia Sagrada. E menos ainda, quando os místicos os
confundem com o que chamam de "elementais", e fazem a classificação dos seres
no ar, na terra, na água e no fogo:

No ar: fadas e silfos;


na terra: gnomos, duendes, elfos, dríades e ninfas;
na água: ninfas da água, náiades e ondinas;
no fogo: salamandras.(3)

Na verdade, essas esdrúxulas idéias e suas elaborações vêm de uma fonte


chamada gnosticismo, movimento filosófico-teológico que já nos primeiros dias da
Igreja Cristã deu muito trabalho. E isso porque enfatizava, como enfatiza ainda
hoje, a idéia de que os anjos são expressões ou extensões de Deus, e pregam,
também, que eram e são intermediários entre os homens e Deus.

Uma coisa é certa: a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, trata
esse assunto com muita seriedade, com o máximo de seriedade a ponto de dar a
melhor definição de quem sejam os anjos, a qual se encontra em Hebreus 1.14;

"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que
hão de herdar a salvação?"

Ou como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje:

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"Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus e são
mandados para ajudar os que vão receber a salvação".

Martinho Lutero, o Reformador, expressou isso parafraseando Hebreus:

"O anjo é uma criatura espiritual sem corpo, criada por Deus para o serviço da
Cristandade e da Igreja"(4)

OUTROS CONCEITOS

A palavra anjo não é portuguesa. Na verdade, vem da língua grega através do


latim. Em grego, dizem aggelos, daí para o latim angelus e para o português anjo.
No Antigo Testamento, o vocábulo hebraico correspondente é malach.(5)
Significam todas elas "aquele-que-traz-mensagem", "aquele-que-é-enviado",
"mensageiro". O Pr. Vassílios Constantinides, Diretor nacional da APEC e grego
de origem, confirmou-nos o que havia sido lido no dicionário. Disse: "em grego,
'carteiro' é "anjo", "o-que-traz-uma-mensagem". Palavra, portanto, que indica uma
função. E, na Bíblia, vemos que Deus envia profetas como seus mensageiros,(6)
envia sacerdotes(7), diz que homens enviam outros homens(8). De sorte, que a
Bíblia apresenta o fato de que anjos são personalidades com função determinada,
ou seja, a de trazer uma mensagem de Deus para nós.

A Bíblia não apresenta qualquer descrição detalhada dos anjos. Eu, na verdade,
nunca vi um anjo (apesar de Ariete dizer que estou vivendo com um há 36 anos).
A Bíblia menciona sua existência como um fato, mostrando que têm eles uma
parte relevante no plano de Deus para o ser humano(9).

Voltando à Carta aos Hebreus: "Não são todos eles espíritos ministradores,
enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" (1.14). Quero
tomar duas palavras deste texto para servir de base para esta mensagem.
Primeiramente, "espírito", e, em seguida, "ministradores".

ESPÍRITOS...

A idéia básica da palavra "espírito", por incrível que possa parecer, vem de "vento,
ar". Realmente, tanto na língua hebraica quanto na grega, os vocábulos que se
traduzem por "vento, ar, hálito, alento, respiração, fôlego e espírito" são os
mesmos. Tanto faz dizer ruach, que é a palavra hebraica, quanto dizer pneuma,
que é grega. Sim; o ar é algo muito real, mas não podemos vê-lo a olhos vistos,
com perdão da redundância. Podemos? Mas ele é real: sabemos que ele nos
circunda, mas não o vemos. Assim são os espíritos, e assim são os anjos: reais,
mas não os vemos, puros espíritos. Filon de Alexandria os chamava de
"incorpóreos" (apesar de poderem aparecer em certas ocasiões com corpos
humanos)(10). Mas a Bíblia prefere chamá-los de "espíritos", como em hebreus
1.14, "espíritos ministradores".

Aprendemos com a Bíblia que são superiores ao ser humano em inteligência, em


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vontade e em poder (11). Têm personalidade e responsabilidade moral como nós
o temos. No entanto, apesar de sua inteligência ser sobre-humana, é limitada. Ou
seja, não são oniscientes (só Deus o é), não conhecem o futuro (isso pertence a
Deus), não conhecem os segredos de Deus(12). Por causa da vontade livre deles,
alguns anjos pecaram, e a Bíblia faz referência a essa Queda de um grupo de
anjos(13). O poder dos anjos que é delegado, nos supera em muito conforme
tantos testemunhos na Escritura Sagrada(14). Isso quer dizer, então, que os anjos
têm todos os elementos essenciais da personalidade, e além dos acima
mencionados, possuem sensibilidade, emoções, e são capazes de adorar a Deus
com inteligência (Sl 148.2).

E porque o Deus Vivo e Verdadeiro é Deus de ordem e não de confusão(15), os


anjos estão organizados em uma hierarquia. E, realmente, amado, quando
fazemos o estudo dos anjos, distinguimos três etapas. Primeiramente, o que fala a
Bíblia até o Exílio na Babilônia; em seguida, do Exílio ao Novo Testamento,
quando veio Jesus e ministrou entre nós; e, por último, o Novo Testamento.

É interessante que do início da História Sagrada até o Exílio (c. 527 a.C.),
observamos que não há uma angelologia elaborada. O que temos são narrativas,
bem lineares, até. E há uma presença marcante: a de uma figura chamada "o Anjo
do Senhor". Vemos no Gênesis, em Êxodo e outros dessa primeira fase, a sua
presença ostensiva e marcante.

Do Exílio em diante, a crença, a princípio simples, vai tomar um desenvolvimento


muito especial. Existe, inclusive o surgimento de toda uma literatura chamada
pelos estudiosos do assunto de intertestamentária, que surgiu entre o último
profeta da Antiga Aliança (Malaquias) e o primeiro da Nova Aliança (João, o
Batista). Não são anos de tanto silêncio, como geralmente se ensina. Há uma
literatura denominada intertestamentária, como já destacado, notadamente
encontramos literatura dessa época nos livros de Daniel e Zacarias, livros que
mencionam a presença de anjos.

O Novo Testamento, por sua vez, reflete os principais ensinos do Antigo


Testamento, e categorias e conceitos da literatura intertestamentária.

Anjos são organizados como um exército. Interessante e bonito isso! No topo


estão os arcanjos, anjos comandantes, chefes(16). Menciona em seguida tronos,
dominações, principados, potestades, virtudes, que sejam designações
hierárquicas dos anjos numa elaboração de um esquema bem organizado (cf. Cl
1.16; Rm 8.38; Ef 1.21).

Paulo, em Efésios 6, coloca essas categorias ou hierarquias no exército do


Maligno também (17). Existe o exército de Deus, mas o Maligno tem igualmente o
seu com os mesmos princípios: um arcanjo, que é Lúcifer, encontrando-se, do
mesmo modo, principados, potestades, dominações, etc. Paulo, mesmo, declara
que Jesus Cristo já desarmou e venceu essas forças da malignidade:

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"e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças,
o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo
despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na
mesma cruz" (Cl 2.14,15).

Na verdade, ainda sentimos os efeitos dessa força maligna porque ainda estamos
nesta carne, porque ainda estamos no tempo, mas a Bíblia já declara a vitória do
Senhor sobre as forças do Inferno. Jesus cravou na cruz a nossa malignidade, o
nosso pecado! Por essa razão, os crentes não podem se desencaminhar pelo
culto dos anjos, e Paulo fala disso também nesse mesmo capítulo: "Ninguém atue
como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em
coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal" (v.18).
Esse culto aos anjos estava sendo levado pelos gnósticos para dentro das igrejas,
ensinando que os anjos eram intermediários entre a pessoa e Deus. Está, aliás,
retornando com toda força como o faziam os gnósticos dos tempos apostólicos,
como influência do platonismo, e das escolas teosóficas que desaguaram no
gnosticismo, assim como influência da Cabala. Querem fazer os anjos superiores
a Cristo e ao Espírito Santo (Ele que é o nosso guia, e não os anjos(18); querem
elevar os anjos a divindades, mesmo que sejam divindades menores, os
devas(19).

E os querubins e os serafins? Falamos há pouco sobre a hierarquia, e não foram


mencionados. Querubins e serafins não são, a rigor, anjos. Nunca são
apresentados na Bíblia como portadores de mensagens. Querubins são símbolos
dos atributos divinos. Onde há querubins, o divino está presente ou está perto,
razão porque são guardiães do jardim(20), da arca da aliança(21), do trono de
Deus(22). Defendem a santidade de Deus de qualquer pecado(23).

E os serafins? A palavra serafim é interessante porque em hebraico o verbo


saraph significa "arder, pegar fogo, queimar". O serafim é "aquele-que-queima"; o
que queima purifica: é, então, "aquele-que-purifica". São guardiães, também, da
santidade do Eterno lembrando o fogo e sua obra de purificação. E, realmente, só
aparecem os serafins uma vez em Isaías 6, na visão do profeta, com seis asas. A
propósito, anjo tem asas? Não; a figura das asas em anjos é para mostrar
graficamente a presteza, a velocidade com que executam as ordens de Deus. No
entanto, não vamos encontrar os mensageiros de Deus com asas em Sodoma, ou
guiando Agar no deserto, ou o povo de Deus na peregrinação no deserto. A única
menção é a dos serafins, e outra no Apocalipse a respeito de anjos alados(24).

E o arcanjo? Na Bíblia só aparece o nome de um que é Miguel(25). E tem ele


sempre papel combativo. Quem é Miguel? Qual a diferença de Miguel para
Gabriel? Miguel é aquele que está relacionado a missões guerreiras; é quem
comanda as batalhas do Senhor. Então, sempre que lerem ou ouvirem o nome
Miguel, lembrem-se que é ele o anjo guerreiro por excelência(26). É o mensageiro
da lei e do julgamento(27), e seu próprio nome que é, aliás, uma pergunta retórica,
é um grito de batalha e significa "QUEM É COMO DEUS?"e tem como resposta:
"Ninguém!" Quem pode ser como Deus? Um hineto muito apreciado em nossas
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igrejas canta:

"Quem é deus acima do Senhor?


Quem é rocha como o nosso Deus?"

A resposta só pode ser uma: "Ninguém!" É isso o que Miguel, que sempre aponta
para Deus, nos está lembrando!

E Gabriel? Agora é diferente. Se Miguel é o anjo guerreiro por excelência, Gabriel


é o que está relacionado com missões de paz. É o contrário: Gabriel é o
mensageiro das boas notícias, é o mensageiro das mensageiro, o mensageiro da
promessa de Deus, é o anjo da revelação, é quem explica mistérios a respeito de
futuros acontecimentos, até políticos(28). É mencionado quatro vezes na Bíblia, e
sempre como mensageiro: Daniel 8.16; 9.21, e novamente no Evangelho de
Lucas, capítulo 1 notificando a Isabel e a Maria, sobretudo, que ela vai ser a mãe
do Salvador(29). Gabriel é um nome muito sugestivo e significa "Herói de Deus",
"Valente de Deus", "Campeão de Deus".

...MINISTRADORES
Voltemos a Hebreus 1.14:

"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que
hão de herdar a salvação?"

O texto diz que, além de "espíritos", são os anjos "ministradores" a favor dos
salvos. Qual é, então, o seu ministério?

Há uma ministração celestial e uma ministração terrena. Há um serviço litúrgico,


cultual dos anjos na adoração ao Criador:

"Louvai-o, todos os seus anjos;


louvai-o, todas as suas hostes!" (30)

Ministério cultual, ministério de louvor. Também assistem o Senhor. Estavam


presentes na Criação(31); estavam presentes na revelação da Lei(32); estavam no
nascimento de Jesus(33); na tentação(34); no Getsêmani(35); na ressurreição(36);
e na ascensão(37). Em todos esses eventos, os anjos estiveram presentes, e
estarão, igualmente, na Parousia, a Segunda Vinda de Cristo(38).

Há uma ministração aos salvos. No programa divino para nós, os anjos estão
envolvidos em quatro tipos de atividades: proteção, transporte, comunicação e
vigilância.

Proteção ou guarda. Temos um grande conforto na Palavra Santa, que usa a


abençoada expressão "O anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que o
temem e os livra"(39). Porém, não estamos nos referindo ao chamado "anjo da
guarda". Esse é um conceito que vem da Igreja Majoritária. Basílio e Jerônimo,
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teólogos da Igreja Antiga lançaram a idéia de que quando nasce uma criança, a
ela é atribuído um anjo para a guardar durante toda vida. Interessante é que
quando Orígenes disse que, ao mesmo tempo que um anjo é colocado ao lado da
criança, um demoniozinho também lhe é atribuído. De um lado fica um anjinho
tomando conta e do outro lado fica um diabinho espicaçando cada um de nós.
Essa é a razão porque nas histórias em quadrinhos ou em desenhos animados
aparece, numa hora de tentação, o diabinho procurando tentar de todo jeito.

Essa idéia de anjo da guarda, então, está baseada no papel de um arcanjo


chamado Rafael, não mencionado na Bíblia, mas no livro apócrifo de Tobias. Eu
não creio em "anjo da guarda", mas creio, sim, em um "anjo-que-guarda". Creio no
anjo do Senhor que nos guarda, de acordo com o que a Bíblia diz no Salmo 34.7.
Ou ainda em Daniel 6.22 que diz, "O meu Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca
dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência
diante dele; e também contra ti, ó rei, não cometi delito algum".

Temos outros exemplos notáveis no Antigo Testamento. No Segundo livro dos


Reis 6.15ss, há um exemplo dessa guarda. No Novo Testamento, no capítulo
cinco de Atos, também. Nesse ponto, alguém pode perguntar, "Pastor, acontece
hoje também essa guarda dos anjos, ou isso aconteceu somente nas páginas da
Bíblia?" Isso ocorre ainda hoje. Na história de John Patton, missionário do século
passado nas Novas Hébridas, há uma página onde ele conta que quando foi
pregar o evangelho, era muito hostilizado. As tribos que ali havia eram canibais e
tentaram matá-lo com toda a família. Patton diz que cercaram a sua casa e ele e a
família começaram a orar durante toda a noite. Fizeram uma vigília de oração
porque estavam literalmente no vale da sombra da morte. E eles oraram, e
oraram, e quando um terminava de orar o outro começava, o outro depois, o outro
depois. Orou ele, a esposa, os filhos oraram, quando terminava voltava toda
aquela corrente de orações. Os homens foram embora, saindo sem tocá-los.
Cerca de um ano depois dessa noite de terror, o chefe da tribo converteu-se ao
evangelho, e conversando com o missionário Patton, perguntou-lhe "Eu queria
saber uma coisa: nós estivemos cercando a sua casa para matá-los. E não
podíamos, porque durante a noite víamos aquele exército. Onde é que você
escondia aqueles homens todos durante o dia? Por que só apareciam à noite?". E
então o missionário respondeu que não havia mais ninguém, somente ele e sua
família. O chefe disse, "Não, de jeito nenhum, havia homens, sim. Eram de grande
estatura, estavam vestidos de branco e com espadas na mão. Os nativos ficaram
com medo e fugiram..." E o Pastor Patton entendeu que Deus havia mandado os
Seus anjos para proteger a família naquele vale da sombra da morte de acordo
com o que diz o Salmo 23.

Uma outra função dos anjos é de transporte. Mas não é quando há


engarrafamento. Alguém pode pensar, "Bom, eu acho que o pastor está atrasado
porque houve um engarrafamento; não vai haver problemas porque um anjo pega
o pastor e traz para a igreja. Afinal, são colegas, são dois anjos..." Não é assim.
Essa função de transporte acontece na nossa morte. Está na Bíblia, Lucas 16.19-
22:
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"Havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e vivia
todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também certo mendigo,
chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele, e desejava
alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico. Morreu o mendigo e foi
levado pelos anjos para o seio de Abraão".

Ele não foi acompanhado não, ele foi transportado segundo a Escritura Sagrada.

Uma outra função é a de comunicação(40). Mas não para aumentar a Bíblia. Nada
de chegar um anjo ensinando um novo evangelho para completar, como acontece
com os mórmons que ensinam que um anjo chamado Moroni passou uma nova
revelação a Joseph Smith. A Bíblia diz que é anátema (maldição), se alguém
aparecer querendo pregar um novo evangelho. Por isso, não aceitamos o
mormonismo, ou o islamismo que diz a mesma coisa, o espiritismo com um
evangelho à sua moda ou qualquer acréscimo ao bel-prazer de qualquer tribunal
canônico. Fujam de quem vem com uma mensagem nova. Fujam de quem vem
com uma nova revelação, seja pregador, pregadora, ou um ser disfarçado de
anjo(41).

Há uma outra função. É a de observação. Porque os anjos observam aquilo que


nós fazemos, os anjos são testemunhas do drama da salvação, os anjos estão
interessados na conduta dos crentes. O apóstolo Paulo diz, "Tenho para mim que
Deus a nós apóstolos, nos pôs por últimos como condenados a morte. Somos
feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens"(42). Os anjos são
testemunhas do drama da salvação; estão interessados na conduta dos crentes
segundo 1Coríntios 4.9 vêem o que nós fazemos. Eles estão especialmente o
declara. A Bíblia ensina que os anjos louvam e nos observam. Eles estão
observando cada um de nós porque são ministradores. Não é observar para dizer,
"Ah, fulaninho está fazendo tal coisa. Vou anotar e dizer a Deus". Anjo não é
alcagüete de Deus mas são nossos observadores, e a Bíblia diz que são até
chamados como testemunhas(43).

NO FUTURO

Há um futuro papel dos anjos. Está em Mateus 24. Diz que "Quando o Senhor
vier, Ele mandará Seus anjos para reunir os Seus eleitos de todos os quadrantes
do mundo". Onde houver um crente em Jesus Cristo, o anjo vai lá e o trás no
momento do grande Arrebatamento. Quando isso acontecer, a palavra de Jesus
ensina que são os anjos que virão nos buscar.

Há valores teológicos inigualáveis nas declarações bíblicas sobre os anjos.


Preciosíssimas lições:

Ø A primeira é que a Bíblia declara que ao lado do mundo que nós vemos Deus
criou um outro mundo de espíritos invisíveis, de seres puros que O servem. A
Deus e a nós também. No Salmo 103.20 está dito, "Bendizei ao Senhor, anjos
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seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, que obedeceis à sua
voz"(44).

Ø A segunda lição que tiramos é que Deus não perdoa a rebeldia. Que é
desobediência, orgulho, e atentado à ordem dos Seus planos(45). Por esse
motivo, Deus não perdoou os anjos que se rebelaram, os quais foram condenados
à eterna separação Dele. Deus não perdoa a nossa rebeldia também, a nossa
insensatez, e a nossa desobediência. E a Bíblia declara que "O salário do pecado
é a morte"(46).

Ø O ministério dos anjos na Bíblia é doutrina importante, doutrina essencial para


que entendamos a providência de Deus e a direção soberana da Sua criação. Nós
sabemos que a intervenção guiadora dos anjos na dispensação da Lei é
substituída pela direção do Espírito Santo na dispensação do Novo Testamento. O
Senhor não autoriza o culto aos anjos. E a idéia de anjos medianeiros também é
um absurdo porque eles usurpam o lugar de Jesus Cristo. Os anjos são
poderosos, mas não são Deus; são poderosos, mas não são a Trindade; são
poderosos, mas não são o Espírito Santo; têm poder, mas não são Jesus Cristo,
não são mediadores, não têm o atributos de Deus, não possuem qualquer
capacidade de regenerar o ser humano.

Ø O estudo dos anjos nos enche com uma nova visão e assombro pela grandeza
de Deus. Especialmente quando pensamos que os anjos, poderosos como são,
adorando a Deus, cumprindo a Sua vontade, são um exemplo para nós. Isso nos
dá agora um senso de humildade diante de Deus e de gratidão porque os anjos
estão ao nosso redor.
Ø A quinta lição é que os anjos apontam para a nossa dignidade no futuro porque
nós seremos iguais aos anjos de Deus, a Bíblia diz.
Ø E a sexta, é que tudo isso nos encoraja e estimula a servir a Deus com a
totalidade do nosso ser.
Ø E mais: Os anjos se alegram quando alguém se volta para Cristo. A palavra de
Deus acerca disso nos ensina em Lucas 15.10, "Há alegria diante dos anjos de
Deus por um pecador que se arrepende".
Que Deus nos auxilie a compreender e viver a reverência, a submissão e o serviço
que os anjos desempenham para que, deste modo, o que Jesus expressou na
Oração do Senhor seja pura realidade: "Seja feita a tua vontade assim na terra
como no céu!"
FONTES PRIMÁRIAS
1. ALVES, Anna Clara. Nossos Aliados Celestes. Em: Planeta Especial - Anjos
(Agosto de 1992), p. 4-9.
2. BOUTTIER, M. Anjo (no NT) Em: VON ALLMEN, J.-J. (Org.) Vocabulário
Bíblico. SP, ASTE, 1964. Trad. A. Zimmermann, p. 25-26.
3. BUCKLAND, A. R. Dicionário Bíblico Universal, 2a ed. Rio, Livros Evangélicos,
1957. Trad. J. Dos S. Figueiredo.
4. CHAFER, L. S. Grandes Temas Bíblicos. Ed. Revista. Grand Rapids, Portavoz
Evangélico, 1976. Trad. E. A. Nuñez e N. Fernández.
5. COSTA, Marina Elena. Seres Angélicos, do Oriente ao Ocidente. Em: Planeta
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Especial - Anjos, p. 10-15.
6. DATTLER, Frederico. Síntese de Religião Cristã. Petrópolis, Vozes, 1985.
7. DE HAAN, Richard W. Our Angel Friends. Grand Rapids, RBC, 1980.
8. LELIÈVRE, A. Anjo (no VT) Em: VON ALLMEN, Op. Cit., p. 24-25.
9. LITTLE, Robert J. Here's Your Answer. 3a impr. Chicago, Moody, 1967.
10. MEIER, Samuel A. Angels. Em: METZGER, Bruce M. e COOGAN, Michael D.
(Orgs.). The Oxford Companion to the Bible. NY, Oxford University, 1993, p. 20-28.

11. MICHL, Johann. Angel.Em: BAUER, J.B. (Org.). Encyclopaedia of Biblical


Theology. NY, Crossroads, 1981, p. 20-28.
12. NEWHOUSE, Flower A. Redescobrindo os Anjos. SP, Pensamento, 1994.
Trad. C. G. Duarte, 131 p.
13. SCHNEIDER, Bernard N. The World of Unseen Spirits. Winona Lake, BMH
Books, 1975.
14. TAYLOR, Terry Lynn. Anjos - Mensageiros da Luz, 11a ed. SP, Pensamento,
1995. Trad. A. Trânsito.
15. VAN DEN BORN. Querubim. Em: VAN DEN BORN, A. (Org.) Dicionário
Enciclopédico da Bíblia, 2a ed. Petrópolis, Vozes, 1977, p. 1248-1249.
16. ________. Serafim. Em: VAN DEN BORN, A. (Org.), Op. Cit., p. 1414-1415.
17. VAN SCHAIK, A. Anjo. Em: Van den Born, Op. Cit., p. 74-77.
(1) ALVES, Anna Clara. In: Planeta Especial, agosto de 1992, pp. 4-9.
(2) TAYLOR, Terry Lynn. Anjos - Mensageiros da Luz.
(3) NEWHOUSE, Flower A. Redescobrindo os Anjos
(4) Cit. Por GRAHAM, Billy. Anjos.
(5) De onde vem o nome Malaquias = "mensageiro do Senhor".
(6) Cf. Isaías 14.32.
(7) Cf. Malaquias 2.7.
(8) Cf. Gn 32.3; Nm 20.14; 1Sm 11.7; 23.27.
(9) Cf. Mt 13.41; 18.10; 26.53; Mc 8.38; 13.32; Lc 22.43; Jo 1.51; Ef 1.21; Cl 1.16;
2.18; 2Ts 1.7; 22.9; Hb 12.22; 1Pe 3.22; 2Pe 2.11; Jd 9; Ap 12.7;.
(10) Cf. Jz 2.1; 6.11-22; Sl 104.4; Mt 1.20; 28.30; Lc 1.26; Jo 20.12; Ap 15.6; 18.1.
(11) Cf. 2Sm 14.17.20.
(12) Cf. 1Co 2.11; Mt 24.36; Mc 13.32.
(13) Cf. 2Pe 2.4; Jd 6.
(14) Cf. Is 37.36; 2Pe 2.11; Sl 103.20; Ap 20.2; 2Ts 1.7.
(15) Cf. 1Co 14.33.
(16) A rigor, a Bíblia só menciona um arcanjo que é Miguel, cf. 1Ts 4.16.
(17) Cf. Ef 2.2; Cl 2.15.
(18) Cf. Jo 16.13; 14.26; Rm 8.14; Gl 5.18).
(19) Palavra sânscrita que significa "deus".
(20) Gn 3.24.
(21) Ex 25.18,20.
(22) Sl 80.1.
(23) Ez 1.1-18.
(24) Ap 4.8.
(25) Jd 9; Dn 10.13, 21; 12.1; 1Ts 4.16: Ap 12.7.
(26) Cf. Ap 12.7.
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(27) Cf. Ap 12.7-12.
(28) Cf. Dn 8.16-26; 9.20-27.
(29) Cf. vv. 19, 26.
(30) Sl 148.2; cf. Ap 5.11,12; Is 6.3; Ap 4.8
(31) Jó 38.7.
(32) At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2; Ap 22.16).
(33) Lc 2.13.
(34) Mt 4.11.
(35) Lc 22.43.
(36) Mt 28.2.
(37) At 1.10.
(38) Cf. Mt 24.31; 25.3; 2Ts 1.7.
(39) Sl 34.7.
(40) Gn 19.1,12,13; Lc 1.11-13; 1.26-35; 2.8-12Mt 2.13; At 7.53; 27.22-25.
(41) Cf. 2Co 11.4; Gl 1.7b,8; Ap 22.18.
(42) 1Co 4.9; cf. 11.10.
(43) Cf. 1Tm 5.21
(44) Cf. Gn 22.11; Sl 91.11; Hb 1.14.
(45) Cf. Jó 42.2.
(46) Cf. Gl 3.22; Ec 7.22.

APOSTILA Nº. 02/300.000 MIL CURSOS GRATIS.


DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS

PREÂMBULO.

INTRODUÇÃO.
I, DEFINIÇÃO DE DEUS. 01
II, ENTENDENDO DEUS, A PARTIR DA DEFINIÇÃO DO TEÓLOGO A. B.
LANGSTON. 07
II, 1, A NATUREZA DE DEUS. 02
II, 1, A, DEUS É ESPÍRITO. 07
II, 1, B, DEUS É ESPÍRITO PESSOAL. 03
II, 1, C, A APARÊNCIA DE DEUS. 04
II, 2, O CARÁTER DE DEUS. 05
II, 3, RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO. 06
II, 3, A, DEUS É O CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ. 07
II, 3, B, DEUS É O SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ. 08
II, 3, C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ. 10
II, 4, OS MOTIVOS DE DEUS PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO. 09
III, A EXISTÊNCIA DE DEUS. 10
III, 1, PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS. 11
III, 1, A, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DO UNIVERSO. 11
III, 1, A, a, PRIMEIRA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO. 12

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III, 1, A, b, SEGUNDA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO. 12
III, 1, B, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA HISTÓRIA
UNIVERSAL. 13
III, 1, C, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DAS PERCEPÇÕES
HUMANAS. 14
III, 1, D, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA FÉ. 14
III, 1, E, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA CRISTÃ.
15
III, 2, A ETERNIDADE DE DEUS. 16
IV, ATRIBUTOS DE DEUS. 16
IV, 1, ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS. 17
IV, 1, A, ONIPRESENÇA. 17
IV, 1, B, ONISCIÊNCIA. 18
IV, 1, C, ONIPOTÊNCIA. 18
IV, 1, C, a, ONIPOTÊNCIA MORAL. 18
IV, 1, D, UNIDADE. 19
IV, 1, E, INFINIDADE. 19
IV, 1, F, IMUTABILIDADE. 19
IV, 2, ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS. 20
IV, 2, A, SANTIDADE. 20
IV, 2, B, JUSTIÇA, (RETIDÃO). 20
IV, 2, C, AMOR. 21
V, A SOBERANIA DE DEUS. 21
V, 1, CARACTERÍSTICAS DA SOBERANIA DE DEUS. 21
V, 1, A, A SOBERANIA UNIVERSAL DE DEUS. 21
V, 1, B, A SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL, COMPLETA E PERPÉTUA DE DEUS.
21
V, 2, A SOBERANIA DE DEUS EM RELAÇÃO AOS SERES MORAIS,
INCLUSIVE O HOMEM; O LIVRE ARBÍTRIO. 21
VI, DEUS E O MAL. 23
VII, ALGUNS NOMES DE DEUS, NA BÍBLIA SAGRADA. 23
CONCLUSÃO. 25
BIBLIOGRAFIA. 26
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
3.
PREÂMBULO.
APRESENTAÇÃO E REFERÊNCIA AOS ESTUDOS
Os estudos apresentados neste curso não são criação ou invenção nossa,
são, isto sim, principalmente, compilados da literatura evangélica
relacionada na bibliografia.
Por isso, orientamos todos os alunos a adquirirem os livros base
destes estudos, para que o conhecimento se multiplique.
Este trabalho não esgota os temas expostos, pois seria pretensão
inoportuna.
Nosso intuito é abrir alas à estruturação doutrinária dos salvos por
JESUS CRISTO e amantes da DOUTRINA CRISTÃ.
Reconhecemos que a linha mestra destes estudos, pelo menos à
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primeira vista, não será aprovada, apoiada ou adotada por todas as
correntes do CRISTIANISMO, nem por todos os leitores, ou estudiosos
destes trabalhos.
Porém, isso não nos preocupa, porque cremos que todo o conteúdo está
de acordo com a PALAVRA DE DEUS, a qual é, para todos os efeitos, a
fonte, imutável, de toda a revelação DIVINA e, por isso, da totalidade
da DOUTRINA CRISTÃ.
Assim sendo, cremos, inabalavelmente, em tudo o que está escrito, já
que, não saiu de nós, veio de DEUS.
Outro ponto a considerar é o aspecto subjetivo dos estudos realizados,
visto que, estes não são uma transcrição dos livros contidos na
bibliografia, são, isto sim, uma adaptação resumida dos mesmos,
visando ajudar os irmãos que não acessam estudos mais profundos das
DOUTRINAS CRISTÃS.
Além disto, e ainda, em virtude da subjetividade destes estudos,
talvez haja alguns pontos não encontrados nas obras da bibliografia ou
em outras obras escritas, porém, ainda que isto aconteça, a BÍBLIA
SAGRADA é a base de todos eles, haja vista as passagens BÍBLICAS, as
quais, jamais poderão ser alteradas.
Estudar as DOUTRINAS CRISTÃS extraídas da BÍBLIA SAGRADA é muito
importante para todo o cristão, visto que, tal estudo, tranqüiliza, e
muito, a mente do estudioso.
Tal tranqüilidade acontece porque o crente que estuda a DOUTRINA
CRISTÃ, nela crê e se apoia, fica imune a heresias que aparecem e
reaparecem na IGREJA DE JESUS CRISTO, vindas de todos os lados, com o
intuito de desviar os salvos por JESUS CRISTO da obediência a DEUS.
Porém, quanto a problemas de ordem secular, material e pessoal, jamais
prometeremos que os mesmos terminarão com estes estudos, ainda que
isso possa acontecer em alguns ou, até, em muitos casos.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
4.
Tais problemas poderão continuar na vida dos crentes, porém, no
aspecto espiritual, muitos e muitos desaparecerão em virtude dos
esclarecimentos doutrinários que, com toda a certeza, penetrarão na
mente e coração do filho de Deus que se dispõe a estudar.
ALGO IMPORTANTE ACERCA DA DOUTRINA CRISTÃ.
O estudo das DOUTRINAS CRISTÃS é importantíssimo para a IGREJA DE
JESUS CRISTO, como um todo, bem como, para cada salvo por JESUS CRISTO
em particular, visto que, a prática da vida natural e secular, tanto
quanto, da vida espiritual de cada pessoa (salva por JESUS CRISTO ou
não) é determinada pelas doutrinas que a mesma tem no coração, a não
ser que seja desobediente ao que crê.
Um aspecto muito importante a considerar sobre a DOUTRINA CRISTÃ é a
dificuldade que, infelizmente, tolda a visão de grande parte de
pessoas, qual seja, a falta de discernimento entre doutrina e costumes.
A DOUTRINA CRISTÃ é imutável, tanto quanto a BÍBLIA SAGRADA é imutável.
Os costumes, como é natural, mudam com o passar dos tempos e variam de
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lugar para lugar, ou de povo para povo, de acordo com as
circunstâncias e tradições.
Nosso intuito é tratar das DOUTRINAS IMUTÁVEIS DO CRISTIANISMO, quanto
aos costumes, se estes não são pecaminosos, não há motivo para
normatizá-los, pois o CRISTIANISMO autêntico, não o é pela aparência,
mas pela essência, a qual produz no coração do salvo por JESUS CRISTO
coragem e decisão para mudar o que necessário for para melhor honrar e
glorificar a DEUS.
Vejamos portanto o significado normal da palavra doutrina e
apliquemo-la ao CRISTIANISMO.
A palavra doutrina, segundo Aurélio, significa:
01, Conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso,
filosófico, científico, etc.
02, Catequese cristã.
03, Ensinamento.
De acordo com a primeira designação, a DOUTRINA CRISTÃ é o conjunto de
princípios ou verdades que servem de base ao CRISTIANISMO.
Se a IGREJA CRISTÃ é de JESUS CRISTO o qual é, indiscutivelmente,
DEUS, toda a DOUTRINA DA IGREJA DO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO

de vir do próprio DEUS.
Já que a fonte da DOUTRINA CRISTÃ é DEUS, onde poderemos encontrá-la?
A resposta é simples, a fonte, autorizada, da DOUTRINA CRISTÃ, não
pode ser outra senão a BÍBLIA SAGRADA, porque, não há qualquer sombra
de dúvida, esta é a PALAVRA DE DEUS, revelada ao homem.
Portanto, para o cristão genuíno, a DOUTRINA CRISTÃ é o conjunto, ou a
somatória dos princípios e ou verdades, extraídas da BÍBLIA SAGRADA,
em que o CRISTIANISMO VERDADEIRO se baseia e ou apoia.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS
5.
Em virtude disto:
JÁ QUE A BÍBLIA SAGRADA É IMUTÁVEL,
A DOUTRINA CRISTÃ, TAMBÉM É IMUTÁVEL.
Por ser imutável, a DOUTRINA CRISTÃ dos dias atuais é a mesma da IGREJA
PRIMITIVA e continuará sendo a mesma até a consumação dos séculos.
A DOUTRINA CRISTÃ é tão importante que a BÍBLIA SAGRADA a ela dedica
várias passagens, Is¨29:22-24; Mat¨7:28, 22:33; Mar¨1:22, 27; Luc¨4:32;
João¨7:16-18, 18:19; At¨2:42, 5:28, 13:12, 17:19; Rom¨6:17-18, 16:17;
1ªCor¨14:6; Ef¨4:14, 6:4; 1ªTim¨1:1-10 (3, 10), 4:6, 16, 6:1-5;
2ªTim¨4:1-3; Tito¨1:9, 2:1, 7-10; Heb¨13:9; 2ªJoão¨9-11.
Todos os estudos doutrinários do curso visam ajudar o filho de DEUS a
resolver, possivelmente, grande quantidade de problemas de ordem
espiritual, os quais, se estiverem ocupando sua mente, com certeza
absoluta, estão, totalmente, fora da vontade de DEUS.
Antes de iniciar os estudos, é necessário abrir a mente e coração, de
tal forma que não haja permissão para a colocação de obstáculos, de
ordem pessoal, tais como:
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01, É muito grande¨!
02, É muito difícil¨!
03, Não tenho tempo para estudar¨!
04, Não conseguirei aprender nada¨!
05, A minha cabeça não dá para fazer este estudo¨!
06, Etc.
Jamais permita que tais pensamentos dominem vossa mente, porque:
01, DEUS nos fez seus filhos, João¨1:12.
02, DEUS nos deu a mente de CRISTO, 1ªCor¨2:16.
03, DEUS nos alimenta através da sua PALAVRA, Mat¨4:4.
04, DEUS nos dá a doutrina do SENHOR, At¨13:12.
05, DEUS deseja que nos esclareçamos e instruamos em sua PALAVRA,
2ªTim¨3:16-17.
06, DEUS quer que nos humilhemos diante dele, 1ªPed¨5:6.
07, DEUS nos quer sóbrios para vencermos nosso maior inimigo, qual
seja, o diabo, que brama como leão ao derredor de nós, tentando nos
tragar, 1ªPed¨5:8.
Estudemos, portanto, com coragem e fé, para o bem pessoal, para honra
e glória de DEUS e para a, verdadeira, expansão do SEU REINO.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
6.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
INTRODUÇÃO.
A pessoa salva por JESUS CRISTO jamais poderá prescindir do estudo
sobre DEUS, O CRIADOR, SUSTENTADOR, LEGISLADOR E GOVERNADOR de
tudo o
que há, quer seja do mundo visível ou invisível.
Este estudo não contém a totalidade, nem a profundidade, do
conhecimento humano acerca do SER DIVINO que é a causa de tudo o que
veio a existir, porém, com toda a certeza, nos colocará a par dos
ensinamentos básicos acerca de DEUS.
Estudemos, portanto, com muito amor, vontade e dedicação, sobre o
mais importante ser existente em toda a extensão do universo,
para nossa compreensão e benefício, em todas as áreas da vida,
principalmente a espiritual.
I, DEFINIÇÃO DE DEUS.
Definir DEUS, talvez seja tarefa impossível ao ser humano,
principalmente, porque, para o ser da dimensão de DEUS, uma definição
há de ser dada em poucas palavras.
Porém, quem crê na existência de DEUS e estuda o que sobre ele está
revelado na BÍBLIA SAGRADA, há de ter condições de defini-lo, ainda
que seja uma definição sucinta e um tanto quanto incompleta.
Vejamos algumas definições de DEUS, as quais são, na verdade, tentativas
de defini-lo, já que sempre faltará algo, importante, nas mesmas.
O minidicionário Aurélio define DEUS como:
01, Ser infinito, perfeito, criador do universo.
O conciso dicionário de teologia CRISTÃ, diz:
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01, Paul Tillich concebeu DEUS não como um ser dentre muitos e nem até
mesmo como o ser supremo, mas o fundamento de todos os seres, a
força ou o poder dentro do qual todas as coisas são de sua autoria.
O dicionário da BÍBLIA nos diz:
01, Nome da suprema divindade que os homens invocam e adoram.
02, A palavra grega que em o Novo Testamento traduz o objeto de
adoração, é Espírito.
03, A palavra hebraica do Antigo Testamento que por sua vez, representa
esta idéia, leva-nos a pensar na força geradora de todas as cousas.
04, Nos lábios CRISTÃOS, portanto, a palavra DEUS designa fundamentalmente
o Espírito Poderoso que é adorado, e cujo auxílio invocamos.
O teólogo A. B. Langston define DEUS, como segue:
DEUS É ESPÍRITO PESSOAL, PERFEITAMENTE BOM, QUE, EM SANTO
AMOR,
CRIA, SUSTENTA E DIRIGE TUDO.
Nesta última definição encontramos, sem dificuldade, a natureza de
DEUS, seu caráter, sua relação com o universo e seus motivos para com
tudo o que foi criado.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
7.
NOTA IMPORTANTE. É indispensável decorar esta definição.
Estudemos todos estes aspectos de DEUS.
II, ENTENDENDO DEUS, A PARTIR DA DEFINIÇÃO DO TEÓLOGO A. B.
LANGSTON.
Na definição de DEUS de A. B. Langston, como já vimos, encontramos:
1, A NATUREZA DE DEUS.
2, O CARÁTER DE DEUS.
3, A RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO.
4, OS MOTIVOS DE DEUS, PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO.
Vejamos cada um destes itens em particular.
II, 1, A NATUREZA DE DEUS.
DEUS É ESPÍRITO PESSOAL.
II, 1, A, DEUS É ESPÍRITO.
João¨4:24; 2ªCor¨3:17.
II, 1, B, DEUS É ESPÍRITO PESSOAL.
Êx¨3:1-22; Is¨43:11-15; Jer¨26:12.
A natureza de DEUS é muito diferente da natureza do ser humano.
Esta diferença está no fato de DEUS não possuir corpo físico.
DEUS não possui corpo físico, nem pode posssuí-lo, porque é ESPÍRITO.
Por ser ESPÍRITO, DEUS existe numa dimensão invisível ao ser humano, pelo
menos, enquanto este estiver na existência terrena e dotado de corpo físico.
Todos nós conhecemos muitas pessoas, todas elas, dotadas de corpo
físico, ou seja, composto de matéria concreta, palpável e visível, por
isso, à primeira vista, talvez seja difícil ao ser humano, crer na
existência de um ser pessoal que não tenha corpo.
Porém, também o homem após a morte física continua existindo sem corpo
físico, já que, o corpo físico do ser humano, se torna pó, Gên¨3:19;
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Ecle¨12:7.
Compreendendo esta realidade, não é tão difícil aceitar a verdade de
que DEUS, ainda que, sendo ESPÍRITO e sem corpo físico, é pessoa.
Pessoa é todo o ser que tem, pelo menos três características, quais sejam:
01, INTELIGÊNCIA.
02, AFEIÇÃO.
03, VONTADE.
Estas três características, por sua vez, se expressam através de
vários poderes, quais sejam:
01, PODER DE PENSAR.
02, PODER DE SENTIR.
03, PODER DE QUERER.
04, PODER DE PENSAR EM SI MESMO.
05, PODER DE DIRIGIR-SE A SI MESMO.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS.
8.
Nos estudos sobre a DOUTRINA CRISTÃ DO ESPÍRITO SANTO, DO HOMEM E
ACERCA DO diabo, entramos nos detalhes destes itens.
Pelos textos lidos, no início deste item, está claramente provado que
DEUS é, com toda a certeza, um ser pessoal.
Não há qualquer dificuldade para verificarmos que quando DEUS se
comunica com o ser humano, ao referir-se a si mesmo, sempre usa o
pronome pessoal da primeira pessoa do singular como qualquer pessoa
humana, Gên¨17:1, 26:24; Lev¨22:33, 23:22; Deut¨5:6; Juí¨6:8-10;
1ºSam¨10:18; Is¨41:17; Jer¨7:23; Ez¨20:19, etc.
Por outro lado, quando o homem se dirige a DEUS também o trata como
pessoa, Gên¨3:9-10, 16:13; Êx¨32:11, etc.
Ao referir-se a DEUS, o homem também o trata como pessoa, Êx¨15:2,
23:25; Josué¨7:19; Sof¨3:17, etc.
Nos três casos alistamos, apenas, alguns exemplos com pronomes retos,
porém, há, também, os oblíquos e os ocultos.
II, 1, C, A APARÊNCIA DE DEUS.
Terá o homem subsídios ou condições, suficientes, para conceber e
determinar qual seja a forma ou a aparência de DEUS¨?
A BÍBLIA SAGRADA, em muitas de suas passagens, ao referir-se a DEUS
atribui-lhe muitas partes, ou órgãos, que fazem parte do corpo humano,
as quais aparentemente, também, fazem parte da natureza DIVINA.
Vejamos:
01, Coração do SENHOR, Gên¨8:21.
02, Braço de DEUS, Êx¨6:6.
03, Destra e narinas do SENHOR, Êx¨15:6-8¨(8).
04, Dedo de DEUS, Êx¨31:18.
05, Face, mão e costas do SENHOR, Êx¨33:20-23.
06, Ouvidos do SENHOR, Núm¨11:1.
07, Boca do SENHOR, Deut¨8:3.
08, Olhos do SENHOR, Deut¨11:12.
09, Pés do SENHOR, 2ºSam¨22:10.
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10, Cabeça do SENHOR, Sal¨60:6-7¨(7).
Poderá alguém afirmar: “Se Moisés viu o SENHOR pelas costas, como nos
declara Êx¨33:23, DEUS tem forma de homem”¨!
Além desta visão que Moisés teve de DEUS, há mais uma oportunidade em que
além de Moisés, também Arão, Nadabe, Abiú e mais setenta anciãos de
Israel viram a DEUS, é o que verificamos na narrativa de Êx¨24:9-11.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
9.
Por isso, em conseqüência destes fatos há, não poucas, pessoas que,
infelizmente, pensam que DEUS tem forma humana.
Porém, vejamos o que o legislador israelita, Moisés, nos fala em
Deut¨4:1-20¨(14-20).
Os órgãos humanos atribuídos a DEUS estão colocados na BÍBLIA
SAGRADA em linguagem antropológica, a fim de que o ser humano
possa entender o poder, majestade e glória de DEUS.
A verdade é que nem Moisés, o qual, a BÍBLIA SAGRADA diz que viu
DEUS pelas costas, considerou a possibilidade de DEUS ter
aparência humana.
Na verdade, o que houve foi uma Teofania ou uma Epifania.
Teofania é, manifestação de Deus em algum lugar, acontecimento ou pessoa.
Epifania é, Aparição ou manifestação divina.
Por isso, Moisés proibiu o povo israelita e, por extensão, a
todos os demais povos, a jamais compararem DEUS a qualquer coisa
existente, quer no céu, quer na Terra, quer debaixo da terra,
quer na água debaixo da terra, Deut¨4:15-20.
Outra dificuldade que se nos apresenta está em Gên¨1:26-27, onde
se lê que DEUS fez o homem à sua imagem e semelhança, e em
Gên¨5:1, verificamos, novamente, que DEUS criou o homem à SUA
semelhança.
À primeira vista, pode parecer que o homem tem sua imagem física
semelhante a DEUS.
Fato este que por sua vez pode levar o homem a pensar que Deus é,
em sua aparência, semelhante ao homem.
Porém, os conhecedores da língua hebraica, idioma da quase
totalidade do ANTIGO TESTAMENTO, incluindo as passagens citadas,
ensinam que: “As palavras hebraicas TSELEM e DEMUT, traduzidas
por imagem e semelhança, não se referem ao aspecto físico”.
Este fato concorda, perfeitamente, com João¨4:24 e 2ªCor¨3:17,
passagens que nos mostram claramente que: “DEUS É ESPÍRITO”.
Porque DEUS É ESPÍRITO é invisível ao ser humano, pelo menos,
enquanto este estiver no seu corpo corruptível e mortal,
Col¨1:15; 1ªTim¨1:17, vejamos ainda Luc¨24:39.
Para terminar este assunto, vejamos João¨1:18; 1ªTim¨1:17, 6:16;
1ªJoão¨4:12, passagens estas que nos afirmam que DEUS nunca foi
visto por homem algum, porque é invisível e imortal.
Portanto, para nosso bem-estar espiritual, jamais atribuamos a
DEUS qualquer tipo de imagem, ou semelhança com qualquer coisa
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material, At¨17:29.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
10.
II, 2, O CARÁTER DE DEUS.
DEUS É PERFEITAMENTE BOM.
Várias passagens BÍBLICAS atestam a perfeita bondade de DEUS,
1ºCrô¨16:34; 2ºCrô¨5:13, 7:3, 30:18-19; Esd¨3:11; Sal¨25:8, 34:8,
52:8-9, 54:6, 73:1, 86:5, 100:5, 106:1, 107:1, 118:1-5, 29, 119:68,
135:3, 136:1-26; Jer¨33:11; Lam¨3:25; Naum¨1:7; Mar¨10:18;
Luc¨18:18-19; 1ªPed¨2:3.
II, 3, RELAÇÃO DE DEUS COM O UNIVERSO.
DEUS se relaciona com o universo e com tudo o que nele há, numa
relação de total e irrestrita superioridade.
Tal relação de superioridade é comprovada em três aspectos:
A, DEUS É CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ.
B, DEUS É SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ.
C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ.
II, 3, A, DEUS É O CRIADOR DE TUDO O QUE HÁ.
Várias passagens BÍBLICAS afirmam que DEUS é criador de tudo o que há,
Gên¨1:1, 11-12, 21, 27, 2:3, 5:1-2, 6:7; Deut¨4:32; Neem¨9:6;
Ecle¨11:5; Is¨42:5, 43:7, 44:24, 45:7, 51:13, 65:17; Jer¨10:12, 16,
51:15, 19; João¨1:3-4; Rom¨11:36; Ef¨3:9; Col¨1:16; Heb¨3:4, 11:3;
Apoc¨4:11, 10:6.
II, 3, B, DEUS É O SUSTENTADOR DE TUDO O QUE HÁ.
DEUS sustenta tudo o que há, não só na Terra, mas em todo o universo,
Deut¨8:3-16; Col¨1:17; Heb¨1:3, o último, versículo é referente a JESUS
CRISTO, porém, JESUS CRISTO é DEUS, como podemos verificar em
João¨1:1-14; 1ªJoão¨5:20.
II, 3, C, DEUS É DIRIGENTE DE TUDO O QUE HÁ.
As próximas passagens BÍBLICAS atestam que DEUS dirige tudo o que há,
Sal¨45:6, 66:7, 145:13; Lam¨5:19; Dan¨4:3.
II, 4, OS MOTIVOS DE DEUS PARA COM TUDO O QUE FOI CRIADO.
A vinda de JESUS CRISTO à Terra para dar a SALVAÇÃO ETERNA ao ser humano,
mostra claramente qual é o motivo de DEUS em relação à criação,
principalmente em relação ao ser humano, João¨3:16; Rom¨5:8.
Estas passagens mostram que DEUS se relaciona com o ser humano em
amor, não poderia ser de outra forma, porque DEUS É AMOR,
1ªJoão¨4:7-21.
Porém, sobram motivos para crermos que DEUS se relaciona com tudo o
que criou com santo amor.
III, A EXISTÊNCIA DE DEUS.
Com certeza, DEUS é um ser provável, ou seja, é possível ao homem
provar a existência de DEUS.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
11.
DEUS, na pessoa DIVINA do ESPÍRITO SANTO, ao inspirar o escritor SACRO
do livro de Gênesis, não se preocupou em provar por A mais B a sua
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existência, apenas fez uma simples e breve declaração, porém, dotada
de uma convicção tão certa e indubitável que é impossível derrubá-la.
Vejamos a transcrição da declaração do primeiro versículo do
primeiro livro da BÍBLIA SAGRADA, Gên¨1:1: “No princípio criou DEUS
os céus e a Terra”.
Sendo DEUS um ser provável, é possível provar sua existência, não só a
partir desta declaração BÍBLICA, mas também, a partir de algumas
outras evidências, como verificaremos a seguir.
III, 1, PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.
Estudaremos algumas provas da existência de DEUS, as quais, hão de
estar de acordo com a definição de DEUS, estudada anteriormente.
Não iremos, portanto, provar a existência de um DEUS qualquer, porém,
O DEUS revelado na BÍBLIA SAGRADA.
Para muitas pessoas, provar a existência de DEUS, é coisa desnecessária,
porque se DEUS existe, sua existência deve ser patente e indubitável.
Porém, façamos uma simples analogia, tomando como base um ser humano
desprovido do formidável sentido da visão.
A pessoa sem o sentido da visão desconhece, completamente, a luz.
Quem vê, prova que a luz existe, mas quem não vê, há de ter uma enorme
dose de boa vontade para aceitar a realidade de uma coisa que não pode
ser constatada por ele.
Por isso, a aceitação das provas da existência de DEUS dependem, e
muito, da pessoa que as escuta, já que, cada um é livre para crer e
aceitar ou não aquilo que ouve.
Entretanto, DEUS existe e é possível provar sua existência, em, pelo
menos cinco aspectos.
A, PELO UNIVERSO.
B, PELA HISTÓRIA UNIVERSAL.
C, PELAS PERCEPÇÕES HUMANAS.
D, PELA FÉ.
E, PELA EXPERIÊNCIA CRISTÃ.
Vejamos cada uma em particular.
III, 1, A, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DO UNIVERSO.
Para a existência do universo, há apenas duas alternativas possíveis:
a, PRIMEIRA ALTERNATIVA.
O universo é produto de uma criação, evolução e direção próprias.
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12.
b, SEGUNDA ALTERNATIVA.
O universo foi criado, é sustentado e dirigido por um ser inteligente
e onipotente.
Se a primeira opção for provada, o universo estará impossibilitado de
nos apresentar qualquer prova da existência de DEUS.
Porém, se a primeira opção não puder ser provada, há razões suficientes
para procurarmos no universo provas da existência de um ser, totalmente,
poderoso e inteligente, para o qual nos renderemos em reconhecimento da
sua total capacidade para CRIAR, SUSTENTAR E DIRIGIR TUDO O QUE HÁ.
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III, 1, A, a, PRIMEIRA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO.
O UNIVERSO COMO PRODUTO DE UMA CRIAÇÃO, EVOLUÇÃO E DIREÇÃO
PRÓPRIAS.
A ciência concluiu que há noventa e dois elementos na natureza (hoje há
mais, porém, além dos noventa e dois, são todos artificiais), os quais,
combinados na imensidão das possibilidades e em variadas quantidades,
possibilitam a existência de tudo o que há, no mundo físico.
Imaginemos os noventa e dois elementos coexistindo irracionalmente.
Apesar da sua irracionalidade, combinaram-se entre si, e construíram
(para não multiplicar a, possível, confusão da nossa mente pensando no
universo) o planeta Terra, com todos os materiais que o constitui.
Além das matérias do planeta Terra, esses noventa e dois elementos,
irracionais, da natureza, também criaram os seres vivos, quais sejam, as
plantas de toda a espécie, os animais de toda a espécie e o ser humano.
Notemos que, se aceitarmos esta primeira possibilidade da existência do
universo, somos forçados a aceitar que esses noventa e dois elementos
irracionais, tiveram a capacidade de produzir (no caso do ser humano)
um ser inteligente, afeiçoado e voluntarioso, que tem os poderes de
pensar, sentir, querer, consciência própria e direção própria.
Aceitar esta hipótese é aceitar:
01, Que DEUS, O CRIADOR, não existe (ateísmo).
02, Que os noventa e dois elementos primários são eternos e criadores
por acaso.
03, Que o ser humano (sem contar com tudo o que mais existe, apenas na
Terra) foi criado pelo acaso, ou seja, é um produto ocasionado pela
junção indiscriminada desses noventa e dois elementos primários,
brutos, ignorantes e impensantes.
04, Que a coisa criada (pelo menos, no caso do ser humano) é
infinitamente superior ao que a criou.
III, 1, A, b, SEGUNDA ALTERNATIVA PARA A EXISTÊNCIA DO UNIVERSO.
O UNIVERSO FOI CRIADO, É SUSTENTADO E DIRIGIDO POR UM SER
INTELIGENTE
E ONIPOTENTE (DEUS).
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
13.
Olhemos o universo como algo que passou a existir como resultado da
obra do Criador, DEUS, Gên¨1:1; Is¨44:24, 45:7.
Admitir que a matéria (os noventa e dois elementos primários) começou a
existir, é admitir que foi produzida por algo ou alguém que já existia.
Em virtude disso, a matéria é efeito, não causa.
Na relação causa efeito, há um aspecto importante a considerar, qual seja:
Nem tudo o que a causa tem é encontrado no efeito.
Porém, tudo o que é encontrado no efeito, a causa, também, possui.
Por isso, a causa é sempre superior ao efeito.
Lembramos que na primeira alternativa (pelo menos em relação ao ser
humano) acontece o contrário, ou seja, o efeito é maior que a causa.
O universo, com sua imensidão e harmonia, as quais, ultrapassam a
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nossa finita compreensão, demonstram a grandiosidade do poder,
conhecimento, presença e harmonia do CRIADOR.
Portanto, sem entrarmos em mais detalhes, com toda a certeza:
O UNIVERSO PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, B, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA HISTÓRIA
UNIVERSAL.
É bem verdade que a idéia correta de DEUS foi perdida na maioria
das civilizações mundiais, porém, é importante notar que a idéia de
DEUS sempre esteve, e está presente, onde quer que o ser humano
seja encontrado.
DEUS mandou destruir os povos da Terra prometida, em virtude da sua
religiosidade não estar de acordo com a verdade, Êx¨23:23-25.
Porém, não há dúvida que tais povos, ainda que erradamente, tentavam
atender aos anseios da alma, através da comunhão com DEUS.
O povo egípcio, não adorava o DEUS verdadeiro, porém, a história mostra
que o serviço da vida religiosa dos egípcios gastava muito mais,
recursos financeiros, do que as necessidades da vida cotidiana do povo.
A esfinge e as pirâmides egípcias estão aí como, grandiosos,
monumentos à religiosidade daquele povo, ou seja, à sua pretensão,
ainda que errada de servir ou chegar a DEUS.
A arqueologia tem encontrado muitas provas da crença (ainda que de
forma errada) do povo babilônico em DEUS.
Quanto ao povo israelita, há um fato altamente relevante, qual seja, a
história de Israel jamais poderá ser explicada ou entendida, se a
dissociarmos da ligação que este povo tinha com DEUS.
Levando em consideração todos estes fatos, e muitos outros, que fogem um
pouco ao nível básico desta matéria, é impossível que DEUS não exista.
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O maior monumento da prova da existência de DEUS, através da história
universal, preservado entre a humanidade, é a BÍBLIA SAGRADA, a qual,
ao longo dos tempos tem modelado e mudado, sempre para melhor, a
natureza de inúmeras e inúmeras pessoas, Prov¨30:5; Luc¨11:28;
João¨5:24; 1ªCor¨1:18; 2ªTim¨3:16.
Não há dúvida:
A HISTÓRIA UNIVERSAL PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, C, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DAS PERCEPÇÕES
HUMANAS.
As percepções humanas acontecem em, pelo menos, três áreas:
01, PERCEPÇÕES DO MUNDO OBJETIVO.
02, PERCEPÇÕES DO MUNDO SUBJETIVO.
03, PERCEPÇÕES DO MUNDO ESPIRITUAL (TAMBÉM, OBJETIVO).
Para que haja uma percepção é necessário que haja algo a perceber.
Ninguém percebe o que não existe.
Pensemos numa coisa que não existe¨!
Como foi tal pensamento¨?
As percepções do mundo objetivo e as do mundo subjetivo, ninguém
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coloca dúvida, já que aquelas todos podem ver, estas todos sentem.
As percepções do mundo espiritual são mais difíceis de provar, visto
que estas poderão acontecer em níveis e aspectos diferentes de pessoa
para pessoa.
Vejamos o que nos diz o autor do Salmo¨42:1-2, “Assim como o cervo
brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó
DEUS! a minha alma tem sede de DEUS, do DEUS vivo”. Vejamos também
Davi, Sal¨63:1 “A minha alma tem sede de ti”.
É verdade que os salmistas fazem parte do povo de DEUS.
Porém, em virtude da realidade do ser humano ter percepções do mundo
espiritual, é que são formadas tantas e tantas religiões pelo mundo
afora, as quais já foram, rapidamente, consideradas no item anterior.
Assim sendo:
AS PERCEPÇÕES HUMANAS PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, D, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA FÉ.
Fé é confiança, porém, a fé é mais precisa e preciosa, se a tivermos
como certeza.
Nos relacionamentos humanos, a fé que depositamos em alguém, ou em
alguma coisa, pode falhar.
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15.
Quando alguém crê numa promessa BÍBLICA, mas interpretada ou entendida
incorretamente, também, poderá ficar desiludido, contudo, tal
desilusão não é causada por falha de DEUS ou da BÍBLIA SAGRADA, mas de
quem a entendeu, interpretou, creu e a ensinou, erradamente,
2ªPed¨2:1-22¨(1-3), 3:15-16.
Porém, quando depositamos nossa fé em DEUS, baseados em suas revelações
registradas na BÍBLIA SAGRADA, jamais seremos enganados ou iludidos, em
qualquer tempo, lugar ou situação, Sal¨37:28; 2ªCor¨4:8-9; Heb¨13:5.
Quando uma pessoa aceita a JESUS CRISTO como SEU ÚNICO E SUFICIENTE
SALVADOR, ou seja, passa a ser filha de DEUS, João¨1:12, é criado um
elo inquebrável e interminável entre DEUS e essa pessoa, de tal forma
que, JESUS CRISTO a segura na sua mão, a tal ponto que, aconteça o que
acontecer, jamais a lançará fora, João¨6:37-40, nem, de forma alguma,
permitirá que quem quer que seja a arrebate da sua mão, João¨10:27-30.
Esta obra de JESUS CRISTO opera no coração do salvo uma certeza
indestrutível, inquebrantável e interminável de forma que o mesmo
jamais se arrependerá de ter aceitado a JESUS CRISTO como seu único e
suficiente SALVADOR, 2ªCor¨7:10.
Para completar vejamos Heb¨11:6.
Este versículo nos mostra que, não havendo a FÉ CRISTÃ, é impossível
agradar a DEUS.
Com absoluta certeza:
A VERDADEIRA FÉ CRISTÃ PROVA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
III, 1, E, PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA
CRISTÃ.
Já convertido, ou seja, já regenerado, 2ªCor¨5:17; Tito¨3:5, e
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transformado em filho de DEUS, João¨1:12, o crente passa a ter
experiências da ação de DEUS em sua vida cotidiana, as quais jamais
experimentaria caso não houvesse a conversão genuína.
Tais experiências, não significam, taxativamente, que haverá, pleno,
sucesso intelectual, físico, social, econômico ou financeiro, etc, mas
que, principalmente e acima de tudo, haverá submissão à soberana vontade
de DEUS, o apóstolo Paulo é um exemplo disto, 2ªCor¨4:8-18;
Filip¨4:10-13.
Estêvão, também, sofrendo o apedrejamento que o levou à morte, teve
uma formidável experiência CRISTÃ com DEUS, At¨6:8-7:60¨(7:54-60).
E assim cada crente em JESUS CRISTO tem as suas experiências
formidáveis e inesquecíveis com DEUS, as quais provam, ainda que não
para os incrédulos, mas, principalmente e acima de tudo, ao menos para
si, que DEUS existe, o qual, é muito real em sua vidas.
AS EXPERIÊNCIAS DE TODOS OS FILHOS DE DEUS, COM O PAI CELESTIAL,
ABSOLUTAMENTE, COMPROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.
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III, 2, A ETERNIDADE DE DEUS.
Vimos acima algumas provas da existência de DEUS.
Porém, a existência de DEUS é, um tanto quanto, diferente de todas as
demais coisas e seres existentes no universo.
Como já vimos, DEUS é criador de todas as coisas, quer sejam visíveis
ou invisíveis, Col¨1:16.
Uma pergunta, aparentemente, lógica pode aflorar à nossa mente, ou
chegar aos nossos ouvidos, qual seja: Quem criou DEUS¨?
A resposta pode parecer absurda mas a BÍBLIA SAGRADA nos diz que DEUS
é eterno, Gên¨21:33; Deut¨33:27; Is¨40:28; Jer¨10:10.
Por ser eterno, DEUS não foi criado.
Por ser eterno, DEUS não teve início nem terá fim, Sal¨90:2, 93:2;
Is¨57:15; Hab¨1:12, 3:6.
Vejamos algumas passagens no livro de Apocalipse que nos esclarecem
corretamente acerca da eternidade de DEUS, Apoc¨1:8, 21:6, 22:13.
Somente o eterno DEUS pode declarar-se como ALFA E ÔMEGA,
PRINCÍPIO E FIM.
Para termos uma idéia de princípio e fim sem que haja uma demarcação,
olhemos um anel.
Quem tiver coragem, determine onde está o começo e onde está o final do anel.
Nós não temos essa coragem.
Assim é DEUS, é eterno, sempre existiu e sempre há de existir; jamais
teve começo e jamais terá fim.
IV, ATRIBUTOS DE DEUS.
Os atributos de uma pessoa são o conjunto de suas características ou
qualidades especiais, as quais as distinguem de todas as demais pessoas.
Os atributos de DEUS são o conjunto das suas características ou qualidades,
as quais podem ser descortinadas ao longo das páginas da BÍBLIA SAGRADA.
Os atributos DIVINOS mais conhecidos estão divididos em duas classes,
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quais sejam:
1, ATRIBUTOS NATURAIS.
2, ATRIBUTOS MORAIS.
Vejamos, cada um em separado.
NÃO HÁ
COMO
DISTINGUIR
O INICIO
NEM O
FINAL
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
17.
IV, 1, ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS.
Os atributas naturais de DEUS são inerentes apenas, e tão somente, a
DEUS, ou seja, são atributos que só DEUS e ninguém ou nada mais os possui.
Os atributas naturais de DEUS, referem-se à sua natureza e mostram
como Deus é.
Os atributos naturais de DEUS são:
A, ONIPRESENÇA.
B, ONISCIÊNCIA.
C, ONIPOTÊNCIA.
D, UNIDADE.
E, INFINIDADE.
F, IMUTABILIDADE.
Vejamos cada um em particular.
IV, 1, A, ONIPRESENÇA.
A onipresença de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a
de poder estar em todos os lugares, ao mesmo tempo, Deut¨4:39;
Sal¨139:3-16; Prov¨15:3; Is¨66:1; Jer¨23:23-24.
01, Porém, DEUS não é matéria, não está na matéria, nem a matéria é
DEUS, porque DEUS é ESPÍRITO, João¨4:24; 2ªCor¨3:17.
02, Se DEUS fosse matéria, estivesse na matéria, ou se a matéria fosse
DEUS, teríamos que aceitar o (absurdo) panteísmo como verdadeiro.
03, DEUS também, não tem necessidade de encher o universo com a
sua presença.
Vejamos Gên¨3:8; Is¨57:15; Jer¨23:23-24, por estes versículos, podemos
verificar que a onipresença de DEUS não é, nem está, limitada pelo
tempo nem pelo espaço, mas que onde houver necessidade da sua
presença, lá está DEUS em ação.
04, Por isso, DEUS é, simultaneamente, imanente e transcendente.
Transcendência significa:
01, Qualidade ou estado de transcendente.
02, Em Religião, o conjunto de atributos do Criador que lhe ressaltam
a superioridade em relação à criatura.
Transcendente entre outros, tem este significado:
01, Que transcende; muito elevado; superior, sublime, excelso.
Por isso, DEUS é infinitamente superior a nós, ou seja, está muito
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acima e além de nós, em essência, poder e majestade.
Imanência significa:
01, Qualidade de imanente.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
18.
Imanente significa:
01, Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele.
Mas, a imanência de DEUS não se restringe apenas a esta definição de Aurélio.
DEUS não está em nenhuma matéria, muito menos na nossa, além disso, a
nossa matéria também não é DEUS.
Contudo, DEUS age junto de nós e em nós.
Pela capacidade de DEUS ser, ao mesmo tempo, transcendente e imanente,
tem a possibilidade de agir a distâncias astronômicas, sem que essa ação
longínqua o impeça de agir particular e concomitantemente em cada um ou
em todos nós.
Vejamos novamente Is¨57:15; Jer¨23:23-24, para gravarmos o real
conceito da transcendência e da imanência de DEUS.
01, A transcendência pura é deísmo, o qual ensina que, haveria um DEUS
distante e por isso, inalcançável, ou seja, fora do alcance do homem.
02, A imanência pura é panteísmo, o qual ensina que, DEUS está em
tudo, é tudo e tudo é DEUS.
03, Por isso, a transcendência de DEUS destrói o panteísmo puro e a
sua imanência destrói o deísmo puro.
Graças a DEUS porque podemos desfrutar desta gloriosa capacidade DIVINA.
IV, 1, B, ONISCIÊNCIA.
A onisciência de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a
capacidade de saber tudo, quanto ao passado, presente e futuro,
1ºReis¨8:39; Sal¨139:1-4; Mat¨6:8; Heb¨4:13; 1ªJoão¨3:20.
IV, 1, C, ONIPOTÊNCIA.
A onipotência de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a
capacidade de ter todo o poder (DEUS é Todo-Poderoso), Gên¨17:1;
Is¨43:13, 45:7; Sal¨68:14, 91:1; Ez¨1:24; Mat¨19:26; Mar¨14:36;
Luc¨1:37; Apoc¨21:22.
IV, 1, C, a, ONIPOTÊNCIA MORAL.
A onipotência moral de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual
seja, a capacidade de jamais pecar.
DEUS não é, nem tentado pelo mal, Tiago¨1:13.
Se DEUS cometesse pecado, não seria DEUS.
É importante notar que, a ONIPOTÊNCIA de DEUS está sempre voltada para
o bem, jamais para o mal, não poderia ser diferente, porque a sua
benignidade dura para sempre, Sal¨136:1-26, não poderia ser diferente,
visto que DEUS é amor, 1ªJoão¨4:8.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
19.
IV, 1, D, UNIDADE.
A onipresença, onisciência e onipotência de DEUS nos dão a idéia real
da sua unidade.
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Na sua onipresença, temos a presença de DEUS onde quer que seja.
Na sua onisciência, temos o conhecimento total de DEUS acerca de tudo.
Na sua onipotência, temos o poder ilimitado DEUS.
Somados aos atributos morais que serão estudados daqui a pouco, vemos que.
Na sua santidade, temos que, em DEUS não há nada que não seja santo.
Na sua justiça, temos que, em DEUS não há nada injusto.
No seu amor, temos que, em DEUS não há nada que não seja amor.
Com todos os seus atributos, DEUS age uniformemente, de tal forma que,
quando no uso de qualquer um de seus atributos, não há neutralização,
diminuição ou contradição alguma com todos os demais.
A UNIDADE DE DEUS É SEM PARALELO.
IV, 1, E, INFINIDADE.
A infinidade de DEUS é sua qualidade de ser infinito em:
01, SUA PRESENÇA (ONIPRESENÇA).
02, SEU CONHECIMENTO (ONISCIÊNCIA).
03, SEU PODER (ONIPOTÊNCIA).
04, SUA SANTIDADE.
05, SUA JUSTIÇA.
06, SEU AMOR.
Não há, a mais remota, possibilidade de qualquer atributo de DEUS
chegar ao fim.
IV, 1, F, IMUTABILIDADE.
Imutabilidade é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade
de jamais mudar os seus propósitos, Sal¨33:11, 102:27; Rom¨11:29;
Heb¨13:8; Tiago¨1:17.
Além disso, a lógica nos leva a crer que, com certeza, DEUS jamais deixará
de ser onipresente, onisciente, onipotente, santidade, justiça nem amor.
Há várias passagens BÍBLICAS que, em virtude de se referirem a arrependimento
de DEUS, aparentemente, contradizem a IMUTABILIDADE DE DEUS, Gên¨6:6-7;
Êx¨32:14; 1ºSam¨15:11, 35; 2ºSam¨24:16; Sal¨135:14; Jer¨15:6, 18:8, 10, 26:3,
13, 19; 42:10; Ez¨24:14; Joel¨2:13; Amós¨7:3, 6; Jonas¨3:9-10, 4:2; Zac¨8:14.
Porém, o arrependimento de DEUS é diferente do arrependimento humano.
Quando o homem se arrepende de alguma coisa é porque muda seu modo de
pensar por haver feito algo que não devia ter feito.
Depois dessa sua mudança, muda seu modo de agir.
Já o arrependimento de DEUS acontece apenas no modo de agir.
Isto em virtude de DEUS ser, totalmente, justo, por isso, não faz nada
errado que necessite de arrependimento semelhante ao do ser humano.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
20.
IV, 2, ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS.
Atributos morais, também são encontrados no ser humano, porém, só DEUS os
possui, no mais alto grau, ou seja, num grau inatingível e insuperável.
Os atributos morais de DEUS mostram seu modo de agir.
Os atributos morais de DEUS são:
A, SANTIDADE.
B, JUSTIÇA (RETIDÃO).
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C, AMOR.
Vejamos cada um em separado.
IV, 2, A, SANTIDADE.
A santidade de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a
capacidade de ser totalmente SANTO, Lev¨11:44-45, 19:2; 1ªPed¨1:16.
DEUS é santíssimo, Is¨6:1-3; Apoc¨4:8.
DEUS não peca, João¨8:46; 2ªCor¨5:20-21.
DEUS não é tentado pelo mal, Tiago¨1:13.
IV, 2, B, JUSTIÇA, (RETIDÃO).
A justiça de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, ser totalmente
justo (reto), 2ºCrô¨12:6; Sal¨9:8, 50:6, 119:142; Jer¨33:16; Rom¨1:17.
01, DEUS é sem injustiça, Deut¨32:4.
02, DEUS é juiz justo, Sal¨7:11; Jer¨11:20.
03, DEUS julga o mundo com justiça e os povos com retidão, Sal¨9:8.
04, DEUS tem a sua justiça muito alta, Sal¨71:19.
05, DEUS tem seu trono baseado na justiça e no juízo, Sal¨89:14, 97:2.
06, DEUS não é injusto, Sal¨92:15; Rom¨9:14; Heb¨6:10.
07, DEUS julga o mundo com justiça e o povo com eqüidade, Sal¨98:9.
08, DEUS ama o juízo e faz juízo e justiça, Sal¨99:4.
09, DEUS é detentor de justiça eterna, Sal¨111:3, 119:142; Is¨51:6-8.
10, DEUS é totalmente justo, Sal¨145:17.
11, DEUS justo e SALVADOR não há além de mim, diz DEUS, Is¨45:21.
12, DEUS faz seu julgamento segundo a verdade, Rom¨2:2.
13, DEUS, pela sua justiça, condena todo o pecado com a morte, Rom¨6:23.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
21.
IV, 2, C, AMOR.
O amor de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade
de ser totalmente amor, João¨3:16.
Em Rom¨5:8 temos uma clara demonstração do amor de DEUS.
DEUS é amor, 1ªJoão¨4:8,16.
V, A SOBERANIA DE DEUS.
Pela sua natureza, caráter, criação, relacionamento com o universo e
atributos, concluímos, sem dificuldade, que a soberania de DEUS não é
como a soberania humana, mas extremamente superior, visto que, sua
autoridade ultrapassa a tudo e a todos, pois não há nada, do que veio
à existência, que não lhe esteja sujeito, quer seja no aspecto
material e visível ao ser humano, quer no invisível e imaterial,
1ºCrô¨29:11; 1ªPed¨3:22.
V, 1, CARACTERÍSTICAS DA SOBERANIA DE DEUS.
A soberania da DEUS tem basicamente duas características, as quais são:
A, SOBERANIA UNIVERSAL.
B, SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL E COMPLETA.
Vejamos cada uma destas em separado.
V, 1, A, A SOBERANIA UNIVERSAL DE DEUS.
A soberania de DEUS se sobrepõe a todas as coisas que, em virtude da
sua vontade, foram trazidas à existência.
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A soberania de DEUS abrange a totalidade da imensidão do universo, com
suas medidas astronômicas e com tudo o que este contém, Deut¨4:39;
1ºCrô¨29:10-12; Sal¨103:19.
V, 1, B, A SOBERANIA ABSOLUTA, TOTAL, COMPLETA E PERPÉTUA DE
DEUS.
Além de universal, a soberania de DEUS é absoluta, total, completa e
perpétua, sobre tudo o que criou, Sal¨45:6, 103:19, 145:13; Dan¨4:1-3,
34; Heb¨1:8; 2ªPed¨1:11.
Não há, portanto, restrições ou limitações à soberania de DEUS.
V, 2, A SOBERANIA DE DEUS EM RELAÇÃO AOS SERES MORAIS,
INCLUSIVE
O HOMEM; O LIVRE ARBÍTRIO.
O homem junto com os anjos são os únicos seres criados por DEUS
dotados de inteligência e moral, as quais, são exaltadas porque ambos
têm o livre arbítrio, também dado por DEUS.
Quanto ao livre arbítrio dos anjos, vejamos 2ªPed¨2:4; Judas¨6.
Quanto ao homem, este usa o livre arbítrio, em virtude da sua
inteligência, a qual lhe dá condições de discernir e decidir a conduta
da sua vida entre o bem e o mal, Gên¨3:1-24.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
22.
O soberano DEUS dotou o homem com esta capacidade e age, para com o
ser humano, de tal forma que não interfere arbitrariamente, nas
decisões que o mesmo toma durante a sua vida.
Contudo, DEUS exerce a sua soberania sobre o homem, ainda que, de um
modo, um tanto quanto, diferente da soberania exercida sobre os demais
seres e materiais do universo.
Por ocasião da queda de Adão e Eva no pecado, Gên¨3:1-24, o homem
morreu espiritualmente em conseqüência da desobediência destes ao,
simples, conselho de DEUS, Gên¨2:16-17.
Tal desobediência foi provocada pela tentação diabólica, entretanto,
foi levada a efeito, porque o ser humano colocou o seu livre arbítrio
em ação e usou-o mal.
Esta morte espiritual foi uma catástrofe para a humanidade, visto que,
separou o homem de DEUS e atingiu a totalidade dos descendentes de
Adão e Eva, Rom¨3:23, 5:12.
A união entre o homem e DEUS, perdida por ocasião da queda dos nossos
primeiros pais, jamais poderia ser recuperada, apenas e tão-somente,
pela ação e esforço do ser humano.
Porém, compadecido do lamentável estado do ser humano, o soberano DEUS
toma a gloriosa iniciativa de tirá-lo do seu estado de perdição.
Esta iniciativa é levada a efeito em duas etapas, quais sejam:
01, A proibição do homem comer da árvore da vida, para que não comesse
e vivesse eternamente em estado de perdição, ou seja, separado de
DEUS, Gên¨3:22-24.
Em Apoc¨22:1-2 podemos descobrir a árvore da vida, regada com as águas
do rio que sai do trono de DEUS e do CORDEIRO, a qual está reservada a
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todos os filhos de DEUS.
02, A providencia de DEUS em enviar a pessoa DIVINA DO SEU FILHO, O
SENHOR E SALVADOR, JESUS CRISTO, João¨3:16-18.
Aliás, JESUS CRISTO é o próprio DEUS que encarnou, que se fez
homem, João¨1:14, para concretizar a obra da SALVAÇÃO ETERNA,
João¨3:16-18, ou seja, proporcionar ao ser humano a possibilidade
de recuperar a vida espiritual perdida por ocasião da queda no
pecado, Gên¨3:1-24.
Desta forma, a soberania de DEUS é exercida e manifestada sobre o ser
humano, porque, por um ato de sua estrita vontade e autoria dá
oportunidade ao homem de recuperar o que havia perdido, ou seja a VIDA
ETERNA, Mat¨18:11; Luc¨19:10.
Portanto, com relação à SALVAÇÃO ETERNA do homem, a soberania de DEUS
é exercida, porque; É DEUS, quem toma a iniciativa de salvar o homem,
bem como, quem realiza a obra da SALVAÇÃO ETERNA, João¨3:16-18.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
23.
VI, DEUS E O MAL.
Como já vimos, DEUS é criador de tudo, Is¨44:24, inclusive do mal, Is¨45:7.
Já no Éden estava a árvore do conhecimento do bem e do mal, Gên¨2:9.
Segundo Aurélio, entre outros significados, mal significa:
01, Aquilo que é nocivo, prejudicial, mau; aquilo que prejudica ou fere.
02, Aquilo que se opõe ao bem, à virtude, à probidade, à honra.
Alguém poderá afirmar: Se DEUS criou o mal é porque não é bom como
afirmam que é.
Porém, isso é uma inverdade, porque a existência do mal não é problema.
O problema é o uso do mal.
Uma droga mortífera só mata quem a usa de forma, fatalmente, inconveniente.
No que concerne ao ser humano, este só viu a força do mal após a
desobediência, Gên¨3:1-7, à ordem que DEUS havia dado, Gên¨2:15-17.
Cremos que, se Adão não houvesse desobedecido a DEUS, no momento certo
chegaria o tempo em que teria o conhecimento correto do bem e do mal,
de tal forma que tal conhecimento ser-lhe-ia muito útil.
Quase sempre, o que acontece antes da hora certa é mau, só um exemplo,
a rosa é uma linda flor, porém, se alguém forçá-la a abrir-se enquanto
é botão, trará danos fatais ao que seria uma bela e perfumada rosa.
Assim sendo, o que prejudicou o ser humano, não foi a existência do
mal que havia sido criado, soberanamente, por DEUS.
O que prejudicou Adão foi seu abuso em usar aquilo que DEUS criara mas
que, por uma ordem sua, estava vedado ao uso.
Em termos humanos, o mal é relativo, porque, muitas vezes o que é um mal
para uma certa pessoa, pode ser um bem para outro alguém, novamente,
apenas um exemplo, a doença é um mal para o enfermo, porém, para o
médico, o fabricante de remédios e seus funcionários, farmácia e seus
funcionários é um bem, já que, estes vivem em virtude das enfermidades.
VII, ALGUNS NOMES DE DEUS, NA BÍBLIA SAGRADA.
Nas páginas da BÍBLIA SAGRADA (nas línguas originais) nos deparamos
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com vários nomes pelos quais DEUS é conhecido.
É bom saber que no Antigo Testamento os nomes próprios, costumam
descrever o caráter da pessoa que os possui.
Os nomes atribuídos a DEUS também têm esta característica.
Vejamos alguns nomes, usados na BÍBLIA SAGRADA, atribuídos a DEUS:
1, EL.
Talvez seja o nome mais antigo e geral dado a DEUS.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
24.
Este nome, também era usado para deuses pagãos.
Este nome, dá a idéia de, “aquele que vai adiante, começa, ou seja,
cria as coisas”.
Dá também a idéia de, o forte, o poderoso.
Partindo desse nome simples, temos algumas composições, vejamos.
1, A, ELOAH.
Este nome, é singular e significa, aquele a quem pertence todo o
poder; o plural de ELOAH é ELOHIM.
Na forma plural, é encontrado na BÍBLIA SAGRADA, cerca de 2.500 vezes.
Este nome, é traduzido por DEUS.
1, B, EL SHADDAY.
Este nome, significa: DEUS ONIPOTENTE, ou seja, TODO PODEROSO, Gên¨17:1.
1, C, EL EYON.
O DEUS ALTÍSSIMO, Gên¨14:19.
1, D, EL OLAM.
O DEUS ETERNO, Gên¨21:33.
2, JAVÉ OU JEOVÁ.
Aparece mais de 6.000 vezes no ANTIGO TESTAMENTO. Era o nome mais dado a
DEUS e apenas a DEUS, o SANTO de ISRAEL. Este nome aparece nas nossas BÍBLIAS,
ou seja, nas traduzidas em língua portuguesa, com as seguintes traduções:
01, SENHOR.
02, O DEUS ETERNO.
03, EU SOU. A exemplo do nome El, também, o nome JEOVÁ pode ser composto,
agregando-se a ele outros nomes, os quais atribuem a DEUS algo
relativo à sua pessoa, como podemos ver a seguir.
2, A, JEOVÁ JIRÉ. O SENHOR PROVERÁ, Gên¨22:14.
2, B, JEOVÁ NISSI. O SENHOR É MINHA BANDEIRA, Êx¨17:15.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS .
3, ADONAI.
Este nome geralmente mostra DEUS, como grande ajudador em tempo de
necessidade. Josué, deu o nome de ADONAI A DEUS, após a derrota do povo Israelita
em Ai, Josué¨7:9.
4, KÚRIOS. Esta é uma palavra grega, equivalente à palavra hebraica ADONAI.
Esta palavra é traduzida por SENHOR, com referência a JESUS CRISTO.
Tanto ADONAI, no ANTIGO TESTAMENTO, como KÚRIOS, no NOVO
TESTAMENTO,
são palavras tidas como equivalentes a JEOVÁ.
CONCLUSÃO.
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Finalizamos este estudo sobre DEUS.
Reconhecemos a brevidade, entretanto, cremos que, mesmo sucinto, nos
servirá de base para o fortalecimento da nossa fé, bem como, de
parâmetro, para os demais estudos doutrinários ou sobre os mais
variados assuntos, quer sejam BÍBLICOS ou não, onde poderemos comparar
o pensamento e a fé das pessoas que nos rodeiam quando conosco
abordarem temas, tais como a majestade, poder, glória, santidade,
amor, bondade de DEUS, SALVAÇÃO ETERNA, etc.
DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS. BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.
Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil. 02,
CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ. Erickson, Millard J. JUERP,
1.991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 03, DICIONÁRIO DA BÍBLIA. Davis, John D. JUERP,
7a Edição, 1.980, Rio de Janeiro, RJ. 04, DOUTRINAS 1. Novas Edições Líderes
Evangélicos. 1a Edição, 1.979, São Paulo, SP, Brasil. 05, ESBOÇO DE TEOLOGIA
SISTEMÁTICA. Langston, A. B. JUERP, 8a Edição, 1.986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 06,
MINIDICIONÁRIO AURÉLIO.
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Editora Nova Fronteira, 1a edição, 6a impressão,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 07, O PENTATEUCO E SUA CONTEMPORANEIDADE.
Coelho Filho, Isaltino Gomes. JUERP, 2.000, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Noções de Homilética

O termo “homilética” vem do grego “omiletke”. “Omile” é “pregação”;


“Tke” é “arte”, de onde vem o vocábulo “técnica”. O dicionário de
português Aurélio nos informa que homilética é “a arte de pregar
sermões”. Trata-se de uma ciência diretamente ligada à ordem de
Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado” (Mc.16.15-16).

Jesus começou o seu ministério pregando. A pregação é o principal meio


de se conhecer o evangelho e alcançar a salvação.

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como
pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de
quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?”
(Rm.10.13-14). Haveremos de pregar o evangelho, mas não podemos
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fazê-lo de qualquer maneira, pois isto poderia dificultar a fé e a salvação
dos ouvintes.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Perservera nestas coisas;


porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te
ouvem” (ITm.4.16). O mau vendedor não terá êxito em seu trabalho. O
semeador que nada sabe sobre o que faz acabará destruindo as
sementes e nenhum fruto colherá. A semente que o Senhor nos deu é
perfeita. Se a nossa pregação não produz resultados, o problema pode
estar em nós ou naqueles que recebem a palavra, pois nem toda terra é
fértil (Mt.13). O semeador precisa conhecer a semente, o tempo, o solo
e o modo de semear.

A pregação do evangelho, para ser bem feita, precisa ser bem


preparada. O pregador também deve se preparar. Mensageiro e
mensagem precisam estar integrados e harmônicos para que os
ouvintes sejam alcançados de modo satisfatório.

O que se diz a respeito da pregação pode também ser aplicado, quase


em sua totalidade, aos estudos bíblicos, sendo estes mais longos, com
utilização de mais textos bíblicos e menos efeitos de oratória.

A homilética tem por objetivo nos conscientizar de todo o preparo


relacionado ao ministério da Palavra, bem como nos oferecer técnicas de
aperfeiçoamento da prédica.

A PREPARAÇÃO

Quando alguém vai receber convidados em sua casa para uma refeição,
procura resolver com antecedência uma série de questões, além de
preparar o alimento. Será importante saber quem virá, qual será o
prato, os ingredientes, o horário, etc.

A palavra de Deus é alimento para o nosso espírito e não pode ser


servida de qualquer maneira.

Precisamos preparar. “Pré” significa “antes”. É bom que a preparação


para a pregação seja feita com uma antecedência razoável, de alguns

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dias ou semanas. Preparar-se em cima da hora não é um bom hábito,
pois corre-se o risco de um imprevisto no último instante tornar-se um
impedimento decisivo.

Jesus disse que os discípulos não deviam se preocupar com o que iriam
dizer quando fossem presos, pois o Espírito Santo falaria por meio deles
(Mt.10.18-20). Eles não seriam avisados sobre a prisão. Logo, não
poderiam se preparar. Nós, porém, sabemos com antecedência quando
vamos ministrar e devemos estar preparados. Isto não impedirá que o
Espírito Santo nos use e nos leve a falar algo que não havíamos pensado
nem planejado. Contudo, não podemos justificar nossa negligência por
meio de uma suposta dependência do Espírito Santo.

Existe algum nível de preparação que deve ser permanente em nós. Se


alguém, a qualquer momento, nos perguntar sobre a razão de sermos
cristãos, não podemos alegar que fomos apanhados de surpresa e não
sabemos explicar. Pedro disse que devemos estar sempre prontos para
responder àqueles que nos pedirem a razão da esperança que há em
nós (IPd.3.15). Outra coisa é uma pregação ou estudo bíblico. Não é
bom que seja assumido de repente, sem um preparo, caso seja a
primeira vez que se vai falar sobre aquele assunto.

Quanto mais experiente for o pregador, mais habilitado estará para


aceitar desafios inesperados, mas não é o caso do iniciante.

A preparação da mensagem começa com a escolha do tema. Se


possível, é bom que se saiba também alguma coisa sobre as pessoas
que irão assistir: seu nível cultural, social, etc. Estes detalhes não são
primordiais, mas algum conhecimento deles será útil.

De posse do tema, será necessário um trabalho de pesquisa para que se


consiga o maior domínio possível sobre o mesmo. Nem tudo o que for
pesquisado será ministrado, mas esse trabalho produzirá o conjunto de
tópicos a serem pregados.

O primeiro material de estudo do pregador é a bíblia. Por exemplo, se


alguém for convidado para ministrar sobre “família”, então poderá
começar pela leitura de passagens bíblicas a respeito desse assunto.

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Diante de um tema tão amplo, será necessário escolher algum aspecto a
ser ministrado. Não dá para se falar tudo sobre família em uma
pregação ou em um estudo bíblico. Poderíamos escolher, por exemplo,
algo como “o valor da família na igreja”, ou “a importância da família na
sociedade”, ou “os males que afligem a família”, ou “os fundamentos de
uma família bem sucedida”, etc. Outra alternativa seria escolher uma
família específica e fazer uma análise dos fatos a ela relacionados. Por
exemplo, poderíamos estudar a respeito da família de Jacó. Observe
que, ao se escolher a essência da mensagem, surge automaticamente o
título da mesma. Isto será útil por uma questão de organização e
clareza. Não se pode ir para o púlpito sem idéia da mensagem a ser
pregada. Não é bom começar em um assunto e passar para outro e
outro e outro, de modo que não exista um “fio da meada” e não se
perceba aonde o orador quer chegar. Nesses casos, nem ele mesmo
sabe.

Escolher um assunto bem específico é como escolher o destino em uma


viagem. Se eu resolver ir aos Estados Unidos, precisarei optar por uma
cidade. Não é possível conhecer todo o país instantaneamente. Se eu
não souber para onde vou, posso me perder no meio do caminho e, de
fato, isto não fará nenhuma diferença para alguém que não sabe onde
quer chegar.

Para se descobrir um assunto na bíblia, será útil uma concordância ou


chave bíblica. Ali se encontrará a palavra desejada e as referências onde
se pode localizá-la nas Escrituras.

Para se obter esclarecimento sobre o texto lido, pode-se consultar um


dicionário bíblico, enciclopédia bíblica, comentário bíblico. Os livros
evangélicos que tratam do assunto em estudo podem ser muito úteis,
mas podem também conter erros. Se formos utilizar algum argumento
extraído de um livro, precisamos estar bem seguros de seu fundamento
bíblico. A leitura de várias obras sobre determinado assunto coloca em
confronto as idéias de vários autores, de modo que o leitor se familiariza
com o tema e obtém confirmação para o que está certo e mais
condições de discernir o que está errado. É desejável que se tenha
domínio do tema a ser pregado. Domínio pleno é algo inatingível, mas

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devemos procurar o melhor conhecimento possível, de modo que
possamos oferecer mais informações do que incertezas. Quanto maior o
conhecimento, menor será a dependência do preletor em relação às
suas anotações.

Em alguns casos, é mais sensato recusar convites para falar sobre


alguns temas, devido à sua complexidade ou à nossa inadequação para
abordá-los. Na fase preparatória, não podemos nos esquecer de orar.
Este é um dos principais fatores que determinarão o sucesso ou fracasso
do pregador.

CONTEÚDO DA MENSAGEM.

Algumas pessoas lêem um versículo bíblico e depois falam muitas coisas


que não estão relacionadas ao texto lido. É como se tivessem lido
apenas por costume ou para justificarem biblicamente suas próprias
idéias. Por exemplo, o candidato que lê um versículo na igreja para, em
seguida, fazer um discurso político. Nesse caso, não se trata de uma
pregação bíblica, por mais correta que seja sua mensagem.

A pregação deve ser essencialmente bíblica, em seu conteúdo e


propósitos. Caso contrário, não estaremos anunciando a palavra de
Deus, por mais certos que estejamos daquilo que queremos ensinar.
Filosofia, psicologia e sociologia podem estar ocupando o lugar do
ensinamento bíblico em algumas situações. É verdade que podemos
usar com cuidado tais disciplinas, mas elas não podem ser a essência da
nossa mensagem.

Não sejamos apenas repetidores das mensagens alheias. Ainda que isso
possa ser proveitoso, o pregador pode se perder no meio do assunto,
principalmente se for questionado sobre algum tópico. O melhor é que a
nossa pregação não seja simplesmente a repetição do que lemos nos
livros, mas sim fruto das nossas próprias conclusões, devidamente
fundamentadas na bíblia.

O ESBOÇO DA PREGAÇÃO

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O estudo preparatório deve produzir algum material escrito. Enquanto
se lê a bíblia e outros livros, devem ser feitas anotações das referências
e pontos principais do assunto. Trata-se de uma coleta de dados. No
final, será necessária uma seleção e organização das idéias.
Desorganização no preparo conduz ao nervosismo e erro no momento
da pregação.

Normalmente se obtém um grande volume de informações sobre o


tema, de modo que torna-se inviável a utilização de tudo na mensagem,
mesmo porque, na medida em que se estuda, percebe-se o destaque de
alguns dados em detrimento de outros. Precisamos, portanto, escolher
as informações que têm maior relevância e relação mais direta com o
que queremos transmitir.

Os pontos selecionados darão origem ao esboço da mensagem, que


deve ser o mais curto e objetivo possível.

Os esboços de pregação não têm uma forma rígida. Podem variar muito,
mas aqui vão algumas dicas que podem servir como base para sua
elaboração.

A estrutura do esboço é a mesma da pregação. O esboço será então um


roteiro para o pregador não se perder durante a ministração, ou mesmo
para não se esquecer dos pontos mais importantes da mensagem. Em
outras palavras, é um mapa com alguns pontos de referência que o
ajudarão a alcançar seu objetivo.

O esboço PODERÁ ter:

1- Título da mensagem
2- Texto bíblico base
3- Introdução
4- Tópico 1
5- Tópico 2
6- Tópico 3...
Ilustração
7- Conclusão

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Vamos analisar cada parte.

Título - É o tema a ser tratado, ou o “nome” da mensagem. Por


exemplo: "A vinda de Cristo ao mundo" é o titulo de uma mensagem
evangelística.

Texto bíblico base: Toda pregação precisa ter um texto bíblico como
base. Este é o fundamento que vai dar autoridade a toda a mensagem.
Normalmente, o texto é pequeno: 1 versículo ou 2, ou 3. Raramente se
deve utilizar um capítulo todo. Só quando o capítulo estiver todo
relacionado ao mesmo assunto. Se eu for falar sobre a oração que Jesus
ensinou aos discípulos, não preciso ler todo o capitulo 6 de Mateus. No
caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), usaremos o texto
de I Timóteo 1.15:

"Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao
mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal."

Introdução: Existem inúmeras maneiras de se começar uma pregação.


Por exemplo: "Nesta noite, eu gostaria de compartilhar com os irmãos a
respeito do assunto tal..." ou "No texto que acabamos de ler, temos as
palavras de Paulo a respeito da vinda de Cristo ao mundo." Para muitas
pessoas, a primeira frase é a mais difícil. Apesar de muitas alternativas,
o ideal é que a introdução seja algo que prenda logo a atenção dos
ouvintes, despertando-lhes o interesse para toda a mensagem. Pode-se
então começar com uma ilustração, um relato interessante sobre algo
que esteja relacionado com o assunto da pregação. Um outro recurso
muito bom é começar com uma pergunta para o auditório, cuja resposta
será dada pelo pregador durante a mensagem. Se for uma pergunta
interessante ou intrigante, a atenção do povo estará garantida até o
final da palestra. Voltando ao nosso exemplo, poderíamos começar a
mensagem perguntando: "Você sabe para quê Jesus veio ao mundo?
Nossa mensagem de hoje pretende responder a esta pergunta tão
importante para todos nós." No esboço, podemos colocar uma palavra
ou uma frase para nos lembrar como iniciaremos a mensagem.

Tópicos - Os tópicos são as divisões lógicas do assunto, ou a divisão


mais lógica possível. Podem ser argumentos, características, causas e

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consequências, aspectos positivos e negativos de algo ou listas diversas:
informações, pecados, bênçãos, milagres, pessoas, promessas, etc.

Por exemplo, se o título da minha mensagem for "O Maior Problema da


Humanidade", eu poderia ter os seguintes tópicos: 1- a origem do
pecado; 2 - as conseqüências do pecado; 3 - a solução divina para o
homem. A divisão em três tópicos é aconselhável por ser um número
pequeno, de modo que o povo tenha facilidade de acompanhar o
raciocínio do pregador, sem perder o “fio da meada”. Podemos até
mudar este número, tomando cuidado para não elaborarmos uma
mensagem complexa. Os tópicos devem ser organizados numa ordem
que demonstre o desenvolvimento natural do tema, de modo que os
ouvintes vão sendo levados a compreender gradualmente o assunto até
a conclusão.

Em algumas mensagens, os tópicos podem ser argumentos a favor de


uma idéia que se quer defender com o sermão. Será bom se eles
estiverem organizados de maneira que os mais interessantes ou mais
importantes sejam deixados por último, de modo que a mensagem vá
se tornando cada vez mais significativa, mais consistente e mais
interessante a cada momento até a conclusão. Se você usar seu melhor
argumento logo no início, sua mensagem ficará fraca no final. Numa
mensagem sobre “Homens de Deus na bíblia”, cada tópico poderia ser o
nome de uma pessoa, sobre a qual o pregador falará resumidamente.
Por exemplo: Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Esta ordem é natural e
ascendente. Se for invertida, a pregação começará forte e terminará
fraca.

Em alguns casos, o próprio texto bíblico já tem sua própria divisão que
usaremos para formar nossos tópicos. O texto de I Timóteo 1.15 é
assim. Dele tiramos os seguintes tópicos para o nosso esboço:

1 - Jesus veio ao mundo - Falar sobre a aceitação geral da vinda de


Jesus. É difícil encontrar alguém que não creia que ele tenha vindo.

2 - Para salvar os pecadores - Falar sobre diversas idéias que as


pessoas tem sobre o objetivo da vinda de Cristo e qual foi sua real

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missão. Fundar uma religião? Uma escola filosófica? Dar um golpe de
estado? Nada disso. Ele veio salvar os pecadores.

3 - Dos quais eu sou o principal - Falar sobre a importância do


reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em
sua vida. Questão individual.

Um outro exemplo de divisão natural do texto é João 3.16:

1 - Deus amou o mundo. Falar sobre o amor de forma geral e sobre o


amor de Deus.

2 - Deu o seu Filho Unigênito - O amor de Deus em ação. Deus não ficou
na teoria ou no sentimento.

3 - Para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida
eterna - O objetivo da ação de Deus.

Esse versículo é riquíssimo. Podemos elaborar várias mensagens através


dele. É importante prestar atenção a este detalhe. Se tivermos um
entendimento muito abrangente de um versículo, é melhor elaborar
mais de um sermão, do que tentar colocar tudo em um só, tornando a
mensagem longa ou complexa, principalmente quando o texto permitir
vários ângulos de abordagem, ou contiver mais de um assunto.

Ilustrações - Ilustrações são ditados, provérbios (não necessariamente


os de Salomão) ou pequenas histórias que exemplificam o assunto da
mensagem ou reforçam sua importância. Como alguém já disse, as
ilustrações são as "janelas" do sermão. Por elas entra a luz, que faz com
que a mensagem se torne mais clara, mais compreensível. Jesus
sempre ilustrou suas mensagens através do relato de situações comuns
da vida de seus ouvintes: pastores e ovelhas, pais e filhos, senhores e
servos, etc.

Muitas vezes, os argumentos que usamos podem ser difíceis, ou


obscuros, mas, quando colocamos uma ilustração, tudo se torna mais
fácil. Existem muitas “historinhas” por aí que não aconteceram de fato e
são usadas para ilustrar mensagens. Não há problema em usá-las.

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Podem ser comparadas às parábolas bíblicas. Entretanto, é importante
que o pregador diga que aquilo é apenas uma ilustração. As histórias
podem ser fictícias desde que não sejam testemunhos. Estes devem ser
reais. Não podemos inventar a história de um milagre que nunca
aconteceu. Não podemos colocar Deus como personagem de uma lenda.
Observe que as parábolas de Jesus foram usadas para exemplificar e
esclarecer seus ensinamentos, mas nelas não encontramos pseudo-
testemunhos sobre a ação de Deus.

Se usarmos testemunhos (verdadeiros!) como ilustrações, eles devem


ser bem curtos. A ilustração não pode ser tão grande a ponto de se
sobrepor à mensagem, assim como a janela não pode ser maior do que
a parede. As ilustrações são muito importantes, porque despertam o
interesse dos ouvintes, eliminam as distrações e ficam gravadas na
memória. Pode ser que, na segunda-feira, os irmãos não se lembrem de
muita coisa do sermão de domingo, mas será bem mais fácil lembrar
das ilustrações, dos “casos” contados como exemplo e, juntamente com
essa lembrança, será também recordado um importante ensinamento.

As ilustrações podem aparecer em qualquer parte da pregação, mas não


em todos os tópicos da mesma mensagem.

No exemplo da mensagem de I Timóteo, poderíamos usar uma


ilustração no tópico 3, mencionando que um doente precisa reconhecer
sua doença para ser curado, ou contando um curta história sobre um
doente que reconheceu ou não a sua doença e qual foi a consequência
disso. Não é obrigatório o uso de ilustrações no sermão. Se não tiver
nenhuma, paciência. Às vezes, os próprios relatos bíblicos já ilustram
muito bem os assuntos que abordamos. Quando pregamos com base no
Novo Testamento, podemos usar um pequeno relato do Velho
Testamento como exemplo.

Outro detalhe a se observar: não é bom usar muitas ilustrações na


mesma mensagem, pois ela se tornaria uma coleção de contos sem
consistência. Como dissemos, ilustração é luz, e luz demais pode
ofuscar a visão. Observe que neste estudo de homilética, usamos até
aqui os seguintes elementos ilustrativos: refeição, vendedor, semeador,
viagem, mapa, janela, parede e luz.
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Conclusão - A conclusão será o ápice da mensagem, o fechamento. Não
basta fazer como aquele pregador que disse: "Pronto! Terminei". A
conclusão é a idéia ou conjunto de idéias construídas a partir dos
argumentos apresentados no decorrer da mensagem. Nesse momento
pode-se fazer uma rápida citação dos tópicos, dando-lhes uma
"amarração" final. A conclusão está diretamente ligada ao objetivo da
mensagem, que deverá ser focalizado e mencionado nesse momento
final.

Nessa parte, normalmente se convida para o posicionamento dos


ouvintes em relação ao tema. Ainda não é o apelo. O pregador incentiva
as pessoas a tomarem determinada decisão em relação ao assunto
pregado. Depois desse incentivo, dessa proposta, o assunto está
encerrado e pode-se fazer o apelo, se for o caso, e/ou uma oração final.
No caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), poderíamos
concluir convidando os ouvintes a reconhecerem sua condição de
pecadores, para que o objetivo da primeira vinda de Cristo se concretize
na vida de cada um. Para fechar bem podemos encerrar dizendo que
Cristo virá outra vez a este mundo para buscar aqueles que tiverem se
rendido ao evangelho.

O esboço deve ser o menor possível. Pode-se, por exemplo, usar uma
frase para cada parte. Pode haver determinado tópico representado por
uma única palavra. O esboço é o "esqueleto" da mensagem. Coloca-se o
que for suficiente para lembrar ao pregador o conteúdo de cada divisão.
Se uma palavra ou uma frase não forem suficientes, pode-se colocar
mais, mas com o cuidado de não se elaborar um roteiro muito grande e
complicado, pois o pregador poderia ficar perdido no próprio esboço na
hora de pregar. Então, o recurso que deveria ser útil torna-se um
problema. Opcionalmente, o pregador pode fazer o esboço, bem
pequeno e, em outro papel, um resumo da mensagem. No púlpito, só o
esboço será usado. O destino do resumo será o arquivamento. Em outra
ocasião, quando o pregador for usar o mesmo sermão, o resumo será
muito útil. Se tiver guardado apenas um esboço muito curto, este
poderá não ser suficiente para lembrá-lo de todo o conteúdo de sua
mensagem.

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Eis o esboço que construímos durante esta explicação:

Título: A vinda de cristo ao mundo


Texto bíblico base: ITm.1.15.
Introdução : Você sabe para quê Jesus Cristo veio ao mundo?
Tópico 1 - "Jesus veio ao mundo" - Falar sobre a aceitação geral da
vinda de Jesus. Todos crêem que ele veio (até os ímpios).
Tópico 2 - "Para salvar os pecadores" - Falar sobre diversas idéias que
as pessoas têm sobre o objetivo da vinda de Cristo. Fundar uma
religião? Dar um golpe de estado? Ensinar uma nova filosofia de vida?
Qual foi sua real missão? Salvar os pecadores.
Tópico 3 - "Dos quais eu sou o principal" - Falar sobre a importância do
reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em
sua vida.
Ilustração: O doente precisa reconhecer sua doença.
Conclusão : Qual é o nosso posicionamento em relação à pessoa de
Jesus Cristo? Conduzir ao reconhecimento individual da condição de
pecado. Conduizr a aceitação de Cristo como Salvador.

Não é aconselhável que se escreva toda a mensagem para se ler na


hora. Isso torna a palestra monótona. Escreva apenas algumas frases
norteadoras. Também não se deve ler todo o esboço diante do auditório.
Trata-se de um roteiro para o pregador e não para os ouvintes.

EXEMPLOS DE ESBOÇOS DE SERMÃO

TÍTULO: A ARMADURA DE DEUS


Texto bíblico base: Ef.6.10-18
Introdução – Falar sobre o domínio do Império Romano na época de
Paulo. O soldado romano e suas roupas especiais. A armadura de Deus
é um conjunto de virtudes e práticas.
Tópico 1 – O cinto da verdade – os riscos da mentira e a importância da
verdade na vida do cristão. O cinto prende toda a armadura.
Tópico 2 – A couraça da justiça – O que é justiça? O justo está
protegido, revestido.
Tópico 3 – Os calçados do evangelho – Importância de conhecer e
testemunhar. Os calçados são importantes para que se cumpra o “Ide”.
Tópico 4 – O escudo da fé – O que é fé? Os dardos são ataques contra a
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fé: argumentos malignos, heresias e acusações. Ilustração: as cidades
muradas eram atacadas com flechas incendiadas. O inimigo não entra
mas, ataca de longe.
Tópico 5 – O capacete da salvação – A importância de ser salvo e estar
convicto disso. A ausência do capacete inutiliza o restante da armadura.
Tópico 6 - A espada do Espírito – a palavra de Deus – Os equipamentos
anteriores são de defesa. A espada é arma de ataque. Importância do
conhecimento e da proclamação. Exemplo: Jesus atacou Satanás com a
palavra (Mt.4).
Conclusão: Ef.6.18 – Orando, vigiando e perseverando – De que adianta
a armadura se o soldado estiver dormindo? Conduzir o auditório à
reflexão, oração e tomada de decisão sobre o tema.

TÍTULO – A SUPERIORIDADE DE CRISTO


Texto base: Lucas 9.18-22
Introdução: As pessoas viam Jesus pregando e curando em vários
lugares. Contudo, não sabiam muito bem quem ele era.
Tópico 1 - Opiniões sobre Jesus - Os mais bem informados achavam que
ele era filho de José, o carpinteiro. Alguns, mais “espirituais”, achavam
que ele era um antigo profeta ressuscitado.
Tópico 2 - Opiniões positivas, porém erradas. Também nos nossos dias,
as pessoas têm idéias erradas sobre Jesus. Dizem que ele é
simplesmente um mestre, ou um espírito iluminado, um revolucionário,
fundador de uma religião.
Tópico 3 - Quem é Jesus? O Filho de Deus. Ele é superior a todos os
profetas e a todos aqueles que são considerados “deuses”, guias, anjos,
santos ou entidades espirituais.
Tópico 4 – Ele fez o que nenhum outro poderia fazer. O texto fala sobre
sua morte e ressurreição. Nenhum outro morreu por nós e, se morresse,
não teria ressuscitado.
Conclusão: Precisamos reconhecer a superioridade de Cristo, renunciar
a outros “salvadores” e ídolos, aceitar o sacrifício de Cristo e fazer um
compromisso com ele.

ESBOÇO DA AULA DE HOMILÉTICA

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Título – Noções de homilética
Texto bíblico base – Mc.16.16.
Introdução
Conceito – Homilética é a arte de pregar
Importância da homilética – Ide e pregai... Quem crer será salvo.

A preparação
Oração
Antecedência
Escolha de tema específico
Tipo de sermão (temático, textual, expositivo)
Leitura bíblica e pesquisa.
Material: bíblia, dicionário bíblico, enciclopédias, livros evangélicos.

O esboço do sermão Título, texto bíblico base, introdução, tópicos,


ilustracões, conclusão.

A pregação (ou estudo bíblico) Duração, gestos, linguagem,


movimentação, direcionamento do olhar.

O pregador Apresentação pessoal, sua vida, sua reputação, a


credibilidade da mensagem.

A PREGAÇÃO

É aconselhável que o pregador faça um curso de oratória. Entretanto,


mesmo não se podendo fazê-lo, o talento e a prática podem desenvolver
bastante as habilidades de quem fala em público. A observação de
outros pregadores, as críticas construtivas dos ouvintes e algumas dicas
de pessoas experientes no assunto poderão ser muito úteis.

Algumas considerações sobre a pregação:

1 - O domínio do assunto a ser falado é o princípio da segurança do


orador. Portanto, estude bem o assunto com antecedência.

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2 - Ao falar, evite ficar andando de um lado para outro. Isso cansa as
pessoas. O orador pode andar mas não o tempo todo.

3 - Evite repetições excessivas de frases ou palavras. Por exemplo,


algumas pessoas falam o "né" no fim de cada frase. Isso cansa e desvia
a atenção de quem ouve.

4 – Utilize o esboço para se orientar durante a pregação.

5 - Ao falar não fique olhando apenas em uma direção ou apenas para


uma pessoa. Procure ir dirigindo seu olhar para as várias pessoas no
auditório.

6 - Falar corretamente é fundamental. Se houver algum problema nesse


caso, procure fazer um curso de língua portuguesa. Os termos chulos e
as gírias não são admitidos na pregação.

7 - O outro extremo também é problemático. Procure não utilizar


palavras muito difíceis, a não ser que esteja disposto a explicar seu
significado. O uso de termos complexos ou estrangeiros demonstra
erudição do orador mas pode inutilizar a mensagem se os ouvintes não
forem capazes de compreendê-los.

8 - O uso de gestos é bom mas deve ser praticado com moderação e


cuidado. Não use gestos ofensivos. Não use gestos que não combinem
com o assunto. Imagine que alguém esteja falando sobre a ceia do
Senhor e ao mesmo tempo pulando ou batendo palmas. Não combina.

9 - O tom de voz também é importante. É bom que seja variado. Se


você falar o tempo todo com voz suave, o povo poderá dormir. Se você
gritar o tempo todo, talvez as pessoas não vão querer ouvi-lo
novamente. O tom de voz deve acompanhar o desenvolvimento do
assunto, apresentando ênfase e volume nos pontos mais importantes,
nos apelos ou nas conclusões que se quer destacar. O falar suave e o
falar alto e enfático devem ocorrer alternadamente para não cansar o
ouvido do público.

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10 - Em se tratando de sermões sobre temas bíblicos, é fundamental
que o pregador tenha orado antes de falar e que também esteja se
consagrando ao Senhor para pregar com unção e autoridade.

11 - O nervosismo e a timidez devem ser tratados com a prática. O


início é mesmo difícil, mas com o tempo e a perseverança, a segurança
vem. Não existe outro caminho. Algumas pessoas aconselham o tímido
a começar falando sozinho diante do espelho para treinar. Não sei se
isso resolve. O certo é que começar com uma platéia pequena é mais
aconselhável. O nervosismo será menor. Antes de falar no templo, será
melhor começar nos cultos domésticos. Além disso, acrescente-se o
valor do exercício. Quanto mais vezes você pregar, maior probabilidade
terá de se tornar um bom pregador.

12 - Outro detalhe importante é a duração da palestra. Algumas


sugestões: Se for um sermão em igreja, o tempo deve ser de 30
minutos. Se o assunto for maravilhoso e envolvente, então pode até
chegar aos 40 minutos. Estudos bíblicos podem durar 1 hora. Em vigílias
e acampamentos esse tempo pode até se estender um pouco mais. Não
existem regras para isso, mas apenas percepções práticas e habituais.
Esses limites podem variar dependendo do lugar, do propósito, do
auditório, e de muitos outros fatores. Mas, de forma geral, esses tempos
sugeridos são razoáveis. Se quisermos ir muito além, poderemos cansar
muito o auditório e o que passar do limite não será mais captado nem
aproveitado pelos ouvintes.

Se você sabe pouco sobre o assunto escolhido, fale pouco. Não invente.
Paulo disse que “em parte conhecemos e em parte profetizamos”
(ICor.13.9) e, muitas vezes, trata-se de uma partícula.

O PREGADOR

O fato de alguém pregar o evangelho de vez em quando não o torna um


pregador, assim como a simples participação em um jogo não
transforma o indivíduo em um jogador de futebol.

Todo convertido pode anunciar o evangelho, mas nem todos se


dedicarão a essa função de modo específico, habitual ou exclusivo.

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Todos podem pregar, mas o verdadeiro pregador fará melhor e obterá
melhores resultados.

O ministério evangelístico assemelha-se ao trabalho de um vendedor.


Embora não estejamos vendendo a palavra de Deus, em ambos os
casos encontraremos questões de habilidade, talento e eficiência.

O pregador, por maiores que sejam seus conhecimentos gerais, precisa


conhecer profundamente a palavra de Deus, a bíblia.

Além do conhecimento bíblico e das técnicas de oratória, o fator


atraente da pregação envolve dois elementos: dom e unção.

Se não fosse assim, qualquer pessoa poderia se tornar um grande


evangelista. Sabemos, porém, que Deus deu esse dom a algumas
pessoas (Ef.4.10-11). Quem não o tiver poderá se esforçar muito, sem
conseguir o resultado desejado, ou então poderá pedir ao Senhor que
lhe dê o dom.

O dom pode até suprir a falta das técnicas de oratória, mas não
costuma substituir o conhecimento bíblico. Não se pode usar o dom
como desculpa para a negligência.

O talento do pregador não é tudo o que ele precisa para ser eficaz, pois,
se assim fosse, o indivíduo poderia se desviar do evangelho e usar o
mesmo dom para propagar outro tipo de mensagem.

Comparemos o dom a um aparelho de rádio. Ele tem todos os


componentes necessários para funcionar. Porém, isso só vai acontecer
se estiver sintonizado à emissora. Assim, nosso dom vai funcionar
perfeitamente, seremos porta-vozes de Deus, na medida em que
estivermos ligados ao Senhor. O resultado vai ser a unção em nossa
pregação e, por conseqüência, o fruto.

"Estar sintonizado" envolve oração, jejum e abstinência do pecado.


Quando pecamos, estamos sintonizados em "outra emissora" e, ainda
que falemos as palavras de Deus, elas não estarão vindo direto da boca
de Deus.

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Na pregação, existem dois elementos importantes: a mensagem e o
mensageiro. A mensagem, por melhor que seja, pode ser destruída por
um mensageiro mal preparado ou inadequado. Imagine se o repórter de
um telejornal aparecesse com uma camiseta rasgada e com o cabelo
despenteado. Isso influenciaria na receptividade de sua mensagem. O
mensageiro precisa ter reputação e comportamento que inspirem
credibilidade.

Voltando à figura do vendedor, sua eficiência será maior na medida em


que ele conhecer o seu produto, tanto na teoria quanto na prática. Se
ele mesmo usa e gosta do que está oferecendo, seu entusiasmo vai
contagiar o cliente. Da mesma forma, se o pregador fala sobre o
evangelho, mas não existe entusiasmo em sua voz, se não existe paixão
nem comprometimento, isso vai enfraquecer sua mensagem.

O pregador deve apresentar em sua vida os efeitos de sua pregação.


Não é bom que o vendedor ou garoto-propaganda de creme dental seja
banguelo. Assim, a vida, o exemplo e a reputação do pregador serão
decisivos na receptividade de sua mensagem.

Até as pedras podem clamar, mas o Senhor prefere que seus discípulos
o façam.

Até as mulas podem falar mas Deus prefere que o profeta fale e esteja
bem preparado para isso.

Trabalho para a vida

A capacitação do pregador nunca termina. É um processo que dura a vida toda. Suas
constantes experiências com Deus o habilitarão cada vez mais para o ministério. A busca
pelo conhecimento bíblico e geral deve ser ininterrupta, pois aquele que é sábio aos seus
próprios olhos, ainda não compreendeu a extensão de sua própria ignorância.

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APOSTILA Nº. 004/300.000 MIL CURSOS GRATIS.
Estudo da Antropologia
Dividida em 07 partes do estudo da Teologia sobre A LIBERDADE HUMANA

Parte II - Continuação
Estudo da Antropologia – divido em 61 paginas.

Conclusão

Pessoalmente, tenho a impressão de que o motivo que impulsionou Calabar foi


um pouco mais "caleidoscópico." O fator centrífugo ou negativo mais forte talvez
tenha sido a ira, ira contra o desprezo racial, inclusive, quem sabe, ódio contra o
seu pai português (desconhecido?), uma ira impotente contra a primeira onda de
invasores na terra dos "brasilianos." Se fosse fugitivo, a segurança lhe acenaria.
Todavia, o fator positivo mais forte certamente teria sido o seu patriotismo,
enfatizado por Flávio Guerra.

A descrição intuitiva de João Felício dos Santos talvez possa estar perto da
resposta que se esconde na névoa da história. Para Felício, esse amor à terra
natal era patente em todas as fases da vida do soldado, quem sabe um desejo de
realmente ver "ordem e progresso" no Brasil (talvez o sonho de servir, não a si
mesmo, mas à comunidade, com justiça e paz). Como menino, o romancista faz
Calabar estudar em um colégio de jesuítas onde se ensinava uma obediência
incondicional à coroa católica romana de Castela, mas faz o menino responder

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que somente devia obediência à sua mãe e à terra brasileira. Como jovem, ele
teria percebido que os holandeses amavam o Brasil pela construção e limpeza do
Recife (e podia ter acrescentado: por planos de melhorias como o ensino primário
generalizado, limpeza dos limpos, proibição do corte do pau-brasil e do cajueiro,
etc.). Finalmente, Felício faz Calabar adulto dizer ao frei Calado, seu confessor,
defendendo-se do epíteto de traidor: "São partidários dos flamengos todos os que
querem esta terra farta e acarinhada, sejam eles de que nação forem."86
Provavelmente foi isto em essência que Chico Buarque também quis enfatizar, em
1973, com seu musical "Major Calabar."87

Na verdade, à pergunta "Por que Calabar passou para o outro lado?" temos de
responder por enquanto com um "non liquet," pois, mesmo do lado holandês, nem
o meticuloso cronista De Laet (1644) e nem o panegirista Barlaeus (1647)
mencionam motivo algum. De Laet registra somente que "para os nossos passou
um mulato, de nome Domingo Fernandes Calabar" e Barlaeus observa que esse
"português abandonou o partido do rei (da Espanha) pelo nosso," mencionando a
sua terrível morte por causa da sua infidelidade.88 Talvez seja pessimista demais
a conclusão de Capistrano de Abreu: "nunca se saberá."89 Se for localizada uma
das cartas mencionadas por Flávio Guerra, teremos uma resposta clara e
autêntica. Mas, de fato, atualmente não sabemos com certeza. Na velha Roma, os
juízes podiam usar seu "NL" com discrição, porém sem constrangimento. Era uma
placa cujas letras queriam dizer "non liquet," isto é, o assunto não está claro
(líquido). Se, depois de ouvir as testemunhas, o caso ainda não estava claro, eles
erguiam as suas plaquinhas "NL" na hora da votação. Não era um atestado de
ignorância, nem prova de indecisão, mas de juízo. Era um sinal humilde de que
estavam no limite da interpretação honesta dos dados conhecidos. Precisamos ter
sabedoria e coragem para erguer o "NL," porque no caso do capitão Calabar por
enquanto não sabemos mesmo. Provavelmente, ele foi movido por um misto de
motivos, tendo o amor à sua terra natal como Leitmotiv. Porém, foi sempre uma
motivação mesclada, pois "o coração tem razões que a própria razão desconhece"
(Blaise Pascal).

Apeldoorn, Holanda, 08-05-2000 A.D.


Dedicado ao meu irmão e colega Rev. Klaas Kuiper (biógrafo de João Ferreira de
Almeida [1628-1691], o tradutor da Bíblia para o português e pastor da "Santa
Igreja Cristã Católica Apostólica Reformada" em Jakarta, Indonésia).

Post Scriptum
Quanto aos cinco documentos mencionados por Guerra (Aventura, 79-84, 103;
Calabar, 42, 69), os mesmos poderiam encontrar-se em Haia, no Rio ou em
Recife. Os originais deviam estar no Arquivo Real de Haia, na Holanda (Algemeen
RijksArchief), nas respectivas caixas de cartas escritas do Recife para os Estados
Gerais dos Países Baixos (ARA-AStG 5753 e 5754; 1631-34 e 1635) ou para os
Senhores XIX (ARA-OWIC 49 e 50; 1630-32 e 1633-35). As cópias podem estar
no Brasil, pois as transcrições das missivas aos Estados Gerais (1854) constituem
hoje a "Coleção Caetano," no Rio de Janeiro; as transcrições das cartas aos
Senhores XIX (1886) formam a famosa "Coleção José Higino," no Recife. Os
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documentos procurados (originais, cópias ou traduções; principais ou anexados)
devem ser os seguintes:

(a) Carta de 14-11-1631 de "Aldiembert" a Holanda (Estados Gerais ou Senhores


XIX). Guerra informa que segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que
Calabar 'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrícios por ser mulato, tem
recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'" (Ver notas 66 e
69. Guerra, Aventura, 83).

(b) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Calabar (ao Governador Waerdenburch?).


Guerra diz: "Conta-se que Calabar escreveu: '… vim para melhorar minha terra'"
(Nota 85. Guerra, Aventura, 84).

(c) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Waerdenburch à Holanda (Estados Gerais ou


Senhores XIX). Guerra, fazendo citação: "(Calabar) só se colocou ao nosso lado
pela convicção, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe haviam
mandado. Diz que está certo que conosco a sua pátria irá melhor do que com os
espanhóis e os portugueses. Envio-lhes uma carta [de certo a carta "b"] que nos
mandou comunicando a sua adesão … Iremos atacar agora Igaraçu" (Notas 66 e
85. Guerra, Calabar, 42).

(d) Carta (entre 01-05-1632 e 03-1635?) de Calabar a Matias de Albuquerque.


Guerra informa que a carta (descoberta no ARA por W. Wallitz) é uma resposta à
oferta de anistia total para Calabar, dizendo: "Tomo Deus por testemunha de que
meu procedimento é o indicado pela minha consciência de verdadeiro patriota…
não como traidor, mas como patriota" (Nota 85. Guerra, Calabar, 44s).

(e) Relatório do Major Picard (depois de 19-07-1635) sobre a capitulação de Porto


Calvo. Guerra informa que no relato (traduzido do holandês por Wallitz e divulgado
por Assis Cintra), Picard diz que Calabar insistiu que aceitassem as condições da
capitulação e afirmou: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da pátria." Ao
Governo no Recife Calabar escreveu: "Vós, os holandeses, oferecestes a
liberdade ao Brasil, ao meu amado Pernambuco. Um homem como eu que
recusou honras e proventos, não é traidor; se houve traição foi uma traição
justificada pela nobreza do motivo …" (Nota 85. Guerra, Calabar, 69).

Infelizmente, ainda não conseguimos localizar nenhum desses documentos em


Haia (AStG ou OWIC; somente a tradução de um breve relato de Picard numa
missiva portuguesa que não menciona Calabar, em OWIC 50), e eles não constam
dos índices das coleções do Recife ou do Rio de Janeiro. As outras cartas de
Waerdenburch em 1631 e 1632 foram seis aos Senhores XIX (07-10 e 09-11-
1631; 06-01, 09-05, 16-08 e 12-11-1632) e nove aos Estados Gerais (12-02, 24-
03, 31-05, 03-08, 07-10 e 09-11-1631; ?-01, 09-05, 16-08-1632). Porém, nelas
(mormente na de 09-05-1632, ver nota 21) as informações procuradas não foram
encontradas. Temos de reconhecer que isto às vezes acontece com informações
históricas sólidas por perda de documentos originais, perda essa acidental (como
em F.A. Pereira da Costa, Annais Pernambucanos, III:5) ou intencional (óbvia pela
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seqüência de documentos referentes ao Brasil atualmente ausentes do Arquivo
dos Estados Gerais; ver Schalkwijk, Igreja e Estado, p. 201, n. 112; 465:2.1.5;
466:2.4). Documentos extraviados são a frustração do historiador e apelamos aos
que têm alguma pista dos documentos perdidos do Arquivo dos Estados Gerais
que se comuniquem com o Algemeen RijksArchief, 2595BE, Den Haag, Holanda.

Guerra menciona como sua fonte Assis Cintra. Cintra publicou sua defesa de
Calabar em 1933 (A Reabilitação Histórica de Calabar: Estudo Documentado,
Onde Prova que Calabar não Foi Traidor. Depoimento, Acusação, Defesa e
Reabilitação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1933). A sua tese pode ter sido
mal defendida e não muda o fato da traição (Rodrigues, Bibliografia, p. 423, #964),
mas o importante era a sua documentação. Mesmo que, em 1933, certos
documentos dos Estados Gerais já tivessem desaparecido do arquivo de Haia,
Cintra ainda teria à disposição as transcrições da Coleção Caetano, no Rio de
Janeiro, a não ser que esses cinco documentos não tenham sido transcritos. Seria
uma coincidência, mas tem ocorrido com outros documentos, mormente com
anexos interessantes. Infelizmente não há condições no momento de consultar
Cintra, Recife ou Rio de Janeiro.

Notas
1 Do lado português, a principal fonte de informações deste período é Duarte de
Albuquerque Coelho, Memórias Diárias da Guerra do Brasil, 1630-1638 (Madri:
1654; Recife: Secretaria do Interior, 1944), que menciona Calabar em muitas
páginas. Do lado holandês, Joannes de Laet, Iaerlijck Verhael, 4 vols. (Leiden:
1644; 's-Gravenhage: Linschoten Vereniging, 1931-1937); tradução portuguesa:
História ou Annaes dos feitos da Companhia Privilegiada das Índias Occidentais
desde o seu começo até o fim do ano de 1636, 2 vols. (Rio de Janeiro: Biblioteca
Nacional, 1916-1925).
2 J. da Silva Mendes Leal, Calabar (Rio de Janeiro: Correio Mercantil, 1863), p.
140, sugere que o seu nome era Domingos Fernandes, apelidado "o Calabar."
Com isto parece concordar a informação do general Matias de Albuquerque, de
que o "primo co-irmão" de Calabar era Antônio Fernandes, sendo ambos
nascidos, batizados e criados na paróquia de Porto Calvo (Coelho, Memórias, 197;
31-03 e 01-04-1634). De igual modo, alguns dos primeiros documentos
holandeses não mencionam o nome Calabar, mas somente "Domingo Fernando,"
como na carta do coronel Waerdenburch aos Diretores da Companhia das Índias
Ocidentais, os chamados "Senhores XIX," em 12-11-1632, sobre a incursão contra
Barra Grande: "...porque o mesmo nasceu ali e é grande conhecedor."
3 Frei Manuel Calado do Salvador, Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade
(Lisboa: 1648; Recife: Cultura Intelectual de Pernambuco, 1942; 2 vols.), I:48;
Ângela Alures Coelho, Memórias, 120: mãe e alguns parentes. F.A. de Varnhagen,
História Geral do Brasil (Rio de Janeiro: 1854-1857; São Paulo: Melhoramentos,
1956, 5ª ed.), I:277: Ângela Álvares.
4 Frei Calado chama Calabar de "mancebo mameluco, mui esforçado e atrevido"
(Lucideno, I:32). Por servir como pároco em Porto Calvo por alguns anos, Calado
conhecia melhor o parentesco de Calabar. Às vezes Calado chama-o de mulato
(com desprezo? Lucideno, I:48). Coelho, Memórias, p. 120 (o "mulato" Calabar;
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20-04-1632); p. 68 (o "pardo" ferido, 14-03-1630). Laet, Verhael, III:95, 96:
"mulaet." Também depois, às vezes, chamado de mulato, como por R. Southey,
História do Brasil (Londres: 1810-1819; São Paulo: Obelisco, 1965), II:164; mas,
nas notas, o cônego J.C. Fernandes Pinheiro afirma que "todos os nossos
cronistas qualificam a Calabar de mameluco e não de mulato" (p. 205, n. 13).
Pedro Calmon, História do Brasil (Rio de Janeiro: Olympio, 1961), II:597, nota,
julga que pelo nome africano, Calabar, de certo era negro ou mulato. No interior
de Pernabuco, por volta de 1600, deve ter havido muitos mamelucos (mestiços
índio-europeus), mulatos (mestiços africano-europeus) e cafuzos (mestiços índio-
africanos; Alagoas: "pelos cafus," ao anoitecer), de sorte que um mameluco bem
podia ter alguns traços africanos e ser chamado mulato. João Felício dos Santos,
Major Calabar (São Paulo: Círculo do Livro, s.d. [1ª ed. 1960]; ed. integral):
mameluco. Romances usam liberdades históricas (ex: Felício faz Maurício de
Nassau filho do "stadhouder" da Holanda, etc.), mas podem ajudar na
interpretação dos fatos.
5 Coelho, Memórias, 197: "onde foram batizados" (isto é, Calabar e seu primo
Antônio). Flávio Guerra, Uma Aventura Holandesa no Brasil (Recife: Companhia
Editora de Pernambuco, 1977), 78s: ainda menino, Calabar foi parar, "não se sabe
como, nem conduzido por quem," em Olinda e batizado no dia 15-03-1610 na
ermida do engenho N.S. da Ajuda, de Jerônimo de Albuquerque, sendo padrinhos
Afonso Duro, rico colono de Évora, Portugal, e sua filha D. Inês Barbosa, nascida
em Pernambuco. Flávio Guerra, Calabar: Traidor, Vilão ou Idealista (Recife: ASA
Pernambuco, 1986). Talvez com a fórmula: "Si non baptizatus es, ego te
baptizo…"
6 Guerra, Aventura, 78: em 1628 Calabar tinha três engenhos de açúcar em Porto
Calvo e participava da procura das lendárias minas de prata de Caramuru. Novo
Dicionário de História do Brasil, 2ª ed. (São Paulo: Melhoramentos, 1971), s.v.
"Calabar" (o artigo merece reparos). Os batavos foram os primeiros moradores
históricos da Holanda.
7 Naquela época, os Países Baixos, pertencentes à coroa da Espanha,
englobavam Bélgica e Holanda, com capital em Bruxelas. A palavra "flamengos,"
freqüentemente usada para "holandeses," refere-se propriamente aos moradores
do norte da atual Bélgica. Ver a história sociológica do Dr. José Antônio Gonçalves
de Mello, Tempo dos Flamengos (Recife: Secretaria de Educação e Cultura,
1978).
8 C.R. Boxer, Os Holandeses no Brasil, 1624-1654 (São Paulo: Editora Nacional,
1961; tradução de The Dutch in Brazil, 1624-1654 [Londres: Oxford University
Press, 1957]), p. 45. Em 1630, havia 137 engenhos de açúcar, com uma produção
de 700.000 arrobas, ou seja, 10.500.000 quilos por ano. O livro de Boxer dá um
ótimo resumo da história geral da época. Evaldo Cabral de Mello, Olinda
Restaurada: Guerra e Açúcar no Nordeste, 1630-1654 (Rio de Janeiro/São Paulo:
Forense-Universitária/Universidade de São Paulo, 1975).
9 Panfleto De Portogysen goeden Buyrman (O bom vizinho português; Lisbon:
Drucksael daer uyt-hangt het Verradich Portugael, 1649. Sic: Lisboa? Sala de
impressão com a placa Portugal Traidor? ), p. 13.
10 José Honório Rodrigues, Civilização Holandesa no Brasil (Rio de Janeiro:
Nacional, 1940), p. 169: "capa cultural." Ver E.van den Boogaert, ed., Johan
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Maurits van Nassau-Siegen, 1604-1679: A Humanist Prince in Europe and Brazil.
Essays on the Occasion of the Tercentenary of his Death ('s-Gravenhage: The
Johan Maurits van Nassau Stichting, 1979).
11 C.R. Boxer, The Dutch Seaborne Empire (Londres: Hutchinson, 1965), 108.
12 Panfleto Veroveringh van de Stadt Olinda (Conquista da cidade de Olinda;
Amsterdam: J. Luyck, 1630). Rev. J. Revius, Biechte des Conincx van Spanjen
(Confissão do rei da Espanha mortalmente doente pela perda de Pernambuco;
S.l.: s.e., 1630): "mea gravissima culpa."
13 Instrução do almirante Lonck de 01-08-1629 sobre "onze rechtvaardige oorlog,"
nossa guerra justa contra a Espanha. Sobre a questão da liberdade religiosa
durante esta época, ver F.L. Schalkwijk, Igreja e Estado no Brasil Holandês, 1630-
1654, 2ª ed. (São Paulo: Vida Nova, 1989), 335-458.
14 F.J. Moonen, Holandeses no Brasil (Recife: Universidade Federal de
Pernambuco, 1968), 53.
15 E. Fischlowitz, Christoforo Arciszewski (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,
1959).
16 Laet, Verhael, III:143.
17 Ver F.A. Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, 10 vols. (Recife: Arquivo
Público Estadual, 1952-1966), III:12-19.
18 Boxer, Holandeses, 63, nota 27.
19 Ver nota 1. Somente em 1817 Alagoas tornou-se uma capitania independente
de Pernambuco.
20 Coelho, Memórias, 120 (20-04-1632). Matias era irmão do donatário Duarte de
Albuquerque Coelho.
21 Em 01-05-1632, Waerdenburch fez uma incursão a Igaraçu "sob a fidelidade ou
infidelidade de um negro que me serviu de guia" (carta aos Estados Gerais, 09-05-
1632; provavelmente a primeira referência a Calabar nos documentos
holandeses). F.A. de Varnhagen, História das Lutas com os Hollandezes no Brasil
desde 1624 a 1654 (Lisboa: Castro Irmão, 1872), 59. Até novembro de 1632
provavelmente surgiu certa dúvida por causa da confissão do colaborador
Leendert van Lom, que alertou o governo a não confiar em nenhum português e
que suspeitava de "Domingo Fernando," que joga (cartas) com capitães (de
barcos) portugueses, dando-lhes dinheiro e chamando-os de primos (o que não
são)." Porém, na hora da execução Lom hesitou em confirmar os nomes dos
portugueses, de sorte que ficou a incerteza (Laet, Verhael, III:107).
22 Coelho, Memórias, 138 (07-02-1633).
23 Ibid., 197 (31-03 e 01-04-1634).
24 Os protestantes, inclusive o pastor João Ferreira de Almeida, insistiram que
não pertenciam a uma nova seita, mas à igreja cristã "católica reformada," não
católica romana. Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234s.
25 No dia 20-09, não em 10-09 como foi sugerido pela edição impressa do
Doopboek por ter omitido "Sept. 20" (Livro de Batismos da Igreja Reformada do
Recife, 1633-1654, publicado por C.J. Wasch, Nederlandsch Familieblad, 5 e 6,
1888-1889). Frei Calado diz que Calabar travou amizade com Von Schoppe
tomando-o "por compadre de um filho que lhe nasceu de uma mameluca,
chamada Bárbara, a qual levou consigo e andava com ela amancebado." Calado
não reconheceu o matrimônio protestante (Calado, Lucideno, I:32, seguido por
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J.B.F. Gama, Memórias Históricas da Província de Pernambuco, 2ª ed., 2 vols.
[Recife: Secretaria da Justiça/Arquivo Público Estadual, 1977], I:239). O
colaborador Leendert van Lom afirmou (hesitando porém na hora da execução)
que "a mulher de Domingo" falou que todos os holandeses deviam ser mortos à
bala ("Domingos vrouw," Laet, Verhael, III:107). Em 1636, as atas do governo no
Recife falam sobre "a viúva de Calabar" (Dagelijkse Notulen, 13-04-1636).
Mameluca (Calado, Lucideno, I:14). Parece que Bárbara também era natural de
Porto Calvo, porque em março de 1635 o cunhado ("swagher") de Calabar traz
notícias de que os grandes da povoação querem discutir (a rendição; Laet,
Verhael, IV:151). Leal, no seu romance, desconhece Bárbara (Leal, Calabar,
passim).
26 Magtelt Daays. Engana-se o romancista Felício ao fazer Bárbara e o filho
morrerem em 1631 (Santos, Calabar, 97 e 102). Coelho, Memórias, 116.
27 Pastores no Recife no ano de 1634: Christianus Wachtelo (1630-1635) e Daniel
Schagen (1634-1637), este mais ligado ao exército.
28 Sobre Calado, ver J.A.G. de Mello, "Frei Manuel Calado do Salvador,"
Restauradores de Pernambuco (Recife: Imprensa Universitária, 1967). Era um
religioso da ordem de São Paulo.
29 Calado, Lucideno, I:46-48. "E como se havia de entender aquela promessa dos
concêrtos, que ficaria a mercê d'El-Rei." Calado justifica o não cumprimento do "à
mercê d'el-rei," considerando o general Matias como representante do rei.
Varnhagen, História geral, I:263, "(Calabar) esperançado talvez de ter algum meio
de escapar-se, se em tempo de guerra andassem com ele, de uma parte para
outra, à espera de ordens da metrópole."
30 Enforcado, dizem Calado (Lucideno, I:47) e Coelho (Memórias, p. 264);
garroteado, diz Guerra (Aventura, 103). João Ribeiro, História do Brasil, 19ª ed.,
rev. por Joaquim Ribeiro (Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1966), 152: "como é
próprio da fraqueza humana, vingaram-se." Mas parece que alta traição exigia
este tipo de execução (ver Laet, Verhael, III:107, o traidor Leendert de Lom foi
decapitado e esquartejado no Recife). O problema era o não cumprimento total
das cláusulas (escritas ou orais) da rendição, pois teriam dado quartel a Calabar,
"a mercê d'el-rei" (Calado, Lucideno, I:46-48; Carta do governo no Recife aos
Senhores XIX, 23-08-1635, prometido o quartel. Laet, Verhael, IV:169).
31 Calado, Lucideno, I:46-48, com Calabar durante quatro horas pela manhã e
mais três horas à tarde; lágrimas e arrependimento. Leal se engana fazendo padre
Manuel de Morais confessor de Calabar (Leal, Calabar, IV:135).
32 Calado, Lucideno, I:47. Coelho, Memórias, 264 (22-07-1645), aguazil
(funcionário administrativo e judicial) dos holandeses em Porto Calvo. Castro ou
Crasto: Laet, Verhael, IV:162, Manuel de Crasto Fortado.
33 J. Capistrano de Abreu, Capítulos de História Colonial, 4ª ed. (Rio de Janeiro:
Briguet, 1954), 155.
34 J. Veríssimo qualifica os motivos, sem mencioná-los: "Foram vis e infamantes
os móveis que o fizeram bandear-se" ("Os Hollandezes no Brazil," Revista do
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano [RIAP] 54:127).
35 Ver Ruy dos Santos Pereira, Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto
Histórico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco, 1980), 23.
36 Calado, Lucideno, I:14, 46-48. Rodrigues diz sobre esse "saboroso livro" (no
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Index, Índice de Livros Proibidos, de 1655 até 1910) que o desejo de Calado "de
ver o Brasil livre dos holandeses … conduziram-no muita vez ao erro, à
parcialidade, à falsidade." Mas "foi uma injustiça … quando (Varnhagen julgou a
obra) defeituosa e sem dignidade histórica"; José Honório Rodrigues,
Historiografia e Bibliografia do Domínio Holandês no Brasil (Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional, 1949), 11,12. Boxer, Holandeses, p. 68, n. 34,35. Mello,
Calado, 9: "É, não uma história, mas o depoimento de um contemporâneo … a fim
de influir sobre o Rei a favor dos insurretos …" (1648).
37 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635). Guerra: Coelho precisava de um bode
expiatório (Aventura, 79).
38 Varnhagen, História das Lutas, 58; História Geral, I:277. H. Wätjen, O Domínio
Colonial Hollandez no Brasil (São Paulo: Editora Nacional, 1938), 119: "um
trânsfuga," sem mencionar motivos.
39 Southey, História, II:212, 239, n. 1. Francisco de Brito Freyre, Nova Lusitânia:
História da Guerra Brasílica (Lisboa: 1675; Recife: Secretaria de Educação e
Cultura, 1977). Gioseppe di S. Teresa, Istoria delle Guerre del Regno del Brasile
(Roma: Corbelletti,1698), "compilação pouco estimável," conforme Rodrigues
(Bibliografia, 147). Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (Lisboa: 1679; Recife:
Assembléia Legislativa de Pernambuco, 1979), na sua maior parte cópia de
Calado.
40 Guerra, Aventura, 94, 102.
41 Coelho, Memórias, 68, 120.
42 Ibid., 264 (22-07-1635). Nota 131: "Tradução literal do texto espanhol." A
tradução (Melo Morais, 1855) rezava: "por sua infidelidade e crimes." Rodrigues
avalia esta tradução como "indigna de apreço pelos seus erros e omissões"
(Bibliografia, 223, ítem 410). Leal sugere que Calabar tentou organizar com uns
cúmplices um desastre no Arraial para acabar com a guerra, e teria fugido depois
de pôr fogo na barraca do general Matias (Leal, Calabar, II:104,132).
43 Ver Laet, Verhael, III:95 (Barra Grande, 09-1632); III:112 (Camaragibe, 12-
1632); II:190 (descrição do litoral de Porto Calvo). Coelho, Memórias, 197 (Barra
Grande, 04-1634).
44 Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234, n. 81.
45 Como sobre a morte do almirante Pater envolvido na bandeira holandesa.
Varnhagem, História Geral, I:276 (n.V).
46 Boxer, Holandeses, 71, n. 38.
47 Guerra, Aventura, 79ss. Guerra, Calabar, 36.
48 Coelho, Memórias, 263 (19-07-1635: "o general assegurou [ao inimigo] que
arriscaria a sua própria pessoa para não perder das mãos a de Calabar"); p. 264
(22-07-1635: "tão firme em não entregá-lo." Varnhagen, História Geral, I:263,
"(Calabar) traidor por todos os séculos dos séculos."
49 Calado, Lucideno (1648), I:46. Opinião copiada ao pé da letra por Diogo Lopes
Santiago, História da Guerra de Pernambuco (1660?; Recife: Fundarpe, 1984), 92,
e Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (p. 115). Assim também Varnhagen,
História Geral, I:263. Mas o próprio donatário reconheceu que os holandeses
fizeram muitos esforços para salvar a vida de Calabar: (Deus permitiu que) "o
nosso general estivesse tão firme em não entregá-lo, a despeito de tamanhas
instâncias que fazia o inimigo" (Coelho, Memórias, 264, 22-07-1635).
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50 Calado, Lucideno, II:241: "se não foram os judeus ..." Panfleto Portugysen, 13.
51 Coelho, Memórias, 262 (17 e 18-07-1635). Laet, Verhael, IV:168.
52 Coelho, Memórias, 263 (19-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitânia, 349:
"persuadindo-os a se renderem, capitularam." Não há provas do engano sugerido
por Freyre. Guerra, Aventura, 102, parafraseando: "O mameluco, ante a recusa de
Picard em atender a intimação do 'terríbil,' reagiu, e, com rara altivez e coragem,
retorquiu para o enviado do inimigo: 'Ide e dizei ao General Matias de Albuquerque
que o Coronel Picard aceita a proposta'."
53 Calado, Lucideno, I:32.
54 A Companhia reconheceu o valor de Calabar: o diretor De Laet escreveu que
esse homem corajoso e forte "fez mui grandes serviços" (Laet, Verhael,
IV:162,171). Nótulas Diárias do Governo no Recife, 13 de abril de 1636 (ver 24-01-
1636). A viúva do pastor Stetten e seus filhos receberam uma ajuda provisória
(Nótulas Diárias, 12-07-1647), suspensa em junho de 1650 (carta da D. Raquel à
Stetten ao pastor P. Wittewrongel, de Amsterdam - Recife, 18-05-1652 (GAA-ACA
88, 4, p. 167-169).
55 G. Groenhuis, De Predikanten (Groningen: Wolters-Noordhoff, 1977), 36.
56 Coelho, Memórias, 120 (20-04-1632).
57 Ver J.A.G. de Mello, "A Situação do Negro sob o Domínio Holandês," em
Gilberto Freyre e outros, Novos Estudos Afro-Brasileiros (Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1937).
58 Informações geralmente contidas nas "cartas gerais" do governo no Recife aos
Senhores XIX, 1630-1632 (ver o índice da coleção "Brieven en Papieren" no
Instituto Histórico no Recife; RIAP 30:129-144).
59 Pedidos de Hooghstraten ao Conselho Ultramarino em Lisboa para pagar o
soldo prometido (Lisboa, Arquivo Histórico Ultramarino, cod. 14:88 e 278:230v, de
28-09-1647 e 25-02-1649).
60 Boxer, Holandeses, 380-382. Muitas referências nos documentos holandeses.
61 J.A.G. de Mello, João Fernandes Vieira, 2 vols. (Recife: Imprensa Universitária,
1967), I:105-127.
62 Abreu, Capítulos, 155.
63 Calado, Lucideno, I:48.
64 Southey, História, II:164.
65 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635).
66 Guerra, Aventura, 83: segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que
Calabar, 'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrícios por ser mulato, tem
recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'." Guerra, Calabar,
42: Waerdenburch teria escrito à Holanda que "(Calabar) só se colocou ao nosso
lado por convicção, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe
haviam mandado." Ver o post scriptum deste artigo.
67 Santos, Major Calabar, 107 (capitão Jouer de Haia, o "língua," tradutor), 113-
115. Calabar era capitão, não major, ver Laet, Verhael, IV:162s, em Porto Calvo,
julho de 1635, Major Picard, Capiteyn Langley, Capiteyn van Exel, Capiteyn
Domingo Fernandes Calabar, Capiteyn Jan Muller.
68 C.R. Boxer, Race Relations in the Portuguese Colonial Empire, 1415-1825
(Oxford: Clarendon, 1963), 86-130; 1771.
69 Guerra, Aventura, 83: Calabar "(sofreu) injustamente dos seus patrícios por ser
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mulato." Ver nota 66 e o post scriptum deste artigo.
70 Southey, História, II:164: "se o tratamento recebido dos comandantes o
desgostou." Leal, Calabar, I:141, em um conclave com conspiradores, faz Calabar
dizer: "A minha raça é outra … Tolerais-me quando vos sou útil" (II:100), e faz com
que o futuro sogro de João Fernandes Vieira bata com um ferro no rosto de
Calabar, marcando-o (I:146; "ansiedade de vingança, III:29; IV:104). Ambos, Vieira
e Calabar, seriam apaixonados por Maria César (I:141), sugerindo ainda outro
motivo. Isso, porém, não é válido, pois Leal desconheceu Bárbara (nota 25).
71 Santos, Major Calabar, 112s. Leal, no seu romance histórico, não aproveita o
desgosto geral contra Bagnuolo por fazê-lo chegar depois da deserção de Calabar
(Leal, Calabar, IV:54). Calado, segundo Boxer, é um crítico muito escarninho de
Bagnuolo (Boxer, Holandeses, 68, n. 35).
72 Brito Freyre, Nova Lusitânia, 240, 254.
73 Ver nota 57. Observe-se sobre o tratamento dos escravos, as instruções de
João Fernandes Vieira e as de Nono Olferdi para os novos colonos no Sergipe.
Schalkwijk, Igreja e Estado, 74, n. 81.
74 Também o índio Pedro Poti, membro da igreja cristã reformada, assina a sua
carta na língua tupí como "regedor (dos) brasilianos em Paraíba" (31-10-1645).
Talvez fosse bom usar de novo este nome arcaico, porém honorífico, como
coletivo para todas as nossas tribos indígenas em geral. "Brasilianen," passim nos
documentos holandeses para as tribos tupis (como tupinambás, potiguaras,
sergipes, etc.), distinguindo-os dos tapuias (nhanduis, cariris). Os (luso)
"brasileiros" eram chamados "portugueses" ou "moradores." Calado, Lucideno,
I:xvi, "brasilianos" no sentido de "moradores."
75 Abreu, Capítulos, 155.
76 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635).
77 Carta de Dom. (Rev.) Pistorius aos Senhores XIX, Recife, 04-11-1631.
78 Schalkwijk, Igreja e Estado, 231-235.
79 Calado, Lucideno, I:68s.
80 Schalkwijk, Igreja e Estado, caps. 12-15, sobre a liberdade religiosa nessa
época, mormente pp. 388-458.
81 Ver notas 25 e 26.
82 Coelho, Memórias, 264 (22-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitânia, 350: "com
piedosas mostras de verdadeiro arrependimento e lágrimas constantes, nascidas
mais do temor de Deus que do receio do castigo." Guerra, Aventura, 103: "firme e
seguro, sem denotar arrependimento," ou seja, não se sabe se considerou a
"traição" como pecado.
83 O Catecismo de Heidelberg (1563) era estudado dominicalmente nas igrejas
reformadas. Havia no Brasil uma edição em espanhol, Catechismo (s.l.: Ioris van
Henghel, 1628, 135 p.), 1ª pergunta e resposta. Sobre Poti, Schalkwijk, Igreja e
Estado, 309.
84 Rodrigues, Bibliografia, 13. Brito Freyre (Armada: 1654; Governador: 1661-
1664), Nova Lusitânia, 350.
85 Guerra, Aventura, 79-84, 103. Guerra, Calabar, 42, 69. Ver o post scriptum no
fim deste artigo.
86 Santos, Major Calabar, 99, 101 e 205. Capitão Jouer, ver nota 66.
87 A peça "Calabar" (com subtítulo de "O Elogio da Traição" e músicas como
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"Bárbara"), de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, foi proibida em 1973
pelo governo militar, mas liberada em 1980. O alvo era debater a figura do
"traidor" por ocasião do sesquicentenário da independência (Veja, 14-05-1980, pp.
60ss).
88 Laet, Verhael, III:98. Gaspar Barlaeus, História dos feitos recentemente
praticados durante oito anos no Brasil (Amsterdam: 1647; Recife: Fundação de
Cultura Cidade do Recife, 1980), 39.
89 Abreu, Capítulos, 155. Muitos têm opinião semelhante, como Rocha Pombo,
História do Brasil, 7ª ed. (São Paulo: Melhoramentos, 1956), I:171; Southey,
História do Brasil, II:164: "não se sabe"; Hélio Vianna, História do Brasil (São
Paulo: Melhoramentos, 1961), etc.

Parte V
O SEGUNDO MANDAMENTO

Há um certo descompasso entre os Dez Mandamentos transcritos na Bíblia


Sagrada e os relacionados no Catecismo da Igreja Católica (C.I.C.), 9a edição,
Editora Vozes, 1998. Tal desencontro poderá gerar dúvidas e estranheza não só
entre os católicos, mas também entre os novos evangélicos provindos daquela
denominação. Para que a verdade prevaleça, elaborei o presente trabalho que
poderá ser enriquecido com as observações dos leitores. O Decálogo no C.I.C.
está assim redigido (páginas 548-650, itens 2083-2550):

Primeiro Mandamento - ―Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do
Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás
para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima,
nos céus, ou embaixo, na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te
prostrarás diante desses deuses e não os servirás (Ex 20.2-5)‖ (o grifo é meu).

Segundo Mandamento - ―Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão


(Ex 20.7)‖.

Terceiro Mandamento - ―Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo.


trabalharás durante seis dias e farás todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o
sábado do Senhor, teu Deus. Não farás nenhum trabalho (Ex 20.8-10)‖.

Quarto Mandamento - ―Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus
dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá (Ex 20.12)‖.

Quinto Mandamento - ―Não matarás (Ex 20.13)‖.

Sexto Mandamento - ―Não cometerás adultério‖ (Êx 20.14)‖.

Sétimo Mandamento - “Não roubarás (Êx 20.15)”.

Oitavo Mandamento - ―Não apresentarás falso testemunho contra o teu próximo


(Êx 20.15)‖.
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Nono Mandamento - ―Não cobiçarás a casa de teu próximo, não desejarás sua
mulher, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa
alguma que pertença a teu próximo (Êx 20.17)‖.

Décimo Mandamento - ―Não cobiçarás... coisa alguma que pertença a teu


próximo (Êx 20.17)‖.

Observem que o primeiro e o segundo mandamentos foram arrolados num só, e o


décimo foi dividido em dois. Vejamos como estão na Bíblia de Estudo Pentecostal,
Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, o primeiro, o segundo e o décimo
mandamentos:

Primeiro Mandamento - ―Não terás outros deuses diante de mim‖ (Êxodo 20.3;
Deuteronômio 5.7).

Segundo Mandamento - ―Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma


semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas
debaixo da terra. Não te encurvarás A ELAS nem AS servirás‖. (as maiúsculas são
nossas). (Êxodo 20.4-5; Deuteronômio 5.8-9).

Décimo Mandamento - ―Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a


mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o
seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo‖(Êxodo 20.17; Deuteronômio
5.21).

Não há razão para dividirmos em dois o mandamento de Êxodo 20.17. Trata-se de


um só enunciado, uma proibição específica de não cobiçar pessoas, animais e
objetos, e está expresso num único e reduzido versículo. O nono e o décimo
mandamentos são iguais no Catecismo por uma razão simples: como o primeiro e
o segundo foram unificados, ficou faltando um, o décimo. A solução foi criar dois
mandamentos iguais. O Vaticano assim explica:

―A divisão e a numeração dos mandamentos têm variado no decorrer da história.


O presente catecismo segue a divisão dos mandamentos estabelecida por Sto.
Agostinho e que se tornou tradicional na Igreja Católica. É também a das
confissões luteranas. Os padres gregos fizeram uma divisão um tanto diferente,
que se encontra nas igrejas ortodoxas e nas comunidades reformadas‖ (C.I.C. pg.
545, item 2066).

Para que não haja suspeição, vejamos os mandamentos numa Bíblia ―católica‖,
Edição Ecumênica, tradução do padre Antônio Pereira de Figueiredo, com notas
do Mons. José Alberto L. de Castro Pinto:

Primeiro Mandamento - ―Não terás deuses estrangeiros diante de mim‖ (Êxodo


20.3).

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Segundo Mandamento – ―Não farás para ti imagem de escultura, nem figura
alguma de tudo o que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem de
coisa, que haja nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás
culto‖ (O grifo é nosso). (Êxodo 20.4-5).

Décimo Mandamento – ―Não cobiçarás a casa de teu próximo: não desejarás a


sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma que lhe pertencer‖(Êxodo 20.17).

A Palavra de Deus não se altera ao longo da história, e não podemos modificá-la


por nenhuma razão. Convém esclarecer que nas Bíblias os mandamentos não
estão numerados, mas pelo enunciado é possível sabermos qual é o primeiro,
qual o segundo, e assim por diante. Mas isto é um detalhe. O cerne da questão
está no segundo mandamento. Incorporado o segundo mandamento ao primeiro,
fortalece-se a idéia de que as imagens proibidas estariam se referindo, somente,
aos deuses antigos. Daí porque o verso 5, no C.I.C., reforça essa idéia: ―Não te
prostrarás diante desses deuses e não os servirás‖.

É preciso notar que o versículo 4 refere-se especificamente a IMAGENS, e não a


deuses. O versículo 5 (―não te encurvarás/inclinarás a elas nem as servirás‖)
encontra-se afastado do versículo 3 (―não terás outros deuses diante de mim‖). Os
―deuses‖, portanto, não são a essência da proibição do verso 4 e começo do verso
5. Por isso, entendo que as versões que se reportam às imagens, e não aos
deuses, (―não as adorarás, não as servirás, não lhes darás culto‖) são as mais
aceitas. São exemplos: Las Sagradas Escrituras-1569 (―No te inclinarás a ellas, ni
las honrarás‖); Almeida Revista e Corrigida, 1995 (―Não te encurvarás a elas nem
as servirás‖); Bíblia Linguagem de Hoje (―Não se ajoelhe diante de ídolos, nem os
adore‖). A bem da verdade, convém registrar que diversas versões, quanto ao
versículo 5, fazem referência aos deuses, e não às imagens. Deuses e imagens
estão tão associados que a proibição de não prestar culto a um alcança
naturalmente o outro. Imagens e deuses são ídolos.
Aprouve a Deus destinar um mandamento só para referir-se às imagens, ídolos ou
estátuas, objeto de adoração, veneração, culto, honra, homenagens. Assim, Deus
descreveu quais as imagens que não deveriam ser objeto de culto. Deus
exemplificou para não haver dúvida. As imagens dos santos católicos estariam
incluídas nessa proibição?

ANÁLISE DE ÊXODO 20.4

―Não farás para ti‖ – Entende-se a posse do objeto quando destinado ao culto, à
homenagem, à prece, à veneração. Deus não condena as obras de arte, escultura
ou pintura de valor histórico e cultural.

―Nem alguma semelhança do que há em cima nos céus‖ – Não encontramos


diferenças relevantes de tradução nas versões consultadas. A proibição não
alcança apenas as imagens dos deuses, mas diz respeito, também, ao que existe
nos céus: A Trindade (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo), os anjos e os
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salvos em Cristo. Logo, estátuas de Jesus, dos santos apóstolos, de Maria, e de
quantos, pelo nosso julgamento, estejam no céu, não devem ser objeto de culto.

―Não te encurvarás a elas‖ - Deus proíbe qualquer atitude de reverência ou


respeito, tais como inclinar respeitosamente o corpo ou ajoelhar-se diante das
imagens; prostrar-se com o rosto no chão; tocá-las; beijá-las; levantar os braços
em atitude de adoração; tirar o chapéu; ficar em pé diante delas em estado
contemplativo. Enfim, Deus proíbe fazer qualquer gesto com o corpo que expresse
admiração, contemplação, fé, devoção, homenagem, reverência.

―Não as servirás‖ - Não servi-las com flores, velas, cânticos, coroas, festas,
procissões, lágrimas, alegria, rezas, vigílias, doações, homenagens, devoção,
sacrifícios, incenso. Não lhes devotar fé, confiança, zelo, amor, cuidados. Não
alimentar expectativas de receber delas amparo, curas e proteção. Não colocá-las
em lugar de destaque, em redoma ou em lugares altos.

A Igreja de Roma reconhece a proibição, mas decide por não acatá-la:

―O mandamento divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão


do homem. O Deuteronômio explica: ―Uma vez que nenhuma forma vistes no dia
em que o Senhor vos falou no Horebe, do meio do fogo, não vos pervertais,
fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo...‖(Dt 4.15-16)... No
entanto, desde o Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de
imagens que conduziriam simbolicamente à salvação por meio do Verbo
encarnado, como são a serpente de bronze, a Arca da Aliança e os querubins. Foi
fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio
ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou, contra os iconoclastas, o culto dos
ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os
santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova ―economia ‖das
imagens. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento,
que proíbe os ídolos. De fato, ―a honra prestada a uma imagem se dirige ao
modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está
pintada. A honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e
não uma adoração, que só compete a Deus. O culto às imagens sagradas está
fundamentado no mistério da encarnação do Verbo de Deus. Não contraria o
primeiro mandamento‖ (C.I.C. pg. 560-562, itens 2129-2132, 2141).

ANALISANDO AS EXPLICAÇÕES

―O mandamento divino INCLUÍA a representação de toda representação de Deus


por mãos do homem‖.

O mandamento divino incluía? Não, mandamento inclui, está vigente. A cruz não
aboliu as Dez Palavras. As leis cerimoniais sim, foram abolidas. O Decálogo é, no
varejo, o que Jesus disse no atacado: ―Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento‖, e ―Amarás o teu
próximo como a ti mesmo‖ (Mateus 22.35-40; Deuteronômio 6.5; 10.12; 30.6;
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Levítico 19.18). Num coração cheio do amor de Deus e do amor a Deus não há
espaço para a adoração de pessoas ou de coisas. Em Mateus 5.17, Jesus afirma:
―Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir‖
(ARC) ou: ―Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os
ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles, mas para dar o seu sentido
completo.‖ (BLH). A seguir Jesus exemplifica o novo sentido à lei: se pensar em
matar, já pecou e descumpriu a lei; se pensar em adulterar, já pecou.

―No entanto, Deus ordenou... a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os


querubins‖...

A Arca da Aliança e os querubins passaram. Faziam parte de cerimônias e


símbolos instituídos por Deus, de acordo com sua infinita sabedoria e soberana
vontade, para melhor conduzir o povo em sua fé. Agora, vindo Cristo, temos ―um
maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue...‖ (Hebreus
9.11).
A serpente de bronze - símbolo tão zelosamente defendido pela Igreja de Roma –
foi um remédio específico para um mal específico numa situação especial
(Números 21.7-9). Agora, já não precisamos de figuras para nossos males físicos
e espirituais. Como disse João Ferreira de Almeida, ―o poder vivificante da
serpente de metal prefigura a morte sacrificial de Jesus Cristo, levantado que foi
na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com fé‖. O próprio Jesus
assim se manifestou: ―E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim
importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna‖ (João 3.14-15). Deus não recomendou o
culto, a homenagem ou a veneração à serpente. Por isso, o rei Ezequias, temente
e reto aos olhos do Senhor, destruiu-a ao perceber que o povo lhe prestava culto
(2 Reis 18.4). Ademais, não se vê em Atos dos Apóstolos qualquer indício de uso
de figuras, ícones ou imagens destinados a facilitar a compreensão e conduzir os
fiéis à salvação.

―... o sétimo Concílio ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou... o culto dos
ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os
santos. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que
proíbe os ídolos. De fato, ―a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo
original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A
honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e não uma
adoração, que só Não contraria o primeiro mandamento‖.

Ora, se o mandamento proíbe o culto aos ídolos, então o culto aos ídolos é
proibido. Desculpem-me os leitores pelo óbvio. Portanto, o culto às imagens
contraria o mandamento. Se contraria, é pecado cultuá-las. O Concílio de Nicéia
justificou, mas são justificativas de homens. A Palavra é o padrão. A tradição
deverá ajustar-se à Palavra. A honra ao modelo original via imagem parte de uma
premissa falsa, porque as imagens não são em sua grande maioria cópias fiéis
dos originais, exemplos de Jesus, Maria, José e dos santos apóstolos. Seus traços
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físicos não foram revelados nem por fotografias nem por pinturas. Jeremias foi
direto: ―Suas imagens são mentira‖ (Jr 10.14).

―A honra prestada às santas imagens é uma ― veneração respeitosa‖, e não uma


adoração, que só compete a Deus‖.

Venerar: ―Tributar grande respeito a; render culto a, reverenciar‖; Culto: ―Adoração


ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião‖.
Adorar: ―Render culto a (divindade); reverenciar, venerar, idolatrar‖ (Dicionário
Aurélio). Como se vê, é muito tênue a linha entre honrar, venerar, adorar e prestar
culto. Diria que não existe essa linha. Vejamos o que Deus afirma: ―Eu sou o
Senhor. Este é o meu nome. A minha glória a outrem não a darei, nem a minha
honra às imagens de escultura‖ (Isaías 42.8). Na Bíblia Linguagem de Hoje: Eu
sou o Deus Eterno: este é o meu nome, e não permito que as imagens recebam o
louvor que somente eu mereço.‖ Na Bíblia ecumênica, católica: ―Eu sou o Senhor,
este é o meu nome: eu não darei a outrem a minha glória, nem consentirei que se
tribute aos ídolos o louvor que só a mim pertence‖.

OUTRAS REFERÊNCIAS<

―Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem
estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela.
Eu sou o Senhor vosso Deus‖ (Levítico 26.1).

Ø ―No dia em que o Senhor vosso Deus falou convosco em Horebe, do meio do
fogo, não vistes figura nenhuma. Portanto, guardai com diligência as vossas
almas, para que não vos corrompais, fazendo um ídolo, UMA IMAGEM DE
QUALQUER TIPO, FIGURA DE HOMEM OU DE MULHER...‖ (Deuteronômio
4.15-16). O destaque é meu.

―As imagens de escultura de seus deuses queimarás no fogo. Não cobiçarás a


prata nem o ouro que haja nelas, nem os tomarás para ti, para que não sejas
iludido, pois É ABOMINAÇÃO AO SENHOR, TEU DEUS‖ (Deuteronômio 7.25). O
destaque é meu.

―As suas imagens de fundição são vento e nada‖ (Isaías 41.29b)

―Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei,
nem o meu louvor às imagens de escultura‖ (Isaías 42.8)

―Todo homem se embruteceu e não tem ciência; envergonha-se todo fundidor da


sua imagem de escultura, porque sua imagem fundida é mentira, e não há espírito
nela‖ (Jeremias 10.14).

―Arrancarei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas; e tu não


te inclinarás mais diante da OBRA DAS TUAS MÃOS‖ (Miquéias 5.13). O
destaque é meu.
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―Também está cheia de ídolos a sua terra; inclinaram-se perante a OBRA DAS
SUAS MÃOS, diante daquilo que fabricaram os seus dedos‖ (Isaías 2.8). O
destaque é meu.

―Nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura,


feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar‖ (Isaías 45.20).

―Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz. Os ídolos deles são
prata e ouro, OBRA DAS MÃOS DOS HOMENS. Têm boca, mas não falam; têm
olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; nariz têm, mas não cheiram.
Têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da
sua garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e todos os que
neles confiam‖ (Salmos 115.3-8). O destaque é meu.

―Eles trocam a verdade de Deus pela mentira e ADORAM E SERVEM O QUE


DEUS CRIOU, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser
louvado para sempre. Amém‖ (Romanos 1.25). O destaque é meu. Anjos e
espíritos humanos são criaturas de Deus.

CONCLUSÃO

A proibição divina abrange:

Qualquer coisa (estátua, imagem, ídolo, presépio) produzida por mãos humanas.
Toda a criação de Deus (anjos, pessoas, espíritos humanos, corpos celestes,
animais).
Imagens de qualquer uma das três Pessoas da Trindade.
Está, portanto, contrário ao Segundo Mandamento qualquer culto de louvor,
adoração, homenagem ou veneração prestado às imagens representativas de
pessoas falecidas, qualquer que tenha sido o grau de santidade por elas
alcançado na vida terrena.

Parte V
Por que eu Nasci? - Um comentário Antropológico
APONTAMENTOS SOBRE O LÓCUO 6 DO LIVRO ―DOGMÁTICA CRISTÃ‖ DE
CARL E. BRAATEN E ROBERT W. JENSON, SÃO PAULO: SINODAL, 1990 –
PP. 324-341

O SER HUMANO
Começaremos este estudo, justificando que foi escolhido o termo ―co-criador
criado‖ para articular o que significa a humanidade sob a vontade de Deus. Este
termo, segundo o livro aqui comentado, fala de dependência, de poder e
autoridade dados por Deus e de liberdade dentro da finitude.

A questão do destino humano aparece-nos como uma compreensão primordial


para este estado humano de ―co-criador criado‖. Comenta-se que Nathan Scott
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aponta corretamente para a intenção da estória cristã da humanidade: contar-nos
quem o ser humano realmente é e lembrarmos que toda a criação e Deus o
Criador apóiam os seres humanos em seus esforços para tornar-se mais
plenamente o que são criados para ser. A antropologia cristã expõe uma
compreensão distinta de quem e do que o ser humano é.

O ser humano é criado com um destino. Assim, o autor do livro, explica que foi
utilizado este termo ―destino‖ para incluir as conotações de ―vocação‖ ou
―chamamento‖, bem como para apontar para um caráter intrínseco que constitui
uma dimensão da ―natureza‖ criada do ser humano. Consequentemente, explica-
nos o autor, ―destino‖ tem as nuanças de dom, determinismo, propósito e alvo. A
primeira tarefa da concepção distintamente cristã do ser humano é tornar claro
que o homo sapiens tem um destino, e que se trata de um destino elevado. A
Antropologia cristã não se isola de qualquer outra fonte de conhecimento sobre o
ser humano – das ciências, da experiência de todas as espécies, literatura ou arte.
O que a concepção cristã tem a dizer sobre o ser humano está no contexto do
conhecimento recolhido destas outras fontes.

Não obstante, não se pode permitir que conhecimento algum de outras fontes
oculte ou enfraqueça a seguinte asserção fundamental da fé cristã: como pessoas
criadas por Deus, somos seres cuja origem e destino estão vinculados com este
Deus. Tudo que é dito sobre as implicações da doutrina da criação ex nihilo
certamente aplica-se aqui: que o ser humano é causado, e não gera a si mesmo, e
que é criatura, não criador. E esta verdade comentada no livro Dogmática Cristã,
desemboca no fato de que, a menos que percebamos o destino divinamente
ordenado do ser humano, deixamos, desde o princípio, de compreender quem e o
que o homo sapiens é. Somente o pressuposto do destino elevado confere sentido
ao discernimento do pecado e do mal nos seres humanos.

Desta forma, sem o real conhecimento, ou talvez seja melhor colocar, o real
reconhecimento de seu estado real, o homem ou a mulher da atualidade está
como alguém que é condenado à morte em um julgamento que não compreende
porque cometeu um crime absurdo que não reconhece.

O tema através do qual reunimos as várias afirmações da tradição cristã sobre a


criatura humana e que expressa o sentido delas é o do co-criador criado. Este
tema, como o próprio autor de Dogmática Cristã o descreve, é novo em sua
formulação. Formalmente, o destino humano é levar à consumação a posição
dada ao ser humano na criação – colocado por Deus o Criador na posição
preeminente do ecossistema.

A espécie humana é claramente distinta de todas as outras espécies, mas


também está intimamente relacionada ao resto da criação. Esta relação é em
parte externa; o homo sapiens depende de todos os outros elementos do
ecossistema, assim com a espécie contribui reciprocamente para o mesmo
ecossistema. Mas ela é também interna. Os elementos do mundo, convergindo
naquela ―sopa primordial‖ da qual surgiram todas as criaturas vivas, são os
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elementos do ser humano; cada átomo do corpo humano esteve em outro lugar no
universo antes que veio a repousar no homo sapiens. Percebe-se com isto, a
afirmação de que o homem faz parte do todo do universo, das coisas criadas.

Mas, como exposto na obra aqui apreciada, o homo sapiens é distintivo no tocante
a seis características importantes: consciência, autoconsciência, a capacidade de
fazer avaliações, a capacidade de tomar decisões com base nestas avaliações, a
capacidade de agir livremente de acordo com estas decisões e a capacidade de
assumir responsabilidade por tal ação. Tal ação autoconsciente e livre torna-se
uma espécie de atividade criadora, um co-criador com Deus. Porém, lembrando-
nos dos nossos limites, diz-nos o texto o seguinte: os seres humanos não podem
atribuir-se arrogantemente o mérito de serem co-criadores; foram criados co-
criadores.

Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e


responsavelmente na formação do mundo e seu desdobramento em direção a sua
consumação final sob Deus. O criar de Deus é a norma para o co-criar humano –
não no sentido de que o homo sapiens deva igualar sua atividade à de Deus, mas,
antes, no sentido de que a atividade humana é perversa se não se qualifica afinal
como participação na extensão da vontade primordial de criação de Deus.
Expresso desta maneira, o status criado do ser humano é completamente
escatológico; isto é, é um desencadeamento, não um dado plenamente
desenvolvido que simplesmente tem de ser reiterado e copiado ao longo do
tempo. O homem não é um ser já completo em perfeição criativa e criadora, ele
estava em fase de desenvolvimento pessoal em Adão, que perdeu o rumo da
desenvoltura humana através do pecado, e que em Cristo, o modelo real e já
perfeito, encontramos o rumo para o pleno desenvolvimento, porém, com uma
melhor visão, pois o nosso modelo, Cristo, é o Homem com perfeição criativa e
criadora.

Nos é sugerido, desta maneira, que este caráter de co-criador é o que significa ser
―à imagem de Deus‖. Ser apto a tomar decisões autoconscientes e autocríticas,
agir com base nestas decisões e assumir responsabilidades por elas – estas são
as características das quais é composta a imagem de Deus em nós.

Quando os seres humanos ponderam seu status de co-criadores, reconhecem que


ele inclui a liberdade de conceber ações e executá-las. Tornando assim, ao meu
ver, o ser humano mais responsável, aliás, Deus é Deus responsável por Seus
próprios atos, assim, como imitadores de Deus, devemos nos responsabilizar por
nossos próprios atos também! Há então a responsabilidade por viver com as
consequências da ação, ainda que comprovem ser indesejáveis.

Ser co-criador significa que precisamos continuar a viver com a decisão e exercer
nosso caráter de co-criadores responsáveis, que a decisão comprove ser
desejável ou indesejável.

Agora, provém disto uma questão também fundamental, como descrito na obra
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aqui comentada, que é o fato de que tal decisão livre e responsável é limitada. Ao
exercer a imago Dei, ao por em prática nosso caráter de co-criadores, esbarramos
no fato de nosso ser-criado. Daqui vem a consciência de que, apesar de sermos
livres no ato co-criador, temos os limites impostos por sermos criaturas!

Quando ponderamos tais considerações, vimos a saber que nosso pecado é tanto
nossa compreensível relutância em aceitar nosso status de co-criadores quanto
nossa execução falha de nosso caráter de co-criadores. Este pecado é tanto
original quanto atual.

Surge, desta discussão, uma outra problemática, que é a da condição primordial


do ser. Na atualidade é quase universalmente sustentado entre os teólogos que as
narrativas e conceitos que temos a respeito de Adão e Eva no paraíso são lendas
e mitos. A idéia de seres humanos vivendo em um abençoado estágio primordial
antes da queda é encarada como especulação poética, não como história. Porém,
poesia ou não, estes mitos nos contam muita coisa essencial à antropologia cristã.
Só uma criatura de estatura muito grande seria descrita como ―caída‖. Como diz
Tillich: ―Simbolicamente falando, é a imagem de Deus no homem que oferece a
possibilidade da queda.
Somente aquele que é imagem de Deus tem o poder de separar-se de Deus.‖
Toda a riqueza da criação, na terra e no mar, estava pronta, e ninguém estava lá
para compartilhar dela. Quando toda esta beleza natural estava formada, então, e
só então, era apropriado que o ser
humano entrasse em cena. Falando sobre isto, Gregório de Nissa (século IV) diz:
―...não era de se esperar que o governante aparecesse diante dos súditos de seu
governo; no entanto, quando seu domínio estava preparado, o próximo passo era
que o rei se manifestasse. (...) Por esta razão o homem foi trazido ao mundo por
último, depois da criação...‖

Não é popular, hoje em dia, falar do ser humano como ―coroa da criação‖. Mas,
partindo dos princípios expostos no capítulo aqui mencionado do livro Dogmática
Cristã, a conclusão a ser tirada é de que os seres humanos são dotados de um
nobre destino, mas também são investidos de grande responsabilidade, e desta
forma, creio poder referir-me ao homem como ―coroa da criação‖!

A imagem de Deus (imago dei) apresenta uma imagem fundamental do ser


humano como ser-com-um-destino. Alguns teólogos até sugeriram que o termo
fosse extirpado do vocabulário teológico, tão frustrante é sua interpretação. A
exegese de Gênesis é ela mesma o campo de batalha de variadas interpretações
da imago dei. Clauss Westermann arrola os seguintes grupos de opiniões
existentes na história da interpretação (porém, apoiando a quinta opção):

1) Aqueles que distinguem entre semelhança natural e sobrenatural com Deus;


2) Aqueles que definem a semelhança em capacidades ou aptidões espirituais;
3) Aqueles que interpretam-na como forma externa;
4) Aqueles que discordam incisivamente de 3;
5) Aqueles que interpretam o termo como denotativo de que o ser humano é o
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correlativo de Deus, alguém que corresponde a Deus;
6) Aqueles que interpretam a imago como o status do ser humano como
representante de Deus na terra.

Os exegetas do N.T. muito pouco fizeram a respeito do termo, mas a principal


conclusão é de que Cristo é a imagem de Deus (eikon tou theou) e, portanto, a
imagem para dentro da qual são formados os seres humanos.
Podemos inferir na história do conceito, como nos é apresentado em Dogmática
Cristã, duas categorias, ou dois grupos de interpretações. No primeiro grupo,
podemos colocar os apologetas do século II, que identificavam a imago com a
liberdade da vontade, a capacidade para a bondade, a responsabilidade moral e a
razão, e também, o domínio humano sobre a terra.

O segundo grupo de intérpretes considera que a imagem de Deus se refere ao


fato da relação com Deus, de co-responder a Deus, de ser o correlativo de Deus,
como diz Westermann. Agostinho é o representante monumental desta posição,
pois ele aponta para o caráter trinitário da vida psíquica humana como uma
grande analogia (analogia entis) da via triúna de Deus. O ser humano não foi,
como os outros animais, ―criado segundo a sua espécie‖, mas, antes, criado à
imagem e semelhança de Deus. Por isso, Deus não disse: ―Seja feito o homem‖,
mas antes: ―Façamos o homem‖. Também não disse: Segundo sua espécie‖, mas
segundo ―nossa imagem‖ e ―semelhança‖.

Lutero, mencionando sobre este assunto, disse que Adão tinha a imagem de Deus
em seu ser e que não somente conhecia a Deus e cria que ele era bom, mas que
também vivia uma vida que era totalmente piedosa; isto é, não tinha medo da
morte ou de qualquer outro perigo e estava contente com o favor de Deus. Nesta
forma ela se revela no exemplo de Eva, que fala com a serpente sem medo
algum. A serpente é símbolo da morte, e antes do pecado, o ser não teme a
morte, mas teme a Deus, porém, depois da queda de Adão todos os homens
propagados segundo a natureza nascem com pecado, isto é, sem temor de Deus,
sem confiança em Deus e com concupiscência. Temor e confiança em Deus são
os critérios da imago dei por sua presença e do pecado por sua ausência. Desta
forma, o homem sem a imagem de Deus, caracteriza-se pelo pecado, e o homem
que tem, por Cristo, a imagem de Deus, é caracterizado pelo temor e pela
confiança em Deus.

Lutero critica Agostinho e outros teólogos antigos porque suas descrições da


imagem de Deus fomentam ―obras‖. Westermann critica boa parte da tradição
porque ela fala de atributos ou qualidades da natureza humana como a imago em
vez da relação com Deus. E é assim que o dilema sobre a imago dei seguiu-se
história afora.
No desenvolvimento destas discussões sobre o homem, surge também uma
questão de importância fundamental à antropologia, que é a relação entre espírito
e matéria na criatura humana. A constituição do ser humano foi objeto de grande
preocupação para a tradição cristã. Gregório de Nissa expressa o pensamento de
muitos teólogos antigos ao falar do ser humano como fator intermediário entre o
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âmbito terreno, animal, e o âmbito espiritual de Deus. Ao que parece, passa-se a
ver o homem como um intermediário, dentre a criação, entre Deus e as demais
coisas criadas.

Podemos resumir um volumoso corpo de material histórico dizendo que ―espírito‖


(pneuma, ruah) se refere em geral à própria vida, à distinção de ―corpo‖, enquanto
que ―alma‖ (psyche, nefes) se refere a vida assim como ela ocorre em um
organismo particular, concreto, sendo este organismo o meio da ação da alma.
Todos os corpos humanos possuem espírito, e o espírito manifesta-se dentro da
alma do indivíduo.
Falamos de uma visão ―tricotômica‖ ao falarmos de corpo, alma e espírito,
enquanto que uma visão ―dicotômica‖ somente conhece corpo e alma. A
concepção dicotômica, segundo o livro comentado neste trabalho, tem prevalecido
na teologia cristã.
A ―preexistência‖ sustenta que as almas vêm a este mundo a partir de algum
material de alma preexistente. E, penso eu, que este é até um dos motivos que me
levam a crer mais na ―tricotomia‖ do que na ―dicotomia‖. Mas, Lutero, por exemplo,
já as contestou porque acreditava que a criatura humana é um ser unitário perante
Deus.

Em acréscimo a esta consideração teológica, a compreensão contemporânea do


ser humano e da estrutura da personalidade humana não permite uma perspectiva
dicotômica ou tricotômica, exceto metaforicamente. Requer-se uma perspectiva
evolutiva moderna. Espírito ou mente e corpo ou matéria são vistos como parte do
mesmo processo, e não como entidades separadas para a modernidade. Em
termos fisiológicos, o espírito é uma função do cérebro que não é nem imaterial
nem não-material, mas que é matéria na forma que pode tornar-se espírito. Robert
Francoeur descreve isto como uma espécie de ―monismo evolutivo‖.

Para os teólogos na tradição da Reforma, o ser humano é uma criatura una, uma
criatura da natureza, criada com uma relação especial com Deus o Criador e com
a capacidade de perceber esta relação e de viver uma vida de resposta a Deus.
Mas, desencadeou-se, daqui, um outro fator conflitante, mencionado neste livro
Dogmática Cristã, que é a complexidade do homem com a queda e o pecado
original (―status corruptionis‖ – estado de corrupção).

Conforme o mito da queda, a imago dei está parcialmente intacta mas gravemente
danificada, de forma que uma restauração se faz necessária. Algumas importantes
tradições orientais, tais como as da Igreja siríaca, consideravam o pecado uma
causa da queda, não sua consequência. Seguindo por este ensinamento,
chegamos a uma resposta impressionante, talvez mais do que impressionante,
exótica, que é a conclusão, então, que primeiramente Adão perdeu a imagem de
Deus, daí sim, pecou. Tais concepções são estranhas à tradição ocidental e à
teologia da Reforma em particular.

O pecado e o mal não devem ser identificados com a humanidade, mesmo após a
queda. Para os luteranos, isto é afirmado no primeiro artigo da Fórmula de
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Concórdia. Para Johann Gerhard, é quando a imago se refere à justiça e
santidade que a imagem de Deus é perdida na queda.

Surge, daqui, a necessidade de restauração. Deus, em Jesus Cristo, restaurou a


humanidade à reconciliação com seu Criador. A recuperação da dimensão da
escatologia na fé cristã, que teve lugar desde 1900, nos lembrou que a
restauração da humanidade não é um retorno ao Éden. Pois ao que percebe-se, o
qual já foi comentado acima, Adão não era perfeito, estava se desenvolvendo
quando foi barrado pelo pecado, enquanto Cristo venceu o pecado e a morte,
tornando-se em tudo o modelo perfeito e completo à nossa restauração final.
As contestações à antropologia cristã, comentadas na obra aqui apreciada, são de
grande valia para o desenvolvimento deste assunto. A concepção cristã do ser
humano é atacada de todos os lados. E, vejo que quando somos atacados,
pensamos em nos defender, e assim, surgem as certezas diante das dúvidas.

Uma das contestações mais perversas e potencialmente devastadoras, vem da


incapacidade amplamente difundida de aceitar a elevada concepção do destino
humano como o expõe a teologia cristã. Dogmática Cristã menciona aqui duas
fontes desta contestação: o conhecimento científico emergente e a concepção de
que o mal é intrínseco à natureza humana.

Nosso conhecimento emergente de nós próprios desafia nossa capacidade de


aceitar-nos como criaturas à imago dei. Pensamos nas descrições de Gregório de
Nissa: pureza, liberdade, da paixão, amor, intelecto. Podem os seres humanos
olhar hoje para si mesmos e ler a imagem de Deus a partir da lista destes
atributos?
Assim, o autor do livro aqui comentado assevera que, dizer, com os luteranos e
com Westermann, que uma olhadela introspectiva em nós mesmos nunca revelará
atributos da imago, que precisamos, em vez disso olhar para a nossa relação total
com Deus enquanto criaturas correspondentes, que dependem de Deus e ainda
assim se rebelam contra a dependência – também isto não é de muito auxílio em
nosso dilema. Enquanto nos virmos em toda a nossa complexidade servindo a
mecanismos imediatos de sobrevivência, em níveis diversos, não será possível
ver-nos como criados à imago dei.

Muitos críticos acusaram o cristianismo de uma irresponsabilidade ecológica


essencial, quer com respeito ao ecossistema natural e físico, quer com respeito à
rede intrapessoal de relações. A antropologia cristã foi acusada de
antropocentrismo, de uma preocupação por dominar (às vezes em atitudes
destrutivas, irresponsáveis) e de uma compreensão de que nada tem valor além
do ser humano.

Porém, como nos é assegurado no livro que cá comentamos, estão em


andamento esforços para remodelar certos aspectos da concepção cristã na
direção da responsabilidade ecológica em relação ao mundo físico e ao mundo
dos seres humanos à nossa volta. De forma alguma devemos separar-nos dos
ecossistemas em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser. Para muitos
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cristãos, não é coisa fácil manter a glória de Deus como Criador e, ao mesmo
tempo, reconhecer o mérito dos processos imediatos da criação.

Um dos problemas mais lamentáveis na tradição cristã de pensamento é o da


sexualidade e das relações entre sexos. Há pouca dúvida de que com demasiada
frequência a sexualidade e a relação homem/mulher são descritas de formas que
rebaixam o corpo, o elemento físico da vida humana, e a mulher. Gregório de
Nissa escreveu que, já que Paulo nos escreveu que em Cristo não há homem nem
mulher, a criação original não deve ter incluído diferenciação sexual. Já que o
protótipo do ser humano, Cristo, não permitiu a sexualidade, a diferenciação
sexual deve ser subsequente à queda, juntamente com a multiplicação sexual.
Gregório ainda diz que a sexualidade existia no Éden, mas era governada pela
vontade, não pelo desejo ou pela paixão. O desejo sexual no casamento não era
pecado, mas era o transmissor do pecado. Martin Chemnitz parafraseia Agostinho
na seguinte passagem e aceita as idéias de Agostinho como normativas: ―No
matrimônio há duas coisas que são boas e de ordenação e de instituição divinas,
mas há também um desejo no casamento sem o qual não há multiplicação, e por
causa deste desejo as crianças nascem em pecado.‖ A partir desta idéia, o
pecado original parece ser passado de pessoa a pessoa no ato de desejo sexual.
Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta aos ―sacerdotes‖ romanos: ―se, apesar de
conseguir-se viver no celibato, não se consegue extinguir o desejo, como dizer
que um padre, ou até mesmo o papa é melhor do que outro homem qualquer?‖
desta maneira, os problemas que teve nossa tradição ao interpretar as relações
homens/mulheres são bem conhecidos.

Enfim, este capítulo do livro Dogmática Cristã termina, dizendo seu autor que,
como sugeriu o exame em seu livro, o ser humano foi criado material e este
material desenvolveu o espírito. Denegrir o terreno é enfraquecer os fundamentos
materiais do espírito. E ele ainda reconhece que esta percepção ainda precisa ser
incorporada de uma forma lúcida, que possa capacitar a doutrina cristã a conceber
a unidade espírito-matéria da criação.

―Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável‖
(Sêneca, filósofo latino, 4 a.C. – 65 d.C.)

Parte VII
A Igreja é de Cristo, já a Política... Bem, a Política é nossa!
Breve comentário sobre antropologia social

APONTAMENTOS SOBRE O LIVRO ―ÉTICA & ESPÍRITO PROFÉTICO:


REVISANDO A HISTÓRIA COM PAUL TILLICH‖ – DE JORGE PINHEIRO. 1ª ED.
SÃO PAULO: COLEÇÃO IGREJA SEM FRONTEIRAS, 2002

INTRODUÇÃO

Jorge Pinheiro acredita que a teologia tem algo a dizer sobre a realidade
brasileira. E assim, justifica esta obra, dizendo que seu objeto é o pensamento
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político da Convergência Socialista, conforme expresso no jornal Versus.
Referindo-se à metodologia do seu trabalho, Jorge Pinheiro diz que sua obra tem
por base os escritos socialistas de Paul Tillich, sendo assim, a idéia-chave, como
ele mesmo escreve, é a ética em Paul Tillich.

Paul Tillich definirá o homem do século 20 como autônomo, mas inseguro dentro
de sua autonomia. Partindo deste princípio, o professor Jorge Pinheiro diz que,
metodologicamente, a sua intenção foi compreender a relação que Tillich construiu
entre ética e conceitos como espírito de profecia, autonomia e teonomia, e o papel
das massas na transformação social.

I. TEOLOGIA E SOCIALISMO

O professor Jorge começa explicando que para Paul Tillich, o protestantismo


existe onde quer que se proclame o poder do novo ser. É aí que se encontra o
protestantismo e em nenhum outro lugar. E diz que talvez, a maioria das pessoas
experimente, hoje em dia, a situação-limite mais fora do que dentro das igrejas.
Diversos mestres, diferentes poderes cósmicos, reinam em tempos diferentes, e o
Senhor que triunfa sobre anjos e poderes, reina no tempo pleno de destino e de
tensões, que se estende entre a Ressurreição e a Segunda Vinda, esta é a
formulação de Jorge Pinheiro sobre o andamento histórico dos planos de Deus.

Para que fique melhor compreendido, Jorge Pinheiro assevera que o conceito de
situação-limite, que se traduz como ameaça final à existência, é o diferencial do
protestantismo. Desta forma, a justificação pela fé é, então, melhor entendida a
partir da situação-limite. Por isso, toda ética transporta a Deus e ao mundo, que
em última instância são o bem decisivo de nossa existência concreta.

Jorge lembra-nos também que o cristianismo não pode ser identificado com um
tipo determinado de organização social em detrimento de seu caráter
transcendente e universal. E ainda afirma que é exatamente por isso que
apresenta-se como ―capenga‖ toda forma de cristianismo que se fecha na pura
interioridade. Para ele, a ética do amor faz a crítica da ordem social que está
erigida sobre o egoísmo político/econômico, e proclama a necessidade de uma
nova ordem, na qual o sentido de comunidade seja o fundamento da organização
social.

Vista assim, Jorge Pinheiro diz que a ética do amor prega a submissão dos povos,
sejam ricos ou pobres, à idéia do direito, e à construção de uma consciência
comunitária, soldada sobre a paz, que leve a um internacionalismo real entre as
nacionalidades. Referindo-se à história da Igreja, tanto no passado como no
presente, Jorge diz que esta é passível de muitas críticas, pois a situação criada
pela igreja em alguns pontos da história, facilita e potencializa a pregação do
ateísmo e do materialismo.
Jorge Pinheiro afirma que é do interior do cristianismo que brota o socialismo e
que um socialismo sem estes pressupostos é uma ―quimera‖, e que aqueles que
defendem o socialismo devem defender também os princípios sobre os quais ele
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repousa.
Explicando sobre a autonomia, o professor Jorge diz que, do lado positivo, ela
significa o reinado da razão. E a vida econômica também deve ser formulada
racionalmente. Assim sendo, o professor diz que o que fica claro é que autonomia
e socialismo são processos históricos que se complementam, mas que não são
idênticos. Desta forma, os elementos formadores do movimento socialista são
fundamentais para a compreensão das relações entre cristianismo e socialismo.
Eles abrem a possibilidade para um diálogo construtivo entre cristianismo e
socialismo.

Quanto ao protestantismo, Pinheiro diz que este quebrou o sistema de autoridade


em seu princípio-base e deu voz à autonomia. As fórmulas pela graça somente e
pela fé somente transportam juntas vida e espírito ao domínio do conhecimento e
rejeitam todo legalismo, todo farisaísmo de ter a posse da verdade absoluta e de
querer impor tal verdade aos outros. Assim, o cristianismo traduz uma vontade de
dar forma ao mundo de maneira imanente: o reino de Deus vem ao mundo.

E, é com a experiência da imanência que surge mais claramente a oposição entre


o socialismo e o cristianismo, já que o cristianismo está comprometido, enquanto
religião, com o lá em cima, e o socialismo voltado para o aqui embaixo. Porém,
lembra-nos Jorge Pinheiro que esta oposição não está correta, pois o espírito
religioso está vivo no movimento socialista: é uma vibração religiosa que circula
através das massas.
Uma pergunta muito importante, feita aqui, é a seguinte: ―que relação existe entre
o tempo presente e o espírito profético?‖ A resposta que é nos dada pelo seu
autor é que o tempo presente seria, então, parte de uma situação mais geral. O
momento presente estaria enquadrado no caminhar do processo histórico.
Partindo daqui, pode-se dizer que existiram homens que interpretaram a situação
espiritual de uma época dada. Eis aqui, para Jorge Pinheiro, o ponto de interseção
entre o tempo presente e o espírito profético. Os profetas nada fazem sem invocar
a tradição, no entanto, sua grande mensagem são os novos tempos. Os profetas
sabiam se servir do passado para as necessidades do presente. Eles não eram
saudosistas com mensagens anacrônicas, mas eram participantes da história
como um processo que se desenvolve, que evolui, e não regride.

A referência ao Kairos significando tempo concluído, o instante concreto e, no


sentido profético, a plenitude do tempo, a irrupção do eterno no tempo, leva-nos a
considerar este tempo como aquele de uma decisão inevitável, de uma
responsabilidade inelutável, na verdade, é considerá-lo enquanto espírito da
profecia. Tillich mostra, a partir daqui, que reação e progresso estão entrelaçados
na consciência de kairos, e que é esse entrelaçamento que leva ao caminho da
utopia. Sem o espírito utópico não há protesto, nem espírito profético. A idéia do
kairos nasce da discussão com a utopia. Assim, a realização da visão profética se
encontra além do tempo, lá onde a utopia desaparece, mas não a sua ação. Isto
implica em que, segundo Tillich, toda mudança, toda transformação exige uma
compreensão do momento vivido que vá além do meramente histórico, do aqui e
agora.
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Agora, falando sobre a massa, Jorge diz que, em termos formais, ela consiste
numa associação de pessoas que, na associação, deixam de ser indivíduos. Sua
individualidade se perde e ele se submete à coletividade. Assim, a massa não
sabe porque faz aquilo que faz. A massa é imediata, vive inteiramente o presente,
sem ligações com o passado ou o futuro, sem lembranças ou reflexões. Suas
motivações são irracionais. E por isto, o professor Jorge Pinheiro nos alerta que, a
amplificação pode levar ao monumental e ao heroísmo, mas também ao
demoníaco e à destruição. Quando objetivamente a massa vive esse processo de
espiritualização, nela, religião e cultura se misturam. A esse primeiro momento de
evolução da massa Tillich chama de massa mística. Uma Segunda etapa é
marcada pela autonomia da cultura. A partir daí surge a perspectiva de uma etapa
final, onde a massa e a individualidade pessoal formarão uma nova união, uma
síntese nova, chamada massa orgânica e daqui cria-se a massa dinâmica, que é
sempre revolucionária. Estes movimentos são sempre considerados como
movimentos de libertação.

II. O VERSUS SOCIALISTA

O jornal Versus era um mensário de inspiração cutural-existencial, com uma


proposta de ação através de uma cultura de resistência, mas foi reelaborado com
uma linguagem mítica. Suas informações não passavam pelo crivo da censura.
Este jornal foi criado pelo jornalista gaúcho Marcos Faerman. O primeiro número
saiu em outubro de 1975 e tinha um imaginário de esquerda. Em janeiro de 1978,
o jornalista Jorge Pinheiro, recém chegado do exílio, entra para o jornal.

A greve no ABC, publicada pelo jornal Versus, é vista, entre as outras, como um
processo de ajuda à transformação social. Era uma forma de não aceitar as forças
demoníacas daquele tempo.

Na luta contra os deserdados, Versus diz que o homem branco pregou, por muito
tempo, a doutrina vazia da fraternidade, que não significa mais do que o negro
aceitar passivamente o seu destino. E era contra esse comodismo que o jornal
queria alertar.
Quanto a busca de novos conteúdos, Jorge Pinheiro menciona que não existe
conceito que não seja ameaçado pela esclerose, porque todo processo de vida
tem tendência a envelhecer. Por isso, são as tensões que desafiam os processos
a se superarem e manterem-se vivos. E, um movimento histórico está morto se ele
está apenas consigo mesmo, quando não pode se separar de si mesmo, nem ir
além de si mesmo. Partindo-se deste princípio, o movimento histórico deve
superar-se mediante a dialética progressiva com as situações imediatas e
passadas. Os velhos crentes, segundo Jorge Pinheiro, essa cúpula sacerdotal,
conduzem ao endurecimento e às idolatrias.
Mas, o novo, o futuro, a mudança não gera riscos? Perguntaríamos! Sim, mas, o
risco, para Jorge, nunca deixa de existir, porque viver é avançar no indeterminado.
Assim, surgem dois pensamentos sobre esta situação:

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1) O radicalismo – onde o risco é bem diferente. O radicalismo é uma idolatria de
signo contrário. Nega a tradição e deseja arriscar porque acredita que no risco
está a realização daquilo que espera. É mais, ao que parece, um movimento
irresponsável;
2) A ortodoxia – não arrisca em hipótese alguma. Se prende aos conceitos porque
procura aquele lugar onde a mobilidade é menor.

Em meio a estes dois pensamentos, qual a melhor posição? Percebe-se que,


segundo Jorge Pinheiro e também Paul Tillich, a melhor postura será a de
mediação. Esta postura é a que deve ser tomada no socialismo religioso. E este
movimento é mais que um movimento político. Na realidade, é um movimento
mais profundo do que imaginamos, e quando percebemos a sua profundidade, diz
Jorge Pinheiro, percebemos também sua universalidade.
III. SOCIALISMO E CRISTIANISMO
Jorge diz que o Versus socialista tem uma clara e expressa empatia com o
cristianismo. E ainda menciona que Luther King, conhecia o pensamento de
Tillich, sendo ele muito mencionado com admiração pelo jornal Versus.
Se assim é, o professor Jorge Pinheiro diz que o cristianismo está eticamente
obrigado a fazer uma escolha: ou participa do processo, inspirado e atuando a
favor desse desenvolvimento ou se retrai e entra em processo de caducidade, ao
afastar-se da vida real das comunidades nas quais está inserido. O grande pecado
da sociedade atual, para Versus, chama-se sistema capitalista. E é contra este
pecado social que a igreja deve ajudar a lutar.
Apesar de o socialismo e o proletariado estarem muito unidos, Tillich não idolatra
este último! Na verdade, como mencionado no livro ao qual estou a comentar, não
se pode erigir o proletariado em messias ou ainda fazer positivamente da situação
proletária o lugar de onde sairá a solução para o problema do sentido. A luta
proletária, com isto, torna-se um dos meios de transformação da sociedade, e não
a base.
IV. DIANTE DA SITUAÇÃO-LIMITE
A afirmação feita por Jorge Pinheiro, neste capítulo, é de fundamental importância,
quando ele diz que é impossível buscar o sentido da vida sem fazer a defesa da
vida. E, assim como cita o jornal Versus, em agosto de 1978, a assistente social
Maria Benedita Salgado Arcas, já denunciava: ―O problema não é o menor
abandonado, mas as famílias abandonadas. O verdadeiro problema é a carência
das famílias.‖ Assim, é dito a cada um de nós, no livro Ética & Espírito Profético
que, era necessária uma transformação da estrutura sócio-brasileira.

O nome de Lula, líder sindical metalúrgico, segundo Jorge Pinheiro, começou a


ser conhecido no país no dia 12 de maio de 1978, a partir da cidade de São
Bernardo do Campo, em São Paulo. Versus de outubro de 1978 afirmava que
depois de muito tempo, 14 anos, os trabalhadores conquistam um direito que
sempre foi seu: greve. A importância dessas greves, segundo Versus, é que elas
conseguem levantar um protesto operário ligado à luta de classes. E a luta de
classe, conforme diz Jorge, é uma realidade demoníaca enquanto tendência
destrutiva do sistema.
A única coisa que o trabalhador tem em mãos, para Jorge Pinheiro, é a sua união.
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E, quando o trabalhador se une com outros trabalhadores para protestar contra a
sua situação, ele se sente um combatente do reino de Deus, conforme Tillich, ele
se sente investido de uma condição messiânica, para ele e para a sociedade de
conjunto. Desta maneira, Versus fomenta os trabalhadores a que se organizem
em partido para enfrentar politicamente o regime militar.
O princípio profético e o marxismo, para Jorge Pinheiro, partem de interpretações
capazes de ver sentido na história. Com isto, o professor diz-nos que há um
desafio ético, apaixonado, referindo-se ao pensamento de Tillich, das formas
concretas de injustiça, que levanta um protesto, o punho ameaçador, contra
aqueles que são responsáveis por este estado de coisas. Concluindo esta linha de
pensamento, Jorge Pinheiro afirma que tanto o profetismo como o marxismo
acreditam que a transição do atual estágio da história em direção a uma época de
plena realização se dará através de uma série de eventos catastróficos, que
culminará com o estabelecimento de um reino de paz e justiça.
Comentando-se sobre o homem, existem duas visões sociais análogas
apresentadas em Ética & Espírito Profético:

1) O marxismo – onde o homem não é o que deveria ser, sua existência real
contradiz seu ser essencial, explica Tillich. A idéia da queda está presente no
marxismo;
2) O cristianismo – o ser humano alienou-se de seu destino divino.
E ambas vêm o homem como ser social, responsável pelo bem e pelo mal.
V. A INTELIGENTSIA E O PT
Até meados de 1978, o Versus propunha a construção de um Partido Socialista.
Mas, a partir das greves do ABC, Versus passa a defender a formação de um
Partido dos Trabalhadores, sem patrões. Eles apostavam, com isto, num tempo
―kairótico‖.
O trabalhismo é apresentado neste ponto como uma espécie de irmão gêmeo do
sindicalismo. Diante disto, Jorge Pinheiro vê a necessidade de reintegrar o
contingente marginal da população à vida do País. Afirma-se também, conforme o
exposto no livro aqui comentado, que não se pensa em defender partidos
sectários.
O problema de Versus, como expõe Jorge Pinheiro, é que, por este jornal ser
marxista, não entendia que a corrupção estava também localizada nas
profundezas do coração humano.
VI. ÉTICA E ESPÍRITO PROFÉTICO
Jorge Pinheiro assevera-nos que não se pode fundar uma ética protestante
apenas sobre o terreno da individualidade. Diz ainda que, não podemos esquecer
que o cristianismo tem mais afinidades com o socialismo do que com qualquer
outra forma de organização social. E, na união de cristianismo e socialismo,
chega-se à conclusão de que, a partir do amor cristão, vemos que o ser humano
não foi criado para a produção, mas a produção para suprir necessidades
humanas.
O socialismo como um ideal ético que traduz anseios e esperanças dos mais
variados setores da sociedade, conforme Jorge, pode ser aceito e ajudado pelo
cristianismo. Pois o kairos cristão é, em sua essência, aquele que faz a irrupção
no tempo, sem contudo fixar-se nele. Essa é a massa mística, comentada
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anteriormente, a qual Tillich descreve.

Diante do protesto, Jorge Pinheiro fala-nos que o protestar e o clamor do profeta


não são vida, mas visam restaurar a vida sob ameaça na situação-limite. Diante
desta situação, o profeta não é aquele que põe um fim em uma posição social em
detrimento a outra, mas sim, é antes de mais nada, aquele que medeia as
posições mostrando um comportamento existencial comprometido com o bem
social.
Um bom lembrete dado em Ética & Espírito Profético é que o Partido dos
Trabalhadores não estava nos planos do governo. E é por este fato de o PT ter
surgido como o elemento surpresa, que ele é considerado, por Jorge Pinheiro,
como algo que surgiu dentro do kairos.
CONCLUSÃO
Assim, o PT é visto pelo professor Jorge Pinheiro, como o fruto de um momento
especial, o tempo qualitativo (kairos). A construção deste partido, dependeu
exclusivamente das atitudes dos próprios trabalhadores. Enfim, em 16 de junho de
1979, diante desse momento histórico, desaparece o jornal Versus.

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Estudo da Antropologia
Dividida em 07 partes do estudo da Teologia sobre A LIBERDADE HUMANA

Parte I
Estudo da Antropologia – divido em 61 paginas.

Quando estudamos a doutrina do Homem, torna-se inevitável enfrentarmos a


questão da liberdade. Os teólogos reformados, os chamados calvinistas, têm sido
criticados como alguém que não crê que o homem seja livre. Isto não é verdade, e
os membros da IPO que têm acompanhados os últimos estudos, já perceberam
isso. Nós cremos que o homem tem liberdade sim, mas a questão que precisamos
definir muito bem é: O que é ser livre? O que entendemos por liberdade?

Muita confusão já tem sido criada em torno do termo "livre", e isto porque ele pode

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ser visto em vários sentidos.

A maioria dos nossos irmão na fé diz acreditar no "Livre Arbítrio" Contudo, a


maioria não tem a menor idéia do que isto significa.

A vontade, faculdade que todo homem tem, tem sido exaltada como a fantástica
capacidade que a alma tem para discutir sobre coisas, fatos da vida.

Mas as pessoas estão dizendo que o arbítrio (vontade) é livre, precisamos


perguntar: De que a vontade é livre? De que ela é capaz?

Para provar que arbítrio (vontade) não é livre lanço mão de 2 proposições:

O Mito da Liberdade Circunstancial:

A vontade pode ser livre para planejar, mas não para executar. Quando se diz que
a vontade é livre, obviamente não quer dizer que ela determina o curso da nossa
vida.

Não escolhemos doença. pobreza ou dor; Não escolhemos nossa condição social,
nossa cor, ou nossa inteligência.

Ninguém pode negar que o homem tem vontade, e que esta faculdade de escolher
o que dizer, fazer, pensar, etc. ... tem nos frustrado bastante. Pensando em nossa
liberdade circunstancial, podemos projetar um curso de ação, mas não podemos
realizar o intento. Em outras palavras, nossa vontade tem a capacidade de tomar
uma decisão, mas não o poder de realizar seu propósito. ( PV 16:9; Jr 10:23; Lc
12:18-21)

Sim. O homem pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade
não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus.

O Mito da Liberdade Ética:

Diz-se que a vontade do homem é livre para decidir entre o bem e o mal. Mas é
livre do que? É livre para escolher o que?

A vontade do homem é a sua capacidade de escolher entre alternativas. A sua


vontade, de fato, decide qual a sua ação entre um certo número de opções.

Nenhum homem é compelido a agir contrário à sua vontade, nem forçado a dizer
aquilo que não quer. Sua decisões não são formadas por uma força externa, mas
por forças internas.

A vontade toma decisões, e estas decisões tomadas não estão livres de


influências. O homem escolhe com base nos sentimentos, gostos, entendimentos,
anseios, etc. Em outras palavras, a vontade não é livre do homem mesmo. Suas
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escolhas são feitas pelo seu próprio caráter. Sua vontade não é independente de
sua natureza.

A vontade é inclinada àquilo que você sente, ama, deseja e conhece. Você
sempre escolhe com base em sua disposição; de acordo com a condição do seu
coração.

A Bíblia diz que nossa vontade não é livre, ao contrário, ela é escrava do coração -
( Gn 6:5; Rm 3:12; Jr 13:23 ).

A capacidade de escolha do coração do homem é livre para escolher qualquer


coisa que o coração ditar; assim, não existe qualquer possibilidade de um homem
escolher agradar a Deus sem que haja a prévia operação da Graça Divina. Note o
texto bíblico: "Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro" I Jo 4:19

Se carne fresca e salada de tomate fossem colocadas diante de uma leão faminto,
ele escolheria a carne. É a natureza que dita sua escolha ( Jr. 13:33 )

Por isto não existe livre arbítrio. O arbítrio humano, assim como toda a natureza
humana, é inclinado só e continuamente para o mal. (Jr 13:23).

Não existe livre arbítrio a menos que Deus mude o coração e crie um novo
coração em submissão e verdade, o homem não pode decidir por Jesus para Ter
a vida a vida eterna. ( Jo 3:7; Ez 11:19; 36:26; Atos 16:14 ).

A vontade não é livre. Pelo contrário, ela é escrava, escrava do coração


pervertido; escrava da natureza ( Jr. 17:9; 12:2; Mc 7:6,21 ).

Foi a vontade de escolher o fruto proibido que nos atirou na miséria. Só a vontade
de Deus tem realmente liberdade, e se quiser pode dar vida. (Jo 1:12-13)

A ORIGEM DA VERDADEIRA LIBERDADE


(posse non peccare)

Definição: Liberdade é a capacidade de fazer o que é agradável a Deus.

Quando Adão e Eva foram criados, tinham a capacidade de escolher como a


verdadeira liberdade. Nas palavras de Agostinho, nossos primeiros pais eram
"capazes de não pecar" (posse non peccare). Eles poderiam permanecer no
estado de tentação que a serpente lhes impôs.

Adão tinha o Livre arbítrio, tinha a capacidade de fazer a escolha certa. Possuía a
verdadeira liberdade. Contudo, ainda não era a liberdade perfeita; era verdadeira,
porém não perfeita. Pois havia a possibilidade da queda.

Note as palavras da Confissão de Fé de Westminster, Capítulo IX, seção 2

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"O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e
fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que
pudesse decair dessa liberdade e poder"

A VERDADEIRA LIBERDADE É PERDIDA


(non posse non peccare)

Quando nossos primeiros pais ( Adão e Eva ) caíram em pecado, perderam


aquela Liberdade que o Criador lhes havia dado. Perdeu não a capacidade de
escolher, mas a verdadeira liberdade, ou seja, perdeu a capacidade de escolher
aquilo que agrada a Deus.

Novamente fazemos menção do pensamento de Agostinho. Diz ele: podemos


dizer que antes da queda, o homem era "capaz de não pecar". Após a queda é
"não ser capaz de não pecar" (non posse non peccare)

As Escrituras ensinam de maneira muito clara que a humanidade decaída perdeu


a sua verdadeira liberdade. (João 8:34; Romanos 6:6,17-20 )

A VERDADEIRA LIBERDADE É RESTAURADA


(posse non peccare)

No processo de redenção, o homem decaído começa a restaurar sua liberdade


perdida na queda.

Agostinho chamou o estado do homem regenerado de "posse non peccare" -


posso não pecar, porque a redenção significa libertação da "escravidão vontade".

Vamos dar um olhada em algumas passagens das Escrituras que mostram que a
liberdade para fazer a vontade de Deus, é restaurada na regeneração, operada
pelo Espírito Santo em nós. (Jo 8:34-36; Gl 5:1,12,13; II Co 3:17-18; Rm 6:4-6; 14-
18; 22 )

A verdadeira liberdade não é licença para pecar ; não significa fazer o que bem
quiser. Segundo o apóstolo Pedro (I Pe 2:16), quem tem liberdade, usa-a para
servir a Deus.

O exercício de nossa liberdade envolve nossa responsabilidade neste processo


que chamamos de santificação.

A VERDADEIRA LIBERDADE APERFEIÇOADA


(non posse peccare).

Em nosso processo de santificação, que é a verdadeira liberdade no processo de


redenção, ainda podemos pecar, mas no estado glorificado, na vida por vir, nossa
liberdade será aperfeiçoada. Então, como disse Agostinho; estaremos no estado
"não posso pecar" (non posse peccare).
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Quando estivermos com nossos corpos glorificados, já não seremos mais
impedidos em obedecer a Deus com a perfeição que Ele deseja.

Cf. I Co 15:42-43 ; Ap 21:4

Esta glorificação não será apenas na alma, mas também no físico. A Imago Dei, (
Imagem de Deus ) antes ofuscada por causa do pecado de Adão, chegará a sua
perfeição por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando então, seremos
ressuscitados e habitaremos para sempre com o Senhor (cf. I Tes. 4:13-18).

o estado final dos Santos Glorificados

Na nossa glorificação, seremos restaurados novamente á perfeita imagem de


Deus. Em nosso estado glorificado, vamos poder refletir Deus em sua plenitude.
Reporto-me ao Dr. Van Groningen, que afirmou que Deus ao nos criar á sua
imagem e semelhança nos deu três mandatos que delineiam os deveres pactuais
de Deus com o homem: São eles: os mandatos Espiritual, o Social e o Cultural.

A glorificação ( a imagem aperfeiçoada ) implica em que :

A. O Homem passará a ter um relacionamento perfeito com Deus. ( Mandato


espiritual )

De acordo com as Escrituras, os remidos na glória vão poder desfrutar da


comunhão plena com Deus; vão Ter uma visão de Deus na face de Cristo ( ap.
22:4 ); vão desfrutar da completa isenção do pecado; vão adorar plenamente o
Deus verdadeiro ( Ap. 19:6,7 ). Prestarão um genuíno serviço ao Rei das nações (
Ap. 22:3 ). Tudo isso tinha sido perdido na Queda.

B. O homem passará a Ter um relacionamento perfeito com o próximo (Mandato


Social)

No estado glorificado, ou seja, com a Imagem de Deus aperfeiçoada, os santos


não mais vão se relacionar egoísticamente, não haverá ressentimentos, mentiras,
odio ou manipulações. Amor e comunhão é o que marcará definitivamente o
relacionamento entre todos os irmãos. As diferenças desaparecerão. Todos os
membros desta Família estarão agora e para todo o sempre na Casa do Pai.

C. O homem passará a Ter um relacionamento perfeito com o cosmos. ( mandato


Cultural ).

Paulo em Romanos 8:21 nos diz que "a própria criação será redimida do cativeiro
da corrupção...". Não apenas o ser humano será redimido, mas também toda a
criação. Não apenas o homem espera por um novo começo, mas também a
criação o espera de forma expectante (Ef 8:19). A glória por vir também receberá
uma criação redimida da corrupção do tempo presente. Em Isaías, Deus já
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prometeu criar novos céus e uma nova terra (vv. 22 e 23) para o seu povo se
regozijar.

Se com a Queda, o homem perdeu o domínio sobre a criação, agora no estado de


glória, ele vai exercer o domínio, o governo sobre a natureza. Vai herdar a terra.
Não mais vai destruí-la como antes. Pelo contrário, o homem vai cumprir o
mandato e governar sobre toda a terra, ( G, 1:27,28 ) agora redimida do cativeiro
da corrupção.

Parte II
AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO
A Queda dos nossos primeiros pais

Introdução:
A queda de nossos primeiros pais, trouxe conseqüências desastrosas não apenas
para eles, mas também para toda a humanidade. Entender o que aconteceu com
Adão e Eva após o primeiro pecado é chave para compreendermos a situação em
que o homem se encontra hoje. Isto porque, Adão não agiu como uma pessoa
particular, mas como representante de toda a humanidade.

I - CONSEQÜÊNCIAS PARA ADÃO E EVA:

Veja o que nos diz a Confissão de Fé de Westminster :

"Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus,
e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as
suas faculdades e partes do corpo e da alma" Capítulo VI, seção 2

"Por este pecado", diz a Confissão de Fé de Westminster:

1) Decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus (imagem


desfigurada)

2) Tornaram-se mortos em pecado (escravos do pecado)

3) Inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da


alma (depravação total)

Ao estudar o texto de Gênesis 3:7-24, vemos as seguintes conseqüências para


nossos primeiros pais:

GÊNESIS 3:7-24

1-) Após o pecado foram dominados por um sentimento de vergonha. V.7

Antes tinham consciência da nudez, mas não tinham vergonha. (Gn 2:25)

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"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e
coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais". (Gn 3:7)

Antes tinham consciência da nudez, mas não tinham vergonha. Veja o texto
abaixo:

"Ora um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonharam".

(Gn 2:25)

O resultado de terem comido o fruto proibido, não foi a aquisição da sabedoria


sobrenatural, como satanás havia dito (v. 5), ao contrário, agora eles descobriram
que foram reduzidos a um estado de miséria.
2-) Após o pecado sentiram o peso de uma consciência culpada (Gn 3:7)

Agora eles reconheciam que haviam pecado contra Deus, e resolveram fazer
vestes de folha de figueira para se cobrirem.

É interessante observar que em Gn 3:7 afirma que os "olhos de ambos foram


abertos". Obviamente que não se trata de olhos físicos porque estes já estavam
bem abertos antes, mas trata-se de olhos espirituais, os olhos do entendimento,
os olhos da consciência, que agora passam a ver e se acusarem.

Eles agora "percebem" que estão nús. Perderam o estado da inocência.


Percebem não apenas a nudez física, mas a nudez da alma que é muito pior, pois
esta impede o homem de perceber Deus.

A nudez de Adão e Eva é a perda da justiça original da imagem de Deus. Todos


os seres humanos nascem agora ( após a Queda ) nesta condição e as Escrituras
dizem que é necessário que recebamos as "vestes brancas" - Ap 3:18; "vestes de
salvação" - Is 61:10, que é a justiça original que Cristo nos traz de volta.

Eles agora estavam percebendo que a sua condição física espelhava a sua
condição espiritual.

3-) Após o pecado, tiveram medo e fugiram - v.8

"E ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela viração do dia; e
esconderam-se Adão e sua mulher da prsença do Senhor Deus, entre as árvores
do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse:
Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me" Gn 3: 8-10

Adão e Eva se escondem ao chamado de Deus. Consciência culpada sempre


produz medo e fuga. Mas que tolice! Pensaram eles que poderiam se esconder de
Deus?

Pecaram e agora têm medo da sentença condenatória que Deus pode proferir
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contra eles. O pecado os separou de Deus, rompeu a comunhão com Deus.

E é sempre assim. A menos que a obra de Cristo seja realizada em nosso favor,
estaremos frente a frente com o juízo de Deus - Hb 2:3.

4-) Após o pecado procuraram uma solução inútil para seu pecado. Gn 3:7.

Eles tentam salvar as aparências, ao invés de procurar o perdão de Deus.

Fabricando aquelas cintas de folha de figueira, eles estavam tão somente fazendo
uma tentativa de acalmar a própria consciência.

Hoje em dia também é assim. Os descendentes de Adão têm medo de serem


descobertos em suas transgressões. Mas seu objetivo principal não é buscar o
perdão, mas sim, aquietar a consciência e fazem isto assumindo o papel de
religiosos, parecendo aos outros que estão bem vestidos.

Mas não obstante nossas roupas religiosas, o Espírito Santo nos faz ver a nossa
nudez espiritual. Não adianta dar desculpas esfarrapadas. Precisamos nos
humilhar diante daquele que tudo vê.

5-) Após o pecado, há uma fuga da responsabilidade - Gn 3:10

"E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-
me"

Gn 3:10

Adão tenta encobrir sua culpa, colocando a culpa em Eva (v 12), que por sua vez,
culpou a serpente (v 13).

Eles não aceitaram a responsabilidade pelo erro. Ao contrário transferiram a


responsabilidade para o outro. Não é assim também em nossos dias?

6 -) Após o pecado eles tentaram arranjar uma justificativa - Gn 3:12

"... a mulher que me deste"

Adão chega a ser insolente. Ele não disse: "A mulher me deu do fruto e eu comi
...", mas disse: "A mulher que Tu me deste ...". Em outras palavras, Adão disse:
"Se tu não me tivesses dado essa mulher, eu não teria caído".

Hoje em dia, nós podemos estar fazendo o mesmo. Em nossos esforços de se


justificar, acabamos por culpar a Deus dos pecados que cometemos - Pv 19:3.

Exemplos:

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A razão tentou eximir-se de culpa, culpando o povo Ex 32:22-24.

Saul fez o mesmo - I Sam 15:17-21.

Pilatos deu ordem para crucificar Jesus e depois atribuiu o crime aos judeus - Mt
27:24.

7-) Após o pecado, a mulher daria a luz em meio a dores ( Gn 3:16-19)

Nesta sentença que Deus profere contra a mulher, vemos que a maldição foi
mitigada. Isto porque, a gravidez era uma bênção visto que a mulher daria à luz e
se multiplicaria sobre a terra e o descendente nasceria para pisar a cabeça da
serpente. Mas a dor e o desconforto do parto são conseqüências da queda.

8-) Após o pecado, a Terra foi amaldiçoada. (Gn 3:17)

A natureza sofre junto com a humanidade, compartilhando assim as


conseqüências da queda.

As Escrituras descrevem esta maldição em três maneiras:

a) O sustento será obtido com fadiga v 17.

Assim como a mulher terá seus filhos com dor, o homem haverá de comer o fruto
da Terra por meio de trabalho penoso. Antes da queda, o trabalho de Adão no
jardim era prazeroso e agradável, mas de agora em diante, seu trabalho, bem
como o dos seus descendentes será seguido de cansaço e tribulação.

b) A Terra produzirá cardos e abrolhos v 18.

O cultivo da terra seria mais difícil do que antes. Cardos e abrolhos aqui
significam: plantas indesejáveis, desastres naturais, enchentes, insetos, secas e
doenças. A natureza foi subvertida com o pecado do homem. (Rm 8:20-21).

c) No suor do rosto comerás v 19.

O trabalho árduo se tornaria a porção do homem. A vida não seria fácil.

9-) Após o pecado, a morte alcança o homem - v 19:

A palavra "morte" ocorre na Bíblia, com 3 sentidos diferentes, embora o conceito


de separação seja comum aos três:

a) Morte Física: Ecl 12:7

b) Morte Espiritual: Rm 6:23; 5:12

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c) Morte Eterna: Mt 25:46

10-) Após o pecado, foram expulsos da presença de Deus - Gn 3:22-24.

Estar fora do jardim era equivalente a estar fora da presença de Deus. Era a ira de
Deus se revelando aos nossos primeiros pais pela desobediência deles. (Judas 6)

II - AS CONSEQÜÊNCIAS PARA A RAÇA HUMANA:

No tópico anterior vimos que a queda trouxe conseqüências desastrosas para os


nossos primeiros pais. Mas estas conseqüências não ficaram restritas apenas ao
Édem. Toda a raça humana sofre as conseqüências do pecado dos nossos
primeiros pais.

Assim se expressa a nossa Confissão de Fé:

"Sendo eles ( Adão e Eva ) o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus
pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a
sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles
procede por geração ordinária" Capítulo VI, 3 (Sl 51:5; 58:3-5; Rm 5:12, 15:19)

Em vista da queda, o pecado tornou-se universal; com excessão do Senhor Jesus,


nenhuma pessoa que tenha vivido sobre a terra esteve isenta de pecado.

Esta mancha que atinge a todos os homens recebe o nome na Teologia de


PECADO ORIGINAL. Vamos estudá-lo agora.

O PECADO ORIGINAL

O que é o pecado original? Usamos esta expressão por três razões:

1ª) Porque o pecado tem sua origem na época da origem da raça humana. Em
outras palavras, é pecado original porque ele, se deriva do tronco original da raça.

2ª) Porque é a fonte de todos os pecados atuais que mancham a vida do homem.

3ª) Porque está presente na vida de cada indivíduo desde o momento do seu
nascimento.

O pecado original pode ser dividido em dois elementos: Culpa original e Corrupção
original.

1-) Culpa original: Culpa real e pena real.

A culpa é o estado no qual se merece a condenação ou de ser passível de


punição pela violação de uma lei ou de uma exigência moral.

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Podemos falar de culpa em dois sentidos:

Culpa Potencial ou Culpa de Réu ( Inerente ao ser humano )

Esta culpa é inseparável do pecado, jamais se encontra em quem não é pecador e


é permanente, de modo que, que uma vez estabelecida não é removida nem
mesmo com o perdão. Ela faz parte da essência do pecado.

Os méritos de Jesus Cristo não tiram esta culpa do pecador porque esta lhe é
inerente. O fato de Cristo Ter morrido pelo pecador não o torna inocente, mas
apenas livre da condenação, livre da penalidade da lei, justificado portanto.

Culpa (de fato) Real ou Pena do Réu:

Esta culpa não é inerente ao homem, mas é o estatuto penal do legislador, que
fixa a penalidade da culpa. Pode ser removida pela satisfação pessoal ou vicária
das justas exigências da lei.

É neste sentido que Jesus levou nossa culpa, isto é, pagando a penalidade da lei.
Jesus não levou nossa culpa potencial, mas sim nossa culpa real. Em outras
palavras, Jesus não levou nossa culpa, pagou nossa pena.

2-) Corrupção original: O pecado inclui corrupção.

Por corrupção entende-se a poluição ou contaminação inerente à qual todo


pecador está sujeito. É uma realidade na vida de todos os homens. É o estado
pecaminoso, do qual surgem atos pecaminosos.
Enquanto a culpa tem a ver com a nossa posição perante a lei, a corrupção tem a
ver com a nossa condição perante a lei.

Como uma implicação necessária de nosso comprometimento com a culpa de


Adão, todos os seres humanos nascem em um estado de corrupção.

Esta corrupção que se propaga e afeta todas as partes da natureza humana


recebe o nome de Depravação Total e que resulta numa incapacidade total.

Vejamos agora em nosso próximo estudo, os dois aspectos da Corrupção original:


Depravação Total ou Generalizada e a Incapacidade Espiritual
Parte 03
"...HOMEM E MULHER OS CRIOU"
"Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma
ajudadora que lhe seja idônea. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado
sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou
a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe tomara, formou a
mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus
ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi
tomada. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou;
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homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre
as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra". (Gn 2.
18, 21-23; 1.27,28)

"Homem e mulher os criou" diz a Escritura Sagrada e nessa pequena expressão


está todo o mistério de ser adam, o ser humano como Deus o criou. O homem e a
mulher são iguais em dignidade e destino sobrenatural, mas tão paradoxais com
respeito à natureza humana. E por conta das diferenças, aliás, significativas
diferenças, já houve quem dissesse que eles pertencem a planetas distintos: o
homem é da Terra, mas a mulher veio de algum outro planeta... É uma alienígena!
Pensa e reage de modo tão diferente! Há quem seja muito ferino com a mulher.
Por exemplo, Catão, pensador romano, disse: "Consente que a mulher, uma só
vez, chegue ao pé de igualdade contigo [estava falando a um homem], e desse
momento em diante, ela se tornará superior a ti". Vejam, porém, o que uma mulher
disse a respeito das outras mulheres. Foi Mme. de Staél assim se expressou:
"Alegro-me por não ser homem, já que o sendo teria que me casar com uma
mulher." No entanto, Plutarco opinou: "As mulheres, quando amam, põem no amor
algo divino. Esse amor é como o Sol que anima a Natureza." Que coisa linda disse
ele a respeito do amor feminino!

Nada disso invalida o relevante fato que homem e mulher têm visões diferentes do
mundo, da vida, do amor, mas se completam. E um escritor evangélico dos
nossos dias, o Pr. Jaime Kemp, também deu a sua opinião dizendo que "Eva foi
criada para ser a peça que faltava no quebra-cabeça da vida de Adão" .

COMPREENDENDO AS DIFERENÇAS
Homem e mulher são iguais, mas são diferentes. Que contradição é essa? São
iguais na mesma vida vegetativa e faculdades sensoriais, são iguais nos mesmos
atributos intelectuais e no mesmo destino natural e sobrenatural, nas mesmas
causas comuns. E, no entanto, são tão diversos, visto que cada sexo tem
características próprias. Se o homem tem maior força física, e é preparado para
grandes esforços nesse campo, a mulher tem muito mais força intrínseca, como
que preparada para não gemer enquanto sofre, nem cansar. A mulher tem graça,
tem ternura, tem feitio delicado. E se o homem se doa ao trabalho, e dele faz o
seu centro de interesse; a mulher se doa integralmente a quem ama (marido,
filhos), e faz do lar o seu centro de atenção. Se ele busca o exercício do poder, da
chefia, da conquista do mundo exterior, da imposição de ideais; ela atua mais
diretamente sobre aqueles a quem ama. É de uma presença impressionante no
seu lar. Se ele tem espírito de decisão, de iniciativa, uma visão segura e clara dos
objetivos (por isso, é "chefe de família"), ela possui delicadeza, sensibilidade,
dedicação, beleza física, e o dom da maternidade física e espiritual (por isso é
chamada "mãe de família").

As diferenças não devem se tornar obstáculo ao amor. Pelo contrário, ambos


devem conhecê-las, identificá-las, aceitá-las e não considerá-las como barreira,
como pedra-no-meio-do-caminho do amor e do casamento. É verdade que
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desentendimentos até podem surgir por conta dessas diferenças. Acontece, e
muito. Não esqueçamos, no entanto, que para o equilíbrio do lar é fundamental
que homem e mulher coexistam, e coabitem (mesmo que ela seja de outro
planeta!), mas vivam com suas características. Aliás, nem devemos olhar para
isso, nem devemos olhar para as divergências, senão para o seu aspecto de
complementação. Não foi assim que o Senhor projetou?: "Não é bom que o
homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea". (Gn 2.18). Uma
ajudadora, uma auxiliadora, uma complementação naquilo que o homem não sabe
nem pode fazer; ajudadora que esteja à sua altura, "que lhe seja idônea", diz o
texto. É por essa razão que temos dentro de nós forças poderosíssimas que agem
sem que, sequer, percebamos. E uma delas é a busca do caráter oposto. É a
necessidade da antítese, e esse é o milagre do amor: são dois necessitados que
se completam.

CONTINUANDO AS DIFERENÇAS
Nietzche, filósofo extremamente racional do século passado, e, ao mesmo tempo,
muito cínico, desejando expressar a natureza da mulher deixou o seguinte: "Tudo
na mulher é um enigma, e tudo na mulher tem uma solução: chama-se gravidez."

Há estruturas psíquicas bem distintas no homem e na mulher. Já sabemos que o


homem pensa de um jeito, e a mulher pensa de outra maneira. Elas decorrem do
fato que a natureza guiada por Deus não sobrecarrega as criaturas de atributos de
que não necessitam,. Isso quer dizer que em cada ser, em cada criatura, uma é
forte e expressiva nas qualidades de que precisa. Assim, o homem tem certas
qualidades que não se encontram na mulher, e vice-versa. Aí se completam.
Precisam disso para cumprir as suas tarefas, mas são fracos, razão porque um
necessita do outro, completando-o. O homem tem tudo o que falta à mulher, e
vice-versa. Ou seja, virtudes masculinas na mulher são defeitos, como modos
femininos no homem não são convenientes

Este não é um trabalho sobre psicologia científica. A ênfase há de ser não


exatamente nas diferenças, mas em como conhecê-las e administrá-las, ou como
utilizá-las adequadamente, e assim enriquecer a vida do casal. E sabem o quê?
Nem sempre a mesma palavra ou expressão significa a mesma coisa para o
homem e para a mulher. Por exemplo, que significado tem a expressão "lua de
mel" para certos homens? Que significa a mesma expressão para as mulheres?
Quando faço as entrevistas pré-matrimoniais, essa é uma das perguntas.
Exatamente isso: "Que significa para você, minha filha, "lua de mel?" E,
geralmente, vem uma idéia tão romanceada para a moça, e ela pretende ficar em
lua de mel toda a vida. O rapaz, quantas vezes, tem outra idéia, e discutimos as
duas, e chegamos a uma síntese.

O traço basilar da natureza masculina é a dinâmica. E é por esse motivo que todo
menino brinca pensando em um algo que o leve para longe. "Você quer ser o
quê?" E ele fala: "Aviador (marinheiro, astronauta, caminhoneiro)". Isso é coisa de
menino: ele foi feito para a ação, para a combatividade, para o trabalho pesado.
Mas a mulher é delicada. É delicada mas não é fraca. É corajosa diante da dor. E
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um médico pediatra amigo meu dizia "Mãe não cansa." Mas não é uma questão
de força física. É verdade que ela sofre variação no seu temperamento; é dada à
depressão em certos momentos; tem alegria no outro momento. Aliás, o marido
não deve se alarmar com isso, não; compreenda sua mulher: há momentos da
vida em que ela está altamente deprimida; talvez na hora seguinte ela esteja
diferente e o marido que não conheça e compreenda essa diferença feminina vai
ter muitos problemas em casa, porque não vai entender a pobre da sua mulher.
Conseqüências: ela espera do marido proteção, segurança, estabilidade, e ele não
as dá.

Por outro lado, falando em tese, o pensamento masculino é devagar, abstrato,


mas tem muita lógica. Já perceberam que os sistemas filosóficos, que as grandes
teorias científicas, as fórmulas universais vieram todas de homens com seus
pensamentos puxando à lógica e à abstração? E aí a mulher vai exclamar
amargurada: "Meu marido não me compreende..." É difícil mesmo!... Nicolas
Berdiaeff deixou registrado que "existe uma profunda e trágica desinteligência,
uma estranha e dolorosa incompreensão entre o amor do homem e da mulher." E
dizem que a Esfinge propunha o seguinte enigma: "Decifra-me ou devoro-te" (não
é de espantar que a Esfinge fosse uma mulher).

O traço fundamental da natureza feminina é a estática. Daí que o homem, que é


dinâmico, estaria perdido sem a mulher (como Deus fez tudo tão perfeito!) Seu
pensar é intuitivo, e não é incomum, não é fora de comum, ouvirmos da esposa:
"Sinto que é assim." E aquelas mulheres que dizem para os maridos: "Tome
cuidado com Fulano; ele tem alguma coisa em que eu não confio." É muito próprio
da mulher ser intuitiva. Desse modo, não foi por acaso que na Idade Média muitas
mulheres foram queimadas como feiticeiras, somente porque estavam exercitando
o seu poder de intuição. Entre os gregos, a Sabedoria era representada como ...
uma mulher: Atenas. Em Delfos, havia um oráculo, uma profetisa, e era... uma
mulher. Quem venceu Sansão, aquele homem de força extraordinária debaixo do
poder de Deus? Quem o venceu senão... uma mulher muito astuciosa. César
levou dezessete anos para vencer o Norte da Europa; Cleópatra o venceu em
dezessete dias... Isso é bem coisa de mulher.

Pois é; são essas as filhas de Eva: sentidos mais agudos que os do homem,
ouvido mais apurado que o do homem, e o povo até diz que "coração de mãe não
dorme." E como dizia o médico nosso irmão em Cristo, "mãe não cansa".

O homem tem visão de conjunto, mas a esposa tem visão de detalhes. E ela se
influencia mais facilmente e decide com o coração. Quantas vezes é impulsiva,
tem juízo rápido; ele usa a reflexão, decide com a cabeça. E como conseqüência,
pela visão global das coisas, fixa normalmente os objetivos remotos; enquanto a
esposa, pela dedicação, pelo senso do particular, pela acuidade realiza esses
objetivos. Por isso, é preciso haver essa indissolubilidade, essa solidariedade
entre ele e ela.

AINDA AS DIFERENÇAS
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O homem está mais preocupado em conquistar do que ser conquistado, razão
porque o Espírito Santo através de Paulo ordena aos homens: "Maridos, amai a
vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou
por ela" (Ef 5.25). É da natureza masculina o conquistar. Está pouco atento aos
detalhes, e até parece, apenas parece, desinteressado na esposa.

A mulher tem afetividade como centro da sua personalidade. A mulher é um


grande coração! É mais receptora ao amor, e o exprime através de certas coisas
pequenas: a maneira como se veste, como coloca flores na casa, como prepara
os pratos na hora do almoço (a sabedoria popular diz que "O coração do homem
se alcança pela boca"), e outros pequenos detalhes. Meu irmão querido, observe
essas coisinhas pequenas na sua casa porque a sua esposa está lhe dizendo não
com palavras, "eu te amo".

Lição: o marido deve procurar compreender essas pequenas delicadezas, e


manifestar o amor. Ao passo que não deve a esposa armar uma tragédia grega
dizendo que ele não a ama se esquecer alguma data. Marido é muito desligado
disso mesmo, de esquecer datas! Já imaginou a data em que vocês se
encontraram pela primeira vez, e ele se esqueceu desse dia tão importante na
vida dos dois?! Em vez de armar um escândalo porque ele esqueceu, sugira
antes, dois dias antes: "Mas que bom, não é, que daqui a dois dias vamos
completar o aniversário de nosso primeiro encontro..." Faça uma sugestão de leve
que dá muito mais resultado do que reclamar do esquecido do marido.

Nós temos atitudes diferentes quanto ao lar e quanto à sociedade. O homem é


inclinado para o exterior. E mais uma coisa: reclamação não prende o homem em
casa! Não reclame, não: é pior; aí é que ele quer sair mesmo. Reclamação não vai
tirar o homem do baba (como se diz Bahia), da pelada, ou de grupos ou de
sociedades que ele freqüenta.

Para a mulher, o centro vital é o lar, é quase como extensão de sua capacidade de
ser mãe, um psicólogo completou dizendo que para a mulher, o lar é como se
fosse uma extensão do seu útero! E como é doloroso descobrir no começo do
casamento que você não é o mundo do seu marido. Mas sua religião, sua
espiritualidade é muito mais sentimental e afetiva, e a prática religiosa se torna
uma necessidade espontânea dentro de casa. No caso, a espiritualidade dele é às
vezes mais fria, e, às vezes, mais por dever do que por servir.

Para harmonizar essas diferenças, necessário se torna o trabalho contínuo, e o


desejo de adaptação. Procure, portanto, não atribuir aos gestos e palavras do
outro um segundo significado. Há muita gente que quer fazer isso: Porque ele
disse uma coisa, ela lê outra; ela disse uma coisa, ele escuta outra. Talvez não
seja isso o que ele está dizendo, não é o que ele queria dizer. Mas não use
também as características próprias do sexo para encobrir ou justificar defeitos
individuais seus. O marido é professor, está no sofá lendo, meditando ou
estudando. A esposa chega e diz: "Já que você não está fazendo nada, venha me
ajudar com essa pia entupida (ou com essa escada, etc.)." Pronto; matou o
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casamento! Ele está fazendo alguma coisa: está se preparando, está estudando,
está se melhorando; Não é que não esteja fazendo nada. Ou no caso daquele
outro que gosta de trabalhar com as mãos, pegar na tinta, no pesado. Quando sai,
deixa a sujeira no chão. A mulher que se identifica tanto com a casa que não pode
ver sujeira, diz assim: "Sujou a casa, limpa depois." Ele, porque não compreende,
também ridiculariza o quadro que ela começa a pintar, o tapete que começa a
tecer, e diz algo que machuca a alma da esposa.

Os tipos humanos são também, diferentes. Há os extrovertidos que amam sair,


amam o movimento, são "rueiros"e festeiros. Há pessoas que são introvertidas,
são tranqüilas, caseiras, mais apreciadoras de um livro do que de bater perna no
shopping. Por instinto, um homem muito racional vai se casar com uma mulher
muito sentimental. Isso não é problema, não. O problema é querer fazê-la
entender a linguagem da razão, a linguagem objetiva, exata, e dizer que ela não
tem lógica quando explode sentimentalmente. Ela, por sua vez, reclama que o tom
racional do marido esteriliza os sonhos e a própria vida. Na verdade, uma é a
linguagem das ciências exatas, outra é a linguagem das metáforas. Jesus até a
usou. Veja Mateus 13.1-23. A metáfora está nos versos 3 a 9. Ele não disse
"quem tem ouvidos para ouvir ouça"? Mas, nem todos tinham. Por isso, Ele
explicou, e recontou-a nos versos 18 a 23.

Esses aparentemente díspares (os conceitos exatos e as expressões metafóricas)


são perfeitos para a união do casal, para que se completem. Talvez o casal não
saiba administrar essa união, e quando perderem o outro, vão dizer "Eu era feliz e
não sabia".

É verdade; há diferenças entre o homem e a mulher. Por isso se necessitam tanto,


e, ao mesmo tempo, têm tanta dificuldade de se conhecerem. É o homem que
discute o futuro, é a mulher que reage ao momento presente ("Deixa de conversar
bobagem - diz ela - e vem ajudar o menino a fazer os deveres"). Creio que é esse
gosto pelo presente e por detalhes que faz com que a conversa nas rodas de
mulheres casadas seja principalmente em um desses três temas: filhos (ou netos),
empregadas ou cirurgia que já fizeram, ou precisam fazer. São assuntos
imediatos, é coisa de mulher! Já o marido pega o jornal, pronto, ela se sente infeliz
e abandonada.

O USO DA PALAVRA
E o uso da palavra? Para o homem, a palavra é expressão de idéias e
expressões. Mas para a mulher, é expressão de sentimentos e emoções, razão
porque conta oito vezes a mesma história para o marido. Ela não quer informá-lo,
não: quer descarregar a emoção. Lá fora, usam dizer que mulher fala demais,
"Fala pelos cotovelos", e um teólogo curioso e criativo disse que no céu haverá um
momento de grande tormento para as mulheres, descrito em Apocalipse 8.1:
"Quando abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu, quase por meia hora." Uma
tortura para as mulheres essa meia hora de silêncio!

A mulher quer a palavra. Foi perfeitamente pertinente, então, que a palavra se


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tenha feito carne no ventre de uma mulher. E porque a palavra significa emoção,
ela quer ouvir do marido (não importa se duzentas vezes) a expressão mágica "Eu
te amo". É o carinho da palavra. E ela quer ouvir, apesar de o saber. Há uma
historinha que diz que a esposa reclamou do marido: "Você já não diz que me
ama..." E ele responde: "Olha, nós estamos casados há 17 anos. No dia do
casamento eu disse que a amava e basta; não precisa dizer mais; não já disse
diante das testemunhas? " Ela quer ouvir, apesar de o saber, porque a mulher é
conquistada e seduzida pelo ouvir. Não foi assim que a nossa mãe primeira foi
seduzida e conquistada pela palavra da serpente? (cf. Gn 3.1-6).

Por outro lado, há maridos que não sabem dizer "Eu te amo", mas falam como
podem ou sabem: é aquele vestido que dá de presente, é aquele jantar fora um
dia, e assim por diante.

CASE-SE COM ELE E TAMBÉM COM...


Minha irmã querida, case-se com ele e também com a profissão dele. O filósofo
espanhol Ortega Y Gasset disse que o homem é ele e suas situações de vida ("Eu
sou eu e as minhas circunstâncias"). O médico, por exemplo, não tem hora; o
pastor vive em função da igreja 24 horas no ar; o professor, da sala de aula; o
comerciante, do seu comércio. De modo que nunca fale da profissão dele com
desprezo; e nem fale da profissão dela, meu irmão, como coisa desnecessária.

E mais uma coisa: não reclame se ela vai tanto ao salão de beleza. É para você
que ela está se embelezando; é para você que ela está ressaltando essa beleza.
Ela quer que você a veja e aprecie. Vejam que encontro bonito descrito em
Gênesis 24. 63-65:

"Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis
que vinham camelos. Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou
do camelo e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao
nosso encontro? Respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se
cobriu".

Modéstia por um lado (a modéstia oriental, as mulheres se cobriam como o fazem


ainda hoje nos países árabes), mas, ao mesmo tempo, ela se embelezou para
Isaque. Por que não dizer para ela, então, no espírito do Cântico dos Cânticos: "Tu
és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha. Quão doce é o teu amor,
minha irmã, noiva minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma
dos teus ungüentos do que o de toda sorte de especiarias!" (4.7,10). Aliás, a
mulher é por natureza vaidosa. Veja a reação das mulheres quando passam
diante de um espelho. ("Espelho, espelho meu, existe outra mulher mais bonita do
que eu?").

Porque nós somos iguais e diferentes; porque temos iguais e diferentes


necessidades; porque a irmã necessita ser protegida, acariciada e amada: porque
o irmão precisa de ser igualmente elogiado, apreciado, é que há certas condições.
Sim; a mulher quer isso mesmo: ser amada e protegida (necessidade é o que
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cada um deseja para se manter equilibrado), mas quer liberdade para exercer os
seus papéis de mãe, esposa e profissional, e as pequenas expressões de carinho
e interesse significam para a mulher muito mais, muito além do que nós, os
homens, podemos imaginar. Ela deseja que o marido seja amante e companheiro,
mas delicado.

E o seu marido também, amada irmã, precisa saber que é competente, é digno de
confiança, deseja uma esposa que cuide do lar, dos filhos, e que se interesse pelo
seu trabalho, mas não reclame dos seus passatempos. Queixas e reclamações
não resolvem! Pelo contrário, o que eu encontro nos Provérbios é até uma
condenação: "As rixas da mulher são uma goteira contínua" (Pv 19.13b). Imagine
uma goteira pingando durante toda a noite? E também: "Melhor é morar numa
terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda." (Pv 21.19) Está na
Escritura... Agora, só para as irmãs um segredinho de um homem para as
mulheres (os companheiros que me perdoem): o homem cede muito mais (muito,
muito mais) a uma suave persuasão e um tratamento sedutor que às reclamações
e exigências.

DIÁLOGO
Muito ajuste de diferenças se resolve com diálogo. Palavrinha boa! Diálogo
significa "através (dia) da palavra (logos)". É o que alguém chamou de "O dever de
sentar-se". É preciso sentar para conversar, sentar para trocar idéias, porque
diálogo no casamento é o encontro da psicologia masculina com a feminina.
Diálogo é avaliação. E um pensador disse que "Ainda não nos conhecemos
porque não tivemos ainda a coragem de nos calar juntos" (Maeterlinck). O dever
de sentar-se e avaliar o casamento é a três: O Senhor nosso Deus e o casal; é
diálogo sob o olhar de Deus. E para esse diálogo há condições:
é preciso respeitar o outro, por isso use linguagem afetuosa.
É preciso saber escutar, razão porque Jesus Cristo mandou que nos amássemos,
e não que nos amassemos uns aos outros.
Buscar compreender as necessidades do outro. Se alguém tem sede, guaraná
não serve. Se a esposa precisa de atenção, não adianta dar uma pulseira. Aliás,
dê a pulseira e atenção! Dialogar não é reclamar, (pode até sê-lo), mas é,
realmente, sorriso, perdão, colocar na mesa problemas, sucessos, alegrias e
preocupações; é troca de idéias, e se insere na linha da comunhão. No casamento
e no diálogo, marido e mulher estão em pé de igualdade; são companheiros
("companheiro" é aquele que come pão comigo: co+panis ), e são camaradas
("camarada" é quem habita a mesma câmara, o mesmo quarto). Diálogo é um
encontro das psicologias masculina e feminina, já o dissemos. Outrossim, além
das palavras, a oração é diálogo, o passeio a dois é diálogo, o passeio com os
filhos também é diálogo.
Sim; orem juntos; escolham a melhor hora de conversar; procurem definir o
problema básico. Onde há acordo? Onde está o desacordo? Ouça primeiro, e só
depois responda, porque até para isso a Escritura tem uma recomendação:
"Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha." (Pv 18.13; cf. Tg 1.19). Como
você pode contribuir para resolver?

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Termino com este poema que diz:

AMOR
És a minha amada,
és minha
e eu sou teu.
Está escrito.

Uniremos
nossas almas e corpos
e ficaremos ligados
em corpo e almas.
Está escrito.

E nem o vento
que sopra do deserto,
nem o tempo
que desgasta,
nem a morte
que amedronta ,
nem os sensatos
que falam de razão,
nada destruirá
o nosso amor,
porque o nosso amor
é um baluarte
e os aguaceiros
da vida
não poderiam extingui-lo
porque ele é
uma chama de Deus,
e o fogo de Deus
arde para além
de todos os dilúvios.

Está escrito:
amar
é penetrar
nas fronteiras de Deus.
Seremos uma porta aberta:
a quem entrar
serviremos a Festa
com colares
engranzados de nuvens,
oferecer-lhe-emos
o nosso riso
como presente para levar,
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abrir-lhe-emos
as mãos
para receber em depósito
todos os fardos.
Seremos
uma só taça derramada,
seremos
um só corpo oferecido,
entregar-nos-emos
à festa da vida.

Parte IV
POR QUE, CALABAR?
O MOTIVO DA TRAIÇÃO
A figura de Calabar insere-se na história pátria colonial durante a época da
invasão dos holandeses no Nordeste (1630-1654). Morador de Porto Calvo,
Alagoas, passou para o lado holandês em 1632. Conseqüentemente, é
desprezado pela maioria das pessoas como traidor; outros, porém, acreditam que
Calabar amava a sua terra natal e fez uma escolha sábia. Mas, afinal, por que ele
teria passado para o outro lado? Qual a razão da traição?

I. Contexto
Para entendermos o drama de Calabar, temos de lembrar do contexto histórico.1
Portugal e suas colônias estavam debaixo do domínio espanhol desde que Filipe II
conquistara a coroa portuguesa em 1580. Com isso, ele pode afirmar com razão
que no seu império o sol nunca se punha. Somente sessenta anos depois, em
1640, Portugal se livraria de Castela e constituiria de novo um reino independente
sob o governo de D. João IV. Mas a história de Calabar se desenvolveu
inteiramente no contexto do Brasil ibérico, quando, por algum tempo, não havia
previsão de mudanças políticas.

Domingos Fernandes Calabar2 deve ter nascido durante a primeira década do


século XVII, no atual Estado de Alagoas, na região de Porto Calvo, sendo filho de
pai português e de mãe indígena, de nome Ângela Álvares.3 Era, assim, um
mameluco,4 e foi batizado numa igreja da paróquia de Porto Calvo.5 O menino foi
educado numa escola dos padres jesuitas e, homem feito, ainda antes da invasão
batava, possuía três engenhos de açúcar naquela região.6 Então, em 1630, a
segunda onda de invasores holandeses alcançou a costa do Nordeste. Portugal e
a Holanda geralmente gozavam de um bom relacionamento, inclusive por causa
do seu inimigo comum, a Espanha. Na época do reino unido ibérico (1580-1640),
a invasão flamenga fazia parte da guerra dos oitenta anos que a Holanda travava
contra o domínio espanhol sobre os sofridos Países Baixos (1568-1648).7 A Ibéria
continuou tentando recapturar suas províncias perdidas e esmagar a reforma
religiosa naqueles rincões. A Europa sempre se admirava de como os Filipes
conseguiam colocar exércitos bem equipados tão longe das suas terras, e sabia
que o segredo era a riqueza oriunda principalmente das colônias americanas,
inclusive do Brasil. De lá não vinha ouro nessa época, e sim grandes caixas do
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apreciado açúcar, branco e mascavo. Eram umas 35.000 caixas de 300 quilos
cada uma por ano.8 O paladar europeu estava se adaptando ao novo produto e o
preço do açúcar estava em alta. A Holanda procurava "estancar as veias do rei da
Espanha," pelas quais fluía tanta riqueza, e muitos holandeses apoiaram de
coração os esforços da Companhia das Índias Ocidentais no sentido de causar
"prejuízo ao inimigo comum."9

O domínio holandês do Nordeste durou quase um quarto de um século (1630-


1654) e teve três períodos distintos. A primeira etapa abrange os anos da
resistência ibérica e do crescimento do poderio neerlandês (1630-1636). O
segundo período compreende a resignação lusa e o florescimento da colônia
holandesa (1637-1644). Os últimos anos compõem a insurreição dos moradores
portugueses e o fenecimento do domínio flamengo até a expulsão final (1645-
1654). São períodos de aproximadamente sete, oito e nove anos,
respectivamente. O florescimento da colônia holandesa coincidiu com a presença
do Conde João Maurício de Nassau-Siegen como governador do Brasil holandês,
e deveu-se em grande parte à sua pessoa. Especialmente na época nassoviana,
mas de fato durante todo o período holandês, o Nordeste era como que um
enclave renascentista10 no Brasil colonial, com uma forte influência cristã
reformada. A história de Calabar é parte integrante do primeiro período da
ocupação holandesa, a da resistência ibérica contra os conquistadores recém-
chegados.

Olinda, a capital da capitania de Pernambuco, caiu nas mãos dos holandeses em


fevereiro de 1630. Sua conquista fez parte da "primeira guerra mundial... contra o
rei do planeta."11 A composição das tropas invasoras refletia esse aspecto global,
à semelhança dos atuais Gideões Internacionais, incorporando holandeses,
frísios, valões, franceses, poloneses, alemães, ingleses e outros. Envolvidos na
guerra contra Madri, todos se alegraram quando os "espanhóis" bateram em
retirada.12 Essa luta contra a Espanha tinha implicações profundamente
religiosas. Embora a instrução do almirante Lonck estipulasse que todos os padres
jesuítas e outros religiosos teriam de abandonar o país, ela reafirmava a "liberdade
de consciência, tanto para os cristãos como para os judeus, desde que
prestassem juramento de lealdade..., assegurando-lhes que (a Holanda) não
molestaria ou investigaria as suas consciências, mas que a religião reformada
seria publicamente pregada nos templos..."13 Foi instituído um governo civil; um
dos membros desse Alto Conselho era o médico Servaes Carpentier.14 O exército
ficou sob o comando do coronel Diederick van Waerdenburch, o governador,
presbítero da Igreja Reformada, homem estimado pelas tropas.

Em 1631, foi conquistada a Ilha de Itamaracá e construído o Forte de Orange sob


a supervisão do capitão protestante Chrestofle Arciszewski, um nobre polonês.15
Todavia, a expansão foi lenta, e outras tentativas de ampliar a conquista vieram a
fracassar por causa da resistência dos luso-brasileiros, que eram grandes
conhecedores da região e haviam adotado a tática de guerrilhas ("capitanias de
emboscada"), o que deixou os holandeses praticamente encurralados. O próprio
almirante Lonck quase caiu numa emboscada no istmo entre o Recife e Olinda, e
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o pastor Jacobus Martini foi morto no mesmo trecho.16 O centro da resistência
portuguesa estava localizado a uns seis quilômetros do litoral, em um terreno
alagadiço no lugar denominado Arraial do Bom Jesus.17 A Ibéria enviou uma
armada de mais de 50 navios para recapturar Pernambuco, sendo que a maior
parte da contribuição dada por Lisboa veio de empréstimos compulsórios de
"cristãos novos" (judeus convertidos compulsoriamente ao catolicismo romano).18

Em setembro de 1631, a batalha naval de Abrolhos, no litoral pernambucano, ficou


sem vencedor. Em seguida, as tropas espanholas, sob o comando do não muito
benquisto conde napolitano Bagnuolo, desembarcaram em Barra Grande, no sul
de Pernambuco, a cerca de cinco léguas do maior povoado da região, Porto
Calvo, às margens do Rio das Pedras. Entre eles estava Duarte de Albuquerque
Coelho, o novo donatário de Pernambuco, autor das famosas Memórias Diárias19
sobre os primeiros oito anos dessa guerra colonial. Por ora a situação era de
empate, os holandeses dominando o mar, os portugueses as praias.

II. História
Essa situação de virtual equilíbrio no Nordeste continuou até 22 de abril de 1632,
quando um soldado de nome Calabar, homem muito forte e audaz, deixou o
campo português e passou para o lado dos holandeses. Foi apenas por um breve
período, pouco mais de três anos, mas teve conseqüências para toda a época
flamenga. Calabar não foi o único a passar para o outro lado, mas sem dúvida foi
o mais importante entre eles. Era um homem inteligente e grande conhecedor da
região, que já tinha se distinguido e ficado ferido na defesa do Arraial sob a
liderança do nobre general Matias de Albuquerque.20

Inicialmente, os holandeses não confiaram muito nele.21 No entanto, dez dias


depois Calabar provou pela primeira vez o que podia fazer, levando as tropas do
coronel Van Waerdenburch a saquear Igaraçu, a segunda cidade de Pernambuco,
para onde uma parte das riquezas de Olinda tinha sido transportadas. Durante os
meses seguintes, muitas campanhas foram feitas pelas colunas volantes batavas
sob a orientação de Calabar, que tornou-se amigo do coronel alemão Sigismund
von Schoppe. Por outro lado, o general Matias tentou "por todos os meios
possíveis (reduzir Calabar), assegurando-lhe não só o perdão, mas ainda mercês,
se voltasse ao serviço de el-rei; e esta diligência repetiu por muitas vezes, no que
se gastou algum tempo; mas vendo que nada bastava para convencê-lo, tratou de
outros meios."22

Em 1633, com a ajuda de Calabar, foi conquistado o litoral norte, desde Itamaracá
até a fortaleza dos Reis Magos, e com isso o Rio Grande do Norte, o que levou a
contatos amigos com os tapuias, indígenas antropófagos daquela região. Na parte
sul, foi tomado o valioso ancoradouro do Cabo Santo Agostinho, o que privou os
portugueses do porto mais próximo do Arraial, dificultando o recebimento de
reforços de Lisboa e o envio de açúcar para Portugal. Nessa altura, o coronel
Sigismund, como o mais velho dos oficiais, assumiu o comando das tropas
terrestres. No mar, o almirante Jan Cornelis Lichthart, que falava português,
tornou-se amigo de Calabar, que lhe ensinava as entradas dos rios.
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Do outro lado, os portugueses prosseguiam com suas tentativas de destruir
Calabar. Assim, em março de 1634, o general Matias prometeu a Antônio
Fernandes, um primo irmão com quem Calabar fora criado, "que lhe faria mercê
que o contentasse se pudesse matá-lo em algum ataque." Antônio aceitou a
comissão mas foi morto na tentativa.23

Enquanto isso, Calabar se adaptava mais e mais à sociedade dos invasores e


tornou-se um indivíduo estimado e respeitado, inclusive na "igreja católica
reformada."24 Prova disto é que, quando nasceu um filhinho do casal, foi batizado
na Igreja Reformada do Recife. O livro de batismo dessa igreja registra que no dia
20 de setembro de 1634, Calabar esteve ao lado da pia batismal com o seu filho
nos braços. O menino foi, então, batizado "Domingo Fernandus, pais Domingo
Fernandus Calabara e Barbara Cardoza."25 Como testemunhas, ali estavam o
alto conselheiro Servatius Carpentier, o coronel Sigismund von Schoppe, o coronel
polonês Chrestofle Arciszewski, o almirante Jan Cornelisz Lichthart e uma senhora
da alta sociedade.26 O pastor oficiante foi provavelmente o Rev. Daniel
Schagen.27

No final de 1634, a Paraíba também havia se rendido aos invasores. Alguns


sacerdotes (exceto os jesuítas) inclusive tiveram a permissão de assistir aos
ofícios religiosos. Houve até um padre, Manuel de Morais, S.J., que passou para o
lado invasor. Dessa forma, os holandeses ocuparam a faixa litorânea desde o
Cabo Santo Agostinho até o Rio Grande do Norte. A Espanha não podia fazer
muito devido aos grandes problemas que enfrentava na Alemanha (com o avanço
do exército sueco para ajudar a Reforma contra as tropas do imperador), a perda
de uma frota carregada de prata do México (devido a um furacão), problemas no
Ceilão, vários anos de seca em Portugal, etc.

Novamente orientados por Calabar, os holandeses continuaram a expansão para


o sul e, em março de 1635, atacaram Porto Calvo, a terra natal do próprio Calabar.
Os defensores, liderados por Bagnuolo, fugiram para o sul, e com a ajuda de frei
Manuel Calado do Salvador28 os moradores da região submeteram-se aos
holandeses. Dessa forma, o Arraial ficou isolado e, depois de três meses, em
junho, Arciszewski conquistou aquela fortificação lusa, os religiosos recebendo
permissão para levarem as suas imagens. Matias de Albuquerque havia fugido
para o sul com aproximadamente 7000 moradores que preferiram acompanhá-lo a
ficar sob o domínio flamengo. A única estrada da região pantanosa de Alagoas
que podia ser usada por carros de boi passava por Porto Calvo, e nessa altura
estava em poder do major Picard e de Calabar, acompanhados de uns 500
homens. Matias viu-se forçado a atacar a praça, que teve de pedir condições de
entrega. Picard tentou salvar a vida de Calabar e finalmente foi combinado que ele
ficaria "à mercê d'el-rei."29 Porém, como disse o historiador De Laet, a proteção
concedida foi "à espanhola" e um tribunal militar o condenou a ser enforcado e
esquartejado como traidor.30 O frei Manuel o assistiu nas últimas horas31 e ao
anoitecer do dia 22 de julho de 1635 a sentença foi executada. Foi também
enforcado um judeu, Manuel de Castro, "homem de nação," que estava ali a
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serviço dos holandeses.32 Poucas horas depois, os portugueses continuavam a
sua retirada em direção à Bahia, levando consigo cerca de 300 prisioneiros
holandeses. Nenhum dos moradores cuidou de enterrar o soldado executado.
Dois dias depois, chegaram a Porto Calvo as forças combinadas dos coronéis
Sigismund e Arciszweski, que ficaram enfurecidos ao achar os restos mortais do
seu amigo e compadre Calabar. Foram colocados num caixão e sepultados com
honras militares. Querendo vingar-se da população lusa, foram dissuadidos por
Calado, "o frei dos óculos," especialmente pelo fato de que os holandeses
precisavam dos "moradores da terra" para a plantação da cana-de-açúcar e a
criação do gado.

III. Motivos
Por que Calabar teria passado para o lado do invasor? Capistrano de Abreu
pergunta: "Talvez a ambição ou esperança de fazer mais rápida carreira, ou
desânimo, a convicção da vitória certa e fácil do invasor"?33 Reconheçamos que,
com esta inquirição, entramos no campo da especulação histórica, pois não há
indícios concretos nos documentos, somente alusões vagas.34 Deve ter havido
motivos claros e outros ocultos, motivos diurnos e noturnos.35 Além disto devem
ter existido forças que o empurravam para fora do círculo português e outras que o
atraíam para dentro do campo holandês, forças centrífugas e centrípetas.
Lembremos ainda que uma decisão dessas geralmente não se toma de um dia
para o outro. Havia motivos que se cristalizaram com o tempo, até que algo levou
o barril de pólvora a explodir.

A. Fugitivo?
A primeira pergunta deve ser: será que Calabar era um fugitivo? O confessor de
Calabar, antes da sua execução, foi o frei Manuel Calado do Salvador, vigário da
paróquia de Porto Calvo. Treze anos depois, em 1648, no auge da revolta contra
os holandeses, ao escrever O Valeroso Lucideno, seu livro panegírico em louvor
do líder João Fernandes Vieira, Calado afirmou que Calabar era um
contrabandista, que inclusive teria cometido grandes furtos e vários crimes atrozes
na paróquia de Porto Calvo e, temendo a justiça, fugiu com Bárbara para o campo
do inimigo.36 As Memórias de Duarte Coelho, escritas em 1654, acompanham
Calado nessa opinião.37 Vários historiadores, como Varnhagen e outros, mantêm
esse veredito.38 Mas o cônego Pinheiro lembra que "os mais graves cronistas
como Brito Freyre (1675), e frei José da Santa Teresa (1698), não falam nesses
crimes atrozes atribuídos pelo Valeroso Lucideno e seu Castrioto Lusitano
compilador."39 Quanto às Memórias do donatário Duarte de Albuquerque Coelho,
temos de observar que o autor (cujo irmão Matias, cognominado o "terríbil,"40 era
o general da resistência portuguesa), escrevendo sobre a traição de 1632, não
mencionou motivo algum, somente se admirou de que um homem tão corajoso,
que ficou ferido duas vezes na defesa da sua terra, não sentisse ódio dos
invasores.41 Mas, depois, quando tratou da morte de Calabar, disse que foi um
"castigo reclamado por sua infidelidade," acrescentando que tinha "cometido
grandes crimes, e para evitar a punição fugiu passando-se para o inimigo."42 Será
que Coelho refletia boatos do campo português depois da traição, além de referir-
se aos crimes de guerra ocorridos nas incursões dos holandeses com Calabar
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entre 1632 e 1635, inclusive em Barra Grande e Camaragibe, ambos distritos no
litoral da paróquia de Porto Calvo?43 Quanto às informações de Calado, temos de
reconhecer que elas nem sempre são muito precisas,44 e são às vezes
romanceadas;45 além disso, conforme C. R. Boxer, elas freqüentemente eram um
tanto caluniadoras e não necessariamente fidedignas.46

Talvez Flávio Guerra seja o autor mais sistemático na rejeição da idéia de fuga por
roubo e outras razões dessa natureza. Ele argumenta: a) Calabar era um homem
de posses que não aceitou dinheiro dos holandeses; b) ele não poderia ter
defraudado bens do estado no Arraial; c) não há documento nenhum que fale em
fraude; d) essa alegação surgiu somente alguns anos depois da morte de
Calabar.47 Reconhecemos, porém, que esse jovem inteligente e proprietário de
engenhos de açúcar talvez não tenha herdado essas propriedades; talvez fosse
mesmo um contrabandista e como tal pudesse ter cometido algum furto ou crime
antes da traição. Entretanto, seja como for, naqueles dias de guerra dificilmente
esse corajoso e astuto defensor do Arraial seria entregue nas mãos da justiça
enquanto o general Matias e o donatário Duarte estavam a seu favor. Por outro
lado, depois da traição, depois de tantas tentativas de reconduzi-lo gentilmente,
depois de tantos prejuízos e mortes causados na conquista de Igaraçu, Itamaracá,
Rio Grande, Paraíba e boa parte do sul de Pernambuco, depois de tantas tramas
abortadas para liquidá-lo, não havia chance nenhuma de escapar das garras dos
seus justiceiros comandados pelo general Matias, com ou sem crimes cometidos
antes da traição.48

B. Teria Segurança?
Mas, sendo fugitivo do lado português, teria realmente segurança se passasse
para o outro lado? Inteligente como era, Calabar deve ter calculado o perigo que
estava correndo. Será que ele teria tido medo de, no fim, ser abandonado pelos
holandeses? Creio que não. Intimamente ele deve ter tido a certeza de que não
seria como Frei Calado sugeriu, que os holandeses "se servem (dos seus
ajudantes) enquanto os hão mister, (mas) no tempo da necessidade e tribulação,
os deixam desamparados e entregues à morte."49 A proteção dada
posteriormente aos seus aliados judeus e índios e a resistência em render-se
finalmente aos portugueses por causa dos mesmos (atestada pelo próprio
Calado),50 mostra que não é provável que isto tenha acontecido. Mas, pela última
vez em Porto Calvo, com soldados relutantes, restando pouca água e munições,
com lenha amontoada pelos sitiantes debaixo da casa forte para queimá-los,51 e
depois de "mais de meio-dia no ajuste dos artigos de rendição, porque o inimigo
insistia em levar consigo Domingos Fernandes Calabar," o próprio soldado
Calabar sabia que era impossível escapar e, querendo poupar as vidas dos seus
amigos e subordinados, "disse com grande ânimo estas palavras ao governador
Picard: 'Não deixeis, senhor, de concordar no que se vos exige pelo que me diz
respeito, pois não quero perder a hora que Deus quis dar-me para salvar-me,
como espero de sua imensa bondade e infinita misericórdia'."52 Deve ter pedido,
ainda, que cuidassem bem da sua mulher, com quem fugira para o campo
holandês,53 e de seus filhos, pois ia entregar-se sozinho. De fato, o governo
cuidou bem da família do seu nobre capitão, pois a sua viúva passou a receber
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para cada um dos seus três filhos menores o salário de um soldado, num total de
24 florins mensais, equivalente ao salário de um mestre-escola, o que não
acontecia com a família de pastor e capelão do exército tombado no serviço da
Companhia.54 Por outro lado, o próprio major Alexandre Picard deve ter ficado
arrasado com o triste fim do colega, e nós o encontramos depois na Holanda
recuperando-se na casa do seu irmão pastor em Coevorden.55

C. Exemplos de "Traidores"
Fugindo em busca de refúgio ou não, também temos de lembrar que a época
conhecia muitos exemplos de "traidores," de ambos os lados. Embora Calabar
fosse considerado em abril de 1632 como o primeiro a desertar do Arraial,56 os
documentos testificam que já havia passagens dos dois lados. Alguns soldados
franceses a serviço da Companhia das Índias Ocidentais passaram para o campo
português devido à religião, e houve judeus que fizeram a viagem em direção
oposta pelo mesmo motivo. Sabemos de escravos que fugiram dos seus donos
para obter mais liberdade entre os holandeses,57 de grupos de índios tupis que
deles se aproximaram,58 e também de soldados napolitanos que debandaram
para o lado invasor. O "vira-casaca" holandês mais conhecido foi o capitão Dirk
van Hooghstraten que, em 1645, entregou a fortaleza do Cabo Santo Agostinho
aos portugueses por um bom dinheiro (que ainda não havia recebido quatro anos
depois).59 Houve pessoas que trocaram de campo até duas vezes, e entraram
para a história com honras, como o padre jesuíta Manuel de Morais e o próprio
João Fernandes Vieira. O primeiro tinha liderado os índios na resistência contra o
invasor, mas passou para o campo do inimigo depois da queda da Paraíba. Foi
enviado à Holanda, onde casou-se com uma holandesa e, para ressarcir-se das
despesas que teve, cobrou à Companhia das Índias Ocidentais pela ajuda
prestada no Brasil. Depois de alguns anos, Morais deixou mulher e filhos, voltando
para o Nordeste como negociante. Quando, no início da revolta, foi capturado
pelos portugueses, salvou sua pele passando de novo para o campo católico
romano. Quando foi preso pela Inquisição, defendeu-se habilmente diante dos
seus inquisidores, insistindo que nunca tinha quebrado seus votos sacerdotais,
mas, não reconhecendo o matrimônio herético, somente tinha se amancebado
com mulheres reformadas.60 Por sua vez, João Fernandes Vieira ajudou um
conselheiro holandês a achar o tesouro enterrado do seu antigo patrão português
e conseguiu créditos e mais créditos da Companhia até, em 1645, proclamar a
"guerra da liberdade divina" para livrar o Brasil dos "heréticos," aos quais ficou
devendo 300.000 florins, importância altíssima para a época.61 De fato, em tempo
de guerra, a traição está "no ar."

D. Interpretação Econômica
Revendo esses poucos exemplos, poderíamos então postular que a interpretação
mais simples para o caso de Calabar seria econômica. Talvez Calabar, como
grande conhecedor da região e dos acessos pelos rios, já fosse contrabandista
antes e depois da invasão,62 e teria passado para os invasores em busca de
dinheiro. Embora tudo indique que ele não precisava disto, pois já tinha adquirido
propriedades e gado em Alagoas, um bom dinheiro sempre teria sido bem-vindo.
Mas, se foi contrabandista, de certo havia cúmplices, como deixou transparecer o
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seu próprio confessor. É que Calado relatou alguns detalhes da confissão de
Calabar (com permissão do mesmo) ao general Matias; entretanto, este ordenou
ao padre "que não se falasse mais nesta matéria, por não se levantar alguma
poeira, da qual se originassem muitos desgostos e trabalhos" (sem dúvida para
alguns portugueses importantes).63 Mas, afinal, será que este moço abastado
teria passado para o inimigo por dinheiro, pensando em aumentar a sua fortuna?
Southey o acha mais provável.64 Calado não o diz, nem Coelho, que somente
menciona que Calabar passou a receber o soldo de um sargento-mor.65 Também,
através dos anos, não apareceu nenhum indício disto nos documentos, nem a
mais ligeira referência como nos outros casos de peso. Ao contrário, há indicações
de que ele recusou o suborno.66 Por outro lado, não parece muito provável que
Waerdenburch teria oferecido a Calabar o título de capitão caso mudasse de lado,
pois desconfiava dele. Se prometeu algo nesse sentido, teria sido mais por uma
questão de honra do que por uma razão financeira.67

E. Questão de Honra
Uma interpretação bem mais provável é essa questão de honra; talvez de glória,
mas muito mais de reconhecimento, respeito, bom nome, dignidade. Vivendo no
século XVII, por ser mestiço e não português "de sangue puro," Calabar, apesar
das suas qualidades, de certa forma era um inferior por causa da cor da sua pele,
ainda que atualmente algumas pessoas tenham dificuldade em admitir esse fato
histórico. Ainda quase um século e meio depois, o vice-rei do Brasil mandou
degradar um cacique indígena que antes tinha recebido honras reais, pois "havia
desprezado as mesmas… se baixando tanto que se casou com uma negra,
manchando seu sangue."68 Mestiçagem aviltada num Brasil mestiço. Na época de
Calabar a situação não era muito melhor e parece que até os holandeses sabiam
da discriminação racial contra Calabar.69 Talvez baseando-se na história de
Southey, o romancista Leal faz Calabar pensar em "vingança de tantos desprezos
e tantas humilhações com que me têm amargurado os da vossa raça."70 E outro
romancista, Felício dos Santos, bem pode ter razão quando faz o napolitano
conde Bagnuolo insultar Calabar chamando-o de negro. Seria mesmo o estopim
que o fez sair do acampamento do Arraial do Bom Jesus e passar para os
holandeses.71 Anos depois, o próprio governador de Pernambuco (1661-1664)
escreveu que Calabar buscara entre os inimigos "a esperança que lhe impedia
entre os nossos a vileza do nascimento." E falando sobre Henrique Dias, o herói
africano da restauração portuguesa, acrescenta: "Um negro, indigno deste nome,
pelo que emendou ao defeito da natureza."72 Por outro lado, Calabar, o
mameluco, deve ter observado como os holandeses tratavam melhor os seus
escravos,73 e os índios até mesmo com respeito, chamando-os de "brasilianos"
por serem os primeiros moradores do vasto Brasil.74 E quem sabe Calabar
também fosse um tanto ambicioso e pensasse que poderia fazer carreira do outro
lado,75 o que num certo sentido aconteceu, como Coelho lembra ao afirmar que
"logo o fizeram capitão."76 Não foi tão logo, mas de fato aconteceu.

F. Motivação Religiosa
Resta ainda uma dupla de motivos que deve ser considerada, a político-religiosa.
Estas são duas alavancas importantes da história e naquele tempo estavam
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entrelaçadas quase que inseparavelmente. Será que houve algum motivo religioso
na traição de Calabar? Representantes do pensamento cristão reformado como o
presbítero holandês coronel Waerdenburch, reconhecidamente um homem de
Deus,77 ou o alemão Von Schoppe, ou o polonês Arciszewski, devem ter tido uma
influência nesse sentido. Será que Calabar leu o livro de Carrascon, ou "O
Católico Reformado" de Perkins,78 livros que já estavam circulando no Nordeste e
sobre os quais frei Calado advertia constantemente os seus fiéis em Porto Calvo,
berço de Calabar? Anos depois Calado se lembrava de que se não tivesse ficado
em Porto Calvo, "os pusilânimes haviam de ter titubeado na fé, e haviam de estar
envoltos em muitos erros e heresias. Porquanto os predicantes dos holandeses
haviam derramado por toda a terra uns livrinhos que se intitulavam O Católico
Reformado em língua espanhola, composto por Fulano Carrascon, cheios de
todos os erros de Calvino e Lutero, e persuadiam os ignorantes (e ainda aos que
não eram) de que a verdadeira religião era a que naqueles livros se ensinava."79

De fato, houve uma escolha religiosa voluntária por parte de Calabar, o que não
era possível na direção oposta.80 Ele podia ter passado para o lado holandês sem
filiação à "igreja do estado" e Bárbara podia ter procurado um padre católico
romano para o batismo do seu filho. Calabar teria sido considerado um aliado
valioso da mesma forma que os tapuias com o seu pajé, os judeus com o seu
rabino e os soldados franceses e napolitanos com o seu vigário católico romano. A
entrada da família Calabar na igreja reformada foi voluntária e o batismo do seu
filho na igreja reformada do Recife em 1634 aponta para isto.81 Finalmente, dez
meses depois, no dia da sua execução, Calabar reconheceu mais claramente os
seus pecados e se mostrou tão arrependido que os religiosos que o assistiram
acharam que "Deus por meio de tal pena o quis salvar, dando-lha no próprio lugar
de seu nascimento e onde tanto o havia ofendido."82 Quem sabe Calabar
lembrou-se, como posteriormente o índio Pedro Poti durante o seu suplício, das
primeiras frases do Catecismo de Heidelberg, escrito em tempos de perseguição
pela Inquisição e memorizado pelos fiéis: "Qual o teu único consolo na vida e
morte? Que, na vida e na morte, não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel
Salvador, Jesus Cristo."83 G. Patriotismo Finalmente, quanto ao aspecto
político convém abordar o motivo do amor à terra natal, o patriotismo. José
Honório Rodrigues observa que talvez tenha sido Francisco de Brito Freyre
(almirante da armada que reconquistou o Nordeste e posteriormente governador
de Pernambuco), "dos primeiros a manifestar, ao se referir a Calabar, sentimentos
patrióticos em relação ao Brasil," quando diz que Calabar foi enforcado em Porto
Calvo, "pátria sua."84 Recentemente, o historiador Flávio Guerra defendeu esse
sentimento de patriotismo e, ao mesmo tempo, o ódio luso-brasileiro contra a
opressão da Espanha. El-rei teria praticamente abandonado o Brasil e quando
chegou o reforço sob o comando de Bagnuolo, os estrangeiros receberam, por
ordem régia, tratamento melhor do que os "moradores da terra," dos quais alguns
foram indo para suas casas, conforme Calado. Por outro lado, os holandeses
prometiam menos impostos do que os espanhóis e tentaram trazer Calabar para
si. "A catequização do mameluco estivera sendo trabalhada por um tal de Joer,"
agente dos invasores, católico romano, que falava muito bem o idioma do Brasil.
Finalmente Calabar teria escrito ao governador Waerdenburch, dizendo: "Passei
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para essa causa sem querer recompensa, e vim para melhorar minha terra, que
não tem liberdade de espécie alguma." Waerdenburch teria confirmado à Holanda
que "Calabar só se colocou ao nosso lado por convicção, pois recusou as
recompensas que vossas senhorias lhe haviam mandado. Diz estar certo de que a
sua pátria irá melhor do que com os espanhóis e os portugueses." Guerra conclui
que "convicções talvez erradas mas honestas… decorreram do seu idealismo…
(para) melhor servir à pátria." E quando, depois, o general Matias acenou com
anistia total na tentativa de trazê-lo de volta, Calabar teria respondido: "Tomo
Deus por testemunha de que meu procedimento é o indicado pela minha
consciência de verdadeiro patriota, não como traidor, mas como patriota." E no
fim, em Porto Calvo, antes de entregar-se, teria escrito ao governo holandês no
Recife: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da pátria." Infelizmente, não
conseguimos localizar os documentos em que a informação de Guerra se baseia.
Mesmo assim, a base histórica parece muito sólida.85

Continuação desta apostila na Parte II:

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DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE

INTRODUÇÃO. 01
I, TRINDADE, O QUE ɨ? 02
II, AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE E A COMPROVAÇÃO BÍBLICA DA SUA
DIVINDADE. 04
II, 1, A DIVINDADE DO PAI. 03
II, 2, A DIVINDADE DO FILHO. 04
II, 2, A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO. 05
III, A DISTINÇÃO ENTRE AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE. 06
III, 1, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O FILHO. 07
III, 2, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O ESPÍRITO SANTO. 08
III, 3, A DISTINÇÃO ENTRE O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. 09
IV, A TRIUNIDADE DE DEUS. 10
V, A TRINDADE NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO. 11
VI, PRINCIPAL MINISTÉRIO DE CADA PESSOA DA TRINDADE, RELATIVO À
SALVAÇÃO ETERNA. 05
VI, 1, O MINISTÉRIO DO PAI (DEUS) RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA. 12
VI, 2, O MINISTÉRIO DO FILHO (JESUS CRISTO) RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA. 13
VI, 3, O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA.
14
VII, A TRINDADE EXEMPLIFICADA ESQUEMATICAMENTE. 15
VIII, A TRINDADE COMPARADA À ÁGUA EM SEUS TRÊS ESTADOS. 16
VIII, 1, A ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO. 17
VIII, 2, A ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO. 18
VIII, 3, A ÁGUA EM ESTADO GASOSO. 19
CONCLUSÃO. 20
BIBLIOGRAFIA. 21

DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE.


INTRODUÇÃO.
Estudar, especificamente, sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE é, nada
mais nada menos do que, estudar sobre o ser criador, sustentador, e
dirigente de todas as coisas, qual seja, DEUS.
Porém, o estudo doutrinário da DIVINA TRINDADE, nos mostra a revelação
de DEUS sobre o seu modo trino de existir, manifestar e agir.
Estudemos, portanto, um pouco sobre o que a BÍBLIA SAGRADA nos ensina
sobre a TRINDADE para enriquecermos o nosso conhecimento sobre o
causador e criador de todas as coisas, sendo, por isso,
indubitavelmente, o mais importante ser do universo, qual seja, DEUS que
se revela e manifesta ao ser humano através de três pessoas distintas.
I, TRINDADE, O QUE ɨ?

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O minidicionário Aurélio define a TRINDADE como:
01, Na doutrina CRISTÃ, dogma da união de três pessoas distintas (o
Pai, o Filho e o ESPÍRITO SANTO) em um só DEUS: O mistério da
Santíssima Trindade.
O conciso dicionário de teologia CRISTÃ nos diz:
01, Referência à doutrina de que DEUS é um e que existe eternamente em
três pessoas.
Portanto, TRINDADE é o termo usado, no cristianismo, para definir a
manifestação e ação de DEUS através de três pessoas distintas.
TRINDADE é, por isso, a tríplice maneira de DEUS se revelar.
Por mais que nos esforcemos e procuremos, em toda a BÍBLIA SAGRADA, a
palavra TRINDADE, jamais será encontrada.
Porém, tal constatação, não significa que a TRINDADE não existe, ou que
seja invenção de alguma religião, denominação, igreja ou líder
religioso, em particular.
Não há necessidade de fazermos muito esforço pessoal, para descobrirmos
na BÍBLIA SAGRADA que DEUS existe, se manifesta e age de modo tríplice.
O modo tríplice de DEUS existir, se manifestar e agir, acontece
através das três pessoas da DIVINA TRINDADE, quais sejam:
01, A PESSOA DIVINA DO PAI.
02, A PESSOA DIVINA DO FILHO.
03, A PESSOA DIVINA DO ESPÍRITO SANTO.
É necessário estarmos total e, incansavelmente, atentos para jamais
confundirmos ou aceitarmos a mais remota insinuação ou a mínima
possibilidade de que:
01, A PESSOA DO PAI SEJA UM DEUS.
02, A PESSOA DO FILHO SEJA UM SEGUNDO DEUS.
03, A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO SEJA UM TERCEIRO DEUS.
Isso porque, dentro do CRISTIANISMO, que está comprometido com a
verdade BÍBLICA, só há lugar para a aceitação da existência de um único
DEUS, o qual é estudado na matéria DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS, e ainda que
único, existe, se revela, manifesta e age como e em TRINDADE.
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4.
O termo TRINDADE é, portanto, sem qualquer sombra de dúvida, o
resultado do estudo, criterioso e sistemático, da BÍBLIA SAGRADA acerca
de DEUS, a qual nos revela, claramente, a DIVINDADE das três pessoas.
A primeira referência, clara, e insofismável sobre a TRINDADE,
encontrada na BÍBLIA SAGRADA, está no NOVO TESTAMENTO, mais
precisamente, no EVANGELHO segundo Mateus¨28:19.
Porém, já no ANTIGO TESTAMENTO, em Is¨48:16 a mesma é mencionada.
Is¨48:16, Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde
o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e
agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito.
É verdade que na passagem BÍBLICA de Isaías a segunda pessoa da
TRINDADE (a pessoa do FILHO) não está, claramente, explícita, porém,
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com certeza, não é necessário muito esforço para verificarmos que o
FILHO está implícito.
Quanto a este versículo há um problema, qual seja, nem todas as BÍBLIAS
dão esta mesma tradução, por isso, haverá irmãos que não concordarão com
esta tradução, nem que o versículo é uma revelação da Trindade.
II, AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE E A COMPROVAÇÃO BÍBLICA DA SUA
DIVINDADE.
É necessária a confirmação da revelação BÍBLICA acerca da realidade
das três pessoas da TRINDADE, assim como a DIVINDADE de cada uma, para
nos firmarmos na gloriosa verdade da existência da TRINDADE.
II, 1, A DIVINDADE DO PAI.
O PAI é DEUS, João¨6:27; Rom¨15:6; 1ªCor¨8:6; 1ªPed¨1:2.
II, 2, A DIVINDADE DO FILHO.
O FILHO é DEUS, João¨1:1-3, 14, 20:28; Rom¨9:5; Col¨2:8-9; Heb¨1:1-12;
2ªPed¨1:1; 1ªJoão¨5:20.
II, 2, A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO.
O ESPÍRITO SANTO é DEUS, At¨5:1-10, 21:11 (onisciente, um dos
atributos naturais de DEUS), At¨28:25-27 (idem); 1ªJoão¨5:7.
III, A DISTINÇÃO ENTRE AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE.
As três pessoas da TRINDADE são distintas entre si,
João¨14:16-17, 26, 15:26.
III, 1, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O FILHO.
O PAI é distinto de JESUS CRISTO (o FILHO) e vice-versa, João¨8:54,
14:10-13, 23-26, 16:16, 17:5,; Col¨1:12-19.
III, 2, A DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O ESPÍRITO SANTO.
O PAI é distinto do ESPÍRITO SANTO e vice-versa João¨14:16-17, 26, 15:26.
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5.
III, 3, A DISTINÇÃO ENTRE O FILHO E O ESPÍRITO SANTO.
JESUS CRISTO (o FILHO) é distinto da pessoa do ESPÍRITO SANTO e
vice-versa, João¨7:37-39, 14:26, 15:26, 16:7-15 (CONSOLADOR, título
dado ao ESPÍRITO SANTO).
IV, A TRIUNIDADE DE DEUS.
TRIUNIDADE é o modo de DEUS existir em três pessoas distintas.
Portanto, a TRIUNIDADE refere-se à existência de DEUS em três pessoas distintas.
Ainda que as três pessoas da TRINDADE sejam distintas entre si, sempre,
estão e agem, completamente, de pleno acordo, João¨14:26, 15:26,
16:12-16; 1ªJoão¨5:1-7 (a PALAVRA é o VERBO de João¨1:1, 14).
A este fato se dá o nome de TRIUNIDADE.
V, A TRINDADE NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO.
Como vimos, pelas passagens BÍBLICAS estudadas, a doutrina da TRINDADE é
clara no NOVO TESTAMENTO, porém, no ANTIGO TESTAMENTO não é bem assim.
No ANTIGO TESTAMENTO há algumas sugestões ou indícios sobre a
TRINDADE, como podemos verificar nas próximas passagens BÍBLICAS,
Gên¨1:26, 11:7; Is¨6:8.
Porém, em Is¨48:16, como já vimos, a visão da TRINDADE é apresentada
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de modo muito mais claro.
No Salmo¨110:1, não vemos a idéia da Trindade, porém, vemos o salmista
declarar uma verdade que não poderá, jamais, ser desprezada quando do
estudo sobre a TRINDADE, qual seja: “Disse o SENHOR ao meu SENHOR:
Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por
escabelo dos teus pés”.
Para nós, o primeiro SENHOR é sinônimo de DEUS PAI e o segundo SENHOR
sinônimo de DEUS FILHO.
VI, PRINCIPAL MINISTÉRIO DE CADA PESSOA DA TRINDADE, RELATIVO À
SALVAÇÃO ETERNA.
O trabalho de cada pessoa da TRINDADE é, na verdade, o trabalho de
DEUS, entretanto, no tocante à SALVAÇÃO ETERNA, cada pessoa tem o seu
ministério específico.
VI, 1, O MINISTÉRIO DO PAI (DEUS) RELATIVO À SALVAÇÃO ETERNA.
Como já vimos, a doutrina da TRINDADE não nos é claramente revelada no
ANTIGO TESTAMENTO, entretanto, pelas sugestões à TRINDADE já estudadas.
01, Em Gên¨1:26, DEUS diz: Façamos.
02, Em Gên¨11:7, DEUS diz: Desçamos.
03, Em Is¨6:8, DEUS pergunta: Quem há de ir por nós¨?
Nestas três passagens BÍBLICAS vemos DEUS tomando a iniciativa.
01, Em João¨3:16 DEUS, como PAI, também toma a iniciativa (DEUS DEU
SEU FILHO UNIGÊNITO).
02, Em João¨3:17 DEUS, como PAI, também toma a iniciativa (DEUS ENVIOU
SEU FILHO UNIGÊNITO).
03, Em João¨14:16, JESUS CRISTO diz que o PAI dará outro CONSOLADOR.
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6.
Em todas estas passagens BÍBLICAS, vemos DEUS e o PAI tomando as iniciativas.
Além do que em João¨3:16-17 o próprio DEUS é PAI de JESUS CRISTO, pois
DEUS deu seu filho.
Também em Rom¨15:6; 2ªCor¨1:3, 11:31; Ef¨1:3; 1ªPed¨1:3, DEUS é PAI de
JESUS CRISTO.
Portanto, concluímos, a pessoa DIVINA do PAI se sinonimisa com DEUS,
nas iniciativas e nas tomadas de decisões.
No que concerne à SALVAÇÃO ETERNA, o ministério da primeira pessoa da
TRINDADE, ou seja, do PAI, é tomar a iniciativa de SALVAR ETERNAMENTE
o ser humano, João¨3:16-18.
VI, 2, O MINISTÉRIO DO FILHO (JESUS CRISTO) RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA.
O principal ministério da segunda pessoa da TRINDADE ou seja, do
FILHO, relativo à SALVAÇÃO ETERNA do ser humano é a REDENÇÃO, ou seja,
a própria SALVAÇÃO ETERNA, João¨3:16-18; Rom¨3:24; 5:8; 1ªCor¨1:30;
Ef¨1:7, 14; Col¨1:14; 1ªTim¨2:6; Heb¨9:11-12.
VI, 3, O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO RELATIVO À SALVAÇÃO
ETERNA.
O principal ministério da terceira pessoa da TRINDADE, ou seja, do
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ESPÍRITO SANTO, relativo à SALVAÇÃO ETERNA, é a SANTIFICAÇÃO
(separação), a qual tem pelo menos dois aspectos.
01, O homem que, antes da conversão genuína, pertencia ao diabo,
após a conversão a JESUS CRISTO é separado e passa a pertencer a
DEUS (ou seja, é salvo eternamente), João¨16:7-11; 2ªTess¨2:13;
1ªPed¨1:2.
02, A separação, do homem já salvo, do pecado, ou seja, a santificação
pessoal, produzida através do correto entendimento PALAVRA DE DEUS,
e da obediência à mesma, João¨14:26, 16:12-15; 1ªCor¨2:9-16.
Para compreender mais clara e profundamente cada uma das três pessoas
da TRINDADE é necessário fazer três estudos doutrinários, quais sejam:
01, A DOUTRINA CRISTÃ DE DEUS (JÁ QUE O PAI É SINÔNIMO DE DEUS,
TEOLOGIA).
02, A DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO (CRISTOLOGIA).
03, A DOUTRINA CRISTÃ DO ESPÍRITO SANTO (PNEUMATOLOGIA).
VII, A TRINDADE EXEMPLIFICADA ESQUEMATICAMENTE.
Temos a seguir um gráfico esclarecedor da TRINDADE.
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7.
Para melhorar a nossa visão, concebamos a figura a seguir, não como
plana, mas como esférica.
Conclusões sobre a TRINDADE baseadas nos estudos anteriores e
neste gráfico.
01, CADA PESSOA DA TRINDADE É DEUS.
02, CADA PESSOA DA TRINDADE É DISTINTA, MAS INTERLIGADA ÀS OUTRAS
DUAS.
03, A AÇÃO DE CADA PESSOA DA TRINDADE É A AÇÃO DE DEUS.
Estrela que
representa a ação e
manifestação da
onipotência de DEUS.
D.F.P.E.S
Círculo que representa a pessoa do ESPÍRITO SANTO, distinto mas ligado ao Pai e ao
Filho. Setas que indicam o relacionamento inseparável entre as três pessoas da Trindade.
Setas que representam a ação de cada pessoa da Trindade. DEUS, o âmago da Trindade.
Círculo que representa a pessoa do Pai, distinto mas ligado ao Filho e ao ESPÍRITO
SANTO. Círculo que representa a pessoa do Filho, distinto mas ligado ao Pai e ao
ESPÍRITO SANTO.
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8.
VIII, A TRINDADE COMPARADA À ÁGUA EM SEUS TRÊS ESTADOS.
Outra forma ilustrativa que nos pode ajudar a compreender a TRINDADE é
a água em seus três estados, quais sejam:
1, ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO.
2, ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO.
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3, ÁGUA EM ESTADO GASOSO.
Cada estado da água tem sua finalidade específica.
VIII, 1, A ÁGUA EM ESTADO SÓLIDO.
A água no estado sólido, aparece na natureza como gelo e como neve.
A água em estado sólido, sempre está com sua temperatura a zero graus
centígrados ou abaixo de zero graus centígrados.
Em virtude disso, a água em estado sólido é muito usada para resfriar
e ou preservar vários produtos, tais como peixe, carne, legumes,
frutos, líquidos, tais como, refrigerantes, etc, etc, etc.
VIII, 2, A ÁGUA EM ESTADO LÍQUIDO.
A água em estado líquido é muito vista na natureza.
A água em estado líquido é usada para beber, quando potável, para
lavar, para irrigar, etc, etc, etc.
VIII, 3, A ÁGUA EM ESTADO GASOSO.
A água em estado gazoso é vista principalmente nas nuvens, das quais
procedem as chuvas.
Assim é DEUS, é um só, mas, age através de três pessoas DIVINAS
distintas, quais sejam, a pessoa Divina do PAI, a pessoa Divina do
FILHO e a pessoa Divina do ESPÍRITO SANTO.
Porém, muito cuidado, porque esta comparação não é referente ao
aspecto físico de DEUS.
É, apenas, uma comparação referente ao ministério de cada pessoa
da TRINDADE.
Outro cuidado importante.
A água pode mudar de estado, artificialmente.
Porém, quanto à TRINDADE, DEUS é imutável.
Por ser soberano, onipotente e imutável não há força humana, ou
qualquer engenho, criado pelo homem, que tenha poder para mudar
artificialmente a essência da Trindade.
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9.
CONCLUSÃO.
Terminamos este estudo sucinto sobre a Doutrina Cristã da TRINDADE,
porém, cremos que contém os ensinamentos básicos necessários ao
crescimento no conhecimento da PALAVRA DE DEUS, sobre tão magno e
glorioso assunto.
Nosso intuito é colocar no coração dos filhos de DEUS as verdades
sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA TRINDADE, a qual, por incrível que pareça
é, infelizmente, desmentida por alguns setores religiosos, intitulados
de CRISTÃOS.
DEUS nos tem abençoado e muito, já que, pelo glorioso e maravilhoso
ministério das três pessoas DIVINAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE, em nosso
favor, recebemos de DEUS o, enorme e glorioso, privilégio da
SALVAÇÃO ETERNA.
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10. BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.
Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil.
02, CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ. Erickson, Millard J. JUERP,
1991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
04, DOUTRINAS, 1. Novas Edições Líderes Evangélicos. 1a Edição, 1979, São Paulo, SP,
Brasil.
05, ESBOÇO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA. Langston, A. B. JUERP, 8a Edição,
1986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
06, MINIDICIONÁRIO AURÉLIO. Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Editora Nova
Fronteira, 1a edição, 6a impressão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Parte – I
Estudo sobre a Teologia de DEUS,
Estou apresentando aqui um pequeno trabalho sobre Rudolf Bultmann e suas
teorias. É claro que não está exposto tudo o que o teólogo alemão escreveu,
porém, procurei esboçar o que me foi possível de seus materiais, contendo suas
idéias principais e métodos hermenêuticos.

Procurei também apresentar aqui uma crítica conscienciosa à Rudolf Bultmann,


pois, apesar dele ter sido um teólogo controverso, não deixa de ocupar seu papel
de importância e destaque na Teologia Contemporânea, alcançando assim,
apesar de tudo, o nosso respeito pelos seus escritos. Sendo assim, vi também, no
âmago de suas doutrinas, um desejo sincero em tentar mudar o cristianismo de
sua época, com o objetivo de tirá-lo da teoria e colocando-o na prática. Talvez, os
escritos de Bultmann sejam como uma voz desesperada do homem moderno, que
está a clamar, dizendo: ―ONDE ESTÁ DEUS, AFINAL DE CONTAS?‖

I. RUDOLF BULTMANN
Nasceu em 20 de agosto de 1884, em Wiefeldstede em Oldenburgo, Alemanha, e
seu pai era um ministro evangélico. Bultmann passou sua carreira inteira no
mundo acadêmico. Ensinava em Marburgo desde 1912 até 1916; depois foi
catedrático assistente em Breslau até 1920. Por muito pouco tempo, tinha a
posição de catedrático em Giessen, e voltou para Marburgo em 1921, onde
permaneceu até sua aposentadoria em 1951. Não foi um ativista político, mas
apoiou a Igreja Confessional durante a era de Hitler.

Estudioso enciclopédico, conhecia muito sobre o judaísmo, Antigo Testamento,


crítica bíblica, estudos neotestamentários, cultura clássica, teologia histórica,
ciência moderna, teologia contemporânea e religiões mundiais. Pertence à ala
radical da crítica bíblica germânica.
Bultmann revelou decididamente a sua posição e sintetizou-a na conferência
intitulada ―O Novo Testamento e a Mitologia‖, proferida em 1941, em Alpirsbach,
Alemanha, para a Sociedade de Teologia Evangélica. Fala dos evangelhos como
sendo a ―teologia da igreja‖.

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II. O TOTALMENTE OUTRO
O corpo bultmaniano é um corpo impressionante de livros e artigos, sendo que
boa parte dele é dedicada a uma exegese altamente técnica do Novo Testamento.
A desmitologização, proposta por Bultmann, trata do problema especial de
procurar perceber a proclamação do N.T. no contexto do quadro mítico do mundo
no século I, e indicar como este quadro mítico do mundo não é necessário ao
modo específico de entender a existência expressada ali.
A ação de Deus está oculta a todas as vistas, exceto aos olhos da fé. Somente os
acontecimentos chamados naturais, profanos (mundanos), são visíveis a todos os
homens e suscetíveis de verificação. Em Crítica da Razão Pura, Immanuel Kant
(1724-1804) sustentava que o único conhecimento disponível à humanidade é o
que podemos perceber pelos sentidos. Ele não abria espaço à possibilidade do
conhecimento revelado ou sobrenatural. A confissão de fé no Deus criador não é
uma garantia, dada de antemão, que me permita atribuir qualquer acontecimento à
vontade de Deus. Crer assim, segundo Bultmann, é panteísmo. A fé que fala de
Deus como ato não pode defender-se contra a acusação de ser uma ilusão. A
idéia do Deus Onipresente e Todo-Poderoso só se faz real em minha existência
pessoal por sua Palavra, pronunciada aqui e agora. Por conseguinte, devemos
afirmar que a Palavra de Deus só é o que é no instante em que é pronunciada. A
Palavra de Deus não é um enunciado atemporal, senão uma palavra concreta
dirigida aos homens aqui e agora. Podemos, pois, dizer em conclusão que o
panteísmo é, certamente, uma convicção prévia, uma visão geral do mundo, que
afirma que todo acontecimento que se produz no mundo é obra de Deus, porque
Deus é imanente ao mundo. (Paulo, então, foi panteísta? Rm. 1:20) Jesus
concebia o advento do reino de Deus como um tremendo drama cósmico. A
primitiva comunidade cristã entendeu o reino de Deus no mesmo sentido que
Jesus. Ela também esperava o advento do reino de Deus imediatamente. Mesmo
Paulo pensava estar ainda vivo quando chegasse o fim deste mundo e os mortos
ressuscitassem. O cristianismo tem conservado sempre a esperança de que o
reino de Deus virá em um futuro imediato, ainda que o tenha esperado em vão.
Podemos citar, assim, Marcos 9:1, cujas palavras não são autênticas de Jesus,
senão que lhe foram atribuídas pela comunidade primitiva.

Os mitos atribuem uma objetividade mundana a aquilo que é não-mundano. Em


geral, a ação de Deus na natureza e na história permanece tão oculta ao crente
como ao não-crente. Esta esperança de Jesus e da primitiva comunidade cristã
não se cumpriu. Existe ainda o mesmo mundo e a história continua. O curso da
história tem desmentido à mitologia. Porque a concepção do reino de Deus é
mitológica, como o é a do drama escatológico.
O sistema, repudiado por Barth nos seus anos posteriores, é precisamente o
sistema ao qual Bultmann adere com toda a força: uma ―afirmação da ‗diferença
qualitativa infinita‘ entre o tempo e a eternidade nas suas várias implicações
negativas e positivas‖.
Conforme indica Ogden, Deus é a realidade que infinitamente transcende tudo o
que, paradoxalmente, está ao mesmo tempo relacionada com todas as coisas.
Porque Ele é o totalmente Outro, porém, nada na natureza ou na história – nada,
por exemplo, que o homem é ou faz – pode diretamente revelar a Deus. Nas
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palavras do próprio Bultmann: ―Deus é o Criador, i.é., não está imanente nas
ordenanças do mundo, e nada que se encontra conosco como fenômeno dentro
do mundo é diretamente divino‖. A fé cristã somente pode dizer: ―Creio que Deus
atua aqui e agora‖, mas Sua ação é oculta, porque não é diretamente idêntica ao
acontecimento visível. Ainda não sei o que Deus faz, e talvez nunca chegue a
sabê-lo, mas creio firmemente que é importante para minha existência pessoal e
devo perguntar-me o que é que Deus me diz. Talvez me diz tão somente que devo
sofrer em silêncio. Toda a concepção do mundo que pressupõe tanto a pregação
de Jesus como o N.T., é, geralmente, mitológica, por exemplo, a concepção do
mundo como estruturado em três planos: céu, terra e inferno; o conceito de
poderes sobrenaturais no curso dos acontecimentos e a concepção dos milagres,
especialmente a idéia da intervenção de uns poderes sobrenaturais na vida
interior da alma, a idéia de que os homens podem ser tentados e corrompidos pelo
demônio e possuídos por maus espíritos. A esta concepção do mundo,
qualificamos de mitológica, porque difere da que tem sido formada e descoberta
pela ciência, desde que esta se iniciou na antiga Grécia, e logo foi aceita por todos
os homens modernos. Em todo caso, a ciência moderna não crê que o curso da
natureza possa ser interrompido ou, por assim dizer, perfurado por uns poderes
sobrenaturais. Bultmann chega a nos perguntar se por acaso temos lido alguma
vez que os acontecimentos políticos, sociais ou econômicos sejam ocasionados
por uns poderes sobrenaturais como Deus, os anjos ou os demônios!

O homem moderno já não pode aceitar estas concepções mitológicas de céu e


inferno, porque, para o pensamento científico, falar de ―acima‖ e ―abaixo‖ no
universo tem perdido toda a sua significação, ainda que a idéia da transcendência
de Deus e do mal segue sendo significativa.

Podemos acreditar que Deus estava operante num evento, mas não podemos
demonstrar a realidade de Deus mediante um apelo àquele evento. A história,
como a natureza, é uma continuação fechada de causas e efeitos, onde até
mesmo os motivos humanos são suscetíveis à explicação causal. Bultmann
assevera ainda que: ―Este aspecto fechado significa que a continuidade dos
acontecimentos históricos não pode ser rompida pela interferência de poderes
sobrenaturais e transcendentes, e que, portanto, não há ‗milagre‘ neste sentido da
palavra. Semelhante milagre seria um evento cuja causa não se achasse dentro
da história. Ao passo que, por exemplo, a narrativa do A.T. fala de uma
interferência por Deus na história, a ciência histórica não pode demonstrar
semelhante ato de Deus, mas meramente percebe que há aqueles que crêem na
interferência.‖

Isso é igualmente válido pelo que se refere ao moderno estudo da história, o qual
não tem em conta nenhuma intervenção de Deus, do diabo ou dos demônios no
curso da história. Nada ocorre, por acaso, que não tenha uma motivação racional.
Naturalmente, subsistem ainda numerosas superstições nos homens modernos,
mas são exceções ou algumas anomalias.

A invisibilidade de Deus exclui todo mito que intente fazer visível a Deus e sua
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ação; Deus mesmo se esconde às olhadas e à observação. O homem que deseja
crer em Deus deve saber que não dispõe absolutamente de nada sobre o qual
possa construir sua fé, e que, por dizê-lo assim, está se apoiando no vazio.
O conselho de Bultmann, enfim, é que ―os que têm a visão moderna do mundo,
que vivam como se não tivessem nenhuma‖.

III. A DESMITOLOGIZAÇÃO
A linguagem do universo do N.T. é mítica. A essência do mito está em conceber o
supra-terreno e divino como se fosse terreno e humano. A Bíblia expressa o que o
autor crê, e não o que realmente aconteceu.

A linguagem do mito perde seu sentido mitológico quando serve para expressar a
fé. O que devemos fazer, para Bultmann, é interpretar essa mitologia. A teologia
tem diante de si a tarefa de reler o N.T., desmitologizando o mito. Este seria o
único caminho possível para a proclamação do N.T. Então, torna-se inevitável a
pergunta: é possível que a pregação de Jesus acerca do reino de Deus e a
pregação do N.T. em sua totalidade tenham ainda importância para o homem
moderno? Isso é sem sentido e impossível, para Bultmann. A pregação do N.T.
anuncia a Jesus Cristo, não somente sua pregação acerca do reino de Deus,
senão, antes de tudo, sua pessoa, que foi mitologizada desde o mesmo início do
cristianismo primitivo. O Próprio Jesus entendeu-se à luz da
mitologia. Seja como for, a comunidade primitiva o viu assim, como uma figura
mitológica. A proclamação cristã de hoje se encontra diante da pergunta se ela
espera do ser humano a aceitação da concepção mítica do universo passada,
quando o conclama à fé. Seria então a tarefa da teologia desmitologizar a
proclamação cristã. A concepção mítica do universo não é, como tal, nada
especificamente cristão, mas é simplesmente a concepção do universo de uma
época passada, ainda não moldada pelo pensamento científico. A primitiva
comunidade também considerava a pessoa de Jesus à luz da mitologia quando
diziam que havia sido concebido pelo Espírito Santo, que havia nascido de uma
virgem e que era o Filho de Deus de uma forma metafísica. Tais concepções são
manifestamente mitológicas, porque eram muito difundidas nas mitologias
anteriores dos judeus e gentios, e depois foram transferidas à pessoa histórica de
Jesus. Nenhum ser humano adulto imagina Deus como um ser existente em
cima, no céu; sim, o ―céu‖ no sentido antigo sequer mais existe para nós.
Tampouco existe o inferno, o mundo inferior, etc. Eliminadas estão assim as
histórias da ascensão de Cristo ao céu e descensão ao inferno. Eliminada está a
expectativa de um ―filho do homem‖ vindo sobre as nuvens do céu e do
arrebatamento dos crentes no ar, ao seu encontro. Para Bultmann, a revelação
vem em símbolos que devem ser decodificados. Usando o termo dele, devem ser
desmitologizados. O homem moderno não entende que ele esteja destinado a
sofrer o destino de morte de um ser natural, em consequência da culpa de seu
ancestral, pois é algo que não tem cabimento, porque só conhece a culpa como
ação responsável. É, pois, a Palavra de Deus a que chama o homem à verdadeira
liberdade, à livre obediência, e a desmitologização não tem outro objetivo que
aclarar esta chamada da palavra de Deus. Quer interpretar a Escritura
interrogando-se pelo significado mais profundo das concepções mitológicas e
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libertando a palavra de Deus de uma visão do mundo já superada.

A figura do Anti-cristo tal como nos é descrita, por exemplo, na Segunda Epístola
aos Tessalonicenses 2:7-12, constitui uma figura inteiramente mitológica.
Além da razão teológica para a desmitologização, há uma razão apologética. O
homem moderno pensa de modo científico, em categorias rigorosamente causais.
Através do conhecimento das forças e leis da natureza está eliminada a crença
nos espíritos e nos demônios.

A desmitologização adota como critério para a interpretação da Escritura a visão


moderna do mundo. Pois, a visão de mundo da igreja primitiva, é passada e
obsoleta. O homem moderno não aceita mais a mitologia como verdade, pois seu
pensamento foi modelado pela ciência e não tem nada de mitológico.

Quando uma apologética grosseiramente mal-orientada insiste na fé na realidade


dos mitos bíblicos ao invés da fé no significado subjacente destes mitos, está
colocando uma pedra de tropeço falsa no lugar do verdadeiro escândalo.
A mitologia é aquela forma de linguagem figurada em que aquilo que não é deste
mundo, aquilo que é divino, é representado como se fosse deste mundo, e
humano; ―o além‖ é representado como ―o aqui e agora‖.

É um método de hermenêutica, que procura extrair a noz da significância


compreensiva da casca de uma cosmovisão antiquada.

Seu alvo não é eliminar as declarações mitológicas mas, sim, interpretá-las.


A cosmovisão das Escrituras é mitológica e, portanto, inaceitável ao homem
moderno cujo pensamento tem sido formado pela ciência e que deixou, portanto,
de ser mitológico.

Para o homem de nosso tempo, a concepção mitológica do mundo, as


representações da escatologia, do redentor e da redenção, estão já superadas e
carecem de valor. Cabe esperar, pois, que realizemos um sacrifício do
entendimento, um sacrificium intellectus, para aceitar aquilo que sinceramente não
podemos considerar verídico – somente porque tais concepções nos são
sugeridas pela Bíblia? Ou bem temos que passar por alto os versículos do N.T.
que contêm tais concepções mitológicas e selecionar as que não constituem um
tropeço deste tipo para o homem moderno? Devemos abandonar as concepções
mitológicas precisamente porque queremos conservar seu significado mais
profundo. Um princípio hermenêutico adequado, o modo certo de fazer as
perguntas certas. É impossível restabelecer a concepção mítica do universo,
depois que o pensamento de nó todos foi irrecorrivelmente moldado pela ciência.
Não se nega que a cruz, que a Igreja proclama, seja um ―evento mitológico‖, mas
através deste evento – e somente através deste evento – Deus opera para salvar
o homem da sua vida de inautenticidade.

Considerada como evento salvífico, a cruz de Cristo não é, portanto, um


acontecimento mitológico; é um acontecimento verdadeiramente histórico, que tem
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sua origem num evento meramente histórico, na crucificação de Jesus de Nazaré.
Assim, Cristo foi crucificado ―por nós‖. Não no sentido de uma teoria de
―satisfação‖ ou de sacrifício vicário.
Podemos dizer então que Deus se ―demonstrou‖ a Si mesmo pelos ―feitos da
redenção‖? De maneira nenhuma. Porque o que nós chamamos feitos da
redenção são, por sua vez, objeto de fé, e somente podemos compreendê-los
pelos olhos da fé. Não podemos percebê-los fora da fé, como se esta, à
semelhança das ciências naturais, pudesse apoiar-se em dados acessíveis à
observação empírica. Certo é que os feitos da redenção constituem os
fundamentos da fé, mas somente enquanto são percebidos pela mesma fé.

É suficiente dizer que a fé nasce do encontro com as Sagradas Escrituras


enquanto Palavra de Deus, e que não é outra coisa que um simples escutar? A
resposta, segundo Bultmann é afirmativa, pois para ele, a Palavra de Deus está
―oculta‖ nas Escrituras.
Neste ponto o teólogo e pregador deve a si e à comunidade, bem como àqueles a
quem deseja atrair para a sua comunidade, clareza e sinceridade absolutas.

O que sobra quando as ―formas‖ são analisadas, aqueles segmentos solidificados


de matéria biográfica que a igreja primitiva criou visando propósitos de
propaganda? Virtualmente nada. Como resultado desta investigação, parece que
o esboço da vida de Jesus, conforme é fornecido por Marcos e adotado por
Mateus e Lucas, é uma criação editorial, e que, como consequência, nosso
conhecimento real do decurso da vida de Jesus é restringido ao pouco que se
pode descobrir nas cenas individuais que constituem a tradição mais antiga. Por
conseguinte, supor que a antiga visão bíblica do mundo pode ser atualizada, não é
mais que a formulação de um desejo. A desmitologização, com isto, invalida a
Bíblia.

A máquina cósmica passa a ser o único terreno legítimo da investigação humana,


pois além da máquina, nada podemos saber.

IV. MILAGRE
O homem moderno só reconhece como reais os fenômenos ou os acontecimentos
que resultam compreensíveis no marco da ordem racional do universo. Não
admite a existência de milagres, porque não se encaixam nesta ordem racional. O
homem moderno, assim, usa a ciência como resposta para tudo.
Porque, neste mundo, absolutamente nada de Deus e de Sua ação é ou pode ser
visível aos homens que andam buscando sua segurança neste mundo.
Quem pensa que se pode falar de milagres como se fossem acontecimentos
demonstráveis, suscetíveis de prova, peca contra a idéia do Deus que atua de
maneira oculta. O método crítico pressupõe que a história seja uma unidade
integrada de causa e efeito que não pode ser rompida pela ação de Deus. Em
função disso, não se pode constatar um milagre na história.

Somente posso falar do que Deus faz em mim aqui e agora, do que Deus me diz,
a mim mesmo, aqui e agora. Agora, temos de perguntar-nos de novo se é possível
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falar de Deus como ato sem incorrer em uma linguagem mitológica. Falar de Deus
como ato não significa falar dEle por meio de símbolos ou imagens. Porque
quando falamos assim de Deus como ato, concebemos a ação de Deus como
análoga às ações que têm lugar entre os homens. Pode-se objetar então que,
neste caso, o acontecimento da revelação de Deus é tão somente a ocasião que
nos proporciona uma compreensão de nós mesmos, e que esta ocasião não a
reconhecemos como uma ação que intervém em nossas vidas reais e as
transforma. Em uma palavra, a revelação não nos é reconhecida como um
milagre. Não se pode utilizar luz elétrica e aparelho de rádio, em casos de doença
empregar modernos meios médicos e clínicos, e simultaneamente acreditar no
mundo dos espíritos e dos milagres do N.T.

Para Bultmann, ao estudar milagre, deve-se diferenciá-lo em dois termos alemães,


os quais são: Wunder, que segundo o teólogo alemão é a autêntica ação de Deus,
e Mirakel, que para ele diz respeito à ação de Deus mitologizada. Para Bultmann,
Mirakel deturpa o reconhecimento da ação de Deus, pois é uma violação da
natureza. Neste sentido, ou seja, como violações das leis da natureza, é uma
maneira de julgar, pertencente a uma visão antiga de mundo e que não é mais
amplamente crida na era moderna. Em contraste, Wunder é um evento que
parece, objetiva e universalmente, ser consistente com o conhecimento das leis da
natureza e, ao mesmo tempo, perceptível pela fé como sendo um ato de Deus.

Bultmann diz que pode-se interpretar, em virtude de uma falsa concepção acerca
da onipotência, cada evento do mundo como sendo uma ação de Deus (Mirakel).
Desta forma, o conceito de Mirakel, para ele, desenvolve-se sendo concebido
como algo fora do nosso mundo. Já o conceito de Wunder, por outro lado, reflete
nossa experiência histórica, como aquela na qual nós próprios nos encontramos
surpreendidos por atos de amor e amizade.

Quando a ação divina é concebida como sendo produzida em um nível superior de


causalidade, Deus é concebido simplesmente como um homem que conhece e
que pode fazer mais do que todos os outros homens. Se estes puderem apenas
imitarem o método (como, por exemplo, fazem os mágicos), eles serão tidos como
possuidores da mesma capacidade. (Deus sendo colocado no mesmo grau de um
ilusionista)
A idéia de Mirakel tornou-se, pois, insustentável e deve ser abandonada. Mas, seu
abandono é também exigido porque, em si mesma, ela não é uma noção da fé,
mas uma noção puramente formal. Como se sabe, os Mirakel‘s podem ser úteis
ou inúteis, desejados ou temidos. Da mesma que há uma magia negra e uma
branca, os Wunder‘s podem ser realizados por Satanás ou por Deus, por bruxos
ou profetas. A casualidade ―superior‖ pode ser divina ou demoníaca e o Mirakel
não permite, por si mesmo, descobrir se ele procede de Deus ou do demônio.

Nenhum argumento contrário pode ser baseado sobre o fato de que na Bíblia os
eventos são narrados como devendo ser denominados de Mirakel. Este fato torna
meramente necessário o uso do método crítico que mostra que a idéia de Mirakel
não foi vista de maneira conseqüente pelos escritores bíblicos – de acordo com as
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pressuposições de seu pensamento – e que o seu abandono não implica o
abandono da autoridade da Escritura.

A fé está inquestionavelmente relacionada com o Wunder, desde que ―Wunder‖


signifique a ação de Deus distinta da sequência dos eventos no mundo natural.
Assim, se o caráter específico de Wunder é o de designar a ação de Deus, distinta
dos eventos do mundo natural, e se estes não são concebidos por nós senão
como submetidos às leis, então a noção de Wunder contradiz absolutamente
aquela de natureza e eu elimino a idéia de natureza quando falo de Wunder.

Na verdade, fé em Deus e fé no Wunder são, essencialmente , a mesma coisa.


(Então, Deus é só uma força ativa?)

O Wunder não pode, em nenhum sentido, ser um evento do mundo constatável


em qualquer lugar e de qualquer maneira que o seja, pois neste caso eu o
separaria de Deus e o compreenderia como mundo. Deus, com efeito, não é
constatável.
A fé é fé justamente em oposição à visão, em contradição expressa com tudo o
que eu vejo; a fé no Wunder deve, também, estar em contradição expressa com
tudo o que eu vejo no mundo. (E o caso de Jesus e de Tomé?)

Porque pedir um sinal é característico dos judeus? (I Co. 1:22) Porque essa
atitude revela a própria essência natural da impiedade deles, a saber, o esforço na
busca de ―sua própria justificação‖. Eles avaliavam a si mesmos por aquilo que
eles foram, e estimavam os outros pelo que estes realizavam. E como eles
desejavam se justificar a si mesmos diante de Deus através de suas
obras, assim, Deus deveria se justificar a si mesmo diante deles através de Suas
obras. O Mirakel é uma tradução desesperada do saber ocultar nossa queda no
passado, é uma maneira primitiva, obscura de dizer que se compreende a ação de
Deus em Sua oposição a todos os eventos e a todos os atos mundanos. Vê-se
que cada ato escatológico, cada ato de fé e de amor, cada uma das ocupações
familiares, profissionais, cívicas, etc., do cristão – contanto que sejam em si
realizadas subordinando a ―idéia de trabalho‖ à ―idéia de fé‖ – é um Wunder.

V. O JESUS DESMITOLOGIZADO DE BULTMANN


O que Deus fez em Jesus Cristo não constitui um feito histórico suscetível de ser
provado historicamente. O historiador objetivante, como tal, não pode constatar
que uma pessoa histórica (Jesus de Nazaré) seja o Logos Eterno, a Palavra. É
precisamente a descrição mitológica de Jesus Cristo no N.T. o que nos mostra
claramente que a pessoa e a obra de Jesus Cristo devem ser compreendidas
segundo um ponto de vista além das categorias com que o historiador objetivo
compreende a história universal, se é que a pessoa e a obra de Jesus Cristo deve
ser entendida por nós como obra divina da redenção.

A revelação de Deus em Cristo como fato concreto na história não é de relevância


para Bultmann. O Kerygma e a história concreta não têm muito a ver um com o
outro e, assim, a fé não precisa da história. Há um desinteresse pelo histórico.
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Para ele tudo se concentra no Cristo kerygmático como evento escatológico
presente.

Bultmann pergunta se o acontecimento de Cristo não é um resto mitológico a ser


eliminado? A compreensão cristã do ser que se adquire através da fé em Cristo
não poderia ser obtida sem o N.T.? Recorrer à cruz do Jesus histórico seria válida
apenas para os primeiros discípulos, para nós trata-se de um evento do passado e
como tal não é mais um evento de nossa própria vida.

Cristo, em Bultmann, não tem história. Este somente é real na proclamação, pois
do Jesus histórico pouco podemos saber. Com isto, Jesus é valorizado pelo
teólogo alemão como talvez uma parábola!

Crer na cruz não significa que vemos um evento mitológico que se realizou num
mundo externo. Significa que aceitamos a cruz de Cristo, como nossa própria
cruz, permitindo-nos crucificar com ele. A própria ressurreição é objeto de fé. A
ressurreição não deu origem à fé, durante aquele período de quarenta dias, mas a
fé é que originou a ressurreição.

Jesus Cristo, como o filho de Deus, uma figura mítica na qualidade de ser divino
preexistente, é simultaneamente um determinado ser humano histórico, Jesus de
Nazaré. Bultmann, pessoalmente, acha que Jesus não afirmou ser o Messias. E
se fosse, o pensamento da morte, segundo Bultmann, não é tão acabrunhador
para quem sabe que após três dias terá de ressurgir!

A historicidade da vida de Jesus, conforme é descrita no quarto evangelho, é, na


opinião de Bultmann, de bem pouco valor. A Cristologia de Paulo e de João foram,
em particular, orientadas por esse mito gnóstico.

A palavra me diz que a graça de Deus é uma graça prévia, que já atuou em meu
favor, mas não de tal maneira que eu possa voltar-me para vê-la como um
acontecimento histórico do passado. Pois, a Palavra de Deus só é Palavra de
Deus quando acontece aqui e agora. Assim, o ser humano vive no pecado quando
deixa-se seduzir pelo invisível e pelo disponível. Para Bultmann, o pecado, em sua
essência, não é uma questão moral, é rebelião e reivindicação diante de Deus,
permanecendo escravo da vida inautêntica.

Não há nenhum meio de nos livrarmos do passado. Com efeito, nós não podemos,
enquanto seres temporais, ser livres do passado de tal maneira que ele pudesse
ser, pura e simplesmente, cancelado e ignorado; de tal maneira que pudéssemos
receber qualquer coisa como uma nova natureza – se pudéssemos recebê-la,
certamente não poderíamos nos manter nela. Nós sempre
chagamos no nosso momento presente a partir e com o nosso passado. Pois, nós
não somos plantas, animais ou máquinas, e nosso presente é sempre qualificado
pelo nosso passado. A questão crítica é saber se o nosso passado nos é presente
como manchado pelo pecado ou como perdoado. Assim, o Wunder de Deus é o
perdão.
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Todo Wunder não é jamais visível senão em virtude do único Wunder do perdão.
Ora, o perdão não é um ato do passado: eu não o tenho como perdão senão
enquanto o tenho como uma posse sempre renovada.

No N.T., os Wunder‘s são registrados como tendo a característica de Mirakel,


principalmente os Wunder‘s de Jesus. Da mesma forma, se todos eles foram
historicamente estabelecidos, é ainda verdade que como obras de um homem no
passado, não concernem diretamente a nós em coisa alguma. Sob esta relação
eles não são a obra de Cristo, se nós entendermos por obra de Cristo a obra da
salvação. Cristo também distribuiu preceitos, mas isto não é seu principal ofício,
mas sim um ofício acidental.

Por essa razão, no âmbito dessa discussão, os ―Wunder‘s de Jesus‖ estão


inteiramente abertos à investigação crítica, pois eles são eventos do passado.
Nada impede de explicá-los como obra do diabo (Mc. 3:22), ou como atos pelos
quais Jesus se justifique (Mc. 8:11 ss.) e em virtude dos quais querem torná-lo rei
(Jo. 6:14 ss.), ou como meios utilizados para a garantia de sua própria vida (Jo.
6:26).

Não podemos entender a doutrina da satisfação propiciatória através da morte de


Cristo, porque, como pode minha culpa ser expiada pela morte de um inocente (se
é que se pode falar de alguém assim)? Que mitologia primitiva que um ser divino
feito ser humano expie através de seu sangue os pecados dos seres humanos! Ao
crermos no evento da morte e ressurreição de Cristo nos é dada a possibilidade
de compreensão de nós mesmos. (e isto seria a salvação?)

A escatologia mítica está eliminada, fundamentalmente pelo simples fato de que a


parousia de Cristo não ocorreu muito em breve, como o N.T. o aguardava. Assim,
aplicar a idéia de revelação à personalidade de Jesus, seria tão absurdo quanto
aplicar a idéia de criação ou de Wunder ao mundo visto como natureza.

Na verdade, que é este Jesus apresentado por Bultmann? Talvez um ―gurú‖


apaixonado e confuso da contracultura, que foi recriado à imagem dos homens
que o reinterpretaram.

VI. DESMITOLOGIZAÇÃO: PROPOSTA AO EXISTENCIALISMO

Segundo a desmitologização bultmaniana, a palavra de Deus exorta o homem a


que renuncie o seu egoísmo e à ilusória segurança de que o mesmo tem
construído. O exorta a que se volte a Deus, que está mais além do mundo e do
pensamento científico. O exorta, ao mesmo tempo, a que encontre o seu
verdadeiro eu. Porque o eu do homem, sua vida interior, sua existência pessoal,
se encontra realmente mais além do mundo visível e do pensamento racional.

O saber a respeito de sua autenticidade já torna o ser humano capaz de atingi-la.


Sua autenticidade é aquilo que ele, embora não o realize permanentemente, pode
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a qualquer momento realizar. Assim, para Bultmann, o Espírito Santo não é uma
pessoa, nem um poder que invade a nossa vida, nem é possessão dos crentes;
antes é a ―possibilidade efetiva da nova vida‖. Para ele, a fé genuína em Deus é
existencial, não uma realização por meio do nosso próprio esforço.

O mito não pretende ser interpretado cosmologicamente, mas antropologicamente


– melhor: de modo existencialista. Para Bultmann os fatos históricos do passado
devem ser abordados em atitude existencial. O conjunto de acontecimentos
históricos somente é compreendido mediante a participação existencial do sujeito.
Assim, Bultmann relaciona a interpretação da história com a interpretação
existencialista. Para ele, história e historicidade diz respeito a um fato histórico do
passado que pode ser observado pelo historiador neutro. A historicidade é a
significação histórica
de um texto para mim. A criação, a redenção ou a ressurreição estão inseridas no
âmbito da historicidade, pois somente podem ser compreendidas na dimensão da
fé. A crucificação já pode ser objetivada pela história, mas também ganha uma
significação historicista, quando tenho que crer nesta para a salvação.

Por conseguinte, tratamos de saber simplesmente que filosofia nos oferece, na


atualidade, as perspectivas e as concepções mais adequadas para compreender a
existência humana. Neste aspecto, creio que podemos aprender algo da filosofia
existencialista, porque a existência humana constitui o primeiro objeto que suscita
a atenção desta escola filosófica. A filosofia teria dado clareza última à
compreensão do ser que no N.T. estava encoberta pela roupagem mitológica. a
teologia seria desnecessária e até incômoda para a filosofia.

Para a filosofia existencialista, a existência humana só é autêntica no ato de


existir. Esta filosofia não pretende, nem de longe, garantir ao homem uma auto-
compreensão de sua própria existência pessoal, posto que semelhante auto-
compreensão de minha existência pessoal somente pode se dar nos instantes
concretos do meu ―aqui‖ e do meu ―agora‖. Ao não dar uma resposta à questão de
minha existência pessoal, a filosofia existencialista me torna pessoalmente
responsável dela e assim contribui a abrir-me a palavra da Bíblia. A fé cristã e o
amor não são grandezas misteriosas e sobrenaturais, mas são posturas
autênticas humanas.

A afirmação de que a existência do homem possa ser analisada sem levar em


conta sua relação com Deus, pode ser qualificada de decisão existencial, mas
esta eliminação não procede de uma preferência puramente subjetiva, senão que
se fundamenta na intuição existencial segundo a qual a idéia de Deus não se acha
a nossa disposição quando construímos uma teria da existência humana.

A afirmação de que Deus é criador não pode ser um enunciado teórico sobre Deus
como creator mundi em um sentido geral. Esta afirmação somente pode ser uma
confissão pessoal declarando que eu me compreendo a mim mesmo como uma
criatura que deve sua existência a Deus. Ademais, os enunciados que descrevem
a ação de Deus como uma ação cultual, e nos apresentam a Deus, por exemplo,
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oferecendo Seu Filho como vítima expiatória, não são legítimos, a não ser que se
entendam em um sentido puramente simbólico.

O fato de que a filosofia existencialista não leva em conta a relação entre o


homem e Deus, implica na confissão de que eu não posso falar de Deus como
meu Deus, vendo ao interior de mim mesmo. Minha relação pessoal com Deus
somente pode ser estabelecida por Deus, pelo Deus atuante que vem a meu
encontro em Sua palavra. (Descarta-se a revelação natural)

O idealista não entende como um PNEUMA, atuante como força natural, possa
atingir e influenciar sua postura psíquico-intelectual. Ele se sabe responsável por
si mesmo e não entende como no batismo de água lhe possa ser transmitido algo
misterioso, que então passaria a ser o sujeito de seus desejos e ações. Não
entende como uma refeição lhe possa transmitir força espiritual e como a
participação indigna na ceia do senhor possa acarretar enfermidade física e morte.

Isto significa que eu não posso alcançar a idéia de criação fazendo abstração de
minha existência e compreender, ―interpretar‖ qualquer coisa fora de mim como
sendo criação ou ação de Deus, mas que em efetuando essa idéia eu digo
primeiramente alguma coisa sobre mim mesmo. Eu ajo sempre e em todas as
situações como se eu mesmo fosse criador, e assim entendo a idéia de criação.

A idéia de Deus e a sua ação estão relacionadas, primariamente, com a minha


vida, com a minha existência, com o conhecimento de que esta existência é ímpia,
na qual eu não posso encontrar e nem ver a Deus. Essa idéia afirma que eu não
posso ver a Deus se Ele não se mostrar a mim por sua ação e que eu não tenho o
direito de falar dEle à minha maneira nem de ter, não importa o que, algo como
realizado por sua ação. (assim, Cristo como ação de Deus, fica inválido)
Francis Schaeffer disse que ―o sonho utópico do iluminismo pode ser resumido em
cinco palavras: razão, natureza, felicidade, progresso e liberdade. Era
absolutamente secular nas suas idéias. Os elementos humanistas que haviam
surgido durante a Renascença chegaram ao apogeu no iluminismo. Era o homem
partindo de si mesmo, absolutamente.‖

VII. DESMITOLOGIZAÇÃO: PROPOSTA HERMENÊUTICA


Para Bultmann, a desmitologização é um método hermenêutico, que resolve a
dificuldade do homem moderno de crer. Assim, na concepção de Bultmann, o
teólogo não pode dispensar a filosofia, procurando superara limitação da
hermenêutica tradicional historicista. As idéias de Schleiermacher, sobre o dado
em comum entre o autor e o leitor que é a humanidade de ambos, na
interpretação, é bem vinda a Bultmann.

Quando interrogamos a Bíblia, qual é o interesse que nos guia? Não há dúvida de
que a Bíblia é um documento histórico, e temos de interpretá-la segundo os
métodos da investigação histórica, isto é, temos de estudar sua linguagem, a
situação histórica de seus autores, etc. Mas, qual nosso verdadeiro e real
interesse? Temos de ler a Bíblia como se tratasse-se unicamente de um
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documento histórico, que nos serviria de ―fonte‖ para reconstruir uma época
passada? Ou então a Bíblia é algo mais que uma fonte histórica? Da minha parte,
creio que nosso interesse há de apoiar-se realmente em escutar o que a Bíblia
tem a nos dizer atualmente, e o que constitui a verdade acerca de nossa vida e de
nossa alma. (Então, o significado é formulado pelo leitor?)
A hermenêutica existencialista é a base para a compreensão bíblica, segundo
Bultmann. Para tal, ele usa uma investigação chamada de crítico-histórico formal
(por isto, dizem que Bultmann não despreza a hermenêutica tradicional). Bultmann
exclui dessa investigação o Evangelho de João. Na sua opinião este livro é por
sua natureza muito menos histórico que os outros evangelhos que o precederam.

Bultmann também usa o método das religiões comparadas. Ele tenta de vários
modos mostrar a existência de relações entre o N.T. e as religiões não cristãs,
como se a fé cristã seja resultado de vários conceitos religiosos. Para Bultmann é
impossível uma teologia (exegese) que seja livre de premissas. No mesmo
instante ele exige que ela esteja livre de preconceitos.

Pretender que uma exegese possa ser independente das concepções profanas é
uma ilusão. Então, o ponto de partida para o conhecimento de Deus seria
antropocêntrico. A filosofia, com isto, é competente para elaborar o quadro
conceptual. Esta não é tarefa da teologia. O intérprete precisa ter uma
compreensão prévia do assunto transmitido no texto e uma relação vital com o
assunto contido no texto, ou seja, a pré-compreensão, a participação do leitor na
vida humana o possibilita a interpretar a participação do autor. Isto acontece
quando o leitor é arrebatado pela história, podendo até mesmo se ver na história.
Deve haver então, uma identificação do intérprete com o autor, como um
sentimento de empatia. Bem, a filosofia como um dos meios para a interpretação é
bem vinda, mas, o grande problema é que Bultmann a coloca como a única base
para a exegese!

A crítica da visão mitológica do mundo peculiar da Bíblia e da pregação


eclesiástica, presta um valioso serviço à fé, porque a chama a uma reflexão
radical sobre sua própria natureza. Os textos não somente transmitem
informações, mas me revelam coisas que me dizem respeito.

O grande perigo é que, segundo Westphal, a teologia vista assim, poderia então
privilegiar uma outra figura da história contemporânea, em lugar de Jesus, com o
objetivo de compreender a existência humana.

VIII. CRÍTICA À BULTMANN

―Quais razões obrigatórias convencem um estudioso da estrutura de Bultmann de


que Deus, inescrutável e imprevisível, Fonte e Sustentador da realidade, agiu de
modo redentor num Homem cuja historicidade, é dúbia e cujo alegado significado
advém a nós através de uma neblina mitológica que somente a erudição
sofisticada pode penetrar? Bultmann, conforme as premissas dele, não pode
apelar a qualquer testemunho interno do Espírito Santo – outro conceito
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mitológico! Logo, se o homem moderno não quer ou não pode apelar a um
voluntarismo muito não científico, sua única alternativa é o ceticismo ou o ateísmo.
Então, Bultmann fica sendo um João Batista para o movimento de Deus-está-
morto.‖

O Dr. Herman diz que Bultmann repele todo acordo entre a fé e a ciência, em que
as consequências desta última sejam negadas ou não se conciliem com o
conteúdo daquela. A interpretação da obra redentora de Deus, apresentada por
Bultmann, segundo o Dr. Herman, não se orienta pelo N.T., e sim por uma filosofia
praticamente atéia. Porém, os quatro primeiros dez mandamentos transmitidos a
Moisés (Êx. 20:1-17) referem-se ao relacionamento da humanidade com Deus.
Eles mandam aceitar o nosso lugar de criaturas de Deus.

Para Euler R. Westphal, Bultmann dá a primazia para a filosofia, pois esta


determinou sua produção teológica. Inclusive, ele procurou superar a estrutura
hermenêutica tradicional, não como teólogo, mas como filósofo da interpretação.
Assim, para Westphal, há um sentimento pastoral genuíno em Bultmann, mas, seu
método tem muita correlação com Paul Tillich. Westphal diz ainda que Bultmann
criou uma ―religião racionalista‖.

O problema é que em Bultmann, toda a história da revelação se limita àquele


momento em que o ser humano aceitou o presente da graça de Deus através da
palavra da pregação. Assim, a história salvífica é resumida num ponto qualquer no
tempo. A hermenêutica de Bultmann, para Westphal, torna-se inadequada quando
estreita a compreensão do ser humano e reduz a teologia a um universo
conceptual filosófico sem fundamento histórico.

Bultmann, faz da sua concepção de ciência e da crítica histórica um princípio de


interpretação, tornando a ciência, em alguns casos, objeto de fé e juíza da
Escritura.
O grande problema desta hermenêutica antropocêntrica de Bultmann, é que é
prejudicial a toda criação de Deus, pois este tipo de religião onde o homem é o
centro, acaba desrespeitando as demais criaturas de Deus, pois desta forma, os
cristãos encaram os seres humanos como o ponto alto da criação, pois só eles
foram criados à imagem de Deus, e acabam com isto, até mesmo prejudicando os
demais seres (Pv. 12:10).

Que dizer da idéia de que Deus está totalmente separado da natureza, ou seja,
que Ele é o totalmente outro? Certamente Deus se apresenta na Bíblia como um
ser independente e diferente da sua criação. Ele não faz parte da terra, e a terra
não faz parte dEle. Mas Ele está sempre aqui – distinto, mas não separado do
mundo.
Na verdade, as pessoas da Bíblia passam bem mais tempo fugindo de Deus do
que buscando a Deus ―lá em cima‖. Ao longo de toda a Bíblia, Deus surge
incessantemente em todo lugar, sobretudo nos locais menos previsíveis.

Deus no N.T. é o oposto daquela figura distante, alheia ao planeta, como ensinado
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na desmitologização. Ele se envolve intimamente com esta terra, até as últimas
consequências. Em Jesus, Deus se torna um de nós, o Criador que por vontade
própria ―se fez carne, e habitou entre nós‖ (Jo. 1:14).

Agora, a questão primordial passa a ser: quando e onde na história da cultura


ocidental ocorreu tal separação entre Deus e o mundo, para que as pessoas
começassem a conceber um universo livre da participação ativa do Criador? A
resposta está em que o cristianismo sempre segui-se crendo na presença atuante
de Deus no mundo, mas, logo as portas da mente ocidental foram fechando-se, ao
girar nas dobradiças bem lubrificadas da grande Máquina universal. Nova visão de
mundo, centralizada no homem e baseada na razão natural, espalhava-se pela
Europa, depositando toda confiança nas observações e conclusões empíricas de
seres humanos racionais e imperfeitos.
Bultmann faz parte de uma sociedade de iluministas – doutos e intelectuais
radicais, que propõem-se a executar a tarefa de secularizar a vida e vedar as
portas do universo diante da interferência divina. Se todas as coisas podem ser
compreendidas pela razão humana, se o miraculoso (Mirakel) não existe, se não
existe nenhum Deus vivo e ativo nas questões humanas, então a fé cristã não
passa de uma risível superstição. Se a humanidade é a medida de todas as
coisas, como o existencialismo bultmaniano prega, então um Deus pessoal que
pode interferir no progresso humano – e pode recriminar os homens por esse
progresso – não é somente um problema filosófico, mas um estorvo irritante. Na
verdade, Bultmann apoia o deísmo. Deus foi deportado do universo e entronizado
como um criador benévolo, necessário para colocar o mundo em funcionamento,
mas dispensável ao andamento das coisas daí em diante.
Wayne W. Carley, falando sobre a pesquisa científica da religião, nos assevera
que, ―na verdade a própria religião, e não a ciência, é ameaçada pela introdução
da religião nas aulas de ciência. O evolucionismo pode resistir e certamente
resistirá à investigação científica ao longo do tempo. Mas a própria verificação de
crenças religiosas como o criacionismo num ambiente científico destrói o
fundamento da religião: a fé. Colocar uma crença religiosa sob análise científica,
que exige provas materiais, corrói a fé essencial à crença‖.

Bultmann diz que ciência e fé são excludentes, porém, a história nos mostra que
os primeiros cientistas europeus, como Copérnico, Kleper e Galileu, eram cristãos
devotos que encaravam a ciência como uma forma de conhecer e glorificar a
Deus. Eles acreditavam que a natureza e as Escrituras eram igualmente uma
revolução divina; ambas eram necessárias para compreender melhor o Criador.
Agora, com todo o respeito ao Dr. Bultmann, prefiro ouvir os cientistas, não pela fé
que tinham, mas por que são pessoas mais confiáveis dentro da ciência para falar
sobre ciência! Galileu não via a necessidade de uma ruptura entre ciência e
teologia, pois Deus é o Autor dos dois livros – da natureza e das Escrituras.

Rudolf Bultmann deveria ser avisado que se a ciência só lida com o mundo
material, não é justo que faça declarações sobre o mundo imaterial. Ao fazê-lo, os
cientistas jogam nos dois times ao mesmo tempo, alegando que um time tem de
abandonar a disputa por não Ter aparecido para jogar (I Co. 2:13,14). Certamente
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há aspectos da fé cristã que não podem ser colocados na lâmina do microscópio,
pois a ciência é um instrumento poderoso – mas não dá todas as respostas.

Bultmann diz que o N.T., na verdade, é a declaração mitologizada dos homens,


isto é, suas palavras não descreveram a realidade do que estavam vendo, eram
como se fossem etiquetas falsas penduradas em situações reais. Em Através do
Espelho, Alice encontra Humpty Dumpty sentado no seu muro, correndo o risco de
cair lá de cima. Durante a confusa conversa que se segue, Humpty Dumpty diz:
―Isso é glória para você!‖ – e explica o que ele quer dizer: ―Isso é para você um
belo argumento irrefutável‖. Alice protesta, dizendo que ―glória‖ não que dizer ―um
belo argumento irrefutável‖. Humpty Dumpty retruca: ―Quando uso uma palavra,
ela significa exatamente o que quero que signifique – nem mais nem menos‖.
Desta forma, parece que os escritores da Bíblia estavam como o Humpty Dumpty,
mas, mesmo que as palavras pudessem significar o que eles escolhessem, se
eles e nós não concordarmos sobre os significados, não podemos sequer travar
uma conversa.

Joguemos limpo com as evidências, Tomé não foi convidado a contemplar uma
visão de Jesus entre as nuvens. Jesus lhe ofereceu dados – a melhor prova, o seu
próprio corpo – e desafiou Tomé a avaliá-lo por si mesmo. Jesus, de fato,
bendisse as pessoas que nEle creram sem jamais ver o seu corpo ressurreto. Ele
fala, aqui, da maioria dos milhões de pessoas que nEle creram. Mas, esses
milhões, tiveram outros tipos de provas! Assim, os cristãos que conhecem a Deus
e crêem na Bíblia, podem ter confiança absoluta de que toda verdade é verdade
de Deus, e de que ele exprimiu essa verdade na Bíblia e em toda a criação.

Até as leis da ciência natural estão sendo revolucionadas por novos paradigmas!
Quando a fronteira entre a realidade física e a realidade virtual é indefinível,
quando Gary Kasparov diz que o computador Deep Blue passou a jogar xadrez
como se pudesse pensar, então a contradição se tornou a norma. Se as coisas
são assim no mundo da tecnologia, por que não o seriam no místico mundo da
religião?

Antes de ponderar se o cristianismo é verdadeiro ou não, temos de perguntar:


será que queremos que seja verdadeiro? Aceitá-lo é aceitar a possibilidade de que
a minha vida precisa mudar, e convidar Deus a operar as mudanças. Aqui o
intelecto pode entrar em conflito com a vontade.
descobrimos que não basta aceitar mentalmente certos fatos como verdadeiros.
Mas, precisamos seguir esses fatos até uma Pessoa, e depois seguir essa Pessoa
até o fim.

O que ocorreu com Bultmann não é o desejo de descobrir a verdade; é um


preconceito filosófico contra o que a Bíblia diz objetiva e claramente. Primeiro ele
determinou o que os livros do N.T. não poderiam ter dito (que Jesus operou
milagres, ressuscitou, alegou ser o Filho de Deus), depois enquadrou na categoria
de mitologização as declarações que não se ajustam aos seus preconceitos.

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Quando nós, cristãos, alegamos que a nossa fé é verdadeira, queremos dizer
mais do que simplesmente o fato de o nosso livro apresentar com exatidão as
verdades a respeito de Jesus. Queremos dizer que nosso Senhor é real e vivo,
não um símbolo, uma lenda ou um herói morto (I Co. 15:17). Bultmann retruca que
no tempo de Jesus as pessoas não se guiavam por princípios científicos: eram
ingênuas e preparadas para crer em milagres. Para refutar essa afirmação, basta
lembrar como os discípulos mais próximos de Jesus reagiram à primeira notícia da
sua ressurreição: embora fosse a sua maior esperança e o seu maior desejo, não
acreditaram (Lc. 24 e Jo. 20). Eles
sabiam tanto quanto nós que pessoas que sofrem a morte por tortura não
ressurgem vivas e sãs depois de permanecer sepultadas por três dias.
Bultmann erra ao dizer que a humanidade é a medida de todas as coisas, como se
a reconciliação com Deus dependesse única e exclusivamente de nós, como se
tivéssemos condições de expiar o nosso pecado, aliás, o que Bultmann entende
de pecado é fora do comum! Algo está rompido no nosso relacionamento com o
Criador. Não estamos onde deveríamos estar em relação a esse Deus que nos
fez. Então, a pergunta crucial para todos nos é: o que é que esse Deus exige para
corrigir esse relacionamento? Como é que nós – qualquer um de nós, de qualquer
cor, língua ou passado religioso – podemos voltar para Deus? Nós acreditamos
que Deus revelou o que exige de nós. Primeiro, precisamos reconhecer que
somos responsáveis por esta separação, pois deliberadamente nos rebelamos
contra o nosso Criador. Não podemos reparar o dano. Não podemos – por mais
que queiramos, por mais que tentemos – consertar as coisas. Se de fato se fizer
algo a respeito dessa separação, quem terá de fazê-lo é o Deus Todo-Poderoso e
onisciente que ofendemos. Só podemos confiar naquilo que Deus
misericordiosamente realizou a fim de reparar as coisas (II Co. 5:19; I Pe. 2:24; Cl.
1:21,22).
IX. DESMITOLOGIZAÇÃO COMO UM DESPERTADOR À FÉ PRÁTICA
Podemos dizer que a paixão primária de Bultmann é comunicar o Kerygma, ou a
mensagem cristã, ao mundo do século XX. A fim de levar a efeito esta tarefa,
dedica-se, negativamente, à desmitologização das origens documentárias bíblicas,
ao passo que, positivamente, propõe uma análise existencial da proclamação do
Evangelho.
Apesar dos questionamentos e críticas à hermenêutica de Bultmann, Westphal
diz-nos que ela representa-nos um desafio, pois a teologia que está preocupada
com a proclamação, precisa ouvir o ser humano na sua situação concreta, na sua
auto-compreensão e na sua existência sofrida de miséria. O livro de Dale &
Sandy Larsen explica que existem questões referentes ao cristianismo, que
acabaram tornando-se em mitos. E isto, por causa de algumas ações errôneas de
alguns cristãos, que tomaram algumas atitudes desprovidas de sabedoria divina, e
estes mitos são:

1º. ―Os cristãos só sabem julgar os outros. Agem como sentinelas morais da
sociedade, e tentam censurar tudo, das artes à educação sexual‖.
2º. ―A igreja, ao longo dos séculos, sufocou a voz e os dons das mulheres,
tratando-as como seres de segunda classe‖.

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3º. ―A religião cristã é alienada do mundo natural. A Bíblia manda subjugar a terra,
e a cultura cristã ocidental tomou isso como permissão para explorar
danosamente a natureza‖.

4º. ―O cristianismo é anticientífico. A igreja ao longo da história reprimiu o


aprendizado em geral e a investigação científica em particular. Os cristãos
promovem até a pseudociência, tentando obrigar a ciência a se enquadrar numa
interpretação literal da Bíblia‖.

5º. ― Vejam os erros cometidos em nome do cristianismo – das Cruzadas aos


escândalos dos televangelistas‖.

6º. ―Os missionários cristãos forçam os povos indígenas a abandonar a sua


cultura. Os cristãos não respeitam o valor espiritual dos costumes e das religiões
nativas‖.

7º. ―Todas as religiões ensinam basicamente a mesma coisa, mas os cristãos


insistem em afirmar que a sua religião é a única verdadeira. Afirmam com
arrogância que Jesus Cristo é o único caminho até Deus. Isso pode valer para os
cristãos, mas não vale para as demais pessoas‖.

Poucos se ofendem quando os cristãos seguem um ―conjunto de diretrizes morais‖


pessoal e privado. É quando o tornamos público que incorremos em ―santa‖
indignação, e essa publicidade desmedida e impensada, acaba motivando alguns
a tentarem nos imaginar como religiosos cegos e mitologizados! Alguns cristãos
usam a clava da justiça moral uns contra os outros tanto quanto contra os não
cristãos. Vejo até mesmo a desmitologização de Bultmann, é claro que sem os
seus exageros, como que nos lembrando que a implicância com aspectos
exteriores sempre foi um modo cômodo de os cristãos driblarem as suas faltas
íntimas. Assim, vejo que existem tanto o Wunder quanto o Mirakel na vida cristã, e
ambos devem andar de acordo.

A maioria das pessoas concordavam que determinadas coisas eram certas e


outras, erradas, mas começavam já a perder de vista o por quê essas coisas eram
certas e erradas ou por que sempre haviam sido certas e erradas. Isto faz-me
lembrar de uma estória que vi na Internet, com o seguinte título: COMO CRIAR
UM PARADIGMA, e que dizia assim:

―Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro uma
escada, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas


lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo,
quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da
tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele
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fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o
surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a
escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro
substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi
trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi
substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem
nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse
chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em
quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ―Não sei, as coisas
sempre foram assim por aqui...

Vez por outra, questionemo-nos porque estamos batendo...‖

A desmitologização também nos desperta para o fato de que muitos cristãos


desperdiçam seus bens usando a fé como desculpa para a sua atitude negligente.
Li no livro ―Sete Mitos Sobre o Cristianismo‖ que um cristão, quando sendo
advertido sobre o cuidado com a ecologia, disse: ―Ecologia?, zombou o homem.
Por que, irmão? Tudo vai acabar no fogo mesmo...‖

Será que a Bíblia e um livro científico não podem ficar lado a lado numa estante
ou na mente humana perscrutadora? Ou será que sempre haverá
incompatibilidade e conflito? Muitos cristãos que militam nas ciências dizem que a
observação do mundo material os arrasta para a fé, não para longe dela. A
questão é que, a investigação científica legítima e a teologia honesta precisam
reconhecer as limitações do conhecimento humano.

Bultmann, de certa forma, também nos faz pensar sobre a vigilância na vida!
Principalmente se tratando de vigilância nos três sentidos deste termo, que são:
conservar, reservar e guardar. Se o termo ―mundo‖ no N.T. refere-se a ―este
mundo visível‖, devemos nos lembrar que a alma humana não se submete apenas
à matéria. Após a morte, todos saímos do corpo, do mundo (Sl. 89:48). E isto,
muitas vezes, nos gera temor que escraviza! ―Este mundo‖ é o mundo do que é
passageiro e da morte, que foi originado pelo pecado de Adão e Eva. A morte,
assim, não é própria da matéria, mas é própria do pecado (Rm. 6:23). Pelo pecado
de Adão e Eva não veio a necessidade da morte, mas a possibilidade da morte. E
é aqui onde Bultmann nos auxilia na advertência de que, se nós morremos através
da carne, então porque confiarmos na carne?
Mas, para Bultmann, o que realmente significa carne? Acertadamente ele diz que
é o visível, o que se toca, o disponível, o passageiro. Quando a carne tem poder
sobre mim? Quando ela se torna o fundamento da minha vida; quando vivo
―segundo a carne‖; quando deixo-me seduzir pelo visível, ao invés do invisível;
quando preciso de algo comprovável para minha segurança.
O teólogo alemão diz que nossa vida é marcada pelo ―preocupar-se‖, e com
alguns êxitos visíveis, acabamos confiando na carne. Esta consciência de
segurança cria, às vezes, o gloriar-se e, às vezes, com algumas derrotas visíveis,
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cria-se a ―ansiedade‖, e esta cria a ―desesperança‖. Porém, isto não condiz com a
realidade invisível, pois o visível não nos traz real segurança, pois a real vida do
ser humano é a invisível. O visível é disponível, mas é passageiro, e quem vive a
partir dele, está condenado a ser passageiro (Jo. 10:10). Do visível surge a
escravidão ao temor, a falsa sensação de que podemos perder tudo a qualquer
momento, é a incerteza do amanhã. Vida autêntica é a que vive além do visível,
renunciando a segurança autocriada e vivendo ―segundo o Espírito‖, é a ―vida na
fé‖ (Gl. 2:20). Tal vida só é possível a partir da fé na ―Graça de Deus‖, que é a
confiança no invisível. A ―Graça de Deus‖ é graça que perdoa pecados. O pecado
é o passado visível que nos prende, e a Graça é o futuro invisível que nos liberta.
Isto é fé conservadora: livrar-se, em Cristo, do passado visível, e abrir-se ao futuro
invisível conquistado por Cristo. Assim, a desmitologização lembra-nos da nossa
distância para com o ―mundo‖ e a ―carne‖, mostrando-nos a postura do ―como se
não‖ de Paulo (I Co. 7:29-31). A situação visível não pode nos dominar (Fp.
4:12,13). ―Andar em espírito‖, então, é não viver ―segundo a carne‖. É não viver só
o que vejo, mas o que não com os olhos carnais também, e principalmente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar de todos os exageros e erros de Bultmann, ele foi um teólogo de suma
importância para que pudéssemos repensar as bases da nossa fé. A
desmitologização foi um anseio científico por parte de Bultmann, mas também
pode ser uma maneira de revermos a nossa vida cristã, se é autêntica em Deus
ou se é apenas mera religiosidade infundada e materialista!
Enfim, examine a base da fé cristã. Não aceite apenas a versão de outra pessoa
qualquer, só por ouvir dizer, mas analise você mesmo a Bíblia. O que é que ela
ensina? Examine a credibilidade do cristianismo. Investigue as provas (Mirakel‘s e
Wunder‘s). há mais um passo a dar. Por mais que alguém estude e pondere o
cristianismo, há ainda a necessidade de tomar uma decisão pessoal – vou ou não
me entregar a essa Pessoa? Direi não apesar de todos os indícios, todas as
evidências? Ou depositarei a fé em Jesus, dedicando a vida a seguí-lo, não como
um grande mestre do passado, mas como o meu Salvador vivo, como o meu
Senhor? BIBLIOGRAFIA BULTMANN, Rudolf. JESUCRISTO Y MITOLOGÍA. 1ª.
Ed. em espanhol – Deciembre, 1970. Barcelona. Libros Del Nopal. Ediciones
Ariel, S.A.; BULTMANN, Rudolf. MILAGRE – Princípios de Interpretação do Novo
Testamento. São Paulo, SP. 2003. Novo Século; BULTMANN, Rudolf. RUDOLF
BULTMANN – Artigos Selecionados. Ed. Sinodal; GUNDRY, Stanley. TEOLOGIA
CONTEMPORÂNEA – Coleção Pensadores Cristãos. Vol. 6. 2ª. Ed. brasileira.
Fevereiro de 1987. São Paulo, SP. Mundo Cristão; LARSEN, Dale & Sandy. SETE
MITOS SOBRE O CRISTIANISMO – Uma Resposta Racional às Críticas que
Fazem ao Cristianismo. 1ª. Ed. brasileira, 2000. Ed. Vida; RIDDERBOS, Herman
N. BULTMANN – Pelo Dr. Herman N. Ridderbos. 1ª. Ed. Recife, 1966. CLEB;
WESTPHAL, Euler R. A QUESTÃO DA HERMENÊUTICA EM RUDOLF
BULTMANN. Vox Scripturae, 2003. Pp. 89-108

APOSTILA Nº. 08/300.000 MIL CURSOS GRÁTIS.

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Cristologia
Cristologia: Base da Teologia
Introdução

Parte I
Cristologia é a doutrina da Igreja acerca da pessoa de Jesus como o Cristo. O
autor do livro aqui apontado afirma que a Cristologia sempre ocupa lugar central
num sistema dogmático que reivindica ser cristão. Toda tentativa de remover a
Cristologia de seu lugar central ameaça o cerne da fé cristã. Quem quer que olhe
para Jesus, o Cristo, a partir da perspectiva do Novo Testamento, estará
inevitavelmente situado dentro de um quadro de referência teocêntrico. Todo o
ministério de Jesus era radicalmente teocêntrico.

Cristo é central tanto na ordem da criação quanto no âmbito da redenção. A fé


cristã vê no testemunho apostólico de Jesus, o Cristo, o critério final da verdade
acerca da natureza e identidade de Deus. Sendo assim, a própria pessoa de
Jesus é teocêntrica em si mesma.
O tipo de cristocentricidade que acompanhou a teologia da ―morte de Deus‖
mostrou ser errôneo. Mas, na verdade, surge daqui uma pergunta
importantíssima: sobre que Deus estamos falando na dogmática cristã? A
resposta dada no livro Dogmática Cristã é a seguinte: esse Deus não é a unidade
simples, solitária e auto-suficiente do monoteísmo radical. O Deus do cristianismo
clássico é, em contraste, aquele Um que, de modo antecedente, diferencia a
divindade como Pai, Filho e Espírito Santo e é revelado como tal na economia da
história e da salvação.
Originalmente, a doutrina da Trindade surgiu como produto da reflexão teológica
sobre a revelação de Deus na pessoa de Jesus, o Cristo. Assim sendo, esta
doutrina veio como necessidade de se explicar a realidade com a qual nos
deparamos quando Deus, na história, foi Se revelando. Mas, apesar desta
doutrina trinitária, o cristianismo é universalmente classificado como uma forma
monoteísta de crença. E isto, ao meu ver, é com razão!

NATUREZA E MÉTODO DA CRISTOLOGIA

Abriu-se este assunto no livro Dogmática Cristã, primeiramente explicando que


Cristologia é a reflexão da Igreja sobre a asserção básica de que Jesus é o Cristo
de Deus. Porém, como chegou-se a esta conclusão? Para responder a esta
pergunta, o autor do livro aqui mencionado, parte da grande pergunta: ―o que é
cristologia?‖ Ou melhor: o que realmente significa cristologia?
Iniciando o circuito da resposta, nos é dito que cristologia é a interpretação de
Jesus de Nazaré como o Cristo de Deus a partir do ponto de vista da fé da Igreja
cristã. ―Cristo‖ é um título, e não o segundo nome de Jesus. O título exprime a
identidade de Jesus de Nazaré, de acordo com o testemunho apostólico e a
tradição católica.
A experiência de fé em Jesus como o Cristo vivo significa que a cristologia é mais
do que reflexão crítica sobre quem era Jesus em sua experiência terrena. Foge
dos domínios da ciência. Jesus Cristo pode ser o objeto da fé porque não é
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meramente Jesus de Nazaré, uma figura histórica que viveu e morreu certa vez,
mas também o Cristo ressurreto e vivo que está presentemente corporificado na
comunidade dos crentes. Além de ser Ele o filho de José, é primordialmente o
Filho de Deus.
Sem a confissão de fé em Jesus como o Cristo, a cristologia poderia ser reduzida
a jesulogia. Assim como existem os kardecistas, os budistas, os confucionitas, os
marcionitas, etc. E além de tudo, fé não é um mero desempenho humano, uma
obra do intelecto, da vontade ou das emoções. Ninguém pode chamar Jesus de o
Cristo puramente como resultado de pesquisa científica histórica. Desta forma, o
autor do livro conclui que uma comissão de historiadores cientificamente
treinados, formada para encontrar fatos, não poderia provar que Jesus é o Cristo.

A afirmação da comtemporaneidade de Cristo significa que o Espírito Santo


atualiza a presença de Cristo através da fé, o lado recebedor de um
relacionamento pessoal real. O Espírito Santo é o poder para juntar agora a fé
pessoal e Jesus que é o Cristo vivo. É o Espírito que tira o Jesus histórico da
distância da história passada e o situa, como o Cristo vivo, no contexto existencial
do momento presente. Contudo, o Espírito Santo não atua de maneira direta, não
mediada. O Espírito é ouvido em, com e sob a pregação da Igreja. Não se põe o
Espírito Santo de Deus diante de um microscópio, ou numa mesa de pedra fria
para dissecá-lo, ou ainda diante de uma banca de teólogos, para que seja
pesquisado e catalogada a sua estrutura. Deus não se deixa escarnecer.

O retrato de Jesus, o Cristo, que anima a pregação da igreja não é moldado por
tais construções arbitrárias da imaginação, mas pelos credos e confissões
cristológicos da igreja. E isto, porque o dogma cristológico aponta para além da
igreja, assegurando que seu Senhor é o Cristo vivo corporificado em Jesus de
Nazaré, e não um mito a-histórico, um princípio metafísico, uma personalidade
religiosa ou um virtuoso moral.
O retrato autêntico do Cristo vivo é dado na Bíblia; tudo o mais é, na melhor das
hipóteses, alguma espécie de reprodução. Assim, a igreja sempre terá
necessidade de testar suas interpretações cristológicas referindo-se ao retrato
bíblico de Jesus, o Cristo. Este retrato, porém, é como um único instantâneo. É,
antes, como uma montagem de retratos esboçados por diversos artistas, de vários
ângulos e em épocas e lugares diferentes. Não se muda o quadro pintado por um
grande artista, pois este já deu seu último retoque e o assinou.

O texto o qual aqui está sendo apontado, comenta ainda no assunto cristológico,
sobre história, dogmática e fé. Ele afirma que o historiador, o especialista em
dogmática e o crente têm suas maneiras próprias de abordar o Jesus Histórico. E
assim, ao que parece, nos é mostrado que os três, unidos, podem ser de grande
validade para a busca de um melhor conhecimento sobre a pessoa de Jesus
Cristo. Como nota explicativa, o autor diz que, com ―Jesus histórico‖, ele designa
Jesus de Nazaré na medida em que pode ser feito objeto de pesquisa histórico-
crítica. Mas, logo ele nos lembra que a fé em Jesus como o Cristo não se baseia
nos resultados de tal pesquisa. O Jesus histórico não pode produzir a fé, mas a fé,
ao meu ver, pode ajudar na pesquisa histórica de Jesus. É tarefa da dogmática
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servir de ―advogado de defesa‖ para os crentes frente à heterônoma reivindicação
da ciência no sentido de fornecer os conteúdos ou legitimar o fundamento da fé.

No livro, o autor nos aconselha que é importante guardar uma distinção entre
dogmática e fé. O que é relevante para as construções construtivas do teólogo
não é necessariamente essencial para a existência ou mesmo para o bem estar
da fé. A fé pode existir muito bem sem estar a par da mais recente pesquisa, ao
passo que a dogmática não pode ignorar o contínuo processo e os resultados da
pesquisa histórico-crítica. A fé vive do testemunho a respeito de Cristo na
pregação da igreja e na mensagem das Escrituras. A dogmática é uma reflexão
crítica que continua na igreja em prol de uma compreensão mais madura da fé, de
seus fundamentos e conteúdos.
Um dos pontos em debate na teologia contemporânea diz respeito ao ponto de
partida correto da cristologia. Tradicionalmente, a cristologia era feita ―a partir de
cima‖. a cristologia procedia de maneira dedutiva, movendo-se da divindade
eterna de Cristo lá em cima para sua natureza humana cá em embaixo.
Quando o dogma cristológico foi posto na defensiva por seus críticos modernos,
fez-se a tentativa de salvar seu significado mediante uma concentração no Cristo
querigmático. Esta é uma maneira contemporânea de fazer cristologia a partir de
cima. contudo, não podemos dar-nos por satisfeitos em assumir o Cristo
querigmático como ponto de partida da construção dogmática.

Existe hoje em dia entre os teólogos um virtual consenso de que a cristologia deve
partir de baixo. Neste ponto reside o mais profundo significado da nova busca do
Jesus histórico. Mas, como sancionado em Dogmática Cristã, nem o dogma nem o
querigma são, de si mesmos, suficientes para fornecer a base e o conteúdo da fé.
Diz-se que há boas razões para exigir que a cristologia comece de baixo! Fato
este devido a que a cristologia se baseia no Cristo testemunhado pela fé
apostólica, e esse Cristo não é outro senão Jesus de Nazaré.

Porém, o perigo de começar a cristologia de baixo é que ela pode terminar numa
―cristologia baixa‖ sem utilidade para a fé cristã. ―Cristologia baixa‖, segundo o
autor, é definida como uma interpretação de Jesus que o trata como mero ser
humano. Ela converte a clássica categoria cristológica do ―verdadeiramente
humano‖ (vere homo) no ―meramente humano‖. Se assim for, como então
poderemos fazer uma cristologia confiável? Como conseguiremos usufruir de um
conhecimento sobre Cristo que nos ajude na fé e no conhecimento, sem o temor
de estarmos criando um cristo de laboratório?
Uma boa resposta, dada pelo livro Dogmática Cristã é que a reflexão cristológica é
um processo hermenêutico em que os movimentos ―a partir de cima‖ e ―a partir de
baixo‖ não são mutuamente excludentes, e sim dialeticamente relacionados numa
compreensão abrangente da identidade e do significado da pessoa de Jesus, o
Cristo. Esse processo de interpretação pode ser chamado de ―círculo‖ ou ―arco‖
hermenêutico.
Importante também é saber que, segundo o autor do livro, o pesquisador do N.T.
precisa achar nos ensinamentos de Jesus todas as sementes do desenvolvimento
cristológico posterior. Não atingir esse objetivo significaria que a cristologia perde
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suas origens no Jesus real da história.

Nesta busca sobre as sementes do desenvolvimento cristológico, encontra-se


alguns grupos distintos de pesquisadores. Primeiro: alguns eruditos localizam a
raiz da cristologia na automanifestação do próprio Jesus. Segundo: outro grupo de
eruditos localiza o dado central da cristologia no acontecimento histórico da
ressurreição de Jesus. Em terceiro lugar, há os que não fundamentam a fé
cristológica nem no Jesus terreno nem em sua ressurreição, mas tão somente no
querigma da igreja primitiva.
Para a dogmática, não há necessidade de jogar uma dessas linhas de
interpretação contra as outras. O Jesus histórico, o Cristo querigmático e o dogma
cristológico – estes três constituem a matéria da qual a cristologia é feita.

O JESUS HISTÓRICO E O REINO DE DEUS

Qual era a expectativa de Jesus acerca do reino de Deus? Na verdade, o ―reino de


Deus‖ era o tema central de toda a mensagem de Jesus! Reinado ou reino de
Deus, porém, era mais do que um conceito presente na mente de Jesus e
expresso em discurso. Era a força impulsora de toda a sua carreira. Tudo o que
Jesus realizava em palavra e ação era descrito como ―sinal‖ do reinado de Deus
em irrupção.

Mas o consenso dos eruditos se desfaz no momento em que começam a


descrever o significado do reino de Deus. Na teologia protestante do século XIX, o
reino de Deus era interpretado predominantemente em termos morais, quer
pessoais, quer sociais. Dois nomes que surgem apoiando esta interpretação foram
os de Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl.

O reino de Deus não virá como o resultado cumulativo de boas obras humanas e
do progresso histórico. Ele é, antes, um milagre do poder de Deus irrompendo de
além do âmbito da potencialidade humana. A pesquisa de Weiss e Schweitzer
mostrou que o reino de Deus esperado por Jesus em futuro próximo se
assemelhava mais a um fim apocalíptico para o mundo do que a um paraíso sobre
a terra forjado gradualmente por meios humanos. O evento escatológico vem
como uma lâmina afiada penetrando o momento presente.

Não faz muito tempo, pensava-se que nosso principal problema na cristologia era
que não sabemos virtualmente nada a respeito do Jesus histórico. Agora, o
problema é, antes, que uma quantidade maciça de pesquisa focalizou a
mensagem de Jesus acerca do reino vindouro, deixando-nos ainda inseguros
quanto a como interpretá-lo. O problema deslocou-se da história para a
hermenêutica.

Como podemos seguir Jesus em conceber a basileia (reino, reinado) de Deus


como uma realidade de outro mundo, de magnitude cósmica, prestes a irromper a
qualquer hora? De acordo com Harnack, os ensinamentos éticos de Jesus ainda
são válidos, ao passo que suas idéias escatológicas são estranhas aos tempos
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modernos.

Mas, o que Jesus realmente queria dizer com ―reino de Deus‖? quando falava do
reino, Jesus não tinha em mente um âmbito no espaço e no tempo. O termo não
se refere a uma região espacial, e sim ao reinado dinâmico de Deus. Talvez
devêssemos dizer simplesmente que a vinda do reino significa a vinda de Deus.
Esperar o reino é estar aberto para a vinda de Deus, nada menos do que isto. Mas
isto tem significado universal, pois quando Deus vem em poder o mundo precisa
mudar. As coisas não podem permanecer como estão. Deus não é um soberano
ocioso sentado no trono. Deus agirá quando vier, tanto em obras de juízo quanto
em obras de graça. O reino não é uma condição deste mundo que possa ser
realizada por meios humanos. Não é um predicado deste mundo.

Uma grande inversão na ordem das coisas está para acontecer. De acordo com
Lucas 6:20s., os pobres ficarão felizes, os famintos serão saciados e os que
choram rirão. Só a vinda do reino de Deus pode gerar o poder de produzir tal
miraculosa reviravolta no mundo humano. No entanto, o propósito de tais eventos-
sinal é apontar para a vinda de Deus e do domínio de Deus, e não focalizar uma
nova ordem social como bem último em si mesma.

Na mensagem de Jesus, o reino de Deus nunca deixa de ser mistério. Ele nunca
ofereceu uma definição ou uma descrição direta. A ética de Jesus está carregada
de pressuposições escatológicas; ela faz sentido como uma moralidade que
prefigura a nova realidade do reino de Deus que se aproxima. Quando posta em
operação num contexto terreno, a ética de Jesus visa funcionar como sinal do
reino que vem.
Seu propósito não era transmitir informação sobre o reino, como outros visionários
apocalípticos tinham feito com vívidos detalhes. Era, antes, convencer seus
ouvintes de que estava mais do que na hora de se aprontar para a vinda de Deus.

Um dos mais acalorados debates da moderna pesquisa do N.T. tem girado em


torno da pergunta se Jesus esperava a chegada do reino no futuro muito próximo
ou se já estava sendo realizado no presente. A maioria dos especialistas
concorda, todavia, que, decididamente, a maior parte das passagens que podem
ser atribuídas ao Jesus histórico retrata o reino de Deus como uma grandeza que
chegou tão perto que tem um impacto presente.

Jesus olhava para a frente, para a salvação que o reino vindouro traria; a igreja
primitiva olhava para trás, para ele como o Cristo que já tinha tornado o reino
presente. Não obstante essa orientação para o passado, a igreja primitiva também
se voltava para a frente, esperando uma consumação futura.

As curas milagrosas e os exorcismos de demônios por ele praticados eram sinais


adiantados do reino que vem. Obviamente, o reino de Deus ainda não tinha sido
estabelecido aqui e agora. Agora há pessoas pobres e famintas. Quando o reino
vier, sua miséria será removida. Agora elas sofrem; em breve exultarão.
Quem ensina que o reino já foi realizado no tempo de Jesus transforma numa
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farsa o amor de Jesus pelos pobres, oprimidos, famintos, enlutados, doentes,
sobrecarregados, alienados, etc. Jesus prometeu a todas essas pessoas que o
reino viria em breve para mudar sua sina.

Daqui surge uma outra questão, Jesus não era um quietista, oferecendo consolo
barato às pessoas cuja situação deplorava, mas em relação à qual nada fazia. Há
cristãos que querem tomar a cruz e seguir Jesus, porém não têm esperança de
alterar as condições que criam pobreza e opressão. Recomendando sofrimento
paciente neste mundo, prometem uma recompensa celestial no outro mundo. Mas,
Jesus, pelo contrário, fez o que pode para trazer o poder do domínio de Deus aqui
para a terra.

A gênese da cristologia no Novo Testamento, aparece-nos também, como um


assunto básico nesta matéria. O precursor de Jesus, João Batista, também pregou
a mensagem do reino vindouro, anunciando juízo impendente e tempo de
arrependimento. Jesus, porém, era diferente, ele não era o último profeta do reino
por vir; era o agente de sua chegada em início e em poder. As realidades do reino
já estavam começando a agitar-se dentro da história por meio do impacto do
ministério de Jesus.
A raiz da cristologia no ministério de Jesus não está localizada num título
honorífico determinado que ele tenha reivindicado para si mesmo. O importante é
que Jesus não era apenas o proclamador, mas também o portador do reino no
ponto de sua erupção. Assim, a gênese da cristologia reside no fato de que uma
pessoa se relaciona com o reino vindouro através de sua decisão a favor de Jesus
ou contra ele, como a ocasião da irrupção do reino no tempo.

Se Jesus era o Messias, o Filho do Homem, o Filho de Deus ou o Senhor não


depende de acharmos estes termos como autodesignações nos lábios de Jesus,
mas da questão se a comunidade primitiva tinha boas razões para aplicar esses
títulos a ele como confissões de fé.

Muitas escolas da teologia não procuram o cumprimento da expectativa de Jesus


no duplo final de sua vida, na cruz e na ressurreição. Um tipo de interpretação
sustenta que o reino de Deus ainda não apareceu; ele ainda é futuro e de outro
mundo, não deste. Uma Segunda posição vê o reino como uma chamada para a
decisão aqui e agora, no confronto com a mensagem de Jesus; ele já está
presente em cada momento de decisão existencial. Uma terceira concepção vê o
reino de Deus como algo que está no futuro histórico e que vem por meio de
transformações sociais e políticas, ou gradual e progressivamente ou por meio da
práxis revolucionária.

Na crucificação e ressurreição de Jesus a igreja primitiva encontrou a prova de


que Jesus era o Messias esperado e, além disso, de que ele era o rei do reino que
pregara, coroado com uma coroa de espinhos e entronizado numa cruz, tendo
então recebido uma vitória sobre os poderes do mal em sua ressurreição dos
mortos. Aqui o Cristo da fé e o Jesus da história provam ser um único e mesmo
Senhor Jesus Cristo.
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Os primeiros intérpretes esquadrinharam as Escrituras hebraicas, o A.T., e usaram
seus símbolos e estórias para apontar para a frente, para os acontecimentos
―destes últimos dias‖ (Hb. 1:2) em que as promessas de Javé estavam sendo
cumpridas no Filho.
O interesse da igreja era concentrar-se na pessoa de Jesus como o Cristo de
Deus, pois nele ela tinha experimentado salvação escatológica. A vinda do reino
na cruz mantém o reino oculto na história e só pode ser vista com os olhos da fé.
Se deixamos a fé de lado e olhamos para a história com olhos ordinários, não
encontramos provas convincentes de que o reino de Deus já veio. Assim como o
próprio Jesus disse: ―O meu reino não é deste mundo‖.

A fé cristã primitiva manteve a tensão entre duas verdade. De acordo com a


verdade da fé, o reino de Deus já chegou em Cristo. Isto se encontra em tensão
com a verdade sobre a história de que o reino ainda não veio. A realidade plena
do reino de Deus foi, assim, dividida num já e num ainda não.
A CRISTOLOGIA CLÁSSICA E A CRÍTICA SUBSEQÜENTE
Se tem uma questão onde a crítica gosta de ―remexer‖, é a da identificação de
Jesus com Deus. Como é possível, passar do reino de Deus, o dado central da
mensagem de Jesus, para o dogma da Trindade, que identifica a pessoa de Jesus
Cristo com Deus?
A igreja primitiva cria que a vinda do reino de Deus ocorreu na crucificação e
ressurreição de Jesus de Nazaré. Sem a ressurreição não poderia ter surgido fé
na divindade de Jesus. Desta maneira, a fé não gerou a ressurreição, como disse
Bultmann, mas a ressurreição sim, gerou a fé.

A vinda de Deus e a vinda de Jesus estão, assim, unificadas na experiência da


salvação escatológica. A lógica da salvação exigia a identificação de Jesus com
Deus. A experiência da cruz e ressurreição de Jesus como o evento definitivo da
salvação gerou a fé, centrada na pessoa de Jesus Cristo, que tradicionalmente
pertencia só a Deus, caso se quisesse evitar a idolatria. Se a salvação realmente
tinha chegado através da pessoa de Jesus, ele também deve ter sido Deus,
porque Deus, e tão somente ele, é o poder da salvação.

Se, para Jesus, o reino estava próximo, para a igreja ele já estava aqui – em
Cristo. E os participantes do reino de Deus em Cristo, tornam-se cristãos,
experimentando já sinais que pressagiam o estabelecimento absoluto deste reino.

Na cruz de Cristo, Deus lidou vitoriosamente com o pecado do mundo. Em sua


ressurreição, foi derrotada a morte e criada nova vida que permanece. Por assim
dizer, então, ser participante do reino de Deus, significa ser vitorioso contra o
pecado e a morte.

Com isto, ou seja, com tudo o que já foi dito, podemos crer que a identificação de
Jesus com Deus não foi, a princípio, resultado de um desenvolvimento dogmático.
Mas foi, antes de tudo, uma certeza crescente, que se desenvolvia a cada
revelação de Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo.

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A confissão de que ―Jesus é Senhor‖ (Rm. 10:9; I Co. 12:3; Fp. 2:11) não foi
produto de uma posterior helenização do cristianismo. Essa fórmula apareceu já
no culto da comunidade palestina, colocando Jesus no mesmo nível de Deus.
Kyrios era a tradução grega do termo adonai, o nome predileto para designar
Deus entre os judeus. Sua aplicação a Jesus no contexto do culto não podia ser
mal-entendida por pessoas familiarizadas com as regras da reverência devida ao
nome de Deus num ambiente hebraico.

Com base na fé em Jesus e no culto a ele prestado, a igreja primitiva não só


reconheceu Jesus como Senhor, mas também transferiu a ele todos os altos
títulos e atributos divinos. E isto foi como a primeira igreja viu a identificação de
Jesus com Deus.
Porém, como era de se esperar, surgiram algumas heresias cristológicas, as
quais, algumas foram comentadas no livro Dogmática Cristã. A identificação de
Jesus com Deus não aconteceu sem grave perigo para a fé cristã. O perigo
existente na acentuação da divindade de Cristo era o de que a fé poderia perder
de vista a humanidade real do homem Jesus. Essa visão unilateral produziu a
heresia conhecida como docetismo, a perene heresia da ―ala direita‖ da
cristologia. Esta heresia é um ensino cristológico, difundido sobretudo em círculos
gnósticos, que dizia que Jesus Cristo só parecia ter um corpo humano e só
pareceu sofrer e morrer. ―Docetismo‖ vem do termo grego dokein, que significa
―parecer‖. Marcião, o herege do século II, foi o teólogo mais proeminente a
popularizar uma cristologia docética. A influência gnóstica considerava a matéria
como má e a carne como irreal. Por isso, quando Deus se fez homem e o Verbo
se fez carne na pessoa de Jesus Cristo, isso só aconteceu aparentemente,
segundo os gnósticos. Nesta concepção, contudo, o Filho de Deus não podia
tornar-se realmente humano.
No polo oposto estava o ebionitismo, a perene heresia da ―ala esquerda‖ da
cristologia. É um ensinamento cristológico muito difundido no século II, que
apresenta Jesus como mero homem, negando completamente sua divindade. Este
termo provém do vocábulo hebraico ebionim, que significa ―pobres‖. Os ebionitas
eram originários principalmente de círculos judeus. Para os ebionitas, Jesus era
certamente o Messias, o Cristo, mas era só um homem. Ele não podia ser Deus.
Eles também negavam o nascimento virginal de Jesus.

Esses extremos constituíam os dois lados da mesma moeda cristológica: rejeição


de uma encarnação real de Deus no homem Jesus.

Os docetas estavam presos a um conceito helenístico de Deus como um absoluto


atemporal que não podia realmente mudar. Porque Deus é Deus, ele é imutável.
Assim, não podia haver uma encarnação real, nenhuma mudança real em sentido
ontológico, mas somente na aparência. O Deus da metafísica grega determinava
completamente a cristologia docética.

Os ebionitas estavam comprometidos com um conceito judaico de Deus como


totalmente outro em termos de transcendência e santidade. Deus é Deus e a
humanidade é a humanidade; o infinito não é capaz de entrar no finito. A
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separação ontológica torna uma encarnação real de Deus impensável, até
blasfêmia.

A linha docética à direita pode ser reconhecida no monarquianismo modalista,


uma doutrina do século III proposta por Sabélio, bispo de Roma. Ele ensinou que
o Deus uno (a monarquia divina) apareceu como o Pai no A.T., como o Filho na
vida de Jesus e, finalmente, como o Espírito na igreja. Diante deste assunto, é
importante também frisar como o autor de livro DC, que costuma-se distinguir
entre a ―Trindade econômica‖ e a ―Trindade imanente‖. A Trindade imanente
significa que os nomes do Pai, do Filho e do Espírito Santo se referem a distinções
reais dentro de Deus. Em consequência, também falamos da Trindade essencial
ou ontológica. A Trindade econômica significa que as distinções surgem das três
maneiras em que o Deus uno se manifestou na história da revelação (a economia
divina). Desde que Friedrich Schleiermacher reabriu o debate sobre Sabélio,
eruditos têm questionado se Sabélio realmente ensinou que Pai, Filho e Espírito
Santo referem-se meramente a manifestações temporárias e sucessivas de Deus
em relação ao mundo. Mas, o que importa lembrar é que, esse novo tipo de
docetismo também tornava impossível uma encarnação real.

Também no século III houve uma continuação da linha ebionita à esquerda: o


monarquianismo dinamista, representado por Paulo de Samósata, bispo de
Antioquia. Adocianismo é a designação mais comum para esse tipo de cristologia.
Cristo era realmente divino; estava repleto do dinamismo do Espírito e, de modo
único, foi adotado pelo Pai como seu único Filho amado. Isso não era uma
aparição de Deus a partir de cima, como no monarquianismo modalista. Pelo
contrário: no modelo adocianista, Jesus Cristo se tornou divino a partir de baixo,
pela inabitação do Espírito e por seu crescimento em santidade própria de Deus. A
explicação aqui é que o humano ascendeu, através de desenvolvimento espiritual
e moral, ao nível da semelhança com Deus.

Na época em que Constantino se tornou pontifex maximus (321 d.C.), o


cristianismo foi ameaçado por um sério ataque da esquerda. O ataque foi dirigido
por Ário, que estava influenciado pelos teólogos adocianistas Luciano de Antioquia
e Paulo de Samósata. O arianismo, entretanto, era uma negação da divindade de
Cristo mais complexa do que aquela que encontramos no ebionismo ou no
adocianismo. Para Ário, Cristo era mais do que um ser humano e mais do que o
Filho adotivo de Deus. Ele era o Logos, o Filho de Deus, que existia antes que
Deus Pai criou o mundo. Porém, ele não era Deus, não compartilhava da essência
divina. O Logos não era eterno. No início havia unicamente Deus, o Logos foi
criado para assistir Deus na criação do mundo. O Logos podia mudar, entrar na
história, unir-se com carne humana na pessoa de Jesus, até sofrer e morrer.
Assim, a encarnação do Logos foi inferior a uma encarnação real da verdadeira
essência de Deus.

Atanásio, o impetuoso oponente de Ário, sustentava que o arianismo era heresia


porque questionava toda a realidade da salvação. Se o Logos, como redentor, é
ontologicamente inferior a Deus, como uma criatura o é em relação ao Criador,
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não pode haver salvação real, pois tal sistema coloca o ônus da salvação sobre
uma criatura. Atanásio perguntava como um ser inferior a Deus poderia elevar os
seres humanos até o nível de Deus. Como poderia o mediador entre Deus e a
humanidade ser menos do que plenamente divino e plenamente humano?
No Concílio de Nicéia, em 325 d.C., os pais inseriram uma antiga palavra de
origem gnóstica, homoousios (do grego homos, ―igual, idêntico‖, e ousia, ―ser‖),
para expor a deficiência da cristologia de Ário. O Credo Niceno tornou-se a
afirmação fundamental da igreja na interpretação da encarnação.

A partir de sua conexão trinitária, a cristologia passou a estabelecer a relação


existente entre o Cristo divino e o Jesus humano. O apolinarismo, que recebeu
seu nome de Apolinário, bispo de Laodicéia, começou afirmando a cristologia alta
do Credo Niceno. Ele era completamente ortodoxo na doutrina da Trindade. Ele
sustentava que o Filho é distintamente outro do que o Pai (contra o sabelianismo),
porém compartilha eternamente da substância una do Pai (contra o arianismo).
Todavia, ter uma posição correta a respeito da Trindade pelo critério da ortodoxia
não determinava como um teólogo poderia interpretar a encarnação. Apolinário
moveu-se na direção do docetismo ao ensinar que a humanidade assumida por
Cristo na encarnação era incompleta. Por certo o Logos em Cristo era
verdadeiramente Deus; entretanto, na encarnação ele não se tornou inteiramente
humano. Apolinário cria que uma união genuína só é possível quando o Logos,
como princípio ativo de autoconsciência e autodeterminação, substitui o espírito
humano. A união que havia em Cristo era uma união do Logos perfeito com uma
natureza humana incompleta.

O Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., afirmou o caráter completo da


natureza humana de Cristo. Estava em funcionamento a mesma lógica que exigia
o homoousios com o Pai, requerendo um homoousios comparável com a
humanidade. Era a lógica da salvação. O princípio operativo era este: o que não
foi assumido não pode ser salvo. O primeiro concílio eclesiástico a se decidir
contra o apolinarismo declarou: ―Se, pois, o homem todo estava perdido, era
necessário que aquilo que estava perdido fosse salvo.‖ (Concílio de Roma, 374-
376 d.C.).

Para Nestório, um dos líderes da escola de Antioquia, Jesus Cristo era tanto
plenamente Deus quanto plenamente homem, mas as naturezas divina e humana
devem manter-se distintas e não reduzidas na encarnação. Deve haver dois de
tudo – duas naturezas, duas substâncias, duas vontades, duas séries de atributos
– e, por consequência, também duas pessoas (prosopa).

Essa doutrina de duas pessoas juntadas em Cristo tornou-se a marca definidora


do nestorianismo como heresia. O problema essencial do nestorianismo é simples:
ele não podia afirmar uma encarnação real. Os nestorianos propunham uma união
de duas pessoas vivendo lado a lado numa comunhão de amor e liberdade moral.
Os alexandrinos insistiam numa unidade ontológica mais profunda de Deus com o
homem Jesus. Para Eutíquio, patriarca de Constantinopla, e Dióscoro, bispo de
Alexandria, a coisa mais significativa em Cristo era sua natureza divina, não sua
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humanidade. Para esta doutrina, a partir do momento da encarnação, restava
apenas uma natureza. Por conseguinte, essa heresia é apropriadamente chamada
de monofisismo, que significa ―uma natureza‖, e, por vezes também de
eutiquianismo, segundo o nome de um de seus proponentes. Os monofisitas
sacrificavam a integridade da humanidade de Jesus em benefício de sua
divindade.

No século V a igreja se debateu no dilema de optar entre um Cristo divino que não
era realmente humano (monofisismo) e um Jesus humano que não era realmente
uno com Deus (nestorianismo). A confissão ortodoxa que emergia seria, daí em
diante, que Jesus Cristo era plenamente Deus e plenamente humano. Como,
porém, estão os dois relacionados permaneceu, para eles, como um mistério. Por
fim, em Calcedônia (451 d.C.), os pais do concílio formularam o dogma
cristológico das duas naturezas. Assim, a igreja optou por um meio termo entre as
alternativas de Nestório e de Eutíquio.
O veredito final pronunciado pelo credo de Calcedônia reza (fragmentado): ―(...)
Um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, tornado conhecido em duas
naturezas (que existem) sem confusão, sem mutação, sem divisão, sem
separação; não sendo a diferença das naturezas de modo algum removida em
razão da união, mas, antes, sendo as propriedades de cada uma preservadas, e
concorrendo (ambas) em uma só Pessoa (prosopon) e uma só hypostasis – não
partida ou dividida em duas pessoas (prosopa), mas um só e mesmo Filho e
Unigênito, o Logos divino, o Senhor Jesus Cristo... (...)‖

Esta é a famosa definição calcedonense da identidade pessoal de Jesus Cristo. O


propósito principal do credo era afirmar uma encarnação verdadeira, não explicar
seu mistério. As duas naturezas, embora permanecendo distintas, foram unidas na
pessoa una de Cristo. No entanto, o credo não explicou como duas naturezas
completas puderam ser unidas numa só pessoa. Pode-se concluir com segurança
que o concílio conseguiu cumprir, por certo tempo, uma cerca protetora em torno
do mistério da pessoa de Jesus Cristo. Ele, o credo, certamente deixou espaço
para ulterior desenvolvimento.

Agora somos levados do credo de Calcedônia à Formula de Concórdia.


Consideremos o ataque contundente de Paul Althaus: ―Não se pode separar a
natureza da pessoa. A personalidade humana é um constituinte essencial da
natureza humana. Por consequência, a ‗anhypostasia‘ abole a verdadeira
humanidade de Jesus, seu ego humano que cria e orava, a verdade do fato de ele
ser tentado.

O que a anhypostasia nega é que a natureza humana de Jesus existia ou existe


por si mesma fora da Palavra, e a enhypostasia afirma que Jesus tinha existência
pessoal, porém unicamente em e através da Palavra. A humanidade não é abolida
ou mutilada, mas sim elevada e realizada em união com a pessoa, a hypostasis,
da Palavra de Deus.

No Ocidente praticamente não houve qualquer desenvolvimento digno de nota ao


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longo da Idade Média, com exceção de um ressurgimento do adocianismo na
Espanha do século VIII. Nesta concepção, Jesus, em sua humanidade, era o Filho
adotivo pela graça de Deus (adoptivus homo). Esse ensinamento foi condenado
em vários sínodos como reavivamento da impiedade nestoriana que dividia Cristo
em dois filhos, o Filho de Deus eterno e o Filho do homem adotivo.

O problema cristológico foi levantado mais uma vez nas acaloradas controvérsias
entre luteranos e calvinistas sobre a doutrina da comunicação de atributos
(communicatio idiomatum). Lutero ensinava que, na Ceia do Senhor, o Cristo todo
estava realmente presente, inclusive sua natureza humana, e, por conseguinte,
também seu corpo e sangue. Zwínglio respondeu com sua teoria da alloeosis, que
explica o discurso da fé acerca da presença real como uma figura de linguagem.
Zwínglio disse que o Cristo humano não pode estar realmente presente na Ceia
do Senhor, visto que é finito. Já Lutero ensinou a ubiqüidade ou onipresença, que
é, essencialmente, um atributo da natureza divina, mas que é comunicada à
natureza humana por causa da união encarnacional.

Depois de algum tempo, sistematizou-se a doutrina da permuta dos atributos em


três gêneros, que, criam os pais luteranos, tinham o apoio da Escritura. Em
primeiro lugar, há o gênero ―idiomático‖: qualidade de qualquer das naturezas
podem ser atribuídas à pessoa toda. Em segundo lugar, há o gênero
―apotelesmático‖: ações da pessoa una podem ser atribuídas a uma ou outra das
duas naturezas. Em terceiro lugar, há o gênero ―majestático‖: qualidades divinas,
tais como onipotência e onipresença, são atribuídas à natureza humana. Os
luteranos desejavam acentuar a unidade da pessoa divino-humana, correndo o
risco monofisita de misturar as naturezas. Sua formula de combate era ―finitum est
capax infiniti‖, o finito é capaz do infinito. Já os reformados diziam que não. Eles
mantiveram uma clara distinção entre as duas naturezas, de modo que seu slogan
veio a ser ―finitum non capax infiniti‖, o finito não é capaz do infinito.
Se o Logos é divino, então ele não podia se limitar à carne de Jesus.

Consequentemente, os calvinistas ensinavam que o Logos, sendo infinito, deve


existir extra carnem (fora da carne) e não estar limitado por sua união com a
carne. Os luteranos reagiam com uma teologia da cruz, sustentando que o Logos
só pode ser conhecido na carne. Assim, cunharam a expressão ―totus intra
carnem‖ e ―nunquam extra carnem‖ (totalmente na carne e nunca fora da carne)

O artigo VIII da Fórmula de Concórdia (1580) visava reconciliar diferenças entre a


escola de Johannes Brenz (da Suábia) e a escola de Martin Chemnitz (da Baixa
Saxônia). Esta fórmula tentou encontrar uma linguagem equilibrada para resolver
as disputas, mas teve pouco êxito.

Só no século XIX houve um ponto de partida, por alguns luteranos, que foi mais
satisfatório, usando a idéia de kenosis, sugerida por Filipenses 2:6s. do mesmo
modo que os atributos divinos passaram à natureza humana, os humanos
passaram à divina! Desta forma, o divino preenchia o humano em muitos
aspectos, inclusive no auxílio para que Jesus não pecasse, e o lado humano
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preenchia o divino, inclusive no auxílio à humilhação e morte.

Schleiermacher, porém, era um dos que fizeram uma crítica à dogmática. Ele via a
necessidade de usar-se uma linguagem mais filosófica nestas explicações, pois o
homem moderno não consegue entender esta cristologia antiga, como disse ele.
Adolf von Harnack tinha também pensamentos parecidos quanto ao valor dos
dogmas. Tudo isto, devido ao fato de que, segundo eles, a igreja criou seus
dogmas como produtos da ―helenização‖ do cristianismo. Mas, na verdade, a
igreja usou a linguagem que conhecia em sua época, como ainda hoje, continua
desenvolvendo-se em seu linguajar teológico para explicar cada vez melhor as
doutrinas bíblicas. Tillich, se referindo aos dogmas, disse que estes não são fins
em si mesmos, mas que sempre estarão abertos a questionamentos.

A VERDADEIRA HUMANIDADE DE JESUS CRISTO

Quando busca-se o Jesus histórico, ao invés de pensarmos que está-se


menosprezando sua divindade, lembremo-nos de que, na realidade, isto é
indicação de que se leva a sério a humanidade plena de Jesus. O estudo crítico
sobre Jesus começou no iluminismo.

Os estudos iluministas que levam a uma moderna biografia de Jesus, mostram-se


falhas, pois cria-se um Jesus moderno, esquecendo-se de, antes de trazê-lo para
o hoje, viver com ele no passado também, para entender-se melhor sobre sua
pessoa humana enquanto aqui na terra.

Mas, a reinterpretação da cristologia no século XIX preferiu uma posição mais


mediadora. Aceita-se a pesquisa histórica como base teológica, mas não à fé.
Assim, a fé se interessa pela história de Jesus, não para se firmar, mas porque já
é forte.
Um problema que surge nesta questão, porém, é a da ―impecabilidade‖, mas como
vimos mais atrás, percebeu-se que Jesus, sendo também o Logos, não pecou,
pelos limites que cada uma de suas naturezas lhe davam.

Outra pergunta que surgiu foi a seguinte, se Jesus assumiu a forma humana,
então também assumiu a sua natureza caída do homem? Alguns tentaram
responder que, se Maria era virgem, então não, pois o pecado é transmitido pelo
esperma do homem! Mas, isto é sem nexo. Daí, a resposta comum foi, e é que,
Jesus assumiu sim a condição existencial de nossa natureza humana caída.

Quanto à identidade do Jesus terreno e do Cristo ressurreto, chegou-se à


conclusão que, são eles uma só e a mesma pessoa.

Falando agora de Jesus Cristo como o ser escatológico, o autor do livro diz que a
ressurreição fez de Jesus o representante neste aspecto. Pois, se a esperança
futura de todos é vencer a morte, Jesus, quando a venceu, mostrou-se o ser
escatológico aniquilador da morte. Quando Cristo vence a morte, mostra que ele,
na pessoa de Jesus, reaviva a imagem de Deus no homem, mas com perfeição.
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Assim, o homem em Cristo tem sua imagem de Deus refeita, e a prova disto, é
que agora ele tem em Jesus, a vitória contra a morte. O Cristo ressurreto é o
destino futuro de toda a humanidade.

A VERDADEIRA DIVINDADE DE JESUS CRISTO

Para a explicação deste assunto, DC entra na estória do Deus encarnado. Assim,


como nota explicativa, o autor diz que Story, no original. Traduziram este termo
por ―estória‖ para diferenciá-lo de history, que traduzimos sempre por ―história‖.

Existem, no tocante a encarnação, duas reações opostas da parte dos estudiosos.


São a reação conservadora, que rejeita a descoberta em defesa da fé tradicional.
Dizem que a Bíblia contém verdade, e não mito. O acontecimento da encarnação
foi real.

A outra reação é a liberal, que consiste em reconhecer a descoberta do caráter


mítico da encarnação e então desmitologizar a fé cristã para torná-la relevante
para o mundo contemporâneo. Nesta concepção, a estória da encarnação não
essencial para a fé cristã.
Porém, não viu-se nenhuma das posições como adequadas para uma teologia
cristã construtiva. Paul Tillich fala sobre a terceira abordagem, que é a
interpretação do mito como estória, sem compreender seus elementos simbólicos
literalmente, mas também sem eliminar seus aspectos históricos. Bultmann propõe
o método de interpretação existencialista para salvar o querigma do mito. Se bem
que, ao meu ver, a desmitologização bultmaniana foi exacerbada, podemos tirar
dela seus auxílios, que não foram poucos! Desta forma, Deus não pode ser
reduzido a uma termo da existência humana, então, o mito não é a realidade, mas
a sombra da realidade, a maneira de se referir à realidade, é como se fossem as
etiquetas colocadas pela igreja primitiva, sobre os acontecimentos que viam e
ouviam.

Na verdade, a igreja tomou emprestado a linguagem do mito e da história para


descrever e interpretar o Logos de Deus. Os deuses gregos não eram como o
nosso, e isto os primeiros cristãos sabiam, então, é claro que eles não confundiam
Cristo com Zeus, por exemplo, mas, a linguagem a qual usava-se aos deuses
gregos, era a única que eles conheciam, então, usavam esta linguagem, se bem
que bastante transformada, adaptada à Cristo, quando se referiam ao Logos de
Deus.
Duas correntes tentaram explicar esta questão sobre a realidade de Deus. Foram
os adocianistas e ebionitas: Jesus não era, para eles, verdadeiramente Deus, pois
Deus não pode sofrer. A outra maneira era a dos docetas e monofisitas: Cristo era
Deus, mas não seus sofrimentos.

Porém, o Deus de Israel não era assim, pois o Deus descrito na Bíblia, é o Deus
que sofre com o Filho. Deus sofreu por sua liberdade em amor. Se Deus estava
em Cristo, então o sofrimento tornou-se parte da experiência de Deus. Na
verdade, só se compreende o verdadeiro ser de Deus e da humanidade à luz do
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Cristo crucificado, como inferiu Martinho Lutero. Lutero chamou isto de ―alegre
permuta‖.

Isto, consequentemente, nos leva a afirmar a divindade de Cristo. A igreja primitiva


respondeu à proclamação apostólica do ato redentor de Deus em Cristo na
linguagem da oração, do louvor e da ação de graças. A cristologia ontológica se
expressa aqui neste ponto, pois a natureza e os atributos de Deus, que sempre
foram utilizados na doxologia ao Pai, passa a ser usado na adoração cristã do
Filho. No N.T. não há um divórcio entre o ser de Cristo e sua missão, confirmando
o fato de que Jesus não é só o Filho de Deus em algum sentido subordinado, mas
é de fato Deus.

Na realidade, o conselho nos dado pelo autor, é que, se quero superar os efeitos
ruins exercidos pela metafísica grega sobre a cristologia clássica, devo achar uma
melhor, e não optar por absolutamente nenhuma. Na verdade, a cristologia nunca
poderá ser amarrada em conceitos temporais, porque ela trata de um ser
atemporal.

Jesus Cristo, como apresentado em DC, é o perfeito representante de Deus aos


homens, e o perfeito representante dos homens a Deus. Não é que Jesus se
adaptou à nossa noção de Deus, mas, na verdade, nós reconhecemos nele, o que
devemos realmente pensar sobre Deus. Olhamos para Jesus e dizemos: ―Não há
outro Deus‖. Senão, ao invés de cristologia, deveria ser jesulogia. E isto, só
podemos fazer pela força mediadora do Espírito Santo, que torna a
cristocentricidade de Jesus presente e real em nossas vidas.

A encarnação, basicamente falando, é o auto-esvaziamento de Deus de tudo que


separava o Criador da criação, é a auto-entrega de Deus a outros para
reconquistá-los. Deus pôde fazer isso por causa da liberdade do amor divino, e
não por necessidade pessoal.

A HUMILHAÇÃO E EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO

A preexistência de Cristo faz parte do mito da encarnação. Paulo e João, no seu


evangelho, foram os que mais se referiram a este assunto. Na verdade, se Cristo
não fosse preexistente, existiria dúvidas ainda de se a nossa salvação realmente
seria real e eterna. Ora, só o Deus eterno pode conceder salvação!

Até o seu nascimento virginal mostra a sua preexistência. Mas, é daqui mesmo
que surge uma pergunta conflitante: como poderia Jesus ser como nós em todos
os sentidos, se realmente não tinha um pai humano? O conselho primordial do
autor do livro o qual aqui comentamos, é que a estória nunca deve se atolar na
biologia. A verdade de seu nascimento virginal é que Deus mostrou, através deste
fato, que ele estava agindo no processo de salvação desde o momento do
nascimento de Jesus. Com o nascimento de Cristo através do Espírito Santo,
Deus estava mostrando que Jesus não iria ser adotado pelas coisas que fez,
simplesmente, mas que antes de mais nada, já era o Filho de Deus.
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Tudo isto atingiu seu clímax no sofrimento e morte de Jesus. Ali foi seu
esvaziamento total. Agora, para que se examine a cruz em um sentido existencial,
deve-se, antes de tudo, crer nela como um fato histórico. A crucificação de Cristo
aconteceu uma vez só na história, e não acontecerá mais. O simbolismo e o poder
da mensagem da cruz sim, pode ser passado de geração em geração.

Agora, a questão fica mais extraordinária quando no livro DC comenta-se sobre o


descenso de Jesus ao inferno. ―Inferno‖ é uma tradução do termo grego hades,
que designa a morada dos mortos. Posteriormente foi que a teologia criou uma
doutrina que ensina que a pessoa ou ia direto para o céu ou para o inferno, com
exceção de alguns que iam antes para o purgatório. O inferno é considerado o
domínio de Satanás, e Cristo devia libertar-nos também deste poder. Por isto,
desceu até lá!

Quatro outros fatos ocorridos na vida de Jesus, foram de supra importância,


segundo o autor, para a cristologia, que foram: a ressurreição, a ascensão, o
assentar-se à direita de Deus e a sua vinda em glória. A ressurreição de Cristo é
descrito como o ato pelo qual Deus o tirou de sua humilhação e o exaltou,
provando que Jesus era tudo o que disse que era. Se Jesus não tivesse
ressuscitado, sua causa teria perecido com ele. Na sua ascensão, vem a prova de
que ele foi para o Pai. E, além de ir para o Pai, Jesus, com a ascensão, cria a
possibilidade de estar conosco através do Espírito Santo. A ascensão é tida como
um avanço, e não como um simples retorno ao estado anterior. Além de ser
assunto ao céu, Jesus senta-se à direita de Deus. Direita é símbolo de poder e
governo. Jesus agora rege os corações, não mais estando preso a seus limites
enquanto na carne. E, por fim, a última questão comentada no livro DC, que foi a
vinda de Jesus em glória. Isto significa que um dia nos encontraremos com ele
novamente, porém, também nos carrega de responsabilidades, pois ele virá e nos
julgará. O bom é que este julgamento, para os cristãos, não tem um valor
negativo, pois o seu Juiz é Jesus Cristo, o Justo. Jesus será o Juiz porque ele é a
essência de tudo o que deve ser um ser humano. Desta forma, não seremos
julgados por uma lei diferente a nós, mas por uma lei criada pelo Deus que foi um
de nós.

A UNICIDADE E UNIVERSALIDADE DE JESUS CRISTO

Jesus é o único meio de salvação. E isto, ele ganhou como herança, é a herança
de exclusividade. O catolicismo romano pegou esta exclusividade é jogou para a
igreja. A questão que surge, disto, é se a salvação pode ser provinda de outras
religiões ou não! Vivemos num mundo com pluralidade de religiões. As respostas
reais sobre Deus, encontram-se em Cristo, então, para alcançar-se a salvação, é
só através dele.

João Batista mandou perguntar se Jesus era aquele que haveria de vir, ou se
deveriam esperar outro! A resposta da igreja era, ele é o Messias. É só no nome
de Jesus que há salvação. A resposta a João é sim, não devemos procurar outro.
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Mas e a universalidade de Jesus? É aí onde encontra-se o cerne da questão! Ele
é universal porque é único. Se é salvador, é salvador universal, pois o mundo
inteiro precisa de salvação. Se Jesus é o salvador universal, isto implica então que
não há salvação em outras religiões! Mas, não devemos temer o diálogo com
outras religiões, pois elas foram as ajudadoras, no princípio da igreja, a
emprestarem termos para a nossa fé. Pode-se falar em salvação fenomenológica
e teologicamente. A salvação temporal é a fenomenológica, e isto algumas
religiões podem oferecer, mas a salvação teológica, é a eterna, e esta, só Cristo
pode oferecer! Se a salvação for só iluminação, Buda pode salvar! A salvação da
morte é a maior de todas, e esta, só o poder do sangue de Jesus Cristo tem.

A cristologia não é estática, por isso, do mesmo jeito que emprestamos de outras
religiões no passado, termos que nos valem até hoje, e outros que foram mudando
durante a história, sendo também, algumas vezes, emprestados de algumas
outras religiões, podemos hoje enxergar as demais religiões como grupos que
buscam descrever a sua fé através de mitos, e mitos estes, que podem ser
inteligentes e aproveitados para nós também! Jesus quer se fazer entender em
uma linguagem a qual conhecemos. Deus não está sem testemunha nestas
religiões. Não há dois caminhos de salvação, mas um só.

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Estudo sobre o Ecumenismo, com 25 paginas, dividida em 08 partes sobre a Teologia sobre
o Ecumenismo:
Parte I
Ecumenismo Religioso
É a tentativa de aproximar as grandes diferentes religiões do mundo. Essa
aproximação vai desde cooperação em missões e ação social e política, até união
e fusão de credos. A iniciativa tem sido principalmente de órgãos protestantes.
maior deles é o Concílio Mundial de Igrejas (CMI). A filosofia que permite o CMI
fazer esta tentativa é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a
pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim
verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas
definitivamente já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele acredita que
seja possível o relacionamento de pessoas com crenças e ideologias diferentes,
sem que um tenha de sujeitar suas convicções ao domínio do outro. A idéia de
converter alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreto. A chave
está na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar
que se está certo ou errado.

O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da "arrogância" teológica do


cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e exalta a experiência
religiosa individual como critério último para cada um. A idéia de cristãos tentarem
converter pessoas de outra fé ao cristianismo é absurda. O tema da salvação em
outras religiões foi discutido recentemente na Assembléia Geral do Concílio
Mundial de Igrejas. O relatório apresentado trouxe debate considerável. As
conversas se arrastam sem produzir qualquer progresso claro.

Uma consulta teológica sobre a salvação na Suíça patrocinada pelo CMI,


composta por 25 teólogos, trouxe as seguintes conclusões:

1) Através da história, pessoas tem encontrado a Deus no contexto de várias


religiões e culturas diferentes.

2) Todas as tradições religiosas são ambíguas (inclusive o cristianismo), isto é,


uma combinação do que é bom e do que é ruim.

3) É necessário progredir além de uma teologia que confina a salvação a um


compromisso pessoal explícito com Jesus Cristo.

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Em algumas denominações o pluralismo tem sido proposto como filosofia oficial,
como na Igreja Metodista Unida, dos Estados Unidos.

No momento, o ecumenismo religioso não vai indo bem. No último encontro do


CMI, o assunto progrediu quase nada. O que agora estão pensando é cooperação
em áreas sociais apenas, enquanto que cada religião mantém sua individualidade.
Parece que o sonho de uma religião mundial única está acabando.

Ecumenismo Cristão
Este tipo de ecumenismo tenta a aproximação entre os grandes ramos da
cristandade, ou seja, a Igreja Católica, a Igreja protestante, e a Ortodoxa, e entre
os diversos ramos protestantes entre si. Algum progresso existe. A liderança da
Igreja Episcopal e da Igreja luterana Evangélica na América concordou, depois de
duas décadas de negociar, darem comunhão entre si, reconhecer os cleros e
ordenar bispos em conjunto. Cada grupo retém sua autonomia. A liderança de oito
denominações protestantes alcançaram acordo preliminar sobre as suas igrejas,
formando uma "comunhão de convenção" na qual cada denominação iria, embora
ainda autônoma, aceitar os ministros e sacramentos dos outros.

Os católicos romanos continuam dialogando bilateralmente com luterano, líderes


da igreja Anglicana, e Ortodoxos em um esforço para achar solo teológico comum.
Até mesmo algumas igrejas Pentecostal que tendem a ser anti-ecumênico
parecem propensas para relações mais abertas. A Igreja Cristã (os Discípulos de
Cristo, denominação americana com mais de 1 milhão) entrou para a história
ecumênica de protestantes e católicos em sua Assembléia Geral em agosto
elegendo Monsenhor Philip Morris, padre católico romano, como membro votante
da sua Comissão Executiva.

Ecumenismo Evangélico

É a tentativa de aproximação entre igrejas evangélicas, a nível de cooperação em


atividades evangelísticas e sócio-políticas, e mesmo de fusão organizacional. Por
exemplo, a cooperação interdenominacional de igrejas e ministros--muitos dos
quais não estariam interessados no ecumenismo cristão ou religioso - que se
unem para patrocinar uma cruzada de Billy Graham. Vale lembrar que o número
de denominações diferentes chegou a 22.000 em 1985 e continua crescendo a
uma taxa de cinco novas todas as semanas. Muitas igrejas conservadoras
permanecem opostas a esforços ecumênicos por causa da teologia liberal e da
agenda de trabalho políticos dos conselhos nacionais e mundiais que geralmente
estão por detrás destes esforços.

Parte II
O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VIII
Todos os não católicos do planeta foram representados pelos Sérvios Ortodoxos
da Croácia, cujos nomes estão escritos com letras maiúsculas na história da
Iugoslávia. Incluem-se também nessa avaliação os mártires do Tribunal do Santo
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Ofício (Inquisição). Entre eles e os protestantes de hoje e de ontem há algo em
comum: rejeitamos a Igreja Católica como único caminho de salvação, como
detentora do monopólio da salvação, única e verdadeira Igreja de Cristo. Não se
trata de algum tipo de agressão, mas de um direito que temos de escolher. A
ICAR exerce o mesmo direito quando rejeita as comunidades protestantes,
alegando que estas não são guardiãs da verdade cristã e que estão alijadas do
Corpo de Cristo. Esta formal e indisfarçável agressão aos ―irmãos separados‖
constitui um obstáculo insuperável à plena realização do ecumenismo cristão.
O esforço ecumênico poderá continuar por muitas décadas, apesar da Dominus
Iesus, apesar dos mártires. Porém, por unanimidade de opinião, os passos serão
sempre lentos, cautelosos e difíceis. (13.05.2003)

Parte III
O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VII
INQUISIÇÃO NA CROÁCIA
É muito comum referirmo-nos aos dez séculos de Inquisição – a Idade das Trevas
- como a única e mais cruel máquina de extermínio de não católicos e de
conversão forçada, em que acatólicos foram perseguidos, torturados e mortos.
Recordemos que passados mais de duzentos anos do famigerado Santo Ofício
milhares de não católicos foram dizimados na Croácia – os Sérvios Ortodoxos –
sob a aquiescência e omissão da Hierarquia Católica. Ali esteve em operação o
espírito da Inquisição. ―A magnitude da carnificina pode ser melhor avaliada pelo
fato de que dentro dos primeiros meses, de abril a junho de 1941, 120.000
pessoas pereceram. Proporcionalmente, à sua duração e a pequenez do território,
foi este o maior massacre já acontecido em qualquer lugar no ocidente,
antes, durante e após o maior cataclisma do século – a II Guerra Mundial (The
Vatican´s Holocaust – Avro Manhattan (1914-1990), 1986.

A ferocidade foi de tal monta que os ―nazistas ficaram horrorizados‖. A


bestialidade suplantou ―tudo que fora experimentado na Alemanha de Hitler‖.
Mônica Farrell, uma ex-católica romana, relata em seu livro Ravening Wolves
(Lobos Vorazes), citada por Mary Schultze, em ―Conspiração Mundial‖:

―Este é um registro das torturas e assassinatos cometidos na Europa entre


1941/43, pelo exército de ativistas católicos, conhecido como Ustashi [organização
terrorista], liderado por monges e padres e do qual até mesmo freiras participaram.
As vítimas sofreram e morreram por causa da liberdade de consciência. O mínimo
que podemos fazer é ler os registros de seus sofrimentos e guardar na lembrança
o que aconteceu, não na Idade Média, mas na nossa própria geração iluminada.
Ustashi é outro nome da Ação Católica‖.

O novo Estado Independente da Croácia, agindo em conexão com o nazismo de


Hitler, da forma mais cruel e repugnante perseguiu, trucidou, torturou e matou
mais de um milhão de pessoas em pouco tempo.

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA


Tudo começou no dia 10 de abril de 1941, quando foi proclamado o Estado
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Independente da Croácia, como resultado do triunfo do exército alemão que já
havia entrado no país. Na verdade estava nascendo o Novo Estado Católico, sob
a liderança espiritual do Arcebispo Stepinac. Diz Avro Manhattan:

―Naquele mesmo dia, os jornais de Zagreb [capital] veicularam anúncios com o


objetivo de que todos os residentes ortodoxos sérvios do novo Estado Católico
deveriam evacuar a cidade dentro de 12 horas; e qualquer que colaborasse com
um Ortodoxo seria imediatamente executado.
No dia 13 de abril, Ante Pavelic, governante do Novo Estado, chegou a Zagreb
procedente da Itália. No dia seguinte, o arcebispo Stepinac foi encontrá-lo
pessoalmente e o congratulou pelo cumprimento da obra de sua vida. Qual era a
obra da vida de Pavelic? A criação da tirania fascista mais impiedosa de todos os
tempos para desonrar a Europa‖.

A História revela que a conexão Igreja-Estado sempre produziu uma máquina


poderosa, pronta para cercear a liberdade de consciência. Em 28.06.1941, o
Arcebispo Stepinac abençoou e aprovou o novo governo com as seguintes
palavras: ―Enquanto o saudamos cordialmente como Chefe do Estado
Independente da Croácia, imploramos ao Senhor dos Astros que lhe dê as
bênçãos divinas como líder do nosso povo‖. Pavelic, o novo líder, ―era o mesmo
homem sentenciado à morte por assassinatos políticos; uma vez pelos tribunais
iugoslavos, pela morte do Rei Alexandre I, e outra, pelos franceses, pela morte do
Ministro Francês do Exterior, Barthou‖.

O Vaticano ficou mais vinculado ainda ao Novo Estado Fascista quando membros
da Hierarquia Católica foram eleitos para o SABOR (parlamento totalitarista),
dentre eles o Arcebispo Stepinac. Avro Manhattan revela que ―todos os oponentes
em potencial – comunistas, socialistas, liberais - foram banidos ou aprisionados.
Uniões comerciais foram abolidas, a imprensa foi paralisada, a liberdade da fala,
de expressão e pensamento tornaram-se coisa do passado. Todo esforço foi feito
no sentido de forçar a juventude a se filiar às formações para-militares, enquanto
as crianças eram moldadas pelos padres e freiras. O ensino católico, os objetivos
católicos, e os dogmas católicos tornaram-se compulsórios em todas as escolas.
O Catolicismo foi proclamado como religião oficial do Estado‖.

A participação da Igreja Católica no novo Estado torna-se ainda mais evidente


quando sabemos que ―o primeiro Comandante Ustashi no Distrito de Udbina foi o
frade franciscano Mate Mogus. No comício de 13.06.41, em Udbina, ele fez esta
homilia: `olhai, povo, para estes dezesseis bravos Ustashis, que têm 16.000 balas
e matarão 16.000 Sérvios...‖; Em Dvor na Uni, o Pe. Anton Djuric, fez um diário de
suas atividades, como funcionário da Ustashi. O diário mostra que sob suas
ordens a Ustashi derrubou e incendiou a Vila de Segestin, onde 150 Sérvios foram
assassinados...‖.

O plano diabólico aprovado por Pavelic, conforme declaração dos Ministros da


Ustashi, era o seguinte: ―Todos os que entraram em nosso país há 300 anos atrás
devem desaparecer... a nova Croácia se livrará de todos os Sérvios em seu meio,
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a fim de se tornar cem por cento católica, dentro de dez anos...mataremos uma
parte dos sérvios, levaremos outra para fora e o resto será forçado a abraçar a
religião católica romana...o Estado Independente da Croácia não pode nem deseja
reconhecer a Igreja Ortodoxa Sérvia‖

Não é válido defender Stepinac com a alegação de que ele pretendia defender a
Iugoslávia do comunismo, a julgar que o nazismo seria algo um pouco melhor.
Nada justifica o apoio irrestrito ao sanguinário governo de Pavelic.

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
Leiam o que está escrito em ―O Holocausto do Vaticano‖:

―Os representantes da única `Igreja verdadeira´ não apenas conheciam tais


horrores, como alguns deles eram autoridades nesses mesmos campos e até
haviam sido condecorados por Ante Pavelic. Como exemplo, temos o Pe. Zvonko
Brekalo, do campo de concentração de Jasenovac, que foi condecorado pelo
próprio líder com a ―Ordem do Rei Zvonimir‖. O Pe. Grge Blazevitch, assistente do
comandante do campo de Bozanski-Novi; o irmão Tugomire Soldo, organizador do
massacre dos Sérvios, em 1941. E outros mais‖. Nesse tempo, estava no
comando da Igreja Católica o papa Pio XII (1876-1958), pontífice de 1939 a 1958.

Tais campos de concentração estavam sob a supervisão direta de Pavelic. Aos


ustashis cumpria enviar para os campos as pessoas não confiáveis, que eram
sumariamente liquidadas. Vejamos apenas uma pequena descrição dos horrores:

―Em março de 1943 os internos do campo de Djakovo foram propositadamente


infectados com tifo, causando a morte de 567 pessoas; em 15.09.41, a mesma
coisa aconteceu no campo de Jasenovac, chegando a 600/700 o número de
mortos; no campo de Stara Gradiska, 1.000 mulheres foram mortas; dos 5.000
Sérvios Ortodoxos levados para o campo de Jasenovic, no final de agosto de
1942, 2.000 foram mortos a caminho, os restantes transferidos para Gradina,
onde, em 28.08.41, foram mortos a marteladas; no campo de Krapje, em outubro
de 1941, 4.000 pessoas foram assassinadas, enquanto no campo de Brocice,em
novembro de 1941, 8.000 tiveram o mesmo destino; de dezembro de 1941 a
fevereiro de 1942, em Velika Kosutanica e Jasenovac, mais de 40.000 Sérvios
Ortodoxos trazidos dos vilarejos das fronteiras da Bósnia, foram exterminados,
inclusive 2.000 crianças; em 1942, havia cerca de 24.000 crianças, somente no
campo de Jasenovac, das quais 12.000 foram assassinadas a sangue frio. Uma
grande parte das restantes, tendo sido mais tarde liberada diante da pressão da
Cruz Vermelha Internacional, pereceu aos montes, de intensa debilidade física.
Em destas crianças, acima de 12 meses, morreram após saírem do campo por
causa de soda cáustica adicionada à alimentação; o Dr. Katicic, Presidente da
Cruz Vermelha, por haver denunciado ao mundo o extermínio em massa das
crianças, foi internado no campo de concentração de Stara Gradiska, por ordem
de Pavelic; na primavera de 1942, no desejo de imitar os campos nazistas da
Alemanha e da Polônia, pessoas foram cremadas ainda vivas, simplesmente
empurrando-as para dentro dos fornos previamente aquecidos‖.
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BEATIFICAÇÃO
―Há dois anos [1998] João Paulo II beatificou o Arcebispo de Zagreb, Cardeal
Alojzije Stepinac, defensor da "limpeza étnica" implementada pelos católicos
croatas nos anos 40, e prepara-se para fazer o mesmo em relação a Pio XII, o
papa que pecou por omissão. Com a palavra Settimia Spizzichino, a única judia
romana que sobreviveu a Auschwitz, depois de ser cobaia de Joseph Mengele:

"Voltei sozinha de Auschwitz [Cidade da Polônia, na província de Bielsko-Biala.


Famosa por abrigar o maior campo de concentração nazista durante a segunda
guerra mundial]. Perdi minha mãe, duas irmãs, uma sobrinha e um irmão. Pio XII
poderia ter nos alertado para o que ia acontecer, poderíamos fugir de Roma e nos
juntar aos guerrilheiros. Ele nos jogou nas mãos dos alemães. Tudo aconteceu
debaixo de seu nariz. Quando dizem que o papa é como Jesus Cristo, sei que não
é verdade. Ele não salvou uma única criança. Não fez absolutamente nada." (O
Estado de S.Paulo, 26.03.2000).

Sobre o assunto, li na Internet: ―Decerto que o Papa pode beatificar e canonizar


quem quiser, mas a beatificação de alguém com um passado no mínimo nebuloso
como o Cardeal Stepinac [elevado a cardeal em 1953] é um insulto à memória de
todos os que foram assassinados pela Ustasha e pelo nazismo‖.

Com a derrocada de Hitler, caiu por terra o sonhado Estado Católico da Croácia.
Em 11 de outubro de 1946, a Suprema Corte em Zagreb condenou o Arcebispo
Stepinac a 16 anos prisão em trabalhos forçados. As principais acusações,
conforme consta do processo, foram: 1) colaboração política com o inimigo e seus
agentes; 2) convocação dos sacerdotes católicos para colaborarem com os
traidores, conforme circular distribuída em 28.04.1941; 3) como presidente da
Ação Católica e do congresso dos bispos influenciou a imprensa católica, que fez
propaganda do fascismo, elogiou Hitler e Pavelic, e deu cobertura a todo o
processo. Stepinac saiu da prisão antes do tempo previsto.

Não iremos descer aos detalhes das conversões forçadas de ortodoxos, que,
diante do poder da espada, temendo por sua vida e de seus familiares,
submetiam-se aos humilhantes ritos de iniciação ao catolicismo; também não
faremos referência às crianças órfãs, aos milhares, que foram expatriadas,
raptadas e levadas para outros países; colocadas em orfanatos dirigidos por
padres e freiras, rebatizadas com nomes católicos, crescendo sem o contato com
seu grupo étnico e religioso original; não falaremos do modo sanguinário, feroz e
cruel como muitos Sérvios foram torturados e mortos, enterrados vivos,
sangrados, mutilados; das dezenas de templos ortodoxos que foram destruídos ou
transformados em salas destinadas às atividades ligadas ao catolicismo. Avro
Manhattan, em seu minucioso trabalho em The Vatican´s Holocaust, registra à
guisa de conclusão:

―Os massacres da Ustashi, todas as atrocidades cometidas por oficiais católicos,


padres ou monges, faziam parte de um esquema friamente calculado para a total
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eliminação das massas ortodoxas, ativa e passivamente resistindo à sua absorção
pela Igreja Católica no sentido de se tornarem ovelhas do seu rebanho. De fato,
esta foi a política premeditada pela hierarquia católica, agindo em favor do seu
verdadeiro e único inspirador – o Vaticano‖.

Parte IV
O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - VI
NOTA DA CNBB
―A Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil, em comunhão com o Papa João Paulo II que, no dia 18 de
setembro de 2000, reiterou "ser irrevogável o empenho da Igreja Católica para
com o diálogo ecumênico", por motivo da recente Declaração Dominus Iesus da
Congregação para a Doutrina da Fé, deseja reafirmar o seu compromisso
ecumênico‖.

―Manifesta a todos os cristãos a estima da Igreja Católica que os reconhece


justificados pela fé e incorporados a Cristo e os abraça com fraterna reverência e
amor como "irmãos no Senhor". Considera também que "suas igrejas de forma
alguma são destituídas de significação e importância no mistério da salvação" (Cf.
UR). Acredita que o movimento ecumênico, surgido entre os irmãos e irmãs de
outras igrejas para restaurar a unidade de todos os cristãos, é uma obra do
Espírito Santo‖ (Dom Jayme Henrique Chemello, Presidente; Dom Raymundo
Damasceno Assis, Secretário-Geral).

A CNBB, que tem compromissos assumidos com a liderança das demais igrejas,
com vistas a um diálogo fraterno, manifestou-se favorável à continuidade desse
entendimento. Destoando das afirmações exclusivistas da Dominus Iesus, trata os
fiéis das outras igrejas como ―irmãos no Senhor‖. Trata-se de um paradoxo: a
CNBB faz parte da Hierarquia Católica; representa, por dever, o pensamento do
Papa e segue as suas diretrizes. Consideremos, porém, que a CNBB ficou numa
situação desconfortável.

Mais uma nota fora do tom está na palavra ameaçadora do bispo Sinésio Bohn,
conforme notícia publicada no início dos anos 90:

―Espantado com o forte crescimento das ―seitas‖ evangélicas no Brasil, os líderes


da Igreja Católica Romana têm ameaçado desencadear uma ―guerra santa‖ contra
os protestantes, a não ser que eles parem de tirar o povo do domínio católico...Na
31a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil...o bispo Sinésio Bohn disse que
os evangélicos são uma séria ameaça à influência do Vaticano neste país.
`Declaramos uma guerra santa, não duvidem´, anunciou ele. `A Igreja Católica –
disse o bispo – dispõe de uma poderosa estrutura e quando nos mexermos
esmagaremos qualquer um que se colocar em nossa frente...´ Conforme Bohn –
diz a nota – tal guerra santa pode ser evitada, desde que 13 grandes
denominações protestantes assinem um acordo...[o qual] requereria que os
protestantes cessassem com todos os esforços evangelísticos no Brasil. Ele disse
ainda que, em troca, os católicos concordariam em parar com todo tipo de
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perseguição aos protestantes‖ (Revista Charisma, maio de 1994, citação de Dave
Hunt, A Mulher Montada na Besta (A Woman Rides the Beast) vol 1, 2001, p. 10,
tradução de Mary Schultze e Jarbas Aragão).

O mínimo que podemos dizer dessas palavras é que são arrogantes. Evangelizar,
para os evangélicos, é o mesmo que respirar. São trinta milhões de pregadores da
Palavra, noite e dia, por todo esse Brasil. Convidamos as pessoas para aceitarem
a Cristo Jesus como Senhor e suficiente Salvador. ―As armas da nossa milícia não
são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas‖ (2 Co
10.4).

O romanismo precisa entender que o tempo das conversões forçadas ficou para
trás. Esse tipo de conversão à força da espada só funciona nos governos
fascistas, quando clero e Estado entram em acordo para oprimir, exterminar,
coagir e impedir o livre exercício da liberdade religiosa. Essa força-tarefa
funcionou durante mais de mil anos com a famigerada Inquisição; funcionou nos
500 anos de perseguição sistemática aos judeus; obteve ―êxito‖ na Iugoslávia
(Croácia), durante a Segunda Guerra Mundial, para deter o avanço da Igreja
Ortodoxa; neste massacre colossal, 400 sacerdotes ortodoxos foram enviados a
campos de concentração e 700 foram mortos; vinte e cinco por cento dos
mosteiros e igrejas ortodoxas foram destruídos; em quatro anos (1941/1945) de
massacre, 850.000 membros da Igreja Ortodoxa pereceram, além de 30.000
judeus e 40.000 ciganos; a mesma força-tarefa funcionou no esforço de catolizar o
Vietnã do Sul, quando da perseguição de milhares de budistas, a partir de 1963;
funcionou bem no Equador, em razão da Concordata de 1862, pela qual o
catolicismo romano se estabeleceu como religião estatal, proibido qualquer outro
tipo de crença; a força-tarefa funcionou em 1948 na Colômbia, tempo em que
muitos não católicos foram assassinados, centenas de igrejas evangélicas
queimadas e escolas protestantes fechadas.

Embora o espírito inquisitorial continue em atividade, já não surtem efeito no Brasil


as ameaças de excomunhão; a espada não pode ser usada e as beatificações não
conseguem evitar que os brasileiros ouçam a Palavra e busquem ao Deus vivo.

O SANGUE DOS MÁRTIRES


Um dos obstáculos à concretização do sonho ecumênico, na amplitude desejada,
não reside apenas nas diferenças doutrinárias, nos descaminhos que se foram
somando ao longo dos séculos na Igreja Católica, na irreversibilidade das
decisões pontifícias e conciliares. Apesar dos tímidos pedidos de perdão, em face
de alguns erros cometidos por infalíveis papas, a Hierarquia Católica por muitos
séculos ainda, e até o fim dos tempos gastará muita tinta para minimizar os
estragos que sofreu em razão de seus erros.

Ocorre que o sangue os mártires produziu uma nódoa indelével na memória dos
povos. Embora haja perdão nos corações, a História não pode ser apagada.
Centenas de livros e artigos na internet e nas livrarias expõem a maldita chaga
das Cruzadas, da Inquisição na idade das trevas; da Inquisição na Croácia e no
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Vietnã do Sul; dos acordos com governos fascistas. A Igreja Católica já foi julgada
pela História. O derradeiro julgamento, impossível de ser evitado, porque diante
dele todo joelho se dobrará, será o do Tribunal do Grande Trono Branco.

Parte V
O ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - V
Há apenas nove anos, no dia 29 de março de 1994, após exaustivo planejamento
e cuidadoso exame, líderes católicos e evangélicos americanos assinaram uma
declaração conjunta intitulada ―Evangélicos e Católicos Unidos - A Missão Cristã
no Terceiro Milênio‖. Foi um evento significativo na história da cristandade. Dave
Hunt, em ―A Mulher Montada na Besta‖ , ressalta com propriedade que, apesar de
a declaração coletiva ter levado em conta algumas diferenças básicas entre
católicos e evangélicos, a mais importante não mereceu qualquer atenção, ou
seja, o que significa ser cristão nas duas crenças.

Bastaria colocar em pauta o conceito de cristão para que não houvesse qualquer
acordo. Como vimos nos pronunciamentos oficiais do catolicismo, cristão é o que
está filiado à Igreja Católica. Basta preencher a ficha de inscrição, ser batizado e
participar dos sacramentos. Agora, depois de quase uma década, o Vaticano
declara que esses irmãos separados, signatários da Declaração, não são igreja no
sentido próprio, e estão em situação de penúria diante de Deus. Ou seja, estão
desgraçados, sem a graça divina. Diz Dave Hunt:

―O elemento-chave por trás dessa histórica declaração conjunta é a anteriormente


inimaginável admissão, por parte dos líderes evangélicos, de que a participação
ativa da Igreja católica faz de alguém um cristão. Se esse realmente é o caso,
então a Reforma não passou de um erro trágico. Os milhões que foram
martirizados (durante dez séculos antes da Reforma e até os dias de hoje) por
rejeitar o catolicismo como um falso evangelho, terão morrido em vão. Se,
contudo, os reformadores tinham razão, então este acordo entre católicos e
evangélicos seria o golpe mais astuto e mortal contra o Evangelho de Cristo em
toda a história da Igreja‖.

―As diferenças teológicas entre católicos e protestantes já foram consideradas tão


grandes, que milhões morreram como mártires para não comprometê-las, e seus
executores católicos estavam igualmente convencidos da importância de tais
diferenças. Como podem essas diferenças ter desaparecido? O que levou os
líderes evangélicos a declarar que o evangelho do catolicismo, que os
reformadores denunciaram como herético, agora tornou-se bíblico? Esse
evangelho não mudou em nada. Será que a convicção foi comprometida a fim de
criar uma imensa coalizão entre os conservadores por uma ação social e política‖?

Alguns imaginaram que esse acordo marcaria um passo decisivo rumo a um


entendimento e aceitação mútua. Enfim, a Igreja Católica iria aceitar os ―hereges‖
como verdadeiros irmãos. Engano. Estavam longe de imaginar que anos mais
tarde o Vaticano mostraria mais uma vez a sua face real.

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Detectamos uma tremenda inversão de valores no trato de tais questões. Nós, que
primamos pela verdade bíblica, e que vemos unicamente em Jesus a possibilidade
de salvação, nós é que devemos refletir se podemos considerar como cristã uma
religião que se desfigurou ao longo do tempo como cristianismo autêntico.

A Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, em repúdio às declarações da


Dominus Iesus, inicia sua carta de 13.09.2000 à Igreja Católica, do seguinte modo:

―Vimos manifestar-lhe a nossa desilusão e tristeza ao ver que, passados trinta e


cinco anos da realização do Concílio Vaticano II, as mais altas figuras da Igreja
Católica Romana (ICR) ainda são capazes de produzir um documento como a
"Dominus Iesus" que, no mínimo, se reveste de uma grande insensibilidade
ecumênica. A Declaração nada traz de novo. Tudo o que ela contem já foi dito há
muitos anos e em muitos outros documentos. Neste sentido somos tentados a
dizer, como muitos, "Roma nunca muda"! Mas será que a participação activa, e
irreversível, da ICR no diálogo ecumênico durante as últimas décadas é
compatível com a inflexibilidade e o exclusivismo manifestados na "Dominus
Iesus"? Quando pensávamos que a "teoria do retorno" já havia desaparecido do
vocabulário ecumênico, constatamos que ela continua a orientar as relações da
ICR com as outras Igrejas Cristãs‖.

Parte VI
ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - IV
"DOMINUS IESUS"
Vejamos fragmentos dessa Declaração assinada pelo Cardeal Joseph Ratzinger,
e referendada pelo Papa João Paulo II em 6.08.2000, que causou surpresa e
consternação a muitos. Abaixo dos tópicos fazemos alguns comentários. Os grifos
são nossos:

―A Igreja Católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e


santo nessas religiões. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de
viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em
discordância com aquilo que ela afirma e ensina, muitas vezes reflectem um raio
daquela Verdade que ilumina todos os homens».

Um modo elegante de introduzir o assunto, porém anunciando uma inverdade.


Como veremos a seguir, o Vaticano exclui a possibilidade de existir alguma coisa
santa e verdadeira nas outras religiões. Mais de uma vez o Documento fala desse
raio de Verdade, provinda da Igreja Católica, que alcança as demais religiões.
Para melhor compreensão, a Igreja de Roma se assemelha à Lua, que recebe luz
(a Verdade) diretamente do Sol (Jesus) e a repassa à Terra (demais religiões).
Ora, a Verdade não vem a nós via Igreja Católica. Recebemo-la diretamente do
nosso Salvador, fonte de Luz e de Vida Eterna.

―Este diálogo, que faz parte da missão evangelizadora da Igreja, comporta uma
atitude de compreensão e uma relação de recíproco conhecimento e de mútuo
enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito da liberdade‖.
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São declarações que mais adiante ficam anuladas. Como a Igreja Católica poderia
se enriquecer num relacionamento com apóstatas, excomungados hereges,
alijados do Corpo de Cristo? ―Respeito à liberdade‖ soa muito mal diante dos
fatos.

―No exercício e aprofundamento teórico do diálogo entre a fé cristã e as demais


tradições religiosas surgem novos problemas, que se tenta solucionar, seguindo
novas pistas... É por isso que a Declaração retoma a doutrina contida nos
anteriores documentos do Magistério, para reafirmar as verdades que constituem
o património de fé da Igreja‖.

Em suma, diz o Documento que na Igreja Católica nada mudou. Continua a


mesma e continuam valendo documentos anteriores, pois que fazem parte do seu
patrimônio de fé. Afirmação desnecessária, pois sabemos todos que são
irrevogáveis as decisões dos ―infalíveis‖ papas. O Vaticano desconfia que a
aproximação dos católicos com os protestantes, via ecumenismo, é prejudicial aos
seus objetivos, haja vista o real ―perigo‖ decorrente dessa contínua familiaridade.

―O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de


índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de
facto, mas também de iure (ou de principio). Daí que se considerem superadas,
por exemplo, verdades como... a mediação salvífica universal da Igreja, a não
separação, embora com distinção, do Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja, a
subsistência na Igreja Católica da única Igreja de Cristo‖.

―Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto


filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade
revelada... a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da
Tradição e do Magistério da Igreja. E o mistério de Jesus Cristo e da Igreja
perdem o seu carácter de verdade absoluta e de universalidade salvífica‖.

Em outras palavras, ninguém deve ler e interpretar a Bíblia sem a intermediação


do Magistério da ICAR. Revela-se aqui o cuidado para que os católicos, em atos
ecumênicos, não se disponham a examinar livremente as Escrituras sem levar em
conta a Tradição, colocada pela ICAR no mesmo nível de autoridade da Bíblia. É
um alerta ao perigo do contágio ecumênico, para evitar que o ―vírus‖ da verdade
protestante e bíblica não se propague ainda mais.

―Nem sempre se tem presente essa distinção na reflexão hodierna, sendo


frequente identificar a fé teologal, que é aceitação da verdade revelada por Deus
Uno e Trino, com crença nas outras religiões, que é experiência religiosa ainda à
procura da verdade absoluta e ainda carecida do assentimento a Deus que
Se revela.”

À medida que a Declaração avança para o final, as palavras vão se tornando mais
duras, diretas e específicas. Se no começo foram ambíguas, certamente para não
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causar constrangimentos imediatos, agora elas se revelam sem nenhum receio de
declarar o que a Igreja Católica pensa dos não católicos.

―Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica —
radicada na sucessão apostólica — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja
Católica: Esta é a única Igreja de Cristo‖.

Se os não católicos desejam participar da Igreja de Cristo, então que reconheçam


e professem e declarem que a Igreja Católica é a verdadeira, a única instituída por
Cristo.

―Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste


[subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos
em comunhão com ele. Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II
quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de
Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na
Igreja Católica e, por outro, a de que existem numerosos elementos de
santificação e de verdade fora da sua composição, isto é, nas Igrejas e
Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja
Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que o seu valor deriva da mesma
plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica‖.

“Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica,
governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As
Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se
mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão
apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares... Por isso,
também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte
a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica
do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente tem e
exerce sobre toda a Igreja‖.

As demais igrejas possuem elementos de santificação, mas não plena, pois lhes
falta o vínculo à Igreja-Mãe, diz a Declaração. Dizer que existem elementos de
santificação e de verdade nas demais igrejas, deixa margem a dúvidas. É uma
ambigüidade. O que significa mesmo possuir elementos de santificação e verdade
e não ser Igreja de Cristo, não ser santa nem verdadeira? As igrejas que mantém
estreitíssimos laços com a ―Depositária da Verdade‖ podem usufruir das benesses
da graça divina, porém derivada da graça revelada à Igreja de Roma. Os
acatólicos, diz o Documento, não podem obter graça sem a intermediação da
Igreja tronco, única e verdadeira.

“As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado


e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em
sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão
pelo Baptismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão,
se bem que imperfeita, com a Igreja‖.
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―Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse
a soma — diferenciada e, de certo modo, também unitária — das Igrejas e
Comunidades eclesiais; a Eucaristia e da plena comunhão na Igreja‖. Daí a
necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de
salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa
salvação...”.

Não somos igreja, mas podemos batizar, e os batizados são incorporados a


Cristo, porém há necessidade de ingressarem na Igreja Católica para serem
salvos. Mais ambigüidades. Somos ou não somos Corpo de Cristo. Somos ou não
somos cristãos. Somos ou não somos filhos de Deus. A declaração mais
estapafúrdia é a de que os homens precisam da Igreja Católica para salvação.

―Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, a salvação
de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma
misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas
ilumina convenientemente a sua situação interior...‖

―Seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de


salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem
complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora
convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus‖.

Ecumenismo, para o catolicismo, representa incorporação, adesão. O Vaticano


não entende que nenhuma igreja é caminho de salvação. O Caminho é Jesus.
Aquele que nele crê será salvo, e passa a fazer parte da verdadeira Igreja de
Cristo. Em todo o Documento está nítida a crença de que a Igreja Católica é o
Caminho, e fora dela não há salvação. Ser batizado, participar dos Sacramentos e
pertencer à Igreja-Mãe são condições que levariam à salvação. Nada mais
contrário ao ensino das Sagradas Escrituras. O Corpo de Cristo é o somatório de
todos os salvos em Cristo, vivos ou mortos, de todas as épocas.

"Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel
de preparação ao Evangelho... Não se lhes pode porém atribuir a origem
divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos
cristãos. Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça
divina, também é verdade que objectivamente se encontram numa situação
gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a
plenitude dos meios de salvação”.

As palavras do Vaticano se revelam aqui na plenitude de seu exclusivismo. Tudo


agora ficou bem claro. Não há salvação para os que estão fora do catolicismo. A
situação destes é grave e deficitária, pois só Roma tem a plenitude dos meios de
salvação. Os protestantes têm o único e verdadeiro caminho de salvação: JESUS
CRISTO.

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―A paridade, que é um pressuposto do diálogo, refere-se à igual dignidade pessoal
das partes, não aos conteúdos doutrinais e muito menos a Jesus Cristo — que é o
próprio Deus feito Homem — em relação com os fundadores das outras religiões‖.

O Documento esclarece que não pode haver igualdade no diálogo ecumênico. Os


católicos poderão dele participar, mas cientes de que estão em nível mais
elevado. Ora, a Igreja de Cristo representa a soma dos que nEle confiam e a Ele
consagram suas vidas. Realmente não se pode falar em paridade em relação aos
conteúdos doutrinais, pois a maioria dos dogmas da ICAR está em desacordo com
a Bíblia Sagrada.

“A Igreja, com efeito, movida pela caridade e pelo respeito da liberdade, deve
empenhar-se, antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade,
definitivamente revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da
conversão a Jesus Cristo e da adesão à Igreja através do Baptismo e dos
outros sacramentos, para participar de modo pleno na comunhão com Deus
Pai, Filho e Espírito Santo”.

“Os Padres do Concílio Vaticano II, debruçando-se sobre o tema da


verdadeira religião, afirmaram: « Acreditamos que esta única verdadeira
religião se verifica na Igreja Católica e Apostólica...”.

O Vaticano não pode falar em ―respeito da liberdade‖, nem do respeito às crenças


dos não católicos sem antes fazer mea-culpa. Que primeiramente admita seus
erros e o fato de que a Igreja Católica tem contribuído para cercear essa
liberdade. O Documento deixa para o fim a declaração mais importante: somente
mediante adesão ao catolicismo, mediante batismo e participação dos
sacramentos o homem pode participar da plena comunhão com Deus. O que não
é verdade: ―Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de
vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie‖ (Ef 2.8-9). Para
sermos recebidos como filhos de Deus, basta crer, confiar e obedecer: "Mas a
todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de
serem feitos filhos de Deus; filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da
carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1.12,13).

Parte VII
ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - III
PALAVRA DA DIOCESE
A Diocese de Pelotas (RS) divulgou em sua Home Page algumas considerações
sobre o Ecumenismo.

Destacamos:

―Ecumenismo é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das


divisões entre as diferentes Igrejas Cristãs: os católicos, os ortodoxos, os
protestantes, os crentes, os evangélicos. É o caminho proposto por Jesus: "que
todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em
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nós e o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17,21). Unidade não é a mesma
coisa que uniformidade; sermos diferentes pode ser, dentro de certos limites, uma
coisa muito enriquecedora‖.

―O Ecumenismo significa: conversão de coração para reconhecer o que há de bom


nas outras Igrejas cristãs; procurar conhecer as outras Igrejas, sem preconceito e
sem ingenuidade; tratar as outras Igrejas como gostamos que a nossa seja
tratada‖.

Estas notas soam dissonantes na orquestra ecumênica sob a batuta do Vaticano.


A afirmação ―outras Igrejas cristãs‖ sai do tom exigido na Dominus Iesus, mais
adiante examinada. Se existem outras igrejas cristãs, então a Igreja Católica e as
demais formam uma unidade. Mas uma encíclica de 1994 diz que ―as opiniões
diferentes são irreconciliáveis com a unidade‖. E a Dominus Iesus declara que ―os
fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a
soma das Igrejas e Comunidades eclesiais‖.

PALAVRAS DE D. ESTEVÃO BETTENCOURT

“O Ecumenismo é o movimento que visa a restabelecer a plena comunhão


entre a Igreja Católica e as demais denominações cristãs que no decorrer
dos séculos se foram separando do grande tronco católico: orientais
(nestorianos, dissidentes em 431; monofisitas em 451; ortodoxos em 1054),
protestantes separados em 1517, Velhos Católicos em 1870. O Ecumenismo
é algo inspirado pelo Espírito Santo em nosso século, quando se verifica
que as separações não têm mais as razões de ser que as suscitaram na
época da respectiva cisão. Em nossos dias há quase total identidade de
Credo entre católicos e cristãos orientais. Com o protestantismo o diálogo é
mais difícil [grifo nosso], dado o esfacelamento do bloco protestante, onde
as denominações mais recentes já perderam muito ou quase tudo do
patrimônio doutrinário genuinamente cristão, reduzindo o Cristianismo a
uma escola de bons costumes inspirados pela Bíblia sem referência explícita
aos sacramentos. Além das diferenças doutrinárias (ora mais, ora menos
apagadas), nota-se que uma das dificuldades para o bom entendimento entre
cristãos provém de questões de ordem histórica (as Cruzadas, por exemplo,
no Oriente...), cultural, nacionalista.... Aqueles que se dizem protestantes,
mas que não professam o verdadeiro Cristianismo estão alijados do Corpo
de Cristo, e, por conseguinte, não podem ser considerados cristãos”.

É evidente que não pertencem ao Corpo de Cristo os que não professam o


verdadeiro Cristianismo. Uma declaração nada mais do que óbvia. Nesse rol estão
católicos e evangélicos que não vivem o Cristianismo. Semelhantemente à
Dominus Iesus, como veremos a seguir, as palavras de D. Estevão longe estão de
admitir a paridade das igrejas cristãs. Como se vê, ser cristão, no entendimento do
Vaticano, não é pertencer a Cristo; é pertencer à Igreja de Roma. Não se pode
nivelar as igrejas evangélicas. Não cabe uma generalização com base em grupos
dissociados da verdade bíblica. Nas ―questões de ordem histórica‖, como citado,
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poderiam ter sido mencionados a famigerada Inquisição, as conversões forçadas e
o extermínio recente de Sérvios ortodoxos, dentre outras.

COMENTÁRIOS DE UM PASTOR
Do pastor Addson Araújo Costa:

―Ademais, esta onda de ecumenismo de uma "união" religiosa está cheia de


hipocrisia, enquanto nas capitais do Brasil artistas padres propõem o conchavo, no
interior padres organizam abaixo-assinados para impedir a entrada de novas
igrejas naquelas cidades. A sua proposta de "amor" está condicionada à adesão,
caso esta não ocorra eis a rejeição, o escrutínio pessoal dos líderes, depreciação
daquelas igrejas, a exclusão mental dos crentes e todo tipo de prejulgamentos‖.
“Cabe agora aos evangélicos se irão querer uma nova inquisição travestida
de comunhão, ou seja estar dentro da barriga do leão. Ou se continuarão
avante, lutando teológica e biblicamente, por um evangelho autêntico que
transforma vidas; se continuarão afirmando que o único Cabeça da Igreja é
Cristo, e não um Papa, sabendo portanto que as igrejas e pastores são
independentes e autônomos diante de Deus, de conselhos e hierarquias
inventadas e portanto contrárias à Bíblia... A Igreja do Senhor Jesus não é
uma instituição em que se nasce nela, mas que se entra nela por meio da fé
em Cristo Jesus; ademais a verdadeira Igreja Universal de Cristo não é uma
instituição visível e humana e sim composta por todos os salvos desde o
Pentecostes até a vinda do Senhor.

CONSELHO DE IGREJAS

Vejamos alguns tópicos da declaração assinada pelo Pastor Walter Altmann,


Presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas - CLAI, entidade criada em
1978, e que representa 155 igrejas e organismos ecumênicos em todo o
continente latino-americano:

“Com grande surpresa e, mesmo, consternação, o CLAI (Conselho Latino-


Americano de Igrejas) tomou conhecimento da «Declaração “Dominus
Iesus” sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da
Igreja», firmada pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do
Vaticano, Cardeal Joseph Ratzinger. O CLAI lamenta detectar nela um
obstáculo a mais ao ecumenismo, provindo do interior da Igreja Católica
Romana, de alto nível e referendada pelo Papa João Paulo II...

―Ao contrário, toma o ensejo para afirmar um exclusivismo católico-romano que


em nada pode contribuir para fazer avançar a causa ecumênica, abalando, ao
invés, a credibilidade do testemunho de Cristo que nos é comum‖.

―Aliás, não é nem tanto na classificação das igrejas protestantes como ―não-
igrejas‖ em sentido verdadeiro que reside a maior causa para o desapontamento
suscitado pela Declaração, mas sim em suas preocupantes omissões‖.

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A polêmica e surpreendente “Dominus Iesus” foi uma água fria na fervura do
ecumenismo cristão. Em poucas palavras colocou por terra anos de trabalho
em prol do diálogo. Essa declaração nasceu no seio da Sagrada
Congregação para a Doutrina da Fé, antes denominada Tribunal do Santo
Ofício (Inquisição) e Congregação do Santo Ofício. O espírito conservador,
exclusivista e totalitarista continua encarnado na pessoa do cardeal Joseph
Ratzinger, seu responsável.

PALAVRA DA MÍDIA
Notícia do Jornal da Tarde, em 6.9.2000, sob o título “O mais duro golpe no
ecumenismo”:
―A divulgação de trechos do documento Dominus Jesus (Senhor Jesus, em latim)
provocou reações negativas entre líderes de outras igrejas cristãs. Em Paris, o
presidente da Federação Protestante da França, pastor Jean Arnold de Clermont,
disse que o documento era uma "triste surpresa". Para o presidente do Conselho
da Igreja Evangélica Alemã, reverendo Manfred Kock, foi um "revés". Na
Inglaterra, o chefe da Igreja Anglicana, George Carey, disse que o texto parece
ignorar 30 anos de diálogo ecumênico‖.

Artigo publicado em “O Estado de S.Paulo, 28.09.2000, com o título “Um


retrocesso no ecumenismo religioso”, assinado pelo embaixador Antonio
Amaral De Sampaio, diplomata aposentado. Alguns trechos:

―A declaração formulada recentemente pela Congregação da Doutrina da Fé,


denominada Dominus Iesus, consagra surpreendente retrocesso na política da
Igreja Católica com referência ao ecumenismo religioso, a qual havia registrado
avanços durante o pontificado de João Paulo II.

Situação esta que agora incorre no risco de ser comprometida, caso seja mesmo
alçado a posição oficial do Vaticano o resultado das elucubrações orientadas e
dirigidas pelo cardeal Joseph Ratzinger, o principal guardião da doutrina católica.
O referido prelado é o tradicionalista prefeito da antiga Sagrada Congregação do
Santo-Ofício, que, se hoje ostenta outra denominação, mais consentânea com a
atualidade, ainda não logrou libertar-se do espírito do passado, que gerenciou a
Inquisição, perseguiu heréticos e fez perecer na fogueira milhares de inocentes
[grifo nosso], vítimas de superstições, da ignorância e maldade humanas, ou, mais
simplesmente, apenas fiéis de outras confissões, algumas tão respeitáveis quanto
aquela que tem sua sede política, administrativa e doutrinária em Roma. Significa
ela um verdadeiro salto para trás, ensaiado - o que para alguns se afigura
inquietante - no mesmo contexto temporal que trouxe a canonização de Pio IX
(Giovanni Maria Mastai-Ferretti). Esse papa do século 19, hoje mais conhecido
como o autor intelectual do Syllabus, foi também o formulador do dogma da
infalibilidade pontifícia.

A essência do dictum do cardeal Ratzinger estabelece que os indivíduos apenas


podem alcançar a salvação dos pecados por meio das graças espirituais da Igreja
Católica; que as demais confissões religiosas - incluindo os diversos ramos do
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protestantismo - padecem de equívocos que colocam seus fiéis em situação de
deficiência na busca da salvação.

Não se compreende que tal se aplique no caso de outras denominações cristãs de


consagrada respeitabilidade, assim como do judaísmo e do Islã.

O pontificado de João Paulo II aproxima-se de seu termo e o papa, avassalado


pela doença de Parkinson e outros achaques próprios de sua avançada idade,
agravados pelo atentado que sofreu, parece que deixou progressivamente de
exercer, sobre a hierarquia eclesiástica e o clero em geral, os poderes de
comando e controle que constituem uma de suas prerrogativas‖. (No próximo
bloco, a Declaração Dominus Iesus).

Parte VIII
ECUMENISMO E O SANGUE DOS MÁRTIRES - II
Em 1 de novembro de 1215 iniciou-se o IV Concílio de Latrão convocado pelo
papa Inocêncio III através da Bula Vineam Domini Sabaoth, de 10 de abril de
1213. Nele, os hereges são apresentados como os que devem ser combatidos por
suas ―doutrinas insensatas, fruto de uma cegueira provocada pelo pai da mentira.
Suas heresias estão dirigidas contra a fé santa, católica e ortodoxa, sendo um
perigo para a unidade da fé da cristandade‖ [grifo nosso]. Diz mais:

―Condenamos a todos os hereges sob qualquer denominação com que se


apresentem; embora seus rostos sejam diferentes, estes se encontram atados por
uma cola, pois a vaidade os une‖.

―Assim como o diabo e os demônios, criados por Deus naturalmente bons, pela
vaidade foram expulsos do paraíso, também por causa da vaidade os hereges
devem ser expulsos do convívio social [grifo nosso]. Os condenados por heresia
devem ser entregues às autoridades seculares para serem castigados. No caso de
clérigos, deverão ser desligados de suas Ordens. Quanto aos bens, serão
confiscados [grifo nosso]‖.

―Os que se armarem para dar caça aos hereges, gozarão da indulgência e do
santo privilégio concedidos aos que vão, em ajuda, à Terra Santa ".

ENCÍCLICAS SOBRE O ECUMENISMO


"Com o poder e autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de
Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas [grifo nosso]. Por este
título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido a
vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a
celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina, e a vida cristã. Compete
ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém
for tentado a esquecê-lo em função dos próprios interesses [grifo nosso]. Tem o
dever de advertir, premunir e, às vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé
esta ou aquela opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala
em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda - em
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condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio Vaticano I - declarar ex
cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este
testemunho à verdade, ele serve a unidade." (Encíclica Sobre o Empenho
Ecumênico. 1994).

―A comunhão de todas as Igrejas particulares com a Igreja de Roma: condição


necessária para a unidade. A Igreja Católica, tanto na sua praxis como nos textos
oficiais, sustenta que a comunhão das Igrejas particulares com a Igreja de Roma,
e dos seus Bispos com o Bispo de Roma, é um requisito essencial - no desígnio
de Deus - para a comunhão plena e visível. De facto, é necessário que a plena
comunhão, de que a Eucaristia é a suprema manifestação sacramental, tenha a
sua expressão visível num ministério em que todos os Bispos se reconheçam
unidos em Cristo, e todos os fiéis encontrem a confirmação da própria fé. A
primeira parte dos Actos dos Apóstolos apresenta Pedro como aquele que fala em
nome do grupo apostólico e serve a unidade da comunidade - e isto no respeito da
autoridade de Tiago, chefe da Igreja de Jerusalém. Esta função de Pedro deve
permanecer na Igreja [grifo nosso] para que, sob o seu único Chefe que é Cristo
Jesus, ela seja no mundo, visivelmente, a comunhão de todos os seus discípulos"
(Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).

Essas palavras são traduzidas da seguinte forma: É possível a aproximação


ecumênica, desde que reconhecida a supremacia da Igreja Católica, gerida pelo
Vigário de Cristo, o Papa, como sucessor de Pedro, a quem compete advertir e
avaliar as opiniões contrárias.

Da Encíclica Moratlium Ânimos, de 10.01.1928, do papa Pio XI, vejamos algumas


diretrizes do tópico ―a única maneira de unir todos os cristãos‖;
―Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca
permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é
lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno
dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], dado que outrora,
infelizmente, eles se apartaram dela‖.

―Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor.


12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria
inépcia e estultícia afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e
separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está
unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). A Obediência ao Romano Pontífice -
Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não
ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores
legítimos‖ [grifo nosso].

―Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os


nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, "Mãe e Mestra de todos os
fiéis de Cristo" (Conc. Later 4, c.5)‖?

―Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida


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nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o
seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é "raiz e matriz da Igreja Católica" (S.
Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que "a Igreja
do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade" (1 Tim 3,15) renuncie à
integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se
entreguem a seu magistério e regime‖ [grifo nosso].

O ―infalível‖ papa Pio XI não usou de meias palavras para expressar o


pensamento do Vaticano com relação aos não católicos. Em resumo, disse que só
fazem do Corpo de Cristo os que reconhecem e acatam o poder do Papa, como
legítimo sucessor de Pedro. Disse mais, de forma inequívoca, que a união dos
cristãos só será possível com o retorno dos irmãos separados ao catolicismo.
alguns avanços localizados, não há muito para comemorar em termos de
progresso do diálogo sincero e fraterno, da aceitação mútua, do entendimento
consensual entre o catolicismo e demais igrejas, da participação conjunta de
católicos e acatólicos em movimentos evangelísticos e sociais.

Estamos convictos de que barreiras intransponíveis impedem a plena realização


das propostas do ecumenismo cristão, que tenta a aproximação entre os ramos da
cristandade: a Igreja Católica, a Igreja Protestante, a Ortodoxa, e outras. Com o
objetivo de identificar tais óbices, divulgaremos neste trabalho diversos
pronunciamentos, decisões conciliares, palavra ex cathedra de ―infalíveis‖ papas,
da hierarquia católica, de órgãos ligados ao movimento ecumênico, de jornalistas
e pesquisadores.

CONCÍLIO DE TRENTO
Convocado pelo papa Paulo III, o Concílio de Trento (1545-1563) condenou com
anátemas todas as teses reformistas dos protestantes acerca da Fé Católica e dos
Sacramentos. Vejamos alguns dos cânones.
―Cân. 13. Se alguém disser que para conseguir a remissão dos pecados é
necessário a todo homem crer certamente e sem hesitação alguma, mesmo em
vista da fraqueza e falta de preparação próprias, que os pecados lhe foram
perdoados — seja excomungado‖.
Antes de prosseguirmos, convém esclarecer que tais decisões estão plenamente
em vigor. O Código de Direito Canônico, cânon 333, parágrafo 3, declara: ―Não há
apelação ou recurso contra uma sentença ou decreto do pontífice romano‖. A
desobediência ao Papa, ―Vigário de Cristo‖, continua sendo a maior das heresias.
O dogma da infalibilidade papal também impede sejam revogadas quaisquer
decisões anteriores.
―Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos
instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a
saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e
Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente
sacramento — seja excomungado‖.

―Cân. 4. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários
para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela
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fé os homens alcançam de Deus a graça de justificação — ainda que nem todos
[os sacramentos], seja excomungado‖.

―Cân. 6. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não encerram a graça
que significam; ou que não conferem a graça aos que lhes não opõem óbice,
como se fossem apenas sinais externos da graça ou justiça recebida pela fé, e
certos sinais da Religião cristã, com que entre os homens se distinguem os fiéis
dos infiéis — seja excomungado‖.

―Cân. 8. Se alguém disser que pelos mesmos sacramentos da Nova Lei não se
confere a graça só pela sua recepção (ex opere operato), mas que para receber a
graça basta só a fé na promessa divina — seja excomungado‖.
Cân. 10. Se alguém disser que todos os cristãos têm o poder de administrar a
palavra de Deus e todos os sacramentos — seja excomungado.

―Cân. 3. Se alguém disser que na Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as


Igrejas, não reside a verdadeira doutrina acerca do sacramento do Batismo — seja
excomungado‖.

―Cân. 12. Se alguém disser que ninguém deve ser batizado senão na idade em
que Cristo se deixou batizar, ou na hora da morte - seja excomungado‖.
Como os ―irmãos separados‖, fiéis às doutrinas bíblicas, continuam pensando do
mesmo modo, ou seja, continuam desobedientes ao papa, estamos todos
excomungados. Aqui começam os primeiros óbices à pretensão ecumênica. Que
conciliação pode haver entre excomungantes e excomungados? Entre a ―única
Igreja verdadeira‖ e um bando de ―hereges‖ que resolveu aceitar Jesus como
Senhor e Salvador pessoal?

No período das trevas, tempo em que as fogueiras da Inquisição queimavam


continuamente, a excomunhão – apartar o infiel da comunhão da Igreja - era uma
arma poderosa nas mãos do catolicismo. Diante dessa ameaça, até reis e
príncipes tremiam e temiam.

DOCUMENTO EPISCOPAL
Extraímos algumas passagens das explicações do Revmo. Antonio, Bispo de
Campos, de 19.03.1966, ao comentar as decisões do Concílio Ecumênico
Vaticano II:
―Eis que, como a propósito da adaptação, também sobre a falsa aplicação do
ecumenismo advertiu Papa os fiéis. Segundo despachos das agências
telegráficas, teria o Santo Padre observado, em uma de suas Alocuções nas
audiências gerais, que o apostolado junto aos irmãos separados não está isento
de ilusões e perigos [grifo nosso]. Ilusões, por uma esperança sem fundamento,
perigo pela possibilidade de, no desejo ardente de obter a conversão do herege ou
apóstata, falsear o sentido da verdade revelada, ou não expô-la na sua
integridade. O texto transmitido pelas agências telegráficas é o seguinte: ―Há uma
tomada de posição, também por parte daqueles que demonstram demasiado
entusiasmo, como se os contactos com irmãos separados fossem fáceis e sem
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perigo....‖[grifo nosso].
Os milhões que tiveram um encontro com a verdade ficaram muito felizes por
saberem que a salvação não é conseguida por pertencer a esta ou àquela
denominação, mas por consagrar suas vidas a Cristo Jesus.
―A primeira condição para um apostolado frutuoso junto aos nossos irmãos
separados é fugir a todos e quaisquer irenismo doutrinário [atitude conciliadora],
ainda que implícito‖.
―Entre os preceitos divinos, está a obrigação de ingressar na Igreja Católica [grifo
nosso], instituída por Jesus Cristo como meio único de salvação para todos os
homens. Como conseqüência, a condição do católico é essencialmente diferente
da condição do não católico. O católico, pelo fato de pertencer à Igreja verdadeira,
não tem motivo algum para duvidar de que esteja na posse da verdade. O não
católico está em condição perfeitamente inversa. Ele não está de posse da
verdade [grifo nosso], de maneira que tem todo motivo para duvidar de sua
posição religiosa. E se estiver de boa fé, mais facilmente será levado a perceber a
falta de fundamento para suas convicções‖.
―Estes pontos são pacíficos na teologia católica, e foram objeto de ensino
autêntico do Magistério Eclesiástico. A excelência da condição do católico com
relação ao não católico, com a conseqüente obrigação, foi definida pelo Concílio
Vaticano I (cf. sess. III, cap. III e can. 6).
―Dentro desses princípios, devemos levar o mais longe possível a nossa caridade
com os irmãos separados. Sem esquecer a condição de ―separados‖, isto é
afastados da verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], devemos ter presente a todo
momento sua prerrogativa de ―irmãos‖, e esforçarmo-nos por utilizar os pontos que
justificam o apelativo de ―irmãos‖, para levá-los a uma reflexão mais profunda
sobre as realidades cristãs que ainda possuem, a fim de que as compreendam
melhor, e percebam que elas só adquirem sua verdadeira autenticidade na Igreja
Católica‖.
―Isso numa ação direta que a Providência poderá de nós exigir com nossos irmãos
separados, onde haja um desejo sincero de amar a verdade. Porquanto, com
aqueles que se fixaram na heresia, e a abraçam conscientemente, um diálogo
frutuoso é praticamente impossível [grifo nosso]. Podemos ainda e devemos nos
compadecer deles, e com nossas orações, penitências e outras boas obras,
empenhar a misericórdia divina, que os ilumine e lhes conceda a retidão de
vontade, de que hão mister, para chegarem à unidade autêntica do Cristianismo
na Igreja Romana‖ [grifo nosso].
―O que devemos evitar – salvas as necessidades de uma justa e nobre polêmica
imposta pelo interesse das almas – são as expressões que possam, de qualquer
forma, magoar a nossos irmãos separados; isso ainda quando devamos suportar
com paciência as conseqüências de uma vontade que a heresia ou o cisma
tornaram mais especialmente ríspida conosco. Vale neste ponto o conselho de
São Paulo: procura vencer o mal com o bem (cf. Rom. 12, 21). Mesmo, porém,
com os que estão de boa fé, convém evitar a familiaridade [grifo nosso] consoante
o prudente e hoje sobremodo oportuno conselho de S. Tomás: ―para que nossa
familiaridade não dê aos outros ocasião de errar‖ (Quodlibetum 10, q. 7, a. 1 c).
Essas regras estão totalmente em conformidade com a Dominus Iesus editada no
ano 2000. Os princípios são os mesmos. Como já dissemos, a Igreja de Roma não
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muda e não pode mudar. Os pronunciamentos de hoje devem guardar coerência
com as práxis anteriores, por força da infalibilidade que os papas atribuíram a si
mesmos. Se constituímos uma ameaça e perigo; se os católicos são orientados a
não ter conosco qualquer tipo de familiaridade; se o diálogo com os protestantes
não os removerá de suas ―heresias‖; se não aceitamos o reingresso na ―Igreja
Verdadeira‖, então não há porque falar em ecumenismo.

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DO CURSO DE HERMENÊUTICA. INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA
BÍBLICA

DEFINIÇÃO DE HERMENÊUTICA E EXEGESE

Hermenêutica é a ciência e arte da interpretação. Trata-se de um conjunto de


regras e técnicas para a compreensão de textos. O termo vem do nome “Hermes” que,
segundo a mitologia grega, era o mensageiro e intérprete dos deuses.

Uso da Hermenêutica
- Literatura grega – para conciliar o mito e a filosofia. Os filósofos passaram
a ”interpretar” a mitologia ao invés de fazerem uma leitura literal, o que seria incompatível
com a filosofia.
- Direito – os advogados aplicam a hermenêutica quando interpretam as leis.
- Bíblia – aplicamos a hermenêutica quando a interpretamos.

Exegese é a aplicação prática dos princípios e regras da hermenêutica.

NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA

- A hermenêutica é necessária devido aos bloqueios à interpretação natural:


distância histórica, cultural, idiomática e filosófica. Nossa postura cultural funciona como
uma lente quando lemos a bíblia. Isto pode causar muitas distorções de sentido. A questão
idiomática faz com que a relação entre conceitos e palavras seja diferente de uma língua
para outra. A questão filosófica trata da diferença entre a cosmovisão dos autores bíblicos e
a do leitor atual. Cosmovisão é visão do mundo, maneira de entender o universo e as
relações entre seus elementos.

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- A hermenêutica é necessária para que os ensinamentos bíblicos possam ser
aplicados na atualidade. Para ser útil, o texto bíblico precisa ser lido, compreendido e
aplicado.

Um exemplo bíblico da necessidade e importância da hermenêutica está em


Atos 8.26-35. Filipe encontrou o eunuco etíope quando este lia o livro do profeta Isaías. O
evangelista lhe fez então uma pergunta que se aplica a todos os leitores da bíblia: “Entendes
o que lês”? Em seguida, Filipe começou a explicar-lhe o sentido do texto. O papel de
Filipe é comparável ao ministério dos pastores, evangelistas e mestres que, hoje,
interpretam as Escrituras e levam o ensinamento ao povo. Esta é uma missão de grande
valor e maior responsabilidade.
O eunuco, importante oficial do governo da Etiópia, nada compreendia sobre
as Escrituras. Da mesma forma, nos nossos dias muitos estão confusos ou totalmente
ignorantes em relação ao conteúdo da palavra de Deus e, principalmente, a respeito do seu
significado. Esta ignorância dá lugar aos seguintes erros:
- Invenção de versículos - Muitas pessoas mencionam ditados populares, ou
até impopulares, e afirmam se tratar de versículos bíblicos. Por exemplo: “Faça a tua parte
que eu te ajudarei”; “Não cai uma folha de uma árvore sem que seja da vontade de Deus”;
“Uma alma vale mais que o mundo inteiro”, etc. Algumas frases desse tipo podem até
conter uma idéia verdadeira, mas não estão escritas na bíblia.
- Distorção de versículos - Aprendemos muitos versículos por ouvi-los
citados por outras pessoas ou através da letra de alguma música. Algumas vezes, os
versículos sofrem ligeira alteração para se adequarem à melodia. Com isso, aprendemos um
texto que não corresponde ao que a bíblia diz, e isso pode conduzir a entendimentos
incorretos. Por exemplo, cita-se com freqüência o seguinte texto como se fosse passagem
bíblica: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão
acrescentadas”. Porém, o que Jesus disse foi: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua
justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. A troca de “estas” por “todas as
outras” muda totalmente o sentido do texto. Muitos estão esperando que Deus lhes dê
riqueza material, empresas, casas de luxo, carros importados, etc. Ele pode dar, mas Jesus
não prometeu isso. O que ele estava dizendo é que Deus daria a comida, a bebida, e as
vestes. “Estas” coisas são aquelas mencionadas nos versículos anteriores a Mateus 6.33.
- Isolamento de versículos – A facilidade de se guardar um pequeno
versículo transforma-se em risco na medida em que passamos a “compreendê-lo” fora do
seu contexto original. Sabemos muitos versículos sem, contudo, ter idéia a respeito do
capítulo ou do livro onde o mesmo se encontra inserido. Por exemplo: a maioria dos crentes
sabe de cor o texto de Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.
Normalmente, essa frase é usada como um tipo de afirmação do pensamento positivo,
indicando que, com a ajuda de Deus, o crente vai vencer sempre, estando sempre por cima,
sendo bem sucedido, ou seja, nada pode dar errado em seu caminho. O conhecimento do
contexto, contudo, nos faz saber que essa frase foi escrita por Paulo quando este estava na
prisão. Nos versículos anteriores, o apóstolo afirma que estava capacitado a passar por
situações boas ou ruins, ter abundância ou fome porque, disse ele, “tudo posso naquele que
me fortalece”. Isto não significa que todas as circunstâncias seriam positivas para Paulo,
mas que, sendo positivas ou não, ele estava pronto para passar por elas e continuar firme
em seu caminho com Deus.

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- Interpretação livre – o desconhecimento das regras e princípios da
hermenêutica faz com que muitos se aventurem de modo perigoso no terreno da
interpretação bíblica. Assim, não compreendem de fato as Escrituras, mas inventam um
sentido para o texto, de acordo com suas idéias e desejos. A hermenêutica nos permite uma
interpretação parametrizada. Os princípios e regras procuram nos impedir de cair no
precipício do erro teológico.
A idéia que muitas pessoas têm sobre o conteúdo bíblico e seu significado
pode ser ilustrada por um amontoado de letras e números embaralhados, borrados e
rabiscados. Os princípios da hermenêutica permitirão um processo de organização desses
elementos na medida do possível. Vamos colocar cada coisa em seu lugar: lei, graça, Israel,
igreja, passado, presente, futuro, Velho Testamento, Novo Testamento, letra, espírito, etc.
É verdade que nosso entendimento não ficará 100% claro e organizado. Isto se deve às
limitações humanas, incluindo limitações da hermenêutica, diante das grandezas espirituais,
mas vamos obter um nível de organização bastante razoável, o que nos permitirá uma boa
qualidade de interpretação bíblica e a possibilidade de evitarmos muitos erros absurdos.

OS RISCOS DAS INTERPRETAÇÕES EQUIVOCADAS

A falsa compreensão das Escrituras pode parecer algo inofensivo, mas sua
grande ameaça é a produção de heresias, que são falsas doutrinas baseadas no erro de
interpretação. Assim, muitos líderes exigem coisas absurdas e proíbem o que seria direito
legítimo dos fiéis. Fazendo isso em nome de Deus, prejudicam gravemente aqueles que
deveriam estar sendo conduzidos de modo sensato. Quantos líderes estão levando as
pessoas a ofertarem tudo no altar, sob o argumento de que elas serão abençoadas com
riqueza material? Quantos são proibidos de usarem roupas de determinada cor, proibidos de
se casarem, proibidos de comerem este ou aquele alimento (I Tm.4.1-3). É verdade que as
heresias não se limitam aos erros de interpretação bíblica, mas têm neles sua base principal.
Tais equívocos de compreensão bíblica produzem idéias erradas sobre Deus
e expectativas infundadas em relação ao cristianismo, que vão gerar frustração, revolta e
apostasia. O pior efeito possível desse processo é a perdição eterna.
As heresias são comparáveis a um alicerce de areia. Jesus disse que algumas
pessoas haveriam de ouvir a sua palavra, mas, por não obedecerem, seriam comparáveis ao
homem que edificou sua casa sobre a areia (Mt.7.26). Depois, por causa do vento, da chuva
e dos rios, aquela casa caiu. Por quê essas pessoas não obedeceram a palavra? Podemos
mencionar diversos motivos, mas, certamente, um deles é a falta de entendimento do
verdadeiro sentido das palavras do Senhor. É o caso daquela semente que caiu à beira do
caminho e foi levada pelas aves (Mt.13.19).

Muitas das religiões e denominações hoje existentes surgiram do falso


entendimento das Escrituras, embora outras tenham surgido do esforço de se corrigirem
erros do passado. As heresias têm duas fontes possíveis: o homem (Gálatas 5.19-20) e o
Diabo (Gn.3.1; Mt.4.6). Precisamos compreender bem a bíblia porque, de outro modo,
correremos o risco de cair no engano de Satanás ou ele simplesmente procurará se
aproveitar do nosso próprio engano.

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OS PRESSUPOSTOS NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Quando vamos ao encontro das Sagradas Escrituras, levamos conosco uma


série de pressupostos, ou seja, suposições prévias, preconceitos, expectativas e desejos. Já
vamos “preparados” para encontrar algo que nem sempre está lá ou, se está, não se encontra
em toda a parte nem na medida que gostaríamos.
Os pressupostos podem ser bons ou maus, importantes ou perigosos.
Depende de quais são eles e de como conduzem nossa compreensão e aplicação das
Escrituras. Exemplificando de modo prático: o policial que vai ao encontro do suspeito
pressupõe que o mesmo se encontra armado. Tal pressuposto pode salvar a vida do
policial, mas pode também levar à morte do suspeito. Depois do desfecho da situação, se
constatará se o indivíduo possuía ou não uma arma. Será tarde demais para corrigir um erro
cometido por causa de um pressuposto equivocado.
Os pressupostos são muito variados. Por exemplo, se uma turma de amigos
vai viajar, a expectativa de cada um pode ser bastante diferente dos demais, dependendo
dos desejos e interesses particulares.
Quem supervaloriza um tema, em detrimento de outros, tende a ver aquilo
por toda parte. Por exemplo, algumas pessoas têm preferência e grande interesse pela
escatologia. Terão, possivelmente, a tendência de fazer uma “leitura escatológica” de uma
grande porção das Escrituras ou até da sua totalidade. Isto pode produzir erros quando a
idéia escatológica não existe, de fato, em determinado texto. Quem tem preferência pelas
questões relacionadas à cura poderá se sentir propenso a relacionar tudo com esse assunto.
Outros temas que formam pressupostos atualmente são: prosperidade, batalha espiritual,
demônios, bênção e maldição, dízimos e ofertas, boas obras, etc. Um exemplo digno de
nota é o caso do escritor que afirmou que Jó perdeu tudo porque não era dizimista. Sua
preferência pelo tema produziu uma conclusão infundada. O mesmo autor afirma que o
dono dos porcos que foram destruídos pelos demônios sofreu aquele prejuízo por não ser
dizimista. Há também quem use o versículo de I Cor.9.7, “Deus ama quem dá com
alegria”, para se referir aos dízimos. Outro versículo usado com esse propósito é Lc.6.38.
Contudo, ambos os versos não se referem aos dízimos, mas à ajuda ao próximo. Podemos
extrair princípios que se aplicam a várias situações, mas não podemos afirmar que o
escritor bíblico estivesse se referindo ao assunto que gostaríamos.
A linha denominacional do leitor determina muitos dos seus pressupostos.
Assim, o pentecostal pode ter a tendência de ver tudo sob o prisma do poder, dos dons e do
Espírito Santo. O “tradicional” deixará de ver muitos desses aspectos. As ênfases
denominacionais podem criar uma espécie de “filtro” ou “lente” que poderá nos ajudar em
determinadas passagens bíblicas e provocar interpretações erradas em outras. No sentido
mais pejorativo, os pressupostos podem ser comparados a “trilhos”, “fôrmas” e “viseiras”.
O que fazer? Precisamos identificar nossos pressupostos, preconceitos, expectativas, e
julgar tudo isso sob a luz dos princípios hermenêuticos que, por sua natureza didática e
impessoal, podem nos conduzir a uma leitura bíblica mais consistente e fiel ao conteúdo
textual.
A religião do leitor ou sua linha teológica também produzirão muitos
pressupostos. Nós, cristãos, fazemos uma leitura cristã do Velho Testamento, embora Jesus
não seja ali mencionado literalmente. Evidentemente, temos razões suficientes no Novo
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Testamento para fazermos tal leitura do Velho. Os judeus, em geral, por não aceitarem o
Novo Testamento, também não admitem uma leitura cristã do Antigo.
Outro exemplo é o caso dos teólogos da libertação. Julgando que a salvação
seja um processo de libertação social e econômica, esses estudiosos lêem a bíblia com uma
visão diferente daqueles que entendem a salvação como um livramento, sobretudo
espiritual e eterno.
Católicos, espíritas e protestantes fazem leituras bíblicas diferentes. A idéia
que temos sobre Deus também interfere nessa leitura. Nossa cosmovisão, teologia,
soteriologia, etc, acabam formando um arcabouço teórico no qual procuramos encaixar o
que lemos na bíblia. Já nos aproximamos das Escrituras com muitos preconceitos
formados, quando deveríamos tomá-la “desarmados”.
Por exemplo, o texto de João 3.3, sobre o novo nascimento, é entendido
pelos espíritas como uma referência à reencarnação. Parece que Nicodemos também teve
um entendimento semelhante, mas foi imediatamente corrigido por Jesus, que lhe mostrou
tratar-se de um nascimento espiritual.
Alguém disse o seguinte: “O sapo acha que o mundo é um brejo”. Por outro
lado, “quem sempre viveu na terra seca pode duvidar que exista o mar”. Nossas
experiências e preferências podem criar muitos condicionamentos que levamos para a
leitura bíblica. Precisamos abrir nossa mente, com cuidado. Precisamos admitir que existem
na bíblia outros assuntos além daqueles que preferimos. Precisamos deixar que os autores
bíblicos falem, ao invés de colocarmos em suas palavras o significado que gostaríamos de
encontrar nelas.
Não quero dizer com isso que todos os pressupostos estejam errados.
Existem conceitos corretos e necessários que nos auxiliam na compreensão da Bíblia.
Questões como inerrância, inspiração, literalidade, veracidade e historicidade das
Escrituras, existência de Deus, divindade de Cristo, trindade, igreja, compreensão dos
conceitos de lei e graça e suas relações, tudo isso, quando compreendido corretamente, será
determinante para a interpretação bíblica. O fato de termos ou não algum tipo de
compromisso com Deus também influenciará nosso entendimento da Bíblia. Podemos vê-la
como uma carta de Deus para nós, ou como um documento estranho que fala sobre as
relações de povos antigos com um Deus que não conhecemos.

PRESSUPOSTOS IMPORTANTES

Nessa “viagem” do conhecimento bíblico, algumas “bagagens” são


necessárias. Alguns pressupostos são importantes e necessários, enquanto que outros
podem ser prejudiciais.
O estudante da bíblia precisa decidir sobre as questões apresentadas a seguir.
É preciso um posicionamento que pode ser definitivo ou provisório. Muitas vezes o fator
determinante para tal definição será a fé. Este é o elemento que separará o cristão de todos
os estudantes intelectuais das Escrituras, ainda que o verdadeiro crente também utilize suas
faculdades racionais para compreender a Palavra de Deus. Contudo, a razão será um
instrumento de auxílio, e não um fator determinante para a aceitação da bíblia.

Questões que vão influenciar a interpretação:

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O que a bíblia é? livro de Deus para o homem, livro do homem sobre Deus,
palavra de Deus, livro de história, livro de lendas, livro didático ou manual?
O que a bíblia contém? (não inverta; não negue; são aspectos importantes,
embora secundários) história, geografia, ciência, sociologia, filosofia, poesia, antropologia,
teologia, palavra de Deus, palavras do homem?
A posição evangélica é de que a bíblia é a palavra de Deus e contém história,
geografia, ciência, sociologia, filosofia, poesia, etc. Não podemos negar esses elementos
nem considerá-los como se algum deles fosse o conteúdo bíblico principal ou razão de sua
existência. A bíblia existe para que a alma humana seja salva. Seu conteúdo inclui uma
série de temas que emolduram a mensagem de salvação.
Como a bíblia é? Está em questão a inerrância e a inspiração. Entre aqueles
que admitem que a bíblia seja um livro inspirado, existem supostas diferenças entre níveis
de inspiração. Alguns acreditam que os escritores bíblicos estavam tão inspirados quanto
um poeta ou um compositor qualquer. Outros acreditam na inspiração divina em cada letra
ou palavra escrita. Nós cremos que os autores bíblicos foram inspirados, ou seja, orientados
por Deus para escreverem as Sagradas Escrituras, mas tinham liberdade para usarem seu
estilo pessoal e seu nível de conhecimento e cultura. Contudo, as porções proféticas são
produzidas de modo mais direto por Deus. Os relatos históricos dependiam do
conhecimento do escritor. Por exemplo, podemos citar os evangelhos. Por quê eles não são
idênticos? Porque cada livro foi produzido de acordo com as informações que cada autor
possuía. Entretanto, todos foram inspirados por Deus para escreverem. Paulo, ao escrever
para Timóteo, mostrou sua própria posição em relação a este assunto, considerando toda a
Escritura divinamente inspirada. Naquele momento, a Escritura disponível e reconhecida
como palavra de Deus era o Velho Testamento (II Tm.3.16).
Quanto à inerrância, a bíblia é perfeita para os fins aos quais se destina. Não
devemos buscar ali exatidão literal em declarações secundárias sobre aspectos científicos.
Por exemplo, dizer que “o sol parou” era suficiente para a compreensão dos leitores
contemporâneos de Josué. Afinal, as Escrituras precisavam usar uma linguagem
compreensível para a época. Hoje, muitos questionam a referida passagem dizendo que ali
existe um erro, pois, na realidade, é a terra que se move em torno do sol. Entretanto, dizer
que o sol “nasce” pela manhã, é uma expressão bíblica (Ec.1.3) que usamos até hoje, e isto
não significa erro, senão uma figura de linguagem.
Na bíblia encontramos também arredondamentos numéricos. Tal prática é
usada também nos dias atuais. Quando dizemos que a população mundial é de 6 bilhões de
pessoas, estamos, obrigatoriamente, arredondando. Ninguém sabe quantas pessoas existem
no planeta. Mesmo numa cidade grande, não se sabe quantas pessoas existem, mas a
definição de um número, mesmo que aproximado, será útil para os planejamentos do
governo. Assim, a bíblia apresenta muitos números aproximados, o que era perfeitamente
satisfatório para os fins desejados. Um exemplo é a idade de Noé. Gênesis 5.32 diz que
Noé viveu 500 anos e gerou Sem, Cão e Jafé. Temos aí um resumo e um arredondamento.
Lendo o versículo, podemos imaginar que os três filhos de Noé eram gêmeos e nasceram
quando o pai tinha 500 anos. Contudo, em Gênesis 10.21 somos informados de que Sem
era mais velho que seus irmãos. Em Gênesis 11.10, vemos que Sem tinha 100 anos quando
gerou Arfaxade, e isto ocorreu dois anos depois do dilúvio. Sabendo que o dilúvio ocorreu
quando Noé tinha 600 anos (Gn.7.11), concluímos que quando Sem tinha 100 anos, Noé
tinha 602. Logo, Sem nasceu quando Noé tinha 502 anos. Fica então demonstrado que em
Gênesis 5.32 existe arredondamento numérico.
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Ao extrairmos um versículo bíblico para aplicação, precisamos estar bem
conscientes do seu contexto, autoria, etc. Por exemplo, o livro de Jó contém inúmeras
declarações de seus amigos. No final, Deus diz que as palavras que eles disseram não eram
retas (Jó 42.7). Portanto, ali existem palavras humanas, poéticas, muito bem elaboradas,
porém erradas. As declarações daqueles homens estavam essencialmente incorretas ou só
não eram adequadas para o caso de Jó? Precisamos compará-las ao contexto bíblico geral
antes de extrairmos dali princípios norteadores para a nossa relação com Deus. Esta é
uma questão muito delicada que merecerá estudos mais minuciosos.

O que fazer com o que a bíblia nos traz? ler, apreciar, obedecer
literalmente, extrair princípios ou imitar os personagens?
Depois de decidirmos sobre o que a bíblia é e o que ela contém, precisamos
decidir sobre o que faremos com o que a bíblia nos traz. Esta definição também será um
poderoso pressuposto para nossa compreensão das Escrituras. Se pensamos que a bíblia
deve ser sempre obedecida literalmente, corremos o risco de arrancar nossos olhos como
Jesus mandou. Se a bíblia existe para que imitemos seus personagens, poderemos querer
andar sobre as águas como Pedro, ou então produzir objetos sagrados, verdadeiros
amuletos, para distribuição nos cultos. A definição dessa questão se dará no decorrer do
nosso estudo. Em alguns momentos deveremos obedecer literalmente à bíblia. Em outros
casos, precisaremos interpretar sua linguagem simbólica, não tentando fazer exatamente o
que está escrito. Em grande parte de seu conteúdo, procuraremos extrair princípios
espirituais que possam ser aplicados nos nossos dias, em uma cultura muito diferente
daquelas em que viviam os escritores bíblicos.

Como a bíblia está organizada? Precisamos compreender o


relacionamento de Deus com o homem no decorrer da história e decidir sobre:
continuidade, descontinuidade, lei e graça, alianças, dispensações, revelação progressiva,
plano de salvação (meio ou meios de salvação). Os que optam por uma continuidade
prevalecente querem, geralmente, aplicar nos dias atuais a lei mosaica, pois compreendem
que o plano de Deus é único em toda a bíblia e em toda a história. Alguns argumentam a
favor de uma descontinuidade que rompe com o Velho Testamento, como se o mesmo não
mais tivesse utilidade para nós. Talvez a melhor alternativa seja uma combinação entre
ambos os conceitos. O plano de Deus para o relacionamento com os homens é único, mas a
revelação é progressiva e as próprias atitudes humanas, especialmente de Israel, fazem com
que haja algumas descontinuidades nesse processo.
Alguns dividem a história do relacionamento de Deus com os homens em
dispensações, ou seja, períodos sucessivos onde as regras de um não se aplicam ao
seguinte. Outros dividem a mesma história em alianças de Deus com o homem. Nesse
modelo, porém, existe uma ênfase na continuidade, pois, cada aliança complementa e
amplia a anterior, encampando seus objetivos e características. Para um aprofundamento
nestas questões indicamos a leitura do livro “Hermenêutica Avançada”, de Henry A.
Virkler (Editora Vida). Uma ilustração bastante proveitosa para se compreender a história
do relacionamento de Deus com os homens é oferecida pela “teoria epigenética”: a
revelação divina no decorrer da história é comparável ao crescimento de uma árvore
oriunda de uma semente. A árvore é perfeita em todos os seus estágios, sendo uma
plantinha ou atingindo a maturidade. Ela passa por momentos diferentes na medida em
que vai crescendo rumo ao objetivo de frutificar. Assim, a relação de Deus com os homens
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desde o início do Velho Testamento até a era da igreja, passou por estágios diferentes,
embora complementares e demonstrativos de um propósito único.

A bíblia pode ser compreendida?

Nessa questão, encontramos dois extremos perigosos:

1- Dizer que a bíblia não pode ser compreendida.


Muitas pessoas se detêm diante das dificuldades de interpretação bíblica. Os
obstáculos são considerados como barreiras intransponíveis (distância cultural, histórica,
idiomática, filosófica, etc). O grande risco é o abandono das Escrituras. A dificuldade
muitas vezes é usada como desculpa para ocultar o desinteresse.
2- Dizer que tudo o que a bíblia diz pode ser entendido por todos.
Até mesmo os grandes eruditos precisam de humildade para reconhecer que
não sabem tudo sobre a bíblia. Querer dar resposta para tudo poderá produzir interpretações
erradas. Podemos compreender grande parte do que dizem as Escrituras, mas não tudo.
Entretanto, esta limitação não deve desmotivar nosso estudo bíblico.

LIMITES DA HEMENÊUTICA

Evitando os extremos supracitados, precisamos conciliar possibilidade e


limites. O alpinista, diante de uma montanha, não deve desistir nem ir além do que sua
capacidade e seus instrumentos permitem.
A hermenêutica nos oferece um conjunto de princípios e regras para a
interpretação bíblica. Porém, precisamos estar conscientes de que o texto bíblico está
envolvido não apenas por questões técnicas, mas, sobretudo, por questões espirituais que
não podem ser decifradas por regras humanas.
A realidade bíblica e espiritual está dividida em três partes: o que sabemos, o
que podemos e o que não podemos saber.

O QUE SABEMOS O QUE PODEMOS O QUE NÃO PODEMOS


SABER SABER
Pequeno domínio do nosso Grande domínio da nossa Infinito domínio da
conhecimento ignorância onisciência divina.
As coisas reveladas que já As coisas reveladas que As coisas ocultas - Dt.29.29
conhecemos – Dt.29.29 podemos conhecer – Mistérios de Deus.
Dt.29.29
A hermenêutica nos ajuda
nesta área.
O que está ao nosso alcance O que pode ser revelado por
através da leitura, do Deus, ou não.
estudo, da pesquisa.

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Não nos orgulhemos de tão Sejamos dedicados para Sejamos humildes para
pequeno conhecimento. alcançar o conhecimento reconhecer que não
que está disponível. sabemos o que está oculto
por Deus.

O conhecimento flui da coluna da direita para a coluna da esquerda, mas isso só


acontece na medida em que Deus permite. A coluna da direita se refere ao pleno
conhecimento que Deus tem de todas as coisas. A coluna do meio se refere a tudo aquilo
que Deus colocou à nossa disposição através da Bíblia principalmente, e que podemos
aprender, compreender. A coluna da esquerda indica o que já aprendemos até aqui.
Precisamos estar conscientes de que Deus não permitirá que saibamos tudo. Nunca
seremos oniscientes. A bíblia menciona alguns mistérios. Podemos citar: o mistério da
iniqüidade (II Tss.2.7), o mistério da fé (I Tm.3.9), o mistério da piedade (I Tm.3.16), o
mistério de Cristo (Col.4.3). Alguns mistérios de Deus ficam ocultos por um tempo
determinado. Na época certa, Deus os revela para as pessoas a quem ele quer. Daniel, um
dos homens mais sábios do Velho Testamento, não compreendeu algumas de suas visões.
Pediu ao Senhor a revelação, mas Deus não lhe concedeu. “Tu, porém, Daniel, cerra as
palavras e sela o livro até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a
ciência se multiplicará... Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso perguntei: Senhor meu,
qual será o fim destas coisas? Ele respondeu: Vai-te, Daniel, porque estas palavras estão
cerradas e seladas até o tempo do fim. Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão
acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles entenderá; mas os
sábios entenderão” (Daniel 12.4,8-10).
O mistério de Cristo esteve oculto durante todo o período do Velho Testamento,
mas foi revelado no Novo (Ef. 3.4; Col.1.26-27). Outros mistérios, como aqueles que
dizem respeito aos últimos dias, estão selados até que chegue a hora determinada pelo Pai.
O livro de Apocalipse fala sobre a abertura dos selos. Isto representa o desvendamento de
vários mistérios.
O que quero demonstrar é que a hermenêutica tem seus limites, mas isto serve
apenas para nos alertar e não para nos desestimular em relação ao estudo. Precisamos
apenas estar conscientes de que nem tudo pode ser desvendado pela hermenêutica. Por
exemplo, a “trindade” é um mistério indecifrável para nós. Por mais que criemos figuras e
exemplos, não temos como explicar o fato de Deus ser um só e ao mesmo tempo ser três
pessoas.
A bíblia apresenta vários níveis de complexidade. Para o ímpio, por exemplo, ela
pode parecer um livro sem sentido. “Os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles
entenderá; mas os sábios entenderão.” (Daniel 12.10). “Mas, se ainda o nosso evangelho
está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século
cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da
glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Cor.4.3-4). “Porque a vós é dado conhecer
os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado” (Mt.13.11).
Quando nos convertemos, a bíblia passa a fazer sentido. Porém, algumas porções
das Escrituras dependem do conhecimento de outras, como um quebra-cabeças com
múltiplas interdependências. Na medida em que vamos lendo e estudando, nossa
compreensão vai crescendo. Entretanto, algumas passagens bíblicas vão depender da
revelação divina ou do seu efetivo cumprimento para serem compreendidas. Vemos isso
em relação ao Velho Testamento em suas passagens referentes ao Messias. Muito do que
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foi escrito não foi compreendido enquanto o Messias não veio. A revelação divina sobre as
Escrituras é dada à igreja. Não se trata de uma experiência pessoal isolada ou exclusiva.
Os grandes doutores da lei em Israel, com todo o seu conhecimento técnico,
achavam que o Messias estabeleceria um reino terreno em oposição a Roma e outros
inimigos humanos. Portanto, precisamos ter uma vida de comunhão com Deus para que o
nosso conhecimento técnico não nos afaste dos propósitos do Senhor. Lembremo-nos de
Nicodemos. Jesus jogou por terra toda a sabedoria daquele homem ao falar do novo
nascimento. “Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: Tu és
mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” (João 3.9-10).
A condição espiritual do leitor ou do estudante interfere na interpretação bíblica.
Caso contrário, o ímpio poderia estudar hermenêutica e interpretar corretamente a bíblia. A
parábola do semeador nos mostra que alguns ouvem a palavra, mas não entendem. Outros
entendem, mas não obedecem (Mt.13.10-19; II Pd.3.15-16; II Cor.4.3-4).
“Falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque
ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt.11.25). A
compreensão de algumas verdades espirituais dependerá de revelação (Mt.16.16-17).
Porém, precisamos ter bastante cuidado nessa questão, pois muitos dizem que receberam
revelação do Senhor. Toda revelação deverá estar coerente com o ensino geral das
Escrituras e, mesmo não sendo produzida a priori pela Hermenêutica, deverá estar coerente
com os princípios de interpretação bíblica.
Por exemplo, em Atos 2, quando Pedro citou os escritos de Davi e os relacionou à
ressurreição de Cristo, ele interpretou de forma inédita aquela passagem bíblica do Velho
Testamento. Os judeus nem esperavam que o Messias morresse, quanto menos que viesse a
ressuscitar. O apóstolo compreendeu aquela Escritura por uma revelação do Espírito Santo.
Ele não poderia depender da hermenêutica, embora também não estivesse contra ela.

A REVELAÇÃO PROGRESSIVA

Tudo o que hoje conhecemos a respeito de Deus foi mistério um dia. Nada
havia que o homem pudesse fazer para conhecer o Senhor e as realidades espirituais.
Portanto, Deus tomou a iniciativa de se fazer conhecer. Na medida em que a bíblia foi
sendo escrita, a revelação estava sendo dada aos homens. Contudo, algumas porções das
Escrituras continuavam sendo mistérios, embora registrados por escrito. No decorrer da
história, Deus foi desvendando tais segredos, na medida em que isso se fazia oportuno e
necessário. Por exemplo, Cristo estava oculto como um mistério nas páginas do Velho
Testamento. No período da Nova Aliança, esse mistério foi revelado à igreja (Ef.3.1-10; II
Cor.3.14-18. Rm.16.25-26). Daí em diante, se alguém ainda não compreendeu a obra do
Senhor Jesus, é porque não se converteu ou tem sido negligente em relação às Escrituras (II
Cor.4.3-4).
Algumas pessoas se gabam de terem recebido uma “revelação” sobre
determinada passagem bíblica. Entretanto, tudo o que Deus quis revelar sobre a bíblia até
agora, ele o fez à igreja como um todo. No momento em que indivíduo se converte, ele
passa a ter acesso a toda essa revelação. Antes disso, a bíblia lhe parecia loucura. O que lhe
resta a partir de então é a dedicação para alcançar a compreensão de tudo o que Deus já
revelou (Dn.9.2). A revelação não estará acontecendo naquele momento, pois Deus já

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desvendou aquele mistério há muito tempo atrás. A revelação das Escrituras não é objeto
de domínio particular.
Revelar significa “retirar o véu”. Quando Deus libera o conhecimento de
determinado mistério, ele está removendo o que poderíamos chamar de “véu universal” que
cobria aquela verdade espiritual. Por quê então todos não passam a compreender
imediatamente aquilo que Deus revelou? Existem os “véus individuais”, conforme Paulo
escreveu aos Coríntios a respeito dos judeus (II Cor.3.14-16). Deus já tinha removido o véu
que ocultava a mensagem cristã presente no Velho Testamento. Contudo, os judeus ainda
não haviam compreendido a revelação porque cada um tinha sobre si o véu da
incredulidade. Quando alguém se converte, esse “véu particular” é removido, restando-lhe,
então, dedicar-se à leitura e ao estudo para compreender tudo o que Deus colocou à sua
disposição em termos de conhecimento espiritual.
A hermenêutica é ineficaz na investigação dos mistérios divinos, mas nos
auxilia na compreensão daquilo que o Senhor já revelou.
O quadro a seguir ilustra o processo da revelação e compreensão das
Escrituras.

Mistério Revelação universal Revelação Compreensão


(à igreja) individual (quando se dedica à
(na conversão) leitura e ao estudo).
Comparável à uma A lâmpada foi acesa O indivíduo tem os O indivíduo olha
lâmpada apagada olhos abertos. para a luz.

SENTIDOS POSSÍVEIS DE UM TEXTO

Muitas vezes o leitor questiona: “O que este texto significa para mim?”
Contudo, a pergunta certa seria: “O que este texto significa para o autor e seus primeiros
destinatários?” As regras da hermenêutica têm o objetivo de descobrir esse sentido original
do texto.
Quantos significados têm determinada passagem bíblica? A dificuldade de
interpretar é usada por algumas pessoas para inventarem significados para o texto. Um
texto tem, geralmente, um só significado. Algumas passagens indicam mais de uma linha
de interpretação, mas creio que estes casos são excepcionais. Por exemplo, o texto de
Ezequiel 28 se refere ao rei de Tiro e, ao mesmo tempo, a Satanás. O Salmo 22 fala da
experiência do salmista e, ao mesmo tempo, fala sobre Jesus. Isaías 49 fala do próprio
autor, fala de Israel e do Messias, referindo-se a todos eles como “o servo do Senhor”.
Além disso, alguns textos podem ter um significado que não era do conhecimento do
escritor. Já mencionamos o fato de que Daniel escreveu algumas coisas que ele mesmo não
compreendeu. Deus mandava os profetas falarem e escreverem, mas isso não significa que
eles tivessem plena consciência de toda a extensão do cumprimento de suas palavras.

A BÍBLIA – 1 LIVRO EM 2 DIMENSÕES

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O texto bíblico tem dois autores: o humano e o divino (ou, se preferirmos,
um autor divino e escritores humanos). Portanto, pode, em algumas passagens, ter dois
significados distintos, porém coerentes. São duas áreas de significado e cumprimento.

HUMANO DIVINO
Letra Espírito (Rm.2.29; 7.6; II Cor.3.6-7. II
Tm.3.15; I Cor.9.9)
Compreensão natural Compreensão espiritual; revelação. (Ef.1.16-
18; Col.1.9-10)
Recursos e ponto de vista humanos Propósitos divinos (ex. registros de erros e
pecados). (II Pd.1.20-21; Rm.15.4)
Significado humano (salmo 22.1) Significado divino (salmo 22.1)
Narrativa natural Lição espiritual ou princípios espirituais
(possível aplicação) Mt.23.23; II Cor.3.13-15
Imanência da palavra (o que é Transcendência (sentido amplo e
imediato) (sentido restrito, limitado) cumprimento pleno) (futuro)
(Por isso a bíblia não perde a validade).
(Por isso a bíblia nos diz respeito).

No quadro anterior, a coluna da esquerda indica os aspectos humanos


presentes na bíblia. Embora seja a palavra de Deus, ela foi produzida de acordo com a
capacidade de cada escritor. Sua mensagem é divina, mas sua forma é marcada pela
personalidade humana. Por exemplo, cada evangelho foi escrito de acordo com o ponto de
vista do autor humano. Se fosse pelo ponto de vista divino, até hoje ainda estariam sendo
escritos. A consciência sobre esses dois lados é importante para não exigirmos da bíblia
mais do que cada autor podia transmitir. Não encontraremos todos os detalhes que a nossa
curiosidade procura, nem acharemos na bíblia uma linguagem científica. Quando Josué diz
que “o sol parou”, isso indica o ponto de vista humano sobre a ação de Deus. Se o livro
fosse escrito sob o ponto de vista divino, teríamos ali um tratado de astronomia.

TRANSCENDÊNCIA – As Escrituras possuem um sentido que vai além da


letra. Porém, devemos ter cuidado para não irmos longe demais por nossa própria conta.
Cuidado com o desejo de encontrar “algo mais” em cada versículo bíblico. Sempre
compare sua interpretação com a de outras pessoas, principalmente os mais instruídos.
Ouça e examine as críticas. Sua interpretação precisa estar coerente com a mensagem geral
da bíblia e com o que ela nos mostra sobre o caráter de Deus.

A LETRA E O ESPÍRITO

Paulo disse que “a letra mata, mas o espírito vivifica” (II Cor.3.6). Há quem
use tal texto para negar o sentido literal das Escrituras. Este sentido não deve ser negado
nem menosprezado, pois ele é a base do sentido espiritual. Por exemplo, se negarmos a
existência real de Adão e Eva, cairá por terra toda a doutrina bíblica do pecado e suas
implicações espirituais.

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Por outro lado, não devemos usar a letra contra o Espírito. Isto acontece
quando, por exemplo, usamos a letra como um limite para nossa ação a favor do próximo.
Nesse caso, a letra mata. Alguém poderia dizer: “Já entreguei meu dízimo, portanto não
preciso ajudar ao meu irmão necessitado”. Estaria assim, apegando-se ao sentido literal do
dízimo e negando-se a cumprir o amor para com o próximo.
A letra abrange um sentido limitado. O espírito vai além. Em Mateus 5,
Jesus mostrou isso. “Ouviste o que foi dito aos antigos..” (a letra). “Eu porém vos digo..” (o
espírito). O Novo Testamento veio mostrar o conteúdo espiritual que havia por trás da lei e
que era ignorado por grande parte do povo de Israel. Ao repreender os fariseus, Jesus
chamou a atenção daqueles líderes para a justiça, a misericórdia e a fé, que representavam o
sentido espiritual da lei. Os fariseus estavam apegados apenas à letra.

SIGNIFICADO, CUMPRIMENTO, OBEDIÊNCIA E APLICAÇÃO


DE PRINCÍPIOS

Um texto bíblico terá um significado, às vezes dois ou mais. As profecias


poderão ter mais de um cumprimento. As promessas, da mesma forma. Além disso,
podemos extrair princípios espirituais, lições, dos textos bíblicos que poderão ser aplicados
em inúmeras situações.
Tomemos, por exemplo, a bênção de Jacó sobre seus filhos. A primeira
preocupação do leitor é saber o significado do texto. As figuras ali utilizadas, poderão ser
melhor compreendidas se estudarmos no próprio livro de Gênesis a história dos filhos de
Jacó. O verso 5 diz: “Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de
violência”. Para saber o significado desse texto, é preciso ler o capítulo 34, onde está o
relato da chacina realizada pelos dois irmãos. Em seguida, em Gn.49, consta uma maldição
contra eles e sua descendência. Portanto, aquela profecia se cumpriria na história das tribos
de Simeão e Levi. Resolvidas as questões de significado e cumprimento, podemos pensar
nos princípios que podemos extrair do texto. Aprendemos sobre o risco da união para a
prática do pecado, sobre a colheita daquilo que plantamos, sobre o poder que os pais têm
para abençoar ou amaldiçoar seus filhos, etc. Os princípios são conceitos ou “leis”
espirituais que podem ser aplicados em qualquer tempo e lugar, apesar das mudanças
culturais.
Em outro ponto do capítulo 49, Jacó disse:
“Judá, a ti te louvarão teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus
inimigos: diante de ti se prostrarão os filhos de teu pai. Judá é um leãozinho. Subiste da
presa, meu filho. Ele se encurva e se deita como um leão, e como uma leoa; quem o
despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de autoridade dentre seus pés,
até que venha aquele a quem pertence; e a ele obedecerão os povos. Atando ele o seu
jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à videira seleta, lava as suas roupas em vinho e
a sua vestidura em sangue de uvas. Os olhos serão escurecidos pelo vinho, e os dentes
brancos de leite”.
Esses versículos têm duplo sentido e muitos cumprimentos. Em primeiro
lugar, o texto se refere a Judá, filho de Jacó. Em segundo lugar, o texto se aplica à tribo de
Judá e seus descendentes, prevendo o estabelecimento da monarquia em Israel e a ocupação
do trono pelos descendentes de Judá. Em último lugar, essa passagem é uma profecia sobre
Jesus, relacionando-se até ao fato de sua entrada em Jerusalém, montado em um jumento,
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sua morte e o seu reino. Essa profecia mencionou fatos que influenciariam toda a história
futura até o Apocalipse, onde novamente o “Leão da Tribo de Judá” é mencionado.
Outro exemplo: as palavras de Deus para Abraão, em Gênesis 12,
cumpriram-se na vida daquele patriarca e também na vida de Isaque, Jacó, e continuam se
cumprindo até hoje no povo de Israel, alcançando também a igreja por meio de Jesus
Cristo. Promessas de bênção ou maldição podem ter inúmeros cumprimentos. Funcionam
como um “dispositivo automático” que é ativado sempre que determinadas condições se
satisfazem.

APLICAÇÃO – OBJETIVO FINAL DA INTERPRETAÇÃO

Mesmo que um texto não tenha vários sentidos, ele pode ser aplicado de
várias formas, desde que não venha a induzir ao erro ou a um sentido contraditório ou a um
ensinamento anti-bíblico. Aplicação é a utilização do texto na nossa realidade. Portanto,
tomando o texto sobre Simeão e Levi, podemos relacioná-lo a diversas situações da nossa
vida, sem com isso alterar o significado do texto. Extrairemos dali os princípios espirituais
que o texto contém e os aplicaremos à nossa realidade.
Outro exemplo: Podemos ler sobre o fato de Pedro ter negado Jesus três
vezes. Daí extraímos vários princípios:

1 – o risco que todos corremos de cair em pecado, por mais fortes e


experientes que possamos ser ou parecer.
2 – a necessidade do compromisso com Jesus e fidelidade em qualquer
situação.
3 – as dificuldades para que se mantenha um testemunho íntegro.
4 – Jesus nos conhece profundamente e até nossos futuros erros.
5 – A humildade necessária para reconhecer o erro e voltar ao caminho
certo.
6 – Jesus nos ama a ponto de nos perdoar por tê-lo negado.
7 – Mesmo alguém que negou o Senhor pode ser restaurado e
poderosamente usado por Deus.

Os princípios nos mostram padrões da ação humana, divina ou até mesmo


demoníaca. Os homens de hoje têm a mesma natureza que Pedro ou outro personagem
bíblico. Depois de entender a história de Pedro, podemos fazer analogias, comparações com
situações atuais em que alguém possa ser tentado a negar a Cristo. Assim, estaremos
aplicando os princípios, as lições do texto, à nossa realidade.

OBJETIVIDADE E SUBJETIVIDADE DA INTERPRETAÇÃO

A interpretação bíblica que tem sido praticada no decorrer dos séculos pode
ser dividida em dois tipos ou aspectos (embora possamos classificá-la de várias outras
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maneiras). Refiro-me à objetividade e subjetividade da interpretação. Aquilo que é objetivo
está ligado ao objeto em estudo (a bíblia). O que é subjetivo está mais ligado ao sujeito, ao
intérprete. Precisamos compreender essa distinção para podermos julgar nossas próprias
interpretações, estando aptos a perceber o caráter firme ou volátil de nossas afirmações a
respeito das Escrituras.
Por exemplo, um estudo objetivo de Gênesis 22 seria a identificação dos
personagens (Abraão e Isaque), do local (monte Moriá), o conhecimento do episódio que
envolve o pedido de Deus para que o patriarca sacrificasse seu filho, e a intervenção divina
para impedir a consumação daquele ato. Daí extraímos lições objetivas a respeito da fé e
da obediência de Abraão, da humildade e obediência de Isaque e do caráter provedor de
Deus. Estes são elementos presentes no texto. Uma análise subjetiva seria vermos em
Abraão a figura de Deus Pai, em Isaque um tipo de Cristo e naquela cena sacrificial um
protótipo da crucificação. Isto é subjetivo porque não se trata de afirmação bíblica, mas
apenas uma alegorização por parte do intérprete. Tal entendimento pode estar correto, mas
não pode ser comprovado como algo que pudesse estar presente na intenção do autor
bíblico. Não podemos apresentar tal alegoria como sendo o significado do texto, mas
podemos utilizá-la deixando claro para os nossos ouvintes que se trata de uma analogia,
uma comparação, entre duas realidades bíblicas distintas e independentes.

OBJETIVIDADE SUBJETIVIDADE
Fatos, dados concretos Interpretações, opiniões
O que pode ser provado biblicamente O que não pode ser provado
Tem aceitação ampla Tem aceitação restrita
Conclusão Suposição
Está correto Pode estar certo ou errado
Significado literal Significado simbólico, espiritual.
Analogia, alegoria e aplicação.
Questão de fé e conhecimento Questão de fé (certa ou errada)
Profecias e promessas Identificação do cumprimento (quando e
como)
Oferece segurança Exige muito cuidado.
Argumentos fortes Argumentos fracos
Exemplo objetivo: Compreensão do Exemplo subjetivo: Afirmar que Cristo e a
Salmo 22 comprovada por Mateus 27.46 igreja estão retratados em Cantares. Pode
estar certo, mas não pode ser comprovado.

Por exemplo, a compreensão literal das palavras do Apocalipse é algo


bastante objetivo, pois toma por base o contexto da época e o sentido léxico-gramatical das
palavras. Por outro lado, querer ligar certa passagem daquele livro a um episódio histórico,
identificando-o como cumprimento da profecia, já é algo subjetivo. Vemos, portanto, que é
uma atitude passível de erro. Contudo, podem ocorrer também acertos nesse tipo de
identificação. O estudante sério da Bíblia deve estar ciente disso. Poderá até se aventurar na
subjetividade, mas tomará o cuidado próprio de quem anda em um campo minado.
Um estudo objetivo das sete cartas do Apocalipse envolveria informações
sobre as cidades e as situações ali mencionadas. Seria, porém, subjetivo dizer que cada
carta se refere a um período da história da igreja desde Atos até o fim dos tempos. Isto não

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pode ser comprovado. Mais subjetiva ainda é a afirmação do pregador ao dizer que a
“Jezabel” mencionada em Ap.2 seja um demônio. Além de improvável, tal afirmação nos
parece absurda. Existem, portanto, graus de objetividade e subjetividade que se encontram
em determinado ponto e se distanciam em outros.
Ao interpretarmos determinada passagem bíblica, precisamos verificar se
estamos caminhando na direção objetiva ou subjetiva. A hermenêutica trabalha com o lado
objetivo da interpretação. De fato, muitos eruditos da área não admitem sequer a validade
de se examinar alguma interpretação subjetiva. Nós admitimos tal possibilidade, desde que
amparada na objetividade. Existem interpretações que, embora sejam subjetivas, são
plausíveis e se baseiam no ensino geral das Escrituras. Existem outras que não possuem
qualquer fundamento, sendo até mesmo absurdas.
A hermenêutica se restringe às questões objetivas, pois, enquanto ciência,
precisa de provas e busca conclusões seguras. O lado subjetivo não é regido por regras e,
portanto, não pode ser objeto da hermenêutica propriamente dita.
Não podemos ficar presos à objetividade nem abandoná-la. Ficando presos,
entenderemos apenas a letra e não a essência bíblica. Teríamos, por exemplo, dificuldade
para ver Cristo no Velho Testamento, a não ser nas passagens citadas pelo Novo. Por outro
lado, se abandonarmos a objetividade, poderemos inventar heresias.
Para os contemporâneos de Jesus e dos autores do Novo Testamento, a
interpretação ou uso que eles fizeram do Velho pareceria algo totalmente subjetivo. No
entanto, estavam corretos, como é óbvio concluir. Por exemplo: João 3.14; Mt.12.40; II
Cor.9.9-10.
Os “pais da igreja” fizeram uma leitura cristã subjetiva do Velho
Testamento, afirmando que somente assim ele poderia ser considerado um documento útil
aos cristãos. É verdade que cometeram alguns excessos em suas alegorizações, mas
algumas das suas interpretações ainda são preservadas em nosso meio como herança. Por
exemplo, o ensino sobre Cristo e a igreja com base em Cantares.
Se quisermos nos prender aos aspectos objetivos da interpretação, não
teremos como ver Cristo em Gênesis 3.15 ou na figura de Isaque ou José do Egito.
Contudo, por mais subjetivo que possa ser este entendimento, ele está arraigado nas
doutrinas cristãs mais ortodoxas.
A interpretação subjetiva pode parecer um universo livre a ser percorrido de
acordo com a idéia de cada um. Porém, não é assim. Nossas interpretações, por mais
subjetivas que sejam, precisam estar coerentes com o ensino geral da bíblia. Se não houver
essa base, além de subjetivo, nosso ensinamento será falso.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA

Estudando a história da hermenêutica conheceremos vários métodos de


interpretação bíblica que se sucederam. Podemos assim compará-los, buscando, quando
possível, o aproveitamento de suas melhores características. Sobretudo, tal abordagem será
útil para que não repitamos os mesmos erros dos intérpretes do passado. Estaremos também
um pouco mais aptos para a avaliação de outros métodos que porventura surgirem. Na
seqüência, apresento resumo do relato histórico apresentado por Henry A. Virkler em sua
obra “Hermenêutica Avançada”.
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1- Exegese judaica antiga (536 a.C ate séc. 1 d.C)

Esdras (Nee.8.8). O povo que voltava do cativeiro falava aramaico e estava


bem distante da realidade de Moisés. Esdras certamente traduzia e explicava a lei. Ele
parece ter sido a primeira figura de destaque na Hermenêutica judaica.

Rabinos posteriores: Depois de Esdras, os rabinos primaram pela


supervalorização da letra. As cópias eram feitas com extremo zelo e reverência. Detalhes
de estilo literário, como as figuras de linguagem e paralelismo, ou incidentais, como a
repetição de palavras, ocorrência de sinônimos, repetição de letras ou a forma das mesmas,
eram considerados como motivos para interpretações engenhosas. Esse comportamento
recebe o nome de “letrismo” e muitas vezes substituiu o sentido que o autor bíblico
pretendia.
Rabinos no tempo de Cristo: praticavam a interpretação literal (peshat),
midráshica, pesher e alegórica. O tipo de interpretação variava de acordo com o grupo
judaico e com o propósito.
Literal – é o sentido normal do texto, com base em suas palavras.
Esse tipo de interpretação era adequado para os interesses judiciais e práticos.
Midráshica - Midrash era um tipo de comentário da lei – obras
desse tipo surgiram a partir do século 4 a.C. – Os adeptos desse método determinavam o
significado do texto pelo significado das palavras, sem consideração do contexto e da idéia
do autor. Comparavam palavras e frases de textos diferentes e autores diferentes, sem levar
em conta se o assunto era o mesmo. Teciam interpretações com base em questões
gramaticais (tempo verbal, etc). Somavam os valores numéricos de uma palavra e faziam
sua substituição por outra palavra do mesmo valor, mudando assim o sentido do texto, ou
tirando conclusões totalmente independentes do mesmo. Por exemplo, o nome “Eliezer”
possui valor numérico igual a 318. Relacionando-se isso ao fato de que Abraão formou um
exército de 318 homens, um intérprete concluiu que o servo Eliezer valia por 318 homens
ou tinha o valor de um exército. A interpretação midráshica, que desconhecia qualquer
regra, conduzia, quase sempre a fantasias absurdas.
Pesher – esse método, praticado pelos essênios, era semelhante à
interpretação midráshica, mas possuía ênfase escatológica. Os essênios esperavam o fim do
mundo para os seus dias. Por isso, liam as Escrituras procurando em toda parte mensagens
para os últimos dias.
Alegórica – Alegorizar significa dar um sentido místico ou espiritual
para um relato histórico. Por exemplo, se tomarmos a história de Adão e Eva e falarmos
sobre Jesus e a igreja, estaremos alegorizando. Fílon de Alexandria dizia que a
interpretação literal, por sua facilidade, era própria dos imaturos. Haveria, portanto, um
sentido alegórico oculto em cada história bíblica. A alegoria é um recurso válido, mas deve
ser usado com cautela. O uso da alegoria não nos deve fazer negar, esquecer ou
menosprezar o sentido literal de uma passagem bíblica. Por exemplo, Paulo alegoriza a
história de Sara e Agar, mas não nega seu sentido histórico. É bom deixar claro que
existem algumas passagens bíblicas que contém alegoria. É o caso do texto de Paulo em
Gálatas 4.24-31. Outra coisa é a nossa iniciativa de alegorizar as passagens bíblicas,
quando, de fato, trata-se de texto histórico ou de outro tipo.

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Os judeus antigos costumavam alegorizar uma passagem bíblica nas
seguintes situações:
- Se o significado literal fosse indigno de Deus.
- Se a declaração fosse contrária a outra declaração bíblica.
- Se o texto afirmasse tratar de alegoria.
- Se houvesse expressões dúplices ou palavras supérfluas.
- Se houvesse repetição de algo já conhecido.
- Se uma expressão fosse variada.
- Se houvesse emprego de sinônimos.
- Se fosse possível jogo de palavras.
- Se houvesse algo anormal em numero ou tempo verbal.
- Se houvesse presença de símbolos

2- Uso do Antigo Testamento pelo Novo Testamento

10% do conteúdo do Novo Testamento compõe-se de citações do Velho,


incluindo menção a 30 de seus livros. Jesus e os autores do Novo Testamento citam o
Velho Testamento quase sempre interpretando-o de modo literal.
Mateus destaca o cumprimento do VT em seus dias .
Jesus citou personagens do VT como pessoas reais, afirmando, inclusive o
retorno das mesmas para o juízo final. Além disso, o Mestre criticou o uso das tradições na
interpretação das Escrituras que acabavam por inutilizá-la (Mt.15.1-9).
Os apóstolos – Pedro destaca em Atos 2 o cumprimento de Joel 2.
Paulo e Pedro declararam a inspiração divina do VT (II Tm.3.16 / II
Pd.1.21).
Paulo usou alegoria em Gálatas. Se ele usou, nos podermos usar com
cuidado e conhecimento de causa, sem negar o sentido histórico do texto.

2- Exegese Patrística (100 a 600 d.C.)

Os pais da igreja interpretaram o Velho Testamento principalmente de modo


alegórico. Com isso, foram muito longe da intenção dos autores. Não havia regras para a
interpretação.
Clemente de Alexandria - (150 a 215 d.C.) – Dizia que o verdadeiro
significado das Escrituras está oculto para que sejamos inquiridores. Afirmava a existência
de cinco sentidos ou camadas no texto bíblico: histórico, doutrinal, profético, filosófico e
místico.
Orígenes – (185 a 254) – Valorizava I Cor.2.6-7 e considerava as Escrituras
como uma vasta alegoria na qual cada detalhe era simbólico. Dizia que, assim como o
homem tem três partes, as Escrituras têm três sentidos: literal, moral e alegórico (místico).
Na prática, ele desprezou o sentido literal.
Agostinho – (354 a 430) – Estabeleceu regras avançadas para a época.
Algumas são usadas até hoje. Defendeu a existência de quatro sentidos: histórico,
etiológico (ref.origem), analógico e alegórico. Na prática, Agostinho usou alegorização
excessiva, justificando-se com II Cor.3.6. Suas regras são:
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o O intérprete precisa possuir fé cristã.
o Deve-se considerar o sentido literal e histórico das Escrituras.
o A Escritura tem mais que um significado. Portanto, o método
alegórico é adequado.
o Há significado nos números bíblicos.
o O Antigo Testamento é um documento cristão porque Cristo está
retratado nele.
o Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer e não
introduzir outro significado.
o O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo.
o Um versículo deve ser estudado dentro do seu contexto e não isolado.
o Se um texto é obscuro não pode ser usado como matéria de fé
(doutrina).
o O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se
entender as Escrituras.
o A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara.
o O expositor deve levar em consideração que a revelação é
progressiva.

A Escola de Antioquia da Síria – Teve como destaque Teodoro de


Mopsuéstia (350-428) – rejeitaram o letrismo e o alegorismo da Escola de Alexandria.
Valorizaram a interpretação histórico-gramatical. Rejeitaram o uso da autoridade sobre a
interpretação.

A Escola de Alexandria – Ensinava a existência de um significado


espiritual acima dos fatos históricos. Embora o princípio tivesse algo válido, aqueles
intérpretes se entregaram a fantasias sem limites. Os intérpretes de Antioquia admitiam a
existência de um significado espiritual implícito no próprio acontecimento (princípios
detectáveis no texto), sem a necessidade de suposições externas.

4- Exegese Medieval (600 a 1500)

Foi uma época de ignorância e domínio católico. Os dogmas e a tradição


regulamentavam a interpretação bíblica. Durante esse período a interpretação foi
dominada pela alegorização e pelo “sentido quádruplo” sugerido por Agostinho, expresso
pelos itens a seguir:
1- A letra mostra-nos o que Deus e nossos pais fizeram. (Por exemplo, nesse
sentido, Jerusalém seria a própria cidade histórica em Israel).
2- A alegoria mostra-nos onde está oculta a nossa fé. (Jerusalém
representaria, portanto, a igreja).
3- O significado moral dá-nos as regras da vida diária. (Jerusalém
significaria a alma humana).
4- A anagogia (escatologia) mostra-nos onde terminamos nossa luta. (As
referências a Jerusalém indicariam então a Nova Jerusalém de Apocalipse).
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É preciso verificar se o texto bíblico contém indicadores destes sentidos.
O “letrismo” também continuava e alcançava níveis ridículos. Até
anagramas eram construídos a partir de palavras bíblicas, atribuindo-se a cada letra uma
relação a outra frase ou palavra que não estava contida no texto original.
Em meio a essa confusão exegética, alguns judeus espanhóis (séculos12 a
15) defendiam o uso do método histórico-gramatical.
Alguns católicos franceses, da Abadia de São Vitor, propunham preferência
ao sentido literal e que a exegese desse origem à doutrina e não o contrário.
Nicolau de Lira (1270 a 1340) defendeu a utilização do “sentido quádruplo”,
mas entendia que o literal seria a base dos demais. Lutero foi influenciado por suas idéias.

5 – Exegese da Reforma (século XVI)

Observou-se o abandono gradual do “sentido quádruplo”.


Lutero (1483 a 1546) defendeu a tese de que a fé e a iluminação do Espírito
Santo são fundamentais para a correta interpretação da bíblia.
Afirmava que as Escrituras estão acima da igreja. A interpretação correta
procede de uma compreensão literal. Devem ser consideradas as condições históricas, a
gramática e o contexto. As Escrituras são claras e não obscuras como dizia a Igreja
Romana. O Velho Testamento aponta para Cristo. É fundamental a distinção entre Lei e
Graça, embora ambos estejam presentes em toda a bíblia.
Calvino (1509 – 1564) – Dizia que a alegorização era artimanha de Satanás.
Segundo Calvino, a Escritura interpreta a Escritura. Destacou a importância do contexto,
gramática, palavras e passagens paralelas, em lugar de trazer para o texto o significado do
intérprete.

6- Exegese Pós-reforma (1550-1800)

Confessionalismo – Nessa época foram definidos os credos católicos e


protestantes como base da exegese. A variedade de credos e a preferência do intérprete
conduzia a muitas discrepâncias teológicas. O uso das Escrituras ficou restrito à escolha de
textos para “comprovação” de posições religiosas pré-determinadas.
Pietismo – Philipp Jakob Spener (1635-1705) – O pietismo foi um
movimento contra a exegese dogmática. Incentivou o retorno às boas obras, ao
conhecimento bíblico, ao preparo espiritual dos ministros e o trabalho missionário. Por
algum tempo, houve boa utilização do método histórico-gramatical. Depois, a tendência de
espiritualizar de forma piedosa os textos, fortaleceu a tese de uma “luz interior” para a
interpretação e o desprezo ao método histórico-gramatical, distanciando os intérpretes das
intenções do autor.
Racionalismo – A razão em confronto com a revelação - A razão passou a
ser considerada como única autoridade na interpretação bíblica. Só se aceitava o que se
podia compreender. Após a Reforma, o empirismo aliou-se ao racionalismo. Empirismo
significa que o conhecimento vem apenas por meio dos sentidos físicos. Só se podia aceitar
o que se pudesse comprovar.

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Lutero disse anteriormente que a razão deve ser um instrumento para a
compreensão da Palavra (uso ministerial) e não um juiz (uso magisterial).
Entendemos que o uso da razão na compreensão das Escrituras é proveitoso,
mas precisa estar sujeito à fé. Os milagres não podem ser compreendidos pela razão. Nosso
culto é racional (Rm.12.1-2), mas a razão não é a sua base de sustentação.

7- Hemenêutica Moderna. (após 1800)

Nos últimos séculos, o método histórico-gramatical tem sido o mais aceito,


embora ainda ocorram interpretações por algumas das formas praticadas durante a história.

REGRAS DA HERMENÊUTICA GERAL

As regras da “Hermenêutica geral” são procedimentos de interpretação que


podem ser aplicados a qualquer passagem bíblica em estudo.

MÉTODO HISTÓRICO-GRAMATICAL

Já enfatizamos que, durante o processo de interpretação bíblica, não importa


o sentido que nos agrada ou o que gostaríamos de encontrar no texto, mas precisamos
descobrir o sentido pretendido pelo autor. Para isso, o processo de interpretação envolverá a
busca de informações históricas, textuais, gramaticais e teológicas.

1- ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL

Para entendermos alusões, referências, que o autor faz, precisamos conhecer


o contexto histórico que envolve a obra. Desse modo, o propósito do autor ficará mais
claro para o nós.
Por exemplo, em João 4 está escrito que os judeus não tinham bom
relacionamento com os samaritanos. Contudo, o autor não explica os motivos da desavença.
Faz apenas uma rápida alusão ao assunto. Se quisermos compreender a questão,
precisaremos estudar a história de Israel, que está no Velho Testamento. Isto nos ajudará a
compreender de modo mais amplo a passagem de João 4. O encontro de Jesus com a
mulher samaritana passa a ser visto de outra forma quando se tem o conhecimento
histórico. Detalhes daquele diálogo tornam-se também mais significativos.

Ao estudarmos uma passagem bíblica, será excelente se pudermos descobrir:


- Quem é o autor.
- Quem são os destinatários
- Quem são os personagens.
- Localização (do autor e destinatários ou personagens).
- Seu tempo (quando foi escrito o livro ou quando ocorreram os fatos nele
descritos).
- Sua história.
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- Seus costumes (cultura).
- Circunstâncias imediatas (que podem ser problemas ou necessidades que
motivaram a produção do livro e estão ligados ao tema ou propósitos do mesmo)

Faz muita diferença quando lemos um livro sabendo quem foi o autor e
quem são os destinatários, etc. Fará mais diferença ainda se soubermos a história dessas
pessoas, sua cultura e as circunstâncias do momento em que o livro foi escrito. Se não
soubermos essas coisas, a mensagem do livro e seu propósito poderão ficar bastante
obscuros para nós. A interpretação pode ficar comprometida. É verdade que nem sempre
conseguiremos esses dados. Por exemplo, não sabemos quem foi o autor da carta aos
Hebreus. Contudo, existem muitas informações disponíveis para que o nosso estudo bíblico
seja bastante proveitoso.
Onde podemos conseguir informações históricas? Nossa fonte principal é a
própria bíblia.
Por exemplo, aos lermos os Salmos, eles terão mais sentido para nós se
conhecermos os livros dos Reis, Crônicas e Samuel, visto que a maioria dos Salmos foram
escritos por Davi em circunstâncias relatadas em outros livros. Além disso, se
conhecermos bem o Velho Testamento, teremos mais facilidade na compreensão de muitas
passagens do Novo.
É importante também a busca de dados históricos em livros extra-bíblicos.
Eles nos fornecerão muitas informações adicionais que não se encontram nas Escrituras.
Quanto ao período do Novo Testamento, existe muito material nos livros de História Geral.
Quanto ao Velho Testamento, não existe muito material de primeira mão, principalmente
em português. Entre as poucas obras disponíveis estão os livros de Flávio Josefo, um
historiador judeu que viveu no primeiro século depois de Cristo e recontou a história do
Velho Testamento, incluindo informações que não estão na bíblia. De qualquer modo,
podemos recorrer a muitos outros livros que, mesmo não sendo tão antigos, são úteis
porque resultam de grandes trabalhos de pesquisa. Entre eles estão os dicionários bíblicos e
as enciclopédias bíblicas.

2- ANÁLISE CONTEXTUAL

Quando pensamos haver encontrado o sentido de um texto ou palavra,


precisamos verificar a coerência da nossa conclusão:

- Dentro da frase.
- Dentro do versículo.
- Dentro do capítulo.
- Dentro do livro (de acordo com o tema e propósito).
- Dentro da obra do autor.
- Dentro da bíblia.

Por exemplo, em Filipenses 4.13 está escrito: “Tudo posso naquele que me
fortalece”.
“Tudo posso” pode ser entendido como “posso fazer qualquer coisa”, “posso
fazer o que eu quiser”, “tudo é permitido”. Seria correta essa interpretação?
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Precisamos verificar a coerência disso usando a frase completa: “Tudo posso
naquele que me fortalece.” Precisamos descobrir quem é o autor da frase. Sabendo que é o
apóstolo Paulo, já eliminamos qualquer sentido “permissivo” que pudéssemos ver no texto.
O conhecido caráter do autor interfere diretamente na interpretação que possamos fazer.
Depois, precisamos saber quem é “aquele” que fortalece o autor. Sabendo que ele se refere
a Deus, entendemos que Paulo “podia” tudo o que pudesse ser feito pela força dada por
Deus. Assim, isso não poderia incluir, por exemplo, a prática do pecado, ou um
entendimento egoísta da frase.
O versículo pode ser entendido como uma garantia de que tudo dará sempre
certo para o cristão, ou que ele estará sempre “por cima” em qualquer situação? Seria uma
declaração de pensamento positivo? Quando tomamos conhecimento das circunstâncias que
envolvem o autor, abandonamos todas estas idéias erradas sobre o texto. Paulo estava preso
quando escreveu aos Filipenses. Então, nem tudo estava “dando certo” no sentido humano
de ver as coisas. O que Paulo queria dizer então? Para saber isso, precisamos ler todo o
capítulo 4 de Filipenses, ou pelo menos os versículos que antecedem o 13. Vamos
transcrever um pequeno trecho:
“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as
circunstâncias já tenho experiência; tanto de fartura como de fome; assim de abundância
como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp.4.12-13).
O autor estava vivendo uma situação terrível, mas afirmou que estava
fortalecido para suportar tudo aquilo.

Outro exemplo: Em Atos 16.31 estão escritas palavras de Paulo que disse
“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. Isto significa que a família de todo
convertido será salva? Muitos são os que interpretam assim esse texto, o que não
corresponde à realidade. Precisamos verificar a quem aquela palavra foi dirigida: ao
carcereiro de Filipos. Paulo, talvez por uma revelação divina, disse que toda a família do
carcereiro se converteria. Isto não significa uma promessa para qualquer crente em
qualquer lugar. Foi apenas a experiência particular do carcereiro. Da mesma forma, o fato
de Pedro ter andado sobre as águas não significa uma garantia de que todos os cristãos
possam fazê-lo quando quiserem.
Paulo mesmo, em I Coríntios 7.16 disse: ”Como sabes tu, ó mulher, se
salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó marido, se salvarás tua mulher?” Vemos então,
que Paulo não cria nessa “doutrina” de salvação da família por haver nela um crente. De
fato, Deus quer que todos se salvem e todos devem procurar levar sua família a Cristo. O
erro está em entender Atos 16.31 como uma promessa ou doutrina.
O conhecimento contextual é um projeto para a vida. Isto envolve um estudo
amplo da bíblia, da história e dos costumes dos tempos antigos.

3- ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

Quando lemos qualquer texto, uma das grandes dificuldades está nas
palavras desconhecidas. Se simplesmente “pularmos” essas palavras, perderemos a
mensagem. Precisamos procurar o significado para que cheguemos a uma interpretação
correta.

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A parte léxica da análise diz respeito ao significado das palavras isoladas. A
parte sintática se refere à função das palavras dentro da frase, o que pode variar muito e
conduzir a uma idéia bem diferente daquele que se obtém pelo estudo da palavra em si.
Cada palavra é como um ingrediente que se adiciona ao bolo da frase.
Além do significado de uma palavra, precisamos saber qual é a sua classe
gramatical, se é substantivo, adjetivo, numeral, advérbio, pronome, verbo, artigo,
conjunção, preposição, etc. É preciso saber também as relações entre as classes e como uma
interfere no sentido da outra. Por exemplo, localizado um adjetivo na frase, precisamos
saber a qual substantivo ele se refere.

Em Gênesis 3.15, temos alguns pronomes pessoais e possessivos:


“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente;
esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
Se não entendermos bem a relação entre as palavras não entenderemos a
mensagem, podendo, inclusive, inverter a posição dos personagens. Precisamos saber quem
são as “pessoas do discurso”. Quem está falando? Com quem? O que está sendo dito e a
respeito de quem?
Examinando o contexto, percebemos que Deus está falando com a serpente.
Portanto, todos os pronomes relacionados à segunda pessoa, se referem à serpente. A “tua”
semente é a semente da serpente. Os pronomes da terceira pessoa se referem à mulher, que
é a pessoa de quem se fala. A “sua” semente é a semente da mulher. O pronome
demonstrativo “esta” se refere à última semente mencionada na frase, ou seja, a semente da
mulher. Sendo assim, compreendemos que a descendência (ou o descendente) da mulher
esmagaria a cabeça da serpente e teria seu calcanhar ferido. As deficiências no
conhecimento gramatical devem ser corrigidas através de estudos da língua portuguesa.
Sem isso, é improvável que o aluno venha a compreender a gramática grega ou hebraica.

Uma palavra pode ter vários significados. Além disso, estes podem se dividir
entre sentidos denotativos (literais) e conotativos (figurados). Qual é o sentido pretendido
pelo autor? Observe o contexto. O gênero literário ajudará a determinar se o uso é literal ou
simbólico, conforme veremos no estudo da hermenêutica especial.

Ao buscar o significado de uma palavra, será útil um dicionário de


português. Nesse caso, estaremos esclarecendo os termos usados pelo tradutor e não pelo
escritor bíblico. Isto é importante, mas pode ser necessário descobrir a palavra usada no
grego ou hebraico e o seu sentido na época em que o livro bíblico foi escrito. Não estou
propondo que o estudante faça sua própria tradução da bíblia, mas que pesquise as línguas
originais nas seguintes situações:
- Quando houver dúvida em relação ao sentido da frase em português.
- Quando se encontrar diferença entre versões bíblicas.
- Quando se quiser aprofundar no conhecimento sobre as palavras-chaves do
texto.
- Quando se estiver elaborando ou investigando doutrinas.
O significado de uma palavra em português pode não corresponder ao
sentido bíblico. Por exemplo: “batizar” tem o sentido de “dar nome”, de acordo com o
dicionário Aurélio. Contudo, isso não tem nenhuma relação com o significado bíblico, mas

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trata-se de um sentido adquirido através do costume de se dar nome por ocasião do batismo
da criança na igreja católica.
Mesmo quando estudamos o significado de uma palavra nas línguas
originais, precisamos ter alguns cuidados. Por exemplo, o significado das palavras no grego
clássico nem sempre correspondem ao que elas significavam nos dias de Cristo, pois alguns
séculos já haviam passado.
A etimologia é o estudo que nos permite conhecer o processo de formação
de uma palavra. Descobrimos, assim, como os termos se uniram ou se transformaram para
formarem uma palavra nova. Por exemplo, a palavra “longanimidade” é uma tradução de
“makrothymia” (grego), que vem da união de duas palavras: “makros” (longo) e “thymia”
(sentimento). Longanimidade tem esse sentido de “sentimento longo” ou paciência. É uma
palavra que guardou o sentido dos termos que a produziram. Contudo, isto nem sempre
acontece. Algumas vezes, uma palavra adquire outros sentidos com o uso e perde o seu
sentido original. Portanto, a etimologia pode ser útil e esclarecedora, mas o estudante da
bíblia não deve se prender aos sentidos dos termos formadores de uma palavra, como se
eles estivessem obrigatoriamente presentes em todos os textos em que aquela palavra
aparece.
As palavras adquirem novos sentidos na medida em que são usadas durante
um período de tempo muito longo. Precisamos tomar cuidado para não aplicarmos
determinado sentido sobre um texto bíblico escrito em uma época em que a palavra não
tinha aquele significado. Por exemplo, a palavra “dynamus” (grego) significa “poder”. Daí,
muitos séculos mais tarde, veio a palavra “dinamite”. Contudo, é incorreto pregar sobre
textos bíblicos que mencionam a palavra “poder” dando a ela o “sentido explosivo da
dinamite”. Não era essa a intenção do autor bíblico, pois em sua época não existia
dinamite.

4- ANÁLISE TEOLÓGICA

Nem todo estudo bíblico é teológico. Teologia é o estudo sobre Deus e suas
relações com o universo, especialmente com o homem. Ao estudarmos uma passagem
bíblica, podemos estar concentrados em questões antropológicas, filosóficas e não
necessariamente teológicas. Contudo, se assim fizermos, estaremos desprezando o principal
aspecto da bíblia.
Fazemos análise teológica de um texto quando examinamos as lições e
princípios nele existentes em relação aos parâmetros gerais da relação de Deus com o
homem.
De acordo com Sebastião A.G. Soares, o texto bíblico em estudo “é como
um fio de um tecido bem mais amplo que é o conjunto das Escrituras”. Precisamos ter uma
visão global para compreendermos as questões que se encontram em pequenos trechos
bíblicos. O objetivo da análise teológica é saber se determinada lição extraída de um relato
bíblico pode ser aplicada na vida de qualquer servo de Deus em qualquer época. A pergunta
chave é: existe um padrão imutável de relacionamento de Deus com o homem? De Adão
até hoje, existe continuidade ou descontinuidade na relação de Deus com os homens? A
bíblia é um livro teologicamente fragmentado ou existe unidade nele? A resposta a esta
questão nos ajudará a formar alguns pressupostos hermenêuticos.

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Existem algumas hipóteses de organização dos dados bíblicos que tentam
demonstrar continuidade ou descontinuidade no modo de Deus se relacionar com os
homens. Tais teorias vão desde uma continuidade completa até uma descontinuidade
absoluta. As principais hipóteses são:

- Modelo “teologias, mas nenhuma teologia”


- Modelo dispensacional.
- Teoria Luterana.
- Teoria das alianças.
- Modelo epigenético.

1- Modelo “teologias, mas nenhuma teologia”.

- Elaborada por teólogos liberais, que vêem a bíblia como pensamento do


homem sobre Deus e não como palavra de Deus para o homem. Não crêem na inspiração
divina das Escrituras.
-Ênfase na descontinuidade.
-Não vêem uma teologia na bíblia, mas muitas teologias descontínuas.

2- Teoria dispensacional

- Elaborada por cristão sinceros que crêem na inspiração das Escrituras.


- Ênfase na descontinuidade.
- Dispensação – “período em que o homem é provado com respeito à sua
obediência a alguma revelação divina específica” (Scofield).
- Cada dispensação seria destinada a pessoas diferentes, com ordens,
circunstâncias e responsabilidades diferentes.
- Em cada dispensação o homem falha e Deus estabelece outra dispensação.

AS DISPENSAÇÕES

1- Da inocência ou liberdade – Adão antes do pecado.


2- Da consciência – desde a queda até Noé.
3- Do governo civil – de Noé até Abraão.
4- Da promessa – de Abraão até Moisés.
5- Da lei mosaica – de Moisés até Jesus.
6- Da graça – de Jesus até a sua 2a vinda.
7- Da Grande Tribulação – (este período não é considerado dispensação
alguns teólogos).
8- Do milênio.

Os teólogos dispensacionais se dividem em suas posições com relação a


algumas questões de sua própria teoria. Alguns vêem as dispensações como unidades tão
isoladas umas das outras que não seria possível, por exemplo, utilizar hoje nenhuma lição
extraída do Velho Testamento, uma vez que estamos vivendo em outra dispensação.
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Outros teólogos que aceitam as dispensações defendem a tese de que existem entre elas
alguns elementos de continuidade. Ensinam que a salvação, por exemplo, sempre foi pela
graça e que a diferença entre os períodos está no modo de vida que o servo de Deus deveria
apresentar após a salvação.
De qualquer forma, permanece uma dificuldade: como aplicar na vida dos
crentes de uma dispensação as ordens divinas de outra dispensação?
Precisamos ser cuidadosos quanto ao nosso posicionamento, lembrando que
a bíblia não menciona tal divisão da história em dispensações. A palavra “dispensação”
aparece somente no Novo Testamento e com outros propósitos, significando “ato de
conceder, entregar, ceder provisoriamente ou distribuir” (Dicionário Aurélio) (Ef.1.10; 3.2;
3.9; Col.1.25; I Cor.9.17).

3- Teoria luterana

Lutero afirmava que a lei e o evangelho estão sempre presentes nas


Escrituras. A lei demonstra o ódio de Deus contra o pecado, devido à santidade divina. O
evangelho demonstra a graça salvadora, o amor de Deus. Passagens que trazem ordens ou
julgamentos apresentam lei – Mt.22.37. Passagens que trazem consolo ou salvação
apresentam o evangelho – Gn.7.1. Outros textos trazem ambos os casos - João 3.36.
De fato, o Novo Testamento também contém lei para os servos de Deus,
embora não estejamos sujeitos à lei de Moisés (A lei de Cristo – Gal.6.2; I Cor.9.21; lei de
Deus – Rm.8.7; lei da fé – Rm.3.27; lei da liberdade – Tg.2.12; lei do Espírito de vida –
Rm.8.2).

A teoria de Lutero enfatiza a continuidade nas relações de Deus com o


homem no decorrer da história. Contudo, o modelo é simplista por não diferenciar Velho e
Novo Testamentos, quando as diferenças são evidentes na bíblia. Suas corretas observações
podem ser absorvidas por um modelo mais abrangente.

4-Teoria das alianças.

Esta teoria divide a relação de Deus com os homens em 2 alianças: das obras
e da graça. A Aliança das obras iria da criação até a queda do homem. A Aliança da graça,
desde a queda do homem até o presente.
A teoria é simplista. Não diferencia Velho e Novo Testamentos, embora
concordemos que todos são salvos pela graça em todos os tempos. Além disso, a teoria não
diferencia Israel e igreja.
A bíblia fala de duas grandes alianças que correspondem ao VT e ao NT, e
não nas duas defendidas por esta teoria (Jr.31.31-32; Heb.8.6,13).
Além disso, a bíblia fala sobre alianças diversas: Noé, Abraão, Israel, Davi,
igreja, o que se aproxima mais da teoria dispensacional.

5- Modelo epigenético

“Epigenia” significa mudança no fenótipo sem alteração do genótipo, ou


seja mudança exterior em ser vivo durante seu processo de crescimento, enquanto que o
DNA continua o mesmo.
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Revelação progressiva – Analogia da árvore

A revelação divina é progressiva como o crescimento de uma árvore a partir


de uma semente. A semente, a plantinha, a árvore nova e a árvore madura são perfeitas em
cada estágio, embora sejam incompletas. Muda a aparência, mas permanece a essência.
Temos, portanto, descontinuidade e continuidade.

Analogia da família

O tratamento dos pais para com seus filhos muda bastante durante a vida.
Podemos dividir esse período em várias fases: gestação, amamentação, restante da infância,
adolescência, juventude, idade madura. A forma de orientar, cuidar ou corrigir os filhos
muda bastante, ou seja, é descontínua, mas o amor dos pais é o elemento de continuidade
em todo esse processo.

Analogia do edifício

Pensemos nas fases de construção e utilização de um edifício. Elas são


bastante diferentes. As equipes de trabalho são diferentes, bem como suas
responsabilidades, seus propósitos, suas normas e procedimentos. Da mesma forma,
podemos ver Israel e a igreja, como duas “equipes” de trabalho diferentes. A primeira
estava preparando um cenário para a 1a vinda de Cristo. Depois que ele veio, estabeleceu a
igreja com propósitos diferentes e regras diferentes. Isto não significa incoerência, mas
mudanças necessárias. Hoje, não precisamos repetir o que Israel fazia no Velho
Testamento. Seu propósito já foi cumprido. Contudo, para que o “edifício” exista e seja
bem utilizado, existem propósitos gerais e princípios gerais de construção, manutenção e
utilização que são sempre válidos. A segunda “equipe” não precisa construir, mas precisar
manter o que foi construído. Temos, portanto, continuidade e descontinuidade, sem
contradição.
O “modelo epigenético” utiliza o que há de bom na teoria dispensacional,
embora dê maior destaque à continuidade.
A promessa feita por Deus a Abraão é um fator de unidade, continuidade,
em toda a história desde então, apesar das variações em outros aspectos da teologia.
Em resumo, apresentamos alguns elementos de continuidade e
descontinuidade na bíblia e nas relações de Deus com os homens.

CONTINUIDADE
Deus
Seu caráter (amor, justiça, etc)
Seu propósito geral (salvar)
Graça divina
Salvação
Cristo

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Espírito Santo

DESCONTINUIDADE
Israel
Igreja
Cultura
Circunstâncias
Propósitos específicos
Leis específicas
Posicionamento humano.

Como escolher entre os modelos apresentados?

O leigo acredita na opção defendida por sua denominação. O estudante corre


o risco de aceitar o primeiro modelo estudado. É preciso deixar claro que todos os
modelos são apenas teorias sobre o relacionamento de Deus com os homens. Para que se
escolha uma delas, o estudante deverá confrontar as afirmações de cada caso com os dados
bíblicos.

O modelo escolhido será determinante para a interpretação bíblica,


principalmente no momento da aplicação das lições extraídas do texto. Se pensamos que a
relação de Deus com os homens é contínua em todos os aspectos, então entenderemos que
todas as ordens de Deus para os seus servos no Velho Testamento são aplicáveis hoje. Se
pensamos que a relação de Deus com os homens é totalmente descontínua, então não nos
interessaremos pelo Velho Testamento. Se tivermos uma visão que englobe tanto
continuidade quanto descontinuidade, procuraremos extrair princípios espirituais do Velho
Testamento para aplicação na atualidade e desconsiderar práticas que estavam restritas às
circunstâncias daqueles tempos.
Consideramos o modelo epigenético como o mais coerente com os dados
bíblicos, englobando o que há de melhor da teoria dispensacional, teoria luterana e das
alianças, sendo que nenhuma delas satisfaz isoladamente. Com relação à teoria “teologias,
mas nenhuma teologia”, consideramos tratar-se de um grande equívoco.
BIBLIOGRAFIA
ZUCK, Roy B., A Interpretação Bíblica – Ed.Vida Nova. STEIN, Robert H., Guia Básico
Para a Interpretação da Bíblia – Ed.CPADPIERSON, A.T., Chaves Para o Estudo da
Palavra – Ed.Tesouro Aberto. STUART, Douglas, FEE, Gordon D., Entendes o que lês? –
Ed.Vida Nova. CARSON, Donald A., Os perigos da Interpretação Bíblica - Ed.Vida
Nova. ARTHUR, Kay, Como Estudar Sua Bíblia Pelo Método Indutivo – Ed.Vida.
VIRKLER, Henry A., Hermenêutica Avançada – Ed.Vida Bíblia de Referência Thompson
- Tradução de João Ferreira de Almeida -Versão Contemporânea - Ed. Vida Bíblia
Apologética - Tradução de João Ferreira de Almeida – ICP Editora. FERREIRA, Aurélio
Buarque de Holanda, Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – Ed.Nova Fronteira.

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APOSTILA Nº. 11/300.000 MIL CURSOS GRÁTIS.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO.

INTRODUÇÃO.
I, ASPECTOS IMPORTANTES SOBRE A VINDA DE JESUS CRISTO À TERRA. 04
I, 1, CONCEPÇÃO SOBRENATURAL DE JESUS CRISTO. 04
I, 2, O NASCIMENTO DE JESUS CRISTO. 04
I, 3, A GENEALOGIA DE JESUS CRISTO. 05
I, 4, A EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO APÓS SEU NASCIMENTO. 05
I, 5, A CIRCUNCISÃO DE JESUS CRISTO E SUA APRESENTAÇÃO NO TEMPLO. 05
I, 6, A FUGA DE JESUS CRISTO PARA O EGITO E SUA VOLTA. 06
I, 7, JESUS CRISTO NO TEMPLO AOS DOZE ANOS DE IDADE. 06
I, 8, O SILÊNCIO BÍBLICO ACERCA DA VIDA DE JESUS CRISTO ATÉ SEU
BATISMO. 06
I, 9, O BATISMO DE JESUS CRISTO. 06
I, 9, A, HUMILDADE DE JESUS CRISTO. 06
I, 9, B, EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO. 07
I, 9, C, INTRODUÇÃO DE JESUS CRISTO EM SEU MINISTÉRIO. 07
I, 10, A TENTAÇÃO DE JESUS CRISTO. 07
I, 10, A, O DIABO TENTOU DESVIAR JESUS CRISTO DA SUA MISSÃO. 07
I, 10, B, O DIABO TENTOU ABALAR A FÉ QUE JESUS CRISTO TINHA NO PAI. 08
I, 10, C, O DIABO TENTOU FAZER COM QUE JESUS CRISTO DESOBEDECESSE
AO PAI. 08
I, 11, A VINDA DE JESUS CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS. 08
I, 11, A, A DERROCADA DAS RELIGIÕES PAGÃS. 09
I, 11, B, A CRIAÇÃO DE UM POVO (O POVO ISRAELITA). 09
I, 11, C, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA. 09
I, 11, C, a, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DA LEI. 09
I, 11, C, b, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DOS PROFETAS. 09
I, 11, C, c, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DO CATIVEIRO
BABILÔNICO. 10
I, 11, C, c, 1, A DERROCADA DA IDOLATRIA ENTRE O POVO JUDEU. 10
I, 11, C, c, 2, A MUDANÇA DE HÁBITOS DO POVO JUDEU. 10
I, 11, D, A EXISTÊNCIA DE UMA LEI CIVIL QUE ABRANGIA TODO O IMPÉRIO
ROMANO. 10
I, 11, E, A EXISTÊNCIA DE UMA LÍNGUA CONHECIDA EM TODO O IMPÉRIO
ROMANO. 10
II, OS NOMES; JESUS, CRISTO, MESSIAS E SEUS SIGNIFICADOS. 11
II, 1, O NOME JESUS. 11
II, 2, O NOME CRISTO. 11
II, 3, O NOME MESSIAS. 11
II, 4, OUTROS NOMES E TÍTULOS REFERENTES A JESUS CRISTO. 12
III, AS DUAS NATUREZAS DE JESUS CRISTO. 13
III, 1, A NATUREZA DIVINA DE JESUS CRISTO. 13
III, 2, A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO. 14
III, 3, ALGUMAS TEORIAS ACERCA DAS DUAS NATUREZAS DE JESUS CRISTO.
14
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III, 3, A, A TEORIA DOS DOCETAS. 14
III, 3, B, A TEORIA DOS EBIONITAS. 15
III, 3, C, A TEORIA DE ÁRIO. 15
III, 3, D, A TEORIA DE APOLINÁRIO. 15
III, 3, E, A TEORIA DE NESTÓRIO. 15
III, 3, F, A TEORIA DE EUTIQUES. 16
IV, A ENCARNAÇÃO DE DEUS (JESUS CRISTO). 16
V, O ESPÍRITO DE JESUS CRISTO. 17
VI, O TRÍPLICE MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO. 17
VI, 1, JESUS CRISTO, PROFETA. 17
VI, 1, A, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DO
ENSINAMENTO. 18
VI, 1, B, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS
DA PREDIÇÃO DE ACONTECIMENTOS FUTUROS. 18
VI, 1, C, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DE MILAGRES.
18
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
VI, 2, JESUS CRISTO, SACERDOTE. 19
VI, 2, A, MINISTÉRIO SACERDOTAL DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DO SEU
SACRIFÍCIO. 19
VI, 2, B, MINISTÉRIO SACERDOTAL DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DA
INTERCESSÃO. 19
VI, 2, C, CARACTERÍSTICAS DE UM SACERDOTE. 20
VI, 2, C, a, JESUS CRISTO É SEMELHANTE AO POVO (TOMADO DENTRE OS
HOMENS). 20
VI, 2, C, b, JESUS CRISTO FOI ESCOLHIDO POR DEUS (COMO ARÃO). 20
VI, 3, JESUS CRISTO, REI. 20
VII, OS ESTADOS DE JESUS CRISTO. 21
VII, 1, O ESTADO DE HUMILHAÇÃO DE JESUS CRISTO. 21
VII, 2, O ESTADO DE EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO. 22
VIII, A MORTE DE JESUS CRISTO E SEUS EFEITOS SALVÍFICOS. 22
VIII, 1, A MORTE VICÁRIA (SUBSTITUTIVA) DE JESUS CRISTO. 22
VIII, 2, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E SEUS EFEITOS NA VIDA DO SER
HUMANO. 23
VIII, 2, A, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A PROPICIAÇÃO. 23
VIII, 2, B, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A EXPIAÇÃO. 23
VIII, 2, C, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A REDENÇÃO. 24
VIII, 2, D, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A RECONCILIAÇÃO COM
DEUS. 25
IX, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS. 25
IX, 1, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA À SUA PESSOA. 25
IX, 2, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA À SUA MENSAGEM. 26
IX, 3, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA À SUA MORTE. 26
X, A ASCENSÃO DE JESUS CRISTO. 26
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X, 1, PELA ASCENSÃO, A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO NÃO FICOU
NA TERRA. 26
X, 2, PELA ASCENSÃO, DEUS EXALTA A JESUS CRISTO. 26
X, 2, A, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO E O COLOCA À DESTRA DO PAI.
27
X, 2, B, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL,
BATIZA SUA IGREJA COM O ESPÍRITO SANTO. 27
X, 2, C, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL,
INTERCEDE CONSTANTEMENTE PELOS FILHOS DE DEUS. 27
XI, A VOLTA DE JESUS CRISTO. 27
XI, 1, NINGUÉM SABE A DATA DA VOLTA DE JESUS CRISTO. 28
XI, 2, A VOLTA DE JESUS CRISTO SERÁ VISÍVEL A TODOS. 28
XI, 3, A VOLTA DE JESUS CRISTO SERÁ COM GRANDE PODER E GLÓRIA. 28
XII, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO. 28
XII, 1, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO E A DEMONSTRAÇÃO DO SEU PODER E
DO SEU AMOR. 29
XII, 1, A, A ONIPOTÊNCIA DE JESUS CRISTO DEMONSTRADA EM SEUS
MILAGRES. 29
XII, 1, B, O AMOR DE JESUS DEMONSTRADO EM SEUS MILAGRES. 30
XII, 2, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO E A CHEGADA DO REINO DE DEUS. 30
XIII, OS ENSINOS DE JESUS CRISTO. 30
XIII, 1, ASPECTOS DOS ENSINOS DE JESUS CRISTO. 30
XIII, 1, A, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DA PRÓPRIA VIDA. 31
XIII, 1, B, JESUS CRISTO ENSINAVA COM AUTORIDADE. 31
XIII, 1, C, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES SIMPLES. 31
XIII, 1, D, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES UNIVERSAIS. 32
CONCLUSÃO. 32
BIBLIOGRAFIA. 33
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO.
INTRODUÇÃO.
Este estudo é muito importante para todos os CRISTÃOS, visto que,
versa sobre ensinamentos básicos acerca da pessoa de JESUS CRISTO, o
FILHO DE DEUS, o qual é o próprio DEUS feito homem que veio ao mundo
proporcionar a possibilidade do ser humano ter a VIDA ETERNA.
Cristologia é o estudo doutrinário, ou doutrinal da pessoa de JESUS CRISTO.
Por isso, ainda que focalizemos, rapidamente, sobre alguns aspectos da
vida de JESUS CRISTO, este, não é um estudo biográfico acerca do
SALVADOR, é isto sim um estudo sobre a sua pessoa, seu ministério, sua
obra e seu valor em prol do ser humano.
Em suma, o que vamos estudar é a doutrina da pessoa de JESUS CRISTO.
Os estudos aqui realizados são básicos e resumidos, por isso, não
contêm tudo o que se possa conhecer acerca do nosso SALVADOR, porém,
estudemos com fé, certos que, os mesmos, muito nos ajudarão a melhor
compreender e conhecer a pessoa de JESUS CRISTO.
I, ASPECTOS IMPORTANTES SOBRE A VINDA DE JESUS CRISTO À TERRA.
Vejamos, de passagem, alguns aspectos importantes da vida de JESUS
CRISTO, os quais, demonstram a sua singularidade.
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A vida de JESUS CRISTO é singular na sua total santidade, João¨8:46;
Heb¨4:15; 1ªPed¨2:22, no total cumprimento das profecias a seu
respeito, Mat¨1:22-23, 27:35; João¨1:45, e em sua total obediência a
DEUS, Mat¨26:39, 42; Mar¨14:36; Luc¨22:42; João¨4:34, 6:38-40.
DEUS se fez homem na pessoa de JESUS CRISTO e veio à Terra para salvar
o seu povo dos seus pecados, Mat¨1:20-23.
I, 1, CONCEPÇÃO SOBRENATURAL DE JESUS CRISTO.
A concepção de JESUS CRISTO aconteceu de modo sobrenatural.
A virgem Maria recebeu, através de um anjo, a notícia de que seria mãe
do SALVADOR, o anjo lhe disse que JESUS CRISTO seria gerado no seu
ventre pelo poder do ESPÍRITO SANTO, Luc¨1:26-35; José, também foi
avisado por um anjo acerca deste acontecimento, Mat¨1:18-21.
Este fato se deu em cumprimento à profecia de Is¨7:14; Mat¨1:22-23.
I, 2, O NASCIMENTO DE JESUS CRISTO.
Mat¨1:25, fala sucintamente do nascimento de JESUS CRISTO.
Luc¨2:1-7 narra com mais riqueza de detalhes o nascimento de JESUS CRISTO.
O profeta Miquéias havia profetizado, que JESUS CRISTO nasceria em
Belém, Miq¨5:2; Mat¨2:4-6, porém, José e Maria moravam na Galiléia, na
cidade de Nazaré, Luc¨2:4.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Contudo, a profecia se cumpriu, cabalmente, sem que José e Maria
interferissem, pessoal e isoladamente, para que a mesma se cumprisse.
O imperador Romano, César Augusto, decretou um alistamento
(recenseamento) em todo o império e, para obedecer tal decreto, todos
os habitantes que moravam fora de suas cidades de origem, deveriam
alistar-se em suas próprias cidades, Luc¨2:1-5.
Com toda a certeza, o dedo de DEUS estava por trás deste decreto.
Por isso, José e Maria saem da Galiléia e vão até Belém para
alistar-se no recenseamento, oportunidade esta, em que JESUS CRISTO
nasceu, Luc¨2:1-7.
I, 3, A GENEALOGIA DE JESUS CRISTO.
Mat¨1:1-17 e Luc¨3:23-38, nos apresentam a genealogia de JESUS CRISTO.
As genealogias mostradas pelos dois Evangelistas são muito diferentes.
A diferença entre as duas genealogias se deve ao fato de Mateus
apresentar a genealogia de JESUS CRISTO pelo lado paterno e Lucas
apresentá-la pelo lado materno.
Além disto, a genealogia de Mateus chega apenas a Abraão, ao passo que
a genealogia de Lucas vai até Adão e DEUS.
A apresentação da árvore genealógica de JESUS CRISTO é importante, não
para mostrar conhecimento, mas, principalmente, para provar ao povo
judeu, através de Mateus e aos gentios, por intermédio de Lucas, que
JESUS CRISTO, além de todos os demais cumprimentos proféticos, tem
todos os requisitos necessários, para ser recebido como O MESSIAS
prometido, Dan¨9:25-26, já que descende do rei Davi Mat¨1:6;
Luc¨3:31-32, e de Abraão, Mat¨1:1-2; Luc¨3:34.
I, 4, A EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO APÓS SEU NASCIMENTO.
Após seu nascimento, JESUS CRISTO foi exaltado:
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01, Pelos anjos, Luc¨2:8-14¨(14).
02, Pelos pastores, Luc¨2:15-20.
03, Pelos magos do Oriente, Mat¨2:1-12¨(11).
É bom sabermos, que a visita dos magos não aconteceu imediatamente ao
nascimento de JESUS CRISTO, demorou, isto sim, algum tempo.
Outro fato importante, a palavra magos, deve ser entendida como sábios.
I, 5, A CIRCUNCISÃO DE JESUS CRISTO E SUA APRESENTAÇÃO NO
TEMPLO.
A circuncisão era sinal de aliança entre o povo israelita (judeu) e
DEUS, Gên¨17:9-14; Lev¨12:1-3.
Por ser judeu, JESUS CRISTO também foi circuncidado, Luc¨2:21.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Além disso, quando se cumpriram os dias da purificação de Maria, JESUS
CRISTO foi levado ao templo em Jerusalém para ser apresentado ao SENHOR,
Luc¨2:22-24, para cumprir a determinação DIVINA, Êx¨13:1-2, 22:29.
I, 6, A FUGA DE JESUS CRISTO PARA O EGITO E SUA VOLTA.
Em virtude do ódio do rei Herodes, ao rei dos judeus (JESUS CRISTO) e
do aviso do anjo do SENHOR, José e Maria fugiram para o Egito, levando
JESUS com eles, Mat¨2:12-18¨(14).
Do Egito só retornaram após a morte do rei Herodes, a qual, também foi
notificada pelo ANJO DO SENHOR, Mat¨2:19-23¨(21).
Temos aqui uma demonstração da preservação de DEUS (DEUS PAI), sobre o
menino JESUS (DEUS FILHO).
Temos também, o cumprimento de uma profecia acerca de JESUS CRISTO,
Osé¨11:1; Mat¨2:15.
I, 7, JESUS CRISTO NO TEMPLO AOS DOZE ANOS DE IDADE.
Aos doze anos de idade, após uma visita a Jerusalém durante uma
festa religiosa da páscoa, JESUS CRISTO ficou na cidade à revelia
de seus pais.
Porém, não estava perdido, ficou no templo dialogando com os doutores,
ocasião em que foi admirado pela sua imensa sabedoria, Luc¨2:47.
Ao ser encontrado por seus pais foi repreendido por estes, JESUS
CRISTO respondeu que estava tratando dos negócios do seu PAI (DEUS).
Esta narrativa está em Luc¨2:41-51.
I, 8, O SILÊNCIO BÍBLICO ACERCA DA VIDA DE JESUS CRISTO ATÉ SEU
BATISMO.
A BÍBLIA SAGRADA nada mais conta acerca da vida de JESUS CRISTO até
que foi batizado por João Batista, a não ser o que está registrado
em Luc¨2:52.
I, 9, O BATISMO DE JESUS CRISTO.
Em Mat¨3:13-17; Mar¨1:9-11 e Luc¨3:21-22, temos a narrativa BÍBLICA do
batismo de JESUS CRISTO.
Com o batismo de JESUS CRISTO, podemos observar, pelo menos, três fatos:
A, HUMILDADE DE JESUS CRISTO.
B, EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO.
C, INTRODUÇÃO AO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.
I, 9, A, HUMILDADE DE JESUS CRISTO.
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JESUS CRISTO sendo DEUS, se coloca no mesmo nível do ser humano
normal, indo até João Batista para ser, por este, batizado,
Mat¨3:13-16; Mar¨1:9; Luc¨3:21.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
I, 9, B, EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO.
À semelhança do seu nascimento, também, quando do seu batismo, JESUS
CRISTO foi exaltado:
01, Através da manifestação do ESPÍRITO SANTO que, em forma de pomba,
pousou sobre JESUS CRISTO, Mat¨3:16; Mar¨1:10; Luc¨3:22; João¨1:32-34.
02, Por DEUS, através de uma voz vinda do CÉU, Mat¨3:17; Mar¨1:11;
Luc¨3:22.
03, Por João Batista, Mat¨3:14; João¨1:29-30.
Por ocasião do batismo de JESUS CRISTO podemos verificar a existência
da TRINDADE, através da voz de DEUS (O PAI), da presença do FILHO
(JESUS CRISTO), bem como da presença do ESPÍRITO SANTO (na forma
corpórea de uma pomba).
I, 9, C, INTRODUÇÃO DE JESUS CRISTO EM SEU MINISTÉRIO.
João Batista, tem a missão de introduzir JESUS CRISTO em seu
ministério, Is¨40:3; Mat¨3:3; Mar¨1:2-3; Luc¨3:4; João¨1:23.
E com efeito, João Batista introduz JESUS CRISTO em seu ministério,
João¨1:29-34.
I, 10, A TENTAÇÃO DE JESUS CRISTO.
JESUS CRISTO se sujeitou a tentações, durante todo o seu ministério,
porém, a sua grande tentação está registrada em Mat¨4:1-11;
Mar¨1:12-13; Luc¨4:1-13.
Logo após seu batismo, JESUS CRISTO foi conduzido pelo ESPÍRITO SANTO
ao deserto para ser tentado pelo diabo.
Verificaremos rapidamente qual o significado geral das tentações, não
de cada uma delas em particular.
A tentação de JESUS CRISTO, aconteceu em, PELO MENOS, três aspectos:
A, O DIABO TENTOU DESVIAR JESUS CRISTO DA SUA MISSÃO.
B, O DIABO TENTOU ABALAR A FÉ QUE JESUS CRISTO TINHA NO PAI.
C, O DIABO TENTOU FAZER COM QUE JESUS CRISTO DESOBEDECESSE AO
PAI.
I, 10, A, O DIABO TENTOU DESVIAR JESUS CRISTO DA SUA MISSÃO.
Lança-te no ar, para que os anjos te tomem nas mãos (o desejo do diabo
era que JESUS CRISTO fosse aclamado, pelos homens, com fama e glória,
para desviá-lo da cruz), Mat¨4:5-6; Luc¨4:9-11.
Vitória de JESUS CRISTO.
Não tentarás o SENHOR teu DEUS, Mat¨4:7; Luc¨4:12.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
I, 10, B, O DIABO TENTOU ABALAR A FÉ QUE JESUS CRISTO TINHA NO PAI.
Se tu és o FILHO DE DEUS, manda que estas pedras se tornem em pão,
Mat¨4:3; Luc¨4:3.
Se tu és o FILHO DE DEUS, lança-te daqui abaixo, Mat¨4:6; Luc¨4:9.
Vitória de JESUS CRISTO.
Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de
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DEUS, Mat¨4:4; Luc¨4:4.
Não tentarás o SENHOR teu DEUS, Mat¨4:7; Luc¨4:12.
I, 10, C, O DIABO TENTOU FAZER COM QUE JESUS CRISTO
DESOBEDECESSE AO PAI.
Todos os reinos e toda a glória dos reinos do mundo te darei se
prostrado me adorares (esta foi a proposta do diabo para que JESUS
CRISTO o adorasse ao invés de adorar ao PAI), Mat¨4:8-9; Luc¨4:5-7.
Vitória de JESUS CRISTO.
Ao SENHOR teu DEUS adorarás, e só a ele servirás, Mat¨4:10; Luc¨4:8.
ATENÇÃO, o diabo distorceu a PALAVRA DE DEUS, porém, JESUS CRISTO,
lutando com todas as suas forças, venceu todas estas, fortíssimas,
tentações, usando, corretamente, a PALAVRA DE DEUS.
Este é um grande exemplo para nós, cuidado com as distorções da
PALAVRA DE DEUS que nos chegam aos ouvidos.
Ao invés disso, tenhamos confiança total na veracidade e poder da
PALAVRA DE DEUS.
Porque JESUS CRISTO lutou e venceu, pode socorrer os filhos de DEUS
quando estes são tentados, Heb¨2:18.
I, 11, A VINDA DE JESUS CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS.
A BÍBLIA SAGRADA relata que DEUS enviou JESUS CRISTO à Terra quando
chegou a plenitude dos tempos, Gál¨4:4.
A plenitude dos tempos, significa que havia chegado a hora de JESUS
CRISTO vir à Terra.
A plenitude dos tempos chegou, porque DEUS, ao longo do tempo,
preparou o mundo para a vinda de JESUS CRISTO bem como, para a
conseqüente implantação e expansão do cristianismo, em, pelo menos,
cinco aspectos:
A, A DERROCADA DAS RELIGIÕES PAGÃS.
B, A CRIAÇÃO DE UM POVO (O POVO ISRAELITA).
C, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA:
D, A EXISTÊNCIA DE UMA LEI CIVIL QUE ABRANGIA TODO O IMPÉRIO
ROMANO.
E, A EXISTÊNCIA DE UMA LÍNGUA CONHECIDA EM TODO O IMPÉRIO
ROMANO.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
I, 11, A, A DERROCADA DAS RELIGIÕES PAGÃS.
Já em Deut¨18:9-14, podemos verificar sem muito esforço qual era a
qualidade da vida espiritual dos gentios.
Esta derrocada espiritual causou a entrega de Canaã ao povo israelita,
Deut¨18:12.
I, 11, B, A CRIAÇÃO DE UM POVO (O POVO ISRAELITA).
O povo israelita foi criado por DEUS a partir do patriarca Abraão,
Gên¨12:1-9.
Abraão gerou Isaque, Gên¨21:1-7; Isaque gerou a Jacó, Gên¨25:19-26.
O nome de Jacó foi mudado, por DEUS, para Israel, Gên¨32:22-32¨(28).
Os filhos de Jacó, exceto José e Levi, Núm¨1:1-17¨(5-15), formaram as
doze tribos de Israel, cada uma com um nome.
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A decisão de DEUS aconteceu em virtude dos descendentes de Levi terem
recebido, da parte de DEUS, o ministério religioso, Núm¨1:47-54,
18:21; Deut¨10:8-9, 18:1-8; Josué¨13:14.
Em lugar de José e da Tribo de Levi, DEUS colocou os dois filhos de
José, quais sejam, Efraim e Manassés, Núm¨1:10; Josué¨14:4.
O povo israelita, é o povo do qual faz parte JESUS CRISTO.
JESUS CRISTO é descendente do filho de Jacó chamado Judá,
Mat¨1:1-17,¨(2-3), o patriarca de uma das tribos israelitas, Núm¨1:7.
Em vários passagens a BÍBLIA nos fala dos israelitas, vejamos algumas,
Lev¨24:10-11; Núm¨25:14; João¨1:47; Rom¨11:1.
I, 11, C, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA.
A preparação do povo israelita aconteceu em três aspectos, quais sejam:
a, ATRAVÉS DA LEI.
b, ATRAVÉS DOS PROFETAS.
c, ATRAVÉS DO CATIVEIRO BABILÔNICO.
I, 11, C, a, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DA LEI.
Um dos meios usados por DEUS, para a preparação do povo israelita para a
vinda de JESUS CRISTO foi a LEI, o DECÁLOGO ou os DEZ MANDAMENTOS, que
foi entregue ao povo israelita através do ministério de Moisés,
Êx¨20:1-17.
I, 11, C, b, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DOS PROFETAS.
Outro meio pelo qual DEUS preparou o povo israelita para a vinda de
JESUS CRISTO foi através do ministério profético, Gên¨3:15, é a
primeira referência BÍBLICA à pessoa de JESUS CRISTO, a semente da
mulher, porém, há mais, Is¨7:14, 9:6-7; Miq¨5:2.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
I, 11, C, c, A PREPARAÇÃO DO POVO ISRAELITA ATRAVÉS DO CATIVEIRO
BABILÔNICO.
O cativeiro babilônico foi outro meio através do qual DEUS preparou o
povo israelita (agora povo judeu) para a vinda de JESUS CRISTO.
O preparo do povo israelita, através do cativeiro babilônico,
aconteceu em dois aspectos:
I, 11, C, c, 1, A DERROCADA DA IDOLATRIA ENTRE O POVO JUDEU.
O povo israelita caiu muitas vezes na idolatria, vejamos a idolatria
do povo israelita (judeu), apenas no reinado de Jeorão,
2ºCrôn¨21:5-20¨(12-13).
Vejamos o que DEUS fala a respeito dos ídolos em Israel, apenas em
Ez¨14:1-11.
Porém, quando o povo judeu voltou do cativeiro babilônico estava,
totalmente, curado da idolatria, Ez¨36:16-31¨(25).
I, 11, C, c, 2, A MUDANÇA DE HÁBITOS DO POVO JUDEU.
O povo judeu que era essencialmente agrícola, e pastoril, passou a
ser, também, um povo mercantil e comercial, esta mudança o capacitou a
adaptar-se a qualquer país do mundo.
Até hoje, todos conhecem o poderio capitalista do povo judeu, bem
como, a sua capacidade de adaptação a qualquer situação, a qualquer
lugar ou a qualquer país do mundo.
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I, 11, D, A EXISTÊNCIA DE UMA LEI CIVIL QUE ABRANGIA TODO O
IMPÉRIO ROMANO.
Quando JESUS CRISTO nasceu, Roma dominava toda a costa do Mediterrâneo.
Por volta do ano 50 DC, Roma dominava quase toda a atual Inglaterra, a
Europa desde o sul do rio Reno e do rio Danúbio; toda a costa norte da
África, incluindo o Egito; dominava também grande parte da Ásia, desde
o mar Mediterrâneo até a Mesopotâmia.
A ordem mantida em todo este império, não era apenas pela força, mas
também através dos benefícios que sua civilização mais adiantada
levava aos povos conquistados.
Além disso, o poder imperial de Roma mantinha os povos dominados,
politicamente, pela implantação da PAX ROMANA (PAZ ROMANA), a qual,
sob a tutela de uma única lei, praticamente, aboliu toda e qualquer
guerra entre os povos sob o seu domínio.
A PAX ROMANA favoreceu, extraordinariamente, a igreja primitiva, no
que concerne à expansão do cristianismo, a todo o império romano.
I, 11, E, A EXISTÊNCIA DE UMA LÍNGUA CONHECIDA EM TODO O IMPÉRIO
ROMANO.
Se Roma dominava os povos politicamente, a Grécia tinha uma enorme influência
cultural, principalmente, entre os povos das costas do mar Mediterrâneo.
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Tal influência modelou e marcou a mentalidade dos povos do império romano.
Devido a essa enorme influência, a língua grega era conhecida em todo
o império.
Este fato, também, muito contribuiu para a disseminação do cristianismo.
Em virtude desta situação cultural, o NOVO TESTAMENTO foi escrito na
língua grega.
II, OS NOMES; JESUS, CRISTO, MESSIAS E SEUS SIGNIFICADOS.
II, 1, O NOME JESUS.
A palavra JESUS é nome próprio e significa, DEUS É SALVADOR, Mat¨1:21.
De certa forma, é sinônimo do EMANUEL de Is¨7:14 (DEUS o SALVADOR
conosco, Is¨43:11, 45:15,¨21) e de Mat¨1:23.
II, 2, O NOME CRISTO.
CRISTO, é uma palavra grega referente à hebraica MESSIAS, significa,
UNGIDO, At¨10:34-38¨(36,¨38).
II, 3, O NOME MESSIAS.
A palavra MESSIAS é derivada da palavra hebraica MESHIAH, a qual, como
já vimos, significa UNGIDO, JOÃO¨1:41, 4:25.
Segundo o conciso dicionário de teologia CRISTÃ, MESSIAS significa:
01, Literalmente “O UNGIDO”. O líder designado por DEUS para cumprir a
missão especial de redenção e libertação.
Segundo o Novo Aurélio, MESSIAS significa:
01, Do hebraico MASHIAH, “ungido”, pelo latim MESSIAS.
02, Pessoa ou coletividade na qual se concretizavam as aspirações de
salvação ou redenção.
03, Pessoa a quem DEUS comunica algo de seu poder ou autoridade.
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04, Líder carismático.
05, Pessoa esperada ansiosamente.
06, Reformador ou pretenso reformador social.
Portanto a palavra grega CRISTO e a hebraica MESSIAS são referentes a
título, não a nome próprio.
No Antigo Testamento, quando os reis, sacerdotes e líderes eram
separados para o seu ministério, eram ungidos com óleo, Êx¨28:41,
29:7; Lev¨4:3, 6:20; 1ºSam¨9:16, 10:1, 15:1; 2ºSam¨23:1.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Por isso, ungir, tem o significado de separar, consagrar.
Assim sendo, uma pessoa ungida é uma pessoa separada para o exercício
de um ministério específico.
É o caso de JESUS CRISTO, o qual, veremos mais adiante que, exerce um
tríplice ministério.
A unção, também, simboliza a influência do ESPÍRITO SANTO e JESUS
CRISTO é totalmente influenciado pelo ESPÍRITO SANTO, porque cheio do
mesmo, João¨3:34.
Relembremos, também, a descida do ESPÍRITO SANTO, em forma de pomba,
sobre JESUS CRISTO por ocasião do seu batismo, Mat¨3:16; Mar¨1:10;
Luc¨3:22; João¨1:32-34.
Portanto, tanto a palavra grega CRISTO (UNGIDO) quanto a hebraica
MESSIAS (UNGIDO) se encaixam, perfeitamente, na pessoa de JESUS CRISTO
(O UNGIDO DE DEUS), Sal¨45:6-7; Heb¨1:8-9.
Como já vimos, o título MESSIAS ou UNGIDO, era dado às pessoas
chamadas por DEUS para executarem uma tarefa especial.
Os judeus tinham a promessa de que sempre haveria um rei da linhagem
de Davi no trono de Israel, 2ºSam¨7:8-29¨(16, 19, 29).
Porém, a história nos mostra que, nem sempre um rei da linhagem de
Davi, governou Israel.
Muitas vezes, Israel foi governado por povos gentios, inclusive, no
tempo de JESUS CRISTO, quem governava o povo israelita (judeu) eram os
romanos, naturalmente, um povo gentio.
Porém, os judeus não perdiam a esperança do cumprimento da promessa.
Diante da sua realidade histórica, os judeus esperavam que um dia
viria um rei judeu (O MESSIAS DO SENHOR) que expulsaria do seu
território os conquistadores gentios e restauraria o povo de Israel,
fazendo-o novamente um reino independente.
Na tentação de JESUS CRISTO no deserto, o diabo o tentou para que isso
acontecesse.
Por muito tempo os discípulos de JESUS CRISTO também pensaram assim.
Porém, conforme JESUS CRISTO disse, o seu reino não é deste mundo, João¨8:23, 18:36.
Se o reino de JESUS CRISTO fosse, apenas, deste mundo, como poderia
dar a SALVAÇÃO ETERNA à humanidade¨?
II, 4, OUTROS NOMES E TÍTULOS REFERENTES A JESUS CRISTO.
01, FILHO DO HOMEM, Daniel usa este nome em sua profecia acerca de JESUS
CRISTO, Dan¨7:13-14, indicando sua humanidade e messianidade.
JESUS CRISTO aplica o título, FILHO DO HOMEM, a si mesmo,
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Mat¨11:19; Mar¨2:28; Luc¨9:26; João¨3:14; Luc¨21:27.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
02, FILHO DE DEUS, Luc¨1:32-35; At¨3:13.
Sua concepção também é um ato do ESPÍRITO SANTO, Mat¨1:20; Luc¨1:35.
03, SENHOR, nome usado após a ressurreição, Is¨40:3; Mat¨3:3;
João¨20:25, 28; Apoc¨1:10.
04, SALVADOR, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados,
Mat¨1:21; Luc¨2:11.
05, REDENTOR, Rom¨3:24; 1ªCor¨1:30: Heb¨9:12.
06, BOM PASTOR, João¨10:11, 14.
07, VERBO (LÓGOS), João¨1:1, 14.
08, EMANUEL (DEUS CONOSCO), Is¨7:14; Mat¨1:23.
09, REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES, 1ªTim¨6:15; Apoc¨17:14, 19:16.
10, MARAVILHOSO, Is¨9:6.
11, CONSELHEIRO, Is¨9:6.
12, DEUS FORTE, Is¨9:6.
13, PAI DA ETERNIDADE, Is¨9:6.
14, PRÍNCIPE DA PAZ, Is¨9:6.
III, AS DUAS NATUREZAS DE JESUS CRISTO.
JESUS CRISTO é uma pessoa singular, pois só JESUS CRISTO tem duas
naturezas.
1, A NATUREZA DIVINA.
2, A NATUREZA HUMANA.
III, 1, A NATUREZA DIVINA DE JESUS CRISTO.
Após algum tempo de dúvida, Tomé viu JESUS CRISTO ressuscitado e faz
esta gloriosa declaração: “SENHOR meu e DEUS meu”, João¨20:28.
Esta é uma declaração insofismável da DIVINDADE de JESUS CRISTO.
Além desta passagem BÍBLICA, verifiquemos a DIVINDADE de JESUS CRISTO
em João¨1:1-4, 14; Heb¨1:1-14¨(5-12); 1ªJoão¨5:20.
Em CRISTO habita toda a plenitude da DIVINDADE, Col¨2:6-9, ou seja,
nada do que é DIVINO falta em JESUS CRISTO.
Por isso, declaramos, categoricamente.
JESUS CRISTO É VERDADEIRO DEUS.
Apesar disto, há grupos, até, intitulados de CRISTÃOS, que negam a
DIVINDADE de JESUS CRISTO.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Como DEUS, JESUS CRISTO é a segunda pessoa da TRINDADE, por isso, é
PREEXISTENTE, ou seja, é eterno, sempre existiu.
JESUS CRISTO já existia antes de todas as coisas criadas, João¨1:1-3,
8:58, 17:5; Col¨1:17.
Passagens adicionais acerca da DIVINDADE de JESUS CRISTO, Is¨7:14,
9:6; Mat¨1:23, 26:63-64; Mar¨2:5-7; João¨10:30; Rom¨9:5; Filip¨2:5-11;
Tito¨2:13; Tiago¨2:1.
III, 2, A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO.
A natureza humana de JESUS CRISTO é mais fácil de aceitar, visto que,
é um autêntico personagem da história da humanidade, Mat¨4:2; Luc¨2:7,
40-52; João¨4:7, 11:35-46; At¨2:22.
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Por isso, também, declaramos, categoricamente.
JESUS CRISTO É VERDADEIRO HOMEM.
Como ser humano JESUS CRISTO iniciou sua história, na cidade de Belém,
através do seu nascimento do ventre da virgem Maria, Mat¨1:25;
Luc¨2:1-7; João¨1:14.
Passagens adicionais acerca da, verdadeira, humanidade de JESUS
CRISTO, Mat¨8:24; Luc¨22:44; João¨4:6-7, 11:35, 12:27; Rom¨5:15;
1ªCor¨15:21; 1ªTim¨2:5; Heb¨4:15.
Declaração, conjunta, baseada nos estudos deste capítulo.
JESUS CRISTO É VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM.
Há um cuidado de suma importância, a ser considerado, acerca da
DIVINDADE E DA HUMANIDADE DE JESUS CRISTO.
A pessoa de JESUS CRISTO não é metade DEUS e metade homem.
JESUS CRISTO É SIMULTÂNEA, TOTAL E INTEGRALMENTE DEUS E
HOMEM.
III, 3, ALGUMAS TEORIAS ACERCA DAS DUAS NATUREZAS DE JESUS
CRISTO.
Já vimos neste capítulo que JESUS CRISTO é verdadeiro DEUS e
verdadeiro homem.
Entretanto, infelizmente, nem todas as pessoas crêem dessa forma, como
a BÍBLIA SAGRADA nos ensina claramente, 1ªJoão¨4:1-3.
Damos a seguir várias teorias, ou doutrinas, infelizmente, erradas
acerca da pessoa de JESUS CRISTO.
III, 3, A, A TEORIA DOS DOCETAS.
Esta palavra é uma derivação do grego doketes, de dokein, e tem o
significado de “parecer”, “crer numa aparência”, etc.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Surgiram por volta de 70 DC. e permaneceram até 170 DC.
Os docetas negavam a, verdadeira, humanidade de JESUS CRISTO, em
virtude de considerarem que as coisas materiais eram, por natureza, más
(corruptas), por isso, eram a sede de todo o pecado e de todo o mal.
Diziam, se o mal está na matéria e se JESUS CRISTO nunca pecou, então
jamais teve corpo material (humano).
Este pensamento doutrinário era fruto da filosofia grega e pagã no
interior da IGREJA DE JESUS CRISTO.
III, 3, B, A TEORIA DOS EBIONITAS.
Apareceram em 107 DC, negavam a natureza DIVINA de JESUS CRISTO.
Para eles, JESUS CRISTO era apenas homem.
Era um grupo composto por judeus, os quais, apesar de se intitularem
CRISTÃOS, não aceitavam a doutrina CRISTÃ da Trindade.
Para eles, JESUS CRISTO era apenas um grande profeta, que se
relacionava, intimamente, com DEUS, porém, não era DEUS.
III, 3, C, A TEORIA DE ÁRIO.
O arianismo apareceu em 325 DC, muitos aceitaram a tese de Ário, seu
fundador, o qual negava a integridade e perfeição da natureza DIVINA
de JESUS CRISTO.
Para eles, O VERBO QUE SE FEZ CARNE, João¨1:14, não era DEUS, mas um
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dos seres mais elevados do CRIADOR.
Assim sendo, para eles, O VERBO não era mais do que uma criatura de DEUS.
Por esta concepção não conseguiam aceitar a encarnação de DEUS, na
pessoa humana de JESUS CRISTO.
III, 3, D, A TEORIA DE APOLINÁRIO.
Esta teoria apareceu em 381 DC.
Conforme Apolinário ensinava, JESUS CRISTO não tinha mente humana.
O que JESUS CRISTO tinha de humano, era apenas o corpo e o espírito.
O VERBO QUE SE FEZ CARNE, tomou o lugar da mente, por isso, JESUS
CRISTO não era homem perfeito.
Segundo esta teoria, JESUS CRISTO era composto de corpo, verbo e espírito.
Portanto, a teoria de Apolinário negava a integridade da natureza
humana de JESUS CRISTO.
III, 3, E, A TEORIA DE NESTÓRIO.
Esta teoria apareceu em 431 DC. através de Nestório.
Nestório, negava a união verdadeira entre as duas naturezas de JESUS CRISTO.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Nestório via em JESUS CRISTO duas partes ou divisões, uma humana e
outra divina.
Quando JESUS CRISTO dormia, era a parte humana que dormia.
Porém, quando, por exemplo, repreendia os ventos, era a sua parte
divina que estava em ação.
A verdade, porém, é que JESUS CRISTO não se divide em duas partes,
JESUS CRISTO não opera, ou age, parceladamente, age, isto sim, com
toda a sua personalidade.
III, 3, F, A TEORIA DE EUTIQUES.
Esta teoria ensina que, as duas naturezas de JESUS CRISTO
fundiram-se de tal forma que, formaram um terceira natureza, que não
era divina nem humana.
Desta forma, JESUS CRISTO não era divino nem humano.
Vimos assim, várias teorias que tentam explicar a natureza de JESUS
CRISTO, porém, são teorias contrárias à BÍBLIA SAGRADA, portanto,
dignas de repúdio pelo povo de DEUS.
IV, A ENCARNAÇÃO DE DEUS (JESUS CRISTO).
Como vimos no capítulo anterior, JESUS CRISTO é DEUS e homem.
Esta realidade só é possível em virtude da encarnação de DEUS, na
pessoa de JESUS CRISTO.
A encarnação de DEUS na pessoa humana de JESUS CRISTO é o fato, ou a
realidade de DEUS, pela sua onipotência, fazer-se homem.
A encarnação não eliminou nem diminuiu os atributos de DEUS.
Durante o tempo da encarnação, DEUS continuou sendo DEUS, como é
eternamente.
Pela encarnação, DEUS assumiu, não só um corpo humano, mas a natureza
humana completa.
A natureza humana de JESUS CRISTO é, como a de todos os homens,
composta, para os dicotomistas, de corpo e alma, quanto ao corpo não
há dúvida, quanto à alma, Mat¨26:38; Mar¨14:34; João¨12:27, para os
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tricotomistas é composta de corpo, alma e espírito, Mat¨27:50;
Luc¨23:46; João¨19:30.
Em João¨1:14 vemos, claramente, DEUS tornando-se homem, na pessoa de
JESUS CRISTO.
A única diferença entre JESUS CRISTO, homem, e os demais seres
humanos, é o fato de JESUS CRISTO jamais haver pecado, Is¨53:9;
Heb¨4:15; 1ªPed¨2:21-23, nem jamais pecará Heb¨9:28.
A encarnação proporcionou a JESUS CRISTO a possibilidade de ser tentado.
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Em virtude de JESUS CRISTO ser verdadeiro homem e em tudo ter sido
tentado, a encarnação propiciou ao ser humano um sumo sacerdote fiel e
misericordioso, Heb¨2:17, 4:15.
No sexto capítulo, estudaremos sobre o sacerdócio de JESUS CRISTO.
Por isso, JESUS CRISTO não é um justiceiro tirano, pelo contrário, é um
sacerdote fiel e misericordioso, porque entende as nossas tentações.
A encarnação, também, foi necessária, para JESUS CRISTO fazer expiação
pelos nossos pecados (mais adiante estudaremos sobre isto).
V, O ESPÍRITO DE JESUS CRISTO.
O ESPÍRITO DE JESUS CRISTO é, o ESPÍRITO DE DEUS, ou o ESPÍRITO SANTO,
Filip¨1:19; 1ªPed¨1:9-11.
VI, O TRÍPLICE MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.
Ministério, significa:
Cargo, incumbência, mister; Cargo, função, profissão; Função de ministro.
JESUS CRISTO exerce um tríplice ministério; JESUS CRISTO é:
1, PROFETA.
2, SACERDOTE.
3, REI.
VI, 1, JESUS CRISTO, PROFETA.
O profeta tinha e ainda tem a seu encargo fazer o homem conhecer a
vontade de DEUS, Juí¨6:8; 1ºReis¨16:12, 20:13, 22:7; 2ºReis¨3:11,
20:1; 2ºCrô¨12:5.
JESUS CRISTO como profeta, foi profetizado por Moisés, Deut¨18:15, 18;
João¨1:45.
JESUS CRISTO considerou-se profeta, Mat¨13:54-58; Mar¨6:1-4;
Luc¨13:31-33.
JESUS CRISTO foi reconhecido e tratado como profeta pela mulher
samaritana, João¨4:19.
JESUS CRISTO foi reconhecido e considerado como profeta pelo povo,
Mat¨21:45-46; Luc¨7:11-16; João¨6:14, 7:40, bem como pelas multidões,
Mat¨21:10-11.
JESUS CRISTO foi reconhecido e considerado como profeta pelos dois
discípulos de Emaús, Luc¨24:19.
JESUS CRISTO é, por excelência, o profeta de DEUS, Heb¨1:1.
No início do seu ministério, num dia de Sábado, numa sinagoga
em Nazaré, JESUS CRISTO leu no livro (rolo) do profeta
Isaías¨61:1-2.
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Após a leitura, afirmou aos presentes que o cumprimento daquela
profecia estava acontecendo, naquele dia, diante deles e aos seus
ouvidos, Luc¨4:17-24.
Os profetas falavam: “Assim diz o SENHOR”, Juí¨6:8; Is¨44:24; Jer¨8:4;
Ageu¨1:7.
JESUS CRISTO dizia: “Eu vos digo”, entre muitas outras passagens,
Mat¨5:32, 19:9; Luc¨13:24, 14:24; João¨4:35, 14:10.
JESUS CRISTO é infinitamente superior a todos os demais profetas,
estes podem, apenas, proclamar a mensagem de DEUS, Is¨52:4, ao passo
que JESUS CRISTO, além de proclamar a mensagem de DEUS, é a perfeita
revelação do PAI, João¨1:18, 14:9; Heb¨1:1.
JESUS CRISTO É, COM TODA A CERTEZA, O PROFETA PERFEITO.
O ministério profético era desempenhado pelos profetas, através de
três meios específicos.
01, ATRAVÉS DO ENSINAMENTO.
Exemplo, Is¨1:10-20, através desta lição, Isaías ensina ao povo qual o
verdadeiro significado dos sacrifícios.
02, ATRAVÉS DA PREDIÇÃO DE ACONTECIMENTOS FUTUROS.
Exemplos, predições de rápido cumprimento, 1ºReis¨20:1-43¨(13-14, 22,
28, 35-36).
Predições de cumprimento remoto, Dan¨12:1-13.
03, ATRAVÉS DE MILAGRES.
Exemplo, 1ºReis¨18:17-39.
VI, 1, A, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DO
ENSINAMENTO.
JESUS CRISTO ensinava com autoridade, Mat¨7:29; Mar¨1:22.
VI, 1, B, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DA
PREDIÇÃO DE
ACONTECIMENTOS FUTUROS.
Predições de JESUS CRISTO de rápido cumprimento, Mat¨26:34-75¨(34,
69-74); Mar¨14:30-72¨(14, 67-72).
Predições de cumprimento longínquo, Mat¨24:1-51.
VI, 1, C, MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DE
MILAGRES.
Todos nós sabemos que JESUS CRISTO operou muitos milagres, apenas um
exemplo, Mat¨14:13-21.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Nenhum profeta, no desempenho do seu ministério, fez uso destes três
meios, de modo tão perfeito, como JESUS CRISTO.
Por isso, repetimos:
JESUS CRISTO É, COM TODA A CERTEZA, O PROFETA PERFEITO.
VI, 2, JESUS CRISTO, SACERDOTE.
O sacerdote tinha, como ministério oficial, o encargo de apresentar o
homem e seus pecados a DEUS, a fim de conseguir perdão, Heb¨5:1-4.
JESUS CRISTO é o único, pelo qual, o ser humano tem acesso ao PAI,
porque é o único intermediário entre nós e DEUS, 1ªTim¨2:5.
O livro de Salmos fala sobre o sacerdócio de JESUS CRISTO, Sal¨110:4,
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o qual está confirmado em Heb¨5:6, 10, 6:20.
O livro de hebreus é, na BÍBLIA SAGRADA, o livro que mais fala sobre o
sacerdócio de JESUS CRISTO.
JESUS CRISTO é sumo sacerdote, Heb¨2:17, 3:1, 4:14-15, 5:5-6, 7:26,
8:1, 9:11.
JESUS CRISTO é chamado por DEUS de sacerdote, segundo a ordem
(categoria) de Melquisedeque, Heb¨5:6, 10, 6:20, 7:17.
Em virtude dos nossos pecados, necessitamos do ministério sacerdotal
de JESUS CRISTO, porque é necessário que um sacerdote faça a
purificação dos pecados.
O ministério sacerdotal consistia em conseguir o perdão para os pecados
do povo, o qual era conseguido através de sacrifícios e intercessão:
01, SACRIFÍCIOS, Heb¨9:22.
02, INTERCESSÃO, Núm¨6:22-27.
VI, 2, A, MINISTÉRIO SACERDOTAL DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DO SEU
SACRIFÍCIO.
JESUS CRISTO é o nosso sacrifício, João¨1:29; 1ªPed¨1:18-19.
Outras passagens sobre o sacrifício de JESUS CRISTO, Is¨53:1-12;
Mar¨10:45; Rom¨3:24-25, 5:6-8; 1ªCor¨5:7; Gál¨1:4; Ef¨5:2;
Heb¨9:11-17, 10:10-14, 19-20; 1ªPed¨2:24, 3:18.
VI, 2, B, MINISTÉRIO SACERDOTAL DE JESUS CRISTO ATRAVÉS DA
INTERCESSÃO.
JESUS CRISTO é nosso intercessor, João¨17:1-26; Rom¨8:34.
Outras passagens sobre a intercessão de JESUS CRISTO, Is¨53:12;
Heb¨7:25;.
JESUS CRISTO É INTERCESSOR ETERNO DOS CRENTES, Heb¨7:21-28¨(25).
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
VI, 2, C, CARACTERÍSTICAS DE UM SACERDOTE.
Segundo Heb¨5:1-6, um sacerdote há de ter duas características:
a, Ser semelhante ao povo (tomado dentre os homens), Heb¨5:1.
b, Ser escolhido por DEUS (como Arão), Heb¨5:4-6.
VI, 2, C, a, JESUS CRISTO É SEMELHANTE AO POVO (TOMADO DENTRE OS
HOMENS), Heb¨5:1.
JESUS CRISTO é semelhante a nós, Heb¨4:15.
VI, 2, C, b, JESUS CRISTO FOI ESCOLHIDO POR DEUS (COMO ARÃO),
Heb¨5:4.
JESUS CRISTO é chamado por DEUS, sacerdote eternamente, Heb¨5:6, 10,
7:1-28.
Outras passagens sobre o sacerdócio de JESUS CRISTO, Heb¨1:3, 3:1,
4:14-16, 5:5-10, 6:20, 7:26-28, 8:1-3.
JESUS CRISTO É, COM TODA A CERTEZA, O SACERDOTE PERFEITO.
VI, 3, JESUS CRISTO, REI.
Sem entrar em detalhes minuciosos, o rei tinha o domínio sobre o povo,
1ºSam¨9:17.
JESUS CRISTO É REI ETERNO, Heb¨1:8; Apoc¨17:14.
JESUS CRISTO reinará sobre todas as coisas, Sal¨2:5-8;
Mat¨25:31-32, 28:18.
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JESUS CRISTO foi predito como rei de Jerusalém pelo profeta Zacarias,
Zac¨9:9, esta profecia de Zacarias é cumprida em Mat¨21:1-11;
Mar¨11:1-10; Luc¨19:28-38; João¨12:12-15.
JESUS CRISTO é tratado como rei dos judeus, pelos magos do
oriente, Mat¨2:2.
JESUS CRISTO foi chamado de rei dos judeus por Pilatos, Mar¨15:9, 12;
João¨18:39, 19:14-15.
JESUS CRISTO não negou o título de rei dos judeus, quando Pilatos o
interrogou, Mat¨27:11; Mar¨15:2; Luc¨23:3; João¨18:33-34, 37.
Em virtude do título REI DOS JUDEUS, JESUS CRISTO foi escarnecido,
Mat¨27:28-31; Mar¨15:17:20; Luc¨23:36-38; João¨19:2-3.
JESUS CRISTO ao ser crucificado, Pilatos mandou colocar, na cruz,
sobre a sua cabeça, uma placa, na qual, ordenou que escrevessem, nas
línguas hebraica, grega e latina, este é JESUS o rei dos judeus,
Mat¨27:37; Mar¨15:26; Luc¨23:38; João¨19:19-22.
JESUS CRISTO reina acima de tudo, inclusive sobre a IGREJA, Ef¨1:20-23.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Há uma característica especial acerca do reino de JESUS CRISTO, qual
seja, o reino de JESUS CRISTO não é deste mundo, João¨18:36.
Contudo, JESUS CRISTO é o único REI que detém toda a autoridade, tanto
no Céu, quanto na Terra, Mat¨28:18.
JESUS CRISTO É O REI DIFERENCIADO; JESUS CRISTO É O REI DOS REIS, E
SENHOR DOS SENHORES, Apoc¨17:14.
Artaxerxes e Nabucodonozor também foram chamados, a seu tempo, de rei
dos reis, Esd¨7:12; Ez¨26:7.
Porém, JESUS CRISTO É MUITO DIFERENTE E INFINITAMENTE SUPERIOR a
Artaxerxes e a Nabucodonozor porque estes morreram e seus corpos
permanecem na terra, ao passo que JESUS CRISTO ressuscitou,
gloriosamente, Mat¨28:1-6.
JESUS CRISTO como Rei, Is¨9:7; Mat¨28:18; Luc¨1:32-33; Apoc¨19:16.
JESUS CRISTO reina, de modo especial, nos crentes, Col¨1:12-13.
JESUS CRISTO reina no universo, Mat¨28:18.
No futuro JESUS CRISTO reinará e definitiva e totalmente, Dan¨7:13-14;
Filip¨2:9-11; 2ªTim¨4:18.
JESUS CRISTO É, COM TODA A CERTEZA, O REI PERFEITO.
VII, OS ESTADOS DE JESUS CRISTO.
Na pessoa e vida de JESUS CRISTO há dois estados:
1, ESTADO DE HUMILHAÇÃO.
2, ESTADO DE EXALTAÇÃO.
VII, 1, O ESTADO DE HUMILHAÇÃO DE JESUS CRISTO.
Humilhação, significa:
01, Ato ou efeito de humilhar-se.
Por sua vez, humilhar, significa:
01, Tornar-se humilde; humildar.
E ainda, humilde, significa:
01, Que tem ou aparenta humildade.
02, Singelo, simples, modesto, pobre. Respeitoso, acatador; submisso.
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A humilhação de JESUS CRISTO, Filip¨2:5-8¨(8), aconteceu em, pelo
menos, quatro aspectos.
01, NA SUA ENCARNAÇÃO, João¨1:14.
02, NOS SEUS SOFRIMENTOS, Is¨53:3-7; Mat¨8:20; Mar¨1:13; João¨1:11.
03, NA SUA MORTE, Deut¨21:23; Gál¨3:13; Filip¨2:8.
04, NO SEU SEPULTAMENTO, Mat¨27:57-66; Mar¨15:42-47; Luc¨23:50-56;
João¨19:38-42.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Toda esta humilhação, JESUS CRISTO suportou, por amor à humanidade.
Um aspecto importante a considerar é que, em seu estado de humilhação,
JESUS CRISTO teve vários momentos de exaltação, pelo menos, como já
vimos, no seu batismo, Mat¨3:13-17¨(16-17); Mar¨1:9-11; Luc¨3:21-22, e na
transfiguração, Mat¨17:1-8; Mar¨9:2-8; Luc¨9:28-36.
VII, 2, O ESTADO DE EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO.
Exaltação, no caso de JESUS CRISTO, significa: Glorificação.
A exaltação de JESUS CRISTO, Filip¨2:9-11, também em, pelo menos,
quatro aspectos.
01, NA SUA RESSURREIÇÃO, Mat¨28:1-10; Mar¨16:1-10; Luc¨24:1-12;
João¨20:1-10.
02, NA SUA ASCENSÃO, Mar¨16:19-20; Luc¨24:51; At¨1:9 11.
03, NA SUA POSIÇÃO À DIREITA DO PAI, At¨7:55-56; Col¨3:1; Heb¨10:12.
04, POR FIM, QUANDO VIER EM GLÓRIA, O PONTO SUPREMO DA EXALTAÇÃO
DE
JESUS CRISTO, Mat¨24:30; Mar¨13:26-27; Luc¨21:27; Apoc¨1:7.
No estado de exaltação, JESUS CRISTO jamais passou ou passará por
nenhum momento de humilhação.
VIII, A MORTE DE JESUS CRISTO E SEUS EFEITOS SALVÍFICOS.
Historicamente, JESUS CRISTO, homem, morreu crucificado no monte,
chamado, Calvário (Caveira), (em hebraico, Gólgota), Mat¨27:31-56¨(50);
Mar¨15:20-41¨(37); Luc¨23:26-49¨(46); João¨19:16-37¨(30).
A morte de JESUS CRISTO na cruz, proporcionou ao ser humano, a
possibilidade da SALVAÇÃO ETERNA.
VIII, 1, A MORTE VICÁRIA (SUBSTITUTIVA) DE JESUS CRISTO.
Vicário, significa:
01, Que faz as vezes de outrem ou de outra coisa.
Substituto, significa:
01, Que substitui; Indivíduo ou algo que substitui outro, ou lhe
faz as vezes.
Em suma, vicário e substituto, são palavras sinônimas.
A morte de JESUS CRISTO, ocorreu em lugar e em favor do ser humano,
porém, somente daquele que arrependido o aceita com único e suficiente
SALVADOR, Rom¨5:6-8.
Portanto, JESUS CRISTO morreu em nosso lugar.
Pela morte vicária de JESUS CRISTO, os pecados de quem crê nele como
único e suficiente SALVADOR são perdoados.
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Quem tem os seus pecados perdoados, tem a VIDA ETERNA, a qual é dada
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pelo único que pode SALVAR, que é JESUS CRISTO, At¨4:12.
Outras passagens que atestam a veracidade da morte vicária de JESUS
CRISTO, Is¨53:4-6; Gál¨1:3-4; Heb¨9:26-28; 1ªPed¨2:21-24, 3:18, 4:1.
VIII, 2, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E SEUS EFEITOS NA VIDA
DO SER HUMANO.
A morte vicária de JESUS CRISTO é, infinitamente, valorosa para o
ser humano, já que, só ela produz efeitos eternos na vida do crente,
quais sejam:
A, PROPICIAÇÃO.
B, EXPIAÇÃO.
C, REDENÇÃO.
D, RECONCILIAÇÃO COM DEUS.
VIII, 2, A, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A PROPICIAÇÃO.
Propiciação significa:
01, Ato ou efeito de propiciar.
02, Ação, geralmente de natureza ritual ou cerimonial, com que se busca
agradar alguém, uma divindade, uma força natural ou sobrenatural,
etc, para obter seu perdão, seu favor ou boa vontade.
Propiciar significa:
01, Tornar propício, favorável.
Propício significa:
01, Que protege ou auxilia; Favorável, favorecedor.
Como já tivemos oportunidade de estudar, JESUS CRISTO é sacerdote e
também sacrifício.
No ANTIGO TESTAMENTO, o sacerdote fazia a propiciação pelos pecadores
através de sacrifícios de animais, Lev¨4:20, 19:22.
Com sua morte, JESUS CRISTO se torna propício (favorável) ao pecador
(não ao pecado) e como sacerdote apresenta a DEUS o seu, próprio corpo
em, sacrifício, como propiciação pelos pecados do ser humano
convertido, Rom¨3:25; 1ªJoão¨2:1-2, 4:10.
PORTANTO, EM VIRTUDE DA SUA MORTE, JESUS CRISTO É NOSSA
PROPICIAÇÃO DIANTE DO PAI.
VIII, 2, B, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A EXPIAÇÃO.
Expiação significa:
01, Ato ou efeito de expiar.
02, Castigo, penitência, cumprimento de pena.
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Expiar significa:
01, Remir (a culpa), cumprindo pena; pagar; Sofrer as conseqüências
de; Sofrer, padecer; Purificar-se (de crimes ou pecados).
Por fim, remir significa:
01, Adquirir de novo; Tirar do cativeiro, do poder alheio; resgatar;
Indenizar, compensar, reparar, ressarcir; Livrar das penas do
Inferno; salvar; Fazer esquecer; expiar, pagar;. Libertar (uma
propriedade) de um ônus, pagando a importância dela.
No ANTIGO TESTAMENTO a expiação era feita através da morte de uma vítima,
a qual era apresentada a DEUS, Lev¨4:14, 21, 26, 31; Ez¨45:17.
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Pela sua morte, o sacerdote JESUS CRISTO apresenta ao PAI o seu
próprio sacrifício.
Pelo seu próprio sacrifício JESUS CRISTO sofre as conseqüências
(o castigo), que deveriam cair sobre quem nele crê como único e
suficiente Salvador.
Por seu próprio sacrifício, JESUS CRISTO expiou os pecados dos filhos
de DEUS, Heb¨2:17.
Graças a DEUS pelo sacrifício expiatório de JESUS CRISTO, já que, em
virtude dos nossos pecados, o que merecemos é, simplesmente, a morte
(condenação eterna), Rom¨5:12, 21, 6:23.
Outros textos referentes à expiação.
Lev¨5:16, 18, 17:11; João¨1:29.
VIII, 2, C, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A REDENÇÃO.
Redenção, significa:
01, Ato ou efeito de remir ou redimir; Ajuda ou recurso capaz de
livrar ou salvar alguém de situação aflitiva ou perigosa; A
SALVAÇÃO oferecida por JESUS CRISTO na cruz, com ênfase no aspecto
de libertação da escravidão do pecado.
Remir, significa:
01, Adquirir de novo; Tirar do cativeiro, do poder alheio; resgatar;
Indenizar, compensar, reparar, ressarcir; Livrar das penas do Inferno;
salvar; Fazer esquecer; expiar, pagar; Libertar (uma propriedade) de
um ônus, pagando a importância dela; Livrar, libertar, resgatar.
Pela sua morte, JESUS CRISTO opera a nossa redenção, ou seja, faz com
que, quem nele crê como único e suficiente SALVADOR, deixe de
pertencer ao diabo, ao qual, passou a pertencer desde a queda de Adão,
para, a partir da conversão genuína, pertencer a DEUS, Rom¨3:24;
1ªCor¨1:30; Ef¨1:7; Col¨1:14; 1ªTim¨2:6; Heb¨9:12.
Outros textos referentes à redenção: Mat¨20:28; 1ªCor¨6:19-20;
Gál¨3:13, 4:4-5; Col¨1:12-14; 1ªTim¨2:5-6; Tito¨2:13-14; Heb¨9:11-12;
1ªPed¨1:18-19; Apoc¨5:9.
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VIII, 2, D, A MORTE VICÁRIA DE JESUS CRISTO E A RECONCILIAÇÃO COM
DEUS.
Reconciliação, significa:
01, Ato ou efeito de reconciliar (-se); Reatamento de amizade.
A reconciliação com DEUS é uma necessidade, porque, sem a fé em JESUS
CRISTO como único e suficiente SALVADOR, o que há, é inimizade entre o
ser humano e DEUS, Rom¨5:10-11.
A morte de JESUS CRISTO opera a reconciliação com DEUS, de quem nele crê
como único e suficiente SALVADOR, 2ªCor¨5:18-21; Ef¨2:11-18; Col¨1:18-23.
IX, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS.
Quanto à ressurreição de JESUS CRISTO, acreditamos, não haver qualquer
sombra de dúvida, entretanto é bom lembrarmos que JESUS CRISTO se
apresentou aos apóstolos, At¨1:1-9, além de ter sido visto uma vez,
por mais de quinhentos irmãos, 1ªCor¨15:5-8.
A fé na ressurreição de JESUS CRISTO, é de suma importância, porque,
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pela ressurreição, DEUS aprovou JESUS CRISTO.
Aprovar, neste caso, significa:
01, Aceitar; Mostrar que gosta; Confirmar.
Portanto, com a sua aprovação, DEUS confirmou a totalidade das
palavras e obras de seu filho JESUS CRISTO.
Em seu sermão, no dia de Pentecostes, Pedro referiu-se a JESUS CRISTO,
como homem aprovado por DEUS, At¨2:22, afirmando que DEUS havia
confirmado tudo o que JESUS CRISTO falara e fizera.
JESUS CRISTO foi rejeitado pelos homens, At¨4:10-11, mas DEUS o
exaltou acima de todos, Rom¨9:5, bem como, lhe deu um nome que é sobre
todo o nome, Filip¨2:9.
JESUS CRISTO foi aprovado por DEUS ao longo da sua vida e ministério.
A ressurreição comprova a aprovação de DEUS relativa:
A, À PESSOA DE JESUS CRISTO.
B, À MENSAGEM DE JESUS CRISTO.
C, À MORTE DE JESUS CRISTO.
IX, 1, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA
À SUA PESSOA.
Em sua carta aos Romanos 1:3-4, Paulo diz “Acerca de seu Filho, que
nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado FILHO DE
DEUS em poder, segundo o ESPÍRITO de santificação, pela ressurreição
dos mortos, JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR”.
DEUS aprova a pessoa de JESUS CRISTO, ao declarar que JESUS CRISTO é
seu FILHO, bem como, pela sua ressurreição dentre os mortos.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
IX, 2, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA À SUA MENSAGEM.
JESUS CRISTO afirmou que depois da sua morte, ressuscitaria,
Mat¨16:21, 26:32; Mar¨9:9-10.
DEUS confirmou esta afirmação de JESUS CRISTO, o qual, ressuscitou
dentre os mortos, Mat¨28:1-20.
DEUS aprovou pela ressurreição, não só esta declaração de JESUS
CRISTO, mas toda a sua mensagem, constituída por todos os seus
ensinamentos, João¨18:37.
IX, 3, A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO E A APROVAÇÃO DE DEUS
RELATIVA À SUA MORTE.
JESUS CRISTO afirmou que daria a sua vida em resgate de muitos
(homens), Mat¨20:28; Mar¨10:45.
Na verdade, muitíssimas pessoas não crêem nisso.
Entretanto, pela ressurreição de JESUS CRISTO, DEUS aprovou o valor
salvífico da sua morte.
Pelo testemunho do PAI, podemos, sem dificuldade, verificar que DEUS
aprovou a morte de JESUS CRISTO, 1ªJoão¨5:9-13.
X, A ASCENSÃO DE JESUS CRISTO.
Quanto ao fato da ascensão de JESUS CRISTO, apenas a relembremos,
Mar¨16:19; Luc¨24:51; At¨1:9.
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A ascensão de JESUS CRISTO é de suma importância para o cristianismo,
porque:
1, PELA ASCENSÃO, A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO NÃO FICOU NA
TERRA.
2, PELA ASCENSÃO, DEUS EXALTA A JESUS CRISTO.
X, 1, PELA ASCENSÃO, A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO NÃO
FICOU
NA TERRA.
Quando JESUS CRISTO ressuscitou, ainda que, com um corpo glorificado,
ressuscitou corporalmente, da mesma forma, sua ascensão foi corporal.
Assim sendo, nada da sua natureza humana permaneceu na Terra,
repetimos, Mar¨16:19; Luc¨24:51; At¨1:9.
Em virtude da ascensão, JESUS CRISTO deixou de ser visto,
corporalmente, na Terra.
X, 2, PELA ASCENSÃO, DEUS EXALTA A JESUS CRISTO.
Como já vimos, anteriormente, a ascensão de JESUS CRISTO faz parte da
sua exaltação.
Alguns fatos importantes, em virtude da ascensão de JESUS CRISTO:
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
A, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, APÓS A QUAL ESTÁ À DESTRA DO
PAI.
B, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL, BATIZA SUA IGREJA COM O
ESPÍRITO SANTO.
C, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL, INTERCEDE
CONSTANTEMENTE
PELOS FILHOS DE DEUS.
X, 2, A, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO E O COLOCA À DESTRA DO
PAI.
Antes da sua morte, JESUS CRISTO orou ao PAI, nestes termos
“Glorifica-me ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha
contigo antes que o mundo existisse” João¨17:5.
Com a ascensão, o PAI responde a esta oração de JESUS CRISTO e o exalta.
Como já tivemos oportunidade de verificar, em sua morte na cruz, JESUS
CRISTO foi humilhado, porém, com a sua ascensão, JESUS CRISTO é
exaltado, já que o PAI o coloca ao seu lado, Col¨3:1; Heb¨1:3, 13,
8:1, 10:12, 12:2; 1ªPed¨3:21-22.
X, 2, B, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL, BATIZA SUA
IGREJA COM O ESPÍRITO SANTO.
JESUS CRISTO exaltado, batiza sua IGREJA com o ESPÍRITO SANTO,
At¨2:32-34.
João Batista havia dito que JESUS CRISTO batizaria com o ESPÍRITO
SANTO e com fogo, Mat¨3:11; Mar¨1:7-8; Luc¨3:16; João¨1:33.
Esta profecia teve se cumpriu, visivelmente, em Jerusalém, no dia de
Pentecostes, imediatamente, posterior à ascensão de JESUS CRISTO ao
céu, At¨2:1-13.
Porém, não foi apenas no dia de Pentecostes que JESUS CRISTO batizou
com o ESPÍRITO SANTO, vejamos o que nos diz 1ªCor¨12:13.
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No último dia de uma das festas dos tabernáculos, o próprio JESUS
CRISTO havia prometido que, todos os que nele cressem (como único e
suficiente SALVADOR), receberiam (seriam batizados com) o ESPÍRITO
SANTO, o qual ainda não fora dado porque JESUS CRISTO ainda não havia
sido glorificado, João¨7:38-39.
X, 2, C, A ASCENSÃO EXALTA JESUS CRISTO, O QUAL, INTERCEDE
CONSTANTEMENTE PELOS FILHOS DE DEUS.
No CÉU, JESUS CRISTO está constantemente intercedendo pelo povo de
DEUS, Heb¨7:25, outra passagem BÍBLICA que reforça nossa fé no
ministério intercessor de JESUS CRISTO é 1ªJoão¨2:1-2.
XI, A VOLTA DE JESUS CRISTO.
A volta de JESUS CRISTO é assunto de suma importância para todos os
crentes nele, já que, com o seu regresso, se cumprirão os
acontecimentos finais da história da humanidade.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Não entraremos aqui nas minúcias, nem nos aspectos relacionados ao
regresso de JESUS CRISTO e ao milênio, mas, ao seu regresso como se
fora um acontecimento isolado.
XI, 1, NINGUÉM SABE A DATA DA VOLTA DE JESUS CRISTO.
Mat¨24:42-44.
XI, 2, A VOLTA DE JESUS CRISTO SERÁ VISÍVEL A TODOS.
Mat¨24:30; Mar¨13:26; Luc¨21:27; At¨1:11; Apoc¨1:7.
01, Há quem afirme que a volta de JESUS CRISTO acontece no momento da
conversão.
É verdade que JESUS CRISTO, pelo ESPÍRITO SANTO, passa a habitar nos
corações das pessoas arrependidas e convertidas, porém, isso acontece
espiritualmente.
Já a sua volta, como vimos acima, será visível e corporal.
02, Outros afirmam que a volta de JESUS CRISTO acontece quando um
crente morre e sobe à sua presença no CÉU. Porém, neste caso, o que
acontece, é a ida do crente e não a volta de JESUS CRISTO.
XI, 3, A VOLTA DE JESUS CRISTO SERÁ COM GRANDE PODER E GLÓRIA.
Mat¨24:30; Mar¨13:26; Luc¨21:27.
01, Quando JESUS CRISTO veio à Terra, veio em estado de humilhação,
Filip¨2:5-8, e pobreza, Mat¨8:20; Luc¨9:58, porém a sua volta será com
poder e grande glória, repetimos, Mat¨24:30; Mar¨13:26; Luc¨21:27.
02, Em virtude do seu poder e glória, Mat¨24:30, e devido à sua
promessa, João¨14:1-3, JESUS CRISTO levará os salvos para o CÉU,
Mat¨24:30-31; 1ªTess¨4:16-17.
03, Porém, ainda em virtude do seu poder, as pessoas sem SALVAÇÃO ETERNA
receberão o prêmio da sua incredulidade, qual seja, a condenação
eterna, através de um julgamento geral, Mat¨25:31-46¨(46); João¨3:18.
Portanto, sem entrarmos em muitos detalhes importantes acerca da volta
de JESUS CRISTO, a sua maior tarefa, ou obra, é colocar os salvos,
junto dele, no CÉU (gozo eterno) e os não salvos no inferno
(sofrimento eterno).
XII, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO.
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Segundo o Aurélio, milagre significa:
01, Feito ou ocorrência extraordinária, que não se explica pelas leis
da natureza. Acontecimento admirável, espantoso. Portento,
prodígio, maravilha. Ocorrência que produz admiração ou surpresa.
Qualquer manifestação da presença ativa de DEUS na história humana.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
01, Sinal dessa presença, caracterizado sobretudo por uma alteração
repentina e insólita dos determinismos naturais.
Portanto, milagre, é um fato fora do comum que pode ser visto e,
ou, sentido.
Os milagres DIVINOS, não podem ser explicados, a não ser pela fé na
ação direta do próprio DEUS.
Poucas vezes na história, DEUS quebrou, consecutivamente, o modo
natural, ou as leis da natureza.
Porém, em quatro períodos críticos, da história, podemos verificar
DEUS agindo intensa e sobrenaturalmente (para nós, homens).
01, No tempo de Moisés e Josué, época do estabelecimento do povo de
DEUS na Terra prometida.
02, No tempo de Elias e Elizeu, época de luta contra a idolatria.
03, No tempo de Daniel, no cativeiro babilônico, quando e onde
imperava a idolatria.
04, No tempo de JESUS CRISTO e dos apóstolos, durante o primeiro século
da era Cristã, quando da criação, implantação e expansão do
Cristianismo.
Porém, não há dúvida que, havendo necessidade, segundo a vontade de
DEUS, e para sua honra e glória, milagres, não só podem acontecer, mas
acontecem realmente.
XII, 1, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO E A DEMONSTRAÇÃO DO SEU
PODER E DO
SEU AMOR.
Todas as vezes que JESUS CRISTO realizava um milagre demonstrava,
claramente, sua onipotência e seu imensurável amor.
XII, 1, A, A ONIPOTÊNCIA DE JESUS CRISTO DEMONSTRADA EM SEUS
MILAGRES.
JESUS CRISTO, já que é DEUS, é onipotente, Mat¨28:18.
Toda a vez que JESUS CRISTO operava um milagre, demonstrava, a sua
onipotência.
Os milagres de JESUS CRISTO demonstram seu poder em quatro esferas
distintas:
01, PODER SOBRE AS FORÇAS DA NATUREZA, Mat¨8:23-27.
02, PODER SOBRE OS DEMÔNIOS, Mat¨8:28-34.
03, PODER SOBRE AS ENFERMIDADES, Mat¨9:18-35.
04 PODER SOBRE A MORTE, Luc¨7:11-15; João¨11:1-46.
Estes são apenas alguns exemplos da demonstração do poder de JESUS
CRISTO, quando da realização de seus milagres.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Porém, quem o desejar, encontrará na BÍBLIA SAGRADA, uma enorme lista
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de milagres realizados pelo próprio JESUS CRISTO, durante a sua vida e
ministério terreno, bem como, de milagres realizados em seu nome,
depois da sua ascensão ao Céu.
XII, 1, B, O AMOR DE JESUS DEMONSTRADO EM SEUS MILAGRES.
JESUS CRISTO, já que é DEUS, é amor, 1ªJoão¨4:8.
Quando JESUS CRISTO operava um milagre, também demonstrava seu amor.
Jamais JESUS CRISTO, demonstrando a sua onipotência, operou qualquer espécie
de milagre, para praticar qualquer espécie de mal, por menor que fosse.
Todos os milagres de JESUS CRISTO, não há dúvida, demonstravam seu amor.
Em virtude do amor, inigualável, de JESUS CRISTO, todos os seus
milagres foram praticados, tendo em vista, o bem do ser humano.
XII, 2, OS MILAGRES DE JESUS CRISTO E A CHEGADA DO REINO DE DEUS.
Os milagres realizados por JESUS CRISTO, não o foram para torná-lo
popular, mas, para provar que o REINO DE DEUS havia chegado.
Os judeus e gentios do tempo de JESUS CRISTO criam que este mundo era
um reino de demônios, e que estes eram os causadores de todas as
enfermidades (doenças).
Na atualidade, ainda há, uma imensidão de pessoas que crêem que toda e
qualquer enfermidade é, indubitavelmente, causada pelos demônios (que DEUS
tenha misericórdia de quem assim pensa), porém, esta é outra matéria.
Através dos milagres de expulsão de demônios, JESUS CRISTO provou que
chegara o REINO DE DEUS; Mat¨12:28 relata um milagre de expulsão de
demônios, JESUS CRISTO disse que fazia aquilo porque o REINO DE DEUS
havia chegado.
Em relação às enfermidades, vejamos Luc¨7:19-22 e comparemos a palavra
EVANGELHO com Mar¨1:14 e Luc¨4:43.
Portanto, os milagres operados por JESUS CRISTO demonstravam,
claramente, que o REINO DE DEUS havia chegado.
XIII, OS ENSINOS DE JESUS CRISTO.
Um aspecto muito importante da vida de JESUS CRISTO, e que deve servir
de lição a todos os filhos de DEUS, são seus ensinamentos.
JESUS CRISTO era conhecido como RABI (palavra que significa mestre, ou
meu mestre), Mat¨26:25, 49; Mar¨14:45; João¨1:38, 49, 3:2, 4:31, 6:25,
9:2, 11:8, e Raboni (com o mesmo significado) João¨20:16.
XIII, 1, ASPECTOS DOS ENSINOS DE JESUS CRISTO.
Os ensinamentos de JESUS CRISTO estavam baseados em, pelo menos,
quatro, importantes, aspectos, quais sejam:
A, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DA PRÓPRIA VIDA.
B, JESUS CRISTO ENSINAVA COM AUTORIDADE.
C, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES SIMPLES.
D, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES UNIVERSAIS.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
XIII, 1, A, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DA PRÓPRIA VIDA.
JESUS CRISTO agia contrariamente ao ditado popular que diz “faça o que
eu digo, mas não faça o que eu faço”.
JESUS CRISTO ensinava o que fazia e fazia o que ensinava.
Os ensinamentos de JESUS CRISTO eram exemplificados em sua própria vida.
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JESUS CRISTO ensinou sobre a necessidade de fé e confiança em DEUS.
Era isso que JESUS fazia, João¨10:30.
JESUS CRISTO ensinou sobre a necessidade de orar.
Era isso que JESUS fazia, Luc¨6:12.
JESUS CRISTO ensinou a perdoar.
Era isso que JESUS fazia, Luc¨23:34.
Estes exemplos de JESUS CRISTO devem ser seguidos por todos nós.
XIII, 1, B, JESUS CRISTO ENSINAVA COM AUTORIDADE.
Em Mat¨7:28-29, verificamos que JESUS CRISTO ensinava com autoridade.
Os escribas e fariseus conheciam e ensinavam a lei, porém,
enfatizavam, demasiadamente, as aparências da religiosidade.
JESUS CRISTO, ensinando o amor a DEUS e ao próximo, revolucionou os
ensinamentos a que o povo estava acostumado.
JESUS CRISTO jamais colocou algo em seus ensinamentos que não fosse
certeza.
JESUS CRISTO usava muito a frase:
“Em verdade vos digo”, e “em verdade em verdade vos digo”, Mat¨5:18,
6:5, 8:10, 10:23, 10:42, 13:17, 17:20, 18:13, 26:13; Mar¨6:11, 8:12,
9:41, 11:23, 14:9, 25; Luc¨4:25, 9:27, 13:35; João¨1:51, 5:24, 25,
6:47, 53, 8:34, 51, 58, 10:7, 13:21, 14:12, 16:20, 23.
JESUS CRISTO ENSINA COM AUTORIDADE.
JESUS CRISTO É O MESTRE POR EXCELÊNCIA.
JESUS CRISTO É O MESTRE VINDO DE DEUS, João¨3:2.
XIII, 1, C, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES SIMPLES.
Apesar de ser o maior de todos os mestres, e de seus ensinamentos serem
muito sérios, JESUS CRISTO ensinava com uma simplicidade espantosa.
Em virtude dos seus ensinamentos serem feitos com simplicidade, eram
entendidos por todos, até, pelas pessoas mais simples da sociedade.
Algumas vezes lemos ou escutamos acerca de um ensinamento de JESUS
CRISTO, porém, não o entendemos de imediato.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
Não fiquemos entristecidos se isto acontecer conosco, porque, com o
colegiado apostólico, também isto acontecia, Luc¨8:9.
Devemos, então, orar a DEUS, como Tiago nos ensina em sua carta,
Tiago¨1:5-6.
Se, com humildade e desejo de conhecer a verdade, colocarmos esta
situação nas mãos de DEUS, com certeza, Ele nos abrirá a porta do
entendimento da sua PALAVRA, quer seja, direta, ou indiretamente, por
intermédio de algum dos seus filhos e servos.
XIII, 1, D, JESUS CRISTO ENSINAVA ATRAVÉS DE VERDADES UNIVERSAIS.
JESUS CRISTO tinha a base dos seus ensinamentos, nas verdades
universais, as quais têm aplicação válida e certa para todas as
pessoas, em qualquer lugar e em qualquer época.
JESUS CRISTO usava os problemas e necessidades do cotidiano, para
ensinar, como no exemplo da seara e os ceifeiros, Mat¨9:35-38.
As necessidade humanas continuam as mesmas, por isso, o que JESUS
CRISTO ensinou durante o seu ministério terreno, não só serviu para a
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época dos ensinamentos.
Continua e continuará servindo para todos os homens e para sempre.
Estas características dos ensinos de JESUS CRISTO devem ser observadas
e seguidas por todos os crentes, já que todos somos, professores, em
maior ou menor grau.
CONCLUSÃO.
Terminamos este estudo sobre a pessoa DIVINA e HUMANA de JESUS CRISTO.
Naturalmente, este é um estudo resumido, porém, a nosso ver, contém os
ensinamentos básicos acerca do nosso SALVADOR, o qual é DEUS que se
fez homem e como homem morreu para nos dar a SALVAÇÃO ETERNA.
Havendo possibilidade e ou boa vontade, bom será, adquirir a
literatura constante da bibliografia, além de outros livros que tratem
deste mesmo assunto, a fim de robustecer os conhecimentos teológicos
acerca da maior e mais importante personalidade que já pousou na face
da Terra.
Quanto mais conhecermos sobre JESUS CRISTO, melhor será, visto que,
jamais haverá a menor possibilidade de aparecer outro ser humano que o
sobrepuje, o iguale, ou sequer, dele se aproxime em sabedoria,
santidade, poder, glória, etc.
LOUVADO SEJA DEUS POR ISSO.
DOUTRINA CRISTÃ DE JESUS CRISTO .
BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.
Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição revista e corrigida, na grafia simplificada.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Edição revista e corrigida fiel ao texto original,
1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil.
02, CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ.
Erickson, Millard J. JUERP, 1991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 03, DEUS FILHO.
José Martins. CEIBEL, 5a edição, 1982, Patrocínio, MG, Brasil.
04, DICIONÁRIO DA BÍBLIA. Davis, John D. JUERP, 7a edição, 1980, Rio de Janeiro,
RJ, Brasil 05, DOUTRINAS, 1.
Novas Edições Líderes Evangélicos, 1a edição, 1979, São Paulo, Brasil.
06, ESBOÇO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA.
Langston, A. B. JUERP 8a edição, 1986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
07, HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ.
Nichols, Robert Hastings. Casa Editora Presbiteriana, 7a edição, 1988, São Paulo, SP,
Brasil.
08, INTRODUÇÃO À VIDA DE CRISTO.
Novas Edições Líderes Evangélicos, 5a Edição, 1983, São Paulo, SP, Brasil. 09,
MINIDICIONÁRIO AURÉLIO. Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda.
Editora Nova Fronteira, 1a edição, 6a impressão, 1.977, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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APOSTILA Nº. 12/300.000 MIL CURSOS GRÁTIS.

Estudo Sobre a Escatologia


Parte I
ESPERANÇA ESCATOLÓGICA
I -- Que princípios norteiam a pesquisa teológica?
A) O princípio arquitetônico > revelação = base e eixo da teologia > fé
objetiva.
B) O princípio hermenêutico > interpretação dos aspectos históricos da
salvação = produto da razão. Da razão ordinária, que é a universalidade do
senso comum; da razão filosófica, que produz ordenação; e da razão
científica, ligada aos fenômenos.

A utilização de tais princípios possibilitam diferentes versões da revelação.


Por que?
Porque o princípio arquitetônico depende do que colocamos como base da
estruturação geral de nosso estudo: a graça e a fé, no caso de Lutero; a
soberania de Deus, no caso de Calvino; ou o amor, a justiça, a liberdade,
etc.?

E porque o princípio hermenêutico depende do uso de uma ou de várias das


múltiplas visões filosóficas que podem ser utilizadas como instrumento de
interpretação da história da salvação. É por isso que se diz: a ideologia
define a hermenêutica.
Aqui reside a dificuldade. A revelação é universal e plena, mas toda teologia
é transitória, pois reflete um momento de compreensão da revelação e da
história da salvação.

II -- Jürgen Moltmann, teólogo da esperança

Depois de uma criativa ruptura com a modernidade, enquanto pensamento,


tradição e história, é necessário sentir de novo a alegria da esperança
escatológica, para compreender a natureza do terreno sobre o qual pisamos.
Há um momento de cisão no qual modificou-se, de modo essencial, a

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concepção do que significa teologia. Esse momento foi assinalado a partir
dos anos 60 com a teologia da esperança, de Jürgen Moltmann.
Trata-se de uma reflexão prodigiosamente profética, pois enuncia, não
somente a queda do muro de Berlim, mas o processo de aglutinação vivido
por alemães, em primeiro lugar, por europeus, na seqüência, e agora muito
possivelmente por parte da humanidade. É sem dúvida, uma das
elaborações mais impressionantes, se entendermos sua abordagem
epistemológica. Sugere um campo normativo, a ser percorrido pelos
movimentos e comunidades que abririam aguerridamente, a golpes de
machado, a senda pós-moderna.
A expressão abordagem epistemológica não é exagerada. Conforme,
Bachelard, "os filósofos justamente conscientes do poder de coordenação
das funções espirituais consideram suficiente uma mediação deste
pensamento coordenado, sem se preocupar muito com o pluralismo e a
variedade dos fatos (...). Não se é filósofo se não se tomar consciência, num
determinado momento da reflexão, da coerência e da unidade do
pensamento, se não se formularem as condições de síntese do saber. E é
sempre em função desta unidade, desta síntese, que o filósofo coloca o
problema geral do conhecimento". G. Bachelard, Filosofia do Novo Espírito
Científico, Lisboa, Presença, 1972, pp. 8-9.

Assim, abordagem epistemológica, aqui utilizada, refere-se ao projeto


teológico, de herdadas estruturas hegelianas e marxistas, relidas e
traduzidas por ele e Ernest Bloch. É sobre a questão da identidade histórica,
entendida como processo a realizar-se, que recai a crítica da teologia
realizada por Moltmann.
Usando a leitura de Roberto Machado, diríamos com ele que "a história
arqueológica nem é evolutiva, nem retrospectiva, nem mesmo recorrente; ela
é epistêmica; nem postula a existência de um progresso contínuo, nem de
um progresso descontínuo; pensa a descontinuidade neutralizando a
questão do progresso, o que é possível na medida em que abole a atualidade
da ciência como critério de um saber do passado". Roberto Machado,
Ciência e saber. A trajetória arqueológica de Foucault, Rio de Janeiro, Graal,
1982, p. 152.

É justamente a experiência de viver, enquanto comunidade que se realiza no


futuro, que é realçada por Moltmann. No nível antropológico, trabalha os
elementos dessa esperança, a partir da qual se produz saber e praxis cristã.
Suas heranças são translúcidas:

"Por meio de subverter e demolir todas as barreiras -- sejam da religião, da


raça, da educação, ou da classe -- a comunidade dos cristãos comprova que
é a comunidade de Cristo. Esta, na realidade, poderia tornar-se a nova marca
identificadora da igreja no mundo, por ser composta, não de homens iguais
e de mentalidade igual, mas, sim, de homens dessemelhantes, e, na
realidade, daqueles que tinham sido inimigos... O caminho para este alvo de
uma nova comunidade humanista que envolve todas as nações e línguas é,
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porém, um caminho revolucionário". Jürgen Moltmann, "God in Revolution",
em Religion, Revolution and the Future, NY, Scribner, 1969, p. 141.

Como num laboratório, o teólogo da esperança extrai o fato teológico de sua


contingência histórica, tratada sob condições de extrema pureza
escatológica. Muito claramente afirma a escatologia como essência da
história da redenção e leva à conclusão de que essa mesma essência seja a
expressão maior da ressurreição, enquanto metáfora da cruz de Cristo. Essa
cruz repousa sobre o esvaziamento da desesperança, enquanto praesumptio
e desperatio, na relação que mantém com o mundo.

A teologia, vida cristã em movimento, numa permanente autoformação,


advém das pulsações criadoras da própria esperança, cujo sentido volta-se
para ela própria. Essa construção, que se nos apresenta como
caleidoscópio, belo, mas aparentemente ilógico, traz em si a força
combinatória do devir cristão. Assim, a teologia de Moltmann quebra os
grilhões do presente eterno da neo-ortodoxia, e nos oferece um conceito
realista da história, que tem por base um futuro real, lançando dessa
maneira as bases para uma teologia que responda às reais necessidades do
homem pós-moderno.

"O passado e o futuro não estão dissolvidos num presente eterno. A


realidade contém mais do que o presente. Ao desenvolver sua teologia
futurista, Moltmann realmente tem o peso considerável da história bíblica do
lado dele, e faz bom uso dela. (...) Ao enfatizar o futuro, desenvolveu um
pensamento bíblico legítimo que jazia profundamente enterrado na teologia
ética e existencial dos séculos XIX e XX". Stanley Gundry, Teologia
Contemporânea, SP, Mundo Cristão, 1987, p.167.

A teologia de Moltmann nasce enquanto reação ao existencialismo e


absorção do revisionismo de Bloch. A descontrução do marxismo, realizada
por esse filósofo, não agradou ao mundo comunista, mas estabeleceu uma
ponte, diferente daquela da teologia da libertação, entre o hegelianismo de
esquerda e o cristianismo. Substituiu a dialética pelo ainda-não, enquanto
espaço que não está fechado diante de nós, e definiu uma antropologia que
não mais está calcada no império dos fenômenos econômicos, mas na
esperança.

Os escritos filosóficos do jovem Marx serviram de ponto de partida para o


vôo de Bloch. A alienação do homem é um fato inquestionável, não como
determinação econômica, mas enquanto determinação ontológica. Afinal, o
universo em que vive é essencialmente incompleto. Mas a importância do
incompleto é que é suceptível de complemento. Por isso, o possível, o ainda-
não, o futuro traduz de fato a realidade.

Nesse processo estão presentes a subjetividade humana e sua potência


inacabada e permanente em busca de solução e a mutabilidade do mundo no
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quadro de suas leis. Dessa maneira, o ainda-não do subjetivo e do objetivo é
a matriz da esperança e da utopia. A esperança traduz a
certeza da busca e a utopia nos dá as figuras concretas desse possível.

Para Bloch, o homem é impelido, assim, ao esforço permanente de


transcender a alienação presente, em busca de uma „pátria de identidade'. É
no „vermelho quente' do futuro que está a razão fundamental da existência
humana.

Nenhum marxista chegou tão próximo da escatologia cristã!

"Deus -- enquanto problema do radicalmente novo, do absoluto libertador,


do fenômeno da nossa liberdade e do nosso verdadeiro conteúdo -- torna-
senos presente somente como um evento opaco, não objetivo, somente
como conjunto da obscuridade do omomento vivido e do símbolo não
acabado da questão suprema. O que significa que o Deus supremo,
verdadeiro, desconhecido, superior a todas as outras divindades, revelador
de todo o nosso ser, „vive' desde já, embora ainda não coroado, ainda não
objetivado (...) Aparece claro e seguro agora que a esperança é exatamente
aquilo em que o elemento obscuro vem à luz. Ela também imerge no
elemento obscuro e participa da sua invisibilidade. E como o obscuro e o
misterioso estão sempre unidos, a esperança ameaça desaparecer quando
alguém se avizinha muito dela ou põe em discussão, de modo muito
presunçoso, este elemento obscuro". Ernst Bloch, Geist der Utopie,
Franckfurt, 1964, p. 254 in Battista Mondin, Curso de Filosofia, São Paulo,
Paulinas, 1987, vl. 3, pp. 246-7.

Bloch realiza uma penetrante releitura da cosmovisão judaico-cristã.


Entende o clamor profético do mundo bíblico e da proclamação cristã não
como alienação e ópio, mas como fermentos explosivos de esperança,
protestos contra o presente em nome da realidade futuro, a utopia.

Talvez por isso possamos dizer que nos anos 60, os caminhos de Moltmann
e Bloch não apenas cruzaram-se na universidade de Tübingen, mas abriram
espaço para o mais enriquecedor diálogo cristão-marxista que conhecemos.

É interessante lembrar que em 1968, quando manifestações estudantis


varriam Tübingen, Heidelberg, Münster e Berlim Ocidental, grande parte dos
líderes estudantis eram oriundos das faculdades de teologia. Sua Theologie
der Hoffnung (Jürgen Moltmann, Teologia della Speranza, Queriniana,
Bréscia, 1969), publicada no início da década na Alemanha, estava na oitava
edição, e no ano seguinte, ele lançaria Religion, Revolution and the Future
nos Estados Unidos.

Agora, a partir da escatologia da esperança de Jürgen Moltmann


apresentamos um rápido esboço de sermão que tem por base o texto de
Apocalipse 22.6-21.
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III -- Fiel é a Palavra

Introdução
1. No Apocalipse, o futuro define o presente.
O Apocalipse inverte a nossa noção de tempo. O futuro modela e estrutura o
presente.

2. Saber como a história termina nos ajuda a entender como devemos nos
encaixar nela, agora. Por isso, já estamos vivendo os últimos dias.

3. As visões de João mostram a realidade do juízo divino, quando cada um


de nós dará conta de sua existência diante de Deus. Deus recompensará
aqueles que, às vezes, ao custo de sua própria vida "guardaram as palavras
da profecia deste livro".

4. Profecia é proclamação da Palavra de Deus. E no Novo Testamento é


proclamação das boas novas.

Três blocos de textos


10 bloco
Vers. 6 > As palavras são fiéis e verdadeiras.
Vers. 7 > É feliz quem guarda as palavras daquilo que é proclamado
(profecia) neste livro.

20 bloco
Vers. 10 > Não feche este livro. O futuro é hoje.
Vers. 11 e 12 > O futuro deve definir o que você faz. E você dará conta disso.
E receberá o troco.

30 bloco
O que Cristo diz àqueles que obedecem às palavras desse livro?
Vers. 18 > Quem acrescentar = sofrerá os flagelos
Vers. 19 > Quem tirar = fica fora. Sem acesso à árvore da vida, fora da cidade
santa e sem as benções prometidas no livro.

Conclusão

A Palavra é fiel
Vers. 20 > Jesus, a Palavra que reina, garante: Estou chegando! naiv,
evvrcomai tacuv.

Parte II

O APOCALIPSE - Estudo 12
"Eis que vem com as nuvens..."

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O Apocalipse hoje

O inspirador livro do Apocalipse foi escrito, como vimos ao longo de todo o


estudo, para dar forças espirituais aos crentes que sofriam a perseguição
das autoridades políticas, e eram alvo de ataques dos hereges dentro da
Igreja dos dias apostólicos.

As visões e suas lições São sete as visões que ocorrem nos seus vinte e
dois capítulos. Mas a mensagem é a mesma: a Igreja de Jesus Cristo, apesar
de sofrer perseguição, apesar das tribulações, do martírio, tem um glorioso
destino: A VITÓRIA! A condenação atingirá o sistema deste mundo, e Jesus
Cristo reinará para todo o sempre como Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Procuremos, então, ser práticos, e extrair lições de todo o livro do
Apocalipse. Como o livro é formado por visões, sete ao todo, um plano
adequado para a nossa pesquisa é partir de cada uma.

E por falar em visões...


A primeira visão (1-5)
Seu tema é "Jesus Cristo e a Igreja Militante no mundo e na vida celeste".
Apropriadíssimo como abertura para todo o livro.

A primeira lição que devemos aprender é que, visto que Jesus Cristo é o
começo e o fim de todas as coisas, o "Alfa e o Ômega" (1.8), "o autor e
consumador da nossa fé" (Hb 12.2), nossa esperança deve estar unicamente
nEle. Ele é o "que vem sobre as nuvens" e Aquele "que todo olho verá" (Ap
1.7).

Isso significa que é inadmissível para o discípulo de Jesus abraçar qualquer


movimento ou idéia que não reflita a atitude e a mente de Cristo. É vigiar
como se Jesus estivesse para retornar a qualquer momento (o que, aliás, é
verdade), sem facilitar as coisas para o Tentador, aguardando a suprema
alegria de louvar o Cristo vitorioso!

Outra importante lição aprendemos nas cartas as igrejas da Ásia (capítulos 2


e 3). Algumas falam de deslealdade, é verdade. Outras, no entanto,
mencionam a fraternidade e a comunhão que existiam ou deveriam existir na
comunidade de fé que se chama igreja. Você tem vivido isso? Ou quando
cantamos:

"Não te irrites mas tolera com amor, com amor.


Tudo sofre, tudo espera pelo amor.
Desavenças e rancores não convém a pecadores,
Não convém a pecadores salvos pelo amor."

Ou, ainda,
Como é precioso, irmão, estar bem junto a ti;
E juntos, lado a lado, andarmos com Jesus,
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E expressarmos o amor que um dia Ele nos deu,
Pelo sangue no Calvário Sua vida trouxe a nós.

Aliança no Senhor eu tenho com você:


Não existem mais barreiras em meu ser.
Eu sou livre pra te amar, pra te aceitar
e para te pedir: "Perdoa-me, irmão";
Eu sou um com você no amor do nosso Pai,
Somos um no amor de Jesus!

Isso é verdade, ou apenas uma linda figura de linguagem?

As cartas também exaltam a pessoa de Jesus Cristo, o Qual concede o dom


da vida e compartilha a Sua glória, razão porque está no meio dos
candelabros como ressaltam os versos 12 e 13 do capítulo 1.

Outras preciosas lições estão nas cartas: o cuidado para não perder "o
primeiro amor", ou seja, o doutrinamento, o ardor evangelístico, e a já
destacada comunhão. O lugar especial da fidelidade, lealdade e sinceridade
é uma questão de honra e de caráter do cristão.

Mais uma lição: receber um novo nome é ter o caráter restaurado. O nome
para o povo hebreu era a personalidade e o caráter de alguém, era seu
cartão de visita. Receber um novo nome é igual a ter o caráter reajustado à
luz da graça de Deus (2.17).

Um evangelho sem compromissos com Jesus Cristo, Cuja mente devemos


ter, é insensatez. Cuidado, portanto, com os falsos ensinos (2.20)! Isso
significa um compromisso total com Cristo, o que se chama também
testemunho, a confissão pública de fé (3.4), o zelo com o amor entre os
irmãos na graça de Cristo, significado da palavra Filadélfia (cf. 3.7ss), e o
culto em espírito e em verdade, abandonado pela igreja de Laodicéia (cf.
3.15ss).

A segunda visão: "Os sete selos" (6, 7)


À medida que os selos vão sendo abertos, preciosas lições são ensinadas.
Com certeza, a primeira delas é sobre o que acontece quando o Cordeiro de
Deus governa. Os sete selos apresentam as características e princípios do
governo de Cristo.

Uma das características é que o Inimigo não descansa. A representação dos


quatro cavaleiros com seus coloridos corcéis é evidência do que estamos
dizendo. Satanás não dorme, por isso, não facilita as coisas para o crente. O
sofrimento é uma terrível característica, mas não é maior que a consolação,
amparo e abrigo que vêm do Senhor. O apóstolo Paulo expressou muito bem
esse fato ao dizer, "tenho para mim que as aflições deste tempo presente
não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Rm
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8.18), e chamou as aflições de "leve e momentânea tribulação" (leia 2Co 4.17,
18).

A terceira visão: "As sete trombetas" (8-11)


Se a segunda visão é o que acontece quando Cristo reina, a seguinte fala do
que acontece quando o Salvador é rejeitado.

A descrição do que sucede após o toque das trombetas é tremenda. O


evangelho anunciado com zelo e amor pelas vidas fora de Cristo, por isso,
perdidas, deve, como o livrinho deglutido, nos alimentar, sustentar, nutrir,
apesar de ter uma palavra de justiça, representada pelo amargo no ventre
(leia 10.10b). Esse evangelho comunicado aos perdidos, apesar de ser doce
na boca, é amargo no ventre. Quando pregamos o evangelho é uma delícia.
Particularmente, sinto muito prazer em pregar. Minha esposa me recomenda,
quando saímos de férias, a não levar paletó. Com isso, quer me preservar de
pregar nas igrejas visitadas, para só descansar. Mas, há tantas igrejas,
atualmente, nas quais o pastor não usa paletó?! Preguei numa igreja
pastoreada por um ex-aluno que vai bastante informalmente para o púlpito.
Fui de traje completo. Inusitadamente, o pastor estava também de traje
completo, e disse que era em homenagem ao ex-professor. Quando
entramos no santuário, todo auditório fez, "U-u-u-u-m-m-m..." A igreja não
esperava que o seu pastor estivesse formalmente tragado.

O fato é que aprecio pregar, mas a amargura toma conta de mim quando a
mensagem é rejeitada, desprezada. Esse é o amargo do evangelho que sente
o pregador.
Como trombeta é sinal de aviso, alerta, é voz de comando, mostra a visão a
paciência de Deus no chamado ao arrependimento. Importante lição deste
livro.

Ainda as visões
A quarta visão: "A luta contra a trindade satânica" (12, 13)
A paródia da Santíssima Trindade é a "trindade satânica", maligna, formada
pelo Dragão, a Besta e o Falso Profeta (veja 12.3ss; 13.1ss; 16.13). Por essa
razão, o crente em Jesus Cristo reconhece que enfrenta uma guerra
espiritual. Em Efésios 6.12, o apóstolo Paulo nos alerta acerca dessa batalha
no reino do espírito. O cristão é atacado por todos os lados. Na sua vida
emocional, por exemplo.

Tenho visto crente salvo pelo sangue de Jesus arrastando atrás de si uma
miséria de vida, ansiedade, medo, depressão. Não entendo... Uma irmã bem
idosa numa das igrejas que pastoreei pediu-me: "Pastor, fale sobre a morte:
tenho muito de morrer". Preparei o sermão, preguei-o, e na despedida do
culto, à porta da igreja, ela disse: "Muito obrigada pela mensagem, mas
ainda estou com medo..." Não mais precisamos mais desse tipo de fardo.
Isso é guerra, é batalha espiritual, porque dentro de nós há uma grande luta.
Nosso espírito se torna um verdadeiro campo de batalha. Emoções, feridas
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(e Satanás se aproveita disso...) e o consolo de Deus do outro lado. De um
lado, O Senhor e Seus exércitos; do outro, o Inimigo e seus batalhões num
campo de batalha que é dentro de nós.

Fico muito impressionado quando leio a história da viúva da vila de Naim.


Tinha apenas um filho que era seu arrimo. E ele morreu, e como é costume
no Oriente Próximo, levaram o seu corpo num esquife aberto. Vinha o féretro
saindo da cidade para sepultar o corpo do moço. Não havia nas cidades
hebréias cemitérios urbanos, mas sempre na periferia. Herdamos isso: o
Campo Santo, nosso primeiro cemitério em Salvador situava-se há 250 anos
na periferia. O centro da cidade era o Pelourinho, o Carmo, Santo Antônio, o
Terreiro de Jesus. O cemitério estava bem distante do Centro, onde hoje é o
bairro da Federação, perto de nosso templo (que é centrão de Salvador).

O corpo do jovem estava sendo levado para fora da cidade. Nesse momento,
porém, vinha entrando na cidade Jesus, os discípulos, admiradores e
curiosos. Encontram-se as duas multidões. Uma é a morte, outra é a da vida:
o exército da Morte e o exército da Suprema Vida. E o moço foi ressuscitado
pelo toque do Salvador. Essa mesma batalha em que Jesus restituiu um
jovem às lágrimas de sua mãe é dentro de nós, e está nos capítulos 12 e 13
do Apocalipse. É vitória garantida. É sobre isso todo o livro do Apocalipse
(leia 12.11).

A quinta visão: "Sete flagelos" (14-16)


No verso 13 do capítulo 14, há uma linda bem-aventurança que diz, "Bem-
aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o
Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os
acompanham". Conhecemos em geral bem-aventuranças para a vida. O
Sermão da Montanha apresenta algumas delas (Mateus 5.3-12): "Bem-
aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (v.4); "bem-
aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia (v.7);
"bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de
Deus" (v.9). Todas de vida. Porém, bem-aventurança para a morte?!

Pois é; a diferença é Cristo quem faz. Não é simplesmente "bem-aventurados


os mortos", e ponto final: é, sim, "... que desde agora morrem no Senhor".
Cristo é a medida de todas as coisas. O filósofo grego Protágoras afirmava
que "O homem é a medida de todas as coisas". Não é, não. Só Cristo faz a
diferença entre o flagelo atingindo o cristão e o amparo e abrigo dos céus. O
outro, vive no seu flagelo e na sua dor se não tem Cristo e o Consolador.

A sexta visão: "A destruição do mal" (17-19)


Encontramos na sexta visão outra extraordinária bem-aventurança. Está em
19.9: "Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do
Cordeiro". Em outras palavras, e de modo bem contemporâneo, é abençoado
quem é chamado para o chá-de-cozinha ou para a recepção do casamento
de Jesus e Sua noiva, a Igreja. Sabemos que o "Cordeiro" é Jesus Cristo;
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"bodas" é festa de casamento. Temos um convite assegurado para a
recepção do casamento de Cristo com a Igreja. Em alguns convites de
casamento, vem um cartãozinho dizendo que a recepção será no local X, e é
exclusiva de quem recebeu o convite individual. A cerimônia de casamento
de Jesus e a Igreja, ou seja, Sua Parousia,Segunda Vinda, todos verão.
Todos estão convidados. Mas para a recepção, a Ceia, só quem tem nome de
Jesus gravado no coração; só quem confessa a Jesus como Salvador e
Senhor. E lá estaremos! E os alicerces da fortaleza do Mal serão abalados,
derrubados e destruídos. É a queda da Babilônia (representação da
malignidade) nos três capítulos citados 17, 18 e 19).

E para terminar: a sétima visão (20-22)


O tema da visão culminante do livro do Apocalipse é "o Juízo e a vitória
final". Verificamos que o livro é um crescendo de emoções, de sentimentos,
mas, é sobretudo, de conhecimento do Cristo revelado. É como um poema
sinfônico, um poema em canção. Começa com música suave, bem leve e vai
crescendo cada vez mais e mais, até culminar numa explosão de sons, numa
arrebatadora sinfonia! Assim é o Apocalipse: vai crescendo e crescendo,
falando de dor, sofrimento e perseguições, para daí a pouco alertar para o
julgamento e uma conseqüente prisão, até que, finalmente, chega a esse
clima de vitória última! O Apocalipse é um crescendo de emoções, de
sentimentos, e, ainda mais, de crescimento na graça e no conhecimento do
Cristo que se revelou! Suas promessas desde o capítulo primeiro tiveram
cumprimento ao longo de toda a obra.

A glória da Nova Jerusalém, eterna morada de Deus com os Seus faz lembrar
o final do Salmo 23: "certamente que a bondade e a misericórdia (cf. Ap 21.4,
5, 7) me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor
por longos dias (Ap 21.3)". Que abençoada consolação saber que não haverá
mais dor, nem morte, nem pranto, nem vestígio de uma lágrima sequer
porque estamos com o Senhor em permanente comunhão!

O verso 20 do último capítulo apresenta uma expressão que foi o grito de


anseio da Igreja apostólica, como continua a ser a exclamação da Igreja de
todos os tempos: "MARANATA!!!" Quando dizemos "Maranata", oramos
pedindo a volta de Cristo, pois na língua aramaica, "Vem, Senhor Jesus",
significa "Volta, Senhor, para o nosso meio!" A oração está em ordem
inversa, pois é precedida por um "Amém!". Esse amém veio antecipado
porque representa uma afirmação cheia de fé e de certeza na promessa que
Cristo fez: "Certamente cedo venho!" Essa é a graça de Jesus Cristo (leia
22.21), o amor que não merecemos, mas que Ele nos concede e levou-O ao
Calvário.

LEITURAS SUGERIDAS
CONYERS, A. J. O Fim do Mundo. SP, Mundo Cristão, 1997. Trad. O. Olivetti.

MCALISTER, R. O Apocalipse - uma interpretação. Rio, Carisma, 1983.


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PATE, C. Marvin (Org.). As Interpretações do Apocalipse - 4 pontos de vista.
SP, Vida, 2003. Trad. V. Deakins.

SILVA, Mauro Clementino da. Análise Escatológica do Apocalipse de João.


Campo Grande, 1994.

Parte III
O APOCALIPSE - Estudo 11
"Eis que vem com as nuvens..."

Um novo padrão de vida


Texto Bíblico: Apocalipse 20.1-10; 21.1-12; 22.1-5

A essa altura, já se tem percebido que as visões vieram num verdadeiro


crescendo, e foram dirigidas para a vitória eterna de Jesus Cristo. Tudo o
que foi dito no Apocalipse até este ponto vem demonstrar que Cristo tem
domínio absoluto deste mundo: Ele é vencedor! O mundo não está à toa.
Pelo que vem acontecendo neste mundo, até parece que está ao léu. A Bíblia
mostra que Jesus Cristo tem o Seu domínio, e Sua eterna vitória é o tema
dos restantes capítulos do livro.

Viemos registrando e anotando os diversos títulos de Jesus Cristo: Ele é "o


Alfa e o Ômega", "a Fiel Testemunha", "o Primogênito dos mortos", "o
Soberano dos reis da terra", "o que conserva na mão direita as sete
estrelas", "o Cordeiro de Deus" e muitos outros que indicativos do Seu
poder e senhorio.

O registro agora é o da prisão de Satanás, o Juízo Final e a Nova Jerusalém.


É quando o Cristo Vitorioso vai estabelecer para sempre o Seu domínio para
sempre e sempre, ou, para fazer uso da linguagem bíblica, "pelos séculos
dos séculos".

Aqui se inicia a sétima e última visão do livro. Este capítulo e, sobretudo, o


trecho acima destacado, tem sido considerado como objeto de muito debate.
No seu verso 3, aparece a palavra central nestas discussões. É milênio, que
significa um período de mil anos. A interpretação do que seja o "milênio"
tem dado ocasião a que haja muita discussão e muitos artigos e livros sejam
escritos por teólogos e pseudoteólogos.

Tem-se falado à larga sobre pré-milenismo, pós-milenismo e amilenismo,


palavras técnicas que definem determinadas correntes de pensamento
teológico sobre o milênio. O pastor Hercílio Arandas, veterano e
experimentado pastor amigo e ex-ovelha, afirmou não discutir se seria pré-
milenista, amilenista ou pré-milenista. Disse ele, um tanto jocosa, mas
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conciliadoramente, que preferia ser "pró-milenista", que dizer, "a favor do
milênio". Estes termos não devem ser objeto de preocupação: eles não
levam para o céu. Não é ponto de doutrina, pois não há uma doutrina batista
sobre a escola milenarista abraçada por alguém. Excelentes e lindas
personalidades cristãs, batistas e evangélicos de diversas denominações,
santos homens de Deus, devotadas e santas mulheres apóiam as diversas
posições. Não é ponto doutrinário, mas teológico.

Em pinceladas muito ligeiras explicamos: o pré-milenista admite que uma


vinda de Cristo se dará antes da inauguração do reino que durará mil anos (o
milênio), haverá um período de perturbação e finalmente uma terceira vinda
de Cristo selará a vitória sobre o mal. Cristo volta, inaugura o milênio.
Vamos entender: o pré-milenista acha que quando Cristo voltar antes do
milênio (daí pré = antes), inaugura mil anos de paz quando Ele estará na terra
reinando. Depois desse prazo, uma grande batalha (a do Armagedon, que se
dará no Vale, Har, de Megido Magedon), a vitória de Cristo e o Juízo Final.

O pós-milenista prega que a expansão do evangelho se dará em tal


progresso que o milênio se instalará suave e normalmente, após o que
Jesus Cristo voltará. O evangelho vai sendo pregado em todo o mundo: na
Armênia, na Sibéria, na Oceania, na África, na América Central, etc., e vai
tomando conta dos corações fazendo toda a terra entrar no milênio. Só
depois dos mil anos, Cristo volta, de onde o nome pós-milênio, "depois dos
mil anos".

E o amilenista, prega o quê? Pode parecer que os adeptos da corrente


amilenista ensinam que não existe o milênio, o que não é real. O amilenista
prega que quando Jesus venceu Satanás na cruz, e mais ainda, na
ressurreição, e ascendeu aos céus, o milênio começou. O milênio,
convenhamos, é simbólico, porque o reino de Deus já está entre nós. Aliás, o
ensino de Jesus é esse mesmo: "O tempo está cumprido, é chegado o reino
de Deus. Arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1.15 VIB). Como pode
ser que Cristo já veio, exerceu Seu ministério entre a humanidade, venceu a
morte, foi vitorioso sobre Satanás e não instala o reino? Ensinam, então, os
amilenistas que o reino de Deus está estabelecido, o milênio, portanto,
começou. É, porém, o que teólogos chamam de "já-ainda não", expressão
que significa que o reino já chegou, mas ainda não está plenamente
estabelecido. Cristo está em nós e nós estamos em Cristo. Já chegou, Cristo
está em nosso meio, pois "onde se acham dois ou três reunidos em meu
nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18.20). E Cristo é o Rei e o reino, o
próprio reino de Deus.

Você pergunta, se Cristo está entre nós, o reino já está estabelecido, por que
ainda sofremos? Porque se passa fome, e há tanta perseguição? Por causa
do ainda não. Estamos numa tensão no ponto em que os dois reinos estão
paralelos:

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2ª Vinda

Presente século ///////////////////////////

///////////////////////// Reino de Deus >

O "Presente século" (reino do maligno) ainda está em operação, afinal, "o


mundo inteiro jaz no Maligno", adverte a 1 Carta de João 5.19b. Um dia, esse
reino do mal tem fim: é quando Cristo retornar, permanecendo, eternamente,
o reino de Deus. Essa é a pregação amilenista, que entende o "milênio"
como um termo simbólico como outros tantos do Apocalipse, para dizer
"plenitude, poderio, senhorio, exaltação plena, estabelecimento geral e total
sem barreiras, sem reservas".

Entenda-se, portanto: o amilenista compreende que o número 1000 é um


número conceitual, visto que 10 é um número de altíssimo valor espiritual, e
1000, com mais propriedade ainda, por ser 10 elevado ao cubo (10³). O
milênio culminará no definitivo retorno (a Parusia) para arrebatar a Sua
Igreja.

A vitória de Cristo sobre Satanás deu-se em diversos campos: Jesus o


venceu na tentação do deserto. Venceu-o, por sinal, três vezes. A primeira
tentação foi a da comida fácil e farta.

"Transforma estas pedras em pães..." (Mt 4.3). Bem que Jesus poderia
transformado as pedras em brioches, baguetes, pães de seda, pães crioulos,
pãezinhos de banquete, ou, mesmo, no simples pão árabe. Mas nada disso
fez porque não iria entrar em acordo com Satanás, visto que "nem só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Dt 8.3; Mt
4.4).

Veio, então, a segunda tentação: Satanás mostra a cidade de Jerusalém do


alto do templo de Herodes. A sugestão é que Jesus salte do alto do templo
para que os anjos o amparem. Para fundamentar, Satanás usa o Salmo
91.11,12. Com isso, Satanás quer sugerir que Jesus não precisa passar pelo
Calvário, pois, com esse espetáculo público, veriam que Ele era o prometido
Messias. Jesus também rechaçou Satanás.

É o momento da terceira tentação: do alto do monte, Satanás lhe mostra as


cidades que Mateus chamou de "os reinos do mundo". Que cidades Jesus
teria visto do monte da tentação? Se o monte foi o hoje denominado "monte
da tentação", Ele viu Jericó, que fica bem próximo. Teria visto Jerusalém,
Berseba, Betel, Hebrom, Belém. Satanás diz: "eu lhe dou tudo isso, se você
me adorar de joelhos" (Mt 4.9). É o supra-sumo do abuso satânico, querer
que Jesus o adore?! Jesus o põe no seu lugar ao dizer "Ao Senhor teu Deus
adorarás, e só a ele servirás" (Mt 4.10).

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Satanás foi vencido também no Getsêmani quando Jesus vendo iminente a
cruz, a Sua humanidade falou bem alto. Ele, plenamente humano, tanto
quanto nós, chegou a uma situação chamada em linguagem médica de
hematidrose, em que a pessoa verte sangue pelos poros. A Bíblia registra
este fato de tanta angústia que abrigava em Seu coração, e Satanás podia ter
aproveitado aquele momento. Jesus até disse, "Pai, se queres afasta de mim
este cálice...", "Passe de mim este cálice", diz outra tradução (Lc 22.42). Mas,
passar para quem? A missão de Jesus era precisamente ir para a cruz,
morrer por nós para que tenhamos a eterna salvação. E Jesus completou o

pedido, "todavia não se faça a minha vontade, mas a tua", e com isso
derrotou o Inimigo! Jesus foi vitorioso sobre Satanás na cruz quando
parecia estar derrotado, e tudo parecia absolutamente perdido. O que veio
salvar o mundo, morreu estupidamente naquela horrorosa cruz como um
criminoso qualquer?!... Na cruz, no entanto, Jesus declarou, "Está
consumado" (Jô 19.30), ou seja "Nada deixei por fazer; tudo está plena e
perfeitamente realizado".

Mas, especialmente, Ele o venceu quando ressuscitou na manhã do primeiro


dia da semana, que por isso, se tornou o "Dia [da ressurreição] do Senhor, o
"Dia do Senhor", o Dies Dominica, o Domingo!

Foi naquele momento, que o anjo, que tinha na mão a chave do abismo e
uma grande corrente, segurou o diabo. Um ex-professor meu do Seminário
Batista do Recife, o grande mestre Harald Schaly, dizia que Satanás era um
enorme cachorro. Imagine um imenso fila brasileiro. Está amarrado numa
corrente muito grande: seu campo de ação é grande. Se alguém entrar onde
o cão pode pegar, está perdido. Se ficar fora, não pega. Dr. Schaly dizia que
Satanás é esse cachorro amarrado no abismo. É chamado, até, de "a antiga
serpente" e "o dragão". Mas o feio e feroz dragão virou lagartixa nas mãos
do anjo que o prendeu no abismo por mil anos. O que vemos no mundo hoje,
o "já-ainda não", são os urros de uma fera acorrentada, que não têm
comparação com o que pode fazer estando solto, como diz o verso 3, "por
um pouco de tempo".

Graças Deus, tudo isso vai acabar. É só olhar o que vem depois de Satanás
preso pelos mil anos: ele é vencido para sempre (v. 10), vem o juízo final (vv.
11-15), e dá-se a descida da Nova Jerusalém.

Este capítulo traz uma encantadora e fascinante descrição da comunhão


entre Cristo e Seu povo.

Esse é o modo apocalíptico de falar de comunhão, e como o povo de Deus e


o Senhor estarão entrosados e unidos. É quando o Apóstolo, continuando a
última visão, relata a descida da nova Jerusalém, a cidade santa, descendo
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da parte de Deus, gloriosamente iluminada, enfeitada, bonita, como uma
noiva no dia do casamento.

A propósito, há visão mais bonita que uma noiva no dia do seu casamento?
Nos dias de casamento, não olho tanto para a noiva, mas, sim, para o noivo.
Seus olhos brilham quando vê a noivinha chegando, a face se ilumina.
Imagino Jesus Cristo e Sua noiva, a Igreja.

Até agora viemos falando de noiva, agora, porém, ocorre o casamento. Entre
os hebreus antigos e os árabes, os orientais de modo mais amplo, a situação
é interessante. Primeiro que a festa não dura só uma noite, mas, no mínimo,
sete dias. Era uma semana de cama e mesa de graça. No dia do casamento,
havia um cortejo formado pelos amigos do noivo que o acompanhavam, e,
por outro lado, as companheiras da noiva, com muita música e danças, e
outras expressões festivas (cf. Mt 25.1ss). É o que está retratado aqui: a
nova Jerusalém vai chegar "adereçada como uma noiva ataviada para o seu
noivo".

Estamos, então, chegando ao ponto culminante da história humana: o Mal


vencido e o Bem se estabelecendo de uma vez por todas. Na verdade, a
história fez um círculo completo. Com permissão dos professores de história
e de filosofia, a história não é tão linear como parece, mas circular, por isso,
faz uma volta completa para o tempo inicial de antes do pecado dos
primeiros pais. Volta para o tempo quando tudo era pacífico, calmo, sereno,
tranqüilo, sem malícia, e Deus visitava os habitantes do jardim primitivo na
"viração do dia"; quando ainda não havia chegado a noite, porém não existia
mais o calor e a luz do dia. Era quando havia intensa e profunda comunhão.

João ouviu uma voz que proclamava que o tabernáculo (a tenda, a cabana, a
casa, a habitação) de Deus estava sendo armado no meio das habitações
dos seres humanos (21.3, cf. João 1.14). E essa comunhão perfeita de Deus
conosco, baseada na misericórdia e favor divinos para com os homens e
mulheres, afastando, como afasta, todo sinal de tristeza, de dor e sofrimento,
porque tudo isso faz parte da antiga vida, não da vida em Cristo. Agora,
porque estamos em Cristo, "as velhas coisas já passaram, e tudo se fez
novo" (2Co 5.17). A palavra do que está no trono é, por sinal, essa mesmo:
"Eis que faço novas todas as coisas" (v. 5).

De agora em diante, não há mais cabimento em falar do Mal. O centro da


visão é o Cristo exaltado no Seu trono, é Seu senhorio sobre todas as
coisas, Sua autoridade e poder nos céus e na terra, Seu consolo e
comunhão com Seu povo.

A nova Jerusalém (Ap 21.9-22.5)

O Bem é o Bem, mas o Mal é o travesti do Bem, parece o Bem, mas não o é.
A Igreja é a noiva de Cristo; a Grande Prostituta é a noiva do Anticristo. De
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um lado, está a Nova Jerusalém, a cidade santa; do outro, Babilônia, a
cidade da corrupção, pecado e blasfêmias. Outro paralelo é, do lado do mal,
os cavalos branco, vermelho, amarelo e preto, seus cavaleiros e todo o
catálogo de maldades, flagelos e desgraças; e da parte do Senhor, toda a
consolação, as bênçãos e a Sua graça e misericórdia.

Há uma curiosa arquitetura na Nova Jerusalém. Uma alta muralha com 12


portas com os nomes das tribos de Israel, guardada cada uma por um anjo.
12 eram os fundamentos da muralha e sobre eles os nomes dos 12
apóstolos. Isso significa que a Igreja de Cristo está fundada sobre a
pregação dos profetas, sobre o povo da Antiga Aliança, sobre os apóstolos e
sua pregação, e o povo de Deus da Nova Aliança.

A cidade é quadrangular, sendo que o comprimento, altura e largura são


iguais, ou seja, um cubo como o Lugar Santíssimo descrito em 1Reis 6.20. E
vem a descrição dos metais e pedras preciosas: de jaspe, a estrutura; de
ouro puro, a cidade. Cada fundamento tem uma pedra preciosa; as portas
são pérolas; de ouro puro é a praça da cidade. Mas não havia necessidade
de construir um santuário, porque o El Shadday (Deus Todo-poderoso) e o
Cristo são o próprio santuário desta cidade tão magnificente.

A iluminação não é fornecida pela COELBA, CELPE, ESCELSA, CEMIG ou


pela Light mas sim pela própria kavod (glória) e pelo Cordeiro de Deus. O
abastecimento de água não é da EMBASA, COMPESA ou companhia de
abastecimento, mas pelo rio da água da vida.

Pois é; o círculo está se fechando, porque tudo o que havia no relato inicial
da história teológica da humanidade voltou. É realmente encantador o relato
do que nos aguarda! Toda essa linguagem simbólica existe porque as
palavras humanas são fracas demais para descrever a beleza da santidade
de Deus e o novo padrão de vida que nos aguarda! Por essa razão, o livro
termina com um convite: "E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve,
diga: Vem. E quem tem sede, venha, e quem quiser, receba de graça a água
da vida" (22.17), porque essa descrição encantadora não pode ficar fechada,
mas tem que ser divulgada, exposta, aberta, colocada diante à disposição de
todos, e a Igreja tinha uma palavra de ordem: Maranata! (v. 20b). Ela quer
dizer, "Vem, Senhor; volta, Senhor!" E você pode, igualmente, dizer isso:
"Vem, Senhor Jesus, para a minha vida! Toma-me e usa-me!".

Parte IV

O APOCALIPSE - Estudo 10
"Eis que vem com as nuvens..."

A Vitória do Bem
Texto Bíblico: Apocalipse 17.1-7; 18.1-5; 19.1-9

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A ênfase do livro do Apocalipse não é outra senão a vitória do Bem! Não
esqueçamos que João, o Vidente, tendo registrado a revelação de Jesus
Cristo, estava levando o conforto e a esperança de Sua mensagem às sete
igrejas da Ásia, as quais representam toda a Igreja Militante e perseguida de
todos os tempos e em todos os lugares. É uma mensagem para os cristãos
caçados, aprisionados e vitimados pelo Império Romano, e para a chamada
Igreja Subterrânea na China comunista, é para a Igreja de Cristo em certos
países muçulmanos onde a fé cristã é igualmente hostilizada, e precisa desta
mensagem de conforto.

Esta sexta visão, a da mulher montada numa besta, traz uma colorida e real
descrição do sistema ímpio que domina o mundo. Isso ocorreu no passado,
mas ocorre igualmente nos dias de hoje. Todo o sistema governamental
ímpio, maligno, recebe o nome simbólico de Babilônia, nome do antigo
império que governou o Oriente Médio. Era o Primeiro Mundo da época, era
quem dominava política e financeiramente o mundo antigo. Foi a Babilônia
que tornou Israel submisso, destruiu Jerusalém e levou seu povo em
cativeiro (587/586 a.C.), onde permaneceu por 70 anos.

Surgiram na Babilônia alguns fatos interessantes e relevantes. O primeiro


deles é o enorme senso de dependência de Deus. Já não havia o Beth
haMikdash, o Templo; não mais havia sacrifícios, razão porque tiveram os
exilados que realizar algo novo. Diante de uma situação inusitada, pode-se
tomar uma de duas soluções: ou algo novo é criado ou a pessoa se adapta à
situação. Foi o que aconteceu com os judeus na Babilônia. Lá foi criada a
sinagoga (Beth haSefer), já que não havia Templo, cuja função era a da
realização de sacrifícios. Só isso.

Assim, passaram a estudar básica e sistematicamente a Torah. Só como


referência presente, as terras da antiga Babilônia hoje são o Iraque e seu
entorno.

Que fique na mente o nome destas duas cidades: Babilônia e Jerusalém: são
importantes para o restante do nosso estudo. Babilônia, no código do
Apocalipse, é a representação do mal, do pecado, da imoralidade, de tudo o
que afasta de Deus; Jerusalém, por outro lado, é o símbolo do bem, da vida
pura, de tudo o que traz para mais perto do Criador. Lembrando esse fato, dá
para entender porque Babilônia, por si, símbolo de tudo o que não presta, é
no capítulo 17, a "Grande Prostituta".

A Grande Prostituta (Ap 17.1-7)

Na abertura do capítulo 12, apareceu uma mulher. Estava gloriosamente


vestida de Sol, pisava no tapete que era a Lua, e portava uma coroa de 12
estrelas. Essa mulher é a Igreja de Cristo.

Neste capítulo 17, aparece outra mulher. Está sentada sobre muitas águas.
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Não esqueçamos que "mar, muitas águas" é símbolo de nações. E essa
mulher devassa, aqui chamada de "a grande prostituta", faz das nações o
seu tapete, o que, aliás, está dito no verso 15, "Então o anjo me disse: As
águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, línguas
e nações." Enquanto a Igreja de Jesus Cristo é descrita como em glória,
vestida de Sol, pisando a Lua e com uma coroa de 12 estrelas (tudo para
dizer que ela é "gloriosa, sem mácula nem ruga nem coisa semelhante", cf.
Ef 5. 27), neste capítulo , João fala de devassidão. Ela há de ser julgada por
prostituição, falta de caráter.

O anjo transporta em espírito o apóstolo João até um deserto. Nele, é


encontrada a referida mulher montada numa besta de cor vermelha. Esse
monstro se caracterizava por ter 7 cabeças e 10 chifres, e estava carregado
de blasfêmias. A roupa da mulher era de púrpura e escarlata (tecidos
tingidos de finíssima qualidade, de grife, diríamos hoje), e estava enfeitada
com jóias de ouro, de pérolas e pedras preciosas. Na sua mão, um cálice de
ouro que continha toda a corrupção e sujeira próprias da sua vida devassa e
desavergonhada.

Havia um nome escrito na sua testa:

"BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES


DA TERRA".

Uma observação é que todas as personagens destes últimos contextos têm


algo escrito na testa. Todos têm um "crachá", o cartão de visita:

os salvos têm o nome do Cordeiro que lhes trouxe o perdão e salvação;

os ímpios têm o número 666, a marca da besta;

e a prostituta, Babilônia, a mãe de todas as corrupções.

A essa altura, a mulher apresenta-se embriagada com o sangue dos


mártires. Tantos irmãos nossos foram mortos na Igreja Apostólica porque
foram perseguidos, acuados, violentados, jogados às feras, enfim,
martirizados de mil maneiras, e aqui está Babilônia, a grande prostituta
completamente bêbada, entorpecida, intoxicada. João a olha com admiração
e espanto, ao que o anjo lhe assegura que irá proclamar todo o mistério
daquela mulher e do monstro que lhe serve de montaria.

Não é difícil entender que João, fazendo menção da Babilônia, está, na


realidade, referindo-se à cidade de Roma. Roma é a capital do império do
mesmo nome, e feroz perseguidora dos crentes em Jesus Cristo. Os crentes
quando leram, entenderam que o Vidente falava do Império Romano e não da
Babilônia política e física. Há evidências que elucidam isso. O verso 9 diz
que "as sete cabeças são os sete montes, nos quais a mulher está sentada".
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Roma está edificada sobre 7 colinas. Precisa dizer mais?

A verdade é que estamos rodeados pela influência e práticas da Babilônia


apocalíptica.
Onde há mentira, idolatria, imoralidade, corrupção, deslealdade, traição, aí
se manifesta o espírito da chamada "Grande Prostituta". Essa tendência é
encontrada nas casas dos pobres e nas casas dos ricos, nas escolas, nas
bocas-de-fumo, no ambiente político, no meio financeiro, no morro, no meio
dos traficantes, nos chamados "bairros nobres" e nas "invasões", nas
grandes avenidas, nas praças e, até, ...nas igrejas. O espírito da ganância, de
ganhar por ganhar, de explorar o outro, de aproveitar-se da simplicidade de
algumas pessoas é típico desta influência.

A queda da Babilônia é anunciada (Ap 18.1-5)

João afirma que, na visão, um anjo desceu do céu revestido de autoridade, o


que fez a terra se iluminar com a decorrente glória. Este anjo exclama com
forte voz: "Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios..."
(v. 2ss.) E no contexto do alerta sobre a queda da Grande Prostituta, outra
voz foi ouvida do céu, ordenando que o povo que se chama pelo Nome do
Senhor se retirasse da cidade para que não fosse tido por cúmplice nas
coisas erradas, nem sofresse inocentemente com os flagelos (morte,
lamentações, fome e incêndios) que cairiam sobre ela, como realmente, mais
adiante, Roma caiu fragorosamente, e a Roma de hoje não é sequer um
décimo da Roma do passado.

Quem diria que os antigos impérios do Oriente seriam reduzidos a cinzas?


Do Egito dos faraós, o que resta são ruínas e lembranças. Quando se vai do
Cairo a Giza (Gizé) pela estrada que bordeja os canais do rio Nilo, ao se
chegar à região das pirâmides, o que se vê é algo deslumbrante. As três
grandes pirâmides (Quéops, Quefrem e Miquerinos) são extraordinariamente
magníficas. A Grande Pirâmide tem altura superior a uns 8 de nosso templo.
Para quê? Só para abrigar o corpo mumificado de um homem, e as riquezas
de que precisaria na vida além, de acordo com sua teologia. Tudo foi
roubado e levado para museus da Europa.

Que desprestígio para reis tão poderosos como os faraós cujas múmias
foram contrabandeadas e na identificação das caixas estava escrito
"BACALHAU". Assim terminou a glória desses impérios. O Egito moderno
não representa a potência de Primeiro Mundo que era o Egito antigo.
Lembranças e pó.

Da Babilônia dos jardins suspensos (uma das sete maravilhas do mundo


antigo), só encontramos igualmente pedras e pó. A Roma Imperial, a Roma
dos Césares e das injustiças, caducou, foi esmagada pelas invasões
bárbaras. O que sobrou da Roma Antiga é só para turista matar a
curiosidade. Tudo, entretanto, já havia sido antecipado nas profecias, como
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neste capítulo 18 do livro do Apocalipse.

Esta profecia coloca dentro do mesmo processo de julgamento "todas as


nações", "os reis da terra" e "os mercadores da terra". Quer dizer, todos os
que favoreceram e se favoreceram da Grande Prostituta são culpados e
serão submetidos a rigoroso julgamento. Com essas referências,
percebemos que haverá um julgamento especial para os que se
aproveitaram do poder político e do poder econômico para empobrecer e
prejudicar os outros, coisa de que todos os dias os jornais dão notícia, "E,
contemplando a fumaça do seu incêndio, clamavam: Que cidade é
semelhante a esta grande cidade?" (v. 18). A nossa o é.

O julgamento não se fez esperar, pois "em uma só hora, foi devastada..."
(leia os versos 16-19). Com Deus não se brinca, ou como ensina a Santa
Palavra, "De Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso
também ceifará" (Gl 6.7).

Alegria no céu! (Ap 19.1-9)

É o tema do capítulo 19. Os cânticos de louvor são dominantes ao longo de


todo o relato.
Os grupos corais são formados por "uma numerosa multidão" (vv. 1-3, 6-8) e
pelos "vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes" (v. 4). Houve
também um solista anônimo (v. 5).
Nessa altura, o anjo profere uma expressão de bem-aventurança dos que
são convidados a participar da festa de casamento do Cordeiro (Cristo) e de
Sua noiva (a Igreja). João, de tão impressionado e grato pela bênção desse
culto de ação de graças, ajoelha-se para adorar o anjo, que recusa a
homenagem e aponta para Deus, o único que merece o nosso culto e louvor.
"Olha, não faças isso! Sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o
testemunho de Jesus. Adora a Deus!", diz ele (v. 10).

Quando, finalmente, a Babilônia cair, a Igreja de Cristo vai se alegrar porque


não faz parte do seu maléfico, deletério e pecaminoso sistema. A derrota de
Satanás é um legítimo motivo de satisfação, alegria e louvor a Deus.

Entendamos que esse é o modo como a comunhão perfeita com Jesus


Cristo se dará de fato. E se o cântico em 19.1 não deixa dúvidas sobre a
salvação, o poderio, a glória e o senhorio serem de Cristo Jesus, então Deus
tem todo o direito de julgar os Seus opositores e blasfemadores. É verdade
que os césares (imperadores romanos) haviam exigido dos seus súditos
reverência, culto e fidelidade porque a palavra de ordem era "César é o
senhor!". No entanto, atendendo a uma visão e chamada eternas, a lealdade,
a adoração e o profundo respeito eram prestados pelos cristãos a Jesus
Cristo, e elevavam a palavra de ordem, de louvor, e de adoração, "Jesus
Cristo é o Senhor!"

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Pois é: "Caiu! Caiu a grande Babilônia...!" (18.2b)E dela não se ouve mais,
porque "a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos" (19.3b).

Parte V
O APOCALIPSE - Estudo 9
"O significado das sete taças"

Texto Bíblico: Apocalipse 15.5-8; 16.1-19

Uma nova perspectiva será abordada nesta reflexão: são sete taças da ira de
Deus, cujos conteúdos são flagelos, pragas. João viu, no céu aberto, o
santuário do tabernáculo do Testemunho (15.5), de onde saíram sete anjos
portando taças com os mencionados flagelos (v. 6a).

Nesse ponto, um dos quatro seres viventes de Ap 4.7 deu aos anjos taças de
ouro que continham a cólera divina. O versículo diz que "O primeiro ser
parecia um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de
homem, o quarto parecia uma águia em vôo" (NVI). Um deles deu aos 7 anjos
taças de ouro contendo a cólera divina. Encheu-se o santuário de uma
espessa cortina de fumaça que provinha da glória de Deus.

A Glória de Deus tanto no Antigo quanto no Novo Testamento apresenta


manifestações variadas. A Glória de Deus tem nome. Diz-se em hebraico,
Kavod (dbk); em grego é Doxa (doxa). Tanto a Kavod, a Glória Divina,
contendo a Shekinah, a Presença Gloriosa de Deus, quanto a Doxa são
igualmente essas manifestações da Presença, da Glória, da Majestade e da
Soberania de Deus, apresentando em ocasiões diversas modos diferentes de
manifestação. A Moisés, a Glória divina apresentou-se num arbusto que
pegava fogo, mas não se consumia (cf. Ex 31-5); ao povo de Israel
conduzindo-o à noite no deserto, numa coluna de fogo; durante o dia nesse
mesmo deserto, numa coluna de nuvens (cf. Ex 13.21); Isaías, no templo,
apresentou-se como "a aba de sua veste [que] enchia o templo" (Is 6.1). Não
esqueçamos, é uma visão, e a fumaça do incensário fez Isaías percebeê-la
como o manto do Senhor no alto e sublime trono. Neste capítulo do
Apocalipse, temos o mesmo, porém como uma espessa cortina de fumaça
que vem da Glória divina.

Enquanto os sete flagelos não fossem cumpridos, ninguém poderia penetrar


no santuário. Isso retrata que já estamos chegando ao Juízo Final.
Tenhamos, portanto, na mente, que a ênfase destes capítulos é que o
julgamento é uma obra de Deus.

Primeira fase dos flagelos (Ap 16.1-9)

O primeiro flagelo (vv. 1, 2)


"Então ouvi uma forte voz que vinha do santuário e dizia aos sete anjos: 'Vão
derramar sobre a terra as sete taças da ira de Deus". O primeiro anjo foi e
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derramou a sua taça pela terra, e abriram-se feridas malignas e dolorosas
naqueles que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem."

A primeira taça é vertida na terra pelo anjo que a portava. O flagelo nela
contido atingiu as pessoas marcadas pela besta (cf. 13.16, 17), de modo que
foram cobertas por chagas, feridas, machucões terrivelmente dolorosos e
úlceras malignas.

Esta praga e as três que a seguem atingem a todos de um modo geral, por
serem um ataque ao mundo natural, o mundo dos seres humanos. Jesus
está dizendo à Sua Igreja que Deus, Justo Juiz, está fazendo justiça por
conta das perseguições que a Igreja sofre.

Recordemos as tremendas perseguições. Havia perseguição de fora,


promovida pelo Império Romano, quando os crentes eram perseguidos só
pelo fato de colocarem sua fé em Jesus Cristo, e afirmarem o Seu Senhorio.
Num ambiente em que não se admitia esse tipo de pronunciamento, dizer
que "Jesus é o Senhor" era um crime de lesa-majestade, de lesa-estado, até,
porque o imperador, o César Augusto (Cæsar é o título, Augustus porque era
considerado "supremo, magnífico, exaltado") era reconhecido como um
verdadeiro deus. E assim desejava ser dignificado como "O Senhor", "Kaisar
Kyrios!!!" ("César é o Senhor!!!") exclamavam seus súditos e adoradores. Os
cristãos, porém, reconhecendo o Senhorio de Cristo, afirmavam, "Iesous
Kyrios!!!" Não! "Jesus é o Senhor!!!" sendo impossível dividir a adoração.

Havia, com certeza uma grande caçada aos crentes. Todos temos ouvido e
lido sobre os mártires dos primeiros momentos do Cristianismo. A Outra
Igreja tem transformado esses mártires em pessoas tão especiais que estão
muito acima de quaisquer outras, e criam, deste modo, erros doutrinários e
de práxis. São colocadas imagens supostamente buscando figurá-las em
nichos e altares, dias são dedicados a esses mártires, que são muito mais
irmãos dos cristãos evangélicos na fé pura e inabalável em Cristo que de
outros que se dizendo cristãos, acrescentam à crendice e supertição que
chamam fé (tão diferente da emunah, a fé, bíblica) outras coisas que a
Escritura Sagrada não privilegia.

O que agora estamos vendo é que os sofrimentos destes crentes estão


sendo vingados, pois a ira de Deus cai pesadamente sobre os que fazem a
Igreja de Jesus Cristo sofrer. Na verdade, o ensino da Escritura Sagrada é
que a vingança não é nossa: pertence a Deus (Rm 12.19). Nossa é a
esperança nEle. Como diz a Santa Palavra no Salmo 146.5: "Como é feliz
aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó, cuja esperança está no Senhor, no seu
Deus".

O segundo flagelo (v. 3)

"O segundo anjo derramou a sua taça no mar, e este se transformou em


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sangue como de um morto, e morreu toda criatura que está no mar."

Águas se transformando em sangue: já vimos esse filme. No Egito, pouco


antes do êxodo hebreu, as águas se tornaram sangue. Também este flagelo
atinge a natureza, e, por extensão, as pessoas e suas circunstâncias.
Imagine não poder abrir uma torneira porque a água sai em forma de sangue,
nem tirar água de um poço, nem ir a um rio, riacho, lago, colher um pouco de
água fresca na fonte por causa do sangue, não tomar um gostoso banho em
nossas lindas praias porque está tudo poluído e impuro... O segundo anjo
derrama sua taça no mar, que se tornou sangue e morreram peixes,
moluscos e animais que o habitam. O simbolismo das águas que se tornam
sangue é altamente sugestivo para aquelas igrejas da Ásia Menor (Éfeso,
Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia). Os seus
perseguidores derramavam o sangue dos fiéis: agora, estão experimentando
o mesmo. Está bem esclarecido isso no versículo 6, que menciona o
próximo e semelhante flagelo: "pois eles derramaram o sangue dos teus
santos e dos teus profetas, e tu lhes destes sangue para beber, como eles
merecem".

O terceiro flagelo (vv. 4-7)

"O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes, e eles se
transformaram em sangue. Então ouvi o anjo que tem autoridade sobre as
águas dizer: 'Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste
estas coisas; pois eles derramaram o sangue dos teus santos e dos teus
profetas, e tu lhes deste sangue para beber, como eles merecem'. E ouvi o
altar responder: 'Sim, Senhor Deus todo-poderoso, verdadeiros e justos são
os teus juízos".

Derramada a terceira taça nos rios e mananciais, tornaram-se eles em


sangue. É uma extensão da segunda taça, examinada acima. E o anjo
proclama a justiça divina que não deixa impune a injustiça humana. Mais
uma vez, a natureza é atacada pelo flagelo.

O quarto flagelo (vv. 8, 9)

"O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e foi dado poder ao sol para
queimar os homens com fogo. Estes foram queimados pelo forte calor e
amaldiçoaram o nome de Deus, que tem domínio sobre estas pragas;
contudo, recusaram arrepender-se e glorificá-lo".

Nunca vi tanto calor quanto neste janeiro passado. E para o ano vai ser pior.
Parece que o Sol verão a verão fica mais quente?! Na sociedade urbana em
que vivemos, cada ano mais ruas são asfaltadas e prédios são levantados. A
absorção de calor pelo asfalto e pelo concreto é algo incrível, e essa
quentura é jogado em cima de todos.

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Imagine, então, essa taça da ira de Deus jogada no Sol. Deus na Sua infinita
sabedoria, colocou cada planeta no seu lugar, cada estrela na sua posição.
O Sol não pode ficar mais distante porque morreríamos de frio, nem mais
perto, ou seríamos esturricados.

Mas imagine Deus colocando o Seu dedo, ou melhor, Sua taça de ira em
nossa estrela, o que fez aumentar seu poder de gerar calor: combustível em
cima do Sol. Os seres humanos atingidos blasfemaram contra o Criador, em
lugar de suplicar piedade, misericórdia, permanecendo, deste modo,
impenitentes!

Um modo de martírio muito freqüente na época da Igreja primitiva era a


fogueira. Quantos crentes, irmãos nossos foram para a fogueira unicamente
pelo privilégio e a bênção de se considerarem pessoas salvas no sangue e
no Nome de nosso Senhor Jesus Cristo. E agora temos o Sol como uma
verdadeira fogueira em cima dos seus carrascos. Com o aumento da
intensidade do calor do Sol, os opressores dos cristãos receberiam em si
mesmos idêntico suplício.

Segunda fase dos flagelos (Ap 16.10-21)

O quinto flagelo (vv. 10, 11)

"O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino ficou
em trevas. De tanta agonia, os homens mordiam a própria língua, e
blasfemavam contra o Deus dos céus, por causa das suas dores e das suas
feridas; contudo, recusaram arrepender-se das obras que haviam praticado".

As pragas a partir de agora mudam de alvo. Como é possível alguém passar


por tudo isso e não se arrepender?! Passar por tudo o que acima foi
experimentado e não glorificar o nome do Senhor, e pedir misericórdia e
piedade do Senhor? Com certeza, as pragas têm outro alvo. Em vez do
mundo natural, é o mundo político que as recebe.

Este primeiro flagelo da segunda fase foi derramado sobre o trono da besta,
sendo que seu reino ficou tomado por trevas. Os homens foram atingidos
por úlceras e, por causa da intensa dor, até mordiam a própria língua.
Quando se morde a língua involuntariamente já é doloroso, imagine mordê-la
porque a ira divina está sobre alguém... Essa língua mordida que podia
proclamar o Nome do Senhor e dar glórias a Deus, louvar ao Senhor, passou
a pronunciar palavrões, blasfêmias, clamando e reclamando contra o
Criador.

O sexto flagelo (vv. 12-16)

"O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se
as suas águas para que fosse preparado o caminho para os reis que vêm do
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Oriente. Então vi saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do
falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs.

São espíritos de demônios que realizam sinais miraculosos; eles vão aos
reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do
Deus todo-poderoso. 'Eis que venho como ladrão! Feliz aquele que
permanece vigilante e conserva consigo as suas vestes, para que não ande
nu e não seja vista a sua vergonha.' Então os três espíritos os reuniram no
lugar que, em hebraico, é chamado Armagedon".

O alvo da sexta taça foi o rio Eufrates (o que passa em Bagdá, no Iraque e é
despejado no Golfo Pérsico). Quando jogada a taça naquele grande rio, ele
secou. Isso de seca, já conhecemos igualmente. Muitos rios, no nosso
sertão, ficam completamente secos na época de estiagem. Mas quando vêm
as primeiras chuvas, eles enchem, e o impressionante é que há vida nesses
rios, pois em pouco tempo já estão pululando com peixinhos, camarões, e
reverdecem as suas margens. A caatinga, então, parece um mar com a sua
folhagem verde...

No Oriente Próximo isso de rio seco é história já contada. O rio seco recebe
o nome árabe de uadi (wadi), e ocorre neles o mesmo fenômeno conhecido
no sertão: às primeiras chuvas, enchem-se de água. Jesus contou uma
história onde falava de um desses uadis, a parábola dos dois alicerces (cf.
Mt 7.24-27). O Vidente João fala do rio Eufrates, um grande rio que se tornou
um uadi, para que desse o preparo para os reis que vêm do Nascente (v. 12).

João presenciou uma coisa horrorosa: saíram das bocas do Dragão, da


Besta e do Falso Profeta espíritos imundos que se pareciam com rãs. E
como na falsa religião, como vimos anteriormente, tudo é uma paródia do
evangelho de Jesus Cristo, há uma maligna e horrorosa trindade. Falamos
em Pai, Filho e Espírito Santo com vistas às relações essenciais da
Santíssima Trindade, mas agora temos a infernal e Maligníssima Trindade
formada pelo Dragão, a Besta e o Falso Profeta.

Nesta nova praga política, quando a besta se vê acuada, envia


representantes seus para reunirem os que por ela foram seduzidos e estão
desorientados. Deste modo, a Trindade Maligna vai agir diretamente sobre
os que têm poder sobre as nações, os chefes de governo dando-lhes
autoridade e poder para a realização de suas más obras.

O sétimo flagelo (Ap 16.17-21)

"O sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e do santuário saiu uma forte voz
que vinha do trono, dizendo: 'Está feito!' Houve, então, relâmpagos, vozes,
trovões e um forte terremoto.

Nunca havia ocorrido um terremoto tão forte como esse desde que o homem
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existe sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades
das nações se desmoronaram. Deus lembrou-se da grande Babilônia e lhe
deu o cálice do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e as
montanhas desapareceram. Caíram sobre os homens, vindas do céu,
enormes pedras de granizo, de cerca de trinta e cinco quilos cada; eles
blasfemaram contra Deus por causa do granizo, pois a praga foi terrível".

Como os últimos flagelos, também este ataca o mundo político, mas é


espalhado pelo ar. Surgem fenômenos atmosféricos como relâmpagos,
trovões e pedras de gelo, e, ainda, um tremendíssimo terremoto, que fez a
grande cidade se dividir em três partes. Babilônia era o país, mas era,
também, o nome da metrópole que se dividiu, o que aumentar o horror da
cena. Por conta disso, as ilhas fugiram e os montes não mais foram
encontrados. Já imaginou o leitor se, de repente, a Ilha de Itaparica, a Ilha da
Maré, a da Madre de Deus e as outras desaparecessem de nossa Baía de
Todos os Santos? Foi o que aconteceu. Os montes, as colinas, os outeiros
sumiram do mapa, tal foi o horror momento.

Em algumas traduções do Apocalipse está dito que cada pedra de gelo


pesava um talento. São 35kg. Tem havido chuva de granizo em alguns
lugares. São pedras até pequenas, mas fazem grande destruição: ferem
pessoas, fazem mossas em automóveis. São diminutas, mas a força da
queda é tão grande que elas causam desastres. Imagine uma pedra de 35kg
caindo sobre alguém...

Chama a nossa atenção a expressão "está feito" encontrada no versículo 17.


Esse "está feito!" pode ser colocada em paralelo com o "Está consumado!"
de João 19.30, quando Jesus recebeu o gole de vinagre. "Acabou! Chegou
ao fim! A obra está realizada!", é o que está sendo dito.

Essa é a grande mensagem do Apocalipse. Essa lição não pode sair de


nossa mente, e quando ligamos a questão da obra consumada, do que tem
acontecido, do que vai acontecer, do que Deus nos alerta, sem dúvida, é o
momento de uma reflexão séria e profunda sobre nós mesmos e nossa
circunstância de vida.

Parte VI
O APOCALIPSE - Estudo 8
"Eis que vem com as nuvens..."

Contra as forças do mal


Texto Bíblico: Apocalipse 12.1-8; 13.1-18

O centro de tudo continua a ser a Igreja de Jesus Cristo, suas lutas tanto
internas quanto externas, as perseguições que sofre, e a segurança de uma
vitória que é certa. O livro nos fala sobre luta e vitória. Derrota nunca, mas
vitória assegurada! Nesta próxima visão, o conflito entre o Bem e o Mal não
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cessou e nem vai cessar. Ele continua, mas será retratado com novos
símbolos. Surgem o dragão e duas bestas: a que vem do mar e a que vem da
terra. Por essa razão, precisamos entender os códigos envolvidos.

A mulher e o dragão (Ap 12.1-8)

Aqui está uma mulher vestida de glória. Como faltassem ao autor palavras
humanas adequadas para descrever o magnífico momento que
testemunhava, ou que pudessem retratar a belíssima visão que estava
presenciava, teve de fazê-lo deste colorido modo: uma mulher "vestida de
glória"; seu vestido é o Sol, o tapete é a Lua, e sua coroa, 12 estrelas. Que
visão magnífica... Tanto era o brilho que ele disse "ela estava vestida de sol".
Que extraordinária, linda, magnífica visão diante do Vidente João.

Mas ela se encontra em crise, porque em processo de dar à luz a uma


criança, e sofre. Conhecemos senhoras que deram à luz um bebê de modo
absolutamente natural, e sem qualquer sofrimento. Mas temos ouvido de
processos dolorosos e críticos. Esta mulher da visão apocalíptica é a Igreja
de Jesus Cristo, que no ensino da Bíblia Sagrada é uma só, seja na Antiga
Aliança ou na Nova Aliança: e a Igreja dos salvos na fé. Para uns, no Cristo
que viria; para outros, no Cristo que já veio. Afinal, Abraão, pai dos
israelitas, é chamado na Escritura de "pai dos que crêem" (Rm 4.11). A rigor,
só existe um povo escolhido por Deus, uma raça eleita e um sacerdócio real.
O Israel da Antiga Aliança prefigura o Israel da Nova Aliança, que é a Igreja
de Cristo, Sua noiva aguardando o retorno do noivo conforme o ensino dos
apóstolos (cf. 2Co 11.2; Ef 5.25-27; Ap 21.2)

Este povo, chamado de Israel de Deus, o remanescente fiel (veja Rm 9.27;


11.5), a Igreja de Cristo, tem sido alvo de desprezo, de escárnio, de
perseguição como tem acontecido ao longo destes séculos. Mas isso só
quando vislumbrado com os olhos humanos. Visto, porém , com o
sentimento de Jesus Cristo, é a Sua Igreja, Sua noiva, tão cheia de glória que
merece ser descrita como "mulher vestida de sol com a lua debaixo dos pés
e uma coroa de doze estrelas na cabeça" (Ap 12.1)

O menino que há de nascer mencionado no verso 5 é, segundo muitos


especialistas no Apocalipse, o Cristo. Não se preocupe com o pensamento
lógico ou fora da lógica da literatura apocalíptica. Pois, se acima está dito
que a Igreja é a esposa de Cristo, agora ensina o Apocalipse que a criança
prestes a nascer é Ele próprio. Mas não deveria ser o contrário? A linguagem
oriental, e mais ainda, a linguagem simbólica, emblemática deste tipo
especial de literatura nem sempre segue as regras, normas e padrões do
pensamento ocidental, grego, a que estamos acostumados. A lógica da
Revelação é toda outra. O próprio Senhor Jesus Cristo o demonstrou
quando ao longo do Seu ensino declarou que quem sempre quer ganhar,
termina por perder (Mt 19.29). Quem não se importa de tudo abandonar pelo
amor de Jesus, recebe o reino e o restante. Alguém quer ganhar, ganhar, ser
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o exclusivo, resulta por ser o último, porque a palavra profética de Jesus
Cristo diz que "muitos dos primeiros serão últimos, e muitos dos últimos,
primeiros" (Mt 19.30). Porém, se alguém se colocar numa posição de
submissão, de humildade, há de ser elevado, porque a lógica do evangelho é
extremamente diferente da filosófica. No Apocalipse, também. É o Cristo que
há de nascer pela pregação da Igreja no coração de tanta gente. O fato é que
esta criança "há de reger todas as nações com cetro de ferro", expressão
que aparece no Salmo 2.9.

E o dragão? (Ap 12.4, 5)

É descrito como gigantesco, vermelho, com 7 cabeças que portam


diademas, 10 chifres, e cuja poderosa cauda, golpeando, arrastava um terço
das estrelas, que eram jogadas à terra. Estava postado em frente da mulher,
apenas aguardando que a criança nascesse para devorá-la. Ao ser dado à
luz o menino, foi este imediatamente arrebatado para o trono de Deus, sendo
que a mulher, fugindo para o deserto, encontrou um lugar preparado por
Deus onde ficaria num período de espera.

Um pouco abaixo, no versículo 9, está identificado o dragão. É "a antiga


serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo". Já é
velho conhecido, portanto... O texto vai adiante: "foi atirado para a terra, e,
com ele, os seus anjos". Quer dizer, o que fizera com as estrelas jogando-as
para a terra, aconteceu-lhe. O grande dragão, a velha serpente, virou
lagartixa nas mãos das tropas celestiais liderandas por Miguel, que tem a
patente de arcanjo, e cujo nome, só ele, já fala de vitória (Miguel em hebraico
significa "Quem pode ser comparado a Deus? Quem é como Deus").

A figura apresentada tem muita força. Diz o versículo 3 que era "grande,
vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas". 7
cabeças coroadas significam o poderio universal de Satanás (leia Ef 2.2;
6.12; Ap 17.9); 10 é número de plenitude, chifre é autoridade (cf. Ap 17.12; Zc
1.18, 19), diadema (ou coroa) é, igualmente, símbolo de autoridade.

Dá para entender a tremenda influência satânica atuando nos governos, nos


palácios, nas administrações, nos Senados, nas Câmaras, na política, enfim,
na obra deletéria, perversa, malvada, maligna de destruir os fundamentos e a
beleza da obra de Deus, e, sobretudo, de derrubar e derrotar o Seu povo.

Mas não vence, não. Ele próprio é derrubado, derrotado e ouve a


proclamação dos céus: "Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso
Deus e a autoridade do seu Cristo... festejai, ó céus... " (cf. Ap 12.10-12).
Perceberam porque Satanás faz um ataque tão violento ao povo de Deus?

A besta que vem do mar (Ap 13.1-10)

Todo o capítulo 13 é sobre esta besta. De onde vem esta palavra? Vem da
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língua latina (bestia) e significa "fera". Em nossa linguagem coloquial, tem
tríplice significado: 1.

inteligente ("ele é fera (sabido) na matematica"); 2. convencido, orgulhoso


("nunca vi uma pessoa tão besta (pedante) como Fulano"); 3. atoleimado
("larga de ser besta (bobo, tolo), Sicrano").

O significado básico deste vocábulo é o de "animal feroz" (há uma modelo


de veículo cujo nome é Besta, ou seja, Fera). Este animal feroz agora
descrito procede das águas do mar. Não mais o cenário da terra, nem o dos
céus. Não mais o cenário da mulher vestida gloriosamente de sol, pisando o
tapete da lua. Agora é a fera que vem do mar. A descrição da fera, que
mistura onça, urso, leão e dragão mitológico num só ser, apresenta, mais
uma vez, seu poder devorador, sua personalidade e força recheadas de
malignidade. Por isso, o design da besta representa, na reunião de vários
animais, a extrema ferocidade..

A descrição é semelhante à anterior: 10 chifres, 7 cabeças, 10 diademas


sobre os chifres e uma faixa, como se fosse uma "Miss", com palavrões e
blasfêmias, que é coisa própria de Satanás. Blasfêmia, palavrões e
impropérios, palavras torpes e obscenas, piadas de mau gosto é a
pedagogia Satanás, é só o que ele sabe ensinar.

Mas não era um dragão, e, sim, um leopardo monstruoso, uma monstruosa


onça, pois além de 7 cabeças, tinha pés de urso e boca como a de um leão.

O final do versículo 2 diz qual a sua pretensão, visto que o dragão lhe
concedera "o seu poder, o seu trono e grande autoridade". Que deseja ela?
Domínio e autoridade.

Observe que a situação é extremamente séria, pois se trata de governo, e de


governo mundial. Mar representa na linguagem apocalíptica as nações do
mundo. O animal retratado, aliás, já fora encontrado no livro de Daniel 7 No
verso 2, encontramos o mar (chamado "mar Grande", o Mediterrâneo). Nos
versos 3 a 7, quatro animais: um leão, um urso, um leopardo, e outro não
descrito fisicamente, mas apenas com adjetivos como "terrível, espantoso e
forte, com dez chifres". Daniel fala do mesmo animal.

Estamos falando de governo mundial. No relato da tentação de Jesus Cristo,


que pode ser lido em Lucas 4.1-13, está registrado que o Inimigo ofereceu a
Jesus "todos os reinos do mundo" dizendo, "Dar-te-ei toda esta autoridade e
a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser"
(Lc 4.6). O Mestre recusou. Jesus Cristo tem Sua glória própria, não precisa
da que é dada por Satanás. Mais adiante, Jesus declarou que Seu reino não
era nem poderia ser deste mundo (leia Jo 18.36), o que faz absoluto sentido
porque os reinos do mundo estão sob o controle deste Inimigo-de-nossas-
almas.
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A besta que vem do mar também não será vitoriosa, como veremos adiante.

A besta que vem da terra (Ap 13.11-18)

Se a primeira besta representa o poder dos governos com tudo a que têm
direito nas manobras políticas, sedução de vidas e engodos diplomáticos, a
segunda besta, "a que vem da terra", é significativa do poder da falsa
religião.

A descrição do culto satânico no verso 4 é de arrepiar! Observe: "Adoraram


o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta,
dizendo: Quem é como a besta? Quem pode guerrear contar ela?"

Que terrível a exaltação feita à besta: "Quem é semelhante à besta? Quem


pode guerrear contra ela?" Todo culto falso é uma paródia, o contrário do
que ensina a Sagrada Escritura. E não precisamos ir muito longe: o
Candomblé resulta num falso culto porque parodia o Culto da Antiga
Aliança. Num sacrifício, o animal dedicado deveria ser absolutamente sem
mancha, todo branco. No Candomblé, o animal oferecido e todo preto. O
óleo da unção feito com azeite extra-virgem é substituído pelo azeite de
dendê. Os bolos oferecidos como oferta de paz são substituídos por outras
comidas, inclusive pipocas. Pombinhas são substituídas por um galo.
Paródia.

Voltemos a atenção para Apocalipse 12.7, onde fala de Miguel. Lembra-se do


significado deste nome? "Mi-cha-El?" é a expressão na língua de Jesus que
pergunta já com a segurança da resposta implícita: "Quem é semelhante a
Deus? "Quem pode pelejar contra Ele?"Aqui, no entanto, a pergunta se torna
"Quem é semelhante à besta?"O contrário do Culto divino. Em vez de
perguntar, "Quem, Senhor, é igual a Ti? Quem pode ser como Tu és?" Eles
perguntavam, "Quem pode ser semelhante a este dragão? Quem pode ser
semelhante a esta fera tão maravilhosa e plena de sinais que vem do mar?"
O poder da falsa religião, portanto. Isso significa que o culto da besta é uma
paródia muito mal feita da adoração a Deus Todo-poderoso.

Observe os detalhes da aparência desta diabólica fera: é como um manso e


terno cordeirinho. A figura do cordeiro é bíblica. O cordeiro dos sacrifícios
da Antiga Aliança prefigura Cristo, chamado por João de "cordeiro de Deus,
que tira os pecados do mundo" (veja Jo 1.29; Ap 5.6; 1Pe 1.19; 2.24).

O balido do cordeirinho é suave, e delicado. No entanto, este é diferente: fala


como dragão (v. 11). Percebeu onde está a mentira? Falsa religião! Sim;
porque esse crime tem nome: falsidade ideológica. E Satanás e nada mais
nada menos que um portador de falsidade ideológica, e a falsa religião pode
até assemelhar-se à adoração, prática, linguagem e liturgia da Igreja de
Jesus Cristo. A diferença, no entanto, está na sua essência: na palavra,
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porque fala como dragão, e não como o Cordeiro de Deus. Essa é a má
notícia: engana os desavisados, os incautos, os iludidos e os que ficam
encantados com qualquer coisa bonita e ruidosa que lhes pareça a
verdadeira religião. E vão atrás, pois qualquer ajuntamento, evento,
novidade, modismo, qualquer coisa que apareça que se assemelhe à
verdadeira religião e falando até em nome da religião há quem vá atrás. E
mesmo gente de igreja (para não dizer da nossa igreja...)

A boa notícia é que nós não somos enganados porque Jesus Cristo o
garantiu. Ele deixou bem claro: "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas
ovelhas, e elas me conhecem a mim" e também, "As minhas ovelhas ouvem
a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem" (Jo 10.14, 27).

A religião mentirosa, falsa, não parece querer prejudicar, mas prejudica; não
parece ser má, mas o é. É somente ver as suas obras:

exerce toda a autoridade da besta que vem do mar (submete-se ao poder


governamental, anda "assim" com o governo, o que ele diz, ela faz, não
interessa quem está no governo, pois ela sempre está junto, v. 12a);

leva as pessoas a adorarem a primeira besta (v. 12b);

opera grandes sinais, seduzindo, deste modo, e enganando as pessoas


crédulas e confiantes (vv. 13, 14);

repassa à imagem da besta seu fôlego para que esta fica animada e fale e
ordene que sejam mortos os que não a adorarem (De

us criou o ser humano e deu-lhe o Seu fôlego, pois Satanás fez o mesmo
com a besta, v. 15);
coloca uma marca, tatuagem, sinal ou implante na mão direita ou na testa, a
fim de exercer controle sobre a indústria e o comércio (vv. 16, 17).

O versículo final ensina a calcular o número dessa besta: é 666. Minha filha
me chamou a atenção para um comercial de tintura de cabelos que está
passando na TV, uma modelo está falando e por trás dela aparece uma caixa
com a marca e o número da cor que ela está usando [666]. No final do
comercial, a modelo declara, mostrando o cabelo bem vermelho, "O que
estou usando é o 666..." Pai Eterno!... Não é outro senão o sinal da besta!

Diz a Escritura que este é o número do Anticristo, o número de um homem.


Há quem imagine que o Anticristo deva ser um líder religioso altamente
magnético, capaz de profundamente influenciar as massas populares. Há
quem imagine que seja uma organização religiosa ou o seu cabeça e pastor.
O texto não identifica quem seja o Anticristo, mas diz que o número 666 é
número de homem.

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Está lembrado de que falamos que o número 7 representa algo completo,
obra plenamente realizada, plenitude? Se 7 é o completo, o realizado, 6 é o
incompleto, o irrealizado. 6 é o número que, por mais que se repita, por mais
que se esforce nunca chegará a ser 7. Daí a sequência 6, 6, 6, 6, 6, até o
infinito, mas vai ficar nisso: por mais que tente, não conseguirá ser 7, ou
seja, o número salvação, da obra consumada na cruz e na ressurreição.

O Anticristo assume muitas formas, mas uma característica básica


permanece: não fala como Jesus, não nos olha como Jesus Cristo, não nos
ama como o Salvador, não cuida de nós como o Bom Pastor. É falso. Mas
glória a Deus que temos um Pastor que cuida de nós, que olha por nós, e até
deu Seu sangue para nossa salvação!
Parte VII
O APOCALIPSE - Estudo 7
"Eis que vem com as nuvens..."
O livro doce e as duas testemunhas
Texto Bíblico: Apocalipse 10.8-10; 11.3-12
Entre a sexta e a sétima trombetas, há uma pausa. O mesmo já havia
acontecido entre o sexto e o sétimo selos (veja o capítulo 7). Temos um
padrão: entre a sexta e a sétima trombetas, uma interrupção. O objetivo
desta pausa é apresentar a próxima trombeta como sendo de importância
especial, é fazer um suspense dentro do livro do Apocalipse.
Trovões e livrinho (Ap 10.8-10)
O centro de atenção desta pausa é um livro que está mencionado no verso 2,
"Ele [o anjo] segurava um livrinho, que estava aberto em sua mão". Este
livro tem algo escrito. Que vamos encontrar?
A mensagem deste pequeno capítulo (apenas onze versículos) é que, apesar
de toda essa violência, destruição e recusa de receber a graça de Deus, a
situação não pode nem vai continuar deste modo. Nosso Deus não pode
permitir, não vai permitir, e assegura-nos aqui que este estado de coisas não
pode continuar desta maneira. Por isso, o anjo que, envolvido pela nuvem,
havia descido do céu trazendo um livrinho, com o arco-íris sobre a cabeça, a
face resplandecente como o Sol e as pernas como colunas ardendo, de fogo,
põe o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a terra, e brada com uma
forte voz. Imaginem um gigantesco anjo vindo a nossa cidade, e colocando o
pé direito na Baía de Todos os Santos e o esquerdo sobre a terra, na região
do Comércio, começa a bradar com uma voz muito forte como se fora um
trovão.

Tendo isso acontecido, sete trovões falaram, ou seja, a idéia de algo


grandioso, majestoso e completo. Uma voz vinda do céu disse ao espantado
João, no exato momento quando ia registrar o que havia presenciado, que
mantivesse em segredo o que havia ouvido. Fala o anjo e profetiza que não
haverá demora para que as últimas coisas aconteçam.

Não parou nessa palavra o que o anjo tinha a dizer, e, então, recomenda o
Vidente a tomar o livrinho que está na sua mão e o comesse. Esse livro tem
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a qualidade de ser doce na boca, porém amargo no estômago. Há
comprimidos que são docinhos na boca, mas saindo a agradável camada
doce são horrivelmente amargos. É um paralelo com o que aconteceu a
João. A exortação que vem a João é que ele profetize a respeito do que há
de acontecer a povos, nações e governantes.

Por que o livro apresentava esse contraste: ser doce na boca e amargo no
ventre? Sem dúvida, dá para compreender que o lado doce e suave do
livrinho é a salvação e seus suavizantes, salutares e curativos efeitos.
Realmente, a salvação e algo de mais saboroso que pode acontecer a uma
pessoa. Quando alguém reconhece Jesus Cristo como Salvador pessoal, há
uma transformação que o leva a sentir o mundo de um modo suave,
absolutamente doce. O lado amargo do evangelho, o lado amargo desse
mesmo livro, representa a promessa de julgamento nos termos de João 3.36,
que ensina, "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se
mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a
ira de Deus". Não é terrível? O lado doce é a pregação, por essa razão, eu
não me canso de pregar, de anunciar que Jesus Cristo é o meu Salvador,
que Ele tem salvação suficiente e eficiente para todo aquele que crê. Mas a
minha lamentação é por aquele que não crê. É o meu lado amargo: sinto uma
enorme amargura na boca, no estomago quando verifico que a mensagem
do evangelho é tratada levianamente por quem a ouve. Uma mensagem de
renovação, de eternidade, até. Mas quando recusada, traz ao pregador uma
amargura sem dimensão.
Algumas reflexões
É um capítulo tão pequeno, e, no entanto, apresenta fatos relevantes, como a
chamada de João e a ordem que ele recebe de pregar o evangelho. Sua
vocação está nos versos 8 a 10, quando ele é encorajado a comer o livrinho.
Esta figura ("comer a palavra") já havia aparecido na Escritura Sagrada
como ocorre em Jeremias 15.16 ("Quando as tuas palavras foram
encontradas, eu as comi; elas são a minha alegria e o meu júbilo, pois
pertenço a ti, Senhor Deus dos Exércitos"). O profeta Jeremias já havia
experimentado esse mesmo livrinho. Em Ezequiel 3.1-3, está dito: "E ele me
disse: 'Filho do homem, coma este rolo; depois vá falar à nação de Israel'. Eu
abri a boca, e ele me deu o rolo para eu comer. E acrescentou: 'Filho do
homem, coma este rolo que estou lhe dando e encha o seu estômago com
ele.' Então eu o comi, e em minha boca era doce como mel". Ezequiel,
portanto, menciona que havia compartilhado deste mesmo livro, que, sem
dúvida, todos nós já temos comido, e tem sido doce na nossa boca, a
salvação, e amargo no nosso ventre, a recusa dessa mesma bênção.

O significado é claríssimo: o pregador da mensagem deve experimentar o


doce e o amargo da pregação que salva, o lado prazeroso e o sofrimento de
pregar o juízo de Deus. Como conheceremos a felicidade e a doçura de ter
os pecados perdoados e da comunhão eterna com Cristo, se não
absorvermos a Santa Palavra? Como saberemos do destino final do ímpio,
de sua eterna separação de Deus, se não experimentarmos o fel e o gosto de
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absinto, o amargor dos resultados da mensagem de salvação rechaçada?
A outra reflexão tem a ver com a conseqüência de sua chamada. Estamos
falando da missão que lhe foi confiada: "É necessário que ainda profetizes a
respeito de muitos povos, nações, línguas e reis" (v.11). Jeremias e Ezequiel
também ouviram comissões como essa (cf. Jr 15.16-18 e Ez 2.9-3.9).
Todos, em todos os lugares, de todas as línguas, do governante da nação ao
mais simples, ao povo comum, todos têm o direito de ouvir a mensagem que
salva. Todos, em todos os países, de todos os dialetos e sotaques, do
palácio do governo à pessoa mais simples que passa na rua ou se deita nas
calçadas têm a grave responsabilidade de ter a ocasião de dizer "sim" ou
dizer "não" ao Deus misericordioso que chama, clama, bate à porta e
convida, num gesto de ternura, carinho e graça, que não é outra coisa senão
o amor que não merecemos, mas que Ele nos dá.

Estudo Sobre a Escatologia


Parte I I
ESPERANÇA ESCATOLÓGICA
As duas testemunhas (Ap 11.3-12)
Vem agora a segunda parte do intervalo entre a sexta e a sétima trombetas.
Não podemos, porém, esquecer que a ênfase é a urgência da proclamação.
O evangelho que pregamos tem regime de urgência urgentíssima, não pode
ser retardado, demorado. É a necessidade de arrependimento, de conversão,
porque Cristo em breve vem. E o verso 6 do capítulo 10 declara, "Já não
haverá demora".
Os versículos 3 a 6 deste capítulo dão um retrato da Igreja de Cristo na
figura de duas testemunhas, que representam também a totalidade da Igreja,
a do Antigo Testamento e a do Novo Testamento. Como são descritas essas
duas testemunhas?

¨ "Vestidas de pano de saco", símbolo de humildade e arrependimento (v.


3b);

¨ expelindo fogo pela boca se alguém pretender causar-lhes dano; é figura


do poder do evangelho (v. 5a);

¨ tendo autoridade sobre o céu para impedir as chuvas durante a sua


pregação, como agente do Todo-Poderoso (v. 6a);

¨ tendo autoridade sobre as águas para convertê-las em sangue,


confirmando sua condição de agência do reino de Deus (v. 6b).

Discute-se muito sobre quem seriam as duas testemunhas. Há quem afirme


que são Moisés e Elias, até porque ambos exerceram a autoridade de realizar
sinais: descer fogo do céu, transformar água em sangue, ou impedir que
chovesse.

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A verdade é que não é fácil ser testemunha do evangelho de Cristo, razão
porque os versos 7 a 9 mencionam que são mortas e expostas à curiosidade
do povo. A oposição ao evangelho sempre haverá, pois, "a besta que surge
do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará" (v.7). Porém, diz a
Escritura Sagrada que Deus não permitirá que nossa alma veja a corrupção,
e, deste modo, a gloriosa ressurreição vai acontecer, e o arrebatamento nos
levará ao Senhor, como declaram os versos 11 em diante: "... um espírito de
vida, vindo da parte de Deus, neles penetrou, e eles se ergueram sobre os
pés, ... e as duas testemunhas ouviram...: Subi para aqui. E subiram ao céu
numa nuvem..."

Não podemos deixar de dizer agora: Glória a Deus! A vitória é dEle que não
deixará que nossos corpos vejam a corrupção, e seremos arrebatados como
as duas testemunhas o foram. Passou o segundo "ai!"
Parte IX
O APOCALIPSE - Estudo 6
"As Trombetas"
Apocalipse 8.6-13; 9.1-21; 11.15-19
"Então os sete anjos que tinham as sete trombetas preparam-se para tocar"
(Ap 8.6)
Estes capítulos do livro do Apocalipse tratam de orações e proclamações. O
incenso utilizado no santuário subindo com as orações dos santos e se
unindo às trombetas dos 7 anjos.

Por que foram apresentadas estas 7 trombetas? O simbolismo é de fácil


identificação: trombetas dão comandos, sinais de alerta, chamam a atenção
para algo importante a ser comunicado. Quando a tropa ouve a corneta, sabe
se deve se colocar em posição de sentido ou de descansar. Compreende se
deve marchar, debandar ou ir para o rancho.

Há um caso famosíssimo na história da Bahia que é o episódio envolvendo o


soldado chamado Corneta Lopes. Por ocasião da batalha de Pirajá, Lopes
fez algo inusitado. Recebera ordem de tocar "retirada"; no entanto, tocou
"avançar e degolar!". A tropa baiana avançou, e a portuguesa debandou. Já
estava esta ganhando a batalha, mas houve um tremendo susto, e com isso
os brasileiros venceram a batalha, expulsaram os lusitanos, e deu-se a
independência da única porção de solo pátrio ainda em mãos européias.
Com isso, surgiu o 2 de julho, data da independência da Bahia. A rua entre o
nosso templo e o Teatro Castro Alves chama-se Travessa Corneta Lopes em
sua homenagem, o herói que utilizou sua trombeta para elevar o moral das
tropas nacionais.

Em Josué 6.5, Deus anunciou com trombetas o julgamento da ímpia cidade


de Jericó. O contexto de Números 10.1 e 2 apresenta trombetas convocando
o povo para a adoração. As trombetas do Apocalipse vão anunciar alguma
coisa, e não é coisa boa, a não ser uma delas. São até de assustar. Elas
exortavam "Pare! Deixe de fazer o que está praticando! Arrependa-se!"
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Podemos dizer que são instrumentos proféticos.

Pragas e trombetas (Ap 8.6-13)

Neste livro, as trombetas trazem mensagens breves e anunciam pragas. E


como explica o verso 7, essas pragas destinam-se à natureza. Corresponde
à primeira trombeta: "saraiva e fogo misturado com sangue". Pedras caindo
do céu, fogo e sangue... Tétrico! Como resultado, um terço da terra foi
queimado, incluindo árvores e gramados.

Ou, ainda, no caso do alerta da segunda trombeta, uma grande montanha em


chamas foi jogada ao mar. Imaginemos que estando aqui em Salvador com
esse enorme mar à frente, de repente, cai uma montanha de fogo na Baía de
Todos os Santos matando um terço do que estava no mar: navios
petroleiros, barcos de pesca, os ferry boats, os lindos navios de cruzeiros
que chegam quase diariamente ao nosso porto. Dizem os versos 8 e 9 que
um terço da fauna marinha foi dizimada, sendo que navios e barcos foram
igualmente destruídos (vv. 8, 9). É conveniente recordar que no episódio da
primeira praga sobre o Egito, as águas tornaram-se sangue.

Ao tocar a terceira trombeta, caiu uma estrela de fogo. E essa estrela tem
nome. Aliás, costumam dar nome às estrelas e às constelações: Cruzeiro do
Sul, Cão Maior, Centauro, Mosca, Triângulo Austral, Orion. A estrela cadente
do Apocalipse é chamada de Absinto, palavra que significa "amargor". Ela
caiu sobre os rios tornando suas águas venenosas, impossíveis de serem
consumidas e levando pessoas à morte (vv. 10, 11).

Ao toque da quarta trombeta, estrelas e planetas foram feridos, deixando de


haver luz e brilho. Passa, então, uma águia voando. A águia é uma ave que
tem um belíssimo vôo, altaneiro; nas alturas, reina absoluta, tem uma
agudeza incrível de visão: pode ver do alto do seu sereno vôo, ver um
ratinho no solo, e, então, desce como uma flecha e pega a sua presa. A águia
tem um vôo muito lindo. Mas esta do Apocalipse passou tão triste, e seu
grito dolorosamente ecoou como "Ai! Ai! Ai dos que moram na terra!", por
causa das trombetas que faltam soar.

Essas imagens de desolação e terror visam a chamar a atenção para o fato


de que Deus tem o controle de todas as coisas. Isso não é para nos
assustar, mas para nos deixar satisfeitos e felizes. Nosso Deus é grandioso
bastante para ter controle de toda situação. Seja das águas dos rios ou dos
oceanos, seja das estrelas, planetas no espaço sideral. Deus é justo, e vai
exercer sobre o mundo Seu juízo para cumprimento do Seu plano com o
respectivo e definitivo julgamento sobre os maus, e a anunciada e
aguardada bem-aventurança, galardão de todos os que crêem.
Os Ais (Ap 9.1-21)
Ressoa a quinta trombeta, que é, como vimos acima, o primeiro dos
"ais!"Vêm as lamentações. Se as pragas das quatro primeiras trombetas
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foram horrorosas, as três últimas serão piores.

Quando a trombeta foi tocada, uma estrela portando a chave do abismo caiu
do céu à terra e liberou forças satânicas terríveis, tremendas,
perigosíssimas, simbolizadas pelos gafanhotos envoltos em fumaça tal que
houve um eclipse do sol. No entanto, essas forças malignas não têm poder
de matar: só de atormentar, e, mesmo assim, aos que não têm a marca
divina (vv. 4, 5). Ai de quem é vítima dessa estrela caída, dos escorpiões, das
forças satânicas. Não é esse o quadro de vida do filho ou da filha de Deus, o
qual ou a qual tem o selo de qualidade da parte do Deus Eterno, tem Sua
guarda, Sua proteção, Seu amor infinito, e está salvo ou salva pelo poder do
que emana do Calvário.

É nesse ponto que toca a sexta trombeta (vv. 13 a 21). O rio Eufrates (cf. v.
14), aquele que passa em Bagdá, capital do Iraque, é a última barreira entre o
povo de Deus e o sistema perverso deste mundo. Lembrem-se que
"Babilônia" no Apocalipse é símbolo de tudo o que é iníquo, de tudo o que
não presta. O rio é uma barreira entre a Terra Santa e o sistema maligno do
mundo. Na Bíblia, mar, rio, oceano são sempre sinais de separação,
distância entre um povo e Deus, ou uma pessoa e o Criador.

No entanto, a força maligna está representada por um poderosíssimo


exército de cavalarianos, conforme o simbolismo do verso 16: 200 milhões
cavalarianos. Os próprios cavalos são de uma descrição amedrontadora:
cabeças de leão expelindo fogo, fumaça e enxofre pelas bocas, caudas como
serpentes, sendo que essa fumaceira, esse fogo e o enxofre vieram a matar
33% das pessoas.

Mas Deus chama ao arrependimento. Ai de quem o ignora! Os versos 20 e 21


deixam claro que a convocação divina é constante e que ignorá-la é um
terrível perigo!
A sétima trombeta (Ap 11.15-19)
É o último "ai!" É anunciado, no entanto, em termos gloriosos porque
trombetas e um grande coro proclamam que "O reino do mundo se tornou de
nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos".

Há, por acaso, notícia mais feliz? Quer dizer o seguinte: se para o mundo
impenitente, o que não se arrepende, perdido, ímpio, os primeiros "ais!"
amedrontam, para a Igreja de Cristo, o último "ai!" é anúncio de glória!
Destruição para o mundo, vida eterna, porém, para os filhos de Deus! A
justiça de Deus está feita.

Como tudo ficou diferente a partir deste evento: o santuário celeste foi
aberto, a arca da Aliança vista no seu lugar; relâmpagos, trovões,
movimento de terra e chuva de saraiva são sinais da grandeza de um Deus
que é Todo-Poderoso, o El Shadday, o Deus a Quem servimos!
Parte X
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O APOCALIPSE - Estudo 5
Apocalipse 7
"E ouvi o número dos que foram selados, e eram 144.000, de todas as tribos
dos filhos de Israel" (Ap 7.4)
Há muito debate sobre este texto. Grupos há que fantasiam, até, em torno do
número dos selados de Israel, os 144.000 aqui mencionados. No entanto,
como todos os outros números expostos neste admirável livro, este também
guarda um profundo simbolismo. Seu valor não é o da ciência exata da
matemática, onde 1 + 1 = 2, e 5 + 5 = 10. O real valor deste e de outros
números no Apocalipse é espiritual e moral. Neste tipo de literatura,
números são conceitos, são idéias e são pensamentos, não o seu valor de
face.
Como introdução (vv. 1 - 3)
O capítulo 7 do livro do Apocalipse explica que enquanto a Igreja de Cristo
estiver no mundo, o juízo final será adiado. Estes versos introdutórios são
interessantes: Em cada ponto cardeal, há um anjo. Há um no Norte, outro no
Sul, e mais dois no Leste e no Oeste. O vento se encontra completamente
parado porque os anjos os seguram. Vamos imaginar uma tarde de
mormaço. Não há uma qualquer folha se movendo; os coqueiros estão
parados, as plantas do jardim não se movem, como se o vento estivesse
encaixotado com o tremendo calor. É o que temos aqui. Os anjos freiam os
ventos e a conseqüência é que as nuvens estão estacionadas, estão lá em
cima, mas paradas, não há ondas no mar e folha alguma da vegetação está
se movendo. Sequer há brisa. Parece um filme de ficção científica.

Surge um anjo do lado oriental trazendo o selo do Deus Vivo. Ele fala aos
outros anjos, o do Norte, o do Sul, o do Leste e o do Oeste, e alerta a que
não danifiquem a natureza até que todos os salvos estejam selados.

Nesse ponto da visão, João ouve o número dos que serão selados: 144.000.

Quem são os 144.000? (vv. 4 - 8)

É uma pergunta que tem preocupado muitos cristãos. Reflitamos pelo lado
negativo. O que os 144.000 não representam?

¨ Não são pessoas individuais. Uma seita nascida, por sinal, no ambiente
evangélico ensina que são as pessoas que habitarão o céu, enquanto os
outros milhões permanecerão na terra renovada.

Essa leitura literal não tem cabimento porque, a ser verdade, de acordo com
o capítulo 14.3,4, só iriam para o céu, homens (o texto não fala em
mulheres?!), e estes homens nem podem ser casados?! São todos
meninotes, rapazes e homens virgens. Que tremenda incoerência!!! Homens
casados ou não mais virgens, nem mulheres não irão para o céu...

É preciso entender a ciência da Exegese e da Hermenêutica que esclarecem


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o ensinamento da Bíblia Sagrada. Quando utilizamos essas ciências,
descobrimos que a leitura não pode ser linear, direta, literal. A leitura é
diferente porque este é um estilo diferente de literatura. Chegamos à
conclusão que ler linearmente é um despropósito. O ensino geral da Palavra
de Deus, no entanto, é que essa quantidade representa uma multidão
incalculável para a mente e o coração humanos.

¨ Não são as tribos de Israel. Apesar dos versos 4 a 8, numa leitura


apressada, darem essa idéia, um exame mais detalhado desfará o engano.
São 12.000 de cada tribo. No entanto, não há menção às tribos de Efraim e
de Dã. No entanto, a tribo de Levi, que não tinha herança entre as outras
tribos, está mencionada. João também faz referência à tribo de José, que
não existia, e, como relata a Escritura Sagrada, foi representada pelos seus
filhos, Manassés e Efraim.

Finalmente, quem são os 144.000?

Não esqueçamos algo básico que é o valor conceitual, moral e espiritual dos
números para a interpretação bíblica. Portanto, é necessário dissecar este
número. 144.000 é o resultado da operação 12 X 12 X 1000. Nesse pequeno e
sugestivo cálculo matemático, temos uma preciosa lição. Estes números são
a chave para abrir a porta para um belíssimo conceito, o do precioso ideal da
gloriosa esperança, da habitação eterna e perene com Deus.

12 são as tribos de Israel; 12 é o número dos apóstolos. Significa que as


tribos de Israel representam aqui todos os salvos e fiéis do Antigo
Testamento; os apóstolos simbolizam todos os fiéis e salvos do Novo
Testamento. 12 X 12 (144) são todos os fiéis da Antiga Aliança e todos os
remidos da Nova Aliança, TODOS OS SALVOS, portanto! Todos os que
foram comprados pelo sacrifício de Jesus Cristo, resgatados do poder do
mal, e que formam a Igreja Vitoriosa e Militante! E os 1000? É 103 (dez
elevado ao cubo), o resultado da operação 10 X 10 X 10. Na linguagem
bíblica, 10 é número de altíssimo valor e significado porque reúne nele o 3
(número de Deus) e o 7 (número da obra completa, da plenitude).

Esse ilustre número (o 10) está multiplicado por ele mesmo duas vezes, quer
dizer, 10 X 10 X 10, como já foi mencionado. É o número de altíssima
perfeição (10) multiplicado pelo número de Deus (3). O resultado só pode ser
o máximo de bem-aventurança: ter a fronte selada (símbolo de propriedade)
por ordem do próprio Deus! (cf. v.3).

Multiplicando o resultado de 12 X 12 (144) pelos 1000 do parágrafo acima


temos como resultado 144.000,número ideal, representando o conceito de
todos os salvos, em todos os tempos, de todos os lugares, de todos os
quadrantes, de todas as raças, de todas as condições sociais.

A visão dos glorificados (9 - 17)


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O trecho final do capítulo 7 do livro do Apocalipse apresenta os remidos de
Jesus Cristo que, apesar de passarem pela Grande Tribulação, sairão
imaculados e ilesos.

O texto diz que a multidão era tão grande que não podia ser contada. Diz
que, mesmo sendo de nações, tribos, povos e línguas diversas, exclamavam
a uma só voz louvando a Deus e a Jesus Cristo, o Cordeiro que foi morto,
mas vive.

À pergunta de um dos anciãos sobre quem são estes de roupas brancas, o


próprio João responde que são os que passaram pelos sofrimentos dos
últimos dias e lavaram suas vestes e suas vidas no sangue purificador de
Jesus Cristo, e, agora, já não mais experimentarão dor, lágrimas, fome,
angústia ou penúria. Estão com Cristo por toda a eternidade!

Parte XI
O APOCALIPSE - Estudo 4
"Sete Selos e Suas Surpresas"

Apocalipse 5.1-14; 6.1-7; 8.1-5

"Vi... um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro,
e lhe romper os selos?" (Ap 5.2)

João viu a porta aberta no céu e as coisas impressionantes que ouviu: uma
voz como de trombeta que lhe dizia: "Sobe e eu te mostrarei as coisas que
depois destas devem acontecer". O que esteve antes destas coisas foram as
Cartas às igrejas da Ásia. Ele viu um trono no céu, e nele Alguém assentado.
A linguagem bíblica O descreve como semelhante a uma pedra de jaspe, de
sardônio (v. 3). Ao redor do trono um arco-íris que se parecia a uma
esmeralda.

Tudo aqui é descrito de modo a chamar a atenção para algo majestoso,


grandioso. Não é um simples trono, mas um trono onde Quem está
assentado tem a aparência bem diversa dos que se sentam em tronos
humanos.

24 tronos estão ao seu redor. Neles estão 24 anciãos, ou seja, 12


representam as tribos de Israel no Antigo Testamento, 12 representam os
apóstolos, o Israel da Nova Aliança, vestidos de branco, sinal de pureza
espiritual, suas cabeças portam coroas de ouro, afinal, "sê fiel até a morte e
dar-te-ei a coroa da vida" é a promessa de uma das cartas. No entanto, essas
coroas não estão ali para reverenciar, homenagear, magnificar, exaltar esses
anciãos no trono. Eles tomam as coroas e depositam diante do majestoso
trono de Deus.

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Diante desse trono ardiam 7 lâmpadas de fogo que são os 7 espíritos de
Deus. Lembrem-se que sempre que a Palavra "fogo" aparece na Escritura,
está associada a uma manifestação divina: no portão do paraíso, uma
espada de fogo (Gn 3.24); a manifestação da presença de Deus a shekinah)
na sarça ardente (Ex 3.2); colunas de fogo no deserto à noite (Nm 14.14); no
Pentecoste, as línguas como de fogo (At 2.3); no inferno, um lago de fogo
significando a justiça de Deus sobre os ímpios, injustos e pecadores (Ap
20.10), e não o "reinozinho" de Satanás, como muitos pensam, pois é a sua
prisão.

Aparecem também 4 seres viventes com olhos por diante e por trás. São
monstros? Não; é apenas o símbolo de vigilância perene diante de Deus.
Jesus ensinou sobre a vigilância: "vigiai e orai..." (Mt 26.41). Aqui é
diferente; é "vigiai e louvai", porque tudo o que fazem, só o que fazem é
louvar a Deus (Ap 4.8).

Uma profunda marca da Igreja de Jesus Cristo em todas as épocas é a


esperança, a grande virtude cristã em todos os tempos. Outro modo do
cristão dizer este sentimento é usar a expressão "Segunda Vinda de Cristo".
Falar de esperança e da Parusia, o Retorno de Cristo, é falar da mesma
realidade. Quando celebramos a Ceia do Senhor, celebramos a esperança. A
instrução que temos é "até que ele venha" (1Co 11.26). Os escritores do
Novo Testamento falaram sobre essa abençoada futura realidade como o
apóstolo Paulo que disse, "Damos sempre graças a Deus... por vós, desde
que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus... por causa da esperança que vos
está preservada nos céus..." (Cl 1.3-5). E, ainda, "A graça de Deus se
manifestou salvadora... educando-nos para que... vivamos... aguardando a
bendita esperança e manifestação da glória do nosso grande Deus e
Salvador Cristo Jesus" (Tt 2.11-13). Quer dizer, a esperança associada à
Segunda Vinda. E, fazendo uma união entre a Segunda Vinda e as pressões
espirituais e, mesmo, físicas, exorta o apóstolo Paulo, "regozijai-vos na
esperança, sede pacientes na tribulação..."
(Rm 12.12).

A tribulação vem, e precede a Segunda Vinda de Cristo, razão porque Paulo


exorta a que sejamos pacientes aguardando a gloriosa Parousia, que nos vai
libertar de tudo o mais! Há, portanto, uma íntima ligação entre sofrimento e o
retorno de Cristo Jesus. Percebe-se com absoluta clareza o carinho de Deus
ao conceder à nascente e sofredora Igreja do primeiro século o livro cheio
de encorajamento e de visão da vitória final que é o Apocalipse.
Compreende-se o porquê de tantos símbolos, expressões cifradas, figuras
medonhas, até, retratando a tremenda luta espiritual entre o Bem e a
Malignidade.

É nesse ponto que surge um livro fechado; um livro selado. São sete selos,
ou seja, bem fechado, completamente fechado. Esse livro guarda um
segredo. A propósito, para quem gosta de filigranas lingüísticas, a palavra
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"selo" vem da língua-mãe latina sigilus, que significa precisamente isso:
"segredo, sigilo".

A visão do livro selado (5.1-14)

O livro visto pelo apóstolo João estava escrito por dentro e por fora, mas
fechado com sete selos. Um mensageiro de Deus fazia uma proclamação
que é ao mesmo tempo um desafio, levando o vidente a se lamentar porque
ninguém tinha dignidade bastante para abri-lo e nem sequer para olhá-lo.
Logo foi tranqüilizado por um dos anciãos do capítulo 4 que lhe assegurou
que o Cristo Vivo, o Cristo Vitorioso, o Messias Exaltado era absoluta e
perfeitamente digno de romper os selos e abrir o livro. Só Jesus Cristo pode
abrir o livro que guarda o segredo.

Nesse ponto da narrativa, João vê no meio da cena (lembremos a cena: o


majestoso trono, os 24 tronos, os 24 anciãos, as 4 criaturas com faces de
leão, touro, homem e águia, um Cordeiro com aspecto de morto que porta 7
chifres, 7 olhos, e, no entanto, estava vivo!... Tem aspecto de morto mas está
bem vivo! O Cordeiro tomou o livro do que estava no trono, e todos na cena
como um grande coro se prostraram em grande reverência e cantavam a
dignidade dAquele que comprou para Deus com Seu sangue um povo
formado de salvos de todas as tribos, línguas e nações para fazê-los
sacerdotes do Deus Vivo! Que cena extraordinariamente maravilhosa! E,
assim, cantavam:

"Digno és de tomar o livro,


e de abrir os seus selos, porque foste morto,
e com o teu sangue compraste para Deus
homens de toda tribo, e língua, e povo e nação.
Para nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes
E eles reinarão sobre a terra" (vv. 9, 10).

Se a visão tivesse terminado no acima exposto, já seria o bastante. Mas não


foi o que aconteceu, porque bilhões de anjos rodeando o trono celestial
cantavam a mesma dignidade e honra do Cordeiro de Deus que tira o pecado
do mundo:

"Digno é o Cordeiro que foi morto,


de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força,
e honra, e glória, e louvor" (v. 12)

E ainda mais: toda criatura no céu, na terra, debaixo da terra e sobre o mar,
tudo louvava o Cristo de Deus com exclamações de "Amém!" (v. 14).

Que significam os selos? Os quatro primeiros (6.1-8)

Este trecho fala de um cenário de guerra. Há um convite feito para que João
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presencie a abertura de cada um. Ao se abrir o primeiro selo (vv. 1, 2), surge
um cavalo branco,portando o seu cavaleiro uma arma: um arco. Recebeu
uma coroa e saiu para buscar a vitória a qualquer preço.

O segundo selo (vv. 3, 4) faz aparecer um cavalo vermelho, a cujo cavaleiro


foi dada uma espada e a missão de tirar a paz da terra.

O terceiro selo (vv. 5, 6) traz à cena um cavalo preto. Seu cavaleiro tem uma
balança na mão.

O último selo (vv. 7, 8) apresenta um cavalo amarelo, Morte é o nome de


quem o monta, e está acompanhado pelo Inferno.

A cena é pesada e apresenta um palco de guerra. O primeiro cavaleiro vem


num cavalo branco, o que pode até dar idéia de ser o Cristo que vence. Não
pode ser o Cristo vencedor, porque está no contexto de três outros
cavaleiros que só trazem destruição e miséria. O mínimo que podemos
imaginar é que seja um disfarce para parecer o Cristo de Deus. Parece mais
ser o ambiente de negociações, de compra e venda de votos, de toma-lá-dá-
cá dos acordos diplomáticos (arco é em linguagem bíblica o símbolo de
aliança, de pacto, de contato, de convênio, haja vista, o "arco da aliança", o
arco-íris (cf. Gn 9.8-17). A Segunda Guerra contra o Iraque é isso: os
americanos entraram "vencendo e para vencer". Mas não venceram, porque
diariamente morre, no mínimo, um militar americano. E até gente nossa que
foi para lá em nome da paz, perdeu a vida.

Quando se fala tanto de paz e o cenário só se conforma com a guerra, é


evidência da obra e missão deste cavaleiro. Isso casa com Jeremias 6.14 que
adverte, "Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz;
quando não há paz". O cavaleiro deste cavalo branco é o Negociador nos
conflitos e guerras, mas que nenhuma vantagem ou negociação traz.

Nessa cena bélica, o cavalo vermelho traz o conflito, o ódio, a violência tanto
paga quanto gratuita, o clamor do inocente violentado em seus direitos, o
derramamento de sangue. Somos todos testemunhas dessa violência
gratuita que ocorre em nosso país.

O cavalo seguinte, o preto, traz a inflação e a conseqüente fome, que são o


resultado de revoluções, guerras civis e conflitos militares. Seu refrão
representativo dessa inflação não pode ser outro: "Uma medida de trigo por
um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o
azeite e o vinho" (v. 6). Isso é um clamor pelo altíssimo preço obtido por uma
medida de trigo. Isso significa cerca de 13 litros de trigo pelo salário de um
dia do trabalhador, ou 39 litros de cevada pelo mesmo valor. Como poderiam
as famílias fazer o pão de cada dia com preços tão absurdamente
inflacionados?

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O último cavalo, o amarelo, é o fim de tudo. O que se perde de vidas e
recursos humanos numa guerra é estarrecedor. São vítimas inocentes,
crianças, até, sacrificadas no altar do deus Marte, o deus da guerra dos
romanos. O jornal noticiou que o número de baixas do lado da coalizão
atingiu um ponto crítico: é maior na paz que quando estavam em guerra?!

Outros dois selos (vv. 9-17)

Chegamos ao quinto selo (vv. 9-11). A cena apresenta debaixo do altar as


almas dos martirizados. Aqueles irmãos e irmãs da Igreja apostólica que
foram jogados às feras; cobertos com breu, e seus corpos incendiados para
iluminar avenidas inteiras; senhoras, moças e adolescentes que foram
violentadas, estupradas e depois mortas pelo Nome de Jesus. Tinham eles
nos lábios uma exclamação que é, ao mesmo tempo, uma pergunta.
Observem que eles estão absolutamente conscientes (há grupos que
pregam que com a morte, o espírito fica dormindo na sepultura. No entanto,
eles estão absolutamente conscientes do que lhes aconteceu. Cada um
recebeu um manto branco e a recomendação de que tivessem paciência (vv.
10,11).

Os mártires pedem vingança. Mas a vingança não pertence a nós, e, sim, ao


Senhor, ensina a Santa Palavra (Dt 32.35). Que eles tivessem paciência, a
paciência e a perseverança próprias dos cristãos.

O selo seguinte (vv. 12-17), ao ser rompido, trouxe um grande terremoto.


Houve um eclipse solar, quando a Lua se apresentou rubra como sangue.
Despencaram as estrelas, e o próprio firmamento foi enrolado como um
cobertor.

Jesus já havia falado sobre isso em Mateus 24, ao mencionar o princípio das
dores. Montes e ilhas, continua João, saíram dos seus lugares, e o medo
tomou conta de todos os poderosos (que só o são quando podem controlar
os outros), de modo que se esconderam nas cavernas, tocas, buracos feitos
nas montanhas pedindo que as rochas os escondessem Daquele que está
sentado no trono, por haver chegado o Dia do Retorno de nosso Senhor!

O sétimo selo (8.1-5)

Na abertura do último selo, algo diferente aconteceu. Em lugar dos louvores,


hinos, cânticos, exclamações de júbilo, fez-se silêncio. Silêncio por cerca de
meia hora. Perceberam o contraste? Alguém maldosamente já disse que
esse vai ser o único momento de tristeza para as mulheres no céu porque
vão ficar caladas durante meia hora...

Sete anjos receberam trombetas e, à chegada de um oitavo anjo, foi-lhe dado


muito incenso que, juntamente com as orações dos salvos, subiu ao trono
divino.
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O incenso era o modo gráfico, concreto como o hebreu dizia que a sua
oração subia aos céus. Na mente do hebreu tudo tinha que ser bem
concreto. Se falava em sacrifício, não era como o nosso pensamento que
apenas diz, "temos que fazer um sacrifício..." Ele matava um animal, e,
dependendo de sua situação econômica, esse animal era um boi, cordeiro
ou casal de pombos. Quanto às orações, tomava um pedacinho de incenso e
punha no incensário. Enquanto orava, a fumaça perfumada ia subindo. Dizia
ele, então, "a minha oração está subindo ali no incenso..." Não é a nossa
mentalidade que é helênica, grega, abstrata. No chamado Dia do Perdão
(Yom Kippur), o sumo-sacerdote tomava dois bodes. Um era sacrificado no
arraial; quanto ao outro, ele descarregava os pecados do povo na cabeça do
animal e alguém o levava para o deserto, onde ele morria de queda no
despenhadeiro ou de fome. Tudo muito físico e gráfico, portanto.

O anjo toma, então, fogo do altar e o joga à terra, resultando em problemas


cósmicos: terremotos, trovões e relâmpagos. Os anjos então se preparam
para tocar as trombetas.

Silêncio no céu... Sinal de admiração? De maravilha? Cessa a adoração


vocal. O silêncio, porém, também é adoração. A adoração é multiforme:
quando estamos em cântico é louvor, adoração; ao entregarmos o dízimo, é
louvor; na celebração da Ceia Memorial, é louvor; em oração silenciosa, é
adoração. Em silêncio, também.

Essa é a música celestial, razão porque em sua peregrinação terrena, a Igreja


de Jesus Cristo é instruída e encorajada a cantar em harmonia e no mesmo
ritmo. Coesa, unida, firme, constante, abundante e perseverante, ela há de
prosseguir até a Parusia, a Segunda Vinda de Cristo, o Juízo Final e a Bem-
aventurança eterna!

Parte XII

Trono Celestial"

Apocalipse 4
"Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o
poder, pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existem e foram
criadas" (Ap 4.11)

A partir deste ponto, o apóstolo João passa a relatar as coisas que se


sucederão de acordo com o que fora prometido no capítulo 1.19 ("Escreve,
pois, as coisas as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois
destas hão de acontecer") e esclarecido em 4.1: "Depois destas coisas,
olhei, e vi que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvi,
como de som de trombeta falando comigo, disse: Sobe para aqui, e te
mostrarei as coisas que depois destas devem acontecer."
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A soberania de Jesus Cristo é retratada, como no capítulo primeiro, de modo
muito dinâmico e extremamente colorido, encerrando-se o relato com um
hino de profunda reverência, adequadíssima introdução a todo o drama que
vem a seguir.

A majestade de Jesus Cristo (4.1, 3)


No hino 16 do hinário O Cantor Cristão, o poeta colocou a seguinte
expressão:
"Oh! vinde adorar o excelso e bom Deus,
eterno Senhor, da terra e dos céus,
que reina supremo, envolto na luz,
e que se revela em Cristo Jesus!
Essa é a afirmação de todo o capítulo 4 do Apocalipse, que assegura uma
verdade da qual a Palavra Divina não abre mão. A grandeza de Cristo é
descrita com as reveladoras palavras: "...um trono estava posto no céu, e
alguém assentado sobre o trono. E o que estava assentado era, na
aparência, semelhante a uma pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do
trono havia um arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda".

E prossegue o registro colocando em evidência quão magnífica é a visão da


própria glória (kavod) de Deus manifestada na presença (shekinah) no trono
da graça divina.

É importante que tenhamos sempre na mente os terríveis tempos em que


este livro foi escrito. Não esqueçamos que o Apocalipse foi escrito numa
época de perseguição. O imperador romano era tido como um deus. Ele,
somente ele podia ser exaltado. Era soberano, e exigia dos súditos todo o
louvor. A pompa dos seus palácios não encontrava rival; o trono em que se
sentava, magnífico e esplendoroso. O César (título dado ao imperador de
Roma) não podia dividir sua pompa e circunstância com qualquer outro
deus. Menos ainda com um mestre israelita a Quem algumas pessoas
chamavam de Filho de Deus... Ora, diziam, não tinha cabimento algum...
Decorre de tudo isso um imenso perigo para os cristãos que não dividiam a
sua lealdade a Jesus Cristo.

Observe que nos dias de hoje também há "deuses" buscando a adoração


exclusiva. O deus da fama é um deles. Quantas meninas têm feito sacrifícios
inimagináveis para ter o que chamam de "corpo de modelo", algumas
beirando doenças como a anorexia nervosa e a bulimia para ficarem
macérrimas como pede o sacrifício do altar da fama. Algumas, de origem
evangélica, entregando-sem ao Moloque deverador que é o mundo das
celebridades. Pois é; a fama é um deus exigente e que exige sacrifícios de
suas vítimas, ou melhor, adoradores...

O orgulho não é um deus impiedoso? Aliás, vamos e venhamos, o orgulho


anda tom